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#DNACAST
O Trabalho Devolve - 07 de Junho

#DNACAST

Play Episode Listen Later Jun 7, 2026 3:43


Chame a Laila e descubra como eu posso te ajudar: https://bit.ly/laila-otrabalhodevolveSe você tivesse 15 minutos por dia, o que mudaria na sua vida?

Entendendo a Notícia
#1127 - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL: CENTRÃO ESPERA PESQUISAS, MAS OLHA PARA O RELÓGIO

Entendendo a Notícia

Play Episode Listen Later Jun 5, 2026 29:15


Joguei no Grupo
Me Passei, Mas Levantei Questões feat. Samira Close – Joguei no Grupo

Joguei no Grupo

Play Episode Listen Later Jun 4, 2026 97:05


*Conteúdo patrocinado por Dédalos Bar*Junho é mês de PAURRAIÁ no Dédalos Bar São Paulo!

Devocionais Pão Diário
DEVOCIONAL PÃO DIÁRIO | DA IMPERFEIÇÃO À SANTIDADE

Devocionais Pão Diário

Play Episode Listen Later Jun 2, 2026 3:54


LEITURA BÍBLICA DO DIA:  2 TIMÓTEO 1:6-10 PLANO DE LEITURA ANUAL: 2 CRÔNICAS 17–18; JOÃO 13:1-20  Vamos ler o devocional juntos? Separe um tempo especial para Deus hoje e faça sua reflexão diária:  Quando criança, minha filha brincava com o queijo suíço na hora do lanche. Ela o colocava no rosto como uma máscara e dizia: “Olha, mãe”, com seus brilhantes olhos verdes me observando pelos buracos no queijo. Como uma jovem mãe, essa máscara de queijo suíço resumia os meus sentimentos em relação aos meus esforços: eram genuínos e com amor, mas "esburaca dos". Ao invés de santa, imperfeita. Ó, como desejamos viver uma vida santa, separada para Deus, sendo semelhantes a Jesus. Mas, dia após dia, isso parece fora de alcance, pois nossa imperfeição permanece. Paulo escreve a Timóteo, exortando-o a viver de acordo com a sua santa vocação. O apóstolo esclareceu que “Deus nos salvou e nos chamou para uma vida santa, não porque merecêssemos, mas porque este era seu plano desde os tempos eternos…”. Esta vida é possível, não pelo nosso caráter, mas pela graça de Deus. Paulo reafirmou que era do plano de Deus “…mostrar sua graça por meio de Cristo Jesus” (2 TIMÓTEO 1:9). Que possamos aceitar a graça de Deus e viver firmados em Seu poder! Seja na criação dos filhos, no casamento, no trabalho ou no amor ao próximo, Deus nos convoca a uma vida santa, que é possível não por nossos esforços em busca da perfeição, mas por causa de Sua misericórdia.  Por: ELISA MORGAN  

Pr. Paulo Borges Jr.
A ANSIEDADE OLHA AS CIRCUNSTÂNCIAS | PAULO BORGES JR

Pr. Paulo Borges Jr.

Play Episode Listen Later May 30, 2026 19:00


A ANSIEDADE OLHA AS CIRCUNSTÂNCIAS | PAULO BORGES JR

Z2 Talks
ENHANCED GAMES FLOPOU? | RUN THE NEWS! | EP64

Z2 Talks

Play Episode Listen Later May 28, 2026 25:58


ENHANCED! JUICED! UPGRADED? Olha não sei, mas os Enhanced Games vieram ai e poucos recorded foram quebrados. VCB e Favs vão falar mais sobre isso! Teve também Triathlon na Espanha e Alisson Piu mais uma semana quebrando recordes, então sem mais delongas... RUN THE NEWS!---------------------------------------------Victor Castello Branco - VCBhttps://www.instagram.com/victorcastellobrancoz2Ricardo Favoretto - Running Nerdhttps://www.instagram.com/rifavorettoPaulo Puccinelli - Dochttps://www.instagram.com/paulo.puccinelli---------------------------------------------00:00 Intro01:20 Enhanced Games06:03 6500 Calorias09:36 Iron Lanzarote e T10012:17 Inforunning20:27 Dica do Doc23:51 Outro25:44 Bloopers---------------------------------------------#running #corrida #runthenews #news #maratona #noticias #runningnerd #z2performance #z2talks #alwayschasing

Arauto Repórter UNISC
Vamos falar sobre uma coisa que muita gente vive… mas quase ninguém percebe

Arauto Repórter UNISC

Play Episode Listen Later May 27, 2026 4:53


Vamos falar sobre uma coisa que muita gente vive… mas quase ninguém percebe.Tem pessoas que transformam tudo em urgência.A mensagem precisa ser respondida na hora.O problema precisa ser resolvido imediatamente.Qualquer desconforto já vira estado de alerta.E, por muito tempo, isso parece responsabilidade.Parece eficiência.Parece comprometimento.Mas, muitas vezes, é apenas ansiedade disfarçada de produtividade.É como se a mente nunca desligasse.A pessoa vive apagando incêndios… mesmo quando não existe fogo nenhum.Acorda acelerada.Toma café acelerada.Trabalha acelerada.Pensa acelerada.E quando finalmente para por alguns minutos… descansa com culpa.Talvez o mais perigoso seja justamente isso: muita gente admira esse comportamento.Dizem que aquela pessoa “dá conta de tudo”.Que é “ágil”.“Produtiva”.“Incansável”.Mas, no silêncio do quarto… longe dos aplausos… o que ela sente é outra coisa.Cansaço.Pressão.Uma sensação constante de que não pode falhar.Como se o corpo repetisse o tempo inteiro:“Fica alerta. Resolve rápido. Não para. Não decepciona ninguém.”E, aos poucos, sem perceber… a vida vai ficando pesada.Porque quem vive acelerado demais começa a estranhar a calma.O silêncio gera ansiedade.Descansar parece perda de tempo.E a paz começa a trazer culpa.Olha que loucura…Tem gente que desaprendeu a descansar.E talvez uma das reflexões mais importantes da vida seja entender que nem toda urgência é prioridade.Tem coisas que podem esperar uma hora.Um dia.Às vezes, até uma semana.Mas quem vive no modo sobrevivência acredita que tudo precisa ser resolvido agora.E é aí que mora o perigo.Porque a pressa constante vai roubando os momentos simples da vida.Vai consumindo a saúde.Vai desgastando a mente.Vai cansando a alma.Por isso, de vez em quando, a gente também precisa respirar mais devagar.Diminuir o ritmo.Entender que nem tudo depende da nossa resposta imediata.A vida não precisa ser uma corrida o tempo inteiro.Às vezes, desacelerar… também é uma forma de seguir em frente.

Assunto Nosso
Vamos falar sobre uma coisa que muita gente vive… mas quase ninguém percebe

Assunto Nosso

Play Episode Listen Later May 27, 2026 4:53


Vamos falar sobre uma coisa que muita gente vive… mas quase ninguém percebe.Tem pessoas que transformam tudo em urgência.A mensagem precisa ser respondida na hora.O problema precisa ser resolvido imediatamente.Qualquer desconforto já vira estado de alerta.E, por muito tempo, isso parece responsabilidade.Parece eficiência.Parece comprometimento.Mas, muitas vezes, é apenas ansiedade disfarçada de produtividade.É como se a mente nunca desligasse.A pessoa vive apagando incêndios… mesmo quando não existe fogo nenhum.Acorda acelerada.Toma café acelerada.Trabalha acelerada.Pensa acelerada.E quando finalmente para por alguns minutos… descansa com culpa.Talvez o mais perigoso seja justamente isso: muita gente admira esse comportamento.Dizem que aquela pessoa “dá conta de tudo”.Que é “ágil”.“Produtiva”.“Incansável”.Mas, no silêncio do quarto… longe dos aplausos… o que ela sente é outra coisa.Cansaço.Pressão.Uma sensação constante de que não pode falhar.Como se o corpo repetisse o tempo inteiro:“Fica alerta. Resolve rápido. Não para. Não decepciona ninguém.”E, aos poucos, sem perceber… a vida vai ficando pesada.Porque quem vive acelerado demais começa a estranhar a calma.O silêncio gera ansiedade.Descansar parece perda de tempo.E a paz começa a trazer culpa.Olha que loucura…Tem gente que desaprendeu a descansar.E talvez uma das reflexões mais importantes da vida seja entender que nem toda urgência é prioridade.Tem coisas que podem esperar uma hora.Um dia.Às vezes, até uma semana.Mas quem vive no modo sobrevivência acredita que tudo precisa ser resolvido agora.E é aí que mora o perigo.Porque a pressa constante vai roubando os momentos simples da vida.Vai consumindo a saúde.Vai desgastando a mente.Vai cansando a alma.Por isso, de vez em quando, a gente também precisa respirar mais devagar.Diminuir o ritmo.Entender que nem tudo depende da nossa resposta imediata.A vida não precisa ser uma corrida o tempo inteiro.Às vezes, desacelerar… também é uma forma de seguir em frente.

Cuando los elefantes sueñan con la música
Cuando los elefantes sueñan con la música - Gal Costa en el teatro Castro Alves - 26/05/26

Cuando los elefantes sueñan con la música

Play Episode Listen Later May 26, 2026 58:43


El 22 de mayo de 2003, Gal Costa, acompañada únicamente por Luiz Meira, dio un concierto solo de voz y guitarra en el teatro Castro Alves de Salvador de Bahía su ciudad natal. Publicado ahora en disco, 'Gal Costa ao vivo no teatro Castro Alves', la recordamos cantando canciones de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jards Macalé, Djavan, Roberto Carlos o Ary Barroso como 'Coraçãozinho', 'Minha voz, minha vida', 'Eu vim da Bahia', Chega de saudade', 'Azul', 'Olha', 'Mulher eu sei', 'Camisa amarela', 'Vapor barato', 'London London', 'Tigresa', 'Sorte', 'Força estranha', 'É luxo só' o 'Aquarela do Brasil'.Escuchar audio

Convidado
Cinema angolano à procura de um lugar ao sol no Festival de Cannes

Convidado

Play Episode Listen Later May 16, 2026 15:39


O cineasta Mawete Paciência e o produtor e actor Kayaya Júnior integraram uma delegação privada angolana ao Festival de cinema de Cannes. Eles estiveram nos estúdios da RFI para comentar os resultados da sua visita ao certame do sul da França e para abordar a produção angolana da sétima arte. O actor e produtor Kayaya Júnior e o cineasta Mawete Paciência comentaram com a RFI os resultados dos respectivos encontros no Festival de cinema de Cannes. Mawete Paciência começa por admitir que se trata da sua primeira vez neste prestigioso certame de cinema. Mawete Paciência: É a minha primeira vez. Cannes é uma terra de estreias, não é?   Epa! É uma terra... É aquela coisa do tipo "Queria muito poder chegar cá nesta terra, queria muito poder conhecer esta cidade, queria muito poder estar cá nesta altura deste evento". Então são muitos anos à espera por uma oportunidade de trabalhar para podermos cá chegar. No entanto, está a ser muito bom para mim, está a ser maravilhoso. Enfim, todos os dias que saímos para as ruas temos estado a colher, a ver coisas diferentes, a perceber a dimensão deste evento, como ela movimenta a cidade em si. Então está a ser uma experiência magnífica mesmo !   Mas foi necessário prepará-lo. Isto foi longo, custoso, demorado também. Mas lá chegaram. Qual era o propósito mesmo de vir até cá? Kayaya Júnior:   Olha, o propósito da verdade é simples é a vontade de profissionais ligados ao sector do cinema, do audiovisual, em querer descobrir caminhos, em querer perceber como é que as coisas funcionam, como é que as dinâmicas funcionam para nós podermos, quem sabe, num futuro próximo, termos uma presença mais consolidada aqui no Festival de Cannes. O Festival de Cannes está a fazer 79 anos, 79 edições. São muitos anos de experiência. E nós sentimos que também temos um lugar aqui, temos um espaço. Então, de forma particular, privada, cada um de nós com os nossos recursos, o Mawete  é profissional de cinema e televisão. O Malef também. Eu faço produção, trabalho em rádio, televisão e sou actor. Então também mostrei interesse nesta ideia de vir descobrir o Festival de Cannes. Então começámos a trabalhar já há algum tempo atrás, em criar condições para podermos estar aqui. Não estamos aqui a título oficial. Vamos lá, se assim se pode dizer, de forma política. Mas estamos aqui, enquanto angolanos que querem descobrir como é que podemos, no próximo ano, nas próximas edições, marcar uma presença mais consolidada, tal como eu disse.   Há várias formas possíveis. Se calhar talvez um pavilhão próprio, no futuro ?   Quem sabe ! Estarmos numa varanda como esta, também a expor os nossos produtos, a produção nacional, a produção angolana, as nossas narrativas que há muitas e ainda bem que tem havido muitas produções. Nós, no primeiro dia, no dia de montagens e no primeiro dia do festival, já conseguimos fazer alguns contactos. Tivemos algumas reuniões com produtoras, com distribuidoras, por exemplo, falámos com a Loco Films, que é uma distribuidora francesa, falámos com a  K Movie Entertainment, que é uma distribuidora da Coreia do Sul, e o interesse manifestado por eles ao verem o que nós fazemos, porque nós trouxemos alguns trailers de produções do Mawete e do Malef, do Bumbo Negro do Ngouabi Silva, que também são angolanos e também produzem e eles mostraram interesse, pelo menos mostraram curiosidade. Foi possível também já ter uma abordagem com uma equipa, uma delegação do Canadá com a escola de cinema que está em Paris, a Escola Internacional de Cinema. Tivemos uma boa conversa também com a realizadora americana, produtora realizadora, que é a Carole Copeland, que já se mostrou interessada e disponível para fazer uma formação ou presencial ou online connosco com Angola. Então é assim se nós conseguirmos sair daqui com uma ideia de como podemos trazer a produção nacional à produção angolana nas próximas edições, já terá valido a pena.   Quais são os nomes que, apesar de tudo, ainda continuam a ecoar aqui do cinema angolano? Penso ainda em Zézé Gamboa, penso ainda em Dom Pedro. São esses nomes que vêm de forma corriqueira, que são citados pelos vossos interlocutores. O que é que já se conhece de Angola no cinema aqui?   É assim: eu não consegui ainda perceber se há algum conhecimento ou não nas abordagens que temos estado a fazer. Acho que não houve ainda nenhuma referência. Há um cinema angolano que tenha passado por aqui, o que quer dizer que houve uma paragem, houve uma pausa. E estes interregnos, claro, apagam muita coisa, não é? Eu penso que a última vez que Angola teve profissionais aqui foi em 2007, se não estou em erro. E de lá para cá não houve mais ninguém a participar. Nós viemos a título particular, mas viemos com o sentimento de que o que nós conseguirmos descobrir, vamos partilhar com Angola. Para que, para o ano, se calhar, em vez de estarem aqui três profissionais, estejam aqui seis, nove ou doze, sei lá. E que tragamos as nossas bandeiras, a nossa produção, para poder mostrar porque nós estamos a fazer exactamente isso. Estamos com os nossos tablets e temos estado a abordar os stands, os pavilhões e os profissionais a mostrar: "Olha, conhece isto? Tem curiosidade sobre Angola? Veja isto." E a reacção tem sido muito positiva.   E então, o cinema aqui, há cinema do mundo todo. No pouco tempo que ficaram cá, conseguiram ver outras propostas, por exemplo, cinema africano ? Conseguiram lidar com outras pessoas? O que é que conseguiram fazer? Mawete Paciência:   Temos estado a conhecer muita gente, Conhecemos um realizador e produtor sul-africano africano e conversámos rapidamente. Porque aqui percebemos uma coisa, aqui em Cannes, tudo é muito rápido, as coisas são muito dinâmicas, então temos estado a conhecer pessoas no sector, temos estado a conhecer africanos. Vamos agora fazer aí a visita no espaço. O espaço africano agora criado. Enfim, já estivemos lá. Vamos voltar agora aqui, para então chegarmos até ao cinema africano. Tivemos há pouco tempo com o realizador e produtor africano também antes de virmos cá à rádio. No entanto, temos aquilo que disse e muito bem nosso objectivo aqui é, na verdade, virmos conhecer um pouquinho, fazermos um networking, vermos como é que podemos nos próximos anos também fazermos parte desta corrida, estarmos aqui expostos, trazermos aqui os nossos conteúdos. Então é muita coisa nova para nós. Está sendo uma experiência boa porque estamos a absorver, não é, boas informações, estamos a colher aqui no Cannes, enfim, no festival nesse contexto ? Então acreditamos, nós que ainda temos tempo, ainda vamos a tempo de conversarmos mais, de conhecermos mais pessoas. E esse é o nosso grande objectivo aqui mesmo.   Pedir-vos -ia então que levantassem um pouco o véu sobre os projectos em que estão envolvidos e que estão a fazer. Se calhar começaria por si, Kayaya Júnior:. Pode apresentar-nos um pouco as obras em que já esteve implicado e aquelas em que pretende apostar ?   Eu, enquanto actor, tenho participado ultimamente, nos últimos quatro, cinco anos, mais activamente e voltando um bocadinho ao passado, eu fiz uma participação na primeira co-produção Portugal Angola Angola/Portugal, do realizador Jorge António. Também já trabalhei com a Maria João Ganga, com o Zezé Gamboa, em produções mais antigas. Ultimamente estou no filme que está agora a ser disponibilizado para o mundo, que é o "Perverso" do Mawete Paciência que já esteve no Festival da Suécia da Cinema África. Esteve também num festival na Hungria. Já foi apresentado em Portugal em Setembro do ano passado e estamos agora a trabalhar na possibilidade de ir a Moçambique. Também já esteve em São Tomé. Para além disso, também participei no filme de uma Films, que é uma curta sobre a problemática de um mercado que em Luanda o mercado muito famoso que é o mercado da Mabunda. Então o Malé Filmes produziu o filme que é "A Faca e o Peixe", que é um filme que já esteve o ano passado no Festival de Marselha, foi apresentado no Festival de Marselha e outros filmes que tem estado também a participar, como por exemplo o Pequenos Sonhos de um Guabi Silva cataléptico do Bumbo Negro, que são realizadores angolanos e mais recentemente estamos em fase de rodagem de uma série assinada também pelo Mawete, que é "O preço da verdade", que é uma série com algum problema social muito grande. A abordagem de problemas sociais.   Então tem um pé na televisão e no cinema, não é?   Está a ser produzida com o objectivo de ser apresentado para a televisão ou para as plataformas, mas poderá ser também apresentado em cinema. E enquanto produtor, eu estou, tal como eu, quase toda a gente que trabalha em cinema em Angola, numa área ou noutra, faz um bocado de tudo. Os actores acabam também sem produtores associados porque às vezes facilitam o trabalho logístico de uma produção através dos seus conhecimentos, através do seu apoio, do seu interesse. Então, eu acho que estar aqui no Festival de Cannes dá-nos uma visão muito mais alargada daquilo que nós temos que realmente fazer. O que é que temos que fazer para trazer, para tirar as nossas produções de Luanda? Porque o que nós precisamos em Angola é que os filmes saiam do Luanda e sejam vistos.   Precisam do mercado !   Precisamos do mercado, precisamos de ter oportunidade de mostrar. E é excatamente isso que nós viemos à procura fazer estes contactos para mostrar o nosso trabalho. Tivemos um breve encontro com um jornalista norte-americano que tem uma revista dedicada ao cinema e em cinco minutos de conversa ele ficou tão interessado que automaticamente fez logo questão de fazer ali uma nota. Lá está, se nós não tivemos a oportunidade de ir a estes mercados, estas feiras de conteúdos, estes eventos com a dimensão como um festival de Cannes, nós nunca poderemos dar nos a conhecer, porque viemos de forma muito intermitente, não é? Angola esteve aqui em 2007. De 2007 para cá nunca mais teve ninguém. Então este é o recado que nós vamos levar. Este é o desafio que nós queremos levar também para as nossas autoridades, principalmente para a cultura e para o turismo. Porque isto é turismo também. E agora nós temos um grande movimento à volta do desenvolvimento do turismo em Angola. Então vamos levar esta experiência e tentar partilhar com essas entidades para ver se para o ano nós estamos aqui com uma presença mais bonita, mais consolidada, mais dinâmica em Angola. Que se oiça música angolana aqui nos corredores do Festival de Cannes.   Então fizemos muita referência a um projecto seu em curso, Mawete Paciência. Pode-nos levantar um pouco o véu sobre do que é que se trata? Sobre o que é que versa o seu filme? Mawete Paciência:    Pois é, dentro de vários filmes que eu tenho, tem aí aproximadamente seis filmes. Tenho uma mini série, tenho algumas co-produções com países como Argentina, Brasil. Fiz agora em São Tomé um filme. Tenho também co-produção com México. No entanto, eu tenho filme que é "O Perverso", que já estaremos a ano passado e neste ano estamos agora a trabalhar a série, que é uma série televisiva que vai trazer conflitos nos lares. Como sempre, trazer problemas novos porque o nosso conceito de produção é mesmo identificar os nossos problemas, não é? Problemas que acontecem no nosso país e que acabam sendo transversais.   São os perversos, as pessoas tóxicas, é isso ?   Pode ser. Você vê, no entanto, na verdade, que é o seriado que nós vamos trazer, vai estar aí aproximadamente com 25 capítulos, não é? Trazendo todas essas histórias que acabei aqui falando, enfim, as nossas histórias, a nossa identidade, porque nós precisamos levar isso. Precisamos mostrar ao mundo quem nós somos. Angola é um país que eu sinto. Nós não nos mostramos muito ao mundo. Nós não temos uma presença muito fraca para o mundo. Então precisamos então activar esse lado. Precisamos, porque eu digo assim o mundo também não, não vai poder-nos localizar assim, do nada, se nós não nos mostrarmos efectivamente, criarmos algum barulho. Não é que desperte a atenção, nós não vamos ser localizados de nada. Então há esta vontade, É esta força toda que trabalhando nos nossos conteúdos. Enfim. E este é um seriado que acreditamos, nós que eu acredito, temos estado a fazer com muito gosto, de forma a podermos não produzir algo que se fixou por Angola, mas que vá para o mundo, que esteja disponível. Nas plataformas, nem que for para o YouTube. Quem sabe talvez conseguirmos outras plataformas de streaming e poderemos então colocar lá este conteúdo, inserir os conteúdos ? Acreditamos nisso. Nós acreditamos que o empresariado angolano precisa ser um pouco mais incentivado, porque tudo isso que nós temos estado a fazer tem sido por um esforço particular e não tem sido pelas nossas próprias lutas.   É mesmo, também, alguma forma de inconsciência ?!   Sim, de inconsciência. Timidamente vão aparecendo uma ou outra empresa a disponibilizar um pouquinho, mas nós, olhando para esse universo, olhando para esta realidade, começamos a perceber que o cinema não é um cinema mesmo muito para fazer. Cinema é uma industria e para fazer o cinema requer mesmo este pensamento do empresariado. Olhar aquilo como uma indústria e não olhar aquilo como uma mera diversão. Não é aonde ele pode colocar qualquer coisa, não. No entanto, esta visão, este conceito que nós estamos a beber aqui, estamos a ver aqui claramente. Nós vamos partilhar em Angola. Vamos replicar em Angola a informação e poder talvez começar a atiçar. E nós temos de atiçar um pouquinho mais o empresariado local, começar a perceber que é possível fazer alguma coisa que chegue até aqui. É possível, porque para um filme, chegar até aqui implica uma logística, implica uma mecânica, implica qualidade, implica um investimento e muita das vezes, os investimentos nós não conseguimos tirar do nosso Estado, do Estado. Nós não conseguimos ter esses investimentos e mesmo privado, quem nós vamos ter que contar para conseguirmos, talvez nas próximas edições, estarmos aqui com um produto que realmente nos dignifica e que possamos olhar e dizer "Viva Angola! Estamos presentes em Cannes, um festival de Cannes vai ser bom para nós". Vamos trabalhar para isso.   Muito obrigado a ambos. Resta me desejar vos um bom festival de Cannes. Obrigado por terem vindo até aqui. Kayaya Júnior:   Queria só deixar mais uma nota, porque é fundamental e nós também temos estado a trabalhar sobre isso. Eu já fiz algumas participações em anos anteriores em produções portuguesas e eu acredito que até parece estranho. Tão próximos que nós somos, mas não temos histórias contadas sobre nós. Então, eu creio que é fundamental começarmos a pensar neste intercâmbio. A primeira co-produção Portugal Angola foi feita em 92 do Jorge António e de lá para cá, não creio que tenha havido muito mais. Então é também o objetivo encontrar, por exemplo, caminhos que nos levem a essas coproduções, porque as nossas histórias, as nossas narrativas, acabam por se interligar numa intersecção qualquer do Oceano Atlântico, por exemplo. E é isso, pronto, vamos estar disponíveis, estamos disponíveis. Bem hajam e voltem sempre. Mawete Paciência: Obrigado, Obrigado mesmo pelo convite e é uma honra fazermos parte deste momento que é marcante para nós também.

Artes
Colectivo "Rua das Pretas" mostrou "encontro entre três continentes" em Paris

Artes

Play Episode Listen Later May 14, 2026 19:26


O colectivo Rua das Pretas apresentou o álbum “Povo Brasileiro”, esta terça-feira, no Studio L'Hermitage, em Paris. “Se eu falo português, minha terra é aqui” canta-se na música “Cartão do Cidadão” e ouviu-se em Paris, no concerto de apresentação deste disco-manifesto. O trabalho é um encontro entre sonoridades e músicos de três continentes, uma viagem entre o Brasil, Cabo Verde e Portugal, que nos mergulha na ancestralidade que nos une, que traz à tona a História da escravatura e do colonialismo e que alerta contra a xenofobia nos tempos que correm. A RFI falou com Pierre Aderne, Ana Margarida Prado e Jenifer Soledad nesta escala musical do grupo em Paris. “Povo Brasileiro” foi concebido pelo músico Pierre Aderne a partir do livro “O Povo Brasileiro”, do antropólogo Darcy Ribeiro. O disco junta músicos do colectivo Rua das Pretas que Pierre Aderne criou há mais de dez anos em Lisboa, sendo o 13° disco de Pierre Aderne e o terceiro do colectivo. Aproveitámos o concerto no L'Hermitage para falar com o cantor, compositor e produtor que nasceu em França, é filho de um casal luso-brasileiro, e vive há vários anos em Portugal. A fadista portuguesa Ana Margarida Prado e a cantora cabo-verdiana Jenifer Soledad também participaram na conversa que culminou com os três a cantarem “Se eu falo português, minha terra é aqui”, um verso da música “Cartão de Cidadão” e a linha de força do disco. “Todo o mundo é emigrante”, lembra Pierre Aderne que descreve o álbum como uma “lavagem espiritual de caravelas” que mergulha na “ancestralidade que nos une” e que traz “a História à tona”. Aqui, nas canções “Mãe Preta” e “Benguela”, por exemplo, recorda-se o tráfico de pessoas escravizadas e a resistência do povo quilombola. Este é também um álbum de festa colectiva e de união, simbolizadas pelo tema “Um Menino chamado Brasil”, em que ouvimos “Se sou de Angola eu sou Brasil, sou Cabo Verde eu sou Brasil, sou Moçambique eu sou Brasil, sou Portugal eu sou Brasil, sou da Guiné eu sou Brasil, sou São Tomé eu sou Brasil”. No fundo, o disco é “um encontro entre três continentes”, resume Ana Margarida Prado, a voz que se destaca no fado “Nossa terra é o mar” e em que se ouve “Portugal tu és feito de Brasil... Portugal tu és feito de Abril”. “Se eu falo português, minha terra é aqui” RFI: Como descrevem o disco “Povo Brasileiro”? Pierre Aderne, Músico: “No ‘Povo Brasileiro' a gente tenta contar, de forma litero-musical, a história da nossa criação enquanto povo, da chegada dos portugueses no Brasil, dos africanos cem anos mais tarde, dessa multiculturalidade que nos formou, dessa língua portuguesa que navegou por caravelas e foi-se misturando também com iorubá, com as linguagens bantu, kikongo, kimbundo, tupi-guarani. O álbum conta um pouco disso com essas canções, quer dizer, mostrando um pouco essa narrativa do que Darcy Ribeiro nos ensinou a partir do livro dele ‘O Povo Brasileiro'”. Quem foi Darcy Ribeiro e como é que ele se lê nas entrelinhas ou directamente no disco? “O Darcy Ribeiro foi um dos maiores educadores e antropólogos brasileiros contemporâneos, fundador da Universidade de Brasília, do sistema de ensino público mais estrutural que era um CIEPs [Centros Integrados de Educação Pública]. Darcy Ribeiro escreveu na casa de Maricá, no Rio de Janeiro, onde a gente gravou o álbum o livro ‘O Povo Brasileiro', que é mais ou menos aquilo que eu falei no início e que conta um pouquinho essa história. Eu comecei a compor as músicas há cinco anos, num momento difícil que o mundo vive da intolerância, do discurso de ódio, principalmente em Portugal, um país tão bonito e tão pequenino e que acabou também sendo vítima desse tipo de comportamento por parte dos políticos e depois pela população. Eu comecei a compor algumas canções e a primeira delas foi ‘Cartão de Cidadão', uma canção-manifesto, uma canção de intervenção, minha e do Moacyr Luz. Quando recebemos o convite da Prefeitura de Maricá para gravar o álbum, eu descobri que, na verdade, mesmo sem saber, a gente já estava fazendo uma banda sonora para o livro ‘O Povo Brasileiro' do Darcy. E dessa vez, regressando ao Brasil, nessa caravela com músicos de três continentes, o que seria isso, essa lavagem espiritual das caravelas? Olha como a gente é bonita misturada.” Quem são esses músicos a bordo da caravela? Temos aqui duas... “Bom, temos aqui a fantástica, fundamental, incontornável fadista portuguesa Ana Margarida Prado, uma fadista intelectual. O campo intelectual de Portugal, se tiver que escolher, vai escolher a Aldina Duarte e a Ana Margarida Prado. A gente colabora há muito tempo. Ela participou na génese da ‘Rua das Pretas' há mais de dez anos. Sempre flirtava, chegava no final dos concertos e eu convidei-a para se juntar a esta caravela. Aqui está também a incrível cantora cabo-verdiana Jenifer Soledad, uma das vozes mais bonitas da música de Cabo Verde contemporânea e que eu tinha muita vontade de estar com com a Jenifer e de a trazer para este bando, junto com Nilson Dourado, que está hoje com a gente, Felipe Bastos, Rúben da Luz e Letícia Malvares. A Jenifer Soledad está fazendo hoje o que a Zulu, que é uma outra jovem cantora de Cabo Verde, também muito talentosa, fez no álbum.” Jenifer, o que é que o álbum tem de Cabo Verde? Jenifer Soledad, Cantora: “Quando se fala do povo brasileiro, automaticamente eu me reconheço ali porque os ritmos e a história também é um pouco da nossa história, nós fomos carregados nos navios. Acho que a mistura bonita deste trabalho vem de se reconhecer dentro deste álbum porque eu sinto o chorinho, eu sinto o samba que também em Cabo Verde existe, mas chamado de outra forma, como a coladeira que tem misturas com o samba, e tem alguns solos de instrumentos que me leva a Cabo Verde. E é muita saudade, como sempre, o povo cabo-verdiano é muita saudade. Culturalmente, sinto-me dentro deste álbum, faço - falando pelo meu povo fazemos - parte das mensagens que estão ali dentro.” Ana Margarida, em relação ao fado em que canta “Portugal tu és feito de Brasil ... Portugal, tu és feito de Abril”. Este fado é um cravo na lapela que soa a Brasil... Ana Margarida Prado, Fadista: “A primeira coisa que eu sinto que levo é a língua, a língua portuguesa que nós levámos para o Brasil. Eu como fadista e alem de fadista, sempre gostei muito destes encontros e é uma felicidade poder trazer o fado também para este encontro entre estes três continentes. A mensagem que eu acho importante está num tema que nós cantamos que é uma versão de um tema muito conhecido aqui em França, ‘Barco Negro', mas cantamos a versão original, a ‘Mãe Preta'. Para mim, foi muito importante dar voz a este lamento, a este grito, a esta lavagem das caravelas, como o Pierre fala, falar em temas como a escravatura e é bom ser uma portuguesa a dar voz a estes temas.” Pierre Aderne: “É um fado composto originalmente por dois brasileiros, Caco Velho e Piratini, e ganhou na ditadura [Estado Novo] uma nova letra porque foi censurada. A nova letra é belíssima também, de David Mourão-Ferreira, 'Barco Negro'. Quando alguém canta o 'Barco Negro' numa casa de fado de Alfama, Mouraria, passando pela Madragoa, também tem esse lamento. Quer dizer, como é que eu vou falar de uma coisa tão delicada e horrorosa e dolorida, não é? E ele achou as metáforas dele na letra do Barco Negro, que é extremamente bonita também. A versão original foi primeiro gravada por Maria da Conceição. Depois, Amália tornou esse fado realmente muito conhecido. Poucos brasileiros sabem que esse fado é um fado composto por brasileiros, assim como Amália também gravou ‘Lua Luar', que é um lamento sertanejo, assim como ela voltou do Rio de Janeiro e trouxe “Xu Xu”. Então, aquilo que a gente estava falando e respondendo à tua primeira pergunta, eu acho que esse álbum, de alguma forma, volta a colocar a bandeira atrás da língua. Quando a gente escuta uma música na rádio, a gente escuta primeiro a língua e depois a gente vai atrás da bandeira. Só que na música de língua portuguesa, acho que passamos demasiado tempo colocando a bandeira à frente da língua. Quer dizer, onde é que está esse limite? Onde é que somos limítrofes nessa relação de integração e interação? O que é meu? O que é teu? O que é cabo-verdiano, português e brasileiro? Na verdade, nós temos as patentes de tudo que a gente construiu.” Não há o risco de se despertarem velhos fantasmas do lusotropicalismo? De que forma é que este disco e as canções que vocês escolheram e criaram fazem uma certa reconciliação histórica perante aquilo que o opressor português fez durante séculos? “Eu não sei. Por exemplo, A gente teve a capa do Globo, teve também muitas críticas boas aqui na França em uma semana, com o próprio Le Monde, e curiosamente, em Portugal, em que a gente sempre teve uma visibilidade muito grande pelos programas na RTP, pelos coliseus, a gente teve apenas uma matéria em Portugal, apenas um jornalista resolveu falar desse tema, que foi o Nuno Pacheco, do Público.” O Público escreveu, em 2024, que o Pierre Aderne mudou a cena cultural de Lisboa com o projecto Rua das Pretas... “Agradeço. Mas, enfim, eu acho que realmente em Portugal, talvez este álbum não concilie neste momento, talvez seja uma pedra no sapato de muita gente, não é?” Mas o objectivo é conciliar? “Não. O objectivo é trazer a história à tona. Cada um vai procurar a sua forma de se conciliar com isso. Acho que a primeira forma, se eu fosse parte de algum partido de oposição em Portugal, era criar um museu do colonialismo, da escravatura. Ferreira Gullar dizia que a arte existe porque a vida por si só não basta. Então, todos os assuntos que são polémicos - eu já passei por isso tantas vezes nos últimos cinco anos em Portugal - eles não se resolvem nunca na prosa, mas eles se resolvem na poesia. Eu acho que é uma forma de a gente entregar para as pessoas um conteúdo que pode ser inconveniente para algumas pessoas, mas que certamente com essa multiculturalidade e essas melodias talvez faça com que as pessoas amaciem um pouco. Até porque quem deu escala para a língua portuguesa foi África, foi o Brasil. Eu compus a primeira música que deu nome ao primeiro álbum de António Zambujo lançado no Brasil e eu mostrei para um director de gravadora no Brasil da Sony Music e ele era português e falou para mim: ‘Ah, já sei, aquele fadista que não canta fado, não é?' Porquê? Porque era novo, porque se estava aproximando do Brasil, da sonoridade. E hoje a gente vê como é que esses artistas portugueses ganham escala. A Carminho canta Tom Jobim, o Zambujo canta Chico Buarque. Ou seja, é se apropriar do que é nosso, é a nossa ancestralidade que nos une.” Em “Um menino chamado Brasil” ouvimos: “Se sou de Angola, eu sou Brasil. Sou Cabo Verde, eu sou Brasil. Sou Moçambique, eu sou Brasil. Sou Portugal, eu sou Brasil. Sou da Guiné, eu sou Brasil. Sou São Tomé, eu sou Brasil” - É um manifesto de união, daí a minha pergunta de há pouco sobre se é uma tentativa de reconciliação e até de perdoar tudo aquilo que os portugueses fizeram... “Não. Eu acho que não tem perdão até porque não foi o povo português pobre como a minha família de Ourém que colonizou os seus ancestrais. Quem colonizou foram as oligarquias, as grandes famílias que estão também no Rio de Janeiro, na Bahia e em São Paulo. Quando uma babá preta empurra um carrinho de bebé de um branco, que trabalha sete dias por sete, quer dizer, eu acho que é transversal esse comportamento dessas oligarquias até hoje. Mas vale lembrar também que o grito de independência do Brasil foi dado por um português em 1822, ou seja, foi uma briga de família e Dom Pedro: 'independência ou morte'. Eu acho que não é isso. Você falou desse fado que é um fado na lapela, esse tema meu e do Moacyr Luz, ‘Nossa terra é o mar'. A primeira frase não é minha, é de um compositor do Império Serrano maravilhoso e ele mandou-me uma frase: ‘Em Portugal não fui jamais, embora de lá tenha vindo.' E eu emendei: ‘Graças aos meus ancestrais que mostraram a língua quando eu estava parindo'. É importante para nós, africanos, brasileiros e quem fez o teste de genoma como eu - que sou Magrebe também, 10 por cento africano do Norte - é importante que a gente saiba o que aconteceu. Cabo Verde não era sequer habitado e o crioulo nasceu pela imposição da língua portuguesa. É o seguinte: não busca reconciliar. Não é fácil essa história, mas é interessante a gente assimilar. Como os alemães fizeram com o Holocausto e eles morrem de vergonha do Holocausto. Você vai no Japão - eu tenho nove álbuns lançados no Japão - e eu vou lá e tem o Museu de Hiroshima e Nagasaki. Eles fazem também o mea culpa de algumas coisas. Ou seja, é importante a gente saber quando a gente errou.” Este álbum acaba por ser o “Cartão do Cidadão” dessa multiculturalidade tricontinental, entre aspas? “Vou ser sintético: ‘Vou falar mais uma vez: se eu falo português, minha terra é aqui.” Ana Margarida Prado: “Eu acho que também se celebra o encontro de tudo aquilo que se criou. Vamos passar uma mensagem do bom que nós juntos criámos.” Pierre Aderne: “O Atlântico é o Atlântico. Ele uniu e esmagou, mas é tão interessante sermos atlânticos. A gente vê o que acontece também nos Estados Unidos: os povos originários são realmente os grandes povos. Todo o mundo é emigrante.”

