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Oxigênio
#222 – A autoria indígena da colonização às livrarias

Oxigênio

Play Episode Listen Later Jul 9, 2026 33:06


A literatura indígena no Brasil passou por diversas fases e batalhou contra o apagamento em todas elas. Dos primeiros encontros com os jesuítas, que tentaram impor as regras de gramática e de assentamentos importadas da Europa, ao crescimento das publicações editorais de autoria indígena que vemos hoje. Nesse episódio, Mayra Trinca e Lívia Mendes contam mais dessa história a partir de entrevistas com a pesquisadora Carolina Rodrigues, da Unicamp, e com a escritora Trudruá Dorrico. Você vai conhecer mais sobre as primeiras gramáticas, a importância da oralidade para a literatura indígena e a relação disso tudo com a política (no passado e no presente). ____________________________________________________________________________________________________ ROTEIRO TRUDRUÁ: Cara, o Brasil é tão indígena e ele nem se dá conta assim, sabe? Do quanto ele é indígena. MAYRA: No episódio de hoje, a gente vai falar sobre a importância da escrita pra história do movimento indígena no Brasil.  TRUDRUÁ: Eu entendo assim que a presença indígena nesses espaços literários, é o que faz a nossa literatura ser interessante hoje. Faz deslocar um pouco os homens brancos, jornalistas do Rio – São Paulo, assim, numa produção completamente egocêntrica. LÍVIA: E sobre como isso ganha ainda mais relevância diante de um histórico de apagamentos.  CAROLINA: Que algo escrito nem sempre é um texto. Quem lê nem sempre é um leitor. E quem escreve nem sempre é um autor. MAYRA: Isso porque o ato de escrever foi, e talvez ainda seja, uma das ferramentas mais usadas pra hierarquização social. E aí, ao longo da história, isso deixou marcas que revelam muito do que a gente pensa e entende como autoria de povos indígenas no Brasil.  TRUDRUÁ: A autoria coletiva indígena, ela sempre existiu. O problema é que ela foi descaracterizada por conta da história de apropriação dos povos indígenas ao Estado-nação Brasil. LÍVIA: Pra entender essas questões, conversamos com a escritora e pesquisadora Trudruá Dorrico, do povo Macuxi, e com a linguista Carolina Rodríguez.  MAYRA: Eu sou a Mayra Trinca, bióloga e comunicadora de ciência e você já me conhece aqui do Oxigênio.  LÍVIA: E eu sou a Lívia Mendes, linguista e especialista em jornalismo científico, e também já apareci algumas vezes por aqui. [VINHETA] CAROLINA: Eu sou pesquisadora do Laboratório de Estudos Urbanos, o Labeurb, que pertence ao Núcleo de Criatividade da Unicamp e sou também professora no departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL, também da Unicamp. É, a minha formação inicial é em letras, mas eu me especializei em linguística. Fiz o doutorado, pós-doutorado, especificamente nas áreas de análise do discurso, história das ideias linguísticas e saber urbano e linguagem. LÍVIA: Essa que você ouviu é a Carolina. Nos últimos anos,  ela têm se dedicado a pesquisar a língua Guarani e as relações dessa língua com a atuação dos jesuítas na região que era a província do Paraguai.  CAROLINA: Que não deve ser confundida com a província civil do Paraguai, né? Porque a província jesuítica ocupava todo o sul do Brasil, Argentina, parte da Bolívia, enfim. MAYRA: O Guarani era a língua falada pelos povos indígenas da região e que teve seus primeiros registros escritos feitos por esses jesuítas.  CAROLINA: O espaço em que surge a escrita em Guarani vai determinar, a finalidade com que é introduzida a escrita nessa língua, vai determinar a relação entre escrita e oralidade, né? Vai determinar o que que é um texto, o que que é ler, o que é escrever em Guarani. LÍVIA: Os jesuítas chegaram na região por volta de 1580 e se instalaram ali, fundando a tal província. Esses missionários, tinham como tarefa estudar a língua local. CAROLINA: A finalidade principal, né, desse trabalho linguístico era se comunicar com os indígenas no dia a dia, aprender a língua, né? Que os missionários estrangeiros pudessem aprender a língua para se comunicar com os indígenas e para catequizar. A questão principal não é o cultivo da língua como bem cultural. Isso pode até ter um resquício, mas não é esse o objetivo principal. MAYRA: Essa lógica por trás do estudo do Guarani fez com que a escrita e a gramática utilizada para essa língua fosse bem diferente de outras línguas. Enquanto as línguas europeias tiveram sua escrita elaborada e rebuscada como uma forma de enriquecimento cultural, a escrita das línguas indígenas era muito mais pragmática, usada apenas como instrumento para ensinar outros jesuítas.  LÍVIA: Ainda assim, a Carolina conta que as primeiras gramáticas, as primeiras organizações e regras linguísticas do mundo surgiram todas meio que juntas.  CAROLINA: É interessante isso porque muitas vezes a gente pensa que “ah, as gramáticas europeias foram feitas primeiro e as línguas ameríndias, por exemplo, depois e não. Então, a diferença entre uma gramática, a primeira gramática em francês, do francês, tem dois, três, quatro anos de diferença com a primeira gramática do Nahuatl, no México, por exemplo. [começa trilha] LÍVIA: Só que nesse momento, na Europa, durante o Renascimento, as gramáticas estavam surgindo pra organizar e padronizar as línguas que representariam os Estados-nação, como o francês, o português e o espanhol. Era preciso reduzir as variações dos dialetos, fixar regras linguísticas, para dar uma ideia de unidade praquele território. MAYRA: Gramatizar uma língua, assim como escrever essa língua , é importante para consolidar regras gramaticais e fazer com que ela mude mais devagar. Por isso as gramáticas surgem com a formação dos Estados, porque conforme as nações hegemônicas iam colonizando diversas partes do mundo, levavam também consigo o processo de gramatização das outras línguas. CAROLINA: Então, essa associação, né, língua cidade através da ideia do movimento, da fixação, eles tinham que fixar a língua pela escrita e fixar os indígenas em povoados, não é? Para que, como dizia o Manuel da Nóbrega, o padre jesuíta, era preciso fazer com que ficassem quietos, né? E não se movessem o tempo todo. Ele reclamava que o trabalho da catequese era jogado fora, porque eles se mudam o tempo todo. LÍVIA: De novo a gente percebe aí a linguagem sendo usada como uma forma de dominação desses povos. O estudo da língua Guarani não estava a serviço dos povos indígenas e sim dos colonizadores. Mesmo que eles começassem a dominar a escrita de sua língua, isso não significava que eles iriam conseguir realmente se apropriar política e culturalmente dessa ferramenta.  CAROLINA: A cultura é imposta como modelo, ao mesmo tempo que se impede o acesso integral a esse modelo. Porque senão a desculpa para subordinação desaparece, não é? [sobe som e encerra música] MAYRA: E a Carolina encontrou, em alguns textos da época, exemplos que mostram isso muito bem. Ela me deu o exemplo de vários textos religiosos, que eram escritos em Guarani, mas que não eram lidos pelos indígenas.  CAROLINA: Porque esses textos traduzidos em Guarani, é, se destinavam aos missionários, não eram dados para a leitura dos indígenas, que eram mantidos a maior, maiormente não alfabetizados, não é? Era porque os missionários soubessem, é, aprendessem e pudessem transmitir oralmente aos indígenas. Então, na verdade, o destinatário do conteúdo do texto, né? Da mensagem religiosa, era o indígena, que não era o leitor do texto, né? Então era não era um público leitor, era um público ouvinte, era um auditório, porque quem lia era o missionário. LÍVIA: Ela também identificou o mesmo deslocamento da função do autor desse texto. Um dos exemplos mais didáticos é de um indígena chamado Nicolas Yapuguay, que publicou dois volumes de sermões bíblicos escritos em Guarani, só que sob direção de um missionário.  CAROLINA: Então, o que significa sob a direção? Significa que a responsabilidade é do missionário. Bom, aí já temos uma dica, não é? Mas o prefácio é fantástico. Eu acho que Foucault leu esse prefácio para definir a função autor, né? Porque quem faz o prefácio ao livro é Paulo Restivo, o missionário. Até aí tudo bem, a gente pode fazer o prefácio de outro livro, né? Mas o que é interessante é que todos os “eus”, as primeiras pessoas, é o missionário que assume. Então, assim, ele chama o leitor de meu leitor, as doutrinas que eu te ofereço.  MAYRA: Isso mostra pra gente que apresentar o Nicolas Yapuguay como autor era quase como um disfarce, um fingimento. Que ele estava ali pra que os missionários pudessem dizer que havia uma participação indígena, mas que não tinha liberdade de decidir o que ou como escrever.  [começa trilha] TRUDRUÁ: Nesse processo de de entender um pouco a escrita e os povos indígenas, eu queria dizer assim que a escrita, essa escrita assim, ai, de escrever o nome, de escrever um poema, de escrever um livro ou de aprender a escrever alguma coisa que é importante assim no dia a dia, não é dessa escrita que nós estamos falando, quando a gente fala assim, ai, dos povos indígenas conseguirem escrever e serem uma sociedade desenvolvida. A gente está falando de um sistema de escrita que cria documentos, que cria cartórios, que cria notários, que cria é, que cria uma legislação para validar, por exemplo, um processo de expropriação territorial. [sobe som e encerra música]  LÍVIA: Essa que você acabou de ouvir é a Trudruá Dorrico.  TRUDRUÁ: Eu sou indígena Macuxi. O povo Macuxi tá no estado de Roraima. Eu sou escritora, essa é uma parte que eu atuo, no âmbito da literatura e eu também sou pesquisadora de literatura indígena e essa é a segunda parte assim da minha atuação no âmbito da pesquisa. MAYRA: Eu conheci o trabalho da Trudruá num grupo de leitura que eu faço parte. A gente leu “Originárias: Uma antologia feminina de literatura indígena”, que é uma coletânea organizada por ela, mas com histórias de diversas autoras de diferentes povos. Ela faz parte de um movimento contemporâneo de autores indígenas, como Daniel Munduruku, Ailton Krenak, Eliane Potiguara, Geni Nuñez e por aí vai.  LÍVIA: A literatura indígena passou por diferentes fases no Brasil. Ela começou muito antes da chegada dos jesuítas, com a cultura oral, ainda sem registros escritos. Essa primeira fase, estruturada na oralidade, ainda  é muito pouco aceita como literatura. Vamos falar disso um pouco mais pra frente, continua por aqui pra entender.  MAYRA: Então, os registros dos jesuítas formam uma segunda fase, com os primeiros textos escritos, como a gente viu, mas não exatamente respeitando a cultura indígena.  