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No episódio de hoje do Kiwicast, recebemos Junior Cesar Alves, especialista em operações no perpétuo com mais deR$8 milhões em comissões geradas, 90 mil alunos e 9 anos construindo negócios digitais do zero.A história dele começa com R$30 mil em dívidas tentando empreender sem resultado. Trabalhava com marketing multinível quando percebeu que vender conhecimento podia ser um negócio extremamente escalável. A virada veio com um curso de pisos de resina, gravado junto com um amigo que dominava a parte técnica enquanto ele cuidava da comunicação e do marketing.Primeiro mês: R$400. Segundo mês: R$800. No início do terceiro mês, enquanto ajudava um amigo a trocar umtelhado, recebeu uma mensagem da esposa pedindo para conferir as vendas. Antes das 10 horas da manhã já tinham vendido mais de R$2 mil. Aquele mês fechou em R$20 mil.A partir daí, crescimento constante. Até que um dia todas as vendas pararam. A conta havia sido bloqueada em outraplataforma. Semanas de espera, provas enviadas, nenhuma solução. Foi então que migrou para a Kiwify, onde está até hoje.No Kiwicast, ele falou sobre:● Como saiu de R$30 mil em dívidas para 8 milhões construindo no perpétuo● Por que o terceiro mês mudou tudo e o que ele fez de diferente no anúncio● Como construir ofertas e páginas que convertem de verdade● O que sustenta uma operação no perpétuo no longo prazo● Por que a pirataria é a maior ameaça ao mercado digital hojeAprenda com quem vive o mercado digital na prática.Dá o play e deixe nos comentários qual foi o melhor insight que você tirou do episódio.Nosso Instagram é @Kiwify
Um olhar do Espírito Santo na Copa do Mundo 2026. O fotógrafo e videomaker, Hugo Boniolo, de 31 anos, foi convidado pela família do jogador Marquinhos, capitão da seleção brasileira, para fazer os registros deles durante o Mundial. Boniolo nasceu em Bom Jesus do Itabapoana, no Rio de Janeiro, "mas me considera 'metade' capixaba. Ele atua como fotógrafo e videomaker há mais de dez anos, fez faculdade em Vila Velha, cidade onde mantém um estúdio fotográfico. Mas, afinal, como veio o convite? Ele recorda como conheceu a família do jogador. "Já venho fazendo alguns trabalhos internacionais há algum tempo. Em um deles, fui em fevereiro para Paris (França), depois do Carnaval, com a marca infantil 'Le Infance' [marca capixaba de roupas infantis], e em fevereiro fomos à casa do Marquinhos, para eles levarem a roupinha que o filho dele ia nascer, pro enxoval. Lá ele me conheceu, a esposa dele [Carol Cabrino], me conheceu. Adoraram meu trabalho e estavam precisando de uma pessoa para cobrir a Copa. Comecei a conversar com eles e fechamos contrato", conta. O zagueiro Marquinhos defende atualmente o Paris Saint-Germain (França), onde atua como capitão."Fui pra Paris, de novo, em maio. No dia da convocação, eu estava lá na casa dele, filmando ele ser convocado, fiz toda a mídia dele, gravamos uma série de vídeos com a pré-expectativa da família", explica. Em maio, esse vídeo da reação de Marquinhos ao ser convocado para a Copa "viralizou" nas redes sociais.Boniolo fala sobre o trabalho das próximas semanas. "Meu trabalho principal vai ser acompanhar a família dele nos bastidores da Copa", explica. Ele recorda que já teve oportunidades de levar o trabalho para fora do Brasil, com produções em Paris, Milão, EUA e Chile. Mas que essa, pela proporação do evento, é um divisor de águas na carreira, "um sonho".
Neste programa, vamos conhecer o universo da artista francesa Nina Laisné que está em exposição no FRAC Franche-Comté, em Besançon, entre 14 de Junho e 3 de Janeiro. A retrospectiva chama-se “Un monde renversé” [“Um mundo derrubado” ou “virado do avesso”] e mostra obras que propõem outras formas de ver o mundo e que esbatem as fronteiras entre teatro, música, cinema e arte contemporânea. O mundo de Nina Laisné situa-se na intersecção entre as artes performativas e as artes visuais. As suas instalações têm uma dimensão teatral e as suas criações para a cena também se deixam contaminar pelas artes plásticas. Com a exposição “Un monde renversé”, Nina Laisné transformou o museu num vasto palco onde o público pode ver o mundo a partir de outros pontos de vista, incluindo alguns ângulos escondidos da Historia, da Arte e da História da Arte. Nina Laisné interessa-se por personagens, comunidades e minorias situadas à margem das narrativas oficiais e trabalha a partir de arquivos, repertórios musicais antigos e lendas populares para construir "contra-narrativas" que questionem a História que nos é ensinada nas escolas e nos museus. Também tem aprofundado questões relacionadas com colonialismo, identidade e metamorfose. É este o mundo que ela leva ao FRAC Franche-Comté, em Besançon. “'Un monde renversé' significa olhar para o mundo de outro ponto de vista, ao contrário, de forma diferente, inversa (…) Nesta exposição reunimos muitas obras de várias épocas, quase dez anos, e o mais óbvio, ao reunir tudo, foi falar de minorias, de hibridação, de coisas que realmente são a essência do meu trabalho, mas que eu não percebia assim tão frontalmente. Esta oportunidade de apresentar todas estas obras juntas realmente muda a forma de ler, de receber essa mensagem. E claro, no meu mundo, sempre tem um espaço muito grande, uma importância muito grande para narrativas diferentes, narrativas contrárias, coisas que sempre ficam na sombra dos relatos oficiais, figuras marginais ou figuras que foram apagadas, silenciadas”, conta à RFI. Nos últimos anos, a artista nascida em 1985 ganhou maior projecção em França e no estrangeiro graças ao seu trabalho em palco, nomeadamente com as colaborações com o coreógrafo francês François Chaignaud -“Romances inciertos, un autre Orlando” (2017) e “Ultimo Helecho” (2025) - que combinam canto, dança e música instrumental. Além das artes performativas, Nina Laisné é também artista plástica, música, fotógrafa, cineasta e apaixonada pela História. As suas pesquisas artísticas envolvem o estudo de arquivos históricos de diversos formatos que vão do século XV ao XIX, mas também a procura de músicas antigas, mitos populares e lendas esquecidas que depois transforma em experiências visuais, sonoras, imersivas, poéticas e políticas. Em Besançon, através de instalações, vídeos, esculturas, fotografias, livros, gravuras, pinturas e dispositivos sonoros, Nina Laisné propõe uma viagem por universos onde mito, memória, identidade, tradição, história e ficção se entrelaçam. Às vezes não se sabe onde fica a fronteira a realidade e a ficção. Às vezes, a lenda é a base para criar novas ficções. No centro deste “mundo revirado” e da sua investigação artística há lendas populares, tradições orais e repertórios musicais ancestrais que revisitam figuras híbridas ou em permanente transformação. É o caso do projecto “A mulher ursa”, que ela tem desenvolvido com a escritora Célia Houdart, a partir de lendas e tradições ouvidas em terras portuguesas, nomeadamente junto das adufeiras de Monsanto. Numa das salas do FRAC, além do adufe, há gravuras, livros, fotografias, arquivos sonoros e um vídeo que serve de prólogo ao filme que Nina Laisné está a escrever com Célia Houdart. A figura da “mulher ursa” acaba por questionar fronteiras entre humano e animal, mas também os próprios mecanismos intemporais que definem quem pertence e quem permanece à margem. “Estamos a escrever um filme de ficção que vai acontecer na zona de Monsanto, essa linda região da fronteira com a Espanha. É um lugar quase mitológico, por ser uma aldeia muito antiga, que tem uma história bem complexa, com muitas camadas, muitos níveis de história e também mitologia própria. Também apareceu essa tradição das adufeiras de Monsanto, um grupo de mulheres que tocam adufe e que também cantam. Eu gosto de chegar neste lugar e mudar um pouco a tradição, virar um pouco a história para abrir a outras mitologias, convidar outras histórias da Península Ibérica e, neste lugar, mudar um pouco o repertório, chegar com novas letras e também fazer aparecer nessa ficção a figura da mulher ursa, que seria uma mulher selvagem que convive com animais da montanha e, aos poucos, se aproxima dessa aldeia e começa a criar uma relação com o grupo de adufeiras”, descreve a artista. Nina Laisné vai à procura dos arquivos esquecidos ou censurados, de iconografias marginais, de relatos de resistência e vai destapando os silêncios da historiografia oficial. É o que acontece na sala que acolhe duas obras inéditas: uma extensão em grande formato da instalação “Na maré cheia, lá no meio da mata. Na maré baixa, surge a resistência” (2026) e a nova instalação “Portulanos virados” (2026). A primeira é constituída por duas pinturas em grande escala, frente a frente, que fazem uma releitura das imagens do Brasil colonial. Vemos escravos a trabalharem na vasta paisagem a preto e branco e vemos montanhas de vermelho-sangue, a cor extraída do pau-brasil, a invadirem a tela. No meio, estão os “Portulanos virados”, ou seja, 16 violinos abertos dentro dos quais a artista desenhou os tais “portulanos” (mapas de navegação) em que se vêem figuras da resistência à escravatura e ao colonialismo. “O problema é que, além de não falarmos do que aconteceu, também apagámos e silenciámos toda a memória das grandes figuras de resistência. Houve revoltas por todo o lado no Brasil, mas só se apresenta a dominação, a humilhação, coisas de violência. Só agora, nestes últimos dez anos, é que historiadores do Brasil começaram a recuperar essas histórias e a identificar gente - para além do Luís Gama e do Zumbi dos Palmares que já são ícones no Brasil - como Maria Filipa de Oliveira, que atacava barcos portugueses e franceses, ou também Zacimba Gamba que foi uma princesa da Etiópia que foi escravizada e que envenenava proprietários de fazendas. Houve muitas coisas de resistência e de criar quilombos e também as crenças de matriz africana, todas essas festas populares que hoje em dia são bem fortes no Brasil, mas que fora dessa fronteira são totalmente silenciadas”, explica. Nina Laisné quis lembrar também o papel de França na exploração do pau-brasil. “Já sabemos que Portugal foi muito importante nesta história e a responsabilidade é muito grande, mas nunca se fala da responsabilidade também da França na primeira época do coloniaismo. A França também foi nessas costas para roubar esse pau-brasil que foi muito usado para pinturas de tela e também na fabricação de arcos de violino”, recorda, sublinhando que o pau-brasil era comercializado pela sua capacidade tintorial e também para a produção de arcos para instrumentos de corda. O título “Un monde renversé” é também uma referência a um libreto barroco do compositor Estienne Moulinié e ilustra, desde logo, a importância que a música tem na vida da artista transdisciplinar. Nesta exposição, há, de facto, repertórios das tradições ibéricas, brasileiras, venezuelanas e italianas, de tempos idos e de outros mais recentes. Uma das obras mais impressionantes no FRAC é a monumental “Arca ostinata” (2021), concebida em parceria com o músico Daniel Zapico e que reproduz, de forma imersiva, um pouco do espectáculo com o mesmo nome. A instalação é musical e transforma um instrumento de música barroca, a teorba, numa construção escultórica em grande escala, decorada por criaturas fantásticas. “É verdade que esta exposição é muito musical porque, fora das imagens, a minha primeira linguagem seria a música. Especificamente, podemos falar da música tradicional, da música folclórica e da música antiga. A música antiga, para mim, é muito interessante quando tem algo popular e colectivo, seja do século XVI ou XVII. Comecei a trabalhar, a colaborar com muita gente, muitos músicos que trabalham também para recuperar músicas sobre instrumentos históricos, como a teorba, que é um instrumento europeu de corda pulsada da família do alaúde. Tem um braço muito grande, quase dois metros e é um instrumento muito híbrido, muito fascinante pelo som. Com o músico Daniel Zapico, com quem pensamos essa obra, quisemos ampliar e abrir novas portas do repertório para não ficarmos fechados no repertório barroco, e quisemos propor novas leituras de folclore sul-americano, português, italiano e também mais contemporâneo”, acrescenta Nina Laisné. A música também é basilar nas obras “esas lagrimas son pocas” (2015), “Marisol/Mariluz” (2015), “En présence” (2013) e “Frati Uccelli” (2023). Em todas, mais uma vez, há várias camadas de significados, muitos jogos de percepção, questionamentos e, sobretudo, o cruzamento de diferentes disciplinas artísticas. “Un monde renversé” é uma viagem ao labirinto teatral de várias artes, mas é também uma reflexão sobre a capacidade de a arte dar voz aos que dela foram excluídos. Algures entre arquivo e ficção, entre investigação histórica e criação poética, entre provocação e jogo, Nina Laisné constrói uma “cartografia da resistência”, um lugar mais inclusivo e assumidamente político, onde passado e presente se vêem com outros olhos. “O meu trabalho faz parte dessa resistência colectiva. Conecto-me a diversas resistências do passado para crescer e fabricar novos movimentos aqui, no mundo presente”, conclui. A exposição “Nina Laisné, un monde renversé” está patente de 14 de Junho a 3 de Janeiro de 2027.