Em directo da redacção
Colectivo "Rua das Pretas" mostrou "encontro entre três continentes" em Paris

Em directo da redacção

Play Episode Listen Later May 14, 2026 19:26


O colectivo Rua das Pretas apresentou o álbum “Povo Brasileiro”, esta terça-feira, no Studio L'Hermitage, em Paris. “Se eu falo português, minha terra é aqui” canta-se na música “Cartão do Cidadão” e ouviu-se em Paris, no concerto de apresentação deste disco-manifesto. O trabalho é um encontro entre sonoridades e músicos de três continentes, uma viagem entre o Brasil, Cabo Verde e Portugal, que nos mergulha na ancestralidade que nos une, que traz à tona a História da escravatura e do colonialismo e que alerta contra a xenofobia nos tempos que correm. A RFI falou com Pierre Aderne, Ana Margarida Prado e Jenifer Soledad nesta escala musical do grupo em Paris. “Povo Brasileiro” foi concebido pelo músico Pierre Aderne a partir do livro “O Povo Brasileiro”, do antropólogo Darcy Ribeiro. O disco junta músicos do colectivo Rua das Pretas que Pierre Aderne criou há mais de dez anos em Lisboa, sendo o 13° disco de Pierre Aderne e o terceiro do colectivo. Aproveitámos o concerto no L'Hermitage para falar com o cantor, compositor e produtor que nasceu em França, é filho de um casal luso-brasileiro, e vive há vários anos em Portugal. A fadista portuguesa Ana Margarida Prado e a cantora cabo-verdiana Jenifer Soledad também participaram na conversa que culminou com os três a cantarem “Se eu falo português, minha terra é aqui”, um verso da música “Cartão de Cidadão” e a linha de força do disco. “Todo o mundo é emigrante”, lembra Pierre Aderne que descreve o álbum como uma “lavagem espiritual de caravelas” que mergulha na “ancestralidade que nos une” e que traz “a História à tona”. Aqui, nas canções “Mãe Preta” e “Benguela”, por exemplo, recorda-se o tráfico de pessoas escravizadas e a resistência do povo quilombola. Este é também um álbum de festa colectiva e de união, simbolizadas pelo tema “Um Menino chamado Brasil”, em que ouvimos “Se sou de Angola eu sou Brasil, sou Cabo Verde eu sou Brasil, sou Moçambique eu sou Brasil, sou Portugal eu sou Brasil, sou da Guiné eu sou Brasil, sou São Tomé eu sou Brasil”. No fundo, o disco é “um encontro entre três continentes”, resume Ana Margarida Prado, a voz que se destaca no fado “Nossa terra é o mar” e em que se ouve “Portugal tu és feito de Brasil... Portugal tu és feito de Abril”. “Se eu falo português, minha terra é aqui” RFI: Como descrevem o disco “Povo Brasileiro”? Pierre Aderne, Músico: “No ‘Povo Brasileiro' a gente tenta contar, de forma litero-musical, a história da nossa criação enquanto povo, da chegada dos portugueses no Brasil, dos africanos cem anos mais tarde, dessa multiculturalidade que nos formou, dessa língua portuguesa que navegou por caravelas e foi-se misturando também com iorubá, com as linguagens bantu, kikongo, kimbundo, tupi-guarani. O álbum conta um pouco disso com essas canções, quer dizer, mostrando um pouco essa narrativa do que Darcy Ribeiro nos ensinou a partir do livro dele ‘O Povo Brasileiro'”. Quem foi Darcy Ribeiro e como é que ele se lê nas entrelinhas ou directamente no disco? “O Darcy Ribeiro foi um dos maiores educadores e antropólogos brasileiros contemporâneos, fundador da Universidade de Brasília, do sistema de ensino público mais estrutural que era um CIEPs [Centros Integrados de Educação Pública]. Darcy Ribeiro escreveu na casa de Maricá, no Rio de Janeiro, onde a gente gravou o álbum o livro ‘O Povo Brasileiro', que é mais ou menos aquilo que eu falei no início e que conta um pouquinho essa história. Eu comecei a compor as músicas há cinco anos, num momento difícil que o mundo vive da intolerância, do discurso de ódio, principalmente em Portugal, um país tão bonito e tão pequenino e que acabou também sendo vítima desse tipo de comportamento por parte dos políticos e depois pela população. Eu comecei a compor algumas canções e a primeira delas foi ‘Cartão de Cidadão', uma canção-manifesto, uma canção de intervenção, minha e do Moacyr Luz. Quando recebemos o convite da Prefeitura de Maricá para gravar o álbum, eu descobri que, na verdade, mesmo sem saber, a gente já estava fazendo uma banda sonora para o livro ‘O Povo Brasileiro' do Darcy. E dessa vez, regressando ao Brasil, nessa caravela com músicos de três continentes, o que seria isso, essa lavagem espiritual das caravelas? Olha como a gente é bonita misturada.” Quem são esses músicos a bordo da caravela? Temos aqui duas... “Bom, temos aqui a fantástica, fundamental, incontornável fadista portuguesa Ana Margarida Prado, uma fadista intelectual. O campo intelectual de Portugal, se tiver que escolher, vai escolher a Aldina Duarte e a Ana Margarida Prado. A gente colabora há muito tempo. Ela participou na génese da ‘Rua das Pretas' há mais de dez anos. Sempre flirtava, chegava no final dos concertos e eu convidei-a para se juntar a esta caravela. Aqui está também a incrível cantora cabo-verdiana Jenifer Soledad, uma das vozes mais bonitas da música de Cabo Verde contemporânea e que eu tinha muita vontade de estar com com a Jenifer e de a trazer para este bando, junto com Nilson Dourado, que está hoje com a gente, Felipe Bastos, Rúben da Luz e Letícia Malvares. A Jenifer Soledad está fazendo hoje o que a Zulu, que é uma outra jovem cantora de Cabo Verde, também muito talentosa, fez no álbum.” Jenifer, o que é que o álbum tem de Cabo Verde? Jenifer Soledad, Cantora: “Quando se fala do povo brasileiro, automaticamente eu me reconheço ali porque os ritmos e a história também é um pouco da nossa história, nós fomos carregados nos navios. Acho que a mistura bonita deste trabalho vem de se reconhecer dentro deste álbum porque eu sinto o chorinho, eu sinto o samba que também em Cabo Verde existe, mas chamado de outra forma, como a coladeira que tem misturas com o samba, e tem alguns solos de instrumentos que me leva a Cabo Verde. E é muita saudade, como sempre, o povo cabo-verdiano é muita saudade. Culturalmente, sinto-me dentro deste álbum, faço - falando pelo meu povo fazemos - parte das mensagens que estão ali dentro.” Ana Margarida, em relação ao fado em que canta “Portugal tu és feito de Brasil ... Portugal, tu és feito de Abril”. Este fado é um cravo na lapela que soa a Brasil... Ana Margarida Prado, Fadista: “A primeira coisa que eu sinto que levo é a língua, a língua portuguesa que nós levámos para o Brasil. Eu como fadista e alem de fadista, sempre gostei muito destes encontros e é uma felicidade poder trazer o fado também para este encontro entre estes três continentes. A mensagem que eu acho importante está num tema que nós cantamos que é uma versão de um tema muito conhecido aqui em França, ‘Barco Negro', mas cantamos a versão original, a ‘Mãe Preta'. Para mim, foi muito importante dar voz a este lamento, a este grito, a esta lavagem das caravelas, como o Pierre fala, falar em temas como a escravatura e é bom ser uma portuguesa a dar voz a estes temas.” Pierre Aderne: “É um fado composto originalmente por dois brasileiros, Caco Velho e Piratini, e ganhou na ditadura [Estado Novo] uma nova letra porque foi censurada. A nova letra é belíssima também, de David Mourão-Ferreira, 'Barco Negro'. Quando alguém canta o 'Barco Negro' numa casa de fado de Alfama, Mouraria, passando pela Madragoa, também tem esse lamento. Quer dizer, como é que eu vou falar de uma coisa tão delicada e horrorosa e dolorida, não é? E ele achou as metáforas dele na letra do Barco Negro, que é extremamente bonita também. A versão original foi primeiro gravada por Maria da Conceição. Depois, Amália tornou esse fado realmente muito conhecido. Poucos brasileiros sabem que esse fado é um fado composto por brasileiros, assim como Amália também gravou ‘Lua Luar', que é um lamento sertanejo, assim como ela voltou do Rio de Janeiro e trouxe “Xu Xu”. Então, aquilo que a gente estava falando e respondendo à tua primeira pergunta, eu acho que esse álbum, de alguma forma, volta a colocar a bandeira atrás da língua. Quando a gente escuta uma música na rádio, a gente escuta primeiro a língua e depois a gente vai atrás da bandeira. Só que na música de língua portuguesa, acho que passamos demasiado tempo colocando a bandeira à frente da língua. Quer dizer, onde é que está esse limite? Onde é que somos limítrofes nessa relação de integração e interação? O que é meu? O que é teu? O que é cabo-verdiano, português e brasileiro? Na verdade, nós temos as patentes de tudo que a gente construiu.” Não há o risco de se despertarem velhos fantasmas do lusotropicalismo? De que forma é que este disco e as canções que vocês escolheram e criaram fazem uma certa reconciliação histórica perante aquilo que o opressor português fez durante séculos? “Eu não sei. Por exemplo, A gente teve a capa do Globo, teve também muitas críticas boas aqui na França em uma semana, com o próprio Le Monde, e curiosamente, em Portugal, em que a gente sempre teve uma visibilidade muito grande pelos programas na RTP, pelos coliseus, a gente teve apenas uma matéria em Portugal, apenas um jornalista resolveu falar desse tema, que foi o Nuno Pacheco, do Público.” O Público escreveu, em 2024, que o Pierre Aderne mudou a cena cultural de Lisboa com o projecto Rua das Pretas... “Agradeço. Mas, enfim, eu acho que realmente em Portugal, talvez este álbum não concilie neste momento, talvez seja uma pedra no sapato de muita gente, não é?” Mas o objectivo é conciliar? “Não. O objectivo é trazer a história à tona. Cada um vai procurar a sua forma de se conciliar com isso. Acho que a primeira forma, se eu fosse parte de algum partido de oposição em Portugal, era criar um museu do colonialismo, da escravatura. Ferreira Gullar dizia que a arte existe porque a vida por si só não basta. Então, todos os assuntos que são polémicos - eu já passei por isso tantas vezes nos últimos cinco anos em Portugal - eles não se resolvem nunca na prosa, mas eles se resolvem na poesia. Eu acho que é uma forma de a gente entregar para as pessoas um conteúdo que pode ser inconveniente para algumas pessoas, mas que certamente com essa multiculturalidade e essas melodias talvez faça com que as pessoas amaciem um pouco. Até porque quem deu escala para a língua portuguesa foi África, foi o Brasil. Eu compus a primeira música que deu nome ao primeiro álbum de António Zambujo lançado no Brasil e eu mostrei para um director de gravadora no Brasil da Sony Music e ele era português e falou para mim: ‘Ah, já sei, aquele fadista que não canta fado, não é?' Porquê? Porque era novo, porque se estava aproximando do Brasil, da sonoridade. E hoje a gente vê como é que esses artistas portugueses ganham escala. A Carminho canta Tom Jobim, o Zambujo canta Chico Buarque. Ou seja, é se apropriar do que é nosso, é a nossa ancestralidade que nos une.” Em “Um menino chamado Brasil” ouvimos: “Se sou de Angola, eu sou Brasil. Sou Cabo Verde, eu sou Brasil. Sou Moçambique, eu sou Brasil. Sou Portugal, eu sou Brasil. Sou da Guiné, eu sou Brasil. Sou São Tomé, eu sou Brasil” - É um manifesto de união, daí a minha pergunta de há pouco sobre se é uma tentativa de reconciliação e até de perdoar tudo aquilo que os portugueses fizeram... “Não. Eu acho que não tem perdão até porque não foi o povo português pobre como a minha família de Ourém que colonizou os seus ancestrais. Quem colonizou foram as oligarquias, as grandes famílias que estão também no Rio de Janeiro, na Bahia e em São Paulo. Quando uma babá preta empurra um carrinho de bebé de um branco, que trabalha sete dias por sete, quer dizer, eu acho que é transversal esse comportamento dessas oligarquias até hoje. Mas vale lembrar também que o grito de independência do Brasil foi dado por um português em 1822, ou seja, foi uma briga de família e Dom Pedro: 'independência ou morte'. Eu acho que não é isso. Você falou desse fado que é um fado na lapela, esse tema meu e do Moacyr Luz, ‘Nossa terra é o mar'. A primeira frase não é minha, é de um compositor do Império Serrano maravilhoso e ele mandou-me uma frase: ‘Em Portugal não fui jamais, embora de lá tenha vindo.' E eu emendei: ‘Graças aos meus ancestrais que mostraram a língua quando eu estava parindo'. É importante para nós, africanos, brasileiros e quem fez o teste de genoma como eu - que sou Magrebe também, 10 por cento africano do Norte - é importante que a gente saiba o que aconteceu. Cabo Verde não era sequer habitado e o crioulo nasceu pela imposição da língua portuguesa. É o seguinte: não busca reconciliar. Não é fácil essa história, mas é interessante a gente assimilar. Como os alemães fizeram com o Holocausto e eles morrem de vergonha do Holocausto. Você vai no Japão - eu tenho nove álbuns lançados no Japão - e eu vou lá e tem o Museu de Hiroshima e Nagasaki. Eles fazem também o mea culpa de algumas coisas. Ou seja, é importante a gente saber quando a gente errou.” Este álbum acaba por ser o “Cartão do Cidadão” dessa multiculturalidade tricontinental, entre aspas? “Vou ser sintético: ‘Vou falar mais uma vez: se eu falo português, minha terra é aqui.” Ana Margarida Prado: “Eu acho que também se celebra o encontro de tudo aquilo que se criou. Vamos passar uma mensagem do bom que nós juntos criámos.” Pierre Aderne: “O Atlântico é o Atlântico. Ele uniu e esmagou, mas é tão interessante sermos atlânticos. A gente vê o que acontece também nos Estados Unidos: os povos originários são realmente os grandes povos. Todo o mundo é emigrante.”

Agro Resenha Podcast
Dale Carnegie #12 - O agro perde dinheiro onde quase ninguém olha

Agro Resenha Podcast

Play Episode Listen Later May 12, 2026 82:42


Neste episódio especial do Agro Resenha Podcast com a Dale Carnegie Brasil, conversamos com Edil Morissugui sobre gestão, pecuária, liderança e um tema muitas vezes subestimado no campo: a água como fator estratégico de produtividade. A partir de uma trajetória marcada por trabalho duro, crises, empreendedorismo e estudo contínuo, o episódio mostra como planejamento, análise de contexto e execução técnica podem transformar resultados no agro. Um papo direto para quem atua na pecuária e quer tomar decisões melhores, produzir com mais eficiência e enxergar oportunidades onde a maioria só vê problema. PARCEIRO DESTE EPISÓDIO Este episódio foi trazido até você pela Dale Carnegie Brasil! Transforme sua carreira e seus resultados com a Dale Carnegie! Há mais de 100 anos, desenvolvemos líderes confiantes, comunicadores poderosos e profissionais de sucesso. Nossos treinamentos comprovados impulsionam seu desempenho e o de sua equipe. Descubra o poder do seu potencial! Dale Carnegie: construindo o sucesso de vidas e negócios há mais de 100 anos. Site: https://dalecarnegiebrasil.com/Instagram: https://www.instagram.com/dalecarnegiebrasil/LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/dalecarnegiebrasilYouTube: https://www.youtube.com/@dalecarnegiebrasil INTERAJA COM O AGRO RESENHAInstagram: instagram.com/agroresenhaTwitter: x.com/agroresenhaFacebook: facebook.com/agroresenhaYouTube: youtube.com/agroresenhaCanal do Telegram: https://t.me/agroresenhaCanal do WhatsApp: https://bit.ly/zap-arp-01 E-MAILSe você tem alguma sugestão de pauta, reclamação ou dúvida, envie um e-mail para contato@agroresenha.com.br FICHA TÉCNICAApresentação: Paulo OzakiProdução: Agro ResenhaConvidado: Edil Morissugui e Albeneir MeloEdição: Will OliveiraSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Agrocast
Dale Carnegie #12 - O agro perde dinheiro onde quase ninguém olha

Agrocast

Play Episode Listen Later May 12, 2026 82:42


Neste episódio especial do Agro Resenha Podcast com a Dale Carnegie Brasil, conversamos com Edil Morissugui sobre gestão, pecuária, liderança e um tema muitas vezes subestimado no campo: a água como fator estratégico de produtividade. A partir de uma trajetória marcada por trabalho duro, crises, empreendedorismo e estudo contínuo, o episódio mostra como planejamento, análise de contexto e execução técnica podem transformar resultados no agro. Um papo direto para quem atua na pecuária e quer tomar decisões melhores, produzir com mais eficiência e enxergar oportunidades onde a maioria só vê problema. PARCEIRO DESTE EPISÓDIO Este episódio foi trazido até você pela Dale Carnegie Brasil! Transforme sua carreira e seus resultados com a Dale Carnegie! Há mais de 100 anos, desenvolvemos líderes confiantes, comunicadores poderosos e profissionais de sucesso. Nossos treinamentos comprovados impulsionam seu desempenho e o de sua equipe. Descubra o poder do seu potencial! Dale Carnegie: construindo o sucesso de vidas e negócios há mais de 100 anos. Site: https://dalecarnegiebrasil.com/Instagram: https://www.instagram.com/dalecarnegiebrasil/LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/dalecarnegiebrasilYouTube: https://www.youtube.com/@dalecarnegiebrasil INTERAJA COM O AGRO RESENHAInstagram: instagram.com/agroresenhaTwitter: x.com/agroresenhaFacebook: facebook.com/agroresenhaYouTube: youtube.com/agroresenhaCanal do Telegram: https://t.me/agroresenhaCanal do WhatsApp: https://bit.ly/zap-arp-01 E-MAILSe você tem alguma sugestão de pauta, reclamação ou dúvida, envie um e-mail para contato@agroresenha.com.br FICHA TÉCNICAApresentação: Paulo OzakiProdução: Agro ResenhaConvidado: Edil Morissugui e Albeneir MeloEdição: Will OliveiraSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Irmandade Corinthiana
A FREGUESIA CONTINUA // EP 488

Irmandade Corinthiana

Play Episode Listen Later May 11, 2026 58:43


OLHA quem voltou! Nosso freguês! E foi um baile! Se não tivéssemos errado tanto, não tinha sofrimento. Mas a vitória veio e tirou a gente do Z4. Diniz 10 jogos no comando e um aproveitamento de 70%. Se isso se mantiver, o bicho vai pegar! Gesto obsceno, só pro Corinthians que vale? No meio de semana tem Copa do Brasil, vai de misto? E será que finalmente vão expulsar o Andrés Sanchez? SIGA A IRMANDADE! https://linktr.ee/irmandadecorinthiana

Galinha Viajante
GV#241: Fomos à Gamescom Latam 2026 e Olha no Que Deu

Galinha Viajante

Play Episode Listen Later May 7, 2026 72:25 Transcription Available


Fomos à Gamescom Latam 2026! Episódio de hoje é especial, pra falar um pouco dos joguinhos brasileiros mais legais que vimos por lá, e contar também a nossa experiência tanto com o evento quanto com outros rolês que fizemos por São Paulo.APOIE O GALINHA VIAJANTEAcesse catarse.me/galinhaviajanteLINKS DA GALINHACatarse | Youtube | Instagram | BlueskyContato: cast@galinhaviajante.com.brAcesse nosso SITE: galinhaviajante.com.brTRILHA SONORAWarm Breeze No Plans (Martin Landstrom)CITADOS NO EPISÓDIOVideogames:  Lunr.Rdio.Taxi, Kings of Antikva, Bruce's Gym, Rotten Survivor, Roller Heist, We Were Here Tomorrow, V-Monsters Forgotten Link,Hades, Baldur's Gate 3, Dungeon Drafters, Mario Party Jamboree, Red Dead Redemption, Fast Fusion, Marvel Cosmic Invasion, Bubsy 4DOutras Mídias: Serviço de Entregas da Kiki, Zé RenachoCAPÍTULOS00:00:00 - Abertura do Episódio00:04:38 - O Que é a Gamescom Latam?00:09:18 - Joguinhos Que Jogamos00:44:51 - Viagem e Outros Rolês01:08:26 - Encerramento do EpisódioO Galinha vai ao ar toda semana graças aos Escudeiros da Galinha Viajante! Apoie você também o nosso projeto no Catarse e junte-se à Escudaria!Apresentado e produzido por Leon Cleveland e Samuel R. Auras.Contato: cast@galinhaviajante.com.brSupport the show

Afunda de 3
O futuro de Neemias após a eliminação e a 2ª ronda -  Com Ricardo Brito Reis

Afunda de 3

Play Episode Listen Later May 7, 2026 56:25


No regresso do Afunda, Igor Gonçalves e Ricardo Brito Reis olham para o futuro dos Celtics e de Neemias, após a eliminação. Olha-se ainda para a 2ª ronda e para os principais destaques

Zoom
Do Avesso. Olha a noiva que vai linda em verde seco

Zoom

Play Episode Listen Later May 6, 2026 14:55


Os oito looks de Elizabeth Taylor, o vestido que ardeu, os ateliers mais concorridos, a moda dos casamentos em Portugal, e uma vaquinha para comprar a roupa de Isabel II.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Termómetro
Do Avesso. Olha a noiva que vai linda em verde seco

Termómetro

Play Episode Listen Later May 6, 2026 14:55


Os oito looks de Elizabeth Taylor, o vestido que ardeu, os ateliers mais concorridos, a moda dos casamentos em Portugal, e uma vaquinha para comprar a roupa de Isabel II.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Conversas de Fim de Tarde
Do Avesso. Olha a noiva que vai linda em verde seco

Conversas de Fim de Tarde

Play Episode Listen Later May 6, 2026 14:55


Os oito looks de Elizabeth Taylor, o vestido que ardeu, os ateliers mais concorridos, a moda dos casamentos em Portugal, e uma vaquinha para comprar a roupa de Isabel II.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Irmandade Corinthiana
Z4 DE NOVO // EP 487

Irmandade Corinthiana

Play Episode Listen Later May 4, 2026 48:23


OLHA o Z4 assustando o time de novo! Uma semana foge, na outra cai na zona maldita novamente! Herança dos jogos ruins do Dorival, mas Diniz precisa tirar a gente dessa! No meio de semana temos a Libertadores fora de casa, vamos de time misto? Ou joga todo mundo? Depois é clássico pelo Brasileiro, vamos chegar inteiros pra ganhar e escapar dessa areia-movediça? E o Memphis, volta essa semana? Será que teremos novos uniformes? Muitas perguntas… esperamos as respostas durante a semana. SIGA A IRMANDADE! https://linktr.ee/irmandadecorinthiana

Convidado
Raquel Freire: “Esta luta pela liberdade, tanto em Portugal como em África, estava por contar-se.”

Convidado

Play Episode Listen Later May 1, 2026 19:03


“Mulheres de Abril” é o filme da realizadora Raquel Freire que celebra as mulheres que, em África e Portugal, lutaram pela liberdade, contra o colonialismo e contra a ditadura. O documentário teve ante-estreia no Festival IndieLisboa e brevemente vai estar nas salas de cinema portuguesas. Portugal viveu 48 anos de ditadura salazarista. Foi a ditadura mais longa da Europa. O regime terminou em 1974 com a revolução de 25 de Abril. O documentário “Mulheres de Abril”, da realizadora Raquel Freire, celebra as mulheres que participaram activamente na luta antifascista e anticolonialista e que, até agora, estavam esquecidas na história. Ana Maria Cabral, Julieta Rocha, Helena Neves, Isabel do Carmo, Maria Emília Brederode Santos, Luísa Sarsfield Cabral, Margarida Tengarrinha, Teresa Loff Fernandes, Ruth Rodrigues e Zezinha Chantre são as protagonistas de um filme onde representam uma imensa força que são as todas mulheres que, entre Portugal e os territórios africanos ocupados, lutaram para construir a revolução de Abril e nas guerras de libertação travadas pelos movimentos independentistas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. “Mulheres de Abril” é o momento de as mulheres ocuparem o seu lugar na história, de dar voz às “capitãs de Abril”. Em entrevista à RFI, a realizadora portuguesa Raquel Freire começa por revelar como o contexto familiar a inspirou a criar “Mulheres de Abril”. Raquel Freire, realizadora do filme Mulheres de Abril:   Tenho o grande privilégio de ter uma família de lutadoras e lutadores antifascistas. Ou seja, eu tenho na minha família pessoas que morreram para eu poder estar aqui hoje em liberdade a fazer filmes. E cresci a ouvir estas histórias da minha avó, das minhas tias-avós, da minha mãe, do meu pai, todas as histórias da luta, inclusive até da Virgínia Moura, que foi uma grande lutadora anti-fascista do Porto, e achou eu por ser tão próximo, sempre soube que ia ter que fazer este filme, mas fui sempre adiante. Até que de repente me apercebi, pela minha mãe, que ela já estava a ficar numa idade em que era o momento certo para contar estas histórias. E, ao mesmo tempo, também porque tenho um filho, apercebi-me que havia um grande desconhecimento da juventude do que tinha sido o nosso passado. O nosso passado de luta. Ou seja, nós não tivemos só quase 50 anos da ditadura mais longa da Europa e 500 anos de colonialismo. Nós tivemos décadas de luta contra o colonialismo e tivemos cinco décadas de luta contra a ditadura. E este factor de ter existido sempre resistência e sempre uma luta de diferentes colectivos, desde os católicos progressistas, aos comunistas, aos socialistas, às pessoas mais conservadoras. Mas esta luta pela democracia estava por contar-se. E quando era contada, era sempre sobre o modo de - ah, houve um herói que fez isto - .  E não, o 25 de Abril não foi feito num dia. O Salgueiro Maia não acordou de manhã a dizer, hoje vou chamar os meus amigos e fazer o 25 de Abril. Não. Começou na Guiné. Começou com uma luta contra a guerra colonial, contra a injustiça do que era a guerra colonial, contra uma juventude em Portugal que era mandada para morrer durante décadas nas nossas antigas colónias e a opressão de povos que tinham todo direito na sua autodeterminação e na sua independência. Portanto, esta luta pela liberdade, tanto em Portugal como em África, estava por contar-se. E sempre que era contada era só por homens e sobre homens. Portanto, havia uma história por contar-se. E esta história é o que vamos ver neste filme.   Uma história que, neste caso, é contada só por mulheres.   Sim, porque a história até agora foi contada por homens e sobre homens. E estamos em 2026. Chegou o momento de darmos voz e de escutarmos com atenção as mulheres que sempre tiveram na história e que foram sendo apagadas dela. E que foram fundamentais a  sua participação na luta pela liberdade. Sem estragarmos o prazer de ver o filme, o que é que levou a Raquel Freire a colocar cada uma destas mulheres neste filme? Olha, poderiam ser muitas mais. Muitas mais mesmo. Difícil foi escolher só estas 10, porque as listas iniciais eram de dezenas de mulheres. Porque, felizmente, temos muitas heroínas anónimas que deram a sua vida a lutar pela liberdade. Tanto aqui como nos países africanos que lutavam nas lutas de libertação. E nestas, o que eu tentei foi, cruzando os critérios de interseccionalidade, ter o máximo de representatividade possível. Ou seja, eu queria que o cinema tivesse também o seu lado democrático de 25 de Abril. Que houvesse o máximo de pluralidade e de representatividade. Porque temos mulheres portuguesas, temos mulheres cabo-verdianas, temos mulheres guineenses, temos mulheres de diferentes classes sociais, temos mulheres do povo e temos mulheres que tiveram acesso a estudos e que pertenciam a uma elite que já lutava na oposição democrática contra o regime. Temos mulheres católicas progressistas, temos mulheres que, de todo, estavam completamente longe da religião. Temos mulheres de várias sensibilidades políticas, temos mulheres comunistas, mulheres mais da extrema esquerda, mulheres socialistas, mulheres de uma área mais conservadora. Eu queria que a pluralidade e a riqueza que houve nesta luta, nesta união de forças contra o fascismo e o colonialismo estivesse no filme.   Quais foram os desafios para rodar este filme, para colocar estas mulheres à frente da câmara e transformar nesta história tão rica?   O grande desafio foi como é que eu ia filmar de uma forma que fosse também respeituosa em relação aos princípios do 25 de Abril.  Ou seja, quando comecei a fazer cinema, o meio de cinema era um meio muito hierarquizado, muito machista, muito homofóbico, com praxes violentos e eu nunca quis trabalhar assim. Então, uma das minhas lutas no cinema foi sempre como fazer cinema sem ser assim. E neste filme foi isso que fizemos, ou seja, nós tínhamos uma equipa de mulheres, tínhamos uma equipa que acompanhava o ritmo destas mulheres e que, no fundo, é uma coisa muito mais humana. Em vez de estarmos 14 horas num platô, trabalharmos menos horas, mas estarmos concentradas e focadas e rodeamos estas mulheres o máximo possível de escuta, de carinho, de empatia e de amor. Eu não faço filmes sobre, eu faço filmes com. Portanto, o filme é feito com estas mulheres e com esta equipa muito generosa, talentosa e dedicada. Tenho que destacar todos os membros da equipa que foram maravilhosas, a Madame Filmes, que fez a produção também. E havia uma coisa que para mim era muito importante, é que este filme fosse uma roda de conversa, um círculo de olhares. Ou seja, o meu olhar existe, o cinema é um olhar sobre o mundo e, se tivermos sorte e for um bom filme, passamos a ver o mundo, é como um par de óculos, pomos um par de óculos depois de ver um bom filme e começamos a ver coisas nítidas que antes não víamos, começamos a ver coisas que estavam no escuro e que de repente vêm à luz. Portanto, eu queria que o cinema, sendo para mim esta arte coletiva, fosse um momento para estas mulheres também de alegria e de reconhecimento. E esse foi o maior desafio, foi que, apesar de elas irem, por exemplo, à prisão de Caxias, onde foram presas e torturadas, que não fosse uma experiência onde elas seriam de novo traumatizadas, mas fosse uma experiência em que elas se sentissem acolhidas e queridas e dignificadas.   Há filmagens feitas em Portugal, em Cabo Verde, como é que foi filmar em Cabo Verde?   Eu nunca tinha estado em Cabo Verde. Filmar em Cabo Verde foi um grande desafio porque eu sabia que uma portuguesa em Cabo Verde, eu não queria repetir a história do colonialismo, portanto, é preciso ter muita consciência quando vamos filmar fora de Portugal, sobretudo num país que teve uma opressão tão violenta como teve Cabo Verde durante tantos séculos feitos por portugueses. Portanto, filmar em Cabo Verde foi um desafio ainda maior de fazer com que estas mulheres se sentissem escutadas e de, ao mesmo tempo, as respeitar em tudo o que fosse possível. Por exemplo, eu tenho cenas em Cabo Verde em que é a minha produtora cabo-verdiana, e que foi a minha assistente de realização lá, a Samira Vera Cruz, que conduz as perguntas em crioulo, porque eram perguntas demasiado delicadas e quem vir o filme vai perceber o que é que eu estou a falar, estou a falar de um momento muito difícil do filme. Eram perguntas demasiado delicadas para eu fazer na língua de quem tinha sido o opressor. Portanto, eu tive esse cuidado, eu tentei que fosse uma mulher cabo-verdiana a estabelecer essa conversa, esse diálogo. Esse, para mim, foi o maior desafio. E, depois, ao mesmo tempo, fiquei completamente fascinada, como penso que toda a gente fica quando vai a Cabo Verde, com a cultura cabo-verdiana. Portanto, o outro desafio não foi fazer o filme inteiro, não pôr no filme todo as imagens maravilhosas de Cabo Verde e retratar um país real, e não um país sonhado ou imaginado.   Houve outros momentos, certamente, muito delicados, quando se está a fazer um documentário onde participam mulheres que sofreram a violência de uma ditadura, do colonialismo. Como é que a Raquel lidou com essas situações? Falou agora de pedir à produtora de Cabo Verde para apresentar as questões em crioulo, houve outros momentos assim?   Houve! Houve porque eu pedi às mulheres para irmos às prisões onde elas tinham estado presas e torturadas. Porque eu fazia uma pergunta, a meio das filmagens, que era, “pessoalmente para ti, o que foi pior no fascismo ?”, e, claro, que a resposta a esta questão era sempre muito, muito sofrida e muito delicada. Há mulheres que, com muita reticência, me dizem que foi a separação dos filhos o pior de tudo, não foi a prisão, não foi a tortura, não foi o isolamento, “pior de tudo foi eu estar separada dos meus filhos”. Há mulheres para quem o pior foi, por exemplo, terem de fazer abortos clandestinos. Ou seja, a miséria, a pobreza a que a ditadura tinha votado, o povo deste país, que as obrigava a ter uma condição em que não podiam sequer ter acesso a cuidados básicos de saúde. E, claro, a opressão que existia, uma dupla opressão, o fascismo e o facto de serem mulheres sobre elas. Há um momento especial no filme em que há uma mulher operária, uma grande lutadora, que, como ela diz, “sou revolucionária porque sempre fui revolucionária, eu não sabia o que era o fascismo, mas sabia que era mau”, e que é operária desde os 8 anos, que nunca pôde sequer ir à escola, e ela, quando nos conta o que é que para ela foi o pior no fascismo, foram os abortos clandestinos e ser maltratada. E eu penso que todas elas, quando falam destes momentos, por muito que nós estejamos lá para as apoiar, voltam a esse momento. O que aconteceu imediatamente a seguir a isso foi, quando eu disse “corta!”, nos levantámos todas e fizemos um círculo e abraçamos, e ficámos abraçadas a elas. E tentámos sempre que no final das filmagens, não só que os horários se adaptassem a elas, como no final das filmagens termos sempre momentos de convívio. Nós tivemos sempre almoços, nós tivemos sempre jantares, tivemos festas, tivemos momentos em que tentamos dar todo o nosso amor e todo o nosso carinho para elas se sentirem amadas e reconhecidas.   Há pouco em off, a Raquel Freire disse-me que este filme iria ser apresentado junto das escolas. Qual o papel que este e outros filmes como este podem ter nos dias de hoje, na atualidade que vivemos?   Eu acho que são fundamentais! O cinema, o audiovisual, sobre as várias formas que existem hoje em dia, são absolutamente fundamentais para nós sabermos quem somos e de onde viemos, para conhecermos a nossa história. Neste momento, os jovens têm muito pouco acesso ao que foi a nossa história e à verdade, ou seja, à história contada pelas pessoas que a fizeram, que a construíram. Temos grandes vagas populistas de reescrita da história. Para compreendermos o que somos hoje e fenómenos como os que temos hoje, como temos hoje o racismo, por exemplo, como temos o retrocesso ou a tentativa de retrocesso nos direitos das mulheres, tentativas de governos totalitários em várias partes do mundo, a guerra, para percebermos o presente hoje, é muito importante sabermos que isto já aconteceu no passado e que no passado, mesmo nos momentos mais difíceis, houve mulheres e homens que se juntaram e juntos conseguiram fazer do impossível o possível. Ou seja, conseguiram lutar pela liberdade e venceram, porque nós tivemos o 25 de abril, estamos aqui hoje, e os países colonizados tiveram a sua independência.  

