POPULARITY
Categories
Em França, a morte de Lyhanna, uma menina de 11 anos, está a gerar uma mobilização contra a lentidão da justiça em tratar os crimes sexuais contra crianças. O suspeito da sua morte acumulava outras denúncias de violações e abusos de menores, mas nunca foi interrogado pelas autoridades. A activista Luísa Semedo denuncia um “escândalo de Estado” que “mete a nu muitas deficiências do Estado” francês, sublinha que “a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França” e que apenas 3% dos agressores são condenados. A investigadora associa-se à mobilização que pede a adopção de uma Lei Integral de combate aos crimes sexuais e acredita que “uma parte da sociedade está a acordar”. Esta segunda-feira, houve manifestações em várias cidades francesas para expressar a revolta colectiva pela morte de Lyhanna e para protestar contra as falhas da Justiça e do Estado francês no que toca à protecção das crianças contra crimes sexuais. Esta quinta-feira, a indignação e a revolta chegaram ao jornal português Público com uma crónica da activista Luísa Semedo, que começa assim: “Em França, a cada três minutos, o tempo de leitura desta crónica, uma criança é vítima de agressão sexual e apenas 3% das denúncias de violação de menores resultam em condenação.” [Os números “abissais” da violência sexual sobre crianças são da Comissão [francesa] Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).] Conversámos com Luísa Semedo, investigadora em Filosofia Política e Ética; que olha para a morte de Lyhanna como “a ponta do iceberg” daquilo que denuncia como “um escândalo de Estado”. “É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este o suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido”, explica, por telefone, à RFI. Luísa Semedo sublinha que além de ser um “escândalo de Estado”, a morte de mais uma criança alegadamente vítima de um predador sexual revela também “um escândalo da sociedade”, pelo que é urgente “uma mudança de mentalidades”. “Estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa, muitas vezes, dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou com um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa-se, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto”, diz Luísa Semedo. As associações feministas e de protecção da infância reivindicam a adopção de uma Lei Integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres, a qual já tinha sido apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada. Na concentração desta segunda-feira, em frente ao ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, uma conhecida realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em peça de teatro e que também deu um filme - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denunciou uma detenção arbitrária. Nas redes sociais, muitos partilharam as imagens da violenta detenção de Andréa Bescond e ela também publicou fotografias das nódoas negras que daí resultaram. Luísa Semedo também ficou perplexa com o que aconteceu e pergunta-se como é que Andréa Bescond, uma vítima, “foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos nunca foi sequer ouvido”. Por outro lado, Luísa Semedo subscreve o apelo de Andréa Bescond de concentrações pacíficas todas as segundas-feiras, às 19h, diante de todos os tribunais de França até à adopção da Lei Integral de combate às violências sexuais. “Esta Lei Integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos (...) É uma lei cujo objectivo é fazer com que, cada vez que haja um destes casos, não seja considerado só como um ‘fait divers' ou como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema”, acrescenta a investigadora. Esta semana, nos protestos e até na Assembleia francesa, ouviram-se pedidos a exigir a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à justiça - ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Lecornu propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série contra os actuais 20 anos de prisão [para os que chegam a ser julgados] e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas são suficientes? Não, responde Luísa Semedo, sublinhando que a questão principal “não está no número de anos da pena do agressor”, mas no facto de apenas “3% dos casos de agressão sexual serem punidos”. No domingo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, assinalou que existem “graves falhas” na gestão do caso do suspeito da morte de Lyhanna, e anunciou que 70 mil queixas envolvendo crimes sexuais contra menores terão de ser examinados até 14 de Julho. Mais uma vez, Luísa Semedo aponta o seu olhar crítico para este anúncio e diz: “Parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países europeus. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado de 'performance', com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Apesar de lamentar que tanto a Justiça, quanto o Estado, quanto a Sociedade tenham falhado até agora, Luísa Semedo acredita que “uma parte da sociedade a acordar”. Por isso deixa também o apelo: “Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.” Luísa Semedo: A morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” e "talvez o início de uma revolução” RFI: Por que é que decidiu mobilizar-se e escrever num jornal português sobre a morte de Lyhanna? Luísa Semedo, Activista e Investigadora em Filosofia Política e Ética: “Porque em França está a ser uma situação que está a causar imensa emoção e penso que é uma questão que é universal, não é uma questão que é só importante em França, a questão da violência contra as crianças. Parece-me importante também que em Portugal se fale sobre isto porque o que se sente é que há, de facto, uma zona um pouco escondida, a questão do MeToo, da violência em geral e da violência sexual e nomeadamente contra as crianças. É como se fosse uma zona em que o problema é tão grande que parece preferir-se não se ver um problema tão grande. Neste momento, está a rebentar em França com o caso da Liana, ou seja, é a gota de água que fez com que as pessoas saíssem todas para a rua.” Na segunda-feira houve manifestações em várias cidades francesas para exigir medidas e está a haver uma mobilização. O que espera desta mobilização? É possível que algo mude? É preciso um tsunami? Ou, como escreve na crónica no Público, "está-se talvez a viver o início de uma revolução?” “Sim. O que eu espero é que haja uma mudança de mentalidades porque são questões tão estruturais, tão profundas na sociedade, que não é só com pequenas medidas de urgência que se vai lá. Ou seja, é uma questão que necessita que várias soluções sejam postas em prática e uma das mais importantes é talvez uma mudança de mentalidades. Ou seja, olhar para uma criança como uma pessoa é a base, perceber que é uma pessoa que tem um corpo e que tem de ter consentimento em relação ao que lhe fazem. A criança também tem de ter essa consciência e, por isso, as associações pedem muito que haja, por exemplo, uma educação sexual e afectiva nas escolas, que é uma coisa que não existe ou existe de forma muito rudimentar. Ou seja, é toda uma panóplia de soluções que devem ser feitas.” As associações que se têm mobilizado e participado nestes protestos reivindicam a adopção de uma proposta de lei integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres. A Luísa Semedo também fala nesta lei integral na sua crónica. O que é esta lei integral que chegou a ser apresentada no final de 2025 por cerca de 100 deputados, mas que nunca foi analisada? “Esta lei integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos, ou seja, a questão do que é que é a dominação sobre o corpo de outro, o que é o consentimento. São questões que implicam toda a gente e, portanto, também começa na educação. Isso é muito importante. É uma lei cujo objectivo é fazer com que cada vez que haja um destes casos que não seja considerado só como um ‘fait divers', só como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema. E esse sistema tem de ser combatido com esta lei integral que são 78 medidas e que são medidas para enfrentar este caso de frente, ou seja, com várias leis diferentes.” Nos protestos em frente ao Ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em filme e em peça de teatro - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denuncia uma detenção arbitrária. Como é que vê o que aconteceu e vai seguir o apelo dela de manifestar todas as segundas-feiras em frente aos tribunais de França até à Lei Integral de protecção das vítimas de abusos sexuais ser adoptada? “Sim, sem dúvida. Eu sempre que posso tento acompanhar este tipo de acções que me parecem absolutamente importantes e acho que é muito reconfortante até para as vítimas. Eu própria também sou uma sobrevivente, portanto, é sempre muito forte ver estas pessoas mobilizadas. Acho que nos toca a todas as pessoas que foram de alguma forma vítimas de violência e, portanto, sim, sem dúvida. O que aconteceu com a Andréa Bescond foi, de alguma forma, uma intimidação de uma das cabeças da manifestação, que foi acompanhada também, algumas horas antes, pela proibição da manifestação à frente do Ministério da Justiça. O Estado ou o governo dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, há ali um discurso que é bastante ambíguo em relação à questão da violência e da violência sexual contra as crianças e contra as mulheres, que já dura há bastantes anos, não é só de agora.” No seu texto escreve “A lei tem um prazo. O trauma não”. O que pode fazer o Estado francês para ajudar as vítimas que vivem com o trauma e para evitar futuras agressões? “Sim, na Lei Integral também é pedido para que haja apoio para as vítimas para as questões do trauma. Muitas das vítimas vivem o que nós chamamos de stress pós-traumático e stress pós-traumático complexo também. É, por exemplo, o acesso a profissionais de saúde da psiquiatria, psicologia e medicamentos. Há todo um acompanhamento que é necessário quando se sofre de stress pós-traumático, por exemplo. É algo que é muito complicado ainda de ter em França. Isso é um dos pedidos também da Lei Integral. Parece-me absolutamente essencial também ver algo que acho que faz parte da Lei Integral, que é a forma como se ouvem as crianças. Ou seja, elas serem ouvidas de forma autónoma dos adultos que, por vezes, são as pessoas que as agridem e portanto, elas terem um local seguro para serem ouvidas, para serem escutadas, para serem levadas a sério.” Ou seja, é todo um dispositivo que muda completamente a forma como nós vemos até agora as vítimas. Por enquanto, os agressores parecem ser mais protegidos do que as vítimas e o objectivo é que esta estrutura mude completamente, ou seja, que o centro da preocupação sejam, de facto, as vítimas e não os agressores.” Depois do que aconteceu, o ministro da Justiça Gérald Darmanin anunciou, no domingo, que 70.000 processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de Julho. O jornal Libération diz que o poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça. Que leitura faz? E é possível estes 70.000 processos serem analisados num mês? “Pois, somente não me parece possível, como me parece que o que for feito vai ser mal feito porque parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado um bocado de 'performance' com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Ouviram-se pedidos a exigir a demissão do Primeiro-Ministro francês, não só nas manifestações, mas também na Assembleia. Sébastien Lecornu rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à Justiça, ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Ele propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série, contra os actuais 20 anos de prisão (para os que chegam a ser julgados) e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas chegam? “Estas medidas não chegam porque há medidas que já existem. O problema é que as medidas não estão a ser cumpridas. Se só há 3% dos casos de agressão que são punidos, não tem nada a ver com a pena ser maior ou mais pequena. O que é importante é que estas pessoas sejam punidas e é importante ouvir as vítimas. Muitas das vítimas dizem: ‘O que nós queremos, o que nos vai fazer ficar em sentir insegurança e sentir reconfortados é que não haja impunidade'. Não se está à espera que haja pena de morte ou castração, ou o que quer que seja de medida cada vez mais espectacular para dar uma impressão de que se está a fazer alguma coisa. Não é isso. O facto é que só 3% de casos de agressão sexual é que são punidos, portanto, a questão está aí e não está nos anos da pena do agressor.” É por isso que fala num “escândalo de Estado” em relação ao caso Lyhanna? “Sim, sim. É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado sim. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido, o que é bastante impressionante. Imagine-se que alguém com este perfil nunca foi ouvido e alguém com o perfil de Andréa Bescond, que é uma sobrevivente, foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos contra ele nunca foi sequer ouvido. Portanto, já se está aqui a ver o contraste entre como é que as pessoas vítimas e activistas são tratadas e os agressores são tratados.” Ou seja, como escreve no artigo, “não houve aqui só uma negligência pontual, nem um simples disfuncionamento, como afirmou o Presidente Macron”, é algo mais vasto? “Sim, sem dúvida é algo mais vasto. Nós estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só mesmo a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa muitas vezes dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e é, de facto, um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto.” A Justiça e o Estado falharam? “Sim. Falharam a Justiça, o Estado, mas a sociedade em geral também está a falhar. Felizmente, o que se está a ver nas ruas é uma parte da sociedade a acordar e a mostrar que não vai deixar passar. Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”
Nesta quinta-feira, no dia da abertura do Mundial de Futebol do Canadá, Estados Unidos e México, não podíamos deixar de evocar o arranque desta competição desportiva. Esta competição que decorre a partir deste 11 de Junho até ao dia 19 de Julho promete ser rica em emoções mas, desde já, tem sido marcada por várias polémicas. E isso bem longe dos relvados. Ainda nesta quarta-feira, a ONU apelou Washington a rever "profundamente" a aplicação da sua política migratória, na sequência de tensões resultantes da recusa de os Estados Unidos atribuírem um visto a Omar Artan, árbitro da Somália, as autoridades americanas tendo igualmente vedado a entrada a membros da comitiva iraniana, apesar de protestos da Federação Internacional de Futebol (FIFA). Outro aspecto problemático: a festa do desporto-rei não é para todos. Para um adepto ir ver um jogo, tem que gastar uma média de mil Dólares, o preço de alguns bilhetes podendo ultrapassar os seis mil Dólares. Para além do custo dos bilhetes, há também as despesas de viagem e estadia entre as diversas cidades, muito distantes umas das outras, que vão acolher os jogos: Toronto e Vancouver no Canadá, Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova Iorque, Filadélfia, San Francisco e Seattle nos Estados Unidos, bem como Guadalalajara, Guadalupe e a capital do México. Com estes destinos todos, 48 equipas em vez de 32 em edições anteriores, 104 jogos e uma dezena de dias suplementares para esta competição, este Mundial 2026, promete também ser um dos mais poluentes jamais organizados, apesar de a FIFA ter chegado a apresentar uma estratégia para limitar a sua pegada ambiental. Refira-se, entretanto, que dentro de quatro anos, adopta-se uma fórmula semelhante, com Marrocos, Espanha e Portugal a acolherem o Mundial 2030. Foi sobre estes aspectos que conversamos com Francisco Ferreira, líder da organização ambientalista portuguesa "Zero". RFI: Como se apresenta o Mundial de Futebol 2026? Francisco Ferreira: Efectivamente, nós estamos a falar de um Mundial que será provavelmente aquele que terá maiores emissões de gases de efeito estufa, praticamente o dobro das emissões daquele que foi o Mundial no Qatar. Porque eu vou ter que usar o transporte aéreo para deslocações de vários milhares de quilómetros entre cidades como Vancouver e Miami. Estamos a falar de 16 cidades sede e com o aumento de selecções, a necessidade de transportes vai ser muitíssimo maior. E estamos a falar de todo o continente norte-americano, não propriamente de três países relativamente próximos. 85/90% das deslocações vão ter que ser em transporte aéreo. E já agora, para se ter a noção, 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono, são aproximadamente 15 a 20% das emissões de Portugal durante um ano e, portanto, muito significativas. E, além disso, nós também devemos olhar para o clima, não apenas pelos prejuízos que estão a ser feitos com esta poluição, mas também pelo facto de nós estarmos no verão norte-americano com temperaturas e humidades que são extremas. Aliás, calcula-se que um quarto dos jogos serão em condições de stress, quer para os espectadores quer para os jogadores. Vamos ter um consumo de energia muito significativo. Com a climatização, os grupos mais vulneráveis vão estar em maior risco. Vamos ter um maior consumo de água e isso deve ser também uma preocupação. Obviamente, apesar de a FIFA ter anunciado uma estratégia para a sustentabilidade, há muitas dúvidas sobre aquilo que é uma efectiva redução, eu diria mesmo impossível, no consumo de recursos e na produção de resíduos associados à magnitude de um evento como este. E o futebol é aqui, infelizmente, um símbolo das contradições da sustentabilidade global. Ou seja, nós, em vez de mantermos um formato que poderia ter menos emissões, portanto, não passando das 32 para as 48 equipas e fazendo investimentos realmente muito significativos nas cidades sede, apesar de a FIFA apontar para os vários pilares da sustentabilidade, o económico, ambiental, a governança, os aspectos sociais, o que é facto é que nós temos exemplos de curtas melhorias, investimentos muito limitados associados a este Mundial e, portanto, o futebol que deveria ser aqui uma oportunidade absolutamente fantástica e espectacular, e temos tido bons exemplos de algumas realizações, quer de campeonatos mundiais, quer, por exemplo, dos Jogos Olímpicos. Como é que eu posso fazer este tipo de eventos desde o início até ao fim, ou seja, desde a construção até ao futuro daquilo que são os investimentos de uma forma mais amiga do ambiente e das cidades e das pessoas? Neste caso, do que conhecemos, a mais valia vai ser muito limitada. RFI: No fundo, o que se pode concluir relativamente à forma como tem sido organizado este Mundial em três países, com mais equipas, com uma duração maior, com mais jogos, é que efectivamente, a FIFA, o cálculo que fez foi sobretudo o lucro, em vez do respeito pelo meio ambiente. Francisco Ferreira: Exactamente. Portanto, logo o fundamental que tem a ver com o uso de recursos e de energia. E aqui estamos a falar, acima de tudo, dos combustíveis fósseis associados principalmente aos transportes. Estes aspectos que são, no fundo, que o que realmente interessa em termos de contribuição ou de minimização por parte da FIFA em relação a um evento desta natureza, acaba, sem quaisquer dúvidas, por vir a ter um impacto muito maior com esta expansão, onde acima de tudo foram os lucros associados que levaram a este desfecho de um aumento de 16 equipas nesta fase final do campeonato mundial. E portanto, se havia realmente um compromisso com a sustentabilidade por parte da FIFA, mais do que investimentos num ou noutro aspecto nas diferentes cidades sede, a primeira e mais importante decisão era não ter aumentado o número de equipas participantes. RFI: Relativamente a outro aspecto que desta vez tem a ver com um aspecto mais político, também houve polémica em torno do facto de os Estados Unidos continuarem a aplicar a sua política extremamente restritiva de entrada de estrangeiros no seu território e escolher a dedo quem vem, quem não vem. Há uma série de vistos que foram recusados, nomeadamente para um árbitro da Somália ou também pessoas que iam acompanhar a equipa do Irão. Francisco Ferreira: Estes aspectos são, obviamente de natureza política, mas enquadram-se numa das valências fundamentais da sustentabilidade que é a governança, bem como na componente social e com os bilhetes ao preço a que foram colocados e, obviamente com questões de participação que deveria ser completamente aberta a todos os espectadores e a todos os participantes, sejam eles directamente atletas ou dirigentes desportivos ou árbitros de futebol. Eu não poderia ter realmente restrições se quisesse estar alinhado com os princípios da sustentabilidade que a FIFA tão apregoa e que, pelos vistos, não estão a ser devidamente respeitados. RFI: Como é que vê este Mundial tendo em conta que já se antevê que para 2030 o figurino será mais ou menos o mesmo, ou seja, jogos dispersos por vários países também. Francisco Ferreira: Daí que tenha começado desde já há mais de um ano, a conversar com a Federação Portuguesa de Futebol, a olhar para os três países-chave da candidatura Portugal, Espanha e Marrocos para assegurar, por exemplo, que as deslocações que mesmo assim são muito mais próximas por comparação com o continente norte-americano, mas que possam ser feitas quer em termos de espectadores, quer em termos de equipas por comboio. E aqui até temos bons exemplos que é uma contradição que vale a pena assinalar desde já. É que, enquanto Marrocos já tem uma linha de alta velocidade, por exemplo, Portugal não tem qualquer linha nem dentro do país nem na ligação entre Portugal e Espanha. Portanto, temos quatro anos para garantir, mais uma vez, que o número de equipas é o decisivo. Mas eu tenho que fazer transformações rapidamente para minimizar aquilo que serão as actividades associadas à logística do Mundial 2030, mas que, como digo logo à partida, com um impacto menor, porque as distâncias entre Rabat, o Porto, Madrid e Lisboa são, mesmo assim, bastante menores. Ou seja, com menor impacto no ambiente, mesmo se tiver que usar o avião, do que no caso dos Estados Unidos.
