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Enterrados no Jardim
O cativeiro sem grades. Outra conversa com Rui Lage

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later Feb 26, 2026 287:52


“Veio-me à cabeça a imagem do general Garibaldi quando, ao partirem de Roma, disse aos soldados que lhes oferecia sede e calor durante o dia, fome durante a noite e perigo a toda a hora…” Isto serve como impulso se nos viramos para aquele outro lado do qual só recebemos notícias quando algo da ordem da catástrofe nos faz sentir como a realidade é hoje outro nome para o esquecimento. Esses lugares por onde anda a monte, sem prece que o alcance, e a coçar-se contra tudo o deus dos secretos, senhor de vidas inesperadas, que não quadram, não encontram rima neste mundo, mas são contíguos a desertos, serras floridas, e mato agreste, afiados instintos de tanta dar caça a bichos difíceis de explicar, enumerar, armar ciladas aos pássaros, naças aos peixes no mais fundo rio, pescarias ali onde o rio faz d'água uma mansa colheita, e às vezes distraído num gesto mais largo, molhava n'água amara, e compelia/ a recolher a roxa tarde e breve”, depois servia-se da capela abandonada como despensa, usava os santos quebrados para esfacelar a carne. Chamam casa a estes lugares que começam onde se chama campo ao que mais ninguém quis. Tudo saqueado, vendido, traído, tudo roído por uma angústia esfomeada. “Vês o tempo como foge/ que parece que não toca?” Como querem então fazer deste tempo qualquer coisa que se sinta, que de si possa fazer exemplo, deixar algo em conserva, penetrar com um perfume apenas seu esses esforços de memória? “Correm os nossos tempos de maneira,/ Antes no mal parece que estão quedos,/ por mais que mude o sol sua carreira,/ Tantos os males são, tantos os medos,/ Que não há vale cá, não há ribeira,/ Por onde soem já cantares ledos;/ Dos tristes ouvi esses, entretanto/ Dará o céu matéria a melhor canto.”… Há tanto tempo já que não cantamos, e parece até que grão mal adivinhamos. Parece que erram buscando saber o que vão por aí inda dizendo os poetas, mas estes, pior que as silvas, têm só esta estratégia de viverem virados para si mesmos, fazendo o seu, como quem oferece caução, sem levantar ondas, e depois esperar que se insista nesse triste enredo que foi o da eternidade, como se eles disso tivessem notícias mais do que as enfermidades de retardo que nos servem de quotidiano. “O vosso Tejo vai de sangue tinto./ Tal vai o nosso Douro, tal o Lima,/ E vão ainda pior do que te pinto./ Aquele que mais pode não estima/ Entrar por onde quer, saqueia tudo,/ O fogo traz na mão, a maça e a lima./ O dono do curral há-de ser mudo,/ Se não quer, em soltando uma só fala,/ Provar com dano seu, seu aço agudo.” Só vagos ventos sem origem nem nenhuma espécie de sentido andam pelos fundos da língua, a fazer que vivam antigas imagens, muito repetidas, muito usadas para ajudar a despertar fantasmas um pouco mais doces, como o dessa Leanor descalça, que vai pela verdura até à fonte e… “A talha leva pedrada,/ pucarinho de feição,/ sai de cor de limão,/ beatilha soqueixada; cantando de madrugada,/ pisa as flores na verdura:/ Vai fermosa e não segura.” O campo hoje é mais um enredo que o ouvido capta escutando os ecos na sua intimidade ajeitados a modos bravios fazendo por se reproduzirem. “O maravilhoso move-se tão próximo/ das casas sujas e decrépitas…” E o que temos nós ainda de ligação com isto, ainda somos capazes com o nosso peso de assentá-lo em qualquer pegada que faça florescer a verdura? Somos vistos lá onde o tempo se faz outro de tão longe, e temos alguma semelhança muito lavada com esses de olhos castanhos, a tez soleada, a fala cantada de só saber das coisas o recorte emprestado pelo ar. Outros ouvirão falar de um país esquecido, entregue à sua bárbara implosão, num mundo entregue ao desaire de envelhecer, enrijar, ossificar-se sem mais distracção que a própria destruição… Essa é a sua musa, e desperta nele uma intenção terrível, a de um mundo que deita um olhar envilecido a tudo o que de fora só vem para roubar-lhe a paz, incomodá-lo. Eram mentira os idílios, e mesmo desses lendas cheias do unto verboso foi tendo outra impressão… “Um dia vi o amor – era medonho:/ tinha olhos convulsos de anjo bêbado/ e a máscara do ódio.” Os que eram daqui, de tanto se desfazerem contra os trabalhos ordinários que aos demais serviam de ilustração, impulsos para que a lira se entregasse às suas perras entoações, tão fartos de terra, de séculos sentindo os ossos lentamente esmagados contra ela, com vergões e cicatrizes herdadas na pele, e nenhum entusiasmo por esses nomes que a nós nos sabem a mel e cheiram a madressilva. Mal se puderam ver livres de tudo isto, deram cabo dela e de tudo o que lhes lembrasse, nesse crime passional de que fala o Rui Lage. Preferem-lhe tudo o que sirva para enforcar a vista, essas grandes casas, edifícios que fecham a vista, escondem o horizonte, empurram o olhar para longe de todo o céu, fartos-fartos da terra, das infinitas extensões que lhes causavam vertigem pois só viam o imenso trabalho que tudo isso lhes dava. Se nós vamos ao campo em passeio, gozar do prazer de ver a terra presa aos astros, alguns vêm a ígnea tela bárbara de espanto, conhecem os infinitos cansaços de “um povo que vivia a suicidar-se, arando a terra, abrindo a derradeira cama”. Esse povo que hoje nos custa reconhecer como a nossa mais funda tradição, povo para quem o trigo é pão em flor, povo para quem a verdadeira flor era o pão. E é deles sobre nós que sentimos assentarem como uma esparsa maldição esses olhos rasos de um espanto podre, vozes misturadas ao silêncio, um engolir a seco nas serras onde irá a enterrar por estes dias o último pastor, lugares à morte entregues todo-ouvidos. Esta a corografia que se apropriará dos nossos restos, o país das “cabras e carrascos”… “É no teu chão dorido/ Que gasto, em paz, os cascos/ Deu fauno envelhecido…” Escreva-se o requiem, então, sendo certo que de nós nada irá notar-se que não comece ali, que se esboce entre aquela névoa: “A morte/ em flor/ dos camponeses/ tão chegados à terra/ que são folhas/ e ervas de nada/ passa no vento/ e eu julgo ouvir/ ao longe/ nos recessos da névoa/ os animais feridos/ do Início.” Tão poucas páginas daquilo que se resolve antologias fazem ferida como esta. Um pó que soa, um brilho que nos chama para a infinidade dessas noites em que não havia mais que acumular o resíduo de estrelas, vê-lo pairar, como uma essência estranha àquela terra que se fazia sentir com a sua imensidão nos corpos, o peso deles também a decompor-se, sem dar notícia, nesse pouco som enfrentando os currais sem gado que ruíram de pobreza. O sofrimento é a única história, mas desta talvez só o musgo dê, “em seu discurso esquivo de água e indiferença alguma ideia disto”. E, por isso, neste tempo que é sempre depois, só nos resta passar por lá em prosa, para não nos entregarmos a essa inane torpeza de quem canta seja o que for, e se põe a soprar aos pés de um enforcado a ver se o faz balouçar… O enforcado de quem ainda alguns têm muita vergonha… “No gesto suspensivo de um sobreiro,/ o enforcado.// Badalo que ninguém ouve,/ espantalho que ninguém vê,/ suas botas recusam o chão que o rejeitou.// Dele sobra o cajado.” É uma forma de dizer mal disto tudo, outra é lançar um fósforo e rir-se ao vê-los naquela dança dos noticiários, estes que só sabem soletrar o desastre quando o campo, a paisagem deles, surge carbonizado. Quando já não é possível trocar coisa nenhuma por nada que valha. Um fim muito claro, muito fácil de entender, traduzindo em cinzas aquilo que de outro modo não era senão “um pó que nem se palpa/ na peneira do mundo”. E de toda aquela história resta o quê? Além da dúvida de um tempo incerto, sem ciclos, sem estações sequer, os campos tão sós… “Tão longe/ dos homens, as largas plantações, ermos/ sem lar, sem fumos, sequer sem espectros/ dos antigos habitantes vivos.” Aos poucos o bucolismo já não aguenta canto seja de que espécie for, morrem as espécies e só se gera já “crias das bestas e dos homens”, um hálito desolador e “oposto ao antigo sopro do Génesis; que gera/ criaturas como se meramente simulasse/ a vida. E a paisagem torna-se aparência,/ semente simulacro e armadilha”. Teremos, então, de nos contar não tanto com os resíduos de estrelas, que já quase não se vêem, mas com os resíduos do campo: “É o oco interior de alguns/ quintais. O bailado surdo/ e brusco das asas/ da galinha./ A caleira podre aonde/ chora um pingo/ – o derradeiro.// É o mundo minúsculo/ dos canteiros; a vida/ nos degraus da planta; a sesta/ de uma gata que por acaso/ insiste em ser novelo.// É este chão cinzento./ A carne entumescida das paredes./ As espinhas reunidas/ do que foi um peixe.// E as armas toscas de matar/ o tempo: colheres, comida, insectos que tentam/ (ao menos) um mundo/ irrequieto./ É a noite que tem as mãos/ suspensas sobre um alguidar/aonde bóia o dia/ pequeno/ de todas as crianças.// Em certas casas constroem-se/ filhos: a música suave/ que se ouve nas camas./ Resíduos da canção/ a única/ que este povo/ ainda sabe/ e canta.” E com este balanço todo que levamos, colhido na mais recente antologia da poesia portuguesa que nos ofereceu Rui Lage, aquela que reza sobre os campos afinal tão infelizes que foram mantidos até meados do século passado num epílogo do Neolítico, parece que deste lado já estamos safos. Mas, entretanto, se a natureza só é vista em trânsito, cada vez mais embaraçada, a vida cedeu toda ela a um comércio passageiro, e se antes Deus se pagava com o seu próprio dinheiro (lombarda, vinho, feijão-verde e batata nova entre outras espécies), agora parece que a própria vida lírica está inteiramente nos velhos, os que tendo memória de outro mundo, estão invadidos de um infinita suspeita, e tossem, conspiram contra este com uma militância certamente desencantada, mas talvez já só haja algum encanto em ser contra. “Sempre se busca alguma espécie de/ mortal eternidade e a escolha/ da terra é a melhor// forma de amar um tempo destinado/ a mostrar que a linguagem por mais/ ninguém usada// como poesia/ o mortal corpo de quem/ a usou há-de por fim dilacerar”. De resto, que resta? Talvez já só esse resíduo de alvoroço, andar para trás e recompor com toda a dificuldade uma pequena porção de toda aquela dor, emocionar-se diante de algo como um arado, que hoje adquire as feições de um passado remoto, mais parecendo o seu esqueleto. Contra a tecnologia toda que se alimenta de nós, espantar-se diante desse ser já sem mundo… “A mecânica do arado é rudimentar,/ clarividente e sóbria. Nada tem/ em demasia: o que a função requer/ e nada mais.// No perfil eficiente do arado/ há qualquer coisa de navalha, qualquer coisa/ de falo em riste, em transe de fecundar.// de facto, noutros tempos,/ era o arado que rasgava a terra,/ fazia dela um ventre aconchegado –/ cenário certo para o deflagrar da vida/ que vai dentro das sementes.// isto foi no tempo em que havia agricultura/ nos gestos quotidianos dos homens/ e das mulheres.” Agora, o campo na linguagem parece também ele algo que se trafica na sua versão transgénica. Vemos aquele talento para combinar os termos e favorecer um apelo rústico, na poesia como na gastronomia ou nos empreendimentos de turismo-rural… Os poemas dos nossos neo-bucólicos, estão cheios de tojo, restolho e urze, giestas, estalidos, de folhas secas, água a correr, das vozes distantes que chamam dos quintais, e das “casinhas/ com papás, vovós e manos, talvez/ com uma sentida perda/ de um talher à mesa e uma/ horta, couves, alfaces, a doméstica/ economia dos quintalórios/ com um cão cativo a ladrar/ à sina e à honestidade das batatas/ que as mães ou avós ainda esmagam/ na sopa com uns pingos de azeite e/ enfado. Pequeno país do/ gasóleo e futebol, memórias/ de mercados e feiras buliçosas,/ de escolinhas rústicas, agora desertas,/ com a cruz e os presidentes na parede,/ pequeno país de bravia/ palavra, sofrida crueza/ de mato ardido e estrumes, sucatas,/ detritos, o hábito endurecido dos/ pequenos holocaustos/ diários.” E para que mais queremos o espaço, a terra, o país propriamente, esse que serve de luxo de passagem, com todas essas aldeias com abismos e alguma ribeira ao fundo. Carbonizadas aldeias que parece que se deitaram para sempre, e estão por aí como ruínas de embalar, “como se nenhum de nós conseguisse entrar nesse obscuro mundo de leis e direcções invisíveis”. E olhamos para tudo isso e aqueles que lhe escaparam de algum modo talvez se sintam como se reconfortados, como se não pudesse mesmo haver volta, e não quisessem daquele mundo outra coisa além desse “mecanismo triste/ movendo a boca breve”. E o fogo talvez seja a última honestidade de que somos capazes. Talvez, de algum modo, nós sejamos toda a destruição que sonharam e convocaram essas tantas gerações que ali no campo “nasciam, penavam e pereciam no anonimato e no isolamento mais cru”, como nos diz Rui Lage. “A luta pelo pão de cada dia exauria a força vital, conduzida para o braço que fazia descer a enxada e o mangual, que pilotava o arado, que cegava as espigas no braseiro do estio e tocava o gado pelos montes. Do berço à cova, a existência do camponês compunha-se de agruras e privações inumeráveis. Ninguém disse tal condição em verso tão cortante quanto Gil Vicente, pela voz do lavrador da Barca do Purgatório (1518): ‘Sempre é morto quem do arado/ há-de viver'. Afinal, nesse auto medial da trilogia das barcas, o Lavrador anuncia-se ao Anjo não como debutante da morte, mas como seu veterano: ‘Da morte venho eu cansado'. Séculos a fio, o adeus aos campos infelizes foi um gesto vedado. A aldeia fazia as vezes de um cativeiro sem grades.”

