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On the Kenny & JT Show we catch up with former McKinley Bulldogs and West Virginia Mountaineers linebacker Josh Chandler-Semedo.
“A Mulher Desarvorada” é um monólogo inspirado no livro “A Mulher Desiludida”, de Simone de Beauvoir, e está em cena no festival Off Avignon até 25 de Julho, com o título francês “La Femme Déracinée”. Em palco, Tati Pasquali, a actriz do espectáculo que também assina a dramaturgia, fala sobre a violência do parto e do pós-parto, a sobrecarga mental e física da maternidade, a persistente desigualdade homem-mulher, a devoção feminina transgeracional à família e o abandono, entre muitas outras coisas. “Quando é a mulher que cuida de tudo, quem é que cuida dela quando tudo desaba?”, questiona Tati Pasquali na entrevista que deu à RFI, em Avignon. “A Mulher Desarvorada” é a história de uma mulher que abdicou de si própria para se dedicar à família. Conta a violência do parto, a depressão pós-parto, a transformação do corpo feminino, o desdém do olhar masculino sobre esse mesmo corpo, a sobrecarga da maternidade, a solidão, a traição e o abandono. “É a história dessa mulher que abriu mão da sua profissão e tornou a família e o lar na sua profissão, no seu único lugar no mundo, e o que acontece com ela quando isso desaparece. É muito focado na importância da independência financeira feminina como forma de liberdade e é um dos temas que a Simone [de Beauvoir] batia muito o martelo em cima. É sobre esse papel que a mulher ainda ocupa em 2026, de ter a maior parte dos cuidados maternos, os cuidados com a família, cuidado com a casa. Quando é a mulher que cuida de tudo, quem é que cuida dela quando tudo desaba, quando tudo se vai embora? Essa mulher vê-se obrigada a cuidar de si sozinha. Tem uma frase no espectáculo que é: ‘Quando se viveu durante tanto tempo em função dos outros, é um pouco difícil se converter a viver para si'. Eu acho que fala sobre muitas coisas, sobre maternidade, sobre sobrecarga materna, sobrecarga mental, sobrecarga física, mas também fala um pouco dessa falta de olhar para si mesma que as mulheres têm quando ocupam demais esse lugar do cuidado com o outro e com a casa”, conta Tati Pasquali. A ideia de escrever este texto nasceu durante a pandemia de Covid-19, com o confinamento, quando ficou “durante dois anos presa em casa com um bebé”, cruzando depressão pós-parto com a depressão da pandemia. Perante a sensação de se sentir intelectualmente e criativamente “desperdiçada”, a actriz brasileira foi à procura de um tema para criar algo e reencontrou-se com “A Mulher Desiludida”, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, reconhecendo-se “num lugar de cuidado com a família, com a casa”, de questionamento por ter deixado de lado a sua independência financeira e a sua profissão. “Peguei só em inspirações do livro e transformei em uma coisa muito mais pessoal. Eu acho que o espectáculo ganhou muito e desarvorada é uma palavra que ela fala no texto. Ela fala: ‘Eu estava tão desarvorada que eu precisava fazer alguma coisa.' Desarvorada é essa mulher que perde as folhas, é uma árvore que perde a vida. E também tem a ligação com a árvore genealógica que eu faço com a minha mãe, com a minha avó, com a avó paterna, avó materna, tem essa coisa de árvore das mulheres, dessa árvore genealógica e desse lugar de quando você perde as folhas, quando você perde a força, o que te alimenta?”, descreve a actriz e autora de “A Mulher Desarvorada”. “A Mulher Desarvorada” tem encenação de Claúdia Semedo e está no no Festival Off, em Avignon, no Théâtre de La Porte Saint Michel, até 25 de Julho. Participar no festival “é um super risco financeiro”, admite Tati Pasquali que considera que este “não é um festival democrático” porque “não é qualquer companhia, não é qualquer artista que consegue vir” devido aos elevados custos que implica, desde logo “a hospedagem que fica caríssima e o aluguer do teatro também caríssimo”. A peça só consegue estar em Avignon graças a apoios e a um crowdfunding e, ainda assim, “é preciso captar mais dinheiro e a gente está vendendo paninhos, livrinhos e é importante vender ingressos para tentar captar”. Apesar do risco financeiro, “a experiência é incrível”, com “pessoas de todos os lugares do mundo” e “é um currículo incrível para o espectáculo”. Oiça a entrevista neste programa.
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England's best performance? Tommy's Tactics and how he used Jude, Anthony Gordon and Big Dan Burn Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. In amongst a busy World Cup summer, Nottingham Forest dropped a bombshell by relieving Vítor Pereira of his duties, with Oliver Glasner set to be appointed to the managerial hotseat. Rich is joined by Adam to discuss the way in which the erstwhile Head Coach has been removed from his post, and what Reds fans can expect in terms of tactics and temperament from the new man. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
No coração de Paris, no Hotel Príncipe de Gales, a cozinha é liderada por um cabo-verdiano que fez da alta gastronomia francesa a sua casa. Chama-se Cláudio Semedo Borges, nasceu na cidade da Praia e construiu um percurso que o levou das ilhas de Cabo Verde aos mais prestigiados hotéis da capital francesa. Entre memórias de infância, ambição e criatividade, o chef revela como as suas raízes continuam presentes, ainda que discretamente, nos pratos que cria. Encontramos o chef cabo-verdiano à conversa com os últimos clientes. Acabam de terminar a refeição e despedem-se com elogios a um "menu delicioso". Cláudio Semedo Borges recebe-nos de sorriso rasgado e com uma energia contagiante que abre caminho à descoberta de um dos hotéis "mais bonitos de Paris". É ali que dá forma a uma cozinha que define como "refinada", sem nunca perder de vista as suas origens. "É uma cozinha que tem gosto, muitos sabores", explica. Cresceu habituado a pratos intensos e cheios de personalidade, uma marca da cozinha cabo-verdiana que procura manter, mesmo trabalhando num restaurante assumidamente francês. "Os meus pratos, no dia-a-dia, não têm muitos elementos cabo-verdianos, porque estamos num restaurante 100% francês", conta. Ainda assim, de vez em quando, deixa escapar pequenos detalhes da sua identidade. A manga verde e os torresmos surgem, discretamente, em algumas criações, despertando a curiosidade dos clientes. "Eles ficam sempre surpreendidos. Há sempre uma pergunta no fim da refeição: 'Havia aqui qualquer coisa diferente... mas o que era?'. Quando digo qual é o ingrediente, ficam fascinados." A ligação a Cabo Verde vai muito além dos ingredientes. Está nas memórias de infância, na liberdade com que cresceu e na forma como encara a criatividade. "Saía de casa de manhã e só voltava à noite. Comia em casa dos vizinhos, brincava na rua, toda a gente se conhecia. Essa liberdade faz falta aqui na Europa." Essa sensação de liberdade continua a influenciar a forma como cozinha : "quando faço um prato nunca penso que está terminado. Acho sempre que posso fazer mais. Estou sempre aberto ao inesperado." Antes da cozinha, porém, havia outro sonho. Durante vários anos, Cláudio acreditou que o seu futuro passaria pelos relvados. "Desde que saí de Cabo Verde vivi para o futebol. Joguei em Portugal, fui selecionado para a seleção portuguesa e acreditava mesmo que podia ser jogador profissional." A mudança para França, aos 19 anos, alterou completamente o rumo da sua vida. A cozinha surgiu primeiro por necessidade, tornando-se mais tarde numa paixão. "Em casa, com uma mãe solteira e quatro rapazes, todos tínhamos de ajudar. Cozinhava para aliviar o peso da minha mãe. Não há nada mais gratificante do que ouvir a minha mãe dizer: 'Filho, está muito bom.' Hoje, quando um cliente me diz que adorou a refeição, sinto exactamente a mesma emoção." Sem meios para frequentar uma escola privada de gastronomia, iniciou a formação numa escola pública francesa. Depois vieram as primeiras oportunidades profissionais e, pouco a pouco, o contacto com a alta cozinha. Passou por cozinhas de referência em Paris, trabalhou em restaurantes distinguidos pelo Guia Michelin e integrou equipas de hotéis de