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Israel e Irão retomaram, por algumas horas, os ataques directos pela primeira vez desde o frágil cessar-fogo assinado há dois meses. Entretanto, ao início da tarde desta segunda-feira, ambas as partes informaram que suspenderam as operações, depois de Donald Trump ter exortado as partes a fazerem-no. É que a retoma dos ataques pode comprometer as negociações entre Estados Unidos e o Irão e mostram “posições cada vez mais divergentes” entre os Estados Unidos e Israel, explica a investigadora Maria Ferreira. A nossa convidada de hoje não antevê o fim do conflito no Médio Oriente a curto prazo porque, para já, Israel e Irão não têm vantagens em negociar e apenas Donald Trump está a jogar “a sua própria sobrevivência política interna” e “não tem muita margem de manobra para continuar a suportar Israel”. Esta segunda-feira, Israel confirmou ter atacado um complexo petroquímico e alvos militares no Irão, enquanto Teerão disse ter retaliado, atacando uma instalação petroquímica israelita e duas bases aéreas em Israel. As forças israelitas também anunciaram o lançamento pelos hutis de um míssil a partir do Iémen contra Israel, que foi interceptado. O fogo cruzado recomeçou na noite de domingo com um ataque iraniano contra território israelita, em retaliação ao bombardeamento de Israel ao Líbano horas antes. Estes ataques diminuem ainda mais a perspectiva de um possível acordo para pôr fim à guerra que começou a 28 de Fevereiro com ataques aéreos israelitas e americanos ao Irão. Entretanto, ao início da tarde desta segunda-feira, o exército iraniano disse ter terminado a vaga de ataques e ameaçou retomar se Israel continuar a bombardear o Líbano. Por seu lado, a Reuters avança que Israel também decidiu parar esta série de ataques contra o Irão. Um pouco antes, o Presidente norte-americano, Donald Trump, exortou o Irão e Israel a cessarem as ofensivas. Para falarmos sobre este tema, convidámos Maria Ferreira, investigadora portuguesa do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. RFI: O que representa esta retoma dos ataques directos entre Israel e o Irão? Maria Ferreira, Investigadora: “Penso que representa o facto de os Estados Unidos e Israel, que desenvolveram em conjunto esta ofensiva, terem objectivos de política externa para o conflito completamente diferentes. Desde o primeiro dia de ofensiva que Israel disse explicitamente que a sua questão com o Irão era uma questão existencial, portanto, Israel compreende o Irão como uma ameaça existencial, enquanto para os Estados Unidos a questão seria relativa ao enriquecimento de urânio, à eventual posse de armas nucleares, que é algo que pode ser gerido através de uma negociação diplomática, tal como aconteceu durante a administração de Barack Obama. Para Israel, a questão não é o enriquecimento de urânio, não é a eventual posse de armas nucleares por parte do Irão. Israel representa o Irão como uma ameaça existencial e, portanto, uma ameaça existencial só é dirimida através da eliminação do regime iraniano. Mas essa eliminação do regime iraniano só pode acontecer através de uma incursão terrestre que é muito difícil de ser executada. Temos dois aliados com objectivos distintos numa guerra e o Irão está a tentar, através de uma resiliência militar e civil notável, aproveitar as diferenças de objectivos que existem entre os Estados Unidos e Israel.” Donald Trump disse “Quem decide sou eu, não ele” em referência a Benjamin Netanyahu e já não esconde o desacordo, tendo-se mostrado muito insatisfeito com a ofensiva israelita no Líbano. Que leitura faz desta declaração de Trump em relação a Netanyahu? É só mais uma declaração ou tem peso? “Tem muito peso, sobretudo quando nós lemos estas declarações à luz da divulgação de um relatório recentemente da própria ‘intelligence' norte-americana que denuncia actividades de espionagem da 'intelligence' israelita sobre os próprios Estados Unidos. Portanto, a ‘intelligence' israelita estaria a tentar penetrar nos mecanismos de decisão norte-americanos, tentando averiguar quais serão os próximos passos da administração Trump para a questão no Irão. Estas actividades de ‘intelligence' subversivas não fazem parte de nenhum acordo de troca de informações, estamos a falar de actividades subversivas de captura de informação secreta que estariam, segundo este relatório, a preocupar seriamente o Pentágono. Isto denuncia uma cisão eventual, não só em relação aos objectivos que os dois Estados têm para o conflito, mas denuncia a existência de uma fractura entre as ‘intelligences' e os aparelhos militares dos dois Estados.” Esta fractura também é uma fractura política? Como é que esta cisão se pode materializar no terreno? “É profundamente política. Ainda ontem Donald Trump deu a entender que a linguagem da guerra no Médio Oriente é distinta da linguagem da guerra no Ocidente, quando argumentou que aquilo que nós, no Ocidente, entendemos por cessar-fogo é diferente do que Israel e Irão entendem por cessar-fogo. É claro que este argumento é uma tentativa de mascarar, no fundo, a incapacidade norte-americana de controlar o seu principal aliado no Médio Oriente, que é Israel, e mesmo de revitalizar aquela que era uma das grandes conquistas de anos e que são os acordos de Abraão. Note-se que Donald Trump admitiu que não tinha conhecimento sequer dos ataques a Beirute. Esta cisão vai ter consequências políticas porque, enquanto os Estados Unidos estão a tentar gerir o conflito através de vias diplomáticas - porque não têm mais opções militares para apresentar em relação à questão do Irão, já que puseram de lado a possibilidade de uma incursão militar terrestre - Israel persiste na sua tentativa de conquistar território. Quem conhece a geografia do Médio Oriente sabe a importância que o Líbano tem para a percepção da ameaça em Israel e, portanto, para o regime de Netanyahu o controlo dos 'proxies' do Irão é muito importante. Para o Irão, o controlo dos seus 'proxies', que são braços armados fora do seu próprio território, também é muito importante. Aquilo que nós temos aqui são três ‘players', dois dos quais estão em posições cada vez mais divergentes, o que está claramente a complicar a solução para o conflito. Solução essa que Donald Trump está a desejar que aconteça para a sua própria sobrevivência política interna. Nós sabemos aquilo que aconteceu na semana passada no Congresso, quando os próprios senadores republicanos já mostram grandes dissensões em relação à presença militar dos Estados Unidos no Irão.” Até que ponto é que a retoma dos ataques directos entre Israel e o Irão vai afectar as negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irão? Elas estão definitivamente comprometidas? “Eu penso que sim, porque enquanto os Estados Unidos não conseguirem retomar o seu controlo sobre as actividades de Israel - e isso não parece fácil, dado que neste momento existe até uma própria desconfiança sobre eventuais actividades subversivas de Israel em território norte- americano - enquanto isso não acontecer, nós não teremos condições para haver uma negociação séria porque não há vontade de Israel de encetar uma negociação com o Irão. E o Irão também ainda não está num ponto de tal fragilidade que precise necessariamente de entrar em negociações, quer com os Estados Unidos, quer com Israel porque o Irão percebeu que controla algo fundamental, que é a percepção da ameaça sobre o estreito de Ormuz e sobre a percepção da ameaça sobre o eventual desenvolvimento de uma crise económica com base no controlo do estreito de Ormuz. Isso dá-lhe uma vantagem estratégica e faz com que esta vontade negocial destas duas partes, Israel e Irão, seja praticamente inexistente. Nenhum deles tem, neste momento, interesse em negociar. Quem tem mais interesse em negociar? Quem está a entrar naquilo a que se chama um ‘break-even point' são os Estados Unidos. Mas os Estados Unidos não têm controlo sobre os objectivos estratégicos de Israel, nem em relação ao Irão, nem em relação aos 'proxies' do Irão. E neste sentido, neste jogo, nem Israel nem o Irão têm neste momento qualquer tipo de incentivo externo para bloquearem o conflito ou para pararem as hostilidades, enveredarem por um verdadeiro cessar-fogo e começarem a negociar. E se não há vontade de negociar, se não há propensão para a negociação, é difícil que haja um acordo negocial sério ou duradouro.” Como é que vê o envolvimento dos hutis do Iémen nesta nova escalada? “Como disse há pouco, os os 'proxies' do Irão são fundamentais no seu esforço de guerra no contexto do Médio Oriente. E, portanto, quer o Hamas, quer o Hezbollah, quer os hutis, são formas de o Irão perpetuar a guerra na sua geografia próxima e de enfrentar os seus inimigos através de braços armados. Também perante a relativa aliança dos Estados Unidos com os restantes países do mundo árabe, é uma forma de demonstrar que o Irão, no seu esforço de guerra, não está isolado perante a força da superpotência que são os Estados Unidos e da grande potência regional que é Israel. É preciso olharmos para a geografia do Médio Oriente, para a sua geografia política, quer para a sua geografia religiosa, quer para a sua geografia energética, e perceber que, se os Estados Unidos foram ao longo de décadas construindo uma rede de alianças muito com base em incentivos económicos com o Qatar, a Arábia Saudita, o Irão também ao longo dos últimos 50 anos, foi construindo um regime de alianças com forças subversivas, com actores erráticos que agora utiliza no seu esforço de guerra. Portanto, é compreensível que estas forças, ainda que esporadicamente, venham ao encontro das necessidades de guerra definidas pelo próprio regime iraniano.” Nesse sentido, como é que vê os próximos tempos? O que será necessário para restaurar um cessar-fogo credível? “Eu penso que países como a Jordânia, a Arábia Saudita têm neste quadro um papel fundamental porque são países cuja economia depende absolutamente daquilo a que se chama a paz comercial ou a paz pelo comércio, dos fluxos de energia regulares, os fluxos de pessoas, nomeadamente fluxos turísticos, do comércio. A estes países do Médio Oriente este conflito não é de todo interessante e têm aqui uma palavra fundamental. Eu penso que isso foi bem lido por Donald Trump quando, no seu primeiro mandato, desenvolveu a lógica que está por trás dos acordos de Abraão. Estes países têm um papel fundamental na estabilização do Médio Oriente e mais do que o Paquistão, que se assumiu já como um potencial mediador, é a estes países que os Estados Unidos devem recorrer no sentido de criar uma base política estratégica pacífica no Médio Oriente.” Isso demoraria algum tempo, mas tendo em conta que temos as eleições intercalares em Novembro nos Estados Unidos, a curto prazo vamos ter o fim do conflito? “Penso que não. A não ser que algo mudasse em Israel que levasse a uma mudança fundamental de orientação estratégica, mas isso não está a acontecer. Aliás, o regime de direita radical de Netanyahu está a agir como os regimes populistas de direita extremista normalmente agem, ou seja, com um grande potencial para a expansão geográfica, com uma grande propensão para a escalada de conflitos, uma total desvinculação de instituições internacionais e uma muito fraca necessidade de contribuírem para bens públicos globais. Estes quatro traços de política externa são em parte partilhados pelos Estados Unidos. Simplesmente nos Estados Unidos, neste momento, Donald Trump não tem muita margem de manobra para continuar a suportar Israel, nomeadamente no que toca à propensão para a escalada do conflito com o Irão. E é isso que, a meu ver, está a complicar e a complexificar qualquer tipo de processo negocial em relação à guerra entre os Estados Unidos e Israel e o Irão.”