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No episódio de hoje do Kiwicast, recebemos Ayrton Borges, fotógrafo, criador digital e especialista em infoprodutos low ticket com mais de 10 mil alunos em 10 países e 2 milhões de reais faturados.A história dele começa na laje da vovó, num espaço de 15m², ele montou sua primeira empresa de fotografia. Em 2016, alugou o primeiro studio, que era um salão de festas. Foi crescendo, trabalhou com casamentos e eventos, abriu umrestaurante. Até a pandemia chegar e mudar sua rota.Precisou criar o primeiro infoproduto sem saber nada de marketing digital. Vendeu com impulsionamento no Instagram. As primeiras vendas caíram em dias. Em poucotempo, mais de 1.300 fotógrafos haviam comprado. Hoje fatura mais de 2 milhões com low ticket e ensina fotógrafos em mais de 10 países.No Kiwicast, ele falou sobre:● Como vendeu só com impulsionamento no Instagram e ainda assim funcionou● Como chegou a 2 milhões faturados com produto low ticket● O que mudou no mercado desde 2020 e por que o básico de antes não basta maisAprenda com quem vive o mercado digital na prática.Dá o play e deixe nos comentários qual foi o melhor insight que você tirou do episódio.Nosso Instagram é @Kiwify
O Festival de cinema de Cannes decorre até dia 23 no sul de França. Em competição nas curtas metragens da selecção oficial está o filme português "Algumas coisas que acontecem ao lado de um rio". Uma obra de Daniel Soares, realizador que já tinha sido distinguido em 2024 com uma menção especial para a outra curta com "Mau por um momento". Desta feita Daniel Soares põe em cena um corpo que flutua no rio, perante a impassividade das pessoas, distraídas com os seus afazeres. O cineasta começa por se declarar supreso com o facto de ter sido seleccionado uma segunda vez para a mais prestigiosa das mostras deste certame. Para já, ficámos muito surpreendidos. Matematicamente falando, é muito complicado ter um filme seleccionado. Há dois anos acho que eram 4 700 filmes ou o quê que foram submetidos ! E os escolhidos este ano acho que são 3000 e tal e 10 escolhidos ! Então ou seja matematicamente é muito complicado e consegui-lo uma segunda vez é muito difícil. Então não estava com muita expectativa em relação a isso, voltar a ser seleccionado. Portanto, se calhar desta vez foi... A primeira vez é claro que é muito especial, mas da segunda vez já é "Espera aí ser selecionado uma vez, dá-te aquela sensação de "ok, consegui enganá-los, enganaram-se, sei lá !" E a segunda vez... pronto, se calhar há aqui qualquer coisa em que eu posso confiar mais na minha intuição quando escrevo especialmente. Porém, se teve essa sensação de ter enganado alguém, acabou por sair de lá com uma distinção. Eles acabaram por lhe enviar uma mensagem, algo contrária de alguma fé, pelo menos no seu cinema. Então, mas agora que está seleccionado uma segunda vez, já teve a curiosidade de ver com quem é que vai estar a competir aqui nesta seleção das curtas metragens da competição oficial? Sim, desta vez. Pessoalmente, eu não conheço ninguém. Da última vez eu conhecia. Tinha um amigo que tinha sido seleccionado, desta vez pessoalmente, não conheço ninguém, mas já vi o filme do realizador do Vietname, uma longa metragem de que eu gostei muito na altura. Lembro-me de ver e vai estar com uma curta. "O sonho é um caracol", não é? Exacto. "Le rêve est un escargot", na tradução francesa do título original vietnamita. Ao fim e ao cabo Cannes, agora já conhece. Já podemos fazer um rescaldo. Como foi para si? Gostou de lá ter ido? Está entusiasmado por voltar? O que é que pretende fazer nesta edição? Sim, estou entusiasmado. Gostei muito da primeira experiência. Se calhar agora, se puder, gostaria de ver mais filmes do que da última vez. Da última vez não consegui ver muitos filmes, mas isso talvez será assim uma coisa que eu tentarei fazer. É assim, há muitas reuniões também, não é que, que acontecem? Pois claro. Há todo um espectáculo que se calhar não é muito a minha cena, mas ao mesmo tempo é importante para dar visibilidade ao filme e aos próximos filmes e construir dessa forma, sei lá, um percurso que me permita continuar a fazer filmes, o que é sempre difícil. Por tudo isso. Pois é, isso é um lugar onde durante duas semanas o pessoal se encontra e celebra o cinema como em nenhum outro lugar, acaba por ser muito especial. Vamos falar do seu filme "Algumas coisas que acontecem ao lado de um rio". Se calhar, antes de entrarmos na história, no argumento, falemos um pouco do elenco. Você foi buscar, por exemplo, valores consagrados do cinema português. Penso em Teresa Madruga, que já colaborou com pessoas como Manoel de Oliveira, Miguel Gomes, que são consagrados em Cannes. E depois há valores menos conhecidos. Por exemplo, os dois rapazes que dão corpo ao grupo de imigrantes e de estafetas que vão tomar banho no rio. Como é que foi pegar neste leque heterogéneo de pessoas para filmar esta obra? Isto é um filme de elenco. E a ideia foi sempre essa. Foi misturar actores incríveis, como a Teresa, como o João Vicente e misturá-los com pessoas menos conhecidas. Para mim, estes dois estafetas não faria qualquer sentido que fossem actores profissionais, caras conhecidas, não é? Acho que isso muitas vezes te tira de um filme, de uma experiência ou te lembra que estás a ver um filme. Então a ideia foi essa, foi misturar e encontrar as pessoas que fossem as mais indicadas para aqueles papéis. E às vezes são, como no caso da Teresa, actrizes com uma grande história e outras vezes são pessoas que nunca estiveram à frente de uma câmara. E eu gosto desse... É o caso do Dilip, é o caso do Amarjeet ? É o caso deles. Como é que os conheceu? Como é que chegou até eles? Fizemos um casting de rua. Encontrámo-los em grupos de estafetas, onde eles se encontram muitas vezes em Lisboa há vários pontos onde eles se encontram, se juntam e aí foi sobretudo a Romina e o Tomás que lideraram esse processo. E foi assim que fomos encontrando essas várias pessoas. Alguns deles estavam interessados em fazer parte de um filme, outras nem tanto. Então, aí já houve assim uma primeira filtragem e depois foram chamados. Fizemos casting. Eu acho que com os dois escolhidos, O Dilip e o Armajeet fizemos três vezes casting para ter a certeza. E eu acho que eles saíram super bem. Tinha algum receio, sim, mas. Mas não correu tudo muito bem. Já nos filmes anteriores você tinha filmes que podiam passar ou pelo menos ser interpretados como um retrato de alguma denúncia, de algum cinismo da nossa sociedade. Fosse, por exemplo, em relação à especulação imobiliária em torno da capital portuguesa. Aqui, nomeadamente, as pessoas estão demasiado preocupadas e não vêem sequer um cadáver que, de facto, está a flutuar no rio. É um pouco isso ? Você pretendia, de facto, pôr o dedo na ferida, não é? Em relação à forma como a nossa sociedade vive, como está estruturada ? É assim, eu não acho que é cinismo. Eu acho que é, pelo contrário, se calhar. Ou seja, se calhar a ideia inicial tenha algo irónico, não é, isso sim. Agora o cinismo, acho que não. Porque se fosse cinismo, se calhar não faria um filme. Eu acho que é mais um olhar humano, só que pronto... Os personagens no filme estão assim, todos em piloto automático. Todos nas suas bolhas, sem com os seus problemas do dia a dia, sem conseguirem ver o corpo. Só que para mim era super importante de mostrar todas as classes sociais, mostrar todas as idades. Não acho que seja cinismo, porque eu acabei de encontrar um pouco de mim em todos esses personagens. Ou seja, não é de cima para baixo. Pelo contrário, eu estou aí também. Ou seja, eu também sofro desses problemas contemporâneos. A dependência em relação aos ecrãs, às redes sociais, por exemplo. Por exemplo. Sim, sobretudo isso. Mas não só. Muitas vezes, esta questão de não conseguir estar presente no momento e muitas vezes. Ou seja, de estar com as minhas filhas e estar preocupado com outras coisas e não conseguir estar ali, não é? Ou seja, fisicamente sim, mas com a cabeça sempre a pensar no futuro, já ou no passado. Também esta ideia da fragmentação de como consumimos filmes ou conteúdos, tudo cada vez mais rápido, o YouTube, Instagram, TikTok, tudo cada vez mais acelerado. E como muitas vezes os telefones já são donos de nós, do nosso foco, da nossa atenção. Esta era do "Short attention span" [Atenção de curta duração], esta coisa que é muito violenta, que aos poucos nos foi conquistando e que agora chegamos a um ponto que é para aí onde é que vamos a partir daqui, não é? Então não é um cinismo, porque existe uma esperança para mim neste filme. A esperança são as crianças ? E do amor pela vida. Não é que as crianças seja isso. É uma leitura do filme, que é esta coisa das crianças serem a solução ou, para um futuro melhor. Eles vão fazer melhor do que nós. Não sei o quê. Só que muitas vezes esquecemos que as gerações anteriores fizeram isso connosco, não é? Então, nós somos a geração do futuro, da esperança, da geração anterior. Então, acho que é muito fácil falar isso, achar que a próxima geração. Mas como ? Se nos vêem a viver desta forma, como é que eles vão de repente dar uma volta de 180 graus ? Eu acho que é mais na nossa geração ainda. Nós é que temos que encontrar uma forma de lidar com isso, de viver de uma forma diferente. Talvez seja quase uma ideia utópica, ou seja. Mas talvez não também, porque também não é assim tão utópico, não é? De tentar sair desse mundo digital e viver no mundo real. E finalmente, que cinéfilo é o Daniel Soares? Mais que não seja em relação à sua trajectória que passa por Portugal, mas também, e em larga escala, pela Alemanha. Que tipo de filmes é que retém a sua atenção e que foram construindo o responsável de cinema que hoje é e que deve ter sido? Um cinéfilo de longa data, presumo ? Por acaso, não por acaso, nunca cresci muito com cinema. Nunca tive ninguém que me mostrou filmes. Comecei a ver cinema, sei lá, uns sete ou oito anos atrás. Na verdade, até porque os filmes que eu via quando era criança não me revia neles. Sempre achei muito ter esta noção de estar a ver um filme e pronto. Mas sei lá, os primeiros filmes que eu comecei a ver que na verdade não têm muito a ver com os meus filmes que eu faço hoje em dia, mas foram os filmes do Kiarostami, que era o cinema que se calhar se aproxima um pouco mais... Abbas Kiarostami do Irão. Sim, mas por exemplo, o Michelangelo Franmartino. Eu lembro-me de ver o "Quatro volte" e achar que, sei lá. Primeiro ficaste super inspirado e ao mesmo tempo sentir que isto seria um tipo de filme que eu conseguisse fazer, mesmo sendo super complicado, obviamente. Eu lembro também Lisandro Alonso, primeiros filmes. Lembro me também do "Toni Erdmann", da Maren Ade. E aí já se aproxima, de certa forma, daquilo que eu faço, no sentido de já ser mais contemporâneo. Ter já esta comédia negra, se quiser falar assim, dessa forma. Ou seja, aí já se vai aproximando, se calhar, daquilo que eu tentaria fazer. Ou os filmes do [Michael] Haneke. Aí sim, também já. Se calhar já entra um bocado essa parte. Mais como estava a dizer, cínica, não é? Mas eu acho que apesar de tudo mesmo o Haneke, o que faz aquele tipo de filmes porque deve, imagino amar a vida, não é? Ou seja, para quê se não fazer um filme desses? Chegou ao cinema tarde, mas tem dado nas vistas. E agora o facto de já ter sido distinguido em cana e de voltar a Cannes. A ideia para si agora seria de facto perseverar, Manter-se neste meio. Viver deste cinema que faz? Sim, esse é o objectivo. Estou agora a preparar uma longa que vamos filmar no próximo Verão. Não este ano. O ano que vem. E é isso. Sim, idealmente continuar a fazer filmes. Será em Portugal a rodagem ? Sim, será em Portugal
Day trade, gerenciamento de risco, stop loss, como administrar dinheiro como trader, como escolher mentor e por que sistema 100% objetivo não funciona — tudo isso neste episódio especial.Neste episódio, Vasco Mamede abre o microfone para a audiência num formato direto de perguntas e respostas — mais de uma hora de conteúdo sem filtro sobre os temas que mais impactam o dia a dia de quem opera B3, Forex e Cripto. Das 3 fases do gerenciamento de risco até a forma como o próprio Vasco administra seu patrimônio hoje como trader profissional.OPERE NA ASSESSORIA DO MAMEDE! CORRETAGEM ZERO + CARTÃO BLACK + CASHBACK NA FATURA + SALA VIP EM AEROPORTO E MUITO MAIS: https://wa.me/5511971705139?text=Quero%20operar%20pela%20Assessoria%20Mamede%20e%20ter%20os%20benef%C3%ADcios30 DIAS DE SALA AO VIVO INTERNACIONAL GRATUITOS - OPERE COM UM TRADER PROFISSIONAL: https://qrco.de/bg2fTlHoje, Naka revela como estruturou sua rotina nômade, mudando de cidade a cada três meses enquanto opera Bitcoin e outras criptomoedas com setups 100% objetivos. Ele detalha a importância vital de realizar backtests manuais para construir confiança real e explica como uma planilha de gerenciamento de risco profissional pode ser o divisor de águas entre a sobrevivência no mercado e o colapso financeiro total.Neste episódio você vai aprender:→ Por que sistemas 100% objetivos não têm durabilidade no mercado — e como o modelo correto combina discricionariedade na leitura com objetividade total na execução→ As 3 fases do gerenciamento de risco (Alavancagem, Consolidação e Consistência) e por que o risco máximo por operação é menor do que a maioria imagina→ Como Vasco administra seu próprio capital: patrimônio 100% alocado em renda fixa usada como margem operacional, sem um centavo na poupança — e por que viver abaixo do padrão que você pode ter é o maior segredo de paz dentro do mercado→ Por que você precisa performar pelo sistema, não pela meta de dinheiro do dia — e o que muda quando você entende essa diferença→ Como identificar mentores que enganam: o teste matemático para desmascarar qualquer um que prometa retornos consistentes acima do razoável todo mês→ O que traders bem-sucedidos têm em comum antes de chegar ao mercado — e por que desempenho profissional lá fora prediz consistência aqui dentro→ Como escolher um mentor com critérios reais: além da boleta, o que realmente importa para não perder tempo e capital no processo→ A técnica prática de sair da tela após a entrada — e como isso transforma a performance de quem opera de forma compulsivaQual parte desse episódio mais fez sentido pra você? Comenta aqui embaixo — especialmente se você já caiu na armadilha de performar pelo dinheiro em vez de seguir o sistema.Se inscreva no canal e ative o sino para não perder os próximos episódios.#DayTrade #MiniIndice #MiniDolar #GerenciamentoDeRisco #StopLoss #Mindset #TraderProfissional #PsicologiaDoTrader #AnaliseTecnica #OsTradersPodcast #VascoMamede #finanças #mercadofinanceiro #traderprofissional #vidadetrader AnfitriãoVasco Mamede: Instagram: @vascomamede Tik Tok: ostraderspodcast
No terceiro e último episódio desta série especial de 'Temos de Falar Com Elas', a conversa foi feita com a apresentadora Liliana Campos que, ao lado de Ana Galvão, Ana Garcia Martins, e Bárbara Guimarães, quis deixar várias opiniões sobre a sexualidade feminina. "Não sei se estas gerações falam de sexo, mas com as minhas amigas, falamos mais agora com a menopausa, do que falávamos quando tínhamos 30 anos", salientou. Outros dos temas vão desde os valores Olímpicos à forma como se imagina a reforma. Para ouvir aqui!See omnystudio.com/listener for privacy information.
No episódio de hoje do Kiwicast, recebemos Lutz Lobo,criador de conteúdo e especialista em YouTube. Ele começou a criar conteúdo aos 11 anos e transformou uma curiosidade de adolescente em um negócio que hoje movimenta milhões, ajudando pessoas a criarem canais do zero e estruturarem presença real na plataforma.Neste papo, ele abre os bastidores do que faz um canal rodarde verdade: estratégia, profundidade e construção de comunidade. Lutz também explica por que muitos “gigantes” do marketing ainda não têm força no YouTube e como quem entende esse jogo pode construir autoridade e monetizar de forma previsível.No Kiwicast, ele contou:Como encontrar o tema certo para começar um canal do zeroO que faz alguém ficar até o final de um vídeoComo transformar audiência em comunidade sem depender de viralComo criar um infoproduto saudável, previsível e que vende o ano todoAprenda com quem vive o mercado digital na prática.Dá o play e deixe nos comentários qual foi o melhor insight que você tirou do episódio.Nosso Instagram é @Kiwify
