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Querida comunidad hoy tengo con alguno de los mercados más fascinantes del mundo, sé que hay más déjalo en tus comentarios. Espero que alguno de los que tengas de sorprendan seguro que otros ya los has visitado. Gracias por estar al otro lado.Ya somos más de un millón de reproducciones en esta aventura y hemos superado los 1.400 episodios. Este podcast es tuyo y mío; gracias por hacerlo posible.
¿Por qué nos enganchamos con ciertos pensamientos, situaciones, personas y reacciones? ¿Cómo soltamos? En este episodio te planteo cuatro factores que están involucrados en nuestra tendencia a aferrarnos a las cosas y también cómo podemos dejar ir ese aferramiento (o incluso prevenir el hecho de engancharnos) prestando atención consciente a estos cuatro factores. Espero tu feedback por insta @lavidaminimal, por correo hola@queridopedro.com o aquí en los comentarios de spoty.
Existen múltiples ladrones que pueden afectar tu creatividad: la comparación, el perfeccionismo, el procrastinar...pero hoy quiero hablarte de uno muy crudo y difícil de manejar. En este episodio hablo sobre la presión de cargarle tus deudas económicas a tus proyectos creativos hasta el punto de que no puedan respirar.Te doy algunos consejos para sobrellevarlo y sí inyectarle lo que se necesita dándole el espacio a que crezcan y prosperen. Espero te guste!Amor,DanielaMándame un correo con tus dudas sobre la consultoría creativa:danyguerrerog@gmail.comAgéndala aquí:https://siemprehayflores.com/products/sesion-1-1-con-dany-60-min?variant=50645287076134
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Llega el verano y en AfricaPachanga cerramos esta temporada tan especial, donde hemos cumplido nada más y nada menos que 25 años en Radio Enlace. Y como siempre, cuando nos vamos de vacaciones, nos vamos con una sesión de DJ TUBABU, donde seleccionamos algunas de las canciones que han sonado en los últimos meses, eso sí, las más bailables y enérgicas. Una sesión a la que llamamos siempre "Chiringuito África", para remarcar su carácter festivo. Espero que te guste !! Nos vemos en septiembre, donde seguiremos un años más divulgando la música africana, en nuestra temporada 26, y esto solo es posible en una maravillosa radio como los es Radio Enlace. Disfruta de este verano !!!
Lionel Scaloni se mostró visiblemente emocionado al hablar sobre su futuro y afirmó: “Es un lugar soñado, que en mi vida pensé que íbamos a estar. Para seguir se necesitan un montón de cosas, sobre todo volver a resetearse, volver a formar un grupo como este, que difícilmente se vuelva a formar”. Y concluyó, entre lágrimas: “Me duele, me duele en el alma”.Scaloni también aseguró que necesita tomarse un tiempo para definir su continuidad y afirmó: “Yo al presidente le estoy agradecido por haberme dado la oportunidad de estar en el lugar que estoy. Es el lugar soñado para todos”. Y agregó: “Hemos intentado hasta el último momento dar el máximo y creo que es justo que me pueda tomar este tiempo y pensarlo”.Al hablar de Lionel Messi, Scaloni afirmó: “Treinta y nueve años, muchachos, es una cosa increíble. Yo tenía clarísimo que iba a jugar hasta que él quiera”. Y agregó: “Espero que la gente esté orgullosa de él, de lo que ha hecho. Es el mejor futbolista que ha pisado un campo de fútbol”.Consultado nuevamente sobre su continuidad, Scaloni confirmó: “Hasta diciembre voy a seguir y después seguramente voy a hablar con el presidente. La idea es relajar y parar un poco”. Y agregó: “Hasta diciembre, si el presidente quiere, yo estoy acá. Después seguramente corte”.Javier Milei confirmó que declarará un feriado nacional para celebrar el título si así lo decide el plantel y afirmó: “Estamos frente a un evento de una magnitud histórica enorme y merecen todo el reconocimiento”. Y agregó: “En función de cuando los jugadores decidan qué día quieren utilizar para celebrar, ese día va a ser declarado feriado nacional”.
O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open'. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de valores, sua língua, e projeta a hegemonia do inglês. Isso influencia boa parte do conhecimento que a gente vai produzir daqui pra frente, porque cientistas e educadores usam essas plataformas e acabam perpetuando essas mesmas ideologias e valores.E o quarto e último paralelo é que impérios sempre se agarram a uma narrativa existencial ou moral sobre por que precisam existir. Essas empresas fazem a mesma coisa. Dizem que são o “império do bem”, numa missão civilizatória de trazer progresso e modernidade pra toda a humanidade, competindo contra um “império do mal” que ameaça mandar a humanidade pro inferno.Quando você conversa com algumas pessoas dentro dessas empresas, ou que as lideram, elas dizem: se você nos deixar construir uma inteligência artificial geral, que elas de alguma forma moldam como um deus, a gente vai acabar numa espécie de utopia, um paraíso onde a mudança climática é resolvida, o câncer é curado, a pobreza é aliviada.Mas, se os caras maus conseguirem isso antes, a gente pode acabar com todos os humanos mortos — um risco de extinção pra todos nós.Cris: E eles vêm dizendo isso há quase dez anos, e ainda usam como ferramenta. A gente está num país que foi influenciado por três impérios ao longo da história: Portugal, Inglaterra e agora os Estados Unidos. Então a gente olha pra essas empresas de um jeito meio cínico: sim, sim, já conhecemos essa história.Mas, ao mesmo tempo, ano passado, o Pew Research Center fez uma pesquisa sobre como o mundo enxerga a IA, e o sul global é bem mais otimista do que o norte. Uma das razões é a ideia de democratizar — não só informação, mas: ah, finalmente eu posso montar uma startup, sair desse lugar de exploração e criar o unicórnio de um bilhão de dólares. Os números são grandes na China. Países em desenvolvimento veem muito mais benefício do que risco na IA.China, 83%. Tailândia, 77%. Holanda, 36%. Canadá, 40%. Será que a gente está deixando passar alguma coisa? A gente está certo? Isso está democratizando mesmo? Até que ponto?Karen Hao: Provavelmente tem duas razões. Uma é que muitos dos danos que a indústria de IA causa à maioria global são bem escondidos. Ela se esforça muito pra esconder como polui o ambiente dessas comunidades, como explora e devasta a mão de obra, deixando traumas psicológicos — como documento no livro.E, recentemente, li um artigo de opinião no New York Times que trazia um bom ponto: muitas economias desenvolvidas estão especialmente atentas ao potencial da IA de desmontar oportunidades de emprego de tempo integral. A gente começa a ver isso cada vez mais. Já na maioria global, muito mais gente vive em economias informais, e aí a ideia de que a IA vai tomar um emprego de tempo integral não pesa tanto.Então os danos mais visíveis — a erosão do emprego formal de tempo integral — pesam mais no norte global, ou pelo menos é lá que as pessoas se sentem mais ansiosas. E os danos invisíveis, que atingem o sul global, ninguém percebe tanto, justamente porque são invisíveis. É meio por isso que tanta gente sente essa divisão que aparece na pesquisa do Pew.Cris: Eu tenho acompanhado as notícias sobre IA no Brasil, e toda semana tem um novo data center sendo construído em alguma cidade. Isso é vendido como uma coisa boa: que ótimo investimento, gera emprego. E me fez pensar de novo — a gente passou por três impérios, mas algumas famílias no Brasil, e aposto que em outros lugares também, estão no poder há 500 anos ao longo da história do país.Então, ao mesmo tempo, a gente pensa: é, estamos sendo explorados, é a mesma coisa. Eu já não tenho emprego, então deixa eu usar essa tecnologia pra melhorar minha vida. Mas as pessoas que realmente tomam as decisões, de novo, nos últimos 500 anos, se perguntaram: como a gente ajuda esse pessoal a explorar nosso país de um jeito que nos mantenha no poder e nos dê muito dinheiro?Mas também foi verdade que, sei lá, a Volkswagen abre uma fábrica no Brasil e aquilo gera emprego, contrata gente pro chão de fábrica e pros escritórios. Como é que isso é diferente com a IA?Karen Hao: De certa forma, não é diferente. Existe um fenômeno parecido: a indústria de IA terceiriza muitos dos trabalhos que ela não quer dentro dos centros de poder, e joga isso pra comunidades empobrecidas, do mesmo jeito que outras multinacionais fizeram por décadas.Mas também é diferente, porque a escala dos impactos trabalhistas e ambientais da IA é completamente outra, muito maior que a da indústria automobilística ou da moda. E a velocidade é outra, porque são tecnologias digitais que atravessam fronteiras muito rápido.E é diferente porque a maioria das pessoas não percebe que a IA, mesmo sendo tecnologia digital, tem uma cadeia de suprimentos muito física e intensiva em mão de obra manual.Quando você compra roupa, café, um carro, é mais óbvio que existem materiais que precisam ser extraídos e depois manuseados por pessoas pra criar aquele produto. Já com a IA, a maioria aceita a narrativa que o Vale do Silício projeta: a de que isso vem da “nuvem”, desses espaços etéreos que parecem nem existir no planeta. E a verdade é exatamente o oposto.Ela depende de uma quantidade extraordinária de extração mineral. Depende da construção de infraestruturas enormes — data centers, instalações de supercomputação espalhadas pelo mundo. E depende de muita, muita mão de obra manual: trabalhadores de dados que limpam, preparam e moderam o conteúdo dos sistemas de IA que chegam até você quando usa o ChatGPT.É isso que a torna tão diferente. E há também uma ideologia completamente diferente sustentando a expansão da IA. Quando você conversa com executivos da moda, eles não vão dizer: se você não comprar nossa roupa, vai pro inferno.Já a indústria de IA diz: se você não nos deixar capturar cada vez mais terra, mais recursos e mais mão de obra pra produzir essas tecnologias, vamos ter uma destruição civilizacional. Isso é, ao mesmo tempo, retórica política usada como arma pra moldar o debate público e a cabeça de quem formula políticas, e também está enraizado num sistema de crenças — algumas pessoas dentro dessas empresas realmente acreditam que, se uma AGI fosse construída, e construída nas mãos erradas, isso levaria mesmo a esse tipo de destruição.E é isso que move a sede cada vez maior da indústria por mais capital, mais recursos e mais terra.Cris: Eu quero falar sobre AGI, mas antes: ano passado, a OpenAI estava sendo processada no Reino Unido por violação de direitos autorais, basicamente todos os livros do mundo digitalizados e usados pra treinar modelos. E um dos executivos disse ao júri: bem, se a gente não puder fazer isso, fecha as portas. Me chocou que muita gente reagiu com um “ah, tá, o que a gente pode fazer? Eles vão fechar as portas”.Em parte porque a gente já está acostumado com essa narrativa. Outro dia, numa conferência, um ex-CEO dizia: a gente teve que usar embalagem de plástico porque é mais barata que papel, senão prejudicaria nosso resultado. E a plateia reagia: ah, então é só fechar as portas — a sociedade não pode arcar com isso.Mas isso também, como você disse, se conecta à ideia de uma grande missão, uma missão de salvar o mundo, que a gente precisa cumprir antes que seja tarde, senão estamos condenados. OpenAI está literalmente no nome — só que em português não é tão direto: é “inteligência artificial aberta”.Foi criada a partir de um sonho, um projeto que era pra ser uma coisa pro bem comum. Em 2019, num tempo bem distante, antes da pandemia, você cobriu a OpenAI, foi até o escritório deles, ficou lá dentro. O que você viu? E, mais importante, como essa missão mudou? O Elon Musk os processou outro dia justamente por mudarem a missão. Isso alguma vez foi verdade? Em algum momento eles pensaram mesmo “ah, a gente vai salvar o mundo”?Como essa narrativa de ser aberta funciona com a OpenAI?Karen Hao: Quando comecei a cobrir a OpenAI, levei a sério o que eles diziam — que tinham sido recrutados com a missão de beneficiar toda a humanidade. E aí, quando me infiltrei na empresa, fui ficando bem mais cética, porque via como eles operavam de um jeito completamente diferente, portas adentro, do que diziam em público.Diziam que iam publicar todas as pesquisas e abrir o código de tudo, e na prática eram uma das organizações mais secretas que já cobri. Eram muitas discrepâncias, e, na época, presumi que tinha havido algum tipo de corrupção que os levou a abandonar a missão original. Depois de cobrir a empresa por mais alguns anos e de trabalhar neste livro, mudei de ideia até sobre a missão original.Não acho mais que ela era um esforço sincero e generoso de beneficiar a humanidade. A missão foi criada pra dar à empresa — na época, uma organização sem fins lucrativos — uma margem de manobra extraordinária pra depois levantar muito capital, acumular muito talento e perseguir a força motriz de verdade por trás de tudo aquilo: se tornar a força dominante no desenvolvimento de IA.E penso assim agora porque, quando você olha pras narrativas de cada nova empresa de IA no começo — a Anthropic, a xAI, a Safe Superintelligence do Ilya Sutskever, a Thinking Machines Lab da Mira Murati —, todas usam a mesma narrativa da OpenAI: nós somos os mocinhos, eles são os bandidos.