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Os avanços da ciência transformaram o tratamento dos cânceres hematológicos,ampliando as possibilidades terapêuticas e contribuindo para o aumento da sobrevida depacientes com doenças como o mieloma múltiplo. Ainda assim, diagnóstico, recaídas,acesso ao tratamento e qualidade de vida permanecem entre os desafios da jornada.¹ ⁴Neste episódio do podcast Notícia no Seu Tempo, a jornalista Carla Fiorio conversacom os hematologistas Walter Moisés Tobias Braga, médico responsável peloAmbulatório de Mieloma Múltiplo da Universidade Federal de São Paulo (SP 114081);e Deise Almeida (SP 149683), médica e diretora médica de Oncologia e Hematologia daGSK Brasil, sobre mieloma múltiplo e mielofibrose, duas doenças que fazem parte douniverso da onco-hematologia. A conversa aborda os avanços da medicina, asnecessidades que ainda não foram atendidas e as perspectivas para o futuro do cuidado. Este episódio é uma produção do Estadão Blue Studio com patrocínio da GSK.Referências para o texto de apresentação: 1. Nooka AK, Kastritis E, Dimopoulos MA. Treatment options for relapsed andrefractory multiple myeloma. Blood. 2015;125(20).2. Hungria V, et al. Emerging Real-World Treatment Patterns and ClinicalOutcomes of Multiple Myeloma in Argentina and Brazil: Insights from theTOTEMM Study in the Private Healthcare Sector. Curr Oncol. 2026;33:16.3. Eisfeld C, et al. Time trends in survival and causes of death in multiple myeloma.BMC Cancer. 2023.4. IQVIA Institute. Global Oncology Trends 2025.Referências para o episódio: 1. Nooka AK, Kastritis E, Dimopoulos MA. Treatment options for relapsed andrefractory multiple myeloma. Blood. 2015;125(20). REF-480872. CA: A Cancer Journal for Clinicians. Vol. 70. 2020. p. 7–30. REF-724913. Kazandjian D. Multiple myeloma epidemiology and survival: A uniquemalignancy. Semin Oncol. 2016;43(6):676–81. REF-2960414. Hungria, V.; Maiolino, A.; Pessoa de Magalhães, R.J., Filho; Pitombeira deLacerda, M.; Remaggi, G.; Scibona, P.; Seehaus, C.; Brulc, E.; Savoy, N.; Fantl,D.; et al. Emerging Real-World Treatment Patterns and Clinical Outcomes ofMultiple Myeloma in Argentina and Brazil: Insights from the TOTEMM Studyin the Private Healthcare Sector. Curr. Oncol. 2026, 33, 16.https://doi.org/10.3390/curroncol33010016. REF-316596 5. Khoury JD, Solary E, Abla O, Akkari Y, Alaggio R, Apperley JF, et al. The 5thedition of the World Health Organization Classification of HaematolymphoidTumours: Myeloid and Histiocytic/Dendritic Neoplasms. Leukemia.2022;36:1703–1719. doi:10.1038/s41375-022-01613-1 REF-2279396. Eisfeld C. et al. Time trends in survival and causes of death in multiplemyeloma. BMC Cancer. 2023. REF-3161117. IQVIA Institute. Global Oncology Trends 2025. REF-3191028. Observatório de Oncologia. Panorama do Mieloma Múltiplo no SUS [acesso emjul2026]. https://observatoriodeoncologia.com.br/estudos/cancer-de-sangue/mieloma-multiplo/2024/panorama-do-mieloma-multiplo/ REF-2963359. International Myeloma Foundation Latin America. Mieloma múltiplo: segundotipo de câncer sanguíneo mais frequente no mundo [Internet]. São Paulo: IMFLA; 2022 jun 07 [acesso em jul2026]. https://myeloma.org.br/mieloma-multiplo-segundo-tipo-de-cancer-sanguineo-mais-frequente-no-mundo/. REF-26981910. Kumar SK et al. Multiple Myeloma. Nature Reviews Disease Primers. 2017.REF-1817111. Yu B et al. BCMA-targeted immunotherapy for multiple myeloma. Journal ofHematology & Oncology. 2020. REF-10177912. Wang R et al. Antibody–Drug Conjugates (ADCs): current and futurebiopharmaceuticals. Journal of Hematology & Oncology. 2025. REF-28457113. Scherber RM, Mesa RA. Management of challenging myelofibrosis after JAKinhibitor failure. Blood Reviews. 2020. REF-16832614. Nicolosi M et al. 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The clinical journey ofbelantamab mafodotin in relapsed or refractory multiple myeloma: lessons indrug development. Blood Cancer J. 15, 15 (2025).https://doi.org/10.1038/s41408-025-01212-0. REF-24715320. ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. Cellular and molecularimmunology. 10. ed. Philadelphia: Elsevier, 2022. REF-30571621. BIRGEGARD, G. et al. Inflammatory functional iron deficiency common inmyelofibrosis, contributes to anaemia and impairs quality of life. EuropeanJournal of Haematology, 2019; 102:235–240. REF-32205922. Al Noumani I; Expert Opinion on Pharmacotherapy; 2026; 27(8), 657–668.REF-331446 Material dirigido ao público geral. Por favor, consulte o seu médico. NP-BR-MMU-WCNT-260004/SETEMBRO DE 2026See omnystudio.com/listener for privacy information.
O avanço acelerado da inteligência artificial colocou a regulamentação da tecnologia no centro das discussões entre governos, empresas e organismos internacionais. Estados Unidos e China disputam a liderança no desenvolvimento de sistemas cada vez mais avançados, enquanto cresce o debate sobre quem deve estabelecer limites para o uso da IA e como criar regras capazes de acompanhar a velocidade dessa evolução.A disputa das duas potências, além da dificuldade de estabelecer regras comuns levantam dúvidas sobre como controlar uma tecnologia que avança rapidamente e ultrapassa fronteiras. Quais usos devem ser limitados? Quem deve definir essas regras: governos, empresas ou organismos internacionais? E como equilibrar inovação e segurança diante da competição por domínio tecnológico?No episódio desta semana, o Direto ao Ponto conversa com o professor da USP e coordenador do Observatório da Inovação do Instituto de Estudos Avançados, Glauco Arbix, e com o professor da Escola Politécnica da PUCRS e coordenador do Centro de Inteligência Artificial e Ciência de Dados, Dalvan Jair Griebler, para entender os desafios da regulamentação da IA e os impactos da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.
Uma pesquisa nacional recente revelou a percepção do eleitor brasileiro este ano para os temas relacionados com a agenda climática e ambiental. A sondagem foi encomendada pelo Observatório do Clima, rede com mais de 130 organizações da sociedade civil que buscam soluções para o enfrentamento ao aquecimento global. Os resultados apontam que as pessoas já percebem as mudanças, entendem que ainda há tempo para evitar seus piores impactos e esperam ações do governo. Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, conversou com o jornalista Cesar Mendes sobre o tema. Acompanhe.
O ambiente digital dedicado às apostas online passou a integrar o cotidiano de uma parcela crescente da população brasileira. Para compreender melhor o perfil dos apostadores capixabas, a Fecomércio-ES lançou nesta quarta-feira, 30/9, um estudo sobre os impactos sociais, econômicos e de saúde mental do uso excessivo dessas plataformas no Estado. O estudo foi realizado pelo Observatório de Pesquisa da Fecomércio-ES Connect criado por meio uma parceria da federação com a FAESA Centro Universitário, Senac, Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI), a Fapes (Fundação de Amparo à Pesquisa e à Inovação) e a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti-ES), conforme explica o coordenador do Connect, André Spalenza.
O que um exilado brasileiro em Paris nos anos 1970 e um apoiador de Bolsonaro em Orlando têm em comum? Para Teresa Cristina Schneider Marques (PUCRS), pós-doutoranda na UERJ com apoio da Faperj, ambos ajudam a entender por que o exílio deixou de significar isolamento e passou a ser estratégia política. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema-Direita, David Magalhães (UFU / OED) e Guilherme Casarões (FIU / OED) recebem Teresa para discutir a transnacionalização do bolsonarismo, tema de sua pesquisa de campo recente na Flórida e de trabalhos como “Migrantes internacionais na extrema direita e as frentes de transnacionalização do bolsonarismo nos EUA”. A conversa percorre o voto da diáspora brasileira nos Estados Unidos, o papel das igrejas e das organizações de migrantes, a ofensiva de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo junto ao governo Trump e os limites de um ativismo que pode sair pela culatra. No boletim de notícias, David Magalhães analisa as vitórias da AfD na Saxônia-Anhalt e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a largada da corrida presidencial francesa com Marine Le Pen e Éric Zemmour, o acordo migratório entre Jordan Bardella e Nigel Farage e o improvável encontro entre Steve Bannon e Bernie Sanders, sintoma das fissuras dentro do trumpismo. Na abertura, David apresenta o NETEX, novo núcleo da UFU dedicado ao estudo da transnacionalização e do extremismo. E na dica cultural, o documentário Anatomia do Caos, de Dandara Ferreira, sobre os bastidores da CPI da Covid. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: David Magalhães (UFU / OED), Guilherme Casarões (FIU / OED) e Teresa Cristina Schneider Marques (PUCRS). Inserção musical no final: Interpretação de Sarah Hester Ross de “The Day the Nazi Died” (Chumbawamba, 1993). Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio ANDERSON, Benedict. The Spectre of Comparisons: Nationalism, Southeast Asia and the World. London: Verso, 1998. FERREIRA, Dandara (dir.). Anatomia do Caos. Brasil, 2026. Documentário. MARQUES, Teresa Cristina Schneider. Migrantes internacionais na extrema direita e as frentes de transnacionalização do bolsonarismo nos EUA. Washington Brazil Office, 8 out. 2024. https://www.braziloffice.org/pt/artigos/migrantes-internacionais-na-extrema-direita-e-as-frentes-de-transnacionalizao-do-bolsonarismo-nos-eua MUDDE, Cas. The Far Right Today. Cambridge: Polity, 2019. Mencionado em entrevista. RAMOS, Paola. Defectors: The Rise of the Latino Far Right and What It Means for America. New York: Pantheon, 2024. ROLLEMBERG, Denise. Exílio: entre raízes e radares. Rio de Janeiro: Record, 1999. Mencionado em entrevista. SZNAJDER, Mario; RONIGER, Luis. The Politics of Exile in Latin America. Cambridge: Cambridge University Press, 2009. TARROW, Sidney. The New Transnational Activism. Cambridge: Cambridge University Press, 2005. TILLY, Charles; TARROW, Sidney. Contentious Politics. Boulder: Paradigm, 2007. Mencionado em entrevista. Capítulos: 00:00 — Introdução e apresentação do NETEX 03:40 — Do exílio na ditadura ao internacionalismo reacionário 27:40 — Por que a diáspora brasileira nos EUA vota em Bolsonaro? 36:55 — Flórida, Yes Brasil e as redes do bolsonarismo no exterior 46:50 — Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e os limites do ativismo transnacional 53:50 — Futurologia: as redes transnacionais depois de 2026 01:03:30 — Boletim OED: AfD, Le Pen e Zemmour, Bardella e Farage, Bannon e Sanders 01:16:35 — Dica cultural: Anatomia do Caos The post O exílio como estratégia: as redes transnacionais do bolsonarismo appeared first on Chutando a Escada.
O Observatório Feminino deste domingo (27) fala sobre o caso da estudante de 22 anos, Isabelle Caracristi, encontrada morta em um condomínio em Fortaleza-CE. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do estado e analisa a possibilidade do namorado da vítima, João Munhoz Neto, ter induzido a jovem a tirar a própria vida. Ele foi preso preventivamente na última terça-feira (22). Ainda neste episódio, as apresentadoras e convidadas falaram sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que igualou os direitos de mães biológicas e adotivas em relação à licença-maternidade, independentemente do vínculo profissional. Pela decisão, todas as mães terão direito a 120 dias de afastamento remunerado, prorrogáveis por mais 60 dias, sejam trabalhadoras da iniciativa privada ou servidoras públicas.Neste episódio participam as advogadas Isabella Pedersoli, que atua na área criminalista e é especialista em violência contra a mulher, e Juliana Günther, que também atua na área e é especializada em violências domésticas. O podcast Observatório Feminino vai ao ar todos os domingos, às 8h30, na Rádio Itatiaia. Você também pode ouvir os episódios nas plataformas de áudio, e no Youtube da Rádio de Minas
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Observatório de Violência de Gênero (OBSGênero) e do Centro de Apoio de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (Caop-DH), com apoio da Promotoria de Justiça Cumulativa de Xapuri, realizou, entre os dias 14 e 17 de setembro, ações do Projeto Proteja Mulher no município.
Em vários países, as campanhas do Setembro Dourado conscientizam a população sobre os tumores malignos infantis. Na França, novos programas em hospitais buscam aprimorar tratamentos e melhorar a prevenção de cânceres graves. Taíssa Stivanin, da RFI em Paris Lançada nos Estados Unidos em 2012, a campanha Setembro Dourado contribui para o financiamento de pesquisas sobre cânceres pediátricos. Os avanços científicos permitem atualmente a cura de mais de 80% dos casos de câncer nessa faixa etária, mas o câncer continua sendo a principal causa de morte por doença entre pessoas com mais de um ano de idade, com cerca de 500 óbitos registrados anualmente na França. Essa taxa de cura não é homogênea e depende da gravidade da doença, explicou a chefe do departamento de oncologia infantil do instituto francês Gustave Roussy, Christelle Dufour, durante entrevista coletiva. O hospital, situado em Villejuif, perto de Paris, é o maior centro de combate à doença da Europa e promove a pesquisa aplicada, que permite testar novas moléculas e tratamentos inovadores. Uma das principais missões da equipe, ressalta Christelle, é obter um número cada vez maior de remissões e proporcionar conforto às crianças e aos adolescentes que lutam para superar o câncer. No hospital, a equipe busca oferecer estrutura e condições para que os pacientes possam ter um cotidiano o mais próximo possível do normal, incluindo aulas e outras atividades. Durante o acompanhamento, a prioridade é evitar o aparecimento de um segundo câncer. Para atingir essa meta, o hospital francês tem um programa específico, conhecido como Interception, dedicado à prevenção e ao rastreamento de pacientes que correm maior risco de recidiva. “Este programa também é dedicado a jovens adultos e adultos tratados na infância. Os pacientes passam por um rastreamento de sequelas, e os profissionais avaliam a implementação de eventuais tratamentos”, declara. Opções terapêuticas As opções terapêuticas, observa, também são mais diversificadas quando é possível integrar ao tratamento as pesquisas conduzidas por cientistas dentro do próprio hospital. Muitos pacientes podem participar de ensaios clínicos e ter acesso a moléculas inovadoras. Um exemplo é o programa BIOMEDE, dedicado a crianças com um tipo de tumor maligno do tronco cerebral, que hoje se beneficiam de um tratamento capaz de aumentar a sobrevida. “Há alguns anos, quando recebíamos essas crianças em consulta, o prognóstico era muito ruim, com uma taxa de sobrevida de cerca de um ano. Hoje, isso mudou porque conhecemos melhor essa patologia. Graças a esse programa, passamos a conseguir realizar biópsias”, explica. “O tronco cerebral é uma estrutura inacessível para cirurgia, e a realização de uma biópsia era, até então, delicada. Ela permite confirmar o diagnóstico, identificar biologias distintas e, consequentemente, podemos propor tratamentos diferenciados. Em particular, foi possível validar um tratamento chamado everolimo associado à radioterapia, que permite a alguns pacientes ter uma sobrevida muito mais longa.” Novos programas O financiamento obtido durante as campanhas Setembro Dourado também permitiu o desenvolvimento do Observatório Nacional das Síndromes de Predisposição aos Cânceres Pediátricos. O setor é coordenado pelo Gustave Roussy, pelo Instituto Curie, em Paris, e pelo Hospital Universitário de Rouen, três referências internacionais no tratamento da doença. Reunindo mais de 20 centros e laboratórios de oncologia pediátrica na França, o observatório coleta e analisa dados clínicos e genéticos de crianças portadoras de predisposição hereditária ao câncer. O objetivo é compreender melhor essas doenças raras, aprimorar o aconselhamento genético às famílias e desenvolver estratégias de monitoramento e prevenção mais adequadas. O perfil molecular dos tumores malignos em cada paciente também é uma prioridade no manejo da doença. “Os tumores de crianças e adolescentes não são os mesmos que os dos adultos. A biologia não é a mesma. Hoje, uma biópsia é feita no momento do diagnóstico ou, sobretudo, na recidiva. É possível obter o diagnóstico. Pode ser um meduloblastoma, um neuroblastoma ou um tumor de Ewing”, diz a oncologista. “Para tentar entender a biologia do tumor daquele paciente e encontrar alvos terapêuticos, é preciso ir um pouco mais longe. Uma vez identificados esses alvos terapêuticos, se houver um medicamento direcionado a essa anomalia disponível, podemos propor esse novo tratamento ao paciente.” Imunoterapia Em relação à imunoterapia, que revolucionou o tratamento de alguns tumores malignos em adultos, o uso em crianças ainda é limitado. Mas o hospital francês busca expandir essa opção em ensaios clínicos. Em 2020, um estudo coordenado pela médica Véronique Minard-Colin, especialista em cânceres pediátricos, mostrou que a adição do rituximabe à quimioterapia aumentava as chances de cura de crianças e adolescentes com linfomas B avançados. A doença se desenvolve nos linfócitos B, células do sistema imunológico responsáveis por produzir anticorpos e ajudar o organismo a combater infecções. Os resultados, publicados no New England Journal of Medicine, levaram à adoção de um novo padrão internacional de tratamento.
