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Oxigênio
#222 – A autoria indígena da colonização às livrarias

Oxigênio

Play Episode Listen Later Jul 9, 2026 33:06


A literatura indígena no Brasil passou por diversas fases e batalhou contra o apagamento em todas elas. Dos primeiros encontros com os jesuítas, que tentaram impor as regras de gramática e de assentamentos importadas da Europa, ao crescimento das publicações editorais de autoria indígena que vemos hoje. Nesse episódio, Mayra Trinca e Lívia Mendes contam mais dessa história a partir de entrevistas com a pesquisadora Carolina Rodrigues, da Unicamp, e com a escritora Trudruá Dorrico. Você vai conhecer mais sobre as primeiras gramáticas, a importância da oralidade para a literatura indígena e a relação disso tudo com a política (no passado e no presente). ____________________________________________________________________________________________________ ROTEIRO TRUDRUÁ: Cara, o Brasil é tão indígena e ele nem se dá conta assim, sabe? Do quanto ele é indígena. MAYRA: No episódio de hoje, a gente vai falar sobre a importância da escrita pra história do movimento indígena no Brasil.  TRUDRUÁ: Eu entendo assim que a presença indígena nesses espaços literários, é o que faz a nossa literatura ser interessante hoje. Faz deslocar um pouco os homens brancos, jornalistas do Rio – São Paulo, assim, numa produção completamente egocêntrica. LÍVIA: E sobre como isso ganha ainda mais relevância diante de um histórico de apagamentos.  CAROLINA: Que algo escrito nem sempre é um texto. Quem lê nem sempre é um leitor. E quem escreve nem sempre é um autor. MAYRA: Isso porque o ato de escrever foi, e talvez ainda seja, uma das ferramentas mais usadas pra hierarquização social. E aí, ao longo da história, isso deixou marcas que revelam muito do que a gente pensa e entende como autoria de povos indígenas no Brasil.  TRUDRUÁ: A autoria coletiva indígena, ela sempre existiu. O problema é que ela foi descaracterizada por conta da história de apropriação dos povos indígenas ao Estado-nação Brasil. LÍVIA: Pra entender essas questões, conversamos com a escritora e pesquisadora Trudruá Dorrico, do povo Macuxi, e com a linguista Carolina Rodríguez.  MAYRA: Eu sou a Mayra Trinca, bióloga e comunicadora de ciência e você já me conhece aqui do Oxigênio.  LÍVIA: E eu sou a Lívia Mendes, linguista e especialista em jornalismo científico, e também já apareci algumas vezes por aqui. [VINHETA] CAROLINA: Eu sou pesquisadora do Laboratório de Estudos Urbanos, o Labeurb, que pertence ao Núcleo de Criatividade da Unicamp e sou também professora no departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL, também da Unicamp. É, a minha formação inicial é em letras, mas eu me especializei em linguística. Fiz o doutorado, pós-doutorado, especificamente nas áreas de análise do discurso, história das ideias linguísticas e saber urbano e linguagem. LÍVIA: Essa que você ouviu é a Carolina. Nos últimos anos,  ela têm se dedicado a pesquisar a língua Guarani e as relações dessa língua com a atuação dos jesuítas na região que era a província do Paraguai.  CAROLINA: Que não deve ser confundida com a província civil do Paraguai, né? Porque a província jesuítica ocupava todo o sul do Brasil, Argentina, parte da Bolívia, enfim. MAYRA: O Guarani era a língua falada pelos povos indígenas da região e que teve seus primeiros registros escritos feitos por esses jesuítas.  CAROLINA: O espaço em que surge a escrita em Guarani vai determinar, a finalidade com que é introduzida a escrita nessa língua, vai determinar a relação entre escrita e oralidade, né? Vai determinar o que que é um texto, o que que é ler, o que é escrever em Guarani. LÍVIA: Os jesuítas chegaram na região por volta de 1580 e se instalaram ali, fundando a tal província. Esses missionários, tinham como tarefa estudar a língua local. CAROLINA: A finalidade principal, né, desse trabalho linguístico era se comunicar com os indígenas no dia a dia, aprender a língua, né? Que os missionários estrangeiros pudessem aprender a língua para se comunicar com os indígenas e para catequizar. A questão principal não é o cultivo da língua como bem cultural. Isso pode até ter um resquício, mas não é esse o objetivo principal. MAYRA: Essa lógica por trás do estudo do Guarani fez com que a escrita e a gramática utilizada para essa língua fosse bem diferente de outras línguas. Enquanto as línguas europeias tiveram sua escrita elaborada e rebuscada como uma forma de enriquecimento cultural, a escrita das línguas indígenas era muito mais pragmática, usada apenas como instrumento para ensinar outros jesuítas.  LÍVIA: Ainda assim, a Carolina conta que as primeiras gramáticas, as primeiras organizações e regras linguísticas do mundo surgiram todas meio que juntas.  CAROLINA: É interessante isso porque muitas vezes a gente pensa que “ah, as gramáticas europeias foram feitas primeiro e as línguas ameríndias, por exemplo, depois e não. Então, a diferença entre uma gramática, a primeira gramática em francês, do francês, tem dois, três, quatro anos de diferença com a primeira gramática do Nahuatl, no México, por exemplo. [começa trilha] LÍVIA: Só que nesse momento, na Europa, durante o Renascimento, as gramáticas estavam surgindo pra organizar e padronizar as línguas que representariam os Estados-nação, como o francês, o português e o espanhol. Era preciso reduzir as variações dos dialetos, fixar regras linguísticas, para dar uma ideia de unidade praquele território. MAYRA: Gramatizar uma língua, assim como escrever essa língua , é importante para consolidar regras gramaticais e fazer com que ela mude mais devagar. Por isso as gramáticas surgem com a formação dos Estados, porque conforme as nações hegemônicas iam colonizando diversas partes do mundo, levavam também consigo o processo de gramatização das outras línguas. CAROLINA: Então, essa associação, né, língua cidade através da ideia do movimento, da fixação, eles tinham que fixar a língua pela escrita e fixar os indígenas em povoados, não é? Para que, como dizia o Manuel da Nóbrega, o padre jesuíta, era preciso fazer com que ficassem quietos, né? E não se movessem o tempo todo. Ele reclamava que o trabalho da catequese era jogado fora, porque eles se mudam o tempo todo. LÍVIA: De novo a gente percebe aí a linguagem sendo usada como uma forma de dominação desses povos. O estudo da língua Guarani não estava a serviço dos povos indígenas e sim dos colonizadores. Mesmo que eles começassem a dominar a escrita de sua língua, isso não significava que eles iriam conseguir realmente se apropriar política e culturalmente dessa ferramenta.  CAROLINA: A cultura é imposta como modelo, ao mesmo tempo que se impede o acesso integral a esse modelo. Porque senão a desculpa para subordinação desaparece, não é? [sobe som e encerra música] MAYRA: E a Carolina encontrou, em alguns textos da época, exemplos que mostram isso muito bem. Ela me deu o exemplo de vários textos religiosos, que eram escritos em Guarani, mas que não eram lidos pelos indígenas.  CAROLINA: Porque esses textos traduzidos em Guarani, é, se destinavam aos missionários, não eram dados para a leitura dos indígenas, que eram mantidos a maior, maiormente não alfabetizados, não é? Era porque os missionários soubessem, é, aprendessem e pudessem transmitir oralmente aos indígenas. Então, na verdade, o destinatário do conteúdo do texto, né? Da mensagem religiosa, era o indígena, que não era o leitor do texto, né? Então era não era um público leitor, era um público ouvinte, era um auditório, porque quem lia era o missionário. LÍVIA: Ela também identificou o mesmo deslocamento da função do autor desse texto. Um dos exemplos mais didáticos é de um indígena chamado Nicolas Yapuguay, que publicou dois volumes de sermões bíblicos escritos em Guarani, só que sob direção de um missionário.  