Este é o meu espaço dedicado ao desenvolvimento interior, à espiritualidade e à maneira como nós interagimos e percepcionamos com a realidade, tal como a conhecemos.

A Default Mode Network é a rede que produz o teu monólogo interior — a voz que comenta a tua vida como se fosse um documentário. Um estudo publicado na Scientific Reports em junho de 2024, com 61 participantes no IIT Delhi, mediu essa rede durante a prática de Yoga Nidra. Nos meditadores experientes, as regiões da rede deixaram de comunicar entre si; nos principiantes, a conectividade aumentou. E a magnitude do efeito correlacionava-se com as horas de prática acumuladas ao longo da vida. Neste episódio ligamos esse achado ao quarto estado de consciência da Mandukya Upanishad — Turiya — e ao Ahamkara, a função que fabrica o sentido de "eu". Com um desafio prático de dez minutos por noite.Discutimos também porque é que o Yoga Nidra não é relaxamento nem sesta, mas Pratyahara sistematizado — o quinto membro do yoga de Patanjali, e o degrau que quase toda a gente salta. E resistimos deliberadamente à tentação de dizer que "a ciência provou o que os antigos já sabiam": um estudo com 61 pessoas estabelece uma correlação, não uma causa, e uma descrição em primeira pessoa de uma experiência não é a mesma coisa que uma medição de fluxo sanguíneo. O que é notável não é a prova — é a convergência. Fonte: Fialoke, S., Tripathi, V., et al. (2024). Functional connectivity changes in meditators and novices during yoga nidra practice. Scientific Reports 14, 12957. nature.com/articles/s41598-024-63765-7

Passamos a vida a rodar entre três estados: Jagrat (vigília), Svapna (sonho) e Sushupti (sono profundo). Mas a Mandukya Upanishad diz que há um quarto. E que nem sequer tem nome próprio: Turiya significa, literalmente, "o quarto". Neste episódio: a casa com quatro divisões, o ecrã de cinema onde passam os três filmes da tua vida, o mapa secreto do OM, e um desafio para os dois extremos do teu dia.

A Katha Upanishad conta a história de Nachiketa, um jovem que desce ao reino da Morte e recusa todos os prazeres do mundo em troca de uma única resposta: o que há para lá da morte? Neste episódio percorremos a narrativa completa, a hipocrisia do pai, os três desejos, o teste de Yama, até chegarmos à parábola da carruagem, onde a Morte entrega a Nachiketa a definição original de Yoga: corpo, sentidos, mente e razão atrelados ao serviço da alma. Com a distinção essencial entre shreya (o bem) e preya (o agradável), e um desafio prático para a semana.

Quando pensamos em sofrimento no contexto do Yoga, imaginamos conceitos místicos, carma, coisas pesadas. Mas a língua sânscrita é surpreendentemente concreta: Duhkha, a palavra usada há milénios para "sofrimento", significa à letra "ter um mau buraco no eixo" — uma roda de carroça mal furada, que oscila e torna a viagem instável. E Sukha, "felicidade", é o oposto exato: um eixo bem alinhado, com espaço vazio no centro que permite à roda girar.Neste episódio, partimos de um carrinho de supermercado com a roda torta para desmontar estas duas palavras e as suas implicações práticas: porque é que o sofrimento é um desalinhamento e não um defeito de fabrico, porque é que a felicidade precisa de espaço vazio no centro (e porque é que a nossa cultura insiste em entupir todos os espaços), e o que é que Patanjali quis mesmo dizer com "sthira sukham asanam". Termina com um desafio de observação para os próximos sete dias.Referências: Yoga Sutras de Patanjali, II.46.

Quando foi a última vez que ficaste parado, sem telemóvel na mão, e te sentiste bem? Mesmo bem, sem aquela comichão de ir buscar qualquer coisa? Para a maioria das pessoas, a resposta é: não me lembro.Neste episódio falamos de uma palavra com milhares de anos que descreve a nossa vida moderna com uma precisão quase assustadora: Soma. O néctar interior da felicidade — aquele bem-estar que o corpo produz naturalmente quando está em equilíbrio.O problema? Trocámo-lo por "Somas externos": açúcar, álcool e, acima de tudo, os ecrãs. Vais perceber como os media alteram a química do cérebro e criam uma dependência igual à das drogas, porque é que consumimos sobretudo o negativo — violência, escândalo, desgraça — e como a estimulação de fora gera, no fim, vazio cá dentro.Um episódio sobre deixar de ser espectador inerte da vida e voltar a produzir a tua própria felicidade.

Já te aconteceu saberes exatamente o que devias fazer — e fazeres o contrário na mesma? Não é falta de informação. É que não és tu que estás a conduzir.Neste episódio entramos na psicologia do yoga pela mão de Yogi Bhajan e da sua obra sobre a mente. Vais descobrir que a tua mente não é uma coisa só: são três mentes a funcionar em simultâneo — a Negativa, que te protege e te enche de alarmes; a Positiva, que te empurra para a frente; e a Neutra, o árbitro que quase nunca consegue falar. E vais perceber como cada pensamento passa por três filtros — Manas, Ahangkar e Buddhi — antes de virar ação.No fim, junta-se tudo na "matemática da mente": 27 maneiras diferentes de a tua cabeça torcer uma única situação. Não admira que andemos baralhados.Um episódio sobre deixar de ser conduzido e começar a conduzir.

Neste episódio, partilho uma conversa hilariante e, ao mesmo tempo, profunda que tive com o meu filho sobre um tema inesperado: a morte de uma mosca!Tudo começou quando o meu filho, que sempre foi contra matar qualquer ser vivo, experimentou esborrachar uma mosca. O que se seguiu foi uma reflexão filosófica de 8 anos sobre o que é a morte, o que acontece depois e, claro, a grande questão: se morrermos, ainda podemos jogar Nintendo Switch?A partir desta história, mergulhamos no conceito do apego — a nossa tendência para nos apegarmos a coisas materiais, rotinas e até prazeres, e a dificuldade em largá-los, seja em vida ou na grande transição da morte.Junta-te a nós para rir e pensar sobre a vida, o apego às coisas e, no fundo, a nossa própria evolução. Até para a semana!

Neste episódio conto-te como foi parar a sério durante três semanas — sem aulas, sem doutoramento, sem e-mails (quase

Neste episódio, trago-te uma reflexão sobre algo que fazemos todos os dias… muitas vezes sem pensar

Neste episódio, partilho contigo um momento de contemplação que tive enquanto subia umas simples escadas rolantes

⚡️ O Apagão e a Luz (ou a Falta Dela) na CabeçaNeste episódio de Óbvio Cureiros, Ricardo Cabeças partilha a sua reflexão sobre o apagão elétrico que parou temporariamente a Península Ibérica — e o cérebro de muita gente.Desde o pânico coletivo à corrida aos supermercados, passando pela comunicação social alarmista e pela dependência total da tecnologia, este episódio é um convite a olhar para dentro e perceber como reagimos quando a rotina falha.Com humor, ironia e uma boa dose de lucidez, questionamos: estamos mesmo preparados para o imprevisto? Ou basta uma falha de luz para irmos todos abaixo?