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Na Golegã, a última semana deixou marcas visíveis e outras, menos óbvias, mas igualmente pesadas: estradas cortadas, serviços condicionados, equipamentos municipais danificados e o dia-a-dia mudou. Ao mesmo tempo, o concelho viu adiada a votação da segunda volta das eleições presidenciais, para dia 15 de Fevereiro. Rui Xavier, membro da Assembleia Municipal da Golegã, vive na região há cerca de um ano e meio. Não é natural do concelho, mas fala já com a atenção de quem aprendeu a ler o terreno, os ritmos do rio e os sinais que circulam entre vizinhos. “Aqui é um sítio que tradicionalmente teve e tem muitas cheias”, começa por explicar. E, no entanto, sublinha que desta vez houve um elemento novo: “Em relação à tempestade de vento, chuva, as pessoas mais velhas dizem que não têm memória de uma tempestade deste género.” Apesar do impacto, Rui Xavier faz questão de relativizar a gravidade local face ao resto do país. “Aqui, embora tenha sido razoável em algumas empresas e com a destruição de parte de árvores, ainda assim não tem comparação com o que aconteceu, por exemplo, no epicentro, ali em Leiria e noutras zonas do país.” O prejuízo mais evidente, diz, está na sede do concelho. E aponta casos concretos: “As piscinas municipais têm uma área muito grande envidraçada. Uma parede toda em vidro foi completamente destruída.” O problema, explica, vai além do custo. “Vamos ver o tempo que agora vai demorar a recuperar-se aquele equipamento que é um dos centros da comunidade.” E enumera, com precisão, o que está em causa: “É um sítio onde têm aulas os miúdos das escolas. Há, para além da unidade escolar para pessoas idosas, natação livre.” Ele próprio usa o espaço: “Eu faço muito regularmente lá.” Para Rui Xavier, a dimensão do dano não é apenas material: é logística, social e comunitária. “A recuperação não é só uma questão de dinheiro, é mesmo uma questão agora logística.” Luz intermitente e água a subir Nas freguesias do Pombalinho e da Azinhaga, onde vive, o impacto foi mais contido. “Houve falta de luz durante as primeiras 48 horas na sede do concelho, portanto na vila da Golegã.” Já ali, diz, o cenário foi diferente: “Aqui onde nós estamos, que é o Pombalinho e a Azinhaga, ela foi sendo intermitente. Mas nunca houve um período, creio que mais do que algumas 6 horas, em que tivéssemos estado sem energia.” O concelho vive encostado à água e isso molda tudo. “Nós estamos muito próximos do rio Tejo e aqui, no caso de Pombalinho e Azinhaga, do rio Almonda.” Quando chove a sério, o que acontece é quase previsível: “Sempre que há chuvas mais intensas, o caudal do rio aumenta.” A estrada cortada que muda a vida: 8kms passam a 30kms A consequência mais pesada, sublinha, não foi a destruição de casas, foi a interrupção do movimento. “A estrada que liga a Golegã, a Azinhaga e vice-versa (…) é muito comum ficar cortada.” Mas desta vez, insiste, a duração surpreendeu: “Desta vez ficou cortada e ainda está cortada durante muito mais dias.” E é aqui que o dia-a-dia se encarece. “O caminho entre a Azinhaga e a Golegã são à volta de 8 km.” Agora, diz, a realidade é outra: “Tenho vizinhos, amigos, que estão a fazer 20, 25, 30kms.” Rui Xavier chama-lhe pelo nome certo: impacto económico. “O impacto económico na vida das pessoas é muito grande.” Mesmo sem “um grande impacto no edificado”, a factura chega de outra forma: “A possibilidade de deslocação ou haver uma deslocação que de repente passa a ser três vezes maior.” E remata: “Os valores que as pessoas dispendem nessas deslocações têm um impacto muito grande nas contas do fim do mês.” A forma como estas comunidades vivem a cheia é, para quem chega de fora, quase desconcertante. Rui Xavier reconhece-o: “Eu estou cá há pouco tempo e vou aprendendo.” Mudou-se de Lisboa com a mulher, por gosto e por escolha. Mas, diz, uma preocupação esteve sempre presente: “Sabendo que há cheias regulares nesta zona, estávamos num sítio em que a água facilmente cá chegasse.” A surpresa veio depois: “Percebemos a forma como as pessoas lidam com o caudal a aumentar e a transbordar.” Porque aqui, ao contrário do que se vê na televisão, a água não é apenas medo: é também fertilidade e continuidade. “Tudo aqui à volta, a grande fertilidade dos solos depende em muito de ciclicamente serem alagados.” E aponta a paisagem por trás da sua casa como