CAROLINA: Então, o que significa sob a direção? Significa que a responsabilidade é do missionário. Bom, aí já temos uma dica, não é? Mas o prefácio é fantástico. Eu acho que Foucault leu esse prefácio para definir a função autor, né? Porque quem faz o prefácio ao livro é Paulo Restivo, o missionário. Até aí tudo bem, a gente pode fazer o prefácio de outro livro, né? Mas o que é interessante é que todos os “eus”, as primeiras pessoas, é o missionário que assume. Então, assim, ele chama o leitor de meu leitor, as doutrinas que eu te ofereço.  MAYRA: Isso mostra pra gente que apresentar o Nicolas Yapuguay como autor era quase como um disfarce, um fingimento. Que ele estava ali pra que os missionários pudessem dizer que havia uma participação indígena, mas que não tinha liberdade de decidir o que ou como escrever.  [começa trilha] TRUDRUÁ: Nesse processo de de entender um pouco a escrita e os povos indígenas, eu queria dizer assim que a escrita, essa escrita assim, ai, de escrever o nome, de escrever um poema, de escrever um livro ou de aprender a escrever alguma coisa que é importante assim no dia a dia, não é dessa escrita que nós estamos falando, quando a gente fala assim, ai, dos povos indígenas conseguirem escrever e serem uma sociedade desenvolvida. A gente está falando de um sistema de escrita que cria documentos, que cria cartórios, que cria notários, que cria é, que cria uma legislação para validar, por exemplo, um processo de expropriação territorial. [sobe som e encerra música]  LÍVIA: Essa que você acabou de ouvir é a Trudruá Dorrico.  TRUDRUÁ: Eu sou indígena Macuxi. O povo Macuxi tá no estado de Roraima. Eu sou escritora, essa é uma parte que eu atuo, no âmbito da literatura e eu também sou pesquisadora de literatura indígena e essa é a segunda parte assim da minha atuação no âmbito da pesquisa. MAYRA: Eu conheci o trabalho da Trudruá num grupo de leitura que eu faço parte. A gente leu “Originárias: Uma antologia feminina de literatura indígena”, que é uma coletânea organizada por ela, mas com histórias de diversas autoras de diferentes povos. Ela faz parte de um movimento contemporâneo de autores indígenas, como Daniel Munduruku, Ailton Krenak, Eliane Potiguara, Geni Nuñez e por aí vai.  LÍVIA: A literatura indígena passou por diferentes fases no Brasil. Ela começou muito antes da chegada dos jesuítas, com a cultura oral, ainda sem registros escritos. Essa primeira fase, estruturada na oralidade, ainda  é muito pouco aceita como literatura. Vamos falar disso um pouco mais pra frente, continua por aqui pra entender.  MAYRA: Então, os registros dos jesuítas formam uma segunda fase, com os primeiros textos escritos, como a gente viu, mas não exatamente respeitando a cultura indígena.  LÍVIA: Depois, a gente teve, durante o modernismo, lá da semana de 22, autores como Mário de Andrade, autor de Macunaíma, por exemplo, se apropriaram de histórias indígenas naquela onda da antropofagia e ficaram famosos por isso.  TRUDRUÁ: O José de Alencar, Mário de Andrade e Oswaldo de Andrade fizeram carreira sobre com o nacionalismo indígena. Então, é uma terceira fase que a gente fala assim: “É, mas agora a gente vai escrever. A gente vai fazer nossas histórias, a nossa literatura com esta identidade, porque esta identidade é um território que o Brasil precisa reconhecer, que tudo o que diz respeito a nós tem valor e tem alguém ali para reivindicar dizendo assim: “Ó, você não vai falar de nós de qualquer jeito, como se a gente fosse nada ou como vocês estavam acostumados a tratar a gente”. Eu acho que é por isso que talvez esse identitarismo ameace, né? Porque essa pessoa não tá pronta ainda, ela tá muito mais na defesa de: “Ai, nossa, vai me podar, de pesquisar, vai me podar, de escrever, vai me podar, de publicar, vou ser malvista”. Vai mesmo. Vai, vou te dizer com certeza que vai. MAYRA: A Trudruá tá falando aqui de pessoas que falam sobre os povos indígenas ou sobre elementos da cultura indígena como se fossem donas desse saber, ignorando o movimento e a história desses povos. Como livros ou mesmo pesquisas acadêmicas que se apropriam desse conhecimento sem dar os créditos, as referências ou mesmo sem ter representantes indígenas fazendo parte do trabalho.  LÍVIA: Isso porque, como a Trudruá contou na entrevista, esses escritores e pesquisadores sempre viram as práticas indígenas como “sem dono”. O motivo está no fato de que a maioria dos povos indígenas não tinham e ainda, em algumas regiões, continuam não tendo acesso ao domínio da escrita de suas línguas maternas. Por esse motivo não era considerada  a participação do próprio indígena nessas produções. TRUDRUÁ: Eu acho que esse argumento, ele foi utilizado assim por muitos anos, por por décadas, né? Pelos indigenistas e também pelos professores que é que sempre pesquisaram povos indígenas e se tornaram porta-voz desses povos indígenas. E eu acredito assim que é boa fé, o fato é que isso virou uma tradição e essa tradição acabou colocando, né, esses pesquisadores que muito colaboraram, muito ajudaram, não tô nem julgando isso, mas colocou eles assim como paladinos, né? Colocou como representantes de povos indígenas, como uma voz, é, de autoridade, uma voz de tradução entre dois mundos. Traduziu o mundo branco para os indígenas e traduziu o mundo dos indígenas para os brancos. Então, essas pessoas eram as autoridades. MAYRA: É uma ideia que tá muito ligada a noção de que povos que usam a escrita são, de alguma forma, superiores do que sociedades que chamamos àgrafas, ou seja, que transmitem seus conhecimentos exclusivamente por meio da tradição oral, sem ter desenvolvido um sistema próprio de escrita. Eu vou trazer a Carolina aqui de volta pra ajudar a gente a entender isso.  CAROLINA: Olha só, de novo, porque os europeus então gramatizaram as línguas do mundo, instrumentaram as línguas do mundo a partir do modelo que eles tinham usado da gramática grecolatina e também transformaram os espaços do planeta, os territórios a partir do modelo urbano europeu. Então, veja como os processos de gramatização massiva também coincidem com o processo de urbanização, isto é, de transformação das línguas e dos territórios do planeta, né, em direção ao modelo da escrita e da gramática da cidade europeia, não é? LÍVIA: É como se, porque a história da europa seguiu esse caminho, passando da tradição oral pra tradição escrita, do nomadismo para as cidades, todas as sociedades do mundo tivessem que fazer o mesmo percurso.  CAROLINA: Então, esse modelo da escrita, esse modelo da cidade, nesse discurso historiográfico, né? Vai estabelecer uma relação entre espaço e tempo, né? Por quê? Porque as sociedades, cujas formas de vida não produziram esse modelo específico de espaço que é a cidade, né? São jogadas situadas para trás no tempo, são pré-históricas, estão atrasadas, não chegaram lá. Então, há uma temporalidade que vai ser acionada a partir do modelo de espaço, que é produzido a partir de suas tecnologias, entre as quais a escrita, não é? MAYRA: Só que essa é uma visão bem distorcida de como as coisas funcionam. Não é porque a escrita foi necessária pra organização de um modo de vida que ela é essencial em todas as configurações sociais.  LÍVIA: E tem uma questão muito importante aqui. É que essa leitura de mundo não vem sem propósito, “sem querer”. Ela foi moldada pra justificar uma ideia de superioridade.  CAROLINA: Você estar numa sociedade de escrita e não dominar a escrita é uma grande desvantagem. Né? Não ser alfabetizado numa cidade é uma grande desvantagem. A questão é quais são as explicações, né? E como isso acaba sendo ontologizado. É uma característica ontológica dessas sociedades ou desse sujeito, não é? Então, de fato, o que há, é, é o que eu chamei de uma memória da língua marcada pela escrita e uma memória do espaço marcada pelo urbano. Eu explico, né? O que que é memória no sentido discursivo, da análise do discurso. Memória não é lembrança, é o contrário, digamos, ou pelo menos esse tipo de memória discursiva. É aquilo que já foi dito, esquecido e passou a ser do senso comum e faz sentido nas próprias palavras, não é? Então, a gente tem essa memória da escrita, memória da escrita, o que que é? Você imagina a língua, você imagina através da escrita alfabética, não é? Você vê um espaço que não tem cidade, parece um espaço vazio e não tá vazio, né? Por exemplo, uma floresta, o espaço de populações indígenas, não é? MAYRA: É como se houvesse, ainda que de forma inconsciente, uma associação automática entre cidade e progresso, linguagem e “inteligência”. É como dizer que uma pessoa analfabeta não sabe ler porque não quer, ou porque não tem capacidade, e, assim, excluir completamente o papel do Estado, da escola e de outras pessoas no processo de transmitir essa habilidade. A Carolina deu um outro exemplo muito bom de como isso foi manipulado pra fazer povos indígenas parecerem menos capazes do que as pessoas brancas.  