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Em França, a morte de Lyhanna, uma menina de 11 anos, está a gerar uma mobilização contra a lentidão da justiça em tratar os crimes sexuais contra crianças. O suspeito da sua morte acumulava outras denúncias de violações e abusos de menores, mas nunca foi interrogado pelas autoridades. A activista Luísa Semedo denuncia um “escândalo de Estado” que “mete a nu muitas deficiências do Estado” francês, sublinha que “a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França” e que apenas 3% dos agressores são condenados. A investigadora associa-se à mobilização que pede a adopção de uma Lei Integral de combate aos crimes sexuais e acredita que “uma parte da sociedade está a acordar”. Esta segunda-feira, houve manifestações em várias cidades francesas para expressar a revolta colectiva pela morte de Lyhanna e para protestar contra as falhas da Justiça e do Estado francês no que toca à protecção das crianças contra crimes sexuais. Esta quinta-feira, a indignação e a revolta chegaram ao jornal português Público com uma crónica da activista Luísa Semedo, que começa assim: “Em França, a cada três minutos, o tempo de leitura desta crónica, uma criança é vítima de agressão sexual e apenas 3% das denúncias de violação de menores resultam em condenação.” [Os números “abissais” da violência sexual sobre crianças são da Comissão [francesa] Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).] Conversámos com Luísa Semedo, investigadora em Filosofia Política e Ética; que olha para a morte de Lyhanna como “a ponta do iceberg” daquilo que denuncia como “um escândalo de Estado”. “É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este o suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido”, explica, por telefone, à RFI. Luísa Semedo sublinha que além de ser um “escândalo de Estado”, a morte de mais uma criança alegadamente vítima de um predador sexual revela também “um escândalo da sociedade”, pelo que é urgente “uma mudança de mentalidades”. “Estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa, muitas vezes, dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou com um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa-se, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto”, diz Luísa Semedo. As associações feministas e de protecção da infância reivindicam a adopção de uma Lei Integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres, a qual já tinha sido apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada. Na concentração desta segunda-feira, em frente ao ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, uma conhecida realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em peça de teatro e que também deu um filme - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denunciou uma detenção arbitrária. Nas redes sociais, muitos partilharam as imagens da violenta detenção de Andréa Bescond e ela também publicou fotografias das nódoas negras que daí resultaram. Luísa Semedo também ficou perplexa com o que aconteceu e pergunta-se como é que Andréa Bescond, uma vítima, “foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos nunca foi sequer ouvido”. Por outro lado, Luísa Semedo subscreve o apelo de Andréa Bescond de concentrações pacíficas todas as segundas-feiras, às 19h, diante de todos os tribunais de França até à adopção da Lei Integral de combate às violências sexuais. “Esta Lei Integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos (...) É uma lei cujo objectivo é fazer com que, cada vez que haja um destes casos, não seja considerado só como um ‘fait divers' ou como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema”, acrescenta a investigadora. Esta semana, nos protestos e até na Assembleia francesa, ouviram-se pedidos a exigir a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à justiça - ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Lecornu propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série contra os actuais 20 anos de prisão [para os que chegam a ser julgados] e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas são suficientes? Não, responde Luísa Semedo, sublinhando que a questão principal “não está no número de anos da pena do agressor”, mas no facto de apenas “3% dos casos de agressão sexual serem punidos”. No domingo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, assinalou que existem “graves falhas” na gestão do caso do suspeito da morte de Lyhanna, e anunciou que 70 mil queixas envolvendo crimes sexuais contra menores terão de ser examinados até 14 de Julho. Mais uma vez, Luísa Semedo aponta o seu olhar crítico para este anúncio e diz: “Parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países europeus. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado de 'performance', com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Apesar de lamentar que tanto a Justiça, quanto o Estado, quanto a Sociedade tenham falhado até agora, Luísa Semedo acredita que “uma parte da sociedade a acordar”. Por isso deixa também o apelo: “Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.” Luísa Semedo: A morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” e "talvez o início de uma revolução” RFI: Por que é que decidiu mobilizar-se e escrever num jornal português sobre a morte de Lyhanna? Luísa Semedo, Activista e Investigadora em Filosofia Política e Ética: “Porque em França está a ser uma situação que está a causar imensa emoção e penso que é uma questão que é universal, não é uma questão que é só importante em França, a questão da violência contra as crianças. Parece-me importante também que em Portugal se fale sobre isto porque o que se sente é que há, de facto, uma zona um pouco escondida, a questão do MeToo, da violência em geral e da violência sexual e nomeadamente contra as crianças. É como se fosse uma zona em que o problema é tão grande que parece preferir-se não se ver um problema tão grande. Neste momento, está a rebentar em França com o caso da Liana, ou seja, é a gota de água que fez com que as pessoas saíssem todas para a rua.” Na segunda-feira houve manifestações em várias cidades francesas para exigir medidas e está a haver uma mobilização. O que espera desta mobilização? É possível que algo mude? É preciso um tsunami? Ou, como escreve na crónica no Público, "está-se talvez a viver o início de uma revolução?” “Sim. O que eu espero é que haja uma mudança de mentalidades porque são questões tão estruturais, tão profundas na sociedade, que não é só com pequenas medidas de urgência que se vai lá. Ou seja, é uma questão que necessita que várias soluções sejam postas em prática e uma das mais importantes é talvez uma mudança de mentalidades. Ou seja, olhar para uma criança como uma pessoa é a base, perceber que é uma pessoa que tem um corpo e que tem de ter consentimento em relação ao que lhe fazem. A criança também tem de ter essa consciência e, por isso, as associações pedem muito que haja, por exemplo, uma educação sexual e afectiva nas escolas, que é uma coisa que não existe ou existe de forma muito rudimentar. Ou seja, é toda uma panóplia de soluções que devem ser feitas.” As associações que se têm mobilizado e participado nestes protestos reivindicam a adopção de uma proposta de lei integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres. A Luísa Semedo também fala nesta lei integral na sua crónica. O que é esta lei integral que chegou a ser apresentada no final de 2025 por cerca de 100 deputados, mas que nunca foi analisada? “Esta lei integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos, ou seja, a questão do que é que é a dominação sobre o corpo de outro, o que é o consentimento. São questões que implicam toda a gente e, portanto, também começa na educação. Isso é muito importante. É uma lei cujo objectivo é fazer com que cada vez que haja um destes casos que não seja considerado só como um ‘fait divers', só como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema. E esse sistema tem de ser combatido com esta lei integral que são 78 medidas e que são medidas para enfrentar este caso de frente, ou seja, com várias leis diferentes.” Nos protestos em frente ao Ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em filme e em peça de teatro - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denuncia uma detenção arbitrária. Como é que vê o que aconteceu e vai seguir o apelo dela de manifestar todas as segundas-feiras em frente aos tribunais de França até à Lei Integral de protecção das vítimas de abusos sexuais ser adoptada? “Sim, sem dúvida. Eu sempre que posso tento acompanhar este tipo de acções que me parecem absolutamente importantes e acho que é muito reconfortante até para as vítimas. Eu própria também sou uma sobrevivente, portanto, é sempre muito forte ver estas pessoas mobilizadas. Acho que nos toca a todas as pessoas que foram de alguma forma vítimas de violência e, portanto, sim, sem dúvida. O que aconteceu com a Andréa Bescond foi, de alguma forma, uma intimidação de uma das cabeças da manifestação, que foi acompanhada também, algumas horas antes, pela proibição da manifestação à frente do Ministério da Justiça. O Estado ou o governo dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, há ali um discurso que é bastante ambíguo em relação à questão da violência e da violência sexual contra as crianças e contra as mulheres, que já dura há bastantes anos, não é só de agora.” No seu texto escreve “A lei tem um prazo. O trauma não”. O que pode fazer o Estado francês para ajudar as vítimas que vivem com o trauma e para evitar futuras agressões? “Sim, na Lei Integral também é pedido para que haja apoio para as vítimas para as questões do trauma. Muitas das vítimas vivem o que nós chamamos de stress pós-traumático e stress pós-traumático complexo também. É, por exemplo, o acesso a profissionais de saúde da psiquiatria, psicologia e medicamentos. Há todo um acompanhamento que é necessário quando se sofre de stress pós-traumático, por exemplo. É algo que é muito complicado ainda de ter em França. Isso é um dos pedidos também da Lei Integral. Parece-me absolutamente essencial também ver algo que acho que faz parte da Lei Integral, que é a forma como se ouvem as crianças. Ou seja, elas serem ouvidas de forma autónoma dos adultos que, por vezes, são as pessoas que as agridem e portanto, elas terem um local seguro para serem ouvidas, para serem escutadas, para serem levadas a sério.” Ou seja, é todo um dispositivo que muda completamente a forma como nós vemos até agora as vítimas. Por enquanto, os agressores parecem ser mais protegidos do que as vítimas e o objectivo é que esta estrutura mude completamente, ou seja, que o centro da preocupação sejam, de facto, as vítimas e não os agressores.” Depois do que aconteceu, o ministro da Justiça Gérald Darmanin anunciou, no domingo, que 70.000 processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de Julho. O jornal Libération diz que o poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça. Que leitura faz? E é possível estes 70.000 processos serem analisados num mês? “Pois, somente não me parece possível, como me parece que o que for feito vai ser mal feito porque parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado um bocado de 'performance' com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Ouviram-se pedidos a exigir a demissão do Primeiro-Ministro francês, não só nas manifestações, mas também na Assembleia. Sébastien Lecornu rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à Justiça, ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Ele propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série, contra os actuais 20 anos de prisão (para os que chegam a ser julgados) e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas chegam? “Estas medidas não chegam porque há medidas que já existem. O problema é que as medidas não estão a ser cumpridas. Se só há 3% dos casos de agressão que são punidos, não tem nada a ver com a pena ser maior ou mais pequena. O que é importante é que estas pessoas sejam punidas e é importante ouvir as vítimas. Muitas das vítimas dizem: ‘O que nós queremos, o que nos vai fazer ficar em sentir insegurança e sentir reconfortados é que não haja impunidade'. Não se está à espera que haja pena de morte ou castração, ou o que quer que seja de medida cada vez mais espectacular para dar uma impressão de que se está a fazer alguma coisa. Não é isso. O facto é que só 3% de casos de agressão sexual é que são punidos, portanto, a questão está aí e não está nos anos da pena do agressor.” É por isso que fala num “escândalo de Estado” em relação ao caso Lyhanna? “Sim, sim. É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado sim. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido, o que é bastante impressionante. Imagine-se que alguém com este perfil nunca foi ouvido e alguém com o perfil de Andréa Bescond, que é uma sobrevivente, foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos contra ele nunca foi sequer ouvido. Portanto, já se está aqui a ver o contraste entre como é que as pessoas vítimas e activistas são tratadas e os agressores são tratados.” Ou seja, como escreve no artigo, “não houve aqui só uma negligência pontual, nem um simples disfuncionamento, como afirmou o Presidente Macron”, é algo mais vasto? “Sim, sem dúvida é algo mais vasto. Nós estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só mesmo a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa muitas vezes dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e é, de facto, um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto.” A Justiça e o Estado falharam? “Sim. Falharam a Justiça, o Estado, mas a sociedade em geral também está a falhar. Felizmente, o que se está a ver nas ruas é uma parte da sociedade a acordar e a mostrar que não vai deixar passar. Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”