Nestes últimos dias, a África do Sul está a ser abalada por uma nova onda de xenofobia, com grupos de cidadãos sul-africanos a atacarem imigrantes, queimarem as suas casas ou os seus comércios. Independentemente de estarem em situação legal ou não, os estrangeiros são acusados por estes grupos de "roubarem os empregos" dos nacionais, num contexto de grave crise social e económica no país, nomeadamente com uma taxa de desemprego de cerca de 32%. Depois de pelo menos nove moçambicanos terem morrido nas violências xenófobas, várias centenas de moçambicanos residentes no país têm estado a fugir da África do Sul, com algum apoio por parte de Maputo. A Nigéria, o Gana e o Maláui também estão a organizar o regresso a casa dos seus cidadãos expatriados na África do Sul. Uma situação que o executivo sul-africano lamenta mas perante a qual parece algo impotente, senão mesmo "complacente", acusam certos governos africanos mais críticos. A nível interno, em ano de eleições locais, a coligação governamental faz frente a sectores de opinião que tentam ganhar visibilidade a pretexto desta nova crise, considera André Thomashausen, professor emérito de direito internacional e constitucional da Universidade da África do Sul, em Pretória. O universitário refere todavia acreditar que este fenómeno não vai durar, por não ter -do seu ponto de vista- nenhum alicerce popular. RFI: Como é que analisa a situação vigente nestes últimos dias na África do Sul? André Thomashausen: Um aspecto deve ser considerado é o aspecto da política interna da África do Sul, em que o partido da esquerda, da minoria, do antigo presidente Zuma, o partido MK ("Umkhonto we Sizwe", partido "Lança da Nação) está a aproveitar esta onda da xenofobia e está a fomentar, a instigar, esta xenofobia para pressionar a coligação que está a governar, que é o ANC, com o partido da Aliança Democrática. É assim, infelizmente. Muito tragicamente, este assunto não é completamente inocente e possivelmente não teria acontecido este ataque de xenofobia se não tivesse sido instigado. E temos uma tradição disso. Sempre quando uma minoria política decide afastar um governo, de repente aparecem ataques xenófobos. Foi assim na altura em que o Jacob Zuma quis substituir o governo do Thabo Mbeki, em 2007. De repente, houve ataques xenófobos. E foi assim, de volta, no fim da era do Zuma, em que novamente isso estalou. Talvez o único aspecto positivo é que esta crise não vai durar tanto tempo. E penso que os espíritos vão novamente acalmar. RFI: Há cerca de uma semana que isto dura. O que é que o leva a crer que vai haver uma acalmia? André Thomashausen: Bom, existe sempre uma solidariedade entre os mais pobres, entre os mais miseráveis. E as vítimas da xenofobia é gente muito pobre e gente que não tem vida estável, que não tem emprego formal e normalmente existe uma solidariedade africana. Na tradição, nas culturas africanas, muito raramente aparece um ódio entre grupos ou um ódio de raça ou ódio nacionalista. Porque as culturas estão todas interligadas. Eu duvido muito que esta vaga seja uma expressão de um sentimento popular alargado. Na maior parte dos casos que temos visto, há uma mão organizadora, há grupos de choque que aparecem num sítio, aparecem com autocarros a transportá-los. Alguém está a organizar esses transportes e a pagar esses transportes. É um bocado um assunto de segurança pública e de segurança do Estado que está aqui a falhar. E assim vamos esperando que venha a faltar o apoio para esta xenofobia. O verdadeiro apoio popular não existe. É gente alheia que aparece num sítio que não vive lá e de repente atacam os que são estrangeiros, os que falam com um sotaque diferente ou que, pela aparência, não pertencem. Um problema dentro da xenofobia, isolado e diferente, é a imigração ilegal que temos experimentado e que temos visto oriunda da Somália e do Sudão, países bastante afastados. São para aí uns 8 mil quilómetros de distância, daqui para o Sudão e para a Somália. E esta migração, essa sim, está a provocar ódio e está a provocar uma resistência forte entre a população que aqui na África do Sul normalmente não é muçulmana e rejeita a cultura desses migrantes. RFI: No começo da nossa conversa, mencionou que há certos sectores políticos que tiram proveito desta situação. Tem aparecido muito o nome de uma organização, a "March and March". O que é que se poderia dizer sobre esta organização e o interesse que teria também em movimentar a multidão contra os imigrantes? André Thomashausen: Bom, mais uma vez, é um rótulo que aparece subitamente, que não tem antecedentes. Não se podem identificar os líderes, gente desconhecida e, no meu ponto de ver, oportunista. Tal como nos anos 30, na Alemanha, houve uma organização nazi que fomentou o ódio contra os judeus, para assim virem a ser notórios e intimidar, provocar a instabilidade. Eu vejo aqui essas organizações também como sendo organizações um bocado fantoches, que não têm uma base popular, não têm milhares de membros ou aderentes. São completamente transparentes. E mais uma vez, eu estou a ver aqui um oportunismo político trágico de tentar provocar uma dificuldade ao governo por gente que falhou nas eleições, que não conseguiu reunir uma maioria de votos e assim, agora estão a tentar destabilizar o país através desta vaga. RFI: Certos países, nomeadamente a Nigéria ou Gana, que têm alguns dos seus expatriados na África do Sul, acusaram o governo de Pretória de ser algo complacente com esta onda de xenofobia que, no fundo, poderia ser interpretada também como uma forma de camuflar as suas próprias incapacidades em gerir questões como a economia, a educação e a saúde. André Thomashausen: Certo. Só que, na realidade, este governo, esta administração, é uma administração que está a sobreviver mal num contexto de Estado já falhado, em que as forças da ordem, a polícia e e Forças Armadas não têm nem sequer a mínima capacidade. Não há veículos e onde há veículos não há verbas para o combustível. Há um elevado sistema de corrupção na polícia e nas Forças Armadas. As Forças Armadas já foram mobilizadas na Província do Cabo para tentar limitar, tentar reduzir a vaga de assassinatos entre mafiosos, entre bandos, criminosos, traficantes de droga e de pessoas. E assim, eu acho que não é por falta de vontade, mas é por falta de capacidade que o governo está assim passivo. Está assim, num papel de observador em que o Presidente Ramaphosa lamenta muito a xenofobia, mas não tem meios realmente para uma estratégia através da qual poderia prender e imobilizar aqueles que estão a instigar esses ataques aos migrantes e refugiados e, evidentemente, também uma percentagem muito elevada de migrantes ilegais. Mas, na realidade, a economia está a empregar essa gente. E isso também tem a ver com a alta taxa de sindicalização dos trabalhadores sul-africanos, que provocam um nível do preço da mão-de-obra muito elevado. E isso cria uma uma atractividade ao emprego dos estrangeiros que não estão sindicalizados. É tudo uma mistura de situações que deveriam ser reformadas, que deveriam ser consideradas, mas só que este actual governo é um governo de crise e é um governo que não tem a capacidade para reagir. RFI: Estamos em ano de eleições autárquicas. Vão acontecer a 4 de Novembro. Pensa que isto também joga nesta crise? André Thomashausen: Absolutamente. É uma maneira de tentar animar os eleitores, tentar atirar culpas aos migrantes, culpas pela falta de prestação de serviços, pelo facto de que 90% das municipalidades estão tecnicamente falidas e já não têm capacidade para garantir o abastecimento de água potável ou a manutenção dos sistemas de esgotos ou transportes públicos, o sistema escolar primário, o sistema de assistência médica básica e assim, é um bode expiatório, acusar a presença dos estrangeiros. E isso tudo entra nas estratégias. Estas eleições vão decididamente reduzir o apoio ao ANC. Vão demonstrar a queda dramática da confiança neste partido da libertação. Mas é normal que depois de 30 anos da grande transferência, em 1990, o partido libertador, com a sua legitimidade histórica, venha a ser desafiado. RFI: Está a dizer que o ANC poderia perder o leme. Mas para que a formação? André Thomashausen: Vai beneficiar a Aliança Democrática, que é um partido liberal do centro-esquerda, completamente multicultural, que tenta fazer renascer o ideal do Nelson Mandela de uma "Nação arco-íris". Há muitos, muitos eleitores tradicionais do ANC que desta vez vão votar na Aliança Democrática. O partido está a apostar nesta oportunidade. E, aliás, está convencido que com a sua antiga presidente, Helen Zille, vão ganhar as eleições em Joanesburgo, a maior metrópole aqui na África do Sul.
A Etiópia foi a votos esta segunda-feira, 1 de Junho, para eleger os deputados federais e os representantes regionais, num escrutínio que deve garantir a continuidade do primeiro-ministro Abiy Ahmed à frente do Governo. Apesar da participação registada em várias cidades, as eleições decorreram sob críticas da oposição, num contexto marcado por conflitos armados, dificuldades económicas e exclusão de algumas regiões. A vitória do Partido da Prosperidade, liderado por Abiy Ahmed, nunca esteve em causa. A formação governamental partia como favorita para conservar a maioria parlamentar e garantir a continuidade do actual primeiro-ministro à frente do Governo. Ainda assim, a participação eleitoral levanta interrogações sobre o grau de mobilização da sociedade etíope. O padre José Vieira, missionário português que regressou recentemente da Etiópia após 13 anos de trabalho no país, descreve um ambiente de relativa apatia política nos meses que antecederam a votação. “O que foi mais evidente durante os últimos meses era ver os centros de inscrição para as eleições completamente vazios”, observa. Apesar de a Comissão Nacional de Eleições apontar para cerca de 50 milhões de eleitores registados, o missionário considera o número reduzido para um país com cerca de 130 milhões de habitantes. “Havia uma certa desmobilização em relação ao evento”, afirma. Abiy Ahmed chegou ao poder em 2018 envolto numa forte expectativa de mudança. Um ano depois recebeu o Prémio Nobel da Paz, sobretudo pelo acordo alcançado com a Eritreia. Hoje, a avaliação dos seus 8 anos de governação divide opiniões. O padre José Vieira reconhece transformações visíveis, particularmente na capital. “Adis Abeba não tem nada a ver com o que era há dez anos. É uma cidade muito moderna, com grandes avenidas”, afirma. Destaca ainda a construção dos chamados “corredores urbanos”, que incluem espaços dedicados a peões e ciclistas e que o Governo procura replicar noutras regiões do país. No entanto, alerta para as limitações desse modelo fora dos grandes centros urbanos. Em muitas localidades, diz, os projectos são afectados pela falta de fiscalização e pela corrupção. “A corrupção é um dos grandes problemas na Etiópia de hoje”, sublinha, apontando casos em que verbas destinadas a obras públicas acabam desviadas para proveito pessoal de responsáveis locais. A guerra que continua a marcar o país Embora a guerra do Tigray tenha terminado formalmente em Novembro de 2022, com os Acordos de Pretória, as suas consequências continuam presentes no quotidiano dos etíopes. “As pessoas no Tigré não têm tanto acesso a combustíveis e a outros bens de primeira necessidade como noutras regiões”, explica o missionário. Além das dificuldades económicas, persistem receios quanto a um eventual reacender das tensões armadas, alimentadas por rivalidades regionais e por interesses externos. Segundo o padre português, o Governo foi obrigado a concentrar efectivos militares na região do Tigray, deixando outras zonas mais vulneráveis. Na Oromia, onde trabalhou, as preocupações de segurança aumentaram significativamente. “Houve um momento em que nos aconselhavam a telefonar antes de viajar para confirmar se as estradas estavam seguras”, recorda. A instabilidade não se limita ao norte do país. Em Amhara e Oromia continuam activos grupos armados que desafiam a autoridade do Estado e contribuem para um clima de insegurança que afecta a vida quotidiana e limita a capacidade do Governo para projectar uma imagem de normalidade democrática. Jovens preocupados com o futuro Nas conversas com famílias, líderes comunitários e estudantes, José Vieira encontrou uma preocupação comum: o acesso à educação e às oportunidades de emprego. Nos últimos anos, o Governo introduziu novos exames nacionais com o objectivo de elevar a exigência académica. Contudo, os resultados têm sido preocupantes. “Há três anos, quando foi introduzido o novo modelo de exame de admissão à universidade, apenas 5% dos candidatos passaram”, recorda. No ano lectivo mais recente, a taxa de aprovação rondou apenas os 7%. O missionário considera que muitos alunos não estão preparados para o grau de dificuldade das provas. O problema torna-se ainda mais grave porque os estudantes que não conseguem aprovação ficam dependentes de instituições privadas, inacessíveis para grande parte da população. A situação gera frustração entre os jovens. Muitos concluem vários anos de formação superior, mas arriscam terminar sem diploma caso não obtenham aprovação nos exames finais obrigatórios. “Depois de três, quatro ou cinco anos de estudos, podem ficar sem nada”, lamenta. Inflação e escassez de combustível A economia constitui outra fonte de preocupação. A inflação continua elevada e o acesso a combustíveis permanece problemático em várias regiões. O padre José Vieira relata situações extremas vividas pelas comunidades locais. Num dos centros missionários onde trabalhou, dois veículos permaneceram semanas sem poder circular por falta de gasóleo. “Descobriram que o mercado negro dá muito mais lucro do que o negócio normal”, explica. O missionário recorda ainda casos em que funcionários tiveram de esperar mais de dois dias em filas para abastecer um automóvel. Nas semanas que antecederam as eleições verificou-se uma melhoria na distribuição. “Antes havia grandes filas. Nas últimas semanas a situação foi normalizada”, relata. Resta saber se essa normalização corresponde a uma solução duradoura ou se foi apenas uma medida temporária para garantir um ambiente mais favorável durante o período eleitoral. As autoridades etíopes apresentam estas eleições como uma demonstração de estabilidade e de consolidação democrática. No entanto, a ausência de votação em algumas zonas, as denúncias da oposição, os conflitos armados persistentes e os problemas económicos mostram uma realidade mais complexa. Para José Vieira, a Etiópia continua a viver um momento de transição. Entre os avanços nas infra-estruturas e as dificuldades sentidas pela população, o país procura ainda encontrar um equilíbrio capaz de transformar a promessa de reforma que levou Abiy Ahmed ao poder numa estabilidade para os seus mais de 130 milhões de habitantes.