CAROLINA: A educação literária, artística, da escultura, da pintura e da música são considerados como o modelo, né, de educação aos indígenas. Mas aí você vai nos povoados e mostram, essa daqui é escultura feita por um indígena, essa aqui para um europeu. E de acordo com esse modelo a feita por um indígena aparece uma caricatura muito simplificada, né? É, então como se apresenta isso, né? Olha, os jesuítas até ensinaram, mas até aí eles conseguiram chegar, mas então esse resultado aquém, de acordo com certo modelo, se apresenta como uma incapacidade lógica, natural dos indígenas. Eles não conseguem se apropriar desse modelo, então tem que se manter como subalternos, né? O que não se diz é que aos indígenas não se ensinava as técnicas de preparatórios para fazer uma escultura que se ensinava aos escultores europeus nas escolas de artesãos europeus. Simplesmente se dava o pedaço de madeira para os artistas e falaram: “Olha, copia aqui” LÍVIA: Se a gente parar pra reparar, a mesma lógica continua até hoje nos discursos meritocráticos, né? É uma ideia de que a habilidade de uma pessoa, seja ela indígena ou não, só depende do seu esforço individual. E assim oculta completamente o papel da sociedade de ensinar as bases necessárias pra isso.  MAYRA: E tem outro ponto interessante aí. Olha como a gente tem todo um referencial do que deveria ser uma sociedade, baseado quase que exclusivamente num único modelo: o europeu. A escultura, a música, o jeito de se vestir, tudo segue as regras estabelecidas na Europa. Só que na maioria das vezes, isso não é colocado em perspectiva, né? É naturalizado, colocado como um processo único pro mundo todo. CAROLINA: Como se isso fosse um, um, um processo inexorável, não é? LIVIA: Quando na verdade a gente devia tá olhando pra isso mais como possibilidades de modos de viver numa diversidade gigante de culturas. Só que é muito natural, por conta da nossa história, a gente achar que o que vem desse padrão europeu é sempre o melhor. CAROLINA: Uma coisa importante, isso não tem a ver com o que a gente acha de melhor ou pior. No sentido de que se você nasce e cresce numa numa sociedade urbana e da escrita, pode achar absurdo não escrever a língua ou não se fixar, mas esse é problema seu, vamos dizer assim, não é? Porque assim, você não é o centro. Não é? Então, não precisa gostar. [trilha sonora] LÍVIA: Até hoje, a escrita tem sido um reflexo disso. Ao longo da idade média, como a escrita tinha praticamente sido sequestrada pela Igreja na Europa, fazendo com que fosse quase exclusiva dos sacerdotes, ela se tornou um símbolo de conhecimento.  MAYRA: Como se um conhecimento só tivesse valor se estiver escrito, aquela ideia de que isso garante que ele será transmitido pro futuro. Isso também explica, voltando no que a gente tava falando antes, porque a primeira fase da literatura indígena, que tava na oralidade, não é considerada.  TRUDRUÁ: Tem muita produção indígena que é uma produção intelectual que esteve no âmbito do imaterial, porque os povos indígenas foram impedidos de desenvolver sua própria escrita e ao mesmo tempo foram impedidos de adotar a escrita alfabética, né? Esse foi um jogo sistemático do Estado para impedir a presença indígena na sociedade brasileira. LÍVIA: Ou então, de forma mais sutil ou até mais perversa, o que era feito era diminuir a identidade indígena de quem escrevia. Uma coisa de “se sabe escrever, então já não é mais indígena”. Um pensamento totalmente relacionado àquela ideia de progresso linear que a gente falou agora pouco, que considera os povos indígenas como se estivessem num estágio cultural anterior e inferior aos dos povos europeus.    TRUDRUÁ: Nesse caso, quando os povos indígenas e os sujeitos indígenas, eles começam a a escrever, a publicar, a romper essa tradição de que tudo que eles têm está na oralidade e quando está na oralidade não pertence a eles, é, eles, né, os primeiros escritores eles vem com essa tradição de dizer: é, não tem autoria porque vocês nunca deixaram, o país nunca deixou, nunca considerou, né, que um indígena que escrevesse, falasse língua portuguesa ou conhecesse os costumes da sociedade dominante pudesse ser considerado indígena. O que eu quero dizer com isso é não não não temos direito à nossa propriedade intelectual, material que tá na oralidade, eh porque eh ao escrever elas não somos mais tão indígenas. MAYRA: Aqui é importante a gente parar e explicar algo com mais calma, porque mesmo pra mim isso não tava bem claro quando comecei a conversar com a Trudruá pra esse episódio.  TRUDRUÁ: Quando você fala de oralidade, eu penso em um sistema, em um dispositivo de memória que é trabalhado assim pelos povos indígenas. Quando você fala de de fala de de voz alta, você tá falando desse oral. né, de uma fala oral. Então são um é sistema de conhecimento, um é prática. Então são diversos, né? TRUDRUÁ: Não podemos entender a oralidade como uma fala, como se ela não tivesse consciência, mas ela tem um sistema todo organizado, é de memória mesmo, assim, que vai de geração em geração e vai ensinando valores e e, e, né, tem uma ciência, né, que a compõe. LÍVIA: Ou seja, quando a gente tiver falando de oralidade aqui, estamos falando de um conjunto de práticas que faz parte de uma tradição de centenas de anos, que foram capazes de fazer permanecer o conhecimento, sem precisar de recursos escritos.  MAYRA: De certa forma, isso permeia o trabalho da Trudruá como escritora hoje. Eu ouvi uma entrevista dela falando sobre o último livro que publicou, o Tempo de Retomada, e como ela tinha o hábito de ler em voz alta pra mãe dela quando tava trabalhando no texto.  TRUDRUÁ: Quando eu penso texto escrito, eu me preocupo muito assim com, é, com uma sofisticação que elas são contadas nessa oralidade. E aí nessa, quando a minha mãe tenta me passar certos valores, eu fico assim impressionada, porque eu realmente me sinto indo para um outro tempo a partir da palavra, eu me sinto viajando assim num outro tempo. E era, e era essa ideia assim de talvez transportar as pessoas para esse tempo que eu nunca sei se eu vou conseguir, ou nunca sei se as pessoas vão se abrir para elas, mas é uma preocupação de que é, talvez o mesmo ritmo ou o mesmo balanço que que eu escuto e que eu sinto, né? MAYRA: Durante a entrevista, eu comentei com a Trudruá como eu tenho percebido um pouco um movimento na literatura de resgatar esse jeito de contar histórias. Como eu falei, eu participo de um clube de leitura e isso é algo que vira e mexe aparece por lá. De como é gostoso ler um livro que você tem a sensação de que a autora tá ali falando mesmo com você.  LIVIA: A Trudruá contou pra gente que, além do contato com as histórias contadas pela mãe, ela também teve, desde sempre, uma ligação muito forte com a literatura. E que os livros sempre tiveram um papel muito importante, não só de companhia, mas de vivência pra ela.  