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Leiria

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Noticiário Nacional
22h Leiria insiste, isentar as portagens da A19 e da A8

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 24, 2026 11:26


Expresso - Expresso da Manhã
Milhões de árvores no chão aumentam combustível até 50% e época de incêndios será de grande risco

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 13:46


A célebre peça de teatro do dramaturgo espanhol Alejandro Casona “As Árvores Morrem de Pé”, que significa a força do carácter perante a tragédia como uma árvore morta por dentro mas que se mantém de pé, perde o sentido quando se chega à zona de Leiria, por onde passou a tempestade Kristin que derrubou milhões de árvores — as mais fortes arrancando-as da terra pela raíz e as mais frágeis partindo-as a meio. Neste episódio conversamos com a jornalista Carla Tomás, que escreveu este texto a quatro mãos com a jornalista Raquel Moleiro.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sem Moderação
Além dos crimes sexuais, também há “partilha de informação confidencial” nos ficheiros Epstein. Na Europa já se vislumbra alguma “punição”

Sem Moderação

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 19:27


O caso Epstein continua a deixar marcas no Reino Unido, desta vez com a detenção do ex-príncipe André, irmão do rei Carlos III. Suspeito de ter partilhado com o pedófilo e seu amigo Jeffrey Epstein informações confidenciais comerciais, foi libertado no mesmo dia. Nos EUA não há para já interrogatórios aos vários nomes referidos no processo. José Eduardo Martins admite que nos sentíamos “protegidos de alguns horrores”, Pedro Delgado Alves explica que já se conhecem “ligações fortes à Rússia”. Ouça a análise dos comentadores no Antes Pelo Contrário em podcast, emitido na SIC Notícias a 19 de fevereiro. Para ver a versão vídeo deste episódio clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Postal do Dia
Gonçalo Lopes, um grande português

Postal do Dia

Play Episode Listen Later Feb 19, 2026 2:56


A tragédia abalou o país e destruiu Leiria. Mas por entre os ventos, as chuvas, a incompetência e a maldade, surgiu um homem extraordinário. Este postal é para ele

Portugal em Direto
Em Vieira de Leiria os dias são tristes e difíceis.

Portugal em Direto

Play Episode Listen Later Feb 19, 2026 43:59


3 semanas após a passagem da tempestade Kristin,  em Vieira de Leiria, freguesia do concelho da Marinha Grande., a vida custa a retomar. Reportagem da Antena 1 no local. Edição de Cláudia Costa

Renascença - Hora da Verdade
Autarca de Leiria pede "mais controlo" para empresas como a E-Redes: "Parecem intocáveis"

Renascença - Hora da Verdade

Play Episode Listen Later Feb 19, 2026 22:49


Gonçalo Lopes pede reformulação da Proteção Civil e mais dinheiro para ajudar a economia da região. “Se o efeito contágio não for controlado já, vamos ter um grave problema nacional”, afirma em entrevista à Renascença e ao jornal Público.

A História do Dia
Vinte dias num apagão permanente

A História do Dia

Play Episode Listen Later Feb 18, 2026 14:53


Há quase três semanas sem eletricidade, algumas localidades continuam a viver como se a tempestade nunca tivesse passado. Como se vive sem luz durante vinte dias? Uma conversa com Álvaro Cardoso, presidente da junta de Vieira de Leiria.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Explicador
Isenção de portagens? Questões críticas "ultrapassadas"

Explicador

Play Episode Listen Later Feb 16, 2026 14:39


Governo deixa cair isenção de portagens na região de Leiria, por estar reposta a "normalidade possível". PTRR vai chegar ao terreno nas "próximas semanas", diz secretário de Estado da Proteção Civil.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Resposta Pronta
CIM Leiria. "Infelizmente não tivemos resposta" de Marcelo

Resposta Pronta

Play Episode Listen Later Feb 16, 2026 4:36


Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria pediu a continuidade da isenção de portagens nos troços da A8 e A19. O presidente, Jorge Vala, diz que as autarquias estão a pensar em cobrir os custos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Renascença - A Essência
Vinho e sustentabilidade

Renascença - A Essência

Play Episode Listen Later Feb 16, 2026 10:15


Esta semana o programa é dedicado ao importante tema da sustentabilidade. Primeiro com a Quinta da Serradinha, na região dos Vinhos de Lisboa, um paraíso improvável em Leiria. Depois, com o Ventozelo Hotel & Quinta, no Douro, premiado na mais recente edição dos Best of Wine Tourism na categoria de Práticas Sustentáveis em Enoturismo.

