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REEDIFICANDO JERICÓ – ENCONTRO COM AS PROFECIAS 023 Hoje quero estudar com você a profecia que Deus fez após a destruição da cidade de Jericó pelos Israelitas. Antes é importante lembrar que todo o plano de ataque e a profecia da queda de Jericó foram feitas pelo próprio Deus. A profecia se cumpriu rapidamente. Hoje nenhum estudioso da Bíblia tem duvida da destruição de Jericó. Há outra profecia relacionada a Jericó, só que esta foi feita por Josué no ano de 1.451 antes de Cristo. Josué 6:26: “Maldito diante do Senhor seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó: Com a perda do seu primogênito a fundará, e com a perda do seu filho mais novo lhe colocará as portas”. Ninguém gosta de ouvir sobre maldição, mas hoje quero analisar esta maldição sob a visão de uma profecia. Não sei se Josué tinha toda a compreensão das implicações do que estava dizendo, mas a profecia fala da morte dos filhos de alguém que se atrevesse a reconstruir a cidade de Jericó. Por que foi dito isto sobre a reedificação de Jericó? Comentaristas bíblicos explicam que essa maldição tinha o propósito de manter sempre diante dos olhos das gerações futuras a recordação da destruição da cidade. As ruínas de Jericó seguiriam dando um testemunho silencioso das ações de Deus. E Josué não falou isto por sua própria vontade. Falou mandado por Deus. Os habitantes daquela região eram extremamente depravados e idólatras. Sacrificavam seus filhos ao deus Moloque com requintes de crueldade. As crianças eram fritadas no ídolo de ferro incandescente. Uma das razões pelas quais a cidade foi destruída. Note que não estava determinado quem iria cumprir a profecia. Estava, porém, claro que aquele que reconstruísse a cidade seria amaldiçoado, conseqüentemente, perderia o filho mais velho quando lançasse os alicerces e o mais novo quando colocasse as portas, ou seja, perderia um no inicio da construção e outro no final. Durante muitos anos o povo se lembrou da maldição e Jericó ficou em ruínas. E foi mais ou menos uns 500 anos após Josué ter feito tal profecia – já nos dias de Acabe e Jezabel (Acabe viveu em torno do ano 950 antes de Cristo), que um homem, chamado Hiel, nativo de Betel, reconstruiu Jericó e perdeu os dois filhos. I Reis 16:34 conta: “Em seus dias Hiel, o betelita reconstruiu a Jericó. Pelo preço de Abirão, seu primogênito, lançou-lhes os fundamentos e pelo de seu ultimo filho, Segube, assentou-lhes as portas, conforme a palavra do Senhor, falada por intermédio de Josué, filho de Num”. Podemos ver pela história que o que foi dito por Deus cumpriu-se plenamente. Provavelmente Hiel soubesse da profecia de Josué. Porém, como já fazia tanto tempo, quem sabe imaginou que Deus talvez já tivesse mudado de opinião ou até esquecido a maldição. Mas Deus, amigo ouvinte, não muda. O que Ele falou ou fala dura para sempre. Não podemos brincar com a Palavra dEle. O que mais podemos aprender da reconstrução de Jericó? O que significa para nós a reconstrução dessa cidade? Reconstruir Jericó significa qualquer atitude levada adiante pelos pais e que resulte em prejuízo para os filhos. Por isso gostaria de perguntar a você que é pai ou mãe: como você está agindo com seus filhos? Dependendo da forma que você estiver educando as crianças poderá levá-las para a vida ou para a morte. Ouça esta lista de procedimentos que levam os filhos para a perdição: Fazendo algo que sabe que não é certo, mas com pleno conhecimento dos filhos. Não tendo preocupação com os fundamentos religiosos. Deixe que na Igreja outros cuidem dos seus filhos. Nunca lhes diga não. Não os frustre. Dê-lhes todo o dinheiro que puder. Subverta o princípio da autoridade. Não se preocupe com o exemplo. Brigue em casa, critique a todos. Procure estar sempre ocupado e não tenha tempo para os filhos. E, uma outra sugestão para levar seus filhos para a perdição: procure sempre a escola mais barata. Pais que agem dessa forma levam os filhos para a destruição e morte eterna. Reconstroem Jericó. E o alto preço é pago, muitas vezes, não somente pelos pais, mas pelos filhos. A irresponsabilidade de alguns pais é tanta que gostam apenas de gerar filhos e espalhá-los pelo mundo. Não querem, porém, gastar tempo e recursos com uma educação segura e eficiente. Permita-me apresentar agora “Dez Maneiras de Formar um Delinqüente”, um texto interessante que encontrei tempos atrás: Comece na infância dar ao seu filho tudo que ele quiser. Assim, quando crescer, acreditará que o mundo tem obrigações de lhe dar tudo o que deseja. Quando ele disser nome feio, ache graça. Isto o fará considerar-se interessante. Nunca lhe dê educação religiosa. Espere que aos 21 anos, ele decida por si mesmo. Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas. Discuta com freqüência na frente dele. Nunca deixe ganhar o seu próprio dinheiro. Por que terá ele que passar pelas mesmas dificuldades que você passou? Satisfaça todos os seus desejos. Não lhe frustre.Tome partido dele contra vizinhos, professores e policiais. Quando se meter em alguma encrenca séria, dê esta desculpa: Nunca consegui dominá-lo. Prepare-se para uma vida de desgosto. É a sua merecida recompensa. Amigo ouvinte, Deus nos deu o grande privilégio de sermos pais; não devemos, porém, agir como Hiel, o reconstrutor de Jericó. Ele não respeitou o que Deus dissera e perdeu dois filhos por causa disso. Se você quer educar bem os seus filhos para esta vida e a vida eterna não despreze a voz de Deus. Busque o conselho divino e eduque as crianças no caminho do Criador. Por isso, “creia no Senhor Deus e você estará seguro. Creia nos profetas dEle e você prosperará”.
Nos últimos meses, três países europeus fixaram calendários para deixar os combustíveis fósseis. A Alemanha apontou para 2045 e os Países Baixos para 2050. Já a França definiu uma data para cada combustível. Os planos passam pelo investimento nas energias renováveis e pela electrificação dos transportes, dos edifícios e da indústria. O objectivo é cumprir os compromissos climáticos e reforçar a segurança energética. Nos últimos meses, três países europeus fixaram calendários para deixar os combustíveis fósseis. A Alemanha, na quarta-feira, 23 de Setembro, aponta para 2045. Também em Setembro, os Países Baixos tinham apontado para 2050. Já a França, em Abril, definiu uma data para cada combustível: 2030 para o carvão, 2045 para o petróleo e 2050 para o gás. Todos apostam na electrificação dos transportes, dos edifícios e da indústria, para a descarbonização, ou seja, deixar de depender de combustíveis fósseis, como o petróleo, o gás e o carvão, para reduzir ou eliminar as emissões de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono, ou o CO2, e alcançar a neutralidade energética. Estes anúncios surgem na sequência do compromisso assumido na COP28, no Dubai, de fazer uma transição energética. Já na COP seguinte, a COP30, em Belém, no Brasil, a proposta de um plano global para esta transição não obteve consenso. Em Abril, realizou-se uma primeira conferência dedicada ao tema, co-organizada pela Colômbia e pelos Países Baixos, em Santa Marta, na Colômbia. O Professor Catedrático Paulo Ferrão, do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, diz que estas medidas, apesar de serem mais pragmáticas e ambiciosas, já faziam parte dos compromissos do Pacto Ecológico Europeu, lançado em 2019 pela União Europeia. Paulo Ferrão: Esta questão não é nova. Temos na Europa, há muitos anos, aquilo a que se chama European Green Deal (Pacto Ecológico Europeu). Tem como objectivo tornar a Europa no primeiro continente climaticamente neutro. Quer dizer que temos que reduzir significativamente essas emissões? Ou seja, temos que reduzir significativamente a queima de combustíveis fósseis para que não possamos emitir CO2. Mas algum CO2 pode ainda ser emitido pela queima de combustíveis fósseis, se ele depois for capturado por outros mecanismos, nomeadamente pelas florestas. E aí é o que nós chamamos climaticamente neutro: emitimos algum, mas esse que emitimos vamos capturá-lo. Portanto, a Europa quer ser climaticamente neutra até 2050. O que aconteceu agora, muito recentemente, foram políticas dos países para serem mais explícitos no fim dos combustíveis fósseis. E isto é que é mais novo, porque já todos os países europeus estavam com este compromisso de sermos um continente climaticamente neutro até 2050, certo?” Mas estes planos são mais ambiciosos? Paulo Ferrão: São ambiciosos e são mais pragmáticos. A questão é: como é que se lá chega? O anúncio francês é o que eu acho mais pragmático de todos. A França diz claramente que se quer livrar do carvão até 2030, que se quer livrar do petróleo até 2045 – e isto é fortíssimo, quer dizer que, até 2045, se isto for cumprido, deixa de haver consumo de gasolina e de gasóleo – e que se quer livrar do gás fóssil, o gás natural, por exemplo, até 2050. É o que tem as metas mais claras. A França continua a apostar no nuclear e a Alemanha nas energias renováveis. Que alternativas existem hoje aos combustiveis fósseis? Paulo Ferrão: A alternativa hoje é basicamente só uma: é produzir electricidade com fontes de energia renovável ou, como a França, com nuclear. Com energia renovável e com o nuclear, as emissões directas de CO2 não existem, mas é evidente que, para fabricar estes equipamentos, pode haver. E então passamos a ter uma electricidade que podemos chamar verde, que não tem emissões de CO2 associadas, não tem uso de combustíveis fósseis e então passamos a ter esta electricidade verde. E agora o segredo passa por electrificar os processos que dantes usavam combustíveis. Nomeadamente, e com enorme peso, os transportes; electrificar a indústria, por exemplo; electrificar, em nossa casa, o aquecimento e arrefecimento. Portanto, um dos eixos centrais de qualquer um destes planos é, por exemplo, proibir até os esquentadores para aquecermos a nossa água em casa, que era, por exemplo, com gás, e passar a ter bombas de calor, que consomem electricidade e que têm uma grande vantagem: vão buscar o frio que está na rua para transformar em calor, digamos assim. Dentro de casa, uma bomba de calor liberta três a quatro vezes mais calor do que a electricidade que consome. É muito eficiente. Resumindo: produzir electricidade verde a partir de fontes renováveis ou, enfim, isto é um bocado mais polémico, mas já se começa a aceitar na Europa também o nuclear, e depois electrificar todos os consumos que for possível. Portanto, usar electricidade em vez de combustíveis fósseis. Há uma grande excepção, que é a aviação. Muito dificilmente um avião será eléctrico. Uma bateria seria pesadíssima para andar num avião. E então aí a grande aposta são os SAF, em inglês, que são os Sustainable Aviation Fuels, que, no fundo, são combustíveis derivados de biocombustíveis. Ou, por exemplo, a Alemanha também quer apostar muito no hidrogénio, que, no fundo, é usar electricidade renovável para transformar a água em hidrogénio e oxigénio, mas depois usar o hidrogénio como combustível em vários sítios, por exemplo, nos automóveis. Então a grande solução são as energias renovaveis? Paulo Ferrão: São duas: a energia renovável, mas depois, tão importante ou mais do que isso, é electrificar, não é? Veja bem o esforço que isto vai ser, não é? O que é difícil nisto é que nós estamos atrasados na electrificação automóvel, não é? Hoje em dia, o maior produtor de automóveis eléctricos é a China. Não é que a nossa indústria, nomeadamente a alemã e a francesa, esteja com dificuldades de competitividade no fabrico de carros eléctricos. Mas isto é bom: ter uma estratégia que permita à indústria realmente, e sem nenhuma dúvida, avançar e progredir rapidamente, melhorar a eficiência e o custo dos veículos eléctricos fabricados na Europa. E ainda mais: o que é muito difícil é, por exemplo, os autocarros. Temos menos fabricantes de autocarros e de veículos pesados eléctricos. Vemos que a segurança energética está no centro destes planos. A guerra na Ucrânia levou à proibição do gás russo e, agora, as instabilidade no Medio Oriente levaram ao bloqueio do Estreito de Ormuz e, por consequente, a subida do preço dos combustiveis. Diria que esta conjuntura acelerou a descarbonização e os compromisso para esta? Paulo Ferrão: São um estímulo enorme para isto. E aumentam muito a resiliência europeia. Quer dizer, eu vou só dar um exemplo. Por exemplo, eu tenho um carro eléctrico. Eu carrego o meu carro em casa à noite. O meu custo por quilómetro é quatro, cinco ou seis vezes menor do que seria se fosse a gasolina. Portanto, eu não estou a sentir o problema do aumento do custo do petróleo, por enquanto. Isto é um impacto enormíssimo nas famílias. Diria que estes choques expuseram o choques o custo, para a Europa, de depender de nergias fosseis importadas? Paulo Ferrão: Como é evidente, um dos grandes objectivos políticos desta electrificação e, portanto, da aposta nas renováveis, é tornar a Europa mais resiliente e não dependente do fornecimento externo. Quando a França diz que não quer depender dos combustíveis fósseis até 2045, aí está. Ficamos totalmente libertos deste tipo de problemas de abastecimento de combustíveis. Mas vemos que, na realidade, a União Europeia importa mais de metade da energia que consome. Descarbonizar é possivel dentro destes prazos? Paulo Ferrão: Acho muito difícil. Acho bem que eles existam, mas claro que vão ser difíceis e exigentes, não é? Nomeadamente, por exemplo, na electrificação do parque automóvel em tão pouco tempo. Portanto, temos aqui um período de transição que eu acho que acredito que aconteça e que, a partir dessa data, não se comprem mais veículos e não se vendam. Não. Mas, claro, há aqui um parque que ainda tem que fazer o seu offset, ou seja, não diminuir as emissões todas no dia. Mas, obviamente, é muito importante ter esta política para estimular uma transição forte e sem dúvidas, quer dizer. Ou seja, o pior que pode haver é uma política ao ziguezague. Não é? Acho que a Europa tem sido muito coerente e é importante que a indústria acredite nisto e que se prepare, não é? E que se mobilize para aumentar a eficiência, para ser mais competitiva, nomeadamente neste caso, com a China, não é? E nas energias renovaveis também existem limites, penso nomeadamente na dependencia de minerais, como o litio para a construção de beterias ou de outras infraestruturas, quais são estes limites? Paulo Ferrão: Dependemos muito do lítio e não só, do cobalto. Mas aí temos outra questão, que a Europa também está a acelerar agora muito, que é a da economia circular. Portanto, a ideia é que nós vamos importando estes produtos, mas se calhar daqui a 20 ou 30 anos, se importarmos os produtos, já cá temos, nesses produtos, o material suficiente para continuar a fabricar, mas temos que os saber reciclar. A Comissão Europeia, nomeadamente em investigação, tem lançado agora bastantes calls para fazer investigação na melhoria dos processos de reciclagem destas matérias-primas críticas, justamente para desenvolver os processos de separação e reciclagem destes materiais, para que a Europa fique mais independente deles. É claro que, para isso acontecer, temos agora de continuar a comprar produtos já feitos, que é o que hoje acontece. Nós importamos as baterias, nós importamos os painéis solares, por exemplo, mas daqui a uma década, ou duas, ou três, já possamos, com base na reciclagem dos produtos em fim de vida que temos e que vamos ter, no fundo, tornar-nos muito mais auto-suficientes. Ou seja, isto é transformar um desafio numa oportunidade, que é a oportunidade para o desenvolvimento industrial que a Europa precisa de ter, não é? O relançamento da indústria.
A Guiné-Bissau assinalou recentemente os 53 anos da proclamação unilateral da independência, em 24 de Setembro de 1973. Um momento que marcou a afirmação do país como Estado soberano perante a comunidade internacional. Mais de cinco décadas depois, o activista do movimento político Firkidja de Púbis, Yussef, considera que o país vive actualmente sob "uma ditadura militar" e defende "a mobilização dos guineenses para lutar contra o actual regime". Passados 53 anos da proclamação unilateral da independência, como caracteriza o actual momento político da Guiné-Bissau? Em 2026, a Guiné-Bissau vive uma ditadura militar. Nós temos as Forças Armadas da Guiné-Bissau, diria eu, mais as milícias que foram criadas pelo senhor Sissoco Embaló, que assumiram o controlo do Estado. Toda a estrutura do senhor Umaro Sissoco Embaló , seja militar, seja política, está neste momento no controlo do Estado da Guiné-Bissau. O objectivo é manter o povo da Guiné-Bissau num colete-de-forças, tendo como finalidade «pacificar» o país. Mas pacificar não no sentido de criar condições para o progresso, mas pacificar um pouco à laia do que os portugueses fizeram durante as primeiras décadas do século XX: pacificar para explorar, pacificar para oprimir. Umaro Sissoco Embaló anunciou que vai regressar ao país e que se vai candidatar às eleições presidenciais, que terão lugar no dia 6 de Dezembro. O antigo Presidente da Guiné-Bissau, que foi afastado do poder há quase um ano, na sequência de um golpe de Estado militar, assim o descreveu na altura. Ele tem condições para regressar ao país? Quem é que assegura esse regresso e quem são os aliados? É preciso ser rigoroso nos termos. Na Guiné-Bissau, em Novembro de 2025, não houve um golpe de Estado. Na verdade, houve um golpe de Estado contra a soberania popular. O que aconteceu foi um conluio entre o senhor Sissoco Embaló que se viu derrotado nas eleições presidenciais, e a entourage militar que sempre o apoiou. As milícias do Estado, encabeçadas pelo senhor Horta N'Tam e pelo senhor Tomás Djassi tomaram a si, perante a necessidade de dar um passo atrás, a teatralidade de mostrar à comunidade internacional que teria havido um golpe de Estado, para que os militares assumissem o poder e, durante este período de transição, modificassem a Constituição para que fosse ao encontro dos desejos do senhor Umaro Sissoco Embaló e das forças económicas nacionais e internacionais que o apoiam. Criou-se todo um teatro na Guiné-Bissau. E o senhor Embaló volta no sentido em que as condições objectivas foram garantidas para o seu regresso. Estamos a falar da modificação da Constituição e do novo simulacro de eleições que irá acontecer em Dezembro. Sissoco Embaló pode contar com o apoio do primeiro-ministro, Ilídio Vieira. e do general Horta N'Tam, Presidente de Transição da Guiné-Bissau? O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira, criou também um partido político, o Partido Popular Guineense. A criação deste partido pode mostrar uma ambição de também se apresentar às presidenciais? Eventualmente, sim. Não consigo dizer com toda a propriedade, porque não tenho as informações. Eu não faço parte da entourage do senhor Ilídio Vieira Té, até porque não conheço as suas intenções. Mas, repare: entre estes indivíduos, o que os motiva, na verdade, nem é propriamente um projecto de sociedade, uma ideologia ou, melhor dizendo, aquilo que os une é a ambição pessoal e a apropriação das riquezas da Guiné-Bissau. Então, é possível que, tendo em conta esta falta de unidade política e ideológica, esta falta de unidade ética ou moral, possa haver divergências no seu seio. Hoje pode-se acreditar que é o senhor Sissoco Embaló que está na dianteira; amanhã, por ambições, pode ser o senhor Ilídio Vieira Té; num outro dia, pode ser o senhor Tomás Djassi, no outro dia, também pode ser o senhor Horta N'Tam que acredita que, tendo em conta um conjunto de variáveis, tem mais condições para continuar no poder do que o senhor Sissoco Embaló na Guiné-Bissau. No país, há um grupo que quer o progresso, que quer realmente ir ao encontro do Programa Maior, que foi redigido durante a luta de libertação: desenvolvimento, saúde, educação, infra-estruturas, desenvolvimento do nosso potencial enquanto povo. E depois existe um outro grupo, do qual fazem parte, não obstante eventuais contradições que possam existir entre eles, o senhor Sissoco Embaló, o senhor Tomás Djassi, o senhor Horta N'Tam e até o senhor Nuno Nabian Quem é que lidera o grupo que quer o desenvolvimento do país? Aconteceram eleições em Novembro de 2025. A comunidade internacional sabe quem ganhou as eleições. Eles expressaram que o que aconteceu na Guiné-Bissau foi um falso golpe de Estado na sequência daquelas eleições. O povo da Guiné-Bissau escolheu um candidato como seu representante, independentemente das divergências que possam existir com esse mesmo candidato a nível de projecto de sociedade. O povo da Guiné-Bissau deve ser soberano. Aquilo pelo qual se deve lutar é pelo respeito pela decisão popular do povo da Guiné-Bissau neste momento da sua história política. E é a partir daí que nós devemos começar a luta política. Enquanto não existir esse respeito pela soberania do voto, pela soberania da decisão popular, eu creio que nós estamos, ao fim e ao cabo, perante uma grande fábula. O líder da oposição da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, actualmente em Lisboa, considerou o anúncio do regresso de Sissoco Embaló “chocante” e motivo de “inquietação”, questionando se existem garantias de igualdade e de segurança para todos os participantes no processo eleitoral. O senhor considera que essas garantias são para todos? Evidentemente que não. Criou-se na Guiné-Bissau, de uma forma explícita, uma situação de excepção, em que existe esta ideia de que o Estado são estes senhores. Não existe lei na Guiné-Bissau neste momento. A Constituição que foi aprovada, na verdade, é um mero papel, porque não existe qualquer legitimidade. O referendo que aconteceu recentemente não pode ser chamado referendo. Aquilo é um simulacro, porque não existiam pré-requisitos. Ou seja, nós estamos numa situação de excepção. Não existe actividade política na Guiné-Bissau. Ou, pelo menos, a oposição não pode exercer qualquer actividade política. Como é que vamos falar seriamente de eleições, de referendo, de reconciliação, se não existem essas prerrogativas mínimas de um debate político na Guiné-Bissau? Mas a oposição será capaz de se unir para estas eleições? Domingos Simões Pereira pode contar com o apoio de quem? Onde é que se vai posicionar Fernando Dias? Não lhe consigo dizer de forma cabal. Eu creio que o fundamental é encarar a situação de frente. Isto é: existe, neste momento, um poder militar na Guiné-Bissau. Um poder bélico. Estão fortemente armados e colocaram um colete-de-forças no povo da Guiné-Bissau. Colocaram o povo da Guiné-Bissau numa grande prisão a céu aberto. E, perante esta situação concreta, objectiva, é preciso que a oposição se organize para lutar de forma consequente contra esta situação. Não me parece que a retórica possa resolver este conflito, tão-pouco. Penso que as eleições, tendo em conta o contexto que existe na Guiné-Bissau, não poderão resolver este conflito. Quais são as garantias de credibilidade e transparência do acto eleitoral, quando a Comissão Nacional de Eleições é constituída, na maioria, por membros do Conselho Nacional de Transição? O Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau é um órgão que está ao serviço do regime. A Comissão Nacional de Eleições, idem, aspas. Os militares têm armas e não só assassinam activistas na Guiné-Bissau, como, por exemplo, o nosso irmão e camarada Vigário Balanta, como aprisionam líderes da oposição, como, por exemplo, aconteceu com o senhor Domingos Simões Pereira. Apropriam-se das sedes dos partidos políticos da oposição, não permitem que os sindicatos exerçam a sua tarefa e não permitem qualquer liberdade de expressão no país. Perante estas condições, podemos falar de eleições livres, democráticas e transparentes? Obviamente que não. Aquilo de que, na minha óptica, a oposição tem de se consciencializar é que, perante esta força, somente uma força social maior pode colocar em causa o estado de coisas.Isso implica, forçosamente, não obstante as dificuldades, a organização popular, a mobilização popular e, ao mesmo tempo, convocar solidariedades internacionais para lutar, de facto, contra este regime.
