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A literatura indígena no Brasil passou por diversas fases e batalhou contra o apagamento em todas elas. Dos primeiros encontros com os jesuítas, que tentaram impor as regras de gramática e de assentamentos importadas da Europa, ao crescimento das publicações editorais de autoria indígena que vemos hoje. Nesse episódio, Mayra Trinca e Lívia Mendes contam mais dessa história a partir de entrevistas com a pesquisadora Carolina Rodrigues, da Unicamp, e com a escritora Trudruá Dorrico. Você vai conhecer mais sobre as primeiras gramáticas, a importância da oralidade para a literatura indígena e a relação disso tudo com a política (no passado e no presente). ____________________________________________________________________________________________________ ROTEIRO TRUDRUÁ: Cara, o Brasil é tão indígena e ele nem se dá conta assim, sabe? Do quanto ele é indígena. MAYRA: No episódio de hoje, a gente vai falar sobre a importância da escrita pra história do movimento indígena no Brasil. TRUDRUÁ: Eu entendo assim que a presença indígena nesses espaços literários, é o que faz a nossa literatura ser interessante hoje. Faz deslocar um pouco os homens brancos, jornalistas do Rio – São Paulo, assim, numa produção completamente egocêntrica. LÍVIA: E sobre como isso ganha ainda mais relevância diante de um histórico de apagamentos. CAROLINA: Que algo escrito nem sempre é um texto. Quem lê nem sempre é um leitor. E quem escreve nem sempre é um autor. MAYRA: Isso porque o ato de escrever foi, e talvez ainda seja, uma das ferramentas mais usadas pra hierarquização social. E aí, ao longo da história, isso deixou marcas que revelam muito do que a gente pensa e entende como autoria de povos indígenas no Brasil. TRUDRUÁ: A autoria coletiva indígena, ela sempre existiu. O problema é que ela foi descaracterizada por conta da história de apropriação dos povos indígenas ao Estado-nação Brasil. LÍVIA: Pra entender essas questões, conversamos com a escritora e pesquisadora Trudruá Dorrico, do povo Macuxi, e com a linguista Carolina Rodríguez. MAYRA: Eu sou a Mayra Trinca, bióloga e comunicadora de ciência e você já me conhece aqui do Oxigênio. LÍVIA: E eu sou a Lívia Mendes, linguista e especialista em jornalismo científico, e também já apareci algumas vezes por aqui. [VINHETA] CAROLINA: Eu sou pesquisadora do Laboratório de Estudos Urbanos, o Labeurb, que pertence ao Núcleo de Criatividade da Unicamp e sou também professora no departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL, também da Unicamp. É, a minha formação inicial é em letras, mas eu me especializei em linguística. Fiz o doutorado, pós-doutorado, especificamente nas áreas de análise do discurso, história das ideias linguísticas e saber urbano e linguagem. LÍVIA: Essa que você ouviu é a Carolina. Nos últimos anos, ela têm se dedicado a pesquisar a língua Guarani e as relações dessa língua com a atuação dos jesuítas na região que era a província do Paraguai. CAROLINA: Que não deve ser confundida com a província civil do Paraguai, né? Porque a província jesuítica ocupava todo o sul do Brasil, Argentina, parte da Bolívia, enfim. MAYRA: O Guarani era a língua falada pelos povos indígenas da região e que teve seus primeiros registros escritos feitos por esses jesuítas. CAROLINA: O espaço em que surge a escrita em Guarani vai determinar, a finalidade com que é introduzida a escrita nessa língua, vai determinar a relação entre escrita e oralidade, né? Vai determinar o que que é um texto, o que que é ler, o que é escrever em Guarani. LÍVIA: Os jesuítas chegaram na região por volta de 1580 e se instalaram ali, fundando a tal província. Esses missionários, tinham como tarefa estudar a língua local. CAROLINA: A finalidade principal, né, desse trabalho linguístico era se comunicar com os indígenas no dia a dia, aprender a língua, né? Que os missionários estrangeiros pudessem aprender a língua para se comunicar com os indígenas e para catequizar. A questão principal não é o cultivo da língua como bem cultural. Isso pode até ter um resquício, mas não é esse o objetivo principal. MAYRA: Essa lógica por trás do estudo do Guarani fez com que a escrita e a gramática utilizada para essa língua fosse bem diferente de outras línguas. Enquanto as línguas europeias tiveram sua escrita elaborada e rebuscada como uma forma de enriquecimento cultural, a escrita das línguas indígenas era muito mais pragmática, usada apenas como instrumento para ensinar outros jesuítas. LÍVIA: Ainda assim, a Carolina conta que as primeiras gramáticas, as primeiras organizações e regras linguísticas do mundo surgiram todas meio que juntas. CAROLINA: É interessante isso porque muitas vezes a gente pensa que “ah, as gramáticas europeias foram feitas primeiro e as línguas ameríndias, por exemplo, depois e não. Então, a diferença entre uma gramática, a primeira gramática em francês, do francês, tem dois, três, quatro anos de diferença com a primeira gramática do Nahuatl, no México, por exemplo. [começa trilha] LÍVIA: Só que nesse momento, na Europa, durante o Renascimento, as gramáticas estavam surgindo pra organizar e padronizar as línguas que representariam os Estados-nação, como o francês, o português e o espanhol. Era preciso reduzir as variações dos dialetos, fixar regras linguísticas, para dar uma ideia de unidade praquele território. MAYRA: Gramatizar uma língua, assim como escrever essa língua , é importante para consolidar regras gramaticais e fazer com que ela mude mais devagar. Por isso as gramáticas surgem com a formação dos Estados, porque conforme as nações hegemônicas iam colonizando diversas partes do mundo, levavam também consigo o processo de gramatização das outras línguas. CAROLINA: Então, essa associação, né, língua cidade através da ideia do movimento, da fixação, eles tinham que fixar a língua pela escrita e fixar os indígenas em povoados, não é? Para que, como dizia o Manuel da Nóbrega, o padre jesuíta, era preciso fazer com que ficassem quietos, né? E não se movessem o tempo todo. Ele reclamava que o trabalho da catequese era jogado fora, porque eles se mudam o tempo todo. LÍVIA: De novo a gente percebe aí a linguagem sendo usada como uma forma de dominação desses povos. O estudo da língua Guarani não estava a serviço dos povos indígenas e sim dos colonizadores. Mesmo que eles começassem a dominar a escrita de sua língua, isso não significava que eles iriam conseguir realmente se apropriar política e culturalmente dessa ferramenta. CAROLINA: A cultura é imposta como modelo, ao mesmo tempo que se impede o acesso integral a esse modelo. Porque senão a desculpa para subordinação desaparece, não é? [sobe som e encerra música] MAYRA: E a Carolina encontrou, em alguns textos da época, exemplos que mostram isso muito bem. Ela me deu o exemplo de vários textos religiosos, que eram escritos em Guarani, mas que não eram lidos pelos indígenas. CAROLINA: Porque esses textos traduzidos em Guarani, é, se destinavam aos missionários, não eram dados para a leitura dos indígenas, que eram mantidos a maior, maiormente não alfabetizados, não é? Era porque os missionários soubessem, é, aprendessem e pudessem transmitir oralmente aos indígenas. Então, na verdade, o