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esses

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Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 2/10/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Oct 2, 2026 31:17


Domingo é a vez do eleitor / Justiça comparece e mela debate da Globo / Lula e Flávio seguem empatados / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 1/10/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Oct 1, 2026 31:19


Lula ou Flávio? Domingo, a pesquisa final / Mais da metade dos eleitores ainda não definiram voto para senadores / Rebu no avião: copiloto esfaqueia piloto / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

ONU News
Jornal da ONU - 30 de setembro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Sep 30, 2026 5:19


Jornal da ONU com Monica Grayley. Esses são os destaques desta quarta-feira, 30 de setembro. Brasileira à frente de agência da ONU quer desvendar mais o fundo dos oceanos Observatório sobre inteligência artificial lança plataforma para América Latina e Caribe

ONU News
Jornal da ONU - 29 de setembro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Sep 29, 2026 5:16


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta terça-feira, 29 de setembro de 2026 Restauração florestal avança no mundo com exemplos positivos no Brasil ONU alerta para momento nuclear mais perigoso desde a Guerra Fria

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 29/9/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Sep 29, 2026 30:56


Eleição se aproxima e tensão política aumenta / Pesquisas continuam apontando para empate no segundo turno / Desistência de Salles reforça candidaturas de direita / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

ECOTRIM CAST | AUTOCONHECIMENTO & ESPIRITUALIDADE
VOCÊ PODE ESTAR VICIADO EM SE FRUSTRAR

ECOTRIM CAST | AUTOCONHECIMENTO & ESPIRITUALIDADE

Play Episode Listen Later Sep 29, 2026 30:10


Você deseja mudar de vida.Deseja um relacionamento.Deseja um novo trabalho.Deseja realizar um sonho.Mas, na hora de dar o primeiro passo, alguma coisa trava.E então você volta a desejar.Neste episódio do Ecotrimcast, Marcello Cotrim aprofunda um mecanismo psicológico pouco observado: o vício em se frustrar.Nem toda frustração é negativa.A frustração saudável começa ainda na infância, quando aprendemos que nem tudo acontece na hora que queremos, que precisamos esperar, nos adaptar e descobrir novas possibilidades.Ela ensina flexibilidade.Ensina tolerância.Ensina que um “não agora” não significa “nunca”.O problema aparece quando a criança aprende outra coisa:“Eu não posso.”“Eu não mereço.”“Não adianta tentar.”Ou, no extremo oposto, quando é tão protegida e poupada que não desenvolve recursos internos para enfrentar dificuldade, desconforto e espera.Esses padrões podem seguir para a vida adulta e aparecer como irritação constante, tristeza, passividade, idealização, medo de começar e dificuldade de lidar com qualquer realidade que não corresponda exatamente ao que foi imaginado.Marcello mostra ainda um mecanismo mais profundo:algumas pessoas se acostumam a desejar sem realmente se aproximar da realização.Elas ficam como uma criança na beira da piscina:querem entrar.olham os outros vivendo.imaginam como seria.mas não colocam nem o pé na água.Porque existem dois medos escondidos:o medo de tentar e descobrir que não deu certo;e o medo de conseguir — e então ter que lidar com a responsabilidade e com a imperfeição da vida real.Neste episódio você vai compreender:• A diferença entre frustração positiva e negativa.• Como a criança aprende a esperar.• Por que frustração também é necessária para amadurecer.• Como excesso de proibição pode gerar sensação de não merecimento.• Por que mimo não significa necessariamente dar coisas materiais.• Como proteger demais uma criança também pode prejudicar seu desenvolvimento.• A relação entre frustração, raiva, tristeza e sensação de impotência.• Por que nomear emoções é fundamental para transformar padrões.• Como a frustração saudável ensina flexibilidade.• Por que idealização aumenta sofrimento.• Como surge o vício em desejar sem tentar.• O medo de fracassar.• O medo de conseguir.• Por que relações idealizadas frequentemente fracassam diante da realidade.• Como abandonar a espera pela situação perfeita e começar.Uma das provocações centrais deste episódio é:você realmente quer realizar — ou se acostumou ao prazer de continuar desejando?A vida não precisa acontecer exatamente como você imaginou para poder ser boa.Maturidade também é descobrir que existem outros caminhos, outras possibilidades e outros começos.Comece suas Meditações Espiritualistas:https://www.lojamotivacional.com.br/categoria-produto/cds-digitais/Conheça os cursos e eventos de Marcello Cotrim:https://www.lojamotivacional.com.brInscreva-se no canal, compartilhe este episódio e acompanhe diariamente o Ecotrimcast.

Stock Pickers
O dilema dos multimercados: ainda vale ter esses fundos na carteira? #65

Stock Pickers

Play Episode Listen Later Sep 28, 2026 73:30


Os multimercados perderam espaço nas carteiras dos investidores, enfrentam resgates e vivem um processo de consolidação. Mas será que a história termina aí?No Carteiros do Condado, Davi Fonteneles recebe Luiz Felippo, analista de fundos da XP, para discutir o que está acontecendo com a indústria e mostrar por que, apesar das dificuldades da classe, existem fundos apresentando resultados muito diferentes entre si.O episódio passa por captação, performance, CDI, asset allocation, diversificação, posicionamento dos gestores, consolidação das casas e as principais estratégias que vêm se destacando.A conversa também aborda qual deveria ser o verdadeiro papel dos multimercados dentro de uma carteira, por que a classe passou a ser comparada constantemente ao CDI e como o cenário atual está mudando a forma de atuação das gestoras.

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 28/9/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Sep 28, 2026 30:41


Sem ideias, eleição entra na reta final / Pesquisas continuam apontando empate / Nossa Senhora é arma de campanha / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

Filme Da Semana
#311 - Como funciona a seleção de filme internacional para o Oscar

Filme Da Semana

Play Episode Listen Later Sep 26, 2026 27:15


Esses dias saiu a notícia que "Feito pipa" é o filme brasileiro selecionado para competir por um indicação ao Oscar de filme internacional; Nesse episódio explico como é feita a seleção e o caminho do filme durante a temporada de premiações.Também comentei um pouco dos destaques da temporada, com foco nos filmes de fora dos EUA, como La Bola Negra e Fjord. Me sigam no Instagram @filme.da.semanaNo Bluesky @lalarilandEmail para contato (e chave pix) podcastfilmedasemana@gmail.com

Motorsport.com Brasil
Russell voa em Baku e Kimi se dá mal! Bortoleto fica no Q1, mas à frente de Hulk. Rafa líder na F2

Motorsport.com Brasil

Play Episode Listen Later Sep 25, 2026 62:33


George Russell foi o grande nome do treino de classificação para o GP do Azerbaijão, ao fazer um 'temporal' sobre a concorrência. Além disso, o treino em Baku viu a Audi ficar no Q1 pela primeira vez em 2026. Esses e outros assuntos estão no Q4 desta sexta-feira, com a apresentação de Erick Gabriel (erickjornalista) e a participação de Guilherme Longo (@gglongo).

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 25/9/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Sep 25, 2026 31:05


Por eleição, Lula decide acabar com as bets que ele mesmo implantou / Flávio também viajou em avião de Vorcaro / EUA e China classificam como positiva reunião de presidentes / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

Giro 360
Debate e pesquisa movimentam a campanha em Goiás

Giro 360

Play Episode Listen Later Sep 25, 2026 47:00


A campanha em Goiás teve dois marcos importantes nesta semana: o debate promovido por O POPULAR/CBN Goiânia entre os candidatos ao governo e a divulgação da pesquisa Quaest/TV Anhanguera. Esses são os destaques desta edição do Giro 360, com o editor da coluna Giro, Caio Henrique Salgado; o subeditor de Notícias de O POPULAR, Júlio Lacerda; e o repórter de Política Rubens Salomão. O trio analisa o desempenho de Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luís César Bueno (PT) no debate, além das estratégias adotadas pelas campanhas após o cenário revelado pela pesquisa.

Everyone Racers
80% of Crashes Happen at This Buttonwillow Corner.

Everyone Racers

Play Episode Listen Later Sep 24, 2026 87:55


Eighty percent of the incidents at Buttonwillow happen at one corner. It's a slight rise, the curve keeps going as you climb it, and there's a flag station at the top holding all the information about whatever tragedy is waiting on the other side. It's called Phil Hill. Don't be a statistic on it.Episode 452 is a big one: our full 24 Hours of Lemons Buttonwillow preview, yes, The Butt, plus the results from NCM and everything you need for the Colorado Lemons Rally. In this old Russian Van Episode 452; Chris double twangs ratchet strapsChrissy requires you to bring something other than grapes to the rally dinnerTim aka, Ol' asbestos balls, is at it again while Accu-Mental warns you of the weather at Buttonwillow raceway, AKA The Butt.106 cars are entered at Buttonwillow this weekend. Tim is racing it, Mental is judging it, and we walk all 13 turns of the clockwise layout; Sunrise, Off Ramp, Cotton Corners, Grapevine, Club Corner, Bus Stop, Truck Stop, Riverside, Phil Hill, Sweeper, Star Mazda, the Esses and Sunset. Also with the schedule, the gate fee nobody expects, and the Accu-Mental Forecast. Short version on the weather: 99 on Thursday, and no, you do not want that rain you're wishing for. It turns the place into peanut butter and adds thirty pounds to your car.Meanwhile Chris and Chrissy are hosting AND running the Colorado Lemons Rally, which launches from their driveway. There is a five-foot hole in the yard. There is caution tape. We are all a little worried.New here? Hit SUBSCRIBE, weekly, free, for the world of low-dollar racing and oddball car culture. We're chasing 1,000.FROM NCM (BOWLING GREEN, KY)Team Non Sequitur took the overall lead with under 15 minutes leftMom's Friendly Racing Company was 8th overall with 15 minutes to go, blew up, and finished the race on jack stands leaking into a drip pan. We made them push it to the awards ceremony and keep leaking in front of everybody.Heroic Fix: a dad drove 600 miles home to Alabama for a charge pipe. He left his son at the track.A team climbed a barbed-wire fence at 5:30 in the morning to retrieve another team's forgotten tiresIOE: drag racers who'd never turned left or right showed up with a fist-sized hole in the bell housing patched with wire mesh and JB Weld. They ran 230+ laps.97 degrees and humid, the most fueling issues anyone could remember at a Lemons raceALSO IN THIS EPISODEA 50th-annual figure-8 championship that ended in two felony counts.A Waymo that spent ten minutes afraid of a puddle, and another that drove through a farmers market.A Jeep that lost its axle brackets in Moab and got ratchet-strap fixed to drive 150 miles homeTim's clutch disintegrated into itchy fuzz, and the internet had thoughtsRemembering Lemons staffer Rob AndersEveryone Racers is a weekly amateur endurance racing podcast for people who build cheap race cars and drive them hard. Lemons, ChampCar, LuckyDog, SCCA, NASA. We don't discriminate.Email: everyoneracers@gmail.com Instagram / Facebook: @everyoneracersRacing The Butt this weekend? Which corner gets you?

Para dar nome às coisas
Café com brigadeiro - A gente é hoje

Para dar nome às coisas

Play Episode Listen Later Sep 24, 2026 8:12


Esses dias, eu vi uma frase numa série que me marcou. Dizia assim: "A gente é hoje, o que a gente faz hoje. Ninguém é ontem." Trechinho do episódio “A gente é hoje” do Café com brigadeiro, quadro em vídeo do Para dar nome às coisas.Escute na íntegra no Spotify ou no YouTube.

Notícia no Seu Tempo
CNJ impede Master de receber R$ 4,7 bilhões em precatórios

Notícia no Seu Tempo

Play Episode Listen Later Sep 24, 2026 9:26


No podcast ‘Notícia No Seu Tempo’, confira em áudio as principais notícias da edição impressa do jornal ‘O Estado de S.Paulo’ desta quinta-feira (24/09/2026): O ministro Benedito Gonçalves, corregedor nacional de Justiça, mandou cancelar o pagamento de 16 precatórios (dívidas judiciais) vinculados ao setor sucroalcooleiro e a devolução de R$ 4,7 bilhões aos cofres da União. A liminar atinge três usinas que aparecem em lista encontrada no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, com a observação “a receber”. Os valores foram depositados em contas judiciais, em 2023, por determinação do TRF-1. A AGU argumentou que esses precatórios foram expedidos antes do fim dos processos. Investigações da PF apontam que o esquema que sustentava o Master passava pela compra de precatórios. Esses papéis inflavam artificialmente o patrimônio do banco. Depois, Vorcaro se aproximava de juízes para tentar garantir sentenças favoráveis. Política: Amiga de Lulinha fez depósitos para secretário e funcionário de ministro Internacional: Trump sela com Delcy controle sobre Venezuela, a 10 km da prisão de Maduro Metrópole: Câmara de SP aprova em 1ª votação veto a publicidade de bet em estádios See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 24/9/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Sep 24, 2026 31:20


Pesquisas continuam apontando empate entre Lula e Flávio / Tarcísio pode vencer no 1º turno em SP, apontam pesquisas / Amanhã, na Austrália, primeiro teste da nova Seleção / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

Hotmart Cast
IGOR 3K Abre o Jogo Sobre o Debate entre os Presidenciáveis pra 2026: "Não Devo Nada a Esses Caras"

Hotmart Cast

Play Episode Listen Later Sep 23, 2026 39:25


Igor 3k, apresentador e um dos fundadores do Flow Podcast, volta ao Hotmart Cast pra abrir o jogo sobre o debate com os presidenciáveis de 2026 que o Flow está organizando. Nesta conversa, ele conta por que decidiu bancar um debate eleitoral mesmo sabendo que boa parte dos candidatos pode não aparecer, qual o papel do Flow News nessa cobertura e por que, na visão dele, "não deve nada" aos políticos que entrevista. O papo passa por eleições 2026, debate eleitoral, cobertura política, régua moral na política brasileira e o funcionamento por trás de um dos maiores podcasts do Brasil.Este episódio é sobre o momento mais delicado que uma marca de mídia pode enfrentar: cobrir uma eleição sem virar refém dela. Igor explica a lógica de ter criado o Flow News como uma marca separada dentro do Flow, para poder falar de política sem colocar os parceiros comerciais numa saia justa, e detalha os bastidores do debate marcado para 21 de setembro, de quem já confirmou presença ao local escolhido, o Teatro Bacarelli, em Heliópolis. No caminho, ele fala sobre financiamento de campanha, o caso do cancelamento do Dia TV com o Kim Cataguiri e por que resolveu aumentar a régua moral nas próprias entrevistas.Visite o canal da Hotmart no Youtube: https://www.youtube.com/@hotmart

Convidado
Eleições são-tomenses: a crise energética e a transição para outro modelo

