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Era sábado à noite, nos anos 2000.Mais cedo, no MSN:“10h na porta?”“Fechou.”Você se arrumava, encontrava os amigos e ia para a balada. Sem stories, sem localização em tempo real, sem saber antes quem estaria lá. Você simplesmente descobria quando chegava.Na pista, tocava Summer Eletrohits. No refrão, ninguém levantava o celular.Levantava os braços.O momento ficava na memória de quem estava vivendo. Não virava Reels no dia seguinte.Se quisesse uma foto do rolê, precisava ter um amigo com câmera digital ou encontrar o fotógrafo da balada. No dia seguinte, todo mundo procurava as fotos na internet. Flash estourado, olho vermelho, alguém cortado, foto tremida.E todo mundo achava incrível.Uma delas ainda podia virar sua foto do Orkut pelos próximos seis meses.E se você fizesse alguma besteira durante a noite e ninguém tivesse fotografado, acabava ali. No máximo, virava história entre os amigos. Você não acordava no domingo viralizado.Até para encontrar alguém que sumiu no rolê era diferente:“kd vc?”E localização em tempo real? Kkkkk. Sonha.Ficar em casa também tinha seu ritual. Pizzaria pelo telefone fixo, Zorra Total, depois Supercine. No domingo, Fórmula 1, Globo Rural, almoço em família, Turma do Didi e Domingo Legal.Lasanha ou frango no forno. Coca-Cola de 2 litros. Todo mundo à mesa.Ninguém dizia:“Peraí, deixa eu tirar uma foto.”A comida não precisava esperar por um story.Mais tarde, alguém chamava:“Bora dar uma volta?”E “dar uma volta” podia significar praça, calçadão, sorveteria ou casa de alguém.Ninguém escolhia o lugar pensando em qual foto ia render.À noite, o Fantástico anunciava que o fim de semana estava acabando.E você não passava o domingo comparando sua vida com a de outras 300 pessoas nos stories. Não sabia quem tinha viajado, saído mais ou almoçado melhor.Você tinha vivido o seu.Na segunda-feira, a pergunta era simples:“E aí, fez o quê no fim de semana?”E você contava tudo.Porque ninguém tinha acompanhado sua vida pela internet antes de você contar.Era real time de verdade.Talvez alguns dos melhores fins de semana da nossa vida não tenham virado conteúdo porque não precisavam.Eles simplesmente aconteceram.Talvez a gente tivesse menos conteúdo, mas mais presença.Menos comparação e mais experiência.Menos necessidade de mostrar e mais liberdade para viver.Bons tempos.Ou talvez tenham sido tão bons porque a gente estava inteiro dentro deles.
Era sábado à noite, nos anos 2000.Mais cedo, no MSN:“10h na porta?”“Fechou.”Você se arrumava, encontrava os amigos e ia para a balada. Sem stories, sem localização em tempo real, sem saber antes quem estaria lá. Você simplesmente descobria quando chegava.Na pista, tocava Summer Eletrohits. No refrão, ninguém levantava o celular.Levantava os braços.O momento ficava na memória de quem estava vivendo. Não virava Reels no dia seguinte.Se quisesse uma foto do rolê, precisava ter um amigo com câmera digital ou encontrar o fotógrafo da balada. No dia seguinte, todo mundo procurava as fotos na internet. Flash estourado, olho vermelho, alguém cortado, foto tremida.E todo mundo achava incrível.Uma delas ainda podia virar sua foto do Orkut pelos próximos seis meses.E se você fizesse alguma besteira durante a noite e ninguém tivesse fotografado, acabava ali. No máximo, virava história entre os amigos. Você não acordava no domingo viralizado.Até para encontrar alguém que sumiu no rolê era diferente:“kd vc?”E localização em tempo real? Kkkkk. Sonha.Ficar em casa também tinha seu ritual. Pizzaria pelo telefone fixo, Zorra Total, depois Supercine. No domingo, Fórmula 1, Globo Rural, almoço em família, Turma do Didi e Domingo Legal.Lasanha ou frango no forno. Coca-Cola de 2 litros. Todo mundo à mesa.Ninguém dizia:“Peraí, deixa eu tirar uma foto.”A comida não precisava esperar por um story.Mais tarde, alguém chamava:“Bora dar uma volta?”E “dar uma volta” podia significar praça, calçadão, sorveteria ou casa de alguém.Ninguém escolhia o lugar pensando em qual foto ia render.À noite, o Fantástico anunciava que o fim de semana estava acabando.E você não passava o domingo comparando sua vida com a de outras 300 pessoas nos stories. Não sabia quem tinha viajado, saído mais ou almoçado melhor.Você tinha vivido o seu.Na segunda-feira, a pergunta era simples:“E aí, fez o quê no fim de semana?”E você contava tudo.Porque ninguém tinha acompanhado sua vida pela internet antes de você contar.Era real time de verdade.Talvez alguns dos melhores fins de semana da nossa vida não tenham virado conteúdo porque não precisavam.Eles simplesmente aconteceram.Talvez a gente tivesse menos conteúdo, mas mais presença.Menos comparação e mais experiência.Menos necessidade de mostrar e mais liberdade para viver.Bons tempos.Ou talvez tenham sido tão bons porque a gente estava inteiro dentro deles.
Na pausa de agosto do Posto Emissor, recordamos algumas das edições mais ouvidas ao longo do ano. Em maio, o podcast da BLITZ recebia Bonga, embaixador da música de Angola no mundo, artista com mais de 50 anos de uma carreira alimentada a canções multigeracionais como ‘Mariquinha’ ou ‘Olhos Molhados’. O artista lembrou a vinda para Portugal, a luta pela independência de Angola, os anos de exílio e a paternidade aos 80 anos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Recorde a entrevista de novembro de 2025 a Herman José. O humorista tinha celebrado recentemente 70 anos de vida, 50 de carreira e 40 do programa “O Tal Canal”. Herman José é o responsável por levar a comédia portuguesa à modernidade, inspirado por figuras como os Monty Python. Não muito tempo antes de gravarmos este episódio, tinha subido a palco com um ombro fraturado e um tendão de aquiles rebentado. O caso aconteceu na Lourinhã, antes de um concerto. O episódio foi originalmente publicado em duas partes, esta republicação tem a conversa completa. Durante agosto pode assistir ao Humor À Primeira Vista ao vivo: - Dia 13 de agosto, no festival Vodafone Paredes de Coura. Uma conversa com a humorista Isabel Viana, no palco Jazz na Relva, pelas 12h30. - De 28 a 30 de agosto, no Mock Fest, no Cinema São Jorge, em Lisboa. Em cada dia do festival um episódio ao vivo, com humoristas surpresa que vão estar pelo festival. A entrada é livre, mas os lugares são limitados. Para reservar um bilhete basta enviar e-mail para gcarvalho@impresa.pt, indicando o dia desejado.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O humorista Nuno Markl é o convidado de Daniel Oliveira, no Alta Definição em podcast. O locutor das “Manhãs da Comercial” e apresentador do programa “Taskmaster Portugal” partilha, pela primeira vez, a experiência que mudou a sua vida: os dois AVCs sofridos no espaço de poucas semanas. Foi o seu filho Pedro que ligou para o 112, recusando-se a aceitar a sugestão do pai de que “podia ser só cansaço”. “Não sei o que teria acontecido se não fosse ele”, admite Markl. O humorista recorda a tristeza demolidora da dependência total e o medo de nunca mais voltar a mexer o braço ou andar sem apoio. “As pessoas talvez não tenham noção do nível atómico de tristeza e solidão que se pode sentir sozinho num quarto de hospital, cheio de incertezas”, explica. Markl reflete sobre a habitual rotina antes do acidente, que descreve como “uma cavalgada insana”, o hábito de ignorar os sinais do corpo e o medo de ir ao médico. O processo de recuperação, que descreve como “o projeto mais importante da minha vida”, ensinou-lhe a valorizar as pequenas vitórias diárias e a aprender a dizer 'não'. “Antes disto acontecer, quando descansava sentia culpa por não estar a fazer mais. Agora já não.” O humorista fala ainda sobre o amor e a amizade que o sustentaram nestes meses, sobre a relação com a namorada Teresa, com a mãe, com a irmã e com os amigos que encheram o seu quarto de hospital. Ouça a conversa intimista no Alta Definição, emitido na SIC a 1 de agosto. *A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da ImpresaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Passagens Complementares:Mateus 13,55
Tinha 23 anos, o ano era 1983, e o impensável aconteceu. Maradona viajou clandestino e sem o conhecimento do seu clube e acabou em Viseu a jantar um churrasco de cabrito no Casablanca.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Mariana Abranches Pinto foi, durante 20 anos, arquiteta paisagista. A filha, Nini, morreu com leucemia em 2023. Tinha 18 anos acabados de fazer. Mariana é presidente e uma das fundadoras da Compassio, uma associação sem fins lucrativos pensada por um grupo de pessoas que sonham com uma sociedade mais compassiva, com foco no fim de vida.
No episódio de hoje do Kiwicast, recebemos Rhayner Silva, especialista em tráfego orgânico e empreendedor que construiu um negócio completo em torno de higienização de estofados, faturando de R$50 mil a R$90 mil por mês exclusivamente com orgânico no YouTube.A história começa com uma reclamação da mãe. Ela contratou uma empresa de outra cidade para limpar o sofá de casa. Oserviço durou menos de uma hora, foi mal feito e custou R$250. Quando Rhayner chegou em casa e ouviu o valor, parou de escutar o restante. Na cabeça, já estava fazendo conta.Tinha canal no YouTube desde 2018. Ficou 2 anos criando conteúdo sem resultado, sem entender a oportunidade quetinha na mão. Foi a pandemia que alavancou tudo quando as vendas foram de zero para R$90 mil por mês só no orgânico.Hoje tem um ecossistema completo vinculado ao digital: curso que ensina o serviço, mais de 50 licenças de marcapelo país, produto químico próprio para higienização e um acessório que ele mesmo inventou, patenteou e fabrica em impressão 3D.No Kiwicast, ele falou sobre:● Como foi de 2 anos sem resultado no YouTube a R$90 mil por mês no orgânico● Por que viu uma oportunidade de negócio onde a mãe via só uma reclamação● Como funciona o tráfego orgânico de um nicho completamente fora do comum● Por que ficou anos sem fazer tráfego pago e o que mudou quando começou● Como construir um ecossistema físico e digital que nãodepende de lançamento● O que qualquer empreendedor pode aprender com um nicho de limpeza de sofáAprenda com quem vive o mercado digital na prática.Dá o play e deixe nos comentários qual foi o melhor insight que você tirou do episódio.Nosso Instagram é @Kiwify
Tinha 32 anos em 1974. Foi deputada 20 anos, Secretária de Estado da Comunidades. Feminista, foi a primeira divorciada na famíliaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Como é que pode?A gente viu o orelhão usar ficha… depois cartão… depois virar ponto de referência.“Sobe ali onde tem o orelhão.”A gente viu gente procurar telefone na lista telefônica… nas páginas amarelas.Hoje tu perde o celular e parece que perdeu um órgão do corpo.Hoje é muito raro quem sabe de cor o número da mãe.A gente viu cartas serem uma operação. Lambia o envelope, ia aos Correios, postava e esperava dias pela resposta.Hoje tu manda um “oi”… e, se a pessoa demora oito minutos pra responder, tu já começa a revisar todos os teus erros desde 2007.A gente viu o telegrama.Tu escrevia uma frase e pagava por palavra.Aquilo era o ChatGPT da época… só que chegava de bicicleta.A gente viu o fax chegar… e pensou:“Agora acabou. Chegamos no futuro.”Tinha uma impressora gritando dentro do telefone.A gente pesquisou trabalho na Barça.Procurou palavra no Aurélio.Sentiu o cheiro da folha de mimeógrafo.A gente não estudava…A gente ficava levemente calibrado com álcool.A gente viu o MSN virar WhatsApp.No MSN, a gente colocava subnick triste pra chamar atenção.Hoje tu posta um story com música… e espera a pessoa entender o processo.A gente viu cheque virar cartão.Tem gente que hoje não faz ideia do que era o motivo 11.Ah… um chequezinho sem fundo.A gente viu fita virar CD.CD virar DVD.DVD virar Blu-ray…E o Blu-ray nascer e morrer no mesmo churrasco.Então, não.A gente não é velha.A gente é testemunha ocular de umas 47 atualizações do mundo.Por isso, às vezes, a gente está cansado.Não é preguiça.É excesso de evento histórico no ombro.