Nenhuma outra ditadura na América do Sul sequestrou, torturou e matou tanto quanto a da Argentina, em apenas sete anos. O golpe de Estado de 1976 completa 50 anos na próxima terça-feira (24). Cerca de 400 bebês e crianças foram roubados, muitas vezes ao nascerem no cativeiro onde suas mães eram mantidas sob tortura, e destinados a famílias de militares e policiais ou a casais amigos dos torturadores. Buscarita Roa, uma Avó da Praça de Maio, ainda procura o filho, sequestrado pela ditadura argentina, mas conseguiu recuperar a neta, Claudia, criada por militares. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires Em 1971, aos 16 anos, José Liborio Poblete Roa, o “Pepe”, perdeu as duas pernas ao cair de um trem no qual viajava de forma improvisada para evitar o custo da passagem entre Santiago e Curicó, no Chile. Um mês depois, ao receber alta médica, o jovem decidiu que queria estudar medicina, deixando seu país natal para iniciar uma nova vida na Argentina. Pepe gastou toda a indenização recebida da companhia ferroviária em uma cadeira de rodas e em uma viagem a Buenos Aires para tratamento ortopédico. “Quando lhe dei um beijo no hospital, ele me disse: ‘Mãe, por favor, não chore, porque eu serei o primeiro homem a correr com uma perna ortopédica'. Quando voltou para casa no mês seguinte, disse que haviam cortado suas pernas, mas não sua cabeça; que queria estudar medicina e começar uma nova vida na Argentina. Para mim, foi uma lição de vida”, recorda Buscarita Roa, de 88 anos, em entrevista à RFI na sede da Associação Avós da Praça de Maio. À época, o Chile era um país pobre e a vizinha Argentina, o “primo rico” da região, contava com sistemas de saúde e educação exemplares. Em dezembro de 1975, Buscarita Roa decidiu deixar a localidade chilena de La Cisterna, ao sul de Santiago, para ficar com o filho mais velho, levando com ela os outros seis filhos. “O meu filho tinha 23 anos quando desapareceu — praticamente a mesma idade da minha neta quando a reencontrei. Ele lutava por um mundo melhor. Em casa, faltava comida, mas ele levava um pão à escola para dividir com quem não tinha. Às vezes, quase não comia para poder compartilhar. Até hoje preparo um lanche e o deixo pendurado na porta de casa para quem precisar”, conta Buscarita. No instituto de reabilitação onde morava, Pepe conheceu a argentina Gertrudis Marta Hlaczik, conhecida como “Trudi”. Os dois se apaixonaram e tiveram Claudia. Com outros jovens do instituto, Pepe fundou a Frente de Aleijados Peronistas, uma organização política de esquerda que reunia cerca de 200 militantes. O peronismo seria alvo da ditadura argentina, instaurada em 24 de março de 1976, há 50 anos. O sequestro Em 28 de novembro de 1978, o casal e a bebê de oito meses foram sequestrados por militares e levados ao centro clandestino de prisão, tortura e extermínio em Buenos Aires, chamado pelos próprios torturadores de “El Olimpo”, pois se consideravam deuses sobre a vida dos cerca de 500 sequestrados que por ali passaram — a maioria até hoje desaparecida, como Pepe e Trudi. Buscarita Roa relembra à RFI o cenário que encontrou ao chegar à casa do filho, no dia do sequestro, para cuidar da neta: “Eu cuidava da Claudia enquanto eles trabalhavam. Quando cheguei de manhã, encontrei a casa destruída: janelas quebradas, porta arrombada no chão. Uma vizinha me disse: ‘Ontem à noite vieram um caminhão do Exército e uma viatura policial. Derrubaram tudo e os levaram embora'”, relembra. “Comecei a procurá-los. Encontrei outras pessoas que também buscavam seus familiares. Depois descobri que havia muitos casos. Reuníamo-nos numa igreja, todos chorando, sem conseguir encontrar nossos filhos. Era algo espantoso”, descreve, emocionada. Dois dias depois, o então coronel Ceferino Landa, que não podia ter filhos, foi ao centro clandestino e levou Claudia. Ele se apropriou da menina, mudou seu nome para Mercedes Beatriz Landa Moreira e a criou como filha até ela completar quase 22 anos. A informação sobre o destino do casal só surgiu anos depois, com investigações realizadas após o retorno da democracia na Argentina. Segundo a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP), Trudi e Pepe foram “terrivelmente torturados”. Durante anos, Buscarita procurou, sem sucesso, pelo filho, pela nora e pela neta. No início, era acompanhada pela mãe de Trudi, que acabou entrando em depressão e cometeu suicídio. Na época, Buscarita trabalhava como supervisora de limpeza no Ministério do Planejamento da Argentina, a apenas quatro quarteirões da Praça de Maio. O ministério era repleto de militares. Para não levantar suspeitas, mantinha silêncio no trabalho; depois do expediente, saía em busca da família sequestrada. A cada dia, encontrava mais casos semelhantes ao seu. Avó da Praça de Maio Um dia, ao passar pela Praça, viu várias mulheres com lenços brancos na cabeça. Curiosa, perguntou por que estavam reunidas ali. Descobriu que procuravam seus filhos e netos desaparecidos. Foi nesse momento que Buscarita se tornou uma Avó da Praça de Maio. Hoje, é vice-presidente de um dos mais importantes organismos de direitos humanos do mundo. “Comecei a fazer as rondas, chorando sem parar, porque era terrorífico. Minha nora, minha neta e meu filho… não era fácil viver. E eu precisava entrar no Ministério do Planejamento, cheio de militares da ditadura, aparentando tranquilidade para que ninguém percebesse o que eu estava passando”, conta. A postura era essencial. No fim de 1977, mães da Praça de Maio — Esther Ballestrino, María Eugenia Ponce e a fundadora Azucena Villaflor — também foram sequestradas e lançadas vivas nos chamados “voos da morte”, método usado para eliminar prisioneiros: eram jogados de aviões, geralmente dopados e nus. Até hoje, as poucas Mães da Praça de Maio ainda vivas percorrem a praça religiosamente às quintas-feiras. Já realizaram 2.501 rondas desde abril de 1977, quando passaram a usar lenços na cabeça para se reconhecerem e tiveram de circular continuamente, já que reuniões eram proibidas pelo estado de sítio. Seis meses depois, em outubro de 1977, algumas perceberam que também precisavam procurar os netos, dando origem às Avós da Praça de Maio. “Eu procurava pelos três: meu filho, minha nora e minha neta. As marchas davam visibilidade. Jornalistas do mundo todo começaram a aparecer. Foi assim que mães e avós da Praça de Maio se tornaram conhecidas”, diz Buscarita. “Anos depois, soube que minha neta havia sido apropriada. Nas Avós da Praça de Maio recebemos a informação de que bebês e crianças eram entregues a militares e policiais. O problema era descobrir por quem”, explica. A descoberta Graças às campanhas na mídia e às investigações judiciais, uma denúncia anônima apontou uma jovem como possível vítima de apropriação ilegal. As datas e descrições coincidiam. O exame de DNA, no início de 2000, confirmou: era Claudia. “Como dizer a uma jovem de 21 anos: ‘Você é minha neta?' Não é fácil. Foi preciso paciência, equilíbrio e espera. Aos poucos, conseguimos conquistá-la”, relata Buscarita. “Desde muito jovem, eu sentia que algo estava errado. Meus apropriadores — as pessoas que eu pensava serem meus pais — eram muito mais velhos. Meus colegas achavam que fossem meus avós. Eles tinham quase 50 anos em 1978”, conta Claudia Poblete à RFI. “Escondiam documentos e diziam que não tinham fotos da gravidez porque haviam sido roubadas.” No início, Claudia passou a chamar o casal que a criou pelos nomes; depois, passou a se referir a eles como “apropriadores”. Hoje, não mantém mais contato e afirma que eles nunca demonstraram arrependimento. “Mesmo assim, mantive vínculo com eles por um tempo. Quando minha filha nasceu, ela se parecia muito comigo e com fotos minhas de bebê com meus pais biológicos. Foi um choque. Comecei a entender o que significa ser mãe”, diz. “Passei a refletir sobre o que minha mãe viveu: a gravidez, a separação, o sequestro. E percebi que, para meus apropriadores, tudo aquilo fazia parte do cotidiano — eles mentiram para mim todos os dias.” Claudia demorou a assimilar sua história, e a família temeu perdê-la. Foram necessários mais cinco anos para que acontecesse o primeiro abraço. “Num momento de descuido, nos abraçamos pela primeira vez e choramos. Foi muito forte. Senti como se Pepe e a mãe dela estivessem ali. Então pensei: ‘Filho, cumpri minha missão. Aqui está sua filha'”, desabafa Buscarita. Passaram-se 26 anos desde o reencontro, mas permanece um vazio entre avó e neta. “Sinto a perda irreparável daqueles vinte anos que nos foram roubados. Quando a abraço, percebo que há algo que nunca poderemos recuperar. É triste”, diz Claudia. “Ao mesmo tempo, é um privilégio tê-la. Muitos netos recuperam a identidade quando a avó já não está mais viva.” A procura continua Buscarita ainda procura pelo filho e pela nora; Claudia, agora, busca pelos pais. “Encontrar os corpos nos permitiria entender o que aconteceu e começar a fechar essa ferida. Enquanto não sabemos, ela permanece aberta”, afirma Claudia. “No fundo, sei que os mataram. Seria um milagre encontrá-los vivos. Mas queremos ao menos saber onde estão os restos. Mesmo que seja um pequeno fragmento, já seria uma bênção. Poder tocá-los e dar-lhes uma sepultura cristã me permitiria morrer em paz”, diz Buscarita, emocionada. No início da ditadura, crianças já nascidas eram entregues como abandonadas a instituições e adotadas com apoio de juízes. Com o aumento do sequestro de grávidas, surgiu uma segunda fase: o plano sistemático de roubo de bebês. Posteriormente, quando as Avós da Praça de Maio ganharam visibilidade, iniciou-se uma terceira fase: o roubo era disfarçado, registrando-se a criança como abandonada por poucas horas antes de sua entrega a militares, com aparência de legalidade. As Avós estimam que cerca de 400 netos foram sequestrados. Até agora, 140 foram recuperados. Claudia foi a neta número 64. Alguns corpos de mulheres foram encontrados ainda com o feto — assassinadas grávidas. O plano sistemático e perverso de roubo de bebês foi uma prática singular da ditadura argentina.
António Lobo Antunes foi um escritor “radical”, revolucionário, que “desmontou tudo” e “inventou um estilo próprio, uma língua sem equivalente". As palavras são de Dominique Nédellec, tradutor em França daquele que foi um dos maiores nomes da literatura portuguesa contemporânea e que morreu, esta quinta-feira, aos 83 anos. Ana Lima, editora e parceira da Livraria Portuguesa & Brasileira, em Paris, explica que António Lobo Antunes é “um dos autores portugueses mais conhecidos em França” e “uma presença em praticamente todas as livrarias francesas”. A morte de António Lobo Antunes, esta quinta-feira, marca o desaparecimento de uma das figuras maiores da literatura portuguesa contemporânea. António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1 de Setembro de 1942, licenciou-se em Medicina em 1969 e especializou-se em Psiquiatria, mas optou pela escrita a tempo inteiro em 1985. Foi aos 37 anos que publicou o seu primeiro romance, “Memória de Elefante”, em 1979, ano em que também lançou “Os Cus de Judas” e iniciou a sua revolução na literatura portuguesa pós-25 de Abril. A guerra colonial atravessou toda a sua obra, a partir da sua passagem por Angola entre 1971 e 1973 ao serviço do Exército colonial como médico. A sua forma de escrever e de explorar a condição humana no que tem de mais “terrível, cómico, ridículo e comovente” percorreu, como “um rio, uma tempestade”, os seus mais de três dezenas de romances, no entender de Dominique Nédellec, tradutor de António Lobo Antunes em França nos últimos quase 15 anos. O tradutor acrescenta que ele foi um escritor “radical”, revolucionário, que “desmontou tudo” e “inventou um estilo próprio, uma língua sem equivalente". “Ele frequentemente dizia que ninguém escrevia como ele, nem sequer ele próprio. Ele desmontou tudo, foi um golpe terrível no estilo normal, habitual, tradicional. Ele inventou um estilo próprio, conseguiu elaborar uma língua sem equivalente", resumiu. Lobo Antunes foi , sem dúvida, “um dos autores portugueses mais conhecidos em França”, sublinha Ana Lima, parceira da Livraria Portuguesa & Brasileira, em Paris, falando em “uma presença em praticamente todas as livrarias francesas, as grandes e as independentes”, ao lado de nomes como Fernando Pessoa e José Saramago. A editora fala de um escritor de “um grande modernismo”, com “um tipo de escrita que é um fluxo de consciência permanente” e “sem compromisso”. Dominique Nédellec: "Não é todos os dias que se tem a sensação de se traduzir um génio” RFI: O que representa António Lobo Antunes para a literatura portuguesa e mundial contemporânea? Dominique Nédellec, Tradutor de António Lobo Antunes: “O trunfo maior de Lobo Antunes foi este jeito de fazer uma revolução estilística. Ele frequentemente dizia que ninguém escrevia como ele, nem sequer ele próprio. Eu acho que ele desmontou tudo, foi um golpe terrível no estilo normal, habitual, tradicional, e ele inventou um estilo próprio, uma língua super tensa, uma língua que parece ao mesmo tempo um rio, uma tempestade, que mistura as histórias, que mistura os planos temporários, em que os mortos têm a mesma importância que os vivos, em que os mortos estão sempre a chegar, a falar, a participar na vida dos vivos. Ele conseguiu elaborar uma língua sem equivalente, carregada de sentimentos e da experiência humana no que tem de terrível, de cómico, de ridículo, de comovente. Para mim, o Lobo Antunes é isto tudo.” Como foi traduzir toda esta “experiência humana” no que tem de mais complexo? “É uma experiência única também porque exige um mergulho total na obra dele para ouvir principalmente. São livros que devem ser lidos com o ouvido. É muito sensorial, chama a atenção de todos os sentidos. Então, tentar traduzir a riqueza do estilo dele exige muito tempo, paciência, perseverança também. O paradoxo é que traduzir exige uma lentidão imensa para agenciar todo aquele esquema muito complexo, mas o objectivo final é que a última leitura seja tão fácil e tão fluida e rápida como no original. No dia a dia, eu avanço passo a passo, muito lentamente e só fico contente quando, no final, na altura da última leitura, eu recupero aquela naturalidade, aquela fluidez da mistura que ele consegue e da pungência do estilo dele. É uma tarefa complicada, mas ao mesmo tempo muito gratificante porque não é todos os dias que se tem a sensação de se traduzir um génio.” Dos livros que traduziu de António Lobo Antunes ou da sua obra em geral, qual é aquele que mais o tocou pessoalmente? “Há um que realmente faz a súmula de tudo o que ele sabe fazer e dos temas de predileção do autor. Se calhar seria ‘Até que as Pedras se Tornem Mais Leves que a Água” porque está lá tudo ao mesmo tempo. Está lá ‘Os Cus de Judas' com o tema da guerra em Angola, o que foi obviamente fundamental para ele, mas é um livro que vai muito mais longe do que ‘Os Cus de Judas'. Tem uma mestria, um domínio total da técnica que ele elaborou ao longo dos anos. Então, para mim é uma soma, realmente é uma obra-prima total e para quem nunca leu o Lobo Antunes está lá tudo com uma virtuosidade ímpar.” António Lobo Antunes fala da guerra colonial e dos seus fantasmas de uma forma muito particular e, também, se calhar, revolucionária. Quer falar-nos sobre sobre esse tema e outros que atravessem a obra dele? “Bom, obviamente é central na vida dele e na obra dele. E, aliás, é possível reparar que são temas que voltaram sempre na cabeça dele e tem imagens ou episódios que se encontram logo em ‘Os Cus de Judas', mas que também se encontram contados nas cartas que enviou para a mulher durante a guerra e que voltam nos últimos livros. Ou seja, na vida toda houve episódios que nunca conseguiu eliminar, que ficaram lá para sempre gravados na cabeça dele, na vida dele, no corpo dele. Ele conseguiu fazer desta matéria-prima traumatizante o motivo de uma obra e através destes temas conseguiu dar uma dimensão diferente daquela tragédia. Este tema alimentou a obra dele, mas também queria salientar que é preciso não limitar a obra do Lobo Antunes à guerra e a Angola. Depois, cada vez mais, ficou longe dos primeiros volumes muito autobiográficos e cada vez mais aprofundou uma pesquisa estilística. Também queria que as pessoas entendessem que há humor, há muito humor na obra dele, humor negro, mas também humor burlesco, há coisas muito divertidas, sem cinismo, humor também leve. Há de tudo, obviamente e também é uma das marcas dele passar de uma coisa leve e engraçada e infantil, pueril até, a uma coisa gravíssima ou negra ou deprimente. É aquela fornalha toda sem equivalente.” Por que é que António Lobo Antunes não teve o Prémio Nobel da Literatura? “Eu acho que, se calhar, porque é demasiado fora das categorias normais, não é liso o suficiente se calhar. É demasiado abrupto, demasiado inclassificável, demasiado exigente com ele próprio. Ele nunca fez nada para facilitar o acesso dos leitores à obra dele. É demasiado radical, se calhar. Se calhar é esta a explicação. Nos últimos anos, foi sempre complicado perceber o raciocínio dos júris do Prémio Nobel, mas não temos de chorar por isso. Até seria uma marca de nobreza porque claro que ele merecia o prémio, mas será que o prémio merecia o Lobo Antunes? Não tenho a certeza porque ele estava acima disto tudo.” Falou na “sensação de traduzir um génio”. E a pessoa? Como é que era António Lobo Antunes? “Também foi uma surpresa para mim porque fui sempre avisado que ele era uma personagem complicada, abrupta, mas comigo foi sempre de uma grande ternura, uma grande generosidade. Acho que ele gostava do meu trabalho e ele repetiu isso várias vezes, em privado, mas também em público e foi sempre um incentivo e uma honra enormes. Eu lembro-me desta ternura, era capaz de dar uma piscadela, um abraço forte e são as imagens que vou lembrar.” Quais foram os livros de Lobo Antunes que traduziu em França? “Eu traduzo-o desde 2011, ou seja, quase 15 anos, e acabo de entregar a décima tradução de Lobo Antunes, que é o ‘Dicionário da linguagem das Flores'. Os nove anteriores fui eu que traduzi. Comecei com ‘O Meu Nome é Legião' e desde então fui eu a traduzi-lo.” Ana Lima: António Lobo Antunes é “uma presença em praticamente todas as livrarias francesas” RFI: O que representa António Lobo Antunes nas livrarias em França? Ana Lima, Parceira da Librairie Portugaise & Brésilienne: “António Lobo Antunes é, pelo menos em França, um dos autores mais conhecidos do século XX e início do século XXI e talvez o que conseguiu que a literatura portuguesa, com Fernando Pessoa e Saramago, tivesse uma presença em praticamente todas as livrarias francesas, as grandes e as independentes. É um dos autores mais conhecidos portugueses, mesmo se não foi necessariamente lido pelos que o conhecem, e os autores contemporâneos portugueses, também traduzidos em França actualmente, muitos também se reivindicam dele. Portanto, há um contínuo e há uma presença dele bastante importante.” Qual é o ADN que compõe a literatura de António Lobo Antunes que faz dele um dos grandes autores do século XX e XXI? “Antes de mais, foram umas temáticas muito importantes sobre a guerra colonial, sobre o Portugal pós-25 de Abril, sobre uma descrição da sociedade sempre sem compromisso, sempre com uma visão entre ironia e uma visão muito clara que era, às vezes, um bocado feroz e também um tipo de escrita que é um fluxo de consciência permanente, um texto sempre a fluir, que era uma maneira de escrever um bocado nova na literatura portuguesa, que teve um impacto muito grande, um grande modernismo.” Que livros de António Lobo Antunes recomenda? “Desde logo ‘Os Cus de Judas' que foi mesmo um marco na literatura portuguesa, o ‘Fado Alexandrino', ‘O Regresso das Caravelas', ‘A Morte de Carlos Gardel'. Quer dizer, há assim estes que eu pessoalmente gostei muito e que foram importantes para mim. Agora, ele produziu muito, muito. Aconselho a ler tudo, mas se se tiver que ler alguns é ‘Os Cus de Judas', ‘Fado Alexandrino', ‘O Regresso das Caravelas' e talvez ‘A Morte de Carlos Gardel'. Mas isso é a minha escolha.” Por que é que ele nunca chegou a ter o Prémio Nobel da Literatura? “Isso é uma história bastante complicada. O Saramago teve o Prémio Nobel, sabe-se que era um bocado uma competição no prémio entre os dois. O Saramago teve o prémio e foi o primeiro Prémio Nobel de Literatura em língua portuguesa e antes que se desse outro sabíamos que íamos esperar um bocadinho, portanto era uma questão de tempo, o que é uma injustiça porque de língua portuguesa há autores enormes, também brasileiros que não tiveram e que deveriam ter tido.”
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Comecei um diário no estilo “Journal” e conto para você como está sendo. Também comento sobre um dispositivo criado para diminuir o vício no celular, e reflito sobre eventos traumáticos, como o desaparecimento de pessoas. No fim, leio o ensaio ‘O ano do pensamento mágico' escrito por Joan Didion. -
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(Minghui.org) Bem-vindo à Rádio Minghui. As transmissões incluem assuntos relativos à perseguição ao Falun Gong na China, entendimentos e experiências dos praticantes adquiridas no curso de seus cultivos, interesses e música composta e executada pelos praticantes do Dafa. Programa 1513: Experiência de cultivo da categoria 22º Fahui da China no Minghui.org, intitulada: “Fahui da China | Minhas mudanças incríveis depois que comecei a memorizar os ensinamentos”, escrita por uma praticante do Falun Dafa na província de Jilin, China.
