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iPhone 18 pro: conserto pode custar r$ 8.559. Google exibe anúncios falsos de golpes envolvendo gov.Br e desenrola. Falso LastPass USA golpe para desarmar antivírus no windows. ChatGPT agora funciona dentro do word, excel e PowerPoint. Xbox prepara nova onda de demissões. Discord remove apps que burlavam bloqueios de lives no Brasil. Xiaomi lança aquecedor que esquenta em 3 segundos.
Obrigada por ouvirem e até para a semana, se a AI nos permitir
O que uma sociedade faz quando uma criança precisa se proteger sozinha?Jessica sofreu violência sexual na infância e saiu de casa aos 11 anos. Viveu sozinha, entrou no crime e, aos 14, engravidou pela primeira vez; aos 16, uma segunda vez. As duas meninas foram criadas pela mãe e pela irmã de Jessica. Como se tornar mãe quando ainda se é uma criança?Jessica conta aqui os anos em que vivia de furtos, a passagem pela Febem e, depois, pela prisão. Ela relata como parou com o crime e como, anos depois, grávida de sete meses, recebeu uma condenação a 11 anos de prisão. Encarcerada, Jessica deu à luz sua última filha e hoje está em casa, trabalhando e cuidando das suas filhas.Com ela, falamos sobre o sentimento de poder que encontrava no crime, sobre a terapia que a incentivou a mudar de vida e sobre a sua riqueza : a sua família.Obrigada, Jessica, por nos mostrar o que pode acontecer quando um país falha em proteger a infância.
Sobre o SeinfeldGate, a opinião que não fazia falta. Obrigada por ouvirem e beijooooos
Entrevista Antena 1 / Jornal de Negócios - Uma Conversa Capital
Gustavo Paulo Duarte, presidente da CCP, acusa o Governo de não cumprir o acordo de rendimentos e defende que as empresas deviam ser obrigadas a não pagar salários mínimos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste episódio, compartilho 3 segredos simples e práticos que ajudam a trazer mais tranquilidade para a rotina, reduzir o estresse e lidar melhor com os desafios do dia a dia. Se você quer uma rotina que trabalhe a seu favor, este vídeo é para você!E se você está buscando um incentivo para enfrentar a vida com mais confiança, conheça o meu novo livro "Vai Dar Tudo Certo!". Nele, compartilho reflexões e aprendizados para ajudar você a seguir em frente, mesmo quando as coisas não acontecem como o planejado.
Helen é uma sobrevivente da prisão. Condenada no lugar de outra pessoa, passou seis anos sem ver o filho.Foram três anos na Cracolândia, em São Paulo, e outros três anos encarcerada.Quando saiu, Helen precisou reconstruir a relação com o filho, retomar o contato com a mãe, com quem viveu conflitos e tensões relacionados ao exercício da maternidade. Já formada em Direito, Helen voltou a estudar e hoje está prestes a defender o seu mestrado.Ela conta aqui sobre as drogas, a violência obstétrica, o racismo estrutural na prisão e o abandono familiar que tantas mulheres encarceradas enfrentam.Ela fala da sua revolta e da sua luta pelos direitos das mães no cárcere.Obrigada, Helen, por compartilhar a sua história e por nos revelar as fraquezas da nossa democracia.
We back! Obrigada por ouvirem e beijoooooos
A palavra sacrifício vem do latim sacer, sagrado, e facere, fazer. Literalmente, significa fazer o sagrado: um ato de oferenda, de consagração. Mas o que significa quando falamos do sacrifício materno?Para a psicanalista Anne Dufourmantelle existe o sacrifício e a renúncia. Renunciar é abrir mão do próprio desejo. O sacrifício é outra coisa: seria um gesto pelo qual alguém aceita perder algo para não perder aquilo que considera essencial.Será que, quando uma mulher se torna mãe, ela renuncia ao seu desejo? Ou a maternidade transforma radicalmente sua relação com esse desejo e com a própria vida?Clara tem 28 anos e é mãe de Emanuel. Engravidou aos 26, sem planejar, ainda se perguntando se aquele era o momento certo para ter um filho. E sem saber que a maternidade se tornaria esse ofício sagrado.Ela conta aqui como o apoio da mãe lhe deu força para seguir com a gestação, fala da dor do parto e da desordem do puerpério. Com ela, falamos das pequenas renúncias, das belezas e também da transcendência da maternidade.Obrigada, Clara, por trazer um outro olhar sobre o sacrifício materno.
Obrigada a quem se preocupou em saber como é que eu estava, tomem aqui um áudio extremamente longo a contar-vos tudo. Também falei sobre o rescaldo da história das conservadoras, sobre condomínios, que é sempre divertido. Falei sobre a liberdade de expressão de pintar quadros, sobre o cocó de boi na estrada de pedra ser algo que deixa saudade. Confesso que abri correio que não era meu e agora preciso da vossa ajuda!!! Dissertei sobre pequenos almoços e sobre regresso às aulas e setembro.
PARTE 2 DO RELATO DA SIRLENE. Desde muito cedo, Sirlene sentiu a falta do pai. Um pai que estava preso e depois se tornou foragido.Ela sonhava em fazer diferente com os próprios filhos e dar a eles aquilo que ela não tinha tido.O que ela não imaginava é que seus filhos poderiam crescer sem a mãe.Sirlene se envolveu com o crime e passou duas vezes pela prisão. Na primeira, ficou quatro anos sem ver o filho pequeno. Na segunda, deu à luz seu terceiro filho dentro da cadeia e, aos seis meses, precisou entregar a bebê para a mãe.Uma vida que parece um filme e que, hoje, poderia ser contada a partir de um final feliz: aos 50 anos, Sirlene é farmacêutica, membro da Academia Brasileira de Letras do Cárcere e está se formando em medicina.Sirlene conta aqui sobre sua infância, o crime, as drogas, o amor e como exerceu a maternidade enquanto esteve privada de liberdade. Com ela, falamos de ausência paterna, de separação, de preconceito, de seu papel social junto às mulheres detidas em Tremembé e de seu trabalho de incentivo aos jovens para que estudem.Neste primeiro episódio de Maternidade e privação de liberdade, Sirlene conta sua história, dos momentos mais difíceis aos que tornaram possível reconstruir sua vida.Obrigada, Sirlene, pela sua sinceridade.
