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As Variações Canônicas (BWV 769) são uma composição para órgão formada por cinco cânones, que são curtas peças contrapontísticas - ou seja, músicas em que duas ou mais vozes se entrelaçam. Compostas em 1747, em Leipzig, no leste do território alemão, elas estão baseadas num hino de Natal do reformador alemão Martim Lutero, intitulado Vom Himmel hoch da komme ich her (“Do alto céu eu venho aqui”) e publicado em 1539. A obra de Bach compõem-se de cinco variações desse hino de Lutero, todas em forma de cânone. “Apesar da formidável exibição de lógica e consumado saber, essa obra é basicamente uma peça de música lírica impregnada do espírito do Natal”, resume o musicólogo austríaco Karl Geiringer no livro Johann Sebastian Bach - O Apogeu de Uma Era. Esta edição de Manhã com Bach exibe as Variações Canônicas, além da cantata Geist und Seele wird verwirret, "Espírito e alma ficam espantados" (BWV 35). A origem das Variações Canônicas está ligada à entrada de Bach na Correspondierende Societät der musicalischen Wissenschaften, a Sociedade Correspondente de Ciências Musicais. Em 1746, ele aceitou convite para se tornar membro dessa sociedade. Para isso, teve que fornecer à sociedade um retrato de si mesmo - que ele encomendou ao pintor alemão Elias Gottlob Haussmann - e duas composições. Uma é o Cânone Triplo a Seis Vozes (BWV 1076) e a outra, as Variações Canônicas. O retrato de Bach produzido por Haussmann e o Cânone Triplo a Seis Vozes foram tema da edição passada de Manhã com Bach (ouça aqui). A Sociedade Correspondente de Ciências Musicais foi fundada pelo crítico musical Lorenz Christoph Mizler em 1738. Ela funcionava através de correspondências trocadas entre seus membros, que nunca se reuniram para uma assembleia geral ou outro evento. A sociedade também tinha um órgão oficial, a revista Musikalische Bibliothek, “Biblioteca musical”, que já era publicada por Mizler antes da fundação da sociedade e que circulou com periodicidade irregular entre 1736 e 1754. Até hoje, essa revista é uma importante fonte de informações sobre a música do período barroco na Europa. A sociedade chegou a ter 26 membros, entre eles os compositores Georg Philipp Telemann e Georg Friedrich Händel. Bach foi o 14º integrante do grupo. Ouça o podcast no link acima. Este podcast reproduz o programa Manhã com Bach, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido nos dias 16 e 17 de maio de 2026. Dedicado à divulgação da música do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), Manhã com Bach vai ao ar pela Rádio USP (93,7 MHz) sempre aos sábados, às 9 horas, com reapresentação no domingo, também às 9 horas, inclusive via internet, através do site da emissora. Às segundas-feiras ele é publicado em formato de podcast no site do Jornal da USP. As edições anteriores do podcast Manhã com Bach estão disponíveis neste link.
Sérgio Martins é jornalista e crítico musical. Ele apresenta a coluna Conversas Musicais às 3ªs, 8h, no Jornal Eldorado.See omnystudio.com/listener for privacy information.
No mais famoso retrato de Johann Sebastian Bach - produzido pelo pintor alemão Elias Gottlob Haussmann (1695-1774) -, o compositor segura na mão direita uma partitura. Nela está escrito o Cânone Triplo a Seis Vozes (BWV 1076), que é exibido nesta edição de Manhã com Bach. O programa apresenta ainda outros sete cânones de Bach, além da cantata Man singet mit Freuden vom Sieg, "Cante-se com alegria pela vitória" (BWV 149). O retrato foi pintado por Haussmann em 1746 por encomenda de Bach. O compositor havia aceitado um convite para se filiar à Correspondierende Societät der musikalischen Wissenschaften (Sociedade Correspondente de Ciências Musicais), de Leipzig, dirigida pelo crítico de música alemão Lorenz Christoph Mizler. Para entrar nessa sociedade, havia a exigência de que cada novo membro fornecesse a ela um retrato de si mesmo. Em 1748, Haussmann produziu uma cópia do mesmo retrato. A obra original, de 1746, se encontra no Museu de História da Cidade de Leipzig, na Alemanha, desde 1913. Ela está danificada por restaurações malsucedidas e repinturas realizadas na segunda metade do século 19. Já a cópia feita em 1748, que está em ótimo estado, tem uma história curiosa. Após a morte de Bach, em 1750, o quadro foi herdado por um dos filhos do compositor, Carl Phillipp Emanuel Bach, que o repassou para o compositor alemão e ex-aluno de Bach Johann Christian Kittel. No início do século 19, o quadro foi adquirido por uma família de origem judaica, os Jenke, da cidade de Breslau, a atual Wrocklaw, na Polônia. Nos anos 30 do século 20, a