Podcasts about obrigada

  • 622PODCASTS
  • 2,935EPISODES
  • 32mAVG DURATION
  • 5WEEKLY NEW EPISODES
  • Aug 12, 2026LATEST

POPULARITY

20192020202120222023202420252026

Categories



Best podcasts about obrigada

Show all podcasts related to obrigada

Latest podcast episodes about obrigada

Assustadoramente
#434 AMIGO IMAGINÁRIO e estranhas presenças

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Aug 12, 2026 13:38


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:Relatos sobre amigo imaginário e estranhas presenças

Angu de Grilo
Angu ao vivo com Eliana Alves Cruz #344

Angu de Grilo

Play Episode Listen Later Aug 11, 2026 66:03


Boa terça, angulers! Mais um ano de Angu de Grilo ao vivo na @flipelo, a convite do @sescba. Neste ano, tivemos a honra de conversar com Eliana Alves Cruz (@elialvescruz), jornalista, escritora premiada, roteirista, autora de “Meridiana”, recentemente ganhador do Prêmio Guimarães Rosa de livro do ano de 2025, na categoria Ficção, concedido pela ABL. Eliana também publicou outros seis livros, entre eles “Água de Barrela”, “O crime do Cais do Valongo” e “Solitária”, além dos livros infantis e do recém lançado “Escreviventes”. Nossa conversa passou pela seu trabalho como assessora de imprensa, quando trabalhou diretamente com esportes olímpicos, participando de competições internacionais e olimpíadas, até a transição para se tornar escritora. Falamos de família, da relação com a amiga Conceição Evaristo, das dores da ascensão social no brasil para a população negra, do processo criativo de escrita e sobre “incomodar sonhos injustos”. Rimos, nos emocionamos, nos abraçamos, cantamos. Mais um Angu ao vivo inesquecível! Obrigada a todas as angulers que acordaram cedo para viver essa manhã de Flipelô com a gente! Sirvam-se!Apoie o Angu de Grilo no apoia.se: apoia.se/angudegrilo ou na Orelo: orelo.cc/angudegriloCortes do episódio em vídeo no @angudegrilo no Instagram e Tiktok! Siga, curta e compartilhe! Edição e mixagem: Tico Pro @ticopro_Redes sociais: Claudio Thorne @claudiothorneCortes em vídeo: Nathália Dias Souza @natdiassouza

onda.podcast
#137 SIRLENE DOMINGUES - MEU PARTO NA PRISÃO : O CRIME, O CLUBE DO LIVRO E A RECONSTRUÇÃO

onda.podcast

Play Episode Listen Later Aug 11, 2026 49:20


Desde muito cedo, Sirlene sentiu a falta do pai. Um pai que estava preso e depois se tornou foragido.Ela sonhava em fazer diferente com os próprios filhos e dar a eles aquilo que ela não tinha tido.O que ela não imaginava é que seus filhos poderiam crescer sem a mãe.Sirlene se envolveu com o crime e passou duas vezes pela prisão. Na primeira, ficou quatro anos sem ver o filho pequeno. Na segunda, deu à luz seu terceiro filho dentro da cadeia e, aos seis meses, precisou entregar a bebê para a mãe.Uma vida que parece um filme e que, hoje, poderia ser contada a partir de um final feliz: aos 50 anos, Sirlene é farmacêutica, membro da Academia Brasileira de Letras do Cárcere e está se formando em medicina.Sirlene conta aqui sobre sua infância, o crime, as drogas, o amor e como exerceu a maternidade enquanto esteve privada de liberdade. Com ela, falamos de ausência paterna, de separação, de preconceito, de seu papel social junto às mulheres detidas em Tremembé e de seu trabalho de incentivo aos jovens para que estudem.Neste primeiro episódio de Maternidade e privação de liberdade, Sirlene conta sua história, dos momentos mais difíceis aos que tornaram possível reconstruir sua vida.Obrigada, Sirlene, pela sua sinceridade.

Aprenda Inglês com música
#303 (S15E09) Falling Slowly - Glen Hansard & Markéta Irglová - Do Filme "Once"

Aprenda Inglês com música

Play Episode Listen Later Aug 10, 2026 28:47 Transcription Available


Falling Slowly: Esta música que tanto me marcou (assim como o filme do qual ela é tema), estava na fila para entrar na série há tempos... Esta semana, a aula não poderia ser com outra canção. Nossa singela homenagem ao Glen, que partiu prematuramente, mas nos deixou sua arte visceral e sensível. Obrigada. ✅ Procurando um curso de inglês passo a passo? VENHA PARA O MEU CURSO INTENSIVO

Assustadoramente
#433 RELATOS SOBRE REENCARNAÇÃO

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Aug 10, 2026 16:47


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:Relatos sobre reencarnação

Assustadoramente
#432 O MENINO NO HOSPITAL e outros relatos de terror

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Aug 8, 2026 15:46


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:Relatos de hospitalO lobisomem na obra da Tijuca

Caixa de Música
BRENDA GARCIA: “Obrigada por não ter desisto de você mesma”

Caixa de Música

Play Episode Listen Later Aug 8, 2026 10:09


O Caixa de Música é exibido na TV Novo Tempo de segunda a quinta às 18h e, aos sábados, às 12h.Curta e siga o Caixa de Música nas redes sociais: Instagram: ⁠https://www.instagram.com/caixademusica/⁠Facebook:⁠ https://www.facebook.com/CaixadeMusica/⁠X: ⁠https://x.com/caixademusic

SEXLOG
CONTO| MEU AMANTE ME COME MELHOR!

SEXLOG

Play Episode Listen Later Aug 7, 2026 11:03


Meu marido estava se gabando para os amigos que me traiu e comeu uma mulher casada. Não gostei nada disso e resolvi dar o troco. No mesmo dia ele mandou o técnico de ar condicionado la pra casa... Obrigada pelo presente de bandeja! Era tanto tesão que eu gozei rapidinho. Minha vingança mais gostosa!Locução: @ouveamalu

onda.podcast
# 136 BETO BIGATTI - A TRANSFORMAÇÃO PELA PATERNIDADE : DEFICIÊNCIA, ESCRITA E ENCANTAMENTO

onda.podcast

Play Episode Listen Later Aug 4, 2026 52:58


O que acontece quando um homem se torna pai?Durante muito tempo, falamos da chegada de um filho como uma mudança na vida de uma mulher. Mas e se a paternidade também fosse uma experiência de profunda transformação?Pesquisas recentes mostram que tornar-se pai pode produzir mudanças no cérebro, nos hormônios e na forma como um homem responde ao outro. A paternidade como uma reorganização subjetiva ligada ao cuidado e ao vínculo, que alguns autores têm chamado de patrescência: o nascimento de um pai.Beto, criador do blog Pai Mala, nasceu com uma deficiência no braço direito. Ele conta aqui o receio de não corresponder à imagem do pai ideal, o medo de não ser amado pelos filhos e o desejo de romper com uma história familiar, construindo uma paternidade presente e clara.Ao se tornar pai, Beto desconstruiu esses sentimentos e pôde se reconhecer, pela primeira vez, como um homem unificado, corpo e alma. Quem diria que a paternidade poderia ter esse poder?Neste episódio especial de Dia dos Pais, falamos sobre deficiência, machismo, criatividade na paternidade e sobre o lugar dos homens no cuidado.Obrigada, Beto, por mostrar como o encontro com um filho pode reorganizar a imagem que um homem tem de si mesmo.

Assustadoramente
#431 RELATOS SOBRE LOBISOMEM

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Aug 3, 2026 22:32


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:a rua do lobisomemo dia que em vi o lobisomemo lobisomem do sertãoo lobisomem na minha portap prefeito e o lobisomem

Just Lily
111 - Roubos, odisseias, gossip e salpicão

Just Lily

Play Episode Listen Later Aug 3, 2026 29:34


Esta semana falo de pessoas que têm "oficial" no nome do instagram, sobre roubos de jóias no The Voice e roubos de papéis no gabinete do chega.Entrei num uber errado, tentei ir ver a Odisseia mas acabei nas odisseias dos saldos da zara, fui espirrada e fofoquei de cócoras na rua. Obrigada por todo o feedback e carinho neste podcast mas também em relação à minha série de humor com o Jornal Público. Se puderem comam pão de ló com salpicão. Autoria: Liliana Marques (@lily.justlily)Jingle: No Icon (@noicon666)Booking & Management: Pullso

O Fenômeno Podcast
#79 Casona Entrevista: Marco Aurélio Leal

O Fenômeno Podcast

Play Episode Listen Later Jul 31, 2026 107:57


Nesse episódio recebemos o ufólogo Marco Aurélio Leal para uma conversa profunda sobre o Caso Varginha. Falamos sobre a suposta abdução em Mairinque, os médicos envolvidos no caso Varginha, a autópsia de Marco Eli Chereze, o depoimento do Dr. Ítalo e possíveis conexões com outras investigações.É um episódio denso, com muita informação e novas perspectivas sobre um dos casos mais importantes da ufologia brasileira.Agradecimento especial:Obrigada ao ufólogo Marco Aurélio Leal pela participação e pela generosidade em compartilhar suas pesquisas conosco.Links do Convidado: • Instagram: @lealmarcoaurelio• Facebook: https://www.facebook.com/marcoaurelio.leal• YouTube: http://www.youtube.com/@marcolealufo• X: @MarcoLealUaps• Revista Ufológica: https://revistaufologica.com/Links do Episódio: • Documentário Moment of Contact: New Revelations of Alien Encounters: https://m.youtube.com/watch?v=YZhIjFrhUhE• Reportagem sobre a suposta abdução em Mairinque: https://webdiario.com.br/noticias/mulher-afirma-ter-sido-levada-por-seres-extraterrestres-de-sorocaba/• Canal Rony Vernet: https://www.youtube.com/ronyvernet• Conto “A Universal” por Dr. Ítalo Venturelli: https://gersonperes.com.br/ver/artigo/auniversal/• Inteligência Ltda – Varginha com Dr. Ítalo Venturelli: https://m.youtube.com/watch?v=ccABLzXsUcU• Comando da Madrugada (TV Manchete 1996): https://m.youtube.com/watch?v=CER4GBF0bGs• Autópsia de Marco Eli Chereze: https://www.vigilia.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Laudo-Microscopia-Marco-Chereze.pdf• Participação da Andressa no ModoVale (Caso Kalume): https://m.youtube.com/watch?v=ke5WMmuQYuo&ra=m• Entrevista com funcionário do hospital: https://m.youtube.com/watch?v=eIcFWVEyo0cPatrocínio: Mineral Pro WaterEsse episódio tem o apoio da Mineral Pro Water. Uma bebida funcional inovadora que junta água mineral pura + 10g de proteína em cada garrafa. Zero açúcar, zero lactose, sem saborizantes e apenas 40 kcal.Conheça mais:

Assustadoramente
#430 O HOMEM DA PONTE e outros relatos sobrenaturais

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Jul 29, 2026 17:02


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:Sonho realColetânea de pequenos relatos

Papo de Segunda
Aposentadoria Sexual / Obrigada Pelo Glow Up Alcançado / Coisas Para Morrer Antes De Fazer

Papo de Segunda

Play Episode Listen Later Jul 28, 2026 66:05


O Papo debate a longevidade sexual e a ideia de idade limite para transar. Também fala sobre glow up de vingança e faz uma lista das coisas para nunca mais fazer na vida.

onda.podcast
# 135 LETÍCIA BASSIT - QUEM TEM MEDO DA MÃE DESEJANTE? : SEXUALIDADE, ABANDONO E ARTE

onda.podcast

Play Episode Listen Later Jul 28, 2026 55:15


Por que maternidade e sexualidade ainda parecem incompatíveis?Como se o nascimento de um filho marcasse o fim do desejo. Como se uma mãe precisasse escolher entre o corpo materno e o corpo erótico.Ao engravidar em meio à dúvida sobre a paternidade do primeiro filho, Letícia se sentia "entre a santa e a puta".Mãe de Pedro e Luna, ela não imaginava que teria filhos. A primeira gravidez chegou de surpresa e, enquanto enfrentava o julgamento alheio, Letícia descobriu uma inesperada sensação de vitalidade. Mas tornar-se mãe sozinha e viver um puerpério marcado pelo abandono também lhe revelou que a maternidade é uma função social: um papel cercado de expectativas sobre como uma mãe deve amar, cuidar, trabalhar, parir e, sobretudo, desejar.Foi nesse contexto que nasceu a revolta. E, da revolta, um grito. Um grito dirigido à família, aos amigos e à sociedade: como é possível abandonar uma mulher que acaba de dar à luz? Esse grito tornou-se escrita, teatro, filme, estudos. Neste novo episódio de Maternidade e Separação, falamos sobre patriarcado, sexualidade, violência obstétrica e doméstica e sobre a possibilidade de transformar a experiência vivida em criação artística.Obrigada, Letícia, por mostrar que sustentar o desejo é uma forma de resistência às expectativas sociais.