No Comentário Final de hoje, o Dr. Assad destaca a definição da data para a reabertura do Restaurante Popular de Londrina, prevista para 8 de julho, após meses de reforma. Ele relembra a polêmica causada pela interrupção do atendimento, reforça a importância do serviço para a população em situação de vulnerabilidade e volta a defender a ampliação de restaurantes populares na cidade.#Londrina #RestaurantePopular #SegurançaAlimentar #AssistênciaSocial #InclusãoSocial
Mais de 2 mil alunos em Cabo Verde realizaram no final de Maio provas de leitura, matemática e compreensão para uma avaliação global do programa PISA, padrão de aprendizagem dos países da OCDE. Conclusões devem ser conhecidas no final de Junho. Até ao final de Maio, cerca de 2200 alunos cabo-verdianos de 44 escolas que frequentam o 9º e o 10º ano de escolaridade foram avaliados nos chamados testes PISA, ou Programma for International Student Assessment, que mede os nivéis de aprendizagens dos alunos nos países da OCDE e que, entretanto, se tornou um padrão internacional de referência. Estes testes servem não para dar notas individuais, mas sim para avaliar as competências em geral num determinado país dos alunos a nível da leitura, matemática e resolução de situações do dia a dia. Em África, só Marrocos faz estas avaliações e entra nos rankings da OCDE. Em Cabo Verde, após mudanças curriculares e uma preocupação crescente com as aprendizagens feitas alunos desde a entrada na escola primária, o país quer através destes testes identificar os pontos fortes, as fragilidades e áreas prioritárias de melhoria no ensino. Segundo Adriano Moreno, director nacional da Educação de Cabo Verde, esta avaliação deve servir para continuar a formar os professores, ajudar os alunos e, sobretudo, verificar se há ajustes a fazer nos programas escolares. "Nós queremos sobretudo melhorar a aprendizagem e o bem estar dos alunos, porque esta avaliação permite comparar o desempenho dos alunos com padrões globais, nomeadamente os países da OCDE. E nós temos estado a fazer uma reforma educativa profunda precisamente visando essa aproximação e realizar a avaliação PISA permite que façamos um diagnóstico do sistema educativo e trabalhar na melhoria contínua do mesmo", explicou Adriano Moreno em entrevista à RFI. Os resultados dos testes PISA em Cabo Verde devem ser conhecidos entre o final de Junho e o início de Julho. Para o director nacional da Educação de Cabo Verde o diagnóstico que vier destas avaliações não devem nem causar "euforia" se forem bons, nem depressão se forem maus", mas sim contribuir para melhor o percurso escolar do alunos cabo-verdianos. "Nós estamos a trabalhar com professores e a comunidade em geral, e estamos a avisar que não devemos nem ficar eufóricos nem entrar em depressão com os resultados. Nós não temos como finalidade, para já criar rankings de escolas ou entrar em rankings em termos internacional, queremos é fazer o diagnóstico, trabalhar sobre as evidências e ir melhorar continuamente o sistema educativo", concluiu.
Familiares devem registrar interesse no almoço entre os dias 8 e 26 de junho, por meio da Secretaria Escolar Digital (SED) ou na secretaria da escola de seus filhos
O programa de formação continuada para professores da Educação Básica está na 28ª edição
O Governo aprovou nesta quinta-feira uma proposta de lei com as alterações à legislação laboral, depois de na semana passada não ter sido possível chegar a um acordo com os patrões e com a UGT. O documento, adiantou a ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, vai ser enviado "nos próximos dias" à Assembleia da República para que o processo legislativo possa prosseguir e nos pontos centrais está muito próximo do anteprojecto aprovado em Julho do ano passado. Primeiro-ministro quer negociar com o Chega e com o PS, e, para já, André Ventura diz que não vai abdicar das exigências que colocou para viabilizar a reforma laboral. See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Fernando Wagner, da GDM Seeds, vai participar de um Painel na FEBRASEM 2026, dia 17 de Julho, para discutir os impactos de uma nova Lei de Proteção de Cultivares sobre o Agro.
Produtor aproveitou bom momento de nova semana e novo mês para avançar com a com a comercialização. Ganhos na CBOT atrelados às boas expectativas da reunião Trump-Xi confirmada para os próximos dias.
Neste programa, voltamos a alguns dos temas africanos que marcaram a semana. Destaque para Cabo Verde, onde arrancou a campanha para as legislativas de 17 de Maio. Em Angola, o activista angolano Osvaldo Caholo foi condenado a dois anos e seis meses de prisão e começou o julgamento de uma antiga ministra das Pescas por suspeita de apropriação indevida de dinheiro público. Em Moçambique, uma recente superstição propagada também pelas redes sociais gerou uma onda de violência e vários mortos. A escalada de violência no Mali também esteve no centro das preocupações. Começamos com Cabo Verde onde arrancou, esta quinta-feira, a campanha eleitoral para as legislativas de 17 de Maio. São cinco os partidos que disputam as eleições, mas nem todos concorrem nos 13 círculos. As explicações de Odair Santos, o nosso correspondente. Em Moçambique, a Comissão Nacional de Direitos Humanos condenou a violência no país na sequência de superstições de magia ligadas a receios de atrofiamento de órgãos genitais. Esta quarta-feira, já eram 19 as pessoas que morreram vítimas de agressões físicas ligadas a esta crença. As superstições verificaram-se desde 18 de Abril em Cabo Delgado e espalharam-se pelas províncias de Nampula e Zambézia, bem como pelas redes sociais. O director do serviço de saúde de Cabo Delgado, Edson Fernando, lamentou o que chamou de “pânico colectivo”. Em Angola, na segunda-feira o activista angolano Osvaldo Caholo foi condenado a dois anos e seis meses de prisão por instigação pública ao crime. A pena foi considerada “excessiva” pela defesa, que aponta contradições e fala em “prisão política”. Caholo foi um dos activistas detidos na sequência dos protestos contra o aumento dos combustíveis, em Julho de 2025, que desencadearam tumultos e pilhagens em vários pontos do país com pelo menos 30 vítimas mortais em Luanda. A defesa do activista que está detido há nove meses, apresentou recurso contra a decisão que olha como “política”, como explicou à RFI Simão Afonso, um dos advogados de Osvaldo Caholo. Também em Luanda, arrancou esta semana o julgamento de Vitória de Barros Neto, antiga ministra das Pescas, e mais três cidadãos, por suspeita de apropriação indevida de dinheiro público no exercício de funções. Esta semana, o Mali viveu uma nova escalada de violência. No sábado passado, grupos jihadistas e rebeldes tuaregues lançaram ataques simultâneos em várias cidades e o ministro da Defesa, Sadio Camara, foi morto num dos ataques. Os rebeldes tuaregues da Frente de Libertação de Azawad controlam a cidade de Kidal, no Norte do Mali, e tentam aproximar-se de Bamaco, cortando várias estradas que ligam a capital ao resto do país. Tropas paramilitares russas continuam no país, mas sofreram recuos em algumas áreas. Em entrevista à RFI, Leonardo Simão, representante da ONU para a região do Sahel, alertou para o "crescendo da sofisticação dos ataques" em relação aos que se realizaram no fim-de-semana passado.
Marketing que funciona não é só sobre atrair cliente.É sobre sustentar o negócio.Estratégia sem operação alinhada vira promessa vazia.E fornecedor mal gerido vira custo escondido.No fim, tá tudo conectado: o que você comunica, o que você entrega e com quem você constrói isso.Gestão boa é quando essas três pontas conversam e fazem o resultado aparecer.E pra gente falar disso no episódio de hoje Leo Spigariol, CEO da Artisano, fundador da agencia Vshhh e um dos especialistas que vai estar no MAP de MKT que acontece em Julho.
No Brasil, produtor precisa fazer leitura separada de Chicago, prêmio e dólar para garantir estratégias mais eficientes neste momento. Preços no Brasil permanecem estáveis no mercado nacional.
O Festival Off Avignon é “uma festa popular que dura há 60 anos” conta Laurent Domingos, co-presidente deste evento paralelo ao Festival de Avignon. Todos os anos milhares de pessoas rumam a Avignon e dividem o tempo entre o “In” e o “Off”. O “In” é o festival de teatro criado por Jean Vilar há 79 anos e actualmente dirigido pelo português Tiago Rodrigues, com uma programação selecionada e financiada. O Off é o mais espontâneo, com mais de 1.400 companhias espalhadas por 141 teatros e para as quais a oportunidade de encontrar programadores pesa mais do que o risco financeiro. Neste programa, Laurent Domingos fala-nos sobre a história, as esperanças, as oportunidades e as dificuldades do Off Avignon que descreve como “uma excepção no mundo”. Todos os verões, os dois festivais, o IN e o Off, como são conhecidos pelo público, transformam Avignon no epicentro do teatro e das artes performativas. Este ano, a romaria cultural decorre de 4 a 25 de Julho. Neste programa falamos apenas do Off (sobre o In, pode ouvir a entrevista a Tiago Rodrigues que difundimos a 9 de Abril). No total, o Festival Off Avignon vai ter 1.432 companhias, 7.000 artistas, 600 técnicos, 1.514 espectáculos e 27.000representações em 141 teatros e 248 salas. A grande maioria das companhias é francesa, mas também há estruturas vindas de cerca de 30 países. Avignon é a vitrina do teatro para o mundo e uma oportunidade para seduzir programadores, mas é também um grande risco financeiro, reconhece Laurent Domingos. Os desafios são muitos e este ano há menos verbas públicas, adverte o também encenador e actor com raízes portuguesas, que também lembra que “criar é cada vez mais um acto de resistência”. Esta edição marca um aniversário redondo de “uma festa que dura há 60 anos” e que “é um sopro de ar fresco num mundo muito duro e que não dá grande espaço à poesia”, acrescenta Laurent Domingos, resumindo esta “festa popular” em torno do teatro como “uma excepção no mundo”. RFI: Qual a diferença entre o Festival de Avignon e o Festival Off Avignon? Laurent Domingos: co-presidente do Festival Off Avignon: “O Festival Off de Avignon é um festival criado pelos próprios artistas e pelos teatros. Não é um festival organizado por um organismo público e que tem um director que escolhe as peças. Tiago Rodrigues, o director do Festival de Avignon, o chamado IN, escolhe as peças, promove a criação de algumas e produz todos os espectáculos. No Festival Off Avignon, temos 140 teatros, 250 salas e 1.500 companhias, estas pessoas organizam-se para criar um festival e nós supervisionamos, acompanhamos todos estes artistas e todos estes teatros para que, no final, haja uma organização de festival. Ou seja, nós organizamos, mas cada um produz os espectáculos que quer produzir. A diferença é que o nosso festival também é muito maior em termos do número de espectáculos e do número de artistas envolvidos e enche toda a cidade de Avignon.” Todas estas salas ocupadas pelo Festival Off Avignon no verão existem ao longo do ano? “Durante o ano, a maioria das salas tem condições para ser aberta porque tem os assentos, o palco, mas elas abrem para o que chamamos de residências, ou seja, ensaios de artistas porque não há público suficiente durante o inverno para encher 140 teatros. Em contrapartida, existem alguns espaços, digamos uma dezena, que abrem durante o ano mas não de forma permanente. A ambição da AF&C [Avignon Off & Compagnies] e da cidade de Avignon é incentivar estes espaços a abrirem durante todo o ano, talvez até para acolher um festival ou eventos durante o inverno, e aumentar o número de ensaios e residências ao longo do ano.” Como é que as companhias, muitas vezes pequenas, conseguem financiar-se para estar no festival? “Na verdade, é muito caro para uma companhia vir ao Festival Off de Avignon. É um risco muito grande para a companhia. Há muitas companhias que não sobrevivem se não correr bem em Avignon. Portanto, é um risco muito grande porque envolve uma enorme quantidade de dinheiro. Por exemplo, no meu caso, para um espectáculo com cinco pessoas em palco e dois técnicos, estamos a falar de um investimento muito próximo dos 60.000 euros. Ou seja, 60.000 euros por um mês e esperamos que a venda de bilhetes ajude... Portanto, é muito complicado.” As receitas de bilheteira não cobrem? “Exactamente. Quando as companhias vêm a Avignon é para venderem o seu espectáculo a programadores que depois o levem em digressão durante o ano. É isso que se procura. As companhias não vão apenas para actuar no festival, vão apresentar o seu espectáculo a profissionais que o vão comprar. Mas se não conseguirem essa digressão, é um fracasso. Este ano é ainda mais complicado porque o Ministério da Cultura francês fez cortes? Bem, desde logo há uma verdadeira crise na distribuição em França porque há um número enorme de espectáculos que querem fazer digressões, mas muito poucos conseguem. Além disso, o financiamento público está a diminuir cada vez mais. Este ano, havia um financiamento público que ajudava as companhias e os artistas que era o FONPEPS [fundo nfrancês para o emprego na área do espectáculo] e que foi reduzido, o que vai pôr em risco muitas das companhias.” Como é que as pequenas companhias conseguem financiar o alojamento em Avignon? “É complicado. Tentam encontrar financiamento, fazem empréstimos. É realmente muito complicado. O alojamento é um pesadelo em Avignon porque os preços são muito inflacionados a cada ano. Não existe regulamentação, é apenas oferta e procura. Existem hotéis que são a 100 euros por noite e passam a 300 euros durante o festival. Em suma, o alojamento durante o festival tornou-se uma loucura.” O que seria preciso fazer? “Em França, penso que é possível, a nível do governo civil, congelar as rendas, mas é complicado. É uma questão política porque isso trava os rendimentos das pessoas que são eleitores. O problema é que todos querem estar dentro das muralhas de Avignon, um centro pequeno, mas existem muitas cidades à volta. É preciso trabalhar nos transportes públicos, nos autocarros, comboios, mobilidade gratuita. A SNCF [companhia francesa dos caminhos-de-ferro] nem nos ajuda muito nesse sentido, mas é preciso tentar trabalhar com a Região para facilitar o acesso de quem não vive perto.” No editorial deste ano, vocês escrevem que “o festival é um acto”, nomeadamente de “resistência, criação e liberdade”. Porquê? “Criar está a tornar-se um acto de resistência - em França, talvez menos do que noutros lugares porque aqui ainda temos poderes políticos que nos ajudam a nível local ou nacional. Mas criar está a tornar-se um acto de resistência porque é cada vez mais difícil para os artistas expressarem-se. Há cada vez menos financiamento. Há cada vez mais autarcas que, em algumas cidades, recusam determinados espectáculos porque não estão alinhados com eles e, de certa forma, censuram espectáculos. Há muita censura e muitas dificuldades para criar espectáculos. Criar significa enfrentar todas estas dificuldades e resistir. A cultura sempre resistiu ao longo da história, mas com diferentes graus de dificuldade e agora estamos numa fase muito complicada num mundo onde as pessoas se fecham, onde há muitas culturas que se opõem, muitas guerras, muitos problemas de poder de compra, pessoas que não se conseguem alimentar, pagar as contas. Neste contexto, montar espectáculos é complicado.” Esta edição marca os 60 anos do Festival Off Avignon. O que representa e há temas em destaque? “Sessenta anos representa uma imensa vontade de viver e de sobreviver dos artistas e uma riqueza da criação francesa. É impressionante que há 60 anos haja milhares de artistas a criar espectáculos populares para todos. É uma excepção no mundo, aliás não existe outro festival como este no mundo. Fala-se sempre no Festival Fringe de Edimburgo que é um grande festival, são 3.500 espectáculos, mas se contarmos o número de actuações, não sei se não somos um dos maiores. É uma fonte de esperança porque vemos que as gerações mais jovens, as companhias mais jovens, estão a assumir o legado e vão continuar esta tradição. O Off tem um lado muito popular. Os artistas distribuem panfletos, desfilam pelas ruas. É uma festa que dura há 60 anos, é um sopro de ar fresco num mundo muito duro e que não dá grande espaço à poesia. Vivemos num mundo muito prosaico e que não é poético.” O Laurent Domingos tem origens portuguesas...Que ligação tem com essas raízes? “Sim, mas infelizmente não falo muito bem português. O meu pai é português, fui criado pelo meu avô português... Não digo que o português tenha sido a minha língua materna, mas os meus avós não falavam francês... Volto lá regularmente. Sou do sul de Portugal, sou do Algarve, de Vilarinhos que fica em São Brás de Alportel. Lembro-me ter visto, nas ruelas de Lisboa, muitos concertos de fado nos pequenos restaurantes. Desde pequeno, vivi de perto esta coisa popular dos espectáculos. O meu avô tinha um jardim grande e toda a gente ia lá comer, lembro-me do grão-de-bico com toucinho, lembro-me das sardinhas grelhadas. E havia esta coisa muito popular, com as pessoas reunidas, em que alguém se punha a cantar, com uma guitarra. Esta coisa da festa popular foi algo que me ficou e - não digo que tenha sido por isso - mas há algo que está ligado a esta coisa popular do Festival Off. Há muito poucas companhias portuguesas no Off. Deveria haver mais, lembro que o festival ajuda as companhias estrangeiras e as portuguesas podem tentar... Fiquei extremamente contente de ver o Tiago Rodrigues a tornar-se director do Festival de Avignon, o IN. Por vezes fazemos alusões a Portugal e é bastante curioso ver que na mesma cidade há um co-presidente de um festival e um director de um festival que são ambos portugueses.”
