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Ouvir & Pensar
A busca de pontos comuns

Ouvir & Pensar

Play Episode Listen Later Jun 2, 2026 33:05


Jesus tira-nos a paz, se pensarmos na paz como calma inerte. No entanto, esta não é a verdadeira paz. Às vezes, gostaríamos de ser ‘deixados em paz': que ninguém nos incomode, que os outros deixem de existir. Não é a paz de Deus. A paz que Jesus traz é como um fogo e exige muito de nós! Pede-nos, acima de tudo, que assumamos uma posição. Perante as injustiças, as desigualdades, onde a dignidade humana é espezinhada, onde os frágeis são privados da palavra: assumir uma posição (Leão XIV, Audiência, 22/11/2025).

Os Meninos De Ouro
Surpresa no Jamor! O Torreense vence a Taça de Portugal.

Os Meninos De Ouro

Play Episode Listen Later May 25, 2026 76:19


Hoje sem a companhia do Oliveira, a quem enviamos um sentido abraço, mas com a participação especial do Ricardo Loureiro, abordámos a vitória do Torreense na final da Taça de Portugal que, admitamos, ninguém esperava! Perante este autêntico tremor de terra com epicentro no Jamor mas que se fez sentir em Alvalade, poder-se-á dizer que o Sporting fez um época de pesadelo? Igualmente em jeito de rescaldo elegemos os nossos “onzes” da temporada no futebol português, antecipamos a segunda mão do playoff de promoção/despromoção da Primeira e Segunda Ligas, sendo que não poderíamos deixar igualmente de fazer a antevisão da final da Liga dos Campeões. Last but not the least – esta é para ti, Oliveira -, comentamos a convocatória da Selecção Portuguesa para a fase final do Mundial de 2026.

Expresso - Irritações
A caderneta de cromos do Mundial, guardar mesas, loucura com a Swatch e o clickbait

Expresso - Irritações

Play Episode Listen Later May 22, 2026 58:57


No programa desta semana, tempo para Inês Rogeiro confessar a sua vontade em completar a caderneta de cromos do Mundial de 2026, mas garantindo que tal é "impossível" dado o volume de pessoas interessadas. Perante tal, a advogada chega a contar: "Cheguei a estar numa loja onde havia carros em segundas e terceiras filas para ir tentar comprar cromos. Uma loucura, o espaço disse que recebeu mais de mil pessoas". Luís Pedro Nunes comenta uma 'outra loucura' com a Swatch AP, com José de Pina visivelmente chateado com quem "guarda mesas" antes de ter comprado os produtos a consumir. Já Luana do Bem lança um repto à prática do clickbait: "Está a condicionar tudo e todos. (...) As pessoas vão deixar de falar porque estão sempre a enganar-nos". Com moderação de Pedro Boucherie Mendes, o Irritações foi emitido a 22 de maio, na SIC Radical. * A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IASee omnystudio.com/listener for privacy information.

Noticiário Nacional
1h Cavaco Silva: a Europa não deve acobardar-se perante Trump

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later May 14, 2026 11:07


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Gabinete de Guerra
EUA mais frágil perante a força da China?

Gabinete de Guerra

Play Episode Listen Later May 14, 2026 12:28


Bruno Cardoso Reis afirma que a cimeira na China expõe a fragilidade dos EUA e o poder chinês. Destaca ainda o impasse no Líbano e a "guerra" interna nos BRICS entre o Irão e os Emirados.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Legislativas em Cabo Verde: MpD procura terceiro mandato com aposta na economia e estabilidade

Convidado

Play Episode Listen Later May 14, 2026 9:59


Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta eleição conta com cinco formações políticas, entre elas o MpD, liderado por Ulisses Correia e Silva, que se candidata pela terceira vez ao cargo de primeiro-ministro. O partido apresenta como prioridades a diversificação da economia, a aposta na transição energética e a continuidade das políticas de desenvolvimento implementadas nos últimos anos. O país alcançou a taxa de desemprego mais baixa de sempre, fixada em 4,9% no segundo semestre de 2025. Ainda assim, os jovens continuam a ser os mais afectados pelo desemprego. O que pretende fazer o MpD nesta legislatura que não foi capaz de fazer nos últimos dez anos? Em primeiro lugar, 4,9% é a taxa de desemprego global geral. Ao nível dos jovens, onde ainda temos uma taxa de desemprego elevada, à volta dos 20%. A população activa aumentou 4,4%, assim como aumentou o número da população empregada. Isso deita por terra a ideia de que aceitar imigração massiva é um elemento que acabou por, quase, “adocicar” a taxa de desemprego. Não é verdade. Em segundo lugar, as pessoas têm a liberdade de procurar o melhor para as suas vidas. Nós não entendemos isto como um drama. É uma fase transitória. Já temos algumas experiências que estão a demonstrar o contrário: alguns jovens, depois de terem ido para Portugal, chegam à conclusão de que têm de ponderar duas vezes. E alguns estão até a regressar. Desde o primeiro mandato, o senhor defende uma economia virada para o crescimento. Nesta eleição, propõe uma diversificação da economia através da economia azul. De que forma pensa fazê-lo? Já está a acontecer. Nós temos hoje uma economia azul a contribuir cada vez mais para o PIB, estando já próxima dos 20%. A nossa perspectiva é que atinja 25% nos próximos tempos, através de uma maior contribuição da indústria pesqueira transformadora e da aquacultura, que já começa a ter uma actividade exportadora. Através do posicionamento de Cabo Verde no negócio de transhipment, com o investimento que está a ser financiado pela Global Gateway da União Europeia no Porto Grande do Mindelo, queremos posicionar-nos no trânsito de contentores e nas pescas, quer industriais, quer artesanais. Temos aqui todo um caminho que conduz e conduzirá ao aumento da contribuição da economia azul no PIB. A economia digital também é fundamental. Há uns anos não se falava disto, falava-se apenas de telecomunicações. Hoje temos dois parques tecnológicos a atrair e reter quadros qualificados, 350 empresas instaladas, algumas delas multinacionais, que já produzem e exportam serviços tecnológicos para a Europa e para os Estados Unidos. É isto que vai fazer a diversificação da economia, para além do turismo, que ainda tem um grande potencial de crescimento e de diferenciação, conforme as ilhas. Apesar dos avanços na saúde, persistem desigualdades entre ilhas. Que soluções preconiza o MpD para garantir um acesso equitativo à saúde? Há partidos na oposição que defendem a gratuitidade dos serviços. Há partidos da oposição que não fazem contas, não fazem a avaliação das consequências das suas medidas. Nós aumentámos a isenção da taxa moderadora de saúde e alargámo-la a uma série de cuidados para pessoas com deficiência, pessoas idosas, crianças até aos cinco anos, mulheres em período de gravidez e pessoas com doenças crónicas. Mas as pessoas que tenham capacidade contributiva devem pagar. Em segundo lugar, a saúde é essencialmente uma área que tem a cobertura da Segurança Social, garantindo que aqueles que trabalham tenham cobertura e assistência médica e medicamentosa através da Segurança Social. Depois, estamos também a introduzir e a impulsionar o seguro privado de saúde, para haver complementaridade e garantir, essencialmente, aquilo que é a cobertura de redes de proximidade dos serviços de saúde, centros de saúde e redução da procura de evacuação externa. Hoje, Cabo Verde já não faz evacuação para Portugal de doentes crónicos porque temos centros de diálise. Essa é uma tendência que queremos depois transportar para o novo Hospital Central de Cabo Verde, que está a ser construído, para podermos também dar resposta a doenças que têm uma grande procura de evacuação externa. Estou a falar da oncologia, cardiologia de intervenção, neurocirurgia e oftalmologia. Por último, queremos um bom serviço de emergência médica pré-hospitalar. Sendo ilhas, não é possível ter hospitais em todas elas. Mas tem de ser possível que qualquer cidadão, onde estiver, possa ter acesso a serviços de cuidados de referência. Se for ao nível da atenção primária, estará mais perto dos centros de saúde; se for ao nível do sector secundário, estará ao nível dos hospitais regionais; e, ao nível terciário, estará no novo hospital que iremos construir, com um nível de qualidade superior. Os transportes continuam a ser um desafio no país. O que falhou nestes últimos dez anos? Porque é tão difícil garantir as ligações aéreas e marítimas entre ilhas? Porque é difícil em qualquer país arquipelágico, sendo ilhas de pequena população e de rendimento médio-baixo. Viabilizar um determinado número de aviões e barcos para pequenas populações, de baixo rendimento e com o mercado fragmentado, significa custos acrescidos, que só são possíveis com subvenções e indemnizações compensatórias por parte do Estado. Aquilo que temos hoje é um sistema de transportes interilhas que, mesmo tendo problemas, não entrou em disrupção. Em segundo lugar, estamos a aumentar aquilo que é necessário aumentar: a oferta. Há mais barcos, temos embarcações em construção de raiz e mais dois barcos que chegarão brevemente ao país, além de um terceiro barco para uma linha dedicada Fogo-Brava, para podermos desencravar esta ilha, porque não tem aeroporto. Na aviação também teremos mais aparelhos, que já estão encomendados, para podermos aumentar a oferta. A regionalização é um tema recorrente no debate político em Cabo Verde. Porque é que o MpD ainda não foi capaz de avançar com este projecto? Porque não depende só do MpD. A regionalização é uma lei que exige uma maioria qualificada de dois terços do Parlamento. O MpD apresentou, em tempos, uma proposta de lei, mas o PAICV não a viabilizou. Perante isso, preferimos seguir um caminho diferente. Aquilo que fizemos foi investir no desenvolvimento de cada uma das ilhas, ter um plano de desenvolvimento regional, trabalhar na coesão territorial e criar todas as condições de base, quer económicas, quer sociais, quer de mobilidade — área em que ainda temos de melhorar — para que, um dia, possamos ter bases muito sólidas para, havendo consenso, entrar no patamar político. Creio que essa é a melhor via, em vez de colocar o político à frente. Numa altura de maior pressão migratória global, que políticas propõe o seu partido para apoiar a diáspora cabo-verdiana no mundo? Temos já um forte pacote implementado. Nós definimos a diáspora como uma das centralidades do país, porque somos mais do que as ilhas e os seus 500 mil habitantes. A nossa política concreta é reforçar aquilo que tem sido um grande sucesso, que são os serviços consulares digitais. Melhorámos significativamente o nível de atracção de investimento por parte da nossa comunidade emigrada, com incentivos no Estatuto do Investidor Emigrante, fiscais e financeiros, e temos como grande prioridade atrair competências e capacidade para o país. Considera que, ao nível do Parlamento, a comunidade está bem representada? Acho que a representação é boa. Nós temos 72 deputados e seis deputados da diáspora, dois por cada círculo. Proporcionalmente, é uma boa percentagem. E não podemos aumentar significativamente essa proporção porque temos também de garantir proporcionalidades internas. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas defende o MpD para lutar contra este flagelo? O partido é muitas vezes acusado de não trabalhar na prevenção. Essa acusação não corresponde à verdade. Nós trabalhamos na prevenção. Temos um programa de adaptação e a nossa contribuição nacional determinada, relativamente às regras internacionais, está definida e está a ser implementada. Temos um forte programa de transição energética para, em 2026, atingirmos mais de 35% de penetração de energias renováveis na produção de electricidade, chegarmos aos 50% em 2030 e a mais de 80% em 2040. Isso significa reduzir a dependência face aos choques energéticos externos, como temos assistido. Estamos também a trabalhar numa forte estratégia de diversificação da água para a agricultura, aumentando a nossa capacidade de dessalinização da água, massificando a reutilização de águas residuais e a rega gota-a-gota. Criámos ainda um Fundo Nacional de Emergência, capitalizado todos os anos através do Orçamento do Estado e de donativos, o que permitiu, por exemplo, accionar rapidamente mecanismos de financiamento e recuperação sem necessidade imediata de recursos externos. Temos de estar cada vez mais preparados para a adaptação e mitigação dos efeitos das alterações climáticas. Perante os conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente, que posicionamento deve Cabo Verde assumir em termos de política externa? O nosso posicionamento é sempre definido no sentido da defesa dos nossos interesses nacionais. Nós não fazemos o jogo da geopolítica. Os nossos parceiros sabem exactamente quais são os nossos posicionamentos, sabem quem são os nossos parceiros privilegiados e sabem qual é a nossa visão, particularmente na defesa da nossa localização geoestratégica. Num contexto global de pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios para Cabo Verde e como enfrentá-los? Continuar a ser uma democracia estável e garantir que sejamos cada vez menos expostos a fenómenos que hoje estão mundializados, como o populismo, o extremismo ou a ideologia da pós-verdade. Lideranças que tendem a conduzir o país para determinado nível de enfraquecimento da democracia podem tornar as coisas complicadas. Como responde às críticas sobre alegadas represálias a municípios que não são da mesma cor política do Governo, ou às críticas feitas à imprensa? Essas críticas não têm razão de ser. É claro que as pessoas são livres de criticar, mas também são livres de ouvir o contraditório.

Convidado
Legislativas em Cabo Verde: PAICV promete gratuitidade do ensino superior e saúde

Convidado

Play Episode Listen Later May 13, 2026 9:59


Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta eleição conta com cinco formações políticas, entre elas o PAICV, que concorre nos 13 círculos eleitorais. O líder do PAICV, Francisco Carvalho, defende uma reforma do Estado centrada na gratuitidade do ensino superior e saúde, propondo ainda a diversificação da economia, com aposta no turismo, agricultura, pesca. A proposta do PAICV assenta na visão de “Cabo Verde para todos”, e defende – entre outros- uma profunda reforma do Estado?  O que prevê esta reforma ? Esta reforma profunda do Estado de Cabo Verde prevê que o Estado assuma determinadas funções que estão na Constituição da República e que, até agora, não assumiu, nomeadamente na área da educação, ensino superior e formação técnico-profissional, cujo acesso passará a ser gratuito. O Estado tem capacidade para comportar esta despesa? Onde é que o senhor vai buscar esses fundos? Há uma pergunta que nunca se colocou. No momento em que se elaborou a Constituição da República, definiu-se uma meta a ser alcançada, mas não se fizeram as contas para a sua concretização. A mesma pergunta nunca se colocou quando se tratou da garantia da segurança do país, do pagamento da polícia, quando se tratou também da questão da garantia de ter as escolas a funcionar, do pagamento de professores, ou quando se assumiu o pagamento de médicos e enfermeiros. O que nós estamos a fazer aqui é o alargamento destas condições às outras que o Estado já vinha assumindo e que estão todas previstas na Constituição da República. O senhor defende ainda a redução da dimensão do Governo. De que forma será implementada essa medida?  Defendemos a redução da dimensão do Governo para podermos libertar recursos e, assim, financiar estas áreas. Eu coloquei a questão da Constituição da República para demonstrar que há uma razão de fundo para que nós façamos isto e assumamos estas responsabilidades. Por outro lado, nós temos várias gorduras ao nível do Estado que devem ser cortadas e, a partir desse corte, vamos estar em condições de libertar recursos para financiar o Estado. Face à dependência do turismo e das remessas, como pode Cabo Verde diversificar a economia? Começando, desde logo, pela diversificação do próprio turismo. Esse é o primeiro passo a ser dado. Cabo Verde tem excelentes condições para o desenvolvimento do turismo rural e do turismo de montanha. Excelentes condições para isso. E é um tipo de turismo que tem um impacto muito maior e muito mais directo no rendimento das famílias. Por outro lado, a grande aposta que vamos fazer é no desenvolvimento do sector primário: agricultura, pesca e criação de animais. Uma aposta na economia azul? Uma aposta na agricultura, na criação de animais e na economia azul, sim, sem dúvida. Cabo Verde é 99% mar. É nisso que vamos apostar: no desenvolvimento da pesca. E, para financiar esse sector, vamos criar um banco agro-azul, precisamente para financiar a agricultura, a pesca e a criação de animais. Os transportes continuam a ser um desafio no país. Quais são as propostas do PAICV para melhorar a mobilidade entre as ilhas? Nós vamos redimensionar a ligação entre as ilhas, garantindo que todos os dias haja pelo menos uma ligação aérea e marítima para as ilhas que têm portos e aeroportos. A grande medida será ao nível dos preços. Fixámos o preço dos transportes marítimos em 500 escudos e o preço dos transportes aéreos em 5000 escudos, assumindo o Estado a responsabilidade constitucional de garantir a mobilidade dos cidadãos dentro do território nacional. Já temos estudos que confirmam que é possível implementar esses valores. Apesar dos avanços na saúde, persistem desigualdades entre as ilhas. O PAICV quer tornar gratuito o acesso aos cuidados médicos. De que forma pensa fazê-lo, quando muitas vezes vemos que são sectores fragilizados? Aqui a visão é global e coerente. Nós estamos a definir um patamar mínimo de serviços de especialidade na área da saúde, que têm de existir em todas as ilhas do arquipélago. Um patamar mínimo em termos de especialidades médicas, de capacidade de análise e de meios auxiliares de diagnóstico. Ao mesmo tempo, vamos criar melhores condições para atrair médicos para as diferentes ilhas e, desde logo, para atrair médicos para Cabo Verde. Vamos apostar no apoio directo à capacitação permanente dos médicos, de modo a tornar atractiva a fixação e o exercício da profissão em Cabo Verde, bem como em subsídios compensatórios significativos, realistas e suficientemente atractivos para que possam permanecer nas ilhas. Por outro lado, vamos alargar a rede de centros de saúde. E, finalmente, vamos construir, sim, um grande hospital de referência aqui na cidade da Praia, para responder à procura, mas também para dar maior garantia às pessoas que procuram Cabo Verde enquanto destino turístico. E que se evitem também as idas ao estrangeiro para receber tratamento médico? Nós temos um grande problema em Cabo Verde em termos de evacuações. As evacuações são morosas e extremamente complicadas para as pessoas. Vamos formalizar essa ligação entre Cabo Verde e Senegal, criando protocolos que permitam alternativas às evacuações que, neste momento, na sua grande maioria, são feitas para Portugal. A regionalização é um tema recorrente no debate político em Cabo Verde. Que modelo defende o PAICV para descentralizar o poder? Esta é uma questão à qual devemos responder através do diálogo. Eu proponho e defendo claramente, um referendo sobre esta matéria, de modo a permitir que cada cabo-verdiano possa exprimir livremente a posição que considera ser a melhor. Uma comissão totalmente independente deverá organizar todo o processo e implementar o referendo, deixando que o povo cabo-verdiano decida aquilo que quiser. Numa altura de maior pressão migratória ao nível global, que política propõe o PAICV para apoiar a diáspora cabo-verdiana? A retoma da Estratégia Nacional de Imigração e Desenvolvimento, uma estratégia que já tinha sido elaborada e aprovada em 2016. O Governo do MpD atirou a Estratégia Nacional de Imigração e Desenvolvimento para o caixote do lixo, desprezando completamente um trabalho que tinha sido elaborado em parceria e sob orientação técnica da Organização Internacional para as Migrações. Já tínhamos a estratégia elaborada, bem como os respectivos planos de acção. Vamos retomar tudo aquilo que pode e deve ser feito, e que o cabo-verdiano merece.  A estratégia aborda todo o percurso migratório: desde a preparação pré-partida, ao acolhimento nos países de destino, ao desenvolvimento das relações da diáspora com Cabo Verde, até ao momento do retorno. A estratégia prevê tudo isso e nós vamos retomá-la integralmente. O Conselho das Comunidades será uma espécie de parlamento da emigração cabo-verdiana, onde as comunidades da diáspora terão representantes para fazer ouvir a sua voz. E vamos fazer algo de muito importante para os emigrantes: mudar a imagem que têm da alfândega. Queremos uma alfândega célere, rápida, que faça com que o emigrante tenha gosto em vir a Cabo Verde tratar dos seus assuntos. E, por isso, é também fundamental criar melhores condições para os profissionais cabo-verdianos que trabalham nas alfândegas. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas defende o partido para lutar contra este flagelo? É preciso ter planos concretos, porque nunca poderemos controlar totalmente as alterações climáticas. Todos nós estamos conscientes disso. Mas podemos mitigar, antecipar e planificar. Vamos reforçar de forma imediata todo o Serviço Nacional de Protecção Civil. Uma grande aposta será feita nas energias alternativas, criando em Cabo Verde um modelo energético mais saudável e mais compatível com os cuidados que devemos ter com o ambiente no seu todo. Perante os conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente, que posicionamento deve adoptar Cabo Verde em termos de política externa? Devemos criar, tanto quanto possível, um ambiente de paz, concórdia e diálogo ao nível global. Num contexto global de crescente pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios para Cabo Verde e como pode o país enfrentá-los? A crescente descrença dos cidadãos, dos eleitores, nos políticos, nas políticas e nos partidos políticos. Isto porque o que temos observado, um pouco por todo o lado, é o falhanço em termos de compromisso. Os eleitos, depois, esquecem-se dos compromissos que assumem. Esquecem-se, ou fingem que se esquecem, dos compromissos assumidos com os cidadãos. E isto acaba por provocar descrença, afastamento e um crescimento da abstenção. As nossas propostas são propostas que vieram das ruas. As nossas propostas vieram do encontro directo que fomos tendo com os cabo-verdianos, sentindo as suas necessidades básicas e fundamentais, para podermos resolvê-las e, assim, começar a construir o Cabo Verde desenvolvido, que é o sonho de todos nós.

Jorge Borges
A saúde mental dos jovens está a piorar | OCDE

Jorge Borges

Play Episode Listen Later May 13, 2026 19:22


Relatório da OCDE revela um declínio acentuado na saúde mental de crianças e jovens ao longo da última década em diversos países. Embora a pandemia de COVID-19 tenha intensificado o problema, os dados indicam que a tendência negativa de ansiedade e depressão já era visível anteriormente. O estudo identifica factores de risco complexos, como o impacto da digitalização, as pressões académicas e a insegurança económica. As raparigas e os adolescentes mais velhos surgem como os grupos mais vulneráveis, apresentando taxas superiores de sofrimento psicológico e comportamentos de automutilação. Perante este cenário, a organização defende uma abordagem multissetorial urgente que privilegie a prevenção precoce e o apoio comunitário. Além disso, sublinha-se a necessidade de melhorar a recolha de dados para orientar políticas públicas mais eficazes e resilientes.

Convidado
Legislativas em Cabo Verde: UCID propõe choque fiscal para dinamizar a economia

Convidado

Play Episode Listen Later May 12, 2026 10:00


Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta eleição conta com a participação de cinco formações políticas, entre elas a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), que concorre em 10 dos 13 círculos eleitorais. O líder do partido, João Santos Luís, defende medidas para combater a pobreza, a redução da carga fiscal sobre as importações e um maior investimento na economia azul. A UCID afirma que estas eleições podem representar um momento de transformação para o país. Esse objectivo passa por um maior equilíbrio no Parlamento? Estas eleições são de extrema importância para o país. Gostaríamos de romper com o passado e criar condições para que o país tenha um poder político equilibrado no Parlamento, capaz de promover uma governação equilibrada, de respeito pela população e mais transparente. Após 50 anos de independência e 35 anos de democracia, entendemos que já é tempo de o povo cabo-verdiano ter um sistema político que beneficie verdadeiramente o país e os cidadãos. Neste momento, o país tem mais de 100.000 cidadãos em situação de pobreza absoluta. Continuamos a importar mais de 90% do que consumimos, apesar de os dados macro-económicos se apresentarem razoáveis. Contudo, na prática, existem muitos contrastes, sobretudo ao nível do desemprego. Temos uma taxa de desemprego relativamente baixa, mas que contrasta claramente com a saída desenfreada de jovens à procura de melhores oportunidades noutros países. A UCID propõe um choque fiscal para dinamizar a economia cabo-verdiana. De que forma será implementado esse projecto? Temos uma política fiscal que é inimiga do investimento. Propomos que as alfândegas, que representam cerca de 67% das receitas do Orçamento do Estado, vejam esse peso reduzido através de um plano plurianual. O objectivo é criar condições para que os operadores e agentes económicos beneficiem de uma redução dos impostos pagos na importação de mercadorias e, consequentemente, os produtos possam chegar ao mercado a preços mais baixos. Entendemos que, numa primeira fase, o Estado poderá perder alguma receita, mas essa perda poderá ser compensada através da criação de novos negócios e da expansão das actividades económicas já existentes. É também uma forma de diversificar a economia face à dependência do turismo? Essa é igualmente uma das nossas preocupações: diversificar a economia através de um forte investimento no sector primário - agricultura, pesca e pecuária. O sector transformador deve ter capacidade para atrair indústrias para o país e certificar, com qualidade, os produtos provenientes do sector primário. Infelizmente, sem um sector primário forte, também não podemos ter um sector transformador plenamente funcional. Privilegiando também a economia azul? O país podia, por exemplo, viver apenas do sector da pesca e da aquacultura, mas não existem investimentos suficientes na economia azul. Pretendemos investir fortemente neste sector, através de investimentos estruturantes na pesca, na aquacultura e noutras áreas ligadas à economia azul, para alavancar a economia e criar melhores condições de vida para a população. O senhor afirma que a situação dos transportes em Cabo Verde é caótica. Que propostas apresenta a UCID para melhorar a mobilidade entre as ilhas? Este é outro dos grandes problemas do país. Temos uma política de transportes marítimos e aéreos que já não responde às necessidades nacionais. No caso do transporte marítimo, existe um contrato assinado em 2019 com a Transinsular, posteriormente transformada em Cabo Verde Interilhas, que não serve o país, quer ao nível da regularidade, quer em relação aos navios que se comprometeu a colocar em operação. A UCID entende que é necessário conceber uma nova política de transportes marítimos, capaz de promover uma mobilidade natural e dinâmica da população entre as ilhas, facilitar a circulação dos turistas que visitam o país e contribuir para a unificação do mercado nacional, que actualmente não existe. Relativamente ao transporte aéreo, temos afirmado que os preços praticados nas ligações inter-ilhas são proibitivos. O que pretendemos é criar uma nova política de transporte aéreo inter-ilhas que permita reduzir os custos operacionais e as taxas aeroportuárias, possibilitando assim a redução do preço dos bilhetes. Apesar dos avanços no sector da saúde, persistem desigualdades entre as ilhas. Que soluções defende o seu partido para garantir um acesso mais equitativo? Apesar de alguns avançosterem sido registados ao longo dos últimos 50 anos, continuamos a enfrentar desafios importantes no sector da saúde, sobretudo ao nível do acesso. Há falta de especialistas, principalmente nos hospitais públicos, e a população continua a enfrentar longas listas de espera para consultas de especialidade e exames de diagnóstico. A UCID propõe que o Sistema Nacional de Saúde crie condições para que entre 30% e 40% dos médicos dos hospitais públicos trabalhem em regime de exclusividade, de forma a humanizar o atendimento e reduzir as listas de espera. Além disso, defendemos um forte investimento na formação e capacitação de especialistas em todas as áreas, para que a população encontre respostas adequadas quando procura cuidados de saúde. Para evitar o recurso a cuidados médicos no estrangeiro? Este investimento nas especialidades médicas em Cabo Verde permitirá também reduzir os custos associados às evacuações para o estrangeiro. A regionalização tem sido um tema recorrente no debate político em Cabo Verde.  Que modelo defende a UCID para descentralizar o poder? Temos ilhas e municípios com grande potencial de desenvolvimento. O Governo tem feito algum esforço na aprovação de medidas legislativas, mas essas medidas têm sido apenas de desconcentração administrativa e não têm servido eficazmente o país. Precisamos de uma verdadeira descentralização, que permita a afectação de recursos e competências e que dê às ilhas autonomia para desenvolverem as suas potencialidades locais, contribuindo para uma melhor qualidade de vida das populações. Entendemos que a melhor forma de concretizar esse objectivo é através da regionalização. A regionalização não implicará mais despesas para o Estado? A regionalização que defendemos deve ser enquadrada numa reforma profunda do Estado, com o objectivo de reduzir os custos da máquina estatal, diminuir os elencos governamentais, o número de deputados, vários institutos públicos e direcções nacionais, criando assim condições para uma redução global da despesa pública. Esta reforma permitirá uma melhor dinâmica de desenvolvimento para as regiões, ilhas e municípios. Numa altura de maior pressão migratória a nível global, que política propõe o Partido Popular para apoiar a diáspora cabo-verdiana? Entendemos que a diáspora cabo-verdiana tem um contributo fundamental a dar ao desenvolvimento socio-económico e político de Cabo Verde. No entanto, a Constituição da República, aprovada em 1992, estabelece um Parlamento com até 72 deputados. Actualmente, mais de um milhão de cabo-verdianos na diáspora estão representados por apenas seis deputados, enquanto cerca de 500.000 residentes em Cabo Verde são representados por 66 deputados. Existe aqui uma desproporção que deve ser corrigida através de uma revisão constitucional, permitindo uma maior representação e participação da diáspora no Parlamento e no desenvolvimento do país. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas recomenda o partido para lidar com este flagelo? Acreditamos que o país deve investir fortemente em energias renováveis e limpas. É necessário criar condições para reforçar a resiliência do país face às alterações climáticas, apostando na prevenção e em medidas concretas de adaptação. Perante os conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente, que posicionamento deve adoptar Cabo Verde em termos de política externa? Cabo Verde deve adoptar uma posição de não-alinhamento, promovendo o diálogo e contribuindo para a prevenção de conflitos, ao mesmo tempo que reforça uma diplomacia económica ao serviço do desenvolvimento do país. Num contexto global de crescente pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios para Cabo Verde e como enfrentá-los? É necessário trabalhar continuamente na consolidação da democracia. Sabemos que a democracia não é um dado adquirido; é algo que se constrói todos os dias. Em Cabo Verde persistem ainda problemas como represálias, revanchismo, medo e alguma vingança política. Entendemos que, tendo existido um poder mais concentrado ao longo dos últimos 50 anos, é fundamental incentivar a participação dos cidadãos. A democracia exige participação cívica, para que os cidadãos possam escolher de forma consciente os seus representantes e contribuir para o fortalecimento do sistema democrático.

Soundbite
O PSD enganou o Chega na perda de nacionalidade?

Soundbite

Play Episode Listen Later May 11, 2026 10:22


Perante o chumbo do Tribunal Constitucional (TC), o PSD já fez saber que não vai provocar "nenhum conflito institucional", lembrando que o essencial era a Lei da Nacionalidade que já foi promulgada pelo Presidente da República. Já o Chega não está disposto a desistir da perda da nacionalidade como pena acessória para quem comete crimes, com André Ventura a defender que a lei seja confirmada no Parlamento e, caso a Assembleia da República não volte a aprovar o decreto, propõe avançar com um referendo sobre a matéria.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Legislativas em Cabo Verde: PP quer diversificar economia e modernizar saúde

Convidado

Play Episode Listen Later May 11, 2026 9:58


Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta eleição conta com a participação de cinco forças políticas, entre elas o Partido Popular, que concorre em seis dos 13 círculos eleitorais do país. O líder do partido, Amândio Barbosa, defende a modernização do sistema de saúde, a melhoria das condições salariais e a diversificação da economia, com uma forte aposta na economia azul. É a terceira vez que o Partido Popular concorre às eleições legislativas sem nunca ter conseguido eleger deputados. Qual é o objectivo do partido nesta eleição? O objectivo é eleger uma representação parlamentar. Sempre foi esse o nosso objectivo. Ainda não o conseguimos alcançar, mas estamos convictos de que, desta vez, conseguiremos eleger um ou dois deputados. As prioridades do Partido Popular passam, entre outras, pela gestão da causa pública, pela modernização do sistema de saúde e pela melhoria salarial. Que medidas propõe o PP para responder ao desemprego jovem em Cabo Verde? O combate ao desemprego jovem em Cabo Verde passa pela diversificação das actividades económicas. Não podemos continuar dependentes apenas do turismo. Temos de apostar na industrialização da economia azul. O mar deve ser o principal recurso estratégico de Cabo Verde. A resposta ao desemprego não passa também pela formação dos jovens? Formação é o que não falta em Cabo Verde. O problema não é apenas formar pessoas; é preciso criar empresas e oportunidades de trabalho que permitam aproveitar essa formação. O Partido Popular defende uma melhor distribuição dos rendimentos no país... A distribuição do rendimento em Cabo Verde é um dos grandes desafios do país. Entre 2012 e 2022, os lucros da banca multiplicaram-se por 12, enquanto o salário do cidadão cabo-verdiano perdeu poder de compra devido à inflação e à ausência de actualizações salariais adequadas. Face à dependência do turismo e das remessas enviadas pelos emigrantes, como pode Cabo Verde diversificar a economia? No período colonial, Cabo Verde tinha mais de 12 fábricas de transformação de peixe. Hoje existem apenas uma ou duas. O aproveitamento do mar, das pescas e da agricultura com recurso à dessalinização da água do mar poderia permitir ao país dar um grande salto em frente - algo que, na nossa perspectiva, não aconteceu ao longo destes 50 anos de governação. Uma maior aposta na economia azul? A economia azul deve ser um dos principais motores do desenvolvimento de Cabo Verde. É necessário modernizar as pescas e reformar a agricultura com recurso à água dessalinizada para irrigação. Actualmente, as pescas representam menos de 10% do Produto Interno Bruto, mas acreditamos que esse valor deve atingir 20% ou mais da economia nacional. O senhor preconiza a modernização do sistema de saúde e afirma que os cabo-verdianos enfrentam dificuldades no acesso aos cuidados médicos, enquanto os políticos beneficiam frequentemente de apoios para tratamentos no estrangeiro. Que soluções propõe o Partido Popular para garantir um acesso mais justo e equitativo à saúde? A saúde tem sido o grande parente pobre da governação em Cabo Verde ao longo destes 50 anos. Para tratar muitas doenças, até algumas relativamente simples, somos obrigados a recorrer a Portugal, ao Senegal ou a outros países. A solução passa pela criação de mais hospitais, mais profissionais?  Mais tecnologia e mais formação, para que deixemos de depender constantemente do exterior para tratar doenças que poderiam ser resolvidas no país. Os transportes continuam a ser um desafio no país. Que propostas apresenta o Partido Popular para melhorar a mobilidade entre as ilhas? A mobilidade interilhas passa pela criação de uma empresa estatal para o transporte marítimo e outra para o transporte aéreo nacional. Paralelamente, é necessário negociar com grandes companhias africanas, europeias - com a TAP - e com outras empresas internacionais para assegurar melhores ligações aéreas. O Estado deve assumir esse serviço, mas com objectivos económicos bem definidos. Não faz sentido continuar a injectar dinheiro sem resultados concretos. Veja-se o caso da CV Interilhas ou dos TACV, onde se desperdiçam recursos que poderiam ser canalizados para sectores essenciais, como é o caso da saúde. A regionalização tem sido um tema recorrente no debate político em Cabo Verde. Que modelo de descentralização defende o Partido Popular para aproximar o poder dos cidadãos? Somos contra a regionalização. Consideramos que criaria mais uma estrutura pesada do Estado. Defendemos, sim, o reforço do municipalismo, com mais poderes e mais recursos para os municípios, aproximando o poder dos cidadãos. Ainda assim, é um debate legítimo. Se surgirem argumentos sólidos que demonstrem ganhos de eficiência ou redução de custos, estaremos disponíveis para rever a nossa posição. Numa altura de maior pressão migratória a nível global, que política propõe o Partido Popular para apoiar a diáspora cabo-verdiana? A diáspora precisa de um Estado mais próximo e menos burocrático. É necessário facilitar o investimento dos emigrantes em Cabo Verde, algo que actualmente não acontece. Os serviços aduaneiros devem tornar-se mais modernos, eficientes e respeitadores da condição dos emigrantes. Infelizmente, os sucessivos governos limitaram-se a promessas de campanha, sem mudanças concretas. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas recomenda o partido para lidar com este flagelo? Temos de melhorar o planeamento urbano. Não se pode continuar a autorizar construções em zonas de risco, como encostas e ribeirinhas. O poder municipal tem ignorado muitas vezes a política urbanística, permitindo que interesses privados ditem a ocupação do território. Muitas pessoas acabam por construir em áreas vulneráveis porque o próprio poder público o permitiu. Com cidades mais organizadas, planeadas e acessíveis para as famílias com menos recursos, estaríamos mais preparados para enfrentar fenómenos naturais. Perante os conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente, que posicionamento deve adoptar Cabo Verde em termos de política externa? A política externa de Cabo Verde deve continuar a ser moderada e pragmática. Não devemos tomar partido em conflitos internacionais, tendo em conta a fragilidade do país e a dependência externa. Devemos defender a paz, o equilíbrio e o diálogo entre as partes. Hoje, qualquer conflito envolvendo potências nucleares representa um risco para toda a humanidade. Cabo Verde deve manter uma posição neutra e responsável. Num contexto global de crescente pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios para Cabo Verde e como enfrentá-los?  A democracia cabo-verdiana já deu passos importantes, mas recentemente Cabo Verde caiu nos rankings internacionais da democracia. Consideramos que isso resulta, entre outros factores, da pressão exercida sobre a comunicação social e de práticas que comprometem a igualdade eleitoral. Quando, a poucos meses das eleições, começam a ser distribuídas cestas básicas, cartas de condução, materiais de construção ou dinheiro num país com elevados níveis de pobreza, isso enfraquece a democracia. Como se pode contornar esta situação? A pressão internacional poderia desempenhar um papel importante, mas actualmente é insuficiente. Também seria necessária uma justiça mais independente e actuante, algo difícil quando os principais responsáveis judiciais são nomeados pelo poder político. Cabe igualmente aos cidadãos questionarem estas práticas, incluindo através das redes sociais, até que exista capacidade para promover mudanças efectivas.

1ª Igreja Presbiteriana de GV
EM QUE OU QUEM VOCÊ CONFIA PERANTE O TRIBUNAL DE DEUS? | Romanos 4.1-25 | Rev. Jakstone Braga

1ª Igreja Presbiteriana de GV

Play Episode Listen Later May 10, 2026 47:25


Obras, tradição, religiosidade ou somente Cristo? Diante do tribunal de Deus, o que você apresenta?Neste sermão pregado na Primeira Igreja Presbiteriana de Governador Valadares, o Rev. Jakstone Braga usa o exemplo de Abraão em Romanos 4 para responder uma das perguntas mais urgentes da vida humana: em que, ou em quem, você está confiando para ser justificado diante de Deus?Se você quer entender a fundo o que significa ser justificado pela fé e por que Abraão é o modelo bíblico dessa verdade, esse sermão é essencial.

Jorge Borges
Aprender a pensar na era da inteligência artificial: o que muda (e o que não deve mudar) na escola

Jorge Borges

Play Episode Listen Later May 9, 2026 8:12


A inteligência artificial generativa já escreve textos convincentes, resolve equações complexas e produz código funcional. Perante estas capacidades, uma pergunta instala-se nas salas de professores e nos gabinetes de direção: ainda faz sentido ensinar os alunos a fazer aquilo que uma máquina faz mais depressa? A resposta, sustentada por investigação recente e pelo enquadramento que a UNESCO publicou em abril de 2026, é um sim inequívoco — mas um sim que obriga a repensar práticas.

Convidado
Legislativas em Cabo Verde: PTS defende economia azul e descentralização

Convidado

Play Episode Listen Later May 8, 2026 10:00


Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta décimas primeiras legislativas contam com cinco formações políticas, entre elas o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS), que concorre em seis dos 13 círculos eleitorais. Jónica Brito Tavares, líder do PTS, defende a diversificação da economia através da economia azul e a descentralização do desenvolvimento entre as ilhas. O partido propõe ainda o reforço da transparência, a melhoria dos serviços públicos, a valorização da diáspora e uma aposta na prevenção das alterações climáticas e no reforço da participação cívica. O partido afirma que não concorre para governar, mas para eleger deputados. Qual é o objectivo político concreto nestas eleições? Estas eleições são eleições para eleger deputados. A figura do Governo e do Primeiro-Ministro é consequência dos resultados dessas eleições. Por isso, o PTS tem uma mensagem que é concorrente a deputados para os assentos parlamentares de que Cabo Verde dispõe: os 72 lugares. Apresentam-se como um partido jovem. Que medidas propõe o PTS para responder ao desemprego jovem em Cabo Verde? Propomos a valorização da mão-de-obra jovem. Hoje temos jovens que, apesar de terem uma formação académica sólida, não se revêem no retorno do investimento que fizeram nas suas vidas, que lhes permita viver. Falamos da valorização, da diversificação de opções de emprego, de oportunidades concretas, transparentes e iguais para todos. Uma maior aposta na formação? A educação sempre foi um factor de mudança de vida na história de Cabo Verde e hoje não é diferente. Os jovens apostam cada vez mais na formação, mas também entendemos que esta formação deve ser direccionada para a realidade do país. Formações no âmbito da economia azul. Fala-se tanto da zona económica exclusiva, da economia azul, mas não se apresenta um plano concreto de como a população de Cabo Verde, principalmente sendo uma população jovem, beneficiará desta economia azul. Quais são os entraves para o desenvolvimento da economia azul? No país, temos jovens pescadores que ainda trabalham de forma bastante artesanal, enfrentando enormes dificuldades para garantir um rendimento digno. É uma actividade que continua a exigir muito sacrifício, com pouca valorização e limitado apoio técnico e financeiro. Por outro lado, existem também jovens empresários que procuram inovar e empreender em áreas ligadas aos desportos aquáticos e à economia do mar. No entanto, muitos acabam por desistir a meio do caminho devido à falta de atenção, acompanhamento e apoio efectivo por parte do Governo cabo-verdiano, sobretudo no que diz respeito à criação de garantias, acesso a financiamento e condições para ampliar o seu campo de actuação. O PTS propõe o fim desta burocracia? O Parlamento é um lugar onde se pode questionar e exigir transparência e exigir que as promessas eleitorais não fiquem pelo período de campanhas eleitorais. Que saiam do papel e cheguem a cada canto de Cabo Verde, de Santo Antão à Brava. Face à dependência do turismo e das remessas enviadas pelos imigrantes: como é que pode Cabo Verde diversificar a economia? A economia azul é uma das opções. O cabo-verdiano sente falta de aproveitar melhor o mar que tem. Temos acordos internacionais e há países que tiram proveito do nosso mar. Mas qual é a percentagem de cabo-verdianos que está, de facto, a beneficiar deste território que temos? Falamos também da diversificação económica e da aposta na produção nacional. A dependência externa tem constituído um bloqueio ao potencial de desenvolvimento de Cabo Verde. Defendemos uma forte aposta na agricultura. Hoje, temos pessoas formadas e com capacidade para impulsionar este sector. Fala-se muito do digital, e essa deve ser uma aposta estratégica de Cabo Verde. Quando pensamos no digital, pensamos em tecnologia, inovação e modernização. Acreditamos que a aposta na tecnologia, em benefício da agricultura, da pecuária, da transformação industrial e até do turismo verde sustentável - que hoje já apresenta alguma dinâmica em ilhas como Santo Antão e Santiago - ainda não tem recebido a devida atenção e equidade por parte dos sucessivos governos. Apesar dos avanços no sector dasaúde, persistem desigualdades entre ilhas. Que soluções defende o PTS para garantir um acesso equitativo? Os avanços neste sector são visíveis. No entanto, o facto de existir uma forte centralização no Hospital Nacional, na Praia, tem criado limitações, sobretudo devido à condição arquipelágica do país. As dificuldades inerentes às deslocações para aceder a estes serviços acabam por sobrecarregar a estrutura nacional de saúde. Temos conhecimento de que já foram apresentadas, por duas vezes, propostas para a construção de um novo hospital nacional. Contudo, isso, por si só, não basta. É necessário descentralizar os serviços de saúde e levá-los a outras ilhas, apostando em infra-estruturas equivalentes e com o mesmo nível de qualidade em ilhas com capacidade para acolhê-las. O objectivo deve ser criar uma rede mais equilibrada e acessível, especialmente em regiões estrategicamente mais próximas de outras ilhas. A regionalização tem sido um tema recorrente no debate político em Cabo Verde. Que modelo defende o PTS para descentralizar o poder em Cabo Verde? Falamos aqui de dar mais poder às ilhas, através da criação de instituições e agências que possam trabalhar, com base em estudos e dados concretos, para uma melhor redistribuição do rendimento. Defendemos também a criação de uma agência voltada para o equilíbrio territorial, que tenha como missão promover maior justiça territorial e criar oportunidades mais equitativas entre as ilhas. Sabemos que a dimensão e as particularidades de cada ilha deverão ser tidas em conta nesse processo. O PTS defende a descentralização política, económica e social, para que todas as ilhas se sintam parte integrante do desenvolvimento do país. Os transportes continuam a ser um grande desafio em Cabo Verde. Que propostas apresenta o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade para melhorar a mobilidade entre as ilhas? Defendemos uma maior transparência no sector. Ao longo dos anos, têm-se verificado várias situações relacionadas com processos de privatização que, na prática, não têm dado uma resposta eficaz. No final das contas, acaba por ser o financiamento público a cobrir as falhas deixadas pelos operadores privados, que não conseguem responder de forma adequada às necessidades do país. Para nós, é fundamental que o Estado assuma um papel central neste sector. Acreditamos que o sector privado é importante em qualquer economia, mas, no caso de Cabo Verde, o Governo deve reconhecer que a ligação interilhas é uma questão de sobrevivência para a população cabo-verdiana. Numa altura de maior pressão migratória a nível global, que política propõe o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade para apoiar a diáspora cabo-verdiana? A diáspora cabo-verdiana é a nossa 11.ª ilha. Temos mais cabo-verdianos fora do país do que dentro dele. Por isso, defendemos o mapeamento da diáspora e uma diplomacia orientada para a protecção e valorização das comunidades cabo-verdianas no exterior. Falamos também da capacidade diplomática de Cabo Verde para negociar melhores condições de integração dos nossos emigrantes, sobretudo num contexto internacional em que a migração enfrenta crescentes tentativas de limitação, contrariando esta ideia de cidadão global com a qual o cabo-verdiano sempre se identificou. Defendemos ainda que a diáspora tenha um papel mais activo e representativo nas estruturas e instituições nacionais. Propomos a criação de um conselho de concertação social que integre representantes da diáspora e defendemos que o projecto do Conselho Nacional das Comunidades deixe de estar apenas no papel e passe efectivamente à prática. O objectivo é garantir que a nossa emigração esteja integrada não só fora do país, mas também na vida institucional e no desenvolvimento de Cabo Verde. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas defende o partido para lidar com este flagelo? Cabo Verde é particularmente vulnerável às alterações climáticas devido à sua condição insular. Tivemos recentemente um episódio que demonstrou que o país não está imune a este flagelo. Propomos medidas de prevenção, sobretudo para reduzir o impacto das mudanças climáticas e evitar que estas continuem a representar tragédias para o povo cabo-verdiano. Devemos apostar em melhores condições de habitação e no aumento do rendimento das famílias, para que as pessoas possam preparar-se melhor para estas calamidades. Falo, por exemplo, de medidas concretas para combater a erosão dos solos e proteger o território nacional. Perante os actuais conflitos internacionais, nomeadamente a guerra no Médio Oriente, qual deve ser o posicionamento de Cabo Verde? Cabo Verde deve ontinuar a trabalhar com os parceiros, no sentido de reforçar a nossa diplomacia, mas, essencialmente, ter em conta que é preciso fazer um trabalho em casa, ouvindo os cidadãos para aproveitar sempre da melhor forma as questões externas. Cabo Verde não tem um posicionamento ou enquadramento directo, mas acreditamos que está claro: a história mundial mostra-nos que a paz é sempre o melhor caminho. Num contexto global de crescente pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios que se colocam a Cabo Verde? E de que forma podem ser enfrentados? A transparência e a boa governação são desafios fundamentais. É também necessário aproximar os cidadãos da vida política, sobretudo num país em que os dados estatísticos mostram que quase 50% da população se abstém de votar. Isso revela que muitos eleitores já não acreditam que o seu voto tenha o devido peso ou impacto nas decisões do país. Por isso, é essencial reforçar a confiança nas instituições e promover uma maior participação cívica. A dimensão humana nunca deve ser esquecida. O PTS  defende uma política centrada nas pessoas, em que o objetivo coletivo também respeite e represente as individualidades inerentes à condição humana.