Assustadoramente
#429 A GENITORA MALIGNA e outros relatos sobrenaturais

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Jul 27, 2026 16:40


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:A genitora malignaColetânea de pequenos relatos

telegram obrigada orelo relatos sobrenaturais
Hoje no TecMundo Podcast
EA FC 27 TERÁ MUNDO ABERTO! HACK PODE DESTRUIR DATA CENTERS! INSTAGRAM VAI BANIR VÍDEOS? XIAOMI E LG

Hoje no TecMundo Podcast

Play Episode Listen Later Jul 24, 2026 7:10


Instagram vai banir vídeos de assédio gravados com óculos inteligentes. MP processa empresa de escaneamento de irís por práticas abusivas. Ataque hacker inédito pode destruir data centers, alertam pesquisadores. EA FC 27 é revelado com modo de mundo aberto! Veja trailer, preço e onde jogar. Xiaomi lança no Brasil Redmi A7 Pro com bateria de 6.000 mAh e Monitores da LG instalam adware no Windows sem autorização, dizem usuários.

Assustadoramente
O ASSOBIADOR- CREEPYPASTA

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Jul 22, 2026 24:24


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.com

onda.podcast
# 133 HELEN RAMOS - O DESEJO DA MÃE E OS ESTEREÓTIPOS : QUAIS TABUS CERCAM A MATERNIDADE?

onda.podcast

Play Episode Listen Later Jul 21, 2026 47:42


O que significa dizer: "engravidei sem querer"?Repetimos essa expressão como se ela fosse evidente, mas será que ela dá conta da complexidade do desejo?Mãe do Caetano, Helen engravidou sem planejamento e sem saber se o pai assumiria a paternidade do filho. Voltou para Brasília, sua cidade natal, para dar à luz cercada por família e amigos e, apesar do próprio desconforto, incentivou a construção da relação entre pai e filho.Desde o início da sua maternidade, Helen desafia ideias que costumamos tomar como naturais. Ela nos convida a perguntar: como a sociedade olha para a vida amorosa e a sexualidade de uma mulher que cria um filho sozinha?Neste novo episódio de Maternidade e Separação, falamos sobre os preconceitos que cercam as mães solo, sobre namorar durante a gravidez, sobre o trabalho psíquico de tornar-se mãe e sobre como as relações também podem se transformar com o tempo, a ponto de, hoje, Helen viver uma guarda quase compartilhada do filho.Obrigada, Helen, por denunciar os estereótipos e as expectativas que ainda recaem sobre as mães solo.

Assustadoramente
#428 A CASA DOS PESADELOS e outros relatos sobrenaturais

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Jul 20, 2026 19:32


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:A casa dos pesadelosColetânea de pequenos relatos

casa telegram obrigada orelo relatos sobrenaturais
Manhãzitos da 3
Os Amigos

Manhãzitos da 3

Play Episode Listen Later Jul 20, 2026 17:11


Obrigada a todos os amigos que atendaram. Marquem esse café!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Assustadoramente
#427 PUB ASSOMBRADO NA IRLANDA e outros relatos sobrenaturais

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Jul 14, 2026 19:52


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:Coletânea de mini relatosCasa mal assombrada

FUSO
Ep.101 - Parabéns a nós

FUSO

Play Episode Listen Later Jul 13, 2026 31:22


Obrigada por estarem desse lado, meus fusetes fellow-centenários. Seguimos para mais 100?