LÍVIA: Depois, a gente teve, durante o modernismo, lá da semana de 22, autores como Mário de Andrade, autor de Macunaíma, por exemplo, se apropriaram de histórias indígenas naquela onda da antropofagia e ficaram famosos por isso.  TRUDRUÁ: O José de Alencar, Mário de Andrade e Oswaldo de Andrade fizeram carreira sobre com o nacionalismo indígena. Então, é uma terceira fase que a gente fala assim: “É, mas agora a gente vai escrever. A gente vai fazer nossas histórias, a nossa literatura com esta identidade, porque esta identidade é um território que o Brasil precisa reconhecer, que tudo o que diz respeito a nós tem valor e tem alguém ali para reivindicar dizendo assim: “Ó, você não vai falar de nós de qualquer jeito, como se a gente fosse nada ou como vocês estavam acostumados a tratar a gente”. Eu acho que é por isso que talvez esse identitarismo ameace, né? Porque essa pessoa não tá pronta ainda, ela tá muito mais na defesa de: “Ai, nossa, vai me podar, de pesquisar, vai me podar, de escrever, vai me podar, de publicar, vou ser malvista”. Vai mesmo. Vai, vou te dizer com certeza que vai. MAYRA: A Trudruá tá falando aqui de pessoas que falam sobre os povos indígenas ou sobre elementos da cultura indígena como se fossem donas desse saber, ignorando o movimento e a história desses povos. Como livros ou mesmo pesquisas acadêmicas que se apropriam desse conhecimento sem dar os créditos, as referências ou mesmo sem ter representantes indígenas fazendo parte do trabalho.  LÍVIA: Isso porque, como a Trudruá contou na entrevista, esses escritores e pesquisadores sempre viram as práticas indígenas como “sem dono”. O motivo está no fato de que a maioria dos povos indígenas não tinham e ainda, em algumas regiões, continuam não tendo acesso ao domínio da escrita de suas línguas maternas. Por esse motivo não era considerada  a participação do próprio indígena nessas produções. TRUDRUÁ: Eu acho que esse argumento, ele foi utilizado assim por muitos anos, por por décadas, né? Pelos indigenistas e também pelos professores que é que sempre pesquisaram povos indígenas e se tornaram porta-voz desses povos indígenas. E eu acredito assim que é boa fé, o fato é que isso virou uma tradição e essa tradição acabou colocando, né, esses pesquisadores que muito colaboraram, muito ajudaram, não tô nem julgando isso, mas colocou eles assim como paladinos, né? Colocou como representantes de povos indígenas, como uma voz, é, de autoridade, uma voz de tradução entre dois mundos. Traduziu o mundo branco para os indígenas e traduziu o mundo dos indígenas para os brancos. Então, essas pessoas eram as autoridades. MAYRA: É uma ideia que tá muito ligada a noção de que povos que usam a escrita são, de alguma forma, superiores do que sociedades que chamamos àgrafas, ou seja, que transmitem seus conhecimentos exclusivamente por meio da tradição oral, sem ter desenvolvido um sistema próprio de escrita. Eu vou trazer a Carolina aqui de volta pra ajudar a gente a entender isso.  CAROLINA: Olha só, de novo, porque os europeus então gramatizaram as línguas do mundo, instrumentaram as línguas do mundo a partir do modelo que eles tinham usado da gramática grecolatina e também transformaram os espaços do planeta, os territórios a partir do modelo urbano europeu. Então, veja como os processos de gramatização massiva também coincidem com o processo de urbanização, isto é, de transformação das línguas e dos territórios do planeta, né, em direção ao modelo da escrita e da gramática da cidade europeia, não é? LÍVIA: É como se, porque a história da europa seguiu esse caminho, passando da tradição oral pra tradição escrita, do nomadismo para as cidades, todas as sociedades do mundo tivessem que fazer o mesmo percurso.  CAROLINA: Então, esse modelo da escrita, esse modelo da cidade, nesse discurso historiográfico, né? Vai estabelecer uma relação entre espaço e tempo, né? Por quê? Porque as sociedades, cujas formas de vida não produziram esse modelo específico de espaço que é a cidade, né? São jogadas situadas para trás no tempo, são pré-históricas, estão atrasadas, não chegaram lá. Então, há uma temporalidade que vai ser acionada a partir do modelo de espaço, que é produzido a partir de suas tecnologias, entre as quais a escrita, não é? MAYRA: Só que essa é uma visão bem distorcida de como as coisas funcionam. Não é porque a escrita foi necessária pra organização de um modo de vida que ela é essencial em todas as configurações sociais.  LÍVIA: E tem uma questão muito importante aqui. É que essa leitura de mundo não vem sem propósito, “sem querer”. Ela foi moldada pra justificar uma ideia de superioridade.  CAROLINA: Você estar numa sociedade de escrita e não dominar a escrita é uma grande desvantagem. Né? Não ser alfabetizado numa cidade é uma grande desvantagem. A questão é quais são as explicações, né? E como isso acaba sendo ontologizado. É uma característica ontológica dessas sociedades ou desse sujeito, não é? Então, de fato, o que há, é, é o que eu chamei de uma memória da língua marcada pela escrita e uma memória do espaço marcada pelo urbano. Eu explico, né? O que que é memória no sentido discursivo, da análise do discurso. Memória não é lembrança, é o contrário, digamos, ou pelo menos esse tipo de memória discursiva. É aquilo que já foi dito, esquecido e passou a ser do senso comum e faz sentido nas próprias palavras, não é? Então, a gente tem essa memória da escrita, memória da escrita, o que que é? Você imagina a língua, você imagina através da escrita alfabética, não é? Você vê um espaço que não tem cidade, parece um espaço vazio e não tá vazio, né? Por exemplo, uma floresta, o espaço de populações indígenas, não é? MAYRA: É como se houvesse, ainda que de forma inconsciente, uma associação automática entre cidade e progresso, linguagem e “inteligência”. É como dizer que uma pessoa analfabeta não sabe ler porque não quer, ou porque não tem capacidade, e, assim, excluir completamente o papel do Estado, da escola e de outras pessoas no processo de transmitir essa habilidade. A Carolina deu um outro exemplo muito bom de como isso foi manipulado pra fazer povos indígenas parecerem menos capazes do que as pessoas brancas.  CAROLINA: A educação literária, artística, da escultura, da pintura e da música são considerados como o modelo, né, de educação aos indígenas. Mas aí você vai nos povoados e mostram, essa daqui é escultura feita por um indígena, essa aqui para um europeu. E de acordo com esse modelo a feita por um indígena aparece uma caricatura muito simplificada, né? É, então como se apresenta isso, né? Olha, os jesuítas até ensinaram, mas até aí eles conseguiram chegar, mas então esse resultado aquém, de acordo com certo modelo, se apresenta como uma incapacidade lógica, natural dos indígenas. Eles não conseguem se apropriar desse modelo, então tem que se manter como subalternos, né? O que não se diz é que aos indígenas não se ensinava as técnicas de preparatórios para fazer uma escultura que se ensinava aos escultores europeus nas escolas de artesãos europeus. Simplesmente se dava o pedaço de madeira para os artistas e falaram: “Olha, copia aqui” LÍVIA: Se a gente parar pra reparar, a mesma lógica continua até hoje nos discursos meritocráticos, né? É uma ideia de que a habilidade de uma pessoa, seja ela indígena ou não, só depende do seu esforço individual. E assim oculta completamente o papel da sociedade de ensinar as bases necessárias pra isso.  MAYRA: E tem outro ponto interessante aí. Olha como a gente tem todo um referencial do que deveria ser uma sociedade, baseado quase que exclusivamente num único modelo: o europeu. A escultura, a música, o jeito de se vestir, tudo segue as regras estabelecidas na Europa. Só que na maioria das vezes, isso não é colocado em perspectiva, né? É naturalizado, colocado como um processo único pro mundo todo. CAROLINA: Como se isso fosse um, um, um processo inexorável, não é? LIVIA: Quando na verdade a gente devia tá olhando pra isso mais como possibilidades de modos de viver numa diversidade gigante de culturas. Só que é muito natural, por conta da nossa história, a gente achar que o que vem desse padrão europeu é sempre o melhor. CAROLINA: Uma coisa importante, isso não tem a ver com o que a gente acha de melhor ou pior. No sentido de que se você nasce e cresce numa numa sociedade urbana e da escrita, pode achar absurdo não escrever a língua ou não se fixar, mas esse é problema seu, vamos dizer assim, não é? Porque assim, você não é o centro. Não é? Então, não precisa gostar. [trilha sonora] LÍVIA: Até hoje, a escrita tem sido um reflexo disso. Ao longo da idade média, como a escrita tinha praticamente sido sequestrada pela Igreja na Europa, fazendo com que fosse quase exclusiva dos sacerdotes, ela se tornou um símbolo de conhecimento.  MAYRA: Como se um conhecimento só tivesse valor se estiver escrito, aquela ideia de que isso garante que ele será transmitido pro futuro. Isso também explica, voltando no que a gente tava falando antes, porque a primeira fase da literatura indígena, que tava na oralidade, não é considerada.  TRUDRUÁ: Tem muita produção indígena que é uma produção intelectual que esteve no âmbito do imaterial, porque os povos indígenas foram impedidos de desenvolver sua própria escrita e ao mesmo tempo foram impedidos de adotar a escrita alfabética, né? Esse foi um jogo sistemático do Estado para impedir a presença indígena na sociedade brasileira. LÍVIA: Ou então, de forma mais sutil ou até mais perversa, o que era feito era diminuir a identidade indígena de quem escrevia. Uma coisa de “se sabe escrever, então já não é mais indígena”. Um pensamento totalmente relacionado àquela ideia de progresso linear que a gente falou agora pouco, que considera os povos indígenas como se estivessem num estágio cultural anterior e inferior aos dos povos europeus.    TRUDRUÁ: Nesse caso, quando os povos indígenas e os sujeitos indígenas, eles começam a a escrever, a publicar, a romper essa tradição de que tudo que eles têm está na oralidade e quando está na oralidade não pertence a eles, é, eles, né, os primeiros escritores eles vem com essa tradição de dizer: é, não tem autoria porque vocês nunca deixaram, o país nunca deixou, nunca considerou, né, que um indígena que escrevesse, falasse língua portuguesa ou conhecesse os costumes da sociedade dominante pudesse ser considerado indígena. O que eu quero dizer com isso é não não não temos direito à nossa propriedade intelectual, material que tá na oralidade, eh porque eh ao escrever elas não somos mais tão indígenas. MAYRA: Aqui é importante a gente parar e explicar algo com mais calma, porque mesmo pra mim isso não tava bem claro quando comecei a conversar com a Trudruá pra esse episódio.  