O activista guineense Yussef considera que os acontecimentos de 26 de Novembro de 2025 na Guiné-Bissau representaram uma manobra política destinada a impedir a tomada de posse das figuras escolhidas nas urnas. O militante guineense denuncia repressão política, perseguições a opositores e limitações às liberdades democráticas, defendendo que a resistência continua activa tanto no país como na diáspora. RFI: Quando se fala em “golpe de estado cerimonial” na Guiné-Bissau, estamos a falar de uma ruptura do regime ou de uma encenação que formaliza a ausência de democracia? Yussef: Existe um conceito relativamente fechado de golpe de Estado. Normalmente implica a deposição, pela força das armas, dos titulares dos órgãos de soberania e a instauração de um novo regime. Ora, na Guiné-Bissau aconteceu exactamente o contrário. Houve um conluio entre sectores do poder político e das Forças Armadas para manter o regime tal como estava e impedir que a vontade popular expressa nas eleições fosse respeitada. O objectivo foi impedir a divulgação dos resultados eleitorais e evitar que assumissem funções as figuras escolhidas pelo povo guineense, nomeadamente para a Presidência da República. Ou seja, manteve-se tudo na mesma, criando apenas a aparência de um golpe de Estado. Não fomos os únicos a denunciar esta situação. Figuras políticas internacionais importantes, como o ex-presidente nigeriano Goodluck Jonathan e Ousmane Sonko, então primeiro-ministro do Senegal, também manifestaram dúvidas sobre a narrativa oficial. Na Guiné-Bissau existe uma percepção generalizada de que não houve um verdadeiro golpe, mas sim uma tentativa deliberada de impedir o respeito pela soberania popular. O que mudou desde 26 de Novembro de 2025? Há mais medo, mais controlo, mais resistência? Existe simultaneamente mais repressão e mais resistência. A repressão atingiu o auge com o assassínio político do nosso camarada Vigário Balanta. É impossível ignorar o significado desse acto: estamos a falar de alguém que sacrificou a própria vida pela luta democrática na Guiné-Bissau. Não podemos romantizar o diálogo com um regime que assassina opositores e mantém presos políticos. Entre esses casos estão Domingo Simões Pereira, líder do maior partido da oposição, e Fernando Dias, apontado por nós como vencedor legítimo das eleições presidenciais. Mas há muitos outros presos políticos menos mediáticos. Na verdade, a Guiné-Bissau transformou-se numa grande prisão política a céu aberto. Não há liberdade para manifestações, conferências de imprensa ou críticas abertas ao regime. As características de uma ditadura estão presentes. Ainda assim, a resistência continua, tanto dentro do país como na diáspora. Continuamos a denunciar a situação política, os presos políticos e os assassinatos de opositores. A mobilização política fora da Guiné-Bissau, como este debate organizado em Portugal, tem impacto concreto em Bissau? Acreditamos que sim. Na Guiné-Bissau sabe-se que a diáspora continua organizada e mobilizada na defesa das liberdades democráticas. Temos uma responsabilidade acrescida porque vivemos em países onde existem liberdades mínimas para denunciar o que se passa. Não vemos qualquer ruptura entre o povo guineense que está no país e o que vive na diáspora. Fazemos a mesma luta, apenas em geografias diferentes. Ao convidarmos figuras como Armando Lona, que desempenharam um papel importante na resistência política e nas manifestações populares, estamos também a amplificar as reivindicações que nascem dentro da própria Guiné-Bissau. Talvez os resultados não sejam imediatos, mas estamos numa fase de acumulação política: acumulação de experiência, de organização, de solidariedade e de consciência. Acreditamos que esse processo acabará por produzir mudanças concretas. Qual é hoje o custo pessoal e político de ser activista guineense? O caso de Armando Lona é esclarecedor. Quando ficou evidente o carácter repressivo do regime, a Frente Popular decidiu sair à rua sem qualquer garantia de segurança física. Isso demonstra o nível de coragem exigido aos activistas. Os custos são enormes, não apenas para os próprios militantes, mas também para as suas famílias. O regime não hesita em perseguir familiares, tanto na Guiné-Bissau como na diáspora. Mas a história política guineense ensina-nos que a luta pela liberdade sempre teve custos. A geração de Amílcar Cabral sacrificou-se pela libertação política, económica e cultural do país. Mais recentemente, Vigário Balanta tornou-se outro símbolo desse sacrifício. Sabemos os riscos que corremos, mas estamos dispostos a assumi-los. Faz parte da resistência.
FRANCO, Divaldo Pereira. Transição Planetária, pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda (Salvador-Bahia), Livraria Espírita Alvorada Editora, 2ª Edição, 2010. TOMCZYK, Vladimir. Inteligência Espiritual. Revista O Consolador Ano 18 - N° 899 - 24 de Novembro de 2024. Obras básicas e complementares da Doutrina Espírita. (live no YouTube). Palestrante: Vladimir Tomczyk
Nas últimas semanas, foi discutido se é legítimo comparar o número dos presos políticos do Estado Novo e dos presos políticos entre o 28 de Setembro e o 25 de Novembro de 1975. Esta é a nossa respostaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Estamos a poucos dias de um novo aniversário da revolução do 25 de Abril em Portugal, uma ocasião para recordarmos uma das suas figuras cimeiras, Otelo Saraiva de Carvalho, que é o objecto de uma biografia elaborada por Yves Léonard, historiador que nestas últimas três décadas publicou inúmeros livros sobre a História de Portugal. "Otelo, la voix de la révolution des œillets", "Otelo, a voz da Revolução dos Cravos" é o nome da nova obra publicada pela Chandeigne & Lima, que Yves Léonard lançou no passado dia 15 de Abril em Paris. Neste livro, o historiador recorda esta figura controversa do passado recente de Portugal, um capitão de Abril que, no decurso dos anos 80, foi acusado de ter ligações com grupos armados em Portugal. Nascido a 31 de Agosto de 1936 em Maputo, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho é filho de um funcionário dos Correios e cresce no seio de uma família ligada, pelo avô, ao mundo do teatro. Depois de frequentar o ensino secundário público de Maputo, ele destina-se a uma carreira de actor, o jovem Otelo tendo veleidades de ir para o "Actor's Studio" em Nova Iorque. O destino -e sobretudo o pai- vão encarregar-se de o fazer ingressar na Academia Militar aos 19 anos. Ele estará em serviço activo durante as guerras de libertação de Angola e na Guiné-Bissau, nos anos 60 e início de 70 Será durante os derradeiros anos desses conflitos, que vai crescer dentro dele e de outros militares o projecto de derrubar o regime fascista português. De regresso a Portugal em 1973, envolve-se no Movimento das Forças Armadas e, juntamente com outros capitães, assume a liderança da Revolução dos Cravos a 25 de Abril de 1974. Uma caminhada sobre a qual Yves Léonard destaca que "antes de tudo, Otelo é o homem de África" e que "isto é muito importante para compreender o personagem". "Otelo é um militar, mas não por convicção. Penso que, antes de tudo, Otelo é um actor. Gostava muito do teatro. Otelo tem um avô que é um antigo oficial do Exército português. Portanto, tem uma grande admiração pelo avô. É importante na hora de tomar a decisão de entrar na Academia Militar e depois, nos anos 60, obviamente, é o tempo das guerras coloniais e para Otelo é um momento muito importante. Porque Otelo é um oficial intermédio, isto é, um capitão", começa por dizer o estudioso. "Em África, durante as guerras coloniais, há uma tomada de consciência em torno do sistema salazarista com o papel muito importante das colonias. E para Otelo, há a consciência de que a guerra é o problema maior de Portugal e que a violência não é a resposta", diz o historiador. Ao destacar o papel de Otelo durante o 25 de Abril, Yves Léonard também recorda que, depois, "durante o PREC, Processo Revolucionário em Curso, Otelo tinha um papel muito importante, porque era o chefe do COPCON e o chefe da Região Militar de Lisboa. Tem um papel muito importante durante a crise do fim de Setembro de 1974, durante a crise do 11 de Março de 1975, e depois, durante o 'Verão quente' e no mês de Novembro de 1975. Mas aí já não tinha o controlo da situação política em Portugal". Entrevistado pela radiodifusão portuguesa precisamente um ano após a revolução, Otelo Saraiva de Carvalho não esconde a alegria e o orgulho que continua a sentir depois do 25 de Abril de 1974. Mas efectivamente, neste período em que ele assume um papel preponderante no PREC, começam a surgir as primeiras divisões entre as correntes mais reformistas e as franjas mais à