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O músico a compositor brasileiro Ricardo Vilas regressa com "Vilas Maravilha", álbum gravado em Luanda ao lado da histórica Banda Maravilha. Resultado de mais de uma década de encontros, o disco funde semba, samba e memórias atlânticas num gesto de pertença e diálogo cultural. Com arranjos angolanos e composições próprias, Ricardo Vilas celebra uma África contemporânea. Ricardo Vilas, figura singular da música brasileira e estudioso das ligações culturais no Atlântico Sul, regressa aos discos com Vilas Maravilha, um trabalho gravado em Luanda e construído em parceria com a histórica Banda Maravilha. O músico descreve o álbum como “um gesto de pertença, de deslocamento e de identidade”, recusando “o ruído da actualidade” e privilegiando “o tempo lento dos encontros”. O projecto nasce da relação iniciada em 2012, quando Ricardo Vilas realizou uma pesquisa de campo em Angola para o seu doutoramento sobre a circulação musical entre os dois países. “A minha história com Angola vem de antes”, recorda. “Comecei a pesquisar música africana e particularmente música angolana e aprendi muitas coisas.” Foi nesse período que conheceu músicos centrais na formação da moderna música angolana, entre os quais Elias dia Kimuezo e Carlos Lamartine, além do grupo Maravilha, com quem a afinidade artística foi imediata. “A identificação foi rápida e a amizade foi crescendo”, afirma. Ao longo de anos de viagens e colaborações esporádicas, amadureceu a ideia de gravar em disco este diálogo musical. “Em 2024 decidimos registar esse encontro. Daí nasceu a ideia de Vilas Maravilha”, explica Ricardo Vilas. Gravado em Junho, o álbum reúne 12 faixas, seis delas compostas pelo músico brasileiro. As restantes incluem temas tradicionais e composições de autores angolanos como Paulo Flores, David Zé e o próprio Carlos Lamartine. Para Ricardo Vilas, a Banda Maravilha tem “um papel central” na identidade do projecto: “São tecnicamente perfeitos, têm ideias excelentes de instrumentação e reflectem sobre o trabalho. Chamam-se a si próprios ‘os embaixadores do semba' porque têm consciência da importância de preservar essa bagagem cultural.” A estética do disco é marcada pela sonoridade angolana. “O Brasil conhece quase nada de Angola, e Angola conhece muito do Brasil”, observa. Em Angola, o projecto foi recebido “de forma total”, com grande atenção da imprensa e do público: “O nosso trabalho foi super bem recebido.” Já no Brasil, admite, a recepção tem sido “mais difícil”, consequência de um desconhecimento generalizado sobre a música angolana contemporânea. A expectativa agora é apresentar o álbum em Portugal, onde Ricardo Vilas acredita que encontrará “uma boa receptividade”. A relação histórica entre o semba angolano e o samba brasileiro é um dos pontos que o músico estudou academicamente e que atravessa sub-conscientemente o álbum. “O samba foi assim baptizado em 1917. O semba surge nos anos 50. As temporalidades são muito diferentes”, sublinha, rejeitando a ideia de uma relação directa de filiação. “São irmãos, mas não há quem vem antes e quem vem depois. Há dois desenvolvimentos paralelos que se encontram e encontram-se neste disco.” Ainda assim, Vilas Maravilha acaba por ter, segundo o autor, “muito mais de música angolana do que de música brasileira”, uma vez que os arranjos são integralmente assinados pela Banda Maravilha. A dimensão linguística do projecto reforça esse encontro. Entre sambas, sembas e ritmos atlânticos, o álbum inclui também uma versão em umbundo, fruto de uma proposta da própria banda. “Fiquei muito feliz. Mostra essa vontade de encontro, sem imposição, uma verdadeira troca de experiências”, afirma. Para Ricardo Vilas, este gesto está longe de qualquer exotização: “Eles adoraram. E acho que evidencia a decisão de construir uma ponte verdadeira.” O músico brasileiro reconhece que, no espaço lusófono, Angola vive uma nova afirmação cultural. “Há uma desigualdade evidente: Angola importa muito do Brasil, e o Brasil pouco sabe de Angola”, aponta. “A visão brasileira da África é ancestral e mítica, não contemporânea. É a África do candomblé e da capoeira que é, aliás, uma invenção brasileira.” Com Vilas Maravilha, Ricardo Vilas quer contribuir para alterar essa percepção: “Uma das ambições do disco é mostrar que existe uma África contemporânea, criativa e extremamente interessante.” Aos ouvintes angolanos, deixa uma mensagem de proximidade: “Em Angola sinto-me em casa. Falamos a mesma linguagem, não só a língua. Somos super bem recebidos e a nossa música tem sido acolhida com muito carinho.” E termina, reafirmando o espírito que orienta todo o projecto: “Estamos juntos.”
Por que recorrer ao Cannabis Medicinal? Mergulhamos na crise invisível que levou à decisão e na realidade do tratamento no Brasil: ele é acessível? É legal? Desmascaramos o estigma e as perguntas que ninguém faz.Contei em detalhes o que mudou na primeira semana de uso, quais foram os impactos no sono, na ansiedade e na clareza mental. Uma conversa honesta e necessária sobre saúde e as barreiras que ainda persistem.Apoie o Podcast - https://apoia.se/sincerasilusoesChave Pix podcast@alesantos.mehttps://app.picpay.com/user/savagefiction
Gisela João prepara-se para um concerto especial, que se realizará a 23 de janeiro, no Coliseu do Porto, onde cantará as canções do álbum “Inquieta”, a celebrar a liberdade e a força feminina, e dará voz a temas inéditos. Gisela revela um pouco do futuro disco que vem aí, fala do esgotamento que superou, e do caminho difícil de uma artista independente, de Barcelos, que questiona o jogo das fórmulas e números. “Comecei esta corrida descalça. Não sou brasonada.” Ouçam-na nesta conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Em um contexto de leis de imigração cada vez mais restritivas em Portugal, uma iniciativa se destaca pela formação e integração de imigrantes. O programa Integrar, uma parceria entre o Departamento Nacional de Turismo, a confederação patronal do setor de hotéis, bares e restaurantes e a AIMA (Agência de Imigração e Asilo), visa formar um total 1.000 pessoas até o fim do ano para trabalhar nesses estabelecimentos. Com informações de Theo Raizon, da RFI O objetivo é selecionar estrangeiros, em situação legal ou em processo de regularização, para encontrarem emprego num setor que precisa de mão de obra. Na Escola de Hotelaria e de Turismo de Lisboa, acompanhamos uma aula sobre ovos. Laura, 34 anos, é angolana e aluna do curso de formação do programa Integrar. Ela não conseguiu emprego na sua área, psicologia do esporte, e teve de se requalificar. "Organizar minha documentação levou tempo. Por isso, recorri a este estágio. O que não é um problema, porque eu adoro cozinhar. Mas sem isso, seria difícil, porque a vida é complicada. Se você quer ficar aqui e não tem um emprego que lhe agrade, é difícil. O que eu amo são pratos quentes. Eu não tinha experiência, estou descobrindo, e é fascinante!", diz. Laura estava prestes a voltar para Angola e ficou feliz com a oportunidade. Ela faz um alerta a outros interessados em viver no país. "Não venha com visto de turista se pretende ficar no país. Venha com visto de estudante, visto de trabalho ou com uma situação que o ajude a evitar armadilhas. Imigrar já é difícil... Mas se não tiver o visto certo, ficará preso numa série de problemas, sem conseguir obter a documentação adequada ou regularizar a sua situação," diz. A jovem angolana é uma das 1.000 pessoas selecionadas para receber formação em turismo, hotelaria e gastronomia: três meses numa das 12 escolas de hotelaria de Portugal e um mês de estágio em uma empresa. Um programa que poderia parecer comum se não fosse pelo seu público-alvo específico. A motivação é fundamental, acredita João Antunes, instrutor de culinária. "São pessoas altamente motivadas. O que noto nestes grupos é que são pessoas muito interessadas. Pessoas mais velhas, com mais experiência de vida, que aproveitam estas oportunidades que lhes são oferecidas. É valorizado porque se vê claramente a vontade deles de aprender", destaca. O Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa, é um dos 329 estabelecimentos parceiros do programa Integrar. Foi no restaurante do hotel que Raas, um indonésio, encontrou o seu lugar. Até então, ele tinha se contentado com trabalhos temporários. "Em Portugal, como indonésio, é difícil encontrar emprego por causa do idioma. Então, procurei um instituto que ensinasse português. Comecei o estágio há três ou quatro meses e agora falo um pouco de português. Antes, eu só podia comer em lanchonetes de fast food", conta. Raas está feliz. Ele é um dos 15 estagiários do programa Integrar a serem contratados em regime permanente — uma raridade na indústria hoteleira. Contrato permanente "Um contrato permanente oferece segurança. Tem um período de experiência e depois eles são efetivados aqui no hotel, e isso lhes dá segurança e a possibilidade de alugar um apartamento, comprar uma casa, fazer um empréstimo no banco", explica Victor Ferreira, o gerente assistente do Vila Galé Ópera. O hoteleiro, assim como seus colegas, enfrenta uma rotatividade significativa no setor. Poucos funcionários se comprometem a longo prazo. "É muito difícil ter funcionários fixos a longo prazo, porque eles precisam trabalhar no fim de semana, no mês de agosto, quando todo mundo vai à praia, e isso é difícil", acrescenta. Os salários também são alvo de críticas em um setor exigente. No Hotel Vila Galé Ópera, Raas, que está apenas começando, ganha 1.200 euros brutos por mês, o que representa 330 euros a mais que o salário mínimo — aproximadamente R$ 7.400. Catarina Paiva é responsável pelo programa Integrar, junto à Autoridade Nacional de Turismo. Ela considera o treinamento um sucesso e se mantém distante do debate político sobre imigração. "Temos uma visão otimista e muito positiva da integração dos migrantes em nosso setor. Como eu disse, não queremos nos envolver no debate político. Nosso papel é garantir que aqueles que obtêm status legal tenham a oportunidade de construir uma carreira. Trata-se de garantir as condições necessárias para que as pessoas possam ser formadas em todo o país e de prestar apoio personalizado a quem estiver determinado a viver em Portugal", afirma. O programa Integrar pode servir de exemplo a outros setores. "O objetivo final do programa, e ficaríamos muito felizes se fosse alcançado, é a sua replicação. Gostaríamos de aproveitar o sucesso da nossa experiência para que sirva de modelo a outros setores profissionais capazes de integrar migrantes", conclui. A parceria inédita entre o Departamento de Turismo de Portugal, empresários do setor e a agência de imigração será renovada em 2026. Isto representa um investimento de € 5 milhões para formação profissional no país.
A atriz Mariana Cardoso, que interpreta Matilde na telenovela “Vitória”, é a convidada de Daniel Oliveira, no Alta Definição em podcast. Recorda a participação no programa “The Voice Kids”, em 2014, e reflete sobre a importância da música na melhor compreensão dos seus sentimentos. Mariana Cardoso relata abertamente as questões de saúde mental que teve de superar e a alopecia areata, uma doença dermatológica que levou à queda de partes do cabelo ainda jovem. “Para a autoestima de uma adolescente, o cabelo é uma parte super importante”, confessa, explicando que escondia parte dos problemas da mãe, fingindo “sempre estar tudo bem.” Ao crescer com uma personalidade perfeccionista teve de encontrar formas de valorizar as “coisas incríveis” que foi alcançando. Hoje diz que se sente feliz: “agora já não sobrevivo, agora vivo.” Ouça a conversa intimista no Alta Definição, em podcast, emitido na SIC a 15 de novembro.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Há nove anos morando em Portugal, Fernanda Maciel calcula que não passa de cinco o número de mulheres que tocam profissionalmente este tipo de guitarra no país. Considerado um dos símbolos da identidade musical portuguesa, o instrumento é essencial no acompanhamento dos fadistas. É ele que dialoga com a voz e ajuda a evocar as emoções dos fados. Fábia Belém, correspondente da RFI em Portugal Neta de um português nascido no arquipélago dos Açores, a carioca Fernanda Maciel, que também tem nacionalidade portuguesa, fez graduação em guitarra clássica na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela conta à RFI que a primeira vez que ouviu fado foi pelo rádio, na casa dos pais. “Me interessei, pesquisei e fui achando que tinha muitas coisas parecidas com o choro, com a música brasileira. Comecei a achar [o fado] muito interessante”, explica. Fernanda lembra que, quando percebeu o som da guitarra portuguesa, se deu conta de que havia encontrado o instrumento da sua vida. “Eu me apaixonei pela guitarra”, diz. Uma tia da musicista, que costumava viajar com frequência para Portugal, ajudou a sobrinha a realizar o sonho levando uma guitarra portuguesa para ela no Brasil. Ao falar sobre o instrumento de doze cordas, tocado com a mão direita, Fernanda destaca que a técnica utilizada é muito interessante [porque] “usamos o polegar e o indicador; não usamos os outros dedos, como no violão”. Neste tipo de guitarra, “a gente diz que tem um bocadinho da alma portuguesa”, completa. A mudança para Portugal Decidida a aprofundar os conhecimentos sobre fado, em 2016, Fernanda se mudou para Portugal. Na Universidade NOVA de Lisboa, ela iniciou o mestrado em Ciências Musicais e, no Museu do Fado, começou a ter aulas com António Parreira, um dos grandes mestres da guitarra portuguesa. Com ele, a aluna talentosa começou a frequentar casas de fado e associações culturais e comunitárias. “Qualquer lugar onde ele fosse tocar, ele me levava, porque eu precisava aprender o repertório. A gente tem que conhecer, sei lá, quinhentos, seiscentos, setecentos fados. Então, temos que reconhecer o repertório, saber tocar os fados em todos os tons e ter a facilidade de, quando a pessoa pedir o fado, a gente começar a tocar”, revela. Fernanda Maciel já participou de importantes eventos. Em Lisboa, ela se apresentou, em 2019, na inauguração da Oficina da Guitarra Portuguesa, que pertence ao Museu do Fado, e em 2022, no Festival Santa Casa Alfama, dedicado ao famoso gênero musical português. Em 2020, participou, como solista, do 11º Festival Internacional de Guitarra Clássica de Calcutá, que teve sua edição online em decorrência da pandemia de Covid-19. A artista, que fez parte de dois projetos de fado compostos exclusivamente por mulheres (“As Mariquinhas” e “Amara Quartet”), também já levou sua guitarra portuguesa para Itália, França e Brasil. No ano passado, na Casa Portugal de São Paulo, ela e mais três músicos abriram o show da banda de rock brasileira IRA, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos. “O artista tem de ir aonde o povo está” Todos os domingos, Fernanda Maciel é presença constante numa conhecida casa de fados em Vila Nova de Gaia, cidade do distrito do Porto, mas tem tocado de norte a sul do país, principalmente, nas casas de fado, à noite. “Às vezes, temos espetáculos, que eu também faço, claro. Às vezes, nós temos noites de fado, que podem ser uma associação que quer angariar fundos para alguma coisa", diz. "Quando alguém quer fazer uma festa e nós somos contratados para cantar uns fados, nós vamos. Casamentos, às vezes, também vamos. O artista tem de ir aonde o povo está”, acrescenta. Quando questionada sobre o que sente ao tocar e viver em uma cultura que, teoricamente, não é dela, a artista responde: "Quando eu toco, sinto essa sensação de que pertenço a esse local.” O desafiar de uma tradição Em Portugal, ainda não existem estatísticas oficiais sobre o número de mulheres que tocam profissionalmente guitarra portuguesa, mas sabe-se que são poucas. Contando com ela, Fernanda calcula que não passam de cinco e lamenta o fato de o meio do fado e da guitarra portuguesa ainda ser predominantemente masculino. “Ainda há muito preconceito e é simplesmente estúpido”. Por outro lado, reflete, “é muito bom o fato de nós mulheres existirmos e resistirmos nesse meio”. Nos espaços mais conservadores, por exemplo, a sua presença ainda causa “estranhamento”. “Falam: ‘Ah, uma guitarrista? Ah, mulher?', descreve Fernanda com bom humor. Depois pensam: ‘Brasileira? O que ela está fazendo aqui? E como assim ela toca fado?'”, diz. Mas nos lugares onde se apresenta, ela também tem recebido muito apoio. Quanto ao que vem pela frente, Fernanda segue otimista. “Vejo um futuro mais interessante com a entrada de mais mulheres no mercado”, acredita a guitarrista.