destinatário do conteúdo do texto, né? Da mensagem religiosa, era o indígena, que não era o leitor do texto, né? Então era não era um público leitor, era um público ouvinte, era um auditório, porque quem lia era o missionário. LÍVIA: Ela também identificou o mesmo deslocamento da função do autor desse texto. Um dos exemplos mais didáticos é de um indígena chamado Nicolas Yapuguay, que publicou dois volumes de sermões bíblicos escritos em Guarani, só que sob direção de um missionário. CAROLINA: Então, o que significa sob a direção? Significa que a responsabilidade é do missionário. Bom, aí já temos uma dica, não é? Mas o prefácio é fantástico. Eu acho que Foucault leu esse prefácio para definir a função autor, né? Porque quem faz o prefácio ao livro é Paulo Restivo, o missionário. Até aí tudo bem, a gente pode fazer o prefácio de outro livro, né? Mas o que é interessante é que todos os “eus”, as primeiras pessoas, é o missionário que assume. Então, assim, ele chama o leitor de meu leitor, as doutrinas que eu te ofereço. MAYRA: Isso mostra pra gente que apresentar o Nicolas Yapuguay como autor era quase como um disfarce, um fingimento. Que ele estava ali pra que os missionários pudessem dizer que havia uma participação indígena, mas que não tinha liberdade de decidir o que ou como escrever. [começa trilha] TRUDRUÁ: Nesse processo de de entender um pouco a escrita e os povos indígenas, eu queria dizer assim que a escrita, essa escrita assim, ai, de escrever o nome, de escrever um poema, de escrever um livro ou de aprender a escrever alguma coisa que é importante assim no dia a dia, não é dessa escrita que nós estamos falando, quando a gente fala assim, ai, dos povos indígenas conseguirem escrever e serem uma sociedade desenvolvida. A gente está falando de um sistema de escrita que cria documentos, que cria cartórios, que cria notários, que cria é, que cria uma legislação para validar, por exemplo, um processo de expropriação territorial. [sobe som e encerra música] LÍVIA: Essa que você acabou de ouvir é a Trudruá Dorrico. TRUDRUÁ: Eu sou indígena Macuxi. O povo Macuxi tá no estado de Roraima. Eu sou escritora, essa é uma parte que eu atuo, no âmbito da literatura e eu também sou pesquisadora de literatura indígena e essa é a segunda parte assim da minha atuação no âmbito da pesquisa. MAYRA: Eu conheci o trabalho da Trudruá num grupo de leitura que eu faço parte. A gente leu “Originárias: Uma antologia feminina de literatura indígena”, que é uma coletânea organizada por ela, mas com histórias de diversas autoras de diferentes povos. Ela faz parte de um movimento contemporâneo de autores indígenas, como Daniel Munduruku, Ailton Krenak, Eliane Potiguara, Geni Nuñez e por aí vai. LÍVIA: A literatura indígena passou por diferentes fases no Brasil. Ela começou muito antes da chegada dos jesuítas, com a cultura oral, ainda sem registros escritos. Essa primeira fase, estruturada na oralidade, ainda é muito pouco aceita como literatura. Vamos falar disso um pouco mais pra frente, continua por aqui pra entender. MAYRA: Então, os registros dos jesuítas formam uma segunda fase, com os primeiros textos escritos, como a gente viu, mas não exatamente respeitando a cultura indígena. LÍVIA: Depois, a gente teve, durante o modernismo, lá da semana de 22, autores como Mário de Andrade, autor de Macunaíma, por exemplo, se apropriaram de histórias indígenas naquela onda da antropofagia e ficaram famosos por isso. TRUDRUÁ: O José de Alencar, Mário de Andrade e Oswaldo de Andrade fizeram carreira sobre com o nacionalismo indígena. Então, é uma terceira fase que a gente fala assim: “É, mas agora a gente vai escrever. A gente vai fazer nossas histórias, a nossa literatura com esta identidade, porque esta identidade é um território que o Brasil precisa reconhecer, que tudo o que diz respeito a nós tem valor e tem alguém ali para reivindicar dizendo assim: “Ó, você não vai falar de nós de qualquer jeito, como se a gente fosse nada ou como vocês estavam acostumados a tratar a gente”. Eu acho que é por isso que talvez esse identitarismo ameace, né? Porque essa pessoa não tá pronta ainda, ela tá muito mais na defesa de: “Ai, nossa, vai me podar, de pesquisar, vai me podar, de escrever, vai me podar, de publicar, vou ser malvista”. Vai mesmo. Vai, vou te dizer com certeza que vai. MAYRA: A Trudruá tá falando aqui de pessoas que falam sobre os povos indígenas ou sobre elementos da cultura indígena como se fossem donas desse saber, ignorando o movimento e a história desses povos. Como livros ou mesmo pesquisas acadêmicas que se apropriam desse conhecimento sem dar os créditos, as referências ou mesmo sem ter representantes indígenas fazendo parte do trabalho. LÍVIA: Isso porque, como a Trudruá contou na entrevista, esses escritores e pesquisadores sempre viram as práticas indígenas como “sem dono”. O motivo está no fato de que a maioria dos povos indígenas não tinham e ainda, em algumas regiões, continuam não tendo acesso ao domínio da escrita de suas línguas maternas. Por esse motivo não era considerada a participação do próprio indígena nessas produções. TRUDRUÁ: Eu acho que esse argumento, ele foi utilizado assim por muitos anos, por por décadas, né? Pelos indigenistas e também pelos professores que é que sempre pesquisaram povos indígenas e se tornaram porta-voz desses povos indígenas. E eu acredito assim que é boa fé, o fato é que isso virou uma tradição e essa tradição acabou colocando, né, esses pesquisadores que muito colaboraram, muito ajudaram, não tô nem julgando isso, mas colocou eles assim como paladinos, né? Colocou como representantes de povos indígenas, como uma voz, é, de autoridade, uma voz de tradução entre dois mundos. Traduziu o mundo branco para os indígenas e traduziu o mundo dos indígenas para os brancos. Então, essas pessoas eram as autoridades. MAYRA: É uma ideia que tá muito ligada a noção de que povos que usam a escrita são, de alguma forma, superiores do que sociedades que chamamos àgrafas, ou seja, que transmitem seus conhecimentos exclusivamente por meio da tradição oral, sem ter desenvolvido um sistema próprio de escrita. Eu vou trazer a Carolina aqui de volta pra ajudar a gente a entender isso. CAROLINA: Olha só, de novo, porque os europeus então gramatizaram as línguas do mundo, instrumentaram as línguas do mundo a partir do modelo que eles tinham usado da gramática grecolatina e também transformaram os espaços do planeta, os territórios a partir do modelo urbano europeu. Então, veja como os processos de gramatização massiva também coincidem com o processo de urbanização, isto é, de transformação das línguas e dos territórios do planeta, né, em direção ao modelo da escrita e da gramática da cidade europeia, não é? LÍVIA: É como se, porque a história da europa seguiu esse caminho, passando da tradição oral pra tradição escrita, do nomadismo para as cidades, todas as sociedades do mundo tivessem que fazer o mesmo percurso. CAROLINA: Então, esse modelo da escrita, esse modelo da cidade, nesse discurso historiográfico, né? Vai estabelecer uma relação entre espaço e tempo, né? Por quê? Porque as sociedades, cujas formas de vida não produziram esse modelo específico de espaço que é a cidade, né? São jogadas