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Tecnologia, soberania digital, manipulação de massas, regulação, poder e participação cívica: a convidada deste episódio do podcast Um Género de Conversa é considerada por muitos uma verdadeira justiceira do universo da inteligência artificial, algo que lhe tem valido reconhecimento internacional. Citando Eduardo Galeano, a hacker brasileira Veronyka Gimenes recorda que “somos o que fazemos para mudar o que somos” e acrescenta o quão importante é o processo de nos irmos hackeando, transformando tudo o que a gente é em algo que faça mais sentido para o momento.” Esta ideia ganhou um significado particular depois da experiência que viveu em 2024, quando um episódio do podcast Entre Amigues, dedicado à diversidade dentro da comunidade LGBTQIA+, saiu da sua esfera habitual de ouvintes e se tornou viral por causa da menção à expressão boyceta. “Depois que você fura a bolha, acreditem, você quer voltar para a sua bolha”, admite, descrevendo a onda de violência online que se seguiu. Perante milhares de ameaças e comentários de ódio, a activista e co-fundadora da associação Código Não Binário decidiu, em conjunto com a sua equipa, responder ao ataque, recorrendo à própria tecnologia. Desenvolveu um modelo de inteligência artificial em código aberto, de língua portuguesa, capaz de identificar diferentes formas de violência online. O trabalho de rastreio e análise de mais de 12 mil conteúdos revelou aquilo que considera ser uma hierarquia de prioridades das plataformas digitais. “A gente viu, por exemplo, que se a gente denunciava o ódio como propriedade intelectual, copyright, aí saía do ar na hora o conteúdo de ódio. Agora, se a gente denunciava como discurso de ódio, não saía.” Os dados recolhidos serviram também de base a uma acção judicial contra vários gigantes da tecnologia. “É ousado, a gente fica com um pouco de receio”, assume Gimenes, que reconhece a dimensão do desafio. “Mas, ao mesmo tempo, é algo que precisa começar a acontecer. Não somos totalmente impotentes.” Considera que um dos desafios centrais da actualidade é a tendência de se confundir inteligência artificial com os produtos desenvolvidos somente pelas grandes tecnológicas, portanto, começou também a dar formação sobre como usar de forma consciente as novas tecnologias e que alternativas existem. “Quando a gente não diferencia a inteligência artificial da big tech das outras, a gente acaba servindo a big tech. Porque exactamente o que eles querem é que a gente pense que os produtos deles são sinónimo do sector inteiro. Não são.” Num momento em que os dados pessoais, a desinformação, os deepfakes e a concentração de poder tecnológico ocupam o centro do debate público, Veronyka Gimenes recusa o fatalismo. “Não basta a gente simplesmente acompanhar esse fim do mundo e entender que as coisas estão piorando e piorando e piorando. É o momento de agir.” Defensora do software livre e da tecnodiversidade, argumenta que a tecnologia não é um destino inevitável, mas um processo que pode ser transformado. “As tecnologias são como processos, os processos mudam, você actualiza”, afirma. A mesma lógica aplica-se aos sistemas de IA, que, sim, podem reproduzir desigualdades, mas também podem ser desenhados de forma diferente e servir as populações. “Qualquer pessoa pode programar hoje. Isso é muito importante para a gente definir os rumos da internet”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
No Antigo Testamento encontramos a chamada lei de talião: «olho por olho, dente por dente». À primeira vista, pode parecer uma lei violenta; na verdade, pretendia limitar a violência. Se alguém me causasse um dano, eu não poderia responder com um mal maior. Era já uma forma de travar a espiral da vingança.Jesus, porém, vai mais longe. Não nos pede apenas que não retribuamos o mal com um mal maior: pede-nos que perdoemos. Pedro pergunta-Lhe: «Se o meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?» Sete já parece muito. Mas Jesus responde: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete». Isto é: sempre.Dizê-lo é fácil; vivê-lo é muito mais difícil. Há pequenas contrariedades que rapidamente ultrapassamos. Mas há ofensas que nos ferem por dentro: uma traição, uma calúnia, uma injustiça profunda. Perante essas feridas, perdoar pode parecer humanamente impossível. E talvez seja. Há perdões que só são possíveis com Deus.É por isso que Jesus conta a parábola dos dois devedores. Um servo devia ao rei dez mil talentos: uma quantia absolutamente incomportável, uma dívida que jamais conseguiria pagar. Pede apenas tempo, mas o rei faz muito mais: perdoa-lhe toda a dívida. Pouco depois, esse mesmo servo encontra um companheiro que lhe devia cem denários. Também este lhe pede tempo. Mas ele recusa, manda-o prender e exige que pague tudo.A desproporção é o coração da parábola. Jesus não está a dizer que as ofensas que recebemos são insignificantes. Algumas doem profundamente. Está a dizer-nos que o perdão começa quando tomamos consciência do perdão que nós próprios recebemos de Deus. O rei diz ao servo: «Não devias também tu compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?»Talvez aqui esteja o segredo. Se eu me concentrar apenas na obrigação de perdoar, posso sentir-me ainda mais frustrado: sei que devo perdoar, mas não consigo. O caminho começa noutro lugar: reconhecer quanto Deus me perdoa, quanto me ama, quanta compaixão tem de mim. É dessa experiência que pode nascer, pouco a pouco, a capacidade de perdoar os outros.E perdoar não é esquecer. A memória é um dom; não precisamos de fingir que nada aconteceu. Perdoar é impedir que uma ferida do passado continue a governar o nosso futuro. É deixar de permitir que aquela ofensa determine as nossas escolhas, alimente a vingança, o medo, a angústia ou o ressentimento.Atribui-se a Nelson Mandela uma frase muito expressiva: se, depois de sair da prisão, continuasse dominado pelo ódio aos que o tinham prendido, teria saído da prisão, mas a prisão não teria saído dele. A imagem é verdadeira para nós. Também podemos viver em pequenas prisões interiores: «não vou ali porque está aquela pessoa»; «não falo desse assunto para não me lembrar»; «não faço isto porque tenho medo de voltar a sofrer». A ofensa continua, assim, a produzir efeitos muito depois de ter acontecido.O perdão rompe essa cadeia. Não torna bom aquilo que foi mau, não chama justo ao que foi injusto, nem dispensa a verdade ou a justiça. Mas impede que o mal recebido continue a ter poder sobre nós.Por isso, quando nos for difícil perdoar, talvez devamos começar não por olhar para quem nos feriu, mas para Deus. Recordar quanto Ele nos perdoou, quanto nos ama e como tem compaixão de nós. E pedir-Lhe a graça de fazer em nós aquilo que, sozinhos, não conseguimos fazer. Porque perdoar é uma obra profundamente humana, mas há momentos em que só se torna possível quando deixamos Deus agir em nós.
EBD 10° LIÇÃO UMA ESPERANÇA INABALÁVEL PERANTE OS PODEROSOS
Ao 4º jogo oficial, a primeira derrota nesta temporada. A Académica recebeu o Lusitânia de Lourosa, equipa que agora comanda a Segunda Liga, e perdeu por duas bolas a zero. Perante praticamente 10 mil espetadores, a Briosa não entrou bem, permitiu que o Lusitânia de Lourosa assumisse as rédeas do jogo na 1ª parte e recolheu aos balneários a perder. Com outra imagem, a Académica procurou reagir na 2ª parte e ainda esteve “perto” de poder empatar, num lance que deixou o público em suspenso, mas em que o árbitro da partida não assinalou grande penalidade. Num jogo marcado pela mudança de lado da estrelinha que tem acompanhado a Académica, os golos surgiram, desta vez, de erros defensivos cometidos pela nossa equipa. Segue-se, agora, uma deslocação a Penafiel, naquele que será o último jogo fora da Académica para o campeonato no espaço de um mês. Será que vamos conseguir começar Setembro da mesma maneira que começámos Agosto?Neste episódio analisaremos o impacto das lesões nas escolhas de António Barbosa, o que não correu bem neste jogo diante do Lusitânia de Lourosa e se este desaire pode ter sido “importante” para a massa associativa da Académica cair um pouco na realidade. Para além disso, também faremos a antevisão da sempre exigente deslocação a Penafiel e atualizaremos os nossos passatempos. Episódio que conta com a participação do Ricardo Goucha, o regresso do Carlos Veiga e com Guilherme Imperial moderação-participação.
Onde se analisa o colapso da confiança nos factos perante a redução do apoio das plataformas tecnológicas aos verificadores independentes. Os autores examinam a transição dos métodos tradicionais para novas abordagens de verificação, comparando a precisão humana com a rapidez falível da inteligência artificial e o contexto das notas comunitárias. Atualmente, nenhum sistema isolado consegue equilibrar perfeitamente a velocidade, a transparência e a fidedignidade necessárias para combater a desinformação. Argumenta-se que a literacia mediática deve agora incluir a compreensão da governação das plataformas, revelando quem decide o que é verdade. Perante a proliferação de conteúdos gerados por IA, a análise humana permanece indispensável enquanto as ferramentas automáticas não garantirem explicações convincentes. O artigo conclui que a preservação de factos partilhados é essencial para a estabilidade democrática e para a tomada de decisões informadas na era digital.
Episódio de número 335 da palestra virtual da Reunião de Estudos do Evangelho do Grupo Espírita "Irmão Áureo" - 29/08/2026Reflexões sobre o tema "PERANTE O MUNDO", com base na CAP. 4 do livro: LIVRO DA ESPERANÇA, de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier. BIBLIOGRAFIA:- Livro: Livro da Esperança - Emmanuel - lição 4 - Perante o Mundo - Emmanuel - psicografia de Francisco C. Xavier - disponível https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TX/Le/Le04.htm- Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Capítulo 3 - Há Muitas Moradas na Casa de Meu Pai - item 2 - disponível em: https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TKP/Ev/Ev03.htm#It2- Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Capítulo 5 - Bem Aventurados os Aflitos - item 6 - Causas Anteriores das Aflições - disponível em: https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TKP/Ev/Ev05a.htm#It6a10 - Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Capítulo 17 - Sede Perfeitos - item 4 - Os Bons Espíritas - disponível em: https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TKP/Ev/Ev17.htm#It4- Livro: Novo Testamento - Evangelho de João - Capítulo 14, versículo 1 - disponível em: https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TRP/Jo/Jo14.htm#V1- Livro: Novo Testamento - Epístola de Tiago - Capítulo 2, versículo 17 - disponível em: https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TRP/Tg/Tg02.htm- Livro: Boa Nova — Humberto de Campos - Cap. 7 - A Luta Contra o Mal - Humberto de Campos - psicografia de Francisco C. Xavier - disponível em: https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TX/Bn/Bn07.htm- Livro: Na Era do Espírito — Autores Diversos - Cap. 6 - Defeitos e Desculpas - Emmanuel - psicografia de Francisco C. Xavier - disponível em: https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TX/Nee/Nee06.htm- Livro: Justiça Divina — Emmanuel - Cap. 52 - Ante os Mundos Superiors - Emmanuel - psicografia de Francisco C. Xavier - disponível em: https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TX/Jdn/Jdn52.htm- Livro: Seguindo Juntos — Autores Diversos - Cap. 8 - Ante o Mundo Melhor - Batuíra - psicografia de Francisco C. Xavier - disponível em: https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TX/Sj/Sj08.htmPoesia Final: Tela do Mundo - Autores Diversos - do livro: Uma vida de amor e caridade — psicografia de F. C. Xavier / /Izabel Bueno - disponível em: https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TX/Uvc/UvcP2C15.htm
Recentemente, tem-se verificado um aumento alarmante de comportamentos abusivos por parte de pais contra docentes e diretores escolares na Austrália. Perante este cenário de intimidação e assédio digital, algumas instituições e governos estaduais implementaram medidas punitivas e códigos de conduta que permitem banir encarregados de educação agressivos dos recintos escolares. Esta deterioração da relação deve-se a uma mentalidade de consumo e à facilidade de comunicação imediata, transformando meras discordâncias em conflitos graves. Embora as leis de proteção garantam a segurança no local de trabalho, os especialistas defendem que elas apenas remediam situações extremas de rutura. Para prevenir a violência, é fundamental estabelecer limites de comunicação claros e oferecer apoio organizacional aos professores desde o início do ano letivo. O desafio atual reside em equilibrar a participação ativa das famílias com o direito fundamental dos profissionais da educação a um ambiente laboral seguro e respeitoso.