Oxigênio
#218 Rodrigo Alves: Bastidores e Futuro do Podcast

Oxigênio

Play Episode Listen Later Apr 30, 2026 44:35


No dia 25 de fevereiro de 2026, o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) teve a honra de receber a visita do jornalista e autor do podcast narrativo Vida de Jornalista, Rodrigo Alves, que ministrou uma oficina de podcast para os alunos da pós-graduação. Nesse episódio, você vai ouvir uma conversa que tivemos com o Rodrigo, antes da oficina, em que ele falou sobre a sua trajetória no jornalismo e a dedicação exclusiva na produção jornalística em áudio; sobre os processos de produção de podcasts; sobre as oficinas que ele vem ministrando online e presencialmente em cursos de Jornalismo pelo país e o futuro do gênero na produção jornalística. A entrevista foi comandada por dois integrantes da nossa equipe, a Lívia Mendes e o Marcos Ferreira. A conversa foi muito instigante para quem se interessa ou deseja saber mais sobre a produção de podcasts e a carreira jornalística. [áudio Rodrigo Alves] Livia: Esse aí é o Rodrigo Alves, jornalista, apresentador e roteirista de podcasts narrativos, como o Vida de Jornalista. Você talvez já tenha ouvido a voz dele no episódio #202 aqui do Oxigênio ou em algum dos podcasts que ele apresenta. Em fevereiro, a gente teve o prazer de conhecer o Rodrigo pessoalmente, já que ele esteve aqui no Labjor pra ministrar uma oficina de podcast pros alunos da pós-graduação. Marcos: Neste episódio, você vai ouvir uma conversa que tivemos com o Rodrigo, antes da oficina. Ele falou sobre a sua trajetória no jornalismo e a dedicação exclusiva a produtos em áudio; sobre os processos de produção de podcasts; sobre as oficinas que ele vem ministrando online e presencialmente em cursos de Jornalismo pelo país e sobre o futuro do gênero na produção jornalística. Livia: A entrevista foi conduzida por mim, Lívia Mendes, Marcos: e por mim, Marcos Ferreira. A conversa foi muito instigante pra quem já conhece e pra quem deseja saber mais sobre a produção de podcasts e a carreira jornalística. Então, continua com a gente e vem ouvir nosso bate-papo com o Rodrigo Alves. [Vinheta Oxigênio][música] Marcos: Bom, vou apresentar um pouco do Rodrigo. Como a gente já falou, ele é jornalista e autor do podcast narrativo Vida de Jornalista, que conta histórias e bastidores da profissão. É coordenador e roteirista dos podcasts Tramas Coloniais, Rio Memórias, Senado 200, Como Cobrir, e muitos outros. Editor da série No Rastro da Notícia, do podcast Jornalismo Sem Trégua, da Abraji. Desde 2021, ele se dedica exclusivamente à produção de jornalismo em áudio e a oferecer Oficinas de Podcasts. Antes de tudo isso, ele também foi comentarista de basquete no SporTV, repórter e editor em veículos como Globo Esporte e Jornal do Brasil. Cobriu desde eleições a Olimpíadas, até o Rock in Rio, e a gente vai falar um pouco sobre tudo isso com ele. Ah, também não podemos deixar de dizer que ele é fã de punk rock e torcedor do Fluminense. [música] Lívia: Eu queria destacar que ele participou de uma das nossas parcerias comemorativas de dez anos do podcast, lá no episódio #202, quem não ouviu pode procurar, que foi entrevista com a Sonia Bridi, um perfil lindíssimo, que ele comandou junto com a nossa coordenadora Simone Pallone. E, bom, a gente queria começar perguntando pro Rodrigo sobre a sua trajetória no áudio. A sua trajetória no jornalismo já é bastante sólida, né? Engraçado que várias pessoas, quando a gente compartilhou no Instagram que você viria aqui, visitar a gente no Labjor, lembraram de você como comentarista de basquete e disseram que adoraram. Além das coberturas de esporte, né? Como você conta lá na história do famigerado 7 a 1, Brasil e Alemanha, no segundo episódio do novo projeto, mas em que momento o áudio deixou de ser um projeto paralelo e se tornou uma dedicação exclusiva? Rodrigo: Ah, gente, primeiro obrigado pelo convite. Eu amo o Oxigênio, mas agora é diferente porque eu tô aqui presencialmente pra gente gravar. Então, foi um prazer fazer esse projeto em parceria, né, do episódio da Sônia Bridi, mas a gente fez no Rio de Janeiro e agora eu tô tendo a oportunidade de estar aqui pela primeira vez, conhecendo e tô amando. Então, poxa, obrigado demais. Eu gosto muito do Oxigênio que já tá nessa estrada aí há tanto tempo e acho que é super essencial. Então, obrigado demais. Rodrigo: E o áudio, assim, virou uma paixão desde não desde o início, né, quando eu comecei no jornalismo, porque eu trabalhei primeiro com o jornal impresso durante 8 anos e depois fui trabalhar na internet, trabalhei no site de esporte da Globo durante muito tempo. E aí no fim dessa trajetória na Globo eu trabalhei, como você falou, como comentarista de basquete. E isso é meio surreal mesmo porque de vez em quando alguém lembra assim, me vê assim,fala. Porque a televisão é impressionante, né? Tem um, mesmo sendo uma TV fechada, né? Eu trabalhei no SporTV, mas tem essa coisa meio, sei lá, um fascínio, né? Que eu acho super esquisito. Mas, enfim, é, foi super legal, foi uma experiência muito legal. E, e aí quando eu tava trabalhando como comentarista, eu já tava fazendo podcast. Então, o Vida de Jornalista, que é o meu primeiro projeto autoral em áudio, eu lancei em 2018. E nessa época eu ainda trabalhava no esporte da Globo, não era nem comentarista ainda, ainda tava trabalhando no site. Mas o áudio já era uma coisa que tava me fascinando, sabe? Eu queria começar a fazer jornalismo em áudio, mas era uma coisa ainda paralela com o meu trabalho. E eu fazia o Dois Pontos, que era um podcast de basquete também na Globo, que saiu 2 meses antes do Vida de Jornalista, quase ao mesmo tempo, que eu fazia com Rafael Roque, meu grande amigo que ainda trabalha lá. E aí ficava essa coisa meio paralela. E eu sempre ficava alimentando isso. Será que um dia vale a pena eu me dedicar só a isso, né? Sair do emprego, mas assim, é um emprego, né? Era um emprego na Globo, então tem toda aquela coisa de estabilidade, um salário, plano de saúde, você fica pensando essas coisas, mas o áudio estava muito e na época da pandemia eu tomei essa decisão de sair do emprego, ali na virada de 2020 para 2021, para me dedicar só à produção de áudio, não só ao Vida de Jornalista, mas fazer podcasts jornalísticos, narrativos. Então abri uma produtora, a Escuta Aqui e aí fui pegando assim um ou outro projeto que eu acreditava muito, que eu achava muito legal. E eu fiz o Rio Memórias, que é um podcast que eu fiz durante cinco temporadas e eu coordenava a produção e fazia os roteiros, não sou eu que apresento, é a Gabriela Montoni, historiadora. E fui fazendo outros, o Tramas Coloniais, enfim, foram aparecendo outros projetos. E em paralelo eu mantinha o Vida de Jornalista, como meu projeto pessoal, e agora em 2026 o Onde eu tava quando aquilo aconteceu, que é um projeto mais pessoal ainda, de histórias minhas pessoais e jeito de contar histórias, narrativa. Então, essa paixão pelo áudio, ela é antiga, mas eu passei a me dedicar mais a ela ali nessa virada de 2020 para 2021. Marcos: É, eu acho que uma próxima pergunta seria, então, para você comentar um pouquinho como foi essa transição pra você de sair de um espaço normalmente escrito, do jornalismo, para um em áudio. O que que muda na narrativa? Imagino que talvez o que você comentou agora de você poder contar uma coisa que é mais pessoal. Rodrigo: Eu acho que tem muito a ver com isso. Acho que podcast narrativo permite isso de você se colocar um pouco mais nas histórias, sabe? O jornalismo, às vezes, ele pede um rigor um pouco maior de, enfim, eu nem acho que o jornalismo necessariamente você tem que se afastar do assunto, acho que tem uma coisa de subjetividade que é interessante também e queajuda a gente a contar as histórias, mas, no podcast, você tem uma relação que eu acho que é mais um a um, sabe? É você e quem tá ouvindo. Eu, pelo menos, quando eu faço os roteiros, quando eu gravo as locuções, eu imagino que tem uma pessoa do outro lado me ouvindo e não falar assim para um público, sabe? Eu sei que tem um público ali, mas a narrativa é direta pra uma pessoa. Então, acho que ajuda você a pensar e se colocar um pouco mais, acho que cria uma interação ali melhor com a pessoa. Rodrigo: O que mudou pra mim foi talvez o jeito de escrever. Porque eu acho muito engraçado, às vezes as pessoas falam assim, você tem saudade de escrever? E na real, assim, eu nunca escrevi tanto na vida como eu escrevo hoje. Eu escrevo roteiros, podcasts são roteiros enormes e é texto, né? O Onde eu tava quando aquilo aconteceu é um exercício de roteiro pra parecer improvisado, mas eu tô lendo cada vírgula, assim, cada palavra, cada coisinha, então é tudo escrito, é tudo um trabalho de texto, que eu já tinha desde o início, né, como você falou, de trabalhar com o jornal impresso, no próprio site da Globo, trabalhava muito com texto também. Mas é um pouco diferente, sabe? Eu acho que o podcast dá um pouco mais de liberdade que no jornalismo tradicional você até consegue de vez em quando fazer, principalmente nesses projetos autorais, né? Porque aí não tem um chefe assim para falar: “Rodrigo, faz assim, faz assado”. Eu vou fazendo do meu jeito e a minha resposta é na minha cabeça mesmo. Isso tem um lado ruim, que é você não poder virar pro lado e falar: “Pô, dá uma olhada aqui no texto que eu fiz, vê o que que você acha, né? Dá uma olhada”. Quem vai ouvir é o público quando sair, né? Eu faço tudo sozinho. Mas, também tem um lado bom que é uma liberdade criativa que acho que não tem preço. Então, acho que nesse caso é isso. Mas, eu escrevo muito e gosto muito de escrever. Eu amo texto. Acho que são textos com características diferentes, mas que me dão o mesmo prazer, sabe? Marcos: Sim, sim, com certeza. Imagino que o saber também produzir um texto, um roteiro muito bom, seja um primeiro passo essencial pra você realmente ter um podcast legal. Rodrigo: É, claro que assim, a produção de podcast passa por várias etapas. Então, sei lá, às vezes a pessoa pode não ser do texto, mas vai fazer a locução ou vai fazer uma entrevista, vai fazer produção, vai editar. Tem várias etapas ali que eu acho que são importantes. A que eu mais gosto é o texto, é o roteiro, é o que me dá mais prazer de fazer, é o que me deixa mais, sei lá, mergulhado ali na coisa, sabe? É uma hora em que você pega a sua apuração ou a sua entrevista ou o que quer que seja que você fez e agora eu vou fazer o roteiro. Então, como que eu vou contar essa história que eu já tenho aqui. Como é que eu vou embalar? Como é que vai ser a embalagem dela pra entregar para quem vai ouvir? E aí eu posso fazer do jeito que eu achar melhor. Então é um momento de botar a criatividade pra jogo ali. Então, pra mim funciona muito bem. É o momento que eu mais gosto de fazer. Mas, não é o único, claro, né? No caso do Vida, do Onde eu tava eu faço todas as etapas. Então, também gosto de editar, de entrevistar, mas a hora de sentar o bumbum na cadeira ali para escrever o texto é uma hora que eu gosto muito assim. Lívia: E eu acho impressionante que os roteiros que você escreve ficam muito na linguagem falada, né? Isso acho que é a maior dificuldade. A gente aqui do Oxigênio, que trabalha também com podcast roteirizado, né? Essa dificuldade em fazer com que o roteiro seja palatável ali na linguagem. Você teria alguma dica? Rodrigo: É, tem uma dificuldade mesmo assim, eu acho que isso é prática, eu levei um tempo assim para conseguir ficar mais confortável nisso, sabe? Porque quando você pega um roteiro que eu faço de podcast narrativo, ele como texto escrito, ele não faz sentido assim. Se você publicar como uma reportagem, né? Ou sei lá, uma newsletter, ele não vai fazer muito sentido, ele tem que ter uma adaptação, porque ele é feito para funcionar na voz, para funcionar falado. E, aí assim, tem alguns truques, né, que a gente vai aprendendo. Por exemplo, eu faço muito o truque de escrever falando. Então eu tô escrevendo e tô falando a frase em voz alta, do que eu tô escrevendo, para ver se aquilo vai soar bem e ah, não soa bem, então eu volto no texto, dou uma mexida e dou uma ajeitada ali. Então, isso é uma coisa. E algumas coisas, no jornalismo que a gente tem muito cuidado, como regra gramatical, né, de escrever tudo na linguagem corretinha. No áudio, a gente pode abandonar um pouco isso, sabe? Então, até o jeito de falar as palavras, né? No áudio, quando a gente tá conversando, tipo, como a gente tá aqui agora, a gente não fala “para fazer”, a gente fala “pra fazer”, né? Eu não falo “eu estou aqui no Labjor”, falo “eu tô aqui, eu tava aqui”. Então, tudo isso você pode transferir pro texto, né, e deixar o seu texto desse jeito mais falado, assim, mais conversado. E uma coisa que eu acho que funciona bem também para o texto ficar com essa cara de falado, é você ter uma liberdade pra bagunçar o roteiro no sentido de marcar coisas. Então, por exemplo, bota uma palavra grifada quando você quer dar mais ênfase, quebra a linha, bota os parágrafos separados para você dar uma parada e dar uma respirada. Então, você pode mexer o texto de roteiro de podcast ou de qualquer roteiro não é um território sagrado, sabe? Que tem que ficar ali pra depois você botar num quadro, na parede. Não, ele é pra funcionar pra voz. Então, ele tem que ficar confortável pra quem vai ler e quem vai fazer a locução. Rodrigo: Acontece muito também de eu escrever pra outras pessoas, né? Tipo, o Rio Memórias, o Tramas Coloniais são podcasts que não sou eu que apresento. E eu faço o roteiro, então, eu tenho que escrever para uma outra pessoa gravar. E aí é mais difícil ainda, porque você tem que pegar o jeito da outra pessoa falar. E aí como é que você faz isso? Isso tem que ter uma prática ali, né? Até você entender como é que aquele texto vai caber na voz daquela pessoa. Não é simples, mas é um trabalho que eu acho muito gostoso de fazer, de tentar chegar nesse nível. E o Onde eu tava quando aquilo aconteceu é o projeto em que eu mais estiquei essa corda até hoje, cada roteiro, o primeiro episódio, por exemplo, o roteiro teve 10 versões, exatamente 10 versões. Eu escrevia e depois voltava nele, deixava mais falado, mais falado, mais falado, mais falado. Aí eu fui gravar, aí gravei o primeiro, editei, montei com a música e tal, joguei fora. Achei que não ficou falado o suficiente, conversado o suficiente. Aí ele teve três versões até ir para o ar do episódio inteiro. Então, eu vou puxando mesmo para ficar como se eu tivesse de fato contando uma história pra alguém, como eu estou conversando aqui com vocês. Aqui eu não tô lendo nada, né? A gente tá trocando uma ideia. Eu quero que esse projeto seja assim. E o maior elogio é quando alguém vem falar: “Nossa, mas é escrito, nem parece que você tá lendo”. E aí eu amo quando alguém fala isso, porque a ideia é exatamente essa. Lívia: É, isso que você falou do texto sacralizado, né? Eu que venho da área acadêmica, foi a minha maior dificuldade, assim, né? Porque você fica ali presa, de você quebrar parágrafo e deixar as palavras enfatizadas, né? Então tem essa diferença. Rodrigo: Dá um medinho de ficar mexendo no texto, né? Vou bagunçar esse texto todo, mas é isso, pode bagunçar, não tem problema. Marcos: Eu acho que isso é uma questão até para o podcast Oxigênio, porque em grande parte ele também é feito por cientistas da academia, que não tiveram tantas experiências. Então para a gente isso é riquíssimo. Rodrigo: Mas é um exercício, né? A gente vai pegando com o tempo e vai, enfim, ajustando coisas e, também, assim, cada um tem o seu estilo, sabe? Acho que tem podcasts até jornalísticos, narrativos, que tem uma pegada um pouco mais formal e que tem uma fala um pouco mais jornalística, que não é necessariamente cem por cento conversada e que funciona bem também. Então, acho que tem espaço pra todo mundo. Os que eu faço vão mais para essa linha da conversa, mas tem podcasts, você pega, por exemplo, um Projeto Humanos, né, que é um podcast muito conhecido, muito famoso, de muita audiência, do Ivan Misanzuki. Ele fala todos os “s”, todas as “vírgulas”, todas as “palavras”, tudo bonitinho, tudo ali muito formal e funciona, é um sucesso absoluto, né? Então, não tem muito certo e errado, é o estilo que você quer implementar ali, né? [música][áudio Perfis de bolso – Antonieta de Barros] Lívia: E agora falando sobre a produção mesmo, né? Queria saber como que vem a ideia da pauta, se é a partir dos personagens. Você já falou das suas experiências pessoais. Porque, pensando no Vida, né? Que é a forma carinhosa que você chama o Vida de jornalista, O Vida tem vários tipos de episódios. Tem os perfis, que foi um dos que a gente produziu junto, o da Sonia Bridi, tem os mais direcionados ao fazer jornalístico, teve a série Escolha que o ouvinte poderia escolher os caminhos que queria seguir. Como que você começa as ideias da pauta? Rodrigo: É, o Vida tem essa coisa também, como é um projeto meu pessoal e que sou eu que decido as coisas ali, não tem uma chefia para me guiar, não tem uma pauta para eu seguir. Eu também tenho essa liberdade de ir testando formatos, né? Então, acho que essa é a coisa que mais me fascina no jornalismo em áudio, é poder fazer formatos diferentes. Então, o Vida ele começa lá em 2018 com uma temporada de, sei lá, cinquenta e poucos episódios, de temas diversos, falando com jornalistas e sobre temas do jornalismo, mas depois eu começo a fazer temporadas temáticas. Então, tem séries que são específicas sobre alguma coisa, como algumas que você citou aí. E isso é bom porque eu não enjoo de fazer, sabe? Assim, cada série é uma coisa completamente diferente. Então, a série de perfis é completamente diferente da série Escolha, que é uma série interativa, que é uma outra linguagem, que não tem nada a ver com a série de perfis. E aí depois eu volto para fazer perfil e depois eu volto para fazer o episódio, que é discutindo algum tema do jornalismo. O Vida é muito sobre bastidores de jornalismo. Então, foco muito nisso também. E aí dá pra fazer de maneiras diferentes. Eu acho que isso é o que vai me fascinando. Então, é assim, quando eu termino uma temporada, eu já tenho lá o meu documento, lá no computador, que eu já vou jogando as ideias pra a próxima. E essas ideias envolvem não só temas e pessoas, mas envolve formatos também. Então, como que eu vou contar tal história? [áudio série Escolha] Rodrigo: A série Escolha, a ideia surgiu primeiro do formato pra depois pensar no tema. Geralmente, o certo é a gente pensar primeiro no tema, né, que a gente quer fazer e depois como que eu vou contar. No caso, a série Escolha, assim, eu queria fazer um podcast interativo, porque não tinha no Brasil, não tinha nem lá fora desse jeito assim jornalístico. E aí depois eu pensei, como que eu posso fazer dentro do Vida de Jornalista uma coisa interativa? Aí que eu fui pensar no tema, das escolhas éticas, das escolhas de carreira que a gente tem que fazer e acabei moldando ali. Esse foi um caso raro em que o formato veio antes, mas geralmente caminham juntos ali, sabe? De pensar quais vão ser os temas. Aí, claro que eu tenho que ter uma visão também de o que que tá rolando no jornalismo, né, quais são os temas mais necessários nesse momento. Então, essa última temporada tem um episódio sobre inteligência artificial, enfim, tem uma série de coisas ali que são meio urgentes da pauta factual, mas dá para escapar bastante dela também, né? Então, acho que no fim das contas fica mais gostoso de fazer, eu acho, desse jeito. Marcos: Sim. Ah, eu tenho uma pergunta um pouquinho derivada do que você acabou de comentar da produção do podcast Escolhas. Eu sei que vocês gravaram todos os episódios, que são mais de 20 episódios, né? E que provavelmente demorou um tempo bem grande e foram publicados ao mesmo tempo para que as pessoas pudessem fazer esse percurso. Como que você enxerga a funcionalidade desse tipo de podcast? Porque eu pessoalmente adorei, eu acho que é uma coisa incrível. Pensando até na comunicação, quando a gente estuda as propostas de comunicação pública da ciência, por exemplo, a gente tenta valorizar uma comunicação que seja participativa, democrática e não só de cima pra baixo, que acha que o ouvinte não sabe nada, enfim, que o que ele pensa não importa. Então acho que é um exemplo super interessante, mas aí eu fico pensando se você acha que funcionou, se você faria de novo esse modelo de produção de podcast. Como que foi, assim, essa experiência de produzir o Escolhas? Rodrigo: É, foi um risco, né? Porque as plataformas de podcast não tem essa função interativa, né? Então, assim, para quem não ouviu, o Escolha é uma série que tem vinte e cinco episódios publicados de uma vez, você escuta o primeiro e quando chega no fim do primeiro você tem uma pergunta e você tem que responder. Dependendo da sua resposta, você vai para o episódio 2 ou para o 3. Quando chega no fim do 2 ou do 3, você vai para o 4 ou para o 5 e por aí vai, né? O ouvinte é que vai definindo o caminho que ele vai seguir. No fim das contas, são 25 episódios no ar, mas a história, ela consome nove episódios. Então, o caminho até o fim, a pessoa passa por nove episódios. Quais são esses nove? Aí vai depender da pessoa, né? De quem vai escolhendo ali. Então, o Spotify, o YouTube, as plataformas em que a gente ouve podcast, a Apple, não tem essa função de você apertar um botão e ir para um episódio ou outro. Então, eu sei que eu tô dando um trabalhinho pra quem tá ouvindo, sabe? Quando chega no fim do episódio, a própria pessoa tem que ir lá e dar um play no episódio seguinte. Tem que ir lá no feed. Então, eu sei que eu tô exigindo um pouco do ouvinte, de quem tá ali escutando. Isso foi uma coisa que eu pensei bastante pra fazer, mas OK, já que é o jeito de fazer, vamos fazer dessa maneira. Acho que é colocar o ouvinte na cadeira de protagonista, sabe? De tentar fazer com que a história siga desse jeito. Foi uma primeira experiência, eu acho que assim, o Vida não é um podcast de grande audiência, né? Comparando aí com os grandes podcasts, ele tá muito longe disso. Ele é muito de um nicho do jornalismo. Essa série, ela não foi uma série de grande audiência, mas as respostas foram assim muito entusiasmadas, sabe? De quem ouviu e quem gostou do formato. E a gente quer fazer uma segunda temporada. Eu e a Flávia, né? A Flávia Santos que apresenta comigo, que é uma jornalista de Petrolina, de Pernambuco. A gente já está conversando sobre uma segunda temporada. Só que isso dá um trabalho que, assim, são 25 episódios, além dos episódios tem o roteiro, tem que criar um mapa da história, pra onde vai cada episódio. Então, é muito complicado de fazer e como tudo no Vida de Jornalista, eu fiz sem patrocínio, sem financiamento, sem nada, né? O Vida é feito no amor e no amor de alguns ouvintes também porque tem ouvintes assinantes, mas são poucos também, enfim, não dá pra, por exemplo, remunerar a Flávia, eu parto do princípio de que todo o trabalho de jornalismo tem que ser remunerado. Então, a Flávia, a gente até fala isso na série, né? A Flávia falou: “Não, não precisa me pagar”. Eu falei: “Precisa pagar, ué. É um trabalho, você tá apresentando uma série”. E aí eu tive que fazer isso assim meio do meu bolso, sabe? Porque não tinha um patrocínio ali. Então, o que eu gostaria era de conseguir um financiamento para uma segunda temporada mais robusta. E aí eu não quero vinte e cinco episódios, aí eu quero, tipo, cem episódios no feed, com uma história que realmente seja uma coisa toda intrincada, que você vai pulando de um pro outro e uma história mais longa, mas vamos ver, vamos ver se vai dar pra fazer. Não sei se em 2026 vai dar, mas quem sabe aí pra 2027. Eu ia gostar muito de fazer mais uma temporada dessa série. Marcos: Nossa, eu ia gostar também. Rodrigo: Então, quem tá ouvindo aí, ó, quem quiser patrocinar o Vida de Jornalista, vamos nessa. Lívia: É, eu fiquei lembrando, quem tem mais idade, tem aquela edição Vagalume, que tinha os livros assim, né, que você escolhia a página. Rodrigo: É, a inspiração foi meio essa. E é engraçado porque a Flávia é muito mais jovem que eu, né? E aí a gente tem referências muito diferentes. Então, a referência da Flávia é a série da Netflix, que é interativa e tal. A minha são os livrinhos de RPG antigos, que você ia pra página. A gente tem inclusive muitos embates geracionais durante a série. A gente se divertiu muito fazendo, porque as referências dela eu não pego, as minhas referências ela não pega e a gente ficava nesse embate ali o tempo inteiro. Foi engraçado também nesse sentido. [música] Lívia: E você falou sobre o financiamento, né? O modelo de financiamento de podcasts e de jornalismo em áudio tem modificado, a partir de assinaturas, apoio institucional. Eu vi que você tem utilizado essa coisa de somarplataformas, como o Substack, a Newsletter, o Apoia-se. Você podia falar um pouco pra gente quais são essas alternativas? Rodrigo: É, eu acho que pra quem faz podcast ou quem faz jornalismo independente, né, de forma geral, ou você dá sorte de conseguir uma cartada ali de um financiamento. Sorte que eu digo, obviamente ela vem de um esforço também de você tentar aquilo ali e conseguir, né? E saber os lugares certos pra procurar, um edital, um patrocínio de alguém. Mas, no geral, eu acho que geralmente funciona você jogar uma rede pra ver o que que vem. Então, é você abrir o leque e tentar esse financiamento de algumas formas diferentes, pra ver o que vai funcionar. Então, financiamento coletivo de ouvintes é uma coisa que muitos podcasts fazem e pra alguns funciona muito bem. Você pega um podcast como Rádio Escafandro, por exemplo, que é um dos melhores do país e o Tomás Chiaverini, ele hoje vive de financiamento dos ouvintes. Ele só tem esse financiamento, ele só tem esse emprego, ele não trabalha em outras coisas, ele consegue se dedicar só pra Rádio Escafandro, pra fazer da melhor forma ali os episódios e ele é realmente bancado, não só ele, mas ele contrata pessoas, enfim, só com o financiamento dos ouvintes. Então, eu acho que não precisa ser um fenômeno tipo a Déia Freitas do Não Inviabilize, que, aí assim, ela saiu do nada, um podcast totalmente independente e ela construiu quase um império. Hoje ela tá com muitos financiamentos, muitas marcas. Eu acho que é o maior fenômeno dos podcasts de contação de história, mas é um exemplo muito lá no alto, né? Então, você fala: “Pô, não vou conseguir o que a Déa conseguiu”. Mas às vezes dá para conseguir o que o Tomás conseguiu que não é a mesma coisa, mas ele já tá se financiando muito bem. E aí é isso, é você ficar de olho nos editais. Às vezes abre um edital, você escreve ali pra fazer uma temporada, né? E você não vai ter aquele financiamento pra sempre. Então, você tem Instituto Serapilheira, né? Tem um monte de podcasts, ligados aqui a Campinas, enfim, que passam também pelo Serrapilheira, desde o 37 graus, enfim, outros podcasts que são muito legais e que passam por esses editais, que vão abrindo ali, e você vai conseguindo. É muito chato de fazer, você ficar procurando coisas o tempo inteiro ali pra escrever, escrever em edital, não é uma coisa muito agradável, eu pelo menos não acho, mas é necessário, né? Você tem que tentar se remunerar, porque dá trabalho, exige tempo, exige custo, de fazer mesmo. Então acho que como tudo no jornalismo, acho que é necessário, é o mal necessário para a gente tentar se remunerar. Marcos: Voltando no tema de pensar um pouco na estrutura da produção dos podcasts, é a questão de quais são as etapas da produção completa de um podcast, e como as novas ferramentas que a gente tem disponíveis hoje, como as que são usam inteligência artificial, ah como elas têm impactado isso, se você tem utilizado ou não, o que que você pensa sobre?Rodrigo: É, eu acho que assim, se eu tivesse que resumir as etapas de produção de um podcast narrativo, você tem um planejamento, que quando você vai estudar ali qual vai ser a sua pauta, qual vai ser o tema, o formato, quem é o seu ouvinte, né? Aí você parte pra produção, que aí você vai atrás do material que você vai ter. Você vai gravar entrevista, você vai pra rua captar, enfim, dependendo de qual for o seu formato. A partir dali você tem a etapa de roteiro, que é como você vai pegar esse material e transformar aquilo numa história. Aí você tem uma gravação de locução, né, que geralmente também é bem comum em podcast narrativo, você tem uma narração e por fim uma parte de edição, que é você pegar tudo isso, botar no programa lá de edição. A gente, enquanto a gente tá gravando, a gente tá vendo aqui na nossa frente um programa de edição. É você pegar aquilo ali, juntar as partes, brincar de Lego, né, juntando as pecinhas ali e transformar aquilo de fato num conteúdo de áudio. É, falando assim, bem rápido, parece que não dá trabalho nenhum, mas dá muito trabalho e eu acho que a gente tem que ficar muito ligado em ferramentas que tão aparecendo, não só de inteligência artificial, mas de tudo. É, eu já tenho usado algumas coisas de IA e, assim, o que eu uso de IA é, basicamente, o Chat GPT, pra me ajudar a organizar a informação de pesquisa. Então, eu jogo pesquisa lá e peço para transformar em tópicos, sabe, esse tipo de coisa. Não uso o Chat GPT pra ajudar na escrita, nem nada desse tipo, mas pra ajudar na pesquisa eu uso, pra ajudar na formatação da pesquisa que eu já fiz, né? E tem uma ferramenta do próprio site da Adobe, a gente estava conversando aqui antes, que eu uso o software da Adobe, o Premiere pra fazer as edições e tem o de áudio também, que é o Audition, mas, a Adobe tem um site, Adobe Podcast, que você entra lá, que é tipo um estudiozinho, né, de podcast, que é gratuito. Você tem que ter uma conta, mas é uma conta gratuita e tem uma parte de melhorar o áudio que é inacreditável, assim, inacreditável. Mudou o meu jeito de trabalhar, porque antes eu ficava muito mais preocupado em como eu ia captar uma entrevista, por exemplo. Aí eu ficava usando aquelas ferramentas que gravam o som físico, mas aí às vezes pra pessoa é um pouco mais complicado. Eu não queria usar um Zoom, Google Meet, né, pra captar, que aí não fica naquela qualidade perfeita. Hoje eu gravo tudo no Zoom. Porque eu sei que depois é só jogar nesse site, que ele vai dar um filtro ali, parece que a pessoa tá dentro de um estúdio. É inacreditável, assim. É muito impressionante. É, inclusive, nas oficinas que eu faço, eu tô aqui porque eu também vou fazer uma oficina, né? Eu vou mostrar algumas coisas que esse site faz. Porque, sei lá, ele tira o barulho do vento. O vento até outro dia era o maior inimigo do áudio, bateu o vento, esquece. Aí estragou o teu áudio. Hoje até o vento você consegue resolver. Então, o que eu tô falando assim, pelo amor de Deus, gente, o que eu tô dizendo não é pra ninguém não cuidar da hora da gravação. Tem que cuidar da hora da gravação. Quanto mais você cuidar, menos dor de cabeça você vai ter na pós, na edição. Mas, se tem umacoisinha pra resolver ali, essas ferramentas ajudam. Então, como é que a gente vai abrir mão disso? A gente pode usar isso, vai poupar tempo, vai facilitar, vai aumentar a qualidade. Então, acho que tudo isso funciona bem. A gente tem que ficar bem ligado mesmo nessas ferramentas. Com todos os cuidados éticos que elas exigem, né, de inteligência artificial hoje, você consegue clonar uma voz e fazer um podcast. Não é o que eu faço, mas dá pra fazer. Então, tem que ter todas as implicações éticas aí pra gente também não se atropelar, né? Lívia: Sim. É, e eu venho da área de humanas, né? O pessoal tem um preconceito enorme com a tecnologia, eu sempre indico o episódio “Tem um robô me ajudando”, ficou muito legal, do Vida. [áudio – episódio “Tem um robô me ajudando”] Rodrigo: E eu e o Léo a gente conversa muito sobre tudo de jornalismo e tal. E uma das coisas que a gente conversava muito era sobre IA, de ficar testando coisas, até onde a gente pode ir, qual é o limite, o que que dá pra ajudar, o que não. Aí eu falei: “Pô, vamos fazer um episódio a gente levantando essas perguntas. Então, esse episódio, ele vai se construindo durante o episódio. A gente começa cheio de dúvidas e termina cheio de dúvidas também, mas a gente vai encontrando algumas respostas ali. A gente não é especialista em inteligência artificial nem nada, esses são só dois curiosos ali pra explorar o que que está acontecendo, né? Lívia: É, eu acho que a gente tem que explorar e aí você falou, com a ética, mas explorar porque são as ferramentas que a gente tem hoje em dia. Rodrigo: E esse episódio daqui a seis meses tem que fazer outro, porque as coisas vão mudando muito, né? Muito rápido. [música] Lívia: Acho que agora já caminhando pro final, a gente queria falar um pouco sobre a oficina que o Rodrigo veio aqui pra dar oficina pra gente, aqui no Labjor. Então, a gente queria saber o que que te motivou a criar essas oficinas de podcast. Eu sei que você tem feito bastante. E qual é o público que te procura hoje pra formação? Estudantes, jornalistas que já tem carreira ou comunicadores independentes? Rodrigo: É, quando eu tomei essa decisão de sair do meu trabalho na Globo, né? Ali no fim de 2020, pra me dedicar a isso, é claro que eu fiquei pensando em coisas assim, como é que eu vou me remunerar, como é que eu vou conseguir me manter e tal. E aí algumas pessoas já me falavam isso, né? “Pô, você podia dar aula de podcast, você tá fazendo e tal”. E eu nunca pensei muito nessa ideia, sabe? Porque assim, eu não sou professor, né? Eu sou jornalista, mas o Vida de jornalista acabou me dando uma condição de fazer todas as etapas. Então, eu faço tudo, planejamento, as entrevistas, o roteiro, a locução, a edição. E aí com o tempo, na prática, eu acabei, não sendo um especialista em tudo, mas entendendo como é que funciona. Então, me deu um certo conhecimento que eu queria compartilhar. E aí, a partir de 2021, comecei a fazer, finzinho de 2020, comecei a fazer a oficina de podcast narrativo em áudio, que é uma oficina online e que eu já fiz vinte e poucas turmas e já passaram uns 800 alunos pela oficina. É muita gente e gente de todos os estados do Brasil. Acho que essa é a vantagem de fazer online também, né? Você consegue chegar em muita gente e tem esse curso que é o curso que passa por todas as etapas, que é a oficina de narrativa em áudio e eu fui fazendo algumas outras específicas. Então, tem uma que é focada só em roteiro, outra que é focada só em entrevista e esse ano eu tô querendo fazer umas novas, eu tô querendo fazer uma que, eu vou jogar aqui para perguntar o que que vocês acham, que como eu trabalho sozinho, eu não tenho pra quem perguntar as coisas. Então, eu vou encontrando as pessoas e vou perguntando. Eu queria fazer uma oficina, vocês acham que funcionaria, de react de podcast, de botar cinco encontros pra gente ouvir episódios e destrinchar o que que tem naquele episódio, como é que é o roteiro, como é que é a entrevista, como é que foi feita a produção, é uma das minhas ideias pra esse ano e ir fazendo outras, de locução, enfim, eu acho que tem uma demanda ainda de gente querendo aprender a fazer e tem muita gente fazendo, né, o que eu acho ótimo, mas a oficina é o que me deixa mais assim, eu fico muito feliz de fazer, eu adoro fazer. Eu não queria no início e eu me arrependo de ter tido essa dúvida, porque hoje eu amo fazer, é uma das minhas principais fontes de renda hoje. Então, eu tô sempre abrindo turma nova. Então, já fazendo a propaganda aqui, quem quiser entra lá em oficinadepodcasts.com e lá tá sempre explicadinho quais são as turmas que vão abrir, enfim. É uma coisa que eu gosto muito de fazer. Agora é online essa oficina, o que eu acho ótimo, como eu falei, porque dá para todo mundo fazer do Brasil. Agora, quando eu estou fazendo uma presencial, que é o que vai acontecer aqui, o que quando vocês estiverem ouvindo já terá acontecido, mas é muito legal, né? Porque aí você está junto com as pessoas ali, entendeu? Trocando ideia na hora, é muito diferente. Então, eu adoro fazer oficina presencial também. Marcos: Sim, eu espero que venha aí a oficina de react de podcast. Rodrigo: Você acha que vai dar certo? Lívia: Eu acho que super funciona. Na disciplina, eu estava conversando antes da gente começar aqui com o Rodrigo, né? Que eu cursei uma disciplina de podcast aqui no IFCH, na Unicamp, e a gente fazia muito isso, de ouvir podcasts e pensar diferentes formatos. Rodrigo: É uma engenharia reversa, né, que chama isso. Na oficina de roteiro, tem uma das aulas que é assim, a gente ouve um episódio com a turma, a turma escolhe um episódio e a gente vai destrinchando o roteiro ali, mas aí é só sobre roteiro. Eu queria ampliar pra fazer, sei lá, cinco encontros, a gente ouvindo cinco episódios diferentes que a própria turma vai escolher, né? Então, às vezes é episódio que eu nem conheço, não sei. E acho que é sempre um aprendizado, eu gosto muito de ouvir coisas dos outros, só que quando você começa a fazer muito, você fica com esse vício, né? De sempre ouvir, mas pensando: “Pô, mas por que que essa música entrou aqui? Por que que ele abriu desse jeito? Por que que ela fez aquela pergunta? Por que, entendeu? E é legal, né? Mas é um pouco angustiante também. Às vezes eu gostaria de ouvir podcast assim tranquilo, sabe? Sem pensar em nada, mas é difícil. Marcos: E você comentou agora há pouco que tem várias pessoas hoje em dia produzindo podcast. Você acha que ainda tem espaço pra novos produtores, novas propostas? Você enxerga que vai ter um crescimento? Como que você avalia, assim, o futuro dessa área? Rodrigo: É difícil prever o futuro nisso, né, porque muda muito rápido. E eu acho que tem uma produção muito extensa desde os últimos anos, quando explodiu essa onda dos podcasts. Eu acho que o mercado já mudou muito nesse período. Então, por exemplo, os podcasts em vídeo meio que tomaram de assalto o mercado, né? Hoje, se você sair na rua aqui e perguntar, pegar qualquer pessoa: “Que que é podcast?”. A pessoa provavelmente vai responder: “Ah, é uma conversa em vídeo no YouTube, duas pessoas ali num estúdio conversando e tal”. Então, tem gente que acha que é só isso, que nem sabe que tem só em áudio, sabe? Eu, sinceramente, eu desisti dessa briga aí já. De se podcast em vídeo é podcast. Pra mim, não interessa. Cada um faz o seu, não tem problema nenhum. É aquele famoso “tem até amigos que são”. Então, assim, não tem problema, eu gosto de vários e beleza, não quero mais brigar. Mas, o que eu quero é tentar que as pessoas saibam o que eu faço, sabe? Conseguir explicar o que eu faço. Porque se eu só falo assim: “Ah, Lívia, vai escutar lá o meu podcast”. Você pode achar que é uma conversa sobre algum tema, né? Que é legal pra caramba, mas no meu caso não é isso, é uma outra coisa. Então, explicar é cada vez mais difícil, mas eu sempre acho que tem espaço pra quem quer fazer em todos os formatos. Quem tem uma coisa boa pra fazer, eu vou dar um exemplo aqui. Eu vim pra Campinas e no voo eu escutei um podcast novo que acabou de sair, que se chama Discípulos, que é do Mateus Marcolino, que é inclusive produtor da Rádio Escafandro. Que é sobre evangélico no esporte, porque que tantas pessoas no esporte seguem O Evangelho e falam muito de Deus e tal. Eu achei super legal o primeiro episódio que ele lançou e já tô ansioso pra ouvir os próximos. Um podcast tranquilo de ouvir, uma narração boa, uma investigação legal, entrevistas boas, sabe? Você sente que tem uma qualidade ali. É um podcast da Rádio Guarda-Chuva também, que é o grupo onde o Vida de Jornalista também tá, né? Que é um grupo de podcasts jornalísticos. E, então, assim, acabou de sair esse podcast e eu adorei. E beleza, acho que é isso, tem espaço pra quem quer fazer coisa nova. Eu acho que na universidade tem muita gente fazendo coisa muito boa, muito boa. Vira e mexe, eu pego um podcast assim de TCC que alguém manda: “Ah, você pode ouvir”. E eu vou ouvir, eu fico: caramba, assim, sabe? Coisas bem feitas, tecnicamente inclusive, não só na ideia. As ideias são geralmente muito boas, mas até tecnicamente assim muito bom. Então é isso. Eu acho que o mercado ele, claro vai ter a bolha, vai aumentar, vai diminuir, né? Isso é normal, as idas e vindas do mercado são normais, mas sempre tem espaço, eu acho pra quem quer produzir coisa boa em qualquer formato. [música] Lívia: Essa foi a nossa conversa com o Rodrigo. Eu espero que todo mundo tenha gostado e aprendido muito sobre a produção de podcasts narrativos e o formato de jornalismo em áudio. Mas, antes de terminar, a gente pediu pro Rodrigo dar alguns conselhos úteis pra quem está começando a trabalhar nessa área. Vamos ouvir quais foram os conselhos do Rodrigo. Rodrigo: Olha, eu acho que o primeiro conselho é fazer, porque às vezes a gente fica planejando muito. Olha eu aqui indo contra o planejamento, não é isso não. Eu acho que o planejamento é muito importante. Mas, às vezes a gente fica pensando muito em vez de começar a botar a mão na massa e é importante fazer, né? Hoje a gente tem ferramenta gratuita pra fazer. Você não precisa fazer investimento, comprar microfones. Dá pra começar com muito pouco. Então, colocar na praça pra você mesmo saber se tá legal, se não tá, acho que é importante. E, uma coisa que eu acho fundamental, que é uma dica talvez um pouco óbvia, né? Que é ouvir. Pra quem quer fazer podcast, assim, você tem que ouvir podcast e não necessariamente de assuntos que você gosta. Às vezes você vai ouvir um podcast só porque alguém comentou: “Você ouviu esse podcast aqui sobre esse tema? É legal”. Pô, mas eu não gosto muito desse tema. Mas vai lá, dá uma escutadinha, dez minutinhos. Não precisa ouvir o episódio inteiro. né? Ouve lá para ver como é que a pessoa faz. E ouvir com esse ouvido mais cuidadoso, de tentar prestar atenção no que que tá sendo feito ali e se você pode pegar referências, enfim. E pra tudo, né? Para como é que faz o roteiro, pra como é que é a fala da pessoa, como é que é a locução, se tá bem editado. Como é que é o uso da música? Como é que esse podcast aí tá usando música? Tá legal? Gostei? Ficou muito longo? No meu vai ser diferente. Pensar essas coisas, sabe? Então, fazer esse exercício de escuta, eu acho que é muito legal e botar a mão na massa e ir embora. Acho que tem muita coisa boa pra fazer. Não é ficar com esse medo de que no começo vai ser ruim. É, vai ser ruim. Vai ser ruim. Eu olho lá pros primeiros episódios do Vida de Jornalista, meu Deus do céu. Eu gostaria de tirar todos do ar. Eu não tiro porque eu amo as pessoas que estão lá, mas tecnicamente eu acho muito ruim. E é isso, gente. É isso. Depois a gente vai melhorando aos pouquinhos. Assim como daqui a cinco anos eu vou olhar pros episódios de hoje e talvez eu ache ruim também, sabe? Pô, faria diferente. Então, é normal, às vezes a gente fica muito inseguro. E por fim, um conselho que eu acho que vale pro jornalismo no geral, que é a gente não se cobrar tanto, sabe? Acho que a gente às vezes fica achando que a gente tem que trabalhar no nível máximo e fazer tudo perfeito e que tem que dar certo sempre e não vai dar certo sempre, vai ser frustrante de vez em quando e às vezes a gente vai ter que dar uma pisada no freio. Ó, vou dar uma parada aqui. Ah, mas eu tenho podcast, então tenho que produzir um episódio por semana. Calma, assim, se não der, dá uma freada de leve assim, dá uma respirada e daqui a pouco volta, porque a gente é meio que treinado a se cobrar demais. E aí a saúde mental vai pro espaço, aí a gente não cuida da gente. Então, é ir botar a mão na massa, mas devagar. Vamos ali com calma, que a coisa vai saindo, vai ser legal. Lívia: Legal. Bom, a gente queria agradecer imensamente a presença do Rodrigo aqui com a gente. Foi muito bom. Marcos: Foi uma aula particular. Super especial que a gente teve essa oportunidade de estar com o Rodrigo hoje. Rodrigo: Adorei, obrigado demais, gente, e parabéns pelo programa. Lívia: Obrigada, você. Marcos: Obrigado. [música] Lívia: Esse episódio foi gravado e editado por mim, Lívia Mendes e pelo Marcos Ferreira. A edição final foi feita pelo Daniel Rangel. A trilha sonora é da Biblioteca de Áudio do Youtube e a vinheta do  Oxigênio foi produzida pelo Elias Mendez. O Oxigênio conta com apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp. Você encontra a gente no site oxigenio.comciencia.br, no Instagram e no Facebook, basta procurar por Oxigênio Podcast.Lívia: Pra quem chegou até aqui, tomara que você tenha curtido ouvir nossa conversa com o Rodrigo Alves! Agora você pode ir lá na sua plataforma de áudio preferida e procurar pelos novos episódios dos programas Vida de Jornalista e Onde eu tava quando aquilo aconteceu. Deixa também um comentário pra gente, contando o que achou. Vamos adorar te ver por lá! Até mais e nos encontramos no próximo episódio. [vinheta de encerramento]