Oxigênio
#222 – A autoria indígena da colonização às livrarias

Oxigênio

Play Episode Listen Later Jul 9, 2026 33:06


A literatura indígena no Brasil passou por diversas fases e batalhou contra o apagamento em todas elas. Dos primeiros encontros com os jesuítas, que tentaram impor as regras de gramática e de assentamentos importadas da Europa, ao crescimento das publicações editorais de autoria indígena que vemos hoje. Nesse episódio, Mayra Trinca e Lívia Mendes contam mais dessa história a partir de entrevistas com a pesquisadora Carolina Rodrigues, da Unicamp, e com a escritora Trudruá Dorrico. Você vai conhecer mais sobre as primeiras gramáticas, a importância da oralidade para a literatura indígena e a relação disso tudo com a política (no passado e no presente). ____________________________________________________________________________________________________ ROTEIRO TRUDRUÁ: Cara, o Brasil é tão indígena e ele nem se dá conta assim, sabe? Do quanto ele é indígena. MAYRA: No episódio de hoje, a gente vai falar sobre a importância da escrita pra história do movimento indígena no Brasil.  TRUDRUÁ: Eu entendo assim que a presença indígena nesses espaços literários, é o que faz a nossa literatura ser interessante hoje. Faz deslocar um pouco os homens brancos, jornalistas do Rio – São Paulo, assim, numa produção completamente egocêntrica. LÍVIA: E sobre como isso ganha ainda mais relevância diante de um histórico de apagamentos.  CAROLINA: Que algo escrito nem sempre é um texto. Quem lê nem sempre é um leitor. E quem escreve nem sempre é um autor. MAYRA: Isso porque o ato de escrever foi, e talvez ainda seja, uma das ferramentas mais usadas pra hierarquização social. E aí, ao longo da história, isso deixou marcas que revelam muito do que a gente pensa e entende como autoria de povos indígenas no Brasil.  TRUDRUÁ: A autoria coletiva indígena, ela sempre existiu. O problema é que ela foi descaracterizada por conta da história de apropriação dos povos indígenas ao Estado-nação Brasil. LÍVIA: Pra entender essas questões, conversamos com a escritora e pesquisadora Trudruá Dorrico, do povo Macuxi, e com a linguista Carolina Rodríguez.  MAYRA: Eu sou a Mayra Trinca, bióloga e comunicadora de ciência e você já me conhece aqui do Oxigênio.  LÍVIA: E eu sou a Lívia Mendes, linguista e especialista em jornalismo científico, e também já apareci algumas vezes por aqui. [VINHETA] CAROLINA: Eu sou pesquisadora do Laboratório de Estudos Urbanos, o Labeurb, que pertence ao Núcleo de Criatividade da Unicamp e sou também professora no departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL, também da Unicamp. É, a minha formação inicial é em letras, mas eu me especializei em linguística. Fiz o doutorado, pós-doutorado, especificamente nas áreas de análise do discurso, história das ideias linguísticas e saber urbano e linguagem. LÍVIA: Essa que você ouviu é a Carolina. Nos últimos anos,  ela têm se dedicado a pesquisar a língua Guarani e as relações dessa língua com a atuação dos jesuítas na região que era a província do Paraguai.  CAROLINA: Que não deve ser confundida com a província civil do Paraguai, né? Porque a província jesuítica ocupava todo o sul do Brasil, Argentina, parte da Bolívia, enfim. MAYRA: O Guarani era a língua falada pelos povos indígenas da região e que teve seus primeiros registros escritos feitos por esses jesuítas.  CAROLINA: O espaço em que surge a escrita em Guarani vai determinar, a finalidade com que é introduzida a escrita nessa língua, vai determinar a relação entre escrita e oralidade, né? Vai determinar o que que é um texto, o que que é ler, o que é escrever em Guarani. LÍVIA: Os jesuítas chegaram na região por volta de 1580 e se instalaram ali, fundando a tal província. Esses missionários, tinham como tarefa estudar a língua local. CAROLINA: A finalidade principal, né, desse trabalho linguístico era se comunicar com os indígenas no dia a dia, aprender a língua, né? Que os missionários estrangeiros pudessem aprender a língua para se comunicar com os indígenas e para catequizar. A questão principal não é o cultivo da língua como bem cultural. Isso pode até ter um resquício, mas não é esse o objetivo principal. MAYRA: Essa lógica por trás do estudo do Guarani fez com que a escrita e a gramática utilizada para essa língua fosse bem diferente de outras línguas. Enquanto as línguas europeias tiveram sua escrita elaborada e rebuscada como uma forma de enriquecimento cultural, a escrita das línguas indígenas era muito mais pragmática, usada apenas como instrumento para ensinar outros jesuítas.  LÍVIA: Ainda assim, a Carolina conta que as primeiras gramáticas, as primeiras organizações e regras linguísticas do mundo surgiram todas meio que juntas.  CAROLINA: É interessante isso porque muitas vezes a gente pensa que “ah, as gramáticas europeias foram feitas primeiro e as línguas ameríndias, por exemplo, depois e não. Então, a diferença entre uma gramática, a primeira gramática em francês, do francês, tem dois, três, quatro anos de diferença com a primeira gramática do Nahuatl, no México, por exemplo. [começa trilha] LÍVIA: Só que nesse momento, na Europa, durante o Renascimento, as gramáticas estavam surgindo pra organizar e padronizar as línguas que representariam os Estados-nação, como o francês, o português e o espanhol. Era preciso reduzir as variações dos dialetos, fixar regras linguísticas, para dar uma ideia de unidade praquele território. MAYRA: Gramatizar uma língua, assim como escrever essa língua , é importante para consolidar regras gramaticais e fazer com que ela mude mais devagar. Por isso as gramáticas surgem com a formação dos Estados, porque conforme as nações hegemônicas iam colonizando diversas partes do mundo, levavam também consigo o processo de gramatização das outras línguas. CAROLINA: Então, essa associação, né, língua cidade através da ideia do movimento, da fixação, eles tinham que fixar a língua pela escrita e fixar os indígenas em povoados, não é? Para que, como dizia o Manuel da Nóbrega, o padre jesuíta, era preciso fazer com que ficassem quietos, né? E não se movessem o tempo todo. Ele reclamava que o trabalho da catequese era jogado fora, porque eles se mudam o tempo todo. LÍVIA: De novo a gente percebe aí a linguagem sendo usada como uma forma de dominação desses povos. O estudo da língua Guarani não estava a serviço dos povos indígenas e sim dos colonizadores. Mesmo que eles começassem a dominar a escrita de sua língua, isso não significava que eles iriam conseguir realmente se apropriar política e culturalmente dessa ferramenta.  CAROLINA: A cultura é imposta como modelo, ao mesmo tempo que se impede o acesso integral a esse modelo. Porque senão a desculpa para subordinação desaparece, não é? [sobe som e encerra música] MAYRA: E a Carolina encontrou, em alguns textos da época, exemplos que mostram isso muito bem. Ela me deu o exemplo de vários textos religiosos, que eram escritos em Guarani, mas que não eram lidos pelos indígenas.  CAROLINA: Porque esses textos traduzidos em Guarani, é, se destinavam aos missionários, não eram dados para a leitura dos indígenas, que eram mantidos a maior, maiormente não alfabetizados, não é? Era porque os missionários soubessem, é, aprendessem e pudessem transmitir oralmente aos indígenas. Então, na verdade, o destinatário do conteúdo do texto, né? Da mensagem religiosa, era o indígena, que não era o leitor do texto, né? Então era não era um público leitor, era um público ouvinte, era um auditório, porque quem lia era o missionário. LÍVIA: Ela também identificou o mesmo deslocamento da função do autor desse texto. Um dos exemplos mais didáticos é de um indígena chamado Nicolas Yapuguay, que publicou dois volumes de sermões bíblicos escritos em Guarani, só que sob direção de um missionário.  CAROLINA: Então, o que significa sob a direção? Significa que a responsabilidade é do missionário. Bom, aí já temos uma dica, não é? Mas o prefácio é fantástico. Eu acho que Foucault leu esse prefácio para definir a função autor, né? Porque quem faz o prefácio ao livro é Paulo Restivo, o missionário. Até aí tudo bem, a gente pode fazer o prefácio de outro livro, né? Mas o que é interessante é que todos os “eus”, as primeiras pessoas, é o missionário que assume. Então, assim, ele chama o leitor de meu leitor, as doutrinas que eu te ofereço.  MAYRA: Isso mostra pra gente que apresentar o Nicolas Yapuguay como autor era quase como um disfarce, um fingimento. Que ele estava ali pra que os missionários pudessem dizer que havia uma participação indígena, mas que não tinha liberdade de decidir o que ou como escrever.  [começa trilha] TRUDRUÁ: Nesse processo de de entender um pouco a escrita e os povos indígenas, eu queria dizer assim que a escrita, essa escrita assim, ai, de escrever o nome, de escrever um poema, de escrever um livro ou de aprender a escrever alguma coisa que é importante assim no dia a dia, não é dessa escrita que nós estamos falando, quando a gente fala assim, ai, dos povos indígenas conseguirem escrever e serem uma sociedade desenvolvida. A gente está falando de um sistema de escrita que cria documentos, que cria cartórios, que cria notários, que cria é, que cria uma legislação para validar, por exemplo, um processo de expropriação territorial. [sobe som e encerra música]  LÍVIA: Essa que você acabou de ouvir é a Trudruá Dorrico.  TRUDRUÁ: Eu sou indígena Macuxi. O povo Macuxi tá no estado de Roraima. Eu sou escritora, essa é uma parte que eu atuo, no âmbito da literatura e eu também sou pesquisadora de literatura indígena e essa é a segunda parte assim da minha atuação no âmbito da pesquisa. MAYRA: Eu conheci o trabalho da Trudruá num grupo de leitura que eu faço parte. A gente leu “Originárias: Uma antologia feminina de literatura indígena”, que é uma coletânea organizada por ela, mas com histórias de diversas autoras de diferentes povos. Ela faz parte de um movimento contemporâneo de autores indígenas, como Daniel Munduruku, Ailton Krenak, Eliane Potiguara, Geni Nuñez e por aí vai.  LÍVIA: A literatura indígena passou por diferentes fases no Brasil. Ela começou muito antes da chegada dos jesuítas, com a cultura oral, ainda sem registros escritos. Essa primeira fase, estruturada na oralidade, ainda  é muito pouco aceita como literatura. Vamos falar disso um pouco mais pra frente, continua por aqui pra entender.  MAYRA: Então, os registros dos jesuítas formam uma segunda fase, com os primeiros textos escritos, como a gente viu, mas não exatamente respeitando a cultura indígena.  LÍVIA: Depois, a gente teve, durante o modernismo, lá da semana de 22, autores como Mário de Andrade, autor de Macunaíma, por exemplo, se apropriaram de histórias indígenas naquela onda da antropofagia e ficaram famosos por isso.  TRUDRUÁ: O José de Alencar, Mário de Andrade e Oswaldo de Andrade fizeram carreira sobre com o nacionalismo indígena. Então, é uma terceira fase que a gente fala assim: “É, mas agora a gente vai escrever. A gente vai fazer nossas histórias, a nossa literatura com esta identidade, porque esta identidade é um território que o Brasil precisa reconhecer, que tudo o que diz respeito a nós tem valor e tem alguém ali para reivindicar dizendo assim: “Ó, você não vai falar de nós de qualquer jeito, como se a gente fosse nada ou como vocês estavam acostumados a tratar a gente”. Eu acho que é por isso que talvez esse identitarismo ameace, né? Porque essa pessoa não tá pronta ainda, ela tá muito mais na defesa de: “Ai, nossa, vai me podar, de pesquisar, vai me podar, de escrever, vai me podar, de publicar, vou ser malvista”. Vai mesmo. Vai, vou te dizer com certeza que vai. MAYRA: A Trudruá tá falando aqui de pessoas que falam sobre os povos indígenas ou sobre elementos da cultura indígena como se fossem donas desse saber, ignorando o movimento e a história desses povos. Como livros ou mesmo pesquisas acadêmicas que se apropriam desse conhecimento sem dar os créditos, as referências ou mesmo sem ter representantes indígenas fazendo parte do trabalho.  LÍVIA: Isso porque, como a Trudruá contou na entrevista, esses escritores e pesquisadores sempre viram as práticas indígenas como “sem dono”. O motivo está no fato de que a maioria dos povos indígenas não tinham e ainda, em algumas regiões, continuam não tendo acesso ao domínio da escrita de suas línguas maternas. Por esse motivo não era considerada  a participação do próprio indígena nessas produções. TRUDRUÁ: Eu acho que esse argumento, ele foi utilizado assim por muitos anos, por por décadas, né? Pelos indigenistas e também pelos professores que é que sempre pesquisaram povos indígenas e se tornaram porta-voz desses povos indígenas. E eu acredito assim que é boa fé, o fato é que isso virou uma tradição e essa tradição acabou colocando, né, esses pesquisadores que muito colaboraram, muito ajudaram, não tô nem julgando isso, mas colocou eles assim como paladinos, né? Colocou como representantes de povos indígenas, como uma voz, é, de autoridade, uma voz de tradução entre dois mundos. Traduziu o mundo branco para os indígenas e traduziu o mundo dos indígenas para os brancos. Então, essas pessoas eram as autoridades. MAYRA: É uma ideia que tá muito ligada a noção de que povos que usam a escrita são, de alguma forma, superiores do que sociedades que chamamos àgrafas, ou seja, que transmitem seus conhecimentos exclusivamente por meio da tradição oral, sem ter desenvolvido um sistema próprio de escrita. Eu vou trazer a Carolina aqui de volta pra ajudar a gente a entender isso.  CAROLINA: Olha só, de novo, porque os europeus então gramatizaram as línguas do mundo, instrumentaram as línguas do mundo a partir do modelo que eles tinham usado da gramática grecolatina e também transformaram os espaços do planeta, os territórios a partir do modelo urbano europeu. Então, veja como os processos de gramatização massiva também coincidem com o processo de urbanização, isto é, de transformação das línguas e dos territórios do planeta, né, em direção ao modelo da escrita e da gramática da cidade europeia, não é? LÍVIA: É como se, porque a história da europa seguiu esse caminho, passando da tradição oral pra tradição escrita, do nomadismo para as cidades, todas as sociedades do mundo tivessem que fazer o mesmo percurso.  CAROLINA: Então, esse modelo da escrita, esse modelo da cidade, nesse discurso historiográfico, né? Vai estabelecer uma relação entre espaço e tempo, né? Por quê? Porque as sociedades, cujas formas de vida não produziram esse modelo específico de espaço que é a cidade, né? São jogadas situadas para trás no tempo, são pré-históricas, estão atrasadas, não chegaram lá. Então, há uma temporalidade que vai ser acionada a partir do modelo de espaço, que é produzido a partir de suas tecnologias, entre as quais a escrita, não é? MAYRA: Só que essa é uma visão bem distorcida de como as coisas funcionam. Não é porque a escrita foi necessária pra organização de um modo de vida que ela é essencial em todas as configurações sociais.  LÍVIA: E tem uma questão muito importante aqui. É que essa leitura de mundo não vem sem propósito, “sem querer”. Ela foi moldada pra justificar uma ideia de superioridade.  CAROLINA: Você estar numa sociedade de escrita e não dominar a escrita é uma grande desvantagem. Né? Não ser alfabetizado numa cidade é uma grande desvantagem. A questão é quais são as explicações, né? E como isso acaba sendo ontologizado. É uma característica ontológica dessas sociedades ou desse sujeito, não é? Então, de fato, o que há, é, é o que eu chamei de uma memória da língua marcada pela escrita e uma memória do espaço marcada pelo urbano. Eu explico, né? O que que é memória no sentido discursivo, da análise do discurso. Memória não é lembrança, é o contrário, digamos, ou pelo menos esse tipo de memória discursiva. É aquilo que já foi dito, esquecido e passou a ser do senso comum e faz sentido nas próprias palavras, não é? Então, a gente tem essa memória da escrita, memória da escrita, o que que é? Você imagina a língua, você imagina através da escrita alfabética, não é? Você vê um espaço que não tem cidade, parece um espaço vazio e não tá vazio, né? Por exemplo, uma floresta, o espaço de populações indígenas, não é? MAYRA: É como se houvesse, ainda que de forma inconsciente, uma associação automática entre cidade e progresso, linguagem e “inteligência”. É como dizer que uma pessoa analfabeta não sabe ler porque não quer, ou porque não tem capacidade, e, assim, excluir completamente o papel do Estado, da escola e de outras pessoas no processo de transmitir essa habilidade. A Carolina deu um outro exemplo muito bom de como isso foi manipulado pra fazer povos indígenas parecerem menos capazes do que as pessoas brancas.  