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Foi há cinco anos, a 15 de Agosto de 2021, que os talibãs voltaram ao poder no Afeganistão. Os direitos das mulheres foram completamente suprimidos, mas há quem continue a resistir, como médicas e enfermeiras que trabalham na sombra, às escondidas, e que foram retratadas pela jornalista Mélanie Nunes no documentário “Afghanistan - Les soignantes de l'ombre". Neste programa, falámos com a repórter. Os talibãs e os seus apoiantes celebram, este sábado, o quinto aniversário do seu regresso ao poder no Afeganistão, onde a população, particularmente as mulheres, é sujeita a "restrições sufocantes", diz a própria ONU. A 15 de Agosto de 2021, os talibãs entraram em Cabul sem resistência, vinte anos depois de terem sido expulsos pelos norte-americanos. Milhares de afegãos tentaram desesperadamente fugir pelo aeroporto da capital, chegando mesmo a agarrar-se aos aviões durante a descolagem. A 30 de Agosto de 2021, o último soldado norte-americano deixou o Afeganistão, pondo fim à mais longa intervenção militar dos Estados Unidos, iniciada em resposta aos ataques de 11 de Setembro de 2001. Hoje, quase 14 milhões de afegãos enfrentam fome aguda, segundo a ONU. O Afeganistão tornou-se também "uma prisão para a informação", denunciou a organização Repórteres Sem Fronteiras. Neste cenário, são as raparigas e as mulheres que sofrem as piores restrições. O Afeganistão é o único país do mundo que as proíbe formalmente de frequentar o ensino secundário ou superior, de acordo com a UNESCO e a UNICEF. Ainda antes da chegada dos talibãs, apenas 15% das mulheres tinham acesso ao ensino secundário e, em Março de 2022, o acesso à educação foi limitado a meninas com menos de 12 anos. Em Maio do mesmo ano, o véu integral tornou-se obrigatório nos espaços públicos e, em Novembro, as mulheres foram proibidas de frequentar parques, jardins públicos, ginásios e casas de banho públicas. Em Abril de 2023, as mulheres foram excluídas de organizações internacionais que operavam no Afeganistão, independentemente da sua nacionalidade. Seguiu-se, em Julho de 2023, o encerramento dos salões de beleza, os últimos refúgios sociais para mulheres. Em Agosto de 2024, uma lei "para a prevenção do vício e a promoção da virtude" proibiu as mulheres de cantar, recitar poesia e ler textos em público. Em Março de 2025, a ONU contabilizou 126 decretos dirigidos especificamente às mulheres e concluiu que existia um “apartheid de género” no Afeganistão. Perante este desaparecimento forçado da mulheres das instituições públicas, das escolas e dos locais de trabalho, ainda há quem resista e lute. A jornalista Mélanie Nunes foi à procura delas e deu-lhes voz no documentário "Afghanistan-Les soignantes de l'ombre" ["Afeganistão: as cuidadoras da sombra"], realizado para o canal televisivo franco-alemão Arte e que pode também ser visto online. Mélanie Nunes já tinha estado no Afeganistão há oito anos e, em Maio, regressou a Cabul para falar com as mulheres que tinha conhecido em 2018. Entre elas, médicas, parteiras, enfermeiras e psicólogas que continuam a exercer apesar das proibições, restrições e medo. Eis a última geração de mulheres a trabalhar na saúde no Afeganistão. No futuro, quem vai cuidar das afegãs num país em que as mulheres só podem ser consultadas por mulheres? Oiça a conversa com Mélanie Nunes neste programa. “Cada dia é uma resistência” para as profissionais de saúde no Afeganistão RFI: Como é que nos poderia apresentar o documentário? Mélanie Nunes, Jornalista e autora de "Afghanistan-Les soignantes de l'ombre": “O tema é sobre mulheres que cuidam de outras mulheres no Afeganistão, em Cabul. Eu fui lá no mês de Maio para poder encontrar estas mulheres que trabalham com muita resistência para continuarem a cuidar das mulheres no Afeganistão - porque só as mulheres podem cuidar das mulheres no Afeganistão, é uma regra dos talibãs. Era muito importante, para mim, ver também este vínculo entre o mundo exterior, entre as mulheres e estas médicas.” Como é que são as condições destas mulheres? Elas ainda podem exercer medicina? “Elas podem exercer, mas é muito complicado. Depende das províncias, porque há províncias onde não é possível fazer o seu trabalho. Em Cabul é possível, mas com muitas regras. Elas não podem ir e vir como elas querem, têm que tomar, por exemplo, um autocarro privado para ir ao hospital. Às vezes, há controlos dos talibãs e pode ser muito perigoso ir trabalhar. Cada dia é uma resistência, uma coragem para ir até aos hospitais.” Desde que os talibãs chegaram ao poder, há precisamente cinco anos, as raparigas deixaram de poder ir à escola, nomeadamente aquelas que estavam quase a acabar a medicina. De repente, elas não puderam acabar o curso? “Sim, é exactamente isso porque há várias mulheres que tentaram fazer o curso de medicina e, no fim, não foi possível acabar. Hoje em dia não é possível para as estudantes fazerem o curso de medicina. Elas não podem fazer o seu trabalho, ter o diploma. Então, hoje em dia elas não podem trabalhar e a única forma para elas continuarem é tentar ter cursos de maneira informal.” Informal ou clandestina? “É, clandestina, ou seja, outra médica faz o curso para as estudantes que não têm o diploma.” E se elas forem apanhadas, arriscam o quê? “Em vários sítios no Afeganistão há regras, mas há muitas coisas que passam por cima da regra. Os talibãs têm a obrigação de trabalhar e cuidar das mulheres para elas terem meninos, mas não deixam as mulheres irem à escola. É uma contradição, mas também há uma tolerância, mais ou menos, para as mulheres que tentam aprender assim de maneira muito informal. Mas elas não vão ter um diploma, no final. Elas são benévolas, na verdade.” Se as mulheres que estudam medicina ou que trabalham no sector da saúde, em geral, não podem continuar os estudos, quem é que vai tomar conta das mulheres grávidas? Estamos a condenar as futuras gerações de afegãs e afegãos? “Sim, exactamente. É essa a questão. Não há possibilidades para elas, não sabemos quem vai cuidar dessas mulheres. É a contradição dos talibãs. Não há lá ninguém para cuidar dessas mulheres. Há muitas mulheres que, hoje em dia, morrem nos partos. Quando elas têm meninos e quando correm para a maternidade, se as mulheres desaparecem, não há lá ninguém para cuidar delas. Há quase 3.000 centros de saúde que fecharam. Estas mulheres não têm médicos, não têm outra opção.” E têm os bebés em casa? “Sim, exacto, e há mais riscos. As mulheres podem morrer e morrem.” E os bebés também... “Exacto, exacto. Há muitos riscos. O Afeganistão é um dos países onde as mulheres mais morrem quando têm bebés.” As mulheres que conheceu, com quem conviveu enquanto fez o documentário, como é que elas estão psicologicamente? “Há muita tristeza. Cada uma tem um problema psicológico porque elas estão numa espécie de prisão, elas não podem sair dali. Então, não há mais opção ou possibilidades para elas ficarem numa melhor saúde mental. Há outras mulheres que tentam ajudá-las, mas é muito complicado. Eu vi muitas mulheres que queriam só desaparecer. Foi muito triste ver isso e ver a brutalidade do regime.” Mesmo assim, elas tiveram a coragem de serem filmadas e de mostrarem o rosto. “Sim, porque, para elas, era muito importante que uma televisão francesa, da Europa, pudesse fazer esta reportagem para falar da condição das mulheres, para ter uma mensagem muito forte para o mundo inteiro, para dizer que as mulheres afegãs têm que estar nos meios de comunicação, na televisão, na rádio. Têm que ter voz porque no seu próprio país não há mais opção para elas, não há uma possibilidade de terem uma vida melhor. Então, a única coisa que elas podem fazer é falar. Falar para o mundo inteiro.” E arriscam-se a represálias pelo facto de estarem a falar sobre isso, não é? “Sim, claro. O risco é muito grande. Elas podem ficar em prisão durante muito tempo por falar porque é quase… não é proibido, mas pode ser. Então, foi muito importante, para mim, falar com elas das condições da reportagem, das entrevistas, para que elas soubessem o risco que havia.” A dada altura, no documentário alguém diz: “Somos como velas quase consumidas, só resta uma pequena chama, somos a parte da vela que ainda arde, mas quanto tempo ainda?” “Exacto. Acho que também é uma forma de resistência, elas sabem que isto não pode continuar muito mais tempo e as mulheres que trabalham hoje em dia podem ser a últimas. O futuro no Afeganistão é muito negro, não há mais opção para elas, não há mais luz.” Mesmo assim elas continuam a resistir. “Exacto e é muito importante falar das suas condições de vida, de trabalho, para que as pessoas no mundo inteiro saibam o que é que passa no Afeganistão. Também para que os políticos possam fazer alguma coisa por elas e elas tenham um país de acolhimento, como a França, por exemplo.”
As medidas anunciadas pelo Governo para travar o aumento das tarifas da electricidade poderão aliviar, a curto prazo, o impacto do custo de vida sobre as famílias cabo-verdianas, mas não resolvem o problema de fundo, defende o analista político Daniel Medina. Nesta entrevista, alerta ainda para o desgaste provocado pela recente polémica entre o Executivo e o Fundo Monetário Internacional, considerando que o episódio afectou a imagem de credibilidade que Cabo Verde tem procurado construir junto dos seus parceiros internacionais. O Governo de Cabo Verde anunciou que vai manter durante o mês de Agosto as medidas para reduzir o impacto do aumento das tarifas no sector eléctrico e prolongou até Dezembro o desconto aplicado aos consumidores abrangidos pela tarifa social. Estas soluções podem aliviar o custo de vida dos cabo-verdianos? Ainda há alguma falta de clareza sobre a forma como estas medidas serão implementadas. No entanto, aquilo que se percebe é que o Governo e a ARME- Agência Reguladora Multisectorial da Economia- definiram uma estratégia que combina medidas de curto prazo com uma visão estrutural de médio e longo prazo. Perante a forte subida dos preços dos combustíveis, o Executivo decidiu reduzir o impacto nas tarifas, sobretudo para proteger as famílias mais vulneráveis, impedindo que paguem muito mais do que já pagavam. A longo prazo, o objectivo passa por acelerar a transição energética. Cabo Verde tem feito progressos na produção de energia a partir de fontes renováveis, mas ainda não atingiu a meta de 50%. Enquanto isso não acontece, será necessário recorrer a medidas conjunturais para reduzir os custos da electricidade, especialmente para quem tem maiores dificuldades económicas. Mas esta solução não adia apenas o problema? Sim, de certa forma adia-o. Ninguém sabe durante quanto tempo os combustíveis fósseis continuarão a manter preços elevados. Pode tratar-se de alguns meses, de um ano ou de vários anos. Se esta situação se prolongar, o esforço financeiro poderá tornar-se demasiado pesado para o Orçamento do Estado. Uma das promessas eleitorais de Francisco Carvalho foi a fixação do preço dos transportes inter-ilhas,aéteos e marítimos, uma medida que segundo o ministro do Mar, João do Carmo Brito Soares, deverá entrar em vigor no próximo ano. Trata-se de uma boa notícia para os cabo-verdianos ou encerra riscos para as contas públicas? É, antes de mais, uma promessa eleitoral que o Governo pretende cumprir. Durante a campanha foi assegurado que existiam mecanismos financeiros para tornar essa medida viável. A proposta prevê que as viagens aéreas entre ilhas passem a custar cinco mil escudos e as ligações marítimas quinhentos escudos. Naturalmente, preços mais baixos significam um aumento da procura. A questão é saber quem suportará essa diferença. Será o Estado. O verdadeiro desafio é perceber se as finanças públicas têm capacidade para acomodar esse esforço. O Orçamento do Estado poderá sempre ser rectificado, sobretudo havendo uma maioria absoluta que o permita, mas todas as promessas eleitorais comportam riscos. Será no próximo ano que perceberemos se esta medida é financeiramente sustentável e se o Estado conseguirá responder às expectativas das populações mais vulneráveis, que esperam um Governo mais orientado para as políticas sociais. O Governo defende que Cabo Verde deve deixar de depender da monocultura do turismo. Considera esse objectivo exequível? Penso que essa intenção faz sentido. A pandemia demonstrou bem os riscos de depender quase exclusivamente do turismo. Quando esse sector parou, a economia ressentiu-se profundamente. A ideia deverá passar por reforçar outros sectores produtivos, como as pescas, a agricultura ou a exportação de produtos tropicais, criando novas fontes de rendimento e equilibrando melhor a economia. Contudo, essa mudança não pode ser feita de forma abrupta. O turismo continuará a ser um pilar fundamental da economia cabo-verdiana. O importante é diversificar gradualmente a actividade económica, sem comprometer aquele que continua a ser o principal motor do crescimento. A polémica entre o Governo, a oposição e o FMI marcou a actualidade política, depois do primeiro-ministro Francisco Carvalho ter acusado o anterior Executivo de ter induzido o Fundo Monetário Internacional em erro, sobre a derrapagem da despesa, uma versão entretanto desmentida pela própria instituição. Como avalia este episódio? Foi um episódio pouco positivo para Cabo Verde. Criou-se um ruído político significativo em torno das contas públicas e isso acabou por ter impacto na reputação do país. Historicamente, Cabo Verde tem construído uma imagem de rigor financeiro e de transparência. Porém, o debate político acabou por alimentar uma narrativa que foi contrariada pelo próprio FMI. Até ao momento, aquilo que sabemos é que o Fundo Monetário Internacional foi claro ao afirmar que não recebeu determinados dados da execução orçamental do anterior Governo, nem os avaliou ou confirmou. Houve, portanto, um desmentido formal. As acusações feitas pelo Primeiro-Ministro Francisco Carvalho acabaram por gerar preocupação, precisamente porque colocaram em causa a credibilidade das instituições e abriram espaço para dúvidas sobre a gestão das finanças públicas. A imagem de Cabo Verde ficou "beliscada" junto do FMI? Em certa medida, sim. Cabo Verde é um país pequeno, mas tem conquistado, ao longo dos anos, uma reputação de seriedade e de respeito pelas instituições internacionais. Quando surgem declarações públicas desta natureza, seguidas de um desmentido por parte de um organismo como o FMI, essa imagem sofre inevitavelmente algum desgaste. Não acredito que isso comprometa de forma duradoura a relação entre Cabo Verde e o Fundo Monetário Internacional, até porque a diplomacia permite ultrapassar este tipo de situações. Ainda assim, é um episódio que deveria servir de alerta. Questões desta importância exigem rigor e prudência, sobretudo quando envolvem parceiros internacionais com o peso e a credibilidade do FMI.
Bruno Batista alerta para o impacto da vida empresarial de Rui Costa na credibilidade do clube. Perante a crise desportiva, critica a passividade dos sócios e exige vitórias para unir o Benfica.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Nuno Markl tem o maior ataque de riso de sempre!!
A inflação está a dar sinais de abrandamento, mas a guerra no Médio Oriente continua a pressionar os preços da energia e a aumentar a incerteza económica. Perante este cenário, durante quanto tempo conseguirá o Banco Central Europeu manter os juros inalterados? See omnystudio.com/listener for privacy information.