É por isso que precisamos criar uma nova empresa que avance a IA do nosso jeito, não do deles. E você começa a perceber, por esse padrão, que eles repetem a mesma coisa em parte porque acreditam nela até certo ponto, mas também porque ela funciona muito bem com a imprensa, com o público, com quem formula políticas.No livro, eu reproduzo os e-mails internos que Elon Musk, Sam Altman e Greg Brockman trocavam nos primeiros dias da OpenAI. Eles tinham plena consciência de que estavam criando uma missão que soasse bem para o público. E o propósito de verdade, que também deixaram registrado nesses e-mails, era vencer o Google. Viam o Google como a força dominante em IA e queriam ser eles essa força.Não gostavam de ver o Google na frente, então inventaram justificativas: o Google é uma empresa com fins lucrativos, então nós vamos ser sem fins lucrativos. Mas, no fundo, acho que era puro ego: tem que ser a gente, não eles, a gente quer ser quem lidera isso.E aí passaram um tempão moldando essa missão pública, que acabou sendo super útil pra recrutar o primeiro grupo de pesquisadores e turbinar o avanço deles.Cris: Então agora é um bom momento pra falar de AGI, a inteligência artificial geral. Muita gente pergunta: o que é AGI? O que “geral” quer dizer? E a impressão que peguei lendo seu livro é que, por design, isso nunca fica claro de verdade, porque é um alvo móvel. Essas empresas um dia vão dizer “chegamos, alcançamos a AGI”? Ou o plano é sempre “não, não, ainda não chegamos, me dá mais dinheiro, me dá mais poder”?Qual é o papel da AGI na narrativa dessas empresas?Karen Hao: Já que a gente está falando de ficção científica, eu costumo usar a analogia de que o mundo da IA é meio como Duna. Em Duna, o personagem principal, Paul Atreides, entende, ao chegar no planeta Arrakis, que o povo de lá foi semeado com um mito: o de que um dia viria um Messias pra libertá-los. Ele sabe que é um mito, mas decide entrar nele e agir como se fosse o Messias pra controlar melhor aquele povo.E, vivendo, respirando e encarnando esse mito dia após dia, ele começa a perder a noção de que é um mito. Passa a se perguntar se o mito era mesmo verdadeiro ou se foi ele quem o tornou verdadeiro. É essa confusão entre mito e realidade — ele vive num espaço intermediário, sem ter mais certeza do que é verdade e do que é ficção.E trago isso pra responder sobre a AGI porque a AGI é, ao mesmo tempo, um mito e algo que os líderes e os trabalhadores dessas empresas vivem, respiram e encarnam dia após dia, a ponto de perderem a noção do que é mito e do que é realidade. É a ideia de um sistema de IA teórico que um dia igualaria as capacidades humanas. Só que a gente nem tem consenso científico sobre o que é inteligência humana.Por isso, de certa forma, por design, é um termo bem maleável, que deixa essas empresas fazerem o que quiserem. Elas definem e redefinem a AGI conforme a necessidade, movem a trave pra onde quiserem. E, ao mesmo tempo, isso é sustentado por uma crença genuína de certas pessoas lá dentro, por causa dessa confusão entre mito e realidade. Pelas minhas contas, a OpenAI já usou pelo menos quatro definições diferentes de AGI.A primeira está no site deles: “sistemas altamente autônomos que superam humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”. É uma definição de automação do trabalho — eles dizem, de forma explícita, que estão atrás dos empregos mais bem pagos. A segunda apareceu no contrato com a Microsoft, por um tempo a maior investidora deles: ali, a AGI virou um sistema que geraria 100 bilhões de dólares em receita.Ou seja, uma definição feita pra incentivar a Microsoft a investir. Já o Sam Altman disse ao Congresso que AGI é um sistema que cura o câncer e resolve a mudança climática — uma definição de benefício social, muito útil quando você quer que os reguladores não te regulem.E, por fim, quando falam com o consumidor, dizem que vai ser o melhor assistente digital que você já teve — porque, claro, estão tentando vender o produto.E aí você percebe duas coisas. Primeiro, que é um conjunto de definições completamente incoerente. Segundo, que eles trocam de definição conforme o público que querem convencer. Mas também tem gente nessas empresas que acredita de verdade que está construindo uma tecnologia capaz de dar conta das quatro coisas.Então é uma realidade bem confusa e complicada: o que a AGI de fato é, e pra que ela serve, para essas empresas, para a agenda delas e também para as crenças delas.Cris: Como ex-funcionário da Meta — entrei em 2013 —, a missão era unir o mundo e torná-lo mais aberto e conectado. É uma missão incrível. E tem uma coisa que eu sempre digo, porque muito amigo meu vem falar comigo, “ah, esse cara da OpenAI, ou a própria Meta, são maus”. Eu conheci muita gente na empresa. Nunca conheci uma pessoa mal-intencionada.Todo mundo, independente da missão, era gente boa tentando entregar o melhor produto possível, pra dar poder a quem tem um pequeno negócio, por exemplo. Tenho amigos pessoais que construíram a empresa deles em cima da publicidade do Facebook e do Instagram. E esse é justamente o problema, porque ainda assim é uma corporação muito má, pelo que ela causa ao mundo pra bater as metas de negócio.Ou seja, você não precisa de um vilão tipo Lex Luthor pra causar um estrago desse tamanho no mundo. E adorei a referência a Duna. Duna é engraçado: é o livro que eu mais reli na vida que não foi escrito pelo Tolkien. Li o primeiro Duna umas três vezes, e toda vez é como se fosse um livro diferente. Na primeira, eu era adolescente, e era só o Paul Atreides, o cara durão.Na segunda, eu morava no Canadá e li com olhos de estrangeiro, pensando em colonização. E na terceira vez foi quando os filmes do Denis Villeneuve saíram, e aí era: ah, o Bene Gesserit criou esse mito, isso é meio pós-moderno. Narrativamente, fico me perguntando o que vai significar pra mim se eu ler uma quarta vez.Karen Hao: Eu ia te perguntar isso. Quando você disse que cresceu numa época cheia de ficção científica falando das maravilhas da tecnologia, fiquei curiosa: que histórias você estava lendo? Porque muita coisa que saiu nos anos 70 e 80 dizia exatamente o oposto. E muita gente já apontou que os executivos de tecnologia de hoje, que vivem citando essas histórias, interpretam elas justamente ao contrário da intenção original.Cris: Concordo plenamente. Mas, respondendo: foi basicamente Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E é por isso mesmo — os executivos de tecnologia, e o Elon Musk mais que todos, leem esses livros como receita, não como aviso. O livro de que eu mais me lembro, nem lembro o título, era um do Asimov em que ele descreve o elevador espacial que aparece na série da Apple TV, Fundação.E o enredo é: eu sou esse engenheiro brilhante, quero construir essa coisa no Sri Lanka, mas o governo trava tudo com regulação — eu sou um gênio e a regulação é a vilã. Hoje eu leio e penso: ah, sei. Mas, quando garoto, era só “olha, um elevador espacial, que genial, a gente nem precisa de foguete”. E aí você começa a entender. E aí eu parei de ler esses caras.E passei a ler gente com uma visão completamente diferente: o Ted Chiang, que entrevistei ano passado, a N.K. Jemisin, o Cory Doctorow, de quem sou muito fã. E talvez eles sejam mais explícitos, pra gente burra como eu entender: “não, bobo, a analogia é essa”. Mas Duna era incrível — vermes gigantes de areia, o tal garoto durão, e aquela coisa do “eu não aceito o meu destino”.Tenho esse grande destino, mas não quero ele. Do resto da série eu já não gosto tanto. Mas o mais importante de tudo: Duna gerou o melhor GIF de filme de todos os tempos, o “Lisan al Gaib” do Javier Bardem — que eu devia ter colocado durante a sua explicação, aquele “uau, ele está cumprindo a profecia, agindo como o profeta”.Mas, de novo, falando de vilões: você mencionou que essas empresas se colocam como o bem contra o mal, feito impérios antigos. Só que elas também jogam a carta da China, né? “Se a gente não fizer, a Rússia faz primeiro.” Só que a Rússia começou uma guerra e está ocupada demais. “Mas a China chega lá, e é por isso que a gente tem que ser fechado.” É por isso que Mythos e Fable e agora o GPT-5.6 foram proibidos pelo governo. Isso tem fundamento?Quero saber se é possível a China competir — quero mesmo essa resposta — mas também porque, desde toda essa conversa do Fable-Mythos, países como Índia e Brasil vêm dizendo que precisam de um modelo soberano. Dá pra fazer, ou a OpenAI, a Anthropic e o Google estão tão à frente que já não dá?Karen Hao: Sobre a China: você está certíssimo, o Vale do Silício usou por anos a carta do “e a China?” pra escapar de qualquer responsabilização de verdade. Fizeram muito isso na era das redes sociais.A Meta fez muito isso, com o Mark Zuckerberg dizendo ao governo dos EUA: vocês não podem nos regular, senão a gente perde. Mas, se a gente ganhar, vai ter um efeito liberalizante no mundo e nas democracias em todo lugar. E, infelizmente, o que a gente viu foi que jogar essa carta repetidamente produziu exatamente o efeito contrário do que o Vale do Silício prometeu.Uma das empresas de rede social dominantes dessa era é a ByteDance. Ou seja, mesmo sem regulação das redes sociais nos EUA, existe uma empresa chinesa de rede social bem dominante. E as redes sociais estadunidenses acabaram tendo um efeito antiliberal no mundo — é bastante consensual que enfraqueceram democracias em todo lugar. E aí, na era da IA, elas seguiram jogando a mesma carta.Mas o que eu sempre aponto é que a gente definitivamente não devia acreditar nelas. Já existe evidência significativa de que tudo o que elas dizem está, de novo, se provando o oposto. Elas disseram: não regulem a gente como empresas de IA, regulem a China, via controles de exportação — um mecanismo do governo dos EUA com alcance extraterritorial.Só que as empresas chinesas agora estão produzindo modelos de IA de código aberto extremamente eficientes, que viraram super populares no próprio Vale do Silício. Existe um monte de startup de lá que prefere usar modelo chinês a OpenAI, Anthropic ou Google.Então, nesse sentido, é um conjunto de evidências bem decisivo, acho, pra mostrar que a gente devia simplesmente responsabilizar essas empresas, não importa o que digam sobre “ah, vamos perder pra China”. No fim das contas, é só retórica política. Não é um argumento real que elas consigam sustentar pra escapar da responsabilização.Responsabilizá-las vai fortalecer a democracia pelo mundo, vai trazer mais direitos humanos, trabalhistas e de privacidade de dados pras pessoas — é sempre o contrário do que elas dizem que aconteceria. E, sobre a sua pergunta em torno da IA soberana: acho a ideia realmente importante, mas acho também que muitos países estão meio confusos sobre o que querem dizer com isso.Muitos governos, hoje, pensam a IA soberana pela pergunta: a gente consegue construir o nosso próprio ChatGPT? O nosso próprio grande modelo de linguagem, o nosso sistema de IA generativa? Estão olhando só pro modelo que o Vale do Silício já definiu e tentando descobrir como recriar aquilo.E o que eu digo pra quem formula políticas é: defina pra que a IA serve no seu país, no seu contexto. Quais são, no fim das contas, os objetivos do seu país? Os objetivos do seu povo? E também os nossos objetivos coletivos, entre países?Porque a gente tem, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Já definimos coletivamente que há coisas que precisamos resolver juntos: superar a crise climática, reduzir a pobreza, melhorar a educação.E, enquanto o Vale do Silício adora dizer que está fazendo tudo isso, na prática não está. Mas a gente poderia — poderia desenvolver, de forma colaborativa, sistemas de IA que realmente avançassem em cada um desses objetivos coletivos que já acordamos.E cada país também devia fazer o exercício: quais objetivos você quer alcançar, e que tipos de sistema de IA você poderia desenhar pra chegar lá — sistemas que talvez não se pareçam em nada com um grande modelo de linguagem. Se os países fizessem isso, acho que descobririam que a maioria dos sistemas de que precisam exigiria muito menos recursos.Ou seja, contextos como o Brasil, a Índia e outros, quando não precisam competir construindo essas infraestruturas de computação gigantescas e gastando centenas de bilhões de dólares, na verdade já têm, localmente, todos os recursos necessários pra desenvolver um sistema de IA soberano.Cris: Quando ouvi falar do seu livro pela primeira vez, uma amiga me disse que você não poupa ninguém — fala mal do Sam Altman, mas também do Dario Amodei. E as pessoas costumam escolher um lado. Eu sou time Claude, odeio o ChatGPT, essas coisas. Então cheguei no livro pensando: ah, é mais um livro dizendo que a IA é terrível, que a gente não devia usar IA.Mas, conforme fui lendo, e ouvindo outras entrevistas suas, me pareceu que o seu problema é justamente o que você acabou de descrever: a forma como essa tecnologia é feita. E, em especial, a palavra escala — a ideia de que a solução é a escala. O que você quer dizer com isso?Karen Hao: Eu costumo usar a analogia de que “IA” é como a palavra “transporte”: na verdade se refere a uma coleção de tecnologias que vão da bicicleta ao foguete. São tipos bem, bem diferentes de tecnologia, que exigem insumos diferentes pra se desenvolver e depois têm impactos diferentes na sociedade.E você está certo: sou especificamente crítica ao que chamo de “foguetes da IA”, os sistemas que os impérios da IA estão desenvolvendo, aqueles que exigem uma quantidade enorme de exploração de mão de obra e extração ambiental.E sou bem otimista com o que chamo de “bicicletas da IA”: sistemas especializados, eficientes, com bom custo-benefício, governáveis pelas pessoas, cujo desenvolvimento pode ser participativo. Países como o Brasil, o Chile, a Índia, qualquer contexto, têm recursos pra desenvolver e se autodefinir, em vez de simplesmente herdar um sistema criado pelos dois únicos centros do mundo capazes de gastar uma quantidade extraordinária de capital: o Vale do Silício e o