TRUDRUÁ: Quando você fala de oralidade, eu penso em um sistema, em um dispositivo de memória que é trabalhado assim pelos povos indígenas. Quando você fala de de fala de de voz alta, você tá falando desse oral. né, de uma fala oral. Então são um é sistema de conhecimento, um é prática. Então são diversos, né? TRUDRUÁ: Não podemos entender a oralidade como uma fala, como se ela não tivesse consciência, mas ela tem um sistema todo organizado, é de memória mesmo, assim, que vai de geração em geração e vai ensinando valores e e, e, né, tem uma ciência, né, que a compõe. LÍVIA: Ou seja, quando a gente tiver falando de oralidade aqui, estamos falando de um conjunto de práticas que faz parte de uma tradição de centenas de anos, que foram capazes de fazer permanecer o conhecimento, sem precisar de recursos escritos.  MAYRA: De certa forma, isso permeia o trabalho da Trudruá como escritora hoje. Eu ouvi uma entrevista dela falando sobre o último livro que publicou, o Tempo de Retomada, e como ela tinha o hábito de ler em voz alta pra mãe dela quando tava trabalhando no texto.  TRUDRUÁ: Quando eu penso texto escrito, eu me preocupo muito assim com, é, com uma sofisticação que elas são contadas nessa oralidade. E aí nessa, quando a minha mãe tenta me passar certos valores, eu fico assim impressionada, porque eu realmente me sinto indo para um outro tempo a partir da palavra, eu me sinto viajando assim num outro tempo. E era, e era essa ideia assim de talvez transportar as pessoas para esse tempo que eu nunca sei se eu vou conseguir, ou nunca sei se as pessoas vão se abrir para elas, mas é uma preocupação de que é, talvez o mesmo ritmo ou o mesmo balanço que que eu escuto e que eu sinto, né? MAYRA: Durante a entrevista, eu comentei com a Trudruá como eu tenho percebido um pouco um movimento na literatura de resgatar esse jeito de contar histórias. Como eu falei, eu participo de um clube de leitura e isso é algo que vira e mexe aparece por lá. De como é gostoso ler um livro que você tem a sensação de que a autora tá ali falando mesmo com você.  LIVIA: A Trudruá contou pra gente que, além do contato com as histórias contadas pela mãe, ela também teve, desde sempre, uma ligação muito forte com a literatura. E que os livros sempre tiveram um papel muito importante, não só de companhia, mas de vivência pra ela.  TRUDRUÁ: Eu cresci com a literatura e a literatura me fez viajar por tantos mundos, me faz sonhar, me faz chorar, me faz é, me faz sentir uma magia que de artista, então eu não poderia desejar outra coisa que não, né, viver com a palavra. E aí nesse sentido eu eu também entendo que dá para levar um pouco essa magia nessa escrita literária. E esse era o trabalho assim, de talvez transportar um pouco aquilo que eu sinto quando eu escuto essas histórias. E aí o trabalho, ler em voz alta é importante, assim como ler em silêncio também, mas como eu tenho essa preocupação que a minha comunidade leia, eu também fico pensando assim: “Ai, como que elas podem como que elas vão ler isso, a disposição das frases, desce isso para ir num ritmo tão longo, né? Esse trabalho escrito, prático, de como pode também emular uma certa um certo oral. MAYRA: Uma coisa importante, como dá pra perceber nas falas da Trudruá quando ela tá falando sobre o que espera dos livros dela, é que essa oralidade, tanto a tradição, quanto o hábito de ler em voz alta, tão muito relacionados com o coletivo. E aí entra outro ponto importante. Não é porque um conhecimento é coletivo, que ele é de todo mundo. TRUDRUÁ: Um segmento assim que fica muito evidente no Brasil é o núcleo de folcloristas, o núcleo de estudiosos assim brasileiros que que olham para esses conteúdos, olham para esses materiais, para essas narrativas e entendem ela como uma cultura popular. A cultura popular nesse sentido de que ela é de todo mundo, mas não tem uma autoria específica. E isso é muito conveniente quando você, né, é, consciente ou inconscientemente, você rouba, é, narrativas prontas, narrativas criativas, fantásticas de outros povos para dizer: “Ah, isso faz parte da cultura brasileira no singular” LÍVIA: A Trudruá deu exemplos como o guaraná, a mandioca ou uma série de medicamentos que foram descobertos e desenvolvidos por povos indígenas, mas que nunca foram reconhecidos como autores ou proprietários dessas técnicas.  MAYRA: E que depois, foram coisas incorporadas à cultura brasileira, como se todas as pessoas do país tivessem a mesma relação, a mesma história com esses elementos. E com isso, ignorando que os povos indígenas tiveram um papel fundamental nesse processo. LÍVIA: Lembra que a gente falou sobre como a primeira fase da literatura indígena, aquela da tradição oral, não é reconhecida? Isso porque quando a gente fala de oralidade, é difícil identificar um autor. E essa brecha foi usada pela sociedade brasileira como uma estratégia de incorporar essas histórias numa narrativa nacionalista.  MAYRA: Só que isso, ao invés de valorizar os conhecimentos tradicionais e a individualidade de cada povo, como costuma ser dito por aí, acaba, na verdade, apagando a participação e a autoria dessas pessoas na sua própria história.  [trilha sonora]  TRUDRUÁ: Mas sobre a identidade indígena, vai ser algo que eu nunca vou abrir mão. E eu digo como escritora e eu digo como indígena, porque assim, a história brasileira e a história literária brasileira, tudo que ela quis foi apagar a identidade indígena para se apropriar das nossas narrativas. Quando a gente se coloca com essa identidade, a gente demarca um território simbólico de dizer: “Isso aqui não tá livre. Isso aqui não é terra de ninguém. Isso aqui tem uma autoria coletiva. Tem uma propriedade material que pertence a nós. Não é seu. Não é seu, brasileiro.  LÍVIA: Por isso é tão importante hoje esse movimento de autores indígenas no Brasil. Ele ajuda a retomar uma série de histórias aos seus autores originais, dessa vez com os devidos créditos e com sua própria voz.  TRUDRUÁ: E a autora individual, é essa autoria, que tá no mercado editorial e que vem reforçando, que vem para reforçar os valores, né, dos povos, das comunidades, mas o fato de tá no mercado editorial e circular, ela alcança um outro uma outra visibilidade, inclusive lançando luz a essa autoria coletiva  MAYRA: E aí, obviamente, esse movimento acompanha o posicionamento político dos povos indígenas no Brasil.  TRUDRUÁ: Tem um filósofo, tem um teórico da literatura que se chama Emil’ Keme, ele é do povo Maia Quechua da Guatemala. E ele fala que não é possível separar a teoria literária indígena da política indígena, porque elas caminham juntos. Quando os indígenas eles pegam a escrita para publicar e etc, estudar mesmo, eles entendem a escrita como uma técnica, a língua como uma técnica que vai ser essa transportadora dos desejos da luta do movimento indígena. Então, a gente entende, alinhado a política indígena, a gente entende, uma teoria da literatura que vai seguir as mesmas políticas que os povos indígenas tão tentando em termos de autonomia. Então, a política indígena fala do direito ao nome. Todos os autores indígenas que eu conheço, ou eles adotaram o nome de povo, ou eles adotaram o nome da tradição. Mas se você olha em documentos, eh que não faz, sei lá, 10 anos que tem 20 anos que tem essa política, eles têm nomes brasileiros, nomes e sobrenomes brasileiros por conta da política de que proibia nomes indígenas. Então, isso acompanha também dentro da literatura a política indígena. LÍVIA: Com esse movimento, a gente também tá tendo a oportunidade de conhecer mais da tradição indígena e de ter acesso a cultura de tantos povos indígenas que existem no brasil, aprendendo inclusive as diferenças que existem entre eles.    TRUDRUÁ: Os escritores estão acompanhando as linhas de da política indígena, que é autonomia, soberania, autodeterminação. E é tão falso e isso de que a literatura indígena vai repetindo, vai falando das mesmas coisas, porque os temas indígenas, eles são tão abertos e são tão variados, assim, só fala isso quem nunca leu a literatura indígena. Porque, entrar no mundo da identidade indígena, ela é muito, assim, é um mundo muito amplo. A gente tá falando de uma identidade indígena, mas a gente tá falando de quase 400 povos indígenas, de quase 300 línguas faladas culturalmente, como elas são diversas entre si. Eu acho que quem fala isso nunca nem se aproximou da das culturas indígenas para entender um átimo dessa dimensão que é essa riqueza cultural. MAYRA: E também de pensar como a gente pode tentar se aproximar de outras formas de viver e entender o mundo. No grupo que eu faço parte, sempre que lemos alguma coisa de literatura indígena, a conversa rende muito nesse sentido, em pensar pequenas mudanças que a gente pode tentar trazer pra nossa realidade, inspiradas nessas outras culturas.  TRUDRUÁ: E aí uma das coisas que eu amo, amo na literatura indígena é que não tem nada do amor romântico, mas não tem mesmo assim, sabe? Amo, sabe essa ideia de ai nossa, as mulheres foram abandonadas pelos homens, é, e as mulheres o que que elas fizeram? Ah, elas foram procurar outros maridos. Tchau amor, tchau e benção assim, é completamente, assim vai completamente na contramão do que a gente foi ensinado. De ficar chorando, de ficar se lamentando. [sobe trilha]  LÍVIA: E falando em grupos de leitura, pra encerrar nosso episódio, a Trudruá pediu pra deixar um recadinho pra vocês.  TRUDRUÁ: Eu tenho uma página no Instagram que se chama Leia Mulheres Indígenas. E aí eu tô com uma proposta para 2026 de abrir um clube de leitura do Leia Mulheres Indígenas.  TRUDRUÁ: Como que você vai apreciar melhor essa leitura e essas produções se vocês não sabem, né? De onde que a gente parte, quais são os princípios, quais são os valores. E aí eu tô querendo muito abrir um clube de leitura para 2026, espero que dê certo. E é convidar todo mundo para, sei lá, tá com a gente, abrir o debate, ler, se se encantar ou se desencantar também, tá valendo, né? Tá tudo valendo. MAYRA: Fica aí o convite pra seguir a página e ler mais livros escritos por autoras indígenas. Eu sou a Mayra Trinca, produzi e escrevi esse roteiro, com pitacos e revisão da Lívia Mendes. A edição também é minha.  LÍVIA: Aproveita quando for seguir a Trudruá e procura a gente, somos Oxigênio Podcast em todas as redes sociais. A trilha sonora é do blue dot session e os créditos estão na descrição desse episódio. A vinheta é do Elias Mendez.  MAYRA: O Oxigênio tem apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp e é coordenado pela Simone Pallone. Obrigada por ouvir, e até a próxima!  Trilhas:  Trailmaker by https://app.sessions.blue/browse?trackId=384027  Thunderpass by https://app.sessions.blue/browse?trackId=385385  Posh and Vine by https://app.sessions.blue/browse?trackId=385621 