TRUDRUÁ: Eu cresci com a literatura e a literatura me fez viajar por tantos mundos, me faz sonhar, me faz chorar, me faz é, me faz sentir uma magia que de artista, então eu não poderia desejar outra coisa que não, né, viver com a palavra. E aí nesse sentido eu eu também entendo que dá para levar um pouco essa magia nessa escrita literária. E esse era o trabalho assim, de talvez transportar um pouco aquilo que eu sinto quando eu escuto essas histórias. E aí o trabalho, ler em voz alta é importante, assim como ler em silêncio também, mas como eu tenho essa preocupação que a minha comunidade leia, eu também fico pensando assim: “Ai, como que elas podem como que elas vão ler isso, a disposição das frases, desce isso para ir num ritmo tão longo, né? Esse trabalho escrito, prático, de como pode também emular uma certa um certo oral. MAYRA: Uma coisa importante, como dá pra perceber nas falas da Trudruá quando ela tá falando sobre o que espera dos livros dela, é que essa oralidade, tanto a tradição, quanto o hábito de ler em voz alta, tão muito relacionados com o coletivo. E aí entra outro ponto importante. Não é porque um conhecimento é coletivo, que ele é de todo mundo. TRUDRUÁ: Um segmento assim que fica muito evidente no Brasil é o núcleo de folcloristas, o núcleo de estudiosos assim brasileiros que que olham para esses conteúdos, olham para esses materiais, para essas narrativas e entendem ela como uma cultura popular. A cultura popular nesse sentido de que ela é de todo mundo, mas não tem uma autoria específica. E isso é muito conveniente quando você, né, é, consciente ou inconscientemente, você rouba, é, narrativas prontas, narrativas criativas, fantásticas de outros povos para dizer: “Ah, isso faz parte da cultura brasileira no singular” LÍVIA: A Trudruá deu exemplos como o guaraná, a mandioca ou uma série de medicamentos que foram descobertos e desenvolvidos por povos indígenas, mas que nunca foram reconhecidos como autores ou proprietários dessas técnicas.  MAYRA: E que depois, foram coisas incorporadas à cultura brasileira, como se todas as pessoas do país tivessem a mesma relação, a mesma história com esses elementos. E com isso, ignorando que os povos indígenas tiveram um papel fundamental nesse processo. LÍVIA: Lembra que a gente falou sobre como a primeira fase da literatura indígena, aquela da tradição oral, não é reconhecida? Isso porque quando a gente fala de oralidade, é difícil identificar um autor. E essa brecha foi usada pela sociedade brasileira como uma estratégia de incorporar essas histórias numa narrativa nacionalista.  MAYRA: Só que isso, ao invés de valorizar os conhecimentos tradicionais e a individualidade de cada povo, como costuma ser dito por aí, acaba, na verdade, apagando a participação e a autoria dessas pessoas na sua própria história.  [trilha sonora]  TRUDRUÁ: Mas sobre a identidade indígena, vai ser algo que eu nunca vou abrir mão. E eu digo como escritora e eu digo como indígena, porque assim, a história brasileira e a história literária brasileira, tudo que ela quis foi apagar a identidade indígena para se apropriar das nossas narrativas. Quando a gente se coloca com essa identidade, a gente demarca um território simbólico de dizer: “Isso aqui não tá livre. Isso aqui não é terra de ninguém. Isso aqui tem uma autoria coletiva. Tem uma propriedade material que pertence a nós. Não é seu. Não é seu, brasileiro.  LÍVIA: Por isso é tão importante hoje esse movimento de autores indígenas no Brasil. Ele ajuda a retomar uma série de histórias aos seus autores originais, dessa vez com os devidos créditos e com sua própria voz.  TRUDRUÁ: E a autora individual, é essa autoria, que tá no mercado editorial e que vem reforçando, que vem para reforçar os valores, né, dos povos, das comunidades, mas o fato de tá no mercado editorial e circular, ela alcança um outro uma outra visibilidade, inclusive lançando luz a essa autoria coletiva  MAYRA: E aí, obviamente, esse movimento acompanha o posicionamento político dos povos indígenas no Brasil.  TRUDRUÁ: Tem um filósofo, tem um teórico da literatura que se chama Emil’ Keme, ele é do povo Maia Quechua da Guatemala. E ele fala que não é possível separar a teoria literária indígena da política indígena, porque elas caminham juntos. Quando os indígenas eles pegam a escrita para publicar e etc, estudar mesmo, eles entendem a escrita como uma técnica, a língua como uma técnica que vai ser essa transportadora dos desejos da luta do movimento indígena. Então, a gente entende, alinhado a política indígena, a gente entende, uma teoria da literatura que vai seguir as mesmas políticas que os povos indígenas tão tentando em termos de autonomia. Então, a política indígena fala do direito ao nome. Todos os autores indígenas que eu conheço, ou eles adotaram o nome de povo, ou eles adotaram o nome da tradição. Mas se você olha em documentos, eh que não faz, sei lá, 10 anos que tem 20 anos que tem essa política, eles têm nomes brasileiros, nomes e sobrenomes brasileiros por conta da política de que proibia nomes indígenas. Então, isso acompanha também dentro da literatura a política indígena. LÍVIA: Com esse movimento, a gente também tá tendo a oportunidade de conhecer mais da tradição indígena e de ter acesso a cultura de tantos povos indígenas que existem no brasil, aprendendo inclusive as diferenças que existem entre eles.    TRUDRUÁ: Os escritores estão acompanhando as linhas de da política indígena, que é autonomia, soberania, autodeterminação. E é tão falso e isso de que a literatura indígena vai repetindo, vai falando das mesmas coisas, porque os temas indígenas, eles são tão abertos e são tão variados, assim, só fala isso quem nunca leu a literatura indígena. Porque, entrar no mundo da identidade indígena, ela é muito, assim, é um mundo muito amplo. A gente tá falando de uma identidade indígena, mas a gente tá falando de quase 400 povos indígenas, de quase 300 línguas faladas culturalmente, como elas são diversas entre si. Eu acho que quem fala isso nunca nem se aproximou da das culturas indígenas para entender um átimo dessa dimensão que é essa riqueza cultural. MAYRA: E também de pensar como a gente pode tentar se aproximar de outras formas de viver e entender o mundo. No grupo que eu faço parte, sempre que lemos alguma coisa de literatura indígena, a conversa rende muito nesse sentido, em pensar pequenas mudanças que a gente pode tentar trazer pra nossa realidade, inspiradas nessas outras culturas.  TRUDRUÁ: E aí uma das coisas que eu amo, amo na literatura indígena é que não tem nada do amor romântico, mas não tem mesmo assim, sabe? Amo, sabe essa ideia de ai nossa, as mulheres foram abandonadas pelos homens, é, e as mulheres o que que elas fizeram? Ah, elas foram procurar outros maridos. Tchau amor, tchau e benção assim, é completamente, assim vai completamente na contramão do que a gente foi ensinado. De ficar chorando, de ficar se lamentando. [sobe trilha]  LÍVIA: E falando em grupos de leitura, pra encerrar nosso episódio, a Trudruá pediu pra deixar um recadinho pra vocês.  TRUDRUÁ: Eu tenho uma página no Instagram que se chama Leia Mulheres Indígenas. E aí eu tô com uma proposta para 2026 de abrir um clube de leitura do Leia Mulheres Indígenas.  TRUDRUÁ: Como que você vai apreciar melhor essa leitura e essas produções se vocês não sabem, né? De onde que a gente parte, quais são os princípios, quais são os valores. E aí eu tô querendo muito abrir um clube de leitura para 2026, espero que dê certo. E é convidar todo mundo para, sei lá, tá com a gente, abrir o debate, ler, se se encantar ou se desencantar também, tá valendo, né? Tá tudo valendo. MAYRA: Fica aí o convite pra seguir a página e ler mais livros escritos por autoras indígenas. Eu sou a Mayra Trinca, produzi e escrevi esse roteiro, com pitacos e revisão da Lívia Mendes. A edição também é minha.  LÍVIA: Aproveita quando for seguir a Trudruá e procura a gente, somos Oxigênio Podcast em todas as redes sociais. A trilha sonora é do blue dot session e os créditos estão na descrição desse episódio. A vinheta é do Elias Mendez.  MAYRA: O Oxigênio tem apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp e é coordenado pela Simone Pallone. Obrigada por ouvir, e até a próxima!  Trilhas:  Trailmaker by https://app.sessions.blue/browse?trackId=384027  Thunderpass by https://app.sessions.blue/browse?trackId=385385  Posh and Vine by https://app.sessions.blue/browse?trackId=385621 