CAROLINA: A educação literária, artística, da escultura, da pintura e da música são considerados como o modelo, né, de educação aos indígenas. Mas aí você vai nos povoados e mostram, essa daqui é escultura feita por um indígena, essa aqui para um europeu. E de acordo com esse modelo a feita por um indígena aparece uma caricatura muito simplificada, né? É, então como se apresenta isso, né? Olha, os jesuítas até ensinaram, mas até aí eles conseguiram chegar, mas então esse resultado aquém, de acordo com certo modelo, se apresenta como uma incapacidade lógica, natural dos indígenas. Eles não conseguem se apropriar desse modelo, então tem que se manter como subalternos, né? O que não se diz é que aos indígenas não se ensinava as técnicas de preparatórios para fazer uma escultura que se ensinava aos escultores europeus nas escolas de artesãos europeus. Simplesmente se dava o pedaço de madeira para os artistas e falaram: “Olha, copia aqui” LÍVIA: Se a gente parar pra reparar, a mesma lógica continua até hoje nos discursos meritocráticos, né? É uma ideia de que a habilidade de uma pessoa, seja ela indígena ou não, só depende do seu esforço individual. E assim oculta completamente o papel da sociedade de ensinar as bases necessárias pra isso.  MAYRA: E tem outro ponto interessante aí. Olha como a gente tem todo um referencial do que deveria ser uma sociedade, baseado quase que exclusivamente num único modelo: o europeu. A escultura, a música, o jeito de se vestir, tudo segue as regras estabelecidas na Europa. Só que na maioria das vezes, isso não é colocado em perspectiva, né? É naturalizado, colocado como um processo único pro mundo todo. CAROLINA: Como se isso fosse um, um, um processo inexorável, não é? LIVIA: Quando na verdade a gente devia tá olhando pra isso mais como possibilidades de modos de viver numa diversidade gigante de culturas. Só que é muito natural, por conta da nossa história, a gente achar que o que vem desse padrão europeu é sempre o melhor. CAROLINA: Uma coisa importante, isso não tem a ver com o que a gente acha de melhor ou pior. No sentido de que se você nasce e cresce numa numa sociedade urbana e da escrita, pode achar absurdo não escrever a língua ou não se fixar, mas esse é problema seu, vamos dizer assim, não é? Porque assim, você não é o centro. Não é? Então, não precisa gostar. [trilha sonora] LÍVIA: Até hoje, a escrita tem sido um reflexo disso. Ao longo da idade média, como a escrita tinha praticamente sido sequestrada pela Igreja na Europa, fazendo com que fosse quase exclusiva dos sacerdotes, ela se tornou um símbolo de conhecimento.  MAYRA: Como se um conhecimento só tivesse valor se estiver escrito, aquela ideia de que isso garante que ele será transmitido pro futuro. Isso também explica, voltando no que a gente tava falando antes, porque a primeira fase da literatura indígena, que tava na oralidade, não é considerada.  TRUDRUÁ: Tem muita produção indígena que é uma produção intelectual que esteve no âmbito do imaterial, porque os povos indígenas foram impedidos de desenvolver sua própria escrita e ao mesmo tempo foram impedidos de adotar a escrita alfabética, né? Esse foi um jogo sistemático do Estado para impedir a presença indígena na sociedade brasileira. LÍVIA: Ou então, de forma mais sutil ou até mais perversa, o que era feito era diminuir a identidade indígena de quem escrevia. Uma coisa de “se sabe escrever, então já não é mais indígena”. Um pensamento totalmente relacionado àquela ideia de progresso linear que a gente falou agora pouco, que considera os povos indígenas como se estivessem num estágio cultural anterior e inferior aos dos povos europeus.    TRUDRUÁ: Nesse caso, quando os povos indígenas e os sujeitos indígenas, eles começam a a escrever, a publicar, a romper essa tradição de que tudo que eles têm está na oralidade e quando está na oralidade não pertence a eles, é, eles, né, os primeiros escritores eles vem com essa tradição de dizer: é, não tem autoria porque vocês nunca deixaram, o país nunca deixou, nunca considerou, né, que um indígena que escrevesse, falasse língua portuguesa ou conhecesse os costumes da sociedade dominante pudesse ser considerado indígena. O que eu quero dizer com isso é não não não temos direito à nossa propriedade intelectual, material que tá na oralidade, eh porque eh ao escrever elas não somos mais tão indígenas. MAYRA: Aqui é importante a gente parar e explicar algo com mais calma, porque mesmo pra mim isso não tava bem claro quando comecei a conversar com a Trudruá pra esse episódio.  TRUDRUÁ: Quando você fala de oralidade, eu penso em um sistema, em um dispositivo de memória que é trabalhado assim pelos povos indígenas. Quando você fala de de fala de de voz alta, você tá falando desse oral. né, de uma fala oral. Então são um é sistema de conhecimento, um é prática. Então são diversos, né? TRUDRUÁ: Não podemos entender a oralidade como uma fala, como se ela não tivesse consciência, mas ela tem um sistema todo organizado, é de memória mesmo, assim, que vai de geração em geração e vai ensinando valores e e, e, né, tem uma ciência, né, que a compõe. LÍVIA: Ou seja, quando a gente tiver falando de oralidade aqui, estamos falando de um conjunto de práticas que faz parte de uma tradição de centenas de anos, que foram capazes de fazer permanecer o conhecimento, sem precisar de recursos escritos.  MAYRA: De certa forma, isso permeia o trabalho da Trudruá como escritora hoje. Eu ouvi uma entrevista dela falando sobre o último livro que publicou, o Tempo de Retomada, e como ela tinha o hábito de ler em voz alta pra mãe dela quando tava trabalhando no texto.  TRUDRUÁ: Quando eu penso texto escrito, eu me preocupo muito assim com, é, com uma sofisticação que elas são contadas nessa oralidade. E aí nessa, quando a minha mãe tenta me passar certos valores, eu fico assim impressionada, porque eu realmente me sinto indo para um outro tempo a partir da palavra, eu me sinto viajando assim num outro tempo. E era, e era essa ideia assim de talvez transportar as pessoas para esse tempo que eu nunca sei se eu vou conseguir, ou nunca sei se as pessoas vão se abrir para elas, mas é uma preocupação de que é, talvez o mesmo ritmo ou o mesmo balanço que que eu escuto e que eu sinto, né? MAYRA: Durante a entrevista, eu comentei com a Trudruá como eu tenho percebido um pouco um movimento na literatura de resgatar esse jeito de contar histórias. Como eu falei, eu participo de um clube de leitura e isso é algo que vira e mexe aparece por lá. De como é gostoso ler um livro que você tem a sensação de que a autora tá ali falando mesmo com você.  LIVIA: A Trudruá contou pra gente que, além do contato com as histórias contadas pela mãe, ela também teve, desde sempre, uma ligação muito forte com a literatura. E que os livros sempre tiveram um papel muito importante, não só de companhia, mas de vivência pra ela.  TRUDRUÁ: Eu cresci com a literatura e a literatura me fez viajar por tantos mundos, me faz sonhar, me faz chorar, me faz é, me faz sentir uma magia que de artista, então eu não poderia desejar outra coisa que não, né, viver com a palavra. E aí nesse sentido eu eu também entendo que dá para levar um pouco essa magia nessa escrita literária. E esse era o trabalho assim, de talvez transportar um pouco aquilo que eu sinto quando eu escuto essas histórias. E aí o trabalho, ler em voz alta é importante, assim como ler em silêncio também, mas como eu tenho essa preocupação que a minha comunidade leia, eu também fico pensando assim: “Ai, como que elas podem como que elas vão ler isso, a disposição das frases, desce isso para ir num ritmo tão longo, né? Esse trabalho escrito, prático, de como pode também emular uma certa um certo oral. MAYRA: Uma coisa importante, como dá pra perceber nas falas da Trudruá quando ela tá falando sobre o que espera dos livros dela, é que essa oralidade, tanto a tradição, quanto o hábito de ler em voz alta, tão muito relacionados com o coletivo. E aí entra outro ponto importante. Não é porque um conhecimento é coletivo, que ele é de todo mundo. TRUDRUÁ: Um segmento assim que fica muito evidente no Brasil é o núcleo de folcloristas, o núcleo de estudiosos assim brasileiros que que olham para esses conteúdos, olham para esses materiais, para essas narrativas e entendem ela como uma cultura popular. A cultura popular nesse sentido de que ela é de todo mundo, mas não tem uma autoria específica. E isso é muito conveniente quando você, né, é, consciente ou inconscientemente, você rouba, é, narrativas prontas, narrativas criativas, fantásticas de outros povos para dizer: “Ah, isso faz parte da cultura brasileira no singular” LÍVIA: A Trudruá deu exemplos como o guaraná, a mandioca ou uma série de medicamentos que foram descobertos e desenvolvidos por povos indígenas, mas que nunca foram reconhecidos como autores ou proprietários dessas técnicas.  MAYRA: E que depois, foram coisas incorporadas à cultura brasileira, como se todas as pessoas do país tivessem a mesma relação, a mesma história com esses elementos. E com isso, ignorando que os povos indígenas tiveram um papel fundamental nesse processo. LÍVIA: Lembra que a gente falou sobre como a primeira fase da literatura indígena, aquela da tradição oral, não é reconhecida? Isso porque quando a gente fala de oralidade, é difícil identificar um autor. E essa brecha foi usada pela sociedade brasileira como uma estratégia de incorporar essas histórias numa narrativa nacionalista.  MAYRA: Só que isso, ao invés de valorizar os conhecimentos tradicionais e a individualidade de cada povo, como costuma ser dito por aí, acaba, na verdade, apagando a participação e a autoria dessas pessoas na sua própria história.  [trilha sonora]  TRUDRUÁ: Mas sobre a identidade indígena, vai ser algo que eu nunca vou abrir mão. E eu digo como escritora e eu digo como indígena, porque assim, a história brasileira e a história literária brasileira, tudo que ela quis foi apagar a identidade indígena para se apropriar das nossas narrativas. Quando a gente se coloca com essa identidade, a gente demarca um território simbólico de dizer: “Isso aqui não tá livre. Isso aqui não é terra de ninguém. Isso aqui tem uma autoria coletiva. Tem uma propriedade material que pertence a nós. Não é seu. Não é seu, brasileiro.  LÍVIA: Por isso é tão importante hoje esse movimento de autores indígenas no Brasil. Ele ajuda a retomar uma série de histórias aos seus autores originais, dessa vez com os devidos créditos e com sua própria voz.  TRUDRUÁ: E a autora individual, é essa autoria, que tá no mercado editorial e que vem reforçando, que vem para reforçar os valores, né, dos povos, das comunidades, mas o fato de tá no mercado editorial e circular, ela alcança um outro uma outra visibilidade, inclusive lançando luz a essa autoria coletiva  MAYRA: E aí, obviamente, esse movimento acompanha o posicionamento político dos povos indígenas no Brasil.  TRUDRUÁ: Tem um filósofo, tem um teórico da literatura que se chama Emil’ Keme, ele é do povo Maia Quechua da Guatemala. E ele fala que não é possível separar a teoria literária indígena da política indígena, porque elas caminham juntos. Quando os indígenas eles pegam a escrita para publicar e etc, estudar mesmo, eles entendem a escrita como uma técnica, a língua como uma técnica que vai ser essa transportadora dos desejos da luta do movimento indígena. Então, a gente entende, alinhado a política indígena, a gente entende, uma teoria da literatura que vai seguir as mesmas políticas que os povos indígenas tão tentando em termos de autonomia. Então, a política indígena fala do direito ao nome. Todos os autores indígenas que eu conheço, ou eles adotaram o nome de povo, ou eles adotaram o nome da tradição. Mas se você olha em documentos, eh que não faz, sei lá, 10 anos que tem 20 anos que tem essa política, eles têm nomes brasileiros, nomes e sobrenomes brasileiros por conta da política de que proibia nomes indígenas. Então, isso acompanha também dentro da literatura a política indígena. LÍVIA: Com esse movimento, a gente também tá tendo a oportunidade de conhecer mais da tradição indígena e de ter acesso a cultura de tantos povos indígenas que existem no brasil, aprendendo inclusive as diferenças que existem entre eles.    TRUDRUÁ: Os escritores estão acompanhando as linhas de da política indígena, que é autonomia, soberania, autodeterminação. E é tão falso e isso de que a literatura indígena vai repetindo, vai falando das mesmas coisas, porque os temas indígenas, eles são tão abertos e são tão variados, assim, só fala isso quem nunca leu a literatura indígena. Porque, entrar no mundo da identidade indígena, ela é muito, assim, é um mundo muito amplo. A gente tá falando de uma identidade indígena, mas a gente tá falando de quase 400 povos indígenas, de quase 300 línguas faladas culturalmente, como elas são diversas entre si. Eu acho que quem fala isso nunca nem se aproximou da das culturas indígenas para entender um átimo dessa dimensão que é essa riqueza cultural. MAYRA: E também de pensar como a gente pode tentar se aproximar de outras formas de viver e entender o mundo. No grupo que eu faço parte, sempre que lemos alguma coisa de literatura indígena, a conversa rende muito nesse sentido, em pensar pequenas mudanças que a gente pode tentar trazer pra nossa realidade, inspiradas nessas outras culturas.  TRUDRUÁ: E aí uma das coisas que eu amo, amo na literatura indígena é que não tem nada do amor romântico, mas não tem mesmo assim, sabe? Amo, sabe essa ideia de ai nossa, as mulheres foram abandonadas pelos homens, é, e as mulheres o que que elas fizeram? Ah, elas foram procurar outros maridos. Tchau amor, tchau e benção assim, é completamente, assim vai completamente na contramão do que a gente foi ensinado. De ficar chorando, de ficar se lamentando. [sobe trilha]  LÍVIA: E falando em grupos de leitura, pra encerrar nosso episódio, a Trudruá pediu pra deixar um recadinho pra vocês.  TRUDRUÁ: Eu tenho uma página no Instagram que se chama Leia Mulheres Indígenas. E aí eu tô com uma proposta para 2026 de abrir um clube de leitura do Leia Mulheres Indígenas.  TRUDRUÁ: Como que você vai apreciar melhor essa leitura e essas produções se vocês não sabem, né? De onde que a gente parte, quais são os princípios, quais são os valores. E aí eu tô querendo muito abrir um clube de leitura para 2026, espero que dê certo. E é convidar todo mundo para, sei lá, tá com a gente, abrir o debate, ler, se se encantar ou se desencantar também, tá valendo, né? Tá tudo valendo. MAYRA: Fica aí o convite pra seguir a página e ler mais livros escritos por autoras indígenas. Eu sou a Mayra Trinca, produzi e escrevi esse roteiro, com pitacos e revisão da Lívia Mendes. A edição também é minha.  LÍVIA: Aproveita quando for seguir a Trudruá e procura a gente, somos Oxigênio Podcast em todas as redes sociais. A trilha sonora é do blue dot session e os créditos estão na descrição desse episódio. A vinheta é do Elias Mendez.  MAYRA: O Oxigênio tem apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp e é coordenado pela Simone Pallone. Obrigada por ouvir, e até a próxima!  Trilhas:  Trailmaker by https://app.sessions.blue/browse?trackId=384027  Thunderpass by https://app.sessions.blue/browse?trackId=385385  Posh and Vine by https://app.sessions.blue/browse?trackId=385621 