família Jenke, fugindo do nazismo na Alemanha, se transferiu para a Inglaterra. Ali, para evitar que o quadro fosse destruído por bombardeios na Segunda Guerra Mundial, um descendente dos compradores da obra, Walter Jenke, entregou o quadro à família Gardiner, que possuía uma propriedade rural em Dorset, na costa do Canal da Mancha, onde a obra ficou guardada. Curiosamente, um dos membros da família Gardiner era um menino que se tornaria um dos maiores especialistas em Bach, o maestro inglês John Eliot Gardiner. Em 1952, um milionário de Princeton, nos Estados Unidos, chamado William Scheide, comprou o quadro num leilão. Quando Scheide morreu, em 2014, aos 100 anos de idade, a obra foi transferida dos Estados Unidos para o Museu Bach de Leipzig, onde se encontra hoje, conforme o milionário determinou no seu testamento. O tipo de música que aparece no retrato de Bach - o cânone - é uma composição contrapontística, ou seja, uma obra musical em que duas ou mais vozes se sobrepõem. Nele, uma voz principal é seguida pelas outras vozes, em intervalos de tempo diferentes, causando um intrincado entrelaçamento de vozes. Por isso, esse tipo de composição é visto também como um exercício de harmonização vocal. O cânone serve ainda como uma espécie de jogo ou exercício intelectual, em que o compositor oferece enigmas para o intérprete resolver. São os chamados cânones-enigmas, como os cânones de Bach apresentados nesta edição de Manhã com Bach. Ouça o podcast no link acima. Este podcast reproduz o programa Manhã com Bach, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido nos dias 9 e 10 de maio de 2026. Dedicado à divulgação da música do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), Manhã com Bach vai ao ar pela Rádio USP (93,7 MHz) sempre aos sábados, às 9 horas, com reapresentação no domingo, também às 9 horas, inclusive via internet, através do site da emissora. Às segundas-feiras ele é publicado em formato de podcast no site do Jornal da USP. As edições anteriores do podcast Manhã com Bach estão disponíveis neste link.
Sérgio Martins é jornalista e crítico musical. Ele apresenta a coluna Conversas Musicais às 3ªs, 8h, no Jornal Eldorado.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Sérgio Martins é jornalista e crítico musical. Ele apresenta a coluna Conversas Musicais às 3ªs, 8h, no Jornal Eldorado.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Os chamados Dezoito Grandes Prelúdios Corais, de Johann Sebastian Bach, têm um caráter retrospectivo, mas alguns deles apontam o caminho para futuros desenvolvimentos estilísticos, segundo o musicólogo austríaco Karl Geiringer, em seu livro Johann Sebastian Bach - O Apogeu de Uma Era. Essas peças de Bach estão sendo exibidas ao longo de três edições de Manhã com Bach. Nesta edição, são apresentados os prelúdios corais Nun danket alle Gott, "Agora agradecei todos a Deus" (BWV 657), Von Gott will ich nicht lassen, "De Deus eu não quero largar" (BWV 658), Nun komm, der Heiden Heiland, "Agora vem, Salvador dos Gentios" (BWV 659), Trio Super Nun komm, der Heiden Heiland, "Trio sobre o hino Agora vem, Salvador dos Gentios" (BWV 660), Nun komm, der Heiden Heiland, "Vem agora, Salvador dos Gentios (BWV 661), e Allein Gott in der Höh sei Ehr, "Somente a Deus nas alturas seja a honra" (BWV 662). O podcast traz ainda a cantata Wär Gott nicht mit uns diese Zeit, "Se Deus não estivesse conosco neste tempo" (BWV 14). Ouça o podcast no link acima. Este podcast reproduz o programa Manhã com Bach, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido nos dias 25 e 26 de abril de 2026. Dedicado à divulgação da música do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), Manhã com Bach vai ao ar pela Rádio USP (93,7 MHz) sempre aos sábados, às 9 horas, com reapresentação no domingo, também às 9 horas, inclusive via internet, através do site da emissora. Às segundas-feiras ele é publicado em formato de podcast no site do Jornal da USP. As edições anteriores do podcast Manhã com Bach estão disponíveis neste link.
Sérgio Martins é jornalista e crítico musical. Ele apresenta a coluna Conversas Musicais às 3ªs, 8h, no Jornal Eldorado.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Filmes musicais, aqueles filmes onde a música e a coreografia, fazem parte da narrativa. Hoje reunimos nossa corja pra falar um pouco de um jeito diferente, mas nem tão novo de contar uma história, entre os gêneros de horror, drama e até mesmo comédia, a música como parte da narrativa de um filme está presente no cinema desde o início dos filmes falados!Vem com a gente nesse passeio pelo mundo mágico ou não, dos filmes musicais!