Obrigada por ouvir o Assustadoramente!Ouça episódios sem anúncios na Orelo https://open.spotify.com/show/7MmhB3m8hgDkdBH6RoNJ52Mande seu relato por whatsapp clicando no link: https://wa.me/qr/JKICZJUYJQXAL1Siga as redes sociais do podcastInstagram https://www.instagram.com/assustadoramente_podcast/Youtube https://www.youtube.com/channel/UCW4XSj51qebh9DtVSfcD0QwTikTok https://www.tiktok.com/@assustadoramente_podcastEntre para o grupo no Telegram https://t.me/podcastassustadoramenteEnvie o seu relato para assustadoramente@outlook.comRelatos deste episódio:Relatos sobre amigo imaginário e estranhas presenças
Boa terça, angulers! Mais um ano de Angu de Grilo ao vivo na @flipelo, a convite do @sescba. Neste ano, tivemos a honra de conversar com Eliana Alves Cruz (@elialvescruz), jornalista, escritora premiada, roteirista, autora de “Meridiana”, recentemente ganhador do Prêmio Guimarães Rosa de livro do ano de 2025, na categoria Ficção, concedido pela ABL. Eliana também publicou outros seis livros, entre eles “Água de Barrela”, “O crime do Cais do Valongo” e “Solitária”, além dos livros infantis e do recém lançado “Escreviventes”. Nossa conversa passou pela seu trabalho como assessora de imprensa, quando trabalhou diretamente com esportes olímpicos, participando de competições internacionais e olimpíadas, até a transição para se tornar escritora. Falamos de família, da relação com a amiga Conceição Evaristo, das dores da ascensão social no brasil para a população negra, do processo criativo de escrita e sobre “incomodar sonhos injustos”. Rimos, nos emocionamos, nos abraçamos, cantamos. Mais um Angu ao vivo inesquecível! Obrigada a todas as angulers que acordaram cedo para viver essa manhã de Flipelô com a gente! Sirvam-se!Apoie o Angu de Grilo no apoia.se: apoia.se/angudegrilo ou na Orelo: orelo.cc/angudegriloCortes do episódio em vídeo no @angudegrilo no Instagram e Tiktok! Siga, curta e compartilhe! Edição e mixagem: Tico Pro @ticopro_Redes sociais: Claudio Thorne @claudiothorneCortes em vídeo: Nathália Dias Souza @natdiassouza
Desde muito cedo, Sirlene sentiu a falta do pai. Um pai que estava preso e depois se tornou foragido.Ela sonhava em fazer diferente com os próprios filhos e dar a eles aquilo que ela não tinha tido.O que ela não imaginava é que seus filhos poderiam crescer sem a mãe.Sirlene se envolveu com o crime e passou duas vezes pela prisão. Na primeira, ficou quatro anos sem ver o filho pequeno. Na segunda, deu à luz seu terceiro filho dentro da cadeia e, aos seis meses, precisou entregar a bebê para a mãe.Uma vida que parece um filme e que, hoje, poderia ser contada a partir de um final feliz: aos 50 anos, Sirlene é farmacêutica, membro da Academia Brasileira de Letras do Cárcere e está se formando em medicina.Sirlene conta aqui sobre sua infância, o crime, as drogas, o amor e como exerceu a maternidade enquanto esteve privada de liberdade. Com ela, falamos de ausência paterna, de separação, de preconceito, de seu papel social junto às mulheres detidas em Tremembé e de seu trabalho de incentivo aos jovens para que estudem.Neste primeiro episódio de Maternidade e privação de liberdade, Sirlene conta sua história, dos momentos mais difíceis aos que tornaram possível reconstruir sua vida.Obrigada, Sirlene, pela sua sinceridade.
Falling Slowly: Esta música que tanto me marcou (assim como o filme do qual ela é tema), estava na fila para entrar na série há tempos... Esta semana, a aula não poderia ser com outra canção. Nossa singela homenagem ao Glen, que partiu prematuramente, mas nos deixou sua arte visceral e sensível. Obrigada. ✅ Procurando um curso de inglês passo a passo? VENHA PARA O MEU CURSO INTENSIVO
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Meu marido estava se gabando para os amigos que me traiu e comeu uma mulher casada. Não gostei nada disso e resolvi dar o troco. No mesmo dia ele mandou o técnico de ar condicionado la pra casa... Obrigada pelo presente de bandeja! Era tanto tesão que eu gozei rapidinho. Minha vingança mais gostosa!Locução: @ouveamalu
O que acontece quando um homem se torna pai?Durante muito tempo, falamos da chegada de um filho como uma mudança na vida de uma mulher. Mas e se a paternidade também fosse uma experiência de profunda transformação?Pesquisas recentes mostram que tornar-se pai pode produzir mudanças no cérebro, nos hormônios e na forma como um homem responde ao outro. A paternidade como uma reorganização subjetiva ligada ao cuidado e ao vínculo, que alguns autores têm chamado de patrescência: o nascimento de um pai.Beto, criador do blog Pai Mala, nasceu com uma deficiência no braço direito. Ele conta aqui o receio de não corresponder à imagem do pai ideal, o medo de não ser amado pelos filhos e o desejo de romper com uma história familiar, construindo uma paternidade presente e clara.Ao se tornar pai, Beto desconstruiu esses sentimentos e pôde se reconhecer, pela primeira vez, como um homem unificado, corpo e alma. Quem diria que a paternidade poderia ter esse poder?Neste episódio especial de Dia dos Pais, falamos sobre deficiência, machismo, criatividade na paternidade e sobre o lugar dos homens no cuidado.Obrigada, Beto, por mostrar como o encontro com um filho pode reorganizar a imagem que um homem tem de si mesmo.
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O Papo debate a longevidade sexual e a ideia de idade limite para transar. Também fala sobre glow up de vingança e faz uma lista das coisas para nunca mais fazer na vida.
Por que maternidade e sexualidade ainda parecem incompatíveis?Como se o nascimento de um filho marcasse o fim do desejo. Como se uma mãe precisasse escolher entre o corpo materno e o corpo erótico.Ao engravidar em meio à dúvida sobre a paternidade do primeiro filho, Letícia se sentia "entre a santa e a puta".Mãe de Pedro e Luna, ela não imaginava que teria filhos. A primeira gravidez chegou de surpresa e, enquanto enfrentava o julgamento alheio, Letícia descobriu uma inesperada sensação de vitalidade. Mas tornar-se mãe sozinha e viver um puerpério marcado pelo abandono também lhe revelou que a maternidade é uma função social: um papel cercado de expectativas sobre como uma mãe deve amar, cuidar, trabalhar, parir e, sobretudo, desejar.Foi nesse contexto que nasceu a revolta. E, da revolta, um grito. Um grito dirigido à família, aos amigos e à sociedade: como é possível abandonar uma mulher que acaba de dar à luz? Esse grito tornou-se escrita, teatro, filme, estudos. Neste novo episódio de Maternidade e Separação, falamos sobre patriarcado, sexualidade, violência obstétrica e doméstica e sobre a possibilidade de transformar a experiência vivida em criação artística.Obrigada, Letícia, por mostrar que sustentar o desejo é uma forma de resistência às expectativas sociais.