situadas para trás no tempo, são pré-históricas, estão atrasadas, não chegaram lá. Então, há uma temporalidade que vai ser acionada a partir do modelo de espaço, que é produzido a partir de suas tecnologias, entre as quais a escrita, não é? MAYRA: Só que essa é uma visão bem distorcida de como as coisas funcionam. Não é porque a escrita foi necessária pra organização de um modo de vida que ela é essencial em todas as configurações sociais. LÍVIA: E tem uma questão muito importante aqui. É que essa leitura de mundo não vem sem propósito, “sem querer”. Ela foi moldada pra justificar uma ideia de superioridade. CAROLINA: Você estar numa sociedade de escrita e não dominar a escrita é uma grande desvantagem. Né? Não ser alfabetizado numa cidade é uma grande desvantagem. A questão é quais são as explicações, né? E como isso acaba sendo ontologizado. É uma característica ontológica dessas sociedades ou desse sujeito, não é? Então, de fato, o que há, é, é o que eu chamei de uma memória da língua marcada pela escrita e uma memória do espaço marcada pelo urbano. Eu explico, né? O que que é memória no sentido discursivo, da análise do discurso. Memória não é lembrança, é o contrário, digamos, ou pelo menos esse tipo de memória discursiva. É aquilo que já foi dito, esquecido e passou a ser do senso comum e faz sentido nas próprias palavras, não é? Então, a gente tem essa memória da escrita, memória da escrita, o que que é? Você imagina a língua, você imagina através da escrita alfabética, não é? Você vê um espaço que não tem cidade, parece um espaço vazio e não tá vazio, né? Por exemplo, uma floresta, o espaço de populações indígenas, não é? MAYRA: É como se houvesse, ainda que de forma inconsciente, uma associação automática entre cidade e progresso, linguagem e “inteligência”. É como dizer que uma pessoa analfabeta não sabe ler porque não quer, ou porque não tem capacidade, e, assim, excluir completamente o papel do Estado, da escola e de outras pessoas no processo de transmitir essa habilidade. A Carolina deu um outro exemplo muito bom de como isso foi manipulado pra fazer povos indígenas parecerem menos capazes do que as pessoas brancas. CAROLINA: A educação literária, artística, da escultura, da pintura e da música são considerados como o modelo, né, de educação aos indígenas. Mas aí você vai nos povoados e mostram, essa daqui é escultura feita por um indígena, essa aqui para um europeu. E de acordo com esse modelo a feita por um indígena aparece uma caricatura muito simplificada, né? É, então como se apresenta isso, né? Olha, os jesuítas até ensinaram, mas até aí eles conseguiram chegar, mas então esse resultado aquém, de acordo com certo modelo, se apresenta como uma incapacidade lógica, natural dos indígenas. Eles não conseguem se apropriar desse modelo, então tem que se manter como subalternos, né? O que não se diz é que aos indígenas não se ensinava as técnicas de preparatórios para fazer uma escultura que se ensinava aos escultores europeus nas escolas de artesãos europeus. Simplesmente se dava o pedaço de madeira para os artistas e falaram: “Olha, copia aqui” LÍVIA: Se a gente parar pra reparar, a mesma lógica continua até hoje nos discursos meritocráticos, né? É uma ideia de que a habilidade de uma pessoa, seja ela indígena ou não, só depende do seu esforço individual. E assim oculta completamente o papel da sociedade de ensinar as bases necessárias pra isso. MAYRA: E tem outro ponto interessante aí. Olha como a gente tem todo um referencial do que deveria ser uma sociedade, baseado quase que exclusivamente num único modelo: o europeu. A escultura, a música, o jeito de se vestir, tudo segue as regras estabelecidas na Europa. Só que na maioria das vezes, isso não é colocado em perspectiva, né? É naturalizado, colocado como um processo único pro mundo todo. CAROLINA: Como se isso fosse um, um, um processo inexorável, não é? LIVIA: Quando na verdade a gente devia tá olhando pra isso mais como possibilidades de modos de viver numa diversidade gigante de culturas. Só que é muito natural, por conta da nossa história, a gente achar que o que vem desse padrão europeu é sempre o melhor. CAROLINA: Uma coisa importante, isso não tem a ver com o que a gente acha de melhor ou pior. No sentido de que se você nasce e cresce numa numa sociedade urbana e da escrita, pode achar absurdo não escrever a língua ou não se fixar, mas esse é problema seu, vamos dizer assim, não é? Porque assim, você não é o centro. Não é? Então, não precisa gostar. [trilha sonora] LÍVIA: Até hoje, a escrita tem sido um reflexo disso. Ao longo da idade média, como a escrita tinha praticamente sido sequestrada pela Igreja na Europa, fazendo com que fosse quase exclusiva dos sacerdotes, ela se tornou um símbolo de conhecimento. MAYRA: Como se um conhecimento só tivesse valor se estiver escrito, aquela ideia de que isso garante que ele será transmitido pro futuro. Isso também explica, voltando no que a gente tava falando antes, porque a primeira fase da literatura indígena, que tava na oralidade, não é considerada. TRUDRUÁ: Tem muita produção indígena que é uma produção intelectual que esteve no âmbito do imaterial, porque os povos indígenas foram impedidos de desenvolver sua própria escrita e ao mesmo tempo foram impedidos de adotar a escrita alfabética, né? Esse foi um jogo sistemático do Estado para impedir a presença indígena na sociedade brasileira. LÍVIA: Ou então, de forma mais sutil ou até mais perversa, o que era feito era diminuir a identidade indígena de quem escrevia. Uma coisa de “se sabe escrever, então já não é mais indígena”. Um pensamento totalmente relacionado àquela ideia de progresso linear que a gente falou agora pouco, que considera os povos indígenas como se estivessem num estágio cultural anterior e inferior aos dos povos europeus. TRUDRUÁ: Nesse caso, quando os povos indígenas e os sujeitos indígenas, eles começam a a escrever, a publicar, a romper essa tradição de que tudo que eles têm está na oralidade e quando está na oralidade não pertence a eles, é, eles, né, os primeiros escritores eles vem com essa tradição de dizer: é, não tem autoria porque vocês nunca deixaram, o país nunca deixou, nunca considerou, né, que um indígena que escrevesse, falasse língua portuguesa ou conhecesse os costumes da sociedade dominante pudesse ser considerado indígena. O que eu quero dizer com isso é não não não temos direito à nossa propriedade intelectual, material que tá na oralidade, eh porque eh ao escrever elas não somos mais tão indígenas. MAYRA: Aqui é importante a gente parar e explicar algo com mais calma, porque mesmo pra mim isso não tava bem claro quando comecei a conversar com a Trudruá pra esse episódio. TRUDRUÁ: Quando você fala de oralidade, eu penso em um sistema, em um dispositivo de memória que é trabalhado assim pelos povos indígenas. Quando você fala de de fala de de voz alta, você tá falando desse oral. né, de uma fala oral. Então são um é sistema de conhecimento, um é prática. Então são diversos, né? TRUDRUÁ: Não podemos entender a oralidade como uma fala, como se ela não tivesse consciência, mas ela tem um sistema todo organizado, é de memória mesmo, assim, que vai de geração em geração e vai ensinando valores e e, e, né, tem