La Matinale de 19h
Appel de Paris pour la solution à deux États & la Queerale

La Matinale de 19h

Play Episode Listen Later Jul 2, 2026


Ce soir, c'est Fabien à l'animation ! Pour ce premier rendez-vous, nous échangeons avec Aymeric Elluin, chargé de plaidoyer et conflits armés pour Amnesty international. Il vient nous parler de la solution à deux États discutée à Paris le 12 juin dernier lors d'une conférence internationale. Il est interviewé par Léo.  Pour le Zoom nous invitons Ju, chef-fede chœur de la Queerale qui se produit au Bataclan le 4 juillet. Iel est interviewé-e par Betty.  Fabien est au flash info, et Greg à la chronique libre. Animation : Fabien // Réalisation :  Renaud  // Interview : Léo  // Zoom : Betty  // Flash Info : Fabien // Chronique libre : Greg  // Coordination : Louna

Kultūras Rondo
Dejas izrāde "Sugmija" lūkojas divos posmos cilvēka sugas izpētē

Kultūras Rondo

Play Episode Listen Later Jun 29, 2026 14:33


Jūlijā Rīgas Cirka arēnā gaidāms Ievas Gauriļčikaites-Sants jaundarbs “Sugmija”. Lietuviešu/latviešu horeogrāfe un dejotāja pievērsusies cilvēka sugas izpētei divos posmos – mirklī, kad tā tapa, un pašreizējā pārejas posmā uz nākamo attīstību. Viens no izrādes producentiem ir neatkarīgā dejas organizācija TUVUMI, ko Ieva vada kopā ar Krišjāni Santu. Viņi abi zināmi kā mākslinieku dueta IevaKrish dalībnieki. Ievas solo izrāde ir iekļauta “Dejas māja Rīgas cirkā” 2026. gada programmā. Ielūkojāmies vienā no izrādes mēģinājuma posmiem.