Noticiário Nacional
09h CIM de Leiria quer prolongamento da isenção de portagens

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 15, 2026 10:48


watch.tm
VÍTOR SÁ | #135

watch.tm

Play Episode Listen Later Feb 15, 2026 119:35


Esta semana, pela terceira vez no podcast mas pela primeira a solo, Vitor Sá, o mais célebre comediante-viajante de Lourosa, fala com Pedro sobre a árdua luta entre ser trabalhador e engraçado, usar o telemóvel na estrada, excitação para a primeira tour, querer mas não fazer trends de tik tok e os ensinamentos de João Baião.(00:00) Intro(00:23) Ser engraçado vs ser trabalhador(01:22) Chuva é o novo covid?(02:21) Arraial, primeira tour de Vítor(05:02) Logísticas de dias de chuva(06:14) Para onde vai a lenha de Leiria?(07:15) Mecanismo para aproveitar a água das cheias(09:27) Usar telemóvel na estrada(12:55) O que faz pior, açúcar ou erva?(15:32) Comer Mcdonald's como forma de recompensa(18:30) Importância de ter equipa com boa vibe em tour(24:17) Pedidos estranhos em tour(31:57) Vítor partilha história de noite em Espinho(36:01) Quantas vezes testar material de stand up por semana?(40:03) Vítor tatuou desenhos de PTM(45:33) PTM e Vítor aplicam ensinamento de João Baião(47:07) Ser fã de Conan O'brien(50:35) Reação do público a ideias específicas(54:39) A energia de Vítor Sá(56:43) Como funciona um bug de um carro?(58:29) Apanhar tiques e gimmicks de amigos(1:02:40) Valorizar dias maus de comediante(1:04:02) Fazer trends mas não ter coragem de as publicar(1:07:57) Truques para agarrar pessoas em vídeos(1:12:43) React de PTM a bit de Vítor que não resultou(1:22:18) Recorrer a crowdwork é batota?(1:28:26) Restaurante que só se vai em contexto específico(1:33:41) Que comidas são melhores acabadas de fazer vs no dia seguinte(1:36:36) Pedro é do campo(1:40:24) Bad Bunny no Super Bowl(1:49:17) PTM compara Miguel Morgado a Bad Bunny(1:53:06) Ir a podcast e fazer retrospetiva do que se disse(1:54:54) Discutir teorias da conspiração e perder

A soma dos dias
A Kristin vista pelas empresas e o lay-off

A soma dos dias

Play Episode Listen Later Feb 13, 2026 18:49


Neste episódio relatamos o cenário que vimos em Leiria, num trabalho de reportagem que recolheu testemunhos de empresas da região. Se algumas já retomaram a produção a 100%, outras estão numa situação muito complexa. Depois olhamos para o lay-off criado pelo Governo para o tecido empresarial afetado pela catástrofe. A medida não ficou clara desde o início e o Executivo teve de esclarecê-la. Uma coisa é certa: o lay-off não é acumulável com um outro apoio criado após a Kristin; o do IEFP. Com Diana do Mar e Catarina Almeida Pereira numa edição de Hugo Neutel.

M80 - Linha de Passe
O menino de 9 anos que salvou a mãe com uma chamada para o INEM, foi conhecer o estádio do seu clube!

M80 - Linha de Passe

Play Episode Listen Later Feb 13, 2026 5:55


Conquistou uma medalha nos Jogos Olímpicos e lembrou-se de falar da traição. Jogadores da União de Leiria entraram em campo com mensagem para as regiões afetadas.

Resposta Pronta
"Apoios são insuficientes para aquilo que é necessário"

Resposta Pronta

Play Episode Listen Later Feb 11, 2026 5:25


O presidente da ACILIS, Lino Ferreira, critica a forma como o Governo tem gerido os apoios para Leiria. Descreve ainda, o cenário "caótico" que as empresas vivem na região.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Noticiário Nacional
7h Noite de vigília em Leiria

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 14:51


Noticiário Nacional
0h Vigília em Leiria homenageou as vítimas da tempestade Kristin

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 12:30


Noticiário Nacional
4h Leiria fez vigília em homenagem das vítimas dos temporais

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 8:27


Noticiário Nacional
19h Município de Leiria pede doação urgente de telhas

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 13:19


Explicador
"Se houvesse explicação, a revolta tinha sido controlada"

Explicador

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 14:26


Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria fala em falhas de comunicação diz que isso aumentou a revolta. Em Leiria, 27 mil pessoas continuam sem luz, o distrito mais afetado pelas tempestades.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Explicador
"Há empresas perto do centro de Leiria sem energia"

Explicador

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 12:34


Presidente da Associação Empresarial de Leiria admite dificuldades a contabilizar o impacto do mau tempo. Há "empresas completamente destruídas" e apesar as promessas do Governo, há muitas sem luz.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Expresso - Expresso da Manhã
Repor a electricidade no distrito de Leiria, do provisório ao definitivo, vai demorar meses

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 14:36


A urgência de levar electricidade às famílias e às empresas implica que se avance com soluções provisórias que, até por isso, podem implicar mais pequenas avarias e mais cortes temporários. Até este sábado, dia 14, a Eredes conta ter reposto o fornecimento a 98% dos clientes, mas depois disso é que vai começar a empreitada de tornar definitivas estas reparações. Por agora, há subestações a serem alimentadas por supergeradores a consumirem milhares de litros de combustível. Vai demorar muitos meses e vai custar milhões de euros. A Eredes tem um investimento previsto de 470 milhões para este ano e a subir mais cerca de 100 milhões em cada ano seguinte, mas admite aumentar ainda mais esse investimento, se esse for o entendimento do regulador. O Expresso da Manhã foi ver como estão os trabalhadores da Eredes e dos seus parceiros, ajudados por equipas que chegaram de Itália, Espanha, Irlanda e França, estão a repor a distribuição de energia. No fim dessa visita ao terreno, conversamos com José Ferrari Careto, o CEO da Eredes, na subestação de Andrinos, sobre as soluções que estão a ser encontradas.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Reportagem Observador
Gabinete Reerguer Leiria. "Viemos pedir apoio. Temos dormido sentados"

Reportagem Observador

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 2:50


O Mercado de Santana tem agora 15 gabinetes de atendimento para quem precisa de verbas para recuperação de habitações ou para empresas que precisam de apoio para recuperar a atividade.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Reportagem Observador
Monte Redondo. "Eletricidade? Não há previsão"

Reportagem Observador

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 3:02


Na vila de Monte Redondo, uma das maiores freguesias de Leiria sem eletricidade há quase duas semanas, há supermercados a meia luz, lojas e cafés a funcionar com recurso a baterias e geradores.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Na Golegã as cheias são antigas e a democracia, por uma semana, ficou à espera