Como é que pode?A gente viu o orelhão usar ficha… depois cartão… depois virar ponto de referência.“Sobe ali onde tem o orelhão.”A gente viu gente procurar telefone na lista telefônica… nas páginas amarelas.Hoje tu perde o celular e parece que perdeu um órgão do corpo.Hoje é muito raro quem sabe de cor o número da mãe.A gente viu cartas serem uma operação. Lambia o envelope, ia aos Correios, postava e esperava dias pela resposta.Hoje tu manda um “oi”… e, se a pessoa demora oito minutos pra responder, tu já começa a revisar todos os teus erros desde 2007.A gente viu o telegrama.Tu escrevia uma frase e pagava por palavra.Aquilo era o ChatGPT da época… só que chegava de bicicleta.A gente viu o fax chegar… e pensou:“Agora acabou. Chegamos no futuro.”Tinha uma impressora gritando dentro do telefone.A gente pesquisou trabalho na Barça.Procurou palavra no Aurélio.Sentiu o cheiro da folha de mimeógrafo.A gente não estudava…A gente ficava levemente calibrado com álcool.A gente viu o MSN virar WhatsApp.No MSN, a gente colocava subnick triste pra chamar atenção.Hoje tu posta um story com música… e espera a pessoa entender o processo.A gente viu cheque virar cartão.Tem gente que hoje não faz ideia do que era o motivo 11.Ah… um chequezinho sem fundo.A gente viu fita virar CD.CD virar DVD.DVD virar Blu-ray…E o Blu-ray nascer e morrer no mesmo churrasco.Então, não.A gente não é velha.A gente é testemunha ocular de umas 47 atualizações do mundo.Por isso, às vezes, a gente está cansado.Não é preguiça.É excesso de evento histórico no ombro.
O lúpus é uma doença autoimune crônica com sintomas que impactam o cotidiano. Ele é confundido com frequência com outras patologias, o que atrasa o diagnóstico. O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma das formas mais comuns e pode afetar a pele, as articulações, os rins, os pulmões, o coração e o cérebro, causando sintomas como cansaço, dores articulares, febre, manchas na pele e sensibilidade à luz solar. Taíssa Stivanin, da RFI em Paris Nas doenças autoimunes, o sistema imunológico passa a atacar células e tecidos saudáveis do próprio organismo. No caso do lúpus, esse processo gera inflamações que podem atingir diferentes órgãos e sistemas. De acordo com a reumatologista Luciana Seguro, integrante da Comissão de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia e do Grupo Latino-Americano de Estudo do Lúpus, especialistas defendem que a patologia não seja considerada uma única doença, mas uma síndrome. “Cada paciente apresenta manifestações diferentes. Essa compreensão também reforça a necessidade de uma abordagem individualizada. O paciente deve ser avaliado para receber um tratamento personalizado”, diz a especialista. O lúpus erimatoso cutâneo ocorre com mais frequência em mulheres entre 20 e 40 anos. “É muito comum haver inflamação na pele. Existem pacientes que apresentam apenas a forma cutânea da doença. Essa manifestação pode ocorrer de forma isolada ou estar associada ao lúpus eritematoso sistêmico”, explica Luciana Seguro. Mas a doença pode afetar qualquer órgão e se manifestar de diversas maneiras, provocando queda de cabelo, inflamação nos pulmões, convulsões, formigamentos e, mais raramente, manifestações intestinais, como diarreia. Também são comuns anemia e redução das taxas de glóbulos brancos e plaquetas no sangue, diz a reumatologista. A mineira Katiuscia Francieli, de Indianópolis (MG), começou a sentir os primeiros sintomas da doença há 14 anos, aos 24 anos. As dores eram intensas, e ela passou a ter dificuldades para realizar movimentos simples. Após consultar um reumatologista e realizar exames, descobriu que tinha um distúrbio de coagulação sanguínea, mas não tinha lúpus, de acordo com a avaliação dos especialistas na época. “Continuei sentindo muita dor, e isso passou a limitar minha rotina e as atividades do dia a dia, inclusive os cuidados com a casa. As crises eram intensas e frequentes, o que me levou a procurar atendimento hospitalar várias vezes para receber medicação", diz. Com o tempo, alguns médicos passaram a sugerir que os seus sintomas tinham "origem emocional", conta. "Em determinado momento, acabei acreditando nisso também: que tudo poderia estar relacionado ao meu estado emocional ou até ser algo da minha cabeça”, descreve Katiusca. “Foram anos vivendo essa situação, voltando com frequência ao hospital, sem uma explicação definitiva para o que estava acontecendo.” Os sintomas pioraram e, além das dores nas articulações, ela passou a perder cabelo e ter manchas roxas na pele. Suas dores também ficaram cada vez mais intensas. “Tinha muitas limitações. Quando eu ia pedalar, colocava o pé no chão e caía. Minha mão não conseguia mais segurar as coisas. Eu não tinha mais nenhuma destreza nos movimentos.” Após novas consultas, o diagnóstico foi confirmado em dezembro de 2024. Com o início do tratamento, ela melhorou e agora leva uma vida normal. “Hoje eu tenho qualidade de vida, convivo muito bem com o tratamento. Recuperei minha massa muscular, que havia perdido durante os períodos mais graves da doença, e recobrei a força que não tinha”, conta. O que provoca lúpus? As pesquisas ainda não identificaram os gatilhos da doença. No entanto, predisposição genética, fatores hormonais e ambientais, como tabagismo e exposição solar, estão associados ao desenvolvimento do lúpus. “O paciente tende a apresentar novamente os tipos de inflamação que já teve antes. Por isso o diagnóstico precoce é importante, para dar início, rapidamente, a um tratamento adequado. De modo geral, é nos primeiros cinco anos que podem aparecer novas manifestações do lúpus. Depois disso, quando a doença volta, o mais comum é que ela se apresente da mesma forma que ocorreu inicialmente.” O lúpus pode ser controlado com diagnóstico precoce, que requer exames como o FAN (fator antinuclear). O teste ajuda a identificar a presença de autoanticorpos, produzidos pelo organismo contra estruturas das próprias células. A avaliação do quadro clínico do paciente também é essencial. “O diagnóstico do lúpus depende da combinação entre um quadro clínico sugestivo e a identificação de autoanticorpos, já que se trata de uma doença autoimune”, resume a reumatologista. “Nessa condição, o organismo produz anticorpos contra estruturas do próprio corpo, em vez de direcioná-los apenas à defesa contra agentes externos. O exame de FAN é utilizado como teste de triagem e está positivo em praticamente todos os pacientes com lúpus eritematoso sistêmico”, diz. Mas seu resultado isolado não é suficiente para confirmar o diagnóstico: uma parcela da população sem lúpus também pode apresentar FAN positivo, o que torna fundamental a interpretação do exame em conjunto com os sinais clínicos e outros testes laboratoriais, como a dosagem do complemento, especialmente C3 e C4”, explica a médica. Já existem pesquisas que investigam os efeitos do tratamento na fase pré-clínica da doença, ou seja, antes do aparecimento dos sintomas. “Alguns grupos de pesquisa estudam justamente a fase pré-clínica do lúpus, quando o paciente apresenta alterações imunológicas e autoanticorpos, mas ainda não desenvolveu sintomas da doença", esclarece a reumatologista. "Não há evidências conclusivas de que o tratamento nessa fase modifique a evolução do quadro, mas essa é uma hipótese que vem sendo investigada”, aponta a médica. O tratamento para controlar a doença inclui o uso de corticoides, imunossupressores e outras moléculas.
O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open'. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de valores, sua língua, e projeta a hegemonia do inglês. Isso influencia boa parte do conhecimento que a gente vai produzir daqui pra frente, porque cientistas e educadores usam essas plataformas e acabam perpetuando essas mesmas ideologias e valores.E o quarto e último paralelo é que impérios sempre se agarram a uma narrativa existencial ou moral sobre por que precisam existir. Essas empresas fazem a mesma coisa. Dizem que são o “império do bem”, numa missão civilizatória de trazer progresso e modernidade pra toda a humanidade, competindo contra um “império do mal” que ameaça mandar a humanidade pro inferno.Quando você conversa com algumas pessoas dentro dessas empresas, ou que as lideram, elas dizem: se você nos deixar construir uma inteligência artificial geral, que elas de alguma forma moldam como um deus, a gente vai acabar numa espécie de utopia, um paraíso onde a mudança climática é resolvida, o câncer é curado, a pobreza é aliviada.Mas, se os caras maus conseguirem isso antes, a gente pode acabar com todos os humanos mortos — um risco de extinção pra todos nós.Cris: E eles vêm dizendo isso há quase dez anos, e ainda usam como ferramenta. A gente está num país que foi influenciado por três impérios ao longo da história: Portugal, Inglaterra e agora os Estados Unidos. Então a gente olha pra essas empresas de um jeito meio cínico: sim, sim, já conhecemos essa história.Mas, ao mesmo tempo, ano passado, o Pew Research Center fez uma pesquisa sobre como o mundo enxerga a IA, e o sul global é bem mais otimista do que o norte. Uma das razões é a ideia de democratizar — não só informação, mas: ah, finalmente eu posso montar uma startup, sair desse lugar de exploração e criar o unicórnio de um bilhão de dólares. Os números são grandes na China. Países em desenvolvimento veem muito mais benefício do que risco na IA.China, 83%. Tailândia, 77%. Holanda, 36%. Canadá, 40%. Será que a gente está deixando passar alguma coisa? A gente está certo? Isso está democratizando mesmo? Até que ponto?Karen Hao: Provavelmente tem duas razões. Uma é que muitos dos danos que a indústria de IA causa à maioria global são bem escondidos. Ela se esforça muito pra esconder como polui o ambiente dessas comunidades, como explora e devasta a mão de obra, deixando traumas psicológicos — como documento no livro.E, recentemente, li um artigo de opinião no New York Times que trazia um bom ponto: muitas economias desenvolvidas estão especialmente atentas ao potencial da IA de desmontar oportunidades de emprego de tempo integral. A gente começa a ver isso cada vez mais. Já na maioria global, muito mais gente vive em economias informais, e aí a ideia de que a IA vai tomar um emprego de tempo integral não pesa tanto.Então os danos mais visíveis — a erosão do emprego formal de tempo integral — pesam mais no norte global, ou pelo menos é lá que as pessoas se sentem mais ansiosas. E os danos invisíveis, que atingem o sul global, ninguém percebe tanto, justamente porque são invisíveis. É meio por isso que tanta gente sente essa divisão que aparece na pesquisa do Pew.Cris: Eu tenho acompanhado as notícias sobre IA no Brasil, e toda semana tem um novo data center sendo construído em alguma cidade. Isso é vendido como uma coisa boa: que ótimo investimento, gera emprego. E me fez pensar de novo — a gente passou por três impérios, mas algumas famílias no Brasil, e aposto que em outros lugares também, estão no poder há 500 anos ao longo da história do país.Então, ao mesmo tempo, a gente pensa: é, estamos sendo explorados, é a mesma coisa. Eu já não tenho emprego, então deixa eu usar essa tecnologia pra melhorar minha vida. Mas as pessoas que realmente tomam as decisões, de novo, nos últimos 500 anos, se perguntaram: como a gente ajuda esse pessoal a explorar nosso país de um jeito que nos mantenha no poder e nos dê muito dinheiro?Mas também foi verdade que, sei lá, a Volkswagen abre uma fábrica no Brasil e aquilo gera emprego, contrata gente pro chão de fábrica e pros escritórios. Como é que isso é diferente com a IA?Karen Hao: De certa forma, não é diferente. Existe um fenômeno parecido: a indústria de IA terceiriza muitos dos trabalhos que ela não quer dentro dos centros de poder, e joga isso pra comunidades empobrecidas, do mesmo jeito que outras multinacionais fizeram por décadas.Mas também é diferente, porque a escala dos impactos trabalhistas e ambientais da IA é completamente outra, muito maior que a da indústria automobilística ou da moda. E a velocidade é outra, porque são tecnologias digitais que atravessam fronteiras muito rápido.E é diferente porque a maioria das pessoas não percebe que a IA, mesmo sendo tecnologia digital, tem uma cadeia de suprimentos muito física e intensiva em mão de obra manual.Quando você compra roupa, café, um carro, é mais óbvio que existem materiais que precisam ser extraídos e depois manuseados por pessoas pra criar aquele produto. Já com a IA, a maioria aceita a narrativa que o Vale do Silício projeta: a de que isso vem da “nuvem”, desses espaços etéreos que parecem nem existir no planeta. E a verdade é exatamente o oposto.Ela depende de uma quantidade extraordinária de extração mineral. Depende da construção de infraestruturas enormes — data centers, instalações de supercomputação espalhadas pelo mundo. E depende de muita, muita mão de obra manual: trabalhadores de dados que limpam, preparam e moderam o conteúdo dos sistemas de IA que chegam até você quando usa o ChatGPT.