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Instagram vai banir vídeos de assédio gravados com óculos inteligentes. MP processa empresa de escaneamento de irís por práticas abusivas. Ataque hacker inédito pode destruir data centers, alertam pesquisadores. EA FC 27 é revelado com modo de mundo aberto! Veja trailer, preço e onde jogar. Xiaomi lança no Brasil Redmi A7 Pro com bateria de 6.000 mAh e Monitores da LG instalam adware no Windows sem autorização, dizem usuários.
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O que significa dizer: "engravidei sem querer"?Repetimos essa expressão como se ela fosse evidente, mas será que ela dá conta da complexidade do desejo?Mãe do Caetano, Helen engravidou sem planejamento e sem saber se o pai assumiria a paternidade do filho. Voltou para Brasília, sua cidade natal, para dar à luz cercada por família e amigos e, apesar do próprio desconforto, incentivou a construção da relação entre pai e filho.Desde o início da sua maternidade, Helen desafia ideias que costumamos tomar como naturais. Ela nos convida a perguntar: como a sociedade olha para a vida amorosa e a sexualidade de uma mulher que cria um filho sozinha?Neste novo episódio de Maternidade e Separação, falamos sobre os preconceitos que cercam as mães solo, sobre namorar durante a gravidez, sobre o trabalho psíquico de tornar-se mãe e sobre como as relações também podem se transformar com o tempo, a ponto de, hoje, Helen viver uma guarda quase compartilhada do filho.Obrigada, Helen, por denunciar os estereótipos e as expectativas que ainda recaem sobre as mães solo.
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Obrigada por estarem desse lado, meus fusetes fellow-centenários. Seguimos para mais 100?
A literatura indígena no Brasil passou por diversas fases e batalhou contra o apagamento em todas elas. Dos primeiros encontros com os jesuítas, que tentaram impor as regras de gramática e de assentamentos importadas da Europa, ao crescimento das publicações editorais de autoria indígena que vemos hoje. Nesse episódio, Mayra Trinca e Lívia Mendes contam mais dessa história a partir de entrevistas com a pesquisadora Carolina Rodrigues, da Unicamp, e com a escritora Trudruá Dorrico. Você vai conhecer mais sobre as primeiras gramáticas, a importância da oralidade para a literatura indígena e a relação disso tudo com a política (no passado e no presente). ____________________________________________________________________________________________________ ROTEIRO TRUDRUÁ: Cara, o Brasil é tão indígena e ele nem se dá conta assim, sabe? Do quanto ele é indígena. MAYRA: No episódio de hoje, a gente vai falar sobre a importância da escrita pra história do movimento indígena no Brasil. TRUDRUÁ: Eu entendo assim que a presença indígena nesses espaços literários, é o que faz a nossa literatura ser interessante hoje. Faz deslocar um pouco os homens brancos, jornalistas do Rio – São Paulo, assim, numa produção completamente egocêntrica. LÍVIA: E sobre como isso ganha ainda mais relevância diante de um histórico de apagamentos. CAROLINA: Que algo escrito nem sempre é um texto. Quem lê nem sempre é um leitor. E quem escreve nem sempre é um autor. MAYRA: Isso porque o ato de escrever foi, e talvez ainda seja, uma das ferramentas mais usadas pra hierarquização social. E aí, ao longo da história, isso deixou marcas que revelam muito do que a gente pensa e entende como autoria de povos indígenas no Brasil. TRUDRUÁ: A autoria coletiva indígena, ela sempre existiu. O problema é que ela foi descaracterizada por conta da história de apropriação dos povos indígenas ao Estado-nação Brasil. LÍVIA: Pra entender essas questões, conversamos com a escritora e pesquisadora Trudruá Dorrico, do povo Macuxi, e com a linguista Carolina Rodríguez. MAYRA: Eu sou a Mayra Trinca, bióloga e comunicadora de ciência e você já me conhece aqui do Oxigênio. LÍVIA: E eu sou a Lívia Mendes, linguista e especialista em jornalismo científico, e também já apareci algumas vezes por aqui. [VINHETA] CAROLINA: Eu sou pesquisadora do Laboratório de Estudos Urbanos, o Labeurb, que pertence ao Núcleo de Criatividade da Unicamp e sou também professora no departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL, também da Unicamp. É, a minha formação inicial é em letras, mas eu me especializei em linguística. Fiz o doutorado, pós-doutorado, especificamente nas áreas de análise do discurso, história das ideias linguísticas e saber urbano e linguagem. LÍVIA: Essa que você ouviu é a Carolina. Nos últimos anos, ela têm se dedicado a pesquisar a língua Guarani e as relações dessa língua com a atuação dos jesuítas na região que era a província do Paraguai. CAROLINA: Que não deve ser confundida com a província civil do Paraguai, né? Porque a província jesuítica ocupava todo o sul do Brasil, Argentina, parte da Bolívia, enfim. MAYRA: O Guarani era a língua falada pelos povos indígenas da região e que teve seus primeiros registros escritos feitos por esses jesuítas. CAROLINA: O espaço em que surge a escrita em Guarani vai determinar, a finalidade com que é introduzida a escrita nessa língua, vai determinar a relação entre escrita e oralidade, né? Vai determinar o que que é um texto, o que que é ler, o que é escrever em Guarani. LÍVIA: Os jesuítas chegaram na região por volta de 1580 e se instalaram ali, fundando a tal província. Esses missionários, tinham como tarefa estudar a língua local. CAROLINA: A finalidade principal, né, desse trabalho linguístico era se comunicar com os indígenas no dia a dia, aprender a língua, né? Que os missionários estrangeiros pudessem aprender a língua para se comunicar com os indígenas e para catequizar. A questão principal não é o cultivo da língua como bem cultural. Isso pode até ter um resquício, mas não é esse o objetivo principal. MAYRA: Essa lógica por trás do estudo do Guarani fez com que a escrita e a gramática utilizada para essa língua fosse bem diferente de outras línguas. Enquanto as línguas europeias tiveram sua escrita elaborada e rebuscada como uma forma de enriquecimento cultural, a escrita das línguas indígenas era muito mais pragmática, usada apenas como instrumento para ensinar outros jesuítas. LÍVIA: Ainda assim, a Carolina conta que as primeiras gramáticas, as primeiras organizações