Foi há cinco anos, a 15 de Agosto de 2021, que os talibãs voltaram ao poder no Afeganistão. Os direitos das mulheres foram completamente suprimidos, mas há quem continue a resistir, como médicas e enfermeiras que trabalham na sombra, às escondidas, e que foram retratadas pela jornalista Mélanie Nunes no documentário “Afghanistan - Les soignantes de l'ombre". Neste programa, falámos com a repórter. Os talibãs e os seus apoiantes celebram, este sábado, o quinto aniversário do seu regresso ao poder no Afeganistão, onde a população, particularmente as mulheres, é sujeita a "restrições sufocantes", diz a própria ONU. A 15 de Agosto de 2021, os talibãs entraram em Cabul sem resistência, vinte anos depois de terem sido expulsos pelos norte-americanos. Milhares de afegãos tentaram desesperadamente fugir pelo aeroporto da capital, chegando mesmo a agarrar-se aos aviões durante a descolagem. A 30 de Agosto de 2021, o último soldado norte-americano deixou o Afeganistão, pondo fim à mais longa intervenção militar dos Estados Unidos, iniciada em resposta aos ataques de 11 de Setembro de 2001. Hoje, quase 14 milhões de afegãos enfrentam fome aguda, segundo a ONU. O Afeganistão tornou-se também "uma prisão para a informação", denunciou a organização Repórteres Sem Fronteiras. Neste cenário, são as raparigas e as mulheres que sofrem as piores restrições. O Afeganistão é o único país do mundo que as proíbe formalmente de frequentar o ensino secundário ou superior, de acordo com a UNESCO e a UNICEF. Ainda antes da chegada dos talibãs, apenas 15% das mulheres tinham acesso ao ensino secundário e, em Março de 2022, o acesso à educação foi limitado a meninas com menos de 12 anos. Em Maio do mesmo ano, o véu integral tornou-se obrigatório nos espaços públicos e, em Novembro, as mulheres foram proibidas de frequentar parques, jardins públicos, ginásios e casas de banho públicas. Em Abril de 2023, as mulheres foram excluídas de organizações internacionais que operavam no Afeganistão, independentemente da sua nacionalidade. Seguiu-se, em Julho de 2023, o encerramento dos salões de beleza, os últimos refúgios sociais para mulheres. Em Agosto de 2024, uma lei "para a prevenção do vício e a promoção da virtude" proibiu as mulheres de cantar, recitar poesia e ler textos em público. Em Março de 2025, a ONU contabilizou 126 decretos dirigidos especificamente às mulheres e concluiu que existia um “apartheid de género” no Afeganistão. Perante este desaparecimento forçado da mulheres das instituições públicas, das escolas e dos locais de trabalho, ainda há quem resista e lute. A jornalista Mélanie Nunes foi à procura delas e deu-lhes voz no documentário "Afghanistan-Les soignantes de l'ombre" ["Afeganistão: as cuidadoras da sombra"], realizado para o canal televisivo franco-alemão Arte e que pode também ser visto online. Mélanie Nunes já tinha estado no Afeganistão há oito anos e, em Maio, regressou a Cabul para falar com as mulheres que tinha conhecido em 2018. Entre elas, médicas, parteiras, enfermeiras e psicólogas que continuam a exercer apesar das proibições, restrições e medo. Eis a última geração de mulheres a trabalhar na saúde no Afeganistão. No futuro, quem vai cuidar das afegãs num país em que as mulheres só podem ser consultadas por mulheres? Oiça a conversa com Mélanie Nunes neste programa. “Cada dia é uma resistência” para as profissionais de saúde no Afeganistão RFI: Como é que nos poderia apresentar o documentário? Mélanie Nunes, Jornalista e autora de "Afghanistan-Les soignantes de l'ombre": “O tema é sobre mulheres que cuidam de outras mulheres no Afeganistão, em Cabul. Eu fui lá no mês de Maio para poder encontrar estas mulheres que trabalham com muita resistência para continuarem a cuidar das mulheres no Afeganistão - porque só as mulheres podem cuidar das mulheres no Afeganistão, é uma regra dos talibãs. Era muito importante, para mim, ver também este vínculo entre o mundo exterior, entre as mulheres e estas médicas.” Como é que são as condições destas mulheres? Elas ainda podem exercer medicina? “Elas podem exercer, mas é muito complicado. Depende das províncias, porque há províncias onde não é possível fazer o seu trabalho. Em Cabul é possível, mas com muitas regras. Elas não podem ir e vir como elas querem, têm que tomar, por exemplo, um autocarro privado para ir ao hospital. Às vezes, há controlos dos talibãs e pode ser muito perigoso ir trabalhar. Cada dia é uma resistência, uma coragem para ir até aos hospitais.” Desde que os talibãs chegaram ao poder, há precisamente cinco anos, as raparigas deixaram de poder ir à escola, nomeadamente aquelas que estavam quase a acabar a medicina. De repente, elas não puderam acabar o curso? “Sim, é exactamente isso porque há várias mulheres que tentaram fazer o curso de medicina e, no fim, não foi possível acabar. Hoje em dia não é possível para as estudantes fazerem o curso de medicina. Elas não podem fazer o seu trabalho, ter o diploma. Então, hoje em dia elas não podem trabalhar e a única forma para elas continuarem é tentar ter cursos de maneira informal.” Informal ou clandestina? “É, clandestina, ou seja, outra médica faz o curso para as estudantes que não têm o diploma.” E se elas forem apanhadas, arriscam o quê? “Em vários sítios no Afeganistão há regras, mas há muitas coisas que passam por cima da regra. Os talibãs têm a obrigação de trabalhar e cuidar das mulheres para elas terem meninos, mas não deixam as mulheres irem à escola. É uma contradição, mas também há uma tolerância, mais ou menos, para as mulheres que tentam aprender assim de maneira muito informal. Mas elas não vão ter um diploma, no final. Elas são benévolas, na verdade.” Se as mulheres que estudam medicina ou que trabalham no sector da saúde, em geral, não podem continuar os estudos, quem é que vai tomar conta das mulheres grávidas? Estamos a condenar as futuras gerações de afegãs e afegãos? “Sim, exactamente. É essa a questão. Não há possibilidades para elas, não sabemos quem vai cuidar dessas mulheres. É a contradição dos talibãs. Não há lá ninguém para cuidar dessas mulheres. Há muitas mulheres que, hoje em dia, morrem nos partos. Quando elas têm meninos e quando correm para a maternidade, se as mulheres desaparecem, não há lá ninguém para cuidar delas. Há quase 3.000 centros de saúde que fecharam. Estas mulheres não têm médicos, não têm outra opção.” E têm os bebés em casa? “Sim, exacto, e há mais riscos. As mulheres podem morrer e morrem.” E os bebés também... “Exacto, exacto. Há muitos riscos. O Afeganistão é um dos países onde as mulheres mais morrem quando têm bebés.” As mulheres que conheceu, com quem conviveu enquanto fez o documentário, como é que elas estão psicologicamente? “Há muita tristeza. Cada uma tem um problema psicológico porque elas estão numa espécie de prisão, elas não podem sair dali. Então, não há mais opção ou possibilidades para elas ficarem numa melhor saúde mental. Há outras mulheres que tentam ajudá-las, mas é muito complicado. Eu vi muitas mulheres que queriam só desaparecer. Foi muito triste ver isso e ver a brutalidade do regime.” Mesmo assim, elas tiveram a coragem de serem filmadas e de mostrarem o rosto. “Sim, porque, para elas, era muito importante que uma televisão francesa, da Europa, pudesse fazer esta reportagem para falar da condição das mulheres, para ter uma mensagem muito forte para o mundo inteiro, para dizer que as mulheres afegãs têm que estar nos meios de comunicação, na televisão, na rádio. Têm que ter voz porque no seu próprio país não há mais opção para elas, não há uma possibilidade de terem uma vida melhor. Então, a única coisa que elas podem fazer é falar. Falar para o mundo inteiro.” E arriscam-se a represálias pelo facto de estarem a falar sobre isso, não é? “Sim, claro. O risco é muito grande. Elas podem ficar em prisão durante muito tempo por falar porque é quase… não é proibido, mas pode ser. Então, foi muito importante, para mim, falar com elas das condições da reportagem, das entrevistas, para que elas soubessem o risco que havia.” A dada altura, no documentário alguém diz: “Somos como velas quase consumidas, só resta uma pequena chama, somos a parte da vela que ainda arde, mas quanto tempo ainda?” “Exacto. Acho que também é uma forma de resistência, elas sabem que isto não pode continuar muito mais tempo e as mulheres que trabalham hoje em dia podem ser a últimas. O futuro no Afeganistão é muito negro, não há mais opção para elas, não há mais luz.” Mesmo assim elas continuam a resistir. “Exacto e é muito importante falar das suas condições de vida, de trabalho, para que as pessoas no mundo inteiro saibam o que é que passa no Afeganistão. Também para que os políticos possam fazer alguma coisa por elas e elas tenham um país de acolhimento, como a França, por exemplo.”