FUSO
Ep.99 - Todos os dias da nossa vida

FUSO

Play Episode Listen Later Jul 6, 2026 24:46


Obrigada por ouvirem e beijoooooooos

Juliana Goes Podcast
159. DIÁRIO DA GRAVIDEZ | Segundo trimestre: a fase da glória, bebê mexendo e mais disposição | Juliana Goes Podcast

Juliana Goes Podcast

Play Episode Listen Later Jul 6, 2026 47:26


Chegamos ao Diário da Gravidez de 5 meses! Estou concluindo o quinto mês da minha quarta gestação e vivendo uma fase que eu só consigo resumir em uma palavra: alívio.Depois de um primeiro trimestre cheio de medo, insegurança e muitos sintomas, finalmente sinto que meu corpo e meu coração encontraram um novo ritmo. Neste episódio compartilho como está sendo viver o segundo trimestre da gravidez aos 40 anos, o que mudou na minha rotina, como estão os movimentos da Lila, meus treinos, alimentação, hidratação, sono, corpo, autoestima e tudo o que tenho aprendido nesse processo.Também conto como tenho preparado meu corpo para o parto, por que continuo treinando durante a gestação com acompanhamento profissional, a importância da força, da fé e das pequenas escolhas diárias para viver uma gravidez com mais saúde e consciência.Se você está grávida, tentando engravidar ou simplesmente gosta de acompanhar essa jornada com sinceridade, espero que esse episódio faça companhia ao seu coração.✨ Neste episódio você vai acompanhar:• Como estou vivendo o 5º mês de gestação.• As mudanças do segundo trimestre.• Sintomas que passaram e novos desafios.• Alimentação vegana na gravidez.• Hidratação e rotina de autocuidado.• Exercícios físicos e treino para gestantes.• Movimentos da bebê e desenvolvimento fetal.• Corpo, autoestima e gravidez aos 40 anos.• Maternidade, fé e protagonismo.Obrigada por acompanhar mais um capítulo desse Diário da Gravidez. Que essa troca possa acolher você, onde quer que esteja na sua jornada.

Assustadoramente
OS ESCOLHIDOS-

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Jul 3, 2026 15:13


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.com

FUSO
Ep.98 - Puedo ser tu perra?

FUSO

Play Episode Listen Later Jun 30, 2026 28:57


Obrigada por ouvirem, maltinha!

onda.podcast
# 133 TARSILA CIMINO - DIVORCIAR-SE NO PUERPÉRIO : LUTO, JULGAMENTOS E AUTONOMIA

onda.podcast

Play Episode Listen Later Jun 30, 2026 47:06


Há poucos dados específicos sobre separação no primeiro ano de vida de uma criança, apenas um estudo britânico indicando que um quinto dos casais se separariam durante essa fase.Quando Antônio tinha oito meses, Tarsila ouviu do marido que estava infeliz e queria encerrar o casamento. Um choque para ela, que carregava uma certa ideia de casamento marcada pela tradição e pela idealização.
Tarsila viveu o luto de uma relação de nove anos ao mesmo tempo em que atravessava o puerpério e enfrentava o preconceito e os julgamentos que recaem sobre mulheres divorciadas.Neste episódio do quadro Maternidade e Separação, Tarsila conta sobre o parto prematuro de Antônio, o impacto da separação, o papel dos amigos nesse período e o processo de tomada de consciência que se abriu quando o casamento se desfez.
Hoje, ela fala nas redes sociais sobre o machismo e incentiva as mulheres a poderem desejar mais e melhor para si mesmas.Obrigada, Tarsila, por falar sem tabu do divórcio e compartilhar conosco a sua transformação.

Assustadoramente
#426 A CLIENTE e outros relatos sobrenaturais

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Jun 29, 2026 15:01


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:A clienteA sombra no corredorFérias na roçaColetânea de mini relatos

telegram cliente obrigada orelo relatos sobrenaturais
onda.podcast
#132 SUSSUCA ALENCAR CAPISTRANO - O CORPO DA MÃE: GESTAÇÃO, MATERNIDADE SOLO E CARREIRA

onda.podcast

Play Episode Listen Later Jun 23, 2026 53:17


A experiência da gravidez é imediatamente corporal: a barriga cresce, os seios se enchem, os quilos se acumulam e o corpo passa a ocupar mais espaço. Mas como viver a gestação quando se é uma mulher que passou a vida tentando emagrecer?Sussuca sempre teve uma relação difícil com o próprio corpo. Na gravidez, não gostava do que via no espelho, evitava fotografias e acompanhava cada transformação com desconforto. Ela conta aqui a cesárea do seu primeiro filho, que a deixou sozinha diante da dor e de uma pergunta insistente: o que vai sobrar do meu corpo?Sussuca relata esse corpo dolorido, que dificultava o contato com o filho; os seios, que já não lhe pertenciam mais; e, mais de uma década depois, um segundo parto, no qual conseguiu segurar e acolher o seu bebê. Dessa vez, o corpo fragmentado, reduzido às suas funções, pôde se unificar. Como se algo tivesse se deslocado e permitido habitar o corpo de outra maneira. Como compreender isso? Talvez porque, para algumas mulheres, o contato inicial com o bebê seja uma etapa iniciática: um corpo a corpo inaugural, um encontro físico e psíquico a partir do qual mãe e bebê vão, pouco a pouco, se reconhecer como seres separados.Com Sussuca, falamos da maternidade solo, da carreira que construiu e do casamento com o pai do seu segundo filho, um homem doze anos mais jovem.Obrigada, Sussuca, por compartilhar  conosco o seu caminho de unificação.

FUSO
Ep.97 - Rock in rios de guita

FUSO

Play Episode Listen Later Jun 22, 2026 39:43


Obrigada por ouvirem e beijooooooooos

A Nossa Voz
Amar, Cuidar e Deixar Ir: Como Fica o Cuidador?, com Liliana Campos

A Nossa Voz

Play Episode Listen Later Jun 21, 2026 67:35


“Amar, Cuidar e Deixar Ir: Como Fica o Cuidador?” - é mais um episódio dA Nossa Voz cheio de emoção, de reflexão, de verdade e de uma conversa profunda, onde a minha querida @lilianacamposoficial partilha a sua experiência enquanto cuidadora da própria mãe nos anos que antecederam a sua partida.Falamos do amor que sustém, da presença até ao fim, do enorme cansaço silencioso, da falta de apoios (do Estado), e do que acontece ao Cuidador. Como fica quem cuida?

Assustadoramente
#425 O MÉDICO NO CORREDOR e outras histórias assombradas

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Jun 17, 2026 17:15


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:O médico no corredorColetânea de pequenos relatos

onda.podcast
#131 MARILIA SANTOS - SER MÃE E SER MULHER: A DIPLOMACIA, OS RECOMEÇOS E A LIVRARIA

onda.podcast

Play Episode Listen Later Jun 16, 2026 53:56


Muitas mulheres temem que a maternidade lhes tire a liberdade e dificulte a construção de uma carreira. Mas e se, para algumas, ela fosse justamente o impulso que faltava?Marília é casada com um diplomata e mãe da Pina, que nasceu em Tel Aviv há seis anos. Desde então, a família já passou por São Paulo, Brasília, Orlando e agora, Londres. Foram seis escolas para Pina e quase seis vidas para Marília.Marília fala aqui da gestação em Jerusalém, das mudanças e conta como nunca deixou de perseguir o seu desejo mais íntimo.Movida pelo modelo de mãe que queria ser, Marília voltou a atuar e abriu a livraria Plato, em Brasília — uma cidade que não era dela nem do marido, mas que viria a se tornar o ponto de retorno da família.Com muita honestidade sobre suas escolhas, ela fala da vida dividida entre Brasília e Londres, onde hoje vivem o marido e a filha.Assim, longe de afastá-la da realização pessoal, a maternidade lhe deu chão e abriu caminhos. Como entender isso?Talvez porque para se tornar quem se é, é preciso antes se autorizar. E, para algumas mulheres, a maternidade pode ser justamente essa autorização fundamental: aquela a partir da qual todo o resto começa a fluir.Obrigada, Marília, por nos lembrar que não existe uma única forma de ser mãe e que cada mulher inventa o seu próprio caminho.

FUSO
Ep.96 - Bumbs e o Lobo

FUSO

Play Episode Listen Later Jun 15, 2026 34:36


Obrigada por ouvirem e beijooooooooooos

Assustadoramente
424 OBSESSORES DA MINHA INFÂNCIA e outros relatos sobrenaturais

Assustadoramente

Play Episode Listen Later Jun 12, 2026 16:47


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:Obsessores da minha infânciaA amiga assombrada da minha mãeO retorno do primo

telegram minha eo obrigada orelo relatos sobrenaturais
onda.podcast
#130 LUIZA CARVALHO - O LUTO PELA MÃE NA GRAVIDEZ : PLACENTA PRÉVIA, PREMATURIDADE E PUERPÉRIO

onda.podcast

Play Episode Listen Later Jun 9, 2026 51:35


Sabemos que a maternidade implica uma passagem de geração: a filha se torna mãe, a mãe se torna avó. Com essa mudança, surge também a consciência do envelhecimento dos pais e da nossa própria finitude. Algo se perde para que outra coisa possa nascer.Mas o que acontece quando essa perda não é somente simbólica? Como viver o luto da mãe enquanto nos tornamos mães?Um ano e meio após sua primeira passagem na Onda, Luiza voltou para compartilhar a sua experiência. Ela relata a descoberta do câncer da mãe e como foi incentivada por ela a seguir com o processo de fertilização in vitro. Às 25 semanas de gestação, Luiza perdeu a mãe.Ela fala aqui do luto, da placenta prévia, da hemorragia que levou ao nascimento prematuro de Sofia e dos dias vividos na UTI neonatal.Obrigada, Lu, por sua confiança e generosidade ao compartilhar seus primeiros momentos como mãe.Vida longa à Sofia.Dedicamos este episódio à memória de Claudia.

FUSO
Ep.95 - Bad Burly

FUSO

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 25:15


Obrigada por ouvirem e beijoooooos

FUSO
Ep.94 - Assaduras de Entrefolhos

FUSO

Play Episode Listen Later May 26, 2026 48:29


Obrigada por ouvirem e beijoooooooos

onda.podcast
# 128 BIANCA ALBUQUERQUE - O CONTROLE NA MATERNIDADE: DIABETE, DEFESA DAS LACTANTES E TRABALHO MILITAR

onda.podcast

Play Episode Listen Later May 26, 2026 47:06


Talvez tudo aquilo que hoje se sabe sobre a maternidade possa trazer a sensação de que ela é uma experiência de controle. Planejar a gravidez, escolher embriões, prevenir os riscos. Mas felizmente algo escapa.Bianca conta como viveu a gravidez em meio à pandemia, enquanto acompanhava o adoecimento da sua cachorra, que considerava como uma filha. Ela fala dos ultrassons feitos sozinha, do medo de sofrer no parto e da descoberta da sua própria capacidade de parir.Militar da Marinha, Bianca também relata o confronto entre as exigências da instituição e o seu desejo de amamentar a filha sem abrir mão das madrugadas com ela.Obrigada, Bianca, por mostrar que perder o controle não significa perder a si mesma.Gravamos à distância, entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Assustadoramente
#423 O HOMEM NO PÉ DE MANGA e outras histórias assustadoras

Assustadoramente

Play Episode Listen Later May 24, 2026 22:44


Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: ⁠https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:Coletânea de pequenos relatos e relatos do Reddit

onda.podcast
#127 ADRIELLY ROMERO - UMA HISTÓRIA DE CORAÇÃO : A VIDA, O LUTO E A CECÍLIA

onda.podcast

Play Episode Listen Later May 19, 2026 46:25


Continuamos o relato da Adrielly, que conta a luta pela saúde da Tayná, sua morte em julho de 2023, o luto que seguiu e o nascimento da Cecília.Obrigada, Adrielly, pela delicadeza e pela honestidade do seu relato.

FUSO
Ep.93 - Carta aberta aos optimizadores

FUSO

Play Episode Listen Later May 11, 2026 23:08


Obrigada por ouvirem e beijooooos

FUSO
Ep.92 - A sua encomenda espirrou

FUSO

Play Episode Listen Later Apr 27, 2026 40:04


Obrigada por ouvirem e beijoooooos!

obrigada encomenda
FUSO
Ep.91 - Safada da safena

FUSO

Play Episode Listen Later Apr 20, 2026 42:49


Obrigada por ouvirem e beijoooooooos!

FUSO
Ep.90 - El caminito

FUSO

Play Episode Listen Later Apr 13, 2026 33:59


Obrigada por ouvirem e beijoooooos!

FUSO
Ep.89 - Beat Basófilo

FUSO

Play Episode Listen Later Apr 7, 2026 37:20


Atrasado mas sempatempo. Obrigada por ouvirem e beijoooos!

FUSO
Ep.88 - Foda-se, Disney

FUSO

Play Episode Listen Later Mar 30, 2026 45:01


Obrigada por ouvirem e beijoooos

Chutando a Escada
Ecologia da mente e extrema-direita

Chutando a Escada

Play Episode Listen Later Mar 26, 2026 70:01


O que há em comum entre uma bateria antiaérea da Segunda Guerra Mundial, os algoritmos do WhatsApp e o bolsonarismo? Para Letícia Cesarino, professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina, a resposta está na cibernética. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Letícia para discutir seu artigo recém-publicado na revista Current Anthropology: “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil“, no qual ela aplica o quadro teórico da ecologia da mente, desenvolvido pelo antropólogo Gregory Bateson, para reler o bolsonarismo como um sistema tecnopolítico. No bloco de notícias, David traz dois termômetros da extrema-direita global: os resultados das eleições municipais na França, que revelam o avanço territorial do Rassemblement National a despeito de um teto de vidro nas grandes cidades, e as eleições húngaras de abril, onde Peter Magyar desafia 15 anos de governo Orbán. E ainda tem, no último bloco, dica cultural. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Letícia Cesarino (UFSC), David Magalhães e Guilherme Casarões Capa do episódio: Agência Brasil (CC BY 3.0 BR) Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Capítulos: 00:00 — Abertura 00:02 — Entrevista: ecologia da mente, cibernética e extrema-direita digital 00:32 — Bolsonarismo, populismo e públicos digitais artificiais 00:45 — Radicalização, a lacuna online-offline e os limites da etnografia 00:57 — Boletim: França — eleições municipais e o Rassemblement National 01:03 — Boletim: Hungria — Orbán e Peter Magyar às vésperas das eleições de abril 01:08 — Dica cultural: Feels Good Man (Amazon Prime, 2020) Citados no episódio CESARINO, Letícia. “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil”. Current Anthropology, 2026. BATESON, Gregory. Steps to an Ecology of Mind. Chandler, 1972. GALISON, Peter. “The Ontology of the Enemy: Norbert Wiener and the Cybernetic Vision”. Critical Inquiry, v. 21, n. 1, 1994. WIENER, Norbert. Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine. MIT Press, 1948. MASSUMI, Brian. Ontopower: War, Powers, and the State of Perception. Duke University Press, 2015. SIMONDON, Gilbert. L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information. Jérôme Millon, 2005. LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 1986. EASTON, David. A Systems Analysis of Political Life. Wiley, 1965. Documentário Feels Good Man. Direção: Arthur Jones. EUA, 2020. Disponível na Amazon Prime. Chute 391 — Transcrição Parceria Chutando a Escada e Observatório da Extrema Direita Publicado em 26 de março de 2026 Abertura David Magalhães: Olá, pessoal! Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio da parceria entre o Chutando a Escada e o Observatório da Extrema Direita — o primeiro episódio de 2026. A partir de agora, nos encontramos sempre na última semana de cada mês com episódios dedicados a discutir a extrema-direita em suas dimensões globais, teóricas e também reagindo ao calor dos acontecimentos. Para quem já acompanha o podcast, vale lembrar que nosso programa segue dividido em três blocos. No primeiro, trazemos uma entrevista mais aprofundada com pesquisadores e pesquisadoras que estão na linha de frente desse debate. Depois, passamos para um boletim com as análises das principais notícias envolvendo a extrema-direita global. E, para fechar, uma dica cultural sempre conectada com o universo do extremismo de direita — pode ser um livro, um filme, uma série, uma produção musical. Peço que você fique conosco até o fim, porque a dica deste episódio está completamente relacionada com o tema da nossa entrevista. Vamos lá. Entrevista — Letícia Cesarino David Magalhães: Estou aqui com o meu amigo Guilherme Casarões para receber a nossa convidada deste episódio, que é a Letícia Cesarino. A Letícia é professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina e também uma das novas integrantes do Observatório da Extrema Direita. Aproveitamos para dar as boas-vindas — é um prazer ter você conosco, não só no episódio, mas também no Observatório. Nos últimos cinco anos, a Letícia desenvolveu uma pesquisa bastante aprofundada e relevante sobre antropologia digital, extrema-direita e redes sociais. E, mais recentemente, ela acaba de publicar — acabou de sair do forno — um artigo bastante interessante e instigante na revista Current Anthropology. O artigo se intitula “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil” — algo como uma abordagem da ecologia da mente aplicada aos públicos de extrema-direita no Brasil. A ideia deste episódio é discutir esse novo artigo. Letícia, você mobiliza um quadro teórico bastante sofisticado, especialmente ao trazer a ideia de ecologia da mente — ecology of mind —, que vem do trabalho de Gregory Bateson, um antropólogo e linguista britânico importante do século XX. Confesso que não o conhecia; encontrei o livro dele em PDF na internet e li um pouco para me inteirar de como você adota e aplica esse quadro teórico para discutir redes sociais e extrema-direita brasileira. Fiquei bastante interessado no uso do termo “cibernético”, porque para ouvidos contemporâneos ele remete imediatamente ao universo digital, de redes e internet. Mas as principais obras de Bateson são publicadas logo após a Segunda Guerra, nos anos 1960 e 1970 — embora ele tenha iniciado seu desenvolvimento nos anos 1930 —, e ele não estava falando exatamente de internet. Isso me gerou dúvidas. Antes de falarmos da aplicação propriamente dita, você poderia nos explicar um pouco sobre essa abordagem e esse quadro teórico? Bateson propõe tudo isso muito antes da chamada terceira revolução industrial. Letícia Cesarino: Oi, David, Casarões. É um grande prazer estar aqui com vocês no podcast e também no Observatório da Extrema Direita como um todo. Obrigada pelo convite. Acho que esse artigo é um bom gancho para trabalharmos questões da minha abordagem mais específica para a extrema-direita, porque, diferente de muitos que trabalham nesse campo, eu não venho dos estudos da política. Sou uma antropóloga cuja área de origem é a antropologia da ciência e tecnologia — sempre foi assim, desde a graduação —, e nos últimos anos fui transitando para essas questões das mediações digitais, das plataformas e da cibernética. O meu olhar para a extrema-direita é, portanto, um olhar tecnopolítico. O meu interesse é entender essa dimensão relativamente pouco trabalhada nas ciências sociais: o papel das máquinas, o papel da técnica, o papel das infraestruturas técnicas na conformação dessa força política e, mais especificamente no caso desse artigo, dos ecossistemas digitais de extrema-direita. A ecologia da mente e o Bateson — nos últimos anos consolidei em torno da obra dele um arcabouço que remeto também a outros autores da antropologia e da área dos estudos de mídia e tecnopolítica, para desenvolver uma perspectiva que veja agência humana e maquínica juntas, de forma recursiva. E aí a cibernética — podemos começar por ela, esclarecendo o termo. O termo remete a computadores, o que faz sentido, porque a cibernética clássica dos anos 1940, a de Norbert Wiener, o matemático estadunidense que inventou o termo, também deu origem à indústria de tecnologia que temos hoje. Existe, portanto, uma continuidade entre o que chamamos de cibernética hoje e o que era a cibernética como superciência da comunicação e do controle, tanto nos sistemas maquínicos como nos sistemas animais, incluindo o humano. Gregory Bateson fez parte do grupo original das chamadas Conferências Macy, nos anos 1940. Mas depois da Segunda Guerra houve uma bifurcação: uma linha foi trabalhar o que chamo de cibernética das máquinas — Norbert Wiener, Von Neumann, todos os nomes precursores da indústria de tecnologia, da construção dos computadores, da inteligência artificial —, enquanto Bateson foi trabalhar a questão da cibernética dentro de uma chave mais próxima da teoria da evolução e da história natural, o que chamo de cibernética da vida. Ele tem um arcabouço que inclui a cibernética das máquinas, os princípios comuns do funcionamento de máquinas cibernéticas, humanos e animais, mas vai além, trazendo as camadas extras que o humano coloca na relação com a máquina. Nesse sentido, a ecologia da mente inclui a cibernética, mas é maior. É a partir desse ponto de vista que tenho olhado para a participação de máquinas cibernéticas — que, no fundo, hoje são basicamente algoritmos, e a evolução dos algoritmos são as inteligências artificiais — e como elas influem e participam em processos que entendemos como políticos, mas que, na verdade, são tecnopolíticos, porque têm cada vez mais a participação de agências não humanas, agências maquínicas. Guilherme Casarões: Letícia, eu também ficava intrigado com essa terminologia cibernética. Lembro que na faculdade, na aula de sociologia, tive contato com David Easton, que aplicava a cibernética aos sistemas políticos e aos sistemas humanos em geral. Sempre achei curioso que não tivesse a ver com computador — essa foi a maneira como sempre encaramos o termo. Mas toda teoria de sistemas convida a um tipo de abordagem cibernética, com essa linguagem muito interessante de inputs e outputs, de como os sistemas funcionam. Trazer isso de volta à discussão é fundamental. E você argumenta no seu texto que a infraestrutura das redes sociais carrega uma espécie de ontologia do inimigo, herdada dessa cibernética militar da Segunda Guerra Mundial. Como essa visão do ser humano como um servomecanismo — um animal a ser controlado por algoritmos — cria uma afinidade eletiva com a lógica da guerra e a desumanização do outro praticadas pela extrema-direita? Letícia Cesarino: Ótima pergunta. É um bom gancho para colocarmos mais camadas na questão da cibernética. O que tentaram fazer nos anos 1940 — e é importante notar que a cibernética nasce do esforço de guerra, do esforço de guerra dos americanos entrando na Segunda Guerra contra o nazifascismo; a primeira conferência foi em 1946, se não me engano — era produzir conhecimento básico, porque a cibernética é uma ciência que explicaria formas comuns de funcionamento de máquinas cibernéticas, de animais e de humanos. O que têm em comum entre o funcionamento desses sistemas? A cibernética gira em torno da ideia não só de input e output, mas principalmente do feedback — quando o output volta para o sistema como input. O coração da cibernética é essa questão da recursividade, ou causalidade circular, que é uma característica de qualquer organismo vivo e também de máquinas construídas à imagem e semelhança desses organismos, ou seja, máquinas que tomam decisões sozinhas. Essa é, para mim, a principal definição de máquina cibernética, porque os algoritmos fazem isso. Mas muito antes da indústria de tecnologia, outras máquinas já faziam isso — como a própria máquina a vapor de James Watt, que é a base do que Marx, no uso grundrissiano, chama de automata. Ele já identificou no século XIX que havia máquinas sendo incorporadas nas infraestruturas do trabalho que tomavam decisões sozinhas — ainda muito rudimentares, mas a ideia de que as máquinas começam a dar o ritmo do trabalho humano já estava colocada desde o século XIX. A cibernética dos anos 1940 traz para o centro essa questão da guerra, que é quando houve um pico na produção dessas máquinas antes da indústria de tecnologia propriamente dita. Peter Galison — um dos grandes historiadores da ciência, físico de formação — tem um artigo no qual trabalha a ontologia da cibernética de Wiener a partir do contexto de guerra. Ele vai elaborar o que seria essa ontologia do inimigo de guerra a partir da cibernética. Ele faz uma progressão que vale a pena resgatar brevemente aqui. Quando você está numa conjuntura de guerra — uma conjuntura de exceção, isso é importante —, você precisa desumanizar seu inimigo, porque assim vai torná-lo eliminável. Em modelos de guerra anteriores, até a Primeira Guerra, quando você tinha que confrontar seu inimigo no corpo a corpo com uma baioneta ou uma arma de fogo de curto alcance, a forma de desumanização era através de analogias com animais, com monstros. Galison trabalha, por exemplo, cartas de soldados americanos que representam os japoneses através de analogias com ratos, com vermes. Essa é uma forma de desumanização. A segunda forma seria a da Segunda Guerra, que compartilha com a cibernética essa ideia do servomecanismo — um híbrido de humano-máquina. Quando Norbert Wiener começou a desenvolver a cibernética para produzir artilharia antiaérea — máquinas que conseguissem calcular sozinhas a trajetória do caça inimigo para atirar antes de o avião chegar, e o projétil encontrar o alvo no meio da trajetória —, o que o servomecanismo significa? Por que essa imagem do inimigo desumaniza? Porque não interessa quem está dirigindo aquele avião. O que interessa é como aquele avião se comporta — e um comportamento que possa ser previsto e controlado. É um tipo de desumanização cibernética. E podemos pensar também em outras formas de desumanização que evoluem com a guerra, como essa guerra de videogame que temos hoje, onde o inimigo não é sequer visto — é quase como algo da fantasia dos videogames. Isso sempre acompanha a guerra. A cibernética é uma boa epistemologia para entender contextos de exceção, conjunturas de guerra, conjunturas de crise que não se superam, porque são conjunturas de grande instabilidade, de não linearidade, com essa tendência à bifurcação do corpo social. Essas são ferramentas melhores para esse tipo de conjuntura do que muitas das ferramentas clássicas das ciências sociais — Durkheim, por exemplo, desenvolveu ferramentas em sua maioria para contextos de estabilidade, de paz, onde o social está mais estruturado, mais previsível e regido por normas. Num contexto de exceção, de crise e de guerra, o social muda de modo de funcionamento. Uma das hipóteses do meu próximo livro é a de que o social de guerra, de exceção e de crise, funciona em outra dinâmica, e que a cibernética tem boas ferramentas para entender isso, inclusive as formas de desumanização que tendem a se proliferar nesses contextos. David Magalhães: Excelente. Acho que é um bom gancho para avançarmos para a parte do seu texto em que você enquadra todo esse arcabouço para compreender a extrema-direita em ambiente digital. As principais linhas interpretativas preocupadas em compreender a ascensão dessa onda ultradireitista global olham para a questão ideológica, para eleitores frustrados, para a relação desses eleitores com a globalização e com a crise da democracia liberal. Mas você propõe algo diferente: observar esse fenômeno como um grande organismo cibernético, um sistema no qual humanos — lideranças, influenciadores, seguidores — e máquinas — algoritmos do WhatsApp, do Telegram, de redes sociais — operam de maneira integrada, como parte de um ecossistema. O que ganhamos analiticamente ao fazer esse deslocamento? Letícia Cesarino: São muitas camadas. Uma das coisas que acho importante — sempre começo palestras com isso — é a questão do ciborgue. O que é o ciborgue? É um híbrido de humano-máquina, outra forma de falar no servomecanismo. Mas temos essa imagem fantasiosa do ciborgue que vem da ficção científica, a de que seria um indivíduo com partes de sua função fisiológica — alimentação, respiração — suplementadas por máquina. O Robocop seria o tipo ideal disso. O ciborgue da vida real, porém, não se parece em nada com o Robocop. O ciborgue da vida real somos nós. É qualquer um que acorda e a primeira coisa que faz é pegar o celular — para olhar o WhatsApp ou para desligar o alarme — e fica nessa relação de dependência com aquela máquina o dia inteiro, para questões de memória e de tomada de decisão. Por que isso acontece? Porque o Homo sapiens é uma espécie extremamente técnica — uma questão antropológica. Sobrevivemos como espécie, enquanto todos os outros hominíneos foram extintos, pela questão da técnica, da cultura. Precisamos ser suplementados. Como espécie biológica, precisamos ser suplementados o tempo todo pela cultura e pela técnica. Isso não significa que outros animais não tenham técnica — vários mamíferos têm, pássaros também. Mas para o sapiens, isso é existencial. Como Bateson diz, a mente não termina na pele; a mente humana é estendida para o seu ambiente. A unidade de análise da ecologia da mente nunca é o indivíduo sozinho — tentamos delimitar qual é o circuito relevante, e esse circuito de feedbacks é sempre maior que o indivíduo. Pode ser uma família, como no caso dos cães e de uma matilha; pode ser uma comunidade, algum território existencial qualquer. E o nosso território existencial hoje passa necessariamente por essas tecnologias. Os algoritmos, as máquinas, a agência maquínica fazem parte desse território existencial. Isso é um preâmbulo para chegar ao argumento que também faço em vários textos — inclusive nesse —: de que a extrema-direita, se a gente for transposto para a política, é uma força política nativa digital, pelo menos essa extrema-direita que conhecemos hoje. O nazifascismo histórico tem muita participação de mídia, embora isso não seja suficientemente notado. Há muitos estudos históricos que mostram o papel do rádio na capilarização do Terceiro Reich, para conformar esse grande território existencial imaginado e como isso atraiu os alemães comuns em torno daquele projeto. De certa forma, algo similar — similar, mas muito diferente também — está sendo recolocado hoje com relação à nova infraestrutura técnica midiática que são as plataformas digitais. Evito usar a palavra “mídia” porque quando falamos em mídia pensamos em máquinas específicas — televisão, rádio —, mas plataformas não são exatamente mídias. Elas se sobrepõem a todo tipo de infraestrutura técnica, não apenas midiática. Com a plataformização — uma tendência relativamente recente; a internet era muito diferente antes de 2010 — e com os smartphones, que foram um verdadeiro game changer, as primeiras áreas cujos efeitos foram sentidos foram a política eleitoral e a área da saúde. Mesmo antes da pandemia, pesquisadores já identificavam como o autocuidado começou a passar rapidamente por essas infraestruturas, com o “doutor Google”. Para não me estender, vou colocar os dois pontos principais que desenvolvo no artigo, porque são mais ontológicos: como essas máquinas mudam a própria relação espaço-temporal dos nossos sistemas sociotécnicos. O que os algoritmos fazem? Eles hiperaceleram — e esse é, para mim, o ponto central. Quando você hiperaccelera, desestabiliza a relação da mente humana com o seu ambiente. Fica aquele fluxo constante de eventos ao qual você tem que responder o tempo todo, e cognitivamente isso é lido como uma situação de crise, do ponto de vista da ecologia da mente — não só para o humano, para qualquer espécie. Quando há uma instabilidade muito grande do ambiente, isso tende a reverter para o modo crise. É o que Wendy Chun chama de situação de crise permanente que as plataformas jogam nos nossos sistemas sociotécnicos. Isso é, obviamente, uma base fértil para a instrumentalização por forças de extrema-direita. Um outro ponto que os algoritmos introduzem, relacionado à hiperaceleração — que seria uma dimensão mais temporal —, é uma dimensão mais espacial de bifurcação. Algoritmos programados para segmentar públicos, porque essa é a lógica do modelo de negócios da economia da atenção, acabam gerando — não sozinhos, mas na interação com os usuários humanos, porque a recursividade do humano-máquina vai para os dois lados — um efeito sistêmico não de segmentação pura e simples, mas de bifurcação. É aí que entra o código amigo-inimigo, a polarização, a sismogênese — todos esses processos de antagonismo extremo, o que chamo de “mundo do avesso”: um lado é o extremo oposto do outro, numa dinâmica de guerra em que só um pode prevalecer, porque o outro é visto como uma ameaça existencial. No ecossistema de extrema-direita, ele vai desde um polo mais moderado — Tarcísio, digamos — até um polo mais radicalizado — o pessoal do 8 de janeiro, o “tio França” que se explodiu na frente do STF. O que é a extrema-direita? Um lado? O outro? Agentes específicos? Discursos específicos? Não. Do ponto de vista da ecologia da mente, a extrema-direita é toda essa ecologia, todo esse ecossistema que cobre todo esse espectro e que inclui a agência maquínica como um dos seus principais motores. Primeiro porque ela desestabiliza o mundo real, com a hiperaceleração e todos esses processos. Mas ao mesmo tempo ela direciona — é como um rio que tem uma corrente que vai para um lado, e os agentes da extrema-direita são aqueles que nadam a favor da correnteza, porque as plataformas são um ambiente; elas não são variáveis. Elas mudam o ambiente no qual fazemos política. E esse ambiente tem vieses técnicos intrinsecamente favoráveis a uma força política como a extrema-direita. Por isso não é que eles estejam mais espertos ou inteligentes — é que a forma como fazem política converge com a lógica das redes de maneira subliminar, intrínseca. Como o Casarões disse, há uma certa afinidade eletiva com a lógica das plataformas. Mas essa afinidade não é aleatória — por isso foi importante voltarmos à cibernética dos anos 1940, ao esforço de guerra, à artilharia antiaérea. O próprio DNA dessa indústria de tecnologia se originou da guerra e nunca saiu da chave de guerra. Depois da Segunda Guerra, a cibernética se tornou parte da Guerra Fria, com a mesma lógica do controle indireto — fazer o inimigo fazer o que você quer que ele faça indiretamente —, que é essa ideia cibernética do controle numa chave sempre não linear, sempre recíproca. É o que o Trump exatamente tenta fazer agora, em outra versão. Houve um breve interregno onde se tornou uma indústria civil, nos anos 1980 e 1990, mas a lógica algorítmica, a lógica cibernética, continuou sendo a da guerra — só que agora, em vez de controlar o inimigo, você vai controlar o usuário, para fazê-lo clicar num anúncio e vender a atenção daquele usuário para os anunciantes. Há também uma convergência, especialmente durante a Guerra Fria, entre a lógica de guerra indireta, a lógica da propaganda e a indústria de publicidade que temos hoje. Não foi a publicidade que originou a propaganda política — foi a propaganda política que veio primeiro e depois se tornou uma indústria civil, que é o coração da lógica da economia da atenção. Mesmo essas plataformas que se colocavam como liberais sempre tiveram um DNA mais próximo da lógica de guerra, propaganda e controle indireto do que de algo parecido com democracia. Era, de certa forma, um pouco inevitável que as coisas se desenrolassem como estão se desenrolando, porque já estavam previstas na própria ontogênese dessa indústria — como Simondon chamaria —, uma ontogênese ligada à guerra, ao controle e à desumanização. As plataformas, os algoritmos, não nos veem como humanos. É exatamente a mesma coisa do caça com o piloto dirigindo: a máquina é incapaz de ver interioridade, incapaz de ver subjetividade. Ela só nos interpela no nível do controle, da previsão de comportamento. A política está se tornando isso — retroalimentando-se com os discursos da extrema-direita que ativam o senso comum na direção da regeneração, que é a lógica do fascismo histórico: seria possível vencer essa crise, resetar o sistema e construir o estereótipo de um inimigo que precisa ser derrotado para que a crise permanente seja superada. No fim das contas, é uma mistificação de processos reais e de problemas reais, numa linguagem nacionalista e nativista. Guilherme Casarões: Letícia, um outro conceito com que você trabalha no texto e na sua obra é o de populismo. Uma das passagens que mais me chamaram a atenção — e que acho fascinante — é que essa abordagem ecológica de Bateson ganha muita relevância frente ao populismo contemporâneo, justamente porque esse populismo se ampara em públicos que, como você diz no texto, são parcialmente artificiais. A passagem, para quem quiser ler depois, está na página 2 do texto: “os públicos que são produzidos por essa dinâmica são resultados transindividuais de uma agência que é humana e não humana, na medida em que os algoritmos coemergem permanentemente por meio de ciclos cibernéticos”. Essa questão da artificialidade do público é muito central para entender tanto a dinâmica amigo-inimigo quanto a maneira pela qual o populismo contemporâneo consegue controlar a construção narrativa e a mobilização de seu público. Queria ir mais especificamente para o caso que você estuda no texto, que é o bolsonarismo. Seu texto descreve o bolsonarismo não só como uma ideologia, mas como uma dinâmica mutante que oscila entre a moderação e a radicalização. Você traz o conceito de indecidibilidade rítmica — essa coisa de ir e voltar — e eu queria que você explicasse como o bolsonarismo, a partir dessa chave analítica, alterna entre o institucional e o antiestructural, e como isso permitiu ao ex-presidente Bolsonaro manter o sistema político num estado de antagonismo permanente sem chegar a uma ruptura total — o que só vai acontecer em 2023. Letícia Cesarino: O que tentei fazer nesse texto é reler parte do governo Bolsonaro até as eleições de 2022 a partir dessa lógica cibernética — ou seja, como ele performou uma dinâmica cibernética que é essa tecnopolítica moldada pelas máquinas. Casarões, você trouxe a questão do populismo, e acho que são etapas. Desde 2013 até 2018, temos essa invasão muito forte e muito rápida da agência técnica dessas mídias e desses dispositivos dentro da política — um movimento mais tectônico, de desestabilização. E aí essas figuras aparecendo mais ou menos ao mesmo tempo: Modi, Trump, Bolsonaro, Duterte, Orbán — é aí que o conceito de populismo realmente faz mais sentido, nesse sentido dessa irrupção de uma política antiliberal, com uma norma mais afetiva, mais espontânea. É a política da exceção. E que, novamente, bate com a estrutura das plataformas, porque as plataformas também são políticas de exceção e de multidão. É importante termos isso em mente. A citação que você trouxe mostra como as plataformas fazem um tipo de prestidigitação: colocam uma coisa na interface, então o usuário tem a impressão de que é livre, de que é um indivíduo, enquanto o que está acontecendo atrás da tela é que esse indivíduo está sendo desagregado e reagregado com fragmentos de outros usuários em grandes multidões digitais. Ele não tem liberdade — ao contrário, está tendo seu comportamento indiretamente controlado, no sentido cibernético, pelos algoritmos. E esse social de multidão é o social de crise. Quem está imerso nesses ambientes está se colocando num modo crise — e a extrema-direita é a força política que mais combina com esse tipo de ambiente. Sem crise eles não são nada. Se você tirar a crise, a atmosfera de ameaça de que o Brasil vai acabar, eles não têm nada. Por isso não têm programa político: são uma força política na e da crise e da exceção. Daí esse paradoxo de como uma tecnopolítica de crise, de exceção e de guerra se rotiniza como um governo — que foi exatamente o paradoxo do governo Bolsonaro. E ainda teve a pandemia, que adicionou uma camada enorme de crise a isso. Ciberneticamente, faz muito sentido esse vai e vem — os ciclos de feedback positivo e negativo. O feedback positivo é o que acelera o viés que você já está; o negativo coloca um freio. Bolsonaro, enquanto governante, não podia ficar só no runaway, só no feedback positivo, porque o feedback positivo sozinho eventualmente leva a um colapso — tanto nos organismos vivos como nas máquinas. O que ele e o Trump fazem é colocar estrategicamente esses freios, esses recuos: avanço e recuo, feedback positivo e negativo. Tentei mostrar no artigo como isso se deu durante o governo e como esse processo perde o controle na eleição de 2022, redundando eventualmente no 8 de janeiro. O governo Bolsonaro não construiu nada — estava destruindo coisas, que é o que a extrema-direita faz — mas dosando até onde poderia ir na relação com os outros agentes: o Congresso Nacional, o público. E o público passou a ser medido através das redes sociais — pelas métricas das mídias digitais — e cada vez mais por pesquisas de opinião, que são outra forma de feedback que coteja com as mídias sociais. Bolsonaro foi assim sentindo, de forma propriamente recursiva, lidando com um ambiente de causalidades circulares, crises, etc. A linearidade só é possível em contextos de estabilidade e paz — e é exatamente o que o Trump está fazendo hoje. Agora, uma virada acontece, e aí é muito importante a questão do método. Esse artigo é baseado em pesquisa de métodos mistos, onde a abordagem qualitativa antropológica foi composta com uma abordagem computacional de grandes quantidades de dados, com os meus parceiros da Universidade da Bahia, do LabHD, onde fazíamos o mapeamento em tempo real dos públicos do Telegram. Foi muito interessante ver como, em meados de 2021, o comportamento desse ecossistema transindividual — que chamamos de públicos refratados, os públicos da extrema-direita — mudou. O comportamento pandêmico, ativado pela pandemia, e inclusive as teorias da conspiração começaram a diminuir. Isso foi bem na época da questão do voto impresso. Quando o voto impresso é enterrado, um conspiracionismo eleitoral começa a subir e se estabilizar. Por quê? As condenações do Lula tinham sido definitivamente canceladas, e eles, na mentalidade de guerra deles, já previam: “Está vindo um golpe que vai impedir o Bolsonaro de ganhar as eleições de 2022.” Isso mais de um ano antes da eleição. Já entraram no modo de contra-golpe. Que é outra característica desse social de crise — o que Brian Massumi, também batesoniano, chama de preempção: você passa a agir antecipando a ação do seu inimigo. É muito como a lógica da Guerra Fria entre os dois blocos. Por isso a extrema-direita está sempre reagindo — isso é uma característica muito consistente, inclusive dos ecossistemas misóginos, que estão sempre reagindo à suposta provocação ou traição da mulher. O bolsonarismo entrou nesse modo preemptivo, com a certeza de que haveria um golpe contra ele. Na cabeça deles, dessa grande mente transindividual controlada pelo Bolsonaro, o golpe deles era um contra-golpe: seria dado um golpe no Bolsonaro, e o que estavam fazendo seria a resposta. Quando você vê tudo o que fizeram ao longo desse tempo com esse olhar, tudo faz sentido — e o Bolsonaro, como depois ficou demonstrado, de fato estava tentando articular esse contra-golpe. Nas eleições de 2022, estavam nessa dinâmica de avanço e recuo, não deixando o sistema escalar demais, a temperatura subir demais, enquanto conspiravam. Quando ele finalmente desiste, vê que não ganhou a eleição — isso se arrasta por algumas semanas —, e quando realmente percebem que os comandantes das três forças não vão entrar, que o golpe não vai acontecer, Bolsonaro fica em silêncio. Ciberneticamente, isso foi muito importante, porque era ele que fazia a regulação cibernética entre a camada moderada e a camada radicalizada. Ele não deixava as coisas escalar. Era um agente de radicalização, mas também de moderação. Quando ele se retira, a coisa escala — e foi justamente o 8 de janeiro. Olha que interessante: quando aquela multidão invadiu o Congresso, o que aconteceu? Ficaram esperando para ver o que ia acontecer, porque confiavam no plano — só que o plano já tinha dado errado e eles não sabiam disso. Tem esse componente de um mundo de fantasia criado dentro das comunidades radicalizadas — o Bateson ajuda a entender isso, porque ele tem uma teoria cibernética da fantasia e do jogo. Foi aquele choque de realidade. Não houve mais regulação, não houve mais feedback negativo, a coisa escalou, a temperatura subiu — e é onde o artigo termina, fazendo essa releitura cibernética e ecológica dos eventos do segundo governo Bolsonaro e das eleições de 2022. David Magalhães: Ótimo, Letícia. Encaminhando para o fechamento: no finzinho do artigo você faz uma ressalva que achei bastante importante, ao apontar que a ecologia da mente é extremamente poderosa para entender essas dinâmicas sistêmicas mais amplas, mas que também tem limites — especialmente quando tentamos compreender a totalidade da vida cotidiana do sujeito. É justamente aí que você coloca a necessidade de retornar à etnografia tradicional, à etnografia offline. Queria te ouvir sobre esse desafio metodológico. Como a antropologia pode costurar essas duas pontes — de um lado, a visão de um sistema cibernético amplo no qual os indivíduos parecem agir quase como parte de um circuito, de maneira relativamente previsível; de outro, as trajetórias de vida, as experiências subjetivas, as dores concretas que não desaparecem. Como não reduzir essas pessoas a meros nós de rede? Letícia Cesarino: Ótima pergunta, porque é realmente um desafio metodológico. No caso da ecologia da mente, você nunca pode fechar só no indivíduo. Mas é possível — e é o que estou fazendo no livro novo — pensar como o indivíduo enquanto sistema, porque todo organismo individual é um sistema cibernético, com outras camadas além dele, mas ele próprio é uma camada de individuação bastante importante. Ele pode estar dividido entre dois territórios existenciais — e é um pouco como estou tentando trabalhar a questão da radicalização no livro novo. O online oferece um tipo de território existencial onde a persona online do sujeito está com interações específicas. É isso que gera o elemento de fantasia nas comunidades extremistas: no online é possível cultivar uma realidade e um tipo de estereotipação do inimigo, toda a questão da desinformação, que não é possível fazer no offline. Por isso o que aconteceu depois da invasão ao Congresso e ao STF: a realidade bateu. Eles achavam que a realidade era o que era cultivado na mente transindividual do online — e isso não bateu com o que estava acontecendo offline. Com a internet, não é mais preciso se deslocar fisicamente para se radicalizar. Você pode viver sua vida normalmente e, em parte do seu circuito, se radicalizar só no online. São muito esses casos que abordarei no próximo livro: adolescentes e jovens que estão no quarto jogando videogame, vivendo normalmente na escola, e estão fazendo coisas indescritíveis na internet — que você só vai descobrir quando a polícia bater na porta. Etnografar a radicalização é muito difícil, porque é um processo — você precisa acompanhar a pessoa desde o início, quando não estava radicalizada. É praticamente impossível, a não ser que alguém muito próximo passe por isso. Mas existem autorrelatos. Tenho trabalhado muito com o caso dos neonazistas, onde já há na Europa e nos Estados Unidos um repertório grande de testemunhos e autobiografias de pessoas que saíram dessas comunidades extremistas. No jihadismo também há bastante material; os manifestos de atiradores em escolas, por exemplo, muitas vezes trazem essa visão subjetiva da radicalização. Há um outro ponto que descobri e que não estava na pesquisa anterior: o que alguns estudos de radicalização chamam de reduplicação. Isso vem de um estudo histórico de Robert Lifton sobre médicos nazistas — como eles dividiam a personalidade. Quando estavam em Auschwitz, eram um tipo de pessoa; quando estavam em casa, com a família, eram completamente diferentes. Era uma reduplicação da personalidade em duas, como forma de resolver dissonâncias e contradições. O médico conseguia desumanizar as pessoas que selecionava para morrer em Auschwitz, enquanto em casa humanizava os seus. Algo assim parece acontecer também no nível da mente individual através da lacuna online–offline: as pessoas inconscientemente encontram formas de dividir a sua mente entre esses dois mundos, de forma que não precisem romper com familiares, amigos ou colegas de trabalho por razões políticas. Esse efeito da lacuna online–offline deve ser estudado — não é só uma questão metodológica, é a questão de qual é o efeito dessa própria separação, que é inédita: são as primeiras tecnologias que possibilitam essa divisão em ambientes existenciais separados, ainda que em relação recursiva. Isso pode ser um indutor de radicalização. Sabe aquele meme dos cachorros latindo no portão? Quando o portão abre, cada um vai para um lado. O humano tem um pouco disso: fica mais agressivo, fala coisas e faz coisas quando não está cara a cara com a pessoa — coisas que não faria no presencial. Isso é muito característico da extrema-direita: estão latindo, agressivos, no comportamento de ameaça, e quando a Polícia Federal bate na porta, revertem ao comportamento de autopiedade e vitimização — que é o que o Bolsonaro está fazendo agora na cadeia. Bateson trabalha isso muito bem, não só no humano, mas em outros mamíferos. A ecologia da mente, pegando inclusive insights de outros mamíferos — como o Bateson faz —, nos ajudaria a reincorporar o elemento biológico-evolutivo nas nossas explicações. E aqui chego a um ponto que acho muito importante: a extrema-direita tem todo um repertório do darwinismo social e da psicologia evolutiva para dizer que a forma como ela vê o humano é a forma real, a forma biológica, a forma natural. São leituras completamente erradas e enviesadas, mas para o senso comum são muito intuitivas. A questão de gênero, por exemplo: a ideia de que o homem é para um papel e a mulher para outro não tem apoio em estudos sérios de outras espécies ou da nossa. A antropologia, porém, abandonou esse campo — tornou-se etnografia, estudo da cultura, abandonou a natureza e a biologia, por razões relacionadas à história e à política interna da disciplina. Um dos meus objetivos é recuperar esse espaço de autoridade científica para falar do humano, do que é natural no humano, a partir de abordagens como a do Bateson — que é uma teoria da evolução que inclui a cultura — para competir também nesse campo da naturalização do comportamento humano. Eu diria que é talvez o campo mais persuasivo dos discursos da extrema-direita, porque a esquerda e as ciências sociais ficam só na desconstrução e no culturalismo, enquanto eles estão falando daquilo que é espontâneo, natural, atemporal. É assim que o fascismo mira, e precisamos competir nessa ordem de discurso, reivindicando uma abordagem científica mais universalista — um outro tipo de universalismo, não o positivista. A ecologia da mente é uma das principais vias que vejo para isso. No contexto desse artigo, foi também um subtexto: o artigo foi parte de um dossiê financiado pela Fundação Wenner-Gren, a maior fundação de antropologia dos Estados Unidos, e queria passar essa mensagem para os meus colegas antropólogos — a gente pode falar de universais humanos de uma forma mais refinada e rica, e competir com a extrema-direita nesse campo de discurso. Guilherme Casarões: Letícia Cesarino — incrível, tanto no pessoal quanto no profissional. E agora descobrimos, o que não deveria ser exatamente uma surpresa, que você é especialista em memes. Foi de longe uma das conversas mais eruditas que tivemos aqui, não só na colaboração com o OED, mas de todas as entrevistas que já fiz. Uma densidade impressionante, transmitida de forma didática. Tenho certeza de que os nossos ouvintes vão adorar esse papo. Quem está acompanhando, fiquem por aí — ainda temos a segunda parte da conversa, com o boletim de notícias e a dica cultural. Boletim — Giro de Notícias David Magalhães: Vamos ao nosso boletim com duas notícias envolvendo a ultradireita. França No próximo ano teremos eleições nacionais na França, que serão importantíssimas tanto para a Europa quanto para o futuro da direita radical no mundo. No dia 22 de março, domingo, ocorreu o segundo turno das eleições municipais francesas, que costuma ser um termômetro importante para medir o crescimento e a capilaridade da direita radical francesa, representada aqui pelo Rassemblement National. O resultado dessas eleições foi bastante ambíguo. O Rassemblement National, partido de Marine Le Pen e da estrela em ascensão Jordan Bardella, não conseguiu vencer em grandes cidades estratégicas — como Marselha e Toulon —, onde havia uma expectativa de vitória da direita radical. Por outro lado, o partido avançou de forma importante em outro nível: consolidou uma presença territorial, especialmente no sudeste e no nordeste do país, conquistando dezenas de prefeituras e ampliando de maneira bastante significativa sua base local. Hoje, de acordo com matéria do Le Monde de 23 de março, o Rassemblement National passa a governar aproximadamente 70 municípios e conta com cerca de 3 mil representantes locais — uma quantidade bastante considerável. Outro ponto central é um certo teto de vidro que tem impedido a vitória do RN em grandes cidades. Esses centros urbanos mais ricos, mais jovens e com maior nível educacional têm sido um desafio para a expansão da direita radical. Por outro lado, há um crescimento muito forte em áreas periféricas, regiões pós-industriais e comunas menores, geralmente marcadas por uma sensação de abandono e por um acúmulo de ressentimento — o que alguns autores chamam de left behinds, os que foram deixados para trás —, sentimento que a direita radical populista costuma explorar. Quero destacar ainda um fator que pode ser preocupante olhando para as eleições nacionais de 2027: não houve, ou houve em pouquíssimas cidades, a chamada frente republicana — também chamada de cordão sanitário. O cordão sanitário é o conjunto de alianças tradicionais de partidos com compromissos democráticos para barrar a direita radical no segundo turno das eleições. A quase inexistência desse cordão fez com que o RN conquistasse cidades onde, em eleições anteriores, havia sido bloqueado. No final das contas, essas eleições não deram o resultado que o RN esperava — um grande impulso nacional —, mas consolidaram uma base territorial sólida. Isso coloca uma questão relevante olhando para 2027: seria esse enraizamento local suficiente para sustentar uma vitória nas eleições presidenciais? Seguiremos acompanhando o caso da França. Hungria Passamos para a Hungria — continuamos falando de eleições, já que os húngaros vão às urnas em abril para decidir se encerram os 15 anos de governo de Viktor Orbán. No domingo, 15 de março, os dois principais atores políticos do país — Viktor Orbán, do Partido Fidesz, e o oposicionista Peter Magyar, do partido Tisza — realizaram grandes manifestações em Budapeste no Dia Nacional Húngaro. Mais do que uma comemoração histórica, os eventos funcionaram como um teste de força às vésperas das eleições de abril. Os dois lados reivindicaram vitória em termos de mobilização — como já vimos aqui no Brasil. O governo afirmou que foi uma das maiores marchas já realizadas no país, enquanto a oposição chegou a afirmar que reuniu meio milhão de pessoas. Ainda que sejam números exagerados, as estimativas independentes indicam que o Tisza, de Magyar, levou mais gente às ruas do que o Fidesz de Orbán, o que sinalizaria um possível avanço da oposição no campo urbano. Essas manifestações têm algo interessante: acontecem dentro de um calendário nacional, e foi possível observar uma disputa não só eleitoral, mas simbólica. Ambos os lados tentavam se apropriar da memória da Revolução de 1848. Orbán engendrou uma narrativa que associa o passado à luta contra o domínio estrangeiro, ao globalismo, à ingerência da União Europeia e à ameaça da guerra na Ucrânia. A oposição liderada por Peter Magyar utiliza os mesmos símbolos nacionais, mas com outros significados: para eles, a defesa da liberdade hoje se traduz em manter a Hungria dentro da União Europeia e vinculada à OTAN, além de restaurar o funcionamento das instituições democráticas do Estado húngaro — bastante prejudicadas nos anos de Orbán. As pesquisas de intenção de voto desde julho do ano passado mostram um quadro relativamente estável, com uma diferença de aproximadamente 10% em favor da oposição. É preciso ter cautela com essas pesquisas, no entanto, porque em 2011 Orbán fez uma importante reforma eleitoral que dá mais peso aos distritos rurais, geralmente mais conservadores. Além disso, ele concedeu cidadania a húngaros que vivem na Eslováquia, na Romênia e na Sérvia, uma população que tende a votar no governo. E há também uma mobilização ideológica mais incandescente da direita radical húngara, que pode fazer diferença nas urnas. Fato é que nenhum dos lados parece acreditar numa vitória esmagadora. Já se discute a possibilidade de alianças — o partido Jobbik, na Hungria, pode ser crucial para a formação de uma maioria no parlamento. No nosso episódio de abril, iremos repercutir o resultado dessa eleição. Dica Cultural David Magalhães: A nossa recomendação cultural deste episódio tem tudo a ver com a conversa que tivemos no primeiro bloco com a Letícia Cesarino. Se você se interessou pelo debate sobre internet, cultura digital, extrema-direita e disputa de narrativas, vale muito a pena assistir o documentário Feels Good Man, disponível na Amazon Prime. O documentário é de 2020, mas chegou recentemente a essa plataforma. O filme conta a história do Pepe the Frog, personagem criado pelo cartunista Matt Furie nos anos 2000. Originalmente era um sapo tranquilo, good vibes, que circulava numa tirinha independente. Com o tempo, porém, esse personagem foi sendo apropriado na internet — primeiro como meme, depois ganhando formas cada vez mais distorcidas, até virar um símbolo associado ao alt-right e a outros grupos de extrema-direita. O documentário é bastante interessante porque não trata isso como uma mera curiosidade da internet. Ele mostra como esse processo revela algo mais profundo: como essas comunidades online — fóruns, antigamente o 4chan, hoje um ecossistema bem mais complexo — funcionam como verdadeiros laboratórios de produção cultural e política, com uma lógica quase darwiniana de disputa por atenção, em que os conteúdos mais chocantes e extremos ganham mais visibilidade, com toda uma engenharia algorítmica por trás. O filme também acompanha o próprio criador do Pepe, que se vê completamente impotente diante da transformação da sua obra. E esse é um ponto central: na era da internet, a circulação de imagens e memes escapa completamente ao controle original — pode ser capturada e ressignificada por distintos atores políticos. O documentário tem um aspecto que dialoga diretamente com o que conversamos com a Letícia Cesarino: esses grupos utilizam o humor, a ironia, a ambiguidade e as trollagens para disseminar ideias racistas, misóginas e xenófobas, muitas vezes sob a aparência de brincadeira. Isso cria uma zona cinzenta que dificulta a crítica e, ao mesmo tempo, aumenta o alcance dessas mensagens de ódio. Feels Good Man nos ajuda a entender essa cultura digital e como ela se relaciona com a extrema-direita — e dialoga perfeitamente com os temas que trouxemos na entrevista do primeiro bloco. Até a próxima. The post Ecologia da mente e extrema-direita appeared first on Chutando a Escada.