e regras linguísticas do mundo surgiram todas meio que juntas. CAROLINA: É interessante isso porque muitas vezes a gente pensa que “ah, as gramáticas europeias foram feitas primeiro e as línguas ameríndias, por exemplo, depois e não. Então, a diferença entre uma gramática, a primeira gramática em francês, do francês, tem dois, três, quatro anos de diferença com a primeira gramática do Nahuatl, no México, por exemplo. [começa trilha] LÍVIA: Só que nesse momento, na Europa, durante o Renascimento, as gramáticas estavam surgindo pra organizar e padronizar as línguas que representariam os Estados-nação, como o francês, o português e o espanhol. Era preciso reduzir as variações dos dialetos, fixar regras linguísticas, para dar uma ideia de unidade praquele território. MAYRA: Gramatizar uma língua, assim como escrever essa língua , é importante para consolidar regras gramaticais e fazer com que ela mude mais devagar. Por isso as gramáticas surgem com a formação dos Estados, porque conforme as nações hegemônicas iam colonizando diversas partes do mundo, levavam também consigo o processo de gramatização das outras línguas. CAROLINA: Então, essa associação, né, língua cidade através da ideia do movimento, da fixação, eles tinham que fixar a língua pela escrita e fixar os indígenas em povoados, não é? Para que, como dizia o Manuel da Nóbrega, o padre jesuíta, era preciso fazer com que ficassem quietos, né? E não se movessem o tempo todo. Ele reclamava que o trabalho da catequese era jogado fora, porque eles se mudam o tempo todo. LÍVIA: De novo a gente percebe aí a linguagem sendo usada como uma forma de dominação desses povos. O estudo da língua Guarani não estava a serviço dos povos indígenas e sim dos colonizadores. Mesmo que eles começassem a dominar a escrita de sua língua, isso não significava que eles iriam conseguir realmente se apropriar política e culturalmente dessa ferramenta. CAROLINA: A cultura é imposta como modelo, ao mesmo tempo que se impede o acesso integral a esse modelo. Porque senão a desculpa para subordinação desaparece, não é? [sobe som e encerra música] MAYRA: E a Carolina encontrou, em alguns textos da época, exemplos que mostram isso muito bem. Ela me deu o exemplo de vários textos religiosos, que eram escritos em Guarani, mas que não eram lidos pelos indígenas. CAROLINA: Porque esses textos traduzidos em Guarani, é, se destinavam aos missionários, não eram dados para a leitura dos indígenas, que eram mantidos a maior, maiormente não alfabetizados, não é? Era porque os missionários soubessem, é, aprendessem e pudessem transmitir oralmente aos indígenas. Então, na verdade, o destinatário do conteúdo do texto, né? Da mensagem religiosa, era o indígena, que não era o leitor do texto, né? Então era não era um público leitor, era um público ouvinte, era um auditório, porque quem lia era o missionário. LÍVIA: Ela também identificou o mesmo deslocamento da função do autor desse texto. Um dos exemplos mais didáticos é de um indígena chamado Nicolas Yapuguay, que publicou dois volumes de sermões bíblicos escritos em Guarani, só que sob direção de um missionário. CAROLINA: Então, o que significa sob a direção? Significa que a responsabilidade é do missionário. Bom, aí já temos uma dica, não é? Mas o prefácio é fantástico. Eu acho que Foucault leu esse prefácio para definir a função autor, né? Porque quem faz o prefácio ao livro é Paulo Restivo, o missionário. Até aí tudo bem, a gente pode fazer o prefácio de outro livro, né? Mas o que é interessante é que todos os “eus”, as primeiras pessoas, é o missionário que assume. Então, assim, ele chama o leitor de meu leitor, as doutrinas que eu te ofereço. MAYRA: Isso mostra pra gente que apresentar o Nicolas Yapuguay como autor era quase como um disfarce, um fingimento. Que ele estava ali pra que os missionários pudessem dizer que havia uma participação indígena, mas que não tinha liberdade de decidir o que ou como escrever. [começa trilha] TRUDRUÁ: Nesse processo de de entender um pouco a escrita e os povos indígenas, eu queria dizer assim que a escrita, essa escrita assim, ai, de escrever o nome, de escrever um poema, de escrever um livro ou de aprender a escrever alguma coisa que é importante assim no dia a dia, não é dessa escrita que nós estamos falando, quando a gente fala assim, ai, dos povos indígenas conseguirem escrever e serem uma sociedade desenvolvida. A gente está falando de um sistema de escrita que cria documentos, que cria cartórios, que cria notários, que cria é, que cria uma legislação para validar, por exemplo, um processo de expropriação territorial. [sobe som e encerra música] LÍVIA: Essa que você acabou de ouvir é a Trudruá Dorrico. TRUDRUÁ: Eu sou indígena Macuxi. O povo Macuxi tá no estado de Roraima. Eu sou escritora, essa é uma parte que eu atuo, no âmbito da literatura e eu também sou pesquisadora de literatura indígena e essa é a segunda parte assim da minha atuação no âmbito da pesquisa. MAYRA: Eu conheci o trabalho da Trudruá num grupo de leitura que eu faço parte. A gente leu “Originárias: Uma antologia feminina de literatura indígena”, que é uma coletânea organizada por ela, mas com histórias de diversas autoras de diferentes povos. Ela faz parte de um movimento contemporâneo de autores indígenas, como Daniel Munduruku, Ailton Krenak, Eliane Potiguara, Geni Nuñez e por aí vai. LÍVIA: A literatura indígena passou por diferentes fases no Brasil. Ela começou muito antes da chegada dos jesuítas, com a cultura oral, ainda sem registros escritos. Essa primeira fase, estruturada na oralidade, ainda é muito pouco aceita como literatura. Vamos falar disso um pouco mais pra frente, continua por aqui pra entender. MAYRA: Então, os registros dos jesuítas formam uma segunda fase, com os primeiros textos escritos, como a gente viu, mas não exatamente respeitando a cultura indígena. LÍVIA: Depois, a gente teve, durante o modernismo, lá da semana de 22, autores como Mário de Andrade, autor de Macunaíma, por exemplo, se apropriaram de histórias indígenas naquela onda da antropofagia e ficaram famosos por isso. TRUDRUÁ: O José de Alencar, Mário de Andrade e Oswaldo de Andrade fizeram carreira sobre com o nacionalismo indígena. Então, é uma terceira fase que a gente fala assim: “É, mas agora a gente vai escrever. A