As eleições de 2026 no Brasil ocorrem em um ano marcado por enchentes e ciclones no sul e sudeste do país, enquanto o risco de uma nova seca extrema ameaça o norte. No mundo, recordes sem precedentes de temperaturas foram registradas no hemisfério norte e os desastres climáticos, como as enchentes no Nepal e no Tibete, dão mais uma amostra da desregulação do clima. Mesmo assim, a pauta ambiental desapareceu da campanha eleitoral, a poucas semanas do encontro dos eleitores brasileiros com as urnas. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O vazio é reflexo dos próprios programas de governo apresentados pelos candidatos. Dos seis principais nomes, apenas o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (coligação da esquerda liderada pelo PT), traz uma proposta à altura do desafio climático. Para os demais cinco aspirantes a presidente – Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema –, a questão é colocada de forma vaga, sem detalhes sobre aspectos importantes como a redução de emissões de gases de efeito estufa. A campanha eleitoral ocorre em meio à maior crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), que monopoliza as atenções da imprensa no país. Mas isso não significa que o eleitor brasileiro menospreze a importância do combate às mudanças climáticas. Pesquisas acadêmicas já demonstraram que os fenômenos extremos influenciam o voto. “Eu acho que o que está faltando para aumentar a convicção do voto ‘verde' é esse candidato que incorporou a questão colocar a discussão no cotidiano das pessoas. As chuvas, os eventos extremos, etc., fazem parte do nosso cotidiano das pessoas e isso tem que estar na boca dos candidatos a presidente do Brasil”, pontua Leila da Costa Ferreira, professora de sociologia ambiental da Unicamp. "Quando se fala disso, fica uma coisa que parece estratosférica, parece que é em outro planeta. Não é: é aqui no seu quintal, na sua cidade e no seu estado, no seu país – e é global”, afirma. Eleitor se importa com a crise climática Um levantamento realizado pelo instituto Ipsos a pedido do Observatório do Clima – rede de quase 200 organizações socioambientais – acaba de mostrar que 91% dos brasileiros consideram “importante” que os candidatos façam propostas para enfrentar as mudanças climáticas; para 62%, essa é uma questão “muito importante”. “Com todas as crises políticas que nós tivemos, e também as atuais, houve um desvio da preocupação do eleitor em relação a essa questão. Só que esse desvio é péssimo, porque essa discussão é política, é social e tem a ver com as questões da nossa vivência contemporânea”, frisa Ferreira. O Observatório do Clima passou um pente fino nos programas de governo dos principais candidatos e na atuação parlamentar dos que já exerceram no Legislativo. O resultado é que não apenas a pauta ambiental é quase inexistente, como a maioria dos presidenciáveis trabalha no sentido contrário, de negar ou rejeitar a importância do assunto. “Eu acho que a explicação para isso é que a maioria das candidaturas são ligadas ao campo da direita ou da extrema direita. Você tem muitos candidatos que acham que a crise climática, o furacão, a seca, a enchente, é uma questão ideológica, que eles podem negar e que, ao negar, não vai acontecer”, sublinha o secretário-executivo do OC, Márcio Astrini. “Quando o presidente da República vira as costas para a realidade, ele não trata do assunto. Ele não toma medidas para proteger a população, que fica totalmente entregue às circunstâncias.” Risco para o meio ambiente e a Amazônia O principal opositor de Lula no pleito, o senador Flávio Bolsonaro, nem mesmo reconhece a existência de uma crise do clima, e menciona sete propostas “antiambientais”, como ampliar a infraestrutura de petróleo e liberar a controversa técnica do fracking para a extração do óleo. Em sua participação na série de entrevistas com os candidatos no Jornal Nacional, da TV Globo, o filho do ex-presidente minimizou a ação humana como causadora dos “eventos climáticos extremos”, como preferiu se referir às mudanças do clima. Entretanto, a pesquisa Ipsos revelou que 87% dos eleitores concordam que a crise climática está provocando secas, chuvas intensas e ondas de calor. Para 79%, o tema deve ser uma prioridade do próximo governo, “mesmo que implique custos econômicos”. A narrativa de Flávio Bolsonaro antecipa um eventual governo focado em desregulamentações ambientais para facilitar atividades como agricultura, pecuária e mineração – muitas vezes em detrimento do meio ambiente e das populações locais. “Não me surpreenderia se ele seguisse os passos do pai e que o Brasil amanhã se veja fora do Acordo de Paris, virando as costas para qualquer agenda de clima”, diz Astrini. “É extremamente preocupante: refazer o que o Bolsonaro exercitou durante o seu período presidencial é a gente decretar que nós vamos, por exemplo, empurrar a Amazônia para uma situação de colapso.” Compromissos internacionais e papel do Congresso O próximo presidente terá o desafio de manter os compromissos internacionais assumidos pelo país, a começar pelo Acordo de Paris. Caberá ao futuro mandatário assegurar o corte de 1,2 bilhão de toneladas de CO2 equivalente e o fim do desmatamento ilegal em todos os biomas até 2030, além de restaurar ao menos 12 milhões de hectares de vegetação nativa. Para esses e outros objetivos essenciais para que o país proteja a população, a biodiversidade e os ecossistemas, a nova configuração do Congresso também será decisiva. "Não existe nenhum outro grupo de pessoas no Brasil hoje que trabalhe de forma tão intensa contra o meio ambiente do que o Congresso brasileiro. É dia e noite retrocessos sendo votados lá”, ressalta Astrini.
Foram mais de três mil os vistos permanentes para trabalho qualificado no Reino Unido, concedidos a portugueses nos últimos cinco anos, depois do Brexit. Estudo do Observatório da Emigração.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Durante a pré-campanha eleitoral, pelo menos 413 conteúdos de teor político foram criados com IA, 80% deles envolvendo deepfakes e 63% sem qualquer sinalização sobre o uso da tecnologia. Esses são os principais resultados do relatório IA na pré-eleição: Principais achados e tendências, do Observatório IA nas Eleições, um projeto conduzido em parceria pela Data Privacy Brasil e Aláfia Lab.Para discutir o relatório em detalhes, neste episódio entrevistamos Ethel Rudnitzki, jornalista do Aláfia Lab e uma das responsáveis pelo relatório. Na conversa, Ethel fala sobre quem são os autores e os principais alvos dos conteúdos gerados por IA, os problemas encontrados e como estes números indicam tendências para o papel da inteligência artificial nas eleições de 2026.***Acesse aqui o relatório IA na pré-eleição e o site do Observatório IA nas Eleições.No episódio 205 do Dadocracia nós discutimos o relatório anterior do Observatório, “Ei chat: em quem eu voto?”. Ouça aqui a partir do minuto 41.
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Centro de Atendimento à Vítima (CAV) e do Observatório de Gênero (OBSGênero), participou da 1ª Feira da Diversidade, realizada nos dias 11, 12 e 13 de setembro, na praça do Palácio Rio Branco.
Em parceria com o Observatório Rússia-América Latina (Ruslat), Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat) recebe Leonardo César Souza Ramos (PUC Minas), fundador do Grupo de Pesquisa sobre Potências Médias, e Jarbas Souto Dufour (PUC Minas/Ruslat) para discutir o conceito de desordem internacional e suas implicações para a Rússia, a América Latina e o Brasil. A conversa passa pela trajetória histórica russa entre integração e ruptura com a ordem liberal ocidental, pelos dilemas de uma política externa brasileira mais autônoma diante da pressão dos Estados Unidos sobre a região e pelas tensões entre multipolaridade e dependência que marcam hoje a aproximação entre Rússia e China. No boletim mensal, Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento (PUC Minas/Ruslat) recupera os principais acontecimentos de agosto de 2026 envolvendo a Rússia, da escalada de ataques em profundidade contra a Ucrânia às tensões marítimas com a Europa, passando pela relação ambígua com Washington e pelos bastidores da cúpula da Organização para Cooperação de Xangai. Para encerrar, no quadro Outros Olhares, Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) conversa com os dois Leonardos sobre punk rock e heavy metal como formas de contestação política, da crise do capitalismo dos anos 1970 ao metal soviético e às disputas contemporâneas em torno da guerra na Ucrânia. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat), Leonardo César Souza Ramos (PUC Minas), Jarbas Souto Dufour (PUC Minas/Ruslat), Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) e Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento (PUC Minas/Ruslat). Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio HAZLE, Dawn. “Delusions of Grandeur? Producing Authentic Metal Music in the Soviet Union”. In: VALIJÄRVI, Riitta-Liisa; DOESBERG, Charlotte; DIGIOIA, Amanda (Orgs.). Multilingual Metal Music: Sociocultural, Linguistic and Literary Perspectives on Heavy Metal Lyrics. Bingley: Emerald Publishing, 2020. DOI. ARIA. Entrevista concedida por Vladimir Kholstinin. Abaddon Magazine. Disponível em: https://www.abaddon-magazine.com/interviews/interview-aria/. RATOS DE PORÃO. Necropolítica. São Paulo: Shinigami Records, 2022. MUQUETA NA OREIA. Brasileiros. 2021. A playlist de metal russo citada no episódio está disponível aqui. Capítulos: 00:00 — Introdução 03:00 — O conceito de desordem na ordem internacional 06:00 — A trajetória da Rússia entre integração e ruptura com o Ocidente 12:00 — América Latina e Brasil diante da desordem global 15:00 — Rússia, multipolaridade e dependência em relação à China 20:00 — Boletim Ruslat: Rússia em agosto de 2026 29:00 — Outros Olhares: punk, metal e contestação política The post Do Kremlin aos Trópicos: uma cartografia da desordem global appeared first on Chutando a Escada.
O Observatório Feminino desta semana debate sobre o baixo desempenho da educação brasileira. Na última terça-feira (8) foram divulgados os resultados Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) referente ao ano de 2025, e o Brasil se encontra com desempenho abaixo da média de países desenvolvidos. O teste é realizado a cada três anos, e avalia conhecimentos de estudantes na faixa de 15 anos de idade em Matemática, Leitura e Ciências.Os resultados se mantivera, estáveis em relação a 2022. O Brasil continua no grupo abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nas três disciplinas.Foram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Já a média de 23 países da OCDE ficou em 466 em leitura, 469 em matemática e 486 em ciências. Cada 20 pontos equivalem a um ano escolar. Em matemática, por exemplo, o Brasil está com cerca de 4,6 anos de atraso em relação aos membros da OCDE.Ainda no episódio, o podcast fala sobre o aumento no número de pessoas que vivem sozinhas no Brasil. Segundo dados Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a proporção de brasileiros que moram sozinhos saltou 52% no intervalo de 12 anos. No ano de 2012, 12,2% dos domicílios eram habitados por apenas uma pessoa, já em 2024, esse número passou a ser de 18,6%.Participam do episódio a Defensora Pública e Especialista em Direito Penal, Silvana Lobo. Além da professora, escritora e palestrante, Flávia Rita.O podcast Observatório Feminino vai ao ar todos os domingos, às 8h30, na Rádio Itatiaia. Você também pode ouvir os episódios nas plataformas de áudio, e no Youtube da Rádio de Minas
Debate da Super Manhã: A bicicleta avança pelas ruas como uma alternativa econômica, sustentável e cada vez mais presente na mobilidade urbana. Mas, para quem pedala todos os dias, o caminho nem sempre é seguro. A disputa por espaço nas vias, a falta de infraestrutura e o desrespeito às regras de trânsito são alguns dos problemas que impactam diretamente o ato de pedalar. No debate desta quinta-feira (10), a comunicadora Natalia Ribeiro conversa com os convidados sobre o uso diário da bicicleta nas vias, os perigos enfrentados pelos ciclistas no trânsito, os riscos e sinistros envolvendo quem pedala e os desafios da mobilidade sobre duas rodas. Participam o consultor em Mobilidade Urbana, presidente do Instituto de Trânsito e Mobilidade Sustentável (ITMS), e observador do Observatório Nacional de Segurança Viária, Ivan Cunha; a coordenadora da Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo), Anne Paes Leme; e o ciclista e diretor do evento 2° Bike Fest Recife, Gilberto Lopes.
turma, estamos de volta, cheio de novidades, com notícias vindas diretamente de bogotá, na colômbia, pré-venda da formação de 2027 e uma reflexão longa sobre as sutilezas da personalidade dos planejadores financeiros! a lista de espera da formação: meavisa.nossa.cco observatório: observatoriocc.orgsó dar o play!
Dono das segundas maiores reservas mundiais de minerais críticos, o Brasil acaba de aprovar no Congresso um projeto de lei que cria a política nacional de desenvolvimento do setor. O potencial da exploração desses recursos, cobiçados por potências como os Estados Unidos e a Europa, é estimado em centenas de bilhões de reais. Entretanto, o país ainda tem lacunas importantes a superar para se tornar uma liderança global. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O projeto de lei, que seguiu para sanção presidencial, visa liberar investimentos de longo prazo, de até R$ 7 bilhões em incentivos governamentais e contribuições privadas para impulsionar projetos de exploração dessas riquezas. "Sem dúvida, o projeto é um avanço, principalmente porque o Brasil finalmente começa a tratar minerais críticos como uma política de Estado. Agora, quando nós estamos falando de futuro, precisamos discutir se os instrumentos criados por ele serão suficientes para mudar a nossa posição na cadeia de produção, ou apenas ampliar a nossa capacidade de produzir”, pondera Jaques Paes, executivo da indústria minerária, pesquisador e professor em MBAs de Sustentabilidade e Estratégia na Fundação Getúlio Vargas (FGV). "A partir do momento em que nós fornecemos o recurso, o retorno de curto prazo pode reduzir o incentivo para construir um retorno industrial de longo prazo." Uma vez adotada a lei, virá a etapa crucial da regulamentação, com o detalhamento de prioridades, procedimentos e controles da atuação das empresas. Um dos principais objetivos é desenvolver a cadeia de refino no próprio Brasil, na esperança de romper com a dinâmica histórica de o país ser apenas exportador de matérias-primas. Avançar no processamento e industrialização "É aí que eu acho que o Brasil tem que mirar. Ele tem que ter como alvo a industrialização e usar a etapa de processamento para ir ganhando espaço no mercado internacional, e conhecimento para chegar na parte de industrialização”, ressalta Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ Transição Energética. "Temos um parque incipiente, mas temos as condições de absorção de um parque mais complexo." O projeto de lei (PL) enquadra a atuação de empresas ou governos estrangeiros no país e cria um conselho, controlado pelo Estado, para homologar mudanças no controle societário de empresas do setor – o que pode acabar sendo um freio para os investidores, à mercê das mudanças no Planalto. A segurança jurídica é crucial para atrair os investimentos que a cadeia carece. O escopo do texto é amplo, ao incluir não apenas terras raras e os minerais críticos, com baixa disponibilidade no mundo, mas também os minerais estratégicos, importantes particularmente para o Brasil e sua balança comercial, como o minério de ferro. O risco do modelo minério de ferro Hoje, a China é, de longe, a maior potência global em produção e exportação desses elementos, com reservas estimadas em 44 milhões de toneladas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) aponta que o Brasil possui cerca de 23% das terras raras mapeadas no planeta, com 21 milhões de toneladas, concentradas principalmente nos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. No entanto, o país produz menos de 1% do consumo global desses materiais, fundamentais para as indústrias de tecnologia, de defesa e a transição energética. Leia tambémOCDE vê oportunidade para Brasil e América Latina com demanda mundial por terras raras O Brasil, afirma Paes, está "muito distante” de conseguir explorar o potencial que os minerais raros representam. A capacidade instalada de processamento e refino no país é quase nula. "Nós temos um processo muito importante e muito bem avançado na lavra, que é a primeira parte. Só que na mineração, quanto mais distante nós vamos ficando da lavra, maior é o valor agregado que nós temos. Pegue o exemplo do minério de ferro: nós exportamos minério e importamos aço”, salienta o executivo. "Para mim, essa é uma das lacunas que o PL poderia explorar mais: as parcerias públicas e privadas. As empresas que estão aqui no Brasil têm competência para isso, só que elas precisam de uma segurança para fazer”, reitera. PL não direciona para política industrial clara Os dois analistas ouvidos pela RFI avaliam que o projeto de lei falhou ao não determinar as condições para incentivar uma política industrial para o setor, em meio a uma acirrada concorrência internacional. A mineradora americana USA Rare Earth acaba de concluir a aquisição da Serra Verde, a única produtora de terras raras no Brasil, em Minaçu (Goiás). "Na criação do fundo, não se diferenciou o dinheiro que vai para exploração, o que vai para o beneficiamento ou para industrialização. Se isso não for especificado na regulamentação, eventualmente essa alocação de dinheiro vai ficar toda na fase de exploração”, alerta Rosana Santos. A especialista em transição energética ressalta que o contexto eleitoral vivido no Brasil traz riscos à futura regulamentação, que poderá ser concluída só no ano que vem, pelo próximo governo. "A indústria bélica, de alta tecnologia, de chips nos Estados Unidos depende umbilicalmente de acesso a terras raras e minerais críticos. Há um interesse gigante de controlar esses minerais aqui do Brasil”, afirma. "Se você não tiver um governo muito antenado de que não é para entregar tudo, [que] é preciso sentar na mesa de negociação, você pode, de novo, replicar o nosso modelo, de sermos o segundo maior exportador de minério de ferro do mundo para a China.” Sustentabilidade Outro aspecto negligenciado é o da sustentabilidade. Após a aprovação do PL no Senado, organizações como o Observatório do Clima e Greenpeace denunciam a ausência de salvaguardas ambientais para uma atividade que comporta riscos graves de contaminação do meio ambiente e de populações. Também exigem garantias para os municípios e comunidades locais de que os recursos beneficiarão as regiões que abrigam terras raras. Santos explica que as salvaguardas existem, previstas na legislação ambiental e regras de licenciamento. O que faltou é garantir que o Estado, em nível federal ou estadual, aplicará licenciamentos rígidos e efetivará a fiscalização das atividades mineradoras. "Faltou uma linha para deixar muito claro que Brumadinho e Mariana não podem acontecer mais”, diz Santos. O encaminhamento dos recursos dos futuros royalties desses minerais também deveria já estar claro no PL, frisa a diretora-executiva do Instituto E+. “Dinheiro de royalty não é para pagar churrasco, é para preparar a economia do município e a população para o momento em que esses minerais não existirão mais”, observa. Jaques Paes aponta ainda que o aspecto da rastreabilidade da cadeia, embora mencionado no texto, é insuficiente. "Nós poderíamos ter relacionado melhor essa parte. Se o Brasil pretende vender minerais, produtos processados para uma cadeia global, que é cada vez mais exigente, a rastreabilidade pode ser uma vantagem comercial, social e ambiental”, indica.