uma ciência, né, que a compõe. LÍVIA: Ou seja, quando a gente tiver falando de oralidade aqui, estamos falando de um conjunto de práticas que faz parte de uma tradição de centenas de anos, que foram capazes de fazer permanecer o conhecimento, sem precisar de recursos escritos. MAYRA: De certa forma, isso permeia o trabalho da Trudruá como escritora hoje. Eu ouvi uma entrevista dela falando sobre o último livro que publicou, o Tempo de Retomada, e como ela tinha o hábito de ler em voz alta pra mãe dela quando tava trabalhando no texto. TRUDRUÁ: Quando eu penso texto escrito, eu me preocupo muito assim com, é, com uma sofisticação que elas são contadas nessa oralidade. E aí nessa, quando a minha mãe tenta me passar certos valores, eu fico assim impressionada, porque eu realmente me sinto indo para um outro tempo a partir da palavra, eu me sinto viajando assim num outro tempo. E era, e era essa ideia assim de talvez transportar as pessoas para esse tempo que eu nunca sei se eu vou conseguir, ou nunca sei se as pessoas vão se abrir para elas, mas é uma preocupação de que é, talvez o mesmo ritmo ou o mesmo balanço que que eu escuto e que eu sinto, né? MAYRA: Durante a entrevista, eu comentei com a Trudruá como eu tenho percebido um pouco um movimento na literatura de resgatar esse jeito de contar histórias. Como eu falei, eu participo de um clube de leitura e isso é algo que vira e mexe aparece por lá. De como é gostoso ler um livro que você tem a sensação de que a autora tá ali falando mesmo com você. LIVIA: A Trudruá contou pra gente que, além do contato com as histórias contadas pela mãe, ela também teve, desde sempre, uma ligação muito forte com a literatura. E que os livros sempre tiveram um papel muito importante, não só de companhia, mas de vivência pra ela. TRUDRUÁ: Eu cresci com a literatura e a literatura me fez viajar por tantos mundos, me faz sonhar, me faz chorar, me faz é, me faz sentir uma magia que de artista, então eu não poderia desejar outra coisa que não, né, viver com a palavra. E aí nesse sentido eu eu também entendo que dá para levar um pouco essa magia nessa escrita literária. E esse era o trabalho assim, de talvez transportar um pouco aquilo que eu sinto quando eu escuto essas histórias. E aí o trabalho, ler em voz alta é importante, assim como ler em silêncio também, mas como eu tenho essa preocupação que a minha comunidade leia, eu também fico pensando assim: “Ai, como que elas podem como que elas vão ler isso, a disposição das frases, desce isso para ir num ritmo tão longo, né? Esse trabalho escrito, prático, de como pode também emular uma certa um certo oral. MAYRA: Uma coisa importante, como dá pra perceber nas falas da Trudruá quando ela tá falando sobre o que espera dos livros dela, é que essa oralidade, tanto a tradição, quanto o hábito de ler em voz alta, tão muito relacionados com o coletivo. E aí entra outro ponto importante. Não é porque um conhecimento é coletivo, que ele é de todo mundo. TRUDRUÁ: Um segmento assim que fica muito evidente no Brasil é o núcleo de folcloristas, o núcleo de estudiosos assim brasileiros que que olham para esses conteúdos, olham para esses materiais, para essas narrativas e entendem ela como uma cultura popular. A cultura popular nesse sentido de que ela é de todo mundo, mas não tem uma autoria específica. E isso é muito conveniente quando você, né, é, consciente ou inconscientemente, você rouba, é, narrativas prontas, narrativas criativas, fantásticas de outros povos para dizer: “Ah, isso faz parte da cultura brasileira no singular” LÍVIA: A Trudruá deu exemplos como o guaraná, a mandioca ou uma série de medicamentos que foram descobertos e desenvolvidos por povos indígenas, mas que nunca foram reconhecidos como autores ou proprietários dessas técnicas. MAYRA: E que depois, foram coisas incorporadas à cultura brasileira, como se todas as pessoas do país tivessem a mesma relação, a mesma história com esses elementos. E com isso, ignorando que os povos indígenas tiveram um papel fundamental nesse processo. LÍVIA: Lembra que a gente falou sobre como a primeira fase da literatura indígena, aquela da tradição oral, não é reconhecida? Isso porque quando a gente fala de oralidade, é difícil identificar um autor. E essa brecha foi usada pela sociedade brasileira como uma estratégia de incorporar essas histórias numa narrativa nacionalista. MAYRA: Só que isso, ao invés de valorizar os conhecimentos tradicionais e a individualidade de cada povo, como costuma ser dito por aí, acaba, na verdade, apagando a participação e a autoria dessas pessoas na sua própria história. [trilha sonora] TRUDRUÁ: Mas sobre a identidade indígena, vai ser algo que eu nunca vou abrir mão. E eu digo como escritora e eu digo como indígena, porque assim, a história brasileira e a história literária brasileira, tudo que ela quis foi apagar a identidade indígena para se apropriar das nossas narrativas. Quando a gente se coloca com essa identidade, a gente demarca um território simbólico de dizer: “Isso aqui não tá livre. Isso aqui não é terra de ninguém. Isso aqui tem uma autoria coletiva. Tem uma propriedade material que pertence a nós. Não é seu. Não é seu, brasileiro. LÍVIA: Por isso é tão importante hoje esse movimento de autores indígenas no Brasil. Ele ajuda a retomar uma série de histórias aos seus autores originais, dessa vez com os devidos créditos e com sua própria voz. TRUDRUÁ: E a autora individual, é essa autoria, que tá no mercado editorial e que vem reforçando, que vem para reforçar os valores, né, dos povos, das comunidades, mas o fato de tá no mercado editorial e circular, ela alcança um outro uma outra visibilidade, inclusive lançando luz a essa autoria coletiva MAYRA: E aí, obviamente, esse movimento acompanha o posicionamento político dos povos indígenas no Brasil. TRUDRUÁ: Tem um filósofo, tem um teórico da literatura que se chama Emil’ Keme, ele é do povo Maia Quechua da Guatemala. E ele fala que não é possível separar a teoria literária indígena da política indígena, porque elas caminham juntos. Quando os indígenas eles pegam a escrita para publicar e etc, estudar mesmo, eles entendem a escrita como uma técnica, a língua como uma técnica que vai ser essa transportadora dos desejos da luta do movimento indígena. Então, a gente entende, alinhado a política indígena, a gente entende, uma teoria da literatura que vai seguir as mesmas políticas que os povos indígenas tão tentando em termos de autonomia. Então, a política indígena fala do direito ao nome. Todos os autores indígenas que eu conheço, ou eles adotaram o nome de povo, ou eles adotaram o nome da tradição. Mas se você olha em documentos, eh que não faz, sei lá, 10 anos que tem 20 anos que tem essa política, eles têm nomes brasileiros, nomes e sobrenomes brasileiros por conta da política de que proibia nomes indígenas. Então, isso acompanha também dentro da literatura a política indígena. LÍVIA: Com esse movimento, a gente também tá tendo a oportunidade de conhecer mais da tradição indígena e de ter acesso a cultura de tantos povos indígenas que existem no brasil, aprendendo inclusive as diferenças que existem entre eles. TRUDRUÁ: Os escritores estão acompanhando as linhas de da política indígena, que é