gente vai fazer nossas histórias, a nossa literatura com esta identidade, porque esta identidade é um território que o Brasil precisa reconhecer, que tudo o que diz respeito a nós tem valor e tem alguém ali para reivindicar dizendo assim: “Ó, você não vai falar de nós de qualquer jeito, como se a gente fosse nada ou como vocês estavam acostumados a tratar a gente”. Eu acho que é por isso que talvez esse identitarismo ameace, né? Porque essa pessoa não tá pronta ainda, ela tá muito mais na defesa de: “Ai, nossa, vai me podar, de pesquisar, vai me podar, de escrever, vai me podar, de publicar, vou ser malvista”. Vai mesmo. Vai, vou te dizer com certeza que vai. MAYRA: A Trudruá tá falando aqui de pessoas que falam sobre os povos indígenas ou sobre elementos da cultura indígena como se fossem donas desse saber, ignorando o movimento e a história desses povos. Como livros ou mesmo pesquisas acadêmicas que se apropriam desse conhecimento sem dar os créditos, as referências ou mesmo sem ter representantes indígenas fazendo parte do trabalho. LÍVIA: Isso porque, como a Trudruá contou na entrevista, esses escritores e pesquisadores sempre viram as práticas indígenas como “sem dono”. O motivo está no fato de que a maioria dos povos indígenas não tinham e ainda, em algumas regiões, continuam não tendo acesso ao domínio da escrita de suas línguas maternas. Por esse motivo não era considerada a participação do próprio indígena nessas produções. TRUDRUÁ: Eu acho que esse argumento, ele foi utilizado assim por muitos anos, por por décadas, né? Pelos indigenistas e também pelos professores que é que sempre pesquisaram povos indígenas e se tornaram porta-voz desses povos indígenas. E eu acredito assim que é boa fé, o fato é que isso virou uma tradição e essa tradição acabou colocando, né, esses pesquisadores que muito colaboraram, muito ajudaram, não tô nem julgando isso, mas colocou eles assim como paladinos, né? Colocou como representantes de povos indígenas, como uma voz, é, de autoridade, uma voz de tradução entre dois mundos. Traduziu o mundo branco para os indígenas e traduziu o mundo dos indígenas para os brancos. Então, essas pessoas eram as autoridades. MAYRA: É uma ideia que tá muito ligada a noção de que povos que usam a escrita são, de alguma forma, superiores do que sociedades que chamamos àgrafas, ou seja, que transmitem seus conhecimentos exclusivamente por meio da tradição oral, sem ter desenvolvido um sistema próprio de escrita. Eu vou trazer a Carolina aqui de volta pra ajudar a gente a entender isso. CAROLINA: Olha só, de novo, porque os europeus então gramatizaram as línguas do mundo, instrumentaram as línguas do mundo a partir do modelo que eles tinham usado da gramática grecolatina e também transformaram os espaços do planeta, os territórios a partir do modelo urbano europeu. Então, veja como os processos de gramatização massiva também coincidem com o processo de urbanização, isto é, de transformação das línguas e dos territórios do planeta, né, em direção ao modelo da escrita e da gramática da cidade europeia, não é? LÍVIA: É como se, porque a história da europa seguiu esse caminho, passando da tradição oral pra tradição escrita, do nomadismo para as cidades, todas as sociedades do mundo tivessem que fazer o mesmo percurso. CAROLINA: Então, esse modelo da escrita, esse modelo da cidade, nesse discurso historiográfico, né? Vai estabelecer uma relação entre espaço e tempo, né? Por quê? Porque as sociedades, cujas formas de vida não produziram esse modelo específico de espaço que é a cidade, né? São jogadas situadas para trás no tempo, são pré-históricas, estão atrasadas, não chegaram lá. Então, há uma temporalidade que vai ser acionada a partir do modelo de espaço, que é produzido a partir de suas tecnologias, entre as quais a escrita, não é? MAYRA: Só que essa é uma visão bem distorcida de como as coisas funcionam. Não é porque a escrita foi necessária pra organização de um modo de vida que ela é essencial em todas as configurações sociais. LÍVIA: E tem uma questão muito importante aqui. É que essa leitura de mundo não vem sem propósito, “sem querer”. Ela foi moldada pra justificar uma ideia de superioridade. CAROLINA: Você estar numa sociedade de escrita e não dominar a escrita é uma grande desvantagem. Né? Não ser alfabetizado numa cidade é uma grande desvantagem. A questão é quais são as explicações, né? E como isso acaba sendo ontologizado. É uma característica ontológica dessas sociedades ou desse sujeito, não é? Então, de fato, o que há, é, é o que eu chamei de uma memória da língua marcada pela escrita e uma memória do espaço marcada pelo urbano. Eu explico, né? O que que é memória no sentido discursivo, da análise do discurso. Memória não é lembrança, é o contrário, digamos, ou pelo menos esse tipo de memória discursiva. É aquilo que já foi dito, esquecido e passou a ser do senso comum e faz sentido nas próprias palavras, não é? Então, a gente tem essa memória da escrita, memória da escrita, o que que é? Você imagina a língua, você imagina através da escrita alfabética, não é? Você vê um espaço que não tem cidade, parece um espaço vazio e não tá vazio, né? Por exemplo, uma floresta, o espaço de populações indígenas, não é? MAYRA: É como se houvesse, ainda que de forma inconsciente, uma associação automática entre cidade e progresso, linguagem e “inteligência”. É como dizer que uma pessoa analfabeta não sabe ler porque não quer, ou porque não tem capacidade, e, assim, excluir completamente o papel do Estado, da escola e de outras pessoas no processo de transmitir essa habilidade. A Carolina deu um outro exemplo muito bom de como isso foi manipulado pra fazer povos indígenas parecerem menos capazes do que as pessoas brancas. CAROLINA: A educação literária, artística, da escultura, da pintura e da música são considerados como o modelo, né, de educação aos indígenas. Mas aí você vai nos povoados e mostram, essa daqui é escultura feita por um indígena, essa aqui para um europeu. E de acordo com esse modelo a feita por um indígena aparece uma caricatura muito simplificada, né? É, então como se apresenta isso, né? Olha, os jesuítas até ensinaram, mas até aí eles conseguiram chegar, mas então esse resultado aquém, de acordo com certo modelo, se apresenta como uma incapacidade lógica, natural dos indígenas. Eles não conseguem se apropriar desse modelo, então tem que se manter como subalternos, né? O que não se diz é que aos indígenas não se ensinava as técnicas de preparatórios para fazer uma escultura que se ensinava aos escultores europeus nas escolas de artesãos europeus. Simplesmente se dava o pedaço de madeira para os artistas e falaram: “Olha, copia aqui” LÍVIA: Se a gente parar pra reparar, a mesma lógica continua até hoje nos discursos meritocráticos, né? É uma ideia de que a habilidade de uma pessoa, seja ela indígena ou não, só depende do seu esforço individual. E assim oculta completamente o papel da sociedade de ensinar as bases necessárias pra isso. MAYRA: E tem outro ponto interessante aí. Olha como a gente tem todo um referencial do que deveria ser uma sociedade, baseado quase que exclusivamente num único modelo: o europeu. A escultura, a música, o jeito de se vestir, tudo segue as regras estabelecidas na Europa. Só que na maioria das vezes, isso não é colocado em perspectiva, né? É naturalizado, colocado como um processo único pro mundo todo. CAROLINA: Como se isso fosse um, um, um processo inexorável, não é? LIVIA: Quando na verdade a gente devia tá olhando pra isso mais como possibilidades de modos de viver numa diversidade gigante de culturas. Só que é muito natural, por conta da nossa história, a gente achar que o que vem desse padrão europeu é sempre o melhor. CAROLINA: Uma coisa importante, isso não tem a ver com o que a gente acha de melhor ou pior. No sentido de que se você nasce e cresce numa numa sociedade urbana e da escrita, pode achar absurdo não escrever a língua ou não se fixar, mas esse é problema seu, vamos dizer assim, não é? Porque assim, você não é o centro. Não é? Então, não precisa gostar. [trilha sonora] LÍVIA: Até hoje, a escrita tem sido um reflexo disso. Ao longo da idade média, como a escrita tinha praticamente sido sequestrada pela Igreja na Europa, fazendo com que fosse quase exclusiva dos sacerdotes, ela se tornou um símbolo de conhecimento. MAYRA: Como se um conhecimento só tivesse valor se estiver escrito, aquela ideia de que isso garante que ele será transmitido pro futuro. Isso também explica, voltando no que a gente tava falando antes, porque a primeira fase da literatura indígena, que tava na oralidade, não é considerada. TRUDRUÁ: Tem muita produção indígena que é uma produção intelectual que esteve no âmbito do imaterial, porque os povos indígenas foram impedidos de desenvolver sua própria escrita e ao mesmo tempo foram impedidos de adotar a escrita alfabética, né? Esse foi um jogo sistemático do Estado para impedir a presença indígena na sociedade brasileira. LÍVIA: Ou então, de forma mais sutil ou até mais perversa, o que era feito era diminuir a identidade indígena de quem escrevia. Uma coisa de “se sabe escrever, então já não é mais indígena”. Um pensamento totalmente relacionado àquela ideia de progresso linear que a gente falou agora pouco, que considera os povos indígenas como se estivessem num estágio cultural anterior e inferior aos dos povos europeus. TRUDRUÁ: Nesse caso, quando os povos indígenas e os sujeitos indígenas, eles começam a a escrever, a publicar, a romper essa tradição de que tudo que eles têm está na oralidade e quando está na oralidade não pertence a eles, é, eles, né, os primeiros escritores eles vem com essa tradição de dizer: é, não tem autoria porque vocês nunca deixaram, o país nunca deixou, nunca considerou, né, que um indígena que escrevesse, falasse língua portuguesa ou conhecesse os costumes da sociedade dominante pudesse ser considerado indígena. O que eu quero dizer com isso é não não não temos direito à nossa propriedade intelectual, material que tá na oralidade, eh porque eh ao escrever elas não somos mais tão indígenas. MAYRA: Aqui é importante a gente parar e explicar algo com mais calma, porque mesmo pra mim isso não tava bem claro quando comecei a conversar com a Trudruá pra esse episódio. TRUDRUÁ: Quando você fala de oralidade, eu penso em um sistema, em um dispositivo de memória que é trabalhado assim pelos povos indígenas. Quando você fala de de fala de de voz alta, você tá falando desse oral. né, de uma fala oral. Então são um é sistema de conhecimento, um é prática. Então são diversos, né? TRUDRUÁ: Não podemos entender a oralidade como uma fala, como se ela não tivesse consciência, mas ela tem um sistema todo organizado, é de memória mesmo, assim, que vai de geração em geração e vai ensinando valores e e, e, né, tem uma ciência, né, que a compõe. LÍVIA: Ou seja, quando a gente tiver falando de oralidade aqui, estamos falando de um conjunto de práticas que faz parte de uma tradição de centenas de anos, que foram capazes de fazer permanecer o conhecimento, sem precisar de recursos escritos. MAYRA: De certa forma, isso permeia o trabalho da Trudruá como escritora hoje. Eu ouvi uma entrevista dela falando sobre o último livro que publicou, o Tempo de Retomada, e como ela tinha o hábito de ler em voz alta pra mãe dela quando tava trabalhando no texto. TRUDRUÁ: Quando eu penso texto escrito, eu me preocupo muito assim com, é, com uma sofisticação que elas são contadas nessa oralidade. E aí nessa, quando a minha mãe tenta me passar certos valores, eu fico assim impressionada, porque eu realmente me sinto indo para um outro tempo a partir da palavra, eu me sinto viajando assim num outro tempo. E era, e era essa ideia assim de talvez transportar as pessoas para esse tempo que eu nunca sei se eu vou conseguir, ou nunca sei se as pessoas vão se abrir para elas, mas é uma preocupação de que é, talvez o mesmo ritmo ou o mesmo balanço que que eu escuto e que eu sinto, né? MAYRA: Durante a entrevista, eu comentei com a Trudruá como eu tenho percebido um pouco um movimento na literatura de resgatar esse jeito de contar histórias. Como eu falei, eu participo de um clube de leitura e isso é algo que vira e mexe aparece por lá. De como é gostoso ler um livro que você tem a sensação de que a autora tá ali falando mesmo com você. LIVIA: A Trudruá contou pra gente que, além do contato com as histórias contadas pela mãe, ela também teve, desde sempre, uma ligação muito forte com a literatura. E que os livros sempre tiveram um papel muito importante, não só de companhia, mas de vivência