Convidado

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 12:44


Na Golegã, a última semana deixou marcas visíveis e outras, menos óbvias, mas igualmente pesadas: estradas cortadas, serviços condicionados, equipamentos municipais danificados e o dia-a-dia mudou. Ao mesmo tempo, o concelho viu adiada a votação da segunda volta das eleições presidenciais, para dia 15 de Fevereiro. Rui Xavier, membro da Assembleia Municipal da Golegã, vive na região há cerca de um ano e meio. Não é natural do concelho, mas fala já com a atenção de quem aprendeu a ler o terreno, os ritmos do rio e os sinais que circulam entre vizinhos. “Aqui é um sítio que tradicionalmente teve e tem muitas cheias”, começa por explicar. E, no entanto, sublinha que desta vez houve um elemento novo: “Em relação à tempestade de vento, chuva, as pessoas mais velhas dizem que não têm memória de uma tempestade deste género.” Apesar do impacto, Rui Xavier faz questão de relativizar a gravidade local face ao resto do país. “Aqui, embora tenha sido razoável em algumas empresas e com a destruição de parte de árvores, ainda assim não tem comparação com o que aconteceu, por exemplo, no epicentro, ali em Leiria e noutras zonas do país.” O prejuízo mais evidente, diz, está na sede do concelho. E aponta casos concretos: “As piscinas municipais têm uma área muito grande envidraçada. Uma parede toda em vidro foi completamente destruída.” O problema, explica, vai além do custo. “Vamos ver o tempo que agora vai demorar a recuperar-se aquele equipamento que é um dos centros da comunidade.” E enumera, com precisão, o que está em causa: “É um sítio onde têm aulas os miúdos das escolas. Há, para além da unidade escolar para pessoas idosas, natação livre.” Ele próprio usa o espaço: “Eu faço muito regularmente lá.” Para Rui Xavier, a dimensão do dano não é apenas material: é logística, social e comunitária. “A recuperação não é só uma questão de dinheiro, é mesmo uma questão agora logística.” Luz intermitente e água a subir Nas freguesias do Pombalinho e da Azinhaga, onde vive, o impacto foi mais contido. “Houve falta de luz durante as primeiras 48 horas na sede do concelho, portanto na vila da Golegã.” Já ali, diz, o cenário foi diferente: “Aqui onde nós estamos, que é o Pombalinho e a Azinhaga, ela foi sendo intermitente. Mas nunca houve um período, creio que mais do que algumas 6 horas, em que tivéssemos estado sem energia.” O concelho vive encostado à água e isso molda tudo. “Nós estamos muito próximos do rio Tejo e aqui, no caso de Pombalinho e Azinhaga, do rio Almonda.” Quando chove a sério, o que acontece é quase previsível: “Sempre que há chuvas mais intensas, o caudal do rio aumenta.” A estrada cortada que muda a vida: 8kms passam a 30kms A consequência mais pesada, sublinha, não foi a destruição de casas, foi a interrupção do movimento. “A estrada que liga a Golegã, a Azinhaga e vice-versa (…) é muito comum ficar cortada.” Mas desta vez, insiste, a duração surpreendeu: “Desta vez ficou cortada e ainda está cortada durante muito mais dias.” E é aqui que o dia-a-dia se encarece. “O caminho entre a Azinhaga e a Golegã são à volta de 8 km.” Agora, diz, a realidade é outra: “Tenho vizinhos, amigos, que estão a fazer 20, 25, 30kms.” Rui Xavier chama-lhe pelo nome certo: impacto económico. “O impacto económico na vida das pessoas é muito grande.” Mesmo sem “um grande impacto no edificado”, a factura chega de outra forma: “A possibilidade de deslocação ou haver uma deslocação que de repente passa a ser três vezes maior.” E remata: “Os valores que as pessoas dispendem nessas deslocações têm um impacto muito grande nas contas do fim do mês.” A forma como estas comunidades vivem a cheia é, para quem chega de fora, quase desconcertante. Rui Xavier reconhece-o: “Eu estou cá há pouco tempo e vou aprendendo.” Mudou-se de Lisboa com a mulher, por gosto e por escolha. Mas, diz, uma preocupação esteve sempre presente: “Sabendo que há cheias regulares nesta zona, estávamos num sítio em que a água facilmente cá chegasse.” A surpresa veio depois: “Percebemos a forma como as pessoas lidam com o caudal a aumentar e a transbordar.” Porque aqui, ao contrário do que se vê na televisão, a água não é apenas medo: é também fertilidade e continuidade. “Tudo aqui à volta, a grande fertilidade dos solos depende em muito de ciclicamente serem alagados.” E aponta a paisagem por trás da sua casa como exemplo. “A água, como nós vemos aqui na parte de trás da minha casa, desde que mantenha estes níveis, é quase uma coisa óptima e uma bênção.” Cita, sem romantizar, o que ouve dos mais velhos: “As pessoas mais velhas dizem mesmo isto: ‘Assim tá óptimo.'” E a condição é clara: “Desde que não tenha impacto na casa das pessoas e que não suba muito mais.” A memória agrícola é antiga. “Uma das pessoas mais velhas disse-me (…) que isto era fantástico, porque aqui há umas décadas (…) se o ano fosse mais ou menos seco (…) alagavam os campos através de valas.” Um saber acumulado, transmitido e adaptado: “Todo esse conhecimento acumulado mantém-se.” Para Rui Xavier, a palavra-chave é relação: “Há uma relação muito mais simbiótica com a natureza e até com a proximidade da água.” “A lei da gravidade cumpre-se" Hoje existem réguas hidrométricas, alertas, Protecção Civil e medições em tempo real. Rui Xavier reconhece: “A informação flui de uma maneira que não tem comparação com há décadas atrás.” E elogia o papel local: “As juntas de freguesia tiveram um trabalho muito importante em manter a população informada.” Mas há outra camada, mais antiga, mais humana, mais exacta do que parece: a leitura do território. “As pessoas aqui têm um conhecimento empírico disso, de observação, muitas vezes baseadas em marcos de construção.” Conta um episódio que vale por um tratado de geografia local. A estrada que liga o Pombalinho a Mate Miranda foi cortada por precaução. Rui Xavier falava com o vizinho Manuel, 90 anos, que viveu todas as grandes cheias do século passado e deste século, em 2013. A resposta do homem foi imediata: “Eles cortaram a estrada por precaução, mas ainda se passa lá.” E como é que se sabe? Rui Xavier explica o critério: “Para as pessoas da idade dele, é ter água acima do joelho ou na cintura.” A razão é simples: “Porque já não dá para passar de bicicleta, porque é assim que as pessoas se deslocavam aqui durante décadas.” E continua, “O Manel ainda hoje, com 90 anos, todos os dias anda de bicicleta.” O momento culmina numa frase que Rui Xavier repete com admiração: “Para não passar na estrada de Mate Miranda, a água tem que chegar aqui a este poste.” E depois a conclusão perfeita: “A lei da gravidade cumpre-se. E a água é autonivelante.” O conhecimento do terreno, diz, é tão profundo que dispensa deslocações. “Sabem que quando isto acontece aqui tem implicações ali e não precisam de ir lá sequer ver. Têm a certeza.” Voto adiado para domingo, 15 de Fevereiro No meio deste cenário, o adiamento da votação na segunda volta das presidenciais deixou frustração e um debate inevitável. Rui Xavier não esconde a sua posição: “Eu preferia ter podido votar este domingo” E acrescenta: “As condições climatéricas estão razoáveis e acho que seria possível votarmos.” Ainda assim, não aponta o dedo. “Compreendo que as autoridades tenham avaliado com antecedência e tenham avaliado o risco.” E lembra que a sucessão de tempestades foi imprevisível: “Estavam anunciadas estas outras, embora não me agrade não poder votar, eu compreendo essa precaução.” A frase que usa é rara na política portuguesa, como ele próprio nota: “Parece uma coisa nada portuguesa, mas vale prevenir.” A garantia que o tranquiliza é simples: “Eu sei que vou votar no próximo domingo (…) e que o meu voto também conta.” E deixa um apelo directo à participação: “Acho que é uma obrigação a nossa voz também ser ouvida.” Rui Xavier admite o incómodo, mas recusa dramatismos: “Não é o ideal, mas é o possível.” E insiste na ideia central: segurança primeiro. “Pôs-se em prioridade a possibilidade das pessoas poderem votar em segurança e o processo ser mais razoável.” O concelho, lembra, está em situação de calamidade. E faz um exercício concreto: “Imaginemos que estas últimas 24 horas tinham sido realmente muito fustigadoras.” Estradas cortadas, comboios interrompidos, pessoas a deslocarem-se de fora para votar: “Isso não era muito razoável.” No fim, regressa à mesma lógica que viu nos cortes de estrada e nos avisos de cheia: precaução. “Compreendo que uma estrada seja cortada quando há pouca água a passar por cima, mas que ainda assim é um risco para a população.” A Golegã, como tantas vezes, volta a ser um território entre dois movimentos: o da água que sobe e o do país que tenta avançar. Aqui, as cheias são antigas — e a democracia, por uma semana, ficou à espera.