As medidas anunciadas pelo Governo para travar o aumento das tarifas da electricidade poderão aliviar, a curto prazo, o impacto do custo de vida sobre as famílias cabo-verdianas, mas não resolvem o problema de fundo, defende o analista político Daniel Medina. Nesta entrevista, alerta ainda para o desgaste provocado pela recente polémica entre o Executivo e o Fundo Monetário Internacional, considerando que o episódio afectou a imagem de credibilidade que Cabo Verde tem procurado construir junto dos seus parceiros internacionais. O Governo de Cabo Verde anunciou que vai manter durante o mês de Agosto as medidas para reduzir o impacto do aumento das tarifas no sector eléctrico e prolongou até Dezembro o desconto aplicado aos consumidores abrangidos pela tarifa social. Estas soluções podem aliviar o custo de vida dos cabo-verdianos? Ainda há alguma falta de clareza sobre a forma como estas medidas serão implementadas. No entanto, aquilo que se percebe é que o Governo e a ARME- Agência Reguladora Multisectorial da Economia- definiram uma estratégia que combina medidas de curto prazo com uma visão estrutural de médio e longo prazo. Perante a forte subida dos preços dos combustíveis, o Executivo decidiu reduzir o impacto nas tarifas, sobretudo para proteger as famílias mais vulneráveis, impedindo que paguem muito mais do que já pagavam. A longo prazo, o objectivo passa por acelerar a transição energética. Cabo Verde tem feito progressos na produção de energia a partir de fontes renováveis, mas ainda não atingiu a meta de 50%. Enquanto isso não acontece, será necessário recorrer a medidas conjunturais para reduzir os custos da electricidade, especialmente para quem tem maiores dificuldades económicas. Mas esta solução não adia apenas o problema? Sim, de certa forma adia-o. Ninguém sabe durante quanto tempo os combustíveis fósseis continuarão a manter preços elevados. Pode tratar-se de alguns meses, de um ano ou de vários anos. Se esta situação se prolongar, o esforço financeiro poderá tornar-se demasiado pesado para o Orçamento do Estado. Uma das promessas eleitorais de Francisco Carvalho foi a fixação do preço dos transportes inter-ilhas,aéteos e marítimos, uma medida que segundo o ministro do Mar, João do Carmo Brito Soares, deverá entrar em vigor no próximo ano. Trata-se de uma boa notícia para os cabo-verdianos ou encerra riscos para as contas públicas? É, antes de mais, uma promessa eleitoral que o Governo pretende cumprir. Durante a campanha foi assegurado que existiam mecanismos financeiros para tornar essa medida viável. A proposta prevê que as viagens aéreas entre ilhas passem a custar cinco mil escudos e as ligações marítimas quinhentos escudos. Naturalmente, preços mais baixos significam um aumento da procura. A questão é saber quem suportará essa diferença. Será o Estado. O verdadeiro desafio é perceber se as finanças públicas têm capacidade para acomodar esse esforço. O Orçamento do Estado poderá sempre ser rectificado, sobretudo havendo uma maioria absoluta que o permita, mas todas as promessas eleitorais comportam riscos. Será no próximo ano que perceberemos se esta medida é financeiramente sustentável e se o Estado conseguirá responder às expectativas das populações mais vulneráveis, que esperam um Governo mais orientado para as políticas sociais. O Governo defende que Cabo Verde deve deixar de depender da monocultura do turismo. Considera esse objectivo exequível? Penso que essa intenção faz sentido. A pandemia demonstrou bem os riscos de depender quase exclusivamente do turismo. Quando esse sector parou, a economia ressentiu-se profundamente. A ideia deverá passar por reforçar outros sectores produtivos, como as pescas, a agricultura ou a exportação de produtos tropicais, criando novas fontes de rendimento e equilibrando melhor a economia. Contudo, essa mudança não pode ser feita de forma abrupta. O turismo continuará a ser um pilar fundamental da economia cabo-verdiana. O importante é diversificar gradualmente a actividade económica, sem comprometer aquele que continua a ser o principal motor do crescimento. A polémica entre o Governo, a oposição e o FMI marcou a actualidade política, depois do primeiro-ministro Francisco Carvalho ter acusado o anterior Executivo de ter induzido o Fundo Monetário Internacional em erro, sobre a derrapagem da despesa, uma versão entretanto desmentida pela própria instituição. Como avalia este episódio? Foi um episódio pouco positivo para Cabo Verde. Criou-se um ruído político significativo em torno das contas públicas e isso acabou por ter impacto na reputação do país. Historicamente, Cabo Verde tem construído uma imagem de rigor financeiro e de transparência. Porém, o debate político acabou por alimentar uma narrativa que foi contrariada pelo próprio FMI. Até ao momento, aquilo que sabemos é que o Fundo Monetário Internacional foi claro ao afirmar que não recebeu determinados dados da execução orçamental do anterior Governo, nem os avaliou ou confirmou. Houve, portanto, um desmentido formal. As acusações feitas pelo Primeiro-Ministro Francisco Carvalho acabaram por gerar preocupação, precisamente porque colocaram em causa a credibilidade das instituições e abriram espaço para dúvidas sobre a gestão das finanças públicas. A imagem de Cabo Verde ficou "beliscada" junto do FMI? Em certa medida, sim. Cabo Verde é um país pequeno, mas tem conquistado, ao longo dos anos, uma reputação de seriedade e de respeito pelas instituições internacionais. Quando surgem declarações públicas desta natureza, seguidas de um desmentido por parte de um organismo como o FMI, essa imagem sofre inevitavelmente algum desgaste. Não acredito que isso comprometa de forma duradoura a relação entre Cabo Verde e o Fundo Monetário Internacional, até porque a diplomacia permite ultrapassar este tipo de situações. Ainda assim, é um episódio que deveria servir de alerta. Questões desta importância exigem rigor e prudência, sobretudo quando envolvem parceiros internacionais com o peso e a credibilidade do FMI.
Bruno Batista alerta para o impacto da vida empresarial de Rui Costa na credibilidade do clube. Perante a crise desportiva, critica a passividade dos sócios e exige vitórias para unir o Benfica.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Nuno Markl tem o maior ataque de riso de sempre!!
A inflação está a dar sinais de abrandamento, mas a guerra no Médio Oriente continua a pressionar os preços da energia e a aumentar a incerteza económica. Perante este cenário, durante quanto tempo conseguirá o Banco Central Europeu manter os juros inalterados? See omnystudio.com/listener for privacy information.
DN: O Estado recorre à Deco para colmatar a falta de meios na resposta do apoio à renda. JN: Fisco tem 10 mil milhões de euros em dívidas que não consegue cobrar.See omnystudio.com/listener for privacy information.
DN: O Estado recorre à Deco para colmatar a falta de meios na resposta do apoio à renda. JN: Fisco tem 10 mil milhões de euros em dívidas que não consegue cobrar.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Depois de um dia de espera e de incerteza de muitos alunos e famílias, as escolas começaram finalmente a receber, por volta das 19h30 desta sexta-feira, as classificações dos exames nacionais do ensino secundário. Nem todos os alunos, porém, conhecerão já os resultados de todas as disciplinas: há “centenas de provas” com itens em falta que, por isso, surgirão nas pautas com a indicação "suspenso". Já a publicação dos resultados das provas finais do 9.º ano foi adiada para o início da próxima semana. Perante este cenário, Fernando Alexandre passou no exame?See omnystudio.com/listener for privacy information.
“A Mulher Desarvorada” é um monólogo inspirado no livro “A Mulher Desiludida”, de Simone de Beauvoir, e está em cena no festival Off Avignon até 25 de Julho, com o título francês “La Femme Déracinée”. Em palco, Tati Pasquali, a actriz do espectáculo que também assina a dramaturgia, fala sobre a violência do parto e do pós-parto, a sobrecarga mental e física da maternidade, a persistente desigualdade homem-mulher, a devoção feminina transgeracional à família e o abandono, entre muitas outras coisas. “Quando é a mulher que cuida de tudo, quem é que cuida dela quando tudo desaba?”, questiona Tati Pasquali na entrevista que deu à RFI, em Avignon. “A Mulher Desarvorada” é a história de uma mulher que abdicou de si própria para se dedicar à família. Conta a violência do parto, a depressão pós-parto, a transformação do corpo feminino, o desdém do olhar masculino sobre esse mesmo corpo, a sobrecarga da maternidade, a solidão, a traição e o abandono. “É a história dessa mulher que abriu mão da sua profissão e tornou a família e o lar na sua profissão, no seu único lugar no mundo, e o que acontece com ela quando isso desaparece. É muito focado na importância da independência financeira feminina como forma de liberdade e é um dos temas que a Simone [de Beauvoir] batia muito o martelo em cima. É sobre esse papel que a mulher ainda ocupa em 2026, de ter a maior parte dos cuidados maternos, os cuidados com a família, cuidado com a casa. Quando é a mulher que cuida de tudo, quem é que cuida dela quando tudo desaba, quando tudo se vai embora? Essa mulher vê-se obrigada a cuidar de si sozinha. Tem uma frase no espectáculo que é: ‘Quando se viveu durante tanto tempo em função dos outros, é um pouco difícil se converter a viver para si'. Eu acho que fala sobre muitas coisas, sobre maternidade, sobre sobrecarga materna, sobrecarga mental, sobrecarga física, mas também fala um pouco dessa falta de olhar para si mesma que as mulheres têm quando ocupam demais esse lugar do cuidado com o outro e com a casa”, conta Tati Pasquali. A ideia de escrever este texto nasceu durante a pandemia de Covid-19, com o confinamento, quando ficou “durante dois anos presa em casa com um bebé”, cruzando depressão pós-parto com a depressão da pandemia. Perante a sensação de se sentir intelectualmente e criativamente “desperdiçada”, a actriz brasileira foi à procura de um tema para criar algo e reencontrou-se com “A Mulher Desiludida”, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, reconhecendo-se “num lugar de cuidado com a família, com a casa”, de questionamento por ter deixado de lado a sua independência financeira e a sua profissão. “Peguei só em inspirações do livro e transformei em uma coisa muito mais pessoal. Eu acho que o espectáculo ganhou muito e desarvorada é uma palavra que ela fala no texto. Ela fala: ‘Eu estava tão desarvorada que eu precisava fazer alguma coisa.' Desarvorada é essa mulher que perde as folhas, é uma árvore que perde a vida. E também tem a ligação com a árvore genealógica que eu faço com a minha mãe, com a minha avó, com a avó paterna, avó materna, tem essa coisa de árvore das mulheres, dessa árvore genealógica e desse lugar de quando você perde as folhas, quando você perde a força, o que te alimenta?”, descreve a actriz e autora de “A Mulher Desarvorada”. “A Mulher Desarvorada” tem encenação de Claúdia Semedo e está no no Festival Off, em Avignon, no Théâtre de La Porte Saint Michel, até 25 de Julho. Participar no festival “é um super risco financeiro”, admite Tati Pasquali que considera que este “não é um festival democrático” porque “não é qualquer companhia, não é qualquer artista que consegue vir” devido aos elevados custos que implica, desde logo “a hospedagem que fica caríssima e o aluguer do teatro também caríssimo”. A peça só consegue estar em Avignon graças a apoios e a um crowdfunding e, ainda assim, “é preciso captar mais dinheiro e a gente está vendendo paninhos, livrinhos e é importante vender ingressos para tentar captar”. Apesar do risco financeiro, “a experiência é incrível”, com “pessoas de todos os lugares do mundo” e “é um currículo incrível para o espectáculo”. Oiça a entrevista neste programa.