Nesta quinta-feira, no dia da abertura do Mundial de Futebol do Canadá, Estados Unidos e México, não podíamos deixar de evocar o arranque desta competição desportiva. Esta competição que decorre a partir deste 11 de Junho até ao dia 19 de Julho promete ser rica em emoções mas, desde já, tem sido marcada por várias polémicas. E isso bem longe dos relvados. Ainda nesta quarta-feira, a ONU apelou Washington a rever "profundamente" a aplicação da sua política migratória, na sequência de tensões resultantes da recusa de os Estados Unidos atribuírem um visto a Omar Artan, árbitro da Somália, as autoridades americanas tendo igualmente vedado a entrada a membros da comitiva iraniana, apesar de protestos da Federação Internacional de Futebol (FIFA). Outro aspecto problemático: a festa do desporto-rei não é para todos. Para um adepto ir ver um jogo, tem que gastar uma média de mil Dólares, o preço de alguns bilhetes podendo ultrapassar os seis mil Dólares. Para além do custo dos bilhetes, há também as despesas de viagem e estadia entre as diversas cidades, muito distantes umas das outras, que vão acolher os jogos: Toronto e Vancouver no Canadá, Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova Iorque, Filadélfia, San Francisco e Seattle nos Estados Unidos, bem como Guadalalajara, Guadalupe e a capital do México. Com estes destinos todos, 48 equipas em vez de 32 em edições anteriores, 104 jogos e uma dezena de dias suplementares para esta competição, este Mundial 2026, promete também ser um dos mais poluentes jamais organizados, apesar de a FIFA ter chegado a apresentar uma estratégia para limitar a sua pegada ambiental. Refira-se, entretanto, que dentro de quatro anos, adopta-se uma fórmula semelhante, com Marrocos, Espanha e Portugal a acolherem o Mundial 2030. Foi sobre estes aspectos que conversamos com Francisco Ferreira, líder da organização ambientalista portuguesa "Zero". RFI: Como se apresenta o Mundial de Futebol 2026? Francisco Ferreira: Efectivamente, nós estamos a falar de um Mundial que será provavelmente aquele que terá maiores emissões de gases de efeito estufa, praticamente o dobro das emissões daquele que foi o Mundial no Qatar. Porque eu vou ter que usar o transporte aéreo para deslocações de vários milhares de quilómetros entre cidades como Vancouver e Miami. Estamos a falar de 16 cidades sede e com o aumento de selecções, a necessidade de transportes vai ser muitíssimo maior. E estamos a falar de todo o continente norte-americano, não propriamente de três países relativamente próximos. 85/90% das deslocações vão ter que ser em transporte aéreo. E já agora, para se ter a noção, 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono, são aproximadamente 15 a 20% das emissões de Portugal durante um ano e, portanto, muito significativas. E, além disso, nós também devemos olhar para o clima, não apenas pelos prejuízos que estão a ser feitos com esta poluição, mas também pelo facto de nós estarmos no verão norte-americano com temperaturas e humidades que são extremas. Aliás, calcula-se que um quarto dos jogos serão em condições de stress, quer para os espectadores quer para os jogadores. Vamos ter um consumo de energia muito significativo. Com a climatização, os grupos mais vulneráveis vão estar em maior risco. Vamos ter um maior consumo de água e isso deve ser também uma preocupação. Obviamente, apesar de a FIFA ter anunciado uma estratégia para a sustentabilidade, há muitas dúvidas sobre aquilo que é uma efectiva redução, eu diria mesmo impossível, no consumo de recursos e na produção de resíduos associados à magnitude de um evento como este. E o futebol é aqui, infelizmente, um símbolo das contradições da sustentabilidade global. Ou seja, nós, em vez de mantermos um formato que poderia ter menos emissões, portanto, não passando das 32 para as 48 equipas e fazendo investimentos realmente muito significativos nas cidades sede, apesar de a FIFA apontar para os vários pilares da sustentabilidade, o económico, ambiental, a governança, os aspectos sociais, o que é facto é que nós temos exemplos de curtas melhorias, investimentos muito limitados associados a este Mundial e, portanto, o futebol que deveria ser aqui uma oportunidade absolutamente fantástica e espectacular, e temos tido bons exemplos de algumas realizações, quer de campeonatos mundiais, quer, por exemplo, dos Jogos Olímpicos. Como é que eu posso fazer este tipo de eventos desde o início até ao fim, ou seja, desde a construção até ao futuro daquilo que são os investimentos de uma forma mais amiga do ambiente e das cidades e das pessoas? Neste caso, do que conhecemos, a mais valia vai ser muito limitada. RFI: No fundo, o que se pode concluir relativamente à forma como tem sido organizado este Mundial em três países, com mais equipas, com uma duração maior, com mais jogos, é que efectivamente, a FIFA, o cálculo que fez foi sobretudo o lucro, em vez do respeito pelo meio ambiente. Francisco Ferreira: Exactamente. Portanto, logo o fundamental que tem a ver com o uso de recursos e de energia. E aqui estamos a falar, acima de tudo, dos combustíveis fósseis associados principalmente aos transportes. Estes aspectos que são, no fundo, que o que realmente interessa em termos de contribuição ou de minimização por parte da FIFA em relação a um evento desta natureza, acaba, sem quaisquer dúvidas, por vir a ter um impacto muito maior com esta expansão, onde acima de tudo foram os lucros associados que levaram a este desfecho de um aumento de 16 equipas nesta fase final do campeonato mundial. E portanto, se havia realmente um compromisso com a sustentabilidade por parte da FIFA, mais do que investimentos num ou noutro aspecto nas diferentes cidades sede, a primeira e mais importante decisão era não ter aumentado o número de equipas participantes. RFI: Relativamente a outro aspecto que desta vez tem a ver com um aspecto mais político, também houve polémica em torno do facto de os Estados Unidos continuarem a aplicar a sua política extremamente restritiva de entrada de estrangeiros no seu território e escolher a dedo quem vem, quem não vem. Há uma série de vistos que foram recusados, nomeadamente para um árbitro da Somália ou também pessoas que iam acompanhar a equipa do Irão. Francisco Ferreira: Estes aspectos são, obviamente de natureza política, mas enquadram-se numa das valências fundamentais da sustentabilidade que é a governança, bem como na componente social e com os bilhetes ao preço a que foram colocados e, obviamente com questões de participação que deveria ser completamente aberta a todos os espectadores e a todos os participantes, sejam eles directamente atletas ou dirigentes desportivos ou árbitros de futebol. Eu não poderia ter realmente restrições se quisesse estar alinhado com os princípios da sustentabilidade que a FIFA tão apregoa e que, pelos vistos, não estão a ser devidamente respeitados. RFI: Como é que vê este Mundial tendo em conta que já se antevê que para 2030 o figurino será mais ou menos o mesmo, ou seja, jogos dispersos por vários países também. Francisco Ferreira: Daí que tenha começado desde já há mais de um ano, a conversar com a Federação Portuguesa de Futebol, a olhar para os três países-chave da candidatura Portugal, Espanha e Marrocos para assegurar, por exemplo, que as deslocações que mesmo assim são muito mais próximas por comparação com o continente norte-americano, mas que possam ser feitas quer em termos de espectadores, quer em termos de equipas por comboio. E aqui até temos bons exemplos que é uma contradição que vale a pena assinalar desde já. É que, enquanto Marrocos já tem uma linha de alta velocidade, por exemplo, Portugal não tem qualquer linha nem dentro do país nem na ligação entre Portugal e Espanha. Portanto, temos quatro anos para garantir, mais uma vez, que o número de equipas é o decisivo. Mas eu tenho que fazer transformações rapidamente para minimizar aquilo que serão as actividades associadas à logística do Mundial 2030, mas que, como digo logo à partida, com um impacto menor, porque as distâncias entre Rabat, o Porto, Madrid e Lisboa são, mesmo assim, bastante menores. Ou seja, com menor impacto no ambiente, mesmo se tiver que usar o avião, do que no caso dos Estados Unidos.
Em França, a morte de Lyhanna, uma menina de 11 anos, está a gerar uma mobilização contra a lentidão da justiça em tratar os crimes sexuais contra crianças. O suspeito da sua morte acumulava outras denúncias de violações e abusos de menores, mas nunca foi interrogado pelas autoridades. A activista Luísa Semedo denuncia um “escândalo de Estado” que “mete a nu muitas deficiências do Estado” francês, sublinha que “a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França” e que apenas 3% dos agressores são condenados. A investigadora associa-se à mobilização que pede a adopção de uma Lei Integral de combate aos crimes sexuais e acredita que “uma parte da sociedade está a acordar”. Esta segunda-feira, houve manifestações em várias cidades francesas para expressar a revolta colectiva pela morte de Lyhanna e para protestar contra as falhas da Justiça e do Estado francês no que toca à protecção das crianças contra crimes sexuais. Esta quinta-feira, a indignação e a revolta chegaram ao jornal português Público com uma crónica da activista Luísa Semedo, que começa assim: “Em França, a cada três minutos, o tempo de leitura desta crónica, uma criança é vítima de agressão sexual e apenas 3% das denúncias de violação de menores resultam em condenação.” [Os números “abissais” da violência sexual sobre crianças são da Comissão [francesa] Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).] Conversámos com Luísa Semedo, investigadora em Filosofia Política e Ética; que olha para a morte de Lyhanna como “a ponta do iceberg” daquilo que denuncia como “um escândalo de Estado”. “É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este o suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido”, explica, por telefone, à RFI. Luísa Semedo sublinha que além de ser um “escândalo de Estado”, a morte de mais uma criança alegadamente vítima de um predador sexual revela também “um escândalo da sociedade”, pelo que é urgente “uma mudança de mentalidades”. “Estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa, muitas vezes, dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou com um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa-se, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto”, diz Luísa Semedo. As associações feministas e de protecção da infância reivindicam a adopção de uma Lei Integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres, a qual já tinha sido apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada. Na concentração desta segunda-feira, em frente ao ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, uma conhecida realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em peça de teatro e que também deu um filme - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denunciou uma detenção arbitrária. Nas redes sociais, muitos partilharam as imagens da violenta detenção de Andréa Bescond e ela também publicou fotografias das nódoas negras que daí resultaram. Luísa Semedo também ficou perplexa com o que aconteceu e pergunta-se como é que Andréa Bescond, uma vítima, “foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos nunca foi sequer ouvido”. Por outro lado, Luísa Semedo subscreve o apelo de Andréa Bescond de concentrações pacíficas todas as segundas-feiras, às 19h, diante de todos os tribunais de França até à adopção da Lei Integral de combate às violências sexuais. “Esta Lei Integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos (...) É uma lei cujo objectivo é fazer com que, cada vez que haja um destes casos, não seja considerado só como um ‘fait divers' ou como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema”, acrescenta a investigadora. Esta semana, nos protestos e até na Assembleia francesa, ouviram-se pedidos a exigir a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à justiça - ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Lecornu propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série contra os actuais 20 anos de prisão [para os que chegam a ser julgados] e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas são suficientes? Não, responde Luísa Semedo, sublinhando que a questão principal “não está no número de anos da pena do agressor”, mas no facto de apenas “3% dos casos de agressão sexual serem punidos”. No domingo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, assinalou que existem “graves falhas” na gestão do caso do suspeito da morte de Lyhanna, e anunciou que 70 mil queixas envolvendo crimes sexuais contra menores terão de ser examinados até 14 de Julho. Mais uma vez, Luísa Semedo aponta o seu olhar crítico para este anúncio e diz: “Parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países europeus. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado de 'performance', com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Apesar de lamentar que tanto a Justiça, quanto o Estado, quanto a Sociedade tenham falhado até agora, Luísa Semedo acredita que “uma parte da sociedade a acordar”. Por isso deixa também o apelo: “Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.” Luísa Semedo: A morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” e "talvez o início de uma revolução” RFI: Por que é que decidiu mobilizar-se e escrever num jornal português sobre a morte de Lyhanna? Luísa Semedo, Activista e Investigadora em Filosofia Política e Ética: “Porque em França está a ser uma situação que está a causar imensa emoção e penso que é uma questão que é universal, não é uma questão que é só importante em França, a questão da violência contra as crianças. Parece-me importante também que em Portugal se fale sobre isto porque o que se sente é que há, de facto, uma zona um pouco escondida, a questão do MeToo, da violência em geral e da violência sexual e nomeadamente contra as crianças. É como se fosse uma zona em que o problema é tão grande que parece preferir-se não se ver um problema tão grande. Neste momento, está a rebentar em França com o caso da Liana, ou seja, é a gota de água que fez com que as pessoas saíssem todas para a rua.” Na segunda-feira houve manifestações em várias cidades francesas para exigir medidas e está a haver uma mobilização. O que espera desta mobilização? É possível que algo mude? É preciso um tsunami? Ou, como escreve na crónica no Público, "está-se talvez a viver o início de uma revolução?” “Sim. O que eu espero é que haja uma mudança de mentalidades porque são questões tão estruturais, tão profundas na sociedade, que não é só com pequenas medidas de urgência que se vai lá. Ou seja, é uma questão que necessita que várias soluções sejam postas em prática e uma das mais importantes é talvez uma mudança de mentalidades. Ou seja, olhar para uma criança como uma pessoa é a base, perceber que é uma pessoa que tem um corpo e que tem de ter consentimento em relação ao que lhe fazem. A criança também tem de ter essa consciência e, por isso, as associações pedem muito que haja, por exemplo, uma educação sexual e afectiva nas escolas, que é uma coisa que não existe ou existe de forma muito rudimentar. Ou seja, é toda uma panóplia