ecossistema tecnológico chinês.E o motivo pelo qual eu acho tão corrosivo o que os impérios da IA estão desenvolvendo é exatamente o que você disse: a forma como eles fazem isso, por um mecanismo de força bruta pra avançar as capacidades da IA em escala. Eles vão simplesmente empurrando cada vez mais dados de treinamento nesses modelos, e isso exige corroer a privacidade das pessoas, tomar a propriedade intelectual delas e, ainda por cima, baixa a qualidade dos dados que entram nos modelos — o que leva aos danos de exploração de mão de obra, porque aí você tem que dar conta da moderação de conteúdo.E aí você tem pessoas psicologicamente traumatizadas por serem expostas a todo aquele conteúdo horrível que se tenta “lavar” através desses modelos.E aí vem o problema dessas infraestruturas de computação enormes, com impactos ambientais que aumentam a conta de luz das comunidades que as hospedam e agravam a crise de custo de vida. Elas precisam ser alimentadas por fontes fósseis, que jogam mais carbono na atmosfera e mais poluição no ar dessas comunidades.Então todos os problemas que eu identifico, no que têm de corrosivo, derivam inteiramente da abordagem deles pro desenvolvimento de IA. Por que não descartar a abordagem, em vez de descartar a tecnologia? Redefinir e redesenhar de que tipos de sistema de IA a gente precisa de verdade, com uma cadeia de suprimentos fundamentalmente diferente. E isso não é exclusivo da IA.A gente já viu muitas outras indústrias que começaram com uma cadeia de suprimentos bem ruim. A moda, por exemplo: muita degradação ambiental, muita exploração de mão de obra.Com muita organização, protesto, ação de consumidores, regulação governamental e cooperação entre governos, a gente conseguiu criar mercados novos pra moda sustentável e ética, cadeias de suprimentos novas e inovações pra fazer roupa mais saudável pras pessoas e pro planeta.E é basicamente isso que eu defendo: transformar a indústria de IA do mesmo jeito que transformamos a moda, e as cadeias de suprimento de alimentos. Assim a gente fica com os benefícios da tecnologia, ajuda ela a avançar os objetivos que importam pra gente, sem jogar uma fração enorme da população mundial numa condição atrasada e numa qualidade de vida pior.Cris: O Brasil está agora, no Congresso, discutindo a escala de seis dias por semana. A regra atual é: você trabalha seis dias e descansa um. E muitas empresas, o comércio principalmente, dizem “vamos fechar as portas”, e os trabalhadores respondem “isso é problema seu, não meu”. É mais ou menos a mesma narrativa dessas empresas de IA: se eu não usar a sua água, a Idade das Trevas está chegando.Falando em Idade das Trevas, e falando em bicicleta: a sua analogia me lembrou uma coisa. Eu gosto de jogo de zumbi, de mundo aberto, e em nenhum deles tem bicicleta. Num desses jogos, instalei um plugin que deixava andar de bicicleta — você acha uma e sai pedalando. E aí entendi por que não tem bicicleta: desbalanceia tudo. Parte da graça do jogo é você precisar achar um carro, e daí pneu, gasolina, comida pra carregar. De bicicleta, você vai a qualquer lugar.E eu pensei: ah, é. Meio que estraguei o jogo pra mim, porque agora tenho uma bicicleta, é incrível. Enfim, em termos práticos: no fim do ano passado, uns meses atrás, a revista Wired publicou um artigo pedindo pra jornalistas de tecnologia contarem como usam IA no trabalho. E cada um usava de um jeito. Você usa IA no seu trabalho? Como?Karen Hao: Eu não uso nenhum sistema de IA generativa no trabalho — nem ChatGPT, nem Gemini, nem Claude. Por três motivos. O primeiro é uma postura ética, depois de tanto investigar essas empresas. O segundo é privacidade de dados: eu investigo essas empresas.Não quero que elas conheçam todo o meu raciocínio enquanto eu apuro o livro, literalmente investigando elas. E o terceiro é que, no meu caso específico, a força do meu trabalho está na capacidade de construir relações fortes com as fontes, pela empatia, e de contar histórias envolventes, pela narrativa. E os grandes modelos de linguagem simplesmente não são a ferramenta certa pra nenhuma das duas coisas.Não vão melhorar a minha empatia nem a minha escrita. Então eu não perco nada com essa postura ética: simplesmente corto essas ferramentas e sigo fazendo o meu trabalho muito bem. Pra outros jornalistas pode ser diferente, e pra quem está em outras áreas o cálculo pode ser outro.Mas eu incentivo as pessoas a pensarem primeiro: quais são as suas forças no trabalho? Quais são os seus objetivos? E aí ir de trás pra frente pra descobrir se a IA é a ferramenta certa, qual tipo de IA é a ferramenta certa, e qual fornecedor você quer de fato usar, apoiar, votar com os pés. Agora, eu uso, sim, IA preditiva.Aquelas ferramentas de IA especializadas, as “bicicletas da IA”, digamos. No livro, tinha um detalhe que eu queria muito ilustrar: como a OpenAI deu um salto quando passou de organização sem fins lucrativos a um empreendimento bancado pela Microsoft. Percebi que as cadeiras do escritório ficaram bem mais caras. Então fotografei as cadeiras de um escritório e as do outro.E joguei tudo na busca reversa de imagens do Google, que é um sistema de IA especializado — não é baseado em grandes modelos de linguagem, não é IA generativa. Assim descobri quanto essas cadeiras costumam custar. No primeiro escritório, cerca de 2 mil dólares por cadeira. No segundo, eram cadeiras de um designer brasileiro famoso, uns 10 mil dólares cada.Coloquei esse detalhe no livro pra ilustrar o tipo de riqueza e de concentração de recursos de que a gente está falando. Esses são alguns dos jeitos como eu uso IA, ainda que de forma bem limitada, sempre pontual, quando acho que vai ajudar. E, claro, uso ferramentas de transcrição por IA — outra IA especializada — em todas as minhas entrevistas.Cris: Essa foi uma das partes em que a minha cabeça explodiu, eu nunca tinha percebido: a OpenAI criou o Whisper. Deixa eu dizer de outro jeito, do meu ponto de vista. A OpenAI liberou abertamente essa ferramenta incrível de transcrição, o Whisper, em que eu jogo o áudio e ela me devolve as palavras que as pessoas disseram. E eu pensei: ah, que generoso da parte deles.Mas o motivo real de terem criado a ferramenta foi pegar todos os vídeos do YouTube, transcrever e alimentar a máquina. E aí é: ah, claro. Enfim, falando de ferramentas e de otimismo — a gente está chegando ao fim da conversa. Eu tenho uma regra desde o episódio dois deste programa, há oito anos: de novo, como eu disse do seu livro, não pode ser só uma lista de reclamações e coisa ruim. E a gente tem se saído bem até aqui.Você falou de caminhos e de bicicletas, mas eu quero ser mais específico. Se isso aqui fosse uma reunião de negócios: qual é o plano de ação, quais são os próximos passos? Só que uma das coisas que eu repito bastante, na vida e neste programa, é que problema sistêmico não se resolve com ação individual. Se eu tomar banhos mais curtos, isso nunca vai salvar o planeta do aquecimento global.E muitos amigos meus simplesmente: não quero falar de IA, não quero usar IA. Voltando aos videogames: leram que tal jogo usa IA e pronto, não vão jogar. E a minha primeira pergunta pra você é: como a gente ocupa esses espaços da IA generativa — ChatGPT, Gemini e por aí vai? Porque o que a gente viu com as redes sociais foi: ah, o Facebook é do mal, vou sair do Facebook. Ah, vou sair do Twitter.E, na esperança de quê, sei lá, talvez alguém diga: ah, sinto falta do Cris, cadê ele? Ah, está no Bluesky. Mas isso deixa o espaço aberto pra os radicais entrarem e postarem o que quiserem, sem ninguém contrapor ou tornar aquilo um lugar melhor. Então como a gente ocupa o espaço da IA — seja qual for a definição de “espaço da IA” que você preferir — com todos esses problemas que a gente vem discutindo?Karen Hao: Acho que tem duas categorias de ação pra gente pensar. Uma é desmantelar o império. A outra é investir e construir novos tipos de sistema de IA, que se tornem alternativas às tecnologias do império. Quando eu digo desmantelar o império, não estou dizendo que quero que a OpenAI, o Google, a Anthropic, seja quem for, simplesmente deixem de existir.É que eu não quero que elas sejam imperiais. Não quero que fiquem extraindo uma quantidade extraordinária de valor sem redistribuir nada em troca. Se elas voltassem a ser negócios que praticam uma troca justa de valor com o mundo, eu ficaria perfeitamente feliz com qualquer tecnologia que estivessem desenvolvendo.E a forma de desmantelar o império, acho, se resume a muita organização de base, que vai pressionar os governos a regular e responsabilizar essa indústria. No último ano, a gente viu uma quantidade incrível dessa organização de base florescendo pelo mundo.Recentemente, lancei com um grupo de jornalistas, pesquisadores de IA e acadêmicos críticos um projeto chamado AI Resist List, que busca documentar parte dessa organização de base pelo mundo. A gente encontrou cerca de 30 exemplos, de todas as regiões, de ações individuais, institucionais e movidas pela comunidade.Tinha ação artística, ação política. E isso mostra bem o seu ponto: não dá pra contar só com a ação individual, mas o indivíduo pode, sim, ter impacto. Até uma ação pequena pode gerar um grande efeito cascata. Claro que se juntar com os vizinhos pra protestar contra o data center é ainda mais eficaz. Se juntar dentro da sua escola ou universidade pra protestar contra a parceria dela com uma empresa de IA também é mais eficaz.Se juntar com os colegas de trabalho de um setor pra barrar a adoção de uma IA que corrói os direitos trabalhistas é mais um jeito eficaz. A gente tem um monte desses exemplos. Um dos meus favoritos é o de uma comunidade sobre a qual escrevi no livro, Quilicura, no Chile, na periferia de Santiago. É uma comunidade da classe trabalhadora, bem pobre, que vem sendo alvo incessante da expansão de data centers.E por isso protestaram de forma bem aguerrida contra essa expansão, porque não acharam bom negócio hospedar essas instalações sem tirar nenhum benefício, enquanto elas consomem uma parte significativa dos recursos naturais da região.E, logo depois que escrevi sobre eles, foram além na resistência e criaram uma plataforma chamada Quili.ai. É um site em que você entra e que parece um chatbot, parece o ChatGPT: tem uma interface de chat pra você digitar. Só que, quando você faz uma pergunta, em vez de um modelo de IA responder, a mensagem é encaminhada pra alguém que mora em Quilicura, no Chile. Aí, se você pede “quero a imagem de um cachorro”, aquilo vai pro artista local deles, o Benji. Ele pega um pedaço de papel, desenha um cachorro, tira uma foto e te manda de volta.Eles fizeram isso essencialmente como um projeto de arte performática, pra fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de usar IA generativa pra bobagem. A mensagem era: ei, quando você fica brincando com essas ferramentas em pedido besta, isso afeta comunidades como a nossa, drena os recursos de que a gente precisa pra viver bem.E também queriam levar as pessoas a pensar: por que não perguntar pra alguém da sua própria comunidade aquela receita que você procurava, ou pedir aquela imagem? Porque aí você reconstrói as conexões que estão tão em falta na sociedade — a falta delas é o que nos deixa mais vulneráveis a esse tipo de colonização do império.Eles deixaram o projeto aberto por 24 horas, e qualquer pessoa no mundo podia mandar um pedido. Receberam uma quantidade extraordinária deles. Viralizou de vez. E essa cidadezinha conseguiu uma virada enorme de narrativa sobre a suposta inevitabilidade e necessidade dessa tecnologia, sobre tudo o que o Vale do Silício diz — que, se você não usar, vai ficar pra trás de quem usa.E esse é só um exemplo, entre muitos, de como pessoas comuns, não importa a sua posição na sociedade, podem ter impacto real no debate, na consciência pública e até na regulação. A gente está vendo isso agora com os protestos contra data centers. Nos EUA, em 2025, cerca de 150 bilhões de dólares em projetos de data center foram travados.Isso virou uma das questões políticas mais quentes nos EUA para as próximas eleições de meio de mandato. Tem gente eleita sendo literalmente tirada do cargo por ter aprovado data centers, contrariando a vontade do povo. E isso já está tendo efeito real sobre as empresas e sobre a trajetória do desenvolvimento de IA.A OpenAI teve que encerrar recentemente a sua ferramenta de geração de vídeo, o Sora. Quando lançaram, apresentaram como o segundo produto mais importante desde o ChatGPT. O que aconteceu entre o lançamento e o fim? Uma reportagem do Wall Street Journal apontou três motivos, todos moldados por ação de base. Um: um gargalo enorme de capacidade de computação.Muitos dos data centers travados ou parados eram da OpenAI. Dois: um cenário financeiro bem mais incerto. A OpenAI está se preparando pro IPO, o que significa ficar mais exposta a Wall Street — e Wall Street está cada vez mais nervoso com a capacidade dessas empresas de cumprir o que prometem.E aí a OpenAI teve que reforçar alguns projetos paralelos pra fazer o balanço parecer um pouco melhor aos olhos de Wall Street. E, terceiro: os consumidores simplesmente não estavam usando o produto — o que também é ação coletiva de consumidores. Então, por todo esse tipo de resistência, de várias formas, de baixo pra cima, as pessoas estão de fato tendo impacto real na indústria e responsabilizando ela.Essa é a primeira categoria de ação. A segunda é: ok, que tecnologias de IA a gente usaria como alternativa? E aí a gente precisa investir mais nelas. Muitas vezes, quando converso sobre o livro, a pessoa diz: ok, me convenci de que não quero usar