luxo, como o Ritz e o Península, antes de assumir a cozinha do Hotel Príncipe de Gales. "Quando cheguei às cozinhas de três estrelas Michelin percebi o verdadeiro significado da excelência. Ali nada é ignorado. Tudo tem um detalhe." Apesar do ambiente exigente da alta gastronomia, Cláudio procura liderar de forma diferente. " Trabalho é muito stressante, mas acredito que a melhor forma de aprender é com um sorriso. Talvez seja a morabeza cabo-verdiana." Em 2025 decidiu colocar-se novamente à prova ao participar no programa Top Chef em França. Cláudio refere que experiência abriu-lhe novas portas e reforçou o reconhecimento do seu trabalho. "Sempre gostei de competição. Talvez venha do futebol. Queria perceber até onde podia ir, testar a minha criatividade. A experiência abriu-me muitas portas". Hoje, depois de alcançar objetivos que um dia lhe pareceram distantes, os sonhos mudaram de direção. "O meu sonho já não é tanto para mim. Quero despertar nas pessoas a vontade de conhecer Cabo Verde, interessarem-se pela nossa cozinha e inspirar outros a cozinhar com um sorriso." No futuro, admite que gostaria de abrir um restaurante com assinatura própria, sublinhando o desejo de ter um espaço onde possa dizer "esta é a minha cozinha, este é o meu modo de vida." No final da conversa, o chef regressa simbolicamente à infância através de um prato de verão. A protagonista é a manga verde, um sabor que o transporta para os dias em que saía da escola, na Praia, e apanhava as primeiras mangas ainda verdes das árvores. "Era um sabor ácido, mas ficou para sempre na minha memória." É precisamente essa memória que transforma num prato fresco de caranguejo, manga verde, manjericão, citrinos e ervas aromáticas. Uma criação onde a sofisticação da cozinha francesa encontra, de forma subtil, as recordações de Cabo Verde. É, talvez, a melhor definição da cozinha de Cláudio Semedo Borges: uma viagem entre dois mundos, servida com técnica, emoção e identidade.
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No passado dia 24 de Junho, foi publicado aqui em França um relatório do Senado sobre os movimentos masculinistas. Outrora considerado um fenómeno social periférico, o masculinismo, uma forma agressiva do machismo que pode inclusivamente traduzir-se, em tentativas de assassínios ou actos terroristas dirigidos contra mulheres, tem vindo a ter cada vez mais eco nomeadamente junto da população jovem. Ao cabo de sete meses de trabalho e entrevistas a varias centenas de pessoas, a comissão dos direitos das mulheres do Senado chegou à conclusão que o fenómeno que abrange os "incels" -solteiros involuntários- e outros subgrupos tendencialmente ligados à extrema-direita representa um “risco real para a democracia e a coesão social”, constituindo um “movimento social e político” estruturado, que coloca em questão a igualdade entre homens e mulheres. As autoras do documento recordam nomeadamente dados já apresentados num relatório governamental do inicio deste ano, segundo os quais 22 milhões de franceses reconhecem aderir a pelo menos uma forma de sexismo, sendo que entre eles, 10 milhões -ou seja 17% da população francesa- se reconhecem numa forma de sexismo "hostil". O relatório cita ainda os resultados de um estudo da Universidade de Dublin, segundo o qual, nas redes sociais, nomeadamente o TikTok e o YouTube, um jovem é exposto a conteúdos masculinistas no espaço de apenas 23 minutos. Foi neste âmbito que a RFI falou com Luísa Semedo, militante feminista e investigadora associada na área de filosofia na Universidade da Sorbonne Nouvelle. O que é o masculinismo Para a universitária "O masculinismo é uma forma mais radical, daquilo que nós já conhecíamos, que era o machismo, o patriarcado, o sexismo, mas agora com uma forma radicalizada, que é uma forma que tem uma acção que vai para além das palavras. Ou seja, muitas destas pessoas que estão no masculinismo são consideradas praticamente como terroristas, ou seja, são pessoas que podem passar a actos violentos contra mulheres. Há uma continuidade nesta questão da dominação dos homens em relação às mulheres e do sexismo, àquilo que nós conhecemos até agora. Tem uma forma 'normalizada'. E esta nova forma, que é a forma hostil, é uma forma de organização que permite fazer mal às mulheres de forma muito mais radical e mais criminalizada". Segundo a estudiosa, o surgimento desta forma mais agressiva do sexismo tem elo com a maior afirmação do feminismo nestes últimos anos, nomeadamente através de movimentos como o 'Metoo'. "Cada vez que há avanços em relação a direitos, há muitas vezes a reacção daqueles que se julgam ser os lesados desse avanço de direitos. E aqui é o caso. Ou seja, o facto de haver um movimento feminista que é forte e que tem conseguido algumas conquistas, faz com que haja esta reacção de pânico em relação a este movimento progressista. E há um segundo factor, que me parece bastante importante, que é a questão das redes sociais. Ou seja, nós estamos aqui face a um fenómeno que não conhecíamos antes, que é uma forma de propagar estas ideias, que é muito mais rápida, que é mundial, e que permite esta radicalização", considera. A sensibilização, a educação e a economia como vectores de luta No seu relatório, as senadoras fazem um pouco mais de 20 recomendações, nomeadamente em torno das redes sociais, a seu ver o principal vector desta ideologia. Apelam a uma maior vigilância, mais transparência nos algoritmos que condicionam o acesso a determinados conteúdos, e também que as páginas masculinistas deixem de poder gerar rendimentos financeiros. Preconizam ainda aulas dedicadas às relações homem-mulher nas escolas, bem como campanhas de sensibilização no seio da população. Luísa Semedo identifica precisamente a educação e a 'economia do masculinismo' como sendo pistas estratégicas de luta. "Deve haver duas frentes de combate: uma que passa pela educação, como é óbvio. Ou seja, é fazer com que estes jovens, mesmo que se confrontem com este tipo de conteúdos, entendam porque é que é mau, entendam qual é o perigo e não adiram a estas teses. E a segunda frente é atacar de forma legal quem produz estes conteúdos. Parece-me, para já, desmonetizar eventualmente este tipo de canais, porque é preciso perceber que aqui também é uma questão de dinheiro que está presente. Os masculinistas, os que são os gurus do masculinismo, ganham dinheiro com isto e, portanto, têm todo o interesse em continuar. E se forem desmonetizados e se forem também responsabilizados por aquilo que estão a divulgar, penso que também é uma das formas de combater", diz. Constam também no relatório a preconização de aumentar os financiamentos para as organizações de protecção das mulheres e o apelo para que o problema seja tratado a nível interministerial como sendo um caso de segurança pública. "Sem dúvida que é necessário que o combate também seja por várias frentes e neste caso tem que haver a implicação de vários ministérios. Tem que haver a implicação de algo que se possa criar. Estou de acordo com isso e que haja fundos para que isso seja feito. Mas também é preciso dizer que já há um trabalho de terreno de anos de muitas associações feministas e que já têm as suas redes, já têm as suas formas de funcionar, que são eficazes e que, portanto, também necessitam de dinheiro. Parece-me também importante fazer isso", reforça Luisa Semedo. França é o segundo país europeu em termos de financiamento ao activismo anti-género De acordo com a Amnistia Internacional, desde o começo da década de 2010, os movimentos sexistas estruturaram-se até se tornarem uma rede amplamente financiada e transnacional, a França sendo até o segundo país europeu em termos de fundos dedicados ao activismo anti-género. A Amnistia Internacional identifica "actores privados, grupos políticos e instituições que permitem a existência de estruturas e associações mais pequenas do movimento anti-género" através do seu financiamento. Num contexto de crescente visibilidade desta corrente, o risco de ataques terroristas masculinistas é acompanhado de perto pelos serviços de inteligência interna (DGSI), que vigiam "uma dezena de indivíduos susceptíveis de radicalização violenta". Segundo o senado, todos