autonomia, soberania, autodeterminação. E é tão falso e isso de que a literatura indígena vai repetindo, vai falando das mesmas coisas, porque os temas indígenas, eles são tão abertos e são tão variados, assim, só fala isso quem nunca leu a literatura indígena. Porque, entrar no mundo da identidade indígena, ela é muito, assim, é um mundo muito amplo. A gente tá falando de uma identidade indígena, mas a gente tá falando de quase 400 povos indígenas, de quase 300 línguas faladas culturalmente, como elas são diversas entre si. Eu acho que quem fala isso nunca nem se aproximou da das culturas indígenas para entender um átimo dessa dimensão que é essa riqueza cultural. MAYRA: E também de pensar como a gente pode tentar se aproximar de outras formas de viver e entender o mundo. No grupo que eu faço parte, sempre que lemos alguma coisa de literatura indígena, a conversa rende muito nesse sentido, em pensar pequenas mudanças que a gente pode tentar trazer pra nossa realidade, inspiradas nessas outras culturas. TRUDRUÁ: E aí uma das coisas que eu amo, amo na literatura indígena é que não tem nada do amor romântico, mas não tem mesmo assim, sabe? Amo, sabe essa ideia de ai nossa, as mulheres foram abandonadas pelos homens, é, e as mulheres o que que elas fizeram? Ah, elas foram procurar outros maridos. Tchau amor, tchau e benção assim, é completamente, assim vai completamente na contramão do que a gente foi ensinado. De ficar chorando, de ficar se lamentando. [sobe trilha] LÍVIA: E falando em grupos de leitura, pra encerrar nosso episódio, a Trudruá pediu pra deixar um recadinho pra vocês. TRUDRUÁ: Eu tenho uma página no Instagram que se chama Leia Mulheres Indígenas. E aí eu tô com uma proposta para 2026 de abrir um clube de leitura do Leia Mulheres Indígenas. TRUDRUÁ: Como que você vai apreciar melhor essa leitura e essas produções se vocês não sabem, né? De onde que a gente parte, quais são os princípios, quais são os valores. E aí eu tô querendo muito abrir um clube de leitura para 2026, espero que dê certo. E é convidar todo mundo para, sei lá, tá com a gente, abrir o debate, ler, se se encantar ou se desencantar também, tá valendo, né? Tá tudo valendo. MAYRA: Fica aí o convite pra seguir a página e ler mais livros escritos por autoras indígenas. Eu sou a Mayra Trinca, produzi e escrevi esse roteiro, com pitacos e revisão da Lívia Mendes. A edição também é minha. LÍVIA: Aproveita quando for seguir a Trudruá e procura a gente, somos Oxigênio Podcast em todas as redes sociais. A trilha sonora é do blue dot session e os créditos estão na descrição desse episódio. A vinheta é do Elias Mendez. MAYRA: O Oxigênio tem apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp e é coordenado pela Simone Pallone. Obrigada por ouvir, e até a próxima! Trilhas: Trailmaker by https://app.sessions.blue/browse?trackId=384027 Thunderpass by https://app.sessions.blue/browse?trackId=385385 Posh and Vine by https://app.sessions.blue/browse?trackId=385621
O Roda Viva desta segunda-feira (20) recebe o escritor e professor Daniel Munduruku.Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo e pós-doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos, Munduruku é autor de mais de 70 livros e tornou-se recentemente o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Paulista de Letras em seus 116 anos de história. Durante a entrevista, o escritor aborda a literatura como sua “forma de fazer política” e destaca que o reconhecimento acadêmico e institucional não apaga a ancestralidade; ao contrário, reforça a capacidade dos povos indígenas de ocupar diferentes espaços sem abrir mão de sua identidade. A bancada de entrevistadores será formada por Anápuàka Tupinambá, jornalista e criador da Etnomídia Indígena e da Rádio Yandê; Auá Mendes, artista visual e arte-educadora do povo Mura; Carlos Messias, escritor e jornalista; Carolina Dantas, editora da InfoAmazonia; Laís Duarte, repórter da TV Cultura; e Maria Luiza Silveira, psicóloga e jornalista especializada em questões indígenas. O programa conta ainda com a participação do cartunista Eduardo Baptistão.
No quinto episódio do programa Historicizando Lideranças Indígenas Contemporâneas, os alunos Kauã Marcos Malagutti e David Junior da Silva abordam um dos maiores nomes da literatura indígena brasileira: Daniel Munduruku, ganhador de dois Prêmios Jabuti, do Prêmio da Academia Brasileira de Letras de melhor livro infantil e do Prêmio UNESCO pela promoção da tolerância e da não-violência.
Em mais um episódio da série "Por que ler...", Arthur Marchetto e Cecília Garcia Marcon recebem o professor, pesquisador e escritor Bruno Anselmi Matangrano para discutir o pensamento de Ailton Krenak.Os três conversam sobre seu pensamento filosófico, as contribuições e otimismos nas discussões sobre o capitalismo, colapso climático e o possível fim de um mundo.Além disso, é possível descobrir algumas coisas sobre suas particularidades de escrita e descobrir outros livros que aprofundam os pensamentos e imaginários de varias tradições indígenas.---LinksApoie o 30:MINSiga a gente nas redesJá apoia? Acesse suas recompensasConfira todos os títulos do clube!---Bruno Anselmi Matangrano - Academia.eduBruno Anselmi Matangrano - Research GateFantástico brasileiro: O insólito literário do romantismo ao fantasismo, de Bruno Anselmi Matangrano e Eneias TavaresContos para uma noite fria, de Bruno Anselmi MatangranoOs ebálidas de pseudo-outis, de Bruno Anselmi Matangrano---Livros citados no episódioA vida não é útil, de Ailton KrenakIdeias para adiar o fim do mundo, de Ailton KrenakFuturo ancestral, de Ailton KrenakO amanhã não está à venda, de Ailton KrenakCada remada uma história, de Tiago Hakiy, Daniel Munduruku, Cristino Wapichana, Roni Wasiry e Mauricio NegroOriginárias: uma antologia feminina de literatura indígena, organizado por Trudruá Drorrico e Maurício NegroNós: uma antologia de literatura indígena, organizado por Maurício NegroKuján e os meninos sabidos, de Ailton Krenak e Rita CarelliUm rio um pássaro, de Ailton KrenakEncontros: Ailton Krenak, organizado por Sergio CohnTerrapreta, de Rita CarelliA morte e o meteoro, de Joca Reiners Terron---Outras citaçõesRoda Viva com Ailton KrenakPlaylist Conversas na rede com Ailton Krenak
No programa de hoje, Andrea Soares e Leandro Medina, nos convidam a pedalar pela praça de uma cidade e conhecer a misteriosa história do homem que roubava as horas, escrita pelo escritor indígena Daniel Munduruku. No quadro “O tempo das Coisas” vamos falar sobre a idade dos bichos e tem ainda, as aventuras do Arapapá. • Coordenação: Carolina Velho (Oficial de Educação Infantil do UNICEF no Brasil) e Erondina Silva (Oficial de Educação do UNICEF no Brasil) • Produção, criação de conteúdo, composição e locução: Andrea Soares e Leandro Medina • Músicos: André Hosoi / Andrea Soares/ Leandro Medina / Marcelo Monteiro / Raphael Gomes. • Edição final: Zabelê Medina • Revisão técnica: Rhaisa Pael (Especialista em Educação Infantil) e Diana Salles (Consultora de Educação Ambiental)
Qual é a importância da literatura indígena? O escritor - e muitos outros títulos - Daniel Munduruku, fala sobre isso e muito mais em seu episódio, representando o pilar Contexto. Aperte o play e inspire-se!