ChatGPT, não quero usar Claude — mas então uso o quê no lugar?E o problema é que eu não tenho muitas respostas pra essa lista de alternativas. Tem umas poucas aqui e ali, uma plataforma, uma empresa.Cris: Dá pra rodar o modelo no seu próprio computador, como o Cory Doctorow faz, mas aí é limitado e…Karen Hao: Exatamente, exige mais habilidade técnica. Mas, pra quem consegue instalar modelos de código aberto no próprio computador, eu incentivo 100%. Só que a gente também precisa de mais gente desenvolvendo interfaces bem fáceis pra esses modelos de código aberto, pra que qualquer pessoa consiga usar.A gente também precisa de mais gente desenvolvendo “bicicletas da IA”, de investidores e governos investindo mais nesse tipo de solução, e de talento — pesquisadores de IA, desenvolvedores e outras pessoas dispostas a sacrificar um pouco e abrir mão dos pacotes de remuneração enormes.Cris: Eu estava começando a achar que agora as empresas precisam ter menos lucro — e isso nunca vai acontecer.Karen Hao: Não, não é a empresa ter menos lucro. É o trabalhador topar abrir mão do pacote de milhões de dólares pra levar o talento dele pra outro lugar. Mais fácil, bem mais fácil. Eu converso com muito pesquisador de IA cansado da abordagem da indústria, porque ela é completamente sem criatividade intelectual.Eu conversei com pesquisadores que não passaram seis anos num doutorado em IA só pra ficar empurrando mais dados na máquina — pra eles, é o trabalho mais chato do mundo. E depois automatizar a programação, que era justamente o que eles gostavam de fazer. Converso com tanta gente que já não acha graça nenhuma nisso. Estão meio presos por “algemas de ouro”.E estão tentando descobrir, dentro de si, que carreira alternativa poderiam ter. Eu costumo incentivar esses pesquisadores a gastar o talento deles construindo um tipo diferente de empresa, que trabalhe com “bicicletas da IA”. E a gente já começa a ver cada vez mais desse talento indo por aí.E a gente precisa que todas as facetas da sociedade invistam num ecossistema muito mais robusto e rico de tecnologias de IA, capaz de substituir as que hoje dominam. Eu ainda tenho as cicatrizes das minhas próprias “algemas de ouro”, mas concordo plenamente.Cris: E as redes sociais são o exemplo — veja o que aconteceu com elas. Tem aquela frase famosa: as mentes mais brilhantes da minha geração passam o tempo fazendo as pessoas clicarem em anúncios. E ainda dizem: ah, isso pode ser o futuro. Pois é.Você contou a história do Quili.ai e isso me lembrou um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil, o Cid Não Salvo. Uns 10, 15 anos atrás, ele tuitou o seguinte: “Gente, eu disse pro meu pai que, sempre que ele precisar pesquisar alguma coisa na internet, é pra ir no Twitter.com e digitar a pergunta na caixa”. E olha que ele tinha milhões de seguidores.E, por uns bons dias, quase um mês, você entrava no Twitter do pai dele e via perguntas tipo “onde eu compro pizza?”. Era engraçadíssimo. No fim, ele contou pro pai — ou talvez não. Mas eu adoro essa ideia. Antes de a gente terminar: você já deve ter respondido isso mil vezes, mas vai continuar cobrindo IA? O que está na sua cabeça, o que vem por aí? Turnê mundial? O que vem pela frente?Karen Hao: Com certeza estou pensando em como continuar responsabilizando essas empresas. Estou envolvida em várias colaborações, com gente incrível, em diferentes projetos ligados a isso. O AI Resist List foi um deles. Também co-criei um programa chamado AI Spotlight Series, com o Pulitzer Center, uma organização jornalística sem fins lucrativos que financia jornalismo investigativo pelo mundo.É um programa que treina jornalistas do mundo inteiro a cobrir IA por uma lente de responsabilização. Até agora, já treinamos mais de 3 mil. E eu sigo pensando em como construir mais capacidade dentro do jornalismo, da sociedade civil, de outros contextos, pra mobilizar ainda mais essa organização de base — pra conter de verdade os impérios da IA e ajudar a desmantelá-los.Cris: Adorei o seu exemplo da moda. É possível, já foi feito. Ou até a indústria automotiva. Ou o grande exemplo que a gente não mencionou, e que o pessoal da OpenAI vive citando: o Projeto Manhattan, a energia nuclear.O mundo não acabou. Quando eu era criança lendo Asimov, achava que ia tudo acabar num fogo nuclear. Enfim — alguma última palavra, alguma mensagem, algum palpite pros jogos do Brasil na Copa, alguma coisa que você queira dizer antes da gente encerrar?Karen Hao: No fim das contas, o que eu espero que fique desta conversa e do livro é o seguinte: neste momento, o Vale do Silício está concebendo a IA como um projeto político. E a característica central desse projeto é tirar a autonomia de todo mundo — a autonomia de moldar de verdade o próprio futuro e o nosso futuro coletivo. Mas, no instante em que você reconhece que já tem uma autonomia significativa pra resistir, o império começa a desmoronar.Então espero que as pessoas encontrem a própria voz, a afirmem, conquistem o seu lugar à mesa e se conectem com os vizinhos, com a comunidade, com os colegas de trabalho, pra criar mais movimentos juntos.Cris: Que ótimo. Karen Hao, o seu livro é O Império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total. Obrigado por vir ao Brasil conversar com a gente. Foi um prazer.Karen Hao: Muito obrigada.Uma das primeiras perguntas que anotei quando comecei a pensar nessa conversa foi justamente a do final, a da ocupação de espaços. Porque, como eu disse, quando as redes sociais chegaram para ficar, muita gente falou “ah, não vou usar, é do mal” — e aí as pessoas ruins, vamos chamar assim, acabam ocupando esse espaço e falando o que bem entendem. A gente precisa aprender essa lição agora, no mundo da IA.Fora que vejo muita gente falando de IA sem nunca ter usado — ou que usou, sei lá, dois anos atrás, acha que continua tudo igual e já diz que não quer chegar perto.E por quê? Porque essa abordagem de ocupar espaços é o que eu e a Ana Freitas buscamos fazer no IA em Curso, nossa comunidade de letramento contínuo em IA. Foi, aliás, uma conversa que tive com a Karen antes da entrevista: ao mesmo tempo que a gente fala do impacto da IA no mundo, também precisa focar no que é prático, no que dá para fazer hoje com IA, sem vender sonho nem desastre. A analogia que usei foi a de que é que nem quando a gente fazia curso de Word e Excel — é o que eu faço agora que vai facilitar minha vida, me fazer ganhar tempo, botar a IA para me ajudar. Quem viu minha conversa com a Ana aqui no Boa Noite Internet, no fim de 2025, sabe do que estou falando. Se não viu, volta lá e confere.Desde que a gente lançou este episódio, o IA em Curso já passou de 400 pessoas. Tem muita gente colocando projetos pessoais incríveis na rua, tirando do papel aquela ideia que rondava a cabeça há um tempão. E a comunidade tem mentoria ao vivo, aula gravada, newsletter, banco de agentes, grupo de Telegram… que mais? O que não falta é jeito de passar para você o conhecimento sobre IA de que você precisa hoje, agora. Quero te dar a bússola para navegar nesse universo.Se esse é o tipo de abordagem que você quer ter com a IA, passa lá no iaemcurso.com.br e usa o cupom BNI2026 para ganhar 20% de desconto no plano anual. Mas corre, porque daqui a duas semanas vou apagar esse cupom — não é todo dia que a gente dá um desconto desses.É isso. Boa Noite Internet, temporada 2026 começando — como todo ano, com mudança, ideia, projeto. Ou, como diz minha citação preferida de todos os tempos: “vivemos uma fase de transição, como sempre”. Espero ver você por aqui e lá no IA em Curso.Obrigado pelo seu tempo e pela sua atenção. Até o próximo episódio. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe
Ni el caso Roldán,en los 90, arrastró tanto por el lodo la institución de la Guardia Civil, como lo está haciendo su directora actual Mercedes González. Espero que el HONOR de la Guardia Civil sobreviva esta vez como consiguió sobrevivir en el caso Roldán.Este podcast está asociado a la red de Sospechosos Habituales donde podrás encontrar otros muchos podcast de diferentes temáticas.
El presidente de la RFEF ha atendido a El Larguero a 24 horas de la final contra Argentina.
Historia escrita por Armando Horror LoquendoFuente de la historia: https://youtu.be/b_9KlEd6uG0?si=U3NZYKogqypqJxA6Edición a cargo de Fanterozen: https://www.instagram.com/fanterozen/¡Bienvenidos a una nueva historia! Y sí, por más raro que sea el título, hoy les narraré algo sobre fútbol jajaEsta historia captó mi atención hace unos meses gracias a comentarios que vi en internet. Estos comentarios aseguraban que era una historia muy buena. Intrigado, decidí darle una oportunidad y... si bien, no me parece una obra maestra, quise compartirla con el mundo por varias razones:-Es una historia original de un autor latinoamericano. Normalmente traigo historias que están en inglés de autores extranjeros y en más de una ocasión me han preguntado que por qué no subo historias en español y/o que ocurran en latinoamérica. Pues bueno, esta es una de ellas (aunque no ocurra en latam).-Al parecer varias personas la tienen en buena estima, así que ¿por qué no?-Y por último: estamos en fechas mundialeras. Por lo que, si en algún momento iba a subir esta historia, lo mejor sería hacerlo justo cuando se está llevando a cabo la copa mundial de fútbolLa historia no es perfecta y tiene varios detalles que podrían ser mejores (tanto en redacción como en la trama), pero vamos a ser respetuosos con el autor y tratar de disfrutar su extraña premisa jajaMuchas gracias a Armando Horror Loquendo por darme permiso de subir su historia. Espero que les guste. Y si quieren más historias originales y/o de fútbol, quizás quieran darse una vuelta por su canal
18.07.2026 | Huye y resiste no estas solo | Romanos 8:37, Génesis 39:9–10 y 2da Timoteo 2:223 MINUTOS A LOS PIES DE JESÚS – UN DEVOCIONAL DIARIOEsta mañana, Dayana del equipo de Aviva te trae un devocional sobre Romanos 8:37, Génesis 39:9–10 y 2da Timoteo 2:22.Espero que esté devocional te sirva para tu crecimiento espiritual y puedes resistir a la tentación. Un fuerte abrazo y muchas bendiciones.#MiDevocionalDiario #Devocionaldiario #Devocional #Diosmehabla #Iglesialatina #Aviva #Munich #München #3minutos #Jesús #Jesúscambiamivida #Año2026 #Bendición #Biblia #Fe #Dios #Reflexionesbiblicas #Reflexionescristianas #EspírituSanto #FeenAcción #ValoresCristianos #Testimoniocristiano #Cristo #VidaenCristo #Oración #Iglesia #VidaEterna #VidaEspiritual #Adoración #Esperanza #Alabanza #Cantico #Cielo #Alma #Amor #Evangelizar #BuenaNoticia #Cruz #EspírituSanto #PalabradeDios #Mesías #Jehová #Vida #Religión #Salvador #Diosesamor #Salvación #Gracia #Arrepentimiento #Pecado #Cristianismo #Alma #CristoSalva #Jesucristo #Paz #Oración #Perdón #Huir #Resistir #Solo #Huyeyresistenoestassolo Visita nuestro Sitio Web: http://avivaeu.org/ Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100064726774838 Instagram: https://www.instagram.com/avivaeu/YouVersion – Plan de lectura 'La Biblia en un año cronológicamente': https://www.bible.com/es/reading-plans/37938 @avivaeu@aviva.erlangen@aviva.augsburg@aviva.munich
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¿Sientes que este es tu último paso por la Tierra? En este video exploramos el profundo proceso de la última encarnación y cómo el desapego, el perdón y la gratitud rompen el cordón energético con la materia para devolvernos la potestad de regresar a casa. Muchos seres galácticos y almas despiertas están sintiendo el llamado a través de sueños lúcidos, códigos y geometría sagrada en este tiempo de cambio. Es momento de soltar las cargas emocionales, sintonizar con la frecuencia del universo y permitir que el alma guíe el camino en el momento presente hacia la paz total.
En el episodio de hoy no hablamos de depuración, desalación, digitalización, reutilización o innovación. Hoy hacemos algo mucho más importante: detenernos un momento para dar las gracias.Con este episodio ponemos el punto final a la tercera temporada de El Podcast del Agua. Han sido meses intensos en los que hemos recorrido buena parte del sector del agua a través de entrevistas con algunos de sus principales protagonistas, visitando empresas, centros de investigación, congresos, ferias internacionales y proyectos que están contribuyendo a transformar la forma en que gestionamos un recurso tan esencial como el agua.A lo largo de esta temporada hemos hablado de tecnología, sostenibilidad, economía circular, potabilización, depuración, reutilización, digitalización, inteligencia artificial, innovación, emprendimiento y de muchos otros temas que demuestran que el sector del agua vive un momento apasionante.Pero, sobre todo, hemos conocido a personas extraordinarias. Profesionales que cada día trabajan para que el agua llegue con calidad a nuestros hogares, para que las aguas residuales se traten adecuadamente, para impulsar nuevas soluciones tecnológicas y para construir un futuro más sostenible.Nada de esto tendría sentido sin vosotros.Gracias a todos los que escucháis el podcast cada semana, compartís los episodios, dejáis vuestros comentarios, proponéis invitados y contribuís a que esta comunidad siga creciendo temporada tras temporada.Ahora toca hacer una pequeña pausa para descansar, recargar energías y preparar nuevos contenidos.Volveremos en septiembre con la cuarta temporada, nuevos invitados, nuevos reportajes y muchas más historias sobre el apasionante mundo del agua.Espero que disfrutéis del verano, desconectéis, recarguéis las pilas y, sobre todo, que nunca perdáis la curiosidad por aprender.Nos escuchamos muy pronto.¡Felices vacaciones!