A Palavra de Deus ocupa hoje o centro da liturgia. Quando falamos da Palavra de Deus, pensamos muitas vezes apenas na Bíblia. Mas a Palavra de Deus é mais do que um livro: a Sagrada Escritura, lida na Tradição viva da Igreja, conduz-nos até Jesus Cristo, que é a Palavra de Deus feita carne.Podemos cair em dois extremos. O primeiro é pensar que a Palavra de Deus é apenas mais uma palavra entre tantas vozes que ouvimos todos os dias. O segundo é imaginá-la tão distante e misteriosa que nunca a poderemos compreender. A verdade é outra: a Palavra de Deus é uma palavra humana na qual Deus Se diz. Deus fala-nos através de palavras humanas para entrar em diálogo connosco e transformar a nossa vida.Vale a pena perguntar: tenho verdadeiramente fé na Palavra de Deus? Ou procuro nela apenas um consolo para os momentos difíceis? A Palavra não nos é dada apenas para confortar, mas para nos converter, para nos tornar aquilo que Deus sonha para cada um de nós.Isaías oferece-nos uma imagem belíssima: «Assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam para lá sem terem regado a terra, assim acontece com a palavra que sai da minha boca: não voltará para Mim sem ter produzido o seu efeito.» A questão é esta: a Palavra produz efeito em nós?Todos sabemos como determinadas palavras permanecem na nossa memória. Uma palavra de carinho enche-nos de alegria; uma palavra dura pode ferir-nos durante muito tempo. As palavras significativas acompanham-nos, ocupam o coração e transformam a nossa maneira de olhar a realidade. Assim acontece também com a Palavra de Deus: ela só produz fruto quando a guardamos, a meditamos e a deixamos habitar em nós.O Evangelho compara a Palavra à semente. A semente é pequena, quase insignificante, mas está cheia de vida. Quando encontra terra boa, torna-se planta, árvore, fruto abundante. Também a Palavra de Deus pode parecer discreta perante tantas mensagens que diariamente nos rodeiam, mas possui uma força de vida incomparável.Precisamente porque comunica vida, a Palavra desafia-nos. Desinstala-nos, tira-nos da mediocridade e convida-nos a dar passos que talvez não estivéssemos dispostos a dar. Por vezes dizemos: «Não entendo a Palavra de Deus.» Mas será sempre falta de compreensão? Ou será, por vezes, resistência ao caminho novo que ela nos propõe?Quando deixamos que a Palavra atue, ela não nos anestesia. Pelo contrário, torna-nos mais atentos, mais sensíveis, mais humanos. Faz-nos perceber melhor aquilo que desumaniza, aquilo que precisa de ser mudado, e desperta em nós o desejo de uma vida mais plena.É neste sentido que São Paulo afirma que os sofrimentos do tempo presente não se podem comparar com a glória que há de manifestar-se em nós. A conversão pode implicar algum desconforto, porque abandonar hábitos, corrigir atitudes e recomeçar nunca é fácil. Mas trata-se de uma dor fecunda, que prepara uma vida nova.Deus não nos olha para nos condenar. Olha-nos como filhos muito amados, chamados à plenitude da vida. É por isso que nos dirige a Sua Palavra: para que cresçamos, amadureçamos e demos fruto.Perante este Evangelho, fica uma pergunta para cada um de nós: que espécie de terra sou eu? Um coração endurecido e fechado, ou uma terra fértil, disponível para acolher a semente da Palavra de Deus e deixar que ela produza fruto abundante?
Este podcast explora como a inteligência artificial generativa transformou radicalmente as campanhas de desinformação, tornando-as operações de influência altamente sofisticadas e difíceis de detetar. Os autores salientam que a literacia mediática tradicional, focada apenas na verificação de factos, já não é suficiente perante o surgimento de conteúdos sintéticos que mimetizam perfeitamente a interação humana. O texto detalha a existência de uma indústria global da influência que utiliza algoritmos para explorar vulnerabilidades psicológicas e segmentar públicos de forma automatizada. Perante este cenário, defende-se que as escolas e educadores devem ensinar os alunos a questionar a intencionalidade e a origem das mensagens, e não apenas a sua veracidade. Esta abordagem visa fortalecer a resiliência democrática ao capacitar os cidadãos para navegarem num ecossistema digital onde o real e o fabricado se confundem. Em última análise, a obra propõe um equilíbrio entre a consciência crítica e a necessidade de evitar um ceticismo paralisante na sociedade.
Nas últimas semanas, a África do Sul tem conhecido uma nova onda de xenofobia, com ataques directos, assaltos, agressões físicas, incêndios nas residências e locais de trabalho dos imigrantes, com um balanço de pelo menos quatro mortos, entre os quais dois moçambicanos. Também foram organizadas manifestações em vários pontos do país, nomeadamente Pretória, Joanesburgo, Durban ou ainda a Cidade do Cabo, para exigir medidas do governo para combater a imigração clandestina. Com uma taxa de desemprego a ronda os 33% e um Estado com dificuldades em responder às necessidades básicas da sua população, nomeadamente em termos de saúde e segurança, certas franjas da população sul-africana acabaram por ficar mais sensíveis às mensagens de incitação ao ódio por parte de organizações como 'March and March', ou ainda 'Operação Dudula', que peritos acreditam ser financiadas por partidos políticos. Apesar de já ter terminado no passado dia 30 de Junho, o prazo fixado por estas organizações para os imigrantes em situação irregular deixarem o país, há relatos de que a situação continua tensa. Perante os riscos cada vez maiores para a sua segurança, desde o começo do mês de Junho, dezenas de milhares de migrantes designadamente oriundos da Nigéria, Zimbabué, Maláui e Moçambique regressaram aos seus países pelos seus próprios meios ou com apoio dos seus respectivos governos. Com cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul, o executivo moçambicano refere que “milhares” já regressaram ao país, sendo que uns 1.400 nacionais foram repatriados com o apoio de Maputo. Nestes últimos dias, o governo evocou a eventualidade de se propor às pessoas repatriadas trabalhos nos megaprojectos, ou mobilidade laboral em Portugal e nos Emirados Árabes Unidos, ao abrigo de acordos estabelecidos com estes países. Foi sobre a situação vigente na África do Sul e as condições em que os emigrantes moçambicanos regressam ao seu país que a RFI conversou com Wilker Dias, coordenador da plataforma Decide, que divide o tempo entre Maputo e a África do Sul e tem acompanhado este processo. RFI : Passados 10 dias do fim do ultimato das organizações anti-imigração, qual é a situação vigente na Árica do Sul? Wilker Dias : Em alguns bairros a situação ainda continua tensa, principalmente se formos olhar em alguns pontos em Joanesburgo continuam com alguns focos e temos situações, na maior parte dos casos, claramente visíveis contra os imigrantes ilegais, mas também há alguns outros aspectos. Nós acabamos verificando que existem alguns bairros em que, mesmo sendo o cidadão legal, acaba sofrendo com as represálias desta questão da xenofobia que tem sido recorrente na África do Sul. Um outro aspecto que nós poderíamos aqui levantar é que além das pessoas estarem a serem vitimas, também nós temos estabelecimentos comerciais que acabam levando por tabela esta questão ligada a xenofobia, em que também por um lado, demonstra que não é apenas um acto que é provocado por conta da pressão de estrangeiros no país, mas também ligados àqueles que são os factores de pobreza ou de desemprego, que acaba assolando um pouco parte daquela que é a comunidade sul-africana. RFI : Como é que se explica que, apesar de ter terminado esse ultimato, a violência continua? Wilker Dias : É claramente por isso, porque eles deram um ultimato e claramente que depois deste ultimato, já se previa que seria o início de uma fase mais violenta, em que poderíamos ter feridos e poderíamos ter mortos. E é basicamente isso que ainda continuamos a verificar. Do outro lado, temos moçambicanos mortos, alguns deles contabilizados obviamente pelo Estado. Mas existe também algum número que é difícil de contabilizar e a gente vai recebendo algumas informações com os familiares próximos que habitam daquele lado. RFI : Consta que haverá partidos políticos que financiam essas organizações. Wilker Dias : Essa teoria é quase que normal, que existe até uma altura destas, porque estamos em ano eleitoral na África do Sul. Complica ainda mais. Primeiro, para que o governo tome alguma medida relativamente ao aspecto e alguns partidos políticos também saem contra algumas medidas que podem eliminar esses movimentos. Eu digo isto porquê? Porque se nós formos a ver, há um grande peso da comunidade africana e zulu e esses movimentos anti-imigração são também liderados por zulus. É por esse motivo que nós temos o MK (partido fundado pelo antigo Presidente Jacob Zuma), que decerto apoia o movimento anti-imigração. Já vimos a filha do Jacob Zuma a proferir algumas palavras ‘Também vou apoiar este movimento' e por aí vai. Mas é tudo por uma táctica eleitoral, porque estamos num ano eleitoral. RFI : Tem-se a sensação que o ANC no poder não tem tido propriamente mão firme relativamente a estas violências. Wilker Dias : Sim, o ANC, aquilo que se fala pelos corredores aqui na África do Sul é que o ANC não tem tido esta mão firme por conta deste quesito que é o ‘factor ano eleitoral', porque as coisas nas últimas eleições não correram bem, porque ganharam, obviamente, mas não foram naqueles números desejados. E o facto de não ter ganho os números desejados é a fragilidade que o ANC foi enfrentando ao longo dos tempos. Se tivermos este ir contra estes que defendem os movimentos, neste caso anti-imigração, isto poderá ter consequências ainda piores para o próprio ANC. Então, por isso tem que fazer um jogo um pouco mais neutro para encontrar alguma solução para tudo isto. RFI : Wilker Dias anda entre a África do Sul e Moçambique e tem estado atento a todo este processo de repatriamento dos moçambicanos que estavam radicados na África do Sul. Como é que eles chegam? Em que situação é que eles se encontram? O que é que eles contam? Wilker Dias : Temos visto pessoas em diferentes situações. Há aqueles que chegam de facto, sem nenhuma documentação, alguns não por serem propriamente ilegais, mas porque naquele processo de saídas às pressas e etc, acabaram perdendo os seus documentos. Nesse caso concreto, o passaporte. E há uma complicação enorme, por vezes do lado sul-africano, em que há denúncias de que para passar do outro lado precisa-se de valores monetários. Estás a voltar para o teu país e mesmo assim precisas de ter algum valor, que é para poder praticamente subornar a polícia ou a imigração para poder passar. Então isto acaba sendo um dos factores que deixa as pessoas muito frustradas com isso. São várias pessoas que já contabilizamos, acho que mais de 50 ou 100 pessoas que já passaram por esta situação a nível da fronteira do lado sul-africano, o que é um factor um pouco negativo. RFI : O governo esta semana disse que tinha ajudado a repatriar cerca de 1400 pessoas provenientes da África do Sul. Tem-se alguma ideia de quantas outras é que terão saído da África do Sul pelos seus próprios meios? Wilker Dias : É um número muito grande. Eu só posso adiantar isso porque é um facto praticamente histórico. A África do Sul, durante anos, sempre foi tido como um eldorado por parte dos moçambicanos e de certeza nós temos lá muitos, principalmente nas zonas ou em regiões mineiras. E isto faz com que nós, a uma altura destas, tenhamos vários moçambicanos que vão atravessar. é só nós irmos a terminal da Junta Rodoviária em Maputo, nós vamos ver lá várias pessoas, tanto moçambicanos e também malauianos que estão daquele lado e que infelizmente uma das coisas que me deixou meio triste com o governo do Maláui é não era haver uma mobilização também forte por parte do governo para tirar aqueles que são os seus cidadãos. Este facto também mostra um pouco daquela que é a falta de união ou preparação por parte dos países da SADC no que diz respeito a esse fenómeno da xenofobia. A diplomacia não está a funcionar a nível da nossa região como deve ser. A própria sociedade está muito tímida relativamente a esse aspecto. Era altura de se unir e aí também olhar-se não só para aqueles que vão sair da África do Sul, mas que olham para Moçambique como o ponto mais próximo para tentar ver o que é que se pode fazer e voltar. Temos muitos cidadãos, a título de exemplo, que também conseguiram ir para a Beira para depois apanhar um comboio e seguir para os outros países próximos. O que revela também um número grande de imigrantes que Moçambique está a receber. E isso também pode trazer consequências para Moçambique, que para além de os cidadãos moçambicanos que estão a vir do outro lado, nós teremos que se calhar encontrar uma medida para aqueles cidadãos malauianos e também de outras nacionalidades que estão a vir para Moçambique e que até podem estar numa situação ilegal. RFI : O Governo comunica bastante sobre o apoio que tem dado aos moçambicanos que têm que sair da África do Sul. Transportam essas pessoas e depois dão-lhes algum apoio, um kit, alguma informação para tentar restabelecer-se. E também falam em projectos para estas pessoas, para serem colocadas em novos postos de trabalho, nomeadamente nos megaprojectos no Norte ou nos Emirados ou em Portugal. O que é que constata no terreno? Wilker Dias : Eu constato que isso é uma miragem. Primeiro ponto : não é só o governo que está a prestar este apoio. Temos, além dos partidos político, temos também visto grupos de cidadãos que se têm mobilizado e também dirigido a estes pontos para poder distribuir refeições e ajudar as pessoas que vêm da África do Sul. Por conta da xenofobia, muitos cidadãos tem-se mobilizado, sensibilizado para este efeito. Relativamente à questão de empregabilidade a nível dos megaprojectos aqui em Moçambique, por aí vai. Eu lhe digo que isto é uma autêntica ilusão. Só para ter uma ideia, antes de ontem nós tivemos uma situação em Maputo, a título de exemplo, onde mais de 1000 pessoas foram concorrer para 30 lugares num supermercado. Ontem tivemos também pessoas que queriam concorrer para a Rádio Moçambique. Mais de 1000 pessoas que estavam a tentar entrar para oito vagas de serventes. Aí vem a seguinte questão. Só para estas oito vagas de servente, lá temos essas 1000 pessoas que nem sequer conseguimos colocar. Agora imagine o nível de desemprego em todo o país. E com estas pessoas que estão a vir, será que vão conseguir alcançar este objectivo? Obviamente que não. E como é que as pessoas vão para Portugal? Com que meios serão mandadas para Portugal? O Governo vai custear os vistos? O Governo vai custear as passagens? Então são essas questões que nós devemos colocar antes de poder proferir esse tipo de coisas. Eu acho que foi mais um discurso politicamente bonito, que é para tentar sacudir a poeira de cima do capote. Mas é ilusório. Isso não vai acontecer. RFI : E a seu ver o que é que pode ser melhorado? Wilker Dias : Eu acho que uma das coisas que nós deveríamos tentar fazer era um comité de gestão para este caso em específico, em que colocaríamos se calhar não só a componente financeira, mas também a componente diplomática, como falei, a questão da assistência alimentar, pelo menos garantir o regresso às suas residências. Eu acho que isso poderia ter sido feito ou poderá se fazer de uma forma muito mais forte. Mas, infelizmente, às vezes nós não temos este hábito de lidar bem com questões ligadas à gestão de crise.