têm menos de 21 anos. Em Julho de 2025, a Procuradoria Antiterrorista acusou jovem estudante de 18 anos de ter o projecto de atacar mulheres com facas. "Estamos num nível de alerta que me parece o apropriado, ou seja, levar a sério, não achar que é só uma questão de moda ou de uma questão só de uns miúdos que se interessam por aquilo e mais ninguém se interessa. Não, nós estamos a falar de toda uma geração que está submetida a este tipo de influências e com vários casos já no mundo de tentativas ou de atentados contra mulheres vindo masculinista que foram perpetrados e que foram conseguidos. Portanto, nós estamos mesmo a falar aqui de um verdadeiro perigo já urgente", considera a investigadora. O masculinismo e o mundo do espectáculo Acaso do calendário, a divulgação do relatório do Senado sobre o movimento masculinista em França coincidiu com a "Fashion Week" de Paris. Uma das figuras convidadas para desfilar para uma das marcas presentes no evento, foi Braden Peters, um jovem 'influencer' masculinista americano de 21 anos conhecido sob o nome de 'Clavicular'. Adepto do culto extremo do corpo, próximo dos neonazis no seu país, ele ilustrou-se nomeadamente por filmar-se a ter uma overdose, a atropelar um homem com a sua carrinha, a matar a tiro um crocodilo, e -obviamente- a humilhar mulheres em directo no seu canal. Para Luísa Semedo, a presença deste jovem na semana da moda parisiense demonstra que "já estamos perante formas que começam a ser 'glamourizada', ou seja, já não estamos só naquele fenómeno do 'incel', ou seja, daqueles solteiros involuntários vistos como o estereótipo de rapazes pelos quais nenhuma miúda se interessa. Nós estamos agora face a 'influencers' que têm um certo 'glamour', um certo charme em relação àquilo que estão a fazer. Ou seja, ainda são mais apelativos para muitos jovens que vão sentir essas pessoas como modelos. E, portanto, é uma diversificação justamente das formas como o masculinismo pode ter". "A questão de que me parece importante é a do dinheiro. É sem dúvida, tentar fazer com que isto não renda, porque isto rende dinheiro não somente para os 'influencers', mas para a própria sociedade do espectáculo. E portanto, este último caso é um bocado o exemplo disto. Ou seja, a partir do momento em que, de alguma forma, isto render dinheiro, muitas pessoas vão se interessar. E também dizer que tudo isto tem impacto, depois, apesar de tudo, nos próprios partidos políticos, em como estas gerações vão votar, que provavelmente vão ser mais sensíveis a partidos de extrema-direita. E, portanto, isto vai ter impacto em toda a sociedade, não só nos mais jovens", conclui a estudiosa.
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Horseshoe football vs calamity defending The Group of Death discusses: * Knock-off Cornettos * TG Jones * The London Review of Books * Were England lucky? * Scott McKenna * Forest representation at the World Cup * Hydration breaks - BOO Find out more at https://1865.football Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
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Em França, a morte de Lyhanna, uma menina de 11 anos, está a gerar uma mobilização contra a lentidão da justiça em tratar os crimes sexuais contra crianças. O suspeito da sua morte acumulava outras denúncias de violações e abusos de menores, mas nunca foi interrogado pelas autoridades. A activista Luísa Semedo denuncia um “escândalo de Estado” que “mete a nu muitas deficiências do Estado” francês, sublinha que “a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França” e que apenas 3% dos agressores são condenados. A investigadora associa-se à mobilização que pede a adopção de uma Lei Integral de combate aos crimes sexuais e acredita que “uma parte da sociedade está a acordar”. Esta segunda-feira, houve manifestações em várias cidades francesas para expressar a revolta colectiva pela morte de Lyhanna e para protestar contra as falhas da Justiça e do Estado francês no que toca à protecção das crianças contra crimes sexuais. Esta quinta-feira, a indignação e a revolta chegaram ao jornal português Público com uma crónica da activista Luísa Semedo, que começa assim: “Em França, a cada três minutos, o tempo de leitura desta crónica, uma criança é vítima de agressão sexual e apenas 3% das denúncias de violação de menores resultam em condenação.” [Os números “abissais” da violência sexual sobre crianças são da Comissão [francesa] Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).] Conversámos com Luísa Semedo, investigadora em Filosofia Política e Ética; que olha para a morte de Lyhanna como “a ponta do iceberg” daquilo que denuncia como “um escândalo de Estado”. “É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este o suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido”, explica, por telefone, à RFI. Luísa Semedo sublinha que além de ser um “escândalo de Estado”, a morte de mais uma criança alegadamente vítima de um predador sexual revela também “um escândalo da sociedade”, pelo que é urgente “uma mudança de mentalidades”. “Estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa, muitas vezes, dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou com um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa-se, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto”, diz Luísa Semedo. As associações feministas e de protecção da infância reivindicam a adopção de uma Lei Integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres, a qual já tinha sido apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada. Na concentração desta segunda-feira, em frente ao ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, uma conhecida realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em peça de teatro e que também deu um filme - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denunciou uma detenção arbitrária. Nas redes sociais, muitos partilharam as imagens da violenta detenção de Andréa Bescond e ela também publicou fotografias das nódoas negras que daí resultaram. Luísa Semedo também ficou perplexa com o que aconteceu e pergunta-se como é que Andréa Bescond, uma vítima, “foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos nunca foi sequer ouvido”. Por outro lado, Luísa Semedo subscreve o apelo de Andréa Bescond de concentrações pacíficas todas as segundas-feiras, às 19h, diante de todos os tribunais de França até à adopção da Lei Integral de combate às violências sexuais. “Esta Lei Integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos (...) É uma lei cujo objectivo é fazer com que, cada vez que haja um destes casos, não seja considerado só como um ‘fait divers' ou como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema”, acrescenta a investigadora. Esta semana, nos protestos e até na Assembleia francesa, ouviram-se pedidos a exigir a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à justiça - ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Lecornu propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série contra os actuais 20 anos de prisão [para os que chegam a ser julgados] e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas são suficientes? Não, responde Luísa Semedo, sublinhando que a questão principal “não está no número de anos da pena do agressor”, mas no facto de apenas “3% dos casos de agressão sexual serem punidos”. No domingo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, assinalou que existem “graves falhas” na gestão do caso do suspeito da morte de Lyhanna, e anunciou que 70 mil queixas envolvendo crimes sexuais contra menores terão de ser examinados até 14 de Julho. Mais uma vez, Luísa Semedo aponta o seu olhar crítico para este anúncio e diz: “Parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países europeus. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado de 'performance', com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Apesar de lamentar que tanto a Justiça, quanto o Estado, quanto a Sociedade tenham falhado até agora, Luísa Semedo acredita que “uma parte da sociedade a acordar”. Por isso deixa também o apelo: “Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.” Luísa Semedo: A morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” e "talvez o início de uma revolução” RFI: Por que é que decidiu mobilizar-se e escrever num jornal português sobre a morte de Lyhanna? Luísa Semedo, Activista e Investigadora em Filosofia Política e Ética: “Porque em França está a ser uma situação que está a causar imensa emoção e penso que é uma questão que é universal, não é uma questão que é só importante em França, a questão da violência contra as crianças. Parece-me importante também que em Portugal se fale sobre isto porque o que se sente é que há, de facto, uma zona um pouco escondida, a questão do MeToo, da violência em geral e da violência sexual e nomeadamente contra as crianças. É como se fosse uma zona em que o problema é tão grande que parece preferir-se não se ver um problema tão grande. Neste momento, está a rebentar em França com o caso da Liana, ou seja, é a gota de água que fez com que as pessoas saíssem todas para a rua.” Na segunda-feira houve manifestações em várias cidades francesas para exigir medidas e está a haver uma mobilização. O que espera desta mobilização? É possível que algo mude? É preciso um tsunami? Ou, como escreve na crónica no Público, "está-se talvez a viver o início de uma revolução?” “Sim. O que eu espero é que haja uma mudança de mentalidades porque são questões tão estruturais, tão profundas na sociedade, que não é só com pequenas medidas de urgência que se vai lá. Ou seja, é uma questão que necessita que várias soluções sejam postas em prática e uma das mais importantes é talvez uma mudança de mentalidades. Ou seja, olhar para uma criança como uma pessoa é a base, perceber que é uma pessoa que tem um corpo e que tem de ter consentimento em relação ao que lhe fazem. A criança também tem de ter essa consciência e, por isso, as associações pedem muito que haja, por exemplo, uma educação sexual e afectiva nas escolas, que é uma coisa que não existe ou existe de forma muito rudimentar. Ou seja, é toda uma panóplia de soluções que devem ser feitas.” As associações que se têm mobilizado e participado nestes protestos reivindicam a adopção de uma proposta de lei integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres. A Luísa Semedo também fala nesta lei integral na sua crónica. O que é esta lei integral que chegou a ser apresentada no final de 2025 por cerca de 100 deputados, mas que nunca foi analisada? “Esta lei integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos, ou seja, a questão do que é que é a dominação sobre o corpo de outro, o que é o consentimento. São questões que implicam toda a gente e, portanto, também começa na educação. Isso é muito importante. É uma lei cujo objectivo é fazer com que cada vez que haja um destes casos que não seja considerado só como um ‘fait divers', só como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema. E esse sistema tem de ser combatido com esta lei integral que são 78 medidas e que são medidas para enfrentar este caso de frente, ou seja, com várias leis diferentes.” Nos protestos em frente ao Ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em filme e em peça de teatro - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denuncia uma detenção arbitrária. Como é que vê o que aconteceu e vai seguir o apelo dela de manifestar todas as segundas-feiras em frente aos tribunais de França até à Lei Integral de protecção das vítimas de abusos sexuais ser adoptada? “Sim, sem dúvida. Eu sempre que posso tento acompanhar este tipo de acções que me parecem absolutamente importantes e acho que é muito reconfortante até para as vítimas. Eu própria também sou uma sobrevivente, portanto, é sempre muito forte ver estas pessoas mobilizadas. Acho que nos toca a todas as pessoas que foram de alguma forma vítimas de violência e, portanto, sim, sem dúvida. O que aconteceu com a Andréa Bescond foi, de alguma forma, uma intimidação de uma das cabeças da manifestação, que foi acompanhada também, algumas horas antes, pela proibição da manifestação à frente do Ministério da Justiça. O Estado ou o governo dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, há ali um discurso que é bastante ambíguo em relação à questão da violência e da violência sexual contra as crianças e contra as mulheres, que já dura há bastantes anos, não é só de agora.” No seu texto escreve “A lei tem um prazo. O trauma não”. O que pode fazer o Estado francês para ajudar as vítimas que vivem com o trauma e para evitar futuras agressões? “Sim, na Lei Integral também é pedido para que haja apoio para as vítimas para as questões do trauma. Muitas das vítimas vivem o que nós chamamos de stress pós-traumático e stress pós-traumático complexo também. É, por exemplo, o acesso a profissionais de saúde da psiquiatria, psicologia e medicamentos. Há todo um acompanhamento que é necessário quando se sofre de stress pós-traumático, por exemplo. É algo que é muito complicado ainda de ter em França. Isso é um dos pedidos também da Lei Integral. Parece-me absolutamente essencial também ver algo que acho que faz parte da Lei Integral, que é a forma como se ouvem as crianças. Ou seja, elas serem ouvidas de forma autónoma dos adultos que, por vezes, são as pessoas que as agridem e portanto, elas terem um local seguro para serem ouvidas, para serem escutadas, para serem levadas a sério.” Ou seja, é todo um dispositivo que muda completamente a forma como nós vemos até agora as vítimas. Por enquanto, os agressores parecem ser mais protegidos do que as vítimas e o objectivo é que esta estrutura mude completamente, ou seja, que o centro da preocupação sejam, de facto, as vítimas e não os agressores.” Depois do que aconteceu, o ministro da Justiça Gérald Darmanin anunciou, no domingo, que 70.000 processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de Julho. O jornal Libération diz que o poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça. Que leitura faz? E é possível estes 70.000 processos serem analisados num mês? “Pois, somente não me parece possível, como me parece que o que for feito vai ser mal feito porque parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado um bocado de 'performance' com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Ouviram-se pedidos a exigir a demissão do Primeiro-Ministro francês, não só nas manifestações, mas também na Assembleia. Sébastien Lecornu rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à Justiça, ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Ele propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série, contra os actuais 20 anos de prisão (para os que chegam a ser julgados) e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas chegam? “Estas medidas não chegam porque há medidas que já existem. O problema é que as medidas não estão a ser cumpridas. Se só há 3% dos casos de agressão que são punidos, não tem nada a ver com a pena ser maior ou mais pequena. O que é importante é que estas pessoas sejam punidas e é importante ouvir as vítimas. Muitas das vítimas dizem: ‘O que nós queremos, o que nos vai fazer ficar em sentir insegurança e sentir reconfortados é que não haja impunidade'. Não se está à espera que haja pena de morte ou castração, ou o que quer que seja de medida cada vez mais espectacular para dar uma impressão de que se está a fazer alguma coisa. Não é isso. O facto é que só 3% de casos de agressão sexual é que são punidos, portanto, a questão está aí e não está nos anos da pena do agressor.” É por isso que fala num “escândalo de Estado” em relação ao caso Lyhanna? “Sim, sim. É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado sim. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido, o que é bastante impressionante. Imagine-se que alguém com este perfil nunca foi ouvido e alguém com o perfil de Andréa Bescond, que é uma sobrevivente, foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos contra ele nunca foi sequer ouvido. Portanto, já se está aqui a ver o contraste entre como é que as pessoas vítimas e activistas são tratadas e os agressores são tratados.” Ou seja, como escreve no artigo, “não houve aqui só uma negligência pontual, nem um simples disfuncionamento, como afirmou o Presidente Macron”, é algo mais vasto? “Sim, sem dúvida é algo mais vasto. Nós estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só mesmo a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa muitas vezes dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e é, de facto, um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto.” A Justiça e o Estado falharam? “Sim. Falharam a Justiça, o Estado, mas a sociedade em geral também está a falhar. Felizmente, o que se está a ver nas ruas é uma parte da sociedade a acordar e a mostrar que não vai deixar passar. Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”