11 mars 2004. 23-årige Luis Alberto är på väg till jobbet genom Madrid när han missar sitt vanliga pendeltåg och tvingas ta nästa. Vagnen är full av morgontrötta resenärer när ett plötsligt vitt sken fyller tåget. Sedan kommer explosionen. När Luis Alberto vaknar ligger han bland resterna av vagnen och försöker ta sig ut. Men hans tåg är inte det enda som har drabbats. På bara några minuter exploderar bomber på flera pendeltåg runt om i Madrid.Detta är berättelsen om terrordådet i Madrid 2004. Om en vanlig morgon som förvandlades till det dödligaste terrordådet i Spaniens historia.Inläsare: Hilda HenzeResearch och manus: Emmeli Nyblom Faktagranskning: Linn Ek Redaktör: Alex Haeger Producent: Oliver Bergman Exekutiv producent: Victoria RinkousKällor:20minutos. (2014-03-11). “Me llamo Luis Alberto y soy uno de los supervivientes del sangriento atentado del 11-M”. 20minutos. https://www.20minutos.es/noticia/2074049/0/carta/recuerdo-11-m/luis-alberto-ahijado/ Britannica, The Editors of Encyclopaedia Britannica / Ray, M. (2026-04-08). Madrid train bombings of 2004. Encyclopaedia Britannica. https://www.britannica.com/event/Madrid-train-bombings-of-2004 Echagüe, J. V. (2024-03-10). Dos enfermeros hermanados en la zona cero del terrorismo en España. La Razón. https://www.larazon.es/madrid/dos-enfermeros-hermanados-zona-cero-terrorismo-espana_2024031065ed30c7dac83100010971dd.html Eriksson, T., Domingues, M., & Jidling, S. (2004). Terroristattackerna i Madrid 11 mars 2004. Räddningsverket / MSB RIB. (Observatörsrapport) https://rib.msb.se/bib/Search/RenderDocument?url=media/19620.pdf Jiménez Barca, A. (2024-03-10). 11-M: Crónica del día en que Madrid enmudeció. El País. https://elpais.com/espana/2024-03-10/cronica-del-dia-en-que-madrid-enmudecio.html Larrañeta, A. (2014-03-04). Luis Alberto Ahijado: “Los 11 de marzo me gusta salir de Madrid para celebrar que sigo aquí”. 20minutos. https://www.20minutos.es/noticia/2071824/0/testimonios/decimo-aniversario-11-m/luis-alberto-ahijado/ Martín Plaza, A., Pina, J. M., & Díaz, N. (2024-03-07). Memorias del 11M: regreso al peor día de nuestras vidas. RTVE. https://www.rtve.es/noticias/20240306/11m-mapa-especial-regreso-peor-dia-nuestras-vidas/15995328.shtml La Moncloa. (2024-03-06). Grande-Marlaska: “El 11M, la sociedad española volvió a demostrar que no hay terrorismo capaz de doblegarla”. Gobierno de España. https://www.lamoncloa.gob.es/serviciosdeprensa/notasprensa/interior/paginas/2024/060324-marlaska-exposicion-11m.aspx
A violência contra a mulher pode se esconder em atitudes corriqueiras, como no controle do celular, no domínio financeiro ou em sucessivas humilhações, o que muitas vezes impede que a própria vítima a reconheça. Para entender a distância entre a violência vivida na prática e a violência declarada, o Pautas Femininas desta semana, conversa com Maria Tereza Prado, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência, e com Raquel Andrade, coordenadora da Procuradoria da Mulher do Senado. Elas analisam a mais recente pesquisa do DataSenado e explicam como a naturalização das agressões afeta diretamente a busca por ajuda e a criação de políticas públicas. O levantamento, que ouviu mais de 21 mil brasileiras em todos os Estados, revela um cenário preocupante: embora uma em cada três entrevistadas tenha relatado situações concretas de abuso nos últimos doze meses, apenas 4% se declararam espontaneamente como vítimas. O programa também detalha as diferenças regionais desse problema pelo país e os mecanismos de proteção e acolhimento em vigor, reforçando que nomear as diferentes formas de violência, seja ela física, psicológica, moral, patrimonial ou sexual, é o primeiro passo para que toda a sociedade atue na proteção dessas mulheres.
Será que nos sentimos realmente representados pelos políticos que elegemos? Conseguirá a democracia representativa refletir, de forma fidedigna, a diversidade da sociedade? Entre o desencanto com um sistema onde 'os políticos são todos iguais' e a busca de soluções de inovação democrática, a politóloga e a humorista debruçam-se sobre as propostas que têm surgido nas últimas décadas para reforçar a participação cidadã e criar novos espaços de deliberação.Sabe o que são as Assembleias de Cidadãos? Nesta conversa ficamos a saber como funcionam e porque podem produzir resultados mais eficazes e criativos na resolução de problemas. Mas a democracia deliberativa também enfrenta críticas: desde a seleção aleatória dos participantes, que revela falhas, à falta de tempo do cidadão comum para se dedicar à atividade política. Será que o caminho é uma «democracia híbrida», que combine representação, deliberação e democracia direta? E estarão os políticos preparados para partilhar poder com cidadãos comuns e novas instituições?Para saber se a democracia pode ser reinventada, não perca este [IN]Pertinente.Referências úteisElliott, K. J. «Democracy for busy people» (University of Chicago Press, 2023) Landemore, H. «Politics without politicians: The case for citizen rule» (Penguin, 2026). Jacquet, V. (2017) «Explaining non-participation in deliberative mini-publics» (European Journal of Political Research, 56(3), 640–659) Pilet, J.-B., Bol, D., Vittori, D., & Paulis, E. (2023) «Public support for deliberative citizens' assemblies selected through sortition: Evidence from 15 countries» (European Journal of Political Research, 62(3), 873–902) Pilet, J.-B., Bedock, C., Talukder, D., & Rangoni, S. (2024) «Support for deliberative mini-publics among the losers of representative democracy» (British Journal of Political Science, 54(2), 295–312) Ipsos. (2025, 14 de novembro). «The state of democracy 2025: Fake news, lack of accountability, extremism and corruption seen as top threats to democracy across Europe and the US» Renwick, A., Lauderdale, B., Russell, M., & Cleaver, J. (2022). «What kind of democracy do people want? Results of a survey of the UK population» (First Report of the Democracy in the UK after Brexit Project). The Constitution Unit, University College London. European Data Journalism Network. (2024, 1 de março). «The non-voter time bomb»Pordata. (n.d.). «População residente com idade entre 16 e 89 anos: Total e por nível de escolaridade completo mais elevado» (Fundação Francisco Manuel dos Santos. Consultado a 16 de agosto de 2026)Observatório Internacional da Democracia Participativa. (n.d.). «The Ostbelgien model: A long-term Citizens' Council combined with short-term Citizens' Assemblies» (Consultado a 15 de agosto de 2026)BIOSSofia Serra-SilvaCientista política, doutorada em Política Comparada pela Universidade de Lisboa, estuda a forma como as instituições políticas e os cidadãos interagem na nova era digital. Luana do BemHumorista, já lançou o seu primeiro solo de Stand-Up no Youtube: «Crente». Autora do podcast "Contraluz", Luana do Bem faz também parte do painel do programa «Irritações».
Como o monitoramento de quase metade dos brasileiros por câmeras de vigilância tem impactado os índices de criminalidade? Por que tanta gente apoia sistemas como o Smart Sampa, mas pouca gente se sente mais segura? Quais os impactos de ter o rosto confundido com o rosto de um assassino?Ouça essas e outras respostas no episódio 168 de Escafandro.Episódios relacionados30: Polícia para quem?36: Duas vezes cadeia112: Sorria, você está sendo executadoMergulhe mais fundoCidade vigiada, sociedade vigilanteSmart Sampa vigia, mas não protegeEntrevistados do episódioAlcides PeronDoutor em política científica e tecnológica. Professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (FAC-Unicamp), pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) e do Laboratório de Estudos do Setor Público (LESP).Pablo NunesPesquisador em segurança pública, tecnologia e dados abertos. Doutor em ciência Ppolítica pelo IESP/UERJ. Diretor do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), criador do Panóptico e coordenador da Rede de Observatórios da Segurança.Vinicius LopacinskiMestre em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).Ficha técnicaDesign das capas dos aplicativos e do site: Cláudia Furnari.Trilha sonora tema: Paulo Gama.Mixagem de som: Vitor Coroa.Produção e edição de áudio: Matheus Marcolino.Direção, roteiro e apresentação: Tomás Chiaverini.
Quase quatro décadas depois da queda do Muro de Berlim, o que explica a força desproporcional da Alternative für Deutschland (AfD) no leste do país? Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema-Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem dois convidados: Vinícius Bivar (UnB/OED), historiador que estuda a radicalização do partido desde 2013, e Andrea Dip (OED), jornalista investigativa radicada em Berlim e pesquisadora do Research Against Global Authoritarianism, cruzam suas leituras histórica e etnográfica sobre a legenda que hoje lidera as pesquisas eleitorais na Saxônia-Anhalt, com quase o dobro das intenções de voto da CDU. Ao longo da conversa, os convidados discutem se a AfD ainda cabe no rótulo de direita radical populista ou se já opera como extrema-direita propriamente dita, reconstroem os expurgos internos que empurraram o partido mais à direita depois de 2015 e testam a tese do “muro na cabeça”, a persistência de uma divisão simbólica entre Alemanha Oriental e Ocidental que ajuda a explicar o avanço eleitoral do partido. No final, David Magalhães comenta A rebeldia tornou-se de direita?, do argentino Pablo Stefanoni (Editora da Unicamp), ensaio que serve de contraponto teórico direto ao debate sobre a cooptação da rebeldia pela ultradireita. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: David Magalhães, Guilherme Casarões, Vinícius Bivar (UnB/OED) e Andrea Dip (OED) Inserção musical no final: “The Day the Nazi Died”, Chumbawamba (1993) Capa do episódio: The Guardian Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio STEFANONI, Pablo. A rebeldia tornou-se de direita? Como o antiprogressismo e a anticorreção política estão construindo um novo sentido comum (e por que a esquerda deveria levá-los a sério). Campinas: Editora da Unicamp, 2022. Disponível aqui. DIP, Andrea. Em nome de quem?: a bancada evangélica e seu projeto de poder. 1. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. Capítulos: 00:00 — Introdução e apresentação dos convidados 07:00 — Direita radical ou extrema-direita? O enquadramento da AfD 14:00 — De partido ordoliberal a força antiimigração: a radicalização da AfD 26:00 — O “muro na cabeça”: por que a AfD é mais forte no Leste 38:00 — Da imigração ao custo de vida: a mudança no eleitorado da AfD 51:00 — O cordão sanitário contra a AfD ainda resiste? 01:00:00 — AfD, Trump e Rússia: a geopolítica ambígua da ultradireita alemã 01:11:00 — Dica cultural: “A rebeldia tornou-se de direita?” The post Alternativa para quem? A ascensão da AfD na Alemanha appeared first on Chutando a Escada.
O Observatório Feminino deste domingo (30) tem dois temas de destaque: o uso de deepfakes nas eleições e os casos de tráfico humano envolvendo brasileiras.No cenário eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google lançaram uma iniciativa para ajudar na identificação de vídeos produzidos ou modificados por inteligência artificial. A medida busca contribuir para o combate à circulação de conteúdos falsos durante a campanha eleitoral de 2026.O programa também discute o tráfico humano. Uma operação da Polícia Federal investiga uma rede suspeita de levar brasileiras para exploração sexual na França.Outro caso abordado é o da mineira Daniela Marys, vítima de tráfico humano no Camboja. Ela havia se mudado para o país no início de 2025 em busca de emprego e pretendia trabalhar como telemarketing. No entanto, desistiu da vaga depois de descobrir que a oportunidade, na verdade, fazia parte de um esquema de golpes pela internet.Daniela acabou presa depois que os suspeitos teriam forjado um flagrante contra ela, implantando entorpecentes no local onde estava. Ela deve cumprir pena no Camboja até 2027.Participam do programa Carolina Lobo, advogada, integrante da Comissão de Direito Eleitoral do Conselho Federal da OAB e conselheira da OAB/MG, e Isabel Araújo Rodrigues, advogada especialista em Direito das Mulheres e presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da OAB/MG.O podcast Observatório Feminino vai ao ar todos os domingos, às 8h30, na Rádio Itatiaia. Você também pode ouvir os episódios nas plataformas de áudio, e no Youtube da Rádio de Minas.
O Pedro Loyola, Coordenador do Observatório de Crédito e Seguro Rural da FGV Agro, compara o custo da renegociação das dívidas rurais com o orçamento para o Seguro Agrícola. E questiona como será o futuro dos produtores que renegociarem suas dívidas sem um Seguro adequado.
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Observatório de Gênero (OBSGênero), com o apoio da Promotoria Criminal de Sena Madureira, realizou, entre os dias 17 e 21 de agosto, ações do projeto Justiça de Gênero. A iniciativa busca fortalecer a rede de proteção e melhorar as políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher.
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher (Caop-Mulher), da Corregedoria-Geral, do Centro de Atendimento à Vítima (CAV) e do Observatório de Violência de Gênero (OBSGênero), participou, nesta quinta-feira, 20, do Seminário “Diálogos Inter-religiosos em Defesa da Vida e dos Direitos das Mulheres no Acre”, realizado na Secretaria de Estado de Educação (SEE).
Luís Fernandes, presidente do Observatório de Segurança Interna, diz que "não é bem uma violação concreta de protocolos de segurança". Acrescenta que segurança de Luís Neves está sempre salvaguardada.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O caso do Banco Master, maior fraude da história do setor financeiro do país, escancarou o avanço dos interesses privados sobre o Estado brasileiro. A esse quadro, se somam os desvios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) – que atingem, indiretamente, o filho do presidente Lula – e a Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração da economia informal na economia formal. O segundo Durma com Essa da temporada especial sobre as Eleições 2026 explica os casos e discute como eles afetam a disputa pela Presidência em 2026. O episódio conta com a participação de Raquel Pimenta, professora da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas e coordenadora do Núcleo de Direito e Economia Política, e de Carlos Melo, professor de ciência política e coordenador do Observatório da Política do Insper. Apresentação: Marcelo Roubicek e Mariana Vick Roteiro: Marcelo Roubicek Edição de texto: Antonio Mammi Pesquisa: Victoria Rengel Edição de áudio: Brunno Bimbati Produção de arte: Yasmin Menezes Ilustração: Lua Lopes Distribuição: Paulo Cantalice e Pedro Bardini Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Convidado: Felipe Maciel, sócio-fundador e diretor executivo da agência eixos, especializada nos setores de petróleo, gás e energia. No último sábado (15), a Petrobras anunciou a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado a 175 quilômetros da costa do Amapá e a cerca de 2.800 metros de profundidade. A confirmação de que há petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na chamada Margem Equatorial, gerou empolgação imediata – o presidente Lula chegou a chamar a descoberta de "passaporte para o futuro" do país. Mas ainda falta uma longa jornada até que seja confirmada a viabilidade econômica da exploração do petróleo na região. A presidente da estatal, Magda Chambriard, fala em até 7 anos para que o primeiro barril de petróleo seja extraído de águas submarinas. Há perspectivas econômicas otimistas, mas também há riscos ambientais e climáticos: a região é considerada de extrema sensibilidade ambiental e o investimento em combustível fóssil vai na contramão do compromisso do país com a transição energética. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Felipe Maciel, jornalista que acompanha há duas décadas os setores de petróleo, gás e energia. Ele explica como irá se dar a possível exploração, analisa os riscos para a questão ambiental e compara o caso brasileiro com o da Guiana. Participa também do episódio Shigueo Watanabe Jr., especialista em energia do Observatório do Clima e pesquisador do Climainfo.