de soluções que devem ser feitas.” As associações que se têm mobilizado e participado nestes protestos reivindicam a adopção de uma proposta de lei integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres. A Luísa Semedo também fala nesta lei integral na sua crónica. O que é esta lei integral que chegou a ser apresentada no final de 2025 por cerca de 100 deputados, mas que nunca foi analisada? “Esta lei integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos, ou seja, a questão do que é que é a dominação sobre o corpo de outro, o que é o consentimento. São questões que implicam toda a gente e, portanto, também começa na educação. Isso é muito importante. É uma lei cujo objectivo é fazer com que cada vez que haja um destes casos que não seja considerado só como um ‘fait divers', só como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema. E esse sistema tem de ser combatido com esta lei integral que são 78 medidas e que são medidas para enfrentar este caso de frente, ou seja, com várias leis diferentes.” Nos protestos em frente ao Ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em filme e em peça de teatro - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denuncia uma detenção arbitrária. Como é que vê o que aconteceu e vai seguir o apelo dela de manifestar todas as segundas-feiras em frente aos tribunais de França até à Lei Integral de protecção das vítimas de abusos sexuais ser adoptada? “Sim, sem dúvida. Eu sempre que posso tento acompanhar este tipo de acções que me parecem absolutamente importantes e acho que é muito reconfortante até para as vítimas. Eu própria também sou uma sobrevivente, portanto, é sempre muito forte ver estas pessoas mobilizadas. Acho que nos toca a todas as pessoas que foram de alguma forma vítimas de violência e, portanto, sim, sem dúvida. O que aconteceu com a Andréa Bescond foi, de alguma forma, uma intimidação de uma das cabeças da manifestação, que foi acompanhada também, algumas horas antes, pela proibição da manifestação à frente do Ministério da Justiça. O Estado ou o governo dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, há ali um discurso que é bastante ambíguo em relação à questão da violência e da violência sexual contra as crianças e contra as mulheres, que já dura há bastantes anos, não é só de agora.” No seu texto escreve “A lei tem um prazo. O trauma não”. O que pode fazer o Estado francês para ajudar as vítimas que vivem com o trauma e para evitar futuras agressões? “Sim, na Lei Integral também é pedido para que haja apoio para as vítimas para as questões do trauma. Muitas das vítimas vivem o que nós chamamos de stress pós-traumático e stress pós-traumático complexo também. É, por exemplo, o acesso a profissionais de saúde da psiquiatria, psicologia e medicamentos. Há todo um acompanhamento que é necessário quando se sofre de stress pós-traumático, por exemplo. É algo que é muito complicado ainda de ter em França. Isso é um dos pedidos também da Lei Integral. Parece-me absolutamente essencial também ver algo que acho que faz parte da Lei Integral, que é a forma como se ouvem as crianças. Ou seja, elas serem ouvidas de forma autónoma dos adultos que, por vezes, são as pessoas que as agridem e portanto, elas terem um local seguro para serem ouvidas, para serem escutadas, para serem levadas a sério.” Ou seja, é todo um dispositivo que muda completamente a forma como nós vemos até agora as vítimas. Por enquanto, os agressores parecem ser mais protegidos do que as vítimas e o objectivo é que esta estrutura mude completamente, ou seja, que o centro da preocupação sejam, de facto, as vítimas e não os agressores.” Depois do que aconteceu, o ministro da Justiça Gérald Darmanin anunciou, no domingo, que 70.000 processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de Julho. O jornal Libération diz que o poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça. Que leitura faz? E é possível estes 70.000 processos serem analisados num mês? “Pois, somente não me parece possível, como me parece que o que for feito vai ser mal feito porque parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado um bocado de 'performance' com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Ouviram-se pedidos a exigir a demissão do Primeiro-Ministro francês, não só nas manifestações, mas também na Assembleia. Sébastien Lecornu rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à Justiça, ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Ele propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série, contra os actuais 20 anos de prisão (para os que chegam a ser julgados) e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas chegam? “Estas medidas não chegam porque há medidas que já existem. O problema é que as medidas não estão a ser cumpridas. Se só há 3% dos casos de agressão que são punidos, não tem nada a ver com a pena ser maior ou mais pequena. O que é importante é que estas pessoas sejam punidas e é importante ouvir as vítimas. Muitas das vítimas dizem: ‘O que nós queremos, o que nos vai fazer ficar em sentir insegurança e sentir reconfortados é que não haja impunidade'. Não se está à espera que haja pena de morte ou castração, ou o que quer que seja de medida cada vez mais espectacular para dar uma impressão de que se está a fazer alguma coisa. Não é isso. O facto é que só 3% de casos de agressão sexual é que são punidos, portanto, a questão está aí e não está nos anos da pena do agressor.” É por isso que fala num “escândalo de Estado” em relação ao caso Lyhanna? “Sim, sim. É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado sim. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido, o que é bastante impressionante. Imagine-se que alguém com este perfil nunca foi ouvido e alguém com o perfil de Andréa Bescond, que é uma sobrevivente, foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos contra ele nunca foi sequer ouvido. Portanto, já se está aqui a ver o contraste entre como é que as pessoas vítimas e activistas são tratadas e os agressores são tratados.” Ou seja, como escreve no artigo, “não houve aqui só uma negligência pontual, nem um simples disfuncionamento, como afirmou o Presidente Macron”, é algo mais vasto? “Sim, sem dúvida é algo mais vasto. Nós estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só mesmo a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa muitas vezes dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e é, de facto, um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto.” A Justiça e o Estado falharam? “Sim. Falharam a Justiça, o Estado, mas a sociedade em geral também está a falhar. Felizmente, o que se está a ver nas ruas é uma parte da sociedade a acordar e a mostrar que não vai deixar passar. Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”
In this episode, we kick things off by examining a massive competitive move that could fundamentally reshape the less-than-truckload landscape. Amazon announced the full expansion of its LTL service to all destinations, rolling out a traditional hub-and-spoke network capable of moving palletized freight anywhere nationwide at lower costs than legacy carriers. The service includes next-day live pickup, same-day drop-trailer options, real-time GPS tracking, and automated appointment scheduling, positioning the e-commerce giant as a serious threat to incumbent trucking companies like FedEx Freight, Old Dominion, and Estes. Next, we shift over to the autonomous trucking sector, where PepsiCo and Gatik have launched the largest commercial driverless freight deployment to date. This multi-year strategic partnership brings fully driver-out trucks into PepsiCo's consumer goods supply chain, with operations already live across Texas, Arizona, and Arkansas serving around two hundred fifty retail locations. These autonomous trucks maintain a ninety-nine percent on-time track record with no safety drivers in the cab, and a South Carolina production facility is set to begin mass-producing Level four autonomous trucks in the second half of twenty twenty-seven. Finally, we explore the trans-Pacific shipping market, where new tariffs are fueling an unusually early frontloading frenzy and peak season. Rate hikes and surcharges that took effect June first sent Asia-to-U.S. West Coast prices soaring fifty-one percent to four thousand eight hundred thirty-six dollars per forty-foot container, while East Coast prices jumped twenty-five percent. With the U.S. Trade Representative announcing new tariffs on sixty countries over forced labor concerns, the National Retail Federation has moved the expected peak season to June from July and predicts June import volumes will run five percent higher than May. Follow the FreightWaves NOW Podcast Other FreightWaves Shows Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
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Foi apresentado em finais de Maio em Paris, o terceiro e último volume do livro "Memórias em tempo de amnésia" de Álvaro Vasconcelos, especialista de relações internacionais e voz bem conhecida das nossas antenas. Nesta obra em três partes, o autor relata as épocas que atravessou, o salazarismo, o colonialismo português em África, nomeadamente em Moçambique onde viveu, os anos de militância política na África do Sul, em França e em seguida em Portugal, onde regressou na altura do 25 de Abril. No terceiro volume das suas memórias intitulado "O futuro para além do apocalipse", Álvaro Vasconcelos recorda a conquista da independência das ex-colónias, assim como os primórdios da democratização de Portugal e a sua adesão à União Europeia. O antigo director do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia e fundador em Portugal do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais também evoca a viragem autoritária a que se assiste actualmente em várias partes do mundo, a que ele chama de «brutalismo» e que tem a ver com a corrente 'tecno-totalitarista', encabeçada nomeadamente por alguns magnatas da Silicon Valley. Álvaro Vasconcelos fala também da urgência ambiental, da urgência de não nos esquecermos que somos humanos, numa época em que tendemos a colocar tudo nas mãos da Inteligência Artificial. No fundo, ele fala da urgência de pensarmos. Neste livro denso que é uma chamada de atenção, ele começa cada capítulo com uma espécie de guião de filme e fala com um gosto não dissimulado de todas as fitas que o fizeram reflectir de outra forma sobre o mundo, porque este texto, ainda mais do que os anteriores, é uma declaração de amor à sétima arte. E evidentemente não podíamos deixar de falar -antes de mais- da importância que o cinema tem para Álvaro Vasconcelos. "O cinema é algo que me formou porque eu vivia na África colonial, na Beira, em Moçambique. E como era lá no fundo do Império, a ditadura era certamente muito mais suave para os brancos, para os negros era mais brutal do que em Portugal era para os portugueses. E os brancos da cidade da Beira, onde eu vivia, tinham acesso ao Cineclube da Beira, às grandes obras do cinema mundial, por exemplo, nós vimos o ‘Couraçado Potemkin', que em Portugal era absolutamente proibido. (…) E como o cinema, começamos a vê-lo mesmo muito, desde muitos miúdos, não só nos cineclubes, os cinemas eram a maravilha da época, era aquilo que nos educava, nos abria novos horizontes, que nos fazia rir com Charlot, com os irmãos Marx, que nos ensinava os problemas graves do mundo, como ‘Hiroshima mon amour', o neo-realismo italiano, ‘Os ladrões de bicicletas', etc. Evidentemente que o cinema teve para a minha geração e em particular para aquela que viveu no Império, mas não só, também também em Portugal, um impacto enorme, portanto, foi formativo. E ao escrever o último livro da minha trilogia, senti a necessidade de fazer um livro que fosse mais de reflexão que apenas descritivo da minha vida e de reflexão. Não sou filósofo, portanto, não podia ser uma reflexão filosófica. Mas era uma reflexão à volta das ideias que são veiculadas pelo cinema, que foram veiculadas pela grande literatura que eu li desde miúdo, que sempre me apaixonou e continuo a ler e que me ensinou imenso sobre o mundo. Eu descobri muitas coisas no cinema e na literatura que não era capaz de descobrir com o mesmo grau de profundidade dos ensaios", explica o autor. Nas suas memórias, Álvaro Vasconcelos fala da época colonial e também de uma descolonização das mentes que ainda não foi totalmente feita. "Em África, descobri a violência colonial e que a palmatória é um símbolo absoluto dessa violência. Palmatória com que iam castigar os empregados negros por coisas, não importa o quê. Mas mesmo que fossem coisas graves, era a mesma palmatória que era usada contra os escravos, como eu vi no Museu Afro-Brasileiro, em São Paulo. Infelizmente não temos em Portugal, nenhum museu sobre a escravatura. Temos um pequeno museu em Lagos, mas não temos um grande museu, como têm os brasileiros. E essa palmatória era usada também pelo professor primário para nos manter. Identifico a violência brutal de que era vítima pelo professor primário, que tinha um poder absoluto sobre mim, com a violência, de que eram vítimas os negros, que não tinham direitos nenhuns, nem direito à vida. E para que isso pudesse ter acontecido, foi preciso criar uma narrativa de que eles não eram gente civilizada. E essa narrativa perdurou no pós 25 de Abril, porque nunca se fez um trabalho verdadeiro de descolonização das mentalidades. E hoje, quando os imigrantes são tratados como são tratados com desumanidade, é porque não são considerados humanos iguais a nós. E como não são considerados humanos iguais a nós, podem ser vítimas da arbitrariedade. Não têm os direitos iguais. Isso é uma questão fundamental", considera o estudioso. "Quando se deu o 25 de Abril, podia-se ter feito uma coisa extraordinária e teria ficado para a história. Era considerar que toda a gente que reside em Portugal tem os mesmos direitos. Há um país no mundo em que isso, pelo menos já acontece, que é na Nova Zelândia. E, portanto, se os imigrantes tivessem o direito do voto, seriam tratados de forma completamente diferente ", diz ao referir que, em vez disso, "são vítimas da desigualdade mais absurda da escravatura às vezes da violência da morte no Mediterrâneo. Em vez de irem socorrer, acham que é uma forma dissuasiva que eles morram no Mediterrâneo. Isso, evidentemente, é feito posto em prática por políticos democráticos, mas evidentemente que estão a abrir o caminho à extrema-direita que fará disso uma doutrina de poder." No capítulo que reserva a estes aspectos, o autor escreve que “o silêncio sobre a verdadeira natureza do colonialismo é um dos grandes fracassos da democracia portuguesa” e que “a Europa assumir que o colonialismo foi um crime contra a humanidade tornaria o seu discurso sobre a democracia muito mais legítimo.” "O 25 de Abril foi uma revolução extraordinária. Libertou os portugueses da ditadura e criou um sistema de liberdades públicas, de Estado de Direito. Isso deve ser sublinhado e eu sublinho no livro, porque é único no século XX, uma revolução que não foi só uma libertação, mas trouxe a liberdade. Podemos pensar, por exemplo, que a Revolução de Outubro libertou os russos do Czarismo, que era um regime terrível. Mas não construiu um regime de liberdade. Isso aconteceu em Portugal. Simplesmente, Portugal era ao mesmo tempo uma ditadura e um império. E quando se construiu a democracia, fez-se um trabalho mais ou menos profundo sobre o que era a ditadura, o que é que era o fascismo. Existem vários museus, o Museu do Aljube, um museu em Peniche, existe um trabalho de memória. Existem nos livros de História. Conta-se o 25 de Abril, todo esse passado ditatorial. As pessoas sabem que houve a tortura, que havia a PIDE, que as pessoas não tinham direito à palavra. Tudo isso faz parte da memória colectiva dos portugueses", constata Álvaro Vasconcelos. "O que não se fez nenhum trabalho. O que é que era o colonialismo? Não se explicou o que é que era a tortura em África, o que era o trabalho forçado. Qual era a origem que isso tinha na escravatura? Manteve-se um mito do lusotropicalismo, ou seja, que Portugal tinha contribuído para criar um mundo diferente, um mundo não racista, um mundo multiétnico. Até se dizia isso : ‘Deus criou os homens e os portugueses criaram as mulatas' escondendo que as mulatas nasciam muitas vezes de actos de violação absoluta, porque as mulheres negras não tinham direitos e, portanto, o senhor tinha um direito de pernada sobre a mulher negra. Isso acontecia frequentemente. Eu, aliás, entrevistei para um dos meus livros uma senhora africana que conta exactamente a história de uma mulher que, depois do 25 de Abril, andava à procura do homem branco, que tinha sido o pai dos seus filhos e que o homem branco tinha desaparecido. Tinha regressado a Portugal e que nunca mais soube dele. E as crianças queriam conhecer o pai. Mas isto é um caso de uma pessoa que se movimentou. A maior parte das vezes ficaram e são vítimas de toda a discriminação. Isso é o aspecto em que o 25 de Abril não fez esse trabalho", diz o politólogo. "Quando em Portugal surge um movimento de sociedade civil poderoso, hoje formado por intelectuais afro-descendentes que defendem o direito à igualdade, que tem voz no espaço público, quando nos lembramos, por exemplo, da Joacine Katar Moreira que foi deputada na Assembleia da República, a campanha racista contra ela. No Parlamento, a extrema-direita dizia ‘Volta para o teu país'. Estou a falar numa deputada, membro do Parlamento. Mas depois as intelectuais todas que são superactivas na sociedade portuguesa, que é aquilo que há hoje de mais vibrante na sociedade portuguesa, mais criativo. Publicam, fazem filmes como a Pocas Pascoal e outros. Ainda recentemente a Kitty Furtado organizou na Gulbenkian um ciclo sobre o cinema africano produzido em Portugal, com numerosos filmes, numerosos realizadores. Portanto, na Bienal de Veneza, há dois anos, a representação de Portugal foram artistas negros. Portanto, temos um movimento extraordinário. Esse movimento choca com esta mentalidade dominante. E então são acusados de serem ‘wokistas'. ‘Wokistas, quer dizer que são pessoas com consciência", sublinha o universitário. Relativamente às lições que se podem tirar do pós 25 de Abril, Álvaro Vasconcelos faz um balanço agridoce : apesar de considerar que “os seus objectivos essenciais foram atingidos: liberdade, fim do colonialismo e um estado inspirado nos modelos sociais europeus”, ele constara que “o que triunfou não foram os mecanismos que permitiriam compatibilizar a democracia liberal com o desejo de participação dos cidadãos (...) com o tempo, os partidos tornaram-se organizações fechadas (...) foram-se impondo como actores únicos do sistema politico”. "Portugal fez uma revolução que permitiu a existência de partidos políticos que não existiam antes. Mas a revolução, no momento em que ela aconteceu, despertou uma vontade de participação enorme na sociedade portuguesa. Todos os portugueses queriam participar na vida política pública. Eu próprio participei na criação de um jornal que era a voz do trabalhador e aquilo vendia-se como pãezinhos quentes. Quer dizer, toda a gente cria jornais. Toda a gente queria ler. Toda a gente fazia um pequeno comício. Enchiam-se de pessoas. Criaram-se cooperativas, associações de bairro, associações, moradores, associações agrícolas, movimentos cooperativos por todo o lado. Ao mesmo tempo, os partidos políticos foram-se consolidando como forças dominantes da sociedade portuguesa. E esses movimentos participativos foram vistos pelos partidos que acabaram por triunfar como movimentos que eram contrários à consolidação da democracia representativa liberal, como havia no resto da Europa. E foram desaparecendo. E o sistema político português ficou concentrado nos partidos políticos. Esses anos todos passaram e as pessoas hoje, como têm acesso às redes sociais, já têm outra forma de expressão, sem passar pelos partidos políticos. Exprimem-se nas redes sociais. Muitas vezes, o que dizem alguns? Nós não gostamos nada. Mas outras coisas dizem coisas correctas. Estes movimentos que eu referi, ecológicos, anti-racistas, de solidariedade social, também usam as redes sociais. Mas há muita gente que usa as redes sociais e que diz coisas horríveis. Mas não interessa, diz. Acha que tem direito à palavra. E acha que os partidos não dão direito à palavra. Então vão atrás de um demagogo que diz ‘Eu dou vos a palavra. Eles não vos dão a palavra'. Os partidos políticos são organizações fechadas. Em Portugal nunca se fez a regionalização, porque os partidos acharam que aquilo era fugir ao controlo central dos partidos de Lisboa. Era abrir o controlo da sociedade a nível regional. E tudo isso foi enfraquecendo a democracia portuguesa", comenta. “Foi nas redes sociais, espaço sem regras, que descobri que estávamos perante um brutalismo neofascista. O significado das palavras e a verdade deixaram de ser facilmente reconhecíveis. O algoritmo privilegia a violência verbal, exponencia o número de visões e partilhas. Acreditei – e escrevi –, depois das revoluções árabes de 2011, que as redes sociais tinham potencial de empoderamento dos cidadãos e poderiam ser um factor de emancipação democrática, mas hoje sou obrigado a constatar que não tive em conta a capacidade de manipulação, seja pelos algoritmos ou ainda mais pela IA, dos Estados e grupos que controlam as empresas da indústria do mundo virtual", escreve Álvaro Vasconcelos no capítulo que dedica ao regresso do que chama de 'brutalismo'. "A nível europeu, nós não podemos separar de um fenómeno mundial, que é aquilo que atravessa bastante o meu livro, que é a ideia do colapso do pensamento. E esse colapso do pensamento. O que significa que quando os homens deixam de pensar, diz Hannah Arendt, são capazes dos piores crimes. E esses homens são capazes dos piores crimes. E o homem banal, o homem comum que pode seguir um líder que vai destruir as suas liberdades e a liberdade dos outros. E isso pode se chamar ‘tecno-totalitarismo'. Porquê tecno-totalitarismo? Porque grande parte da economia mundial hoje está a ser dominada pelas grandes empresas tecnológicas. Estamos numa nova revolução tecnológica. E as grandes empresas tecnológicas que dominam a inteligência artificial, que dominam as redes sociais, como o Musk, é o exemplo mais claro, defendem aquilo que eu chamei de ‘tecno-totalitarismo'», explica o autor das "Memórias em tempo de amnésia". "Há uma politóloga francesa, Asma Mhalla que diz que ‘este século não vos proíbe de pensar. Ele ocupa-vos até que já não se saiba como fazer. Isto vem, como eu digo aqui no livro, do desenvolvimento da Inteligência artificial. O desenvolvimento da inteligência artificial cria um mundo onde os humanos deixam de pensar. A banalidade do mal passa a ser a norma. Isso acontece em muitos actos quotidianos. Quando recorremos à inteligência artificial para tomarmos decisões. Quando manipulados por algoritmos, ficamos de tal forma hipnotizados que somos levados a acreditar nos líderes populistas como Trump, como Bardella em França como em Portugal, o André Ventura, como Bolsonaro no Brasil", diz Álvaro Vasconcelos. "Há um aspecto deste ‘tecno-totalitarismo' que também nos deve inquietar, que é menos presente em França, mas está presente em muitos países, que é a relação dele com uma determinada corrente religiosa. Ele é religioso na sua essência, porque ao mesmo tempo, fala de Apocalipse, destruição do mundo pelo aquecimento global, pela guerra nuclear e está a propor uma solução tecnológica para estes problemas. Ora, isto é típico da crença religiosa. A ideia do Apocalipse, se pensarmos no apoio dos evangélicos americanos a Trump e em cenas em que Trump se reúne com os evangélicos e os evangélicos rezam na Casa Branca a volta do Trump ou quando o Bolsonaro tomou posse rodeado pelos evangélicos, a primeira coisa que fizeram, foi um ato religioso. (…) Vemos que o ‘tecno-totalitarismo' muitas vezes é também uma ‘tecno-teocracia'. E, portanto, esse problema, que é um problema mundial, que é da criação do mundo em que os homens deixam de pensar, a inteligência artificial substitui o pensamento humano. É um mundo em que o brutalismo, que é o tema do meu livro, se torna possível. É possível que o Trump decida destruir o Irão, que o Netanyahu faça o genocídio de Gaza e agora esteja a fazer no Líbano o que fez em Gaza, no sul do Líbano. É exactamente a mesma coisa. Vai destruir o sul do Líbano completamente", diz o especialista em relações internacionais. No capítulo em que aborda o que chama de dever de hospitalidade, Álvaro Vasconcelos considera que é neste aspecto que a Europa pode fazer a diferença "para superar o brutalismo contemporâneo, porque, por um lado, é uma das regiões do mundo onde as democracias ainda resistem ao assalto da extrema‑direita neofascista, e por outro porque a hospitalidade é a essência da sua sobrevivência". "Estamos a falar da União Europeia, a que se podem juntar alguns Estados, como a Noruega, como hoje o Brasil do Lula. Têm a mesma ambição de escapar ao brutalismo de Putin, Trump, Netanyahu, ao ‘tecno-totalitarismo' que domina a China. Verdadeiramente o único sítio do mundo em que ainda há um grupo de Estados que pode e quer resistir é na União Europeia, mas que tem estes aliados muito importantes que tem que procurar no Canadá, já procura no Brasil. Por isso, o acordo com o Mercosul é tão importante, apesar de a Argentina do Milei estar completamente na mesma linha de brutalismo. Mas o Brasil é um país importantíssimo. Na Ásia, o Japão, a Coreia do Sul. (…) Portanto, a Europa é a nossa esperança. Mas para que essa esperança não passe de uma utopia não realizada, para ser uma utopia realizada, é preciso que a Europa integre toda a sua vitalidade num projecto comum, (…) é preciso uma mudança radical de política. Ou seja, é preciso uma política que seja alternativa à política da extrema-direita. Claramente. E o que é que se deve fazer? Os imigrantes que são grande parte da população europeia ou originários na imigração devem ser cidadãos plenos, activos, integrados nas nossas sociedades, dando-lhes o voto. Aqueles que ainda não têm, damos-lhe a palavra, ouvindo-os e tornando as nossas democracias muito mais participativas", preconiza o autor. No seu livro, Álvaro Vasconcelos estabelece um elo directo entre o ‘tecno-totalitarismo', a negação dos direitos de boa parte da humanidade e a destruição do meio ambiente. "Um dos temas que eu acho que é muito importante é a questão do ambiente. Eu, aliás, começo o meu livro com uma citação do Camus que diz ‘A minha geração quis mudar o mundo. Não o mudou, mas pelo menos lutou para preservar o que de melhor tinha sido conquistado'. (…) O aquecimento global está a ser um problema gravíssimo que pode pôr em causa a vida na terra. E aí é lembrarmo-nos de Edgar Morin, um grande pensador. Eu cito Edgar Morin dez ou 15 vezes no meu livro. Ele diz que nós não estamos só perante um mundo que destrói a vida humana. Estamos num mundo em que a globalização foi extremamente destrutiva do ponto de vista económico e social. Criou também a consciência de um destino comum da humanidade a consciência de que estamos todos no mesmo barco. Ou seja, no barco da vida. Nós sabemos que a vida não é eterna. Mas enquanto estamos no barco da vida, não vamos cair no niilismo. Nem vamos cair na melancolia de esquerda. Isto é uma conclusão que alguém tirou do meu livro que eu sou contra a melancolia de esquerda. A melancolia de esquerda é nós pensarmos em tudo aquilo por que a gente lutou está a desaparecer e já não podemos fazer nada. Vai tudo acabar. Vai acabar a democracia, a liberdade. Vai voltar o racismo como política de Estado. Vai desaparecer a ordem internacional. Vai desaparecer o multilateralismo", diz o universitário. "Estamos perante uma guerra cultural. É um tema central, porque a guerra cultural é algo que acompanha a civilização europeia desde o Iluminismo e desde a Revolução Francesa. Houve sempre uma corrente que se opôs às conquistas de liberdade, igualdade, fraternidade da Revolução Francesa. Considerou sempre que a compaixão pelo outro não fazia nenhum sentido, que o homem era um animal fundamentalmente egoísta e violento E que tinha que ser treinado desde criancinha para a competição. E por isso, a cooperação não é uma questão fundamental da aprendizagem. As pessoas não aprendem a cooperar, aprendem a competir. Já vimos no sistema escolar como é terrível a competição. A infância nas grandes escolas. O que é que é difícil chegar lá acima. Portanto, formam-se elites que foram treinadas para a competição e não foram treinadas para a cooperação. E se nós não cooperarmos neste barco da vida, se não percebermos que o clima não tem fronteiras, que o aquecimento é global, que os calores do Norte de África chegam à Europa, que as transformações da Amazónia transformam as correntes do Atlântico e nos atingem também como europeus. Então não perceberemos que estamos todos no mesmo mundo. Mundo, terra, pátria, como diz o Edgar Morin. E que neste mundo, terra pátria, nós somos todos cidadãos, mesmo quando não somos considerados cidadãos", conclui Álvaro Vasconcelos.
Robby & Rexrode hour two continues, welcoming Gentry Estes to the show to hear his thoughts on the Eligibility ruling on Brenden Sorsby and more on the Preds. We take your calls and react to your thoughts. Peter Laviolette named Head Coach of the LA Kings and will make his coaching return to the NHL. The hour closes with The Rex Rant.
O que significa o crime de stalking? É comum a sua prática no Brasil? O que se pode dizer do crime de bullying? Estes são os temas deste mês no videocast do Prof. Nucci. Ouça e compartilhe com quem você acha que vai gostar!Você já viu as playlists específicas de cada tema abordadono podcast? Clique aqui: https://spoti.fi/3eFSLdb=========INDICAÇÕES NO PROGRAMASaiba tudo sobre a obra PACOTE ANTICRIME COMENTADO do Professor Nucci:http://bit.do/fpe4TConheça todos os livros do autor:bit.ly/GuilhermeNucciComentários, sugestões, críticas: contato@guilhermenucci.com.brSite: http://www.guilhermenucci.com.brFacebook: https://www.facebook.com/professorguilhermenucciInstagram: https://www.instagram.com/professor_guilherme_nucciLinkedIn: https://www.linkedin.com/in/professor-guilherme-nucciTwitter: https://twitter.com/GSNUCCI==========Guilherme de Souza Nucci é Livre-docente em Direito Penal,Doutor e Mestre em Direito Processual Penal pela PUC-SP. Professor concursado da PUC-SP, atuando nos cursos de Graduação e Pós-graduação (Mestrado e Doutorado). Desembargador na Seção Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.
The Association of Western Pulp and Paper Workers in Vancouver, Wash. is the union that represents the nearly 400 workers who were working at the Nippon Dynawave Packaging Co. when a chemical tank ruptured at the paper mill last month. Eleven employees died, all of whom were union members. AWPPW has been coordinating relief efforts, including donations, to support and assess the needs of victims and their families. Last week, the union announced it had reached an agreement with Nippon Dynawave to secure full pay until at least Aug. 8 for workers who are unable to or were instructed not to work. Those who are scheduled to work will receive an additional three hours of pay for each shift they work. A federal investigation into the cause of the rupture is currently underway and being led by the U.S. Chemical Safety Board. Josh Estes, a spokesperson and former local union president at AWPPW, says the union supports the demands for answers and accountability from victims and their families to ensure that a tragedy like this doesn’t happen again. Estes joins us to share the union’s focus on supporting workers and their families and the importance of this industry on the local economy.
Israel e Irão retomaram, por algumas horas, os ataques directos pela primeira vez desde o frágil cessar-fogo assinado há dois meses. Entretanto, ao início da tarde desta segunda-feira, ambas as partes informaram que suspenderam as operações, depois de Donald Trump ter exortado as partes a fazerem-no. É que a retoma dos ataques pode comprometer as negociações entre Estados Unidos e o Irão e mostram “posições cada vez mais divergentes” entre os Estados Unidos e Israel, explica a investigadora Maria Ferreira. A nossa convidada de hoje não antevê o fim do conflito no Médio Oriente a curto prazo porque, para já, Israel e Irão não têm vantagens em negociar e apenas Donald Trump está a jogar “a sua própria sobrevivência política interna” e “não tem muita margem de manobra para continuar a suportar Israel”. Esta segunda-feira, Israel confirmou ter atacado um complexo petroquímico e alvos militares no Irão, enquanto Teerão disse ter retaliado, atacando uma instalação petroquímica israelita e duas bases aéreas em Israel. As forças israelitas também anunciaram o lançamento pelos hutis de um míssil a partir do Iémen contra Israel, que foi interceptado. O fogo cruzado recomeçou na noite de domingo com um ataque iraniano contra território israelita, em retaliação ao bombardeamento de Israel ao Líbano horas antes. Estes ataques diminuem ainda mais a perspectiva de um possível acordo para pôr fim à guerra que começou a 28 de Fevereiro com ataques aéreos israelitas e americanos ao Irão. Entretanto, ao início da tarde desta segunda-feira, o exército iraniano disse ter terminado a vaga de ataques e ameaçou retomar se Israel continuar a bombardear o Líbano. Por seu lado, a Reuters avança que Israel também decidiu parar esta série de ataques contra o Irão. Um pouco antes, o Presidente norte-americano, Donald Trump, exortou o Irão e Israel a cessarem as ofensivas. Para falarmos sobre este tema, convidámos Maria Ferreira, investigadora portuguesa do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. RFI: O que representa esta retoma dos ataques directos entre Israel e o Irão? Maria Ferreira, Investigadora: “Penso que representa o facto de os Estados Unidos e Israel, que desenvolveram em conjunto esta ofensiva, terem objectivos de política externa para o conflito completamente diferentes. Desde o primeiro dia de ofensiva que Israel disse explicitamente que a sua questão com o Irão era uma questão existencial, portanto, Israel compreende o Irão como uma ameaça existencial, enquanto para os Estados Unidos a questão seria relativa ao enriquecimento de urânio, à eventual posse de armas nucleares, que é algo que pode ser gerido através de uma negociação diplomática, tal como aconteceu durante a administração de Barack Obama. Para Israel, a questão não é o enriquecimento de urânio, não é a eventual posse de armas nucleares por parte do Irão. Israel representa o Irão como uma ameaça existencial e, portanto, uma ameaça existencial só é dirimida através da eliminação do regime iraniano. Mas essa eliminação do regime iraniano só pode acontecer através de uma incursão terrestre que é muito difícil de ser executada. Temos dois aliados com objectivos distintos numa guerra e o Irão está a tentar, através de uma resiliência militar e civil notável, aproveitar as diferenças de objectivos que existem entre os Estados Unidos e Israel.” Donald Trump disse “Quem decide sou eu, não ele” em referência a Benjamin Netanyahu e já não esconde o desacordo, tendo-se mostrado muito insatisfeito com a ofensiva israelita no Líbano. Que leitura faz desta declaração de Trump em relação a Netanyahu? É só mais uma declaração ou tem peso? “Tem muito peso, sobretudo quando nós lemos estas declarações à luz da divulgação de um relatório recentemente da própria ‘intelligence' norte-americana que denuncia actividades de espionagem da 'intelligence' israelita sobre os próprios Estados Unidos. Portanto, a ‘intelligence' israelita estaria a tentar penetrar nos mecanismos de decisão norte-americanos, tentando averiguar quais serão os próximos passos da administração Trump para a questão no Irão. Estas actividades de ‘intelligence' subversivas não fazem parte de nenhum acordo de troca de informações, estamos a falar de actividades subversivas de captura de informação secreta que estariam, segundo este relatório, a preocupar seriamente o Pentágono. Isto denuncia uma cisão eventual, não só em relação aos objectivos que os dois Estados têm para o conflito, mas denuncia a existência de uma fractura entre as ‘intelligences' e os aparelhos militares dos dois Estados.” Esta fractura também é uma fractura política? Como é que esta cisão se pode materializar no terreno? “É profundamente política. Ainda ontem Donald Trump deu a entender que a linguagem da guerra no Médio Oriente é distinta da linguagem da guerra no Ocidente, quando argumentou que aquilo que nós, no Ocidente, entendemos por cessar-fogo é diferente do que Israel e Irão entendem por cessar-fogo. É claro que este argumento é uma tentativa de mascarar, no fundo, a incapacidade norte-americana de controlar o seu principal aliado no Médio Oriente, que é Israel, e mesmo de revitalizar aquela que era uma das grandes conquistas de anos e que são os acordos de Abraão. Note-se que Donald Trump admitiu que não tinha conhecimento sequer dos ataques a Beirute. Esta cisão vai ter consequências políticas porque, enquanto os Estados Unidos estão a tentar gerir o conflito através de vias diplomáticas - porque não têm mais opções militares para apresentar em relação à questão do Irão, já que puseram de lado a possibilidade de uma incursão militar terrestre - Israel persiste na sua tentativa de conquistar território. Quem conhece a geografia do Médio Oriente sabe a importância que o Líbano tem para a percepção da ameaça em Israel e, portanto, para o regime de Netanyahu o controlo dos 'proxies' do Irão é muito importante. Para o Irão, o controlo dos seus 'proxies', que são braços armados fora do seu próprio território, também é muito importante. Aquilo que nós temos aqui são três ‘players', dois dos quais estão em posições cada vez mais divergentes, o que está claramente a complicar a solução para o conflito. Solução essa que Donald Trump está a desejar que aconteça para a sua própria sobrevivência política interna. Nós sabemos aquilo que aconteceu na semana passada no Congresso, quando os próprios senadores republicanos já mostram grandes dissensões em relação à presença militar dos Estados Unidos no Irão.” Até que ponto é que a retoma dos ataques directos entre Israel e o Irão vai afectar as negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irão? Elas estão definitivamente comprometidas? “Eu penso que sim, porque enquanto os Estados Unidos não conseguirem retomar o seu controlo sobre as actividades de Israel - e isso não parece fácil, dado que neste momento existe até uma própria desconfiança sobre eventuais actividades subversivas de Israel em território norte- americano - enquanto isso não acontecer, nós não teremos condições para haver uma negociação séria porque não há vontade de Israel de encetar uma negociação com o Irão. E o Irão também ainda não está num ponto de tal fragilidade que precise necessariamente de entrar em negociações, quer com os Estados Unidos, quer com Israel porque o Irão percebeu que controla algo fundamental, que é a percepção da ameaça sobre o estreito de Ormuz e sobre a percepção da ameaça sobre o eventual desenvolvimento de uma crise económica com base no controlo do estreito de Ormuz. Isso dá-lhe uma vantagem estratégica e faz com que esta vontade negocial destas duas partes, Israel e Irão, seja praticamente inexistente. Nenhum deles tem, neste momento, interesse em negociar. Quem tem mais interesse em negociar? Quem está a entrar naquilo a que se chama um ‘break-even point' são os Estados Unidos. Mas os Estados Unidos não têm controlo sobre os objectivos estratégicos de Israel, nem em relação ao Irão, nem em relação aos 'proxies' do Irão. E neste sentido, neste jogo, nem Israel nem o Irão têm neste momento qualquer tipo de incentivo externo para bloquearem o conflito ou para pararem as hostilidades, enveredarem por um verdadeiro cessar-fogo e começarem a negociar. E se não há vontade de negociar, se não há propensão para a negociação, é difícil que haja um acordo negocial sério ou duradouro.” Como