São Tomé e Príncipe foi a votos no passado domingo, nomeadamente para eleger 55 deputados. Nesta segunda-feira, a Comissão Eleitoral anunciou resultados preliminares colocando o MLSTP, na oposição, em posição dianteira, mas com uma vantagem de apenas algumas centenas de votos em relação à ADI no poder, havendo agora indicação de que estariam numa situação de quase empate. A abstenção, o apelo ao boicote do escrutínio, os critérios para a indigitação de um governo e o futuro relacionamento institucional com quem irá governar, foram alguns dos assuntos que a RFI abordou em entrevista exclusiva nesta terça-feira com o Presidente São-Tomense, Carlos Vila Nova. RFI: Qual é a avaliação que faz da forma como decorreram as eleições? Carlos Vila Nova: É um exercício que se vai tornando cada vez mais frequente em São Tomé e Príncipe. Há cerca de 35 anos, optámos por viver em democracia e temos feito de cada acto eleitoral uma forma de consolidar a democracia em São Tomé. Nos últimos actos eleitorais, felizmente, vamos melhorando. Prevaleceu a serenidade neste concretamente, no dia 27 de Setembro. Penso que optou-se por muito mais mensagens do que outro tipo de comunicação. Por vezes a comunicação costuma ser mais folclórica, mais músicas, enfim. Há várias formas e em todas elas, o apelo à serenidade e à estabilidade. Portanto, foram panos de fundo que me deixaram bastante agradado. E quando vejo por parte dos observadores também que para São Tomé e Príncipe, não foram poucos, que quase os requisitos todos foram cumpridos e que, portanto, a transparência também faz parte, a Comissão Eleitoral Nacional já se pronunciou, embora não seja sua competência definir os mandatos. Já se pronunciou, o que mostra também celeridade. Também há algum profissionalismo e os meus apelos também têm sido sempre neste sentido e estou positivamente agradado com o acto eleitoral. RFI: Apesar dos apelos para uma grande participação dos eleitores. Estas eleições foram marcadas por uma abstenção de mais de 62%. Como é que interpreta este dado? Carlos Vila Nova: Bom, aí já não há regozijo. Pelo contrário, os apelos foram muitos, mas também, se recuarmos a actos eleitorais anteriores, a abstenção, sempre foi muito elevada. É verdade, desta vez ultrapassou. Mas quando nós olharmos para aquilo que é todo o processo eleitoral, nós olhamos para os progressos que temos feito em matéria de consolidação dos dados eleitorais. Repare que nas eleições presidenciais de 19 de Julho foi quando nós conseguimos fazer uma reconciliação entre os registos eleitorais, os dados existentes de forma electrónica com a Comissão Eleitoral Nacional. Nas presidenciais detectou-se um bocado mais de problemas técnicos e essa parte foi melhorada. Mas eu creio que a emigração também afectou. Não tenho a certeza, mas é algo que nesta legislatura vamos ter que trabalhar muito, entrar na lei eleitoral, fazer melhorias. Eu próprio pedi aos nossos parceiros da União Europeia que recebi para nos acompanharem neste processo, porque, ao que tudo indica, nem toda a movimentação emigratória para fora de São Tomé e Príncipe tomou-se em conta e os registos continuam nos cadernos eleitorais em São Tomé. Isto já é de si um motivo. E depois, politicamente, também houve apelos. Isto é antidemocrático. Deixe-me dizer-lhe que não vejo como é que alguém em perfeito estado normal, possa fazer apelo à abstenção. Portanto, não só é antidemocrático, mas é incorrer em erro enganar pessoas, eleitores. Nem todos nós temos o mesmo discernimento, mas temos de lidar com a questão. E nós vamos lidar positivamente com a questão. Eu tenho esperança que nesta legislatura conseguiremos, porque as forças políticas activas entenderam que não é um apelo que se faça. Tanto é que todos eles apelaram à votação em massa. Não aconteceu. Vamos lidar com a questão. Vamos olhar para ele e tentar corrigir para que os próximos actos sejam melhores. RFI: Precisamente, falou do apelo ao boicote a estas eleições. Pensa que Patrice Trovoada pode tirar algum benefício político desta situação? Carlos Vila Nova: Bom, eu nem consideraria boicote, porque quando num acto eleitoral um partido político quer boicotar, não é desta forma. Portanto, eu olho para os partidos políticos, para os seus dirigentes, para os seus representantes e não vejo a pessoa que falou. Portanto, não, não me diz nada. RFI: Ontem, a Comissão Eleitoral Nacional deu os primeiros resultados. São resultados provisórios destas eleições. E desde então, os partidos políticos têm andado a especular sobre o número de mandatos que têm, respectivamente. Inicialmente falou-se do MLSTP estar à frente e de ter mais mandatos do que a ADI. Depois, evoluiu para um empate e agora é um quase empate. Como é que avalia a forma como actuaram estes partidos políticos desde ontem? Carlos Vila Nova: Com alguma precipitação. Mas pronto, não vou entrar em muitos pormenores quanto a isso. Mas reconheço que com alguma precipitação da parte e de outra. Na mensagem que eu fiz à Nação, apelei à serenidade. A serenidade também diz aguardar calmamente pelo anúncio dos resultados. Eles ainda não são oficiais. A Comissão Eleitoral fez o seu papel, anunciou e nota-se que realmente há uma aproximação entre dois dos principais partidos. Há uma diferença. Respeitei. Agora cabe ao Tribunal Constitucional de facto, quem tem a competência de validar não só os mandatos, o vencedor das eleições e a partir deste momento, trabalharemos na Constituição, na formação e na organização de todas as instituições que foram democraticamente eleitas para que elas entrem em funcionamento. Falo da Assembleia Nacional, a sua composição, e dos governos. Sobretudo o Governo central, que é uma emanação directa do resultado das eleições. Portanto, eu penso que nos próximos dias, há um prazo legal a cumprir, o Tribunal Constitucional vai se pronunciar e a partir daí nós saberemos exactamente quem é o vencedor. Quais são os mandatos distritais, nacionais, para então constituirmos os órgãos democraticamente eleitos. RFI: Não receia que, dado o nervosismo que há entre certos partidos políticos, possa haver também alguma suspeita em relação ao Tribunal Constitucional que, ao longo deste processo, foi acusado de alguma parcialidade política? Carlos Vila Nova: Tem sido comum. Mas repare que eu dou-lhe um exemplo: qualquer cidadão individual ou, digamos, qualquer entidade individual ou colectiva, mas que encontra resposta nos culpados, que os terceiros são sempre os culpados dos seus problemas. Não é verdade. A lei não existe só quando ela nos é favorável. Ela existe para com serenidade, aceitarmos as decisões dos tribunais. E quando não concordamos, temos que encontrar espaço para recorrer e interpretar. Mas tudo quanto vier a acontecer, para responder directamente à sua pergunta, nada disso não poderá ser resolvido se continuarmos com o espírito aberto. O engajamento para o diálogo. Resolve-se tudo isso. Portanto, as suspeições, elas podem existir, mas é preciso respeitar as instituições e agirmos com base nas decisões que são de lei. RFI: Neste processo todo, tendo em conta que há um quase empate, pelo menos por enquanto, tem havido contactos políticos entre as várias forças para construir eventuais coligações para formar governo. Como é que vê precisamente esta perspectiva? Quais vão ser os seus critérios para aceitar uma ou outra coligação para governar? Carlos Vila Nova: Vejo como bom tom essa aproximação entre os partidos. Portanto, demonstra algum espírito de concertação e de diálogo que é bom. Não quer dizer que todos os contactos sejam traduzidos em resultados concretos. Pela minha parte, acompanho desde já com muita atenção. Se puder influenciar alguma coisa, todos os partidos sabem que estou à disposição para o fazer, mas a entrada em acção do Presidente da República é exactamente quando tiver o anúncio oficial dos dados, convidar o partido vencedor, ter uma conversa e pedir -eu sempre disse- a sustentabilidade do Parlamento. Ela tem que ser garantida. Antes de nomear o próximo governo, não é de todo factível que o próximo governo, no primeiro embate, seja um governo praticamente com os pés na rua. Não faz sentido. Nós não estaríamos a promover aquilo que todos apelamos, que é a estabilidade, um princípio de coesão nacional, um princípio de diálogo onde as pessoas conversem, tragam os problemas e pensem todos o país. Eu não vi nenhuma força política desde as eleições de 19 de Julho para as presidenciais e agora em Setembro, que não usasse um slogan que reflectisse ou colocasse São Tomé e Príncipe em primeiro lugar. Todos. E então temos que na prática demonstrar isso. Portanto, o próximo governo será uma emanação da sustentabilidade parlamentar que me for garantida. RFI: O que espera do futuro governo com o qual vai trabalhar, senhor Presidente? Carlos Vila Nova: Lealdade institucional. A primeira das condições. Espírito aberto para o diálogo permanente. Disponibilidade para trabalhar e coragem para reformar. Vamos ter que, de facto, introduzir muitas reformas para melhorar o funcionamento do país e a capacidade, ao nível da Assembleia, de se discutir honestamente, com sinceridade, as grandes questões do país. E não escondo, inclusive, a possibilidade de a revisão constitucional neste quadro, nesta legislatura. Através do diálogo. RFI: Uma das reformas que enunciou como sendo prioritárias quando tomou posse para o seu novo mandato foi precisamente a Justiça. Como é que encara essa reforma? Carlos Vila Nova: A justiça, de facto, tem sido meu denominador comum durante cinco anos. Foi onde eu mais intervim. Foi onde eu mais trabalhei, foi onde eu mais contribuí. Continuarei. Cheguei a fazer conselhos de Estado temáticos sobre a Justiça. Reuniões de alto nível. Várias delas. Mas repare. Ela é tão transversal, ela é tão importante para o Estado de Direito democrático e para a atracção de investimentos no nosso país que todos nós temos que nos dedicar. E foi também com bastante satisfação que eu vi nos programas e nas mensagens de muitos partidos políticos também o apelo à contribuição para melhorar a Justiça. Portanto, conto com o próximo governo para que juntos possamos melhorar ainda mais. Não é uma situação que pontualmente há um assunto concreto que se resolva. Ela é abrangente. Nós vamos ter que abordar de forma que ela seja mais célere, ela seja mais justa e que ela possa, sobretudo, ser mais orientada para a solução dos problemas, para o bem do país e do seu povo e dos investimentos. RFI: Tem havido muitos problemas aqui em São Tomé e Príncipe, nomeadamente no que tange ao fornecimento da electricidade, à saúde, ao acesso a água potável. O que é que pensa que se pode fazer juntamente com o futuro novo governo? Carlos Vila Nova: Sabe se ao longo desses anos tivéssemos pensado o país mais, digamos, nas pessoas, muitos destes problemas estariam resolvidos, porque São Tomé e Príncipe, como Estado, não é diferente de qualquer outro Estado. A nossa dimensão territorial não retira a capacidade de sermos um Estado com todas as suas instituições, todos os seus dados estatísticos, Mas a verdade é que há descontinuidade governativa. Houve diferentes interrupções, um factor que nos prejudicou bastante nos últimos anos. Em democracia, já temos conseguido uma estabilidade governativa melhor. Os últimos governos têm cumprido o seu mandato. Espero que este também o faça e que haja uma continuidade das acções do Estado. Eu recordo-me já com alguns dirigentes da oposição, com dirigentes ainda do actual governo, ter pedido uma lista de todos os projectos em curso, sobretudo no domínio das infra-estruturas, no domínio da saúde e da educação, para que, de facto, nós olhemos um bocado mais para dentro e não termos aquele apetite de criar coisas novas quando temos coisas em curso e que podem resolver o problema das pessoas. Isto é um primeiro passo. O segundo é preciso adaptar os recursos disponíveis às necessidades mais prioritárias das pessoas, das populações e do país. E é possível. A energia em concreto é algo que ao longo destes anos todos não conseguimos resolver. Mas é por aí. Não pode haver uma divergência de fundo entre as diferentes forças. O facto de eu estar na oposição, eu não posso estar contra um programa que o governo que está no poder queira fazer e que vá resolver o problema. Tenho que encontrar a forma de dar a minha contribuição. Eu também costumo dizer que o poder crítico dos cidadãos não deve ser usado para bloquear. Ele deve ser usado para construir. E é isso que eu espero. Sem a transição energética, este país não dará passos nenhuns. Sem olharmos devidamente para a saúde, repare, o nosso sistema Nacional de Saúde não é propriamente o que está em causa. É olharmos para o sector, porque o sistema que eu até considero bom em termos sustentabilidade económico-financeira e social para garantir. Este sistema a educação, nós temos índices muito bons, internacionalmente reconhecidos, mas será que a qualidade do ensino é aquela que desejamos? Portanto, são coisas que, dentro do poder, fora do poder, as forças políticas, que são o alicerce da democracia, têm que encontrar pontos de convergência para nós podermos avançar neste processo. RFI: Todo o país tem recebido o apoio do FMI e do Banco Mundial, que também fazem, preconizações. Até que ponto é que o futuro governo não vai estar bastante condicionado pelas preconizações das instituições internacionais? Carlos Vila Nova: Temos parceiros multilaterais que nos têm acompanhado ao longo desses anos, assim como os bilaterais. Há um conjunto, um quadro próprio que temos que respeitar para que possamos continuar a ter esses parceiros ao nosso lado. Não creio que qualquer que seja o governo que venha, que ponha directamente em causa, pode rever, pode encontrar outros mecanismos e, como digo, pode e deve sempre conversar. Se fechámos as portas do diálogo, então aí não avançaremos para lado nenhum. E este diálogo tem que ser com os parceiros e internamente também. Eu velarei para que internamente se abra um novo capítulo na história deste país, que é um diálogo mais permanente, mais sincero, mais directo. E depois, a partir daí, encontrarmos pontos de convergência para termos uma estratégia que possa pôr o país na rota do desenvolvimento. RFI: Por fim, senhor Presidente, qual é o seu apelo neste momento político que o país está a viver? Carlos Vila Nova: Serenidade, Confiança. O futuro é nosso. Depende de nós. Vamos construí-lo.
Sentes que a energia do mundo está a ferver? No Yoga, chamamos-lhe energia rajásica: excesso de ação, agressividade à flor da pele, buzinas, intolerância e um descontrolo que parece saído de uma panela de pressão. Mas o pior não é só o que se passa no trânsito — é o que isto revela sobre os nossos espaços coletivos.Neste episódio, abro o jogo como professor (no Yoga para os miúdos da primária e na universidade com adultos). O diagnóstico é simples: estamos a infantilizar uma geração inteira por falta de consequências.Neste desabafo sem filtros:A Falta de Consequências: Da primária onde os pais vão tirar satisfações ao professor, à universidade onde adultos de 20 anos ainda precisam de controlo de faltas para entrar na sala.Corpos Adultos, Mentes do 7.º Ano: Como o desrespeito e o "estar à vontadinha" prejudicam quem realmente quer aprender — e porque é que já não me calo nem tolero conversa fiada.A Hipocrisia das Presenças: Prefiro dar-vos o código de presença e que se ponham a andar do que ter a sala minada de barulho. Mas porque é que ninguém tem a coragem de assumir a porta de saída?O Papel do Professor: O que perdemos como sociedade quando desvalorizámos a autoridade de quem ensina para passar a mão pelo pelo a quem perturba.Isto não é sobre nostalgia barata de "no meu tempo é que era bom levar nas orelhas". É sobre civilidade, respeito pelo tempo alheio e saber estar.
A Constituição da República Portuguesa consagra o direito de defesa a todos os cidadãos. Ele é assegurado através do acesso ao direito e aos tribunais, e de garantias no processo criminal. Isto é a teoria, e na prática, como funciona? Procuramos a respostaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Piše Tatjana Pregl Kobe, bereta Ajda Sokler in Bernard Stramič. Druga pesniška zbirka akademskega slikarja in pesnika Silvestra Plotajsa Sicoeja ima naslov moje srce je čisto umazano. Ker sem pesmi, nastale od marca 1997 do konca leta 2008 prvič prebirala v rokopisu že pred skoraj dvajsetimi leti, bi lahko zapisala, da je pred mano nova stara zbirka poezije. Besedna igra se malce nanaša na protislovnost v naslovu zbirke, s katero avtor svoje srce opiše kot čisto umazano. Že tu se kaže njegova dvojnost v načinu ustvarjanja: v nasprotju s spontanimi pesniškimi zapisi izpostavlja povsem premišljen naslov kot vrzel, skozi katero naj pride bralec do vsebinskega središča njegove pesniške zbirke. Silvester Plotajs Sicoe je predvsem priznan akademski slikar, pri čemer besede in barve v njegovem ustvarjanju izhajajo iz istega umetniškega jedra. S spontanim nanašanjem barv in oblik na belino platna pripoveduje zgodbe, ki nastajajo pred njegovimi očmi in ekspresivno preoblikovane rastejo iz njegove notranjosti, tako kot z vijuganjem črt na belini papirja piše črke in besede pesmi, ki sočasno zorijo v njem. Obe izreki, vizualna in besedna, se napajata v istem izviru: v pesmi vdihuje barve, v slike vpenja besede. Že v prvi pesniški zbirki Hiša srca, ki je izšla pred skoraj tridesetimi leti, je bila večina njegovih pesmi ljubezenskih, namenjenih Sari, ljubici, ženi, vili, angelu – njegovi muzi. V spremnem besedilu Pesemski zapisi pod lastne slike je literarna kritičarka Tea Štoka že leta 1998 zapisala, da so pesmi na slikah »sproščene, polne mladostnega zagona, svetlobe in živih, pristnih čustev, predvsem občudovanja in očaranosti nad čudežem ljubezni in pripadnosti«. Pri pripravi Plotajsovih del za razstavo Poetika v Koroški galeriji likovnih umetnosti sem leta 2008 prebirala rokopisno zbirko pesmi Kaktus, da bi razumela slike, danes imam v roki pesniško zbirko moje srce je čisto umazano, ki jo berem v atraktivno zasnovani knjižni obliki, opremljeni in oblikovani tako, da z mislimi nisem daleč od pesnikovih vizualnih podob. Za Plotajsa so značilne slike, polne pisanih barv in igrivih podob, pa tudi besed in verzov, ki jih piše na platno. Ob branju njegovih pesmi pa se zdi, da so tako otipljivo žive, kot bi zrli na njegove izslikane podobe. Njegove pesmi niso nič drugačne od slik, ki so tako silovito samosvoje, pritegnejo z močjo natrpanosti in plast za plastjo logično naloženega nereda ter so urejene po zakonih, ki si jih avtor sam določa pri načrtnem upodabljanju razbitosti, raztrganosti in navidezni naključnosti. Tako kot njegova vizualna dela ne sledijo klasičnemu modernističnemu slikarstvu, temveč vsebinsko in formalno ubirajo svojo smer – sam pravi, da je neoekspresionist oziroma pankerski kubist –, tako tudi pesmi ubirajo svojo pot. Ne lirskega ne vizualnega zapisovalca ne zanima svet, skrit pod površjem. Ne slika in ne piše o razpokah v sistemu, o širših družbenih procesih, odnosih moči kapitala in političnih igrah. Njegov svet je neizmerno subtilen, zastoje in praznine, vrzeli in razpoke išče s srcem na dlani. Ljubitelj zgodb, pesnik spontanih nagibov in občudovalec neponovljivega išče vse bolj izginjajočo individualnost, ki se utaplja v množično popularni enakosti. S pesmijo množica očitno razkriva samosvoj odnos do sveta: »čutim množico / divjih src ki se / prerivajo skozi meglo / gozdov … želijo si ljubezni / ki se jim svetlolasa / nasmiha za obzorjem.« V nasprotju s sodobno ljubezensko poezijo, ki pogosto raziskuje telesnost, strast, celo brutalno neposrednost v radikalni telesni liriki, je v Plotajsovih pesmih ljubezen sublimna. V klasičnem slovenskem intimizmu se v ljubezen pogosto prikradejo skepticizem, ironija, minljivost in bivanjska tesnoba, ta poezija pa ohranja skoraj sakralno čistost. Kjer drugi pesniki v ljubezenskem odnosu vidijo odtujenost ali nezmožnost popolnega zlitja dveh svetov, Plotajs vztraja pri veri v odrešujočo moč ljubezni. Njegov pristop ni analitičen ali globoko razumsko dvomljiv, temveč predan in občudujoč. Ljubezen razume kot edini svetli in sveti prostor v razrvanosti kriznih žarišč, vojn, ekoloških katastrof in lažnih novic, pri tem pa kot lirski subjekt ne zapada v težko filozofsko premišljevanje. Njegova metafizika je preprosta, izkušnja ljubezni pa neposredna in očiščena balasta vsakdanjega sveta, politike ali kapitala. Ženska zanj ni le telesno bitje, ampak angel in tudi muza. Ta poezija se tako bolj nagiba k tradiciji novoromantičnega idealiziranja, kjer je ljubljena oseba ideal in vir trajne svetlobe, ne le objekt trenutne strasti, kjer pesmi dišijo po resničnosti, obarvani z določenim razpoloženjem, vznemirjenjem in čustvenostjo. Medtem ko se velik del sodobne poezije odziva na kaos sveta s fragmentiranostjo, ironijo in angažiranostjo, Plotajsova lirika deluje kot prostor upora z nežnostjo, občudovanjem, pripadnostjo, ljubeznijo. Postane varno zavetje, azil: »na robu vesolja hiša / v njej moje srce / oblečeno v škrlat« (prebujenje) Osredotočenost na mikrosvet dveh ljubljenih oseb, družine in narave ni beg pred realnostjo, temveč zavestna odločitev za edino resničnost, ki je zanj pomembna – za dosledno svetost odnosov: »v rokah držim / otroka / visoko ga dvignem / proti nebu / med prsti na nogah / mi polzi potok / blizu izvira sem / polna luna / osvetljuje / krik po življenju // delam se da sem / posoda za utrip srca / a ne / jaz sem utripajoče / iztrgano srce / z dišečim / srčkom v rokah« (lunine sanje) S poetiko med seboj in svetom, sredi nenehnega informacijskega tornada, Plotajs ustvarja zid, za katerim kot sanjač skriva svojo občutljivo notranjost. Tako kot je bilo spomladi na pregledni razstavi Kako sanjati nazaj v ljubljanski Mestni galeriji na njegovih slikah mogoče prebirati tudi poezijo, se v knjigi pesmi pred bralcem sprehajajo njegove podobe. V zbirki je 118 tipografsko urejenih pesmi brez velikih črk in ločil, nastalih med letoma 1997 in 2009, med katere se na samostojnih straneh včasih vrinejo še štiri pesmi v rokopisu, natisnjene v različnih barvah. Pri tem nikakor ne gre za razbijanje monotonosti, saj je oblikovalka Nataša Šušteršič Plotajs poleg uporabe slikarjevih značilnih barv za tisk besedila in različnih barv papirja prek vse knjige razvrstila tudi njegove podobe: sedem celostranskih, tri prek dveh strani in še deset vinjet med besedili. Kot Plotajs od gledalca vedno zahteva nenehno pozornost, ponuja enako občutje tudi tako dinamično oblikovana knjiga. Poseben čar zgradbe pesniške zbirke sta pesmi zimska za saro v rokopisni obliki z rdečimi črkami, izpisana je na predlistu zbirke, ter na zaključni strani v modrem rokopisu pesem prihodnost: »z očmi prebadam / nebo in zemljo / diham skozi / modro žametno / tišino // … lebdim med sanjami / in prihodnostjo / nimam časa / za preteklost / moja pot vijuga / v svetlobo …« Obe pesmi sta nastali leta 2025 in simbolično napovedujeta nadaljevanje v novi zbirki, ki očitno že nastaja. Slike, ki osupnejo gledalca, saj so po neposrednosti komaj primerljive z današnjimi likovnimi svetovi drugih umetnikov, in nove pesmi Silvestra Plotajsa Sicoeja, ki s sporočilom, da je življenje užitek, slikarstvo in poezija pa strast, delujejo poživljajoče in bodo brez dvoma nov izziv za avtorja, gledalce in bralce.
Ime tedna je Luka Marčetić, scenarist in režiser, ki je za črno komedijo Dekle noči osvojil glavno nagrado Fantastic Festa v Austinu. Film se dogaja v Ljubljani, ki se skozi izrazito vizualno podobo preobrazi v osamljeno, skoraj brezčasno mesto, v njem pa se prepletajo humor, melanholija in domišljija. Celovečerec, ki je nastal tudi v koprodukciji RTV Slovenija je na največjem festivalu žanrskega filma v ZDA doživel tudi svetovno premiero. Kandidatki sta bili tudi:- Nika Kuplenk Golobič, fotografinja, ki je na mednarodnem fotografskem tekmovanju Dog Photography Awards 2026 osvojila prvo mesto v kategoriji fotografije psov v gibanju. Žirijo je prepričala s fotografijo Zimski vzlet, na kateri je v skoku skozi sneg na Ljubljanskem barju ujela avstralskega ovčarja Orija in v ospredje postavila njegovo energijo in dinamiko. - Tanja Pak, umetnica in ustvarjalka, ki je za samostojno razstavo Oblika tišine prejela nagrado neprofitne Fundacije Benetk, uradno priznanje za najboljši projekt letošnjega 10. festivala Beneškega tedna stekla. V obrazložitvi so zapisali, da od fizičnih meja materiala do skrajnih zmožnosti njegovega izraznega potenciala umetnica v mediju stekla izraža ideje krhkosti, ranljivosti in minljivosti bivanja.