Hablamos de cómo entrenar el foco y la atención. Te cuento lo que me ha pasado esta semana aplicando el tema del podcast, resultados que se muestran con números. Además el próximo 22 de julio disfrutaremos de un taller para hacer un análisis de cómo han ido estos últimos 7 meses, aprendizajes y plan de acción para terminar el año como queremos. Todavía hay margen de maniobra para empezar el último cuatrimestre con a tope de energía. La claridad te ayuda a saber organizarte sin estresarte ni ir como pollo sin cabeza. Espero que te guste y si tienes sugerencias de temas me escribes que te leeré feliz. newsletter gratuita: www.amagoiaeizaguirre.es y el taller aquí: https://www.amagoiaeizaguirre.es/taller-recarga-julio.html
Hola Gerardo, aquí en otro episodio de Simplemente Yo; La selección de esta semana es Remarkably Bright Creatures, es una película dramática estadounidense de 2026 dirigida por Olivia Newman, quien coescribió la película con el guionista John Whittington. Es una adaptación de la novela de 2022 del mismo nombre de Shelby Van Pelt. Sinopsis: A través de vínculos formados durante los turnos de noche en un acuario local, Tova, una viuda anciana, se entera de un descubrimiento que cambiará su vida. ¡Espero que lo disfruten! ;) Información adicional del podcast: Enlace al sitio web oficial de Filmic Notion Podcast: https://filmicnotionpod.com/ Enlace a nuestra página de Letterboxd: https://boxd.it/446nl
Esse episódio trás não somente afirmações mas muitas perguntas também sobre o que entendemos como reatividade e como trabalhnar esse problema.As maneiras que explicamos e a influência das outras ciências dentro do adestramento.Espero que gostem!
Historia escrita por NorthSelection9.Fuente de la historia (traducción hecha por mí): https://bit.ly/3NunSZnGracias por estar aquí, escuchar la historia y leer la descripción. Espero que compartan el contenido, eso me ayudaría mucho ^^✨Todas mis redes sociales en un solo link: https://bit.ly/RedesPrideMúsica utilizada de fondo:Myuu:•Cold Shivers•Now or Never•Winds WreckREPULSIVE:•Cry Of The Unheard•Father Of The People•Spirit of Fire - Jesse Gallagher Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.
La mayoría de veces nos otorgamos la autoria de aquello que pensamos, sea positivo o negativo. Hoy quiero invitarte a reflexionar conmigo acerca del mundo de los pensamientos y de las ideas, como un mundo externo al nuestro. Este será un episodio que seguramente te dejará pensando y cuestionandote tus propios pensamientos, ideas y conductas. ¡Espero te inspire!
AVISO: Los episodios cuentan con anuncios (Colocados estratégicamente) que son parte fundamental para que este proyecto siga en pie. Bienvenidos a su canal favorito de historias de terror. Espero disfruten los siguientes 4 relatos compartidos por ustedes, la comunidad Voces del Abismo. Si les gustaron, no olvidedn dejar su like y comentario. Siempre estoy leyéndolos.
O que você curte da Itália? Massas? Beleza natural? Arquitetura? Que tal relatos sobrenaturais reais?Descobri que na Itália acontecem coisas sinistrar e vocês vão descobrir também ao ouvirem esse episódio...Espero que consigam dormir depois!
Bienvenidxs a este cambio de piel! En este episodio hablo sobre la transición de las flores a souvenir, cómo nace la idea, la complejidad que hay detrás de bautizar tu proyecto y el miedo al cambio.Espero te guste!Amor,Daniela-Inscríbete al taller aquí ✍
↴ ↴ ↴Haz el seguimiento de tus inversiones con este recurso gratuito.En este podcast te explico qué es realmente el NASDAQ y por qué la mayoría lo confunde con sus índices.Descubrirás la diferencia fundamental entre el mercado NASDAQ y el NASDAQ Composite o el NASDAQ 100, algo que muy pocos inversores tienen claro.Te muestro cómo funciona este mercado electrónico, sus horarios de negociación y cómo se compara con el SP500 o el Dow Jones en términos de rentabilidad histórica y composición.Además, te revelo las 6 formas más inteligentes de invertir en el NASDAQ en 2025, desde ETFs y fondos indexados hasta roboadvisors, para que puedas elegir la opción más adecuada a tu perfil como inversor y aprovechar la revolución tecnológica que ya estamos viviendo.
Disclaimer.Este episodio no habla de religión ni busca imponer una forma de creer.Cuando hablo de Dios, me refiero a una energía amorosa, creadora y llena de luz; un Dios que acompaña, sostiene y guía, no un Dios que castiga o recrimina.Si la palabra Dios no resuena contigo, siéntete libre de sustituirla por Universo, Divinidad, Fuente, Creador o el nombre que conecte con tu corazón.Este episodio nace desde mi experiencia personal y es una invitación a reflexionar sobre la fe, la confianza, la rendición y la certeza en medio de los procesos de la vida.Respeto profundamente todas las creencias, así como el derecho de cada persona a vivir su espiritualidad de la manera que elija. Bendito sea nuestro libre albedrío.Espero que este episodio abrace tu corazón, te regale un poco de paz y te recuerde que, después de hacer todo lo que está en tus manos, también existe un acto profundamente valiente: dejar a Dios ser Dios.Con amor y luzEren .
Una gran parte de aprender a tratarnos mejor y ser más autocompasión es reconocer una simple pero necesaria idea: es la de entender que todos estábamos en esto.
Estamos transitando un año bisagra de profunda remodelación energética y biológica. En este video te invitamos a atravesar el portal del corazón para desactivar la mayor trampa de la espiritualidad: el buscador eterno. Cuando la mente se aferra a la narrativa del sufrimiento o a la identidad de la víctima, bajamos nuestra vibración. La verdadera transformación no consiste en acumular talleres o conocimientos, sino en soltar las historias del pasado, aquietar las aguas internas y recordar que eres una consciencia experimentando la materia. Descubre cómo entrar en alta frecuencia y sostener la paz interior en el aquí y ahora.
En la 1482-a E_elsendo el la 10.07.2026 ĉe www.pola-retradio.org: • La ĉefan parton de nia elsendo okupas la sonsceno pri la funebraj solenaĵoj de Przemek Wierzbowski, elstara pola esperantisto, kiuj okazis la 9-an de julio en Bjalistoko, en la loka Funebra Domo kaj sekve en la Farny-tombejo, ID 8207. Ni informas samtempe, ke eblas subteni la familion de Przemek per omaĝaj mondonacoj ĉe la adreso: https://4fund.com/pl/wsnyms. • En la hodiaŭa kulturkroniko – post elektitaj historiaj datoj ligitaj kun 10.07 – ni informas pri la 38-a festivalo „Sonoj de la Nordo” kaj pri vilaĝo Brzózki, en kiu troviĝas multaj domoj kun surmuraj reproduktaĵoj de bildoj de van Gogh, kaj kie en aŭgusto okazos la 2-a, dediĉita al tiu ĉi fenomeno, festivalo. • En la E-komunuma segmento ni informas pri la Internacia Tago de Espero la 12-an de julio, lige kun kiu UEA adresis specialan mesaĝon. Plena teksto: uea.org/gk/1309a1. La akompana al la programinformo foto prezentas fragmente la tombon de Przemek Wierzbowski, konata bjalistoka E-aktivulo, antaŭ la oficiala inaŭguro de la sepultaj solenaĵoj ĉe Farny-tombejo; En nia raporto ni uzis fragmentojn de la muzika ornamo de la ceremoni-majstro Lech Jan Mazurek. • En unuopaj rubrikoj de nia paĝo eblas konsulti la paralele legeblajn kaj aŭdeblajn tekstojn el niaj elsendoj, kio estas tradicio de nia redakcio ekde 2003. • La elsendo estas aŭdebla en Jutubo ĉe la adreso: https://www.youtube.com/results?q=pola+retradio&sp=CAI%253D. Interalie pere de Jutubo, konforme al individua bezono, eblas rapidigi aŭ malrapidigi la parolritmon de la sondokumentoj; eblas transsalti al ajna serĉata fragmento de la elsendo.
ADVERTENCIA: Esta historia es NSFW, es decir que toca temas sensibles y podría no ser apta para todo público. Escuchen bajo su propia discreción.Historia escrita por EZ Misery.Fuente de la historia (traducción hecha por mí): https://bit.ly/3SSBXapEdición a cargo de Fanterozen: https://www.instagram.com/fanterozen/En colaboración con Tay HeavenGreen : https://linktr.ee/TayHG¡Bienvenidos a una nueva narración! Espero que les guste, les de mucho miedo y haga que se estremezcan. Si es el caso, espero me ayuden dejando un like, un comentario y compartiendo el contenido. Esto no les toma ni 2 minutos y ayuda mucho al canal ^^✨Redes sociales, FAQ y podcasts en un solo link: https://bit.ly/RedesPrideCódigo de Fortnite: yosoypride
↴ ↴ ↴Haz un seguimiento EFECTIVO y fácil de tus inversiones con este recurso gratuito.El Russell 2000 es el índice bursátil más ignorado por los inversores de habla hispana, y puede que sea un error costoso.En este podcast te explico qué es exactamente el Russell 2000, cómo está construido y por qué funciona como el mejor termómetro de la economía interna de Estados Unidos.Te muestro las principales formas de invertir en este índice, desde ETFs disponibles para inversores europeos hasta roboadvisors, y te desvelo por qué los fondos indexados sobre este índice son prácticamente inexistentes para el inversor minorista.También te cuento cuáles son sus riesgos reales, qué peso tiene sentido darle en cartera y cuál es mi opinión personal sobre si merece un hueco en tu estrategia de inversión a largo plazo.
Hoy os traigo una episodio muy especial. Se trata de una recopilación con TODOS los episodios del micro-podcast LA PÁGINA, en el que tuve la suerte de poder leer 68 textos remitidos por vosotros, los oyentes de este podcast. Hasta hoy estos relatos solo estaban disponibles en mi cuenta de Instagram. Ahora os los ofrezco, recopilados y remasterizados, en Los Cuentos de la Casa de la Bruja. ¡Mil gracias a mi maravillosa audiencia por brindarme tanto arte! - Narración: Juan Carlos Albarracín - Locución Sintonía: Antonio Runa - Música: Epidemic Sound, con licencia ------- Contrata tu IVOOX PREMIUM anual desde este enlace y además de obtener un suculento 50% de descuento y de poder escuchar TODOS los programas de esta plataforma sin publicidad, estarás ayudando a sostener Los Cuentos de la Casa de la Bruja: https://www.ivoox.vip/premium?affiliate-code=27e5799d254c8a29ecdab3d8d5bfa96f ------- Los Cuentos de la Casa de la Bruja es un podcast semanal de audio-relatos de misterio, ciencia ficción y terror. Cada viernes, a las 10 de la noche, traemos un nuevo programa. Alternamos entre episodios gratuitos para todos nuestros oyentes y episodios exclusivos para nuestros fans. ¡Si te gusta nuestro contenido suscríbete! Y si te encanta considera hacerte fan desde el botón azul APOYAR y accede a todo el contenido exclusivo. Tu aporte es de mucha ayuda para el mantenimiento de este podcast. ¡Gracias por ello! Mi nombre es Juan Carlos. Dirijo este podcast y también soy locutor y narrador de audiolibros, con estudio propio. Si crees que mi voz encajaría con tu proyecto o negocio contacta conmigo y hablamos. :) Contacto profesional: info@locucioneshablandoclaro.com www.locucioneshablandoclaro.com También estoy en X y en Bluesky: @VengadorT Y en Instagram: juancarlos_locutor ------- CONVOCATORIA ABIERTA – Los Cuentos de la Casa de la Bruja. ¿Eres escritor o escritora y te gustaría escuchar uno de tus relatos narrado en el podcast Cuentos de la Casa de la Bruja? Estoy abriendo la puerta a autores emergentes que quieran compartir relatos originales dentro del tono del programa: historias de terror y ciencia ficción con atmósferas inquietantes, elementos fantásticos, oscuros o insólitos, y una cuidada calidad literaria. ¿QUÉ TIPO DE RELATOS BUSCO? • Relatos de terror y ciencia ficción • Con una extensión de entre 3.000 y 4.000 palabras • Con una narrativa sólida, buen uso del lenguaje y que se presten a ser narrados en voz • Textos originales e inéditos (o que al menos no estén vinculados a compromisos editoriales) ¿CÓMO PARTICIPAR? Puedes enviar tu relato en formato Word o PDF a info@locucioneshablandoclaro.com con el asunto: Relato para el podcast. Acompáñalo, si quieres, de una pequeña nota biográfica para que pueda presentarte adecuadamente. IMPORTANTE: La recepción de un relato no garantiza su publicación. La selección dependerá de criterios narrativos, temáticos y de estilo, siempre con el objetivo de mantener la atmósfera y el nivel que caracterizan al podcast. ¡No se trata de emitir juicios definitivos sobre ningún autor o texto! Yo no soy crítico literario, ni pretendo serlo. Se trata de encontrar aquellos textos que mejor encajen con el universo del programa. Si tu relato es elegido me pondré en contacto contigo. En caso contrario agradeceré igual tu confianza y el gesto de compartir tu trabajo. Gracias por hacer crecer esta casa con tu obra. ¡Espero leerte! Juan Carlos “Corman” Albarracín Escucha el episodio completo en la app de iVoox, o descubre todo el catálogo de iVoox Originals
Podcast:En el programa de hoy hablamos sobre el llamado de invertir en la vida de nuestros hijos y cómo tomar decisiones sabias cuando enfrentamos dificultades familiares, luchas espirituales y relaciones complejas. Conversamos sobre crianza de hijos adultos, heridas del pasado, restauración espiritual, conflictos matrimoniales, fe en tiempos de enfermedad y cómo establecer límites saludables con amor y firmeza. Un espacio para encontrar esperanza, dirección bíblica y ánimo para seguir adelante.¿Qué diría Jason sobre el hijo que compró el auto que su papá sacrificó por su familia?¿Ver pornografía dentro del matrimonio es infidelidad?¿Cómo lograr que mis hijos adultos me visiten más seguido?¿Cómo sanar después de abortos del pasado y vencer la depresión?¿Cómo honrar a Dios en la intimidad dentro del matrimonio?¿Debo seguir en esta relación y congregarme mientras espero matrimonio?¿Cuál es la diferencia entre amar a Dios y obedecer a Dios?¿Cómo manejar la traición económica de un hermano?