O activista angolano Osvaldo Caholo foi condenado nesta segunda-feira a dois anos e meio de prisão efectiva pela prática do crime de instigação pública ao crime aquando das manifestações de Julho do ano passado contra o aumento do preço do combustível que resvalaram para incidentes em vários pontos do país e resultaram oficialmente em pelo menos 30 mortos em Luanda. A defesa do activista que se encontra detido desde essa altura apresentou recurso contra esta decisão que considerou injusta. Apesar de a 5.ª Secção da Sala dos Crimes Comuns do Tribunal da Comarca de Luanda absolver o activista de 37 anos dos outros crimes de que era acusado, apologia do crime e rebelião, foram unânimes as reacções de decepção por parte da sua defesa como também dos seus familiares que denunciaram uma sentença a seu ver "excessiva" e "com motivações políticas". Para além da sua pena de prisão, o activista, antigo militar e também universitário que ficou conhecido há dez anos por fazer parte do grupo "15+2", foi condenado a pagar uma multa de 250 mil Kwanzas. Muito embora lhe tenham reconhecidas circunstâncias atenuantes, como o facto de ter cooperado com as autoridades, ser chefe de família, pai de menores e ter mantido uma boa conduta durante o processo, a justiça angolana considerou que ele proferiu ameaças contra figuras do poder durante uma transmissão em directo nas redes sociais, no âmbito das manifestações de Julho de 2025. Em entrevista concedida à RFI, o advogado Simão Afonso, membro da equipa de defesa do activista, fez o ponto da situação. "Enquanto advogado de defesa. É evidente que é uma condenação que a nós não satisfaz, na medida em que sempre estivemos convencidos de que o nosso constituinte era inocente. Durante a audiência de produção de provas por mais de três dias, não ficaram provados os crimes de que é acusado. Não obstante o Ministério Público ter pedido a absolvição nos dois crimes, necessariamente o de rebelião e apologia pública, nós, enquanto defesa, nas alegações orais, solicitámos ao tribunal que ele fosse absolvido dos três crimes, mesmo para efeitos do crime de instigação pública ao crime, aquele em que foi condenado. O tribunal não apresentou qualquer prova. Nunca ficou provado no tribunal. Todos os fundamentos que o tribunal apresentou para o incriminar têm muita incidência política. Portanto, para nós, não faz qualquer sentido esta condenação, porque em nenhum momento ficou provado e é só por isso que, em reacção imediata, nós interpusemos o recurso", explicou o advogado. Para o representante de Osvaldo Caholo, o que ficou evidente durante o processo, "é uma contradição muito visível, expressa naquilo que foi a condenação e o fundamento da própria condenação. Nós estamos a ver o tribunal a fundamentar a decisão e apresentar um conjunto de atenuantes e situações que favorecem o arguido. O facto de ser réu primário, o facto de ser chefe de família, ter cooperado significativamente, ser pai de filhos menores, um conjunto de atenuantes. E foi apresentada apenas uma situação agravante, que é o dolo. E nós estamos a ver, tendo em conta as atenuantes que foram reconhecidas pelo próprio tribunal através da juíza e a moldura penal, que são de três anos, estamos a ver fazer mais sentido, o tribunal a fazer cair pelo menos metade da pena". Ao evocar os passos a seguir depois de ser entregue o recurso da defesa, Simão Afonso refere que "o processo vai agora para a relação, para ser apreciada num tribunal superior. Tendo em conta o prazo da prisão preventiva, nenhum detido pode ficar mais de 18 meses sem condenação transitada em julgado. Então quer dizer que o tribunal tem esse limite. Ele já está preso há nove meses, então o tribunal tem antes de 18 meses para proferir uma decisão relativamente ao processo que agora vai apreciar". Sobre o estado de espírito do seu cliente, o advogado refere que "é um elemento bastante forte. Ele sempre demonstrou convicção. Em nenhum momento ficou abalado". Apesar de o interessado não ser ficado abalado de acordo com o seu advogado, o certo é que este caso está a ser acompanhado com muita atenção pela sociedade civil, nomeadamente pela Mudei que comentou o veredicto nas redes sociais e também pelo Movimento Revolucionário Angolano. Reagindo hoje à decisão da justiça, este último movimento emitiu uma "nota de repúdio" e disse "pautar acções mais contundentes". Em declarações à RFI, a activista angolana Laura Macedo que acompanhou o processo de Osvaldo Caholo, também dá conta da sua revolta e apela à mobilização. "É uma injustiça muito grande o que aconteceu com Osvaldo. E nós temos todos que ter em conta que, depois daquelas atenuantes todas que a juíza disse, é inadmissível que ela tenha dado esta pena. A moldura penal máxima da pena que ele apanhou são três anos. Sendo três anos, a moldura penal. O que é que nós temos? Ela dá dois anos e seis meses. Se ela tivesse dado dois anos e cinco meses, ele poderia ter saído. A pena já seria convertida em multa. Então, isto é uma jogada para manterem o Osvaldo fora da circulação e nós temos todos que nos unir e lutar contra isto, embora daqui a seis meses os advogados já possam entrar com um pedido de liberdade condicional por bom comportamento", diz a activista. Sobre as acções encaminhadas desde ontem perante a sentença judicial, Laura Macedo refere que juntamente com outras pessoas presentes no julgamento, fizeram uma manifestação logo à saída do Tribunal que foi inviabilizada pela polícia. "Fomos rechaçados dali. Ninguém quis chocar com a polícia porque achámos que era mesmo o que a polícia queria mesmo provocar, a ver se apanhava mais algum. Então, contivemos um bocado os ânimos e abandonamos o local. Mas certamente nós vamos começar a promover acções até que o Tribunal da Relação se pronuncie sobre o recurso". Paralelamente, à situação de Osvaldo Carolo, a de outro activista, Tanaice Neutro, também suscita preocupação. O jovem, que se ilustrou igualmente em protestos, foi detido na semana passada, quando estava a assistir ao julgamento de Osvaldo Caholo, seu camarada de luta. O advogado Simão Afonso, vinca o carácter anormal desta situação. "Foi num momento em que nós estávamos na sala e percebemos que ele havia sido detido. Até agora não foram apresentadas as verdadeiras motivações. Portanto, a nossa apreciação é que as pessoas, dentro daquele espaço, um órgão de soberania, um tribunal, é o local onde elas deviam se sentir mais seguras. E quando alguém vai apenas acompanhar uma sessão de julgamento e é detido, é muito preocupante. Isso altera significativamente a situação de justiça em Angola e Direitos fundamentais. Portanto, fica claro que até o próprio tribunal não é um local seguro. Não é local de cidadania, não é local de exercício de direitos, não é local para a realização da Justiça", considera o advogado. Também testemunha desta detenção ocorrida na passada quarta-feira, Laura Macedo, refere que Tanaice Neutro "não estava a incomodar ninguém". "Foi a maior irregularidade que pôde acontecer. Ele estava quieto. Ele não estava a incomodar ninguém. O comandante do município entrou ali com homens e, coercivamente, arrastou-o para fora. Isso foi na quarta-feira passada. Tanto quanto sei, não foi presente ao juiz de garantia. Há prazos, portanto, a polícia não está a cumprir e o Ministério Público, não sei se está a fazer vista grossa. Não sei o que é que se está a passar", diz a activista para quem este cenário, num contexto em que as eleições de 2027 estão à porta, não é surpreendente. "Já nas outras eleições nós vimos isto acontecer", diz Laura Macedo ao apelar aos restantes activistas à "contenção nas palavras. Contenção nas suas palavras não quer dizer não fazerem as denúncias, é arranjarem palavras. E nisso o português é fértil", conclui.
A desaprovação do governo Lula atingiu 50% nesta quinta-feira, segundo o monitoramento diário realizado por O Antagonista e Real Time Big Data.De acordo com o levantamento, 27% dos entrevistados consideram a gestão ótima ou boa, 22% a avaliam como regular e 1% não soube responder. Este é o nível mais baixo de popularidade do presidente desde o início da medição, em julho de 2025.Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores. O programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade. Ao vivo de segunda a sexta-feira às 18h no nosso canal no Youtube. https://www.youtube.com/@OAntagonista Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e Crusoé com 10% via Pix ou Google Pay: https://assine.oantagonista.com.br/ Siga O Antagonista no X: https://x.com/o_antagonista Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais. https://whatsapp.com/channel/0029Va2SurQHLHQbI5yJN344 Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br #Lulômetro #Desaprovação #Governo #Pesquisa #Política #Popularidade #Rejeição #Brasília #Estatística #Planalto #Gestão #Crise #Opinião #Dados #Recorde #Podcast #Notícia #Eleitorado #Impacto #Tendência
Estamos a poucos dias de um novo aniversário da revolução do 25 de Abril em Portugal, uma ocasião para recordarmos uma das suas figuras cimeiras, Otelo Saraiva de Carvalho, que é o objecto de uma biografia elaborada por Yves Léonard, historiador que nestas últimas três décadas publicou inúmeros livros sobre a História de Portugal. "Otelo, la voix de la révolution des œillets", "Otelo, a voz da Revolução dos Cravos" é o nome da nova obra publicada pela Chandeigne & Lima, que Yves Léonard lançou no passado dia 15 de Abril em Paris. Neste livro, o historiador recorda esta figura controversa do passado recente de Portugal, um capitão de Abril que, no decurso dos anos 80, foi acusado de ter ligações com grupos armados em Portugal. Nascido a 31 de Agosto de 1936 em Maputo, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho é filho de um funcionário dos Correios e cresce no seio de uma família ligada, pelo avô, ao mundo do teatro. Depois de frequentar o ensino secundário público de Maputo, ele destina-se a uma carreira de actor, o jovem Otelo tendo veleidades de ir para o "Actor's Studio" em Nova Iorque. O destino -e sobretudo o pai- vão encarregar-se de o fazer ingressar na Academia Militar aos 19 anos. Ele estará em serviço activo durante as guerras de libertação de Angola e na Guiné-Bissau, nos anos 60 e início de 70 Será durante os derradeiros anos desses conflitos, que vai crescer dentro dele e de outros militares o projecto de derrubar o regime fascista português. De regresso a Portugal em 1973, envolve-se no Movimento das Forças Armadas e, juntamente com outros capitães, assume a liderança da Revolução dos Cravos a 25 de Abril de 1974. Uma caminhada sobre a qual Yves Léonard destaca que "antes de tudo, Otelo é o homem de África" e que "isto é muito importante para compreender o personagem". "Otelo é um militar, mas não por convicção. Penso que, antes de tudo, Otelo é um actor. Gostava muito do teatro. Otelo tem um avô que é um antigo oficial do Exército português. Portanto, tem uma grande admiração pelo avô. É importante na hora de tomar a decisão de entrar na Academia Militar e depois, nos anos 60, obviamente, é o tempo das guerras coloniais e para Otelo é um momento muito importante. Porque Otelo é um oficial intermédio, isto é, um capitão", começa por dizer o estudioso. "Em África, durante as guerras coloniais, há uma tomada de consciência em torno do sistema salazarista com o papel muito importante das colonias. E para Otelo, há a consciência de que a guerra é o problema maior de Portugal e que a violência não é a resposta", diz o historiador. Ao destacar o papel de Otelo durante o 25 de Abril, Yves Léonard também recorda que, depois, "durante o PREC, Processo Revolucionário em Curso, Otelo tinha um papel muito importante, porque era o chefe do COPCON e o chefe da Região Militar de Lisboa. Tem um papel muito importante durante a crise do fim de Setembro de 1974, durante a crise do 11 de Março de 1975, e depois, durante o 'Verão quente' e no mês de Novembro de 1975. Mas aí já não tinha o controlo da situação política em Portugal". Entrevistado pela radiodifusão portuguesa precisamente um ano após a revolução, Otelo Saraiva de Carvalho não esconde a alegria e o orgulho que continua a sentir depois do 25 de Abril de 1974. Mas efectivamente, neste período em que ele assume um papel preponderante no PREC, começam a surgir as primeiras divisões entre as correntes mais reformistas e as franjas mais à esquerda da revolução. Estas dissensões vão culminar com a desestabilização do 25 de Novembro de 1975. A partir daí, Portugal marca uma viragem mais à direita e em 1976, o general Ramalho Eanes torna-se o primeiro Presidente eleito depois da revolução de Abril, com um pouco mais de 61% dos votos face a Otelo, cuja candidatura recolhe cerca de 16% dos votos. Na primeira metade dos anos 80, Otelo está em ruptura total com o rumo seguido por Portugal na altura. Ele lidera um movimento, o chamado "Projecto Global", que será acusado de ter elos com grupos armados de extrema-esquerda como as FP 25, Forças Populares do 25 de Abril, que cometem ataques semelhantes àqueles que acontecem na mesma altura na Itália ou em França. "É difícil de dizer exactamente o que se passou, porque, por um lado, Otelo tinha vontade de fazer um projecto político com o poder popular que se chama ‘Projecto global'. É um projecto muito ambicioso. No fim dos anos 70, no início dos anos 80 e no mesmo tempo, aparece um grupo muito violento, com atentados terroristas que se chamam FP 25, Forças Populares do 25 de Abril. O problema é fazer uma ligação entre o ‘projecto global' de Otelo e as FP 25. É muito difícil saber exactamente qual é a natureza dessa relação. Mas em Junho de 84, o poder político, o Ministério da Justiça e a polícia têm a convicção de que Otelo é o chefe, senão o inspirador das FP 25", recorda Yves Léonard. Em 1987, Otelo é condenado a 15 anos de prisão por ser considerado responsável das actividades das FP 25. As circunstâncias em que Otelo é condenado geram um debate de largos anos em Portugal, ao ponto que sob o impulso dos socialistas então no poder, uma maioria de parlamentares amnistia Otelo em 1996. Esta medida não deixa de gerar polémica no seio da direita que acusa a esquerda de querer "apagar" a História. A seguir à amnistia, virá mais tarde um novo processo em 2001 durante o qual a justiça vai considerar que não existiam elementos suficientes para estabelecer que Otelo tivesse um qualquer elo com as FP 25. "Temos um julgamento no Tribunal da Boa-Hora no início de 2001 para dizer que Otelo não é responsável, não é o inspirador, não é o chefe das FP 25. É uma decisão de Justiça. Isto é uma forma de verdade. O problema é que depois da amnistia, depois o julgamento da Boa-Hora, muitas pessoas em Portugal continuam a pensar que Otelo é o responsável das FP 25, é uma terrorista. E a imagem de Otelo é péssima", constata o universitário. Apesar de uma decisão favorável da justiça, o nome de Otelo passou a ter um rasto de pólvora de forma duradoira. Paradoxalmente, ele continua a ser acarinhado no exterior, nomeadamente em França, onde várias personalidades do mundo político, nomeadamente o próprio Presidente François Mitterrand, ou artistas como o cantor popular Renaud, não escondem a sua admiração pelo militar que tem uma aura romântica. Para Yves Léonard, este fenómeno explica-se pelo facto de "a Revolução dos Cravos ter sido a última revolução do século XIX, isto é, uma revolução romântica". A aura de Otelo e dos restantes capitães de Abril vai inspirar vários filmes, documentários e reportagens. No ano 2000, estreia o filme 'Capitães de Abril' da actriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros. Presente na apresentação do livro de Yves Léonard, ela recorda a figura de Otelo que conheceu quando era criança. "Realmente eu conheci-o. Eu era muito novinha, adolescente, e lembro-me de ter dançado um rock and roll com o Otelo e era a primeira vez que eu dançava assim com os movimentos do rock and roll em Lisboa, num restaurante que é o ‘Brazuca', que era um lugar muito importante para os capitães de Abril, onde eles se reuniam muito. Depois, quando preparei o meu filme Capitães de Abril. Obviamente, falei muito com o Otelo, também com o Salgueiro Maia e, sobretudo, passei realmente 13 anos da minha vida a fazer pesquisa e a ler tudo o que eu conseguia encontrar nessa época publicado e às vezes sem estar publicado do que eles escreveram. É um privilégio extraordinário da nossa geração, da nossa infância, de miúdos lisboetas, de muitos de nós, termos coincidido com essas figuras importantes da nossa história", diz a cineasta que lamenta a actual tentativa de minimizar o legado do 25 de Abril no espaço público em Portugal. "Infelizmente, eu acho que estes movimentos revisionistas de extrema-direita que alastram não é uma coisa que seja, nem é nada português. Na verdade, acho que é uma importação. É como uma marca importada de outros países, porque está a acontecer por toda a parte. Os discursos são os mesmos. O descrédito atirado para cima da honra não é de quem de facto lutou. É vergonhoso", denuncia Maria de Medeiros. Volvidos 52 anos, o campo conservador está no poder em Portugal e a extrema-direita, em posição de força na Assembleia da República, tenta corroer a herança do 25 de Abril. A questão da memória torna-se tanto mais premente que as testemunhas directas da revolução dos cravos vão partindo. Otelo faleceu a 25 de Julho de 2021, num relativo esquecimento e sem grandes homenagens nacionais. "O que é muito importante, com o 25 de Abril é o papel dos capitães. Os grandes testemunhos da época, obviamente, 50 anos depois, os heróis desaparecem. Por exemplo, Otelo morreu cinco anos atrás, em 2021. E é difícil falar desse período sem os grandes actores do 25 de Abril. É um problema clássico na disciplina da História, a memória, os testemunhos e a história. É importante fazer e dizer a História. É um período complexo porque estamos entre a época da memória, com a presença dos grandes actores do 25 de Abril e o período da História. O problema hoje, é a tentação de dizer que o período antes do 25 de Abril não foi um período tão difícil. É um grande perigo para a democracia portuguesa", considera Yves Léonard para quem "é muito importante hoje sublinhar o papel fundamental da ruptura do 25 de Abril" que marcou "um novo tempo para Portugal, para a democracia em Portugal e para a democracia na Europa". "Otelo, obviamente, é o homem do 25 de Abril, o instigador que simboliza os Cravos de Abril", conclui o historiador.