O MLSTP, principal partido de oposição, chegou à frente nas legislativas deste domingo 27 de Setembro de 2026 em São Tomé e Príncipe, com uma diferença de algumas centenas de votos face à ADI, no governo. Enquanto o MLSTP reivindica pelo menos 26 mandatos, a ADI no poder, veio afirmar esta tarde que existe a possibilidade de “um empate técnico” a 24 mandatos com o MLSTP. Outro dado destas eleições, de acordo com a Comissão Eleitoral Nacional, a taxa de abstenção situou-se quase nos 59%, ou seja no mesmo nível constatado nas presidenciais de 19 de Julho. Dados preliminares que analisamos com o sociólogo são-tomense Olívio Diogo. RFI: Como analisa na globalidade os primeiros resultados divulgados hoje? Olívio Diogo: Primeira coisa que tenho que falar sobre as eleições é dizer que elas correram de forma ordeira. Mais uma vez, o povo são-tomense mostrou que está muito evoluído positivamente para aquilo que diz respeito às eleições, naquilo que diz respeito à votação e que a partir do momento que as pessoas votam, elas transformam o dia da eleição numa festa. Não há nenhum tipo de conflito. Não há incidente e se houver algum outro caso, são casos naturais que acontecem em qualquer eleição, como em qualquer parte do mundo. Mas eles mostraram que estão bastante maduros para a questão das eleições. A outra questão tem a ver com aquilo que foram as abstenções que aconteceram. Esta abstenção acontece sobretudo porque as pessoas ficam cada vez mais cansadas daquilo que é a votação. Eu estive em alguns círculos eleitorais. Eu vi que as pessoas estavam ali, estavam perto do local da votação, mas não iriam votar porque estavam a participar da festa. É que os governantes, qualquer um deles, já não estão a trazer para si aquilo que acham que vai melhorar as suas condições de vida. RFI: Relativamente ainda á abstenção, esta abstenção, a taxa é mais ou menos semelhante àquela que foi constatada durante as presidenciais de 19 de Julho. Outro dado é que, entretanto, há algumas semanas, houve um apelo ao boicote a estas eleições legislativas. Como é que deve ser interpretada esta taxa de abstenção? Olívio Diogo: É verdade que mesmo antes do período eleitoral, houve um apelo ao boicote pelo ex-primeiro ministro Patrice Trovoada para que as pessoas não fossem às urnas. Quando nós falámos com as pessoas aqui, nós percebemos que este boicote pode não ter sido a causa fundamental das pessoas não irem votar, mas este boicote aproveita a oportunidade que as pessoas estão tão desencontradas com aquilo que os políticos fazem e as pessoas vêem que as suas vidas não estão a ser melhoradas. Mas é preciso também dizer que esta abstenção tem dois ou três aspectos ainda que são importantes falar sem falar da questão dos boicotes, sem falar que as pessoas estão desinteressadas em irem votar. é que esta forma de votação que nós estamos a ter agora, é uma votação diferenciada, todos os indivíduos que têm 18 anos, eles não precisam ir fazer a inscrição. Portanto, há muitos jovens com 18 anos que nem sabem que estão inscritos no caderno eleitoral. Outro aspecto tem a ver com o facto de estes dados terem sido extraídos e muitas pessoas não sabem em que local estão inscritas. O terceiro aspecto muito importante também, que se deve frisar, tem a ver com a emigração. Esta eleição a que estamos a assistir agora é uma eleição que apanhou esta vaga de emigração. É uma emigração de pessoas que muitas delas estão sem as suas condições de vida regularizadas. Elas não sabem sequer que poderiam votar no exterior. RFI: Este voto maioritário no MLSTP é um voto de adesão ao projecto do MLSTP ou de rejeição ao partido da situação? Olívio Diogo: O MLSTP, para quem acompanha as eleições em São Tomé e Príncipe, de algum tempo a esta parte, sabe que o MLSTP tem um número mais ou menos de votos que não se altera muito e portanto o MLSTP fez o seu papel de garantir que este número de votos seja aplicado. E por outro lado, trabalhou para que aumentasse mais um ou dois, o número deputados. Portanto, aqui há duas coisas. A primeira coisa é dizer que isto foi claramente um boicote ao Américo Ramos e as pessoas não se encontraram com aquilo que o Américo Ramos fez durante o seu mandato de dois anos. A população não se entendeu com Américo Ramos e certamente a forma como se tornou líder do Partido da Acção Democrática Independente e ele não conseguiu criar uma empatia com a população, que era uma empatia com aquilo que são as necessidades básicas da população. Se reparar, o MLSTP não cresceu muito. Foi a ADI que baixou significativamente. A ADI tinha nas últimas eleições 30 deputados e saiu de 30 deputados para ter agora 22 ou 23 que ainda não sabemos. Mostra claramente que foi a ADI que perdeu e que o grande perdedor destas eleições é inevitavelmente, o Américo Ramos, o primeiro-ministro em funções. RFI: Patrice Trovoada, pode retirar algum dividendo político deste cenário? Olívio Diogo: Naturalmente que Patrice Trovoada vai tirar dividendos políticos deste cenário, por ter apelado ao boicote às eleições, apelado ao aumento da abstenção e a abstenção vir equilibrada, como foi já nas eleições presidenciais, demonstra claramente que a sua palavra, a sua imagem e a informação que ele quis passar foi encaixada sobretudo naquelas pessoas que são fidedignas àquilo que é a política de Patrice Trovoada. Essas claramente não foram votar e essas claramente disseram que continuam com ele independentemente daquilo que venha a contar. Portanto ele pode perfeitamente bem tirar dividendos disto. RFI: Ainda não se sabe exactamente como é que se repartem os mandatos, uma vez que é o Tribunal Constitucional que deve dar esta informação. O MLSTP reivindica pelo menos 26 mandatos, o que é muito próximo da maioria absoluta. Mas não tendo a maioria absoluta, para que partido é que se vai virar naturalmente para eventualmente formar uma coligação? Olivio Diogo: No que diz respeito ao facto de ser o Tribunal Constitucional a fazer o mosaico natural de número de mandatos que cada partido deve ter, isto leva a entender que o MLSTP, tendo em conta que isto é uma realidade, está a fazer pressão para dizer ao Tribunal Constitucional que este resultado são resultados que dificilmente se alteram. Mesmo que a ADI queira governar, teria que fazer uma coligação, mesmo que o MLSTP queira governar teria que fazer uma coligação. Perguntava-me anteriormente com quem é que se deve fazer esta coligação. Todos os partidos estão abertos e disponíveis porque eles sempre disseram o mesmo. O Basta e qualquer um destes partidos tiveram um ou dois deputados, estão disponíveis para o fazer. Essa coligação passará inevitavelmente pelo MCI-PS/PUN porque está em melhores condições. Nenhum partido poderá governar sem fazer uma coligação com esta formação. Isto é impossível, a não ser que haja uma coligação entre o MLSTP e a ADI para governar, o que eu acho que não acontece. A coabitação que deve haver entre o Presidente da República e uma cor política contrária é uma coabitação que nós, os observadores daquilo que se passa dentro da nossa política, acreditamos que sim, porque não podemos esquecer que estas duas forças, quer o MLSTP quer a ADI, apoiaram o Carlos Vila Nova a ser reeleito Presidente da República e agora não vejo razão para que o Carlos Vila Nova venha se opor à possível ascensão de uma dessas forças políticas.
Mas então o que pretende exactamente Centeno com as 460 páginas de Contas Certas? Não é um livro de memórias, mas foi "escrito com boa memória"; é um "livro de economia e de ciência política"; é um "instrumento de partilha de conhecimento para um debate mais informado sobre a vida colectiva do país". Porque "não há coragem na política nem há coragem na vida. O que nos faz agir é a nossa preparação e a coragem sem preparação é imprudência", avisou em cima do palco. E o livro é a sua proposta política? "Se se entender como proposta política aquilo em que o país devia estar concentrado... mas não é corporizado em mim ou em quem quer que seja", insistiu. Neste Soundbite, estão em análise as ambições políticas de Mário Centeno.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Portugal vai possuir a única fábrica ibérica para reciclagem de baterias de lítio. Isto vai permitir baterias mais baratas e menos poluentes, abrindo ainda uma segunda oportunidade às baterias velhas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Os muros já praticamente não nos falam. E nem de limite servem, como barreiras, cortando as frases, interrompendo a tagarelice deste mundo tão jactante precisamente porque nada tem para dizer. Vende-nos constantemente o seu vazio por incapacidade de afirmar seja o que for. «Nada está próximo para quem está à deriva»... Eis a última frase que li num muro e que me pareceu que falava para mim. Já vão uns anos. Desencontrados de tudo, e desde logo desencontrados face à época, incapazes de corresponder à sintonia que esta exige, se quisermos afectar ou perturbar o seu curso temos de começar pela afinação de uma estética, expurgando-a quer do senso comum quer de valores morais. Não sei que raio de sugestão terão feito a Ballard quando se lembrou de listar as suas crenças num breve artigo publicado originalmente numa pequena revista francesa, o certo é que, em vez de nos vir com o habitual recital de sensaborias patéticas, nos deu uma perfeita destilação do seu universo, dessa estética que iria infectar e estimular a imaginação de todos nas décadas que se seguiram. Eis o principal: «Deter a noite, transcender a morte, encantar as auto-estradas, granjear a simpatia dos pássaros, conquistar as confidências dos loucos.» Ora aí estava uma forma de ganhar a confiança a um imaginário licencioso, capaz de gerar algum transtorno, refazer o mundo, mesmo que apenas para uns quantos inadaptados. «Acredito nas minhas próprias obsessões», adiantava ele, «na beleza do acidente de automóvel, na paz da floresta submersa, nas emoções da praia de férias deserta, na elegância dos cemitérios de automóveis, no mistério dos parques de estacionamento de vários andares, na poesia dos hotéis abandonados. (…) Acredito na impossibilidade da existência, no humor das montanhas, no absurdo do electromagnetismo, na farsa da geometria, na crueldade da aritmética, na intenção assassina da lógica. Acredito nas adolescentes, na sua corrupção pelas próprias posturas das pernas, na pureza dos seus corpos desgrenhados, nos vestígios dos seus genitais deixados nas casas de banho de motéis miseráveis. (…) Acredito na delicadeza do bisturi do cirurgião, na geometria ilimitada do ecrã de cinema, no universo oculto dentro dos supermercados, na solidão do Sol, na loquacidade dos planetas, na repetitividade de nós próprios, na inexistência do universo e no tédio do átomo. (…) Acredito nos próximos cinco minutos. (…) Acredito na ansiedade, na psicose e no desespero. (…) Acredito no alcoolismo, nas doenças venéreas, na febre e no esgotamento. Acredito na dor. Acredito no desespero. (…) Acredito em todas as alucinações. Acredito em toda a raiva. Acredito em todas as mitologias, memórias, mentiras, fantasias, evasões.» Talvez não seja o suficiente para fundar uma comunidade, um culto ou uma seita proselitista de qualquer ordem. Não parecem ser as notas de alguém minimamente empenhado em transmitir-nos algum tipo de esperança. Mas é, sobretudo, uma convicção de ordem estética, uma margem para se desligar de todo esse desastre de quem nos promete as melhores soluções, os que vivem das medíocres fantasias subordinadas à razão, à lógica, ao bem-comum podem bem ser o pior tipo de canalhas, num momento em que é uma forma de devastação inesperada a única possibilidade de ser feita alguma espécie de justiça neste mundo. Na sua obra ficcional, Ballard não fez outra coisa senão demonstrar como o mundo nos encurralou a tal ponto que só ambicionamos verdadeiramente o colapso, a derrocada das maravilhas deste regime em que nos forçam a viver encerrados como num vedado Jardim das Delícias. «Os últimos relatórios enviados de Las Vegas descreviam uma capital do jogo abandonada parcialmente submersa num gigantesco lago fustigado pelas chuvas. As roletas estavam paradas e as luzes moribundas dos hotéis reflectiam-se nos prados do deserto alagado, ou o fracasso e a humilhação da América vistos no mais feroz dos espelhos.» Seria quase impossível aceitar um paraíso que não vingue enquanto a deglutição das ruínas de todo este resplandecente cenário de progresso que temos diante de nós. «E por toda a parte, carros (…) rodeados de areia, enfileirados a ganhar pó, as suas carroçarias enferrujadas transformadas em caramanchões de flores silvestres que irrompiam de pára-brisas desfeitos e os compartimentos dos motores a darem guarida a toda a espécie de roedores do deserto.» Fechamos os olhos, e não é difícil pressentir essa desolação que está inscrita nas coisas, e como em algumas décadas o mundo se verá convertido numa imensa paisagem imemorial e melancólica, com essas cidades defuntas que estão já presentes nas ficções em que nos pomos a contemplar o futuro. Por agora, a publicidade tenta pintar por cima de tudo, mas essa mesma publicidade diz-nos que não pertencemos ao mundo por ela idealizado, e diz-nos também que «quando a vida se submete ao consumo, a morte torna-se uma obra de arte» (Müller). É evidente que o nosso destino é o subterrâneo, e, como se lê nos «cadernos» desse ser que ali tomou morada, se, nos últimos dois séculos, o ópio da religião foi substituído pelo dos sumptuosos anúncios publicitários e o progresso se tornou a grande vertigem e doutrina, e se enfatizou sempre que vinha aí outra coisa, que «a própria ciência ensinaria ao homem que, na realidade ele não tem vontade nem capricho, nem os teve nunca, e mais não é do que uma tecla de piano ou pistão do órgão; e que, além disso, há no mundo leis da natureza, logo, tudo o que o homem faz não é feito por sua vontade, mas espontaneamente, pelas leis da natureza»… «Por conseguinte, basta descobrir essas leis da natureza, e o homem nem responsável será pelos seus procedimentos e ser-lhe-á muito fácil viver. Todos os procedimentos humanos serão então estimados de acordo com essas leis, matematicamente, como uma tábua de logaritmos, até 108 000, e incluídos num almanaque; ou, ainda melhor, aparecerão umas benevolentes edições, à maneira dos nossos actuais dicionários enciclopédicos, em que tudo será tão bem calculado e enunciado que deixará de haver mais procedimentos e mais aventuras no mundo.» Isto apareceu escrito por Dostoiévski numa revista em 1864, antecipando como toda esta marcha do progresso e da razão serviria para nos infectar de um ânimo absurdamente truculento, colocando um sulfúrico desprezo no lugar do desejo… «Não me admiraria nada, por exemplo, se, sem mais nem menos, no meio do bom senso geral futuro, surgisse um gentil-homem qualquer de fisionomia ignóbil, ou, melhor dizendo, retrógrada e irónica, que, pondo as mãos nos quadris, dissesse para todos nós: o que acham, meus senhores, e se déssemos um valente pontapé em todo este bom senso de uma vez por todas, unicamente para que todos estes logaritmos fossem para o raio que os parta e para voltarmos a viver segundo a nossa estúpida vontade?» Como é óbvio, nem preciso sugerir qualquer errata, qualquer actualização, para que a própria força das circunstâncias nos obrigue nos dias de hoje a substituir «logaritmos» por «algoritmos», ou por qualquer outra dessas funções que nos esmagam quotidianamente. Contra todas as promessas, todos os ganhos e vantagens desse futuro tecnológico, contra os avanços sucessivos, contra as mais salivantes fantasias para as quais somos industriados, ainda assim, persiste este desejo subterrâneo no homem de agir pela sua vontade e não como lhe mandavam a razão e a vantagem. «A nossa própria, livre e independente vontade, o nosso próprio capricho, por mais absurdo e selvagem que seja, a nossa própria fantasia, desenfreada por vezes até à loucura – eis a mais vantajosa das vantagens, a que foi omitida, a que não se encaixa em nenhuma classificação e que permanentemente faz desmoronarem-se todos os sistemas e teorias. Onde foram todos esses sábios buscar a ideia de que o homem precisa de uma qualquer vontade normal e virtuosa? Por que razão fantasiaram eles que é indispensável ao homem uma vontade sensatamente vantajosa? O que o homem precisa é só de uma vontade independente, custe o que custar e leve aonde levar esta independência. E sabe-se lá que diabo de vontade é essa…» Neste episódio, juntou-se a nós João Camargo, que tem já um longo percurso enquanto militante e activista, batendo-se pelas profundas transformações políticas e sociais que se mostram urgentes para contrabalançar a emergência climática, sendo um dos elementos fundadores do Climáximo. Tem também desenvolvido pesquisas consistentes no que respeita à Inteligência Artificial e à devastação que esta acarreta, exponenciando mecanismos de vigilância e opressão e o complexo das indústrias militares. Mestre em Engenharia do Ambiente e Produção Animal, é investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, no doutoramento em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável, e autor dos livros Que Se Lixe a Troika (2013) e Manual de Combate às Alterações Climáticas (2018) e co-autor de Portugal em Chamas – Como resgatar as florestas (2018).
Termina esta sexta-feira a campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe. Durante duas semanas, as sete formações políticas concorrentes passaram o país a pente fino na caça aos votos. Quatro movimentos com assento parlamentar, a ADI no poder, o MLSTP, a coligação MCI-PS/PUN, e o movimento Basta estão a concorrer juntamente com três outras formações sem assento, o PCD, o MDFM e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra. As equipas de observadores internacionais, nomeadamente da União Europeia, da CPLP e da Francofonia também já se encontram em campo, enquanto a Comissão eleitoral nacional está a ultimar os preparativos do escrutínio. Antes de o país ir a votos, Jeudiger Nascimento, presidente da Comissão Eleitoral Nacional fez o ponto da situação. RFI: Qual é o seu primeiro balanço da campanha eleitoral? Jeudiger Nascimento: O balanço que eu faço é um balanço positivo. Se nós formos excluir o episódio que aconteceu no primeiro dia, nós podemos dizer que tem sido positivo. Os partidos têm apresentado a sua proposta à população. A população tem estado a ouvir calmamente. Nós não registamos nenhum tipo de situação constrangedora. Então, eu acredito que o balanço tem sido positivo e espero que continue assim até ao final. Que os partidos continuem a apresentar as suas propostas, que o povo escute de forma que no dia 27 possa exercer o direito de voto e fazer a melhor escolha possível. RFI: Como é que avalia a actuação dos partidos políticos? Houve algum tipo de agressividade verbal? Isto tem sido tenso, a seu ver? Jeudiger Nascimento: O mais impressionante, eu até fiquei surpreso nessas eleições porque realmente tenho estado a acompanhar vários partidos na internet para poder também entender até que ponto eles têm estado a agredir uns aos outros. Vi algumas acusações que este não fez aquilo, mas realmente eu vi que os partidos estão muito mais preocupados em tentar expor aquilo que eles pretendem fazer. Então não registei nenhuma agressão verbal, nem ninguém chamou alguém de ladrão, eu percebi que eles estão muito preocupados em apresentar as suas propostas. E eu acho que é assim que deve se fazer em democracia, para que a população possa avaliar melhor e escolher quem ela acredita que tem melhores condições para dirigir o país. RFI: Houve formações que se sentiram lesadas durante este período de campanha eleitoral, tanto pelo Tribunal Constitucional como também pela própria Comissão Eleitoral, que chegaram a acusar de parcialidade. O que tem a dizer quanto a isso? Jeudiger Nascimento: A Comissão Eleitoral fez o seu trabalho, sobretudo na emissão dos certificados. Avisou as candidaturas de que sempre que nós constatamos algo que o nosso sistema detectava como anormal, porque antes de as pessoas entregarem os documentos no Tribunal Constitucional, elas devem pedir sempre à Comissão Eleitoral uma certidão. E desde o início, a Comissão Eleitoral alertou para todos os partidos políticos ‘olha tal candidato ou tal pessoa que está a pedir tal certidão para o seu partido já está inscrito no outro partido'. E sempre essas pessoas que fizeram trocas de partidos, sempre andaram a fazer trocas. Então, realmente eu não entendo o porquê desta acusação. Mas a Comissão Eleitoral tem estado a preparar o processo, tem deixado os partidos fazerem a sua parte, que é expor à população, as suas ideias. Mas nós vimos o que aconteceu com a decisão do Tribunal Constitucional. A Comissão Eleitoral não tem poder nem tem decisão também sobre as decisões do Tribunal Constitucional. Logo, a nossa parte, nós temos cumprido e temos estado a fazer o nosso trabalho da melhor forma possível. RFI: Relativamente ao financiamento das vossas acções na Comissão Eleitoral, há umas semanas atrás evocava-se o facto de não se saber exactamente se haveria condições para realizar as eleições. Isto já é uma situação habitual. Como é que estamos neste momento? Jeudiger Nascimento: A nível da Comissão Eleitoral, tudo o que nós tínhamos que fazer para preparar as eleições, nós temos tudo preparado. É verdade que existem algumas outras situações que não dependem necessariamente da Comissão Eleitoral, como, por exemplo, a situação de segurança pública, a situação dos apuramentos que são feitos pelos tribunais e também até os membros da mesa que a Comissão Eleitoral deve pagar. Estamos à espera que o governo coloque a verba para nós podermos sanar essas situações. Mas nós podemos dizer, por exemplo, que a nível da diáspora nós conseguimos garantir que todos os boletins já estão todos na diáspora. A situação da diáspora está toda garantida. Mas nós acreditamos a nível da Comissão Eleitoral, está tudo pronto para que no dia 27 haja as eleições. Relativamente à organização, ela já é habitual. Nós temos desta vez duas eleições, mas já tivemos também alguns anos atrás. Nós teremos duas urnas. Uma urna destinada às eleições legislativas. E outra destinada às eleições autárquicas em São Tomé. Na Região Autónoma, uma urna para eleições legislativas e outra para eleições regionais. E na diáspora, nós só tivemos uma urna para eleições legislativas. As pessoas deverão dirigir-se às assembleias de voto para entregar os documentos e fazer de forma sigilosa a sua escolha. E depois disso irá se fazer. No final do dia, a contagem irá enviar os resultados para a Comissão Eleitoral que deverá publicar os resultados parciais e depois deixar para os tribunais fazerem também a parte da divulgação geral e parcial. RFI: E em termos de fiscalização e de observação? Jeudiger Nascimento: Aqui em São Tomé quem indica os membros de mesas e os delegados são os partidos políticos. A Comissão Eleitoral não indica ninguém. Então, todas as mesas, os partidos indicaram delegados, indicaram os membros e eles têm esses representantes na mesa, para além de observadores internacionais, que nós temos bastante. Aqui temos observadores da CPLP, da União Europeia e também da Francofonia, que estão aqui em São Tomé. E depois nós temos alguns cidadãos que geralmente estão ligados a partidos políticos que andam, observam e todo o povo pode observar com certeza. Então é algo aberto e de todos nós. E então eu acredito que o processo está todo garantido. RFI: Nestes dias tem havido uma série de acções de formação por todo o país para quem vai estar nas mesas de voto, qual é o balanço que faz destas acções de formação e de sensibilização? Jeudiger Nascimento: Essas acções, elas vêm no sentido de reforçar durante as eleições presidenciais. Nós constatamos que houve alguns erros que não deveriam ter cometido relativamente aos procedimentos de fecho de urnas. Houve pessoas que acabaram por meter todas as actas dentro de urnas e nós tivemos que esperar os magistrados abrirem para nós termos as actas. Então nós estamos nesse reforço e com uma vertente muito prática para que as pessoas que vão para as mesas possam compreender efectivamente como deve se abrir uma urna. Qual é o procedimento durante o processo e como deve fazer o fecho. O que é da Comissão Eleitoral que deve vir para comissão eleitoral. O que é para ser deixado nas urnas para os magistrados, para serem deixados. Além disso, nós estamos a reforçar também os deveres e os direitos dos delegados, deveres e direitos dos mandatários, para que nós evitemos conflitos desnecessários durante o processo. Dos jornalistas, de igual modo, dos próprios observadores que poderão aceder à sala para fazer a sua observação. Então nós temos estado a reforçar essas competências junto dos membros do mês, até porque muitos vão pela primeira vez para que eles possam saber e para que não haja atrito no dia 27. RFI: Quando se fala de eleições, é inevitável falar de ‘banho'. Algumas inovações para evitar este tipo de situações? Jeudiger Nascimento: Realmente não. Nós não temos nenhuma inovação. O que nós temos estado a fazer, investimos muito na sensibilização, explicando às pessoas que o banho, sei lá, 200 dobras, 500 dobras, pode demorar, às vezes horas, se não acabar no mesmo dia. Já o mandato e o futuro do país, quando tem um governante, nós temos quatro anos. É o preço de quatro anos. Jamais vai ser ao preço de 500 dobras. Então é bom que as pessoas vejam bem que receber 500 dobras, esse dinheiro veio de algum lado e depois vai ter que ser restituído, porque ninguém dá de graça para ninguém. Então, que as pessoas tenham consciência de que estão a decidir o futuro do país e o futuro do país não é com 200 dobras, não é com 500 dobras. E tem a geração mais nova que vem. Nós temos necessidades de hospitais e outras coisas mais e nós temos que pensar em tudo isso e votar de forma consciente. Então, esse é o apelo que nós temos estado a fazer à população: votar de forma consciente para que nós tenhamos realmente um governo que se preocupe com a população e que a população depois também possa reclamar. ‘Já que eu voto, eu exerci o meu direito de voto. Então eu tenho direito também de reclamar quando as coisas não vão bem'. E nesse caso nós estamos a falar para aquelas pessoas que querem, por exemplo, decidir não ir votar. Então é bom que as pessoas saibam. Se eu decido não ir votar, então eu também perdi o meu direito de reclamar. Então eu só posso reclamar se eu fiz uma escolha. E eu avaliei que a escolha que eu fiz não está bem. Mesmo que eu não tenha feito escolha para quem vai governar. Mas eu fiz uma escolha e eu tenho que solicitar pedido de conta depois, assim como todos nos vão nos pedir a conta depois também. RFI: Algum dispositivo de segurança específico para o dia 27? Jeudiger Nascimento: Nós temos a Polícia Nacional, que cá está, como sempre, faz o seu trabalho de segurança pública. Temos as Forças Armadas que vão também ajudar a Polícia Nacional, os militares, neste caso as Forças Armadas, não vão como força armada. Vão no sentido de incorporar como agente de segurança pública para reforçar a segurança e dar apoio à população, de forma que todo mundo que saia de casa para exercer o direito de voto também possa voltar para casa em segurança, assim como os próprios agentes que irão. Eles são agentes, mas também são eleitores e vão exercer o direito de voto. Têm o direito também de voltar para casa em segurança. RFI: Tem números? Sabe Quantos agentes das forças da Ordem vão estar mobilizados nesse dia? Jeudiger Nascimento: Nas eleições presidenciais, nós tínhamos mais de 500 agentes, somando os da Polícia Nacional e das Forças Armadas. Então eu acredito que nessas eleições, até mesmo porque aumentou-se o número de mesas, então pode ser um pouquinho mais, mas sempre no sentido de apoiar, não de fazer com que a população tenha receio. É só no sentido de apoiar para que tudo corra como aconteceu nas eleições presidenciais, com muita tranquilidade, paz e harmonia. RFI: Tem estado a liderar a equipa da Comissão Eleitoral Nacional desde o começo do ano. Qual é o primeiro balanço que faz de todos estes meses de trabalho? Jeudiger Nascimento: É desafiante porque nós temos uma equipa formada por pessoas que vêm dos diversos partidos políticos. Conhecemos de antemão como é que os partidos, enquanto partidos políticos, pensam, mas aqui dentro nós temos estado sempre a pautar pelo diálogo. Nem sempre concordamos, mas existe uma plenária para poder dirimir esses casos e temos estado a conversar sempre, a encontrar a melhor forma de fazermos as coisas de forma que o povo seja realmente a pessoa beneficiada. Sempre que os partidos não concordem, nós chamamos os partidos, explicamos ao seu representante e o representante expõe a visão da Comissão eleitoral, porque nós formamos aqui como uma equipa e até agora nós temos estado realmente a funcionar bem, até mesmo porque nós temos tido também uma boa receptividade por parte dos partidos políticos. Têm sempre apoiado, têm escutado e nós ouvimos e eles nos ouvem. Então nós temos feito um bom trabalho. O trabalho da equipa tem sido bastante positivo. RFI: Por fim, qual é o apelo que faz nesta fase final da campanha eleitoral? Jeudiger Nascimento: O apelo que faço é que as pessoas continuem a ouvir as propostas dos partidos e que no sábado e domingo respeitem o período de reflexão. No domingo, as urnas abrem às 07h00. Mas a lei diz que é das 07h00 às 17h00. Que ninguém deixe para votar depois das 17h30, porque milagres não acontecem. Depois desse momento, e se alguém tiver que esperar 200 ou 300 dobras a partir das 17h30, tem que perceber que depois o futuro do país também não irá esperar. Então eu exorto toda a gente que saia de casa. Quem acha que a coisa não vai bem, que precisa exercer o seu direito, então que vá lá na urna, que é o único momento em que o povo tem para ser juiz e vai lá e avalia e decida quem acha que está bem, então vai ali também e faça o mesmo. Se eu achar que está bem, não saio de casa. Então eu estou a prejudicar quem fez bem. Se eu achar que está mal, também não vou sair de casa, então eu vou estar a prejudicar quem pode fazer melhor. Então a altura é das pessoas avaliarem a situação, ouvirem as propostas e depois decidir qual é a melhor proposta e exercer o seu direito de voto.