Em França, a morte de Lyhanna, uma menina de 11 anos, está a gerar uma mobilização contra a lentidão da justiça em tratar os crimes sexuais contra crianças. O suspeito da sua morte acumulava outras denúncias de violações e abusos de menores, mas nunca foi interrogado pelas autoridades. A activista Luísa Semedo denuncia um “escândalo de Estado” que “mete a nu muitas deficiências do Estado” francês, sublinha que “a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França” e que apenas 3% dos agressores são condenados. A investigadora associa-se à mobilização que pede a adopção de uma Lei Integral de combate aos crimes sexuais e acredita que “uma parte da sociedade está a acordar”. Esta segunda-feira, houve manifestações em várias cidades francesas para expressar a revolta colectiva pela morte de Lyhanna e para protestar contra as falhas da Justiça e do Estado francês no que toca à protecção das crianças contra crimes sexuais. Esta quinta-feira, a indignação e a revolta chegaram ao jornal português Público com uma crónica da activista Luísa Semedo, que começa assim: “Em França, a cada três minutos, o tempo de leitura desta crónica, uma criança é vítima de agressão sexual e apenas 3% das denúncias de violação de menores resultam em condenação.” [Os números “abissais” da violência sexual sobre crianças são da Comissão [francesa] Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).] Conversámos com Luísa Semedo, investigadora em Filosofia Política e Ética; que olha para a morte de Lyhanna como “a ponta do iceberg” daquilo que denuncia como “um escândalo de Estado”. “É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este o suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido”, explica, por telefone, à RFI. Luísa Semedo sublinha que além de ser um “escândalo de Estado”, a morte de mais uma criança alegadamente vítima de um predador sexual revela também “um escândalo da sociedade”, pelo que é urgente “uma mudança de mentalidades”. “Estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa, muitas vezes, dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou com um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa-se, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto”, diz Luísa Semedo. As associações feministas e de protecção da infância reivindicam a adopção de uma Lei Integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres, a qual já tinha sido apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada. Na concentração desta segunda-feira, em frente ao ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, uma conhecida realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em peça de teatro e que também deu um filme - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denunciou uma detenção arbitrária. Nas redes sociais, muitos partilharam as imagens da violenta detenção de Andréa Bescond e ela também publicou fotografias das nódoas negras que daí resultaram. Luísa Semedo também ficou perplexa com o que aconteceu e pergunta-se como é que Andréa Bescond, uma vítima, “foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos nunca foi sequer ouvido”. Por outro lado, Luísa Semedo subscreve o apelo de Andréa Bescond de concentrações pacíficas todas as segundas-feiras, às 19h, diante de todos os tribunais de França até à adopção da Lei Integral de combate às violências sexuais. “Esta Lei Integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos (...) É uma lei cujo objectivo é fazer com que, cada vez que haja um destes casos, não seja considerado só como um ‘fait divers' ou como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema”, acrescenta a investigadora. Esta semana, nos protestos e até na Assembleia francesa, ouviram-se pedidos a exigir a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à justiça - ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Lecornu propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série contra os actuais 20 anos de prisão [para os que chegam a ser julgados] e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas são suficientes? Não, responde Luísa Semedo, sublinhando que a questão principal “não está no número de anos da pena do agressor”, mas no facto de apenas “3% dos casos de agressão sexual serem punidos”. No domingo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, assinalou que existem “graves falhas” na gestão do caso do suspeito da morte de Lyhanna, e anunciou que 70 mil queixas envolvendo crimes sexuais contra menores terão de ser examinados até 14 de Julho. Mais uma vez, Luísa Semedo aponta o seu olhar crítico para este anúncio e diz: “Parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países europeus. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado de 'performance', com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Apesar de lamentar que tanto a Justiça, quanto o Estado, quanto a Sociedade tenham falhado até agora, Luísa Semedo acredita que “uma parte da sociedade a acordar”. Por isso deixa também o apelo: “Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.” Luísa Semedo: A morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” e "talvez o início de uma revolução” RFI: Por que é que decidiu mobilizar-se e escrever num jornal português sobre a morte de Lyhanna? Luísa Semedo, Activista e Investigadora em Filosofia Política e Ética: “Porque em França está a ser uma situação que está a causar imensa emoção e penso que é uma questão que é universal, não é uma questão que é só importante em França, a questão da violência contra as crianças. Parece-me importante também que em Portugal se fale sobre isto porque o que se sente é que há, de facto, uma zona um pouco escondida, a questão do MeToo, da violência em geral e da violência sexual e nomeadamente contra as crianças. É como se fosse uma zona em que o problema é tão grande que parece preferir-se não se ver um problema tão grande. Neste momento, está a rebentar em França com o caso da Liana, ou seja, é a gota de água que fez com que as pessoas saíssem todas para a rua.” Na segunda-feira houve manifestações em várias cidades francesas para exigir medidas e está a haver uma mobilização. O que espera desta mobilização? É possível que algo mude? É preciso um tsunami? Ou, como escreve na crónica no Público, "está-se talvez a viver o início de uma revolução?” “Sim. O que eu espero é que haja uma mudança de mentalidades porque são questões tão estruturais, tão profundas na sociedade, que não é só com pequenas medidas de urgência que se vai lá. Ou seja, é uma questão que necessita que várias soluções sejam postas em prática e uma das mais importantes é talvez uma mudança de mentalidades. Ou seja, olhar para uma criança como uma pessoa é a base, perceber que é uma pessoa que tem um corpo e que tem de ter consentimento em relação ao que lhe fazem. A criança também tem de ter essa consciência e, por isso, as associações pedem muito que haja, por exemplo, uma educação sexual e afectiva nas escolas, que é uma coisa que não existe ou existe de forma muito rudimentar. Ou seja, é toda uma panóplia de soluções que devem ser feitas.” As associações que se têm mobilizado e participado nestes protestos reivindicam a adopção de uma proposta de lei integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres. A Luísa Semedo também fala nesta lei integral na sua crónica. O que é esta lei integral que chegou a ser apresentada no final de 2025 por cerca de 100 deputados, mas que nunca foi analisada? “Esta lei integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos, ou seja, a questão do que é que é a dominação sobre o corpo de outro, o que é o consentimento. São questões que implicam