exemplo. “A água, como nós vemos aqui na parte de trás da minha casa, desde que mantenha estes níveis, é quase uma coisa óptima e uma bênção.” Cita, sem romantizar, o que ouve dos mais velhos: “As pessoas mais velhas dizem mesmo isto: ‘Assim tá óptimo.'” E a condição é clara: “Desde que não tenha impacto na casa das pessoas e que não suba muito mais.” A memória agrícola é antiga. “Uma das pessoas mais velhas disse-me (…) que isto era fantástico, porque aqui há umas décadas (…) se o ano fosse mais ou menos seco (…) alagavam os campos através de valas.” Um saber acumulado, transmitido e adaptado: “Todo esse conhecimento acumulado mantém-se.” Para Rui Xavier, a palavra-chave é relação: “Há uma relação muito mais simbiótica com a natureza e até com a proximidade da água.” “A lei da gravidade cumpre-se" Hoje existem réguas hidrométricas, alertas, Protecção Civil e medições em tempo real. Rui Xavier reconhece: “A informação flui de uma maneira que não tem comparação com há décadas atrás.” E elogia o papel local: “As juntas de freguesia tiveram um trabalho muito importante em manter a população informada.” Mas há outra camada, mais antiga, mais humana, mais exacta do que parece: a leitura do território. “As pessoas aqui têm um conhecimento empírico disso, de observação, muitas vezes baseadas em marcos de construção.” Conta um episódio que vale por um tratado de geografia local. A estrada que liga o Pombalinho a Mate Miranda foi cortada por precaução. Rui Xavier falava com o vizinho Manuel, 90 anos, que viveu todas as grandes cheias do século passado e deste século, em 2013. A resposta do homem foi imediata: “Eles cortaram a estrada por precaução, mas ainda se passa lá.” E como é que se sabe? Rui Xavier explica o critério: “Para as pessoas da idade dele, é ter água acima do joelho ou na cintura.” A razão é simples: “Porque já não dá para passar de bicicleta, porque é assim que as pessoas se deslocavam aqui durante décadas.” E continua, “O Manel ainda hoje, com 90 anos, todos os dias anda de bicicleta.” O momento culmina numa frase que Rui Xavier repete com admiração: “Para não passar na estrada de Mate Miranda, a água tem que chegar aqui a este poste.” E depois a conclusão perfeita: “A lei da gravidade cumpre-se. E a água é autonivelante.” O conhecimento do terreno, diz, é tão profundo que dispensa deslocações. “Sabem que quando isto acontece aqui tem implicações ali e não precisam de ir lá sequer ver. Têm a certeza.” Voto adiado para domingo, 15 de Fevereiro No meio deste cenário, o adiamento da votação na segunda volta das presidenciais deixou frustração e um debate inevitável. Rui Xavier não esconde a sua posição: “Eu preferia ter podido votar este domingo” E acrescenta: “As condições climatéricas estão razoáveis e acho que seria possível votarmos.” Ainda assim, não aponta o dedo. “Compreendo que as autoridades tenham avaliado com antecedência e tenham avaliado o risco.” E lembra que a sucessão de tempestades foi imprevisível: “Estavam anunciadas estas outras, embora não me agrade não poder votar, eu compreendo essa precaução.” A frase que usa é rara na política portuguesa, como ele próprio nota: “Parece uma coisa nada portuguesa, mas vale prevenir.” A garantia que o tranquiliza é simples: “Eu sei que vou votar no próximo domingo (…) e que o meu voto também conta.” E deixa um apelo directo à participação: “Acho que é uma obrigação a nossa voz também ser ouvida.” Rui Xavier admite o incómodo, mas recusa dramatismos: “Não é o ideal, mas é o possível.” E insiste na ideia central: segurança primeiro. “Pôs-se em prioridade a possibilidade das pessoas poderem votar em segurança e o processo ser mais razoável.” O concelho, lembra, está em situação de calamidade. E faz um exercício concreto: “Imaginemos que estas últimas 24 horas tinham sido realmente muito fustigadoras.” Estradas cortadas, comboios interrompidos, pessoas a deslocarem-se de fora para votar: “Isso não era muito razoável.” No fim, regressa à mesma lógica que viu nos cortes de estrada e nos avisos de cheia: precaução. “Compreendo que uma estrada seja cortada quando há pouca água a passar por cima, mas que ainda assim é um risco para a população.” A Golegã, como tantas vezes, volta a ser um território entre dois movimentos: o da água que sobe e o do país que tenta avançar. Aqui, as cheias são antigas — e a democracia, por uma semana, ficou à espera.