DN: O Estado recorre à Deco para colmatar a falta de meios na resposta do apoio à renda. JN: Fisco tem 10 mil milhões de euros em dívidas que não consegue cobrar.See omnystudio.com/listener for privacy information.
DN: O Estado recorre à Deco para colmatar a falta de meios na resposta do apoio à renda. JN: Fisco tem 10 mil milhões de euros em dívidas que não consegue cobrar.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Depois de um dia de espera e de incerteza de muitos alunos e famílias, as escolas começaram finalmente a receber, por volta das 19h30 desta sexta-feira, as classificações dos exames nacionais do ensino secundário. Nem todos os alunos, porém, conhecerão já os resultados de todas as disciplinas: há “centenas de provas” com itens em falta que, por isso, surgirão nas pautas com a indicação "suspenso". Já a publicação dos resultados das provas finais do 9.º ano foi adiada para o início da próxima semana. Perante este cenário, Fernando Alexandre passou no exame?See omnystudio.com/listener for privacy information.
“A Mulher Desarvorada” é um monólogo inspirado no livro “A Mulher Desiludida”, de Simone de Beauvoir, e está em cena no festival Off Avignon até 25 de Julho, com o título francês “La Femme Déracinée”. Em palco, Tati Pasquali, a actriz do espectáculo que também assina a dramaturgia, fala sobre a violência do parto e do pós-parto, a sobrecarga mental e física da maternidade, a persistente desigualdade homem-mulher, a devoção feminina transgeracional à família e o abandono, entre muitas outras coisas. “Quando é a mulher que cuida de tudo, quem é que cuida dela quando tudo desaba?”, questiona Tati Pasquali na entrevista que deu à RFI, em Avignon. “A Mulher Desarvorada” é a história de uma mulher que abdicou de si própria para se dedicar à família. Conta a violência do parto, a depressão pós-parto, a transformação do corpo feminino, o desdém do olhar masculino sobre esse mesmo corpo, a sobrecarga da maternidade, a solidão, a traição e o abandono. “É a história dessa mulher que abriu mão da sua profissão e tornou a família e o lar na sua profissão, no seu único lugar no mundo, e o que acontece com ela quando isso desaparece. É muito focado na importância da independência financeira feminina como forma de liberdade e é um dos temas que a Simone [de Beauvoir] batia muito o martelo em cima. É sobre esse papel que a mulher ainda ocupa em 2026, de ter a maior parte dos cuidados maternos, os cuidados com a família, cuidado com a casa. Quando é a mulher que cuida de tudo, quem é que cuida dela quando tudo desaba, quando tudo se vai embora? Essa mulher vê-se obrigada a cuidar de si sozinha. Tem uma frase no espectáculo que é: ‘Quando se viveu durante tanto tempo em função dos outros, é um pouco difícil se converter a viver para si'. Eu acho que fala sobre muitas coisas, sobre maternidade, sobre sobrecarga materna, sobrecarga mental, sobrecarga física, mas também fala um pouco dessa falta de olhar para si mesma que as mulheres têm quando ocupam demais esse lugar do cuidado com o outro e com a casa”, conta Tati Pasquali. A ideia de escrever este texto nasceu durante a pandemia de Covid-19, com o confinamento, quando ficou “durante dois anos presa em casa com um bebé”, cruzando depressão pós-parto com a depressão da pandemia. Perante a sensação de se sentir intelectualmente e criativamente “desperdiçada”, a actriz brasileira foi à procura de um tema para criar algo e reencontrou-se com “A Mulher Desiludida”, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, reconhecendo-se “num lugar de cuidado com a família, com a casa”, de questionamento por ter deixado de lado a sua independência financeira e a sua profissão. “Peguei só em inspirações do livro e transformei em uma coisa muito mais pessoal. Eu acho que o espectáculo ganhou muito e desarvorada é uma palavra que ela fala no texto. Ela fala: ‘Eu estava tão desarvorada que eu precisava fazer alguma coisa.' Desarvorada é essa mulher que perde as folhas, é uma árvore que perde a vida. E também tem a ligação com a árvore genealógica que eu faço com a minha mãe, com a minha avó, com a avó paterna, avó materna, tem essa coisa de árvore das mulheres, dessa árvore genealógica e desse lugar de quando você perde as folhas, quando você perde a força, o que te alimenta?”, descreve a actriz e autora de “A Mulher Desarvorada”. “A Mulher Desarvorada” tem encenação de Claúdia Semedo e está no no Festival Off, em Avignon, no Théâtre de La Porte Saint Michel, até 25 de Julho. Participar no festival “é um super risco financeiro”, admite Tati Pasquali que considera que este “não é um festival democrático” porque “não é qualquer companhia, não é qualquer artista que consegue vir” devido aos elevados custos que implica, desde logo “a hospedagem que fica caríssima e o aluguer do teatro também caríssimo”. A peça só consegue estar em Avignon graças a apoios e a um crowdfunding e, ainda assim, “é preciso captar mais dinheiro e a gente está vendendo paninhos, livrinhos e é importante vender ingressos para tentar captar”. Apesar do risco financeiro, “a experiência é incrível”, com “pessoas de todos os lugares do mundo” e “é um currículo incrível para o espectáculo”. Oiça a entrevista neste programa.
A Palavra de Deus ocupa hoje o centro da liturgia. Quando falamos da Palavra de Deus, pensamos muitas vezes apenas na Bíblia. Mas a Palavra de Deus é mais do que um livro: a Sagrada Escritura, lida na Tradição viva da Igreja, conduz-nos até Jesus Cristo, que é a Palavra de Deus feita carne.Podemos cair em dois extremos. O primeiro é pensar que a Palavra de Deus é apenas mais uma palavra entre tantas vozes que ouvimos todos os dias. O segundo é imaginá-la tão distante e misteriosa que nunca a poderemos compreender. A verdade é outra: a Palavra de Deus é uma palavra humana na qual Deus Se diz. Deus fala-nos através de palavras humanas para entrar em diálogo connosco e transformar a nossa vida.Vale a pena perguntar: tenho verdadeiramente fé na Palavra de Deus? Ou procuro nela apenas um consolo para os momentos difíceis? A Palavra não nos é dada apenas para confortar, mas para nos converter, para nos tornar aquilo que Deus sonha para cada um de nós.Isaías oferece-nos uma imagem belíssima: «Assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam para lá sem terem regado a terra, assim acontece com a palavra que sai da minha boca: não voltará para Mim sem ter produzido o seu efeito.» A questão é esta: a Palavra produz efeito em nós?Todos sabemos como determinadas palavras permanecem na nossa memória. Uma palavra de carinho enche-nos de alegria; uma palavra dura pode ferir-nos durante muito tempo. As palavras significativas acompanham-nos, ocupam o coração e transformam a nossa maneira de olhar a realidade. Assim acontece também com a Palavra de Deus: ela só produz fruto quando a guardamos, a meditamos e a deixamos habitar em nós.O Evangelho compara a Palavra à semente. A semente é pequena, quase insignificante, mas está cheia de vida. Quando encontra terra boa, torna-se planta, árvore, fruto abundante. Também a Palavra de Deus pode parecer discreta perante tantas mensagens que diariamente nos rodeiam, mas possui uma força de vida incomparável.Precisamente porque comunica vida, a Palavra desafia-nos. Desinstala-nos, tira-nos da mediocridade e convida-nos a dar passos que talvez não estivéssemos dispostos a dar. Por vezes dizemos: «Não entendo a Palavra de Deus.» Mas será sempre falta de compreensão? Ou será, por vezes, resistência ao caminho novo que ela nos propõe?Quando deixamos que a Palavra atue, ela não nos anestesia. Pelo contrário, torna-nos mais atentos, mais sensíveis, mais humanos. Faz-nos perceber melhor aquilo que desumaniza, aquilo que precisa de ser mudado, e desperta em nós o desejo de uma vida mais plena.É neste sentido que São Paulo afirma que os sofrimentos do tempo presente não se podem comparar com a glória que há de manifestar-se em nós. A conversão pode implicar algum desconforto, porque abandonar hábitos, corrigir atitudes e recomeçar nunca é fácil. Mas trata-se de uma dor fecunda, que prepara uma vida nova.Deus não nos olha para nos condenar. Olha-nos como filhos muito amados, chamados à plenitude da vida. É por isso que nos dirige a Sua Palavra: para que cresçamos, amadureçamos e demos fruto.Perante este Evangelho, fica uma pergunta para cada um de nós: que espécie de terra sou eu? Um coração endurecido e fechado, ou uma terra fértil, disponível para acolher a semente da Palavra de Deus e deixar que ela produza fruto abundante?
Este podcast explora como a inteligência artificial generativa transformou radicalmente as campanhas de desinformação, tornando-as operações de influência altamente sofisticadas e difíceis de detetar. Os autores salientam que a literacia mediática tradicional, focada apenas na verificação de factos, já não é suficiente perante o surgimento de conteúdos sintéticos que mimetizam perfeitamente a interação humana. O texto detalha a existência de uma indústria global da influência que utiliza algoritmos para explorar vulnerabilidades psicológicas e segmentar públicos de forma automatizada. Perante este cenário, defende-se que as escolas e educadores devem ensinar os alunos a questionar a intencionalidade e a origem das mensagens, e não apenas a sua veracidade. Esta abordagem visa fortalecer a resiliência democrática ao capacitar os cidadãos para navegarem num ecossistema digital onde o real e o fabricado se confundem. Em última análise, a obra propõe um equilíbrio entre a consciência crítica e a necessidade de evitar um ceticismo paralisante na sociedade.
Nas últimas semanas, a África do Sul tem conhecido uma nova onda de xenofobia, com ataques directos, assaltos, agressões físicas, incêndios nas residências e locais de trabalho dos imigrantes, com um balanço de pelo menos quatro mortos, entre os quais dois moçambicanos. Também foram organizadas manifestações em vários pontos do país, nomeadamente Pretória, Joanesburgo, Durban ou ainda a Cidade do Cabo, para exigir medidas do governo para combater a imigração clandestina. Com uma taxa de desemprego a ronda os 33% e um Estado com dificuldades em responder às necessidades básicas da sua população, nomeadamente em termos de saúde e segurança, certas franjas da população sul-africana acabaram por ficar mais sensíveis às mensagens de incitação ao ódio por parte de organizações como 'March and March', ou ainda 'Operação Dudula', que peritos acreditam ser financiadas por partidos políticos. Apesar de já ter terminado no passado dia 30 de Junho, o prazo fixado por estas organizações para os imigrantes em situação irregular deixarem o país, há relatos de que a situação continua tensa. Perante os riscos cada vez maiores para a sua segurança, desde o começo do mês de Junho, dezenas de milhares de migrantes designadamente oriundos da Nigéria, Zimbabué, Maláui e Moçambique regressaram aos seus países pelos seus próprios meios ou com apoio dos seus respectivos governos. Com cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul, o executivo moçambicano refere que “milhares” já regressaram ao país, sendo que uns 1.400 nacionais foram repatriados com o apoio de Maputo. Nestes últimos dias, o governo evocou a eventualidade de se propor às pessoas repatriadas trabalhos nos megaprojectos, ou mobilidade laboral em Portugal e nos Emirados Árabes Unidos, ao abrigo de acordos estabelecidos com estes países. Foi sobre a situação vigente na África do Sul e as condições em que os emigrantes moçambicanos regressam ao seu país que a RFI conversou com Wilker Dias, coordenador da plataforma Decide, que divide o tempo entre Maputo e a África do Sul e tem acompanhado este processo. RFI : Passados 10 dias do fim do ultimato das organizações anti-imigração, qual é a situação vigente na Árica do Sul? Wilker Dias : Em alguns bairros a situação ainda continua tensa, principalmente se formos olhar em alguns pontos em Joanesburgo continuam com alguns focos e temos situações, na maior parte dos casos, claramente visíveis contra os imigrantes ilegais, mas também há alguns outros aspectos. Nós acabamos verificando que existem alguns bairros em que, mesmo sendo o cidadão legal, acaba sofrendo com as represálias desta questão da xenofobia que tem sido recorrente na África do Sul. Um outro aspecto que nós poderíamos aqui levantar é que além das pessoas estarem a serem vitimas, também nós temos estabelecimentos comerciais que acabam levando por tabela esta questão ligada a xenofobia, em que também por um lado, demonstra que não é apenas um acto que é provocado por conta da pressão de estrangeiros no país, mas também ligados àqueles que são os factores de pobreza ou de desemprego, que acaba assolando um pouco parte daquela que é a comunidade sul-africana. RFI : Como é que se explica que, apesar de ter terminado esse ultimato, a violência continua? Wilker Dias : É claramente por isso, porque eles deram um ultimato e claramente que depois deste ultimato, já se previa que seria o início de uma fase mais violenta, em que poderíamos ter feridos e poderíamos ter mortos. E é basicamente isso que ainda continuamos a verificar. Do outro lado, temos moçambicanos mortos, alguns deles contabilizados obviamente pelo Estado. Mas existe também algum número que é difícil de contabilizar e a gente vai recebendo algumas informações com os familiares próximos que habitam daquele lado. RFI : Consta que haverá partidos políticos que financiam essas organizações. Wilker Dias : Essa teoria é quase que normal, que existe até uma altura destas, porque estamos em ano eleitoral na África do Sul. Complica ainda mais. Primeiro, para que o governo tome alguma medida relativamente ao aspecto e alguns partidos políticos também saem contra algumas medidas que podem eliminar esses movimentos. Eu digo isto porquê? Porque se nós formos a ver, há um grande peso da comunidade africana e zulu e esses movimentos anti-imigração são também liderados por zulus. É por esse motivo que nós temos o MK (partido fundado pelo antigo Presidente Jacob Zuma), que decerto apoia o movimento anti-imigração. Já vimos a filha do Jacob Zuma a proferir algumas palavras ‘Também vou apoiar este movimento' e por aí vai. Mas é tudo por uma táctica eleitoral, porque estamos num ano eleitoral. RFI : Tem-se a sensação que o ANC no poder não tem tido propriamente mão firme relativamente a estas violências. Wilker Dias : Sim, o ANC, aquilo que se fala pelos corredores aqui na África do Sul é que o ANC não tem tido esta mão firme por conta deste quesito que é o ‘factor ano eleitoral', porque as coisas nas últimas eleições não correram bem, porque ganharam, obviamente, mas não foram naqueles números desejados. E o facto de não ter ganho os números desejados é a fragilidade que o ANC foi enfrentando ao longo dos tempos. Se tivermos este ir contra estes que defendem os movimentos, neste caso anti-imigração, isto poderá ter consequências ainda piores para o próprio ANC. Então, por isso tem que fazer um jogo um pouco mais neutro para encontrar alguma solução para tudo isto. RFI : Wilker Dias anda entre a África do Sul e Moçambique e tem estado atento a todo este processo de repatriamento dos moçambicanos que estavam radicados na África do Sul. Como é que eles chegam? Em que situação é que eles se encontram? O que é que eles contam? Wilker Dias : Temos visto pessoas em diferentes situações. Há aqueles que chegam de facto, sem nenhuma documentação, alguns não por serem propriamente ilegais, mas porque naquele processo de saídas às pressas e etc, acabaram perdendo os seus documentos. Nesse caso concreto, o passaporte. E há uma complicação enorme, por vezes do lado sul-africano, em que há denúncias de que para passar do outro lado precisa-se de valores monetários. Estás a voltar para o teu país e mesmo assim precisas de ter algum valor, que é para poder praticamente subornar a polícia ou a imigração para poder passar. Então isto acaba sendo um dos factores que deixa as pessoas muito frustradas com isso. São várias pessoas que já contabilizamos, acho que mais de 50 ou 100 pessoas que já passaram por esta situação a nível da fronteira do lado sul-africano, o que é um factor um pouco negativo. RFI : O governo esta semana disse que tinha ajudado a repatriar cerca de 1400 pessoas provenientes da África do Sul. Tem-se alguma ideia de quantas outras é que terão saído da África do Sul pelos seus próprios meios? Wilker Dias : É um número muito grande. Eu só posso adiantar isso porque é um facto praticamente histórico. A África do Sul, durante anos, sempre foi tido como um eldorado por parte dos moçambicanos e de certeza nós temos lá muitos, principalmente nas zonas ou em regiões mineiras. E isto faz com que nós, a uma altura destas, tenhamos vários moçambicanos que vão atravessar. é só nós irmos a terminal da Junta Rodoviária em Maputo, nós vamos ver lá várias pessoas, tanto moçambicanos e também malauianos que estão daquele lado e que infelizmente uma das coisas que me deixou meio triste com o governo do Maláui é não era haver uma mobilização também forte por parte do governo para tirar aqueles que são os seus cidadãos. Este facto também mostra um pouco daquela que é a falta de união ou preparação por parte dos países da SADC no que diz respeito a esse fenómeno da xenofobia. A diplomacia não está a funcionar a nível da nossa região como deve ser. A própria sociedade está muito tímida relativamente a esse aspecto. Era altura de se unir e aí também olhar-se não só para aqueles que vão sair da África do Sul, mas que olham para Moçambique como o ponto mais próximo para tentar ver o que é que se pode fazer e voltar. Temos muitos cidadãos, a título de exemplo, que também conseguiram ir para a Beira para depois apanhar um comboio e seguir para os outros países próximos. O que revela também