Explicador
Depois das cedências da CIP, reforma laboral vale a pena?

Explicador

Play Episode Listen Later May 6, 2026 20:06


Perante as cedências da CIP, Miguel Relvas diz que, mais uma vez, as associações empresariais capitularam. Já Álvaro Beleza admite que se a UGT aceitar o acordo, o PS viabiliza a proposta do Governo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Gabinete de Guerra
EUA já não é pilar da estabilidade e da previsibilidade?

Gabinete de Guerra

Play Episode Listen Later May 6, 2026 9:15


Perante o anúncio da suspensão do Projeto Liberdade por parte de Donald Trump, o historiador Bruno Cardoso Reis considera que os EUA são cada vez mais um fator de instabilidade e incerteza.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Ucrânia/Rússia: "Este cessar-fogo não tem como objectivo o fim da guerra"

Convidado

Play Episode Listen Later May 6, 2026 8:23


A Ucrânia acusou esta quarta-feira, 6 de Maio, a Rússia de violar o cessar-fogo unilateral anunciado por Kiev, ao lançar uma vaga de ataques aéreos contra várias cidades ucranianas. Segundo as autoridades, foram utilizados 108 drones de combate e três mísseis. Perante esta situação, Kiev apelou aos parceiros internacionais para reforçarem a pressão sobre Moscovo  e aumentarem o apoio à Ucrânia. Este episódio ocorre num contexto de anúncios divergentes de cessar-fogo. Na segunda-feira, Moscovo declarou uma trégua para assinalar as celebrações da vitória na Segunda Guerra Mundial, a 9 de Maio, enquanto Kiev afirmou que cessaria as hostilidades dois dias antes. Para a professora de Relações Internacionais da Universidade do Minho, Sandra Dias Fernandes, estes desenvolvimentos indicam que a Rússia não demonstra interesse numa solução de paz. Que significado tem este cessar-fogo anunciado pela Rússia nesta altura? A Rússia, por altura desta celebração - o dia 9 de Maio, que é cada vez mais importante na simbologia russa - assinala a vitória sobre a Alemanha nazi no final da Segunda Guerra Mundial. Convém lembrar que esta data difere da celebrada pelos restantes aliados, que comemoram a 8 de Maio, devido à diferença horária com Moscovo. Temos, assim, celebrações a 8 de Maio na Europa Ocidental e a 9 de Maio na Rússia. Este tipo de cessar-fogo tem sido recorrente desde o início da guerra na Ucrânia: a Rússia decreta-o unilateralmente e, depois, a Ucrânia responde de forma semelhante. No entanto, trata-se sempre de tréguas muito frágeis e de curta duração. Esta situação permite sobretudo à Rússia reforçar, internamente, a importância do 9 de Maio, ao mesmo tempo que mantém acusações recíprocas sobre quem viola o cessar-fogo. Na verdade, não valorizaria excessivamente estas quebras, porque se trata de um cessar-fogo circunstancial, destinado apenas a assinalar esta data simbólica - a chamada Grande Guerra Patriótica - que hoje é utilizada pela propaganda russa para enquadrar a guerra na Ucrânia. A Rússia rejeita a paz ao não respeitar este cessar-fogo, como afirmou o Presidente ucraniano? Essa afirmação deve ser enquadrada num contexto mais amplo. É visível que a Rússia não pretende a paz, e este cessar-fogo não tem como objectivo criar condições para o fim da guerra. É meramente circunstancial. Não visa alterar significativamente a frente de batalha, sobretudo numa fase em que a Rússia não tem conseguido ofensivas decisivas que lhe permitam sair do impasse em que se encontra desde 2023. A Ucrânia conseguiu, pela primeira vez, inverter parcialmente o equilíbrio, favorecendo um certo congelamento da linha da frente. Não creio que este episódio deva ser interpretado como algo determinante para o conjunto da guerra. O facto de a Rússia não querer a paz é algo que se evidencia desde 2022. A Rússia continua a recusar um cessar-fogo efectivo.Moscovo mantém exigências territoriais, nomeadamente em Donetsk. Esse cenário poderá vir a concretizar-se? Esse cenário pode vir a ser possível, mas depende de dois factores essenciais: vontade política e condições operacionais no terreno. Continuamos num impasse em que a Rússia não se assume como parte mais fraca do ponto de vista militar. O tempo tem-lhe sido favorável, permitindo-lhe manter esta situação de “nem ganhar nem perder”, o que contribui para a instabilidade no continente europeu. Há, contudo, sinais de algum desgaste interno - não tanto ao nível de contestação política, mas sobretudo nas condições de vida da população. O aumento de impostos e a pressão sobre pequenas e médias empresas têm agravado esse descontentamento. Além disso, estima-se que entre 20% e 30% do orçamento russo esteja actualmente afecto à defesa, o que também gera tensões internas. Isso poderá, eventualmente, levar Moscovo a procurar um entendimento. Ainda assim, o cessar-fogo associado ao 9 de Maio não deve ser visto como um passo sério nesse sentido. O conflito na Ucrânia começa a ter impacto na imagem de Vladimir Putin e nas eleições que estão previstas para o mês de Setembro?  Não terá consequências políticas relevantes. A Rússia não é uma democracia no sentido pleno. As eleições são controladas, tanto ao nível do processo eleitoral como do próprio sistema político. Trata-se, na prática, de um sistema consolidado de poder, com características próximas de um regime de partido único, baseado em lealdades. Não existe uma alternativa real a Putin, e o sistema está estruturado em torno da sua liderança há mais de duas décadas. Mesmo que haja alguma variação nos resultados, estes continuarão a ser elevados. Não há, neste momento, um risco político significativo para o Presidente russo. Este cessar-fogo unilateral pode ter sido uma manobra política da Ucrânia? Se há algo que se pode destacar na actuação da Ucrânia é a inteligência estratégica com que tem gerido esta relação assimétrica - quase de David contra Golias. A forma como respondeu ao cessar-fogo russo demonstra precisamente isso. Trata-se de uma jogada política que visa expor a falta de credibilidade da Rússia. Nesse sentido, foi uma decisão eficaz. Pode também ser uma forma de pressionar a comunidade internacional, numa altura em que a atenção se deslocou para o Médio Oriente? Sem dúvida, mas não lhe chamaria uma manobra - antes uma continuidade do esforço diplomático. Trata-se de uma diplomacia em tempo de guerra, e isso é fundamental ter em conta. A Ucrânia tem desenvolvido uma estratégia diplomática muito activa para não deixar cair o conflito no esquecimento. E este tipo de episódios serve precisamente para voltar a captar a atenção internacional. É verdade que o conflito no Médio Oriente tem relegado a guerra na Ucrânia para segundo plano. Por isso, estes momentos são oportunidades para recentrar o foco num conflito de grande intensidade em território europeu. Além disso, há também uma dimensão estratégica importante: a Ucrânia tem demonstrado disponibilidade para partilhar tecnologia, nomeadamente no domínio dos drones, que se tornaram centrais nos conflitos actuais - incluindo no Médio Oriente.

Ciência
“O plástico nos mangais sufoca o ecossistema”

Ciência

Play Episode Listen Later May 5, 2026 10:54


A gestão de resíduos urbanos e do plástico descartado estão no centro de um problema crescente à escala mundial e Moçambique não é excepção. A incapacidade de dar resposta ao volume de lixo produzido expõe fragilidades estruturais e ambientais. Fenómenos como chuvas intensas ou falhas nos canais de drenagem aceleram o problema. No centro desta crise está o plástico, um material omnipresente e cada vez mais difícil de gerir, agravado por um sistema de produção e consumo que dificulta qualquer solução eficaz. Em Maputo, basta chover com intensidade para que o problema dos resíduos urbanos se revele à superfície: canais de drenagem entupidos, ruas inundadas e toneladas de lixo arrastadas em direcção aos rios e ao oceano. O plástico assume papel central nesta problemática da gestão de resíduos urbanos. O problema não está apenas na falta de civismo ou de infra-estruturas, mas num sistema que produz lixo difícil - ou impossível - de reciclar.  “Num único produto […] tem-se vários tipos de plástico, o que torna a reciclagem muito desafiadora e até insustentável”, deixando uma parte significativa destes resíduos sem destino eficaz e mais propensa a acumular-se no ambiente e a ser arrastada para rios e oceanos, alerta Sharon Clésia, assistente de projectos e ponto focal do aplicativo KOLEKT na AMOR - Associação Moçambicana de Reciclagem. A omnipresença do plástico tem consequências directas nos ecossistemas e na saúde humana. “Acaba, de facto, forçosamente no nosso prato”, diz, referindo-se ao percurso dos resíduos que, sem tratamento adequado, chegam aos oceanos e entram na cadeia alimentar sob a forma de microplásticos. Embora mais visível em grandes centros urbanos, o problema estende-se a todo o país. “Eu diria que é igual no país todo. Contudo, os volumes variam consoante o nível de poder de compra”. Mesmo em zonas remotas, a situação é alarmante: “Vimos a presença de resíduos sólidos no mangal de uma forma escandalosa”, explicou a jovem engenheira ambiental, após projectos realizados em regiões como Inhambane. As consequências são múltiplas. Em meio urbano, incluem inundações provocadas pelo entupimento de sistemas de drenagem. Já nos ecossistemas naturais, o impacto é devastador: “O plástico nos mangais […] sufoca o ecossistema” e afecta espécies que dependem destes habitats. “Certos animais confundem pequenos pedaços de plástico com alimento […] e, por meio da cadeia alimentar, vão parar ao prato dos seres humanos.” Perante este cenário, a técnica da AMOR não hesita: “É uma bola de neve […] que precisa ser travada, porque, ao contrário, caminhamos para um precipício, para uma crise de saúde pública.” Uma das respostas encontradas pela AMOR foi a criação do sistema das “moedas azuis”, que incentiva a recolha de resíduos através de compensação financeira: “Colocamos um valor económico como forma de incentivo para a recolha desses resíduos sólidos”. O modelo é simples: por cada quilograma de resíduos entregue, há um pagamento variável consoante o tipo de material. A iniciativa surgiu em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando campanhas tradicionais de limpeza foram interrompidas. “Pensámos que era mais interessante estimular aquelas pessoas que estavam sem trabalho […] com um preço simbólico” e o resultado surpreendeu: “Em cinco semanas tivemos mais de 300 toneladas de resíduos recolhidos.” Desde então, o projecto evoluiu, incorporando tecnologia digital através da aplicação KOLEKT e alargando o seu alcance com financiamento internacional. “Passámos de uma fase experimental para uma estratégia que funciona”, afirmou.

Reflexões sobre os ensinamentos de Jesus à luz do Espiritismo.

Reflexões sobre o capítulo - “Perante a reencarnação” do livro “No portal da Luz”, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

O Homem Que Comia Tudo
É preciso liderança à mesa do restaurante para evitar a angústia perante o menu, ou então deixar-se levar pela surpresa

O Homem Que Comia Tudo

Play Episode Listen Later Apr 30, 2026 6:20


Já se deve ter deparado com esta situação: uma família à mesa e um menu de restaurante, muitas opções, muitas dúvidas. O que fazer? Ricardo Felner é uma pessoa de convicções, mas também afirma que a surpresa faz parte da experiência gastronómica. Mas também pode sempre perguntar à mesa do lado, ou ao empregado, ou mesmo olhar para a cozinha e ver o que está a sair com mais frequência.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Uma palavra no seu caminho
IV Domingo da Páscoa - Homilia

Uma palavra no seu caminho

Play Episode Listen Later Apr 26, 2026 11:08


A primeira leitura continua o texto do domingo passado. Pedro, no dia de Pentecostes, dá testemunho de Cristo: quem Ele era, o que fizeram com Ele e como Deus O ressuscitou. Perante este anúncio, todos ficaram com o coração trespassado.Não se trata apenas de um coração ferido, mas de um coração atravessado por uma certeza nova, por uma ternura que envolve e transforma. Diante de Cristo ressuscitado, a pergunta nasce espontaneamente: «Que havemos de fazer?» Que consequência deve ter esta notícia imensa?Pedro responde: «Convertei-vos e receba cada um de vós o batismo.» Mas nós já fomos batizados. Por isso, a pergunta não é simplesmente o que devemos fazer para receber o batismo, mas como havemos de viver o batismo que recebemos. Ser batizado é tomar consciência de que Deus nos conhece, nos chama e nos ama.No Batismo, a primeira pergunta feita aos pais é: «Que nome dais ao vosso filho?» Este momento é decisivo. A partir do nome, reconhece-se que aquela pessoa não é uma massa anónima, nem um número, nem apenas parte de um grupo. É alguém único diante de Deus. Cada um de nós é chamado pelo seu nome e é importante para Deus.A segunda leitura mostra até onde vai esse amor: Cristo, insultado, não respondia com injúrias; maltratado, não ameaçava; entregava-se Àquele que julga com justiça. Em Jesus Cristo, Deus entrega-se totalmente por cada um de nós. Cada um de nós é olhado, amado e cuidado por Ele.O Evangelho apresenta isto com a imagem do Bom Pastor. O pastor era aquele que conhecia cada ovelha, sabia o que lhe fazia bem e o que lhe fazia mal, protegia-a dos perigos e a conduzia às melhores pastagens. O pastor cuidava do rebanho para que ele vivesse.Quando Jesus se apresenta como Bom Pastor, diz-nos que Deus não quer dominar-nos, esmagar-nos ou castigar-nos. Quer cuidar de nós, conduzir-nos à vida e fazer de nós pessoas livres, com vida em abundância.Hoje, celebramos também o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. A primeira vocação não é ser padre, diácono, religioso ou religiosa. A primeira vocação é o batismo. Tudo o resto nasce daí. Pelo batismo, somos chamados a participar na vida de Cristo e a tornar presente o cuidado do Bom Pastor.Talvez a nossa maior dificuldade seja imaginar a fé como um peso ou um sacrifício imposto para agradar a Deus. Há até aquele provérbio popular: «O que é bom ou é pecado ou faz mal.» Mas esta ideia, espiritualmente, é uma barbaridade. A proposta de Jesus não é uma ameaça à nossa humanidade; é a sua plenitude. Somos tanto mais humanos quanto mais seguimos Jesus Cristo.O cristianismo não nos diminui; dilata-nos. Não nos rouba a vida; devolve-nos a vida verdadeira. Quando sentimos necessidade de sentido, de paz ou de horizonte, procuramos respostas em técnicas de autoajuda, meditações rápidas ou soluções de ocasião. É como se tivéssemos a melhor farmácia diante de nós e procurássemos remédio numa farmácia improvisada.A proposta de Jesus Cristo não funciona segundo a lógica do mercado: eu dou tempo, dinheiro ou atenção, e recebo uma solução imediata. A lógica de Jesus é a liberdade responsável. Ele não diz apenas: «Faz isto e tudo ficará resolvido.» Ele diz-nos: «Segue-Me. Aprende de Mim. Faz como Eu faço.» E, à medida que O seguimos, a sua salvação começa a instalar-se em nós.Jesus conhece-nos pelo nome. Olha-nos com atenção total. E pede-nos que façamos o mesmo com os outros. Se somos discípulos do Bom Pastor, somos chamados a ser bons pastores: pessoas capazes de escutar, de cuidar, de tratar os outros pelo nome, de dar tempo, de criar relações verdadeiras, de conduzir para a vida.Neste Domingo do Bom Pastor, recordemos isto: Cristo é o Pastor que nos conhece e nos ama. Pelo batismo, participamos da sua vida. E participar da sua vida é participar da sua alegria, da sua plenitude e da sua vida em abundância.

Enterrados no Jardim
A inteligência de ficar para último. Outra conversa com Patrícia Câmara

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later Apr 24, 2026 176:27


Exaustos de seres virados do avesso, sem interior, protagonistas incapazes de se despirem no escuro, trabalhando essa luz desesperada que vai de escândalo em escândalo, tínhamo-nos procurado retirar entre aquilo que nos restava, gestos roubados dos longos filmes, como os víramos em miúdos, a clareza que nos diz que a violência é como a poesia, pois não se corrige, antes aceita o desastre, capaz de ir até ao fim. Andávamos à procura disso a que antes chamavam realidade, e que parecia fixar a fronteira para o que é exterior e não se deixa comover facilmente. Mas o mais difícil de suportar era a companhia de uma gente que participava por meio de charadas inconsequentes e de ausências cada vez mais prolongadas. Éramos à vez as personagens castigadas uns dos outros, amolecidas ou rudes, um pouco ridículas, irritantes, a duas dimensões, consoante a perspectiva, respirando um ar demasiado artificial, numas macaqueações patéticas, sempre um tanto presunçosos, estéreis, vagamente cultos, empertigados, meio delirantes, e tão cansativos, parecia que faltava aquela genialidade generosa de quem é capaz de escutar dos outros o que não traz já em si, previsto, devastado, alguém que desse as graças a deus nenhum senão esse que nos serve algo além da frivolidade, um abandono propício. Nesse ambiente, como era de esperar, triunfavam o género de narradores medianos, voluntariosos, que nos vinham com as variações degradadas do que em tempos nos causara um espanto geral. Com essa mediania voluntariosa, diluíam tudo, até perdermos o sabor daquilo que tínhamos vivido. Só a experiência poderia ensinar àquele que nos habituávamos a perder, abdicando dele a favor de fantasias miseráveis, um movimento decisivo na imensa matéria anónima incapaz de remediar toda a desordem que já não responde por nenhum plano. Estávamos sufocados ao ponto de não sabermos o que restara depois de destruirmos os nossos hábitos (e em nome do quê?), até aqueles simples cuidados de tradução, de decifração, alguns costumes de inteligência, que justificam o empenho em não perder inteiramente o contacto com a maldosa existência dos adultos. Basta pensar no breve ritual diário em que tantos homens com uma posição a defender fazem o nó da gravata, muitas vezes ao espelho, ensaiando a expressão com que se recomendam ao mundo. Além de uma possibilidade de introspecção, com aqueles gestos parecem dar-se a possibilidade de reconhecer esse módico de risco e sacrifício, um sinal que os aparenta aos enforcados, ou o vestígio de uma trela que se ostenta entre o pescoço e a cintura, como se toda a ambição os fizesse incorrer nessa espécie de redil, nesse sufoco comum de quem aceita todos esses rigores, obrigando-se a flutuar num mar de prescrições, de códigos e de maquinações religiosas, se pensarmos como cada um rezava intimamente ao deus das vinganças, a um desejo de uma ordem ainda mais sórdida, da qual pudéssemos sair a ganhar. Parecia que todo o talento se havia concentrado de forma obsessiva e mesquinha, e, desse modo, tantos passavam o seu tempo a inventar subdivisões, escalões nos quais uns e outros pudessem subir e descer. Tínhamo-nos imposto um jogo inextricável de distâncias sociais em que toda a gente se introduzia e se reconhecia com uma destreza maravilhosa, degraus hierárquicos, competências infinitamente cruéis, rituais absorventes, que dissipavam toda a nossa capacidade de suspensão, de nos destacarmos face a nós mesmos e àquela trama. Mas uma vez por outra, alargando-se num gesto até ele perder qualquer propósito imediato, havia alguns que se conseguiam lembrar daquela ambição de nos tornarmos anacrónicos, sermos como que desviados por acasos, e víamo-nos a inscrever frases tão soltas, nas quais nada era prescrito, nada parecia proibido, nem a modéstia ou o deboche. Perante a ausência de deuses e de anjos, de categorias menos quantificáveis, achávamo-nos de súbito tão pobres, despojados dos símbolos da piedade e das leis, dos catecismos, dos cultos, das palavras de ordem. Tinha sido para isso que havíamos começado a inscrever aqueles signos, sinais de uma pobreza que ansiava por se livrar do excesso de palavras, recolhendo a cada momento só aquelas que pareciam ter uma capacidade de suspender, não presumir mais nada. As mesas podiam não estar dispostas ao mesmo tempo num mesmo espaço, mas criavam um ambiente, uma zona intermédia, onde as máquinas de escrever iam inscrevendo sem descanso esses sinais negros, com a existência daquelas pessoas a consistir num esforço de combiná-los, desfazê-los, recombiná-los, tentando resgatar algo, uma experiência, fazer valer a sua teimosia, sendo raros aqueles que podiam desgastar-se e entorpecer as suas ânsias, dando-se liberdade para registar essas necessidades estranhas à sua vontade, aos seus desejos, tudo aquilo que nos outros chega a parecer calamitoso, a forma como nos assaltam com as suas projecções, constrangendo esse itinerário tão certo no qual parecíamos investidos, ao desenhar percursos enleados não esperando outra coisa, mais nada senão essas desgraças comuns com que nos servimos a pior justificação dos nossos fracassos. Assim, testemunhamos a uma distância fria, tão cruenta e pouco clarividente, apagando a própria vertigem à qual cada um se entrega. Ao mesmo tempo era esse encadeamento implausível que nos permitia imaginar que pudesse chegar-se a outra coisa. Vínhamos à superfície não se sabe bem do quê, para respirar um outro ar… Em vez desses questionários e folhas de controlo de estrangeiros, alguém teria inscrito na margem de um formulário a frase: “Poemas são novos temas.” (Wallace Stevens). Contra a fadiga, a demanda do inexplicável, explorávamos outros processos de habituação. A ignorância poderia então ser resgatada como uma fonte, não para uma violência de qualquer ordem contra o outro, mas uma zona na qual todos pudessem tomar, à sua maneira, partido na mudança social desde que essa fosse suficientemente profunda de modo a não nos ser tão castigador andarmos ali sem saber ao certo que diabo andamos a perseguir. O pior é quando eles querem falar de revolução como se se pudesse saber à partida onde esse percurso tão arriscado nos pode levar. Tornam-se, cada um à sua maneira, agiotas de qualquer processo de transformação, ou os seus executores impiedosos, com cada vez menos margem para contemplações, para castelos e pássaros de uma outra imaginação, aquilo que ainda não tem forma e que, ainda assim, persiste por aí pela capacidade que tem de nos proteger. Desde logo uns dos outros. Se não for possível coagirmo-nos a explicar exactamente os termos daquilo em que estamos empenhados, então a busca continua em aberto. O pior são estes que se dizem radicais e o são, mas apenas na medida em que forçam tudo à confissão mais degrada de si mesmo, e logo nos garantem que não valia a pena tanto esforço, que estávamos só a querer complicar as coisas. Percebe-se que estudaram em esquadras da polícia, e mostram-nos os seus galardões odiosos, os diplomas, os níveis que foram alcançando com a sua veterania da peste e da lepra, no grau zero da fidelidade, que é não se guiar por ideais, nem objectivos, mas pela inscrição numa hierarquia torcionária qualquer. A poesia é um modo de andar junto às portas, a coleccionar sinais dessa dor no silêncio das vidas perdidas, aqueles sinais que denunciam uma realidade cada vez mais difícil de se abrir para fora. “Que a porta do meu quarto se feche/ para sempre, e ainda que sejas/ tu que ela não se abra”, segundo a tradução sensível de Bolaño a partir dos versos de Sá-Carneiro. Fora destes eixos omissos, a cada dia, a verdade apenas emerge como um cadáver. Nada chega a acordar-nos completamente, como se só a nós mesmos pudéssemos ter por flashes, raros momentos em que alguma coisa nos fazia vir à tona… “como os guinchos longínquos de um bando de pássaros, sinal inequívoco de que uma parte da minha consciência ainda sonhava ou voluntariamente não queria sair do labirinto dos sonhos, esse campo de Marte onde se esconde o jovem envelhecido e onde se escondem os poetas mortos que então viviam e que da iminência certa do seu esquecimento erguiam no interior da abóbada craniana a miserável cripta dos seus nomes, das suas silhuetas recortadas em cartão negro, das suas obras demolidas”… (Nocturno Chileno). Na véspera de uma data memorável, mas em que nos parece cada vez mais difícil chegarmos a um pacto, a algum acerto quanto aos motivos principais, damo-nos conta de como todos os bens do mundo depressa se vão da memória. A realidade tornou‑se uma espécie de luz cansada, um brilho que já não ilumina nada, apenas denuncia a própria exaustão. Vivemos rodeados de objectos que nos dizem “aqui está o mundo”, mas o mundo já não está aí – apenas o seu reflexo tardio, replicado até à vertigem. A crise epistémica não é um acidente: é o efeito natural de um universo onde a verdade perdeu a gravidade e começou a flutuar como lixo espacial, orbitando sem destino, colidindo ocasionalmente com as nossas percepções fatigadas. Já não há o peso de um real partilhado, mas apenas uma coreografia digitalmente coreografada, onde cada gesto é eco de outro eco, e o sujeito dança sem saber se o ritmo vem de dentro ou de um algoritmo qualquer capaz de operar até cada um de nós se desfazer do pássaro rouco da sua consciência. Neste episódio, e para voltarmos a operar a partir de termos com alguma força de persistência, uma gravidade que, por si mesma, afine as nossas percepções, prepare a cerimónia de um pacto, quisemos ter uma vez mais connosco Patrícia Câmara, psicoterapeuta e psicanalista, ouvidora em profundidade, alguém que se habituou a essa infinita e generosa paciência de esperar pelos outros, de manchar com um resíduo de presença cada esquina que ficará depois a nosso favor, para as cruzarmos pela ordem que nos venha a ser mais favorável, como esses vagabundos em que nos tornamos assim que se torna preciosa para nós a nossa queda irremissível.