Portugal vai este domingo, 8 de Fevereiro, a votos na segunda volta das eleições presidenciais, um cenário inédito em quase quatro décadas. Pela primeira vez desde 1986, a escolha do Presidente da República não se decide à primeira volta, mas também pela primeira vez a votação não acontece, em simultâneo, em todo o território. Em sete municípios, entre os quais Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã, e ainda em duas freguesias do concelho de Santarém e duas do concelho de Sintra, o voto foi adiado para o próximo dia 15, devido à situação de calamidade provocada pelas tempestades que atingiram o país. As autarquias justificam a decisão com a falta de condições de segurança e de acessibilidade, num contexto em que persistem estradas cortadas, zonas inundadas e constrangimentos no transporte e na circulação. Apesar do cenário, em muitos pontos do país, os eleitores atravessam ruas ainda marcadas pelos estragos para chegar às urnas. Em Santarém, na Escola Primária de São Domingos, o dia é vivido num equilíbrio tenso entre o dever cívico e a fragilidade deixada pela última semana. “Precisamos de um Presidente e de um bom Presidente e, seja em que circunstância for, é muito importante votar”, diz uma eleitora, sublinhando que, embora na sua zona “não tenha acontecido nada de extraordinário”, viveu os últimos dias com preocupação. Conta que tem familiares obrigados a abandonar a casa na Ribeira de Santarém, onde a água invadiu o rés-do-chão. “Tiveram de tirar tudo da parte de baixo”, descreve, referindo que há um bebé e uma criança na família. Para ela, a crise pode criar terreno fértil para o desespero: “As pessoas estão muito desesperadas, não pensam nas eleições. Alguns coitados não têm grandes hipóteses psicologicamente, nem fisicamente.” Outros eleitores falam da votação como uma resposta directa ao momento político. “Só dois candidatos: temos de ter atenção à nossa liberdade e à nossa democracia”, afirma um outro eleitor, à saída da mesa de voto. Uma mulher, natural de Santarém e residente fora do Ribatejo, diz estar “emocionada” com o que viu nos últimos dias e recusa a ideia de abdicar do voto: “Votar é talvez o único poder que nos dão. Não lutar pela democracia num dia como o de hoje seria uma vergonha.” A eleição opõe António José Seguro e André Ventura, num regime semi-presidencial em que o Presidente não governa, mas pode desempenhar um papel determinante em momentos de crise: dissolução do Parlamento, convocação de eleições, nomeação do primeiro-ministro e influência política e simbólica na vida pública. A própria existência de uma segunda volta e a presença de um candidato de extrema-direita no confronto final confirmam uma transformação do sistema partidário e do debate público, num país habituado a presidenciais resolvidas no primeiro domingo. Em Santarém, porém, a política mistura-se com a urgência do pós-tempestade. As marcas estão no chão, na paisagem e no ritmo interrompido do quotidiano. No Miradouro de São Bento, a cidade olha para um cenário onde a cheia ainda domina: campos totalmente alagados, árvores submersas, telhados e paredes a meio, água de cor cinzenta e esverdeada. “Já assisti a muitas cheias, mas esta é a maior desde que me lembro, desde 1979”, conta Marcolino Pedreiro, recordando também a cheia de 1969 e outra, em 1981. Para ele, esta pode situar-se “entre as duas”. Questionado sobre se as condições meteorológicas podem influenciar o resultado eleitoral, responde com frieza: “O impacto será residual e insignificante.” A leitura não é consensual. O historiador Vítor Pereira descreve um sentimento recorrente em crises deste tipo: a percepção de abandono, mesmo em zonas relativamente próximas de Lisboa. “Quando há catástrofes, muitas vezes há um sentimento de falta de protecção e de falta de atuação do Estado”, explica, apontando para a frustração de quem paga impostos e sente que a resposta pública é lenta ou insuficiente. Para o investigador, falhas de comunicação política, e uma resposta percebida como desadequada, podem alimentar discursos de crítica ao Estado e, em contexto eleitoral, ter consequências. O historiador sublinha ainda o contraste entre a expectativa criada nos últimos anos por um Presidente marcado pela proximidade e pela presença pública, e o que poderá vir a seguir. “Portugal vai sentir-se órfão do Presidente das empatia”, afirma, antecipando