No episódio de hoje, vamos conversar sobre a literatura infantil e juvenil e os povos indígenas, com @danielmundurukuoficial, escritor, professor, ator e ativista indígena.
Este é um episódio especial do Podcast do PublishNews. Vamos contar um pouco dos 50 anos da Global Editora, que está de aniversário. A Global foi criada em 16 de outubro de 1973 e é reconhecida como uma casa editorial especializada em autores brasileiros. Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Orígenes Lessa, Cora Coralina, Marina Colasanti, Ana Maria Machado, Rubem Braga, Bartolomeu Campos Queirós, Câmara Cascudo, Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre, Ignácio de Loyola Brandão, Marcos Rey, Mario Quintana, João Carlos Marinho, Mary e Eliardo França, Sérgio Vaz entre tantos outros, compõem um acervo como poucos quando o assunto é literatura brasileira. E para contar um pouco desta história, vamos começar este episódio ouvindo o fundador da Global, Luiz Alves Júnior. O editor – que este ano também completa 80 anos – fala das suas jóias da coroa, seus dezessete autores exclusivos, e também quem foram seus primeiros autores contratados. Ele detalha o seu início da Global como distribuidora em canais, que hoje chamaríamos de alternativos, como farmácias e táxis. E também de como Carlos Drummond de Andrade escreveu sobre como ficou impressionado como livros eram vendidos em um táxi em um fusca. No fim, para ele, a Global era não fruto da mente de um editor, mas sim de um vendedor. E nos últimos anos, a Global é gerida pelos seus dois filhos, Jefferson e Richard. E também vamos ouvir duas peças importantíssimas dentro do Grupo Global: André Luis Silvestre Souza, o Cafu, gerente executivo de vendas, e Gustavo Tuna, gerente editorial de literatura. Eles falam do que levou a Global até onde está hoje e de como estão se preparando para os próximos 50 anos. Em seguida ouviremos os autores (ou herdeiros dos grandes autores), contando um pouco do legado que a Global construiu nestas 5 décadas de vida. Os áudios a seguir foram retirados do documentário GLOBAL EDITORA - 50 ANOS - Nossa história, disponível no canal do Youtube da Global Editora ¸ GLOBAL EDITORA - 50 ANOS - Nossa história Começamos com Sônia Freyre, filha de Gilberto Freire, e em seguida Ana Maria Machado, Daniel Munduruku, Paulo Rocco, Daliana Cascudo, neta de Luís da Câmara Cascudo, escritor Toni Brandão, e depois, Ignácio de Loyola Brandão, Elizabeth Serra, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o editor Jiro Takahashi; o escritor Sérgio Vaz, Vicência Bretas Tahan, filha de Cora Coralina, Eduardo Tess Filho, herdeiro de João Guimarães Rosa.E o presidente da Fundação Biblioteca Nacional Marco Lucchesi,Temos ainda o depoimento também do Diretor Editorial e de Produção da Global, Jefferson Alves e o diretor-geral da Global editora, Richard Alves --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/podcast-do-publishnews/message
Aproveitando a proximidade do Dia Internacional dos Povos Indígenas, o Autores e Livros dessa semana traz cinco autores indígenas que merecem ser lidos e conhecidos: Truduá Dorrico, Daniel Munduruku, Olívio Jekupé, Yaguarê Yamã e Graça Graúna. O Dia Internacional dos Povos Indígenas foi instituído pela ONU em 1995 para celebrar a importante presença dos povos originários na preservação da memória, da oralidade e da natureza. Segundo Daniel Munduruku, “em todo o planeta há presença desses povos que são considerados resilientes na defesa de um modo de vida baseado no coletivo e no bem-viver”. Na entrevista da semana, Rafael Gallo fala sobre o romance 'Dor Fantasma', vencedor do Prêmio Literário José Saramago.
Daniel Munduruku é um escritor e professor paranaense pertencente ao povo Munduruku. Ele é autor de mais de 50 livros e é graduado em Filosofia, História e Psicologia. Além disso, possui mestrado em Antropologia Social pela USP, doutorado em Educação também pela USP, e realizou pós-doutorado em literatura pela Universidade Federal de São Carlos. Com mais de 25 anos de trajetória literária, é um renomado escritor com dois prêmios Jabuti. Neste episódio, Daniel fala sobre temas relacionados à sua formação educacional, tanto permeado pela ancestralidade dos povos originários como também dentro das Universidades. Ele discute a concepção ocidental de tempo, além de refletir sobre a desconexão do homem branco com a natureza e as consequências dessa falta de harmonia. Ele também explora a relação das crianças com a capacidade de sonhar. Daniel nos brinda com suas reflexões e insights sobre esses temas, trazendo sua perspectiva única como escritor e professor pertencente ao povo Munduruku.
Com Daniel Munduruku, o Papo debate a visão estereotipada sobre os povos indígenas. Também fala sobre usar as redes sociais como currículo e sobre acreditar em sinais.
O Brasil vive um momento histórico decisivo, principalmente para os povos originários. Os últimos quatro anos foram marcados por um contexto inédito de ataques contra os cidadãos indígenas, seus direitos e seus territórios.
Nesta edição do Isso é Bahia Entrevistas, temos o prazer de receber, Daniel Munduruku - Escritor e filósofo.
Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert recebem o ator Mateus Solano e os professores e filósofos Daniel Munduruku e Mário Sérgio Cortella pra falar de um sentimento que faz a gente ver uma luz onde antes só havia escuridão: a esperança.