Debate da Super Manhã: A Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, terá o limite máximo de velocidade reduzido de 60 km/h para 50 km/h. A medida será implementada após a conclusão das obras de requalificação da orla, e a mudança está prevista na lei municipal que institui a Política e o Plano de Mobilidade Urbana do Recife. No debate desta quarta-feira (19), a comunicadora Natália Ribeiro conversa com os convidados sobre o que estabelece a legislação brasileira quando se trata de velocidade no sistema viário das cidades, a relação entre velocidade e mortes no trânsito e a segurança nas ruas, avenidas, estradas e rodovias urbanas para pedestres, ciclistas e motoristas. Participam o especialista em tráfego e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Leonardo Meira, o observador certificado do Observatório Nacional de Segurança Viária, Emanoel Silva, e a doutora em Arquitetura e Urbanismo, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Yara Baiardi.
A França tem vivido um verão inédito, com uma sucessão de cinco ondas de calor que se traduziram por 52 dias com temperaturas próximas ou acima dos 40 graus em praticamente todo o território. Segundo a agência nacional 'Météo-France', 2026 é desde já considerado -de longe- o ano com mais dias de altas temperaturas desde 1947, altura em que se começou a recolher esses dados. Isto traduz-se por uma estiagem generalizada com consequências nomeadamente para a agricultura. Há dias, o governo francês disse que iria anunciar em Setembro um plano de ajuda para os agricultores que foram colocados sob pressão nestas últimas semanas e cujos rendimentos estão a ser afectados. Num âmbito mais geral, o acesso à água potável é mais raro, com o caudal dos rios a baixar. Esta semana, 93 distritos foram submetidos a restrições na utilização da água, sendo que na semana passada, 40 mil pessoas chegaram inclusivamente a conhecer cortes no seu fornecimento. Uma situação perante a qual se torna mais premente a questão do abastecimento em água nas próximas semanas, com todas as consequências que isto acarreta, tanto no sector da agricultura, como no sector dos transportes, da energia ou ainda em termos ambientais. Questões que abordamos com Richard Tavares, consultor de projectos na Agência Europeia de Investigação (REA). RFI: Qual é a principal consequência destas sucessivas ondas de calor aqui em França? Richard Tavares: A consequência principal é sobretudo a retenção da água a nível dos aquíferos e dos dos cursos de água a nível superficial. A ocorrência das diferentes ondas de calor desde Maio afectam sobretudo a retenção da água, que normalmente em período primaveril, era mais acumulada, quer ao nível da superfície, mas também ao nível subterrâneo, nos solos. E estas ondas de calor excepcionais têm provocado sobretudo a evaporação da água a nível do solo. O período da Primavera já é um período, por exemplo, a nível agrícola, em que a actividade é bastante intensa. A remoção das camadas superficiais do solo aumenta ainda a evaporação da água, mas também a nível da vegetação, através da evapotranspiração que recebe um esforço ou um incentivo ainda maior. Ajuda ainda mais a libertar esta água que normalmente é retida. E depois há menos quantidade de água. RFI: E, portanto. Isto tem consequências a vários níveis. O nível mais óbvio é, designadamente a agricultura. É previsível que haja falta de alimento daqui uns tempos, por conta de más colheitas? Richard Tavares: Exactamente, é uma consequência directa destas ondas de calor. Actualmente, por exemplo, já se vê na produção quer dos cereais, quer de fruta e legumes, quer em França, quer noutros países europeus, por exemplo, os países vizinhos, a Bélgica, Itália e Espanha. Tanto a quantidade como o tamanho, por exemplo, da fruta e dos legumes têm reduzido visivelmente. O que tem logo um impacto tanto no consumidor, como no produtor, porque há menos quantidade de produto e o preço vai aumentar. Já existem alguns produtos em que tem havido aumentos, mas nos próximos meses será ainda maior o impacto, quer para o consumidor quer para o produtor, porque viu parte da sua produção reduzir significativamente. RFI: Isto poderá ter também o efeito de encorajar ainda mais os agricultores a usarem químicos na produção agrícola? Richard Tavares: Eu pessoalmente, não diria que existe esse efeito directo do aumento de químicos, porque a própria produção é afectada por falta de água. A introdução de determinados químicos iria afectar a qualidade, por exemplo, do cereal ou das plantas. A produção de químicos poderia ajudar, mas tinha que ser compensada também por um aumento da rega, o que não acredito que a nível de agricultores poderiam ter este aumento, porque a quantidade de água tem reduzido significativamente. RFI: Isto também, como disse, tem efeito sobre a produção de cereais, o que significa que isto também recai sobre o gado. Richard Tavares: Através de dados que recolhi recentemente através do Ministério da Agricultura francês, a quebra dos rendimentos a nível do sector agrícola e alimentar tem sido de 20 a 40%. Já em culturas actuais, quer do milho, girassol, horticultura, o que tem, além do impacto na própria produção industrial, o alimento, por exemplo, para o gado ou para a pecuária. Mas claro que depois a pecuária também será directamente afectada. RFI: Outra das consequências da falta de água tem a ver com o sector do transporte de mercadorias por via fluvial. Como é que estamos nesse aspecto? Richard Tavares: Começa a ser crítico, por exemplo, a nível dos cursos de água normais. O ofício francês da biodiversidade verificou que, a nível, por exemplo, do fluxo de água de rios, cerca de 43% das estações da rede de monitorização detectaram cursos de água já praticamente com seca total. Se isto já acontece nos pequenos rios, nos grandes cursos de água, por exemplo, o Reno, já estão a ser afectados. A nível de França já existe um impacto no transporte de material e de, por exemplo, a mesma a nível de cereais, um impacto directo não apenas para a distribuição, mas também para o contexto de serviços e de produtos que serão vendidos depois, mais tarde, em França. Não sei quais são os valores exactos, mas no transporte internacional, França, Alemanha e os países vizinhos, já existe uma redução drástica, incluindo, por exemplo, a Bélgica. O que implica para as empresas de transportes terem de ver rotas alternativas. A grande maioria é sobretudo o transporte através de camiões, o que tem logo um impacto não apenas económico, mas também na emissão de gases com efeito de estufa. RFI: O facto de baixar o nível dos rios e inclusivamente a água dos rios estar mais quente, faz com que também a produção de electricidade tenha vindo a baixar, dado que houve uma série de reactores que tiveram que suspender as suas actividades devido à falta de água ou outros motivos, como por exemplo -algo surpreendente- a chegada massiva de alforrecas que vinham perturbar a actividade. Richard Tavares: Alguns dos dados mais recentes da EDF e da Autoridade de Segurança Nuclear Francesa, de facto indicaram que três dos reactores já foram afectados. Tendo em conta que em França 70% da produção de electricidade é através de centrais nucleares, há um impacto directo não apenas a nível nacional, mas também a nível internacional. Portanto, o facto de o nível da água baixar ou mesmo a temperatura da água ser bem mais alta do que o normal, impede directamente o funcionamento parcial ou total dos diferentes reactores e da própria central. Existem casos, quer em França, quer noutros países europeus, por exemplo, a Hungria. Existe um impacto directo, o que tem consequências, infelizmente, directamente para o consumidor, no mercado de produção e de venda de electricidade, que é parcialmente pública e privada. O preço da produção de electricidade vai certamente aumentar, mas também a venda de electricidade francesa para os países vizinhos vai ter um impacto. Muitos dos países vizinhos, por exemplo, Espanha, Itália e mesmo Alemanha, compram electricidade francesa, sobretudo para o consumo nas horas de pico, e a redução desta produção tem logo impactos a nível europeu. Esperemos que não haja um 'blackout', como aconteceu em Portugal e em Espanha (em 2025), mas se a situação continuar, teremos que reduzir fortemente o consumo de electricidade. RFI: Relativamente ainda a todas estas consequências da falta de de água, a mais evidente é que há uma parte substancial da França que vê o acesso á água condicionado. Richard Tavares: Exactamente. Por exemplo, basta ver actualmente a plataforma digital do Ministério da Transição Ecológica. Em praticamente todos os distritos metropolitanos estão em alerta. Pelos dados que eu vi, 99 a 67 estão em nível máximo de crise, o que é um reflexo de obrigatoriedade de reduzir drasticamente o consumo de água. Por exemplo, em França, várias dezenas de conselhos já não têm água potável contínua nas torneiras, o que implica sistemas alternativos de distribuição de água ou através de camiões cisterna ou através de água engarrafada, o que é um impacto directo não apenas nas actividades de lazer, que essas serão obrigatoriamente cortadas ou reduzidas ao máximo, por exemplo, piscinas, rega de espaços públicos ou actividades de lazer. Mas há um impacto directo no consumo nas casas das pessoas. O que já é visível em muitas regiões. RFI: Não podíamos também deixar de mencionar o impacto ambiental da falta de água e, sobretudo, quando ela ainda existe, está mais quente. Portanto, isto significa também que há toda uma biodiversidade que fica desequilibrada, senão mesmo destruída. Richard Tavares: Exactamente. Aliando o período de seca com os graves incêndios florestais que tem havido em França e mesmo noutros países europeus, o impacto no ambiente e na biodiversidade local já é visível: o aumento quer da temperatura do ar ou da água. Já se referiu, por exemplo, o surgimento de alforrecas em cursos de água que não era normal, mas o surgimento e o aumento da população de espécies invasivas é cada vez maior a nível europeu. Não tenho dados específicos, mas a percentagem de espécies invasivas nos diferentes ecossistemas tem tido um 'boom' significativo, muito aliado aos eventos de temperatura extrema e pelas alterações climáticas. RFI: Tem alguns exemplos de espécies invasivas que estão agora a chegar massivamente, por exemplo, nos rios franceses ou mesmo no mar? Richard Tavares: Basta ver determinadas espécies de peixes que, por exemplo, as pessoas mantinham em aquários e que libertam acidentalmente ou voluntariamente em cursos de água. O mesmo acontece, por exemplo, com determinadas espécies de tartarugas que, até há uns anos atrás, tartarugas tropicais eram mais consideradas como animais de estimação que estariam em casa e foram libertadas. A nível de cursos de água, a população tem aumentado e há um impacto directo, quer nas populações autóctones que não estavam de todo preparadas para esta concorrência e mesmo outras espécies das quais eles se alimentam. Existem também muitos casos de plantas, quer plantas aquíferas, quer em zonas, por exemplo, de espaços naturais, onde existe um aumento significativo a nível europeu. Existem vários projectos europeus em curso que a nível da comunidade científica estão a investigar este impacto que é cada vez maior. Os resultados dos projectos estão a sair de uma forma contínua, alguns estão em andamento e é importante para o Observatório Europeu da Biodiversidade para tentar combater cada vez mais este tipo de espécies. RFI: Doravante, o verão aqui na Europa e em particular aqui em França, vai ser o 'inferno' que tem sido este ano? Richard Tavares: Infelizmente, a tendência não é muito optimista. O efeito directo das alterações climáticas e do contínuo aumento das emissões de gases com efeito de estufa, infelizmente, a tendência é de haver cada vez mais verões de eventos de temperaturas extremas. A própria temperatura média anual vai aumentar. E, ao contrário, os invernos poderão ter cada vez mais eventos de, por exemplo, temperaturas bastante baixas e de eventos, eu não diria tempestades invernais, mas de temperaturas mais baixas do que o normal. Mas é a tendência, infelizmente, que a comunidade cientifica já tem mostrado, quer através de modelos, quer através da monitorização nestes últimos anos. Mas as autoridades ainda estão muito aquém de tomar acções e decisões neste sentido. RFI: A seu ver, o que é que é preciso fazer, pelo menos aqui em França, para mitigar os efeitos destas mudanças que estão a chegar a um ritmo e com uma intensidade muito maiores do que se estava à espera? Richard Tavares: Eu diria que é sobretudo uma mudança de comportamentos e da forma da sociedade encarar o problema das alterações climáticas. Sobretudo um uso mais sóbrio da electricidade. Porque aumentando a electricidade ao nível em que estamos actualmente, não será apenas as centrais ou energias renováveis que vão conseguir cobrir este aumento. Existem países, por exemplo, como na Alemanha, onde centrais de carvão já tiveram de ser reactivadas, o que aumenta a produção. A mudança, sobretudo de comportamentos, a redução de veículos automóveis térmicos que, apesar das novas medidas da passagem ao eléctrico, ainda estamos a caminho. É uma consciencialização, por exemplo, de redução de ar condicionado a nível das habitações. Claro que as pessoas querem ter o conforto térmico, mas seria importante apostar em formas mais ecológicas e ambientalmente amigas para reduzir a quantidade de emissão de gases com efeito de estufa.
Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório Rússia e América Latina (Ruslat), Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat) recebe Victoria Echeverría de Carvalho (CNI/CICRAL) e Raquel Abuin Siphone (CICRAL) para apresentar os principais achados do Cuaderno Latinoamericano de Cooperación Estratégica con Rusia, lançado em julho pelo Centro de Integração e Cooperação Rússia-América Latina. A conversa mostra como o Brasil trata a relação com Moscou como política de Estado, enquanto a Argentina oscila a cada mudança de governo, e revela uma dependência estrutural de fertilizantes russos que atravessa quase toda a região latino-americana, ao lado de uma dimensão sociohumana marcada pela heterogeneidade entre cultura, educação e esporte. No segundo bloco, Giovana Dias Branco (Ruslat) e Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento (PUC Minas/Ruslat) trazem o boletim de julho e agosto, da visita de Nikolai Patrushev ao Brasil e das propostas de cooperação naval e nuclear até a crise política na Ucrânia após a saída do ministro Mykhailo Fedorov. Para fechar, no quadro Outros Olhares, Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) conversa com Vera Gers Dimitrov (Grupo Volga de Folclore Russo) sobre a alma russa e sua presença na diáspora russa no Brasil. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Filipe Mendonça, Daniela Vieira Secches, Victoria Echeverría de Carvalho, Raquel Abuin Siphone, Giovana Dias Branco, Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento, Laura Schneider de Lima e Vera Gers Dimitrov. Inserção musical no final: interpretação de Sarah Hester Ross. Capa do episódio: Foto: Divulgação/Palácio do Planalto Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio CICRAL – Centro de Integração e Cooperação Rússia-América Latina. Cuaderno Latinoamericano de Cooperación Estratégica con Rusia. 2026. Disponível em: https://cicral.com/cuaderno-latinoamericano/. GOMIDE, Bruno Barretto (org.). Antologia do Pensamento Crítico Russo (1802-1901). São Paulo: Editora 34, 2013. Mencionado em entrevista. GOGOL, Nikolai. Almas Mortas. Mencionado em entrevista. LYSENKO, Valentina. Alma Russa, Terra Brasileira. Disponível em: https://www.estantevirtual.com.br/livro/alma-russa-terra-brasileira-1AH-5920-000. Mencionado em entrevista. Capítulos: 00:00 — Abertura: boas-vindas, chamada de apoio e panorama do episódio 06:00 — Boletim Ruslat: o lançamento do Caderno Latino-Americano de Cooperação Estratégica com a Rússia 09:00 — Dimensão econômica: fertilizantes, BRICS e a diferença Brasil-Argentina 16:00 — Dimensão sociohumana: cultura, educação e esporte nas relações Rússia-América Latina 27:00 — Desafios e caminhos para aprofundar a cooperação 37:00 — Conexão Rússia-América Latina: a visita de Patrushev ao Brasil e a cooperação naval e nuclear 42:00 — Conexão Rússia-América Latina: a crise política na Ucrânia e o atentado em Moscou 49:00 — Outros Olhares: a alma russa com Vera Gers Dimitrov The post Rússia e América Latina: Fertilizantes, Diplomacia e a Alma Russa appeared first on Chutando a Escada.
No episódio deste domingo (16), o Observatório Feminino fala sobre a suspensão do Discord no Brasil. Nesta semana a plataforma admitiu que aconteceu uma falha no sistema de proteção e uma live que transmitia uma cena sensível que envolveu a morte de uma adolescente de 13 anos de idade. Na última quarta-feira (12), a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) divulgou a determinação de suspender as lives no Brasil. Após o comunicado, foi estipulado um prazo de três dias úteis para que a medida seja aplicada efetivamente — passando a contar a partir de quinta-feira (13). Entretanto, vale destacar que a plataforma Discord não será bloqueada no país.Ainda neste episódio, as apresentadoras e convidadas fala sobre o caso de um idoso, de 71 anos, que viajou quase 4 mil quilômetros para encontrar uma mulher depois de ter visto os vídeos dela nas redes socias. Alberto da Costa, saiu de Manaus, no Amazonas, para Belo Horizonte, em Minas Gerais. Ele afirma ter interpretado as publicações como uma conversa direta com ele.O Mc Dia Feliz também foi assunto no podcast. No dia 22 de agosto, em Belo Horizonte, toda a renda obtida com a venda de Big Macs será revertida para projetos voltados ao cuidado integral de crianças e adolescentes em tratamento oncológico.Para compor a mesa de debate, as apresentadoras receberam a advogada, líder do Comitê pelo Fim da Violência Contra as Mulheres do Grupo Mulheres do Brasil, Keila Freitas. E também a Superintendente Geral da CAPE, Mônica Araújo.O podcast Observatório Feminino vai ao ar todos os domingos, às 8h30, na Rádio Itatiaia. Você também pode ouvir os episódios nas plataformas de áudio, e no Youtube da Rádio de Minas.