que o próximo chefe de Estado terá de construir o seu próprio estilo, sem repetir o modelo dos últimos dez anos. A historiadora Raquel Varela vai mais longe e enquadra o episódio numa sequência de acontecimentos recentes: incêndios, cheias, falhas na resposta de emergência para sustentar uma crítica estrutural. “Nós não temos protecção civil”, diz, apontando para a fragilidade dos serviços e para a dependência das redes informais. “As pessoas têm-se a si, aos vizinhos e aos amigos.” Raquel Varela considera que esta auto-organização popular pode gerar um novo momento de politização, à semelhança do que aconteceu após as cheias de 1967, mas alerta para a ausência de preparação e de estruturas comunitárias. A dimensão internacional também atravessa o dia eleitoral. O activista guineense, Yussef, acompanha a votação a partir de uma perspectiva da diáspora, defende que o resultado em Portugal tem impacto nas relações com a Guiné-Bissau e no espaço político da CPLP. Critica o que considera ter sido um “branqueamento” de práticas anti-democráticas nos últimos anos e pede ao futuro Presidente “coerência com a Constituição”, pressão democrática e uma diplomacia alinhada com os princípios que Portugal afirma defender. Em Santarém, este domingo, cruza-se assim o calendário eleitoral com a recuperação depois de três tempestades. Entre ruas ainda condicionadas e uma normalidade incompleta, o país escolhe o próximo Presidente num contexto excepcional, com adiamentos locais, marcas visíveis no terreno e uma sensação de fragilidade que, para muitos, pesa tanto quanto o voto.
Teresa Leal Coelho, porta-voz da CNE, admite o cenário caso os concelhos que pediram adiamento - Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã - não reúnam condições de voto no dia 15 de fevereiro. See omnystudio.com/listener for privacy information.
A campanha para a segunda volta das presidenciais termina nesta sexta-feira, com António José Seguro em campanha no Norte e André Ventura no Alentejo. Pelo menos, 26 mil eleitores só vão poder votar a 15 de Fevereiro depois de adiada a votação em Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã. Neste Soundbite conhecemos as previsões de Ana Sá Lopes e Helena Pereira para este domingo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste episódio recebemos Maria Bernardo, atleta do Sporting Clube de Portugal. Falamos sobre o seu percurso desportivo, treino, contexto competitivo e a realidade de quem vive o atletismo de forma exigente sem ser profissional a tempo inteiro. A Maria conta como começou no atletismo ainda em criança, passando por várias disciplinas, da marcha à corrida, e como esse percurso diversificado moldou a atleta que é hoje, tanto a nível físico como mental.Falamos sobre a sua vida em Évora, as condições de treino fora dos grandes centros, a dificuldade (e importância) de treinar muitas vezes sozinha, a gestão de volume elevado de quilómetros, os bidiários, os treinos de limiar e as séries longas que marcam a transição para distâncias maiores, em particular a meia maratona. A conversa passou ainda pela preparação e experiência na Meia Maratona dos Descobrimentos, pela vitória na São Silvestre da Golegã e pelo Campeonato Nacional de Estrada, com uma análise clara à gestão emocional em prova, à pressão de representar um grande clube e à constante comparação com versões passadas de si própria.Há também espaço para falar de psicologia, aceitação do momento presente, envelhecimento no atletismo, objetivos realistas, e da forma como o treino mental é tão determinante quanto o físico. A Maria partilha ainda a sua visão sobre redes sociais e o canal de YouTube que criou, explicando como a criação de conteúdo se cruza com o desporto, a criatividade e a necessidade crescente de visibilidade no atletismo moderno.RecomendaçõesJosé Carlos Pinto AMA - Reddit - https://www.reddit.com/r/CorridaPortugal/comments/1qcnr8t/ask_me_anything_jos%C3%A9_carlos_pinto_an%C3%BAncio/Chasing 2:37 - Shortfilms (YouTube) - https://youtu.be/t1-0ITAeOjYMica Rivera Wood - YouTube - https://youtube.com/@micawoodrunsMindfulnessParcerias e como ajudarem este projeto
Sobre pôr os ovos todos no mesmo saco, Cotrim saiu por cima. No interior, Golegã e Arraiolos ganham protagonismo. E ainda, estará a galinha dos ovos de ouro, o turismo, a ser posta em causa? See omnystudio.com/listener for privacy information.