pra ela. TRUDRUÁ: Eu cresci com a literatura e a literatura me fez viajar por tantos mundos, me faz sonhar, me faz chorar, me faz é, me faz sentir uma magia que de artista, então eu não poderia desejar outra coisa que não, né, viver com a palavra. E aí nesse sentido eu eu também entendo que dá para levar um pouco essa magia nessa escrita literária. E esse era o trabalho assim, de talvez transportar um pouco aquilo que eu sinto quando eu escuto essas histórias. E aí o trabalho, ler em voz alta é importante, assim como ler em silêncio também, mas como eu tenho essa preocupação que a minha comunidade leia, eu também fico pensando assim: “Ai, como que elas podem como que elas vão ler isso, a disposição das frases, desce isso para ir num ritmo tão longo, né? Esse trabalho escrito, prático, de como pode também emular uma certa um certo oral. MAYRA: Uma coisa importante, como dá pra perceber nas falas da Trudruá quando ela tá falando sobre o que espera dos livros dela, é que essa oralidade, tanto a tradição, quanto o hábito de ler em voz alta, tão muito relacionados com o coletivo. E aí entra outro ponto importante. Não é porque um conhecimento é coletivo, que ele é de todo mundo. TRUDRUÁ: Um segmento assim que fica muito evidente no Brasil é o núcleo de folcloristas, o núcleo de estudiosos assim brasileiros que que olham para esses conteúdos, olham para esses materiais, para essas narrativas e entendem ela como uma cultura popular. A cultura popular nesse sentido de que ela é de todo mundo, mas não tem uma autoria específica. E isso é muito conveniente quando você, né, é, consciente ou inconscientemente, você rouba, é, narrativas prontas, narrativas criativas, fantásticas de outros povos para dizer: “Ah, isso faz parte da cultura brasileira no singular” LÍVIA: A Trudruá deu exemplos como o guaraná, a mandioca ou uma série de medicamentos que foram descobertos e desenvolvidos por povos indígenas, mas que nunca foram reconhecidos como autores ou proprietários dessas técnicas. MAYRA: E que depois, foram coisas incorporadas à cultura brasileira, como se todas as pessoas do país tivessem a mesma relação, a mesma história com esses elementos. E com isso, ignorando que os povos indígenas tiveram um papel fundamental nesse processo. LÍVIA: Lembra que a gente falou sobre como a primeira fase da literatura indígena, aquela da tradição oral, não é reconhecida? Isso porque quando a gente fala de oralidade, é difícil identificar um autor. E essa brecha foi usada pela sociedade brasileira como uma estratégia de incorporar essas histórias numa narrativa nacionalista. MAYRA: Só que isso, ao invés de valorizar os conhecimentos tradicionais e a individualidade de cada povo, como costuma ser dito por aí, acaba, na verdade, apagando a participação e a autoria dessas pessoas na sua própria história. [trilha sonora] TRUDRUÁ: Mas sobre a identidade indígena, vai ser algo que eu nunca vou abrir mão. E eu digo como escritora e eu digo como indígena, porque assim, a história brasileira e a história literária brasileira, tudo que ela quis foi apagar a identidade indígena para se apropriar das nossas narrativas. Quando a gente se coloca com essa identidade, a gente demarca um território simbólico de dizer: “Isso aqui não tá livre. Isso aqui não é terra de ninguém. Isso aqui tem uma autoria coletiva. Tem uma propriedade material que pertence a nós. Não é seu. Não é seu, brasileiro. LÍVIA: Por isso é tão importante hoje esse movimento de autores indígenas no Brasil. Ele ajuda a retomar uma série de histórias aos seus autores originais, dessa vez com os devidos créditos e com sua própria voz. TRUDRUÁ: E a autora individual, é essa autoria, que tá no mercado editorial e que vem reforçando, que vem para reforçar os valores, né, dos povos, das comunidades, mas o fato de tá no mercado editorial e circular, ela alcança um outro uma outra visibilidade, inclusive lançando luz a essa autoria coletiva MAYRA: E aí, obviamente, esse movimento acompanha o posicionamento político dos povos indígenas no Brasil. TRUDRUÁ: Tem um filósofo, tem um teórico da literatura que se chama Emil’ Keme, ele é do povo Maia Quechua da Guatemala. E ele fala que não é possível separar a teoria literária indígena da política indígena, porque elas caminham juntos. Quando os indígenas eles pegam a escrita para publicar e etc, estudar mesmo, eles entendem a escrita como uma técnica, a língua como uma técnica que vai ser essa transportadora dos desejos da luta do movimento indígena. Então, a gente entende, alinhado a política indígena, a gente entende, uma teoria da literatura que vai seguir as mesmas políticas que os povos indígenas tão tentando em termos de autonomia. Então, a política indígena fala do direito ao nome. Todos os autores indígenas que eu conheço, ou eles adotaram o nome de povo, ou eles adotaram o nome da tradição. Mas se você olha em documentos, eh que não faz, sei lá, 10 anos que tem 20 anos que tem essa política, eles têm nomes brasileiros, nomes e sobrenomes brasileiros por conta da política de que proibia nomes indígenas. Então, isso acompanha também dentro da literatura a política indígena. LÍVIA: Com esse movimento, a gente também tá tendo a oportunidade de conhecer mais da tradição indígena e de ter acesso a cultura de tantos povos indígenas que existem no brasil, aprendendo inclusive as diferenças que existem entre eles. TRUDRUÁ: Os escritores estão acompanhando as linhas de da política indígena, que é autonomia, soberania, autodeterminação. E é tão falso e isso de que a literatura indígena vai repetindo, vai falando das mesmas coisas, porque os temas indígenas, eles são tão abertos e são tão variados, assim, só fala isso quem nunca leu a literatura indígena. Porque, entrar no mundo da identidade indígena, ela é muito, assim, é um mundo muito amplo. A gente tá falando de uma identidade indígena, mas a gente tá falando de quase 400 povos indígenas, de quase 300 línguas faladas culturalmente, como elas são diversas entre si. Eu acho que quem fala isso nunca nem se aproximou da das culturas indígenas para entender um átimo dessa dimensão que é essa riqueza cultural. MAYRA: E também de pensar como a gente pode tentar se aproximar de outras formas de viver e entender o mundo. No grupo que eu faço parte, sempre que lemos alguma coisa