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 23, 2026 8:35


Em São Tomé e Príncipe, decorre a segunda e derradeira semana de campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro. Entre as diversas temáticas evocadas pelos candidatos, figura a questão da energia, num momento crucial para o país ainda no rescaldo de dez meses de contínuos apagões. A saída repentina de um parceiro privado, estruturas antigas e a falta de manutenção, foram os motivos enunciados na época. Posik Espírito Santo, actual dirigente da empresa fornecedora EMAE, faz um balanço dessa crise. “O país sofreu dois processos ainda neste período de quatro anos. Houve um processo que se iniciou com uma empresa privada chamada Tesla (empresa turca). A saída da Tesla de uma forma repentina e as máquinas da EMAE, como estavam na altura todas a precisar de manutenção, não houve esse cuidado da parte da EMAE no sentido de recuperar as máquinas porque estavam confortáveis com a empresa Tesla. Com a saída de Tesla, naturalmente, houve esse desafio”, explica o dirigente para quem, ainda assim, “se conseguiu em pouco tempo recuperar o problema que foi uma avalanche durante quase um ano.” “No entanto, não podemos considerar que isto está totalmente resolvido, porque a nossa rede eléctrica é uma rede completamente também obsoleta. De vez em quando, acredito que poderão surgir alguns apagões, mas não propriamente devido à disponibilidade da potência, mas sim devido à fragilidade da rede eléctrica”, admite Posik Espírito Santo. Para o líder do sindicato dos trabalhadores da EMAE, Adélcio Costa, esta situação deu-se antes de mais devido a opções políticas erradas. “Isso tem a ver coma ingerência política e a má gestão daquilo que se pensa para poder melhorar o sector energético. Os governos que vão e vêm para governar o país, não vem com um plano já elaborado para melhorar o sector energético. Esses dez meses aproximadamente de crise energética, mostram muito o quão é perigosa a forma de fazer política para o sector. Vê-se mais improviso, improviso na compra de gerador, improviso nas parcerias, público privado, improviso em manutenções, improviso em tudo, quando essas coisas deviam ser “, denuncia o sindicalista. “A população sofreu. Houve mortes e incêndios. Houve a economia que praticamente perdeu o sustento, a economia é estabilizada pelo sector energético e pelo combustível. E quando não há energia, praticamente, a vida económica de São Tomé pára. Então houve hotéis, restaurantes, negócios que foram a pique. Estamos a recuperar. E essa recuperação vai demorar bastante tempo”, diz Adélcio Costa. Nestes últimos anos, no intuito de concretizar a sua transição para energias mais limpas, a EMAE tem apostado na energia fotovoltaica, com o apoio do Banco Mundial e parcerias com entidades privadas. Um processo acolhido com optimismo por Posik Espírito Santo. “Este processo da energia fotovoltaica, é um processo que está bem evoluído e nós já estamos na fase de terraplanagem e ao mesmo tempo no processo de gerir a parte administrativa de forma a receber esses painéis. Mas, por outro lado, é bom também que nós salientemos aqui o seguinte: nós olhamos para a fotovoltaica, ok, mas também há a necessidade de o Estado criar uma central de base de geradores de baixa rotação, de forma a suportar todo esse processo de transição. Porque a energia renovável é algo bom, é verdade, mas só a fotovoltaica não irá naturalmente resolver na totalidade as nossas dificuldades”, ressalva o dirigente. O sindicalista Adélcio costa também vê com bons olhos a procura de alternativas energéticas mais limpas. Contudo, ele mostra-se mais cauteloso relativamente às parcerias público-privadas preconizadas não só pelo banco mundial como por algumas formações candidatas às legislativas. “Esta fonte de energia é a melhor forma que nós podemos ter em São Tomé. Desta maneira, devemos apostar em grande medida nela porque realmente vai reduzir o consumo de combustível. Nós gastamos milhões de dólares em combustível para produzir energia quando devemos aproveitar renováveis para reduzir os custos com combustível e financiar mais o Orçamento geral do Estado”, diz o activista que, todavia quer mostrar-se prudente quanto às parcerias e privatizações no sector da energia. “Quem vem do sector privado deve também ter a consciência de onde está a chegar para fazer as coisas correctas, não cair nas emoções nem nos sonhos dos políticos são-tomenses. Muitos deles vendem sonhos e a conjuntura social, política, jurídica em São Tomé é muito frágil e isso muda de tempo a tempo”, considera. Adélcio Costa mostra-se também francamente céptico quanto à intenção anunciada recentemente de a EMAE operar uma restruturação implicando a privatização da sua central hidroeléctrica. “Faço parte do sindicato. Infelizmente, não há grandes reuniões do Banco Mundial com o sindicato. É mais com a direcção da empresa. Estamos muito apreensivos. É mesmo possível fazer uma greve se o Banco Mundial pegar a nossa Central Hidroeléctrica de Contador e privatizar (...) Já demos um alerta ao Banco Mundial e também ao governo que de maneira nenhuma vamos aceitar isto”, argumenta o sindicalista ao expressar o receio dos custos para os consumidores num país cuja “população vive com menos de um dólar por dia”. Durante este período eleitoral, também não deixaram de ser reiteradas as acusações de que a Empresa de Agua e Electricidade funciona como um foco de corrupção, o que o actual dirigente da empresa desmente. “Posso confessar que antes de entrar na EMAE, também tinha a mesma percepção, mas hoje, claramente conhecendo a EMAE, diria 99% eu considero essa uma lenda. Porque de facto isso não é verdade. E nós temos um sistema de software que faz gestão de recursos humanos e nas actividades também”, declara o director da empresa. Este não é contudo o figurino descrito pelo líder do sindicato dos trabalhadores da EMAE. “Nós não podemos dizer outra coisa. O são-tomense não gosta de ouvir a verdade, mas temos que falar a verdade. Em vários momentos das campanhas eleitorais, há muitas movimentações em compras de geradores, em compra disto. Não é deste governo, não é daquilo, é de todos que já passaram. Já vimos várias vezes. Um exemplo disso, é o contrato que veio da Turquia, ninguém sabe de onde veio. A fonte da Tesla, quando se vai pesquisar, não se vê nada. É um conjunto de coisas. Também houve outras empresas no passado”, refere o activista. “Nós apelamos a que a consciência humana aqui funcione. Quem governa esse país tem que ter em mente ‘nós estamos a trabalhar para o povo'”, insiste Adélcio Costa em jeito de conclusão.

Igreja Esperança
Dinheiro Fácil, Pobreza da Alma | Riqueza & Pobreza - #Ep.11 - Pr. Régis Fontes

Igreja Esperança

Play Episode Listen Later Sep 21, 2026 49:54


11 milhões de brasileiros se enquadram em padrões de jogo problemáticos. Um em cada quatro apostou ao menos uma vez na vida. Esses são os dados da UNIFESP de 2024 — e falam para dentro da igreja também. Neste episódio da série Riqueza & Pobreza, a partir de 1 Timóteo 6:6-10 e 17-19, a mensagem confronta apostas esportivas, loterias, pirâmides e criptomoedas especulativas como armadilhas para quem não está satisfeito com o que tem.Paulo não diz que dinheiro é a raiz de todos os males — diz que o amor ao dinheiro é. E aquela insatisfação que faz você buscar dinheiro fácil não é resolvida por mais dinheiro. É um buraco do tamanho de Deus no coração humano. A única mudança repentina de vida que existe de verdade não é a da loteria — é a de crer em Jesus Cristo.⏱️ MARCAÇÕES:00:00 – Introdução e leitura de 1 Timóteo 604:57 – O bolão de fim de ano: a esperança que nunca chegou06:43 – A cultura das promessas de dinheiro fácil07:54 – Dados UNIFESP 2024: 11 milhões em padrão de jogo problemático12:34 – Por que essas promessas encontram guarida no coração16:35 – O que é piedade e contentamento20:27 – A piedade é grande fonte de lucro — mas Paulo inverte a lógica26:04 – Nada trouxemos, nada levaremos: a lição de Jó33:23 – A espiral descendente do amor ao dinheiro36:47 – Confrontando a desculpa: "só quero emoção"38:24 – O jogo de azar trivializa a providência de Deus41:47 – A questão não é se apostar é pecado — é qual pecado te leva a apostar45:26 – A verdadeira mudança repentina de vida46:05 – O buraco do tamanho de Deus

ONU News
Jornal da ONU - 18 de setembro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Sep 18, 2026 5:12


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta sexta-feira, de setembro de 2026 Reunião na ONU quer renovar compromisso coletivo com ODS até 2030 Crise alimentar ameaça milhares de crianças no Haiti

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris, com Boris Casoy - 18/9/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Sep 18, 2026 32:32


Ação eleitoreira: Lula aumenta Bolsa Família em 15% / Fachin adia sessão do STF sobre Mendonça / IA age de maneira preocupante / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

Canaltech Podcast
Racismo algorítmico: como a IA pode reforçar preconceitos

Canaltech Podcast

Play Episode Listen Later Sep 17, 2026 18:00


Sistemas de reconhecimento facial que confundem pessoas negras, entregadores bloqueados depois de mudar o cabelo e ferramentas de inteligência artificial que repetem informações racistas sobre saúde. Esses casos mostram que os avanços tecnológicos também podem reforçar desigualdades que já existem na sociedade. Esse problema é conhecido como racismo algorítmico. Ele acontece quando sistemas automatizados reproduzem ou aprofundam a discriminação racial por meio de decisões tomadas com base em dados, modelos e critérios que nem sempre são transparentes. Mas atribuir o problema apenas aos dados usados para treinar uma inteligência artificial pode esconder parte importante da discussão. Afinal, existem escolhas humanas em todas as etapas: desde a coleta das informações até os testes realizados antes de uma ferramenta chegar ao público. Esse é o tema do novo episódio do Podcast Canaltech. O repórter João Mello conversou com Tarcízio Silva, pesquisador, cofundador da Associação Desvelar e autor do livro “Racismo Algorítmico: Inteligência Artificial e Discriminação nas Redes Digitais”. Durante a entrevista, Tarcízio explica como o racismo pode aparecer em ferramentas de reconhecimento facial, filtros de imagem e modelos de IA generativa. Ele também alerta para os riscos de sistemas que repetem informações falsas e preconceituosas em áreas sensíveis, como a saúde. A conversa ainda discute por que ter equipes mais diversas não é suficiente quando essas pessoas não participam das decisões e quais mecanismos podem reduzir os riscos, como a curadoria dos dados, os testes contínuos e os relatórios de impacto algorítmico. No fim, o pesquisador explica como usuários podem denunciar situações discriminatórias e por que a mobilização coletiva é essencial diante de empresas que concentram tanto poder. Você também vai conferir: Bill Gates propõe acordo global para evitar o caos com a IA, Apple libera Apple TV e Arcade de graça para assinantes do iCloud+ e Google Tradutor agora traduz conversas por voz mesmo sem internet. Este podcast foi roteirizado e apresentado por Fernanda Santos e contou com reportagens de Viviane França e Marcelo Fischer. A trilha sonora é de Guilherme Zomer, a edição de Leandro Gomes e a arte da capa é de Erick Teixeira.See omnystudio.com/listener for privacy information.

ONU News
Jornal da ONU - 17 de setembro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Sep 17, 2026 5:04


Jornal da ONU com Monica Grayley. Esses são os destaques desta quinta-feira, 17 de setembro. ONU alerta para queda de reservas de água doce no planeta Assembleia Geral dá os retoques finais para o debate de líderes internacionais neste 22 de setembro

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 17/9/26

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Sep 17, 2026 31:25


EUA criticam combate ao crime organizado no Brasil / Julgamento de Mendonça pode ser adiado / Pesquisas continuam mostrando empate técnico entre Lula e Flávio / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

Momento Investidor
Olhar de Especialista #133 Previdência privada e sucessão patrimonial: como esses temas se conectam à longevidade populacional.

Momento Investidor

Play Episode Listen Later Sep 16, 2026 55:31


Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris - 16/9/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Sep 16, 2026 31:06


PT teme que escândalo do STF atinja Lula / Candidatura de Flávio explora proximidade de Lula com Moraes / Armas dos EUA no espaço preocupam China e Rússia / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

Saúde
Estudo francês mostra como cheiros reativam memórias da infância no cérebro

Saúde

Play Episode Listen Later Sep 15, 2026 5:25


O cheiro daquele bolo quentinho de chocolate preparado pela mãe desperta emoções e memórias, mas, até hoje, os cientistas ainda não sabiam explicar como um odor faz ressurgir lembranças da infância. O mistério acaba de ser desvendado por uma pesquisa publicada recentemente na revista PLOS Biology, que mostra que essas experiências precoces deixam marcas cerebrais. Esses registros podem reativar, ao longo de toda a vida, o contexto e as emoções associados a essas memórias. Taíssa Stivanin, da redação da RFI em Paris Durante a pesquisa, que durou cerca de quatro anos, os cientistas franceses questionaram por que o cérebro seleciona e memoriza alguns dos cheiros que sentimos quando somos crianças. "Este estudo é uma continuação dos trabalhos que eu já desenvolvia na equipe, que consistem em compreender a percepção e a olfação", explica a neurobiologista francesa Nathalie Mandairon, uma das autoras. "Por que alguns cheiros são bons, agradáveis, prazerosos e temos vontade de senti-los novamente? Por que outros não?" Para entender esse mecanismo neural, a equipe aplicou um questionário a um grupo de 640 voluntários. Os dados mostraram que as lembranças evocadas pelos odores eram positivas, acompanhadas de emoções agradáveis. A consolidação dessa memória, que depende de várias estruturas cerebrais, estava associada à repetição da experiência. Com base nesses resultados, a equipe desenvolveu um modelo experimental com camundongos. Os animais foram condicionados a associar um odor considerado agradável a um ambiente repleto de experiências positivas: gaiolas com brinquedos, rodas de corrida, companhia de outros camundongos e acesso livre à comida. Os pesquisadores gravaram as vocalizações emitidas pelos animais, que indicavam um estado de satisfação. A equipe realizou o experimento com camundongos jovens, de 2 a 3 meses, e outros mais velhos, com seis meses. Nessa fase da vida, eles haviam se esquecido do cheiro. Os cientistas então analisaram os dados dos participantes que responderam ao questionário e relataram ter sido expostos ao odor da infância ao longo da vida, cerca de uma vez por ano.  "Isso foi muito interessante. Se a exposição fosse excessiva, o cheiro acabaria sendo associado a outras experiências; se fosse insuficiente, o cheiro seria esquecido", explica a cientista francesa. "Nós simulamos esse nível de exposição 'humano' nos camundongos e percebemos que, ao realizar pequenas exposições periódicas ao longo da vida, os animais de 6 meses, que já eram jovens adultos, mantinham a memória do cheiro. Só que, nessa altura, essa memória não dependia mais do bulbo olfatório: mostramos que essa estrutura foi deixada de lado em favor do circuito do sistema límbico, que gerencia as emoções", detalha Nathalie Mandairon. Esse dado indica que a lembrança foi armazenada no cérebro e continuava a influenciar o comportamento dos animais. "Demonstramos também que há uma forte participação do bulbo olfatório no processo. Ele é a primeira estação central, digamos assim, de retransmissão da informação olfativa, com destaque para neurônios chamados células granulares", diz a neurobiologista francesa. "Esses neurônios têm uma particularidade: embora o nosso cérebro geralmente já esteja formado quando nascemos, eles continuam surgindo nos dias seguintes ao parto. Ou seja, muito mais tarde em comparação com os demais. Isso significa que estão em um período de grande plasticidade quando a informação olfativa é decodificada pelo cérebro". Segundo a pesquisadora, esses neurônios, além de serem plásticos também são muito estáveis. "Na pesquisa, mostramos que esses neurônios são muito importantes porque, se inibíssemos sua atividade, os camundongos deixavam de apresentar preferência pelo cheiro sentido na infância", completa. Memória e emoções Recapitulando, quando sentimos um cheiro da infância na idade adulta, o bulbo olfatório, conectado aos circuitos da memória e da recompensa no cérebro, ajuda a reativar as lembranças associadas a essa experiência passada. Com o tempo, essas informações passam a mobilizar mais intensamente os circuitos do sistema límbico, responsáveis pelas emoções e pela sensação de nostalgia relacionadas a essas recordações. A lembrança muda de localização no cérebro e, ao longo do tempo, migra para estruturas diferentes. De acordo com a cientista francesa, isso explica por que os cheiros se tornam mais nostálgicos à medida que envelhecemos. Esse é o tema de sua nova pesquisa: entender melhor o conteúdo da memória humana. "Sentimos muitos cheiros na infância. Então por que arquivamos apenas alguns deles na memória? E o que esses odores têm em comum?"