A "prenda no sapatinho" para Montenegro, mas fica a questão: justiça está a ser usada como estratégia política? E o momento da "Golegã" de Cotrim de Figueiredo e eleitorado desconhecido de Seguro.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Feiras do cavalo, na Golegã e não só.
Das muitas conversas que já tivemos neste podcast, esta foi sem dúvida das mais inspiradoras. Responsável por marcas de enorme sucesso no grande consumo, como a Paladin, o “Chief of Dream and Instability” da Casa Mendes Gonçalves tem também imenso a ensinar em matéria de estratégias de negócio e de marketing B2B. Ouvi-lo sobre a maneira como trabalha a distribuição, transforma os concorrentes em parceiros e consegue chegar ao mercado global a partir da Golegã, só por si, faz valer a pena o episódio. Falar com o Carlos Gonçalves não é só aprender sobre todos os ingredientes com que construiu uma empresa extraordinária: a aposta na inovação, a capacidade de entender o consumidor e o cliente, o cuidado com o ambiente e com a sociedade. É também um prazer, pela simpatia e generosidade com que partilha o muito que sabe. Ouça a conversa e descubra: Como vencer num mercado em que os concorrentes são muito maiores e têm mais recursos Como lidar com os erros e as falhas que surgem em qualquer processo de inovação Como estabelecer relações de parceria até com os seus concorrentes Como uma empresa de grande consumo pode ter ótimas relações com a distribuição, mesmo num contexto negocial que favorece as grandes cadeias Como adequar as suas estratégias de internacionalização às características dos diferentes mercados Como entrar na "liga dos campeões" do seu mercado mesmo quando não tem a mesma dimensão e os meios dos seus concorrentes Como fazer da sustentabilidade um fator decisivo para o sucesso da empresa Como criar uma cultura que já não dependa das qualidades e das características do fundador Sobre o convidado: Site da Casa Mendes Gonçalves Perfil da Casa Mendes Gonçalves no LinkedIn Perfil no LinkedIn Marcas mencionadas: Paladin Dona Pureza Peninsular Instituição mencionada: Fundação Mendes Gonçalves Conceito mencionado: Agricultura regenerativa Documentários e filmes recomendados: Kiss the Ground Common Ground Life in Syntropy Livros recomendados: Felipe Pasini e Dayana Andrade - Vida em Sintropia Frederic Laloux - Reinventing Organizations Para saber mais sobre marketing e comunicação B2B, subscreva a newsletter Universidade B2B, da Hamlet. Para continuar a acompanhar-nos vá ao site da Hamlet e fique em dia com a comunicação de marketing B2B no nosso blog. Siga-nos também no LinkedIn e Instagram.