Noticiário Nacional
15h Autarca de Leiria critica E-Redes e responsáveis políticos

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 9, 2026 12:06


Reportagem Observador
Gonçalo Lopes: "Há um silêncio da E-Redes e falta liderança"

Reportagem Observador

Play Episode Listen Later Feb 9, 2026 2:00


Para mais logo está marcada, em Leiria, uma vigília solidária pelas pessoas que ainda estão sem energia. O Presidente da Câmara diz que falta informação e liderança da E-Redes.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Reportagem Observador
"Vamos reerguer Leiria com toda a determinação e força"

Reportagem Observador

Play Episode Listen Later Feb 9, 2026 1:47


O Presidente da Câmara de Leiria promete determinação e força na reconstrução das áreas afetadas. Mensagem de Gonçalo Lopes deixada numa vigília de homenagem às vítimas da tempestade Kristin.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Noticiário Nacional
17h Leiria: aumenta para 82 as pessoas deslocadas

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 8, 2026 9:12


Noticiário Nacional
10h Afinal vota-se em São Simão de Litém, em Leiria

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 8, 2026 11:38


Reportagem Observador
Leiria. Votação normal, apesar dos constrangimentos

Reportagem Observador

Play Episode Listen Later Feb 8, 2026 1:50


Em Leiria, apesar da alteração nos locais de voto, a manhã fica marcada por uma grande afluência. Em São Simão de Litém, Pombal, apesar do apelo ao boicote, a votação decorre com normalidade.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Noticiário Nacional
15h Autarcas de Leiria pedem explicações à E-Redes

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 7, 2026 10:47


Noticiário Nacional
9h Chuva intensa nas regiões de Leiria e Lisboa

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 7, 2026 9:41


Economia dia a dia
Tempestade Kristin: o que falhou na rede elétrica em Portugal?

Economia dia a dia

Play Episode Listen Later Feb 7, 2026 15:20


A depressão Kristin provocou danos significativos nas infraestruturas elétricas em Portugal. Milhares de pessoas ficaram sem eletricidade durante vários dias, sobretudo na região centro do país. O que explica o impacto desta tempestade na rede elétrica? A análise deste tema foi feita pela jornalista da secção de Economia do Expresso Bárbara SilvaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Renascença - As Três da Manhã
Resumo de 06 de Fevereiro de 2026

Renascença - As Três da Manhã

Play Episode Listen Later Feb 6, 2026 70:15


Emissão especial no estádio de Leiria, com relatos emocionantes e informações preciosas para quem pretende ajudar as populações afetadas pela tempestade Kristin.

Expresso - Expresso da Meia-Noite
Que impacto teve a tempestade na campanha para Belém?