É isso que a torna tão diferente. E há também uma ideologia completamente diferente sustentando a expansão da IA. Quando você conversa com executivos da moda, eles não vão dizer: se você não comprar nossa roupa, vai pro inferno.Já a indústria de IA diz: se você não nos deixar capturar cada vez mais terra, mais recursos e mais mão de obra pra produzir essas tecnologias, vamos ter uma destruição civilizacional. Isso é, ao mesmo tempo, retórica política usada como arma pra moldar o debate público e a cabeça de quem formula políticas, e também está enraizado num sistema de crenças — algumas pessoas dentro dessas empresas realmente acreditam que, se uma AGI fosse construída, e construída nas mãos erradas, isso levaria mesmo a esse tipo de destruição.E é isso que move a sede cada vez maior da indústria por mais capital, mais recursos e mais terra.Cris: Eu quero falar sobre AGI, mas antes: ano passado, a OpenAI estava sendo processada no Reino Unido por violação de direitos autorais, basicamente todos os livros do mundo digitalizados e usados pra treinar modelos. E um dos executivos disse ao júri: bem, se a gente não puder fazer isso, fecha as portas. Me chocou que muita gente reagiu com um “ah, tá, o que a gente pode fazer? Eles vão fechar as portas”.Em parte porque a gente já está acostumado com essa narrativa. Outro dia, numa conferência, um ex-CEO dizia: a gente teve que usar embalagem de plástico porque é mais barata que papel, senão prejudicaria nosso resultado. E a plateia reagia: ah, então é só fechar as portas — a sociedade não pode arcar com isso.Mas isso também, como você disse, se conecta à ideia de uma grande missão, uma missão de salvar o mundo, que a gente precisa cumprir antes que seja tarde, senão estamos condenados. OpenAI está literalmente no nome — só que em português não é tão direto: é “inteligência artificial aberta”.Foi criada a partir de um sonho, um projeto que era pra ser uma coisa pro bem comum. Em 2019, num tempo bem distante, antes da pandemia, você cobriu a OpenAI, foi até o escritório deles, ficou lá dentro. O que você viu? E, mais importante, como essa missão mudou? O Elon Musk os processou outro dia justamente por mudarem a missão. Isso alguma vez foi verdade? Em algum momento eles pensaram mesmo “ah, a gente vai salvar o mundo”?Como essa narrativa de ser aberta funciona com a OpenAI?Karen Hao: Quando comecei a cobrir a OpenAI, levei a sério o que eles diziam — que tinham sido recrutados com a missão de beneficiar toda a humanidade. E aí, quando me infiltrei na empresa, fui ficando bem mais cética, porque via como eles operavam de um jeito completamente diferente, portas adentro, do que diziam em público.Diziam que iam publicar todas as pesquisas e abrir o código de tudo, e na prática eram uma das organizações mais secretas que já cobri. Eram muitas discrepâncias, e, na época, presumi que tinha havido algum tipo de corrupção que os levou a abandonar a missão original. Depois de cobrir a empresa por mais alguns anos e de trabalhar neste livro, mudei de ideia até sobre a missão original.Não acho mais que ela era um esforço sincero e generoso de beneficiar a humanidade. A missão foi criada pra dar à empresa — na época, uma organização sem fins lucrativos — uma margem de manobra extraordinária pra depois levantar muito capital, acumular muito talento e perseguir a força motriz de verdade por trás de tudo aquilo: se tornar a força dominante no desenvolvimento de IA.E penso assim agora porque, quando você olha pras narrativas de cada nova empresa de IA no começo — a Anthropic, a xAI, a Safe Superintelligence do Ilya Sutskever, a Thinking Machines Lab da Mira Murati —, todas usam a mesma narrativa da OpenAI: nós somos os mocinhos, eles são os bandidos.É por isso que precisamos criar uma nova empresa que avance a IA do nosso jeito, não do deles. E você começa a perceber, por esse padrão, que eles repetem a mesma coisa em parte porque acreditam nela até certo ponto, mas também porque ela funciona muito bem com a imprensa, com o público, com quem formula políticas.No livro, eu reproduzo os e-mails internos que Elon Musk, Sam Altman e Greg Brockman trocavam nos primeiros dias da OpenAI. Eles tinham plena consciência de que estavam criando uma missão que soasse bem para o público. E o propósito de verdade, que também deixaram registrado nesses e-mails, era vencer o Google. Viam o Google como a força dominante em IA e queriam ser eles essa força.Não gostavam de ver o Google na frente, então inventaram justificativas: o Google é uma empresa com fins lucrativos, então nós vamos ser sem fins lucrativos. Mas, no fundo, acho que era puro ego: tem que ser a gente, não eles, a gente quer ser quem lidera isso.E aí passaram um tempão moldando essa missão pública, que acabou sendo super útil pra recrutar o primeiro grupo de pesquisadores e turbinar o avanço deles.Cris: Então agora é um bom momento pra falar de AGI, a inteligência artificial geral. Muita gente pergunta: o que é AGI? O que “geral” quer dizer? E a impressão que peguei lendo seu livro é que, por design, isso nunca fica claro de verdade, porque é um alvo móvel. Essas empresas um dia vão dizer “chegamos, alcançamos a AGI”? Ou o plano é sempre “não, não, ainda não chegamos, me dá mais dinheiro, me dá mais poder”?Qual é o papel da AGI na narrativa dessas empresas?Karen Hao: Já que a gente está falando de ficção científica, eu costumo usar a analogia de que o mundo da IA é meio como Duna. Em Duna, o personagem principal, Paul Atreides, entende, ao chegar no planeta Arrakis, que o povo de lá foi semeado com um mito: o de que um dia viria um Messias pra libertá-los. Ele sabe que é um mito, mas decide entrar nele e agir como se fosse o Messias pra controlar melhor aquele povo.E, vivendo, respirando e encarnando esse mito dia após dia, ele começa a perder a noção de que é um mito. Passa a se perguntar se o mito era mesmo verdadeiro ou se foi ele quem o tornou verdadeiro. É essa confusão entre mito e realidade — ele vive num espaço intermediário, sem ter mais certeza do que é verdade e do que é ficção.E trago isso pra responder sobre a AGI porque a AGI é, ao mesmo tempo, um mito e algo que os líderes e os trabalhadores dessas empresas vivem, respiram e encarnam dia após dia, a ponto de perderem a noção do que é mito e do que é realidade. É a ideia de um sistema de IA teórico que um dia igualaria as capacidades humanas. Só que a gente nem tem consenso científico sobre o que é inteligência humana.Por isso, de certa forma, por design, é um termo bem maleável, que deixa essas empresas fazerem o que quiserem. Elas definem e redefinem a AGI conforme a necessidade, movem a trave pra onde quiserem. E, ao mesmo tempo, isso é sustentado por uma crença genuína de certas pessoas lá dentro, por causa dessa confusão entre mito e realidade. Pelas minhas contas, a OpenAI já usou pelo menos quatro definições diferentes de AGI.A primeira está no site deles: “sistemas altamente autônomos que superam humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”. É uma definição de automação do trabalho — eles dizem, de forma explícita, que estão atrás dos empregos mais bem pagos. A segunda apareceu no contrato com a Microsoft, por um tempo a maior investidora deles: ali, a AGI virou um sistema que geraria 100 bilhões de dólares em receita.Ou seja, uma definição feita pra incentivar a Microsoft a investir. Já o Sam Altman disse ao Congresso que AGI é um sistema que cura o câncer e resolve a mudança climática — uma definição de benefício social, muito útil quando você quer que os reguladores não te regulem.E, por fim, quando falam com o consumidor, dizem que vai ser o melhor assistente digital que você já teve — porque, claro, estão tentando vender o produto.E aí você percebe duas coisas. Primeiro, que é um conjunto de definições completamente incoerente. Segundo, que eles trocam de definição conforme o público que querem convencer. Mas também tem gente nessas empresas que acredita de verdade que está construindo uma tecnologia capaz de dar conta das quatro coisas.Então é uma realidade bem confusa e complicada: o que a AGI de fato é, e pra que ela serve, para essas empresas, para a agenda delas e também para as crenças delas.Cris: Como ex-funcionário da Meta — entrei em 2013 —, a missão era unir o mundo e torná-lo mais aberto e conectado. É uma missão incrível. E tem uma coisa que eu sempre digo, porque muito amigo meu vem falar comigo, “ah, esse cara da OpenAI, ou a própria Meta, são maus”. Eu conheci muita gente na empresa. Nunca conheci uma pessoa mal-intencionada.Todo mundo, independente da missão, era gente boa tentando entregar o melhor produto possível, pra dar poder a quem tem um pequeno negócio, por exemplo. Tenho amigos pessoais que construíram a empresa deles em cima da publicidade do Facebook e do Instagram. E esse é justamente o problema, porque ainda assim é uma corporação muito má, pelo que ela causa ao mundo pra bater as metas de negócio.Ou seja, você não precisa de um vilão tipo Lex Luthor pra causar um estrago desse tamanho no mundo. E adorei a referência a Duna. Duna é engraçado: é o livro que eu mais reli na vida que não foi escrito pelo Tolkien. Li o primeiro Duna umas três vezes, e toda vez é como se fosse um livro diferente. Na primeira, eu era adolescente, e era só o Paul Atreides, o cara durão.Na segunda, eu morava no Canadá e li com olhos de estrangeiro, pensando em colonização. E na terceira vez foi quando os filmes do Denis Villeneuve saíram, e aí era: ah, o Bene Gesserit criou esse mito, isso é meio pós-moderno. Narrativamente, fico me perguntando o que vai significar pra mim se eu ler uma quarta vez.Karen Hao: Eu ia te perguntar isso. Quando você disse que cresceu numa época cheia de ficção científica falando das maravilhas da tecnologia, fiquei curiosa: que histórias você estava lendo? Porque muita coisa que saiu nos anos 70 e 80 dizia exatamente o oposto. E muita gente já apontou que os executivos de tecnologia de hoje, que vivem citando essas histórias, interpretam elas justamente ao contrário da intenção original.Cris: Concordo plenamente. Mas, respondendo: foi basicamente Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E é por isso mesmo — os executivos de tecnologia, e o Elon Musk mais que todos, leem esses livros como receita, não como aviso. O livro de que eu mais me lembro, nem lembro o título, era um do Asimov em que ele descreve o elevador espacial que aparece na série da Apple TV, Fundação.E o enredo é: eu sou esse engenheiro brilhante, quero construir essa coisa no Sri Lanka, mas o governo trava tudo com regulação — eu sou um gênio e a regulação é a vilã. Hoje eu leio e penso: ah, sei. Mas, quando garoto, era só “olha, um elevador espacial, que genial, a gente nem precisa de foguete”. E aí você começa a entender. E aí eu parei de ler esses caras.E passei a ler gente com uma visão completamente diferente: o Ted Chiang, que entrevistei ano passado, a N.K. Jemisin, o Cory Doctorow, de quem sou muito fã. E talvez eles sejam mais explícitos, pra gente burra como eu entender: “não, bobo, a analogia é essa”. Mas Duna era incrível — vermes gigantes de areia, o tal garoto durão, e aquela coisa do “eu não aceito o meu destino”.Tenho esse grande destino, mas não quero ele. Do resto da série eu já não gosto tanto. Mas o mais importante de tudo: Duna gerou o melhor GIF de filme de todos os tempos, o “Lisan al Gaib” do Javier Bardem — que eu devia ter colocado durante a sua explicação, aquele “uau, ele está cumprindo a profecia, agindo como o profeta”.Mas, de novo, falando de vilões: você mencionou que essas empresas se colocam como o bem contra o mal, feito impérios antigos. Só que elas também jogam a carta da China, né? “Se a gente não fizer, a Rússia faz primeiro.” Só que a Rússia começou uma guerra e está ocupada demais. “Mas a China chega lá, e é por isso que a gente tem que ser fechado.” É por isso que Mythos e Fable e agora o GPT-5.6 foram proibidos pelo governo. Isso tem fundamento?Quero saber se é possível a China competir — quero mesmo essa resposta — mas também porque, desde toda essa conversa do Fable-Mythos, países como Índia e Brasil vêm dizendo que precisam de um modelo soberano. Dá pra fazer, ou a OpenAI, a Anthropic e o Google estão tão à frente que já não dá?Karen Hao: Sobre a China: você está certíssimo, o Vale do Silício usou por anos a carta do “e a China?” pra escapar de qualquer responsabilização de verdade. Fizeram muito isso na era das redes sociais.A Meta fez muito isso, com o Mark Zuckerberg dizendo ao governo dos EUA: vocês não podem nos regular, senão a gente perde. Mas, se a gente ganhar, vai ter um efeito liberalizante no mundo e nas democracias em todo lugar. E, infelizmente, o que a gente viu foi que jogar essa carta repetidamente produziu exatamente o efeito contrário do que o Vale do Silício prometeu.Uma das empresas de rede social dominantes dessa era é a ByteDance. Ou seja, mesmo sem regulação das redes sociais nos EUA, existe uma empresa chinesa de rede social bem dominante. E as redes sociais estadunidenses acabaram tendo um efeito antiliberal no mundo — é bastante consensual que enfraqueceram democracias em todo lugar. E aí, na era da IA, elas seguiram jogando a mesma carta.Mas o que eu sempre aponto é que a gente definitivamente não devia acreditar nelas. Já existe evidência significativa de que tudo o que elas dizem está, de novo, se provando o oposto. Elas disseram: não regulem a gente como empresas de IA, regulem a China, via controles de exportação — um mecanismo do governo dos EUA com alcance extraterritorial.Só que as empresas chinesas agora estão produzindo modelos de IA de código aberto extremamente eficientes, que viraram super populares no próprio Vale do Silício. Existe um monte de startup de lá que prefere usar modelo chinês a OpenAI, Anthropic ou Google.Então, nesse sentido, é um conjunto de evidências bem decisivo, acho, pra mostrar que a gente devia simplesmente responsabilizar essas empresas, não importa o que digam sobre “ah, vamos perder pra China”. No fim das contas, é só retórica política. Não é um argumento real que elas consigam sustentar pra escapar da responsabilização.Responsabilizá-las vai fortalecer a democracia pelo mundo, vai trazer mais direitos humanos, trabalhistas e de privacidade de dados pras pessoas — é sempre o contrário do que elas dizem que aconteceria. E, sobre a sua pergunta em torno da IA soberana: acho a ideia realmente importante, mas acho também que muitos países estão meio confusos sobre o que querem dizer com isso.Muitos governos, hoje, pensam a IA