um número grande de imigrantes que Moçambique está a receber. E isso também pode trazer consequências para Moçambique, que para além de os cidadãos moçambicanos que estão a vir do outro lado, nós teremos que se calhar encontrar uma medida para aqueles cidadãos malauianos e também de outras nacionalidades que estão a vir para Moçambique e que até podem estar numa situação ilegal. RFI : O Governo comunica bastante sobre o apoio que tem dado aos moçambicanos que têm que sair da África do Sul. Transportam essas pessoas e depois dão-lhes algum apoio, um kit, alguma informação para tentar restabelecer-se. E também falam em projectos para estas pessoas, para serem colocadas em novos postos de trabalho, nomeadamente nos megaprojectos no Norte ou nos Emirados ou em Portugal. O que é que constata no terreno? Wilker Dias : Eu constato que isso é uma miragem. Primeiro ponto : não é só o governo que está a prestar este apoio. Temos, além dos partidos político, temos também visto grupos de cidadãos que se têm mobilizado e também dirigido a estes pontos para poder distribuir refeições e ajudar as pessoas que vêm da África do Sul. Por conta da xenofobia, muitos cidadãos tem-se mobilizado, sensibilizado para este efeito. Relativamente à questão de empregabilidade a nível dos megaprojectos aqui em Moçambique, por aí vai. Eu lhe digo que isto é uma autêntica ilusão. Só para ter uma ideia, antes de ontem nós tivemos uma situação em Maputo, a título de exemplo, onde mais de 1000 pessoas foram concorrer para 30 lugares num supermercado. Ontem tivemos também pessoas que queriam concorrer para a Rádio Moçambique. Mais de 1000 pessoas que estavam a tentar entrar para oito vagas de serventes. Aí vem a seguinte questão. Só para estas oito vagas de servente, lá temos essas 1000 pessoas que nem sequer conseguimos colocar. Agora imagine o nível de desemprego em todo o país. E com estas pessoas que estão a vir, será que vão conseguir alcançar este objectivo? Obviamente que não. E como é que as pessoas vão para Portugal? Com que meios serão mandadas para Portugal? O Governo vai custear os vistos? O Governo vai custear as passagens? Então são essas questões que nós devemos colocar antes de poder proferir esse tipo de coisas. Eu acho que foi mais um discurso politicamente bonito, que é para tentar sacudir a poeira de cima do capote. Mas é ilusório. Isso não vai acontecer. RFI : E a seu ver o que é que pode ser melhorado? Wilker Dias : Eu acho que uma das coisas que nós deveríamos tentar fazer era um comité de gestão para este caso em específico, em que colocaríamos se calhar não só a componente financeira, mas também a componente diplomática, como falei, a questão da assistência alimentar, pelo menos garantir o regresso às suas residências. Eu acho que isso poderia ter sido feito ou poderá se fazer de uma forma muito mais forte. Mas, infelizmente, às vezes nós não temos este hábito de lidar bem com questões ligadas à gestão de crise.
O Governo venezuelano quer reabrir o principal aeroporto do país a voos comerciais "o mais rapidamente possível" após os sismos que a 24 de Junho devastaram o país. O balanço de mortos não para de aumentar. Segundo as autoridades venezuelanas, 3.811 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas. De acordo com as Nações Unidas, os desaparecidos podem chegar aos 50.000. Muitos sobreviventes ficaram sem abrigo ou em abrigos improvisados em parques, sem perspectivas de futuro. O aeroporto internacional Simón Bolívar, que serve Caracas, fica em La Guaira, o epicentro do duplo sismo de magnitude 7,2 e 7,5, que reduziu a escombros dezenas de edifícios residenciais. Várias equipas de socorro estrangeiras já se retiraram do local, após não encontrarem sinais de vida. O balanço de mortos não para de aumentar. Segundo as autoridades venezuelanas, 3.811 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas, 6.462 foram resgatadas dos escombros e 17.907 pessoas ficaram sem habitação. De acordo com as Nações Unidas, os desaparecidos podem chegar aos 50.000. Muitos sobreviventes ficaram sem abrigo ou em abrigos improvisados em parques, sem perspectivas de futuro. Lucecita Fernandes, presidente da Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas em Caracas, traça um retrato marcado pela dor, pela incerteza e pela solidariedade dos dias que se seguiram à tragédia que atingiu a região de La Guaira. A presidente da Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas em Caracas, Lucecita Fernandes, traça um retrato marcado pela dor, pela incerteza e pela solidariedade dos dias que se seguiram à tragédia que atingiu a região de La Guaira. Segundo a dirigente associativa, o cenário tem mudado à medida que passam os dias. Se, numa primeira fase, todos os esforços estavam concentrados no resgate de sobreviventes, a prioridade começa agora a deslocar-se para a recuperação dos corpos das vítimas mortais, permitindo às famílias fazer o funeral e iniciar o processo de luto: "Nos primeiros dias, toda a energia da sociedade civil foi colocada no resgate de pessoas com vida. Agora, com o passar do tempo, as famílias fazem pressão para que também sejam encontrados os corpos dos seus entes queridos". A responsável admite que algumas vítimas poderão nunca ser encontradas, mas recorda que, para as famílias, a ausência de um corpo não diminui a dimensão da perda. Apesar da devastação, Lucecita Fernandes diz que permanece a esperança. Reconhece que o sentimento dominante é de tristeza, impotência e dor, mas destaca igualmente a enorme onda de solidariedade entre os venezuelanos: "A capacidade de partilha continua muito presente na sociedade venezuelana". Perante uma tragédia que atinge praticamente todas as famílias, a dirigente considera que o apoio emocional passa sobretudo pela empatia e pela capacidade de escutar quem sofre. "Quem está mais forte tem de amparar quem está mais fragilizado. É assim que uma sociedade consegue levantar-se depois de momentos tão difíceis." Num país profundamente religioso, a fé continua também a desempenhar um papel fundamental. Lucecita Fernandes recorda os testemunhos de sobreviventes resgatados ao fim de vários dias sob os escombros: "Os primeiros agradecimentos são sempre dirigidos a Deus. Muitos dizem que sobreviveram porque rezaram, porque acreditaram e porque nunca perderam a esperança." "Isto não é uma tragédia que se resolve num mês ou em dois meses. Esperamos que a solidariedade internacional continue, sempre com esperança e com a convicção de que a Venezuela conseguirá olhar novamente para o futuro", conclui.
Onde se analisam as conclusões de um encontro ibero-americano sobre o futuro da leitura, destacando a transição preocupante para o formato digital. Especialistas alertam que o consumo de conteúdos em ecrãs promove uma leitura fragmentada, prejudicando a compreensão profunda e facilitando a propagação de desinformação. Perante a queda acentuada no número de leitores, defende-se que as bibliotecas e escolas devem atuar como espaços de resistência cívica e inclusão social. O debate sublinha a necessidade de integrar vozes marginalizadas e de formar mediadores capazes de ensinar a distinguir factos de manipulações. Em suma, a obra propõe que a leitura seja encarada como um direito humano fundamental e uma ferramenta essencial para a liberdade individual.
Portugal enfrenta cinco incêndios considerados críticos, com o de Vouzela a concentrar a maior preocupação. Perante a gravidade da situação, o Governo ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e os acordos com Espanha e Marrocos. Espanha respondeu de imediato, enviando um avião Canadair. O país está sob alerta devido ao calor extremo e ao elevado risco de incêndio, com milhares de operacionais mobilizados no combate às chamas. Para debater a situação em que se encontra Portugal, Bernardo Ferrão e Ângela Silva moderam o Expresso da Meia-Noite de 03 de julho, com Carlos Câmara, climatologista; Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil; Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria; e Duarte Costa, e especialista em alterações climáticas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Perante a doença de um filho, a minha amiga não hesitou em afirmar que, a partir daquele momento, as prioridades da sua vida se tinham alterado
Depois de quase quinze dias de forte onda de calor pela Europa e nomeadamente aqui em França que conheceu o segundo episódio deste tipo desde Maio, o governo faz um primeiro balanço da gestão desta crise, numa reunião interministerial nesta segunda-feira. De acordo com dados provisórios da Agência de Saúde Pública francesa, foram registados cerca de mil mortos suplementares comparativamente à média registada no mesmo período em anos anteriores. Ao longo destes dias, foram numerosas as unidades de saúde a encontrar dificuldades perante o afluxo massivo de utentes com problemas provocados ou agravados por temperaturas que rondaram ou ultrapassaram os 40 graus. Perante esta crise que reaviva a lembrança ainda muito presente dos mais de 10 mil mortos da onda de calor de Agosto de 2003 aqui em França, o governo tem sido acusado pela oposição de não ter sido suficientemente proactivo no domínio da saúde, com um investimento nesse sector a diminuir de ano para ano. Foi neste contexto que Paulo da Silva Moreira, médico e antigo eleito local na região da Yonne, a sul de Paris, fez um primeiro balanço destes últimos dias. RFI: Qual é o primeiro balanço que faz da gestão desta crise? Paulo da Silva Moreira: Durante estes últimos dias, o Estado ainda não contabilizou completamente as pessoas que faleceram, porque há sempre um tempo entre o momento em que as declarações são feitas e em que elas são analisadas. Mas pode-se dizer que por já houve mortos, Não houve tantos mortos como nas anteriores fases de calor. O que foi feito ao nível da saúde foi anular tudo o que era concertos, exposições, manifestações de rua, e também prevenir a população, o que aconteceu efectivamente desde o princípio, com 'spots' na televisão e no rádio, informando as pessoas sobre as boas práticas com ondas de calor. Estamos informados que vai repetir-se três ou quatro vezes no ano com a mudança do tempo. Temos que repetir essas medidas cada vez. Vai haver sempre mortes, porque essa fase é sempre difícil para pessoas que estão em fases de doenças crónicas mal estabilizadas. Mas também os jovens não têm cuidado. Por exemplo, as pessoas que vão mergulhar numa água fria e vão ter uma paragem cardíaca, pessoas que ficam muito tempo ou que vão correr ao sol ou andar de bicicleta. Há sempre pessoas que falecem. RFI: Há já alguns dados que começam a sair. Em termos oficiais e em termos provisórios, calcula-se que houve pelo menos mais 1000 mortos do que no mesmo período no ano passado. Há quem considere que estas mortes eram evitáveis. Paulo da Silva Moreira: Quando se conta as pessoas que morreram, na realidade, quando se vê que são pessoas que são frágeis, que têm doenças crónicas, instáveis, a probabilidade de terem morrido nos meses seguintes é forte. O que conta é ver quem é que morreu. Pessoas que estavam em estabelecimentos, isso reduziu muito, porque os estabelecimentos que fazem acolhimento de pessoas idosas estão preparados para essas situações. As câmaras têm todas uma "lista branca", que é uma lista das pessoas que estão sozinhas e que não têm ajuda, ou que vão ter falta de água ou estimulação, para que alguém se ocupe delas, e também, claro, as crianças, as pessoas que estão a trabalhar nas obras e trabalhar nos campos e estão todas informadas com essas situações. O mais importante é não só dizer '1000 mortos', é preciso ver o que é que vai acontecer nos 15 dias que se seguem. Talvez os números de mortos fiquem abaixo da média habitual. RFI: O governo tem sido alvo de ataques por parte da oposição relativamente a tudo o que tem a ver com a activação de planos para efectivamente fazer frente a esta situação. Pensa que estas críticas são injustas? Paulo da Silva Moreira: Penso que são manobras políticas e que estes ataques são injustos porque os meios de combater os efeitos da onda de calor existem. Eles são postos em movimento quando são precisos. Mas infelizmente, há sempre manobras políticas para recuperar essas situações. Vai sempre morrer pessoas não devem morrer, milhares e milhares e milhares, mas vão sempre morrer pessoas com problemas crónicas, da mesma forma que pessoas que morrem no fim do período do inverno. Às vezes há períodos do ano em que há pessoas que morrem mais do que outros. Portanto, são fases que temos que aceitar. As ondas de calor agora são muito focalizadas, são muito contabilizadas. Agora, acusar o governo de que pessoas mais uma vez com doenças crónicas tenham falecido agora, em vez de falecerem daqui a dois ou três ou seis meses, É preciso ser justo. RFI: Ao fim de quase duas semanas de onda de calor em França, o Primeiro-ministro anunciou encomendar alguns dispositivos de climatização para os hospitais. Julga que isto não foi uma medida um pouco tardia, que isto podia ter sido antecipado? Paulo da Silva Moreira: É preciso saber que nem no meu estabelecimento é equipado de sistemas de refrigeração, porque não era o clima que nós tínhamos antes. Essas medidas que foram anunciadas, claro que são insuficientes e é preciso equipar todos os hospitais franceses, porque o problema existe em todos os estabelecimentos, por toda a França. RFI: Qual é a situação neste momento dos hospitais perante esta onda de calor e os efeitos que tem sobre a saúde das pessoas que vão parar às urgências à conta desta situação? Paulo da Silva Moreira: É complicado, as urgências, porque já há sempre muita gente que vem nesse período, sem falar da temperatura do ar no hospital ou nas urgências. É preciso hidratá-las. É preciso fazer uma selecção do que é urgente e não é urgente. É preciso examiná-las, é preciso instalá-las em qualquer sítio. O problema é não ter lugar, nem ter instalações próprias para poder receber tanta gente. De repente, é evidente que todas as pessoas que têm doenças crónicas, estão mais inquietas e vão consultar mais facilmente, porque todos os anúncios do Estado dizem 'se tiver vertigens, dores, alucinações, cansaço anormal, inchaço de pernas, vá às urgências'. E o problema também não é só a temperatura. Têm que se manter num sistema sem refrigeração. Estas pessoas todas podem passar seis, sete ou oito horas sem ser tratadas, por exemplo. E também há o problema dos serviços de reanimação com aparelhos eléctricos que produzem imenso calor. Portanto, as temperaturas chegam a estar relativamente altas nesses serviços. E o problema é sempre de refrescar o ar. E não é o mais fácil de fazer, porque muitas vezes os hospitais têm arquitecturas modernas. Pensa-se mais no frio, e não no calor, na arquitectura dos hospitais em França. RFI: Há gente suficiente nos hospitais em França para fazer frente a esta situação? Paulo da Silva Moreira: Não há gente suficiente. Quando há situações assim, em que há um monte de gente que chega às urgências, há falta de gente nas urgências, não há capacidade de recolher tanta gente. É o efeito dos anúncios que alertam e que enviam as pessoas às urgências. Tem um efeito preventivo, mas também tem um efeito assustador. E há muita gente que vem às urgências e que não são necessárias de lá irem porque, por exemplo, o inchaço das pernas, tem as pernas um pouco inchadas, mas têm a impressão que o inchaço é importante. Estão cansados, mas não estão assim tão cansados. Podem respirar correctamente e têm a impressão que não podem. Há sempre também muita gente que está em pânico e que vai às urgências com medo. RFI: Apesar da forte onda de calor e apesar de, por exemplo, ter havido eventos que foram cancelados por causa da onda de calor, houve uma série de outras actividades que foram mantidas, por exemplo, exames escolares. Nestes últimos dias, o ministro do Trabalho disse que 'o país não pode parar quando se chega aos 30 graus'. Como é que se pode conciliar o imperativo de proteger a saúde dos cidadãos e, ao mesmo tempo, continuar a actividade? Paulo da Silva Moreira: Acho que há uma diferença entre passar um exame numa sala de exames, num estabelecimento, seja num liceu ou colégio, e um sistema de saúde que recolhe pessoas doentes ou frágeis, fisicamente ou mentalmente. Eu acho que temos também de estar a par do sistema económico e não se pode parar completamente de viver assim que há uma onda de calor. Tem que se continuar a passar exames, tem que se continuar a ir à escola. Talvez modificar os horários, como se faz nos países quentes. Mas não se pode parar. Efectivamente, não é a solução. RFI: O governo reúne hoje a sua célula de crise para fazer um balanço destes últimos dias e, eventualmente, antecipar, já que se prevêem altas temperaturas novamente já a partir da próxima semana. O que é que espera do governo enquanto médico? Paulo da Silva Moreira: O governo vai fazer anúncios como sempre. Vai ser também ocasião de se mostrar e dizer que está a ocupar-se do assunto, mas não vai mudar nada entre hoje e a semana que vai vir. O governo não vai poder mudar as coisas tão facilmente e tão rapidamente. Mas bom, é importante que o governo mostre que toma consciência do problema e que está a tentar a melhorar a situação. RFI: Não espera, por exemplo, que haja um maior investimento na qualidade dos hospitais ou, eventualmente, no equipamento, ou eventualmente reforço em termos de pessoal nos hospitais? Paulo da Silva Moreira: Por já, quanto ao pessoal nos hospitais, é preciso encontrar pessoal para trabalhar nos hospitais. E quando se vê a importância das obras que são necessárias nos hospitais para modificar os sistemas, é um custo e é uma organização muito complicada. Portanto, é preciso ser realista. Não sei quando é que vai acontecer.
O impacto disruptivo dos óculos inteligentes com inteligência artificial na integridade dos sistemas educativos e nos modelos tradicionais de avaliação. Os textos descrevem casos reais de fraude académica na Ásia, onde dispositivos discretos permitem projetar respostas diretamente nas lentes dos alunos, superando facilmente a média das classificações humanas. Em Portugal e no Reino Unido, autoridades alertam que os métodos de vigilância atuais se tornaram obsoletos perante tecnologias quase impercetíveis que se estão a tornar produtos de consumo em massa. As imagens complementares ilustram esta realidade, demonstrando como a IA consegue resolver enunciados complexos de engenharia em tempo real através da câmara do dispositivo. Perante este cenário, os especialistas sugerem que a solução não passa apenas pela proibição, mas por um redesenho profundo da avaliação escolar, privilegiando o pensamento crítico em detrimento da mera memorização de conteúdos.
Perante as criticas à Seleção, Nani considera que já faz parte da cultura dos adeptos e pede mais ataques a Ronaldo: "Devem continuar a criticar Ronaldo porque ele responde sempre com golos".See omnystudio.com/listener for privacy information.
Um dos temas centrais da Liturgia da Palavra de hoje é o testemunho. O testemunho é natural na vida de qualquer pessoa e, por maioria de razão, na vida de um cristão. Contudo, a nossa linguagem e prática eclesial acabam, por vezes, por o deturpar. Dizemos, por exemplo: «Vou dar testemunho». Mas o testemunho, em rigor, não se dá; o testemunho é-se.Ser testemunha não consiste em preparar um discurso para convencer alguém, como se a fé fosse uma técnica de marketing ou de publicidade. O testemunho é a própria forma de existir. Na maneira como vivemos, falamos, escolhemos e nos relacionamos, manifestamos aquilo que ocupa o centro da nossa vida, quais são as nossas prioridades e qual é a razão pela qual consideramos que vale a pena existir. Ser cristão é, por isso, ser testemunha. Não temos de nos preocupar, em primeiro lugar, em dar testemunho; temos de procurar ser discípulos de Jesus Cristo.A primeira leitura apresenta-nos Jeremias, um homem perseguido, incompreendido e ameaçado por permanecer fiel à missão que Deus lhe confiara. No meio da perseguição, porém, ele reconhece: «O Senhor está comigo como herói poderoso». Esta é também uma das grandes dificuldades da vida cristã: muitas vezes sentimo-nos sozinhos. E sentimo-nos sozinhos porque talvez já não prestemos atenção suficiente à presença de Deus ou porque nos isolamos, pensamos apenas a partir de nós próprios e esquecemos que pertencemos a uma comunidade.Deus fala-nos também através dos irmãos e das irmãs que connosco vivem a fé. Por isso, é tão importante estar inserido numa comunidade: nela encontramos mediações de Deus que nos recordam, alentam, confortam e, quando necessário, também nos despertam e corrigem.Perante o sofrimento, podemos pensar que o mal vence. São Paulo, na segunda leitura, não ilude a realidade: o mal e o pecado existem, e todos sentimos as suas consequências. Mas o mal não tem a última palavra. Mais forte do que o pecado é a graça; mais forte do que a nossa fragilidade é a fidelidade de Deus.No Evangelho, Jesus reafirma esta certeza: Deus está presente, sustenta-nos e conhece-nos profundamente. «Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.» Esta imagem diz-nos que nenhum aspeto da nossa vida é insignificante para Deus. Podemos não nos conhecer plenamente nem reconhecer as feridas e os medos que nos habitam. Deus, porém, conhece-nos e não nos abandona. Por isso, podemos confiar n'Ele e deixar que a nossa vida, com o desejo sincero de seguir Jesus Cristo, se torne testemunho do seu amor.É importante, contudo, não confundir testemunho com exemplo. O exemplo apresenta frequentemente alguém irrepreensível, acabado, quase inacessível. O testemunho cristão não consiste em afirmar: «Eu faço tudo bem». Consiste antes em reconhecer: «Eu apoio-me na força de Deus; confio na sua graça». Muitas vezes falhamos, somos infiéis e não correspondemos ao discípulo que Jesus espera. Mas o essencial é desejarmos segui-Lo e confiarmos mais na sua misericórdia do que nas nossas capacidades.Por isso, às vezes, é precisamente quando as coisas correm mal que o testemunho se torna mais verdadeiro. Quando tudo parece contrário e, apesar disso, conseguimos dizer: «Deus está aqui; Deus sustenta-me; Deus ampara-me», então a nossa vida aponta para além de nós.Bento XVI definiu de modo admirável o testemunho cristão: somos testemunhas quando, através das nossas ações, das nossas palavras e do nosso modo de ser, é Outro que se manifesta. Não somos testemunhas quando atraímos a atenção para nós, mas quando apontamos para Jesus Cristo, para Deus e para a sua graça.Não precisamos, portanto, de nos apresentar como pessoas impecáveis. Se o fizéssemos, não seríamos testemunhas, mas mentirosos. Somos testemunhas quando podemos dizer, com verdade e humildade: «Sou frágil, falho muitas vezes, mas Deus trabalha em mim». Esta certeza liberta-nos do peso de parecermos perfeitos e permite-nos viver a fé com mais confiança, mais verdade e mais alegria.
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O Mundial tornou-se um palco de jogadas políticas e restrições às liberdades. Ainda, a mudança de rota na procissão do Corpo de Deus reacende o debate sobre a integração.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Abertura dos trabalhos na Amorosidade
Jesus tira-nos a paz, se pensarmos na paz como calma inerte. No entanto, esta não é a verdadeira paz. Às vezes, gostaríamos de ser ‘deixados em paz': que ninguém nos incomode, que os outros deixem de existir. Não é a paz de Deus. A paz que Jesus traz é como um fogo e exige muito de nós! Pede-nos, acima de tudo, que assumamos uma posição. Perante as injustiças, as desigualdades, onde a dignidade humana é espezinhada, onde os frágeis são privados da palavra: assumir uma posição (Leão XIV, Audiência, 22/11/2025).
Hoje sem a companhia do Oliveira, a quem enviamos um sentido abraço, mas com a participação especial do Ricardo Loureiro, abordámos a vitória do Torreense na final da Taça de Portugal que, admitamos, ninguém esperava! Perante este autêntico tremor de terra com epicentro no Jamor mas que se fez sentir em Alvalade, poder-se-á dizer que o Sporting fez um época de pesadelo? Igualmente em jeito de rescaldo elegemos os nossos “onzes” da temporada no futebol português, antecipamos a segunda mão do playoff de promoção/despromoção da Primeira e Segunda Ligas, sendo que não poderíamos deixar igualmente de fazer a antevisão da final da Liga dos Campeões. Last but not the least – esta é para ti, Oliveira -, comentamos a convocatória da Selecção Portuguesa para a fase final do Mundial de 2026.
No programa desta semana, tempo para Inês Rogeiro confessar a sua vontade em completar a caderneta de cromos do Mundial de 2026, mas garantindo que tal é "impossível" dado o volume de pessoas interessadas. Perante tal, a advogada chega a contar: "Cheguei a estar numa loja onde havia carros em segundas e terceiras filas para ir tentar comprar cromos. Uma loucura, o espaço disse que recebeu mais de mil pessoas". Luís Pedro Nunes comenta uma 'outra loucura' com a Swatch AP, com José de Pina visivelmente chateado com quem "guarda mesas" antes de ter comprado os produtos a consumir. Já Luana do Bem lança um repto à prática do clickbait: "Está a condicionar tudo e todos. (...) As pessoas vão deixar de falar porque estão sempre a enganar-nos". Com moderação de Pedro Boucherie Mendes, o Irritações foi emitido a 22 de maio, na SIC Radical. * A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IASee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Bruno Cardoso Reis afirma que a cimeira na China expõe a fragilidade dos EUA e o poder chinês. Destaca ainda o impasse no Líbano e a "guerra" interna nos BRICS entre o Irão e os Emirados.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta eleição conta com cinco formações políticas, entre elas o MpD, liderado por Ulisses Correia e Silva, que se candidata pela terceira vez ao cargo de primeiro-ministro. O partido apresenta como prioridades a diversificação da economia, a aposta na transição energética e a continuidade das políticas de desenvolvimento implementadas nos últimos anos. O país alcançou a taxa de desemprego mais baixa de sempre, fixada em 4,9% no segundo semestre de 2025. Ainda assim, os jovens continuam a ser os mais afectados pelo desemprego. O que pretende fazer o MpD nesta legislatura que não foi capaz de fazer nos últimos dez anos? Em primeiro lugar, 4,9% é a taxa de desemprego global geral. Ao nível dos jovens, onde ainda temos uma taxa de desemprego elevada, à volta dos 20%. A população activa aumentou 4,4%, assim como aumentou o número da população empregada. Isso deita por terra a ideia de que aceitar imigração massiva é um elemento que acabou por, quase, “adocicar” a taxa de desemprego. Não é verdade. Em segundo lugar, as pessoas têm a liberdade de procurar o melhor para as suas vidas. Nós não entendemos isto como um drama. É uma fase transitória. Já temos algumas experiências que estão a demonstrar o contrário: alguns jovens, depois de terem ido para Portugal, chegam à conclusão de que têm de ponderar duas vezes. E alguns estão até a regressar. Desde o primeiro mandato, o senhor defende uma economia virada para o crescimento. Nesta eleição, propõe uma diversificação da economia através da economia azul. De que forma pensa fazê-lo? Já está a acontecer. Nós temos hoje uma economia azul a contribuir cada vez mais para o PIB, estando já próxima dos 20%. A nossa perspectiva é que atinja 25% nos próximos tempos, através de uma maior contribuição da indústria pesqueira transformadora e da aquacultura, que já começa a ter uma actividade exportadora. Através do posicionamento de Cabo Verde no negócio de transhipment, com o investimento que está a ser financiado pela Global Gateway da União Europeia no Porto Grande do Mindelo, queremos posicionar-nos no trânsito de contentores e nas pescas, quer industriais, quer artesanais. Temos aqui todo um caminho que conduz e conduzirá ao aumento da contribuição da economia azul no PIB. A economia digital também é fundamental. Há uns anos não se falava disto, falava-se apenas de telecomunicações. Hoje temos dois parques tecnológicos a atrair e reter quadros qualificados, 350 empresas instaladas, algumas delas multinacionais, que já produzem e exportam serviços tecnológicos para a Europa e para os Estados Unidos. É isto que vai fazer a diversificação da economia, para além do turismo, que ainda tem um grande potencial de crescimento e de diferenciação, conforme as ilhas. Apesar dos avanços na saúde, persistem desigualdades entre ilhas. Que soluções preconiza o MpD para garantir um acesso equitativo à saúde? Há partidos na oposição que defendem a gratuitidade dos serviços. Há partidos da oposição que não fazem contas, não fazem a avaliação das consequências das suas medidas. Nós aumentámos a isenção da taxa moderadora de saúde e alargámo-la a uma série de cuidados para pessoas com deficiência, pessoas idosas, crianças até aos cinco anos, mulheres em período de gravidez e pessoas com doenças crónicas. Mas as pessoas que tenham capacidade contributiva devem pagar. Em segundo lugar, a saúde é essencialmente uma área que tem a cobertura da Segurança Social, garantindo que aqueles que trabalham tenham cobertura e assistência médica e medicamentosa através da Segurança Social. Depois, estamos também a introduzir e a impulsionar o seguro privado de saúde, para haver complementaridade e garantir, essencialmente, aquilo que é a cobertura de redes de proximidade dos serviços de saúde, centros de saúde e redução da procura de evacuação externa. Hoje, Cabo Verde já não faz evacuação para Portugal de doentes crónicos porque temos centros de diálise. Essa é uma tendência que queremos depois transportar para o novo Hospital Central de Cabo Verde, que está a ser construído, para podermos também dar resposta a doenças que têm uma grande procura de evacuação externa. Estou a falar da oncologia, cardiologia de intervenção, neurocirurgia e oftalmologia. Por último, queremos um bom serviço de emergência médica pré-hospitalar. Sendo ilhas, não é possível ter hospitais em todas elas. Mas tem de ser possível que qualquer cidadão, onde estiver, possa ter acesso a serviços de cuidados de referência. Se for ao nível da atenção primária, estará mais perto dos centros de saúde; se for ao nível do sector secundário, estará ao nível dos hospitais regionais; e, ao nível terciário, estará no novo hospital que iremos construir, com um nível de qualidade superior. Os transportes continuam a ser um desafio no país. O que falhou nestes últimos dez anos? Porque é tão difícil garantir as ligações aéreas e marítimas entre ilhas? Porque é difícil em qualquer país arquipelágico, sendo ilhas de pequena população e de rendimento médio-baixo. Viabilizar um determinado número de aviões e barcos para pequenas populações, de baixo rendimento e com o mercado fragmentado, significa custos acrescidos, que só são possíveis com subvenções e indemnizações compensatórias por parte do Estado. Aquilo que temos hoje é um sistema de transportes interilhas que, mesmo tendo problemas, não entrou em disrupção. Em segundo lugar, estamos a aumentar aquilo que é necessário aumentar: a oferta. Há mais barcos, temos embarcações em construção de raiz e mais dois barcos que chegarão brevemente ao país, além de um terceiro barco para uma linha dedicada Fogo-Brava, para podermos desencravar esta ilha, porque não tem aeroporto. Na aviação também teremos mais aparelhos, que já estão encomendados, para podermos aumentar a oferta. A regionalização é um tema recorrente no debate político em Cabo Verde. Porque é que o MpD ainda não foi capaz de avançar com este projecto? Porque não depende só do MpD. A regionalização é uma lei que exige uma maioria qualificada de dois terços do Parlamento. O MpD apresentou, em tempos, uma proposta de lei, mas o PAICV não a viabilizou. Perante isso, preferimos seguir um caminho diferente. Aquilo que fizemos foi investir no desenvolvimento de cada uma das ilhas, ter um plano de desenvolvimento regional, trabalhar na coesão territorial e criar todas as condições de base, quer económicas, quer sociais, quer de mobilidade — área em que ainda temos de melhorar — para que, um dia, possamos ter bases muito sólidas para, havendo consenso, entrar no patamar político. Creio que essa é a melhor via, em vez de colocar o político à frente. Numa altura de maior pressão migratória global, que políticas propõe o seu partido para apoiar a diáspora cabo-verdiana no mundo? Temos já um forte pacote implementado. Nós definimos a diáspora como uma das centralidades do país, porque somos mais do que as ilhas e os seus 500 mil habitantes. A nossa política concreta é reforçar aquilo que tem sido um grande sucesso, que são os serviços consulares digitais. Melhorámos significativamente o nível de atracção de investimento por parte da nossa comunidade emigrada, com incentivos no Estatuto do Investidor Emigrante, fiscais e financeiros, e temos como grande prioridade atrair competências e capacidade para o país. Considera que, ao nível do Parlamento, a comunidade está bem representada? Acho que a representação é boa. Nós temos 72 deputados e seis deputados da diáspora, dois por cada círculo. Proporcionalmente, é uma boa percentagem. E não podemos aumentar significativamente essa proporção porque temos também de garantir proporcionalidades internas. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas defende o MpD para lutar contra este flagelo? O partido é muitas vezes acusado de não trabalhar na prevenção. Essa acusação não corresponde à verdade. Nós trabalhamos na prevenção. Temos um programa de adaptação e a nossa contribuição nacional determinada, relativamente às regras internacionais, está definida e está a ser implementada. Temos um forte programa de transição energética para, em 2026, atingirmos mais de 35% de penetração de energias renováveis na produção de electricidade, chegarmos aos 50% em 2030 e a mais de 80% em 2040. Isso significa reduzir a dependência face aos choques energéticos externos, como temos assistido. Estamos também a trabalhar numa forte estratégia de diversificação da água para a agricultura, aumentando a nossa capacidade de dessalinização da água, massificando a reutilização de águas residuais e a rega gota-a-gota. Criámos ainda um Fundo Nacional de Emergência, capitalizado todos os anos através do Orçamento do Estado e de donativos, o que permitiu, por exemplo, accionar rapidamente mecanismos de financiamento e recuperação sem necessidade imediata de recursos externos. Temos de estar cada vez mais preparados para a adaptação e mitigação dos efeitos das alterações climáticas. Perante os conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente, que posicionamento deve Cabo Verde assumir em termos de política externa? O nosso posicionamento é sempre definido no sentido da defesa dos nossos interesses nacionais. Nós não fazemos o jogo da geopolítica. Os nossos parceiros sabem exactamente quais são os nossos posicionamentos, sabem quem são os nossos parceiros privilegiados e sabem qual é a nossa visão, particularmente na defesa da nossa localização geoestratégica. Num contexto global de pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios para Cabo Verde e como enfrentá-los? Continuar a ser uma democracia estável e garantir que sejamos cada vez menos expostos a fenómenos que hoje estão mundializados, como o populismo, o extremismo ou a ideologia da pós-verdade. Lideranças que tendem a conduzir o país para determinado nível de enfraquecimento da democracia podem tornar as coisas complicadas. Como responde às críticas sobre alegadas represálias a municípios que não são da mesma cor política do Governo, ou às críticas feitas à imprensa? Essas críticas não têm razão de ser. É claro que as pessoas são livres de criticar, mas também são livres de ouvir o contraditório.
Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta eleição conta com cinco formações políticas, entre elas o PAICV, que concorre nos 13 círculos eleitorais. O líder do PAICV, Francisco Carvalho, defende uma reforma do Estado centrada na gratuitidade do ensino superior e saúde, propondo ainda a diversificação da economia, com aposta no turismo, agricultura, pesca. A proposta do PAICV assenta na visão de “Cabo Verde para todos”, e defende – entre outros- uma profunda reforma do Estado? O que prevê esta reforma ? Esta reforma profunda do Estado de Cabo Verde prevê que o Estado assuma determinadas funções que estão na Constituição da República e que, até agora, não assumiu, nomeadamente na área da educação, ensino superior e formação técnico-profissional, cujo acesso passará a ser gratuito. O Estado tem capacidade para comportar esta despesa? Onde é que o senhor vai buscar esses fundos? Há uma pergunta que nunca se colocou. No momento em que se elaborou a Constituição da República, definiu-se uma meta a ser alcançada, mas não se fizeram as contas para a sua concretização. A mesma pergunta nunca se colocou quando se tratou da garantia da segurança do país, do pagamento da polícia, quando se tratou também da questão da garantia de ter as escolas a funcionar, do pagamento de professores, ou quando se assumiu o pagamento de médicos e enfermeiros. O que nós estamos a fazer aqui é o alargamento destas condições às outras que o Estado já vinha assumindo e que estão todas previstas na Constituição da República. O senhor defende ainda a redução da dimensão do Governo. De que forma será implementada essa medida? Defendemos a redução da dimensão do Governo para podermos libertar recursos e, assim, financiar estas áreas. Eu coloquei a questão da Constituição da República para demonstrar que há uma razão de fundo para que nós façamos isto e assumamos estas responsabilidades. Por outro lado, nós temos várias gorduras ao nível do Estado que devem ser cortadas e, a partir desse corte, vamos estar em condições de libertar recursos para financiar o Estado. Face à dependência do turismo e das remessas, como pode Cabo Verde diversificar a economia? Começando, desde logo, pela diversificação do próprio turismo. Esse é o primeiro passo a ser dado. Cabo Verde tem excelentes condições para o desenvolvimento do turismo rural e do turismo de montanha. Excelentes condições para isso. E é um tipo de turismo que tem um impacto muito maior e muito mais directo no rendimento das famílias. Por outro lado, a grande aposta que vamos fazer é no desenvolvimento do sector primário: agricultura, pesca e criação de animais. Uma aposta na economia azul? Uma aposta na agricultura, na criação de animais e na economia azul, sim, sem dúvida. Cabo Verde é 99% mar. É nisso que vamos apostar: no desenvolvimento da pesca. E, para financiar esse sector, vamos criar um banco agro-azul, precisamente para financiar a agricultura, a pesca e a criação de animais. Os transportes continuam a ser um desafio no país. Quais são as propostas do PAICV para melhorar a mobilidade entre as ilhas? Nós vamos redimensionar a ligação entre as ilhas, garantindo que todos os dias haja pelo menos uma ligação aérea e marítima para as ilhas que têm portos e aeroportos. A grande medida será ao nível dos preços. Fixámos o preço dos transportes marítimos em 500 escudos e o preço dos transportes aéreos em 5000 escudos, assumindo o Estado a responsabilidade constitucional de garantir a mobilidade dos cidadãos dentro do território nacional. Já temos estudos que confirmam que é possível implementar esses valores. Apesar dos avanços na saúde, persistem desigualdades entre as ilhas. O PAICV quer tornar gratuito o acesso aos cuidados médicos. De que forma pensa fazê-lo, quando muitas vezes vemos que são sectores fragilizados? Aqui a visão é global e coerente. Nós estamos a definir um patamar mínimo de serviços de especialidade na área da saúde, que têm de existir em todas as ilhas do arquipélago. Um patamar mínimo em termos de especialidades médicas, de capacidade de análise e de meios auxiliares de diagnóstico. Ao mesmo tempo, vamos criar melhores condições para atrair médicos para as diferentes ilhas e, desde logo, para atrair médicos para Cabo Verde. Vamos apostar no apoio directo à capacitação permanente dos médicos, de modo a tornar atractiva a fixação e o exercício da profissão em Cabo Verde, bem como em subsídios compensatórios significativos, realistas e suficientemente atractivos para que possam permanecer nas ilhas. Por outro lado, vamos alargar a rede de centros de saúde. E, finalmente, vamos construir, sim, um grande hospital de referência aqui na cidade da Praia, para responder à procura, mas também para dar maior garantia às pessoas que procuram Cabo Verde enquanto destino turístico. E que se evitem também as idas ao estrangeiro para receber tratamento médico? Nós temos um grande problema em Cabo Verde em termos de evacuações. As evacuações são morosas e extremamente complicadas para as pessoas. Vamos formalizar essa ligação entre Cabo Verde e Senegal, criando protocolos que permitam alternativas às evacuações que, neste momento, na sua grande maioria, são feitas para Portugal. A regionalização é um tema recorrente no debate político em Cabo Verde. Que modelo defende o PAICV para descentralizar o poder? Esta é uma questão à qual devemos responder através do diálogo. Eu proponho e defendo claramente, um referendo sobre esta matéria, de modo a permitir que cada cabo-verdiano possa exprimir livremente a posição que considera ser a melhor. Uma comissão totalmente independente deverá organizar todo o processo e implementar o referendo, deixando que o povo cabo-verdiano decida aquilo que quiser. Numa altura de maior pressão migratória ao nível global, que política propõe o PAICV para apoiar a diáspora cabo-verdiana? A retoma da Estratégia Nacional de Imigração e Desenvolvimento, uma estratégia que já tinha sido elaborada e aprovada em 2016. O Governo do MpD atirou a Estratégia Nacional de Imigração e Desenvolvimento para o caixote do lixo, desprezando completamente um trabalho que tinha sido elaborado em parceria e sob orientação técnica da Organização Internacional para as Migrações. Já tínhamos a estratégia elaborada, bem como os respectivos planos de acção. Vamos retomar tudo aquilo que pode e deve ser feito, e que o cabo-verdiano merece. A estratégia aborda todo o percurso migratório: desde a preparação pré-partida, ao acolhimento nos países de destino, ao desenvolvimento das relações da diáspora com Cabo Verde, até ao momento do retorno. A estratégia prevê tudo isso e nós vamos retomá-la integralmente. O Conselho das Comunidades será uma espécie de parlamento da emigração cabo-verdiana, onde as comunidades da diáspora terão representantes para fazer ouvir a sua voz. E vamos fazer algo de muito importante para os emigrantes: mudar a imagem que têm da alfândega. Queremos uma alfândega célere, rápida, que faça com que o emigrante tenha gosto em vir a Cabo Verde tratar dos seus assuntos. E, por isso, é também fundamental criar melhores condições para os profissionais cabo-verdianos que trabalham nas alfândegas. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas defende o partido para lutar contra este flagelo? É preciso ter planos concretos, porque nunca poderemos controlar totalmente as alterações climáticas. Todos nós estamos conscientes disso. Mas podemos mitigar, antecipar e planificar. Vamos reforçar de forma imediata todo o Serviço Nacional de Protecção Civil. Uma grande aposta será feita nas energias alternativas, criando em Cabo Verde um modelo energético mais saudável e mais compatível com os cuidados que devemos ter com o ambiente no seu todo. Perante os conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente, que posicionamento deve adoptar Cabo Verde em termos de política externa? Devemos criar, tanto quanto possível, um ambiente de paz, concórdia e diálogo ao nível global. Num contexto global de crescente pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios para Cabo Verde e como pode o país enfrentá-los? A crescente descrença dos cidadãos, dos eleitores, nos políticos, nas políticas e nos partidos políticos. Isto porque o que temos observado, um pouco por todo o lado, é o falhanço em termos de compromisso. Os eleitos, depois, esquecem-se dos compromissos que assumem. Esquecem-se, ou fingem que se esquecem, dos compromissos assumidos com os cidadãos. E isto acaba por provocar descrença, afastamento e um crescimento da abstenção. As nossas propostas são propostas que vieram das ruas. As nossas propostas vieram do encontro directo que fomos tendo com os cabo-verdianos, sentindo as suas necessidades básicas e fundamentais, para podermos resolvê-las e, assim, começar a construir o Cabo Verde desenvolvido, que é o sonho de todos nós.
Relatório da OCDE revela um declínio acentuado na saúde mental de crianças e jovens ao longo da última década em diversos países. Embora a pandemia de COVID-19 tenha intensificado o problema, os dados indicam que a tendência negativa de ansiedade e depressão já era visível anteriormente. O estudo identifica factores de risco complexos, como o impacto da digitalização, as pressões académicas e a insegurança económica. As raparigas e os adolescentes mais velhos surgem como os grupos mais vulneráveis, apresentando taxas superiores de sofrimento psicológico e comportamentos de automutilação. Perante este cenário, a organização defende uma abordagem multissetorial urgente que privilegie a prevenção precoce e o apoio comunitário. Além disso, sublinha-se a necessidade de melhorar a recolha de dados para orientar políticas públicas mais eficazes e resilientes.
Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta eleição conta com a participação de cinco formações políticas, entre elas a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), que concorre em 10 dos 13 círculos eleitorais. O líder do partido, João Santos Luís, defende medidas para combater a pobreza, a redução da carga fiscal sobre as importações e um maior investimento na economia azul. A UCID afirma que estas eleições podem representar um momento de transformação para o país. Esse objectivo passa por um maior equilíbrio no Parlamento? Estas eleições são de extrema importância para o país. Gostaríamos de romper com o passado e criar condições para que o país tenha um poder político equilibrado no Parlamento, capaz de promover uma governação equilibrada, de respeito pela população e mais transparente. Após 50 anos de independência e 35 anos de democracia, entendemos que já é tempo de o povo cabo-verdiano ter um sistema político que beneficie verdadeiramente o país e os cidadãos. Neste momento, o país tem mais de 100.000 cidadãos em situação de pobreza absoluta. Continuamos a importar mais de 90% do que consumimos, apesar de os dados macro-económicos se apresentarem razoáveis. Contudo, na prática, existem muitos contrastes, sobretudo ao nível do desemprego. Temos uma taxa de desemprego relativamente baixa, mas que contrasta claramente com a saída desenfreada de jovens à procura de melhores oportunidades noutros países. A UCID propõe um choque fiscal para dinamizar a economia cabo-verdiana. De que forma será implementado esse projecto? Temos uma política fiscal que é inimiga do investimento. Propomos que as alfândegas, que representam cerca de 67% das receitas do Orçamento do Estado, vejam esse peso reduzido através de um plano plurianual. O objectivo é criar condições para que os operadores e agentes económicos beneficiem de uma redução dos impostos pagos na importação de mercadorias e, consequentemente, os produtos possam chegar ao mercado a preços mais baixos. Entendemos que, numa primeira fase, o Estado poderá perder alguma receita, mas essa perda poderá ser compensada através da criação de novos negócios e da expansão das actividades económicas já existentes. É também uma forma de diversificar a economia face à dependência do turismo? Essa é igualmente uma das nossas preocupações: diversificar a economia através de um forte investimento no sector primário - agricultura, pesca e pecuária. O sector transformador deve ter capacidade para atrair indústrias para o país e certificar, com qualidade, os produtos provenientes do sector primário. Infelizmente, sem um sector primário forte, também não podemos ter um sector transformador plenamente funcional. Privilegiando também a economia azul? O país podia, por exemplo, viver apenas do sector da pesca e da aquacultura, mas não existem investimentos suficientes na economia azul. Pretendemos investir fortemente neste sector, através de investimentos estruturantes na pesca, na aquacultura e noutras áreas ligadas à economia azul, para alavancar a economia e criar melhores condições de vida para a população. O senhor afirma que a situação dos transportes em Cabo Verde é caótica. Que propostas apresenta a UCID para melhorar a mobilidade entre as ilhas? Este é outro dos grandes problemas do país. Temos uma política de transportes marítimos e aéreos que já não responde às necessidades nacionais. No caso do transporte marítimo, existe um contrato assinado em 2019 com a Transinsular, posteriormente transformada em Cabo Verde Interilhas, que não serve o país, quer ao nível da regularidade, quer em relação aos navios que se comprometeu a colocar em operação. A UCID entende que é necessário conceber uma nova política de transportes marítimos, capaz de promover uma mobilidade natural e dinâmica da população entre as ilhas, facilitar a circulação dos turistas que visitam o país e contribuir para a unificação do mercado nacional, que actualmente não existe. Relativamente ao transporte aéreo, temos afirmado que os preços praticados nas ligações inter-ilhas são proibitivos. O que pretendemos é criar uma nova política de transporte aéreo inter-ilhas que permita reduzir os custos operacionais e as taxas aeroportuárias, possibilitando assim a redução do preço dos bilhetes. Apesar dos avanços no sector da saúde, persistem desigualdades entre as ilhas. Que soluções defende o seu partido para garantir um acesso mais equitativo? Apesar de alguns avançosterem sido registados ao longo dos últimos 50 anos, continuamos a enfrentar desafios importantes no sector da saúde, sobretudo ao nível do acesso. Há falta de especialistas, principalmente nos hospitais públicos, e a população continua a enfrentar longas listas de espera para consultas de especialidade e exames de diagnóstico. A UCID propõe que o Sistema Nacional de Saúde crie condições para que entre 30% e 40% dos médicos dos hospitais públicos trabalhem em regime de exclusividade, de forma a humanizar o atendimento e reduzir as listas de espera. Além disso, defendemos um forte investimento na formação e capacitação de especialistas em todas as áreas, para que a população encontre respostas adequadas quando procura cuidados de saúde. Para evitar o recurso a cuidados médicos no estrangeiro? Este investimento nas especialidades médicas em Cabo Verde permitirá também reduzir os custos associados às evacuações para o estrangeiro. A regionalização tem sido um tema recorrente no debate político em Cabo Verde. Que modelo defende a UCID para descentralizar o poder? Temos ilhas e municípios com grande potencial de desenvolvimento. O Governo tem feito algum esforço na aprovação de medidas legislativas, mas essas medidas têm sido apenas de desconcentração administrativa e não têm servido eficazmente o país. Precisamos de uma verdadeira descentralização, que permita a afectação de recursos e competências e que dê às ilhas autonomia para desenvolverem as suas potencialidades locais, contribuindo para uma melhor qualidade de vida das populações. Entendemos que a melhor forma de concretizar esse objectivo é através da regionalização. A regionalização não implicará mais despesas para o Estado? A regionalização que defendemos deve ser enquadrada numa reforma profunda do Estado, com o objectivo de reduzir os custos da máquina estatal, diminuir os elencos governamentais, o número de deputados, vários institutos públicos e direcções nacionais, criando assim condições para uma redução global da despesa pública. Esta reforma permitirá uma melhor dinâmica de desenvolvimento para as regiões, ilhas e municípios. Numa altura de maior pressão migratória a nível global, que política propõe o Partido Popular para apoiar a diáspora cabo-verdiana? Entendemos que a diáspora cabo-verdiana tem um contributo fundamental a dar ao desenvolvimento socio-económico e político de Cabo Verde. No entanto, a Constituição da República, aprovada em 1992, estabelece um Parlamento com até 72 deputados. Actualmente, mais de um milhão de cabo-verdianos na diáspora estão representados por apenas seis deputados, enquanto cerca de 500.000 residentes em Cabo Verde são representados por 66 deputados. Existe aqui uma desproporção que deve ser corrigida através de uma revisão constitucional, permitindo uma maior representação e participação da diáspora no Parlamento e no desenvolvimento do país. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas recomenda o partido para lidar com este flagelo? Acreditamos que o país deve investir fortemente em energias renováveis e limpas. É necessário criar condições para reforçar a resiliência do país face às alterações climáticas, apostando na prevenção e em medidas concretas de adaptação. Perante os conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente, que posicionamento deve adoptar Cabo Verde em termos de política externa? Cabo Verde deve adoptar uma posição de não-alinhamento, promovendo o diálogo e contribuindo para a prevenção de conflitos, ao mesmo tempo que reforça uma diplomacia económica ao serviço do desenvolvimento do país. Num contexto global de crescente pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios para Cabo Verde e como enfrentá-los? É necessário trabalhar continuamente na consolidação da democracia. Sabemos que a democracia não é um dado adquirido; é algo que se constrói todos os dias. Em Cabo Verde persistem ainda problemas como represálias, revanchismo, medo e alguma vingança política. Entendemos que, tendo existido um poder mais concentrado ao longo dos últimos 50 anos, é fundamental incentivar a participação dos cidadãos. A democracia exige participação cívica, para que os cidadãos possam escolher de forma consciente os seus representantes e contribuir para o fortalecimento do sistema democrático.
Perante o chumbo do Tribunal Constitucional (TC), o PSD já fez saber que não vai provocar "nenhum conflito institucional", lembrando que o essencial era a Lei da Nacionalidade que já foi promulgada pelo Presidente da República. Já o Chega não está disposto a desistir da perda da nacionalidade como pena acessória para quem comete crimes, com André Ventura a defender que a lei seja confirmada no Parlamento e, caso a Assembleia da República não volte a aprovar o decreto, propõe avançar com um referendo sobre a matéria.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta eleição conta com a participação de cinco forças políticas, entre elas o Partido Popular, que concorre em seis dos 13 círculos eleitorais do país. O líder do partido, Amândio Barbosa, defende a modernização do sistema de saúde, a melhoria das condições salariais e a diversificação da economia, com uma forte aposta na economia azul. É a terceira vez que o Partido Popular concorre às eleições legislativas sem nunca ter conseguido eleger deputados. Qual é o objectivo do partido nesta eleição? O objectivo é eleger uma representação parlamentar. Sempre foi esse o nosso objectivo. Ainda não o conseguimos alcançar, mas estamos convictos de que, desta vez, conseguiremos eleger um ou dois deputados. As prioridades do Partido Popular passam, entre outras, pela gestão da causa pública, pela modernização do sistema de saúde e pela melhoria salarial. Que medidas propõe o PP para responder ao desemprego jovem em Cabo Verde? O combate ao desemprego jovem em Cabo Verde passa pela diversificação das actividades económicas. Não podemos continuar dependentes apenas do turismo. Temos de apostar na industrialização da economia azul. O mar deve ser o principal recurso estratégico de Cabo Verde. A resposta ao desemprego não passa também pela formação dos jovens? Formação é o que não falta em Cabo Verde. O problema não é apenas formar pessoas; é preciso criar empresas e oportunidades de trabalho que permitam aproveitar essa formação. O Partido Popular defende uma melhor distribuição dos rendimentos no país... A distribuição do rendimento em Cabo Verde é um dos grandes desafios do país. Entre 2012 e 2022, os lucros da banca multiplicaram-se por 12, enquanto o salário do cidadão cabo-verdiano perdeu poder de compra devido à inflação e à ausência de actualizações salariais adequadas. Face à dependência do turismo e das remessas enviadas pelos emigrantes, como pode Cabo Verde diversificar a economia? No período colonial, Cabo Verde tinha mais de 12 fábricas de transformação de peixe. Hoje existem apenas uma ou duas. O aproveitamento do mar, das pescas e da agricultura com recurso à dessalinização da água do mar poderia permitir ao país dar um grande salto em frente - algo que, na nossa perspectiva, não aconteceu ao longo destes 50 anos de governação. Uma maior aposta na economia azul? A economia azul deve ser um dos principais motores do desenvolvimento de Cabo Verde. É necessário modernizar as pescas e reformar a agricultura com recurso à água dessalinizada para irrigação. Actualmente, as pescas representam menos de 10% do Produto Interno Bruto, mas acreditamos que esse valor deve atingir 20% ou mais da economia nacional. O senhor preconiza a modernização do sistema de saúde e afirma que os cabo-verdianos enfrentam dificuldades no acesso aos cuidados médicos, enquanto os políticos beneficiam frequentemente de apoios para tratamentos no estrangeiro. Que soluções propõe o Partido Popular para garantir um acesso mais justo e equitativo à saúde? A saúde tem sido o grande parente pobre da governação em Cabo Verde ao longo destes 50 anos. Para tratar muitas doenças, até algumas relativamente simples, somos obrigados a recorrer a Portugal, ao Senegal ou a outros países. A solução passa pela criação de mais hospitais, mais profissionais? Mais tecnologia e mais formação, para que deixemos de depender constantemente do exterior para tratar doenças que poderiam ser resolvidas no país. Os transportes continuam a ser um desafio no país. Que propostas apresenta o Partido Popular para melhorar a mobilidade entre as ilhas? A mobilidade interilhas passa pela criação de uma empresa estatal para o transporte marítimo e outra para o transporte aéreo nacional. Paralelamente, é necessário negociar com grandes companhias africanas, europeias - com a TAP - e com outras empresas internacionais para assegurar melhores ligações aéreas. O Estado deve assumir esse serviço, mas com objectivos económicos bem definidos. Não faz sentido continuar a injectar dinheiro sem resultados concretos. Veja-se o caso da CV Interilhas ou dos TACV, onde se desperdiçam recursos que poderiam ser canalizados para sectores essenciais, como é o caso da saúde. A regionalização tem sido um tema recorrente no debate político em Cabo Verde. Que modelo de descentralização defende o Partido Popular para aproximar o poder dos cidadãos? Somos contra a regionalização. Consideramos que criaria mais uma estrutura pesada do Estado. Defendemos, sim, o reforço do municipalismo, com mais poderes e mais recursos para os municípios, aproximando o poder dos cidadãos. Ainda assim, é um debate legítimo. Se surgirem argumentos sólidos que demonstrem ganhos de eficiência ou redução de custos, estaremos disponíveis para rever a nossa posição. Numa altura de maior pressão migratória a nível global, que política propõe o Partido Popular para apoiar a diáspora cabo-verdiana? A diáspora precisa de um Estado mais próximo e menos burocrático. É necessário facilitar o investimento dos emigrantes em Cabo Verde, algo que actualmente não acontece. Os serviços aduaneiros devem tornar-se mais modernos, eficientes e respeitadores da condição dos emigrantes. Infelizmente, os sucessivos governos limitaram-se a promessas de campanha, sem mudanças concretas. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas recomenda o partido para lidar com este flagelo? Temos de melhorar o planeamento urbano. Não se pode continuar a autorizar construções em zonas de risco, como encostas e ribeirinhas. O poder municipal tem ignorado muitas vezes a política urbanística, permitindo que interesses privados ditem a ocupação do território. Muitas pessoas acabam por construir em áreas vulneráveis porque o próprio poder público o permitiu. Com cidades mais organizadas, planeadas e acessíveis para as famílias com menos recursos, estaríamos mais preparados para enfrentar fenómenos naturais. Perante os conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente, que posicionamento deve adoptar Cabo Verde em termos de política externa? A política externa de Cabo Verde deve continuar a ser moderada e pragmática. Não devemos tomar partido em conflitos internacionais, tendo em conta a fragilidade do país e a dependência externa. Devemos defender a paz, o equilíbrio e o diálogo entre as partes. Hoje, qualquer conflito envolvendo potências nucleares representa um risco para toda a humanidade. Cabo Verde deve manter uma posição neutra e responsável. Num contexto global de crescente pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios para Cabo Verde e como enfrentá-los? A democracia cabo-verdiana já deu passos importantes, mas recentemente Cabo Verde caiu nos rankings internacionais da democracia. Consideramos que isso resulta, entre outros factores, da pressão exercida sobre a comunicação social e de práticas que comprometem a igualdade eleitoral. Quando, a poucos meses das eleições, começam a ser distribuídas cestas básicas, cartas de condução, materiais de construção ou dinheiro num país com elevados níveis de pobreza, isso enfraquece a democracia. Como se pode contornar esta situação? A pressão internacional poderia desempenhar um papel importante, mas actualmente é insuficiente. Também seria necessária uma justiça mais independente e actuante, algo difícil quando os principais responsáveis judiciais são nomeados pelo poder político. Cabe igualmente aos cidadãos questionarem estas práticas, incluindo através das redes sociais, até que exista capacidade para promover mudanças efectivas.