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End of Day Report – Friday 29 May: ASX 200 up 139, 0.9% for the week | CBA drags banks higher

Marcus Today Market Updates

Play Episode Listen Later May 29, 2026 14:50


The ASX 200 jumped 139 points to close the week at 8732 (+1.6%) on a very firm note as hopes built that there will be some resolution, or at least an extension of the ceasefire in the Middle East. There seemed to be a lot of short covering around today after the 125-point fall yesterday. We reversed that today, with the banking sector bouncing back hard, with CBA up 2.2%, NAB up 0.6%, and the Big Bank Basket up to $273.55 (+1.6%). Financials across the board bounced, with MQG up 1.1%, and even ASX rallying slightly, but it was resources that were really carrying the day today, as copper stocks advanced with BHP up 2.9%, RIO up 1.2%, and FMG also doing well, up 2.4%.The gold miners had a good day yesterday after falling around 7%, with NST up 3.4% and EVN up 4.2%. Copper stocks and lithium pushed higher, with S32 also up 3.0%, although we saw some obvious selling in the oil and gas plays, with WDS unchanged and STO down 0.5%. Uranium stocks firmed slightly in this heady environment. Tech stocks saw some modest buying, with NXT up 1.7%, CAR doing very well, and TNE up 2.0%. Industrials and retail rose slightly. We also saw good buying with JBH up 1.2%, BXB up 0.1%, and QAN doing well on the back of lower crude prices.In corporate news today, JDO had a great day after expanding its securitisation deal. IEL was trashed 16.2% after Macquarie slashed its target price, and THL soared 26.1% after a non-binding indicative offer from BGH Capital. Nothing on the economic front today. All eyes are on whether Donald Trump signs off on the latest proposal.Asian markets eased. Japan up 1.4%, HK up 0.7% and China down 1%. US futures up slightly, Dow up 42 and Nasdaq up 29. European markets set to open around 0.2% higher.—Marcus Today – Daily Market InsightsMarcus Today provides clear, practical commentary for self-directed investors – covering markets, portfolios, education, and decision-making without the noise.If you'd like to go further:Start a free 14-day trial of Marcus Today http://bit.ly/mt-trial-podcastJoin Marcus Today Use code MTPODCAST for 10% off http://bit.ly/mt-join-podcast-offerMT20 – Managed ETF Portfolio A professionally managed portfolio run by Marcus Padley and the team, using ASX-listed ETFs with active market timing. http://bit.ly/mt20-podcastPrinciples – How We Think About Investing A short video series on timing, behaviour, and decision-making. No stock tips. http://bit.ly/mt-principles-podcast—Disclaimer This podcast is general information only and does not consider your personal circumstances. It is not personal financial advice.

La Matinale de 19h
Nouvel accord franco-britannique sur l'immigration & l'exposition Martin Parr

La Matinale de 19h

Play Episode Listen Later May 20, 2026


Ce soir, c'est Maxime à l'animation ! Dans le Grand Entretien, nous accueillons Raph, coordinateur·ice de l'antenne d'Utopia 56 de Grande Synthe. Iel viendra nous parler du nouvel accord franco-britannique sur l'immigration qui a été conclu le mercredi 22 avril. Ce dernier introduit un financement britannique en partie conditionné à ses résultats et prévoit un renforcement marqué des moyens déployés sur le littoral français. Iel est interviewé·e par Zoé. Dans sa chronique actu, Assane nous révèle l'exposition Africa Fashion au Musée du Quai Branly. Elle présente la mode africaine comme une forme d'art qui se définit elle-même et qui révèle la richesse et la diversité des histoires et des cultures africaines. Dans le Zoom, Betty reçoit Quentin Bajac, commissaire de l'exposition Martin Parr. Cette exposition propose de revisiter l'oeuvre de Martin Parr à l'aune du désordre généralisé de notre époque, à travers différentes séries réalisées depuis la fin des années 1970 jusqu'à aujourd'hui. Elle est disponible au Jeu de Paume jusqu'au 24 mai 2026 ! Sabrina est au flash info et Lya à la chronique libre ! Animation : Maxime // Réalisation : David // Interview : Zoé // Zoom : Betty // Flash Info : Sabrina // Chronique actu : Assane // Chronique libre : Lya // Coordination : Aude & Jeanne

Radio Vostok
Les patates antidep'

Radio Vostok

Play Episode Listen Later Apr 19, 2026


Chris ne connaît pas les légumes de saisons. Iel les connaît si peu , qu'un jour , Chris a confondu un concombre avec une courgette. La salade qui en a résulté était pour le moins inattendue. Par bonheur, un jour, un jeune homme bien intentionné l'a alpagué devant la Coop […] The post Les patates antidep' first appeared on Radio Vostok.

coop patates iel radio vostok
Radio Campus Angers
Horizon(s) #05 : Lou

Radio Campus Angers

Play Episode Listen Later Feb 24, 2026 34:25


Salut, Aujourd'hui nous accueillons Lou, iel a grandit à Paris c'est au lycée qu'iel commence à se poser la question de son genre. Aujourd'hui iel est étudiant.e à l'école des Beaux-Arts d’Angers. Iel va nous raconter comment le dragshow a bouleversé sa vie. Cet épisode traite de la question du genre, nous tenions à préciser que ce témoignage est personnel et que la transidentité est vécue de façon très différente pour chaque personne. Lou nous recommande en BD Le Chevalier Imberbe de Tamose le Thermos, la BD Lou de la musique de David Bowie The Rise and Fall of Ziggyy Stardust and the Spiders from Mars. Si vous voulez plus de renseignements sur le sujet, vous pouvez consulter les sites web de Wikitrans ou Fransgenre. Suivez le collectif la Wig sur insta : https://www.instagram.com/lawig.collectif/ Et retrouvez Lou sur scène à Nantes avec Pateta Drag le 28 mai !

The Sleep Is A Skill Podcast
225: Ed Harrold, Author & Public Speaker: The Breathing Mistake That's Costing You Deep Sleep

The Sleep Is A Skill Podcast

Play Episode Listen Later Aug 22, 2025 52:29


BIO:Ed Harrold is an author, inspirational leader, public speaker, coach and educator. Ed's mastery in the science of mindful breathing blends the fields of neuroscience and the wisdom of contemplative traditions into effective strategies to improve health, well-being and performance.   Ed is the author of Life With Breath IQ + EQ = NEW YOU & BodyMindBusiness: The Business Of BE'ing Within.Ed's Breath AS Medicine Trainings offer Continuing Education in the healthcare, health & wellness, fitness, allied health and sleep medicine communities.  His trainings were also a CME course with George Washington University School of Medicine & Health Sciences.  Ed's breathwork was studied by the Harvard Medical Research team with IEL.  Ed is the Breath Expert for Goldie Hawn's MindUP organization. Ed is a Breath Master on The Breath Source breathwork app (Android & IOS).  Learn more about Ed at www.edharrold.com SHOWNOTES:

Augstāk par zemi
Fokloras kopa "Spruksti": kā bērna dzīvi izmaina nokļūšana folkloras kustībā