Uma palavra no seu caminho
IV Domingo da Páscoa - Homilia

Uma palavra no seu caminho

Play Episode Listen Later Apr 26, 2026 11:08


A primeira leitura continua o texto do domingo passado. Pedro, no dia de Pentecostes, dá testemunho de Cristo: quem Ele era, o que fizeram com Ele e como Deus O ressuscitou. Perante este anúncio, todos ficaram com o coração trespassado.Não se trata apenas de um coração ferido, mas de um coração atravessado por uma certeza nova, por uma ternura que envolve e transforma. Diante de Cristo ressuscitado, a pergunta nasce espontaneamente: «Que havemos de fazer?» Que consequência deve ter esta notícia imensa?Pedro responde: «Convertei-vos e receba cada um de vós o batismo.» Mas nós já fomos batizados. Por isso, a pergunta não é simplesmente o que devemos fazer para receber o batismo, mas como havemos de viver o batismo que recebemos. Ser batizado é tomar consciência de que Deus nos conhece, nos chama e nos ama.No Batismo, a primeira pergunta feita aos pais é: «Que nome dais ao vosso filho?» Este momento é decisivo. A partir do nome, reconhece-se que aquela pessoa não é uma massa anónima, nem um número, nem apenas parte de um grupo. É alguém único diante de Deus. Cada um de nós é chamado pelo seu nome e é importante para Deus.A segunda leitura mostra até onde vai esse amor: Cristo, insultado, não respondia com injúrias; maltratado, não ameaçava; entregava-se Àquele que julga com justiça. Em Jesus Cristo, Deus entrega-se totalmente por cada um de nós. Cada um de nós é olhado, amado e cuidado por Ele.O Evangelho apresenta isto com a imagem do Bom Pastor. O pastor era aquele que conhecia cada ovelha, sabia o que lhe fazia bem e o que lhe fazia mal, protegia-a dos perigos e a conduzia às melhores pastagens. O pastor cuidava do rebanho para que ele vivesse.Quando Jesus se apresenta como Bom Pastor, diz-nos que Deus não quer dominar-nos, esmagar-nos ou castigar-nos. Quer cuidar de nós, conduzir-nos à vida e fazer de nós pessoas livres, com vida em abundância.Hoje, celebramos também o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. A primeira vocação não é ser padre, diácono, religioso ou religiosa. A primeira vocação é o batismo. Tudo o resto nasce daí. Pelo batismo, somos chamados a participar na vida de Cristo e a tornar presente o cuidado do Bom Pastor.Talvez a nossa maior dificuldade seja imaginar a fé como um peso ou um sacrifício imposto para agradar a Deus. Há até aquele provérbio popular: «O que é bom ou é pecado ou faz mal.» Mas esta ideia, espiritualmente, é uma barbaridade. A proposta de Jesus não é uma ameaça à nossa humanidade; é a sua plenitude. Somos tanto mais humanos quanto mais seguimos Jesus Cristo.O cristianismo não nos diminui; dilata-nos. Não nos rouba a vida; devolve-nos a vida verdadeira. Quando sentimos necessidade de sentido, de paz ou de horizonte, procuramos respostas em técnicas de autoajuda, meditações rápidas ou soluções de ocasião. É como se tivéssemos a melhor farmácia diante de nós e procurássemos remédio numa farmácia improvisada.A proposta de Jesus Cristo não funciona segundo a lógica do mercado: eu dou tempo, dinheiro ou atenção, e recebo uma solução imediata. A lógica de Jesus é a liberdade responsável. Ele não diz apenas: «Faz isto e tudo ficará resolvido.» Ele diz-nos: «Segue-Me. Aprende de Mim. Faz como Eu faço.» E, à medida que O seguimos, a sua salvação começa a instalar-se em nós.Jesus conhece-nos pelo nome. Olha-nos com atenção total. E pede-nos que façamos o mesmo com os outros. Se somos discípulos do Bom Pastor, somos chamados a ser bons pastores: pessoas capazes de escutar, de cuidar, de tratar os outros pelo nome, de dar tempo, de criar relações verdadeiras, de conduzir para a vida.Neste Domingo do Bom Pastor, recordemos isto: Cristo é o Pastor que nos conhece e nos ama. Pelo batismo, participamos da sua vida. E participar da sua vida é participar da sua alegria, da sua plenitude e da sua vida em abundância.

BUN DA MIX SESSION
Batida Grincente

BUN DA MIX SESSION

Play Episode Listen Later Apr 23, 2026 2:11


LYRICS [INTRO - Climat sensuel] (Le beat commence très bas, une basse sourde) Hahnn... Hahnn... (Soupirs rythmés) Escuta... você sente isso? O grave tá chamando. Eu quero ver se você aguenta a batida. Chega mais perto... mais perto. [VERSO 1 - Provocação] O clima tá esquentando, eu não vou mentir. Com esse seu jeito, não dá pra fugir. Olha no meu olho, faz a pose agora. O mundo tá vendo, não joga fora. (Voz sussurrada) Hahnn... isso... [BUILD-UP - O Pedido] A batida tá subindo, o corpo tá pedindo. Eu quero sentir, eu tô insistindo. Olha pra câmera e diz o que quer... (Voz feminina clara) "Dá pra mim... me dá mais..." "Dá pra mim... me dá mais..." [DROP - O CHALLENGE EXPLOSIVO] VAI! (O beat quebra com tudo) Hahnn... (No kick) Hahnn... (No snare) Dá pra mim, me dá mais, não para nunca mais! Hahnn... (Kika!) Hahnn... (Trava!) [BREAK - Pose sexy] [REFRÃO REPETITIVO - Viral Mode] Dá pra mim, me dá mais pressão. Dá pra mim, no ritmo do tamborão. Desce devagar, sobe com vontade. Mostra pro Brasil a sua verdade. Hahnn... (Vai!) Hahnn... (Vem!) Como eu faço, ninguém faz igual a ninguém. [COUPLET 2 - Acting & Flow] Mão na nuca, desce até o chão. Faz aquela cara de provocação. O DJ acelerou, o coração bateu. Esse momento é seu, esse momento é meu. (Voz ofegante) Dá... dá... dá mais... [FINAL - OUTRO] Hahnn... Hahnn... Para. [BREAK FINAL - Silêncio total] Dá pra mim... (Sons de sifflet de Baile Funk pour finir) Tudo dominado. BAILE DANCE CHALLENGE Le moteur de vos prochains challenges. Plongez au cœur des favelas avec l'ultime collection de beats Baile Funk conçue exclusivement pour la nouvelle génération de danseurs. Que vous soyez adepte du Passinho, du Mandelão ou des chorégraphies explosives de TikTok, cet album est votre arsenal rythmique.

Pânico
Delegado Palumbo e Sabrina Palumbo

Pânico

Play Episode Listen Later Apr 17, 2026 123:02


O TERROR DO CRIME E A CHEFE DAS OPERAÇÕES CANINAS! O estúdio desta sexta (17) vai virar uma verdadeira delegacia de família! Delegado Palumbo, o deputado federal linha-dura que passou 20 anos na Polícia Civil batendo de frente com facção, e sua esposa, Sabrina Palumbo, professora da rede pública e linha de frente na proteção animal, são os convidados e entram em Pânico com a gente! Olha só a bomba que a gente vai desarmar: o que de fato tá rolando com essas prisões do MC Ryan e do Poze do Rodo? E será que é a Sabrina que manda o Palumbo invadir os lugares quando o assunto é resgatar bicho maltratado? Bora ver que o programa vai ter mais clima tenso que plantão policial na quebrada Higienópolis do Zuzu! Quem não vier, vai tomar mordida do cachorro... e do Morgado também!

Oxigênio
#217 – Daniela Arbex: entre páginas de livros e jornais

Oxigênio

Play Episode Listen Later Apr 16, 2026 28:02


Daniela Arbex é uma jornalista renomada por seus trabalhos cobrindo grandes tragédias da história brasileira, como o caso do Hospital Psiquiátrico de Barbacena, os incêndios da Boate Kiss e do Ninho do Urubu e o rompimento da barragem de Brumadinho. Em entrevista exclusiva para o Oxigênio, Arbex conta sobre seu processo de escrita, dos cuidados que tem ao tratar de temas tão sensíveis e de como podemos desenvolver outros olhares para produções jornalísticas. _____________________________________________________________________ ROTEIRO DANIELA: Eu acho que é sempre um chamamento para mim, tem que ser assim, porque é muito difícil você ficar tanto tempo dedicado a temas tão densos, se aquilo não fizer sentido para você ou você não tiver um comprometimento com aquela história. Então eu acho que para mim, inicialmente, o mais importante é que o que eu vá fazer, tenha relevância social e pública, isso é fundamental, porque existem grandes histórias, mas eu acho que esse caráter, esse viés da da de uma prestação de serviço é importante, e eu acho que os temas eles acabam nascendo para mim. MAYRA: Já imaginou como é escrever sobre temas como um holocausto num hospital psiquíatrico, o deslizamento de uma barragem de minério ou um incêndio que deixou centenas de pessoas mortas? A gente entrevistou a Daniela Arbex, autora de Holocausto Brasileiro, Arrastados e Todo dia a mesma noite, e ela contou um pouco sobre seu processo de escrita, falou do comprometimento necessário pra cobrir tragédias nacionais e das diferenças que sente entre a literatura e o jornalismo cotidiano.  DANIELA: Mas eu vivi uma um tempo de ouro do jornalismo nesse sentido, em que a gente acreditava que o que a gente fazia ia mudar as coisas e que realmente a gente conseguia efetivamente mudar. Então eu tenho matérias no jornal das quais eu me orgulho muito. E é claro que o livro ele te dá uma visibilidade maior, um tempo maior que você consiga se aprofundar naquele tema, a ponto daquele livro virar uma referência para uma determinada área do conhecimento. Mas eu também fazia isso no jornalismo.  MAYRA: Eu sou a Mayra Trinca, bióloga e comunicadora de ciência e você já deve me conhecer aqui do Oxigênio.  [VINHETA]  MAYRA: Vamos do começo…  DANIELA: Então, eu sou Daniela Arbex, jornalista, escritora e documentarista. Eu trabalhei 23 anos no jornal diário no interior de Minas Gerais, chamado Tribuna de Minas e atualmente eu trabalho com a literatura. MAYRA: Você provavelmente já ouviu falar na Daniela. Talvez já tenha lido alguma obra dela  MAYRA: Se não leu, eu recomendo!  MAYRA: A Daniela tem hoje seis livros publicados, o primeiro, Holocausto Brasileiro, foi e ainda é um grande sucesso de vendas no Brasil. Ele conta a história do Hospital Colônia de Barbacena, onde aconteceram mais de 60 mil mortes entre 1930 e 1980. A maioria dos livros tratam de episódios dolorosos da história brasileira, como o incêndio na Boate Kiss, em 2013 em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que deixou 242 pessoas mortas e mais de 600 feridas. Ou o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, em 2019, que levou 272 pessoas, além de deixar outras centenas desabrigadas e causar um impacto imensurável no Córrego do Feijão. Já sua obra mais recente conta sobre o incêndio que matou 10 meninos no alojamento do Flamengo, no Rio, também em 2019. E isso não é coincidência.  DANIELA: Eu falo que a literatura me ajudou a descobrir um dos papéis mais importantes do jornalismo que é a construção da memória coletiva do Brasil. MAYRA: Essa memória coletiva é um eterno lembrete. Eventos assim precisam ser constantemente lembrados e relembrados para tentarmos evitar que eles se repitam. Mas, como você bem pode imaginar, escrever sobre temas assim não é nenhuma tarefa fácil, envolve muito tempo se debruçando sobre dados, falando com pessoas que foram vítimas ou perderam entes queridos nas tragédias. Sem falar no peso da responsabilidade de retratar essas histórias.  DANIELA: Eu falo muito uma frase que virou um pouco de chavão, mas é muito real, que nem sempre a jornalista que escolhe as histórias que ele vai contar. Eu me sinto escolhida pelas histórias, porque são temas que me atravessaram e que se apresentaram para mim. Por isso que eu falo que um livro, ele tem que nascer para você. MAYRA: Pra escrever sobre temas tão densos, a gente precisa encontrar uma conexão com a história. Às vezes, a gente escolhe uma pauta, às vezes, ela se impõe de alguma maneira. De qualquer forma, pra Daniela, é função do jornalista mostrar a relevância daquele assunto.  DANIELA: Eu sempre defendi as histórias que eu queria contar, sempre. Seja no jornal, seja na na literatura. Por exemplo, falar de população carcerária, nossa, era quase um assunto tabu no jornal Não, por quê? Porque o nosso leitor é um leitor de classe média que não queria nem saber o que estava acontecendo dentro das cadeias brasileiras, entendeu? Então, assim, ah não não rende, não vende, mas é necessário.  MAYRA: A gente não tá querendo dizer aqui que isso é fácil. Ainda mais no dia a dia do jornal, que pode ter um ritmo de trabalho bem corrido.  DANIELA: Porque você tem um ritmo industrial ali para cumprir. E o jornal tem que tá na banca no dia seguinte, não tem essa: “Ah, esse tema não mexe tanto comigo quanto, né?”  MAYRA: Mas também é importante lembrar que a gente tem brechas. E aprender a usar essas brechas.  DANIELA: Então eu fazia, mas eu entendi muito cedo que se eu apresentasse as pautas que eu gostaria de cobrir, eu teria mais chance de estar fazendo coberturas que me interessassem mais e que eu achasse mais relevante. E aí eu comecei então a apresentar temas e apresentar pautas e aí não dá não dá tempo para os meus editores me pautarem. Porque eu já chegava com a pauta, com a ideia pronta e assim, e não não podia ser só uma ideia. Tinha que ser uma ideia com uma produção já feita, que se sustentasse, porque tinha que dali tinha que sair uma manchete do jornal. Então eu fazia o dever de casa. MAYRA: Claro que as realidades de cada jornal é muito diferente, mas a Daniela disse que sempre teve muita sorte na profissão.  DANIELA: Eu vou te dizer que eu tive a felicidade e eu sei que isso é muito raro de fazer muito mais coisas que eu gostaria do que de fazer alguma coisa que eu não gostasse ou que que não tivesse é dentro da minha zona de interesse, entendeu?  MAYRA: Na conversa que a gente teve, deu pra perceber que ela tem muito orgulho dos anos que passou trabalhando na Tribuna de Minas, com o jornalismo diário.  DANIELA: Eu trabalhava em pautas locais que eu acabava pela repercussão que essas matérias tinham, elas acabavam tendo repercussão nacional. A gente conseguiu fazer isso várias vezes, vezes em que nós tivemos matérias que levaram advogados para cadeia e que nós tivemos matéria em que a gente tirou pessoas inocentes da cadeia e que tiveram repercussão nacional. MAYRA: E boa parte disso tem a ver com o olhar que a Daniela sempre teve pras histórias que tava contando. Assim como ela disse lá no começo, pra ela, a realização no trabalho sempre teve muito a ver com esse olhar mais cuidadoso com as histórias e, principalmente, com as pessoas envolvidas. Eu perguntei pra ela se, mesmo no ritmo meio caótico do jornalismo, era possível ter esse cuidado e dedicação com as pautas que ela consegue ter hoje com os livros.  DANIELA: Dá para ter outro olhar mesmo no jornalismo diário. Eu falo muito sobre isso assim, que foi um casamento perfeito. Eu fui muito feliz no jornalismo diário, amava fazer o que eu fazia e eu não tinha muito tempo para pensar ou lamentar a falta de condição, a falta de espaço. Eu criava o espaço. Então assim, não foram muitas vezes, mas nós tivemos, por exemplo, matérias, séries que começaram com uma matéria de cinco páginas de jornal, que foi meu primeiro prêmio MS. A série Dossiê Santa Casa, a primeira matéria, nunca vamos esquecer, fevereiro de 2000, a gente ocupou cinco páginas do jornal, 10 horas da manhã, já não tinha mais nenhum jornal na banca, nenhum jornal na banca. É, eles já tinham se esgotado e foi assim um fenômeno. Então assim, claro, eu tive Quanto tempo eu tive para fazer? Eu tive três meses para fazer essa série, essa matéria, que começou com uma matéria e depois virou uma série de 50 matérias, né? É, mas dá para fazer. Dá para você virar também uma referência com esse tipo de trabalho. A gente conseguiu coisas incríveis com essa série. A gente conseguiu fazer um hospital, uma filantrópica que era muito importante para o sistema único de saúde não fechar, porque ela tava em vias de fechamento. MAYRA: E, apesar de hoje ela estar dedicada à literatura, inclusive com livro novo vindo aí, a Daniela disse que o tempo que passou trabalhando com o jornalismo diário foi fundamental pra aprender a contar essas histórias com outros olhares.  DANIELA: Então o que você tem que que pensar é como eu vou contar essa história e através de quem eu vou contar essa história. [sobe trilha] DANIELA: Eu acho que o que eu procuro, ao contar essas histórias, é sempre buscar e preservar a humanidade dos sujeitos, sempre. MAYRA: Antes da nossa entrevista, eu assisti uma palestra que a Daniela apresentou pros alunos aqui do Labjor. E o que mais me chamou atenção das falas dela foi justamente a atenção que ela procura dar pras vítimas da história que ela tá contando. Os livros dela tem um pouco esse diferencial, um protagonismo pras pessoas que a gente não vê em qualquer lugar. Lembra que ela disse que as histórias meio que surgem pra ela? Esse surgir não é uma coisa meio mágica, de que de repente vem uma ideia genial. Tem a ver justamente de um olhar atento pras histórias que tão ali meio despercebidas. Ela deu o exemplo do livro Cova 312 e como a pauta apareceu pra ela através de uma matéria falando sobre a abertura de requerimentos de vítimas da ditadura diante do Governo de Minas.  DANIELA: Por conta dessa matéria de jornal me interessei em contar as histórias de pessoas que foram torturadas no período e ao mergulhar nessas histórias, eu acabei entrando no coração de Linhares, que é a maior penitenciária, é uma das maiores penitenciárias políticas de Minas e descobrir que esse militante morreu lá dentro, foi o militante que integrou a primeira guerrilha contra a ditadura, que foi a guerrilha do Caparaó, mas o corpo dele tinha desaparecido. MAYRA: Ou a história do Arrastados, em que ela recebeu nas redes sociais um pedido de ajuda, da família de uma menina que estava desparecida depois do rompimento da barragem  DANIELA: E eu fiquei muito mexida quando eu vi a foto da Isabela, que era de uma menina muito jovem vestida de noiva. E eu falei: “Nossa, se um dia eu contar essa história, a primeira família que eu vou procurar vai ser a família da Isabela” MAYRA: Esse é o diferencial do modo de contar da Daniela. Ela não começa pelo acontecimento, pelo aspecto mais amplo. Mas pelas pessoas.  DANIELA: Então, todo mundo tem uma história para contar, de que maneira aquela pessoa que foi, que passou por uma tragédia, ela foi afetada por aquilo, mas quem é essa pessoa? Ela nasce no momento da tragédia, o nosso grande crime, entre aspas, tá, gente? Só pra gente entender. O nosso grande pecado enquanto jornalistas é reduzir aquela pessoa ao momento da tragédia. E ela é muito mais do que aquele momento. Ela já existia antes, ela tinha uma história, ela tinha sonhos. Então, quando você consegue enxergar esse sujeito e todas as complexidades da vida dele, eu acho que você consegue prestar um serviço de relevância e dar protagonismo para essas pessoas. Para mim eu quero gastar e usar meu tempo dando protagonismo para a vítima, que é tão silenciada, que já vive um apagamento social, que vive uma saga infinita para conseguir uma coisa que a gente ainda não conseguiu no Brasil, que é responsabilizar os autores de crimes.  MAYRA: Nesse ponto a gente consegue entender bem a ideia de memória coletiva que a Daniela citou lá no começo. Ao aprofundar nas pautas por uma perspectiva mais humanizadora, a gente consegue criar vínculos mais fortes com essas histórias e isso ajuda a mantê-las vivas. Essa forma de retratar as pessoas também é muito importante quando a gente fala de grupos vulnerabilizados. DANIELA: Ninguém quer falar de adolescente em conflito com a lei, né? Ainda mais uma sociedade que é super menorista, né? Que vem, que tem um ranço do código de menores e tal. E eu me lembro que a gente fez uma matéria, porque eles estavam acautelados irregularmente na cadeia pública junto com adultos. Isso era um crime. Olha, você não queira saber a repercussão dessa matéria, que era uma matéria que ninguém queria fazer, ninguém queria falar, todo mundo passava pano para aquilo, fazia vista grossa e o próprio jornal não se interessou muito, mas quando a gente foi contar a história desses adolescentes e mostrar que antes deles serem autores, eles foram vítimas, a gente conseguiu pela primeira vez fazer com que a população olhasse para esses adolescentes sem ódio, sem desejar que eles morressem. E foi um trabalho incrível. A gente conseguiu criar um centro de acautelamento para adolescentes, né? Que era um espaço próprio para que eles pudessem cumprir é a medida de privação de liberdade. Então, eu acho que o jornalismo é isso. Eu acho que ele tem esse poder, sabe? Tanto na literatura, quanto no jornal, no podcast. Ele Ele tem o poder da palavra. A palavra, ela é muito potente. MAYRA: Só que pra fazer isso, é preciso um trabalho muuito meticuloso e cuidadoso de investigação. Ela falou sobre isso comentando do novo livro que vem por aí.  DANIELA: Porque quando você reconstitui uma história de alguém, já tô eu dando spoiler aqui, você precisa, é, ter um nível de pesquisa que é o mesmo nível de pesquisa de uma uma grande denúncia, entendeu? Então, não existe algo que não vai ficar, é, é, que você não consiga colocar de pé ou que não tenha, é, profundidade suficiente para se tornar um grande livro. Isso é bobagem. É a sua pesquisa, a sua investigação, é o teu texto. É isso que vai transformar uma história que pode ser simples numa grande história. [sobe trilha] MAYRA: A gente quis saber como é esse processo de pesquisa e apuração pra Daniela.  DANIELA: Eu começo, é, procurando e priorizando quem me responde, quem tá interessado em falar. MAYRA: Parece meio óbvio, né, mas a gente precisa lembrar que estamos falando de temas bem sensíveis e que muitas pessoas estão ainda sofrendo com tragédias que mudaram completamente suas vidas. Nem todo mundo se sente à vontade pra conversar sobre. DANIELA: Você tem inúmeras famílias envolvidas naquilo e aí você começa a procurar pessoas e você vai investir naquelas que te deram retorno, que querem falar e depois você vai investir o seu tempo naquelas que não querem falar, mas cujo testemunho é fundamental e você vai tentar falar com essas pessoas. É quase um novelo que você vai puxando o fio no começo tá totalmente enrolado, ele você não acha a ponta. Depois você acha a ponta e você começa delicadamente a desenrolar esse novelo porque é complexo. E aí você vai vendo o seguinte, o que que eu já tenho de informação e o que que eu não tenho que eu preciso ter, porque eu não posso ter furo nessa minha pesquisa. No caso do Flamengo, do Ninho do Urubu, eu falei com todas as famílias, as 10. Consegui falar com as 10, porque não fazia sentido com o número de vítimas muito menor do que Brumadinho, eu falar com nove famílias com cinco. Não era justo, não era ético. As 10 tinham que falar. E tinha uma especificamente que até o final me deu um trabalho uma canseira, não queria falar e com muita resistência e até que eu cheguei no limite do tempo e falei: “Olha, tipo 8 meses depois, procurando por eles”, falei: “Olha, eu preciso fechar minhas entrevistas e vai ser muito ruim contar a história de nove meninos, porque são 10, mas se vocês não falarem, eu vou contar de nove, infelizmente. MAYRA: E aí, não podemos negar, né, tá uma grande diferença no ritmo de trabalho. Lembra que a Daniela falou de uma grande reportagem pro jornal, que ela teve três meses pra escrever? Isso é um tempo gigante pro jornalismo diário. Já pros livros, ela consegue ter mais tempo pra fazer esse tipo de investigação.  DANIELA: Então assim, eu fiz primeiro as famílias, depois eu fui fazer todo o trabalho de de ouvir o Ministério Público, depois eu fui fazer o trabalho de ouvir a Polícia Civil que tinha feito uma investigação inicial, para tentar entender qual era a linha de raciocínio que a Polícia Civil fez, depois a gente foi falar com o judiciário, depois a gente começou uma pesquisa que envolvia a prefeitura de Olha quantas camadas. Então, assim, na verdade, é tanta gente envolvida que você tem que tentar abraçar tudo. Às vezes, você não vai conseguir falar com todo mundo. Então, eu tentei, por exemplo, fazer entrevistas presenciais com a prefeitura eh do Rio, que tinha concedido eh eh tinha dado inúmeras oportunidades para o Flamengo, multou, multou, multou e não tomou uma medida mais eficiente. Chegou a interditar no papel o centro de treinamento, mas não na prática, o centro de treinamento continuou funcionando. Eu tinha que entender porque que eles foram tão omissos, né? A gente não conseguiu. A prefeitura não falou. E eu vou deixar de dizer que a prefeitura foi omissa, eu tinha documentos que mostravam isso.  MAYRA: Mesmo com mais tempo, nunca dá pra cobrir tudo nos mínimos detalhes. Seja porque algumas partes envolvidas não querem participar, como a prefeitura do Rio, seja porque ainda há um limite de tempo ou de recursos.  DANIELA: por exemplo, em Brumadinho, eu não tive braço para entrevistar a população ribeirinha que foi afetada pela contaminação do Rio Paraopeba, que era uma uma frente importante, mas você também precisa fazer algumas escolhas, porque senão você vai falar de tudo e não vai falar de nada. Você tem que falar de alguma coisa com profundidade. Então qual foi a minha escolha narrativa no caso de Brumadinho? Eu quero falar com qualidade, é, e com competência do resgate que foi feito, do trabalho do IML e aí eu me concentrei naquilo.  MAYRA: Pode ter um limite de habilidade também, o jornalismo tem uma série de especializações e mesmo o trabalho de escrita de um livro às vezes precisa ser colaborativo.  DANIELA: No, no Arrastados, por exemplo, eu tive que fazer um, um recorte econômico que era sobre as ações da Vale, quantas ações da Vale aumentaram naquele, no ano em que morreram 270, 272 pessoas e eu não tenho qualificação para isso, eu não entendo nada de ação e tal. A gente contratou alguém que sabia fazer isso e que fez com maestria, que é o Marcelo Soares. E tá tudo certo. Então, assim, a gente não tem que dar conta de tudo. A gente tem que ter um recorte possível para contar uma história. MAYRA: Essa fala da Daniela dá uma dimensão da quantidade de dados e informações que ela precisa lidar em cada livro. Ela contou que tem pilhas e pilhas de arquivos com as transcrições das entrevistas e toda a apuração de cada caso. E que ainda guarda tudo isso em casa.  DANIELA: Eu acho que uma coisa que eu levei do jornalismo para literatura, que foi fundamental, foi a questão então da disciplina, no processo de escrita, de você ter que se organizar diante de múltiplas informações, assim, de que por onde eu vou começar. Então eu fazia já isso no jornalismo diário, claro, precariamente, porque eu não tinha muito tempo, mas de que que que eu vou abordar nessa matéria, na matéria principal, na minha retranca, é, o desdobramento, daí eu vou fazer o que nesse desdobramento? Então eu passei a fazer isso na literatura, um esqueleto, a partir de toda quando a minha apuração tá pronta, para eu, a partir desse esqueleto, pensar o que que eu quero contar nessa história, como é que eu vou abrir a minha história, nesse o primeiro capítulo eu vou trazer o quê, o segundo, o terceiro. Esse esqueleto é fundamental para você conseguir fazer um livro, porque fazer um livro não é sentar diante do computador e começar a escrever achando que você vai igual eh eh escritor americano em frente à praia, olhando pro mar e que aquilo vai brotar, não brota não.  MAYRA: Foi graças a essa organização que ela conseguiu visualizar como ia contar a história de Arrastados, por exemplo.  DANIELA: Depois que a minha apuração ficou pronta, eu percebi que eu tinha as 96 horas pós-rompimento quase que em tempo real. Então eu falei: “Eu vou contar a história por aqui”.  MAYRA: Há uma certa discussão no mundo do jornalismo se o jornalismo literário é ou não jornalismo. Mas, ouvindo a Daniela, pra mim dá pra perceber que as práticas, os modos de fazer, são basicamente os mesmos. A gente pode mudar a forma de apresentar, tentar reconstruir a história de uma forma que a entrega dela pro público ganhe novos aspectos, mas ainda é um serviço de informar, e de informar bem.  DANIELA: O que eu acho que eu não posso perder enquanto jornalista é o meu foco é no compromisso de entregar um conteúdo de qualidade.  [sobe trilha] DANIELA: Expectativa zero quando eu lancei. Eu não conhecia o mercado editorial. Aliás, foi assim, é até uma ingenuidade da minha parte, sabe? Quando a gente lançou o Holocausto, porque eu não sabia nada do mercado e não tinha expectativa nenhuma. Eu simplesmente queria que esse livro fosse publicado, porque eu entendia que era um tema muito muito grandioso para ficar restrito a uma série de jornal.  MAYRA: Eu quis saber, durante a entrevista, o que mudou na forma de escrever da Daniela quando ela passou do jornalismo diário para os livros.  DANIELA: No jornal você precisa no lide, né, que para quem não sabe, a abertura da matéria, responder todas as perguntas numa única frase, né? Como, quando, onde, porquê e tal. É, e aí você tem que entregar tudo ali para que, que aquela pessoa se interesse em continuar lendo. No livro não, você não tem a obrigação de responder nada, muito pelo contrário, você pode começar colocando 1.000 dúvidas no leitor, ele te dá essa oportunidade, você tem tempo para trabalhar esse texto. É diferente, totalmente diferente um texto literário de um texto jornalístico. MAYRA: A Daniela contou que, conforme ela foi se aprofundando na escrita literária, ela começou a se preocupar mais com estratégias que fariam o leitor chegar até o final do livro.  DANIELA: Então, você tem que apresentar alguma coisa que vá surpreender o leitor. O Cova 312, é minha preocupação, será que o leitor vai gostar? Era que ele virasse a página e aí isso é muito assustador, muito mesmo, porque você fica querendo repetir aqueles números que foram extraordinários. MAYRA: Especialmente porque o primeiro livro, o Holocausto Brasileiro, foi um grande sucesso de vendas e é até hoje uma das obras mais populares dela.  DANIELA: E isso gerou muitas questões. Assim, uma cobrança imensa, tanto minha quanto do público, quanto da própria editora que me publicou pela primeira vez, de que o outro livro repetisse sucesso do Holocausto. Isso não aconteceu. E aí foi uma outra lição, do tipo, nem todo livro vai fazer o mesmo sucesso do Holocausto e tá tudo bem, porque o Holocausto é um ponto fora da curva. O Cova não foi esse sucesso imenso de vendas que foi o o Holocausto, mas ele ganhou o prêmio Jabuti. Ele é uma referência, ele mudou um capítulo da ditadura brasileira. Então, assim, do que que a gente tá falando? A gente tá falando de números de dinheiro, a gente tá falando de uma repercussão social, humana, de uma pesquisa, de uma documentação que virou pesquisa histórica, entendeu? MAYRA: Mais uma vez, a gente pode tocar aqui no ponto da memória. Ainda que um livro não bata um recorde de vendas, ele ainda tem uma função muito importante de abrigar uma informação do tempo. De manter ela ali, disponível e bem detalhada, pra quem precisar dela.  DANIELA: Eu fiz um evento numa livraria aqui em Campinas e na plateia tava uma uma resgatista do Samu, uma médica. E ela disse assim: “todo mundo que é resgatista tinha que ler o Arrastados”. Então assim, é isso, é você fazer uma pesquisa que ela vire uma referência para uma área.  MAYRA: A gente também precisa entender que cada livro é um livro, e tem muitos fatores que influenciam no sucesso. O momento político e econômico, a cultura da leitura, o tema do livro…  DANIELA: Se ele vai acontecer, se ele vai explodir, se ele vai vender muito, se ele não vai, isso não não diz mais respeito a mim. Entendeu? Vai além do trabalho do autor, sabe?  MAYRA: E mudar um pouco essa perspectiva também ajuda a ter um outro olhar pro texto, a entender que dá pra testar coisas diferentes com a escrita e aprimorar mesmo essa técnica.  DANIELA: O que a literatura me deu foi, é, tempo para amadurecer esse texto, para criar eu não gosto dessa palavra técnica não, mas para encontrar meios e formas de fazer com que aquela história é que o leitor siga virando a página, porque se você entregar tudo no primeiro capítulo, essa pessoa não vai continuar lendo aquele livro, por melhor que seja o livro, então você tem que costurar as histórias. E isso é bem complexo e a literatura me deu tempo para aprender a fazer isso, né? DANIELA: Isso também é muito gostoso, porque escrever é sofrimento, né? Não tem jeito. É muito sofrimento, mas também ao mesmo tempo que é sofrimento é muito prazeroso. Quando você consegue fazer uma narrativa que faça com que a pessoa consiga visualizar o que ela tá lendo, imaginar o que ela tá lendo, cheirar o que ela tá lendo, é isso é realmente é muito poderoso. Então eu acho que a literatura me deu essa chance de aprender a fazer, e tô aprendendo até hoje, né? [sobe trilha]  MAYRA: Esse episódio foi produzido por mim, Mayra Trinca, com ajuda do meu amigo Rafael Revadam, que também já fez parte da equipe aqui do Oxigênio. O roteiro e a edição, são meus. A vinheta do Oxigênio é do Elias Mendez. A trilha sonora é do BlueDotSessions, e os créditos estão no roteiro do episódio. O Oxigênio é apoiado pela Secretária Executiva de Comunicação da Unicamp e coordenado pela Simone Pallone.  MAYRA: Obrigada por ouvir e até o próximo episódio!  [VINHETA FIM] Músicas:  Lo Margin The Gran Dias  