“O senhor pode ir embora, não vou lhe dar voz de prisão”, disse ao dirigente sindical Osmar Golegã o oficial que comandava, nos primeiros dias de abril de 1964, uma investigação na sede do Sindicato dos Empregados na Administração dos Serviços Portuários de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão. “Virei as costas e saí”, conta Golegã ao TUTAMÉIA. “Só que saí e, na porta, já tinha um carro me aguardando, e eu recebi voz de prisão do oficial que já estava lá.” “Eu nunca tinha me envolvido com nenhum caso policial. Nem multa de trânsito eu tinha. Ele me deu voz de prisão e me levou para o presídio da rua São Francisco. Como estava no início, havia poucos presos. Mas, com o passar dos dias, a coisa foi se avolumando, ficou uma quantidade de presos tão grande que eles resolveram puxar o navio Raul Soares, que estava encalhado não sei onde, trouxeram para Santos para servir de prisão para nós.” Construído em 1900, o Raul Soares já nem podia navegar por conta própria: foi rebocado do Rio até o porto de Santos, onde chegou na manhã do dia 24 de abril de 1964. Em seguida, foi ocupado como navio-prisão, como havia acontecido em 1935, na Intentona Comunista, e na Revolta dos Sargentos, em 1963. “Quando cheguei, me puseram numa cela numa cela em que eu fiquei isolado, incomunicável. Eu não fui nem para a carceragem. Não sei onde eles foram arrumaram a ideia de que eu era um elemento perigoso.” O tratamento era violento sempre, humilhante. “Quando precisei usar o banheiro para fazer as necessidades, o carcereiro me levou com a metralhadora sempre apontada para mim. Ele indicou o banheiro, tinha um vaso sanitário exposto. Eu sentei no vaso sanitário, e ele ficou a uns três metros de mim e com a metralhadora apontada.” Isso era ainda nos primeiros dias da operação, que durou até o final de outubro de 1964 –o navio foi rebocado de volta ao Rio em dois de novembro. Hoje com 90 anos, Golegã conta: “Com o passar do tempo, foram acontecendo revoltas contra o que acontecia lá dentro. Para nos castigar, eles tinham locais no navio que eram celas que eram verdadeiras covas, câmaras mortais. Na área da caldeira do navio, tinha um espaço que eles usavam como cela de castigo. Do lado da caldeira, a temperatura era permanente beirando 50 graus, eles transformaram em cela.” Os presos reagiam com ironia: “As celas de castigo logo foram batizadas. Essa ao lado da caldeira, era a El Moroco, que era o nome de boate da Boca do Lixo em Santos. Daí surgiu outra cela, que era o contrário, era fria, estava sempre com água, inundando, fria. Era a Casablanca, nome de outra boate que tinha na Boca do Lixo. Tinha ainda o Night and Day”. Para Golegã, o castigo veio depois de um interrogatório. Ele, que se considerava um “preso submisso”, se rebelou: “Um miserável, durante o interrogatório, quis saber como é que eu tinha casa, carro, e ele, que era militar, não tinha nada disso. Foi uma das poucas horas em que eu perdi a paciência com ele, pela ignorância tremenda de falar essa besteira. Disse: ‘Olha, meu camarada, eu não tenho culpa de você ter resolvido ser meganha. Então cumpra com sua obrigação e deixa a meinha vida, a minha vida eu cuidei. Vocês já fizeram levantamento total dos meus bens, de tudo que eu tenho, e eu fiz por merecer, trabalhando.' Foi esse desgraçado que me mandou pro Casablanca.” “Era uma cela do navio perto de onde todos os dejetos do navio, toda a tubulação, para ir pro mar, passava pela escotilha, que era o único espaço de ar puro. Então passavam por ali todos os dejetos do navio. Era um cheiro! Era insuportável. Fiquei ali onze dias. Saí dali quase sem poder respirar. Quando eu saí do navio, ainda saí com aquele cheiro do navio. Eu levei o cheiro para casa.” O depoimento integra uma série de entrevistas sobre o golpe militar de 1964. Inscreva-se no TUTAMÉIA TV e visite o site TUTAMÉIA, https://tutameia.jor.br. Acesse este link para entrar no grupo AMIG@S DO TUTAMÉIA: https://chat.whatsapp.com/Dn10GmZP6fV...
Carlos Mendes Gonçalves é chief executive officer of dream and instability da Casa Mendes Gonçalves, empresa que produz a conhecida marca Paladin. Nesta conversa falamos sobre o percurso do Carlos, desde que há 40 anos criou a empresa com o pai para produzir vinagre de figo, sobre a evolução dos produtos e das marcas da empresa (7:37), sobre o tema mais importante para o nosso convidado, a sustentabilidade (13:31), sobre as vantagens de estar na Golegã (24:24), sobre a importância de haver desacordo e de se aprender com os erros (31:13), sobre I&D em parceria com universidades (37:37), e sobre instabilidade (42:24). Terminamos o programa a conhecer melhor o convidado (53:53) e com a grelha fixa (1:04:04).