de literatura indígena, a conversa rende muito nesse sentido, em pensar pequenas mudanças que a gente pode tentar trazer pra nossa realidade, inspiradas nessas outras culturas. TRUDRUÁ: E aí uma das coisas que eu amo, amo na literatura indígena é que não tem nada do amor romântico, mas não tem mesmo assim, sabe? Amo, sabe essa ideia de ai nossa, as mulheres foram abandonadas pelos homens, é, e as mulheres o que que elas fizeram? Ah, elas foram procurar outros maridos. Tchau amor, tchau e benção assim, é completamente, assim vai completamente na contramão do que a gente foi ensinado. De ficar chorando, de ficar se lamentando. [sobe trilha] LÍVIA: E falando em grupos de leitura, pra encerrar nosso episódio, a Trudruá pediu pra deixar um recadinho pra vocês. TRUDRUÁ: Eu tenho uma página no Instagram que se chama Leia Mulheres Indígenas. E aí eu tô com uma proposta para 2026 de abrir um clube de leitura do Leia Mulheres Indígenas. TRUDRUÁ: Como que você vai apreciar melhor essa leitura e essas produções se vocês não sabem, né? De onde que a gente parte, quais são os princípios, quais são os valores. E aí eu tô querendo muito abrir um clube de leitura para 2026, espero que dê certo. E é convidar todo mundo para, sei lá, tá com a gente, abrir o debate, ler, se se encantar ou se desencantar também, tá valendo, né? Tá tudo valendo. MAYRA: Fica aí o convite pra seguir a página e ler mais livros escritos por autoras indígenas. Eu sou a Mayra Trinca, produzi e escrevi esse roteiro, com pitacos e revisão da Lívia Mendes. A edição também é minha. LÍVIA: Aproveita quando for seguir a Trudruá e procura a gente, somos Oxigênio Podcast em todas as redes sociais. A trilha sonora é do blue dot session e os créditos estão na descrição desse episódio. A vinheta é do Elias Mendez. MAYRA: O Oxigênio tem apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp e é coordenado pela Simone Pallone. Obrigada por ouvir, e até a próxima! Trilhas: Trailmaker by https://app.sessions.blue/browse?trackId=384027 Thunderpass by https://app.sessions.blue/browse?trackId=385385 Posh and Vine by https://app.sessions.blue/browse?trackId=385621
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Chegamos ao Diário da Gravidez de 5 meses! Estou concluindo o quinto mês da minha quarta gestação e vivendo uma fase que eu só consigo resumir em uma palavra: alívio.Depois de um primeiro trimestre cheio de medo, insegurança e muitos sintomas, finalmente sinto que meu corpo e meu coração encontraram um novo ritmo. Neste episódio compartilho como está sendo viver o segundo trimestre da gravidez aos 40 anos, o que mudou na minha rotina, como estão os movimentos da Lila, meus treinos, alimentação, hidratação, sono, corpo, autoestima e tudo o que tenho aprendido nesse processo.Também conto como tenho preparado meu corpo para o parto, por que continuo treinando durante a gestação com acompanhamento profissional, a importância da força, da fé e das pequenas escolhas diárias para viver uma gravidez com mais saúde e consciência.Se você está grávida, tentando engravidar ou simplesmente gosta de acompanhar essa jornada com sinceridade, espero que esse episódio faça companhia ao seu coração.✨ Neste episódio você vai acompanhar:• Como estou vivendo o 5º mês de gestação.• As mudanças do segundo trimestre.• Sintomas que passaram e novos desafios.• Alimentação vegana na gravidez.• Hidratação e rotina de autocuidado.• Exercícios físicos e treino para gestantes.• Movimentos da bebê e desenvolvimento fetal.• Corpo, autoestima e gravidez aos 40 anos.• Maternidade, fé e protagonismo.Obrigada por acompanhar mais um capítulo desse Diário da Gravidez. Que essa troca possa acolher você, onde quer que esteja na sua jornada.
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Há poucos dados específicos sobre separação no primeiro ano de vida de uma criança, apenas um estudo britânico indicando que um quinto dos casais se separariam durante essa fase.Quando Antônio tinha oito meses, Tarsila ouviu do marido que estava infeliz e queria encerrar o casamento. Um choque para ela, que carregava uma certa ideia de casamento marcada pela tradição e pela idealização. Tarsila viveu o luto de uma relação de nove anos ao mesmo tempo em que atravessava o puerpério e enfrentava o preconceito e os julgamentos que recaem sobre mulheres divorciadas.Neste episódio do quadro Maternidade e Separação, Tarsila conta sobre o parto prematuro de Antônio, o impacto da separação, o papel dos amigos nesse período e o processo de tomada de consciência que se abriu quando o casamento se desfez. Hoje, ela fala nas redes sociais sobre o machismo e incentiva as mulheres a poderem desejar mais e melhor para si mesmas.Obrigada, Tarsila, por falar sem tabu do divórcio e compartilhar conosco a sua transformação.
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A experiência da gravidez é imediatamente corporal: a barriga cresce, os seios se enchem, os quilos se acumulam e o corpo passa a ocupar mais espaço. Mas como viver a gestação quando se é uma mulher que passou a vida tentando emagrecer?Sussuca sempre teve uma relação difícil com o próprio corpo. Na gravidez, não gostava do que via no espelho, evitava fotografias e acompanhava cada transformação com desconforto. Ela conta aqui a cesárea do seu primeiro filho, que a deixou sozinha diante da dor e de uma pergunta insistente: o que vai sobrar do meu corpo?Sussuca relata esse corpo dolorido, que dificultava o contato com o filho; os seios, que já não lhe pertenciam mais; e, mais de uma década depois, um segundo parto, no qual conseguiu segurar e acolher o seu bebê. Dessa vez, o corpo fragmentado, reduzido às suas funções, pôde se unificar. Como se algo tivesse se deslocado e permitido habitar o corpo de outra maneira. Como compreender isso? Talvez porque, para algumas mulheres, o contato inicial com o bebê seja uma etapa iniciática: um corpo a corpo inaugural, um encontro físico e psíquico a partir do qual mãe e bebê vão, pouco a pouco, se reconhecer como seres separados.Com Sussuca, falamos da maternidade solo, da carreira que construiu e do casamento com o pai do seu segundo filho, um homem doze anos mais jovem.Obrigada, Sussuca, por compartilhar conosco o seu caminho de unificação.
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