Dadocracia
O uso da IA nas pré-campanhas eleitorais - ep. 209

Dadocracia

Play Episode Listen Later Sep 15, 2026 33:52


Durante a pré-campanha eleitoral, pelo menos 413 conteúdos de teor político foram criados com IA, 80% deles envolvendo deepfakes e 63% sem qualquer sinalização sobre o uso da tecnologia. Esses são os principais resultados do relatório IA na pré-eleição: Principais achados e tendências, do Observatório IA nas Eleições, um projeto conduzido em parceria pela Data Privacy Brasil e Aláfia Lab.Para discutir o relatório em detalhes, neste episódio entrevistamos Ethel Rudnitzki, jornalista do Aláfia Lab e uma das responsáveis pelo relatório. Na conversa, Ethel fala sobre quem são os autores e os principais alvos dos conteúdos gerados por IA, os problemas encontrados e como estes números indicam tendências para o papel da inteligência artificial nas eleições de 2026.***Acesse aqui o relatório IA na pré-eleição e o site do Observatório IA nas Eleições.No episódio 205 do Dadocracia nós discutimos o relatório anterior do Observatório, “Ei chat: em quem eu voto?”. Ouça aqui a partir do minuto 41.

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris, com Boris Casoy - 14/9/26

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Sep 14, 2026 31:17


Amanhã, o Dia D no STF / Ministros ligados a Moraes tentam "melar o jogo" / TV vai transmitir a sessão / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris.

Medicos Hands-on
Como TRATAR a QUEDA do CABELO?Dra Luci Mari Guito médica dermatologista mestre pelo HCFMUSP - clinica @DERMAFOCO

Medicos Hands-on

Play Episode Listen Later Sep 13, 2026 75:09


A principal função do cabelo esta ligado a beleza e a vaidade e também proteção do couro cabeludo da luz solar. O protetor solar é muito importante na proteção dos raios ultravioletas e a proteção do couro cabeludo em pessoas com alopecia é fundamental para evitar tumores de pela.Cabelo tem tres fases:1) Fase de crescimento ou anágena que pode durar de 2 a 6 anos e 85% do cabelo encontra-se nessa fase.2) Fase catágena onde o cabelo para de crescer e pode durar 2 semanas e 1% do cabelo encontra-se nessa fase.3) Fase telógena que dura 3 meses e 15% do cabelo encontra-se nessa fase.Para manter o cabelo bonito o mais importante é ter uma alimentação correta sem deficiência nutricional, gerenciar o stress e ter um sono com qualidade.O cabelo pode ser lavado todos os dias porém, pessoas com cabelo muito comprido quando lavado, o cabelo pode não secar e essa humidade pode provocar infecção fúngica ou dermatites com caspa, etc... não existe recomendação correta para lavar o cabelo mas em média, lava-se o cabelo 3 vezes por semana. Alopecia é a falta ou diminuição de cabelos no couro cabeludo. Um couro cabeludo tem de 150 a 400 mil fios de cabelo. É normal que o couro cabeludo perca de 50 a 100 fios de cabelo por dia. Quando ocorre acima de 200 fios de cabelo é considerada uma perda patológica. Os homens tem maior tendencia a ter a alopecia relacionada a androgenia (75%). As mulheres podem ter alopecia principalmente após a menopausa (até 50%). As alopecias podem ser divididas em dois grandes grupos: as cicatriciais que destroem o couro cabeludo e as não cicatriciais que ocorrem após os 30 anos.As alopecias cicatriciais são desencadeadas por um processo inflamatório que destrói a raiz do cabelo que é substituída por uma cicatriz e lesa a raiz de forma irreversível. As principais causas são as doenças autoimunes como Lupus, infecções bacterianas que causam a foliculite descavantes onde as pessoas tem predisposição de ter a bactéria na raiz do cabelo. As cicatrizes de queimadura, radioterapia, acidentes etc também são causas de alopecias cicatriciais. O diagnóstico é clínico mas a biopsia do couro cabeludo as vezes é necessária. No efluvio telógeno a perda de cabelo é em todo couro cabeludo com mais de 200 fios por dia. Pode acontecer depois de um trauma físico ou psicológico ou deficiência nutricional; algumas medicações pode provocar quedas do cabelo com Ozempic, Monjaro e antidepressivos. A alopecia androgenética o cabelo afina e cai na frequência normal e nasce bem fino até não aparecer mais. O tratamento do efluvio telógeno pode ser feito com Minoxidil qu provoca a vasodilatação da raiz do cabelo com melhora da nutrição. A correção nutricional também deve ser feita e investigar algumas doenças que provocam a queda do cabelo. Terapia para o stress pode ajudar também não tratamento. Os principais efeitos colaterais são alterações cardíacas, porém, com doses baixas as complicações são muito raras. A alopecia androgenética é causada por substancia derivada da testosterona, por isso ocorre mais em homens. Mais comum em homens a partir dos 30 anos. Nas mulheres é mais comum após a menopausa por redução dos hormônios femininos. Esses hormônios causam miniaturização do folículo. O diagnostico é clinico que pode ser confirmado através da biopsia. O tratamento clinico precoce é importante para retardar a progressão da doença e é feito com finasteride que reduz a quantidade de dihidrotestosterona em 70%. O efeito colateral pode ser a impotência sexual porém, o risco é baixo (~ 3%). A mulher gravida não deve manusear o creme ou comprimido por risco de bloquear os hormônios do bebe. Mulheres não podem receber esse tratamento em idade fértil. Para mulheres geralmente usa-se minoxidil e espironolactona. A reposição hormonal na menopausa pode ajudar no tratamento da alopecia androgenética. #alopecia #alopeciaandrogenetica

ONU News
Jornal da ONU - 11 de setembro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Sep 11, 2026 5:03


Jornal da ONU com Monica Grayley. Esses são os destaques desta sexta-feira, 11 de setembro. Secretário-geral emite nota para lembrar os 25 anos dos atentados terroristas de 11 de setembro ONU alerta sobre riscos de fome devido ao fenômeno climático El Niño mais intenso

Jornal do Boris com Boris Casoy
Jornal do Boris, com Boris Casoy - 11/9/2026

Jornal do Boris com Boris Casoy

Play Episode Listen Later Sep 11, 2026 30:54


Caso Master agora sem segredos / Moraes vai reagir? / Preocupado, PT muda campanha / Esses são assuntos em destaque na edição de hoje do Jornal do Boris

ONU News
Jornal da ONU - 10 de setembro de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Sep 10, 2026 5:12


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Estreito de Ormuz: Crise pode afetar empresas responsáveis por 70% do emprego global RD Congo precisa de mais 5 mil profissionais de saúde para conter crise de ebola

Lutz Podcast
Psiquiatra Alerta: Fique Atento A Esses Sinais da Bipolaridade - Dr. Leandro Trovão | Lutz Podcast #471

Lutz Podcast

Play Episode Listen Later Sep 9, 2026 61:42


DrauzioCast
Panorama da saúde mental no Brasil - DrauzioCast #268

DrauzioCast

Play Episode Listen Later Sep 4, 2026 39:28


A vida digital mudou o jeito como nos relacionamos com os outros e com o trabalho. Esses estímulos constantes, que afetam pensamentos e emoções, levam cada vez mais pessoas a buscarem atendimento de saúde mental.Estima-se que 12,7% da população brasileira conviva com a depressão, enquanto 26,8% relatam sofrer de ansiedade. São números expressivos e, por mais que a conversa sobre transtornos mentais tenha evoluído, ainda existe muito o que debater.Neste episódio do DrauzioCast, Drauzio Varella discute as questões mais urgentes para a atenção psicológica dos brasileiros em 2026 com Karen Scavacini, psicóloga e fundadora do Instituto Vita Alere.Veja também: Como os Agentes de Saúde contribuem para o cuidado da saúde mental da população

Leandro Twin
Eu evitaria esses exercícios no treino de gluteo

Leandro Twin

Play Episode Listen Later Aug 29, 2026 6:53


⁠Assessoria esportiva online e cursos⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠E-book "Dieta Inteligente - Para Perder Gordura e Ganhar Massa Muscular" – só R$ 39,90⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Curso de Treino – Monte seu próprio treino ainda hoje⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Curso de Emagrecimento – Como emagrecer e nunca mais engordar ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠| ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Curso Sobre Esteroides Anabolizantes – Não use esteroides antes de fazer este curso ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠| ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Curso de Suplementação para Praticantes de Musculação⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Grupo do Telegram com promoções⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Facebook⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Growth⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Oficialfarma⁠

ONU News
Jornal da ONU - 28 de agosto de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Aug 28, 2026 5:10


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta sexta-feira, 28 de agosto de 2026.Síria mostra sinais de recuperação, mas ONU reforça urgência humanitáriaIsrael fecha única instalação que restava da Unrwa em Jerusalém Oriental

ONU News
Jornal da ONU - 25 de agosto de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Aug 25, 2026 4:53


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta terça-feira, 25 de agosto de 2026.Encontro global na Mongólia busca solução para secas cada vez mais frequentesForças de Israel ampliam operações e bombardeiam o sul do Líbano

Off in the Esses
VIR Creates Championship CHAOS

Off in the Esses

Play Episode Listen Later Aug 24, 2026 12:03


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ONU News
Jornal da ONU - 20 de agosto de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Aug 20, 2026 5:25


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta quinta-feira, 20 de agosto de 2026.Alerta sobre risco de atrocidades e ameaça eleições no Sudão do SulAfeganistão vive crise da exclusão feminina em cinco anos sob o Talibã