é que vê o envolvimento dos hutis do Iémen nesta nova escalada? “Como disse há pouco, os os 'proxies' do Irão são fundamentais no seu esforço de guerra no contexto do Médio Oriente. E, portanto, quer o Hamas, quer o Hezbollah, quer os hutis, são formas de o Irão perpetuar a guerra na sua geografia próxima e de enfrentar os seus inimigos através de braços armados. Também perante a relativa aliança dos Estados Unidos com os restantes países do mundo árabe, é uma forma de demonstrar que o Irão, no seu esforço de guerra, não está isolado perante a força da superpotência que são os Estados Unidos e da grande potência regional que é Israel. É preciso olharmos para a geografia do Médio Oriente, para a sua geografia política, quer para a sua geografia religiosa, quer para a sua geografia energética, e perceber que, se os Estados Unidos foram ao longo de décadas construindo uma rede de alianças muito com base em incentivos económicos com o Qatar, a Arábia Saudita, o Irão também ao longo dos últimos 50 anos, foi construindo um regime de alianças com forças subversivas, com actores erráticos que agora utiliza no seu esforço de guerra. Portanto, é compreensível que estas forças, ainda que esporadicamente, venham ao encontro das necessidades de guerra definidas pelo próprio regime iraniano.” Nesse sentido, como é que vê os próximos tempos? O que será necessário para restaurar um cessar-fogo credível? “Eu penso que países como a Jordânia, a Arábia Saudita têm neste quadro um papel fundamental porque são países cuja economia depende absolutamente daquilo a que se chama a paz comercial ou a paz pelo comércio, dos fluxos de energia regulares, os fluxos de pessoas, nomeadamente fluxos turísticos, do comércio. A estes países do Médio Oriente este conflito não é de todo interessante e têm aqui uma palavra fundamental. Eu penso que isso foi bem lido por Donald Trump quando, no seu primeiro mandato, desenvolveu a lógica que está por trás dos acordos de Abraão. Estes países têm um papel fundamental na estabilização do Médio Oriente e mais do que o Paquistão, que se assumiu já como um potencial mediador, é a estes países que os Estados Unidos devem recorrer no sentido de criar uma base política estratégica pacífica no Médio Oriente.” Isso demoraria algum tempo, mas tendo em conta que temos as eleições intercalares em Novembro nos Estados Unidos, a curto prazo vamos ter o fim do conflito? “Penso que não. A não ser que algo mudasse em Israel que levasse a uma mudança fundamental de orientação estratégica, mas isso não está a acontecer. Aliás, o regime de direita radical de Netanyahu está a agir como os regimes populistas de direita extremista normalmente agem, ou seja, com um grande potencial para a expansão geográfica, com uma grande propensão para a escalada de conflitos, uma total desvinculação de instituições internacionais e uma muito fraca necessidade de contribuírem para bens públicos globais. Estes quatro traços de política externa são em parte partilhados pelos Estados Unidos. Simplesmente nos Estados Unidos, neste momento, Donald Trump não tem muita margem de manobra para continuar a suportar Israel, nomeadamente no que toca à propensão para a escalada do conflito com o Irão. E é isso que, a meu ver, está a complicar e a complexificar qualquer tipo de processo negocial em relação à guerra entre os Estados Unidos e Israel e o Irão.”
Mais de 2 mil alunos em Cabo Verde realizaram no final de Maio provas de leitura, matemática e compreensão para uma avaliação global do programa PISA, padrão de aprendizagem dos países da OCDE. Conclusões devem ser conhecidas no final de Junho. Até ao final de Maio, cerca de 2200 alunos cabo-verdianos de 44 escolas que frequentam o 9º e o 10º ano de escolaridade foram avaliados nos chamados testes PISA, ou Programma for International Student Assessment, que mede os nivéis de aprendizagens dos alunos nos países da OCDE e que, entretanto, se tornou um padrão internacional de referência. Estes testes servem não para dar notas individuais, mas sim para avaliar as competências em geral num determinado país dos alunos a nível da leitura, matemática e resolução de situações do dia a dia. Em África, só Marrocos faz estas avaliações e entra nos rankings da OCDE. Em Cabo Verde, após mudanças curriculares e uma preocupação crescente com as aprendizagens feitas alunos desde a entrada na escola primária, o país quer através destes testes identificar os pontos fortes, as fragilidades e áreas prioritárias de melhoria no ensino. Segundo Adriano Moreno, director nacional da Educação de Cabo Verde, esta avaliação deve servir para continuar a formar os professores, ajudar os alunos e, sobretudo, verificar se há ajustes a fazer nos programas escolares. "Nós queremos sobretudo melhorar a aprendizagem e o bem estar dos alunos, porque esta avaliação permite comparar o desempenho dos alunos com padrões globais, nomeadamente os países da OCDE. E nós temos estado a fazer uma reforma educativa profunda precisamente visando essa aproximação e realizar a avaliação PISA permite que façamos um diagnóstico do sistema educativo e trabalhar na melhoria contínua do mesmo", explicou Adriano Moreno em entrevista à RFI. Os resultados dos testes PISA em Cabo Verde devem ser conhecidos entre o final de Junho e o início de Julho. Para o director nacional da Educação de Cabo Verde o diagnóstico que vier destas avaliações não devem nem causar "euforia" se forem bons, nem depressão se forem maus", mas sim contribuir para melhor o percurso escolar do alunos cabo-verdianos. "Nós estamos a trabalhar com professores e a comunidade em geral, e estamos a avisar que não devemos nem ficar eufóricos nem entrar em depressão com os resultados. Nós não temos como finalidade, para já criar rankings de escolas ou entrar em rankings em termos internacional, queremos é fazer o diagnóstico, trabalhar sobre as evidências e ir melhorar continuamente o sistema educativo", concluiu.
Un deprimido dueño de una muebleria encuentra una extraña dimensión en su tienda. La va a explorar, pero puede salir de ahí? Este Sábado hablamos de Backrooms. Encontra este y mucho más contenido todos los sábados a las 13hs por www.fm913.com.ar o en Spotify
Neste episódio, exploramos três filmes do realizador alemão Werner Herzog: “Aguirre, a cólera de Deus” (1972), “Fitzcarraldo” (1982) e “Cobra Verde” (1987). Estes três filmes de Werner Herzog formam uma espécie de trilogia informal sobre a obsessão humana, a ambição desmedida e o confronto entre o indivíduo e forças que o transcendem, sempre com a selva como paisagem de fundo e com Klaus Kinski no papel principal. Mais episódios em universosparalelos.net.
Professor Doutor Celso Lemos cirurgião dentista especializado em estomatologia professor associado da Faculdade de Odontologia da USPDr Alexandre Bezerra dos Santos médico cirurgião de cabeça e pescoço doutor pelo HCFMUSPO quanto cancer mais comum em homens no Brasil é o câncer de boca. São estimados mais de 15500 casos novos por ano. A mortalidade está diminuindo, porém em casos avançados, tem mortalidade de 50%. Infelizmente em torno da metade dos casos que chegam para tratamento estão em estado avançado o que compromete muito a sobrevida. Na maioria das vezes esse cancer é facilmente diagnosticado por ser na cavidade oral: ao sinal de alguma alteração na boca por 15 dias como aftas, o dentista ou o médico deve ser procurado. Importante ressaltar que quando a afta ou úlcera passa a ser dolorosa o cancer ja esta avançado e profundo. Existem lesões potencialmente neoplasicas que podem ser detectadas pelo dentista e nesse momento o paciente deve ser encaminhado para tratamento. O tabagismo e o etilismo são as maiores causas de cancer de boca e língua. O Brasil tem um gráfico descendente de tabagistas por politicas de prevenção. O cigarro sem filtro, de palha, aumenta a ingestão de substâncias tóxicas e aumento da temperatura da boca causando micro lesões pelo calor, potencializando o aparecimento do cancer. O Narguilé equivale a fumar 3 maços de cigarro durante uma cessão comunitária de fumo. Os VAPs podem causar lesões na boca, porém não se sabe se elas estão associadas com cancer. O álcool é considerado um carcinógeno completo e o cancer de boca esta associado ao consumo excessivo. Não há dose segura, porém, quanto maior a ingesta maior a chance de desenvolver o cancer. Importante ressaltar que associação de cigarro com álcool potencializa o aparecimento do cancer de boca. Outro fator causador do cancer de boca é o v'rus HPV. Alguns subtipos do HPV são ontogônicos que causam cancer de boca e colo de útero. As lesões esbranquiças de boca como o papiloma não são ontogônicas e uma vez tratada o paciente esta curado. Ao redor de 70% dos canceres de orofaringe não aparentes estão associados ao HPV. Eles causam verrugas especialmente nas amígdalas e base da língua onde o vírus se desenvolve. Este cancer acomete pacientes mais jovens, classe média alta com múltiplos parceiros sexuais; nessa população o HPV é a principal causa de cancer na orofaringe. Geralmente é um tumor muito agressivo, se espalha rápido, porém responde melhor aos tratamentos de quimioterapia e radioterapia. O tumor causado pelo HPV pode ser prevenido por vacina; a população vacinada atualmente é de 8 a 12 anos de idade para prevenção. Em tese, pessoas de todas idades devem ser vacinadas. O sexo protegido também é uma forma importante de prevenção. A família deve ser conscientizada para vacinação porque muitos pais acham que uma vez vacinada a criança ganha liberdade sexual. O cancer de lábio é causado principalmente pela luz solar. Em países tropicais onde as pessoas podem ficar muitas horas expostas a luz solar deve-se prestar atenção no exame bucal. Outro fator cancerigeno é a higiene oral inadequada o precária. As doenças bucais crônicas podem estar associadas à doenças sistêmicas. O desenvolvimento de bactérias deve ser evitado através da remoção do filme dental duas a tres vezes ao dia pela escovação e fio dental. O sangramento gengival esta associado ao acúmulo de filme dental por higiene inadequada. A boca das pessoas, especialmente aqui no Brasil, tem traumas repetitivos por dentes quebrados, raízes residuais e próteses mal adaptadas. Com a introdução do flúor a saúde bucal melhorou muito a saúde das crianças com redução das caries. As próteses bucais tem que ser revistas com frequência para ajuste e evitar o trauma bucal. Os hábitos alimentares também causam lesões bucais com excesso de carboidratos, ultraprocessados,, etc. Estes são mais fatores associados do que causais para cancer de boca.
Gentry Estes Joins The Show to Talk NBA Finals, & Predators New GM Chris MacFarlandSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Fizeste um crédito e estás com medo de falhar a prestação? Quer seja um crédito pessoal, um crédito automóvel ou um cartão de crédito, há alguns passos que deves seguir, mesmo que ainda não tenhas falhado nenhum pagamento. Neste episódio do “Fica a dica”, explicamos-te quais são.
Charlie Kirk Trial: Media Coverage, Public Trials, and Constitutional RightsFrom the Salem witch trials to those classic moments in To Kill a Mockingbird, and right on through to modern high-profile cases like the O.J. Simpson and Lindbergh trials, we've always loved a good courtroom drama. But as our technology has evolved, so have the questions: Should cameras or reporters have a place in the courtroom? And what rights are really at stake here?The Kirk Case Up CloseLately, a lot of us have been focused on the Charlie Kirk murder trial. I take a look at how the defense tried to keep cameras out, arguing that it would be prejudicial to their client. But the judge ultimately ruled against them—the cameras are staying, and the public gets to watch 02:18. That leads to the bigger question: What does the law really say about this?Media vs. Defendant: Whose Right Is It?Here's the real crux: The Sixth Amendment does guarantee a right to a speedy and public trial, but the Supreme Court has made it clear—that's the defendant's right, not the media's 02:47. So, while the public can attend, courts retain the power to keep cameras out. In fact, federal courts still ban cameras completely 02:59. Sometimes you'll get a sketch artist or special permission for audio, but that's it 03:16.The Legal LandmarksI walked through a couple of important cases. Back in Estes v. Texas (1965), the Supreme Court worried about cameras subtly influencing the courtroom process 04:00. Later, in Chandler v. Florida (1981), the Court refused to install an automatic ban on cameras, but said they could be excluded if there was a specific, articulable prejudice 04:55. In other words, you've got to explain exactly how it would hurt your case—not just say it might.Why Open Trials MatterWhat's the point of all this? I strongly believe public trials are a vital check against government abuse. As I said in the episode, “Our system loves sunshine” 06:40. When the public keeps an eye on the process, it's a lot tougher for things to go wrong in secret. That's not to say the system is perfect—but it's a lot better with the spotlight on it 06:56.Submit your questions to www.lawyertalkpodcast.com.Recorded at Channel 511.Stephen E. Palmer, Esq. has been practicing criminal defense almost exclusively since 1995. He has represented people in federal, state, and local courts in Ohio and elsewhere.Though he focuses on all areas of criminal defense, he particularly enjoys complex cases in state and federal courts.He has unique experience handling and assembling top defense teams of attorneys and experts in cases involving allegations of child abuse (false sexual allegations, false physical abuse allegations), complex scientific cases involving allegations of DUI and vehicular homicide cases with blood alcohol tests, and any other criminal cases that demand jury trial experience.Steve has unique experience handling numerous high publicity cases that have garnered national attention.For more information about Steve and his law firm, visit Palmer Legal Defense. Copyright 2026 Stephen E. Palmer - Attorney At LawMentioned in this episode:Circle 270 Media Podcast ConsultantsCircle 270 Media® is a podcast consulting firm based in Columbus, Ohio, specializing in helping businesses develop, launch, and optimize podcasts as part of their marketing strategy. The firm emphasizes the importance of storytelling through podcasting to differentiate businesses and engage with their audiences effectively. www.circle270media.com
Tres figuras de primer nivel internacional visitaron la Argentina: Lady Di, Albert Einstein y (el más grande) don Ramón Valdez. Este Sábado te contamos los pormenores de sus visitas en el siglo XX. Encontra este y mucho más contenido todos los sábados a las 13hs por www.fm913.com.ar o en Spotify
flireceras dobde Dios te envíes
Esta semana, no Vulneravelmente Falando, recebemos a nutricionista Inês Soares para uma conversa sem filtros sobre aquilo que o nosso intestino nos tenta dizer todos os dias e muitas vezes ignoramos!Falámos sobre obesidade, obstipação, diarreia, intolerâncias alimentares, probióticos, alimentação moderna e a ligação surpreendente entre o intestino, o cérebro e a saúde mental! Ao longo do episódio, desmistificámos algumas das maiores crenças da nutrição, falámos sobre dietas da internet, detoxes, glúten, leite, e porque é que aquilo que resulta para uma pessoa pode não resultar para outra. Uma conversa prática, acessível e cheia de ferramentas para quem quer compreender melhor o seu corpo e melhorar a sua saúde através da alimentação. Se tens problemas digestivos, te sentes constantemente sem energia ou simplesmente queres perceber melhor como funciona o teu organismo, este episódio é para ti
26.05.31 | Rev. Tyler Estes | A look at End Times
Apresentado na Washington Brazilian SDA Church, em 31 de janeiro de 2016, este episódio é a introdução para o Workshop "Mais Com Menos" (episódios #463-#469).Estes episódios também estão disponíveis no meu canal no YouTube (em Portugues). Veja a playlist aqui: https://youtube.com/playlist?list=PLfb3h6tdb8Xx9cKIrNp7vIioV9kzkw1Dy&si=1BZfp3XAmVjYANCq “Mais com menos” é uma frase que remete a um estilo de vida que busca a simplicidade e a eficiência, evitando o desperdício. “Mais com menos” representa um princípio-mestre que, quando respeitado, alinha diversos aspectos da vida para que o resultado seja mais vantajoso e eficiente. “Mais com menos” está, de certa forma, relacionado com aquela afirmação de Jesus de que... (Mateus 16:25)A mentalidade “Mais com menos” pode beneficiar praticamente todas as áreas da vida, incluindo o corpo, as emoções, os relacionamentos (com o próximo e com Deus) e as finanças. Quem adota o estilo “Mais com Menos” enxerga a tremenda vantagem de nunca utilizar todos os recursos que parecem estar disponíveis. Escolhe viver com menos porque entende que este princípio de vida é vantajoso. Sabe que vai ter “Mais com Menos.”Livro divulgado: "Embaixadores do Reino"https://downloads.adventistas.org/pt/mordomia-crista/livros/livro-embaixadores-do-reino/Alguns exemplos:Informação visualAmizades: Provérbios 25:17 ARAComida? Comer apenas duas refeições por dia é um investimento na saúde e na longevidade. A Bíblia diz, em Provérbios 23:1-2 ARA Eclesiastes 10:16-17 NVTEspecialmente no caso de alimentação, fazemos muito “Mais com Menos.” Vivemos melhor, com mais saúde, e por mais tempo.E no casamento? Quando, por causa de Deus, você deixa todas as outras e fica só com sua esposa, alguém pode pensar que você tem menos alegrias e prazeres do que os outros. Mas essa é uma das condições para que ela seja como videira frutífera, que você se alegre profundamente com a mulher da sua mocidade e que você se embriague em todo o tempo com suas carícias (Prov 5:18-19). Nesse caso, você também faz “Mais com Menos.” Quando, por causa de Deus, você levanta mais cedo (culto pessoal e familiar), não deveria ficar mais cansado? Afinal, você aparentemente dorme menos! Mas Jesus passava muitas noites orando e trabalhava todo o dia seguinte. Sua provisão de energia se mantinha porque não vinha do travesseiro, mas de cima, do Pai. E para nós não é diferente. Ele diz, ... Isaías 40:31. Um pouquinho menos de travesseiro pode significar muito mais na vida!!Na criação de filhos...Na guarda do sábado... (Isaias 58; Isaías 58:13-14 NVT)Na vida financeiraGen 1-3 - Deut 8WORKSHOP “MAIS COM MENOS.”SpotifyYouTube (português)Livro “Embaixadores do Reino - Camila RussoSão 4 ações que obedecem ao princípio “Mais com menos”Vou começar de trás para diante. Formando um FUNDO DE RESERVA. Como? (PLANEJAMENTO, QUEM É MEU SENHOR e APRENDENDO A CONFIAR)Não programar ter fundo de reservas é planejar ter dívidas. Imprevistos sempre acontecem, Precisa estar disposto a negar o “eu” a viver com MENOS. (Menos é Mais)Talvez comer fora menos, menos viagem… ou menos viagem com seu próprio bolso…Vai que ao você adotar os princípios corretos Deus começa a as abrir portas do “Mais com Menos”???Mais adiar a satisfação de desejos, domínio próprio, adoção de prioridades corretas. Planejamento… (workshop)O que você faz assim que ganha? Seu foco é no que gastar, ou no como economizar?A ordem das ações é extremamente importante:Trabalhar GanharDevolver a Deus (dízimos e ofertas)Ajudar aos pobresPouparInvestirGastarA inversão desta equação leva ao fracasso certo. Fracasso por causa do desprezo ao princípio do “Mais com Menos.”POBRES (O Caminho da Benção)Este workshop apresenta uma perspectiva bíblica de como compartilhar daquilo que Deus colocou em sua mão. Provérbios 19:17 ARAWorkshop “O Caminho da Benção”A PARTE DO SENHORProvérbios 3:9-10 ARAMalaquias 3:8-10 NVT
Chris Carmichael is one of four Democratic candidates for Kansas' 4th congressional district.
En los '80 en Inglaterra los VHS con películas de terror de bajo presupuesto desataron la ira de la población llevando al gobierno a ejecutar la censura de películas. Este Sábado hablamos del fenómeno de los video nasties. Encontra este y mucho más contenido todos los sábados a las 13hs por www.fm913.com.ar o en Spotify
The Botanical Garden of the Ozarks will be hosting the 18th Annual Chefs in the Garden next Tuesday, and we hear all about it from Executive Director Ashley Wardlow and Director of Sales & Events, Nina Estes. We'll hear about who will benefit from the night, we'll hear about some of the chefs and restaurants that will be there and what folks will be voting on. That's in this Special Edition of the Flavors of Northwest Arkansas podcast!
Healthcare today can feel overwhelming—not just for patients, but for the teams caring for them. After a major illness or injury, recovery isn't handled by one doctor alone; it often involves a whole network of specialists, from physical therapists to nurses to social workers, all trying to help someone regain their independence and quality of life. Even with all the advances in modern medicine, one question still lingers: how do you get everyone working together in a way that truly feels seamless?So what happens when a physician approaches medicine not just as a science, but as a performance? What can healthcare learn from the way musicians interpret, adapt, and lead in real time?Welcome to I Don't Care. In the latest episode, host Dr. Kevin Stevenson sits down with Dr. Kevin Estes, a Physical Medicine and Rehabilitation (PM&R) physician whose career spans both the concert hall and the clinic. Together, they explore how Estes' background in orchestral conducting and classical music informs his unique approach to patient care, team leadership, and medical decision-making.Key takeaways from the conversation…PM&R physicians as “conductors”: How these specialists lead and coordinate complex, multidisciplinary care teams—bringing together physical therapy, nursing, and medical specialists to deliver unified, patient-centered treatment across every stage of recovery.Creativity and flexibility in care: Why the ability to adapt, interpret, and think beyond rigid protocols is essential not only in music performance, but also in navigating unpredictable patient outcomes and personalized rehabilitation plans.An unconventional career path: The journey from Juilliard-trained musician to physician—and how that unique background shapes a more holistic, creative, and empathetic clinical perspective in modern medicine.Dr. Kevin Estes is a board-certified Physical Medicine and Rehabilitation physician specializing in post-acute care and traumatic brain injury rehabilitation. Before entering medicine in his early 40s, he built a successful career as a professional musician and conductor, earning a master's degree from the prestigious Juilliard School. His work included serving as music director at a prominent New York City church and collaborating with elite musicians in one of the world's most competitive artistic environments. Today, he brings that same discipline, creativity, and leadership into his medical practice, helping patients rebuild function and meaning after life-altering conditions.
What does it look like to build an entire pet care business around cats? Maria Estes, founder of All About Cats Pet Sitting in Tallahassee, Florida, shares how a side gig started for income and joy grew into a thriving cat-specific business with over 900 clients. She explains why specialization matters, how feline behavior and medical needs have shaped her services, and why trust and communication are central to client peace of mind. Maria also talks about learning to let go, building a team, and finding the right people through rescue work, clients, and community relationships. Her story is a reminder that going deep into one niche can create stronger care, clearer boundaries, and a more meaningful business. Main topics: Building cat-specific services Trust through client communication Medical and behavioral care Growing beyond solo sitting Finding joy through specialization Main takeaway: "It's okay to be specialized in one area." Maria Estes built All About Cats Pet Sitting around a clear focus: cats. Not every pet care business has to serve every pet, every client, or every possible need. Sometimes the strength of a business comes from knowing exactly who you serve and committing to serving them well. Specialization allows us to deepen our education, improve our communication, and provide care that truly fits the animal in front of us. For Maria, that means cat-specific care rooted in trust, behavior knowledge, and peace of mind for the people who love them. About out guest: Maria Estes is the founder of All About Cats Pet Sitting in Tallahassee, Florida. She launched the business in 2010 with an exclusive focus on cat care after a 20-year career as an ultrasonographer specializing in high-risk pregnancies. Maria is a Certified Professional Pet Sitter and is also certified in cat training and bereavement support. Through her work, she focuses on specialized feline care, client trust, medical needs, behavior awareness, and helping cat guardians feel confident while they are away. Links: Her website: allaboutcatspetsitting.com Find her on Facebook: https://www.facebook.com/allaboutcatspetsitting/ Pet Nanny Coach: https://petnannycoach.com/ Check out our Starter Packs See all of our discounts!
Gentry Estes from The Tennessean hops on the show to discuss the latest on the Titans and Nashville sports. We get more into the latest on college sports postseason expansion and how that might look. We transition back to the Titans and some of their offseason marketing strategy. We head the phones. Joe has the Rex Rant to close the hour.
In this episode of the Fitness + Technology Podcast, Bryan O'Rourke sits down with Tracey Spain Estes, Senior Account Manager at LG Electronics. Tracey brings more than 20 years of experience in the health, wellness, and fitness industry, with a proven track record in strategic account leadership and sales performance. Her background includes leadership roles with Life Fitness and the YMCA, where she developed deep expertise in strategic development, sales operations, marketing strategy, and fitness training. With a strong focus on technology in the fitness industry, Tracey joins Bryan to explore the evolving role of screens in creating immersive fitness experiences and what this shift means for operators, members, and the future of connected fitness. Checkout FITC's 2026 Digital Pulse Report: https://www.amazon.com/dp/B0GTV2QT18 One Powerful Quote: 18:14: "Digital technology if designed properly and placed appropriately supports, emphasizes, and encourages that experience with the human." 4-10 Bullet Points (w/ timestamps) - Highlighting key topics discussed: 2:23: Bryan invites Tracey to share her professional background. 5:13: Tracey discusses LG Electronics as a consumer brand with a growing B2B vertical focus. 6:29: Tracey highlights what has surprised her most about the fitness industry. 8:08: Tracey addresses common pain points related to in-club screen displays and physical environments. 10:38: Tracey expands on screen applications beyond personalization. 13:54: Tracey shares her perspective on the future of immersive, in-club experiences. 19:07: Tracey offers advice for club owners on enhancing the member experience. 21:59: Tracey reflects on key learnings from other industry sectors. Bullet List of Resources: https://www.lg.com/us/ Guest Contact Information: https://www.linkedin.com/in/tracey-spain-estes-b031b018/ https://x.com/TSpainEstes https://www.bryankorourke.com/ https://www.linkedin.com/in/bryankorourke/ http://www.fittechcouncil.org/ https://www.youtube.com/user/bko61163
In the first hour, DVD discuss the viral video of Malik Willis awful first pitch. Derrick Mason explained how the Titans WR can create more separation this season. The Tennessean Gentry Estes joined DVD to discuss some of the articles he wrote about the Titans coaches will do this season and more
Este hombre fue contratado por los mejores clubes internacionales para competir en las ligas más prestigiosas. ¿El problema? No era futbolista. Este Sábado Matias te cuenta la historia de Carlos Káiser y como se las apaño para mantener una farsa durante años. Encontra este y mucho más contenido todos los sábados a las 13hs por www.fm913.com.ar o en Spotify
26.05.03 | Rev. Tyler Estes | Matthew 7: 7-12
Xyla Foxlin is a mechatronics engineer, a pilot, and creator who developed a high-power rocketry kit designed for Level 1 & 2 certification flights, has her own signature line of Estes rocket kits coming out, builds everything from campers to boats, and the most important project, of course, is the Pietenpol she is building from raw lumber based on the original 1929 blueprints. While that aircraft is under construction, she keeps airborne in her 1946 Cessna 140. Foxlin has also emerged as a national voice for pilot mental health. After losing her FAA medical for seeking therapy, she led a campaign challenging regulations that deter aviators from seeking medical care. Following the release of her video "The FAA is in Crisis”, over 3,300 messages to 442 legislators were delivered. The Mental Health in Aviation Act was introduced in the House in April, with expected Senate introduction soon Save up to 5% on Your AVEMCO Aircraft Insurance when you mention "SocialFlight"!“SocialFlight Live!” is a live broadcast dedicated to supporting General Aviation pilots and enthusiasts during these challenging times. Register at SocialFlightLive.com to join the live broadcast every Tuesday evening at 8pm ET (be sure to join early because attendance is limited for the live broadcasts).SocialFlight Partners: Avemco Insurance www.avemco.com/socialflight Aspen Avionics www.aspenavionics.com Avidyne www.avidyne.com Continental Aerospace Technologies www.continental.aero EarthX Batteries www.earthxbatteries.com Hartzell Engine Technology www.hartzell.aero Hartzell Propellers https://hartzellprop.com/ Lightspeed Aviation www.lightspeedaviation.com Michelin Aircraft https://aircraft.michelin.com/ Phillips 66 Lubricants https://phillips66lubricants.com/industries/aviation/ Tempest Aero www.tempestaero.com Trio Avionics www.trioavionics.com uAvionix www.uavionix.com Wipaire www.wipaire.com
S6E5 What Retailers Must Know About Prompt Injection, Rogue Bots & AI Agent Security Before It's Too LateYour AI shopping agent just drained your bank account. It's not a glitch — that's the objective it was given. Welcome to the new reality of agentic commerce, where autonomous AI agents shop, transact, and negotiate on behalf of consumers and brands — and where cybercriminals are already waiting to exploit every crack in the system.In this must-listen episode of The Retail Razor Show, hosts Ricardo Belmar and Casey Golden sit down with Dr. Aaron Estes, VP of Product & Engineering at Binary Defense, to unpack the retail cybersecurity crisis that most retailers haven't even started preparing for. With half of all internet traffic already coming from bots and 1 in 8 AI-related breaches now involving a rogue agent, the agentic commerce era is creating attack surfaces we've never seen before.Dr. Estes brings 20+ years of hands-on cybersecurity expertise, including penetration testing at Lockheed Martin and advisory work with leading retailers. He breaks down exactly how AI agents differ from traditional e-commerce threats, why prompt injection attacks are the new frontier of retail cybersecurity, and what practical guardrails every retailer needs to put in place right now.What You'll Learn in This Episode:Why AI agents are fundamentally different from human users — and why they'll "very confidently spend all your money" to hit their objectiveHow prompt injection attacks trick AI agents into leaking sensitive dataWhy every AI agent needs its own identity, login, and role-based access controls — just like an employeeThe "bots watching bots" architecture that's becoming the new standard in agentic commerce securityHow AI shopping bots are already exploiting loyalty programs, gift cards, and rewards systemsWhy retailers must rethink retail cybersecurity assumptions as autonomous shoppers replace human onesHow to identify rogue chatbots and fraudulent AI agents impersonating legitimate brandsWhat "human-in-the-loop" oversight really means — and where it's non-negotiable in agentic commerceThis Episode is Brought to You By RetailClub.Join 2,000 retail leaders at RetailClub AI Festival, September 22–24 in Huntington Beach. Dive deep into how AI is reshaping retail while soaking up the sun at a fully outdoor, beachside venue. Decision-makers from retailers and brands can attend with free tickets and up to $1,250 in travel reimbursement. Head to retailclub.com to learn more. https://retailclub.com/retail-razor-podcastSubscribe & FollowIf you enjoyed this episode, please leave us a 5‑star rating and review on Apple Podcasts, Spotify, or Goodpods. Subscribe on YouTube so you never miss an episode and check out the other shows in the Retail Razor Podcast Network: Retail Transformers, Blade to Greatness, and Data Blades.Subscribe to the Retail Razor Podcast Network: https://retailrazor.com/Subscribe to our Newsletter: https://retailrazor.substack.comSubscribe to our YouTube channel: https://go.retailrazor.com/utubeAbout our GuestDr. Aaron Estes. https://www.linkedin.com/in/aaronestes777/email: aaron.estes@binarydefense.comBinary Defense. https://binarydefense.com/Dr. Aaron Estes is the VP of Product & Engineering at Binary Defense, a 24/7 cybersecurity watchtower specializing in cyber threat intelligence, dark web monitoring, digital channel fraud, and breach response. He holds a doctorate in software engineering with a concentration in cybersecurity, teaches at UC Berkeley and Southern Methodist University, and previously spent ~15 years in penetration testing at Lockheed Martin across defense, energy, retail, and entertainment sectors.Chapters00:00 Teaser 00:49 Show Intro 07:26 Welcome Dr Aaron Estes! 09:31 Why Security Matters 14:00 New Attack Surface 17:57 AI Identity and Access 22:09 Adoption Speed and Oversight 26:51 Bots Watching Bots 31:34 Orchestrators and Rival Bots 34:06 Bots Gaming Rewards 37:13 AI Shoppers Rise 38:29 Ads Inside Agents 44:08 Rogue Bots And Trust 48:09 Risk Versus Reward 50:48 Kill Switch Reality 52:55 Ecommerce Lessons Repeat 54:26 Closing Thanks And Contact 56:21 Show CloseMeet your hostsHelping you cut through the clutter in retail & retail tech:Ricardo Belmar is an NRF Top Retail Voice for 2025 and a RETHINK Retail Top Retail Expert from 2021 – 2026. Thinkers 360 has named him a Top 10 Thought Leader in Retail, a Top 25 Thought Leader in AGI and Careers, a Top 50 Thought Leader in Agentic AIand Management, and a Top 100 Thought Leader in Digital Transformation and Transformation. Thinkers 360 also named him a Top Digital Voice for 2024 and 2025. He is an advisory council member at George Mason University's Center for Retail Transformationand the Retail Cloud Alliance. He was most recently the partner marketing leader for retail & consumer goods in the Americas at Microsoft.Casey Golden, is the North America Leader for Retail & Consumer Goods at CI&T, and CEO of Luxlock. She is a RETHINK Retail Top Retail Expert from 2023 - 2026, and Retail Cloud Alliance advisory council member. After a career on the fashion and supply chain technology side of the business, Casey is obsessed with the customer relationship between the brand and the consumer and is slaying franken-stacks and building retail tech! MusicIncludes music provided by imunobeats.com, featuring Overclocked, and E-Motive from the album Beat Hype, written by Heston Mimms, published by Imuno.
Imagine se você pudesse retirar somente 5 alimentos da sua rotina e ver mais resultados de saúde e emagrecimento nisso do que perder os cabelos tentando fazer a melhor dieta do mundo ou o programa de exercícios mais avançado do universo... Pois bem, neste vídeo vou te contar quais são estes 5 alimentos safados e já te adianto que nem todos “ruins”, digamos assim, mas podem sim estar freando suas tentativas de enxugar... Aliás, eu aposto que você vai se chocar quando ouvir o QUARTO alimento e vai pensar, RODRIGOOOO, você está dizendo isso mesmo??
The Washington Stand's Casey Harper reports on America Reads the Bible, outlines the Capitol Hill agenda this week, and offers an update on the U.S.- Iran talks in Pakistan. Ron Estes, U.S. Representative for Kansas's 4th District, reflects on the
Gentry Estes from The Tennessean hops on the show to talk the latest on the Titans and NFL Draft. What are the chances the Titans trade out of the 4th overall pick at this point? Sounds like we are talking a lot about non-premium positions. We get into the latest college basketball portal news as the Vols continue to add some pieces. Joe has the Rex Rant to close out the hour.
In this message, Mark Estes challenges believers to move beyond surfacelevel faith and into a deeper, more authentic relationship with God. He emphasizes that true transformation doesn't come from external behavior or religious routines, but from an inward change of heart. When our hearts are aligned with God, our lives naturally begin to reflect His character. Pastor Mark highlights the importance of surrender and trust, reminding us that growth often requires letting go of control and allowing God to lead. Too often, we try to manage outcomes or rely on our own understanding, but real faith is built when we trust God even when the path isn't clear. It's in that surrender that God shapes our character and strengthens our faith. Ultimately, the message calls us to live with intentionality and obedience. Faith isn't passive—it requires action, consistency, and a willingness to follow God daily. When we commit to that process, we begin to see lasting change, not just in our own lives, but in the way we impact others around us.
The Buck Reising Show Hr 3 - Mendoza Skipping the Draft, Gentry Estes on NFL, Vandy & Vols, Preds NSC and moreSee omnystudio.com/listener for privacy information.
In this episode, I sit down with Jonathan Estes, assistant coach at Weatherford College, one of the top junior college baseball programs in the country. Jonathan grew up in a town of 648 people in Arkansas, graduated in a class of 50, and worked his way through multiple small college stops before joining Weatherford this year. We dig into:How he structures batting practice to challenge hittersWhat he's looking for when he shows up to watch a high school playerHow fine the line really is between a junior college freshman and a Division I freshman. The sliding scale for pitching recruitsWhy making a JUCO roster isn't the same as playingWhat usually separates guys who succeed after transferring to a D1 from guys who struggleWe wrap up with the most important advice he'd give any high school player going through the recruiting process right now: Love the game.Follow Jonathan Estes and Weatherford baseball on X:Jonathan Estes: @estesthethirdWeatherford baseball: @WCoyoteBaseballConnect with Patrick Jones Baseball:On X: @pjonesbaseball