Augstāk par zemi

Play Episode Listen Later Jun 29, 2025 30:02


Friča Brīvzemnieka pamatskolas folkloras kopa “Spruksti” Rīgā ir viens no tiem stāstiem, kas pierāda: tradicionālā kultūra ir dzīva tik ilgi, kamēr tajā piedalās cilvēki. Šobrīd “Spruksti” aktīvi gatavojas diviem nozīmīgiem notikumiem – starptautiskajam folkloras festivālam “Baltica” un XIII Latvijas Skolu jaunatnes dziesmu un deju svētkiem. Kopas vadītāja Sarmīte Sedliņa ir ne tikai dziesmu iesācēja ar spēcīgu balsi, bet arī iedvesmo bērnus un jauniešus iedziļināties folkloras būtībā. Kopa dibināta ar etnomūziķes Kristīnes Kārkles iniciatīvu, bet Sedliņas vadībā darbojas kopš 2016. gada. “Sprukstu” dalībnieku vidū ir gan izcila stāstniece Marta Kristīne Matīsa, gan mūzikas talanti – Teodors Martinsons ar mutes ermoņikām un varganu, kā arī rotaļu vadītāja Marta Jefimova. Stāsts par “Sprukstiem” ir arī stāsts par Sarmītes Sedliņas ceļu folklorā – no “Mares” Jūrmalā līdz jaunajai paaudzei Rīgā. Ielūkojamies šīs kopas ikdienā, kas rāda – folkloras kustība nav tikai kultūras saglabāšana, tā ir dzīva vide, kas audzina, satuvina un iedvesmo.

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 13/06 | Du bon français, ça déménage!

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Jun 13, 2025 45:34


Français en ondes. Humour paternel. Révolutionner le déménagement. Funérailles de VLB. Dans cet épisode intégral du 13 juin, en entrevue : Guy Bertrand, conseiller linguistique Entrevue avec Virginie Courtiol et Radi, humoristes. Chloé Daneau, propriétaire du Groupe Brisson. Une production QUBJuin 2025 Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 11/06 | Éduquer… de l'alcool au Québec libre!

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Jun 11, 2025 45:37


Éduc’alcool change. Club de lecture voilé. Un prof qui n’aime pas trop le Québec libre. La censure en humour. Dans cet épisode intégral du 11 juin, en entrevue : Geneviève Desautels, directrice générale d’Éduc’alcool Romain Gagnon, ingénieur, essayiste et auteur. Marie-Anne Alepin, présidente générale de la Société Saint-Jean-Baptiste de Montréal. Une production QUB Juin 2025 Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 10/06 | Du Grand Prix au paradis, on se marie?

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Jun 10, 2025 45:31


Victor-Lévy Beaulieu parti. Régime d’union parentale. À la défense du Grand Prix à Montréal. Des étudiants américains très petits lapins. Dans cet épisode intégral du 10 juin, en entrevue : Yves Desgagnés, acteur, metteur en scène et réalisateur. Fabien Major, planificateur et chroniqueur financier. Vianney Godbout Lescouzères, ex restaurateur montréalais. Une production QUB Juin 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 09/06 | Santé! Nous sommes «céléblouis» par la SAQ qui coule

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Jun 9, 2025 45:32


Inventer des mots. La SAQ coule. Attention aux pubs IA. Santé! Dans cet épisode intégral du 9 juin, en entrevue : Pierre-Yves Lord, animateur Yves Mailloux, président fondateur du Club des dégustateurs de grands vins Une production QUB Juin 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 04/06 | Combien de pourboire pour les fonctionnaires qui nuisent à Mario Pelchat?

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Jun 4, 2025 45:35


Boxe féminine. Mario Pelchat et les fonctionnaires. Pourboire. Subventions pour influenceurs. Dans cet épisode intégral du 4 juin, en entrevue : Katia Bissonnette, coach de boxe, responsable boxe à Équipe Québec et docteure en psychologie. Éric Duhaime, chef du Parti Conservateur du Québec et candidat dans Arthabaska. Pierre Moreau, président-directeur général du Groupe Restos Plaisirs. Une production QUB Juin 2025 Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 03/06 | Urgence, ou pas? Un chevalier sur le train vers Toronto

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Jun 3, 2025 45:31


Le Train Grande Vitesse | Michel Jean nommé Chevalier | Urgences et délai | Québécois en finale de la NBA Dans cet épisode intégral du 3 juin, en entrevue : Jean Mercier, professeur associé, Département de science politique à l’Université Laval. Michel Jean, écrivain. Renaud Brossard, vice-président communications à l’Institut économique de Montréal (IEDM). Une production QUB Juin 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 02/06 | Est-ce sage, un hot dog?

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Jun 2, 2025 45:35


Rapport du Comité de sages sur l’identité de genre. Humour. Pauvreté. Hot dog ou hamburger? Dans cet épisode intégral du 2 juin, en entrevue : Alexandra Houle, présidente du Réseau féministe Québécois Russel-Aurore Bouchard, historienne et écrivaine Guy Nantel, humoriste et auteur Audrey Renaud, directrice générale du Regroupement Partage Isabelle Huot, docteure en nutrition Une production QUB Juin 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 30/05 | Une baguette molle comme une coupe Longueuil!

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later May 30, 2025 45:28


Baguette de Montréal. Grève en construction. Coupe Longueuil. Élimination des barrières commerciales. Dénatalité milléniale. Dans cet épisode intégral du 30 mai, en entrevue : Yanic Parent, courtier immobilier résidentiel Jean-Philippe Roy, fondateur du mouvement Québec Mulet Gabriel Giguère, analyste senior en politiques publiques à l’IEDM. Une production QUB Mai 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 28/05 | Aide à mourir ou aide à vivre? 2 parents par enfant et on pardonne le New Jersey!

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later May 29, 2025 45:30


Aide à mourir en France. Touristes québécois aux États-Unis. Chronique Sac de Chips. 2 parents par enfant. Dans cet épisode intégral du 28 mai, en entrevue : Jonathan Marchand, défenseur des droits des personnes handicapées. Nicolle Dufour, représentante de la région du Jersey Cape pour le Canada Une production QUB Mai 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 27/05 | Des dignes soins, des animaux abandonnés et des immigrants francisés

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later May 27, 2025 45:43


Fin de vie. Abandon d’animaux. Francisation. Le roi Charles. Dans cet épisode intégral du 27 mai, en entrevue : Olivier Teasdale, fils de Jacques Teasdale décédé en juillet 2024 Laurence Massé, directrice générale de la SPCA de Montréal. Tania Longpré, docteure en éducation, enseignante spécialiste en francisation. Une production QUB Mai 2025 Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 26/05 | Des douaniers étoilés pour un cerveau en santé

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later May 26, 2025 45:35


On paie pour les étoiles Michelin. Les douaniers peuvent fouiller nos téléphones. Attirer les Américains chez nous. Un cerveau en santé via l’alimentation. Dans cet épisode intégral du 26 mai, en entrevue : Marie-Claude Lortie, chroniqueuse et rédactrice en chef au journal Le Droit. Francis Coats, expert en sécurité et enseignant à l’École de technologie supérieure (ETS). Shanny Hallé, directrice représentation et communications et porte-parole officielle de Tourisme Cantons-de-l’Est. Une production QUB Mai 2025 Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 23/05 | Dépenses revanche des ménages, des minous à la mairie et aimer la monarchie

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later May 23, 2025 45:34


Cartes de crédit municipales. Dépenses revanches des ménages. Aimer la monarchie. Dans cet épisode intégral du 23 mai, en entrevue : Sarah-Maude Lefebvre, journaliste au Bureau d’Enquête de Québecor. Fabien Major, planificateur et chroniqueur financier. Thomas Morin-Cabana, président de la Société de la couronne du Canada. Une production QUB Mai 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 09/05 | Être mère, c'est rock - comme payer pour un mariage!

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later May 9, 2025 45:54


La fête des Mères d’un rockeur. Repenser le mariage. Grève des élèves pour leur cell. Dans cet épisode intégral du 8 mai, en entrevue : Éric Lapointe et sa mère Doris Lapointe Anne-Marie Barbeau-Pelletier et Marie-Ève Pichette-Myre, co fondatrices de Label Mariage Une production QUB Mai 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 02/05 | Plus que deux parents, une aubaine!

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later May 2, 2025 45:15


Moins dépenser à l’épicerie. Trois parents, c’est légal! Civisme à l’école. Les vieux plus heureux que les jeunes. Dans cet épisode intégral du 2 mai, en entrevue : Jean-François Gagné Bérubé, fondateur de Glouton.app et chroniqueur au Journal de Montréal / Journal de Québec. Laurence Godin-Tremblay, doctorante en philosophie et mère de trois enfants. Nancy Doyon, éducatrice spécialisée et coach familiale à sosnancy.com Une production QUB Mai 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 29/04 | Maudit bordel, le wokisme!