Oxigênio
#225 – AmazonFACE: o maior experimento científico a céu aberto do mundo

Oxigênio

Play Episode Listen Later Aug 20, 2026 35:02


AmazonFACE é o maior experimento científico sobre mudanças climáticas a céu aberto  do mundo. Ele é liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com instituições como o Inpa e a Unicamp e já recebeu cerca de R$ 80 milhões em investimentos. FACE é o acrônimo de Free Air CO2 Enrichment. Neste episódio, a Gabriela Andrietta e a Mayra Trinca conversaram com os pesquisadores líderes do projeto e contam aqui um pouco da origem, da relevância e das ações que tem levado ao conhecimento da sociedade, o que é o AmazonFACE. A grande novidade do grupo é o Carboninho, o mascote que surgiu em um trabalho de campo e logo logo vai atrair a criançada a conhecer o experimento em feiras de ciência. Os entrevistados do episódio são: David Lapola, pesquisador do Cepagri, Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (CEPAGRI), da Unicamp e Marko Synesio Monteiro, professor do Departamento de Política Científica (DPCT) e Tecnológica do Instituto de Geociências, também da Unicamp, e Maria Clara Guimarães, mestranda do DPCT e que faz parte da equipe de comunicação do AmazonFACE. Crédito da imagem da capa: Dado Galdieri  _______________________________________ Abertura: o Carboninho [sons de floresta em toda a abertura] Abertura: o Carboninho [sons de floresta] Maria Clara Guimarães: E aí, uma noite, aquele breu total da floresta amazônica, todo mundo nas redes, uma das pesquisadoras falou que estava com medo e pediu para alguém contar uma história. E aí, o líder da área socioambiental, Marko Monteiro, professor aqui da Unicamp, começou a inventar uma história Marko Synesio Monteiro: Era uma vez uma molécula de carbono, ela estava flutuando no ar, de repente ela sente que estava sendo sugada para baixo, e aí ela se vê numa folha na floresta amazônica. Mayra Trinca: E assim foi criado o carboninho, que virou mascote do AmazonFACE David Lapola: A gente busca também dar essa interdisciplinaridade, expandir o horizonte. Porque o começo da história pro AmazonFACE é a questão de mudança climática e o seu impacto sobre a floresta amazônica. É aí que começa o fio da meada, e mais especificamente o papel que o aumento de gás carbônico na atmosfera tem nessa história toda. Gabriela Andrietta: O AmazonFACE é o maior experimento científico sobre mudanças climáticas a céu aberto  do mundo. Ele é liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com instituições como o Inpa e a Unicamp e já recebeu cerca de R$ 80 milhões em investimentos.  Gabriela:  Eu sou a Gabriela Andrietta, filósofa e comunicadora. Mayra: E eu sou a Mayra Trinca, bióloga e comunicadora de ciência e você já deve me conhecer aqui do Oxigênio.  [VINHETA ABERTURA] O que é AmazonFACE? David: FACE é Free Air CO2 Enrichment. Enriquecimento por CO2 ao ar livre. Essa sigla é que esse tipo de experimento já tinha acontecido, já aconteceu em outros lugares do mundo, principalmente nos Estados Unidos e Europa. Gabriela: -Esse é o David Lapola, coordenador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura, o Cepagri, da Unicamp. Ele também é um dos coordenadores científicos do AmazonFACE e autor líder do IPCC, aquele relatório global sobre mudanças climáticas.  Gabriela: Os primeiros experimentos com a tecnologia FACE começaram a operar no fim da década de 1990 nos Estados Unidos, em locais como Tennessee e Carolina do Norte. No entanto, esses estudos eram realizados em um contexto muito diferente do AmazonFACE.  Mayra: Em vez de florestas tropicais maduras, os experimentos aconteciam em florestas temperadas plantadas. Essas florestas têm árvores relativamente jovens, com cerca de 10 anos de idade, apesar de serem espécies capazes de viver por até duzentos anos. Essa é uma grande diferença, porque a idade das árvores é algo que influencia diretamente nas características do ecossistema e na forma como a floresta responde ao aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera. Gabriela: É como se a gente estivesse comparando o efeito de um medicamento em um grupo de crianças ou outro de adultos, não dá pra dizer que vai impactar os dois da mesma forma.  David: E aí esses experimentos chegaram ao fim. Em 2008, mais ou menos, duraram uns 10 anos. E aí começou uma outra geração de experimentos, da qual o Amazon Face faz parte, que era de fazer esses experimentos em florestas maduras. Hoje tem operacional em florestas outros dois faces. Um é em Birmingham, no Reino Unido, que é uma floresta temperada antiga. Já tem mais de 200 anos, mas é um pedacinho, o que a gente chamaria de um fragmento Tipo do tamanho da Mata Santa Genebra aqui, bem pequeno. É uma espécie, que é o carvalho, que é uma espécie bem presente em florestas temperadas. É o carvalho. Gabriela: Os experimentos mais recentes também mostram que a resposta das florestas ao aumento da concentração de CO₂ varia conforme o tipo de ecossistema. Na Austrália, por exemplo, os resultados foram diferentes dos encontrados nos Estados Unidos com árvores jovens. O experimento australiano ocorre em uma floresta temperada aberta, semelhante a uma savana, dominada por uma única espécie de eucalipto. Já o AmazonFACE, estuda uma realidade completamente distinta: uma floresta tropical madura e altamente diversa.  Mayra: O AmazonFACE utiliza grandes aneis experimentais, projetados de um jeito que seja representativo da floresta, pensando em número e diversidade de árvores. Esses aneis têm 30 metros de diâmetro e 35 metros de altura, ultrapassando as copas das árvores, que alcançam cerca de 30 metros. Essa altura é essencial para garantir que todo o volume de floresta dentro do anel seja atingido pelo gás carbônico durante o experimento. Dentro de cada anel, estão cerca de 50 indivíduos, considerando só as árvores com troncos de pelo menos 10 centímetros de diâmetro. São nessas áreas que o gás carbônico será elevado artificialmente, simulando a atmosfera projetada para um futuro não tão distante.  David: Dessas 50 árvores, nós temos mais ou menos 49 espécies diferentes. Se você vai para o outro anel, que são seis, lá tem outros 50 indivíduos e outras 49 espécies, na média. Então quando você soma todos os seis anéis, três deles vão ser tratados com CO2 elevado, 50% a mais do que o que a gente tem na atmosfera, e os outros três vão ser controle, só aspergindo o ar ambiente. Quando você soma os seis, a gente tem em torno de 400, 450 espécies diferentes. O que é, assim, um enorme desafio, mas é para interpretar os resultados. Cada espécie pode se comportar de uma maneira, mas é uma enorme oportunidade também. E pela primeira vez a gente vê como uma alta diversidade de plantas, de árvores, modula a resposta do ecossistema a um fator tão importante como esse, que é o CO2. Comunicação do AmazonFACE Gabriela: Com um experimento desse tamanho, dá pra imaginar que existe um logística gigante por trás. Tem equipamento, grupos de cientistas de várias áreas diferentes, financiamento… E tem a equipe de comunicação Marko:  todas brincando com essa coisa do carbono que estava sendo usado pela floresta amazônica pela fotossíntese, não é? Então, começou aí, essa foi a historinha, e depois virou uma brincadeira,  e a gente, toda noite, contava uma historinha do carboninho e inventamos outras moléculas, o oxigênio, enfim, outros, brincando com esses temas que aparecem no projeto,  mas foi uma criação coletiva. Maria Clara: O Carboninho é um personagem que surgiu de um trabalho de campo. então foi uma coisa meio espontânea. E foi muito legal, porque assim, virou uma anedota interna, só que o David, ele viu como uma oportunidade de fazer divulgação de ciência para outros públicos, né?E aí, quando a gente conseguiu o fomento da FAPESP, ele quis implementar essa bolsa de jornalismo de ciência para escrever três episódios do Carboninho. Mayra: Quem está explicando é Maria Clara Guimarães, da equipe de comunicação do AmazonFACE. Maria Clara: Bom, meu nome é Maria Clara, sou linguista de formação, fui professora de segunda língua por 10 anos e quis mudar um pouco a carreira depois de um tempo, fazer algo com mais propósito. E aí eu resolvi fazer jornalismo de ciência, a especialização aqui no Labjor, e eu entrei no Amazon Face através de uma bolsa mídia-ciência e aqui ou lá estou desde então.  Gabriela: A comunicação do AmazonFACE acontece em três frentes principais. A primeira é o contato com a imprensa, com a produção de releases, comunicados, preparação dos pesquisadores para entrevistas e a realização de visitas de jornalistas ao experimento.  Mayra : A segunda é o diálogo com a sociedade, por meio de feiras de ciência, redes sociais e canais no site para receber dúvidas do público e a terceira é a comunicação com a comunidade científica, com a participação em congressos, publicação de artigos e divulgação dos resultados das pesquisas.   Gabriela: O projeto conta também com um comitê de comunicação, formado por representantes das instituições coordenadoras, responsável por definir diretrizes e estratégias, e com uma equipe de comunicação produzindo conteúdos, atendendo à imprensa e promovendo a divulgação científica das pesquisas, porque olha, assunto pra falar não falta Maria Clara–  Explicar o ciclo do carbono, explicar o programa Amazon Face, mas basicamente divulgação de ciência do clima, né, Entender o ciclo do carbono, entender como que a nossa forma de viver e de produzir é alta em liberação de carbono, em emissões de carbono.  Mayra: Da mesma forma que aconteceu com o carboninho, muitas iniciativas de comunicação do AmazonFACE surgem de forma espontânea, por iniciativa dos próprios pesquisadores. Vídeos, desafios nas redes sociais e registros feitos durante o trabalho de campo ajudam a aproximar a ciência do público e costumam gerar grande engajamento. Maria Clara:  Essa é uma estratégia de comunicação que nós temos, que surgiu, né, dos nossos pesquisadores, assim como a dancinha no Instagram, né, então a pós-graduanda do INPA, Clarice Saldanha, chamou a galera para fazer e eles fizeram, e é muito legal, e assim, no geral, essas estratégias espontâneas de comunicação, elas são as mais legais, né, mas lógico, a gente tem outras estratégias mais top-down, digamos assim, né, em que a gente propõe e pede, mas, no geral, a gente tem tentado criar uma cultura de divulgação de ciência entre os nossos cientistas. Então, pô, você vai a campo, faz um relato, se grava, tem um outro vídeo da Nathalie Martins que teve um, acabou de sair um paper dela, um artigo pela Nature Communications, e aí ela foi a campo, ela mandou imagens dela, e a gente tem uma parceria com a Bori, a gente trabalha muito junto a Bori, e aí eles fizeram um videozinho super bacana dela explicando o paper dela em que tinham cenas dela em campo fazendo coleta, então a gente tenta instituir isso entre os nossos pesquisadores, pô, vai lá em campo, faz uma foto, faz um vídeo, conta o que vocês estão fazendo, porque assim, a melhor forma de divulgar ciência, muitas vezes, é a humanização do cientista, né? Mayra: A Bori é uma agência de notícias que trabalha na aproximação entre jornalistas e cientistas, divulgando releases de pesquisas recentes pra imprensa. A ideia é aumentar a circulação dos estudos, e com o AmazonFACE não é diferente. Com uma pesquisa desse tamanho, na Amazônia e trabalhando com um tópico quente (com perdão do trocadilho), que são as mudanças climáticas, o projeto ganhou espaço da mídia brasileira.  Gabriela: E com isso, também surgem muitas dúvidas sobre o experimento. A Maria Clara contou que quando um tema gera dúvidas, interpretações equivocadas ou repercussão negativa nas redes sociais, a equipe transforma essas situações em oportunidades para esclarecer informações e criar conteúdos mais direcionados. Vídeos, publicações e materiais explicativos são produzidos para responder aos questionamentos do público e ampliar a compreensão sobre a pesquisa. Maria Clara – – Quando a gente fura a bolha e tem os vídeos da Folha de São Paulo, ou tiveram outras situações, fotógrafos que foram ao sítio e publicaram essas fotos, né, falam, ah, olha que experimento legal. As pessoas se questionam, pô, mas e isso na Amazônia? O que que é? é, não é uma coisa muito grave o que vocês estão fazendo, né? Então, a gente usa esse material,  esse conteúdo para explicar melhor o programa, né?Então, nesse caso específico, o que a gente fez? A gente pegou os comentários ruins e formulou perguntas para serem respondidas, né? Então, a gente não puxou um comentário ruim para fazer a resposta, mas a gente extraiu daqueles comentários perguntas pra responder aquelas provocações, né, então a gente fez uma série chamada Descobrindo Amazon Face, que foi uma parceria da comunicação da Amazon Face com a COCEN  então quando fomos a campo o Rafael Brandão me filmou falando e o Oscar Neto da COCEN  editou os vídeos, então ficou muito bacana, assim inclusive a gente sempre instiga as pessoas a nos trazerem perguntas, seja pelos nossos canais das redes sociais ou pelo nosso site que tem um canal aberto a gente sempre instiga as pessoas a nos falarem o que vocês não entendem ou o que incomoda dentro desse projeto pra que a gente responda realmente. Gabriela: A COCEN, que a Maria Clara citou, é a Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa aqui da Unicamp. O Cepagri, centro que o David trabalha, faz parte desse grupo.  Mayra: A divulgação científica do AmazonFACE também acontece fora dos laboratórios e da floresta. O projeto participa de feiras de ciência e eventos de extensão, onde utiliza maquetes dos anéis experimentais para explicar, de forma lúdica, como funciona a pesquisa. Maria Clara – E, assim, olhando do ponto de vista do trabalho de divulgação de ciência, uma experiência muito legal é explicar para a criança.  Assim, é incrível. Você olhar pra aquelas crianças olhando a maquete, assim, o que é isso? Aí, primeiro você prende elas perguntando, ai, quantos cientistas você conta? Que na maquete tem uns mini-cientistas espalhadinhos. Ai, quantos cientistas você viu? Ah, mas eu acho que tem um lá dentro que você não viu. E aí a gente começa a explicar o modo de produção, o jeito que a gente vive, o jeito que a gente come, tem alta emissão de carbono e que o gás carbônico é comidinha das plantas, né? Não é muito muito acurado cientificamente, mas tudo bem, né? Licença poética pra falar com as crianças. E aí a gente pergunta se no seu prato de comida tiver muito mais arroz que feijão. Você vai comer mais arroz? Não vai. E aí começa a explicar pras crianças que é isso que a gente tem que entender. Que como tem mais gás carbônico disponível, a gente precisa entender se as plantas vão consumir mais esse gás carbônico e pra onde esse gás carbônico vai. Aí eu brinco com ela, será que você vai engordar mais na barriguinha, na perninha, né, enfim. E será que isso vai mudar o jeito do seu corpo funcionar? Então são analogias, é muito legal, assim, conversar com as crianças, né.  Gabriela: O David ajudou a gente aqui pra explicar o que isso significa na prática, ainda que de um jeito não tão lúdico.   David:  Teoricamente, quando você aumenta o gás carbônico, que é um insumo básico da fotossíntese, as plantas aumentariam a sua produção fotossintética, aumentariam de tamanho, o acúmulo de biomassa e tal. Mas isso é só teoricamente.  [trilha de intervalo] Gabriela: A ideia faz sentido: se tiver mais fonte de alimento, que é o gás carbônico, mais as árvores vão crescer.  Mayra: Mas a coisa com a natura é que nem sempre, só porque uma ideia faz sentido, que ela acontece de verdade. Por isso é importante testar David: Houve já muitos estudos com espécies tropicais em laboratório, em pequenas estruturas, onde você consegue submeter a planta a uma concentração de CO2 elevada. Mas pensa comigo, as pessoas não conseguem colocar uma árvore de 30 metros dentro de um laboratório. E de certa forma é como você testar uma vacina em um bebê e achar que ela funciona para um adulto. Porque você está investigando uma plântula, uma plantinha em laboratório. Mayra: Um dos principais fatores que podem limitar o crescimento das árvores é a disponibilidade de nutrientes no solo. Cerca de 60% das florestas amazônicas estão sobre solos pobres em fósforo . David: Mas o fósforo é um elemento necessário para fazer membrana celular, é um elemento necessário para material genético, é um elemento necessário para molécula energética. Se vocês lembrarem daquela molécula ATP, que vai dentro da mitocôndria e tal, o P é fósforo ali.  Mayra: Sem fósforo suficiente, as árvores podem até absorver mais CO2 da atmosfera, mas têm dificuldade para transformá-lo em novos tecidos, como troncos, galhos e folhas. David: Você pode, para essas coisas básicas, formação de uma célula, componente de uma célula pode, colocar quantos CO2 você quiser ali que não vai acontecer nada. E isso, voltando lá no fio da meada, é uma péssima notícia para essas projeções de modelo que consideram que o efeito de fertilização por CO2 é forte, é duradouro e tal. Na verdade, essa limitação por fósforo mostraria que o efeito de fertilização por CO2, no máximo, é passageiro. É algo que a planta vai até um limite, na hora que não tiver mais fósforo não vai acontecer mais nada. Ela vai até absorver, ela pode absorver o gás carbônico, transforma isso em açúcares simples, glicose e tal, mas ela não tem como alocar para açúcares mais complexos, lignina, que é o que faz um tronco, por exemplo, de uma árvore, e ela vai respirar isso prontamente, vai usar esse açúcar Só para se manter Gabriela: Entender como as árvores, e na verdade a floresta como um todo, vão lidar com o aumento do gás carbônico na atmosfera é muito importante pra gente não cair em achismos.  David: porque o que o mundo quer, por exemplo, a Convenção do Clima da ONU, Que é que as florestas, num contexto de política climática, querem que as florestas absorvam mais carbono. E é isso que a gente quer saber. Quando você botar mais CO2, vai absorver mais carbono. Mas se não houver nutrientes, pode ser que não absorva. A floresta não só não vai nos salvar de mudanças climáticas, como ela estará mais vulnerável e suscetível às mudanças climáticas.Aí volta a história do tipping point, se você não tem um efeito, essas simulações de modelos de vegetação e clima mostram que, se você não tiver esse efeito de fertilização forte e persistente, as florestas estariam mais vulneráveis ao aumento de temperatura, redução de chuva e tal.  Mayra: Por enquanto, porém, essas ainda são hipóteses. Para responder a essas perguntas, o AmazonFACE reúne uma infraestrutura inédita na Amazônia. Além dos anéis experimentais, o projeto conta com um conjunto de guindastes que permite aos pesquisadores acessar diretamente o dossel da floresta, as copas das árvores, onde ocorrem processos fundamentais para entender esse cenário. Maria Clara:  E aí dentro do Amazon Face, uma experiência que assim, é de tirar o fôlego, é andar nos guindastes.-É assim, eu não canso de passar por essa experiência, são guindastes de 45 metros, que são uma ferramenta científica e eles dão acesso à copa das árvores com precisão para que os cientistas possam fazer medições que antes você tinha que cortar um galho e não eram tão corretas, não eram tão acuradas. David: Então eles vão numa gaiola toda protegida. Para fazer a medição de fotossíntese, de transpiração e outras coisas. Isso até agora era exclusividade na América tropical, na América, não era só na América do Sul. Era exclusividade do Instituto Smithsonian, na ilha de Barro Colorado, no Panamá. E não é mais. Agora a gente tem esses guindastes também que dão acesso a uma infraestrutura de pesquisa. Você pode fazer pesquisa dentro dos anéis, mas fora também, porque o braço vira do guindaste. Gabriela: Esses guindastes dão um pouco a dimensão do tamanho do experimento do AmazonFACE. Então não é de se surpreender que o experimento atraia bastante visibilidade da imprensa. Depois você dá uma olhada nas nossas redes sociais que vamos deixar umas fotos por lá. Parte do trabalho da Maria Clara é ajudar na logística nada simples que permite a ida de jornalistas até as torres.  Maria Clara: E aí é isso, entender qual pesquisador vai estar em campo, qual equipe, qual campanha, o que eles vão poder acompanhar, se vai interferir com os trabalhos de construção, porque é uma logística muito delicada.- Época do ano que é possível ir, porque tem épocas do ano que chove muito. Então, você vai receber uma equipe de jornalismo lá, não vai conseguir filmar nada. Então, tem toda essa parte de negociação de pessoas que nos procuram, porque o experimento é 80 quilômetros de Manaus, né? Então, você tem que pernoitar lá, se for filmar em dois dias. Tem uma série de documentos que têm que ser assinados. as pessoas que vão tem que ter seguro de vida enfim, uma série de detalhes que a gente tem que ir conversando e em agosto foi essa visita e a reportagem saiu em outubro então quase um ano de trabalho. Gabriela:. O projeto já despertou o interesse de veículos nacionais e internacionais, como a BBC, a EPTV, que produziu a minissérie Amazônia: Mãe da Ciência, e emissoras estrangeiras da Alemanha e dos Estados Unidos. Cada solicitação passa por avaliação do comitê científico, do comitê de comunicação e da equipe de logística, para garantir que a cobertura jornalística não interfira nas atividades de pesquisa e na operação do experimento. Maria Clara  – Mas também o que já aconteceu é deles pedirem para nós imagens e fazer a pauta à distância. Então a BBC soltou uma reportagem sobre a Amazon Face, bem grande, inclusive impressa, com imagens que nós tínhamos. Porque, além de a gente ter esses fotógrafos de grandes emissoras que vão, nós contratamos, acho que, dois ensaios fotográficos sobre Amazon Face com profissionais. Então, com o João Rosa, um fotógrafo de natureza, e com o Daudo Gaudieri, outro fotógrafo de natureza. Então, nós temos imagens muito bonitas para disponibilizar. Porque a gente sabe que receber os jornalistas em campo não é fácil, não só do ponto de vista do jornalista, mas do nosso, porque aquilo é um terreno muito precioso. Então, se alguém pisa num lugar errado, você está matando uma muda de árvore que pode um dia, enfim, fazer parte da nossa pesquisa. Tanto que quando nós vamos receber pessoas lá, tem umas gradinhas pretas que você joga no chão e você não pode pisar direto na terra, senão isso compacta o solo. Mayra: Essas imagens são usadas pra divulgar o projeto e podem ser enviadas pros jornalistas e veículos de comunicação. Eu achei isso muito legal, porque mostra bem a preocupação que o projeto tem com a comunicação, inclusive trazendo essa pegada mais artística junto.  Maria Clara- Esses ensaios nós fizemos pensando em divulgação de ciência e também para disponibilizar para jornalistas, mas também exposições artísticas. No Amazon Face, a gente já fez algumas residências artísticas, junto com o pessoal do Lab Verde, que é uma instituição que faz residências artísticas ligadas à natureza, ciência, natureza. Gabriela:  A ClimaCom, uma revista que também faz parte dos trabalhos aqui do Labjor e coordenada pela Susana Dias, também já fez uma residência chamada perceber-fazer floresta em parceria com o AmazonFACE.  [algum sonzinho que indique uma pausa pra anúncio] Mayra: A gente já fez um episódio com a Susana que também tem tudo a ver com esse aqui. Se você se interessa por mudanças climáticas, vai gostar de ouvir o episódio 214, sobre pesquisas que mostram os impactos do clima na paisagem sonora. Salva lá pra ouvir depois!   [repete som de antes] Mayra: Além da produção de conteúdos, o AmazonFACE incentiva  a preparação de seus pesquisadores para o diálogo com a imprensa. Os cientistas participam de sessões de media training, nas quais recebem orientações sobre como comunicar suas pesquisas de forma clara, objetiva e acessível para diferentes públicos. Maria Clara:  Toda vez que eu tenho a oportunidade de conversar com um grupo como um coletivo, eu falo da cultura de comunicação, a gente fala sobre eles mesmos divulgarem o próprio trabalho.- Então, nós tivemos uma bolsista mídia-ciência poliana, Poliana Martins, que também fez um trabalho dos cientistas, deles falarem da própria pesquisa em 30 segundos.  Gabriela: Um dos desafios da divulgação científica é conciliar o tempo dos pesquisadores. Mesmo  assim, o AmazonFACE tem buscado fortalecer uma nova cultura de comunicação, em que os cientistas reconhecem cada vez mais a importância de compartilhar seus trabalhos com a sociedade. Maria Clara: Ah, é, assim, eu acho que eu estruturei parte da comunicação do projeto, mas eu acho que dentro do projeto as pessoas já têm uma noção do que tem que acontecer dentro de uma comunicação, né? Então, o cientista, ele não se vê mais só como cientista, e ainda bem, né? Então, as pessoas têm noções de que a ciência, se for feita para ficar fechada, ela não faz sentido de ser. Porque se você faz um grande empreendimento na floresta amazônica, gasta dinheiro público, isso não reverte para a população, isso não faz sentido. Mayra: Pensando nesse retorno pra população, o AmazonFACE também possui uma frente socioambiental. A ideia é compreender como as mudanças climáticas e as transformações na Amazônia estão sendo percebidas pelas populações que vivem no território e com isso,incorporar conhecimentos e experiências de diferentes comunidades amazônicas. Quem coordena essa frente de pesquisa é o Marko Monteiro, que você já ouviu aqui contando a história do Carboninho.  Marko: Então a gente vai começar, se tudo der certo, se o dinheiro vier certinho, a gente vai começar a fazer pesquisas etnográficas, toda uma equipe lá envolvendo Manaus, Belém, várias instituições amazônicas, porque era um edital do CNPQ voltado para instituições amazônicas, essas equipes vão começar a fazer pesquisas com povos indígenas e vão tentar entender percepções, né? Ah, além da da questão agrícola, que afeta também esses esses povos e as esses saberes. Mas aí é um é um desafio muito grande. Como é que você integra conhecimentos locais, conhecimentos indígenas com um experimento calcado numa ciência tradicional? Ah, então, por enquanto, o experimento tá sendo né, desenvolvido numa chave da, né, das premissas da modelagem e da climatologia. Mas essas outros saberes certamente vão fazer parte. Gabriela: Até porque, já que o experimento está sendo conduzido na Amazônia, nada mais justo que a população local tenha conhecimento do que tá acontecendo, só que isso não é tão simples quanto parece. A Maria Clara comentou com a gente que, mesmo com toda a circulação em grandes jornais e até na imprensa fora do Brasil, o alcance local das estratégias de comunicação ainda é pequeno.  Mayra: Por isso, parte dos próximos passos do andamento do projeto é contratar uma pessoa do local, da Amazônia,  com experiência de trabalho jornalístico na região,  pra integrar a equipe de comunicação e tentar melhorar esse alcance.  [música de fundo] Maria Clara: Afinal de contas, a ciência do clima já existe desde os anos 80, dos anos 70. A gente já sabe que se a gente continuar produzindo da forma como a gente produz, vai dar ruim. ruim, né? E como comunidade científica é muito fácil cruzar os braços e falar, eu avisei, né? – Então, não adianta você fazer ciência se essa ciência não está chegando onde tem que chegar. Então, a comunicação tem parte nisso, só que existe também uma parte epistemológica do fazer científico e do fazer política e se aproximar, porque nós estamos dentro do MCTI como programa, né? Então, tem que aproveitar essa proximidade e desenvolver o que tem que ser desenvolvido, né?  Encerramento: Mayra : O AmazonFACE nasce da dúvida de como a floresta amazônica irá responder a um planeta com concentrações cada vez maiores de gás carbônico na atmosfera. Para responder a essa questão, o projeto criou uma infraestrutura científica inédita, Marko: Então, tem toda uma construção né, de torres, que vai tentar realizar isso. É, naquele trecho, por quilômetros e quilômetros em volta, não tem pessoas habitando ali. Ah, então muita gente acha que tem povos indígenas, ribeirinhos ou até casas ali perto que vão ser afetadas pelo experimento. Não é ah um experimento que é próximo de áreas habitadas. É uma área experimental há muitas décadas já. eh, então já é usado, é um trecho isolado da floresta. Tem fauna, tem eh muitas, né, muitos animais ali, além das plantas, mas não há seres humanos envolvidos no experimento, nem próximos do experimento. Não vai eh haver interferência. Porém, os resultados têm a possibilidade de esclarecer coisas sobre a floresta e as possíveis mudanças vão sim afetar as pessoas. muito, já estão afetando.  Marko: E isso é o que a gente tá tentando entender.A Amazônia vai colapsar como um sistema, você vai ter menos árvores mais vegetação rasteira, as chuvas vão diminuir, vão aumentar, a temperatura a gente já sabe que tá aumentando, os eventos extremos já estão aumentando, então secas, enchentes, isso tudo já existe, dados mostrando que a frequência vem aumentando e as pessoas já relatam, a gente fez trabalho de campo e já sabemos que as pessoas já estão sendo afetadas, então é importante separar essas duas coisas, né? As pessoas já estão sofrendo mudanças climáticas agora. Há um tempo, alterações que elas percebem e que afeta concretamente as suas vidas. O experimento não está sendo realizado próximo de pessoas e tenta responder essas perguntas, né? Do que poderia acontecer com relação ao CO2 elevado. Gabriela: As mudanças climáticas já são uma realidade. No entanto, com o avanço da desinformação e do negacionismo, o desafio de comunicar a ciência é ainda mais desafiador. Maria Clara:  Isso também é uma questão de comunicação, né, gente? Como que você aborda incertezas científicas, que é o grande motivador do projeto, são as incertezas científicas acerca das mudanças climáticas, né? Então, como que você lida com incerteza científica em épocas de negacionismo? Então, as pessoas querem uma afirmação. A floresta vai sobreviver ou a floresta vai mudar para esse lado. E os modelos matemáticos têm essa pretensão de fazer previsões, só que eles não têm…Não é que eles não têm… Modelos matemáticos são baseados em dados do presente ou do passado. Para você saber se ele está indo bem, digamos assim, você tem que olhar para dados do futuro. E é por isso que existe o experimento. Mayra:  Mais do que prever o que acontecerá, o desafio é compreender como as pessoas reagem às evidências e aos cenários que a ciência projeta para o futuro. Marko:  Existe essa construção de uma ideia de previsão de futuro. Ah, eu acho bastante complicado, né, achar que a gente vai prever Mas o que eles colocam é também essa redução de incerteza. Do meu ponto de vista, entendendo a ciência como construto social, uma prática social. É, o interessante é ver como é que a gente tenta antecipar o futuro para fazer coisas no presente.Então um pouco a minha pegada é essa de tentar ver como é que a gente está reorientando a nossa prática para esse futuro que a gente acha que vai vir. Se ele vier ou não, se ele vai chegar ou não, se a gente prevê ou não, isso é menos importante para mim a pesquisa. Mais importante é ver o que as pessoas fazem em função desse futuro, como é que elas reorientam ou ignoram. esse futuro previsto. Como é que elas tentam prever o futuro, também é muito interessante, né? Tentar produzir uma máquina para olhar para o futuro.  Gabriela: Este episódio foi produzido e roteirizado por mim, Gabriela Andrietta, com revisão da Mayra Trinca, que coordena o  Oxigênio junto com a Simone Pallone.  Mayra: A edição de áudio foi feita pelo Guilherme Lopes e pela Juliana Lopes. A vinheta do podcast foi criada pelo músico Elias Mendez. A trilha sonora é da biblioteca de áudio do youtube. Gabriela: O Oxigênio é um podcast produzido pelos alunos do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da UNICAMP e colaboradores externos. Tem parceria com a Secretaria Executiva de Comunicação da UNICAMP.  Mayra: Você encontra todos os episódios no site oxigenio.comciencia.br e também na sua plataforma de podcasts favorita. Inclusive, lançamos há pouco tempo o Oxigênio no Youtube! Se você acompanha podcasts por lá, procure a gente: Oxigênio Podcast. No Youtube, no Instagram e no Facebook.  Já segue pra não perder nenhum episódio. Muito obrigada por escutar até aqui. [VINHETA ENCERRAMENTO] Trilha: Mysteries