Confira os destaques do Jornal da Manhã deste sábado (15): O Partido Missão apresentou uma notícia-crime ao Tribunal Superior Eleitoral pedindo investigação sobre a filiação do senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) ao partido. O Missão alega vulnerabilidade no sistema interno e tenta esclarecer como a alteração aconteceu. O ex-governador do Rio de Janeiro (PL) Cláudio Castro foi alvo pela terceira vez de operação da Polícia Federal. Cláudio é investigado pela suspeita fraudes na concessão de licenças ambientais para beneficiar a refinaria de Manguinhos. A corrida pelo Palácio do Planalto está prestes a começar. Candidatos darão início às campanhas em locais simbólicos para seus eleitorados. O momento das campanhas será marcado pela presença ou ausência dos candidatos em debates eleitorais. O Ministério Público de Minas Gerais irá lançar uma ferramenta para identificar e mapear casos de violência doméstica. A plataforma, chamada de Observatório Lilás, também irá acompanhar os casos de feminicídio. As duas cadeiras em jogo no Senado pelo estado de São Paulo tornaram-se o centro das atenções da política nacional. O resultado das urnas paulistas será determinante para definir a correlação de forças entre a oposição e a base aliada no futuro Congresso Nacional, intensificando a concorrência na região. Um terremoto de magnitude 7,7 atingiu a Indonésia na madrugada deste sábado (15), deixando ao menos 38 mortos e causando danos severos a estruturas, o que dificulta o trabalho das equipes de resgate. O país foi atingido por um segundo tremor de mesma magnitude em menos de 24 horas. As autoridades pedem a evacuação das áreas costeiras devido ao risco de novos impactos. Reportagem: Eliseu Caetano. A Petrobras confirmou a descoberta de hidrocarbonetos na região da bacia da Foz do Rio Amazonas. De acordo com a empresa, ainda é necessário realizarem os estudos quanto ao tamanho da reserva, e analisar se existe viabilidade para a exploração comercial. O exército de Israel voltou a atacar o Sul do Líbano no que foi o ataque mais mortais desde a trégua entre os países em 20 de junho. O ataque deixou ao menos nove mortos. O primeiro-ministro libanes criticou a ofensiva. Reportagem: Eliseu Caetano. Uma pesquisa da Genial Quaest sobre as intenções de votos para a Presidência da República aponta vantagem para o atual presidente Lula (PT), que aparece liderando com 38%. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar no ranking com 31% das intenções. A guerra entre Estados Unidos e Irã continua. O professor de relações internacionais, Lier Ferreira traz mais informações sobre a nova rodada de pressões norte-americanas para finalizar o conflito. O prazo para o cadastro das candidaturas termina às 19H deste sábado (15). Após os cadastros eletrônicos, a justiça eleitoral irá analisar a documentação enviada pelos partidos e a condição de elegibilidade dos candidatos. Reportagem: Marco Viana. Essas e outras notícias você acompanha no Jornal da Manhã. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Marcelo Carvalho, do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, traz dados do último relatório (2025) e comenta sobre o aumento do número de casos, assim como a diminuição das ações educativas e preventivas de combate ao racismo no esporte. Com ele, Thales Ramos e Isabelle Magalhães.
Neste novo episódio da série Termos Ambíguos, o verbete abordado é o “Globalismo”, que ganhou destaque durante o primeiro governo Donald Trump, ao ser contraposto ao patriotismo e à liberdade em seu discurso político. Desde então, passou a integrar o vocabulário de movimentos antiglobalistas, influenciando também o governo Bolsonaro. No entanto, o conceito é complexo e controverso, envolvendo diferentes interpretações, atores políticos e relações com questões contemporâneas, especialmente no contexto brasileiro. Para apresentar um debate sobre o termo, entrevistamos a Sonia Corrêa, o Fernando Brancoli e o Douglas Sanque, que foi também o autor do verbete no Termos ambíguos do debate político atual: pequeno dicionário que você não sabia que existia, disponível para download gratuito no site do Observatório de Sexualidade e Política. _________________________ Roteiro Ernesto Araújo: “Eu acho que o mais grave do globalismo é na mente, no pensamento. Eu acho que o globalismo é perigoso porque é sobretudo um sistema de pensamento, de anti pensamento. […] Tatiane Amaral: Quem está falando aqui é Ernesto Araújo, ex-ministro de relações internacionais do governo Bolsonaro Sonora Ernesto Araújo: […] Eu vejo o globalismo muito como o processo pelo qual a ideologia marxista, a partir do começo dos anos 90 e sobretudo a partir dos anos 2000, ela penetra na globalização econômica e faz dela o veículo da sua propagação. Então, justamente através da globalização começa a entrar com sua agenda em temas como ideologia de gênero, em temas como o ambientalismo distorcido, e outros. E começa sobretudo a controlar o discurso, a dizer o que você pode dizer e o que você não pode dizer, e cada vez o que você pode dizer é menos, ocupa um menor espaço. Então, eu vejo mais o globalismo assim, aquela ideia de que o marxismo descobriu que ele não precisa controlar os meios de produção econômica, quando ele pode controlar o meio de produção de ideias, que é o que já vinha acontecendo. E é através desse controle de ideias começa a capturar instituições e aí começa a partir dessas instituições tentar agir para diminuir as identidades nacionais, e as identidades pessoais também. A fala pode até soar exagerada, parecer coisa de filme ou de teoria da conspiração… mas ela está se tornando cada vez mais presente em discursos políticos da ultradireita — seja no Brasil ou no mundo. E ela gira em torno de uma palavra: globalismo. Mas afinal, você sabe o que, de fato, é globalismo? Daniel Faria: Eu sou o Daniel Faria Tatiane: E eu sou a Tatiane Amaral. E este é o sétimo episódio da Série Termos Ambíguos, uma parceria entre o Observatório de Sexualidade e Política e o podcast Oxigênio. Daniel: Juntos, vamos conduzir esta viagem pelo termo que tem estado cada vez mais presente nos discursos políticos globais e nacionais. Falei em viagem porque o termo se vincula a globo, a planeta, além de ser usado em muitos países. Mas também não deixa de ser uma viagem no sentido figurado mesmo, pois o termo como é usado pela extrema direita evoca um certo devaneio, ou até mesmo delírio. Tatiane: O termo “Globalismo” é mais uma categoria acusatória fabricada pela extrema direita, assim como muitos outros espantalhos, alguns que a gente até já tratou aqui no Termos Ambíguos, como Ideologia de gênero, marxismo cultural,racismo reverso… Daniel: A extrema direita usa esses e vários outros termos com objetivos específicos: Por um lado, eles querem provocar o medo e, sobretudo, a suspeita. De outro, criar confusão mesmo. No caso de Globalismo as confusões são muitas e muito sobrepostas, mas vamos tentar esclarecer algumas delas neste episódio. Tatiane: Pra começar, precisamos esclarecer que Globalismo não é a mesma coisa que Globalização. Eu sei que é confuso, mas vem comigo: Globalização é a denominação da transnacionalização intensificada de relações econômicas, culturais e sociais, que se registrou a partir do fim da Guerra Fria. Já o Globalismo pode ser descrito como uma desfiguração de globalização, que atribui a essas dinâmicas outros sentidos, em geral associados à dominação, a atores obscuros e à conspiração. Daniel: No dicionário de termos ambíguos, que você pode encontrar aqui na descrição desse episódio o verbete escrito pelo Douglas Sanque, que vai aparecer na nossa conversa daqui a pouco, traça um histórico desse processo desde 1991, quando a União Soviética chegou ao fim e seus ex-membros foram integrados à nova ordem neoliberal global. É aí que se consolida a globalização, que foi uma integração via mercados ao redor do… Globo. Tatiane: Esse movimento promoveu uma ampla abertura de mercados que intensificou a concorrência internacional. Nesse processo foram estimulados os acordos de livre comércio e a formação de blocos econômicos. Em tese, isso deveria favorecer todas as nações, mas vamo lá, né? A gente sabe que não foi bem assim. Claro que os países mais desenvolvidos e industrializados se deram melhor. Daniel: Foi aí, no meio desse processo, que a União Europeia foi criada, a partir do chamado Mercado Comum Europeu. Foi esse mercado que ampliou a integração que era só, econômica para uma integração política e institucional. Após o fim da Guerra Fria, nos anos 90, a União Europeia se expandiu, incorporando países do Leste Europeu, que antes integravam a antiga União Soviética. Tatiane: Depois disso, foram surgindo blocos econômicos pelo mundo todo, como o Mercosul, por exemplo, que é o Mercado Comum do Sul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Tem também o Nafta, um Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá, assinado em 1994 e atualizado em 2020 como Acordo Estados Unidos-México-Canadá. Além disso, as Economias asiáticas também se fortaleceram nesse contexto, com destaque para os Tigres Asiáticos, formado por Taiwan, Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura. Sem falar da China, que também ampliou muito suas relações comerciais internacionais nesse período. Daniel: A Sonia Corrêa, coordenadora do Observatório de Sexualidade e Política e do projeto do Dicionário, já conversou com a gente em outros episódios do Termos Ambíguos, e dessa vez ela destaca um ponto importante desse processo da Globalização:a expansão do neoliberalismo. E ela lembra que o processo nunca foi tranquilo e nem poupado de críticas. Tatiane: A Sonia comenta que o Neoliberalismo estava em expansão desde o final dos anos setenta. Com o fim da guerra fria e o desaparecimento do bloco soviético, todo esse espaço econômico passou a analisar (e sentir) os efeitos negativos da expansão do pensamento neoliberal nas desigualdades econômicas dentro dos países, ENTRE países e, mais especialmente, entre o NORTE e o SUL globais. Daniel: Durante todo o processo, muitos acordos foram sugeridos, mas nem sempre as tentativas deram certo. Um bom exemplo foi a tentativa de implantação da Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, que integraria os mercados de 34 países das Américas, exceto Cuba, eliminando as tarifas e os impostos de importação. A proposta era de George Bush, então presidente dos Estados Unidos, mas não foi pra frente, justamente por causa da grande disparidade de recursos e poder entre os países. Tatiane: Vale a pena a gente dizer que quando os países começaram a entrar nessa chamada “economia global”, muita coisa mudou internamente também. Por exemplo, várias indústrias saíram da Europa e dos Estados Unidos e foram pra lugares como a China ou o México, onde produzir é mais barato, principalmente por causa da mão de obra. Ao mesmo tempo, a globalização também trouxe a privatização de serviços públicos, como saúde e educação, reformas nas leis trabalhistas desfavoráveis a trabalhadoras e trabalhadores, assim como dos sistemas de aposentadoria. Também ativou novas formas ainda mais agressivas de extrativismo. Tudo isso contribuiu para o aumento das desigualdades. E foi nesse clima que a categoria acusatória “globalismo” prosperou e se aproveitou da atmosfera de contestação à globalização para impulsionar seu projeto político que não tem nenhum compromisso com a superação da desigualdade. Daniel: Autores e autoras, como a Wendy Brown, analisaram como a expansão da lógica neoliberal teve efeitos negativos sobre a política e sobre a nossa forma de pensar e sentir, provocando dinâmicas de erosão da democracia, como estamos vivendo agora. O historiador Quinn Slobodian, autor do livro Globalistas: o fim do império e o nascimento do neoliberalismo, entende que o projeto neoliberal tem como objetivo criar instituições para proteger o capitalismo da ameaça que a própria democracia representa. E essas novas instituições serviriam para reorganizar o mundo como um espaço de Estados-competidores. Tatiane: Mas o espantalho do “globalismo” não se aproveitou apenas da crítica progressista e da insatisfação real com a globalização. Ele também acionou suas próprias assombrações. Para entender isso é preciso voltar no tempo, lá pros anos 1940, ao final da II Guerra Mundial. Na verdade, vamos voltar até um pouco mais, com a ajuda da Sonia Correa. Sonia Corrêa: Bom, para compreender essa posição dos globalistas há um aspecto que não pode ser perdido de vista. Para a direita, a ultra direita norte americana desde o começo do século XX, pelo menos, foi avessa a uma ordem institucional transnacional. E essa ultra direita raiz, fez uma enorme oposição à adesão dos Estados Unidos à Primeira Guerra Mundial. Tiveram posições contra a Liga das Nações e certamente fizeram pressão contra a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Ou seja, tem um DNA muito profundo aí na ultra direita norte americana, que é contrário a existência de uma ordem internacional de regulação global. É porque eles a veem como um contraponto ou uma possível ameaça à ordem hegemônica dos Estados Unidos como império. Eu acho que um outro aspecto a considerar que, se isso é, são as correntes de ultra direita norte americana e outras correntes, como por exemplo, a posição do Dugin, o intelectual russo sobre isso e talvez de segmentos das correntes européias. E tem a ver com um repúdio. Como essas forças fazem um repúdio à ideia da modernidade, os princípios liberais de democracia e direitos humanos. E há uma conexão também por esse lado, que é, digamos, mais filosófica e menos estratégica política. Tatiane: Além da cooperação multilateral econômica, os países criaram também um sistema para prevenir novos conflitos bélicos e promover a paz. Sim, estou falando da Organização das Nações Unidas, a ONU. Daniel: No contexto dos giros políticos à ultradireita que tem varrido as Américas e a Europa hoje, os discursos anti-globalistas fizeram da ONU um de seus alvos principais. Seus detratores a descrevem como um aparato de dominação que quer impor sua agenda aos estados nacionais. Ao fazer isso ofuscam o que é de fato a ONU. Não sei pra você, mas até aqui essa história de globalismo continua bem confusa pra mim. Então, pra gente continuar destrinchando esse termo, falamos com o Fernando Brancoli. Ele é professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e adicionou elementos que nos ajudam a desarmar qualquer confusão que o termo globalismo possa provocar. Fernando Brancoli: Bom, eu acho que um ponto interessante é a gente imaginar que o discurso antiglobalista, ele não é uma rejeição integral aos princípios da globalização, né? A gente está falando de uma reconfiguração seletiva no que seria uma espécie de dispositivo narrativo, né? Que separa, separaria, uma globalização boa para esses grupos de extrema direita, uma aproximação que permeia dimensões ligadas a interesses morais, econômicos, culturais e o que eles vão chamar muitas vezes de globalismo, né, que seria uma globalização ruim, que seria um conjunto de normas e procedimentos derivados principalmente do pós-guerra fria, que promoveria aí uma agenda ligada a valores liberais, a direitos sexuais, a direitos humanos, políticas ambientais, que de alguma maneira estariam violando então a soberania dos países, e na verdade tentando, dentro de uma teoria da conspiração bastante clássica, implementar uma agenda de uma espécie de camarilha internacional dos Illuminati e coisas parecidas, né? Tatiane: A professora de sociologia na Universidade de Oxford, Rita Abrahamsen, faz uma análise interessante sobre este tema do espaço transnacional. Pra ela a extrema direita é em si mesma global, ao mesmo tempo em que seus idealizadores ocultam de maneira muito hábil essa transnacionalidade. O Fernando também elaborou sobre essa dimensão oculta, o que nos ajuda a esclarecer uma outra confusão de que as vozes que propagam o fantasma do Globalismo reivindicam para si, como sujeitos nacionalistas ou soberanistas: Fernando Brancoli: Muitas vezes a gente fala dessas redes antiglobalistas como se elas fossem necessariamente não transnacionais, o que não é verdade. O que elas estão fazendo é reconfigurando um pouco esse dispositivo narrativo. E acho que quem está acompanhando a gente talvez já tenha escutado essa história: “Ah, o Trump é um isolacionista”. Não necessariamente, né? A gente não está falando de uma antiglobalização de necessariamente fechamento completo das fronteiras. Você tem uma recalibragem dessa dinâmica, de um projeto novo de recentralização de poder. Então, sim, eu posso ter dinâmicas mais isolacionistas em alguma medida, construção de muros, expulsão de migrantes e refugiados, fechamento de trocas comerciais tipicamente liberais, mas ao mesmo tempo eu tenho aproximação para outros lados, né? Em que eu apoio ditaduras amigas, eu argumento que posso criar coletivos transnacionais de apoio a dinâmicas de moralidade. Então acho que esse paradoxo, no final das contas … Eu diria que é a grande força dela, que é criar essa espécie muito peculiar de uma internacional nacionalista. Daniel: Fernando também recorre a uma metáfora de verniz legitimador para explicar essa mistura paradoxal de discursos que juntam nacionalismo ou antiglobalismo para servir a interesses muito específicos: Fernando Brancoli: Esse paradoxo é a grande força dentro desse processo. [03:30] A genealogia dessas dinâmicas já passa por think tanks dos Estados Unidos e a gente tem livros importantes acadêmicos já descrevendo como é que eles se expandiram pelo globo ao longo pelo menos nas últimas duas décadas, né? Então são grupos de pesquisa, são empresas que de alguma maneira promovem esse tipo de ideário. Tatiane: Pra entender melhor como esse paradoxo funciona, pedimos pro Fernando explicar como esses discursos colam, como eles têm aderência a uma massa bastante volumosa, que inclusive elege conscientemente essas figuras. Ao mesmo tempo em que batem no peito e dizem: “EU SOU patriota, EU VOU defender meu país”, entregam de mãos abertas a exploração das riquezas naturais brasileiras — como a Amazônia,os minérios e, agora, as Terras Raras do país — a uma potência imperialista como os Estados Unidos. Além disso, defendem intervenções externas, como a retirada forçada de um presidente, e apoiam movimentos extremistas que ameaçam o próprio país. Fernando Brancoli: Acho que essa aparente contradição, né, de uma internacional nacionalista, a ideia de como é que eu crio alianças entre partidos e grupos que são notadamente, introspectivos diante desse tipo de processo, eh, na verdade, é