Sérgio Martins é jornalista e crítico musical. Ele apresenta a coluna Conversas Musicais às 3ªs, 8h, no Jornal Eldorado.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Uma cena simples do Big Brother Brasil — Ana Paula dançando sozinha ao som de Love Generation, de Bob Sinclar — despertou algo maior do que parecia. A música voltou a tocar por aí e, junto com ela, muitas memórias adormecidas. Neste episódio, eu falo sobre esse poder silencioso que a música tem de nos atravessar, de nos levar de volta a lugares, pessoas e versões de nós mesmos que ficaram guardadas. Cada melodia vira um portal, uma chave delicada que abre cofres emocionais cheios de sentimentos, cheiros, sensações e histórias. Um convite para ouvir com calma, sentir sem pressa e lembrar por que a música mora tão fundo na gente.Bem-vindo ao episódio número 116 de Domingo à Noite. Vamos começar a semana botando o tédio pra fora.Ouça o episódio nas principais plataformas de podcast, para ouvir e conferir os links nas mídias sociais acesse: https://linktr.ee/kazzttorpodcastSiga André Arruda, o apresentador e faz tudo nesse podcast nas mídias sociais. Acesse os perfis em: https://linktr.ee/kazzttorPodcast produzido por Kazzttor AMT: https://www.kazzttor.com.br
Nesta edição, Cleber Facchi (@cleberfacchi), Isadora Almeida (@almeidadora), Renan Guerra (@_renanguerra) e Nik Silva (@niksilva) aproveitam o clima de Oscar para conversar sobre cinebiografias musicais que realmente valem a pena.Apoie a gente: https://apoia.se/podcastvfsmNão Paro De Ouvir➜ Iceage https://tinyurl.com/yz87m4p9➜ Lykke Li https://tinyurl.com/23e5rj72➜ Alice Caymmi https://tinyurl.com/3tm53xak➜ Bruna Lucchesi https://tinyurl.com/2fwhntkv➜ Russian Red https://tinyurl.com/52d24rp3➜ O Nó https://tinyurl.com/22wb9667➜ Turmallina https://tinyurl.com/ayhfwmw5➜ Hemlocke Springs https://tinyurl.com/46uyxrtb➜ Sideshow https://tinyurl.com/3stkhskm➜ Kim Gordon https://tinyurl.com/yc4zzkaa➜ James Blake https://tinyurl.com/mu53ujed➜ Sorosoro https://tinyurl.com/5n8vfhjk➜ Lucas Santtana https://tinyurl.com/cmnyjapt➜ Chococorn and The Sugarcanes https://tinyurl.com/5wkj8thx➜ Arlo Parks https://tinyurl.com/ynf7unu6➜ Snowcuffs https://tinyurl.com/38d4dhh4➜ Slag https://tinyurl.com/7e3nvz5b Você Precisa Ouvir Isso➜ Sakamoto Days (Netflix)➜ Hotel Assombrado (Netflix)➜ 1975: O Ano do Colapso (Netflix)➜ Mostra FarolPlaylist Seleção VFSM: https://bit.ly/3ETG7oEContato: sobremusicavamosfalar@gmail.com
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A rondalla Nas Ondas do Mar prepárase para brillar no Día das Pepitas cunha edición marcada polas novidades. O grupo ferrolán estrea director, Fran Rodríguez, que afronta con ilusión o seu debut, e incorpora como madriña a Ana Varela, quen vive o momento con emoción e nervios ante unha tradición moi especial na cidade. Ademais, a formación presenta novas pezas musicais, entre elas composicións propias que combinan o estilo clásico coas influencias actuais. Cunha traxectoria consolidada e presenza en medios como a TVG, a rondalla continúa renovándose sen perder a esencia. O bo tempo previsto acompañará unha xornada clave para Ferrol, onde a música, a tradición e a participación veciñal volverán encher as rúas de ambiente festivo.