Edição de 27 de Junho 2023
http://podcastmcr.iol.pt/m80/FKP48QSF-AWIT-B3HG-WT68-J78IDMJ52YMX.mp3Fri, 04 Nov 2022 10:34:51 +0000Agora ia de Aguiar da Beira à Golegã00:05:31fullfalse1667558091false
In September i was a guest at Quinta do Falcão. This Equestrian venue aimes at all levels of riders, from those who are just starting to practice, to the most experienced. Classes will be carried out in various disciplines, such as Dressage , Working Equitation, Classical Portuguese Riding, or simply relax on a pleasant hack through the countryside and by the river.At the day I recorded this podcast, I already had one dressage lesson and for the first time in my life i experienced a working equation lesson. On a Portuguese saddle, riding with one hand, which was incredible cool and fun. Together with some other guests from Germany, Sweden and Holland we had a fantastic day and dinner and very late at night there was time to record this interview. So imagine the setting, at 11 at night, sitting on a terras outside in a warm September night in Portugal.And there i am having an interview with Rui Salvador, the owner of the farm and one of the first figures in Panorama dos Cavaleiros, with an unique passion for what he does and, essentially, for the daily work with his horses.His Partner Sandra Strecht, who runs the daily work with the guests and has all the plans and ideas about the packages and holidays on the farm.And last but not least Pedro Teixeira Farto, the main rider is a true horse lover who likes to learn every day, improve and pass on his knowledge to everyone interested and put's a smile on everyone's face! We talk about their family, the love for the Lusitano's and ofcourse the big event Feira da Golegã. So put you feet up, sit back and enjoy listening to this interview!> Want to know more about Quinta do FalcãoPlease visit the website Paardenpas for all the information and bookings.> HorseHeroes is an production of EHS communications, a marketing & communications office, based in The Netherlands.
O roteiro desta semana é por lugares da vida e obra de José Saramago. Começamos na Azinhaga, no concelho da Golegã, onde em 1922 nasceu o Zezito.
Neste episódio falo sobre a minha nova aquisição tecnológica, do futuro da tecnologia, da minha ida à Golegã e de patrões que ligam a funcionários depois do horário de trabalho.
Thursday is move to Portugal day. Sometimes we talk to new arrivals, some sometimes to the more seasoned expat.Today, we look at a remarkable property tat could be your new home in Portugal's equestrian capital - Golegã.---Carl 'Your man in Portugal' Munson is available for one-to-one consultations as part of Expats Portugal's Ask Our Expats team - https://expatsportugal.com/ask-our-expats-portugal/ABOUT EXPATS PORTUGALWe are an online community-driven website and forum offering help and advice to the English speakers already living in Portugal or planning to move here. We have been servicing our community since 2005. You will find articles, member benefits, real estate advice, events and more.Visit our site: https://expatsportugal.comSupport us by becoming a Premium Member: https://expatsportugal.com/upgrade/To be kept up to date with future webinars visit: https://expatsportugal.com/calendar-whats-on/View our forum: https://expatsportugal.com/community/Check out our English-friendly business directory: https://expatsportugal.com/business-directory/