No quadro PECUÁRIA LEITEIRA , os cuidados com o manejo nutricional das vacas em transição do pré para o pós parto. No quadro HORA DO HARAS a ferramenta que ajuda a detectar falhas na conversão alimentar dos cavalos e permite corrigir e aprimorar os resultados
Fim das cotas chinesas cria cenário de incerteza para arroba do boi e pecuarista deve se preparar para período de recuo nos preços
No episódio de hoje do BBcast Agro, Danilo Teodoro, assessor de agronegócios do Banco do Brasil em Uberaba-MG, analisa a pressão sobre as cotações internacionais e os novos números da safra brasileira divulgados pela Conab.Destaques do episódio:
"Em cumprimento à Lei nº 14.611 de 04 de Julho de 2023 e à Portaria MTE Nº 3.714 ao Decreto nº 11.795/2023, a Emerson Electric Co, por meio das suas subsidiárias brasileiras Emerson Process Management Ltda, inscrita no CNPJ 43.213.776/0001-00 (e filiais), e Ascoval Industria e Comercio Ltda, inscrita no CNPJ 43.021.906/0001-03, em conjunto apenas como "Emerson", vem por meio desta página, publicar o Relatório de Transparência e Igualdade Salarial de Mulheres e Homens, disponibilizado pelo Ministério do Trabalho. As informações contidas neste relatório são públicas e foram disponibilizadas nos portais governamentais pertinentes. Junto à divulgação deste relatório, a Emerson apresenta as iniciativas e projetos da companhia já em andamento que demonstram nosso compromisso com a igualdade salarial entre Mulheres e Homens. A Emerson, por meio destas iniciativas, reforça esta preocupação não apenas pela obediência a todas as exigências legais, como também pelo compromisso em manter uma cultura de respeito e aceitação, onde cada colaborador e colaboradora da Emerson – e suas ideias inovadoras - possam prosperar." Links: Relatório Emerson Process Management Relatório Ascoval
O Dr. Deçio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja, mostra os resultados de produtividade na Soja quando se usa Abelhas próximas das lavouras. E falamos também sobre o Fórum Nacional de Máxima Produtividade do CESB, que será presencial, nos dias 07 e 08 de Julho.
A 80ª edição do Festival de Avignon decorre de 4 a 25 de Julho e tem, no cartaz, um enorme ponto de interrogação para destacar a importância de questionar o mundo através da arte. O tema acabou por surgir "de uma forma bastante livre", conta Tiago Rodrigues, o director do festival, que apresentou, esta quinta-feira, a programação no Théâtre du Rond-Point, em Paris. Foi aí que conversámos com o encenador e dramaturgo português sobre os nomes que preenchem uma edição em que, mais do que nunca, “é imperativo sonhar num mundo onde parecemos cercados por uma tremenda e terrível má notícia a cada dia”. Tiago Rodrigues é o artista português que dirige um dos mais prestigiados festivais de teatro do mundo e que este ano cumpre a 80ª edição. Desta vez, a linha de força de Avignon está estampada no cartaz do evento: de um fundo amarelo solar sobressai um enorme ponto de interrogação. A força das dúvidas e dos questionamentos talvez seja a chave para entrar no espírito de Avignon, a cidade-teatro que abre portas para o mundo durante os dias do festival. Tiago Rodrigues assume que “o questionamento” acabou por se impor como um tema natural desta edição porque todos os espectáculos e eventos programados deixam no ar perguntas que são antídotos contra as “respostas simplistas” que “criam a violência” dos tempos que correm. O encenador e dramaturgo sublinha que juntar pessoas no mesmo espaço para fazerem perguntas através da arte “é uma coisa absolutamente essencial e cheia de futuro”. Talvez por isso, o teatro é hoje ainda mais urgente e “claro que não está em vias de extinção”, avisa. Aos comandos do festival desde 2023 e reconduzido para um segundo mandato até 2030, Tiago Rodrigues alerta que “é imperativo sonhar num mundo onde parecemos cercados por uma tremenda e terrível má notícia a cada dia”, exemplificando com o medo que o assola quando vê artistas como o libanês Ali Chahrour a viver sob bombardeamentos em Beirute. Mas vamos à programação do festival, que divulgámos esta quarta-feira depois da apresentação no espaço La FabricA, em Avignon. Um dia depois, Tiago Rodrigues foi ao Théâtre du Rond-Point, em Paris, para a conferência de imprensa do lançamento desta edição e a RFI teve a oportunidade de falar com ele. Começámos por abordar os nomes lusófonos e o director do festival apontou, desde logo, a artista brasileira Carolina Bianchi como “a grande revelação nos últimos anos no teatro mundial”, lembrando que ela foi a grande aposta de Avignon em 2023 (o primeiro ano programado por Tiago Rodrigues). A encenadora, actriz e escritora vai estrear em Avignon o terceiro capítulo da trilogia "Cadela Força", três anos depois de ali ter apresentado o primeiro capítulo, “A Noiva e o Boa Noite Cinderela”, que ganhou o Leão de Prata da Bienal de Veneza. Por outro lado, haverá dois dias de maratona teatral de 10 horas em que as três peças poderão ser vistas de seguida: “A Noiva e o Boa Noite Cinderela”, “The Brotherhood” e “Uma Luz Cordial”. Sobre os também brasileiros Christiane Jatahy e Wagner Moura, que vão apresentar “Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”, Tiago Rodrigues lembra que “Christiane Jatahy é uma artista muito amada pelo público do festival” e que, pela primeira vez, trabalha com Wagner Moura, “neste momento, o actor brasileiro mais conhecido no mundo” e que regressa ao teatro 16 anos depois “com essa vontade de quem regressa à essência do trabalho de actor”. Nesta edição, acabam por ser poucos os artistas lusófonos, mas fica a promessa que, depois de portugueses, cabo-verdianos e brasileiros terem estado em edições anteriores, “os artistas moçambicanos, angolanos e guineenses” também merecem ter o seu palco em Avignon. Continuando o seu projecto de convidar línguas para o festival, depois do inglês, espanhol e árabe, Tiago Rodrigues justifica a escolha, este ano, da língua coreana como “uma vontade de viajar até longe”. Daí que um quarto da programação seja constituída por artistas da Coreia do Sul e uma das convidadas de honra, que inspira dois espectáculos, é a Nobel da Literatura Han Kang. De resto, mais de metade dos projectos são dominados por artistas mulheres com “propostas absolutamente extraordinárias”. Na entrevista, o director do Festival de Avignon mostrou-se, ainda, muito “preocupado com o que está a acontecer em Portugal, nomeadamente em Lisboa”, algo que descreveu como “uma espécie de cerco à liberdade de criação” e “um grande abandono da verdadeira democratização” do acesso às artes e à criação. RFI: Na apresentação da programação, o Tiago Rodrigues falou na vontade de que o festival seja uma “festa de questionamentos” e o cartaz apresenta um grande ponto de interrogação. Quais são as linhas de força que cosem as entrelinhas desta edição e até que ponto o questionamento é uma delas? Tiago Rodrigues: “O questionamento foi uma forma bastante livre de darmos um tema a este festival, de relembrarmos ao público que este festival - que faz muito trabalho sobre a sua história, sobre o seu arquivo - ao chegar à 80ª edição, queria estar muito concentrado também no presente e no futuro, perguntar o que é que vamos fazer nos próximos 80 anos de festival. Hoje, quando defendemos a importância das artes, do teatro, da dança na vida das pessoas, muitas vezes dão-nos a entender que estamos a defender qualquer coisa que está em vias de extinção ou qualquer coisa que é antiga e que estamos a tentar ainda fazer sobreviver não se sabe bem porquê, quando o que nós defendemos é uma coisa absolutamente essencial e cheia de futuro que é a possibilidade de nos reunirmos em sociedade, pessoas juntas fisicamente no mesmo espaço para fazer perguntas juntos, mas fazer perguntas através da arte. E é isso que o festival faz há 80 edições e queríamos relembrar-nos a nós, os artistas, mas também ao público, que é isso que nós fazemos aqui. Num mundo onde estamos cheios de más respostas - poucas respostas mas más na maioria dos casos - respostas violentas, respostas simplistas, respostas pouco informadas, nós queremos colocar as boas perguntas. Perguntas às vezes complexas, perguntas também com prazer, perguntas com dúvida, perguntas que permitam o debate em vez de respostas que criam a violência. Eu acho que as artes podem ter esta função e certamente um festival onde vêm pessoas do mundo inteiro e se reúnem numa cidade que duplica a sua população no momento do festival para acolher o mundo inteiro que a visita, esse é o momento em que podemos fazer perguntas juntos.” Há três artistas brasileiros em destaque nesta edição: Carolina Bianchi, Christiane Jatahy e Wagner Moura. Comecemos por Carolina Bianchi, que foi revelada no primeiro ano de Tiago Rodrigues à frente do Festival de Avignon, em 2023. O que nos traz Carolina Bianchi? “Carolina Bianchi foi uma aposta do festival em 2023, na primeira edição que eu programei, porque acreditava que seria um grande acontecimento para o teatro europeu e mundial descobrir o trabalho de Carolina Bianchi que era um trabalho que estava muito discretamente escondido na cidade de São Paulo, que não rodava muito, que não era muito conhecido mesmo no Brasil. Tivemos a oportunidade de a desafiar a começar um projecto, uma trilogia. Ela sonhava fazer uma trilogia com três espectáculos consagrados à questão da violência e, sobretudo, a violência sobre as mulheres. O primeiro episódio é consagrado a essa violência na história da arte e na performance. O segundo no teatro e o terceiro na literatura mas como também a escrita pode ser uma forma de libertação, de emancipação. Ao ouvir essa ideia, dissemos imediatamente: ‘Vem fazer o primeiro espectáculo no Festival de Avignon'. O que aconteceu a seguir é do conhecimento geral. Carolina Bianchi, depois desse espectáculo, ganha o Leão de Prata da Bienal de Veneza, torna-se uma artista que faz todas as cenas europeias e mundiais, é revelada por esse festival. Criou o segundo capítulo entretanto, “Brotherhood”, e nós tínhamos combinado há muito que ela encerraria esta trilogia de novo em Avignon. A grande sorte que temos é que encerra com um espectáculo que será absolutamente fenomenal, “Uma Luz Cordial”, mas também conseguimos preparar, pela primeira vez, a hipótese de ver a trilogia seguida. São dez horas de teatro, uma grande aventura que tem ocupado esta artista durante quase cinco ou seis anos da sua vida e vamos poder ver não só a estreia mundial do último capítulo da trilogia, mas também, pela primeira vez, toda a trilogia seguida no Festival de Avignon, com cerca de 20 intérpretes brasileiros liderados por esta grande artista. É uma grande revelação dos últimos anos no teatro mundial.” E em relação a Christiane Jatahy, que já esteve em Avignon, e Wagner Moura, o que é que eles trazem ao festival? “Christiane Jatahy é já uma artista muito amada pelo público do festival, muito conhecida em França, uma encenadora que também é muito conhecida do público lusófono, seja no Brasil, seja em Portugal, que tem marcado as cenas europeias nos últimos anos, com as suas adaptações de repertório e desta vez, pela primeira vez, trabalha com Wagner Moura, que decide voltar ao teatro 16 anos depois. Ele tem vivido a sua aventura cinematográfica, televisiva, neste momento é, sobretudo, talvez o actor brasileiro mais conhecido no mundo com a nomeação ao Oscar, com o Globo de Ouro que ganhou e com a Palma de Ouro em Cannes que ganhou pelo filme “O Agente Secreto”. E é muito comovente ver Wagner Moura regressar ao teatro com essa vontade de quem regressa à essência do trabalho de actor. Aqui, Christiane Jatahy e Wagner Moura escreveram juntos, inspiraram-se no “Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen, autor norueguês, e pegando na história do “Inimigo do Povo”, onde o protagonista acabou de anunciar que as águas de uma vila termal estão contaminadas e, portanto, ao salvar a saúde das pessoas, condenou economicamente essa cidade, ele é acusado de ser inimigo do povo. O que vemos nesta peça é que imediatamente a seguir a esta história há um julgamento e nesse julgamento há vários testemunhos, nomeadamente o do Dr. Stockmann, interpretado por Wagner Moura e escrito por Wagner Moura com Christiane Jatahy, que defende que não é inimigo do povo, pelo contrário, enquanto outros defendem que ele é inimigo do povo. Será o público a decidir o resultado deste julgamento e o espectáculo tem dois finais em função da decisão do público.” Em termos de lusofonia, não há muitos mais nomes lusófonos. Porquê? “Porque o Festival de Avignon é uma página em branco onde nós tentamos responder às mesmas questões com respostas diferentes todos os anos. Evidentemente, a língua portuguesa, nem que seja pela minha presença na direcção do festival, tem estado mais presente do que no passado na história do Festival de Avignon, com artistas portugueses, cabo-verdianos e brasileiros também. Este ano, a presença da língua portuguesa está defendida por duas grandes artistas brasileiras e no futuro voltará a estar defendida por, não sei, artistas angolanos, moçambicanos, guineenses, porque não? Portanto, a língua portuguesa tem essa riqueza de poder ter artistas, nomeadamente no teatro e na dança, que merecem ser descobertos e mostrados no Festival de Avignon. Certamente que a cena lusófona - e não só lusófona, também a cena especificamente portuguesa - continuará a ter presença no Festival de Avignon. Este ano não tem, porque nem todos os países podem estar todos os anos no festival. Há países, por exemplo, como a Coreia do Sul, que, através do convite à língua coreana como língua convidada, este ano regressa ao Festival de Avignon depois de 25 anos de ausência. Há 25 anos que não havia um artista coreano no festival. O mundo é grande, o festival também é muito grande, mas não é tão grande como o mundo. E, portanto, embora gostássemos de fazer um festival que tivesse artistas de todos os países do mundo todos os verões, esse sonho terá que ficar para mais tarde. Por agora, queremos ter todos os artistas do mundo, mas um festival de cada vez.” Até porque o Tiago Rodrigues foi reconduzido até 2030 na direcção do festival, não é? “Tenho a grande sorte de ter sido reconduzido para um segundo mandato que começará após este festival. Este é o meu último festival do primeiro mandato, mas estou já a preparar os próximos quatro festivais até 2030. Sem dúvida que até 2030 não faltarão artistas de língua portuguesa.” O que é que o incitou a convidar a língua coreana? “A vontade de viajar até longe esteve na origem deste convite à língua coreana. É a quarta língua que convidamos para o Festival de Avignon. Começámos com o inglês, depois com o espanhol, duas línguas globais, mas de origem europeia. A terceira língua foi o árabe, uma língua de origem não europeia, mas muito presente na Europa e muito presente em França, onde é a segunda língua mais falada. Portanto, estas três línguas, por serem globais e também, por uma certa proximidade, por serem línguas que nos dizem coisas quando somos público do Festival de Avignon, que é um público maioritariamente francês, e o internacional que é maioritariamente europeu, merecia ser provocado pela distância. Então, começámos a procurar as línguas asiáticas que poderia ser interessante propor e percebemos que a língua coreana, sendo uma língua que só é falada numa península, é também uma espécie de 'soft power' através do K-pop, da música popular, através do 'K-drama', as séries televisivas coreanas que são muito populares no mundo inteiro...” Da Prémio Nobel da Literatura... “Da Prémio Nobel da Literatura. Mas por trás dessa presença global, há um grande desconhecimento, por exemplo, do teatro e da dança da Coreia, portanto, fomos pesquisar. Fomos muitas vezes à Coreia do Sul, a várias cidades, descobrimos muitos artistas e compusemos aquilo que corresponde a um quarto da programação do festival, com artistas coreanos. Há muito teatro, muito teatro documentário, muita dança, muitas formas tradicionais como o pansori ou outras formas populares de circo, de música, de teatro, de dança, mas actualizadas com uma leitura contemporânea. E também a literatura porque Han Kang [Prémio Nobel da Literatura] estará no Festival de Avignon, será uma das figuras centrais do festival. Haverá uma grande leitura de partes do seu romance, dirigida por Julie Deliquet, pela actriz Isabelle Huppert e pela actriz coreana Hyeyoung Lee, que juntas lerão, em francês e em coreano, partes do romance de Han Kang em presença da própria Han Kang. Haverá espectáculos que adaptam outros romances de Han Kang. E haverá também encontros e entrevistas públicas com a Prémio Nobel e ela será uma das grandes presenças da língua convidada.” Há uma artista lusodescendente, percussionista da cena electro-pop francesa Lucie Antunes, que faz um espectáculo com Mathilde Monnier, uma presença conhecida em Avignon. São duas mulheres fortes, "guerreiras", como o nome de um dos álbuns de Lucie Antunes. Também está programada Rébecca Chaillon, que faz igualmente espectáculos muito fortes. Nesta edição, há mais mulheres a dirigirem projectos do que homens. Qual é a mensagem subjacente? “É a mensagem natural de que não é difícil fazer uma programação que eu considero de grande, grande, grande qualidade, tendo uma grande maioria de mulheres à frente dos projectos. Não queremos passar outra mensagem que aquela de dizer que deveria ser perfeitamente normal haver muitas programações em muitos festivais do mundo onde há uma maioria de mulheres, porque há enormemente artistas mulheres que fazem projectos absolutamente extraordinários. A mensagem termina aí e depois as conclusões são tiradas pelas pessoas. Foi sem esforço que chegámos a uma programação maioritariamente feminina e por pura paixão pelo trabalho proposto por estas artistas. Quando fomos fazer as contas no final, porque gostamos sempre de poder perceber até que ponto é que estamos a respeitar a nossa vontade de paridade, percebemos que estávamos muito para lá da paridade. E ainda bem que sim, porque artistas como por exemplo Lucie Antunes e Mathilde Monnier, que vão colaborar nesse espectáculo “Silence”, são grandes artistas. Uma vem pela primeira vez ao Festival de Avignon, a Lucie, e a Mathilde Monnier é a artista - depois do fundador do festival Jean Vilar - que mais vezes se apresentou no Festival de Avignon. Mas temos também toda uma geração de grandes encenadoras francesas, como Rébecca Chaillon, Jeanne Candel, Marion Siéfert, Tiphaine Raffier, que vêm marcar presença no festival e mostrar como uma boa parte da pujança, da qualidade e da diversidade do teatro francês passa pelas encenadoras.” No seu primeiro ano na direcção do Festival de Avignon, em 2023, disse-nos que quando se vem a Avignon pela primeira vez, sai-se transformado. Que utopias ainda faltam cumprir em Avignon? No mundo tão complicado em que vivemos hoje, ainda é possível sonhar? “Não só é possível, como é imperativo sonhar num mundo onde parecemos cercados por uma tremenda e terrível má notícia a cada dia. Eu hoje, nesta apresentação, pude mencionar o choque com que vi as mensagens expressas por Ali Chahrour, um artista libanês que esteve no ano passado no festival e que está neste momento em Beirute sob bombardeamentos, e pude exprimir a minha perplexidade, o meu medo, o meu choque e, ao mesmo tempo, perante isto, é absolutamente imperativo sonhar, concretizar os sonhos e propor sonhar a outros. É por isso que nós falamos desta ideia de questões no festival. Questões podiam ser aqui um sinónimo de sonho. No Festival de Avignon eu diria que há ainda muitas coisas que eu gostaria de conseguir fazer até 2030. A batalha essencial, que é aquela que dá sentido ao facto de acompanharmos a criação artística, de defendermos a liberdade artística, de procurarmos meios para os artistas poderem trabalhar, é de conseguir completar, aperfeiçoar, prolongar a aventura do acesso democrático às artes. A democratização do acesso à criação continua a ser a enorme aventura não só em Avignon, mas no mundo inteiro e - porque estou a falar em português - preocupa-me muito o que está a acontecer em Portugal, em muitas cidades, nomeadamente em Lisboa, onde é completamente inesperado o que é uma espécie de cerco à liberdade de criação, ingerências políticas, mas também um grande abandono da verdadeira democratização. O acesso democrático às artes não é um exercício populista, uma flor que se põe na lapela nos dias de festa. É um trabalho quotidiano que deve permitir o acesso fácil à criação exigente, criação de grande qualidade feita em liberdade e à qual todas e todos devem ter acesso. Se fosse fácil, não era um serviço público. A cultura é um serviço público porque não é fácil de fazer. É preciso tempo, é preciso investimento e é preciso sonhar.”