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Folha no Ar 1 – Entrevista o Infectologista Nélio Artiles

Play Episode Listen Later Jun 2, 2026 96:35


Adiamento do Rock Goitacá Expectativas para gestão na Cultura Balanço da sua administração à frente do Turismo

Mexico Business Now
'Illegal Medicines: The Silent Risk Threatening Patient Safety' by Oswaldo Bernal Carmona, General Manager, Bristol Myers Squibb Mexico

Mexico Business Now

Play Episode Listen Later May 29, 2026 9:03


The following article of the Health industry is: 'Illegal Medicines: The Silent Risk Threatening Patient Safety' by Oswaldo Bernal Carmona, General Manager, Bristol Myers Squibb Mexico. 

Igreja Fonte
Pecados intocáveis - Oswaldo Carreiro | Aula 04

Igreja Fonte

Play Episode Listen Later May 26, 2026 79:49


Aprenda a identificar pecados frequentemente tolerados e até ignorados na vida cristã, reconhecendo como atitudes como ira, orgulho, egoísmo, descontentamento, ansiedade, medo, mentira, uso da língua e acomodação afetam profundamente o coração. Observe como esses pecados “intocáveis” se manifestam de forma sutil no cotidiano, comprometendo a comunhão com Deus e os relacionamentos. Examine, à luz das Escrituras, a seriedade dessas atitudes e o chamado bíblico à santidade prática.

Cosecha Cuadrangular Podcast
Tú libertad está en tu decisión || Pastor Oswaldo Herrera

Cosecha Cuadrangular Podcast

Play Episode Listen Later May 24, 2026 55:02


¡Bienvenidos a un nuevo episodio de nuestro Culto General en Spotify! Gracias por acompañarnos una vez más en este tiempo de palabra y bendición. Hoy estaremos escuchando el poderoso mensaje: “Tu libertad está en tu decisión” || Pastor Oswaldo Herrera. Prepara tu corazón y permite que Dios ministre tu vida a través de esta enseñanza. ¡Sabemos que esta palabra traerá dirección, libertad y esperanza para ti!Culto General#CosechaTV05/24/2026

Astillero Informa con Julio Astillero
Entrevista a Oswaldo Zavala - 19 de mayo de 2026

Astillero Informa con Julio Astillero

Play Episode Listen Later May 19, 2026 19:16


Hay gozo de funcionarios de Estados Unidos en humillar a políticos mexicanos: Oswaldo ZavalaEnlace para apoyar vía Patreon:https://www.patreon.com/julioastilleroEnlace para hacer donaciones vía PayPal:https://www.paypal.me/julioastilleroCuenta para hacer transferencias a cuenta BBVA a nombre de Julio Hernández López: 1539408017CLABE: 012 320 01539408017 2Tienda:https://julioastillerotienda.com/ Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

FM Mundo
NotiMundo al Día - Oswaldo Landázuri - Compensaciones transporte y planillas; y, resoluciones de la CAN

FM Mundo

Play Episode Listen Later May 11, 2026 13:04


NotiMundo al Día - Oswaldo Landázuri - Compensaciones transporte y planillas; y, resoluciones de la CAN by FM Mundo 98.1

Cosecha Cuadrangular Podcast
El carácter de un libertador || Pastor Oswaldo Herrera

Cosecha Cuadrangular Podcast

Play Episode Listen Later May 9, 2026 49:52


¡Bienvenidos a un nuevo episodio de nuestro Culto Familiar. Nos alegra que estés conectado a través de Spotify para recibir esta poderosa enseñanza: “El carácter de un libertador” junto al Pastor Oswaldo Herrera. Toma este tiempo para abrir tu corazón y permitir que Dios ministre a tu vida por medio de Su palabra Creemos que este mensaje traerá dirección, fortaleza y crecimiento espiritual para ti y tu familia. ¡Gracias por escucharnos y ser parte de esta bendición! Culto Familiar#CosechaTV05/08/2026

Imagina Só - Um Podcast de Histórias para Crianças
Turma do Banhado | 31. A Mochila Verde

Imagina Só - Um Podcast de Histórias para Crianças

Play Episode Listen Later May 5, 2026 10:38


-->LIVRO PROFESSOR CADU E O SISTEMA SOLARO aplicativo do Imagina Só tem mais historinhas GRÁTIS!Estamos também no Instagram!

Astillero Informa con Julio Astillero
Clip Oswaldo Zavala | Falso que narco gobierne

Astillero Informa con Julio Astillero

Play Episode Listen Later May 1, 2026 3:05


En México el narcotráfico es objeto del poder, no el poder en sí: Oswaldo ZavalaEnlace para apoyar vía Patreon:https://www.patreon.com/julioastilleroEnlace para hacer donaciones vía PayPal:https://www.paypal.me/julioastilleroCuenta para hacer transferencias a cuenta BBVA a nombre de Julio Hernández López: 1539408017CLABE: 012 320 01539408017 2Tienda:https://julioastillerotienda.com/ Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

Astillero Informa con Julio Astillero
Entrevista a Oswaldo Zavala - 30 de abril de 2026

Astillero Informa con Julio Astillero

Play Episode Listen Later May 1, 2026 15:59


México debe denunciar criminalidad e hipocresía de EU, que permite el narc0 en su territorio: ZavalaEnlace para apoyar vía Patreon:https://www.patreon.com/julioastilleroEnlace para hacer donaciones vía PayPal:https://www.paypal.me/julioastilleroCuenta para hacer transferencias a cuenta BBVA a nombre de Julio Hernández López: 1539408017CLABE: 012 320 01539408017 2Tienda:https://julioastillerotienda.com/ Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

FM Mundo
NotiMundo A La Carta - Oswaldo Erazo, ¿Los subsidios generan distorsiones?

FM Mundo

Play Episode Listen Later Apr 24, 2026 14:14


NotiMundo A La Carta - Oswaldo Erazo, ¿Los subsidios generan distorsiones? by FM Mundo 98.1

Astillero Informa con Julio Astillero
Entrevista a Oswaldo Zavala - 16 de abril de 2026

Astillero Informa con Julio Astillero

Play Episode Listen Later Apr 16, 2026 17:14


Con Trump queda claro el uso de la política antidr0gas para intervenir en países: Oswaldo ZavalaEnlace para apoyar vía Patreon:https://www.patreon.com/julioastilleroEnlace para hacer donaciones vía PayPal:https://www.paypal.me/julioastilleroCuenta para hacer transferencias a cuenta BBVA a nombre de Julio Hernández López: 1539408017CLABE: 012 320 01539408017 2Tienda:https://julioastillerotienda.com/ Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

Cosecha Cuadrangular Podcast
Luchas Espirituales || Pastor Oswaldo Herrera

Cosecha Cuadrangular Podcast

Play Episode Listen Later Apr 12, 2026 61:06


¡Bienvenidos, oyentes de Spotify! Nos alegra tenerte conectado a este tiempo especial del Culto General “Luchas Espirituales” con el Pastor Oswaldo Herrera. Prepárate para ser edificado, fortalecido y guiado en la presencia de Dios, donde aprenderemos a vencer toda batalla espiritual con fe y autoridad. #CosechaTV04/12/2026

FM Mundo
NotiMundo Estelar - Oswaldo Landázuri, Ecuador eleva al 100% los aranceles a Colombia

FM Mundo

Play Episode Listen Later Apr 10, 2026 22:49


NotiMundo Estelar - Oswaldo Landázuri, Ecuador eleva al 100% los aranceles a Colombia by FM Mundo 98.1

FM Mundo
NotiMundo Estelar - Oswaldo Erazo, El precio del petróleo sigue subiendo, ¿efectos?