Canaltech Podcast
Até onde a tecnologia consegue prever desastres naturais?

Canaltech Podcast

Play Episode Listen Later Aug 18, 2026 33:51


Terremotos, tornados, ciclones, enchentes e outros fenômenos naturais podem acontecer de forma devastadora. Mas, se não é possível impedir que eles ocorram, a tecnologia pode ajudar a reduzir seus impactos. Hoje, sismógrafos, satélites, estações meteorológicas e diferentes sistemas de monitoramento trabalham juntos para identificar riscos e acompanhar mudanças na atmosfera e na superfície da Terra. Esses dados permitem emitir alertas com antecedência e ajudam autoridades e populações a se preparar para situações extremas. A inteligência artificial também começa a ganhar espaço nesse processo. Segundo o professor Francisco de Assis Mendonça, do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a tecnologia tem ajudado principalmente a acelerar a análise de grandes volumes de informações, correlacionar diferentes variáveis e transformar dados técnicos em informações que possam chegar mais rapidamente à população. Mas prever é apenas parte do desafio. Um alerta só consegue salvar vidas quando chega às pessoas de maneira clara e quando elas sabem o que fazer depois de recebê-lo. Na entrevista, Mendonça explica que o Brasil ainda passa por uma mudança de cultura: sair de uma lógica focada em remediar os danos depois de uma tragédia para investir cada vez mais em prevenção e preparação. Também é necessário melhorar a comunicação e criar infraestrutura para que as pessoas saibam onde buscar proteção em uma emergência. No novo episódio do Podcast Canaltech, a gente explica até onde a tecnologia já consegue antecipar fenômenos naturais, qual é o papel dos satélites e da inteligência artificial nesse monitoramento e o que ainda precisa evoluir para que previsões cada vez mais precisas realmente ajudem a salvar vidas. Você também vai conferir: Starlink prepara novo roteador com Wi-Fi 7, Samsung vai deixar dez celulares Galaxy sem atualizações e OpenAI dissolve equipe que avaliava riscos graves da IA. Este podcast foi roteirizado e apresentado por Fernanda Santos e contou com reportagens de Nathan Vieira, Bruno Bertonzin e Marcelo Fischer. A trilha sonora é de Guilherme Zomer, a edição de Lívia Strazza e a arte da capa é de Erick Teixeira. O Podcast Canaltech está concorrendo para entrar no Top 20 do Prêmio iBest 2026! Se você acompanha nossos episódios, curte as entrevistas e gosta do conteúdo que produzimos todos os dias, sua ajuda pode fazer toda a diferença. Vote no Podcast Canaltech aqui. É rápido, gratuito e você pode votar até 3 vezes por dia.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Brasil Paralelo | Podcast
POR QUE OS DIÁRIOS DE FAUCI CHOCARAM O SENADO

Brasil Paralelo | Podcast

Play Episode Listen Later Aug 12, 2026 11:12


O médico Anthony Fauci, principal especialista em infectologia e outrora o grande rosto do combate à pandemia nos Estados Unidos, enfrentou o Senado americano sob uma postura que chocou o mundo: o silêncio absoluto. Repetindo a mesma justificativa exatas 111 vezes, Fauci invocou a Quinta Emenda da Constituição, recusando-se a responder questões cruciais sobre sua gestão, orientações públicas e contradições. Mas o que motivou essa decisão radical? Neste vídeo, analisamos as contradições do especialista e o impacto da divulgação das mais de 1.100 páginas de seus registros pessoais — o material que ficou conhecido como "O Diário de Fauci". Esses documentos revelaram discussões internas sobre a verdadeira origem do vírus em laboratório e contrastam profundamente com as rigorosas medidas recomendadas ao público, como distanciamento físico e fechamento de escolas. Além disso, explicamos o funcionamento da Quinta Emenda no sistema jurídico dos EUA e elucidamos o motivo pelo qual o perdão presidencial preventivo, concedido por Joe Biden nos últimos instantes de seu mandato, não eximiu Fauci do perigo de investigações na esfera estadual, lideradas por estados como Flórida, Louisiana e Alabama.

ONU News
Jornal da ONU - 11 de agosto de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Aug 11, 2026 4:48


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta terça-feira, 11 de agosto de 2026Nações Undias na Colômbia se unem a autoridades no socorro a vítimas do terremotoComeça, em Genebra, mais uma sessão do Comité para a Eliminação da Discriminação Racial

BEN-YUR Podcast
esses diretores tinham 20 anos

BEN-YUR Podcast

Play Episode Listen Later Aug 7, 2026 72:36


o cinema não espera a maturidade chegar. neste episódio, mergulhamos no fenômeno dos diretores que, aos 20 anos, já estavam entregando obras-primas que muitos veteranos levam a vida inteira para tentar alcançar. como é possível ter esse nível de visão tão cedo?além dos prodígios, o papo vai para lugares mais sombrios: discutimos a estética e o vazio das backrooms, e como a obsessão pode ser o motor (ou a ruína) de um criador.no final, como sempre, tem aquela lista de indicações de filmes para quem quer ir além do óbvio.o que você vai ver: • diretores prodígios: gênios aos 20 anos • backrooms e o medo do vazio • a psicologia da obsessão na arte • indicações de filmes (lista completa no final)se inscreva no canal para mais conversas sobre cinema, literatura e as estranhezas da mente humana.

ONU News
Jornal da ONU - 7 de agosto de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Aug 7, 2026 4:49


Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta sexta-feira, 7 de agosto de 2026:Na RD Congo, chefe da OMS pede ampliação urgente e massiva da resposta ao ebolaVisibilidade fortalece jovens indígenas do Brasil na luta contra a crise climática

ONU News
Jornal da ONU - 5 de agosto de 2026

ONU News

Play Episode Listen Later Aug 5, 2026 4:58


Jornal da ONU com Monica Grayley. Esses são os destaques desta quarta-feira, 5 de agostoViolações do espaço aéreo e atividade militar escalam tensão no sul do LíbanoMulheres moldam novas dinâmicas de migração na Europa e Ásia Central

Estudo diario do Tanya Com Rabino Michaan
Tanya 22 av Cap 7 Parte 2 -Esses reflexos dividem-se em porções que correspondem a Torá e as almas

Estudo diario do Tanya Com Rabino Michaan

Play Episode Listen Later Aug 5, 2026 26:59


Tanya 22 av Cap 7 Parte 2 -Esses reflexos dividem-se em porções que correspondem a Torá e as almas

Jornal da Manhã
Jornal da Manhã - 04/08/2026 | 1ª e 2ª EDIÇÃO: Greve dos ferroviários da CPTM / Eleições 2026

Jornal da Manhã

Play Episode Listen Later Aug 4, 2026 302:40


Confira os destaques do Jornal da Manhã desta terça-feira (04): O partido Avante oficializou nesta segunda-feira (3) a candidatura do escritor e psiquiatra Augusto Cury à Presidência da República. Conhecido pelos livros no segmento de autoajuda, Cury afirmou, durante discurso aos filiados e na presença do governador Tarcísio de Freitas, que, se for eleito, pretende propor a mudança do regime presidencialista para o semipresidencialista. Segundo ele, o presidente ficaria responsável pelas questões estratégicas, Forças Armadas e política externa, enquanto um primeiro-ministro administraria o dia a dia do país. Cury afirmou ainda que Tarcísio de Freitas está em seu radar para ocupar esse cargo. Reportagem: Beatriz Manfredini. A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo impugnou o pedido de registro da candidatura do ex-ministro Ricardo Salles (Novo) ao Senado por falta de documentos e pediu ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que negue o registro. Segundo o órgão, Salles não apresentou certidões de objeto e pé com informações completas sobre os processos judiciais mencionados em suas certidões. Esses documentos detalham o objeto de cada ação, as decisões já tomadas e a situação atual dos processos. O caso ainda será analisado pelo TRE-SP. Reportagem: Matheus Dias. O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao chamá-lo de “ladrão” e “corrupto” durante entrevista à emissora argentina LN+. Milei afirmou que Lula “não é inocente” e disse que as condenações relacionadas à Operação Lava Jato foram anuladas por uma falha no processo jurídico. O argentino também rejeitou as críticas do governo brasileiro ao discurso feito na convenção do Partido Liberal que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, afirmando que sua fala foi espontânea e que “chamar um ladrão de ladrão é infinitamente menos grave do que o próprio roubo”. Reportagem: André Anelli. A greve dos ferroviários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM começou na madrugada desta terça-feira (04) em São Paulo. Apesar da paralisação, apenas a Linha 13-Jade está totalmente interrompida nesta manhã, enquanto as linhas 11-Coral e 12-Safira operam parcialmente. Segundo o Governo de São Paulo, as linhas concedidas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda, além da Linha 10-Turquesa, funcionam normalmente. Reportagem: Danúbia Braga. O Republicanos decidiu adotar uma posição de neutralidade na disputa presidencial. Dos diretórios estaduais da sigla, 19 se posicionaram pela neutralidade, sete defenderam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e apenas um manifestou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em nota, o partido afirmou que a independência na eleição presidencial não representa ausência de princípios ou posicionamento político, mas sim maturidade institucional, respeito ao pacto federativo e compromisso com a unidade partidária, preservando a autonomia das lideranças estaduais dentro das diretrizes estabelecidas pela legenda. Reportagem: Beatriz Manfredini. Seis homens presos nos Estados Unidos admitiram participação em uma sofisticada rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as autoridades americanas, a organização teria movimentado e ocultado mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico de drogas. Cinco dos acusados são brasileiros e um é cidadão americano, todos residentes na região de Orlando, na Flórida. Eles foram presos em uma operação conduzida pelo FBI em janeiro deste ano. O processo tramita na Justiça Federal dos Estados Unidos, no Tribunal Distrital do Sul da Flórida, e os réus respondem ao caso em território americano. Reportagem: Eliseu Caetano. Essas e outras notícias você acompanha no Jornal da Manhã. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Boa Noite Internet
O Império da IA — com Karen Hao