A União Europeia decidiu criar novas taxas para travar a entrada de produtos baratos vindos sobretudo da China. A França, a braços com um aumento significativo de “pequenos pacotes”, adiantou-se e começou a aplicar medidas próprias. Desde Março que, em França, compras feitas, essencialmente, em plataformas como Shein, Temu e AliExpress passaram a pagar uma taxa de dois euros por categoria de produto. A partir de Julho, a esta taxa será acrescentada uma outra taxa europeia de três euros, o que faz subir o total para cinco euros por artigo. O governo francês acusa estas empresas de evitarem a taxa, enviando primeiro os produtos para outros países europeus e só depois para França. Por isso, anunciou mais controlos nas fronteiras. Ao mesmo tempo, a Shein está sob pressão na Europa. Em Fevereiro, a Comissão Europeia deu início a um processo formal contra a Shein, ao abrigo do Regulamento dos Serviços Digitais, devido à sua concepção geradora de dependência, à falta de transparência dos sistemas de recomendação, bem como à venda de produtos ilegais, incluindo material referente a abusos sexuais de crianças. A polémica à volta da empresa de ultra fast fashion surgiu depois de ter sido apanhada a vender bonecas sexuais semelhantes a crianças no seu site em França. Eudeline Boishult e Jan Camenzind Broomby da France 24 deslocaram-se a Cantão, na China, um dos principais pólos da indústria têxtil chinesa. Confira aqui a reportagem.
Após mais de um ano de intervenções, a Serra do Corvo Branco, importante ligação entre os municípios de Urubici e Grão Pará, já tem previsão de liberação. A rodovia, interditada desde o dia 10 de março de 2025 para obras de pavimentação, deve ser reaberta entre meados de junho e início de julho deste ano. As informações foram atualizadas por Ricardo Costa, coordenador de infraestrutura do Planalto da Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade de Santa Catarina, durante entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias nesta quarta-feira (8). Segundo ele, parte significativa da obra já foi concluída. O trecho entre Urubici e o corte está pronto e deve receber sinalização nos próximos dias, com instalação de placas e pintura da pista. Já no lado de Grão Pará até o pé da serra, cerca de 1,4 quilômetro já conta com pavimentação asfáltica. O principal desafio segue concentrado nos aproximadamente 2 quilômetros do trecho central, onde ainda há interdição total. No local, equipes trabalham na contenção de encostas com técnicas como tirantes, concreto projetado e telas de alta resistência, além de outras obras de engenharia para garantir a estabilidade da via. A concretagem da pista também está em andamento. Um dos pontos mais conhecidos da serra, onde há uma fenda que atrai visitantes para fotos, já teve metade da pista concretada. O serviço exige um período de cura de cerca de 30 dias antes da continuidade no lado oposto. Outro ponto complexo envolve as curvas acentuadas da serra, onde a concretagem será feita com o uso de bomba, devido à dificuldade de acesso para caminhões. Paralelamente, as equipes avançam em diferentes frentes de trabalho, conforme as condições de acesso permitem. Entre as soluções adotadas está a construção de vigas em balanço em cinco pontos críticos da rodovia, onde não há largura suficiente para a passagem de dois veículos. Essas estruturas ampliam a pista em até 1,5 metro para fora da encosta, garantindo mais segurança aos motoristas. Além disso, sete pontos de deslizamento exigem atenção especial. Em dois deles, parte da pista chegou a ceder. Equipes atuam em caráter emergencial para estabilizar essas áreas e assegurar as condições necessárias para a reabertura. A expectativa do governo estadual é concluir o máximo possível das intervenções até o início de julho, garantindo segurança estrutural para a liberação do tráfego em uma das estradas mais emblemáticas de Santa Catarina.
Alberto de Oliveira Martins foi um anónimo que se deixou levar pelos ventos da história e que, no final da sua vida, decidiu contar o que viveu com a ajuda de uma velha máquina de escrever que o filho lhe ofereceu. Alberto nasceu em Portugal durante a Primeira Guerra Mundial, viveu a chegada da ditadura, combateu o franquismo na guerra civil de Espanha, foi preso num campo de internamento em França na Segunda Guerra Mundial e esteve detido nas prisões salazaristas em Portugal. Tudo isso escreveu nas suas memórias no final dos anos 80. Quarenta anos depois, o seu filho, Joaquim, partilhou o texto com o historiador Victor Pereira que foi à procura dos rastos desta história invulgar. O resultado é um livro intitulado “Les Carnets d'Alberto. De Porto à la guerre d'Espagne” [“Os Cadernos de Alberto. Do Porto à Guerra de Espanha”] que vai ser publicado em Maio em França, pela editora Chandeigne & Lima, e sobre o qual estivemos à conversa com Victor Pereira. RFI: Do que fala o livro “Les Carnets d'Alberto. De Porto à la guerre d'Espagne” ? Victor Pereira, Autor e historiador: “Há mais de um ano, Joaquim de Oliveira Martins veio ter comigo dizendo que o pai tinha combatido durante a Guerra de Espanha e que tinha combatido na coluna Durruti, uma coluna dirigida pelo próprio Durruti, que foi um dos mais célebres anarquistas espanhóis. Disse-me que o pai dele tinha combatido lá e que no fim da vida, isto é, no fim dos anos 80, ele tinha escrito não propriamente um livro, mas umas Memórias que, depois, ele me emprestou para eu ler. É um relato fantástico de uma vida que começa em 1915 no Porto e cujas Memórias acabam em 1943,1944, quando regressa a Portugal. O que eu fiz foi convencer - e não foi muito difícil -a Anne Lima da editora Chandeigne & Lima para publicar este texto, que é inédito e há muito poucas obras sobre a participação de portugueses na Guerra de Espanha. O que eu fiz foi ir aos arquivos em Portugal, em Espanha e em França para tentar encontrar rastos da vida dele, pensando que ele tinha vivido várias aventuras pouco comuns. Encontrei documentos, nomeadamente no Arquivo da Guerra Civil de Espanha, em Salamanca, e fui encontrando várias coisas sobre ele. Muitas vezes, eram coisas que não parecem importantes, como recibos de consulados portugueses em Espanha, e fui conseguindo conferir o que ele dizia porque ele escreveu 40, 50 anos depois e a memória distorce um pouco os eventos. Então, o livro é feito das memórias dele e de uma introdução minha que é bastante longa que é uma introdução biográfica com o que eu consegui encontrar nos arquivos nos vários países para compreender o percurso pouco comum dele.” Há dois textos no mesmo livro: o texto de Alberto de Oliveira Martins, que ele escreveu como testemunho autobiográfico, e a investigação do historiador Vítor Pereira sobre este anónimo... “É isso mesmo. São dois textos. Começa com o meu, mais ou menos 200 páginas, baseado no texto dele, nos arquivos, nas memórias de pessoas que combateram na Guerra de Espanha. Ele combateu numa frente em Aragão, com milicianos que vinham de Barcelona. Li muitas coisas sobre esse combate à volta de Saragoça, onde ele esteve mais. Depois, ele tem o que aconteceu com milhares de espanhóis quando os republicanos foram perdendo a guerra e houve a Retirada, isto é, a entrada de 475.000 pessoas que atravessaram a fronteira entre a Catalunha espanhola e a francesa. Ele faz parte desse milhares de pessoas e é internado num campo de internamento em França. Depois regressa a Portugal e é preso no Aljube. Então, eu vou também contando a história dele, a história de outras pessoas, nomeadamente portugueses, que combateram na Guerra de Espanha e também das pessoas que foram presas durante os anos 1940, 41 em Portugal - no Aljube e em Caxias. Depois, há o texto dele, que começa na infância até quando ele tem mais ou menos 30 anos.” A história de Alberto de Oliveira Martins também ilustra um ângulo morto da História? A história dos portugueses que lutaram na guerra civil de Espanha não é uma história muito conhecida, pois não? “Não é muito conhecida. Foram menos de dez portugueses que escreveram sobre a guerra que eles fizeram e, muitas vezes, são Memórias muito politizadas, o que é bastante normal. Há Memórias de um comunista, há Memórias de um anarquista, alguns textos biográficos de pessoas republicanas. São pessoas mais cultas que contam isto do ponto de vista da mobilização política.” Pode dizer-nos nomes? “Por exemplo, o anarquista Manuel Firmo, o comunista Francisco Ferreira, o Jaime Cortesão, o Jaime de Morais. Foram textos que foram publicados desde os anos 70 até há pouco tempo, como o texto de Jaime de Morais que foi publicado pela Cristina Clímaco e Heloísa Paulo. Mas, no caso de Alberto, ele já está em Espanha e é bastante por acaso que ele vai começar a guerra. Então, ele não tem uma visão muito politizada e, por exemplo, quando se compara com outros textos de memórias de espanhóis, franceses ou de outras pessoas que combateram na guerra, eles têm uma visão muito ideológica. Alberto conta muito a vida quotidiana dos combatentes, o esforço para comer não muito mal, as brincadeiras entre soldados, como eles ouviam a rádio. É o relato da guerra por um homem, isto é, ele não faz um grande discurso sobre a guerra, ele conta o seu quotidiano de combatente. Então, são muito poucos os relatos [de portugueses] sobre esta guerra, ainda menos por pessoas não politizadas e que não estão a tentar legitimar o que eles fizeram ou não fizeram. É um relato do quotidiano.” Na introdução, o Victor Pereira escreve que “ele não parte para Espanha em nome de um ideal antifascista”, mas “é apanhado pela guerra quando já está em Espanha”. Por outro lado, quando está na guerra, ele não faz dos soldados heróis e até fala da confraternização com soldados do campo adversário. Isto vai ao encontro do que acaba de dizer, não é? “Sim, sim. Muitas vezes há muito essa imagem da Guerra de Espanha que foi uma guerra que mobilizou as opiniões públicas ocidentais em França, Portugal. Na minha introdução, falo sobre como é que a Guerra de Espanha também foi uma guerra quase interna a Portugal. Podemos realçar quando, em Julho de 1937, há uma tentativa de atentado a Salazar que falha e o objectivo das pessoas que tentaram matar Salazar era para tentar enfraquecer o campo nacionalista espanhol porque Salazar foi um grande apoio desde o início aos insurrectos espanhóis e a Franco. O Alberto de Oliveira Martins não tem essa visão politizada. Por exemplo, há uma parte onde ele escreve que quando começou a guerra civil, havia uma aldeia que estava do lado nacionalista e a aldeia ao lado estava do lado republicano e os combatentes dos dois lados conheciam-se pessoalmente. Por vezes, odiavam-se há vários anos, até há várias décadas, mas o que ele conta é que, por vezes, há jovens soldados que estavam muito perto uns dos outros e o que eles fizeram foram pactos dizendo: ‘Olha, não vamos matar ninguém. Vamos atirar para o ar. Assim, os nossos oficiais pensam que nós estamos a combater'. Às vezes, até falavam uns com os outros e faziam estes pactos de paz muito localizados. Isso não aparece tanto nos outros textos porque o que aparece é uma luta de vida e de morte entre o fascismo e antifascismo. Então, ele foca coisas que muitas vezes não são focadas nas memórias da Guerra de Espanha.” Mas de que lado lutou Alberto de Oliveira Martins? “No início, quando ele está em Espanha, ele não tem sorte, como aconteceu a milhares de pessoas. Ele encontra-se num comboio que vai até Saragoça. Saragoça foi tomada pelos militares rebeldes que depois vamos chamar os franquistas. Eles querem imobilizá-lo no campo dos franquistas e ele foge. Algumas semanas depois, ele encontra-se com o próprio Durruti, um dos chefes dos anarquistas que impediu os militares de tomarem o poder em Barcelona. Em 19 e 20 de Julho de 1936 há luta nas ruas de Barcelona, o Durruti e outros camaradas da CNT (do Movimento Anarquista) conseguem domar a tentativa de golpe de Estado e, a partir de 24 de Julho vão milhares de catalães e anarquistas até Saragoça para tentar libertar Saragoça, que tinha sido ocupado pelos militares. Ora, ele estava numa aldeia onde chega o Durruti e o Durruti dá-lhe uma arma e ele vai seguir e vai combater durante quase três anos. A coluna Durruti vai ser uma das mais conhecidas da guerra de Espanha e ele vai combater durante três anos em Aragão, depois na Catalunha. Como é um jovem de 1m80, bastante esperto, bastante ágil, que toda a gente considera que espanhol, ele vai participar em acções de sabotagem no curso de guerrilhas. Então, ele vai combatendo, ainda que ele não tenha ido para combater. Foi a guerra que foi ter com ele. Estando na guerra, ele combate até ao fim, até Janeiro de 1939.” Temos noção de quantos portugueses participaram nesta Guerra Civil Espanhola? “Isso é muito difícil. Há, desde os anos 80, alguns estudos, nomeadamente do César Oliveira, também de Cristina Clímaco sobre o exílio português em França e em Espanha. Há vários números, por vezes 500, vai subindo até 2.000, alguns estudos até falam em mais, e estou a falar do lado dos republicanos, aqueles que ajudaram a República espanhola a lutar contra as tropas franquistas. Muitas vezes fala-se em alguns milhares, 2.000, talvez mais. Um dos grandes problemas - como no caso do Alberto que nunca é referido como português e o nome dele aparece em castelhano nos arquivos - nas listas de nomes ninguém pode saber se são portugueses. Talvez muitos mais portugueses tenham combatido durante a Guerra de Espanha, mas eram considerados espanhóis e havia antes da guerra mais de 20.000 até 30.000 portugueses que estavam a trabalhar na Galiza, na Extremadura, na Andaluzia, sobretudo. Então, houve provavelmente muitos portugueses que combateram e nós não sabemos. Depois temos os portugueses que estão em Espanha, os voluntários que foram combater do lado do Franco. São os chamados ‘Viriatos' e na literatura histórica aparece que foram 8.000, 10.000, alguns até dizem 20.000. Há alguns anos, um militar português, Varela Gomes, disse que provavelmente não eram assim tantos, provavelmente eram 2.500. Por isso, o problema da quantificação é um problema ainda em aberto. Imagino que vão ser precisos muitos anos para saber melhor.” Falou na busca de de arquivos, na recolha de rastos, de memórias. Eu suponho que tenha sido um processo rico em surpresas. Como é que foi esse percurso que o levou a viajar entre a França, a Espanha e Portugal? “Então, foi como um detective, como um polícia. Eu tinha o texto dele, eu sabia que ele foi preso duas vezes nos anos 30, em Espanha, que foi expulso uma vez para Portugal em 1934. Eu sabia que ele tinha sido preso pela PVDE, isto é, a polícia política portuguesa antes da PIDE, e a partir daí fui procurando arquivos de documentação. O mais óbvio era o processo dele no arquivo da PIDE, na Torre do Tombo, em Lisboa, o que era um processo complicado no sentido que ele é preso quando regressa a Portugal em 1940 e, obviamente, ele não vai dizer a verdade à polícia política porque se dissesse a verdade seria enviado para o Tarrafal, o campo de internamento que foi criado em 1936 e para onde foram enviados opositores republicanos, opositores comunistas, anarquistas. A partir de 1930 e 1940, todos os portugueses que foram presos e que tinham combatido na Guerra de Espanha foram enviados para o Tarrafal em condições muito difíceis e alguns morreram em Cabo Verde. Então, obviamente que ele mente e, para mim, era uma fonte complicada, porque eu sei à partida que ele vai mentir. O que ele diz nas Memórias permite compreender isto. Depois, ele conta que em 1932 e 1936 ele vive em Espanha, faz uns biscates, vai mudando muitas vezes de sítio e isso foi uma missão que foi muito demorada. Vi toda a documentação sobre os consulados portugueses em Barcelona, em Sevilha, em Córdoba, em sítios onde eu sabia que ele tinha passado. Para mim, foi uma grande alegria quando, um dia, vendo um conjunto de recibos que eram as ajudas que os consulados portugueses davam a portugueses indigentes ou com poucos meios, reconheci a assinatura dele no recibo! Depois fui vendo vários recibos e, muitas vezes, eram recibos de cinco pesetas, 12 pesetas, o que era bastante pouco dinheiro, mas consegui saber onde ele estava e em que dia. Em Espanha, estive também no arquivo mais importante para qualquer historiador da Guerra Civil que é o Arquivo de Salamanca, que agora se chama o Centro de Documentação da Memória Histórica de Salamanca. O que se passou é que quando as tropas de Franco chegavam a uma cidade ou a uma aldeia, eles iam logo buscar os arquivos dos sindicatos, dos partidos políticos, das câmaras e quando as câmaras eram de esquerda, republicanas, ficavam com toda a documentação e depois enviavam para Salamanca. Em Salamanca, havia pessoas, muitas vezes militares e outros, que liam toda a documentação e faziam fichas: ‘um tal foi chefe do sindicato da CNT, outro foi socialista e foi presidente da Câmara tal, combateu em tal milícia'. Fizeram fichas que depois permitiam às forças de repressão do Franco encontrarem as pessoas quando estavam em Espanha, julgá-las, prendê-las e, às vezes, executִá-las. Nós não podemos esquecer que o Franco organizou uma repressão duríssima durante a guerra e, ainda depois da guerra, houve dezenas de milhares de espanhóis que foram mortos. Foi ali que encontrei, por exemplo, as notas da Coluna Durruti sobre os milicianos que eram pagos e encontrei várias vezes o nome dele [Alberto de Oliveira Martins]. Depois fui a Córdoba, onde ele tinha sido preso, fui a Valência e encontrei documentos, em alguns sítios não encontrei nada, mas pelo menos tentei. Ele também esteve em França num campo de internamento e, em França, encontrei algumas coisas sobre o internamento dele. Muitas vezes, quando se faz uma biografia, faz-se uma biografia de uma pessoa conhecida que deixa muitos documentos ou deixa muitos rastos. Neste caso, foi ter alguma imaginação para encontrar um rasto dele em documentos que podem parecer pouco importantes, mas que se tornaram muito importantes e pertinentes para compreender a trajectória dele.” Na introdução, fala sobre o texto como “raro e precioso”, “único” até. O que é que este relato de Alberto de Oliveira Martins tem de tão especial para o fascinar ao ponto de lhe dedicar vários meses de investigação? “Em primeiro, é que temos muito poucos relatos de portugueses que combateram na Guerra de Espanha, apesar da importância que foi a Guerra de Espanha e da importância que teve em Portugal. Só isto é importante. Depois, o Alberto de Oliveira Martins emigrou para Espanha e quase não conhecemos nada sobre a emigração dos portugueses em Espanha, quando os portugueses, eram 30.000 em 1930. Havia muita emigração temporária, sazonal, de pessoas do Alentejo, do Algarve, que iam para Espanha. É uma coisa que conhecemos muito mal. Ele também participou numa campanha das vindimas em França em 1934 e eu nunca tinha lido nada sobre portugueses em França nas vindimas. O que é muito importante é que, muitas vezes, quando conhecemos essa história dos emigrantes ou dos combatentes, muitas vezes temos a visão do Estado quando há pessoas que são presas, julgadas, temos relatos do polícia, do juiz, do cônsul. Para mim era muito rico porque era uma pessoa que falava da vida dele na primeira pessoa. Eu podia saber o que ele pensava, porque é que ele tinha feito isto, tinha feito aquilo. É o que nós chamamos, em História, a história dos subalternos, dos pobres, dos operários, das mulheres pobres, dos migrantes. Temos muito poucos relatos na primeira pessoa porque as pessoas não escrevem e muitas pessoas não sabiam escrever. Este é um caso raro de um português nascido em 1915, que emigra, que combate, que está em França no início da Segunda Guerra Mundial e que é um dos raros a escrever e nós conseguimos ter um rasto desse documento.” É resgatar a voz histórica de um anónimo? “Sim, ele é um anónimo e, muitas vezes, a História é feita com reis, rainhas, Salazar, Marcello Caetano, Mário Soares, Álvaro Cunhal. O que me interessou muito foi escrever a vida de um anónimo. Nas minhas próprias investigações sobre a emigração portuguesa em França, eu já tinha visto o nome dele numa lista que eu tinha encontrado no arquivo da PIDE sobre os portugueses presos que se encontravam em campos de concentração em França em 1940. Eu vi dezenas de nomes e quando comecei a leitura apercebi-me que esse nome me dizia qualquer coisa. Para mim é muito importante porque é um anónimo que fala na primeira pessoa. Não são outras pessoas que falam por ele, que escrevem sobre a vida dele. Por isso, foi muito importante para mim, para a editora e para o filho que me deu o texto que nós pudéssemos publicar o texto dele.”
A crise no abastecimento de gás do Qatar e do Irão está a colocar Moçambique no centro do interesse internacional como alternativa energética. Enquanto isso, Cabo Verde enfrenta escassez de gás butano, e a Guiné-Bissau agrava tensões diplomáticas com Portugal após declarações do órgão de transição. Em Angola, o julgamento do caso dos “espiões russos” foi adiado, ao mesmo tempo que preocupações climáticas em Moçambique e protestos sociais em São Tomé e Príncipe marcam a actualidade africana. O bloqueio do gás vindo do Qatar e do Irão está a levar muitos países a olharem para Moçambique e para a sua produção de gás natural liquefeito como uma alternativa viável para o abastecimento desta matéria prima essencial. Segundo o politólogo moçambicano, Fidel Terenciano, Moçambique não está preparado para o interesse internacional crescente no gás natural liquefeito existente no país, o maior projecto africano de gás que se localiza na Bacia do Rovuma. Por seu turno, a ministra das Finanças moçambicana, Carla Louveira, assegura que o governo acompanha com atenção e preocupação a evolução do conflito no Médio Oriente, transmitindo uma mensagem de confiança na capacidade de resposta nacional. No que diz respeito a Cabo-Verde, o Presidente da República pediu esclarecimentos às petrolíferas e ao Governo sobre a escassez de gás butano em várias ilhas de Cabo Verde que tem provocado longas filas em diferentes postos de combustíveis. Por enquanto, José Maria Neves afirmou que as únicas informações que tem sobre a ruptura de gás no país são aquelas que passam na imprensa e pediu esclarecimentos às petrolíferas e ao governo. Na Guiné Bissau o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão criado pelos militares para substituir as competências do Parlamento insurgiu-se contra o que considera de “hostilidade deliberada” e “diplomacia de conluio de corredor” de Portugal. O órgão guineense visa todo o Governo português, mas com ênfase no Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel. Segundo Fernando Vaz, porta-voz do CNT Portugal deve saber que o golpe de Estado é uma realidade e que a Guiné-Bissau é agora gerida pelo CNT e pelo Alto Comando Militar. Em Angola, foi adiado para 14 de Abril o julgamento do chamado caso dos "espiões russos", envolvendo dois cidadãos nacionais e dois russos, designadamente acusados de terrorismo e espionagem. Segundo o advogado de defesa David Guz, este adiamento teve como base a submissão de questões prévias no arranque da audiência. Ainda sobre este julgamento e na opinião do presidente da Associação Justiça, Paz e Democracia de Angola, Serra Bango, o processo ocorre num momento particularmente sensível, após os tumultos de Julho, sublinhando que “é preciso que a acusação apresente provas concretas e não meras especulações”. Esta Semana em África ficou marcada igualmente com as preocupações climáticas vindas de Moçambique. O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) apresentou, em Maputo, o relatório sobre o estado do clima relativo ao último ano. Um documento apresentado pelo climatologista Isaías Raiva, onde se destaca um aumento generalizado das temperaturas e da intensidade da precipitação no país. Por fim centramos as atenções para São Tomé e Principe onde o nosso correspondente Maximino Carlos nos relata que as estradas degradadas são motivo de protestos de moradores de várias comunidades de São Tomé e Príncipe. A população denuncia promessas não cumpridas e exploração de recursos. O Governo promete retomar obras e prestar esclarecimentos.
O julgamento de dois cidadãos russos - o consultor político Igor Ratchin e o tradutor Lakshtanov - foi adiado para 14 de Abril. Eles foram detidos em Agosto do ano passado, durante a manifestação dos taxistas em Angola, e são acusados de incitar protestos antigovernamentais, conduzir uma campanha de desinformação e tentar interferir nas eleições presidenciais do próximo ano. O presidente da Associação Justiça, Paz e Democracia de Angola, Serra Bango, alerta que o processo ocorre num momento particularmente sensível, após os tumultos de Julho, sublinhando que “é preciso que a acusação apresente provas concretas e não meras especulações”. Que acusações são feitas aos dois cidadãos russos? Estes dois cidadãos russos estariam a praticar actos que poderiam ser considerados como actos de subversão. Ou seja, dizia-se que pretendiam criar uma associação cultural para influenciar cidadãos. Iam recrutando jornalistas, e essa associação cultural funcionaria como uma “figura aparente” que encobria as reais intenções dos cidadãos russos. O consultor político Igor Ratchin e o tradutor Lakshtanov são acusados de terrorismo, espionagem e tráfico de influência... Exactamente. Portanto, a leitura que se faz, a ligação que se estabelece, é semelhante ao que se passou no Níger e no Burkina Faso. Esta é a leitura que o Governo fez e é a informação que pretendeu passar. Os advogados de acusação dizem que os russos agiram em nome da “África Politology”, uma rede obscura de agentes e oficiais dos serviços de informação em África, originária do extinto grupo Wagner, cujo fundador, Yevgeny Prigojine, morreu em 2023, num acidente de viação. No entanto, a defesa russa afirma não ter qualquer ligação à “África”, nem ao grupo Wagner, nem estar a agir em nome do Estado russo. Até que ponto estas alegações de ligação à “África Politology” e ao grupo Wagner têm fundamento? Provavelmente, isso será discutido em sede própria. A acusação deverá apresentar elementos de prova sobre estes factos, mas terão de ser provas irrefutáveis, concretas, claras e precisas, não meras especulações. Para além dos russos, há também dois angolanos a serem julgados. Trata-se do jornalista da TPA, Amor Carlos Tomé, e do activista político Francisco Oliveira. Quais são as acusações que são feitas aos dois angolanos? As acusações indicam que estavam ligados e facilitavam os contactos. Eram como que a “ponta de lança” dos russos. Mas está claro que é preciso situarmo-nos para sabermos em que fase e em que momento surge este processo. Isto surge na sequência dos acontecimentos que ocorreram nos dias 28, 29 e 30 de Julho. As manifestações dos taxistas… A paralisação dos taxistas e os tumultos que ocorreram no ano passado. A presença desses cidadãos russos criou um quadro de opinião favorável à opinião pública internacional e fez passar a ideia de que, de facto, aqueles cidadãos russos tinham essa pretensão. E que aquele movimento estaria ligado a essa pretensão da “África Politology”. Portanto, o contexto é este. E isto fez com que se desviasse a atenção do real problema para esta situação dos russos. O Presidente angolano, João Lourenço, tem-se aproximado do Ocidente. Já não se reúne com o homólogo russo, Vladimir Putin, desde 2019. A empresa mineira russa de diamantes e o banco VTB foram obrigados a abandonar Angola devido às sanções internacionais impostas com a guerra na Ucrânia.Há aqui uma preocupação da Rússia com o rumo que Angola está a tomar sob o governo de João Lourenço? O Governo angolano foi apanhado neste vendaval de disputas entre as duas grandes potências [EUA e Rússia] e procurou colocar-se do lado aparentemente mais forte, do ponto de vista económico, para evitar outros males. Como vimos, a administração americana usou o seu poder económico para condicionar todos aqueles que não se identificassem com as suas pretensões, quer na Europa, no Oriente ou em África. E o Presidente João Lourenço, de acordo com as suas pretensões, resolveu posicionar-se mais do lado americano do que do russo, com quem Angola tem uma relação de quase 50 anos, sobretudo no domínio da defesa e segurança. A Rússia tem, até agora, capacitado a dimensão político-militar de defesa e segurança do Estado angolano e de outros Estados em África. O Governo angolano quer fazer uma inflexão, da Rússia para os Estados Unidos da América. E isto, claro, faz com que a questão dos russos possa funcionar como uma forma de mostrar ao Ocidente que Angola está atenta e que não quer seguir o caminho do Burkina Faso, do Níger ou do Mali. E, portanto, que é um parceiro sério, responsável e confiável. Entre 2024 e 2025, os arguidos terão pago 24 mil dólares a jornalistas e especialistas como parte de uma alegada operação de influência para minar a confiança nos parceiros ocidentais, incluindo críticas ao corredor do Lobito e rumores sobre a guerra na Ucrânia. Isto prova uma tentativa de desacreditar a política externa de João Lourenço? Pode parecer que sim. Mas desacreditar a política externa não passa apenas por esses factos. Deverão existir outros. De qualquer forma, o Estado angolano deverá apresentar provas concretas. E, perante essas provas, as partes envolvidas poderão esgrimir os seus argumentos e nós, enquanto sociedade civil, poderemos perceber o que realmente se passa e de que lado está a verdade. As autoridades acusam os russos de contactos com membros do MPLA e da UNITA, nomeadamente Higino Carneiro e Adalberto Costa Júnior. A UNITA nega as alegações e alerta para o risco de utilização política da justiça. Há esse risco? Os cidadãos mencionados, quer do MPLA quer da UNITA, são vistos como figuras com ambições políticas. No caso do MPLA, alguns poderão querer concorrer à liderança do partido, o que torna estas acusações particularmente sensíveis. Isso pode servir para os fragilizar internamente e limitar as suas ambições. No caso da UNITA, pode também criar a percepção de que o seu líder está associado a tentativas de subversão. O julgamento foi adiado para 14 de Abril, e a defesa diz que não há matéria jurídica, que a acusação assenta em mera especulação. Acha que é disso que se trata? Vamos esperar que a acusação traga elementos substanciais, factíveis e contundentes, para que não se diga que estamos perante meras especulações. Por outro lado, estes processos também podem desviar a atenção dos cidadãos de problemas internos, fazendo com que, por momentos, deixem de exigir respostas do Estado. Existem muitas situações às quais o Governo angolano não consegue dar resposta e, nessas alturas, um processo como este pode ajudar a desanuviar e a desviar atenções. É conhecida a máquina de propaganda da Rússia. Numa altura em que João Lourenço se aproxima do Ocidente, poderá haver esta preocupação por parte da Rússia? É provável que sim. Tal como outros países, como a França ou os Estados Unidos, também se preocupam com mudanças de direcção em África. Ainda assim, estas disputas não podem levar à instrumentalização do sistema judicial. É preciso deixar a justiça angolana trabalhar? Sim, de forma independente e imparcial. É legítimo que o Estado se preocupe com a sua estabilidade e integridade. Mas não é legítimo criar factos que não estejam comprovados. Vamos esperar pelo desenrolar do processo.
Seja apoiador do X do ControleCompre seus jogos na Nuuvem! MARCAÇÕES DE TEMPO(00:00:00) - Abertura(00:10:08) - Janeiro(00:22:52) - Fevereiro(00:36:21) - Março(00:54:58) - Abril(01:05:13) - Maio(01:20:52) - Junho(01:29:06) - Julho(01:39:00) - Agosto(01:52:25) - Setembro(01:59:50) - Outubro(02:12:03) - Novembro(02:19:00) - Dezembro(02:24:40) - In Memoriam(02:33:08) - EncerramentoCRÉDITOSApresentação: Guilherme Dias e PH Lutti LippeRoteiro: Guilherme Dias e PH Lutti LippeEdição: Gabriel Sales, Guilherme Dias e PH Lutti LippeThumbnail: Guilherme DiasSiga o XdC: YouTube| Instagram | Bluesky | Threads | Tik TokNossas plataformas e redesContato: contato@xdocontrole.comContato para anunciantes e parcerias: comercialxdc@gmail.com
Episódio 185 de Dias Úteis, um podcast que lhe oferece poesia pela manhã, de segunda a sexta-feira. Por vezes não apenas poesia, por vezes não apenas nos dias úteis... Alice Vieira regressa hoje ao podcast, através da leitura de Cristina Nobre Soares. "Julho no Jardim Constantino". Tema musical original de Marco Figueiredo, com vozes de José Carlos Tinoco e Raquel Bulha. Design gráfico de Catarina Ribeiro. Concepção e edição de Filipe Lopes. Consultoria técnica de Rui Branco. Uma produção Associação de Ideias.