soberana pela pergunta: a gente consegue construir o nosso próprio ChatGPT? O nosso próprio grande modelo de linguagem, o nosso sistema de IA generativa? Estão olhando só pro modelo que o Vale do Silício já definiu e tentando descobrir como recriar aquilo.E o que eu digo pra quem formula políticas é: defina pra que a IA serve no seu país, no seu contexto. Quais são, no fim das contas, os objetivos do seu país? Os objetivos do seu povo? E também os nossos objetivos coletivos, entre países?Porque a gente tem, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Já definimos coletivamente que há coisas que precisamos resolver juntos: superar a crise climática, reduzir a pobreza, melhorar a educação.E, enquanto o Vale do Silício adora dizer que está fazendo tudo isso, na prática não está. Mas a gente poderia — poderia desenvolver, de forma colaborativa, sistemas de IA que realmente avançassem em cada um desses objetivos coletivos que já acordamos.E cada país também devia fazer o exercício: quais objetivos você quer alcançar, e que tipos de sistema de IA você poderia desenhar pra chegar lá — sistemas que talvez não se pareçam em nada com um grande modelo de linguagem. Se os países fizessem isso, acho que descobririam que a maioria dos sistemas de que precisam exigiria muito menos recursos.Ou seja, contextos como o Brasil, a Índia e outros, quando não precisam competir construindo essas infraestruturas de computação gigantescas e gastando centenas de bilhões de dólares, na verdade já têm, localmente, todos os recursos necessários pra desenvolver um sistema de IA soberano.Cris: Quando ouvi falar do seu livro pela primeira vez, uma amiga me disse que você não poupa ninguém — fala mal do Sam Altman, mas também do Dario Amodei. E as pessoas costumam escolher um lado. Eu sou time Claude, odeio o ChatGPT, essas coisas. Então cheguei no livro pensando: ah, é mais um livro dizendo que a IA é terrível, que a gente não devia usar IA.Mas, conforme fui lendo, e ouvindo outras entrevistas suas, me pareceu que o seu problema é justamente o que você acabou de descrever: a forma como essa tecnologia é feita. E, em especial, a palavra escala — a ideia de que a solução é a escala. O que você quer dizer com isso?Karen Hao: Eu costumo usar a analogia de que “IA” é como a palavra “transporte”: na verdade se refere a uma coleção de tecnologias que vão da bicicleta ao foguete. São tipos bem, bem diferentes de tecnologia, que exigem insumos diferentes pra se desenvolver e depois têm impactos diferentes na sociedade.E você está certo: sou especificamente crítica ao que chamo de “foguetes da IA”, os sistemas que os impérios da IA estão desenvolvendo, aqueles que exigem uma quantidade enorme de exploração de mão de obra e extração ambiental.E sou bem otimista com o que chamo de “bicicletas da IA”: sistemas especializados, eficientes, com bom custo-benefício, governáveis pelas pessoas, cujo desenvolvimento pode ser participativo. Países como o Brasil, o Chile, a Índia, qualquer contexto, têm recursos pra desenvolver e se autodefinir, em vez de simplesmente herdar um sistema criado pelos dois únicos centros do mundo capazes de gastar uma quantidade extraordinária de capital: o Vale do Silício e o ecossistema tecnológico chinês.E o motivo pelo qual eu acho tão corrosivo o que os impérios da IA estão desenvolvendo é exatamente o que você disse: a forma como eles fazem isso, por um mecanismo de força bruta pra avançar as capacidades da IA em escala. Eles vão simplesmente empurrando cada vez mais dados de treinamento nesses modelos, e isso exige corroer a privacidade das pessoas, tomar a propriedade intelectual delas e, ainda por cima, baixa a qualidade dos dados que entram nos modelos — o que leva aos danos de exploração de mão de obra, porque aí você tem que dar conta da moderação de conteúdo.E aí você tem pessoas psicologicamente traumatizadas por serem expostas a todo aquele conteúdo horrível que se tenta “lavar” através desses modelos.E aí vem o problema dessas infraestruturas de computação enormes, com impactos ambientais que aumentam a conta de luz das comunidades que as hospedam e agravam a crise de custo de vida. Elas precisam ser alimentadas por fontes fósseis, que jogam mais carbono na atmosfera e mais poluição no ar dessas comunidades.Então todos os problemas que eu identifico, no que têm de corrosivo, derivam inteiramente da abordagem deles pro desenvolvimento de IA. Por que não descartar a abordagem, em vez de descartar a tecnologia? Redefinir e redesenhar de que tipos de sistema de IA a gente precisa de verdade, com uma cadeia de suprimentos fundamentalmente diferente. E isso não é exclusivo da IA.A gente já viu muitas outras indústrias que começaram com uma cadeia de suprimentos bem ruim. A moda, por exemplo: muita degradação ambiental, muita exploração de mão de obra.Com muita organização, protesto, ação de consumidores, regulação governamental e cooperação entre governos, a gente conseguiu criar mercados novos pra moda sustentável e ética, cadeias de suprimentos novas e inovações pra fazer roupa mais saudável pras pessoas e pro planeta.E é basicamente isso que eu defendo: transformar a indústria de IA do mesmo jeito que transformamos a moda, e as cadeias de suprimento de alimentos. Assim a gente fica com os benefícios da tecnologia, ajuda ela a avançar os objetivos que importam pra gente, sem jogar uma fração enorme da população mundial numa condição atrasada e numa qualidade de vida pior.Cris: O Brasil está agora, no Congresso, discutindo a escala de seis dias por semana. A regra atual é: você trabalha seis dias e descansa um. E muitas empresas, o comércio principalmente, dizem “vamos fechar as portas”, e os trabalhadores respondem “isso é problema seu, não meu”. É mais ou menos a mesma narrativa dessas empresas de IA: se eu não usar a sua água, a Idade das Trevas está chegando.Falando em Idade das Trevas, e falando em bicicleta: a sua analogia me lembrou uma coisa. Eu gosto de jogo de zumbi, de mundo aberto, e em nenhum deles tem bicicleta. Num desses jogos, instalei um plugin que deixava andar de bicicleta — você acha uma e sai pedalando. E aí entendi por que não tem bicicleta: desbalanceia tudo. Parte da graça do jogo é você precisar achar um carro, e daí pneu, gasolina, comida pra carregar. De bicicleta, você vai a qualquer lugar.E eu pensei: ah, é. Meio que estraguei o jogo pra mim, porque agora tenho uma bicicleta, é incrível. Enfim, em termos práticos: no fim do ano passado, uns meses atrás, a revista Wired publicou um artigo pedindo pra jornalistas de tecnologia contarem como usam IA no trabalho. E cada um usava de um jeito. Você usa IA no seu trabalho? Como?Karen Hao: Eu não uso nenhum sistema de IA generativa no trabalho — nem ChatGPT, nem Gemini, nem Claude. Por três motivos. O primeiro é uma postura ética, depois de tanto investigar essas empresas. O segundo é privacidade de dados: eu investigo essas empresas.Não quero que elas conheçam todo o meu raciocínio enquanto eu apuro o livro, literalmente investigando elas. E o terceiro é que, no meu caso específico, a força do meu trabalho está na capacidade de construir relações fortes com as fontes, pela empatia, e de contar histórias envolventes, pela narrativa. E os grandes modelos de linguagem simplesmente não são a ferramenta certa pra nenhuma das duas coisas.Não vão melhorar a minha empatia nem a minha escrita. Então eu não perco nada com essa postura ética: simplesmente corto essas ferramentas e sigo fazendo o meu trabalho muito bem. Pra outros jornalistas pode ser diferente, e pra quem está em outras áreas o cálculo pode ser outro.Mas eu incentivo as pessoas a pensarem primeiro: quais são as suas forças no trabalho? Quais são os seus objetivos? E aí ir de trás pra frente pra descobrir se a IA é a ferramenta certa, qual tipo de IA é a ferramenta certa, e qual fornecedor você quer de fato usar, apoiar, votar com os pés. Agora, eu uso, sim, IA preditiva.Aquelas ferramentas de IA especializadas, as “bicicletas da IA”, digamos. No livro, tinha um detalhe que eu queria muito ilustrar: como a OpenAI deu um salto quando passou de organização sem fins lucrativos a um empreendimento bancado pela Microsoft. Percebi que as cadeiras do escritório ficaram bem mais caras. Então fotografei as cadeiras de um escritório e as do outro.E joguei tudo na busca reversa de imagens do Google, que é um sistema de IA especializado — não é baseado em grandes modelos de linguagem, não é IA generativa. Assim descobri quanto essas cadeiras costumam custar. No primeiro escritório, cerca de 2 mil dólares por cadeira. No segundo, eram cadeiras de um designer brasileiro famoso, uns 10 mil dólares cada.Coloquei esse detalhe no livro pra ilustrar o tipo de riqueza e de concentração de recursos de que a gente está falando. Esses são alguns dos jeitos como eu uso IA, ainda que de forma bem limitada, sempre pontual, quando acho que vai ajudar. E, claro, uso ferramentas de transcrição por IA — outra IA especializada — em todas as minhas entrevistas.Cris: Essa foi uma das partes em que a minha cabeça explodiu, eu nunca tinha percebido: a OpenAI criou o Whisper. Deixa eu dizer de outro jeito, do meu ponto de vista. A OpenAI liberou abertamente essa ferramenta incrível de transcrição, o Whisper, em que eu jogo o áudio e ela me devolve as palavras que as pessoas disseram. E eu pensei: ah, que generoso da parte deles.Mas o motivo real de terem criado a ferramenta foi pegar todos os vídeos do YouTube, transcrever e alimentar a máquina. E aí é: ah, claro. Enfim, falando de ferramentas e de otimismo — a gente está chegando ao fim da conversa. Eu tenho uma regra desde o episódio dois deste programa, há oito anos: de novo, como eu disse do seu livro, não pode ser só uma lista de reclamações e coisa ruim. E a gente tem se saído bem até aqui.Você falou de caminhos e de bicicletas, mas eu quero ser mais específico. Se isso aqui fosse uma reunião de negócios: qual é o plano de ação, quais são os próximos passos? Só que uma das coisas que eu repito bastante, na vida e neste programa, é que problema sistêmico não se resolve com ação individual. Se eu tomar banhos mais curtos, isso nunca vai salvar o planeta do aquecimento global.E muitos amigos meus simplesmente: não quero falar de IA, não quero usar IA. Voltando aos videogames: leram que tal jogo usa IA e pronto, não vão jogar. E a minha primeira pergunta pra você é: como a gente ocupa esses espaços da IA generativa — ChatGPT, Gemini e por aí vai? Porque o que a gente viu com as redes sociais foi: ah, o Facebook é do mal, vou sair do Facebook. Ah, vou sair do Twitter.E, na esperança de quê, sei lá, talvez alguém diga: ah, sinto falta do Cris, cadê ele? Ah, está no Bluesky. Mas isso deixa o espaço aberto pra os radicais entrarem e postarem o que quiserem, sem ninguém contrapor ou tornar aquilo um lugar melhor. Então como a gente ocupa o espaço da IA — seja qual for a definição de “espaço da IA” que você preferir — com todos esses problemas que a gente vem discutindo?Karen Hao: Acho que tem duas categorias de ação pra gente pensar. Uma é desmantelar o império. A outra é investir e construir novos tipos de sistema de IA, que se tornem alternativas às tecnologias do império. Quando eu digo desmantelar o império, não estou dizendo que quero que a OpenAI, o Google, a Anthropic, seja quem for, simplesmente deixem de existir.É que eu não quero que elas sejam imperiais. Não quero que fiquem extraindo uma quantidade extraordinária de valor sem redistribuir nada em troca. Se elas voltassem a ser negócios que praticam uma troca justa de valor com o mundo, eu ficaria perfeitamente feliz com qualquer tecnologia que estivessem desenvolvendo.E a forma de desmantelar o império, acho, se resume a muita organização de base, que vai pressionar os governos a regular e responsabilizar essa indústria. No último ano, a gente viu uma quantidade incrível dessa organização de base florescendo pelo mundo.Recentemente, lancei com um grupo de jornalistas, pesquisadores de IA e acadêmicos críticos um projeto chamado AI Resist List, que busca documentar parte dessa organização de base pelo mundo. A gente encontrou cerca de 30 exemplos, de todas as regiões, de ações individuais, institucionais e movidas pela comunidade.Tinha ação artística, ação política. E isso mostra bem o seu ponto: não dá pra contar só com a ação individual, mas o indivíduo pode, sim, ter impacto. Até uma ação pequena pode gerar um grande efeito cascata. Claro que se juntar com os vizinhos pra protestar contra o data center é ainda mais eficaz. Se juntar dentro da sua escola ou universidade pra protestar contra a parceria dela com uma empresa de IA também é mais eficaz.Se juntar com os colegas de trabalho de um setor pra barrar a adoção de uma IA que corrói os direitos trabalhistas é mais um jeito eficaz. A gente tem um monte desses exemplos. Um dos meus favoritos é o de uma comunidade sobre a qual escrevi no livro, Quilicura, no Chile, na periferia de Santiago. É uma comunidade da classe trabalhadora, bem pobre, que vem sendo alvo incessante da expansão de data centers.E por isso protestaram de forma bem aguerrida contra essa expansão, porque não acharam bom negócio hospedar essas instalações sem tirar nenhum benefício, enquanto elas consomem uma parte significativa dos recursos naturais da região.E, logo depois que escrevi sobre eles, foram além na resistência e criaram uma plataforma chamada Quili.ai. É um site em que você entra e que parece um chatbot, parece o ChatGPT: tem uma interface de chat pra você digitar. Só que, quando você faz uma pergunta, em vez de um modelo de IA responder, a mensagem é encaminhada pra alguém que mora em Quilicura, no Chile. Aí, se você pede “quero a imagem de um cachorro”, aquilo vai pro artista local deles, o Benji. Ele pega um