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Ciência
Alemanha, França e Países Baixos definem prazos para o fim dos combustíveis fósseis

Ciência

Play Episode Listen Later Sep 30, 2026 8:51


Nos últimos meses, três países europeus fixaram calendários para deixar os combustíveis fósseis. A Alemanha apontou para 2045 e os Países Baixos para 2050. Já a França definiu uma data para cada combustível. Os planos passam pelo investimento nas energias renováveis e pela electrificação dos transportes, dos edifícios e da indústria. O objectivo é cumprir os compromissos climáticos e reforçar a segurança energética. Nos últimos meses, três países europeus fixaram calendários para deixar os combustíveis fósseis. A Alemanha, na quarta-feira, 23 de Setembro, aponta para 2045. Também em Setembro, os Países Baixos tinham apontado para 2050. Já a França, em Abril, definiu uma data para cada combustível: 2030 para o carvão, 2045 para o petróleo e 2050 para o gás. Todos apostam na electrificação dos transportes, dos edifícios e da indústria, para a descarbonização, ou seja, deixar de depender de combustíveis fósseis, como o petróleo, o gás e o carvão, para reduzir ou eliminar as emissões de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono, ou o CO2, e alcançar a neutralidade energética. Estes anúncios surgem na sequência do compromisso assumido na COP28, no Dubai, de fazer uma transição energética. Já na COP seguinte, a COP30, em Belém, no Brasil, a proposta de um plano global para esta transição não obteve consenso. Em Abril, realizou-se uma primeira conferência dedicada ao tema, co-organizada pela Colômbia e pelos Países Baixos, em Santa Marta, na Colômbia. O Professor Catedrático Paulo Ferrão, do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, diz que estas medidas, apesar de serem mais pragmáticas e ambiciosas, já faziam parte dos compromissos do Pacto Ecológico Europeu, lançado em 2019 pela União Europeia. Paulo Ferrão: Esta questão não é nova. Temos na Europa, há muitos anos, aquilo a que se chama European Green Deal (Pacto Ecológico Europeu). Tem como objectivo tornar a Europa no primeiro continente climaticamente neutro. Quer dizer que temos que reduzir significativamente essas emissões? Ou seja, temos que reduzir significativamente a queima de combustíveis fósseis para que não possamos emitir CO2. Mas algum CO2 pode ainda ser emitido pela queima de combustíveis fósseis, se ele depois for capturado por outros mecanismos, nomeadamente pelas florestas. E aí é o que nós chamamos climaticamente neutro: emitimos algum, mas esse que emitimos vamos capturá-lo. Portanto, a Europa quer ser climaticamente neutra até 2050. O que aconteceu agora, muito recentemente, foram políticas dos países para serem mais explícitos no fim dos combustíveis fósseis. E isto é que é mais novo, porque já todos os países europeus estavam com este compromisso de sermos um continente climaticamente neutro até 2050, certo?” Mas estes planos são mais ambiciosos? Paulo Ferrão: São ambiciosos e são mais pragmáticos. A questão é: como é que se lá chega? O anúncio francês é o que eu acho mais pragmático de todos. A França diz claramente que se quer livrar do carvão até 2030, que se quer livrar do petróleo até 2045 – e isto é fortíssimo, quer dizer que, até 2045, se isto for cumprido, deixa de haver consumo de gasolina e de gasóleo – e que se quer livrar do gás fóssil, o gás natural, por exemplo, até 2050. É o que tem as metas mais claras. A França continua a apostar no nuclear e a Alemanha nas energias renováveis. Que alternativas existem hoje aos combustiveis fósseis? Paulo Ferrão: A alternativa hoje é basicamente só uma: é produzir electricidade com fontes de energia renovável ou, como a França, com nuclear. Com energia renovável e com o nuclear, as emissões directas de CO2 não existem, mas é evidente que, para fabricar estes equipamentos, pode haver. E então passamos a ter uma electricidade que podemos chamar verde, que não tem emissões de CO2 associadas, não tem uso de combustíveis fósseis e então passamos a ter esta electricidade verde. E agora o segredo passa por electrificar os processos que dantes usavam combustíveis. Nomeadamente, e com enorme peso, os transportes; electrificar a indústria, por exemplo; electrificar, em nossa casa, o aquecimento e arrefecimento. Portanto, um dos eixos centrais de qualquer um destes planos é, por exemplo, proibir até os esquentadores para aquecermos a nossa água em casa, que era, por exemplo, com gás, e passar a ter bombas de calor, que consomem electricidade e que têm uma grande vantagem: vão buscar o frio que está na rua para transformar em calor, digamos assim. Dentro de casa, uma bomba de calor liberta três a quatro vezes mais calor do que a electricidade que consome. É muito eficiente. Resumindo: produzir electricidade verde a partir de fontes renováveis ou, enfim, isto é um bocado mais polémico, mas já se começa a aceitar na Europa também o nuclear, e depois electrificar todos os consumos que for possível. Portanto, usar electricidade em vez de combustíveis fósseis. Há uma grande excepção, que é a aviação. Muito dificilmente um avião será eléctrico. Uma bateria seria pesadíssima para andar num avião. E então aí a grande aposta são os SAF, em inglês, que são os Sustainable Aviation Fuels, que, no fundo, são combustíveis derivados de biocombustíveis. Ou, por exemplo, a Alemanha também quer apostar muito no hidrogénio, que, no fundo, é usar electricidade renovável para transformar a água em hidrogénio e oxigénio, mas depois usar o hidrogénio como combustível em vários sítios, por exemplo, nos automóveis. Então a grande solução são as energias renovaveis? Paulo Ferrão: São duas: a energia renovável, mas depois, tão importante ou mais do que isso, é electrificar, não é? Veja bem o esforço que isto vai ser, não é? O que é difícil nisto é que nós estamos atrasados na electrificação automóvel, não é? Hoje em dia, o maior produtor de automóveis eléctricos é a China. Não é que a nossa indústria, nomeadamente a alemã e a francesa, esteja com dificuldades de competitividade no fabrico de carros eléctricos. Mas isto é bom: ter uma estratégia que permita à indústria realmente, e sem nenhuma dúvida, avançar e progredir rapidamente, melhorar a eficiência e o custo dos veículos eléctricos fabricados na Europa. E ainda mais: o que é muito difícil é, por exemplo, os autocarros. Temos menos fabricantes de autocarros e de veículos pesados eléctricos. Vemos que a segurança energética está no centro destes planos. A guerra na Ucrânia levou à proibição do gás russo e, agora, as instabilidade no Medio Oriente levaram ao bloqueio do Estreito de Ormuz e, por consequente, a subida do preço dos combustiveis. Diria que esta  conjuntura acelerou a descarbonização e os compromisso para esta? Paulo Ferrão: São um estímulo enorme para isto. E aumentam muito a resiliência europeia. Quer dizer, eu vou só dar um exemplo. Por exemplo, eu tenho um carro eléctrico. Eu carrego o meu carro em casa à noite. O meu custo por quilómetro é quatro, cinco ou seis vezes menor do que seria se fosse a gasolina. Portanto, eu não estou a sentir o problema do aumento do custo do petróleo, por enquanto. Isto é um impacto enormíssimo nas famílias. Diria que estes choques expuseram o choques o custo, para a Europa, de depender de nergias fosseis importadas? Paulo Ferrão: Como é evidente, um dos grandes objectivos políticos desta electrificação e, portanto, da aposta nas renováveis, é tornar a Europa mais resiliente e não dependente do fornecimento externo. Quando a França diz que não quer depender dos combustíveis fósseis até 2045, aí está. Ficamos totalmente libertos deste tipo de problemas de abastecimento de combustíveis. Mas vemos que, na realidade, a União Europeia importa mais de metade da energia que consome. Descarbonizar é possivel dentro destes prazos? Paulo Ferrão: Acho muito difícil. Acho bem que eles existam, mas claro que vão ser difíceis e exigentes, não é? Nomeadamente, por exemplo, na electrificação do parque automóvel em tão pouco tempo. Portanto, temos aqui um período de transição que eu acho que acredito que aconteça e que, a partir dessa data, não se comprem mais veículos e não se vendam. Não. Mas, claro, há aqui um parque que ainda tem que fazer o seu offset, ou seja, não diminuir as emissões todas no dia. Mas, obviamente, é muito importante ter esta política para estimular uma transição forte e sem dúvidas, quer dizer. Ou seja, o pior que pode haver é uma política ao ziguezague. Não é? Acho que a Europa tem sido muito coerente e é importante que a indústria acredite nisto e que se prepare, não é? E que se mobilize para aumentar a eficiência, para ser mais competitiva, nomeadamente neste caso, com a China, não é? E nas energias renovaveis também existem limites, penso  nomeadamente na dependencia de minerais, como o litio para a construção de beterias ou de outras infraestruturas, quais são estes limites? Paulo Ferrão: Dependemos muito do lítio e não só, do cobalto. Mas aí temos outra questão, que a Europa também está a acelerar agora muito, que é a da economia circular. Portanto, a ideia é que nós vamos importando estes produtos, mas se calhar daqui a 20 ou 30 anos, se importarmos os produtos, já cá temos, nesses produtos, o material suficiente para continuar a fabricar, mas temos que os saber reciclar. A Comissão Europeia, nomeadamente em investigação, tem lançado agora bastantes calls para fazer investigação na melhoria dos processos de reciclagem destas matérias-primas críticas, justamente para desenvolver os processos de separação e reciclagem destes materiais, para que a Europa fique mais independente deles. É claro que, para isso acontecer, temos agora de continuar a comprar produtos já feitos, que é o que hoje acontece. Nós importamos as baterias, nós importamos os painéis solares, por exemplo, mas daqui a uma década, ou duas, ou três, já possamos, com base na reciclagem dos produtos em fim de vida que temos e que vamos ter, no fundo, tornar-nos muito mais auto-suficientes. Ou seja, isto é transformar um desafio numa oportunidade, que é a oportunidade para o desenvolvimento industrial que a Europa precisa de ter, não é? O relançamento da indústria.

Vida em França
Revelações sobre Jordan Bardella relançam polémica sobre o passado do Rassemblement National

Vida em França

Play Episode Listen Later Sep 30, 2026 7:34


Mensagens com conteúdos antisemitas atribuídas a Jordan Bardella, actual presidente do Rassemblement National, voltam a colocar o partido francês de extrema-direita sob pressão. A sete meses das eleições presidenciais, analisamos o impacto destas revelações e o desafio que representam para a estratégia de normalização do partido. Falamos das recentes revelações do jornal de investigação Mediapart, que publicou mensagens com conteúdos antissemitas, escritas em 2013 por Jordan Bardella, actual presidente do partido francês de extrema-direita Rassemblement National (RN). Recorde-se que o Rassemblement National, antigo Front National, foi criado por um antigo membro da Waffen-SS, o braço militar da organização nazi alemã, e contou também, entre os seus primeiros membros, com antigos elementos das milícias colaboracionistas de Pétain, conhecidas, nomeadamente, pelos actos de tortura cometidos na Argélia, então colónia francesa. Nos últimos anos, no entanto, o partido tem trabalhado na transformação da sua imagem, procurando normalizar as suas propostas, sobretudo desde que Marine Le Pen sucedeu ao pai, Jean-Marie Le Pen. Esta estratégia permitiu ao partido consolidar a sua presença no cenário político francês e tornar-se uma das principais forças de oposição. Agora, com estas revelações, o RN vê-se novamente confrontado com o seu passado. As recentes revelações colocam Jordan Bardella no centro da polémica. O actual presidente do partido, que poderá ser primeiro-ministro caso Marine Le Pen seja eleita em 2027, rejeita as acusações de racismo e antissemitismo. Falamos com Eric Monteiro, especialista em relações internacionais na Universidade de La Rochelle, em França. Serão estas revelações suficientes para ter um impacto no Rassemblement National, a sete meses das eleições? Até que ponto poderão pesar na campanha eleitoral? Se analisarmos a questão, apercebemo-nos de que, a sete meses das eleicções presidenciais, as sondagens dão Marine Le Pen sempre na liderança do primeiro turno. Em caso de segundo turno entre ela e a maior parte dos candidatos, ela é completamente vencedora, e de maneira incontestável, apesar de ter sido condenada pela Justiça. Portanto, ainda é muito cedo para se saber se estas revelações podem impactar a campanha do rassemblement National. Bardella contesta as afirmações segundo as quais teve estas conversas anti-semitas quando ele tinha 17 ou 18 anos, já era membro do partido. É cedo de mais, pelo menos para saber que impacto verdadeiro isso vai ter nas sondagens. E a sete meses das eleições muita coisa pode acontecer. Não se esqueça que a própria Marine Le Pen ainda está à espera de uma decisão da última instância sobre a sua condenação definitiva ou não. Ou seja, se ela for definitivamente confirmada como condenada por desvio de fundos públicos do Parlamento Europeu da ordem de 4 milhões de euros... Isso quer dizer que teremos potencialmente uma candidata a usar pulseira electrónica. Dá impressão que, efectivamente, a situação geopolítica mundial, os problemas que tocam os franceses no quotidiano, como o preço da gasolina, são as preocupações principais e que o resto pouco importa. Mas aqui são revelações graves. A lei francesa é muito clara quanto a isso. Há liberdade de expressão, mas nos limites da lei. Recordamos que racismo e antisemitismo não são opiniões, são crime. A seu ver, o que é mais preocupante nestas revelações?  O que é grave é a tentativa de normalizar a imagem do partido, desde a sua mudança de nome. Como referiu, o partido foi fundado por antigos colaboracionistas do regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial. O fundador do partido, Jean-Marie Le Pen sempre foi acusado de ter exercido tortura durante a Guerra da Independência da Argélia. A sua filha, Marine Le Pen, fez tudo para justamente fazer esquecer todas as frases ditas pelo pai e que eram claramente antisemitas. Mudou o nome do partido e inclusive excluiu o pai do partido. Portanto, teoricamente, era uma página que estava virada na história do novo partido de extrema direita. Para eles, na direcção do partido, deve estar a ser muito difícil ver que afinal, foram anos e anos de preparação para dar uma credibilidade ao partido. E agora, temos o jovem líder do partido, Jordan Bardella, que nasceu depois disto tudo, que representa uma nova geração, e finalmente, estas revelações vêm mostrar que mesmo ele compartilha os mesmos conteúdos antisemitas e racistas. Como explicar que um ministro israelita - o ministro israelita responsável pela luta contra o antisemitismo - tenha manifestado o seu apoio a Jordan Bardella, depois destas acusações?  Não nos esqueçamos que o governo actual no poder em Israel é uma coligação de partidos de direita com membros da extrema direita de Israel que têm atitudes nas zonas ocupadas na Cisjordânia e em Gaza, que são muito contestadas pela comunidade internacional, inclusive pela ONU. Portanto, acaba por ser um partido de extrema direita em Israel, que vem defender a extrema direita na França. O Presidente francês Emmanuel Macron, pediu ao Rassemblement National que "clarifique" a sua posição e alegou que as acusações são "muito graves". Qual deve ser o papel de um chefe de Estado cessante nesta situação? O Chefe de Estado é garante das instituições e da constituição da lei suprema, e é o chefe das Forças Armadas. O papel do chefe de Estado é de garantir que as leis sejam aplicadas. Portanto, o facto que ele lembre que esta situação deve ser clarificada parece-me saudável. Independentemente das escolhas políticas que ele possa ter tido durante os dois mandatos, é normal que peça esclarecimentos sobre a situação. As acusações são suficientemente graves. Se forem verdadeiras, elas caem mesmo no âmbito do Código Penal. Portanto, tem que haver uma clarificação. Que impacto real isto vai ter? Passam 80 anos desde a Segunda Guerra Mundial e [o holocausto] e, com tudo que a França sofreu, parece-me impossível que não tenha impacto no eleitorado. Realmente, a memória política é curta.

Estação 337
Série: Inabaláveis na Missão (Parte III): Portanto, Ide - André Pacheco

Estação 337

Play Episode Listen Later Sep 30, 2026 55:13


27.09.2026 | SP (PM) | Mateus 28

Convidado
Carlos Vila Nova: “Governo será emanação da sustentabilidade parlamentar que me for garantida”

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 29, 2026 15:01


São Tomé e Príncipe foi a votos no passado domingo, nomeadamente para eleger 55 deputados. Nesta segunda-feira, a Comissão Eleitoral anunciou resultados preliminares colocando o MLSTP, na oposição, em posição dianteira, mas com uma vantagem de apenas algumas centenas de votos em relação à ADI no poder, havendo agora indicação de que estariam numa situação de quase empate. A abstenção, o apelo ao boicote do escrutínio, os critérios para a indigitação de um governo e o futuro relacionamento institucional com quem irá governar, foram alguns dos assuntos que a RFI abordou em entrevista exclusiva nesta terça-feira com o Presidente São-Tomense, Carlos Vila Nova. RFI: Qual é a avaliação que faz da forma como decorreram as eleições? Carlos Vila Nova: É um exercício que se vai tornando cada vez mais frequente em São Tomé e Príncipe. Há cerca de 35 anos, optámos por viver em democracia e temos feito de cada acto eleitoral uma forma de consolidar a democracia em São Tomé. Nos últimos actos eleitorais, felizmente, vamos melhorando. Prevaleceu a serenidade neste concretamente, no dia 27 de Setembro. Penso que optou-se por muito mais mensagens do que outro tipo de comunicação. Por vezes a comunicação costuma ser mais folclórica, mais músicas, enfim. Há várias formas e em todas elas, o apelo à serenidade e à estabilidade. Portanto, foram panos de fundo que me deixaram bastante agradado. E quando vejo por parte dos observadores também que para São Tomé e Príncipe, não foram poucos, que quase os requisitos todos foram cumpridos e que, portanto, a transparência também faz parte, a Comissão Eleitoral Nacional já se pronunciou, embora não seja sua competência definir os mandatos. Já se pronunciou, o que mostra também celeridade. Também há algum profissionalismo e os meus apelos também têm sido sempre neste sentido e estou positivamente agradado com o acto eleitoral. RFI: Apesar dos apelos para uma grande participação dos eleitores. Estas eleições foram marcadas por uma abstenção de mais de 62%. Como é que interpreta este dado? Carlos Vila Nova: Bom, aí já não há regozijo. Pelo contrário, os apelos foram muitos, mas também, se recuarmos a actos eleitorais anteriores, a abstenção, sempre foi muito elevada. É verdade, desta vez ultrapassou. Mas quando nós olharmos para aquilo que é todo o processo eleitoral, nós olhamos para os progressos que temos feito em matéria de consolidação dos dados eleitorais. Repare que nas eleições presidenciais de 19 de Julho foi quando nós conseguimos fazer uma reconciliação entre os registos eleitorais, os dados existentes de forma electrónica com a Comissão Eleitoral Nacional. Nas presidenciais detectou-se um bocado mais de problemas técnicos e essa parte foi melhorada. Mas eu creio que a emigração também afectou. Não tenho a certeza, mas é algo que nesta legislatura vamos ter que trabalhar muito, entrar na lei eleitoral, fazer melhorias. Eu próprio pedi aos nossos parceiros da União Europeia que recebi para nos acompanharem neste processo, porque, ao que tudo indica, nem toda a movimentação emigratória para fora de São Tomé e Príncipe tomou-se em conta e os registos continuam nos cadernos eleitorais em São Tomé. Isto já é de si um motivo. E depois, politicamente, também houve apelos. Isto é antidemocrático. Deixe-me dizer-lhe que não vejo como é que alguém em perfeito estado normal, possa fazer apelo à abstenção. Portanto, não só é antidemocrático, mas é incorrer em erro enganar pessoas, eleitores. Nem todos nós temos o mesmo discernimento, mas temos de lidar com a questão. E nós vamos lidar positivamente com a questão. Eu tenho esperança que nesta legislatura conseguiremos, porque as forças políticas activas entenderam que não é um apelo que se faça. Tanto é que todos eles apelaram à votação em massa. Não aconteceu. Vamos lidar com a questão. Vamos olhar para ele e tentar corrigir para que os próximos actos sejam melhores. RFI: Precisamente, falou do apelo ao boicote a estas eleições. Pensa que Patrice Trovoada pode tirar algum benefício político desta situação? Carlos Vila Nova: Bom, eu nem consideraria boicote, porque quando num acto eleitoral um partido político quer boicotar, não é desta forma. Portanto, eu olho para os partidos políticos, para os seus dirigentes, para os seus representantes e não vejo a pessoa que falou. Portanto, não, não me diz nada. RFI: Ontem, a Comissão Eleitoral Nacional deu os primeiros resultados. São resultados provisórios destas eleições. E desde então, os partidos políticos têm andado a especular sobre o número de mandatos que têm, respectivamente. Inicialmente falou-se do MLSTP estar à frente e de ter mais mandatos do que a ADI. Depois, evoluiu para um empate e agora é um quase empate. Como é que avalia a forma como actuaram estes partidos políticos desde ontem? Carlos Vila Nova: Com alguma precipitação. Mas pronto, não vou entrar em muitos pormenores quanto a isso. Mas reconheço que com alguma precipitação da parte e de outra. Na mensagem que eu fiz à Nação, apelei à serenidade. A serenidade também diz aguardar calmamente pelo anúncio dos resultados. Eles ainda não são oficiais. A Comissão Eleitoral fez o seu papel, anunciou e nota-se que realmente há uma aproximação entre dois dos principais partidos. Há uma diferença. Respeitei. Agora cabe ao Tribunal Constitucional de facto, quem tem a competência de validar não só os mandatos, o vencedor das eleições e a partir deste momento, trabalharemos na Constituição, na formação e na organização de todas as instituições que foram democraticamente eleitas para que elas entrem em funcionamento. Falo da Assembleia Nacional, a sua composição, e dos governos. Sobretudo o Governo central, que é uma emanação directa do resultado das eleições. Portanto, eu penso que nos próximos dias, há um prazo legal a cumprir, o Tribunal Constitucional vai se pronunciar e a partir daí nós saberemos exactamente quem é o vencedor. Quais são os mandatos distritais, nacionais, para então constituirmos os órgãos democraticamente eleitos. RFI: Não receia que, dado o nervosismo que há entre certos partidos políticos, possa haver também alguma suspeita em relação ao Tribunal Constitucional que, ao longo deste processo, foi acusado de alguma parcialidade política? Carlos Vila Nova: Tem sido comum. Mas repare que eu dou-lhe um exemplo: qualquer cidadão individual ou, digamos, qualquer entidade individual ou colectiva, mas que encontra resposta nos culpados, que os terceiros são sempre os culpados dos seus problemas. Não é verdade. A lei não existe só quando ela nos é favorável. Ela existe para com serenidade, aceitarmos as decisões dos tribunais. E quando não concordamos, temos que encontrar espaço para recorrer e interpretar. Mas tudo quanto vier a acontecer, para responder directamente à sua pergunta, nada disso não poderá ser resolvido se continuarmos com o espírito aberto. O engajamento para o diálogo. Resolve-se tudo isso. Portanto, as suspeições, elas podem existir, mas é preciso respeitar as instituições e agirmos com base nas decisões que são de lei. RFI: Neste processo todo, tendo em conta que há um quase empate, pelo menos por enquanto, tem havido contactos políticos entre as várias forças para construir eventuais coligações para formar governo. Como é que vê precisamente esta perspectiva? Quais vão ser os seus critérios para aceitar uma ou outra coligação para governar? Carlos Vila Nova: Vejo como bom tom essa aproximação entre os partidos. Portanto, demonstra algum espírito de concertação e de diálogo que é bom. Não quer dizer que todos os contactos sejam traduzidos em resultados concretos. Pela minha parte, acompanho desde já com muita atenção. Se puder influenciar alguma coisa, todos os partidos sabem que estou à disposição para o fazer, mas a entrada em acção do Presidente da República é exactamente quando tiver o anúncio oficial dos dados, convidar o partido vencedor, ter uma conversa e pedir -eu sempre disse- a sustentabilidade do Parlamento. Ela tem que ser garantida. Antes de nomear o próximo governo, não é de todo factível que o próximo governo, no primeiro embate, seja um governo praticamente com os pés na rua. Não faz sentido. Nós não estaríamos a promover aquilo que todos apelamos, que é a estabilidade, um princípio de coesão nacional, um princípio de diálogo onde as pessoas conversem, tragam os problemas e pensem todos o país. Eu não vi nenhuma força política desde as eleições de 19 de Julho para as presidenciais e agora em Setembro, que não usasse um slogan que reflectisse ou colocasse São Tomé e Príncipe em primeiro lugar. Todos. E então temos que na prática demonstrar isso. Portanto, o próximo governo será uma emanação da sustentabilidade parlamentar que me for garantida. RFI: O que espera do futuro governo com o qual vai trabalhar, senhor Presidente? Carlos Vila Nova: Lealdade institucional. A primeira das condições. Espírito aberto para o diálogo permanente. Disponibilidade para trabalhar e coragem para reformar. Vamos ter que, de facto, introduzir muitas reformas para melhorar o funcionamento do país e a capacidade, ao nível da Assembleia, de se discutir honestamente, com sinceridade, as grandes questões do país. E não escondo, inclusive, a possibilidade de a revisão constitucional neste quadro, nesta legislatura. Através do diálogo. RFI: Uma das reformas que enunciou como sendo prioritárias quando tomou posse para o seu novo mandato foi precisamente a Justiça. Como é que encara essa reforma? Carlos Vila Nova: A justiça, de facto, tem sido meu denominador comum durante cinco anos. Foi onde eu mais intervim. Foi onde eu mais trabalhei, foi onde eu mais contribuí. Continuarei. Cheguei a fazer conselhos de Estado temáticos sobre a Justiça. Reuniões de alto nível. Várias delas. Mas repare. Ela é tão transversal, ela é tão importante para o Estado de Direito democrático e para a atracção de investimentos no nosso país que todos nós temos que nos dedicar. E foi também com bastante satisfação que eu vi nos programas e nas mensagens de muitos partidos políticos também o apelo à contribuição para melhorar a Justiça. Portanto, conto com o próximo governo para que juntos possamos melhorar ainda mais. Não é uma situação que pontualmente há um assunto concreto que se resolva. Ela é abrangente. Nós vamos ter que abordar de forma que ela seja mais célere, ela seja mais justa e que ela possa, sobretudo, ser mais orientada para a solução dos problemas, para o bem do país e do seu povo e dos investimentos. RFI: Tem havido muitos problemas aqui em São Tomé e Príncipe, nomeadamente no que tange ao fornecimento da electricidade, à saúde, ao acesso a água potável. O que é que pensa que se pode fazer juntamente com o futuro novo governo? Carlos Vila Nova: Sabe se ao longo desses anos tivéssemos pensado o país mais, digamos, nas pessoas, muitos destes problemas estariam resolvidos, porque São Tomé e Príncipe, como Estado, não é diferente de qualquer outro Estado. A nossa dimensão territorial não retira a capacidade de sermos um Estado com todas as suas instituições, todos os seus dados estatísticos, Mas a verdade é que há descontinuidade governativa. Houve diferentes interrupções, um factor que nos prejudicou bastante nos últimos anos. Em democracia, já temos conseguido uma estabilidade governativa melhor. Os últimos governos têm cumprido o seu mandato. Espero que este também o faça e que haja uma continuidade das acções do Estado. Eu recordo-me já com alguns dirigentes da oposição, com dirigentes ainda do actual governo, ter pedido uma lista de todos os projectos em curso, sobretudo no domínio das infra-estruturas, no domínio da saúde e da educação, para que, de facto, nós olhemos um bocado mais para dentro e não termos aquele apetite de criar coisas novas quando temos coisas em curso e que podem resolver o problema das pessoas. Isto é um primeiro passo. O segundo é preciso adaptar os recursos disponíveis às necessidades mais prioritárias das pessoas, das populações e do país. E é possível. A energia em concreto é algo que ao longo destes anos todos não conseguimos resolver. Mas é por aí. Não pode haver uma divergência de fundo entre as diferentes forças. O facto de eu estar na oposição, eu não posso estar contra um programa que o governo que está no poder queira fazer e que vá resolver o problema. Tenho que encontrar a forma de dar a minha contribuição. Eu também costumo dizer que o poder crítico dos cidadãos não deve ser usado para bloquear. Ele deve ser usado para construir. E é isso que eu espero. Sem a transição energética, este país não dará passos nenhuns. Sem olharmos devidamente para a saúde, repare, o nosso sistema Nacional de Saúde não é propriamente o que está em causa. É olharmos para o sector, porque o sistema que eu até considero bom em termos sustentabilidade económico-financeira e social para garantir. Este sistema a educação, nós temos índices muito bons, internacionalmente reconhecidos, mas será que a qualidade do ensino é aquela que desejamos? Portanto, são coisas que, dentro do poder, fora do poder, as forças políticas, que são o alicerce da democracia, têm que encontrar pontos de convergência para nós podermos avançar neste processo. RFI: Todo o país tem recebido o apoio do FMI e do Banco Mundial, que também fazem, preconizações. Até que ponto é que o futuro governo não vai estar bastante condicionado pelas preconizações das instituições internacionais? Carlos Vila Nova: Temos parceiros multilaterais que nos têm acompanhado ao longo desses anos, assim como os bilaterais. Há um conjunto, um quadro próprio que temos que respeitar para que possamos continuar a ter esses parceiros ao nosso lado. Não creio que qualquer que seja o governo que venha, que ponha directamente em causa, pode rever, pode encontrar outros mecanismos e, como digo, pode e deve sempre conversar. Se fechámos as portas do diálogo, então aí não avançaremos para lado nenhum. E este diálogo tem que ser com os parceiros e internamente também. Eu velarei para que internamente se abra um novo capítulo na história deste país, que é um diálogo mais permanente, mais sincero, mais directo. E depois, a partir daí, encontrarmos pontos de convergência para termos uma estratégia que possa pôr o país na rota do desenvolvimento. RFI: Por fim, senhor Presidente, qual é o seu apelo neste momento político que o país está a viver? Carlos Vila Nova: Serenidade, Confiança. O futuro é nosso. Depende de nós. Vamos construí-lo.