Expresso - Expresso da Meia-Noite

Play Episode Listen Later Feb 6, 2026 47:16


A tragédia destes dias, com epicentro em Leiria, espalhou-se por várias regiões com cheias como há muito não se via. A discussão instalou-se, o Governo foi acusado de ter demorado a reagir. As várias populações desesperam com a falta de energia, água e telecomunicações. No meio de tudo isto a campanha eclipsou-se. No Expresso da Meia-Noite, com moderação de Bernardo Ferrão, são convidados Jean Barroca, secretário de Estado da Energia; Eduardo Cabrita, ex-ministro da Administração Interna do PS; João Almeida, ex-secretário de Estado da Administração Interna e deputado do CDS-PP; e António Gomes, diretor-geral da GFK Metris. Ouça o debate emitido na SIC Notícias a 6 de fevereiro. Para ver a versão vídeo deste episódio clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Reportagem - Renascença V+ - Videocast
Pavilhões e campos arrasados. Como o desporto em Leiria foi afetado pela depressão Kristin

Reportagem - Renascença V+ - Videocast

Play Episode Listen Later Feb 6, 2026 1:35


Pavilhões e campos arrasados. Como o desporto em Leiria foi afetado pela depressão Kristin

Convidado
“Democracia não é só o voto”: Raquel Varela sobre a 2.ª volta das presidenciais

Convidado

Play Episode Listen Later Feb 6, 2026 16:43


A campanha para a segunda volta das presidenciais portuguesas termina esta sexta-feira, com um país dividido; entre a promessa de ordem e a defesa da democracia. A historiadora e investigadora, Raquel Varela, alerta para a ameaça representada por André Ventura, líder do partido de extrema-direita, critica a cumplicidade mediática e questiona o apoio da direita a António José Seguro, candidato apoiado pelo PS. Para a historiadora, o voto pode travar o pior, mas não cura a “pneumonia” do sistema. A campanha para a segunda volta das eleições presidenciais termina esta sexta-feira, 6 de Fevereiro, e chega ao fim com um traço comum: falou-se menos de propostas e mais de um retrato do país. Nesta segunda volta, António José Seguro procurou apresentar-se como candidato da estabilidade institucional, enquanto André Ventura tentou ocupar o lugar do choque político. Pelo meio, o debate tornou-se mais emocional do que racional, mais centrado no medo e na raiva do que numa ideia clara do futuro. É a partir desse retrato que Raquel Varela, historiadora e investigadora, faz a sua leitura. “Eu acho que nós temos que fazer perguntas porque, normalmente, são muito melhores do que as respostas”, afirma, antes de justificar porquê. “Não devemos tentar respostas fáceis, não é? (…) às vezes é preciso fazer perguntas muito difíceis a nós próprios.” A pergunta que coloca, diz, é desconfortável e obriga a rever certezas: “Porque é que a maioria dos quadros de direita do país ou do centro direita, grande parte deles apoiam António José Seguro?” Raquel Varela sublinha que esta questão entra em choque com hipóteses que vinham a ser formuladas. “Isto é um contrassenso face àquilo que pessoas, como eu tinham dito há meses e há anos”, diz, referindo-se à ideia de que as classes dirigentes portuguesas estariam a apoiar “alguma solução de tipo fascista ou bonapartista”, isto é, “alguma forma de restrição dos direitos, liberdades e garantias”. E acrescenta, sem fugir à revisão: “Como é que eu posso responder a esta pergunta difícil (…) que me mobiliza também aquilo que eu pensava? Estava errada.” Para a historiadora, a própria análise política exige aceitar a possibilidade do erro: “Nós erramos em ciências sociais são apostas, são hipóteses.” A dúvida sobre a estratégia das classes dirigentes não altera, porém, a certeza sobre André Ventura. “Não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que André Ventura representa uma ameaça à democracia”, afirma. E reforça a caracterização: “Mais do que uma ameaça à democracia, é um partido de caráter fascista.” Raquel Varela aponta ainda o que considera ser o início de um processo mais amplo: “É uma ameaça aos direitos do trabalho e a violência contra os imigrantes é só o início da violência contra os trabalhadores em geral”, referindo o caso norte-americano: “Como se viu com o ICE e a milícia de Donald Trump nos Estados Unidos.” Raquel Varela enquadra esse crescimento com uma crítica directa ao papel da comunicação social. “André Ventura tem sido levado ao colo por grande parte dos jornais que são detidos por empresas em Portugal”, afirma. E inclui também órgãos “dependentes do Estado”, como a televisão pública. A historiadora considera que isso é um tema interno da própria profissão: “Isso também é um debate a ter dentro do jornalismo em Portugal”, e acrescenta que o jornalismo vive “uma fase mais crítica (…) com menos capacidade de dar espaço ao dissenso.” Mas a questão decisiva, insiste, está no movimento defensivo das elites em direcção a António José Seguro. Raquel Varela descreve esse movimento como revelador. “Nós vimos agora (…) históricos da direita, do ultraliberalismo (…) e agora apoiam António José Seguro”, afirma. E dá exemplos: “Cavaco Silva apoia António José Seguro, Paulo Portas apoia António José Seguro.” A pergunta regressa: “Nós temos que perguntar porquê.” A resposta que formula, por agora, é que as classes dirigentes portuguesas “estão com enormes dificuldades em governar”. Esse medo, diz, é o medo de perder o controlo político do país. “Estas eleições revelam um grande medo das classes dirigentes perderem a mão”, afirma. E clarifica o sentido dessa expressão. “Não é perderem a mão no sentido de que vai haver um fascista a governar o país, é perderem a mão no sentido em que as classes trabalhadoras e médias perdem a paciência.” Para sustentar a leitura, Raquel Varela recorda um facto recente: um governo de direita “acabou de enfrentar uma greve geral com 3 milhões de trabalhadores”. A historiadora defende que o papel do Presidente da República não pode ser visto como decorativo num contexto destes. “Se nós temos na presidência da República alguém que não faz o contrapeso a isto, que não tem alguma capacidade de diálogo com o mundo do trabalho, nós podemos ter uma situação de tipo Donald Trump”, afirma. A comparação surge acompanhada de uma observação que, para si, revela o efeito paradoxal da radicalização do poder. “O Donald Trump fez mais pela greve geral nos Estados Unidos do que qualquer esquerda nos últimos 50 anos, porque hoje em dia fala-se em greve geral nos Estados Unidos.” A investigadora descreve o clima político como uma mobilização de afectos defensivos. “Estes afectos tristes que estão a ser mobilizados e que implicam muito medo”, diz, recuperando uma expressão do ensaísta Perry Anderson. E coloca a crise no centro do regime: “A crise de representação é das classes trabalhadoras médias e das classes dirigentes. Há uma rotura entre representantes e representados.” Para Raquel Varela, é essa rotura que explica por que razão uma campanha presidencial se transformou num confronto entre medos. Para tornar essa crise concreta, Raquel Varela recorda uma reportagem que fez esta semana em Leiria, Marinha Grande e Vieira de Leiria, depois de ventos ciclónicos terem destruído casas e infra-estruturas. A historiadora diz que a população queria ser ouvida. “Demos por nós com as pessoas a virem atrás de nós a dizer: ‘Eu quero falar'.” E as frases repetiam-se com força política. “Somos contribuintes, não somos cidadãos. Existem dois países, um país lá e nós aqui.” O “nós aqui”, sublinha, é “100 km de Lisboa” e não um lugar distante do mapa. Raquel Varela descreve o que considera ter sido “o colapso completo do Estado”. “Uma semana depois não havia sequer um sistema de construção público capaz de ter ido tapar os telhados das pessoas”, afirma. O detalhe que destaca é, para si, simbólico: “Estão a ser tapados com lonas, lonas da Iniciativa Liberal e do Chega, que é metafórico do que é que estes partidos da privatização têm a dizer às pessoas.” A falha, insiste, não foi falta de solidariedade, mas falta de capacidade material. “O que as pessoas precisam é de gruas, de guindastes, de camiões, de pedreiros, de eletricistas, de alta atenção, de respostas rápidas.” No mesmo terreno, diz, viu-se a fragilidade do populismo. “As pessoas desprezaram as políticas de André Ventura a distribuir garrafas de água”, observa. E percebeu que “isto não vai lá com comunicação.” A realidade expôs ainda um contraste decisivo em relação ao discurso anti-imigração. “Se não fossem os pedreiros brasileiros do Nepal e do Bangladesh nem lonas tinham conseguido pôr.” Uma senhora, conta, deixou uma frase que considera reveladora: “Quem está a votar no André Ventura devia ter vergonha.” E colocou uma pergunta que, para Raquel Varela, funciona como lição histórica: “Como é que vocês acham que a Alemanha e a Suíça foram reconstruídas depois da guerra? Não foi com imigrantes?” Raquel Varela aponta também responsabilidades aos partidos de esquerda. “Penso que há uma enorme responsabilidade nos partidos de esquerda que tiveram muito medo de ser radicais”, afirma. E explica o que entende por esse medo: “Tiveram muito medo de questionar o sistema, de questionar este balcão de negócios privados que é o estado.” Na sua leitura, a esquerda seguiu políticas que considera destrutivas. “Foram atrás das políticas da União Europeia de elevação da dívida pública, de destruição do emprego público e assistencialistas.” O resultado, diz, foi uma esquerda reduzida a uma diferença mínima. “A diferença hoje em dia entre a esquerda e a direita que teve no governo é se há mais ou menos assistencialismo. Isso não faz uma política de esquerda.” A faltarem dois dias para a segunda volta das eleições, Raquel Varela recusa a ideia de que a escolha resolva o problema. “Eu acho que sobreviveu uma vez mais”, afirma, referindo-se à democracia. E deixa claro o sentido de um voto em António José Seguro contra André Ventura. “Quem quer que vá votar a António José Seguro contra André Ventura tem que saber que está a votar para impedir André Ventura de chegar, não está a votar para criar um sistema político e social que nos impeça os André Venturas desta vida.” A metáfora final fecha a sua leitura: “É o idêntico a tomar uns antipiréticos numa pneumonia”, um gesto que pode ser necessário no imediato, mas que exige um passo seguinte: “ir rapidamente resolver o problema da pneumonia.”

Pastéis de Marketing's Podcast
Tempestade SOS e SOS Leiria com Ricardo Paiágua e Flavio Fusuma - e340s01

Pastéis de Marketing's Podcast

Play Episode Listen Later Feb 5, 2026


Neste episódio falamos com os criadores dos sites de emergência Ricardo Paiáguae (TempestadeSOS.com) e Flávio Fusuma (SOSLeiria.pt).

Convidado
Presidenciais portuguesas: “O partido dos emigrantes é a abstenção”

Convidado

Play Episode Listen Later Feb 5, 2026 11:01


Na segunda volta das presidenciais, António José Seguro e André Ventura enfrentam-se num país polarizado. Fora de Portugal, a primeira volta ficou marcada por cerca de 95% de abstenção, consequência do voto presencial. O candidato do partido de extrema-direita, Chega, foi o mais votado entre os poucos que participaram, mas com apenas 29 mil votos. O historiador Victor Pereira relativiza o resultado e alerta para a normalização de ideias extremistas no debate público. A segunda volta das eleições presidenciais portuguesas coloca frente a frente António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista, e André Ventura, líder do Chega, partido de extrema-direita, num contexto de polarização. Fora de Portugal, a primeira volta ficou marcada por uma participação baixa, cerca de 95% de abstenção, devido ao voto ser presencial. Entre os poucos que votaram, André Ventura ficou em primeiro, um resultado muito comentado, mas pouco representativo do conjunto da diáspora. Para compreender melhor o que esta segunda volta revela sobre o país e sobre a vida fora dele, entrevistámos o historiador Victor Pereira, especialista na emigração portuguesa e na história social contemporânea. Para o investigador, a campanha ficou marcada por acontecimentos recentes e pela forma como os candidatos encenaram o seu papel. “A segunda volta está muito marcada pela tempestade”, afirma, referindo-se ao impacto sentido “sobretudo na região Leiria”. Segundo Victor Pereira, foi sobretudo nesse contexto que se evidenciaram “dois tipos de temperamento, dois tipos de presidentes diferentes”. De um lado, descreve André Ventura como alguém que “foi muito rapidamente a Leiria e colocou-se um pouco num palco a entregar água”, apresentando-se como “um presidente muito interventivo e que faz ele próprio”. Do outro, aponta António José Seguro como alguém “numa postura mais tradicional”, “a pedir e a incentivar o governo, as sociedades a trabalhar”, o que, na leitura do historiador, expôs “duas formas de pensar o papel do Presidente da República em Portugal”. A segunda volta, diz, acabou por girar em torno dessa diferença. “Um mais interventivo e outro mais de árbitro e de controlar a actividade do governo”, resume. E acrescenta que, no caso de André Ventura, se notou “querer mais uma vez modificar as estruturas do estado português e a forma como se faz política”, apontando para uma ambição de ruptura com o que se consolidou “mais ou menos desde os anos 80 em Portugal”. No que toca à diáspora, Visto Pereira rejeita a ideia de uma viragem esmagadora da emigração para a extrema-direita. Dizer que o Chega conquistou os eleitores emigrantes, é usar “uma palavra muito forte”, sublinha. E insiste na escala real do resultado: “Acho que é sempre bom relembrar que o André Ventura obteve 29.000 votos.” Para o historiador, o número é reduzido não só tendo em conta os inscritos, mas também perante o universo total de portugueses no estrangeiro: “É muito pouco comparado com 1.700.000 inscritos e é muito pouco comparado com o universo do português tá lá fora.” Victor Pereira explica que o efeito político do resultado não está na dimensão, mas na leitura pública que se impôs. “O que o Ventura conseguiu, é mais ou menos um assalto, conseguiu de facto chegar em primeiro lugar”, afirma. E recorda que o próprio líder do Chega repetiu, sem ser contrariado, a ideia de ter vencido no estrangeiro: “Ele tinha sido eleito, tinha chegado em frente na diáspora, o que é verdade.” No entanto, sublinha: “Chegar à frente com 29.000 votos é 1,65% dos inscritos. É muito pouco.” O historiador nota ainda que este resultado foi interpretado, em Portugal, de forma distorcida. “Muitas pessoas dizerem que a emigração tinha voltado maioritariamente para André Ventura”, refere, considerando que isso é “em parte verdade, mas em grande parte falso”. A razão é simples: “O partido dos imigrantes é abstenção e de longe.” Questionado sobre se esta segunda volta pode representar um ponto de viragem democrático, Victor Pereira diz que “ainda é muito cedo para o dizer”, mas reconhece que há sinais relevantes. Um deles é a normalização de ideias extremistas no debate público. “No debate presidencial o André Ventura falou-se obviamente da emigração”, recorda, e “falou mais ou menos da grande substituição”, descrevendo-a como “essa ideia que existe em França, que há um complô para substituir a população europeia”. Para o historiador, o que mais impressiona é que “ele disse isso” e que “ninguém não corrigiu”, quando se trata de um conceito que “há 15 anos apenas a neonazis diziam de forma escondida”. Victor Pereira considera que este é um dos principais efeitos do Chega: “Ele conseguiu impor ideias” que antes estavam confinadas em sectores marginais e que, agora, “passam no debate sem chocar ninguém”. E sublinha a rapidez com que isso aconteceu em Portugal: “Foi preciso várias décadas em França, por exemplo, meia dúzia de anos, e aqui André Ventura conseguiu impor ideias, em sete anos". Quanto às razões da ascensão do partido, Victor Pereira sugere que a pergunta pode ser invertida. “Podemos mudar a pergunta e perguntar por que é que isso aconteceu tão tarde em Portugal”, afirma, lembrando que durante décadas o país foi “quase o último país a conhecer uma extrema direita forte”. Mas, diz, “Portugal de facto agora já não é uma excepção”, e está “sintonizado com França, com Espanha, com Itália, com Hungria”. Ao mesmo tempo, aponta para factores internos: “A taxa de abstenção é mais ou menos 40%”, e “sempre houve uma parte significativa da população portuguesa que não vota”, porque “não encontrava candidatos” ou porque “achavam que o voto deles não fazia diferença”. Finalmente, ao falar do 25 de Abril e do medo que hoje atravessa o debate político português, Victor Pereira aponta um contraste importante. “Poucas pessoas idosas votam nesta extrema direita”, afirma. Ao contrário do que sucede noutros países, em Portugal “as pessoas mais idosas não votam no Chega”, porque muitas “sabem muito bem que Portugal não está pior e está bem melhor”. Para o historiador, o que está em causa é também uma falha de transmissão histórica: “Parece que dentro das famílias não houve uma transmissão do que é e do que foi Portugal”, nem sequer do medo diário que se sentia durante o Estado Novo, “ter medo de falar num café”, ou da pobreza e desigualdade de décadas passadas. Sem essa memória, conclui, torna-se mais fácil aceitar “um discurso irreal sobre um país que nunca existiu”.