Obras, tradição, religiosidade ou somente Cristo? Diante do tribunal de Deus, o que você apresenta?Neste sermão pregado na Primeira Igreja Presbiteriana de Governador Valadares, o Rev. Jakstone Braga usa o exemplo de Abraão em Romanos 4 para responder uma das perguntas mais urgentes da vida humana: em que, ou em quem, você está confiando para ser justificado diante de Deus?Se você quer entender a fundo o que significa ser justificado pela fé e por que Abraão é o modelo bíblico dessa verdade, esse sermão é essencial.
A inteligência artificial generativa já escreve textos convincentes, resolve equações complexas e produz código funcional. Perante estas capacidades, uma pergunta instala-se nas salas de professores e nos gabinetes de direção: ainda faz sentido ensinar os alunos a fazer aquilo que uma máquina faz mais depressa? A resposta, sustentada por investigação recente e pelo enquadramento que a UNESCO publicou em abril de 2026, é um sim inequívoco — mas um sim que obriga a repensar práticas.
Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta décimas primeiras legislativas contam com cinco formações políticas, entre elas o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS), que concorre em seis dos 13 círculos eleitorais. Jónica Brito Tavares, líder do PTS, defende a diversificação da economia através da economia azul e a descentralização do desenvolvimento entre as ilhas. O partido propõe ainda o reforço da transparência, a melhoria dos serviços públicos, a valorização da diáspora e uma aposta na prevenção das alterações climáticas e no reforço da participação cívica. O partido afirma que não concorre para governar, mas para eleger deputados. Qual é o objectivo político concreto nestas eleições? Estas eleições são eleições para eleger deputados. A figura do Governo e do Primeiro-Ministro é consequência dos resultados dessas eleições. Por isso, o PTS tem uma mensagem que é concorrente a deputados para os assentos parlamentares de que Cabo Verde dispõe: os 72 lugares. Apresentam-se como um partido jovem. Que medidas propõe o PTS para responder ao desemprego jovem em Cabo Verde? Propomos a valorização da mão-de-obra jovem. Hoje temos jovens que, apesar de terem uma formação académica sólida, não se revêem no retorno do investimento que fizeram nas suas vidas, que lhes permita viver. Falamos da valorização, da diversificação de opções de emprego, de oportunidades concretas, transparentes e iguais para todos. Uma maior aposta na formação? A educação sempre foi um factor de mudança de vida na história de Cabo Verde e hoje não é diferente. Os jovens apostam cada vez mais na formação, mas também entendemos que esta formação deve ser direccionada para a realidade do país. Formações no âmbito da economia azul. Fala-se tanto da zona económica exclusiva, da economia azul, mas não se apresenta um plano concreto de como a população de Cabo Verde, principalmente sendo uma população jovem, beneficiará desta economia azul. Quais são os entraves para o desenvolvimento da economia azul? No país, temos jovens pescadores que ainda trabalham de forma bastante artesanal, enfrentando enormes dificuldades para garantir um rendimento digno. É uma actividade que continua a exigir muito sacrifício, com pouca valorização e limitado apoio técnico e financeiro. Por outro lado, existem também jovens empresários que procuram inovar e empreender em áreas ligadas aos desportos aquáticos e à economia do mar. No entanto, muitos acabam por desistir a meio do caminho devido à falta de atenção, acompanhamento e apoio efectivo por parte do Governo cabo-verdiano, sobretudo no que diz respeito à criação de garantias, acesso a financiamento e condições para ampliar o seu campo de actuação. O PTS propõe o fim desta burocracia? O Parlamento é um lugar onde se pode questionar e exigir transparência e exigir que as promessas eleitorais não fiquem pelo período de campanhas eleitorais. Que saiam do papel e cheguem a cada canto de Cabo Verde, de Santo Antão à Brava. Face à dependência do turismo e das remessas enviadas pelos imigrantes: como é que pode Cabo Verde diversificar a economia? A economia azul é uma das opções. O cabo-verdiano sente falta de aproveitar melhor o mar que tem. Temos acordos internacionais e há países que tiram proveito do nosso mar. Mas qual é a percentagem de cabo-verdianos que está, de facto, a beneficiar deste território que temos? Falamos também da diversificação económica e da aposta na produção nacional. A dependência externa tem constituído um bloqueio ao potencial de desenvolvimento de Cabo Verde. Defendemos uma forte aposta na agricultura. Hoje, temos pessoas formadas e com capacidade para impulsionar este sector. Fala-se muito do digital, e essa deve ser uma aposta estratégica de Cabo Verde. Quando pensamos no digital, pensamos em tecnologia, inovação e modernização. Acreditamos que a aposta na tecnologia, em benefício da agricultura, da pecuária, da transformação industrial e até do turismo verde sustentável - que hoje já apresenta alguma dinâmica em ilhas como Santo Antão e Santiago - ainda não tem recebido a devida atenção e equidade por parte dos sucessivos governos. Apesar dos avanços no sector dasaúde, persistem desigualdades entre ilhas. Que soluções defende o PTS para garantir um acesso equitativo? Os avanços neste sector são visíveis. No entanto, o facto de existir uma forte centralização no Hospital Nacional, na Praia, tem criado limitações, sobretudo devido à condição arquipelágica do país. As dificuldades inerentes às deslocações para aceder a estes serviços acabam por sobrecarregar a estrutura nacional de saúde. Temos conhecimento de que já foram apresentadas, por duas vezes, propostas para a construção de um novo hospital nacional. Contudo, isso, por si só, não basta. É necessário descentralizar os serviços de saúde e levá-los a outras ilhas, apostando em infra-estruturas equivalentes e com o mesmo nível de qualidade em ilhas com capacidade para acolhê-las. O objectivo deve ser criar uma rede mais equilibrada e acessível, especialmente em regiões estrategicamente mais próximas de outras ilhas. A regionalização tem sido um tema recorrente no debate político em Cabo Verde. Que modelo defende o PTS para descentralizar o poder em Cabo Verde? Falamos aqui de dar mais poder às ilhas, através da criação de instituições e agências que possam trabalhar, com base em estudos e dados concretos, para uma melhor redistribuição do rendimento. Defendemos também a criação de uma agência voltada para o equilíbrio territorial, que tenha como missão promover maior justiça territorial e criar oportunidades mais equitativas entre as ilhas. Sabemos que a dimensão e as particularidades de cada ilha deverão ser tidas em conta nesse processo. O PTS defende a descentralização política, económica e social, para que todas as ilhas se sintam parte integrante do desenvolvimento do país. Os transportes continuam a ser um grande desafio em Cabo Verde. Que propostas apresenta o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade para melhorar a mobilidade entre as ilhas? Defendemos uma maior transparência no sector. Ao longo dos anos, têm-se verificado várias situações relacionadas com processos de privatização que, na prática, não têm dado uma resposta eficaz. No final das contas, acaba por ser o financiamento público a cobrir as falhas deixadas pelos operadores privados, que não conseguem responder de forma adequada às necessidades do país. Para nós, é fundamental que o Estado assuma um papel central neste sector. Acreditamos que o sector privado é importante em qualquer economia, mas, no caso de Cabo Verde, o Governo deve reconhecer que a ligação interilhas é uma questão de sobrevivência para a população cabo-verdiana. Numa altura de maior pressão migratória a nível global, que política propõe o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade para apoiar a diáspora cabo-verdiana? A diáspora cabo-verdiana é a nossa 11.ª ilha. Temos mais cabo-verdianos fora do país do que dentro dele. Por isso, defendemos o mapeamento da diáspora e uma diplomacia orientada para a protecção e valorização das comunidades cabo-verdianas no exterior. Falamos também da capacidade diplomática de Cabo Verde para negociar melhores condições de integração dos nossos emigrantes, sobretudo num contexto internacional em que a migração enfrenta crescentes tentativas de limitação, contrariando esta ideia de cidadão global com a qual o cabo-verdiano sempre se identificou. Defendemos ainda que a diáspora tenha um papel mais activo e representativo nas estruturas e instituições nacionais. Propomos a criação de um conselho de concertação social que integre representantes da diáspora e defendemos que o projecto do Conselho Nacional das Comunidades deixe de estar apenas no papel e passe efectivamente à prática. O objectivo é garantir que a nossa emigração esteja integrada não só fora do país, mas também na vida institucional e no desenvolvimento de Cabo Verde. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas defende o partido para lidar com este flagelo? Cabo Verde é particularmente vulnerável às alterações climáticas devido à sua condição insular. Tivemos recentemente um episódio que demonstrou que o país não está imune a este flagelo. Propomos medidas de prevenção, sobretudo para reduzir o impacto das mudanças climáticas e evitar que estas continuem a representar tragédias para o povo cabo-verdiano. Devemos apostar em melhores condições de habitação e no aumento do rendimento das famílias, para que as pessoas possam preparar-se melhor para estas calamidades. Falo, por exemplo, de medidas concretas para combater a erosão dos solos e proteger o território nacional. Perante os actuais conflitos internacionais, nomeadamente a guerra no Médio Oriente, qual deve ser o posicionamento de Cabo Verde? Cabo Verde deve ontinuar a trabalhar com os parceiros, no sentido de reforçar a nossa diplomacia, mas, essencialmente, ter em conta que é preciso fazer um trabalho em casa, ouvindo os cidadãos para aproveitar sempre da melhor forma as questões externas. Cabo Verde não tem um posicionamento ou enquadramento directo, mas acreditamos que está claro: a história mundial mostra-nos que a paz é sempre o melhor caminho. Num contexto global de crescente pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios que se colocam a Cabo Verde? E de que forma podem ser enfrentados? A transparência e a boa governação são desafios fundamentais. É também necessário aproximar os cidadãos da vida política, sobretudo num país em que os dados estatísticos mostram que quase 50% da população se abstém de votar. Isso revela que muitos eleitores já não acreditam que o seu voto tenha o devido peso ou impacto nas decisões do país. Por isso, é essencial reforçar a confiança nas instituições e promover uma maior participação cívica. A dimensão humana nunca deve ser esquecida. O PTS defende uma política centrada nas pessoas, em que o objetivo coletivo também respeite e represente as individualidades inerentes à condição humana.
Perante as cedências da CIP, Miguel Relvas diz que, mais uma vez, as associações empresariais capitularam. Já Álvaro Beleza admite que se a UGT aceitar o acordo, o PS viabiliza a proposta do Governo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Perante o anúncio da suspensão do Projeto Liberdade por parte de Donald Trump, o historiador Bruno Cardoso Reis considera que os EUA são cada vez mais um fator de instabilidade e incerteza.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A Ucrânia acusou esta quarta-feira, 6 de Maio, a Rússia de violar o cessar-fogo unilateral anunciado por Kiev, ao lançar uma vaga de ataques aéreos contra várias cidades ucranianas. Segundo as autoridades, foram utilizados 108 drones de combate e três mísseis. Perante esta situação, Kiev apelou aos parceiros internacionais para reforçarem a pressão sobre Moscovo e aumentarem o apoio à Ucrânia. Este episódio ocorre num contexto de anúncios divergentes de cessar-fogo. Na segunda-feira, Moscovo declarou uma trégua para assinalar as celebrações da vitória na Segunda Guerra Mundial, a 9 de Maio, enquanto Kiev afirmou que cessaria as hostilidades dois dias antes. Para a professora de Relações Internacionais da Universidade do Minho, Sandra Dias Fernandes, estes desenvolvimentos indicam que a Rússia não demonstra interesse numa solução de paz. Que significado tem este cessar-fogo anunciado pela Rússia nesta altura? A Rússia, por altura desta celebração - o dia 9 de Maio, que é cada vez mais importante na simbologia russa - assinala a vitória sobre a Alemanha nazi no final da Segunda Guerra Mundial. Convém lembrar que esta data difere da celebrada pelos restantes aliados, que comemoram a 8 de Maio, devido à diferença horária com Moscovo. Temos, assim, celebrações a 8 de Maio na Europa Ocidental e a 9 de Maio na Rússia. Este tipo de cessar-fogo tem sido recorrente desde o início da guerra na Ucrânia: a Rússia decreta-o unilateralmente e, depois, a Ucrânia responde de forma semelhante. No entanto, trata-se sempre de tréguas muito frágeis e de curta duração. Esta situação permite sobretudo à Rússia reforçar, internamente, a importância do 9 de Maio, ao mesmo tempo que mantém acusações recíprocas sobre quem viola o cessar-fogo. Na verdade, não valorizaria excessivamente estas quebras, porque se trata de um cessar-fogo circunstancial, destinado apenas a assinalar esta data simbólica - a chamada Grande Guerra Patriótica - que hoje é utilizada pela propaganda russa para enquadrar a guerra na Ucrânia. A Rússia rejeita a paz ao não respeitar este cessar-fogo, como afirmou o Presidente ucraniano? Essa afirmação deve ser enquadrada num contexto mais amplo. É visível que a Rússia não pretende a paz, e este cessar-fogo não tem como objectivo criar condições para o fim da guerra. É meramente circunstancial. Não visa alterar significativamente a frente de batalha, sobretudo numa fase em que a Rússia não tem conseguido ofensivas decisivas que lhe permitam sair do impasse em que se encontra desde 2023. A Ucrânia conseguiu, pela primeira vez, inverter parcialmente o equilíbrio, favorecendo um certo congelamento da linha da frente. Não creio que este episódio deva ser interpretado como algo determinante para o conjunto da guerra. O facto de a Rússia não querer a paz é algo que se evidencia desde 2022. A Rússia continua a recusar um cessar-fogo efectivo.Moscovo mantém exigências territoriais, nomeadamente em Donetsk. Esse cenário poderá vir a concretizar-se? Esse cenário pode vir a ser possível, mas depende de dois factores essenciais: vontade política e condições operacionais no terreno. Continuamos num impasse em que a Rússia não se assume como parte mais fraca do ponto de vista militar. O tempo tem-lhe sido favorável, permitindo-lhe manter esta situação de “nem ganhar nem perder”, o que contribui para a instabilidade no continente europeu. Há, contudo, sinais de algum desgaste interno - não tanto ao nível de contestação política, mas sobretudo nas condições de vida da população. O aumento de impostos e a pressão sobre pequenas e médias empresas têm agravado esse descontentamento. Além disso, estima-se que entre 20% e 30% do orçamento russo esteja actualmente afecto à defesa, o que também gera tensões internas. Isso poderá, eventualmente, levar Moscovo a procurar um entendimento. Ainda assim, o cessar-fogo associado ao 9 de Maio não deve ser visto como um passo sério nesse sentido. O conflito na Ucrânia começa a ter impacto na imagem de Vladimir Putin e nas eleições que estão previstas para o mês de Setembro? Não terá consequências políticas relevantes. A Rússia não é uma democracia no sentido pleno. As eleições são controladas, tanto ao nível do processo eleitoral como do próprio sistema político. Trata-se, na prática, de um sistema consolidado de poder, com características próximas de um regime de partido único, baseado em lealdades. Não existe uma alternativa real a Putin, e o sistema está estruturado em torno da sua liderança há mais de duas décadas. Mesmo que haja alguma variação nos resultados, estes continuarão a ser elevados. Não há, neste momento, um risco político significativo para o Presidente russo. Este cessar-fogo unilateral pode ter sido uma manobra política da Ucrânia? Se há algo que se pode destacar na actuação da Ucrânia é a inteligência estratégica com que tem gerido esta relação assimétrica - quase de David contra Golias. A forma como respondeu ao cessar-fogo russo demonstra precisamente isso. Trata-se de uma jogada política que visa expor a falta de credibilidade da Rússia. Nesse sentido, foi uma decisão eficaz. Pode também ser uma forma de pressionar a comunidade internacional, numa altura em que a atenção se deslocou para o Médio Oriente? Sem dúvida, mas não lhe chamaria uma manobra - antes uma continuidade do esforço diplomático. Trata-se de uma diplomacia em tempo de guerra, e isso é fundamental ter em conta. A Ucrânia tem desenvolvido uma estratégia diplomática muito activa para não deixar cair o conflito no esquecimento. E este tipo de episódios serve precisamente para voltar a captar a atenção internacional. É verdade que o conflito no Médio Oriente tem relegado a guerra na Ucrânia para segundo plano. Por isso, estes momentos são oportunidades para recentrar o foco num conflito de grande intensidade em território europeu. Além disso, há também uma dimensão estratégica importante: a Ucrânia tem demonstrado disponibilidade para partilhar tecnologia, nomeadamente no domínio dos drones, que se tornaram centrais nos conflitos actuais - incluindo no Médio Oriente.
A gestão de resíduos urbanos e do plástico descartado estão no centro de um problema crescente à escala mundial e Moçambique não é excepção. A incapacidade de dar resposta ao volume de lixo produzido expõe fragilidades estruturais e ambientais. Fenómenos como chuvas intensas ou falhas nos canais de drenagem aceleram o problema. No centro desta crise está o plástico, um material omnipresente e cada vez mais difícil de gerir, agravado por um sistema de produção e consumo que dificulta qualquer solução eficaz. Em Maputo, basta chover com intensidade para que o problema dos resíduos urbanos se revele à superfície: canais de drenagem entupidos, ruas inundadas e toneladas de lixo arrastadas em direcção aos rios e ao oceano. O plástico assume papel central nesta problemática da gestão de resíduos urbanos. O problema não está apenas na falta de civismo ou de infra-estruturas, mas num sistema que produz lixo difícil - ou impossível - de reciclar. “Num único produto […] tem-se vários tipos de plástico, o que torna a reciclagem muito desafiadora e até insustentável”, deixando uma parte significativa destes resíduos sem destino eficaz e mais propensa a acumular-se no ambiente e a ser arrastada para rios e oceanos, alerta Sharon Clésia, assistente de projectos e ponto focal do aplicativo KOLEKT na AMOR - Associação Moçambicana de Reciclagem. A omnipresença do plástico tem consequências directas nos ecossistemas e na saúde humana. “Acaba, de facto, forçosamente no nosso prato”, diz, referindo-se ao percurso dos resíduos que, sem tratamento adequado, chegam aos oceanos e entram na cadeia alimentar sob a forma de microplásticos. Embora mais visível em grandes centros urbanos, o problema estende-se a todo o país. “Eu diria que é igual no país todo. Contudo, os volumes variam consoante o nível de poder de compra”. Mesmo em zonas remotas, a situação é alarmante: “Vimos a presença de resíduos sólidos no mangal de uma forma escandalosa”, explicou a jovem engenheira ambiental, após projectos realizados em regiões como Inhambane. As consequências são múltiplas. Em meio urbano, incluem inundações provocadas pelo entupimento de sistemas de drenagem. Já nos ecossistemas naturais, o impacto é devastador: “O plástico nos mangais […] sufoca o ecossistema” e afecta espécies que dependem destes habitats. “Certos animais confundem pequenos pedaços de plástico com alimento […] e, por meio da cadeia alimentar, vão parar ao prato dos seres humanos.” Perante este cenário, a técnica da AMOR não hesita: “É uma bola de neve […] que precisa ser travada, porque, ao contrário, caminhamos para um precipício, para uma crise de saúde pública.” Uma das respostas encontradas pela AMOR foi a criação do sistema das “moedas azuis”, que incentiva a recolha de resíduos através de compensação financeira: “Colocamos um valor económico como forma de incentivo para a recolha desses resíduos sólidos”. O modelo é simples: por cada quilograma de resíduos entregue, há um pagamento variável consoante o tipo de material. A iniciativa surgiu em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando campanhas tradicionais de limpeza foram interrompidas. “Pensámos que era mais interessante estimular aquelas pessoas que estavam sem trabalho […] com um preço simbólico” e o resultado surpreendeu: “Em cinco semanas tivemos mais de 300 toneladas de resíduos recolhidos.” Desde então, o projecto evoluiu, incorporando tecnologia digital através da aplicação KOLEKT e alargando o seu alcance com financiamento internacional. “Passámos de uma fase experimental para uma estratégia que funciona”, afirmou.
Reflexões sobre os ensinamentos de Jesus à luz do Espiritismo.
Reflexões sobre o capítulo - “Perante a reencarnação” do livro “No portal da Luz”, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Entre os temas desta semana destacam-se as consequências em África da guerra no Irão e o endurecimento da legislação que penaliza a homossexualidade no Senegal. Em Cabo Verde, a ilha de São Vicente passou a contar com um novo Centro Ambulatorial do Hospital Baptista de Sousa, que integra também um Pólo Oncológico destinado a servir as ilhas do norte do arquipélago. Ao mesmo tempo, o país acompanha com preocupação a instabilidade dos mercados internacionais provocada pela guerra no Médio Oriente. Perante este cenário, o governo cabo-verdiano admite suspender a actualização mensal dos preços dos produtos petrolíferos e até subsidiar as petrolíferas. As repercussões do conflito no Irão fazem-se sentir também em São Tomé e Príncipe, onde o governo pondera medidas para evitar uma possível ruptura no abastecimento de combustível. A semana ficou igualmente marcada pela entrada de Elsa Pinto na corrida às eleições presidenciais previstas para Julho. A antiga ministra dos Negócios Estrangeiros anunciou a sua pré-candidatura, defendendo que o MLSTP deve assumir a responsabilidade histórica de participar no escrutínio. Ainda em São Tomé e Príncipe, a Interpol, através da sua estrutura na Polícia Judiciária são-tomense, deteve um cidadão chileno que desempenhava funções como conselheiro especial do primeiro-ministro Américo Ramos, num caso que surge após a recente detenção de outro antigo conselheiro presidencial. Na Guiné-Bissau, a semana terminou com pompa e circunstância no aeroporto de Bissau, com a cerimónia de transferência da gestão do aeroporto Osvaldo Vieira de para a concessionária Osvaldo Vieira International Airport SARL (OVIA) controlada por um grupo empresarial turco. Já em Moçambique, a actualidade foi marcada pela deslocação do Presidente Daniel Chapo a Portugal, onde participou na cerimónia de tomada de posse do novo Presidente português. Em Lisboa, o chefe de Estado moçambicano afirmou que a linha de crédito de cerca de 500 milhões de euros acordada com Portugal em Dezembro poderá vir a aumentar, caso a execução do acordo e o cumprimento dos pagamentos evoluam de forma positiva. A fechar este magazine, o Senegal aprovou um endurecimento da legislação que penaliza a homossexualidade: as penas passam agora de cinco para dez anos de prisão e as multas aumentam significativamente.
Liliana Reis afasta comparações com ataque cirúrgico do ano passado. Agora, o alvo de Trump é o regime iraniano. A especialista em Relações Internacionais acredita que o conflito pode prolongar-se.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Quatro anos depois do início da “guerra de desgaste” na Ucrânia, Miguel Sousa Tavares faz o balanço da investida e da resistência dos dois lados da fronteira. No podcast, falamos ainda da Regionalização e da “atração” autárquica entre PSD e Chega. E não deixamos de lado a nomeação do novo MAI. O cronista, que se assume como amigo do ex-diretor da PJ, elogia a coragem de Luís Neves e contesta as críticas que diz não perceber, como é o caso das palavras de Passos Coelho, “a pitonisa do Governo nestas alturas”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Reflexões sobre os ensinamentos de Jesus à luz do Espiritismo.
Reflexões sobre o capítulo 15 - “Perante ofensas” do livro "Encontro Marcado", pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Abrimos o recapitulativo desta semana em África com Moçambique com as intempéries que provocaram mortíferas cheias essencialmente no sul do país. De acordo com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, para além de mais de uma dezena de mortos só nestes últimos dias e mais de 700 mil pessoas afectadas, o balanço muito provisório da época chuvosa é de pelo menos 123 mortos desde Outubro. Ao longo destes últimos dias, as autoridades tentaram acudir às pessoas que se encontram bloqueadas devido às cheias, com grandes dificuldades pelo meio, como chegou a reconhecer Benvinda Levy, primeira-ministra de Moçambique. Neste quadro já por si difícil, a situação epidemiológica também piorou comparativamente com o ano passado, com um recrudescimento de doenças diarreicas e casos de paludismo. Perante a ausência de sinais de abrandamento das intempéries, o governo deu conta da sua apreensão face à possível ruptura da Barragem de Senteeko, na África do Sul, com possíveis consequências em alguns distritos das províncias e Maputo e Gaza na região do sul do país. Relativamente desta vez a São Tomé e Príncipe, num acórdão datado de 15 de Janeiro, o Tribunal Constitucional apontou violações da Constituição no decreto presidencial de 6 de Janeiro de 2025 demitindo o governo então dirigido por Patrice Trovoada, da ADI, e que depois foi substituído pelo actual primeiro-ministro Américo Ramos, pertencente a uma outra ala do mesmo partido. Reagindo na segunda-feira a este acórdão do Tribunal Constitucional, Patrice Trovoada declarou-se "disponível para voltar à governação do país". Por seu turno, o actual chefe do governo, Américo Ramos, questionou o 'timing' do acórdão, 12 meses depois da demissão do anterior governo. Sobre a disponibilidade de Patrice Trovoada regressar ao poder, ele sublinhou que o acórdão não tem efeitos retroactivos. Refira-se entretanto que a ADI de Patrice Trovoada anunciou esta semana que vai submeter ao parlamento no próximo dia 27 de Janeiro, uma moção de censura contra o actual Governo são-tomense, alegando que “não tem demonstrado habilidade sustentável à governação”. Ao ser auscultado nesta sexta-feira pelo Presidente da republica sobre os pleitos eleitorais deste ano, as presidenciais de Julho e as legislativas de Setembro, a ADI considerou que no caso de a sua moção de censura ser aprovada, poderia colocar-se a necessidade de antecipar a data das legislativas. Em Cabo Verde, a actualidade esteve igualmente virada para calendários eleitorais, com o Presidente José Maria Neves a anunciar as legislativas para 17 de Maio e as presidenciais para o dia 15 de Novembro, sendo que uma eventual segunda volta fica reservada para o dia 29 de Novembro. No Uganda, depois de o Presidente Yoweri Museveni, no poder desde 1986, ter sido declarado vencedor das presidenciais da semana passada com mais de 70% dos votos, a tensão não tende a diminuir no país, com observadores e oposição a denunciar resultados forjados e um clima de violência. Esta semana, o filho do Presidente e chefe do exército ameaçou de morte o principal adversário do pai nas presidenciais, Bobi Wine, que em em entrevista concedida à RFI, disse "ter que se esconder". Relativamente desta vez à Guiné-Bissau, a presidência da CPLP assumida por Timor-Leste na sequência da suspensão da Guiné-Bissau quer que uma missão a Bissau “se realize rapidamente”. Em declarações recolhidas pela agência Lusa, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Bendito dos Santos Freitas, sublinhou tratar-se de um "assunto prioritário". A perspectiva desta missão da CPLP que já vinha sendo discutida desde Dezembro, mas também uma série de pronunciamentos feitos nomeadamente pelo Presidente de Cabo Verde que apelou nestes últimos dias à libertação de todos os presos políticos, mas também pelo chefe da diplomacia portuguesa Paulo Rangel que deu conta da sua preocupação com a situação da Guiné-Bissau após a desestabilização militar de Novembro do ano passado, ou ainda pela eurodeputada socialista Marta Temido para quem se vive uma grave quebra do estado de direito naquele pais, irritaram em Bissau. O porta-voz do governo interino guineense, Fernando Vaz, foi sem rodeios. Respondendo às criticas lançadas pelo governo guineense, o chefe de estado cabo-verdiano, desmentiu qualquer "tentativa de ingerência" nos assuntos internos da Guiné-Bissau. Reagindo igualmente às declarações do actual poder de Bissau, o eurodeputado socialista Francisco Assis afastou qualquer "complexo neocolonialista" por parte de Portugal. Entretanto, relativamente desta vez à Republica Centro-Africana, o Parlamento Europeu aprovou na quinta-feira uma resolução apelando às autoridades do bloco a imporem sanções específicas aos responsáveis pela detenção do luso-belga Joseph Figueira Martins naquele país. Os eurodeputados solicitam também o envio de uma missão à RCA para avaliar a situação daquele humanitário, preso desde Maio de 2024 e condenado em Novembro passado a 10 anos de trabalhos forçados. Em Angola, o parlamento aprovou na quinta-feira em votação final, a lei sobre o estatuto das ONGs, com os votos contra da UNITA que considerou que o diploma restringe a liberdade de associação. Em entrevista à RFI, Zola Álvaro, activista e Presidente da Associação Cívica -Handeka- referiu que esta lei vai dificultar o trabalho das ONGs. No Senegal, estes últimos dias foram de celebração, depois da vitoria da equipa nacional na final do CAN 2025 no passado fim-de-semana em Marrocos contra a equipa da casa. Apesar de esta vitória ficar marcada pela polémica da saída de campo de certos jogadores senegaleses em protesto contra uma decisão do arbitro nos minutos finais do jogo, prevaleceu o espírito festivo em Dacar.
LEITURA BÍBLICA DO DIA: ROMANOS 3:21-26 PLANO DE LEITURA ANUAL: AMÓS 1–3; APOCALIPSE 6 Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira: Durante as férias, minha esposa e eu passeamos de bicicleta. Uma rota nos levou a um bairro de casas milionárias. Vimos os moradores passeando com cachorros, ciclistas e trabalhadores construindo novas casas ou cuidando dos jardins. Era uma mistura de todas as esferas sociais e isso me lembrou de uma realidade valiosa. Não há verdadeira distinção entre nós. Ricos ou pobres. Abastados ou trabalhadores. Conhecidos ou desconhecidos. Todos nós naquela rua e manhã éramos iguais. “O rico e o pobre têm isto em comum: o Senhor criou os dois” (PROVÉRBIOS 22:2). Independentemente das diferenças, todos fomos feitos à imagem de Deus (GÊNESIS 1:27). Mas há algo mais: ser igual diante de Deus também significa que não importa a nossa situação econômica, social ou étnica, todos nós nascemos sob a condição de pecado: “Pois todos pecaram e não alcançam o padrão da glória de Deus” (ROMANOS 3:23). Somos todos desobedientes e igualmente culpados perante Ele, e precisamos de Jesus. Frequentemente, dividimos as pessoas em grupos por vários motivos. Mas, na verdade, todos nós fazemos parte da raça humana. E embora estejamos todos na mesma situação, pecadores que precisam de um Salvador, podemos ser “justificados gratuitamente (ARA)”, declarados justos —reconciliados com Deus por Sua graça (v.24). Por: DAVE BRANON
Perante os casos de invasão do espaço aéreo da União Europeia por drones russos, a Comissão Europeia anuncia a criação de um “muro de drones”. Francisco Proença Garcia é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.