O Governo venezuelano quer reabrir o principal aeroporto do país a voos comerciais "o mais rapidamente possível" após os sismos que a 24 de Junho devastaram o país. O balanço de mortos não para de aumentar. Segundo as autoridades venezuelanas, 3.811 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas. De acordo com as Nações Unidas, os desaparecidos podem chegar aos 50.000. Muitos sobreviventes ficaram sem abrigo ou em abrigos improvisados em parques, sem perspectivas de futuro. O aeroporto internacional Simón Bolívar, que serve Caracas, fica em La Guaira, o epicentro do duplo sismo de magnitude 7,2 e 7,5, que reduziu a escombros dezenas de edifícios residenciais. Várias equipas de socorro estrangeiras já se retiraram do local, após não encontrarem sinais de vida. O balanço de mortos não para de aumentar. Segundo as autoridades venezuelanas, 3.811 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas, 6.462 foram resgatadas dos escombros e 17.907 pessoas ficaram sem habitação. De acordo com as Nações Unidas, os desaparecidos podem chegar aos 50.000. Muitos sobreviventes ficaram sem abrigo ou em abrigos improvisados em parques, sem perspectivas de futuro. Lucecita Fernandes, presidente da Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas em Caracas, traça um retrato marcado pela dor, pela incerteza e pela solidariedade dos dias que se seguiram à tragédia que atingiu a região de La Guaira. A presidente da Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas em Caracas, Lucecita Fernandes, traça um retrato marcado pela dor, pela incerteza e pela solidariedade dos dias que se seguiram à tragédia que atingiu a região de La Guaira. Segundo a dirigente associativa, o cenário tem mudado à medida que passam os dias. Se, numa primeira fase, todos os esforços estavam concentrados no resgate de sobreviventes, a prioridade começa agora a deslocar-se para a recuperação dos corpos das vítimas mortais, permitindo às famílias fazer o funeral e iniciar o processo de luto: "Nos primeiros dias, toda a energia da sociedade civil foi colocada no resgate de pessoas com vida. Agora, com o passar do tempo, as famílias fazem pressão para que também sejam encontrados os corpos dos seus entes queridos". A responsável admite que algumas vítimas poderão nunca ser encontradas, mas recorda que, para as famílias, a ausência de um corpo não diminui a dimensão da perda. Apesar da devastação, Lucecita Fernandes diz que permanece a esperança. Reconhece que o sentimento dominante é de tristeza, impotência e dor, mas destaca igualmente a enorme onda de solidariedade entre os venezuelanos: "A capacidade de partilha continua muito presente na sociedade venezuelana". Perante uma tragédia que atinge praticamente todas as famílias, a dirigente considera que o apoio emocional passa sobretudo pela empatia e pela capacidade de escutar quem sofre. "Quem está mais forte tem de amparar quem está mais fragilizado. É assim que uma sociedade consegue levantar-se depois de momentos tão difíceis." Num país profundamente religioso, a fé continua também a desempenhar um papel fundamental. Lucecita Fernandes recorda os testemunhos de sobreviventes resgatados ao fim de vários dias sob os escombros: "Os primeiros agradecimentos são sempre dirigidos a Deus. Muitos dizem que sobreviveram porque rezaram, porque acreditaram e porque nunca perderam a esperança." "Isto não é uma tragédia que se resolve num mês ou em dois meses. Esperamos que a solidariedade internacional continue, sempre com esperança e com a convicção de que a Venezuela conseguirá olhar novamente para o futuro", conclui.
Onde se analisam as conclusões de um encontro ibero-americano sobre o futuro da leitura, destacando a transição preocupante para o formato digital. Especialistas alertam que o consumo de conteúdos em ecrãs promove uma leitura fragmentada, prejudicando a compreensão profunda e facilitando a propagação de desinformação. Perante a queda acentuada no número de leitores, defende-se que as bibliotecas e escolas devem atuar como espaços de resistência cívica e inclusão social. O debate sublinha a necessidade de integrar vozes marginalizadas e de formar mediadores capazes de ensinar a distinguir factos de manipulações. Em suma, a obra propõe que a leitura seja encarada como um direito humano fundamental e uma ferramenta essencial para a liberdade individual.
Portugal enfrenta cinco incêndios considerados críticos, com o de Vouzela a concentrar a maior preocupação. Perante a gravidade da situação, o Governo ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e os acordos com Espanha e Marrocos. Espanha respondeu de imediato, enviando um avião Canadair. O país está sob alerta devido ao calor extremo e ao elevado risco de incêndio, com milhares de operacionais mobilizados no combate às chamas. Para debater a situação em que se encontra Portugal, Bernardo Ferrão e Ângela Silva moderam o Expresso da Meia-Noite de 03 de julho, com Carlos Câmara, climatologista; Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil; Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria; e Duarte Costa, e especialista em alterações climáticas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Perante a doença de um filho, a minha amiga não hesitou em afirmar que, a partir daquele momento, as prioridades da sua vida se tinham alterado
Depois de quase quinze dias de forte onda de calor pela Europa e nomeadamente aqui em França que conheceu o segundo episódio deste tipo desde Maio, o governo faz um primeiro balanço da gestão desta crise, numa reunião interministerial nesta segunda-feira. De acordo com dados provisórios da Agência de Saúde Pública francesa, foram registados cerca de mil mortos suplementares comparativamente à média registada no mesmo período em anos anteriores. Ao longo destes dias, foram numerosas as unidades de saúde a encontrar dificuldades perante o afluxo massivo de utentes com problemas provocados ou agravados por temperaturas que rondaram ou ultrapassaram os 40 graus. Perante esta crise que reaviva a lembrança ainda muito presente dos mais de 10 mil mortos da onda de calor de Agosto de 2003 aqui em França, o governo tem sido acusado pela oposição de não ter sido suficientemente proactivo no domínio da saúde, com um investimento nesse sector a diminuir de ano para ano. Foi neste contexto que Paulo da Silva Moreira, médico e antigo eleito local na região da Yonne, a sul de Paris, fez um primeiro balanço destes últimos dias. RFI: Qual é o primeiro balanço que faz da gestão desta crise? Paulo da Silva Moreira: Durante estes últimos dias, o Estado ainda não contabilizou completamente as pessoas que faleceram, porque há sempre um tempo entre o momento em que as declarações são feitas e em que elas são analisadas. Mas pode-se dizer que por já houve mortos, Não houve tantos mortos como nas anteriores fases de calor. O que foi feito ao nível da saúde foi anular tudo o que era concertos, exposições, manifestações de rua, e também prevenir a população, o que aconteceu efectivamente desde o princípio, com 'spots' na televisão e no rádio, informando as pessoas sobre as boas práticas com ondas de calor. Estamos informados que vai repetir-se três ou quatro vezes no ano com a mudança do tempo. Temos que repetir essas medidas cada vez. Vai haver sempre mortes, porque essa fase é sempre difícil para pessoas que estão em fases de doenças crónicas mal estabilizadas. Mas também os jovens não têm cuidado. Por exemplo, as pessoas que vão mergulhar numa água fria e vão ter uma paragem cardíaca, pessoas que ficam muito tempo ou que vão correr ao sol ou andar de bicicleta. Há sempre pessoas que falecem. RFI: Há já alguns dados que começam a sair. Em termos oficiais e em termos provisórios, calcula-se que houve pelo menos mais 1000 mortos do que no mesmo período no ano passado. Há quem considere que estas mortes eram evitáveis. Paulo da Silva Moreira: Quando se conta as pessoas que morreram, na realidade, quando se vê que são pessoas que são frágeis, que têm doenças crónicas, instáveis, a probabilidade de terem morrido nos meses seguintes é forte. O que conta é ver quem é que morreu. Pessoas que estavam em estabelecimentos, isso reduziu muito, porque os estabelecimentos que fazem acolhimento de pessoas idosas estão preparados para essas situações. As câmaras têm todas uma "lista branca", que é uma lista das pessoas que estão sozinhas e que não têm ajuda, ou que vão ter falta de água ou estimulação, para que alguém se ocupe delas, e também, claro, as crianças, as pessoas que estão a trabalhar nas obras e trabalhar nos campos e estão todas informadas com essas situações. O mais importante é não só dizer '1000 mortos', é preciso ver o que é que vai acontecer nos 15 dias que se seguem. Talvez os números de mortos fiquem abaixo da média habitual. RFI: O governo tem sido alvo de ataques por parte da oposição relativamente a tudo o que tem a ver com a activação de planos para efectivamente fazer frente a esta situação. Pensa que estas críticas são injustas? Paulo da Silva Moreira: Penso que são manobras políticas e que estes ataques são injustos porque os meios de combater os efeitos da onda de calor existem. Eles são postos em movimento quando são precisos. Mas infelizmente, há sempre manobras políticas para recuperar essas situações. Vai sempre morrer pessoas não devem morrer, milhares e milhares e milhares, mas vão sempre morrer pessoas com problemas crónicas, da mesma forma que pessoas que morrem no fim do período do inverno. Às vezes há períodos do ano em que há pessoas que morrem mais do que outros. Portanto, são fases que temos que aceitar. As ondas de calor agora são muito focalizadas, são muito contabilizadas. Agora, acusar o governo de que pessoas mais uma vez com doenças crónicas tenham falecido agora, em vez de falecerem daqui a dois ou três ou seis meses, É preciso ser justo. RFI: Ao fim de quase duas semanas de onda de calor em França, o Primeiro-ministro anunciou encomendar alguns dispositivos de climatização para os hospitais. Julga que isto não foi uma medida um pouco tardia, que isto podia ter sido antecipado? Paulo da Silva Moreira: É preciso saber que nem no meu estabelecimento é equipado de sistemas de refrigeração, porque não era o clima que nós tínhamos antes. Essas medidas que foram anunciadas, claro que são insuficientes e é preciso equipar todos os hospitais franceses, porque o problema existe em todos os estabelecimentos, por toda a França. RFI: Qual é a situação neste momento dos hospitais perante esta onda de calor e os efeitos que tem sobre a saúde das pessoas que vão parar às urgências à conta desta situação? Paulo da Silva Moreira: É complicado, as urgências, porque já há sempre muita gente que vem nesse período, sem falar da temperatura do ar no hospital ou nas urgências. É preciso hidratá-las. É