Radio Vostok
Horiz’ondes 2025, émission 5 : One piece, au delà des pages

Radio Vostok

Play Episode Listen Later Apr 16, 2026


Embarquez dans l'univers de Luffy afin de comprendre pourquoi ce phénomène mondial séduit autant de générations. Levez l'ancre et faîtes voile direction « One Piece » en compagnie de vos capitaines de bord Guillermo et Mayli, de leur équipage Livia, Valériia et Olha, enfin de nos spécialistes de la culture japonaise: Coralie […] The post Horiz'ondes 2025, émission 5 : One piece, au delà des pages first appeared on Radio Vostok.

Cinemax
"Romaria", "Caso 137", "Tabacaria", "Olha"

Cinemax

Play Episode Listen Later Apr 2, 2026 46:58


Com Carla Simón, Dominik Moll, São José Correira, Nuno AmorimSee omnystudio.com/listener for privacy information.

caso olha dominik moll tabacaria
Chutando a Escada
Ecologia da mente e extrema-direita

Chutando a Escada

Play Episode Listen Later Mar 26, 2026 70:01


O que há em comum entre uma bateria antiaérea da Segunda Guerra Mundial, os algoritmos do WhatsApp e o bolsonarismo? Para Letícia Cesarino, professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina, a resposta está na cibernética. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Letícia para discutir seu artigo recém-publicado na revista Current Anthropology: “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil“, no qual ela aplica o quadro teórico da ecologia da mente, desenvolvido pelo antropólogo Gregory Bateson, para reler o bolsonarismo como um sistema tecnopolítico. No bloco de notícias, David traz dois termômetros da extrema-direita global: os resultados das eleições municipais na França, que revelam o avanço territorial do Rassemblement National a despeito de um teto de vidro nas grandes cidades, e as eleições húngaras de abril, onde Peter Magyar desafia 15 anos de governo Orbán. E ainda tem, no último bloco, dica cultural. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Letícia Cesarino (UFSC), David Magalhães e Guilherme Casarões Capa do episódio: Agência Brasil (CC BY 3.0 BR) Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Capítulos: 00:00 — Abertura 00:02 — Entrevista: ecologia da mente, cibernética e extrema-direita digital 00:32 — Bolsonarismo, populismo e públicos digitais artificiais 00:45 — Radicalização, a lacuna online-offline e os limites da etnografia 00:57 — Boletim: França — eleições municipais e o Rassemblement National 01:03 — Boletim: Hungria — Orbán e Peter Magyar às vésperas das eleições de abril 01:08 — Dica cultural: Feels Good Man (Amazon Prime, 2020) Citados no episódio CESARINO, Letícia. “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil”. Current Anthropology, 2026. BATESON, Gregory. Steps to an Ecology of Mind. Chandler, 1972. GALISON, Peter. “The Ontology of the Enemy: Norbert Wiener and the Cybernetic Vision”. Critical Inquiry, v. 21, n. 1, 1994. WIENER, Norbert. Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine. MIT Press, 1948. MASSUMI, Brian. Ontopower: War, Powers, and the State of Perception. Duke University Press, 2015. SIMONDON, Gilbert. L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information. Jérôme Millon, 2005. LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 1986. EASTON, David. A Systems Analysis of Political Life. Wiley, 1965. Documentário Feels Good Man. Direção: Arthur Jones. EUA, 2020. Disponível na Amazon Prime. Chute 391 — Transcrição Parceria Chutando a Escada e Observatório da Extrema Direita Publicado em 26 de março de 2026 Abertura David Magalhães: Olá, pessoal! Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio da parceria entre o Chutando a Escada e o Observatório da Extrema Direita — o primeiro episódio de 2026. A partir de agora, nos encontramos sempre na última semana de cada mês com episódios dedicados a discutir a extrema-direita em suas dimensões globais, teóricas e também reagindo ao calor dos acontecimentos. Para quem já acompanha o podcast, vale lembrar que nosso programa segue dividido em três blocos. No primeiro, trazemos uma entrevista mais aprofundada com pesquisadores e pesquisadoras que estão na linha de frente desse debate. Depois, passamos para um boletim com as análises das principais notícias envolvendo a extrema-direita global. E, para fechar, uma dica cultural sempre conectada com o universo do extremismo de direita — pode ser um livro, um filme, uma série, uma produção musical. Peço que você fique conosco até o fim, porque a dica deste episódio está completamente relacionada com o tema da nossa entrevista. Vamos lá. Entrevista — Letícia Cesarino David Magalhães: Estou aqui com o meu amigo Guilherme Casarões para receber a nossa convidada deste episódio, que é a Letícia Cesarino. A Letícia é professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina e também uma das novas integrantes do Observatório da Extrema Direita. Aproveitamos para dar as boas-vindas — é um prazer ter você conosco, não só no episódio, mas também no Observatório. Nos últimos cinco anos, a Letícia desenvolveu uma pesquisa bastante aprofundada e relevante sobre antropologia digital, extrema-direita e redes sociais. E, mais recentemente, ela acaba de publicar — acabou de sair do forno — um artigo bastante interessante e instigante na revista Current Anthropology. O artigo se intitula “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil” — algo como uma abordagem da ecologia da mente aplicada aos públicos de extrema-direita no Brasil. A ideia deste episódio é discutir esse novo artigo. Letícia, você mobiliza um quadro teórico bastante sofisticado, especialmente ao trazer a ideia de ecologia da mente — ecology of mind —, que vem do trabalho de Gregory Bateson, um antropólogo e linguista britânico importante do século XX. Confesso que não o conhecia; encontrei o livro dele em PDF na internet e li um pouco para me inteirar de como você adota e aplica esse quadro teórico para discutir redes sociais e extrema-direita brasileira. Fiquei bastante interessado no uso do termo “cibernético”, porque para ouvidos contemporâneos ele remete imediatamente ao universo digital, de redes e internet. Mas as principais obras de Bateson são publicadas logo após a Segunda Guerra, nos anos 1960 e 1970 — embora ele tenha iniciado seu desenvolvimento nos anos 1930 —, e ele não estava falando exatamente de internet. Isso me gerou dúvidas. Antes de falarmos da aplicação propriamente dita, você poderia nos explicar um pouco sobre essa abordagem e esse quadro teórico? Bateson propõe tudo isso muito antes da chamada terceira revolução industrial. Letícia Cesarino: Oi, David, Casarões. É um grande prazer estar aqui com vocês no podcast e também no Observatório da Extrema Direita como um todo. Obrigada pelo convite. Acho que esse artigo é um bom gancho para trabalharmos questões da minha abordagem mais específica para a extrema-direita, porque, diferente de muitos que trabalham nesse campo, eu não venho dos estudos da política. Sou uma antropóloga cuja área de origem é a antropologia da ciência e tecnologia — sempre foi assim, desde a graduação —, e nos últimos anos fui transitando para essas questões das mediações digitais, das plataformas e da cibernética. O meu olhar para a extrema-direita é, portanto, um olhar tecnopolítico. O meu interesse é entender essa dimensão relativamente pouco trabalhada nas ciências sociais: o papel das máquinas, o papel da técnica, o papel das infraestruturas técnicas na conformação dessa força política e, mais especificamente no caso desse artigo, dos ecossistemas digitais de extrema-direita. A ecologia da mente e o Bateson — nos últimos anos consolidei em torno da obra dele um arcabouço que remeto também a outros autores da antropologia e da área dos estudos de mídia e tecnopolítica, para desenvolver uma perspectiva que veja agência humana e maquínica juntas, de forma recursiva. E aí a cibernética — podemos começar por ela, esclarecendo o termo. O termo remete a computadores, o que faz sentido, porque a cibernética clássica dos anos 1940, a de Norbert Wiener, o matemático estadunidense que inventou o termo, também deu origem à indústria de tecnologia que temos hoje. Existe, portanto, uma continuidade entre o que chamamos de cibernética hoje e o que era a cibernética como superciência da comunicação e do controle, tanto nos sistemas maquínicos como nos sistemas animais, incluindo o humano. Gregory Bateson fez parte do grupo original das chamadas Conferências Macy, nos anos 1940. Mas depois da Segunda Guerra houve uma bifurcação: uma linha foi trabalhar o que chamo de cibernética das máquinas — Norbert Wiener, Von Neumann, todos os nomes precursores da indústria de tecnologia, da construção dos computadores, da inteligência artificial —, enquanto Bateson foi trabalhar a questão da cibernética dentro de uma chave mais próxima da teoria da evolução e da história natural, o que chamo de cibernética da vida. Ele tem um arcabouço que inclui a cibernética das máquinas, os princípios comuns do funcionamento de máquinas cibernéticas, humanos e animais, mas vai além, trazendo as camadas extras que o humano coloca na relação com a máquina. Nesse sentido, a ecologia da mente inclui a cibernética, mas é maior. É a partir desse ponto de vista que tenho olhado para a participação de máquinas cibernéticas — que, no fundo, hoje são basicamente algoritmos, e a evolução dos algoritmos são as inteligências artificiais — e como elas influem e participam em processos que entendemos como políticos, mas que, na verdade, são tecnopolíticos, porque têm cada vez mais a participação de agências não humanas, agências maquínicas. Guilherme Casarões: Letícia, eu também ficava intrigado com essa terminologia cibernética. Lembro que na faculdade, na aula de sociologia, tive contato com David Easton, que aplicava a cibernética aos sistemas políticos e aos sistemas humanos em geral. Sempre achei curioso que não tivesse a ver com computador — essa foi a maneira como sempre encaramos o termo. Mas toda teoria de sistemas convida a um tipo de abordagem cibernética, com essa linguagem muito interessante de inputs e outputs, de como os sistemas funcionam. Trazer isso de volta à discussão é fundamental. E você argumenta no seu texto que a infraestrutura das redes sociais carrega uma espécie de ontologia do inimigo, herdada dessa cibernética militar da Segunda Guerra Mundial. Como essa visão do ser humano como um servomecanismo — um animal a ser controlado por algoritmos — cria uma afinidade eletiva com a lógica da guerra e a desumanização do outro praticadas pela extrema-direita? Letícia Cesarino: Ótima pergunta. É um bom gancho para colocarmos mais camadas na questão da cibernética. O que tentaram fazer nos anos 1940 — e é importante notar que a cibernética nasce do esforço de guerra, do esforço de guerra dos americanos entrando na Segunda Guerra contra o nazifascismo; a primeira conferência foi em 1946, se não me engano — era produzir conhecimento básico, porque a cibernética é uma ciência que explicaria formas comuns de funcionamento de máquinas cibernéticas, de animais e de humanos. O que têm em comum entre o funcionamento desses sistemas? A cibernética gira em torno da ideia não só de input e output, mas principalmente do feedback — quando o output volta para o sistema como input. O coração da cibernética é essa questão da recursividade, ou causalidade circular, que é uma característica de qualquer organismo vivo e também de máquinas construídas à imagem e semelhança desses organismos, ou seja, máquinas que tomam decisões sozinhas. Essa é, para mim, a principal definição de máquina cibernética, porque os algoritmos fazem isso. Mas muito antes da indústria de tecnologia, outras máquinas já faziam isso — como a própria máquina a vapor de James Watt, que é a base do que Marx, no uso grundrissiano, chama de automata. Ele já identificou no século XIX que havia máquinas sendo incorporadas nas infraestruturas do trabalho que tomavam decisões sozinhas — ainda muito rudimentares, mas a ideia de que as máquinas começam a dar o ritmo do trabalho humano já estava colocada desde o século XIX. A cibernética dos anos 1940 traz para o centro essa questão da guerra, que é quando houve um pico na produção dessas máquinas antes da indústria de tecnologia propriamente dita. Peter Galison — um dos grandes historiadores da ciência, físico de formação — tem um artigo no qual trabalha a ontologia da cibernética de Wiener a partir do contexto de guerra. Ele vai elaborar o que seria essa ontologia do inimigo de guerra a partir da cibernética. Ele faz uma progressão que vale a pena resgatar brevemente aqui. Quando você está numa conjuntura de guerra — uma conjuntura de exceção, isso é importante —, você precisa desumanizar seu inimigo, porque assim vai torná-lo eliminável. Em modelos de guerra anteriores, até a Primeira Guerra, quando você tinha que confrontar seu inimigo no corpo a corpo com uma baioneta ou uma arma de fogo de curto alcance, a forma de desumanização era através de analogias com animais, com monstros. Galison trabalha, por exemplo, cartas de soldados americanos que representam os japoneses através de analogias com ratos, com vermes. Essa é uma forma de desumanização. A segunda forma seria a da Segunda Guerra, que compartilha com a cibernética essa ideia do servomecanismo — um híbrido de humano-máquina. Quando Norbert Wiener começou a desenvolver a cibernética para produzir artilharia antiaérea — máquinas que conseguissem calcular sozinhas a trajetória do caça inimigo para atirar antes de o avião chegar, e o projétil encontrar o alvo no meio da trajetória —, o que o servomecanismo significa? Por que essa imagem do inimigo desumaniza? Porque não interessa quem está dirigindo aquele avião. O que interessa é como aquele avião se comporta — e um comportamento que possa ser previsto e controlado. É um tipo de desumanização cibernética. E podemos pensar também em outras formas de desumanização que evoluem com a guerra, como essa guerra de videogame que temos hoje, onde o inimigo não é sequer visto — é quase como algo da fantasia dos videogames. Isso sempre acompanha a guerra. A cibernética é uma boa epistemologia para entender contextos de exceção, conjunturas de guerra, conjunturas de crise que não se superam, porque são conjunturas de grande instabilidade, de não linearidade, com essa tendência à bifurcação do corpo social. Essas são ferramentas melhores para esse tipo de conjuntura do que muitas das ferramentas clássicas das ciências sociais — Durkheim, por exemplo, desenvolveu ferramentas em sua maioria para contextos de estabilidade, de paz, onde o social está mais estruturado, mais previsível e regido por normas. Num contexto de exceção, de crise e de guerra, o social muda de modo de funcionamento. Uma das hipóteses do meu próximo livro é a de que o social de guerra, de exceção e de crise, funciona em outra dinâmica, e que a cibernética tem boas ferramentas para entender isso, inclusive as formas de desumanização que tendem a se proliferar nesses contextos. David Magalhães: Excelente. Acho que é um bom gancho para avançarmos para a parte do seu texto em que você enquadra todo esse arcabouço para compreender a extrema-direita em ambiente digital. As principais linhas interpretativas preocupadas em compreender a ascensão dessa onda ultradireitista global olham para a questão ideológica, para eleitores frustrados, para a relação desses eleitores com a globalização e com a crise da democracia liberal. Mas você propõe algo diferente: observar esse fenômeno como um grande organismo cibernético, um sistema no qual humanos — lideranças, influenciadores, seguidores — e máquinas — algoritmos do WhatsApp, do Telegram, de redes sociais — operam de maneira integrada, como parte de um ecossistema. O que ganhamos analiticamente ao fazer esse deslocamento? Letícia Cesarino: São muitas camadas. Uma das coisas que acho importante — sempre começo palestras com isso — é a questão do ciborgue. O que é o ciborgue? É um híbrido de humano-máquina, outra forma de falar no servomecanismo. Mas temos essa imagem fantasiosa do ciborgue que vem da ficção científica, a de que seria um indivíduo com partes de sua função fisiológica — alimentação, respiração — suplementadas por máquina. O Robocop seria o tipo ideal disso. O ciborgue da vida real, porém, não se parece em nada com o Robocop. O ciborgue da vida real somos nós. É qualquer um que acorda e a primeira coisa que faz é pegar o celular — para olhar o WhatsApp ou para desligar o alarme — e fica nessa relação de dependência com aquela máquina o dia inteiro, para questões de memória e de tomada de decisão. Por que isso acontece? Porque o Homo sapiens é uma espécie extremamente técnica — uma questão antropológica. Sobrevivemos como espécie, enquanto todos os outros hominíneos foram extintos, pela questão da técnica, da cultura. Precisamos ser suplementados. Como espécie biológica, precisamos ser suplementados o tempo todo pela cultura e pela técnica. Isso não significa que outros animais não tenham técnica — vários mamíferos têm, pássaros também. Mas para o sapiens, isso é existencial. Como Bateson diz, a mente não termina na pele; a mente humana é estendida para o seu ambiente. A unidade de análise da ecologia da mente nunca é o indivíduo sozinho — tentamos delimitar qual é o circuito relevante, e esse circuito de feedbacks é sempre maior que o indivíduo. Pode ser uma família, como no caso dos cães e de uma matilha; pode ser uma comunidade, algum território existencial qualquer. E o nosso território existencial hoje passa necessariamente por essas tecnologias. Os algoritmos, as máquinas, a agência maquínica fazem parte desse território existencial. Isso é um preâmbulo para chegar ao argumento que também faço em vários textos — inclusive nesse —: de que a extrema-direita, se a gente for transposto para a política, é uma força política nativa digital, pelo menos essa extrema-direita que conhecemos hoje. O nazifascismo histórico tem muita participação de mídia, embora isso não seja suficientemente notado. Há muitos estudos históricos que mostram o papel do rádio na capilarização do Terceiro Reich, para conformar esse grande território existencial imaginado e como isso atraiu os alemães comuns em torno daquele projeto. De certa forma, algo similar — similar, mas muito diferente também — está sendo recolocado hoje com relação à nova infraestrutura técnica midiática que são as plataformas digitais. Evito usar a palavra “mídia” porque quando falamos em mídia pensamos em máquinas específicas — televisão, rádio —, mas plataformas não são exatamente mídias. Elas se sobrepõem a todo tipo de infraestrutura técnica, não apenas midiática. Com a plataformização — uma tendência relativamente recente; a internet era muito diferente antes de 2010 — e com os smartphones, que foram um verdadeiro game changer, as primeiras áreas cujos efeitos foram sentidos foram a política eleitoral e a área da saúde. Mesmo antes da pandemia, pesquisadores já identificavam como o autocuidado começou a passar rapidamente por essas infraestruturas, com o “doutor Google”. Para não me estender, vou colocar os dois pontos principais que desenvolvo no artigo, porque são mais ontológicos: como essas máquinas mudam a própria relação espaço-temporal dos nossos sistemas sociotécnicos. O que os algoritmos fazem? Eles hiperaceleram — e esse é, para mim, o ponto central. Quando você hiperaccelera, desestabiliza a relação da mente humana com o seu ambiente. Fica aquele fluxo constante de eventos ao qual você tem que responder o tempo todo, e cognitivamente isso é lido como uma situação de crise, do ponto de vista da ecologia da mente — não só para o humano, para qualquer espécie. Quando há uma instabilidade muito grande do ambiente, isso tende a reverter para o modo crise. É o que Wendy Chun chama de situação de crise permanente que as plataformas jogam nos nossos sistemas sociotécnicos. Isso é, obviamente, uma base fértil para a instrumentalização por forças de extrema-direita. Um outro ponto que os algoritmos introduzem, relacionado à hiperaceleração — que seria uma dimensão mais temporal —, é uma dimensão mais espacial de bifurcação. Algoritmos programados para segmentar públicos, porque essa é a lógica do modelo de negócios da economia da atenção, acabam gerando — não sozinhos, mas na interação com os usuários humanos, porque a recursividade do humano-máquina vai para os dois lados — um efeito sistêmico não de segmentação pura e simples, mas de bifurcação. É aí que entra o código amigo-inimigo, a polarização, a sismogênese — todos esses processos de antagonismo extremo, o que chamo de “mundo do avesso”: um lado é o extremo oposto do outro, numa dinâmica de guerra em que só um pode prevalecer, porque o outro é visto como uma ameaça existencial. No ecossistema de extrema-direita, ele vai desde um polo mais moderado — Tarcísio, digamos — até um polo mais radicalizado — o pessoal do 8 de janeiro, o “tio França” que se explodiu na frente do STF. O que é a extrema-direita? Um lado? O outro? Agentes específicos? Discursos específicos? Não. Do ponto de vista da ecologia da mente, a extrema-direita é toda essa ecologia, todo esse ecossistema que cobre todo esse espectro e que inclui a agência maquínica como um dos seus principais motores. Primeiro porque ela desestabiliza o mundo real, com a hiperaceleração e todos esses processos. Mas ao mesmo tempo ela direciona — é como um rio que tem uma corrente que vai para um lado, e os agentes da extrema-direita são aqueles que nadam a favor da correnteza, porque as plataformas são um ambiente; elas não são variáveis. Elas mudam o ambiente no qual fazemos política. E esse ambiente tem vieses técnicos intrinsecamente favoráveis a uma força política como a extrema-direita. Por isso não é que eles estejam mais espertos ou inteligentes — é que a forma como fazem política converge com a lógica das redes de maneira subliminar, intrínseca. Como o Casarões disse, há uma certa afinidade eletiva com a lógica das plataformas. Mas essa afinidade não é aleatória — por isso foi importante voltarmos à cibernética dos anos 1940, ao esforço de guerra, à artilharia antiaérea. O próprio DNA dessa indústria de tecnologia se originou da guerra e nunca saiu da chave de guerra. Depois da Segunda Guerra, a cibernética se tornou parte da Guerra Fria, com a mesma lógica do controle indireto — fazer o inimigo fazer o que você quer que ele faça indiretamente —, que é essa ideia cibernética do controle numa chave sempre não linear, sempre recíproca. É o que o Trump exatamente tenta fazer agora, em outra versão. Houve um breve interregno onde se tornou uma indústria civil, nos anos 1980 e 1990, mas a lógica algorítmica, a lógica cibernética, continuou sendo a da guerra — só que agora, em vez de controlar o inimigo, você vai controlar o usuário, para fazê-lo clicar num anúncio e vender a atenção daquele usuário para os anunciantes. Há também uma convergência, especialmente durante a Guerra Fria, entre a lógica de guerra indireta, a lógica da propaganda e a indústria de publicidade que temos hoje. Não foi a publicidade que originou a propaganda política — foi a propaganda política que veio primeiro e depois se tornou uma indústria civil, que é o coração da lógica da economia da atenção. Mesmo essas plataformas que se colocavam como liberais sempre tiveram um DNA mais próximo da lógica de guerra, propaganda e controle indireto do que de algo parecido com democracia. Era, de certa forma, um pouco inevitável que as coisas se desenrolassem como estão se desenrolando, porque já estavam previstas na própria ontogênese dessa indústria — como Simondon chamaria —, uma ontogênese ligada à guerra, ao controle e à desumanização. As plataformas, os algoritmos, não nos veem como humanos. É exatamente a mesma coisa do caça com o piloto dirigindo: a máquina é incapaz de ver interioridade, incapaz de ver subjetividade. Ela só nos interpela no nível do controle, da previsão de comportamento. A política está se tornando isso — retroalimentando-se com os discursos da extrema-direita que ativam o senso comum na direção da regeneração, que é a lógica do fascismo histórico: seria possível vencer essa crise, resetar o sistema e construir o estereótipo de um inimigo que precisa ser derrotado para que a crise permanente seja superada. No fim das contas, é uma mistificação de processos reais e de problemas reais, numa linguagem nacionalista e nativista. Guilherme Casarões: Letícia, um outro conceito com que você trabalha no texto e na sua obra é o de populismo. Uma das passagens que mais me chamaram a atenção — e que acho fascinante — é que essa abordagem ecológica de Bateson ganha muita relevância frente ao populismo contemporâneo, justamente porque esse populismo se ampara em públicos que, como você diz no texto, são parcialmente artificiais. A passagem, para quem quiser ler depois, está na página 2 do texto: “os públicos que são produzidos por essa dinâmica são resultados transindividuais de uma agência que é humana e não humana, na medida em que os algoritmos coemergem permanentemente por meio de ciclos cibernéticos”. Essa questão da artificialidade do público é muito central para entender tanto a dinâmica amigo-inimigo quanto a maneira pela qual o populismo contemporâneo consegue controlar a construção narrativa e a mobilização de seu público. Queria ir mais especificamente para o caso que você estuda no texto, que é o bolsonarismo. Seu texto descreve o bolsonarismo não só como uma ideologia, mas como uma dinâmica mutante que oscila entre a moderação e a radicalização. Você traz o conceito de indecidibilidade rítmica — essa coisa de ir e voltar — e eu queria que você explicasse como o bolsonarismo, a partir dessa chave analítica, alterna entre o institucional e o antiestructural, e como isso permitiu ao ex-presidente Bolsonaro manter o sistema político num estado de antagonismo permanente sem chegar a uma ruptura total — o que só vai acontecer em 2023. Letícia Cesarino: O que tentei fazer nesse texto é reler parte do governo Bolsonaro até as eleições de 2022 a partir dessa lógica cibernética — ou seja, como ele performou uma dinâmica cibernética que é essa tecnopolítica moldada pelas máquinas. Casarões, você trouxe a questão do populismo, e acho que são etapas. Desde 2013 até 2018, temos essa invasão muito forte e muito rápida da agência técnica dessas mídias e desses dispositivos dentro da política — um movimento mais tectônico, de desestabilização. E aí essas figuras aparecendo mais ou menos ao mesmo tempo: Modi, Trump, Bolsonaro, Duterte, Orbán — é aí que o conceito de populismo realmente faz mais sentido, nesse sentido dessa irrupção de uma política antiliberal, com uma norma mais afetiva, mais espontânea. É a política da exceção. E que, novamente, bate com a estrutura das plataformas, porque as plataformas também são políticas de exceção e de multidão. É importante termos isso em mente. A citação que você trouxe mostra como as plataformas fazem um tipo de prestidigitação: colocam uma coisa na interface, então o usuário tem a impressão de que é livre, de que é um indivíduo, enquanto o que está acontecendo atrás da tela é que esse indivíduo está sendo desagregado e reagregado com fragmentos de outros usuários em grandes multidões digitais. Ele não tem liberdade — ao contrário, está tendo seu comportamento indiretamente controlado, no sentido cibernético, pelos algoritmos. E esse social de multidão é o social de crise. Quem está imerso nesses ambientes está se colocando num modo crise — e a extrema-direita é a força política que mais combina com esse tipo de ambiente. Sem crise eles não são nada. Se você tirar a crise, a atmosfera de ameaça de que o Brasil vai acabar, eles não têm nada. Por isso não têm programa político: são uma força política na e da crise e da exceção. Daí esse paradoxo de como uma tecnopolítica de crise, de exceção e de guerra se rotiniza como um governo — que foi exatamente o paradoxo do governo Bolsonaro. E ainda teve a pandemia, que adicionou uma camada enorme de crise a isso. Ciberneticamente, faz muito sentido esse vai e vem — os ciclos de feedback positivo e negativo. O feedback positivo é o que acelera o viés que você já está; o negativo coloca um freio. Bolsonaro, enquanto governante, não podia ficar só no runaway, só no feedback positivo, porque o feedback positivo sozinho eventualmente leva a um colapso — tanto nos organismos vivos como nas máquinas. O que ele e o Trump fazem é colocar estrategicamente esses freios, esses recuos: avanço e recuo, feedback positivo e negativo. Tentei mostrar no artigo como isso se deu durante o governo e como esse processo perde o controle na eleição de 2022, redundando eventualmente no 8 de janeiro. O governo Bolsonaro não construiu nada — estava destruindo coisas, que é o que a extrema-direita faz — mas dosando até onde poderia ir na relação com os outros agentes: o Congresso Nacional, o público. E o público passou a ser medido através das redes sociais — pelas métricas das mídias digitais — e cada vez mais por pesquisas de opinião, que são outra forma de feedback que coteja com as mídias sociais. Bolsonaro foi assim sentindo, de forma propriamente recursiva, lidando com um ambiente de causalidades circulares, crises, etc. A linearidade só é possível em contextos de estabilidade e paz — e é exatamente o que o Trump está fazendo hoje. Agora, uma virada acontece, e aí é muito importante a questão do método. Esse artigo é baseado em pesquisa de métodos mistos, onde a abordagem qualitativa antropológica foi composta com uma abordagem computacional de grandes quantidades de dados, com os meus parceiros da Universidade da Bahia, do LabHD, onde fazíamos o mapeamento em tempo real dos públicos do Telegram. Foi muito interessante ver como, em meados de 2021, o comportamento desse ecossistema transindividual — que chamamos de públicos refratados, os públicos da extrema-direita — mudou. O comportamento pandêmico, ativado pela pandemia, e inclusive as teorias da conspiração começaram a diminuir. Isso foi bem na época da questão do voto impresso. Quando o voto impresso é enterrado, um conspiracionismo eleitoral começa a subir e se estabilizar. Por quê? As condenações do Lula tinham sido definitivamente canceladas, e eles, na mentalidade de guerra deles, já previam: “Está vindo um golpe que vai impedir o Bolsonaro de ganhar as eleições de 2022.” Isso mais de um ano antes da eleição. Já entraram no modo de contra-golpe. Que é outra característica desse social de crise — o que Brian Massumi, também batesoniano, chama de preempção: você passa a agir antecipando a ação do seu inimigo. É muito como a lógica da Guerra Fria entre os dois blocos. Por isso a extrema-direita está sempre reagindo — isso é uma característica muito consistente, inclusive dos ecossistemas misóginos, que estão sempre reagindo à suposta provocação ou traição da mulher. O bolsonarismo entrou nesse modo preemptivo, com a certeza de que haveria um golpe contra ele. Na cabeça deles, dessa grande mente transindividual controlada pelo Bolsonaro, o golpe deles era um contra-golpe: seria dado um golpe no Bolsonaro, e o que estavam fazendo seria a resposta. Quando você vê tudo o que fizeram ao longo desse tempo com esse olhar, tudo faz sentido — e o Bolsonaro, como depois ficou demonstrado, de fato estava tentando articular esse contra-golpe. Nas eleições de 2022, estavam nessa dinâmica de avanço e recuo, não deixando o sistema escalar demais, a temperatura subir demais, enquanto conspiravam. Quando ele finalmente desiste, vê que não ganhou a eleição — isso se arrasta por algumas semanas —, e quando realmente percebem que os comandantes das três forças não vão entrar, que o golpe não vai acontecer, Bolsonaro fica em silêncio. Ciberneticamente, isso foi muito importante, porque era ele que fazia a regulação cibernética entre a camada moderada e a camada radicalizada. Ele não deixava as coisas escalar. Era um agente de radicalização, mas também de moderação. Quando ele se retira, a coisa escala — e foi justamente o 8 de janeiro. Olha que interessante: quando aquela multidão invadiu o Congresso, o que aconteceu? Ficaram esperando para ver o que ia acontecer, porque confiavam no plano — só que o plano já tinha dado errado e eles não sabiam disso. Tem esse componente de um mundo de fantasia criado dentro das comunidades radicalizadas — o Bateson ajuda a entender isso, porque ele tem uma teoria cibernética da fantasia e do jogo. Foi aquele choque de realidade. Não houve mais regulação, não houve mais feedback negativo, a coisa escalou, a temperatura subiu — e é onde o artigo termina, fazendo essa releitura cibernética e ecológica dos eventos do segundo governo Bolsonaro e das eleições de 2022. David Magalhães: Ótimo, Letícia. Encaminhando para o fechamento: no finzinho do artigo você faz uma ressalva que achei bastante importante, ao apontar que a ecologia da mente é extremamente poderosa para entender essas dinâmicas sistêmicas mais amplas, mas que também tem limites — especialmente quando tentamos compreender a totalidade da vida cotidiana do sujeito. É justamente aí que você coloca a necessidade de retornar à etnografia tradicional, à etnografia offline. Queria te ouvir sobre esse desafio metodológico. Como a antropologia pode costurar essas duas pontes — de um lado, a visão de um sistema cibernético amplo no qual os indivíduos parecem agir quase como parte de um circuito, de maneira relativamente previsível; de outro, as trajetórias de vida, as experiências subjetivas, as dores concretas que não desaparecem. Como não reduzir essas pessoas a meros nós de rede? Letícia Cesarino: Ótima pergunta, porque é realmente um desafio metodológico. No caso da ecologia da mente, você nunca pode fechar só no indivíduo. Mas é possível — e é o que estou fazendo no livro novo — pensar como o indivíduo enquanto sistema, porque todo organismo individual é um sistema cibernético, com outras camadas além dele, mas ele próprio é uma camada de individuação bastante importante. Ele pode estar dividido entre dois territórios existenciais — e é um pouco como estou tentando trabalhar a questão da radicalização no livro novo. O online oferece um tipo de território existencial onde a persona online do sujeito está com interações específicas. É isso que gera o elemento de fantasia nas comunidades extremistas: no online é possível cultivar uma realidade e um tipo de estereotipação do inimigo, toda a questão da desinformação, que não é possível fazer no offline. Por isso o que aconteceu depois da invasão ao Congresso e ao STF: a realidade bateu. Eles achavam que a realidade era o que era cultivado na mente transindividual do online — e isso não bateu com o que estava acontecendo offline. Com a internet, não é mais preciso se deslocar fisicamente para se radicalizar. Você pode viver sua vida normalmente e, em parte do seu circuito, se radicalizar só no online. São muito esses casos que abordarei no próximo livro: adolescentes e jovens que estão no quarto jogando videogame, vivendo normalmente na escola, e estão fazendo coisas indescritíveis na internet — que você só vai descobrir quando a polícia bater na porta. Etnografar a radicalização é muito difícil, porque é um processo — você precisa acompanhar a pessoa desde o início, quando não estava radicalizada. É praticamente impossível, a não ser que alguém muito próximo passe por isso. Mas existem autorrelatos. Tenho trabalhado muito com o caso dos neonazistas, onde já há na Europa e nos Estados Unidos um repertório grande de testemunhos e autobiografias de pessoas que saíram dessas comunidades extremistas. No jihadismo também há bastante material; os manifestos de atiradores em escolas, por exemplo, muitas vezes trazem essa visão subjetiva da radicalização. Há um outro ponto que descobri e que não estava na pesquisa anterior: o que alguns estudos de radicalização chamam de reduplicação. Isso vem de um estudo histórico de Robert Lifton sobre médicos nazistas — como eles dividiam a personalidade. Quando estavam em Auschwitz, eram um tipo de pessoa; quando estavam em casa, com a família, eram completamente diferentes. Era uma reduplicação da personalidade em duas, como forma de resolver dissonâncias e contradições. O médico conseguia desumanizar as pessoas que selecionava para morrer em Auschwitz, enquanto em casa humanizava os seus. Algo assim parece acontecer também no nível da mente individual através da lacuna online–offline: as pessoas inconscientemente encontram formas de dividir a sua mente entre esses dois mundos, de forma que não precisem romper com familiares, amigos ou colegas de trabalho por razões políticas. Esse efeito da lacuna online–offline deve ser estudado — não é só uma questão metodológica, é a questão de qual é o efeito dessa própria separação, que é inédita: são as primeiras tecnologias que possibilitam essa divisão em ambientes existenciais separados, ainda que em relação recursiva. Isso pode ser um indutor de radicalização. Sabe aquele meme dos cachorros latindo no portão? Quando o portão abre, cada um vai para um lado. O humano tem um pouco disso: fica mais agressivo, fala coisas e faz coisas quando não está cara a cara com a pessoa — coisas que não faria no presencial. Isso é muito característico da extrema-direita: estão latindo, agressivos, no comportamento de ameaça, e quando a Polícia Federal bate na porta, revertem ao comportamento de autopiedade e vitimização — que é o que o Bolsonaro está fazendo agora na cadeia. Bateson trabalha isso muito bem, não só no humano, mas em outros mamíferos. A ecologia da mente, pegando inclusive insights de outros mamíferos — como o Bateson faz —, nos ajudaria a reincorporar o elemento biológico-evolutivo nas nossas explicações. E aqui chego a um ponto que acho muito importante: a extrema-direita tem todo um repertório do darwinismo social e da psicologia evolutiva para dizer que a forma como ela vê o humano é a forma real, a forma biológica, a forma natural. São leituras completamente erradas e enviesadas, mas para o senso comum são muito intuitivas. A questão de gênero, por exemplo: a ideia de que o homem é para um papel e a mulher para outro não tem apoio em estudos sérios de outras espécies ou da nossa. A antropologia, porém, abandonou esse campo — tornou-se etnografia, estudo da cultura, abandonou a natureza e a biologia, por razões relacionadas à história e à política interna da disciplina. Um dos meus objetivos é recuperar esse espaço de autoridade científica para falar do humano, do que é natural no humano, a partir de abordagens como a do Bateson — que é uma teoria da evolução que inclui a cultura — para competir também nesse campo da naturalização do comportamento humano. Eu diria que é talvez o campo mais persuasivo dos discursos da extrema-direita, porque a esquerda e as ciências sociais ficam só na desconstrução e no culturalismo, enquanto eles estão falando daquilo que é espontâneo, natural, atemporal. É assim que o fascismo mira, e precisamos competir nessa ordem de discurso, reivindicando uma abordagem científica mais universalista — um outro tipo de universalismo, não o positivista. A ecologia da mente é uma das principais vias que vejo para isso. No contexto desse artigo, foi também um subtexto: o artigo foi parte de um dossiê financiado pela Fundação Wenner-Gren, a maior fundação de antropologia dos Estados Unidos, e queria passar essa mensagem para os meus colegas antropólogos — a gente pode falar de universais humanos de uma forma mais refinada e rica, e competir com a extrema-direita nesse campo de discurso. Guilherme Casarões: Letícia Cesarino — incrível, tanto no pessoal quanto no profissional. E agora descobrimos, o que não deveria ser exatamente uma surpresa, que você é especialista em memes. Foi de longe uma das conversas mais eruditas que tivemos aqui, não só na colaboração com o OED, mas de todas as entrevistas que já fiz. Uma densidade impressionante, transmitida de forma didática. Tenho certeza de que os nossos ouvintes vão adorar esse papo. Quem está acompanhando, fiquem por aí — ainda temos a segunda parte da conversa, com o boletim de notícias e a dica cultural. Boletim — Giro de Notícias David Magalhães: Vamos ao nosso boletim com duas notícias envolvendo a ultradireita. França No próximo ano teremos eleições nacionais na França, que serão importantíssimas tanto para a Europa quanto para o futuro da direita radical no mundo. No dia 22 de março, domingo, ocorreu o segundo turno das eleições municipais francesas, que costuma ser um termômetro importante para medir o crescimento e a capilaridade da direita radical francesa, representada aqui pelo Rassemblement National. O resultado dessas eleições foi bastante ambíguo. O Rassemblement National, partido de Marine Le Pen e da estrela em ascensão Jordan Bardella, não conseguiu vencer em grandes cidades estratégicas — como Marselha e Toulon —, onde havia uma expectativa de vitória da direita radical. Por outro lado, o partido avançou de forma importante em outro nível: consolidou uma presença territorial, especialmente no sudeste e no nordeste do país, conquistando dezenas de prefeituras e ampliando de maneira bastante significativa sua base local. Hoje, de acordo com matéria do Le Monde de 23 de março, o Rassemblement National passa a governar aproximadamente 70 municípios e conta com cerca de 3 mil representantes locais — uma quantidade bastante considerável. Outro ponto central é um certo teto de vidro que tem impedido a vitória do RN em grandes cidades. Esses centros urbanos mais ricos, mais jovens e com maior nível educacional têm sido um desafio para a expansão da direita radical. Por outro lado, há um crescimento muito forte em áreas periféricas, regiões pós-industriais e comunas menores, geralmente marcadas por uma sensação de abandono e por um acúmulo de ressentimento — o que alguns autores chamam de left behinds, os que foram deixados para trás —, sentimento que a direita radical populista costuma explorar. Quero destacar ainda um fator que pode ser preocupante olhando para as eleições nacionais de 2027: não houve, ou houve em pouquíssimas cidades, a chamada frente republicana — também chamada de cordão sanitário. O cordão sanitário é o conjunto de alianças tradicionais de partidos com compromissos democráticos para barrar a direita radical no segundo turno das eleições. A quase inexistência desse cordão fez com que o RN conquistasse cidades onde, em eleições anteriores, havia sido bloqueado. No final das contas, essas eleições não deram o resultado que o RN esperava — um grande impulso nacional —, mas consolidaram uma base territorial sólida. Isso coloca uma questão relevante olhando para 2027: seria esse enraizamento local suficiente para sustentar uma vitória nas eleições presidenciais? Seguiremos acompanhando o caso da França. Hungria Passamos para a Hungria — continuamos falando de eleições, já que os húngaros vão às urnas em abril para decidir se encerram os 15 anos de governo de Viktor Orbán. No domingo, 15 de março, os dois principais atores políticos do país — Viktor Orbán, do Partido Fidesz, e o oposicionista Peter Magyar, do partido Tisza — realizaram grandes manifestações em Budapeste no Dia Nacional Húngaro. Mais do que uma comemoração histórica, os eventos funcionaram como um teste de força às vésperas das eleições de abril. Os dois lados reivindicaram vitória em termos de mobilização — como já vimos aqui no Brasil. O governo afirmou que foi uma das maiores marchas já realizadas no país, enquanto a oposição chegou a afirmar que reuniu meio milhão de pessoas. Ainda que sejam números exagerados, as estimativas independentes indicam que o Tisza, de Magyar, levou mais gente às ruas do que o Fidesz de Orbán, o que sinalizaria um possível avanço da oposição no campo urbano. Essas manifestações têm algo interessante: acontecem dentro de um calendário nacional, e foi possível observar uma disputa não só eleitoral, mas simbólica. Ambos os lados tentavam se apropriar da memória da Revolução de 1848. Orbán engendrou uma narrativa que associa o passado à luta contra o domínio estrangeiro, ao globalismo, à ingerência da União Europeia e à ameaça da guerra na Ucrânia. A oposição liderada por Peter Magyar utiliza os mesmos símbolos nacionais, mas com outros significados: para eles, a defesa da liberdade hoje se traduz em manter a Hungria dentro da União Europeia e vinculada à OTAN, além de restaurar o funcionamento das instituições democráticas do Estado húngaro — bastante prejudicadas nos anos de Orbán. As pesquisas de intenção de voto desde julho do ano passado mostram um quadro relativamente estável, com uma diferença de aproximadamente 10% em favor da oposição. É preciso ter cautela com essas pesquisas, no entanto, porque em 2011 Orbán fez uma importante reforma eleitoral que dá mais peso aos distritos rurais, geralmente mais conservadores. Além disso, ele concedeu cidadania a húngaros que vivem na Eslováquia, na Romênia e na Sérvia, uma população que tende a votar no governo. E há também uma mobilização ideológica mais incandescente da direita radical húngara, que pode fazer diferença nas urnas. Fato é que nenhum dos lados parece acreditar numa vitória esmagadora. Já se discute a possibilidade de alianças — o partido Jobbik, na Hungria, pode ser crucial para a formação de uma maioria no parlamento. No nosso episódio de abril, iremos repercutir o resultado dessa eleição. Dica Cultural David Magalhães: A nossa recomendação cultural deste episódio tem tudo a ver com a conversa que tivemos no primeiro bloco com a Letícia Cesarino. Se você se interessou pelo debate sobre internet, cultura digital, extrema-direita e disputa de narrativas, vale muito a pena assistir o documentário Feels Good Man, disponível na Amazon Prime. O documentário é de 2020, mas chegou recentemente a essa plataforma. O filme conta a história do Pepe the Frog, personagem criado pelo cartunista Matt Furie nos anos 2000. Originalmente era um sapo tranquilo, good vibes, que circulava numa tirinha independente. Com o tempo, porém, esse personagem foi sendo apropriado na internet — primeiro como meme, depois ganhando formas cada vez mais distorcidas, até virar um símbolo associado ao alt-right e a outros grupos de extrema-direita. O documentário é bastante interessante porque não trata isso como uma mera curiosidade da internet. Ele mostra como esse processo revela algo mais profundo: como essas comunidades online — fóruns, antigamente o 4chan, hoje um ecossistema bem mais complexo — funcionam como verdadeiros laboratórios de produção cultural e política, com uma lógica quase darwiniana de disputa por atenção, em que os conteúdos mais chocantes e extremos ganham mais visibilidade, com toda uma engenharia algorítmica por trás. O filme também acompanha o próprio criador do Pepe, que se vê completamente impotente diante da transformação da sua obra. E esse é um ponto central: na era da internet, a circulação de imagens e memes escapa completamente ao controle original — pode ser capturada e ressignificada por distintos atores políticos. O documentário tem um aspecto que dialoga diretamente com o que conversamos com a Letícia Cesarino: esses grupos utilizam o humor, a ironia, a ambiguidade e as trollagens para disseminar ideias racistas, misóginas e xenófobas, muitas vezes sob a aparência de brincadeira. Isso cria uma zona cinzenta que dificulta a crítica e, ao mesmo tempo, aumenta o alcance dessas mensagens de ódio. Feels Good Man nos ajuda a entender essa cultura digital e como ela se relaciona com a extrema-direita — e dialoga perfeitamente com os temas que trouxemos na entrevista do primeiro bloco. Até a próxima. The post Ecologia da mente e extrema-direita appeared first on Chutando a Escada.

#DNACAST
O Trabalho Devolve - 20 de Março

#DNACAST

Play Episode Listen Later Mar 20, 2026 2:37


Chame a Laila e descubra como eu posso te ajudar:https://bit.ly/laila-otrabalhodevolveSe você tivesse 15 minutos por dia, o que mudaria na sua vida?

Medo e Delírio em Brasília
II – 2026.13 – A reforma trabalhista do Milei

Medo e Delírio em Brasília

Play Episode Listen Later Feb 28, 2026 67:28


Olha o tamanho da merda! Curso da Gabriela Biló “Fazer Foto” no seiva.com.br. CUPOM: “DELIRIO10”! Livro “Querido Professor Ivanovic”, de Alessandro Mendonça, da Insígnia Editorial! Festa do Medo e Delírio em BH na Autentica. Ingressos no sympla! O post II – 2026.13 – A reforma trabalhista do Milei apareceu primeiro em Central 3.

Medo e Delírio em Brasília
II – 2026.13 – A reforma trabalhista do Milei

Medo e Delírio em Brasília

Play Episode Listen Later Feb 28, 2026 67:28


Olha o tamanho da merda! Curso da Gabriela Biló “Fazer Foto” no seiva.com.br. CUPOM: “DELIRIO10”! Livro “Querido Professor Ivanovic”, de Alessandro Mendonça, da Insígnia Editorial! Festa do Medo e Delírio em BH na Autentica. Ingressos no sympla! O post II – 2026.13 – A reforma trabalhista do Milei apareceu primeiro em Central 3.

Notícias Agrícolas - Podcasts
Tensão no Irã movimenta mercado do petróleo, que também olha para OPEP+

Notícias Agrícolas - Podcasts

Play Episode Listen Later Feb 25, 2026 16:59


Organização decidirá política de oferta , com previsão de manutenção de elevação na produção

Segurança Legal
#411 – Crianças na Internet, IA, vigilância e proteção de dados

Segurança Legal

Play Episode Listen Later Feb 24, 2026 49:58


Neste episódio falamos sobre os principais temas de segurança digital e privacidade das últimas semanas, abordando assuntos que você precisa conhecer para entender o cenário atual da proteção de dados, segurança infantil online e inteligência artificial. Você vai descobrir como o Roblox e o Discord lidam com a verificação de idade e proteção de crianças na internet, incluindo os riscos de predadores digitais, mecanismos psicológicos de retenção e a ausência de controles parentais eficazes. Também abordamos o polêmico caso do Grok no X (antigo Twitter) gerando imagens de nudez de mulheres e menores de idade sem guardrails, e as medidas tomadas pela ANPD, Ministério Público Federal e Senacon contra a plataforma. Discutimos o acordo de adequação mútua entre Brasil e União Europeia em proteção de dados pessoais e o que isso representa para transferências internacionais de dados e oportunidades comerciais. Ainda comentamos a solicitação do FBI à Microsoft pelas chaves de criptografia BitLocker, a ação judicial contra a Meta por suposto acesso às mensagens criptografadas do WhatsApp, o fenômeno das personas digitais criadas por IA, como a “Aboriginal Steve Irwin”, e os deepfakes com celebridades. Por fim, apresentamos a WhisperSafe, novo patrocinador do podcast, um software de transcrição local com privacidade em foco, usando modelos Whisper da OpenAI sem envio de dados para a nuvem. Assine o podcast para não perder nenhum episódio, deixe sua avaliação nas plataformas e siga o Segurança Legal no Instagram, Mastodon, Blue Sky, YouTube e TikTok. Apoie o projeto independente em apoia.se/segurancalegal. Esta descrição foi realizada a partir do áudio do podcast com o uso de IA, com revisão humana. Acesse WhisperSafe – Transcreva áudio e grave reuniões direto no seu computador, mesmo offline. Rápido, leve e pronto para usar com qualquer IA. Use o cupom SEGLEG50 para 50% de desconto na sua assinatura. ShowNotes Grupo 1 – Roblox, crianças e proteção digital em plataformas de jogos ‘Estou sendo atacado por crianças’, diz Felca após ser alvo de protesto no Roblox Opinião: feito para viciar, Roblox tem lógica de cassino e vira caça-níquel para crianças Palcos no Discord serão bloqueados para adolescentes e restritos para grupos da mesma idade Hackers expose age-verification software powering surveillance web ‘O que adolescentes fizeram com cão Orelha acontece todas as noites em muitas casas do Brasil, ao vivo no Discord’, alerta juíza Vanessa Cavalieri Internal chats show how social media companies discussed teen engagement Como vão funcionar as novas regras do Discord para verificar idade no app? Grupo 2 – Grok, conteúdo sexual gerado por IA e responsabilização do X/Musk ANPD, MPF e Senacon recomendam que X impeça geração e circulação de conteúdos sexualizados indevidos por meio do Grok ANPD, MPF e Senacon determinam que X implemente de forma imediata medidas para corrigir falhas no Grok Masterful gambit: Musk attempts to monetize Grok’s wave of sexual abuse imagery Joint statement on AI-generated imagery and the protection of privacy Grupo 3 – Adequação mútua Brasil-UE em proteção de dados e multas na UE Brasil e União Europeia reconhecem adequação mútua em matéria de proteção de dados pessoais Violation de données : sanction de 5 millions d'euros à l'encontre de FRANCE TRAVAIL Violation de données : sanction de 42 millions d'euros à l'encontre des sociétés FREE MOBILE et FREE Más sanciones y de mayor importe: La AEPD sube el nivel de multas en 2025 Grupo 4 – Vigilância, privacidade e Estado The Department of Homeland Security is demanding that Google turn over information about random critics Microsoft is giving the FBI BitLocker keys US authorities reportedly investigate claims that Meta can read encrypted WhatsApp messages Grupo 5 – IA generativa e identidade ‘It’s AI blackface’: social media account hailed as the Aboriginal Steve Irwin is an AI character created in New Zealan Imagem do Episódio – Children’s Games (Bruegel)  Transcrição do Episódio (00:00:08.000 –> 00:00:17.500) Bem-vindos e bem-vindas ao Café Segurança Legal, episódio 411, gravado em 24 de fevereiro de 2026. (00:00:17.500 –> 00:00:22.920) Eu sou Guilherme Goulart e junto com o Vinícius Serafim vamos trazer para vocês algumas notícias das últimas semanas. (00:00:22.920 –> 00:00:24.440) E aí, Vinícius, tudo bem? (00:00:24.440 –> 00:00:27.940) Olá, Guilherme, tudo bem? (00:00:24.440 –> 00:00:27.940) Olá aos nossos ouvintes. (00:00:28.180 –> 00:00:30.600) Você estava com saudade de gravar ou não? (00:00:30.600 –> 00:00:39.160) Cara, eu já estava até duvidando da minha capacidade de gravar de novo, porque a gente passou quase.. (00:00:30.600 –> 00:00:39.160) Vai fechar dois.. (00:00:39.160 –> 00:00:40.820) Um mês e pouco. (00:00:40.820 –> 00:00:45.280) O último foi ali em janeiro, não foi? (00:00:45.280 –> 00:00:46.720) Foi em janeiro que a gente gravou. (00:00:46.720 –> 00:00:51.000) Agora você me pegou, você me pegou no contrapé. (00:00:51.000 –> 00:00:57.820) Mas nós gravamos o episódio 410 da Retrospectiva, que se você não ouviu, está lá no dia 6 de janeiro. (00:00:58.180 –> 00:01:02.100) De 2026. (00:00:58.180 –> 00:01:02.100) Retrospectiva 2025. (00:01:03.780 –> 00:01:07.380) Bem, então, esse é o nosso momento de conversarmos sobre algumas notícias. (00:01:07.380 –> 00:01:10.240) Pegue o seu café e venha conosco para entrar em contato. (00:01:10.240 –> 00:01:18.760) Vocês já sabem, é lá no podcast.roba.segurançalegal.com, no Mastodon, no Instagram, no Blue Sky, no YouTube e no TikTok também. (00:01:18.760 –> 00:01:24.520) Você pode ver que tanto no TikTok quanto no YouTube você consegue ver também uns shorts lá que aparecem no Instagram também. (00:01:24.900 –> 00:01:30.420) A nossa campanha de financiamento coletivo, vocês já sabem, lá no apoia.se barra segurança legal. (00:01:30.420 –> 00:01:36.940) A gente sempre pede que você considere colaborar com esse projeto independente de proteção de conteúdo. (00:01:36.940 –> 00:01:41.960) E, Vinícius, temos uma novidade que é um novo patrocinador aqui no Segurança Legal. (00:01:42.500 –> 00:01:43.520) É isso aí, Guilherme. (00:01:43.520 –> 00:01:54.360) Tem a WhisperSafe, na verdade, o produto da WhisperSafe de uma startup que nós conhecemos, inclusive o dono da startup. (00:01:54.360 –> 00:02:04.360) É um software para transcrição de voz com um valor bastante acessível comparado com outros que tem no mercado. (00:02:05.420 –> 00:02:08.640) Ele faz transcrição tanto.. (00:02:08.640 –> 00:02:13.760) Eu tenho usado muito para fazer, para mandar comandos para IA. (00:02:13.760 –> 00:02:17.060) Eu fazia prompt tudo estruturadinho, digitando e tal. (00:02:17.060 –> 00:02:26.200) Agora, para programar, para criar scripts, criar alguns programas, para fazer alguns testes, eu tenho utilizado essencialmente ele para digitar. (00:02:26.200 –> 00:02:34.080) E tem uma funcionalidade muito interessante, que é a gravação e transcrição de reuniões, que eu também tenho utilizado. (00:02:35.220 –> 00:02:40.820) Independente do software que você utiliza, você abre ele, clica gravar a reunião, ele vai gravar todo o áudio da reunião. (00:02:40.820 –> 00:02:48.280) E depois que ele grava e você aperta lá o botãozinho para transcrever, ele te dá uma.. (00:02:48.280 –> 00:02:53.000) Ele tanto gera um arquivo com a transcrição bruta, se tu quiser usar com alguma IA, (00:02:53.000 –> 00:03:04.160) Como ele já deixa na área de transferência a tua transcrição com um prompt montado para te colar na IA que tu quer utilizar para fazer um resumo da tua reunião. (00:03:04.160 –> 00:03:07.500) Então, termina a reunião, cola na IA e pimba. (00:03:07.500 –> 00:03:16.880) O valor dele é um valor bastante acessível e, para os ouvintes do Segurança Legal, nós temos 20 cupons. (00:03:17.840 –> 00:03:28.700) O cupom é SEGLEG50, ele dá 50% de desconto vitalício, digamos assim. (00:03:28.700 –> 00:03:35.360) Você faz a assinatura, aplica o desconto, se fizer mensal ele vai aplicar a todos os pagamentos mensais (00:03:35.360 –> 00:03:40.080) E, se for anual, ele vai aplicar a todos os pagamentos anuais. (00:03:40.080 –> 00:03:44.540) Então, não é um desconto que vale só no primeiro ano ou só no primeiro pagamento. (00:03:44.540 –> 00:03:48.460) SEGLEG50 para os ouvintes do Segurança Legal. (00:03:49.080 –> 00:03:55.520) São 20 cupons, são 20 cupons que a gente tem aí, pelo menos para este episódio. (00:03:55.520 –> 00:04:01.320) E o mais importante, Vinícius, ele é um aplicativo que é construído com privacidade em foco. (00:04:01.320 –> 00:04:06.820) Ou seja, se você, os dados e toda a parte de transcrição, ela fica só na sua máquina, (00:04:06.820 –> 00:04:11.020) Não vai para a nuvem, a não ser que você queira depois usar isso no MyA e tal, (00:04:11.020 –> 00:04:14.580) Mas, assim, para assuntos mais críticos. (00:04:14.580 –> 00:04:18.560) Se você quiser ter lá para fazer uma ata depois, isso fica só na sua máquina. (00:04:18.560 –> 00:04:24.280) Ele faz, ele usa os modelos da Whisper, isso está lá na interface, está muito claro. (00:04:24.280 –> 00:04:31.040) Ele usa os modelos da, os modelos Whisper da OpenAI, que são modelos que rodam local na máquina. (00:04:31.040 –> 00:04:35.460) E o interessante é que tu não precisa nem ter uma placa de vídeo, não precisa ter GPU nem nada, (00:04:35.460 –> 00:04:39.280) Ele funciona muito bem, eu testei no meu notebook, não tem placa de vídeo dedicada. (00:04:40.700 –> 00:04:45.580) E funcionou muito bem, assim, ele é bastante rápido. (00:04:45.580 –> 00:04:52.320) E eu tenho feito os testes até para ver a questão de velocidade, já que tem os modelos disponíveis lá. (00:04:52.320 –> 00:04:55.000) Eu estava usando sempre o Turbo, assim, vou usar o melhor. (00:04:55.000 –> 00:05:00.500) Aí eu resolvi começar a usar o Medium e o Small lá dos modelos. (00:05:00.500 –> 00:05:04.580) E, cara, o Small, ele dá umas erradas, assim, sabe? (00:05:04.580 –> 00:05:06.260) Mas o Medium funciona muito bem. (00:05:06.260 –> 00:05:08.060) Tá bom. (00:05:08.840 –> 00:05:15.480) Então, basta você acessar o whispersafe.ai.ai, você vai ver lá todos os valores. (00:05:15.480 –> 00:05:19.920) Na hora do pagamento, pode usar o cupom SEGLEG50 e vamos lá. (00:05:19.920 –> 00:05:24.080) Bem-vindos, então, ao novo patrocinador do podcast Segurança Legal. (00:05:24.080 –> 00:05:30.480) Vamos para os temas, então, Vinícius, desses últimos dois meses, dá para se dizer aí. (00:05:30.480 –> 00:05:32.680) Hoje já estamos aí no dia 24 de fevereiro. (00:05:32.680 –> 00:05:44.260) Bastante coisa acontecendo, mas nós vamos, em vez de comentar propriamente as notícias, claro que nós vamos citá-las aqui, mas nós dividimos em alguns grupos. (00:05:44.340 –> 00:05:49.420) De temas que nos chamaram a atenção e que também foram temas importantes aí nas últimas semanas. (00:05:49.420 –> 00:05:53.860) O primeiro deles diz respeito à questão da proteção da criança na internet. (00:05:53.860 –> 00:05:56.400) Proteção digital, sobretudo em plataformas. (00:05:56.400 –> 00:06:00.200) Você que nos acompanha aqui sabe que a questão da proteção de criança é importante. (00:06:00.200 –> 00:06:04.860) A gente tem diversos, para esse podcast, a gente tem diversos episódios gravados sobre isso. (00:06:05.100 –> 00:06:11.420) Chegamos a comentar, inclusive, um episódio mais recente também sobre o ECA Digital, Vinícius, se você puder ver o número aí para nós. (00:06:11.420 –> 00:06:24.280) E, basicamente, o que nós estamos vendo mais recentemente é toda uma questão sobre como tornar essas plataformas, os problemas envolvendo plataformas utilizadas por crianças. (00:06:24.280 –> 00:06:33.320) E cada vez mais as crianças têm usado, seja o discórdio, mas aqui o foco dessas notícias é o Roblox. (00:06:33.320 –> 00:06:38.740) Então, se você tem filho, provavelmente já ouviu falar sobre Roblox, que é um jogo. (00:06:38.740 –> 00:06:44.020) Dá para dizer que é um jogo, mas que simula quase como um ambiente, assim. (00:06:38.740 –> 00:06:44.020) Virtual. (00:06:44.020 –> 00:06:47.600) Eu cheguei a jogar ele logo que ele apareceu. (00:06:47.600 –> 00:06:52.020) Assim, não tão logo, mas os colegas do meu filho começaram a jogar. (00:06:52.020 –> 00:06:54.900) Ai, meu filho veio com essa história do Roblox. (00:06:54.900 –> 00:06:57.140) E aí, disse, não, beleza, vamos ver. (00:06:57.140 –> 00:06:58.860) Aí eu entrei com ele. (00:06:59.320 –> 00:07:02.180) Cara, é um ambiente, é um ambiente virtual. (00:07:02.180 –> 00:07:08.400) Para mim, me lembrou muito aquele Second Life, tá ligado? (00:07:08.400 –> 00:07:09.320) Sim, Second Life. (00:07:09.320 –> 00:07:11.100) Me lembrou muito aquilo, então. (00:07:11.100 –> 00:07:15.880) E aí, dentro, tu tem espaços. (00:07:15.880 –> 00:07:19.980) Que tu acessa aplicações, jogos e tudo mais. (00:07:19.980 –> 00:07:22.560) Tu pode criar, inclusive, e tal. (00:07:22.700 –> 00:07:26.080) E aí, ele tem uma moeda interna no jogo, tá? (00:07:26.080 –> 00:07:28.080) Ele tem grana envolvida. (00:07:28.080 –> 00:07:36.080) E, cara, em cinco minutos de Fussaclo ali, eu larguei para o meu filho, ó, tem jogos melhores (00:07:36.080 –> 00:07:36.640) Para te jogar. (00:07:36.640 –> 00:07:39.060) Tu não vai jogar isso aqui. (00:07:39.060 –> 00:07:44.520) Justamente porque é um ambiente, eu percebi, o que eu percebi de cara, e se confirmou depois, (00:07:44.520 –> 00:07:47.180) Um ambiente muito descontrolado, entende? (00:07:47.680 –> 00:07:56.360) Um ambiente muito descontrolado, com muita, assim, nomes estranhos de personagens, todo (00:07:56.360 –> 00:08:03.060) Mundo pode se comunicar com todo mundo, então, é um negócio bem estranho. (00:08:03.060 –> 00:08:04.880) Pelo menos, era. (00:08:04.880 –> 00:08:06.060) A percepção. (00:08:06.060 –> 00:08:06.260) Não entrei mais para jogar. (00:08:06.260 –> 00:08:11.720) Mas aí, pelo que a gente vê agora nas reações e notícias e tudo mais, pelo visto, (00:08:11.720 –> 00:08:12.580) Continua estranho. (00:08:12.580 –> 00:08:13.620) Continua estranho. (00:08:13.620 –> 00:08:18.880) O, o, a grande questão aqui é que, por fora, e isso está acontecendo no mundo (00:08:18.880 –> 00:08:20.140) Inteiro, não é só no Brasil. (00:08:20.140 –> 00:08:23.820) No Brasil, por conta do ECA Digital, mas assim, começa.. (00:08:23.820 –> 00:08:24.660) Episódio 400, viu, Guilherme? (00:08:24.660 –> 00:08:25.940) Tá, legal. (00:08:25.940 –> 00:08:26.660) Episódio 400, isso é legal. (00:08:26.660 –> 00:08:32.380) É que começa a se ampliar toda a discussão de como você fazer a verificação de idade (00:08:32.380 –> 00:08:34.120) De pessoas nessas plataformas. (00:08:34.120 –> 00:08:41.000) Então, aqui a gente junta nesse mesmo pacote o Roblox e também o Discord. (00:08:41.360 –> 00:08:43.840) E aí, uma coisa muito interessante. (00:08:43.840 –> 00:08:48.460) Que gerou, assim, até um fenômeno social, me parece que relevante. (00:08:48.460 –> 00:08:52.160) Crianças começaram a protestar lá, porque as crianças seriam os beneficiários. (00:08:52.160 –> 00:08:56.820) Mas começaram a protestar por conta das novas medidas de verificação de idade. (00:08:56.820 –> 00:08:59.280) Aí, o Felca foi alvo de protesto e tal. (00:08:59.280 –> 00:09:05.920) E tem as crianças lá, simulando um protesto, segurando cartazes lá dentro do Roblox. (00:09:07.520 –> 00:09:11.380) Saíram também notícias dizendo, e aí, mais ou menos na tua percepção, Vinícius, (00:09:11.380 –> 00:09:16.720) De que o Roblox, como acontece com grandes plataformas, ele teria uma lógica de cassino, (00:09:16.720 –> 00:09:21.860) Ou seja, as crianças ficariam ali, utilizariam gatilhos psicológicos, (00:09:21.860 –> 00:09:26.860) Como já ocorre em redes sociais, para que as crianças ficassem mais tempo lá dentro. (00:09:26.860 –> 00:09:33.160) E aí, também começou a se ventilar de que predadores sexuais estariam dentro do Roblox, (00:09:33.160 –> 00:09:36.760) Se fazendo passar por crianças. (00:09:33.160 –> 00:09:36.760) Disfarçados aí. (00:09:36.760 –> 00:09:40.700) Nos Estados Unidos, isso é um problema bem sério lá, justamente com isso. (00:09:40.700 –> 00:09:52.020) E teve o CEO do Roblox, ele teve lá no episódio do The Hard Fork. (00:09:53.020 –> 00:09:59.060) Eu já vejo o número de episódios aqui, mas o nome do CEO é Dave Bazzucchi, tá? (00:09:59.060 –> 00:10:06.020) E, cara, o pessoal do The Hard Fork tentou, assim, impressionou, foi uma coisa que ficou até tenso, sabe? (00:10:06.020 –> 00:10:08.940) Não é normal, assim, tu ver esse episódio do The Hard Fork desse jeito. (00:10:08.940 –> 00:10:14.100) E o cara sempre saindo pela tangente, assim, e perguntas bem diretas. (00:10:14.460 –> 00:10:21.300) Em termos de controle de comunicação, a questão de deixar adultos falar com crianças, assim, várias coisas. (00:10:21.300 –> 00:10:23.420) E ele sempre dando evasiva. (00:10:23.420 –> 00:10:26.320) Ele não.. (00:10:23.420 –> 00:10:26.320) Assim, foi muito ruim, sabe? (00:10:26.320 –> 00:10:32.020) A impressão que tu tens é que o cara foi ali para tentar se justificar, (00:10:32.020 –> 00:10:35.280) Não aceitando os problemas que ele tem na plataforma. (00:10:35.280 –> 00:10:38.800) Isso o CEO da própria Roblox, sabe? (00:10:38.800 –> 00:10:40.320) Na própria empresa. (00:10:40.320 –> 00:10:50.300) Então, isso me deixou ainda mais convencido de que é uma empresa que não tem preocupação nenhuma (00:10:50.300 –> 00:10:54.240) Com essa questão de segurança de crianças e tudo mais, entende? (00:10:54.240 –> 00:10:55.540) É bem delicado. (00:10:55.540 –> 00:10:58.760) Se o pessoal já se preocupa com o Discord, o Roblox é muito pior. (00:10:58.760 –> 00:11:00.000) É muito pior. (00:11:00.000 –> 00:11:03.140) Em termos de possibilidades de comunicação. (00:11:03.140 –> 00:11:06.380) É uma reportagem aqui da Folha de São Paulo. (00:11:06.420 –> 00:11:10.920) Pelo Daniel Mariani, ele destaca justamente isso. (00:11:10.920 –> 00:11:13.660) Inclusive de monetização. (00:11:13.660 –> 00:11:18.120) Práticas predatórias em games e monetiza compulsão e frustrações. (00:11:18.120 –> 00:11:22.720) Explora mecanismos psicológicos como medo de ficar fora da plataforma. (00:11:22.720 –> 00:11:25.060) Ficar de fora e perda de noção de tempo. (00:11:25.060 –> 00:11:27.540) Então, ele conta uma historinha que ele sai com o filho e o filho diz (00:11:27.540 –> 00:11:31.600) Olha, nós temos que voltar até tal hora porque vai acontecer um evento lá no Roblox (00:11:31.600 –> 00:11:34.920) E eu preciso estar lá e enfim. (00:11:35.800 –> 00:11:42.840) E aí, a crítica toda é também de que haveria uma falta de vontade, digamos assim, (00:11:42.840 –> 00:11:46.920) Da empresa de adotar controles parentais e também a questão da verificação da idade. (00:11:46.920 –> 00:11:52.820) E a verificação da idade que começa agora também a ficar mais presente agora em março. (00:11:52.820 –> 00:11:55.440) Tudo indica que vai acontecer também no Discord. (00:11:55.720 –> 00:11:57.760) Então, isso.. (00:11:57.760 –> 00:12:01.500) E também o Discord, Vinícius, se você quiser falar logo a seguir, (00:12:01.500 –> 00:12:07.160) Mas o Discord também aplicando novas formas de controle parental. (00:12:07.160 –> 00:12:11.440) Mas a grande discussão, e mais uma vez, isso está acontecendo no Brasil e no mundo, é (00:12:11.440 –> 00:12:17.200) Mas qual vai ser ou quais serão as medidas de controle de identidade. (00:12:18.080 –> 00:12:27.420) Então, se fala em biometria facial, se fala em envio de documentos e tal, e aí a grande preocupação que se coloca (00:12:27.420 –> 00:12:33.320) É no aumento das práticas de vigilância sobre como, que as empresas vão lidar com isso, (00:12:33.320 –> 00:12:39.040) Sobre o fato de a biometria facial ser um dado sensível, que poderia ser utilizado para outras sinalidades. (00:12:39.040 –> 00:12:47.020) Uma das notícias aqui mostra que o próprio Discord estava usando uma empresa lá, ou contratou uma empresa de verificação (00:12:47.020 –> 00:12:53.380) Que tinha conexões, que é a tal da persona lá, conexões no site deles, dizia mesmo (00:12:53.380 –> 00:12:55.840) This is a US government system. (00:12:55.840 –> 00:13:01.240) Mas aí que tá, Guilherme, assim, a gente tem um problema bem sério para resolver aí, tá? (00:13:01.240 –> 00:13:08.060) Porque ao mesmo tempo que se quer que as empresas consigam fazer a verificação de idade, (00:13:09.040 –> 00:13:11.160) E aí sim, é ok. (00:13:11.160 –> 00:13:12.660) O que que eu faço essa verificação de idade? (00:13:12.660 –> 00:13:17.000) O que que eu faço de um jeito que eu consiga ter um mínimo de confiança (00:13:17.000 –> 00:13:20.060) De que a criatura não tá mentindo pra mim, que o Zora não tá mentindo pra mim (00:13:20.060 –> 00:13:22.420) E tá entrando com menos de 13 ou coisa parecida? (00:13:22.420 –> 00:13:25.660) Então, eu preciso uma forma de verificar isso. (00:13:25.660 –> 00:13:28.400) Tu vai verificar como? (00:13:28.400 –> 00:13:30.080) Imagina a própria empresa. (00:13:30.080 –> 00:13:34.680) Ela vai usar reconhecimento facial para tentar identificar a idade? (00:13:34.680 –> 00:13:36.440) Ela vai pedir documentação? (00:13:38.360 –> 00:13:40.020) Não sei se isso é bom, se é ruim, entende? (00:13:40.020 –> 00:13:42.000) Eu só tô com o problema. (00:13:42.000 –> 00:13:46.220) Aí, o ideal, eu não gostaria de ficar dando minha identidade pra tudo quanto é empresa. (00:13:46.220 –> 00:13:50.460) Então, uma outra opção o governo tem as informações. (00:13:50.460 –> 00:13:54.360) Uma agência governamental tem as informações, as nossas informações. (00:13:54.360 –> 00:13:55.580) Sabe a idade que a gente tem. (00:13:55.580 –> 00:13:57.540) Tem toda a comprovação de quem a gente é. (00:13:58.220 –> 00:14:07.340) Será que não dá pra ter um protocolo que, de forma anônima, eu acesso um site e esse site (00:14:07.340 –> 00:14:15.160) Conversa com o site do governo e aí eu converso com o site do governo e digo, gera aí um token (00:14:15.160 –> 00:14:21.420) Pra mim, eu sou fulano, gera um token dizendo que eu tenho mais de 18 anos ou tem mais de 13 (00:14:21.420 –> 00:14:22.460) Ou coisa parecida. (00:14:22.460 –> 00:14:27.360) Parecido com o que a gente já faz no Alt pra fazer autenticação quando a gente usa o Google e tudo mais. (00:14:27.360 –> 00:14:31.720) Parecido com isso, mas em vez de dizer quem nós somos, ele diz que idade que a gente tem. (00:14:31.720 –> 00:14:32.860) Tá? (00:14:32.860 –> 00:14:36.000) Só que daí tu tem vários outros problemas. (00:14:36.000 –> 00:14:38.380) Ok, o site pode não saber quem tu é por ali. (00:14:38.380 –> 00:14:39.360) Não tem problema. (00:14:39.360 –> 00:14:41.460) E aí tem outro jeito de saber quem tu mas enfim. (00:14:41.460 –> 00:14:43.180) Até porque você vai ter um cadastro lá. (00:14:43.240 –> 00:14:43.960) Exato. (00:14:43.960 –> 00:14:51.560) Então assim, ok, ao mesmo tempo tu vai estar dizendo pro governo o que que tu tá acessando. (00:14:51.560 –> 00:14:57.260) Então se o governo começar a registrar lá na hora de consultar quem tá consultando o teu cadastro (00:14:57.260 –> 00:15:00.900) Ou pra quem tu tá se autenticando, ele sabe o que que tu tá acessando. (00:15:00.900 –> 00:15:06.060) E aí teve um problema recente, a gente chegou a comentar aqui, eu só não lembro se foi na (00:15:06.060 –> 00:15:10.120) Inglaterra especificamente ou foi na União Europeia, tá? (00:15:10.120 –> 00:15:11.900) E se eu não tô enganado, foi na Inglaterra, cara. (00:15:11.900 –> 00:15:19.940) Mas eles estavam com a demanda de, pra acessar site pornográfico, tu tem que dar a tua (00:15:19.940 –> 00:15:23.300) Identificação real, tá? (00:15:23.300 –> 00:15:28.080) Pra que o site tenha certeza de que tu é o maior de idade. (00:15:28.080 –> 00:15:36.360) E aí começou uma outra discussão da questão da privacidade das pessoas que acessam (00:15:36.360 –> 00:15:37.600) Esses sites e tudo mais. (00:15:38.100 –> 00:15:46.060) Então eu não vejo uma solução perfeita, assim, que empresa privada não guarde as informações (00:15:46.060 –> 00:15:48.760) Ou não tem um repositório de informações pra fazer isso. (00:15:48.760 –> 00:15:52.560) Tem uma solução que já é conhecida que é uma chamada, com a chamada Meu ID. (00:15:52.560 –> 00:15:59.420) Eu uso pra algumas plataformas de jogos, que a ideia é justamente essa, tu se autentica (00:15:59.420 –> 00:16:04.100) Com a plataforma, com a tua documentação, faz prova, faz o esquema da imagem e tudo mais. (00:16:04.100 –> 00:16:06.140) Aí tu usa ela pra se autenticar uma plataforma. (00:16:06.140 –> 00:16:11.660) Então, ou a gente vai ter que ter uma empresa como essa, ou vai ter que vincular com algum (00:16:11.660 –> 00:16:12.500) Órgão do governo. (00:16:12.500 –> 00:16:18.140) Eu não vejo uma saída diferente pro Discord, por exemplo. (00:16:18.140 –> 00:16:21.540) Eu não vejo uma saída diferente pro Facebook. (00:16:22.220 –> 00:16:27.240) Como é que eu vou autenticar, como é que eu vou saber que o usuário tem mais certa idade, (00:16:27.240 –> 00:16:37.040) Sem que eu possa ser enganado e sem pedir uma confirmação mais consistente, documental, (00:16:37.040 –> 00:16:43.280) Nem que seja interfaceada ou intermediada pelo governo ou por uma empresa privada, (00:16:44.460 –> 00:16:49.760) Que diga, não, Vinícius realmente tem mais de 13 anos. (00:16:49.760 –> 00:16:51.620) É um problema não. (00:16:51.620 –> 00:16:53.520) Eu não vejo uma solução fácil pra isso. (00:16:53.520 –> 00:16:55.720) É um problema de privacidade. (00:16:55.720 –> 00:17:01.940) Essa questão que eu comentei aqui desse persona que o Discord tava usando, (00:17:01.940 –> 00:17:05.660) A grande questão era que era um negócio quase como um data broker de verificação (00:17:05.660 –> 00:17:11.980) Que iria ser utilizado para fins de vigilância estatal. (00:17:11.980 –> 00:17:17.900) E aí o Discord, depois que isso vira notícia, eles voltam atrás. (00:17:17.900 –> 00:17:19.940) Eles dizem, nós não vamos mais usar isso. (00:17:19.940 –> 00:17:21.100) Ou seja, assim, tiram. (00:17:21.100 –> 00:17:23.000) O problema é um problema de privacidade. (00:17:23.000 –> 00:17:27.280) Você poderia, eu imagino, Vinícius, que se todo mundo tivesse, (00:17:27.280 –> 00:17:31.960) Levasse proteção de dados a sério, você poderia sim ter um protocolo (00:17:31.960 –> 00:17:36.560) Em que empresas e Estado poderiam fornecer um meio de autenticação (00:17:36.560 –> 00:17:39.540) Privacy-friendly. (00:17:39.540 –> 00:17:43.860) Ou seja, sem a coleta de informações sobre quem acessou o quê. (00:17:43.860 –> 00:17:48.360) Eles, ambos os lados, ou todos os lados, deveriam abrir mão disso. (00:17:48.360 –> 00:17:53.080) Mas nós sabemos que no estado atual de coisas, isso não vai acontecer. (00:17:53.080 –> 00:17:53.800) É o contrário. (00:17:53.800 –> 00:17:57.440) O que essa notícia mostra é que as empresas e governos estão, (00:17:58.560 –> 00:18:02.820) Frequentemente, caminhando para utilizar essa desculpa da verificação (00:18:02.820 –> 00:18:04.760) Para aumentar o monitoramento sobre as pessoas. (00:18:04.760 –> 00:18:06.620) E essa que me parece que é a preocupação. (00:18:06.620 –> 00:18:12.060) Enfim, nós vamos deixar, como sempre, todas as notícias lá no Show Notes. (00:18:12.060 –> 00:18:15.020) Tem outras coisas aqui, se você se interessa por essa questão. (00:18:15.020 –> 00:18:18.660) O papel do Discord em questão de agressão de animais, (00:18:18.660 –> 00:18:21.040) Que teve aí recentemente com o caso do Cão Orelha. (00:18:21.040 –> 00:18:25.860) E também sobre como empresas internamente discutiram e sabem. (00:18:25.860 –> 00:18:29.540) O próprio Instagram sabia como o próprio Instagram fazia mal para meninas (00:18:29.540 –> 00:18:30.680) E para adolescentes e tudo mais. (00:18:30.680 –> 00:18:32.440) Então, isso continua acontecendo. (00:18:32.440 –> 00:18:35.160) Documentos internos aí vazados. (00:18:35.160 –> 00:18:40.440) Como acontece, demonstram que eles sabem dos potenciais maléficos. (00:18:40.440 –> 00:18:46.680) Para adolescentes e continuam oferecendo as plataformas ou serviços (00:18:46.680 –> 00:18:49.700) Sem levar em consideração a proteção da criança e do adolescente. (00:18:49.700 –> 00:18:53.220) Então, fica nesse primeiro grupo aí, Vinícius. (00:18:54.120 –> 00:18:54.640) Perfeito. (00:18:54.640 –> 00:18:57.720) Segundo grupo, tem a ver também. (00:18:57.720 –> 00:19:00.300) Tem a ver com crianças e adolescentes, mas não somente. (00:19:00.300 –> 00:19:03.120) Mas tem a ver também com proteção de.. (00:19:03.120 –> 00:19:05.740) Sobretudo de mulheres na internet, da imagem de mulheres (00:19:05.740 –> 00:19:12.360) E sobre como a IA tem sido utilizada especificamente pelo X ou Twitter, Vinícius? (00:19:12.360 –> 00:19:15.660) Todo mundo que fala X logo depois tem que dizer o antigo Twitter. (00:19:15.660 –> 00:19:17.800) Mas todo mundo já sabe que o X é o antigo Twitter. (00:19:18.040 –> 00:19:20.500) Você fica meio com um vício ali. (00:19:20.500 –> 00:19:22.880) E aí, o que começou? (00:19:22.880 –> 00:19:24.060) O nome virou.. (00:19:24.060 –> 00:19:26.180) Parece que o nome virou o X antigo Twitter mesmo. (00:19:26.180 –> 00:19:27.440) Junto. (00:19:27.440 –> 00:19:28.400) Que nem a HBO. (00:19:28.400 –> 00:19:31.180) Viu a HBO Max, que era HBO. (00:19:31.180 –> 00:19:33.280) Aí depois virou a HBO Max. (00:19:33.280 –> 00:19:34.760) Aí depois foi Max. (00:19:34.760 –> 00:19:35.980) Aí tinha.. (00:19:35.980 –> 00:19:36.140) Gol. (00:19:36.140 –> 00:19:38.360) Aí voltaram com a HBO agora. (00:19:38.360 –> 00:19:40.940) Eu tenho a assinatura deles lá. (00:19:40.940 –> 00:19:41.360) Meu Deus. (00:19:41.360 –> 00:19:44.700) Eu nem sei mais o que eu tô assinando lá, porque eu não sei mais o nome desse. (00:19:44.700 –> 00:19:51.960) E aí a questão que, enfim, nesses últimos meses aí virou, uma notícia muito forte (00:19:51.960 –> 00:19:57.740) Foi que o pessoal pedia lá pro Grock no X pra que ele tirasse, deixasse mulheres nuas (00:19:57.740 –> 00:20:02.920) Ou tirasse a roupa de mulheres, inclusive de crianças. (00:20:03.660 –> 00:20:10.520) E naquela perspectiva, de que a ferramenta é neutra, a ferramenta só faz aquilo que (00:20:10.520 –> 00:20:16.440) O usuário pede pra ela fazer, a culpa não é nossa e tal, mas ao mesmo tempo a ferramenta (00:20:16.440 –> 00:20:22.400) Era programada sem guardrails ali pra despir pessoas. (00:20:22.400 –> 00:20:28.940) E se ela pode ser programada para despir pessoas, me parece que também é fácil colocar guardrails (00:20:28.940 –> 00:20:35.400) Aí pra impedir que ela dispa, dispa, despir, despir pessoas. (00:20:35.400 –> 00:20:37.920) Acho que eu nunca tinha usado o verbo despir dessa forma. (00:20:37.920 –> 00:20:39.840) Então, é.. (00:20:39.840 –> 00:20:41.080) E aí o que que aconteceu? (00:20:41.080 –> 00:20:43.860) Não sei se você quer fazer uma observação agora ou depois aqui, só pra.. (00:20:43.860 –> 00:20:45.080) Não, pode sim, pode sim, pode sim. (00:20:45.080 –> 00:20:46.580) Aí o que que aconteceu? (00:20:46.580 –> 00:20:52.860) Foi toda uma pressão em cima do X, Elon Musk chega e diz, não, olha, nós vamos, (00:20:52.860 –> 00:21:00.340) Então vamos ampliar os controles aqui, só vai poder despir pessoas quem tiver a conta (00:21:00.340 –> 00:21:01.920) Paga do X. (00:21:01.920 –> 00:21:09.820) E obviamente que daí a emenda saiu pior que o soneto e no Brasil também já vimos movimentações, (00:21:10.160 –> 00:21:17.560) De três entidades aqui, a NPD, Ministério Público Federal e Senacom, em primeiro lugar fizeram (00:21:17.560 –> 00:21:25.420) Uma recomendação lá em janeiro e agora mais recentemente, depois da resposta do X, esses (00:21:25.420 –> 00:21:32.400) Três órgãos entenderam que as medidas foram insuficientes e cada um deles, na medida das (00:21:32.400 –> 00:21:36.620) Suas competências, iniciou um processo pra determinar. (00:21:36.620 –> 00:21:42.500) Aí sim, antes tinham sugerido medidas, o X informou as medidas que foram tomadas, eles (00:21:42.500 –> 00:21:47.500) Entenderam que não foram suficientes e a partir de agora começaram, cada um na medida das (00:21:47.500 –> 00:21:53.000) Suas competências, procedimentos administrativos, seja a NPD, uma medida preventiva, o Ministério (00:21:53.000 –> 00:21:58.960) Público também, um procedimento interno e a Senacom também numa medida cautelar administrativa (00:21:58.960 –> 00:22:01.700) Determinando que eles imediatamente parem. (00:22:01.700 –> 00:22:08.720) E implementem soluções técnicas e administrativas pra impedir a geração de imagens de pessoas (00:22:08.720 –> 00:22:10.000) Nuas. (00:22:10.620 –> 00:22:16.580) E pra variar. (00:22:10.620 –> 00:22:16.580) Pra variar as maiores vítimas disso foram mulheres, tá? (00:22:16.580 –> 00:22:19.800) E inclusive menores de idade, tá? (00:22:19.800 –> 00:22:20.800) E adolescentes. (00:22:20.800 –> 00:22:25.920) Isso foi o que causou, claro que, mesmo que não tivesse menores de idade envolvidas, (00:22:25.920 –> 00:22:32.620) Isso já gerou bastante polêmica, mas com menores de idade é a coisa.. (00:22:33.300 –> 00:22:37.840) E aí uma coisa, Guilherme, só uma observação, a gente já fala há muitos anos aqui no Segurança (00:22:37.840 –> 00:22:42.880) Legal, há muito tempo, essa questão da super exposição das crianças na internet e muitas (00:22:42.880 –> 00:22:43.960) Vezes pelos próprios pais. (00:22:43.960 –> 00:22:48.920) Quando a gente falava assim, ó, não expõe, não fica botando foto, não sei o quê, tu não (00:22:48.920 –> 00:22:50.900) Sabe o que vai poder ser feito com isso amanhã. (00:22:52.040 –> 00:22:56.620) E eu lembro de estar falando e falando sobre isso em 2015, em escolas, fazer umas palestras (00:22:56.620 –> 00:22:59.020) Assim, falando pro pessoal exatamente nesses termos. (00:22:59.020 –> 00:23:07.800) E agora aqui estamos nós em 2026 com o X antigo Twitter, uma ferramenta de ar embutida (00:23:07.800 –> 00:23:13.940) Que, cara, tira a roupa de adolescente, menor de idade e tudo mais. (00:23:14.480 –> 00:23:19.600) E aí, e mesmo que você seja cuidadoso com a imagem dos filhos e tal, que é realmente (00:23:19.600 –> 00:23:20.500) A recomendação.. (00:23:20.500 –> 00:23:22.560) As escolas tinham foto, publicam, é um.. (00:23:22.560 –> 00:23:28.740) Exato, não, e ainda você tem pessoas públicas, que eventualmente, eventualmente não, (00:23:28.740 –> 00:23:34.940) Mas pessoas públicas que têm a sua imagem publicada em função da sua, da sua atividade, (00:23:34.940 –> 00:23:40.600) Sei lá, uma política, pessoas do ramo político, enfim, artistas e tudo mais, e ainda (00:23:40.600 –> 00:23:46.220) Assim não há, me parece, aliás, eu tenho certeza que não há um direito de pessoas (00:23:46.220 –> 00:23:53.460) Usarem IA pra macular a imagem de mulheres, inclusive teve notícias, pegaram lá uma (00:23:53.460 –> 00:23:58.420) Primeira ministra, não lembro exatamente de qual país, e aí começaram a fazer isso (00:23:58.420 –> 00:24:02.200) Com a imagem dela pra desqualificá-la, enfim. (00:24:02.200 –> 00:24:10.580) E aí acaba entrando, Vinícius, um pouco naquilo, eu vou puxar lá pro grupo 6, (00:24:10.580 –> 00:24:16.200) Mas tem um pouco a ver, o Vinícius me mandou esses dias uma notícia de um.. (00:24:16.200 –> 00:24:21.120) Seria um aborígine, da Nova Zelândia, que fazia vídeos.. (00:24:21.120 –> 00:24:21.760) O Steve Irving. (00:24:21.760 –> 00:24:23.340) Conta aí a história, conta aí a história. (00:24:23.340 –> 00:24:23.680) O Steve Irving. (00:24:23.680 –> 00:24:24.440) . (00:24:24.440 –> 00:24:26.260) É inacreditável. (00:24:26.260 –> 00:24:29.200) O Steve Irving, o Steve Irving é um.. (00:24:29.200 –> 00:24:37.740) Um aborígine, australiano, que faz vídeos.. (00:24:37.740 –> 00:24:38.240) Neo-zelandês. (00:24:38.240 –> 00:24:38.740) Neo-zelandês. (00:24:38.740 –> 00:24:39.380) Neo-zelandês. (00:24:39.380 –> 00:24:42.400) É Nova Zelândia, não misturar Nova Zelândia com a Austrália. (00:24:42.400 –> 00:24:43.140) Nada. (00:24:43.140 –> 00:24:49.400) Neo-zelandês, que faz vídeos, aqueles vídeos assim, meio de aventura, assim, de ver os bichos (00:24:49.400 –> 00:24:50.780) De perto e meio.. (00:24:50.780 –> 00:24:55.620) Encontra uma cobra e mexe na cobra e um escorpião e por aí vai. (00:24:55.700 –> 00:24:56.700) Esses vídeos assim, sabe? (00:24:56.700 –> 00:24:57.140) E mostrando.. (00:24:57.140 –> 00:25:00.160) Mas mostrando os animais lá da Nova Zelândia. (00:25:00.160 –> 00:25:01.120) Sim, exatamente. (00:25:01.120 –> 00:25:02.460) Fazendo um negócio.. (00:25:02.460 –> 00:25:04.060) Cara, um negócio muito bem feito. (00:25:04.060 –> 00:25:05.340) Um negócio muito bem feito. (00:25:05.340 –> 00:25:06.800) Tipo um National Geographic, assim. (00:25:06.800 –> 00:25:09.320) Tinha um outro cara, aquele cara que morreu.. (00:25:09.320 –> 00:25:13.500) Bem conhecido, ele morreu com ferrão de uma arraia. (00:25:13.500 –> 00:25:14.200) Uma arraia. (00:25:14.200 –> 00:25:15.560) No peito. (00:25:15.560 –> 00:25:18.040) Eu não lembro o nome dele, mas tudo bem. (00:25:18.040 –> 00:25:21.040) .. (00:25:21.040 –> 00:25:24.880) E esse personagem é uma vibe muito parecida, tá? (00:25:25.700 –> 00:25:30.620) Cara, um negócio com, assim, muita gente seguindo. (00:25:30.620 –> 00:25:37.660) Houve 90 mil pessoas no Instagram e aí começou a chamar muita atenção, muita atenção. (00:25:37.660 –> 00:25:42.600) E aí o cara que criou o personagem veio ao público e dizia, ó, esse cara não existe. (00:25:43.400 –> 00:25:47.980) O Steve Irving era o cara que morreu com ferrão de arraia. (00:25:49.420 –> 00:25:50.400) Sim, verdade. (00:25:50.400 –> 00:25:51.480) Na notícia, sim. (00:25:51.480 –> 00:25:53.080) Eu misturei aqui que ele chamou.. (00:25:53.080 –> 00:25:54.620) É o Aboriginal Steve Irving. (00:25:54.620 –> 00:25:56.860) É o Steve Irving aborigine. (00:25:56.860 –> 00:25:57.340) Exatamente. (00:25:57.340 –> 00:25:59.780) O Steve Irving é o cara real que morreu. (00:25:59.780 –> 00:26:00.720) Isso, isso. (00:26:00.720 –> 00:26:01.220) Isso. (00:26:01.220 –> 00:26:03.380) E o nome do cara que.. (00:26:03.380 –> 00:26:06.220) Essa persona digital criada. (00:26:07.620 –> 00:26:09.340) Quem criou foi o.. (00:26:09.340 –> 00:26:10.400) Quem criou foi o.. (00:26:10.400 –> 00:26:13.720) O Keegan, John Manson, o cara que fez a.. (00:26:13.720 –> 00:26:15.140) Que criou o personagem. (00:26:15.140 –> 00:26:17.260) Cara, eu não tenho o nome do personagem aqui. (00:26:17.260 –> 00:26:20.040) Seria o Bush Legend. (00:26:20.040 –> 00:26:20.480) Mas.. (00:26:20.480 –> 00:26:21.320) Bush Legend. (00:26:21.320 –> 00:26:22.260) Esse é o canal. (00:26:22.260 –> 00:26:23.760) Esse é o canal, Bush Legend. (00:26:23.760 –> 00:26:24.520) O Bush Legend. (00:26:24.520 –> 00:26:25.260) A conta aqui, ó. (00:26:25.260 –> 00:26:26.260) Tá separado aqui. (00:26:26.260 –> 00:26:27.280) Bush Legend, a conta. (00:26:27.780 –> 00:26:30.500) Mas o interessante é que não é a conta em si, tá? (00:26:30.500 –> 00:26:33.260) Quem quiser olhar o Bush Legend lá, deve estar no ar ainda esse negócio. (00:26:33.260 –> 00:26:35.240) O interessante não é a conta em si. (00:26:35.240 –> 00:26:41.400) O interessante é que é uma coisa que tu assiste e, cara, tu não se dá a conta que (00:26:41.400 –> 00:26:42.360) Não é real. (00:26:42.360 –> 00:26:47.360) Talvez ali num vídeo ou outro tu possa até perceber, tá? (00:26:47.360 –> 00:26:50.880) Mas a maioria das pessoas não vai perceber. (00:26:50.880 –> 00:26:51.920) Não vai se dar conta, não vai se dar conta. (00:26:51.920 –> 00:26:53.560) Então, assim.. (00:26:53.560 –> 00:27:01.540) E recentemente teve um vídeo também, eu vi essa semana, ou semana passada, um vídeo (00:27:01.540 –> 00:27:06.360) Em que tava o Brad Pitt lutando com o Tom Cruise, tá? (00:27:06.360 –> 00:27:10.320) E eles discutindo os Epstein Files na luta. (00:27:10.320 –> 00:27:20.040) Eu mostrei pra minha esposa o vídeo e disse assim, olha só o trailer de um filme que eles (00:27:20.040 –> 00:27:20.940) Estão lançando e tal. (00:27:21.420 –> 00:27:24.060) Aí a gente começou a ver o vídeo, eu já tinha visto, ela começou a ver o vídeo, (00:27:24.060 –> 00:27:29.440) Assim, tá, mas aí eles falando e tal, e eles se batendo e não paravam de se bater (00:27:29.440 –> 00:27:31.840) E conversar, assim, mas que cena mais. (00:27:31.840 –> 00:27:33.080) Sem propósito. (00:27:33.480 –> 00:27:34.820) Uma coisa meio.. (00:27:34.820 –> 00:27:37.000) Mas ao mesmo tempo ela achou que fosse verdade. (00:27:37.000 –> 00:27:38.060) Aham. (00:27:38.060 –> 00:27:43.120) Ela achou que fosse verdade, porque os personagens, ali o Tom Cruise e o Brad Pitt, tá certinho (00:27:43.120 –> 00:27:43.500) Ali, cara. (00:27:43.500 –> 00:27:44.900) Claro que fica.. (00:27:44.900 –> 00:27:48.780) Depois eles começam a zoar, começam a mudar demais, assim, começam a botar uns personagens (00:27:48.780 –> 00:27:49.800) Meio estranhos no negócio. (00:27:50.560 –> 00:27:51.240) Mas é.. (00:27:51.240 –> 00:27:51.800) E há, cara. (00:27:51.800 –> 00:27:53.660) E aí isso gera tanto.. (00:27:53.660 –> 00:27:54.580) Não só uma preocupação. (00:27:54.580 –> 00:27:56.300) Agora nós estamos vando pra ano de eleição. (00:27:56.300 –> 00:27:57.360) Vamos ver o que vai acontecer. (00:27:57.360 –> 00:28:07.520) Mas não só gera essa possível confusão com quem assiste, pra quem assiste, mas também (00:28:07.520 –> 00:28:13.300) Tá gerando uma boa discussão lá nos Estados Unidos com relação, lá nos sindicatos dos (00:28:13.300 –> 00:28:16.380) Artistas e tudo mais. (00:28:16.380 –> 00:28:23.620) Porque, cara, se tu não quiser usar a imagem de alguém, que obviamente tu vai ter que pagar (00:28:23.620 –> 00:28:28.240) Pra usar a imagem do Tom Cruise, ninguém discute que mesmo que seja autorizado pelo Tom Cruise (00:28:28.240 –> 00:28:33.160) Tu vai ter que pagar o Tom Cruise pelo uso da imagem dele, mas que tu possa começar a criar (00:28:33.160 –> 00:28:37.600) Personagens completamente fictícios, ou pessoas. (00:28:37.600 –> 00:28:44.560) Atores fictícios, pra.. (00:28:37.600 –> 00:28:44.560) Pra atuarem num filme, atuarem numa série. (00:28:45.560 –> 00:28:48.320) E aí tu não precisar mais. (00:28:48.320 –> 00:28:53.580) Talvez tu possa substituir até o roteirista na brincadeira, mas tu não precisar mais (00:28:53.580 –> 00:28:55.500) De atores humanos pra atuar. (00:28:55.500 –> 00:28:57.120) Então.. (00:28:57.120 –> 00:29:01.940) Tem uma discussão bem interessante em cima disso, sabe? (00:29:01.940 –> 00:29:07.680) A questão do emprego dos artistas e da questão do conteúdo que tu entrega. (00:29:07.680 –> 00:29:09.200) Pras pessoas. (00:29:09.200 –> 00:29:11.120) Tu vai assistir um filme.. (00:29:11.120 –> 00:29:14.480) Assim, tu topa assistir um filme muito bom feito por Iá? (00:29:14.480 –> 00:29:16.560) Cara.. (00:29:16.560 –> 00:29:21.280) Eu acho que tem um elemento ético, inclusive se fala isso lá numa das notícias. (00:29:21.800 –> 00:29:27.300) Que é um preceito de trans.. (00:29:21.800 –> 00:29:27.300) Um preceito ético de transparência no uso de Iá. (00:29:27.300 –> 00:29:32.160) Então, quando a gente fala em princípios de governança de Iá, a transparência, ela (00:29:32.160 –> 00:29:36.060) Se desdobra em várias.. (00:29:32.160 –> 00:29:36.060) Várias situações. (00:29:36.060 –> 00:29:40.680) E uma das situações que a transparência se desdobra, enquanto princípio que deve reger (00:29:40.680 –> 00:29:45.320) O uso da Iá, isso eu tô falando porque é princípio já adotado na União Europeia (00:29:45.320 –> 00:29:46.940) E tudo mais, é.. (00:29:46.940 –> 00:29:51.140) . (00:29:46.940 –> 00:29:51.140) Você tem que saber que aquele conteúdo é gerado por Iá. (00:29:51.140 –> 00:29:52.800) E a grande.. (00:29:52.800 –> 00:29:54.320) E por que que isso virou notícia? (00:29:54.320 –> 00:29:55.540) Na verdade, são duas coisas. (00:29:55.540 –> 00:30:00.500) Isso virou notícia porque não se deram.. (00:29:55.540 –> 00:30:00.500) Ninguém se deu conta. (00:30:00.500 –> 00:30:05.540) Porque se diz, você mostra pra pessoa, se você olhar num vídeo e prestar atenção, (00:30:05.540 –> 00:30:06.760) Você vai descobrir que é. (00:30:06.760 –> 00:30:10.420) A questão é que hoje, até a gente comentava isso antes. (00:30:10.420 –> 00:30:17.520) Nós, eu e você e quem nos escuta, nós já estamos consumindo conteúdos gerados por (00:30:17.520 –> 00:30:18.440) Iá sem se dar conta. (00:30:18.440 –> 00:30:18.840) Por quê? (00:30:18.840 –> 00:30:23.400) Porque a lógica de consumir conteúdo em rede social não é você ficar prestando atenção (00:30:23.400 –> 00:30:28.980) Nos detalhes, a lógica é que você vai passando rapidamente sobre certos conteúdos. (00:30:28.980 –> 00:30:32.780) E você fica vendo muitos, aquela história do feed infinito que a gente já falou. (00:30:32.780 –> 00:30:38.080) Que é uma das maldições das redes sociais e o que aprisiona as pessoas lá dentro é (00:30:38.080 –> 00:30:38.860) O feed infinito. (00:30:38.860 –> 00:30:39.900) E vamos lá. (00:30:39.900 –> 00:30:42.620) O teu espírito crítico ali fica bem rebaixado. (00:30:42.840 –> 00:30:45.960) Claro que quando a gente olha o vídeo depois sabendo o que bom, tudo bem. (00:30:45.960 –> 00:30:51.860) Ontem mesmo eu tava na academia e fica uma TV ligada lá e tava passando uma propaganda (00:30:51.860 –> 00:30:53.300) Do Liquida Porto Alegre. (00:30:53.300 –> 00:30:57.000) É tipo uma liquidação de verão que eles fazem aqui na cidade. (00:30:57.800 –> 00:31:05.020) E, cara, cinco segundos da coisa já deu pra ver que era tudo gerado por Iá, cara. (00:31:05.020 –> 00:31:09.860) Toda uma propaganda gerada por Iá, até porque no final tinha uma senhora bem idosa correndo (00:31:09.860 –> 00:31:15.540) Junto com um monte de pessoas que ela não teria como uma senhora. (00:31:15.540 –> 00:31:19.400) Enfim, até teria, mas chamou a atenção o fato de ser uma senhora bem idosa correndo (00:31:19.400 –> 00:31:21.000) Loucamente na cidade, assim, sabe? (00:31:21.640 –> 00:31:25.980) Não que não seja possível, não que não seja possível. (00:31:25.980 –> 00:31:29.660) Não, não que não seja possível, mas, assim, aquilo já disparou, não, como assim. (00:31:29.660 –> 00:31:35.940) Então, você tem um elemento ético muito, isso tá acontecendo, a propaganda, eu acredito, (00:31:35.940 –> 00:31:39.720) Que o CONAR, enfim, a regulamentação da propaganda tem que deixar isso claro. (00:31:39.720 –> 00:31:45.220) Olha, você está assistindo uma reportagem, uma propaganda feita por Iá, assim como você (00:31:45.220 –> 00:31:49.340) Quando você tá consumindo um produto no supermercado, diz se aquilo ali tem transgênico (00:31:49.340 –> 00:31:51.900) Ou não, ou o que consta. (00:31:51.900 –> 00:31:52.140) Excesso de sal. (00:31:52.140 –> 00:31:53.980) Excesso de sal, por que não? (00:31:53.980 –> 00:31:58.020) Porque a gente sabe que isso é bem brain rotizável. (00:31:58.020 –> 00:31:58.900) Aham. (00:31:58.900 –> 00:32:01.200) Brain rotizável, você não inventei agora, Vinícius. (00:32:01.200 –> 00:32:02.880) É um bom verbo. (00:32:02.880 –> 00:32:04.220) Brain rotizável. (00:32:04.220 –> 00:32:13.740) Vinícius, Brasil, você já deve ter ouvido falar disso, mas Brasil e União Europeia, (00:32:13.740 –> 00:32:17.320) Consolidaram lá o seu acordo de adequação mútua. (00:32:17.320 –> 00:32:23.180) Então, basicamente, agora, no final de janeiro, foi anunciado esse reconhecimento recíproco (00:32:23.180 –> 00:32:25.560) De adequação dos regimes de proteção de dados. (00:32:25.560 –> 00:32:31.800) E tem-se pintado isso como um marco histórico, porque, além desse franco reconhecimento, (00:32:31.800 –> 00:32:35.060) A ideia é que se abra, principalmente para o Brasil. (00:32:35.440 –> 00:32:42.000) Mas a ideia é que o Brasil poderia se beneficiar com base nesse acordo de adequação, (00:32:42.000 –> 00:32:47.660) Prestando serviços, para toda a União Europeia. (00:32:47.660 –> 00:32:53.020) Então, isso poderia ampliar o uso de data centers para IA e também o uso de próprio serviço, (00:32:53.020 –> 00:32:56.040) Porque uma vez que você tem esse reconhecimento, você não precisa, (00:32:57.180 –> 00:33:00.580) Digamos assim, quando você for fazer a transferência internacional de dados, (00:33:00.580 –> 00:33:03.140) Que é uma das situações lá em que você faz de um lado para o outro, (00:33:03.140 –> 00:33:05.800) Esse reconhecimento implica na possibilidade automática, (00:33:05.800 –> 00:33:08.880) Sem, por exemplo, você pedir, precisar pedir consentimento, (00:33:08.880 –> 00:33:12.820) Ou fazer avisos adicionais, ou reconhecimentos das autoridades. (00:33:12.820 –> 00:33:18.980) Então, abre-se, de fato, um espaço comercial também, (00:33:19.040 –> 00:33:22.300) Não seja de fluxos, de fluxo seguro de dados, enfim. (00:33:22.300 –> 00:33:24.600) Qual a questão? (00:33:24.600 –> 00:33:31.800) A questão é que, quando a gente faz uma comparação em como a União Europeia tem aplicado sanções (00:33:31.800 –> 00:33:35.620) E como o Brasil tem aplicado sanções, mesmo diante desse reconhecimento, (00:33:35.620 –> 00:33:39.620) Nós notamos que há uma distância, porque no Brasil ainda há, (00:33:39.620 –> 00:33:43.980) E aqui eu falo como titular de dados pessoais, (00:33:44.360 –> 00:33:49.580) Ainda há um certo, é um certo, como é que eu vou dizer, (00:33:49.580 –> 00:33:54.640) Atraso, talvez, na aplicação de sanções em situações muito complexas. (00:33:54.640 –> 00:33:57.340) Apenas para vocês terem uma ideia de alguns números, (00:33:57.340 –> 00:34:00.120) Na França, por exemplo, agora é janeiro, fevereiro, (00:34:00.120 –> 00:34:06.280) Você teve a France Travel, foi multada em 5 milhões de euros, (00:34:06.280 –> 00:34:09.920) A Free Mobile, 42 milhões de euros, (00:34:10.920 –> 00:34:14.820) É dividido aqui em Free Mobile e Free, não sei o que é. (00:34:14.820 –> 00:34:19.140) Então, você teve aí todas essas situações somente, (00:34:19.140 –> 00:34:22.120) Ou seja, multas milionárias na França, (00:34:22.120 –> 00:34:27.400) Somente por situações de vazamentos que se confirmou que ocorreram (00:34:27.400 –> 00:34:30.300) Por causa de insuficiência de medidas de segurança (00:34:30.300 –> 00:34:32.560) Adotadas por essas organizações. (00:34:32.560 –> 00:34:34.060) Isso na França. (00:34:34.060 –> 00:34:36.940) Na Espanha, que é uma autoridade pequena, (00:34:36.940 –> 00:34:40.180) Tem, se não me engano, menos funcionários do que, (00:34:40.180 –> 00:34:43.540) Até fiz esses dias um apanhado de número de funcionários e tal, (00:34:43.540 –> 00:34:45.960) Mas acho que tem menos funcionários do que a nossa NPD, (00:34:45.960 –> 00:34:53.040) Eles terminaram 2025 com 394 procedimentos sancionadores (00:34:53.040 –> 00:34:57.040) E com multas que somadas deram 40 milhões de euros. (00:34:57.040 –> 00:35:00.040) Então, acho que para consolidar, de fato, (00:35:00.040 –> 00:35:03.700) Urge que nós tenhamos um aprimoramento, (00:35:03.700 –> 00:35:05.480) E eu não falo nem somente em multas, (00:35:05.480 –> 00:35:08.720) Eu falo em sanções, impedir certos tratamentos, (00:35:08.720 –> 00:35:14.400) Caminhar justamente para a implementação de medidas de segurança, (00:35:14.400 –> 00:35:16.680) Resolver a questão das farmácias, (00:35:16.680 –> 00:35:20.380) Resolver a questão que a gente já falou aqui no nosso podcast (00:35:20.380 –> 00:35:26.980) Sobre a farra das biometrias faciais em academias, (00:35:26.980 –> 00:35:29.580) Em condomínios. (00:35:29.580 –> 00:35:32.780) Então, acho que a gente comemora, de fato, (00:35:32.780 –> 00:35:36.060) Mas há um caminho ainda a ser perseguido, me parece, (00:35:36.060 –> 00:35:40.100) Posso estar errado, enfim, mas me parece que há um caminho ainda a ser percorrido. (00:35:40.100 –> 00:35:42.580) Isso, obviamente, é uma via de duas mãos. (00:35:42.580 –> 00:35:45.340) Então, a gente tem uma equivalência. (00:35:45.340 –> 00:35:46.080) Isso. (00:35:46.080 –> 00:35:48.500) Então, uma coisa que muda, então, por exemplo, (00:35:48.500 –> 00:35:51.660) Se você quiser usar algum data center na Europa, (00:35:51.660 –> 00:35:53.620) Na União Europeia, para fazer mais ou menos de dados (00:35:53.620 –> 00:35:57.820) E cidadãos brasileiros, em princípio, ok. (00:35:57.820 –> 00:35:59.860) Isso. (00:35:59.860 –> 00:36:02.260) Quando você tem na União Europeia, (00:36:02.260 –> 00:36:04.040) Nos países que fazem parte da União Europeia, (00:36:04.040 –> 00:36:06.980) Não é na Europa, porque você tem países que.. (00:36:06.980 –> 00:36:08.340) Sim, eu falei, União Europeia, não é Europeia. (00:36:08.340 –> 00:36:10.960) Tu tem Inglaterra que não faz mais parte da União Europeia. (00:36:10.960 –> 00:36:12.060) Inglaterra não é mais. (00:36:12.060 –> 00:36:14.520) Aí o pessoal lá da Inglaterra, (00:36:14.520 –> 00:36:15.720) Quando entra na União Europeia, (00:36:15.720 –> 00:36:18.300) Eles ficam na fila não dos residentes da União Europeia, (00:36:18.300 –> 00:36:20.040) Eles têm que enfrentar a fila de todo mundo, (00:36:20.040 –> 00:36:21.800) Mas Suíça também não é. (00:36:21.960 –> 00:36:22.660) É engraçado. (00:36:22.660 –> 00:36:24.420) A Suíça também não é. (00:36:24.420 –> 00:36:25.960) Embora a Suíça tenha, (00:36:25.960 –> 00:36:30.200) Seja conhecida justamente por hospedar sistemas, (00:36:30.200 –> 00:36:32.080) The Privacy Friendly, de segurança, (00:36:32.080 –> 00:36:34.180) Mais VPNs que ficam lá na Suíça, (00:36:34.180 –> 00:36:36.520) Se vendem, mas não faz parte da Suíça. (00:36:36.520 –> 00:36:38.740) A Suíça acho que faz parte do espaço Schengen, (00:36:38.740 –> 00:36:39.340) Se não me engano, (00:36:39.340 –> 00:36:42.320) Que permite que você entre, (00:36:42.320 –> 00:36:44.640) Sem a necessidade de passar por fronteiras, (00:36:44.640 –> 00:36:46.120) Tem o tráfego livre, (00:36:46.120 –> 00:36:47.180) Mas acho que não faz, (00:36:47.180 –> 00:36:49.740) Mas não faz da União Europeia. (00:36:51.160 –> 00:36:52.620) Bom, Vinícius, (00:36:52.620 –> 00:36:54.680) Seguindo aqui, (00:36:54.680 –> 00:36:59.520) Nós temos também toda a questão da vigilância, (00:36:59.520 –> 00:37:02.240) Lá no Grupo 5, (00:37:02.240 –> 00:37:04.420) De vigilância e privacidade, (00:37:04.420 –> 00:37:05.220) Que nós vimos, (00:37:05.220 –> 00:37:07.680) Que me chamou bastante atenção, (00:37:07.680 –> 00:37:09.320) Chamou bastante atenção, (00:37:09.320 –> 00:37:13.660) Que foi o FBI solicitando a Microsoft (00:37:13.660 –> 00:37:17.460) A entrega de chaves BitLocker. (00:37:17.460 –> 00:37:20.720) E a gente estava conversando sobre isso antes, (00:37:20.720 –> 00:37:23.100) Não é obrigatório, (00:37:23.100 –> 00:37:26.540) Que você salve a chave do BitLocker na Microsoft. (00:37:26.540 –> 00:37:26.940) Não. (00:37:26.940 –> 00:37:27.900) Você pode salvar. (00:37:27.900 –> 00:37:29.380) Pode não estar em outro lugar. (00:37:30.520 –> 00:37:33.140) O que chama atenção aqui é a possibilidade, (00:37:33.140 –> 00:37:33.740) E vejam, (00:37:33.740 –> 00:37:35.360) Assim, (00:37:35.360 –> 00:37:36.800) O FBI e a polícia, (00:37:36.800 –> 00:37:39.040) Eu tenho absoluta certeza (00:37:39.040 –> 00:37:44.300) Que todos esses órgãos de investigação, (00:37:44.300 –> 00:37:45.220) De persecução penal, (00:37:45.220 –> 00:37:46.440) Tem o direito de, (00:37:46.440 –> 00:37:47.820) Eventualmente, (00:37:47.820 –> 00:37:50.180) Por uma ordem judicial fundamentada, (00:37:50.180 –> 00:37:52.420) Pedir acesso a nuvens, (00:37:52.420 –> 00:37:54.300) Como é o que está acontecendo agora. (00:37:54.560 –> 00:37:56.020) Os grandes escândalos aí, (00:37:56.020 –> 00:37:56.820) Banco Master, (00:37:57.240 –> 00:37:57.620) Mas, assim, (00:37:57.620 –> 00:38:01.300) Grandes escândalos e de crimes e tal, (00:38:01.300 –> 00:38:04.420) O pessoal acaba acessando nuvem de gente (00:38:04.420 –> 00:38:06.180) Que deixa o WhatsApp fazendo, (00:38:06.180 –> 00:38:07.480) Não se fala muito, (00:38:07.480 –> 00:38:10.940) Mas que deixa o WhatsApp fazendo backup lá no Google, (00:38:10.940 –> 00:38:11.940) Acessa o Google, (00:38:11.940 –> 00:38:14.000) Recupera o backup e vê tudo que o cara fez, (00:38:14.000 –> 00:38:14.720) Quem conversou, (00:38:14.720 –> 00:38:16.020) E arquivos e tudo mais. (00:38:16.020 –> 00:38:18.580) Mas o que chama atenção (00:38:18.580 –> 00:38:22.160) Sobretudo como os Estados Unidos agora estão se posicionando, (00:38:22.160 –> 00:38:23.440) Nessa parte de vigilância, (00:38:23.440 –> 00:38:25.520) Já vem se posicionando ao longo dos últimos anos, (00:38:25.520 –> 00:38:27.260) De repente, (00:38:27.260 –> 00:38:30.500) O FBI pegar a tua chave do BitLocker (0

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Radiožurnál
Seriál Radiožurnálu: „Nemusím pracovat od rána do noci.“ Docentka z Ukrajiny v Česku uklízela, dnes je psycholožkou

Radiožurnál

Play Episode Listen Later Feb 24, 2026 3:36


Bezprostředně po začátku ruské invaze utekla Olha Shukalova se dvěma dětmi z Charkova do Česka a začala pracovat jako uklízečka v karlovarských hotelech. Její vedoucí si však všimla jejích diplomů z univerzity a doporučila jí práci ve školství. Olha, docentka psychologie s bohatou praxí, měla odvahu začít znovu – dnes pracuje na Karlovarsku jako psycholožka a vede tým psychoterapeutů.

Magickando
Tomamos Ayahuasca e olha no que deu | Magickando 276

Magickando

Play Episode Listen Later Feb 12, 2026 101:06


Voltamoswww.penumbralivros.com.brapoia.se/magickando

Naruhodo
Naruhodo #459 - O estoicismo melhora nossa qualidade de vida?

Naruhodo

Play Episode Listen Later Feb 9, 2026 58:47


Concentrar-se no que é controlável e aceitar o que é incontrolável. Essa á uma das máximas do pensamento estóico, criado pelo imperador romano Marco Aurélio e que voltou ao hype. Afinal, o que é - e, principalmente, o que não é - estoicismo?Confira o papo entre o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza.>> OUÇA (58min 48s)* Naruhodo! é o podcast pra quem tem fome de aprender. Ciência, senso comum, curiosidades, desafios e muito mais. Com o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza.Edição: Reginaldo Cursino.http://naruhodo.b9.com.br*APOIO: INSIDERChegou fevereiro, ilustríssima ouvinte e ilustríssimo ouvinte do Naruhodo.É quando a rotina aperta de verdade: o calor pesa, os compromissos se acumulam, o corpo sente, o Carnaval se aproxima — e a vida real acontece sem pausa.E qual é a roupa que acompanha o seu ritmo?Ela mesma: INSIDER.Afinal, INSIDER é a escolha inteligente que aguenta o dia inteiro, aguenta o calor, aguenta o movimento, aguenta a rotina.Ou seja: sustenta seu ritmo com muito estilo.Então use o endereço a seguir pra já ter o cupom NARUHODO aplicado ao seu carrinho de compras: são 10% de desconto para clientes cadastrados e 20% de desconto caso seja sua primeira compra.>>> creators.insiderstore.com.br/NARUHODOOu clique no link que está na descrição deste episódio.INSIDER: inteligência em cada escolha.#InsiderStore*REFERÊNCIASThe Western origins of mindfulness therapy in ancient Romehttps://link.springer.com/article/10.1007/s10072-023-06651-wA Comparative Analysis of Stoicism and Cognitive Behavioural Therapy (CBT)http://albertinejournal.org/10%20A%20Comparative%20Analysis%20of%20Stoicism%20and%20Cognitive%20Behavioural%20Therapy%20(CBT).pdfWilliam James and the Impetus of Stoic Rhetorichttps://scholarlypublishingcollective.org/psup/p-n-r/article-abstract/45/3/246/290269/William-James-and-the-Impetus-of-Stoic-RhetoricThe Ancient Origins of Cognitive Therapy: The Reemergence of Stoicismhttps://www.proquest.com/openview/742f90a1c1e13c9085ce2a9c8d0410fe/1?pq-origsite=gscholar&cbl=28723Core Beliefs in Cognitive Behavioral Therapy and Stoicismhttps://muse.jhu.edu/pub/1/article/964183/summaryPatricia A. Rosenmeyer (2001). Ancient Epistolary Fictions: The Letter in Greek Literature. Cambridge University Press. p. 214. ISBN 978-0-521-80004-4.https://catdir.loc.gov/catdir/samples/cam031/00041454.pdfA HISTORY OF CYNICISM https://www.holybooks.com/wp-content/uploads/A-History-of-Cynicism.pdfStoicism as a Panacea for Contemporary Problemshttps://www.proquest.com/openview/f128731c9d006eca833b90aa36167659/1?pq-origsite=gscholar&cbl=18750&diss=yThe Stoic Capitalist: Advice for the Exceptionally Ambitioushttps://books.google.com.br/books?hl=en&lr=&id=VR1VEQAAQBAJ&oi=fnd&pg=PP2&dq=stoicism+and+capitalism&ots=VuA23wsQ3C&sig=BUUMCHZI782I82BzPTwzSi6ui74&redir_esc=y#v=onepage&q=stoicism%20and%20capitalism&f=falsePopular Stoicism in the Face of Social Uncertaintyhttps://www.ceeol.com/search/article-detail?id=1075832Diógenes Laércio, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustreshttps://revistas.ufrj.br/index.php/FilosofiaClassica/article/download/40618/22230/110987Nietzsche contra stoicism: naturalism and value, suffering and amor fati https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/0020174X.2019.1527547Stoicism and sensation seeking: Male vulnerabilities for the acquired capability for suicidehttps://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0092656612000530Can stoic training develop medical student empathy and resilience? A mixed-methods studyhttps://link.springer.com/article/10.1186/s12909-022-03391-xTroubling stoicism: Sociocultural influences and applications to health and illness behaviourhttps://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1363459312451179Meditações - Marco Auréliohttps://masculinistaopressoroficial.wordpress.com/wp-content/uploads/2017/06/meditac3a7c3b5es-marco-aurc3a9lio.pdfBig boys don't cry: An investigation of stoicism and its mental health outcomeshttps://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0191886907004473Naruhodo #26 - Meditação faz bem pra saúde, segundo a ciência?https://www.youtube.com/watch?v=cqzZlXHtxjkNaruhodo #404 - Por que algumas pessoas gostam de terminar as coisas e outras não?https://www.youtube.com/watch?v=pTSZ--4TKMkNaruhodo #135 - Como eu sei que você é você e não eu? - Parte 1 de 2https://www.youtube.com/watch?v=Fq-VjuiTOY0Naruhodo #136 - Como eu sei que você é você e não eu? - Parte 2 de 2https://www.youtube.com/watch?v=yRZkLKL6QH0Naruhodo #319 - O tempo passa mais rápido quando ficamos mais velhos?https://www.youtube.com/watch?v=8xgBvsN0b_INaruhodo #433 - Existe amizade entre homens e mulheres? - Parte 1 de 2https://www.youtube.com/watch?v=EFVaBfGaowgNaruhodo #434 - Existe amizade entre homens e mulheres? - Parte 2 de 2https://www.youtube.com/watch?v=H6D1yCni0rcNaruhodo #446 - O que é transfuga de classe?https://www.youtube.com/watch?v=HQQyT1sawZoNaruhodo #430 - Por que é tão difícil deixar o rancor de lado?https://www.youtube.com/watch?v=u0IesoD4A9ANaruhodo #346 - Programação Neurolinguística (PNL) tem base científica? - Parte 1 de 2https://www.youtube.com/watch?v=p9-iauANzY0Naruhodo #347 - Programação Neurolinguística (PNL) tem base científica? - Parte 2 de 2https://www.youtube.com/watch?v=yggQXOE9lRYNaruhodo #186 - O que são as 4 causas de Aristóteles?https://www.youtube.com/watch?v=GQnAQGbMpXcNaruhodo #393 - A psicologia positiva tem validade científica? - Parte 1 de 2https://www.youtube.com/watch?v=LnSZCHHfoWINaruhodo #394 - A psicologia positiva tem validade científica? - Parte 2 de 2https://www.youtube.com/watch?v=n8h3zC7YLNs*TEXTO MARCO AURÉLIOAo despontar a aurora, faça estas considerações prévias: encontrarei com um indiscreto, com um ingrato, com um insolente, com um mentiroso, com um invejoso, com um não-sociável. Tudo isso lhes ocorre por ignorância do bem e do mal. Mas eu, que observei que a natureza do bem é o belo, e que a do mal é o vergonhoso, e que a natureza do próprio pecador, que é meu parente, porque participa, não do mesmo sangue ou da mesma semente, mas das inteligência e de uma porção da divindade, não posso receber dano de nenhum deles, pois nenhum me cobrirá de vergonha; nem posso me aborrecer com meu parente nem odiá-lo. Pois, nascemos para colaborar, como os pés, as mãos, as pálpebras, os dentes, superiores e inferiores. Agir, pois, como adversários uns para com os outros é contrário à natureza. E é agir como adversário o fato de manifestar indignação e repulsa. Isso é tudo o que sou: um pouco de carne, um breve fôlego vital e o guia interior. Deixe os livros! Não te distraias mais; não está permitido a ti. Mas que, na idéia de que já és um moribundo, despreza a carne: sangue e pó, ossos, fino tecido de nervos, de pequenas veias e artérias. Olha também em que consiste o fôlego vital: vento, e nem sempre o mesmo, pois em todo momento se expira e de novo se aspira. Em terceiro lugar, pois, te resta o guia interior. Reflete assim: és velho; não o consintas por mais tempo que seja escravo, nem que siga ainda arrastando-se como marionete por instintos egoístas, nem que maldigas o destino presente ou tenhas receio do futuro. Para qualquer parte da natureza, é bom aquilo que colabora com a natureza do conjunto e o que é capaz de preservá-la. E conservam o mundo tanto as transformações dos elementos simples como as dos compostos. Sejam suficientes para ti essas reflexões, se são princípios básicos. Afasta tua sede de livros, para não morrer amargurado, mas verdadeiramente resignado e grato de coração aos deuses. Não consumas a parte da vida que te resta fazendo conjecturas sobre outras pessoas, a não ser que teu objetivo aponte para o bem comum; porque certamente te privas de outra tarefa. Ao querer saber, ao imaginar o que faz fulano e por que, e o que pensa e o que trama e tantas coisas semelhantes que provocam teu raciocínio, tu te afastas da observação do teu guia interior. Convém, consequentemente, que, no encadear das tuas ideias, evites admitir o que é fruto do azar e supérfluo, mas muito mais o inútil e pernicioso. Deves também acostumar-te a ter unicamente aquelas ideias sobre as quais, se te perguntassem de súbito “em que pensas agora?”, com franqueza pudesses responder no mesmo instante “nisso e naquilo”, de maneira que no mesmo instante se manifestasse que tudo em ti é simples, benévolo e próprio de um ser isento de toda cobiça, inveja, receio ou qualquer outra paixão, da qual pudesses envergonhar-te ao reconhecer que a possui em teu pensamento. Porque o homem com essas características, que já não demora em situar-se entre os melhores, converte-se em sacerdote e servo dos deuses, posto ao serviço também da divindade que habita seu interior; tudo que o imuniza contra os prazeres, o faz invulnerável a toda dor, intocável a todo excesso, insensível a toda maldade, atleta da mais excelsa luta, luta que se entrava para não ser abatido por nenhuma paixão, impregnado a fundo de justiça, apegado, com toda a sua alma, aos acontecimentos e a tudo o que lhe tenha acontecido. E, raramente, a não ser por uma grande necessidade e tendo em vista o bem comum, cogita o que a outra pessoa diz, faz ou pensa. Colocará unicamente em prática aquelas coisas que lhe correspondem, e pensa sem cessar no que lhe pertence, o que foi alinhado ao conjunto. Enquanto, por um lado, cumpre o seu dever, por outro, está convencido de que é bom. Porque o destino designado a cada um está envolvido no conjunto e ao mesmo tempo o envolve. Tem também presente que todos os seres racionais têm parentesco e que preocupar-se com todos os homens está de acordo com a natureza humana Mas não deves considerar a opinião de todos, mas somente a opinião daqueles que vivem conforme a natureza. E, em relação aos que não vivem assim, prossegue recordando até o fim como são em casa e fora dela, pela noite e durante o dia, e com que classe de gente convivem. Consequentemente, não considera o elogio de tais homens que nem consigo mesmos estão satisfeitos.Na convicção de que pode sair da vida a qualquer momento, faça, fale e pense todas e cada uma das coisas em consonância com essa ideia. Pois distanciar-se dos homens, se existem deuses, em absoluto é temível, porque estes não poderiam atirar-te ao mar. Mas, se em verdade não existem, ou não lhes importam os assuntos humanos, para que viver em um mundo vazio de deuses ou vazio de providência? Mas sim, existem, e lhes importam as coisas humanas, e criaram todos os meios a seu alcance para que o homem não sucumba aos verdadeiros males. E se restar algum mal, também haveriam previsto, a fim de que contasse o homem com todos os meios para evitar cair nele. Mas o que não torna pior um homem, como isso poderia fazer pior a sua vida? Nem por ignorância nem conscientemente, mas por ser incapaz de prevenir ou corrigir esses defeitos, a natureza do conjunto o teria consentido. E, tampouco, por incapacidade ou inabilidade teria cometido um erro de tais dimensões como acontece aos bons e aos maus indistintamente, bens e males em partes iguais. Entretanto, morte e vida, glória e infâmia, dor e prazer, riqueza e penúria, tudo isso acontecem indistintamente ao homem bom e ao mal, pois não é nem belo nem feio, porque, efetivamente, não são bons nem maus.*APOIE O NARUHODO!O Altay e eu temos duas mensagens pra você.A primeira é: muito, muito obrigado pela sua audiência. Sem ela, o Naruhodo sequer teria sentido de existir. Você nos ajuda demais não só quando ouve, mas também quando espalha episódios para familiares, amigos - e, por que não?, inimigos.A segunda mensagem é: existe uma outra forma de apoiar o Naruhodo, a ciência e o pensamento científico - apoiando financeiramente o nosso projeto de podcast semanal independente, que só descansa no recesso do fim de ano.Manter o Naruhodo tem custos e despesas: servidores, domínio, pesquisa, produção, edição, atendimento, tempo... Enfim, muitas coisas para cobrir - e, algumas delas, em dólar.A gente sabe que nem todo mundo pode apoiar financeiramente. E tá tudo bem. Tente mandar um episódio para alguém que você conhece e acha que vai gostar.A gente sabe que alguns podem, mas não mensalmente. E tá tudo bem também. Você pode apoiar quando puder e cancelar quando quiser. O apoio mínimo é de 15 reais e pode ser feito pela plataforma ORELO ou pela plataforma APOIA-SE. Para quem está fora do Brasil, temos até a plataforma PATREON.É isso, gente. Estamos enfrentando um momento importante e você pode ajudar a combater o negacionismo e manter a chama da ciência acesa. Então, fica aqui o nosso convite: apóie o Naruhodo como puder.bit.ly/naruhodo-no-orelo

Pânico
Paulo Chaina | O chinês mais brasileiro que você vai conhecer

Pânico

Play Episode Listen Later Feb 5, 2026 125:47


O programa desta quinta (04) deve ser um negócio da China! Olha que estúdio internacional, hein?! A produção foi buscar o convidado lá na China! Até porque o chinês mais brasileiro que você vai conhecer vai entrar em Pânico, turma! Será que existe um programa de humor no país asiático que vai chamar o brasileiro mais chinês também? Paulo Chaina vai falar tudo sobre imigração, segurança, escala 6x1 e todos os tópicos que você vai encontrar em um programa com crise de identidade entre a comédia e a política.

Pânico
Nikolas Ferreira

Pânico

Play Episode Listen Later Jan 26, 2026 127:37


Aooooooo, minhas paniquetes e meus panicados, em Pânico! Olha só quem está de volta! Não, não é o dólar a R$ 4, nem ex inconveniente… é o programa tão assustador que vocês não sabem se choram ou se choram de rir! Esta segunda (26) deveria ser na primeira, porque o convidado é ninguém menos do que Nikolas Ferreira! A caminhada foi tão longa que o deputado federal decidiu dar uma passadinha na Paulista.

Diplomatas
“Trump olha para a Europa e vê dois inimigos: a União Europeia e as democracias liberais”

Diplomatas

Play Episode Listen Later Jan 22, 2026 40:22


O episódio desta semana do podcast Diplomatas teve como ponto de partida o primeiro ano volvido desde a tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos neste seu segundo mandato. Teresa de Sousa e Carlos Gaspar olharam para os últimos capítulos da escalada da retórica e das ameaças norte-americanas à Gronelândia, ao statu quo da NATO e às relações transatlânticas e explicaram as prioridades de política externa definidas e implementadas pela Casa Branca nos últimos 12 meses. No plano interno, a jornalista do PÚBLICO e o investigador do IPRI-NOVA assinalaram duas importantes datas do calendário político dos EUA que se cumprem em 2026 – os 250 anos da Declaração de Independência (4 de Julho) e as eleições intercalares (3 de Novembro) – para reflectir sobre o estado da democracia no país e sobre a estratégia do Partido Republicano para se manter numa posição dominadora no Congresso. No final do programa, os analistas responderam a uma pergunta enviada por um ouvinte do Diplomatas que quis saber como é que Portugal e os seus aliados devem defender o seu modo de vida e as suas democracias de actividades híbridas – como interferência eleitoral, ciberataques ou actos de sabotagem – protagonizadas pela Rússia e por outros actores externos. Texto de António Saraiva LimaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Reportage International
Ukraine: à Mykolaiv, la viticulture résiste à la guerre

Reportage International

Play Episode Listen Later Jan 15, 2026 2:38


Dans le sud de l'Ukraine, la viticulture résiste. L'activité aurait pu s'effondrer dès 2014, lorsque l'annexion de la Crimée a fait disparaître plus de la moitié de la production nationale. Mais c'est l'inverse qui s'est produit : un réflexe patriotique a encouragé les Ukrainiens à boire local, faisant même émerger de nouveaux domaines. Et malgré l'invasion russe généralisée, la dynamique ne s'est pas brisée. Cerise Sudry-Ledu nous emmène dans le vignoble de Beykush, près de Mykolaïv, dans le sud du pays, qui continue à produire alors que les vignes sont situées à une dizaine de kilomètres des positions russes.  De notre correspondante à Mykolaïv, C'est sous escorte militaire et après avoir traversé plusieurs check-points qu'on atteint la propriété. Beykush s'étend sur plusieurs hectares, tout près de la mer Noire, et l'équipe nous accueille du côté production. Il est impossible de visiter les vignes aujourd'hui pour des questions de sécurité car, à une dizaine de kilomètres sur l'autre rive, les Russes lancent des attaques régulières. Pourtant, après le 24 février 2022, alors que Mykolaïv, la ville voisine, est en proie à d'intenses combats, la production ne s'arrête que pendant un mois. La cheffe vigneronne se souvient : « Au début de la guerre, le travail était la seule chose qui permettait de garder le moral. Il offrait de quoi se concentrer au lieu de penser au danger permanent. » L'or pour un vin orange du domaine Beykush Presque chaque soir et parfois en pleine journée, des drones russes survolent la zone, s'écrasant quelques kilomètres plus loin ou filant vers Odessa. Ils ne sont plus que quatre à assurer la production. Olha habite sur place, les autres salariés sont des voisins, tandis que les vendanges sont menées tambour battant avec l'aide des habitants. « Nous sommes en contact permanent avec l'armée. Pour la sécurité, nous leur faisons des dons. Certains QR codes sur nos bouteilles permettent par exemple de soutenir la rééducation des soldats », explique-t-elle. Beykush produit près de 19 000 bouteilles par an et la marque engrange de nombreuses médailles à l'international. « Voici par exemple une médaille obtenue cette année au concours le plus prestigieux de Londres. Un de nos vins dans la catégorie des vins orange à remporter l'or. Ils se vendent tellement bien que certains sont déjà épuisés », raconte fièrement la vigneronne. « Ce vin, c'est comme le sang de la région de Mykolaïv » À Mykolaïv, Vino Mania, la boutique de Marina, est l'une des seules de la ville. Pour la vendeuse, si, en 2022, la guerre a dynamisé des importateurs étrangers soucieux d'aider l'Ukraine, ce n'est plus le cas. Et les vignerons locaux entendent bien faire valoir leur savoir-faire. Elle désigne une étagère à l'entrée. « Ça, c'est seulement la section de Mykolaïv. Là-bas, il y a une étagère avec beaucoup d'autres vins ukrainiens. » Et c'est peu dire qu'ils ont du succès. Au fond du magasin, une salle a été aménagée pour des dégustations. Et un architecte de Mykolaïv a justement convié des collègues étrangers à venir déguster des vins du coin. « Vous, vous venez de France. Vous avez donc votre identité, votre personnalité. Pour notre vin, c'est la même chose. L'identité, c'est notre point fort. » Et son conseil est toujours le même. « Un Kara Kermen du domaine Beykush. Ce vin, c'est comme le sang de la région de Mykolaïv », vante-t-il fièrement. À l'extérieur, une alerte retentit. Mais ici, le petit groupe trinque comme pour dire : « Avec ce vin, on tient bon ! » À lire aussiBeykush, le vin ukrainien primé au concours Decanter à Londres

Segurança Legal
#410 – Retrospectiva 2025

Segurança Legal

Play Episode Listen Later Jan 6, 2026 93:20


Neste episódio fazemos uma retrospectiva dos assuntos mais importantes tratados em 2025 no Segurança Legal. Você irá descobrirá os principais temas que dominaram o ano em inteligência artificial, segurança da informação e direito digital. O episódio traz uma análise sobre o aparecimento do Deepseek, explorando como a inteligência artificial transformou o cenário de segurança cibernética. Você irá descobrir os riscos de atrofia cognitiva causados pelo uso excessivo de IA, a importância da proteção de dados pessoais com a LGPD, e como os backdoors em modelos de linguagem ameaçaram a supply chain. O podcast também aborda questões de vigilância digital, as novas regras do Banco Central após fraudes bancárias, a inconstitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil, a aprovação do ECA Digital, vulnerabilidades no gov.br e a questão crítica do analfabetismo funcional digital. Esta retrospectiva cobre ainda aspectos geopolíticos da IA, regulação de inteligência artificial, conformidade com políticas de proteção de dados, e o papel das bigtechs em 2025.  Esta descrição foi realizada a partir do áudio do podcast com o uso de IA, com revisão humana.  Visite nossa campanha de financiamento coletivo e nos apoie!  Conheça o Blog da BrownPipe Consultoria e se inscreva no nosso mailing Imagem do Episódio – Por trás do tempo – Guilherme Goulart

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Pânico
André Marsiglia

Pânico

Play Episode Listen Later Dec 8, 2025 124:40


Olha só quem é o convidado em Pânico nesta segunda (08)! É o homem que só quer mostrar que toda regulação pode levar a uma “regulareação” e que todo combate à desinformação deve começar pela Resenha do programa! André Marsiglia vai estar no estúdio para analisar o futuro do Centrão — alguma saída pela tangente, tenho certeza —, avaliar o crescimento do populismo no mundo, a política, que está mais polarizada que óculos de grau que sai no sol, e o impacto da IA. A turma está tão automatizada que a abreviação vai significar “Inocência Autêntica”?É melhor assistir ao vídeo, ou vai ter que explicar o motivo de as reformas não estarem consertando nada no Brasil.

Pânico
Pilhado

Pânico

Play Episode Listen Later Dec 5, 2025 125:57


Olha só quem vai entrar em Pânico nesta sexta (05)! É o homem mais irrita… enfureci… mais Pilhado que a gente conhece! O Thiago, que é o craque das ruas, do asfalto e até do Asmar, vai participar do programa para falar sobre os títulos do Flamengo em cima do Palmeiras, a reta final do Brasileirão e a final da Libertadores — será que o Reginaldo vai meter o atestado?Ele ainda vai falar sobre suas expectativas para o sorteio da Copa do Mundo, a seleção de Ancelotti, se o menino Ney vai trazer o hexa ou se vai ter alguma farofa do Delari para ir, e muito mais… mas tudo sempre dentro das quatro linhas! Assista ao vídeo ou seu time vai ter que imitar o 13º salário e cair no final do ano.

Pânico
Ricardo Nunes

Pânico

Play Episode Listen Later Dec 4, 2025 127:35


Olha o presente de Natal que o Pânico dá para a audiência! O programa desta quinta (04) conta com a presença do homem que mostra ao leão que, na selva de pedra, manda ele! O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, vai estar no estúdio para revelar se as festas de fim de ano vão ser mais iluminadas que o sorriso do Fuzil e falar tudo sobre a vigilância da cidade — se uma imagem vale mais do que mil palavras, o SmartSampa está valendo mais do que a coleção inteira do Sítio do Pica-Pau Amarelo?Ele ainda vai responder se vai apertar as calças e trocar a Prefeitura para tentar ser governador de SP. É melhor assistir, ou vai ter que me responder os três questionamentos da humanidade: qual o significado da vida, qual o significado da morte e por que sabonete rosa faz espuma branca?

The International Risk Podcast
Episode 294: Russian Culture War with Olha Mukha

The International Risk Podcast

Play Episode Listen Later Dec 4, 2025 49:10 Transcription Available


In this episode, we journey into the heart of a cultural battleground shaped by war, identity, and resistance with Olha Mukha. Our conversation unpacks how Ukraine's cultural resilience has become a force of national survival, even as attempts at cultural erasure intensify. We explore grassroots efforts to preserve language, art, and memory, alongside the quieter, yet powerful, ways communities refuse to let their heritage be rewritten.The discussion also turns to Russia, where artistic expression faces tightening suppression and where acts of creativity have become acts of rebellion. We trace surprising cultural parallels that surface amid conflict, the role of the Russian Orthodox Church in shaping wartime narratives, and the ways cultural diplomacy and propaganda intertwine on the global stage. Finally, we examine the long history of suppressing Ukrainian culture and look ahead: What might the future hold for Ukrainian society, identity, and artistic life once the war's dust settles? A thoughtful, far-reaching exploration of culture as both a battlefield and a beacon.Olha Mukha, PhD, is a cultural analyst and philosopher, cultural manager, curator and expert on international communication and human rights. Known for her extensive work in cultural diplomacy and human rights. She is Co-Founder and Programme Director of the Ukrainian Association of Cultural Studies - Lviv and Head of Educational and International Department of Memorial Museum “Territory of Terror”. Senior Strategist at strategic communications (IN2). She is an expert in crisis communication, creating participant journeys for sensitive topics, aesthetic perception, and memory studies, including oral history practices. The International Risk Podcast brings you conversations with global experts, frontline practitioners, and senior decision-makers who are shaping how we understand and respond to international risk. From geopolitical volatility and organised crime, to cybersecurity threats and hybrid warfare, each episode explores the forces transforming our world and what smart leaders must do to navigate them. Whether you're a board member, policymaker, or risk professional, The International Risk Podcast delivers actionable insights, sharp analysis, and real-world stories that matter.Dominic Bowen is the host of The International Risk Podcast and Europe's leading expert on international risk and crisis management. As Head of Strategic Advisory and Partner at one of Europe's leading risk management consulting firms, Dominic advises CEOs, boards, and senior executives across the continent on how to prepare for uncertainty and act with intent. He has spent decades working in war zones, advising multinational companies, and supporting Europe's business leaders. Dominic is the go-to business advisor for leaders navigating risk, crisis, and strategy; trusted for his clarity, calmness under pressure, and ability to turn volatility into competitive advantage. Dominic equips today's business leaders with the insight and confidence to lead through disruption and deliver sustained strategic advantage.The International Risk Podcast – Reducing risk by increasing knowledge.Follow us on LinkedIn and Subscribe for all our updates!Tell us what you liked!

Inteligência para a sua vida
#1437: OLHA ONDE JESUS SE COLOCOU POR VOCÊ

Inteligência para a sua vida

Play Episode Listen Later Nov 26, 2025 14:21


No Getsêmani, diante de Judas e dos oficiais que vieram prendê-Lo, Jesus tomou uma atitude que a maioria nunca percebeu.Um detalhe simples, mas profundo, que revela o quanto Ele se colocou entre você e o mal.Assista e entenda por que isso muda completamente a maneira de viver a fé e por que você não precisa terceirizar aquilo que só você pode fazer diante de Deus.

Pânico
Raul Ruffo

Pânico

Play Episode Listen Later Nov 13, 2025 123:38


Olha o Ruffão em Pânico nesta quinta (13)! Mas, dessa vez, ele só vai te deixar eletrizado com a sua música mesmo! Raul Ruffo é o convidado do programa para revelar as chaves do sucesso do universo sertanejo, abrir a Boate Azul com uma história milagrosa e mostrar que a saída pela direita pode ser música para certos ouvidos.Ele não é Seixas, mas a gente só pede para tocar Raul!

chá com rapadura
123 - sarapatel

chá com rapadura

Play Episode Listen Later Nov 11, 2025 63:09


Olha, a gente lavou a alma falando de tudo: das marmotas do COP30, dos gatinhos que roubaram o Louvre, passando pelo Will Smith Baiano, e chocadas com três latinhas de coca-cola (!!!)... Se ajeita aí, puxa a rede, que esse episódio tá pra matar de rir. E ó: se tu já é do time que nos apoia lá no Patreon, então se prepara porque hoje mesmo tu vai receber o um rapadurinha, viu? (O rapadurinha é um papo rapidinho que a gente grava antes do episódio começar... só pros apoiadores) ;)