Há nove anos morando em Portugal, Fernanda Maciel calcula que não passa de cinco o número de mulheres que tocam profissionalmente este tipo de guitarra no país. Considerado um dos símbolos da identidade musical portuguesa, o instrumento é essencial no acompanhamento dos fadistas. É ele que dialoga com a voz e ajuda a evocar as emoções dos fados. Fábia Belém, correspondente da RFI em Portugal Neta de um português nascido no arquipélago dos Açores, a carioca Fernanda Maciel, que também tem nacionalidade portuguesa, fez graduação em guitarra clássica na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela conta à RFI que a primeira vez que ouviu fado foi pelo rádio, na casa dos pais. “Me interessei, pesquisei e fui achando que tinha muitas coisas parecidas com o choro, com a música brasileira. Comecei a achar [o fado] muito interessante”, explica. Fernanda lembra que, quando percebeu o som da guitarra portuguesa, se deu conta de que havia encontrado o instrumento da sua vida. “Eu me apaixonei pela guitarra”, diz. Uma tia da musicista, que costumava viajar com frequência para Portugal, ajudou a sobrinha a realizar o sonho levando uma guitarra portuguesa para ela no Brasil. Ao falar sobre o instrumento de doze cordas, tocado com a mão direita, Fernanda destaca que a técnica utilizada é muito interessante [porque] “usamos o polegar e o indicador; não usamos os outros dedos, como no violão”. Neste tipo de guitarra, “a gente diz que tem um bocadinho da alma portuguesa”, completa. A mudança para Portugal Decidida a aprofundar os conhecimentos sobre fado, em 2016, Fernanda se mudou para Portugal. Na Universidade NOVA de Lisboa, ela iniciou o mestrado em Ciências Musicais e, no Museu do Fado, começou a ter aulas com António Parreira, um dos grandes mestres da guitarra portuguesa. Com ele, a aluna talentosa começou a frequentar casas de fado e associações culturais e comunitárias. “Qualquer lugar onde ele fosse tocar, ele me levava, porque eu precisava aprender o repertório. A gente tem que conhecer, sei lá, quinhentos, seiscentos, setecentos fados. Então, temos que reconhecer o repertório, saber tocar os fados em todos os tons e ter a facilidade de, quando a pessoa pedir o fado, a gente começar a tocar”, revela. Fernanda Maciel já participou de importantes eventos. Em Lisboa, ela se apresentou, em 2019, na inauguração da Oficina da Guitarra Portuguesa, que pertence ao Museu do Fado, e em 2022, no Festival Santa Casa Alfama, dedicado ao famoso gênero musical português. Em 2020, participou, como solista, do 11º Festival Internacional de Guitarra Clássica de Calcutá, que teve sua edição online em decorrência da pandemia de Covid-19. A artista, que fez parte de dois projetos de fado compostos exclusivamente por mulheres (“As Mariquinhas” e “Amara Quartet”), também já levou sua guitarra portuguesa para Itália, França e Brasil. No ano passado, na Casa Portugal de São Paulo, ela e mais três músicos abriram o show da banda de rock brasileira IRA, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos. “O artista tem de ir aonde o povo está” Todos os domingos, Fernanda Maciel é presença constante numa conhecida casa de fados em Vila Nova de Gaia, cidade do distrito do Porto, mas tem tocado de norte a sul do país, principalmente, nas casas de fado, à noite. “Às vezes, temos espetáculos, que eu também faço, claro. Às vezes, nós temos noites de fado, que podem ser uma associação que quer angariar fundos para alguma coisa", diz. "Quando alguém quer fazer uma festa e nós somos contratados para cantar uns fados, nós vamos. Casamentos, às vezes, também vamos. O artista tem de ir aonde o povo está”, acrescenta. Quando questionada sobre o que sente ao tocar e viver em uma cultura que, teoricamente, não é dela, a artista responde: "Quando eu toco, sinto essa sensação de que pertenço a esse local.” O desafiar de uma tradição Em Portugal, ainda não existem estatísticas oficiais sobre o número de mulheres que tocam profissionalmente guitarra portuguesa, mas sabe-se que são poucas. Contando com ela, Fernanda calcula que não passam de cinco e lamenta o fato de o meio do fado e da guitarra portuguesa ainda ser predominantemente masculino. “Ainda há muito preconceito e é simplesmente estúpido”. Por outro lado, reflete, “é muito bom o fato de nós mulheres existirmos e resistirmos nesse meio”. Nos espaços mais conservadores, por exemplo, a sua presença ainda causa “estranhamento”. “Falam: ‘Ah, uma guitarrista? Ah, mulher?', descreve Fernanda com bom humor. Depois pensam: ‘Brasileira? O que ela está fazendo aqui? E como assim ela toca fado?'”, diz. Mas nos lugares onde se apresenta, ela também tem recebido muito apoio. Quanto ao que vem pela frente, Fernanda segue otimista. “Vejo um futuro mais interessante com a entrada de mais mulheres no mercado”, acredita a guitarrista.
No novo episódio do podcast Mulheres Reais, apresentado por Carolina Ercolin e Luciana Garbin, a chef e educadora Rosa Moraes mostra que nunca é tarde para recomeçar. Hoje reconhecida como uma das maiores personalidades da gastronomia no país e vencedora do Prêmio Paladar 2025 na categoria Profissional Excepcional da Cidade de São Paulo, Rosa construiu uma trajetória marcante - iniciada apenas aos 42 anos de idade. Antes de se tornar um nome fundamental na história da boa mesa, ela era ceramista e vivia em São Paulo. A reviravolta veio em 1989, quando se mudou com o marido e os três filhos pequenos para a Califórnia. “Eu não conseguia ficar parada. Comecei a cozinhar para eles e a estudar gastronomia. A Califórnia era um celeiro de alimentos orgânicos, e isso me encantou”, relembra. O que começou como curiosidade virou paixão e, depois, carreira. Rosa passou a escrever sobre gastronomia para revistas brasileiras. De volta ao país, recebeu um convite inesperado e decisivo: criar o primeiro curso superior de gastronomia do Brasil, na Universidade Anhembi Morumbi. “Nunca tinha trabalhado com o meio acadêmico. Achei que fosse uma loucura, mas topei. E isso mudou tudo”, conta. Hoje, aos 68 anos, Rosa é embaixadora de Gastronomia e Hospitalidade da Ânima Educação e presidente do The World’s 50 Best Restaurants no Brasil e América Latina. Mais do que formar chefs, ela se orgulha de ter ajudado a profissionalizar o setor e abrir caminho para outras mulheres. “No início, as cozinhas eram dominadas por homens. Hoje temos nomes como Helena Rizzo e Manu Buffara, o que me enche de orgulho.” Rosa acredita que o futuro da gastronomia está na simplicidade com propósito.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esteve patente ainda há dias na fortaleza de Maputo a exposição fotográfica "Os cinco Presidentes e os Seis Presidentes" em referência aos cinco chefes de Estado e os seis Presidentes que contabilizou a Assembleia da República nos cinquenta anos de História de Moçambique independente. Esta mostra inserida precisamente na comemoração do cinquentenário do país enquanto Nação livre, retrata também um aspecto do percurso do autor dessas imagens a preto e branco, o fotojornalista Naíta Ussene. Nascido em 1959 em Angoche na província de Nampula, no norte de Moçambique, Naíta Ussene lançou-se no fotojornalismo aos 17 anos, em meados dos anos 70, na revista 'Tempo', tendo tido como guias nada mais e nada menos do que os gigantes da fotografia Ricardo Rangel e Kok Nam. É sob a sua alçada que nos seus primeiros anos de aprendizagem, ele vai acompanhar os primeiros passos do seu país independente a partir de 1975, vai fixar o fervilhar da juventude, o quotidiano, a vida no campo, as dificuldades da população e vai também viajar para toda a parte com Samora Machel que acompanha quase até ao seu último dia. Volvidos cinquenta anos, aquele que entretanto se tornou um dos grandes nomes do fotojornalismo em Moçambique não quer que se perca o seu espólio que é também um testemunho directo da História recente do seu país. Daí que surgiu a ideia -ainda em fase embrionária- de criar um museu-escola para expor as suas fotografias mas também para formar novos fotojornalistas. Em conversa com a RFI, Naíta Ussene, lembrou um percurso com mais de meio-século. "Comecei a fotografar já com 17 anos. Na altura tive grandes mestres, trabalhei com eles, aprendi com eles. Já ouviu falar do Ricardo Rangel e do Kok Nam? Então, esses é que foram os meus grandes mestres. Foram eles que me ensinaram fazer a fotojornalismo. O Ricardo Rangel deu-me uma máquina que tinha lá porque ele trabalhava na revista 'Tempo' e era lá onde eu estava com eles", recorda o fotojornalista. "Quando comecei já a fotografar, eu comecei a andar com os outros jornalistas profissionais e ele próprio (Ricardo Rangel) dizia 'Epá, olha, essa foto tem que ser feita assim'", conta o fotógrafo. Ao relatar as suas primeiras reportagens, Naíta Ussene recorda em particular a cobertura das deslocações do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel. "Eu era jovem, mas estava com o Presidente Samora Machel. Estava já com 18 ou 19 anos. Já estava a viajar fora. Jovem como era, estive com o Presidente Samora nos Estados Unidos, com presidente Samora quando foi para a União Soviética. Era boa pessoa e falava comigo, falava com outros colegas, conversava connosco. Dizia como é que nós podíamos fazer. Até a morte dele. Foi boa pessoa para mim. Viajei, aprendi muito", relembra. Questionado sobre o que o motiva agora, volvidos 50 anos, para lançar um museu-escola, o fotojornalista diz que tudo partiu dos seus próximos. "Foram amigos que foram ver que eu tenho no armazém. E o armazém estava cheio de material fotográfico. E eles, quando viram aquilo perguntaram 'o que vais fazer com isso?' Eu disse 'não sei'. Disseram 'está bom, ok'. Passadas duas semanas vieram ter comigo. Disseram 'vamos fazer uma escola'", conta o fotógrafo que diz contar com "o apoio daquelas pessoas que acham que podem ajudar". Desafiado a dar um conselho aos novos fotojornalistas, Ussene diz apenas que é preciso "continuar a aprender fotografia. A fotografia não termina. Temos que ter mais fotógrafos e mais fotojornalistas". Eis algumas fotografias recentes de Naíta Ussene, com as suas próprias palavras:
Falo no vídeo como foi que eu comecei a correr e dou dicas de como você deveria começarExperimente o Runna, o aplicativo estou usando para treinar para a Maratona de Valência. Eles liberaram um teste de duas semanas grátis com o cupom CORRIDANOAR. Use este link para ir direto - https://crrdnr.com/runna | Assine a nossa newsletter e fique sempre bem informado - https://substack.com/@corridanoar | O Corrida no Ar News é produzido diariamente e postado por volta das 6 da manhã.
Ela tem mais de 30 anos de experiência como artista, atuando na televisão, cinema e principalmente no teatro. Sua bagagem inclui a interpretação de diversas personagens femininas em palcos de vários países, enfrentando sempre desafios e recitando em cinco línguas diferentes. Agora a atriz brasileira Melissa Vettore encara mais uma empreitada: estrelar na versão italiana do monólogo “Prima Facie”. A tournée na Itália estreou 1° de outubro no teatro Sala Umberto, em Roma, e prevê até março de 2026 pelo menos 20 apresentações em diversas cidades do país. Gina Marques, correspondente da RFI em Roma Escrita pela australiana Suzie Miller, a peça já foi traduzida em 20 idiomas e apresentada em 38 países, inclusive no Brasil, interpretada por Débora Falabella, sob a direção de Yara de Novaes. Na Itália, o diretor suíço Daniele Finzi Pasca e Melissa Vettore compraram os direitos da peça. O enredo conta a história de Tessa Ensler, uma advogada penalista que frequentemente tem entre seus clientes homens acusados de agressão sexual. Ela passa a confrontar o sistema jurídico quando se torna vítima de um estupro. “Eu ouvi falar deste espetáculo através de um amigo, Mateus Monteiro, um advogado e ator que mora em Londres. Ele me disse: “Olha, é a peça do momento”. Depois eu soube que estavam fazendo no Brasil em português, com um sucesso extraordinário, além do México e em quase 40 países. Eu quis fazer parte desse grupo de mulheres. Nossa companhia é internacional. Os direitos ainda não tinham sido vendidos para o idioma italiano. Por sorte, pois assim foi possível interpretar a peça na versão italiana.” conta Melissa à RFI. “Não é Não” Prima Facie é uma expressão latina que significa a primeira vista. No contexto jurídico se refere a um evento considerado verdadeiro com base na primeira impressão. A peça aborda com intensidade e sensibilidade questões urgentes: violência de gênero, consentimento e a linguagem do poder, destacando a lacuna que frequentemente separa a justiça formal da justiça real. Em vez de focar na violência explícita, a narrativa se concentra no consentimento negado, mal compreendido ou manipulado, oferecendo uma perspectiva crítica sobre uma cultura e um sistema que ainda, com muita frequência, tende a culpar, em vez de ouvir e proteger, aqueles que denunciam. Na trama, a advogada Tessa aceita sair com seu colega de trabalho, com o qual já havia tido uma relação sexual consensual no escritório. A protagonista aceita sair com ele depois do expediente. Durante o encontro em um bar, ela fica bêbada e convida o homem para ir à casa dela. Depois dela passar mal, o homem insiste em fazer sexo, mas ela nega e acaba sendo estuprada. Com coragem, a advogada decide denunciar, mas acaba sofrendo outros tipos de violências e humilhações desde quando apresenta a queixa na delegacia até o julgamento. “Prima Facie ressalta que não se deve julgar apenas pela aparência. Se uma mulher diz a um homem 'Não. Eu não quero fazer sexo', a vontade dela tem que ser respeitada. Independente se ela estava usando um decote, ficou bêbada e convidou a homem para ir até a casa dela. Não é não” diz a atriz. Teatro onírico Melissa trabalha há muitos anos com a Companhia Finzi Pasca, fundada pelo seu marido, o ator e diretor Daniele Finzi Pasca. A companhia une teatro, dança, acrobacia, circo, ópera, luzes e outros elementos envolvendo o espectador. Na versão italiana da peça "Prima Facie", o diretor usa recursos oníricos, como folhas de papel que caem do teto e flutuam no ar, uma mesa giratória, telões com projeções de imagens, um jogo de luzes, que se junta ao movimento da atriz para contar uma história dramática. “O Daniele é um diretor que trabalha com o estupor. Ele toca o coração do espectador, porque o teatro dele fala da fragilidade, do poder de acariciar o espectador", diz a atriz. "O espectador está na mesma situação que você, de fragilidade, de medo, de perigo, assim como um ator”, aponta. Melissa ressalta que a versão italiana da "Prima Facie" realizada pela Companhia Finzi Pasca requer uma concentração ainda maior do ator. “Além de decorar o texto, a interpretação envolve uma interação com um aparelho cenográfico que gira muito forte, coisas que caem do teto, vídeo, luzes, troca de roupas em cena. A cenografia do jogo teatral é muito presente. Agora, o que mais mexeu comigo, tecnicamente, foi como ele (o diretor) posiciona o corpo, o corpo do ator interagindo com este universo extraordinário”, pontua a artista. Interpretar e várias línguas Melissa Vettore tem a experiência de interpretar em cinco idiomas: português, espanhol, inglês, francês e italiano. “Muitos atores falam como é difícil interpretar em outro idioma. Mas é minha paixão. Estou descobrindo italiano cada vez mais e, me dando essa possibilidade de me expressar nesse idioma, encontrar a tessitura, a sonoridade que me comove. Inclusive acho que as línguas me deram até outras liberdades que eu não tinha falando em português”, revela a brasileira. Mas a atriz conta que, para se preparar para a peça "Prima Facie", as dificuldades de interpretação foram além do idioma. “São 95 páginas e com termos jurídicos traduzidos em italiano. Então eu demorei bastante. Comecei a me preparar e decorar no começo do ano, a partir de março. Eu tive uma pessoa para me ajudar, uma preparadora, a Ilaria Cangialosi, uma atriz italiana. Foi um preparo longo, porque são 18 cenas. O texto te empurra para frente. Ele te joga. É muito cinematográfico, mas foi intenso.” conta a artista. No caso da personagem Tessa da peça "Prima Facie" o drama da violência sexual toca profundamente a atriz, que já interpretou mulheres que deixaram marcas na história, como a escultora francesa Camille Caudel e a bailarina norte-americana Isadora Duncan. “A história é dolorida. O tema toca em todas as mulheres, mesmo aquelas que não sofreram alguma forma de violência sexual. Na peça eu lido com respeito. Muitas mulheres ficam profundamente comovidas depois de assistir a peça”, relata. Na Itália “Prima Facie” conta com o apoio da associação “Differenza Donna” que combate a violência masculina contra as mulheres. “A peça provoca um reviver em muitas mulheres. Por isso, temos uma associação ligada ao espetáculo. As mulheres podem ligar, se informar, pedir ajuda. É uma vontade também da Suzie Miller. Se algumas acabam revivenciando uma violência sofrida, elas podem pelo menos pedir ajuda e se sintir acolhidas” explica Melissa. A peça "Prima Facie" desencadeou no mundo um amplo debate sobre a necessidade de um sistema de justiça mais receptivo às vítimas de crimes sexuais. A indignação pública provocada por suas apresentações em Londres gerou até mesmo mudanças legislativas no Reino Unido e levou a autora Suzie Miller à Organização das Nações Unidas para discutir a abordagem adotada em relação às vítimas de abuso ou assédio sexual.
Ela tem mais de 30 anos de experiência como artista, atuando na televisão, cinema e principalmente no teatro. Sua bagagem inclui a interpretação de diversas personagens femininas em palcos de vários países, enfrentando sempre desafios e recitando em cinco línguas diferentes. Agora a atriz brasileira Melissa Vettore encara mais uma empreitada: estrelar na versão italiana do monólogo “Prima Facie”. A tournée na Itália estreou 1° de outubro no teatro Sala Umberto, em Roma, e prevê até março de 2026 pelo menos 20 apresentações em diversas cidades do país. Gina Marques, correspondente da RFI em Roma Escrita pela australiana Suzie Miller, a peça já foi traduzida em 20 idiomas e apresentada em 38 países, inclusive no Brasil, interpretada por Débora Falabella, sob a direção de Yara de Novaes. Na Itália, o diretor suíço Daniele Finzi Pasca e Melissa Vettore compraram os direitos da peça. O enredo conta a história de Tessa Ensler, uma advogada penalista que frequentemente tem entre seus clientes homens acusados de agressão sexual. Ela passa a confrontar o sistema jurídico quando se torna vítima de um estupro. “Eu ouvi falar deste espetáculo através de um amigo, Mateus Monteiro, um advogado e ator que mora em Londres. Ele me disse: “Olha, é a peça do momento”. Depois eu soube que estavam fazendo no Brasil em português, com um sucesso extraordinário, além do México e em quase 40 países. Eu quis fazer parte desse grupo de mulheres. Nossa companhia é internacional. Os direitos ainda não tinham sido vendidos para o idioma italiano. Por sorte, pois assim foi possível interpretar a peça na versão italiana.” conta Melissa à RFI. “Não é Não” Prima Facie é uma expressão latina que significa a primeira vista. No contexto jurídico se refere a um evento considerado verdadeiro com base na primeira impressão. A peça aborda com intensidade e sensibilidade questões urgentes: violência de gênero, consentimento e a linguagem do poder, destacando a lacuna que frequentemente separa a justiça formal da justiça real. Em vez de focar na violência explícita, a narrativa se concentra no consentimento negado, mal compreendido ou manipulado, oferecendo uma perspectiva crítica sobre uma cultura e um sistema que ainda, com muita frequência, tende a culpar, em vez de ouvir e proteger, aqueles que denunciam. Na trama, a advogada Tessa aceita sair com seu colega de trabalho, com o qual já havia tido uma relação sexual consensual no escritório. A protagonista aceita sair com ele depois do expediente. Durante o encontro em um bar, ela fica bêbada e convida o homem para ir à casa dela. Depois dela passar mal, o homem insiste em fazer sexo, mas ela nega e acaba sendo estuprada. Com coragem, a advogada decide denunciar, mas acaba sofrendo outros tipos de violências e humilhações desde quando apresenta a queixa na delegacia até o julgamento. “Prima Facie ressalta que não se deve julgar apenas pela aparência. Se uma mulher diz a um homem 'Não. Eu não quero fazer sexo', a vontade dela tem que ser respeitada. Independente se ela estava usando um decote, ficou bêbada e convidou a homem para ir até a casa dela. Não é não” diz a atriz. Teatro onírico Melissa trabalha há muitos anos com a Companhia Finzi Pasca, fundada pelo seu marido, o ator e diretor Daniele Finzi Pasca. A companhia une teatro, dança, acrobacia, circo, ópera, luzes e outros elementos envolvendo o espectador. Na versão italiana da peça "Prima Facie", o diretor usa recursos oníricos, como folhas de papel que caem do teto e flutuam no ar, uma mesa giratória, telões com projeções de imagens, um jogo de luzes, que se junta ao movimento da atriz para contar uma história dramática. “O Daniele é um diretor que trabalha com o estupor. Ele toca o coração do espectador, porque o teatro dele fala da fragilidade, do poder de acariciar o espectador", diz a atriz. "O espectador está na mesma situação que você, de fragilidade, de medo, de perigo, assim como um ator”, aponta. Melissa ressalta que a versão italiana da "Prima Facie" realizada pela Companhia Finzi Pasca requer uma concentração ainda maior do ator. “Além de decorar o texto, a interpretação envolve uma interação com um aparelho cenográfico que gira muito forte, coisas que caem do teto, vídeo, luzes, troca de roupas em cena. A cenografia do jogo teatral é muito presente. Agora, o que mais mexeu comigo, tecnicamente, foi como ele (o diretor) posiciona o corpo, o corpo do ator interagindo com este universo extraordinário”, pontua a artista. Interpretar e várias línguas Melissa Vettore tem a experiência de interpretar em cinco idiomas: português, espanhol, inglês, francês e italiano. “Muitos atores falam como é difícil interpretar em outro idioma. Mas é minha paixão. Estou descobrindo italiano cada vez mais e, me dando essa possibilidade de me expressar nesse idioma, encontrar a tessitura, a sonoridade que me comove. Inclusive acho que as línguas me deram até outras liberdades que eu não tinha falando em português”, revela a brasileira. Mas a atriz conta que, para se preparar para a peça "Prima Facie", as dificuldades de interpretação foram além do idioma. “São 95 páginas e com termos jurídicos traduzidos em italiano. Então eu demorei bastante. Comecei a me preparar e decorar no começo do ano, a partir de março. Eu tive uma pessoa para me ajudar, uma preparadora, a Ilaria Cangialosi, uma atriz italiana. Foi um preparo longo, porque são 18 cenas. O texto te empurra para frente. Ele te joga. É muito cinematográfico, mas foi intenso.” conta a artista. No caso da personagem Tessa da peça "Prima Facie" o drama da violência sexual toca profundamente a atriz, que já interpretou mulheres que deixaram marcas na história, como a escultora francesa Camille Caudel e a bailarina norte-americana Isadora Duncan. “A história é dolorida. O tema toca em todas as mulheres, mesmo aquelas que não sofreram alguma forma de violência sexual. Na peça eu lido com respeito. Muitas mulheres ficam profundamente comovidas depois de assistir a peça”, relata. Na Itália “Prima Facie” conta com o apoio da associação “Differenza Donna” que combate a violência masculina contra as mulheres. “A peça provoca um reviver em muitas mulheres. Por isso, temos uma associação ligada ao espetáculo. As mulheres podem ligar, se informar, pedir ajuda. É uma vontade também da Suzie Miller. Se algumas acabam revivenciando uma violência sofrida, elas podem pelo menos pedir ajuda e se sintir acolhidas” explica Melissa. A peça "Prima Facie" desencadeou no mundo um amplo debate sobre a necessidade de um sistema de justiça mais receptivo às vítimas de crimes sexuais. A indignação pública provocada por suas apresentações em Londres gerou até mesmo mudanças legislativas no Reino Unido e levou a autora Suzie Miller à Organização das Nações Unidas para discutir a abordagem adotada em relação às vítimas de abuso ou assédio sexual.
Devocional do dia 04/10/2025 com o Tema: “O sentido da vida”Um diagnóstico de câncer é uma das experiências mais assustadoras para qualquer pessoa. Em 2013, ao abrir o resultado da biópsia e ler “carcinoma ductal – grau 3”, o chão se abriu. Comecei a lembrar de pessoas que perderam a batalha contra “aquela doença” que, de tão devastadora, muitos nem sequer pronunciam seu nome.LEITURA BÍBLICA: Filipenses 1.12-30 Este é o meu consolo no meu sofrimento: a tua promessa me dá vida (Sl 119.50). See omnystudio.com/listener for privacy information.
Já não demoro só 5 min para qualquer lado, mas são dores de crescimento. Comecei a mentoria e vou trazer coisas novas para o meu Drop-Off! Espero genuinamente que gostes ❤️
Pernambucano do Recife, o piloto conta com apoio da tradicional equipe italiana para chegar na Fórmula 1. Depois de Rubens Barrichello e Felipe Massa, que venceram corridas e disputaram títulos com o vermelho da escuderia italiana, a Ferrari trata Rafael Câmara como uma verdadeira joia. Recentemente, o brasileiro de 20 anos conquistou o título desta temporada da Fórmula 3, categoria de acesso à F1. Marcio Arruda, enviado especial da RFI a Monza, Itália Rafael Câmara é a aposta da Ferrari há quatro anos. O brasileiro passou a integrar a academia da equipe italiana – uma espécie de programa para desenvolver jovens talentos – a partir da temporada de 2022. Desde que passou a ser piloto da Ferrari, Rafael foi campeão da Fórmula Regional Europeia (Freca) em 2024 e da F3 neste ano. “Eu não esperava começar tão bem quanto a gente começou. Conseguimos manter um ritmo forte durante todo o campeonato. O trabalho que fizemos antes dessa temporada da Fórmula 3 começar também foi muito importante. A equipe [Trident] fez um trabalho incrível”, avaliou Câmara. Além do talento, o brasileiro disse que o apoio da Ferrari tem sido muito importante para seu desenvolvimento pessoal e profissional. “A Ferrari ajudou bastante a minha carreira, desde a preparação para o fim de semana até gerir melhor os dias de treinos e corridas, além da parte técnica. Desde que entrei na academia [da Ferrari], eu passei a ter mais responsabilidade. Com o tempo, eu fui amadurecendo bastante. O tempo que passo em Maranello desde que me mudei para lá tem sido muito importante neste processo. Têm sido anos ótimos para meu desenvolvimento e, agora, acho que o trabalho está aparecendo”, contou Rafael Câmara. Tão perto da Fórmula 1 Pernambucano do Recife, Rafael disse que foi um sonho ter competido na Fórmula 3. “Estar no mesmo fim de semana da Fórmula 1 é sensacional. Quando comecei, não esperava chegar onde estou hoje. E quero ir além”, afirmou. Sem revelar o nome da equipe, Rafael Câmara afirmou que estará na Fórmula 2 em 2026. “Por ter sido campeão da Fórmula 3, não posso ficar na categoria. Assim, eu vou para a F2. Ainda não posso revelar o nome da equipe, mas certamente estaremos em boas condições para brigar pelo título. Espero começar em Melbourne [primeira etapa de 2026] como iniciei este ano, ou seja, com vitória”, planeja. Rafael Câmara quer seguir os passos de Charles Leclerc, atual piloto da Ferrari nascido em Mônaco, e do compatriota Gabriel Bortoleto, um dos melhores estreantes da Fórmula 1 em 2025. Os dois foram campeões nas Fórmulas 2 e 3 nos anos de suas estreias e alcançam a categoria mais importante do automobilismo no planeta. O sonho da Fórmula 1, para o jovem brasileiro, pode estar perto de se transformar em realidade. “Sinceramente, não é uma coisa surreal ter uma oportunidade em 2027.” Câmara disse que “se continuar desenvolvendo meu trabalho e conseguir fazer uma grande temporada no ano que vem, quem sabe? Mas, ao mesmo tempo, o que pode estar perto, pode ficar muito longe se eu não provar meu valor na Fórmula 2”. Joia verde-amarela da Ferrari A entrevista com a promessa brasileira foi feita numa sala reservada nos boxes da Ferrari em Monza, durante o Grande Prêmio da Itália de F1. No ambiente, quadros de grandes pilotos na escuderia italiana, como o austríaco tricampeão mundial Niki Lauda (1975/77/84) e o italiano bicampeão Alberto Ascari (1952/53), além de fotos do inglês heptacampeão Lewis Hamilton (2008/14/15/17/18/19/20). “Os melhores pilotos sempre sonham em guiar para a Ferrari. Então, estar na academia e vislumbrar que um dia esta possibilidade poderá se tornar realidade é uma coisa surreal. Comecei nas pistas aos 6 anos. E foi por acaso porque quem começou no kart foi meu irmão. Hoje, poder ter a oportunidade de fazer parte da Ferrari é incrível”, vibrou o brasileiro. Rafael Câmara não era nascido quando seu ídolo competia na Fórmula 1, mas mostrou que conhece a história e o legado do tricampeão mundial, que em 2024 foi lembrado não só na França, mas em todo mundo pelos 30 anos de sua morte. “Uma pessoa que eu admiro muito é o Ayrton Senna, não só pelo que ele fez nas pistas, mas fora delas também. Também admiro todos os outros brasileiros que passaram pela Fórmula 1. Agora temos o Gabriel [Bortoleto], que tem feito um excelente trabalho. É sempre legal ver o Brasil em evidência no esporte”, contou. Representante de um país com 8 títulos mundiais Rafael disse que se sente honrado por representar o Brasil nas pistas e que não sente pressão por ser compatriota do bicampeão Emerson Fittipaldi (1972/74) e dos tricampeões Nelson Piquet (1981/83/87) e Ayrton Senna (1988/1990/1991). “Nunca tive um peso a mais por ser brasileiro. Aliás, é uma motivação porque estou longe dos meus familiares e amigos. Por estar longe, eu também trabalho por todos que torcem por mim", salientou. Timidez sem capacete O jovem brasileiro disse que ainda não se acostumou com a fama e o assédio dos torcedores. Na entrevista, ficou evidente a timidez do jovem brasileiro quando está sem capacete e balaclava. “Eu sou uma pessoa bem reservada; gosto de estar com minha família e meus amigos. Acho que não tenho o perfil de uma pessoa famosa”, comentou Rafael, aos risos. “É interessante porque toda a temporada é muito desgastante não só fisicamente, mas também mentalmente. Mas confesso que, sempre que estou em casa em fim de semana sem compromisso nas pistas, eu ligo a TV e procuro alguma corrida para assistir. Eu não consigo parar”, contou, com bom humor, Câmara. O piloto brasileiro ressaltou que não pode perder o foco seja qual for a época do ano. “Sempre estou me preparando. Eu realmente nunca paro; nunca relaxo. Então, eu sempre estou pensando nas coisas que posso melhorar, como pessoa e como piloto. Eu me preparo bem para chegar sempre feliz nas corridas”, finalizou o campeão da Fórmula 3 em 2025. É com essa felicidade que o Brasil espera que Rafael Câmara continue acelerando e tendo sucesso nas pistas para um dia chegar à Fórmula 1 e, quem sabe, se juntar aos nossos campeões Fittipaldi, Piquet e Senna.
Roberta Martinelli conversa com B Negão sobre seu novo disco solo, "Metamorfoses, Riddims e Afins", trajetória e caminhos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Dono de um Grammy Latino e parceiro de Caetano, Milton e Ney, o cantor fala de liberdade, afeto e o risco de se colocar inteiro no palco Aos 28 anos, Zé Ibarra é um dos artistas contemporâneos mais inquietos e inventivos da música brasileira. Cantor, compositor, pianista e arranjador, ele ganhou o Grammy Latino com a banda Bala Desejo e construiu parcerias marcantes com nomes como Ney Matogrosso, Gal Costa e Milton Nascimento, com quem dividiu o palco em sua turnê de despedida. No Trip FM, Ibarra conta da infância no Rio cercada por liberdade e descobertas, da paixão precoce pela música, revela bastidores de Afim, seu novo disco solo, e fala sobre a coragem de se colocar inteiro no palco. “Eu quero suportar o medo dos olhares na minha pele. Isso me faz sentir grande. Quando estou inteiro e as pessoas estão comigo, é genial”, diz. “A vida anda quando a gente tem coragem. Quando a gente se esconde, ela trava.” Em um papo com Paulo Lima, o artista reflete ainda sobre o corpo como linguagem, o mercado musical que marginaliza o risco e a erosão afetiva provocada pelas redes sociais. “A internet prometeu conexão e entregou o oposto. A gente está perdendo a capacidade de sentir.” Você pode ouvir esse papo no play aqui em cima ou no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/07/6883e134b2558/ze-ibarra-musico-carioca-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Mariana Blum / Divulgação; LEGEND=Ze Ibarra; ALT_TEXT=Ze Ibarra] Você fala muito sobre estar inteiro no palco. O que isso significa pra você? Zé Ibarra. Quando eu consigo ser exatamente o que eu sou, inteiro, e as pessoas estão ali comigo, é genial. Eu quero suportar o medo dos olhares na minha pele. Isso me faz sentir grande. Não visto uma persona pra me proteger. Eu quero estar ali como sou, mesmo que seja desconfortável, mesmo que doa. Porque é só assim que a coisa acontece de verdade. Você já falou abertamente sobre depressão. Como foi atravessar esse período? Eu tive depressão durante anos. Primeiro sem saber o que era. Só aos 19 eu tive um insight: “Eu tô com depressão”. Foi quando comecei a me tratar. E mesmo depois de melhorar, os ecos ficam – o medo de voltar, o medo de acordar daquele jeito. Hoje eu sei: melhor fazer qualquer coisa do que não fazer. A vida anda quando a gente tem coragem. Quando a gente se esconde, ela trava. Como você enxerga o impacto das redes sociais na vida e na arte? A internet prometeu conexão e entregou o oposto. Todo mundo quer parecer melhor do que é, e isso está erodindo os sentimentos. Amor, angústia, saudade – tudo isso foi construído ao longo da história da humanidade. Mas agora parece que a gente está perdendo o vocabulário emocional. Eu tenho horror disso tudo, mas nesse momento eu me rendi: é o jogo. Então vou jogar, mas com consciência do que ele faz. Você acha que a gente vive uma crise de criação? A gente vive uma crise de imaginação. Porque não tem mais tempo de contemplar, de ficar em silêncio, de fechar os olhos acordado. Sem isso, não se cria. Não se sonha. O mundo virou uma pornografia de mercado, de lucro. Os objetos, a roupa, tudo foi pensado pra ser barato, rápido, efêmero. E isso mexe com o tempo das coisas, até com o tempo da arte. Você acredita em dom? Eu penso muito sobre esse negócio de dom. Mas a verdade é que eu nasci pra música. Desde muito pequeno, eu sentia um prazer com som que é impossível de descrever. Mas cantar não foi dom. Comecei com 12 anos e nunca mais parei. Foi obsessão. Faço aula há 8 anos sem falhar uma terça. Estudo mesmo. E é isso que me move hoje. Como foi lidar com o sucesso tão cedo? Ganhar prêmio com 15 anos me deixou meio maluco. Veio uma vaidade precoce, depois uma crise forte. Fiquei anos em depressão. Hoje sei: o que quer que eu faça, é melhor do que não fazer. Não precisa ser genial. Tem que ser honesto. A vida anda quando a gente tem coragem. Quando a gente se esconde, ela trava. O que as redes sociais estão fazendo com a gente? O jogo das redes é perverso. Os likes, os algoritmos, tudo isso molda quem a gente é – ou quem a gente acha que tem que ser. E isso está destruindo a nossa capacidade de sentir. Amor, angústia, saudade: esses sentimentos são construídos ao longo da história. E agora estão sendo diluídos. A internet prometeu conexão. Mas entregou o oposto. Você vê espaço pra arte fora da lógica do mercado? A música feita pra vender sempre existiu. Nos anos 70, quem bancava Chico e Caetano eram os artistas comerciais. A diferença é que antes havia espaço para a aposta, para o erro. Hoje não há mais. A indústria quer lucro imediato. Mas ainda tem muita gente fazendo coisa linda. Só que sem grana, sem estrutura, essas pessoas não aparecem.