FM Mundo

Play Episode Listen Later Apr 3, 2026 4:54


NotiMundo Estelar - Oswaldo Erazo, El precio del petróleo sigue subiendo, ¿efectos? by FM Mundo 98.1

Cosecha Cuadrangular Podcast
Cómo discernir lo que es de Dios || Pastor Oswaldo Herrera

Cosecha Cuadrangular Podcast

Play Episode Listen Later Mar 29, 2026 48:26


Cómo discernir lo que es de Dios || Pastor Oswaldo HerreraCulto General#CosechaTV03/29/2026Culto General#CosechaTV03/29/2026

Union Radio
Café Global con Unai Amenábar| Oswaldo Felizzola explica la caída del mercado petrolero en el mundo

Union Radio

Play Episode Listen Later Mar 25, 2026 12:47


Cosecha Cuadrangular Podcast
El Conoce Lo Que Hay Dentro De Tu Corazón | Pastor Oswaldo Herrera

Cosecha Cuadrangular Podcast

Play Episode Listen Later Mar 22, 2026 20:28


Bienvenidos a este mensaje poderoso titulado “Él Conoce Lo Que Hay Dentro De Tu Corazón” con el Pastor Oswaldo Herrera. En este Culto General, prepárate para recibir una palabra que examina lo más profundo de nuestro ser y nos guía a una transformación genuina delante de Dios. Él no mira lo externo, sino lo que hay en lo secreto del corazón. Toma este tiempo para escuchar, reflexionar y permitir que Dios ministre tu vida de una manera especial.#CosechaTV03/22/2026

Yankees Magazine
Season 4, Episode 3: Oswaldo Cabrera

Yankees Magazine

Play Episode Listen Later Mar 19, 2026 61:08


For the first and only time, we'll say this: We kind of hope you're listening to this on a bad day. Because the world contains no greater medicine for the blues than a bit of time with Oswaldo Cabrera. The Yankees infielder, who endured a devastating and horrifying injury last year, is working his way back to form as the season dawns, and this week, he chats with YES Network's Meredith Marakovits about the fateful night, his recovery, and the meaning behind the Venezuela cap he keeps close at hand. Then, Meredith and Yankees Magazine's Jon Schwartz chat about the 2026 World Baseball Classic, and also put a bow on spring training, as the Yankees get ready to embark on another World Series quest. Don't forget, the New York Yankees Official Podcast is also available in video form on the Gotham Sports App. Check us out! And if you have questions you'd like Meredith to get answers to, send them to podcast@yankees.com. This week's episode is brought to you by Margaritaville at Sea. Book now at MargaritavilleAtSea.com and make your getaway a grand slam!  Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

FM Mundo
NotiMundo al Día - Oswaldo Landázuri - Acuerdos comerciales de Ecuador; y, guerra arancelaria con Colombia

FM Mundo

Play Episode Listen Later Mar 12, 2026 16:57


NotiMundo al Día - Oswaldo Landázuri - Acuerdos comerciales de Ecuador; y, guerra arancelaria con Colombia by FM Mundo 98.1

Iglesia Bautista Bíblica de Long Beach
Cerca Del Corazón De Dios – Pastor Oswaldo Sánchez

Iglesia Bautista Bíblica de Long Beach

Play Episode Listen Later Mar 7, 2026 39:10


Cerca Del Corazón De Dios – Pastor Oswaldo Sánchez by Iglesia Bautista Bíblica de Long Beach

FM Mundo
#ElGranMusical | Oswaldo Erazo. Situación Petrolera en Ecuador y sus posibles consecuencias por la guerra en Medio Oriente

FM Mundo

Play Episode Listen Later Mar 4, 2026 13:18


#ElGranMusical | Oswaldo Erazo. Situación Petrolera en Ecuador y sus posibles consecuencias por la guerra en Medio Oriente by FM Mundo 98.1

The Red Nation Podcast
Drug Cartels do not exist w/Oswaldo Zavala and Alex Aviña

The Red Nation Podcast

Play Episode Listen Later Mar 2, 2026 95:50


TRN Podcast host Nick Estes live in conversation with longtime friend of the show Alex Aviña (@alexander_Avina) and Oswaldo Zavala (@oswaldo__zavala), the author of Drug Cartels Do Not Exist: Narcotrafficking in US and Mexican Culture Follow Nick on Substack https://nickestes.substack.com Watch the livestream edition on The Red Nation Podcast YouTube channel Empower our work: GoFundMe: https://www.gofundme.com/f/empower-red-medias-indigenous-content  Subscribe to The Red Nation Newsletter: https://www.therednation.org/ Patreonhttps://www.patreon.com/redmediapr

Astillero Informa con Julio Astillero
Entrevista a Oswaldo Zavala - 26 de febrero de 2026

Astillero Informa con Julio Astillero

Play Episode Listen Later Feb 25, 2026 20:54


Hacer operativo contra el CJ NG no equivale a la política de exterminio de Calderón: Oswaldo ZavalaEnlace para apoyar vía Patreon:https://www.patreon.com/julioastilleroEnlace para hacer donaciones vía PayPal:https://www.paypal.me/julioastilleroCuenta para hacer transferencias a cuenta BBVA a nombre de Julio Hernández López: 1539408017CLABE: 012 320 01539408017 2Tienda:https://julioastillerotienda.com/ Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

Cosecha Cuadrangular Podcast
Lo oculto detiene la victoria || Pastor Oswaldo Herrera

Cosecha Cuadrangular Podcast

Play Episode Listen Later Feb 22, 2026 53:48


Lo oculto detiene la victoria || Pastor Oswaldo HerreraCulto General#CosechaTV02/22/2026

Um Passeio pela História | Com Milton Teixeira

Milton Teixeira fala sobre Oswaldo Gonçalves Cruz que foi um médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro.

oswaldo milton teixeira
Cosecha Cuadrangular Podcast
La llave de La Gratitud || Pastor Oswaldo Herrera

Cosecha Cuadrangular Podcast

Play Episode Listen Later Feb 15, 2026 65:47


Bienvenidos a todos nuestros oyentes de Spotify! Gracias por conectarte a este Culto General titulado “La Llave de la Gratitud” junto al Pastor Oswaldo Herrera. Dondequiera que estés escuchando —en casa, en el trabajo o en el camino— creemos que esta palabra llegará justo a tu corazón. Que mientras escuchas, el Espíritu Santo te recuerde que la gratitud no solo es una actitud, sino una llave que abre puertas de bendición y transforma nuestra perspectiva. Esto es CosechaTV — gracias por ser parte de esta familia. Culto General02/15/2026#CosechaTV

THIS IS REVOLUTION >podcast
EP. 839: DRUG CARTELS DO NOT EXIST: ft. OSWALDO ZAVALA

THIS IS REVOLUTION >podcast

Play Episode Listen Later Feb 5, 2026 60:20


Read Drug Cartels Do Not Exist here: https://a.co/d/00YPWyr7 Through political and cultural analysis of representations of the so-called war on drugs, Oswaldo Zavala makes the case that the very terms we use to describe drug traffickers are a constructed subterfuge for the real narcos: politicians, corporations, and the military. Immigration has endured as a prevailing news topic, but it is a fixture of modern society in the neoliberal era; the future will be one of exile brought on by state violence and the plundering of our natural resources to sate capitalist greed.   Yet the realities of violence in Mexico and along the border are obscured by the books, films, and TV series we consume. In truth, works like Sicario, The Queen of the South, and Narcos hide Mexico's political realities. Alongside these examples, Zavala discusses Charles Bowden, 2666 by Roberto Bolaño, and other important Latin American writers as examples of those who do capture the realities of the drug war.   Check out our new bi-weekly series, "The Crisis Papers" here: https://www.patreon.com/bitterlakepresents/shop   Thank you guys again for taking the time to check this out. We appreciate each and everyone of you. If you have the means, and you feel so inclined,   BECOME A PATRON! We're creating patron only programing, you'll get bonus content from many of the episodes, and you get MERCH!   Become a patron now https://www.patreon.com/join/BitterLakePresents?   Please also like, subscribe, and follow us on these platforms as well, (specially YouTube!)   THANKS Y'ALL   YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCG9WtLyoP9QU8sxuIfxk3eg Facebook: https://www.facebook.com/Thisisrevolutionpodcast/ Twitter: @TIRShowOakland Instagram: @thisisrevolutionoakland   Substack: https://jmylesoftir.substack.com/.../the-money-will-roll...   Read Jason Myles in Current Affairs Here: https://www.currentaffairs.org/news/donald-trump-is-a-pro-wrestling-villain   Read Jason Myles in Damage Magazine https://damagemag.com/2023/11/07/the-man-who-sold-the-world/