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Apr 29, 2025 46:23


Un homme généreux pour les prostates. Le risque de voter masqué. Retour d’une chanteuse iconique. Tragédie de la garderie à Laval. L’humour ethnique. Dans cet épisode intégral du 29 avril, en entrevue : Mathieu Allaire, qui remporte la pancarte Demidov grâce à son don à Procure Francis Coats, expert en sécurité et enseignant à l’École de technologie supérieure (ETS). Marie-Chantal Toupin, chanteuse Me François-David Bernier, analyste judiciaire. Une production QUB Avril 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 17/04 | Du «cheap» à l'épicerie… en en immobilier!

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Apr 17, 2025 45:42


Une épicerie subit des monologues politiques. Flips immobiliers. Immigration et gratitude. Léa Stréliski et Guy Nantel. Dans cet épisode intégral du 17 avril, en entrevue : Marie-Ève Breton, propriétaire de Liquidation Marie Olivier Lepage, investisseur immobilier Guy Nantel, humoriste et auteur Une production QUB Avril 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 15/04 | Amener sa poule au cinéma

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Apr 15, 2025 45:37


Des pancartes électorales d’Ivan Demidov à Montréal. Privé en Santé. Défi TikTok au cinéma. Kevin Parent à TLMEP. Dans cet épisode intégral du 15 avril, en entrevue : Sacha Ouimet, directeur marketing et créatif global chez Warrior Sports. Emmanuelle Faubert, économiste à l’IEDM. Tom Fermanian, propriétaire du Cinéma Pine à Ste-Adèle. Une production QUB Avril 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 10/04 | Exclusif! des soupçons envers le fédéral…

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Apr 10, 2025 45:41


On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 08/04 | Jasmin Roy affirme avoir été intimidé par les journalistes du Devoir !

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Apr 8, 2025 45:45


Jasmin Roy dénonce l’intimidation et le harcèlement dont il a été victime lors de l’enquête menée par Le Devoir | Les tarifs de Trump devraient-ils nous encourager à acheter des véhicules d’occasion? | Voyager aux États-Unis ou ne pas voyager aux États-Unis, là est la question… Dans cet épisode intégral du 8 avril, en entrevue : Jasmin Roy, président directeur général de la Fondation Jasmin Roy Sophie Desmarais. Steeve De Marchi, directeur général de l’Association des marchands de véhicules d’occasion du Québec (AMVOQ). Nicolas Gagnon, directeur Québec pour la Fédération canadienne des contribuables. Une production QUBAvril 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 04/04 | Fautes de français: «Soyons exigeants!»

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Apr 4, 2025 45:41


Le réalisateur Émile Gaudreault parle de son processus créatif derrière le film « Menteuse » | Avec Héma-Québec, on peut donner de la naissance jusqu’à la mort! | Une humoriste ira faire des blagues sur Donald Trump aux États-Unis | Les jeunes et les fautes d'orthographe… Dans cet épisode intégral du 4 avril, en entrevue : Émile Gaudreault, réalisateur, auteur et scénariste. Claire Pouly, directrice de comptes chez Sid Lee. Anne Roumanoff, humoriste et comédienne. Une production QUB Avril 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 03/04 | «L'heure est grave…»

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Apr 3, 2025 45:40


L’heure est grave pour les centres d’intervention en dépendances du Québec | Les rôtisseries Saint-Hubert offrent désormais des salles adaptées aux personnes autistes | Faire le tour du monde quand on est paraplégique, c’est possible! | Dans cet épisode intégral du 3 avril, en entrevue : Bruno Ferrari, président du comité permanent national en traitement à l’Association québécoises des centres d’intervention en dépendance. Josée Vaillancourt, directrice communications et Fondation St-Hubert. Jimmy Pelletier, ex-athlète paralympique et paraplégique. Une production QUB Avril 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 02/04 | «Il y a une vie après»: message d'espoir pour les victimes d'agressions

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Apr 2, 2025 45:41


Hélène Boudreau, génie du marketing | Éric Lapointe explique son processus créatif derrière son nouveau spectacle acoustique | Les hommes sont aussi victimes d’agressions sexuelles, et ils ont aussi besoin d’aide! | Critiquer les journalistes, c’est encore possible? Dans cet épisode intégral du 2 avril, en entrevue : Hélène Boudreau, « la fille de l’UQAM », artiste tatoueuse, créatrice de contenu exotique. Martine Poirier, directrice générale du Centre de ressources et d’intervention pour hommes abusés sexuellement et leur entourage (CRIPHASE). Éric Lapointe, auteur compositeur interprète. Une production QUB Avril 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 31/03 | Santé: «C'est la maison des fous!»

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Mar 31, 2025 45:52


L’hypocrisie derrière la légalisation des paradis fiscaux… | Histoire rocambolesque à l’hôpital: une grand-mère témoigne | Le mois d’avril est le mois de la sensibilisation au cancer! Dans cet épisode intégral du 31 mars, en entrevue : Alain Deneault, professeur de philosophie à l'Université de Moncton et auteur du livre « Paradis fiscaux: la filière canadienne ». Martine Gervais, Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 28/03 | «Islam veut dire soumission»

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Mar 28, 2025 45:41


Ostéopathie Québec dénonce une mesure du budget 2025-2026 qui privera les patients de crédits d'impôt pour les soins ostéopathiques | La nouvelle campagne publicitaire pour Tourisme Côte-Nord | Une jeune enseignante québécoise décide de faire le ramadan par solidarité et pour comprendre ses élèves pratiquants. Dans cet épisode intégral du 28 février, en entrevue : Karine Devantéry, présidente d’Ostéopathie Québec. François Poulin, créateur des campagnes publicitaires pour Tourisme Côte-Nord depuis cinq ans. Sylvie Langlais, coordonnatrice du CALACS Longueuil Rémi Villemure, chroniqueur Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 27/03 | «Comment ça se fait que personne ne défende l'usurpation d'identité?»

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Mar 27, 2025 45:42


Marie-Claude Barrette dénonce l’usurpation d'identité dont elle et de nombreuses personnalités publiques ont été victimes | Les repas des chefs étoilés à bord des avions Dans cet épisode intégral du 27 février, en entrevue : Marie-Claude Barrette, animatrice Steve Waterhouse, expert en cybersécurité Thierry Daraize, consultant en gastronomie et alimentation Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 26/03 | «Pour la pérennité de notre culture, il faut créer des institutions nationales!»

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Mar 26, 2025 45:42


Les répercussions du Budget Girard sur la culture | Le nouveau spectacle “Ferland Symphonique” qui sera présenté en 2027 | L’héritage de Janette Bertrand dans le monde de la cuisine Dans cet épisode intégral du 26 février, en entrevue : Yves Desgagnés, acteur, metteur en scène et réalisateur Nicolas Lemieux, producteur et directeur artistique Bob le chef, chef cuisinier, animateur Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 25/03 | Est-ce qu'on a été confiné pour rien pendant la pandémie? 

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Mar 25, 2025 45:39


Cas de maltraitance médicale : Pourquoi accepte-t-on cela au Québec? | Des problèmes informatiques causent un ralentissement des opérations à l’aéroport international Montréal-Trudeau ce matin | Nous sommes-nous confinés pour rien? C’est la question que l’on se pose aujourd’hui Dans cet épisode intégral du 25 février, en entrevue : Paul Brunet, président du Conseil pour la protection des malades Mehran Ebrahimi, directeur de l'Observatoire international de l'aviation civile Marie-Claude Lortie, chroniqueuse et rédactrice en chef journal Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 24/03 | Est-ce que les humoristes vont se faire remplacer par l'I.A. ?

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Mar 24, 2025 45:48


L’hôpital Ste-Justine oublie le mot «femme» | Olivier Teasdale n’avait pas idée à quel point son père, Jacques Teasdale, avait été maltraité pendant son hospitalisation | Est-ce que les humoristes vont se faire remplacer par l’intelligence artificielle? Dans cet épisode intégral du 24 février, en entrevue : Alexandra Houle, présidente du Réseau féministe Québécois Olivier Teasdale, fils de Jacques TeasdaleGuy Nantel, humoriste, auteur Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

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Ép. 21/03 | Strava être une belle fin de semaine! 