a maior força desses grupos. É a ideia de mobilizar esse paradoxo. E não se trata necessariamente de, uma dinâmica que vai gerar problemas na frente, eu vou tentar explicar porquê dentro desse processo. Acho que a primeira configuração é que sejam partidos de extrema direita no contexto brasileiro, sejam grupos não partidários, como, por exemplo, grupos evangélicos mais conservadores no contexto brasileiro, sejam grupos mega ortodoxos sionistas em Israel, ou seja, agora, o Partido Republicano nos Estados Unidos. Todos eles olham para o transnacionalismo como uma forma de ganhar poder e ganhar prestígio, então a gente tá falando de recursos que circulam nesse processo. A gente tem por exemplo grupos em Israel, grupos não tradicionais do Brasil como partidos ligados a lideranças religiosas e coisas parecidas que de alguma maneira olham para esse processo e veem a transnacionalização como uma ferramenta de ganhar poder e prestígio, seja simbólico ou material. Exemplo clássico que eu acho bastante interessante, parte importante dos grupos de extrema direita em Israel, dos mais ortodoxos, são financiados por capitalistas norte-americanos. Né? Isso não é uma teoria de conspiração, eles argumentam que essa grana seria interessante. Tem um trabalho interessante da Camille Rocha, né? Menos Marx e mais Mises, um livro fascinante em que ela descreve como é que os norte-americanos financiaram grupos liberais e anarco-capitalistas, sabe-se lá o que que é isso, no contexto brasileiro. Então, lembrar que esse transnacionalismo tem dimensões práticas muito claras, né? Daniel: Aqui, de novo fica claro que o transnacionalismo pode ter dimensões práticas, e que ele serve para alguns interesses. Ou seja, mesmo sendo nacionalista, dá pra ser transnacionalista quando você, ou o país, pode ter dividendos importantes. Brancoli usou o exemplo de Eduardo Bolsonaro para mostrar como contatos estratégicos com a ultra-direita ajudaram a movimentação para as taxações sobre produtos brasileiros e a suspensão de vistos para autoridades envolvidas na condenação do pai. Mas o professor dá outros exemplos, segundo ele mais simbólicos, como contatos pessoais, encontros ou declarações nos quais se aprende essa lógica transnacional. Fernando Brancoli: Você tem encontro do Vox, por exemplo, que é o partido de extrema direita na Espanha, que eles têm uma sessão à tarde do último dia, que é para ensinar técnicas do que eles chamam engajamento digital. Em que você senta com lideranças políticas do globo inteiro numa mesa e te ensinam como é que você faz para, por exemplo, ter acesso mais interessante de pessoas, formar cortes e vídeos bacanas. Eu lembro que nos últimos 3 anos quem esteve lá foi o Nicolas, deputado é, federal de Minas, que é um cara, né, muito especializado em gerar cortes e coisas parecidas. Eu acho que ele já tinha uma capacidade de fazer isso, mas provavelmente ele aprendeu também nesse contexto. Repare como é que o transnacionalismo dentro dessa lógica gera esse tipo de prática. E por fim, o transnacionalismo, ele facilita algo que é muito típico de grupos autoritários que é a possibilidade de criar um mundo binário, né? De você criar um nós contra eles de maneira muito muito clara. Acho que, né, a gente que estuda relações internacionais, quem tem acesso, né, à imprensa, sabe que é muito difícil você criar uma narrativa muito clara de bonzinhos e malvados dentro de um contexto, né? Você vê nuances, você vê pessoas muitas vezes em busca da paz dos dois lados e coisas parecidas, né? Tatiane: E nessa disputa entre nós e eles, surgem dois pólos entre o bem e o mal. E quem é o bem? Quem é o mal? A ultra direita entende que está do lado do bem, de que quem defende a “família” e os valores tradicionais. Mas quem não defende a família, ou as famílias? A sua família? Os seus valores tradicionais, na sua tradição? E para quem está nesse campo da ultra direita, o mal é o socialismo, o comunismo, a esquerda. De novo aqui o Fernando: Fernando Brancoli: Existe aqueles que do outro lado, que é o mal, que é o PT, o MST, o Foro de São Paulo e a Venezuela, que querem acabar com esses valores, querem destruir todos esses dessas menções. Aí repare como é que esses vetores se aproximam, né? Uma dinâmica de moralidade, uma dinâmica econômica, então vira um caldo complexo aqui dentro desse tipo de processo. Nós somos soberanos ainda, no caso brasileiro, estaremos tentando retomar essa soberania agora que foi roubada pelo PT e temos um governo aliado norte-americano que está tentando nos ajudar nesse processo. Mas eu acho que esse paradoxo ele acaba sendo de alguma maneira articulado e promovido de maneira interessante. Ainda tem um paradoxo aqui, que é para você ser essencialmente nacionalista e mobilizar dinâmicas transnacionais. Mas acho que mesmo a tentativa de encontrar um meio-termo já facilita e já gera repercussões interessantes. E aí você tem em todo protesto no Brasil, cartazes em inglês, bandeiras dos Estados Unidos, bandeiras de Israel, você tem a a deputados fugindo para a Itália, onde seria supostamente, né, um lugar mais conservador. Ao que tudo indica a Zambelli não vai conseguir ficar por lá há muito tempo. Mas aí você tem o Eduardo Bolsonaro, né, indo para os Estados Unidos, você tem essas mobilizações, isso vai gerando repercussões e impactos e pelo menos são simbólicos gera mídia, a população fica engajada. Então, de alguma maneira tem algo interessante que a gente tá vendo e os manuais de ciência política e de relações internacionais estão todos passando mal por causa disso, que a esquerda tá se transformando por um lado numa defensora do multilateralismo. Daniel: Tem também a China se apresentando como defensora da OMC e contra tarifas praticadas pelos Estados Unidos. Isso também é uma mudança do contexto da esquerda, como disse nosso entrevistado. A gente tem um deslocamento também, eu diria, do que vai ser o discurso progressista de esquerda ao longo dos próximos anos. A esquerda se apropriou mais de discursos ligados à proteção da indústria nacional, né, contra ALCA e o FMI, contra as empresas estrangeiras, e agora de alguma maneira a gente está vendo uma rearticulação desse tipo de processo. É, a gente está inaugurando uma forma nova de olhar para relações internacionais, em parte porque também está tendo uma rearticulação de como esses grupos de poder estão se configurando. Ninguém tem muita certeza para onde que a gente vai, mas acho que uma das certezas que a gente vai ter que os manuais de relações internacionais e ciência política vão ter que ser reescritos ao longo dos próximos anos, porque as coisas estão mudando de maneira bastante explícita, né? Muito. Tatiane: Sonia Corrêa diz que há duas saídas pra grande confusão que apresentamos aqui entre nacionalismo e globalismo. A primeira é o progressivismo internacionalista que remete para o internacionalismo histórico da esquerda, e a segunda é o que pode ser chamado de constitucionalismo de esquerda. Ela explica melhor do que se trata. Sonia Correa: O que importa é chamar a atenção para essa mélange de posições que requer clarificação, porque, de fato, a crítica do globalismo, ela chove num terreno fértil, que é a crítica do neoliberalismo e da ordem capitalista, não é? Ela ecoa nesse lugar. Ela move afetos, afetos legítimos de crítica. A racionalidade neoliberal e a ordem do capitalismo tardio. A diferença está como diz o Slobodan, em qual a saída? A diferença de visão ideológica é como você sai disso. Se você for para o campo do Dugin, que é a teoria da quarta transformação, é uma ordem. Uma proposição de um retorno a uma ordem de fato quase medieval, quer dizer centrada na terra, no território, numa cultura comum, numa ordem hierárquica. Se você olha para o campo da direita. Num certo sentido, Trump é a manutenção da ordem neoliberal e da racionalidade neoliberal extrema, demolição do Estado. Todo o poder às Big Techs. Aqui são os meus amigos Better Friend Ever, sob um invólucro, uma casca de nacionalismo extremado. Make American big again. Tatiane: Voltando um pouco atrás, no verbete para o Dicionário de Termos Ambíguos, e no tempo, Douglas lembrou da influência de Ernesto Araújo e de Olavo de Carvalho sobre o governo Bolsonaro, no sentido da adoção de uma posição antiglobalista. Vale lembrar que mesmo antes de ser eleito, Bolsonaro afirmava que a ONU não servia para nada e que iria tirar o Brasil do Conselho de Direitos Humanos. Em sua primeira aparição na Assembleia Geral da ONU em 2019, o ex-presidente fez a seguinte afirmação: Sonora Jair Bolsonaro: “Não estamos aqui para apagar nacionalidades e soberanias em nome de um interesse global abstrato. Esta não é a Organização do Interesse Global! É a Organização das Nações Unidas. Assim deve permanecer!” Daniel: Douglas também escreveu no verbete que Ernesto Araújo afirmava que o caminho para reverter os efeitos negativos do globalismo seria adotar uma política pautada por deus, pátria e família. Com certeza vocês ouviram isso muitas vezes, né? Só pra lembrar, esse é o slogan da Ação Integralista, movimento fascista brasileiro da década de 1930, copiado do movimento fascista italiano. Tatiane: Ainda segundo o verbete a espiritualidade cristã caracterizaria o ocidente e diferenciaria as nações ocidentais do materialismo asiático e do islamismo. Por outro lado, a família é definida como a célula basilar da nação, o apego à família seria um traço fundamental do povo brasileiro o qual, nas palavras de Araújo, se vê hoje frontalmente atacado por “ideologia de gênero”, “gayzismo” e “abortismo”. Daniel: O “globalismo”, na visão de Ernesto Araújo, seria um projeto de governo totalitário mundial, capitaneado pela China e com o apoio da Rússia. E nessa versão do antiglobalismo, existiria um complô entre as elites financeiras ocidentais e o Partido Comunista da China para a implantação de uma sociedade de controle. O ex-ministro ainda afirmava que a China controlava metade do parlamento brasileiro e toda a nossa agricultura, e queria controlar nossa Internet. Tatiane: Bem, essa tentativa de controle da internet a gente já tá vendo que existe mesmo, mas não por acaso, esse controle não está na China, né? E além desta, qual outra afirmação, entre as muitas feitas aqui, parecem verdadeiras? E quais delas são pura fantasmagoria criada no meio das muitas confusões que esse termo cria? De quais fantasias ele depende para se manter? Bem, responder a tudo isso demandaria uma boa aula de muitas horas… Mas, podemos explicar aqui essa confusão entre os muitos alvos de ataque das vozes “antiglobalistas” Daniel: Mas nem todos os anti globalistas têm o mesmo inimigo. Há diferenças em relação aos alvos dos “antiglobalistas”. Nos Estados Unidos, por exemplo, Trump se utiliza do discurso “antiglobalista” para atacar as “elites liberais”, associadas ao partido democrata estadunidense. Já aqui no Brasil, Bolsonaro denunciava a “conspiração comunista” da qual participaria o PT, assimilando a visão “antiglobalista” ao discurso anticomunista. Douglas Sanque conta um pouco dessas forças globalistas. Tatiane: Douglas é professor na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a UERJ e é o autor do verbete sobre Globalismo do dicionário que estamos tratando aqui. Ele escreveu o verbete durante a pandemia do Covid-19, em pleno governo Bolsonaro, quando nele discursavam, pra não dizer doutrinavam, antiglobalistas assumidos como Olavo de Carvalho, professor e ideólogo de Bolsonaro, e Ernesto Araújo, que foi ministro de relações exteriores até 2021. Douglas Sanque: Bom, em relação a essa noção de quem seriam as chamadas forças globalistas, primeiro, a ideia aqui é pensar que as forças globalistas teriam o objetivo de estabelecer um controle mundial, um governo global, totalitarista. E isso é, em alguma medida, uma perversão da ideia de aumento de influência que potências econômicas sempre tentaram exercer de maneira mais ou menos ética. Mas não se tenta um governo global totalitário, assim inspirado naquela ideia de 1984 do George Orwell. O principal projeto globalista seria capitaneado pela China. Os chineses teriam essa ideia, teriam esse objetivo de longo prazo de controle mundial. Então, seriam as elites liberais do Ocidente que estariam nesse projeto junto ao Partido Comunista Chinês. Essa é a perspectiva, digamos, principal, que é adotada, por exemplo, pelo Steve Bannon e que guia o assim chamado antiglobalismo, ou o nacionalismo americano, que estaria combatendo essas próprias elites, representando o povo, o blue color, os trabalhadores e a classe média americana que, de fato, viu muita s perdas com o processo de desindustrialização dos Estados Unidos ao longo do século XX, e grande parte dessas plantas industriais foi para a China. Tatiane: Claro que isso causou mudanças significativas na economia americana, que tem levado o país, de forma mais incisiva neste novo governo de Donald Trump, a criar estratégias de proteção econômica. Durante o governo Bolsonaro, quando o Olavo de Carvalho, exercia influência sobre ministros e filho do então presidente, tratou da versão caseira de teoria da conspiração, como nos conta Douglas. Douglas Sanque: O Olavo dizia que havia três projetos globalistas em curso. Em diferentes escalas e com diferentes objetivos. O primeiro seria esse tocado pela China, que tentaria ali uma ideia de governo global, mais ou menos nesses moldes que eu já mencionei. O segundo seria o projeto do Irã. O Irã também teria esse objetivo de governo global, a partir do espraiamento do islamismo, né? Na verdade, a ideia seria um governo global, totalitário islâmico e a principal força por trás desse projeto seria o Irã, que tem ali uma. População muçulmana xiita. Enfim, você tem uma pluralidade importante naturalmente no Irã, mas. Daniel: O terceiro projeto seria tocado pelas elites financeiras ocidentais. Nessa perspectiva, representada por autores como o russo Aleksandr Dugin [DUGAN], a tentativa de estabelecer uma governança global teria origem no Ocidente, especialmente nos Estados Unidos, vistos como a principal expressão da modernidade ocidental. Nessa visão, esse projeto deveria ser combatido por forças tradicionalistas que defendem a preservação de identidades culturais próprias e de modos de vida considerados mais enraizados nas tradições locais e rurais. Douglas Sanque: Então você tem pensadores, como o Olavo de Carvalho, o Steve Bannon e o Dugin, e os líderes daqui que conseguiram ascender, com esse pensamento, ao poder nos seus países. O Putin na Rússia, o Trump nos Estados Unidos e o Jair aqui no Brasil. A questão é que, como esse pensamento tem muito pouca, digamos, base material, ele vai se moldando pra acomodar os interesses políticos dos líderes. Então a gente pode pensar, por exemplo, no Brasil como o Bolsonaro, se se elege em oposição a um projeto que seria de esquerda e que, na opinião deles, é comunista. A ideia de liberalismo econômico é uma ideia que faz sentido e que pode ser defendida. Os russos têm um papel curioso, porque em diversas situações eles são vistos ali como como uma espécie de braço ou de sócio minoritário dos chineses. Mas ao mesmo tempo, estive vendo, um entende que os russos deveriam estar nessa luta por conta de uma certa essência da identidade russa. É como, como sendo da Igreja Ortodoxa nós teríamos a mesma alma cristã. E tudo se opondo então ao materialismo que caracterizaria o projeto chinês De extirpar a religião da da vida em comunidade. Então a gente percebe que há uma certa coerência no pensamento do globalismo, no sentido de criar uma ordem global que separa muito claramente quem são os mocinhos e quem são os bandidos. Que coloca em uma nação específica. E normalmente é a China, a fonte de todo mal. E aí, contra isso, vale tudo. E nós estamos numa batalha aqui para salvar a nossa nação, para salvar as nossas tradições, para manter o nosso povo e por aí vai. Tatiane: Pois é, as mudanças estão bastante evidentes e não sei se são para melhor. Desde que fizemos as entrevistas para este episódio, algumas coisas mudaram. O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, um dos principais líderes da extrema-direita global, perdeu as eleições após 16 anos no poder. Estados Unidos e Israel estão promovendo uma grande guerra na Ásia Ocidental, atacando o Irã e o Líbano, sem contar o genocídio que Israel já vinha praticando na Palestina. Aqui na América Latina, os resultados das eleições presidenciais de 2026 em países como Colômbia, Peru e Chile não foram nem um pouco animadores. E neste ano também teremos eleições no Brasil, já com dois extremistas como candidatos: Ronaldo Caiado, pelo PSD, e Flávio Bolsonaro, herdeiro do legado do pai que foi condenado a 27 anos de prisão, e agora também envolvido em um processo de lavagem de dinheiro ligado ao Banco Master. A extrema direita vem ganhando espaço em muitos países, sempre colocando em risco a democracia e os direitos civis. Daniel: Este foi o sétimo episódio da série Termos Ambíguos, realizada em parceria com o Oxigênio, a partir do material do Termos Ambíguos do debate político atual: Pequeno Dicionário que você não sabia que existia, coordenado pela Sonia Corrêa. Esse é um projeto do Observatório de Sexualidade e Política (SPW) e do Programa Interdisciplinar de Pós-graduação em Linguística Aplicada da UFRJ e contou com vários autores na produção dos verbetes. Tatiane: A apresentação do episódio foi feita pelo Daniel Faria, estudante do curso de Midialogia, na Unicamp, que foi também o editor do áudio desse podcast, e por mim, Tatiane Amaral, doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas e da equipe de Comunicação e Pesquisa do SPW, e editora do áudio desse podcast. As entrevistas foram feitas por mim e pela Stella Brucha Simões. O roteiro foi feito pela Simone Pallone, coordenadora do podcast Oxigênio e por mim. Daniel: A revisão do roteiro foi feita pela Nana Soares, da equipe de Comunicação e Pesquisa do SPW, por mim, pela Tatiane, e pela Sonia Corrêa. Tatiane: A principal referência para o episódio foi o verbete produzido por Douglas Sanque para o Termos ambíguos do debate político atual: pequeno dicionário que você não sabia que existia. Usamos também definições da Wikipedia para alguns conceitos. Daniel: O áudio de Ernesto Araújo foi extraído de uma entrevista dada por ele ao Canal Poder Paralelo. A fala de Bolsonaro na Assembleia da ONU é uma reprodução do canal do jornal El País no YouTube. Daniel: Você pode acessar os outros episódios da série Termos Ambíguos pelo site do podcast Oxigênio: www.oxigenio.comciencia.br ou pelas plataformas de áudio de sua preferência. Aproveite para indicar nossa série. Até mais!
Keiko Fujimori em comício de campanha, Peru, 2026. Foto: Renato Pajuelo/EFE. O que a vitória de Keiko Fujimori no Peru e a de Abelardo de la Espriella na Colômbia têm em comum com mais de duzentos anos de política externa americana para a região? Para Carolina Silva Pedroso, professora adjunta na Unifesp e pesquisadora vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU), a resposta está na ideia da América Latina como “quintal dos Estados Unidos”. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema-Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Carolina para discutir a nova onda da direita radical na região, os mitos que cercam a Venezuela chavista, entre eles a suposta fraude sistemática nas urnas eletrônicas, e a forma como o apoio explícito de Washington tem funcionado como variável interveniente no fortalecimento dessas lideranças. No bloco de notícias, David percorre seis frentes do avanço da ultradireita global, da disputa entre Jordan Bardella e Marine Le Pen pela candidatura do Rassemblement National na França à defesa do gás russo feita por Alice Weidel, da AfD alemã, passando pela viagem transnacional da senadora australiana Pauline Hanson ao Reino Unido, pelo mainstreaming dos Democratas Suecos, pelo fracasso de um projeto de perda de nacionalidade em Portugal e pela relação entre futebol e o passado ustacha na Croácia. E ainda tem, no último bloco, dica cultural com a minissérie O Complô Contra a América, de David Simon. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: David Magalhães (UFU/OED), Guilherme Casarões (FIU/OED) e Carolina Silva Pedroso (Unifesp/INCT-INEU). Inserção musical no final: “The Day They Died”, de Sarah Hester Ross. Capa do episódio: Keiko Fujimori em comício de campanha, Peru, 2026. Foto: Renato Pajuelo/EFE. Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio ROTH, Philip. The Plot Against America. Boston: Houghton Mifflin, 2004. SIMON, David (criador). The Plot Against America [O Complô Contra a América]. HBO, 2020. Minissérie. LEWIS, Sinclair. It Can’t Happen Here [Isso Não Pode Acontecer Aqui]. Nova York: Doubleday, Doran & Company, 1935. Capítulos: 00:00 — Introdução 04:00 — A direita radical na Venezuela e a diáspora de Miami 14:00 — O “espantalho perfeito”: mitos, narcoestado e urnas eletrônicas 26:00 — O quintal dos Estados Unidos e a política de Trump para a América Latina 36:00 — Peru: a quarta tentativa de Keiko Fujimori 45:00 — Colômbia: o Uribismo 2.0 de Abelardo de la Espriella 54:00 — Boletim OED: França, Alemanha, Reino Unido, Suécia, Portugal e Croácia 1:11:00 — Dica cultural: O Complot Contra a América The post A nova onda da direita radical na América Latina appeared first on Chutando a Escada.
Nos últimos meses, a América Latina viveu uma sequência de eleições presidenciais apertadas que parecem consolidar uma virada à direita no continente. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório Rússia-América Latina (Ruslat), a coordenadora Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat) recebe Marinana Andrade e Barros (PUC Minas), autora do livro Democracia na Agenda Regional da América Latina, e Giovana Dias Branco (USP/Ruslat), que fala diretamente de Moscou, para discutir o que essa onda eleitoral no Peru, na Colômbia e em outros países representa para os interesses russos na região. No segundo bloco, o pesquisador Leonardo Nascimento (PUC Minas/Ruslat) traz o olhar da imprensa russa sobre as eleições latino-americanas e sua conexão com a guerra na Ucrânia e as eleições da Duma Estatal marcadas para setembro, enquanto Giovana Dias Branco detalha o avanço da cooperação agroindustrial entre Brasil e Rússia e a disputa entre a Rosatom e os Estados Unidos pelo mercado latino-americano de pequenos reatores nucleares. No terceiro bloco, o quadro Outros Olhares recebe novamente Marinana Barros, conduzida por Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat), para refletir sobre identidade, cultura política e literatura na América Latina e na Rússia. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Daniela Vieira Secches, Marinana Andrade e Barros, Giovana Dias Branco, Leonardo Nascimento e Laura Schneider de Lima. Inserção musical no final: “Garçom”, por João Ventura. Siga o artista no Instagram. Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio GALEANO, Eduardo. Futebol ao Sol e à Sombra. L&PM, 1995. LEÓN-PORTILLA, Miguel. A Conquista da América Latina Vista pelos Indígenas: Relatos Astecas, Maias e Incas. Vozes, 2023. GUERRA, Ciro (dir.). O Abraço da Serpente [El abrazo de la serpiente]. Colômbia/Venezuela/Argentina, 2015. 124 min. CANAL BRASIL. Sangue Latino: Eduardo Galeano. 2013. Documentário. Disponível em: YouTube. BARROS, Marinana Andrade e. Democracia na Agenda Regional da América Latina. Mencionado em entrevista. MEDEIROS, Murilo. Pesquisa sobre segurança como tema central nas eleições latino-americanas. Universidade de Brasília (UnB). Disponível em: Folha de S.Paulo. Capítulos: 00:00 — Introdução: eleições na América Latina e na Rússia em 2026 04:00 — Marinana Barros: a virada à direita nas urnas latino-americanas 10:00 — Giovana Branco: os quatro interesses russos na região 15:00 — Peru e Colômbia: pragmatismo além do alinhamento ideológico 21:00 — Ideologia não basta: o Itamaraty e o pragmatismo da política externa 29:00 — Boletim Ruslat: a imprensa russa e as eleições latino-americanas 38:00 — Agroindústria e energia nuclear na disputa Rússia-EUA 42:00 — Outros Olhares: identidade, literatura e cinema The post América Latina vira à direita, mas a Rússia não vai embora appeared first on Chutando a Escada.
Convidado: Guilherme Casarões, cientista político, professor da Florida International University (EUA) e um dos coordenadores do Observatório da Extrema Direita. A investigação da "Seção 301" pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA concluiu que o Brasil mantém práticas desleais na economia – casos do Pix e da 25 de Março, centro popular de São Paulo. O resultado disso é a ameaça de taxar os produtos brasileiros em 25%. De um lado, o Ministério das Relações Exteriores enviou ao governo americano um documento para defender os interesses brasileiros e negociar uma solução. De outro, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro também despachou aos Estados Unidos uma carta com algumas propostas para sensibilizar Trump e adiar a aplicação das tarifas – acontece que Flávio pediu para postergar o tarifaço por um prazo de 180 dias, ou seja, para depois das eleições, sob o argumento de que as taxas dariam vantagem política para o atual governo. Neste episódio, Natuza Nery entrevista o cientista político Guilherme Casarões, que fala diretamente dos Estados Unidos. Casarões analisa as propostas de Flávio Bolsonaro (que envolvem limitações ao Pix e à participação do Brasil no Mercosul) e avalia os ruídos que uma “diplomacia paralela” pode provocar em meio a uma negociação entre representantes dos Estados nacionais.
O que une os barões da fé, a herança teológica colonial e o bolsonarismo? Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema-Direita, David Magalhães (UFU/OED) e Guilherme Casarões (FIU/OED) recebem Ronilso Pacheco (ISER/OED) para debater as raízes teológicas e políticas da captura do campo evangélico pela extrema-direita brasileira. Teólogo, pastor e diretor-executivo do Instituto de Estudos da Religião, Ronilso distingue a presença legítima da fé evangélica na esfera pública de um projeto de supremacia cristã, analisa o processo de radicalização que antecede em décadas a eleição de Jair Bolsonaro e questiona as estratégias do campo progressista diante do eleitorado evangélico. No boletim de notícias, David Magalhães analisa três episódios da extrema-direita europeia. Em foco estão as eleições regionais da Saxônia-Anhalt, onde o AfD lidera as pesquisas e transforma a Bauhaus em alvo de uma guerra cultural identitária; a estratégia digital de Jordan Bardella, que construiu hegemonia no TikTok mirando o eleitorado jovem; e as tensões crescentes entre Giorgia Meloni e Donald Trump, que revelam os limites da chamada internacional reacionária. Para fechar, a dica cultural é Retorno a Reims, do filósofo e sociólogo francês Didier Eribon, que indaga por que a classe operária francesa migrou do Partido Comunista para a extrema-direita. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: David Magalhães (UFU/OED), Guilherme Casarões (FIU/OED) e Ronilso Pacheco (ISER/OED). Inserção musical no final: Interpretação de Sarah Hester Ross de “The Day the Nazi Died” (Chumbawamba, 1993). Capa do episódio: Créditos: José Tramontin Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio ARENDT, Hannah. A condição humana. In: A condição humana. 2010. p. 407-407. ERIBON, Didier. Retorno a Reims. Belo Horizonte: Âyiné, 2020. (Original: Retour à Reims. Paris: Fayard, 2009.) GHERMAN, Michel; PACHECO, Ronilso. Diálogos em Tempos Difíceis: Decifrando a Gramática da Nova Extrema-Direita. São Paulo: Fósforo, 2026. PACHECO, Ronilso. Ocupar, resistir, subverter: igreja e teologia en tempos de violência, racismo e opressão. Novos Dialogos Editora, 2016. PACHECO, Ronilso. Teologia Negra: o sopro antirracista do Espírito. Editora Schwarcz-Companhia das Letras, 2024. Capítulos: 00:00 — Introdução 02:00 — Entrevista: os barões da fé e a captura política do campo evangélico 09:00 — O processo de radicalização que antecede o Bolsonaro 17:00 — Supremacia cristã e presença legítima da fé na política 25:00 — A cristofobia como estratégia de vitimização 33:00 — A esquerda diante do eleitorado evangélico 41:00 — Boletim OED 53:00 — Dica Cultural OED The post Do “crente não se envolve” ao “irmão vota em irmão”: Fé evangélica e política no Brasil appeared first on Chutando a Escada.
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Confira no Morning Show desta quinta-feira (11): O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União) aprovou um pacote de projetos que aumentam os gastos públicos. As propostas aumentam despesas obrigatórias e mudam regras previdenciárias para categorias específicas. A maior preocupação do Planalto é com a proposta que renegocia dívidas de produtores rurais atingidos por eventos climáticos e crises econômicas, de autoria do senador Renan Calheiros (MDB). O presidente dos EUA Donald Trump fez um post nas redes sociais afirmando que irá bombardear o Irã “muito duramente” na noite desta quinta-feira (11) e que tomará a ilha de Kharg e pontos de infraestrutura petrolífera. A postagem ainda diz que a tomada será “igual ao que fizemos na Venezuela”. A ameaça ocorre no dia de abertura da Copa do mundo da FIFA, que ocorre nos Estados Unidos, México e Canadá. O 17º boletim Desigualdade nas Metrópoles, realizado pelo Observatório das Metrópoles, apontou que a proporção de pessoas consideradas pobres nas grandes cidades brasileiras caiu de 19,5% em 2024 para 18,4% em 2025. O mesmo levantamento, entretanto, mostra que a desigualdade aumentou. O Governo brasileiro fez o registro do nome “Pix” no Instituto Nacional de Propriedade Industrial como uma “Marca de Alto Renome”. Na prática, o registro garante que apenas o Banco Central possa usar a marca em todo o território nacional. Segundo o Governo, esse é o “mais alto nível de proteção” que pode ser concedido à uma marca. O presidente Lula (PT) afirmou que o governo federal estuda uma nova estratégia para recuperar celulares roubados ou furtados em todo o país. A proposta prevê o envio de mensagens aos aparelhos identificados como produto de crime, orientando os usuários a devolvê-los em agências dos Correios, evitando a necessidade de comparecimento a delegacias. Segundo Lula, o governo possui informações sobre cerca de 2,5 milhões de celulares roubados, incluindo dados de identificação dos aparelhos. Os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) encerraram uma greve de quase 60 dias na semana passada, mas alunos de outras instituições como a Unicamp e a Unesp permanecem em paralisação. As reivindicações são por pautas variadas, como permanência estudantil, reajuste de bolsas e cotas para pessoas transgênero. O novo gestor do Theatro Municipal de São Paulo, Édilson Venturelli, afirmou que as óperas montadas sob sua gestão não terão “temas políticos ou identitários”. Josias Teófilo explica que na o que não haverá é “política partidária”. Recentemente o comando da instituição mudou da Organização Social Sustenidos para o Instituto Baccarelli. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) cancelou a participação em um evento de lançamento de uma candidata a deputada distrital nesta quinta-feira (11) depois que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a ter crise de soluços. A equipe médica do ex-presidente vem tentando ajustar a medicação para aliviar a situação de Bolsonaro. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que reduz a maioridade penal para crimes graves por 44 votos contra 18. A emenda à Constituição segue para uma comissão especial e fica a cargo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos). O relator da emenda, deputado Coronel Assis (PL-MT) explica os detalhes do texto. Um caso curioso aconteceu em Ribeirão Preto: uma mulher consultou o ChatGPT para saber se estava grávida após ter sintomas estranhos e a inteligência artificial respondeu que eram apenas gases. Mas, após mais desconfianças, Tainara resolveu fazer um teste de farmácia que deu positivo. A moça estava com oito meses de gravidez e para completar, Tainara ainda brigou com a IA pelo erro! O caso mostra como é importante consultar especialistas orgânicos, de carne e osso! Essas e outras notícias você confere no Morning Show.
Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), Tatiana Teixeira (OPEU) e Hannah De Gregorio Leão (OPEU) recebem o historiador Felipe Pereira Loureiro (IRI/USP) para discutir seu livro recém-lançado Olhares ianques: a ditadura brasileira nos arquivos norte-americanos (Companhia das Letras). Resultado de mais de uma década de pesquisa em documentação diplomática confidencial norte-americana, o livro reconstrói os bastidores da relação entre o governo dos Estados Unidos e o regime militar brasileiro, revelando o grau de intimidade entre diplomatas americanos e militares, empresários, jornalistas e lideranças políticas brasileiras ao longo dos vinte e um anos de ditadura. No segundo bloco, a pesquisadora Yasmim Abril Monteiro Reis (OPEU, PPGRI San Tiago Dantas) apresenta o clipping de política externa dos Estados Unidos: a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelo governo Trump e a indicação do cubano-americano Daniel Pérez como novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Aperte o play. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Tatiana Teixeira (OPEU/UFU), Hannah De Gregorio Leão (OPEU), Felipe Pereira Loureiro (USP) e Yasmim Abril Monteiro Reis (OPEU, PPGRI San Tiago Dantas). Inserção musical no final: @2krispii, “Make Conservatives Conservative Again“. Capa do episódio: BBC Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio LOUREIRO, Felipe Pereira. Olhares ianques: a ditadura brasileira nos arquivos norte-americanos. São Paulo: Companhia das Letras, 2026. Disponível em: https://www.amazon.com.br/Olhares-ianques-ditadura-brasileira-norte-americanos/dp/8535943528/ Capítulos: 00:00 Introdução 00:03 A pesquisa: quinze anos de arquivos diplomáticos 00:12 A caixa-preta da política externa: documentos públicos vs. confidenciais 00:18 A capilaridade norte-americana: militares, jornalistas, políticos e empresários 00:28 AI-5 e o aplauso civil: o empresariado na engrenagem da repressão 00:35 Do passado ao presente: os déjà vus democráticos da ditadura 00:45 O que os Estados Unidos ainda escondem sobre o regime brasileiro 00:53 Clipping OPEU: CV e PCC na lista de terroristas e o novo embaixador dos EUA The post Olhares ianques: A ditadura brasileira nos arquivos norte-americanos appeared first on Chutando a Escada.