La Republica - Sin guion
28.01 Entrevista a Oswaldo Zapata, Ángela Caballero y Miguel Villalba | RMP #SinGuionElectoral

La Republica - Sin guion

Play Episode Listen Later Jan 28, 2026 0:03


PARANORMAL
¿QUÉ OCULTA EL VATICANO? EX-SEMINARISTA REVELA LA VERDAD DE LAS APARICIONES MARIANAS

PARANORMAL

Play Episode Listen Later Jan 27, 2026 154:45


¿Son las apariciones marianas un milagro divino o una intervención de inteligencia no humana? En este episodio de Podcast Paranormal, junto a Oswaldo Torres (periodista y creador de Relatos de lo Prohibido), analizamos los patrones ocultos detrás de las manifestaciones más famosas de la historia: recorriendo casos como la Virgen de Fátima y la Virgen de Guadalupe, hasta los misterios de la Virgen de Lourdes y la Virgen de Medjugorje. Exploramos evidencias físicas que escapan a cualquier explicación racional, como la hostia que sangra, episodios de xenoglosia y la polémica revelación sobre si Juan Diego existió realmente. Oswaldo, exseminarista, nos revela cómo la Iglesia ha editado o censurado los mensajes originales de la Virgen y la sorprendente conexión entre los encuentros marianos, los ángeles y el fenómeno OVNI/Extraterrestre.

FM Mundo
NotiMundo A La Carta - Oswaldo Landázuri, Ecuador aplicará un arancel del 30% a productos importados de Colombia

FM Mundo

Play Episode Listen Later Jan 21, 2026 16:40


NotiMundo A La Carta - Oswaldo Landázuri, Ecuador aplicará un arancel del 30% a productos importados de Colombia by FM Mundo 98.1

Cosecha Cuadrangular Podcast
Recuperando La Vision || Pastor Oswaldo Herrera

Cosecha Cuadrangular Podcast

Play Episode Listen Later Jan 18, 2026 47:58


Bienvenidos a CosechaTV PodcastGracias por acompañarnos en este tiempo tan especial. Estás escuchando nuestro Culto General con el mensaje: “Recuperando La Visión”, compartido por nuestro Pastor Oswaldo Herrera.Oramos para que esta palabra edifique tu vida, renueve tu fe y te ayude a reenfocar tu corazón en el propósito de Dios. Dondequiera que nos estés escuchando, creemos que este mensaje es para ti.Ahora, abre tu corazón y disfruta de lo que Dios tiene preparado.Culto General#CosechaTV01/18/2026

Alexander Garrett
OneLegUpAlex Sports Joins Fanatics Talent Community And SAYS HIRE HARBAUGH! TICKPICK REFERRAL PROGRAM IS LIVE 1-14-26

Alexander Garrett

Play Episode Listen Later Jan 15, 2026 18:50 Transcription Available


OneLegUpAlex Sports Joins Fanatics Talent Community And SAYS HIRE HARBAUGH! TICKPICK REFERRAL PROGRAM IS LIVE 1-14-26 Fanatics fest affiliate link where I do make commission : fanaticsevents.pxf.io/vPR06d Sign-up link for the Oswaldo baseball camp this January 31! - https://justintimebaseball.app...?type=programs&name=Oswaldo%20Cabrera%20Clinic%20Winter%2025 TickPick referral link: I use TickPick to get my tickets because service fees are the worst. Use my link and save $10 on no-fee tickets to any live event!

FM Mundo
ACONTECIMIENTOS 2025 - Xavier Bonilla (Bonil) Y Oswaldo Landázuri , Una mirada al 2025..

FM Mundo

Play Episode Listen Later Dec 30, 2025 19:06


ACONTECIMIENTOS 2025 - Xavier Bonilla (Bonil) Y Oswaldo Landázuri , Una mirada al 2025.. by FM Mundo 98.1

Cosecha Cuadrangular Podcast
Paralisis Espiritual || Pastor Oswaldo Herrera

Cosecha Cuadrangular Podcast

Play Episode Listen Later Dec 28, 2025 56:50


¡Bienvenidos a Cosecha Cuadrangular de Columbus!Gracias por tomarse el tiempo para conectarse con nosotros hoy. Ya sea que nos acompañe por primera vez o que sea parte de nuestra familia de la iglesia, estamos verdaderamente agradecidos de poder adorar juntos. Oramos para que el mensaje de hoy, la alabanza y este tiempo en comunidad animen su corazón, fortalezcan su fe y le recuerden que es profundamente amado por Dios. Si este servicio ha sido de bendición para usted, no dude en darle “me gusta”, compartirlo o dejarnos un comentario; nos encantaría saber de usted. Gracias por ser parte de lo que Dios está haciendo aquí, y esperamos volver a conectarnos con usted muy pronto.

Astillero Informa con Julio Astillero
Entrevista a Oswaldo Zavala - 26 de diciembre de 2025

Astillero Informa con Julio Astillero

Play Episode Listen Later Dec 26, 2025 19:51


Oswaldo Zavala rebate lugares comunes. Agrega: Sheinbaum ha mantenido a raya a EUEnlace para apoyar vía Patreon:https://www.patreon.com/julioastilleroEnlace para hacer donaciones vía PayPal:https://www.paypal.me/julioastilleroCuenta para hacer transferencias a cuenta BBVA a nombre de Julio Hernández López: 1539408017CLABE: 012 320 01539408017 2Tienda:https://julioastillerotienda.com/ Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

Cosecha Cuadrangular Podcast
Malgastando El Tiempo || Pastor Oswaldo Herrera

Cosecha Cuadrangular Podcast

Play Episode Listen Later Dec 21, 2025 56:40


¡Hola y bienvenidos a todos nuestros oyentes en Spotify! Hoy en Cosecha TV tenemos un mensaje especial titulado “Malgastando El Tiempo”, con nuestro Pastor Oswaldo Herrera.Prepárense para recibir una palabra poderosa que transformará su manera de ver el tiempo y cómo vivir cada día con propósito. ¡Disfruten este momento y que Dios les bendiga!Culto General#CosechaTV12/21/2025

Gente que hace Cine
EP256: SER UN CINÉFAGO con Oswaldo Osorio

Gente que hace Cine

Play Episode Listen Later Dec 18, 2025 59:17 Transcription Available


VER EN YOUTUBE / Antes que nada cinéfilo y cinéfago. Pero también crítico, gestor cultural, fundador y programador de festivales, curador, escritor, historiador y docente. Un enamorado del cine que por fin tuvimos la oportunidad de tener en nuestro podcast. Prepara tus oídos para escuchar muchos "factos", esta vez desde la boca de alguien que generalmente los dice en sus escritos. El también creador de https://www.cinefagos.net/ y la revista especializada en cine colombiano #Canaguaro. Con ustedes: Oswaldo Osorio. Este episodio llega a vos gracias a la invitación del Seminario de Crítica Cinematográfica que organiza la coporación Cinpefagos y también al patrocinio de Umaña Abogados, que apoya el final de la temporada 2025 de #gentequehacecine / Si quieres saber más de ellos entra aquí: https://www.umanaasociados.com/Este episodio es posible gracias a:Nuestra productora Gente queLa producción ejecutiva de Lemaitre ConsultoresEl amor y confianza de nuestros amigos en Patreon (Nataly Valdivieso, Hamilton Casas, Juliana Núñez, Diana Piñeres). Apóyanos como ellos desde 1 dólar.Si quieres pautar en nuestros episodios, patrocinar nuestro trabajo, promocionar tu evento o película, producir tu podcast o trabajar con nosotros no dudes en escribirnos a info@gentequehacecine.comNuestra web: https://gentequehacecine.com/ Instagram: https://www.instagram.com/gentequehacecine/ Tik Tok https://www.tiktok.com/@gente.que.hace.ci 

FM Mundo
NotiMundo Estelar - Oswaldo Landázuri, Acuerdo entre Emiratos Árabes y Ecuador, ¿ayudará a la reactivación económica?

FM Mundo

Play Episode Listen Later Dec 9, 2025 13:40


NotiMundo Estelar - Oswaldo Landázuri, Acuerdo entre Emiratos Árabes y Ecuador, ¿ayudará a la reactivación económica? by FM Mundo 98.1

CriminalMente
LOS CRÌMENES DEL VATICANO: ERNESTO BALTAZAR, JUAN PABLO I Y EL LAVADO DE DINERO

CriminalMente

Play Episode Listen Later Dec 1, 2025 122:54


En Criminalmente nos acompaña Oswaldo Torres, exseminarista y host de Invitado a lo Desconocido, un creador especializado en temas religiosos y reales dentro de la Iglesia, que desde su experiencia nos habla de los casos más polémicos del Vaticano, como lo es el misterioso fallecimiento de Juan Pablo I, el Papa que duró solo 33 días en el poder y estuvo vinculado con una red de corrupción.Las versiones oficiales no coinciden, y Oswaldo explica por qué muchos especialistas consideran que su muerte no fue un accidente.Te contamos sobre las presuntas conexiones entre figuras religiosas y grupos delictivos en la Basílica de Guadalupe. Oswaldo revela por qué actualmente la Basílica está sin una figura de liderazgo.Este episodio combina historias basadas en hechos reales y secretos que nunca se cuentan en público, dejando abierta una pregunta: cuando la fe y el poder se mezclan… ¿quién realmente controla a quién?

Cosecha Cuadrangular Podcast
"Cuidado con la indiferencia" || Pastor Oswaldo Herrera

Cosecha Cuadrangular Podcast

Play Episode Listen Later Nov 23, 2025 61:06


"Cuidado con la indiferencia" || Pastor Oswaldo HerreraCulto General#CosechaTV11/23/2025En este poderoso mensaje, el Pastor Oswaldo Herrera nos confronta con una verdad necesaria: la indiferencia espiritual es un enemigo silencioso que apaga la pasión, debilita la fe y nos hace perder sensibilidad a la voz de Dios.A través de la Palabra, descubrimos cómo la indiferencia se cuela en el corazón, qué señales revelan que estamos descendiendo en esa condición, y cómo volver al primer amor con arrepentimiento, acción y dependencia del Espíritu Santo.Si sientes que tu fuego se ha debilitado, si la rutina ha desplazado tu devoción o si simplemente deseas un despertar espiritual, este mensaje es para ti. Dios quiere encender algo nuevo en tu vida hoy.Escucha, comparte y permite que el Espíritu Santo ministre a tu corazón.#CosechaPodcast #CultoGeneral #CuidadoConLaIndiferencia

Wait, qué?
Ep. 200: El nacimiento de La Isla Presidencial y nuestro amor por la comedia ft. Oswaldo Graziani y Adrián Salas

Wait, qué?

Play Episode Listen Later Nov 19, 2025 83:39


En este episodio tan especial de WQ, tuvimos la suerte de tener a nuestros fans favoritos, Oswaldo Graziani y Adrián Salas, para discutir cada detalle de La Isla Presidencial, el Chigüire Bipolar, cómo lograr que no te dejen entrar a Chile, el caucho francés asesino, y el beaver de Adrián. Parte 2 en Patreon. Seamos besties aquí: https://www.patreon.com/waitque No olviden suscribirse en YouTube, seguirnos en TikTok y en Instagram: @waitquepod. Links: Patreon: https://www.patreon.com/waitque Youtube: https://www.youtube.com/@waitquepod Spotify: https://open.spotify.com/show/1UmGGR9rtkGNYRgbntACwq?si=1337227f5b4b45de Instagram: https://www.instagram.com/waitquepod TikTok: https://www.tiktok.com/@waitquepod Buy me a coffee: https://www.buymeacoffee.com/waitque Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Pelada na Net
Pelada na Net #755 - Desrespeitaram A Morena Fina

Pelada na Net

Play Episode Listen Later Nov 6, 2025 63:16


Bem amigos do Pelada na Net, chegamos em definitivo para o programa 755! E hoje temos o Príncipe Vidane, Show do Vitinho e Maidana pedindo respeito aos treinadores estrangeiros.E neste programa abordamos as inaceitáveis declarações de Leão e Oswaldo de Oliveira sobre treinadores estrangeiros, comentamos a mais recente convocação de Carlo Ancelotti para os amistosos da seleção brasileira contra equipes africanas, debatemos a rodada da Champions League, especulamos sobre a final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, além de muito mais!#OGOLQUELÉOPELÉNÃOTOMOUACOMPANHE AS LIVES EM ⁠⁠⁠kick.com/jovemnerd⁠⁠⁠ORIGINAIS DO FUT - Acesse ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠www.originaisdofut.com⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, use o cupom PELADA10 para 10% de desconto! E siga a ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@originaisdofut_⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ no instagramSTAND-UP DO VIDANE EM CURITIBA - Primeira Sessão / Segunda SessãoSTAND-UP DO VITINHO EM SÃO PAULO - Compre o ingressosite ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://peladananet.com.br⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | bsky ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@peladananet.com.br⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | twitter ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@PeladaNET⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | instagram ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@PeladaNaNet⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | grupo no telegram ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://t.me/padegostosodemais⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Siga os titulares:Maidana – ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Twitter⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ / ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ / ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Bsky⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Show do Vitinho – ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Twitter⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ / ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ / ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Bsky⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Príncipe Vidane – ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Twitter⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ / ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ / ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Bsky⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Projetos paralelos:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Dentro da Minha Cabeça⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Reinaldo Jaqueline⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Fábrica de Filmes⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Contribua com o Peladinha:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Apoia.se⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Patreon⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Chave pix: podcast@peladananet.com.brColaboradores de Outubro/2025!Seguem os nomes de alguns dos queridos que colaboraram com ao menos R$5. Obrigado a todos! :)Adriana Cristina Alves Pinto Gioielli | Adriano Marin Da Silva | Adriano Nazário | Andre Luis Rufino | André William Jacyntho | Daniel Cardoso De Morais | Daniel Gonzaga De Araújo | Fellipe Miranda | Fernando Costa Campos | Gabriel Machado De Freitas | Guilherme Drigo | Guilherme Rezende Soria | Heverton Coneglian De Freitas | Higor Nunes Resende | Higor Pêgas Rosa De Faria | Ítalo Leandro Freire De Albuquerque | João Paulo Lobo Marins | Joao Pedro Barros Barbosa | Kleber Oliveira | Leonardo Delefrate | Luis Henrique Santos | Luiz Felipe Petri | Luiz Guilherme Borges Silva | Marco Aurélio Galvão De Oliveira | Messias Feitosa Santana | Pedro Marcelo Rocha Gomes | Rafael Brandão Brasil | Renata Pereira R Silva | Renato De Macedo | Renato Grigoli Pereira | Rodrigo Mathias | Rodrigo Petriche | Stéfano Bellote | Thais Cristine Cavalcanti | Vanessa Fontana | André Siqueira | André Stábile | Arthur Takeshi Gonçalves Murakawa | Brayan Ksenhuck | Caio Fonseca | Concílio Silva | Cristiane Cardoso Avolio Gomes | Davi Andrade | Filipi Froufe | Heitor Dias | Igor Trusz | Jhonathan Romão | Josué Solano De Barros [...]Obrigado por acreditarem em nós!Comente!Envie sua cartinha via e-mail para ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠podcast@peladananet.com.br⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ e comente tanto no post do Instagram com a capa deste episódio quanto no Spotify (se batermos 50 comentários em cada, leremos comentrouxas no programa que vem)!

Talkin' Yanks (Yankees Podcast)
Oswaldo Cabrera Goes Down With Scary Injury | 1223

Talkin' Yanks (Yankees Podcast)

Play Episode Listen Later May 13, 2025 37:00


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