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher

Play Episode Listen Later Mar 21, 2025 45:38


Des agressions sexuelles commises par des femmes | Faille de sécurité majeure: quand la médiocrité devient une valeur organisationnelle | Les vins québécois remplacent les vins californiens à la SAQ Dans cet épisode intégral du 21 février, en entrevue : Franca Cortoni, docteure en psychologie criminologique Francis Coats, expert en sécurité et enseignant à l’École de technologie supérieure (ETS) Sébastien Daoust, propriétaire du vignoble Les Bacchantes à Hemmingford (en Montérégie). Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

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 Ép. 20/03 | Kevin et Fatima ont le droit de s'aimer! 

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Play Episode Listen Later Mar 20, 2025 45:38


La deuxième édition du concours Quand les hommes contribuent aux masculinités positives | On reçoit une victime d’intimidation par des militants anti-israéliens lors de la prière de rue hier soir à Montréal | Retour sur le projet de loi sur la laïcité dans les écoles du Québec Dans cet épisode intégral du 20 février, en entrevue : Mickaël Carlier, consultant en communications et impact social et fondateur de l’organisme Des hommes qui changent Alexandra Lavoie, journaliste pour Rebel News. Fatima Aboubakr, directrice de garderie. Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

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Ép. 19/03 | Est-ce qu'on est raciste si on nie le racisme systémique?

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Play Episode Listen Later Mar 19, 2025 45:38


Une pièce de théâtre documentaire sur l’aide médicale à mourir | Est-ce qu’on est raciste si on nie le racisme systémique? | Faut-il faire payer les «no shows» au restaurant? Dans cet épisode intégral du 19 février, en entrevue : Manuelle Légaré, autrice, recherchiste et réalisatrice Yannick Lacroix, professeur de philosophie au collégial et auteur Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

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Les élus québécois parcourent le monde à grands frais | Mélissa Perron nous présente son nouveau roman graphique «Femme caméléon» publié par KO Éditions | La création de la pub Mike chez RONA | Dans cet épisode intégral du 18 février, en entrevue : Nicolas Gagnon, directeur Québec pour la Fédération canadienne des contribuables. Mélissa Perron, autrice, illustratrice et conférencière. Olivier Goulet-Lafond, concepteur-rédacteur chez Sid Lee. Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

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Ép. 17/03 | Est-ce criminel de dire qu'il y a juste deux sexes ?

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Play Episode Listen Later Mar 17, 2025 45:50


Débat : Est-ce criminel de dire qu’il y a juste deux sexes ? | Pourquoi autorise-t-on une cérémonie religieuse dans un Collège public ? | Les cinq grandes tendances alimentaires qui frappent le Québec en 2025 Dans cet épisode intégral du 17 février, en entrevue : Alexandra Houle, présidente du Réseau féministe Québécois Rafaël Provost, directeur général de ENSEMBLE pour le respect de la diversité.Fatima Aboubakr, directrice de garderie. Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

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Ép. 14/03 | Est-ce la fin des langues officielles au Canada?

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Play Episode Listen Later Mar 14, 2025 46:00


Impôts fédéraux : l’IEDM recommande d’abolir le deuxième palier d’imposition afin d’aider les travailleurs de la classe moyenne | Marie-Annick Lépine nous présente son nouvel album solo «Le coeur est un rêveur» Dans cet épisode intégral du 14 février, en entrevue : Renaud Brossard, vice-président communications à l’Institut économique de Montréal (IEDM) Marie-Annick Lépine, chanteuse et multi-instrumentiste. Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

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Ép. 13/03 | Est-ce que Radio-Canada devrait abandonner le Bye Bye ?

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Play Episode Listen Later Mar 13, 2025 45:46


Sunwing expulse sa famille de l’avion et l’abandonne avec deux bébés en Jamaïque | Il nous présente son nouvel album «Tout ce que l’aube promet» disponible dès demain | Faut-il changer les noms à connotation catholique des écoles québécoises ? Dans cet épisode intégral du 13 février, en entrevue : Réda Haddoud, directeur dans un organisme public et client de Sunwing Alex Nevsky, auteur-compositeur-interprète Guy Nantel, humoriste, auteur. Une producction QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

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Ép. 12/03 | Est-ce que les excuses devraient toujours faire en sorte qu'on passe l'éponge?

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Play Episode Listen Later Mar 12, 2025 45:46


Simon Olivier-Fecteau tire sa révérence à la tête du Bye Bye | Nathalie Simard sera en vedette dans la nouvelle comédie musicale d’envergure «Évangéline» ! Dans cet épisode intégral du 12 février, en entrevue : Simon Olivier-Fecteau, réalisateur et humoriste Nathalie Simard, chanteuse et animatrice Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

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Ép. 11/03 | «On manque TELLEMENT de projet de société»

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Play Episode Listen Later Mar 11, 2025 45:58


Luce Dufault et Lunou Zucchini feront partie de Les Belles-Soeurs symphonique cet été | Avoir un chat est-il bon pour la santé ? | Le procès de Gilbert Rozon mis sur pause | Une famille conteste le résultat à l’école de leur enfant devant la Cour supérieure Dans cet épisode intégral du 11 février, en entrevue : Luce Dufault, chanteuse Lunou Zucchini, chanteuse, comédienne, co-animatrice de Belle et Bum Caroline Kilsdonk, médecin vétérinaire et bioéthicienneMe François-David Bernier, analyste judiciaire. Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

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Ép. 10/03 | La journée des droits la femme détournée par le mouvement Woke

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Play Episode Listen Later Mar 10, 2025 46:12


Martin Deschamps souligne ses 25 ans de carrière avec un nouveau spectacle «Retour aux sources» | Un comité d’experts mis en place pour déterminer si la loi 21 est bien appliquée | La Journée de la femme détournée par le mouvement Woke. Dans cet épisode intégral du 10 février, en entrevue : Martin Deschamps, auteur-compositeur-interprète Me Christiane Pelchat, avocate, ancienne députée libérale et exprésidente du Conseil du statut de la femme Sophie Laplante, directrice du comité Femme en Sécurité pour l’Association ASIS Québec Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 07/03 | Sophie se fait RACCROCHER au nez pour avoir défendu Pauline Marois !

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Play Episode Listen Later Mar 7, 2025 45:45


Maxime Landry et Annie Blanchard lancent «À bon port», un nouvel album de chansons originales | Pourquoi Pauline Marois n’est-elle pas sur la carte de métro féminin de Montréal ? | La santé des femmes militaires mieux prise en compte, mais loin d’être acquise Dans cet épisode intégral du 07 février, en entrevue : Maxime Landry, auteur-compositeur-interprète, animateur Annie Blanchard, auteure-compositrice-interprète Chantal Ringuet, autrice et idéatrice de la carte Montréal, ville de femmes Marianne Dépelteau, journaliste à Francopresse Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 06/03 | La controverse de la culture est à la base politique!

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Play Episode Listen Later Mar 6, 2025 45:44


Jonathan Roy nous parle de son album “Symphony of doubts” et de sa tournée | La montée de lait de certaines personnes de l’industrie culturelle contre Guillaume Abbatiello est injustifiée selon le chef du Parti Conservateur du Québec | La génération Z ferait plus confiance à l’IA qu’aux êtres humains Dans cet épisode intégral du 06 février, en entrevue : Jonathan Roy, auteur-compositeur-interprète Éric Duhaime, chef du Parti Conservateur du Québec Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr

On n'est pas obligé d'être d'accord - Sophie Durocher
Ép. 05/03 | Semaine de relâche, mais pas de relâche pour les controverses! 

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Play Episode Listen Later Mar 5, 2025 45:44


Pizza Salvatoré se dissocie des propos de Guillaume Jr. Abbatiello | L’animateur et réalisateur Sébastien Diaz lance un défi à la Maison Simons : incorporer de la musique québécoise à sa liste de lecture en magasins | Dans cet épisode intégral du 05 février, en entrevue : Élisabeth Abbatiello, vice-présidente communications et rayonnement au Groupe Abbatiello Sébastien Diaz, animateur, réalisateur, producteur et auteur. Mathieu Lacombe, ministre de la Culture et des Communications. Une production QUB Mars 2025Pour de l'information concernant l'utilisation de vos données personnelles - https://omnystudio.com/policies/listener/fr