Aline Bei é uma escritora, mas é também uma febre. Com um estilo de prosa poética bem marcado, seu texto é recorrentemente usado em citações na internet e seus leitores são do tipo que não conseguem largar os livros, devorados em pouco tempo. No centro de seu novo livro, “Uma Delicada Coleção de Ausências”, que acaba de ser lançado pela Companhia das Letras, está a relação de uma neta com a avó que a criou. É sobre esse tema, os avós, e o livro que falamos com Aline Bei nesta edição do Podcast da Semana.“Comecei a escrever o livro a partir da inquietação inicial de uma relação de uma avó e uma neta, uma relação que tivesse sempre essa questão de um tempo que não se une, uma distância que nunca vai se curar”, conta Bei na entrevista a Gama. “Alguma coisa de duas mulheres em pontas tão diferentes da vida, que desejam um tanto estar mais perto, mas que tem essa questão geracional que, em alguma medida, as separa.”Nascida em São Paulo, em 1987, Bei é formada em letras pela PUC de São Paulo e em artes cênicas pelo Célia Helena Centro de Artes e Educação. Fez ainda pós-graduação em escritas performáticas pela PUC do Rio. É autora de três romances, que involuntariamente formaram uma trilogia: “O Peso do Pássaro Morto”, vencedor do prêmio São Paulo de Literatura (2017); “Pequena Coreografia do Adeus”, finalista do prêmio Jabuti (2022); e “Uma Delicada Coleção de Ausências”, lançado neste ano. Os três fazem parte do catálogo da Companhia das Letras.“Eu sou uma grande curiosa das humanidades. Então, eu adoro construir personagens com camadas que são complexas, que vão trazer pontos de vista que, às vezes, inclusive, se contradiz”, afirma na entrevista.Nesta edição do podcast da semana, Bei conta sobre como criou a personagem da avó do seu livro mais recente, quais as referências que usou para conceber essa avó literária — de Doris Lessing a Agnès Varda —, e sobre como prefere imaginar a usar a sua própria vida para criar suas histórias. "O modo como eu escrevo sempre descolada da minha biografia, isso não quer dizer que eu não use emoções, porque não são muito as coisas que me aconteceram, mas o modo como eu absorvi as coisas que me aconteceram me aproximam às vezes das minhas personagens."A escritora também fala sobre a proximidade com os leitores, sobre como recebe as críticas e o que espera de sua hipotética versão avó.
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Revelação da MPB, o artista fala sobre racismo, redes sociais, resistências e desistências “Na primeira vez que fiz mercado com dinheiro que ganhei tocando violão, eu chorei. Porque ouvi a vida inteira que música não dava dinheiro”, disse o cantor e compositor Jota.Pê. No Trip FM, ele compartilha detalhes de sua trajetória artística, das noites tocando para ninguém em bares ao Grammy Latino. Nascido em Osasco (SP), o artista participou do The Voice Brasil em 2017 e, apesar de não ter vencido o programa, conquistou em 2024 três estatuetas do Grammy Latino — entre elas, a de Melhor Canção em Língua Portuguesa por Ouro Marrom. A música nasceu da raiva, mas virou força: “Comecei escrevendo a letra com raiva, mas lembrei que a negritude não é só dor. Também somos celebração, cultura, saber. No fim, a música diz: que a gente suba o tom se for preciso, mas que nossas filhas vejam mais amor do que nós.” No papo com Paulo Lima, Jota.Pê fala com franqueza sobre os desafios de viver de arte no Brasil. “Existe um tipo de sorte que acontece quando o talento encontra uma oportunidade. E essas oportunidades estão sempre na mão das mesmas pessoas. Até a gente virar esse jogo, vai demorar muito”, reflete. O artista também compartilhou episódios marcantes de sua vida, como o racismo e a violência policial que sofreu na adolescência: “Eu tinha uns 13 anos e estava indo comprar pão quando fui parado pela polícia com uma arma apontada para a minha cabeça. Foram 15 minutos tentando convencer que eu só estava indo à padaria. Aquilo moldou muita coisa em mim.” O programa fica disponível no Spotify e no play aqui em cima. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/06/685efd21607f1/jotape-musica-artista-cantor-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Dani Ferreira / Divulgação ; LEGEND=Jota.Pê (@jota.peoficial), cantor e compositor; ALT_TEXT=Jota.Pê (@jota.peoficial), cantor e compositor] Você tentou não ser músico. O que fez você desistir de desistir? Jota.Pê. Cara, eu realmente tentei muito não ser músico. Fiz faculdade de design, publicidade, trabalhei em gráfica, produtora de vídeo, na IBM… Mas não era bom em nada disso como sou tocando violão. Chegou um ponto em que pensei: a música vai ter que me dar dinheiro mesmo, porque eu não sou feliz fazendo outra coisa. Tinha que dar certo, não tinha outra opção. Na música “Ouro Marrom”, você transformou a raiva em outra coisa. Como foi esse processo? Foi exatamente isso. Eu comecei escrevendo com raiva — porque ser preto no Brasil traz indignação. Mas me lembrei que a gente não é só dor, somos também celebração, cultura, saber. Fiz questão de manter as duas coisas, mas no final deixar a mensagem: a gente enfrenta e vai ser feliz sim; que a gente suba o tom se for preciso, mas que nossas filhas vejam mais amor que nós. Você acha que só talento basta? Tem uma frase que parece de coach, mas eu acredito muito: existe um tipo de sorte que acontece quando o talento encontra uma oportunidade. Conheço artistas geniais que desistiram porque, se fossem tocar naquele barzinho de graça, no dia seguinte não comiam. Eu tive o privilégio de ter pai e mãe, uma casa pra voltar, alguém que dissesse “vem gravar, paga como puder”. Sem oportunidade, a gente não chega lá.
Comecei a meditar há uns anos, mas o processo não é fácil para ninguém, mas não precisa de ser um bicho de sete cabeças!See omnystudio.com/listener for privacy information.
O artista fala sobre o ABC, fase pós-Exaltasamba, impacto do álcool, perda de 50kg, reencontro com Angola e o envelhecer “Aos 55 anos, encaro a finitude como algo inevitável. A certeza é que a gente vai permanecer de alguma forma, seja através dos filhos, da obra, dos frutos que deixamos. Quando pensamos assim, a morte deixa de ser um tabu", diz Péricles. Dono de uma das vozes mais marcantes do samba e do pagode brasileiros, ele bateu um papo sincero com Paulo Lima no Trip FM. Na conversa, que vai muito além da música, Péricles fala sobre saúde, paternidade, racismo, espiritualidade, reinvenção e legado – sempre com a generosidade de quem não tem medo de se mostrar por inteiro. O artista também relembra sua infância no ABC paulista e divide momentos delicados como o impacto do álcool em sua vida. “A bebida por muito tempo foi uma fuga. Mas não dá pra você se esconder nisso durante muito tempo porque a vida segue e você tem que continuar, senão fica para trás”, afirma. O músico também compartilha a experiência emocionante de uma viagem a Angola – um reencontro com suas raízes: “Era como se as pessoas fossem meus primos, meus irmãos. Minha família veio de Angola, é algo que mexe muito com a gente. Mas aqui é o meu lugar, foi onde eu nasci. E é aqui que eu tenho que fazer a minha revolução." [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/05/682f838d07b3b/pericles-cantor-samba-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Rodolfo Magalhãe / Divulgação; LEGEND=Péricles; ALT_TEXT=Péricles] Você já falou sobre a importância de parar para se cuidar. Quando isso virou uma urgência para você? Péricles. Eu precisava parar para poder me cuidar. A gente entrou numa... como é que eu posso dizer... a gente estava no olho do furacão, emendando um trabalho no outro, e eu não conseguia parar. Quando a Maria Helena nasceu, eu entendi que precisava ter saúde para cuidar dela. Como foi passar por isso durante a pandemia? Eu peguei Covid, como várias outras pessoas. Na primeira vez, fiquei 20 dias isolado, sem falar com ninguém. Assim que melhorei, minha esposa ficou mais 15 dias isolada. E tudo isso aconteceu bem na época do nascimento da nossa filha. Foi aí que você decidiu mudar de vida? Sim. Foi nesse momento que a gente reciclou as ideias. Comecei a me cuidar mais, com acompanhamento médico. E aprendi que não existe fórmula mágica: alimentação, exercício e cuidado médico. Esse é o tripé. Não conheço outra forma de vencer. Você cresceu no ABC paulista. Como foi esse ambiente na sua formação? Fui criado num bairro perto de várias saídas do ABC para São Paulo. Tinha de tudo: espanhóis, italianos, nordestinos, negros. E a gente era criado igual. Só anos depois fui entender o que era o preconceito. Na infância, isso não existia pra gente. Você já falou abertamente sobre o álcool. Como foi esse processo? Bebi muito. Durante um tempo, a bebida foi uma fuga. Mas a verdade é que isso não funciona. Quando você começa a perder rendimento, percebe que essa fuga não resolve. Você acorda todo dia e a vida continua. Se você não continua também, fica pra trás.
O peso da perda da mãe marcou o ator, que lapidou sua leveza no humor, ganhou projeção no Porta dos Fundos e agora se destaca em "Vale Tudo" No ar no remake de “Vale Tudo”, na TV Globo, Luis Lobianco já interpretava diversos papéis desde pequeno, imaginando-se caçador ou cirurgião plástico. Foi no teatro que ele encontrou um lugar de cura quando a perda da mãe marcou profundamente sua infância. "Fui precoce em muitos sentidos, mas também fiquei uma criança eterna, precisando de colo, de amor", diz o ator e humorista. "É uma reconstrução mesmo — de identidade, de autoestima, de se perceber no mundo com esse buraco." Em um papo com Paulo Lima no Trip FM desta sexta-feira (4), Luis relembra sua trajetória pessoal e artística, revelando bastidores do Porta dos Fundos, produtora que o projetou nacionalmente. “O Porta era um grupo de pessoas inadequadas para o mercado. Ninguém imaginava que ia virar o que virou”, conta. Entre risos, memórias e reflexões, ele também reforçou o compromisso de usar sua visibilidade na luta contra a discriminação: "Comecei a construir a minha sexualidade, a entender o que eu era, o que eu gostava, só quando eu saí da escola. É tão injusto largar tão atrás... Um desejo que eu tenho é que crianças e adolescentes possam se expressar livremente, porque isso é um grande adianto na vida, na autoestima, na construção da identidade." O programa fica disponível no Spotify e no site da Trip! [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/04/67eeff53f2456/luis-lobianco-ator-vale-tudo-globo-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Luis Lobianco; ALT_TEXT=Luis Lobianco] Trip. De que forma a perda da sua mãe impactou sua infância e autoestima? Com a morte da minha mãe, eu fui uma criança precoce em muitos sentidos. Sei lá, oito anos, eu ia sozinho pra escola, pagava conta no banco. Por outro lado, paralelo a isso, também ficou uma criança eterna, precisando de colo, precisando de amor, querendo que alguém pegue no colo. O mais duro é que você perde completamente a sua autoestima, porque você imagina: você está na escola, todo mundo tem mãe, você não tem. Eu tinha muita vergonha de falar que eu não tinha mãe quando era criança. Eu não falava, sabe? Eu evitava esse assunto. Porque é uma reconstrução mesmo, de identidade, de autoestima, de se perceber no mundo com esse buraco, né? Para onde vai esse luto que se cria na cabeça da criança? Que sinapse que faz ali que depois você não consegue desfazer nunca mais, entendeu? Como foi a sua vivência afetiva e o processo de descoberta da sexualidade na adolescência? Eu não tinha uma vivência que os meus outros amigos e amigas tinham de ter um namorado, uma namorada, ficar apaixonado, escrever no diário. Todo mundo quer um momento dessa descoberta, mas é muito cruel que a gente não podia expressar isso de forma alguma. Eu comecei a construir isso, a minha sexualidade, entender o que eu era, o que eu gostava, quando eu saio da escola. Mas olha só que droga largar tão atrás. É tão injusto. Um desejo que eu tenho é que crianças e adolescentes possam se expressar livremente quando for o momento de ter as primeiras sensações da sexualidade, da orientação, do gênero. Porque isso é um grande adianto na vida, entendeu? É um grande adianto na autoestima, na construção da identidade. Como foi o início da sua trajetória no Porta dos Fundos e o impacto do grupo na sua carreira? Em 2012, YouTube era tudo mato. Fui convidado para o Porta e pensei: 'Olha mais um grupo se reunindo para fazer uma coisa sem dinheiro'. Quase que eu não fui. O Porta era um grupo de pessoas inadequadas para o mercado, porque o mercado não absorvia e não investia nesses atores, autores, diretores, ideias e nesse humor. A gente se juntou para fazer algo que fazia sentido para a gente. O humor, até pela possibilidade do improviso, são palcos mais generosos. Ninguém imaginava que ia virar o que virou. O Porta estreou e, em poucos dias, todas as TVs estavam ligando com convites. Finalmente consegui entrar na bolha do audiovisual. Você acredita que a arte tem um papel de cura? A gente teve um belo demonstrativo aí, na pandemia, do que a arte pode fazer pelas pessoas. A arte no sentido de cura mesmo. E ouvi algumas vezes coisas do tipo: ‘eu pensei em me matar, mas eu assisti o programa, eu vi uma cena, eu vi isso e aí eu ri e aí eu vi que a vida vale a pena'. A gente sabe onde a gente encontra cura. A gente só tem que ceder menos ao medo e ao ódio. E aí a gente tem alguma chance.
Durante quatro meses, o brasileiro Luckas Viana Santos foi forçado a trabalhar diariamente 17 horas por dia em Mianmar. Aos 31 anos, ele aceitou uma oportunidade de emprego na Tailândia e foi levado, sem saber, para o país vizinho. Luckas foi preso e torturado, sem poder se comunicar com a família. Ele é o convidado de Natuza Nery neste episódio. Luckas conta em detalhes como foi parar em um local com mais de 5 mil vítimas de tráfico humano, as condições a que foi submetido e uma rotina de ameaças. O trabalho, na verdade, consistia em aplicar golpes seduzindo “clientes”. A remuneração prometida de US$ 1.500 era falsa, e o salário recebido dava apenas para comprar itens básicos, como sabonete. O brasileiro relembra em detalhes como foi a fuga, no último dia 8 de fevereiro. Com a ajuda de uma filipina, um paquistanês e um queniano, o grupo de 60 pessoas bolou um plano para escapar do complexo durante uma madrugada. “Comecei a correr, correr, correr”, relembra, mas, após dias de maus-tratos, não conseguiu ir muito longe. “É algo que vai ficar sempre na minha mente”, diz. A história de Luckas retrata um crime do qual crianças, mulheres e homens são vítimas, atraídos por falsas promessas de emprego. Segundo um relatório divulgado pela ONU em dezembro do ano passado, mais de 200 mil pessoas foram vítimas de tráfico humano entre 2020 e 2023 no mundo inteiro. Natuza entrevista também Cintia Meireles, coordenadora da ONG internacional The Exodus Road, grupo que ajudou no resgate de Luckas e de outros brasileiros. Cintia explica o que caracteriza o crime de tráfico humano, os danos físicos e psicológicos com os quais as vítimas lidam após serem resgatadas e como é possível combater esquemas deste tipo de crime.