Leonardo Kurcis
A QUALIDADE E OS EFEITOS DE NOSSAS VIBRAÇÕES

Leonardo Kurcis

Play Episode Listen Later Sep 29, 2026 16:14


As vibrações representam a projeção contínua de nossas energias e pensamentos, funcionando como uma forma de prece que impacta o ambiente e quem nos cerca. Emitidas de maneira consciente ou involuntária, a qualidade dessas forças depende do nosso estado interior. Ao cultivar sentimentos nobres e vibrar positivamente, somos os primeirosbeneficiados por criar um padrão mental harmonioso. Em contrapartida, alimentando raiva, mágoa ou desejando o mal, geramos poluição mental que atrai influências negativas e prejudica nossa própria saúde emocional. Portanto,assumir a responsabilidade sobre a emissão de nossas energias é fundamentalpara o bem-estar pessoal e a harmonia coletiva.

Convidado
Eleições são-tomenses: "abstenção acontece sobretudo porque as pessoas ficam cada vez mais cansadas"

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 28, 2026 8:07


O MLSTP, principal partido de oposição, chegou à frente nas legislativas deste domingo 27 de Setembro de 2026 em São Tomé e Príncipe, com uma diferença de algumas centenas de votos face à ADI, no governo. Enquanto o MLSTP reivindica pelo menos 26 mandatos, a ADI no poder, veio afirmar esta tarde que existe a possibilidade de “um empate técnico” a 24 mandatos com o MLSTP. Outro dado destas eleições, de acordo com a Comissão Eleitoral Nacional, a taxa de abstenção situou-se quase nos 59%, ou seja no mesmo nível constatado nas presidenciais de 19 de Julho. Dados preliminares que analisamos com o sociólogo são-tomense Olívio Diogo. RFI: Como analisa na globalidade os primeiros resultados divulgados hoje? Olívio Diogo: Primeira coisa que tenho que falar sobre as eleições é dizer que elas correram de forma ordeira. Mais uma vez, o povo são-tomense mostrou que está muito evoluído positivamente para aquilo que diz respeito às eleições, naquilo que diz respeito à votação e que a partir do momento que as pessoas votam, elas transformam o dia da eleição numa festa. Não há nenhum tipo de conflito. Não há incidente e se houver algum outro caso, são casos naturais que acontecem em qualquer eleição, como em qualquer parte do mundo. Mas eles mostraram que estão bastante maduros para a questão das eleições. A outra questão tem a ver com aquilo que foram as abstenções que aconteceram. Esta abstenção acontece sobretudo porque as pessoas ficam cada vez mais cansadas daquilo que é a votação. Eu estive em alguns círculos eleitorais. Eu vi que as pessoas estavam ali, estavam perto do local da votação, mas não iriam votar porque estavam a participar da festa. É que os governantes, qualquer um deles, já não estão a trazer para si aquilo que acham que vai melhorar as suas condições de vida. RFI: Relativamente ainda á abstenção, esta abstenção, a taxa é mais ou menos semelhante àquela que foi constatada durante as presidenciais de 19 de Julho. Outro dado é que, entretanto, há algumas semanas, houve um apelo ao boicote a estas eleições legislativas. Como é que deve ser interpretada esta taxa de abstenção? Olívio Diogo: É verdade que mesmo antes do período eleitoral, houve um apelo ao boicote pelo ex-primeiro ministro Patrice Trovoada para que as pessoas não fossem às urnas. Quando nós falámos com as pessoas aqui, nós percebemos que este boicote pode não ter sido a causa fundamental das pessoas não irem votar, mas este boicote aproveita a oportunidade que as pessoas estão tão desencontradas com aquilo que os políticos fazem e as pessoas vêem que as suas vidas não estão a ser melhoradas. Mas é preciso também dizer que esta abstenção tem dois ou três aspectos ainda que são importantes falar sem falar da questão dos boicotes, sem falar que as pessoas estão desinteressadas em irem votar. é que esta forma de votação que nós estamos a ter agora, é uma votação diferenciada, todos os indivíduos que têm 18 anos, eles não precisam ir fazer a inscrição. Portanto, há muitos jovens com 18 anos que nem sabem que estão inscritos no caderno eleitoral. Outro aspecto tem a ver com o facto de estes dados terem sido extraídos e muitas pessoas não sabem em que local estão inscritas. O terceiro aspecto muito importante também, que se deve frisar, tem a ver com a emigração. Esta eleição a que estamos a assistir agora é uma eleição que apanhou esta vaga de emigração. É uma emigração de pessoas que muitas delas estão sem as suas condições de vida regularizadas. Elas não sabem sequer que poderiam votar no exterior. RFI: Este voto maioritário no MLSTP é um voto de adesão ao projecto do MLSTP ou de rejeição ao partido da situação? Olívio Diogo: O MLSTP, para quem acompanha as eleições em São Tomé e Príncipe, de algum tempo a esta parte, sabe que o MLSTP tem um número mais ou menos de votos que não se altera muito e portanto o MLSTP fez o seu papel de garantir que este número de votos seja aplicado. E por outro lado, trabalhou para que aumentasse mais um ou dois, o número deputados. Portanto, aqui há duas coisas. A primeira coisa é dizer que isto foi claramente um boicote ao Américo Ramos e as pessoas não se encontraram com aquilo que o Américo Ramos fez durante o seu mandato de dois anos. A população não se entendeu com Américo Ramos e certamente a forma como se tornou líder do Partido da Acção Democrática Independente e ele não conseguiu criar uma empatia com a população, que era uma empatia com aquilo que são as necessidades básicas da população. Se reparar, o MLSTP não cresceu muito. Foi a ADI que baixou significativamente. A ADI tinha nas últimas eleições 30 deputados e saiu de 30 deputados para ter agora 22 ou 23 que ainda não sabemos. Mostra claramente que foi a ADI que perdeu e que o grande perdedor destas eleições é inevitavelmente, o Américo Ramos, o primeiro-ministro em funções. RFI: Patrice Trovoada, pode retirar algum dividendo político deste cenário? Olívio Diogo: Naturalmente que Patrice Trovoada vai tirar dividendos políticos deste cenário, por ter apelado ao boicote às eleições, apelado ao aumento da abstenção e a abstenção vir equilibrada, como foi já nas eleições presidenciais, demonstra claramente que a sua palavra, a sua imagem e a informação que ele quis passar foi encaixada sobretudo naquelas pessoas que são fidedignas àquilo que é a política de Patrice Trovoada. Essas claramente não foram votar e essas claramente disseram que continuam com ele independentemente daquilo que venha a contar. Portanto ele pode perfeitamente bem tirar dividendos disto. RFI: Ainda não se sabe exactamente como é que se repartem os mandatos, uma vez que é o Tribunal Constitucional que deve dar esta informação. O MLSTP reivindica pelo menos 26 mandatos, o que é muito próximo da maioria absoluta. Mas não tendo a maioria absoluta, para que partido é que se vai virar naturalmente para eventualmente formar uma coligação? Olivio Diogo: No que diz respeito ao facto de ser o Tribunal Constitucional a fazer o mosaico natural de número de mandatos que cada partido deve ter, isto leva a entender que o MLSTP, tendo em conta que isto é uma realidade, está a fazer pressão para dizer ao Tribunal Constitucional que este resultado são resultados que dificilmente se alteram. Mesmo que a ADI queira governar, teria que fazer uma coligação, mesmo que o MLSTP queira governar teria que fazer uma coligação. Perguntava-me anteriormente com quem é que se deve fazer esta coligação. Todos os partidos estão abertos e disponíveis porque eles sempre disseram o mesmo. O Basta e qualquer um destes partidos tiveram um ou dois deputados, estão disponíveis para o fazer. Essa coligação passará inevitavelmente pelo MCI-PS/PUN porque está em melhores condições. Nenhum partido poderá governar sem fazer uma coligação com esta formação. Isto é impossível, a não ser que haja uma coligação entre o MLSTP e a ADI para governar, o que eu acho que não acontece. A coabitação que deve haver entre o Presidente da República e uma cor política contrária é uma coabitação que nós, os observadores daquilo que se passa dentro da nossa política, acreditamos que sim, porque não podemos esquecer que estas duas forças, quer o MLSTP quer a ADI, apoiaram o Carlos Vila Nova a ser reeleito Presidente da República e agora não vejo razão para que o Carlos Vila Nova venha se opor à possível ascensão de uma dessas forças políticas.

CEI DE CABO FRIO
DESISTIR é uma OPÇÃO para VOCÊ? - Pra. Karlla Sales

CEI DE CABO FRIO

Play Episode Listen Later Sep 28, 2026 40:47


Nesta mensagem, a Pra. Karlla Sales, com o texto em I Reis, capítulo 19, versículos 1 ao 9, nos traz uma reflexão sobre o pensamento de desistência na vida do profeta Elias.Elias havia acabado de viver uma das maiores experiências de sua vida. No monte Carmelo, viu Deus responder com fogo e demonstrar Seu poder. Mas, logo depois de uma grande vitória, Elias recebeu uma ameaça de Jezabel e fugiu. Cansado, com medo e emocionalmente abatido, ele chegou ao ponto de pedir a Deus que lhe tirasse a vida.Isso nos ensina algo importante: até pessoas de fé podem chegar a momentos de profundo cansaço.Elias deitou-se debaixo de uma árvore e dormiu. Então, Deus enviou um anjo para alimentá-lo e fortalecê-lo. Observe: Deus não repreendeu Elias primeiro; Deus cuidou dele primeiro.Talvez você esteja vivendo exatamente assim. Depois de lutar tanto, depois de tentar tantas vezes, talvez esteja pensando: “Não dá mais. Eu quero desistir.”Mas o texto mostra que o momento de maior cansaço não significa o fim da história.Deus levou Elias até Horebe, o monte de Deus. Ali, perguntou: “Que fazes aqui, Elias?” Deus estava mostrando que aquele lugar de fuga não seria o destino final de Elias.Às vezes, queremos desistir porque estamos olhando apenas para aquilo que deu errado. Deus, porém, ainda está olhando para aquilo que Ele pode fazer através da nossa vida.Você pode estar cansado, mas não precisa desistir.Você pode estar ferido, mas não está abandonado.Você pode ter chegado ao seu limite, mas Deus ainda não terminou a obra.Elias achava que estava sozinho, mas Deus ainda tinha propósito para ele.Portanto, antes de tomar uma decisão definitiva em um momento de exaustão, descanse, alimente-se da presença de Deus e permita que Ele renove suas forças.Desistir pode parecer uma opção quando estamos cansados, mas Deus pode estar preparando um novo caminho justamente depois desse momento.Não faça do seu momento de fraqueza a conclusão da sua história. O Deus que sustentou Elias também pode sustentar você.Se esta mensagem edificou a sua vida, curta e compartilhe com mais pessoas.Deus te abençoe!

Linhas Vermelhas
A crise inflacionista em Portugal, entre o equilíbrio das finanças públicas, o apoio às famílias e Mário Centeno

Linhas Vermelhas

Play Episode Listen Later Sep 25, 2026 16:07


A crise inflacionista agrava-se e o Presidente da República admite novas medidas de apoio às famílias, contrariando a ideia de que não há margem orçamental. Cecília Meireles considera inevitável uma intervenção se a situação persistir, sobretudo nos alimentos, enquanto João Torres aponta para os milhões de euros disponíveis até ao fim do ano e critica a resposta do Governo. O regresso de Mário Centeno ao debate público, com o lançamento de um novo livro, abre também a discussão sobre o seu futuro político. Ouça o Linhas Vermelhas de 25 de setembro em podcast.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Movimento RPG Podcast
Nobi Nobi RPG – Taverna do Anão Tagarela #218

Movimento RPG Podcast

Play Episode Listen Later Sep 25, 2026 35:22


Douglas Quadros, Gustavo Estrela e Mateus Herpich falam sobre Nobi Nobi RPG nessa taverna. Entenda como funcionam as mecânicas ágeis de testes com cartas e a dinâmica de narrativa compartilhada com rodízio de mestres, saiba mais sobre como o cenário inspirado em JRPGs aborda uma mistura caótica e divertida de tropos de animes (como aventuras isekai) e veja um pouco sobre a proposta da jornada procedimental guiada pelas cartas de luz e de sombras. A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate. Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar. Links: - Conheça nosso Patronato - Seja um Padrim do Movimento RPG - Assine o Picpay e ajude o site E-mail: contato@movimentorpg.com.br - Tem dúvidas sobre alguma coisa relacionado a RPG? Mande suas dúvidas para nosso e-mail. Nobi Nobi RPG ‎Host: ‎‎‎Douglas Quadros. ‎Participantes:‎‎ ‎‎‎ Douglas Quadros | Gustavo Estrela | Mateus Herpich ‎Arte da Capa:‎‎ ‎‎Raul Galli.‎

Vida em França
“Leão XIV vai recordar que o essencial é cuidarmos da dignidade humana”

Vida em França

Play Episode Listen Later Sep 24, 2026 13:06


O Papa Leão XIV inicia esta sexta-feira, 25 de Setembro, uma visita de quatro dias a França, entre Paris, Lourdes e Metz, num périplo que cruza alguns dos principais temas do pontificado: defesa da dignidade humana, inteligência artificial, migrações, os abusos sexuais na Igreja e a paz na Europa. A viagem inclui, em Lourdes, um encontro privado com vítimas de abusos sexuais cometidos pelo clero. Para o padre Rui Pedro, da paróquia portuguesa do Sacré-Cœur, em Gentilly, nos arredores de Paris, a visita será também uma oportunidade para o Papa lançar um apelo à esperança e à unidade, numa sociedade que considera estar a “desumanizar-se”. O sacerdote espera ainda que Leão XIV aborde, perante as autoridades francesas, a defesa da vida e da dignidade humana, e que, em Metz, faça um apelo à unidade europeia, ao acolhimento dos migrantes e à paz. RFI: O que é que se pode esperar desta deslocação do Papa Leão XIV a França? Padre Rui Pedro, da paróquia portuguesa do Sacré‑Cœur, em Gentilly: Eu penso que um dos apelos fortes que irá ser feito e que, também, nós católicos esperamos é um apelo à esperança, à esperança desta sociedade que se vai, um pouquinho, desumanizando. O próprio Papa, há pouco tempo, emitiu uma encíclica sobre a inteligência artificial. Um apelo à unidade, não é por acaso, que ele vai a Metz, terra de um dos fundadores da União Europeia, Robert Schuman. Um apelo à unidade de uma Europa que também tem as suas raízes cristãs, dos princípios cristãos da igualdade e da liberdade. E depois um apelo à Igreja que peregrina aqui em França e que, de facto, continue a sua renovação, uma renovação missionária e, também, a acolher estes últimos apelos que têm vindo da parte das comunidades - que a Igreja francesa está muito consciente disso - que é este aumento da procura dos jovens pela Igreja e o aumento da procura de catecúmenos, pessoas adultas que, de ano para ano, aumentam no seu pedido de baptismo à Igreja. O Papa desloca-se a Paris, está prevista também uma ida à cidade de Lourdes e termina em Matz. Quem define este percurso? Porque isto também tem uma simbologia, não se escolhe ao acaso. Alguns são convites formais que foram feitos, como por exemplo a UNESCO. Houve um convite formal para que visitasse esta organização das Nações Unidas. Depois, também, houve um convite explícito do Presidente [francês, Emmanuel] Macron e dos próprios bispos franceses. Penso que foi um pouco a conciliação disto tudo. As dioceses que ele visita são: Paris, a diocese de Saint-Denis onde está o Stade de France, a diocese de Lourdes e Metz, portanto, são quatro dioceses a nível da nossa organização religiosa. E são pontos, de facto, sensíveis e lugares de alguma simbologia. Por exemplo, Paris é uma grande cidade onde há uma grande diocese. Há também Notre-Dame, este símbolo mundial que foi renovado. Penso que é interessante que o Papa o visite. Vai a Notre-Dame encontrar os religiosos e religiosas, portanto é um encontro um pouquinho particular com os sacerdotes, aqueles que se consagraram a Deus, homens e mulheres, seminaristas… Portanto, é um momento esperado, porque em França está a haver um aumento de vocações sacerdotais e religiosas. A juventude está a voltar-se também para a Igreja. Depois, em Saint-Denis, é o grande encontro com a juventude. O Papa João Paulo II esteve cá na Jornada Mundial da Juventude em 1997. Este encontro com os jovens que está cheio, o estádio está completo. Portanto, esta grande adesão das pessoas a estes eventos públicos que em poucos dias, em poucas horas, se esgotaram as inscrições, é também símbolo de uma certa ansiedade e de um desejo de encontrar esta figura, escutar a sua mensagem, as suas palavras. Esta é também um bocadinho a expectativa do que vai dizer, o tema é “Para que o mundo tenha a vida” e, há pouco tempo, o Parlamento francês aprovou uma lei sobre o fim de vida e o suicídio assistido. Portanto, o Papa claramente que irá também ter palavras nesse sentido da defesa da vida, visto que é o tema da viagem. E quando irá falar às autoridades, penso que não se irá encolher, portanto irá dizer o que tem a dizer, porque a sua mensagem é de recordar as pessoas, de facto, aquilo que é o pensamento doutrinal da Igreja, o pensamento social da Igreja. Ele vai recordar alguns valores, mesmo que o país, com as suas decisões políticas, tenha optado por, para nós, não-valores da sociedade. Ele, certamente, irá recordar alguns valores que para nós são importantes e mexer com a consciência das pessoas. O Papa Leão XIV é um homem inteligente, bem preparado, inspira-se muito em Santo Agostinho, portanto um homem que procura a verdade e penso que também aqui irá ferir alguns ouvidos. Mas é a maneira de ser do Santo Padre que é dizer o que tem a dizer, fiel à verdade é fiel à sua mensagem. Ainda em Paris, está prevista uma missa gigante na Praça da Concórdia, uma missa cujo perímetro teve de ser alargado dado o número de inscrições para assistir a esta celebração. A que é que se deve esta afluência gigantesca? Penso que neste momento, o Santo Padre é uma das poucas figuras mundiais que ainda recorda alguns valores, que dá esperança à humanidade e que também enfrenta os vários poderes políticos, como o fez há pouco tempo com o seu co-nacional, com o seu conterrâneo [Donald] Trump [Presidente dos Estados Unidos da América]. Portanto, na verdade, ele tem uma mensagem a transmitir ao mundo. Uma mensagem de humanização da sociedade e uma mensagem de fraternidade, de diálogo inter-religioso, diálogo intercultural, onde esta procura das pessoas, esta curiosidade - porque na missa não estarão só católicos praticantes - de toda esta gente que se inscreveu, mesmo que esteja longe da Igreja, vai numa expectativa de ouvir uma mensagem com a qual se pode identificar com os valores. Esta grande adesão das pessoas à Missa do Papa, sem dúvida, podemos interpretar como uma procura das pessoas a quem tem uma voz ainda de autoridade, uma voz livre, uma voz que nos recorda aquilo que é essencial para a vida e vem certamente entusiasmar as paróquias, os movimentos e a Igreja, no sentido de os pequenos sinais que há da renovação da Igreja - uma Igreja mais missionária, que está mais aberto ao mundo. Uma Igreja que também está polarizada em França, há os tradicionalistas e os mais avançados, portanto uma Igreja que no seu interior tem esta polarização. Ele vem, de facto, acolher todos, dar uma palavra de entusiasmo e sobretudo, dizer que é em Jesus Cristo que nós nos identificamos e é nele que temos que encontrar a força do nosso viver e também as respostas que a nossa consciência e o mundo colocam hoje, de facto, não só às religiões. As religiões, hoje, não são um perigo, são um factor importante para a coesão social e para a paz. Mas também elas, hoje, são assediadas por fanáticos e por grupos que usam o nome de Deus em vão. Não se esqueça que é a praça que assinala a concórdia entre a Igreja e o Estado. É de facto um lugar icónico para reafirmar um pouquinho esta unidade, que é preciso ter este diálogo, esta cooperação. Porque quer o Estado, quer as Igrejas, quer a religião, estão todos ao serviço do homem. Este Santo Padre tem falado muito da dignidade humana e que no centro tem que estar o homem. Depois de Paris, o Papa Leão XIV vai para Lourdes, uma cidade mariana, onde está previsto um encontro privado com vítimas de abuso sexual por parte do clero. Penso que em todos os países há esta ferida, esta chaga. Todos os países, todas as igrejas estão a procurar, de facto, seguindo as instruções do Papa Francisco, enfrentar este problema com a tolerância zero e com a verdade, a protecção das vítimas. A França foi também muito golpeada com esta questão. É importante que haja esse encontro, que está já na agenda. O Papa é um homem que tem que escutar, que conhecer a realidade. Creio que encontrar rostos concretos, histórias concretas, irá ajudá-lo também na sua missão, como também o irá fazer também aqui em Paris. Ele vai à Maison Bakhita, onde vai encontrar as associações e as pessoas vulneráveis, os pobres e os imigrantes. O Papa escutar a realidade, escutar a base é muito importante. Dá um sinal de uma Igreja que sabe escutar. As vítimas têm que ser ouvidas, têm que ser também indemnizadas e reparadas pelas ofensas feitas pelo clero ou por cristãos com responsabilidades educativas. Porque não há só padres, também leigos, e há outras pessoas que abusaram de menores e pessoas vulneráveis. Acho que é muito importante este aspecto e segue um bocado as pegadas do Papa Francisco, onde ele ia também sempre escutava este grupo de pessoas particulares desta realidade que, de facto, mancha o serviço da Igreja. Esta deslocação a Lourdes acaba por ser mais tradicional para o Papa, tendo em conta que é um santuário mariano e que seria quase evidente passar por lá. É um lugar de peregrinação popular. Lourdes está muito ligado ao tema da doença, aos doentes, vulneráveis, portanto, pessoas que experimentam na sua pele o sofrimento de Cristo. É um lugar de atenção aos mais simples, um lugar também à devoção mariana que marca este país, França, e, portanto, ir a um lugar popular como Lourdes, é mais uma atenção aos mais simples, aos mais pobres. É uma religião que não pode viver sem cultura. Portanto, não há fé sem cultura e a cultura popular é muito importante para, de facto, manifestarmos os sentimentos religiosos e a experiência religiosa de um povo. Este povo francês tem neste lugar um dos sítios mais internacionais da sua visibilidade como povo cristão que é Lourdes. A visita do Papa Leão XIV a França, termina em Metz, símbolo de terras completamente arrasadas pelas guerras. O que é que se pode esperar do Sumo Pontífice, que vai preferir um discurso precisamente no Centro Roberto Schumann, que é um dos pais fundadores da União Europeia? Robert Schuman é uma grande figura e um dos pais fundadores da União Europeia e, por isso, penso que o apelo que o Papa irá fazer será este apelo à unidade da Europa. Esta Europa que hoje está muito polarizada sobre alguns temas. Eu, sendo missionário dos imigrantes, espero que também haja uma palavra sobre a imigração no discurso do Papa, porque de facto, hoje a Europa está a tomar um rumo que ofende, ofende a dignidade humana dos imigrantes e estamos a fazer ressurgir e a ressuscitar das cinzas antigos fantasmas que, em vez de unir as pessoas, estão a afastar as pessoas por questões políticas e ideológicas, quer a nível do racismo, da aporofobia ou da xenofobia. Portanto, espero dele um apelo, de facto, à unidade, um apelo ao acolhimento dos imigrantes e dos estrangeiros e, certamente um apelo à paz, visto que cada vez mais esta Europa vai aumentando os seus orçamentos para a despesa militar e para a despesa com a defesa. O Papa vai nos recordar, de facto, que o essencial é cuidarmos da dignidade do ser humano e colocar no centro a dignidade humana de cada ser que habita este continente ou que o procura para uma vida melhor. A inteligência artificial e o Papa Leão foi pioneiro nisso, como homem da Igreja foi dos primeiros que está a exigir uma reflexão ética e alguns cuidados que a ter para que, com a inteligência artificial, que é o progresso humano e que tem todo o cabimento, não venha desumanizar mais a sociedade e não venha a criar mais problemas que, ao fim e ao cabo, seria o homem perder a própria alma, perder a própria inteligência para se entregar às máquinas, aos raciocínios, aos cálculos e aos algoritmos. É pároco dos portugueses em Gentilly, de que forma é que a comunidade lusófona e a comunidade portuguesa se está a mobilizar para esta visita do Santo Padre a França? A mobilização é muito grande. Temos cristãos portugueses inscritos para o voluntariado. Temos cristãos portugueses inscritos para serviço de distribuição da Sagrada Comunhão. Temos cristãos inscritos para as vésperas do Papa com os religiosos. Temos cristãos inscritos, jovens que vão participar no Estádio de França. Temos cristãos inscritos para participarmos na Grande Missa, na Praça da Concórdia. No passado fim-de-semana, como todas as paróquias, fizemos uma recolha de dons para também nós, sendo cristãos desta Igreja francesa, sendo membros activos desta Diocese de Paris, para colaborarmos nas despesas inerentes à deslocação a Paris do nosso chefe, do nosso líder religioso, do nosso Santo Padre, o nosso Pastor, que com muito agrado vamos estar lá para acalmá-lo. Aqueles que não tiveram inscrições, estamo-nos a mobilizar para que vão para aquele percurso de Notre-Dame des Champs até Saint-Michel para, na rua, manifestarem ao Papa a sua alegria pela sua visita, a sua adesão, a estima que temos por ele. Porque para nós é uma grande graça receber o sucessor de Pedro aqui na nossa Diocese.  

Dia a dia com a Palavra
Reina o Senhor!

Dia a dia com a Palavra

Play Episode Listen Later Sep 24, 2026 1:15


É essa expressão que o salmista usa no Salmo 97 no verso 1. Ele diz: "Reina o Senhor. Alegre-se a terra, exultem as muitas ilhas."Ouvir essa expressão como essa do nada costuma provocar um solavanco, uma exortação. Ela é inesperada.É como se você estivesse diante do salão real com o rei, mas sem saber que Ele estava lá. Portanto, não se portou de forma adequada. Esqueceu de fazer as saudações e reverências que são pertinentes.Reina o Senhor - a afirmação deve te lembrar que a cadeira de governante não está vazia. Alguém toma as decisões e esse alguém não é você. Ele está vivo e governando.Reina o Senhor - te coloca em estado de alerta. Você está aqui nesse mundo não a passeio, mas a serviço do rei. Onde Ele quiser te mandar, você deve ir.Reina o Senhor - essa afirmação deve te trazer segurança. Você pode ler qualquer notícia assustadora, mas nada deve lhe tirar a paz. Basta uma palavra de ordem e as coisas são restabelecidas. Não viva pelo medo, mas guiado por Deus.Reina o Senhor - talvez a gente tenha que começar nossas frases diárias com essa afirmação. Ela é um lembrete importante de que tudo está debaixo do seu poder.