toda a gente e, portanto, também começa na educação. Isso é muito importante. É uma lei cujo objectivo é fazer com que cada vez que haja um destes casos que não seja considerado só como um ‘fait divers', só como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema. E esse sistema tem de ser combatido com esta lei integral que são 78 medidas e que são medidas para enfrentar este caso de frente, ou seja, com várias leis diferentes.” Nos protestos em frente ao Ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em filme e em peça de teatro - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denuncia uma detenção arbitrária. Como é que vê o que aconteceu e vai seguir o apelo dela de manifestar todas as segundas-feiras em frente aos tribunais de França até à Lei Integral de protecção das vítimas de abusos sexuais ser adoptada? “Sim, sem dúvida. Eu sempre que posso tento acompanhar este tipo de acções que me parecem absolutamente importantes e acho que é muito reconfortante até para as vítimas. Eu própria também sou uma sobrevivente, portanto, é sempre muito forte ver estas pessoas mobilizadas. Acho que nos toca a todas as pessoas que foram de alguma forma vítimas de violência e, portanto, sim, sem dúvida. O que aconteceu com a Andréa Bescond foi, de alguma forma, uma intimidação de uma das cabeças da manifestação, que foi acompanhada também, algumas horas antes, pela proibição da manifestação à frente do Ministério da Justiça. O Estado ou o governo dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, há ali um discurso que é bastante ambíguo em relação à questão da violência e da violência sexual contra as crianças e contra as mulheres, que já dura há bastantes anos, não é só de agora.” No seu texto escreve “A lei tem um prazo. O trauma não”. O que pode fazer o Estado francês para ajudar as vítimas que vivem com o trauma e para evitar futuras agressões? “Sim, na Lei Integral também é pedido para que haja apoio para as vítimas para as questões do trauma. Muitas das vítimas vivem o que nós chamamos de stress pós-traumático e stress pós-traumático complexo também. É, por exemplo, o acesso a profissionais de saúde da psiquiatria, psicologia e medicamentos. Há todo um acompanhamento que é necessário quando se sofre de stress pós-traumático, por exemplo. É algo que é muito complicado ainda de ter em França. Isso é um dos pedidos também da Lei Integral. Parece-me absolutamente essencial também ver algo que acho que faz parte da Lei Integral, que é a forma como se ouvem as crianças. Ou seja, elas serem ouvidas de forma autónoma dos adultos que, por vezes, são as pessoas que as agridem e portanto, elas terem um local seguro para serem ouvidas, para serem escutadas, para serem levadas a sério.” Ou seja, é todo um dispositivo que muda completamente a forma como nós vemos até agora as vítimas. Por enquanto, os agressores parecem ser mais protegidos do que as vítimas e o objectivo é que esta estrutura mude completamente, ou seja, que o centro da preocupação sejam, de facto, as vítimas e não os agressores.” Depois do que aconteceu, o ministro da Justiça Gérald Darmanin anunciou, no domingo, que 70.000 processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de Julho. O jornal Libération diz que o poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça. Que leitura faz? E é possível estes 70.000 processos serem analisados num mês? “Pois, somente não me parece possível, como me parece que o que for feito vai ser mal feito porque parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado um bocado de 'performance' com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Ouviram-se pedidos a exigir a demissão do Primeiro-Ministro francês, não só nas manifestações, mas também na Assembleia. Sébastien Lecornu rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à Justiça, ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Ele propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série, contra os actuais 20 anos de prisão (para os que chegam a ser julgados) e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas chegam? “Estas medidas não chegam porque há medidas que já existem. O problema é que as medidas não estão a ser cumpridas. Se só há 3% dos casos de agressão que são punidos, não tem nada a ver com a pena ser maior ou mais pequena. O que é importante é que estas pessoas sejam punidas e é importante ouvir as vítimas. Muitas das vítimas dizem: ‘O que nós queremos, o que nos vai fazer ficar em sentir insegurança e sentir reconfortados é que não haja impunidade'. Não se está à espera que haja pena de morte ou castração, ou o que quer que seja de medida cada vez mais espectacular para dar uma impressão de que se está a fazer alguma coisa. Não é isso. O facto é que só 3% de casos de agressão sexual é que são punidos, portanto, a questão está aí e não está nos anos da pena do agressor.” É por isso que fala num “escândalo de Estado” em relação ao caso Lyhanna? “Sim, sim. É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado sim. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido, o que é bastante impressionante. Imagine-se que alguém com este perfil nunca foi ouvido e alguém com o perfil de Andréa Bescond, que é uma sobrevivente, foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos contra ele nunca foi sequer ouvido. Portanto, já se está aqui a ver o contraste entre como é que as pessoas vítimas e activistas são tratadas e os agressores são tratados.” Ou seja, como escreve no artigo, “não houve aqui só uma negligência pontual, nem um simples disfuncionamento, como afirmou o Presidente Macron”, é algo mais vasto? “Sim, sem dúvida é algo mais vasto. Nós estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só mesmo a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa muitas vezes dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e é, de facto, um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto.” A Justiça e o Estado falharam? “Sim. Falharam a Justiça, o Estado, mas a sociedade em geral também está a falhar. Felizmente, o que se está a ver nas ruas é uma parte da sociedade a acordar e a mostrar que não vai deixar passar. Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”
Ter várias paixões, o prejuízo de se ser gentil, a série "Novas Narrativas de Caça", as atitudes sobre o cabelo e as origens, a relação com a Guiné-Bissau, a educação dos filhos, o processo de dirigir um teatro, o medo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. It was the last match of the season, and while the match mostly petered out, it was a day notable for the renaming of the Bridgford End to the John Robertson Stand, Morgan Gibbs-White proving a point to Tommy Tuchel, and what looked like an emotional goodbye from Elliot Anderson. The match itself was settled by Morgan scoring in the first half, before Marcus Tavernier equalised after Jair Cunha's mistake, and several good saves from Matz Sels kept the Reds in the game. Then there were celebrations by the away fans and players, and a lap of appreciation from the Reds, with Neco Williams unveiled as Player of the Season. George and Katie report for the final time this season, with a view from the opposition by Jon Spark of Cherries Red Army. We will have more for you in the next week or so as we round up the season just gone. Thanks for joining us through a busy and tumultuous campaign. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. Welcome to YATESY'S ESPRESSO BAR for another roundup of Forest news and gossip. In today's show: Forest players at the World Cup - will MGW be on the plane? The John Robertson Stand - will it have hot water? Vítor's new contract, and other transfer speculation And much more, with Rich Ferraro and the Maradona of the Midlands. We'll be back with your match report after Bournemouth. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. Vítor's Reds went to Old Trafford, and while the home team had more chances, Forest were ultimately robbed by a pivotal decision by Michael Salisbury, who was the only man in football who thought that Matheus Cunha's goal should stand, after Bryan Mbeumo's obvious handball. Even VAR recommended that the goal should be chalked off after a 3-4 min review, but after staring at it for another 90 seconds, the ref stuck to his guns. Fortunately Forest are already safe this season. George and Tom report after returning from Manchester, still in disbelief at the decision, but full of praise for the Head Coach, players and Forest supporters, as goals from Morato and Gibbs-White were not enough to get a result against United's 12th man. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. It's another trip to YATESY'S ESPRESSO BAR, as Rich and Matt digest the shock news that Carly Davies has left her post as Forest Women's Head Coach. Matt summarises the season and the reasons why Carly may have been sacked with a year left on her contract. We also celebrate the Reds' safety, which was secured following the draw against Newcastle and West Ham's loss to Arsenal. Finally, we consider whether Morgan Gibbs-White's nasty facial injury might end his chances of going to the World Cup. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. It felt like a match that neither team particularly wanted to play, as a patched-up Reds side took to the field against a beleaguered Newcastle team. Having said that, there were moments of interest, with Nick Pope denying Igor Jesus and Will Osula hitting the bar before Bruno Guimarães fired wide, then forced Matz Sels into an uncomfortable save before Morato completed the job. In the end, the two goalscorers felt inevitable. Harvey Barnes always scores against us, and after a simple through ball he outpaced Morato before a good finish on 74 mins. However Vítor's Reds regrouped and Elliot Anderson scored against his hometown club after a smart one-two with McAtee and sheer force of will. Baz and Katie report. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. On Friday night, our very own Rich Ferraro was invited onto BBC Radio Newcastle to talk to Simon Pryde and Olivier Bernard about Forest's forthcoming match against the Geordies. As you will hear, everything was still a bit raw after Thursday night. Thanks to BBC Newcastle for having us. Baz and Katie will be back on Sunday night with a review of all the action - hopefully the Reds will be safe from the drop by then. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. All good things come to an end, and Forest's depleted squad were no match for an excellent Aston Villa team who really worked hard to overcome the first leg result. Apart from a 10-15 min spell in the first half, the Reds were second best, and we wish Villa well in the final. George and Tom report the morning after, discussing the lack of fit players, whether Vítor could have done better with his team selection and subs, and some reflections on the European away days. Neil also joins us from For The Love Of Paul McGrath with his magnanimous reflections on the semi-final. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Thank you for joining us this season - come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. We look ahead to a big night in the Europa League, as Vítor Pereira's Reds take a slender lead to Villa Park. We are joined by Neil Dunworth from Villa podcast For The Love Of Paul McGrath to preview the game: Resting players Emery's anger at Anderson Will it go to pens? Morgan in a mask? And much much more We will, of course, be back with a report following the second leg, whether we win, lose or draw. Thanks to Neil, and thanks to you for joining us. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. Another superb afternoon, as Vítor Pereira's much-changed Reds team dismantled Chelsea, with Taiwo Awoniyi opening the scoring after two minutes, and adding another in the second half. Igor Jesus scored a first-half penalty after Malo Gusto pulled Taiwo's shirt, and although Chelsea had a penalty of their own, Matz Sels made a great double-save to deny Cole Palmer from the spot, and his rebound. George and Katie talk about the match but also share the feelings of the travelling Reds fans, as Forest continue their high-scoring unbeaten run, leading into the second leg against Villa. We will have a special Villa preview in YATESY'S ESPRESSO BAR on Wednesday. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. It was a special evening at the City Ground as the Reds fans revelled in their first European semi-final for 42 years (and we were cheated out of that one). Rich and Baz report before and after a match which was decided by Chris Wood's excellent penalty after VAR confirmed Lucas Digne's daft handball. Both teams really went at it, and although Unai Emery was fuming (faux-outrage) about Elliot Anderson's tackle on Ollie Watkins, the real highlights were a stupendous save by Emi Martínez (history repeating) and some amazing, FIFA-cheat-mode interplay between Forest's two England international midfielders. Oh, what a night! Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. It's EPISODE 100, a MAJOR milestone for this season on 1865! We look ahead to a MASSIVE week for Forest as Rich and Matt preview the Europa League semi-final against Aston Villa, review the vibes after last week's ENORMOUS win over Sunderland, and review an, ahem, AVERAGE season for Forest Women in the WSL2 (but don't be fooled, that is EXCELLENT). We'll be back after Thursday night's BIG match. COME ON YOU REDS! Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. It was an outstanding night for Forest, and the fans who had travelled a long way on a Friday evening, as the Reds managed to hit FIVE without reply against a Sunderland side who are having a great Premier League season. Rich and Katie give an overview of all the goals (and one which was disallowed for the hosts), as Forest reduced their goal difference to -4, which is effectively worth an extra point in the relegation battle. We also get a view from the opposition from Sunderland fan Dylan. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. It's been a good week to be a Forest supporter, as the Reds fought for four points in the Premier League and made it past Porto to the Europa League semi-finals. By popular demand, we are joined once again by Ray Mundo Futbol to discuss Forest's form, Stuart Attwell's reluctance to come to the City Ground, and whether Morgan Gibbs-White should be in the England squad for the World Cup. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. In the archetypal game of two halves, Forest were flat and insipid in the first period, and paid the price when Zian Flemming gave the Clarets the lead in stoppage time. However Vítor Pereira rallied the troops and made a couple of tactical changes which gave Morgan Gibbs-White the time and space to get a hat-trick, becoming only the third Red to do so in the Premier League era. Igor Jesus rounded off the rout with a goal on the break. Rich and Baz report on tactics, substitutions and finding new ways to break down your opponents. Thanks for joining us. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. Oh, what a night! Forest toiled away against the ten men of Porto. Having taken the lead through Morgan Gibbs-White, they controlled the first half, but the visitors came out fighting in the second period, hitting the bar twice and giving the home fans a scare. Rich Ferraro and Tom Newton report on a game where the players had to dig in, amidst the sad news that emerged just before kick off that Elliott Anderson had lost his mum. Elliott and his family were clearly in the hearts and minds of the Reds players and supporters, and we send our sympathies. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. It's time for another trip to YATESY'S ESPRESSO BAR, where we are talking about: Pereira's positivity Dyche vs Nottingham Forest Colback on Marinakis Porto preview Rich Ferraro is joined by the Maradona of the Midlands, to establish the difference between being on the beach and being 80-odd miles inland. Thanks for joining us, we'll be back after the home leg against Porto. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. Overall you would have to say that was a good point against an Aston Villa team who create a lot of problems, and will feel that they should have scored more than one goal, with Watkins and Rogers converting in the rugby sense, rather than netting. Forest were thankful to Neco Williams who had been told to shoot more, and could have had more than one, and also for the return to Premier League action for Chris Wood, who made an immediate impression, not just in chance creation but also improving the shape and effectiveness of the team. The Maradona of the Midlands is joined by Baz to report on the game, with a view from the opposition by Neil from YouTube channel For The Love of Paul McGrath. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. On a warm evening on the banks of the Douro, Forest got off to a torrid start, and could have conceded three before Porto took a 10th minute lead. Fortunately the hosts were in a generous mood and gifted an equaliser to the Reds with a comical 40 yard own goal. After the first 20 mins or so, Forest settled down, and achieved more stability especially in defence. While the visitors rarely threatened, there was an intriguing moment in the second half when Igor Jesus had a goal disallowed by VAR after colliding with Porto custodian Diogo Costa. George, Tom and friends report LIVE from the Estadio de Dragao, as they wait to be released from the away end. We'll be back on Sunday after the return to Premier League action against fellow Europa hopefuls Aston Villa. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. Welcome to Part 2 of this month's FOOTBALL TERRORISTS, the monthly-ish roundup/game show from your friends at 1865. In this episode, we hear more from TNT commentator Adam Summerton, with his views on whether Forest can beat the drop and how far they can progress in the Europa League. We also hear from Jeremy Davies with his monthly sketch, and have a quickfire round with our panel to explore which players are likely to stay and go, and the chances of Forest getting European success. Presented by Rich Ferraro with the Maradona of the Midlands, Baz and Tom Newton. We'll be back later in the week with a Porto preview in YATESY'S ESPRESSO BAR, and of course a match report from the trip to Portugal. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. After a welcome break from a busy season, it's time for another round of FOOTBALL TERRORISTS, the monthly-ish roundup/game show from your friends at 1865. In Part 1, we are also very pleased to welcome TNT commentator Adam Summerton to 1865 - he explains why he loves Nottingham, how commentators prepare for big matches, and what he really thinks about the Marinakis regime. We also ask our panellists to "Explain it like I'm five", with topics covering squad cost rules, Forest's accounts and the lack of a sporting sanction for Chelsea. Part 2 will be in your feeds shortly, in which we hear more from Adam Summerton, enjoy a quickfire round, and hear the latest Football Terrorists sketch from Jeremy Davies. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. Two weeks ago, things were looking a little bleak for Reds fans, but after victories over FC Midtjylland and Tottenham Hotspur, things are looking up, all based upon Vítor Pereira's "family" philosophy. Rich is joined by Steve Burns to discuss progress under Pereira, the Women's team's weekend victory and Reds on international duty. We are taking a little breather now but will be back at the Easter weekend. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. That went better than any of us could have expected, didn't it? Although it felt a bit stressful in the first half, Forest took control in the second period, adding to Igor Jesus' header just before the break with strikes from Morgan Gibbs-White and Taiwo Awoniyi. Tom Newton joins Rich Ferraro to discuss the view from the away end, the Reds' spirit and togetherness, and whether Spurs are the new favourites for the drop in a very congested bottom six. We'll be back with YATESY'S ESPRESSO BAR in midweek, to digest this result and the Women's return to winning ways in WSL2. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. Football eh? Bloody hell. Forest came out of the blocks on a night where the second string finally came of age, and the first half had a familiar feel to it until Nico Domínguez looped a header into the top corner to bring Forest level on aggregate. Ryan Yates scored a belter early in the second half, before the hosts equalised. The skipper almost capped off an outstanding performance by scoring the winner in the very last minute of extra time, but was denied by the offside flag. Penalties it was, and in an extraordinary turn of events, the Danes MISSED all three of their spot kicks, while MGW, Sangaré and Williams slotted home, to book a place against Porto in the next phase. Rich and a hoarse George try to cram in all the action. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. It's time for another trip to YATESY'S ESPRESSO BAR to round up the latest happenings at the City Ground: NFFC Women's team update - mid-table mediocrity? Part-time fans and matchday atmosphere Omari Hutchinson's face cream and PR problems Is this season just 1992-93 all over again? Steve Hodge's despair Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. Forest climbed back out of the drop zone on goal difference after West Ham briefly overtook them. Although they once again failed to score, Vitor Pereira said that he was satisfied with the spirit and effort against Fulham. The Reds were unlucky that Dan Ndoye was inches offside before beating Bernd Leno in a one-on-one, and also that Ola Aina's volley came back off the bar. Rich is joined by Katie to discuss the game, team selection and what works for Forest. We are grateful to Dylan from Fulham Focus for providing a view from the opposition. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Listen on Apple Podcasts - watch or listen on Spotify - watch on YouTube. It was another miserable night for the Reds who played ok for the most part, but lack any kind of quality in front of goal. To make matters worse, much of the City Ground crowd had to endure biblical rainfall and ended up going home very wet, very cold and very disappointed. Baz and Tom have got home and dried off, and discuss the main talking points. We'll be back after the Fulham game, which as Tom says, will be another 0-0 that we will manage to lose. Subscribe to 1865: The ORIGINAL Nottingham Forest Podcast via your podcast provider, and please leave a review, as it helps other Forest supporters find our content. Join us on X, Instagram, Bluesky, Threads or TikTok. 1865: The Nottingham Forest Podcast is part of the Sports Social Network, and partnered with FanHub. Come on you Reds! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Nico 'the icon' Semedo is back on the Podcast with James, for a laid back chat about various topics from the World of football over the last month. Topics covered include, James' GW20, Thomas Frank and the 'Arsenal cup' incident; chat on African Cup of Nations including great names, fans, refs and controversy around selection in the Cameroon squad; the true meaning of 'there's no easy games', record goalscorers and records that might not be broken; the top 10 players going to the World Cup; managers who select their children to play; Wayne Rooney's charity victory and more, including where's Zinedine Zidane? Tomorrow on Planet FPL: s9 ep33 GW21 Review Today on Patreon: Tot & Ham (IT+) & Away Days: Bournemouth (IT+) The full Planet FPL schedule for this week can be found via this post: https://www.patreon.com/posts/147427430 Want to become a member of our FPL community and support the Podcast? Join us on Patreon: https://www.patreon.com/planetfpl Follow James on Twitter/x: https://twitter.com/PlanetFPLPod Follow Suj on Twitter/x: https://twitter.com/sujanshah Follow Clayton on Twitter/x: https://twitter.com/claytsAFC Follow David on Twitter/x: https://x.com/FPLHunter10 Follow Nico on Twitter/x: https://twitter.com/nico_semedo Subscribe to our YouTube channel: https://www.youtube.com/@PlanetFPL Like us on Facebook: https://www.facebook.com/planetfpl Follow us on Instagram: https://www.instagram.com/planetfpl #PremierLeague #FPL #ThatShowWithNico Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices