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Semana agitada em Moçambique, marcada pela violência xenófoba que afecta os moçambicanos na África do Sul. Na Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira compareceu novamente no Tribunal Militar Superior. Em Cabo Verde aumentou o número de arguidos colocados em prisão preventiva no âmbito da alegada rede de exploração sexual de menores desmantelada na ilha do Sal. No Dia Mundial da Criança, em Luanda, que se assinalou no início da semana, centenas de crianças trocaram as brincadeiras pelas lixeiras do Aterro Sanitário à procura de alimentos. De São Tomé e Príncipe, ficamos a saber, esta semana, a lista final dos candidatos à presidência do País. Confira aqui o magazine Semana em África, espaço onde fazemos um apanhado das notícias africanas que marcaram as nossas antenas.
We explore the role music played in the creation of a uniquely Angolan consciousness as the country struggled toward independence in the 1960s and ‘70s after centuries of colonialism. Our guides will be producer Ned Sublette, on the ground in Angola, and Dr. Marissa Moorman, historian of southern Africa, and author of Intonations: A Social History of Music in Luanda, Angola from 1945 to Recent Times. We'll hear the pathbreaking group Ngola Ritmos, who dared sing songs in Kimbundu publicly when it was prohibited by the Portuguese. We'll hear immortal voices from the age when the guitar-driven style called semba ruled, as well as some snazzy ‘60s guitar instrumentals. Produced by Ned Sublette APWW #647
O cineasta Mawete Paciência e o produtor e actor Kayaya Júnior integraram uma delegação privada angolana ao Festival de cinema de Cannes. Eles estiveram nos estúdios da RFI para comentar os resultados da sua visita ao certame do sul da França e para abordar a produção angolana da sétima arte. O actor e produtor Kayaya Júnior e o cineasta Mawete Paciência comentaram com a RFI os resultados dos respectivos encontros no Festival de cinema de Cannes. Mawete Paciência começa por admitir que se trata da sua primeira vez neste prestigioso certame de cinema. Mawete Paciência: É a minha primeira vez. Cannes é uma terra de estreias, não é? Epa! É uma terra... É aquela coisa do tipo "Queria muito poder chegar cá nesta terra, queria muito poder conhecer esta cidade, queria muito poder estar cá nesta altura deste evento". Então são muitos anos à espera por uma oportunidade de trabalhar para podermos cá chegar. No entanto, está a ser muito bom para mim, está a ser maravilhoso. Enfim, todos os dias que saímos para as ruas temos estado a colher, a ver coisas diferentes, a perceber a dimensão deste evento, como ela movimenta a cidade em si. Então está a ser uma experiência magnífica mesmo ! Mas foi necessário prepará-lo. Isto foi longo, custoso, demorado também. Mas lá chegaram. Qual era o propósito mesmo de vir até cá? Kayaya Júnior: Olha, o propósito da verdade é simples é a vontade de profissionais ligados ao sector do cinema, do audiovisual, em querer descobrir caminhos, em querer perceber como é que as coisas funcionam, como é que as dinâmicas funcionam para nós podermos, quem sabe, num futuro próximo, termos uma presença mais consolidada aqui no Festival de Cannes. O Festival de Cannes está a fazer 79 anos, 79 edições. São muitos anos de experiência. E nós sentimos que também temos um lugar aqui, temos um espaço. Então, de forma particular, privada, cada um de nós com os nossos recursos, o Mawete é profissional de cinema e televisão. O Malef também. Eu faço produção, trabalho em rádio, televisão e sou actor. Então também mostrei interesse nesta ideia de vir descobrir o Festival de Cannes. Então começámos a trabalhar já há algum tempo atrás, em criar condições para podermos estar aqui. Não estamos aqui a título oficial. Vamos lá, se assim se pode dizer, de forma política. Mas estamos aqui, enquanto angolanos que querem descobrir como é que podemos, no próximo ano, nas próximas edições, marcar uma presença mais consolidada, tal como eu disse. Há várias formas possíveis. Se calhar talvez um pavilhão próprio, no futuro ? Quem sabe ! Estarmos numa varanda como esta, também a expor os nossos produtos, a produção nacional, a produção angolana, as nossas narrativas que há muitas e ainda bem que tem havido muitas produções. Nós, no primeiro dia, no dia de montagens e no primeiro dia do festival, já conseguimos fazer alguns contactos. Tivemos algumas reuniões com produtoras, com distribuidoras, por exemplo, falámos com a Loco Films, que é uma distribuidora francesa, falámos com a K Movie Entertainment, que é uma distribuidora da Coreia do Sul, e o interesse manifestado por eles ao verem o que nós fazemos, porque nós trouxemos alguns trailers de produções do Mawete e do Malef, do Bumbo Negro do Ngouabi Silva, que também são angolanos e também produzem e eles mostraram interesse, pelo menos mostraram curiosidade. Foi possível também já ter uma abordagem com uma equipa, uma delegação do Canadá com a escola de cinema que está em Paris, a Escola Internacional de Cinema. Tivemos uma boa conversa também com a realizadora americana, produtora realizadora, que é a Carole Copeland, que já se mostrou interessada e disponível para fazer uma formação ou presencial ou online connosco com Angola. Então é assim se nós conseguirmos sair daqui com uma ideia de como podemos trazer a produção nacional à produção angolana nas próximas edições, já terá valido a pena. Quais são os nomes que, apesar de tudo, ainda continuam a ecoar aqui do cinema angolano? Penso ainda em Zézé Gamboa, penso ainda em Dom Pedro. São esses nomes que vêm de forma corriqueira, que são citados pelos vossos interlocutores. O que é que já se conhece de Angola no cinema aqui? É assim: eu não consegui ainda perceber se há algum conhecimento ou não nas abordagens que temos estado a fazer. Acho que não houve ainda nenhuma referência. Há um cinema angolano que tenha passado por aqui, o que quer dizer que houve uma paragem, houve uma pausa. E estes interregnos, claro, apagam muita coisa, não é? Eu penso que a última vez que Angola teve profissionais aqui foi em 2007, se não estou em erro. E de lá para cá não houve mais ninguém a participar. Nós viemos a título particular, mas viemos com o sentimento de que o que nós conseguirmos descobrir, vamos partilhar com Angola. Para que, para o ano, se calhar, em vez de estarem aqui três profissionais, estejam aqui seis, nove ou doze, sei lá. E que tragamos as nossas bandeiras, a nossa produção, para poder mostrar porque nós estamos a fazer exactamente isso. Estamos com os nossos tablets e temos estado a abordar os stands, os pavilhões e os profissionais a mostrar: "Olha, conhece isto? Tem curiosidade sobre Angola? Veja isto." E a reacção tem sido muito positiva. E então, o cinema aqui, há cinema do mundo todo. No pouco tempo que ficaram cá, conseguiram ver outras propostas, por exemplo, cinema africano ? Conseguiram lidar com outras pessoas? O que é que conseguiram fazer? Mawete Paciência: Temos estado a conhecer muita gente, Conhecemos um realizador e produtor sul-africano africano e conversámos rapidamente. Porque aqui percebemos uma coisa, aqui em Cannes, tudo é muito rápido, as coisas são muito dinâmicas, então temos estado a conhecer pessoas no sector, temos estado a conhecer africanos. Vamos agora fazer aí a visita no espaço. O espaço africano agora criado. Enfim, já estivemos lá. Vamos voltar agora aqui, para então chegarmos até ao cinema africano. Tivemos há pouco tempo com o realizador e produtor africano também antes de virmos cá à rádio. No entanto, temos aquilo que disse e muito bem nosso objectivo aqui é, na verdade, virmos conhecer um pouquinho, fazermos um networking, vermos como é que podemos nos próximos anos também fazermos parte desta corrida, estarmos aqui expostos, trazermos aqui os nossos conteúdos. Então é muita coisa nova para nós. Está sendo uma experiência boa porque estamos a absorver, não é, boas informações, estamos a colher aqui no Cannes, enfim, no festival nesse contexto ? Então acreditamos, nós que ainda temos tempo, ainda vamos a tempo de conversarmos mais, de conhecermos mais pessoas. E esse é o nosso grande objectivo aqui mesmo. Pedir-vos -ia então que levantassem um pouco o véu sobre os projectos em que estão envolvidos e que estão a fazer. Se calhar começaria por si, Kayaya Júnior:. Pode apresentar-nos um pouco as obras em que já esteve implicado e aquelas em que pretende apostar ? Eu, enquanto actor, tenho participado ultimamente, nos últimos quatro, cinco anos, mais activamente e voltando um bocadinho ao passado, eu fiz uma participação na primeira co-produção Portugal Angola Angola/Portugal, do realizador Jorge António. Também já trabalhei com a Maria João Ganga, com o Zezé Gamboa, em produções mais antigas. Ultimamente estou no filme que está agora a ser disponibilizado para o mundo, que é o "Perverso" do Mawete Paciência que já esteve no Festival da Suécia da Cinema África. Esteve também num festival na Hungria. Já foi apresentado em Portugal em Setembro do ano passado e estamos agora a trabalhar na possibilidade de ir a Moçambique. Também já esteve em São Tomé. Para além disso, também participei no filme de uma Films, que é uma curta sobre a problemática de um mercado que em Luanda o mercado muito famoso que é o mercado da Mabunda. Então o Malé Filmes produziu o filme que é "A Faca e o Peixe", que é um filme que já esteve o ano passado no Festival de Marselha, foi apresentado no Festival de Marselha e outros filmes que tem estado também a participar, como por exemplo o Pequenos Sonhos de um Guabi Silva cataléptico do Bumbo Negro, que são realizadores angolanos e mais recentemente estamos em fase de rodagem de uma série assinada também pelo Mawete, que é "O preço da verdade", que é uma série com algum problema social muito grande. A abordagem de problemas sociais. Então tem um pé na televisão e no cinema, não é? Está a ser produzida com o objectivo de ser apresentado para a televisão ou para as plataformas, mas poderá ser também apresentado em cinema. E enquanto produtor, eu estou, tal como eu, quase toda a gente que trabalha em cinema em Angola, numa área ou noutra, faz um bocado de tudo. Os actores acabam também sem produtores associados porque às vezes facilitam o trabalho logístico de uma produção através dos seus conhecimentos, através do seu apoio, do seu interesse. Então, eu acho que estar aqui no Festival de Cannes dá-nos uma visão muito mais alargada daquilo que nós temos que realmente fazer. O que é que temos que fazer para trazer, para tirar as nossas produções de Luanda? Porque o que nós precisamos em Angola é que os filmes saiam do Luanda e sejam vistos. Precisam do mercado ! Precisamos do mercado, precisamos de ter oportunidade de mostrar. E é excatamente isso que nós viemos à procura fazer estes contactos para mostrar o nosso trabalho. Tivemos um breve encontro com um jornalista norte-americano que tem uma revista dedicada ao cinema e em cinco minutos de conversa ele ficou tão interessado que automaticamente fez logo questão de fazer ali uma nota. Lá está, se nós não tivemos a oportunidade de ir a estes mercados, estas feiras de conteúdos, estes eventos com a dimensão como um festival de Cannes, nós nunca poderemos dar nos a conhecer, porque viemos de forma muito intermitente, não é? Angola esteve aqui em 2007. De 2007 para cá nunca mais teve ninguém. Então este é o recado que nós vamos levar. Este é o desafio que nós queremos levar também para as nossas autoridades, principalmente para a cultura e para o turismo. Porque isto é turismo também. E agora nós temos um grande movimento à volta do desenvolvimento do turismo em Angola. Então vamos levar esta experiência e tentar partilhar com essas entidades para ver se para o ano nós estamos aqui com uma presença mais bonita, mais consolidada, mais dinâmica em Angola. Que se oiça música angolana aqui nos corredores do Festival de Cannes. Então fizemos muita referência a um projecto seu em curso, Mawete Paciência. Pode-nos levantar um pouco o véu sobre do que é que se trata? Sobre o que é que versa o seu filme? Mawete Paciência: Pois é, dentro de vários filmes que eu tenho, tem aí aproximadamente seis filmes. Tenho uma mini série, tenho algumas co-produções com países como Argentina, Brasil. Fiz agora em São Tomé um filme. Tenho também co-produção com México. No entanto, eu tenho filme que é "O Perverso", que já estaremos a ano passado e neste ano estamos agora a trabalhar a série, que é uma série televisiva que vai trazer conflitos nos lares. Como sempre, trazer problemas novos porque o nosso conceito de produção é mesmo identificar os nossos problemas, não é? Problemas que acontecem no nosso país e que acabam sendo transversais. São os perversos, as pessoas tóxicas, é isso ? Pode ser. Você vê, no entanto, na verdade, que é o seriado que nós vamos trazer, vai estar aí aproximadamente com 25 capítulos, não é? Trazendo todas essas histórias que acabei aqui falando, enfim, as nossas histórias, a nossa identidade, porque nós precisamos levar isso. Precisamos mostrar ao mundo quem nós somos. Angola é um país que eu sinto. Nós não nos mostramos muito ao mundo. Nós não temos uma presença muito fraca para o mundo. Então precisamos então activar esse lado. Precisamos, porque eu digo assim o mundo também não, não vai poder-nos localizar assim, do nada, se nós não nos mostrarmos efectivamente, criarmos algum barulho. Não é que desperte a atenção, nós não vamos ser localizados de nada. Então há esta vontade, É esta força toda que trabalhando nos nossos conteúdos. Enfim. E este é um seriado que acreditamos, nós que eu acredito, temos estado a fazer com muito gosto, de forma a podermos não produzir algo que se fixou por Angola, mas que vá para o mundo, que esteja disponível. Nas plataformas, nem que for para o YouTube. Quem sabe talvez conseguirmos outras plataformas de streaming e poderemos então colocar lá este conteúdo, inserir os conteúdos ? Acreditamos nisso. Nós acreditamos que o empresariado angolano precisa ser um pouco mais incentivado, porque tudo isso que nós temos estado a fazer tem sido por um esforço particular e não tem sido pelas nossas próprias lutas. É mesmo, também, alguma forma de inconsciência ?! Sim, de inconsciência. Timidamente vão aparecendo uma ou outra empresa a disponibilizar um pouquinho, mas nós, olhando para esse universo, olhando para esta realidade, começamos a perceber que o cinema não é um cinema mesmo muito para fazer. Cinema é uma industria e para fazer o cinema requer mesmo este pensamento do empresariado. Olhar aquilo como uma indústria e não olhar aquilo como uma mera diversão. Não é aonde ele pode colocar qualquer coisa, não. No entanto, esta visão, este conceito que nós estamos a beber aqui, estamos a ver aqui claramente. Nós vamos partilhar em Angola. Vamos replicar em Angola a informação e poder talvez começar a atiçar. E nós temos de atiçar um pouquinho mais o empresariado local, começar a perceber que é possível fazer alguma coisa que chegue até aqui. É possível, porque para um filme, chegar até aqui implica uma logística, implica uma mecânica, implica qualidade, implica um investimento e muita das vezes, os investimentos nós não conseguimos tirar do nosso Estado, do Estado. Nós não conseguimos ter esses investimentos e mesmo privado, quem nós vamos ter que contar para conseguirmos, talvez nas próximas edições, estarmos aqui com um produto que realmente nos dignifica e que possamos olhar e dizer "Viva Angola! Estamos presentes em Cannes, um festival de Cannes vai ser bom para nós". Vamos trabalhar para isso. Muito obrigado a ambos. Resta me desejar vos um bom festival de Cannes. Obrigado por terem vindo até aqui. Kayaya Júnior: Queria só deixar mais uma nota, porque é fundamental e nós também temos estado a trabalhar sobre isso. Eu já fiz algumas participações em anos anteriores em produções portuguesas e eu acredito que até parece estranho. Tão próximos que nós somos, mas não temos histórias contadas sobre nós. Então, eu creio que é fundamental começarmos a pensar neste intercâmbio. A primeira co-produção Portugal Angola foi feita em 92 do Jorge António e de lá para cá, não creio que tenha havido muito mais. Então é também o objetivo encontrar, por exemplo, caminhos que nos levem a essas coproduções, porque as nossas histórias, as nossas narrativas, acabam por se interligar numa intersecção qualquer do Oceano Atlântico, por exemplo. E é isso, pronto, vamos estar disponíveis, estamos disponíveis. Bem hajam e voltem sempre. Mawete Paciência: Obrigado, Obrigado mesmo pelo convite e é uma honra fazermos parte deste momento que é marcante para nós também.
Esta semana, continuou a campanha para as eleições legislativas deste domingo em Cabo Verde, enquanto na Guiné-Bissau houve acordo entre a direcção do histórico PAIGC e o grupo de oposição interna. Em Moçambique, continuou a crise dos combustíveis e revelou-se que 2,4 milhões de crianças estão ou foram submetidas ao trabalho infantil no país, incluindo na mineração e garimpo. Em Nairobi, houve cimeira franco-africana e em Angola celebrou-se mais um título do Petro de Luanda. Este domingo, os cabo-verdianos são chamados às urnas para as eleições legislativas. Melhorias nos sectores dos transportes, da saúde e da educação são algumas das principais preocupações da população. Oiça aqui a reportagem da nossa enviada especial a Cabo Verde, Neidy Ribeiro na cidade da Ponta do Sol, na ilha de Santo Antão. Na Guiné-Bissau, a direção do histórico PAIGC e o grupo de oposição interna chegaram a “um entendimento” sobre a realização do próximo congresso. O acordo prevê a inclusão na comissão preparatória do congresso de dois elementos do grupo que contestavam a direcção: José Carlos Esteves, actual ministro das Obras Públicas, e Mário Musante, ministro da Energia. Em Moçambique, continua a crise dos combustíveis. No início da semana, os transportadores voltaram a paralisar a actividade em várias rotas e a exigir a revisão da tarifa do transporte ou do combustível, apesar do acordo alcançado entre o governo e a Federação Moçambicana da Associação dos Transportadores rodoviários para subsidiar o transporte. O Conselho da União Europeia prorrogou o mandato da Missão de Assistência Militar da UE em Moçambique por mais seis meses, até 31 de Dezembro de 2026. O anúncio foi feito, esta quinta-feira, em Maputo. Em Moçambique, cerca de 2,4 milhões de crianças em Moçambique estão ou já foram submetidas ao trabalho infantil, muitas delas em actividades consideradas perigosas, como a mineração artesanal e o garimpo. A situação preocupa o ministério do Trabalho, Género e Acção Social, que alerta para o agravamento do fenómeno nos últimos anos, sobretudo nas províncias de Nampula, Tete e Inhambane. A cimeira franco-africana de Nairobi, "Africa Forward", terminou esta terça-feira. Em entrevista à RFI, o Presidente francês falou nomeadamente sobre a situação na RDC e mostrou reservas sobre eventuais sanções europeias contra o Ruanda devido ao papel de Kigali na guerra no leste daquele país. Em Angola, o candidato à liderança do MPLA, Higino Carneiro, foi chamado, na quarta-feira, à Procuradoria-Geral da República para ser notificado sobre a reabertura de um processo, que já tinha sido arquivado, envolvendo uma alegada burla com viaturas. Higino Carneiro considera que há motivações políticas por detrás da convocação que surge dias depois de o Presidente angolano João Lourenço, ter formalizado a recandidatura à liderança do partido. No desporto, o Petro de Luanda sagrou-se Campeão de Angola pela quinta vez consecutiva, quando faltam ainda três jornadas para o fim da temporada. Ao microfone da RFI, Joaquim Valinho, treinador-adjunto do Petro de Luanda, disse que é uma “felicidade tremenda” ter novamente conquistado o Girabola.
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Neste programa, voltamos a alguns dos temas africanos que marcaram a semana. Destaque para Cabo Verde, onde arrancou a campanha para as legislativas de 17 de Maio. Em Angola, o activista angolano Osvaldo Caholo foi condenado a dois anos e seis meses de prisão e começou o julgamento de uma antiga ministra das Pescas por suspeita de apropriação indevida de dinheiro público. Em Moçambique, uma recente superstição propagada também pelas redes sociais gerou uma onda de violência e vários mortos. A escalada de violência no Mali também esteve no centro das preocupações. Começamos com Cabo Verde onde arrancou, esta quinta-feira, a campanha eleitoral para as legislativas de 17 de Maio. São cinco os partidos que disputam as eleições, mas nem todos concorrem nos 13 círculos. As explicações de Odair Santos, o nosso correspondente. Em Moçambique, a Comissão Nacional de Direitos Humanos condenou a violência no país na sequência de superstições de magia ligadas a receios de atrofiamento de órgãos genitais. Esta quarta-feira, já eram 19 as pessoas que morreram vítimas de agressões físicas ligadas a esta crença. As superstições verificaram-se desde 18 de Abril em Cabo Delgado e espalharam-se pelas províncias de Nampula e Zambézia, bem como pelas redes sociais. O director do serviço de saúde de Cabo Delgado, Edson Fernando, lamentou o que chamou de “pânico colectivo”. Em Angola, na segunda-feira o activista angolano Osvaldo Caholo foi condenado a dois anos e seis meses de prisão por instigação pública ao crime. A pena foi considerada “excessiva” pela defesa, que aponta contradições e fala em “prisão política”. Caholo foi um dos activistas detidos na sequência dos protestos contra o aumento dos combustíveis, em Julho de 2025, que desencadearam tumultos e pilhagens em vários pontos do país com pelo menos 30 vítimas mortais em Luanda. A defesa do activista que está detido há nove meses, apresentou recurso contra a decisão que olha como “política”, como explicou à RFI Simão Afonso, um dos advogados de Osvaldo Caholo. Também em Luanda, arrancou esta semana o julgamento de Vitória de Barros Neto, antiga ministra das Pescas, e mais três cidadãos, por suspeita de apropriação indevida de dinheiro público no exercício de funções. Esta semana, o Mali viveu uma nova escalada de violência. No sábado passado, grupos jihadistas e rebeldes tuaregues lançaram ataques simultâneos em várias cidades e o ministro da Defesa, Sadio Camara, foi morto num dos ataques. Os rebeldes tuaregues da Frente de Libertação de Azawad controlam a cidade de Kidal, no Norte do Mali, e tentam aproximar-se de Bamaco, cortando várias estradas que ligam a capital ao resto do país. Tropas paramilitares russas continuam no país, mas sofreram recuos em algumas áreas. Em entrevista à RFI, Leonardo Simão, representante da ONU para a região do Sahel, alertou para o "crescendo da sofisticação dos ataques" em relação aos que se realizaram no fim-de-semana passado.
The Daily Quiz - Geography Today's Questions: Question 1: What is the capital city of Peru? Question 2: Which sea is located between Australia and New Zealand? Question 3: Luanda is the capital city of which country? Question 4: Which country's flag can be described as 'Two equal horizontal bands of blue and yellow.'? Question 5: Which is the largest mountain range in India? Question 6: In which country would you find the UNESCO World Heritage site of Meteora? Question 7: Which country has a flag of a red circle on a white background? Question 8: The country of Bahrain is on which continent? This podcast is produced by Klassic Studios Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
O activista angolano Osvaldo Caholo foi condenado nesta segunda-feira a dois anos e meio de prisão efectiva pela prática do crime de instigação pública ao crime aquando das manifestações de Julho do ano passado contra o aumento do preço do combustível que resvalaram para incidentes em vários pontos do país e resultaram oficialmente em pelo menos 30 mortos em Luanda. A defesa do activista que se encontra detido desde essa altura apresentou recurso contra esta decisão que considerou injusta. Apesar de a 5.ª Secção da Sala dos Crimes Comuns do Tribunal da Comarca de Luanda absolver o activista de 37 anos dos outros crimes de que era acusado, apologia do crime e rebelião, foram unânimes as reacções de decepção por parte da sua defesa como também dos seus familiares que denunciaram uma sentença a seu ver "excessiva" e "com motivações políticas". Para além da sua pena de prisão, o activista, antigo militar e também universitário que ficou conhecido há dez anos por fazer parte do grupo "15+2", foi condenado a pagar uma multa de 250 mil Kwanzas. Muito embora lhe tenham reconhecidas circunstâncias atenuantes, como o facto de ter cooperado com as autoridades, ser chefe de família, pai de menores e ter mantido uma boa conduta durante o processo, a justiça angolana considerou que ele proferiu ameaças contra figuras do poder durante uma transmissão em directo nas redes sociais, no âmbito das manifestações de Julho de 2025. Em entrevista concedida à RFI, o advogado Simão Afonso, membro da equipa de defesa do activista, fez o ponto da situação. "Enquanto advogado de defesa. É evidente que é uma condenação que a nós não satisfaz, na medida em que sempre estivemos convencidos de que o nosso constituinte era inocente. Durante a audiência de produção de provas por mais de três dias, não ficaram provados os crimes de que é acusado. Não obstante o Ministério Público ter pedido a absolvição nos dois crimes, necessariamente o de rebelião e apologia pública, nós, enquanto defesa, nas alegações orais, solicitámos ao tribunal que ele fosse absolvido dos três crimes, mesmo para efeitos do crime de instigação pública ao crime, aquele em que foi condenado. O tribunal não apresentou qualquer prova. Nunca ficou provado no tribunal. Todos os fundamentos que o tribunal apresentou para o incriminar têm muita incidência política. Portanto, para nós, não faz qualquer sentido esta condenação, porque em nenhum momento ficou provado e é só por isso que, em reacção imediata, nós interpusemos o recurso", explicou o advogado. Para o representante de Osvaldo Caholo, o que ficou evidente durante o processo, "é uma contradição muito visível, expressa naquilo que foi a condenação e o fundamento da própria condenação. Nós estamos a ver o tribunal a fundamentar a decisão e apresentar um conjunto de atenuantes e situações que favorecem o arguido. O facto de ser réu primário, o facto de ser chefe de família, ter cooperado significativamente, ser pai de filhos menores, um conjunto de atenuantes. E foi apresentada apenas uma situação agravante, que é o dolo. E nós estamos a ver, tendo em conta as atenuantes que foram reconhecidas pelo próprio tribunal através da juíza e a moldura penal, que são de três anos, estamos a ver fazer mais sentido, o tribunal a fazer cair pelo menos metade da pena". Ao evocar os passos a seguir depois de ser entregue o recurso da defesa, Simão Afonso refere que "o processo vai agora para a relação, para ser apreciada num tribunal superior. Tendo em conta o prazo da prisão preventiva, nenhum detido pode ficar mais de 18 meses sem condenação transitada em julgado. Então quer dizer que o tribunal tem esse limite. Ele já está preso há nove meses, então o tribunal tem antes de 18 meses para proferir uma decisão relativamente ao processo que agora vai apreciar". Sobre o estado de espírito do seu cliente, o advogado refere que "é um elemento bastante forte. Ele sempre demonstrou convicção. Em nenhum momento ficou abalado". Apesar de o interessado não ser ficado abalado de acordo com o seu advogado, o certo é que este caso está a ser acompanhado com muita atenção pela sociedade civil, nomeadamente pela Mudei que comentou o veredicto nas redes sociais e também pelo Movimento Revolucionário Angolano. Reagindo hoje à decisão da justiça, este último movimento emitiu uma "nota de repúdio" e disse "pautar acções mais contundentes". Em declarações à RFI, a activista angolana Laura Macedo que acompanhou o processo de Osvaldo Caholo, também dá conta da sua revolta e apela à mobilização. "É uma injustiça muito grande o que aconteceu com Osvaldo. E nós temos todos que ter em conta que, depois daquelas atenuantes todas que a juíza disse, é inadmissível que ela tenha dado esta pena. A moldura penal máxima da pena que ele apanhou são três anos. Sendo três anos, a moldura penal. O que é que nós temos? Ela dá dois anos e seis meses. Se ela tivesse dado dois anos e cinco meses, ele poderia ter saído. A pena já seria convertida em multa. Então, isto é uma jogada para manterem o Osvaldo fora da circulação e nós temos todos que nos unir e lutar contra isto, embora daqui a seis meses os advogados já possam entrar com um pedido de liberdade condicional por bom comportamento", diz a activista. Sobre as acções encaminhadas desde ontem perante a sentença judicial, Laura Macedo refere que juntamente com outras pessoas presentes no julgamento, fizeram uma manifestação logo à saída do Tribunal que foi inviabilizada pela polícia. "Fomos rechaçados dali. Ninguém quis chocar com a polícia porque achámos que era mesmo o que a polícia queria mesmo provocar, a ver se apanhava mais algum. Então, contivemos um bocado os ânimos e abandonamos o local. Mas certamente nós vamos começar a promover acções até que o Tribunal da Relação se pronuncie sobre o recurso". Paralelamente, à situação de Osvaldo Carolo, a de outro activista, Tanaice Neutro, também suscita preocupação. O jovem, que se ilustrou igualmente em protestos, foi detido na semana passada, quando estava a assistir ao julgamento de Osvaldo Caholo, seu camarada de luta. O advogado Simão Afonso, vinca o carácter anormal desta situação. "Foi num momento em que nós estávamos na sala e percebemos que ele havia sido detido. Até agora não foram apresentadas as verdadeiras motivações. Portanto, a nossa apreciação é que as pessoas, dentro daquele espaço, um órgão de soberania, um tribunal, é o local onde elas deviam se sentir mais seguras. E quando alguém vai apenas acompanhar uma sessão de julgamento e é detido, é muito preocupante. Isso altera significativamente a situação de justiça em Angola e Direitos fundamentais. Portanto, fica claro que até o próprio tribunal não é um local seguro. Não é local de cidadania, não é local de exercício de direitos, não é local para a realização da Justiça", considera o advogado. Também testemunha desta detenção ocorrida na passada quarta-feira, Laura Macedo, refere que Tanaice Neutro "não estava a incomodar ninguém". "Foi a maior irregularidade que pôde acontecer. Ele estava quieto. Ele não estava a incomodar ninguém. O comandante do município entrou ali com homens e, coercivamente, arrastou-o para fora. Isso foi na quarta-feira passada. Tanto quanto sei, não foi presente ao juiz de garantia. Há prazos, portanto, a polícia não está a cumprir e o Ministério Público, não sei se está a fazer vista grossa. Não sei o que é que se está a passar", diz a activista para quem este cenário, num contexto em que as eleições de 2027 estão à porta, não é surpreendente. "Já nas outras eleições nós vimos isto acontecer", diz Laura Macedo ao apelar aos restantes activistas à "contenção nas palavras. Contenção nas suas palavras não quer dizer não fazerem as denúncias, é arranjarem palavras. E nisso o português é fértil", conclui.
História da Música de Angola é a obra que o escritor, professor e jornalista Albino Carlos lançou recentemente em Lisboa. O livro consolida o elo entre identidade, cultura e história. Abordando a produção musical feita nos diferentes géneros e em diferentes línguas nacionais, Albino Carlos contribui para promover a “definição de quem é o angolano e de quem é Angola.” História da Música Angolana é o livro que faltava para um melhor entendimento do manifestar musical de angolanas e angolanos. O mais recente trabalho de Albino Carlos proporciona uma viagem pela alma musical de Angola, pela essência do povo angolano. Estabelecendo a relação entre história, cultura e identidade, o livro História da Música Angolana torna-se essencial para pintarmos um mais elucidativo quadro de uma sociedade onde o cantar e dançar são forma de viver e podem fazer um país evoluir nas diferentes relações dentro da imensa comunidade formada por todos aqueles que fruem da música angolana. A RFI aproveitou a presença do Albino Carlos na capital portuguesa para uma conversa sobre a singularidade da cultura musical de Angola e o livro recentemente editado em Portugal pela Oficina da Escrita. Albino Carlos começa por revelar que a ausência de bibliografia produzida por académicos e estudiosos angolanos foi um dos elementos que espoletou a obra agora lançada. Albino Carlos, autor do livro História da Música de Angola: Este livro nasceu de um questionamento existencial e intelectual. Intelectual por quê? Porque fui percebendo, ao longo do tempo, que a maior parte da bibliografia, dos estudos académicos sobre a música angolana eram feitos por académicos e estudiosos estrangeiros. São conhecidos os estudos profundos do professor Mesquitela Lima, são conhecidos os estudos profundos que a antiga Companhia Nacional de Diamante fez sobre a produção musical da região do Leste, são conhecidos estudos que muitos estudiosos, ainda no século XVIII, alemães fizeram sobre a música angolana. Portanto, havia esta dúvida, este questionamento intelectual: qual a razão pela qual Angola, sendo um país musical, tem tantas músicas, tanto quanto tem de povos e nações, não era objeto de estudo nas universidades, não era objeto de aprofundamento académico por parte dos intelectuais e por parte, sobretudo, da classe académica angolana. Esta foi a perspectiva do questionamento intelectual. Depois, houve também um certo questionamento existencial. O Luis sabe que nós somos a música que produzimos e que fazemos. Os povos definem-se muito pela música, porque a música é a arte das artes, é a expressão da nossa alma. Em qualquer parte do mundo, se disser que estou a cantar um fado, as pessoas remetem logo para Portugal. Basta falar no samba, as pessoas remetem logo para o Brasil, e assim sucessivamente. Tendo em conta que a música, no caso particular da Angola, é um dos mecanismos que os angolanos mais se socorrem para falar de si, para contactar o outro, para chorar, para dançar, para... . Enfim, tendo em conta a importância que esta mesma música desempenhou, quer na resistência contra o colonialismo, quer para suportar as agruras da escravatura, e até na guerra civil que aconteceu, que dilacerou o nosso país, foi graças ao canto, foi graças ao batuque, que os angolanos e Angola resistiram a esses momentos tremendos que nós passávamos e que queremos esquecer. Portanto, a música desempenhou um papel muito, mas muito importante na definição de quem é o angolano e de quem é Angola, quem a Angola é. É esta questão existencial. Quer dizer, eu sempre me bati para que o semba também fosse reconhecido como o símbolo do nosso fazer musical, a simbologia daquilo que o angolano gosta de ser. Então, é por aí que eu decidi começar a fazer um estudo sobre a nossa música. Nos últimos 15 anos da minha vida, mesmo passando pela política, pela docência universitária, fui fazendo os meus estudos, mas também fiz um desafio pessoal, eu não queria fazer um livro sobre música angolana, como eram feitos os livros sobre música. RFI: Então, qual foi o desafio que se colocou? Albino Carlos: Fazer difrente, contar a história da Angola através da sua música. Ver como é que a música caracterizou o angolano. Como é que nós cantamos o amor, como cantamos o infortuno, como vivemos o luto, qual é a força que tem o comboio na simbologia tradicional angolana, como é que cantamos a escravatura. Eu fiz esse estudo profundo e daí resultou num livro enormíssimo que eu chamo de Trilogia da Música Angolana. Este é o primeiro livro, História da Música Angolana, e dei muito destaque à nossa tradição oral, ao cancioneiro tradicional, que é a origem de toda esta musicalidade, sobretudo popular e moderna. Quis fazer também uma recolha de todas as letras das músicas mais emblemáticas angolanas, porque eu via que tínhamos dificuldades. Por exemplo, Muxima, a letra de Muxima, tinha dificuldade em encontrar. Quem quer a letra de Umbi-Umbi, que é uma música de tradição oral, uma música que é muito local, mas tornou-se um hino universal. Era difícil encontrar a letra. Então, fiz também um trabalho de recolha daquelas músicas mais emblemáticas, quer na língua nacional Quimbundo, que é uma das línguas mais preponderantes, como naquelas línguas que também são, de certa forma, subalternizadas. Mas há registros musicais muito fortes nessas línguas. Então esse é o desafio que eu me propus. Este é apenas uma parte deste desafio, porque a trilogia é composta pela História da Música Angolana, que é praticamente o início da música, quais são os temas fundamentais da música, quais são os elementos constitutivos do discurso musical angolano. RFI: História da Música Angolana é o livro que foi recentemente apresentado. Há, então, mais dois a serem publicados? Albino Carlos: Sim, faz parte de uma trilogia sobre o fazer musical angolano. Há um livro que é só sobre o semba. Mas não é um livro, ao contrário dos outros livros, que são muitas cronologias históricas, nasceu no dia tal, o grupo... Não, eu fiz uma análise do discurso musical. O que o semba canta e como canta. A fome, a miséria, a guerra, o ciúme, a paixão. Enfim, eu fiz uma análise semiótica do discurso musical. Ao invés de preocupar-me em falar sobre os grupos, o historial cronológico dos fenómenos musicais, não. Eu fiz uma coisa um pouco mais difícil. Eu queria fugir um bocadinho daquilo que são normalmente os livros sobre história das músicas, quer em Portugal, quer no Brasil. RFI: O Semba que está, neste momento, em processo de candidatura para que venha a ser considerado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Albino Carlos: Eu penso que neste momento há condições objetivas e subjetivas que nos permitem estar mais animados neste processo. Porquê? Porque o Fado já foi reconhecido, o Samba de Roda já foi reconhecido, a Coladera foi reconhecida, muito recentemente o Reggae foi reconhecido, a Rumba foi reconhecida. São todas musicalidades que bebem, intercambiam, têm subsídios com o Semba e são parecidos com o Semba. Há, digamos assim, elementos que se cruzam entre o Semba e o Samba. Há uma influência muito forte da musicalidade africana no Fado. O Reggae não preciso mais dizer, o Reggae vem da África, se bem que tem uma essência muito forte daquela região, do Caribe. E nesse contexto, o Semba, pelo fato de ser uma música nacional, mas muito aberta ao mundo, da mesma forma que é o angolano, é um povo africano, mas muito aberto ao mundo. Nós herdamos um bocadinho esta particularidade dos portugueses. Portugal é um pequeno país que dominou o mundo, não é? Espalhou-se por mares nunca antes navegados. Herdamos esta abertura, esta pluralidade, esta multiplicidade, este diálogo com o outro, este intercâmbio, esta miscigenação. É isto que nos faz fortes e é isto que faz forte o Semba, porque o Semba é uma música urbana. Obviamente que as raízes vêm da Ambaca, daquela região do Cuanza Norte, mas passou a ser Semba, como Semba, a partir do momento em que o N'gola Ritmos fez dele um ritmo mais urbano. Já tem viola, é uma música popular, é moderna. Mas também neste Semba tem influência portuguesa, do Fado e outras sonoridades portuguesas e europeias. Tem muita influência também latino-americana, tem muita influência da Rumba congolesa, sendo certo que a Rumba também tem alguma origem em Angola, mas é daquela região. Portanto, o Semba é, digamos assim, o melhor espaço que o angolano encontrou para se definir a si mesmo, para expressar aquilo que vai na alma, para se relacionar com o mundo. O Semba, por intermédio de algumas derivações, como o Kuduro e a Kizomba, tem dado sons aos sons do mundo. Hoje a Kizomba conquistou o mundo, hoje toda a gente quer dançar Kizomba, mas a Kizomba não é só mais uma derivação do semba. RFI: O que é que se pode encontrar neste livro? Albino Carlos: É um livro que faz uma viagem pelas práticas musicais angolanas. É um livro que dá muito ênfase à identidade musical de Angola, às línguas nacionais e como é que essas línguas nacionais, estando mais próximo daquilo que são os rumores do nosso pensamento e da nossa alma, expressam melhor o nosso pensamento, os nossos sonhos e as nossas frustrações. É um livro que também faz muita referência ou dá grande destaque à música de intervenção. O Luís sabe bem que a música de intervenção jogou um papel muito importante na nossa independência e também jogou um papel muito importante no 25 de abril. Zeca Afonso é uma figura emblemática. Zeca Afonso marcou a música de intervenção angolana. Os grandes trovadores portugueses, sobretudo daquele período quente do 25 de abril, marcaram profundamentalmente a música de intervenção e esta música de intervenção teve um papel extraordinário no desenrolar no xadrez político angolano naquele período da independência. Falo também da música como um espaço de libertação da mulher. A música também é isto, tem também sentido de missão. Por exemplo, Angola ainda sendo um país com uma certa cultura machista, como é que as mulheres, através da música, conseguiram serem sujeitos de discurso ao invés de objetos de discurso? Cantava essa mulher, né? Oh, Maria... Não, agora é a Maria que está a cantar sobre o Zé, é a Maria que está a cantar sobre ela, é a Maria que está a cantar como uma pessoa, não como uma mulher, não como um indivíduo, não para se contrapor ao homem, mas para afirmar-se, para um espaço de liberdade, um espaço de expressão. É um livro que também fala sobre algumas particularidades do discurso musical, por exemplo, a força do comboio, a força da feitiçaria, a força da religião, a força da tradição e como é que faz essa mistura com o discurso da modernidade. É um livro que também fala sobre a canção infantil angolana, mas, obviamente, sempre fazendo referência ao que se faz também ao nível do mundo, sobretudo, à forte influência que Portugal exerce e continua a exercer na nossa idiosincrasia. Por exemplo, nós não podemos falar da canção infantil angolana sem referências profundas dos cantos de ninar de Portugal. O “Atirei o pau ao gato”..., enfim. Todos nós tivemos uma infância cuja banda sonora eram aquelas músicas que os nossos avós, os nossos pais foram cantando e continuamos agora a transmitir aos nossos filhos e aos nossos netos. E tenho a convicção profunda de que os nossos filhos, os nossos netos vão também transmitir essa experiência de socialização, de passar valores da família, do amor, da fraternidade, por intermédio da canção infantil. A canção infantil angolana também desempenhou este papel e tem desempenhado até um papel muito mais do que aquilo que é a canção de ninar ou a canção de roda. É uma canção que foi usada também para incutir nas nossas crianças, o amor à terra, para conhecerem o seu país, para terem o orgulho da sua nacionalidade. Enfim, a história da música angolana é a história da Angola contada através da sua música. Sendo certo que Angola é um país novo, está a construir a sua história, está a escrever a sua história. Mas, a história da Angola não será completa sem o capítulo relacionado com a música. De tal sorte que a história da Angola confunde-se com a história da música angolana. É esta a tese fundamental deste livro. RFI: Albino Carlos, qual foi o grande desafio, os grandes obstáculos, que encontrou para escrever este livro?Albino Carlos: Desde logo a bibliografia, a dificuldade de recolha das músicas. Tive uma dificuldade porque eu, sendo de Luanda, não domino as línguas nacionais, domino mais ou menos o quimbundo, mas não domino as outras línguas. E isto, de certa forma, pode ser uma crítica, e já agora é uma crítica que eu aceito. Houve um certo pendor para o grupo etnolinguístico quimbundo, que é da minha região, da zona de Luanda. Há um certo privilégio, digamos assim. Houve maior preponderância na recolha e na abordagem desse espaço etnocultural. Mas não foi por intenção. Foi pela minha dificuldade, foi pela minha incapacidade intelectual. Obviamente que fez um esforço enormíssimo que este livro espalhasse a diversidade cultural. Porque é da diversidade cultural que reside a força e a riqueza da Angola. Angola é o que é porque existem 21 províncias, existem várias nações, no intuito de criar uma só nação, uma nação forte, um só povo e uma só nação. Quer dizer, num conceito no sentido de afirmar a sua identidade e se afirmar no contexto das nações. Esse foi o grande desafio. Por outro lado, houve também o desafio da pouca bibliografia. Vou só dar um exemplo, de 1960 até hoje, pouco menos de 40 obras existem sobre a música angolana. Mesmo sendo este país conhecido a nível internacional pela música. África do Sul, por exemplo, que é aqui a nossa vizinha, tem mais de 300 títulos sobre a sua produção musical. Que abrange desde a música tradicional ao mais moderno dos modernos. O Kuduro, esta música que nos tem afirmado a nível internacional, o primeiro doutoramento foi feito numa universidade portuguesa. É este o grande desafio que é lançado aos angolanos. RFI: A obra foi recentemente publicada em Portugal. Depois de Portugal, o que é que pode acontecer? Albino Carlos: De facto, o livro criou muitas expectativas. Porque eu fui falando ao longo desse tempo. Na qualidade académico, coloquei a problemática da música na universidade, na academia. Fui alertando, ao longo desse tempo, que estava a produzir esta obra. Portanto, há muitas expectativas em Angola. Estou a ser cobrado. Obviamente que problemas de logística e problemas financeiros limitam a possibilidade de poder lançar em Angola. Mas estamos a envidar todos os esforços no sentido de que no mês de junho nós possamos fazer o lançamento em Angola. Moçambique também já convidou, o Brasil também já está interessado nesta obra. Significa dizer que, em colaboração com a editora, vamos colocar esta obra em todo o espaço da lusofonia. Sendo certo que o nosso fazer musical, o fazer musical do espaço da lusofonia, carece de bibliografia. Para que os nossos cidadãos sintam-se orgulhosos do seu discurso. De um dos discursos que mais marcam. Um dos discursos que mais marca a lusofonia é a música. Não existe Brasil sem samba. Portugal sem o fado, não sei o que seria.
A semana ficou marcada pela visita do Papa Leão XIV a Angola, por um agravamento do surto de cólera em Benguela, por denúncias envolvendo estudantes guineenses retidos em Portugal e pela situação política na Guiné-Bissau. Em Moçambique, avançam novos investimentos no gás natural, enquanto milhões continuam sem acesso a água potável. Em São Tomé e Príncipe, a crise energética mantém a população sem respostas concretas. A visita do Papa Leão XIV a Angola dominou a actualidade da semana. Durante três dias, o Sumo Pontífice passou por Luanda, Muxima e Saurimo, onde deixou críticas à corrupção, à desigualdade social e à concentração da riqueza. O líder da Igreja Católica apelou ainda a uma mudança profunda baseada na justiça social, dignidade humana e reconciliação nacional. No Santuário de Nossa Senhora da Muxima, um dos momentos centrais da visita, o Papa presidiu à oração do terço perante milhares de fiéis. Na celebração, defendeu um mundo sem guerras nem injustiças e recordou que a fé deve traduzir-se em acções concretas de solidariedade e amor ao próximo. Ainda em Angola, a província de Benguela enfrenta uma vaga de cólera agravada pelas chuvas intensas e pelo transbordo do rio Cavaco. As autoridades sanitárias alertam para o aumento de casos e de mortes, sobretudo nos municípios do litoral, enquanto decorrem campanhas de vacinação nas zonas mais afectadas. Face à crise sanitária em Benguela, o governo provincial anunciou medidas de emergência no saneamento básico. Entre as acções em curso está a construção de latrinas comunitárias nas regiões mais atingidas, no âmbito da Estratégia Nacional de Saneamento Total. Na Guiné-Bissau, continua a gerar polémica o caso de dez estudantes guineenses intercetados no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Um dos jovem permanece retido há uma semana, apesar de viajarem com vistos válidos, cartas de admissão e comprovativos de matrícula. Seis foram repatriados e três autorizados a entrar em Portugal. Também na Guiné-Bissau, a equipa de defesa de Domingos Simões Pereira denunciou a inexistência de um processo regular no tribunal militar e acusa as autoridades de manterem o líder do PAIGC privado da liberdade em condições desumanas. Os advogados referem ainda isolamento prolongado e restrições impostas ao candidato presidencial Fernando Dias da Costa. Em Moçambique, a petrolífera estatal chinesa CNOOC deverá iniciar em breve trabalhos de prospeção e pesquisa de gás natural na bacia do Rovuma, no norte do país. O anúncio foi feito pelo Presidente Daniel Chapo durante uma visita oficial à China, onde se reuniu com o homólogo Xi Jinping. Ainda em Moçambique, a província de Nampula continua a enfrentar graves carências no acesso a água potável. Numa região com cerca de sete milhões de habitantes, grande parte da população não dispõe de abastecimento seguro, realidade reconhecida pelas autoridades provinciais. Em São Tomé e Príncipe, a crise energética mantém-se sem solução imediata. O primeiro-ministro Américo Ramos pediu desculpa à população e prometeu melhorias nas primeiras semanas de maio. No entanto, vozes críticas afirmam que os cidadãos já não acreditam em promessas e continuam a viver com cortes constantes de electricidade.
I titoli: - Papa Leone, appello per la pace dall'Angola: trionfi l'amore, non la guerra. Tra poco la partenza dall'aeroporto di Luanda per Saurimo, nel nord-est del Paese, il terzo toccato dal suo viaggio apostolico in Africa - Le armi tacciano, si segua la via del dialogo. Così da Kilamba il Pontefice fa risuonare la condanna per la recente intensificazione dei raid nel cuore dell'Europa, in particolare in Ucraina - Medio Oriente, la Marina americana sequestra una nave iraniana: cercava di forzare il blocco nel Golfo dell'Oman. Teheran: reagiremo. Colloqui in Pakistan in salita, ma i canali restano aperti Conduce: Francesco De Remigis Tecnico del suono: Luca Rossi
ANGOLA, LUANDA, HOLY MASS PRESIDED OVER BY POPE LEO XIV AT THE KILAMBA ESPLANADE HOMILY SPEECH AND RECITATION OF THE REGINA CAELI PRAYER (The content of this podcast is copyrighted by the Dicastery for Communication which, according to its statute, is entrusted to manage and protect the sound recordings of the Roman Pontiff, ensuring that their pastoral character and intellectual property's rights are protected when used by third parties. The content of this podcast is made available only for personal and private use and cannot be exploited for commercial purposes, without prior written authorization by the Dicastery for Communication. For further information, please contact the International Relation Office at relazioni.internazionali@spc.va)
Intrattenimento e informazione, musica, cultura, i fatti del giorno e la rassegna stampa con i vostri messaggi in diretta: tutto questo è Radio Vaticana con Voi! Anche oggi insieme per iniziare la giornata con numerosi ospiti! Come ogni giorno, protagonisti gli ascoltatori! Intervieni in diretta tramite WhatsApp al numero 3351243722 Trasmissione speciale per continuare a seguire insieme il viaggio apostolico di Papa Leone XIV nel continente africano. Nella mattinata di oggi, ultimo giorno in Angola, il Papa ha visitato la casa d'accolgienza per anziani a Saurimo. All'interno della nostra trasmissione il suo discorso agli ospiti della struttura. In apertura di trasmissione il collega Francesco De Remigis ha dato conto delle principali notizie proveniente dall'Ucraina e dal Medio Oriente alla luce di quanto pronunciato dal Papa Leone durante il Regina Coeli di domenica. Attraverso le interviste degli invitati Olivier Bonnel e Tiziana Campisi, abbiamo ascoltato le voci di Padre Silva Antonio, frate minore cappuccino della comunità francescana a Luanda e di monsignor Vicente Sanòmbo, vescovo di Kwito-Biè. Successivamente ci siamo collegati in diretta con l'Angola, con don Luvundo Capalo MUME, salesiano di Don Bosco nel Paese che ha partecipato alle celebrazioni di ieri e raccontato la realtà che vivono i giovani angolani. A seguire la testimonianza di Massimiliano Parella Casante dell'Opera Don Calabria, che opera a servizio dei più fragili in Angola. All'arrivo del Papa a Saurimo abbiamo raggiutno Tommaso Chieco inviato per Radio Vaticana - Vatican News per una testimonianza in diretta in attesa dell'evento papale e successivamente una riflessione sulla condizione degli anziani in Angola con Don Carlo Abbate della Pastorale Familiare della Diocesi di Roma. In conduzione Silvia Giovanrosa e Stefania Ferretti Supporto Editoriale Marco Guerra Tecnici del suono, Daniele Giorgi e Luca Rossi
Luanda viveu este sábado, 18 de Abril, momentos de grande entusiasmo com a chegada do Papa Leão XIV ao Aeroporto 4 de Fevereiro. O avião papal aterrou cerca de 15 minutos antes da hora prevista, sendo recebido por milhares de fiéis que aguardavam há horas sob um sol intenso para ver de perto o Sumo Pontífice. Entre cânticos, aplausos e acenos, o Papa seguiu pelas principais artérias da capital angolana, desde o aeroporto até à Presidência da República. Já no Palácio Presidencial, Leão XIV manteve um encontro privado com o Presidente João Lourenço, antes de discursar perante autoridades governamentais, representantes da sociedade civil e diplomatas acreditados em Angola. No seu primeiro discurso em território angolano, o Papa apontou o dedo hoje em Luanda àquilo que descreve como uma “cadeia de interesses” que “reduz a realidade e a própria vida humana a uma mera mercadoria”. O Sumo incidiu sobre o modelo extractivista, assente na exploração intensiva de recursos naturais sem retorno proporcional para as populações locais. E questionou: “Quanto sofrimento, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais acarretam esta lógica extractivista?”. O Presidente João Lourenço, por sua vez, destacou a importância da colaboração entre o Estado e a Igreja Católica, sublinhando o papel da instituição religiosa na formulação de políticas sociais em áreas como saúde, educação, habitação, energia e combate à pobreza. O chefe de Estado defendeu ainda um envolvimento mais activo da Igreja como parceira no desenvolvimento do país. Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, depois de João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009. A visita integra um périplo de dez dias ao continente africano, com passagens pela Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
ANGOLA,LUANDA, MEETING OF POPE LEO XIV WITH AUTHORITIES, CIVIL SOCIETY AND THE DIPLOMATIC CORPS IN THE PROTOCOL HALL OF THE PRESIDENTIAL PALACE (The content of this podcast is copyrighted by the Dicastery for Communication which, according to its statute, is entrusted to manage and protect the sound recordings of the Roman Pontiff, ensuring that their pastoral character and intellectual property's rights are protected when used by third parties. The content of this podcast is made available only for personal and private use and cannot be exploited for commercial purposes, without prior written authorization by the Dicastery for Communication. For further information, please contact the International Relation Office at relazioni.internazionali@spc.va)
A poucas horas da missa campal presidida pelo Papa Leão XIV, na centralidade do Kilamba, nos arredores de Luanda, o ambiente é já de grande expectativa. No local onde o Sumo Pontífice vai celebrar, os preparativos entram na fase decisiva e os ensaios sucedem-se, afinando cada detalhe de uma cerimónia que deverá reunir milhares de fiéis. A RFI esteve no terreno e acompanhou de perto o ensaio dos seminaristas que vão participar activamente na celebração. Sob orientação do padre Daniel Mateos, da diocese de Luanda, repetem-se gestos, ajustam-se movimentos e afinam-se os últimos detalhes para este que será um dos pontos altos da visita de Leão a Angola. O sacerdote vai explicando a disposição dos diferentes grupos, corrigindo movimentos e ajustando o ritmo. “Vai ser missa dominical. E o extraordinário é que vai ser o Santo Padre a celebrar”, explicou o padre Daniel Mateos, sublinhando a dimensão inédita do evento: “se espera mais de 1 milhão de pessoas”. Na mensagem que poderá deixar sobre Angola, o sacerdote antevê um discurso directo e sem hesitações por parte do Papa Leão XIV: “O nosso Papa Leão não tem medo de dizer a verdade”. Segundo o responsável, é expectável que toque nas desigualdades sociais, num contexto em que o crescimento económico nem sempre se traduz na melhoria efectiva das condições de vida da população. Trata-se, diz, de uma realidade “muito visível” e que faz parte do quotidiano de muitos angolanos, sobretudo nas periferias urbanas. Ao mesmo tempo, o sacerdote acredita que o Papa deverá reforçar uma mensagem de paz e reconciliação, num momento que considera sensível do ponto de vista político e social. “No próximo ano, em 2027, serão as eleições. Muita gente tem um pouco de receio do que possa acontecer, um clima de expectativa e medo do que poderá acontecer. Então, esperamos também que o Papa venha trazer paz, tranquilidade e sobretudo esta reconciliação aqui em Angola”, afirmou. Entre correcções e repetições, a RFI falou com alguns dos seminaristas envolvidos na cerimónia, que partilharam o significado deste momento e a emoção e nervosismo de participar na missa presidida pelo Papa Leão XIV. Vivaldo António, seminarista da Arquidiocese de Luanda e estudante do quarto ano de Teologia, integra o grupo que vai acolitar a missa papal. O sentimento oscila entre emoção e responsabilidade, “o Santo Padre é o sucessor de Pedro e vem para poder abençoar a nossa terra”. Para o jovem, trata-se de uma presença rara e profundamente marcante, vivida com expectativa e sentido espiritual. Já Wilson Paulo Marinheiro, do Seminário Maior da Diocese de Viana, reconhece a preparação, mas também o peso da responsabilidade. “Sentimo-nos preparados porque já estamos a dar respostas positivas no que toca aos nossos ensaios”, acrescentando que o receio de falhar está presente, mas é ultrapassado pela preparação e pela fé. Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, depois de João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009. A visita integra um périplo de dez dias ao continente africano, com passagens pela Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
A visita do Papa Leão XIV a Angola, que se inicia este sábado, marca um dos momentos centrais da actualidade africana, num contexto de crise interna e de persistentes desafios políticos e sociais na região. No programa Semana em África desta semana, o destaque vai para Angola, que recebe a partir deste sábado, 18 de Abril, o Papa Leão XIV, no âmbito de um périplo africano. A visita, com passagens por Luanda, Muxima e Saurimo, é encarada pelas autoridades angolanas e pela Igreja Católica como um momento de grande mobilização espiritual e social. Dom José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), sublinha que o Sumo Pontífice “vai encontrar uma Angola em paz”, ainda que reconheça que o país enfrenta “uma crise económica, social e cultural muito profunda”. A deslocação de três dias decorre sob o lema “Peregrino da Esperança, da Reconciliação e da Paz”, uma escolha que reflecte os desafios ainda presentes no país. O analista político Osvaldo Mboco recorda que a reconciliação nacional continua a ser “um desafio”, décadas após o fim da guerra civil. Ainda em Angola, a actualidade fica marcada pela terceira sessão do julgamento dos cidadãos russos Igor Ratchin e Lev Lakshtanov, bem como dos angolanos Buka Tanda e Carlos Tomé. Os arguidos enfrentam acusações de espionagem, terrorismo e financiamento ao terrorismo. A sessão, iniciada a 15 de Abril, ficou marcada pela produção de provas e pela audição dos réus, tendo o tribunal indeferido os pedidos da defesa para ouvir diversas figuras políticas e da sociedade civil como testemunhas. Na Guiné-Bissau, o colectivo de advogados do presidente do PAIGC e coordenador da plataforma Aliança Inclusiva – PAI Terra Ranka denunciou a alegada criação de um tribunal “ad hoc” para julgar a suposta tentativa de golpe de Estado de Novembro de 2025. Em entrevista, o advogado Roberto Indeque acusou o regime de promover manobras com vista à incriminação de Domingos Simões Pereira. Em Moçambique, o representante do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olamide Harrison, confirmou que o Governo liquidou antecipadamente uma dívida na ordem dos 700 milhões de dólares. Apesar disso, não existe ainda qualquer acordo para um novo programa de assistência financeira ao país. Já em Cabo Verde, na ilha do Fogo, o abuso sexual de crianças mantém-se como uma das principais preocupações sociais. O alerta foi deixado pelo ministro da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social, Fernando Elísio Freire, durante uma visita à ilha, onde, só em 2025, foram registados 31 casos de violência sexual contra menores.
Olá, bio-ouvintes! No episódio de hoje iremos conversar com um dos professores, a professora Danisa de Assis que Heloá Caramuru, desenvolvedora do projeto, trabalhou enquanto desenvolvia o podcast nas escolas de Luanda. Danisa irá nos contar como é lecionar em Angola e como são as metodologias e o ensino pedagógicos nas escolas da região. CONTATOS cartinhas@biologiainsitu.com.br Instagram, Facebook, LinkedIn, Twitter e Tiktok: @bioinsitu APOIO Apoio recorrente na Orelo ou no Apoia.se Pix: cartinhas@biologiainsitu.com.br CRÉDITOS Coordenação: Cristianne Santos, Heloá Caramuru, Larissa Castro, Larissa Menezes, Ricardo Gomes e Vitor Lopes. Convidada: Danisa de Assis. Locução: Ricardo Gomes. Edição e mixagem de áudio: Tales Barretto. Arte de capa: Larissa Menezes. CITAÇÃO DO EPISÓDIO (ABNT) Bio In Situ 227 - Essa é a mistura do Brasil com Angola 2 - A professora. Coordenação: Cristianne Santana Santos, Heloá Caramuru Carlos, Larissa Araguaia Monteiro de Castro, Larissa Menezes de Souza Lopes, Ricardo da Silva Gomes e Vitor Estanislau de Almeida Souza Lopes. Convidada: Danisa de Assis. Locução: Ricardo da Silva Gomes. Edição e mixagem de áudio: Tales Ramos Barretto. Arte de capa: Larissa Menezes de Souza Lopes. [S. l.] Canal Bio In Situ, 17 de abril de 2026. Podcast. Disponível em: https://biologiainsitu.com.br/227-essa-e-a-mistura-do-brasil-com-angola-2-a-professora/.
A visita do Papa Leão XIV a Angola, de 18 a 21 de Abril, insere-se num périplo africano que inclui várias etapas e que, no caso angolano, passará por Luanda, Muxima e Saurimo. A deslocação é encarada pelas autoridades e pela Igreja como um momento de grande mobilização espiritual e social. Em entrevista à RFI, Dom José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo e presidente da CEAST, sublinha que o Sumo Pontífice "vai encontrar uma Angola em paz”, “embora a atravessar uma crise económica, social e cultural muito profunda e que está a afectar o próprio desenvolvimento das famílias”. Em entrevista à RFI, Dom José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST), afirmou que “toda a comunidade cristã, e não só, está entusiasmada e galvanizada para acolher o Santo Padre. E em termos logísticos, as condições estão todas criadas. (...) Estamos prontos para acolher condignamente o Santo Padre.” Esta será a terceira visita de um Papa a Angola, depois de João Paulo II em 1992 e Bento XVI em 2009. Para Dom José Manuel Imbamba, o país que agora se prepara para receber Leão XIV é diferente. “Vai encontrar uma Angola em paz”, “embora actualmente o país esteja a atravessar uma crise económica, social e cultural muito, muito profunda e que está a afectar e de que maneira, o próprio desenvolvimento das famílias e a realização dos seus sonhos.” O arcebispo considera que a presença do Papa terá um impacto espiritual importante: “O Papa trará a sua palavra de conforto, de esperança e de encorajamento para que todos nós nos empenhemos na construção de uma Angola mais irmanada, uma Angola mais reconciliada.” A visita do Papa Leão XIV inclui três locais distintos: Luanda, Muxima e Saurimo. Para Dom José Manuel Imbamba, a escolha resulta da dinâmica pastoral do país. “Luanda é a capital política, a capital religiosa. Era incontornável”. Já o Kilamba, onde será celebrada uma missa campal, foi escolhido pela sua capacidade de acolhimento: “uma localidade urbana muito jovem, muito nova e dinâmica e que está a crescer e é o local que ofereceu o melhor espaço para acolher as milhares de pessoas.” Sobre a Muxima, destacou o peso espiritual: “um santuário mariano, o coração de Angola em termos de espiritualidade mariana”, um espaço “secular que conhece vivências muito fortes”. Quanto a Saurimo, sublinha o carácter simbólico da visita ao interior do país: “nunca tinham visitado o Leste e por isso achamos por bem que era a altura de o Santo Padre também vir conhecer esta realidade”, de uma região ricas em recursos naturais, mas que contrasta com a pobreza das comunidades. Para o arcebispo, a visita também deve ser entendida como um sinal para o país no seu todo. “As oportunidades devem ser iguais para todos. As realizações devem se fazer sentir em todas as partes”. E acrescenta: “é um chamariz muito importante, o país é um todo”, sublinhando a importância das periferias e das zonas menos desenvolvidas. Sobre o possível aproveitamento político da visita, Dom José Manuel Imbamba é claro: “É inevitável numa sociedade como a nossa, é normal que os partidos tirem os seus proveitos. O mais importante é termos a figura espiritual do Santo Padre para nos unir.” Quanto ao financiamento da visita, o arcebispo explica que há uma partilha de responsabilidades: “há uma partilha de custos por parte da própria Santa Sé, do Estado angolano que acolhe e da Igreja angolana que acolhe”. Acrescenta, ainda, a participação da sociedade: “há uma mobilização dos próprios fiéis, dos empresários, dos amigos que se solidarizam com estas causas”.
Na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Luanda, vive-se um ambiente de expectativa e azáfama à medida que se aproxima a visita do Papa Leão XIV. À entrada do recinto, uma imagem do Sumo Pontífice dá as boas-vindas aos fiéis, enquanto, no jardim em frente, vendedoras propõe bancas repletas de artigos alusivos ao líder da Igreja Católica, desde panos e t-shirts a lenços, chapéus e terços. As vendas reflectem o entusiasmo gerado pela visita. “Graças a Deus as vendas estão a correr muito bem, muito bem mesmo”, conta uma das vendedoras, destacando que os lenços são os artigos mais procurados: “Sai mais lenços. É um pouco mais barato e é o que as pessoas mais usam”. Ainda assim, refere que os produtos estão prestes a esgotar: “Para falar a verdade, t-shirts e panos já estão quase escassos. Só sobraram lenços e eu espero acabar mesmo até lá.” Para muitos, este momento tem também um significado pessoal profundo. Católica, desde sempre, a vendedora não esconde a emoção: “É uma felicidade imensa, porque nos outros Papas eu era uma bebezinha e não podia ir, mas nesta vez eu vou ver.” Entre os pedidos que pretende fazer ao Santo Padre, destaca “saúde, amor e proximidade a Deus”. “Tem havido mais vendas, porque o Papa está a chegar aqui em Angola. É boa para nós, para a economia angolana”, afirma outra comerciante, sublinhando que a preparação começou assim que foi anunciada a deslocação. Entre os fiéis, o sentimento é de alegria e esperança. “Fico feliz por saber que o Papa Leão XIV vem cá”, diz uma paroquiana, que espera que a visita traga melhorias ao país: “Que abençoe Angola e que Angola possa melhorar mais no seu quotidiano.” A devoção mariana também marca presença, com referências à Muxima, local de grande significado religioso no país e que o Leão XIV visitara no domingo 19 de Abril para presidir à oração de um Santo Rosário (terço) “Muxima significa coração, é a nossa Mãe”, explica uma fiel. “Vamos receber com todo o carinho, com as duas mãos”, afirma uma outra crente, recordando a passagem do Papa João Paulo II por Angola. Questionada sobre o que irá pedir, responde: “Uma bênção para nós angolanos, para as nossas famílias e filhos.” A expectativa estende-se também às questões sociais. Entre as principais preocupações apontadas pelos fiéis estão a pobreza e as dificuldades enfrentadas por muitas famílias. “Acredito que o primeiro problema seja mesmo a pobreza, o nível de crianças desamparadas”, “as cheias que assolaram muitas famílias em Benguela… há muito luto. Que ele diga algo que possa consolar os nossos corações”, disseram outras fiéis junto à Paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Luanda. A deslocação do Papa Leão XIV a Angola arranca amanhã, sábado, 18 de Abril, com passagens pelo Kilamba (arredores de Luanda), pela Muxima (um dos maiores centros de peregrinação da África subsaariana) e por Saurimo. Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, depois de João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009. A visita integra um périplo de dez dias ao continente africano, com passagens pela Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
Papa Leão XIV a caminho de Angola para uma visita de três dias. O líder da Igreja Católica vai passar por Luanda, pelo Santuário de Muxima e por Saurimo, na Lunda Sul. Cidadãos esperam que Papa aborde questões dos direitos humanos, mas também a situação social e política em Angola.
A visita do Papa Leão XIV a Angola, entre 18 e 21 de Abril, está a mobilizar milhares de fiéis e voluntários por todo o país. Entre eles, os escuteiros católicos que assumem um papel central na organização e segurança dos principais momentos da deslocação do Sumo Pontífice, que inclui passagens por Luanda, Muxima e Saurimo. Em entrevista à RFI, o coordenador da Associação dos Escuteiros Católicos de Angola, Gilberto Gil Lopes, revelou a dimensão do dispositivo montado: “Vamos participar com 11.414 escuteiros no total”. O trabalho dos escuteiros será essencialmente de apoio logístico e segurança, sobretudo ao longo dos percursos do Papa. “Vamos fazer um cordão humano nas ruas. O Papa vai passar com o papamóvel (…) os escuteiros vão fazer o trabalho do cordão humano nesse perímetro para o povo não ir para a estrada”. Além disso, os voluntários terão várias outras funções: “vamos também fazer o acolhimento das pessoas que se dirigem aos espaços de celebração, indicar como é que chegam, ajudar com água, com os cadeirantes, apoiar na saúde (…) apoiar os alojamentos, os transportes”. Para garantir o bom funcionamento da operação, foram realizados vários momentos de formação. “Tivemos cinco encontros preparatórios, dois online e três presenciais. Fizemos também simulacros”, afirmou Gilberto Gil Lopes. A preparação incluiu não só questões logísticas, mas também comportamentais e de gestão de risco: “quem é o Papa, como é que nos devemos comportar num encontro como esse com tanta gente (…) a gestão de risco, uma visão de 360 graus e ver possíveis riscos”. A coordenação com as autoridades também tem sido fundamental. “Tivemos várias reuniões (…) para alinhar tudo: percurso, zonas mais críticas, abordagem de cada um, o limite da autoridade de cada um”, acrescentou coordenador dos Escuteiros Católicos de Angola Apesar de Angola já ter recebido visitas papais no passado, o entusiasmo mantém-se elevado, sobretudo entre os mais jovens. “É diferente”, reconheceu Gilberto Gil Lopes, lembrando que muitos escuteiros já participaram na visita de Bento XVI, mas há também uma nova geração envolvida. “Os escuteiros estão ávidos (…) todos querem ouvir, ver o Papa passar”, sublinhando o impacto simbólico do momento: “para nós também é uma renovação da nossa fé, uma renovação da nossa espiritualidade, um encontro com a nossa Igreja”. O responsável deixa ainda algumas recomendações práticas para quem pretende assistir: “chegar cedo (…) levar água, protector solar (…) e vir com alegria”. O Papa Leão XIV desloca-se a Angola, de 18 a 21 de Abril, a visita deverá pôr em evidência as temáticas sociais defendidas pelo líder da Igreja Católica: um país rico em petróleo e minerais, mas marcado por profundas desigualdades, onde cerca de um terço da população vive abaixo do limiar internacional de pobreza. Leão XIV deverá insistir na gestão equitativa dos recursos e no combate à corrupção. O Papa desloca-se à capital Luanda, nas margens do Oceano Atlântico, símbolo de contrastes onde coexistem bairros de luxo e bairros de lata, bem como ao santuário mariano de Muxima, principal local de peregrinação nacional, e ainda a Saurimo (leste).
O Papa Leão XIV inicia a partir desta segunda-feira, 13 de Abril, uma digressão africana que o leva a vários países do continente, incluindo Angola, onde estará entre 18 e 21 de Abril. A visita insere-se num contexto de aproximação entre a Santa Sé e vários Estados africanos, com destaque para Angola, país de forte tradição católica. A visita a Angola destaca-se pelo impacto religioso e diplomático, relançando o debate sobre reconciliação e desigualdades no país, como explica o analista político Osvaldo Mboco. Em entrevista à RFI, o analista político Osvaldo Mboco sublinha que a deslocação a Angola ultrapassa a dimensão estritamente religiosa. “Nós assistimos nos últimos anos uma maior aproximação entre a Igreja Católica e o Governo angolano e penso que esta visita, para além do simbolismo religioso que ela tem, acarreta consigo um simbolismo das relações entre os Estados do Vaticano e o angolano”. O lema da visita “peregrino da esperança, da reconciliação e da paz” continua, segundo o analista, plenamente actual no contexto angolano. “Faz sentido [continuar a falar de reconciliação] porque o conflito civil angolano terminou recentemente, há 24 anos. E olhando para a nossa própria história, os acontecimentos sociais, uma certa tensão política entre os angolanos, algumas feridas ainda não estão completamente saradas”, afirmou Osvaldo Mboco. O analista considera que ainda existem sinais de divisão política no país, sobretudo entre os principais partidos. “Ainda é visível uma certa política de discriminação entre os dois maiores partidos Angola”, referindo-se ao MPLA (poder) e à UNITA (oposição). Para Osvaldo Mboco, “ainda falta a busca do consenso e de diálogo para as questões estruturais dos dois grandes partidos políticos em Angola” e sublinha que “o país ainda fica muito a reboque das decisões das tensões existentes entre esses dois partidos políticos”. Questionado sobre a possibilidade de a visita ser alvo de aproveitamento político num ano pré-eleitoral, o analista afasta essa hipótese: “Eu penso que não, porque quer a UNITA quer o MPLA sobre questões religiosas… gravitam na mesma direcção” e acrescenta que figuras políticas, de ambos os campos, conhecem bem o Vaticano e mantêm relações institucionais estáveis com a Santa Sé. Ainda assim, reconhece que “nós estamos num ano politicamente sensível, um ano pré-eleitoral”. Em Angola, os pontos altos da deslocação do Sumo Pontífice são as celebrações na Centralidade do Kilamba, a cerca de 30km da capital, depois vai deslocar-se ao Santuário de Nossa Senhora da Muxima, na província de Ícolo e Bengo, o 'principal local de peregrinação nacional. Fica a cerca de 130 km de Luanda. Além disso, Leão XIV vai ainda a Saurimo, no Leste de Angola, junto à fronteira com a RDC. A visita do Papa a estas três realidades distintas poderá, segundo Osvaldo Mboco, transmitir uma mensagem sobre as desigualdades do país: “Angola é um país que apresenta características assimétricas do ponto de vista de desenvolvimento”. O Papa poderá deixar uma mensagem de unidade e de apelo à coesão nacional: “os angolanos precisam continuar a trabalhar, continuar a estar unidos e na fé e no espírito de reconciliação nacional”. Sobre Saurimo, coração da região diamantífera, Mboco sublinha o contraste entre riqueza natural e pobreza social, mas ressalva que a presença do Papa nessas regiões pode servir também como alerta: “passar a mensagem da necessidade de melhor se trabalhar e melhor se estabelecer algumas metas para o desenvolvimento e crescimento dessa mesma província”.
Da Guiné-Bissau a Moçambique, passando por Angola e República Centro-Africana, a actualidade africana ficou marcada por tensão política, denúncias de violações de direitos, o regresso de Manuel Chang após cumprir pena nos EUA, o debate sobre a presença militar ruandesa em Cabo Delgado, a preparação da visita do Papa Leão XIV a Angola e a libertação de um investigador luso-belga após quase dois anos de detenção. A actualidade africana da semana ficou marcada por novos desenvolvimentos políticos na Guiné-Bissau, pelo regresso de Manuel Chang a Moçambique após cumprir pena nos Estados Unidos, pelo debate sobre a presença militar ruandesa em Cabo Delgado e ainda pela preparação da visita do Papa Leão XIV a Angola. Guiné-Bissau: carta aberta denuncia situação de Domingos Simões Pereira Na Guiné-Bissau, Dionísio Simões Pereira, irmão do líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, divulgou uma carta aberta dirigida à comunidade nacional e internacional, apelando a uma intervenção urgente para pôr termo à situação do antigo primeiro-ministro. Segundo a denúncia, Domingos Simões Pereira continua privado de liberdade desde a tomada do poder em Novembro do ano passado, que interrompeu o processo eleitoral no país. Entretanto, os sectores da sociedade civil criticaram a audiência concedida em Bruxelas, a 26 de Março, ao antigo Presidente Umaro Sissoco Embaló e ao antigo chefe de Estado senegalês Macky Sall por António Costa. Os críticos consideram que o encontro representa um sinal político favorável ao actual poder em Bissau. Ainda no país, o assassínio do activista Vigário Luís Balanta, encontrado morto a 31 de Março, continua sem esclarecimento oficial. A jurista Carmelita Pires defendeu o recurso ao Tribunal Penal Internacional, alegando inexistência de condições internas para uma investigação independente. Moçambique: Manuel Chang regressa após cumprir pena nos EUA Em Moçambique, o regresso de Manuel Chang voltou a colocar em evidência o caso das dívidas ocultas. O antigo ministro das Finanças cumpriu pena de sete anos e meio de prisão nos Estados Unidos, após condenação por conspiração para fraude electrónica e branqueamento de capitais. Detido em 2018, na África do Sul, Chang foi posteriormente extraditado para território norte-americano, onde enfrentou julgamento relacionado com o escândalo financeiro que lesou o Estado moçambicano em mais de dois mil milhões de dólares. O caso levou os parceiros internacionais a suspenderem, em 2016, a ajuda directa ao Orçamento do Estado moçambicano. Cabo Delgado: parlamento debate estratégia anti-terrorismo Também em Moçambique, o Governo apresentou no parlamento uma proposta de estratégia nacional de combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado. O debate surge após declarações do Presidente ruandês, Paul Kagame, que admitiu retirar as tropas destacadas no norte moçambicano caso não seja assegurada a continuidade do financiamento externo. Partidos parlamentares defenderam que a soberania nacional deve permanecer sob controlo do Estado moçambicano, embora reconheçam a importância do apoio internacional no combate aos grupos armados. Angola prepara visita do Papa Leão XIV Em Angola, a visita do Papa Leão XIV, agendada para os dias 18 a 21 de Abril, está a ser apresentada como um momento de reforço diplomático entre Luanda e o Vaticano. O embaixador angolano junto da Santa Sé, Carlos Alberto Fonseca, afirmou que a deslocação poderá impulsionar a revisão do Acordo-Quadro assinado em 2019, além de abrir caminho a novos acordos de cooperação. As relações diplomáticas formais entre Angola e o Vaticano contam já com mais de 27 anos. República Centro-Africana: libertado investigador luso-belga Na República Centro-Africana, o investigador luso-belga Joseph Figueira Martin foi libertado passados quase dois anos de detenção. A libertação resultou de uma mediação diplomática conduzida por Portugal, com apoio da Bélgica e de instituições europeias. O eurodeputado Francisco Assis saudou o desfecho, considerando-o um sinal positivo da cooperação diplomática europeia no continente africano.
Olá, bio-ouvintes! Está semana iremos atravessar o oceano até o continente Africano, em Luanda, capital de Angola! O episódio de hoje iremos falar sobre as experiências vividas pela mestre e doutora Heloá Caramuru, enquanto desenvolvia sua pesquisa de doutorado em Luanda. Episódios produzidos com as turmas de Luanda: 173 – Bio In Situ em Angola 185 – Preconceito, bullying, internet e imagologia 186 – Planta imortal e antílope em extinção 187 – Autismo e reprodução das abelhas 188 – Escoliose, varíola e racismo CONTATOS cartinhas@biologiainsitu.com.br Instagram, Facebook, LinkedIn, Twitter e Tiktok: @bioinsitu APOIO Apoio recorrente na Orelo ou no Apoia.se Pix: cartinhas@biologiainsitu.com.br CRÉDITOS Coordenação: Cristianne Santos, Heloá Caramuru, Larissa Castro, Larissa Menezes, Ricardo Gomes e Vitor Lopes. Locução: Heloá Caramuru e Ricardo Gomes. Edição e mixagem de áudio: Bruno Nappo. Arte de capa: Larissa Menezes. CITAÇÃO DO EPISÓDIO (ABNT) Bio In Situ 226 - Essa é a mistura do Brasil com Angola 1 - A pesquisadora. Coordenação: Cristianne Santana Santos, Heloá Caramuru Carlos, Larissa Araguaia Monteiro de Castro, Larissa Menezes de Souza Lopes, Ricardo da Silva Gomes e Vitor Estanislau de Almeida Souza Lopes. Locução: Heloá Caramuru Carlos e Ricardo da Silva Gomes. Edição e mixagem de áudio: Bruno Nappo Fernandes. Arte de capa: Larissa Menezes de Souza Lopes. [S. l.] Canal Bio In Situ, 09 de abril de 2026. Podcast. Disponível em: https://biologiainsitu.com.br/226-essa-e-a-mistura-do-brasil-com-angola-1-a-pesquisadora/.
Em Angola, chuvas torrenciais provocaram estragos em várias regiões do país. Só nas províncias de Luanda e Benguela mais de 50 mil pessoas foram afetadas. Que medidas precisam ser tomadas para evitar que as épocas chuvosas continuem a causar mortes e danos? A resposta para descobrir neste "Praça Pública".
E quando a vida que a gente sonhou deixa de fazer sentido?Neste episódio do Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli conversa com a jornalista e escritora Luanda Vieira sobre o que acontece quando tudo que lutamos para construir começa a se afastar da gente. A convidada, que acaba de lançar o livro Nada é definitivo: toda mudança requer coragem, revisita a própria trajetória para elaborar experiências e refletir sobre esgotamento, medos e mudanças. A conversa passa por temas como burnout, obediência feminina, sucesso, sintomas de adoecimento, tokenismo, racismo, amor-próprio e amizade feminina. Um episódio sobre a coragem de viver novos sonhos. Para receber em primeira mão a pré-venda do Clube do Livro e conteúdos exclusivos do Bom dia, Obvious, assine a newsletter da ObviousNos acompanhe também: Marcela Ceribelli no Instagram: @marcelaceribelliInstagram da Obvious: @obvious.ccTikTok da Obvious: @obvious.ccChapadinhas de Endorfina: @chapadinhasdeendorfinaLivro da Luanda Vieira: AQUI Instagram da Luanda Vieira: AQUIOuça também, outros podcasts da Obvious:Podcast Chapadinhas de Endorfina.docPodcast Academia do PrazerLivros da Marcela Ceribelli:Sintomas — e o que mais aprendi quando o amor me decepcionou: AQUIAurora: O despertar da mulher exausta: AQUI
Luanda deverá acolher este sábado novas manifestações pela libertação de presos políticos. Oficiais da RENAMO reuniram-se para discutir presente e futuro do partido, numa altura em que o líder Ossufo Momade tem sido altamente criticado.
Altos funcionários da AGT condenados a penas entre 3 e 9 anos de prisão por esquema de fraude fiscal; defesa recorre para a Relação de Luanda. Leis dos média aprovadas em Moçambique geram nervosismo no setor, que pede cautela e análise mais aprofundada. A decisão da CAF de retirar o título ao Senegal continua a gerar polémica. Ouvimos Zainadine Júnior.
The Daily Quiz - Geography Today's Questions: Question 1: The Dingle Peninsula is the westernmost point of which island? Question 2: What is the capital city of Nicaragua? Question 3: Which of these countries borders Portugal? Question 4: Where city has the statue, 'Manneken Pis, depicting a naked boy urinating into a fountain? Question 5: Luanda is the capital city of which country? Question 6: What lake is the source of the White Nile? Question 7: In which country would you find the Old Walled City of Shibam? Question 8: What is the capital city of Nauru? This podcast is produced by Klassic Studios Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Irão: Moçambicanos e angolanos pedem neutralidade de Maputo e Luanda. Maputo já terá manifestado solidariedade aos Emirados Árabes Unidos. Há crise na FNLA: militantes acusam a liderança de falta de transparência.
Neste programa Semana em África, voltamos aos temas que marcaram os nossos noticiários. O destaque vai para os receios manifestados em torno das consequências da guerra no Médio Oriente sobre as economias africanas. A guerra no Médio Oriente está a preocupar também os países africanos. Em Cabo Verde, o Presidente José Maria Neves apelou ao bom senso e ao diálogo entre os países envolvidos, defendendo uma solução pacífica para a crise. “Na verdade, as guerras nunca resolvem os problemas. Destroem, criam problemas humanitários, criam também ressentimentos e geram mais violência. Nós sempre temos apelado ao respeito pela soberania dos países, ao respeito pelo direito internacional e para o diálogo e a solução negociada dos conflitos. E, na linha da nossa Constituição da República, são esses os princípios que nós defendemos. Independentemente dos países ou dos protagonistas, são esses os elementos que Cabo Verde defende na arena internacional. Resta-nos apelar ao bom senso, ao diálogo e à solução negociada deste conflito”, afirmou o chefe de Estado cabo-verdiano. Em termos económicos, o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, admitiu que a subida de mais de 10 pontos percentuais no preço do petróleo na última semana vai ter implicações directas na economia do arquipélago. “Ninguém está preparado para situações imprevisíveis. Temos de nos preparar em todo o mundo. Os Estados Unidos, a França, a Alemanha e também Cabo Verde têm de se preparar. Estamos perante um novo contexto e todos nós temos de nos adaptar a esta realidade, que terá implicações a nível económico. Com o aumento do preço do petróleo, que subiu mais de 10 pontos percentuais, apenas na última semana, haverá impactos directos na economia cabo-verdiana", declarou Olavo Correia. Já Angola pode estar entre as economias mais beneficiadas em África devido à guerra dos EUA e Israel contra o Irão, devido à subida dos preços do petróleo e melhores condições financeiras da dívida. A informação foi adiantada à Lusa pela analista da Bloomberg Economics Yvonne Mhango, que disse que Angola, Nigéria e Gana podem tirar benefícios da subida do preço do petróleo, enquanto a República Democrática do Congo, a África do Sul e o Quénia poderão estar entre os mais afectados. Mas de um modo geral, a analista adverte que "para a maioria das economias africanas, preços mais altos do petróleo significam moedas mais fracas e renovada pressão sobre a inflação, o que poderia colocar novamente em discussão uma subida nas taxas de juro". Ainda em Angola, o porta-voz da CEAST - a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé - Belmiro Chissengueti, alertou para os efeitos do “fim do multilateralismo”. “Nós estamos numa realidade e num panorama mundial em que os organismos multilaterais parecem que hoje estão bastantes fragilizados, há anos quando falávamos das Nações Unidas pelo menos eram ouvidas, mas hoje sentimos praticamente os efeitos do fim do multilateralismo, daí a opção de uma única potência mundial ditar as regras”, declarou nesta segunda-feira em Luanda o porta-voz da CEAST, Belmiro Chissengueti durante a conferência de imprensa de balanço da I Assembleia Plenária da CEAST. Na Guiné-Bissau, o primeiro-ministro do Governo de transição, Ilídio Vieira Té, afirmou, esta semana, que o país está preocupado com as consequências da guerra no Médio Oriente e que está a tomar medidas preventivas sobre o aumento do petróleo. Ainda em Cabo Verde, um alerta do FMI para os efeitos na Segurança Social do declínio populacional levou o governo a ponderar aumentar a idade de reforma. O Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, falou dessa possibilidade e em um estudo em curso. "Este estudo está em curso, um estudo que tem de ter uma boa base de sustentabilidade porque aqui temos de garantir não só aquilo que pode ser qualquer mexida no sistema de reforma, pois temos de ter em conta também as contribuições, particularmente num país que está a mudar a sua pirâmide de idade", começou por dizer o governante. "Hoje temos mais velhos, temos maior esperança de vida, as pessoas vivem mais. A viverem mais, consomem mais da Segurança Social, através da assistência médica, medicamentos e tem uma pressão maior para a Segurança Social", explicou o chefe do governo de Cabo Verde. "Por outro lado, há uma tendência de redução do número de contribuintes. Aquilo que está a acontecer na Europa vai acontecer aqui, em Cabo Verde, num período de aproximadamente uns vinte anos. Muito trabalho já foi feito, tem de ser depois aprovado em sede do Conselho de Concertação Social", rematou. Em Moçambique, a presidente do Instituto Nacional de Gestão de Risco de Desastres, Luísa Meque, indicou estar atenta aos alegados casos de desvios de donativos para as vítimas das cheias e inundações. “Nós, como instituição, a nossa maior preocupação é que todos os bens que são levados para os centros de acomodação sejam entregues aos beneficiários, que são, de facto, as pessoas que têm de receber os bens. Agora, temos que trabalhar com todos aqueles que estão lá, que estão com comportamentos que não são abonatórios, para o sucesso do nosso trabalho”, vincou Luísa Meque. Ainda em Moçambique, arrancaram esta semana as aulas para este ano lectivo, depois de cheias e inundações terem afectado mais de 400 infra-estruturas escolares. Sete escolas continuam a ser utilizadas como centros de acolhimento para as vítimas das intempéries e 15 permanecem sitiadas. O Presidente Daniel Chapo defendeu o investimento na educação. “Investir na educação não é uma despesa, pelo contrário: é uma estratégia e uma opção política do Estado no investimento no futuro”, afirmou Daniel Chapo. Daniel Chapo sublinhou que a actual geração tem a missão de conquistar a independência económica: “Essa conquista começa aqui, na escola, na educação. Não haverá industrialização robusta sem um ensino secundário forte, não haverá economia digital sem ciência nas salas de aula e não haverá soberania plena sem construirmos, e continuarmos a construir, este futuro”, disse. Em São Tomé e Príncipe, decorreu esta semana o Forum de Soluções e Investimento dos Pequenos Estados Insulares Africanos em Desenvolvimento. Na abertura do evento, o chefe do governo são-tomense disse que “este fórum representa um passo estratégico, decisivo na conjugação de esforços para acelerar a transformação dos sistemas agrícolas e alimentares com vista a erradicação da pobreza, eliminação da fome, combate à má nutrição e a redução da desigualdade” nos pequenos países insulares do continente. Américo Ramos reconheceu que o tempo exige celeridade nas acções de luta contra a insegurança alimentar: "Constatamos com preocupação que precisamos acelerar o ritmo das nossas acções, para corresponder às expectativas dos nossos concidadãos, sobretudo os mais vulneráveis no que respeita ao direito de acesso à alimentação adequada.”
Legado de Hélder Pitta Gróz na PGR angolana divide opiniões. Cabo Verde quer apostar mais nas suas potencialidades turísticas. Guerra entre Israel, Estados Unidos e Irão entra no sexto dia, sem sinais de abrandamento.
Le président congolais Félix Tshisekedi vient d'achever une longue tournée dans une demi-douzaine de pays, effectuant une offensive diplomatique et politique, des États-Unis aux Émirats arabes unis, en passant par l'Angola et le Togo. Guerre dans le Kivu, dialogue intercongolais, crise avec le Rwanda, minerais critiques... Kinshasa a plusieurs dossiers brûlants sur la table. Pour aborder ces sujets, le porte-parole du gouvernement de la République démocratique du Congo, Patrick Muyaya, est notre Grand Invité Afrique ce matin. Il répond aux questions de Sidy Yansané. RFI : Depuis le début de l'année, le président Félix Tshisekedi multiplie les déplacements : Togo, Congo, France, les Émirats, les États-Unis et puis l'Angola pour finir cette grosse tournée. Qu'en est-il ressorti de concret à la fois sur les plans diplomatique, économique et surtout sécuritaire ? Patrick Muyaya : La plus récente visite, celle en Angola, c'était évidemment pour passer en revue la question de l'évolution du processus de paix. Et il y avait évidemment la question du dialogue intercongolais. Ensuite, la visite aux Émirats, là aussi, il s'agissait de mettre les dispositifs en place d'un partenariat stratégique, car les Émirats arabes unis et la République démocratique du Congo ont des intérêts en commun à construire et à partager. Pour revenir maintenant sur la visite à Washington, une visite historique, si je peux me permettre, en termes de partenariat stratégique RDC-États-Unis, nous avons eu la première réunion du comité directeur conjoint. Il y a aussi eu ce sommet sur les minerais critiques. Le président Tshisekedi a réussi à inscrire la République démocratique du Congo au cœur du débat sur la transition énergétique, faisait de notre pays un atout pour régler les problèmes de l'humanité. Revenons à l'Angola, puisqu'à la suite de la visite du président Tshisekedi, on a confié à Luanda un nouveau mandat : créer les conditions d'un dialogue intercongolais en parlant à toutes les parties. Qu'espérez-vous du président João Lourenço, ex-médiateur dans la crise rwando-congolaise, dans ce nouveau rôle ? Il va faire une forme de pré-consultation des différentes parties. Mais comme notre président de la République l'a dit et redit, le dialogue entre Congolais se tiendra en République démocratique du Congo. Et ce dialogue, j'insiste là-dessus, ne consacrera aucune forme d'impunité, parce que c'est l'impunité dont bénéficient certains acteurs qui est à la base de la répétitivité des conflits que nous déplorons dans la partie est du pays. Parlons de l'un de ces acteurs. RFI a révélé que, en décembre dernier, l'ancien président Joseph Kabila, condamné à mort pour trahison et crimes de guerre par la justice congolaise, avait été reçu à Luanda par la présidence angolaise. Kinshasa est-elle prête à dialoguer avec cet acteur congolais-là ? Dans le dialogue que nous devons avoir, nous avons un point principal : l'agression. Lorsque vous regardez les prises de position et les attitudes du président honoraire, il est évident qu'il est complice de l'agression parce qu'il est difficile d'imaginer que c'est lui qui a combattu par le passé le M23. Puis, dans une tribune publique, brisant de longues années de silence, il dit soutenir et justifier le combat du M23. Il y a des gestes qu'il n'aurait jamais dû poser. Tout dépendra évidemment du rapport que, le moment venu, le président Lourenço fera de ses différentes consultations, notamment avec celui que vous avez cité. Malgré l'accord signé à Washington, et aussi l'accord-cadre de Doha et ses protocoles censés être appliqués, les violences perdurent sur le terrain. Que manque-t-il pour que, au moins, il y ait un cessez-le-feu ? Il manque de la volonté du côté du Rwanda, car il est évident que toute idée visant à ramener la paix dans cette partie de notre pays n'arrange pas le président Paul Kagame, qui est aussi derrière ces faux prétextes d'extermination ou de ciblage des populations banyamulenge. Il y a un autre prétexte qu'il utilise, celui de la présence des FDLR (Forces démocratiques de libération du Rwanda, mouvement sanctionné par l'ONU et considéré comme génocidaire par Kigali, NDLR). Je pense que, au terme de tous ces processus, le Rwanda ne viendra plus recycler ces prétextes, d'autant qu'il est censé régler ces problèmes en ce moment. Vous êtes porte-parole du gouvernement et ministre de la Communication. Vous insistez beaucoup sur certains termes, qualifiant le président Paul Kagame de « père du M23 » avec qui il entretient « une relation diabolique ». Peut-on vraiment parler d'effort de paix quand, des deux côtés rwandais et congolais, il y a des termes extrêmement forts pour désigner l'adversaire et la personne avec laquelle on doit négocier ? Nous qualifions Kagame et le M23 de relation père-fils à raison. Qui a créé le M23 ? Qui arme le M23 ? Qui conduit les opérations du M23 ? Il y a des rapports du groupe d'experts des Nations unies qui le disent de manière régulière. Donc cette filiation existe bel et bien. La frontière avec le Burundi est toujours fermée. Des habitants d'Uvira se sont réfugiés au Burundi, fuyant les combats. Avez-vous des informations concernant l'ouverture prochaine d'une frontière et une stabilisation d'Uvira ? Le gouvernement travaille déjà sur un plan de restauration de l'autorité de l'État, qui va permettre un retour progressif de nos populations qui sont à Uvira, pour revenir en sécurité là où ils doivent être. Et de ce point de vue, il y a une évolution, après la dernière réunion au Qatar. Jean-Pierre Lacroix, secrétaire général adjoint de l'ONU chargé des opérations de maintien de la paix, séjourne actuellement à Kinshasa pour voir dans quelle mesure on peut mettre en place le mécanisme de cessez-le-feu qui pourra, s'il est mis en place et surtout s'il est respecté, contribuer au retour des populations qui sont parties se réfugier au Burundi voisin.
Namibië het homself herverbind tot die Luanda-ooreenkoms, 'n raamwerk vir die ontwikkeling van 'n verenigde Afrika-strategie vir die bevordering van natuurlike diamante. Die myneminister, Modestus Amutse, het aan die kantlyn van die 2026 mynbou indaba in Kaapstad gesê Namibië sal voortgaan om in noue vennootskap met mede-Afrika-diamantproduserende lande, De Beers, globale diamantsentrums en die Natuurlike Diamantraad, saam te werk.
Stephen Grootes speaks to David Van Wyk, mining analyst about the progress of the Luanda Accord since it was signed last year, a landmark agreement by major diamond-producing countries and industry bodies to jointly fund global marketing for natural diamonds. However, progress has been slow, with funding commitments lagging and implementation delays raising questions about the effectiveness of the agreement and its implications for diamond dependent economies in Africa. The Money Show is a podcast hosted by well-known journalist and radio presenter, Stephen Grootes. He explores the latest economic trends, business developments, investment opportunities, and personal finance strategies. Each episode features engaging conversations with top newsmakers, industry experts, financial advisors, entrepreneurs, and politicians, offering you thought-provoking insights to navigate the ever-changing financial landscape. Thank you for listening to a podcast from The Money Show Listen live Primedia+ weekdays from 18:00 and 20:00 (SA Time) to The Money Show with Stephen Grootes broadcast on 702 https://buff.ly/gk3y0Kj and CapeTalk https://buff.ly/NnFM3Nk For more from the show, go to https://buff.ly/7QpH0jY or find all the catch-up podcasts here https://buff.ly/PlhvUVe Subscribe to The Money Show Daily Newsletter and the Weekly Business Wrap here https://buff.ly/v5mfetc The Money Show is brought to you by Absa Follow us on social media 702 on Facebook: https://www.facebook.com/TalkRadio702 702 on TikTok: https://www.tiktok.com/@talkradio702 702 on Instagram: https://www.instagram.com/talkradio702/ 702 on X: https://x.com/CapeTalk 702 on YouTube: https://www.youtube.com/@radio702 CapeTalk on Facebook: https://www.facebook.com/CapeTalk CapeTalk on TikTok: https://www.tiktok.com/@capetalk CapeTalk on Instagram: https://www.instagram.com/ CapeTalk on X: https://x.com/Radio702 CapeTalk on YouTube: https://www.youtube.com/@CapeTalk567 See omnystudio.com/listener for privacy information.
L'aéroport stratégique de Kisangani, grande ville du nord-est de la RDC, a été ciblé ce week-end par une attaque de drones kamikazes. Huit d'entre eux ont pu être abattus. L'attaque n'a pas été revendiquée mais les autorités locales accusent le M23 et Kigali d'en être à l'origine. Que cherchent le Rwanda et le mouvement rebelle ? Pour Ledjely à Conakry, « loin de chercher une véritable désescalade, ils semblent plutôt engagés dans une stratégie visant à affaiblir méthodiquement les capacités militaires du camp adverse. Le choix de cibler l'aéroport de Kisangani n'a, à cet égard, rien d'anodin. Cette infrastructure constitue un maillon stratégique essentiel dans le dispositif de riposte des autorités congolaises. C'est notamment depuis cette plateforme que décollent les aéronefs et les avions de chasse utilisés par les forces armées de la RDC pour frapper les positions tenues par les rebelles soutenus par le Rwanda. » Et « le fait qu'un mouvement rebelle soit en mesure de se procurer et de déployer des drones kamikazes est très inquiétant, souligne encore Ledjely. Cette évolution marque un saut qualitatif préoccupant dans l'arsenal du M23 et révèle l'ampleur des soutiens dont il bénéficie. Elle en dit long sur les ambitions de l'ennemi auquel le président Félix Tshisekedi est confronté et sur la complexité croissante du conflit. » Le retour de la diplomatie continentale ? Sur le plan diplomatique, « c'est le grand flou », s'exclame Afrikarabia. « Aux abonnés absents depuis l'échec des processus de paix de Nairobi et Luanda, l'Union africaine et l'Angola font de nouveau entendre leur voix dans la crise congolaise. » Pour le site spécialisé sur la RDC, « ce retour de l'Afrique dans le conflit qui secoue l'Est de la RDC signe d'abord les échecs des processus de paix de Washington entre la RDC et le Rwanda, et de celui de Doha entre le gouvernement congolais et les rebelles de l'AFC/M23. La situation militaire s'est largement dégradée sur le terrain avec la prise d'Uvira par la rébellion en décembre, même si le M23 s'est récemment retiré de la deuxième ville du Sud-Kivu. Le come-back de l'Angola et de l'Union africaine sonne aussi comme un retour à la case départ. Dos au mur et sans solution militaire, constate Afrikarabia, Félix Tshisekedi a donc décidé de relancer ses “frères africains“ pour tenter de peser à nouveau sur les rebelles et leur soutien rwandais. » Contrats tous azimuts ! Le président congolais qui joue également les VRP, « avec dans ses valises de juteux contrats miniers. » C'est ce que relève Aujourd'hui à Ouagadougou. « Première escale hier : les Emirats Arabes Unis, avec un contrat sur l'exploitation d'or. Et deuxième séjour aux États-Unis demain pour ressusciter l'accord mort-né de décembre dernier qui devait faire taire les armes. » Et pour réactiver les contrats miniers qui allaient de pair… En effet, à Washington, Félix Tshisekedi devrait retrouver ses homologues kenyan et guinéen pour un sommet sur les ressources stratégiques. L'ogre américain… Commentaire du quotidien Le Pays, toujours au Burkina Faso : « la présence de pays africains à ce sommet de Washington est bien la preuve que dans la “merde“, il y a aussi de bonnes choses à tirer (référence à la fameuse phrase de Donald Trump qualifiant les nations du continent de “pays de merde“). Et ce n'est pas Donald Trump qui dira le contraire, poursuit le quotidien burkinabé. Lui qui conditionne son aide à la sécurisation de l'Est de la RDC, contre une facilité d'accès de son pays aux minerais rares de ce vaste pays d'Afrique centrale. » Reste à savoir maintenant, pointe encore Le Pays, « si la RDC, le Kenya et la Guinée sauront défendre leurs intérêts devant l'ogre américain. La question est d'autant plus fondée que l'Afrique a souvent souffert du déséquilibre des accords dans ses rapports de coopération avec les pays occidentaux. Et quand, dans le meilleur des cas, le continent noir ne se retrouve pas avec la portion congrue du gâteau, c'est souvent pour assister, impuissant, au pillage de ses ressources naturelles par les grandes puissances. » En tout cas, pour en revenir à la RDC, cette tournée de Félix Tshikekedi aux Emirats Arabes Unis et aux États-Unis, « montre sa volonté de transformer le conflit à l'Est en une lutte pour la souveraineté économique. » C'est ce que souligne Afrik.com : « en renforçant les liens directs avec les destinations finales de ses richesses naturelles, le pouvoir congolais mise sur la diplomatie commerciale. L'objectif, pointe le site panafricain, est d'affaiblir les réseaux de financement des groupes armés. Cette stratégie vise aussi à stabiliser durablement les frontières tout en développant l'économie nationale. »
« L'année 2025 avait très mal débuté pour la RDC, relate Jeune Afrique : fin janvier, Goma, ville stratégique et chef-lieu de la province du Nord-Kivu, était prise par l'AFC/M23. À la mi-février, c'est Bukavu, chef-lieu du Sud-Kivu, qui tombait. Et cette année 2025 s'est achevée de la pire des manières : la chute d'Uvira le 10 décembre, quelques jours seulement après la signature à Washington d'un accord de paix entre la RDC et le Rwanda. Un revers pour Donald Trump, qui s'était largement autocongratulé d'avoir “rétabli la paix“ dans la région. » D'ailleurs, « sur le front diplomatique, poursuit Jeune Afrique, cette année 2025 avait d'abord fait naître plusieurs espoirs. Trois processus de paix se sont succédé, se chevauchant parfois : ceux de Luanda, de Doha et de Washington. Tous ont en commun d'avoir, pour l'instant, échoué. » Les avancées des troupes de l'AFC/M23 dans l'est de la RDC n'auraient pas été possibles sans le soutien actif du Rwanda. Un soutien prouvé et documenté depuis des années par des dizaines de rapports onusiens. Le Rwanda reconnait sa participation à une coordination sécuritaire avec l'AFC/M23 Jeudi dernier, surprise : l'ambassadrice du Rwanda à Washington Mathilde Mukantabana publie sur le site de l'ambassade un document dans lequel elle reconnait implicitement l'engagement du Rwanda auprès du M23, avec notamment cette phrase : « Le Rwanda participe effectivement à une coordination sécuritaire avec l'AFC/M23. » Commentaire du site d'information Afrik.com : « L'expression est suffisamment floue pour laisser place à des marges d'interprétation, mais suffisamment explicite pour engager une responsabilité politique. Elle peut inclure : des échanges de renseignements, une synchronisation tactique sur le terrain, un appui logistique direct, voire une coordination opérationnelle. Dans tous les cas, il s'agit d'une interaction structurée avec un acteur armé non étatique opérant sur le territoire d'un État souverain. Cela pose un problème fondamental au regard du droit international et des résolutions du Conseil de sécurité des Nations unies. » Et Afrik.com de s'interroger : « À travers ce document, Kigali pense recréer un climat de confiance. Mais avec qui ? Les États-Unis ? Le M23 ? Ou la communauté internationale ? Ce tournant constitue-t-il une tentative de reprise du contrôle du récit international ? Plutôt que de subir des révélations successives, le Rwanda chercherait ainsi à encadrer son implication en la justifiant par des impératifs sécuritaires. Cette forme d'admission assumée suffira-t-elle à infléchir la courbe du récit ? Rien n'est moins sûr. » Trop tard ? « Pourquoi ce changement de pied et pourquoi aujourd'hui ? », s'interroge écho le site spécialisé sur la RDC Afrikarabia : « Depuis l'arrivée du médiateur américain dans le conflit congolais, Kigali, sous le flot des critiques, marche sur des œufs. (…) Dos au mur, le Rwanda cherche à proposer un nouveau récit “dans la transparence“ de ses combats à l'est de la RDC. Kigali tente ainsi d'imposer au grand jour une stratégie de “légitime défense préventive“. Mais les arguments avancés sont connus depuis bien longtemps : menace FDLR, persécutions des Tutsis congolais, risques d'infiltrations transfrontalières… » Et Afrikarabia de s'interroger à nouveau : « Ce nouveau discours de “transparence“ et de “confiance“ présenté par l'ambassadrice rwandaise fera-t-il mouche ? Et surtout, n'arrive-t-il pas trop tard, après des années de déni ? Il n'est pas sûr que ce nouveau narratif tempère les positions de Washington. La sous-secrétaire d'État adjointe au Bureau des affaires africaines, Sarah Troutman a été très claire devant la Chambre des représentants : “ceux qui menacent la paix seront tenus pour responsables“. À bon entendeur… »
Un an après la bataille de Goma, quelle est la réalité du contrôle exercé sur la ville par l'AFC/M23, soutenu par Kigali ? Comment le groupe AFC/M23 se finance-t-il ? Et quelles perspectives de paix, alors que les initiatives diplomatiques — qui se multiplient — n'ont que peu d'effet sur le terrain ? Zobel Behalal, expert senior à l'Initiative mondiale contre le crime organisé transnational et ancien membre du panel d'experts des Nations unies sur la RDC, répond aux questions de Florence Morice. RFI : Il y a un an, lors de la chute de Goma, beaucoup d'analystes affirmaient que le M23 n'avait pas les moyens de gouverner la ville. Un an plus tard, peut-on dire que l'on s'était trompé ? Zobel Behalal : Oui, évidemment, on s'était trompé il y a un an. Parce qu'aujourd'hui, le mouvement non seulement contrôle la ville, mais il a étendu son pouvoir sur d'autres territoires, et notamment sur la province du Sud-Kivu. De quelle manière est-ce qu'il contrôle la ville, concrètement ? Le M23, toujours soutenu massivement par le Rwanda, a installé une administration parallèle avec des gouverneurs qui ont été nommés dans les provinces du Sud et du Nord-Kivu, des administrateurs du territoire. Il a installé un système de taxation assez bien huilé. Le M23 contrôle également des territoires stratégiques de production minière, qui sont une source d'enrichissement assez considérable pour lui. Et ensuite, ce qu'il faut noter, c'est que le M23 contrôle cinq postes frontaliers stratégiques, notamment avec le Rwanda et l'Ouganda. Comment le M23 finance-t-il cette administration parallèle ? Essentiellement par ces taxes et le contrôle des ressources minières ? On a vu une nomenclature des taxes assez bien élaborée par le mouvement, qui concerne aussi bien le mariage, le transfert d'un corps, que la traversée d'une frontière, l'exploitation d'un site minier. Donc ça couvre vraiment toute l'activité économique et sociale des territoires sous son contrôle et cela rapporte énormément d'argent au mouvement. Il faut aussi comprendre que le M23 ne dépense pas beaucoup d'argent pour ses troupes. Les soldats, pour la plupart, sont très peu payés, ils reçoivent un entretien journalier pour leur nutrition, donc ceux-ci se sucrent sur le dos de la population et l'essentiel de l'argent collecté par le M23 va dans les poches de ses cadres politiques et militaires. Avant la chute de Goma, le M23 contrôlait déjà d'importants sites miniers. C'était le cas, par exemple, de Rubaya. Qu'est-ce qui a changé depuis un an ? Est-ce qu'ils ont mis la main sur de nouveaux sites stratégiques ? Depuis la chute de Goma, le M23 a étendu son contrôle sur des sites miniers, notamment dans la province du Sud-Kivu, des sites miniers de production d'or et de ce qu'on appelle la wolframite, ce qui constitue des sources de revenus importantes pour le mouvement. Il a continué à maintenir son contrôle sur les routes d'exportation des minerais de coltan exploités à Rubaya vers le Rwanda. Donc tout cet argent rentre dans les caisses du mouvement, mais profite surtout aux cadres politiques, aux cadres militaires et évidemment aux pays qui soutiennent le M23. Quels sont les pays qui bénéficient de ces ressources ? On a suffisamment d'informations et de preuves pour attester du soutien massif du Rwanda vis-à-vis du M23 et on sait que ce soutien rapporte énormément d'argent au Rwanda. Les statistiques du Rwanda d'exportation du coltan sur la période de janvier à juin 2025 sont 200 % supérieures à ce que c'était à la même période en 2024. Et on sait aussi qu'il y a des pays qui profitent de manière passive de la présence du M23, notamment les flux commerciaux et économiques entre le M23 et le Congo et l'Ouganda. Il y a également des pays un peu plus lointains, comme le Kenya et la Tanzanie. Prenons un exemple, celui du commerce du carburant. Aujourd'hui, à Goma, le carburant est sous le contrôle des proches du général Makenga, qui est le chef militaire du M23, et ses proches ont un monopole sur l'importation du carburant qui vient de pays comme le Kenya. Donc ça enrichit des réseaux qui, de manière passive ou indirecte, contribuent à financer le mouvement et profitent également de cette économie illicite. Depuis un an, les initiatives diplomatiques se multiplient, mais on a le sentiment qu'elles ont peu d'effet sur le terrain. Pour quelle raison, selon vous ? Il y a eu une forte mobilisation diplomatique qui est appréciable. Mais ce qu'on constate aujourd'hui, c'est qu'il y a un élément qui structure cette guerre, il y a un élément qui constitue son carburant, c'est l'exploitation des ressources naturelles. Donc l'angle mort des principaux processus de paix, c'est qu'ils ne prennent pas suffisamment en compte cet aspect qui pourtant représente un moyen de pression sur les différents acteurs pour les obliger à se mettre autour de la table pour discuter. Mais le processus de Washington et l'accord-cadre qui a été signé en fin d'année dernière aux États-Unis prétend justement placer cette dimension économique et l'organisation économique régionale au cœur des discussions. Autant on se félicite du fait que les Américains aient mis sur la table cette dimension économique, autant on reste encore sur notre faim sur les mesures concrètes qui vont véritablement résoudre le problème dans sa profondeur. On a plutôt l'impression que ce processus pourrait représenter une prime à l'ambition expansionniste de certaines parties. Il pourrait représenter une source d'enrichissement des réseaux criminels préexistants. Donc il faut commencer par créer des conditions pour que ces personnes n'accèdent plus à ces ressources naturelles. Et c'est l'angle mort, comme je le disais, de ces processus de paix. Donc le M23, et ? Le M23, les pays voisins comme le Rwanda… Et il faut reconnaître aussi que, aujourd'hui, dans l'exploitation illicite des ressources naturelles, les réseaux criminels se recrutent au sein de l'élite politique, sécuritaire de tous les pays, y compris du Congo. On n'a pas d'éléments qui nous permettent de dire aujourd'hui que ces élites au Congo, au Rwanda et dans les autres pays, ne continueront pas à tirer les ficelles lorsque ces contrats seront appliqués. Tout récemment, l'Angola, qui semblait sorti des processus de négociation, a relancé des consultations et plaide pour un dialogue national. Est-ce que cette nouvelle initiative de Luanda est porteuse d'espoir selon vous ? L'initiative angolaise est potentiellement une évolution positive, car si la crise du M23 s'inscrit dans une dynamique géo-criminelle, où des États instrumentalisent le crime transnational organisé à des fins économiques et financières, il faut reconnaître que cette crise prospère aussi parce qu'elle s'ancre dans des faiblesses structurelles profondes que seuls les Congolais eux-mêmes ont la capacité et le devoir de traiter. Donc un dialogue intercongolais, qui va discuter du partage des richesses, de la forme de l'État, de comment faire nation, de la lutte contre l'impunité, me semble bienvenu. À lire aussiRDC: à Rubaya, des mines stratégiques au cœur de la guerre, toujours contrôlées par le M23
Les journalistes et experts de RFI répondent également à vos questions sur des poursuites juridiques à l'encontre de la Birmanie, l'envoi de soldats européens au Groenland et la peine de mort requise pour l'ancien président sud-coréen. RDC : pourquoi l'Angola relance-t-elle sa médiation ? Face à la persistance des violences dans l'est de la RDC, Joao Lourenço semble de nouveau vouloir jouer un rôle dans la résolution du conflit dans l'Est de la RDC. Ces dernières semaines, le président angolais a multiplié les contacts avec de nombreux acteurs de la crise congolaise. Comment expliquer ce retour alors qu'en mars 2025, Luanda avait annoncé son retrait des discussions ? La nouvelle médiation angolaise peut-elle changer la donne sur le terrain ? Avec Patient Ligodi, journaliste au service Afrique de RFI. Justice internationale : pourquoi la Gambie poursuit-elle la Birmanie ? Depuis lundi (12 janvier 2026), la Birmanie comparaît devant la Cour internationale de justice, accusée par la Gambie de génocide à l'encontre des Rohingyas. La procédure concerne les violences commises depuis 2017 contre cette minorité musulmane, marquées par des exactions de masse et des déplacements forcés. Pourquoi est-ce la Gambie qui porte ce dossier devant la CIJ ? En cas de condamnation, que risque la Birmanie ? Avec Stéphanie Maupas, correspondante de RFI à La Haye. Groenland : que sait-on de la mission militaire européenne ? Face aux menaces de Donald Trump de conquérir le Groenland « d'une manière ou d'une autre », le Danemark a renforcé sa présence militaire sur ce territoire arctique. Dans la foulée, la Suède, l'Allemagne, la Norvège et la France ont annoncé participer à une mission militaire européenne sur l'île. L'Europe a-t-elle les moyens de répliquer en cas d'annexion du territoire danois ? Avec Mikaa Blugeon-Mered, chercheur senior en géopolitique de la transition énergétique, spécialiste des Pôles et de l'hydrogène, à l'Université du Québec à Trois-Rivières et chargé d'enseignement Pôles-Énergies-Climat à l'École de Guerre. Corée du Sud : l'ancien président sera-t-il condamné à la peine capitale ? Accusé d'avoir tenté d'imposer la loi martiale en décembre 2024 dans le but de rester au pouvoir, l'ex-président Yoon Suk-yeol doit rendre des comptes devant la justice. Au cours de son procès très suivi, le parquet a requis la peine de mort. Le verdict sera rendu le 19 février 2026. Comment expliquer une peine aussi lourde ? L'ancien président peut-il faire recours ? Avec Jean-Louis Margolin, historien de l'Asie orientale moderne et contemporaine. Auteur de « L'autre Seconde Guerre mondiale : 1937-1945 : Asie-Pacifique, de Nankin à Hiroshima » (éditions Perrin).
C'est à Lomé, au Togo, que va se tenir, après-demain samedi, un nouveau sommet sur la RDC. En effet, le président Faure Gnassingbé a été désigné par l'Union africaine pour faire la médiation dans cette crise meurtrière. Autour du chef de l'État togolais, on attend de nombreux ministres africains des Affaires étrangères et les envoyés spéciaux des États-Unis et du Qatar. Ce sommet pourra-t-il empêcher une nouvelle offensive sur le terrain du M23 et de son allié rwandais ? Christian Moleka est le coordinateur de la Dynamique des politologues du Congo, la DYPOL. En ligne de Kinshasa, il répond à Christophe Boisbouvier RFI : Christian Moleka, ce sommet de Lomé ce 17 janvier 2026, est-ce qu'il peut en sortir quelque chose ? Christian Moleka : il peut en sortir une tentative de coordination des initiatives de médiation qui sont aujourd'hui à la fois africaines et internationales, qatariennes et américaines. Le Togo, qui représente l'Union africaine de la médiation, a depuis 2025 lancé l'initiative qui a pris du temps à s'implémenter. Et donc, il y a une nécessité de tenter de redonner sens à l'initiative, à la fois africaine, mais de coordonner également avec ce qu'il s'est fait à Doha et à Washington. Et donc, la rencontre peut aider à une clarification des rôles, redonner à l'Union africaine probablement une dynamique de dialogue interne et peut-être une dynamique régionale qui prendra en compte les autres acteurs comme l'Ouganda et le Burundi, qui n'ont jamais été pris en compte afin qu'elle ne marche pas, je dirais, sur les plates-bandes de Doha et de Washington. Avant ce sommet, le Congolais Félix Tshisekedi a fait plusieurs déplacements. Il est allé voir le Togolais Faure Gnassingbé à Lomé. Il est allé aussi rencontrer l'Angolais Joao Lourenço à Luanda. Le président angolais lui aurait fait des propositions intéressantes. De quoi pourrait-il s'agir ? Il peut s'agir de la volonté de relancer un dialogue interne, un dialogue national interne congolais. L'Angola qui aujourd'hui voit une rébellion qui peut s'étendre vers le Katanga et donc remettre en question les intérêts économiques du corridor de Lobito, a besoin d'un minimum de stabilité. Et donc, un processus de dialogue interne peut naître de la démarche angolaise. Parce que Kinshasa a refusé à ce jour de prendre l'initiative des évêques, notamment la démarche du pacte social. Et donc, une initiative angolaise qui porterait sur le dialogue national inclusif peut, pour Kinshasa, être un plan de rechange contre la dynamique interne portée par les évêques. Sur le fond du dossier, il y a une paix artificielle qui a été signée le 4 décembre à Washington par les présidents du Congo et du Rwanda en présence de Donald Trump. Mais quelques jours plus tard, les rebelles du M23 et leurs alliés rwandais se sont emparés de la ville d'Uvira, au Sud-Kivu. Qu'est-ce qu'il faut en déduire ? Il faut en déduire que le M23, qui reste l'acteur militaire souterrain, ne se sent pas lié par le processus de Washington et qu'on a un processus de Doha qui, à ce jour, est quelque peu en panne, puisqu'il ne marche pas. Et sans une complémentarité Doha-Washington, il sera très difficile d'avoir sur le terrain des solutions définitives tant que la donne M23 ne sera pas prise en compte. Et donc, la reprise des armes pour le M23, c'est un levier de pression pour pousser Kinshasa à revenir à la table de négociations et à entériner également Doha. Alors, après la prise d'Uvira au Sud-Kivu, le secrétaire d'État américain Marco Rubio a déclaré que c'était une claire violation de l'accord de Washington et que les États-Unis y répondraient. Sous-entendu, il y aurait des sanctions contre le Rwanda. Mais depuis un mois, les Américains n'ont pris aucune mesure. Qu'est-ce que cela vous inspire ? On peut penser déjà qu'il y a une pression sur l'administration américaine pour que les sanctions ne soient pas prises. À Kinshasa, on a pointé du doigt, sans le dire à haute voix, le Qatar, pour que des sanctions ne soient pas prises directement vis-à-vis du Rwanda. Mais on a également une administration américaine qui est, à ce jour, portée par d'autres crises et une attention de moins en moins tournée sur cette question congolaise, avec la dynamique qu'on a au Venezuela, mais également au Moyen-Orient avec l'Iran. Et vous pensez donc que pour les autorités congolaises, peut-être aussi pour les autorités burundaises, le Qatar fait pression sur les États-Unis pour qu'il n'y ait pas de sanctions contre le Rwanda ? Effectivement, je crois que pour Kinshasa et le Burundi, la lecture est très claire : le Qatar a certainement dû peser sur la décision américaine pour ne pas sanctionner le Rwanda. Il y a des enjeux économiques derrière. Le Qatar a énormément investi au Rwanda et donc des sanctions toucheraient aux intérêts également économiques du Qatar. Comment voyez-vous les jours à venir, d'ici la fin de ce mois sur le terrain ? Un enlisement ou peut-être une nouvelle offensive militaire de la part des rebelles du M23 et de leurs alliés rwandais ? Le M23 est en mode observation aujourd'hui. Après la pression américaine sur Uvira, ils laisseront passer la pression. Mais chaque partie s'organise militairement et construit un narratif pour justifier la suite des combats qui pourrait s'étendre cette fois-ci vers le Katanga. L'une des stratégies du Congolais Félix Tshisekedi, c'est d'obtenir un clair soutien des États-Unis contre le Rwanda. Est-ce que cette stratégie peut marcher ou non ? Les États-Unis, pour l'instant, se sont intéressés aux minerais du Congo et ont besoin d'un minimum de stabilité pour faire le partenariat économique. Et donc, c'est un levier sur lequel Kinshasa peut appuyer. Le vrai défi, c'est que vous avez un médiateur américain imprévisible qui est à la fois sur beaucoup de chantiers - le Venezuela, l'Iran, le Groenland - et qui, à un moment donné, sera lui-même enlisé dans une politique intérieure avec les élections de midterm qui viennent. Donc, 2026 peut être une année où la tension américaine sur la crise congolaise peut être réduite. Et donc, à ce moment-là, Kinshasa perdra ce levier américain d'intérêt stratégique sur le conflit. À lire aussiTogo: le président congolais à Lomé avant une réunion de haut-niveau sur la crise dans l'est de la RDC À lire aussiCrise dans l'est de la RDC: comment l'Angola veut revenir au centre du jeu diplomatique
Dans un monde marqué par les tensions géopolitiques, la fragmentation économique et la montée de nouvelles puissances, la relation entre l'Europe et l'Afrique est à un tournant. Longtemps structurée autour de l'aide au développement, elle cherche aujourd'hui à évoluer vers un véritable partenariat fondé sur l'investissement, la co-construction et la création de valeur locale. C'est l'un des grands enjeux débattus lors du dernier sommet Union européenne – Union africaine, organisé à Luanda, en Angola. NOS INVITÉS
Programa Especial: 48 horas com o Presidente alemão - uma corrida diplomática em Luanda e no Corredor do Lobito.
Esse mês eu vou trazer 9 livros que vão levar vcs a um passeio por aspectos de algumas das religiões com mais praticantes no mundo e no Brasil: catolicismo, protestantismo (evangélicos), judaísmo, islamismo, hinduísmo, budismo, espiritismo, além das religiões afro-brasileiras candomblé e umbanda. Atualmente, mais do que nunca, o mundo precisa de tolerância, empatia e respeito a diversidade religiosa. Continuando o especial desse mês de dezembro, hoje nosso passeio pelas religiões do mundo mergulha no candomblé, que assim como a umbanda é uma importante religião afro-brasileira. A principal diferença entre elas é que o Candomblé é uma religião de matriz africana que cultua apenas os Orixás de forma mais pura, enquanto a Umbanda é um sincretismo brasileiro que mistura elementos africanos, católicos, indígenas e espíritas, e cultua tanto os Orixás quanto as entidades (como Pretos-Velhos e Caboclos). Além disso, o Candomblé usa o jogo de búzios para consultas, já na Umbanda, as consultas são feitas diretamente com as entidades que se manifestam através da incorporação. O livro de hoje é o Luanda no terreiro, escrito e ilustrado por Marcelo D'Salete e publicado pela editora Companhia das Letrinhas. Luanda está animada para a festa no terreiro. Toda a comunidade está envolvida nos preparativos para o xirê, e ela não poderia ficar de fora. Com a lista de itens nas mãos, parte para a loja do seu Beto para comprar inhame, dendê e feijão. Porém, durante o caminho, ela nota algo diferente. “Será que alguém está me seguindo?”, a menina pensa. Mais adiante, percebe que seu pressentimento era real: quem a seguia era Edu. Ele acompanhava a menina durante o trajeto e, assim que teve a oportunidade, disse tudo o que pensava sobre a religião dela. Desse momento em diante, Luanda mostra para Edu que é possível vencer o preconceito com respeito e acolhimento, e convida todos os leitores para conhecer um pouquinho mais sobre as religiões de matriz africana.Para acompanhar a história juntamente com as ilustrações do livro, compre o livro aqui: https://amzn.to/4rXNXnUEsse livro trouxe um aspecto do candomblé, importante religião afro-brasileira. Daqui a 3 dias sai mais um episodio, dessa vez sobre o espiritismo, não percam! Se vc gostou, compartilhe com seus amigos e me siga nas redes sociais! https://www.instagram.com/bookswelove_livrosqueamamos/
Le Journal en français facile du lundi 24 novembre 2025, 17 h 00 à Paris. ► EXERCICE Comprendre un extrait du journal | Jimmy Cliff, une légende du reggae | niveau A2 (exercice + PDF)Retrouvez votre épisode avec la transcription synchronisée et des exercices pédagogiques pour progresser en français : http://rfi.my/CDAv.A
Katibu Mkuu wa Umoja wa Mataifa António Guterres leo ametoa ujumbe mzito kwenye Mkutano wa Muungano wa Afrika AU na Muungano wa Ulaya EU, unaofanyika mjini Luanda, Angola akionya kuwa dunia “inabadilika kwa kiwango cha kutisha,” huku janga la tabianchi, ukosefu wa usawa na mvutano wa kimataifa vikichochea misukosuko mipya duniani . Flora Nducha na taarifa zaidi
Hii leo jaridani tunaangazia hali ya maendeleo na mabadiliko ya tabianchi barani Afrika, mashindano ya mpira wa miguu yanayofahamiaka kama Hope Championship kwa watu waliokatwa viungo katika Gaza na ukatili wa kijinsia.Katibu Mkuu wa Umoja wa Mataifa António Guterres leo ametoa ujumbe mzito kwenye Mkutano wa Muungano wa Afrika AU na Muungano wa Ulaya EU, unaofanyika mjini Luanda, Angola akionya kuwa dunia “inabadilika kwa kiwango cha kutisha,” huku janga la tabianchi, ukosefu wa usawa na mvutano wa kimataifa vikichochea misukosuko mipya duniani.Tukielekea katika siku ya kimataifa ya kutokomeza ukatili dhidi ya wanawake hapo kesho Novemba 25 leo tunakupeleka Kenya kwake Geradline Ndayisenga, raia kutoka Jamhuri ya Kidemokrasia ya Congo, (DRC) ambaye sasa anaishi ukimbizini kwenye eneo la Kitengela, Kaunti ya Kajiado nchini humo, anasema kama si usaidizi wa ushauri wa nasaha alioupata kutoka shirika la kiraia la Forum for Women Development, Democracy and Justice, FODDAJ nchini humo, basi hajui maisha yake yangalikuwa vipi.Mashindano ya mpira wa miguu yanayofahamiaka kama Hope Championship kwa watu waliokatwa viungo katika Ukanda wa Gaza yamemalizika majuzi baada ya siku nne mfululizo za michuano. Mashindano haya yanaandaliwa na Chama cha Soka cha Watu Waliokatwa Viungo cha Palestina kama sehemu ya juhudi za kuwasaidia majeruhi na kuthibitisha ushiriki wao endelevu katika shughuli rasmi za michezo.Mwenyeji wako ni Sabrina Said, karibu!
Au sommaire de Radio Foot internationale à 16h10-21h10 T.U. : - Après des nations asiatiques en octobre (et une défaite face au Japon), le Brésil affronte 2 sélections africaines. ; - Du pain et des jeux. L'Angola accueille les champions du monde argentins dans le cadre des festivités du cinquantenaire de l'indépendance. ; - Ils sont quatre, il n'en restera qu'un ! Nigeria/Gabon et RDC/Cameroun, 2 matches délocalisés à Rabat. - Veille de match pour la France (contre l'Ukraine) dans un contexte pesant. - Après des nations asiatiques en octobre (et une défaite face au Japon), le Brésil affronte 2 sélections africaines. Le Sénégal à Londres samedi, la Tunisie à Lille mardi. L'occasion de se régler, entre sélections déjà qualifiées, à quelques mois du tournoi mondial. Le dernier affrontement entre Seleção et Lions de la Teranga avait été remporté par ces derniers à Lisbonne (4-2). Que valent les Auriverdes d'Ancelotti ? Des 26 appelés, quels seront les 18 retenus au final, Neymar en fera-t-il partie ? Le «Ney» s'agaçe avec Santos, qui lutte pour le maintien. A-t-il passé son apogée ? - Du pain et des jeux. L'Angola accueille les champions du monde argentins dans le cadre des festivités du cinquantenaire de l'indépendance. Une affiche de gala plutôt onéreuse ! La presse évoque 12 millions d'euros dépensés par la fédération alors que le pays traverse une crise sociale. Messi sera du voyage mais temporise pour ce qui est du Mondial. Ils ne seront pas tous à Luanda pour affronter les Palancas Negras de Patrice Beaumelle. Molina, Montiel, G.Simeone, Mastantuono, Alvarez, Dibu Martinez ou encore Paredes forfaits. L'ex du PSG et de la Roma s'est adjugé le Superclásico avec Boca Juniors (2-0), dans une Bombonera bouillante où les Millonarios n'ont pas été inspirés. - Ils sont quatre, il n'en restera qu'un ! Nigeria/Gabon et RDC/Cameroun, 2 matches délocalisés à Rabat. Les 2 qualifiés se retrouveront dimanche, le vainqueur prendra un ticket pour... un autre barrage (intercontinental) en mars prochain. Quels favoris ? Les Super Eagles ont effectué une campagne de qualification poussive, le Cameroun a sous-performé dans le groupe D. Léopards et Panthères ont-ils les griffes plus acérées ? - Veille de match pour la France (contre l'Ukraine) dans un contexte pesant. Antoine grognet a rencontré Arnaud. Ce supporteur des Bleus se dit «impacté», pas victime. Jusqu'alors, son seul traumatisme s'appelait Séville 82. Présent au Stade de France avec ses 2 fils et des amis lors de France-Allemagne il y a 10 ans, il a vu l'allégresse du match basculer, lorsque Paris est devenu le théâtre des premiers attentats jihadistes. Avec Annie Gasnier, Éric Frosio (en direct du Brésil), Dominique Sévérac et Hervé Penot. -- Technique/réalisation : Laurent Salerno - David Fintzel/Pierre Guérin.
After centuries of colonial rule, the end of Angola's three-decade civil war in 2002 provided an irresistible opportunity for the government to reimagine the Luanda cityscape. Awash with petrodollars cultivated through strategic foreign relationships, President José Eduardo dos Santos rolled out a national reconstruction program that sought to transform Angola's capital into what he considered to be a modern, world-class metropolis. Until funds dried up in 2014, the program—in conjunction with sweeping private investments in real estate—involved mass demolitions of vernacular architecture to make way for high-rise buildings, large-scale housing projects, and commercial centers. The program thus underestimated the values enshrined in the materials and designs of Luanda's existing “informally” constructed neighborhoods, or musseques. The Aesthetics of Belonging: Indigenous Urbanism and City Building in Oil-Boom Luanda (University of North Carolina Press, 2024) explores the political significance of aesthetics in the remaking of the city. Dr. Claudia Gastrow's archival and ethnographic work, which includes interviews with city planners, architects, nonprofit leaders, and urban dwellers, shows how government infrastructure projects and foreign-inspired designs came to embody displacement and exclusion for many. This, Dr. Gastrow argues, catalyzed a countermovement, an aesthetic dissent rooted in critically reframing informal urbanism as Indigenous—a move that enabled the possibility of recognizing the political potential of informal settlements as spaces that produce belonging. This interview was conducted by Dr. Miranda Melcher whose book focuses on post-conflict military integration, understanding treaty negotiation and implementation in civil war contexts, with qualitative analysis of the Angolan and Mozambican civil wars. You can find Miranda's interviews on New Books with Miranda Melcher, wherever you get your podcasts. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices Support our show by becoming a premium member! https://newbooksnetwork.supportingcast.fm/new-books-network
After centuries of colonial rule, the end of Angola's three-decade civil war in 2002 provided an irresistible opportunity for the government to reimagine the Luanda cityscape. Awash with petrodollars cultivated through strategic foreign relationships, President José Eduardo dos Santos rolled out a national reconstruction program that sought to transform Angola's capital into what he considered to be a modern, world-class metropolis. Until funds dried up in 2014, the program—in conjunction with sweeping private investments in real estate—involved mass demolitions of vernacular architecture to make way for high-rise buildings, large-scale housing projects, and commercial centers. The program thus underestimated the values enshrined in the materials and designs of Luanda's existing “informally” constructed neighborhoods, or musseques. The Aesthetics of Belonging: Indigenous Urbanism and City Building in Oil-Boom Luanda (University of North Carolina Press, 2024) explores the political significance of aesthetics in the remaking of the city. Dr. Claudia Gastrow's archival and ethnographic work, which includes interviews with city planners, architects, nonprofit leaders, and urban dwellers, shows how government infrastructure projects and foreign-inspired designs came to embody displacement and exclusion for many. This, Dr. Gastrow argues, catalyzed a countermovement, an aesthetic dissent rooted in critically reframing informal urbanism as Indigenous—a move that enabled the possibility of recognizing the political potential of informal settlements as spaces that produce belonging. This interview was conducted by Dr. Miranda Melcher whose book focuses on post-conflict military integration, understanding treaty negotiation and implementation in civil war contexts, with qualitative analysis of the Angolan and Mozambican civil wars. You can find Miranda's interviews on New Books with Miranda Melcher, wherever you get your podcasts. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices Support our show by becoming a premium member! https://newbooksnetwork.supportingcast.fm/new-books-network