SEXTA, 13/05/2022: Hoje é sexta-feira 13 e você sabe o que isso significa? Significa que, ao longo do dia, muita gente vai perguntar se você tem superstições ou se você gosta de assistir filmes de terror. Eu não gosto de filmes de terror, mas assisto todos os dias, pelas oito e meia da noite. É Jornal Nacional que chama. O noticiário da Globo - e outros - tem sido o maior filme de terror dos brasileiros nos últimos três anos e meio. A pior parte é que não é ficcional. Em instantes você vai ouvir, no Café Expresso de Notícias, o resumo do terror do dia. Antes, quero destacar apenas uma das notícias desse filme de terror de mau gosto que vivemos: os ataques do Bolsonaro, com apoio das Forças Armadas, ao processo eleitoral, porque ele sabe que vai perder. Ontem o presidente do TSE subiu o tom e disse que quem trata de eleição são as Forças Desarmadas. Milico não tem que dar palpite em eleição porque a gente também não dá palpite na pintura de meio-fio. Mas a Forças Desalmadas estão ensaiando o golpe a mando do presidente, talvez com energia extra pela mistura de leite condensado com Viagra. Isso é sério, é terrível, mas ao mesmo tempo é ridículo. E é justamente o lado trash dessa história de terror que vai ficar para o futuro.CAFÉ COM SÉRIE, com Rafaela SantosIluminadas, série da Apple TV+, com Elisabeth Moss e Wagner Moura, reúne elementos como investigação, mistério, assassinatos e viagem no tempo.CAFÉ COM POESIA, com Juliana Coelho NettoCom texto de Daniel MundurukuBORRA: Mais um lançamento dos Marcheiros, dessa vez debochando do desespero do Bolsonaro contra a eleição.SAIBA MAIS: https://primeiro.cafe/APOIE: https://apoia.se/primeirocafe
Quer bons motivos pra assistir esta #CIROGAMES? Então, receba! Vamos ter a presença de Daniel Munduruku, dono de um talento e de uma sabedoria que, com certeza, vão lhe inspirar. E, claro, uma série de reacts demolidores. #LiveDoCirão #ReactDoCirão #Brasil #CiroGomes
Janelas Filosóficas III - 13ª sessão - 09.11.2021 - Minicurso "Concepções de si, do outro e do mundo, e Ancestralidade" - Parte 1: VOZES INDÍGENAS Painelista: Daniel Munduruku Mediadora: Maria Aparecida Bergamaschi A literatura indígena é uma realidade que já se inscreve na identidade nacional. A questão que se impõe é como ela pode superar o estigma de ser literatura sem deixar de ser indígena. Isso é possível? Como torná-la um novo paradigma capaz de superar a própria e canônica literatura brasileira? Essa conversa com Daniel Munduruku estabelecerá algumas respostas para que isso possa ser pensado pelas novas gerações de escritores e escritoras, indígenas ou não.
A literatura produzida por indígenas é destaque no Autores e Livros Nesta semana, o Autores e Livros apresenta escritores indígenas. Poetas, compositores, dramaturgos, esses homens e mulheres de diversos pontos do Brasil trazem no seu texto a resistência e a memória dos povos originários. No programa, dicas de livros para adultos e crianças escritos por indígenas. E a poesia da escritora, professora e ativista Marcia Kambeba marca presença no Encantos de Verso Autores no programa: Daniel Munduruku, Kaká Werá Jecupé, Marcia Kambeba, Eliane Potiguara, Edgar Borges.
Quando falamos de línguas indígenas, a primeira coisa que pensamos é que todos os povos falam Tupi. Isso não está correto. São mais de 150 línguas. E o perigo: mais de 1000 línguas indígenas deixaram de existir nos últimos 500 anos. Para falar sobre as línguas indígenas e a literatura, Célia responde Lázaro Ramos, Eliane Brum e Ana Furtado nesse episódio do papo de Parente Um episódio sobre a produção intelectual indígena. Sobre a tradição literária, seus autores e conteúdos e sobre uma riqueza linguística que são os diversos idiomas indígenas. Nesse episódio, Célia ainda recebe o escritor Daniel Munduruku, autor de mais de 50 livros publicados.
Obrigado por ouvir! Nesse podcast, falamos sobre a Importância de Daniel Munduruku ao ressaltar suas obras literárias e função social ao difundir as narrativas e costumes indígenas. Espero que gostem ! As pessoas fazem muitos planos, mas quem decide é Deus, o Senhor. Provérbios 19:21
Para o premiado escritor indígena Daniel Munduruku, autor de 54 livros, a maioria voltado ao público infanto-juvenil, escrever é um ato que assume caráter individual e coletivo, uma “maneira de fazer política”, mas também de “não esquecer das coisas que aprendi”, como disse o autor em entrevista exclusiva veiculada na edição de hoje (20) do […] O post ‘Escrever é minha maneira de fazer política', diz Daniel Munduruku ao Programa Bem Viver apareceu primeiro em Rádio Brasil de Fato.
O Pindorama é um podcast quinzenal sobre contos de ficção especulativa nacional! Este episódio comenta o conto “A caminho da queda”, de Luiza Nascimento, publicado na Jamburana, n. 5, 2020. Participam: Ana Rüsche, Dennis Almeida e Toni Moraes Sinopse do conto: Um engenheiro floresta sonha que é uma árvore, bem quando terminava os documentos para legalizar a exploração mineral em uma área de preservação ambiental. O protagonista recapitula sua infância e sua decisão de trabalhar pela devastação. Seus sonhos se tornam mais vívidos e sua aproximação com a natureza ameaçada mais intensa. O episódio comenta as principais características desse conto, como: inversões de pontos de vista narrativos, estrutura narrativa cíclica, temporalidades indígenas, percepções oníricas, o trabalho de devastação da Terra. Obras e links mencionados - [pensador] Daniel Munduruku; - [pensador] Ailton Krenak; - [livro] A vida secreta das árvores, Peter Wohlleben; - [texto] Conversatório sobre o bem viver, Mario Rodríguez Ibáñez; Apoie o Leitor Cabuloso! Contribua com Catarse do Leitor Cabuloso para que mais iniciativas fabulosas possam existir! www.leitorcabuloso.com.br Catarse: catarse.me/leitor_cabuloso Facebook: www.facebook.com.br/leitorcabuloso Instagram: @leitorcabuloso Twitter @leitorcabuloso Participantes do episódio Ana Rüsche | anarusche.com | Twitter: @anarusche| Instagram: @anarusche | Último livro “A telepatia são os outros”, Monomito | podcast: Incêndio na escrivaninha Toni Moraes | Twitter: @Tonimoraesjr | Editora: Monomito | Newsletter: paisagens marcianas | Dennis Almeida | Twitter: @DennisAlmeida82| #AulaFio | Podcast: Não Pod Tocar Próximo episódio Conto “A feira dos Quebrantos”, de Simone Saueressig, publicado na Literomancia 8. Agradecimentos Especiais Abner De Souza, Alessandra Rocha, Amauri Silva Lima Filho, Caio Amaro, Carolina Mendes, Carol Vidal, Cláudia Rodrigues, Clecius Duran, Dayse Cristhina, Edgar Egawa, Igor Bajo, Janaína Vieira, Leandro Gomes, Lucas Domingos, Lu Bento, Luiz Silva, Marina Kondratovich, Marina Jardim, Melisa de Sá, Nielson Rocha, Priscilla Rubia, Ricardo Brunoro, Rodrigo Leite, Nilda, Sidney Andrade, Thiago Felipe Ruediger, Airechu, Fernanda Cortez, Aline Bergamo.
Escritor premiado pertencente ao povo Muduruku fala sobre o retrocesso no tratamento do governo às comunidades indígenas nos últimos oito anos. 'Foi golpe em cima de golpe', afirma
O tempo no Ocidente nos furta a possibilidade de sermos plenos no presente, porque nos constitui para a riqueza, o dinheiro e a produção. Vivemos sempre com a sensação de vazio, sentindo falta daquilo que nem sabemos nomear.