Convidado
Guiné-Bissau: Defesa de Domingos Simões Pereira denuncia “sequestro”

Convidado

Play Episode Listen Later Apr 23, 2026 7:18


O advogado Roberto Indeque, membro do colectivo de defesa de Domingos Simões Pereira, afirmou que o dirigente político está privado da liberdade sem base legal e sem qualquer processo judicial em curso. Em entrevista, denuncia ainda isolamento há três semanas, restrições impostas a Fernando Dias da Costa e critica a inacção da comunidade internacional perante a crise na Guiné-Bissau. A Guiné-Bissau volta a mergulhar num ambiente de tensão política, marcado por versões opostas sobre o estado do país. Por um lado, o Governo de transição insiste numa mensagem de normalidade institucional, crescimento económico e diálogo entre actores políticos, e do outro a oposição denuncia restrições de direitos, detenções arbitrárias e controlo apertado sobre figuras políticas. No centro da controvérsia está a situação de Domingos Simões Pereira. Em entrevista, o advogado Roberto Indeque, integrante do colectivo de defesa do antigo primeiro-ministro, faz acusações directas: “Estamos perante uma detenção política ou, se quiser dizer de forma mais precisa, estamos perante um sequestro”, declara. A escolha das palavras não foi casual. Questionado sobre os fundamentos jurídicos dessa afirmação, o jurista respondeu de forma categórica: “O senhor Domingos Simões Pereira nunca teve processo no Tribunal Militar e hoje não tem processo em nenhum tribunal do país.” Nome citado num relatório sem consequências processuais Segundo a defesa, a origem de toda a narrativa oficial reside apenas numa menção ao nome do dirigente político num relatório de inquérito relacionado com a alegada tentativa de golpe de Estado de Outubro de 2015. “O que aconteceu simplesmente é que o seu nome aparece num parágrafo no relatório de inquérito do suposto caso tentativa de Estado de Outubro de 2015. É só isso”, afirma Roberto Indeque. O advogado acrescenta que, por se tratar de uma figura pública e líder de um dos principais partidos do país, as autoridades entenderam pedir esclarecimentos. “Por ser uma figura pública e por ser líder do maior partido político, a promotoria militar achou por bem que havia necessidade de se esclarecer em que circunstâncias teria aparecido o seu nome no relatório.” Ainda assim, sustenta que nunca foi dado qualquer passo formal para abertura de processo. “Ele foi no dia 13 de Fevereiro, quando a promotoria o convocou para ir esclarecer. Foi lá, declarou tudo o que havia para declarar.” E prossegue: “A promotoria achou-se satisfeita com a declaração e ele saiu da promotoria tal como entrou.” Para a defesa, esse detalhe é juridicamente decisivo. “Não houve despacho de suspeito, muito menos despacho de acusação. A figura de declarante não é sujeito processual. Não sendo sujeito processual significa que não há nenhum processo contra ele.” “Prisão domiciliária não existe no nosso sistema” Outro eixo da argumentação do advogado prende-se com as restrições impostas ao antigo governante, descritas como uma forma de reclusão informal. “Vamos admitir hipoteticamente, ainda que remota, que houvesse um processo judicial contra ele. Se se falasse de prisão domiciliária, não seria o caso aplicável”, afirma. A razão, explica, é simples: “No nosso ordenamento jurídico, entre as medidas de coacção existentes no Código de Processo Penal, não está prevista a prisão domiciliária.” Daí a conclusão: “Isto não é detenção, não existe detenção domiciliária. Não é prisão porque também não existe prisão domiciliária. Por isso eu chamei isso de sequestro.” E reforçou a acusação: “Quando um órgão judicial ou qualquer órgão administrativo utiliza um expediente que não esteja previamente regulado, está a cometer uma ilegalidade.” Para o advogado Roberto Indeque, o caso ultrapassa o plano jurídico e inscreve-se numa estratégia política. “O regime está a construir essa narrativa em volta do senhor Domingos Simões Pereira”, afirma. Três semanas sem acesso de médicos e advogados As denúncias tornam-se mais sensíveis quando o advogado descreve o actual regime de isolamento do seu cliente. “A única pessoa que tinha acesso ao Domingos Simões Pereira era o seu médico pessoal, que também é irmão, e o colectivo dos advogados”, explicou. Mas, segundo relata, essa situação alterou-se recentemente. “De há três semanas para cá, nem o médico, nem os advogados têm acesso ao engenheiro Domingos Simões Pereira.” Na interpretação da defesa, trata-se de uma situação grave. “Isto significa que está num isolamento absoluto.” Questionado sobre o que motivou a mudança, responde: “Confesso, senhora jornalista, que não sei explicar, porque também não nos deram explicação. Simplesmente disseram que era ordem superior.” Fernando Dias da Costa também alvo de restrições As críticas do colectivo de defesa não se limitam ao caso de Domingos Simões Pereira. O advogado afirma que Fernando Dias da Costa, apresentado pelos seus apoiantes como vencedor das presidenciais contestadas, enfrenta igualmente limitações severas. “O Fernando, na sua residência, também está sob forte vigilância”, declara. Descrevendo o dia-a-dia do dirigente, acrescenta:  “Para se deslocar, a viatura está sujeita a revista. Para entrar, quando volta de onde saiu, está novamente sujeita a revista.” E lança uma interrogação: “Como é que podemos interpretar isso numa pessoa livre?” Na sua óptica, o problema reside na diferença entre o discurso oficial e a realidade. “Talvez tenhamos pontos de vista diferentes da interpretação do que significa liberdade entre o colectivo dos advogados e o regime.” Depois esclareceu a sua definição: “Do ponto de vista do colectivo dos advogados, liberdade significa que o senhor pode deslocar-se livremente em qualquer parte do território, sem prévia autorização, sem prévio anúncio ou permissão de qualquer outra pessoa.” Governo insiste na normalidade Do lado oficial, o executivo de transição liderado por Ilídio Vieira Té continua a defender uma imagem de estabilidade, diálogo político e sinais positivos na economia, incluindo previsões de crescimento e contactos com o Fundo Monetário Internacional. Mas Roberto Indeque rejeita frontalmente essa leitura: “Só o Governo pode explicar como controla essa narrativa quando, na realidade, estamos a assistir exactamente ao oposto.” E acrescenta: “Quem está cá, mesmo estando fora mas acompanhando a actualidade, sabe que não há liberdade como se diz. Não existe de forma alguma.” Desilusão com a comunidade internacional O advogado mostrou frustração perante a ausência de reacção regional e internacional. Dirigiu críticas à CEDEAO, à CPLP e à União Africana. “Estou a ficar decepcionado”, acrescentando que já tinham sido anunciadas medidas para responder à crise, sem resultados visíveis. “Foi adoptada uma série de medidas e, até hoje, se não estou em erro, nenhum ponto foi cumprido.” Perante esse quadro, avança com uma explicação possível: “Talvez a comunidade internacional esteja cansada e queira virar as costas.” Apesar do cenário traçado, Roberto Indeque rejeita a ideia de resignação interna. “Os guineenses não podem estar cansados”, respondeu, confrontado com a pergunta e clarificou: “Estão desanimados, mas não estão cansados. Vamos batalhar até que haja legalidade", concluiu.  

Amorosidade Estrela da Manhã
QUEM NÃO SABE O QUE É DEUS VAI APONTAR A QUALQUER UM, E VAI DEIXAR DE FORA ELE PRÓPRIO E OU OS PERSONAGENS MAIS PERVERSOS PERANTE A HUMANIDADE. DAÍ COMO EQUACIONAR A QUESTÃO DEIXANDO DE FORA O ...

Amorosidade Estrela da Manhã

Play Episode Listen Later Apr 20, 2026 1:31


Convidado
Muxima: “Pedi que melhorasse a vida da minha família e que rezasse por nós”

Convidado

Play Episode Listen Later Apr 20, 2026 9:02


No segundo dia da sua deslocação a Angola, o Papa Leão XIV deslocou-se à vila da Muxima, na província de Icolo e Bengo, onde foi recebido por uma multidão de fiéis que há vários dias aguardavam a sua chegada junto às margens do rio Kwanza, no emblemático Santuário da Muxima. A visita do Sumo Pontífice ao santuário mariano, este domingo, 19 de Abril, ficou marcada por um ambiente de grande júbilo e emoção. No local, o Papa presidiu à oração do Santo Rosário, onde destacou a centralidade da figura de Maria como exemplo de amor e proximidade. Perante uma multidão de fiéis, o Papa sublinhou que a oração do terço não pode ser separada da vida concreta nem da responsabilidade de cuidar dos mais vulneráveis: “Rezar o terço é comprometer-nos a amar cada pessoa com coração maternal, especialmente os mais pobres. Amá-los a todos da mesma forma, empenhando-nos, sem limites, para que a ninguém falte amor e a comida necessária para viver com dignidade e ser feliz.” O Sumo Pontífice referiu-se também ao projecto em curso de construção de um novo santuário na Muxima, apresentado como sinal de abertura ao futuro e de acolhimento, especialmente para os jovens. “Neste lugar, está em curso um grande projecto: a construção de um novo santuário, capaz de acolher todos os que aqui vêm em peregrinação. Especialmente os jovens. Tomai isso como um sinal.” E aos jovens deixou um apelo à construção de uma sociedade mais justa: “A vós, a Mãe do Céu confia o grande projecto de construir um mundo melhor, acolhedor, onde não haja mais guerras, nem injustiças, nem miséria, nem desonestidade.” Leão XVI insistiu que a fé cristã deve traduzir-se na vitória do amor sobre todas as formas de violência e divisão. “O amor deve triunfar, não a guerra. É isso que nos ensina o coração de Maria.” A celebração terminou com o líder da Igreja Católica a expressar-se em kimbundu, língua angolana, “Mama Muxima Tueza Kukue, Mama Muxima tutambulule” (“Mãe do Coração, viemos até Vós para oferecer-Vos tudo.”), para júbilo dos fiéis que o aplaudiram vivamente. Após a cerimónia, a RFI ouviu vários peregrinos que partilharam com emoção o impacto da visita papal. Dizem ter recebido a mensagem do Santo Padre “com muito amor”, apelando para que as autoridades nacionais também a acolham profundamente. Muitos referiram também dificuldades sociais e económicas, como o desemprego, a fome e a falta de condições de vida digna. Em declarações à RFI, o padre Mpindi Alberto, reitor do Santuário da Muxima, destacou o andamento das obras de requalificação do espaço, que incluem a construção de uma futura basílica. Segundo o responsável, o projecto, concebido com apoio das autoridades estatais, deverá estar concluído dentro de dois a três anos. O sacerdote sublinhou, ainda, que a transformação do santuário poderá ter um impacto significativo no desenvolvimento da região, através do turismo religioso, à semelhança de destinos internacionais como Lourdes, em França, Fátima, em Portugal, ou Aparecida, no Brasil. Sobre as mensagens sociais do Papa Leão XIV, incluindo críticas às desigualdades e aos modelos económicos extractivistas, o reitor do santuário considerou que o objectivo não é confrontar governos, mas promover uma reflexão espiritual e humana: “O Papa não vem para atacar, mas para lembrar que somos irmãos”, acrescentando que a mensagem papal é um convite à responsabilidade individual e colectiva na construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Briosagolo, o Podcast
25/26 Ep_31 Amar antes o empate do que a vitória

Briosagolo, o Podcast

Play Episode Listen Later Apr 14, 2026 80:58


15 dias depois, Académica e Amarante voltaram a encontrar-se e o resultado não foi diferente, empate a uma bola que mantém tudo na mesma na luta pela subida. Perante quase 11 mil espectadores, as duas equipas não conseguiram desmanchar o equilíbrio evidente e iremos tentar aqui perceber o porquê.Neste episódio também antevimos a próxima final, novamente no Cidade de Coimbra frente ao Belenenses.Este episódio contou com a presença de dois Filipes… o Fernandes, fundador da casa não oficial da Académica na ilha Terceira, e o Couceiro, nosso convidado para este episódio, speaker do estádio e que nos deu uma visão particular sobre o ambiente que viveu este fim de semana. O Ricardo Goucha esteve desta vez do papel de moderador/comentador.

Convidado
Morte de Vigário Luís Balanta motiva apelo ao Tribunal Penal Internacional

Convidado

Play Episode Listen Later Apr 9, 2026 9:37


O assassínio do activista Vigário Luís Balanta, cujo corpo foi encontrado a 31 de Março, continua sem esclarecimento e está a intensificar a pressão internacional sobre a Guiné-Bissau. Perante a ausência de investigação eficaz e denúncias de execução extrajudicial, a jurista guineense Carmelita Pires anuncia um recurso junto do Tribunal Penal Internacional, alertando para indícios de crimes contra a humanidade e classifica o actual poder como um “narcogoverno” que capturou as instituições do Estado. A morte do activista guineense Vigário Luís Balanta permanece por esclarecer, dez dias depois do corpo ter sido encontrado, a 31 de Março, perto de Bissau, num contexto que tem gerado forte preocupação internacional e interna. O porta-voz da política externa da União Europeia, Anouar El Anouni, condenou o crime e exigiu uma investigação “célere, rigorosa e imparcial”, sublinhando a necessidade de restaurar a ordem constitucional e garantir o respeito pelos direitos fundamentais na Guiné-Bissau. Também a Organização das Nações Unidas classificou o caso como um “assassínio brutal” e alertou para um agravamento do clima de repressão, marcado por detenções arbitrárias e intimidação de opositores. A ONG senegalesa Encontro Africano para a Defesa dos Direitos Humanos aponta para a possibilidade de uma execução extrajudicial, alegando que Vigário Balanta terá sido raptado durante uma conferência de imprensa, levado para uma esquadra e posteriormente encontrado morto. Para a jurista e antiga ministra da Justiça da Guiné-Bissau, Carmelita Pires, o caso insere-se num padrão mais amplo de violência política. “Existem indícios porque é uma espécie de uma espiral final”, afirma, referindo-se à repetição de práticas como perseguições e tortura, ascresentando que “o caracteriza um crime contra a humanidade são as perseguições, a tortura entre vários outros factores cometidos contra a população.” Na sua avaliação, a morte de Vigário Luís Balanta não é um episódio isolado, mas parte de um processo prolongado de degradação institucional. “O Estado foi completamente capturado e estamos a falar de um governo militar que vem na sequência de toda uma montagem para continuar a massacrar, a torturar, a perseguir a população da Guiné-Bissau.” A jurista sustenta que há indícios de uma execução extrajudicial com motivação política: “Trata-se de criminalidade organizada, execução sumária, de um activista por se opor ao regime.” Carmelita Pires considera que não existem condições internas para uma investigação independente: “A nível nacional não nos sobra nada”, afirma, apontando para a captura das principais instituições do Estado. “O Supremo Tribunal de Justiça, os conselhos das magistraturas, quer do Ministério Público quer judicial, foi tudo capturado”, diz, acrescentando que “não temos expedientes para accionar estes indivíduos”. A jurista denuncia ainda a dependência política das estruturas de investigação criminal: “A polícia de investigação criminal depende do Ministério da Justiça e da Procuradoria. Estamos a falar de um narcogoverno, não há interesse político para que haja investigação.” Sobre as circunstâncias da morte de Vigário Luís Balanta, refere indícios de uso de meios militares e ausência de procedimentos legais: “O falecido levou tiros de arma militar e foi imediatamente enterrado sem investigação.” Repressão e clima de intimidação A morte de Vigário Balanta desencadeou protestos populares, entretanto reprimidos pelas forças de segurança. Organizações internacionais têm vindo a alertar para um ambiente de crescente repressão. Carmelita Pires refere a existência de um padrão de violência: “Temos um deputado baleado à porta de casa e outros casos semelhantes. Não é o primeiro corpo que aparece assim.” Segundo a jurista, há sinais de actuação de estruturas paralelas: “Estamos a falar de uma milícia extraconstitucional que actua contra a população há muito tempo.” O caso acontece num contexto político marcado pela interrupção do processo eleitoral e pela instalação de um governo militar de transição desde Novembro. “Não há democracia neste momento”, afirma Carmelita Pires. “Quando se sequestra a vontade do povo e as autoridades legítimas correm risco, não podemos falar de Estado de direito.” A jurista rejeita a existência de condições para eleições livres: “Não há eleições nenhumas. O que existe é uma tentativa de forjar uma transição.” Perante a ausência de resposta interna, a jurista defende o recurso a instâncias internacionais, nomeadamente ao Tribunal Penal Internacional. “O Tribunal Penal Internacional dá-nos condições através do seu procurador. Temos provas, factos e testemunhas”, afirma. Defende o reforço da pressão diplomática: “Temos de continuar a insistir junto da União Africana, da CEDEAO e da União Europeia, com alertas máximos.”