Reportagem
Após 4 anos de guerra, Ucrânia resiste a ataques maciços de drones russos com redes artesanais e robôs

Reportagem

Play Episode Listen Later Feb 24, 2026 8:27


Quatro anos depois da invasão russa, a guerra na Ucrânia continua em um impasse sangrento, e sem qualquer sinal de desfecho. Estimativas militares apontam entre 1,5 milhão e quase 2 milhões de soldados mortos desde 2022 — a maioria deles russos. Nesta terça-feira (24), data que marca mais um aniversário da guerra, a RFI ouviu militares e civis para traçar um resumo da situação atual no país.   Com informações dos enviados especiais da RFI à Ucrânia, Murielle Paradon e Julien Boileau, e de Théo Renaudon. A Rússia mantém o controle de aproximadamente 20% do território da Ucrânia, consolidando ganhos obtidos sobretudo em 2024, ainda que sem grandes avanços desde então. A presença russa é forte ao leste, no Donbass, e ao sul, perto de Zaporíjia, Kherson e Crimeia. Porém, a proliferação de drones mudou a configuração da guerra. Na cidade portuária de Kherson, é preciso dirigir em alta velocidade para evitar ser perseguido por um drone russo. A estrada também é parcialmente protegida por redes artesanais projetadas para deter o que os moradores chamam de "máquinas mortais".  “Usamos diferentes tipos de redes para deter os drones. Algumas têm buracos de vários tamanhos, que podem parar os drones e as cargas explosivas que eles lançam", explica Oleksander Tolokonnikov, vice-chefe da administração regional de Kherson. "E não são apenas as redes; temos sistemas de interferência contra drones e unidades móveis que podem abatê-los,” completa.  O clima é sombrio na cidade. Cerca de 80% da população fugiu de Kherson. Os poucos que ficaram parecem resignados.  Vika tomava um café ao ar livre, enfrentando o frio e a ameaça inimiga. Aos 16 anos, ela diz que se acostumou com a ideia de morrer a qualquer momento.  “Quando você ouve o som de um drone, você não sabe o que vai acontecer, se você vai conseguir chegar ao seu destino ou se o drone vai lhe atingir. Então eu me escondo debaixo das árvores, sim, das árvores!”  Apenas os idosos, funcionários públicos e suas famílias permaneceram em Kherson. Para eles, a vida está por um fio. Ludmila, de 71 anos, prefere depositar sua fé em Deus. “Antes de sair de casa, eu rezo a Deus para que Ele esteja comigo, para que nada aconteça comigo, com meus filhos, meus netos ou com a minha igreja”, diz.  Combate robotizado Além da guerra com drones, os soldados ucranianos contam cada vez mais com a ajuda de robôs no combate. Equipamentos controlados remotamente são usados para reabastecer soldados e até mesmo resgatar os feridos, como os enviados especiais da RFI acompanharam em Pavlograd, no leste da Ucrânia.  Na zona rural coberta de neve, Artem, um soldado de 24 anos, opera remotamente um robô equipado com uma plataforma e grandes esteiras — uma espécie de mini-tanque — que surgiu no campo de batalha há alguns meses para reabastecer os soldados ucranianos na linha de frente.  “Usamos este robô conectado para transportar suprimentos, comida, geradores, munição — tudo o que os soldados precisam para sobreviver. Devido ao grande número de drones inimigos, não é possível reabastecer os soldados a pé ou em um veículo sem colocar em risco a vida de outros soldados.”  Esses robôs também podem evacuar os feridos. Os dispositivos maiores podem transportar uma carga de até 500 kg. Artem relata que em uma operação recente conseguiram "evacuar dois soldados feridos que estavam cercados em território já ocupado pelo inimigo. A evacuação exigiu um longo planejamento", afirma. "Aguardamos condições climáticas favoráveis e então lançamos a operação. Ela durou 10 horas e foi um sucesso! Não consigo descrever a emoção que senti quando conseguimos retirar o robô com os dois soldados feridos da zona de perigo”, conclui.  O próprio jovem Artem foi ferido na linha de frente em 2023. Tendo perdido uma perna, ele não luta mais com um fuzil, mas com um joystick, que é uma nova forma de fazer guerra.  Conversas de paz estagnadas Enquanto isso, na arena diplomática, as mais recentes negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, realizadas em Genebra em meados de fevereiro, terminaram sem avanços significativos. As duas delegações descreveram as conversas como “difíceis”. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os resultados foram “insuficientes” e que questões políticas sensíveis seguem sem solução, apesar de algum progresso técnico nas discussões militares.  Novas rodadas estão previstas, mas sem data anunciada. Os Estados Unidos continuam a mediar o processo e falam em “progresso significativo”. Combate à corrupção Ao mesmo tempo em que enfrenta negociações de paz marcadas por avanços limitados e grande pressão internacional, a Ucrânia também trava uma batalha interna contra a corrupção — um fator decisivo para sua credibilidade diante dos mediadores e aliados ocidentais. Kiev tenta demonstrar comprometimento institucional ao aprofundar investigações, sancionar envolvidos em escândalos e restaurar a independência de órgãos anticorrupção. Essas medidas são vistas como essenciais, tanto para fortalecer sua posição nas negociações quanto para avançar no caminho da integração europeia.  Saudadas por ONGs anticorrupção, essas deliberações ainda são insuficientes, explica Maria Barabach, porta-voz da Sproto (“Resistência”, em português), que denuncia os subornos e acordos secretos na Ucrânia. “Antes da guerra, havia relatórios oficiais de que a corrupção custava mais de 30% do orçamento da Ucrânia", diz. "Mas acho que esse valor aumentou durante a guerra, porque existem muitos documentos confidenciais. E nós, como ativistas anticorrupção, não podemos verificá-los, controlá-los ou sequer vê-los”, lamenta.  “A corrupção nos custa mais vidas do que o agressor durante a guerra. Porque a corrupção significa que os soldados não terão capacetes, não terão equipamentos de proteção e não terão armas suficientes. Não terão munição suficiente. E, obviamente, isso custa vidas, as mais preciosas, as de nossos civis e de nossos militares. É por isso que devemos lutar contra isso. Devemos impedir isso.”  Apesar da exaustão do conflito, qualquer noção de “vencedor” é ilusória nesse momento, segundo especialistas: Moscou suporta perdas históricas e uma economia sob pressão, enquanto Kiev enfrenta desgaste humano, destruição de infraestrutura e dependência crescente do apoio ocidental. Ainda assim, pesquisas apontam que a sociedade ucraniana mantém um nível surpreendente de resiliência.  Ao completar quatro anos de guerra, as expectativas de um acordo entre Rússia e Ucrânia seguem baixas. Moscou insiste em concessões territoriais amplas, enquanto Kiev exige garantias de segurança robustas e rejeita ceder partes de seu território. 

Cannabis Hoje Pod
#102 Clarice Madruga — Cannabis em alta: consumo dobra e mulheres lideram

Cannabis Hoje Pod

Play Episode Listen Later Feb 24, 2026 62:52


O consumo de maconha no Brasil dobrou nos últimos dez anos, e entre as mulheres, triplicou. Esses são dados do Lenad III, o maior levantamento sobre drogas já feito no país, que mostrou, ainda, que mais de 90% desse consumo crescente é fumado. Os dados chegaram para complicar aquela narrativa de que o Brasil canábico que emerge é o do óleo e do CBD.No episódio 102 do Cannabis Hoje Pod eu conversei com Clarice Madruga, pesquisadora da Unifesp que coordenou o Lenad III, e destrinchou outros achados interessantes. Por exemplo, quanto maior a renda e a escolaridade, maior a chance de a pessoa já ter experimentado maconha no Brasil. Será, a erva, afinal, uma droga de playboy? Pois é, a proibição nunca foi um problema igual para todo mundo.A gente também entrou num território que eu adoro: a suposta polarização entre pesquisadores de drogas, com conservadores de um lado e redutores de danos do outro. Clarice desafia essa narrativa dizendo que quem estuda de verdade a cannabis mais concorda do que discorda e que os extremos barulhentos estão na população leiga, não na ciência. Aperta o play que hoje tem dado, contexto e a visão de quem passou anos pesquisando o uso de substâncias no Brasil!***Encontre a Claricehttps://www.linkedin.com/in/claricemadruga/***Clarice indicaObservatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (OBID)***MARCAS APOIADORAS DA 5ª TEMPORADAEssas são marcas que valorizam a comunicação responsável e o jornalismo de excelência como pilares para orientar o desenvolvimento do setor.AbecMed: https://abecmed.com.br/Master Plants: https://masterplants.com.br/USA Hemp: https://www.usahempbrasil.com/aLeda: https://aleda.com.br/Blis: https://appblis.com.br/***Para seguir por dentro dos avanços da cannabis e dos psicodélicosAssine a news: https://cannabishoje.substack.com/Siga no Insta: https://www.instagram.com/cannabishoje/Se inscreva no Youtube: https://www.youtube.com/@cannabishojeAcesse: https://cannabishoje.com.br/

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 24/2/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Feb 24, 2026 31:49


Segurança: o México de hoje pode ser o Brasil de amanhã / Começa hoje o julgamento do assassinato de Marielle Franco / Trump insiste na taxação / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

ONU News
Jornal da ONU - 23 de fevereiro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Feb 23, 2026 5:28


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026Guterres fala de “ataque em larga escala” aos direitos humanos no mundoÀs vésperas de julgamento do caso Marielle no STF, especialistas da ONU pedem justiça

Yeni Şafak Podcast
SELÇUK TÜRKYILMAZ-Batı kamuoylarında müesses nizama karşı teşekkül hâlindeki fikirler

Yeni Şafak Podcast

Play Episode Listen Later Feb 23, 2026 5:18


British Museum'ın Filistin adını sergi, pano, tanıtıcı afiş ve haritalardan silmesinden sonra Siyonist İsrail'le ilgili tartışmalar hız kesmedi. Türkiye'de pek çok kişi hâlâ Siyonist Yahudilerle ilgili hadiseleri gizli örgütler, teşkilatlar ve bâtınî inançlara bağlı gruplar merkezinde değerlendirme eğilimdedir. Buna karşın, Siyonizm'i kolonyal bir ideoloji olarak değerlendirenler ise gelişmeleri sistemli bir analiz çerçevesine göre tahlil ediyor. Bu sebeple British Museum gibi kolonyal kurumların Filistin adını silme kararının, belirli bir bağlam içinde değerlendirilmesine ve benzer olaylarla ilişkilendirilmesine yönelik çalışmalarla daha fazla karşılaşıyoruz. Buradan hareketle ABD'nin İsrail Büyükelçisi Mike Huckabee'nin Siyonist İsrail'in yayılmacı saldırganlığı çerçevesinde işlediği bütün suçların, Batı toplumları tarafından desteklenmesi gerektiği yönündeki çıkışını da aynı çerçevede ele almamız gerekiyor.

BoarDidi
Esses Board Games guardo no meu coração | Fabuloso Podcast

BoarDidi

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 71:52


Neste episódio do Fabuloso Podcast, Didi Braguinha e Fabrício do Aftermatch Bg vêm desmistificar o universo dos jogos de tabuleiro que resistem ao Batle royale da sua coleção. Você vai explorar como a rotina, a estratégia de troca com amigos e a percepção de valor influenciam seu acervo — e sua diversão — de forma definitiva. Desvendar os critérios que fazem um jogo “não sair da mesa” pode parecer uma tarefa difícil, mas aqui você vai entender que tudo é uma questão de perspectiva, experiência e conexão emocional com cada partida.E mais: discutimos como o aumento do hardware, os preços dos eletrônicos e o mercado de jogos digitais estão impactando o consumo de jogos físicos e de tabuleiro. Você vai descobrir como esses movimentos podem criar uma oportunidade única pra reforçar a importância do jogo analógico, que oferece interação direta, contato humano e memórias que vão além da tela. Talvez seu próximo jogo preferido esteja justamente na sua prateleira, esperando o momento certo de rever o jogo, reorganizar sua coleção ou vender para garantir novas experiências.Você, que busca entender o que faz um jogo ser inesquecível e quer otimizar seu espaço e seu investimento, não pode perder esse episódio. Se você acredita que os jogos são mais que merecedores de uma rotina e que a conexão com os amigos faz toda a diferença, essa conversa vai ampliar seu olhar e te motivar a valorizar cada momento à mesa. Embarque nesse papo cheio de insights, histórias de colecionador, estratégias de jogo e reflexões profundas sobre o que realmente importa na nossa jornada lúdica.Se você gosta de compreender a essência do que faz um jogo permanecer na sua rotina — seja por valor, diversão ou significado emocional — este episódio foi feito pra você. Afinal, jogos de tabuleiro são mais do que passatempo; são memórias, conexões e uma forma de arte que merece ser preservada, jogada e compartilhada.Prepare-se para repensar seu jeito de colecionar, jogar e se divertir. Porque no fim, o melhor no mundo dos jogos é aquilo que fica na mesa e no coração. Não deixe passar — clique e venha descobrir por que alguns jogos nunca vão embora.Se você ainda não conhece ou faz parte, fale conosco no nosso ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Fabuloso Discord⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠.E para as redes sociais: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Fabuloso Podcast no ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Fabuloso Podcast no YouTube⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Fabuloso Podcast no TikTok⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Para comprar camisa do Fabuloso (e outras):⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Deselegante⁠⁠

Ciência
"As aves são Indicadores do bom estado de conservação dos ecossistemas"

Ciência

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 21:26


A Guiné-Bissau efectuou em finais de Janeiro a contagem mundial 2026 das aves aquáticas migradoras, uma das maiores operações a nível internacional para a monitorização da biodiversidade. Esta contagem que decorreu em simultâneo em vários países inseridos nas rotas migratórias, foi realizada na Guiné-Bissau pelo IBAP, Instituto de Biodiversidade e das Áreas Protegidas, em parceria com outras entidades. Durante uma semana, oito equipas envolvendo um total de mais de 40 técnicos efectuaram essa contagem ao longo do litoral norte, centro e sul do país, bem como no arquipélago dos Bijagós que -lembramos- desde o passado mês de Julho alcançou o estatuto de Património Mundial Natural da UNESCO. António Pires, coordenador da Reserva da Biosfera dos Bijagós, esteve envolvido nesta contagem e explicitou a importância que tem designadamente para medir o estado de conservação em que se encontra determinado ecossistema. RFI: Antes de falarmos da contagem propriamente dita, onde decorreu e de que aves estamos a falar? António Pires: Estamos a falar de aves migradoras que procuram o arquipélago de Bolama-Bijagós durante o período do inverno europeu e em 2025 efectuamos a contagem mundial do arquipélago de Bolama-Bijagós e também na zona costeira da Guiné-Bissau. No arquipélago, temos três grandes zonas de contagem, devido à sua dimensão que cobre a parte de Bubaque-Soga, depois temos a parte de Formosa, mais para o norte do arquipélago, e depois a parte de Orango até mais a oeste do arquipélago. É efectuada assim a contagem do nosso espaço geográfico. Em termos da zona costeira, são efectuadas a partir do Parque Nacional Natural do Rio Cacheu até ao Parque Nacional de Cantanhez, que é a mais a sul da Guiné-Bissau. RFI: Estamos a falar que tipo de aves é que nós encontramos? António Pires: Principalmente das espécies de limícolas (aves que vivem nas praias e mangais). Fundamentalmente limícolas, que efectuam grandes migrações para o sul. Mas também encontramos as outras espécies de aves de médio e grande porte, como as garças, os mergulhões, etc, etc. Mas o alvo da contagem reside fundamentalmente nas limícolas, que empreendem grandes migrações a partir da zona de reprodução mais a norte da Europa, mais ou menos na zona da Sibéria, que ali nidificam e procuram o arquipélago Bijagós para a alimentação durante o período do inverno. RFI: Para nós termos um pouco a noção, quando elas migram de África rumo à Europa, para onde é que vão estas aves? António Pires: Existem vários pontos de paragem. Também irá depender da capacidade de cada grupo de aves para efectuar a migração de África para a Europa. Nesse caso há dois grandes sítios de grande concentração das aves nesse corredor de migração que é o arquipélago Bolama-Bijagós, ou também na Mauritânia, que é o Banco de Argan e há uma parte da população que também faz uma paragem na Europa. Parte dessa população fica na zona mais ocidental, em Lisboa, depois no Mar de Wadden (nos Países Baixos) e dali, depois, procuram o norte da Europa, que é a Sibéria para a reprodução. RFI: Desde quando é que efectuam essa contagem anual? António Pires: A Guiné-Bissau tem vindo a efectuar essa contagem há mais de dez anos, se não estou em erro. Isso foi fruto de um acordo trilateral no início entre a Dinamarca, a Alemanha e a Holanda, onde foi estabelecida uma equipa nacional para a monitorização dos sítios importantes das limícolas nos Bijagós. Depois disso, veio a desenvolver-se até à data presente. Desde 1997, mais ou menos, até esta data, temos vindo a contar regularmente as aves limícolas, também com o apoio de equipas portuguesas, de equipas holandesas, de equipas alemãs que contribuem junto com a equipa da Guiné-Bissau nas contagens ao longo desse período, mais ou menos de dez anos, se não estou em erro. RFI: Qual é a importância de estarmos todos os anos a efectuar essa contagem? António Pires: Bom, uma das importâncias da contagem mundial é para sabermos o efectivo da população que migra do norte ao sul ou do sul ao norte. Isso é a primeira questão. A outra segunda questão é o estado de conservação do espaço e também da disponibilidade do alimento que esses sítios oferecem. Porque as aves são Indicadores do bom estado de conservação dos ecossistemas. E outro aspecto também, ajuda de forma não directa, mediante estudos, a determinar a contaminação do sítio da contagem, por serem indicadores de metais pesados, mas isso numa esfera um bocadinho mais avançada, onde são efectuados estudos específicos nesse sentido. RFI: Durante uma semana, umas quantas equipas andaram tanto nos Bijagós como também na zona costeira da Guiné-Bissau para contar e ver as condições em que se encontram essas aves migradoras, O que é que andaram concretamente a fazer durante essa semana? Quais foram os critérios que aplicaram nas vossas buscas? António Pires: A equipa da Guiné-Bissau está constituída por oito grupos, no total de 46 pessoas. Nessas contagens procura-se saber o número de cada indivíduo. Procura-se também saber o estado do habitat onde eles se alimentam. Também são identificadas as ameaças associadas aos habitats e também as ameaças relacionadas com a presença das espécies no sítio. Mas também há factores que são recolhidos: factores do tempo, da maré, da incidência do sol, à pressão atmosférica. Há vários factores que são tomados em consideração durante o processo da contagem. O habitat até está em bom estado de conservação. A característica do sedimento, a vegetação que está à volta da área de contagem. Porque, por exemplo, nos Bijagós já temos um ecossistema de mangal que também é uma zona muito importante, onde a população humana dedica-se, fundamentalmente as mulheres, à recolha dos moluscos e durante a maré baixa utilizam este espaço para recolha desses moluscos. Então, existe mais ou menos uma relação entre a ave e as pessoas que utilizam o espaço durante a maré baixa. RFI: Nestes dez anos em que andaram a contar as aves migradoras, notaram alguma evolução? António Pires: Em termos do efectivo da população que procura o arquipélago, a zona costeira da Guiné-Bissau, não existe a diminuição do efectivo fruto de uma acção humana. Por exemplo, as flutuações da população dependem muito da disponibilidade do alimento ou da procura de novos sítios por essas espécies. Então, existe uma mobilidade à volta da zona costeira e do arquipélago Bolama-Bijagós. Mas pela disponibilidade do alimento, por exemplo, o arquipélago Bolama-Bijagós é muito influenciado pela dinâmica marinha e costeira. Então, isso faz com que os nutrientes estejam sempre à deriva de um lado a outro e depois é depositado num sítio específico ou num habitat específico durante a maré cheia e a maré baixa. Esses alimentos estão distribuídos dentro do espaço e as aves procuram nichos específicos para a alimentação. Mas não existe uma diminuição da espécie, de forma que a intervenção de uma outra actividade seja a excepção. Mas os habitats ou os sítios onde contamos, não existe uma diferença muito significativa. Também poderá ser em função da percepção da contagem dos factores também que interferem durante a contagem, por exemplo, a visibilidade, a distância que é contada. Isso interfere nos valores, mas não é significativo. RFI: Quais são os desafios, os problemas, os obstáculos que eventualmente estas aves encontram? Falou muito da questão de encontrar alimentos. Há outras problemáticas que enfrentam essas aves migradoras? António Pires: É mais associado ao habitat. Temos, por exemplo, o que é notório, a questão do lixo. Esse é um problema não só da Guiné-Bissau. Temos estado a constatar a presença do lixo que é trazido pelas correntes. Como sabe, a Guiné-Bissau está banhada por duas correntes, quer o mar do Golfo da Guiné e também a corrente fria que vem até à Guiné-Bissau. Então estas duas correntes, com a influência oceânica, trazem lixos para o interior do arquipélago. Mas não só, também dos lixos são produzidos nas grandes cidades e também a nível do arquipélago Bolama-Bijagós. Depois, com a chuva, parte desse lixo vai parar aos sítios de contagem e isso interfere um bocadinho nessa dinâmica da disponibilidade do habitat. O outro desafio é a necessidade da capacitação dos nossos técnicos para continuarmos nessa dinâmica internacional ligada ao Freeway, que é um corredor de migração das aves, fundamentalmente que ocorre desde a Sibéria, a parte da Europa, o banco de Argan e o arquipélago. RFI: Qual é o balanço que faz da contagem que efectuaram há alguns dias agora? António Pires: Eu considero que a contagem foi um sucesso. Os meios logísticos postos à disposição são consideráveis desde os recursos humanos, desde as embarcações, o combustível, o custo das deslocações, etc, etc. Isso fez com que a contagem fosse positiva. O outro aspecto é o nível de novas pessoas que foram incorporadas dentro dessa estrutura de contagem, porque é um trabalho que requer muito conhecimento, muita técnica e também muito trabalho de campo, anos de trabalho de campo que nos permitam identificar com certeza e dizer que é uma determinada espécie ou não. Na Guiné-Bissau, por tradição, temos estado nesse esforço, como referi anteriormente, há mais de dez anos. E bom, as dificuldades continuam a existir do ponto de vista da logística, porque estes meios também são implicados nas outras actividades. Depois é que são solicitados para a contagem mundial, por ser uma necessidade muito importante para o país. RFI: Quais são os desafios que encontram na conservação dessa biodiversidade? António Pires: Os desafios são vários. Temos o desafio desde o ponto de vista do aumento da população. Temos o desafio ligado ao desenvolvimento sustentável. Temos o desafio ligado à questão do turismo para o arquipélago ser agora um sítio de Património natural Mundial da UNESCO. O nível de importância aumentou consideravelmente. Isso faz com que o arquipélago Bijagós seja um sítio de procura. O número de turistas tem estado a aumentar, não de forma expressiva, mas sente-se a presença de cada vez mais pessoas à procura do arquipélago Bijagós. Em termos de conservação, temos o desafio ligado às mudanças climáticas. Em alguns sítios importantes, a erosão costeira tem estado a afectar alguns habitats muito importantes, sítios de reprodução das tartarugas, as zonas de alimentação de algumas espécies. Isso também é um problema. A pesca artesanal também é uma preocupação, por o arquipélago ser um sítio de excelência de actividade de pesca artesanal para os pescadores autóctones. Mas a Guiné-Bissau tem estabelecido protocolos de acordo com alguns países da África Ocidental, principalmente o Senegal. Procuram as nossas águas para as actividades de pesca, mas tudo com base na regulamentação que é estabelecida. Existe um sistema de fiscalização da actividade ilegal da pesca que é efectuada pelo Ministério das Pescas através de um departamento que tem a competência de fiscalizar actividades de pesca, não só no arquipélago, mas na zona costeira da Guiné-Bissau também. Outro desafio ligado à biodiversidade poderá estar associado à gestão do espaço e do recurso. Por ser uma reserva da biosfera, existe múltiplos actores. Há uma necessidade de estabelecer uma sinergia, uma cooperação, uma troca de informação em tempo útil para permitir que as medidas de gestão e de conservação sejam tomadas de forma atempada, evitando assim grandes problemas para o futuro. RFI: As populações locais entendem a necessidade de se cuidar da biodiversidade? António Pires: Sim, existem vários canais que temos estabelecido com os nossos parceiros, desde a comunidade local, do poder tradicional, das associações de base, das ONGs, da administração local, mesmo o Estado. Há um mecanismo de sensibilização ligado à importância do arquipélago Bijagós e mesmo ligado também à conservação da biodiversidade no arquipélago. Por exemplo, temos ONGs que têm a vocação específica ligada à questão da sensibilização, que começa desde a escola até a um nível mais alto, por exemplo, com os deputados, com os membros do governo. São efectuados esses trabalhos de sensibilização, de lobby, para despertar a atenção da importância do arquipélago e do cuidado que se deve ter em termos do desenvolvimento. Por exemplo, também as escolas de verificação ambiental. Há associações de amigos do ambiente, associações de professores, que também estão direccionados para questões ambientais. Agora, também há jornalistas de amigos do ambiente que estão a solicitar uma visita ao arquipélago, para irem conhecer. Então, essa dinâmica já está instalada. Mas é preciso um reforço dessa ferramenta de comunicação que nos irá permitir trabalhar não só a nossa instituição, que tem a responsabilidade da conservação, mas também as outras instituições também, que têm interesse dentro dessa região, para alinharmos o processo da conservação e a promoção do desenvolvimento sustentável nos diferentes eixos que são propostos.

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 20/2/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 31:55


Se negociações fracassarem, EUA podem atacar Irã / Ex príncipe deu informações privilegiadas a Epstein / Presidente da Unafisco é intimado por criticar STF. Pode? / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

Podcasts de Ecologia/Composições musicais/Natureza Ecology Podcasts/Musical Compositions/Nature

Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global. As temperaturas mundiais estão subindo por causa da atividade humana, e as mudanças climáticas agora ameaçam todos os aspectos da vida humana. Se a situação não for controlada, os humanos e a natureza passarão por um aquecimento catastrófico, com o agravamento das secas, maior aumento do nível do mar e extinção em massa de espécies. Enfrentamos um grande desafio, mas existem soluções potenciais. O que é mudança climática? Clima é o conjunto de condições médias de temperatura e ambiente num lugar, ao longo de muitos anos. A mudança climática é uma mudança nessas condições médias. A rápida mudança climática que estamos vendo agora é causada pelo uso humano de petróleo, gás e carvão para casas, fábricas e transporte. Quando esses combustíveis fósseis queimam, eles liberam gases de efeito estufa — principalmente dióxido de carbono (CO2). Esses gases retêm o calor do Sol e fazem com que a temperatura do planeta aumente. O planeta está agora cerca de 1,2°C mais quente do que no século 19 — e a quantidade de CO2 na atmosfera aumentou em 50%. O ritmo de aumento da temperatura precisa diminuir se quisermos evitar as piores consequências das mudanças climáticas, dizem os cientistas. Eles afirmam que o aquecimento global precisa ser mantido em 1,5°C até o ano 2100. Se nada for feito, os cientistas acreditam que o aquecimento global pode ultrapassar os 4ºC, levando a ondas de calor devastadoras, milhões perdendo suas casas devido à elevação do nível do mar e perda irreversível de espécies vegetais e animais. [...] O que podemos fazer? Grandes mudanças precisam vir de governos e empresas, mas os cientistas dizem que algumas pequenas mudanças no dia a dia podem limitar nosso impacto no clima: • Pegue menos voos; • Não use carros ou opte por carro elétrico; • Compre produtos com eficiência energética, como máquinas de lavar, quando precisarem de substituição; • Mude de um sistema de aquecimento a gás para uma bomba de calor elétrica; • Use material que isole sua casa do frio e do calor, evitando com isso usar aquecimento e ar-condicionado. Fontes (textos e créditos): https://www.bbc.com/portuguese/geral-58928083 https://www.institutodeengenharia.org.br/site/2022/05/04/mudancas-climaticas-um-guia-rapido-para-entender-o-aquecimento-global/ https://metsul.com/um-guia-para-entender-as-mudancas-climaticas/ https://climainfo.org.br/2022/05/13/cientistas-criam-guia-sobre-como-divulgar-eventos-climaticos-extremos/ Imagem (créditos): https://www.unep.org/pt-br/noticias-e-reportagens/reportagem/10-dicas-para-combater-crise-climatica Foto: Unsplash / Callum Shaw. Trilha sonora (créditos): https://www.youtube.com/watch?v=FhhPsur-OOI. Eldar Mansurov - Melody.

ONU News
Jornal da ONU - 19 de fevereiro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Feb 19, 2026 5:30


Jornal da ONU com Monica Grayley. Esses são os destaques desta quinta-feira, 19 de fevereiro:Relatório de Missão Independente alerta para evidências de genocídio no SudãoOMS soa alerta sobre ensaio clínico de vacina na Guiné-Bissau 

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 19/2/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Feb 19, 2026 31:25


EUA pressionam e podem atacar o Irã / Homenagem a Lula: escola é rebaixada e Planalto perde apoio de evangélicos / STF reage e tropeça em sua própria defesa / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

ONU News
Jornal da ONU - 18 de fevereiro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Feb 18, 2026 4:48


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026:Acnur lança apelo de US$ 1,6 bilhão para socorrer refugiados sudanesesGaza começa a remoção de 370 mil toneladas de lixo

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Jornal do Boris - 18/2

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Feb 18, 2026 31:14


O novo escândalo é o vazamento da Receita e as investigações a respeito / Homenagem de escola de samba a Lula é campanha eleitoral? / EUA e Irã negociam, mas tensão continua / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

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Jornal da ONU - 17 de fevereiro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Feb 17, 2026 4:18


Jornal da ONU com Monica Grayley. Esses são os destaques desta terça-feira, 17 de fevereiro:OMS afirma que quase 66% das mortes maternas acontecem em países que atravessam conflitosLíder da ONU divulga mensagem sobre o Ano do Cavalo para celebrar o novo ano lunar

Quando Menos é Mais
10 Coisas Que Eu Faço Todos os Dias Para Manter a Casa Limpa | Ep.532

Quando Menos é Mais

Play Episode Listen Later Feb 17, 2026 12:32


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ONU News
Jornal da ONU - 16 de fevereiro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Feb 16, 2026 5:02


Jornal da ONU com Eleutério Guevane. Esses são os destaques desta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026Ciclone Gezani deixa de ser ameaça após matar quatro pessoas em MoçambiqueONU alerta para crise agravada e impacto nos direitos humanos em Cuba

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Jornal da ONU - 12 de fevereiro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Feb 12, 2026 4:44


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026ONU exige fim de ataques russos a infraestruturas energéticas na UcrâniaDia Internacional contra o Uso de Crianças-Soldado destaca escalada de abusos

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 12/2/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Feb 12, 2026 31:55


PF pede afastamento de Toffoli no caso Master / Celular de Vorcaro revela conversas e negócios com Toffoli / Toffoli diz que PF não tem legitimidade para pedir seu afastamento / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

Direto ao Ponto
Educar ou proibir? Entenda o impasse sobre infância e adolescência nas redes

Direto ao Ponto

Play Episode Listen Later Feb 11, 2026 30:19


Crianças e adolescentes devem ter acesso a redes sociais? Em que condições? Esses questionamentos orientam discussões, projetos e leis mundo afora.Na Austrália, as redes são permitidas apenas após os 16 anos. No Brasil, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente – o Novo ECA Digital – determina que até esta idade, as contas em redes sociais precisam ser vinculadas às de um responsável legal. A lei, que traz ainda outras medidas de proteção, entra em vigor em 1º de março.  Iniciativas semelhantes estão em debate ou implantação em outros países, como França, Espanha e Alemanha.Para te ajudar a entender mais sobre o tema, o Direto ao Ponto conversou com a psicóloga Indianara Sehaparini, doutoranda em Psicologia pela Ufrgs, e Avelino Zorzo, professor da Escola Politécnica da PUC-RS e coordenador do Grupo de Segurança da Informação da mesma universidade. A apresentação é de Matheus Chaparini.

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 11/2/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Feb 11, 2026 32:07


Tragédia em escola do Canadá. Atiradora mata e se suicida / Vice da chapa de Lula ainda é interrogação / Haddad fala em "nova arquitetura" para gastos sociais, inclusive Bolsa Família / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

Mix Tudo
10.02.26 - Ditados populares

Mix Tudo

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 30:33


De grão em grão... A galinha enche o papo

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 10/2/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 32:51


Anvisa faz advertência sobre canetas emagrecedoras / Cuba vive situação dramática / Operação abafa consegue impedir CPI do Master na Câmara / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

Direto ao Ponto
Terras raras: como o RS se posiciona na busca por esses minerais estratégicos

Direto ao Ponto

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 25:26


As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o desenvolvimento de tecnologias e têm ganhado destaque com o crescente interesse de grandes potências. Embora o Brasil tenha a segunda maior reserva mundial, o país ainda enfrenta entraves para avançar nas etapas de refino, separação e agregação de valor, o que mantém a dependência externa em partes importantes da cadeia.Neste episódio do Direto ao Ponto, a pesquisadora Lucy Chemale, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), faz um panorama nacional e analisa como o Rio Grande do Sul se insere nesse contexto. O episódio também aborda a pesquisa conduzida pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) que identificou potencial para terras raras em Caçapava do Sul, na Região Central, ajudando a colocar o Estado no mapa desses minerais estratégicos.

ONU News
Jornal da ONU - 9 de fevereiro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Feb 9, 2026 5:10


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026:Seis anos após Covid-19, OMS avalia preparação para pandemiasNaufrágio próximo a Líbia deixa 53 migrantes mortos 

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Jornal do Boris - 9/2/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Feb 9, 2026 31:43


Congresso estuda voto distrital / Parlamentares dizem apoiar CPMI do Master, mas operação abafa impede / Primeira ministra direitista do Japão tem vitória nas eleições. Em Portugal, esquerda vence / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

PQP - Performa Q Pod
Como Tecnologia e Comportamento Humano se Encontram no Carro e nas Empresas | Performa Q. Pod. na CBN

PQP - Performa Q Pod

Play Episode Listen Later Feb 7, 2026 59:07


No Performa Q. Pod. na CBN, recebemos César Urnhani, piloto de testes, apresentador e uma das vozes mais influentes do país quando o assunto é tecnologia automotiva, comportamento ao volante e segurança no trânsito.Neste episódio, César explica como a tecnologia automotiva mostra a forma como as pessoas reagem em situações de pressão, como frear mais forte do que deveriam ou travar diante de um susto. Esses mesmos padrões aparecem nas empresas quando alguém evita tomar decisão, reage por impulso ou paralisa em um momento crítico.Aperte o cinto. Este episódio será um GPS para entender como tecnologia e comportamento humano se conectam no carro e no mundo corporativo, abrindo novas rotas para aprender, evoluir e agir com mais clareza nos momentos que realmente importam.Citação

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 6/2/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Feb 6, 2026 33:14


Lula pensa em Alckmin como candidato em São Paulo / Trump propõe novo acordo nuclear, incluindo a China / Cresce a ideia de PPPs destinadas a habitação social / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

ONU News
Jornal da ONU - 5 de fevereiro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Feb 5, 2026 4:46


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026Monitor global alerta para agravamento da fome e da malnutrição no SudãoUnicef alerta para aumento de imagens sexualizadas de crianças geradas por IA

Meio Ambiente
O lado B do salmão de cada dia: uma indústria que polui e afeta populações no sul global

Meio Ambiente

Play Episode Listen Later Feb 5, 2026 7:01


Não muito tempo atrás, comer salmão era um privilégio de ocasiões raras no ano. O preço alto de um produto nobre, pescado em águas distantes e geladas, não permitia que fosse de outra forma. Mas hoje, nas grandes cidades ocidentais, há quem se dê este luxo várias vezes por semana, apesar do alto custo social e ambiental de uma indústria que parece fora de controle.  O salmão encontrado nos supermercados em 2026 tem pouco a ver com as espécies selvagens que eram degustadas até os anos 1980. Nos últimos 40 anos, o consumo mundial do peixe triplicou graças à expansão da criação em cativeiro nos principais países produtores, Chile, Escócia e Noruega.  Na maioria das fazendas marinhas, os salmões vivem confinados aos milhares em espaços limitados por gaiolas. Privados de seus hábitos naturais, podem se atacar uns aos outros e são presas fáceis para parasitas, explica Maxime Carsel, autor de um livro que acaba de ser publicado na França: Un poisson nommé saumon : enquête sur une industrie dévastatrice (Um peixe chamado salmão: investigação sobre uma indústria devastadora, em tradução livre). A obra traz imagens impressionantes sobre as condições dos cativeiros e é publicada no momento em que a multinacional Pure Salmon planeja expandir sua produção para oito países, entre eles a França. O projeto, contestado por organizações ambientalistas, visa construir a maior fazenda do peixe do planeta, na região de Gironda.  “Há fazendas de salmão onde os peixes se comem uns aos outros, morrem e ou são devorados vivos pelos piolhos-do-mar, que são pequenos crustáceos encontrados nos oceanos que se alimentam do muco dos peixes”, disse ao autor, em entrevista à RFI. “Os salmões ficam então como zumbis – tem peixes que perderam a mandíbula, os olhos, as nadadeiras, mas ainda estão vivos. Esses são os peixes que, no final da cadeia alimentar, podem acabar no seu prato.” Coquetel de agrotóxicos Para enfrentar a proliferação dos parasitas, os produtores utilizam um coquetel de agrotóxicos como deltametrina, azametifos e benzoato de emamectina, que as correntes marítimas espalham para outros lugares. O salmão em si também é fonte de contaminação, ao levar consigo os resíduos químicos até o prato do consumidor. Não à toa, as autoridades sanitárias da Noruega emitiram uma recomendação para as famílias limitarem a ingestão do peixe, apesar de o país ser o líder mundial da produção.  Os maiores consumidores são potências desenvolvidas: Japão, Rússia, Estados Unidos e França. Mas para dar conta do apetite europeu, americano e asiático, as empresas recorrem aos países do sul, e até à África. O salmão é um peixe carnívoro que, em cativeiro, costuma ser alimentado com um composto de farinha animal e soja. Em média, são necessários de 1 a 2 quilos de outros peixe para cada quilo de salmão produzido em cativeiro.  Peixe para alimentar salmão, e não populações Foi assim que, na costa africana, multiplicaram-se nos últimos anos as usinas de fabricação do alimento, com pescados da região – e em detrimento da população local, denuncia Aliou Ba, diretor de campanhas de pesca do Greenpeace África.  “Eles usam, a cada ano, 500 mil toneladas de peixe para produzir farinha e óleo de peixe. Meio milhão de toneladas de peixe poderia alimentar aproximadamente 40 milhões de pessoas na África”, salienta. “Portanto, isso representa um problema sério e constitui o lado obscuro, a outra face dessa indústria de criação de salmão, que prejudica profundamente comunidades e países. Tem um impacto realmente negativo na África Ocidental.” Em países como Mauritânia, Senegal e Gambia, pescadores artesanais não conseguem mais encontrar cardumes de sardinhas como antes. O impacto no setor levou os governos locais a restringirem o uso dos peixes para a produção de farinha – mas os navios pesqueiros agora se deslocam mais ao sul. “Alguns estão se estabelecendo na Guiné-Bissau. Uma coisa é certa: enquanto eles não pararem de explorar excessivamente nossos recursos, deixando nossas mulheres e pescadores desempregados e destruindo nossos ecossistemas marinhos, nós também não vamos parar de lutar contra eles”, garante Aliou Ba. Mortes de trabalhadores no Chile Em seu livro, o jornalista francês Maxime Carsel também aborda o aspecto social da exploração excessiva do salmão. No Chile, catapultado a segundo maior produtor graças aos cativeiros, as condições de trabalho nestas fazendas são bem diferentes da Europa, constata ele.  “Pessoas perderam dedos e mãos. Há também aqueles mergulhadores cujo trabalho é limpar as gaiolas de salmão e que morrem porque os cabos caem sobre eles”, aponta. “Perto de cem mergulhadores morreram no Chile nos últimos anos.” Maxime Carsel avalia que um dos poucos freios para reverter este cenário seria a tomada de consciência dos consumidores. No que depender da indústria, a tendência é de crescimento ainda maior do setor. A norueguesa Mowi, líder mundial da produção de salmão, planeja passar dos atuais 520 mil toneladas ao ano para 600 mil toneladas até 2029. A China, onde a demanda é exponencial, está se lançando na produção e até Dubai amplia as duas fazendas de salmão, em pleno deserto.

ONU News
Jornal da ONU - 2 de fevereiro de 2026

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Play Episode Listen Later Feb 2, 2026 5:10


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026Portugal reafirma proeminência na economia digital durante Cimeira no PortoMudança no consumo de drogas no Afeganistão para substâncias sintéticas

Notícia no Seu Tempo
Toffoli orientou achar ‘contradição' e ‘omissões' em fala de diretor do BC

Notícia no Seu Tempo

Play Episode Listen Later Feb 2, 2026 8:37


No podcast ‘Notícia No Seu Tempo’, confira em áudio as principais notícias da edição impressa do jornal ‘O Estado de S.Paulo’ desta segunda-feira (02/02/2026): O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli registrou por escrito que tinha a intenção de buscar “omissões” e “contradição” no depoimento do diretor do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, prestado no dia 30 de dezembro no STF e conduzido pela Polícia Federal (PF), informam Aguirre Talento e Alvaro Gribel. Nas perguntas elaboradas pelo ministro para o depoimento, ele fez anotações explicando o objetivo de alguns dos seus questionamentos. Esses registros sinalizam que Toffoli parecia estar em busca de indícios de irregularidades na fiscalização do Banco Central, que resultou na liquidação do banco de Daniel Vorcaro. Os questionamentos não chegaram a ser feitos na íntegra pela PF. Procurado para falar sobre o assunto, o gabinete de Toffoli não se manifestou. E mais: Política: Códigos de conduta que inspiram STF foram criados durante crises Internacional: Irã alerta EUA para risco de guerra regional Metrópole: Bethânia e Caetano levam Grammy por álbum gravado em turnê Esportes: Corinthians supera favorito Flamengo e conquista Supercopa ReiSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Podcast Filmes Clássicos
Episódio #256 - Cinédia - Conversa com Alice Gonzaga

Podcast Filmes Clássicos

Play Episode Listen Later Feb 1, 2026 145:48


O Podcast Filmes Clássicos tem a honra de apresentar um episódio muito especial. Alexandre, Marcelo e Tony conversam com Dona Alice Gonzaga, filha de Adhemar Gonzaga, fundador da Cinédia, primeiro estúdio de cinema fundado no Brasil, e que continua a existir.“Lábios sem Beijos”, “Mulher”, “Ganga Bruta”, “Alô Alô Carnaval”, “Bonequinha de Seda”, “24 Horas de Sonho”, “Berlim na Batucada”, “O Ébrio”… Esses e dezenas de outros longas foram produzidos nas décadas de 1930 e 1940 e são verdadeiros documentos históricos de uma época, de uma sociedade, de lugares, de costumes, além de terem ajudado a popularizar diversos cantores e atores que se tornariam referência, como Carmem Miranda. Uma história envolvente a qualquer cinéfilo interessado.Além de ser a atual proprietária do estúdio, Alice é profunda conhecedora de toda a história da Cinédia, do cinema clássico, brasileiro e estrangeiro. Uma conversa bastante rica e variada e que ajuda a entender que se atualmente o cinema brasileiro conquista cada vez mais a atenção do mundo, muito se deve ao pioneirismo de Adhemar e da Cinédia.-------------------------------LINKS PARA ADQUIRIR O LIVRO DO PFC ("Uma Jornada pelo Cinema - Anos 1950"):UICLAP - ⁠⁠⁠⁠https://loja.uiclap.com/titulo/ua98290/⁠⁠⁠⁠AMAZON (livro físico e e-book) - ⁠⁠⁠⁠https://www.amazon.com.br/dp/6501481376⁠⁠⁠⁠-------------------------------Acesse nosso site: ⁠⁠⁠⁠⁠http://www.filmesclassicos.com.br⁠⁠⁠⁠⁠Instagram: @podcastfcProcure "Podcast Filmes Clássicos" no seu aplicativo de podcast do celular, no Spotify, YouTube, Anchor ou iTunes.

ONU News
Jornal da ONU - 30 de janeiro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Jan 30, 2026 5:36


Jornal da ONU com Eleutério Guevane. Esses são os destaques desta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026Guterres diz que chegou a hora de ver mulheres como chefe das Nações UnidasArtista brasileiro pauta evolução de consciência em obra eternizada pela ONU

Oxigênio
#212 – Ugo Giorgetti em 4 documentários – 2º Episódio

Oxigênio

Play Episode Listen Later Jan 29, 2026 25:12


Este é o segundo episódio da série de podcasts Ugo Giorgetti em 4 documentários e trata de dois médias-metragens: “Variações Sobre Um Quarteto de Cordas” e “Santana em Santana”, documentários produzidos pelo diretor e produtor, que também são muito diferentes entre si, mas que têm um ponto crucial em comum. No episódio, Liniane Brum e Mayra Trinca revelam como eles entrelaçam as trajetórias de vida de dois artistas, em meio ao desenvolvimento da cidade de São Paulo.  _____________________________ Roteiro [Som de tráfego em cidade: buzinas, carros, ruídos de fundo.]  Mantém em BG até entrada da música de transição. LINI: Esse é o segundo episódio da série de podcasts Ugo Giorgetti em 4 documentários. Meu nome é Liniane Haag Brum, sou doutora em teoria e crítica literária pela Unicamp e realizei a pesquisa de pós-doutorado “Contra o apagamento – o cinema de não ficção de Ugo Giorgetti” também na Unicamp, no Labjor, com o apoio da Fapesp. Essa pesquisa surgiu da descoberta de uma lacuna. Percebi que não havia nenhum estudo sobre a obra de não ficção de Giorgetti. Apesar de ela ser tão expressiva quanto a sua ficção, e mais extensa. MAYRA: E eu sou a Mayra Trinca, bióloga e mestra em Divulgação Científica e Cultural pelo Labjor. Você já deve me conhecer aqui do Oxigênio. Eu tô aqui pra apresentar esse episódio junto com a Liniane. Nele, vamos abordar os médias-metragens “Variações sobre um Quarteto de Cordas” e “Santana em Santana”. [Música de transição – tirar da abertura de “Variações Sobre um Quarteto de Cordas”] LINI: No primeiro episódio, apresentamos os documentários “Pizza” e “Em Busca da Pátria Perdida”, destacando os procedimentos e recursos de linguagem empregados pelo cineasta para retratar a complexidade da capital paulista. MAYRA: Em “Pizza”, as contradições de São Paulo surgem na investigação de pizzarias de diversas regiões, por meio de depoimentos de seus donos, funcionários, clientes e pizzaiolos. Já “Em Busca da Pátria Perdida” se concentra no bairro do Glicério, e registra a experiência de migrantes e imigrantes que encontram acolhida e fé na Igreja Nossa Senhora da Paz. Se você ainda não ouviu, é só procurar por “Ugo Giorgetti” no nosso site ou no seu agregador de podcasts.  LINI: Nesse segundo episódio, vamos falar sobre dois médias-metragens: “Variações Sobre Um Quarteto de Cordas” e “Santana em Santana”, documentários que também são muito diferentes entre si, mas que tem um ponto crucial em comum. Vamos revelar como eles entrelaçam as trajetórias de vida de dois artistas, ao desenvolvimento da cidade de São Paulo.  (pausa) Vinheta Oxigênio LINI: Se você não tem muita ligação com a música de câmara, seja tocando, estudando ou pesquisando o tema, é provável que nunca tenha ouvido falar em Johannes Olsner.  “Variações Sobre Um Quarteto de Cordas” retrata a trajetória profissional desse violista que chegou no Brasil em 1939, vindo da Alemanha para uma turnê musical, e nunca mais voltou pra casa.  MAYRA: Sobre esse documentário o crítico literário e musical Arthur Nestrovski escreveu o seguinte na Folha de São Paulo, em setembro de 2004: “O filme é muito simples. O que, no caso, é uma virtude: (…) a vida de Johannes Oelsner se confunde com a arte que praticou ao longo de quase 70 anos de carreira.” LINI: O violista alemão fez parte da formação inicial de músicos do que é hoje o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. [Música de transição – escolher excerto de “Variações Sobre um Quarteto de Cordas”] MAYRA: Talvez você esteja se perguntando o que é um quarteto de cordas… Vamos por partes:  Um quarteto de cordas é uma das formações mais emblemáticas da música de câmara e reúne quatro instrumentistas em dois pares: dois violinos, uma viola e um violoncelo. [Entra música de fundo: escolher excerto de “Variações Sobre um Quarteto de Cordas”] [Sugestão – time code do Youtube – 09:32 até 10:42] A expressão “música de câmara” tem sua origem na “musica da câmera”, termo italiano que significa “música para a sala”. É originalmente um gênero de música erudita para ser tocada em ambientes privados e íntimos, como nos aposentos palacianos e gabinetes da aristocracia, – e não nas grandes salas de concerto. LINI: A música de câmara pode ter diferentes formações, como por exemplo um dueto ou um quinteto. Mas – sim! – o quarteto é a sua forma mais clássica. [Música de transição] Embora os quartetos de cordas se dediquem a um repertório de alto refinamento artístico, sua presença no Brasil é pouco comum. Foi pensando nisso que perguntei pra Ugo Giorgetti por que motivo ele decidiu fazer um documentário sobre um tema tão específico. Ouve só como foi a nossa conversa: LINI: Sobre o quarteto de cordas eu queria perguntar o seguinte: é um tema restrito? Fica um documentário mais assim, restrito, você acha?  GIORGETTI: O Quarteto de Cordas é só um lado do documentário. Ele fala também de São Paulo, ele fala do Mário Andrade, ele fala do Prestes Maia, ele fala um monte de coisa. Ele fala da durabilidade do tempo, esse negócio se transformou em uma coisa que durou 37 anos tocando juntos. Esses caras envelheceram juntos.  [Música de transição – trecho de “Variações Sobre um Quarteto de Cordas”] GIORGETTI: Quando eu fiz o documentário, esse quarteto já não existia mais naquela forma original. Já passou por outras formas, mas é sempre o Quarteto de Cordas do município de São Paulo. Então, nenhuma coisa é tão fechada assim. MAYRA: Retomando a trajetória de Johannes Olsner: sua formação como músico erudito começou cedo e se deu por meio do aprendizado do violino. Foi só mais tarde, quando já tocava profissionalmente, que ele chegou à viola que lhe acompanhou ao longo da vida. Escuta o próprio Johannes falando um pouco sobre isso: [trecho do documentário] – Johannes Olsner: Estudei primeiro violino, comecei com 9 anos o violino, então eu me apresentei no Conservatório Real de Dresden. Aí quem me ouviu foi o grande professor Henri Marteau, francês. Depois, com 13 anos, me deram uma bolsa de estudo integral. Eu me formei, depois ganhei o meu diploma, etc, etc. Isso foi em 1935, até 1937. [trecho de MOZART em violino] LINI:  O violista já tocava no prestigioso Quarteto Fritzsche de Dresden, ainda na Alemanha, quando recebeu a notícia que iria sair em turnê para as Américas. No dia 9 de março de 1939, aos 24 anos, ele e seus parceiros musicais pegaram um navio, em Bremen, também na Alemanha.   [Efeito de som do mar]  Primeira parada: Panamá, por três dias. Depois Argentina, onde tocaram na escola alemã e permaneceram por semanas a fio. Em seguida Montevidéu, onde fizeram quatro concertos. E, finalmente, aportaram no Rio de Janeiro. [Efeito de som do mar] [trecho do documentário] – Johannes Olsner: Chegamos dia 26 de julho de 1939, com bastante atraso, mas aqui no Brasil.  LINI: Veio a Segunda Guerra, ele e os colegas permaneceram em terras brasileiras.   [trecho do documentário] – Johannes Olsner: A gente pode dizer mesmo o Deus é brasileiro, né? Eu tive sorte lá, com entrar no Quarteto e tudo assim, mas aqui, olha que, eu sempre digo para todos vocês que são brasileiros natos: pode ficar contente, porque é a melhor terra que tem. Fora de tudo que tem, olha que, é a melhor terra que tem. LINI: Olsner criou raízes em São Paulo. Em 1944, mesmo ano em que se casou, entrou para o Quarteto Haydn.  MAYRA: O Quarteto Haydn do Departamento de Cultura de São Paulo representa a fase inicial e histórica do que hoje é o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Sua origem remonta a 1935, quando foi fundado por iniciativa de Mário de Andrade, que na época era o diretor do Departamento. A formação respondia a um antigo anseio do escritor, crítico musical, ensaísta e professor de música. Entre outras tantas lutas culturais, Mário de Andrade acabou se tornando um verdadeiro paladino da construção de uma cultura musical consciente e autônoma para o Brasil. A rememoração de Oelsner dá indícios dessa efervescência: EXCERTO MÁRIO DE ANDRADE: Oelsner: Um dos primeiros concertos, me lembro, era em frente do Teatro Municipal, a velas. E então, aí o Mário, como disse, como assistiu todos os concertos, um dia ele chegou também. Ele dizia, seria possível tocar uma vez com o nosso quarteto aqui do teatro, do departamento. Então, como eu já falei para o senhor, fizemos o quarteto de Mendelssohn  [trecho do quarteto de Mendelssohn do documentário Variações(continuação do texto acima) ]  LINI: Pausa para um esclarecimento. Você lembra que no primeiro episódio a gente falou da presença da literatura na obra de não ficção de Giorgetti? Pois é, “Variações sobre um quarteto de cordas” também revela essa face do diretor paulista. Na entrevista com Oeslner, ele não disfarça o interesse pelo escritor brasileiro Mário de Andrade. [trecho do documentário] Ugo Giorgetti: O senhor lembra do bem do Mário de Andrade? Oelsner: Sim, nós éramos amigos, que infelizmente eu tinha mais contato com ele de 44, quando eu entrei no departamento, até 45, e pobre Mário morreu em 45.  Ugo Giorgetti Como ele era?  Oelsner: Sempre alegre, sempre disposto, e qualquer coisa que o senhor disse, uma novidade, o senhor dizia, vamos ver. Sim, sim, sim. E marcava quanto se podia fazer. O Mário era formidável. LINI: Eu perguntei ao diretor se ele de fato – abre aspas “perseguiu” – a presença e a figura de Mário de Andrade, na entrevista com o Oelsner. Ele respondeu que sim. E fez o seguinte relato: [trecho do documentário] Ugo Giorgetti: Eu considero o Mário de Andrade o maior intelectual de São Paulo, de todos os tempos, porque ele era um grande poeta. Tem poemas que são fantásticos, citei um num artigo que escrevi sobre Abujamra, um poema dele, que dizia, “eu sou 300, sou 350, mas um dia eu toparei comigo.” Ele era um músico, ele dava aula no Instituto de Arte Dramática, professor, ele era um etnógrafo, ele saia pelo Brasil cantando folclore, ele era um professor, claro, político, na boa fase, na boa forma de político. Ele foi o primeiro secretário de Cultura de São Paulo. Eu procuro o Mário de Andrade, onde é possível achar. Eu tenho contos dele, o que ele escreveu para jornais, ele escreveu para jornais também, era um cronista, um cara fantástico. MAYRA:  Johannes Olsner cultivou laços com Mário de Andrade e também com personalidades  como  os compositores e regentes Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri. Além disso, executou peças com as pianistas Guiomar Novaes e Magdalena Tagliaferro. Durante a formação mais longeva do Quarteto, de 1944 a 1979, ele tocou com Gino Alfonsi no primeiro violino, Alexandre Schaffman no segundo e Calixto Corazza no violoncelo. LINI: A gente pode dizer que Johannes Olsner é o biografado do documentário. Mas também podemos afirmar que essa peça audiovisual é um testemunho. Por meio de um único depoimento, o média-metragem: flagra o nascimento do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, – que é também um registro do florescimento da vida cultural e do desenvolvimento da capital paulista. MAYRA: Vislumbra uma linhagem de músicos alemães surgida em Dresden, berço musical em um dos momentos mais ricos, inovadores e contraditórios do Ocidente. LINI: Testemunha os efeitos da Segunda Guerra Mundial, quando centenas de cidadãos alemães se viram obrigados a imigrar para sobreviver. Esse ponto não está explícito no relato de Olsner, mas as imagens do documentário fazem referência ao fato. MAYRA: Revela a devoção de Johannes Olsner à música. LINI: Mesmo depois de aposentado, Johannes Olsner seguiu trabalhando como músico. Na época da gravação do documentário, em 2003, lecionava no Conservatório Villa Lobos, em Osasco, e tocava em eventos e festas de casamento. Ele jamais considerou parar com suas atividades musicais. Faleceu aos 94 anos, em São Paulo, no ano de 2010. [Bloco 2: documentário “Santana em Santana”] LINI: Santana em Santana, de 2007, foi realizado a partir de um edital da Secretaria Municipal de Cultura que visava a realização do projeto “História dos bairros de São Paulo”. A ideia por trás da chamada pública era fomentar o mapeamento audiovisual da capital paulista, por meio de documentários sobre os bairros que a compõem. MAYRA: Ugo Giorgetti, com sua produtora, a SP Filmes de São Paulo, foi selecionado com o projeto de documentário que propunha explorar a história do seu bairro de origem: Santana, localizado na zona norte da capital paulista.   [Ruído de passagem de cena] LINI: Santana em Santana: de cara dá pra perceber que o título escolhido pelo cineasta é tanto uma provocação existencial e poética, quanto um convite à interpretação.  MAYRA: A gente se pergunta: como assim Santana EM Santana? Existe um bairro dentro do bairro original? Isso seria um erro de grafia ou uma pista? Ou apenas um jogo linguístico para atrair a atenção do espectador? [Ruído de passagem de cena] LINI: Pois é, eu questionei o Ugo Giorgetti sobre o que o título do filme pretende revelar. Sua resposta acabou mostrando as motivações por trás do projeto original. Além, é claro, de elucidar esse “mistério”… Ele disse: UGO GIORGETTI: Bom, eu fiz pelo seguinte, também eu quis fazer. Se Santana realmente correspondia à minha concepção que eu tinha dela. Por quê? Porque eu ia na casa do meu irmão… Eu vou sempre na casa do meu irmão. Toda a vez que eu ia na casa dele, às vezes eu ia à noite, às vezes de dia, eu tinha a impressão que não tinha sobrado pedra sobre pedra do meu bairro. Era uma coisa sórdida, vulgar, ridícula, todas as construções iguais, uma coisa cafajeste, não sobrou nada do cinema, nada de nada. Eu não falava com ele sobre isso porque ele morava lá, ele também não falava. Então ficou essa ideia que estava cimentada na minha cabeça. E, para a minha surpresa, quando eu fiz o documentário, eu vi que não só restavam coisas, mas que restava muita coisa. Uma pessoa como eu, que conhecia muito bem o bairro, eu andava para aquele bairro o tempo todo, você procurando os lugares que você ia, em geral, eu achava o lugar. Não só achava o lugar, como alguns lugares intactos. [Ruído de passagem de cena: um carro passando] MAYRA: A escolha da linguagem cinematográfica mostra também esse interesse pessoal pelo tema.  O principal recurso usado em Variações sobre Um Quarteto de Cordas se repete em Santana em Santana: o depoimento de um único artista, nesse caso, o próprio Giorgetti.  Em Santana em Santana Ugo não é apenas o cineasta, mas assume também a posição de narrador-apresentador. Na cena que abre a narrativa, você vê um ambiente despojado, o diretor atrás de uma escrivaninha olhando para a câmera e falando o seguinte texto: [trecho do documentário Santana em Santana] Ugo Giorgetti: Santana sob o ponto de vista da história, do fato histórico, não é relevante, não há nada na história de Santana, que eu saiba, que mereça um registro significativo. Santana é uma região que fica ao norte da cidade, dividida pelo Tietê. Isto é, o Tietê é a primeira fronteira dela, que separa Santana da cidade. E o início dela, é o início mais ou menos costumeiro dos bairros de São Paulo. Quer dizer, é uma grande quantidade de terra, ocupada por uma associação entre o Estado, a Igreja e ricos proprietários. . Evidentemente essas proporções foram se desfazendo depois, principalmente os ricos proprietários, e se tornou um bairro, conforme ele se configurou, a partir de 1942”. LINI: A fala do cineasta sugere que o documentário vai investigar a história do bairro Santana. No entanto, à medida que a narrativa avança, o que se vê na tela é um percurso afetivo que pouco tem a ver com acontecimentos verificáveis, dados e informações precisas. Santana em Santana revela o cineasta à procura de sua própria história… MAYRA: Em cena, a escola que frequentou na primeira juventude, o Mirante de Santana, o cinema de bairro que hoje é shopping center. LINI: Ouve só como também é revelador esse trecho da conversa que tive com ele: GIORGETTI – O filme que mais me impactou que eu vi lá em Santa Ana foi um filme de 1960. Eu tinha 18 anos. É um filme maravilhoso não pelo, digamos assim, valor cinematográfico, é pequeno o valor cinematográfico, mas porque era um filme chamado O Julgamento de Nuremberg; o casting era inacreditável: Spencer Tracy, Burt Lancaster, Montgomery Clift. Lini: É um bom filme. Ugo: Pô!  MAYRA: Em entrevista, o diretor também expôs a importância do processo de produção do documentário, para o tema de que ele trata: GIORGETTI: Tem alguns planos nesse filme que eu gosto muito. Tem um plano que eu acho que é muito bom, que é um plano numa tempestade. Eu falei, se prepara que vai chover, se prepara que vai ter uma puta tempestade que ocorre nesse bairro. E, de repente, o que eu acho curioso é que, no meio da tempestade, o bairro ficou um bairro. Tudo ficou um pouco impreciso, como se o tempo tivesse passado, porém deixou como um quadro impressionista, contornos no meio daquela névoa da tempestade. Daí eu reconheci o bairro.  Daí eu falei, esse é Santana. Casas meio aparecendo, outras não. Uma coisa mais na sombra, outra coisa mais evidente. Ficou muito legal aquilo. Mas tem outras coisas. Tem o meu irmão voltando da feira.  Não sei se você viu. Ele está identificado como… Lini: Não, não. Ah, então eu não identifiquei. Acho que foi uma cena muito de passagem. É, o cara voltando da feira. O maestro Mauro Giorgetti com uma puta de uma cesta. Ele nem viu que ele estava lá.  MAYRA: Essa atitude artística de Giorgetti em Santana em Santana, de individualizar a narrativa, ao invés de elucidar fatos e discursar sobre eles, faz parte de um – digamos – estilo. Segundo o diretor, ele nunca trata realmente do tema que se anuncia; ele afirma que o seu mote é, abre aspas, “ter sempre uma coisa que vista a cidade (…) você pensa que tá vendo uma coisa, mas é outra”. LINI: Ou seja, de acordo com o diretor, no fundo ele está sempre tratando de São Paulo. [Pausa.] OK, como você ouviu lá no primeiro episódio, é preciso considerar a visão do artista sobre seu próprio trabalho. Mas sem tirar de foco aquilo que a obra, ela mesma, mostra.  No caso, o documentário – sobretudo – ativa a memória do diretor e a projeta no presente. Essa projeção oferece ao espectador uma realidade construída por um discurso que é uma espécie de auto-perscrutação dos primeiros anos de vida do artista em contato com a cidade. [Efeito sonoro de tráfego em cidade: buzinas, carros, ruídos de fundo]  LINI: Uma investigação a partir do subjetivo…que é também um documento…. [trecho do documentário Santana em Santana] Ugo Giorgetti: Por isso que eu tento fazer uma coisa que deixe, pelo menos, uma impressão do mundo que eu vivi. Eu não estou fazendo poesia, não estou fazendo filmes fora, cabeça, mensagem. Isso não é comigo. [Efeito sonoro de tráfego em cidade: buzinas, carros, ruídos de fundo.]  MAYRA: O roteiro desse episódio foi escrito pela Liniane Haag Brum, que também realizou as entrevistas. A revisão do roteiro foi feita por mim, Mayra Trinca, que também apresento o episódio. LINI: A pesquisa de pós-doutorado teve orientação do professor Carlos Vogt, e seu resultado é objeto de meu trabalho no âmbito do Programa Mídia Ciência, do Labjor, com supervisão da Simone Pallone. As reportagens referentes à divulgação de “Contra o apagamento, o cinema de não ficção de Ugo Giorgetti”, foram publicadas no dossiê “Ugo Giorgetti” da Revista ComCiência. A gente vai deixar o link e a ficha técnica dos documentários na descrição do episódio. LINI: A edição de áudio foi feita pela Carolaine Cabral e a vinheta do Oxigênio é do Elias Mendez.  MAYRA: Este episódio tem o apoio da Diretoria Executiva de Apoio e Permanência, da Unicamp e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a FAPESP, por meio de bolsas e também da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp. MAYRA: Você encontra a gente no site oxigenio.comciencia.br, no Instagram e no Facebook, basta procurar por Oxigênio Podcast.  LINI: Se você gostou do conteúdo, compartilhe com seus amigos.

ONU News
Jornal da ONU - 28 de janeiro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Jan 28, 2026 5:12


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026Peritos internacionais apreensivos com situação de menores e imigração nos EUAPrimeiro Barómetro da Lusofonia revela que Saúde é principal preocupação dos portugueses

Rádio PT
BOLETIM | Era de ouro do turismo: Brasil tem recorde em gastos de estrangeiros

Rádio PT

Play Episode Listen Later Jan 28, 2026 4:01


Entrada de dólares no turismo atinge nível recorde em 2025, com quase US$7,9 bilhões gastos por estrangeiros no Brasil. Esses recursos entram na economia e impulsionam toda a cadeia do turismo, como transportes, hospedagem, alimentação, agências, comércio e serviços.Sonora:

Bem Estar
Canetas emagrecedoras paraguaias: o risco dos produtos falsificados para a sua saúde

Bem Estar

Play Episode Listen Later Jan 28, 2026 32:18


Em novembro, a mineira Kellen Oliveira, de 42 anos, usou uma caneta emagrecedora do Paraguai vendida de forma ilegal e sem prescrição médica . Dias depois, passou a sentir fortes dores abdominais e precisou ser internada. O quadro de Kellen foi piorando e os médicos diagnosticaram a síndrome de Guillain-Barré, doença rara em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, causando fraqueza muscular progressiva, dormência e formigamento. Kellen está internada até hoje na UTI em Belo Horizonte. O caso dela chama atenção para o perigoso comércio de canetas emagrecedoras ilegais. Dados obtidos pelo Fantástico, comprovam que esse mercado clandestino vem aumentando vertiginosamente. Em 2024, a Receita Federal apreendeu 2.500 unidades de canetas ilegais. No ano passado, foram 30 mil canetas emagrecedoras! Esses produtos podem causar efeitos colaterais extremamente severos e até levar os pacientes ao óbito. É sobre esse assunto que vamos conversar hoje com o Dr. Fabio Trujilho, diretor do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e presidente da ABESO, Associação Brasileira de Estudos da Obesidade.

MMH - The Home Of Rock Radio Podcasts
Losin It With Luscious #273 Punks & Freaks vs Synths & Melody!

MMH - The Home Of Rock Radio Podcasts

Play Episode Listen Later Jan 26, 2026 125:18


DJ Jesse Luscious tracks how punk pushed synths to evolve with The Screamers, Los Microwaves, & Atom and his package, melody in punk with Zero Boys, Ramones, CH3, & The Damned, new tracks from The Mendozaz, Chroma, Dead In The Woods, Damage Party, Serfers, PLQ MRX, Industry, & Zombie Killers, and classics from Rata Negra, Esses, Zolar X, Johnny Thunders & The Heartbreakers, Zorn, Unsane, Bongzilla, Neurosis, Avengers, Dead And Gone, Effigies, and Dead Kennedys!   Channel 3- You Make Me Feel Cheap (1981 Demo) Zero Boys- Trying Harder Ramones- I Wanna Be Your Boyfriend Damned- I Just Can't Be Happy Today Mendozaz- An American Werewolf In London Ontario Martha- Wrestlemania VIII Rata Negra- Llorando Esses- Before The Blight Atom And His Package- Philadelphia Los Microwaves- Home Alone Screamers- Magazine Love (1977 Demo) Zolar X- Oveon Triopp Zolar X- Retro Rockets Bellrays- Hard Drive Heartbreakers- All By Myself Chroma Straight Men Damage Party- Oh Bondage! Up Yours! Avengers- The End Of The World Dead Kennedys- Moon Over Marin Effigies- Haunted Town Serfers- Mondo Cane Zombie Killers- Necro Disco Industry- Symbols Of Peace Dead In The Woods- Leeches, Ticks And Mites Dead And Gone- TV Baby Neurosis- Obsequious Obsolesence Bongzilla- High Like A Dog Unsane- Rat Zorn- Lament PLQ MRX- Gentrify My Skull

Off in the Esses
2026 Rolex 24 Preview

Off in the Esses

Play Episode Listen Later Jan 23, 2026 15:35


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Off in the Esses
Rolex 24 Qualifying Report

Off in the Esses

Play Episode Listen Later Jan 23, 2026 14:47


Apologies for the poor audio quality, unfortunately I had a mic that failed to record as expected.Support the showFollow the show on Twitter at @offintheessesFollow the show on Youtube at Off in the Esses

Meio Ambiente
Santuário na Antártida preservará amostras de geleiras condenadas a desaparecer

Meio Ambiente

Play Episode Listen Later Jan 22, 2026 19:10


As geleiras guardam a memória da evolução do clima no planeta – mas estão ameaçadas pelo aquecimento global. Na Antártida, pesquisadores de 13 países – inclusive do Brasil – começaram a abastecer o primeiro acervo glacial do mundo, para garantir a preservação desse patrimônio natural para as futuras gerações. Lúcia Müzell, da RFI em Paris As amostras que inauguraram o Santuário da Memória do Gelo (Ice Memory Sanctuary), instalado na base científica franco-italiana Concordia, foram retiradas dos Alpes. O primeiro cilindro, de 128 metros, saiu do Mont Blanc, na França, e o segundo, de 99 metros, foi extraído do Grand Combin, na Suíça. A prioridade é resguardar vestígios das geleiras que provavelmente não resistirão até o fim deste século, destruídas pelo aumento da temperatura média da Terra. "Os cilindros de gelo retirados de geleiras ameaçadas de desaparecer serão conservadas na Concordia pelas próximas décadas e séculos à frente, para estarem disponíveis para as futuras gerações de cientistas, quando essas geleiras, infelizmente, terão derretido”, indica o biologista Jérôme Fort, vice-presidente da Fundação Ice Memory e diretor de pesquisas do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS), da França. "Elas serão um rastro da história do nosso planeta: são arquivos extraordinários não só da história do clima, como da vida na Terra.” 'Balão' gigante formou a caverna de gelo O transporte da Europa até o polo sul foi quase uma operação de guerra: os cilindros precisaram ser mantidos a -20 °C durante todo o trajeto, que durou 50 dias. A chegada ocorreu no último dia 14. O santuário das geleiras, a 3,2 mil metros de altitude, é um projeto ambicioso, iniciado em 2015. O local foi construído todo em gelo, praticamente sem necessidade de outras infraestruturas, à exceção de uma espécie de balão gigante que serviu de fôrma para a caverna, agora transformada em “biblioteca do gelo”. A estrutura tem 35 metros de comprimento e fica a 9 metros abaixo da superfície. A temperatura constante de -54 °C no local permitirá preservar os cilindros por pelo menos 24 anos. Depois, a pressão do gelo tende a começar a deformar a caverna, e será preciso construir uma nova. Geleiras da América do Sul estão entre as mais ameaçadas Entre os pesquisadores que participam do projeto, tem um brasileiro: Jefferson Simões, diretor do Centro Polar e Climático do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Membro da Academia Brasileira de Ciências e com 29 viagens à Antártida no currículo, Simões é o primeiro glaciólogo do país. "O que nós estamos vendo, ao longo das últimas quatro décadas, é o derretimento principalmente das geleiras não polares. São as que estão nos trópicos, nas regiões temperadas, a exemplo dos Andes, dos Alpes, das Montanhas Rochosas e do Himalaia”, afirma. As da Venezuela já não existem mais, e outras desaparecerão em poucos anos, como as das montanhas Rwenzori, na África Central. "As geleiras, como um todo, guardam um registro muito importante. Elas são formadas pela acumulação, ao longo de milhares de anos, de cristais de neve, que, ao precipitarem-se e se acumularem, com o passar do tempo, carregam todas as características da atmosfera no momento em que se formaram”, sublinha Simões. Importância para a compreensão do aquecimento global O glaciólogo destaca a contribuição das geleiras para a paleoclimatologia, o estudo do passado do clima e de suas variações. Esses registros foram fundamentais para a descoberta e comprovação do aquecimento global. A análise das bolhas de ar retidas no gelo, ao longo de 800 mil anos, levou os cientistas a identificarem o acúmulo anormal de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) na atmosfera – os principais gases de efeito estufa. "Foi ali que nós demos as evidências de que esses gases atingiram, nos séculos 20 e 21, uma concentração nunca antes vista”, ressalta. Simões é o representante brasileiro no Comitê Científico de Pesquisa Antártica do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU), onde é um dos coordenadores de projetos de “perfuração de gelo não polar”. Ele participou das operações de captura de uma amostra na geleira Illimani, na Bolívia, que está sendo transportada para o Ice Memory Sanctuary. No futuro, a meta é coletar cilindros de outras partes dos Andes, como da calota de gelo Quelccaya, no Peru. "Nos trópicos, no Peru e na Bolívia, elas estão derretendo mais rapidamente e guardam registros, por exemplo, da história da química da atmosfera da Amazônia. Essa é uma das áreas pelas quais nós temos muito interesse, para reconstruir a história não só das queimadas e das mudanças do ciclo hidrológico, como também a história das culturas pré-colombianas”, salienta o pesquisador. Acervo com 20 amostras Além da amostra de Illimani, devem chegar nos próximos meses ao Ice Memory cilindros já recolhidos em Svalbard, no mar da Groenlândia, no Cáucaso e nas montanhas de Pamir, no Tajiquistão. No total, 20 amostras farão parte do acervo. Segundo projeções dos cientistas, metade das geleiras do mundo terá desaparecido até 2100. "Desde 1975, as geleiras perderam mais de 9 trilhões de toneladas de gelo, o equivalente a um bloco do tamanho da Alemanha, com 25 metros de espessura", observou Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial, na inauguração do projeto. O Ice Memory custou € 10 milhões nesses primeiros 10 anos, a maior parte financiados por fundos públicos de instituições científicas, e cerca de um terço por organizações filantrópicas. * Colaborou Géraud Bosman-Delzons, da RFI

Off in the Esses
5 IMSA Trends That Will Continue in 2026!

Off in the Esses

Play Episode Listen Later Jan 15, 2026 12:19


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Oxigênio
#211 – Mãos à Obra – Ep. 2

Oxigênio

Play Episode Listen Later Jan 15, 2026 25:20


No segundo episódio da série “Reparos de um Ataque – 8 de Janeiro”, Aurélio Pena, Marcos Ferreira e Rogério Bordini contam como é o delicado processo de restauro de obras de arte danificadas. É um trabalho minucioso que envolve vários experimentos, alguns deles realizados no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), usando as linhas de luz do acelerador de partícula Sirius. Eles também te contam como o restauro das obras danificadas nos ataques golpistas é um sinal de fortalecimento dos símbolos da democracia brasileira. _____________________________________________________________________ ROTEIRO “Série – Reparos de um Ataque –  8 de Janeiro” – Ep.2 Mãos à Obra Presidente Lula: Hoje, é dia de dizermos em alto e bom som, ainda estamos aqui, ao contrário do que planejávamos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Se essas obras de arte estão aqui de volta, restauradas com esmero por homens e mulheres que a elas dedicaram mais de 1.760 horas de suas vidas, é porque a democracia venceu. Muito obrigado, companheiros. Aurélio: Este é o segundo episódio da série sobre a restauração das obras vandalizadas no 8 de janeiro de 2023. Se você ainda não escutou o episódio anterior, dá uma olhadinha nele e aí volta pra cá, porque hoje nós vamos nos aprofundar em toda a ciência do restauro de uma obra rara e também pensar sobre o atual cenário da democracia brasileira.  Marcos: Eu sou o Marcos Ferreira, um dos apresentadores dessa série. Aurélio: E eu sou o Aurélio Pena, e você está ouvindo o Podcast Oxigênio. Aurélio: Uma das obras mais famosas entre as restaurações é o mural Mulatas à Mesa, de Di Cavalcanti, parte do acervo do Palácio da Alvorada. Natural da cidade do Rio de Janeiro, Di Cavalcanti viveu entre 1897 e 1976. O artista modernista produziu principalmente pinturas, desenhos, murais e caricaturas. Suas reconhecidas cores vibrantes e temas tipicamente brasileiros o tornaram um dos grandes nomes da pintura e do modernismo do Brasil.  Marcos: A obra, produzida em 1962, mostra uma cena na qual predominam figuras femininas, as chamadas mulatas, retratadas com curvas voluptuosas, pele morena e uma postura que mistura sensualidade e introspecção. Elas aparecem em um ambiente descontraído, cercadas por elementos tropicais, como frutas e flores, que evocam a exuberância e o calor do Brasil. A pintura é de grande importância porque reflete a valorização da cultura e da identidade nacional, exaltando a miscigenação como um elemento central do Brasil. Di Cavalcanti buscou celebrar a mulher brasileira, representando não apenas a sua beleza, mas também como um símbolo da força e do espírito nacional. Foi essa obra que levou sete facadas.  Aurélio: A cultura japonesa tem um tipo de arte chamado Kintsugi. Nela as rachaduras e avarias de um objeto são mantidas e valorizadas, normalmente com ouro. Essas imperfeições contam a história desses objetos. Marcos: Uma lógica parecida com a do Kintsugi foi utilizada na restauração da Mulatas à Mesa, como nos contou a coordenadora do projeto de restauro, a professora Andréia Bachettini, que você também ouviu no primeiro episódio desta série. Andréia Bachettini: Quando eu desembrulhei ela lá no início, em setembro de 23, eu fiquei muito impactada assim com a brutalidade que ela foi agredida. E o processo de restauração foi muito pensado assim, como que a gente vai não tirar o valor dessa obra, mas também a gente não podia esconder essas marcas que ela sofreu, essas sete perfurações que ela sofreu. Então a gente optou por remover esse reentelamento, o reentelamento, para os leigos, é colar uma tela para dar sustentabilidade à tela original. Então ela já tinha essa tela, ela tem a tela original, e colada a ela um outro linho que era um tecido bem resistente. Esses dois tecidos foram rasgados, inclusive a sustentação dela é feita com um bastidor em madeira que também foi quebrado, os montantes, as travas desse bastidor foram quebradas. Então a gente teve que fazer uma substituição de travas do bastidor, e aí optamos então por fazer um reentelamento com o tecido de poliéster de vela de barco, de vela, que é transparente assim, e não esconderia então as cicatrizes por trás da obra. Pela frente ela ficou imperceptível, a gente fez a restauração com a técnica de pontilhismo, que são sobreposição de pontinhos na cor, dando a ilusão de ótica da cor na superfície. Então ela fica imperceptível pela frente, mas pelo verso as marcas dessa restauração estão evidenciadas. Aurélio: Ao destacar a figura da mulata, que frequentemente é marginalizada na sociedade brasileira, a obra também provoca reflexões sobre questões sociais, como a posição da mulher negra e mestiça no Brasil. Assim, vai além da mera representação de uma imagem, tornando-se um manifesto visual da busca por uma identidade cultural, nacional e autêntica no contexto modernista. Marcos: O restauro de uma obra é extremamente sofisticado, e envolve profissionais de áreas das quais normalmente nem imaginamos. Um exemplo disso é que parte do projeto exigiu um estudo das tintas e vernizes utilizadas nos quadros danificados, feita por cientistas de materiais.  Andréia Bachettini: Falando um pouquinho do ofício, hoje a conservação e restauração não é só um artesanato, só o fazer, a habilidade manual. Claro que existe a necessidade de ter habilidade manual para interferir em uma obra, mas por trás de tudo isso, tem muita ciência, muito estudo. A gente tem que conhecer os materiais que foram feitos nessas obras. É um trabalho multidisciplinar, envolve profissionais da química, da biologia, da arquitetura, da física, da história da arte, da conservação e restauração, da museologia. Pensar como essa obra vai ficar exposta depois. Então são muitos profissionais envolvidos na restauração hoje.  Aurélio: Compreender com precisão a composição dessas tintas é uma etapa importante, pois permite aos restauradores recriar os materiais que serão utilizados para recuperar as obras, garantindo que elas fiquem quase como se fossem tocadas. Essa tarefa não é simples, já que muitas vezes as tintas usadas no passado são bem diferentes das que nós temos hoje. Além disso, é comum que artistas misturem diversos meios e pigmentos para conseguir os efeitos desejados. Em alguns casos, faziam as próprias tintas, sem deixar registro sobre esse processo. Marcos: Para entender um pouco mais sobre como o estudo dos vernizes e tintas foi feito, conversamos com dois professores da Universidade Federal de Pelotas, o Bruno Nuremberg e o Mateus Ferrer, que atuaram nas análises químicas das obras danificadas pelos golpistas.  Aurélio: Bruno, você pode contar um pouquinho pra gente como se deu esse estudo?  Bruno Nuremberg: Em janeiro de 2024, a gente já estava montando o laboratório lá em Brasília para realizar esse projeto de restauro. Claro que a base dele é a parte do restauro dessas obras, mas ele também contou com várias ações pontuais, dentre elas a que eu e o Mateus a gente está desenvolvendo até agora, que seria o quê? Seria a pesquisa dos materiais presentes nesses bens culturais para fazer toda uma parte de documentação, um estudo dos materiais utilizados pelo artista, tentar descobrir novas informações. Aurélio: E por que é feito um estudo dos materiais presentes nas obras?  Bruno Nuremberg: Então a gente pode utilizar essas técnicas na parte do pré-restauro. Por exemplo, eu tenho um quadro e nesse quadro eu preciso remover o verniz dele porque ele passou por um processo de oxidação.  Marcos: A oxidação que o professor Bruno mencionou é uma reação química que acontece com o oxigênio do ar e que acaba desgastando um material. Bruno Nuremberg:  Então se eu tiver conhecimento do material que compõe esse meu verniz, ou seja, do aglutinante, do polímero, eu vou conseguir estar direcionando um solvente muito mais adequado para ser aplicado nesse processo de remoção desse verniz. Outro ponto muito importante é que conhecendo esses materiais a gente também consegue direcionar mais corretamente, digamos assim, quais materiais devem ser utilizados no processo de restauração, no processo de intervenção. Então todo material que eu vou aplicar numa obra de arte, ele não pode ser exatamente da mesma composição. Ele tem que ter a mesma característica estética, mas a parte química dele tem que ser diferente. Por que isso? Porque daqui a 15, 20 anos um novo restaurador vai trabalhar em cima dessa tela e ele tem que distinguir os materiais que foram aplicados ali naquela intervenção. Eles têm que ser quimicamente diferentes. Então no futuro, daqui a 50, 100 anos, quando essa obra precisar passar por um processo de limpeza ou de reintegração pictórica, que seria o processo de repintar perdas, as pessoas já vão ter essas informações ali, quais materiais foram utilizados, vão ter, enfim, tudo caracterizado quimicamente, dados robustos e confiáveis do que aquela obra presença de materialidade. Então se eu tenho, por exemplo, uma pintura a óleo e eu vou fazer uma reintegração com óleo, se eu precisar retirar no futuro essa intervenção que eu fiz, eu vou estar causando um dano na pintura original que também era a base de óleo Marcos: E Bruno, quais são os desafios na caracterização dos componentes químicos dessas obras de arte?  Bruno Nuremberg: Quando a gente se depara com esse tipo de amostra, a gente encontra desafios que, digamos assim, na pesquisa tradicional de engenharia de materiais, da química, a gente não tem. O número de amostras que a gente pode coletar de uma obra de arte, ele não é ilimitado. Então a gente tem que ter uma série de autorizações, a gente tem que ver, tem vários critérios que a gente tem que seguir para poder realizar essas amostragens. As amostras que a gente coleta tem em torno de um milímetro quadrado, digamos assim. Então são amostras super pequenas. Então a gente tem numa pintura, por exemplo, tu vai encontrar aglutinantes de vernizes, tu vai encontrar cargas, tu vai encontrar aditivos, tu vai encontrar pigmentos, tu vai encontrar dois, três tipos de aglutinantes. Então essa sopa química dentro desse universo microscópico é o que a gente tem que realizar de caracterização. Aurélio: Esse tal aglutinante de verniz que o Bruno mencionou é também conhecido como ligante. Ele é o componente essencial que atua como base da formulação e é responsável por unir todos os outros ingredientes, como pigmentos e aditivos das tintas, e por formar uma película na superfície da obra que protege ela.  Marcos: Nós conversamos também com o professor Mateus Ferrer, que também é da UFPel, que trabalhou junto com o Bruno no estudo desses materiais das obras raras. Ele nos contou um pouquinho de como isso foi feito.  Mateus Ferrer: Primeiro que ali não são somente pinturas, não são somente telas. Nós temos diversos tipos de obras, inclusive materiais cerâmicos, telas de várias épocas, pintores diferentes, com técnicas e materiais diferentes. Então isso gera uma complexidade e a gente nota uma complexidade até mesmo na literatura.  Marcos: Para determinar com alta precisão os constituintes de amostras muito pequenas das telas, os professores Bruno e Mateus utilizaram diversas técnicas avançadas de análise. Algumas foram realizadas na própria universidade, enquanto outras foram feitas em instalações abertas para toda a comunidade científica, no CNPEM, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, que fica em Campinas/SP. Uma delas é a técnica de espectroscopia de infravermelho, que permite identificar e medir quais substâncias estão presentes nas obras do acervo nacional.  Mateus Ferrer: Então a gente tem o que a gente encontra na literatura, de forma muito vaga, e tem o nosso conhecimento do nosso grupo, que de fato a gente está explorando, buscando novas técnicas, buscando ferramentas, buscando laboratórios parceiros, buscando projetos como o caso do Sirius, que esse foi o primeiro projeto e não será o único, haverão outros projetos que a gente precisa de super laboratórios e equipamentos que a gente não tem na nossa estrutura.  Aurélio: Isso só é possível porque existe uma interação entre o infravermelho e as substâncias estudadas, mais especificamente, quando as moléculas das tintas ou dos vernizes conseguem interagir com a luz infravermelha. O nome disso é atividade do infravermelho. Dessa maneira, parte dessa luz interage com a amostra, podendo ser absorvida por ela, sendo isso detectado e medido pelo equipamento. Marcos: É interessante destacar que a infraestrutura de estudos com o infravermelho beneficia toda a comunidade científica brasileira, estando disponível na linha de luz Imbuia, uma das linhas de luz do Sirius, um acelerador de partículas de última geração e o mais famoso equipamento do CNPEM. A nossa Imbuia é a única linha de luz infravermelha em um equipamento desse tipo no mundo todo, mostrando para a comunidade científica internacional que o Brasil é, sim, líder em ciência de ponta.  Bruno Nuremberg: A gente consegue obter informações a respeito dos pigmentos pela espectroscopia Raman, a espectroscopia infravermelho, para a gente identificar especialmente a parte orgânica, então quais são os polímeros que compõem essa tinta, quais são os polímeros que compõem os vernizes, e a parte de microscopia eletrônica de varredura e espectroscopia de fluorescência para fazer a identificação de elementos, elementos químicos. Então, essas três técnicas aplicadas, a gente geralmente consegue informações bem completas, essas informações se complementam para a gente montar o quebra-cabeça de cada uma dessas micro amostras. Aurélio: A espectroscopia Raman é uma técnica de análise que utiliza a interação da luz com a amostra para obter informações sobre a sua estrutura molecular e a composição química. Marcos: Já a microscopia eletrônica de varredura, mencionada pelo Bruno, é uma técnica para gerar imagens de alta resolução da superfície de uma amostra. Isso acontece ao se varrer cada ponto da superfície da amostra com um feixe de elétrons bem pequeno e focado. Bruno Nuremberg: O projeto que foi submetido lá foi para utilizar o micro-FTIR, na linha Imbuia-micro. O nosso objetivo lá, então, era fazer o mapeamento químico da fração orgânica da obra do Di Cavalcanti, intitulada Mulatas à Mesa. Então, o nosso objetivo, na verdade, era identificar quais compostos orgânicos estavam presentes dentro de cada uma das camadinhas que compõem a nossa tela. A gente teve, além da utilização do equipamento, toda uma parte de preparo de amostras que foi bem complexa.  Aurélio: O professor Mateus também explicou que, para conseguir analisar essas amostras, que em geral são bem complexas, foi muito importante a ajuda da equipe científica do CNPEM, para que algumas dificuldades fossem superadas.  Mateus Ferrer: Além do pessoal da Imbuia, incluindo o cientista de linha, que foi o Bruno, o pessoal da LCRIO (Laboratório de Preparações Criogênicas), a gente teve muita dificuldade ali com essas obras. Cada uma tinha um tipo de densidade, um tipo de dureza, e junto também com a pesquisadora Juliana, do nosso grupo também, que se dedicou bastante nos cortes ali. Eu acredito que esse foi um dos grandes desafios, que a gente tinha pouquíssima amostra, quase a gente não enxergava as amostras, então a gente tinha que preparar essas amostras e para depois fazer o infravermelho com diversas formas que a gente usou ali. Mas eu acho que o grande diferencial que a gente teve ali foi realmente o mapeamento, o infravermelho acoplado com o mapeamento, que a gente conseguia encontrar as composições e as regiões daquele determinado material que a gente enxergava. Então a gente conseguia ver as camadas, mais a quantidade de materiais ali que faziam parte daquelas amostras.  Marcos: Professor Mateus, conta para a gente como o estudo químico dos materiais usados nas obras de arte pode também resultar em novos conhecimentos artísticos e históricos.  Mateus Ferrer: Quando a gente começa a entrar nesse mundo de entender o material, a gente começa a ver e comprovar de fato que a arte é um reflexo da história. Lógico que a gente tem obras também nacionais e de artistas de fora do Brasil, mas a gente começa a entender um pouquinho da história da forma como nunca ninguém viu. Eu sei que tem pessoas que criticam quando a gente quer olhar a obra de uma forma mais lógica, de uma forma científica, mas a gente começa também a pegar uma essência que não está diretamente impressa ali na obra. A gente começa a entender qual o material que aquela pessoa utilizava, a gente começa a ver discrepâncias, por exemplo, uma pessoa de classe média acima usava e uma pessoa de classe inferior usava. Então, a gente começa a entender a história e também extrair algum tipo de sentimento ali entendendo o material que foi utilizado naquela obra. São pistas para a gente, para que a gente possa entender naquela época qual era o tipo de pigmento, qual era o tipo de resina, no caso pega uma composição da tinta no geral ali ou no verniz que se utilizava, por que tal pintor utilizava materiais totalmente diferentes do que era dessa época. É dessa época mesmo? Então são questões aí que a gente, são pistas, é um processo investigativo realmente que a gente tem que ir aí se apoiando também na história. Presidente Lula: Se essas obras de arte estão aqui de volta é porque a democracia venceu, caso contrário estariam destruídas para sempre e tantas outras obras inestimáveis teriam o mesmo destino da tela de Di Cavalcanti, vítima do ódio daqueles que sabem que a arte e a cultura carregam a história e a memória de um povo. A arte e a cultura que as ditaduras odeiam, a história e a memória que sempre tentaram apagar. Estamos aqui porque é preciso lembrar para que ninguém esqueça, para que nunca mais aconteça. Aurélio: Em janeiro de 2025, em um evento comemorativo da finalização do processo de restauro das obras em Brasília, o presidente Lula discursou sobre a importância do reestabelecimento do acervo nacional e também da nossa democracia. Marcos: A fala de Lula sobre a finalização do projeto é um exemplo claro de como a manutenção da cultura e história de um país é também o restauro da democracia brasileira. Não é possível uma democracia saudável existir sem um patrimônio material, mantido em bom estado e celebrado nos espaços públicos, acessíveis para todas as gerações, por meio dos aparelhos de cultura. Aurélio: Sobre isso, o professor Mateus comenta sobre a falta de incentivos para áreas como as artes, os estudos museológicos, a manutenção e o restauro dos nossos acervos históricos.  Mateus Ferrer: É muito difícil a gente pensar em incentivos na parte de restauro e proteção quando a gente vê que a gente não dá valor às nossas obras. Então como é que a gente está pensando em incentivos, em proteger algo que a gente não valoriza? Então a gente precisa pensar realmente de incentivos na arte como um todo, dos nossos artistas, das obras que a gente tem, dos legados já que foram deixados aí e lógico isso vai vir também um incentivo na proteção desse patrimônio material que é tão precioso e tão fantástico e diversificado aqui no nosso país. Aurélio: Agora que já temos as obras restauradas e os golpistas que as danificaram vêm sendo julgados e punidos, o que o futuro promete? A democracia voltou à sua normalidade ou ainda se encontra ameaçada?  Jornalista 1: Um protesto pela anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro reuniu milhares de pessoas na Avenida Paulista em São Paulo.  Jornalista 2: O ex-presidente Jair Bolsonaro e sete governadores participaram da manifestação. Bolsonaro: O movimento aqui hoje é pela anistia, pela liberdade das pessoas de bem que nunca pegaram arma na sua vida, tanto é aquele dos condenados que estão respondendo o processo, não achei ninguém com qualquer passagem pela polícia. Música (Marcelo Crivella): A anistia chegou, é a justiça mais ampla.  Aurélio: Fizemos essa pergunta para o cientista político e professor da Universidade Federal de São Carlos, Piero Leiner, que você já deve ter ouvido no episódio anterior.  Piero Leiner: Diante desse cenário, os problemas para a democracia foram tão profundos no Brasil e tão pouco solucionados que a gente só está vivendo, assim como aquele corredor que começa tropeçando e não consegue reestabelecer o equilíbrio. A restituição do nosso processo democrático está demorando demais para acontecer, porque a máquina está ocupada em lidar com esse excesso de ruído que essas coisas todas vinculadas ao Bolsonaro e ao bolsonarismo criaram durante esses últimos anos. O bolsonarismo radicaliza cada vez mais para a extrema direita e agora com o Trump, então, isso vai escalar muito mais e o Lula acaba indo também no vácuo disso para o campo do centro-centro-direita, o que é um problema. Agora, o que vai ser nos próximos dois anos? Bom, eu acho que isso ainda está incerto, não dá para saber exatamente o que vai rolar, mas tem pesquisas mostrando um Lula muito pouco competitivo hoje já. Marcos: O professor Piero também nos contou sobre como Bolsonaro, de certa maneira, sempre buscou se vender como antissistêmico, por mais que antes da presidência, ele e a sua família já estivessem no sistema político brasileiro há décadas. Piero Leiner: Eu acho que muita gente está com uma espécie de ideia fixa na ideia de uma espécie de utopia regressiva, de que a gente vive numa sociedade extremamente desorganizada e que é uma sociedade cujos pilares são estabelecidos por uns poucos agentes que controlam a ordem das coisas a partir de uma espécie de sala secreta. É um pouco uma espécie de visão conspiratória tá? Que começa daquela percepção muito comum, muito do senso comum, de que os políticos são uma casta que só trabalha em benefício próprio, que conseguem produzir um sistema que beneficia a eles e que a sociedade é alguma coisa completamente separada ou apartada desse sistema. E a partir de um determinado momento, as pessoas passaram a botar na cabeça a ideia de que precisaria vir uma espécie de agente antissistêmico ou antissistema para fazer uma reviravolta na vida social. Quando, na verdade, isso é um engodo, uma mega farsa. Como é possível um cara ser liberal e antissistêmico ao mesmo tempo? Então, essa rebelião brasileira é uma rebelião profundamente auto-enganada, porque eles procuram justamente os agentes da ordem e da ordem que cria a própria desordem para fazer o seu movimento de rebelião. Ou seja, já é uma rebelião que nasce equivocada do começo. Me parece que tem como grande tarefa esvaziar aí sim o potencial de transformador que poderia estar ancorado a um campo popular de esquerda, etc., e tal. Marcos: Chegamos ao final do nosso episódio. Se você gostou, não se esqueça de deixar cinco estrelas para o nosso podcast. Isso nos ajuda muito a chegar em mais ouvintes e também compartilhe o Oxigênio com os seus amigos em suas redes sociais. Aurélio: Esse episódio foi produzido por Marcos Vinícius Ribeiro Ferreira, Aurélio Bianco Pena e Rogério Bordini. Foram utilizados trechos de áudios de matérias jornalísticas disponíveis na internet. Marcos: Agradecemos a todos os especialistas que conversaram com a gente neste episódio. Também agradecemos ao Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas, o Labjor da Unicamp, em especial a coordenadora do Oxigênio, a professora Simone Pallone de Figueiredo, e a doutoranda Mayra Trinca. Um grande abraço e até mais! Vinheta: Você ouviu Oxigênio, um programa de jornalismo científico-cultural produzido pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, LabJor da Unicamp. – Roteiro, produção e pesquisa: Marcos Vinícius Ribeiro Ferreira, Aurélio Bianco Pena e Rogério Bordini. Narração: Marcos Vinícius Ribeiro Ferreira e Aurélio Bianco Pena. Capa do episódio: Andréa Lacerda Bachettini trabalhando na restauração do quadro ‘As mulatas', de Di Cavalcanti. A obra levou sete cortes nos ataques do em 8 de janeiro — Foto: Nauro Júnior/UFPel. Revisão: Mayra Trinca, Livia Mendes e Simone Pallone. Entrevistados: professores da Universidade Federal de Pelotas: Andréa Lacerda Bachettini, Bruno Noremberg, Mateus Ferrer e, Piero Leirner, da Universidade Federal de São Carlos. Edição: Rogério Bordini. Vinheta: Elias Mendez Músicas: Youtube Audio Library (sem atribuição necessária) e “A Anistia Chegou” de Marcelo Crivella. Para saber mais:  Reportagem “Entre Tintas, Vernizes e Facadas” | Revista ComCiência: https://www.comciencia.br/entre-tintas-vernizes-e-facadas/ Documentário “8 de Janeiro: Memória, Restauração e Democracia” (Iphan): https://youtu.be/CphWjNxQyRk?si=xcIdb26wQTyTmS5m  

Kiwicast - O Podcast da Kiwify
Esses Irmãos Criaram um Negócio Milionário com Mkt de Influência | Vanessa e André - Kiwicast #605

Kiwicast - O Podcast da Kiwify

Play Episode Listen Later Jan 12, 2026 61:31


Os nossos convidados de hoje são irmãos, vieram do interior do Ceará e começaram do zero, sem audiência e com conteúdo orgânico. Vanessa Oliveira e André Oliveira estão no Kiwicastpara mostrar que é possível construir um negócio no digital sem precisar aparecer e utilizando o marketing de influência.Com consistência e visão de negócios, eles já faturaram mais de R$ 2 milhões e transformaram a vida de mais de 10 mil alunos ao redor do mundo.No episódio, eles compartilham na prática:●     Como funciona o processo por trás do marketing deinfluenciadores●     Por onde começar nas vendas sem aparecer●     Como escolher estratégias diferentes para cada redesocial●     Como escolher produtos que vendem mais e pagammelhores comissões Dê o play e descubra como essa virada aconteceu.-------------------Aprenda com quem vive o mercado digital na prática.Dá o play e deixe nos comentários qual foi o melhor insight que você tirou do episódio.Nosso Instagram é @Kiwify

Café Brasil Podcast
Cafezinho 709 – Caiu de Maduro

Café Brasil Podcast

Play Episode Listen Later Jan 9, 2026 9:20


Prender Nicolás Maduro não é um capricho geopolítico. É um teste moral. Existe uma confusão conveniente — e muito bem explorada — que tenta esconder crimes atrás de palavras bonitas como soberania e autodeterminação. Esses conceitos não pertencem a quem sequestra o Estado. Pertencem ao povo. Quando um regime se sustenta pela repressão, pela corrupção e pela força, ele não representa a nação. Ele a ocupa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cafezinho Café Brasil
Cafezinho 709 – Caiu de Maduro

Cafezinho Café Brasil

Play Episode Listen Later Jan 9, 2026 9:20


Prender Nicolás Maduro não é um capricho geopolítico. É um teste moral. Existe uma confusão conveniente — e muito bem explorada — que tenta esconder crimes atrás de palavras bonitas como soberania e autodeterminação. Esses conceitos não pertencem a quem sequestra o Estado. Pertencem ao povo. Quando um regime se sustenta pela repressão, pela corrupção e pela força, ele não representa a nação. Ele a ocupa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Catalisadores
Ep 72 - Michel Foucault e a Desconstrução Da Confiança na Ordem da igreja

Catalisadores

Play Episode Listen Later Jan 8, 2026 24:33


Michel Foucault, um dos pensadores mais influentes do século XX, desconstruiu conceitos fundamentais como verdade, poder e sujeito, oferecendo uma visão profundamente cética sobre as instituições e suas estruturas de autoridade. Suas ideias, amplamente difundidas nas universidades e na cultura contemporânea, têm moldado a forma como muitos jovens adventistas enxergam a igreja, suas doutrinas e sua liderança. Foucault não surge isolado. Ele faz parte de um movimento intelectual mais amplo, que inclui Friedrich Nietzsche, Jacques Derrida, Gilles Deleuze e a Escola de Frankfurt. Esses pensadores, cada um a seu modo, questionaram as bases da modernidade, desconstruíram as grandes narrativas e lançaram dúvidas sobre a possibilidade de verdades universais.

Off in the Esses
IMSA 2026 Offseason: EVERYTHING You Need to Know!

Off in the Esses

Play Episode Listen Later Jan 5, 2026 12:54


The IMSA offseason has been packed with big news! From rules changes to teams landing with new manufacturers and much more!Dailysportscar Article Discussing Protons Future: https://www.dailysportscar.com/2025/12/12/proton-competition-looking-at-imsa-gtp-in-2026-and-hypercar-in-asia.htmlMarshall Pruett/John Doonan Podcast Episode: https://www.youtube.com/watch?v=N7K-0WfRZqU&t=404s

Debate da Super Manhã
Superstições de Ano Novo

Debate da Super Manhã

Play Episode Listen Later Dec 30, 2025 46:52


Debate da Super Manhã: Atrair sorte, prosperidade, saúde e amor para o ano que se inicia. Esses são alguns dos objetivos de quem recorre às superstições no período do Réveillon. Vestir roupas de cores específicas, como branco para a paz ou amarelo para dinheiro, pular ondas do mar e comer alimentos simbólicos, como lentilhas e uvas. As crenças variam conforme a cultura e a região, mas todas elas refletem a esperança das pessoas em começar o novo ano com energias positivas e boas expectativas. No Debate desta terça-feira (30), a comunicadora Natalia Ribeiro fala com os nossos convidados sobre as crenças para a virada e a influência delas nas realizações ao longo do ano. Participam a taróloga Letícia Mística, a coordenadora da Rede de Articulação da Caminhada de Terreiros de Pernambuco- Rede ACTP, Mãe Elza de Iemanjá, e o psicólogo e educador João Vidal.