Recebemos o escritor, filósofo e educador Daniel Munduruku para uma conversa sobre filosofia indígena do bem-viver, educação, filosofia brasileira, literatura, política etc. Confira! Leia mais → The post #128 – Daniel Munduruku, com Daniel Munduruku first appeared on Filosofia Pop.#128 – Daniel Munduruku, com Daniel Munduruku was first posted on julho 5, 2021 at 3:00 am.©2019 "Filosofia Pop". Use of this feed is for personal non-commercial use only. If you are not reading this article in your feed reader, then the site is guilty of copyright infringement. Please contact me at marcosclopes@gmail.com
Daniel Munduruku é escritor e autor de 54 livros, professor, pertencente ao povo indígena Munduruku, graduado em Filosofia, História e Psicologia, mestre e doutor em Educação pela USP, Pós-Doutor em Linguística pela UFSCar e Diretor-Presidente da ONG e selo editorial Instituto Uka - Casa dos Saberes Ancestrais, em Lorena - SP.
O escritor indígena multipremiado Daniel Munduruku avalia que é urgente que o país reveja sua História e passe a reconstruí-la a partir da cultura dos povos que foram colonizados. “Nossa história acabou supervalorizando o lado europeu e desvalorizando o indígena e o africano. A gente, infelizmente, aprendeu a ter vergonha desse nosso passado”, disse em […] O post Programa Bem Viver destaca papel da literatura indígena na reeducação do pensamento apareceu primeiro em Rádio Brasil de Fato.
De segunda a sexta-feira, sempre às 19:45h, tem Central do Brasil, a rede nacional de movimentos populares do país.
Coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Kerexu Yxapyry contextualiza os vários embates pelos direitos dos povos indígenas, a partir do movimento das mulheres, e fala das várias ações que articula. “O mundo precisa reconhecer que não houve descobrimento do Brasil, houve uma invasão”, diz. Este depoimento foi gravado remotamente em 2020. Apresentado por Daniel Munduruku, o podcast Mekukradjá é produzido pelo núcleo de Audiovisual e Literatura do Itaú Cultural.
Em celebração ao Dia Nacional do Livro Infantil, a Equipe da Biblioteca convida o público a conhecer uma história do autor Daniel Munduruku. Autor de mais de cinquenta livros, ele é escritor e professor paraense, pertencente ao povo indígena Munduruku, ativista engajado no Movimento Indígena Brasileiro. Recebeu vários prêmios nacionais e internacionais por sua obra literária, entre eles o Prêmio Jabuti CBL - Câmara Brasileira Do Livro e o Prêmio da Academia Brasileira de Letras - ABL, e muitos de seus livros receberam selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ. Atividade inspirada no livro Coisas de índio, de Daniel Munduruku, Editora Callis.
A professora e cineasta Takiwara Pataxó fala de sua trajetória profissional e do trabalho que faz de valorização de sua cultura com enfoque no papel das mulheres para o povo Pataxó. Este depoimento foi gravado remotamente em 2020. Apresentado por Daniel Munduruku, o programa Mekukradjá é produzido pelo núcleo de Audiovisual e Literatura do Itaú Cultural.
Daniel Munduruku é um dos primeiros escritores indígenas a escrever, para seu povo e para os não indígenas, tendo assim uma escrita pensada, também, nas crianças da cidade. A partir de seu depoimento gravado durante o evento Mekukradjá – Círculo de Saberes de Escritores e Realizadores Indígenas, em agosto de 2018, em São Paulo/SP. disponível em https://www.youtube.com/watch?v=8D4RF2CqR68 , a Equipe da Biblioteca convida o público a descobrir mais sobre as culturas indígenas sobre seu olhar, além de apresentar seus livros presentes no acervo, para refletir sobre o dia 1o. de Abril em que se celebra o Dia da Abolição da Escravidão dos Índios (1680).
Cuento por Daniel Munduruku
Para encerrar esta temporada, atores e atrizes leem o conto "Um avô no meio do caminho", do livro "Das coisas que aprendi", de Daniel Munduruku. Participam desta leitura os grupos Companhia da Lua, Companhia Biwã de Teatro, Grupo Artêros e Coletivo Sala Preta.
Neste episódio, o Coletivo Sala Preta lê dois contos de Daniel Munduruku, do livro "Das coisas que aprendi". Os contos são: "Treinando o olhar para ver o milagre das coisas" e "O que você vai ser quando crescer?". Boa escuta!
Neste episódio, os atores e atrizes do Grupo Artêros leem os contos "Desentortando o pensamento" e "Uma tarde na curva do rio", do escritor Daniel Munduruku.
Que aprendizados a natureza nos traz? Os contos de Daniel Munduruku nos levam a essa reflexão. Neste episódio, as atrizes Bianca Martins e Wanessa Malvar, da Companhia Biwã de Teatro, leem os contos "Apenas filhos" e "Todas as coisas são pequenas". Desejamos a você uma boa escuta!
Nesta segunda temporada de PalavraEncenada, atores e atrizes leem contos dos escritor Daniel Munduruku. Os textos falam de terra, cultura e ancestralidade. Neste episódio, as vozes são dos atores Mauro Nask e Zequinha Miguel, da Companhia da Lua.
No programa de hoje entrevisto o filósofo, intelectual e contador de histórias Daniel Munduruku. Neste episódio conversamos sobre as chaves de leitura para suas obras, discutimos como conceitos como Mito e Folclore são visto pelos indígenas e refletimos sobre as reivindicações de autoria e origem no uso de seres encantados pelo cinema e literatura. Assista ao trailer do meu documentário: Raízes - Um Filme sobre Colecionar Sacis Fale conosco pelo e-mail colecionadordesacis@gmail.com Acesse o Consultoria Folclórica para saber mais sobre meus cursos, palestras e mentorias Apresentação: Andriolli Costa Edição: Leonardo Tremeschin Vinheta de Abertura: Danilo Vieira Battistini, do podcast O Contador de Histórias. Logo do podcast: Mauro Adriano Muller – Portfólio. – Canto de abertura e encerramento do povo Ashaninka. Poranduba agora faz parte da rede Audiocosmo de Podcasts, do grupo Homo Literatus! Confira os outros programas da rede. ESTE PODCAST É PRODUZIDO GRAÇAS AOS APOIADORES DO PADRIM E DO PicPAy. APOIE VOCÊ TAMBÉM! Agradecemos aos apoiadores: Ágatha Urzedo, Alex Mir, Ana Lucia Merege, Anderson Arndt, Bruno Janoski, Bruno Moraes, César Silva, Daiane Angolini, Daniel Burle, Daniel Medina, Demian Walendorff, Douglas Rainho, Euclides Vega, Erick Silva, Fernando Jackson, Fernnando Sussmann, Geoci Silva, Guilherme Kruger,Gustavo Wendorf, Ian Fraser, Leandro Araújo, Lentes Cor de Rosa, Luiz Telles, Maico Wolfart, Mayara Lista, Maurício Filho, Maurício Xavier, Matheus Abreu, Maycon Torres, Mickael Menegheti, Nilda Alcarinque, Pedro Scheffer, Rafael Joca Cardoso, Ricardo Santos, Rodrigo Cunha, Simone Braga, Thomas Missfeldt, Tiago Chiavegatti, Victor Nogueira, Vitorya Silveira, Waldeir Brito, Zé Wellington