pedaço de papel, desenha um cachorro, tira uma foto e te manda de volta.Eles fizeram isso essencialmente como um projeto de arte performática, pra fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de usar IA generativa pra bobagem. A mensagem era: ei, quando você fica brincando com essas ferramentas em pedido besta, isso afeta comunidades como a nossa, drena os recursos de que a gente precisa pra viver bem.E também queriam levar as pessoas a pensar: por que não perguntar pra alguém da sua própria comunidade aquela receita que você procurava, ou pedir aquela imagem? Porque aí você reconstrói as conexões que estão tão em falta na sociedade — a falta delas é o que nos deixa mais vulneráveis a esse tipo de colonização do império.Eles deixaram o projeto aberto por 24 horas, e qualquer pessoa no mundo podia mandar um pedido. Receberam uma quantidade extraordinária deles. Viralizou de vez. E essa cidadezinha conseguiu uma virada enorme de narrativa sobre a suposta inevitabilidade e necessidade dessa tecnologia, sobre tudo o que o Vale do Silício diz — que, se você não usar, vai ficar pra trás de quem usa.E esse é só um exemplo, entre muitos, de como pessoas comuns, não importa a sua posição na sociedade, podem ter impacto real no debate, na consciência pública e até na regulação. A gente está vendo isso agora com os protestos contra data centers. Nos EUA, em 2025, cerca de 150 bilhões de dólares em projetos de data center foram travados.Isso virou uma das questões políticas mais quentes nos EUA para as próximas eleições de meio de mandato. Tem gente eleita sendo literalmente tirada do cargo por ter aprovado data centers, contrariando a vontade do povo. E isso já está tendo efeito real sobre as empresas e sobre a trajetória do desenvolvimento de IA.A OpenAI teve que encerrar recentemente a sua ferramenta de geração de vídeo, o Sora. Quando lançaram, apresentaram como o segundo produto mais importante desde o ChatGPT. O que aconteceu entre o lançamento e o fim? Uma reportagem do Wall Street Journal apontou três motivos, todos moldados por ação de base. Um: um gargalo enorme de capacidade de computação.Muitos dos data centers travados ou parados eram da OpenAI. Dois: um cenário financeiro bem mais incerto. A OpenAI está se preparando pro IPO, o que significa ficar mais exposta a Wall Street — e Wall Street está cada vez mais nervoso com a capacidade dessas empresas de cumprir o que prometem.E aí a OpenAI teve que reforçar alguns projetos paralelos pra fazer o balanço parecer um pouco melhor aos olhos de Wall Street. E, terceiro: os consumidores simplesmente não estavam usando o produto — o que também é ação coletiva de consumidores. Então, por todo esse tipo de resistência, de várias formas, de baixo pra cima, as pessoas estão de fato tendo impacto real na indústria e responsabilizando ela.Essa é a primeira categoria de ação. A segunda é: ok, que tecnologias de IA a gente usaria como alternativa? E aí a gente precisa investir mais nelas. Muitas vezes, quando converso sobre o livro, a pessoa diz: ok, me convenci de que não quero usar ChatGPT, não quero usar Claude — mas então uso o quê no lugar?E o problema é que eu não tenho muitas respostas pra essa lista de alternativas. Tem umas poucas aqui e ali, uma plataforma, uma empresa.Cris: Dá pra rodar o modelo no seu próprio computador, como o Cory Doctorow faz, mas aí é limitado e…Karen Hao: Exatamente, exige mais habilidade técnica. Mas, pra quem consegue instalar modelos de código aberto no próprio computador, eu incentivo 100%. Só que a gente também precisa de mais gente desenvolvendo interfaces bem fáceis pra esses modelos de código aberto, pra que qualquer pessoa consiga usar.A gente também precisa de mais gente desenvolvendo “bicicletas da IA”, de investidores e governos investindo mais nesse tipo de solução, e de talento — pesquisadores de IA, desenvolvedores e outras pessoas dispostas a sacrificar um pouco e abrir mão dos pacotes de remuneração enormes.Cris: Eu estava começando a achar que agora as empresas precisam ter menos lucro — e isso nunca vai acontecer.Karen Hao: Não, não é a empresa ter menos lucro. É o trabalhador topar abrir mão do pacote de milhões de dólares pra levar o talento dele pra outro lugar. Mais fácil, bem mais fácil. Eu converso com muito pesquisador de IA cansado da abordagem da indústria, porque ela é completamente sem criatividade intelectual.Eu conversei com pesquisadores que não passaram seis anos num doutorado em IA só pra ficar empurrando mais dados na máquina — pra eles, é o trabalho mais chato do mundo. E depois automatizar a programação, que era justamente o que eles gostavam de fazer. Converso com tanta gente que já não acha graça nenhuma nisso. Estão meio presos por “algemas de ouro”.E estão tentando descobrir, dentro de si, que carreira alternativa poderiam ter. Eu costumo incentivar esses pesquisadores a gastar o talento deles construindo um tipo diferente de empresa, que trabalhe com “bicicletas da IA”. E a gente já começa a ver cada vez mais desse talento indo por aí.E a gente precisa que todas as facetas da sociedade invistam num ecossistema muito mais robusto e rico de tecnologias de IA, capaz de substituir as que hoje dominam. Eu ainda tenho as cicatrizes das minhas próprias “algemas de ouro”, mas concordo plenamente.Cris: E as redes sociais são o exemplo — veja o que aconteceu com elas. Tem aquela frase famosa: as mentes mais brilhantes da minha geração passam o tempo fazendo as pessoas clicarem em anúncios. E ainda dizem: ah, isso pode ser o futuro. Pois é.Você contou a história do Quili.ai e isso me lembrou um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil, o Cid Não Salvo. Uns 10, 15 anos atrás, ele tuitou o seguinte: “Gente, eu disse pro meu pai que, sempre que ele precisar pesquisar alguma coisa na internet, é pra ir no Twitter.com e digitar a pergunta na caixa”. E olha que ele tinha milhões de seguidores.E, por uns bons dias, quase um mês, você entrava no Twitter do pai dele e via perguntas tipo “onde eu compro pizza?”. Era engraçadíssimo. No fim, ele contou pro pai — ou talvez não. Mas eu adoro essa ideia. Antes de a gente terminar: você já deve ter respondido isso mil vezes, mas vai continuar cobrindo IA? O que está na sua cabeça, o que vem por aí? Turnê mundial? O que vem pela frente?Karen Hao: Com certeza estou pensando em como continuar responsabilizando essas empresas. Estou envolvida em várias colaborações, com gente incrível, em diferentes projetos ligados a isso. O AI Resist List foi um deles. Também co-criei um programa chamado AI Spotlight Series, com o Pulitzer Center, uma organização jornalística sem fins lucrativos que financia jornalismo investigativo pelo mundo.É um programa que treina jornalistas do mundo inteiro a cobrir IA por uma lente de responsabilização. Até agora, já treinamos mais de 3 mil. E eu sigo pensando em como construir mais capacidade dentro do jornalismo, da sociedade civil, de outros contextos, pra mobilizar ainda mais essa organização de base — pra conter de verdade os impérios da IA e ajudar a desmantelá-los.Cris: Adorei o seu exemplo da moda. É possível, já foi feito. Ou até a indústria automotiva. Ou o grande exemplo que a gente não mencionou, e que o pessoal da OpenAI vive citando: o Projeto Manhattan, a energia nuclear.O mundo não acabou. Quando eu era criança lendo Asimov, achava que ia tudo acabar num fogo nuclear. Enfim — alguma última palavra, alguma mensagem, algum palpite pros jogos do Brasil na Copa, alguma coisa que você queira dizer antes da gente encerrar?Karen Hao: No fim das contas, o que eu espero que fique desta conversa e do livro é o seguinte: neste momento, o Vale do Silício está concebendo a IA como um projeto político. E a característica central desse projeto é tirar a autonomia de todo mundo — a autonomia de moldar de verdade o próprio futuro e o nosso futuro coletivo. Mas, no instante em que você reconhece que já tem uma autonomia significativa pra resistir, o império começa a desmoronar.Então espero que as pessoas encontrem a própria voz, a afirmem, conquistem o seu lugar à mesa e se conectem com os vizinhos, com a comunidade, com os colegas de trabalho, pra criar mais movimentos juntos.Cris: Que ótimo. Karen Hao, o seu livro é O Império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total. Obrigado por vir ao Brasil conversar com a gente. Foi um prazer.Karen Hao: Muito obrigada.Uma das primeiras perguntas que anotei quando comecei a pensar nessa conversa foi justamente a do final, a da ocupação de espaços. Porque, como eu disse, quando as redes sociais chegaram para ficar, muita gente falou “ah, não vou usar, é do mal” — e aí as pessoas ruins, vamos chamar assim, acabam ocupando esse espaço e falando o que bem entendem. A gente precisa aprender essa lição agora, no mundo da IA.Fora que vejo muita gente falando de IA sem nunca ter usado — ou que usou, sei lá, dois anos atrás, acha que continua tudo igual e já diz que não quer chegar perto.E por quê? Porque essa abordagem de ocupar espaços é o que eu e a Ana Freitas buscamos fazer no IA em Curso, nossa comunidade de letramento contínuo em IA. Foi, aliás, uma conversa que tive com a Karen antes da entrevista: ao mesmo tempo que a gente fala do impacto da IA no mundo, também precisa focar no que é prático, no que dá para fazer hoje com IA, sem vender sonho nem desastre. A analogia que usei foi a de que é que nem quando a gente fazia curso de Word e Excel — é o que eu faço agora que vai facilitar minha vida, me fazer ganhar tempo, botar a IA para me ajudar. Quem viu minha conversa com a Ana aqui no Boa Noite Internet, no fim de 2025, sabe do que estou falando. Se não viu, volta lá e confere.Desde que a gente lançou este episódio, o IA em Curso já passou de 400 pessoas. Tem muita gente colocando projetos pessoais incríveis na rua, tirando do papel aquela ideia que rondava a cabeça há um tempão. E a comunidade tem mentoria ao vivo, aula gravada, newsletter, banco de agentes, grupo de Telegram… que mais? O que não falta é jeito de passar para você o conhecimento sobre IA de que você precisa hoje, agora. Quero te dar a bússola para navegar nesse universo.Se esse é o tipo de abordagem que você quer ter com a IA, passa lá no iaemcurso.com.br e usa o cupom BNI2026 para ganhar 20% de desconto no plano anual. Mas corre, porque daqui a duas semanas vou apagar esse cupom — não é todo dia que a gente dá um desconto desses.É isso. Boa Noite Internet, temporada 2026 começando — como todo ano, com mudança, ideia, projeto. Ou, como diz minha citação preferida de todos os tempos: “vivemos uma fase de transição, como sempre”. Espero ver você por aqui e lá no IA em Curso.Obrigado pelo seu tempo e pela sua atenção. Até o próximo episódio. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe
Futebol, informação, humor, opinião e corneta! Um programa de debate sobre tudo que envolve futebol de um jeito descontraído e animado. Veja muito mais no YouTube
Em 1996, uma menina de catorze anos desapareceu de uma cidade do interior da Pensilvânia. A polícia tratou o caso como fuga de casa. Por dez anos, ninguém voltou a procurá-la com seriedade — até que ela mesma decidiu contar a verdade a um amigo, a poucos quilômetros de onde sempre esteve. #607
Tinha um cheiro de erva doce misturado com baunilha no boxe. Eu estava em pé com as duas mãos espalmadas na parede da frente e com a minha panturrilha direita embaixo do chuveiro. Como o chuveiro era grande, as gotas caiam tanto na minha lombar, quanto no músculo da minha perna. Na sequência fiquei reta embaixo do chuveiro, enquanto aquela água quente e forte caía na minha cabeça, no meu rosto, nos meus ombros. As paredes do banheiro eram grossas, por isso ninguém conseguia ouvir, mas eu estava dizendo o tempo todo: meu Deus, como eu precisava disso. Meu Deus, como eu precisava. Não sei quanto tempo eu fiquei ali, só sei que quando eu desliguei o chuveiro e puxei a toalha, eu senti uma onda de relaxamento subindo dos meus pés até o meu couro cabeludo. Era uma sensação tão boa, que eu desisti de sair. Larguei a toalha no mesmo lugar e liguei o chuveiro mais uma vez. Quando eu finalmente saí do boxe, eu estava me sentindo tão relaxada e mole, que eu deitei na cama enrolada com a toalha mesmo. Foi quando eu repeti pela última vez: meu Deus, como eu precisava disso. Mas esse é o fim da história, para essa cena fazer sentido, a gente precisa voltar no tempo.É por aí que vai o episódio dessa semana, você vem?identidade visual: @amandafogacatexto: @natyopsPALESTRAS:SP: https://www.almatickets.com.br/events/natlia-sousa-em-so-paulo-palestra-para-a-vida-no-virar-um-borro-11092026-saopaulo?promo=PARADAR5OFFRJ: https://www.almatickets.com.br/events/natlia-sousa-no-rio-de-janeiro-palestra-para-a-vida-no-virar-um-borro-12112026-riodejaneiro?promo=PARADAR5OFFBH:https://www.almatickets.com.br/events/natlia-sousa-em-belo-horizonte-palestra-para-a-vida-no-virar-um-borro-17102026-belohorizonte?promo=PARADAR5OFF*Apoie a nossa mesa de bar: https://apoia.se/paradarnomeascoisas*Café com brigadeiro: https://open.spotify.com/episode/3SvTD2Tp7oxT3DkcMJc2Bl?si=C1iO_xswRwuNxz3EqnxgLgCanal no Youtube: https://youtu.be/styHXc9sbEY?si=qgkvYlgY4UuQckP1*PUBLICIDADE: MERCADO LIVREChegou o Anittaço do Mercado Livre, são ofertas imperdíveis com até 70% OFF, até 24x sem juros com cartão Mercado Pago e frete grátis nas compras acima de R$19. Corre pro app: https://bit.ly/4w3bR3lVálido até 19/07/2026 para produtos selecionados e conforme disponibilidade. Veja os modelos participantes, preços e condições vigentes em mercadolivre.com.br/descontaco. Confira as condições em http://mercadolivre.com.br/l/fretegratis . Análise comparativa independente, baseada em cálculo da média dos prazos de entrega ofertados durante o período 19/03/2026 e 24/03/2026.
