Podcasts about europeia

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EM BUSCA DE UMA HISTÓRIA
Aníbal Cavaco Silva

EM BUSCA DE UMA HISTÓRIA

Play Episode Listen Later Jan 10, 2023 17:00


Aníbal António Cavaco Silva é um economista português que serviu como o 19º presidente de Portugal , no cargo de 9 de março de 2006 a 9 de março 2016. Ele havia sido primeiro-ministro de Portugal de 6 de novembro de 1985 a 28 de outubro de 1995. Seu mandato de 10 anos foi o mais longo de qualquer primeiro-ministro desde António de Oliveira Salazar , e ele foi o primeiro primeiro-ministro português a ganhar um parlamentar absoluto maioria sob o sistema constitucional atual. Ele é mais conhecido por liderar Portugal na União Europeia . --- Send in a voice message: https://anchor.fm/manuel-velez61/message

Leste Oeste de Nuno Rogeiro
Sobre a adesão à UE: "Ucrânia está a conseguir aprovar algumas leis no sentido certo, mas ainda lhe falta muito"

Leste Oeste de Nuno Rogeiro

Play Episode Listen Later Jan 8, 2023 33:35


Neste Leste Oeste, Nuno Rogeiro fala sobre a pergunta que tem ficado esquecida: como está a adesão da Ucrânia à UE? Rogeiro explica que, para entrar na União Europeia, a Ucrânia tem de reformar instituições como os tribunais, tem de renovar as leis sobre a comunicação social, sobre as minorias, sobre a transparência e anticorrupção, etc. "A Ucrânia está a conseguir aprovar algumas leis no sentido certo, mas ainda lhe falta muito", diz o comentadorSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Radar Agro
Produto Halal garante mercados ao Agro Brasil | Papo de Prateleira

Radar Agro

Play Episode Listen Later Jan 6, 2023 29:24


São mais de dois bilhões de consumidores espalhados pelo planeta inteiro. Um mercado que vai atingir US$ 5,74 bilhões em 2024. A Certificação Halal, que garante procedimentos exigidos pelos seguidores da religião islâmica, avançou mais em 2022 ao lado do agronegócio brasileiro. E pode abrir portas até em mercados complicados, como a União Europeia. Quem explica é o Engenheiro Civil e Diretor de Operações da CDIAL, localizada em São Bernardo do Campo, Ahmad Saifi. Site: cdialhalal.com.br

Fact Check
Roménia "já nos apanhou" no PIB per capita?

Fact Check

Play Episode Listen Later Jan 4, 2023 2:42


Previsões da Comissão Europeia preveem que Roménia ultrapasse Portugal em crescimento económico em 2024. Redes sociais antecipam-se. Quem tem razão?See omnystudio.com/listener for privacy information.

News On Apple - O podcast da maçã
News On Apple #128 - Linha do iPhone 15 deve ser alterada, 'lei das baterias' na Europa, chip A16 vs A17 Bionic e muito mais!

News On Apple - O podcast da maçã

Play Episode Listen Later Jan 4, 2023 56:54


News On Apple #128 - iPhone SE de 4ª geração poderá ser cancelado ou adiado; ‘seriamente preocupada' com vendas do iPhone 14 Plus, Apple deve reavaliar linha do iPhone 15; lei da União Europeia quer que usuários substituam 'facilmente' a bateria de iPhones; erros 'sem precedentes' levaram ao lançamento do iPhone 14 Pro [Max] sem novo processador gráfico; A17 Bionic dos iPhones 15 Pro e 15 Ultra pode ser 35% mais eficiente para maior duração de bateria; entre outros assuntos, sempre com muitas dicas e um bate papo descontraído com as curiosidades do mundo Apple. Apresentação: Rafael de Angeli (@rafangeli), Marcelo Dada (@marcelodada88) e Pedro Celli (@pcelli). Edição/mixagem: Guilherme Celli (@mestilinski). Oferecimento/Parceiros: Hospital Mais Phone (@hospitalmaisphone) e Mundo Apple BR (@mundoapplebr). Saiba todos os rumores e novidades do mundo Apple em www.newsonapple.com

Podcast Internacional - Agência Radioweb
Croácia espera “bombar" ainda mais turismo com adoção do Euro

Podcast Internacional - Agência Radioweb

Play Episode Listen Later Jan 4, 2023 3:41


Nove anos depois de entrar na União Europeia, a Croácia trocou a kuna, a moeda nacional, pelo euro. O país passou a integrar a zona do euro, o grupo de países que adotam a moeda única europeia, e o espaço Schengen de livre circulação no bloco.

ONU News
FAO e União Europeia lançam projeto para recuperar agricultura familiar na Ucrânia

ONU News

Play Episode Listen Later Jan 4, 2023 0:01


JE Notícias
União Europeia inclinada a pedir testes à Covid-19 a viajantes procedentes da China | O Jornal Económico

JE Notícias

Play Episode Listen Later Jan 4, 2023 0:44


Os países do bloco comunitário inclinam-se também para recomendar aos viajantes medidas de higiene pessoal, incluindo o uso de máscara nos voos com partida da China, e o controlo de águas residuais dos aviões para monitorizar o eventual surgimento de novas variantes à chegada aos seus aeroportos.

EM BUSCA DE UMA HISTÓRIA

A zona euro é uma região europeia que agrupa os países da União Europeia cuja moeda oficial é o euro (€). O Banco Central Europeu é responsável pela política monetária da zona euro, sendo o Eurogrupo o órgão político que reúne os representantes dos países que utilizam esta moeda. Os 20 países membros da zona euro são, a partir de 2023, Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, a Holanda e Portugal --- Send in a voice message: https://anchor.fm/manuel-velez61/message

Economia
Com adoção do euro, Croácia espera “bombar" ainda mais turismo, mas preços já sobem

Economia

Play Episode Listen Later Jan 3, 2023 5:52


Nove anos depois de entrar na União Europeia, a Croácia trocou a kuna, a moeda nacional, pelo euro. O país passou a integrar a zona do euro, o grupo de países que adotam a moeda única europeia, e o espaço Schengen de livre circulação no bloco. O pequeno Estado dos Bálcãs ganha acesso facilitado aos mercados europeus e se prepara para receber ainda mais turistas – mas os habitantes já constatam que, como resultado imediato, a mudança fez os preços subirem no comércio. A ascensão foi das mais rápidas já vistas na União Europeia, uma recompensa de Bruxelas aos esforços de Zagreb para vencer as etapas para integrar os dois grupos – são 20 países na zona do euro e 23 no espaço Schengen. Independência do Banco Central, estabilidade dos preços e finanças públicas sob controle são alguns dos pontos que contaram a favor. Outros dois candidatos, a Romênia e a Bulgária, não tiveram a mesma sorte – o Conselho Europeu julgou que ambos ainda não eram capazes de assegurar o fluxo migratório dos Bálcãs nas suas fronteiras com a UE, e bloqueou os seus processos de adesão em 2022.  O economista do Banco da França Florian Le Gallo lembra que, desde o ingresso na União Europeia, a Croácia traçou o caminho para também adotar a moeda única. A última vez que um país tinha sido aceito foi em 2015, com a entrada da Lituânia. Aos olhos de Bruxelas, a aceitação de Zagreb representa um sinal de força do euro, após a crise das dívidas iniciada em 2010 e o Brexit.  “Em 2021, mais de 60% do comércio exterior da Croácia foi com a zona do euro, dentro da qual a Alemanha é o seu principal parceiro comercial. O que muda agora é a eliminação dos custos de câmbio com o euro”, afirma Le Gallo. “Isso vai facilitar as trocas comerciais e os investimentos financeiros. Uma empresa croata que já comercializava bastante com a zona do euro, por exemplo, vai poder eliminar os custos com câmbio entre a kuna e o euro.” Turismo facilitado Para um país em que o turismo representa 20% do PIB, a mudança traz boas perspectivas econômicas pela frente, na avaliação de Yves Bertoncini, consultor em assuntos europeus e professor da ESCP Business School. “Como é um pequeno país de menos de 4 milhões, que recebe quase 20 milhões de turistas, essa nova configuração vai tornar a Croácia ainda mais atrativa, em especial para os turistas europeus. Não haverá mais controles de fronteiras para franceses, alemães ou italianos, e eles poderão continuar usando a mesma moeda”, explica. Essa integração crescente não começou agora. Nos anos 1990, a economia croata era ligada ao marco alemão, devido à instabilidade monetária no pequeno país na época, em meio à guerra de independência da antiga Iugoslávia. A chegada do euro deu continuidade a este processo – a metade dos empréstimos bancários na Croácia já era na moeda europeia. “Sempre usamos euros e sabíamos qual era o valor do euro. Muitas coisas de valor na Croácia, como quando comprávamos uma casa, já se pagava em euros, e não na nossa moeda”, conta a professora de idiomas e tradutora Dubravka Jakic, de Zagreb. “Não terei saudades da kuna. Foi nossa moeda, mas vai ser mais fácil com o euro. Antes, para viajar para todos os países que têm euros, sempre tínhamos que passar no banco para pegar euros. Agora vai ter tudo aqui”, celebra. Proteção do euro A Croácia é uma das economias mais frágeis da UE e espera que a troca deixará o país mais protegido das instabilidades geopolíticas globais. No cenário atual, de inflação mundial, o índice atingiu 13,5% no país – contra 10% na zona do euro. A taxa de crescimento econômico croata, por outro lado, sinaliza uma economia dinâmica, com alta de 5,7% esperada este ano. A esperança é que, com a adoção da moeda comum, o nível de vida dos croatas se aproxime mais do restante do bloco, a começar pelo aumento dos salários, que subiram quase 70% desde 2016. Na manhã deste domingo, nas primeiras horas após o fim da moeda nacional, o estudante Vilim Kladniciki, morador de Zagreb, fez questão de participar desta nova etapa da história do seu país. “Fui comprar um almoço e me custou € 3,1, o que significou apenas algumas moedas. Eu quis já comprar alguma coisa no primeiro dia, para poder guardar a nota de recordação”, disse. Mas o estudante, de 23 anos, percebe que os comerciantes estão aproveitando a troca para corrigir os preços para cima. “Não é tão simples pensarmos se estamos gastando exatamente o mesmo valor ou se estamos perdendo de algum jeito. O aumento dos preços já começou”, garante. “A maioria dos produtos subiu exponencialmente, e acho que parte da explicação é a mudança para o euro. Espero que não vão subir muito mais.”

EM BUSCA DE UMA HISTÓRIA
Liechtenstein

EM BUSCA DE UMA HISTÓRIA

Play Episode Listen Later Jan 2, 2023 11:24


Liechtenstein é um pequeno principado na Europa central de língua alemã, aninhado nos Alpes entre a Áustria a leste e a Suíça a oeste. É sem litoral e é conhecido por ser um paraíso fiscal. Embora não pertença à União Europeia, desde dezembro de 2011 faz parte do espaço de livre circulação Schengen. Liechtenstein é uma monarquia constitucional chefiada pelo Príncipe de Liechtenstein. É o quarto menor país da Europa, com uma área de pouco mais de 160 km² e uma população de 38.749 habitantes (em 2019). Dividido em 11 municípios, a sua capital é Vaduz e seu maior município é Schaan. É também o menor país que faz fronteira com dois países. Liechtenstein é um país sem litoral entre a Suíça e a Áustria. Economicamente, Liechtenstein tem um dos maiores produtos internos brutos per capita do mundo quando ajustado pela paridade do poder de compra. O país tem um forte setor financeiro centrado em Vaduz. Costumava ser conhecido como um paraíso fiscal multibilionário, mas não está mais nas listas negras oficiais de países paraísos fiscais não cooperativos. Um país alpino, Liechtenstein é montanhoso, tornando-se um destino de esportes de inverno. Liechtenstein é membro das Nações Unidas, da Associação Européia de Livre Comércio e do Conselho da Europa. Embora não seja membro da União Europeia, participa tanto no Espaço Schengen como no Espaço Económico Europeu. Tem uma união aduaneira e monetária com a Suíça. --- Send in a voice message: https://anchor.fm/manuel-velez61/message

Paracatu Rural - Jornal do agronegócio
Produção AGRO de BAIXO CARBONO e AGENDA VERDE serão temas principais de 2023.

Paracatu Rural - Jornal do agronegócio

Play Episode Listen Later Jan 2, 2023 11:16


O Sistema CNA/Senar entrevistou o professor do INSPER e coordenador do “Insper Agro Global”, Marcos Jank, no podcast ‘Ouça o Agro'. O profissional destacou vários temas durante o programa, mas garante que a agenda verde e a economia de baixo carbono serão pautas fundamentais em 2023. O professor falou também sobre as sanções da União Europeia a produtos brasileiros com origem em áreas de desmatamento. A entrevista foi concedida a EMILY MOURÃO, apresentadora do podcast e assessora técnica da CNA.

Podcast Internacional - Agência Radioweb
Nova regra para entrar na Europa pode entrar em vigor em 2023

Podcast Internacional - Agência Radioweb

Play Episode Listen Later Jan 1, 2023 1:54


O novo Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagens (Etias), que vai avaliar o perfil de cada turista que quiser viajar para União Europeia, dever ser exigido em novembro de 2023. Segundo informa a União Europeia, a finalidade do novo sistema será identificar situações voltadas a segurança, migração irregular ou altos riscos epidêmicos apresentados por visitantes isentos de visto que viajam para a região.

Pulsar Económico
Pulsar Económico 27-12-2022

Pulsar Económico

Play Episode Listen Later Dec 31, 2022 5:39


Portugal foi o país da União Europeia onde a pobreza mais cresceu no primeiro ano da pandemia.

Podcast Internacional - Agência Radioweb
União Europeia define restrições à viajantes chineses

Podcast Internacional - Agência Radioweb

Play Episode Listen Later Dec 29, 2022 2:33


Boco europeu se reune para definir restrições aos chineses devido a onda de covid-19, temendo o ingresso de novas variantes da doença. O Giro Internacional é uma parceria da Agência Radioweb com a Rádio França Internacional.

Meio Ambiente
Em 2022, emergência climática se tornou mais ‘visível', mas países recuaram nas ações

Meio Ambiente

Play Episode Listen Later Dec 29, 2022 14:42


Em um tema em que as más notícias se transformaram na regra nos últimos anos, 2022 trouxe uma série de alertas particularmente flagrantes sobre a emergência climática – mas também sobre as incoerências entre o discurso e as práticas para combater as mudanças do clima. Já em fevereiro, a guerra na Ucrânia levou a Europa para um cenário de incertezas sobre o futuro do abastecimento de gás natural russo, até então crucial para países como a Alemanha, a Hungria e a Eslováquia. Mas como a transição energética rumo ao fim dos combustíveis fósseis está mais lenta do que deveria, diversos países não viram outra alternativa a não ser ativar as usinas a carvão, as mais nocivas para o meio ambiente. Face ao risco de apagões e de ficar sem aquecimento nos meses de frio, os europeus deixaram de lado os compromissos ambientais e as promessas de acabar com as centrais a carvão até 2030. Estas usinas respondem por mais de 40% das emissões mundiais de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global. Até os países menos dependentes do gás, como a França, dona da mais vasta rede de usinas nucleares da Europa, também não conseguiram evitar o retrocesso. Para Neil Makaroff, coordenador da seção Europa da Rede Ação pelo Clima, hub de organizações ambientais francesas, o contexto geopolítico deveria representar uma oportunidade para o bloco: "Diante da crise exacerbada pela guerra na Ucrânia, a energia nuclear pode parecer uma solução, ao não emitir CO2. Mas não podemos esquecer que para construir uma central nuclear, precisamos de 15 a 20 anos. Por demorar tanto, essa opção não atende aos nossos objetivos climáticos até 2030, de reduzir pelo menos 55% das nossas emissões até o fim da década”, explica. “A única solução facilmente aplicável e barata são as energias renováveis, eólica, solar e biogás. Elas precisam decolar para substituir o gás, o petróleo, mas também o carvão russos." Calorão mais cedo, intenso e persistente Na sequência, como um golpe de ironia do destino, o verão castigou os europeus com temperaturas historicamente elevadas, as segundas mais altas desde o início das medições, em 1900. Os termômetros começaram a subir já em maio, algo totalmente excepcional. Privada de gás, a Europa passou a conviver também com racionamento de água e com incêndios florestais fora de controle, levando a graves prejuízos agrícolas. Em dois meses, a França teve 33 dias de calor além dos padrões. O agricultor francês David Peschard, instalado em Loir-et-Cher, na região central do país, jamais tinha vivido uma situação parecida. “Algumas plantações não estão recebendo água suficiente. Podemos ser otimistas e achar que é apenas uma fase e que voltaremos a períodos mais úmidos. Mas, se enfrentarmos essa situação com frequência, será necessário nos adaptarmos rapidamente”, observa. “Infelizmente, temos uma lição a aprender, e estamos aprendendo muito lentamente. O milho, por exemplo, está condenado a nã ser mais cultivado na nossa região", lamenta. No continente africano, a seca prolongada nas regiões do Sahel e do Chifre da África, além de países como Quênia e Nigéria, acentuou a insegurança alimentar. O Unicef alerta que mais de 20 milhões de crianças africanas chegaram ao fim do ano sob a ameaça da fome e da sede devido às mudanças climáticas, à falta de cereais, aos conflitos e à inflação mundial. Paquistão sob a água A elevação das temperaturas globais também leva ao aumento dos fenômenos extremos como enchentes, que devastaram o Paquistão em agosto. O país teve um terço de seu território inundado, com 33 milhões de pessoas atingidas. As chuvas de 2022 foram quase três vezes mais fortes do que a média dos últimos 30 anos, segundo levantamento da ONU. Em seguida, veio o outono mais quente registrado em décadas na Europa – para mostrar, mais uma vez, que algo está errado com o clima do planeta. Em outubro, os termômetros marcaram de 3 a 7 graus acima do normal para a estação. Em entrevista ao Planeta Verde, o economista ambiental Matthieu Glachant avaliou que, em relação à tomada de consciência sobre o problema, haverá um antes e um depois de 2022. "Eu acho que foi importante o que aconteceu porque, do nada, a mudança climática se transformou em uma experiência pessoal. Há muito tempo, conhecemos os relatórios do IPCC que nos alertavam sobre tudo isso – até que chegamos no momento em que as previsões se realizaram diante dos nossos olhos”, constatou. "Acho que isso provocará um verdadeiro impacto nos cidadãos e, por consequência, nos políticos." No Brasil, foco no desmatamento Já no Brasil, na área ambiental, foram os recordes de desmatamento e queimadas, sempre atualizados para pior durante o governo de Jair Bolsonaro, que continuaram a ocupar as manchetes no país e internacionais. Meses como setembro e outubro foram os piores registrados em 12 e sete anos, respectivamente. No período de um ano, 11,6 mil km² da Amazônia foram desmatados, o segundo pior índice desde 2009, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “O desmatamento está crescente nos últimos quatro anos e está se propagando por lugares onde não ocorria antes. A gente não via fogo em grandes quantidades na região de Lábrea, por exemplo, ou no sul do Amazonas. Não era um tema naquela região”, apontou Tasso Azevedo, coordenador-geral do Mapbiomas, plataforma de referência no monitoramento de queimadas. “É um crescimento consistente que é resultado dos sinais que são dados no nível federal que, no fundo, diz que vai acabar com as punições e vai reinar a impunidade em relação aos crimes ambientais.” Esse quadro tem consequências não só para o clima, mas também para a economia. Em 2022 o Brasil deu um passo a mais rumo à perda de mercados para as suas exportações de matérias-primas, em represália à política ambiental destrutiva. Em dezembro, a União Europeia chegou a um acordo sobre uma nova lei para proibir a compra de produtos oriundos de áreas de florestas desmatadas ilegalmente. A medida atinge em cheio alguns dos carros-chefes do comércio internacional brasileiro, como a carne, a soja e a madeira. “É uma legislação muito bem-vinda e esperada por toda a comunidade de cientistas e socioambientalistas. De forma transversal, vejo que o grande impacto vai ser minar a pressão de especulação de terras no Brasil”, disse o cientista de uso da terra Tiago Reis, coordenador na América do Sul da Trase, uma iniciativa internacional especializada em rastrear a origem e o destino das matérias-primas no comércio mundial. “De 90 a 99% do desmatamento global de 2015 a 2019 foi para a agropecuária. Mas de 35 a 55% desse desmatamento foi improdutivo, ou seja, ele foi motivado pela perspectiva de lucro com a venda da terra, de olho nos preços futuros das commodities agropecuárias. Quando a UE define que não vai importar produtos de áreas desmatadas, ela está dizendo que essa terra não vai mais valer tanto assim, já que vai encontrar restrições de mercado”, salientou Reis. Neste contexto, a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, foi a melhor noticia ambiental do ano para o Brasil. Em sua primeira viagem internacional após o pleito, Lula foi à Conferência do Clima da ONU em Sharm el-Sheikh, no Egito (COP27), anunciar ao mundo o seu comprometimento com a preservação da maior floresta tropical do planeta. “Não há segurança climática para o mundo sem uma Amazônia protegida. Não mediremos esforços para zerar o desmatamento e a degradação de nossos biomas até 2030”, ressaltou. “Os crimes ambientais, que cresceram de forma assustadora durante o governo que está chegando ao fim, serão agora combatidos sem trégua.” Outra boa notícia para o país foi a eleição de duas deputadas indígenas, Sônia Guajajara e Célia Xacriabá, importantes defensoras das causas dos povos originários. “Estaremos juntas, comprometidas com a bancada do cocar, para fortalecer o futuro Ministério dos Povos Indígenas [a ser chefiado por Guajajara]. Se nós somos a solução número 1 para conter as mudanças climáticas, como afirma a própria ONU, nós queremos e precisamos marcar presença nos outros ministérios: no Meio Ambiente, na Cultura, na Educação”, afirmou Célia à RFI, em uma conversa em Sharm el Sheikh. “Nós chegamos para ‘mulherizar' e ‘indigenizar' a política, porque onde existe indígena, existe floresta.” COP27 tem avanço para países pobres, mas falha em responder à altura os desafios A conferência ambiental mais importante do ano ocorreu em novembro. O evento resultou na decisão de criar um financiamento específico para os países em desenvolvimento serem compensados, com recursos das nações desenvolvidas, pelas perdas e danos já sofridos devido às mudanças do clima – uma demanda história dos países pobres. Por outro lado, a conferência, abalada pelos efeitos da guerra na Ucrânia e realizada em um país que deixa a desejar na pasta ambiental, falhou ao paralisar os esforços por reduções de emissões de CO2 e encaminhar a diminuição do uso de combustíveis fosseis. Nos dois aspectos, essenciais para o cumprimento do Acordo de Paris, o texto final da COP27 apenas manteve o que já havia sido acordado na conferência anterior, em Glasgow.

Em directo da redacção
2022: um ano marcado pelo regresso da guerra à Europa

Em directo da redacção

Play Episode Listen Later Dec 28, 2022 19:30


2022 deveria ter sido o ano da retoma após dois anos de covid-19, mas a invasão da Ucrânia pela Rússia logo em fevereiro trocou mais uma vez as voltas ao Mundo, arrastando a Europa para um novo conflito com impactos globais. Desde o início do ano que as tropas de Vladimir Putin se alinhavam junto à fronteira com a Ucrânia. Entre os motivos das preocupações de Moscovo estaria a alegada tomada do poder por parte de nazis, referindo-se a Volodymyr Zelensky que se tornou Presidente da Ucrânia em 2019, mas o que assustava o Kremlin, era na verdade a aproximação de Kiev às potencias ocidentais Assim, no dia 24 de Fevereiro e após vários dias de impasse, a Rússia lançou a sua ofensiva sobre o Donbass, com Vladimir Putin a declarar que queria salvaguardar os habitantes deste território. Rapidamente as tropas russas chegaram a Kiev. Volodymyr Zelensky permaneceu na capital do país como dava conta através de um vídeo gravado por ele próprio poucos dias depois do início guerra. Este era um ataque iminente, que não apanhou ninguém de surpresa, mas tanto a Europa, como os Estados Unidos e os restantes países da NATO consideravam até aí que as ligações económicas e políticas que a Rússia mantinha com o resto do Mundo, seriam suficientemente importantes para travar um ataque contra os ucranianos. No entanto, esta lógica não foi suficiente para travar o Kremlin. A violência dos ataques russos fez-se sentir em várias cidades ucranianas, desencadeando a maior migração do século XXI na Europa, estimando-se que 7,8 milhões de pessoas saíram da Ucrânia devido à guerra. A maior parte dos que partiram são mulheres e crianças já que o país impôs uma lei marcial, bloqueando a saída de homens com mais de 18 anos que passaram a integrar as Forças Armadas ucranianas. Sem fim à vista para esta guerra, a Ucrânia pediu já ajuda aos seus aliados para passar o Inverno, já que os novos alvos das tropas russas são as redes de distribuição de energia, deixando milhões de ucranianos às escuras e, mais importante, e sem aquecimento durante o rigoroso Inverno. O conflito pode agora ficar congelado durante vários anos, como é hábito da Rússia nos conflitos gerados à volta das suas fronteiras, impedindo não só a reconstrução da Ucrânia, mas também uma possível formalização da entrada na NATO ou mesmo na União Europeia, como explicou Marcos Farias Ferreira, professor de Relações Internacionais do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas de Lisboa. "Esta guerra não tem uma solução militar e vai soldar-se certamente por um congelamento do conflito, esta é uma situação que a Rússia conhece bem porque foi promovendo e se foi envolvendo em conflitos que entretanto congelou na Transnístria, no Nagorno-Karabakh, na Ossétia do Sul. ou seja, a política externa da Rússia naquilo que são as suas fronteiras opera muito desta maneira, aquilo que é a vitória para a Rússia pode ser simplesmente garantir que aqueles território do Donbas se mantenham durante anos num confronto de intensidade média ou baixa mas que neutralize a Ucrânia geopoliticamente, impedir que a Ucrânia venha a integrar a NATO e de aderir à União Europeia", afirmou o académico. Consequências na economia global As consequências da guerra na Ucrânia fizeram-se sentir logo, com Moscovo a bloquear a saída de exportações do país, nomeadamente dos cereais, sendo que a Ucrânia é o maior exportador desta matéria prima, essencial para a alimentação de milhões de pessoas e animais no Mundo. Esta guerra veio mostrar o impacto global de um conflito, algo muito diferente do que se passou noutras guerras do século XX que aconteceram na Europa, como explica o economista José Reis. "É muito diferente de outros episódios de guerra do século XX na Europa, é que na verdade, temos uma economia europeia e mundial que são muito diferentes de há alguma décadas e mais vulneráveis. As economias integraram-se mais umas com as outras e criaram dependências cada vez maiores umas em relação às outras", disse o economista da Universidade de Coimbra. A inflação aumentou para dois dígitos em muitos países devido à falta de matérias primas agravada pelas dificuldades vividas nos últimos anos devido à covid-19. A isto veio juntar-se o agravamento dos preços da alimentação, mas também da energia, já que muitos países impuseram sanções ao petróleo e ao gás vindo da Rússia, fazendo aumentar os preços noutros países produtores, o que fez explodir os preços em todo o Mundo. Em França, Macron voltou a ganhar, mas sem convencer os eleitores Em França, foi ano de eleições. Em Abril, Emmanuel Macron ganhou as eleições presidenciais com 58,55% dos votos face a Marine Le Pen, que obteve 41,45% da preferência dos franceses, um resultado histórico para a extrema-direita. No entanto, numa eleição marcada ainda pelos receios sanitários da covid-19 e pelo sobressalto do regresso da guerra, foi difícil motivar os eleitores franceses durante o período de campanha eleitoral. Logo em Junho, realizaram-se as eleições legislativas. A esquerda, descontente com os resultados obtidos nas eleições presidenciais, com Jean-Luc-Melenchon a ficar no terceiro lugar, decidiu unir-se fazendo uma coligação inédita que juntou ecologistas, socialistas, comunistas e o partido França Insubmissa. O partido de Emmanuel Macron, voltou a ganhar, mas desta vez sem maioria absoluta. A coligação de esquerda saiu-se bem, conseguindo uma representação importante na Assembleia Nacional, mas a novidade foi a eleição de 89 deputados da extrema-direita, um recorde absoluto para a União Nacional de Marine Le Pen. Este resultado, segundo Adeline Afonso, historiadora na Faculdade de Letras da Universidade Sorbonne, em Paris, não foi um choque e aconteceu devido ao descontentamento com o último mandato de Emmanuel Macron. "Estes cinco anos de mandato vão ser muito difícieis e a negociação vai ser muito difícil com a oposição. Se o Governo continuar a usar tantas vezes o 49.3, o que pode acontecer é que as pessoas vão sair à rua. Os franceses já têm como hábito sair à rua e não seria uma surpresa um novo movimento como os coletes amarelos", concluiu.

Economia
Retrospectiva 2022: na economia, guerra e inflação atrapalharam ânimo com queda da Covid-19

Economia

Play Episode Listen Later Dec 28, 2022 11:49


O ano de 2022 começou com a perspectiva de fim da pandemia de Covid-19, mas logo esbarrou na guerra da Ucrânia, afundando o mundo em um novo período de incertezas. A economia mundial retomou sob o fantasma da inflação e do aumento da pobreza na maioria dos países do mundo. Tudo começou com a alta progressiva dos juros nos Estados Unidos, uma consequência da regressão do coronavírus e a retomada das atividades. A medida trouxe consigo a certeza de que os investidores migrariam das economias menos confiáveis, como as em desenvolvimento, para se confortar na segurança do dólar. E dólar caro significa o Brasil pagar mais pelas importações de insumos e petróleo, com impacto em toda a cadeia produtiva e, consequentemente, nos preços.  "O lado ruim disso tudo é que a população nacional e internacional, que já empobreceu, vai empobrecer um pouco mais. Vai ter mais inflação, mais recessão e desemprego. E mais inflação vai significar taxas de juros altas por mais tempo”, antecipava o economista Ernesto Lozardo, ex-presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), em entrevista à RFI em janeiro de 2022. “Se a nossa inflação já está apontando para dois dígitos, nesse ano vai passar de dois dígitos. Não tem como evitar.” Volta da guerra e da inflação na Europa A guerra na Ucrânia só piorou esse cenário. As sanções dos países ocidentais contra a Rússia, grande exportadora de gás, petróleo e cereais, geraram consequências imediatas, como a disparada dos preços de commodities e da energia. Em março, na França, o tom do presidente Emmanuel Macron era de gravidade. “Nossa agricultura, nossa indústria, muitos setores econômicos estão sofrendo e sofrerão, seja porque dependem da importação de matérias-primas da Rússia ou da Ucrânia, seja porque exportam para esses países. Nosso crescimento, que está atualmente no auge, será inevitavelmente afetado", advertiu o líder francês. “O aumento do preço do petróleo, gás e matérias-primas tem e terá consequências para o nosso poder aquisitivo”, disse o presidente. A maioria dos países do mundo voltou a conviver com a inflação de até dois dígitos, inclusive os europeus. Na União Europeia, em novembro o índice passou de 4% para 11,5% no período de um ano, algo inédito em 20 anos. Reino Unido afunda na recessão No Reino Unido, a crise econômica gerou forte instabilidade financeira e se transformou também crise política. Em plena tempestade inflacionária, a sucessora do premier Boris Johnson, Liz Truss, se transformou na primeira-ministra a ficar menos tempo no cargo, por apenas 44 dias. “Inflação derruba governo, ainda mais quando você tem o parlamentarismo e o gabinete pode cair a qualquer momento. São países que não estavam acostumados a viver com inflação desde a Segunda Guerra”, comentou José Luiz Niemeyer, especialista em Relações Internacionais. Em uma economia enfraquecida pela pandemia e a crise energética, a saída da União Europeia agravou a escassez de mão de obra no Reino Unido, sem reverter o declínio da produtividade que, pelo contrário, foi ampliado.  Desde 2016, ano do referendo do Brexit, os investimentos, o crescimento e o consumo progrediram mais lentamente no Reino Unido do que em países comparáveis. “Na hora em que você está fora de um serviço preferencial de tarifas, fora da UE, fica mais caro conseguir atingir o preço que se pratica dentro do bloco. Só se você subsidiar os produtos, mas aí você tem um problema grave de mais inflação a partir de gasto público”, contextualizou. O atual primeiro-ministro Rishi Sunak, que assumiu em outubro, não conseguiu evitar a recessão, e a economia britânica deve continuar em retração em 2023, com perspectiva de redução do PIB de 1,4%, segundo o próprio governo. Fuga de capitais Enquanto isso, na zona do euro, as incertezas levaram a moeda única europeia a ser cotada abaixo do dólar pela primeira vez desde a criação do euro, há duas décadas. O conflito ucraniano exacerbou fraquezas estruturais da economia alemã, motor do bloco e altamente dependente das importações de gás e petróleo russos. “Com certeza, é preocupante para a Europa. Os mercados financeiros desconfiam da situação econômica na zona do euro, consideram que os salários não estão acompanhando os aumentos dos preços”, analisou o economista Henri Sterdyniak, do Observatório Francês de Conjuntura Econômica (OFCE). “Os mercados também avaliam que o Banco Central Europeu (BCE) permanecerá extremamente prudente e que as taxas de juros americanos ficarão clara e perenemente maiores, portanto será melhor comprar dólares do que euros – ainda mais com o dólar subindo. Esse movimento será difícil de parar.” Para controlar a inflação e concorrer com a moeda americana, o Banco Central Europeu (BCE) subiu a taxa básica no bloco – mas com muito mais cautela, já que qualquer impulso significativo poderia levar a zona do euro para uma nova crise de dívidas. Essa mexida nos juros nos países desenvolvidos repercutiu nas economias em desenvolvimento, menos estáveis. O Sri Lanka chegou a decretar calote de pagamentos aos credores externos, e sintetiza os riscos que pairaram sobre os países mais vulneráveis ao longo de todo o ano. Em julho, o banco Goldman Sachs já apontava que US$ 50 bilhões tinham saído das economias emergentes desde o início de 2022 – a pior sangria em 17 anos. Em novembro, o J.P. Morgan atualizou esse valor para US$ 80 bilhões. Egito, Tunísia, Paquistão e Turquia são alguns dos países mais expostos. Na América Latina, a situação no Chile e na Argentina foram as mais preocupantes, num contexto em que a saída de dólares leva à alta do câmbio e a um aumento ainda maior da inflação. “A América Latina já estava meio jogada para escanteio, por seus problemas econômicos e por crescer muito pouco. O Brasil, na última década, não cresceu. Foi pífio. Enquanto isso, o mundo desenvolvido cresceu e o continente asiático, cresceu muito”, disse Wilber Colmeräuer, fundador da consultoria financeira EM Funding, de Londres, especialista em mercados emergentes. “Ou seja, o nosso problema é que a gente já não era muito relevante e esta ficando mais irrelevante ainda”, resumiu, em julho. Ameaça de descontrole fiscal No Brasil, a inflação atingiu mais de 12%, com os brasileiros mais pobres chegando a buscar comida no lixo para poder se alimentar. A economia se tornou tema-chave da campanha eleitoral para a sucessão presidencial. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, trouxe a perspectiva de melhora das condições sociais no país, mas também a ameaça de descontrole nas contas públicas, que podem resultar em uma bola de neve na economia. “A gente está falando de uma situação na qual a economia mundial está entrando em recessão, a taxa de juros internacional está muito alta para controlar a inflação da saída da crise da Covid, a China está crescendo abaixo de 3%. O cenário internacional é completamente adverso”, avaliou o economista Reginaldo Nogueira, diretor-geral do Ibmec São Paulo e Brasília. “Se a gente ainda coloca irresponsabilidade fiscal na equação, a gente passa a ter uma pressão sobre a nossa taxa de câmbio que vai obrigar o Banco Central brasileiro a aumentar muito mais a taxa de juros, e aí a gente vai entrar de novo naquela situação na qual o governo não só tem geração de déficits primários, como a gente paga muitos juros e o déficit nominal fica mais alto ainda. A dívida cresce cada vez mais e rapidamente a gente volta àquele cenário de dívida na casa de 100% do PIB”, complementou Nogueira. O ano de 2023 se anuncia difícil para a economia global. A guerra na Ucrânia, sem data para acabar, e a desaceleração prolongada da China fazem com que o FMI projete um crescimento de 2% ou até menos. Seria a primeira vez desde a crise financeira de 2008 que o mundo estaria num ritmo tão lento, à exceção do tombo de 2020 devido à pandemia.

ONU News
ONU e União Europeia ajudam ucranianos a sobreviver ao inverno

ONU News

Play Episode Listen Later Dec 27, 2022 0:01


Reportagem
Guerras e manifestações marcam cenário político internacional em 2022

Reportagem

Play Episode Listen Later Dec 26, 2022 15:03


Uma guerra que vem desconcertando o mundo, governos repressores diante de manifestantes corajosos e irredutíveis, guinadas eleitorais para a esquerda e para a direita, a morte de uma rainha eterna. Vamos lembrar alguns fatos marcantes de 2022. Será que Volodymyr Zelensky, ator popular que se tornou presidente da Ucrânia em 2019, um dia teria imaginado que se transformaria em um estadista com fama e prestígio internacional, com direito a capa da revista Time como personalidade do ano? Esse papel teve início em 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu o território ucraniano. No primeiro de muitos vídeos, já com uniforme de soldado, Zelensky fala aos ucranianos e ao mundo: “O que estamos ouvindo hoje? Não são apenas explosões de foguetes, batalhas, o rugir de aviões. É o som de uma nova cortina de ferro bloqueando a Rússia do mundo civilizado. O exército ucraniano, nossas forças de fronteira, polícia e serviços especiais detiveram os ataques inimigos.” Zelensky continua, fazendo apelo ao mundo ocidental: “Conversei com muitos líderes, do Reino Unido, Turquia, França, Alemanha, União Europeia, Estados Unidos, Suécia, Romênia, Polônia Áustria e outros. Se vocês, caros líderes europeus, caros líderes mundiais, líderes do mundo livre, se vocês não nos ajudarem hoje, amanhã a guerra vai bater em suas portas.” Já o presidente russo, Vladimir Putin, apostava em uma ofensiva curta diante de um inimigo frágil e se explicava: "Decidi lançar uma operação militar especial. Seu objetivo é proteger as pessoas que foram submetidas a abusos e genocídio pelo regime de Kiev por oito anos. E, para isso, trabalharemos para desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia e também para levar à justiça aqueles que cometeram numerosos crimes sangrentos contra civis, incluindo cidadãos da Federação Russa. Nossos planos não incluem a ocupação de territórios ucranianos. Não pretendemos impor nada a ninguém pela força." É o início de um conflito anunciado, que impressiona pela duração e pelas consequências – perdas humanas, deslocamento de ucranianos, crise energética mundial. Diante de rumores de que teria fugido, Zelensky grava vídeos em que aparece em Kiev e vira celebridade. Sempre de uniforme militar, ele recebe pessoas famosas, como o ator americano Sean Penn, e é convidado, por videoconferência, a eventos internacionais para reiterar seu apelo por mais fundos e armamentos.   A guerra deflagra o medo de uma crise alimentar mundial, devido ao bloqueio marítimo imposto pela Rússia no Mar Negro. Em julho, um acordo permite à Ucrânia retomar suas abundantes exportações de grãos. O gás e o petróleo entram na guerra; Rússia reage a boicotes e ameaça cortar o fornecimento de energia. As tensões geradas pelo conflito fazem a inflação disparar no mundo todo, ainda mal recuperado dos efeitos da pandemia. Em setembro, Putin decreta a mobilização de cerca de 300 mil reservistas e assina a anexação de quatro territórios ucranianos total ou parcialmente ocupados, após "referendos" denunciados pela comunidade internacional. Os ucranianos conseguem retomar territórios, mas a retaliação é imediata. A Rússia lança centenas de ataques à rede de energia ucraniana, deixando milhões de ucranianos no escuro, às vésperas do inverno europeu. Crise se alastra A crise de energia e inflacionária também bate à porta na França. Em uma entrevista no começo de dezembro, em viagem aos Estados Unidos, o presidente Emmanuel Macron mandou um recado aos franceses, diante das repercussões a respeito de eventuais apagões para conter o consumo de eletricidade: "Nada de pânico. Isso é inútil. Estamos trabalhando nisso, o governo estâ se preparando para casos extremos que é de fato a necessidade de cortar a eletricidade por algumas horas durante o dia se faltar energia. Depende de nós. E então minha mensagem é de responsabilidade, mas pânico de forma alguma," disse o presidente francês, reeleito no mês de abril para um segundo mandato.  No entanto, os franceses voltaram às urnas para renovar o parlamento e inflingiram uma derrota ao partido de Macron, que perdeu maioria no poder legislativo.  Ultraconsevadores avançam na Europa Na Europa, os ultraconservadores obtiveram vitórias importantes nas eleições legislativas de vários países, como a Hungria, França, Suécia e Itália. Na Itália, Giorgia Meloni conquistou uma vitória histórica em setembro com seu partido pós-fascista Irmãos da Itália ("Fratelli d'Italia") e assumiu como chefe de governo em outubro. Ela cumpre ao pé da letras as promessas de campanhas, principalmente sobre impedir a entrada de imigrantes ilegais. Em novembro, a Itália recusou que o navio humanitário Ocean Viking atracasse em suas costas, com mais de 230 imigrantes resgatados no Mar Mediterrâneo a bordo. Instabilidade política no Reino Unido Após uma sucessão de escândalos e de demissões em seu governo, o primeiro-ministro britânico, o conservador Boris Johnson, apresentou sua renúncia em julho. Liz Truss substitui Johnson por apenas 44 dias. Em seguida os conservadores escolhem o milionário Rishi Sunak para Downing Street. Sunak é o primeiro premiê britânico de origem indiana. O ex-banqueiro e ex-ministro das Finanças, de 42 anos, enfrenta desafios gigantescos. Entre eles, uma inflação de 10%, greves pelo aumento do custo de vida e um sistema de saúde pública em crise. No dia 8 de setembro, dois dias após Liz Truss tomar posse, aconteceu a morte mais marcante do ano, a da rainha Elizabeth II, aos 96 anos. Os súditos britânicos fizeram, sem tumultos, uma fila que durou dias para um último adeus à soberana que reinou por 70 anos. O Reino Unido ganha na sequência um novo rei, Charles III. Outra morte chocou o Japão e o mundo. No dia 8 de julho, quando o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe foi assassinado enquanto fazia campanha para o seu partido. O assassino, de 42 anos, denunciava as ligações do governo com a seita Igreja da Unificação, do reverendo Moon, da Coreia do Sul. Abe foi abatido por tiros de uma arma caseira. Irã se revolta Em 16 de setembro, a curdo-iraniana Mahsa Amini, de 22 anos, morre em um hospital três dias depois de ser detida pela polícia moral. Ela foi acusada de violar o código de vestimenta do Irã para mulheres, que as obriga a cobrir o cabelo em público e usar roupas discretas. Sua morte provocou uma onda de manifestações em todo país, a maior desde a Revolução Islâmica de 1979. As jovens lideram os protestos. Muitas delas tiram e queima seus véus, como mostram vários vídeos que viralizaram nas redes sociais. As manifestações pela liberdade das mulheres se transformam, progressivamente, em um movimento mais amplo dirigido contra o regime islâmico e se estendem às universidades e escolas, apesar da repressão. As autoridades relatam mais de 300 mortes, enquanto uma ONG com sede na Noruega contabiliza pelo menos 448. A repressão avança, com enforcamento público de manifestantes Vírus sem controle O líder chinês Xi Jinping conquista um terceiro mandato consecutivo à frente do Partido Comunista em outubro e se cerca de figuras leais para se tornar o líder mais poderoso da China moderna. As tensões no Estreito de Taiwan atingem seu nível mais alto em décadas, após a visita à ilha da presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, em agosto. Em represália, a China faz manobras militares terrestres e marítimas de uma amplitude sem precedentes desde meados dos anos 1990. E o presidente americano, Joe Biden, diz que suas tropas defenderão a ilha autônoma, se ela for invadida pela China comunista, que a considera parte de seu território. A estratégia "Covid zero" do país, que implica confinamentos de bairros ou cidades inteiras logo que um caso aparece, provoca manifestações no final de novembro de uma magnitude inédita há décadas. As autoridades reagem reprimindo, mas também decidem flexibilizar sua política sanitária. O número de contaminações explode em dezembro. Retrocesso americano Os Estados Unidos marcam o ano com um retrocesso jurídico histórico. Em junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos devolveu a cada estado da União o poder de proibir o aborto em seu território, deixando de ser um direito constitucional – arduamente conquistado em 1973 no caso conhecido como “Roe contra Wade”. Depois dessa mudança, cerca de 20 estados proíbem totalmente ou limitam seriamente o direito ao aborto. O assunto se impõe entre os temas mais importantes da campanha das eleições de meio de mandato ("midterms") de novembro. Os resultados das eleições não geram a onda conservadora que os simpatizantes do ex-presidente Donald Trump esperavam. Os democratas mantêm o controle do Senado, e os republicanos têm uma apertada maioria na Câmara dos Representantes. Apesar de tudo, Trump anuncia sua candidatura à eleição presidencial de 2024. A disputa pela indicação dos republicanos deve ser dura, em particular com o governador da Flórida, Ron DeSantis, uma nova estrela da direita americana. Esquerda, volver Enquanto isso, a Colômbia dá uma guinada histórica para a esquerda, com a eleição do ex-guerrilheiro Gustavo Petro para a presidência. Em entrevista exclusiva à RFI, a vice-presidente Francia Marquez falou sobre a nova gestão: “No nosso governo está sendo construída uma institucionalidade para o povo que o Estado nunca representou, ou quando marcou presença, foi apenas em termos de presença militar. Essa institucionalidade para os ninguéns e as ninguéns, como dizia Eduardo Galeano, não estou disposta a fazer concessões no que diz respeito a isso. A elite que vinha governando este país nunca se dispôs a fazer concessões sobre a justiça social para o afrodescendente e indígenas”.   Depois de quatro anos no poder, o líder de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro, é derrotado por estreita margem pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno da eleição presidencial em 30 de outubro. Lula voltará ao poder no Brasil, em 1º de janeiro. (Com AFP)

Pulsar Económico
Pulsar Económico 21-12-2022

Pulsar Económico

Play Episode Listen Later Dec 23, 2022 6:13


Salário médio em Portugal é o décimo mais baixo da União Europeia.

Meio Ambiente
Acordo da COP15 da Biodiversidade traz avanços, mas é considerado insuficiente por ONGs e países africanos

Meio Ambiente

Play Episode Listen Later Dec 22, 2022 8:05


No começo desta semana, representantes de 196 países reunidos em Montreal para a conferência da ONU para a Biodiversidade, a COP15, chegaram a um acordo histórico sobre a proteção da vida na terra. Após 13 dias de negociações, o Marco Global de ação adotado prevê a proteção de um terço das terras e oceanos do planeta até 2030 e a restauração de 30% dos ecossistemas degradados pelo homem. Apesar de ter sido considerado histórico, ONGs e países africanos acreditam que o acordo é insuficiente.  Ana Carolina Peliz, da RFI Com dois anos de atraso, às 3 horas e 30 minutos de segunda-feira (19) o presidente da COP15, o ministro chinês do Meio Ambiente, Huang Runqiu, bateu o martelo para encerrar a Conferência e sinalizar que um acordo tinha sido concluído. A COP15 tinha o objetivo de discutir um novo marco global sobre a biodiversidade, após as metas fixadas em Nagoya, na COP10, terem fracassado. Além da proteção dos ecossistemas, o acordo também fixa um aumento do orçamento atual consagrado à biodiversidade de 10 bilhões de dólares, para 20 bilhões em 2025 e 30 bilhões depois de 2030. O texto também faz menção aos povos indígenas e tradicionais como “protetores da biodiversidade” e à agroecologia. Apesar dos avanços inquestionáveis do novo marco global, ONGs e países em desenvolvimento não saíram totalmente satisfeitos da Conferência. Naiara Bittencourt, que estava em Montreal, acredita que a meta de proteção de 30% do globo é muito significativa, mas lamenta que a implementação do objetivo não tenha sido definida. Ela salienta que outros temas importantes, além do Marco Global, foram discutidos, como o sequenciamento genético digital. As discussões giraram em torno de como essas informações serão acessadas pelos países e como os benefícios de uma exploração econômica desse sequenciamento genético vão ser repartidos com as comunidades tradicionais que desenvolveram esse patrimônio genético original. “Essa era toda uma discussão extremamente complexa que teve poucos avanços nessa COP”, lamenta Naiara. “Mas alguns avanços importantes foram alcançados, por exemplo, de que é necessário repartir benefícios, e que esse acesso deve ser monitorado, que não deve ser livre para todo mundo. Mas as dimensões mais objetivas de como essa repartição vai ser feita e esse acesso vai se dar ficaram para a próxima COP”, explica. “O debate sobre a regulação da biologia sintética também passou para a próxima Conferência. Muita coisa ficou ainda em aberto”, completa. Agroecologia Apesar de a agroecologia aparecer nas metas como uma das formas de agricultura sustentável a ser implementada e incentivada, Naiara acredita que o sistema de cultivo não teve grande destaque no texto. O documento também manifesta a intenção de diminuir em 50% os “riscos ligados aos agrotóxicos”, mas não fala sobre redução do uso.   Para a advogada, isso se deve, em grande parte, à posição que a delegação brasileira, ainda sob a gestão do presidente Jair Bolsonaro, assumiu durante as negociações da COP15. “O Brasil teve uma postura bastante ativa em tentar minimizar o papel da agroecologia no Marco Global, nas discussões do grupo de trabalho e também no grupo de contato. Também em retirar a palavra agrotóxico do texto. Claro, a palavra foi mantida, mas em relação à agroecologia, sua dimensão foi minimizada. Muito diferente do que queriam  Bolívia ou Colômbia em algumas negociações, tentando manter a palavra agroecologia, seus princípios, seu sentido original, mais forte. Agora ficou com uma dimensão enfraquecida, dentro do Marco e o Brasil tem um papel significativo nisso”, diz. Financiamento Durante toda a COP15 a questão do financiamento da proteção da biodiversidade foi fonte de grandes tensões. A quantia desembolsada atualmente pelos países ricos é de US$10 bilhões de anuais. Os países em desenvolvimento pediam que ela passasse a US$100 bilhões, mas a China conseguiu um meio termo de US$20 bilhões, que não contentou muitos países africanos. A questão dos meios para distribuir as ajudas também foi de difícil consenso. Os países em desenvolvimento pediam um fundo próprio para isso, mas a União Europeia não aceitou. Finalmente a proposta da Colômbia, de criar um setor dedicado ao tema dentro do já existente Fundo Mundial para o Meio Ambiente, foi aceita. Alguns países africanos ficaram decepcionados e lamentam não terem sido ouvidos em certos pontos. Negociadores africanos presentes na COP15 expressaram incredulidade sobre o acordo que, segundo eles, não é suficientemente ambicioso, principalmente sobre a criação do fundo específico para a Biodiversidade, como explicou à RFI Irène Wabiwa Betoko, diretora de campanha de Florestas para o Greenpeace África. "A maior parte dos países africanos pediu um fundo específico porque os fundos que existem têm muita burocracia, são lentos e para ter acesso a estes fundos é muito cansativo. Muitos países africanos não podem ter acesso a esse dinheiro visto as condições para conseguí-lo. Por isso pedimos um fundo específico, com condições mais flexíveis. Infelizmente, não fomos ouvidos”, lamenta Wabiwa Betoko. “A questão que fica é a de saber o que isso vai mudar na verdade? Se os países africanos não podem ter acesso rapidamente às ajudas e se as atividades destrutivas da biodiversidade não são reduzidas com este acordo, a situação corre o risco de continuar a mesma", diz. Naiara destaca outros limites da conferência que enfraqueceram os debates entre países ricos e em desenvolvimento, além da questão orçamentária. “Os debates nas negociações não tinham tradução. Alguns países reclamaram, falaram sobre a necessidade, inclusive para o diálogo, de você ter todas as discussões em inglês com tradução nos grupos de trabalho. Isso é bastante sério. Sem a possibilidade de intervenção das ONGs, das comunidades locais, de pesquisadores, o acordo fica enfraquecido”, diz. A participação dos povos indígenas na proteção da biodiversidade ganhou destaque no texto, mas, de acordo com Naira a reivindicação das comunidades tradicionais era ter uma dimensão mais objetiva em relação aos direitos territoriais e aos conhecimentos tradicionais, mas isso não foi contemplado. “Havia na discussão original várias possibilidades de garantias territoriais mais explícitas. Já no texto do marco global, após as negociações, elas não apareceram”, diz.   Aplicação das metas Em 2010, na COP10 de Nagoya, no Japão, a comunidade internacional fixou uma série de objetivos para evitar o fim da biodiversidade que ficaram conhecidas como Metas de Aichi. Mas em 2020, estes objetivos não tinham sido alcançados, sobretudo por falta de um sistema de vigilância. Mais uma vez, a criação desse mecanismo de monitoramento foi empurrada para reuniões futuras.   “Essa é uma preocupação generalizada. Eu espero definitivamente que essas metas não tenham o destino das de Aichi, mas as expectativas realmente são baixas”, lamenta Naiara. “Ainda há uma incerteza em relação aos recursos que serão aplicados para a efetivação dessas metas, inclusive nos países em desenvolvimento ou nos países com menos recursos econômicos, com menos poder econômico e político no globo. Isso também é uma preocupação”, diz. Outro ponto criticado é que empresas não serão obrigadas a prestar contas, apenas encorajadas a medir e publicar seu impacto sobre a biodiversidade. “Várias metas caem no voluntarismo e não numa obrigatoriedade. Tanto o voluntarismo dos Estados, quanto das próprias empresas. O voluntarismo nesse sistema funciona muito pouco. Com certeza depende de pressão social, da sociedade civil, das organizações internacionais, dos próprios movimentos sociais, mas de fato, a meu ver, isso enfraquece bastante o marco”, afirma. Contribuição Apesar dos pontos a serem melhorados, a principal contribuição da COP15 foi colocar no centro do debate político a questão da biodiversidade, de acordo com Philippe Grandcolas, pesquisador do CNRS e especialista da questão. “Um dos benefícios desta COP, ainda que pareça trivial, foi o de legitimar as problemáticas sobre a diversidade da vida. Agora sabemos que a biodiversidade é a alimentação, é nossas saúde, é nosso clima e não somente as imagens exóticas de meios naturais distantes ou de grandes animais, mas uma problemática absolutamente central da vida humana”, analisou. O especialista diz que agora é necessário ir mais longe. “Agora é importante estar alerta sobre a maneira como os países vão implementar as estratégias”, conclui.

Contas do Dia
O ranking dos países da União Europeia com melhores salários

Contas do Dia

Play Episode Listen Later Dec 21, 2022 6:36


Portugal não ficou muito bem nesta fotografia de família dos 27, tirada pelo Gabinete de Estatísticas da União Europeia, o Eurostat. As contas de Pedro Sousa Carvalho.

DW em Português para África | Deutsche Welle
21 de Dezembro de 2022 – Jornal da Noite

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Dec 21, 2022 20:00


Comissão da União Europeia coloca Moçambique na lista de alto risco de branqueamento de capitais. Que implicações terá isso para os agentes económicos que trabalham em e com Moçambique? Cabinda: FLEC acusa Portugal de conluio com as tropas angolanas. Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi hoje a Washington.

Canaltech Podcast
Decisão da Europa pode trazer mais uma mudança profunda para os smartphones

Canaltech Podcast

Play Episode Listen Later Dec 21, 2022 17:25


A União Europeia tomou ao menos duas importantes decisões que podem mudar como se pensam smartphones nós próximos anos. A Apple vai ter que se adaptar depois que o continente decidiu pela padronização do USB-C como entrada para eletrônicos. Agora, o mesmo órgão está discutindo a volta das baterias removíveis. Isso mesmo, a possibilidade de você retirar a bateria se precisar. Por que a Comissão Europeia está mais uma vez falando sobre isso? Este é o tema do nosso programa de hoje. Este é o Podcast Canaltech, publicado de terça a sábado, às 7h da manhã no nosso site e nos agregadores de podcast. Conheça o Porta 101. Entre nas redes sociais do Canaltech buscando por @Canaltech em todas elas. Entre em contato pelo nosso e-mail: podcast@canaltech.com.br Entre no Canaltech Ofertas. Vote no Prêmio Canaltech. Este episódio foi roteirizado, apresentado e editado por Wagner Wakka. O programa também contou com reportagens de inicius Moschen, Giovana Pignati, Renan da Silva Dores e Alveni Lisboa. A revisão de áudio é de Gabriel Rimi, com a trilha sonora de Guilherme Zomer.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Canaltech Podcast
Meta e Epic Games são os novos alvos de ações judiciais pelo mundo

Canaltech Podcast

Play Episode Listen Later Dec 20, 2022 14:52


O podcast de hoje será um apanhado de empresas que caíram mais uma vez na mão de empresas reguladoras. A primeira delas é a Meta, que vem aparecendo bastante na editoria de companhias multadas. A gigante está sendo acusada pela Comissão Europeia por burlar leis antitruste com o Marketplace do Facebook. A multa pode ser uma senhora quantia. No segundo bloco, falamos de outra gigante do meio sendo processada. A Epic Games vai ter de pagar uma quantia milionária para a Federal Trade Commission por conta de infrações ao ato de proteção a crianças online, ao coletar dados de menores de 13 anos. Este é o Podcast Canaltech, publicado de terça a sábado, às 7h da manhã no nosso site e nos agregadores de podcast. Conheça o Porta 101. Entre nas redes sociais do Canaltech buscando por @Canaltech em todas elas. Entre em contato pelo nosso e-mail: podcast@canaltech.com.br Entre no Canaltech Ofertas. Vote no Prêmio Canaltech Este episódio foi roteirizado, apresentado e editado por Wagner Wakka. O programa também contou com reportagens de Renan da Silva Dores, Gustavo de Lima Inacio e Igor Almenara. A revisão de áudio é de Gabriel Rimi e Mari Capetinga, com a trilha sonora de Guilherme Zomer.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Antena Aberta
Número de camas nos hospitais em Portugal.

Antena Aberta

Play Episode Listen Later Dec 20, 2022 48:30


Relatório da OCDE e da União Europeia, aponta Portugal com déficit no número de camas nos hospitais por habitante.

JE Notícias
UE mantém objetivo de 40% de renováveis no seu ‘mix' energético até 2030 | O Jornal Económico

JE Notícias

Play Episode Listen Later Dec 20, 2022 0:35


Os ministros europeus da Energia mantiveram na segunda-feira o objetivo de 40% de renováveis no seu ‘mix' energético até 2030, apesar do apelo da Comissão Europeia para o aumentar, considerando a invasão russa da Ucrânia.

JE Notícias
Consumo de gás na UE caiu 20,1% entre agosto e novembro | O Jornal Económico

JE Notícias

Play Episode Listen Later Dec 20, 2022 0:45


A União Europeia definiu como objetivo uma redução na ordem de 15%, de forma a reduzir a dependência dos estados-membros dos combustíveis fósseis russos.

JE Notícias
União Europeia tenta fechar hoje acordo sobre teto para preço do gás importado | O Jornal Económico

JE Notícias

Play Episode Listen Later Dec 19, 2022 0:39


Após várias reuniões nas últimas semanas nas quais não lograram um entendimento, os 27 voltam a sentar-se hoje à mesa, e desta feita com um mandato claro da parte dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia para chegarem a um compromisso, naquela que é à partida a derradeira oportunidade do ano.

Convidado
"Memórias em Tempo de Amnésia", o mais recente livro de Álvaro Vasconcelos - Parte 1

Convidado

Play Episode Listen Later Dec 19, 2022 17:06


Álvaro Vasconcelos, antigo director do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia, cujas análises sobre Relações Internacionais são frequentemente ouvidas nas antenas da RFI acaba neste mês de Dezembro de publicar o seu mais recente livro, "Memórias em Tempo de Amnésia", um relato na primeira pessoa sobre o seu percurso de vida que nos primeiros anos passou por Moçambique e pela África do Sul. Dividido em dois volumes cujo primeiro é intitulado "Uma campa em África", este livro conta a vivência do autor na cidade da Beira onde chegou aos 9 anos em 1953 e onde residiu durante 12 anos, antes de ir estudar em Joanesburgo durante os anos 60. A violência da época colonial, os debates políticos e culturais que então alimentavam a sua geração estão no centro desta obra cujo objectivo é desconstruir narrativas como, por exemplo, o lusotropicalismo que continua ainda hoje a sustentar discursos políticos de negação do que foi o colonialismo português. Na entrevista concedida por Álvaro Vasconcelos que dividimos em 2 episódios, o estudioso começa por evocar o que o animou na escrita deste livro. RFI: O que o levou a escrever este livro? Álvaro Vasconcelos: Eu escrevi com a seguinte preocupação: vivemos uns tempos -sobre os quais aliás temos conversado- em que há a tentação de "alindar" o passado, esquecer todas as distopias, todos os crimes, toda a violência, toda a desigualdade do passado. Isto é uma realidade em Portugal em relação às colónias, em relação ao que foi o colonialismo, em relação ao que foi a ditadura salazarista. Quando eu vi a extrema-direita crescer um pouco pelo mundo inteiro, com essa narrativa que é uma "retrotopia", mas que é uma narrativa que no fundo sempre existiu em Portugal, de negar os crimes do colonialismo, eu pensei "eu que vivi essa geração, eu que vivi em África, eu que vi os crimes que foram cometidos, tenho um dever de memória". Eu chamo este livro "Memórias em Tempo de Amnésia", referindo-me a esta tentativa de esquecer o passado e de o embelezar, de novamente fazer do colonialismo português uma "obra civilizatória". RFI: No começo deste livro, fala de um episódio ao qual assistiu em Moçambique e que foi um pouco o mote para esta obra. Poderia contar-nos? Álvaro Vasconcelos: Foi um dia com muito sol. Dias de sol é o que havia mais na cidade da Beira onde eu vivia. Vinha do liceu, a caminho de casa e vejo um jovem negro rodeado por um grupo de homens brancos que o pontapeavam e chamavam-lhe todos os palavrões que sabiam acompanhados pela palavra "preto". Eu fiquei extremamente perturbado, senti-me impotente e de certa forma cobarde por não poder ir socorrer este jovem negro cujo único "crime" era ter respondido a um insulto. Cheguei a casa perturbadíssimo e disse ao meu pai, "ó pai, aconteceu isto, eu estava nervosíssimo". O meu pai diz "estás assim tão aflito, tão nervoso, porque tiveste um sentimento de impotência". Eu comecei a pensar sobre isso. Ou seja impotência, porquê? Porque aquele indivíduo que estava a ser brutalmente agredido e que tinha mais ou menos a minha idade, estava a ser agredido porque não tinha direitos. E quem não tem direitos, é vítima de todas as violências. RFI: Isto aconteceu numa altura em que estava a viver em Moçambique. Estamos a falar dos anos 50. Como recorda essa época? Álvaro Vasconcelos: Recordo sem nostalgia, sem pensar que foram os melhores anos da minha vida. Recordo como tendo vivido numa cidade que eram duas: uma cidade 'branca' onde eu vivia, havia acesso à cultura, havia acesso à vida fácil, e uma cidade 'negra' em que os negros viviam num sistema de trabalho forçado que se prolongou até praticamente à minha saída da Beira. Podemos dizer que o trabalho forçado era uma herança directa da escravatura. Aliás, o Bispo da Beira de então, Dom Sebastião Soares Resende, quando chegou à Beira nos anos 40 ele disse "na Beira há escravatura". Nos anos 50, voltou a dizer "na Beira há escravatura e muito dura". Ou seja, aquela qualidade de vida que os brancos tinham na sua "bolha" , tinha de ser sustentada nas costas de pessoas que eram obrigadas a trabalhar por um salário absolutamente miserável, que comiam farinha e peixe seco -quando muito- e que faziam iguarias para as pessoas das casas. Além disso, no exterior da Beira, fora da cidade, na indústria açucareira ou algodoeira, tudo aquilo era baseado em trabalho escravo, trabalho forçado. Havia aquilo que se chamava os "recrutadores" que eram homens que tinham como objectivo -com a ajuda da administração portuguesa- de "recrutar" pessoas para trabalhar. Muitas vezes eram apanhadas à força e levadas para os sítios onde iriam ser obrigados a trabalhar. Portanto era trabalho forçado, quase trabalho escravo. RFI: Como é que se vive essa ambivalência de ser equiparado ao grupo dos opressores e ao mesmo tempo sentir essa opressão? Álvaro Vasconcelos: É complexo. Acho que em parte vive-se porque se vive numa "bolha". Nós, os jovens brancos da Beira, que íamos descobrindo os valores da liberdade, que líamos a grande literatura da pós-segunda guerra mundial, que nos apaixonamos pelo existencialismo, Sartre, Camus, Simone de Beauvoir, despertávamos para o Humanismo. Víamos o grande cinema que se podia ver na Beira -porque na Beira havia mais liberdade de acesso à cultura do que no resto do império português- víamos o "Couraçado Potemkin" do Eisenstein, víamos o neo-realismo italiano, víamos muitos filmes que eram proibidos em Portugal e nós, nessa "bolha", íamos construindo uma cultura Humanista, mas de certa forma, não tirávamos todas as consequências políticas e humanas daquela cultura. O nosso objectivo passou a ser acabar com a ditadura em Portugal. E ao acabar com a ditadura em Portugal, pensávamos que se acabaria com o colonialismo. Portanto, é uma situação de uma grande ambiguidade que evidentemente cria angústia porque vivíamos uma situação de racismo extremo, de 'apartheid'. Depois vivi na África do Sul. O 'apartheid' na Beira não era fundamentalmente diferente daquele que se vivia na África do Sul porque, num banco de jardim em que nos sentássemos na Beira, nenhum negro se sentaria ao nosso lado. Na África do Sul, também não se sentava porque estava escrito no banco que ele não se podia sentar. Essa era a diferença fundamental. Penso hoje que se vivia com grande angústia nesses tempos em que éramos, de facto, agentes do colonialismo. Beneficiávamos dele. Todo o colono de certa forma é agente do colonialismo porque repercute a vontade do colonizador pelo menos no seu meio social. Mas nós vivíamos numa "bolha". Era isso que fazia com que pudéssemos sobreviver naquelas circunstâncias. RFI: Estava a falar da leitura que fez da sua vivência em Moçambique quando passou a viver na África do Sul. A certa altura do livro, diz que o facto de ser confrontado ao racismo totalmente assumido do 'apartheid' na África do Sul fez com que visse mais claramente o que se passava em Moçambique naquela época. Álvaro Vasconcelos: Sem dúvida, porque na África do Sul, o 'apartheid' era assumido como lei, era uma barbaridade absoluta como era em Moçambique, mas ali completamente assumido como lei, sem qualquer tentativa de esconder que se vivia num regime racista, herdeiro no fundo das teorias racistas que levaram ao poder Hitler na Alemanha e que dominaram a Europa no anos 30, que levaram à segunda guerra mundial e ao Holocausto... e portanto, na África do Sul, estas teorias eram aplicadas e eram defendidas. Evidentemente, com o acesso enorme que tínhamos na universidade a toda a informação, a toda a literatura, às grandes revistas internacionais, o ambiente de discussão sobre o 'apartheid' e sobre o racismo era muitíssimo mais aberto, mais profundo do que era em Moçambique, porque em Moçambique estas questões falavam-se, mas nós falávamos mais em Moçambique do que era a ditadura portuguesa, do que era a desigualdade e das questões mais sociais. Não tínhamos uma discussão profunda sobre o racismo. De certa forma, vivíamos naquele ambiente e assumir que vivíamos num ambiente de segregação racial brutal era pôr em causa a nós próprios, às nossas famílias, aos nossos pais. Isto era extremamente doloroso e difícil, apesar de nós em Moçambique, eu e os meus amigos, adoramos a poesia da Noémia de Sousa que dizia "deixem passar o meu povo", líamos a poesia de José Craveirinha que falava "eu sou carvão, carvão da usina do branco". Fizemos um filme de que falo no livro sobre os negros que eram obrigados a ir à esquadra levar palmatoadas por partirem um prato em casa. Essa violência extrema a que nós assistimos em Moçambique, nós condenávamos, mas não discutíamos a questão do racismo e a questão do racismo era central na África do Sul. Era a questão que era discutida por todo o lado, na universidade evidentemente. Era o que era contestado, era a lei do 'apartheid', não era só a violência, a desigualdade, tanto mais que na África do Sul, os brancos tinham determinados direitos e determinadas liberdades democráticas e os negros não tinham esses direitos. Portanto, essa discussão do racismo na África do Sul, de facto, tornou muito mais claro o racismo em Moçambique.

Convidado
"Memórias em Tempo de Amnésia", o mais recente livro de Álvaro Vasconcelos - Parte 2

Convidado

Play Episode Listen Later Dec 19, 2022 15:05


Álvaro Vasconcelos, antigo director do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia, cujas análises sobre Relações Internacionais são frequentemente ouvidas nas antenas da RFI acaba neste mês de Dezembro de publicar o seu mais recente livro, "Memórias em Tempo de Amnésia", um relato na primeira pessoa sobre o seu percurso de vida que nos primeiros anos passou por Moçambique e pela África do Sul. Dividido em dois volumes cujo primeiro é intitulado "Uma campa em África", este livro conta a vivência do autor na cidade da Beira onde chegou aos 9 anos em 1953 e onde residiu durante 12 anos, antes de ir estudar em Joanesburgo durante os anos 60. A violência da época colonial, os debates políticos e culturais que então alimentavam a sua geração estão no centro desta obra, para além da sua experiência pessoal, o autor fala muito dos livros que o marcaram. Na entrevista concedida por Álvaro Vasconcelos que dividimos em 2 episódios e cujo primeiro ouviram ontem, o estudioso aborda agora a presença muito forte da literatura na sua vida, nomeadamente na Beira, onde relata ter sentido menos a censura do que em Portugal, o que lhe permitiu conhecer os principais escritores europeus para, em seguida mergulhar na contra-cultura americana que conheceu quando foi estudar a Joanesburgo nos anos 60. RFI: "Memórias em Tempo de Amnésia" fala dos seus primeiros anos, em Portugal, em Moçambique e na África do Sul, mas fala também muito dos livros que o acompanharam naquela época. Álvaro Vasconcelos: É verdade que a literatura foi algo extremamente importante na minha vida. Foi pela literatura, sobretudo a literatura Europeia -e não só, também a literatura moçambicana- que eu fui descobrindo aquilo que eu chamei Humanismo radical, ou seja, o dever de se ter posição de se assumir um compromisso com a sociedade. O livro que mais me marcou na minha juventude foi a "Guerra e Paz" de Tolstoi. No fundo, comecei a identificar-me com o Pedro da "Guerra e Paz". Lia este livro todos os anos e o Pedro, para mim, era um herói, mas um herói que lutava pelos ideais da Revolução Francesa. É verdade que pensou que Napoleão representava esses ideais e depois compreendeu que as guerras napoleónicas eram guerras imperiais que nada tinham a ver com os ideais da Revolução Francesa. Mas a descoberta dos ideais da Revolução Francesa através de Victor Hugo, de Tolstoi em particular, tiveram uma grande influência para mim. Depois, comecei a ler a literatura que o meu pai lia, da segunda guerra mundial, de Erich Maria Remarque, Stefan Zweig, escritores alemães, austríacos, que falavam das circunstâncias da subida do Fascismo e do Nazismo. Isso evidentemente foi muito importante na minha formação. Depois, toda a literatura francesa ligada ao movimento existencialista. Nós na Beira, começamos a pensar que éramos existencialistas porque líamos Sartre, Camus, Roger Vailland, Simone de Beauvoir, mas fundamentalmente Sartre. Devo dizer que foi fundamentalmente Sartre que teve um grande impacto em nós. Ao dizer que "todo o homem nasce livre e é capaz de fazer a sua escolha, tem a liberdade de escolher", Sartre teve em nós uma grande influência. Passávamos horas nos cafés, no "Capri" (na Beira), a discutir sobre Roger Vailland, "A cabra cega", sobre o Sartre, "A náusea", "as mãos sujas", o Camus evidentemente, para nós era muito importante, toda a problemática da angústia. Tudo isto fez parte da nossa formação que era acompanhada -para grande sorte que tínhamos na Beira- de ter um cineclube que nos dava a conhecer o grande cinema europeu do pós-guerra, o neo-realismo italiano, a "Nouvelle Vague" francesa, o cinema soviético e evidentemente também os escritores americanos. Estou a lembrar-me, por exemplo, da importância de Steinbeck, das "Vinhas da ira". Ao nos dar uma perspectiva das questões sociais que estavam menos presentes nesta literatura que acabo de referir, que era uma literatura mais sobre a liberdade e sobre o perigo do nazismo, do fascismo, do racismo, Steinbeck conta-nos uma história da crise dos anos 30, da extraordinária desigualdade social, fala daqueles que não tinham voz. Tenho-me lembrado disso, quando Annie Ernaux recebeu o Prémio Nobel de Literatura que, no fundo, há aqui -e ela própria o diz- uma relação entre a sua literatura e esta literatura americana que eu lia quando estava na Beira. RFI: Na África do Sul, contacta mais com a contracultura americana que influencia muito o meio universitário de Joanesburgo. Álvaro Vasconcelos: Sem dúvida. Quando eu cheguei a África do Sul, era em 1966 e vivia-se o auge da contracultura americana, o movimento Hippie nos Estados Unidos, Bob Dylan, Joan Baez, da marcha sobre o Capitólio, os movimentos contra a guerra do Vietname e uma reflexão sobre os jovens, a juventude que dizia "não" e o pôr em causa a sociedade de consumo, Andy Warhol, o Pop Art, tudo isto estava muito presente na África do Sul. Eu mergulhei nessa contracultura americana e encontrei nela de facto uma resposta para muitas das minhas questões. No fundo, fui aprendendo a olhar o mundo num primeiro momento através da contracultura americana, das canções do Bob Dylan, da poesia da contracultura americana e tudo isto era absolutamente extraordinário no ambiente em que vivíamos na África do Sul. Por exemplo, a poesia do Allen Ginsberg -eu refiro isso no livro- "O peso do mundo é o amor, o peso que carregamos é o amor", jovens, como somos todos um pouco românticos, que nos sentíamos sós num mundo em que não revíamos, o mundo da guerra do Vietname, e as canções do Bob Dylan, as suas canções contra a bomba atómica, tudo isto batia completamente certo com aquilo que nós víamos. Depois, na África do Sul, líamos "Os condenados da Terra" de Frantz Fanon e eu que estava mergulhado naquele movimento da contracultura americana e no movimento Hippie pacifista, ao ler este livro e ver a razão pela qual as pessoas se revoltavam, tinham direito de se revoltar e tinham inclusivamente o direito de resistirem de armas na mão se fosse necessário às tropas coloniais, evidentemente ganhei uma consciência diferente. Fui-me aproximando daquilo que é o tema do segundo volume deste livro, que são os meus anos de exílio na Bélgica e em França em que me fui aproximando do marxismo, nessa mistura entre o marxismo e a contracultura americana que foram as ideias libertárias dos anos 70 na Europa. RFI: No epílogo deste livro, conta uma visita virtual que fez recentemente na Beira. Como foi este regresso virtual à cidade da Beira? Nunca tinha lá regressado? Álvaro Vasconcelos: Eu não tinha regressado à Beira. De certa forma, não me sentia bem. Achava que a Beira era uma cidade-fantasma. Já ninguém do meu tempo vivia lá. Só me fazia lembrar as coisas mais cruéis que vivi ou às quais assisti na minha juventude. Portanto, regressar à Beira, era como regressar a uma cidade-fantasma. Metia-me medo, provocava-me angústia. Portanto não fui à Beira quando fui a Moçambique depois da guerra civil (em 1992). Organizei uma série de seminários em Maputo sobre as transições democráticas que aliás também organizei na África do Sul, no fim do apartheid. Não fui à Beira, mas agora tinha pensado que como agora tinha finalmente decidido escrever sobre o período que tinha vivido na Beira, que devia ir lá. Mas como veio o covid, não pude ir à Beira. Então, imaginei uma visita guiada pelo Marcelino Francisco que é um famoso youtuber da Beira, uma viagem virtual em que eu visitasse a cidade. De facto, é extraordinário. Com o youtuber Marcelino Francisco, fui de facto à cidade da Beira. Evidentemente que não tinha os cheiros, não havia o calor que sentia quando vivia na Beira, tinha que imaginar, mas eu falava com as pessoas, entrava nas livrarias, entrava nos cafés, entrava nos clubes que tinha frequentado. Portanto, foi uma experiência muito interessante. RFI: Pensa que um dia vai regressar "em carne e osso" à cidade da Beira? Álvaro Vasconcelos: Penso regressar à Beira. Existe lá uma livraria que é a Fundza, que é a única livraria da cidade e que é a propriedade de um escritor, livreiro e editor. ele quer organizar lá uma apresentação do livro naquele espaço e eu estou a imaginar ir lá, voltar à Beira depois destes anos todos. Da Beira restam só da nossa passagem como de muitas famílias portuguesas, o túmulo da minha avó que foi morrer à Beira. Acho que isto também é uma característica do colonialismo. Deixou para trás túmulos. Túmulos de colonos, túmulos de soldados que morreram na guerra colonial e túmulos de africanos que foram mortos na guerra colonial. A herança do colonialismo, em grande parte, são túmulos. Por isso é que eu chamei o primeiro volume do meu livro "Uma campa em África", porque é a campa da minha avó, Amélia Clara Vasconcelos, que foi morrer à Beira porque já estava muito doente e foi ter connosco, morreu lá.

Anselmo Heidrich
A Segurança Europeia e a Corrupção Grega

Anselmo Heidrich

Play Episode Listen Later Dec 18, 2022 25:20


Como uma sociedade a mercê de um estado inchado e ineficaz pode funcionar sem corrupção? / matéria citada: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,os-inacreditaveis--talentos-gregos-,1720491

Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer
Queques, guinchos e sacos de dinheiro

Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer

Play Episode Listen Later Dec 17, 2022 50:43


Quem se lembra ainda da promessa de uma “maioria absoluta de diálogo”? Será o autor de tal expressão o mesmo primeiro-ministro que esta semana identificou, na oposição à direita, “queques” que “guincham”? Uma questão da semana que ficou por resolver foi a de saber quem devia ter telefonado a quem: o primeiro-ministro ao presidente da Câmara de Lisboa ou o presidente da Câmara de Lisboa? Eis o tipo de assuntos que consomem a atenção do painel deste programa. Deixamos a discussão de planos de drenagem a amargo de quem não está preparado para as minúcias da trica política. Quem quiser debater os projectos de combate à corrupção na União Europeia também não poderá contar connosco, mas as qualidades estéticas de figuras acusadas de escândalos de corrupção e de guardarem em casa sacos de dinheiro sujo talvez já possam merecer alguma da nossa atenção. Habituem-se.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sagres Internacional
Sagres Internacional #198 | União Europeia e Sudeste Asiático: a busca por parcerias estratégicas

Sagres Internacional

Play Episode Listen Later Dec 17, 2022 59:20


Na edição #198 do Sagres Internacional, o jornalista Rubens Salomão e o professor de história e geopolítica Norberto Salomão conversam sobre a busca por parcerias estratégicas da União Europeia e o Sudeste Asiático. Além disso, debatem também sobre a escolha da ONU pela restauração da Mata Atlântica, os 300 dias de guerra na Ucrânia e o número de mortos em protestos no Peru.

Notícias Agrícolas - Podcasts
Consumidor do futuro: Novo protocolo da Cooxupé foca em sustentabilidade e atender demanda de mercado cada vez mais exigente

Notícias Agrícolas - Podcasts

Play Episode Listen Later Dec 16, 2022 26:06


Lúcio Dias, Superintendente Comercial Cooxupé, afirma que com novas regras da União Europeia, mais do que nunca, o mercado de café vai seguir pautado em sustentabilidade. Produtor precisa estar atento para não perder espaço nas negociações

Expresso - Expresso da Manhã
Kaili não goza da presunção de inocência. E as instituições europeias?

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later Dec 14, 2022 17:28


Eva Kaili já não é vice-presidente do Parlamento Europeu, a sua família política (Socialistas e Democratas) também a expulsou e só falta que a Grécia diga se a mantém eurodeputada ou não. Os indícios são muito fortes e já se fala da necessidade de aumentar o escrutínio sobre os políticos e funcionários em Bruxelas e Estrasburgo. O desconforto é grande no Parlamento Europeu, Comissão Europeia e Conselho Europeu. Roberta Metsola pede que não haja aproveitamento político, mas vai haver. Neste episódio, conversamos com Susana Frexes, correspondente do Expresso e da SIC em Bruxelas.See omnystudio.com/listener for privacy information.

P24
A influência do Qatar entrou pelo Parlamento Europeu em mais um capítulo de corrupção

P24

Play Episode Listen Later Dec 13, 2022 12:16


Na sequência do escândalo "Qatargate", a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, disse que a União Europeia “não está à venda” e garantiu que “não haverá impunidade” para os membros europeus envolvidos no alegado esquema de corrupção para beneficiar o Qatar. Neste P24 ouvimos o editor de mundo António Rodrigues.

TSF - Verdes Hábitos - Podcast
Desperdício de embalagens: o plano da Comissão Europeia para a economia circular

TSF - Verdes Hábitos - Podcast

Play Episode Listen Later Dec 12, 2022


Visão Global
A economia europeia em 2023

Visão Global

Play Episode Listen Later Dec 11, 2022 48:04


Possibilidade de recessão económica na Europa. Protestos no Irão. Entrevista com a Procuradora Geral Europeia, Laura Kövesi. Edição de Mário Rui Cardoso.

Investir com SIM
Compondo a Tese - 09.12.2022

Investir com SIM

Play Episode Listen Later Dec 9, 2022 12:13


Atenção (disclaimer): Os dados aqui apresentados representam minha opinião pessoal. Não são de forma alguma indicações de compra ou venda de ativos no mercado financeiro. CCJ do Senado aprova a PEC do Lula https://oantagonista.uol.com.br/brasil/urgente-ccj-do-senado-aprova-a-pec-do-lula/ Quem é Fernando Haddad? https://oantagonista.uol.com.br/tudo-sobre/fernando-haddad-o-novo-ministro-da-fazenda-de-lula/ Quem é Rui Costa? https://oantagonista.uol.com.br/tudo-sobre/quem-e-rui-costa/ Quem é José Múcio, ministro da Defesa? https://www.moneytimes.com.br/governo-lula-quem-e-jose-mucio-futuro-ministro-da-defesa/ Quem é Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores https://www.moneytimes.com.br/governo-lula-quem-e-mauro-vieira-ministro-das-relacoes-exteriores-do-presidente-eleito/ Quem é Flávio Dino, ministro da Justiça e Segurança Pública https://valor.globo.com/politica/noticia/2022/12/09/quem-e-flavio-dino-ministro-da-justica-e-seguranca-publica-do-governo-lula.ghtml Lula teria enviado emissário para sondar Campos Neto https://www.infomoney.com.br/economia/lula-teria-enviado-emissario-para-sondar-campos-neto-sobre-uma-reconducao-ao-comando-do-bc-diz-jornal/ PL lança Rogério Marinho à Presidência do Senado https://oantagonista.uol.com.br/brasil/pl-lanca-candidatura-de-rogerio-marinho-a-presidencia-do-senado/ México abriu o mercado à carne bovina argentina https://www.noticiasagricolas.com.br/analises/boi-radar-investimentos/335415-radar-investimentos-mexico-abriu-o-mercado-a-carne-bovina-argentina.html Exportações brasileiras de carne bovina in natura batem recorde tanto em volume quanto em receita antes mesmo do ano terminar https://www.noticiasagricolas.com.br/videos/boi/335212-exportacoes-brasileiras-de-carne-bovina-in-natura-batem-recorde-tanto-em-volume-quanto-em-receita-antes-mesmo-do-ano-terminar.html União Europeia aprova lei de desmatamento https://forbes.com.br/forbesagro/2022/12/helen-jacintho-uniao-europeia-aprova-lei-do-desmatamento/ Auren assina com União indenização de R$ 1,7 bi em processo da usina hidrelétrica Três Irmãos https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/12/07/auren-assina-com-uniao-indenizacao-de-r-17-bi-em-processo-da-usina-hidreletrica-tres-irmaos.ghtml G2D Investments fará oferta subsequente de ações de até R$ 140 mi https://valor.globo.com/financas/noticia/2022/12/06/g2d-investments-fara-oferta-subsequente-de-acoes-de-ate-r-140-mi.ghtml Eneva: Cambuhy e três fundos montam bloco de 35% https://braziljournal.com/eneva-cambuhy-e-tres-fundos-montam-bloco-de-35/ Fleury vende controle da Papaiz para Odontoprev por R$19,2 milhões https://br.investing.com/news/stock-market-news/fleury-vende-controle-da-papaiz-para-odontoprev-por-r192-milhoes-1065495 BR Partners recruta Adriano Pires como banker de energia https://braziljournal.com/br-partners-recruta-adriano-pires-como-banker-de-energia/ Klabin investe R$ 183 milhões em papel-cartão branco https://exame.com/invest/mercados/klabin-investe-r-183-milhoes-em-papel-cartao-branco-de-olho-em-mercado-bilionario/ Havaianas inaugura ‘loja' dentro do Carrefour https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/12/06/havaianas-inaugura-loja-dentro-do-carrefour.ghtml Quer uma Havaianas com a sua cara? Marca lança app de customização https://exame.com/casual/quer-uma-havaianas-com-a-sua-foto-marca-lanca-app-de-customizacao-2/ Ukrainian Nobel Peace Prize winner works to hold Russia accountable for atrocities https://podcasts.apple.com/br/podcast/ukrainian-nobel-peace-prize-winner-works-to-hold-russia/id78304589?i=1000589127498 Heavy Sedation Saved People From Covid–At a High Price https://podcasts.apple.com/br/podcast/heavy-sedation-saved-people-from-covid-at-a-high-price/id1578096201?i=1000589010720