Em São Tomé e Príncipe, estão praticamente a terminar as duas semanas de campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro. Um processo eleitoral durante o qual, à semelhança de outros anos, se discute dos moldes de uma eventual reforma da justiça. Na óptica de muitos, este sector padece de todos os males: poucos meios, morosidade, opacidade e inclusivamente falta de independência, no caso do Tribunal Constitucional que recentemente foi acusado de ter afastado determinadas candidaturas às legislativas por motivos políticos. Também continua presente o caso do 25 de Novembro de 2022, a morte de quatro pessoas no quartel militar de São Tomé em circunstâncias ainda por ser esclarecidas pela justiça. Herman Costa, bastonário da ordem dos advogados de São Tomé e Príncipe, diz não alimentar muitas expectativas quanto às eleições que se avizinham e considera que a justiça do seu país não está bem. RFI: Como está a justiça em São Tomé e Príncipe? Herman Costa: Temos que dizer a verdade. E a verdade é esta: que a situação da nossa justiça não é boa. Porque nós estamos nas vésperas das eleições legislativas e muitos têm falado do nosso Estado de Direito democrático, desde a implementação da democracia no nosso país, nós temos sido vistos como um exemplo de democracia ao nível da nossa sub-região em África. É uma realidade porque, efectivamente, há alternância do poder, sempre que termina uma legislatura, as eleições são convocadas e os cidadãos são sempre chamados para exercer o seu direito. Mas passados mais de 50 anos da nossa independência, a grande questão que nós colocamos é o conteúdo da democracia. Porque a democracia não pode se resumir no simples acto de realização das eleições. E qual é o conteúdo para além da alternância do poder? E para além do convite legal constitucional da chamada dos cidadãos para poderem exercer o seu direito de voto, há que haver um conteúdo subjacente, aquilo que deve nortear verdadeiramente uma democracia, que é o trabalho em prol dos cidadãos. E isso não se tem verificado ao nível do nosso país. Estamos diante de uma democracia vazia, coxa, na medida em que apenas se verifica o mero acto de realização das eleições. E claro, isto reflecte-se em todos os sectores, nomeadamente no sector da justiça. As instituições democráticas não funcionam como manda a Constituição da República. Um exemplo prático é o clima tenso que vivemos no país entre os partidos políticos, no que toca, por exemplo, à questão da instrução dos processos de candidatura, em que nós vemos aqui uma forte contestação dos partidos políticos relativamente à actuação do Tribunal Constitucional. RFI: E precisamente, relativamente à actuação do Tribunal Constitucional, tem sido frequentemente acusado de ser, no fundo, uma espécie de arma de arremesso para os partidos ou dirigentes políticos em várias ocasiões. O último destes casos foi precisamente a questão das candidaturas às legislativas que, segundo certas correntes de opinião, terão sido condicionadas à sua proximidade com o actual Presidente. Herman Costa: Nós não vamos entrar nestas querelas políticas, como é óbvio. Como dizemos sempre, os assuntos políticos resolvem-se de forma política e os assuntos jurídicos de forma jurídica. Mas não podemos deixar de frisar que a actuação do Tribunal Constitucional ao longo dos anos, desde que foi criado, tem gerado uma grande instabilidade no funcionamento das instituições democráticas, porque não é aceitável que o Tribunal Constitucional, e como referiu e bem, tenha sido usado como uma arma de arremesso em função de interesses instalados, interesses claros, isto é de todo inaceitável. E se em tempos, nós defendemos que era necessário a criação de um Tribunal Constitucional de raiz, separado do Supremo Tribunal de Justiça, como funcionava, hoje já começamos a questionar se efectivamente se justifica ou não termos este Tribunal Constitucional a funcionar nos termos em que funciona, sobretudo no que toca ao modo de eleição dos juízes, que tem gerado uma grande insegurança jurídica no nosso ordenamento jurídico, no funcionamento da nossa Justiça. Porque a imagem negativa que se tem da Justiça ao nível de São Tomé e Príncipe, é verdade que os tribunais judiciais típicos, enfim, na primeira instância, e o Supremo Tribunal de Justiça, funcionam da forma como funcionam. Carecem de recursos para efectivamente cumprir com as suas funções e competências. Mas a maioria das críticas que se ouve, a mancha, a mácula que temos carregado nos últimos tempos ao nível do sector da justiça, deve-se sobretudo à actuação do Tribunal Constitucional ao longo dos anos, desde que foi criado. RFI: Tem-se o sentimento que há uma espécie de concorrência entre o Supremo e o Tribunal Constitucional e que não se chega a perceber muito bem quais são as prerrogativas de ambos os órgãos. Herman Costa: É uma falsa questão, na medida em que a lei é muito clara em relação àquilo que são as competências de cada um dos tribunais. O Supremo Tribunal sabe quais são as suas competências legais e constitucionais, tal como o Tribunal Constitucional também conhece as suas competências legais e constitucionais. Infelizmente, os interesses políticos instalados levam a que os intervenientes, sobretudo, e estamos aqui a falar do Tribunal Constitucional, levam a que, infelizmente, extravasem aquilo que são as suas competências. Agem à margem da lei e da Constituição da República, o que é de todo lamentável. Razão pela qual nós voltámos a questionar se a esta altura e nós vamos levantar esse debate sobre aquilo que tem sido, sobre aquilo que é efectivamente a utilidade do Tribunal Constitucional para o nosso Estado de Direito democrático. RFI: Outro caso que também chocou bastante a opinião pública são-tomense é o caso 25 de Novembro e o seu tratamento a nível judicial. Tribunal Militar, Tribunal Civil. Não se percebe muito bem como é que fica. O que é que se pode dizer exactamente sobre este caso, que acaba por ser muito confuso? Herman Costa: Em primeiro lugar, é preciso que se diga que aquilo que aconteceu no quartel das Forças Armadas no dia 25 de Novembro é absolutamente reprovável. Merece toda e qualquer censura da parte de todos nós. A questão que se prende com o tratamento que foi dado ao processo, já é uma outra questão. O que nós assistimos, foi um empurrar da situação, uma falta de assunção de responsabilidade do próprio Estado no tratamento devido ao caso, porque nós não estamos diante de uma situação de dúvidas ou falta de provas. Houve uma competente investigação, houve uma competente acusação feita pelo Ministério Público de São Tomé e Príncipe, coadjuvado pela Polícia Judiciária Portuguesa. Um trabalho devidamente aturado. O que aconteceu é que, ao nível judicial, faltou coragem ao Poder Judiciário de decidir o caso nos termos da lei. O que se assistiu em relação à transmissão do processo de uma jurisdição para outra e vice-versa, portanto, da Jurisdição Civil para jurisdição militar, da jurisdição militar para jurisdição civil, nada mais é do que a falta de responsabilidade, de coragem de decidir uma causa. Embora sendo ela delicada, o processo tinha que ser decidido nos termos da lei, ao invés da conduta e do comportamento que se assistiu ao nível do Poder Judiciário de empurrar com a barriga, ao invés de responsabilizarem os infractores mediante o justo processo. E nós já o dissemos e voltamos a dizer que uma coisa é a responsabilização criminal dos infractores e outra coisa é a responsabilização do próprio Estado no que toca ao pagamento da indemnização aos familiares das vítimas. Por que carga de água até hoje o Estado não se posicionou no sentido de indemnizar os familiares das vítimas? Isto é uma questão objectiva. Houve mortes, houve familiares que ficaram sem os seus parentes. Isto não carece propriamente da realização do julgamento do processo criminal para indemnizar os familiares da vítima, porque os militares que actuaram da forma como actuaram, actuaram nas vestes de agentes do Estado. E aqui o Estado tem uma responsabilidade. Pode perfeitamente indemnizar os familiares da vítima enquanto se aguarda pela realização do processo-crime que ainda aguardamos. E essa audiência de julgamento tem que ser realizada, porque a culpa não pode morrer solitária. RFI: Durante a campanha eleitoral falou-se muito da reforma da Justiça, que é um chavão habitual há já várias eleições. Uma das reformas que é proposta é, por exemplo, para esses casos um pouco mais delicados, mandar vir juízes de fora, numa espécie de sistema de cooperação durante dois ou três anos, para evitar precisamente a contaminação, por exemplo, do político no terreno da Justiça. O que acha desta ideia? Herman Costa: É preciso que se diga que, em tempos, a própria Ordem já assumiu um posicionamento em relação a este assunto em concreto no âmbito da reforma da Justiça. A vinda de magistrados estrangeiros para cooperar no nosso sistema judiciário. Mas hoje, qual é a apreciação que temos? Não podemos dizer que não dispomos de magistrados com capacidade para dizer direito em São Tomé e Príncipe. Nós temos magistrados com capacidade para dizer direito em São Tomé e Príncipe. Qual é a grande questão a esta altura? Um. Criar condições para que efectivamente os tribunais funcionem de forma plena. O que é que queremos dizer? Não é aceitável que o Estado realize um conjunto de despesas fúteis em aquisição de materiais, bens, serviços, veículos e tal, quando há instituições, sobretudo, estamos a falar do poder judicial, que carecem de meios para dizer direito, porque a Justiça é o pilar de um Estado de Direito democrático. Então é preciso que efectivamente haja investimento na Justiça. Dois. No âmbito da reforma, a esta altura, talvez seja necessário, e nós haveremos de desenvolver este tópico, apostar numa inspecção judicial forte. E nessa perspectiva, sim, a Ordem defende uma cooperação com os nossos parceiros para que nós possamos ter uma inspecção judicial forte. Temos magistrados que podem dizer direito, mas se estiverem sob um processo de inspecção judicial credível, acreditamos piamente que poderão fazer o seu trabalho de forma mais profícua. Mas é preciso também que haja uma responsabilização efectiva dos outros membros dos órgãos de soberania, dos fazedores da política que tentam interferir no funcionamento, a ingerência no Poder Judiciário. RFI: Nós falamos muito dos lugares cimeiros da Justiça. Abordando aquela justiça quotidiana, a justiça que é feita no dia-a-dia dos cidadãos. Que meios é que temos? Quanto tempo demora para se fazer justiça para o cidadão comum? Herman Costa: Como se costuma dizer da justiça, ela é morosa, não só em São Tomé e Príncipe, na medida em que tem que se desencadear um conjunto de diligências até que se descubra a verdade material dos factos. Mas em São Tomé e Príncipe, apesar de alguns esforços feitos, por exemplo, ao nível do Ministério Público, que de forma notória, melhorou significativamente a sua ‘performance' no que toca, por exemplo, à redução da dependência do volume processual que tinham na sua esfera pendente, melhoraram imenso neste capítulo ao nível dos tribunais. A situação ainda continua preocupante. A Justiça é feita por três pilares o Ministério Público, os tribunais e os advogados. E há que haver uma articulação. Se o Ministério Público investiga e acusa, se o Tribunal não dá o devido procedimento para que tudo seja feito em tempo oportuno, é um trabalho inglório, não é? E temos esta sensação, pelo menos ao nível da justiça criminal. O Ministério Público até tem melhorado. Ainda há muito por melhorar, mas o grande entrave está nos tribunais, que, ou por falta de recursos, por falta de magistrados, por causa de ‘N' situações que condicionam o normal funcionamento dos tribunais. Isso tudo tem gerado muita morosidade. Mas porque falou na justiça do quotidiano, do dia-a-dia dos cidadãos, a apreciação que os cidadãos têm. Há um aspecto que é muito importante, que nós não podemos deixar de tocar. Tem a ver com o acesso à Justiça. A nossa Constituição da República define no seu artigo vigésimo, que a ninguém deve ser negado o acesso à justiça sob pretexto de ausência ou falta ou insuficiência económica. É dever do próprio Estado assegurar que os cidadãos tenham acesso à Justiça. E o que nós temos verificado é que, infelizmente, muitos cidadãos não têm este acesso à Justiça. O Estado, para além de denegar este acesso dos cidadãos à Justiça pouco tem feito, porque anualmente há uma contribuição que o Estado dá para a defesa destes cidadãos. Por incrível que pareça, o Estado ficou sem contribuir para os cidadãos vulneráveis para ter uma defesa competente durante quatro anos. Mas, apesar desta ausência de contribuição do Estado, nós, a Ordem dos Advogados asseguramos sempre, ‘pro bono', a defesa dos mais necessitados e, portanto, é preciso haver mais do que reforço. É preciso haver uma assunção efectiva de responsabilidade da parte do Estado para garantir o acesso dos cidadãos à justiça. RFI: Tem alguma expectativa relativamente a estas eleições? Herman Costa: A única coisa que nós podemos esperar é que o processo electivo possa decorrer de forma mais pacífica possível. Que não haja incidentes. Começámos mal porque logo no primeiro dia tivemos aí uma situação pouco abonatória para o clima pacífico que se deseja. Mas em relação à expectativa como tal, ela é praticamente inexistente, no sentido em que, ao ouvirmos os pronunciamentos dos representantes dos partidos políticos, não vemos um projecto concreto para a governação na próxima legislatura, ainda estamos em campanha. Quem sabe eles possam, ainda vão a tempo de poder nos apresentar um projecto que nos convença, porque a campanha serve exactamente para isso.
“Por último, meus irmãos, encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente.” Filipenses 4:8 NTLH O que tem preenchido seus pensamentos?Todos nós temos uma forma de ocupar a nossa mente, seja com coisas boas ou ruins. Normalmente a falta de sono, a demasiada tristeza está atrelada ao preenchimento dela com coisas ruins que aconteceram, que acontecem ou que poderá acontecer.Uma mulher quando está grávida, ela e seu marido, parece, que só encontram mulheres grávidas na rua. Isto acontece porque o nosso cérebro condiciona a repararmos, em situações no qual acreditamos e estamos vivendo. Da mesma forma acontece quando acreditamos ter uma vida problemática, onde somente passamos a enxergar situações ruins que corroboram com nosso pensamento, deixando de enxergar tudo de bom que nos acontece. Nesta carta de Paulo aos Filipenses, ele nos orientam a enchermos nossa mente com tudo aquilo que é bom, pois será uma forma de repararmos e percebermos as coisas boas que Deus nos proporciona, que tem sido roubadas pelos maus pensamentos.Pensamento do dia:Quem controla a sua vida o pensamento ou o pensador?Oração: Senhor, queremos todos os dias ter a nossa mente preenchida com teus pensamentos, não permitindo ser roubado por preocupações sem fundamentos. Que a nossa confiança em ti seja maior que o nossos maus pensamentos.Em nome de Jesus, amem!Que você tenha um dia abençoado!Por Ubiratan Paggio#devocionaisdiarios#deusfalacomigo #BonsPensamentos#ConfiarEmDeus#ubiratanpaggio@ubiratanpaggio@ubiratan.paggio
A campanha para as eleições legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro, em São Tomé e Príncipe, está quase a terminar. Uma campanha marcada por debates em torno de um modelo de desenvolvimento que o país poderia seguir. Este modelo poderia assentar na combinação entre a protecção do meio ambiente e actividades económicas, como o turismo sustentável. Depois da ilha do Príncipe ter sido considerada pela UNESCO como Reserva da Biosfera, em 2012, foi a vez de o resto do território nacional ter igualmente este selo no ano passado, algo inédito no mundo. Esta distinção, tida como um reconhecimento, traz também maiores responsabilidades para o país em matéria de protecção ambiental. Em que estado está o meio ambiente no arquipélago e que trilho poderia seguir no futuro? Foi a questão que colocamos a Arlindo Carvalho, coordenador a nível nacional do projecto Waca, uma iniciativa regional financiada pelo Banco Mundial. RFI: Em termos gerais, como está o meio ambiente em São Tomé e Príncipe? Arlindo Carvalho: Em termos globais, a questão ambiental, podemos dizer que é satisfatória. Mas em alguns em termos específicos, em determinadas matérias, necessitamos melhorar bastante. Por exemplo, em termos de natureza, em termos da conservação, em termos da biodiversidade, o país é riquíssimo, quando conseguimos durante todos esses tempos, manter um pouco o equilíbrio ecológico ao nível do país. Mas também temos alguns desafios relacionados com as questões humanas. Fundamentalmente, todas as outras questões relacionadas com o saneamento básico, meio, a gestão dos resíduos sólidos urbanos, etc. É um desafio bastante grande, em que não podemos ainda dar-nos ao luxo de dizer que estamos muito avançados e a 100%. RFI: Desde 2012, a Ilha do Príncipe é Reserva da Biosfera e doravante é todo o país desde o ano passado, que efectivamente é também reserva da Biosfera. Isto coloca vários desafios e também algumas obrigações. Arlindo Carvalho: Podemos dizer que isto é um reconhecimento histórico da parte desta instituição internacional que é a UNESCO. Isto traz uma grande vantagem para o país em vários domínios. Permite-nos ter maior atracção turística, sobretudo ao nível de investigadores que querem investigar melhor todas as questões relacionadas com a biodiversidade. Nós podemos ter nos nossos produtos um selo ecológico que nos permite vender os nossos produtos com um pouco mais de qualidade, nomeadamente o cacau, o café e a pimenta, o pescado, inclusive. E depois temos toda a nossa zona costeira também, que tem uma grande atracção turística dentro da biosfera mundial. Portanto, isto traz uma grande reputação, mas no entanto, também traz uma grande responsabilidade, pois um país que se transforma em reserva total da biodiversidade tem que ter uma capacidade grande de fazer um ordenamento territorial e uma gestão do território, de forma a evitar que haja convulsões sociais, porque você não pode proteger sem na realidade, ter espaços para que a população possa desenvolver e satisfazer as suas necessidades sociais, económicas. Por isso mesmo, o ordenamento do território é fundamental e já temos passos importantes nesse sentido. Por exemplo, tudo o que diz respeito à questão do Parque natural, já temos um plano de gestão bastante bem concebido, onde temos as zonas que nós consideramos zonas de protecção total integral, onde o objectivo fundamental é fazermos toda a investigação científica. Mas por sua vez, também temos zonas que já foram definidas como zona tampão que protegem essas zonas de protecção, onde também deve se proteger de forma rigorosa, mas onde é permitido algumas actividades económicas de baixo impacto ambiental e também posteriormente temos muito cuidado também com todas as zonas de transição necessária, onde a comunidade e a população vive, onde desenvolve as suas actividades, que nós não podemos impedir que elas continuem a desenvolver as suas actividades agrícolas e pescas, etc. Mas acompanhando sempre para que essas actividades sejam feitas com regras e permitindo que tudo o que é o desenvolvimento não afecte o ambiente, mas também que o ambiente não crie um obstáculo ao desenvolvimento. RFI: Como fazer com que haja, por um lado, a protecção do meio ambiente e, por outro lado, um turismo sustentável? Arlindo Carvalho: Nesta vertente, nós temos o apoio de parceiros internacionais que têm-nos ajudado a trabalhar neste sentido. O nosso próprio projecto, que é um projecto que eu agora coordeno (Waca), que é um projecto de investimentos para a protecção das áreas costeiras e turismo sustentável, onde o Banco Mundial tem estado a financiar. Tem uma componente extremamente importante para o desenvolvimento do turismo sustentável. O que nós temos estado a fazer é associar o turismo a todo o processo de desenvolvimento e temos estado a trabalhar neste sentido, reforçando a capacidade das instituições nacionais que lidam com a questão do turismo, para que possam, na realidade, focar-se na questão do turismo sustentável. Tanto é que uma das componentes fundamentais é o reforço da capacidade, mas não só, da direcção do Estado que trabalha nesta questão, mas de todas as outras componentes da comunidade, a população que trabalha, como os guias turísticos, os condutores, os motoqueiros, etc. Existe uma componente de capacitação deste grupo todo para que eles possam lidar com a questão do turismo sustentável. Temos estado a trabalhar também com os investidores turísticos, de forma que todos os investimentos turísticos possam ser feitos em harmonia com a protecção ambiental. É o que temos estado a fazer. É precisamente incluir tanto turismo como a protecção ambiental, como a valorização ecológica. Não só isso, há outra questão. É o próprio reforço de algumas instituições, fundamentalmente, as autoridades locais que lidam com as questões de saneamento básico do meio. Eu acho que é extremamente importante. Começámos com a cidade capital, onde adquirimos alguns meios rolantes para fazer a recolha dos resíduos sólidos. Fizemos exportação de contentores especializados para poderem ser postos em várias artérias da cidade capital e capacitar os quadros das autarquias da Câmara de Água Grande, que é a que gere a cidade capital. Nós vamos começar com a capital e depois expandir para as outras capitais distritais, mas vamos começar aí, onde a situação é mais crítica, para podermos então expandir para as outras partes. Vamos fazer também investimentos em três grandes áreas turísticas, uma delas na Lagoa Azul. Vamos fazer um forte investimento turístico na Lagoa Azul, que é uma zona ecológica que tem um grande potencial turístico e que necessita de algumas infra-estruturas para que os turistas possam estar mais confortáveis naqueles lugares. Vamos fazer um grande investimento turístico na empresa Agostinho Neto, que é uma empresa agrícola em que vamos associar toda a questão do desenvolvimento agrícola com o turismo. E vamos também fazer um grande investimento turístico na ilha do Príncipe, que é o miradouro de Nova Estrela também, que tem uma paisagem muito linda, onde vamos fazer alguns investimentos naquela área, transformando este miradouro em grande potencial turístico para a Ilha do Príncipe. RFI: Como é que avalia as propostas dos diferentes candidatos relativamente à protecção do meio ambiente? Tem-se o sentimento que todos querem proteger o meio ambiente, mas não sabem como fazer. Arlindo Carvalho: Infelizmente tenho visto as propostas dos candidatos e quase que não vejo proposta nenhuma. Não vejo propostas porque não vejo nenhum dos candidatos, nenhum partido apresentar algum programa para o país que me convença. Estamos a falar sempre das mesmas coisas, de que vamos pôr água ou vamos resolver o problema da estrada. Isto não é, na realidade, um verdadeiro programa de desenvolvimento para o país e, portanto, são promessas meio vazias e que para alguém que queira governar e também que queira convencer o seu eleitorado, sobretudo algum eleitorado que tem alguma capacidade de reflexão, sente-se um pouco frustrado e vazio naquilo que tem ouvido. Eu sou um desses que considero que pode ser que tenha muito boa vontade e tem boa-fé de fazer, mas parece que não sabem bem como fazer e como é que estão a fazer e o que é que vão fazer. E portanto, continuo a estar um pouco com a interrogação de todos os candidatos. Não vejo na realidade uma estrutura coesa, ordenada, organizada, de programa, que possa dar uma certa esperança de retirar o país do marasmo que tem tido. Podemos dizer que 60% da população não está preocupada com isso. Estão mais preocupados em receber os candidatos. Mas há uns outros 30 ou 20 ou 40% que têm uma capacidade de poder analisar que necessitariam, pelo menos escutar e ouvir. Na realidade, o que é que vão fazer quando um país que necessita quase 80% de ajuda externa para poder fazer o seu desenvolvimento? É necessário também que digam quando oiço as pessoas dizer que vou aumentar não sei quantas pessoas mais, para dar subsídio, não é só com subsídios que vamos desenvolver o país. Vou fazer tal coisa, vou dar cartas, vou fazer. Então, são coisas que não têm muito sentido. Podem convencer aquele eleitorado que está ansioso, à espera da resolução das questões de forma imediata. O país não pode desenvolver-se com questões de problemas imediatos. Têm que ser coisas de curto, médio e longo prazo.
Graça e Paz sejam com todos! Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.Mateus 19:26Primeira Igreja Presbiteriana da Arniqueira www.1ipar.com Entre em contato conosco 1iparniqueiras@gmail.com Faça nos uma visita SHA Conjunto 3 Chácara 47A Arniqueira Brasília DF maps.app.goo.gl/iQSRtWrk9Hy6eaUT6YouTube https://youtube.com/@primeiraigrejapresbiterian1958Contribua Ore e ajude esta obra! Pix 40222748 000153 (CNPJ)Banco do Brasil Conta Corrente 51214-1Agência 2901-7Que Deus abençoe você!Porque de tal manera amó Dios al mundo, que ha dado á su Hijo unigénito, para que todo aquel que en él cree, no se pierda, mas tenga vida eterna. Juan 3:16For God so loved the world, that he gave his only begotten Son, that whoever believes in him should not perish, but have everlasting life. John 3:16¹⁶ Ибо так возлюбил Бог мир , что отдал Сына Своего Единородного , дабы всякий верующий в Него , не погиб , но имел жизнь вечную . João 3:16Car Dieu a tellement aimé le monde, qu'il a donné son Fils unique; afin que tout homme qui croit en lui ne périsse point, mais qu'il ait la vie éternelle. João 3:16¹⁶ Want so lief het God die wêreld gehad, dat Hy sy eniggebore Seun gegee het, sodat elkeen wat in Hom glo, nie verlore mag gaan nie, maar die ewige lewe kan hê. João 3:16¹⁷ Tanrı, Oğlunu dünyayı yargılamak için göndermedi, dünya Onun aracılığıyla kurtulsun diye gönderdi. João 3:17¹⁶ 하나님이 세상을 이처럼 사랑하사 독생자를 주셨으니 이는 저를 믿는 자마다 멸망치 않고 영생을 얻게 하려 하심이니라 João 3:16
Em São Tomé e Príncipe, decorre a segunda e derradeira semana de campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro. Entre as várias temáticas evocadas pelos candidatos, figura nomeadamente a prioridade de dotar o país de um melhor sistema de saúde. O processo recentemente iniciado para construir um novo hospital de referência parece fazer globalmente a unanimidade e também se evoca a possibilidade de se construírem centros de saúde nas comunidades. Estas promessas de campanha surgem num contexto de grande penúria, tanto em recursos humanos, como em medicamentos e equipamentos num pais cujo principal hospital, o Ayres de Menezes é uma estrutura antiga que dificilmente se adapta às necessidades actuais do país. Uma constatação feita por Lagchar Barreto, médica no actual hospital de referência do arquipélago e bastonária da ordem dos médicos. Ao fazer um diagnóstico deste sector no seu pais, esta responsável começa por falar da saúde dos seus concidadãos. RFI: Como está a saúde dos são-tomenses? Lagchar Barreto: Podia estar muito melhor. Nós temos um país lindo. Temos tudo para ter uma saúde boa, um mar que nos dá a brisa diariamente, Pastos para nós caminhamos e é ter a mente mais fresca e ter melhor estilo de vida. Uma terra fértil para produzir coisas sem necessitar de muitos aditivos e daí termos uma saúde mais robusta. Mas não estamos a usufruir isso. Nós consumimos mais o que vem de fora, que é importado e cheio de conservantes. Estamos a adoptar estilos de vida que não são saudáveis. Daí essa mudança de perfil epidemiológico que já vem nos alertando já há coisa de seis anos, onde as doenças crónicas não transmissíveis têm assoberbado o nosso sistema. Nós temos muitos casos de AVC, de enfartes. Pessoas podem ter enfartos, AVC muito jovens. Isso faz com que nós tenhamos menos pessoas produtivas para todo o sistema a nível nacional. E se forem pessoas de idade, é mais um peso, para ter mais segurança social para os familiares que têm que reduzir aquilo que tem como rendimento para cuidar de quem está enfermo. Portanto, eu acho que a população tem que nos ajudar naquilo que são determinantes sociais, para ajudar o sistema de saúde a ficar um bocado mais robusto e ter de nos preocupar com coisas emergentes, não coisas que podemos evitar com uma mudança de comportamento. RFI: Também consta que há problemas de saúde decorrentes, por exemplo, de coisas como a qualidade da água. Lagchar Barreto: Sim, isto é um problema crasso a nível nacional, que tem vindo a se agravar cada vez mais. E eu espero que as entidades competentes consigam sanar essa questão. Mas é uma questão melindrosa. Nós, no sistema de saúde, o que nós fazemos é tentar fazer campanhas obrigatórias nas crianças. Nós recomendamos o uso de águas fervidas para colmatar esta falta de água, potável. Nós temos que pensar ‘eu levo uma vasilha para apanhar água numa fonte potável, mas aquela vasilha está em que condições?' Vai ficar lá estagnada quanto tempo? Então, tudo aquilo que pode ser efectivamente uma água potável, só pelo facto de termos um sistema de saneamento completamente desactualizado, aquilo que são as recomendações faz com que a água nunca seja potável. Então, a questão da água é uma questão muito complicada para a qual não vejo tão breve uma solução por vários motivos. Mas o que eu acho é que cada um terá que fazer um bocado da sua parte, que é tomar conhecimento das medidas a ter para fazer com que se consiga ingerir água potável, porque através da água podemos contrair imensas doenças. RFI: Qual é a situação neste momento da saúde em São Tomé e Príncipe? Lagchar Barreto: O sistema de saúde são-tomense é um sistema de saúde resiliente. Está sempre a passar por fases, mas tenta sobreviver a todas as questões que são conhecidas, uma carência generalizada, uma desorganização que é característica. O sistema público tem feito o seu melhor, mas eu acho que é mais por causa dos profissionais que amam trabalhar naquilo que estudaram. Preferem ficar em São Tomé e não em outros lugares, porque nós vivemos diariamente com carências de tudo, de tudo mesmo e vamos tentando sempre colmatar com a nossa ciência e temos sempre encontrado opções. Às vezes não é a primeira, nem sequer aquilo que está indicado para nós. Conseguimos dar conta daquilo que é cuidar dos utentes que vêm à nossa procura. RFI: Quando fala em sistema resiliente, fala, designadamente do facto de estarmos num hospital que é muito antigo e também de haver queixas de que não existem sequer medicamentos básicos. Lagchar Barreto: Os medicamentos básicos existem, mas em fases. Hà fases em que nós temos os consumíveis todos necessários para trabalharmos e hà fases onde falta um bocado de tudo. E estas são coisas ciclicas às quais já estamos habituados. Volto até a fazer uma afirmação que sempre é muito mal vista, mas é que todos os sucessivos governos que existiram em São Tomé sempre disseram que essa área é prioritária. Mas eu, como profissional que sou, nunca senti que a saúde era prioritária em governo nenhum. Sempre achei que achavam que aquilo que estavam a doar ou a investir na saúde era importante, era suficiente. Mas na realidade não. Porque nós temos que conhecer de verdade o sistema de saúde, as suas fragilidades, as suas necessidades, para depois investir de forma digna e coerente naquilo que é a melhoria do nosso sistema. RFI: Ou seja, não tem havido propriamente, a seu ver, algum plano para efectivamente melhorar a saúde. Lagchar Barreto: Eu acho que essas sucessivas mudanças de governo não ajudam plano nenhum a funcionar, porque cada governo que entra vem com a sua ideia e nunca consegue finalizar a sua ideia. E é sempre um recomeço persistente. E obviamente acabamos na situação em que nos encontramos agora, porque não há continuidade de Estado, ao menos na área da saúde, naquilo que é o investimento necessário para nós termos um sistema de saúde robusto para oferecer sistema de saúde com qualidade aos utentes que tanto precisam dele. RFI: Como é que estamos em termos de formação de profissionais, tanto de enfermagem, como de médicos? Lagchar Barreto: Os sucessivos governos têm os seus planos e projecções, mas nunca concluem. Nós decidimos ‘olha, este ano temos que formar dez médicos'. Se calhar conseguimos formar um. Se calhar a classe de enfermagem ainda é muito mais marginalizada que a parte médica. Portanto, nós temos uma carência abissal de especialistas. Mesmo recebendo quase anualmente um especialista, temos uma fragilidade imensa em questões de especialista que temos tentado colmatar com a vinda de missões internacionais que vêm apoiar o sistema. Mas há uma necessidade. Nós próprios temos a capacidade de ter especialistas. Isto é que está a faltar. RFI: Também se fala muito, por exemplo, durante esta campanha da construção de um novo hospital. Isto é uma solução para si? Lagchar Barreto: Eu ouço falar desse bendito hospital desde 2017 e estamos em 2026. Falou-se muito este ano de um financiamento que houve para isto. Mas a pergunta é: vamos construir um hospital para quando? Para quê? E para pôr o quê lá dentro? Porque um hospital, ele vai acompanhado, com recursos humanos capacitados, formados e em número suficiente, o que é muito importante isso. E não vale a pena dizer ‘vamos construir um hospital' e depois não ter em conta todos os aspectos de um hospital. Deve ser um hospital de acesso facilitado aos utentes. Um hospital com capacidade técnica de abranger especialidades, de ter pessoal qualificado para trabalhar, de ter todos os consumíveis necessários. Isto é o que eu quero ver. Eu quero efectivamente que este hospital exista, porque, como pode ver, o nosso hospital é um hospital antigo, completamente desfasado daquilo que é a necessidade dos profissionais, como dos utentes. Está a chover, está tudo parado porque de um edifício para outro temos que ter guarda-chuva, temos que ter carro para locomover-nos. Isso atrapalha todo o sistema. Portanto, eu espero de verdade, que este governo já não, mas o próximo governo continue com esse projecto de hospital novo, mas que o pense de forma ampla, de forma holística. Temos que ter um hospital, mas baseado na nossa realidade e necessidades. RFI: Também se falou muito da eventualidade de se fazerem pequenos centros de saúde nas comunidades. É realista também pensar nisso? Lagchar Barreto: É realista um sistema de saúde a qualquer nível. Recomenda-se a existência de pólos comunitários distritais para que a saúde esteja perto da população. Não faz sentido alguém ter que fazer quilómetros e quilómetros para ter acesso a um sistema de saúde. Mas isso tem que estar organizado. Temos que ter uma carta sanitária que espelha quantas unidades de saúde são necessárias no país, em que localidade, quantas unidades de saúde são necessárias para dar conta desse sistema para que isso seja funcional? Porque se eu construo um edifício sanitário que seja comunitário ou um posto de saúde se não tenho quem vá lá trabalhar, se não tenho consumíveis para lá trabalhar. Nós temos que ter pessoas que pensam que para tudo acontecer, tem que ter uma coisa organizada. Eu tenho que ter o espaço, a infra-estrutura, os recursos humanos e os consumíveis necessários. E a pergunta é: ‘aquele posto de saúde é um posto de saúde importante, necessário, emergente? Ele tem que funções?' E aí o sistema começa a funcionar melhor. Porque não vale a pena só ter uma estrutura que depois está abandonada. RFI: Estão a ser criadas condições para efectivamente as pessoas terem vontade de enveredar por essa via da enfermagem, da medicina? Ouve-se muito falar de greves periódicas. Como é que estamos neste aspecto? Lagchar Barreto: A classe médica, a última vez que houve reivindicação salarial, foi em 2013. Depois, nunca mais a fez. Faz sempre reivindicação pelas condições de trabalho. O salário da classe profissional é um salário indigno para aquilo que são as nossas funções. Mas lá está, nós estamos numa área social onde nós temos que doar-nos para além de formarmos. Nós fizemos um juramento onde salvar a vida é o mais importante. Então, vamos nos sacrificar e fazer o nosso melhor. E se o sistema se organizasse com o pouco que nos é atribuído, poderia ser feito de forma mais clara para incentivar as pessoas a voltarem. Porque uma pessoa que estuda seis anos, três anos, dez anos para terminar uma licenciatura em medicina, uma especialidade, voltar cá para receber uma coisa indigna, porque é indigno aquilo que recebe e, pior ainda, encontra tantos entraves para ser enquadrado no nosso sistema, faz com que a pessoa não queira voltar, muito menos ficar. Por isso nós temos muitos médicos formados, especializados, que não voltam para São Tomé, porque se voltarem para cá, acham que vão viver na penúria. E é verdade. No início vão viver na penúria até se organizarem e viverem com o pouco que vão arrecadar no final do mês. E eu digo sempre, um sistema, quando é claro, limpo, justo, faz com que não haja mais margens para que as pessoas comecem a inventar o que fazer ou então boicotar o sistema, porque alguém que recebe mal depois não colabora com o sistema de forma correcta. Então nós temos que tentar ser mais organizados naquilo que é a gestão dos recursos humanos, alocação, atribuição das categorias, que é muito importante. Nós encontramos médicos que estão a trabalhar há 15 anos. Nunca tiveram uma promoção. Isto não é digno. RFI: Daqui a uns dias vamos ter eleições. Tem alguma expectativa relativamente a este escrutínio? Lagchar Barreto: Eu espero, de verdade, que a população vote, vote com justiça, clareza, e que os eleitos possam fazer algo por São Tomé que tanto merece. O nosso país é lindo, é pequeno, devia ser uma incubadora de uma realidade saudável, bonita, paradisíaca, como eu acho que nós merecemos ser conhecidos e chamados. E eu espero tanto que o próximo governo possa fazer a diferença, porque eu acho que já temos bases lançadas para nós melhorarmos. Actualmente temos o financiamento para um hospital. Vamos ter hospital, vamos pegar no dinheiro para esse hospital. Investir nesse hospital. Vamos sentar com as pessoas indicadas, definir os recursos humanos necessários. Vamos estabelecer contacto com pessoas para apetrechamento do hospital. Vamos adequar, vamos elaborar documentos que normalizam tudo aquilo que é para ser efectivado a nível nacional, para que as coisas possam melhorar. Portanto, é um almejo de esperança que o próximo governo e especialmente o próximo Ministro da Saúde de São Tomé veja a saúde de forma que a população são-tomense merece. Até agora, muitos não o têm feito e eu espero que daqui para frente consigamos um Ministro da Saúde que consiga ver a saúde como algo essencial, primordial e inviolável e ao qual nós temos que dedicar o nosso melhor sempre.
Em São Tomé e Príncipe, decorre a segunda e derradeira semana de campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro. Entre as várias temáticas evocadas pelos candidatos, figura nomeadamente a prioridade de dotar o país de políticas especificamente dirigidas aos jovens. Estima-se que entre os mais de 200 mil habitantes do pais, 70% sejam jovens. Uma força de trabalho e de iniciativa invejável mas que coloca o desafio da criação de oportunidades e da garantia de uma educação de qualidade para todos. Ao dizer o que é ser jovem hoje em São Tomé e Príncipe, Leopoldo Vera Cruz, líder do conselho nacional da juventude do seu pais, não deixa de enumerar a falta de transportes, a falta de equipamentos ou ainda de manuais como sendo alguns dos obstáculos encontrados pelos jovens na sua preparação para a vida activa. RFI: O que é ser jovem hoje em São Tomé e Príncipe? Leopoldo Vera Cruz: Nós temos o capital humano, que para nós é uma valência. Mais de 70% da população são-tomense é jovem, logo está também associado, naturalmente, aos desafios, que são muitos. Mas podemos aqui destacar o desemprego juvenil. Hoje em dia vivenciamos muita fuga de cérebros, de quadros jovens em busca de oportunidades noutros países, a destacar Portugal que é o mais próximo, urge necessariamente medidas políticas mais assertivas para mitigar estes desafios e fazer com que a juventude possa servir a construção do país. Ou seja, nós, enquanto país, precisamos aproveitar melhor este recurso que nós temos, que é o nosso capital humano, que é muito invejável e que outros países não têm. RFI: E portanto, começa nomeadamente pela questão da educação. Como é que estamos em termos de acesso à educação e em termos também de qualidade? Leopoldo Vera Cruz: Nós observamos alguns ganhos. É necessário reconhecer esses ganhos que nós conquistámos. Entretanto, ainda falta muito por fazer. E hoje, falar-se da educação de qualidade é um desafio muito maior ainda, porque existem muitos jovens que não têm oportunidade de frequentar o ensino secundário e, principalmente, o ensino universitário. Nós gostaríamos de destacar os jovens que residem nas comunidades mais distantes, principalmente do distrito de Caué (no sul) e do distrito de Lembá (no oeste da ilha de São Tomé) e também associar jovens que residem na Região Autónoma do Príncipe, porque as universidades estão mais situadas no centro da capital. E esses jovens, para dar continuidade aos seus estudos, eles precisam de deslocar-se de onde residem para o centro da capital para estudarem. Infelizmente nós não temos residência universitária, porque aí sim, seria uma forma de mitigar este desafio e também contribuir para aquilo que é a inclusão, aquilo que é a justiça e em termos de oportunidade para todos jovens. Queria dizer ainda que existe muita coisa por fazer, principalmente a questão de recursos humanos. Estou a referir-me aos profissionais de educação, principalmente os docentes, porque nós, na verdade, com esta fuga desenfreada de jovens para o exterior, também muitos professores, muitos docentes que já leccionavam há um bom tempo a esta parte, acumulando necessariamente aquilo que é experiência, foram obrigados a aventurar-se noutros países e isto deixa sempre uma lacuna. E o Estado tem que todos anos recrutar novos docentes. Logo ha necessidade de reciclagem, capacitação contínua, que é para promover a questão da educação de qualidade. E parece ser muito caricato quando fala se de educação de qualidade e nós continuamos ainda a leccionar aula de TIC (Tecnologias da Informação) sem ensinar o aluno a ligar um computador porque não têm computador na escola e o aluno apenas aprende teoria. Na prática, não sabe como ligar um computador. De igual modo, estaremos a dar exemplo com aulas de biologia, química, física, porque não existe laboratório para os alunos fazerem aulas práticas, experiências e isto põe em causa, naturalmente, a educação de qualidade. Estava a falar sobre ganho porque hoje nós conseguimos ter uma cobertura de acesso, principalmente das crianças e adolescentes na escola muito grande e nós temos o desafio da permanência dessas pessoas, principalmente no ensino secundário, por vários factores. Um deles é a falta de transporte escolar para dar resposta e a cobertura a todo território nacional. Muitas comunidades ainda não têm escolas, outras que têm, não têm escola com grande qualidade e assim fica difícil. RFI: Disse há pouco que muitos jovens acabam por não seguir todo o processo de educação devido a problemas como o transporte. Há também comunidades em que os jovens não são propriamente incitados a continuar na escola porque há falta de meios, têm que ajudar os pais na sua actividade económica. Isto é um caso isolado ou isto ainda costuma acontecer frequentemente? Leopoldo Vera Cruz: Felizmente nós estamos a quebrar este aspecto aos poucos, mas nós precisamos ser honestos em dizer que ainda existe, mas numa repercussão muito menor em relação a alguns anos atrás. Talvez ainda exista comunidade onde existem jovens que sentem um dilema entre continuar com os seus estudos ou apoiar a família, porque talvez não exista condições de base criadas para motivá-lo a dar continuidade aos estudos. Jovens de Porto Alegre e arredores, jovens do distrito de Caué (no sul), eles são obrigados a fazer a sua faculdade no centro da capital. E para que isso possa acontecer, eles devem ter um familiar ou ter recursos financeiros para custear o transporte todos os dias para fazer um curso superior. Se o Estado apostasse verdadeiramente naquilo que é a residência universitária, estaria sim a dar respostas a este desafio e também a garantir a justiça e a inclusão de pessoas que residem nas comunidades mais distantes. RFI: Durante esta campanha, alguns candidatos mencionaram que não têm nada contra a ideia de haver alguma iniciativa privada em matéria de educação. Enquanto representante dos estudantes, o que é que acha dessa eventualidade? Leopoldo Vera Cruz: Nós defendemos que a educação é um direito de todos. Têm direito a aprender a ler e a escrever, a desenvolver um pensamento crítico e o Estado deve salvaguardar escrupulosamente o cumprimento deste direito, que é um direito fundamental que está respaldado na Constituição da República de São Tomé e Príncipe. Paralelamente ao ensino público, existem estabelecimentos, existe também ensino privado. A parte privada fica ao critério de cada um, trazendo naturalmente uma ou outra valência. Nós defendemos que o básico, o fundamental, o Estado precisa garantir, precisa garantir com qualidade, para que, de facto, nós, enquanto Estado de Direito democrático, estejamos a formar pessoas com poder de interpretação, poder crítico e poder também de propor políticas e ideologias mais assertivas, atendendo aos desafios actuais que o país enfrenta. RFI: Estamos em período eleitoral. Quais são as suas expectativas? Leopoldo Vera Cruz: Quase todos os dirigentes ‘vendem o seu peixe', dizem aquilo que pensam. Entretanto, nós ainda não encontrámos nenhum partido político, nenhum dirigente político com ideias concretas direccionadas para o país e, principalmente, para a juventude. As eleições que se avizinham, nós também estamos expectantes que o partido que for eleito possa representar da melhor forma o país, trazendo inovações políticas mais assertivas para o desenvolvimento do país, que governe para todos e não apenas para um grupo de pessoas ou um grupo de amigos e que possam achar o ponto comum que é São Tomé e Príncipe, que deve unir a todos nós.
Qual é o maior diferencial do ser humano? Não são as suas posses, nem seus diplomas e currículos exemplares. Há um diferencial que todos têm, mas nem todos usufruem dele e, infelizmente, o entregam a outras pessoas.Neste vídeo, vamos entender por que algumas pessoas acertam tanto em todas as áreas da vida, enquanto outras vivem correndo atrás do prejuízo.Se este vídeo lhe ajudou, compartilhe para ajudar mais pessoas.
É com muita felicidade bovina, mesmo daquela à pobre cheia de simplicidade e genuinidade, que vos apresentamos mais um episódio gravado ao vivo. Desta vez foi em Viseu. Analisámos um clássico moderno da literatura portuguesa. Para citar a autora “há uma literatura antes e depois de Sei Lá,” algo que pode ser dito de todos os livros menos do Épico de Gilgameš, a primeira obra literária da história, e do “Contempla o Meu Pau No Esparguete” de Afonso Noite Luar e ChatGPT, o último livro antes do apocalipse. Isto é mais ou menos o filme “Sei Lá,” se o filme “Sei Lá” fosse um gajo a contar a história a outro num palco.Espectáculos ao vivo: https://www.ticketline.pt/evento/livros-da-pica-ao-vivo-104207Poderão subscrever o nosso patreon para apoiar o projecto e conteúdo extra: https://www.patreon.com/jcdireitaInstagram: https://www.instagram.com/livrosdapica/twitter: https://twitter.com/livrosdapicaimagem: https://www.instagram.com/tiagom__/Genérico da autoria de Saint Mike: https://www.instagram.com/prod.saintmike
O fenómeno climático El Niño tem repercussões mundiais, especialmente em África e, sobretudo, em Moçambique. De facto, Moçambique, um dos países mais expostos às catástrofes climáticas, faz parte dos alvos mais preocupantes deste fenómeno, de acordo com as Nações Unidas. A Organização Meteorológica Mundial avança que o El Niño terá, este ano, uma forte intensidade. Para o investigador Bernardino Nhantumbo, do Instituto Nacional moçambicano de Meteorologia e associado à Universidade do Cabo, o fenómeno El Niño pode traduzir-se em "chuvas abaixo do normal nas regiões Sul e Centro do país e chuvas acima do normal na região Norte do país". Ou seja, um mesmo fenómeno tem impactos muito diferentes consoante as regiões. Daí a importância, aponta o investigador, de não se focar simplesmente em mitigar as consequências da seca ou das inundações de forma isolada. Toda a região da África Austral está fortemente exposta a fenómenos climáticos extremos, mas a localização de Moçambique apresenta certas características que tornam o país ainda mais vulnerável. Primeiro, passam pelo país nove rios internacionais. "Toda a chuva que cai no interior da África Austral passa por Moçambique, em direcção ao oceano. Então, há um potencial de inundações muito grande, decorrente de qualquer quantidade de chuva excessiva que cair na África Austral", explica Bernardino Nhantumbo. Em segundo lugar, Moçambique está na rota dos ciclones tropicais. "É uma característica também quase única no subcontinente, porque, para além de nós, temos Madagáscar, já que é uma ilha. Moçambique acaba tendo Madagáscar como sendo o seu escudo. Uma parte significativa desses ciclones, ao atingir Madagáscar, perde a sua energia. Mas depois temos o Canal de Moçambique, que tem sido mais quente do que o normal nos últimos anos. Então, chegando ao Canal de Moçambique, eles ganham energia e entram no país", analisa o investigador. A isto se acrescenta a multiplicação dos ciclones, passando de uma média anual de um ciclone para dois ou três ciclones por ano, de acordo com o especialista. Moçambique é uma extensa faixa de cerca de 3000 quilómetros e o território vai sendo afectado de diferentes formas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, as regiões Centro e Sul do país vão sofrer com a seca. O Norte de Moçambique vai enfrentar, pelo contrário, fortes episódios de chuva torrencial, com um elevado risco de inundações. Pode-se antecipar um impacto negativo na agricultura, um dos principais sustentos da população moçambicana. Para que os cidadãos se possam preparar, é necessário que haja um sistema eficaz de aviso prévio, indica Bernardino Nhantumbo. "O Instituto Nacional de Meteorologia é uma instituição-chave no sistema de aviso prévio. Mas depois é preciso respeitar o mandato sectorial, isto é, há recomendações específicas para os colegas da agricultura. Em função das previsões do Instituto Nacional de Meteorologia, as autoridades competentes no sector da agricultura trazem o seu pacote de recomendações para as comunidades. São, por exemplo, o plantio escalonado e o uso de culturas resistentes à seca", refere o especialista. O sector da saúde é também importante na antecipação dos fenómenos climáticos porque, durante episódios de seca, bem como de inundações, há surtos de doenças de origem hídrica. "Estamos a falar da malária, da cólera... O Ministério da Saúde já veio com recomendações. Isto começou com a identificação de áreas com potencial para surtos de doenças e consequentes recomendações", aponta o investigador. Várias recomendações foram lançadas no âmbito do Fórum Nacional de Acção Climática, a 11 de Setembro, e divulgadas na imprensa nacional, num exercício que é feito anualmente. Este ano, as recomendações estão particularmente associadas ao El Niño. O Instituto Nacional de Meteorologia mantém vários encontros com as autoridades para fazer a planificação e tem dado apoio técnico ao Governo moçambicano, como refere Bernardino Nhantumbo. Até ao momento, foram identificados cerca de 30 distritos que poderão observar uma seca moderada a severa. "Com base nesse manancial de informação, o Governo já desenhou um plano de resposta e mitigação à seca. São cerca de 400 milhões de dólares", avança o especialista. "Acredito que é um valor preliminar, porque, em função da intensificação dos fenómenos, poderão ser necessários valores adicionais." Bernardino Nhantumbo indica ainda que, apesar de o El Niño ser muito mencionado na imprensa internacional, nem sempre os impactos são de grande magnitude ou tremendamente severos. "Mas há outra coisa importante. É que, sobretudo olhando para a segurança alimentar, um fenómeno como o El Niño pode ter consequências muito duradouras, com dois a dois anos e meio, no mínimo, para recuperar. Então, se o fenómeno impactar a época chuvosa deste ano, devemos esperar que as populações vão ter uma perturbação nas suas colheitas. E, para que possam ter uma produção e recuperar a sua capacidade de segurança alimentar, deverão esperar até à época chuvosa de 2027-2028. Por essa razão, é importante não nos concentrarmos apenas neste ano. Este é apenas um ponto de partida", conclui Bernardino Nhantumbo.
Piše Blaž Kavšek, bere Jure Franko. Optimisti so romaneskni prvenec filozofa in umetnostnega zgodovinarja Vida Simonitija. Največji del romana zaseda zgodba Valentina Volka, mladeniča iz Kassla, sina slovenskih imigrantov v Nemčiji. V najstniških letih se pod mentorstvom lokalnega duhovnika slovenskih korenin navduši nad literaturo in svojim slovenstvom ter se v Ljubljano odpravi študirat primerjalno književnost in slovenistiko. Spremljamo njegove odprave iz študentske sobice v Rožni dolini, s katerimi odkriva ljubljansko umetniško sceno v predkriznem koščku 21. stoletja. Gre za svet posthumanističnih seminarjev, branj poezije in pretencioznih zabav. Še bolj je to svet sramu pred neprebranimi klasikami in strahu pred preveliko sentimentalnostjo, sramu in strahu pred vsem nespodobno avtentičnim in pred vsakršno preprostostjo. Sociološki kontekst torej, kjer se ne zdi trapasto izjaviti, da je »željo […] treba misliti z Lacanom«. Simoniti je v roman vpeljal kriminalko in ljubezensko zgodbo. Gonilo prve je gimnazijski profesor matematike Rupnik, ki se ujame v isti milje kot Valentin, toda zaradi popolnoma drugačnih, bolj ciničnih, vendar enako obsesivnih motivacij. Ljubezenska zgodba pa se nanaša na Valentinov odnos z Diano, mamo svojega prijatelja Petra, mladega povzpetnika na ljubljanski intelektualni sceni. Peter je zaradi družinskega pedigreja samoumevno vpet v okolje, v katero se na vse pretege želita vpeti Valentin in Rupnik, pri čemer avtor njuni hrepenenji z vsakim kodrom zgodbe zaostruje, izpolnjuje ter ju približuje imploziji. Milje, v katerem so udeleženi Rupnik, Valentin in Peter, eksplodira v policijski raciji, tragični smrti in velikih javnih demonstracijah. Roman Vida Simonitija Optimisti je smiselno vrednotiti na dveh ravneh: mikro in makro. Na mikroravni je tekst domiseln in avtor se očitno dobro počuti na nivoju situacije, celo še bolj ozko: na nivoju bežnih opažanj in opazk. Opisi zagrenjenega zmačkanega Rupnika, ki pobruha svojega dijaka, posameznih čustvenih pogovorov ali majhne ugotovitve o strukturi intelektualne scene so kompetentni in bistroumni. Nevsiljivo spreten je denimo že uvodni prizor, kafkovsko ujet nekje med budnostjo in spancem, človeškostjo in živalskostjo. Bolj neučinkovit pa je roman na makroravni. Vse bolj kompleksno spletanje z začetka avtonomnih naracij, ki smo mu priča v drugi polovici precej obsežne knjige, zgolj po inerciji razrešuje nastavljene probleme. Gre bolj za nizanje intrig kot za globinsko preizkušanje likov. Kriminalna podstat zgodbe, ki prevladuje v drugi polovici romana, na trenutke deluje precej karikaturno, kot neumestno bombastičen dodatek k orisu neke scene, ki bi bil morda bolj prepričljiv, če bi pisatelj uporabil manj pompozna sredstva. Sporočilno najbolj izrazit element romana je sprememba fokusa v zadnjem poglavju. Pripoved preskoči deset let. Iz Ljubljane se preseli v London, presedla z Valentina, njegovih problemov in nerazrešenosti odnosa z Diano in ljubljansko sceno na njegovega sostanovalca iz tiste študentske sobice v Rožni dolini Aljošo in na Petrovo nekdanje dekle Anamarijo. Lika, ki sta v pripovedi, preobremenjeni z Valentinom Volkom, ostala neopažena, se ga zdaj komaj še spomnita. S tem se roman tako rekoč odpove čustvenim zastavkom svojih prvih devetdesetih odstotkov. Bralcu se z Aljošo in Anamarijo v zadnjem poglavju razkrije drugačen sistem vrednot, obsesij, skrbi in ambicij, kot jih je vajen iz večjega dela knjige. Ob tem se mu na hitro razkrije tudi neka druga Ljubljana, ki je samozavestno živela poleg Valentinove. Kontekst se iz predkrizne Ljubljane razširi na velikanska svetova anglosaškega literarnega in akademskega dogajanja ter evropske birokracije. Odpre se v negotovo prihodnost, pri čemer tista stara Ljubljana postane ne nujno nepomembna, a povsem postranska postaja ljudi, ki jih je nekoč gojila. To razčaranje je najbolj otipljiv prispevek romana. Po eni strani manjša moč anksioznih prepričanj o pomembnosti in usodnosti izkušnje posameznika, po drugi strani pa smeši pregovorno samozagledanost provincialnih intelektualnih mehurčkov. Istočasno bi sicer lahko rekli, da majhen, individualen, ljubljanski delček življenja Valentina Volka, od katerega se roman sicer zavestno oddalji oziroma nanj pozabi, Simoniti navda s polnopomenskostjo, ki jo napoveduje romanov epigraf, vzet iz Rilkejevih Pisem mlademu pesniku. Za ljudi, ki močno čutijo, namreč ni »pustih« ali »neznatnih« krajev, piše Rilke. Kljub temu pa tako tovrstno razčaranje kot romantizacija razčaranega ne vzpostavita zares jasne sodbe o Valentinovem svetu niti o večjem svetu, ki ga je z Aljošo in Anamarijo nadomestil. Pri tem ni dovolj zanimiva niti ta neodločnost. Optimisti Vida Simonitija so študija o odraščanju, eksperimentiranju, stremljenju in stremuštvu, ki pa je morda malce preveč pomirjena sama s seboj, da bi se bila zmožna izreči o čem večjem od sebe. Sicer na trenutke očitno spretno napisan roman obetajočega pisca na koncu samozadovoljno izzveni kot vaja v nekogaršnji nostalgiji.
Será esta semana uma simulação? Isto porque há um scam do Got Talent, um scam de telegram e ainda descobrimos que temos uma página a fazer-se passar por nós no tiktok! Isso tem um pouco a ver com o nosso pior susto de sempre - pior do que apanhar um cão a ladrar. Falamos de um casting falhado, da Sidney Sweeney e de todas as opinões sobre este e todos os casos de net. ahh e já agora...o que tem no ca?APOIOS:Activobank
Há famílias cabo-verdianas que passaram 40, 50 ou 60 anos sem notícias umas das outras. A página de Facebook Djudan Buska Nha Familia, coordenada por Isabel Semedo, tenta reconstruir esses laços através de nomes, fotografias, alcunhas e memórias dispersas por vários países. Cerca de 20 reencontros já foram possíveis, alguns em menos de uma hora. Há histórias familiares que ficaram suspensas entre Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Portugal ou Estados Unidos. Algumas começaram com partidas forçadas pela pobreza e pela fome, outras perderam-se com o tempo, a distância e a ausência de meios de comunicação. Décadas depois, uma página de Facebook tenta voltar a ligar essas vidas. A ideia nasceu depois de uma viagem de Isabel Semedo a São Tomé e Príncipe. “Toda a gente na sua família tem a história de alguém que partiu para São Tomé e não voltou”, conta. Ela própria não tinha esse percurso na família, mas conhecia desde pequena as histórias de quem tinha partido. Quando chegou ao arquipélago, percebeu a dimensão do problema. “Encontrei famílias, descendentes e pessoas que ainda estão lá. Foi muito, muito marcante. Apesar de tudo o que aconteceu, a palavra saudade é aquilo que mais lhes marca.” Dessa viagem nasceu Djudan Buska Nha Familia, “Ajuda-me a encontrar a minha família”, em português. O ponto de partida era simples, criar um lugar onde pessoas separadas por décadas pudessem deixar um nome, uma fotografia, uma localidade ou apenas uma memória. “Têm muita saudade do país e, sobretudo, dos familiares que ficaram por lá e de quem nunca mais tiveram notícias. Uns há 60 anos, outros há 40”, explica Isabel Semedo. Por detrás de muitas dessas histórias está uma página dolorosa da história cabo-verdiana. Isabel Semedo recorda a fome de 1947 e o envio de trabalhadores contratados para São Tomé e Príncipe, mas lembra que as separações se estenderam também a Angola, Moçambique e outras geografias da diáspora. “As pessoas foram para lá trabalhar, levaram a vida delas e foram perdendo contacto com os familiares em Cabo Verde.” Hoje, a página recebe pedidos vindos de vários pontos do mundo. A procura começa muitas vezes com quase nada. “É como uma agulha num palheiro”, reconhece. Um nome incompleto, uma fotografia antiga, o nome de uma aldeia ou uma referência transmitida oralmente podem ser tudo o que resta. A equipa foi criando, com o tempo, uma rede de contactos em Cabo Verde, São Tomé e na diáspora, tentando cruzar documentos, testemunhos e informações recebidas pelas redes sociais. Há um elemento que se revela muitas vezes decisivo, os nomes de casa. “Nós, cabo-verdianos, temos muito isso, o nominho”, explica. “Às vezes é ‘filho de tal', ‘filha de tal'. E a partir daí temos conseguido encontrar pessoas.” Há famílias que enviam certidões, fotografias e documentos privados na esperança de que uma pista permita reconstruir uma ligação perdida. Um desses casos foi o de Elsa, que procurava uma irmã desaparecida do radar familiar havia 40 anos. “Mandaram-me os dados, a fotografia, tudo. Em menos de uma hora conseguimos localizá-la através da página, dos comentários e das partilhas.” A irmã tinha passado por Cabo Verde e vivia em Portugal. “Foi uma história muito emocionante, triste e feliz. São sentimentos que se misturam.” Outro reencontro marcou profundamente Isabel Semedo foi o de Manuel que procurava a mãe e os irmãos em São Tomé e Príncipe. Não tinha fotografia e nem sequer conhecia o nome verdadeiro da irmã. Sabia apenas que lhe chamavam “Nuna”. Através de uma segunda mensagem recebida pela página, a equipa percebeu que esse “nominho” correspondia a Valenciana Vaz Moreira. “Através desse Nuna encaixou tudo.” Depois de cerca de 60 anos, os irmãos voltaram a encontrar-se. “Nós choramos com eles. Só quem vive é que sente uma coisa destas”, conta Isabel Semedo. Manuel, antigo GNR em Portugal, tinha passado praticamente toda a vida a procurar a família. “Ele disse-me que viajou por vários países sempre com isto na cabeça e que, no dia em que foi jurar bandeira para ser GNR, era o único que não tinha família.” Quando reencontrou a irmã, disse-lhe que tinha sido “o dia mais feliz da vida dele”. Mas nem todas as histórias terminam num reencontro. E essa é, para Isabel Semedo, uma das partes mais difíceis do trabalho. “Falamos muito com as pessoas antes de publicar. Não somos profissionais, somos só pessoas que têm vontade e estamos no mesmo barco.” A equipa tenta recolher o máximo de informação possível, mas evita alimentar expectativas que talvez nunca se confirmem. “Dar falsas esperanças também é complicado.” Há ainda casos em que a página serve de homenagem a quem procurou a família durante toda a vida e morreu sem conseguir regressar. Noutros, o reencontro torna-se real. Isabel Semedo recorda uma mulher filmada em São Tomé em 2025. A publicação chegou aos familiares, que a reconheceram, reuniram dinheiro e conseguiram levá-la a Cabo Verde. “Ficou lá três meses. Agora já voltou para São Tomé.” Para Isabel Semedo, é talvez aqui que reside a força do projecto, em utilizar as mesmas redes sociais tantas vezes associadas ao ruído, à violência ou à desinformação para construir alguma coisa. “As redes sociais podem ser muito perigosas, mas, bem utilizadas, podemos fazer a diferença.” A página também recebe comentários xenófobos ou racistas, que prefere apagar em vez de alimentar confrontos. Isabel resume esse espírito com uma expressão crioula: junta mon, juntar as mãos. “Estou sempre a agradecer às pessoas que comentam, que partilham. Isto é um junta mon, é juntar mãos para fazer algo de positivo.”
No “Estadão Analisa” desta quinta-feira, 17, Carlos Andreazza fala sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que são contrários à abertura de investigação contra Alexandre de Moraes e criaram uma frente para blindá-lo. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin integram a ala que tenta evitar apurações sobre a relação do colega com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O arsenal inclui ataques públicos, articulações de bastidores e manobras processuais para evitar a avaliação de indícios desabonadores coletados. Relatório da Polícia Federal mostra mensagens do banqueiro a Moraes. Nos dias que antecederam a sessão da última terça-feira, 15, o decano da Corte, Gilmar Mendes, enviou mensagens a dois colegas para intimidá-los e alterar resultados de decisões que envolvem o Master. No dia 8 de setembro, ele cobrou Luiz Fux por ter registrado, na Segunda Turma, voto favorável à liminar de André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da direção da PF. “Isto revela qq coisa menos postura institucional. Espero que nao se repita”, disse Mendes. Em outra frente, em manifestação perante o Conselho Superior do Ministério Público Federal, o procurador-geral da República Paulo Gonet afirmou que jamais negligenciou as investigações sobre fraudes no Master envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março na Operação Compliance por ordem do ministro André Mendonça, do STF. Ele disse que ninguém lhe pediu para livrar Vorcaro. “Se o sr. Vorcaro imaginou, no seu desespero, que alguém poderia obter a minha adesão para algum comportamento indigno, os fatos mostram que estava enganado.” Acompanhe Estadão Analisa com o colunista Carlos Andreazza, de segunda a sexta-feira, o programa traz uma curadoria dos temas mais relevantes do noticiário, deixando de lado o que é espuma, para se aprofundar no que é importante ASSINE O ESTADÃO: Seja assinante por R$1,90/mês e tenha acesso ilimitado ao nosso conteúdo. Acesse: https://estadao.me/RW4JzoSee omnystudio.com/listener for privacy information.
⏱️ Capítulos do vídeo00:00 Os sinais que aparecem antes de uma crise00:35 Primeiro sinal02:18 Segundo sinal03:57 Terceiro sinal06:15 Quarto sinal07:42 Quinto sinal09:15 Como preparar o patrimônio para uma crise
Esta semana no Pop Up abordamos a mais recente polémica protagonizada pela atriz americana, falamos sobre o corpo na cultura popular e que políticas vestem (ou despem) as estrelas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Se Você é Coluna da Casa, Precisa Ouvir Isto Hoje | Palavra Viva e Eficaz
O município mudou as regras de atribuição do subsídio municipal à renda. Isto permite alargar o apoio a cerca de 400 famílias. Edição de Cláudia Costa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Entramos na segunda e derradeira semana de campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe. Depois de ouvirmos os candidatos à governação do arquipélago, a palavra é dada a outras vozes do país, nomeadamente a sua diáspora em Portugal. Nestes últimos anos, o fenómeno da emigração são-tomense acentuou-se ao ponto que segundo o Banco Mundial, "as saídas do país aumentaram mais de 100%" desde 2020 e, por exemplo, "só em 2023, 24.156 pessoas deixaram o território nacional". Segundo a mesma instituição, Portugal tem sido o destino preferencial desta emigração, devido aos laços históricos e também em virtude do acordo de mobilidade em vigor no seio da CPLP, calculando-se que residam actualmente mais de 40 mil são-tomenses em terras lusas. Numa população que se eleva actualmente em cerca de 200 mil habitantes, esta onda de emigração representa um fenómeno significativo para São Tomé e Príncipe. Foi neste âmbito que conversamos com algumas figuras conhecidas da diáspora em Portugal, a activista são-tomense Solange Salvaterra Pinto, o dirigente da ACOSP, Associação da Comunidade de São Tomé e Príncipe, António Cádio dos Anjos Paraíso, assim como o economista e professor universitário, Armindo Espírito Santo. Em entrevista à RFI, este último não esconde a sua desilusão com o sistema existente no seu país de origem. "Eu vejo São Tomé como um sistema caótico. Um sistema em que os que dirigem o país, não fizeram nenhuma aprendizagem nos últimos 50 anos da independência. Um sistema em que os dirigentes políticos simplesmente não se empenharam para valorizar o homem são-tomense. (...) Investem em si próprios e nas suas próprias famílias", lamenta o estudioso. "Quando vou a São Tomé e Príncipe, ponho a mochila nas costas, vou visitando, vou vendo as pessoas, vou procurando saber o que pensam. São questões que eu coloco. Visito as escolas. Vejo, portanto, como é que os professores actuam junto aos alunos, as carências que existem, como é que transmitem os conhecimentos, que matéria transmitem aos alunos. São coisas que observo e eu vejo que nada mudou. Não há um projecto para desenvolver São Tomé e Príncipe", diz Armindo Espírito Santo para quem o fenómeno da emigração de são-tomenses é "uma fuga". "Vamos ser realistas, também os contextos insulares, como é o caso de São Tomé e Príncipe, são contextos em que as condições em geral são precárias. Porém, quando se sabe governar, essas situações de precariedade podem ser diminuídas, sabendo governar", considera o universitário ao referir que alguns emigrantes que se estabelecem em Portugal "dizem claramente que só vêm porque não conseguem um meio de vida satisfatório em São Tomé". Uma viagem com destino incerto Com ou sem formação universitária, os jovens que emigram para Portugal, por vezes, sem grandes apoios à sua espera, dizem que não conseguem vislumbrar um futuro em São Tomé e Príncipe, refere a activista Solange Salvaterra Pinto. "Quando se fala com os emigrantes, o que eles apontam e o que dizem é que em São Tomé, não há perspectivas, eles não conseguem sonhar. Em São Tomé não conseguem vislumbrar um futuro melhor e a solução é mesmo vir para Portugal para ver se conseguem melhores condições de vida, para chamar a família e, quem não tem família, para ver se consegue crescer em Portugal e formar a sua família aqui. Porque acham que aqui têm mais oportunidades a nível de educação, a nível de saúde", explica a activista. "Depois, há um outro fenómeno que é preciso também não esquecer. É que grande parte dos jovens que vêm para Portugal à procura de melhores condições de vida, não as encontram porque vêm sem uma rede de apoio. Conseguem pagar o seu bilhete de passagem, conseguem pagar o visto, vêm para Portugal, conseguem ficar em casa de familiares e amigos durante algum tempo, mas depois, como ainda não têm trabalho e não conseguem ajudar em casa da família ou dos amigos, eles acabam por ir viver para a rua. Temos alguns jovens, não diria muitos, mas temos alguns jovens -para o nosso universo já são muitos- que eu diria que são quase como sem-abrigo, porque eles dormem na Gare do Oriente, que é a estação de comboios aqui do Oriente (em Lisboa) e para se alimentar, ficam sempre à noite à espera da sopa que as associações vão levar para os sem-abrigo ou para aquelas pessoas que não têm condições de se alimentar convenientemente", realça Solange Salvaterra Pinto. Ao esboçar um retrato dos emigrantes são-tomenses que conseguem encontrar emprego, todos descrevem um cenário de precariedade. O economista Armindo Espírito Santo diz que "a esmagadora maioria sobrevive. A larga maioria tem salário mínimo. O salário mínimo permite pagar o quê? Pagar a renda da casa. E os poucos que têm casa, contam os tostões para sobreviverem. Até têm que pedir ajuda a terceiros para sobreviverem. É nessas condições que vivem e alguns vivem numa situação de elevada precariedade, de miséria". Por sua vez, Solange Salvaterra Pinto fala da "vida de qualquer imigrante com poucos estudos ou como ou com algum estudo, mas que chega de um país desconhecido. As mulheres estão quase todas nas limpezas ou estão a trabalhar nos restaurantes, nas cozinhas ou são camareiras de hotéis. E os homens, a maior parte deles, estão a trabalhar nas obras. Mas depois, é preciso também ter grande atenção que já não há obras de vulto em Portugal como havia há uns anos atrás. Então acaba por, não diria 60%, mas 40% se houver famílias, são as mulheres que conseguem levar o rendimento para casa porque há pouco trabalho para os homens". As contas por pagar e a ajuda a enviar Para além da escassez de empregos, os emigrantes são-tomenses fazem frente, como o resto de boa parte da população de Portugal, aos desafios de pagar as contas e sobretudo garantir o seu alojamento, diz o dirigente da ACOSP, António Cádio dos Anjos Paraíso. "Se o salário é baixo, em termos de habitabilidade, tem que então agregar-se duas ou três pessoas, às vezes alugar uma casa ou um quarto e depois alguma coisa que lhes resta, tem também transporte, a despesas da saúde, alimentação e se há algo que fica, é para mandar também para São Tomé e Príncipe, porque muitos deixaram os familiares. De facto, é uma precariedade que podemos dizer que, nos últimos tempos, nós estamos numa encruzilhada", diz o líder associativo. Segundo dados do Banco Central de São Tomé e Príncipe, apesar de os emigrantes são-tomenses não terem capacidade para injectar muito dinheiro dentro da economia do seu país de origem, as suas remessas, ainda assim, representam anualmente 4 a 5% do Produto Interno Bruto são-tomense. Para as famílias que ficaram no arquipélago, são uma ajuda importante sublinha Solange Salvaterra Pinto. "Em termos de remessas, então não sei se será tão rentável. Mas para as famílias, acaba por ser muito importante, porque mesmo que a pessoa esteja cá a trabalhar nas obras ou a trabalhar na cozinha, ela consegue mandar 50 ou 100 Euros para a sua família em São Tomé e Príncipe. Ela já está a ajudar imenso a família e ela consegue mandar medicamentos. Já está a ajudar imenso, porque ela consegue mandar roupa e materiais escolares para as crianças que estão em idade escolar. Acaba por ser uma grande valia e uma grande ajuda para as famílias. E quando as famílias vêem-se assim nestes termos protegidas, acaba por ser também menos encargo e menos preocupação para o Estado. Podem não enviar remessas, mas compensam de outra maneira", sublinha a activista. Emigrante também é cidadão Frequentemente esquecidas nos actos eleitorais, sejam de que origem forem, as diásporas não deixam de ser também parte das forças vivas de um país. António Cadió dos Anjos Paraíso evoca o sentimento de abandono que têm os emigrantes com quem está em contacto na sua associação. "As pessoas quando chegam aqui, também vêm revoltadas com a forma em que está a ser dirigido o país. 'Eu não quero voltar mais'. Eu digo "meus amigos, a nossa terra nunca nos fez mal. É importante que nos saibamos organizar. Nós temos que ter espírito patriótico. Porque é de lá que nós somos. E de facto, quando aparece cá, muita das vezes, um dirigente quando é a altura da campanha eleitoral e vem falar, eu como dirigente associativo, já propus muitas das vezes, nós temos que sentar, ter um plano, sobretudo a malta que está na diáspora. Isto porquê? Essa malta nova veio para vender a sua força de trabalho. Mas daqui algum tempo vamos estar idosos. Quando vamos regressar São Tomé e Príncipe, qual é a estrutura que está lá à nossa espera? São questões que a médio e longo prazo, vamos ter graves problemas. E mesmo quem está a dirigir em São Tomé e Príncipe não tem essa visão", constata o líder associativo que ao ser questionado sobre as eleições legislativas de 27 de Setembro, diz esperar apenas "mais do mesmo". Também na óptica de Solange Salvaterra Pinto, a descrença é o sentimento que predomina entre os são-tomenses de Portugal. "A maior parte das pessoas está muito desacreditada da política, está muito desacreditada da classe política, está muito desacreditada dos homens e mulheres que fazem política em São Tomé e Príncipe, porque uma das razões que os levou a sair de São Tomé e Príncipe é justamente a razão que eu indiquei, que não há perspectiva. Essa perspectiva, quem devia garantir o bem-estar do são-tomense e fazer com que eles não tivessem vontade de sair do país é a classe política, porque é o governo que tem as linhas mestras para o país", diz Solange Salvaterra Pinto. Ainda assim, a activista dá ênfase à importância de todos, dentro e fora do país, exercerem o seu direito de voto e não caírem na tentação de não se deslocarem às urnas. "Se nós não votarmos, alguém vai votar por nós. Então, se nós temos esse direito, é primordial que nós votemos, mas que votemos com consciência e que votemos nos partidos ou que escolhamos as pessoas que nós sabemos que vão ser uma mais-valia nas nossas comunidades. (...) Porque quer votemos quer não votemos, no dia 28 de Setembro, nós teremos um partido ganhador, com maioria relativa ou com maioria absoluta. Teremos um partido ganhador que vai formar o próximo governo ou sozinho, ou em coligação", remata a activista são-tomense.
A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação. Nesta segunda-feira, ouvimos Levy Nazaré, líder e cabeça de lista do Movimento Basta, na oposição. Rosto conhecido da vida política são-tomense por ter ocupado vários cargos, Levy Nazaré defende uma política de saúde preventiva, um investimento nas fontes de energia sustentáveis e reformas institucionais. RFI: Qual é o programa do ‘Movimento Basta'? Levy Nazaré: Primeiro, acima de tudo, é preciso um consenso nacional para se alterar a Constituição, mas não no sentido de criar um novo regime presidencialista. São reformas constitucionais que ajudam ao melhor funcionamento das próprias instituições do Estado. Mas para isso, é preciso consenso político. Nós também temos a reforma da Assembleia Nacional pela dimensão da Assembleia. Com 55 deputados, penso eu que hoje não se justifica termos tantos deputados. É preciso profissionalizar de facto a Assembleia Nacional, reduzindo o número de deputados, dar as condições necessárias para órgãos de soberania, melhorar os salários. A questão da mobilidade dos deputados, para que haja maior produtividade, nós propomos reduzir para 25 ou 30 deputados, não mais. Há a questão da reforma da Justiça. Também já se falou muito da reforma da Justiça, que é um cancro para o nosso desenvolvimento. Eu defendo sempre que a Justiça tem um papel muito importante a desempenhar para o São Tomé e Príncipe que se pretende, um São Tomé e Príncipe mais desenvolvido, mais justo, mais equitativo. Não pode ter a nossa justiça tão lenta, tão burocratizada, tão politizada como nos últimos tempos nós fomos assistindo. Nós precisamos de apoio dos nossos parceiros para permitir que haja uma cooperação a nível da Justiça, de modo que venham magistrados nos ajudar aqui ditar o direito. Não é para sempre e de uma forma transitória. Estabelece-se no espaço de cinco a dez anos, de forma que venham magistrados para um ou dois anos, porque eles não são de cá, eles não conhecem as pessoas, eles não têm relações familiares numa sociedade tão pequena. Para não entrar no vício, não pode durar muito tempo: dois anos, depois vem outro e assim sucessivamente. Por isso, essa é uma das propostas que nós temos. Não podemos ser só para umas coisas e outras coisas, não sermos soberanos. RFI: Nestes últimos meses, o país foi submetido a alguma pressão devido aos cortes de energia, tornando de facto esta questão, uma questão crucial. Quais são os vossos planos? Levy Nazaré: Aquilo que os nossos parceiros do Banco Mundial e não só, os nossos parceiros de Bretton Woods, têm sempre nos proposto. É essa a solução. Nós temos que renovar a nossa fonte energética. Não podemos continuar com energia a diesel, com geradores permanentemente. Esse tipo de energia também está dependente das variações do preço dos combustíveis no mercado internacional. Até há casos mesmo, como sabe, de ruptura de combustíveis por algum tempo na nossa sociedade. Logo, é preciso investir nas energias renováveis. Já há um processo a decorrer para a energia com painéis solares, mas também temos condições para energia eólica. Nem toda a energia tem de ser energia limpa, mas coadjuvado também com alguns geradores, caso haja um ou outro problema. RFI: Falou de energias limpas. Isto é uma transição para a questão ambiental. Há também uma expectativa internacional relativamente a São Tomé e Príncipe, que nestes últimos anos foi reconhecida, nomeadamente pela sua qualidade natural pela UNESCO. O que é que se pretende relativamente à questão ambiental em São Tomé e Príncipe? Levy Nazaré: Todo o território nacional já é património da Biosfera, como sabe. É transformar esse património num exemplo para o mundo e termos políticas de desenvolvimento sustentável e que esse desenvolvimento não venha pôr em causa as nossas condições de fauna e flora. Só que temos também de ter a capacidade de dizer aos nossos parceiros "ok, nós não podemos mais continuar, por exemplo, a desflorestação, a tirar areias nas praias para a construção. Então nós precisamos de ajuda nesse sentido'. Mas o grande problema que o país tem hoje é como tratar os resíduos. Nós importamos muito plástico. Há muito lixo. E como é que nós vamos transformar esses resíduos em fonte de energia e tornar a ilha mais limpa, mais consentânea com todas as políticas ambientais? Quer a ilha de São Tomé, quer a ilha do Príncipe estão a passos gigantes rumo a uma economia de turismo sustentável. Daí os desafios que nós também temos nessa área de tratamento dos resíduos. RFI: Relativamente também à questão do acesso à saúde. Isso é uma questão que é universal. Como tornar a saúde mais acessível a todos? Levy Nazaré: Temos que direccionar a nossa política de saúde acima de tudo, numa saúde preventiva. Estamos com uma política de saúde mais curativa, isto é, quando acontece os problemas, as pessoas já estão doentes, já estão enfermas, já estão hospitalizadas e nós agora temos que encontrar formas para curar essas pessoas, logo, direccionarmos a nossa política para uma saúde preventiva. Logo, eu aproveito já para falar da questão de água potável, porque muitas das nossas doenças são de origem hídrica, não havendo água potável para toda a população, para melhorar a questão do imunização da população, faz com que possamos diminuir os custos e os problemas que nós temos na saúde. É um desafio grande, mas tudo isso também tem a ver com o próprio desenvolvimento do país. Para nós, temos condições para construir o tal hospital de referência que tanto se fala também aqui, entrando também o turismo. O nosso Sistema Nacional de Saúde hoje não é consentâneo com o turismo que se pretende, o desenvolvimento do turismo que se preconiza. Logo, temos que criar todas as condições para termos um sistema Nacional de Saúde que dê resposta não só a toda a população nacional, em primeiro lugar, mas todos aqueles que nos visitam também. Também começar a formar técnicos especializados, não só médicos, como enfermeiros em todas as áreas de especialidade que o país precisa. Tem acontecido, já agora, não só nesta área, mas em todas. Mas já que estamos a falar de saúde, muitos enfermeiros, muitos técnicos de saúde, por questões que o país atravessa, têm emigrado, logo é preciso criar uma política para reter os nossos quadros, não só de saúde, como todas as áreas. Dar-lhes formação, termos mais técnicos especializados para darmos resposta aos desafios que o país enfrenta e que há-de enfrentar no futuro. RFI: Como financiar todas estas medidas que está a propor? Levy Nazaré: No nosso programa, também falámos da política fiscal. Primeiro, é preciso uma política fiscal que seja mais abrangente possível e não apenas ficar circunscrita ao sector formal. Nós temos uma informalidade muito grande na nossa economia. É preciso políticas tributárias específicas para massificar a tributação com taxas únicas para todo o sector informal. É preciso trazer o sector informal para sector formal. Baixar a taxa de imposto que nós temos, também uma política fiscal que não ajuda o surgimento de novos empresários ou aqueles que já estão no mercado para desenvolver. É preciso dar mais atenção àquelas pessoas que decidam enveredar por esse caminho que é do empresariado. É preciso um esforço interno, reduzir as despesas públicas. Melhor gestão das nossas finanças e dos apoios que nós recebemos. O combate à corrupção. É preciso investir na agricultura. Nós não temos terra suficiente para ter uma agricultura competitiva, mas nós temos uma marca que é a marca, o nome 'São Tomé e Príncipe'. Logo, desenvolver uma agricultura doméstica para abastecer o mercado interno, depois uma agricultura de transformação para exportação, mas exportar já produtos 'gourmet'. Já está a começar. Há pequenas células. E também direccionado para o mar, porque em vez de nós termos acordos de cooperação com a União Europeia, com o Japão, a China e outros países, de pesca nos nossos mares e que nós nem temos capacidade de controlo desta mesma pesca, porque não pedir apoios para termos aqui internamente pequenas empresas de transformação de pescado, como acontece com alguns países como Cabo Verde, que eu sei. Logo, todas essas políticas são políticas que poderão ajudar a encontrarmos formas de financiar esse desenvolvimento de que se falou. É preciso trabalharmos também mais. Nós temos um horário de trabalho da função pública, por exemplo, que não é compatível com as exigências do mundo moderno hoje. Mas tudo isso também, tem a ver com a própria reforma da nossa administração pública, que também faz parte do nosso programa.
A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação. Nesta terça-feira, ouvimos João Bonfim, líder e cabeça de lista do PCD - Partido da Convergência Democrática, na oposição. Ao defender reformas nomeadamente no sector da justiça, João Bonfim insiste igualmente sobre a necessidade de diversificar as fontes de energia e cuidar melhor das unidades de saúde ou ainda das estradas. RFI: Quais são as prioridades do vosso programa? João Bonfim: Recordo a situação das estradas nacionais, das ruas da cidade capital, que estão praticamente em estado de profunda degradação. Sem falarmos da questão da energia e da água que ocuparam o topo das nossas prioridades. Para além disso, os tradicionais sectores da saúde e da educação, especialmente para nós, a questão da educação terá uma importância muito grande, na medida em que nós precisamos, através da educação, defender o presente e preparar o futuro. Em relação à saúde, verificamos que há muitas doenças consideradas doenças curáveis no mundo, mas que matam em São Tomé e Príncipe, já não por haver falta de profissionais, mas faltam os meios de diagnóstico e faltam os medicamentos. Por esta razão, nós definimos estes sectores como sendo os prioritários no nosso projecto de governação. RFI: Detalhando agora alguns dos sectores, mencionou nomeadamente a questão da saúde. Disse que não é por falta de quadros. No entanto, alguns números vêm dizer o contrário. O facto de haver uma emigração massiva nestes últimos anos, fez com que vários quadros, nomeadamente no sector da educação e no sector da saúde, saíssem do país. E neste momento, o país enfrenta uma carência de quadros nestes sectores. João Bonfim: Pode se tratar de uma falsa questão. Na educação é bem mais evidente do que no sector da saúde. Os professores estão a abandonar o sistema educativo porque eles são mal remunerados e são dificilmente seguidos e apoiados. No sector da saúde, a situação não é tão igual. Eu dou-lhe um exemplo muito concreto. Estive a reunir-me com a população num distrito e estava uma senhora enfermeira presente e ela tomou a palavra para me dizer 'eu própria, já pedi até aos próprios doentes para se rebelarem, porque eu estou desesperada. Eu tenho gente doente que aparece aqui na minha instituição de saúde e eu sei que eu posso fazer alguma coisa por esta pessoa, mas nem sequer tenho um medicamento básico, como é o paracetamol, por exemplo'. Isto é triste e deprimente também para os profissionais de saúde, isso pode conduzir a alguma desistência. Mas o nosso principal problema, confesso, não está na falta de quadros. RFI: Relativamente a outro sector que enumerou no seu programa, falou nomeadamente da questão da energia, que foi um assunto bastante comentado nestes últimos meses devido à crise que o país atravessou. Quais são os vossos projectos? João Bonfim: O nosso projecto, sobretudo na área da energia, é fazer uma opção muito clara para a produção de energia por via de energias renováveis. O nosso país, claro, situado na linha do Equador, com grande disponibilidade de Sol e sendo um país de geografia limitada, o nosso país tem todas as condições para tirar o máximo proveito das energias limpas, das energias renováveis, designadamente da energia fotovoltaica. Nós conseguimos obter energia fazendo até -porque não?- instalações particulares, nos edifícios públicos, nalgumas habitações particulares, tudo isso de modo a que tenhamos a possibilidade de ter energia limpa. Mas também podemos utilizar e devemos recorrer à energia eólica. Devemos pensar profundamente nestas opções porque elas são um conhecimento de que o mundo dispõe e está, neste momento, também ao alcance de todos os países. Mas há também a possibilidade de recorrermos à produção energética por via dos cursos de água. Já há muito que se fala no aproveitamento dos vários cursos de água para criarmos uma rede de barragens que possam promover a acumulação de água que serviria para produção de energia, mas que serviria também para a distribuição à população e para utilização na agricultura, para a rega. E isso, o nosso país não tem feito. Mas são meios que estão ao nosso alcance. Todo o nosso sistema de distribuição e de gestão da energia foi apontado para uma população de 70 mil habitantes à data da independência. De lá para cá, e no preciso momento, a nossa população triplicou. Passámos de 70 mil para 210 mil. As propostas têm de ser outras. Queremos apostar muito na descentralização da distribuição e da gestão da energia. E nós queremos apostar numa separação do sector da água e do sector da energia, para que cada um deles, com o conjunto de problemas que enfrentam, possam estar mais concentrados nos problemas próprios, em vez da confusão que temos actualmente. RFI: O FMI e o Banco Mundial têm apoiado São Tomé e Príncipe, fazendo algumas preconizações. Entre essas, preconiza uma reforma da administração pública e também mais impostos. João Bonfim: A questão dos impostos é uma questão que tem que ser encarada, tem que ser discutida, porque o país é óbvio em qualquer lado. É preciso que, numa economia liberalizada também como aquela que nós defendemos, o Estado dificilmente arrecadará receitas através da participação em empresas. Não haverá tantos recursos da construção do Tesouro público a partir dos dividendos. Por isso, os impostos são a via preferencial para que o Estado possa construir o seu tesouro, através do qual fará investimentos na saúde, na educação, nas infra-estruturas, como, por exemplo, as estradas. Há dias aí, alguém me falou do seguinte: 'Se vocês forem governo, por favor acabem com o IVA'. E disse-lhe que infelizmente isso não pode acontecer porque o IVA, aparentemente parecendo ser um imposto cego, é o imposto actualmente mais generoso de que o Estado pode beneficiar. A única questão aqui a haver é uma avaliação dos montantes a cobrar e uma definição de áreas e de serviços que podem ficar isentos da cobrança do IVA. Os cidadãos, obviamente, não gostam de ouvir falar do pagamento de impostos, mas os impostos são a via preferencial que tem o Estado e os governos para constituírem o Tesouro público, que, por sua vez, é necessário para o investimento na saúde, na educação, com a aquisição de medicamentos e dos equipamentos de diagnóstico e outros, no sistema de saúde, na educação para sustentar as escolas públicas, embora nós não consideremos que toda a educação tenha de ser exclusivamente pública. Estamos disponíveis para encarar a possibilidade de haver uma intervenção do capital privado no sistema educativo. Os impostos são, de facto, um mal necessário, infelizmente. RFI: Outro dos assuntos que regressa sempre em qualquer campanha eleitoral é a questão das reformas institucionais e nomeadamente no sector da justiça. João Bonfim: O sector da Justiça é efectivamente um grande problema que nós enfrentamos. A nossa proposta para o sector da Justiça é ter uma formação muito sólida no sector da Justiça. Mas também não podemos dizer que seja exclusivamente por falta de formação que a nossa Justiça tem conhecido os problemas que são do domínio público. A questão é que há muita interferência política no funcionamento da Justiça. Por isso, o nosso lema principal para a justiça é a não politização da justiça e a não judicialização da política. Como é que vamos resolver isso? Introduzindo os mecanismos de inspecção no sistema judicial, recorrendo também à ajuda e à cooperação externa. Porque os compromissos que muitos agentes da nossa justiça têm com a actividade política prejudicam a administração da Justiça com toda a qualidade e, sobretudo, com confiança pela parte dos cidadãos. Os cidadãos não têm muita confiança na Justiça. Muitas vezes, o resultado de uma sentença decorre de uma encomenda, digamos assim.
No Antigo Testamento encontramos a chamada lei de talião: «olho por olho, dente por dente». À primeira vista, pode parecer uma lei violenta; na verdade, pretendia limitar a violência. Se alguém me causasse um dano, eu não poderia responder com um mal maior. Era já uma forma de travar a espiral da vingança.Jesus, porém, vai mais longe. Não nos pede apenas que não retribuamos o mal com um mal maior: pede-nos que perdoemos. Pedro pergunta-Lhe: «Se o meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?» Sete já parece muito. Mas Jesus responde: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete». Isto é: sempre.Dizê-lo é fácil; vivê-lo é muito mais difícil. Há pequenas contrariedades que rapidamente ultrapassamos. Mas há ofensas que nos ferem por dentro: uma traição, uma calúnia, uma injustiça profunda. Perante essas feridas, perdoar pode parecer humanamente impossível. E talvez seja. Há perdões que só são possíveis com Deus.É por isso que Jesus conta a parábola dos dois devedores. Um servo devia ao rei dez mil talentos: uma quantia absolutamente incomportável, uma dívida que jamais conseguiria pagar. Pede apenas tempo, mas o rei faz muito mais: perdoa-lhe toda a dívida. Pouco depois, esse mesmo servo encontra um companheiro que lhe devia cem denários. Também este lhe pede tempo. Mas ele recusa, manda-o prender e exige que pague tudo.A desproporção é o coração da parábola. Jesus não está a dizer que as ofensas que recebemos são insignificantes. Algumas doem profundamente. Está a dizer-nos que o perdão começa quando tomamos consciência do perdão que nós próprios recebemos de Deus. O rei diz ao servo: «Não devias também tu compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?»Talvez aqui esteja o segredo. Se eu me concentrar apenas na obrigação de perdoar, posso sentir-me ainda mais frustrado: sei que devo perdoar, mas não consigo. O caminho começa noutro lugar: reconhecer quanto Deus me perdoa, quanto me ama, quanta compaixão tem de mim. É dessa experiência que pode nascer, pouco a pouco, a capacidade de perdoar os outros.E perdoar não é esquecer. A memória é um dom; não precisamos de fingir que nada aconteceu. Perdoar é impedir que uma ferida do passado continue a governar o nosso futuro. É deixar de permitir que aquela ofensa determine as nossas escolhas, alimente a vingança, o medo, a angústia ou o ressentimento.Atribui-se a Nelson Mandela uma frase muito expressiva: se, depois de sair da prisão, continuasse dominado pelo ódio aos que o tinham prendido, teria saído da prisão, mas a prisão não teria saído dele. A imagem é verdadeira para nós. Também podemos viver em pequenas prisões interiores: «não vou ali porque está aquela pessoa»; «não falo desse assunto para não me lembrar»; «não faço isto porque tenho medo de voltar a sofrer». A ofensa continua, assim, a produzir efeitos muito depois de ter acontecido.O perdão rompe essa cadeia. Não torna bom aquilo que foi mau, não chama justo ao que foi injusto, nem dispensa a verdade ou a justiça. Mas impede que o mal recebido continue a ter poder sobre nós.Por isso, quando nos for difícil perdoar, talvez devamos começar não por olhar para quem nos feriu, mas para Deus. Recordar quanto Ele nos perdoou, quanto nos ama e como tem compaixão de nós. E pedir-Lhe a graça de fazer em nós aquilo que, sozinhos, não conseguimos fazer. Porque perdoar é uma obra profundamente humana, mas há momentos em que só se torna possível quando deixamos Deus agir em nós.
Nesta segunda parte da conversa, a apresentadora Júlia Pinheiro revela o que espera das suas netas enquanto mulheres no futuro, e o que atualmente mais a inquieta no país e no mundo. Como havemos de viver e de continuar a acreditar? Júlia responde. A apresentadora fala ainda da sua amizade e cumplicidade longa com Manuel Luís Goucha, reflete sobre o futuro dos medida, a preocupação com a IA, e o seu interesse e fascínio pelos mecanismos que geram a violência. E ainda conta os próximos projetos que vai lançar em breve… No final, ainda há lugar para Júlia Pinheiro partilhar algumas das músicas que a acompanham, ler um excerto do seu livro “Não Sei Nada Sobre o Amor” e do novo livro de Gisele Pelicot - “Um Hino à Vida - A Vergonha tem de Mudar de Lado”, uma história de abuso que chocou o mundo. E que, acima de tudo, mostrou como o mal se esconde entre uma aparente normalidade de um lugar, e como a força de uma mulher a fez superar um trauma e servir de exemplo para o mundo. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.
Henrique Mano foi um dos primeiros jornalistas portugueses a chegarem ao Ground Zero depois do ataque de há 25 anos às Torres Gémeas, em Nova Iorque, no qual morreram cerca de três mil pessoas. À hora dos atentados, a 11 de Setembro de 2001, o repórter já estava no Jornal Luso-Americano de Newark e contou-nos como foi cobrir o trágico acontecimento que mudou o mundo e a sua própria vida na cidade onde vivia e ainda vive. “Há um antes e um depois do 11 de Setembro”, resume o jornalista. Já passou um quarto de século desde os ataques que são considerados como um momento de viragem na história contemporânea. A 11 de Setembro de 2001, quatro aviões comerciais foram sequestrados por terroristas da Al-Qaeda, com dois deles a colidirem de forma intencional contra as Torres Gémeas do World Trade Center, que acabariam por desabar algum tempo depois. O terceiro avião de passageiros colidiu com o edifício do Pentágono, nos arredores de Washington, e o quarto caiu num campo no estado da Pensilvânia, depois de alguns passageiros e tripulantes terem tentado retomar o controlo do aparelho. Morreram cerca de três mil pessoas nesse dia e não se sabe quantas mais foram vítimas indirectas da tragédia desde então. A queda dos edifícios libertou uma nuvem tóxica e provocou um desastre ambiental urbano sem precedentes nos Estados Unidos, ao qual foram expostas quase 500 mil pessoas e cujo impacto ainda perdura. Neste programa, falamos com Henrique Mano, editor do Jornal Luso-Americano de Newark, que foi um dos primeiros jornalistas portugueses a chegarem ao Ground Zero e que ajudou a identificar vítimas luso-americanas. Esta sexta-feira, o jornalista vai cobrir uma cerimónia inédita em Newark, “um pequeno Portugal”, que vai lembrar as vítimas dos atentados, nomeadamente as de ascendência portuguesa, paralelamente às homenagens que vão decorrer em Nova Iorque. “A cidade de Newark é onde está concentrada a grande comunidade portuguesa na costa leste dos Estados Unidos, é uma espécie de pequeno Portugal. Uma das vítimas portuguesas nasceu aqui, cresceu aqui. Eu digo aqui porque estou na redacção do jornal e o jornal está também sediado em Newark. O vereador português de Newark, o Michael Silva, pela primeira vez, vai fazer uma cerimónia do içar da bandeira, que é uma tradição americana, para lembrar as vítimas não só luso-americanas, mas todas as vítimas dos atentados. Eu vou estar ocupado a fazer a cobertura desse evento”, conta Henrique Mano. Há 25 anos, quando os aviões embateram nas Torres Gémeas de Nova Iorque, a cidade onde vivia e vive, o repórter “tinha acabado de chegar à redacção”, em Newark, nos arredores de Nova Iorque. “Nesse dia já não consegui regressar a Nova Iorque porque os acessos da cidade estavam todos interrompidos. Não havia comboios, os túneis estavam fechados. Portanto, só no dia seguinte, logo de manhã, consegui apanhar um comboio e fui para Nova Iorque. Fui imediatamente para a zona do Ground Zero tentar sobretudo auscultar a comunidade portuguesa que havia ali nos bairros de Soho e Tribeca - que estavam literalmente à sombra das Torres”, acrescenta. A partir daí, o jornalista e a equipa do jornal Luso-Americano ajudaram na identificação das nove vítimas portuguesas e lusodescendentes dos atentados, ajudando a compor uma lista oficial que até hoje é usada pelas autoridades portuguesas e norte-americanas. Há memórias que continuam muito presentes e são dificilmente imagináveis: “Morreram ali quase 3.000 pessoas no espaço de uma hora. Isto é difícil de explicar às pessoas, mas dos escombros das duas torres emanava um cheiro a morgue - estavam ali 3.000 corpos - que se manteve na ilha toda de Manhattan, para aí, durante uma semana. Nós em casa, dentro de casa, sentíamos este cheiro. Para além do aspecto prático de termos percebido que, em uma hora, as nossas vidas tinham mudado completamente, as medidas de segurança, a forma como viajamos, tudo isso. Há um antes e um depois do 11 de Setembro.” Na terça-feira, o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, anunciou a divulgação de dezenas de milhares de documentos que mostram que a cidade não revelou tudo o que sabia sobre a toxicidade do ar após os atentados de 11 de Setembro de 2001. Nos anos seguintes, mais de 9.400 pessoas morreram de doenças relacionadas com a exposição à área, de acordo com um programa federal de monitorização médica. Após a nuvem de poeira inicial que se seguiu ao colapso do World Trade Center, meses de poluição e poeira persistente causaram cancros que ainda afectam milhares de nova-iorquinos. "Estes documentos mostram o que a cidade sabia sobre o ar tóxico em redor do Ground Zero, quando o soube e como agiu para limitar a responsabilidade", disse o autarca de Nova Iorque, Zohran Mamdani numa conferência de Imprensa após a divulgação online de 170 mil páginas de documentos sobre preocupações com a saúde, a qualidade do ar e a resposta da cidade aos ataques. A divulgação faz parte de um acordo com a 9/11 Health Watch, um grupo de defesa das vítimas que interpôs uma ação judicial para obrigar a cidade a tornar os documentos públicos. "Durante 25 anos, quatro Administrações municipais diferentes ocultaram do público, do Congresso dos EUA e da Câmara Municipal documentos que mostravam o que a cidade realmente sabia sobre o perigo dos produtos químicos tóxicos no sul de Manhattan e no oeste de Brooklyn após o colapso do World Trade Center, mesmo enquanto as autoridades municipais continuavam a afirmar ao público que o ar era 'seguro e aceitável'", disse o director do grupo, Benjamin Chevat, em comunicado. Como milhares de pessoas, Henrique Mano também se expôs e continuou a fazer as suas reportagens no local, sem nunca ter colocado qualquer máscara. Conta até que conheceu um bombeiro lusodescendente que “trabalhou no Ground Zero durante seis meses na operação de recuperação dos restos mortais, a identificar pedaços de corpos que encontravam” e que “teve que se reformar prematuramente porque contraiu uma doença pulmonar associada ao 11 de Setembro”. “[As autoridades] não alertaram. A documentação agora prova que até as companhias de seguros estavam cientes do perigo e optaram por fazer segredo disso. Portanto, nem sei se não é matéria criminal. Não sei como é que as autoridades vão agora lidar com o assunto, mas isso tem sido muito falado agora, nesta semana dos 25 anos”, acrescenta o jornalista. Oiça a entrevista neste programa.
Preparem-se para uma intifada de emoções. Alguém leu a obra "Montenegro" de André Ventura e pensou "isto é digno de ser publicado." E essa pessoa foi André Ventura, que pagou do seu próprio bolso para ver isto ser publicado.Este é daquelas poucas situações neste podcast em que não podemos considerar que o autor ter abandonado a literatura para se dedicar a outras coisas é uma coisa boa.Todos conhecemos André Ventura, o político, mas poucos conhecemos André Ventura, o homem que gosta de polvilhar descrições sexuais com motivos infantis. Ou André Ventura, o visionário autor de uma das melhores cenas de sexo passadas no interior de uma caixa de cartão na baixa do Porto. Vamos ficar a conhecê-lo.Isto não é um episódio político, mas saibam que quando votam nele, o que em princípio não é o caso, estão também a votar no autor das frases "Os seios estavam duros, em consonância com a face que parecia tensa apesar de extremamente empolgada e decidida” e "Agarrou-lhe depois a cabeça, como quem leva uma criança a comer o que está no prato, e trouxe-a junto ao seu pénis duro e tenso.” Não é assim que se alimenta uma criança, André. As crianças também usam talheres. Não se alimenta uma criança enfiando-lhe a cara no prato como se este fosse um pénis duro e tenso. Eu sei que tinhas de introduzir um elemento infantil nesta cena de sexo. É o teu estilo pessoal. Mas soa mal.Espectáculos ao vivo: https://www.ticketline.pt/evento/livros-da-pica-ao-vivo-104207Poderão subscrever o nosso patreon para apoiar o projecto e conteúdo extra: https://www.patreon.com/jcdireitaInstagram: https://www.instagram.com/livrosdapica/twitter: https://twitter.com/livrosdapicaimagem: https://www.instagram.com/tiagom__/
Os PISA 2025 trouxeram resultados preocupantes para a comunidade escolar. Isto é consequência das mudanças nas políticas de Educação desde 2016 e dos governos da geringonça. Mas ainda haverá solução?See omnystudio.com/listener for privacy information.
Rugsėjo 18-ąją Alytaus kultūros centre vyks Kultūrinių patirčių festivalis jaunimui „Nuo ART‘isto iki Me(n)talisto“. Alytaus Jurgio Kunčino viešosios bibliotekos organizuojamas renginys šiemet pasiūlys 12 edukacijų, diskusiją ir informacinio bei medijų raštingumo veiklas. Kai kurios edukacijos jau užpildytos, tačiau į dalį jų dar galima registruotis.
Daniel Oliveira e Francisco Mendes da Silva analisam o chumbo da moção de censura, que contou apenas com os votos favoráveis do Chega, e a audição de Luís Neves no Parlamento. Francisco Mendes da Silva aborda ainda os resultados dos alunos portugueses no PISA, relacionando-os com a degradação do debate político em Portugal. Ouça este episódio do Antes pelo Contrário, emitido na SIC Notícias a 8 de setembro.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A Casa de Portugal André de Gouveia, em Paris, inaugurou, esta terça-feira, 8 de Setembro, uma exposição de arte contemporânea intitulada “Enfin, Chez-Soi?” [“Finalmente em casa?”] e que aborda os temas da identidade, do sentimento de pertença e das experiências diaspóricas. A mostra tem curadoria de Aïcha Lopes e Liliana Tavares Ribeiro e junta obras de Ana Isabel Freitas, Carlota Matos, Carlota Sandoval Lizarralde e de alunos do Atelier des Noctambules coordenado pela artista plástica Nathalie Afonso. Num mundo com um ADN de migrações e em que a identidade se vai construindo na itinerância, a exposição “Enfin, Chez-Soi?”, [em português “Finalmente em casa?”], aborda “uma construção íntima, social e política” que ultrapassa a mera dimensão espácio-temporal. Logo à entrada da mostra instalada na Casa de Portugal, na Cidade Universitária de Paris, podemos ler que “estar em casa já não se resume apenas a um sentimento interior, mas a um reconhecimento exterior – o do lugar, do olhar dos outros, dos quadros normativos que autorizam ou recusam a pertença”. As curadoras da exposição, Aïcha Lopes e Liliana Tavares Ribeiro, quiseram questionar o que é o “chez-soi”, uma expressão que admitem ser de difícil tradução, mas que aproximam do sentimento de pertença e do “sentir-se em casa” quando se vive entre duas ou mais culturas, países e línguas. Ambas criaram, no ano passado, a sua dupla de curadoria a que chamaram Alquimia e avançaram com esta mostra no âmbito de um projecto académico para concluir o Mestrado Internacional de Arte Contemporânea. “A Liliana e eu decidimos fazer esta exposição simplesmente porque nos sentíamos entre duas culturas. No meu caso, não é apenas entre duas, mas entre várias culturas, entre várias línguas. É este o tema desta exposição: há o tal 'entre culturas' e o ponto de interrogação no título permite questionar isso e também interrogar o país de onde vimos, a origem dos nossos pais, metendo tudo na mesma sala e tentando encontrar um sentido para isto tudo”, explica Aïcha Lopes. “A exposição fala do facto de se sentir entre duas culturas, duas línguas, se calhar dois lugares, e de saber ou não saber onde se encontra a sua própria casa. Eu não gosto muito de traduzir o título da exposição, ‘Enfin, Chez-Soi?'. O ‘chez-soi' é uma expressão francesa muito importante para nós que moramos em França. O meu pai, quando chegou a França, ficou muito impressionado com a importância dessa expressão, do ‘chez-soi', que é quase intraduzível para português. O título é uma questão porque não queremos dar uma resposta certa e queremos questionar a individualidade de cada um sem dar uma resposta. Queremos falar destes assuntos, do sentimento de pertença e das migrações”, acrescenta Liliana Tavares Ribeiro. E foi simbolicamente na Maison du Portugal André de Gouveia, dentro da vasta Cité Universitaire de Paris que acolhe milhares de estudantes das mais diversas nacionalidades, que as curadoras decidiram instalar este “Enfin, Chez-Soi?”. Até 20 de Setembro, esta Casa convida o visitante a “sentir-se em casa”, “chez-soi”, com uma exposição composta por instalações, pinturas e videoarte. À entrada, um conjunto de obras da colombiana Carlota Sandoval Lizarralde, uma pintura monumental, uns pequenos cantis de “água benta” a representarem a Virgem Maria e uma ventoinha de onde esvoaçam terços religiosos. É que além da visão, a mostra reivindica um lado sensorial que implica também a audição, o cheiro e até o paladar, já que, noutras ocasiões, Carlota Sandoval Lizarralde convidou o público a beber “água benta”. Ainda no hall da Maison du Portugal, um filme sem som - porque o seu som foi deslocado para outra sala - sobre a dança e as nossas origens, intitulado “Dans le Rythme, Mes Racines”, da portuguesa Ana Isabel Freitas. A exposição continua na Sala Pessoa, onde, nas paredes, há pinturas desta artista, paisagens de memória, ecos de saudade e impressões de movimentos, continuadas por panos delicados a apontarem para o chão, para a terra, para as raízes. A artista contou-nos a história destas obras. “As obras que tenho atrás de mim fazem parte de uma série que se chama ‘Pour ma terre natale', ‘Para a minha terra-natal” e que foram feitas aqui na Casa de Portugal há mais de dez anos. Quando cheguei a Paris, pela primeira vez, tinha um atelier aqui, uma residência, e entrevistei onze pessoas que, como eu, estavam num momento de transição, que estavam a tentar encontrar uma nova fase. Cada um escreveu-me uma mensagem sobre a sua casa, para o seu ‘chez-soi', que eu depois representei segundo a língua materna da pessoa e a mensagem em onze obras com paisagens da minha terra-natal, do meu 'chez-moi'. Tenho também uma outra obra de 2012 que fez parte do meu projecto final das Belas-Artes do Porto, portanto, é um momento de transição para uma vida adulta, um início de vida adulta e do meu posicionamento em relação à pintura para uma passagem para obras mais conceptuais e de performance. E, por último, uma obra de 2020, um filme de oito minutos que foi uma encomenda da cidade de Plaisir, quando já estava mais instalada em França, sobre a forma como a dança e o ritmo estão ligados às raízes e a um sentido de pertença num lugar e no próprio corpo”, descreve. Uma cabine fechada por cortinados é outro convite para viver uma experiência de alteridade a partir de um vídeo da artista portuguesa Carlota Matos, no qual uma adolescente imita minuciosamente os gestos e as palavras da sua mãe, uma mulher migrante que conta a sua história. Carlota Matos explicou-nos o conceito. “Faço parte aqui da exposição com uma peça que se chama 'Pour une vie meilleure', ‘Por uma vida melhor'. É uma instalação de vídeo, temos aqui a cabine, e isto faz parte de um projecto maior em que eu trabalhei com mais de 80 jovens, dei alguns ateliers em liceus e cada jovem entrevistou um membro da sua família, seja um pai, uma mãe, um avô, uma avó. E depois disso trabalhei com uma jovem em específica, a Helena, que tem 16 anos e é franco-brasileira. Ela entrevistou a mãe e depois explorámos um bocadinho a técnica do verbatim. O que é o verbatim? A Helena estava a ouvir a entrevista original e a repetir exactamente as palavras da mãe, os seus silêncios, as suas respirações. E, portanto, era a história da mãe através da voz dela. Isto faz-nos pensar um bocadinho na forma como nós próprios carregamos estas histórias e como estas histórias também se transmitem de uma geração para a outra”, conta. Há, também, uma experiência imersiva em que o visitante coloca uns óculos de Realidade Virtual para entrar noutro “chez-soi”, uma obra desenvolvida pelo Atelier des Noctambules, um colectivo guiado pela artista plástica Nathalie Afonso. O grupo também apresenta um biombo de azulejos em que cada aluno definiu o que é o seu “chez-soi”, o “sentir-se em casa”, como nos explica Nathalie Afonso. “São telas pequeninas, do tamanho de um azulejo pintado em azul e branco, e cada um deles é uma maneira de dar a ver qual é a coisa que dá a sensação de se estar em casa. Então, tem pessoas que vêm da Bretanha, tem pessoas que vêm da Síria, tem alunos que vêm de Marrocos, de Portugal também. Cada um deles pintou um objecto que têm sempre em casa. Tem uma senhora da Síria que fez a pulseira que a irmã deixou, na guerra… Ela faleceu e a irmã está sempre com a pulseira. Para ela, é uma parte dela que está lá na Síria. Tem outra pessoa que meteu a igreja onde nasceu e que nunca mais viu porque teve que deixar a Itália. É uma pessoa de idade, que tem 90 anos e teve que fugir ao fascismo”, explica a artista. À porta da exposição, uma árvore discreta em que as duas curadoras penduraram terços e rosários de diferentes religiões, oriundos das suas próprias casas, num gesto que reivindicam como de união num mundo cada vez mais polarizado. Oiça a reportagem na exposição neste programa.
No retomar do Posto Emissor após uma breve pausa, o podcast da BLITZ recebe Margarida Campelo, cantora e compositora prestes a editar o segundo álbum, “Música de Elevador”. Filha da cantora Isabel Campelo e do engenheiro de som Jorge Barata, a artista falou do disco que apresentará em outubro no CCB, em Lisboa, mas também da música que desde cedo faz parte da sua vida, do jazz que estudou e lecciona e do Festival da Canção, no qual participouSee omnystudio.com/listener for privacy information.
No Zuga falamos de política, economia, cultura e liberdade.Sem cartilhas, sem medo do politicamente correto e sem pedir licença ao Estado.
THE BATTLE BELONGS TO THE LORD: 2 - Taking Jericho Steve Parrish Taking ground in life is seasonal/cyclicalIllus: grandchildren learning to ride bikesVisionEffortPushbackBattlePossessionNEXTThis is every believer's journey. Your path to victory will be unique.During this sub-series, we will lean into Biblical principles for navigating battles. BUT when you follow Jesus, THE BATTLE BELONGS TO THE LORD!Joshua 6:1 (ESV) Now Jericho was shut up inside and outside because of the people of Israel. None went out, and none came in.CONTEXT:God had promised the Israelites CanaanIsrael has left Egypt, following Moses, pillar of fire, cloud and and Angel of the Lord.The come to their first (and key) city and it is locked downJericho represents things that are yours, but are shut up.Jericho is often “first things” designed to discourage your from taking the first of many Jerichos in life.Philippians 3:12 (NIV) Not that I have already obtained all this, or have already arrived at my goal, but I press on to take hold of that for which Christ Jesus took hold of me.Research Your LandJoshua 2:1 (ESV) And Joshua the son of Nun sent two men secretly from Shittim as spies, saying, “Go, view the land, especially Jericho.” And they went and came into the house of a prostitute whose name was Rahab and lodged there.The Kingdom of Heaven (ground you are to take and enjoy while following Jesus) is uncovered with effortMatthew 13:44 The kingdom of heaven is like treasure hidden in a field, which a man found and covered up. Then in his joy he goes and sells all that he has and buys that field.Research has natural value and uncovers what isDon't let research become some pragmatic that it discounts GOD!Determining “How many loaves and fishes are there?” allows us to discover the size of miracle neededLift Up Your Eyes We have a tendency to look downTo the naturalTo what isTo natural solutionsJoshua 5:13 (ESV) “When Joshua was by Jericho, he lifted up his eyes and looked, and behold, a man was standing before him with his drawn sword in his hand. And Joshua went to him and said to him, “Are you for us, or for our adversaries?””Psalm 121:1-2 (ESV) I lift up my eyes to the hills. From where does my help come? My help comes from the Lord, who made heaven and earth.2 Kings 6:16–17 (ESV) He said, “Do not be afraid, for those who are with us are more than those who are with them.” Then Elisha prayed and said, “O Lord, please open his eyes that he may see.” So the Lord opened the eyes of the young man, and he saw, and behold, the mountain was full of horses and chariots of fire all around Elisha.Regard Your Land As HolyJoshua 5:14-15 (ESV) “And he said, “No; but I am the commander of the army of the Lord. Now I have come.” And Joshua fell on his face to the earth and worshiped and said to him, “What does my Lord say to his servant?” And the commander of the Lord's army said to Joshua, “Take off your sandals from your feet, for the place where you are standing is holy.” And Joshua did so.”Never allow what God has give/is giving you to EVER become commonQODESH - sacred, set apart, belonging to god.The profound reality - Joshua 1:3 Every place that the sole of your foot will tread upon I have given to you, just as I promised to Moses.1 Corinthians 6:19-20 Or do you not know that your body is a temple of the Holy Spirit within you, whom you have from God? You are not your own, for you were bought with a price. So glorify God in your body.Play Spirit-Filled Music To Prepare For Spiritual VictoriesMusic has physical, emotional and spiritual qualitiesBring spiritual music into spiritual battlesJoshua 6:4-5 Seven priests shall bear seven trumpets of rams' horns before the ark. On the seventh day you shall march around the city seven times, and the priests shall blow the trumpets. And when they make a long blast with the ram's horn, when you hear the sound of the trumpet, then all the people shall shout with a great shout, and the wall of the city will fall down flat, and the people shall go up, everyone straight before him.””1 Samuel 16:23 And whenever the harmful spirit from God was upon Saul, David took the lyre and played it with his hand. So Saul was refreshed and was well, and the harmful spirit departed from him.Carry His Presence Into BattleDon't just pray and then venture into battle,Engage and experience God's Presence and carry His Presence into the fight!Joshua 6:11 So he caused the ark of the Lord to circle the city, going about it once. And they came into the camp and spent the night in the camp.”God's Presence Is The Difference-Maker!Exodus 33:15-16 And he said to him, “If your presence will not go with me, do not bring us up from here. For how shall it be known that I have found favor in your sight, I and your people? Is it not in your going with us, so that we are distinct, I and your people, from every other people on the face of the earth?”Seek The LORD FIRSTJoshua 6:12 Then Joshua rose early in the morning, and the priests took up the ark of the Lord.”There is something to be said about the discipline of getting God on you FIRST so He can get on everything you face.Mark 1:35 And rising very early in the morning, while it was still dark, he departed and went out to a desolate place, and there he prayed.Psalm 5:3 O Lord, in the morning you hear my voice; in the morning I prepare a sacrifice for you and watch.It is not easy, but FIRST is a principle!!!Joshua 6:12 So the people shouted, and the trumpets were blown. As soon as the people heard the sound of the trumpet, the people shouted a great shout, and the wall fell down flat, so that the people went up into the city, every man straight before him, and they captured the city.
Resident Evil Requiem já está entre nós há algum tempo e continua rendendo discussões dentro da comunidade. Após a publicação do nosso vídeo especial sobre a história completa do jogo, uma questão passou a chamar ainda mais atenção: as diversas conexões do enredo com Resident Evil 5 e Resident Evil 6. Além disto, declarações recentes envolvendo o remake de Resident Evil CODE: Veronica (2000), Resident Evil Veronica, indicam que a Capcom pretende realizar mudanças narrativas para conectá-lo aos acontecimentos de Requiem. Isto naturalmente levanta uma pergunta: será que o mesmo pode acontecer com um futuro remake de Resident Evil 5? Pensando nisto, Hellena, moderadora do servidor oficial do REVIL no Discord, lançou um desafio para a equipe: como seria Resident Evil 5 se ele fosse reimaginado para se aproximar da essência dos primeiros jogos da franquia? A ideia não é reinventar completamente o título, mas imaginar uma versão alternativa que preserve sua identidade principal enquanto recupera elementos marcantes do survival horror. O resultado foi uma conversa repleta de ideias, debates e propostas sobre como Resident Evil 5 poderia recuperar a atmosfera de tensão, exploração e gerenciamento de recursos que consagraram os primeiros jogos da série. Ouça o podcast! APRESENTAÇÃO: Felipe Turesso PARTICIPANTES: Fred Hiro Hellena Accel EDIÇÃO: Fer Vinhas
Xana Carvalho sempre sonhou com a música. Cresceu num ambiente familiar marcado por discussões constantes entre os pais e, por acompanhar frequentemente o pai, que era cantor, acreditou desde cedo que esse também seria o seu caminho. Anos mais tarde, ao revisitar a infância conturbada que viveu, questiona se essa escolha foi verdadeiramente sua. “Isto é mesmo um sonho meu ou foi só uma forma que arranjei de agradar?”, pergunta-se. No Alta Definição, recorda como o temperamento imprevisível do pai a levava a medir cada comportamento e a agir sempre em função do estado de espírito dele. Já em adulta, conseguiu reconhecer que o passado foi difícil e que o pai, apesar de frequentemente desvalorizar os seus sentimentos, era abusivo para com a mãe. “A forma como agia com ela assustava-me. Não queria ter de passar pelo mesmo”, confessa a Daniel Oliveira. A sua história, porém, acabou por seguir um rumo diferente. Conheceu o marido, João, ainda na escola, um homem que considerava “lindo de morrer” e com quem, diz, teve sempre de tomar a iniciativa. “Fui eu que pedi em namoro, fui eu que pedi para casarmos e termos uma filha.” O casal concretizou o sonho da parentalidade, mas a felicidade foi interrompida por um acontecimento dramático. Quando a filha tinha apenas 26 meses, Xana recebeu uma notícia que mudou a vida da família. “Estava deitada com a minha filha, tocam à campainha. Vou abrir a porta, é um colega do meu marido: ‘Xana, o João levou um tiro na cara’.” A partir desse momento, a cantora viu-se obrigada a reconstruir a vida familiar. Além de cuidar da filha pequena, teve de ajudar o marido a recuperar o sentimento que tinha pela criança. “Ele nem queria estar ao pé dela. Era meu dever, enquanto mãe, fazer alguma coisa. Obriguei-o a cuidar dela, a dar-lhe banho. Até que vi o amor que os une a acordar outra vez.” Anos mais tarde, o peso desse percurso e das marcas deixadas pelo passado acabaram por ter um impacto profundo na sua saúde mental. Já mãe de duas filhas, conta que chegou a um ponto em que até ouvi-las brincar se tornava insuportável. “Um dia chego a casa, meto a chave na porta e quero acabar com tudo. Vou buscar a arma do meu marido, sento-me na cama e fico a pensar: ‘É mesmo isto?’. O que me salvou foi a fotografia das minhas filhas no móvel.” Xana procurou ajuda e acabou por receber o diagnóstico de perturbação bipolar. Na entrevista conduzida por Daniel Oliveira, deixa ainda um apelo para que os sinais de doença mental nunca sejam desvalorizados. “Da mesma forma que existem médicos de família, deviam existir psicólogos de família.” Ouça o testemunho completo da cantora em podcast. Este episódio de Alta Definição foi emitido a 18 de julho, na SIC.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A murmuração não é um simples mau hábito. Ela é uma ofensa direta a Deus, pois revela falta de gratidão e coloca em dúvida Seu caráter e Sua fidelidade.Neste vídeo, você vai entender por que a reclamação enfraquece a fé, impede que enxerguemos o agir de Deus e nos expõe às consequências da desobediência. Descubra como vencer a reclamação e o que fazer quando o "balde da murmuração" estiver cheio, antes que ele transborde e contamine sua vida e as pessoas ao seu redor.Se este vídeo lhe ajudou, compartilhe para ajudar mais pessoas.
Postoji li novi AI model koji bi mogao ozbiljno uzdrmati OpenAI i Anthropic? U ovoj epizodi Netokracijinog podcasta razgovarali smo o kineskom modelu GLM-2 koji je iznenadio performansama, nižim troškovima i sve glasnijim upozorenjima da AI utrka ulazi u novu fazu. Dotaknuli smo se i nove inicijative Ujedinjenih naroda koja pokušava usmjeriti razvoj umjetne inteligencije prije nego što ga industrija potpuno preuzme._______________0:00 Novi DeepSeek trenutak? Kina ponovno prijeti AI divovima1:35 Kako je GLM-2 uzdrmao Silicijsku dolinu4:10 Šest puta jeftiniji od konkurencije?6:40 Zašto developeri sve više gledaju prema Kini8:05 Hoće li sigurnost podataka zaustaviti kineske AI modele?10:00 Ujedinjeni narodi žele preuzeti AI regulaciju12:15 Može li regulativa pratiti razvoj AI-ja?_______________