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Às vezes, uma história diz mais do que qualquer reflexão. Ouça esta.Na guerra, um dos soldados disse ao seu superior:— Senhor, meu melhor amigo ainda não regressou do campo de batalha. Solicito permissão para ir buscá-lo.— Permissão negada — respondeu o oficial. — Não quero que você arrisque a vida por um homem que provavelmente já está morto.O soldado, desconsiderando a ordem, foi mesmo assim.Uma hora mais tarde, regressou mortalmente ferido, transportando o corpo do amigo.O oficial, furioso, disse:— Eu avisei que ele já estava morto! Agora, por causa da sua desobediência, perdi dois homens. Diga-me: valeu a pena ir até lá para trazer um cadáver?E o soldado, já sem forças, respondeu:— Claro que sim, senhor. Quando encontrei o meu grande amigo, ele ainda estava vivo. E pôde me dizer: “Eu tinha certeza de que você viria.”Tem coisas que a gente nunca esquece. Essa é uma delas.
Às vezes, uma história diz mais do que qualquer reflexão. Ouça esta.Na guerra, um dos soldados disse ao seu superior:— Senhor, meu melhor amigo ainda não regressou do campo de batalha. Solicito permissão para ir buscá-lo.— Permissão negada — respondeu o oficial. — Não quero que você arrisque a vida por um homem que provavelmente já está morto.O soldado, desconsiderando a ordem, foi mesmo assim.Uma hora mais tarde, regressou mortalmente ferido, transportando o corpo do amigo.O oficial, furioso, disse:— Eu avisei que ele já estava morto! Agora, por causa da sua desobediência, perdi dois homens. Diga-me: valeu a pena ir até lá para trazer um cadáver?E o soldado, já sem forças, respondeu:— Claro que sim, senhor. Quando encontrei o meu grande amigo, ele ainda estava vivo. E pôde me dizer: “Eu tinha certeza de que você viria.”Tem coisas que a gente nunca esquece. Essa é uma delas.
Não entendeu nada desse podcast de 1 minuto? Escute o episódio #1 que eu explico tudo, bem rapidinho também.Quer mais conteúdos para cuidar melhor do seu tempo?Veja mais em ricodetempo.com.brSiga @lara.branco no instagram e se quiser falar comigo manda um e-mail para oi@ricodetempo.com.br ou me adiciona no Linked In
Vitória Silva de Oliveira Pedroso tinha apenas 20 anos. Após sofrer agressões, conseguiu uma medida protetiva, mudou de casa e tentou reconstruir a vida. Mas o ex-namorado descobriu onde ela estava, invadiu sua rotina e, segundo a investigação, a matou por ciúmes. Um crime brutal que levanta uma pergunta dolorosa: quando nem uma medida protetiva é suficiente, o que ainda falta para salvar vidas? #crimesreais #investigacaocriminal #casosreais Assista também: https://www.youtube.com/playlist?list=PLM8urkUnySVAN4HeD8Xh_QQV1QyDpBzJeSe você curte conteúdo True Crime, inscreva-se no canal e considere se tornar membro! Seu apoio é fundamental para manter o jornalismo investigativo independente!
Na saída do MetLife Stadium, os torcedores brasileiros, maioria entre os mais de 80 mil presentes no local, deixaram o estádio profundamente decepcionados com a derrota da Seleção Brasileira neste domingo (5). Elcio Ramalho, enviado especial da RFI a Nova Jersey, Tanto os brasileiros que vivem nos Estados Unidos quanto aqueles que vieram do Brasil na esperança de ver a equipe avançar às quartas de final retornam para casa com críticas ao desempenho da seleção. “Faltou intensidade. Quando a gente vê outras equipes jogando, fica evidente que falta intensidade nessa seleção”, diz o torcedor Rubens. O mineiro Marcos também não gostou da postura dos jogadores em campo. “Eles deveriam ter jogado mais. O sentimento é de decepção. A gente esperava mais. O Ancelotti deveria pegar mais no pé dos jogadores”, opina. Para Andrei Trestivo, brasileiro que mora no estado do Missouri, Carlo Ancelotti, que tem contrato até 2030, deve permanecer no cargo para dar uma nova oportunidade às novas gerações de atletas. “Se ele tiver mais tempo, vai desenvolver uma seleção imbatível”, acredita. Carol não escondeu a decepção, mas manteve a esperança que se renova a cada Copa. “Daqui a quatro anos vamos voltar de novo com a expectativa. A gente achava que o hexa viria, é muita frustração. Mas faz parte, e daqui a quatro anos estaremos de volta.” “Momento de muita dor” A frustração da torcida potencializou o sentimento de tristeza que tomou conta dos jogadores. Cenas de muita desolação no gramado se seguiram até a saída do estádio. O atacante Matheus Cunha revelou que o momento é de grande dor. “É uma frustração e uma dor muito grandes, porque emocionalmente é difícil imaginar o quanto seria bonita e orgulhosa a festa. Do fundo do coração, é o que mais dói.” Matheus Cunha foi o atacante derrubado na área no lance que resultou no pênalti para a Seleção Brasileira ainda no início do primeiro tempo. Bruno Guimarães, escolhido por Ancelotti para a cobrança, desperdiçou a oportunidade ao bater fraco, facilitando a defesa do goleiro Nyland, um dos heróis da classificação norueguesa. Muito abatido por ter desperdiçado a melhor chance do Brasil na partida, Bruno Guimarães falou sobre o lance. “Fui infeliz no pênalti. Tinha estudado muito o goleiro deles e achei que deveria bater no canto, mas ele pegou. Todo mundo está muito triste, é uma dor muito forte. Ninguém estava esperando por isso”, declarou. O lateral Danilo também ressaltou a tristeza com a eliminação, mas não quis comentar o ciclo conturbado vivido pela seleção até a Copa, marcado por sucessivas trocas de treinadores antes da chegada de Carlo Ancelotti, há pouco mais de um ano. “É claro que, quando um trabalho é desenvolvido por mais tempo, isso ajuda bastante em todos os sentidos. Agora, o que me cabe é ser um apoiador máximo, porque precisamos olhar para a frente e construir um futuro melhor. Temos muitos jogadores de qualidade. O desejo é que eles consigam fazer aquilo que nós não conseguimos.” Apoio à nova geração A Seleção Brasileira teve apenas 35% de posse de bola, um número raro para uma equipe tradicionalmente conhecida pelo talento e pela capacidade ofensiva. A estratégia adotada não funcionou, e o Brasil pagou caro por conceder espaços ao gigante Haaland, que decidiu a partida com um gol de cabeça e outro em chute cruzado. Neymar descontou de pênalti, mas tarde demais para uma reação. Capitão da equipe, Marquinhos reconheceu as falhas, lamentou a falta de eficiência nas oportunidades criadas e pediu paciência da torcida com os jogadores que iniciarão o novo ciclo da seleção. “A gente sabe que o futebol hoje está muito equilibrado. Eu, como capitão, e os mais velhos temos que assumir a responsabilidade para que as próximas gerações tenham tranquilidade para trabalhar”, disse ele. “Um novo ciclo começa a partir de agora. Não sabemos o que vai acontecer, mas peço paciência com os mais jovens e o apoio da torcida desde já, para que eles possam conquistar grandes coisas na próxima Copa.” Em entrevista coletiva, Carlo Ancelotti afirmou que o Brasil não merecia a derrota. Para o treinador, a seleção criou oportunidades suficientes e tinha potencial para chegar à final do torneio. “Saímos tristes porque a equipe não fez um Mundial espetacular, mas fez um bom Mundial. No jogo de hoje, merecíamos ganhar. Em um momento assim, é preciso entender que uma derrota pode representar o começo de uma nova aventura.” O técnico defendeu que a tristeza pela eliminação precoce deve servir de combustível para a reconstrução da equipe em um novo ciclo, que seguirá sob seu comando até a Copa do Mundo de 2030. “Temos que continuar trabalhando, evoluindo e encontrando novas ideias. Não é o fim. Essa derrota é o início de um novo ciclo”, afirmou.
Tinha 27 anos em 74. Catedrático do departamento de estudos portugueses e brasileiros, na universidade de Brown.Diz que os valores de Abril não podem morrer senão é a selva.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Nossa geração viveu uma época muito especial.E talvez a gente só tenha percebido isso depois que ela passou.Na escola tinha o dia do flúor, tinha campanha contra os piolhos, tinha a merenda… E a merenda era um acontecimento. Leite com Nescau, sopa fumegando, macarrão, cachorro-quente. Tinha manhã em que a felicidade começava muito antes da aula.Na Semana da Pátria, cantávamos o Hino Nacional. Em fila. Os pequenos na frente, os maiores atrás. Não era apenas uma organização. Era um jeito de ensinar que cada um tinha seu lugar e que caminhar junto fazia parte da vida.A gente ia para a escola a pé. Uma rua inteira de crianças seguindo na mesma direção. Mochilas maiores que as costas, tênis marcados pelo tempo, joelhos rasgados de tanto brincar. Ninguém reclamava da caminhada. Porque o caminho também era diversão.Quando alguém fazia aniversário, a volta para casa era inesquecível. Ovo, farinha, terra… O aniversariante chegava parecendo um bife à milanesa. E o mais curioso é que ninguém saía bravo. Todo mundo ria. Porque amizade também era isso: bagunça, gargalhada e lembrança.O fim do ano tinha um ritual que nenhuma rede social conseguiu substituir. A camiseta do uniforme virava um livro de memórias. Cada assinatura era uma promessa de amizade eterna. Algumas ficaram pelo caminho. Outras continuam vivas até hoje.E havia uma frase que definia a nossa infância inteira:“Espera aí, mãe… Só mais cinco minutos.”Não era para ficar no celular. Não era para terminar uma fase de um jogo.Era mais cinco minutos na rua.Mais cinco minutos de esconde-esconde.Mais cinco minutos de pega-pega.Mais cinco minutos soltando pipa, jogando taco, brincando de bafo, andando de bicicleta sem destino e voltando para casa quando as luzes dos postes acendiam.A nossa rua era a nossa rede social.A campainha era bater palma no portão.O grupo era a turma da esquina.E o status era ouvir alguém gritar lá de dentro:“Fulano… entra pra casa!”Hoje as crianças conhecem o mundo inteiro pela tela. Nós conhecíamos o mundo pela calçada.Elas aprendem a deslizar os dedos sobre o vidro.Nós aprendíamos a ralar os joelhos no asfalto.Elas decoram senhas.Nós decorávamos caminhos.E talvez seja por isso que a saudade aperte tanto.Não porque a nossa infância tenha sido perfeita. Ela não foi.Mas porque ela nos ensinou uma riqueza que não cabia no bolso. Cabia no coração.A felicidade morava nas coisas pequenas.Numa ficha para o orelhão.Num pacote novo de figurinhas.Numa bola um pouco murcha.Numa lata vazia que virava brinquedo.Num sorvete dividido entre amigos.E naquele pedido que, sem saber, era um desejo para a vida inteira:“Deixa eu ficar só mais cinco minutos.”Hoje, olhando para trás, a gente entende que aqueles cinco minutos passaram depressa.Viraram anos.Viraram saudade.Viraram histórias que contamos com um sorriso no rosto e um aperto bom no peito.Porque quem teve o privilégio de viver aquela infância descobriu cedo que as melhores lembranças não cabem numa tela.Elas moram para sempre na memória.E há uma riqueza que o tempo nunca consegue levar: a infância de quem aprendeu que a felicidade não precisava de internet. Precisava apenas de amigos, de liberdade… e de mais cinco minutos na rua.