Boa Noite Internet

Play Episode Listen Later Jul 19, 2026 63:50


O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open'. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de valores, sua língua, e projeta a hegemonia do inglês. Isso influencia boa parte do conhecimento que a gente vai produzir daqui pra frente, porque cientistas e educadores usam essas plataformas e acabam perpetuando essas mesmas ideologias e valores.E o quarto e último paralelo é que impérios sempre se agarram a uma narrativa existencial ou moral sobre por que precisam existir. Essas empresas fazem a mesma coisa. Dizem que são o “império do bem”, numa missão civilizatória de trazer progresso e modernidade pra toda a humanidade, competindo contra um “império do mal” que ameaça mandar a humanidade pro inferno.Quando você conversa com algumas pessoas dentro dessas empresas, ou que as lideram, elas dizem: se você nos deixar construir uma inteligência artificial geral, que elas de alguma forma moldam como um deus, a gente vai acabar numa espécie de utopia, um paraíso onde a mudança climática é resolvida, o câncer é curado, a pobreza é aliviada.Mas, se os caras maus conseguirem isso antes, a gente pode acabar com todos os humanos mortos — um risco de extinção pra todos nós.Cris: E eles vêm dizendo isso há quase dez anos, e ainda usam como ferramenta. A gente está num país que foi influenciado por três impérios ao longo da história: Portugal, Inglaterra e agora os Estados Unidos. Então a gente olha pra essas empresas de um jeito meio cínico: sim, sim, já conhecemos essa história.Mas, ao mesmo tempo, ano passado, o Pew Research Center fez uma pesquisa sobre como o mundo enxerga a IA, e o sul global é bem mais otimista do que o norte. Uma das razões é a ideia de democratizar — não só informação, mas: ah, finalmente eu posso montar uma startup, sair desse lugar de exploração e criar o unicórnio de um bilhão de dólares. Os números são grandes na China. Países em desenvolvimento veem muito mais benefício do que risco na IA.China, 83%. Tailândia, 77%. Holanda, 36%. Canadá, 40%. Será que a gente está deixando passar alguma coisa? A gente está certo? Isso está democratizando mesmo? Até que ponto?Karen Hao: Provavelmente tem duas razões. Uma é que muitos dos danos que a indústria de IA causa à maioria global são bem escondidos. Ela se esforça muito pra esconder como polui o ambiente dessas comunidades, como explora e devasta a mão de obra, deixando traumas psicológicos — como documento no livro.E, recentemente, li um artigo de opinião no New York Times que trazia um bom ponto: muitas economias desenvolvidas estão especialmente atentas ao potencial da IA de desmontar oportunidades de emprego de tempo integral. A gente começa a ver isso cada vez mais. Já na maioria global, muito mais gente vive em economias informais, e aí a ideia de que a IA vai tomar um emprego de tempo integral não pesa tanto.Então os danos mais visíveis — a erosão do emprego formal de tempo integral — pesam mais no norte global, ou pelo menos é lá que as pessoas se sentem mais ansiosas. E os danos invisíveis, que atingem o sul global, ninguém percebe tanto, justamente porque são invisíveis. É meio por isso que tanta gente sente essa divisão que aparece na pesquisa do Pew.Cris: Eu tenho acompanhado as notícias sobre IA no Brasil, e toda semana tem um novo data center sendo construído em alguma cidade. Isso é vendido como uma coisa boa: que ótimo investimento, gera emprego. E me fez pensar de novo — a gente passou por três impérios, mas algumas famílias no Brasil, e aposto que em outros lugares também, estão no poder há 500 anos ao longo da história do país.Então, ao mesmo tempo, a gente pensa: é, estamos sendo explorados, é a mesma coisa. Eu já não tenho emprego, então deixa eu usar essa tecnologia pra melhorar minha vida. Mas as pessoas que realmente tomam as decisões, de novo, nos últimos 500 anos, se perguntaram: como a gente ajuda esse pessoal a explorar nosso país de um jeito que nos mantenha no poder e nos dê muito dinheiro?Mas também foi verdade que, sei lá, a Volkswagen abre uma fábrica no Brasil e aquilo gera emprego, contrata gente pro chão de fábrica e pros escritórios. Como é que isso é diferente com a IA?Karen Hao: De certa forma, não é diferente. Existe um fenômeno parecido: a indústria de IA terceiriza muitos dos trabalhos que ela não quer dentro dos centros de poder, e joga isso pra comunidades empobrecidas, do mesmo jeito que outras multinacionais fizeram por décadas.Mas também é diferente, porque a escala dos impactos trabalhistas e ambientais da IA é completamente outra, muito maior que a da indústria automobilística ou da moda. E a velocidade é outra, porque são tecnologias digitais que atravessam fronteiras muito rápido.E é diferente porque a maioria das pessoas não percebe que a IA, mesmo sendo tecnologia digital, tem uma cadeia de suprimentos muito física e intensiva em mão de obra manual.Quando você compra roupa, café, um carro, é mais óbvio que existem materiais que precisam ser extraídos e depois manuseados por pessoas pra criar aquele produto. Já com a IA, a maioria aceita a narrativa que o Vale do Silício projeta: a de que isso vem da “nuvem”, desses espaços etéreos que parecem nem existir no planeta. E a verdade é exatamente o oposto.Ela depende de uma quantidade extraordinária de extração mineral. Depende da construção de infraestruturas enormes — data centers, instalações de supercomputação espalhadas pelo mundo. E depende de muita, muita mão de obra manual: trabalhadores de dados que limpam, preparam e moderam o conteúdo dos sistemas de IA que chegam até você quando usa o ChatGPT.É isso que a torna tão diferente. E há também uma ideologia completamente diferente sustentando a expansão da IA. Quando você conversa com executivos da moda, eles não vão dizer: se você não comprar nossa roupa, vai pro inferno.Já a indústria de IA diz: se você não nos deixar capturar cada vez mais terra, mais recursos e mais mão de obra pra produzir essas tecnologias, vamos ter uma destruição civilizacional. Isso é, ao mesmo tempo, retórica política usada como arma pra moldar o debate público e a cabeça de quem formula políticas, e também está enraizado num sistema de crenças — algumas pessoas dentro dessas empresas realmente acreditam que, se uma AGI fosse construída, e construída nas mãos erradas, isso levaria mesmo a esse tipo de destruição.E é isso que move a sede cada vez maior da indústria por mais capital, mais recursos e mais terra.Cris: Eu quero falar sobre AGI, mas antes: ano passado, a OpenAI estava sendo processada no Reino Unido por violação de direitos autorais, basicamente todos os livros do mundo digitalizados e usados pra treinar modelos. E um dos executivos disse ao júri: bem, se a gente não puder fazer isso, fecha as portas. Me chocou que muita gente reagiu com um “ah, tá, o que a gente pode fazer? Eles vão fechar as portas”.Em parte porque a gente já está acostumado com essa narrativa. Outro dia, numa conferência, um ex-CEO dizia: a gente teve que usar embalagem de plástico porque é mais barata que papel, senão prejudicaria nosso resultado. E a plateia reagia: ah, então é só fechar as portas — a sociedade não pode arcar com isso.Mas isso também, como você disse, se conecta à ideia de uma grande missão, uma missão de salvar o mundo, que a gente precisa cumprir antes que seja tarde, senão estamos condenados. OpenAI está literalmente no nome — só que em português não é tão direto: é “inteligência artificial aberta”.Foi criada a partir de um sonho, um projeto que era pra ser uma coisa pro bem comum. Em 2019, num tempo bem distante, antes da pandemia, você cobriu a OpenAI, foi até o escritório deles, ficou lá dentro. O que você viu? E, mais importante, como essa missão mudou? O Elon Musk os processou outro dia justamente por mudarem a missão. Isso alguma vez foi verdade? Em algum momento eles pensaram mesmo “ah, a gente vai salvar o mundo”?Como essa narrativa de ser aberta funciona com a OpenAI?Karen Hao: Quando comecei a cobrir a OpenAI, levei a sério o que eles diziam — que tinham sido recrutados com a missão de beneficiar toda a humanidade. E aí, quando me infiltrei na empresa, fui ficando bem mais cética, porque via como eles operavam de um jeito completamente diferente, portas adentro, do que diziam em público.Diziam que iam publicar todas as pesquisas e abrir o código de tudo, e na prática eram uma das organizações mais secretas que já cobri. Eram muitas discrepâncias, e, na época, presumi que tinha havido algum tipo de corrupção que os levou a abandonar a missão original. Depois de cobrir a empresa por mais alguns anos e de trabalhar neste livro, mudei de ideia até sobre a missão original.Não acho mais que ela era um esforço sincero e generoso de beneficiar a humanidade. A missão foi criada pra dar à empresa — na época, uma organização sem fins lucrativos — uma margem de manobra extraordinária pra depois levantar muito capital, acumular muito talento e perseguir a força motriz de verdade por trás de tudo aquilo: se tornar a força dominante no desenvolvimento de IA.E penso assim agora porque, quando você olha pras narrativas de cada nova empresa de IA no começo — a Anthropic, a xAI, a Safe Superintelligence do Ilya Sutskever, a Thinking Machines Lab da Mira Murati —, todas usam a mesma narrativa da OpenAI: nós somos os mocinhos, eles são os bandidos.É por isso que precisamos criar uma nova empresa que avance a IA do nosso jeito, não do deles. E você começa a perceber, por esse padrão, que eles repetem a mesma coisa em parte porque acreditam nela até certo ponto, mas também porque ela funciona muito bem com a imprensa, com o público, com quem formula políticas.No livro, eu reproduzo os e-mails internos que Elon Musk, Sam Altman e Greg Brockman trocavam nos primeiros dias da OpenAI. Eles tinham plena consciência de que estavam criando uma missão que soasse bem para o público. E o propósito de verdade, que também deixaram registrado nesses e-mails, era vencer o Google. Viam o Google como a força dominante em IA e queriam ser eles essa força.Não gostavam de ver o Google na frente, então inventaram justificativas: o Google é uma empresa com fins lucrativos, então nós vamos ser sem fins lucrativos. Mas, no fundo, acho que era puro ego: tem que ser a gente, não eles, a gente quer ser quem lidera isso.E aí passaram um tempão moldando essa missão pública, que acabou sendo super útil pra recrutar o primeiro grupo de pesquisadores e turbinar o avanço deles.Cris: Então agora é um bom momento pra falar de AGI, a inteligência artificial geral. Muita gente pergunta: o que é AGI? O que “geral” quer dizer? E a impressão que peguei lendo seu livro é que, por design, isso nunca fica claro de verdade, porque é um alvo móvel. Essas empresas um dia vão dizer “chegamos, alcançamos a AGI”? Ou o plano é sempre “não, não, ainda não chegamos, me dá mais dinheiro, me dá mais poder”?Qual é o papel da AGI na narrativa dessas empresas?Karen Hao: Já que a gente está falando de ficção científica, eu costumo usar a analogia de que o mundo da IA é meio como Duna. Em Duna, o personagem principal, Paul Atreides, entende, ao chegar no planeta Arrakis, que o povo de lá foi semeado com um mito: o de que um dia viria um Messias pra libertá-los. Ele sabe que é um mito, mas decide entrar nele e agir como se fosse o Messias pra controlar melhor aquele povo.E, vivendo, respirando e encarnando esse mito dia após dia, ele começa a perder a noção de que é um mito. Passa a se perguntar se o mito era mesmo verdadeiro ou se foi ele quem o tornou verdadeiro. É essa confusão entre mito e realidade — ele vive num espaço intermediário, sem ter mais certeza do que é verdade e do que é ficção.E trago isso pra responder sobre a AGI porque a AGI é, ao mesmo tempo, um mito e algo que os líderes e os trabalhadores dessas empresas vivem, respiram e encarnam dia após dia, a ponto de perderem a noção do que é mito e do que é realidade. É a ideia de um sistema de IA teórico que um dia igualaria as capacidades humanas. Só que a gente nem tem consenso científico sobre o que é inteligência humana.Por isso, de certa forma, por design, é um termo bem maleável, que deixa essas empresas fazerem o que quiserem. Elas definem e redefinem a AGI conforme a necessidade, movem a trave pra onde quiserem. E, ao mesmo tempo, isso é sustentado por uma crença genuína de certas pessoas lá dentro, por causa dessa confusão entre mito e realidade. Pelas minhas contas, a OpenAI já usou pelo menos quatro definições diferentes de AGI.A primeira está no site deles: “sistemas altamente autônomos que superam humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”. É uma definição de automação do trabalho — eles dizem, de forma explícita, que estão atrás dos empregos mais bem pagos. A segunda apareceu no contrato com a Microsoft, por um tempo a maior investidora deles: ali, a AGI virou um sistema que geraria 100 bilhões de dólares em receita.Ou seja, uma definição feita pra incentivar a Microsoft a investir. Já o Sam Altman disse ao Congresso que AGI é um sistema que cura o câncer e resolve a mudança climática — uma definição de benefício social, muito útil quando você quer que os reguladores não te regulem.E, por fim, quando falam com o consumidor, dizem que vai ser o melhor assistente digital que você já teve — porque, claro, estão tentando vender o produto.E aí você percebe duas coisas. Primeiro, que é um conjunto de definições completamente incoerente. Segundo, que eles trocam de definição conforme o público que querem convencer. Mas também tem gente nessas empresas que acredita de verdade que está construindo uma tecnologia capaz de dar conta das quatro coisas.Então é uma realidade bem confusa e complicada: o que a AGI de fato é, e pra que ela serve, para essas empresas, para a agenda delas e também para as crenças delas.Cris: Como ex-funcionário da Meta — entrei em 2013 —, a missão era unir o mundo e torná-lo mais aberto e conectado. É uma missão incrível. E tem uma coisa que eu sempre digo, porque muito amigo meu vem falar comigo, “ah, esse cara da OpenAI, ou a própria Meta, são maus”. Eu conheci muita gente na empresa. Nunca conheci uma pessoa mal-intencionada.Todo mundo, independente da missão, era gente boa tentando entregar o melhor produto possível, pra dar poder a quem tem um pequeno negócio, por exemplo. Tenho amigos pessoais que construíram a empresa deles em cima da publicidade do Facebook e do Instagram. E esse é justamente o problema, porque ainda assim é uma corporação muito má, pelo que ela causa ao mundo pra bater as metas de negócio.Ou seja, você não precisa de um vilão tipo Lex Luthor pra causar um estrago desse tamanho no mundo. E adorei a referência a Duna. Duna é engraçado: é o livro que eu mais reli na vida que não foi escrito pelo Tolkien. Li o primeiro Duna umas três vezes, e toda vez é como se fosse um livro diferente. Na primeira, eu era adolescente, e era só o Paul Atreides, o cara durão.Na segunda, eu morava no Canadá e li com olhos de estrangeiro, pensando em colonização. E na terceira vez foi quando os filmes do Denis Villeneuve saíram, e aí era: ah, o Bene Gesserit criou esse mito, isso é meio pós-moderno. Narrativamente, fico me perguntando o que vai significar pra mim se eu ler uma quarta vez.Karen Hao: Eu ia te perguntar isso. Quando você disse que cresceu numa época cheia de ficção científica falando das maravilhas da tecnologia, fiquei curiosa: que histórias você estava lendo? Porque muita coisa que saiu nos anos 70 e 80 dizia exatamente o oposto. E muita gente já apontou que os executivos de tecnologia de hoje, que vivem citando essas histórias, interpretam elas justamente ao contrário da intenção original.Cris: Concordo plenamente. Mas, respondendo: foi basicamente Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E é por isso mesmo — os executivos de tecnologia, e o Elon Musk mais que todos, leem esses livros como receita, não como aviso. O livro de que eu mais me lembro, nem lembro o título, era um do Asimov em que ele descreve o elevador espacial que aparece na série da Apple TV, Fundação.E o enredo é: eu sou esse engenheiro brilhante, quero construir essa coisa no Sri Lanka, mas o governo trava tudo com regulação — eu sou um gênio e a regulação é a vilã. Hoje eu leio e penso: ah, sei. Mas, quando garoto, era só “olha, um elevador espacial, que genial, a gente nem precisa de foguete”. E aí você começa a entender. E aí eu parei de ler esses caras.E passei a ler gente com uma visão completamente diferente: o Ted Chiang, que entrevistei ano passado, a N.K. Jemisin, o Cory Doctorow, de quem sou muito fã. E talvez eles sejam mais explícitos, pra gente burra como eu entender: “não, bobo, a analogia é essa”. Mas Duna era incrível — vermes gigantes de areia, o tal garoto durão, e aquela coisa do “eu não aceito o meu destino”.Tenho esse grande destino, mas não quero ele. Do resto da série eu já não gosto tanto. Mas o mais importante de tudo: Duna gerou o melhor GIF de filme de todos os tempos, o “Lisan al Gaib” do Javier Bardem — que eu devia ter colocado durante a sua explicação, aquele “uau, ele está cumprindo a profecia, agindo como o profeta”.Mas, de novo, falando de vilões: você mencionou que essas empresas se colocam como o bem contra o mal, feito impérios antigos. Só que elas também jogam a carta da China, né? “Se a gente não fizer, a Rússia faz primeiro.” Só que a Rússia começou uma guerra e está ocupada demais. “Mas a China chega lá, e é por isso que a gente tem que ser fechado.” É por isso que Mythos e Fable e agora o GPT-5.6 foram proibidos pelo governo. Isso tem fundamento?Quero saber se é possível a China competir — quero mesmo essa resposta — mas também porque, desde toda essa conversa do Fable-Mythos, países como Índia e Brasil vêm dizendo que precisam de um modelo soberano. Dá pra fazer, ou a OpenAI, a Anthropic e o Google estão tão à frente que já não dá?Karen Hao: Sobre a China: você está certíssimo, o Vale do Silício usou por anos a carta do “e a China?” pra escapar de qualquer responsabilização de verdade. Fizeram muito isso na era das redes sociais.A Meta fez muito isso, com o Mark Zuckerberg dizendo ao governo dos EUA: vocês não podem nos regular, senão a gente perde. Mas, se a gente ganhar, vai ter um efeito liberalizante no mundo e nas democracias em todo lugar. E, infelizmente, o que a gente viu foi que jogar essa carta repetidamente produziu exatamente o efeito contrário do que o Vale do Silício prometeu.Uma das empresas de rede social dominantes dessa era é a ByteDance. Ou seja, mesmo sem regulação das redes sociais nos EUA, existe uma empresa chinesa de rede social bem dominante. E as redes sociais estadunidenses acabaram tendo um efeito antiliberal no mundo — é bastante consensual que enfraqueceram democracias em todo lugar. E aí, na era da IA, elas seguiram jogando a mesma carta.Mas o que eu sempre aponto é que a gente definitivamente não devia acreditar nelas. Já existe evidência significativa de que tudo o que elas dizem está, de novo, se provando o oposto. Elas disseram: não regulem a gente como empresas de IA, regulem a China, via controles de exportação — um mecanismo do governo dos EUA com alcance extraterritorial.Só que as empresas chinesas agora estão produzindo modelos de IA de código aberto extremamente eficientes, que viraram super populares no próprio Vale do Silício. Existe um monte de startup de lá que prefere usar modelo chinês a OpenAI, Anthropic ou Google.Então, nesse sentido, é um conjunto de evidências bem decisivo, acho, pra mostrar que a gente devia simplesmente responsabilizar essas empresas, não importa o que digam sobre “ah, vamos perder pra China”. No fim das contas, é só retórica política. Não é um argumento real que elas consigam sustentar pra escapar da responsabilização.Responsabilizá-las vai fortalecer a democracia pelo mundo, vai trazer mais direitos humanos, trabalhistas e de privacidade de dados pras pessoas — é sempre o contrário do que elas dizem que aconteceria. E, sobre a sua pergunta em torno da IA soberana: acho a ideia realmente importante, mas acho também que muitos países estão meio confusos sobre o que querem dizer com isso.Muitos governos, hoje, pensam a IA soberana pela pergunta: a gente consegue construir o nosso próprio ChatGPT? O nosso próprio grande modelo de linguagem, o nosso sistema de IA generativa? Estão olhando só pro modelo que o Vale do Silício já definiu e tentando descobrir como recriar aquilo.E o que eu digo pra quem formula políticas é: defina pra que a IA serve no seu país, no seu contexto. Quais são, no fim das contas, os objetivos do seu país? Os objetivos do seu povo? E também os nossos objetivos coletivos, entre países?Porque a gente tem, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Já definimos coletivamente que há coisas que precisamos resolver juntos: superar a crise climática, reduzir a pobreza, melhorar a educação.E, enquanto o Vale do Silício adora dizer que está fazendo tudo isso, na prática não está. Mas a gente poderia — poderia desenvolver, de forma colaborativa, sistemas de IA que realmente avançassem em cada um desses objetivos coletivos que já acordamos.E cada país também devia fazer o exercício: quais objetivos você quer alcançar, e que tipos de sistema de IA você poderia desenhar pra chegar lá — sistemas que talvez não se pareçam em nada com um grande modelo de linguagem. Se os países fizessem isso, acho que descobririam que a maioria dos sistemas de que precisam exigiria muito menos recursos.Ou seja, contextos como o Brasil, a Índia e outros, quando não precisam competir construindo essas infraestruturas de computação gigantescas e gastando centenas de bilhões de dólares, na verdade já têm, localmente, todos os recursos necessários pra desenvolver um sistema de IA soberano.Cris: Quando ouvi falar do seu livro pela primeira vez, uma amiga me disse que você não poupa ninguém — fala mal do Sam Altman, mas também do Dario Amodei. E as pessoas costumam escolher um lado. Eu sou time Claude, odeio o ChatGPT, essas coisas. Então cheguei no livro pensando: ah, é mais um livro dizendo que a IA é terrível, que a gente não devia usar IA.Mas, conforme fui lendo, e ouvindo outras entrevistas suas, me pareceu que o seu problema é justamente o que você acabou de descrever: a forma como essa tecnologia é feita. E, em especial, a palavra escala — a ideia de que a solução é a