Reportagem - Renascença V+ - Videocast
Depois do vento, as cheias: rio Lena transborda em Leiria e deixa em risco habitações

Reportagem - Renascença V+ - Videocast

Play Episode Listen Later Feb 5, 2026 1:35


Depois do vento, as cheias: rio Lena transborda em Leiria e deixa em risco habitaçõesf876

Sem Moderação
Tempestade Kristin não perdoou o “défice de antecipação” do Governo, que só reagiu “à medida que os autarcas iam gritando na televisão”

Sem Moderação

Play Episode Listen Later Feb 4, 2026 20:39


A catástrofe causada pela tempestade Kristin, especialmente na zona de Leiria, mantém milhares de portugueses sem luz e com as habitações despedaçadas há mais de uma semana. A resposta do Governo surgiu a várias vozes, mas nenhuma parece ter conseguido apaziguar o descontentamento com a ação do executivo liderado por Luís Montenegro. Daniel Oliveira afirma que a “ausência de preparação do governo é evidente”, Francisco Mendes da Silva acredita que tu se resume à “falta de uma voz inequívoca de comando político.” Ouça a análise no Antes Pelo Contrário em podcast, emitido na SIC Notícias a 4 de fevereiro. Para ver a versão vídeo deste episódio clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Actualidade - Renascença V+ - Videocast
Autarca de Leiria: "É dramático. 50 mil casas estão 'out' há quatro dias, não há 12 horas como no apagão"

Actualidade - Renascença V+ - Videocast

Play Episode Listen Later Feb 1, 2026 1:35


Autarca de Leiria: "É dramático. 50 mil casas estão 'out' há quatro dias, não há 12 horas como no apagão"

Good Morning Portugal!
Kristin Aftermath on Good Morning Portugal! #kristin #portugal #weather #aftermath #leiria #chaos

Good Morning Portugal!

Play Episode Listen Later Jan 31, 2026 32:22 Transcription Available


After two days off-air due to power and internet outages caused by Storm Kristin, Carl & Good Morning Portugal! return to re-connect the community, assess the aftermath and look forward, together..."The one you're thinking of is Good Morning Portugal! hosted by Carl Munson. It's an English-language live show/podcast aimed at expats (especially 50+ folks) settling into or loving life in Portugal. It's streamed live on YouTube weekdays around 8-9 AM (often with a cheerful Olá Bom Dia ALEGRIA! vibe), covering news, weather, culture, wellbeing, property tips, moving advice, and fun chats. Carl helps people buy, rent, or scout homes—contact him at +351 913 590 303 or carl@carlmunson.com if you need that. You can catch full episodes on YouTube (channel: Good Morning Portugal!), as a podcast on Spotify/Apple, and join the free Portugal Club community at theportugalclub.com for more support and connection. It's super positive, community-focused, and still going strong in 2026!" - GrokBecome a supporter of this podcast: https://www.spreaker.com/podcast/the-good-morning-portugal-podcast-with-carl-munson--2903992/support."The one you're thinking of is Good Morning Portugal! hosted by Carl Munson. It's an English-language live show/podcast aimed at expats (especially 50+ folks) settling into or loving life in Portugal. It's streamed live on YouTube weekdays around 8-9 AM (often with a cheerful Olá Bom Dia ALEGRIA! vibe), covering news, weather, culture, wellbeing, property tips, moving advice, and fun chats. Carl helps people buy, rent, or scout homes—contact him at +351 913 590 303 or carl@carlmunson.com if you need that. You can catch full episodes on YouTube (channel: Good Morning Portugal!), as a podcast on Spotify/Apple, and join the free Portugal Club community at theportugalclub.com for more support and connection. It's super positive, community-focused, and still going strong in 2026!" - Grok

Conversas à quinta - Observador
A História do Dia. Leiria. As horas críticas depois da tempestade

Conversas à quinta - Observador

Play Episode Listen Later Jan 30, 2026 18:09


Quatro mortos, mais de 230 feridos e uma cidade sem luz, água ou comunicações. O relato de Leiria nas horas mais críticas depois da passagem da tempestade Kristin.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Prova Oral
Leiria

Prova Oral

Play Episode Listen Later Jan 30, 2026 57:00


Uma Prova Oral sem convidado, mas com um foco indispensável: Ajudar.

Ideias Feitas
Leiria: videoclipe do ministro e a culpa de Trump

Ideias Feitas

Play Episode Listen Later Jan 30, 2026 4:53


Alberto Gonçalves comenta algumas reações à tragédia de Leiria.See omnystudio.com/listener for privacy information.

A História do Dia
Leiria. As horas críticas depois da tempestade

A História do Dia

Play Episode Listen Later Jan 30, 2026 18:09


Quatro mortos, mais de 230 feridos e uma cidade sem luz, água ou comunicações. O relato de Leiria nas horas mais críticas depois da passagem da tempestade Kristin.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ainda Bem que Faz Essa Pergunta
Portugal continua mal preparado na resposta a calamidades?

Ainda Bem que Faz Essa Pergunta

Play Episode Listen Later Jan 30, 2026 5:52


Leiria está isolada sem comunicações e eletricidade. A resposta a calamidades até melhorou nos últimos anos à custa de erros do passado, mas ainda há muito a fazer. E o CDS vive um conflito interno?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Expresso - Expresso da Manhã
Porque foi tão violenta a tempestade Kristin? Devemos esperar outras iguais do comboio de tempestades que está no Atlântico?

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later Jan 29, 2026 15:52


A tempestade Kristin fez cinco mortos e causou muitos estragos, sobretudo na zona centro do país. Foi a terceira tempestade, e a mais violenta, em menos de uma semana, mas o comboio de tempestades que tem afectado toda a Europa ainda vai trazer mais chuva, vento e frio a Portugal. Para perceber por que razão foi tão forte esta tempestade, porque atingiu com tanta força o centro do país e, sobretudo a zona litoral, conversamos com o climatologista e fundador da Planoclima, Mário Marques.See omnystudio.com/listener for privacy information.