Nossa geração viveu uma época muito especial.E talvez a gente só tenha percebido isso depois que ela passou.Na escola tinha o dia do flúor, tinha campanha contra os piolhos, tinha a merenda… E a merenda era um acontecimento. Leite com Nescau, sopa fumegando, macarrão, cachorro-quente. Tinha manhã em que a felicidade começava muito antes da aula.Na Semana da Pátria, cantávamos o Hino Nacional. Em fila. Os pequenos na frente, os maiores atrás. Não era apenas uma organização. Era um jeito de ensinar que cada um tinha seu lugar e que caminhar junto fazia parte da vida.A gente ia para a escola a pé. Uma rua inteira de crianças seguindo na mesma direção. Mochilas maiores que as costas, tênis marcados pelo tempo, joelhos rasgados de tanto brincar. Ninguém reclamava da caminhada. Porque o caminho também era diversão.Quando alguém fazia aniversário, a volta para casa era inesquecível. Ovo, farinha, terra… O aniversariante chegava parecendo um bife à milanesa. E o mais curioso é que ninguém saía bravo. Todo mundo ria. Porque amizade também era isso: bagunça, gargalhada e lembrança.O fim do ano tinha um ritual que nenhuma rede social conseguiu substituir. A camiseta do uniforme virava um livro de memórias. Cada assinatura era uma promessa de amizade eterna. Algumas ficaram pelo caminho. Outras continuam vivas até hoje.E havia uma frase que definia a nossa infância inteira:“Espera aí, mãe… Só mais cinco minutos.”Não era para ficar no celular. Não era para terminar uma fase de um jogo.Era mais cinco minutos na rua.Mais cinco minutos de esconde-esconde.Mais cinco minutos de pega-pega.Mais cinco minutos soltando pipa, jogando taco, brincando de bafo, andando de bicicleta sem destino e voltando para casa quando as luzes dos postes acendiam.A nossa rua era a nossa rede social.A campainha era bater palma no portão.O grupo era a turma da esquina.E o status era ouvir alguém gritar lá de dentro:“Fulano… entra pra casa!”Hoje as crianças conhecem o mundo inteiro pela tela. Nós conhecíamos o mundo pela calçada.Elas aprendem a deslizar os dedos sobre o vidro.Nós aprendíamos a ralar os joelhos no asfalto.Elas decoram senhas.Nós decorávamos caminhos.E talvez seja por isso que a saudade aperte tanto.Não porque a nossa infância tenha sido perfeita. Ela não foi.Mas porque ela nos ensinou uma riqueza que não cabia no bolso. Cabia no coração.A felicidade morava nas coisas pequenas.Numa ficha para o orelhão.Num pacote novo de figurinhas.Numa bola um pouco murcha.Numa lata vazia que virava brinquedo.Num sorvete dividido entre amigos.E naquele pedido que, sem saber, era um desejo para a vida inteira:“Deixa eu ficar só mais cinco minutos.”Hoje, olhando para trás, a gente entende que aqueles cinco minutos passaram depressa.Viraram anos.Viraram saudade.Viraram histórias que contamos com um sorriso no rosto e um aperto bom no peito.Porque quem teve o privilégio de viver aquela infância descobriu cedo que as melhores lembranças não cabem numa tela.Elas moram para sempre na memória.E há uma riqueza que o tempo nunca consegue levar: a infância de quem aprendeu que a felicidade não precisava de internet. Precisava apenas de amigos, de liberdade… e de mais cinco minutos na rua.
Livros, discos de vinil, obras de artistas brasileiros e um café para quem deseja mergulhar na cultura do país. Foi com essa proposta que o paulista Anderson Vital abriu a Sabiá Arte e Cultura, a primeira livraria 100% brasileira de Paris. Instalado no bairro do Marais, o espaço combina literatura, música, artes visuais e eventos culturais para apresentar ao público francês e internacional uma visão "mais aprofundada" do Brasil, com destaque para as culturas afro-brasileira e indígena. Luiza Ramos, da RFI em Paris Embora Paris abrigue desde 1986 a tradicional Livraria Portuguesa e Brasileira, a Sabiá Arte e Cultura é o primeiro espaço dedicado exclusivamente à produção cultural do Brasil. O local de 14m² possui uma área externa calma e agradável, onde o empreendedor paulista compartilha vários elementos que lembram o Brasil sem parecer burlesco. Anderson Vital realiza um sonho cultivado desde a adolescência. Nascido na zona leste de São Paulo, ele vive na França há seis anos, onde trabalha como iluminador de espetáculos teatrais. O projeto da Sabiá nasceu da combinação entre a paixão pelos livros e a saudade do Brasil. "Eu comecei a sentir falta da minha cultura brasileira, porque fiquei trabalhando muito tempo com os franceses", conta. "Também trabalhei num sebo na adolescência e sou apaixonado por livro, literatura". Para concretizar a ideia, Vital contou com um programa da Prefeitura de Paris voltado para a ocupação comercial de espaços da cidade. Após apresentar um projeto cultural e passar por entrevistas, recebeu a autorização para ocupar uma pequena loja no Village Saint-Paul, n° 25, Rue Saint-Paul, no coração do bairro do Marais. Uma extensão da própria casa "Eu gosto de falar que a loja Sabiá Arte e Cultura é um pouco minha sala de casa, porque está cheia de livros, cheia de discos e obras de arte", diz. O espaço reúne, além dos clássicos, obras oriundas da parceria de Anderson com seis artistas brasileiros, além de trabalhos de uma fotógrafa. A proposta é servir de vitrine para criadores brasileiros e criar conexões com a comunidade artística do país que vive na França. A seleção de títulos, discos e artistas é feita pelo próprio fundador. E a curadoria segue uma linha bem definida. "Eu quero trazer mais a nossa cultura afro-brasileira, nossa cultura indígena, a nossa floresta, a nossa cultura popular, que é muito rica", explica. "Quero mais profundidade. Quero mostrar para os franceses e para o público internacional a nossa cultura social, a nossa antropologia brasileira". Franceses e turistas descobrem o Brasil Apesar de ter aberto as portas há apenas algumas semanas, a Sabiá já atrai um público bastante diverso. A localização, em uma área turística de Paris, favorece a chegada de visitantes de várias nacionalidades. "Tem russo, americano, canadense, chinês e tem o público francês também", afirma. Segundo ele, os franceses têm demonstrado um interesse especial pela cultura brasileira. Nawell, um turista canadense que passeava com a esposa em Paris, encontrou a Sabiá por acaso e se interessou ainda mais pela cultura brasileira. "É muito legal, muito legal! Eu conheço muito pouco da cultura e música brasileira, mas eu acho bem legal este espaço. É bem bonito e bastante tranquilo. Eu tenho um amigo que foi ao Brasil e disse que foi fantástico para férias. Eu nunca fui ao Brasil, mas está na minha lista. Este espaço é genial!", diz. Para Anderson, um dos aspectos mais gratificantes é apresentar artistas e autores brasileiros a pessoas que, muitas vezes, têm pouco contato com a produção cultural do país. "Às vezes o pessoal não conhece muito, mas eu ofereço essa oportunidade de descobrir. Mostro os livros, mostro os discos, faço escutar também", descreve. De sebo paulistano a livraria em Paris A relação de Anderson com os livros começou cedo. Aos 14 anos, ele conseguiu o primeiro emprego em um sebo de São Paulo, experiência que considera decisiva para o surgimento da Sabiá. Durante quatro anos, trabalhou ao lado do proprietário do estabelecimento, aprendendo não apenas a comprar e vender livros, mas também a restaurar obras antigas. "Foi o meu grande lugar", recorda. "Tinha pessoas que chegavam para falar só de cinema e ficavam horas conversando comigo. Outras traziam livros e diziam: 'Você tem que ler isso'. Era um grande aprendizado." Leia tambémCultura como motor de transformação: França e Brasil discutem caminhos para um desenvolvimento sustentável Cartola lidera as vendas de discos Entre as preciosidades disponíveis na loja estão edições dedicadas a artistas como Carybé, Miguel Rio Branco e Sebastião Salgado, além de uma seleção de discos de música brasileira garimpada pessoalmente por Anderson em feiras de vinil em São Paulo: "Eu acordava às quatro da manhã para ir à feira de discos e tentar encontrar boas peças", conta. Nas prateleiras, há nomes como Tom Zé, Jards Macalé, Caetano Veloso, Antônio Carlos Jobim, Heitor Villa-Lobos e Cartola. O sambista carioca, aliás, tornou-se uma surpresa para o livreiro. "O Cartola é o nosso campeão de vendas aqui. Todo mundo adora o Cartola", diz. Programação e eventos A ambição de Anderson nunca foi limitar a Sabiá ao universo dos livros. Desde a inauguração, o espaço recebeu o lançamento de uma obra da escritora Dora Fund, uma leitura de poemas de Walt Whitman conduzida por Ed Flanders, vocalista da banda Vanguart, e atividades ligadas à Festa da Música, celebrada anualmente na França. Os próximos planos incluem o lançamento de um álbum de um músico brasileiro radicado na França e a organização de um festival de cinema brasileiro." Nossa busca e nossa curadoria vão nesse caminho: teatro, cinema, música, literatura brasileira". Enquanto amplia a programação, Anderson segue fiel ao objetivo que motivou a criação da Sabiá: compartilhar com franceses, turistas e brasileiros um retrato mais amplo da riqueza cultural do país. "Eu acho que minha missão é compartilhar com o público a minha paixão, o nosso Brasil e tudo que a gente tem de bom."
Não entendeu nada desse podcast de 1 minuto? Escute o episódio #1 que eu explico tudo, bem rapidinho também.Quer mais conteúdos para cuidar melhor do seu tempo?Veja mais em ricodetempo.com.brSiga @lara.branco no instagram e se quiser falar comigo manda um e-mail para oi@ricodetempo.com.br ou me adiciona no Linked In
Pequenos textos, contos, crónicas, histórias, lendas, pensamentos ou apenas uma frase que sirvam de reflexão para todos os que nos ouvem na RLX-Rádio Lisboa. No mundo em que vivemos faz-nos falta parar e refletir sobre tudo o que nos rodeia.
Abertura dos trabalhos na Amorosidade
No episódio de hoje do Kiwicast, recebemos Glaucia Schatzmann, espiritualista, sintonizadora do Baralho Cigano Iluminado e criadora de sistemas de cura egípcia, com mais de 15 mil alunos no Brasil e no mundo e entre R$3 e R$4 milhões faturados no digital.A história dela começa muito antes da internet. Desde criança sentia, via e percebia coisas que os outros não percebiam. Na adolescência, mergulhou nos estudos de espiritualidade, tarô, astrologia e numerologia. Tinha tudo para seguir o caminho do pai, assumir a construtora da família e se formar emengenharia. Mas escolheu o chamado.Quando o filho fez um curso de marketing digital e precisava de um produto para lançar, Glaucia pegou o celular Motorola G3, sem roteiro, sem nunca ter feito um curso online na vida, e gravou o primeiro curso de tarô. Resultado: 40 pessoas na primeira turma. No Kiwicast, ela falou sobre:● Como escolheu a espiritualidade em vez de assumir a construtora do pai● Por que seu primeiro curso foi por correspondência antes do digital existir● O que aconteceu quando saiu de 4 alunos no presencial para 40 no primeiro lançamento● Como webinários diários se tornaram o core do seu negócio● Por que quem tem conhecimento sincero não tem motivo para não entrar no digital E muito mais!Aprenda com quem vive o mercado digital na prática.Dá o play e deixe nos comentários qual foi o melhor insight que você tirou do episódio.Nosso Instagram é @Kiwify
Ela é uma das presenças mais vocais nas redes sociais, em palestras e escolas a consciencializar as pessoas para a gravidade dos crimes de violência sexual e partilha de imagens íntimas de raparigas e mulheres sem o seu consentimento. Inês Marinho também sofreu isso na pele. Aos 21 anos descobriu que estavam a ser partilhadas imagens íntimas suas em várias redes sociais e sites pornográficos. Desde aí, Inês criou a associação “Não Partilhes”, que conta com quase 60 mil seguidores, um projeto pioneiro em Portugal dedicado à sensibilização, prevenção e apoio a sobreviventes deste tipo de violência digital. Ouçam-na nesta primeira parte do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, de Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.