O que resta do bolsonarismo quando o próprio Bolsonaro está preso e inelegível? Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema-Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Cláudio Gonçalves Couto (FGV-SP/OED), um dos principais especialistas em política brasileira, para discutir o bolsonarismo como governo-movimento, a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, o escândalo do Banco Master e o papel que os Estados Unidos de Trump desempenham na equação eleitoral de 2026. No boletim de notícias, David Magalhães analisa três episódios recentes que revelam as contradições internas da Rassemblement National: a fratura programática entre Marine Le Pen e Jordan Bardella sobre política econômica, a proposta de Le Pen de retirar a França do comando integrado da OTAN e a mais recente ofensiva do partido contra Kylian Mbappé — três janelas para compreender os limites da direita radical francesa às vésperas de 2027. Para encerrar, a dica cultural traz o livro Diálogos em Tempos Difíceis: Decifrando a Gramática da Nova Extrema-Direita, de Michel Gherman e Ronilso Pacheco (Editora Fósforo). Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: David Magalhães (UFU / OED), Guilherme Casarões (FIU / OED) e Cláudio Gonçalves Couto (FGV-SP / OED). Inserção musical no final: Interpretação de Sarah Hester Ross de “The Day the Nazi Died” (Chumbawamba, 1993). Capa do episódio: O globo Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio CAULCUTT, Clea. French far right misses big targets but says it is on track for presidency. Politico, 26 maio 2026. FIESCHI, Catherine. “The French Far-right’s Foreign Policy: Big Ambitions, Uncertain Directions”. In: The Populist Turn in Middle Power Diplomacy. Washington: Carnegie Endowment for International Peace, maio 2026. GHERMAN, Michel; PACHECO, Ronilso. Diálogos em Tempos Difíceis: Decifrando a Gramática da Nova Extrema-Direita. São Paulo: Fósforo, 2026. MUDDE, Cas. Distinção conceitual entre direita radical e extrema-direita. PIRRO, Andrea. Sobre o conceito de far right como categoria guarda-chuva. Universidade de Bolonha. Capítulos 00:00 Introdução 02:00 Bolsonarismo como governo-movimento 23:00 A candidatura de Flávio Bolsonaro e o escândalo do Banco Master 43:00 Trump e a influência americana nas eleições de 2026 54:00 O futuro do Congresso e a ultradireita no Legislativo 01:03:00 Boletim OED: a crise interna da Rassemblement National 01:17:00 Mbappé e o nativismo lepenista 01:24:00 Dica cultural e encerramento The post Bolsonarismo sem Bolsonaro nas eleições 2026 appeared first on Chutando a Escada.
Confira os destaques do Jornal da Manhã deste domingo (24): O pré-candidato à Presidência Renan Santos voltou a criticar a família Bolsonaro e afirmou que a direita errou ao apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ligado ao Movimento Brasil Livre e ao partido Missão, Renan defendeu a construção de uma nova alternativa política para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sem associação a escândalos. O pré-candidato também declarou que o Caso Master começou durante o governo Bolsonaro e afirmou considerar natural o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro nas investigações relacionadas a Daniel Vorcaro. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou um novo lote de arquivos sobre supostos avistamentos de objetos voadores não identificados. Os documentos incluem relatos de pessoas que afirmaram ter visto esferas verdes, discos e bolas de fogo misteriosas. A divulgação faz parte de um processo iniciado nos anos 1970 para tornar públicos arquivos do governo americano sobre fenômenos aéreos não identificados. O primeiro pacote de documentos já havia sido liberado em maio, por determinação do presidente Donald Trump, junto com a criação do site oficial WAR.GOV/UFO para hospedar os registros sobre os chamados UAPs. Um tiroteio registrado próximo à Casa Branca deixou duas pessoas baleadas neste sábado (23), segundo informações do Serviço Secreto dos Estados Unidos. De acordo com as autoridades, o suspeito sacou uma arma de uma bolsa e começou a atirar na região da rua 17 com a Pennsylvania Avenue. Agentes reagiram aos disparos e atingiram o homem, identificado pela CBS News como Nasire Best, de 21 anos, que morreu após ser levado ao hospital. Um possível transeunte também foi atingido e encaminhado para atendimento médico. Segundo a emissora americana, o suspeito já era conhecido pelas autoridades e tinha histórico de problemas de saúde mental. O Governo de São Paulo promoveu um mutirão digital chamado “Baixaço” para incentivar o download do aplicativo SP Mulher Segura. A plataforma reúne diversas funcionalidades integradas voltadas ao combate à violência doméstica e à proteção das mulheres. A iniciativa busca ampliar o acesso da população às ferramentas de segurança e fortalecer os canais de apoio às vítimas no estado. Um possível acordo entre Irã e Estados Unidos prevê que o tráfego de navios no Estreito de Ormuz volte ao nível anterior à guerra dentro de 30 dias, segundo informações divulgadas pela agência iraniana Tasnim. O memorando de entendimento também prevê a suspensão completa do bloqueio naval no mesmo período e a liberação parcial de fundos iranianos congelados ainda na primeira fase das negociações. O possível acordo inclui o fim da guerra em diferentes frentes e a suspensão das sanções americanas sobre o petróleo iraniano durante o processo de negociação. Apesar disso, o Irã ainda não teria aceitado medidas relacionadas ao seu programa nuclear. Alberto Barros, analista político da Vox Brasil, concedeu entrevista ao Jornal da Manhã para comentar o cenário das pré-campanhas presidenciais, os resultados das pesquisas eleitorais e as perspectivas para as eleições de 2026. Durante a conversa, o analista também avaliou os possíveis impactos do escândalo envolvendo o Banco Master sobre diferentes candidatos e o ambiente político nacional. O Maio Amarelo é um movimento internacional de conscientização criado para reduzir sinistros e mortes no trânsito. Desenvolvida pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, a campanha busca colocar a segurança viária em pauta na sociedade e incentivar a participação de motoristas, pedestres e ciclistas na prevenção de acidentes. A iniciativa promove ações educativas e debates sobre responsabilidade e comportamento no trânsito. A Câmara dos Deputados deve votar nesta semana a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, mantendo os salários atuais e garantindo dois dias de folga por semana aos trabalhadores. Apesar do avanço da proposta, as negociações seguem em andamento e a tendência é que o texto final seja mais enxuto, deixando temas específicos para regulamentação posterior, como os regimes especiais de trabalho, incluindo escalas 12x36 e atividades embarcadas. Para falar sobre o assunto, a Jovem Pan entrevista o deputado federal Luiz Gastão. Essas e outras notícias você acompanha no Jornal da Manhã. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
O que sobrou, 81 anos depois, da Grande Guerra Patriótica para a Rússia, do desembarque da Força Expedicionária Brasileira em Monte Castelo para o Brasil e do legado de Yalta para a ordem internacional contemporânea? Neste episódio em parceria com o Observatório Rússia e América Latina, Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat) recebe Mariana da Gama Janot (INCT-Ineu) e Valdir da Silva Bezerra (@o_russianista), mestre em Relações Internacionais pela Universidade Estatal de São Petersburgo e organizador, com Boris Zabolotsky, do livro 80 Anos da Vitória na Grande Guerra Patriótica (Blucher, 2025). A conversa atravessa a contribuição massiva (e hoje contestada) da União Soviética para a derrota do nazifascismo, a entrada do Brasil no conflito a partir das contradições do Estado Novo e o modo como a memória da guerra foi mobilizada, na era Putin, para preencher o vácuo de identidade aberto pelo colapso soviético. No bloco de notícias, Giovana Dias Branco e Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento, pesquisadores do Ruslat, repercutem o mês de abril: a reaproximação Rússia-Cuba em meio à crise energética da ilha, a suspensão temporária das exportações de fertilizantes russos e seu impacto sobre o agronegócio brasileiro, o relatório sobre o treinamento de mais de mil criadores de conteúdo latino-americanos com participação da RT em espanhol, e a Holding Accountable Russian Mercenaries Act 2.0 (HARM Act 2.0), projeto bipartidário que tenta requalificar o Grupo Wagner e seus sucessores como organizações terroristas no contexto da intervenção dos EUA na Venezuela. No último bloco, Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) conversa com Boris Zabolotsky (Unifacs) sobre a insegurança ontológica da Rússia no pós-Guerra Fria e indica três filmes incontornáveis para pensar a guerra sem glorificá-la. Aperte o play. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Daniela Vieira Secches (PUC Minas / Ruslat), Valdir da Silva Bezerra (Ruslat), Mariana da Gama Janot (Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas), Giovana Dias Branco (Ruslat), Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento (Ruslat), Laura Schneider de Lima (Ruslat) e Boris Zabolotsky (Universidade Salvador – Unifacs / Ruslat). Capa do episódio: “Raising a flag over the Reichstag”, Yevgeny Khaldei, 2 de maio de 1945. Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio BEZERRA, Valdir da Silva; ZABOLOTSKY, Boris (orgs.). 80 anos da vitória na Grande Guerra Patriótica: memória, reconstrução e perspectivas. São Paulo: Blucher, 2025. Disponível em: https://www.blucher.com.br/bezerra-zabolotsky-os-80-anos-da-vitoria-na-grande-guerra-patriotica-memoria-reconstrucao-e-perspectivas. FERRAZ, Francisco César Alves. A guerra que não acabou: a reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (1945-2000). 2003. Tese (Doutorado em História Social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001295507. VAÏSSE, Maurice. As relações internacionais desde 1945. Lisboa: Edições 70. Disponível em: https://www.estantevirtual.com.br/livro/as-relacoes-internacionais-desde-1945-HLQ-9833-000-BK. ESTADOS UNIDOS. Congresso. Câmara dos Representantes. Holding Accountable Russian Mercenaries Act 2.0 (HARM Act 2.0). Projeto de lei bipartidário, 2026. Disponível em: https://joewilson.house.gov/sites/evo-subsites/joewilson.house.gov/files/evo-media-document/wilssc_082_xml-20.pdf. KLIMOV, Elem (dir.). Vá e veja [Idi i smotri]. URSS: Mosfilm; Belarusfilm, 1985. 142 min. ROMM, Mikhail (dir.). O fascismo cotidiano [Obyknovennyy fashizm]. URSS: Mosfilm, 1965. 130 min. Documentário. BALAGOV, Kantemir (dir.). Uma mulher alta [Dylda]. Rússia: Non-Stop Production, 2019. 137 min. ASSAYAS, Olivier (dir.). O mago do Kremlin [The Wizard of the Kremlin]. França/Reino Unido, 2025. Mencionado em entrevista. Capítulos 00:00 — Abertura: 81 anos do fim da Segunda Guerra Mundial 00:04 — Valdir Bezerra: a Grande Guerra Patriótica e o legado soviético contestado 00:10 — Mariana Janot: Estado Novo, FEB e a memória disputada da participação brasileira 00:18 — Era Putin: memória, identidade nacional e renascimento militar 00:24 — O Brasil hoje: defesa, paz e o legado contra o fascismo 00:31 — Boletim Ruslat: Cuba, fertilizantes e a guerra informacional 00:37 — Leonardo Nascimento: Grupo Wagner, Venezuela e a geoeconomia do petróleo 00:44 — Boris Zabolotsky: insegurança ontológica, América Latina e três filmes contra a glorificação The post 81 anos depois: Rússia, Brasil e a memória da Segunda Guerra appeared first on Chutando a Escada.
Para entender a disputa entre Estados Unidos e China é preciso recuar até 1776. Essa é a tese de Pedro Costa Jr., editor de Geopolítica e Relações Internacionais do jornal GGN, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e autor do recém-lançado Estados Unidos versus China, a luta pelo poder global, publicado pela Editora Escuta. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos, Tatiana Teixeira, editora-chefe do OPEU, e Yasmin Reis, pesquisadora do OPEU e doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa Interinstitucional Santiago Dantas, recebem Pedro para uma conversa que articula teoria do poder global, história de longa duração e conjuntura contemporânea. A entrevista atravessa o encontro secreto entre Henry Kissinger e Zhou Enlai em 1971, a histórica visita de Nixon a Mao Tse Tung em 1972, o trauma do Vietnã, a reforma e abertura conduzida por Deng Xiaoping, a entrada da China na Organização Mundial do Comércio em 2001, o pivô fracassado de Barack Obama para a Ásia e o consenso bipartidário em Washington em torno da contenção global da China. Pedro discute por que Washington despertou tarde demais para o que Giovanni Arrighi chamou de transferência da fábrica e do cofre do mundo do Atlântico para o Pacífico e o que a aliança sem limites entre China e Rússia, firmada vinte dias antes da invasão da Ucrânia, sinaliza sobre o fim da velha ordem mundial liberal. Aperte o play. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Tatiana Teixeira (OPEU), Yasmin Reis (OPEU; PPGRI Santiago Dantas), Pedro Costa Jr. (GGN; USP). Capa do episódio: FT Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio ANDERSON, Perry. “Balanço do neoliberalismo”. In: SADER, Emir; GENTILI, Pablo (orgs.). Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995. ARRIGHI, Giovanni. O longo século XX: dinheiro, poder e as origens do nosso tempo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996. ARRIGHI, Giovanni. Adam Smith em Pequim: origens e fundamentos do século XXI. São Paulo: Boitempo, 2008. ARRIGHI, Giovanni; SILVER, Beverly J. Caos e governabilidade no moderno sistema mundial. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001. COSTA JR., Pedro. Estados Unidos versus China: a luta pelo poder global. São Paulo: Editora Escuta, 2025. FUKUYAMA, Francis. O fim da história e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992. HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995. KAGAN, Robert. The World America Made. New York: Knopf, 2012. KISSINGER, Henry. Sobre a China. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. VELASCO E CRUZ, Sebastião C. Os Estados Unidos no desconcerto do mundo. São Paulo: Editora Unesp, 2010. WALLERSTEIN, Immanuel. O declínio do poder americano. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004. Capítulos: 00:00 Introdução e apresentação do convidado 02:30 Por que os anos 1970 são o ponto nevrálgico da relação sino-americana 09:00 De fábrica a cérebro do mundo, a transferência geoeconômica para o Pacífico 17:00 A viagem secreta de Kissinger e o jantar com Mao Tse Tung 27:00 O atropelo diplomático, o tempo milenar do império do meio 40:00 A janela perdida, por que os Estados Unidos não pararam a China em 1989 55:00 O consenso bipartidário em Washington pela contenção da China 1:01:00 A aliança sem limites entre Pequim e Moscou e o fim da velha ordem liberal The post EUA x China: A luta pelo poder global appeared first on Chutando a Escada.
Em abril de 2026, depois de 16 anos no poder, Viktor Orbán foi derrotado nas urnas húngaras pelo deputado Péter Magyar e seu partido Tisza. Para Aline Burni, Research Fellow no ODI Global (Bruxelas) e pesquisadora do Observatório da Extrema Direita, o resultado é histórico. Mas o desafio de desmontar a “democracia iliberal” construída ao longo de quatro mandatos consecutivos é incomparavelmente mais complexo do que vencer uma eleição. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães (UFU; OED) e Guilherme Casarões (FIU) recebem Aline para discutir o legado de Orbán como “vitrine” e laboratório da direita radical, a coalizão negativa que viabilizou a vitória de Magyar e os impactos da queda do principal aliado de Moscou na União Europeia sobre a guerra na Ucrânia, as redes transnacionais reacionárias e a articulação geopolítica entre Trump, Bruxelas e Pequim. No segundo bloco, em substituição ao tradicional boletim de notícias, David traça um perfil de Peter Thiel após sua visita a Javier Milei na Casa Rosada, recorrendo a Quinn Slobodian (Crack-Up Capitalism) para situar o cofundador da Palantir na constelação de figuras (Patri Friedman, Curtis Yarvin, Hans-Hermann Hoppe) que pavimentam um projeto de “fuga da democracia” pela via da fragmentação jurisdicional. O episódio fecha com uma dica cultural crítica sobre Por Dentro da Machosfera, documentário recém-lançado na Netflix por Louis Theroux. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Aline Burni (ODI Global; OED), David Magalhães (UFU; OED), Guilherme Casarões (FIU). Inserção musical no final: “The Day the Nazis Died”, interpretação de Sarah Hester Ross. Capa do episódio: Cepa.org Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio: HOPPE, Hans-Hermann. Democracia: O Deus que Falhou — A economia e a política da monarquia, da democracia e da ordem natural. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2014. POR DENTRO da Machosfera. Direção: Louis Theroux. Estados Unidos/Reino Unido: Netflix, 2026. Documentário (streaming). SLOBODIAN, Quinn. Crack-Up Capitalism: market radicals and the dream of a world without democracy. New York: Metropolitan Books, 2023. THIEL, Peter. The Education of a Libertarian. Cato Unbound, 13 abr. 2009. Disponível em: https://www.cato-unbound.org/2009/04/13/peter-thiel/education-libertarian/ Capítulos: 00:00 Introdução 03:00 Aline Burni: o legado de 16 anos de Viktor Orbán 09:00 Por que o modelo iliberal ruiu nas urnas 14:00 A coalizão negativa por trás de Péter Magyar 21:00 Reconstruir a democracia: os obstáculos institucionais 26:00 A internacional reacionária sem o Orbán 37:00 Quem é Peter Thiel? Perfil de um arquiteto antidemocrático 55:00 Dica cultural: Por Dentro da Machosfera The post A vitória de Péter Magyar na Hungria appeared first on Chutando a Escada.