preciso fazer uma selecção do que é urgente e não é urgente. É preciso examiná-las, é preciso instalá-las em qualquer sítio. O problema é não ter lugar, nem ter instalações próprias para poder receber tanta gente. De repente, é evidente que todas as pessoas que têm doenças crónicas, estão mais inquietas e vão consultar mais facilmente, porque todos os anúncios do Estado dizem 'se tiver vertigens, dores, alucinações, cansaço anormal, inchaço de pernas, vá às urgências'. E o problema também não é só a temperatura. Têm que se manter num sistema sem refrigeração. Estas pessoas todas podem passar seis, sete ou oito horas sem ser tratadas, por exemplo. E também há o problema dos serviços de reanimação com aparelhos eléctricos que produzem imenso calor. Portanto, as temperaturas chegam a estar relativamente altas nesses serviços. E o problema é sempre de refrescar o ar. E não é o mais fácil de fazer, porque muitas vezes os hospitais têm arquitecturas modernas. Pensa-se mais no frio, e não no calor, na arquitectura dos hospitais em França. RFI: Há gente suficiente nos hospitais em França para fazer frente a esta situação? Paulo da Silva Moreira: Não há gente suficiente. Quando há situações assim, em que há um monte de gente que chega às urgências, há falta de gente nas urgências, não há capacidade de recolher tanta gente. É o efeito dos anúncios que alertam e que enviam as pessoas às urgências. Tem um efeito preventivo, mas também tem um efeito assustador. E há muita gente que vem às urgências e que não são necessárias de lá irem porque, por exemplo, o inchaço das pernas, tem as pernas um pouco inchadas, mas têm a impressão que o inchaço é importante. Estão cansados, mas não estão assim tão cansados. Podem respirar correctamente e têm a impressão que não podem. Há sempre também muita gente que está em pânico e que vai às urgências com medo. RFI: Apesar da forte onda de calor e apesar de, por exemplo, ter havido eventos que foram cancelados por causa da onda de calor, houve uma série de outras actividades que foram mantidas, por exemplo, exames escolares. Nestes últimos dias, o ministro do Trabalho disse que 'o país não pode parar quando se chega aos 30 graus'. Como é que se pode conciliar o imperativo de proteger a saúde dos cidadãos e, ao mesmo tempo, continuar a actividade? Paulo da Silva Moreira: Acho que há uma diferença entre passar um exame numa sala de exames, num estabelecimento, seja num liceu ou colégio, e um sistema de saúde que recolhe pessoas doentes ou frágeis, fisicamente ou mentalmente. Eu acho que temos também de estar a par do sistema económico e não se pode parar completamente de viver assim que há uma onda de calor. Tem que se continuar a passar exames, tem que se continuar a ir à escola. Talvez modificar os horários, como se faz nos países quentes. Mas não se pode parar. Efectivamente, não é a solução. RFI: O governo reúne hoje a sua célula de crise para fazer um balanço destes últimos dias e, eventualmente, antecipar, já que se prevêem altas temperaturas novamente já a partir da próxima semana. O que é que espera do governo enquanto médico? Paulo da Silva Moreira: O governo vai fazer anúncios como sempre. Vai ser também ocasião de se mostrar e dizer que está a ocupar-se do assunto, mas não vai mudar nada entre hoje e a semana que vai vir. O governo não vai poder mudar as coisas tão facilmente e tão rapidamente. Mas bom, é importante que o governo mostre que toma consciência do problema e que está a tentar a melhorar a situação. RFI: Não espera, por exemplo, que haja um maior investimento na qualidade dos hospitais ou, eventualmente, no equipamento, ou eventualmente reforço em termos de pessoal nos hospitais? Paulo da Silva Moreira: Por já, quanto ao pessoal nos hospitais, é preciso encontrar pessoal para trabalhar nos hospitais. E quando se vê a importância das obras que são necessárias nos hospitais para modificar os sistemas, é um custo e é uma organização muito complicada. Portanto, é preciso ser realista. Não sei quando é que vai acontecer.
O impacto disruptivo dos óculos inteligentes com inteligência artificial na integridade dos sistemas educativos e nos modelos tradicionais de avaliação. Os textos descrevem casos reais de fraude académica na Ásia, onde dispositivos discretos permitem projetar respostas diretamente nas lentes dos alunos, superando facilmente a média das classificações humanas. Em Portugal e no Reino Unido, autoridades alertam que os métodos de vigilância atuais se tornaram obsoletos perante tecnologias quase impercetíveis que se estão a tornar produtos de consumo em massa. As imagens complementares ilustram esta realidade, demonstrando como a IA consegue resolver enunciados complexos de engenharia em tempo real através da câmara do dispositivo. Perante este cenário, os especialistas sugerem que a solução não passa apenas pela proibição, mas por um redesenho profundo da avaliação escolar, privilegiando o pensamento crítico em detrimento da mera memorização de conteúdos.
Perante as criticas à Seleção, Nani considera que já faz parte da cultura dos adeptos e pede mais ataques a Ronaldo: "Devem continuar a criticar Ronaldo porque ele responde sempre com golos".See omnystudio.com/listener for privacy information.
Um dos temas centrais da Liturgia da Palavra de hoje é o testemunho. O testemunho é natural na vida de qualquer pessoa e, por maioria de razão, na vida de um cristão. Contudo, a nossa linguagem e prática eclesial acabam, por vezes, por o deturpar. Dizemos, por exemplo: «Vou dar testemunho». Mas o testemunho, em rigor, não se dá; o testemunho é-se.Ser testemunha não consiste em preparar um discurso para convencer alguém, como se a fé fosse uma técnica de marketing ou de publicidade. O testemunho é a própria forma de existir. Na maneira como vivemos, falamos, escolhemos e nos relacionamos, manifestamos aquilo que ocupa o centro da nossa vida, quais são as nossas prioridades e qual é a razão pela qual consideramos que vale a pena existir. Ser cristão é, por isso, ser testemunha. Não temos de nos preocupar, em primeiro lugar, em dar testemunho; temos de procurar ser discípulos de Jesus Cristo.A primeira leitura apresenta-nos Jeremias, um homem perseguido, incompreendido e ameaçado por permanecer fiel à missão que Deus lhe confiara. No meio da perseguição, porém, ele reconhece: «O Senhor está comigo como herói poderoso». Esta é também uma das grandes dificuldades da vida cristã: muitas vezes sentimo-nos sozinhos. E sentimo-nos sozinhos porque talvez já não prestemos atenção suficiente à presença de Deus ou porque nos isolamos, pensamos apenas a partir de nós próprios e esquecemos que pertencemos a uma comunidade.Deus fala-nos também através dos irmãos e das irmãs que connosco vivem a fé. Por isso, é tão importante estar inserido numa comunidade: nela encontramos mediações de Deus que nos recordam, alentam, confortam e, quando necessário, também nos despertam e corrigem.Perante o sofrimento, podemos pensar que o mal vence. São Paulo, na segunda leitura, não ilude a realidade: o mal e o pecado existem, e todos sentimos as suas consequências. Mas o mal não tem a última palavra. Mais forte do que o pecado é a graça; mais forte do que a nossa fragilidade é a fidelidade de Deus.No Evangelho, Jesus reafirma esta certeza: Deus está presente, sustenta-nos e conhece-nos profundamente. «Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.» Esta imagem diz-nos que nenhum aspeto da nossa vida é insignificante para Deus. Podemos não nos conhecer plenamente nem reconhecer as feridas e os medos que nos habitam. Deus, porém, conhece-nos e não nos abandona. Por isso, podemos confiar n'Ele e deixar que a nossa vida, com o desejo sincero de seguir Jesus Cristo, se torne testemunho do seu amor.É importante, contudo, não confundir testemunho com exemplo. O exemplo apresenta frequentemente alguém irrepreensível, acabado, quase inacessível. O testemunho cristão não consiste em afirmar: «Eu faço tudo bem». Consiste antes em reconhecer: «Eu apoio-me na força de Deus; confio na sua graça». Muitas vezes falhamos, somos infiéis e não correspondemos ao discípulo que Jesus espera. Mas o essencial é desejarmos segui-Lo e confiarmos mais na sua misericórdia do que nas nossas capacidades.Por isso, às vezes, é precisamente quando as coisas correm mal que o testemunho se torna mais verdadeiro. Quando tudo parece contrário e, apesar disso, conseguimos dizer: «Deus está aqui; Deus sustenta-me; Deus ampara-me», então a nossa vida aponta para além de nós.Bento XVI definiu de modo admirável o testemunho cristão: somos testemunhas quando, através das nossas ações, das nossas palavras e do nosso modo de ser, é Outro que se manifesta. Não somos testemunhas quando atraímos a atenção para nós, mas quando apontamos para Jesus Cristo, para Deus e para a sua graça.Não precisamos, portanto, de nos apresentar como pessoas impecáveis. Se o fizéssemos, não seríamos testemunhas, mas mentirosos. Somos testemunhas quando podemos dizer, com verdade e humildade: «Sou frágil, falho muitas vezes, mas Deus trabalha em mim». Esta certeza liberta-nos do peso de parecermos perfeitos e permite-nos viver a fé com mais confiança, mais verdade e mais alegria.
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O Mundial tornou-se um palco de jogadas políticas e restrições às liberdades. Ainda, a mudança de rota na procissão do Corpo de Deus reacende o debate sobre a integração.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Abertura dos trabalhos na Amorosidade
Jesus tira-nos a paz, se pensarmos na paz como calma inerte. No entanto, esta não é a verdadeira paz. Às vezes, gostaríamos de ser ‘deixados em paz': que ninguém nos incomode, que os outros deixem de existir. Não é a paz de Deus. A paz que Jesus traz é como um fogo e exige muito de nós! Pede-nos, acima de tudo, que assumamos uma posição. Perante as injustiças, as desigualdades, onde a dignidade humana é espezinhada, onde os frágeis são privados da palavra: assumir uma posição (Leão XIV, Audiência, 22/11/2025).
Hoje sem a companhia do Oliveira, a quem enviamos um sentido abraço, mas com a participação especial do Ricardo Loureiro, abordámos a vitória do Torreense na final da Taça de Portugal que, admitamos, ninguém esperava! Perante este autêntico tremor de terra com epicentro no Jamor mas que se fez sentir em Alvalade, poder-se-á dizer que o Sporting fez um época de pesadelo? Igualmente em jeito de rescaldo elegemos os nossos “onzes” da temporada no futebol português, antecipamos a segunda mão do playoff de promoção/despromoção da Primeira e Segunda Ligas, sendo que não poderíamos deixar igualmente de fazer a antevisão da final da Liga dos Campeões. Last but not the least – esta é para ti, Oliveira -, comentamos a convocatória da Selecção Portuguesa para a fase final do Mundial de 2026.
No programa desta semana, tempo para Inês Rogeiro confessar a sua vontade em completar a caderneta de cromos do Mundial de 2026, mas garantindo que tal é "impossível" dado o volume de pessoas interessadas. Perante tal, a advogada chega a contar: "Cheguei a estar numa loja onde havia carros em segundas e terceiras filas para ir tentar comprar cromos. Uma loucura, o espaço disse que recebeu mais de mil pessoas". Luís Pedro Nunes comenta uma 'outra loucura' com a Swatch AP, com José de Pina visivelmente chateado com quem "guarda mesas" antes de ter comprado os produtos a consumir. Já Luana do Bem lança um repto à prática do clickbait: "Está a condicionar tudo e todos. (...) As pessoas vão deixar de falar porque estão sempre a enganar-nos". Com moderação de Pedro Boucherie Mendes, o Irritações foi emitido a 22 de maio, na SIC Radical. * A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IASee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Bruno Cardoso Reis afirma que a cimeira na China expõe a fragilidade dos EUA e o poder chinês. Destaca ainda o impasse no Líbano e a "guerra" interna nos BRICS entre o Irão e os Emirados.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta eleição conta com cinco formações políticas, entre elas o MpD, liderado por Ulisses Correia e Silva, que se candidata pela terceira vez ao cargo de primeiro-ministro. O partido apresenta como prioridades a diversificação da economia, a aposta na transição energética e a continuidade das políticas de desenvolvimento implementadas nos últimos anos. O país alcançou a taxa de desemprego mais baixa de sempre, fixada em 4,9% no segundo semestre de 2025. Ainda assim, os jovens continuam a ser os mais afectados pelo desemprego. O que pretende fazer o MpD nesta legislatura que não foi capaz de fazer nos últimos dez anos? Em primeiro lugar, 4,9% é a taxa de desemprego global geral. Ao nível dos jovens, onde ainda temos uma taxa de desemprego elevada, à volta dos 20%. A população activa aumentou 4,4%, assim como aumentou o número da população empregada. Isso deita por terra a ideia de que aceitar imigração massiva é um elemento que acabou por, quase, “adocicar” a taxa de desemprego. Não é verdade. Em segundo lugar, as pessoas têm a liberdade de procurar o melhor para as suas vidas. Nós não entendemos isto como um drama. É uma fase transitória. Já temos algumas experiências que estão a demonstrar o contrário: alguns jovens, depois de terem ido para Portugal, chegam à conclusão de que têm de ponderar duas vezes. E alguns estão até a regressar. Desde o primeiro mandato, o senhor defende uma economia virada para o crescimento. Nesta eleição, propõe uma diversificação da economia através da economia azul. De que forma pensa fazê-lo? Já está a acontecer. Nós temos hoje uma economia azul a contribuir cada vez mais para o PIB, estando já próxima dos 20%. A nossa perspectiva é que atinja 25% nos próximos tempos, através de uma maior contribuição da indústria pesqueira transformadora e da aquacultura, que já começa a ter uma actividade exportadora. Através do posicionamento de Cabo Verde no negócio de transhipment, com o investimento que está a ser financiado pela Global Gateway da União Europeia no Porto Grande do Mindelo, queremos posicionar-nos no trânsito de contentores e nas pescas, quer industriais, quer artesanais. Temos aqui todo um caminho que conduz e conduzirá ao aumento da contribuição da economia azul no PIB. A economia digital também é fundamental. Há uns anos não se falava disto, falava-se apenas de telecomunicações. Hoje temos dois parques tecnológicos a atrair e reter quadros qualificados, 350 empresas instaladas, algumas delas multinacionais, que já produzem e exportam serviços tecnológicos para a Europa e para os Estados Unidos. É isto que vai fazer a diversificação da economia, para além do turismo, que ainda tem um grande potencial de crescimento e de diferenciação, conforme as ilhas. Apesar dos avanços na saúde, persistem desigualdades entre ilhas. Que soluções preconiza o MpD para garantir um acesso equitativo à saúde? Há partidos na oposição que defendem a gratuitidade dos serviços. Há partidos da oposição que não fazem contas, não fazem a avaliação das consequências das suas medidas. Nós aumentámos a isenção da taxa moderadora de saúde e alargámo-la a uma série de cuidados para pessoas com deficiência, pessoas idosas, crianças até aos cinco anos, mulheres em período de gravidez e pessoas com doenças crónicas. Mas as pessoas que tenham capacidade contributiva devem pagar. Em segundo lugar, a saúde é essencialmente uma área que tem a cobertura da Segurança Social, garantindo que aqueles que trabalham tenham cobertura e assistência médica e medicamentosa através da Segurança Social. Depois, estamos também a introduzir e a impulsionar o seguro privado de saúde, para haver complementaridade e garantir, essencialmente, aquilo que é a cobertura de redes de proximidade dos serviços de saúde, centros de saúde e redução da procura de evacuação externa. Hoje, Cabo Verde já não faz evacuação para Portugal de doentes crónicos porque temos centros de diálise. Essa é uma tendência que queremos depois transportar para o novo Hospital Central de Cabo Verde, que está a ser construído, para podermos também dar resposta a doenças que têm uma grande procura de evacuação externa. Estou a falar da oncologia, cardiologia de intervenção, neurocirurgia e oftalmologia. Por último, queremos um bom serviço de emergência médica pré-hospitalar. Sendo ilhas, não é possível ter hospitais em todas elas. Mas tem de ser possível que qualquer cidadão, onde estiver, possa ter acesso a serviços de cuidados de referência. Se for ao nível da atenção primária, estará mais perto dos centros de saúde; se for ao nível do sector secundário, estará ao nível dos hospitais regionais; e, ao nível terciário, estará no novo hospital que iremos construir, com um nível de qualidade superior. Os transportes continuam a ser um desafio no país. O que falhou nestes últimos dez anos? Porque é tão difícil garantir as ligações aéreas e marítimas entre ilhas? Porque é difícil em qualquer país arquipelágico, sendo ilhas de pequena população e de rendimento médio-baixo. Viabilizar um determinado número de aviões e barcos para pequenas populações, de baixo rendimento e com o mercado fragmentado, significa custos acrescidos, que só são possíveis com subvenções e indemnizações compensatórias por parte do Estado. Aquilo que temos hoje é um sistema de transportes interilhas que, mesmo tendo problemas, não entrou em disrupção. Em segundo lugar, estamos a aumentar aquilo que é necessário aumentar: a oferta. Há mais barcos, temos embarcações em construção de raiz e mais dois barcos que chegarão brevemente ao país, além de um terceiro barco para uma linha dedicada Fogo-Brava, para podermos desencravar esta ilha, porque não tem aeroporto. Na aviação também teremos mais aparelhos, que já estão encomendados, para podermos aumentar a oferta. A regionalização é um tema recorrente no debate político em Cabo Verde. Porque é que o MpD ainda não foi capaz de avançar com este projecto? Porque não depende só do MpD. A regionalização é uma lei que exige uma maioria qualificada de dois terços do Parlamento. O MpD apresentou, em tempos, uma proposta de lei, mas o PAICV não a viabilizou. Perante isso, preferimos seguir um caminho diferente. Aquilo que fizemos foi investir no desenvolvimento de cada uma das ilhas, ter um plano de desenvolvimento regional, trabalhar na coesão territorial e criar todas as condições de base, quer económicas, quer sociais, quer de mobilidade — área em que ainda temos de melhorar — para que, um dia, possamos ter bases muito sólidas para, havendo consenso, entrar no patamar político. Creio que essa é a melhor via, em vez de colocar o político à frente. Numa altura de maior pressão migratória global, que políticas propõe o seu partido para apoiar a diáspora cabo-verdiana no mundo? Temos já um forte pacote implementado. Nós definimos a diáspora como uma das centralidades do país, porque somos mais do que as ilhas e os seus 500 mil habitantes. A nossa política concreta é reforçar aquilo que tem sido um grande sucesso, que são os serviços consulares digitais. Melhorámos significativamente o nível de atracção de investimento por parte da nossa comunidade emigrada, com incentivos no Estatuto do Investidor Emigrante, fiscais e financeiros, e temos como grande prioridade atrair competências e capacidade para o país. Considera que, ao nível do Parlamento, a comunidade está bem representada? Acho que a representação é boa. Nós temos 72 deputados e seis deputados da diáspora, dois por cada círculo. Proporcionalmente, é uma boa percentagem. E não podemos aumentar significativamente essa proporção porque temos também de garantir proporcionalidades internas. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas defende o MpD para lutar contra este flagelo? O partido é muitas vezes acusado de não trabalhar na prevenção. Essa acusação não corresponde à verdade. Nós trabalhamos na prevenção. Temos um programa de adaptação e a nossa contribuição nacional determinada, relativamente às regras internacionais, está definida e está a ser implementada. Temos um forte programa de transição energética para, em 2026, atingirmos mais de 35% de penetração de energias renováveis na produção de electricidade, chegarmos aos 50% em 2030 e a mais de 80% em 2040. Isso significa reduzir a dependência face aos choques energéticos externos, como temos assistido. Estamos também a trabalhar numa forte estratégia de diversificação da água para a agricultura, aumentando a nossa capacidade de dessalinização da água, massificando a reutilização de águas residuais e a rega gota-a-gota. Criámos ainda um Fundo Nacional de Emergência, capitalizado todos os anos através do Orçamento do Estado e de donativos, o que permitiu, por exemplo, accionar rapidamente mecanismos de financiamento e recuperação sem necessidade imediata de recursos externos. Temos de estar cada vez mais preparados para a adaptação e mitigação dos efeitos das alterações climáticas. Perante os conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente, que posicionamento deve Cabo Verde assumir em termos de política externa? O nosso posicionamento é sempre definido no sentido da defesa dos nossos interesses nacionais. Nós não fazemos o jogo da geopolítica. Os nossos parceiros sabem exactamente quais são os nossos posicionamentos, sabem quem são os nossos parceiros privilegiados e sabem qual é a nossa visão, particularmente na defesa da nossa localização geoestratégica. Num contexto global de pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios para Cabo Verde e como enfrentá-los? Continuar a ser uma democracia estável e garantir que sejamos cada vez menos expostos a fenómenos que hoje estão mundializados, como o populismo, o extremismo ou a ideologia da pós-verdade. Lideranças que tendem a conduzir o país para determinado nível de enfraquecimento da democracia podem tornar as coisas complicadas. Como responde às críticas sobre alegadas represálias a municípios que não são da mesma cor política do Governo, ou às críticas feitas à imprensa? Essas críticas não têm razão de ser. É claro que as pessoas são livres de criticar, mas também são livres de ouvir o contraditório.
Relatório da OCDE revela um declínio acentuado na saúde mental de crianças e jovens ao longo da última década em diversos países. Embora a pandemia de COVID-19 tenha intensificado o problema, os dados indicam que a tendência negativa de ansiedade e depressão já era visível anteriormente. O estudo identifica factores de risco complexos, como o impacto da digitalização, as pressões académicas e a insegurança económica. As raparigas e os adolescentes mais velhos surgem como os grupos mais vulneráveis, apresentando taxas superiores de sofrimento psicológico e comportamentos de automutilação. Perante este cenário, a organização defende uma abordagem multissetorial urgente que privilegie a prevenção precoce e o apoio comunitário. Além disso, sublinha-se a necessidade de melhorar a recolha de dados para orientar políticas públicas mais eficazes e resilientes.