No episódio de hoje do Kiwicast, recebemos Neide e Luiz, mãe e filho que viraram sócios no digital e hoje somam mais de R$2,5 milhões faturados, incluindo R$1,5 milhão em um único lançamento no mercado americano.A história começa em Juazeiro do Norte, no Ceará. Mariatrabalhou desde os 12 anos como empregada doméstica, passou por comércio, restaurante, vendas de bolsa, bijuteria e foi representante de marca de sandália no interior do Ceará. Em julho de 2023, aos 56 anos, descobriu o marketing digital. Quando chegou em casa animada para contar ao filho, Luizachou que era golpe. Levou três meses para convencê-lo.Para investir no mercado sem dinheiro, venderam o quetinham: liquidificador, televisão, cama, poltrona. Foram all-in sem garantia nenhuma. Levaram 6 meses para fazer a primeira venda. Mudaram de cidade. E foram.Hoje moram em Florianópolis, nos Ingleses, perto da praia.Ensinam outras pessoas a garimpar e lançar produtos no mercado americano usando Google Fundo de Funil, uma estratégia que os brasileiros quase não conhecem e que eles chamam de mar azul.No Kiwicast, eles falaram sobre:● Como venderam os móveis de casa para investir no digital sem nenhuma garantia● Por que Luiz achou que era golpe e o que o fez mudar de ideia● Como funciona o método de lançamento no mercado americano● Por que o Google Fundo de Funil ainda é mar azul para produtores brasileiros● O que separa quem destrava de quem fica parado entre os mais de 1.000 alunosAprenda com quem vive o mercado digital na prática.Dá o play e deixe nos comentários qual foi o melhor insight que você tirou do episódio.Nosso Instagram é @Kiwify
Durante 20 anos, a Marinalva construiu ao lado do Sérgio, uma família cheia de amor e 2 filhos. Ele trabalhava viajando pelo interior, até que, ela recebeu uma ligação dizendo que o Sérgio tinha sofrido um acidente grave. No hospital, ela descobriu que tinha uma mulher no carro. Depois de um pedido de perdão, ela descobriu que a mulher era amante dele há anos e eles tinham um menino de 4 anos. Ele faleceu e Marinalva descobriu que aquele garoto tinha ficado sozinho no mundo. Ela resolveu ajudá-lo e hoje, ela aguarda a guarda definitiva para criar o menino. Marinalva entendeu que Deus transformou a maior tragédia da sua vida, em um novo começo e propósito.
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Ouça essa história para meditar exclusiva INTEIRA do Reino entre várias outras clicando aqui:https://eraumavezumpodcast.com.br/clube102Nesta história para meditar para crianças, você vai conhecer o dragãozinho Brasa, que tem um segredo: ele sente medo do escuro.Enquanto outros dragões voam confiantes pela noite, Brasa prefere ficar escondido… até encontrar uma coruja especial que lhe ensina algo poderoso: como usar a respiração e a calma para enfrentar o medo.Com uma narrativa suave e guiada, essa meditação ajuda as crianças a relaxar, desacelerar e perceber que o escuro não é vazio, ele pode estar cheio de estrelas esperando para aparecer.Perfeita para a hora de dormir, essa história acolhedora convida os pequenos a se conectarem com a própria respiração e descobrirem a luz que existe dentro deles.Meditação infantil para dormir | História do dragãozinho que vence o medo | Relaxamento e respiração para criançasEscrita e narrada por: Carol Camanho
O povo iraniano é um grande sacrificado e esquecido desta guerra. Uma crónica de Francisco Sena Santos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Gerson Palermo, chefe do PCC solto por desembargador de MS, é preso na Bolívia. PF diz que Castro tinha 'vínculo pessoal estreito' com Vorcaro e, por isso, RioPrevidência investiu no Master. Atlas da Violência: Brasil tem menor taxa de homicídios em 11 anos, mas ainda registra 42,6 mil casos. Anvisa aprova primeira versão nacional de semaglutida após fim da patente da Novo Nordisk. Polícia prende falso médico que atuava em hospital particular na Zona Leste de SP. Surfista brasileiro passa por cirurgia após ser atingido no coração por peixe-espada na Costa Rica.
O homem que lançou um cocktail molotov junto ao Parlamento tinha motivações ideológicas? Tinha intenção de atacar? A estratégia da defesa em análise com Pedro Rainho.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Lambda lambda lambda, nerds! Se você está se perguntando por que este NerdCast foi feito, sinceramente, a gente também! Mas ei, ALEXANDRE OTTONI está de volta à cultura pop, isso conta pra algo, né?! Neste episódio, chamamos Natália Kreuser, Marcelo Bassoli e o eterno otimista Carlos Voltor para falar sobre O Justiceiro: Uma Última Morte, o curta/episódio/apresentação especial da Marvel que trouxe nosso amado Frank Castle de volta, mas... precisava? Contabilizei Abra seu CNPJ com a Contabilizei e ganhe a segunda mensalidade grátis usando o cupom NERDCAST: https://jovemnerd.short.gy/contabilizei_nc1 Hostinger Crie seu site com facilidade e 10% de desconto utilizando o cupom JOVEMNERD: https://jovemnerd.short.gy/hostinger_nc2 Dia da Toalha 2026 Ele voltou! Participe da live dia 25 de maio, a partir das 19h, aqui no YouTube do Jovem Nerd: https://youtube.com/live/J4SxBuVUvEE Poste uma foto CRIATIVA com a sua toalha no Instagram, com a hashtag #DiadaToalhaJN, seguindo os perfis @jovemnerd e @jovemnerduniverse para concorrer a prêmios. CITADO NA LEITURA DE E-MAILS Curta metragem "EMERGÊNCIA!", baseado em leitura de e-mails do NC: https://www.youtube.com/watch?v=IWAkASpKk6E CONFIRA OS OUTROS CANAIS DO JOVEM NERD E-MAILS Mande suas críticas, elogios, sugestões e caneladas para nerdcast@jovemnerd.com.br APP JOVEM NERD: Google Play Store | Apple App Store ARTE DA VITRINE: Randall Random Baixe a versão Wallpaper da vitrine EDIÇÃO COMPLETA POR RADIOFOBIA PODCAST E MULTIMÍDIA Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
No episódio de hoje do Kiwicast, recebemos Isabela Juzkow eRafael Tanaka, o casal por trás da Inspiralisa, maior comunidade de criadores no Procreate do Brasil, com mais de 9 mil alunos e 1 milhão faturado na Kiwify.A história deles começa em 2018, sem estratégia, sem equipamento e sem a menor ideia do que estavam construindo. Isabela foi numa loja, comprou a aquarela mais barata que existia, aquelas de 12 cores que a gente usava na escola, foi pra casa e fez a primeira arte. Rafael olhou e viu oque ela ainda não conseguia ver: um negócio.O primeiro vídeo foi gravado com iPhone 6, tremido, em cimada cabeça dela. O tripé era de cano PVC. A iluminação era uma lâmpada da reforma da casa. Não tinha microfone, não tinha calendário editorial, não tinha nicho. Tinha só vontade de compartilhar.Rafael ainda foi além: largou o emprego numa multinacionalpara apostar de vez no que estavam construindo juntos. Hoje são noivos, sócios e referência nacional em arte digital.No Kiwicast, eles falaram sobre:● Por que esperar a hora certa é o maior erro de quem quer empreender● Como começaram sem equipamento, sem audiência e sem estratégia● O que Rafael enxergou no potencial de Isabela antes dela mesma● Por que ele largou uma multinacional para construir o negócio junto com ela● Como transformaram um hobby em uma operação de 9 mil alunos● O que aprenderam errando antes de qualquer resultado chegarAprenda com quem vive o mercado digital na prática.Dá o play e deixe nos comentários qual foi o melhor insight que você tirou do episódio.Nosso Instagram é @Kiwify
O Hondius fundeou no porto de Grenadilla, na ponta sul da ilha de Tenerife, às 06:31 da manhã deste domingo. Tinha a bordo 147 pessoas, zarpou às 06:30 da tarde desta segunda-feira, com 26 tripulantes, e navega neste momento rumo à desinfeção total em Roterdão. Esta segunda-feira ficou completo o desembarque de passageiros e, ainda, de alguns dos tripulantes.
João Silva Santos, CEO da Merytu, criou uma plataforma que favorece os freelancers na área da hotelaria. Já tem mais de 100 mil inscritos e pode ir para outras áreas. Toca bateria contra o stress.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A Internazionale é a campeã italiana. O 21º Scudetto da história do clube chega numa temporada em que a Serie A tinha Conte no Napoli, Allegri no Milan e Spalletti na Juventus — e foi o novato Cristian Chivu quem levou o troféu. Discutimos o que esse título significa e o que ele revela sobre o futebol italiano. Depois, percorremos as principais ligas europeias: na Inglaterra, o Arsenal segue na liderança e o clássico entre Manchester United e Liverpool animou o fim de semana; na Espanha, o Barcelona caminha para o título; na Alemanha e na França, o panorama da rodada.SEJA MEMBRO! Seu apoio é fundamental para que o Meiocampo continue existindo e possa fazer mais. Seja membro aqui pelo Youtube! Se você ouve via podcast, clique no link na descrição para ser membro! https://www.youtube.com/channel/UCSKkF7ziXfmfjMxe9uhVyHw/joinNEWSLETTER! Nossa newsletter chega toda sexta aberta a todos com nossos textos sobre o que rolou na semana, e às terças com conteúdo apenas para assinantes: https://newsletter.meiocampo.net/Conheça o canal do Bonsa sobre Football Manager, BonsaFM: https://www.youtube.com/@BonsaFMConheça o canal do Lobo sobre games, o Próxima Fase: https://www.youtube.com/@Proxima_FaseConheça o canal de Leandro Iamin sobre a seleção brasileira, o Sarriá: https://www.youtube.com/@SarriaBrasil
Filipa Pinto esteve em destaque no programa Alta Definição, numa conversa em que a atriz revelou, com transparência, o percurso de saúde mental que a acompanhou desde a adolescência. A intérprete, conhecida pelo papel da antagonista Sandra na novela Páginas da Vida, descreveu com detalhe o impacto do seu primeiro desgosto amoroso aos 15 anos, episódio que despoletou um processo de autoconhecimento e a levou a procurar apoio psicológico pela primeira vez. Mais tarde, aos 24 anos, viria a ser diagnosticada com perturbação obsessivo-compulsiva, diagnóstico que, paradoxalmente, trouxe consigo um sentimento de alívio. “Ter o diagnóstico final, para mim, foi um grande alívio, porque foi um ‘ok, isto acontece, isto existe, aquilo que eu sinto tem uma associação, tem uma justificação, há sintomas, não sou única, não estou sozinha, há um tratamento, portanto há solução’”, afirmou a atriz, sublinhando a importância de nomear aquilo que se sente como primeiro passo para a recuperação. Ao longo da conversa, a atriz abordou também a resistência inicial à medicação e o caminho que percorreu até a aceitar como parte integrante do seu tratamento, reconhecendo que essa decisão lhe permitiu tornar-se uma versão mais funcional e presente de si mesma. A atriz defendeu com convicção a necessidade de quebrar o estigma em torno da saúde mental. “Eu nunca recusei ajuda; pelo contrário, sempre procurei. Primeiro aos meus amigos, depois à família, depois, se eu precisasse de ajuda psicológica ou mesmo psiquiátrica, eu avançava. Eu só não queria estar sozinha”, confidenciou. Num momento de rara serenidade, Filipa Pinto encerrou a entrevista com uma mensagem dirigida à versão mais frágil de si própria: a certeza de que “o mal não dura para sempre” e de que existe “uma luz ao fundo do túnel”. Ouça aqui a entrevista no Alta Definição em podcast. Este programa foi emitido na SIC a 2 de maio. A sinopse deste episódio foi gerada com o apoio de inteligência artificial. Saiba mais sobre a aplicação desta tecnologia nas redações do Grupo Impresa a partir deste link.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Mulheres dizem sofrer mais com situação financeira do que homens, mostra pesquisa Datafolha. PT aprova manifesto com propostas para tentar atrair apoio do centro à reeleição de Lula.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Roberta Martinelli conversa com Getúlio Abelha sobre sua trajetória, disco e referências.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A gente conversava sobre uma notícia que eu tinha lido. Era de uma professora que ao tomar uma decisão irreversível, dizia: “tive uma vida deliciosa”. Tinha muitas coisas naquela história que geravam comentários, mas eu fiquei atravessada por aquela frase.Quão grandiosa pode ser uma vida em que o julgamento final é esse: “tive uma vida deliciosa?”. Por isso, a Amanda me fez aquela pergunta: “mas o que você acha que é preciso para alcançar isso?” A gente não sabia, mas a cena que veríamos minutos depois, ia responder isso. É por aí que vai o episódio dessa semana, cê vem?identidade visual: @amandafogacatexto: @natyopsPUBLICIDADE: INSIDERCUPOM a ser divulgado: NOMEASCOISASLINK a ser divulgado:https://creators.insiderstore.com.br/NOMEASCOISASMEU LIVRO: Medo de dar certo: Como o receio de não conseguir sustentar uma posição de sucesso pode paralisar você | Amazon.com.brApoie a nossa mesa de bar: https://apoia.se/paradarnomeascoisas
O senador Eduardo Girão comenta o acesso ilegal a sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até do FBI e Interpol para monitorar adversários do banqueiro Daniel Vorcaro.Madeleine Lascko, Duda Teixeira e Carlos Graieb comentam. Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores. Apresentado por Madeleine Lacsko, o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade. Ao vivo de segunda a sexta-feira às 18h. Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e Crusoé com 10% via Pix ou Google Pay: https://assine.oantagonista.com.br/ Siga O Antagonista no X: https://x.com/o_antagonista Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais. https://whatsapp.com/channel/0029Va2SurQHLHQbI5yJN344 Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br #Vorcaro #BancoMaster #PolíciaFederal #FBI #Interpol #NoticiasBrasil #Urgente #Investigação #ComplianceZero