esquerda da revolução. Estas dissensões vão culminar com a desestabilização do 25 de Novembro de 1975. A partir daí, Portugal marca uma viragem mais à direita e em 1976, o general Ramalho Eanes torna-se o primeiro Presidente eleito depois da revolução de Abril, com um pouco mais de 61% dos votos face a Otelo, cuja candidatura recolhe cerca de 16% dos votos. Na primeira metade dos anos 80, Otelo está em ruptura total com o rumo seguido por Portugal na altura. Ele lidera um movimento, o chamado "Projecto Global", que será acusado de ter elos com grupos armados de extrema-esquerda como as FP 25, Forças Populares do 25 de Abril, que cometem ataques semelhantes àqueles que acontecem na mesma altura na Itália ou em França. "É difícil de dizer exactamente o que se passou, porque, por um lado, Otelo tinha vontade de fazer um projecto político com o poder popular que se chama ‘Projecto global'. É um projecto muito ambicioso. No fim dos anos 70, no início dos anos 80 e no mesmo tempo, aparece um grupo muito violento, com atentados terroristas que se chamam FP 25, Forças Populares do 25 de Abril. O problema é fazer uma ligação entre o ‘projecto global' de Otelo e as FP 25. É muito difícil saber exactamente qual é a natureza dessa relação. Mas em Junho de 84, o poder político, o Ministério da Justiça e a polícia têm a convicção de que Otelo é o chefe, senão o inspirador das FP 25", recorda Yves Léonard. Em 1987, Otelo é condenado a 15 anos de prisão por ser considerado responsável das actividades das FP 25. As circunstâncias em que Otelo é condenado geram um debate de largos anos em Portugal, ao ponto que sob o impulso dos socialistas então no poder, uma maioria de parlamentares amnistia Otelo em 1996. Esta medida não deixa de gerar polémica no seio da direita que acusa a esquerda de querer "apagar" a História. A seguir à amnistia, virá mais tarde um novo processo em 2001 durante o qual a justiça vai considerar que não existiam elementos suficientes para estabelecer que Otelo tivesse um qualquer elo com as FP 25. "Temos um julgamento no Tribunal da Boa-Hora no início de 2001 para dizer que Otelo não é responsável, não é o inspirador, não é o chefe das FP 25. É uma decisão de Justiça. Isto é uma forma de verdade. O problema é que depois da amnistia, depois o julgamento da Boa-Hora, muitas pessoas em Portugal continuam a pensar que Otelo é o responsável das FP 25, é uma terrorista. E a imagem de Otelo é péssima", constata o universitário. Apesar de uma decisão favorável da justiça, o nome de Otelo passou a ter um rasto de pólvora de forma duradoira. Paradoxalmente, ele continua a ser acarinhado no exterior, nomeadamente em França, onde várias personalidades do mundo político, nomeadamente o próprio Presidente François Mitterrand, ou artistas como o cantor popular Renaud, não escondem a sua admiração pelo militar que tem uma aura romântica. Para Yves Léonard, este fenómeno explica-se pelo facto de "a Revolução dos Cravos ter sido a última revolução do século XIX, isto é, uma revolução romântica". A aura de Otelo e dos restantes capitães de Abril vai inspirar vários filmes, documentários e reportagens. No ano 2000, estreia o filme 'Capitães de Abril' da actriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros. Presente na apresentação do livro de Yves Léonard, ela recorda a figura de Otelo que conheceu quando era criança. "Realmente eu conheci-o. Eu era muito novinha, adolescente, e lembro-me de ter dançado um rock and roll com o Otelo e era a primeira vez que eu dançava assim com os movimentos do rock and roll em Lisboa, num restaurante que é o ‘Brazuca', que era um lugar muito importante para os capitães de Abril, onde eles se reuniam muito. Depois, quando preparei o meu filme Capitães de Abril. Obviamente, falei muito com o Otelo, também com o Salgueiro Maia e, sobretudo, passei realmente 13 anos da minha vida a fazer pesquisa e a ler tudo o que eu conseguia encontrar nessa época publicado e às vezes sem estar publicado do que eles escreveram. É um privilégio extraordinário da nossa geração, da nossa infância, de miúdos lisboetas, de muitos de nós, termos coincidido com essas figuras importantes da nossa história", diz a cineasta que lamenta a actual tentativa de minimizar o legado do 25 de Abril no espaço público em Portugal. "Infelizmente, eu acho que estes movimentos revisionistas de extrema-direita que alastram não é uma coisa que seja, nem é nada português. Na verdade, acho que é uma importação. É como uma marca importada de outros países, porque está a acontecer por toda a parte. Os discursos são os mesmos. O descrédito atirado para cima da honra não é de quem de facto lutou. É vergonhoso", denuncia Maria de Medeiros. Volvidos 52 anos, o campo conservador está no poder em Portugal e a extrema-direita, em posição de força na Assembleia da República, tenta corroer a herança do 25 de Abril. A questão da memória torna-se tanto mais premente que as testemunhas directas da revolução dos cravos vão partindo. Otelo faleceu a 25 de Julho de 2021, num relativo esquecimento e sem grandes homenagens nacionais. "O que é muito importante, com o 25 de Abril é o papel dos capitães. Os grandes testemunhos da época, obviamente, 50 anos depois, os heróis desaparecem. Por exemplo, Otelo morreu cinco anos atrás, em 2021. E é difícil falar desse período sem os grandes actores do 25 de Abril. É um problema clássico na disciplina da História, a memória, os testemunhos e a história. É importante fazer e dizer a História. É um período complexo porque estamos entre a época da memória, com a presença dos grandes actores do 25 de Abril e o período da História. O problema hoje, é a tentação de dizer que o período antes do 25 de Abril não foi um período tão difícil. É um grande perigo para a democracia portuguesa", considera Yves Léonard para quem "é muito importante hoje sublinhar o papel fundamental da ruptura do 25 de Abril" que marcou "um novo tempo para Portugal, para a democracia em Portugal e para a democracia na Europa". "Otelo, obviamente, é o homem do 25 de Abril, o instigador que simboliza os Cravos de Abril", conclui o historiador.
A visita do Papa Leão XIV a Angola, que se inicia este sábado, marca um dos momentos centrais da actualidade africana, num contexto de crise interna e de persistentes desafios políticos e sociais na região. No programa Semana em África desta semana, o destaque vai para Angola, que recebe a partir deste sábado, 18 de Abril, o Papa Leão XIV, no âmbito de um périplo africano. A visita, com passagens por Luanda, Muxima e Saurimo, é encarada pelas autoridades angolanas e pela Igreja Católica como um momento de grande mobilização espiritual e social. Dom José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), sublinha que o Sumo Pontífice “vai encontrar uma Angola em paz”, ainda que reconheça que o país enfrenta “uma crise económica, social e cultural muito profunda”. A deslocação de três dias decorre sob o lema “Peregrino da Esperança, da Reconciliação e da Paz”, uma escolha que reflecte os desafios ainda presentes no país. O analista político Osvaldo Mboco recorda que a reconciliação nacional continua a ser “um desafio”, décadas após o fim da guerra civil. Ainda em Angola, a actualidade fica marcada pela terceira sessão do julgamento dos cidadãos russos Igor Ratchin e Lev Lakshtanov, bem como dos angolanos Buka Tanda e Carlos Tomé. Os arguidos enfrentam acusações de espionagem, terrorismo e financiamento ao terrorismo. A sessão, iniciada a 15 de Abril, ficou marcada pela produção de provas e pela audição dos réus, tendo o tribunal indeferido os pedidos da defesa para ouvir diversas figuras políticas e da sociedade civil como testemunhas. Na Guiné-Bissau, o colectivo de advogados do presidente do PAIGC e coordenador da plataforma Aliança Inclusiva – PAI Terra Ranka denunciou a alegada criação de um tribunal “ad hoc” para julgar a suposta tentativa de golpe de Estado de Novembro de 2025. Em entrevista, o advogado Roberto Indeque acusou o regime de promover manobras com vista à incriminação de Domingos Simões Pereira. Em Moçambique, o representante do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olamide Harrison, confirmou que o Governo liquidou antecipadamente uma dívida na ordem dos 700 milhões de dólares. Apesar disso, não existe ainda qualquer acordo para um novo programa de assistência financeira ao país. Já em Cabo Verde, na ilha do Fogo, o abuso sexual de crianças mantém-se como uma das principais preocupações sociais. O alerta foi deixado pelo ministro da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social, Fernando Elísio Freire, durante uma visita à ilha, onde, só em 2025, foram registados 31 casos de violência sexual contra menores.
A vitória de Péter Magyar, candidato da oposição, nas eleições legislativas da Hungria, que abre caminho para o fim de 16 anos de governação de Viktor Orbán no país europeu, foi o tema principal do episódio desta semana do podcast Diplomatas. Teresa de Sousa e Carlos Gaspar apontaram as consequências internas e externas do resultado eleitoral, nomeadamente na estratégia da União Europeia para lidar com a Rússia, de Vladimir Putin, e para apoiar financeiramente a Ucrânia contra a invasão russa do seu território. A jornalista do PÚBLICO e o investigador do IPRI-Nova olharam, depois, para os últimos desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente, reflectindo sobre o que (não) saiu das negociações entre Estados Unidos e Irão, em Islamabad, e os objectivos da decisão da Casa Branca de enviar a Marinha norte-americana para “bloquear” o estreito de Ormuz. Ainda sobre este tema, os analistas responderam a uma pergunta enviada por um ouvinte do Diplomatas que quis saber o que é que a UE poderia ter feito de diferente na sua resposta à guerra lançada pelos EUA e por Israel contra o Irão. No final do episódio, Teresa de Sousa e Carlos Gaspar analisaram as críticas de Trump ao Papa Leão XIV e a partilha, pelo Presidente dos EUA, de uma imagem de IA em surge retratado como Jesus Cristo, perspectivando o impacto desta nova frente de batalha da Administração republicana nas eleições intercalares de Novembro para o Congresso. Se tiver alguma pergunta para Teresa de Sousa e Carlos Gaspar ou sugestão de tema para debate no Diplomatas, envie um email para antonio.lima@publico.pt ou podcasts@publico.pt. Texto de António Saraiva LimaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Da Guiné-Bissau a Moçambique, passando por Angola e República Centro-Africana, a actualidade africana ficou marcada por tensão política, denúncias de violações de direitos, o regresso de Manuel Chang após cumprir pena nos EUA, o debate sobre a presença militar ruandesa em Cabo Delgado, a preparação da visita do Papa Leão XIV a Angola e a libertação de um investigador luso-belga após quase dois anos de detenção. A actualidade africana da semana ficou marcada por novos desenvolvimentos políticos na Guiné-Bissau, pelo regresso de Manuel Chang a Moçambique após cumprir pena nos Estados Unidos, pelo debate sobre a presença militar ruandesa em Cabo Delgado e ainda pela preparação da visita do Papa Leão XIV a Angola. Guiné-Bissau: carta aberta denuncia situação de Domingos Simões Pereira Na Guiné-Bissau, Dionísio Simões Pereira, irmão do líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, divulgou uma carta aberta dirigida à comunidade nacional e internacional, apelando a uma intervenção urgente para pôr termo à situação do antigo primeiro-ministro. Segundo a denúncia, Domingos Simões Pereira continua privado de liberdade desde a tomada do poder em Novembro do ano passado, que interrompeu o processo eleitoral no país. Entretanto, os sectores da sociedade civil criticaram a audiência concedida em Bruxelas, a 26 de Março, ao antigo Presidente Umaro Sissoco Embaló e ao antigo chefe de Estado senegalês Macky Sall por António Costa. Os críticos consideram que o encontro representa um sinal político favorável ao actual poder em Bissau. Ainda no país, o assassínio do activista Vigário Luís Balanta, encontrado morto a 31 de Março, continua sem esclarecimento oficial. A jurista Carmelita Pires defendeu o recurso ao Tribunal Penal Internacional, alegando inexistência de condições internas para uma investigação independente. Moçambique: Manuel Chang regressa após cumprir pena nos EUA Em Moçambique, o regresso de Manuel Chang voltou a colocar em evidência o caso das dívidas ocultas. O antigo ministro das Finanças cumpriu pena de sete anos e meio de prisão nos Estados Unidos, após condenação por conspiração para fraude electrónica e branqueamento de capitais. Detido em 2018, na África do Sul, Chang foi posteriormente extraditado para território norte-americano, onde enfrentou julgamento relacionado com o escândalo financeiro que lesou o Estado moçambicano em mais de dois mil milhões de dólares. O caso levou os parceiros internacionais a suspenderem, em 2016, a ajuda directa ao Orçamento do Estado moçambicano. Cabo Delgado: parlamento debate estratégia anti-terrorismo Também em Moçambique, o Governo apresentou no parlamento uma proposta de estratégia nacional de combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado. O debate surge após declarações do Presidente ruandês, Paul Kagame, que admitiu retirar as tropas destacadas no norte moçambicano caso não seja assegurada a continuidade do financiamento externo. Partidos parlamentares defenderam que a soberania nacional deve permanecer sob controlo do Estado moçambicano, embora reconheçam a importância do apoio internacional no combate aos grupos armados. Angola prepara visita do Papa Leão XIV Em Angola, a visita do Papa Leão XIV, agendada para os dias 18 a 21 de Abril, está a ser apresentada como um momento de reforço diplomático entre Luanda e o Vaticano. O embaixador angolano junto da Santa Sé, Carlos Alberto Fonseca, afirmou que a deslocação poderá impulsionar a revisão do Acordo-Quadro assinado em 2019, além de abrir caminho a novos acordos de cooperação. As relações diplomáticas formais entre Angola e o Vaticano contam já com mais de 27 anos. República Centro-Africana: libertado investigador luso-belga Na República Centro-Africana, o investigador luso-belga Joseph Figueira Martin foi libertado passados quase dois anos de detenção. A libertação resultou de uma mediação diplomática conduzida por Portugal, com apoio da Bélgica e de instituições europeias. O eurodeputado Francisco Assis saudou o desfecho, considerando-o um sinal positivo da cooperação diplomática europeia no continente africano.
O espancamento até à morte do activista Vigário Balanta marcou a semana na África lusófona, com a sociedade civil a pedir o apuramento das responsabilidades neste crime. O corpo do activista Vigário Luís Balanta, representante do Movimento Revolucionário Pó de Terra, foi descoberto no início da semana com sinais de espancamento a cerca de 30 quilómetros de Bissau. Desde a tomada de poder pelos militares em Novembro de 2025 an Guiné-Bissau, que Vigário Balanta se tinha vindo a destacar como uma das figuras mais activas na denúncia do regime militar e defesa das liberdades cívicas no país. Para Armando Lona, coordenador da Frente Popular, entrevistado por Lígia Anjos, trata-se de "uma grande perda" para a Guiné-Bissau. Ao mesmo tempo que os primeiros rumores do desaparecimento e morte de Vigário Balanta começaram a correr em Bissau, as rádios privadas guinenses foram temporariamente fechadas pelo Governo de transição devido a uma alegada falta de pagamento de licença de emissão. O encerramento durou entre terça e quarta-feira, como relatou o nosso correspondente Mussá Baldé. Para Armando Lona, coordenador da Frente Popular, esta foi uma decisão política e não ligada às licenças, sendo que não serve de nada já que as notícias são agora difundidas e comentadas nas redes sociais, não sendo possível privar o povo de saber o que se passa no país. As autoridades guineenses condenaram a morte “em circunstâncias particularmente violentas” de Vigário Luís Balanta. O Governo de transição disse ter tomado conhecimento “com profunda consternação e viva indignação” do que considera ser um “lamentável e condenável acontecimento”. Para o jurista senegalês e perito independente junto da ONU, Alioune Tine, presente na Guiné-Bissau aquando o assassinato de Vigário Balanta, tratou-se de “crime internacional” e uma caso de “execução extrajudicial” para intimidar a sociedade civil do país, como disse em entrevista a Lígia Anjos. A Liga Guineense dos Direitos Humanos reagiu com profunda consternação ao assassínio do activista político Vigário Luís Balanta, classificando-o como uma execução sumária marcada por extrema brutalidade. Segundo Bubacar Turé, presidente da liga em, este acto envia uma mensagem clara de insegurança generalizada num país onde “ninguém está a salvo”, comod escreveue m entrevista a Cristiana Soares. Na quinta-feira realizaram-se as cerimónias fúnebres de Vigário Luís Balanta levando centenas de pessoas às ruas de Bissau com palavras de ordem como liberdade e democracia.
Seja apoiador do X do ControleCompre seus jogos na Nuuvem! MARCAÇÕES DE TEMPO(00:00:00) - Abertura(00:10:08) - Janeiro(00:22:52) - Fevereiro(00:36:21) - Março(00:54:58) - Abril(01:05:13) - Maio(01:20:52) - Junho(01:29:06) - Julho(01:39:00) - Agosto(01:52:25) - Setembro(01:59:50) - Outubro(02:12:03) - Novembro(02:19:00) - Dezembro(02:24:40) - In Memoriam(02:33:08) - EncerramentoCRÉDITOSApresentação: Guilherme Dias e PH Lutti LippeRoteiro: Guilherme Dias e PH Lutti LippeEdição: Gabriel Sales, Guilherme Dias e PH Lutti LippeThumbnail: Guilherme DiasSiga o XdC: YouTube| Instagram | Bluesky | Threads | Tik TokNossas plataformas e redesContato: contato@xdocontrole.comContato para anunciantes e parcerias: comercialxdc@gmail.com
O Presidente de Moçambique elogiou a liderança angolana na 39.ª Cimeira da União Africana, destacando os esforços de paz e a necessidade de África reforçar a sua influência, nomeadamente no Conselho de Segurança da ONU. A transição na Guiné-Bissau gera tensões na CPLP e, em Angola, um jornalista denuncia um alegado caso de espionagem com recurso ao sistema “Predator”. A 39.ª Cimeira da União Africana ficou marcada por um balanço positivo da presidência angolana, pela reafirmação dos desafios das alterações climáticas e pelo apelo a uma maior representação africana no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, considerou “excelente” a liderança de Angola, destacando o empenho de João Lourenço na promoção da paz, em particular no leste da República Democrática do Congo. A cimeira deu especial atenção às infra-estruturas e à gestão da água, sem descurar as questões de paz e segurança. Daniel Chapo defendeu ainda que África deve organizar-se para garantir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e reforçar a sua influência nos centros de decisão internacionais. Em Adis Abeba, uma reunião de alto nível, promovida pela Libéria, permitiu concertar posições africanas sobre a sucessão de António Guterres na liderança das Nações Unidas. O mandato termina a 31 de Dezembro e o processo de escolha do novo secretário-geral arranca a 1 de Abril. Diplomatas sublinham a importância de uma estratégia comum do continente. Na Guiné-Bissau, o enviado especial da União Africana, o antigo primeiro-ministro são-tomense, Patrício Trovoada, iniciou contactos no âmbito da crise política desencadeada pela tomada do poder pelos militares a 26 de Novembro. O responsável reconheceu que há “muito para fazer” na transição para uma ordem constitucional legítima e recusou comentar críticas sobre alegadas proximidades ao Presidente Umaro Sissoco Embaló. A situação em Bissau tem provocado tensões na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O porta-voz do Conselho Nacional de Transição acusou Cabo Verde, Angola e Timor-Leste de ingerência. Para Pedro Seabra, do ISCTE, regimes saídos de golpes de Estado tendem a usar críticas externas para reforçar a sua legitimidade interna e consolidar a narrativa de estabilidade. Em Angola, o jornalista Teixeira Cândido denunciou ter sido alvo de espionagem através do sistema informático “Predator”, alegadamente utilizado para aceder ao seu telemóvel. A Amnistia Internacional classificou o caso como uma grave violação do direito à privacidade. O jornalista anunciou que apresentará queixa junto do Ministério Público, enquanto persistem suspeitas sobre um eventual envolvimento de entidades estatais.
O episódio desta semana do podcast Diplomatas foi dedicado à análise dos discursos dos principais líderes políticos norte-americanos e europeus na 62.ª Conferência de Segurança de Munique, nomeadamente Marco Rubio, Friedrich Merz, Volodymyr Zelensky, Ursula von der Leyen, Emmanuel Macron, Keir Starmer e Mark Rutte. Teresa de Sousa e Carlos Gaspar tiraram lições do evento na Alemanha para reflectir sobre o actual estado das relações transatlânticas, destacando também a intervenção do subsecretário de Defesa dos EUA, Elbridge Colby, na reunião de ministros da Defesa da NATO, e a visita de Rubio à Hungria, para apoiar a campanha eleitoral de Viktor Orbán. No âmbito das tensões com Moscovo, no contexto da guerra na Ucrânia, a jornalista do PÚBLICO e o investigador do IPRI-NOVA também assinalaram os 80 anos volvidos do “longo telegrama” do antigo embaixador dos EUA George Kennan, que estabeleceu as bases para a estratégia de “contenção” da então União Soviética durante a Guerra Fria. Houve ainda tempo para responder a uma pergunta enviada por um ouvinte do Diplomatas sobre a influência do Projecto 2025, da ultraconservadora Heritage Foundation, na governação de Donald Trump, e sobre os próximos passos até às eleições intercalares norte-americanas, agendadas para Novembro. Por fim, falou-se de Jesse Jackson, figura de proa da luta pelos direitos civis nos EUA, que morreu no domingo, aos 84 anos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A presidência brasileira da Conferência do Clima da ONU em Belém convida os países e organizações internacionais a contribuírem, a partir da semana que vem, com a elaboração de um “mapa do caminho internacional” para o afastamento dos combustíveis fósseis, os principais causadores do aquecimento global. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, realiza um giro internacional para reunir apoio técnico para a proposta, lançada pelo Brasil em novembro passado. Lúcia Müzell, da RFI em Paris Depois de se encontrar com a autoridade climática da ONU (UNFCCC) na Turquia, para iniciar os preparativos para a próxima COP, em Antalya, o embaixador esteve na sede da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma. Na sequência, esteve em Paris para reuniões na Agência Internacional de Energia e com a Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena). O primeiro passo é compilar os dados mais recentes para fundamentar uma proposta equilibrada, no contexto em que a maioria dos países ainda tem uma forte dependência das fontes fósseis de energia, explicou Corrêa do Lago à RFI. "A primeira parte são os dados. A maior parte deles já está publicada, mas há muitas publicações sobre diversos temas e nós queremos que o mapa do caminho internacional seja um instrumento de desmistificação dos problemas relacionados a isso e de simplificação do grande volume de informações existentes”, indicou. "Todas as instituições relacionadas à energia podem contribuir.” Incluir a Opep na conversa O embaixador também busca agregar visões divergentes sobre o tema, incluindo a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep). A entidade, que reúne as economias que mais se opõem à conversa sobre o fim do petróleo (como os países do Golfo e a Rússia), defende que o foco deve ser a redução das emissões de gases de efeito estufa em geral, e não direcionada a setores específicos. Além disso, sustenta que esse objetivo deve ser atingido mediante ações voluntárias dos países. "É muito importante que a gente incorpore as diferentes visões de diferentes organismos. Não é que um deles vá guiar o processo, até porque, desses organismos todos, só um é das Nações Unidas, o relacionado à energia atômica [AIEA]”, observou o diplomata. Na COP30 em Belém, os grandes produtores de petróleo exerceram forte pressão para que, nos textos finais da conferência, não houvesse menção aos combustíveis fósseis. Dimensão política e dimensão diplomática das COPs A partir da semana que vem, os países-membros da Convenção do Clima também estarão convidados a dar suas contribuições sobre o tema. Corrêa do Lago salienta que o Brasil teve sucesso em trazer de volta às negociações a discussão sobre a redução da dependência dos fósseis, que se tornou um assunto “central para a preparação da COP31". “O presidente Lula sabia que a COP era a ocasião política de se falar disso. Mesmo que o tema não estivesse formalmente dentro da agenda, é um tema incontornável do ponto de vista político”, disse o embaixador. "Por isso que eu sempre tento separar a dimensão diplomática das COPs. A diplomacia é a arte do possível." O objetivo de Corrêa do Lago é propor um documento antes da próxima conferência, sediada na Turquia, com negociações presididas pela Austrália. A ideia de um roteiro para o afastamento dos fósseis está longe de um consenso: dentro do próprio Brasil, os diferentes ministérios envolvidos na discussão (Casa Civil, Minas e Energia, Meio Ambiente e Fazenda) não conseguiram convergir sobre as diretrizes básicas dentro do prazo de 60 dias estabelecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo após o evento em Belém. Pela complexidade do assunto, o roteiro brasileiro provavelmente não estará pronto até a próxima COP. "Todos os países estão divididos quando discutem esse tema, porque há interesses econômicos imensos, desafios de financiamento, desafios tecnológicos e muitos outros. A ambição desse mapa do caminho internacional é contribuir para que a transição seja feita de maneira racional e nos termos aprovados pela Convenção do Clima em Dubai: de forma justa, ordenada e equilibrada”, salientou o presidente da COP30. Testes antes da COP31 Dois grandes encontros preparatórios da próxima conferência serão determinantes para a diplomacia brasileira testar a abertura dos 195 países à ideia de um roteiro para o afastamento do petróleo e do carvão: a reunião multilateral em Bonn (Alemanha), em junho, e a Pré-COP, a ser realizada em outubro em uma ilha do Pacífico, semanas antes do evento em novembro. Além disso, em abril, a Colômbia e a Holanda organizam uma conferência incluindo os países que demonstraram disposição em avançar nesse tema durante a COP de Belém. Corrêa do Lago avaliou a iniciativa como “muito importante”, mas ressaltou que ocorre em paralelo ao processo oficial de negociações diplomáticas da ONU. O evento na Colômbia estará focado na queda da produção de petróleo, enquanto que, para a presidência brasileira da COP30, a prioridade é avançar na discussão sobre o consumo, passando pela eletrificação das economias e o desenvolvimento das energias renováveis.
O homem não para! Seguindo o enorme sucesso de seu Longlegs em 2024, Osgood Perkins dirigiu e lançou dois filmes em 2025: O Macaco e Keeper, ou, como ficou conhecido na versão brasileira, Para Sempre Medo.Enquanto O Macaco adaptou um conto de Stephen King para construir uma comédia cínica que emula os melhores momentos da franquia Premonição, este segundo projeto de Oz Perkins adota um tom muito mais sério para discutir questões como masculinidade tóxica e o poder sufocante que o passado pode exercer sobre o presente.Estrelado por Tatiana Maslany e Rossif Sutherland, o filme chegou aos cinemas nos Estados Unidos em 14 de Novembro do ano passado, mas, com uma recepção morna da crítica, o filme teve também um fraco desempenho nas bilheterias. Será que sua estreia nos cinemas brasileiros vai repetir o mesmo padrão? Vamos discutir, o Cabana RdM começa agoraO RdMCast é produzido e apresentado por: Thiago Natário, Gabriel Braga e Gabi Larocca.ARTE DA VITRINE: Estúdio GrimESTÚDIO GRIM – Design para conteúdo digitalPortfólio: https://estudiogrim.com.br/Instagram @estudiogrimcontato@estudiogrim.com.brPODCAST EDITADO PORFelipe LourençoSEJA UM(A) APOIADOR(A)Apoie o RdM a produzir mais conteúdo e ganhe recompensas exclusivas!Acesse: https://apoia.se/rdmConheça a Sala dos Apoiadores: https://republicadomedo.com.br/sala-dos-apoiadores/CITADOS NO PROGRAMAPara Sempre Medo (2025)Citações off topicLonglegs - Vínculo Mortal (2024)O Macaco (2025)A Enviada do Mal (2015)Men: Faces do Medo (2022)La Mujer de las Sombras (2025)Maria e João: O Conto das Bruxas (2020)A Vida de Brian (1979)EpisódiosRdMCast #470 – Longlegs: Satanismo, bonecas e Nicolas CageRdMCast #494 – O Macaco e a inevitabilidade da morteRdMCast #534 – Bugonia: conspirações, aliens e Yorgos LanthimosCabana RdM #82 - A Mulher no JardimRdMCast #242 – Além da Imaginação: racismo, alienígenas e um bolsonarinhoTem algo para nos contar? Envie um e-mail!contato@republicadomedo.com.brTwitter: @RdMCastInstagram: Republica do Medo
Esta semana falamos de um cavaleiro da Dinamarca em Portugal, no séc. XV, e da popularização do ski por um famoso escritor inglês, nos finais do séc. XIX.Sugestões da semana1. Ricardo Noronha - A Ordem Reina Sobre Lisboa. Uma história do 25 de Novembro. Tigre de Papel, 2025.2. Patrick Gautrat - Pétain, Salazar, de Gaulle. Afinidades, Ambiguidades, Ilusões. As Relações Franco-Portuguesas (1940-1944). Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2025.----Obrigado aos patronos do podcast:André Silva, Bruno Figueira, Cláudio Batista, Gustavo Fonseca, Isabel Yglesias de Oliveira, Joana Figueira, Miguel Pinheiro, NBisme, Oliver Doerfler, Sofia Carvalho;Alexandre Carvalho, Andre Oliveira, Carlos Castro, Civiforum, Lda., Cláudia Conceição, Daniel Murta, Domingos Ferreira, Francisco C, Hugo Picciochi, João Cancela, João Carreiro, Jorge Filipe, José Beleza, Luís André Agostinho, Patrícia Gomes, Pedro Almada, Pedro Alves, Pedro Ferreira, Rui Roque, Tiago Pereira, Vera Costa;Adriana Vazão, Ana Gonçalves, Ana Sofia Agostinho, André Abrantes, António Farelo, António J. R. Neto, Bruno Luis, Carlos Afonso, Carlos Ribeiro, Carlos Ribeiro, Catarina Ferreira, Cláudia Brandão, Diogo Freitas, Fábio Videira Santos, Gn, GusRo, Hugo Palma, Hugo Vieira, Igor Silva, João Barbosa, João Canto, João Carlos Braga Simões, João Diamantino, João Félix, João Ferreira, Joao Godinho, João Mendes, João Pedro, Joel José Ginga, Johnniedee, José Santos, Luis Colaço, Mafalda Trindade, Miguel Brito, Miguel Gama, Miguel Gonçalves Tomé, Miguel Oliveira, Miguel Salgado, Nuno Carvalho, Nuno Esteves, Nuno Moreira, Nuno Silva, Orlando Silva, Parte Cóccix, Paulo Ruivo, Paulo Silva, Pedro, Pedro Cardoso, Pedro Oliveira, Ricardo Pinho, Ricardo Santos, Rodrigo Candeias, Rui Curado Silva, Rui Magalhães, Rui Rodrigues, Simão, Simão Ribeiro, Sofia Silva, Thomas Ferreira, Tiago Matias, Tiago Sequeira, Tomás Matos Pires, Vitor Couto, Zé Teixeira.-----Ouve e gosta do podcast?Se quiser apoiar o Falando de História, contribuindo para a sua manutenção, pode fazê-lo via Patreon: https://patreon.com/falandodehistoria-----Música: "Hidden Agenda” de Kevin MacLeod (incompetech.com); Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 License, http://creativecommons.org/licenses/by/4.0Edição de Marco António.
Neste programa, destacamos a crise política em São Tomé e Príncipe, um debate identitário que reacende divisões na Guiné-Bissau, as crescentes ameaças à segurança dos jornalistas em Moçambique e a defesa da imagem sanitária de Cabo Verde. Começamos em São Tomé e Príncipe, onde a crise política se agravou esta semana. Vinte e nove deputados, reunidos sob protecção policial, destituíram a presidente do Parlamento e exoneraram os cinco juízes do Tribunal Constitucional, através de resoluções aprovadas por unanimidade. Decisões que, horas mais tarde, o próprio Tribunal Constitucional viria a declarar inconstitucionais.Em entrevista à RFI, o antigo primeiro-ministro são-tomense, Gabriel Costa, alerta para o clima de caos político que se vive no país e aponta o Tribunal Constitucional como principal responsável pela actual situação. Ainda em São Tomé e Príncipe, o Presidente Carlos Vila Nova reagiu com prudência à nomeação do antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada como enviado especial da União Africana para a Guiné-Bissau. Sem entrar em considerações pessoais, o chefe de Estado sublinhou a necessidade de respeito pelos princípios da União Africana e pela soberania dos Estados, defendendo que a missão contribua para a paz e para o pleno restabelecimento das instituições democraticamente eleitas. Na Guiné-Bissau, a polémica em torno da bandeira do PAIGC voltou à agenda política. O debate reacendeu-se depois de o Conselho Nacional de Transição, criado pelos militares, ter aprovado uma lei que obriga o partido a alterar o seu emblema histórico.Ainda no país, o mandatário nacional da candidatura de Umaro Sissoco Embaló pediu, esta sexta-feira, ao Alto Comando Militar garantias de segurança para que o ex-Presidente da República e os seus apoiantes possam regressar à Guiné-Bissau. João Paulo Semedo encontrou-se com o Presidente da República de Transição, Horta Inta, e no final elogiou o trabalho dos militares que tomaram o poder a 26 de Novembro de 2025. Em Moçambique, um jornalista escapou por pouco a uma tentativa de assassinato. Carlitos Cadangue foi alvo de um atentado na noite de ontem, em Chimoio. Homens armados dispararam contra a sua viatura, deixando-a crivada de balas, num ataque que volta a levantar sérias preocupações sobre a segurança dos profissionais da comunicação social no país. Em Cabo Verde, o Governo rejeita as notícias publicadas na imprensa britânica que associam mortes de turistas a alegados problemas de saúde pública no arquipélago. As autoridades garantem que vão accionar os mecanismos necessários para repor a imagem do país enquanto destino seguro.
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O episódio desta semana do podcast Diplomatas teve como ponto de partida o primeiro ano volvido desde a tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos neste seu segundo mandato. Teresa de Sousa e Carlos Gaspar olharam para os últimos capítulos da escalada da retórica e das ameaças norte-americanas à Gronelândia, ao statu quo da NATO e às relações transatlânticas e explicaram as prioridades de política externa definidas e implementadas pela Casa Branca nos últimos 12 meses. No plano interno, a jornalista do PÚBLICO e o investigador do IPRI-NOVA assinalaram duas importantes datas do calendário político dos EUA que se cumprem em 2026 – os 250 anos da Declaração de Independência (4 de Julho) e as eleições intercalares (3 de Novembro) – para reflectir sobre o estado da democracia no país e sobre a estratégia do Partido Republicano para se manter numa posição dominadora no Congresso. No final do programa, os analistas responderam a uma pergunta enviada por um ouvinte do Diplomatas que quis saber como é que Portugal e os seus aliados devem defender o seu modo de vida e as suas democracias de actividades híbridas – como interferência eleitoral, ciberataques ou actos de sabotagem – protagonizadas pela Rússia e por outros actores externos. Texto de António Saraiva LimaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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A 11 de Novembro de 1965, fez há pouco 60 anos, o regime de Ian Smith declarou a independência da Rodésia face ao Reino Unido, mantendo o poder nas mãos da minoria branca. Foi um caso único em ÁfricaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste episódio fazemos uma retrospectiva dos assuntos mais importantes tratados em 2025 no Segurança Legal. Você irá descobrirá os principais temas que dominaram o ano em inteligência artificial, segurança da informação e direito digital. O episódio traz uma análise sobre o aparecimento do Deepseek, explorando como a inteligência artificial transformou o cenário de segurança cibernética. Você irá descobrir os riscos de atrofia cognitiva causados pelo uso excessivo de IA, a importância da proteção de dados pessoais com a LGPD, e como os backdoors em modelos de linguagem ameaçaram a supply chain. O podcast também aborda questões de vigilância digital, as novas regras do Banco Central após fraudes bancárias, a inconstitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil, a aprovação do ECA Digital, vulnerabilidades no gov.br e a questão crítica do analfabetismo funcional digital. Esta retrospectiva cobre ainda aspectos geopolíticos da IA, regulação de inteligência artificial, conformidade com políticas de proteção de dados, e o papel das bigtechs em 2025. Esta descrição foi realizada a partir do áudio do podcast com o uso de IA, com revisão humana. Visite nossa campanha de financiamento coletivo e nos apoie! Conheça o Blog da BrownPipe Consultoria e se inscreva no nosso mailing Imagem do Episódio – Por trás do tempo – Guilherme Goulart
Bem amigos do Pelada na Net, chegamos em definitivo para mais um intervalo! E hoje temos o Príncipe Vidane, Show do Vitinho e Maidana reclamando.E neste intervalo falamos sobre trabalhar com internet, nossos hábitos de consumo de conteúdo, analisamos nossa relação com o hate, elogiamos o Ano do Podcast no Brasil™, além de muito mais!#OSNOVOSMAIAS #VIDANEPAUFINOACOMPANHE AS LIVES - Siga @cortesjovemnerdoficialORIGINAIS DO FUT - Acesse www.originaisdofut.com, use o cupom PELADA10 para 10% de desconto! E siga a @originaisdofut_ no instagramsite https://peladananet.com.br | bsky @peladananet.com.br | twitter @PeladaNET | instagram @PeladaNaNet | grupo no telegram https://t.me/padegostosodemaisSiga os titulares:Maidana – Twitter / Instagram / BskyShow do Vitinho – Twitter / Instagram / BskyPríncipe Vidane – Twitter / Instagram / BskyProjetos paralelos:Dentro da Minha CabeçaReinaldo JaquelineFábrica de FilmesContribua com o Peladinha:Apoia.sePatreonChave pix: podcast@peladananet.com.brAgradecimento especial aos nossos colaboradores de Novembro/2025, cujos nomes já foram listados nos outros episódios deste mês.Obrigado por acreditarem em nós!Comente!Envie sua cartinha via e-mail para podcast@peladananet.com.br e comente tanto no post do Instagram com a capa deste episódio quanto no Spotify (se batermos 50 comentários em cada, leremos comentrouxas no programa que vem)!
Bem amigos do Pelada na Net, chegamos em definitivo para o programa 763! E hoje temos o Príncipe Vidane, Maidana e Rick (@rickandroid) desejando um feliz natal para pessoas selecionadas.E neste programa falamos sobre o Corinthians que bateu o Vasco no Maracanã e se tornou tetracampeão da Copa do Brasil, além de estrearmos nosso mais novo game show pra testar seus conhecimentos sobre os jogadores de futebol!#DEPAYINOCENTE #SPENCEJAMACOMPANHE AS LIVES EM kick.com/jovemnerdORIGINAIS DO FUT - Acesse www.originaisdofut.com, use o cupom PELADA10 para 10% de desconto! E siga a @originaisdofut_ no instagramsite https://peladananet.com.br | bsky @peladananet.com.br | twitter @PeladaNET | instagram @PeladaNaNet | grupo no telegram https://t.me/padegostosodemaisSiga os titulares:Maidana – Twitter / Instagram / BskyShow do Vitinho – Twitter / Instagram / BskyPríncipe Vidane – Twitter / Instagram / BskyProjetos paralelos:Dentro da Minha CabeçaReinaldo JaquelineFábrica de FilmesContribua com o Peladinha:Apoia.sePatreonChave pix: podcast@peladananet.com.brColaboradores de Novembro/2025!Seguem os nomes de alguns dos queridos que colaboraram com ao menos R$5. Obrigado a todos! :)[...] Bruna Almeida | Abigail | Klaus Frederick G Laubmeyer | Lucas Penetra | Tatiane Oliveira FerreiraObrigado por acreditarem em nós!Comente!Envie sua cartinha via e-mail para podcast@peladananet.com.br e comente tanto no post do Instagram com a capa deste episódio quanto no Spotify (se batermos 50 comentários em cada, leremos comentrouxas no programa que vem)!
Bem amigos do Pelada na Net, chegamos em definitivo para mais um intervalo! E hoje temos o Príncipe Vidane, Rafa Castro (@aquelerafacastro), Jhonatan Marques (@ojhonatanmarques), Katiucha Barcelos (@katbarcelos) e Odeio Pepê (@odeiopepe) aproveitando a paz que só a ignorância é capaz de trazer.E neste intervalo criamos nosso próprio time de vôlei, inauguramos nossa rivalidade entre palhaços e falamos muito mais sobre cocô do deveríamos - ouça por sua conta e risco!#FORAPATATIACOMPANHE AS LIVES EM kick.com/jovemnerdORIGINAIS DO FUT - Acesse www.originaisdofut.com, use o cupom PELADA10 para 10% de desconto! E siga a @originaisdofut_ no instagramsite https://peladananet.com.br | bsky @peladananet.com.br | twitter @PeladaNET | instagram @PeladaNaNet | grupo no telegram https://t.me/padegostosodemaisSiga os titulares:Maidana – Twitter / Instagram / BskyShow do Vitinho – Twitter / Instagram / BskyPríncipe Vidane – Twitter / Instagram / BskyProjetos paralelos:Dentro da Minha CabeçaReinaldo JaquelineFábrica de FilmesContribua com o Peladinha:Apoia.sePatreonChave pix: podcast@peladananet.com.brColaboradores de Novembro/2025!Seguem os nomes de alguns dos queridos que colaboraram com ao menos R$5. Obrigado a todos! :)[...] Pedro Henrique Tonetto Lopes | Rafael Manenti | Rafael Matis | Rainer Almeida | Raphael Piccoli | Raphael Pini Bubinick | Thiago Nogueira Marcal | Thomas Rodrigues | Tiago Weiss | Vander Carlos Ribeiro Vilanova | Vinícius Lima Silva | Vinícius Ramalho | Vinicius Verissimo Lopes | Vitor Flauzino | Vitor Motta Vigerelli | Wendel Ferreira Santiago | Wladimir Araújo Neto | Leonardo Pimentel | Marco Antônio Rodrigues Júnior (Markão) | Bruno Macedo | Denis Monteiro Alves | Henrique Zani | Leandro Jose De Souza | Pedro Henrique De Paula Lemos | Victor Rodrigues | Luiz Strina | Daniel Moreira | Fernando Pereira | Lucas, O Fofo | Luis Beça | Raphael Bogatzky Costa | Albert José | Yan Andrade | Raphael De Souza | Thiago Goncales | Gabriel Constantino Dias | Alvaro Modesto | Daniel Ferreira De Lima Vilha | Felipe Artemio | Tatiane Oliveira Ferreira | Bruno Vieira Silva | Itallo Rossi Lucas | Maicon Feldhaus [...]Obrigado por acreditarem em nós!Comente!Envie sua cartinha via e-mail para podcast@peladananet.com.br e comente tanto no post do Instagram com a capa deste episódio quanto no Spotify (se batermos 50 comentários em cada, leremos comentrouxas no programa que vem)!
O choque com Vasco Gonçalves. O diálogo com Costa Gomes sobre a chantagem. O documento do Grupo dos 9 que assinou sem ler. O corte com Otelo. Os bastidores do 25 de novembro, o papel de Cunhal e a guerra aos falcões que queriam uma ditadura. Os dramáticos três minutos de atraso a negociar uma rendição que mataram três militares. E vários ajustes de contas com Eanes, que acusa: de abuso de poder em detenções; de não corrigir o seu papel no 25 de novembro; e de se rodear de corruptos para sobressair como honesto.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Bem amigos do Pelada na Net, chegamos em definitivo para o programa 761! E hoje temos o Príncipe Vidane, Show do Vitinho e Maidana recebendo Klaus Garrido (@klausgarrido, nosso ouvinte Cris Cris da semana) em pleno dia do sorteio.E neste programa falamos sobre o Flamengo que conquistou o bicampeonato do troféu jogou de igual pra igual ao perder pro Paris Saint-Germain na final do mundial de clubes, debatemos o FIFA The Best 2025 em que Dembélé foi novamente coroado o melhor jogador do mundo, comentamos a rodada de ida da final da Copa do Brasil em que Corinthians e Vasco empataram por 0 a 0, além de muito mais!#CHERNOBYL #NAMINHAMÃOÉMAISCAROACOMPANHE AS LIVES EM kick.com/jovemnerdORIGINAIS DO FUT - Acesse www.originaisdofut.com, use o cupom PELADA10 para 10% de desconto! E siga a @originaisdofut_ no instagramsite https://peladananet.com.br | bsky @peladananet.com.br | twitter @PeladaNET | instagram @PeladaNaNet | grupo no telegram https://t.me/padegostosodemaisSiga os titulares:Maidana – Twitter / Instagram / BskyShow do Vitinho – Twitter / Instagram / BskyPríncipe Vidane – Twitter / Instagram / BskyProjetos paralelos:Dentro da Minha CabeçaReinaldo JaquelineFábrica de FilmesContribua com o Peladinha:Apoia.sePatreonChave pix: podcast@peladananet.com.brColaboradores de Novembro/2025!Seguem os nomes de alguns dos queridos que colaboraram com ao menos R$5. Obrigado a todos! :)[...] Arthur Meister Wistuba | Bruno Kellton | Bruno Marques Monteiro | Carlos Eduardo Ardigo | Daniel Pandeló Corrêa | Débora Mazetto | Eduardo Camacho Pellegrini | Elisnei Menezes De Oliveira | Evilasio Costa Junior | Fabio Simoes | Felipe Brasil | Felipe De Amorim Prestes | Felipe Duarte | Felipe Santos Araújo | Gabriel Frizzo | Gabriel Lecomte | Gabriel Lopes Dos Santos | George Alfradique | Guilherme Francisco Souza Silva | Guilherme Pereira Mendes | Gustavo Henrique Rossini | Ian Campelo Da Silva | Jailson Gomes | João Pedro Machareth | Jose Wellington De Moura Melo | Luca Vianna | Marcelo São Martinho Cabral | Marcio Leandro Lima Dos Santos | Marco Antônio Maassen Da Silva | Marianna Feitosa | Mario Peixoto | Matheus Andion De Souza Vitorino | Matheus Bezerra Lucas Bittencourt | Pedro Bonifácio [...]Obrigado por acreditarem em nós!Comente!Envie sua cartinha via e-mail para podcast@peladananet.com.br e comente tanto no post do Instagram com a capa deste episódio quanto no Spotify (se batermos 50 comentários em cada, leremos comentrouxas no programa que vem)!
Bem amigos do Pelada na Net, chegamos em definitivo para o programa 759! E hoje temos o Príncipe Vidane e Marcelo Bassoli (@marcelobassoli) recebendo Taty Ferreira (@0tatyoliveira0, nosso ouvinte Cris Cris da semana) em pleno dia do sorteio.E neste programa falamos sobre o Flamengo que foi campeão brasileiro e já avançou pras semifinais do mundial de clubes, comentamos a vitória do Cruzeiro sobre o Corinthians na semifinal da Copa do Brasil, debatemos o sorteio da Copa do Mundo de 2026, analisamos a rodada da Champions League, além de muito mais!#JUVENTUDEMAN #JUVENTUDENEYACOMPANHE AS LIVES EM kick.com/jovemnerdCupom PELADANET na MANUAL para 40% de desconto no primeiro pedido - clique aqui e confira! ORIGINAIS DO FUT - Acesse www.originaisdofut.com, use o cupom PELADA10 para 10% de desconto! E siga a @originaisdofut_ no instagramsite https://peladananet.com.br | bsky @peladananet.com.br | twitter @PeladaNET | instagram @PeladaNaNet | grupo no telegram https://t.me/padegostosodemaisSiga os titulares:Maidana – Twitter / Instagram / BskyShow do Vitinho – Twitter / Instagram / BskyPríncipe Vidane – Twitter / Instagram / BskyProjetos paralelos:Dentro da Minha CabeçaReinaldo JaquelineFábrica de FilmesContribua com o Peladinha:Apoia.sePatreonChave pix: podcast@peladananet.com.brColaboradores de Novembro/2025!Seguem os nomes de alguns dos queridos que colaboraram com ao menos R$5. Obrigado a todos! :)[...] Cristiane Cardoso Avolio Gomes | Davi Andrade | Eduardo Aires Batista | Filipi Froufe | Heitor Dias | Igor Trusz | Jhonathan Romão | Josué Solano De Barros | Juliano De Souza Krieger | Khayan Joaquim Macedo Lima | Klaus Frederick Garrido Laubmeyer | Leonardo Lachi Manetti | Listen2urs2 (Listen Tchu Iór Rârrtchi)) | Luan Silva Rodrigues | Lucas Freitas | Lucas Pereira De Aguiar Afonso | Luis Alberto De Seixas Buttes | Matheus Costa Marques | Paulo Vitor Nogueira Sales | Pedro Lauria | Rafael Clementino Dos Santos | Rafael Gomes Da Silva | Robson De Sousa | Romulo Rodrigues Lapa | Vinícius Nogueira Cavalcanti | Thiago Lins | Hassan Jorge | Susana Pérez | Leonardo Motta | Felipe Pastor | Bruno Franzini | David Gilvan | Adryel Romeiro | Aline Aparecida Matias | Anderson Pires | Antonino Firmino Da Silva Neto [...]Obrigado por acreditarem em nós!Comente!Envie sua cartinha via e-mail para podcast@peladananet.com.br e comente tanto no post do Instagram com a capa deste episódio quanto no Spotify (se batermos 50 comentários em cada, leremos comentrouxas no programa que vem)!
Bem amigos do Pelada na Net, chegamos em definitivo para o programa 759! E hoje temos o Príncipe Vidane e Rick (@rickandroid) recebendo Lucas Penetra (@__ucaspenetra, nosso ouvinte Cris Cris da semana) no meio da celebração maligna.E neste programa falamos sobre o Flamengo que venceu o Palmeiras com gol de Danilo e se tornou o primeiro brasileiro tetracampeão da Libertadores, comentamos sobre a estabilidade da situação de Abel Ferreira (se deve ou não seguir no comando do alviverde), exaltamos o trabalho incrível de Filipe Luís, além de muito mais!#ABELENTREGÃOACOMPANHE AS LIVES EM kick.com/jovemnerdCupom PELADANET na MANUAL para 40% de desconto no primeiro pedido - clique aqui e confira! ORIGINAIS DO FUT - Acesse www.originaisdofut.com, use o cupom PELADA10 para 10% de desconto! E siga a @originaisdofut_ no instagramsite https://peladananet.com.br | bsky @peladananet.com.br | twitter @PeladaNET | instagram @PeladaNaNet | grupo no telegram https://t.me/padegostosodemaisSiga os titulares:Maidana – Twitter / Instagram / BskyShow do Vitinho – Twitter / Instagram / BskyPríncipe Vidane – Twitter / Instagram / BskyProjetos paralelos:Dentro da Minha CabeçaReinaldo JaquelineFábrica de FilmesContribua com o Peladinha:Apoia.sePatreonChave pix: podcast@peladananet.com.brColaboradores de Novembro/2025!Seguem os nomes de alguns dos queridos que colaboraram com ao menos R$5. Obrigado a todos! :)Adriana Cristina Alves Pinto Gioielli | Adriano Marin Da Silva | Adriano Nazário | André William Jacyntho | Daniel Gonzaga De Araújo | Fellipe Miranda | Fernando Costa Campos | Gabriel Machado De Freitas | Guilherme Drigo | Guilherme Rezende Soria | Heverton Coneglian De Freitas | Higor Nunes Resende | Higor Pêgas Rosa De Faria | Ítalo Leandro Freire De Albuquerque | João Paulo Lobo Marins | Joao Pedro Barros Barbosa | Kleber Oliveira | Leonardo Delefrate | Luis Henrique Santos | Luiz Felipe Petri | Luiz Guilherme Borges Silva | Messias Feitosa Santana | Pedro Gomes | Rafael Brandão Brasil | Rebeca Cruz | Renata Pereira R Silva | Renato De Macedo | Renato Grigoli Pereira | Rodrigo Mathias | Rodrigo Petriche | Stéfano Bellote | Thais Cristine Cavalcanti | Vanessa Fontana | André Siqueira | André Stábile | Arthur Takeshi Gonçalves Murakawa | Brayan Ksenhuck | Caio Fonseca [...]Obrigado por acreditarem em nós!Comente!Envie sua cartinha via e-mail para podcast@peladananet.com.br e comente tanto no post do Instagram com a capa deste episódio quanto no Spotify (se batermos 50 comentários em cada, leremos comentrouxas no programa que vem)!
Mensagem do dia 30 de Novembro de 2025 por Ed René Kivitz Manifesto contra a desigualdade | Celebração Ibab AO VIVO 11h www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab
Mensagem do dia 30 de Novembro de 2025 por Israel Magalhães Mudar a mesa, mudar o mundo | Celebração Ibab AO VIVO 11h www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab
Mensagem do dia 30 de Novembro de 2025 por Kenner Terra O que é uma fé demoníaca | Tg 2.14-26 Celebração Ibab AO VIVO 11h www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab
Mensagem do dia 23 de Novembro de 2025 por Ed René Kivitz Tudo para todo mundo | Campanha de Natal Ibab 2025 Celebração Ibab AO VIVO 11h www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab
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Alarme é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!Use a hashtag #Lupus e comente a história no nosso grupo do telegram: https://t.me/naoinviabilizePUBLICIDADE ASTRAZENECAAcesse o site amarcadacoragem.com.br e saiba mais sobre o Lúpus, seus sintomas, mitos e verdades. Ao sinal de sintomas, procure um médico, principalmente reumatologista. BR-46254-Novembro/2025. Material destinado ao público geral.QUER OUVIR MAIS HISTÓRIAS? BAIXE NOSSO APLICATIVO EM SUA LOJA APPLE/GOOGLE, CONHEÇA NOSSOS QUADROS EXCLUSIVOS E RECEBA EPISÓDIOS INÉDITOS DE SEGUNDA A QUINTA-FEIRA: https://naoinviabilize.com.br/assineEnvie a sua história bem detalhada para naoinviabilize@gmail.com, seu anonimato será mantido, todos os nomes, profissões e locais são trocados para preservar a sua identidade.Site: https://naoinviabilize.com.brTranscrição dos episódios: https://naoinviabilize.com.br/episodiosYoutube: https://youtube.com/naoinviabilizeInstagram: https://www.instagram.com/naoinviabilizeTikTok: https://www.tiktok.com/@naoinviabilizeX: https://x.com/naoinviabilizeFacebook: https://facebook.com/naoinviabilizeEdição de áudios: Depois O Leo Corta MultimídiaVinhetas: Pipoca SoundVoz da vinheta: Priscila Armani
Mensagem do dia 16 de Novembro de 2025 por José Maua Celebração Ibab AO VIVO 9h Celebração Ibab AO VIVO 11h www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab
Mensagem do dia 09 de Novembro de 2025 por Kenner Terra Como devo tratar a Bíblia | Sl 119. 105-112 Celebração Ibab AO VIVO 11h www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab
Mensagem do dia 09 de Novembro de 2025 por Ed René Kivitz A história que a Bíblia conta | Lucas 3.23-38 Celebração Ibab AO VIVO 11h www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab
Mensagem do dia 16 de Novembro de 2025 por Lídia de Lima Celebração Ibab AO VIVO 9h Celebração Ibab AO VIVO 11h www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab
Mensagem do dia 09 de Novembro de 2025 por Robinson Jacintho Entre o “ver” e o “enxergar” | Celebração Ibab AO VIVO 11h www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab
Mensagem do dia 16 de Novembro de 2025 por Roseni Welmerink Celebração Ibab AO VIVO 9h Celebração Ibab AO VIVO 11h www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab