Welcome to Jorge Borges, where amazing things happen.

Uma professora norte-americana com 25 anos de sala de aula guarda, todos os anos, os questionários de «conhecer-nos melhor» que os alunos preenchem no primeiro dia de aulas — e não volta a falar deles até ao último dia de aulas, quando os lê em voz alta, sem nunca dizer de quem é cada resposta. O resultado é uma das poucas atividades de fecho de ano que os próprios alunos pedem para repetir. Este artigo segue a proposta, tal como descrita pela sua autora, e cruza-a com o Perfil dos Alunos, a componente de Cidadania e Desenvolvimento e a margem de autonomia curricular já disponível às escolas portuguesas.

Sobre textos que exploram uma estratégia pedagógica de Crystal Frommert, que propõe ligar o primeiro ao último dia de aulas através de um questionário de apresentação. No início do ano, os alunos partilham interesses e objetivos que a docente guarda em segredo, revelando-os apenas no encerramento do ciclo letivo para promover a autorreflexão e a coesão do grupo. Esta atividade surge como uma alternativa eficaz aos dias finais de aulas, combatendo o desinteresse comum nesta fase com momentos de nostalgia e humor. Os artigos adaptam este conceito ao contexto português, integrando-o no Perfil dos Alunos e na componente de Cidadania e Desenvolvimento. O objetivo central é permitir que os estudantes reconheçam o seu próprio crescimento pessoal e emocional ao longo dos meses. Através de cartas ao "eu de junho" ou inquéritos sobre gostos pessoais, cria-se um sentido de fecho simbólico e significativo para a comunidade escolar.

Dino Di Carlo, professor catedrático e presidente do Departamento de Bioengenharia da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), pergunta-se, num texto de opinião partilhado diretamente com este blogue, se a universidade ainda tem função quando a inteligência artificial já consegue explicar praticamente tudo, a qualquer nível e a qualquer hora. Este artigo acompanha o seu raciocínio e cruza-o com o primeiro diagnóstico nacional sobre IA no ensino superior português, publicado em abril de 2026, e com o modelo de mentoria que já existe, entre nós, na formação inicial de professores.

Um professor de bioengenharia da UCLA pergunta-se, num texto de opinião, se a universidade ainda faz sentido quando a IA já explica quase tudo. Este artigo cruza a sua tese com o primeiro diagnóstico nacional sobre IA no ensino superior português e com o modelo de mentoria que já existe, entre nós, na formação de professores.

Onde se explora a necessidade de redefinir o pensamento crítico perante a ascensão da inteligência artificial, alertando para o risco de o conceito se tornar um termo vazio. A autora Sara Kells propõe que esta competência seja estruturada em dois tempos — reflexão e juízo — integrando a humildade intelectual como um elemento essencial para reconhecer os limites do saber. Esta perspetiva é cruzada com o contexto educativo português, destacando a sua relevância no Perfil dos Alunos, na disciplina de Filosofia e na Educação para a Cidadania. O artigo defende que a escola deve ensinar a distinguir entre a fluência de um texto gerado por algoritmos e a verdadeira compreensão humana. Em última análise, cultivar estas capacidades é apresentado como um pilar fundamental para a saúde da democracia e para a formação de cidadãos responsáveis.

Sara Kells (IE University) defende, no The Conversation, que o pensamento crítico se tornou uma palavra da moda esvaziada de sentido preciso na era da IA — e propõe recuperá-la através de dois momentos, reflexão e juízo, e de um ingrediente raramente nomeado: a humildade intelectual. Este artigo cruza essa proposta com o Perfil dos Alunos, a Cidadania e Desenvolvimento e a Filosofia do secundário português.

Um artigo de divulgação científica publicado esta semana na edição espanhola do The Conversation defende que os audiolivros podem ser, para uma criança com dislexia fonológica, uma porta de entrada para a leitura que o texto escrito lhe recusa. Este artigo verifica essa tese junto da investigação mais recente sobre audiolivros e compreensão leitora — que é mais matizada do que a ideia de que ouvir ajuda sempre — e cruza-a com o enquadramento legal português para alunos com dificuldades específicas de aprendizagem.

Onde se explora como os audiolivros servem como uma ferramenta de acessibilidade essencial para crianças com dislexia, um transtorno que dificulta a descodificação de letras e sons. Ao removerem o esforço mental da leitura tradicional, estas gravações permitem que os jovens se foquem na compreensão do conteúdo e na expansão do vocabulário sem a frustração habitual. O recurso ao áudio ajuda a quebrar o ciclo vicioso de ansiedade e evitamento escolar, promovendo simultaneamente a autoconfiança e o prazer pela literatura. Embora a escuta não substitua o treino da leitura direta, a sua utilização em conjunto com o texto escrito potencializa a memorização e a aprendizagem académica. Em suma, os audiolibros funcionam como um suporte inclusivo que garante que as dificuldades fonológicas não impeçam o desenvolvimento intelectual e o acesso ao conhecimento.

Há uma cena que qualquer aluno do secundário reconhece de imediato, mesmo sem saber nomeá-la: alguém recebe dinheiro sem esforço e, algum tempo depois, descobre que esse dinheiro mudou mais do que aquilo que comprou. É essa cena, ampliada à escala de um país e de cinco séculos, que o economista Pedro Santa Clara — professor catedrático de Finanças na Nova School of Business and Economics e fundador da escola gratuita de programação 42Lisboa, já conhecido dos leitores deste blogue pela conversa que gerou o artigo «Para que serve um Ministério da Educação?» — decidiu pôr em palco numa peça curta, publicada esta semana e partilhada diretamente com este blogue. Chama-se «Auto da Bazuca», subtitulada «peça em um ato, para dois fantasmas e um primeiro-ministro», e o ponto de partida é simples: às três da manhã, no Gabinete do Primeiro-Ministro em São Bento, um chefe de governo assina, página a página, o Pedido de Pagamento n.º 7 do PRR. Um cheiro a pimenta invade a sala. Depois, um cheiro a cal, pólvora e terramoto. Entram D. Manuel I e o Marquês de Pombal.

Onde se analisa a peça satírica «Auto da Bazuca», escrita pelo economista Pedro Santa Clara, que utiliza figuras históricas como D. Manuel I e o Marquês de Pombal para criticar a dependência de Portugal face aos fundos europeus. O texto explora a tese de Nuno Palma, argumentando que o "dinheiro fácil" externo desestimula o rigor governativo e o desenvolvimento de capacidades produtivas nacionais. Através de uma rigorosa verificação de factos, o artigo valida os dados históricos da sátira, ao mesmo tempo que apresenta perspetivas económicas contrárias para promover um debate equilibrado. A publicação propõe ainda estratégias pedagógicas para utilizar este conteúdo em sala de aula, visando o reforço da literacia política, financeira e do pensamento crítico nos alunos. Em suma, o recurso serve como uma ponte entre a economia, a história e a cidadania, desafiando os leitores a refletir sobre a soberania e o futuro do país.

Em julho de 2026, a editora platense Esdrújula publicou Hackear la escuela, um ensaio de Facundo Stazi que já foi descrito, num diário centenário da sua cidade, como um livro que «prefere fazer algo mais incómodo» do que oferecer respostas: «pôr em dúvida perguntas que pareciam resolvidas» (Redação, 2026). O próprio autor resume a intenção no título: não se trata de destruir a escola, mas de a compreender o suficiente para a intervir a partir de dentro — a ideia de «hackear» como ato de desmontagem crítica, não de sabotagem. O livro tem cerca de 160 páginas, está escrito num registo coloquial e pessoal, cheio de referências de cultura popular e de episódios da própria carreira do autor como docente, e foi distribuído sob a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0, num modelo que o próprio Stazi descreve como «PDF a la gorra»: descarrega-se de graça, paga-se o que se quiser, se se quiser.

Onde se analisa o manifesto "Hackear la escuela", uma obra do professor argentino Facundo Stazi que propõe uma desmontagem crítica das estruturas tradicionais do ensino. O autor questiona a organização do tempo e do espaço escolar, argumentando que estes modelos são invenções datadas que servem mais ao controlo social do que à aprendizagem real. A análise cruza estas provocações com a realidade educativa em Portugal, destacando a flexibilidade permitida pelos decretos de autonomia curricular face à resistência dos hábitos instalados. São também apresentados dados preocupantes sobre o desgaste e a escassez de docentes, reforçando a urgência de repensar o sistema. O artigo conclui sugerindo exercícios práticos para as escolas utilizarem a sua autonomia na transformação das rotinas diárias.

Um novo estudo de Miguel Faria e Castro (Federal Reserve Bank de St. Louis) mede, pela primeira vez de forma sistemática e atualizada, o que uma década de subinvestimento fez ao stock de capital público português — e o que isso já custou em PIB.

Onde se analisa a acentuada degradação do investimento público em Portugal, sublinhando que o stock de capital estatal regrediu para níveis do início do milénio. O autor argumenta que o equilíbrio das contas públicas foi alcançado à custa da negligência de infraestruturas essenciais, como hospitais e redes de transporte, em favor do aumento de gastos com salários e prestações sociais. Esta estratégia resultou numa dependência excessiva de fundos europeus, retirando autonomia ao Estado para definir as suas próprias prioridades estratégicas nacionais. O artigo alerta que a falta de manutenção dos ativos públicos funciona como um défice oculto que compromete o crescimento económico futuro e a qualidade dos serviços. Em suma, Portugal é descrito como um país que consome o seu património para financiar o presente, sacrificando a competitividade e o bem-estar das gerações vindouras.

Onde se explora a evolução histórica do mito de Narciso, analisando como esta narrativa clássica de autoelogio e obsessão pela imagem foi reinterpretada ao longo dos séculos. Através de uma exposição na Biblioteca Nacional da Áustria, as fontes apresentam quatro perspetivas distintas: a poesia metamórfica de Ovídio, a sátira moral de Sebastian Brandt, o estudo botânico de Matthias de l'Obel e a teoria psicanalítica de Sigmund Freud. O texto destaca que Narciso deixou de ser apenas uma figura literária para se tornar um conceito científico e clínico, influenciando a compreensão moderna da identidade. Atualmente, esta herança cultural serve como ferramenta pedagógica para debater a autoimagem digital e o fenómeno das selfies em contexto escolar. A análise sublinha como o espelho de água original se transformou nos ecrãs das redes sociais, exigindo uma nova literacia sobre a forma como os jovens se veem a si mesmos.

Onde se explora a evolução histórica do mito de Narciso, analisando como esta narrativa clássica de autoelogio e obsessão pela imagem foi reinterpretada ao longo dos séculos. Através de uma exposição na Biblioteca Nacional da Áustria, as fontes apresentam quatro perspetivas distintas: a poesia metamórfica de Ovídio, a sátira moral de Sebastian Brandt, o estudo botânico de Matthias de l'Obel e a teoria psicanalítica de Sigmund Freud. O texto destaca que Narciso deixou de ser apenas uma figura literária para se tornar um conceito científico e clínico, influenciando a compreensão moderna da identidade. Atualmente, esta herança cultural serve como ferramenta pedagógica para debater a autoimagem digital e o fenómeno das selfies em contexto escolar. A análise sublinha como o espelho de água original se transformou nos ecrãs das redes sociais, exigindo uma nova literacia sobre a forma como os jovens se veem a si mesmos.

Um aluno recebe, no corredor, um comentário que o ofende profundamente. Nesse segundo, atravessam-lhe a cabeça, quase ao mesmo tempo, três reações distintas: a vontade imediata de responder também com agressividade, o cálculo rápido de que essa resposta pode agravar a situação diante dos colegas, e uma terceira voz, mais silenciosa, que lhe recorda que não é assim que quer ser visto. Não é preciso saber quem foi Freud para reconhecer esta cena. Mas foi Freud quem, há mais de um século, deu a esta cena um mapa com nomes precisos.

Porque fazemos, tantas vezes, aquilo que sabemos que nos vai prejudicar? Em 1923, Sigmund Freud propôs uma resposta que reorganizou a psicanálise: a vida psíquica resulta de um conflito permanente entre três instâncias — o id, o ego e o superego. O modelo já não é aceite, hoje, como explicação científica rigorosa do funcionamento da mente, mas continua a oferecer, também a uma escola portuguesa, um vocabulário preciso para nomear a distância entre o impulso, a realidade e a norma.

Uma professora comenta, na sala de professores, que a primeira semana de aulas «foi uma verdadeira odisseia». No computador ao lado, alguém avisa que não deve abrir aquele anexo de correio eletrónico, porque pode ser um «cavalo de Troia». Mais adiante, um aluno mais velho descreve o antigo diretor de turma como «o meu mentor», e um colega, ao ouvir o professor de Educação Física dar instruções do outro lado do pavilhão, comenta que ele tem «uma voz estentórea». Nenhuma destas pessoas está a pensar em literatura grega. Ou talvez esteja, sem saber: todas acabaram de invocar Homero.

Quando um colega descreve o trajeto até à escola como «uma verdadeira odisseia», ou quando o técnico de informática avisa para não abrir um anexo por poder ser um «cavalo de Troia», ninguém está a citar a Ilíada ou a Odisseia. Ou talvez esteja: há quase três mil anos que Homero se infiltrou, sem que a maioria dê por isso, no português do dia a dia. Este artigo percorre essa herança — de «mentor» a «estentóreo», do «canto de sereia» ao «calcanhar de Aquiles» — e propõe uma forma de a levar para a sala de aula.

Conversa entre Pedro Santa Clara e Eduardo Marçal Grilo oferece uma reflexão profunda sobre a evolução e os desafios do sistema educativo português nos últimos cinquenta anos. Os interlocutores destacam conquistas históricas, como a erradicação do analfabetismo e a democratização do ensino superior, mas alertam para a obsolescência do atual modelo industrial face à inteligência artificial. Defendem acerrimamente a autonomia real das escolas, criticando a centralização excessiva do Ministério da Educação e a rigidez burocrática que impede a inovação pedagógica. O debate foca-se na necessidade de substituir a uniformidade por um sistema que valorize o talento individual, a criatividade e a liberdade de escolha das famílias. Por fim, exploram-se alternativas para o acesso à universidade e novos modelos de aprendizagem, como o da Escola 42, que privilegiam a agência do aluno. O texto sublinha que a educação deve preparar os jovens para um futuro imprevisível, exigindo uma rotura com o dogmatismo estatista.

A conversa entre Pedro Santa Clara e Eduardo Marçal Grilo oferece uma reflexão profunda sobre a evolução e os desafios do sistema educativo português nos últimos cinquenta anos. Os interlocutores destacam conquistas históricas, como a erradicação do analfabetismo e a democratização do ensino superior, mas alertam para a obsolescência do atual modelo industrial face à inteligência artificial. Defendem acerrimamente a autonomia real das escolas, criticando a centralização excessiva do Ministério da Educação e a rigidez burocrática que impede a inovação pedagógica. O debate foca-se na necessidade de substituir a uniformidade por um sistema que valorize o talento individual, a criatividade e a liberdade de escolha das famílias. Por fim, exploram-se alternativas para o acesso à universidade e novos modelos de aprendizagem, como o da Escola 42, que privilegiam a agência do aluno. O texto sublinha que a educação deve preparar os jovens para um futuro imprevisível, exigindo uma rotura com o dogmatismo estatista.

Em julho, uma investigação da organização AI Forensics mostrou que a maioria dos modelos de edição de imagem alojados no repositório Hugging Face aceitava, sem qualquer restrição, instruções simples para «despir» pessoas em fotografias — incluindo menores (Infobae, 2026). A notícia correu depressa, como corre sempre que a inteligência artificial produz uma imagem que não devia existir. O que corre menos depressa é a compreensão do vocabulário que permitiria a qualquer professor, bibliotecário ou encarregado de educação perceber exatamente o que aconteceu: o que é um modelo, o que o distingue de um algoritmo, porque é que uns sistemas aprendem com exemplos rotulados e outros sem eles. Sem esse vocabulário, cada notícia sobre IA chega à escola como um episódio isolado, em vez de um caso concreto de um mecanismo que se pode explicar e, por isso, discutir com fundamento.

A revista WIRED reuniu, em edição japonesa, um vocabulário de trinta e três termos sobre inteligência artificial. Este artigo detém-se nos treze primeiros — os que explicam o que é, afinal, um modelo de IA e como ele aprende — e traduz esse vocabulário para o que interessa a uma escola portuguesa: decidir com que palavras se fala de uma tecnologia que já está na sala de aula.

Uma nova nota de orientação do Banco Mundial reúne, pela primeira vez de forma sistemática, a evidência sobre que tipo de tecnologia educativa melhora efetivamente a leitura e o cálculo nos primeiros anos de escolaridade. O documento nasce de contextos de baixo e médio rendimento, mas as suas conclusões sobre o que faz uma ferramenta digital funcionar — ou falhar — dizem respeito a qualquer escola que hoje decida comprar uma aplicação, testar um chatbot ou adotar uma plataforma de leitura.

Tecnologia educativa: o que realmente funciona, segundo uma síntese do Banco MundialUma nova nota de orientação do Banco Mundial reúne, pela primeira vez de forma sistemática, a evidência sobre que tipo de tecnologia educativa melhora efetivamente a leitura e o cálculo nos primeiros anos de escolaridade. O documento nasce de contextos de baixo e médio rendimento, mas as suas conclusões sobre o que faz uma ferramenta digital funcionar — ou falhar — dizem respeito a qualquer escola que hoje decida comprar uma aplicação, testar um chatbot ou adotar uma plataforma de leitura.

Onde se analisa o ensaio do filósofo Daniel Innerarity, que propõe uma visão crítica e equilibrada sobre a inteligência artificial, afastando-se tanto do deslumbre tecnológico como do medo apocalíptico. A obra argumenta que estas ferramentas não substituem o pensamento humano, mas antes evidenciam a importância de faculdades exclusivas como o senso comum, a reflexividade e a capacidade de decidir perante o imprevisto. No contexto educativo, o autor destaca que delegar tarefas em algoritmos baseados em padrões passados pode comprometer a autonomia e a criatividade necessária para a mudança social. Assim, o recurso a estas tecnologias exige uma literacia crítica que defina onde termina a utilidade da automação e onde deve começar o julgamento humano soberano. Em suma, o texto apresenta a inteligência artificial como um desafio à nossa capacidade de fazer perguntas e de preservar a diversidade interpretativa essencial à democracia.

Um ensaio premiado do filósofo Daniel Innerarity recusa tanto o entusiasmo ingénuo como o pânico apocalíptico face à inteligência artificial, e propõe uma terceira via: pensar com rigor o que estas tecnologias realmente mudam. Para quem trabalha numa escola, o interesse não está na tecnologia em si, mas nas perguntas que ela reabre sobre o que significa decidir, avaliar e conhecer.

Publicada originalmente em 1993 e revista várias vezes desde então, «El libro de los mapas mentales» continua a ser a obra de referência de um método que Tony Buzan começou a esboçar nos anos sessenta do século XX. Para quem trabalha numa escola, o interesse do livro não está só na técnica de desenhar ramos coloridos à volta de uma palavra central — está em separar, com cuidado, aquilo que a proposta tem de sólido daquilo que a neurociência entretanto reviu, e em transformar o resultado numa atividade concreta de sala de aula.

Publicada originalmente em 1993 e revista várias vezes desde então, «El libro de los mapas mentales» continua a ser a obra de referência de um método que Tony Buzan começou a esboçar nos anos sessenta do século XX. Para quem trabalha numa escola, o interesse do livro não está só na técnica de desenhar ramos coloridos à volta de uma palavra central — está em separar, com cuidado, aquilo que a proposta tem de sólido daquilo que a neurociência entretanto reviu, e em transformar o resultado numa atividade concreta de sala de aula.

Há entrevistas que valem menos pelas respostas do que pelo lugar de onde são dadas. A conversa que Carmen Gómez-Cotta e Pablo Blázquez publicaram na revista Ethic a 20 de julho é uma dessas. Ana Palacio nasceu em Madrid em 1948, foi eurodeputada entre 1994 e 2002, tornou-se a primeira mulher a ocupar o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol entre 2002 e 2004, integrou o presídio da Convenção sobre o Futuro da Europa, dirigiu o departamento jurídico do Grupo Banco Mundial entre 2006 e 2008 e ensina hoje na Escola de Serviço Externo da Universidade de Georgetown. É, portanto, alguém que ajudou a redigir a arquitetura que agora diagnostica — e essa dupla condição, de arquiteta e de crítica, dá ao texto um peso que raramente se encontra em comentário geopolítico corrente.

A revista espanhola Ethic publicou a 20 de julho uma conversa longa com Ana Palacio sobre o estado da Europa. A tese é dura e cabe numa frase: o continente construiu o melhor projeto coletivo da segunda metade do século XX debaixo de um guarda-chuva de segurança que não era seu, e agora que o guarda-chuva se fechou continua a responder aos desafios com a única ferramenta que aprendeu a usar — o regulamento.

Uma revisão sistemática publicada na revista Frontiers in Education conclui que o maior obstáculo à formação de professores em inteligência artificial não é técnico, é motivacional — e que a maioria dos programas de formação continua a ser desenhada como se fosse o contrário. É um estudo pequeno, com limitações que vale a pena nomear, mas com três ou quatro conclusões que qualquer plano de formação de um agrupamento português deveria ter em conta antes de setembro.

Uma revisão sistemática publicada na revista Frontiers in Education conclui que o maior obstáculo à formação de professores em inteligência artificial não é técnico, é motivacional — e que a maioria dos programas de formação continua a ser desenhada como se fosse o contrário. É um estudo pequeno, com limitações que vale a pena nomear, mas com três ou quatro conclusões que qualquer plano de formação de um agrupamento português deveria ter em conta antes de setembro.

Um guia nascido no ensino superior indiano, com endereço mais largoChama-se The Teacher Still Decides: A Practical Guide to AI for the Higher Education Teacher e foi publicado em 2026 por Adit Gupta, professor catedrático e diretor do MIER College of Education, em Jammu, na Índia, com doutoramento em Ambientes de Aprendizagem Tecnológicos pela Universidade Curtin, na Austrália. O livro é de acesso aberto, com licença Creative Commons de atribuição e uso não comercial, e pode ser descarregado gratuitamente no repositório institucional da instituição. É o segundo de uma coleção que Gupta dedica ao tema: o primeiro volume, AI in the Classroom Before the Classroom, dirige-se a formadores de professores e a professores em formação inicial.

Um guia de acesso aberto publicado este ano por um investigador indiano em ciências da educação propõe uma ideia simples para orientar o uso da inteligência artificial no ensino: a IA pode rascunhar, sugerir e assistir, mas a decisão final continua sempre a caber ao professor. Escrito para docentes do ensino superior, o livro oferece quatro ferramentas de trabalho — um teste de duas perguntas, um sistema de cores para orientar os alunos, um método para reformular trabalhos vulneráveis à IA e um modelo de política pessoal — que atravessam sem dificuldade a fronteira entre a universidade e a sala de aula do básico e do secundário.

Um projeto de investigação da Universidade Iberoamericana, na Cidade do México, juntou catorze docentes de áreas tão diferentes como a engenharia, a filosofia e a biblioteconomia para responder a uma pergunta que qualquer professor reconhece: como ajudar um aluno a autorregular o seu próprio processo de aprender? O resultado, um livro de acesso aberto publicado em 2011 e ainda hoje disponível na Biblioteca Virtual do CLACSO, dedica um capítulo inteiro ao papel das tecnologias de informação e comunicação nesse processo — e continua surpreendentemente atual.

Um projeto de investigação da Universidade Iberoamericana, na Cidade do México, juntou catorze docentes de áreas tão diferentes como a engenharia, a filosofia e a biblioteconomia para responder a uma pergunta que qualquer professor reconhece: como ajudar um aluno a autorregular o seu próprio processo de aprender? O resultado, um livro de acesso aberto publicado em 2011 e ainda hoje disponível na Biblioteca Virtual do CLACSO, dedica um capítulo inteiro ao papel das tecnologias de informação e comunicação nesse processo — e continua surpreendentemente atual.

Um artigo de opinião publicado no jornal espanhol ABC, assinado pelo filósofo Carlos Javier González Serrano, cruza um diagnóstico sobre mercados comportamentais e bolhas de filtro com o pensamento de María Zambrano sobre a atenção. O resultado é um texto breve mas denso, que interessa a qualquer professor, bibliotecário ou diretor de escola que já tenha sentido a dificuldade crescente dos alunos — e a sua própria — em sustentar um olhar sobre o mundo sem o desviar de imediato para o ecrã seguinte.

O vídeo analisa a crise da atenção na era digital através de um ensaio de Carlos Javier González Serrano, que estabelece um diálogo entre a educação contemporânea e o pensamento da filósofa María Zambrano. O texto principal argumenta que a perda de foco não é um mero acidente tecnológico, mas uma consequência direta de mercados comportamentais e algoritmos que exploram os nossos desejos para nos manter em bolhas informativas. Defende-se que as escolas devem ir além do ensino técnico e ajudar os alunos a cultivar o carácter ético, transformando a atenção num gesto deliberado de liberdade. Ao citar Zambrano, o autor propõe que olhar verdadeiramente para o mundo exige a coragem de parar e resistir à velocidade imposta pelo consumo digital. Assim, a educação é apresentada como uma ferramenta essencial para recuperar a autonomia individual perante sistemas que decidem por nós o que devemos ver e sentir. Este diagnóstico filosófico sublinha que a atenção é um hábito que precisa de ser reaprendido e protegido no contexto escolar e social.

Pela primeira vez na história, a geração mais velha não sabe dizer à mais nova como será o mundo em que vai trabalhar. Yuval Noah Harari retira daí consequências desconfortáveis para a escola — do fim da vida em duas etapas à arte de desaprender — e um aviso sobre a primeira tecnologia capaz de tomar decisões sozinha.

Onde se exploram as perspetivas do historiador Yuval Noah Harari sobre os desafios existenciais que a humanidade enfrenta devido à inteligência artificial e à aceleração tecnológica. O autor argumenta que o modelo educativo tradicional focado em competências técnicas está obsoleto, exigindo agora uma flexibilidade mental profunda e a coragem de desaprender para acompanhar mudanças imprevisíveis. Destaca-se que o poder humano reside na capacidade de criar narrativas partilhadas, mas esse mesmo mecanismo está sob ameaça por algoritmos que manipulam a nossa intimidade e democracia. Harari enfatiza que a sobrevivência futura dependerá menos da acumulação de dados e mais da nossa agilidade em reinventar a identidade. Por fim, sugere-se que o reconhecimento da nossa própria ignorância é a base essencial para a verdadeira sabedoria nesta nova era.

Em fevereiro de 2026, um grupo de trabalho ligado à Comissão Europeia terminou um relatório que poucos vão ler na íntegra, mas cujas conclusões deviam interessar a qualquer professor português. Chama-se Strengthening Europe through public libraries — «Fortalecer a Europa através das bibliotecas públicas», numa tradução livre —, tem 164 páginas e resulta de dois anos de trabalho de 36 peritos de 25 Estados-Membros, com contributos adicionais de oito países não pertencentes à União. O documento não fala de escolas em primeiro lugar; fala de bibliotecas públicas municipais, das grandes e das pequenas, das urbanas e das rurais. Mas basta avançar algumas páginas para perceber que a leitura em queda entre adolescentes, o combate à desinformação e a chegada da inteligência artificial às salas de leitura são, no fundo, os mesmos problemas com que a escola lida todos os dias — vistos de um edifício ao fundo da rua.

Onde se analisa um relatório de 2026 da Comissão Europeia intitulado «Fortalecer a Europa através das bibliotecas públicas», destacando a sua relevância crucial para o sistema educativo. O documento revela que as bibliotecas modernas atuam como parceiras estratégicas das escolas no combate ao declínio dos índices de literacia e na promoção do prazer de ler. Além da leitura, as fontes enfatizam o papel destas instituições na luta contra a desinformação e na capacitação dos cidadãos para lidar com a inteligência artificial. Através de exemplos práticos em países como Portugal e Finlândia, demonstra-se que a colaboração comunitária é essencial para fortalecer a resiliência democrática. O panorama apresentado sugere que o investimento nestes espaços culturais é fundamental para colmatar a fenda digital e preparar as novas gerações para os desafios informacionais contemporâneos.

Um aluno que entrega o primeiro rascunho como se fosse o texto final não está a poupar tempo — está a saltar a parte da escrita onde o pensamento, de facto, se organiza. Um olhar sobre porque é que a revisão, e não o rascunho inicial, é o verdadeiro trabalho de escrever, e sobre o que isso muda numa aula de Português.

O podcast explora a ideia central de que escrever é, fundamentalmente, um processo de reescrita, defendendo que o rascunho inicial serve apenas como uma ferramenta de descoberta e não como um produto final. Através de perspetivas de autores como Anne Lamott e Stephen King, as fontes explicam que a revisão não é uma mera correção de erros, mas sim um exercício profundo de pensamento crítico e organização de ideias. No contexto educativo, os artigos sugerem que ensinar os alunos a separar a criação da edição ajuda a superar bloqueios criativos e a reduzir a resistência emocional ao feedback. É destacada a importância de focar o texto nas necessidades do leitor, transformando a escrita numa forma de comunicação mais clara e eficaz. Por fim, as fontes abordam como a inteligência artificial e estratégias curriculares podem ser utilizadas para reforçar a revisão como a etapa onde a verdadeira aprendizagem e a clareza intelectual acontecem.

O vídeo apresenta as perspetivas críticas do filósofo José Antonio Marina sobre as falhas estruturais do sistema educativo contemporâneo. O autor argumenta que promover a felicidade individual como um objetivo supremo e de fácil alcance constitui um equívoco pedagógico grave. Segundo o pensador, esta abordagem negligencia a importância do esforço pessoal e da resiliência na formação dos jovens. O texto explora a necessidade de reintroduzir valores éticos e o sentido de responsabilidade no processo de aprendizagem. Através desta análise, Marina defende uma reforma na forma como a sociedade prepara as novas gerações para os desafios reais da vida adulta.

Este podcast apresenta as perspetivas críticas do filósofo José Antonio Marina sobre as falhas estruturais do sistema educativo contemporâneo. O autor argumenta que promover a felicidade individual como um objetivo supremo e de fácil alcance constitui um equívoco pedagógico grave. Segundo o pensador, esta abordagem negligencia a importância do esforço pessoal e da resiliência na formação dos jovens. O texto explora a necessidade de reintroduzir valores éticos e o sentido de responsabilidade no processo de aprendizagem. Através desta análise, Marina defende uma reforma na forma como a sociedade prepara as novas gerações para os desafios reais da vida adulta.

Há entrevistas que envelhecem mal ao fim de poucas semanas. Esta não é uma delas. Publicada no suplemento Artes y Letras do jornal chileno El Mercurio, a propósito do lançamento de «Lecciones de Aristóteles» pela editora Taurus, a conversa com o filósofo britânico John Sellars parte de uma pergunta simples — porque é que ainda vale a pena ler um autor com mais de dois mil anos — para chegar a um território que qualquer professor, bibliotecário ou diretor de escola reconhecerá de imediato: a falta de tempo para pensar, a dificuldade em viver em comunidade e a tentação de resolver tudo aos extremos.

O podcast centra-se numa entrevista ao filósofo John Sellars, que explora a relevância atual do pensamento de Aristóteles no contexto educativo e social contemporâneo. O autor defende que as ideias antigas sobre a capacidade de contemplação e o tempo para pensar são antídotos cruciais contra a distração digital e a impulsividade das redes sociais. Destaca-se também a visão do ser humano como um animal social, reforçando que a verdadeira autonomia depende da nossa integração e interdependência na comunidade. A obra sugere que a teoria do termo médio aristotélica oferece uma ferramenta prática para combater a polarização política e o extremismo, promovendo o equilíbrio e o compromisso. Em suma, as fontes apresentam a filosofia clássica como um guia essencial para desenvolver o pensamento crítico e a cidadania nas escolas de hoje.

Uma instituição de ensino precisa de formação em IA quando docentes, gestores e alunos revelam baixa literacia em inteligência artificial, ausência de integração pedagógica das ferramentas e falta de políticas éticas e tecnológicas para o seu uso. Esses sinais aparecem tanto nas práticas de sala de aula como na estratégia institucional, e indicam um risco real de desadequação face ao futuro do trabalho e da cidadania digital.