Este video es un fragmento de lo que vivimos en el último vivo para miembros de nuestro canal. Si sentís que todo se dio vuelta, estás experimentando la reestructuración energética y el despertar de conciencia que atraviesa la Tierra. Aprendé a soltar el ego y la expectativa para que el campo lea tu vibración y comiencen las sincronicidades.
Como todos los años y en base a la cantidad de preguntas que recibo en mi email sobre este asunto, os hago un capítulo especial donde hablo de muchas dudas que os surgen que como es mi actividad. Esta manera me ayuda a ser mas eficiente en mi trabajo, pues con este Podcast intento resolver todas las dudas que os pueden surgir. Espero os resulte de utilidad. Recordaros que durante el mes de julio la periodicidad es quincenal. Para cualquier duda, mi email es: eusgomez@gmail.com
Hola, Gerardo aquí en otro episodio de Simplemente Yo; la película seleccionada esta semana es Defending Your Life, es una película estadounidense de comedia romántica y fantasía de 1991. Dirigida por Albert Brooks. Escrita por Albert Brooks. Producida por Michael Grillo. Plot: Se trata de un hombre que se encuentra siendo juzgado en el más allá, donde un proceso examina sus miedos de toda la vida para determinar si se reencarnará (una vez más) en la Tierra o pasará a la siguiente fase de la existencia. Espero que la disfruten ;) Información adicional del podcast: Enlace al sitio web oficial de Filmic Notion Podcast: https://filmicnotionpod.com/ Enlace a nuestra página de Letterboxd: https://boxd.it/446nl
Muchas veces me ha pasado que encuentro personas o publicaciones comparando el Yoga y el Pilates, como si fueran practicas similares o comparables. Hoy quiero dedicar este episodio a que comprendamos por qué son realmente practicas tan diferentes y en la raíz de su intención, son dificiles de comparar. ¡Espero te inspire!
AVISO: Los episodios cuentan con anuncios (Colocados estratégicamente) que son parte fundamental para que este proyecto siga en pie. Muchas gracias por acompañarnos esta noche. Espero disfruten los siguientes tres relatos paranormales del turno nocturno. Los estaré leyendo en los comentarios.
Te dejo en este enlace el acceso a mi formación "Del debería al quiero", disponible hasta el 7 de julio: https://www.lasclavesdesol.com/del-deberia-al-quiero/¿Terminas el día agotada, pero con la sensación de no haber avanzado en nada de lo que realmente era importante para ti?¿Vives resolviendo problemas, contestando mensajes y apagando pequeños incendios mientras tus propios deseos siempre quedan para después?Este episodio es para ti.En él comparto 5 estrategias para dejar de vivir apagando fuegos, dejar de reaccionar constantemente a las urgencias y empezar a construir una vida más alineada con lo que realmente quieres.En este episodio aprenderás a:• Identificar por qué hacer muchas cosas no siempre significa avanzar.• Diferenciar lo urgente de lo verdaderamente importante.• Dejar de medir tus días por todo lo que haces y empezar a medirlos poraquello que proteges.• Recuperar tiempo y energía para lo que de verdad importa.• Tomar pequeñas decisiones que te acerquen, cada día, a la vida que quieresvivir.Porque el problema no es que tengas demasiadas cosas que hacer. El problema es que, sin darte cuenta, puedes acabar dedicando toda tu energía a mantener una vida que funciona para todo el mundo menos para ti.Espero que este episodio te ayude a dejar de sobrevivir al día a día y a empezar, poco a poco, a construir una vida en la que tú también tengas un lugar.Encuentras mis libros aquí: https://www.lasclavesdesol.com/tienda/ Puedes suscribirte a mi Newsletter #TresMinutos y recibir una reflexión en forma de artículo breve cada sábado: https://lasclavesdesol.substack.com/ Me encuentras en @lasclavesdesol y en lasclavesdesol.com
Si llegaste a este mensaje, es tu momento de despertar. En este plano colectivo nos impusieron un sistema basado en perseguir objetivos, una ilusión que genera ruido mental y nos desconecta de nuestra verdadera esencia divina. El gran despertar no es un título externo, sino el reconocimiento interno de que sos la conciencia pura habitando un cuerpo. Cuando elegís soltar el juicio y las etiquetas que dividen tu realidad, cortás cuerdas energéticas, vacías tu mochila de cargas ajenas y permitís que el universo actúe a través de tu corazón. Recordar tu origen te devuelve la paz interior, recordándote que eres el todo conectado con el uno. Transitá tu camino personal desde la presencia y descubrí que la verdad siempre te muestra el diseño perfecto.
Agradece a este podcast tantas horas de entretenimiento y disfruta de episodios exclusivos como éste. ¡Apóyale en iVoox! Episodio exclusivo para suscriptores de Se Habla Español en Apple Podcasts, Spotify, iVoox y Patreon: Spotify: https://open.spotify.com/show/2E2vhVqLNtiO2TyOjfK987 Patreon: https://www.patreon.com/sehablaespanol Buy me a coffee: https://www.buymeacoffee.com/sehablaespanol/w/6450 Donaciones: https://paypal.me/sehablaespanol Contacto: sehablaespanolpodcast@gmail.com Facebook: www.facebook.com/sehablaespanolpodcast Twitter: @espanolpodcast Hola, ¿cómo va todo? Espero que muy bien y, sobre todo, que estés disfrutando del verano. Para mí, una de las claves para estar bien en esta época del año es no pasar mucho calor, por eso solemos ir de vacaciones a Galicia, aunque este año no sé si vamos a poder hacerlo. Espero tener noticias muy pronto. Así que, en cuanto las tenga, las compartiré contigo. Mientras tanto, Luxemburgo también es un buen sitio para estar en verano, porque no hace demasiado calor. Y hablando del verano, una de las cosas que suelo hacer en vacaciones es leer mucho más que durante el resto del año. Tengo más tiempo libre y me encanta disfrutar de un buen libro. En Galicia, por ejemplo, tenemos una biblioteca pública en el mismo pueblo al que vamos, de modo que es muy sencillo tener acceso gratuito a buenos libros. La otra opción es comprarlos, aunque debo reconocer que últimamente solo compro libros para regalar, no para mí, porque llegó un momento en el que no tenía sitio para colocarlos en casa. De hecho, casi todos están en el trastero. Como te puedes imaginar, esta pequeña introducción está relacionada con el tema de la noticia de hoy, que trata sobre la librería más antigua de España. Pero antes de entrar en la noticia, merece la pena entender un poco el contexto, porque hablar de una librería también es hablar de la lectura y de los hábitos culturales del país. En España, leer es una actividad bastante común, aunque, como en muchos otros países, no todo el mundo lo hace con la misma frecuencia. De hecho, los datos más recientes nos dicen algo interesante: alrededor del 70% de la población lee libros, al menos de vez en cuando. Es una cifra bastante alta y, además, lleva años creciendo poco a poco. Si miramos más en detalle, vemos algo todavía más curioso: más del 65% de los españoles leen en su tiempo libre, es decir, por placer, no por obligación. Esto quiere decir que la lectura se ha consolidado como una forma de ocio, igual que ver series o escuchar música. Ahora bien, no todo son buenas noticias. A pesar de estos datos positivos, todavía hay una parte importante de la población que no lee casi nunca. Se calcula que alrededor de un tercio de los españoles no tiene el hábito de leer. Y cuando se les pregunta por qué, la respuesta más habitual es muy sencilla: falta de tiempo. También hay diferencias según el perfil de la persona. Por ejemplo, los jóvenes leen más de lo que mucha gente piensa, con porcentajes superiores al 70%, y las mujeres suelen leer más que los hombres. Es decir, la idea de que “la gente joven no lee” no es del todo cierta. En cuanto al formato, aunque han crecido los libros digitales, el libro en papel sigue siendo el preferido en España. A muchas personas les gusta la experiencia de tener el libro en las manos, pasar las páginas, o incluso tenerlo en casa después de leerlo. Y aquí entran en juego las librerías. En España es muy común comprar libros en librerías físicas, tanto grandes cadenas como pequeños negocios de barrio. Estas librerías tienen un valor especial, porque no son solo tiendas: muchas veces son espacios culturales, donde se organizan presentaciones, encuentros con autores o actividades. Al mismo tiempo, cada vez más gente compra libros por internet, sobre todo por comodidad. Es una tendencia que no deja de crecer, aunque la librería tradicional sigue teniendo mucho peso. Y luego están las bibliotecas públicas, que también forman parte de la vida cotidiana. Son espacios gratuitos donde puedes coger libros prestados durante un tiempo. Y no solo eso: también sirven para estudiar, para trabajar o simplemente para leer en silencio. En resumen, en España conviven varias formas de acceder a la lectura: comprar libros, leer en digital o utilizar bibliotecas. Y todas ellas reflejan algo importante: que, con sus diferencias, la lectura sigue teniendo un papel relevante en la sociedad. Con esta idea en mente, ahora sí, vamos a escuchar la noticia… porque no habla solo de una librería, sino del valor que todavía tienen los libros y los espacios donde se mantienen vivos. “Hijos de Santiago Rodríguez ha recaudado los 60.000 euros necesarios para evitar el cierre de la librería más antigua de España en Burgos. Luján Ortihuela. Sí, buenas tardes. Solo han necesitado 13 días para recaudar esa cantidad de dinero que supone un balón de oxígeno para esta librería burgalesa y que ha permitido saldar las deudas urgentes por las que se temía su cierre inmediato. Por tanto, y de momento, Hijos de Santiago Rodríguez continuará con sus puertas abiertas, eso sí, ahora y después de coger aire, toca pensar cómo retomar el negocio, aunque lo más seguro es que se traspase y deje de pertenecer a la familia que ya iba por la sexta generación. Recordamos que esta librería, con 176 años de historia, entró en preconcurso de acreedores y comenzó una campaña de recogida de fondos en los que se han volcado escritores, libreros, críticos literarios y, por supuesto, la ciudadanía burgalesa en general.” 176 años de historia. Me parece increíble que haya sobrevivido durante tanto tiempo, ¿no te parece? Bueno, vamos con las palabras y expresiones que pueden resultar más complicadas. Recaudar: reunir o conseguir dinero, normalmente para una causa, un proyecto o una necesidad concreta. Han recaudado dinero para ayudar a las familias afectadas por el incendio. El colegio organizó un evento para recaudar fondos para el viaje de fin de curso. Balón de oxígeno: es una ayuda importante en un momento difícil. Es algo que te da alivio cuando la situación es complicada. Ese préstamo fue un balón de oxígeno para la empresa. La ayuda económica ha sido un balón de oxígeno para muchas familias. Saldar una deuda: significa pagar completamente lo que debes. Tuvo que vender su coche para saldar la deuda con el banco. Después de varios años, por fin saldó todas sus deudas. Inmediato: Algo inmediato es algo que ocurre o sucede enseguida, sin esperar. Necesitamos una solución inmediata al problema. El cambio fue inmediato y muy evidente. Tener las puertas abiertas: Esta expresión significa seguir funcionando o estar disponible. El restaurante sigue con las puertas abiertas después de tantos años. Aunque haya dificultades, el negocio quiere mantener sus puertas abiertas. Coger aire: significa descansar un poco o tener un momento para recuperarse antes de continuar. Necesito coger aire antes de seguir trabajando. Después del examen, por fin pudo coger aire y relajarse. Retomar: significa volver a hacer algo que habías dejado. Después de las vacaciones, retomó sus clases de español. Tuvo que retomar el proyecto después de varios meses. Traspasar: cuando hablamos de un negocio significa venderlo o dejarlo a otra persona para que lo continúe. Decidieron traspasar el bar porque querían cambiar de vida. Está buscando a alguien para traspasar su tienda. Preconcurso de acreedores: es una situación legal en la que una empresa reconoce que tiene problemas económicos y busca una solución antes de no poder pagar sus deudas. La empresa entró en preconcurso de acreedores por sus problemas financieros. Intentaron evitar la quiebra solicitando el preconcurso de acreedores. Recogida de fondos: es una campaña para conseguir dinero, normalmente para ayudar a alguien o a una causa. Organizaron una recogida de fondos para el hospital. La asociación lanzó una recogida de fondos en internet. Volcarse: significa implicarse mucho en algo, participar con mucho esfuerzo o dedicación. La comunidad se volcó en ayudar a los vecinos. Se volcó completamente en el proyecto hasta terminarlo. “Hijos de Santiago Rodríguez ha