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Há nove anos morando em Portugal, Fernanda Maciel calcula que não passa de cinco o número de mulheres que tocam profissionalmente este tipo de guitarra no país. Considerado um dos símbolos da identidade musical portuguesa, o instrumento é essencial no acompanhamento dos fadistas. É ele que dialoga com a voz e ajuda a evocar as emoções dos fados. Fábia Belém, correspondente da RFI em Portugal Neta de um português nascido no arquipélago dos Açores, a carioca Fernanda Maciel, que também tem nacionalidade portuguesa, fez graduação em guitarra clássica na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela conta à RFI que a primeira vez que ouviu fado foi pelo rádio, na casa dos pais. “Me interessei, pesquisei e fui achando que tinha muitas coisas parecidas com o choro, com a música brasileira. Comecei a achar [o fado] muito interessante”, explica. Fernanda lembra que, quando percebeu o som da guitarra portuguesa, se deu conta de que havia encontrado o instrumento da sua vida. “Eu me apaixonei pela guitarra”, diz. Uma tia da musicista, que costumava viajar com frequência para Portugal, ajudou a sobrinha a realizar o sonho levando uma guitarra portuguesa para ela no Brasil. Ao falar sobre o instrumento de doze cordas, tocado com a mão direita, Fernanda destaca que a técnica utilizada é muito interessante [porque] “usamos o polegar e o indicador; não usamos os outros dedos, como no violão”. Neste tipo de guitarra, “a gente diz que tem um bocadinho da alma portuguesa”, completa. A mudança para Portugal Decidida a aprofundar os conhecimentos sobre fado, em 2016, Fernanda se mudou para Portugal. Na Universidade NOVA de Lisboa, ela iniciou o mestrado em Ciências Musicais e, no Museu do Fado, começou a ter aulas com António Parreira, um dos grandes mestres da guitarra portuguesa. Com ele, a aluna talentosa começou a frequentar casas de fado e associações culturais e comunitárias. “Qualquer lugar onde ele fosse tocar, ele me levava, porque eu precisava aprender o repertório. A gente tem que conhecer, sei lá, quinhentos, seiscentos, setecentos fados. Então, temos que reconhecer o repertório, saber tocar os fados em todos os tons e ter a facilidade de, quando a pessoa pedir o fado, a gente começar a tocar”, revela. Fernanda Maciel já participou de importantes eventos. Em Lisboa, ela se apresentou, em 2019, na inauguração da Oficina da Guitarra Portuguesa, que pertence ao Museu do Fado, e em 2022, no Festival Santa Casa Alfama, dedicado ao famoso gênero musical português. Em 2020, participou, como solista, do 11º Festival Internacional de Guitarra Clássica de Calcutá, que teve sua edição online em decorrência da pandemia de Covid-19. A artista, que fez parte de dois projetos de fado compostos exclusivamente por mulheres (“As Mariquinhas” e “Amara Quartet”), também já levou sua guitarra portuguesa para Itália, França e Brasil. No ano passado, na Casa Portugal de São Paulo, ela e mais três músicos abriram o show da banda de rock brasileira IRA, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos. “O artista tem de ir aonde o povo está” Todos os domingos, Fernanda Maciel é presença constante numa conhecida casa de fados em Vila Nova de Gaia, cidade do distrito do Porto, mas tem tocado de norte a sul do país, principalmente, nas casas de fado, à noite. “Às vezes, temos espetáculos, que eu também faço, claro. Às vezes, nós temos noites de fado, que podem ser uma associação que quer angariar fundos para alguma coisa", diz. "Quando alguém quer fazer uma festa e nós somos contratados para cantar uns fados, nós vamos. Casamentos, às vezes, também vamos. O artista tem de ir aonde o povo está”, acrescenta. Quando questionada sobre o que sente ao tocar e viver em uma cultura que, teoricamente, não é dela, a artista responde: "Quando eu toco, sinto essa sensação de que pertenço a esse local.” O desafiar de uma tradição Em Portugal, ainda não existem estatísticas oficiais sobre o número de mulheres que tocam profissionalmente guitarra portuguesa, mas sabe-se que são poucas. Contando com ela, Fernanda calcula que não passam de cinco e lamenta o fato de o meio do fado e da guitarra portuguesa ainda ser predominantemente masculino. “Ainda há muito preconceito e é simplesmente estúpido”. Por outro lado, reflete, “é muito bom o fato de nós mulheres existirmos e resistirmos nesse meio”. Nos espaços mais conservadores, por exemplo, a sua presença ainda causa “estranhamento”. “Falam: ‘Ah, uma guitarrista? Ah, mulher?', descreve Fernanda com bom humor. Depois pensam: ‘Brasileira? O que ela está fazendo aqui? E como assim ela toca fado?'”, diz. Mas nos lugares onde se apresenta, ela também tem recebido muito apoio. Quanto ao que vem pela frente, Fernanda segue otimista. “Vejo um futuro mais interessante com a entrada de mais mulheres no mercado”, acredita a guitarrista.
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A junção da música em diferentes áreas do conhecimento: a literatura e o ensino e as áreas artísticas: a dança, o teatro, o cinema
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