Convidado
Eleições são-tomenses: a protecção do ambiente e o seu potencial turístico

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 23, 2026 9:25


A campanha para as eleições legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro, em São Tomé e Príncipe, está quase a terminar. Uma campanha marcada por debates em torno de um modelo de desenvolvimento que o país poderia seguir. Este modelo poderia assentar na combinação entre a protecção do meio ambiente e actividades económicas, como o turismo sustentável. Depois da ilha do Príncipe ter sido considerada pela UNESCO como Reserva da Biosfera, em 2012, foi a vez de o resto do território nacional ter igualmente este selo no ano passado, algo inédito no mundo. Esta distinção, tida como um reconhecimento, traz também maiores responsabilidades para o país em matéria de protecção ambiental. Em que estado está o meio ambiente no arquipélago e que trilho poderia seguir no futuro? Foi a questão que colocamos a Arlindo Carvalho, coordenador a nível nacional do projecto Waca, uma iniciativa regional financiada pelo Banco Mundial. RFI: Em termos gerais, como está o meio ambiente em São Tomé e Príncipe? Arlindo Carvalho: Em termos globais, a questão ambiental, podemos dizer que é satisfatória. Mas em alguns em termos específicos, em determinadas matérias, necessitamos melhorar bastante. Por exemplo, em termos de natureza, em termos da conservação, em termos da biodiversidade, o país é riquíssimo, quando conseguimos durante todos esses tempos, manter um pouco o equilíbrio ecológico ao nível do país. Mas também temos alguns desafios relacionados com as questões humanas. Fundamentalmente, todas as outras questões relacionadas com o saneamento básico, meio, a gestão dos resíduos sólidos urbanos, etc. É um desafio bastante grande, em que não podemos ainda dar-nos ao luxo de dizer que estamos muito avançados e a 100%. RFI: Desde 2012, a Ilha do Príncipe é Reserva da Biosfera e doravante é todo o país desde o ano passado, que efectivamente é também reserva da Biosfera. Isto coloca vários desafios e também algumas obrigações. Arlindo Carvalho: Podemos dizer que isto é um reconhecimento histórico da parte desta instituição internacional que é a UNESCO. Isto traz uma grande vantagem para o país em vários domínios. Permite-nos ter maior atracção turística, sobretudo ao nível de investigadores que querem investigar melhor todas as questões relacionadas com a biodiversidade. Nós podemos ter nos nossos produtos um selo ecológico que nos permite vender os nossos produtos com um pouco mais de qualidade, nomeadamente o cacau, o café e a pimenta, o pescado, inclusive. E depois temos toda a nossa zona costeira também, que tem uma grande atracção turística dentro da biosfera mundial. Portanto, isto traz uma grande reputação, mas no entanto, também traz uma grande responsabilidade, pois um país que se transforma em reserva total da biodiversidade tem que ter uma capacidade grande de fazer um ordenamento territorial e uma gestão do território, de forma a evitar que haja convulsões sociais, porque você não pode proteger sem na realidade, ter espaços para que a população possa desenvolver e satisfazer as suas necessidades sociais, económicas. Por isso mesmo, o ordenamento do território é fundamental e já temos passos importantes nesse sentido. Por exemplo, tudo o que diz respeito à questão do Parque natural, já temos um plano de gestão bastante bem concebido, onde temos as zonas que nós consideramos zonas de protecção total integral, onde o objectivo fundamental é fazermos toda a investigação científica. Mas por sua vez, também temos zonas que já foram definidas como zona tampão que protegem essas zonas de protecção, onde também deve se proteger de forma rigorosa, mas onde é permitido algumas actividades económicas de baixo impacto ambiental e também posteriormente temos muito cuidado também com todas as zonas de transição necessária, onde a comunidade e a população vive, onde desenvolve as suas actividades, que nós não podemos impedir que elas continuem a desenvolver as suas actividades agrícolas e pescas, etc. Mas acompanhando sempre para que essas actividades sejam feitas com regras e permitindo que tudo o que é o desenvolvimento não afecte o ambiente, mas também que o ambiente não crie um obstáculo ao desenvolvimento. RFI: Como fazer com que haja, por um lado, a protecção do meio ambiente e, por outro lado, um turismo sustentável? Arlindo Carvalho: Nesta vertente, nós temos o apoio de parceiros internacionais que têm-nos ajudado a trabalhar neste sentido. O nosso próprio projecto, que é um projecto que eu agora coordeno (Waca), que é um projecto de investimentos para a protecção das áreas costeiras e turismo sustentável, onde o Banco Mundial tem estado a financiar. Tem uma componente extremamente importante para o desenvolvimento do turismo sustentável. O que nós temos estado a fazer é associar o turismo a todo o processo de desenvolvimento e temos estado a trabalhar neste sentido, reforçando a capacidade das instituições nacionais que lidam com a questão do turismo, para que possam, na realidade, focar-se na questão do turismo sustentável. Tanto é que uma das componentes fundamentais é o reforço da capacidade, mas não só, da direcção do Estado que trabalha nesta questão, mas de todas as outras componentes da comunidade, a população que trabalha, como os guias turísticos, os condutores, os motoqueiros, etc. Existe uma componente de capacitação deste grupo todo para que eles possam lidar com a questão do turismo sustentável. Temos estado a trabalhar também com os investidores turísticos, de forma que todos os investimentos turísticos possam ser feitos em harmonia com a protecção ambiental. É o que temos estado a fazer. É precisamente incluir tanto turismo como a protecção ambiental, como a valorização ecológica. Não só isso, há outra questão. É o próprio reforço de algumas instituições, fundamentalmente, as autoridades locais que lidam com as questões de saneamento básico do meio. Eu acho que é extremamente importante. Começámos com a cidade capital, onde adquirimos alguns meios rolantes para fazer a recolha dos resíduos sólidos. Fizemos exportação de contentores especializados para poderem ser postos em várias artérias da cidade capital e capacitar os quadros das autarquias da Câmara de Água Grande, que é a que gere a cidade capital. Nós vamos começar com a capital e depois expandir para as outras capitais distritais, mas vamos começar aí, onde a situação é mais crítica, para podermos então expandir para as outras partes. Vamos fazer também investimentos em três grandes áreas turísticas, uma delas na Lagoa Azul. Vamos fazer um forte investimento turístico na Lagoa Azul, que é uma zona ecológica que tem um grande potencial turístico e que necessita de algumas infra-estruturas para que os turistas possam estar mais confortáveis naqueles lugares. Vamos fazer um grande investimento turístico na empresa Agostinho Neto, que é uma empresa agrícola em que vamos associar toda a questão do desenvolvimento agrícola com o turismo. E vamos também fazer um grande investimento turístico na ilha do Príncipe, que é o miradouro de Nova Estrela também, que tem uma paisagem muito linda, onde vamos fazer alguns investimentos naquela área, transformando este miradouro em grande potencial turístico para a Ilha do Príncipe. RFI: Como é que avalia as propostas dos diferentes candidatos relativamente à protecção do meio ambiente? Tem-se o sentimento que todos querem proteger o meio ambiente, mas não sabem como fazer. Arlindo Carvalho: Infelizmente tenho visto as propostas dos candidatos e quase que não vejo proposta nenhuma. Não vejo propostas porque não vejo nenhum dos candidatos, nenhum partido apresentar algum programa para o país que me convença. Estamos a falar sempre das mesmas coisas, de que vamos pôr água ou vamos resolver o problema da estrada. Isto não é, na realidade, um verdadeiro programa de desenvolvimento para o país e, portanto, são promessas meio vazias e que para alguém que queira governar e também que queira convencer o seu eleitorado, sobretudo algum eleitorado que tem alguma capacidade de reflexão, sente-se um pouco frustrado e vazio naquilo que tem ouvido. Eu sou um desses que considero que pode ser que tenha muito boa vontade e tem boa-fé de fazer, mas parece que não sabem bem como fazer e como é que estão a fazer e o que é que vão fazer. E portanto, continuo a estar um pouco com a interrogação de todos os candidatos. Não vejo na realidade uma estrutura coesa, ordenada, organizada, de programa, que possa dar uma certa esperança de retirar o país do marasmo que tem tido. Podemos dizer que 60% da população não está preocupada com isso. Estão mais preocupados em receber os candidatos. Mas há uns outros 30 ou 20 ou 40% que têm uma capacidade de poder analisar que necessitariam, pelo menos escutar e ouvir. Na realidade, o que é que vão fazer quando um país que necessita quase 80% de ajuda externa para poder fazer o seu desenvolvimento? É necessário também que digam quando oiço as pessoas dizer que vou aumentar não sei quantas pessoas mais, para dar subsídio, não é só com subsídios que vamos desenvolver o país. Vou fazer tal coisa, vou dar cartas, vou fazer. Então, são coisas que não têm muito sentido. Podem convencer aquele eleitorado que está ansioso, à espera da resolução das questões de forma imediata. O país não pode desenvolver-se com questões de problemas imediatos. Têm que ser coisas de curto, médio e longo prazo.

Convidado
Eleições são-tomenses: “Nunca senti que a saúde era prioritária em governo nenhum”

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 22, 2026 14:15


Em São Tomé e Príncipe, decorre a segunda e derradeira semana de campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro. Entre as várias temáticas evocadas pelos candidatos, figura nomeadamente a prioridade de dotar o país de um melhor sistema de saúde. O processo recentemente iniciado para construir um novo hospital de referência parece fazer globalmente a unanimidade e também se evoca a possibilidade de se construírem centros de saúde nas comunidades. Estas promessas de campanha surgem num contexto de grande penúria, tanto em recursos humanos, como em medicamentos e equipamentos num pais cujo principal hospital, o Ayres de Menezes é uma estrutura antiga que dificilmente se adapta às necessidades actuais do país. Uma constatação feita por Lagchar Barreto, médica no actual hospital de referência do arquipélago e bastonária da ordem dos médicos. Ao fazer um diagnóstico deste sector no seu pais, esta responsável começa por falar da saúde dos seus concidadãos. RFI: Como está a saúde dos são-tomenses? Lagchar Barreto: Podia estar muito melhor. Nós temos um país lindo. Temos tudo para ter uma saúde boa, um mar que nos dá a brisa diariamente, Pastos para nós caminhamos e é ter a mente mais fresca e ter melhor estilo de vida. Uma terra fértil para produzir coisas sem necessitar de muitos aditivos e daí termos uma saúde mais robusta. Mas não estamos a usufruir isso. Nós consumimos mais o que vem de fora, que é importado e cheio de conservantes. Estamos a adoptar estilos de vida que não são saudáveis. Daí essa mudança de perfil epidemiológico que já vem nos alertando já há coisa de seis anos, onde as doenças crónicas não transmissíveis têm assoberbado o nosso sistema. Nós temos muitos casos de AVC, de enfartes. Pessoas podem ter enfartos, AVC muito jovens. Isso faz com que nós tenhamos menos pessoas produtivas para todo o sistema a nível nacional. E se forem pessoas de idade, é mais um peso, para ter mais segurança social para os familiares que têm que reduzir aquilo que tem como rendimento para cuidar de quem está enfermo. Portanto, eu acho que a população tem que nos ajudar naquilo que são determinantes sociais, para ajudar o sistema de saúde a ficar um bocado mais robusto e ter de nos preocupar com coisas emergentes, não coisas que podemos evitar com uma mudança de comportamento. RFI: Também consta que há problemas de saúde decorrentes, por exemplo, de coisas como a qualidade da água. Lagchar Barreto: Sim, isto é um problema crasso a nível nacional, que tem vindo a se agravar cada vez mais. E eu espero que as entidades competentes consigam sanar essa questão. Mas é uma questão melindrosa. Nós, no sistema de saúde, o que nós fazemos é tentar fazer campanhas obrigatórias nas crianças. Nós recomendamos o uso de águas fervidas para colmatar esta falta de água, potável. Nós temos que pensar ‘eu levo uma vasilha para apanhar água numa fonte potável, mas aquela vasilha está em que condições?' Vai ficar lá estagnada quanto tempo? Então, tudo aquilo que pode ser efectivamente uma água potável, só pelo facto de termos um sistema de saneamento completamente desactualizado, aquilo que são as recomendações faz com que a água nunca seja potável. Então, a questão da água é uma questão muito complicada para a qual não vejo tão breve uma solução por vários motivos. Mas o que eu acho é que cada um terá que fazer um bocado da sua parte, que é tomar conhecimento das medidas a ter para fazer com que se consiga ingerir água potável, porque através da água podemos contrair imensas doenças. RFI: Qual é a situação neste momento da saúde em São Tomé e Príncipe? Lagchar Barreto: O sistema de saúde são-tomense é um sistema de saúde resiliente. Está sempre a passar por fases, mas tenta sobreviver a todas as questões que são conhecidas, uma carência generalizada, uma desorganização que é característica. O sistema público tem feito o seu melhor, mas eu acho que é mais por causa dos profissionais que amam trabalhar naquilo que estudaram. Preferem ficar em São Tomé e não em outros lugares, porque nós vivemos diariamente com carências de tudo, de tudo mesmo e vamos tentando sempre colmatar com a nossa ciência e temos sempre encontrado opções. Às vezes não é a primeira, nem sequer aquilo que está indicado para nós. Conseguimos dar conta daquilo que é cuidar dos utentes que vêm à nossa procura. RFI: Quando fala em sistema resiliente, fala, designadamente do facto de estarmos num hospital que é muito antigo e também de haver queixas de que não existem sequer medicamentos básicos. Lagchar Barreto: Os medicamentos básicos existem, mas em fases. Hà fases em que nós temos os consumíveis todos necessários para trabalharmos e hà fases onde falta um bocado de tudo. E estas são coisas ciclicas às quais já estamos habituados. Volto até a fazer uma afirmação que sempre é muito mal vista, mas é que todos os sucessivos governos que existiram em São Tomé sempre disseram que essa área é prioritária. Mas eu, como profissional que sou, nunca senti que a saúde era prioritária em governo nenhum. Sempre achei que achavam que aquilo que estavam a doar ou a investir na saúde era importante, era suficiente. Mas na realidade não. Porque nós temos que conhecer de verdade o sistema de saúde, as suas fragilidades, as suas necessidades, para depois investir de forma digna e coerente naquilo que é a melhoria do nosso sistema. RFI: Ou seja, não tem havido propriamente, a seu ver, algum plano para efectivamente melhorar a saúde. Lagchar Barreto: Eu acho que essas sucessivas mudanças de governo não ajudam plano nenhum a funcionar, porque cada governo que entra vem com a sua ideia e nunca consegue finalizar a sua ideia. E é sempre um recomeço persistente. E obviamente acabamos na situação em que nos encontramos agora, porque não há continuidade de Estado, ao menos na área da saúde, naquilo que é o investimento necessário para nós termos um sistema de saúde robusto para oferecer sistema de saúde com qualidade aos utentes que tanto precisam dele. RFI: Como é que estamos em termos de formação de profissionais, tanto de enfermagem, como de médicos? Lagchar Barreto: Os sucessivos governos têm os seus planos e projecções, mas nunca concluem. Nós decidimos ‘olha, este ano temos que formar dez médicos'. Se calhar conseguimos formar um. Se calhar a classe de enfermagem ainda é muito mais marginalizada que a parte médica. Portanto, nós temos uma carência abissal de especialistas. Mesmo recebendo quase anualmente um especialista, temos uma fragilidade imensa em questões de especialista que temos tentado colmatar com a vinda de missões internacionais que vêm apoiar o sistema. Mas há uma necessidade. Nós próprios temos a capacidade de ter especialistas. Isto é que está a faltar. RFI: Também se fala muito, por exemplo, durante esta campanha da construção de um novo hospital. Isto é uma solução para si? Lagchar Barreto: Eu ouço falar desse bendito hospital desde 2017 e estamos em 2026. Falou-se muito este ano de um financiamento que houve para isto. Mas a pergunta é: vamos construir um hospital para quando? Para quê? E para pôr o quê lá dentro? Porque um hospital, ele vai acompanhado, com recursos humanos capacitados, formados e em número suficiente, o que é muito importante isso. E não vale a pena dizer ‘vamos construir um hospital' e depois não ter em conta todos os aspectos de um hospital. Deve ser um hospital de acesso facilitado aos utentes. Um hospital com capacidade técnica de abranger especialidades, de ter pessoal qualificado para trabalhar, de ter todos os consumíveis necessários. Isto é o que eu quero ver. Eu quero efectivamente que este hospital exista, porque, como pode ver, o nosso hospital é um hospital antigo, completamente desfasado daquilo que é a necessidade dos profissionais, como dos utentes. Está a chover, está tudo parado porque de um edifício para outro temos que ter guarda-chuva, temos que ter carro para locomover-nos. Isso atrapalha todo o sistema. Portanto, eu espero de verdade, que este governo já não, mas o próximo governo continue com esse projecto de hospital novo, mas que o pense de forma ampla, de forma holística. Temos que ter um hospital, mas baseado na nossa realidade e necessidades. RFI: Também se falou muito da eventualidade de se fazerem pequenos centros de saúde nas comunidades. É realista também pensar nisso? Lagchar Barreto: É realista um sistema de saúde a qualquer nível. Recomenda-se a existência de pólos comunitários distritais para que a saúde esteja perto da população. Não faz sentido alguém ter que fazer quilómetros e quilómetros para ter acesso a um sistema de saúde. Mas isso tem que estar organizado. Temos que ter uma carta sanitária que espelha quantas unidades de saúde são necessárias no país, em que localidade, quantas unidades de saúde são necessárias para dar conta desse sistema para que isso seja funcional? Porque se eu construo um edifício sanitário que seja comunitário ou um posto de saúde se não tenho quem vá lá trabalhar, se não tenho consumíveis para lá trabalhar. Nós temos que ter pessoas que pensam que para tudo acontecer, tem que ter uma coisa organizada. Eu tenho que ter o espaço, a infra-estrutura, os recursos humanos e os consumíveis necessários. E a pergunta é: ‘aquele posto de saúde é um posto de saúde importante, necessário, emergente? Ele tem que funções?' E aí o sistema começa a funcionar melhor. Porque não vale a pena só ter uma estrutura que depois está abandonada. RFI: Estão a ser criadas condições para efectivamente as pessoas terem vontade de enveredar por essa via da enfermagem, da medicina? Ouve-se muito falar de greves periódicas. Como é que estamos neste aspecto? Lagchar Barreto: A classe médica, a última vez que houve reivindicação salarial, foi em 2013. Depois, nunca mais a fez. Faz sempre reivindicação pelas condições de trabalho. O salário da classe profissional é um salário indigno para aquilo que são as nossas funções. Mas lá está, nós estamos numa área social onde nós temos que doar-nos para além de formarmos. Nós fizemos um juramento onde salvar a vida é o mais importante. Então, vamos nos sacrificar e fazer o nosso melhor. E se o sistema se organizasse com o pouco que nos é atribuído, poderia ser feito de forma mais clara para incentivar as pessoas a voltarem. Porque uma pessoa que estuda seis anos, três anos, dez anos para terminar uma licenciatura em medicina, uma especialidade, voltar cá para receber uma coisa indigna, porque é indigno aquilo que recebe e, pior ainda, encontra tantos entraves para ser enquadrado no nosso sistema, faz com que a pessoa não queira voltar, muito menos ficar. Por isso nós temos muitos médicos formados, especializados, que não voltam para São Tomé, porque se voltarem para cá, acham que vão viver na penúria. E é verdade. No início vão viver na penúria até se organizarem e viverem com o pouco que vão arrecadar no final do mês. E eu digo sempre, um sistema, quando é claro, limpo, justo, faz com que não haja mais margens para que as pessoas comecem a inventar o que fazer ou então boicotar o sistema, porque alguém que recebe mal depois não colabora com o sistema de forma correcta. Então nós temos que tentar ser mais organizados naquilo que é a gestão dos recursos humanos, alocação, atribuição das categorias, que é muito importante. Nós encontramos médicos que estão a trabalhar há 15 anos. Nunca tiveram uma promoção. Isto não é digno. RFI: Daqui a uns dias vamos ter eleições. Tem alguma expectativa relativamente a este escrutínio? Lagchar Barreto: Eu espero, de verdade, que a população vote, vote com justiça, clareza, e que os eleitos possam fazer algo por São Tomé que tanto merece. O nosso país é lindo, é pequeno, devia ser uma incubadora de uma realidade saudável, bonita, paradisíaca, como eu acho que nós merecemos ser conhecidos e chamados. E eu espero tanto que o próximo governo possa fazer a diferença, porque eu acho que já temos bases lançadas para nós melhorarmos. Actualmente temos o financiamento para um hospital. Vamos ter hospital, vamos pegar no dinheiro para esse hospital. Investir nesse hospital. Vamos sentar com as pessoas indicadas, definir os recursos humanos necessários. Vamos estabelecer contacto com pessoas para apetrechamento do hospital. Vamos adequar, vamos elaborar documentos que normalizam tudo aquilo que é para ser efectivado a nível nacional, para que as coisas possam melhorar. Portanto, é um almejo de esperança que o próximo governo e especialmente o próximo Ministro da Saúde de São Tomé veja a saúde de forma que a população são-tomense merece. Até agora, muitos não o têm feito e eu espero que daqui para frente consigamos um Ministro da Saúde que consiga ver a saúde como algo essencial, primordial e inviolável e ao qual nós temos que dedicar o nosso melhor sempre.

Plano-Sequência
Plano-Sequência #080 - Ingmar Bergman

Plano-Sequência

Play Episode Listen Later Sep 21, 2026 148:08


Neste programa, Pedro Tobias (⁠⁠⁠⁠⁠⁠@pedromtobias⁠⁠⁠⁠⁠⁠) , MarinaOliveira (⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@coelho_limao⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠) , Leandro Luz (⁠⁠@leandro_luz⁠⁠) e Fernando Machado (⁠@femesmo⁠) debatem a obra do cineasta suéco Ingmar Bergman responsável por obras como O Sétimo Selo (1957), Persona (1966) e Sonata de Outono (1978).Portanto, pegue o seu fone de ouvido, prepare o café e nosacompanhe nesta jornada, pois a partir de agora você está em umplano-sequência!===========================================Ficha Técnica: Duração: 02h28min | Apresentação:Pedro Tobias | Pauta: Fernando Machado | Arte da Capa: Fernando Machado | Edição e sonorização: Fernando Machado | Seleção de trilha sonora: Fernando Machado | Publicação: Fernando Machado===========================================Caso você queira ouvir os comentários apenas sobre um dosfilmes, confira a minutagem em que cada um entra:00:39:10 - Mônica e o Desejo (1953)00:56:54 - Persona (1966)01:22:16 - A Hora do Lobo (1968)01:40:22 - Sonata de Outono (1978)02:03:15 - TOP 03===========================================Dúvidas, sugestões, críticas ou feedbacks podem ser enviadospara o e-mail ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠contato@plano-sequencia.com⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ouatravés de nossas redes sociais. Estamos no Twitter ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@planoseqcast⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠,no Instagram ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@planoseqcast⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ eno Facebook⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠/planosequenciapodcast⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠.Não deixe de avaliar o podcast para que possamos ter mais visibilidade dentrodas plataformas.===========================================

Tributologia
Tributologia # 323 - STJ: CAPATAZIA CONTINUA NA BASE DO ICMS-IMPORTAÇÃO

Tributologia

Play Episode Listen Later Sep 20, 2026 8:36


As despesas de capatazia podem ser incluídas na base de cálculo do ICMS na importação?Para a 2ª Turma do STJ, sim.Por unanimidade, o Tribunal manteve a inclusão dos gastos com capatazia — movimentação e manuseio de mercadorias em portos e terminais alfandegários — na base de cálculo do ICMS-Importação.E aqui está o ponto mais interessante da decisão.Em 2022, o Decreto nº 11.090 alterou a regulamentação aduaneira para afastar determinadas despesas de capatazia realizadas em território nacional da composição do valor aduaneiro.O contribuinte sustentou, então, que essa exclusão também deveria repercutir no ICMS.O STJ não concordou.Segundo a relatora, ministra Maria Thereza de Assis Moura, a base de cálculo do ICMS na importação possui disciplina própria na Lei Complementar nº 87/1996.E ela é mais ampla do que simplesmente o valor aduaneiro.A legislação determina que sejam considerados, além do valor da mercadoria, impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras.Para o STJ, a capatazia está incluída nesse conceito.Ou seja:retirar uma despesa do valor aduaneiro para fins de Imposto de Importação não significa, automaticamente, retirá-la da base de cálculo do ICMS-Importação.São tributos diferentes, com regras próprias de definição da base de cálculo.A decisão é especialmente relevante para empresas importadoras, porque mantém um custo que pode representar impacto importante na carga tributária da operação.E atenção: trata-se de julgamento da 2ª Turma, e não de recurso repetitivo. Portanto, é uma decisão importante do STJ, mas não estamos diante da fixação de uma nova tese repetitiva sobre o tema.No Tributologia de hoje, eu explico por que o Decreto nº 11.090/2022 não foi suficiente para afastar a cobrança do ICMS e quais podem ser os reflexos desse entendimento para as operações de importação.REsp 2.167.686/RSJulgamento: 15/09/2026

Judiclay Santos
TODA GLÓRIA AO DEUS DE TODA GRAÇA - Salmo 103

Judiclay Santos

Play Episode Listen Later Sep 17, 2026 47:49


Depois de contar os benefícios da graça, Davi levanta os olhos para contemplar o Deus de toda graça. O Senhor é misericordioso, compassivo, paciente e fiel. Conhece nossa fragilidade, sabe que somos pó e, ainda assim, sua misericórdia permanece de eternidade a eternidade.Na segunda parte da nossa exposição do Salmo 103, veremos que a graça não deve terminar em nós. A graça recebida deve voltar para Deus em forma de louvor e glória.Davi começa falando com a própria alma, mas termina convocando anjos, exércitos celestiais e toda a criação para bendizer ao Senhor. Uma voz parece pequena demais diante de um Deus tão grande!Contemple o Deus de toda graça. Convide o universo a celebrar sua graça. E junte sua voz ao grande coro da criação: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor.” (Sl 103.22)Toda graça vem de Deus. Portanto, toda glória pertence a Deus.Pr. Judiclay SantosIgreja Batista do Jardim Botânico.Rio de Janeiro - RJSite:http://ibjardimbotanico.org.br/Email:ibjardimbotanico@yahoo.com.br Endereço:Rua Prof. Saldanha, 110, Jardim BotânicoRio de Janeiro - RJ

Convidado
MLSTP preconiza aposta no turismo e cortes nas despesas públicas

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 14, 2026 10:04


A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação. Neste sábado, ouvimos Américo Barros, líder e cabeça de lista do MLSTP - Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, que preconiza uma aposta no turismo, melhorias nomeadamente no sector da saúde e economias nas despesas públicas. RFI: Pretende realizar economias nas despesas públicas. De que forma pensa concretizar esse objectivo? Américo Barros: De 2018 a 2022 eu fui governador do Banco Central de São Tomé e Príncipe e tínhamos como despesas para a importação de combustíveis fósseis. Nós estávamos anualmente entre os 40, 60, 70 milhões de Dólares por ano. Portanto, no processo de transição energética, pretendemos obviamente começar cortes por aí. E depois, mesmo na administração pública, constatamos que temos vários sectores que gastam desnecessariamente com viagens, consumo de energia fora do horário. Portanto, é um conjunto de levantamentos que nós fizemos e, portanto, vamos começar pelo corte de compra de combustível. RFI: E, portanto, isto significa a implementação de uma política mais favorável relativamente a energias renováveis. O que é que pretende fazer sobre este aspecto, uma vez que acabamos de atravessar uma grande crise energética no país ? Américo Barros: Como sabe o MLSTP de 2018 a 2022, nós tínhamos começado um processo de transição energética, mas temos até hoje painéis solares no nosso porto que não foram levantados até hoje por uma questão política. Então, este processo de transição energética, nós estamos virados para a energia fotovoltaica. Por outro lado, também gostaria -e eu vou fazer todo o forcing- para que apostemos também em hídricas. E daí já respondíamos a duas situações ao mesmo tempo. Além da energia, nós iríamos também proporcionar água potável. E temos também, é claro, que criar barragens. São Tomé e Príncipe é um país que tem água em abundância. Eu vejo o exemplo de Cabo Verde, nem um terço, nem um quarto de água tem como São Tomé e Príncipe. Portanto temos que começar a construir mais barragens. RFI: O que é que pretende fazer relativamente à questão da saúde? Américo Barros: Nós ainda nos deparamos com doenças que já não deveriam fazer parte do sistema de saúde no nosso país. Nós temos doenças, por exemplo, de origens hídricas, porque a água vem com micróbios e, portanto, as águas precisam ser tratadas. É aí o outro papel importante que nós teríamos que desempenhar relativamente ao tratamento de águas. Agora, a primeira coisa que vamos fazer é dar continuidade ao projecto que está em curso desde 2014, que seria a construção de um hospital de referência com o fundo ‘Kuwait Fund'. Esperamos iniciar esse projecto, mas também nós gostaríamos de chamar à responsabilidade social todas as empresas que trabalham no país para, no capítulo Responsabilidade Social, apetrechar melhor os postos de saúde nas comunidades, nos distritos, além da área com equipamentos e medicamentos. Tudo isto constitui prioridade para nós. Portanto, essas empresas terão que apoiar São Tomé e Príncipe na construção de alguns centros de saúde fora da capital. Portanto, a saúde para nós é uma prioridade, porque no nosso projecto nós temos o turismo como o pilar fundamental no processo de desenvolvimento económico. E turismo, para ser um turismo de qualidade, todas as outras áreas são fundamentais : a saúde, infra-estruturas. Sabemos o desafio que temos pela frente, porque tudo constitui prioridade, Então temos que eleger prioridade das prioridades para, no curto prazo, os primeiros anos da nossa governação avançarmos. RFI: Como é que vê precisamente a questão do turismo? Américo Barros: Actualmente, contribui com cerca de 14% para o PIB. Os dados actuais apontam -são estimativas- que vai baixar para cerca de 11%. Mas o que nós queremos, na verdade, é que o turismo tenha uma maior contribuição no processo de desenvolvimento económico de São Tomé e Príncipe. Gostaríamos que o nosso turismo, um dia, fosse, à semelhança das outras ilhas do Atlântico, e que o turismo colabore com cerca de 40% no PIB. Portanto, vamos ter que trabalhar, vamos ter que organizar o país e, obviamente, todos os sectores que são transversais, também merecerão a nossa atenção para que, quando o turista venha a São Tomé, ele possa, obviamente, convidar mais e mais turistas para o nosso país. A questão da saúde é fundamental. Vem um turista, apanha, por exemplo, o paludismo, que é uma doença que tivemos aqui durante muito tempo. Ele terá dificuldades porque não temos um hospital em condições para responder. Isso afecta o turismo. Temos que resolver o problema da saúde. Basicamente, nesses sectores todos teremos que trabalhar, na construção de resorts, bons hotéis e tentar também fazer um levantamento para vermos quais são os principais locais onde nós podemos beneficiar e tirar algum proveito estratégico, porque nós estamos muito bem localizados. Temos que explorar mais isto. RFI: São Tomé e Príncipe foi também designado pela UNESCO como Reserva da Biosfera. Até que ponto é que o imperativo de desenvolver o turismo não poderá também colidir com o objectivo de proteger o meio ambiente em São Tomé e Príncipe? Como fazer com que esses dois imperativos possam a conviver? Américo Barros: A protecção do meio ambiente é uma questão que não se discute, é fundamental. Portanto, eu acho que o desenvolvimento do turismo em nada colide com a protecção ambiental. Fomos classificados como Reserva da Biosfera. Vamos ter que manter este valor que nos foi atribuído, mas temos de tudo fazer para promover a entrada de mais e mais turistas no nosso país. RFI: Relativamente ao pelouro da Educação, quais são os vossos planos? Américo Barros: Nós primeiramente temos que motivar a classe docente. Os nossos professores andam muito desmotivados. Os salários praticados na área da docência não motivam ninguém a dar aulas. O meu pai mesmo foi professor mais de 50 anos e hoje está reformado e ganha cerca de 120 Euros. Quer dizer, isso não motiva ninguém a continuar a investir nessa profissão de professor. Então nós vamos começar por aí. Vamos ter obviamente que fazer alguns ajustes, aumentos salariais, principalmente para a classe docente e para a Saúde. Nós não temos médicos especialistas por falta de motivação em termos de salário. Nós também temos um grande projecto, que é a questão de instituir a língua inglesa, francesa e mandarim a partir da primeira classe do primeiro ciclo. Hoje, é a partir do nono ano. Mas queremos logo, ao sair da primária, introduzirmos já essas três línguas para que os nossos alunos amanhã sejam bem preparados e poderem competir com qualquer um. Porque hoje, sem conhecer línguas é muito difícil conseguir um emprego razoável e que tenha um bom salário. Então, temos que começar a investir também em línguas no nosso país. E também começar a incentivar os estudantes, aqueles que são mais pobres, que depois de concluir o ensino médio, tenham dificuldades de ir ao ensino superior porque as propinas são muito caras. Então nós decidimos que o governo vai ter que subsidiar isto. Ninguém pode deixar de estudar por ser pobre. Nós vamos mudar isso. Então o governo tem que cortar nalgum lugar e proporcionar ao nosso povo, ensino universitário gratuito, ensino público. Para o ensino privado, aí sim, temos que ver como é que vamos, obviamente, colaborar com a bolsa de estudo. RFI: Américo Barros, por último, tem-se assistido nestes últimos anos a uma forte onda de emigração de jovens são-tomenses para fora, nomeadamente para Portugal. O que é que pretende fazer para conseguir fixar a população e dar-lhe perspectivas? Américo Barros: Realmente, hoje São Tomé e Príncipe tem mais do que 45 mil habitantes em Portugal e não só, na Europa. E para nós é um motivo de nos preocupar. Isso porque grandes quadros técnicos profissionais foram embora. Vidreiros, carpinteiros, marceneiros. Já não temos. Quase todos foram embora. E também com formação superior. É isso que eu digo. Temos que trabalhar para motivarmos a juventude e, para motivar a juventude, ela tem que ter melhor qualidade de vida e para ter a melhor qualidade de vida, tem que ter um bom salário. Não se estuda nem faz um doutoramento para vir ganhar 500 Euros, por exemplo. Ninguém fica contente. Se tiver uma oportunidade fora do país, é claro que vai. Pedreiros, carpinteiros, canalizadores, em São Tomé a ganhar, por exemplo, 200 Euros, chegam em Portugal e ficam a ganhar 1200 ou 1500 Euros em função da sua colocação. Ele pretende ficar lá. Então, o que temos que fazer é criar condições internas. E mesmo na questão do crédito ao sector produtivo, atribuir créditos com taxa de juros bonificados, podendo chegar mesmo a 0% para ver se nós motivamos essa classe jovem, essa classe empresarial a continuar no país. Muitos empresários também vão se embora. Então temos é que apostar no sector privado e vamos continuar com a nossa política e esperamos reforçá-la a partir de 27 de Setembro.

Convidado
MDFM quer maior abertura a iniciativa privada, nomeadamente para energia

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 14, 2026 10:03


A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação. Nesta quarta-feira, ouvimos Moisés Viegas, líder e cabeça de lista do MDFM - Movimento Democrático Força da Mudança, na oposição. Entre as medidas preconizadas por esta formação, destaca-se uma maior abertura à iniciativa privada, nomeadamente no que tange à empresa de Água e Electricidade. RFI: Quais são as prioridades para o país a seu ver? Moisés Viegas: Por que é que nós não conseguimos dar a resposta a nível da questão do desemprego? Porque o Estado é o maior empregador, para não dizermos praticamente o único empregador. Uma economia que quer ser funcional, não pode ser refém do Estado. Nós temos que criar condições para que efectivamente o sector privado possa dinamizar. Claro que temos que criar condições a nível de grandes infra-estruturas e abrir o país para que efectivamente, quer nacional e quer as pessoas que vêm do estrangeiro, possam ter o mercado livre para fazer os seus investimentos. Nós falamos muito da questão do turismo. É preciso criar algumas infra-estruturas essenciais, como, por exemplo, a própria estrada. Se nós tentamos ligar agora a Zona Sul, que é muito forte em turismo e também agricultura, as estradas estão completamente degradadas e é preciso começarmos por aqui. Necessariamente, eu tenho que pensar nas vias de comunicação que vão fazer essa comunicação entre o meio rural e o meio urbano. RFI: Um dos pontos que também tem sobressaído muito nestes últimos meses é a questão da energia, dado que o país conheceu uma grande crise de energia. O que é que pensam fazer relativamente a esse aspecto? Moisés Viegas: O problema da energia em São Tomé é muito profundo e qualquer país que vive à base dos geradores, não vai conseguir ter sustentabilidade energética. É preciso nós pensarmos em fontes de energia primeiro, que têm um custo mais baixo, energias sustentáveis. Também a energia que nós neste momento utilizamos, que é à base de geradores é que tem contribuído, de certa forma, também para que haja aqui um espaço para a corrupção, desde o desvio de combustível, desvio das peças, sobrefacturação sobre as peças. Portanto, se nós continuarmos a depender da energia à base de gerador e sem transparência, teremos sempre o problema de energia. Eu entendo que a empresa EMAE (Empresa de Água e Electricidade) não deveria ser gerida pelo Estado. RFI: Mas está a falar de uma privatização ou de uma parceria público privado? Moisés Viegas: Eu vou pela privatização, porque eu entendo que quem deve gerir, fazer negócio, são os privados. O Estado está aqui para supervisionar, cobrar impostos e exigir, de certa forma, a qualidade do serviço. RFI: Relativamente a outros aspectos, mencionou, nomeadamente a saúde. Falou-se muito ultimamente da questão de se fazer um hospital de referência. Qual é o vosso ponto de vista sobre esta questão? Moisés Viegas: Pensar num hospital de referência não é mau, porque se tivermos um hospital de referência, isso de facto vai ajudar de certa forma, quer a impulsionar a própria economia, mas também a dar suporte ao turismo que nós tanto pregamos. Mas tem aqui um 'porém'. Eu não posso de maneira nenhuma pensar num hospital de referência, quando eu não consigo manter o hospital que eu tenho. Se conhece São Tomé, o Hospital Ayres de Menezes, que é o único que nós temos neste momento a nível de São Tomé, a cama onde dorme o paciente foi a cama que nós herdamos do colono. Até a botija de oxigénio é uma botija que já tem décadas. Portanto, eu não posso pensar num hospital de referência quando eu não tenho a capacidade de reformar e organizar aquilo que tenho na mão. E você também não pode pensar num hospital de referência sem investir nos recursos humanos, que é outro ponto também 'chave' a nível da saúde. Estou a falar, por exemplo, a nível dos médicos. Precisamos de mais especialistas. Daí que eu entendo que nós devemos descentralizar os serviços. A descentralização, já temos em alguns distritos. Mas precisamos criar melhores condições nesses postos médicos a nível distrital, para poder descongestionar um pouco o Hospital Ayres de Menezes. E a nível do Ayres de Menezes, precisamos de fazer uma reforma profunda para um melhor serviço para os utentes. Nós temos o problema dos cuidados básicos essenciais. E temos problemas até de medicamentos. Falta de coisas básicas, muitas vezes como álcool, como oxigénio, como luvas. Portanto, é preciso nós darmos uma atenção a tudo isso, mas acima de tudo, é preciso que haja uma administração transparente. RFI: Outro dos pelouros, também considerados 'chave' é a questão da educação. Qual é o vosso plano relativamente a este aspecto? Moisés Viegas: O MDFM tem uma visão de que a educação a nível de pré-escolar até pelo menos o oitavo ano, devia ser gratuita. O Estado devia criar condições para que do primário até ao oitavo ano, as crianças poderiam estudar gratuitamente. O Estado devia assumir essa responsabilidade. E podia aqui aliviar também os pais e criar uma oportunidade igual para todas as crianças. Porque, por incrível que pareça, em muitas comunidades, vai encontrar crianças que deviam estar na escola e não estão, porque os pais alegam não terem condições para poder matricular e dar o seu acompanhamento. Mas também eu entendo que a educação é muito mais do que isso. Temos que olhar para os professores. Eu penso que devemos dar uma atenção especial aos professores. RFI: Paralelamente, outro assunto que também está a ganhar cada vez mais importância é a protecção do meio ambiente, dado que nestes últimos meses São Tomé e Príncipe foi reconhecido como Reserva da Biosfera pela UNESCO. Portanto, isto significa também que, de facto, vai haver alguma pressão a nível internacional para São Tomé e Príncipe também fazer algo relativamente a este aspecto. Moisés Viegas: Nós entendemos que o facto de nós sermos reconhecidos como a reserva da biosfera, isso devia incutir a nós mais responsabilidade e a forma também como nós olhamos para o nosso país. Temos que dar uma melhor atenção ao nosso meio ambiente e, para isso, é preciso nós investirmos na descentralização, como é óbvio. Existem as câmaras distritais, mas é preciso que o governo central não deixe às câmaras de forma abandonada, porque muitas vezes as câmaras podiam fazer mais na perspectiva da organização, do saneamento do meio, cuidar melhor do ambiente, a limpeza das praias. Mas, por incrível que pareça, às vezes passa um ano e a Câmara não recebeu o financiamento que vem do governo central, que é do Estado. Claro que essa Câmara fica impossibilitada de exercer melhor o seu papel e cuidar melhor do seu distrito. Mas cuidar do ambiente é muito mais do que isso. É a responsabilidade de cada cidadão assumir-se como um protector do ambiente. Para que isso possa acontecer, é preciso investir mais em formação, em capacitação e acima de tudo, na informação. Porque muitos são-tomenses não sabem o que é que significa a Reserva da Biosfera. RFI: Outro dos assuntos que regressam invariavelmente nas campanhas eleitorais é a questão das reformas institucionais e nomeadamente no sector da justiça. O que é que o MDFM pretende relativamente a este aspecto? Moisés Viegas: A reforma a nível da justiça, ela está bastante atrasada, mas é muito mais profunda do que aquilo que muitas vezes nós falámos. Enquanto a justiça for ditada pelos políticos, nós estaremos sempre à mercê e não conseguiremos fazer as mudanças que nós precisamos. Eu entendo que São Tomé e Príncipe, no momento que nós estamos a viver, é preciso que haja a segurança jurídica, quer para o cidadão comum, quer para o investidor e quer até para a própria instituição. Nós entendemos que não devia ser o Parlamento, por exemplo, a indicar os juízes, por exemplo. Não devia ser, por exemplo, os políticos a nomearem os directores e o presidente da PJ, os comandantes da polícia. Na nossa perspectiva, isso devia ser feito pela carreira. A pessoa faz uma carreira e ascende a essa posição. Lança-se um concurso público e aquele que, na nossa perspectiva, estiver melhor preparado e cumprir os requisitos predefinidos, está em condições de exercer a sua função sem depender do político ou da orientação política. RFI: Todas as medidas que está a propor têm que ser financiadas de alguma forma. O FMI e o Banco Mundial têm fornecido algum financiamento ao país e têm feito também preconizações, nomeadamente de que haja uma maior tributação. Moisés Viegas: É verdade que a questão da tributação é um assunto que é preciso analisarmos com alguma ponderação. Quem paga o imposto é o povo e quanto mais aumentarmos a tributação, de certa forma deixamos o povo mais pobre. Eu penso que qualquer governo -e o MDFM estando no governo sob a minha liderança- teremos a sabedoria de analisar com a FMI, com os parceiros, renegociar e também sempre apresentar a nossa posição, desde que isso não deixe o nosso povo cada vez mais pobre. Essa é a nossa posição.

Palavra Amiga do Bispo Macedo
Assim diz o Senhor: Aos que Me honram honrarei, porém os... - Meditação Matinal 11/09/26

Palavra Amiga do Bispo Macedo

Play Episode Listen Later Sep 11, 2026 25:57


“Portanto, diz o Senhor Deus de Israel: Na verdade tinha falado Eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de Mim perpetuamente; porém agora diz o Senhor: Longe de mim tal coisa, porque aos que Me honram honrarei, porém os que Me desprezam serão desprezados.” I Samuel 2:30“Não erreis: Deus não Se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.” Gálatas 6:7-8

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz
Miguel Sousa Tavares entrevista Mário Soares, em 1994: “A minha única arma tem sido sempre a caneta”. Revisite o primeiro dos ‘20 Anos, 20 Nomes' da SIC

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz

Play Episode Listen Later Sep 11, 2026 43:01


Em 1994, a SIC estreia “20 Anos, 20 Nomes”, um programa de entrevistas da autoria de Miguel Sousa Tavares, na celebração das duas décadas da Revolução de Abril. Em 2026, Miguel Sousa Tavares de Viva Voz recupera em podcast no Expresso esta série de conversas com algumas das figuras marcantes da sociedade, cultura e história portuguesa. 20 anos, 20 nomes, 20 episódios publicados quinzenalmente, às sextas-feiras. Oiça aqui o primeiro, com o então Presidente da República Mário Soares.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Movimento RPG Podcast
Demon Ninja RPG – Taverna do Anão Tagarela #217

Movimento RPG Podcast

Play Episode Listen Later Sep 11, 2026 39:27


Gustavo Estrela e Ettore Cagni falam sobre Demon Ninja RPG nessa taverna. Entenda como funcionam as mecânicas ágeis do sistema Drop e a dinâmica de intrigas políticas entre os clãs, saiba mais sobre como o cenário de dark fantasy aborda uma praga de parasitas demoníacos que corrompe hospedeiros inocentes e veja um pouco sobre a proposta da jornada de redenção dos Peregrinos. A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate. Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar. Links: - Conheça nosso Patronato - Seja um Padrim do Movimento RPG - Assine o Picpay e ajude o site E-mail: contato@movimentorpg.com.br - Tem dúvidas sobre alguma coisa relacionado a RPG? Mande suas dúvidas para nosso e-mail. Demon Ninja RPG ‎Host: ‎‎‎Douglas Quadros. ‎Participantes:‎‎ ‎‎‎ Douglas Quadros | Gustavo Estrela | Mateus Herpich ‎Arte da Capa:‎‎ ‎‎Raul Galli.‎

Convidado
“Há um antes e um depois do 11 de Setembro”, conta jornalista que cobriu os atentados

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 11, 2026 9:57


Henrique Mano foi um dos primeiros jornalistas portugueses a chegarem ao Ground Zero depois do ataque de há 25 anos às Torres Gémeas, em Nova Iorque, no qual morreram cerca de três mil pessoas. À hora dos atentados, a 11 de Setembro de 2001, o repórter já estava no Jornal Luso-Americano de Newark e contou-nos como foi cobrir o trágico acontecimento que mudou o mundo e a sua própria vida na cidade onde vivia e ainda vive. “Há um antes e um depois do 11 de Setembro”, resume o jornalista. Já passou um quarto de século desde os ataques que são considerados como um momento de viragem na história contemporânea. A 11 de Setembro de 2001, quatro aviões comerciais foram sequestrados por terroristas da Al-Qaeda, com dois deles a colidirem de forma intencional contra as Torres Gémeas do World Trade Center, que acabariam por desabar algum tempo depois. O terceiro avião de passageiros colidiu com o edifício do Pentágono, nos arredores de Washington, e o quarto caiu num campo no estado da Pensilvânia, depois de alguns passageiros e tripulantes terem tentado retomar o controlo do aparelho. Morreram cerca de três mil pessoas nesse dia e não se sabe quantas mais foram vítimas indirectas da tragédia desde então. A queda dos edifícios libertou uma nuvem tóxica e provocou um desastre ambiental urbano sem precedentes nos Estados Unidos, ao qual foram expostas quase 500 mil pessoas e cujo impacto ainda perdura. Neste programa, falamos com Henrique Mano, editor do Jornal Luso-Americano de Newark, que foi um dos primeiros jornalistas portugueses a chegarem ao Ground Zero e que ajudou a identificar vítimas luso-americanas. Esta sexta-feira, o jornalista vai cobrir uma cerimónia inédita em Newark, “um pequeno Portugal”, que vai lembrar as vítimas dos atentados, nomeadamente as de ascendência portuguesa, paralelamente às homenagens que vão decorrer em Nova Iorque. “A cidade de Newark é onde está concentrada a grande comunidade portuguesa na costa leste dos Estados Unidos, é uma espécie de pequeno Portugal. Uma das vítimas portuguesas nasceu aqui, cresceu aqui. Eu digo aqui porque estou na redacção do jornal e o jornal está também sediado em Newark. O vereador português de Newark, o Michael Silva, pela primeira vez, vai fazer uma cerimónia do içar da bandeira, que é uma tradição americana, para lembrar as vítimas não só luso-americanas, mas todas as vítimas dos atentados. Eu vou estar ocupado a fazer a cobertura desse evento”, conta Henrique Mano. Há 25 anos, quando os aviões embateram nas Torres Gémeas de Nova Iorque, a cidade onde vivia e vive, o repórter “tinha acabado de chegar à redacção”, em Newark, nos arredores de Nova Iorque. “Nesse dia já não consegui regressar a Nova Iorque porque os acessos da cidade estavam todos interrompidos. Não havia comboios, os túneis estavam fechados. Portanto, só no dia seguinte, logo de manhã, consegui apanhar um comboio e fui para Nova Iorque. Fui imediatamente para a zona do Ground Zero tentar sobretudo auscultar a comunidade portuguesa que havia ali nos bairros de Soho e Tribeca - que estavam literalmente à sombra das Torres”, acrescenta. A partir daí, o jornalista e a equipa do jornal Luso-Americano ajudaram na identificação das nove vítimas portuguesas e lusodescendentes dos atentados, ajudando a compor uma lista oficial que até hoje é usada pelas autoridades portuguesas e norte-americanas. Há memórias que continuam muito presentes e são dificilmente imagináveis: “Morreram ali quase 3.000 pessoas no espaço de uma hora. Isto é difícil de explicar às pessoas, mas dos escombros das duas torres emanava um cheiro a morgue - estavam ali 3.000 corpos - que se manteve na ilha toda de Manhattan, para aí, durante uma semana. Nós em casa, dentro de casa, sentíamos este cheiro. Para além do aspecto prático de termos percebido que, em uma hora, as nossas vidas tinham mudado completamente, as medidas de segurança, a forma como viajamos, tudo isso. Há um antes e um depois do 11 de Setembro.” Na terça-feira, o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, anunciou a divulgação de dezenas de milhares de documentos que mostram que a cidade não revelou tudo o que sabia sobre a toxicidade do ar após os atentados de 11 de Setembro de 2001. Nos anos seguintes, mais de 9.400 pessoas morreram de doenças relacionadas com a exposição à área, de acordo com um programa federal de monitorização médica. Após a nuvem de poeira inicial que se seguiu ao colapso do World Trade Center, meses de poluição e poeira persistente causaram cancros que ainda afectam milhares de nova-iorquinos. "Estes documentos mostram o que a cidade sabia sobre o ar tóxico em redor do Ground Zero, quando o soube e como agiu para limitar a responsabilidade", disse o autarca de Nova Iorque, Zohran Mamdani numa conferência de Imprensa após a divulgação online de 170 mil páginas de documentos sobre preocupações com a saúde, a qualidade do ar e a resposta da cidade aos ataques. A divulgação faz parte de um acordo com a 9/11 Health Watch, um grupo de defesa das vítimas que interpôs uma ação judicial para obrigar a cidade a tornar os documentos públicos. "Durante 25 anos, quatro Administrações municipais diferentes ocultaram do público, do Congresso dos EUA e da Câmara Municipal documentos que mostravam o que a cidade realmente sabia sobre o perigo dos produtos químicos tóxicos no sul de Manhattan e no oeste de Brooklyn após o colapso do World Trade Center, mesmo enquanto as autoridades municipais continuavam a afirmar ao público que o ar era 'seguro e aceitável'", disse o director do grupo, Benjamin Chevat, em comunicado. Como milhares de pessoas, Henrique Mano também se expôs e continuou a fazer as suas reportagens no local, sem nunca ter colocado qualquer máscara. Conta até que conheceu um bombeiro lusodescendente que “trabalhou no Ground Zero durante seis meses na operação de recuperação dos restos mortais, a identificar pedaços de corpos que encontravam” e que “teve que se reformar prematuramente porque contraiu uma doença pulmonar associada ao 11 de Setembro”. “[As autoridades] não alertaram. A documentação agora prova que até as companhias de seguros estavam cientes do perigo e optaram por fazer segredo disso. Portanto, nem sei se não é matéria criminal. Não sei como é que as autoridades vão agora lidar com o assunto, mas isso tem sido muito falado agora, nesta semana dos 25 anos”, acrescenta o jornalista. Oiça a entrevista neste programa.

FAMÍLIA DOS QUE CREEM
Lavando a roupa suja - Leandro Vieira (1 Coríntios 6. 1-11 - Série: Em Cristo, no Mundo)

FAMÍLIA DOS QUE CREEM

Play Episode Listen Later Sep 9, 2026 69:42


Série Em Cristo, No Mundo Lavando a Roupa Suja “Roupa suja se lava em casa” — ditado popular muito conhecido e utilizado entre os brasileiros. No capítulo 6, observamos Paulo censurando os litígios dos irmãos de Corinto. Vemos também os coríntios utilizando de tribunais formais e públicos para julgar causas tão pequenas, e que por muitas vezes deveriam ser julgadas dentro da congregação. Com o adendo de que Paulo claramente não estava tratando de crimes, que devem ser reportados às autoridades competentes (cf. Romanos 13), notamos que os irmãos desta igreja estavam envergonhando o evangelho pois, para eles, importavam mais os pensamentos, valores e capacidades morais da própria cultura local do que o evangelho. Eles tinham invertido os papéis, neste caso a sabedoria humana tinha muito mais valor do que a sabedoria do próprio Deus. Paulo se mostra muito perplexo com a situação em que se encontram os coríntios, como ele mesmo diz nos versos 3 e 4: “Por acaso vocês não sabem que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida! Portanto, quando precisam julgar negócios terrenos, por que vocês constituem como juízes aqueles que não têm nenhuma aceitação na igreja?” Julgar segundo a sabedoria de Deus é essencial para que possamos discernir aquilo que é a vontade do Senhor. __ #SÉRIEEMCRISTONOMUNDO #FAMÍLIADOSQUECREEM Visite nosso site: https://fdqc.org Contribua financeiramente: https://fdqc.org/contribuir Ouça nossas músicas: https://open.spotify.com/artist/6aPdiaGuHcyDVGzvZV4LHy Siga-nos no Instagram: http://instagram.com/familiadosquecreem Curta-nos no Facebook: http://facebook.com/familiadosquecreem Siga-nos no Twitter: http://twitter.com/familiadqc

P4Cast
P4Cast 390 - O verdadeiro e o falso discípulo - Pr. Rodrigo Freitas

P4Cast

Play Episode Listen Later Sep 9, 2026 64:29


Mensagem gravada em 06/09/2026Pastor Rodrigo FreitasO verdadeiro e o falso discípuloMateus 7:13-29 NVI[13] ― Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo é o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. [14] Mas estreita é a porta e apertado é o caminho que leva à vida, e são poucos os que a encontram. [15] ― Tenham cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. [16] Pelos seus frutos vocês os reconhecerão. Alguém pode colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? [17] Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. [18] Uma árvore boa não pode dar frutos ruins, tampouco uma árvore ruim pode dar frutos bons. [19] Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada no fogo. [20] Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão. [21] ― Nem todo aquele que me diz: “Senhor, Senhor” entrará no reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus. [22] Muitos me dirão naquele dia: “Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?”. [23] Então, eu lhes direi claramente: “Nunca os conheci. Afastem‑se de mim, vocês que praticam a iniquidade!”. [24] ― Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como o homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. [25] Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava alicerçada na rocha. [26] No entanto, quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como o insensato que construiu a sua casa sobre a areia. [27] Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa. Ela caiu, e foi grande a sua queda. [28] Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões ficaram maravilhadas com o seu ensino, [29] porque ele as ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da lei.https://bible.com/bible/129/mat.7.13-29.NVI#Jesus #igreja #honra #transformação #Jesus #ressurreição #PalavraDeDeus #DeusPai #EspiritoSanto #PAI #Mensagem #Pregação #Sermão #p4 #p4church #onLine--Curta, compartilhe e inscreva-se para ficar atualizado com os nossos conteúdos!Para saber mais sobre nossa igreja:Site: https://igrejaprojeto4.com.br/Faça seu pedido de Oração: https://igrejaprojeto4.com.br/pedidosFacebook: https://www.facebook.com/p4church/Instagram:  https://www.instagram.com/igrejaprojeto4/Podcast:  https://igrejaprojeto4.com.br/p4cast/Youtube:  https://www.youtube.com/@IgrejaProjeto4Culto online todos os domingos no YouTube!