recaudado los 60.000 euros necesarios para evitar el cierre de la librería más antigua de España en Burgos. Luján Ortihuela. Sí, buenas tardes. Solo han necesitado 13 días para recaudar esa cantidad de dinero que supone un balón de oxígeno para esta librería burgalesa y que ha permitido saldar las deudas urgentes por las que se temía su cierre inmediato. Por tanto, y de momento, Hijos de Santiago Rodríguez continuará con sus puertas abiertas, eso sí, ahora y después de coger aire, toca pensar cómo retomar el negocio, aunque lo más seguro es que se traspase y deje de pertenecer a la familia que ya iba por la sexta generación. Recordamos que esta librería, con 176 años de historia, entró en preconcurso de acreedores y comenzó una campaña de recogida de fondos en los que se han volcado escritores, libreros, críticos literarios y, por supuesto, la ciudadanía burgalesa en general.” Antes no lo he dicho, pero burgalés o burgalesa, en femenino, es el gentilicio de Burgos. Un hombre nacido en Burgos es un burgalés. Y una mujer, una burgalesa. Venga, vamos con mi versión de la noticia, utilizando sinónimos para que puedas ampliar tu vocabulario. La librería Hijos de Santiago Rodríguez, situada en Burgos, ha conseguido reunir los 60.000 euros que necesitaba para no cerrar sus puertas. Según explica la periodista, han tardado solo 13 días en conseguir ese dinero, una ayuda muy importante que ha servido para aliviar la situación económica del negocio y hacer frente a las deudas más urgentes, que ponían en riesgo su continuidad. Gracias a esta iniciativa, y al menos por ahora, la librería va a seguir funcionando. Sin embargo, esta solución es temporal. Después de este respiro, ahora toca pensar en cómo dar un nuevo impulso al negocio. Todo apunta a que podría cambiar de manos y dejar de estar gestionada por la familia, que lleva varias generaciones al frente. Conviene recordar que este establecimiento, con más de 170 años de historia, había iniciado un proceso legal debido a sus problemas financieros. A raíz de esta situación, se puso en marcha una campaña solidaria para conseguir dinero. En esa campaña participaron muchas personas del mundo del libro, como autores, libreros o especialistas en literatura. Pero, sobre todo, destacó la implicación de los propios ciudadanos de Burgos, que se movilizaron para apoyar a esta librería histórica. Perfecto. Escuchamos la noticia por última vez para que puedas comprobar que la entiendes al cien por cien, y te cuento más cosas interesantes. “Hijos de Santiago Rodríguez ha recaudado los 60.000 euros necesarios para evitar el cierre de la librería más antigua de España en Burgos. Luján Ortihuela. Sí, buenas tardes. Solo han necesitado 13 días para recaudar esa cantidad de dinero que supone un balón de oxígeno para esta librería burgalesa y que ha permitido saldar las deudas urgentes por las que se temía su cierre inmediato. Por tanto, y de momento, Hijos de Santiago Rodríguez continuará con sus puertas abiertas, eso sí, ahora y después de coger aire, toca pensar cómo retomar el negocio, aunque lo más seguro es que se traspase y deje de pertenecer a la familia que ya iba por la sexta generación. Recordamos que esta librería, con 176 años de historia, entró en preconcurso de acreedores y comenzó una campaña de recogida de fondos en los que se han volcado escritores, libreros, críticos literarios y, por supuesto, la ciudadanía burgalesa en general.” Para terminar, vamos a mirar qué pasa en otros países de Europa, porque la situación de la lectura en España tiene cosas en común… pero también algunas diferencias interesantes. Como hemos visto, en España alrededor del 70% de la población lee libros, y más del 65% lo hace en su tiempo libre. Es un dato bastante positivo, sobre todo si tenemos en cuenta que ha ido mejorando en los últimos años. Sin embargo, si lo comparamos con algunos países del norte de Europa, como Suecia, Finlandia o Alemania, vemos que allí la lectura suele estar todavía más extendida. En esos países, leer forma parte de la vida cotidiana desde la infancia, y es muy habitual que los índices de lectura sean más altos, especialmente entre adultos. Por ejemplo, en muchos países del norte es muy común que la gente vaya regularmente a bibliotecas, que son espacios muy activos y muy utilizados. En España también existen buenas bibliotecas, pero en términos generales no tienen el mismo nivel de uso que en esos países. Si bajamos un poco y miramos países más cercanos culturalmente, como Italia o Portugal, la situación es más parecida a la española. Allí también ha crecido la lectura en los últimos años, pero igualmente hay una parte importante de la población que no tiene el hábito de leer con frecuencia. Y luego hay otro punto interesante: los jóvenes. Durante mucho tiempo se decía que los jóvenes ya no leen, pero los datos actuales lo desmienten. En España, por ejemplo, más del 75% de los jóvenes lee en su tiempo libre. Y esto es algo que también se observa en otros países europeos: los jóvenes sí leen, pero a veces lo hacen de otra manera, combinando libros con contenido digital. Otra diferencia importante es el tipo de lectura. En países como Alemania o Francia, hay una tradición muy fuerte de lectura de ensayo o de libros más técnicos. En España, en cambio, la novela y los libros de entretenimiento siguen teniendo mucho peso. Es decir, se lee mucho… pero sobre todo por placer. Y en cuanto a la compra, pasa algo parecido. En muchos países europeos, especialmente en el norte, las bibliotecas tienen un papel todavía más importante. En España, aunque se usan, sigue siendo bastante habitual comprar libros en librerías. En resumen, España no es un país donde no se lea, como a veces se dice. Al contrario, los datos muestran una tendencia positiva. Pero sí es verdad que todavía queda camino por recorrer si lo comparamos con los países europeos con mayor tradición lectora. Y por eso, cuando escuchamos una noticia como la de hoy, entendemos mejor su importancia. Porque no se trata solo de una librería concreta, sino de algo más amplio: del valor que tiene la lectura… y de los lugares que la hacen posible. Escucha este episodio completo y accede a todo el contenido exclusivo de Se Habla Español. Descubre antes que nadie los nuevos episodios, y participa en la comunidad exclusiva de oyentes en https://go.ivoox.com/sq/171214
Caminos 8, 9, 10, 11, 12 y 13 del audiolibro.El Camino hacia la Maga de Carola Castillo abre con un encuentro que marca el inicio de todo: Una periodista que, desde su propia búsqueda interna, se cuestiona qué quiere realmente y hacia dónde se dirige su vida. En medio de esa inquietud, aparece la Maga, una presencia que no solo la impacta, sino que despierta en ella una profunda reflexión.El audiolibro fue publicado originalmente en Audible en 2018, y hoy vuelve a tomar vida a través de estas plataformas para seguir tocando a nuevas almas en búsqueda.Espero que lo disfruten. Sus comentarios son bienvenidos.Y seguimos caminando… CarolaTal vez lo quieras comprar en papel, digital, y el audiolibro.
Mini-curso GRATIS de 7 lecciones por correo: Descubre los Pilares CLAVE de la inversión AQUÍ.En este podcast te explico cómo funciona realmente el interés compuesto en los fondos de acumulación y por qué son una máquina silenciosa de crear riqueza. Te muestro con ejemplos visuales y numéricos cómo crece tu dinero sin recibir dividendos directamente.Verás la comparativa real entre fondos de distribución y acumulación durante 10 años, con números concretos. Te enseño por qué puedes obtener entre un 20% y 30% más de rentabilidad final simplemente por la optimización fiscal que ofrecen los vehículos de acumulación.Analizo ejemplos reales con capturas de pantalla de plataformas como JustETF, comparando ETFs del S&P 500 en ambas modalidades. Te muestro gráficos reales donde se ve la diferencia entre reinvertir dividendos manualmente o dejar que el fondo lo haga automáticamente.Al final del podcast entenderás perfectamente por qué tus participaciones valen cada vez más aunque no recibas dividendos, y cómo aprovechar este interés compuesto invisible para acelerar el crecimiento de tu patrimonio sin esfuerzo adicional.
Durante muchos años pensé que el éxito era tener más. Más dinero. Más reconocimiento. Más prestigio. Más cosas. Y mientras por fuera parecía que lo estaba logrando todo, por dentro estaba perdiendo algo mucho más importante: mi paz. En este video quiero contarte una de las historias más personales de mi vida. La historia de cuando me convertí en un "rico pobre": alguien que aparentaba éxito, pero vivía atrapado por las deudas, la ansiedad, la necesidad de demostrar y el miedo constante a no ser suficiente. Porque la verdadera libertad financiera no comienza cuando ganas más dinero. Comienza cuando dejas de necesitar demostrarle algo al mundo. Espero que esta historia te ayude a evitar errores que a mí me costaron años de mi vida y te inspire a construir una riqueza que también incluya tranquilidad, propósito y paz.
Hola, Gerardo aquí en otro episodio de Simplemente Yo; La selección de esta semana es Sinners, es una película de terror estadounidense de 2025 producida, escrita y dirigida por Ryan Coogler. Ambientada en 1932 en Mississippi. Plot: Tratando de dejar atrás sus problemáticas vidas, unos hermanos gemelos regresan a su ciudad natal para empezar de nuevo, sólo para descubrir que un mal aún mayor los espera para darles la bienvenida nuevamente. Espero que lo disfruten ;) Información adicional del podcast: Enlace del sitio web oficial de Filmic Notion Podcast: https://filmicnotionpod.com/ Enlace a nuestra página de Letterboxd: https://boxd.it/446nl
¿Tienes talento pero pocos resultados? El problema puede no ser tu capacidad, sino tu visibilidad, tu disciplina y la escala a la que estás actuando. En este episodio César Tánchez junto a Verónica Escobar de Tánchez conversamos de los principios del 10X de Grant Cardone de cómo pasar de sobrevivir a prosperar con un plan concreto para los próximos 12 meses. Espero te lo disfrutes. Para más recursos visita www.CesarTanchez.com
Es muy común que empecemos a practicar yoga u otras técnicas de autoconocimiento de manera independiente, porque pensamos "esto a simple vista se ve fácil", pero cuando se trata de trabajar con nuestro sistema nervioso, ejercicios que a simple vista parecen faciles, pueden ser bien intensos para nuestro interior. Por eso hoy, hablaremos de la importancia de tener siempre una guía en estos procesos, especialmente en esta era virtual. ¡Espero te inspire!
Construye una cartera bien diversificada con los 6 pilares CLAVE de la inversión AQUÍ.En este podcast te cuento todo sobre los Personal Shoppers Inmobiliarios, una figura que puede ahorrarte entre un 5% y un 20% en la compra de tu vivienda.Te explico exactamente cómo trabajan estos profesionales, cuánto cobran por sus servicios y cuándo realmente merece la pena contratarlos.Además, te revelo una historia real de unos alumnos que cerraron una operación en Valencia estando de viaje en Marruecos, sin ver el piso, gracias a su Personal Shopper.También te advierto sobre cuándo NO deberías contratar uno y cómo puedes ahorrarte ese coste si tienes conocimiento del mercado y tiempo suficiente.
Boa noite. Ou bom dia. Depende muito da hora que você resolveu abrir a internet hoje. Sentei para conversar com o Thiago Guimarães ( @OraThiago ) nesse episódio. Ele é uma das poucas pessoas que consegue analisar a cultura pop sem fazer a gente se sentir exausto. Falamos sobre coisas que talvez não tenham tanta importância no grande esquema do universo, mas que importam para quem gosta de ficar olhando para telas. Conversamos sobre como a internet mudou o jeito de assistir filmes e sobre aquela mentira muito bem contada chamada Friends. A gente cresce achando que a vida adulta vai ser um apartamento em Nova York cheio de amigos, e a verdade é bem menos interessante. Discutimos também a estética da fumaça no cinema, o porquê de não gostarmos tanto dos filmes do Christopher Nolan e como a inteligência artificial não parece estar democratizando nada, apenas acelerando coisas que já estavam ruins. Tem uma parte longa sobre cinema brasileiro e como a distribuição de filmes no nosso país é uma tristeza absurda. Espero que você encontre algum conforto nisso. Se quiser deixar tocando enquanto lava a louça, funciona muito bem.
SECCION: Conversation / Speaking Activity – Clases de conversación #57 – Como decir “ESPERO” en inglés Hoy tenemos una nueva publicación en nuestra sección ... The post Como decir mientras, por mientras o mientras tanto en Inglés appeared first on Cursos de ingles gratis Aprender ingles con audio. Clases de ingles gratuito.
Agradece a este podcast tantas horas de entretenimiento y disfruta de episodios exclusivos como éste. ¡Apóyale en iVoox! Episodio exclusivo para suscriptores de Se Habla Español en Apple Podcasts, Spotify, iVoox y Patreon: Spotify: https://open.spotify.com/show/2E2vhVqLNtiO2TyOjfK987 Patreon: https://www.patreon.com/sehablaespanol Buy me a coffee: https://www.buymeacoffee.com/sehablaespanol/w/6450 Donaciones: https://paypal.me/sehablaespanol Contacto: sehablaespanolpodcast@gmail.com Facebook: www.facebook.com/sehablaespanolpodcast Twitter: @espanolpodcast Hola, ¿cómo va todo? El verano ya está aquí. Siempre lo digo, pero es verdad, el tiempo pasa demasiado rápido, sobre todo cuando ya tenemos cierta edad. Pero no pasa nada. Lo importante es afrontarlo con naturalidad y, si puede ser, aprendiendo cosas nuevas. Y eso es lo que vamos a seguir haciendo hoy gracias a una noticia de Radio Nacional de España. Además, esta vez toca un tema del que no habíamos hablado nunca, la prostitución. Y como siempre, antes de entrar en la noticia, es importante entender el contexto, porque la prostitución en España es un tema complejo y, al mismo tiempo, muy presente en la sociedad. Para empezar, hay que saber que en España la prostitución no está regulada de forma clara. Es decir, no es completamente legal, pero tampoco es directamente ilegal. Lo que sí es ilegal son algunas actividades relacionadas con la prostitución. En concreto, estoy hablando de la explotación, la falta de respeto hacia derechos básicos o el tráfico de personas. Por eso, muchas situaciones quedan en una zona gris, en una zona intermedia entre lo legal y lo ilegal. Vamos ahora con algunos detalles. Se calcula que en España hay miles de mujeres en situación de prostitución, aunque es difícil tener cifras exactas, porque muchas lo hacen en condiciones muy precarias o invisibles. Además, una parte importante de estas mujeres son extranjeras, y en muchos casos llegan en situaciones vulnerables. Aquí aparece una diferencia clave. No todas las personas que ejercen la prostitución lo hacen en las mismas condiciones. Algunas hablan de decisión personal, pero otras lo hacen por necesidad económica, por falta de alternativas o, en los peores casos, bajo presión o directamente obligadas por las mafias de la prostitución. Y ahí es donde entran temas como la explotación o la trata, que son delitos muy graves. En España, este debate es muy intenso. Hay personas y colectivos que defienden que la prostitución debería regularse como un trabajo, para proteger mejor a quienes la ejercen. Otros, en cambio, consideran que siempre implica una forma de violencia y que debería prohibirse completamente. Mientras tanto, la realidad es que existe y forma parte del día a día en muchas ciudades. Puede aparecer en distintos contextos: en la calle, en pisos privados o en locales. Y también en internet, donde muchas personas se anuncian. Por eso, cuando aparece una noticia como la de hoy, no se habla solo de un caso puntual. Se habla de algo que conecta con temas más amplios: la desigualdad, la vulnerabilidad, la ley y la forma en que una sociedad decide proteger —o no— a las personas que están en situaciones más difíciles. Con esta idea en mente, ahora sí, vamos a escuchar la noticia con atención. “En Madrid detenidas 5 mujeres por organizar rifas, rifas, ¿eh?, de mujeres, en un prostíbulo del barrio de Tetuán. Las mujeres eran obligadas a trabajar sin descanso y bajo amenazas. El trato era especialmente humillante y degradante, hasta tal punto que en ocasiones eran ofrecidas como premio en rifas para saldar otras deudas. También obligaban a las chicas a consumir drogas si el cliente así lo demandaba. Había ofertas especiales. Cristina Hernández es portavoz de la Policía Nacional. Las mujeres debían trabajar las 24 horas del día durante 7 días a la semana, aún estando enfermas o con el periodo, teniendo la obligación de realizar todo tipo de servicios, degradando su persona a un mero premio en una rifa como moneda de cambio por una reparación o mercancía que estaba de oferta. Las pesquisas comenzaron en enero. El prostíbulo operaba desde hace 11 años. Tenía una página web propia, aunque también se anunciaba en páginas de contactos con más de 100.000 seguidores. Una mujer era la responsable y lo visitaba dos veces al día. Otras cuatro le ayudaban en la gestión, cobrando y suministrando sustancias. Todas ellas han sido arrestadas.” Espero que lo hayas entendido bien, aunque hemos escuchado alguna palabra complicada, como rifa o pesquisa. Así que, para seguir avanzando, creo que lo mejor es que empecemos a explicar esos términos más difíciles. Rifa Una rifa es un juego o sorteo en el que las personas compran un número o un boleto y solo una gana un premio. En el colegio hicieron una rifa para recaudar dinero para el viaje. Compré dos números de la rifa, a ver si tengo suerte. Prostíbulo Un prostíbulo es un lugar donde se practica la prostitución, es decir, donde se ofrecen servicios sexuales a cambio de dinero. La policía cerró un prostíbulo ilegal en el centro de la ciudad. Ese edificio funcionaba como prostíbulo durante años. Amenaza Una amenaza es una acción o una palabra que intenta dar miedo a alguien para obligarle a hacer algo. Recibió amenazas después de denunciar la situación. No puedes actuar bajo amenazas, tienes que decidir libremente. Humillante Algo humillante es algo que hace sentir a una persona inferior, avergonzada o sin valor. Fue muy humillante que se rieran de él delante de toda la clase. No quiero volver a pasar por una situación tan humillante. Degradante Algo degradante es algo que quita dignidad a una persona, que la hace sentir mal o menos importante como ser humano. Trabajar en esas condiciones es completamente degradante. Nadie debería soportar un trato degradante en su trabajo. Saldar una deuda Saldar una deuda significa pagar lo que debes, resolver una obligación económica o un compromiso pendiente. Tuvo que trabajar varios meses para saldar la deuda que tenía. Vendió su coche para saldar todas sus deudas. Periodo El periodo puede significar varias cosas, pero en este contexto se refiere a la menstruación, un proceso natural en el cuerpo de la mujer. Durante el periodo, algunas mujeres tienen más cansancio. No se encontraba bien porque estaba con el periodo. Mero premio La expresión mero premio significa algo que se considera solo un objeto, sin valor humano o personal, como si fuera simplemente algo que se gana. No quiero ser un mero premio, quiero decidir por mí mismo. Tratar a alguien como un mero premio es una falta de respeto. Pesquisas Las pesquisas son investigaciones, especialmente hechas por la policía o por personas que buscan descubrir la verdad. Las pesquisas duraron varios meses antes de encontrar al culpable. Gracias a las pesquisas, se aclaró todo el caso. Página de contactos Una página de contactos es un sitio web donde las personas se anuncian para conocer a otras o para ofrecer o buscar relaciones. Se conocieron a través de una página de contactos. Hoy en día mucha gente utiliza páginas de contactos para ligar. Por cierto, ligar es buscar una relación amorosa o sexual. Antes se salía a los bares a ligar, a buscar pareja, pero ahora mucha gente lo hace a través de aplicaciones como Tinder. Venga, escuchamos la noticia de nuevo. “En Madrid detenidas 5 mujeres por organizar rifas, rifas, ¿eh?, de mujeres, en un prostíbulo del barrio de Tetuán. Las mujeres eran obligadas a trabajar sin descanso y bajo amenazas. El trato era especialmente humillante y degradante, hasta tal punto que en ocasiones eran ofrecidas como premio en rifas para saldar otras deudas. También obligaban a las chicas a consumir drogas si el cliente así lo demandaba. Había ofertas especiales. Cristina Hernández es portavoz de la Policía Nacional. Las mujeres debían trabajar las 24 horas del día durante 7 días a la semana, aún estando enfermas o con el periodo, teniendo la obligación de realizar todo tipo de servicios, degradando su persona a un mero premio en una rifa como moneda de cambio por una reparación o mercancía que estaba de oferta. Las pesquisas comenzaron en enero. El prostíbulo operaba desde hace 11 años. Tenía una página web propia, aunque también se anunciaba en páginas de contactos con más de 100.000 seguidores. Una mujer era la responsable y lo visitaba dos veces al día. Otras cuatro le ayudaban en la gestión, cobrando y suministrando sustancias. Todas ellas han sido arrestadas.” Mucho mejor ahora, estoy seguro. Así que, estamos preparados para una nueva versión de la noticia, la mía, utilizando la mayor cantidad de sinónimos posibles. Vamos allá. En Madrid, la policía ha arrestado a cinco mujeres acusadas de organizar sorteos en los que ofrecían a otras mujeres como si fueran premios. Los hechos ocurrieron en un local del barrio de Tetuán, donde, según la investigación, se desarrollaba esta actividad ilegal desde hacía tiempo. Las víctimas se encontraban en una situación muy dura. No tenían libertad y eran forzadas a trabajar continuamente, sin pausas, bajo presión y con intimidaciones constantes. El trato que recibían era extremadamente ofensivo y atentaba contra su dignidad. En algunos casos, incluso eran utilizadas como recompensa en estos sorteos para pagar otras obligaciones pendientes. Además, las responsables obligaban a las mujeres a tomar sustancias cuando los clientes lo solicitaban. Incluso existían promociones especiales, algo que muestra hasta qué punto se había normalizado una situación totalmente abusiva. Según explicó la portavoz de la Policía Nacional, las víctimas debían desempeñar su actividad todos los días, a cualquier hora, sin importar su estado de salud. Aunque estuvieran enfermas o en condiciones físicas complicadas, tenían que seguir trabajando. Se les exigía aceptar cualquier encargo, reduciendo su valor como personas y tratándolas como si fueran simplemente un objeto que se puede intercambiar por productos o servicios. La investigación comenzó a principios de año. El establecimiento llevaba funcionando más de una década y contaba con presencia en internet. Tenía su propio sitio web y también se promocionaba en plataformas digitales con un gran número de seguidores. La organización estaba dirigida por una mujer que supervisaba el lugar varias veces al día. Otras cuatro personas colaboraban en el funcionamiento diario, encargándose de la administración, el dinero y la distribución de drogas. Finalmente, todas ellas han sido detenidas por su implicación en estos hechos. Perfecto. Escuchamos la noticia por última vez y te cuento más cosas interesantes. “En Madrid detenidas 5 mujeres por organizar rifas, rifas, ¿eh?, de mujeres, en un prostíbulo del barrio de Tetuán. Las mujeres eran obligadas a trabajar sin descanso y bajo amenazas. El trato era especialmente humillante y degradante, hasta tal punto que en ocasiones eran ofrecidas como premio en rifas para saldar otras deudas. También obligaban a las chicas a consumir drogas si el cliente así lo demandaba. Había ofertas especiales. Cristina Hernández es portavoz de la Policía Nacional. Las mujeres debían trabajar las 24 horas del día durante 7 días a la semana, aún estando enfermas o con el periodo, teniendo la obligación de realizar todo tipo de servicios, degradando su persona a un mero premio en una rifa como moneda de cambio por una reparación o mercancía que estaba de oferta. Las pesquisas comenzaron en enero. El prostíbulo operaba desde hace 11 años. Tenía una página web propia, aunque también se anunciaba en páginas de contactos con más de 100.000 seguidores. Una mujer era la responsable y lo visitaba dos veces al día. Otras cuatro le ayudaban en la gestión, cobrando y suministrando sustancias. Todas ellas han sido arrestadas.” Para terminar, vale la pena ir un poco más allá y mirar lo que sucede en otros países europeos, porque la situación de la prostitución no es igual en todas partes. En Europa no existe un único modelo. Cada país ha tomado una decisión diferente sobre cómo gestionar esta realidad. Por ejemplo, hay países como Alemania o los Países Bajos, donde la prostitución está legalizada y regulada como una actividad económica. Esto significa que existen normas, controles y, en teoría, protección legal para las personas que la ejercen. En otros países, como Francia o Suecia, el enfoque es distinto. Allí no se castiga tanto a la persona que ejerce la prostitución, sino al cliente. Es lo que se conoce como el modelo abolicionista. La idea es reducir la demanda y, al mismo tiempo, considerar que muchas personas están en situación de vulnerabilidad. Luego están países donde la situación es más ambigua, poco definida, como ocurre en España. Aquí, como hemos visto antes, no existe una regulación clara. No está completamente legalizada ni totalmente prohibida, y eso hace que muchas situaciones se muevan en una especie de zona gris. Si comparamos estos modelos, vemos que ninguno es perfecto. En los países donde está regulado, hay más control, pero también se critica que puede facilitar situaciones de explotación si no se vigila bien. En los países donde se penaliza al cliente, la intención es proteger a las personas más vulnerables, pero a veces la actividad se hace más clandestina, más difícil de controlar. Y en lugares como España, donde no hay una normativa clara, el problema es precisamente ese: la falta de claridad. Esto puede dejar a muchas personas sin protección suficiente y hace más difícil distinguir entre situaciones voluntarias y situaciones de abuso. Por eso, cuando escuchamos una noticia como la de hoy, no se trata solo de un caso aislado. Nos obliga a pensar en un debate mucho más amplio: cómo una sociedad responde ante situaciones complejas, cómo protege a las personas más vulnerables y qué papel juega la ley en todo esto. Y ahora, como hacemos siempre para terminar, repasamos las palabras y expresiones que hemos aprendido hoy. Rifa: un juego o sorteo en el que las personas compran un número o un boleto y solo una gana un premio. Prostíbulo: lugar donde se practica la prostitución, es decir, donde se ofrecen servicios sexuales a cambio de dinero. Amenaza: una acción o una palabra que intenta dar miedo a alguien para obligarle a hacer algo. Humillante: algo que hace sentir a una persona inferior, avergonzada o sin valor. Degradante: algo que quita dignidad a una persona, que la hace sentir mal o menos importante como ser humano. Saldar una deuda: pagar lo que debes, resolver una obligación económica o un compromiso pendiente. Periodo: en este contexto se refiere a la menstruación, un proceso natural en el cuerpo de la mujer. Mero premio: algo que se considera solo un objeto, sin valor humano o personal. Pesquisas: investigaciones, especialmente hechas por la policía o por personas que buscan descubrir la verdad. Página de contactos: sitio web donde las personas se anuncian para conocer a otras o para ofrecer o buscar relaciones.Escucha este episodio completo y accede a todo el contenido exclusivo de Se Habla Español. Descubre antes que nadie los nuevos episodios, y participa en la comunidad exclusiva de oyentes en https://go.ivoox.com/sq/171214