Começou no Direito, mas rapidamente percebeu que a sua carreira passava pelo Jornalismo. Mafalda tem a observação como superpoder. Quando era miúda, gostava de olhar o céu estrelado. Hoje, olha o mundo todos os dias com espanto e curiosidade. Mãe de quatro filhos, a ideia para o seu novo livro, “Carta a um jovem decente” (editado pela Contraponto, no final de 2024), surge depois de ter escrito cartas aos seus filhos quando estes atingiram a maioridade. Os ensinamentos que vinham nessas páginas deram um livro e são agora o mote para este episódio do podcast literário “Ponto Final, Parágrafo”. Em entrevista a Magda Cruz, explica as origens do conceito de decência, como políticos como Donald Trump subvertem as regras da decência e que livros, sobretudo cartas, a inspiraram para a escrita deste novo título. O livro é destinado a jovens, mas pode ser lido por pais e mesmo avós. Artigo mencionado por Mafalda Anjos: https://leitor.expresso.pt/semanario/semanario2715/html/ideias/capa/adeus-decencia-ate-depois-2
Neste episódio do Alta Definição, Victoria Guerra partilha as suas experiências de vida e carreira, fala sobre a influência da sua família, o apoio que teve dos pais, mas também o luto - do pai e de dois irmãos bebés. A atriz sublinha a importância da liberdade e da criatividade, e como a estabilidade pode ser um inimigo do crescimento. Vitória também reflete sobre a pressão da aparência na indústria do entretenimento. Em conversa com Daniel Oliveira, aborda ainda a influência das redes sociais nas gerações mais novas e a importância de manter os pés no chão. O Alta Definição foi emitido a 30 de novembro de 2024.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Dona de um extenso currículo no cinema e na televisão, atriz colhe os frutos de seu primeiro filme como diretora “Comecei a perceber que tenho uma representatividade como amazônida, mas sou de uma brasilidade que alcança esse país inteiro. São 42 longas-metragens plurais. Agora, quando se fala em TV, só a partir de 2022 o olhar do protagonismo começou a ser ampliado dessa beleza importada que a gente vê por aí”, diz Dira Paes. Dona de um extenso currículo no cinema e na televisão, a convidada do Trip FM vive a emoção de colher os frutos de seu primeiro filme como diretora, que também é roteirizado e protagonizado por ela. Em cartaz nos cinemas brasileiros, “Pasárgada” acompanha o dilema de Irene, uma solitária ornitóloga, profissional dedicada ao estudo de aves, que, durante uma viagem de pesquisa numa floresta remota, passa a questionar sua ligação com o tráfico internacional de animais. “Eu queria abordar o absurdo do Brasil ser esse grande fornecedor de animais silvestres e pássaros para o tráfico internacional. É um fetiche até hoje. A gente convive com gaiolas e não se admira”, afirma a atriz. “Essa personagem me trouxe outro movimento, algo que não sou muito convidada a fazer. Eu queria essa vilania.” Dira também está no elenco de “Manas”, longa-metragem premiado no Festival de Veneza que fará sua estreia nacional no Festival do Rio neste final de semana. Gravado na região amazônica, o filme acompanha uma jovem em meio ao cenário de violência na Ilha do Marajó, no Pará. Na conversa com Paulo Lima, Dira também falou sobre seu ativismo, que precede a carreira artística. “Como vamos dar conta das demandas do Brasil se ficarmos passivos às demandas governamentais? Como vamos transformar alguma coisa se não somos ativistas capazes de criar demandas? O que eu vejo hoje é que a Amazônia precisa ser ouvida através dos amazônidas: artistas, cientistas, todas as excelências do mundo. Não dá pras pessoas irem lá pra falar o que a gente precisa fazer.” Você pode ouvir esse papo no Spotify e no play aqui em cima. Trip. Porque decidiu partir agora para a direção? Dira Paes. Eu queria estar presente em todas as etapas da feitura de um filme. Encarei essa minha primeira aventura cinematográfica como uma graduação, quando é preciso estar a par de toda a artesania do processo. Eu estou muito realizada: colocar um filme na praça é um grande desafio. É um trabalho de uma apropriação do seu desejo ao ponto de você contaminar todos que estão à sua volta. Como foi desenvolver uma personagem para você mesma interpretar? Eu estava pensando um lado meu mais lunar – justo eu que sou uma pessoa extrovertida, fui buscando meus avessos. Essa personagem me trouxe outro movimento, algo que não sou muito convidada pra fazer. Eu queria essa vilania. Com o tempo, sua beleza virou um ativo muito forte, mas imagino que no começo, quando o padrão de beleza era muito mais europeu, você tenha tido mais dificuldade. No começo da carreira eu achei que esse meu lado Amazônia era algo que me deixaria em um nicho. Hoje me orgulho de ser um farol para muita gente. Nós não éramos um padrão de beleza, era uma coisa exótica. Mas eu sempre tive minha autoestima muito bem resolvida, e sempre me achei muito especial. Comecei a perceber que tenho uma representatividade como amazônida, mas sou de uma brasilidade que alcança esse país inteiro. São 42 longa-metragens plurais. Agora, quando se fala em TV, só agora a partir de 2022 o olhar do protagonismo começou a ser ampliado dessa beleza importada que a gente vê por aí. O quanto você mergulhou nesse mundo do estudo dos passarinhos para fazer esse filme? Eu queria abordar com esse filme o absurdo que é o Brasil ser esse grande fornecedor de animais silvestres e pássaros para o tráfico internacional. É um fetiche até hoje. A gente convive com gaiolas e não se admira. Não acha um absurdo que eles se autodenominem passarinheiros. Eles são gaioleiros. Os pássaros não nasceram para ficarem na gaiola e nem sozinhos. São animais que vivem em dupla a vida inteira. Dentro de uma gaiola eles não estão cantando, eles estão chorando, sofrendo. Imagine um bicho que nasceu para voar sobre uma floresta, ficar preso. Como nós vamos monitorar a Amazônia se não for com a ajuda do terceiro setor? Como vamos dar conta das demandas do Brasil se a gente ficar passivo às demandas governamentais? Como vamos transformar se não somos ativistas capazes de fazer demandas? Hoje o que eu vejo é que a Amazônia precisa ser ouvida através dos amazônidas: artistas, cientistas, todas as excelências desse mundo.
Dona de um extenso currículo no cinema e na televisão, atriz colhe os frutos de seu primeiro filme como diretora “Comecei a perceber que tenho uma representatividade como amazônida, mas sou de uma brasilidade que alcança esse país inteiro. São 42 longas-metragens plurais. Agora, quando se fala em TV, só a partir de 2022 o olhar do protagonismo começou a ser ampliado dessa beleza importada que a gente vê por aí”, diz Dira Paes. Dona de um extenso currículo no cinema e na televisão, a convidada do Trip FM desta sexta-feira vive a emoção de colher os frutos de seu primeiro filme como diretora, que também é roteirizado e protagonizado por ela. Em cartaz nos cinemas brasileiros, “Pasárgada” acompanha o dilema de Irene, uma solitária ornitóloga, profissional dedicada ao estudo de aves, que, durante uma viagem de pesquisa numa floresta remota, passa a questionar sua ligação com o tráfico internacional de animais. “Eu queria abordar o absurdo do Brasil ser esse grande fornecedor de animais silvestres e pássaros para o tráfico internacional. É um fetiche até hoje. A gente convive com gaiolas e não se admira”, afirma a atriz. “Essa personagem me trouxe outro movimento, algo que não sou muito convidada a fazer. Eu queria essa vilania.” Dira também está no elenco de “Manas”, longa-metragem premiado no Festival de Veneza que fará sua estreia nacional no Festival do Rio neste final de semana. Gravado na região amazônica, o filme acompanha uma jovem em meio ao cenário de violência na Ilha do Marajó, no Pará. Na conversa com Paulo Lima, Dira também falou sobre seu ativismo, que precede a carreira artística. “Como vamos dar conta das demandas do Brasil se ficarmos passivos às demandas governamentais? Como vamos transformar alguma coisa se não somos ativistas capazes de criar demandas? O que eu vejo hoje é que a Amazônia precisa ser ouvida através dos amazônidas: artistas, cientistas, todas as excelências do mundo. Não dá pras pessoas irem lá pra falar o que a gente precisa fazer.” O Trip FM fica disponível no Spotify e aqui no site da Trip. Trip. Porque decidiu partir agora para a direção? Eu queria estar presente em todas as etapas da feitura de um filme. Encarei essa minha primeira aventura cinematográfica como uma graduação, quando é preciso estar ao par de toda a artesania do processo. Eu estou muito realizada: colocar um filme na praça é um grande desafio. É um trabalho de uma apropriação do seu desejo ao ponto de você contaminar todos que estão à sua volta. Como foi desenvolver uma personagem para você mesma interpretar? Eu estava pensando um lado meu mais lunar, justo eu que sou uma pessoa extrovertida, fui buscando meus avessos. Essa personagem me trouxe outro movimento, algo que não sou muito convidada pra fazer. Eu queria essa vilania. Com o tempo você a sua beleza virou um ativo muito forte, mas imagino que no começo, quando o padrão de beleza era muito mais europeu, você tenha tido maior dificuldade. No começo da carreira eu achei que esse meu lado Amazônia era algo que me deixaria em um nicho. Hoje me orgulho de ser um farol para muita gente. Nós não éramos um padrão de beleza, tínhamos uma coisa exótica. Mas eu sempre tive minha autoestima muito bem resolvida, e sempre me achei muito especial. Comecei a perceber que tenho uma representatividade como amazônida, mas trabalhei no Brasil inteiro, eu sou de uma brasilidade que alcança esse país inteiro. São 42 longa metragens plurais. Agora quando se fala em TV, só agora a partir de 2022, o olhar do protagonismo começou a ser ampliado dessa beleza importada que a gente vê por aí. O quanto você mergulhou nesse mundo do estudo dos passarinhos para fazer esse filme? Eu queria abordar com esse filme o absurdo que é o Brasil ser esse grande fornecedor de animais silvestres e pássaros para o tráfico internacional. É um fetiche até hoje. A gente convive com gaiolas e não se admira. Não acha um absurdo que eles se autodenominem passarinheiros. Eles são gaioleiros. Os pássaros não nasceram para ficarem na gaiola e nem sozinhos. São animais que vivem em dupla a vida inteira. Dentro de uma gaiola eles não estão cantando, eles estão chorando, sofrendo. Imaginem um bicho que nasceu para voar sobre uma floresta, ficar preso. Como nós vamos monitorar a Amazônia se não for com a ajuda do terceiro setor? Como vamos dar conta das demandas do Brasil se a gente ficar passivo às demandas governamentais? Como vamos transformar se não somos ativistas capazes de fazer demandas? Hoje o que eu vejo é que a Amazônia precisa ser ouvida através dos amazônidas: artistas, cientistas, todas as excelências desse mundo.
Comecei falando sobre o pedido de troca de Davante Adams e os destinos possíveis (00:00:00). Depois recebi Caio Miari, editor do The Score, para falar sobre a rodada dupla do Monday Night Football (00:06:45), crise dos Eagles (00:25:05), problemas no ataque dos Chiefs (00:38:05) e MVP do mês de setembro (00:59:49) - Mande "Quero Receber" e adicione o Cara dos Sports aos contatos no WhatsApp para receber alertas de podcasts e muito mais por lá! Número é 21 99747-4693, link para abrir a conversa: https://wa.me/message/XOKZQKSVXB3SK1
Sara Correia, nascida e criada em Chelas, é uma das mais promissora vozes da atualidade. A fadista conta a Daniel Oliveira que já na barriga da sua mãe sentia a música, carreira que iria seguir desde nova. Por causa do fado, Sara sente que lida com “a tristeza e a amargura de uma forma mais leve”. Sem nunca esquecer o “calão” de bairro, a cantora revela os momentos mais marcantes da sua infância, especialmente o divórcio dos seus pais, quando tinha 10 anos. Esse divórcio foi também o catalizador para a pequena Sara começar a cantar para ajudar a família. O Alta Definição foi exibido a 13 de julho na SIC.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Para ter aulas em grupo e discutir os assuntos do podcast, visite: https://portuguesewitheli.com/cah E aqui está a transcrição para seu proveito! Quando adolescente, tive uma experiência que é ver para crer. Sei que vai parecer que sou pancada, mas aos dezessete anos fui abduzido. Não, não fui raptado... pelo menos não por pessoas. Foi bem bizarro e até eu custo a acreditar, então entendo seu ceticismo ao me ouvir. Mas vou te contar mesmo assim. Era madrugada. Eu estava dormindo. Do nada, acordei atordoado com um zunido forte. De repente, senti um formigamento na minha pele, vi um brilho muito forte e não consegui me mexer. Meus músculos estavam todos retesados. Daí, meu corpo ficou levinho, levinho. Era como se eu pesasse tanto quanto uma pena. Comecei a flutuar. E logo em seguida senti que estava estirado numa mesa lisa – acho que como essas mesas de frigorífico, onde cortam a carne. Engraçado é que eu não tinha entrado em pânico... Ainda. Foi quando senti um toque viscoso no meu braço. Eram dedos finos e pegajosos, e ao toque pareciam lesmas. Eu não conseguia divisar ninguém com aquela luz toda. A mão me puxou, e me sentei. Quem quer que estivesse me segurando pelos braços, me ajudou a me levantar e depois me conduziu para algum lugar. O chão era estranhamente duro e rugoso. Contrastava muito com o liso da mesa. Fui caminhando por um corredor escuro. Depois de um tempo, o chão debaixo dos meus pés foi ficando macio e agradável. Era como estar pisando em grama. Então meus abdutores me levaram a uma mesa repleta de coisas estranhas. Um deles apontou para uma coisa que parecia uma pedra. Eu encostei na coisa. Meu dedo roçou na casca. Tinha um toque áspero, como lixa d’água, mas não era dura. Eu pressionei um dedo contra ela e ela cedeu. Então meu dedo perfurou a coisa e ela parecia esponjosa por dentro, e um suco aguado jorrou de dentro. Tomei um susto. Mas por curiosidade, levei o dedo à boca e, minha nossa, que coisa gostosa! Tinha um sabor indescritível. O ET fez um barulhinho como se estivesse satisfeito. Em seguida, me mostrou mais e fez um gesto. Então finalmente a ficha caiu. Queriam que eu comesse! Eram frutas do planeta deles! Comi uma planta escorregadia que caiu da minha mão três vezes. Tomei um copo de suco que era tão gorduroso que me dava a sensação de estar tomando uma garrafa de óleo. Ao invés de matar minha sede, me deixou ainda mais sedento, com a língua seca como papel. Ao cabo de algumas horas – pelo menos pareceram horas para mim –, meus captores me trouxeram de volta para minha casa. Antes de partirem, estenderam a mão para um aperto, mas eu só acenei. As frutas eram deliciosas e saí de barriga cheia, mas não gostava nada, nada daquele toque viscoso da mão deles. --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/portuguesewitheli/message
For more information, please go to https://portuguesewitheli.com And here is the monologue for your benefit. Quando se é adolescente com um monte de escolhas a fazer, nunca é fácil selecionar a carreira que se vai seguir pela vida toda. Se por um lado o mundo nos oferece um mar de possibilidades, por outro nos joga nas costas tantas responsabilidades que, se dermos um passo em falso, podemos cair num buraco sem fundo. Uma das minhas fontes de inspiração foram meus colegas de escola. Um deles sabia desde sempre que queria ser médico. Além de ser um fã de carteirinha de Grey's Anatomy, ele pensava “fora da caixa” e tinha muita empatia pelas pessoas. Também tinha estômago para ver sangue. Eu não dava para isso. Se eu vejo uma gotinha de sangue que seja, desmaio logo. Outro sujeito via tudo preto no branco. Para ele, pão era pão e queijo era queijo. Ele não lidava muito bem com abstrações filosóficas, então foi estudar engenharia. Minha escolha ficou entre a razão e a emoção: eu não era muito ruim com números, mas tampouco era um Machado de Assis. Se escolhesse algo de Humanas, sabia que tinha pela frente um verdadeiro calvário financeiro. Se escolhesse algo de Exatas, quebraria muito a cabeça no começo, pois só de imaginar meu pensamento já ficava todo emaranhado. Mas a recompensa financeira poderia ser útil para me firmar na vida no futuro. Escolhi Exatas. No primeiro semestre do curso foi um desengano. Meus colegas falavam de funções bijetoras e de cosseno e sei lá mais o quê e eu ficava mais perdido que cachorro em dia de mudança. Quando olhava para aquelas funções na lousa, minha vista ficava turva e eu começava a suar frio. Até entrei para um grupo de estudos, mas o pessoal era muito fera em matemática e não tinham muita paciência com principiantes. Meu desespero chegou ao auge quando fui designado para apresentar um seminário sobre teoria dos Grafos e suas aplicações. Passei horas devorando livros e mais livros, mas nada entrava na minha cabeça. No fim, fui apresentar com os parcos conhecimentos que tinha adquirido. Na hora da apresentação, não conseguia concatenar minhas falas. Estava me borrando todo de vergonha. Todo mundo me olhava cheio de esperança e eu ali, deixando todos na expectativa. No fim, respirei fundo e decidi: se já estava no inferno, que abraçasse o capeta. Comecei a enrolar e enrolar e no fim da apresentação um professor veio trocar um lero comigo. “Você já pensou em cursar filosofia? Você discute abstrações muito bem!” E foi assim que me vi matriculado em filosofia. Agora me sinto entre iguais. Porém, continuo a calcular... mas dessa vez, calculo as probabilidades de arranjar um emprego depois de me formar. --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/portuguesewitheli/message