Perante as cedências da CIP, Miguel Relvas diz que, mais uma vez, as associações empresariais capitularam. Já Álvaro Beleza admite que se a UGT aceitar o acordo, o PS viabiliza a proposta do Governo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Perante o anúncio da suspensão do Projeto Liberdade por parte de Donald Trump, o historiador Bruno Cardoso Reis considera que os EUA são cada vez mais um fator de instabilidade e incerteza.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Reflexões sobre os ensinamentos de Jesus à luz do Espiritismo.
Reflexões sobre o capítulo - “Perante a reencarnação” do livro “No portal da Luz”, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Entre os temas desta semana destacam-se as consequências em África da guerra no Irão e o endurecimento da legislação que penaliza a homossexualidade no Senegal. Em Cabo Verde, a ilha de São Vicente passou a contar com um novo Centro Ambulatorial do Hospital Baptista de Sousa, que integra também um Pólo Oncológico destinado a servir as ilhas do norte do arquipélago. Ao mesmo tempo, o país acompanha com preocupação a instabilidade dos mercados internacionais provocada pela guerra no Médio Oriente. Perante este cenário, o governo cabo-verdiano admite suspender a actualização mensal dos preços dos produtos petrolíferos e até subsidiar as petrolíferas. As repercussões do conflito no Irão fazem-se sentir também em São Tomé e Príncipe, onde o governo pondera medidas para evitar uma possível ruptura no abastecimento de combustível. A semana ficou igualmente marcada pela entrada de Elsa Pinto na corrida às eleições presidenciais previstas para Julho. A antiga ministra dos Negócios Estrangeiros anunciou a sua pré-candidatura, defendendo que o MLSTP deve assumir a responsabilidade histórica de participar no escrutínio. Ainda em São Tomé e Príncipe, a Interpol, através da sua estrutura na Polícia Judiciária são-tomense, deteve um cidadão chileno que desempenhava funções como conselheiro especial do primeiro-ministro Américo Ramos, num caso que surge após a recente detenção de outro antigo conselheiro presidencial. Na Guiné-Bissau, a semana terminou com pompa e circunstância no aeroporto de Bissau, com a cerimónia de transferência da gestão do aeroporto Osvaldo Vieira de para a concessionária Osvaldo Vieira International Airport SARL (OVIA) controlada por um grupo empresarial turco. Já em Moçambique, a actualidade foi marcada pela deslocação do Presidente Daniel Chapo a Portugal, onde participou na cerimónia de tomada de posse do novo Presidente português. Em Lisboa, o chefe de Estado moçambicano afirmou que a linha de crédito de cerca de 500 milhões de euros acordada com Portugal em Dezembro poderá vir a aumentar, caso a execução do acordo e o cumprimento dos pagamentos evoluam de forma positiva. A fechar este magazine, o Senegal aprovou um endurecimento da legislação que penaliza a homossexualidade: as penas passam agora de cinco para dez anos de prisão e as multas aumentam significativamente.
Liliana Reis afasta comparações com ataque cirúrgico do ano passado. Agora, o alvo de Trump é o regime iraniano. A especialista em Relações Internacionais acredita que o conflito pode prolongar-se.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Quatro anos depois do início da “guerra de desgaste” na Ucrânia, Miguel Sousa Tavares faz o balanço da investida e da resistência dos dois lados da fronteira. No podcast, falamos ainda da Regionalização e da “atração” autárquica entre PSD e Chega. E não deixamos de lado a nomeação do novo MAI. O cronista, que se assume como amigo do ex-diretor da PJ, elogia a coragem de Luís Neves e contesta as críticas que diz não perceber, como é o caso das palavras de Passos Coelho, “a pitonisa do Governo nestas alturas”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Reflexões sobre os ensinamentos de Jesus à luz do Espiritismo.
Reflexões sobre o capítulo 15 - “Perante ofensas” do livro "Encontro Marcado", pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Abrimos o recapitulativo desta semana em África com Moçambique com as intempéries que provocaram mortíferas cheias essencialmente no sul do país. De acordo com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, para além de mais de uma dezena de mortos só nestes últimos dias e mais de 700 mil pessoas afectadas, o balanço muito provisório da época chuvosa é de pelo menos 123 mortos desde Outubro. Ao longo destes últimos dias, as autoridades tentaram acudir às pessoas que se encontram bloqueadas devido às cheias, com grandes dificuldades pelo meio, como chegou a reconhecer Benvinda Levy, primeira-ministra de Moçambique. Neste quadro já por si difícil, a situação epidemiológica também piorou comparativamente com o ano passado, com um recrudescimento de doenças diarreicas e casos de paludismo. Perante a ausência de sinais de abrandamento das intempéries, o governo deu conta da sua apreensão face à possível ruptura da Barragem de Senteeko, na África do Sul, com possíveis consequências em alguns distritos das províncias e Maputo e Gaza na região do sul do país. Relativamente desta vez a São Tomé e Príncipe, num acórdão datado de 15 de Janeiro, o Tribunal Constitucional apontou violações da Constituição no decreto presidencial de 6 de Janeiro de 2025 demitindo o governo então dirigido por Patrice Trovoada, da ADI, e que depois foi substituído pelo actual primeiro-ministro Américo Ramos, pertencente a uma outra ala do mesmo partido. Reagindo na segunda-feira a este acórdão do Tribunal Constitucional, Patrice Trovoada declarou-se "disponível para voltar à governação do país". Por seu turno, o actual chefe do governo, Américo Ramos, questionou o 'timing' do acórdão, 12 meses depois da demissão do anterior governo. Sobre a disponibilidade de Patrice Trovoada regressar ao poder, ele sublinhou que o acórdão não tem efeitos retroactivos. Refira-se entretanto que a ADI de Patrice Trovoada anunciou esta semana que vai submeter ao parlamento no próximo dia 27 de Janeiro, uma moção de censura contra o actual Governo são-tomense, alegando que “não tem demonstrado habilidade sustentável à governação”. Ao ser auscultado nesta sexta-feira pelo Presidente da republica sobre os pleitos eleitorais deste ano, as presidenciais de Julho e as legislativas de Setembro, a ADI considerou que no caso de a sua moção de censura ser aprovada, poderia colocar-se a necessidade de antecipar a data das legislativas. Em Cabo Verde, a actualidade esteve igualmente virada para calendários eleitorais, com o Presidente José Maria Neves a anunciar as legislativas para 17 de Maio e as presidenciais para o dia 15 de Novembro, sendo que uma eventual segunda volta fica reservada para o dia 29 de Novembro. No Uganda, depois de o Presidente Yoweri Museveni, no poder desde 1986, ter sido declarado vencedor das presidenciais da semana passada com mais de 70% dos votos, a tensão não tende a diminuir no país, com observadores e oposição a denunciar resultados forjados e um clima de violência. Esta semana, o filho do Presidente e chefe do exército ameaçou de morte o principal adversário do pai nas presidenciais, Bobi Wine, que em em entrevista concedida à RFI, disse "ter que se esconder". Relativamente desta vez à Guiné-Bissau, a presidência da CPLP assumida por Timor-Leste na sequência da suspensão da Guiné-Bissau quer que uma missão a Bissau “se realize rapidamente”. Em declarações recolhidas pela agência Lusa, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Bendito dos Santos Freitas, sublinhou tratar-se de um "assunto prioritário". A perspectiva desta missão da CPLP que já vinha sendo discutida desde Dezembro, mas também uma série de pronunciamentos feitos nomeadamente pelo Presidente de Cabo Verde que apelou nestes últimos dias à libertação de todos os presos políticos, mas também pelo chefe da diplomacia portuguesa Paulo Rangel que deu conta da sua preocupação com a situação da Guiné-Bissau após a desestabilização militar de Novembro do ano passado, ou ainda pela eurodeputada socialista Marta Temido para quem se vive uma grave quebra do estado de direito naquele pais, irritaram em Bissau. O porta-voz do governo interino guineense, Fernando Vaz, foi sem rodeios. Respondendo às criticas lançadas pelo governo guineense, o chefe de estado cabo-verdiano, desmentiu qualquer "tentativa de ingerência" nos assuntos internos da Guiné-Bissau. Reagindo igualmente às declarações do actual poder de Bissau, o eurodeputado socialista Francisco Assis afastou qualquer "complexo neocolonialista" por parte de Portugal. Entretanto, relativamente desta vez à Republica Centro-Africana, o Parlamento Europeu aprovou na quinta-feira uma resolução apelando às autoridades do bloco a imporem sanções específicas aos responsáveis pela detenção do luso-belga Joseph Figueira Martins naquele país. Os eurodeputados solicitam também o envio de uma missão à RCA para avaliar a situação daquele humanitário, preso desde Maio de 2024 e condenado em Novembro passado a 10 anos de trabalhos forçados. Em Angola, o parlamento aprovou na quinta-feira em votação final, a lei sobre o estatuto das ONGs, com os votos contra da UNITA que considerou que o diploma restringe a liberdade de associação. Em entrevista à RFI, Zola Álvaro, activista e Presidente da Associação Cívica -Handeka- referiu que esta lei vai dificultar o trabalho das ONGs. No Senegal, estes últimos dias foram de celebração, depois da vitoria da equipa nacional na final do CAN 2025 no passado fim-de-semana em Marrocos contra a equipa da casa. Apesar de esta vitória ficar marcada pela polémica da saída de campo de certos jogadores senegaleses em protesto contra uma decisão do arbitro nos minutos finais do jogo, prevaleceu o espírito festivo em Dacar.
Rui Vilar considera que está afastado o cenário de intervenção militar. Ainda acrescenta que a Europa deve reforçar a união e a firmeza perante Trump para garantir estabilidade.See omnystudio.com/listener for privacy information.
LEITURA BÍBLICA DO DIA: ROMANOS 3:21-26 PLANO DE LEITURA ANUAL: AMÓS 1–3; APOCALIPSE 6 Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira: Durante as férias, minha esposa e eu passeamos de bicicleta. Uma rota nos levou a um bairro de casas milionárias. Vimos os moradores passeando com cachorros, ciclistas e trabalhadores construindo novas casas ou cuidando dos jardins. Era uma mistura de todas as esferas sociais e isso me lembrou de uma realidade valiosa. Não há verdadeira distinção entre nós. Ricos ou pobres. Abastados ou trabalhadores. Conhecidos ou desconhecidos. Todos nós naquela rua e manhã éramos iguais. “O rico e o pobre têm isto em comum: o Senhor criou os dois” (PROVÉRBIOS 22:2). Independentemente das diferenças, todos fomos feitos à imagem de Deus (GÊNESIS 1:27). Mas há algo mais: ser igual diante de Deus também significa que não importa a nossa situação econômica, social ou étnica, todos nós nascemos sob a condição de pecado: “Pois todos pecaram e não alcançam o padrão da glória de Deus” (ROMANOS 3:23). Somos todos desobedientes e igualmente culpados perante Ele, e precisamos de Jesus. Frequentemente, dividimos as pessoas em grupos por vários motivos. Mas, na verdade, todos nós fazemos parte da raça humana. E embora estejamos todos na mesma situação, pecadores que precisam de um Salvador, podemos ser “justificados gratuitamente (ARA)”, declarados justos —reconciliados com Deus por Sua graça (v.24). Por: DAVE BRANON
Perante os casos de invasão do espaço aéreo da União Europeia por drones russos, a Comissão Europeia anuncia a criação de um “muro de drones”. Francisco Proença Garcia é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.