Entre os temas desta semana destacam-se as consequências em África da guerra no Irão e o endurecimento da legislação que penaliza a homossexualidade no Senegal. Em Cabo Verde, a ilha de São Vicente passou a contar com um novo Centro Ambulatorial do Hospital Baptista de Sousa, que integra também um Pólo Oncológico destinado a servir as ilhas do norte do arquipélago. Ao mesmo tempo, o país acompanha com preocupação a instabilidade dos mercados internacionais provocada pela guerra no Médio Oriente. Perante este cenário, o governo cabo-verdiano admite suspender a actualização mensal dos preços dos produtos petrolíferos e até subsidiar as petrolíferas. As repercussões do conflito no Irão fazem-se sentir também em São Tomé e Príncipe, onde o governo pondera medidas para evitar uma possível ruptura no abastecimento de combustível. A semana ficou igualmente marcada pela entrada de Elsa Pinto na corrida às eleições presidenciais previstas para Julho. A antiga ministra dos Negócios Estrangeiros anunciou a sua pré-candidatura, defendendo que o MLSTP deve assumir a responsabilidade histórica de participar no escrutínio. Ainda em São Tomé e Príncipe, a Interpol, através da sua estrutura na Polícia Judiciária são-tomense, deteve um cidadão chileno que desempenhava funções como conselheiro especial do primeiro-ministro Américo Ramos, num caso que surge após a recente detenção de outro antigo conselheiro presidencial. Na Guiné-Bissau, a semana terminou com pompa e circunstância no aeroporto de Bissau, com a cerimónia de transferência da gestão do aeroporto Osvaldo Vieira de para a concessionária Osvaldo Vieira International Airport SARL (OVIA) controlada por um grupo empresarial turco. Já em Moçambique, a actualidade foi marcada pela deslocação do Presidente Daniel Chapo a Portugal, onde participou na cerimónia de tomada de posse do novo Presidente português. Em Lisboa, o chefe de Estado moçambicano afirmou que a linha de crédito de cerca de 500 milhões de euros acordada com Portugal em Dezembro poderá vir a aumentar, caso a execução do acordo e o cumprimento dos pagamentos evoluam de forma positiva. A fechar este magazine, o Senegal aprovou um endurecimento da legislação que penaliza a homossexualidade: as penas passam agora de cinco para dez anos de prisão e as multas aumentam significativamente.
Esta semana damos destaque para a detenção de um antigo conselheiro presidencial em São Tomé e Príncipe, novos desenvolvimentos judiciais em Moçambique e na Guiné-Bissau, as graves inundações em Angola e as preocupações com os direitos e liberdades no país, além da próxima visita do Papa a África Em São Tomé e Príncipe, o cidadão sueco Carlsson Magnus foi detido na ilha do Príncipe por uma brigada da Interpol, em colaboração com a Polícia Judiciária são-tomense. O arguido detinha passaporte diplomático são-tomense desde Dezembro de 2025 e foi exonerado pelo Presidente da República no passado dia 4 de Fevereiro. O Chefe de Estado, Carlos Vila Nova, afirmou aguardar com serenidade a decisão judicial e confirmou que o antigo conselheiro é acusado de ofensas corporais graves, detenção e uso de armas proibidas e violação sexual grave. Ainda no plano institucional, Artur Vera Cruz foi eleito novo presidente do Tribunal Constitucional. Na cerimónia de tomada de posse, garantiu que a instituição vai pautar a sua actuação pelo estrito cumprimento da Constituição. Também o presidente da Assembleia Nacional, Abnildo de Oliveira, sublinhou a importância do papel do Tribunal Constitucional no equilíbrio dos poderes e na defesa da legalidade democrática. Moçambique: detenções por desvio de donativos e combate à corrupção Subiu para dez o número de agentes e funcionários públicos detidos por alegado desvio de donativos destinados às vítimas das cheias na província de Gaza, no sul de Moçambique. O porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal em Gaza, Zaqueu Mucambe, admite que o número de detidos poderá aumentar, numa investigação que continua em curso. No mesmo país, foram igualmente detidos o antigo director-geral das Linhas Aéreas de Moçambique, João Pó Jorge, o director das Finanças e o chefe da tesouraria da companhia aérea estatal. As detenções ocorreram no mesmo dia em que o Presidente da República deixou um aviso claro quanto ao lugar dos corruptos, reforçando a mensagem de tolerância zero face à corrupção. Angola: cheias devastadoras e alerta sobre direitos e liberdades As chuvas torrenciais que continuam a atingir várias regiões de Angola estão a provocar inundações, destruição de infra-estruturas e o desalojamento de centenas de famílias. Na província do Cunene, mais de mil famílias ficaram sem casa. Bairros inteiros encontram-se submersos, com escolas e outras infra-estruturas seriamente danificadas. A situação dos direitos e liberdades no país também está sob escrutínio. Um relatório semestral das organizações não-governamentais Movimento Cívico MUDEI, Associação Handeka e Mizangala Tu Yenu Kupolo denuncia o agravamento da repressão da liberdade de expressão e da participação cívica e política. As organizações acusam as forças de segurança de actuações ilegais, em particular durante a greve dos táxis, em Julho de 2025, que ficou marcada por episódios de violência e provocou 22 mortos, entre os quais três menores.O jurista Jaime Mussinda, do MUDEI, acusa as autoridades de não garantirem justiça às vítimas. Entretanto, o Papa vai visitar Angola de 18 a 21 de Abril de 2026. Vai ser recebido pelo Chefe de Estado, celebrará missas no Kilamba e em Saurimo e visitará o santuário da Muxima. A viagem apostólica inclui ainda passagens pela Argélia e pelos Camarões, antes de terminar na Guiné Equatorial. Guiné-Bissau: julgamento por tentativa de golpe na fase final Na Guiné-Bissau, entrou na fase final o julgamento do antigo chefe da Armada, acusado de tentativa de golpe de Estado em 2022. O Ministério Público Militar pede uma pena efectiva de seis anos de prisão para Bubo Na Tchuto, enquanto a defesa requer a absolvição. A decisão do tribunal é aguardada com expectativa num país marcado por sucessivas crises político-militares.
On the Feb. 2026 edition of Art in Action São Paulo based artist Ding Musa speaks about his practice working at the intersections of personal creative practice and urban based social struggles. Ding particularly speaks about working with the gallery at Ocupação 9 de Julho, a major squatted building downtown that is organized by Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC). This is a movement of unhoused people and communities who squat unused buildings, turning them into public housing and also social spaces. Ding with a group of artists worked together to create a gallery at Ocupação 9 de Julho. Stefan Christoff produces this artist interview series, Art in Action, the theme music is by Anarchist Mountains. This program broadcasts monthly on: Radio AlHara, Palestine On the first Friday of each month at 4:30pm in Bethlehem and 9:30am eastern time (radioalhara.net) CKUT 90.3 FM, Montréal On the third Friday of each month at 11am (ckut.ca) CJLO 1690 AM, Montreal On the second Thursday of each month at 8:30am. (cjlo.com)
Abrimos o recapitulativo desta semana em África com Moçambique com as intempéries que provocaram mortíferas cheias essencialmente no sul do país. De acordo com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, para além de mais de uma dezena de mortos só nestes últimos dias e mais de 700 mil pessoas afectadas, o balanço muito provisório da época chuvosa é de pelo menos 123 mortos desde Outubro. Ao longo destes últimos dias, as autoridades tentaram acudir às pessoas que se encontram bloqueadas devido às cheias, com grandes dificuldades pelo meio, como chegou a reconhecer Benvinda Levy, primeira-ministra de Moçambique. Neste quadro já por si difícil, a situação epidemiológica também piorou comparativamente com o ano passado, com um recrudescimento de doenças diarreicas e casos de paludismo. Perante a ausência de sinais de abrandamento das intempéries, o governo deu conta da sua apreensão face à possível ruptura da Barragem de Senteeko, na África do Sul, com possíveis consequências em alguns distritos das províncias e Maputo e Gaza na região do sul do país. Relativamente desta vez a São Tomé e Príncipe, num acórdão datado de 15 de Janeiro, o Tribunal Constitucional apontou violações da Constituição no decreto presidencial de 6 de Janeiro de 2025 demitindo o governo então dirigido por Patrice Trovoada, da ADI, e que depois foi substituído pelo actual primeiro-ministro Américo Ramos, pertencente a uma outra ala do mesmo partido. Reagindo na segunda-feira a este acórdão do Tribunal Constitucional, Patrice Trovoada declarou-se "disponível para voltar à governação do país". Por seu turno, o actual chefe do governo, Américo Ramos, questionou o 'timing' do acórdão, 12 meses depois da demissão do anterior governo. Sobre a disponibilidade de Patrice Trovoada regressar ao poder, ele sublinhou que o acórdão não tem efeitos retroactivos. Refira-se entretanto que a ADI de Patrice Trovoada anunciou esta semana que vai submeter ao parlamento no próximo dia 27 de Janeiro, uma moção de censura contra o actual Governo são-tomense, alegando que “não tem demonstrado habilidade sustentável à governação”. Ao ser auscultado nesta sexta-feira pelo Presidente da republica sobre os pleitos eleitorais deste ano, as presidenciais de Julho e as legislativas de Setembro, a ADI considerou que no caso de a sua moção de censura ser aprovada, poderia colocar-se a necessidade de antecipar a data das legislativas. Em Cabo Verde, a actualidade esteve igualmente virada para calendários eleitorais, com o Presidente José Maria Neves a anunciar as legislativas para 17 de Maio e as presidenciais para o dia 15 de Novembro, sendo que uma eventual segunda volta fica reservada para o dia 29 de Novembro. No Uganda, depois de o Presidente Yoweri Museveni, no poder desde 1986, ter sido declarado vencedor das presidenciais da semana passada com mais de 70% dos votos, a tensão não tende a diminuir no país, com observadores e oposição a denunciar resultados forjados e um clima de violência. Esta semana, o filho do Presidente e chefe do exército ameaçou de morte o principal adversário do pai nas presidenciais, Bobi Wine, que em em entrevista concedida à RFI, disse "ter que se esconder". Relativamente desta vez à Guiné-Bissau, a presidência da CPLP assumida por Timor-Leste na sequência da suspensão da Guiné-Bissau quer que uma missão a Bissau “se realize rapidamente”. Em declarações recolhidas pela agência Lusa, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Bendito dos Santos Freitas, sublinhou tratar-se de um "assunto prioritário". A perspectiva desta missão da CPLP que já vinha sendo discutida desde Dezembro, mas também uma série de pronunciamentos feitos nomeadamente pelo Presidente de Cabo Verde que apelou nestes últimos dias à libertação de todos os presos políticos, mas também pelo chefe da diplomacia portuguesa Paulo Rangel que deu conta da sua preocupação com a situação da Guiné-Bissau após a desestabilização militar de Novembro do ano passado, ou ainda pela eurodeputada socialista Marta Temido para quem se vive uma grave quebra do estado de direito naquele pais, irritaram em Bissau. O porta-voz do governo interino guineense, Fernando Vaz, foi sem rodeios. Respondendo às criticas lançadas pelo governo guineense, o chefe de estado cabo-verdiano, desmentiu qualquer "tentativa de ingerência" nos assuntos internos da Guiné-Bissau. Reagindo igualmente às declarações do actual poder de Bissau, o eurodeputado socialista Francisco Assis afastou qualquer "complexo neocolonialista" por parte de Portugal. Entretanto, relativamente desta vez à Republica Centro-Africana, o Parlamento Europeu aprovou na quinta-feira uma resolução apelando às autoridades do bloco a imporem sanções específicas aos responsáveis pela detenção do luso-belga Joseph Figueira Martins naquele país. Os eurodeputados solicitam também o envio de uma missão à RCA para avaliar a situação daquele humanitário, preso desde Maio de 2024 e condenado em Novembro passado a 10 anos de trabalhos forçados. Em Angola, o parlamento aprovou na quinta-feira em votação final, a lei sobre o estatuto das ONGs, com os votos contra da UNITA que considerou que o diploma restringe a liberdade de associação. Em entrevista à RFI, Zola Álvaro, activista e Presidente da Associação Cívica -Handeka- referiu que esta lei vai dificultar o trabalho das ONGs. No Senegal, estes últimos dias foram de celebração, depois da vitoria da equipa nacional na final do CAN 2025 no passado fim-de-semana em Marrocos contra a equipa da casa. Apesar de esta vitória ficar marcada pela polémica da saída de campo de certos jogadores senegaleses em protesto contra uma decisão do arbitro nos minutos finais do jogo, prevaleceu o espírito festivo em Dacar.
O episódio desta semana do podcast Diplomatas teve como ponto de partida o primeiro ano volvido desde a tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos neste seu segundo mandato. Teresa de Sousa e Carlos Gaspar olharam para os últimos capítulos da escalada da retórica e das ameaças norte-americanas à Gronelândia, ao statu quo da NATO e às relações transatlânticas e explicaram as prioridades de política externa definidas e implementadas pela Casa Branca nos últimos 12 meses. No plano interno, a jornalista do PÚBLICO e o investigador do IPRI-NOVA assinalaram duas importantes datas do calendário político dos EUA que se cumprem em 2026 – os 250 anos da Declaração de Independência (4 de Julho) e as eleições intercalares (3 de Novembro) – para reflectir sobre o estado da democracia no país e sobre a estratégia do Partido Republicano para se manter numa posição dominadora no Congresso. No final do programa, os analistas responderam a uma pergunta enviada por um ouvinte do Diplomatas que quis saber como é que Portugal e os seus aliados devem defender o seu modo de vida e as suas democracias de actividades híbridas – como interferência eleitoral, ciberataques ou actos de sabotagem – protagonizadas pela Rússia e por outros actores externos. Texto de António Saraiva LimaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Temple Dedications Burley Idaho Temple – #212 January 11, 2026, Presided by Dallin Oaks Oaks lived in Twin Falls for 5 years after the death of his father President Nelson passed a list around to sign up for temple dedications Included an interview in the lobby of the temple “It has occurred to me for a long time” to make local announcements by the “file leader” “That was a strong impression that came to me early in my knowledge that President Nelson had transferred to heaven” Local temple announcements will occur “as long as I have influence in determining those things” Hopes marriage ages of returned missionaries will reduce Dedicatory Prayer 8 Stakes from the Mini-Cassia region assigned to the temple district 7th of 11 temples in Idaho Temple Dedication announced Yorba Linda California Temple June 7, 2026 by an unannounced presiding authority Same day and time as Willamette Valley Oregon Temple Open House: April 30 to May 23rd Media Day on April 27 Temple Groundbreaking announced Huehuetenango Guatemala Temple March 14, 2026, presided by Patricio M. Giuffra 5th of 6 planned temples in Guatemala Temple Sites Announced Beira Mozambique Temple 2.5-acre site located at Avenida 24 de Julho, Beira Near a historic landmark single-story temple of approximately 10,000 square feet along with patron housing and arrival facilities. Next to existing Meetinghouse Spanish Fork Utah Temple 8.7 acres 100 South and 2550 East in Spanish Fork Located on a site next to two meetinghouses Across the street from Maple Mountain High School and Seminary multistory building of approximately 80,000 square feet Matrons and Presidents of New Temples Pago Pago American Samoa Temple Tuputausi May Asayo Hirata Hunt and Kalilimoku Sola August Hunt Auto Ward, Pago Pago Samoa Stake Bacolod Philippines Temple Maria Luisa Arnaiz Nain Lagaña and Gregorio Horlador Lagaña Roxas 4th Ward, Roxas Capiz Philippines Stake Belo Horizonte Brazil Temple Marcia Maria Ferreira de Salles and Victor Pereira de Salles Sousas Ward, Campinas Brazil Flamboyant Stake Construction Updates Colorado Springs Colorado Temple City Council to consider restrictions on proposed LDS temple Salt Lake Temple First Presidency Tours Temple Construction Demolition of the WOB (West office building) New Elijah statue New Temple Model in new Visitors Center Congressman Mike Kennedy invites congress to the 2027 Open House Temple Square Mission to be discontinued More candid reaction shots by photographer The post Willamette Valley, Yorba Linda In THAT ORDER Temple Ticker 1004 appeared first on The Cultural Hall Podcast.
O primeiro episódio de 2026 do podcast Diplomatas teve como tema principal o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do Presidente do país, Nicolás Maduro, pelas forças especiais norte-americanas. Carlos Gaspar e Teresa de Sousa discutiram o impacto da intervenção dos EUA em território venezuelano no sistema de relações internacionais, na política interna dos EUA e na governação do país da América Latina. Também analisaram as reacções dos líderes dos principais países da Europa e do Governo português à operação militar norte-americana, num contexto de ameaça crescente da Administração Trump à Gronelândia, território semiautónomo da Dinamarca, e de tensão negocial em redor da Ucrânia. No final do programa, o investigador do IPRI-NOVA e a jornalista do PÚBLICO reflectiram sobre dois eventos marcantes para Portugal em 2026: o 40.º aniversário da adesão do país à CEE (1 de Janeiro de 1986) e os 30 anos da fundação da CPLP (17 de Julho de 1996). Texto de António Saraiva LimaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Hollywood, Flórida. Julho de 1993.Um crime aconteceu que chocaria não só a Flórida, mas o país inteiro. O que tornou esse caso tão perturbador não foi apenas a brutalidade - foi quem estava envolvido.Oito jovens envolvidos com idades entre 17 e 20 anos. Todos de famílias de classe média e alguns ainda vivendo com os pais. Nenhum histórico significativo de violência extrema. Este não é um caso simples. Não há lado "certo" óbvio. É uma história sobre amizade tóxica, anos de abuso, e decisões que mudaram vidas para sempre.Por causa do número de pessoas envolvidas, antes de entrar no que aconteceu, vamos conhecer cada uma delas. Vou fazer uma mini biografia de cada pessoa - quem eram, como cresceram, de onde vieram, como suas vidas se cruzaram.#533
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica que costuma atingir pessoas jovens. Neste episódio do DrauzioCast, histórias reais ajudam a entender os primeiros sintomas, o impacto do diagnóstico, a importância do cuidado multidisciplinar e as possibilidades de manter qualidade de vida.O dr. Drauzio Varella conversa com a dra. Letícia Costa Rebello, líder nacional da Neurologia da Rede Américas, e o dr. Rafael Paternò, neurologista do Ambulatório de Doenças Desmielinizantes da Santa Casa de SP e do Hospital Nove de Julho, sobre os desafios do diagnóstico e do tratamento.Conteúdo produzido em parceria com a Rede Américas.Veja também: Diagnóstico de esclerose múltipla é difícil em fase inicial
NO MEIO DA INGLATERRA E FRANÇA, 1928 - Naquela época, Alfred Loewenstein era o terceiro homem mais rico do mundo. Assim como os ricaços de hoje em dia, ele tinha seu próprio avião particular. Em 4 de Julho de 1928, ele e sua equipe faziam uma voô rotineiro entre Inglaterra e França. Ao atravessar o Canal Inglês, Alfred se levanta de seu assento para ir até o banheiro do avião. Mas ele nunca chegou ao seu destino. --- Instagram | Grupo no Telegram | Youtube Apoie o podcast pela Orelo, Patreon, ou direto pelo Spotify! Para fontes de pesquisa, acesse o Website. Email: semrastrospodcast@gmail.com
GENEROSIDADE: PIX 31.321.234/0001-64 (CNPJ) Banco Bradesco Ag 1997 C/C 23992-5a Igreja Por Amor CNPJ: 31.321.234/0001-64 - Banco Itaú Ag 0562 C/C 16233-9 Igreja Por Amor CNPJ: 31.321.234/0001-64 PAY PAL (Aceita também transações internacionais) https://www.paypal.com/cgi-bin/webscr?cmd=_s-xclick&hosted_button_id=6VV5TC5F6FXE6&source=qr - SÉRIE "UM RASCUNHO DO REINO DE DEUS": https://bit.ly/3mJrnCt - ACESSE NOSSO INSTAGRAM: https://bit.ly/42bmiTC - ACESSE NOSSA LOJA: https://bit.ly/3Fg9e5N - INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL: http://bit.ly/2XjDllG%E2%80%8B - NOSSO PODCAST: Spotify - https://open.spotify.com/show/6ysyRrS8oAMfWonRkbQsfX?si=iwR2fhI-T5OTJqw2w0JIMw Deezer - https://deezer.page.link/8fwdrcpiLFMWzQWVA Apple podcast - https://podcasts.apple.com/br/podcast/igreja-por-amor/id1347285416 #victorazevedo #igrejaporamor
Bem amigos do Pelada na Net, chegamos em definitivo para o programa 745! E hoje temos o Príncipe Vidane, Show do Vitinho e Maidana tentando entender se o edema é real ou é migué.E neste programa falamos sobre a rodada de ida das quartas da Copa do Brasil, demos uma geral no Brasileirão e na Libertadores, destrinchamos a nova convocação de Carlo Ancelotti para a seleção brasileira, além de muito mais!#LEITADADOCALVO #TIMEEDEMASHOW DO VITINHO - DE VOLTA PRO PASSADO - BH, 12/OUTUBRO/2025 - Compre seu ingresso!OPEN MIC DO VIDANE 06/SETEMBRO NO SHOW DO PAULO MANSUR EM SP - Compre seu ingresso!site https://peladananet.com.br | bsky @peladananet.com.br | twitter @PeladaNET | instagram @PeladaNaNet | grupo no telegram https://t.me/padegostosodemaisSiga os titulares:Maidana – Twitter / Instagram / BskyShow do Vitinho – Twitter / Instagram / BskyPríncipe Vidane – Twitter / Instagram / BskyProjetos paralelos:Dentro da Minha CabeçaReinaldo JaquelineFábrica de FilmesContribua com o Peladinha:Apoia.sePatreonChave pix: podcast@peladananet.com.brColaboradores de Julho/2025!Seguem os nomes de alguns dos queridos que colaboraram com ao menos R$5. Obrigado a todos! :)[...] Gabriel Matte De Moura | George Alfradique | Guilherme Pereira Mendes | Gustavo Henrique Liebl | Gustavo Henrique Rossini | Jailson Gomes | João Pedro Machareth | Jose Wellington De Moura Melo | Luca Vianna | Lucas De Oliveira Andrade | Marcelo São Martinho Cabral | Marcio Leandro Lima Dos Santos | Marco Antônio Maassen Da Silva | Marianna Feitosa | Mario Peixoto | Matheus Andion De Souza Vitorino | Matheus Bezerra Lucas Bittencourt | Pedro Bonifácio | Pedro Henrique Tonetto Lopes | Rafael Manenti | Rafael Matis | Rainer Almeida | Raphael Piccoli | Raphael Pini Bubinick | Rodrigo Oliveira Porto | Stéfano Bellote | Thiago Nogueira Marcal | Thomas Rodrigues | Tiago Weiss | Vander Carlos Ribeiro Vilanova | Vinícius Lima Silva | Vinícius Ramalho | Vinicius Verissimo Lopes | Vitor Motta Vigerelli | Wendel Ferreira Santiago | Willy Correa | Wladimir Araújo Neto | David Gilvan | Marco Antônio Rodrigues Júnior (Markão) | Leonardo Pimentel | Danilo Da Silva Pereira | Fellipe Miranda | Henrique Zani | João Paulo Lobo Marins | Pedro Henrique De Paula Lemos | Victor Rodrigues | Bruno Macedo | Daniel Moreira | Luiz Strina | Lucas, O Fofo | Luis Beça | Mariana Barbarini | Ryan Smallman | Albert José | Yan Andrade | Raphael De Souza | Thiago Goncales | Alvaro Modesto | Daniel Ferreira De Lima Vilha | Felipe Artemio | Tatiane Oliveira Ferreira | Bruno Vieira Silva | Itallo Rossi Lucas | Maicon Feldhaus | Bruna Almeida | Felipe Duarte | Mirella AssisObrigado por acreditarem em nós!Comente!Envie sua cartinha via e-mail para podcast@peladananet.com.br e comente tanto no post do Instagram com a capa deste episódio quanto no Spotify (se batermos 50 comentários em cada, leremos comentrouxas no programa que vem)!
Bem amigos do Pelada na Net, chegamos em definitivo para o programa 744! E hoje temos o Príncipe Vidane, Carlos Tourinho (@touroman) e Alexandre Cardarelli (@naoehzeldaehlink) exibindo as suas coleções.E neste programa temático trazido pela Originais do Fut nós comentamos sobre coleções de quem ama futebol: as nossas camisas de time favoritas, os agasalhos mais icônicos, os bonecos, os cachecóis e todos aqueles produtos que fazem a gente sentir um quentinho no coração!#COLOMBIAILEGALSHOW DO VITINHO - DE VOLTA PRO PASSADO - BH, 12/OUTUBRO/2025 - Compre seu ingresso!OPEN MIC DO VIDANE 06/SETEMBRO NO SHOW DO PAULO MANSUR EM SP - Compre seu ingresso!site https://peladananet.com.br | bsky @peladananet.com.br | twitter @PeladaNET | instagram @PeladaNaNet | grupo no telegram https://t.me/padegostosodemaisSiga os titulares:Maidana – Twitter / Instagram / BskyShow do Vitinho – Twitter / Instagram / BskyPríncipe Vidane – Twitter / Instagram / BskyProjetos paralelos:Dentro da Minha CabeçaReinaldo JaquelineFábrica de FilmesContribua com o Peladinha:Apoia.sePatreonChave pix: podcast@peladananet.com.brColaboradores de Julho/2025!Seguem os nomes de alguns dos queridos que colaboraram com ao menos R$5. Obrigado a todos! :)Adriana Cristina Alves Pinto Gioielli | Adriano Marin Da Silva | Adriano Nazário | André William Jacyntho | Bruno Lima | Fernando Costa Campos | Gabriel Machado De Freitas | Guilherme Drigo | Guilherme Rezende Soria | Heverton Coneglian De Freitas | Higor Nunes Resende | Higor Pêgas Rosa De Faria | Ítalo Leandro Freire De Albuquerque | Joao Pedro Barros Barbosa | Leonardo Delefrate | Luis Henrique Santos | Luiz Guilherme Borges Silva | Messias Feitosa Santana | Pedro Marcelo Rocha Gomes | Rafael Brandão Brasil | Renato Grigoli Pereira | Thais Cristine Cavalcanti | Vanessa Fontana | Vinicius De Saraiva Chagas | André Siqueira | André Stábile | Arthur Takeshi Gonçalves Murakawa | Brayan Ksenhuck | Bruno Burkart | Caio Fonseca | Concílio Silva | Cristiane Cardoso Avolio Gomes | Daniel Lucas Martins Lacerda | Davi Andrade | Edy Ferreira Santana | Filipi Froufe | Heitor Dias | Igor Trusz | Jhonathan Romão | Josué Solano De Barros | Khayan Joaquim Macedo Lima | Leonardo Lachi Manetti | Listen2urs2 (Listen Tchu Iór Rârrtchi)) | Luan Silva Rodrigues | Lucas Freitas | Lucas Pereira De Aguiar Afonso | Luis Alberto De Seixas Buttes | Matheus Costa Marques | Matheus De Sales Freitas | Paulo Vitor Nogueira Sales | Pedro Lauria | Rafael Gomes Da Silva | Robson De Sousa | Vinícius Nogueira Cavalcanti | Vinicius Renan Lauermann Moreira | Thiago Lins | Diego Santos | Hassan Jorge | Felipe Avelar | Susana Pérez | Leonardo Motta | Luis Alexandre Dalposso | Felipe Pastor | Bruno Franzini | Adryel Romeiro | Aline Aparecida Matias | Antonino Firmino Da Silva Neto | Arthur Meister Wistuba | Bruno Kellton | Bruno Marques Monteiro | Carlos Eduardo Ardigo | Daniel Pandeló Corrêa | Débora Mazetto | Elisnei Menezes De Oliveira | Evilasio Costa Junior | Fabio Simoes | Felipe Brasil | Felipe De Amorim Prestes | Gabriel Frizzo | Gabriel Lecomte | Gabriel Lopes Dos Santos [...]Obrigado por acreditarem em nós!Comente!Envie sua cartinha via e-mail para podcast@peladananet.com.br e comente tanto no post do Instagram com a capa deste episódio quanto no Spotify (se batermos 50 comentários em cada, leremos comentrouxas no programa que vem)!
Bem amigos do Pelada na Net, chegamos em definitivo para mais um intervalo! E hoje temos o Príncipe Vidane, Show do Vitinho, Maidana e Doug Bezerra (Frango Fino) comprando Romero Britto em fatias.E neste intervalo falamos sobre podcasts sem pauta, debatemos a melhor maneira de comprar frios, assistimos documentários e debates sobre a política nacional, criticamos gente inconveniente, além de muito mais!#CAIXADEAURORA #CORTELLANHOQUEORIGINAIS DO FUT - Acesse www.originaisdofut.com, use o cupom PELADA10 para 10% de desconto! E siga a @originaisdofut_ no instagramSHOW DO VITINHO - DE VOLTA PRO PASSADO - BH, 12/OUTUBRO/2025 - Compre seu ingresso!OPEN MIC DO VIDANE 06/SETEMBRO NO SHOW DO PAULO MANSUR EM SP - Compre seu ingresso!site https://peladananet.com.br | bsky @peladananet.com.br | twitter @PeladaNET | instagram @PeladaNaNet | grupo no telegram https://t.me/padegostosodemaisSiga os titulares:Maidana – Twitter / Instagram / BskyShow do Vitinho – Twitter / Instagram / BskyPríncipe Vidane – Twitter / Instagram / BskyProjetos paralelos:Dentro da Minha CabeçaReinaldo JaquelineFábrica de FilmesContribua com o Peladinha:Apoia.sePatreonChave pix: podcast@peladananet.com.brColaboradores de Julho/2025!Seguem os nomes de alguns dos queridos que colaboraram com ao menos R$5. Obrigado a todos! :)[...] Stéfano Bellote | Thiago Nogueira Marcal | Thomas Rodrigues | Tiago Weiss | Vander Carlos Ribeiro Vilanova | Vinícius Lima Silva | Vinícius Ramalho | Vinicius Verissimo Lopes | Vitor Motta Vigerelli | Wendel Ferreira Santiago | Willy Correa | Wladimir Araújo Neto | David Gilvan | Marco Antônio Rodrigues Júnior (Markão) | Leonardo Pimentel | Danilo Da Silva Pereira | Fellipe Miranda | Henrique Zani | João Paulo Lobo Marins | Pedro Henrique De Paula Lemos | Victor Rodrigues | Bruno Macedo | Daniel Moreira | Luiz Strina | Lucas, O Fofo | Luis Beça | Mariana Barbarini | Ryan Smallman | Albert José | Yan Andrade | Raphael De Souza | Thiago Goncales | Alvaro Modesto | Daniel Ferreira De Lima Vilha | Felipe Artemio | Tatiane Oliveira Ferreira | Bruno Vieira Silva | Itallo Rossi Lucas | Maicon Feldhaus | Bruna Almeida | Felipe Duarte | Mirella AssisObrigado por acreditarem em nós!Comente!Envie sua cartinha via e-mail para podcast@peladananet.com.br e comente tanto no post do Instagram com a capa deste episódio quanto no Spotify (se batermos 50 comentários em cada, leremos comentrouxas no programa que vem)!
Bem amigos do Pelada na Net, chegamos em definitivo para o programa 742! E hoje temos o Príncipe Vidane, Show do Vitinho e Maidana recebendo o ouvinte Felipe Duarte (@felipedu.arte) pra morder virilhas em pleno portão de embarque.E neste programa falamos sobre o sorteio das quartas da Copa do Brasil, comentamos a rodada da Libertadores, analisamos problemas do VAR no Brasileirão, lamentamos a expulsão de campo do fotógrafo em quem Neyamr esbarrou, além de muito mais!SHOW DO VITINHO - DE VOLTA PRO PASSADO - BH, 12/OUTUBRO/2025 - Compre seu ingresso!OPEN MIC DO VIDANE 06/SETEMBRO NO SHOW DO PAULO MANSUR EM SP - Compre seu ingresso!#BINCAR #CRIANÇARATOsite https://peladananet.com.br | bsky @peladananet.com.br | twitter @PeladaNET | instagram @PeladaNaNet | grupo no telegram https://t.me/padegostosodemaisSiga os titulares:Maidana – Twitter / Instagram / BskyShow do Vitinho – Twitter / Instagram / BskyPríncipe Vidane – Twitter / Instagram / BskyProjetos paralelos:Dentro da Minha CabeçaReinaldo JaquelineFábrica de FilmesContribua com o Peladinha:Apoia.sePatreonChave pix: podcast@peladananet.com.brColaboradores de Julho/2025!Seguem os nomes de alguns dos queridos que colaboraram com ao menos R$5. Obrigado a todos! :)[...] Adryel Romeiro | Aline Aparecida Matias | Antonino Firmino Da Silva Neto | Arthur Meister Wistuba | Bruno Kellton | Bruno Marques Monteiro | Bruno Padula Morilla | Carlos Eduardo Ardigo | Daniel Pandeló Corrêa | Débora Mazetto | Elisnei Menezes De Oliveira | Evilasio Costa Junior | Fabio Simoes | Felipe Brasil | Felipe De Amorim Prestes | Gabriel Frizzo | Gabriel Lecomte | Gabriel Lopes Dos Santos | Gabriel Matte De Moura | George Alfradique | Gian Luca Barbosa Mainini | Guilherme Da Hora | Gustavo Henrique Rossini | Jailson Gomes | João Pedro Machareth | Luan Germano | Luca Vianna | Lucas De Oliveira Andrade | Marcelo São Martinho Cabral | Marcio Leandro Lima Dos Santos | Marco Antônio Maassen Da Silva | Marianna Feitosa | Mario Peixoto | Matheus Andion De Souza Vitorino | Matheus Bezerra Lucas Bittencourt | Maxwell Dos Santos Nelle | Pedro Bonifácio | Pedro Henrique Tonetto Lopes | Rafael Manenti | Rafael Matis | Rainer Almeida | Raphael Piccoli | Raphael Pini Bubinick | Rodrigo Oliveira Porto [...]Obrigado por acreditarem em nós!Comente!Envie sua cartinha via e-mail para podcast@peladananet.com.br e comente tanto no post do Instagram com a capa deste episódio quanto no Spotify (se batermos 50 comentários em cada, leremos comentrouxas no programa que vem)!
Mensagem do dia 20 de Julho de 2025 por Cláudio Manhães Entre a fé e o medo | www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab
Mensagem do dia 27 de Julho de 2025 por Ed René Kivitz Babel nos trópicos - parte Il | Gn 12 1-3 www.ibab.com.br Nos acompanhe nas redes sociais www.instagram.com/oficialibab www.facebook.com/oficialibab www.twitter.com/oficialibab