José Veiga Maltez, presidente da Câmara Municipal da Golegã (um dos concelhos que vai recuar no desconfinamento), discorda com os critérios aplicados pelo governo e revela largos prejuízos económicos para o município. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Carlos Gonçalves tinha apenas 15 anos, quando decide que o seu futuro não iria passar pelos estudos. Tinha nascido dentro de uma fábrica, tinha gosto pela indústria e foi sempre o que quis fazer. E foi assim que se juntou ao pai em 1982 para criarem a Mendes Gonçalves, uma empresa que começou a produzir um produto nada óbvio: vinagre de figo. “Havia em Portugal vinagre de vinho branco, vinagre de vinho tinto, e nós quisemos fazer diferente com produtos da nossa terra”, disse-nos em conversa Carlos Gonçalves. Mais de 3 décadas depois, a Mendes Gonçalves diversificou os tipos de vinagre, lançou-se nos molhos e acabou por comprar a Paladin. Esta seria a marca com que dariam o salto para a internacionalização e que assenta, em grande parte, numa matriz muito própria e fundamentalmente na inovação. A empresa manteve desde o tempo do pai e como ponto de honra, o compromisso com a Golegã e com a sua gente, ancorando na região uma das fábricas mais modernas da Europa, uma das mais procuradas pelas principais Marcas de Distribuição, e a selecionada como fornecedora certificada por algumas das maiores marcas do Mundo. “Dá trabalho dar frutos, mas a Mendes Gonçalves faz do impossível o seu chão e dos desafios mais audaciosos os seus próximos passos. Carlos Gonçalves gosta de ampliar os horizontes do orgulho de ser português ao criar e desenvolver produtos e marcas próprias de qualidade e com criatividade, não hesitando correr riscos em prol das suas metas: fazer da Paladin, da Creative e da Peninsular, referências em qualquer parte do mundo, nas quais os portugueses se revejam. Estas três marcas provam, em sentidos complementares, uma aposta de sucesso, nacional e internacionalmente.” Confira estas e outras histórias em http://juiceacademy.net/ Conheça mais em https://www.paladin.pt/
breve comentário bíblico e teológico | Solenidade de todos os santos | Golegã, 1 de Novembro de 2019. Apocalipse 7,2-4; 1 João 3,1-3 e Mateus 5,1-12. © Mammal Hands, Shadow Work (Gondwana Records, 2017) – Near Far António Pedro Monteiro
Siôn Jobbins yn darlledu o Lansiad 'Undod' o'r Hen Goleg yn Aberystwyth, 26/1/2019, Cyfweliad gyda Sandy Clubb a Carl Morris.
Cyflwynydd a chyn-aelod o'r band Mega yw gwestai Beti George yn y rhaglen hon. Cafodd Rhydian Bowen Phillips ei eni yn Aberdâr, ond symudodd y teulu i'r Rhondda, ac yno y bu ei dad yn weinidog. Bu'n ddisgybl yn Ysgol Llwyncelyn, ac roedd ymysg y cyntaf o ddisgyblion Ysgol Gyfun y Cymer, sydd yn destun balchder iddo. Aeth i Goleg y Drindod i astudio Theatr, Cerdd a'r Cyfryngau, a gweld hysbyseb yn holi am aelodau ar gyfer band newydd sbon. Y canlyniad oedd ffurfio Mega. Mae Rhydian wedi gweithio fel cyflwynydd Planed Plant, La Bamba, i-dot ac Uned 5, ac wedi ennill cystadleuaeth Cân i Gymru. Wrth sgwrsio gyda Beti, fe yw llais y stadiwm yn ystod gemau pêl-droed Cymru a Chaerdydd.
Beti George yn sgwrsio gydag Andrew Tamplin. Yn wreiddiol o Lanelli, cafodd ei fagu ar aelwyd ddwyieithog, a roedd y capel yn rhan bwysig o'r fagwraeth honno. Bu'n canu'r organ yno o oedran ifanc iawn, a daeth i arwain côr merched yn y dref, yn ogystal ag arwain cymanfaoedd canu yn yr ardal. Dod yn athro oedd y nod wrth fynd i Goleg y Drindod, ond newidiodd ei feddwl a mynd i fyd bancio. Aeth hynny ag o i sawl lle gwahanol, gan gynnwys Southampton, Ynysoedd y Philipinau a Manila. Yna, aeth yn sâl gyda blinder meddyliol a chorfforol, a dechreuodd deimlo'n isel iawn. Ar ôl ymddiswyddo o'r banc, a chyfnod o driniaeth i drechu'r iselder, dechreuodd feddwl am gynnig cymorth i eraill gyda'u datblygiad gyrfa. Canna Consulting ydi enw'r cwmni yng Nghaerdydd, a mae'n fusnes sydd wedi tyfu dros y blynyddoedd. Mae'n byw gyda John, ei bartner, sydd wedi bod yn graig iddo drwy'r cwbl, a mae'r ddau yn adeiladu tŷ yn Y Barri.
Edição de 14 de agosto 2009
Edição de 13 de Junho de 2009 - O Chalé da Fotografia na Golegã