Convidado
Guiné-Bissau: “A luta tem de continuar até ao desmantelamento desta rede criminosa”

Convidado

Play Episode Listen Later Apr 1, 2026 9:39


A morte do activista guineense Vigário Luís Balanta, figura central da contestação à transição militar na Guiné-Bissau, expõe um clima político marcado por medo, repressão e suspeitas de violência sistemática. Encontrado com sinais de espancamento num local a 30 quilómetros de Bissau, o seu corpo tornou-se símbolo de um país onde a dissidência pode custar a vida e onde a informação continua sob pressão. A morte do activista guineense Vigário Luís Balanta é mais do que um crime. É uma mensagem ou, pelo menos, assim é lida por quem acompanha de perto a deterioração do espaço político na Guiné-Bissau. Aos 35 anos, o líder do movimento “Po di Terra” afirmava-se como uma das vozes mais persistentes contra o poder militar instalado após a tomada do poder pelos militares do ano passado. A sua morte surge, para muitos, como o culminar previsível de uma trajectória de confronto. O corpo foi encontrado na localidade de Ndam Lero, próximo de Nhacra, a cerca de 30 quilómetros de Bissau, com marcas de espancamento. Os indícios apontam para tortura antes da morte. “Ele foi vítima de tortura selvática até à morte. É isso que dói mais”, afirma Armando Lona, coordenador da Frente Popular, numa leitura que mistura indignação e constatação. Segundo Armando Lona, o activista terá sido raptado num bairro da capital por indivíduos não identificados, “como tem acontecido”, e levado para um destino desconhecido. Nos últimos meses, Vigário Luís Balanta tornou-se incómodo para muitos. Denunciou a proibição de manifestações, exigiu a libertação de presos políticos e contestou resultados eleitorais que considerava fraudulentos. Fê-lo sob ameaça, com episódios de desaparecimento temporário, mas manteve-se activo até à véspera da morte. Para Armando Lona, não há ambiguidade quanto ao significado político desta morte: “Os actuais detentores do poder são os responsáveis únicos e exclusivos da morte do Vigário Luís Balanta. Não temos nenhuma dúvida.” E acrescenta: “A motivação desse crime é satisfazer os caprichos desse grupo e instalar um clima de medo para consolidar a ditadura.” Uma acusação que se insere numa narrativa mais ampla. O coordenador da Frente Popular descreve o actual poder como “um regime de natureza terrorista que tem cometido muitos crimes”, que mantém a população sob controlo essencialmente pela força. “É uma íntima minoria que não representa praticamente nada. A única condição pela qual tem mantido refém todo o povo é porque detém armas.” A morte de Vigário Balanta não é vista como excepção, mas como continuidade. “O grupo que se instalou no poder dá seguimento a práticas de rapto, espancamento e assassínios”, diz Armando Lona, sublinhando que o caso recente é apenas mais um episódio de uma série mais longa. A reacção das autoridades à divulgação da morte veio reforçar esse clima. As rádios privadas que avançaram com a notícia foram suspensas durante escassas horas, numa decisão que levantou preocupações quanto ao controlo da informação. Ainda assim, o impacto foi limitado. “Não muda praticamente nada”, afirma Armando Lona. “As redes sociais estão em todos os cantos do país e a população fica informada num instante.” A tentativa de silenciamento revela mais sobre o poder do que sobre os órgãos de comunicação: “É um grupo retrógrado que ainda pensa que a opinião pública se controla pela rádio.” Na prática, a circulação de informação escapa cada vez mais aos canais tradicionais, tornando menos eficazes as estratégias de censura. Perante este cenário, a questão central passa a ser a capacidade de resposta. Armando Lona aponta para a necessidade de uma convergência alargada: “Forças sociais, cívicas, políticas e patriotas militares têm que encontrar uma via de salvação nacional.” E insiste que a ausência de armas não pode justificar a inacção: “Não podemos continuar a adiar o futuro da Guiné-Bissau só porque não temos armas.” A via internacional surge como complemento, ainda que não como solução imediata. “Os crimes têm de ser responsabilizados, a nível nacional e internacional”, afirma, reconhecendo, porém, que internamente “não há condições” para o fazer neste momento. Enquanto essa possibilidade não se concretiza, a estratégia passa por aquilo que define como “luta política popular”. Uma luta que, no seu entendimento, é inevitável: “Temos que accionar outros mecanismos para reverter esta situação. Basta de práticas bárbaras, de mortes macabras cometidas por gente que nós conhecemos.” No plano pessoal, a perda é descrita como profunda. “É uma perda enorme para a Guiné-Bissau, para a juventude”, diz. Recorda Vigário Luís Balanta como “um jovem destemido, tecnicamente competente, um patriota com estilo próprio”, alguém que acreditava que “a vitória só vem da luta”. A morte não encerra a sua história, mas amplifica-a e transforma-a num ponto de inflexão. “Não podemos ter conforto enquanto o povo continua a ser privado do direito à liberdade”, conclui Armando Lona. “Temos a obrigação de continuar.”

Economia dia a dia
Combustíveis mais caros: faz sentido alargar os horários dos transportes públicos?

Economia dia a dia

Play Episode Listen Later Mar 27, 2026 4:24


Os preços dos combustíveis estão a subir e a pressionar o orçamento das famílias. Perante este cenário, a associação ambientalista Zero defende que o Metro de Lisboa deve abrir mais cedo. Faz sentido alargar os horários dos transportes públicos?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Geração V
Birras, Tachos e Puré

Geração V

Play Episode Listen Later Mar 20, 2026 39:00


Perante o impasse das eleições para o TC, comentámos as birras dos partidos nesta escolha, a reforma milionária de Centeno e a polémica das refeições para ricos e pobres nos Salesianos de Manique.See omnystudio.com/listener for privacy information.

centeno perante birras salesianos manique
Economia dia a dia
Com a guerra a pressiona inflação, deverá o BCE mexer nos juros?

Economia dia a dia

Play Episode Listen Later Mar 19, 2026 4:13


O Banco Central Europeu voltou a deixar os juros inalterados, num momento em que a inflação parecia estar a abrandar. Mas a guerra no Médio Oriente está a pressionar os preços da energia e pode inverter essa tendência. Perante este cenário, quais serão os próximos passos do BCE?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Semana em África
Semana em África: do impacto da guerra no Irão à nova lei contra homossexuais no Senegal

Semana em África

Play Episode Listen Later Mar 13, 2026 9:16


Entre os temas desta semana destacam-se as consequências em África da guerra no Irão e o endurecimento da legislação que penaliza a homossexualidade no Senegal. Em Cabo Verde, a ilha de São Vicente passou a contar com um novo Centro Ambulatorial do Hospital Baptista de Sousa, que integra também um Pólo Oncológico destinado a servir as ilhas do norte do arquipélago. Ao mesmo tempo, o país acompanha com preocupação a instabilidade dos mercados internacionais provocada pela guerra no Médio Oriente. Perante este cenário, o governo cabo-verdiano admite suspender a actualização mensal dos preços dos produtos petrolíferos e até subsidiar as petrolíferas. As repercussões do conflito no Irão fazem-se sentir também em São Tomé e Príncipe, onde o governo pondera medidas para evitar uma possível ruptura no abastecimento de combustível. A semana ficou igualmente marcada pela entrada de Elsa Pinto na corrida às eleições presidenciais previstas para Julho. A antiga ministra dos Negócios Estrangeiros anunciou a sua pré-candidatura, defendendo que o MLSTP deve assumir a responsabilidade histórica de participar no escrutínio. Ainda em São Tomé e Príncipe, a Interpol, através da sua estrutura na Polícia Judiciária são-tomense, deteve um cidadão chileno que desempenhava funções como conselheiro especial do primeiro-ministro Américo Ramos, num caso que surge após a recente detenção de outro antigo conselheiro presidencial. Na Guiné-Bissau, a semana terminou com pompa e circunstância no aeroporto de Bissau, com a cerimónia de transferência da gestão do aeroporto Osvaldo Vieira de para a concessionária Osvaldo Vieira International Airport SARL (OVIA) controlada por um grupo empresarial turco. Já em Moçambique, a actualidade foi marcada pela deslocação do Presidente Daniel Chapo a Portugal, onde participou na cerimónia de tomada de posse do novo Presidente português. Em Lisboa, o chefe de Estado moçambicano afirmou que a linha de crédito de cerca de 500 milhões de euros acordada com Portugal em Dezembro poderá vir a aumentar, caso a execução do acordo e o cumprimento dos pagamentos evoluam de forma positiva. A fechar este magazine, o Senegal aprovou um endurecimento da legislação que penaliza a homossexualidade: as penas passam agora de cinco para dez anos de prisão e as multas aumentam significativamente.

Economia dia a dia
Gasóleo pode subir 25 cêntimos: como vai o Governo travar a subida?

Economia dia a dia

Play Episode Listen Later Mar 6, 2026 4:24


Os preços dos combustíveis vão voltar a subir de forma expressiva na próxima semana. O gasóleo deverá aumentar cerca de 25 cêntimos por litro e a gasolina cerca de 7 cêntimos.Perante esta subida, o Governo anunciou um apoio para travar parte do aumento. Como vai funcionar?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Gabinete de Guerra
"Podemos estar perante uma reconfiguração do Médio Oriente"

Gabinete de Guerra

Play Episode Listen Later Feb 28, 2026 5:14


Liliana Reis afasta comparações com ataque cirúrgico do ano passado. Agora, o alvo de Trump é o regime iraniano. A especialista em Relações Internacionais acredita que o conflito pode prolongar-se.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz
A guerra “mais estúpida de sempre” e “a coragem” de Luís Neves ao “não recuar perante os desafios”

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz

Play Episode Listen Later Feb 26, 2026 23:55


Quatro anos depois do início da “guerra de desgaste” na Ucrânia, Miguel Sousa Tavares faz o balanço da investida e da resistência dos dois lados da fronteira. No podcast, falamos ainda da Regionalização e da “atração” autárquica entre PSD e Chega. E não deixamos de lado a nomeação do novo MAI. O cronista, que se assume como amigo do ex-diretor da PJ, elogia a coragem de Luís Neves e contesta as críticas que diz não perceber, como é o caso das palavras de Passos Coelho, “a pitonisa do Governo nestas alturas”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Linhas Vermelhas
Perante as tempestades, “não houve, da parte do Governo, consciência imediata nas primeiras 24 horas da gravidade do que se estava a passar”

Linhas Vermelhas

Play Episode Listen Later Feb 17, 2026 20:04


Os danos causados pelas tempestades que assolaram o país continuam a fazer sentir-se nas zonas mais afetadas. Em plena crise, a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, demitiu-se do cargo deixando o primeiro-ministro temporariamente com a pasta. Depois de críticas à gestão inicial do Governo, os partidos políticos parecem menos desagradados com a ação do executivo de Luís Montenegro. Ouça o comentário de Cecília Meireles e Miguel Prata Roque no Linhas Vermelhas em podcast, emitido na SIC Notícias a 16 de fevereiro. Para ver a versão vídeo deste episódio, clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jorge Borges
Moltbook: A Rede Social Exclusiva para Inteligência Artificial

Jorge Borges

Play Episode Listen Later Feb 16, 2026 14:38


Onde se analisa o advento do Moltbook, uma rede social exclusiva para agentes de inteligência artificial, onde máquinas comunicam e criam comunidades sem intervenção humana direta. Este ecossistema digital, baseado em tecnologia de código aberto, levanta debates sobre a transição da IA de simples ferramenta para uma infraestrutura autónoma e invisível. Especialistas expressam apreensão quanto à segurança de dados, à privacidade e à veracidade do volume de interações nestas plataformas. O conteúdo enfatiza que a automação cognitiva está a redefinir conceitos de autoria e produtividade, desafiando especialmente o sistema educativo. Perante este cenário, sublinha-se a urgência de uma literacia digital crítica para gerir os riscos éticos e sociais desta revolução tecnológica. Conclui-se que o futuro exige uma preparação estratégica para uma realidade onde a fronteira entre o humano e o artificial é cada vez mais ténue.

Convidado
“O racismo mata”: precariedade agrava saúde mental de migrantes em Portugal

Convidado

Play Episode Listen Later Feb 16, 2026 9:53


A psicóloga cabo-verdiana, Édna Tavares, alerta que o racismo, a discriminação e a precariedade laboral são hoje os factores que mais pesam na saúde mental das pessoas migrantes em Portugal. Entre processos de legalização, invisibilidade e falta de acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), muitas vivem em stress contínuo, sem tempo nem condições para parar e cuidar de si. A psicóloga clínica cabo-verdiana Édna Tavares não tem dúvidas sobre o que hoje mais fragiliza a saúde mental das pessoas migrantes em Portugal: “o que pesa mais é a questão do racismo, a questão da discriminação”. No seu trabalho diário com migrantes e afrodescendentes, sublinha que estes factores se acumulam a um contexto de “visibilidade” desigual e a um silêncio persistente em torno do sofrimento psicológico. Para a especialista, a saúde mental continua a ser “um tabu relacionado às pessoas migrantes”, e muitas chegam já com “uma carga emocional muito forte que não é valorizado”. A experiência migratória, diz, não é apenas um processo administrativo ou laboral: é também uma vivência emocional que, muitas vezes, não encontra espaço para ser reconhecida nem tratada. Entre os elementos que mais pesam, Édna Tavares destaca ainda “a situação no contexto da legalização”, que se torna um foco constante de ansiedade. A incerteza documental, associada à falta de informação e à invisibilidade social, agrava a sensação de instabilidade e coloca muitas pessoas num estado permanente de alerta. Ao mesmo tempo, a precariedade laboral surge como uma ferida estrutural. A psicóloga refere “a questão da discriminação laboral” e o facto de “haver muitas pessoas também na precariedade do trabalho”, realidade que “acaba por afectar em grande parte a questão da saúde mental”. Para muitos, o emprego não é sinónimo de protecção, mas de exploração, sobretudo quando o estatuto documental fragiliza a capacidade de denúncia. Questionada sobre se é possível cuidar da saúde mental quando não há tempo para parar, a resposta é directa: “Não.” E explica porquê: “as pessoas não têm condições sociais que lhe permita parar” e, mesmo quando sentem que algo está errado, a sobrevivência diária impõe-se. No terreno, observa um dilema cruel: “entre escolher pôr a comida na mesa e tratar da saúde mental”. A psicóloga descreve esta relação de acompanhamento como “uma relação muito ingrata”, porque o desejo de ajudar confronta-se com uma hierarquia de urgências: “tem que pagar a renda”, “as pessoas têm que comer”, “tem os filhos para levar para escola”, “tem a questão da documentação”. Mesmo quem trabalha e desconta “muitas das vezes mesmo assim há empresas que exploram”. O impacto psicológico desse dia-adia, diz, é profundo. “Sim, tem um impacto grande”, confirma, explicando que o sofrimento se manifesta “no stress” e em episódios de ruptura visíveis no espaço público. Em casos extremos, o quadro degrada-se: “muitas das vezes aquilo que vimos é o suicídio”, e a dor deixa de ser apenas mental, tornando-se também física: “a descarga toda depois já vem para o físico”. Édna Tavares insiste num ponto que considera incontornável: “o racismo tem impacto clínico”. E vai mais longe: “o racismo mata”. A violência não é apenas explícita; existe também “racismo silencioso” e “racismo institucional”. E, apesar de ser crime, denuncia um paradoxo: “provar o racismo, como é que se prova o racismo?”. Para quem já está fragilizado, acrescenta, é uma exigência devastadora: “a pessoa já está num momento muito vulnerável de saúde mental, ainda tem que provar que é vítima do racismo”. Perante esta realidade, a resposta do sistema de saúde, segundo a psicóloga, está longe de ser suficiente. “Não”, afirma quando questionada sobre a preparação dos serviços. “Temos um déficit muito grande da saúde mental”, afirma, apontando também barreiras concretas: “muitas pessoas não estão inscritas”, “muitas pessoas não se conseguem inscrever” e, em casos ainda mais graves, quem “não tem um documento” e ficam sem acesso ao SNS. Mesmo onde existem associações e respostas comunitárias, o caminho não é simples. Há “muita desinformação”, “pouca literacia” e dificuldades práticas, como deslocações e falta de confiança. “Multiplica vulnerabilidade”, resume, explicando que a fragilidade social se transforma rapidamente em fragilidade psicológica e vice-versa. Quanto ao papel do Estado, Édna Tavares é contundente: “O estado não faz nada.” Para ela, o mínimo seria “mais meios”, mas também um reconhecimento claro do problema: “o estado tem que aceitar a discriminação, tem que aceitar que existe racismo, que o racismo cria desigualdades”. Defende ainda respostas de proximidade: “ter psicólogos, ter enfermeiros, ter pessoas capacitadas para reduzir ou minimizar o risco da exclusão”. No centro de tudo, permanece o silêncio. “Falar-se de saúde mental imigrante não existe. Não existe. Não existe mesmo”, lamenta. A psicóloga integra uma rede de profissionais afrodescendentes e migrantes, a Afropsis, e afirma que até os próprios profissionais sentem esta realidade: “sentimos isso na pele”. E denuncia preconceitos persistentes: “dizem sempre imigrantes não tem problemas de saúde mental”, “imigrantes não têm depressão”, “imigrantes não sentem”. Sem tempo, sem recursos e sem reconhecimento, muitos acabam por “silenciar” a dor. A psicóloga descreve estratégias de sobrevivência: trabalho incessante, tradições, “a música, com a dança”. Porque, como resume de forma brutalmente simples, “nós não temos tempo para chorar, não temos tempo para conviver, só temos tempo para trabalhar”. E, quando chega a noite, resta apenas o esgotamento: “quando chegamos a casa já é tarde”. Por fim, Édna Tavares aponta ainda um vazio estatístico que, para si, não é inocente. “Não há dados sobre real dimensão populacional de imigrantes em Portugal”, afirma. E acrescenta: “nem propriamente o estado não tem números de imigrantes de certeza absoluta”, o que considera “uma escolha também de não recensear a sua população”. Num país onde milhares vivem na clandestinidade e na invisibilidade, conclui, a ausência de números é também uma ausência de responsabilidade.

Reflexões sobre os ensinamentos de Jesus à luz do Espiritismo.

Reflexões sobre o capítulo 15 - “Perante ofensas” do livro "Encontro Marcado", pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Semana em África
A semana em que a população de Moçambique enfrentou intempéries e cheias

Semana em África

Play Episode Listen Later Jan 23, 2026 16:50


Abrimos o recapitulativo desta semana em África com Moçambique com as intempéries que provocaram mortíferas cheias essencialmente no sul do país. De acordo com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, para além de mais de uma dezena de mortos só nestes últimos dias e mais de 700 mil pessoas afectadas, o balanço muito provisório da época chuvosa é de pelo menos 123 mortos desde Outubro. Ao longo destes últimos dias, as autoridades tentaram acudir às pessoas que se encontram bloqueadas devido às cheias, com grandes dificuldades pelo meio, como chegou a reconhecer Benvinda Levy, primeira-ministra de Moçambique. Neste quadro já por si difícil, a situação epidemiológica também piorou comparativamente com o ano passado, com um recrudescimento de doenças diarreicas e casos de paludismo. Perante a ausência de sinais de abrandamento das intempéries, o governo deu conta da sua apreensão face à possível ruptura da Barragem de Senteeko, na África do Sul, com possíveis consequências em alguns distritos das províncias e Maputo e Gaza na região do sul do país. Relativamente desta vez a São Tomé e Príncipe, num acórdão datado de 15 de Janeiro, o Tribunal Constitucional apontou violações da Constituição no decreto presidencial de 6 de Janeiro de 2025 demitindo o governo então dirigido por Patrice Trovoada, da ADI, e que depois foi substituído pelo actual primeiro-ministro Américo Ramos, pertencente a uma outra ala do mesmo partido. Reagindo na segunda-feira a este acórdão do Tribunal Constitucional, Patrice Trovoada declarou-se "disponível para voltar à governação do país". Por seu turno, o actual chefe do governo, Américo Ramos, questionou o 'timing' do acórdão, 12 meses depois da demissão do anterior governo. Sobre a disponibilidade de Patrice Trovoada regressar ao poder, ele sublinhou que o acórdão não tem efeitos retroactivos. Refira-se entretanto que a ADI de Patrice Trovoada anunciou esta semana que vai submeter ao parlamento no próximo dia 27 de Janeiro, uma moção de censura contra o actual Governo são-tomense, alegando que “não tem demonstrado habilidade sustentável à governação”. Ao ser auscultado nesta sexta-feira pelo Presidente da republica sobre os pleitos eleitorais deste ano, as presidenciais de Julho e as legislativas de Setembro, a ADI considerou que no caso de a sua moção de censura ser aprovada, poderia colocar-se a necessidade de antecipar a data das legislativas. Em Cabo Verde, a actualidade esteve igualmente virada para calendários eleitorais, com o Presidente José Maria Neves a anunciar as legislativas para 17 de Maio e as presidenciais para o dia 15 de Novembro, sendo que uma eventual segunda volta fica reservada para o dia 29 de Novembro. No Uganda, depois de o Presidente Yoweri Museveni, no poder desde 1986, ter sido declarado vencedor das presidenciais da semana passada com mais de 70% dos votos, a tensão não tende a diminuir no país, com observadores e oposição a denunciar resultados forjados e um clima de violência. Esta semana, o filho do Presidente e chefe do exército ameaçou de morte o principal adversário do pai nas presidenciais, Bobi Wine, que em em entrevista concedida à RFI, disse "ter que se esconder". Relativamente desta vez à Guiné-Bissau, a presidência da CPLP assumida por Timor-Leste na sequência da suspensão da Guiné-Bissau quer que uma missão a Bissau “se realize rapidamente”. Em declarações recolhidas pela agência Lusa, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Bendito dos Santos Freitas, sublinhou tratar-se de um "assunto prioritário". A perspectiva desta missão da CPLP que já vinha sendo discutida desde Dezembro, mas também uma série de pronunciamentos feitos nomeadamente pelo Presidente de Cabo Verde que apelou nestes últimos dias à libertação de todos os presos políticos, mas também pelo chefe da diplomacia portuguesa Paulo Rangel que deu conta da sua preocupação com a situação da Guiné-Bissau após a desestabilização militar de Novembro do ano passado, ou ainda pela eurodeputada socialista Marta Temido para quem se vive uma grave quebra do estado de direito naquele pais, irritaram em Bissau. O porta-voz do governo interino guineense, Fernando Vaz, foi sem rodeios. Respondendo às criticas lançadas pelo governo guineense, o chefe de estado cabo-verdiano, desmentiu qualquer "tentativa de ingerência" nos assuntos internos da Guiné-Bissau. Reagindo igualmente às declarações do actual poder de Bissau, o eurodeputado socialista Francisco Assis afastou qualquer "complexo neocolonialista" por parte de Portugal. Entretanto, relativamente desta vez à Republica Centro-Africana, o Parlamento Europeu aprovou na quinta-feira uma resolução apelando às autoridades do bloco a imporem sanções específicas aos responsáveis pela detenção do luso-belga Joseph Figueira Martins naquele país. Os eurodeputados solicitam também o envio de uma missão à RCA para avaliar a situação daquele humanitário, preso desde Maio de 2024 e condenado em Novembro passado a 10 anos de trabalhos forçados. Em Angola, o parlamento aprovou na quinta-feira em votação final, a lei sobre o estatuto das ONGs, com os votos contra da UNITA que considerou que o diploma restringe a liberdade de associação. Em entrevista à RFI, Zola Álvaro, activista e Presidente da Associação Cívica -Handeka- referiu que esta lei vai dificultar o trabalho das ONGs. No Senegal, estes últimos dias foram de celebração, depois da vitoria da equipa nacional na final do CAN 2025 no passado fim-de-semana em Marrocos contra a equipa da casa. Apesar de esta vitória ficar marcada pela polémica da saída de campo de certos jogadores senegaleses em protesto contra uma decisão do arbitro nos minutos finais do jogo, prevaleceu o espírito festivo em Dacar.

Gabinete de Guerra
“Perante o discurso de Trump, está excluído o fim da NATO”

Gabinete de Guerra

Play Episode Listen Later Jan 21, 2026 11:13


Rui Vilar considera que está afastado o cenário de intervenção militar. Ainda acrescenta que a Europa deve reforçar a união e a firmeza perante Trump para garantir estabilidade.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Devocionais Pão Diário
DEVOCIONAL PÃO DIÁRIO | IGUAIS PERANTE DEUS

Devocionais Pão Diário

Play Episode Listen Later Dec 15, 2025 3:20


LEITURA BÍBLICA DO DIA: ROMANOS 3:21-26 PLANO DE LEITURA ANUAL: AMÓS 1–3; APOCALIPSE 6   Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira:  Durante as férias, minha esposa e eu passeamos de bicicleta. Uma rota nos levou a um bairro de casas milionárias. Vimos os moradores passeando com cachorros, ciclistas e trabalhadores construindo novas casas ou cuidando dos jardins. Era uma mistura de todas as esferas sociais e isso me lembrou de uma realidade valiosa. Não há verdadeira distinção entre nós. Ricos ou pobres. Abastados ou trabalhadores. Conhecidos ou desconhecidos. Todos nós naquela rua e manhã éramos iguais. “O rico e o pobre têm isto em comum: o Senhor criou os dois” (PROVÉRBIOS 22:2). Independentemente das diferenças, todos fomos feitos à imagem de Deus (GÊNESIS 1:27). Mas há algo mais: ser igual diante de Deus também significa que não importa a nossa situação econômica, social ou étnica, todos nós nascemos sob a condição de pecado: “Pois todos pecaram e não alcançam o padrão da glória de Deus” (ROMANOS 3:23). Somos todos desobedientes e igualmente culpados perante Ele, e precisamos de Jesus. Frequentemente, dividimos as pessoas em grupos por vários motivos. Mas, na verdade, todos nós fazemos parte da raça  humana. E embora estejamos todos na mesma situação, pecadores que precisam de um Salvador, podemos ser “justificados gratuitamente (ARA)”, declarados justos —reconciliados com Deus por Sua graça (v.24).  Por: DAVE BRANON 

Noticiário Nacional
18h Governo prepara medidas para reforçar SNS perante a gripe

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Dec 8, 2025 11:02


Gabinete de Guerra
Europa "frágil" perante avanços russos no conflito

Gabinete de Guerra

Play Episode Listen Later Dec 2, 2025 12:32


Vítor Gabriel Oliveira alerta que Rússia ganha vantagem, com Europa sem força para impor condições. Admite também que desfecho do conflito pode depender de entendimento entre Moscovo e Washington.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Noticiário Nacional
2h OE26. Montenegro fecha a porta a cedências perante a oposição

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Nov 10, 2025 7:44


A História do Dia
Testes nucleares: estamos perante uma escalada de tensão?

A História do Dia

Play Episode Listen Later Nov 3, 2025 17:57


Depois de Vladimir Putin ter testado um novo míssil de cruzeiro com capacidade nuclear, Donald Trump anunciou que os EUA vão testar armas nucleares. O Major-General João Vieira Borges é o convidado.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Explicador
Cartazes do Chega. "Podemos estar perante um crime"

Explicador

Play Episode Listen Later Oct 28, 2025 13:30


Vitalino Canas diz que a candidatura presidencial de André Ventura "incentiva a uma visão negativa" sobre as comunidades. O constitucionalista aponta para a providência cautelar como possível reação.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Conversas à quinta - Observador
A História do Dia. A Europa está a entrar numa guerra de drones?

Conversas à quinta - Observador

Play Episode Listen Later Sep 30, 2025 18:03


Perante os casos de invasão do espaço aéreo da União Europeia por drones russos, a Comissão Europeia anuncia a criação de um “muro de drones”. Francisco Proença Garcia é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.

A História do Dia
A Europa está a entrar numa guerra de drones?

A História do Dia

Play Episode Listen Later Sep 30, 2025 18:03


Perante os casos de invasão do espaço aéreo da União Europeia por drones russos, a Comissão Europeia anuncia a criação de um “muro de drones”. Francisco Proença Garcia é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Olavo Tem Razão
Olavo de Carvalho, 2004_ O Brasil perante os Conflitos da Nova Ordem Mundial. Palestra na OAB - Por Olavo de Carvalho

Olavo Tem Razão

Play Episode Listen Later Sep 21, 2025 97:02


Olavo de Carvalho, 2004_ O Brasil perante os Conflitos da Nova Ordem Mundial. Palestra na OAB