Fabio Audioblog's Life - Podcast do Fabio
23. Domingo Comum - 18h | 06 de Setembro de 2026

Fabio Audioblog's Life - Podcast do Fabio

Play Episode Listen Later Sep 7, 2026 56:07


Quando o amor fala, ninguém é descartadoA Palavra de Deus não nos foi dada como uma janela pela qual observamos e julgamos a vida alheia. Ela é, antes de tudo, um espelho: revela nossa beleza, mas também mostra as atitudes, feridas e imperfeições que precisamos transformar.As leituras deste domingo nos recordam que somos responsáveis uns pelos outros. Entretanto, a correção fraterna ensinada por Jesus não significa humilhar, perseguir, controlar ou expor alguém publicamente. Corrigir com amor é aproximar-se em particular, ouvir, dialogar e procurar preservar a dignidade e a comunhão. Quando uma suposta correção fere, constrange ou exclui, ela já deixou de ser fraterna.São Paulo resume toda a lei em um princípio simples e profundo: amar o próximo como a nós mesmos. Portanto, nenhuma interpretação religiosa que produza ódio, preconceito, violência ou exclusão pode representar o coração do Evangelho. O amor verdadeiro não apaga as diferenças; acolhe cada pessoa em sua história, identidade, orientação, condição social e maneira de existir.Ser “vigia”, como ensina o profeta Ezequiel, não é ser fiscal da vida alheia. É permanecer atento para que ninguém seja abandonado, silenciado ou deixado pelo caminho. É levantar a voz diante do racismo, da LGBTfobia, da violência contra as mulheres, da intolerância religiosa, da pobreza e de todas as estruturas que roubam a dignidade humana.Jesus também nos oferece uma promessa extraordinária: onde duas ou três pessoas estiverem reunidas em seu nome, Ele estará presente. Sua presença não depende de multidões, títulos ou grandes templos. Cristo está onde existe comunhão sincera, cuidado, justiça, escuta e amor.Neste tempo em que também refletimos sobre a Pátria e o Grito dos Excluídos, precisamos lembrar que amar o Brasil é defender a vida de todo o povo brasileiro, especialmente daqueles que foram empurrados para as margens. Não existe verdadeira paz sem justiça, nem progresso quando parte da população permanece invisível.Que nossa fé seja reconhecida não pela capacidade de condenar, mas pela coragem de acolher. Que nossas palavras curem, nossas atitudes aproximem e nossas comunidades tenham sempre as portas abertas. Afinal, a vida cristã deveria fazer com que as pessoas olhassem para nós e dissessem: “Vejam como eles se amam”.Que Deus nos conceda humildade para corrigir sem ferir, maturidade para receber uma correção sem orgulho e sabedoria para compreender que nenhuma pessoa é descartável.Onde houver amor, respeito e comunhão, Cristo estará no meio de nós.Podcast do Fabio — fé, reflexão, diversidade e vida real.#PodcastDoFabio #TeologiaInclusiva #FéQueAcolhe #AmorAoPróximo #CorreçãoFraterna #PalavraDeDeus #Diversidade #Inclusão #JustiçaEPaz #VidaEmPrimeiroLugar

Foca na Palavra
DIA DO SENHOR ⚖️04.09.2026

Foca na Palavra

Play Episode Listen Later Sep 4, 2026 7:58


Art. 1º A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO e tem como fundamentos: I – a SOBERANIA; Parágrafo único. Todo o poder emana do POVO, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta CONSTITUIÇÃO). COAM UM MOSQUITO E ENGOLEM UM CAMELO? Mateus 23:24 NÃO SABEM QUE OS INJUSTOS NÃO HERDARÃO O REINO DE DEUS? Se falo o evangelho de CRISTO, não tenho de que me engrandecer, porque me é imposta essa OBRIGAÇÃO. E AI DE MIM, SE NÃO FALAR O VERDADEIRO EVANGELHO DE CRISTO. Portanto, se faço verdadeiramente, serei recompensado; se mentindo, uma dispensa. ENTÃO QUE RECOMPENSA TENHO? QUE FALANDO, DÊ DE GRAÇA O EVANGELHO DE CRISTO PARA EU NÃO COMETER ABUSO DE AUTORIDADE NO EVANGELHO. Não sabem que os atletas na verdade, se dedicam, mas só um ganha a recompensa? Todo atleta que se dedica, se abstém de tudo. E fazem para ganhar uma recompensa corruptível, os de CRISTO, porém uma incorruptível. ASSIM EU ME DEDICO, NÃO PARA UMA COISA INCERTA. COMBATO, NÃO GOLPEANDO O AR. DOMINO O MEU CORPO, E O DISCIPLINO, PARA QUE, AJUIZANDO AOS OUTROS, EU MESMO NÃO VENHA DE ALGUMA FORMA SER NEGADO POR CRISTO. NÃO SE PODE BEBER DA FONTE DO SENHOR E DOS DEMÔNIOS. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convém. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas edificam. QUE NINGUÉM PROCURE SATISFAZER O INTERESSE PRÓPRIO. 1 Coríntios 6:9; 9:16-18,24-27; 10:21-24 SOLDADOS questionaram João Batista: E nós o que faremos? Ouviu: NÃO COMETAM ABUSOS DE PODER; opressão, subornos, se contentem com o salário de vocês. Prestem bastante atenção: HIPÓCRITAS, devoram as casas das pobres viúvas, com pretexto de longas orações. ESTES RECEBERÃO MAIOR CONDENAÇÃO (=escolham representantes que defendam o que está na Constituição Federal do Brasil, os interesses do povo. Promoção de políticos em igrejas, showmicios configura crime? DENUNCIE. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal, declarou inconstitucional a "legitima defesa da honra", quando a mulher é morta com a desculpa de traição. Caracteriza violência contra a mulher: física, psicológica, patrimonial, sexual...sendo doméstica, familiar, com vínculo afetivo ou não. Ódio contra a mulher é crime -> LEI MARIA DA PENHA -> PROGRAMA SINAL VERMELHO -> DENUNCIE LIGUE 180 -> TODOSPORTODAS.BR). SE ESFORCEM PARA ENTRAR PELA PORTA ESTREITA. Não procurem acumular riquezas na TERRA; mas acumulem no céu. Se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será tenebroso. Se a LUZ que existe em você são trevas, grandes trevas serão. AI DAQUELE POR QUEM VEM A CORRUPÇÃO! AI DAQUELE POR QUEM O FILHO DO HOMEM É TRAÍDO (=TRAIDOR DA PÁTRIA). MELHOR SERIA PARA ESSE SE NÃO TIVESSE NASCIDO. QUALQUER UM QUE, ACUSAR FALSAMENTE O OUTRO, SERÁ RÉU. QUALQUER UM QUE, CALUNIAR, DIFAMAR, INJURIAR... SERÁ RÉU DA JUSTIÇA E DO FOGO DO INFERNO. Quem não pega a sua cruz, e não vem após mim, não é digno de mim.Lucas 3:14; 20:46-47; 13:24 / Mateus 6:19-24; 18:7; 26:24; 5:22; 10:38-39 NÃO ESCOLHI EU OS DOZE? E Pedro, vendo aquele que Jesus amava, o seguia, perguntou o que iria acontecer com ele. Ouviu: SE EU QUERO QUE ELE FIQUE ATÉ QUE EU VENHA, QUE TE IMPORTA? E DIVULGARAM UMA FAKE NEWS. MAS JESUS DISSE: SE EU QUERO QUE ELE FIQUE ATÉ QUE EU VENHA, QUE TE IMPORTA? João 6:70; 21:15-23 Art. 37.  XXII –  § 1º  § 2º  § 4º § 16ZEDEQUIAS FEZ O QUE ERA MAU AOS OLHOS DO SENHOR, COMO JEOIAQUIM FEZ. ASSIM, VEIO A FÚRIA DO SENHOR...Jeremias 52:1-3

Convidado
Eleições na Saxónia-Anhalt, na Alemanha, marcam ascensão da AfD

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 4, 2026 12:06


Neste fim de semana, a AfD, partido de extrema-direita alemão, pode conseguir uma grande vitória elegendo o seu primeiro líder estadual na Saxónia-Anhalt. Ulrich Siegmund tem 35 anos, diz-se pró-russo e anti-imigração, tendo já participado em reuniões europeias que defendem o regresso do regime nazi. No domingo, o estado federado da Saxónia-Anhalt, na Alemanha, vai a votos e pode fazer história. Pode ser o primeiro estado alemão desde a Segunda Guerra Mundial a eleger um líder de extrema-direita. O candidato à frente de todas as sondagens é Ulrich Siegmund, de 35 anos, uma estrela do partido AfD, Alternativa para a Alemanha, que se apresenta como pró-russo e anti-imigração, jogando com a nostalgia da antiga República Democrática da Alemanha, que abrangia a Saxónia-Anhalt, e que sabe utilizar as redes sociais a seu favor. A revista Der Spiegel chama-lhe o homem mais perigoso da Alemanha. No entanto, para chegar a ministro-presidente deste estado, Siegmund terá de assegurar uma maioria que lhe permita governar, já que o sistema de coligações na Alemanha permitirá aos outros partidos formar Governo, mesmo em caso de vitória da extrema-direita. Em entrevista à RFI, Domingos Luvumbo, economista e residente na Alemanha há quase 40 anos, explica quem é Ulrich Siegmund. "Ele é classificado oficialmente na República Federal da Alemanha como fazendo parte do braço mais radical da AfD, Alternativa para a Alemanha, e é considerado oficialmente como um racista. Já fez parte de encontros e reuniões da extrema-direita, onde políticos falam abertamente a favor do nazismo, e faz parte daqueles políticos racistas alemães que dizem que na República Federal da Alemanha alguém que só em alemão quem tem sangue alemão. Os outros, independentemente de serem de raça negra, de serem asiáticos, de serem também pessoas da raça branca que tenham vindo de um outro canto do mundo, devem ser considerados como alemães do papel que para eles a definição ao alemão biológico. Eles gostariam de expulsar todos os estrangeiros ou indivíduos de origem estrangeira e mandarem regressar à República Federal da Alemanha todos os emigrantes alemães que abandonaram o território alemão já há muito tempo. Estou a falar de gerações. É oficialmente o homem mais perigoso, tal todo o seu grupo", explicou Domingos Luvumbo. Durante o domínio soviético de uma parte da Alemanha, a Saxónia-Anhal encontrava-se atrás da cortina de ferro e desde a queda do Muro de Berlim que a Alemanha tenta equilibrar as desigualdades geradas ela cortina de ferro. No entanto, e apesar de a reunificação já ter ocorrido oficialmente há mais de 35 anos, os seis Estados que constituíam a RDA defendem que são tratados de forma diferente dos estados alinhados com o Ocidente e dizem-se discriminados sobretudo no que diz respeito ao nível de vida e medidas financeiras decididas por Berlim. Para Domingos Luvumbo estas são algumas das principais razões para adesão em massa da população às ideias da AfD. "Eles estiveram sob um regime comunista durante 40 anos, portanto, eles sentem-se mais próximos da antiga União Soviética, e hoje sentem-se mais próximos da Federação Russa do que da Alemanha Federal. Apesar de os alemães terem feito quase o impossível a nível de reconstrução e bastava passar nos estados da antiga Alemanha do Leste, para ver o atraso em que os homens estavam mergulhados, eles dizem que são discriminados, o que não é verdade. Até pode haver alguma diferença, mas, contas feitas, os alemães fizeram tudo para devolver-lhes a dignidade. Dizem que, mesmo em termos de investimentos, que o Estado Central tem feito alguma discriminação para com aquela área, o que não é verdade. E são estados onde as pessoas são abertamente racistas, porque durante 40 anos estiveram isolados, nem podiam deixar o território da Alemanha do Leste. Podemos ver isso também a nível da Europa, como a Polónia, a Hungria, a ex-república da Checoslováquia que agora está dividida, em todos eles há mais racismo abertamente do que qualquer país da Europa Ocidental. Portanto, ainda continua aquele isolamento que viveram durante 40 anos", considerou. Resta agora saber se no domingo Ulrich Siegmund conseguirá uma maioria, tendo em conta o sistema de coligações na Alemanha. Mesmo não conseguindo ser líder no seu estado, o estatuto de Ulrich Siegmund faz prever um crescimento ainda mais acelerado da AfD um pouco por toda a Alemanha. "A nível federal, a AfD não tinha impacto, mas já têm. Porque basta ver a líder que a senhora doutora Alice Weidel, presidente deste partido fascista, é da Alemanha Ocidental. É assim que eles começaram, porque antes dificilmente se encontrava alguém da Alemanha Ocidental que fizesse parte desta formação política. Mas a partir do momento que começaram a juntar-se e a dizer 'vamos expulsar os estrangeiros'. Uma das filosofias muito perigosas que estão a utilizar é que a República Federal da Alemanha tem desperdiçado mais de mil milhões de euros anualmente, ajudando outros países ou ajudando pessoas provenientes de países do terceiro mundo. E se estes indivíduos forem expulsos, mesmo aqueles que não trabalham passaram a viver bem, e com isso, então eles vão ganhando terreno", concluiu.

Movimento RPG Podcast
Legends of the Mist – Taverna do Anão Tagarela #216

Movimento RPG Podcast

Play Episode Listen Later Sep 4, 2026 42:14


Douglas Quadros, Gustavo Estrela e Mateus Herpich falam sobre Legends of the Mist nessa taverna. Entenda como funcionam as mecânicas narrativas e a simplificação do sistema herdado de City of Mist, saiba mais sobre como o formato introdutório do RPG feito através de uma graphic novel impacta o aprendizado dos novos jogadores e veja um pouco sobre a proposta de fantasia rústica e intimista para focar nos pequenos detalhes e no desenvolvimento orgânico dos personagens. A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate. Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar. Links: - Conheça nosso Patronato - Seja um Padrim do Movimento RPG - Assine o Picpay e ajude o site E-mail: contato@movimentorpg.com.br - Tem dúvidas sobre alguma coisa relacionado a RPG? Mande suas dúvidas para nosso e-mail. Legends of the Mist ‎Host: ‎‎‎Douglas Quadros. ‎Participantes:‎‎ ‎‎‎ Douglas Quadros | Gustavo Estrela | Mateus Herpich ‎Arte da Capa:‎‎ ‎‎Raul Galli.‎

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz
“Nunca vi tamanha perseguição como se está a passar com Luís Neves”. A defesa apesar da critica: a resposta do MAI “tem sido um desastre”

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz

Play Episode Listen Later Sep 3, 2026 24:05


Miguel Sousa Tavares comenta as notícias mais recentes em torno do MAI e a Moção de Censura apresentada pelo Chega ("Ventura está obcecado") para sublinhar que continua a não ver razões para a demissão do ministro perante tudo o veio a público. Sobre as diversas intervenções publicas de Luís Neves aponta criticas, "Não tem jeito nenhum para falar em público e acha que tem" e entende que escolheu o palco errado (a cerimónia da PSP na Madeira), "foi mais um passo em falso". Olhar critico ainda a a quem apontou o dedo à passagem de Montenegro pela praia, "quero ser governado por gente normal". Na Educação, o desalento com a fraca percentagem de alunos mais pobres que conseguiu aceder ao Ensino Superior, "isto não se recupera" e a culpa, entende, envolve a Fenprof. A questão de Ceuta e os novos sinais de guerra não passam também ao lado desta edição: "isto estilhaçou a Europa por todos os lados".See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vida em França
A oito meses das eleições presidenciais em França, candidatos aceleram para o Eliseu

Vida em França

Play Episode Listen Later Sep 3, 2026 12:43


Mais de 20 candidatos já exprimiram a sua intenção de lançar a sua campanha para as eleições presidenciais que decorrem em França entre Abril e Maio de 2027, mas, por enquanto, Marine Le Pen, na extrema-direita, é a candidata que recolhe mais intenções de voto nas sondagens. Uma radiografia a oito meses das eleições que pode não corresponder ao cenário mais perto do escrutínio, já que mesmo Marine Le Pen aguarda ainda decisões judiciais que podem comprometer a sua participação nestas eleições. Em França, há mais de 20 candidatos que já exprimiram a sua vontade de chegar ao Eliseu. Para formalizar a candidatura para as eleições que se realizam em duas voltas em Abril e Maio do próximo ano, é preciso obter as assinaturas de 500 eleitos nacionais e locais, tarefa nem sempre simples para quem quer ser Presidente. No entanto, entre as duas dezenas de candidatos, há um nome que se destaca em todas as sondagens nas duas voltas das eleições: Marine Le Pen. Candidata desde 2012 a todas as eleições presidenciais, a filha de Jean-Marie Le Pen e líder da extrema-direita pode ter em 2027 a possibilidade real de tornar-se Presidente da República francesa. Frente a ela, no outro lado dos extremos, está Jean-Luc Melenchon, o único que rivaliza com a popularidade de Marine Le Pen. Segundo Eric Monteiro, politólogo e docente na Universidade de La Rochelle, a única possibilidade de travar os extremos, seria reduzir o número de candidatos e encontra um candidato único ao centro, esquerda e direita, um verdadeiro desafio num cenário político francês muito disperso e polarizado. "Vamos assistir a uma eleição inédita. Ela apresenta-se num contexto muito diferente do sistema tradicional de alternância entre dois grandes partidos. O espaço político francês encontra-se hoje completamente fragmentado em vários blocos, e um desses blocos é o partido do União Nacional, antigo Frente Nacional, de Marine Le Pen. Isto, sabendo que houve durante muitos meses uma expectativa de saber se ela podia ser candidata ou não à eleição, devido às decisões judiciais, porque ela estava acusada penalmente e foi condenada por ter desviado dinheiro do Parlamento Europeu. Esse é outro paradoxo, que é termos uma candidata que foi duas vezes condenada em primeira instância, em segunda instância, mas que vai ser candidata e que já oficializou a sua candidatura à eleição presidencial. é complexo. O partido não deixa de ser o partido fundado pelo pai, que numa democracia é um pouco estranho. Mas isso não impede que os franceses continuam a dar-lhe uma base de entre 25 a 35% de votos. Ela tem hipóteses de ser eleita, sem dúvida", explicou o académico. No início do Verão, Marine Le Pen viu a sua pena de ineligibilidade encurtada, permitindo-lhe participar nas eleições, mas tem ainda a cumprir um ano de prisão domiciliária com pulseira electrónica. A decisão sobre a manutenção dessa parte da pena perntence agora ao principal tribunal de recurso em França, a Cour de Cassation, que deverá pronunciar-se antes do início da campanha eleitoral oficial já que será impossível realizar as deslocações necessárias de uma campanha com uma pulseira electrónica. Ao mesmo tempo, os candidatos de centro como os antigos primeiros-ministros Édouard Philippe ou Gabriel Attal ou ainda o candidato de esquerda Raphaël Glucksmann não ultrapassam a barreira dos 15% na primeira volta. Face a Marine Le Pen, Jean-Luc Melénchon, da extrema-esquerda, é o candidato mais destacado  e consegue chegar aos 20%, deixando como possibilidade aos franceses a escolha entre os extremos, algo que ameaça a Frente Republicana que até hoje tem impedido a extrema-direita de governar em França. "Há vários riscos nesta eleição. Primeiro, esta fragmentação do primeiro turno, que pode levar um candidato dos extremos, quer seja da extrema-esquerda ou da extrema direita a potencialmente vir a ser presidente da República, e o desaparecimento progressivo da frente republicana. Se formos a ver, a extrema esquerda e extrema direita rondam os 25% para a extrema esquerda e 30 % para extrema direita. Portanto, os dois juntos são incompatíveis. Os dois juntos formam uma maioria, mas são incompatíveis para governar. Quer dizer que há, de certeza, no resto do espetro eleitoral, uma maioria progressista, quer do centro esquerda, quer do centro direita que poderia vir a governar. O problema é que ela está extremamente fragmentada para constituir uma frente republicana, como houve desde 2002, quando Jean-Marie Le Pen passou para a segunda volta e foi candidato contra Jacques Chirac. Foi a primeira vez que isso existiu nas eleições presidenciais. Houve uma frente republicana incontestável. Portanto, a Frente Republicana realmente funcionou e tem funcionado, mas, desta vez, o eleitor francês está cada vez mais cansado destas únicas opções: ou um candidato ao qual não adere completamente, ou há um candidato extremo. Portanto, há um risco real e a única maneira de manter uma espécie de representação das forças de progresso é de ter só um candidato", detalhou Éric Monteiro. Se as aparições públicas e entrevistas dos diferentes candidatos se multiplicam nesta rentrée, também os diferentes cenários são analisados de forma quotidiana com múltiplas sondagens que prevêem todos os cenários possíveis nas duas voltas das eleições. Para Éric Monteiro as sondagens são credíveis no dia em que são realizadas, mas não podem prever o que se vai passar daqui a oito meses. "As sondagens valem o que valem em função da temporalidade. Oito meses antes, elas reflectem a situação actual. As eleições são sempre num domingo. As últimas sondagens aparecem na sexta feira, portanto, nas 24 horas que precedem o escrutínio. Não há sondagens públicas, mas elas continuam a ser feitas. Elas são publicadas posteriormente e a margem de erro é entre 0,5% e 1%. Em regra geral, portanto, elas são credíveis. A questão é que é muito cedo e há muitas contradições ainda no discurso político. Enquanto não houver posições claramente definidas sobre questões essenciais que tocam os franceses, ou seja, concretamente, as reformas, o poder de compra, a transição energética, será muito difícil haver haver uma clarificação através das sondagens", concluiu.

Convidado
"Kiev, na prática, é peão do grande xadrez entre as grandes potências" Major-General Carlos Branco

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 3, 2026 22:28


O Major-General do exército português Carlos Branco que tem partilhado periodicamente na RFI as suas análises sobre os conflitos vigentes no Médio Oriente e entre Kiev e Moscovo, lançou no passado mês de Julho um livro especificamente dedicado às raízes da guerra na Ucrânia. Intitulado "Ucrânia, variações de uma guerra inacabada", este livro compila uma série de artigos que o Major-General publicou nestes últimos anos sobre a história recente da Ucrânia. Autor de cinco livros publicados sobre a Guerra Fria, o Afeganistão, ou ainda sobre o conflito na ex-Jugoslávia, o Major-General Carlos Branco analisa ao pormenor e desfaz o discurso oficial em torno do conflito na Ucrânia, baseando-se em fontes documentais e na sua experiência em diversas organizações internacionais, nomeadamente a Aliança Atlântica, no seio da qual ocupou o cargo de Director da Divisão de Cooperação e Segurança Regional, do Estado-Maior Militar Internacional da NATO, em Bruxelas. Em entrevista à RFI, o Major-General Carlos Branco começa por apresentar no que consiste a sua obra sobre a Ucrânia. RFI: Do que fala concretamente o seu livro? Major-General Carlos Branco: Este livro é a compilação de mais de 70 artigos que eu fui publicando sobre o tema da guerra na Ucrânia, com uma série de artigos anteriores ao início da guerra propriamente dita em 2022, artigos publicados a seguir a 2014. Porque, na prática, a guerra não começa em 2022, começa em 2014 e é fundamentalmente uma reflexão no seu conjunto, claro, de uma uma interpretação realista das relações internacionais aplicadas ao caso concreto da guerra na Ucrânia. Basicamente, é uma análise centrada no papel das grandes potências na cena internacional. Neste caso concreto, o papel dos Estados Unidos e da Rússia e, no fundo, apresentar este conflito fundamentalmente com duas vertentes: a vertente internacional que envolve a afirmação hegemónica dos Estados Unidos. É apenas um capítulo, a guerra na Ucrânia, como outros, o Irão, como agora mais recentemente estas iniciativas para a Gronelândia, o controlo da Venezuela, o controlo do Canal do Panamá, etc. Portanto, uma dinâmica de conflito entre grandes potências e, nesse caso, uma tentativa dos Estados Unidos chegarem às fronteiras da Rússia, algo que uma grande potência não autoriza, não autoriza a Rússia, como também não autorizam os Estados Unidos, como também não autoriza a China. E depois há a outra dinâmica, que é um conflito que é fundamentalmente interno na Ucrânia, entre os diferentes grupos ucranianos. Porque a Ucrânia não é um país uno, é um país multinacional, é um país com vários grupos étnicos. E o que nós estamos a assistir é a tentativa de um grupo prevalecer relativamente aos outros, impondo-lhes uma série de coisas que para eles são inaceitáveis. Podíamos começar pelo exemplo da língua. O grupo que nesta altura se encontra no poder na Ucrânia, tenta que a língua ucraniana seja a única língua falada na Ucrânia. Quando nós sabemos perfeitamente que por toda a Europa democrática existem vários países multilingues e isso não é de modo nenhum uma excepção. São vários os países em que isso acontece. Não se compreende porque é que isto também não acontece na Ucrânia, um país que tem vários grupos étnicos e linguísticos. Portanto, a estes dois confrontos, este segundo confronto acabou por ser um confronto Ucrânia-Rússia. Uma vez que a esmagadora maioria da população do leste da Ucrânia é a população russa. Quando a população russa começou a ser atacada no rescaldo de um golpe de Estado de 2014 que derrubou um governo, um Presidente da República democraticamente eleito e instrumentalizado, sem qualquer margem para dúvidas e com a imensa evidência, por parte dos Estados Unidos, essas populações naturalmente reagiram. E houve, portanto, depois, uma solidariedade russa entre Moscovo e os seus 'irmãos' russos, que se encontravam inseridos na Ucrânia. Portanto, o livro elabora muito à volta dessas duas dinâmicas. Como é que elas se interceptam, como é que elas se influem mutuamente e como é que, em última análise, uma acaba por servir de instrumento à materialização da outra. Concretamente, refiro-me ao projecto hegemónico norte-americano que procura impor à Rússia uma derrota estratégica. Uma derrota estratégica essa que terá seguramente várias matizes, mas que fundamentalmente passa por colocar um governo que lhe seja favorável no Kremlin. E, portanto, a partir daí, desenvolver todas as suas acções, nomeadamente no domínio económico, do controlo energético, etc, etc. Se isso acontecesse, seria um controlo mundial por parte dos Estados Unidos e isso não vai acontecer. O que é de salientar, é mais um erro de cálculo estratégico dos Estados Unidos que nos tem vindo a habituar. Tiveram erros de cálculo no Vietname, no Afeganistão, no Iraque, na Líbia. É mais um erro de cálculo estratégico no Irão, porque as coisas saíram quase que diametralmente opostas àquilo que eles queriam fazer. E é sempre a mesma tentativa de substituir um governo por outro que lhe seja favorável. E a partir daí, conseguem manobrar. Foi o que fizeram em Kiev. E portanto, Kiev, na prática, é peão deste grande xadrez entre as grandes potências. RFI: Precisamente, desfaz uma série de mitos em torno das raízes da guerra, aquilo que foi apresentado como uma revolução em 2014, também desfaz os mitos sobre o que acontece dentro da própria Ucrânia, também sobre o estado da oposição dentro da Rússia e também dos próprios interesses, não só dos Estados Unidos, como também da Europa. No meio deste conflito, como é que está a Europa no meio disto tudo? Major-General Carlos Branco: A Europa está num beco sem saída porque com estes dirigentes que estão no poder nesta altura, é difícil ver uma saída para este conflito. Inicialmente, a Europa acabou por aliar-se aos Estados Unidos e apoiar os Estados Unidos neste esforço contra a Rússia. Temos presente, por exemplo, a questão das sanções, etc. Mas a Europa, no meio disto tudo, foi extremamente prejudicada. Por exemplo, a questão energética. O modelo de desenvolvimento industrial europeu baseava-se muito na energia barata que era fornecida pela Rússia e isso acabou. E nós sabemos quem é que fez isso. Os Estados Unidos não permitiram que existisse essa relação entre a Europa, mas fundamentalmente, entre a Alemanha e a Rússia. Isso não é nada de agora, é uma coisa antiga. E a Europa, nesta altura, acaba por, em termos energéticos, consumir muito mais caro. O gás natural, vai comprá-lo aos Estados Unidos e não só, mas é muito mais caro e está a ter grandes dificuldades do ponto de vista do desenvolvimento económico e industrial, fundamentalmente porque não tem as matérias-primas que são indispensáveis para o novo paradigma económico, que passa fundamentalmente pela computação, a computação quântica, grande consumo de dados e a Europa não tem terras raras, para não falar na questão energética. Portanto, tem uma grande dependência. Mas o que é curioso é que a Europa está a falar para dentro, porque quando fala de autonomia, tem que perceber que não é autónoma e portanto, tem que considerar este elemento no processo de decisão e provavelmente terá que se adaptar do ponto de vista das políticas. Mas eu acho que o problema da Europa não é só a questão das matérias-primas. Repare, se nós tivermos em consideração as grandes tecnológicas mundiais, as 'sete magníficas' são todas americanas e nenhuma delas é europeia. E além disso, temos também a juntar-se a este grupo de grandes tecnológicas, também as chinesas. E quando falamos, por exemplo, de 'chips', a Europa é absolutamente deficitária nessa matéria. E se quisermos fazer uma análise mais profunda e verificarmos, por exemplo, as patentes nos mais variados domínios registadas pelos europeus e registadas pelos americanos e pela China, então pela China, muito mais, nós cada vez percebemos que existe uma 'décalage' aí. Repare, há cerca de talvez 20 anos, o PIB agregado da Europa era muito semelhante ao dos Estados Unidos. Hoje é cerca de dois terços. Portanto, quando falamos em dados concretos, nós podemos ter uma dimensão despida de preconceitos ideológicos e perceber que a Europa está numa regressão. Portanto, devia ter tomado uma série de medidas que pudessem inverter esse caminho. Mas as pessoas que estão nesta altura à frente da União Europeia e também dos países da Europa, não são pessoas qualificadas e, portanto, o caminho é escuro. Por exemplo, o comportamento da Europa relativamente a esta guerra na Rússia é uma coisa absolutamente difícil de explicar. RFI: Precisamente, no seu livro fala da deterioração das relações da Europa não só com a China, mas também com a Rússia. E, portanto, tendo em conta que a Europa, ou pelo menos os seus dirigentes, conhecem qual é a agenda dos Estados Unidos relativamente a este conflito, como é que se explica que hoje em dia, os líderes europeus, nomeadamente do Reino Unido, da Alemanha e da França, estejam actualmente com um discurso que tende a dar crédito à possibilidade de um conflito aberto com a Rússia? Major-General Carlos Branco: A explicação é difícil. Há várias possíveis. Uma delas é o facto de terem prometido às suas populações mundos e fundos e agora têm um nada para lhes dar. Não têm nada para lhes dar porque andaram a enganar as suas populações. Andaram a dizer que a Rússia não tinha mísseis, não tinha tecnologia, era apenas uma estação de serviços com armas nucleares. Portanto, deram uma imagem absolutamente errada da situação. Inclusivamente alinharam também num erro de cálculo estratégico, descurando a história. E nós sabemos o que tem sido o comportamento dos europeus relativamente às diferentes Rússias desde o século XVII que tem havido sempre tentativas de invasão da Rússia. A última foi no século XX, esta levada a cabo pelo presidente Biden. Era mais uma aventura, mas essa aí a iniciativa vinha do outro lado do Atlântico. A situação dos europeus relativamente à Rússia é diferente de país para país. Há um ódio visceral entre os russos e os ingleses. Relativamente à Alemanha, a situação tem outros matizes. Mas para responder à sua questão, esta gente andou a dizer que o caminho era a vitória, que íamos ser todos muito felizes e iriam fazer-se grandes negócios na Rússia, aliás, preferencialmente provocando a implosão da Federação e fazer negócios com as diferentes federações e ganhar muito dinheiro. Onde é que estamos? Agora estamos passados cinco anos numa Rússia que está na mó de cima do ponto de vista militar, como do ponto de vista económico, independentemente dos ataques que sofreu na sua profundidade, fundamentalmente nos últimos dois meses, o que é um facto, é que a Rússia não vai claudicar. E cada vez apresenta uma capacidade bélica maior. Como se está a verificar agora, há quase uma semana que Kiev está em permanente ataque e parece que estes dirigentes não perceberam ainda que se atingiu o 'impasse doloroso' e que se calhar, era altura de negociar. Era a altura de falar, era altura de pôr a diplomacia em cima da mesa. Mas isso não vai acontecer porque não estou a ver a Kaja Kallas (chefe da diplomacia da UE) com os requisitos mínimos para se encontrar na função em que se encontra. Tivemos, aliás, uma coisa absolutamente chocante. Houve uma reunião dos ministros das Finanças do G20 (esta semana) nos Estados Unidos. Repare bem nisto: o ministro das Finanças russo foi convidado pelo ministro das Finanças americano porque os Estados Unidos eram a nação anfitriã do evento e os países europeus recusaram-se a tirar uma fotografia dos participantes na reunião. Portanto, com esta gente, não vai haver nunca diplomacia. A situação vai-se agravar ou vai continuar. A isto acrescentam-se as iniciativas de Trump relativamente ao Médio Oriente, o petróleo, independentemente daquelas tiradas de Trump para que o petróleo afinal suba menos um bocadinho. O que é um facto é que continua a subir a inflação na Europa, salvo erro, já vai na casa dos 3% e eu não vejo como é que isto vai ser revertido, porque os europeus parecem estar empenhados em ir para o confronto militar. E hoje tivemos este caso absolutamente estúpido o argumento do tal drone que os alemães não conseguiram descobrir quem e que lhes rebentou com o Nord Stream (gasoduto Alemanha-Rússia), mas descobriram agora, passado um mês, que teria sido a Rússia, mas não apresentaram provas. Eu não estou a dizer que não foram os russos que fizeram aquilo, embora eu não perceba para quê. Eu não entendo. Mas não vamos excluir a possibilidade de terem sido os russos. Apresentem provas. Isso é a primeira questão. Mas isto só está a ser trazido ao de cima, porque Merz (o chanceler alemão) leva nesta altura cerca de 20 pontos de atraso relativamente à AFD (partido de extrema-direita) e vai ter eleições dentro de menos de uma semana. Isto é que é o problema e portanto estão a utilizar uma situação destas para procurar tirar benefícios em termos de política interna. Não há outra palavra. Mas isto cria dinâmicas. Por exemplo, ouvimos o secretário-geral da NATO a fazer uma série de afirmações absolutamente ignóbeis que, no fundo estava a alinhar com esta farsa toda e no fundo a criar situações que depois são extremamente difíceis de serem revertidas. RFI: No seu livro diz que no começo do conflito tinha havido uma possibilidade de eventualmente se chegar a um acordo de paz que foi impossibilitada, nomeadamente por líderes europeus, que convenceram Zelensky de que poderiam ter um acordo melhor e, portanto, relativamente a esta situação, quais são as possibilidades que existem neste momento de eventualmente negociar, sentar à mesa, discutir, chegar a um acordo? Major-General Carlos Branco: Eu vejo isso de forma muito remota. Isso só será possível, isso que eu vou dizer é incómodo, mas penso que nesta altura não há outra volta que é a vitória militar de uma das partes. Só haverá negociações quando se atingir aquilo que se chama de 'impasse doloroso', quando as partes perceberem que têm mais a ganhar à mesa das negociações do que no campo de batalha. Quando psicologicamente interiorizarem essa situação -e é o que nós dizemos- atingiu-se a maturidade e, portanto, há portas abertas para se avançar nesse caminho. Agora estamos longe de isso acontecer, porque a Ucrânia está a ser partida todos os dias. Há um sofrimento brutal para o povo ucraniano, mas os seus dirigentes estão a alimentar uma situação que está perdida. E eu sublinho isto. Mas vai ser até ao último ucraniano. Exactamente. Estes líderes não têm maturidade para perceber isto que eu estou a dizer e portanto vão continuar até ao fim. Para isto contribui também o papel dos europeus, porque se os europeus não dessem fogo a esta fornalha, se não criassem nos ucranianos o sonho de que isto pode ser revertido, de que podem derrotar a Rússia, quer dizer, eu não consigo perceber como é que isso acontece. O próprio chefe de gabinete do presidente Zelensky, Kyrylo Budanov, mas não só, foi também o seu lugar-tenente, que vieram dizer que a Ucrânia precisa de 30.000 soldados por mês. Não sou eu que digo. Portanto, um país que se encontra numa situação destas, que tem largos milhões de cidadãos fora das suas fronteiras, que está a recrutar da forma que é conhecida, que as pessoas são apanhadas no meio da rua e levadas à força, um país que está numa situação destas, a meu ver, está numa situação de grande vulnerabilidade. Mas os seus dirigentes continuam a achar que não. 'Não, isto ainda a gente ainda pode ganhar'. Portanto, é exactamente por causa disso e pela irresponsabilidade do estímulo que é dado pelos presidentes europeus. Aliás, vimos agora quando foi das comemorações do 35.º aniversário da independência da Ucrânia e que foram lá uma série de dirigentes a Kiev. E eles estavam com uma cara muito sorridente a tirar uma fotografia com o presidente. E eu interrogo-me: estão sorridentes porquê? Quer dizer, isto é de uma falta de senso e de uma falta de capacidade de análise da situação. Esta gente não sabe o que é que está a acontecer. Vivem numa bolha exactamente por causa disso. O futuro não pode ser brilhante. Para já, veremos se não há nenhuma movimentação incauta por parte de determinados países da Europa e que venham depois chamar a NATO. Até porque a tentativa de envolver a NATO com este argumento do ataque directo e na tentativa de provocar o artigo quinto (defesa colectiva no caso de um membro ser atacado), já houve várias. Portanto, nós estamos recordados quando houve o míssil ucraniano que caiu na Polónia e que matou, salvo erro, dois agricultores (em Novembro de 2022). O ministro dos Negócios Estrangeiros polaco e a Ucrânia começaram logo a dizer 'isso foi à Rússia, foi à Rússia' e, portanto, já abriu portas para Zelenksy, porque sabe que não consegue sozinho ganhar a guerra. Precisa dos europeus. E o Biden veio mandá-los calar. Objectivamente, foi isso que aconteceu. Portanto, não alinhou nesse projecto porque o que queria, não era criar uma guerra na Europa. O que queria era remover o Putin do poder e colocar lá um seu apaniguado. Mas é que as pessoas às vezes não conseguem distinguir uma coisa da outra. Aliás, isso é outra coisa importantíssima. Biden nunca esteve muito empenhado na vitória militar da Ucrânia. Isso é outra questão que está profusamente documentada. O que ele queria era provocar uma alteração do poder em Moscovo. São coisas diferentes. poderão ter caminhos paralelos, poderão interceptar-se nalgumas fases, mas são coisas diferentes porque, em última análise, o objectivo estratégico é distinto. Portanto, não ter clarividência sobre esta matéria é dramático. RFI: Outro aspecto também importante do seu livro tem a ver com a forma como também são apresentados os acontecimentos pela comunicação social aqui na Europa. É bastante crítico relativamente ao papel da comunicação social. Major-General Carlos Branco: Sim, é verdade. A comunicação social está, com algumas excepções, mas muito reduzidas, plenamente alinhada com uma das partes, está entrincheirada e, portanto, não é um espaço de debate sobre o que está a acontecer, mas é fundamentalmente um espaço onde se divulga de uma forma exclusiva e frequentemente propagandística, os pontos de vista de uma das facções. E o espaço de debate está extremamente reduzido. E muitas das vezes quem tem uma opinião que não coincide com a do meio, acaba por ser marginalizado. Associado a isso, a União Europeia tem-se tornado cada vez mais um organismo autoritário, porque há indivíduos que tiveram maior protagonismo no espaço público e o que lhes aconteceu foi inclusivamente congelarem-lhes as contas bancárias. Portanto, isto que está a acontecer é uma deriva autoritária na qual a comunicação social está a alinhar. Relativamente a estas matérias, não vi estas notícias na televisão e muito menos manifestação de desconforto e de discussão destes assuntos, porque estes assuntos são cruciais. Os americanos saberão muito bem o que aconteceu no rescaldo do 11 de Setembro e as tentativas de calar opiniões, críticas e outras opiniões, vamos pôr isto nesses termos, e a Europa vai por esse caminho.

Levante Ideias de Investimento
02/09 - Bolsa Bomba +3%, Comprar Mais?

Levante Ideias de Investimento

Play Episode Listen Later Sep 2, 2026 49:07


Siga o canal da Inside no Youtube - Os novos vídeos serão postados lá: / insideresearch Faça parte do Inside Elite (apenas 300 vagas): https://eliteinside.com.br/l/bAtive seu cupom Flavio Conde pra a consultoria personalizada https://lvnt.app/61t6dr02/09 - Bolsa Bomba +3%, Comprar Mais? Olá, sejam bem-vindo a mais um Fechamento de Mercado da Levante, comigo Flávio Conde, hoje é 4a. feira, 2 de setembro, segundo dia do mês com Bolsa bombando +3%, ganhando 5,5 mil pontos e Ibovespa fechando a 185,2 mil pontos em função do empate técnico entre Lula, com 43%, e Flávio, 40%. Porém, eu lembro que o Lula ainda ganha a eleição e, portanto, a alta de hoje pode ser frustrada dia 25 de outubro, dia do segundo turno, e aí as ações cairiam dia 26. Eu vi isso em 2014 na reeleição de Dilma quando ela e Aécio estava em empate técnico com ela semanas antes do segundo turno e Aécio, preferido do mercado, perdeu. Portanto, muita clama nessa hora. O volume da bolsa bateu recorde de R$ 41 bilhões versus média de R$ 27 bi nas quartas do segundo trimestre. O dólar comercial recuou pela terceira vez seguida, dessa vez com menos 0,91%, a R$ 5,109. Os DIs (juros futuros) caíram por toda a curva com os prefixados de 2037 fecharam a 14,42% x 14,54% a.a., ontem, e o IPCA+ 2037 para 7,67% de 7,70% a.a., ontem. Os juros dos títulos do Tesouro dos EUA cederam um pouco com o petróleo, o 10 anos para 4,784% de 4,80% a.a., ontem, e o 30 anos 5,26% a.a de 5,27%, ontem.Esse pequeno recuo dos juros americanos permitiu que as bolsas americanas subissem um pouco com Dow Jones 0,56% e Nasdaq 0,45%. Já petróleo fechou em leve alta de 0,63%, com o Brent voltando a US$ 95 depois de bater US$ 96 por barril, de manhã, impulsionado pela escalada dos ataques entre Estados Unidos e Irã. Assista o vídeo e veja as recomendações de compra e venda de ações do Conde e FIIs do Marcelo

Guilherme Gimenez
DEVOCIONAL DA MANHÃ DE 02/09/2026

Guilherme Gimenez

Play Episode Listen Later Sep 2, 2026 5:10


DEVOCIONAL DA MANHÃ DE 02/09/2026VOCÊ NÃO PRECISA ACREDITAR EM TUDO O QUE SENTETexto bíblico: Jeremias 17.9-10Palavra-chave principal: sentimentos e verdadeUm dos erros mais comuns da vida emocional é imaginar que, porque sentimos algo intensamente, aquilo necessariamente corresponde à realidade. “Sinto que não vou conseguir.” “Sinto que ninguém se importa comigo.” “Sinto que tudo vai dar errado.” O sentimento existe e merece atenção, mas a interpretação que fazemos dele pode estar equivocada.Jeremias 17.9-10 chama atenção para a complexidade do coração humano e lembra que Deus conhece aquilo que nem nós conseguimos compreender completamente. Nosso interior pode ser influenciado por experiências anteriores, cansaço, medo, expectativas e feridas. Por isso, nem todo pensamento produzido por uma emoção deve ser aceito como verdade.Isso não significa desprezar sentimentos. Negar o que sentimos também não é maturidade. O caminho bíblico é reconhecer a emoção e colocá-la diante da verdade de Deus. Posso admitir: “Estou com medo”, sem concluir: “Portanto, estou derrotado”. Posso reconhecer: “Sinto-me rejeitado”, sem transformar isso em: “Não tenho valor”.A Palavra de Deus oferece um ponto de referência que não muda conforme nosso estado emocional. Ela nos lembra quem Deus é, quem somos diante dele e quais promessas sustentam nossa caminhada.Hoje, observe uma frase negativa que seu coração tem repetido. Depois pergunte: isso é um fato ou uma interpretação produzida pelo que estou sentindo? Leve essa frase à presença de Deus. Sentimentos devem ser ouvidos, mas a verdade precisa ter a palavra final.PARA PRATICAR HOJEEscolha hoje um pensamento emocional recorrente e confronte-o com a verdade das Escrituras.ORAÇÃOSenhor, ajuda-me a compreender o que acontece em meu coração e a responder às minhas emoções com sabedoria, fé e obediência. Que tua verdade oriente meus pensamentos e que teu Espírito governe minhas decisões. Em nome de Jesus, amém.

Artes
Alda Barros: “São Tomé e Príncipe é a minha poesia”

Artes

Play Episode Listen Later Sep 1, 2026 16:05


Neste programa Artes, conversámos com Alda Barros a propósito da obra "Outros Silêncios", o seu quarto livro de poesia depois de “A Flor Branca do Baobá” (2017), “Chuva de Prata” (2019) e “Something to Care About” (2026). Nascida no Pantufo, em São Tomé, em 1960, Alda Barros foi jornalista no período pós-independência ainda no seu país e depois foi para Angola, onde tirou Relações Internacionais e começou a trabalhar para a ONU. Seguiu-se uma carreira de 35 anos ao serviço das Nações Unidas, em que também trabalhou em missões na Guiné-Bissau, Timor-Leste, Burundi e República Democrática do Congo. A poesia sempre esteve presente, mas só começou a ser publicada nos últimos anos. Em "Outros Silêncios", a autora volta a São Tomé, num livro atravessado pelas memórias, pelo desejo, pelo tempo e pela crença no potencial terapêutico do silêncio e da poesia.  RFI: Como nos poderia apresentar “Outros Silêncios”? Alda Barros, Autora de “Outros Silêncios”: “Começaria por apresentar ‘Outros Silêncios' falando da origem de ‘Outros Silêncios', falando inicialmente da saúde mental, que é algo que às vezes nos passa despercebida porque temos ainda aquele mito de que ter um problema de saúde mental é ter um problema psiquiátrico e, então, há pessoas que escondem a doença ou o problema, não procuram ajuda, daí a razão de, nestes 35 anos no sistema, eu não poder dizer que passei ao lado, a saúde mental igualmente não passou ao lado de mim. Então, depois deste interregno, eu disse: 'Não. Vou tentar pôr alguma coisa por escrito para dizer às pessoas que ter um problema de saúde mental não é estar maluca como às vezes se pensa, não se pode associar a psiquiatra' - embora, por vezes, o psiquiatra seja uma vertente igualmente a contactar caso o psicólogo o recomende.” Isso leva-nos ao título do livro, “Outros Silêncios”, e ao poema com o mesmo título. Esse poema fala em “sons silenciosos”, histórias não contadas, e dedica o livro “a todos aqueles que acreditam na cura através do silêncio”. Qual é o potencial poético do silêncio? “O silêncio, para mim, é um medicamento e uma terapia porque há momentos em que a gente não quer ouvir vozes, não quer ouvir conselhos, mesmo que seja aquela voz amiga que sempre esteve presente, a gente diz: ‘Não, hoje quero estar sozinha. Quero pensar no que isto pode dar.' E há muita gente que não só se retira do convívio dos familiares, mas também de outros meios, de pessoas conhecidas, porque nem todo o silêncio é de cura, mas aquele silêncio que a gente exige de nós próprios é para curar, é para fazermos uma terapia interna e dizer: ‘Deixa-me ver se eu consigo antes de pedir ajuda'. O livro é habitado por tanta vida, tantos sons, sabores, paisagens... Não é o contrário do silêncio? “É o silêncio que cada um se impõe. Quando digo que o silêncio cura, pode ser um silêncio como música de fundo. Aí, já não é o silêncio a 100%, é um silêncio que tem um complemento e este complemento é uma música, pode ser um som para se pensar melhor, para se saber o que fazer a seguir, que passos dar ou então apenas para não ouvir ninguém e não ouvir nada.” É um complemento de poesia também? “Também. A poesia está ali, implicitamente presente, a poesia faz parte deste silêncio. A gente não quer falar com ninguém, mas quer ler um livro de poesia, quer ler uma poesia, quer ver o que tal autor diz acerca do livro que escreveu. Eu posso dizer que quero o silêncio porque eu quero interiorizar os meus poemas ou um poema qualquer, desde que seja poesia. A poesia tem um peso que muita gente não valoriza ou não se dá conta do peso que tem.” Há algum poema que gostasse de nos ler para curar, se calhar, algumas almas que estão a precisar de poesia e de silêncio? Um poema com um significado especial para si? “Eu gostava de ler o poema “Choro de uma Criança”. Posso?” Vamos a isso. “Hoje haverá festa/ no mar de saudades/ alinhadas à noite esquecida / numa chávena de chá esquecida/ requentado por mãos distintas./ Com cheiro à liberdade/ entre o prazer demorado/ que se mistura aos soluços forçados/ e distintos./ Sorrisos vibrantes/ do tamanho do telhado de vidro/ abrindo as portas de memórias surdas/ reflectidas no vazio do teu corpo desigual./ Perdido no espelho do tempo/ mansinho como o choro de uma criança.” Por que é que este poema é especialmente importante para si? “Este poema é importante para mim porque eu associo o silêncio à liberdade. Eu, às vezes, digo que sou uma pessoa livre. Eu adoro a liberdade. E para ser livre, nós temos que saber valorizar essa liberdade, temos que conhecer os limites da nossa liberdade, porque normalmente a gente diz ‘a minha liberdade termina quando começa a tua' ou vice-versa. Então, ser criança é ser livre. O espelho do tempo dá-nos liberdade, quando a gente olha para o tempo, olha para trás e diz: ‘O tempo se foi, passou, mas estamos aqui, continuamos livres. É um bocado isso.” Fala em liberdade, em memória, no tempo. Tudo isso são temas que atravessam este livro? “São todos temas que atravessam este livro que dão peso, que para mim e para muitos tem algum peso. Este livro tem uma história que, quem sabe, eu conte numa outra oportunidade.” Qual é a história? “Este livro tem uma grande história, na criação do livro, no esmiuçar de cada poema, no conteúdo dos mesmos e nas entrelinhas. Há toda uma história misturada que eu, por acaso, já pensei em dizer: ‘Qualquer dia eu pego num dos poemas e transformo o poema num livro, mas cada livro será uma história contada de forma diferente porque cada poema tem o seu peso, como eu há bocado acabei de dizer.” É um peso biográfico? É o peso também da memória? “Não, não é um peso biográfico. É o peso da memória. Sim, sim. É um peso, como quem diz, ele vai trazer outros pontos que não estão mencionados nestes poemas e que eu vou tentar separá-los para dizer às pessoas, por exemplo, o poema ‘O Choro de uma Criança' é por isto, aquilo e aqueloutro e há a história de uma criança por trás. Está a ver?” Abre o livro com a frase “Só é possível esquecer o passado quando conseguir(mos) adiar a sua existência!”, o que mais uma vez nos leva para o peso da memória. Por outro lado, também há muitas referências a São Tomé: Pico, Trindade, Baía de Ana Chaves... Talvez haja uma geografia afectiva nos poemas, como por exemplo em “Ilhas Santas”, em que São Tomé e Príncipe surge explicitamente no título. São Tomé e Príncipe também é um dos temas do livro? “São Tomé é implicitamente um dos temas do livro, um dos impulsionadores do livro, portanto, dos sentimentos que conduziram a este resultado, porque eu sou de lá e não me de dissocio, nem quero me dissociar disso. Em todos os meus livros, o meu São Tomé e Príncipe está lá, presente, presente, presente. É a minha poesia. São Tomé e Príncipe é a minha poesia, de forma que eu não poderia de forma nenhuma concluir um livro de poesia sem falar da minha poesia, da poesia principal que é o meu país.” A Alda é uma poetisa, uma mulher livre que viveu mundo fora. Nasceu em São Tomé e Príncipe, foi jornalista, estudou em Angola, passou décadas em missões da ONU em Angola, na Guiné-Bissau, Timor-Leste, Burundi e RDC. Há lugares onde viveu que também influenciaram e continuam a influenciar a sua poesia? “Sim, necessariamente. Eu falo um bocado mais dos países e dos pontos em que eu trabalhei nas missões das Nações Unidas no meu primeiro livro ‘A Flor Branca do Baobá'. Sim, eu falo do Timor-Leste, eu falo da Guiné-Bissau - inclusivamente, até tenho um poema em crioulo da Guiné-Bissau. É muita coisa junta, muita lembrança, recordação, coisas boas que não poderiam, de forma alguma, ficar fora do conjunto destas memórias.” Tendo estado em todos esses países, nomeadamente em países onde os direitos humanos são muitas vezes brutalmente violados, continua a escrever poesia. O que pode a poesia num mundo assim? “Este mundo que eu vi, com que eu convivi e de onde eu bebi uma grande experiência de vida – e estou referindo-me aos direitos humanos e às violações dos mesmos - é um mundo diferente, não é um mundo qualquer, quero eu dizer. É um mundo que carece de mais poesia, mais poesia orientada. Tem que ser poesia orientada. Imagine alguém que sofre porque não foram respeitados os seus direitos. Como é que esta pessoa pode procurar sair do buraco em que o trauma a coloca? Porque qualquer sofrimento deixa traumas e eu ainda continuo a dizer que esta pessoa tem uma poesia para escrever, mas já não será a poesia que eu escrevo. Será uma poesia sofrida.” A poesia pode ser uma resposta para os traumas? “A poesia é uma resposta para se sair de um trauma. Ou para entrar. Depende da forma como a gente encara, descreve e vive esse trauma porque pode-se escrever uma poesia depois de um trauma e não se conseguir livrar do trauma. Então, aí já se tem que saber o que é que se quer depois de se escrever esta poesia relacionada ao trauma que se viveu. Porque não é fácil, nenhum dos lados é fácil discernir e separar o bom do mau. Tem que se ter uma grande habilidade para se ter esse jogo de cintura, porque é preciso um grande jogo de cintura.” Trabalhou durante tantos anos em missões humanitárias difíceis e a poesia publicada surgiu apenas nos últimos anos. Como é que a poesia surgiu na sua vida? Que lugar é que acaba por ter na sua vida? E quando é que lhe pôde dar um espaço pleno para ela se exprimir? “Eu fui uma das pupilas da matriarca são-tomense Alda Espírito Santo. A poesia começou muito cedo. Primeiro, a escrita em casa e depois veio acompanhar-me quando eu exerci as funções de jornalista. Tínhamos uma chefe que era a poetisa Alda Espírito Santo - cujo centenário acabou de ter lugar em São Tomé e Príncipe, numa conferência organizada pelo Ministério da Cultura e Educação de São Tomé e Príncipe, que decorreu de 2 a 6 de Julho em São Tomé, e da qual eu fiz parte. Portanto, esta coisa de poesia, letras, literatura em geral, é uma coisa que já vem de tenra idade. Depois, quando começo a trabalhar e encontro-me num ambiente de papéis, lapiseiras e uma chefe que gostava de poesia... Eu não tive como deixar isso para trás ou de lado. Nas minhas voltas pelas missões do sistema, sempre tive presente de que um dia haveria de pôr alguma coisa por escrito. E num belo dia comecei a escrever. Não contava conseguir publicar, não contava que alguma editora se interessasse, mas eu não desisto e, então, ao final do livro, eu disse: ‘Vou mandar para as editoras e vou ver quem responder primeiro'.” Também escreve uma poesia muito sensual, como nos poemas “Devora-me”, “Inspira-te”, “Na penumbra da minha pele”, “O Piano”, “Amanhecer”, “Amor sem tréguas”, etc. É importante para si falar abertamente de desejo? É, de certa forma, uma potência de vida depois de tudo o que viu nas missões humanitárias? “Este desejo foi praticamente a minha mochila. É algo que vem e vai. Há desejos em várias vertentes, de vários pesos. Não vou falar agora propriamente de cada um desses pesos ou de cada uma dessas vertentes, mas o desejo é uma coisa que está connosco, pelo menos comigo. Falo particularmente de mim. A gente vê-se numa situação difícil, por exemplo, sair do escritório e não poder chegar a casa, ter que voltar para trás, ter que esperar, depois daquele dia difícil, em que tu já acabas o dia à procura de um banho e da cama e, de repente, ouves que há recolher obrigatório, não te podes meter na rua. Então, este desejo não deixa de ser desejo, mas torna-se um 'desejo não desejo'. Torna-se ansiedade, torna-se stress. É uma mistura de coisas que podem terminar num desejo bom, quando recebes a notícia: ‘Olha, agora está livre. Podem sair'. Ou quando ouves alguém que te diz: ‘Olha, não saias ainda' e olhas para o relógio, é quase meia noite, olhas para o relógio, são duas da manhã e tu estás ali cansada, mas não podes chorar, tens que sorrir, tens desejo de chorar e não podes chorar, tens que sorrir porque as pessoas não podem entender que tu queres chorar ou que estás a chorar por dentro. É uma ginástica muito grande.”

Ciência
COP-17 termina sem acordo sobre seca: "Países africanos são dos mais afectados"

Ciência

Play Episode Listen Later Aug 31, 2026 9:46


A COP-17, que decorreu de 17 a 28 de agosto, em Ulaanbaator, capital da Mongólia terminou com a decisão de mobilizar 1,3 mil milhões de dólares para o restauro de terras e pastagens, mas, uma vez mais, os países participantes voltaram a adiar a adopção de um acordo global juridicamente viculativo sobre a seca. A decisão sobre este assunto será tomada apenas na próxima conferência, em 2028, no Egipto. Esta 17 ª conferência das Partes da convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação acontece numa altura em que cerca de 40% das terras aráveis utilizáveis do planeta estão, aos poucos, a transformar-se em desertos. Mais de 3 mil milhões de pessoas já estão a ser afectadas por este problema em todo o mundo, segundo dados da própria ONU. A desertificação foi um dos temas centrais da COP-17, esta conferência que contou com representantes governamentais de 197 países, investigadores e várias organizações internacionais. Em entrevista à RFI, Francisco Ferreira, presidente da ONG ambiental Zero, faz-nos um balanço sobre esta conferência, salientando que houve aspectos positivos relacionados com o financiamento, mas defende que a COP-17 falhou no ponto mais importante: conseguir um acordo vinculativo sobre a seca. RFI: Qual é o balanço que faz desta COP-17 ? Francisco Ferreira: Esta COP-17 sobre o combate à desertificação teve aspectos positivos em relação ao financiamento nalgumas vertentes, nomeadamente na mobilização de 1,3 mil milhões de dólares para o restauro de terras e de pastagens, mas falhou naquilo que era o mais essencial: a adopção de um acordo global juridicamente viculativo sobre a seca. Há dois anos, na anterior Conferência das Nações Unidas, em Riad, tentou-se chegar a um acordo global vinculativo, que seria um paralelo com aquilo que foi o Acordo de Paris em 2015 e com aquilo que foi o acordo relativo à biodiversidade, em 2022, em Montreal. Ou seja, algo que conseguisse trabalhar nas várias vertentes, na prevenção das secas e na acção e apoio aos países mais afectados, nomeadamente, os países africanos. Não se conseguiu chegar a esse acordo porque houve grandes obstáculos e divergências entre os Estados Unidos e a União Europeia, o Brasil e o chamado grupo Africano e, portanto, aquilo que nós gostaríamos de ter, que era um balanço claramente positivo de termos um programa, um planeamento, um conjunto de decisões e de um apoio financeiro muito significativo, não aconteceu porque nós precisamos praticamente de 1000 milhões de dólares por dia para enfrentar e prevenir as consequências da seca à escala global. Isto realmente não foi novamente conseguido. Vamos esperar mais dois anos.  RFI: Falou de um ponto muito importante, o facto de uma vez mais se ter falhado a adopção de um acordo global juridicamente vinculativo sobre a seca. O que é que significa este adiamento na prática e quem é que fica mais exposto com a ausência desse acordo ? Francisco Ferreira: Significa que nós não vamos ter obrigações da parte dos países desenvolvidos em apoiar os países em desenvolvimento, que estão com processos de desertificação significativos, com perda de solos, com incapacidade de apoiar um regime de pastagens para efectivamente garantirmos que esta questão iria ser ultrapassada. E entre os países mais prejudicados, estão, sem dúvida, alguns países da Ásia, mas também os países africanos. São eles que têm visto ao longo dos anos, por causa das alterações climáticas, por causa de determinadas práticas agrícolas e florestais, que não são as melhores... São eles que têm realmente necessidade, do ponto de vista técnico, científico e financeiro para reduzir aquilo que é o avanço da desertificação, da perda de solos e os solos são fundamentais para a sobrevivência das populações. Os solos demoram dezenas e dezenas de anos a serem construídos pela Natureza. E realmente são vários países de África, em particular, aqueles que mais sofrem pela incapacidade de não se ter chegado a este acordo. RFI: Temos desde logo, por exemplo, Cabo Verde, que é fortemente afectado pela seca e pela desertificação, tal como o sul de Angola. Moçambique também enfrenta a degradação dos solos e outras consequências das alterações climáticas. Que medidas concretas é que poderão ser tomadas, no fundo, para ajudar estes países a combater estes problemas e a proteger as populações mais vulneráveis ?  Francisco Ferreira: Nós podemos ter algumas medidas independentes da conferência. Mesmo sem um acordo, não devemos ficar parados. Esta era a conferência da implementação e nós não devemos em qualquer país, incluindo, por exemplo, também em Portugal, não devemos esperar por uma nova conferência, que nem sabemos se terá êxito ou não. É necessário que cada um destes países realmente consiga ter uma política nacional de prevenção e de gestão proactiva da seca. Desde alertas precoces, desde capacidade de fazer obras em linha com a salvaguarda também dos valores naturais de retenção de água, trabalhar na recuperação dos solos, protegermos as pastagens e os sistemas agroflorestais. E é preciso aqui uma grande coerência entre a sustentabilidade na agricultura, no regadio, na gestão da água, da floresta, da biodiversidade, do clima e no ordenamento do território. Nós temos, sem dúvida, que fazer chegar os poucos financiamentos que se conseguiram acordar porque há agora o chamado Mecanismo de Investimento para a Resiliência à Seca, que tem como meta mobilizar até 400 milhões  de dólares. Temos também uma iniciativa emblemática para as pastagens, com 1,2 mil milhões de dólares, já envolvendo 45 projectos e 23 países.  RFI: Que acaba por ser aqui uma mudança de paradigma também esta questão de destinar este dinheiro às pastagens...  Francisco Ferreira: Sem dúvida. As pastagens, ao contrário do que se pode pensar, ajudam o combate à desertificação, desde que seja um regime de pastagem extensivo, com uma forma e um conjunto de cabeças de gado que não satura e degrada os solos. Portanto, é isto que é fundamental conseguir garantir.  RFI: Esta reflexão é muito importante também porque este ano não nos podemos esquecer que fica marcado por ondas de calor arrebatadoras. Por exemplo, aqui em França, as ondas de calor, aliadas à vegetação seca, provocaram incêndios de grandes dimensões. Esta reflexão sobre os fenómenos climáticos extremos torna-se mais premente do que nunca pelo facto de agora, infelizmente, se estarem a tornar também cada vez mais frequentes ? Francisco Ferreira: Sem dúvida alguma. Os incêndios são, aliás, uma causa dramática das alterações climáticas. São um factor a par, obviamente também do tipo de floresta que temos, da forma como gerimos os nossos sistemas florestais, como temos o ordenamento do território, mas o aquecimento global está a ter um papel dramático na Europa e noutras partes do mundo. Veja-se o Canadá, por exemplo, pondo em causa a sobrevivência de várias actividades, das próprias pessoas que foram afectadas com várias mortes e feridos em várias partes do mundo. E, obviamente, com uma perda de património enorme. Nós ainda temos duas conferências pela frente este ano: a da biodiversidade, em Outubro, na Arménia e depois na Turquia a Conferência sobre Alterações Climáticas. Um dos apelos desta conferência (COP-17) é que haja realmente esta interligação para termos resultados e, infelizmente, eles estão aquém do necessário porque o clima está a mudar muito mais rápido do que a velocidade a que estamos a tomar as decisões. E, portanto, este alerta e esta mobilização que se procurou e que só foi conseguido em parte agora na Mongólia, na COP-17, tem que ter uma maior pressão política e da sociedade civil para também nestes outros fóruns das Nações Unidas nós conseguirmos resultados mais consistentes e passarmos à acção e sermos ambiciosos porque realmente estamos a ficar longe de conseguir estancar aquilo que é um aumento de temperatura com recordes em 2024 e com as temperaturas depois de 2023 e 2025 a estarem aqui no top três. Em 2026, temos também a ameaça do El Niño e já sabemos que será dos mais fortes. Não sabemos ainda todas as consequências, mas as secas são, sem dúvida, uma das consequências mais dramáticas actualmente.

Movimento RPG Podcast
O Que Mudou no RPG Brasileiro nos Últimos 10 Anos – Taverna do Anão Tagarela #215

Movimento RPG Podcast

Play Episode Listen Later Aug 28, 2026 46:48


Gustavo Estrela, Mateus Herpich e Vinícius Staub falam sobre O Que Mudou no RPG Brasileiro nos Últimos 10 Anos nessa taverna. Entenda como funcionam as novas dinâmicas da comunidade após a popularização pelas streams, saiba mais sobre como as novas ferramentas impactam no seu RPG e veja um pouco sobre a nova percepção de que todo grupo atua como pequenos game designers em suas próprias mesas. A Taverna do Anão Tagarela é uma iniciativa do site Movimento RPG, que vai ao ar ao vivo na Twitch toda a segunda-feira e posteriormente é convertida em Podcast. Com isso, pedimos que todos, inclusive vocês ouvintes, participem e nos mandem suas sugestões de temas para que por fim levemos ao ar em forma de debate. Portanto pegue um lápis e o verso de uma ficha de personagem e anote as dicas que nossos mestres vão passar. Links: - Conheça nosso Patronato - Seja um Padrim do Movimento RPG - Assine o Picpay e ajude o site E-mail: contato@movimentorpg.com.br - Tem dúvidas sobre alguma coisa relacionado a RPG? Mande suas dúvidas para nosso e-mail. O Que Mudou no RPG Brasileiro nos Últimos 10 Anos ‎Host: ‎‎‎Douglas Quadros. ‎Participantes:‎‎ ‎‎‎ Douglas Quadros | Gustavo Estrela | Mateus Herpich | Vinícius Staub ‎Arte da Capa:‎‎ ‎‎Raul Galli.‎

Convidado
São Tomé e Príncipe a um mês das legislativas: "Precisamos potencializar tudo o que temos"

Convidado

Play Episode Listen Later Aug 27, 2026 12:13


Depois de ter feito passar o salário mínimo da função pública de 2.500 para 3.000 Dobras, ou seja um pouco mais de 120 Euros mensais, o governo são-tomense anunciou nesta quinta-feira que a pensão mínima de aposentação vai subir quase 8 Euros, passando de 1.200 para 1.400 Dobras, com retroactivos a partir de Julho, beneficiando cerca de 6.500 idosos. Este que é o segundo aumento da pensão mínima na actual legislatura, após uma subida de 1.000 para 1.200 Dobras desde Janeiro do ano passado, estava em estudo há já alguns meses e era reclamado há muito por certos sectores. Com efeito, a generalidade da população de São Tomé e Príncipe que vai ser novamente chamada às urnas precisamente dentro de um mês, no âmbito das eleições legislativas, autárquicas e regional, continua a conhecer um quotidiano difícil, designadamente com uma taxa de inflação rondando oficialmente os 9,5% e um nível de desemprego situado igualmente nos 9%. Neste contexto, para o economista e empresário são-tomense Emery D'Alva, o aumento da pensão mínima é uma boa notícia mas continua a ser insuficiente dado o aumento do custo de vida e todos os desafios que se enfrentam no país. RFI: Qual é a situação das pessoas aposentadas em São Tomé e Príncipe? Emery D'Alva: É um país pobre, com muitas dificuldades e elas representam uma franja desfavorecida da nossa população e dependem muito desse tipo de subsídios e pensões e também dos familiares. Nem sempre os familiares têm condições também de assegurar os meios básicos para a sua sobrevivência. Portanto, isso eu posso classificar como muito positiva essa iniciativa, embora peque por ser tardia. E também eu considero que não é ainda suficiente para suprir essas necessidades, Mas é um sinal e um sinal positivo. É uma tentativa. É uma situação que já se arrasta há algum tempo e só posso considerar um movimento positivo. Mas há que se considerar que 1.400 Dobras por pessoa nunca é suficiente. Portanto, nós temos necessidades tremendas. O custo de vida aumentou de forma considerável no mundo inteiro e em São Tomé em particular, que é uma ilha que não produz a maior parte do que consome e tudo é importado. Os transportes aumentaram, os custos externos aumentaram. Isso tem consequências sociais tremendas. E, portanto, isso constitui um alívio. Mas não é uma solução duradoura. RFI: E precisamente, estava a falar da situação difícil das pessoas que estão aposentadas. Muitas das vezes, essas pessoas aposentadas também têm a seu cargo ainda menores. Emery D'Alva: Exactamente. E então, agora, com o fenómeno da migração explosiva que se deu nos últimos quatro ou cinco anos, esse fenómeno tende a alastrar-se. Portanto, há muitos pais, muita gente que deixa os filhos com os avós e emigram, depois, no objectivo de, assim que reunirem condições, poder chamar os filhos e haver um agrupamento familiar. Só que acontece que este reagrupamento familiar está cada vez mais difícil. Também têm encontrado situações cada vez mais complicadas nos países para onde vão. Vão sobretudo para a Europa, Portugal em primeiro lugar. Depois, assim que conseguem, também vão para outros. Mas é sobretudo em Portugal. E Portugal está a atravessar também uma crise imobiliária tremenda. Os custos de alojamento, de habitação, explodiram e eles têm cada vez mais dificuldade em fazer esse reagrupamento familiar. E o que acontece é que esses meninos vão ficando aqui mais ou menos com uma vigilância mais ou menos eficaz, outra não. Crescem sozinhos. São novos fenómenos que nós reparamos aqui, fenómenos sociais e económicos. Muita juventude a crescer sozinha, muitos adolescentes sozinhos. Os avós não têm condições de assegurar a sua sobrevivência, porque eles próprios também têm aquela dificuldade. E, portanto, é um fenómeno que vai se agudizando e que começa a suscitar alguma preocupação na população. RFI: Estávamos a falar da situação dos pensionistas, mas obviamente isto também diz respeito à própria situação da população são-tomense. Estava a mencionar há pouco que o custo de vida aumentou drasticamente. Como é que é o quotidiano do são-tomense médio? Emery D'Alva: Cada vez mais difícil, até por causa disso, que a grande maioria dos são-tomenses quer sair de São Tomé e Príncipe. A taxa de desemprego atinge níveis estratosféricos. Há pouca perspectiva de que as coisas vão melhorar num futuro próximo. E isso leva a maior parte da juventude a procurar uma forma de emigrar. Nós vivemos um momento político específico. Estamos a um mês das eleições e as próximas eleições legislativas, há sempre aquela esperança de que, com novos projectos, novas forças politicas, novas vontades, as coisas possam melhorar. Mas de tanto ter esperança e de tanto ter desilusões, há sempre uma expectativa que pode não se concretizar, não é? E é isto. A população, sobretudo a juventude, que é grande, constitui a grande maioria da população, vive nessa perspectiva, mas com um olho lá fora, sempre a tentar procurar uma forma de submeter documentação ou passaporte para poderem emigrar. Isso é uma constante nos últimos quatro anos. Será que vamos todos conseguir inverter isso? Eu, por exemplo, na minha vida empresarial, tenho enormes dificuldades para manter trabalhadores, tenho constantemente trabalhadores que anunciam que vão viajar e por mais que se queira, depois de se formar, depois de se investir, é mais um investimento que se perde. É claro que também os jovens têm que procurar a sua vida, tem que procurar forma de crescer e neste momento não conseguem. Com o salário que recebem, não conseguem garantir habitação em condições, alimentação para a família, meios de transporte. Isso tudo é muito complicado. RFI: Relativamente à sua actividade empresarial, portanto, estava a dizer que efectivamente é complicado manter trabalhadores. Como é que é concretamente, hoje em dia, ser empresário em São Tomé e Príncipe? Emery D'Alva: Eu acho que a vida de empresário é uma vida complicada em qualquer lugar e isso não tenho a mínima dúvida. Mas assim, é em São Tomé e Príncipe, onde o mercado é pequeno, os custos de aquisição de produtos, bens e serviços são elevados e depois não se consegue ter uma margem mínima considerável, que é para poder repercutir isso nas vendas. Tem que se fazer sempre aquela magia. É um bocado aquela quadratura do círculo tentar garantir que aquilo que se gasta não é superior àquilo que se ganha. É lutar contra os problemas que se tem. Muitas vezes nós atravessamos um período em que não havia energia. Os custos energéticos dispararam. Felizmente, isso estabilizou-se, mas continuamos a ter outros. Temos as questões fiscais, as questões de prestações sociais aos trabalhadores. Há volta e meia, a escassez de produtos. Temos problemas com transportes. Entretanto, numa ilha, tudo está dependente do que vem de fora. Volta e meia, o barco atrasa-se 15 dias e não se tem produtos. Portanto, é isso e constantemente resolver problemas todos os dias e não ter descanso. Portanto, essa é a vida do empresário. RFI: Fala das diversas dificuldades, nomeadamente, por exemplo, em questões energéticas, em questões de infra-estruturas, em questões de transportes. Julga que esse tipo de problemas são complicados de resolver porque há falta de dinheiro para isto ou porque há falta de organização? Emery D'Alva: Diria que é mais falta de organização, porque quando há organização, a organização atrai o dinheiro e no mundo inteiro é assim. Portanto, se nós nos organizarmos, se nós criarmos as condições mínimas para que se desenvolva um bom ambiente de negócios, isso atrai. Porque, apesar de ser um pequeno território, apesar de ser um mercado pequeno, tem um potencial enorme para o turismo, para a prestação de serviços, para a logística internacional, para se transformar num 'hub' tecnológico e também logístico. Nós temos um potencial enorme. Nós precisamos de investir em infra-estruturas, investir num aeroporto como deve ser, num porto como deve ser. Precisamos potencializar tudo o que temos aqui em termos de produção agrícola de muito boa qualidade, diga-se de passagem, um turismo também de muita qualidade e não muito massificado. Portanto, há um potencial em São Tomé extraordinário. Só que nós não temos tido até agora uma liderança que estivesse comprometida com os interesses de São Tomé e Príncipe. E isso também tem trazido alguma instabilidade política e uma luta por coisas muito reduzidas, quando podíamos transformar isso em algo muito grande. E depois havia aquela coisa que deixaríamos de ter aquilo em que numa casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, não é? Portanto, a partir do momento em que se todos nos comprometermos para produzir, para gerar valor, gerar emprego, tirar partido do potencial que cá temos, não haveria razão para estarmos aqui em confusões. Eu ainda tenho esperança que isso aconteça e muito brevemente. Eu acho que nós tivemos um desfecho clarificador nas últimas eleições presidenciais. E agora? Se conseguirmos clarificar também a situação a nível das eleições legislativas, podemos criar as condições para dar o salto. É uma questão de estarmos comprometidos com o que aí vem. RFI: Quais são as suas expectativas relativamente às eleições dentro de um mês? Estava a falar há pouco das novas vontades, dos novos impulsos, das novas energias. O que é que espera desse possível salto? Emery D'Alva: Sabe que essas coisas são vontades, são declarações, são intenções. O que conta mesmo é o que depois fizermos disso tudo. Neste caso, o governo joga um papel fundamental em tirar proveito disso. Mas nós são-tomenses, também, enquanto empresários, investidores, enquanto utilizadores, enquanto moradores desses espaços, também conseguirmos preservá-los, potencializá-los. E isto é algo, isto é uma obra colectiva. A construção de um país, de uma nação, é uma obra colectiva. Mas tem que haver liderança, porque todos queremos fazer uma coisa. Mas se não tivermos referências e pessoas que nos indicam o caminho, a coisa fica mais complicada. Como eu disse, havia necessidade de clarificação. Ela foi feita agora nas presidenciais. Nas legislativas também espero que haja alguma clarificação, até mesmo expectativa que a população se desloque em massa às mesas de voto. Que votem mesmo a sério para demonstrar o que querem, seja qual for o partido da sua escolha, os deputados e também as câmaras. São eleições gerais. Portanto, são eleições autárquicas e legislativas. Não fiquem em casa. Espero que votem mesmo. E disso também nasça projectos em que nós possamos nos envolver e que possamos determinar o futuro de São Tomé e Príncipe. Apesar de tudo o que acontece, eu sou daqueles que acredita. Senão não teria investido, não teria deixado de ter um emprego seguro e remunerado a trabalhar por conta de outrem, para me lançar por conta própria e investir. Portanto, eu acredito e acredito que a maior parte dos são-tomenses tem um papel a desempenhar na construção desse país.

Convidado
Caso "Man Genas": "objectivo não era difamar, mas sim denunciar o que acontecia em Angola relativamente a tráfico de drogas e contrabando de combustíveis"

Convidado

Play Episode Listen Later Aug 26, 2026 10:02


Em Angola, Gerson Emanuel Quintas, também conhecido por "Man Genas", foi condenado a dois anos de prisão, com pena suspensa e proibido de usar as redes sociais pelo crime de ultraje ao Estado, mais especificamente por ter acusado as autoridades nacionais de ligação ao tráfico de droga. O advogado da defesa Alberto Quechinacho fala-nos do caso e, mais geralmente, da evolução da legislação angolana, com as leis da ciberseguraça e das fake news, esta última já aprovada.   O angolano Gerson Emanuel Quintas foi condenado a 21 de Agosto, a dois anos de prisão, com pena suspensa. Como pena acessória, é proíbido de usar as redes sociais, sob pena de ir para a cadeia.  "Man Genas" é acusado de ultraje ao Estado, por ter acusado as autoridades nacionais de ligação ao tráfico de droga e de ofensa ao Presidente da República, nomeadamente por ter dito de João Lourenço que é "um corrupto". Alberto Quechinacho: Estamos a ponderar recorrer. O mais certo é que venhamos a recorrer, mas ainda é uma ponderação. Algumas razões muito técnicas, que precisam de ser acauteladas, nos levam a levar a essa ponderação. RFI: E se avançarem com o recurso, qual será a argumentação da defesa? Alberto Quechinacho: Na verdade, o que ficou provado ao longo do julgamento foi uma expressão que o senhor Gerson Emanuel Quintas utilizou, em que chama o Presidente da Republica de "corrupto". Foi esta a expressão que levou o tribunal a formar a convicção de que havia ultraje.  Nós, a defesa, dizemos que, embora tivesse utilizado tal expressão, há duas questões fundamentais. A primeira é que, um jornal africano de grande tiragem teria associado a figura do Dr. João Manuel Gonçalves Lourenço ao processo que ficou conhecido como Dívidas Ocultas, talvez o maior processo de corrupção que já se passou em Moçambique. E desta notícia, é retirada a conclusão de que não houve dissociação entre a figura do Presidente e a de cidadão, que na data era ministro da Defesa. A outra questão é que a posição da defesa é que o Tribunal deveria ter atendido às condições a que o senhor Gerson Emanuel Quintas esteve submetido em Moçambique e que ele próprio declarou em tribunal. O Código de Processo Penal angolano refere que quando são averiguadas as provas, em primeiro lugar se deve ter em conta as declarações do próprio arguido. Gerson Emanuel Quintas referiu que o seu objectivo não era falar sobre as figuras, era denunciar o que acontecia em Angola relativamente ao tráfico de drogas e ao contrabando de combustíveis. E era também denunciar as condições que lhe estavam a ser impostas. Ele estava com dois filhos menores e a sua esposa encarcerado num pequeno quarto com condições extremamente degradantes e que punham em risco a sua integridade e a dos seus filhos. Estamos a falar de crianças com menos de seis anos de idade. Hoje já conseguem brincar como crianças normais, irem para a escola e fazerem outras coisas. Portanto, ele foi condenado por ultraje à figura do Presidente da República e foi absolvido do crime de incitação pública ao crime. RFI: O que diz concretamente a proibição de utilizar as redes sociais? O que acontece se ele as usar com outro nome, como é que as autoridades pretendem controlar essa utilização? Alberto Quechinacho: Não têm como controlar isso, obviamente. Houve, inicialmente, na leitura da decisão, um pequeno equívoco que dava a impressão de que esta pena acessória fosse extensiva à senhora Clemência Suzeth Vumbi. Mas não. Ela foi absolvida, incluindo desta pena acessória. Hoje a utilização das redes sociais passou a ser um direito fundamental das pessoas, não só em Angola. Agora também não está muito claro. Uma coisa é eu abrir uma conta, utilizar a minha conta e fazer divulgações e outra coisa é uma página falar sobre mim, utilizar a minha fala, utilizar a minha imagem, divulgar isso. Portanto, espero que o tribunal tenha em atenção esse detalhe.  RFI: Duas leis recentes abordam a questão da cibersegurança e das informações falsas. Considera que a condenação de Gerson Emanuel Quintas pode ser vista como uma exemplificação desta legislação e que este tipo de condenações pode vir a tornar-se mais frequente? Alberto Quechinacho: Não. Não há vínculo entre o processo de Gerson Emanuel Quintas e a produção dessa lei. Aliás, não há nada de novo que essa lei tenha trazido. A minha visão e a de muitos colegas meus é de que a lei das fake news não vem para regular, mas para intimidar. Esta lei assiste muito a questões eleitorais e também a questões de segurança de Estado. Portanto, é uma lei que foi produzida na vertente de intimidação.  As redes sociais hoje vão-se tornando o meio convencional de comunicação, comparativamente aos meios tradicionais como a televisão e a rádio, porque estes não prestam um serviço público no estrito cumprimento das regras da comunicação social. Então, as redes sociais hoje se tornaram uma ameaça para quem tem o poder político, porque tudo quanto poderia ocultar por via da imprensa tradicional, as redes sociais expõem. Daí que houve a necessidade de se criar normas que pudessem intimidar as pessoas.  O que é "fake news" para nós aqui? É fake news aquilo que as autoridades dizem que não é verdade. Simplesmente isso. Ou seja, se eu tiver conhecimento de uma informação e divulgá-la, basta que um órgão público diga que não é verdade para que se torne fake news, mesmo que seja verdade. Imagine que o porta voz da polícia, da saúde, quem quer que seja, venha a público dizer "isso não é verdade". Quem divulgou aquilo passa a estar na condição de ter divulgado informações falsas. Aqui em Angola, quando um governador da província de Luanda não foi ainda nomeado, as redes sociais já sabem quem vai ser. Portanto, se aparecer alguém a dizer "isso não é verdade", você cai logo no crime de fake news. E esse é o grande risco de vermos muitas pessoas a serem condenadas por crime de fake news, mesmo sob informações verdadeiras, mas desde que as autoridades digam o contrário. Esta legislação não incide tanto sobre o jurídico, mas sim sobre o político.   Gerson Emanuel Quintas tem ainda outro processo em curso, em que é acusado dos crimes de injúria, difamação e calúnia, contra o antigo director provincial de Luanda do Serviço de Investigação Criminal, Fernando Receado. O processo foi adiado depois de já terem sido realizadas duas audiências. 

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Realizadora angolana Pocas Pascoal distinguida no Festival de Cinema de Locarno

Artes

Play Episode Listen Later Aug 25, 2026 20:21


A realizadora angolana Pocas Pascoal, foi distinguida a 9 de Agosto com o 'The Open Doors - OIF Francophonie Award', no âmbito do Festival de Cinema de Locarno na Suíça que decorreu de 5 a 15 de Agosto. Durante o festival, a cineasta, autora nomeadamente de fitas como 'Memórias de Infância' em 2000, ou ainda 'Alda e Maria' em 2011, projectou a sua curta-metragem 'Time to Change', um filme sob forma de denúncia do colonialismo e apresentou o projecto pelo qual foi premiada, em torno da figura da cineasta francesa Sarah Maldoror, conhecida designadamente por ter acompanhado em imagem a luta de libertação de Angola. Em entrevista à RFI, a realizadora, a viver em Portugal há cerca de nove anos, partilhou a sua alegria por ter sido distinguida, falou da sua experiência como cineasta em Portugal e também evocou o que pretende contar na fita sobre Sarah Maldoror. RFI: Como se sente com o prémio que recebeu em Locarno? Pocas Pascoal: Sinto-me muito bem! Acho que é um grande impulso também para a minha carreira, que já começou há muitos anos, mas continua a crescer. É um prémio que vai valorizar também o projecto que eu estou a escrever sobre a Sarah Maldoror, que vai de certeza permitir-me concluir o projecto que estou a escrever e espero eu que vai ajudar também a ter financiamentos. Portanto, eu acho que é assim uma coisa muito, muito importante, o que me aconteceu. Tive muita gente a contactar-me interessada no projecto depois deste prémio. Isto é um grande impulso. O Festival de Locarno em si, é um grande programa de encontro e que nos permite fazer contactos e relações que ficaram até para o resto da vida, de certeza. Portanto, já isso é muito, muito importante como festival, como plataforma mesmo de formação. Nunca aprendi tanta coisa sobre cinema em tão pouco tempo e nunca fiz tantos encontros em tão pouco tempo também. Portanto, o facto de estar no Festival de Locarno em 'Open Doors' já é um grande presente e um grande prémio, porque permite-nos projectar o meu projecto internacionalmente. Estive lá com o filme e, sim, há já algumas coisas que estão a avançar bem e penso que vamos assinar um contrato de co-produção. RFI: A curta-metragem que lhe deu essa chave para a próxima etapa é 'Time to Change'. O que é 'Time to Change'? Pocas Pascoal: É uma crítica à colonização, à colonização em geral, mas sobretudo à colonização portuguesa, que foi aquela que Angola viveu. Tento denunciar através deste filme aquilo que se passou. E faço uma ponte entre o passado e o presente, hoje, criticando a relação que os portugueses tiveram, que foi uma relação de repressão e de exploração. Em Portugal há uma mentalidade ainda que, infelizmente, continua. Continuam a pensar que a colonização portuguesa foi uma boa colonização, que foi uma colonização 'soft', que misturaram-se muito e que não foi assim tão grave. Mas foi grave, Foi muito grave. Este filme denuncia aquilo que foi a colonização e também denuncia o desequilíbrio dos ecossistemas que começaram naquele momento. Portanto, quando os portugueses chegaram, havia um equilíbrio, uma maneira de viver que os angolanos, o ser humano teve que modificar, teve que se adaptar àquilo que esses colonos quiseram que eles se tornassem. Mesmo a nível de habitação, a nível da arquitectura, tivemos que sair da nossa casa feita de madeira e de palha, que era uma coisa local. Houve várias coisas que se podem aprofundar em relação a isso e mudaram-nos completamente, a nossa maneira de ser, a nossa cultura, a nossa linguagem mesmo. A língua que tivemos que falar foi a portuguesa. E também a natureza, os animais. Para mim, esta alteração climática começou já nesse momento. Portanto, eu faço esta ligação do passado ao presente para denunciar as consequências desta colonização ainda hoje. RFI: Como é que é estruturado este filme? Portanto, é um filme que vai buscar imagens documentais. Por exemplo, uma imagem muito forte, muito simbólica, de caçadores. Pocas Pascoal: Eu utilizei imagens de arquivo no filme e não só. Também tem imagens dos dias de hoje. Essas imagens do caçador são imagens horríveis e acho que apercebemo-nos que naquela altura caçava-se muito de forma recreativa. Caçava-se para o homem se sentir mais forte, o mais forte do universo, mais forte do que os animais, mais forte do que o elefante, que é um animal gigante. Numa das fotografias, tem uns três caçadores com uns cinco ou seis Elefantes. é uma coisa horrível. E são animais que hoje em dia estão a desaparecer por causa disso. Por foram tão caçados às vezes só para poderem pôr um troféu na parede. E às vezes para poder se sentirem fortes. E para poderem utilizar o marfim. É uma coisa absurda, porque é uma mentalidade que infelizmente destruiu. E isto, acho que temos que tomar consciência. E lembrarmo-nos, continuarmos a lembrar o que foi e o que é que está a acontecer hoje. Portanto, é uma maneira para mim também de reavivar a memória. RFI: Falou da forma como Portugal encara o período colonial. Como é que ele é encarado em Angola? Pocas Pascoal: Ai, eu já não estou em Angola há 40 anos! E vou muito raramente a Angola. Seria difícil falar sobre este tema. Sei que em relação aos angolanos que estão na diáspora, é uma luta constante contra o racismo. Eu vivi vários anos em França e nunca vivi tanto racismo como vivo aqui em Portugal, infelizmente. Há coisas maravilhosas, mas há um racismo muito básico. Na verdade, é uma coisa que foi impregnada na mente das pessoas, que as pessoas negras são pessoas inferiores, que são pessoas que não têm instrução, que são pessoas que não têm meios financeiros, que são pobres também. Isto aconteceu-me. O racismo que eu tive aconteceu-me com várias pessoas de vários meios sociais. Por isso é uma coisa que está impregnada na mente das pessoas portuguesas e que não sai. E que eu acho que é um trabalho que se deve fazer. É um trabalho que talvez não tenha sido feito. Eu penso que não foi feito um trabalho que deve começar a nível das escolas, com as crianças, para tentar mudar esta mentalidade e é um trabalho político também. Eu acho que a Europa e Portugal, sobretudo, que é o país onde eu vivo, tem uma grande dívida com esses países que colonizaram. Mas esta dívida devia ser paga através de um trabalho de memória, de um trabalho de formação e de informação. É um trabalho que deve ser começado pelas crianças nas escolas, porque só a partir daí é que as mentalidades das pessoas brancas vão começar a mudar e a reconhecer que nós somos iguais. RFI: Como é que é fazer cinema em Portugal? Aquilo que acaba de me descrever também entra em linha de conta para a sua vivência em termos de trabalho? Pocas Pascoal: Claro, uma grande influência, infelizmente, é terrível. Eu vou contar-lhe uma coisa que eu por acaso falo muito raramente e não estou a falar do lado financeiro, porque o lado financeiro é realmente um problema com as mulheres, porque nós temos estado a lutar contra isso também. Eu faço parte de um grupo de mulheres no cinema que se chama 'Mutim' (Associação de Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento em Portugal). A 'Mutim' lutou muito para que haja nos júris do ICA (Instituto de Cinema e do Audiovisual) mulheres, que as mulheres sejam representadas também nos júris. Portanto, isto já muda muito, os financiamentos. E depois? Agora é chegar a mulheres negras, porque também é um problema de imaginar um filme onde só haja pessoas negras. Mesmo se eu não faço filmes só com pessoas negras, mas um filme onde haja uma maioria de pessoas negras, os júris podem ver aquilo muito mal. É um filme que não vai ter público. Um filme que vai ser mal distribuído, se calhar, porque se há uma mentalidade que ainda pensa que as pessoas negras não têm formação, não são instruídas, etc, no cinema também é uma coisa muito às vezes inconsciente. No cinema também, portanto, há uma luta contra isso. Há uma vitória pequenina, é verdade. Já se vê alguns filmes distribuídos nos cinemas com pessoas negras, mas são filmes americanos. É verdade. Negro e americano. Ok, já é melhor aceite. Mas o que eu queria contar há bocado é que aconteceu-me. Há uns anos atrás, fiz um telefilme. Fui convidada porque era uma mulher. E aceitei porque era uma oportunidade para mim de trabalhar na indústria portuguesa. Eu tinha acabado de chegar a Portugal e eu tinha feito um casting com pessoas negras, porque o filme passava-se nos subúrbios de Lisboa e aquilo foi uma luta. Foi horrível. Não consegui ter um casting só com pessoas negras. Foi uma luta terrível. Mas há um público e é um erro enorme, porque há um público, porque quando passa um filme na televisão com pessoas negras, as pessoas vêem os filmes. Há estatísticas, as pessoas vêm e é muito visto. Portanto, há um erro enorme em relação a isso. Isso também faz parte do trabalho para modificar isso. Faz parte deste trabalho, que é muito político e que as pessoas têm que fazer. Como eu disse há bocado, tem que começar nas escolas com as crianças, porque senão as coisas não vão mudar. RFI: Estava a mencionar o facto de ter também a expectativa de que o facto de ganhar esta visibilidade com este prémio também possa dar um impulso ao seu próximo projecto, que tem a ver com a figura da Sarah Maldoror, que faz a ponte entre a francofonia, porque ela era das Antilhas, com o mundo lusófono, uma vez que ela focou o seu olhar sobre a África lusófona, sobre Angola, sobre a Guiné-Bissau. O que é que a levou a interessar se por esta realizadora? Pocas Pascoal: É uma figura muito importante em Angola. Ela até é considerada angolana em Angola. Ela fez os dois primeiros filmes em Angola. A primeira vez que eu vi pessoas negras no cinema, era muito jovem, foi através de filmes da Sarah, o filme 'Sambizanga'. Portanto, eu era muito, muito jovem. Eu devia ter nove ou dez anos e foi a primeira vez que eu também começo a descobrir a história do meu país em relação à colonização. Eu tive a sorte de ter conhecido a Sarah. Eu estive com Sarah duas vezes. A primeira vez que eu ouvi a Sarah foi numa residência em França, na Normandia, onde a Sarah tinha a melhor amiga dela. Era proprietária da residência. Portanto, eu estava lá. Sarah veio visitar a amiga e eu conheci a Sarah. Eu era muito tímida naquela altura, portanto eu quase nem falei com ela. E a segunda vez que estive com Sarah, foi durante uma viagem para Angola. Nós fomos convidadas, várias pessoas foram convidadas, para um festival em Luanda. Acho que foi o segundo ano desse festival e a Sarah foi homenageada nesse festival. E como viajamos juntas, devem ter comprado os nossos bilhetes ao mesmo tempo. Estávamos sentadas uma ao lado da outra e foi muito engraçado. Fizemos sete horas juntas, uma ao lado da outra. Tivemos a oportunidade de conversar. A Sarah contou-me a história deste filme, que deveria ter sido o primeiro filme dela, a primeira longa-metragem ('Armas para Banta', Guiné-Bissau, 1970). E eu me interessei muito naquela altura. Interessei-me muito pela vida dela, porque tinha visto vários filmes feitos por ela. E, sobretudo, interessei-me muito por essa história, que é uma coisa de injustiça. A Sarah, que lutou a vida toda pela justiça social e pela igualdade de direitos. Este filme foi uma grande injustiça para ela. Eu nem sei se já tinha perguntado isso, mas o meu filme é sobre a Sarah nesse momento, quando ela vai à Guiné-Bissau, vai documentar a luta armada dos guineenses contra a colonização portuguesa. E ela, em vez de falar de um herói no filme, ela faz uma heroína. E quando ela volta para a Argélia, o filme não é aceite. Ela é expulsa da Argélia. Bom, estou a resumir, mas ela é expulsa da Argélia. E o filme lhe é retirado e desaparece até hoje. Portanto, eu interessei-me muito por este este momento da vida da Sarah, que também é o início da carreira dela. E também, para mim, é a oportunidade de falar dessas mulheres, porque ela vai filmar aquelas mulheres que foram realmente resistentes e estiveram na guerrilha durante muitos anos a lutar contra a colonização portuguesa. Portanto, para mim também, é a oportunidade de falar dessas mulheres. É claro que o foco é na Sarah e a Sarah interessa-me muito. Eu estudei muito, vi os filmes dela todos e interessam-me porque é uma pessoa que foi íntegra. Ela lutou a vida toda, fez mais de 40 filmes e através do cinema, ela lutou pela igualdade de direitos. Ela foi uma grande resistente. Ela foi uma grande activista e é uma para mim, um exemplo e uma referência de uma pessoa negra que conseguiu e sempre foi honesta com ela mesmo e com aquilo que ela fez. Íntegra. Portanto, para mim, é uma grande referência e um grande exemplo. E eu gosto do cinema dela. E também, eu penso muito no cinema dela, vejo filmes dela, quando faço os meus filmes. É uma grande referência. RFI: Essa história de Sarah Maldoror na Guiné-Bissau a tentar retratar as mulheres que participaram na luta de libertação e que foi um filme rejeitado. Isto, no fundo, também vai tocar na sua fibra feminista. Pocas Pascoal: Não vou generalizar porque a África é muito diferente, mas as mulheres em Angola são mulheres que foram muito valorizadas e que o são até hoje, que têm um grande poder na família e não só, também no trabalho. É claro que estamos a falar também de um sistema patriarcal. É evidente. Eu vivi depois da colonização, esta valorização das mulheres. As mulheres que lutaram contra a colonização portuguesa são mulheres que, muitas vezes, é verdade, pensando bem, são mulheres que ficaram na sombra. São mulheres que não foram muito faladas. Houve uma que se tornou heroína, mas falava-se muito pouco das mulheres. Portanto, a Sarah, ela tem este lado também feminista, mesmo se ela não se dizia feminista. Ela tem esse lado feminista porque ela, os personagens dela, no início da carreira dela, eram mulheres. Ela quis pôr em evidência as mulheres africanas, as mulheres negras, porque essas mulheres nunca eram os personagens principais nos filmes. Eu faço filmes sobre mulheres. É uma coincidência, mas porque são pessoas com quem eu me identifico mais facilmente, mais rapidamente, e são temas que me tocam imenso. RFI: Em que fase está? Pensa que este projecto em torno da Sarah Maldoror vai vingar quando? Pocas Pascoal: Francamente, eu penso que o filme agora e com este prémio também, que está a valorizar o projecto e que estava lá o Instituto de Cinema no Locarno, também eles viram, assistiram a isso, eu espero que não somente o ICA, mas outros fundos se interessem pelo projecto e já se estão a interessar. Espero rodar o filme em 2027 e espero que o filme em início de 2028 esteja acabado. Realmente, acredito que agora vai avançar rapidamente. Eu levei muito tempo a fazer pesquisa, vi e falei muito com as filhas da Sarah. Estive a tentar procurar qual era o melhor momento da vida da Sarah para eu poder pôr no cinema, porque não quis fazer um 'biopic' sobre a vida da Sarah, mas quis fazer sobre uma parte da vida dela que é enorme. O momento em que ela vai fazer este filme é o início da carreira dela também. Por isso passei muitos anos em pesquisa a tentar encontrar como é que eu ia falar sobre esta pessoa, que também não é muito fácil. Se seria documentário, ficção, falar desta pessoa que é uma pessoa que eu admiro muito e não me quero enganar. Portanto, acho que tenho um bom filme, foi aquilo que eu escolhi. Espero que nos próximos dois anos o filme esteja acabado. RFI: Tem outros projectos na forja ou é uma pessoa de um só projecto de cada vez? Pocas Pascoal: Não. Eu sou hiperactiva, portanto tenho vários projectos. Estou a acabar agora um filme, mas é uma curta também. Quando falo de hiperactividade não faço várias longas ao mesmo tempo, infelizmente. É uma questão financeira, mas enquanto estou à espera de financiamento para uma longa, estou a fazer curtas-metragens e tento fazer também instalações. Não faço muitas, mas tento participar em exposições e fazer instalações. E neste momento estou a fazer uma curta-metragem que, espero eu, estará nos festivais. Acho que no fim do ano já vou começar a mostrar o filme e também há uma curta-metragem feita com arquivos. Não vou revelar ainda a história porque ainda estou a montar e as coisas podem evoluir. Gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Devocionais Pão Diário
DEVOCIONAL PÃO DIÁRIO | ATRÁS DAS GRADES

Devocionais Pão Diário

Play Episode Listen Later Aug 13, 2026 4:53


LEITURA BÍBLICA DO DIA: ISAÍAS 43:11-19 PLANO DE LEITURA ANUAL: SALMOS 87–88; ROMANOS 13 Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira:  Um atleta famoso subiu ao palco de uma prisão e compartilhou as palavras de Isaías com 300 presidiários. O espetáculo não foi a presença do atleta, mas as muitas almas quebrantadas e feridas. Nesse momento especial, Deus apareceu “atrás das grades”. Um observador tuitou que “o ambiente começou a explodir em adoração e louvor”. Os homens choravam e oravam juntos. No final, 27 detentos entregaram a vida a Cristo. De certa forma, estamos todos em celas que nós mesmos construímos; presos nas grades da ganância, egoísmo e vício. Mas surpreendentemente, Deus nos visita. Naquela manhã, na prisão, o versículo-chave era: “Pois estou prestes a realizar algo novo. Vejam, já comecei!” (ISAÍAS 43:19). A passagem nos incentiva a esquecermos do passado e a não nos apegarmos a ele (v.18), pois Deus diz: “Eu, somente eu, por minha própria causa, apagarei seus pecados e nunca mais voltarei a pensar neles” (v.25). Mas Deus deixa claro: “…somente eu, sou o Senhor, e não há outro Salvador” (v.11). Somente ao entregarmos nossa vida a Cristo é que somos de fato livres. Alguns de nós precisam fazê-lo; alguns de nós já se entregaram, mas precisam ser lembrados de Quem é o Senhor de nossa vida. Temos a certeza de que, por meio de Cristo, Deus fará “algo novo”. Portanto… vejam, já começou!  Por:  KENNETH PETERSEN 

Expresso - Expresso da Manhã
Ceuta confirmou que a Geração Z é a mais vulnerável à desinformação

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later Aug 4, 2026 14:30


A desinformação pode assumir várias formas, que se misturam, não raramente, com conteúdos consumidos diariamente pelos mais jovens. A democracia e a segurança podem ser as primeiras a sofrer. Do texto da jornalista Mariana Ramos Loureiro, partimos para uma conversa que nos recorda também o que aconteceu em Ceuta no final da semana passada.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Palavra Amiga do Bispo Macedo
O Espírito Santo é o Espírito de todos os Primogênitos de Deus - Meditação Matinal 28/07/26

Palavra Amiga do Bispo Macedo

Play Episode Listen Later Jul 28, 2026 26:55


“Mas chegastes ao Monte Sião, e à Cidade do Deus Vivo, à Jerusalém Celestial, e aos muitos milhares de anjos;À universal assembleia e Igreja dos Primogênitos, que estão inscritos nos Céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; E a Jesus, o Mediador de uma Nova Aliança…” Hebreus 12:22-24a“Portanto, AGORA nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.” Romanos 8:1

Palavra Amiga do Bispo Macedo
...se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle - Meditação Matinal 27/07/26

Palavra Amiga do Bispo Macedo

Play Episode Listen Later Jul 27, 2026 24:27


"Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à Lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.Portanto, OS QUE ESTÃO NA CARNE NÃO PODEM AGRADAR A DEUS.Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, SE É QUE O ESPÍRITO DE DEUS HABITA EM VÓS. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle." Romanos 8:6-9

Palavra Amiga do Bispo Macedo
Se já ressuscitastes com Cristo, BUSCAI as coisas que são de Cima... - Meditação Matinal 20/07/26

Palavra Amiga do Bispo Macedo

Play Episode Listen Later Jul 20, 2026 26:06


“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, BUSCAI as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. PENSAI nas coisas que são de cima, e não nas que são da Terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” Colossenses 3:1-3“Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.” João 3:5-6“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, SE É QUE o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle.” Romanos 8:9

Devocionais Pão Diário
DEVOCIONAL PÃO DIÁRIO | PRIMEIRO O LOUVOR

Devocionais Pão Diário

Play Episode Listen Later Jul 13, 2026 3:19


LEITURA BÍBLICA DO DIA: ESDRAS 3:1-6 PLANO DE LEITURA ANUAL: SALMOS 7–9; ATOS 18 Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira:  Iniciar uma ONG de apoio para adultos estava fora dos meus planos e, quando me senti chamado a fazê-lo, tive muitas perguntas. Quem a financiaria? Quem ajudaria a montá-la? A maior ajuda não veio de um livro de gerenciamento de negócios, mas de um livro bíblico. O livro de Esdras é leitura essencial a quem Deus chama para fazer algo. Relata sobre como os judeus reconstruíram Jerusalém após o exílio, apresenta como Deus proveu por meio de doações públicas e recursos governamentais (ESDRAS 1:4-11;6:8-10), e como os voluntários e empreiteiros fizeram o trabalho (1:5;3:7). Mostra a importância do tempo de preparação, com a reconstrução só começando no segundo ano do retorno deles (3:8) e como a oposição pode surgir (cap.4). Mas, para mim, em particular, algo na história se destacou. Um ano inteiro antes de começar qualquer construção, os judeus erigiram o altar (3:1-6). O povo adorou “antes mesmo de lançarem os alicerces do templo do Senhor” (v.6). A adoração veio antes. Deus o chama para começar algo novo? O princípio de Esdras é contundente, quer iniciemos uma ONG, estudo bíblico, projeto criativo ou nova função no trabalho. Até mesmo um projeto concedido por Deus pode desviar a nossa atenção dele. Portanto, concentremo-nos primeiramente em Deus. Antes de trabalhar, adoremos!  Por:  SHERIDAN VOYSEY 

Semana em África
Guiné-Bissau: a semana em que Domingos Simões Pereira voltou para a prisão

Semana em África

Play Episode Listen Later Jul 11, 2026 7:56


Sejam bem-vindos ao magazine Semana em África, a rúbrica onde recapitulamos os principais acontecimentos da semana no continente africano. Esta semana fica marcada por uma nova reviravolta na Guiné-Bissau com o principal líder da oposição, Domingos Simões Pereira, a ter sido colocado em prisão preventiva, esta sexta-feira.  Simões Pereira vai cumprir uma ordem decretada por um Juiz de Instrução Criminal, no âmbito de uma investigação sobre a sua alegada participação num golpe de Estado que teria ocorrido em outubro de 2025. A defesa diz tratar-se de uma "cabala política".  De acordo com os advogados de defesa e fontes familiares, Simões Pereira foi conduzido por volta das 10 horas, hora de Bissau, para as instalações da Segunda Esquadra, onde vai cumprir a prisão preventiva. A medida teria sido decretada na quinta-feira, pelo Juiz de Instrução Criminal, Mamadu Embalo, dando deferimento a um pedido nesse sentido que tinha sido formulado pela Promotoria da Justiça Militar. O opositor Fernando Dias da Costa, que reclama ter vencido as eleições presidenciais de Novembro passado, entretanto interrompidas pelo golpe de Estado militar, denunciou o que considera ser uma perseguição política a Simões Pereira. Dias da Costa afirma que Pereira é vítima de perseguição unicamente por ter apoiado a sua candidatura às eleições de Novembro. Entretanto, os advogados de defesa do líder do PAIGC e presidente eleito do parlamento guineense, não compareceram ao Tribunal Militar, onde Simões Pereira, está a ser investigado, por considerarem que o seu processo ganhou contornos políticos e não judiciais. Portanto, dizem, não valia a pena ir ao Tribunal, instância da qual não receberam nenhuma notificação. Seja como for, é facto que Domingos Simões Pereira está detido na Segunda Esquadra, onde já esteve de 26 Novembro de 2025 a 31 Janeiro deste ano. Desde essa altura, Pereira encontrava-se em prisão domiciliária, sob forte vigilância policial. Após ser ouvido pelo Tribunal Militar na quarta-feira, o responsável político tinha sido notificado ontem à noite para tornar a comparecer perante a justiça nesta sexta-feira. Uma situação perante a qual as eurodeputadas portuguesas Catarina Martins e Marta Temido, bem como a diplomata Ana Gomes, manifestaram o seu repúdio denunciando o que qualificaram de inacção da comunidade internacional.  Guiné-Bissau: referendo a 30 de Agosto sobre nova Constituição Ainda na Guiné-Bissau, os cidadãos serão chamados no próximo dia 30 de Agosto a pronunciar-se sobre a nova Constituição do país. A sociedade civil insurge-se contra esta iniciativa, que apelida de "teatro". Cada guineense com capacidade eleitoral activa vai dizer “sim” ou “não” como resposta. A consulta popular será feita por sufrágio universal, directo, secreto e pessoal, sobre a entrada em vigor da nova Constituição da República aprovada pelo Conselho Nacional de Transição. O decreto presidencial, assinado por Horta Inta-a esclarece que “o Supremo Tribunal de Justiça emitiu parecer favorável” à realização do referendo. A questão que se coloca é saber o que diz a própria Constituição já que a maioria dos guineenses desconhece as novas formulações que constam do texto revisto pelo Conselho Nacional de Transição, órgão que exerce as competências do parlamento guineense. Os militares tomaram o poder a 26 de novembro de 2025, num golpe de Estado e uma das primeiras acções foi a alteração da Constituição da República da Guiné-Bissau que passa a dar mais poderes ao Presidente da República. A oposição e as organizações da sociedade civil têm criticado todo o processo que conduziu à alteração da Constituição que dizem foi feita por via da força. Seja como for, no próximo dia 30 de agosto, os guineenses serão chamados a dizer se concordam ou não com a nova Constituição da República. Armando Lona, coordenador da Frente popular, representando a sociedade civil, denuncia um "teatro".  "Não passa de uma aberração crónica, uma fuga para a frente por parte de um grupo que, todos nós sabemos que assaltou as instituições, que instalou uma ditadura sanguinária na Guiné-Bissau nos seis últimos anos. Apesar da derrota que sofreu nas eleições de 23 de novembro de 2025, não se acomodou, não se convenceu. Continua a multiplicar encenações, golpes cerimoniais, teatros, como agora estamos a assistir com esse pseudo referendo que não passa de um autêntico teatro no circo. Porque um referendo constitucional, em qualquer parte do mundo, é um acto de soberania popular. Acontece dentro de um quadro histórico duma realidade histórica interpretada pelo povo sobre a necessidade ou não de proceder a um referendo. E quando acontece, acontece dentro dos parâmetros legais, devidamente legitimado pelo povo do país. Na Guiné-Bissau temos leis que indicam claramente como é que se deve proceder perante um referendo popular. Qualquer revisão constitucional tem que decorrer dentro desses parâmetros legais. Portanto, o que está a acontecer nesse momento é um autêntico teatro de um bando que capturou as instituições da Guiné-Bissau, que tenta a todo o custo salvaguardar o regime que já está desmoronado. Um regime que está completamente à deriva, portanto. E tudo isso não passa de um teatro"." Neste contexto, acha que, porventura, muitos guineenses já tomaram conhecimento das alterações que a transição preconiza? Acha que as pessoas estão esclarecidas sobre o que vai ser o objecto deste referendo? Os guineenses não avaliam essas mudanças oportunísticas, essas mudanças ilegais. O que os guineenses avaliam é a tentativa da sua confiscação, da vontade exprimida nas urnas. O povo da Guiné-Bissau escolheu um presidente no dia 23 de Novembro de 2025 e aconteceu um falso golpe para poder impedir que este presidente assumisse as funções presidenciais. Tudo o que nós estamos a assistir até agora faz parte desse projecto de confiscação da vontade popular. E o povo da Guiné-Bissau não reconhece esse grupo, esse bando. O povo da Guiné-Bissau está determinado a lutar para fazer valer a vontade expressa soberanamente nas urnas. Moçambique: Igreja quer esclarecimentos sobre assassinato de bispo de Quelimane A igreja católica, realça o presidente da conferência episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saúre, está preocupada e busca respostas para o que aconteceu na madrugada dia 06 de Junho na residência pastoral na cidade de Quelimane onde sabe-se apenas que Dom Osório Citora foi morto a tiro. "Ficando apenas o que foi dito publicamente pela imprensa de que o bispo foi morto a tiro, por uma arma de fogo sem nenhuma referencia as possíveis respostas para as perguntas cruciais tais como: quem matou exactamente Dom Osório, quem foi o mandante e quais seriam as motivações do assassinato". A Conferência Episcopal de Moçambique pede, diz o arcebispo de Maputo Dom Carlos Nunes, que seja levado a cabo uma nova linha de investigação ao assassinato do bispo de Quelimane. "Ali não é fábrica de armas. Veio de algum sítio, alguém trouxe essa arma. Então que se abra mais o campo porque o modo como agora está sendo orientado parece que é uma coisa de casa, caseira. A igreja tem problemas então é vitima dos seus próprios problemas". A preocupação dos bispos católicos foi manifestada em conferência de imprensa na capital moçambicana. Os arcebispos de Nampula, Dom Inácio Saúre, de Maputo, Dom João Carlos, e o emérito da Beira, Dom Claúdio Dalla Zuanna, mantiveram encontros no dia 04 deste mês de Julho, em Roma, com o Papa Leão XIV e com o Cardeal Pietro Parolin - Secretário de Estado do Vaticano onde onde foi condenado o baleamento do bispo da diocese de Quelimane, Dom Osório Citora. Entretanto, cerca de 1.400 moçambicanos foram repatriados pelas autoridades nacionais após a violência xenófoba na África do Sul. O anúncio foi feito pelo Governo que garante estar a acompanhar a situação e a criar condições para o enquadramento profissional destes cidadãos. O porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, revelou, esta semana, os números de moçambicanos regressados da África do Sul. Em São Tomé e Príncipe, a missão de observação às eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe deverá chegar ao país entre dia 14 e 15 de Julho e deverá ser liderada pelo antigo ministro angolano, João Bernardo Miranda. Estas precisões foram feitas por Maria de Fátima Jardim, secretária-executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais de 19 de julho, nomeadamente Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D'Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, Carlos Manuel Vila Nova, que é recandidato ao cargo, e Jorge Bom Jesus, que anunciou a sua desistência já fora do prazo legal. É o ponto final deste magazine Semana em África. Nós, já sabe, estamos de volta na próxima semana. Até lá, fique bem.

Palavra Amiga do Bispo Macedo
Monte Sião: o lugar escolhido de Deus para o Seu Repouso para sempre... - Meditação Matinal 10/07/26

Palavra Amiga do Bispo Macedo

Play Episode Listen Later Jul 10, 2026 17:27


"Porque o Senhor escolheu a Sião; desejou-a para a Sua Habitação, dizendo:Este é o Meu repouso para sempre; aqui habitarei, pois o desejei." Salmos 132:13-14"Eis-Me aqui, com os filhos que Me deu o Senhor, por sinais e por maravilhas em Israel, da parte do Senhor dos Exércitos, que habita no Monte de Sião." Isaías 8:18"Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que Eu assentei em Sião uma Pedra(Jesus), uma Pedra já provada, Pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada; aquele que crer não se apresse." Isaías 28:16"Mas chegastes ao Monte Sião, e à Cidade do Deus Vivo, à Jerusalém Celestial, e aos muitos milhares de anjos; À universal assembleia e Igreja dos Primogênitos, que estão inscritos nos Céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; E a Jesus, o Mediador de uma Nova Aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel." Hebreus 12:22-24

Palavra Amiga do Bispo Macedo
Aos que Me honram honrarei, porém os que Me desprezam serão desprezados... - Meditação Matinal 04/07/26

Palavra Amiga do Bispo Macedo

Play Episode Listen Later Jul 4, 2026 22:58


“Portanto, diz o Senhor Deus de Israel: Na verdade tinha falado Eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de Mim perpetuamente; porém agora diz o Senhor: Longe de Mim tal coisa, porque aos que Me honram honrarei, porém os que Me desprezam serão desprezados.”I Samuel 2:30“Quem pratica o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus Se manifestou: Para desfazer as obras do diabo. Qualquer que é nascido de Deus não permanece em pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus.” I João 3:8-9

Alta Definição
Eder: “Hoje continuam a dizer-me ‘Ainda não é feriado!' Até hoje me pergunto o que me passou pela cabeça naquele momento para dizer aquilo”

Alta Definição

Play Episode Listen Later Jul 4, 2026 45:21


Dez anos depois do golo que valeu o título de campeão europeu a Portugal, no Euro 2016, Eder regressa ao Alta Definição para conversar com Daniel Oliveira sobre o momento que o imortalizou no futebol nacional. O avançado, que entrou como suplente na final disputada em Paris frente à França, recordou com emoção palpável os instantes que antecederam o remate decisivo, revelando a complexidade técnica e emocional de um lance que durou apenas uma fração de segundos. "Desde o momento em que o Moutinho passa a bola e eu tomei a decisão de aguentar e virar-me em direção à baliza, é tudo muito rápido", confessou, acrescentando que a memória que guarda do momento é quase transcendental: "É como se a minha alma tivesse sido o corpo, como se eu estivesse a ver um filme com um final feliz." Além do futebol, Eder revela-se um homem profundamente moldado por uma infância difícil, passada em instituições de acolhimento, e pelas oito cirurgias que pontuaram uma carreira marcada pela adversidade. O Alta Definição foi emitido na SIC a 04 de julho.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Palavra Amiga do Bispo Macedo
A maior e melhor oferta pelo Melhor de Deus: o Cálice da Salvação... - Meditação Matinal 28/06/26

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Play Episode Listen Later Jun 28, 2026 15:45


“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a Vida Eterna.”João 3:16“Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?Tomarei o Cálice da Salvação, e invocarei o Nome do Senhor.” Salmos 116:12-13“Portanto, diz o Senhor Deus de Israel: Na verdade tinha falado Eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de Mim perpetuamente; porém agora diz o Senhor: Longe de Mim tal coisa, porque aos que Me honram honrarei, porém os que Me desprezam serão desprezados.” I Samuel 2:30