escala. O que você quer dizer com isso?Karen Hao: Eu costumo usar a analogia de que “IA” é como a palavra “transporte”: na verdade se refere a uma coleção de tecnologias que vão da bicicleta ao foguete. São tipos bem, bem diferentes de tecnologia, que exigem insumos diferentes pra se desenvolver e depois têm impactos diferentes na sociedade.E você está certo: sou especificamente crítica ao que chamo de “foguetes da IA”, os sistemas que os impérios da IA estão desenvolvendo, aqueles que exigem uma quantidade enorme de exploração de mão de obra e extração ambiental.E sou bem otimista com o que chamo de “bicicletas da IA”: sistemas especializados, eficientes, com bom custo-benefício, governáveis pelas pessoas, cujo desenvolvimento pode ser participativo. Países como o Brasil, o Chile, a Índia, qualquer contexto, têm recursos pra desenvolver e se autodefinir, em vez de simplesmente herdar um sistema criado pelos dois únicos centros do mundo capazes de gastar uma quantidade extraordinária de capital: o Vale do Silício e o ecossistema tecnológico chinês.E o motivo pelo qual eu acho tão corrosivo o que os impérios da IA estão desenvolvendo é exatamente o que você disse: a forma como eles fazem isso, por um mecanismo de força bruta pra avançar as capacidades da IA em escala. Eles vão simplesmente empurrando cada vez mais dados de treinamento nesses modelos, e isso exige corroer a privacidade das pessoas, tomar a propriedade intelectual delas e, ainda por cima, baixa a qualidade dos dados que entram nos modelos — o que leva aos danos de exploração de mão de obra, porque aí você tem que dar conta da moderação de conteúdo.E aí você tem pessoas psicologicamente traumatizadas por serem expostas a todo aquele conteúdo horrível que se tenta “lavar” através desses modelos.E aí vem o problema dessas infraestruturas de computação enormes, com impactos ambientais que aumentam a conta de luz das comunidades que as hospedam e agravam a crise de custo de vida. Elas precisam ser alimentadas por fontes fósseis, que jogam mais carbono na atmosfera e mais poluição no ar dessas comunidades.Então todos os problemas que eu identifico, no que têm de corrosivo, derivam inteiramente da abordagem deles pro desenvolvimento de IA. Por que não descartar a abordagem, em vez de descartar a tecnologia? Redefinir e redesenhar de que tipos de sistema de IA a gente precisa de verdade, com uma cadeia de suprimentos fundamentalmente diferente. E isso não é exclusivo da IA.A gente já viu muitas outras indústrias que começaram com uma cadeia de suprimentos bem ruim. A moda, por exemplo: muita degradação ambiental, muita exploração de mão de obra.Com muita organização, protesto, ação de consumidores, regulação governamental e cooperação entre governos, a gente conseguiu criar mercados novos pra moda sustentável e ética, cadeias de suprimentos novas e inovações pra fazer roupa mais saudável pras pessoas e pro planeta.E é basicamente isso que eu defendo: transformar a indústria de IA do mesmo jeito que transformamos a moda, e as cadeias de suprimento de alimentos. Assim a gente fica com os benefícios da tecnologia, ajuda ela a avançar os objetivos que importam pra gente, sem jogar uma fração enorme da população mundial numa condição atrasada e numa qualidade de vida pior.Cris: O Brasil está agora, no Congresso, discutindo a escala de seis dias por semana. A regra atual é: você trabalha seis dias e descansa um. E muitas empresas, o comércio principalmente, dizem “vamos fechar as portas”, e os trabalhadores respondem “isso é problema seu, não meu”. É mais ou menos a mesma narrativa dessas empresas de IA: se eu não usar a sua água, a Idade das Trevas está chegando.Falando em Idade das Trevas, e falando em bicicleta: a sua analogia me lembrou uma coisa. Eu gosto de jogo de zumbi, de mundo aberto, e em nenhum deles tem bicicleta. Num desses jogos, instalei um plugin que deixava andar de bicicleta — você acha uma e sai pedalando. E aí entendi por que não tem bicicleta: desbalanceia tudo. Parte da graça do jogo é você precisar achar um carro, e daí pneu, gasolina, comida pra carregar. De bicicleta, você vai a qualquer lugar.E eu pensei: ah, é. Meio que estraguei o jogo pra mim, porque agora tenho uma bicicleta, é incrível. Enfim, em termos práticos: no fim do ano passado, uns meses atrás, a revista Wired publicou um artigo pedindo pra jornalistas de tecnologia contarem como usam IA no trabalho. E cada um usava de um jeito. Você usa IA no seu trabalho? Como?Karen Hao: Eu não uso nenhum sistema de IA generativa no trabalho — nem ChatGPT, nem Gemini, nem Claude. Por três motivos. O primeiro é uma postura ética, depois de tanto investigar essas empresas. O segundo é privacidade de dados: eu investigo essas empresas.Não quero que elas conheçam todo o meu raciocínio enquanto eu apuro o livro, literalmente investigando elas. E o terceiro é que, no meu caso específico, a força do meu trabalho está na capacidade de construir relações fortes com as fontes, pela empatia, e de contar histórias envolventes, pela narrativa. E os grandes modelos de linguagem simplesmente não são a ferramenta certa pra nenhuma das duas coisas.Não vão melhorar a minha empatia nem a minha escrita. Então eu não perco nada com essa postura ética: simplesmente corto essas ferramentas e sigo fazendo o meu trabalho muito bem. Pra outros jornalistas pode ser diferente, e pra quem está em outras áreas o cálculo pode ser outro.Mas eu incentivo as pessoas a pensarem primeiro: quais são as suas forças no trabalho? Quais são os seus objetivos? E aí ir de trás pra frente pra descobrir se a IA é a ferramenta certa, qual tipo de IA é a ferramenta certa, e qual fornecedor você quer de fato usar, apoiar, votar com os pés. Agora, eu uso, sim, IA preditiva.Aquelas ferramentas de IA especializadas, as “bicicletas da IA”, digamos. No livro, tinha um detalhe que eu queria muito ilustrar: como a OpenAI deu um salto quando passou de organização sem fins lucrativos a um empreendimento bancado pela Microsoft. Percebi que as cadeiras do escritório ficaram bem mais caras. Então fotografei as cadeiras de um escritório e as do outro.E joguei tudo na busca reversa de imagens do Google, que é um sistema de IA especializado — não é baseado em grandes modelos de linguagem, não é IA generativa. Assim descobri quanto essas cadeiras costumam custar. No primeiro escritório, cerca de 2 mil dólares por cadeira. No segundo, eram cadeiras de um designer brasileiro famoso, uns 10 mil dólares cada.Coloquei esse detalhe no livro pra ilustrar o tipo de riqueza e de concentração de recursos de que a gente está falando. Esses são alguns dos jeitos como eu uso IA, ainda que de forma bem limitada, sempre pontual, quando acho que vai ajudar. E, claro, uso ferramentas de transcrição por IA — outra IA especializada — em todas as minhas entrevistas.Cris: Essa foi uma das partes em que a minha cabeça explodiu, eu nunca tinha percebido: a OpenAI criou o Whisper. Deixa eu dizer de outro jeito, do meu ponto de vista. A OpenAI liberou abertamente essa ferramenta incrível de transcrição, o Whisper, em que eu jogo o áudio e ela me devolve as palavras que as pessoas disseram. E eu pensei: ah, que generoso da parte deles.Mas o motivo real de terem criado a ferramenta foi pegar todos os vídeos do YouTube, transcrever e alimentar a máquina. E aí é: ah, claro. Enfim, falando de ferramentas e de otimismo — a gente está chegando ao fim da conversa. Eu tenho uma regra desde o episódio dois deste programa, há oito anos: de novo, como eu disse do seu livro, não pode ser só uma lista de reclamações e coisa ruim. E a gente tem se saído bem até aqui.Você falou de caminhos e de bicicletas, mas eu quero ser mais específico. Se isso aqui fosse uma reunião de negócios: qual é o plano de ação, quais são os próximos passos? Só que uma das coisas que eu repito bastante, na vida e neste programa, é que problema sistêmico não se resolve com ação individual. Se eu tomar banhos mais curtos, isso nunca vai salvar o planeta do aquecimento global.E muitos amigos meus simplesmente: não quero falar de IA, não quero usar IA. Voltando aos videogames: leram que tal jogo usa IA e pronto, não vão jogar. E a minha primeira pergunta pra você é: como a gente ocupa esses espaços da IA generativa — ChatGPT, Gemini e por aí vai? Porque o que a gente viu com as redes sociais foi: ah, o Facebook é do mal, vou sair do Facebook. Ah, vou sair do Twitter.E, na esperança de quê, sei lá, talvez alguém diga: ah, sinto falta do Cris, cadê ele? Ah, está no Bluesky. Mas isso deixa o espaço aberto pra os radicais entrarem e postarem o que quiserem, sem ninguém contrapor ou tornar aquilo um lugar melhor. Então como a gente ocupa o espaço da IA — seja qual for a definição de “espaço da IA” que você preferir — com todos esses problemas que a gente vem discutindo?Karen Hao: Acho que tem duas categorias de ação pra gente pensar. Uma é desmantelar o império. A outra é investir e construir novos tipos de sistema de IA, que se tornem alternativas às tecnologias do império. Quando eu digo desmantelar o império, não estou dizendo que quero que a OpenAI, o Google, a Anthropic, seja quem for, simplesmente deixem de existir.É que eu não quero que elas sejam imperiais. Não quero que fiquem extraindo uma quantidade extraordinária de valor sem redistribuir nada em troca. Se elas voltassem a ser negócios que praticam uma troca justa de valor com o mundo, eu ficaria perfeitamente feliz com qualquer tecnologia que estivessem desenvolvendo.E a forma de desmantelar o império, acho, se resume a muita organização de base, que vai pressionar os governos a regular e responsabilizar essa indústria. No último ano, a gente viu uma quantidade incrível dessa organização de base florescendo pelo mundo.Recentemente, lancei com um grupo de jornalistas, pesquisadores de IA e acadêmicos críticos um projeto chamado AI Resist List, que busca documentar parte dessa organização de base pelo mundo. A gente encontrou cerca de 30 exemplos, de todas as regiões, de ações individuais, institucionais e movidas pela comunidade.Tinha ação artística, ação política. E isso mostra bem o seu ponto: não dá pra contar só com a ação individual, mas o indivíduo pode, sim, ter impacto. Até uma ação pequena pode gerar um grande efeito cascata. Claro que se juntar com os vizinhos pra protestar contra o data center é ainda mais eficaz. Se juntar dentro da sua escola ou universidade pra protestar contra a parceria dela com uma empresa de IA também é mais eficaz.Se juntar com os colegas de trabalho de um setor pra barrar a adoção de uma IA que corrói os direitos trabalhistas é mais um jeito eficaz. A gente tem um monte desses exemplos. Um dos meus favoritos é o de uma comunidade sobre a qual escrevi no livro, Quilicura, no Chile, na periferia de Santiago. É uma comunidade da classe trabalhadora, bem pobre, que vem sendo alvo incessante da expansão de data centers.E por isso protestaram de forma bem aguerrida contra essa expansão, porque não acharam bom negócio hospedar essas instalações sem tirar nenhum benefício, enquanto elas consomem uma parte significativa dos recursos naturais da região.E, logo depois que escrevi sobre eles, foram além na resistência e criaram uma plataforma chamada Quili.ai. É um site em que você entra e que parece um chatbot, parece o ChatGPT: tem uma interface de chat pra você digitar. Só que, quando você faz uma pergunta, em vez de um modelo de IA responder, a mensagem é encaminhada pra alguém que mora em Quilicura, no Chile. Aí, se você pede “quero a imagem de um cachorro”, aquilo vai pro artista local deles, o Benji. Ele pega um pedaço de papel, desenha um cachorro, tira uma foto e te manda de volta.Eles fizeram isso essencialmente como um projeto de arte performática, pra fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de usar IA generativa pra bobagem. A mensagem era: ei, quando você fica brincando com essas ferramentas em pedido besta, isso afeta comunidades como a nossa, drena os recursos de que a gente precisa pra viver bem.E também queriam levar as pessoas a pensar: por que não perguntar pra alguém da sua própria comunidade aquela receita que você procurava, ou pedir aquela imagem? Porque aí você reconstrói as conexões que estão tão em falta na sociedade — a falta delas é o que nos deixa mais vulneráveis a esse tipo de colonização do império.Eles deixaram o projeto aberto por 24 horas, e qualquer pessoa no mundo podia mandar um pedido. Receberam uma quantidade extraordinária deles. Viralizou de vez. E essa cidadezinha conseguiu uma virada enorme de narrativa sobre a suposta inevitabilidade e necessidade dessa tecnologia, sobre tudo o que o Vale do Silício diz — que, se você não usar, vai ficar pra trás de quem usa.E esse é só um exemplo, entre muitos, de como pessoas comuns, não importa a sua posição na sociedade, podem ter impacto real no debate, na consciência pública e até na regulação. A gente está vendo isso agora com os protestos contra data centers. Nos EUA, em 2025, cerca de 150 bilhões de dólares em projetos de data center foram travados.Isso virou uma das questões políticas mais quentes nos EUA para as próximas eleições de meio de mandato. Tem gente eleita sendo literalmente tirada do cargo por ter aprovado data centers, contrariando a vontade do povo. E isso já está tendo efeito real sobre as empresas e sobre a trajetória do desenvolvimento de IA.A OpenAI teve que encerrar recentemente a sua ferramenta de geração de vídeo, o Sora. Quando lançaram, apresentaram como o segundo produto mais importante desde o ChatGPT. O que aconteceu entre o lançamento e o fim? Uma reportagem do Wall Street Journal apontou três motivos, todos moldados por ação de base. Um: um gargalo enorme de capacidade de computação.Muitos dos data centers travados ou parados eram da OpenAI. Dois: um cenário financeiro bem mais incerto. A OpenAI está se preparando pro IPO, o que significa ficar mais exposta a Wall Street — e Wall Street está cada vez mais nervoso com a capacidade dessas empresas de cumprir o que prometem.E aí a OpenAI teve que reforçar alguns projetos paralelos pra fazer o balanço parecer um pouco melhor aos olhos de Wall Street. E, terceiro: os consumidores simplesmente não estavam usando o produto — o que também é ação coletiva de consumidores. Então, por todo esse tipo de resistência, de várias formas, de baixo pra cima, as pessoas estão de fato tendo impacto real na indústria e responsabilizando ela.Essa é a primeira categoria de ação. A segunda é: ok, que tecnologias de IA a gente usaria como alternativa? E aí a gente precisa investir mais nelas. Muitas vezes, quando converso sobre o livro, a pessoa diz: ok, me convenci de que não quero usar ChatGPT, não quero usar Claude — mas então uso o quê no lugar?E o problema é que eu não tenho muitas respostas pra essa lista de alternativas. Tem umas poucas aqui e ali, uma plataforma, uma empresa.Cris: Dá pra rodar o modelo no seu próprio computador, como o Cory Doctorow faz, mas aí é limitado e…Karen Hao: Exatamente, exige mais habilidade técnica. Mas, pra quem consegue instalar modelos de código aberto no próprio computador, eu incentivo 100%. Só que a gente também precisa de mais gente desenvolvendo interfaces bem fáceis pra esses modelos de código aberto, pra que qualquer pessoa consiga usar.A gente também precisa de mais gente desenvolvendo “bicicletas da IA”, de investidores e governos investindo mais nesse tipo de solução, e de talento — pesquisadores de IA, desenvolvedores e outras pessoas dispostas a sacrificar um pouco e abrir mão dos pacotes de remuneração enormes.Cris: Eu estava começando a achar que agora as empresas precisam ter menos lucro — e isso nunca vai acontecer.Karen Hao: Não, não é a empresa ter menos lucro. É o trabalhador topar abrir mão do pacote de milhões de dólares pra levar o talento dele pra outro lugar. Mais fácil, bem mais fácil. Eu converso com muito pesquisador de IA cansado da abordagem da indústria, porque ela é completamente sem criatividade intelectual.Eu conversei com pesquisadores que não passaram seis anos num doutorado em IA só pra ficar empurrando mais dados na máquina — pra eles, é o trabalho mais chato do mundo. E depois automatizar a programação, que era justamente o que eles gostavam de fazer. Converso com tanta gente que já não acha graça nenhuma nisso. Estão meio presos por “algemas de ouro”.E estão tentando descobrir, dentro de si, que carreira alternativa poderiam ter. Eu costumo incentivar esses pesquisadores a gastar o talento deles construindo um tipo diferente de empresa, que trabalhe com “bicicletas da IA”. E a gente já começa a ver cada vez mais desse talento indo por aí.E a gente precisa que todas as facetas da sociedade invistam num ecossistema muito mais robusto e rico de tecnologias de IA, capaz de substituir as que hoje dominam. Eu ainda tenho as cicatrizes das minhas próprias “algemas de ouro”, mas concordo plenamente.Cris: E as redes sociais são o exemplo — veja o que aconteceu com elas. Tem aquela frase famosa: as mentes mais brilhantes da minha geração passam o tempo fazendo as pessoas clicarem em anúncios. E ainda dizem: ah, isso pode ser o futuro. Pois é.Você contou a história do Quili.ai e isso me lembrou um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil, o Cid Não Salvo. Uns 10, 15 anos atrás, ele tuitou o seguinte: “Gente, eu disse pro meu pai que, sempre que ele precisar pesquisar alguma coisa na internet, é pra ir no Twitter.com e digitar a pergunta na caixa”. E olha que ele tinha milhões de seguidores.E, por uns bons dias, quase um mês, você entrava no Twitter do pai dele e via perguntas tipo “onde eu compro pizza?”. Era engraçadíssimo. No fim, ele contou pro pai — ou talvez não. Mas eu adoro essa ideia. Antes de a gente terminar: você já deve ter respondido isso mil vezes, mas vai continuar cobrindo IA? O que está na sua cabeça, o que vem por aí? Turnê mundial? O que vem pela frente?Karen Hao: Com certeza estou pensando em como continuar responsabilizando essas empresas. Estou envolvida em várias colaborações, com gente incrível, em diferentes projetos ligados a isso. O AI Resist List foi um deles. Também co-criei um programa chamado AI Spotlight Series, com o Pulitzer Center, uma organização jornalística sem fins lucrativos que financia jornalismo investigativo pelo mundo.É um programa que treina jornalistas do mundo inteiro a cobrir IA por uma lente de responsabilização. Até agora, já treinamos mais de 3 mil. E eu sigo pensando em como construir mais capacidade dentro do jornalismo, da sociedade civil, de outros contextos, pra mobilizar ainda mais essa organização de base — pra conter de verdade os impérios da IA e ajudar a desmantelá-los.Cris: Adorei o seu exemplo da moda. É possível, já foi feito. Ou até a indústria automotiva. Ou o grande exemplo que a gente não mencionou, e que o pessoal da OpenAI vive citando: o Projeto Manhattan, a energia nuclear.O mundo não acabou. Quando eu era criança lendo Asimov, achava que ia tudo acabar num fogo nuclear. Enfim — alguma última palavra, alguma mensagem, algum palpite pros jogos do Brasil na Copa, alguma coisa que você queira dizer antes da gente encerrar?Karen Hao: No fim das contas, o que eu espero que fique desta conversa e do livro é o seguinte: neste momento, o Vale do Silício está concebendo a IA como um projeto político. E a característica central desse projeto é tirar a autonomia de todo mundo — a autonomia de moldar de verdade o próprio futuro e o nosso futuro coletivo. Mas, no instante em que você reconhece que já tem uma autonomia significativa pra resistir, o império começa a desmoronar.Então espero que as pessoas encontrem a própria voz, a afirmem, conquistem o seu lugar à mesa e se conectem com os vizinhos, com a comunidade, com os colegas de trabalho, pra criar mais movimentos juntos.Cris: Que ótimo. Karen Hao, o seu livro é O Império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total. Obrigado por vir ao Brasil conversar com a gente. Foi um prazer.Karen Hao: Muito obrigada.Uma das primeiras perguntas que anotei quando comecei a pensar nessa conversa foi justamente a do final, a da ocupação de espaços. Porque, como eu disse, quando as redes sociais chegaram para ficar, muita gente falou “ah, não vou usar, é do mal” — e aí as pessoas ruins, vamos chamar assim, acabam ocupando esse espaço e falando o que bem entendem. A gente precisa aprender essa lição agora, no mundo da IA.Fora que vejo muita gente falando de IA sem nunca ter usado — ou que usou, sei lá, dois anos atrás, acha que continua tudo igual e já diz que não quer chegar perto.E por quê? Porque essa abordagem de ocupar espaços é o que eu e a Ana Freitas buscamos fazer no IA em Curso, nossa comunidade de letramento contínuo em IA. Foi, aliás, uma conversa que tive com a Karen antes da entrevista: ao mesmo tempo que a gente fala do impacto da IA no mundo, também precisa focar no que é prático, no que dá para fazer hoje com IA, sem vender sonho nem desastre. A analogia que usei foi a de que é que nem quando a gente fazia curso de Word e Excel — é o que eu faço agora que vai facilitar minha vida, me fazer ganhar tempo, botar a IA para me ajudar. Quem viu minha conversa com a Ana aqui no Boa Noite Internet, no fim de 2025, sabe do que estou falando. Se não viu, volta lá e confere.Desde que a gente lançou este episódio, o IA em Curso já passou de 400 pessoas. Tem muita gente colocando projetos pessoais incríveis na rua, tirando do papel aquela ideia que rondava a cabeça há um tempão. E a comunidade tem mentoria ao vivo, aula gravada, newsletter, banco de agentes, grupo de Telegram… que mais? O que não falta é jeito de passar para você o conhecimento sobre IA de que você precisa hoje, agora. Quero te dar a bússola para navegar nesse universo.Se esse é o tipo de abordagem que você quer ter com a IA, passa lá no iaemcurso.com.br e usa o cupom BNI2026 para ganhar 20% de desconto no plano anual. Mas corre, porque daqui a duas semanas vou apagar esse cupom — não é todo dia que a gente dá um desconto desses.É isso. Boa Noite Internet, temporada 2026 começando — como todo ano, com mudança, ideia, projeto. Ou, como diz minha citação preferida de todos os tempos: “vivemos uma fase de transição, como sempre”. Espero ver você por aqui e lá no IA em Curso.Obrigado pelo seu tempo e pela sua atenção. Até o próximo episódio. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe