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O Major-General do exército português Carlos Branco que tem partilhado periodicamente na RFI as suas análises sobre os conflitos vigentes no Médio Oriente e entre Kiev e Moscovo, lançou no passado mês de Julho um livro especificamente dedicado às raízes da guerra na Ucrânia. Intitulado "Ucrânia, variações de uma guerra inacabada", este livro compila uma série de artigos que o Major-General publicou nestes últimos anos sobre a história recente da Ucrânia. Autor de cinco livros publicados sobre a Guerra Fria, o Afeganistão, ou ainda sobre o conflito na ex-Jugoslávia, o Major-General Carlos Branco analisa ao pormenor e desfaz o discurso oficial em torno do conflito na Ucrânia, baseando-se em fontes documentais e na sua experiência em diversas organizações internacionais, nomeadamente a Aliança Atlântica, no seio da qual ocupou o cargo de Director da Divisão de Cooperação e Segurança Regional, do Estado-Maior Militar Internacional da NATO, em Bruxelas. Em entrevista à RFI, o Major-General Carlos Branco começa por apresentar no que consiste a sua obra sobre a Ucrânia. RFI: Do que fala concretamente o seu livro? Major-General Carlos Branco: Este livro é a compilação de mais de 70 artigos que eu fui publicando sobre o tema da guerra na Ucrânia, com uma série de artigos anteriores ao início da guerra propriamente dita em 2022, artigos publicados a seguir a 2014. Porque, na prática, a guerra não começa em 2022, começa em 2014 e é fundamentalmente uma reflexão no seu conjunto, claro, de uma uma interpretação realista das relações internacionais aplicadas ao caso concreto da guerra na Ucrânia. Basicamente, é uma análise centrada no papel das grandes potências na cena internacional. Neste caso concreto, o papel dos Estados Unidos e da Rússia e, no fundo, apresentar este conflito fundamentalmente com duas vertentes: a vertente internacional que envolve a afirmação hegemónica dos Estados Unidos. É apenas um capítulo, a guerra na Ucrânia, como outros, o Irão, como agora mais recentemente estas iniciativas para a Gronelândia, o controlo da Venezuela, o controlo do Canal do Panamá, etc. Portanto, uma dinâmica de conflito entre grandes potências e, nesse caso, uma tentativa dos Estados Unidos chegarem às fronteiras da Rússia, algo que uma grande potência não autoriza, não autoriza a Rússia, como também não autorizam os Estados Unidos, como também não autoriza a China. E depois há a outra dinâmica, que é um conflito que é fundamentalmente interno na Ucrânia, entre os diferentes grupos ucranianos. Porque a Ucrânia não é um país uno, é um país multinacional, é um país com vários grupos étnicos. E o que nós estamos a assistir é a tentativa de um grupo prevalecer relativamente aos outros, impondo-lhes uma série de coisas que para eles são inaceitáveis. Podíamos começar pelo exemplo da língua. O grupo que nesta altura se encontra no poder na Ucrânia, tenta que a língua ucraniana seja a única língua falada na Ucrânia. Quando nós sabemos perfeitamente que por toda a Europa democrática existem vários países multilingues e isso não é de modo nenhum uma excepção. São vários os países em que isso acontece. Não se compreende porque é que isto também não acontece na Ucrânia, um país que tem vários grupos étnicos e linguísticos. Portanto, a estes dois confrontos, este segundo confronto acabou por ser um confronto Ucrânia-Rússia. Uma vez que a esmagadora maioria da população do leste da Ucrânia é a população russa. Quando a população russa começou a ser atacada no rescaldo de um golpe de Estado de 2014 que derrubou um governo, um Presidente da República democraticamente eleito e instrumentalizado, sem qualquer margem para dúvidas e com a imensa evidência, por parte dos Estados Unidos, essas populações naturalmente reagiram. E houve, portanto, depois, uma solidariedade russa entre Moscovo e os seus 'irmãos' russos, que se encontravam inseridos na Ucrânia. Portanto, o livro elabora muito à volta dessas duas dinâmicas. Como é que elas se interceptam, como é que elas se influem mutuamente e como é que, em última análise, uma acaba por servir de instrumento à materialização da outra. Concretamente, refiro-me ao projecto hegemónico norte-americano que procura impor à Rússia uma derrota estratégica. Uma derrota estratégica essa que terá seguramente várias matizes, mas que fundamentalmente passa por colocar um governo que lhe seja favorável no Kremlin. E, portanto, a partir daí, desenvolver todas as suas acções, nomeadamente no domínio económico, do controlo energético, etc, etc. Se isso acontecesse, seria um controlo mundial por parte dos Estados Unidos e isso não vai acontecer. O que é de salientar, é mais um erro de cálculo estratégico dos Estados Unidos que nos tem vindo a habituar. Tiveram erros de cálculo no Vietname, no Afeganistão, no Iraque, na Líbia. É mais um erro de cálculo estratégico no Irão, porque as coisas saíram quase que diametralmente opostas àquilo que eles queriam fazer. E é sempre a mesma tentativa de substituir um governo por outro que lhe seja favorável. E a partir daí, conseguem manobrar. Foi o que fizeram em Kiev. E portanto, Kiev, na prática, é peão deste grande xadrez entre as grandes potências. RFI: Precisamente, desfaz uma série de mitos em torno das raízes da guerra, aquilo que foi apresentado como uma revolução em 2014, também desfaz os mitos sobre o que acontece dentro da própria Ucrânia, também sobre o estado da oposição dentro da Rússia e também dos próprios interesses, não só dos Estados Unidos, como também da Europa. No meio deste conflito, como é que está a Europa no meio disto tudo? Major-General Carlos Branco: A Europa está num beco sem saída porque com estes dirigentes que estão no poder nesta altura, é difícil ver uma saída para este conflito. Inicialmente, a Europa acabou por aliar-se aos Estados Unidos e apoiar os Estados Unidos neste esforço contra a Rússia. Temos presente, por exemplo, a questão das sanções, etc. Mas a Europa, no meio disto tudo, foi extremamente prejudicada. Por exemplo, a questão energética. O modelo de desenvolvimento industrial europeu baseava-se muito na energia barata que era fornecida pela Rússia e isso acabou. E nós sabemos quem é que fez isso. Os Estados Unidos não permitiram que existisse essa relação entre a Europa, mas fundamentalmente, entre a Alemanha e a Rússia. Isso não é nada de agora, é uma coisa antiga. E a Europa, nesta altura, acaba por, em termos energéticos, consumir muito mais caro. O gás natural, vai comprá-lo aos Estados Unidos e não só, mas é muito mais caro e está a ter grandes dificuldades do ponto de vista do desenvolvimento económico e industrial, fundamentalmente porque não tem as matérias-primas que são indispensáveis para o novo paradigma económico, que passa fundamentalmente pela computação, a computação quântica, grande consumo de dados e a Europa não tem terras raras, para não falar na questão energética. Portanto, tem uma grande dependência. Mas o que é curioso é que a Europa está a falar para dentro, porque quando fala de autonomia, tem que perceber que não é autónoma e portanto, tem que considerar este elemento no processo de decisão e provavelmente terá que se adaptar do ponto de vista das políticas. Mas eu acho que o problema da Europa não é só a questão das matérias-primas. Repare, se nós tivermos em consideração as grandes tecnológicas mundiais, as 'sete magníficas' são todas americanas e nenhuma delas é europeia. E além disso, temos também a juntar-se a este grupo de grandes tecnológicas, também as chinesas. E quando falamos, por exemplo, de 'chips', a Europa é absolutamente deficitária nessa matéria. E se quisermos fazer uma análise mais profunda e verificarmos, por exemplo, as patentes nos mais variados domínios registadas pelos europeus e registadas pelos americanos e pela China, então pela China, muito mais, nós cada vez percebemos que existe uma 'décalage' aí. Repare, há cerca de talvez 20 anos, o PIB agregado da Europa era muito semelhante ao dos Estados Unidos. Hoje é cerca de dois terços. Portanto, quando falamos em dados concretos, nós podemos ter uma dimensão despida de preconceitos ideológicos e perceber que a Europa está numa regressão. Portanto, devia ter tomado uma série de medidas que pudessem inverter esse caminho. Mas as pessoas que estão nesta altura à frente da União Europeia e também dos países da Europa, não são pessoas qualificadas e, portanto, o caminho é escuro. Por exemplo, o comportamento da Europa relativamente a esta guerra na Rússia é uma coisa absolutamente difícil de explicar. RFI: Precisamente, no seu livro fala da deterioração das relações da Europa não só com a China, mas também com a Rússia. E, portanto, tendo em conta que a Europa, ou pelo menos os seus dirigentes, conhecem qual é a agenda dos Estados Unidos relativamente a este conflito, como é que se explica que hoje em dia, os líderes europeus, nomeadamente do Reino Unido, da Alemanha e da França, estejam actualmente com um discurso que tende a dar crédito à possibilidade de um conflito aberto com a Rússia? Major-General Carlos Branco: A explicação é difícil. Há várias possíveis. Uma delas é o facto de terem prometido às suas populações mundos e fundos e agora têm um nada para lhes dar. Não têm nada para lhes dar porque andaram a enganar as suas populações. Andaram a dizer que a Rússia não tinha mísseis, não tinha tecnologia, era apenas uma estação de serviços com armas nucleares. Portanto, deram uma imagem absolutamente errada da situação. Inclusivamente alinharam também num erro de cálculo estratégico, descurando a história. E nós sabemos o que tem sido o comportamento dos europeus relativamente às diferentes Rússias desde o século XVII que tem havido sempre tentativas de invasão da Rússia. A última foi no século XX, esta levada a cabo pelo presidente Biden. Era mais uma aventura, mas essa aí a iniciativa vinha do outro lado do Atlântico. A situação dos europeus relativamente à Rússia é diferente de país para país. Há um ódio visceral entre os russos e os ingleses. Relativamente à Alemanha, a situação tem outros matizes. Mas para responder à sua questão, esta gente andou a dizer que o caminho era a vitória, que íamos ser todos muito felizes e iriam fazer-se grandes negócios na Rússia, aliás, preferencialmente provocando a implosão da Federação e fazer negócios com as diferentes federações e ganhar muito dinheiro. Onde é que estamos? Agora estamos passados cinco anos numa Rússia que está na mó de cima do ponto de vista militar, como do ponto de vista económico, independentemente dos ataques que sofreu na sua profundidade, fundamentalmente nos últimos dois meses, o que é um facto, é que a Rússia não vai claudicar. E cada vez apresenta uma capacidade bélica maior. Como se está a verificar agora, há quase uma semana que Kiev está em permanente ataque e parece que estes dirigentes não perceberam ainda que se atingiu o 'impasse doloroso' e que se calhar, era altura de negociar. Era a altura de falar, era altura de pôr a diplomacia em cima da mesa. Mas isso não vai acontecer porque não estou a ver a Kaja Kallas (chefe da diplomacia da UE) com os requisitos mínimos para se encontrar na função em que se encontra. Tivemos, aliás, uma coisa absolutamente chocante. Houve uma reunião dos ministros das Finanças do G20 (esta semana) nos Estados Unidos. Repare bem nisto: o ministro das Finanças russo foi convidado pelo ministro das Finanças americano porque os Estados Unidos eram a nação anfitriã do evento e os países europeus recusaram-se a tirar uma fotografia dos participantes na reunião. Portanto, com esta gente, não vai haver nunca diplomacia. A situação vai-se agravar ou vai continuar. A isto acrescentam-se as iniciativas de Trump relativamente ao Médio Oriente, o petróleo, independentemente daquelas tiradas de Trump para que o petróleo afinal suba menos um bocadinho. O que é um facto é que continua a subir a inflação na Europa, salvo erro, já vai na casa dos 3% e eu não vejo como é que isto vai ser revertido, porque os europeus parecem estar empenhados em ir para o confronto militar. E hoje tivemos este caso absolutamente estúpido o argumento do tal drone que os alemães não conseguiram descobrir quem e que lhes rebentou com o Nord Stream (gasoduto Alemanha-Rússia), mas descobriram agora, passado um mês, que teria sido a Rússia, mas não apresentaram provas. Eu não estou a dizer que não foram os russos que fizeram aquilo, embora eu não perceba para quê. Eu não entendo. Mas não vamos excluir a possibilidade de terem sido os russos. Apresentem provas. Isso é a primeira questão. Mas isto só está a ser trazido ao de cima, porque Merz (o chanceler alemão) leva nesta altura cerca de 20 pontos de atraso relativamente à AFD (partido de extrema-direita) e vai ter eleições dentro de menos de uma semana. Isto é que é o problema e portanto estão a utilizar uma situação destas para procurar tirar benefícios em termos de política interna. Não há outra palavra. Mas isto cria dinâmicas. Por exemplo, ouvimos o secretário-geral da NATO a fazer uma série de afirmações absolutamente ignóbeis que, no fundo estava a alinhar com esta farsa toda e no fundo a criar situações que depois são extremamente difíceis de serem revertidas. RFI: No seu livro diz que no começo do conflito tinha havido uma possibilidade de eventualmente se chegar a um acordo de paz que foi impossibilitada, nomeadamente por líderes europeus, que convenceram Zelensky de que poderiam ter um acordo melhor e, portanto, relativamente a esta situação, quais são as possibilidades que existem neste momento de eventualmente negociar, sentar à mesa, discutir, chegar a um acordo? Major-General Carlos Branco: Eu vejo isso de forma muito remota. Isso só será possível, isso que eu vou dizer é incómodo, mas penso que nesta altura não há outra volta que é a vitória militar de uma das partes. Só haverá negociações quando se atingir aquilo que se chama de 'impasse doloroso', quando as partes perceberem que têm mais a ganhar à mesa das negociações do que no campo de batalha. Quando psicologicamente interiorizarem essa situação -e é o que nós dizemos- atingiu-se a maturidade e, portanto, há portas abertas para se avançar nesse caminho. Agora estamos longe de isso acontecer, porque a Ucrânia está a ser partida todos os dias. Há um sofrimento brutal para o povo ucraniano, mas os seus dirigentes estão a alimentar uma situação que está perdida. E eu sublinho isto. Mas vai ser até ao último ucraniano. Exactamente. Estes líderes não têm maturidade para perceber isto que eu estou a dizer e portanto vão continuar até ao fim. Para isto contribui também o papel dos europeus, porque se os europeus não dessem fogo a esta fornalha, se não criassem nos ucranianos o sonho de que isto pode ser revertido, de que podem derrotar a Rússia, quer dizer, eu não consigo perceber como é que isso acontece. O próprio chefe de gabinete do presidente Zelensky, Kyrylo Budanov, mas não só, foi também o seu lugar-tenente, que vieram dizer que a Ucrânia precisa de 30.000 soldados por mês. Não sou eu que digo. Portanto, um país que se encontra numa situação destas, que tem largos milhões de cidadãos fora das suas fronteiras, que está a recrutar da forma que é conhecida, que as pessoas são apanhadas no meio da rua e levadas à força, um país que está numa situação destas, a meu ver, está numa situação de grande vulnerabilidade. Mas os seus dirigentes continuam a achar que não. 'Não, isto ainda a gente ainda pode ganhar'. Portanto, é exactamente por causa disso e pela irresponsabilidade do estímulo que é dado pelos presidentes europeus. Aliás, vimos agora quando foi das comemorações do 35.º aniversário da independência da Ucrânia e que foram lá uma série de dirigentes a Kiev. E eles estavam com uma cara muito sorridente a tirar uma fotografia com o presidente. E eu interrogo-me: estão sorridentes porquê? Quer dizer, isto é de uma falta de senso e de uma falta de capacidade de análise da situação. Esta gente não sabe o que é que está a acontecer. Vivem numa bolha exactamente por causa disso. O futuro não pode ser brilhante. Para já, veremos se não há nenhuma movimentação incauta por parte de determinados países da Europa e que venham depois chamar a NATO. Até porque a tentativa de envolver a NATO com este argumento do ataque directo e na tentativa de provocar o artigo quinto (defesa colectiva no caso de um membro ser atacado), já houve várias. Portanto, nós estamos recordados quando houve o míssil ucraniano que caiu na Polónia e que matou, salvo erro, dois agricultores (em Novembro de 2022). O ministro dos Negócios Estrangeiros polaco e a Ucrânia começaram logo a dizer 'isso foi à Rússia, foi à Rússia' e, portanto, já abriu portas para Zelenksy, porque sabe que não consegue sozinho ganhar a guerra. Precisa dos europeus. E o Biden veio mandá-los calar. Objectivamente, foi isso que aconteceu. Portanto, não alinhou nesse projecto porque o que queria, não era criar uma guerra na Europa. O que queria era remover o Putin do poder e colocar lá um seu apaniguado. Mas é que as pessoas às vezes não conseguem distinguir uma coisa da outra. Aliás, isso é outra coisa importantíssima. Biden nunca esteve muito empenhado na vitória militar da Ucrânia. Isso é outra questão que está profusamente documentada. O que ele queria era provocar uma alteração do poder em Moscovo. São coisas diferentes. poderão ter caminhos paralelos, poderão interceptar-se nalgumas fases, mas são coisas diferentes porque, em última análise, o objectivo estratégico é distinto. Portanto, não ter clarividência sobre esta matéria é dramático. RFI: Outro aspecto também importante do seu livro tem a ver com a forma como também são apresentados os acontecimentos pela comunicação social aqui na Europa. É bastante crítico relativamente ao papel da comunicação social. Major-General Carlos Branco: Sim, é verdade. A comunicação social está, com algumas excepções, mas muito reduzidas, plenamente alinhada com uma das partes, está entrincheirada e, portanto, não é um espaço de debate sobre o que está a acontecer, mas é fundamentalmente um espaço onde se divulga de uma forma exclusiva e frequentemente propagandística, os pontos de vista de uma das facções. E o espaço de debate está extremamente reduzido. E muitas das vezes quem tem uma opinião que não coincide com a do meio, acaba por ser marginalizado. Associado a isso, a União Europeia tem-se tornado cada vez mais um organismo autoritário, porque há indivíduos que tiveram maior protagonismo no espaço público e o que lhes aconteceu foi inclusivamente congelarem-lhes as contas bancárias. Portanto, isto que está a acontecer é uma deriva autoritária na qual a comunicação social está a alinhar. Relativamente a estas matérias, não vi estas notícias na televisão e muito menos manifestação de desconforto e de discussão destes assuntos, porque estes assuntos são cruciais. Os americanos saberão muito bem o que aconteceu no rescaldo do 11 de Setembro e as tentativas de calar opiniões, críticas e outras opiniões, vamos pôr isto nesses termos, e a Europa vai por esse caminho.
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Neste novo episódio da série Termos Ambíguos, o verbete abordado é o “Globalismo”, que ganhou destaque durante o primeiro governo Donald Trump, ao ser contraposto ao patriotismo e à liberdade em seu discurso político. Desde então, passou a integrar o vocabulário de movimentos antiglobalistas, influenciando também o governo Bolsonaro. No entanto, o conceito é complexo e controverso, envolvendo diferentes interpretações, atores políticos e relações com questões contemporâneas, especialmente no contexto brasileiro. Para apresentar um debate sobre o termo, entrevistamos a Sonia Corrêa, o Fernando Brancoli e o Douglas Sanque, que foi também o autor do verbete no Termos ambíguos do debate político atual: pequeno dicionário que você não sabia que existia, disponível para download gratuito no site do Observatório de Sexualidade e Política. _________________________ Roteiro Ernesto Araújo: “Eu acho que o mais grave do globalismo é na mente, no pensamento. Eu acho que o globalismo é perigoso porque é sobretudo um sistema de pensamento, de anti pensamento. […] Tatiane Amaral: Quem está falando aqui é Ernesto Araújo, ex-ministro de relações internacionais do governo Bolsonaro Sonora Ernesto Araújo: […] Eu vejo o globalismo muito como o processo pelo qual a ideologia marxista, a partir do começo dos anos 90 e sobretudo a partir dos anos 2000, ela penetra na globalização econômica e faz dela o veículo da sua propagação. Então, justamente através da globalização começa a entrar com sua agenda em temas como ideologia de gênero, em temas como o ambientalismo distorcido, e outros. E começa sobretudo a controlar o discurso, a dizer o que você pode dizer e o que você não pode dizer, e cada vez o que você pode dizer é menos, ocupa um menor espaço. Então, eu vejo mais o globalismo assim, aquela ideia de que o marxismo descobriu que ele não precisa controlar os meios de produção econômica, quando ele pode controlar o meio de produção de ideias, que é o que já vinha acontecendo. E é através desse controle de ideias começa a capturar instituições e aí começa a partir dessas instituições tentar agir para diminuir as identidades nacionais, e as identidades pessoais também. A fala pode até soar exagerada, parecer coisa de filme ou de teoria da conspiração… mas ela está se tornando cada vez mais presente em discursos políticos da ultradireita — seja no Brasil ou no mundo. E ela gira em torno de uma palavra: globalismo. Mas afinal, você sabe o que, de fato, é globalismo? Daniel Faria: Eu sou o Daniel Faria Tatiane: E eu sou a Tatiane Amaral. E este é o sétimo episódio da Série Termos Ambíguos, uma parceria entre o Observatório de Sexualidade e Política e o podcast Oxigênio. Daniel: Juntos, vamos conduzir esta viagem pelo termo que tem estado cada vez mais presente nos discursos políticos globais e nacionais. Falei em viagem porque o termo se vincula a globo, a planeta, além de ser usado em muitos países. Mas também não deixa de ser uma viagem no sentido figurado mesmo, pois o termo como é usado pela extrema direita evoca um certo devaneio, ou até mesmo delírio. Tatiane: O termo “Globalismo” é mais uma categoria acusatória fabricada pela extrema direita, assim como muitos outros espantalhos, alguns que a gente até já tratou aqui no Termos Ambíguos, como Ideologia de gênero, marxismo cultural,racismo reverso… Daniel: A extrema direita usa esses e vários outros termos com objetivos específicos: Por um lado, eles querem provocar o medo e, sobretudo, a suspeita. De outro, criar confusão mesmo. No caso de Globalismo as confusões são muitas e muito sobrepostas, mas vamos tentar esclarecer algumas delas neste episódio. Tatiane: Pra começar, precisamos esclarecer que Globalismo não é a mesma coisa que Globalização. Eu sei que é confuso, mas vem comigo: Globalização é a denominação da transnacionalização intensificada de relações econômicas, culturais e sociais, que se registrou a partir do fim da Guerra Fria. Já o Globalismo pode ser descrito como uma desfiguração de globalização, que atribui a essas dinâmicas outros sentidos, em geral associados à dominação, a atores obscuros e à conspiração. Daniel: No dicionário de termos ambíguos, que você pode encontrar aqui na descrição desse episódio o verbete escrito pelo Douglas Sanque, que vai aparecer na nossa conversa daqui a pouco, traça um histórico desse processo desde 1991, quando a União Soviética chegou ao fim e seus ex-membros foram integrados à nova ordem neoliberal global. É aí que se consolida a globalização, que foi uma integração via mercados ao redor do… Globo. Tatiane: Esse movimento promoveu uma ampla abertura de mercados que intensificou a concorrência internacional. Nesse processo foram estimulados os acordos de livre comércio e a formação de blocos econômicos. Em tese, isso deveria favorecer todas as nações, mas vamo lá, né? A gente sabe que não foi bem assim. Claro que os países mais desenvolvidos e industrializados se deram melhor. Daniel: Foi aí, no meio desse processo, que a União Europeia foi criada, a partir do chamado Mercado Comum Europeu. Foi esse mercado que ampliou a integração que era só, econômica para uma integração política e institucional. Após o fim da Guerra Fria, nos anos 90, a União Europeia se expandiu, incorporando países do Leste Europeu, que antes integravam a antiga União Soviética. Tatiane: Depois disso, foram surgindo blocos econômicos pelo mundo todo, como o Mercosul, por exemplo, que é o Mercado Comum do Sul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Tem também o Nafta, um Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá, assinado em 1994 e atualizado em 2020 como Acordo Estados Unidos-México-Canadá. Além disso, as Economias asiáticas também se fortaleceram nesse contexto, com destaque para os Tigres Asiáticos, formado por Taiwan, Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura. Sem falar da China, que também ampliou muito suas relações comerciais internacionais nesse período. Daniel: A Sonia Corrêa, coordenadora do Observatório de Sexualidade e Política e do projeto do Dicionário, já conversou com a gente em outros episódios do Termos Ambíguos, e dessa vez ela destaca um ponto importante desse processo da Globalização:a expansão do neoliberalismo. E ela lembra que o processo nunca foi tranquilo e nem poupado de críticas. Tatiane: A Sonia comenta que o Neoliberalismo estava em expansão desde o final dos anos setenta. Com o fim da guerra fria e o desaparecimento do bloco soviético, todo esse espaço econômico passou a analisar (e sentir) os efeitos negativos da expansão do pensamento neoliberal nas desigualdades econômicas dentro dos países, ENTRE países e, mais especialmente, entre o NORTE e o SUL globais. Daniel: Durante todo o processo, muitos acordos foram sugeridos, mas nem sempre as tentativas deram certo. Um bom exemplo foi a tentativa de implantação da Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, que integraria os mercados de 34 países das Américas, exceto Cuba, eliminando as tarifas e os impostos de importação. A proposta era de George Bush, então presidente dos Estados Unidos, mas não foi pra frente, justamente por causa da grande disparidade de recursos e poder entre os países. Tatiane: Vale a pena a gente dizer que quando os países começaram a entrar nessa chamada “economia global”, muita coisa mudou internamente também. Por exemplo, várias indústrias saíram da Europa e dos Estados Unidos e foram pra lugares como a China ou o México, onde produzir é mais barato, principalmente por causa da mão de obra. Ao mesmo tempo, a globalização também trouxe a privatização de serviços públicos, como saúde e educação, reformas nas leis trabalhistas desfavoráveis a trabalhadoras e trabalhadores, assim como dos sistemas de aposentadoria. Também ativou novas formas ainda mais agressivas de extrativismo. Tudo isso contribuiu para o aumento das desigualdades. E foi nesse clima que a categoria acusatória “globalismo” prosperou e se aproveitou da atmosfera de contestação à globalização para impulsionar seu projeto político que não tem nenhum compromisso com a superação da desigualdade. Daniel: Autores e autoras, como a Wendy Brown, analisaram como a expansão da lógica neoliberal teve efeitos negativos sobre a política e sobre a nossa forma de pensar e sentir, provocando dinâmicas de erosão da democracia, como estamos vivendo agora. O historiador Quinn Slobodian, autor do livro Globalistas: o fim do império e o nascimento do neoliberalismo, entende que o projeto neoliberal tem como objetivo criar instituições para proteger o capitalismo da ameaça que a própria democracia representa. E essas novas instituições serviriam para reorganizar o mundo como um espaço de Estados-competidores. Tatiane: Mas o espantalho do “globalismo” não se aproveitou apenas da crítica progressista e da insatisfação real com a globalização. Ele também acionou suas próprias assombrações. Para entender isso é preciso voltar no tempo, lá pros anos 1940, ao final da II Guerra Mundial. Na verdade, vamos voltar até um pouco mais, com a ajuda da Sonia Correa. Sonia Corrêa: Bom, para compreender essa posição dos globalistas há um aspecto que não pode ser perdido de vista. Para a direita, a ultra direita norte americana desde o começo do século XX, pelo menos, foi avessa a uma ordem institucional transnacional. E essa ultra direita raiz, fez uma enorme oposição à adesão dos Estados Unidos à Primeira Guerra Mundial. Tiveram posições contra a Liga das Nações e certamente fizeram pressão contra a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Ou seja, tem um DNA muito profundo aí na ultra direita norte americana, que é contrário a existência de uma ordem internacional de regulação global. É porque eles a veem como um contraponto ou uma possível ameaça à ordem hegemônica dos Estados Unidos como império. Eu acho que um outro aspecto a considerar que, se isso é, são as correntes de ultra direita norte americana e outras correntes, como por exemplo, a posição do Dugin, o intelectual russo sobre isso e talvez de segmentos das correntes européias. E tem a ver com um repúdio. Como essas forças fazem um repúdio à ideia da modernidade, os princípios liberais de democracia e direitos humanos. E há uma conexão também por esse lado, que é, digamos, mais filosófica e menos estratégica política. Tatiane: Além da cooperação multilateral econômica, os países criaram também um sistema para prevenir novos conflitos bélicos e promover a paz. Sim, estou falando da Organização das Nações Unidas, a ONU. Daniel: No contexto dos giros políticos à ultradireita que tem varrido as Américas e a Europa hoje, os discursos anti-globalistas fizeram da ONU um de seus alvos principais. Seus detratores a descrevem como um aparato de dominação que quer impor sua agenda aos estados nacionais. Ao fazer isso ofuscam o que é de fato a ONU. Não sei pra você, mas até aqui essa história de globalismo continua bem confusa pra mim. Então, pra gente continuar destrinchando esse termo, falamos com o Fernando Brancoli. Ele é professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e adicionou elementos que nos ajudam a desarmar qualquer confusão que o termo globalismo possa provocar. Fernando Brancoli: Bom, eu acho que um ponto interessante é a gente imaginar que o discurso antiglobalista, ele não é uma rejeição integral aos princípios da globalização, né? A gente está falando de uma reconfiguração seletiva no que seria uma espécie de dispositivo narrativo, né? Que separa, separaria, uma globalização boa para esses grupos de extrema direita, uma aproximação que permeia dimensões ligadas a interesses morais, econômicos, culturais e o que eles vão chamar muitas vezes de globalismo, né, que seria uma globalização ruim, que seria um conjunto de normas e procedimentos derivados principalmente do pós-guerra fria, que promoveria aí uma agenda ligada a valores liberais, a direitos sexuais, a direitos humanos, políticas ambientais, que de alguma maneira estariam violando então a soberania dos países, e na verdade tentando, dentro de uma teoria da conspiração bastante clássica, implementar uma agenda de uma espécie de camarilha internacional dos Illuminati e coisas parecidas, né? Tatiane: A professora de sociologia na Universidade de Oxford, Rita Abrahamsen, faz uma análise interessante sobre este tema do espaço transnacional. Pra ela a extrema direita é em si mesma global, ao mesmo tempo em que seus idealizadores ocultam de maneira muito hábil essa transnacionalidade. O Fernando também elaborou sobre essa dimensão oculta, o que nos ajuda a esclarecer uma outra confusão de que as vozes que propagam o fantasma do Globalismo reivindicam para si, como sujeitos nacionalistas ou soberanistas: Fernando Brancoli: Muitas vezes a gente fala dessas redes antiglobalistas como se elas fossem necessariamente não transnacionais, o que não é verdade. O que elas estão fazendo é reconfigurando um pouco esse dispositivo narrativo. E acho que quem está acompanhando a gente talvez já tenha escutado essa história: “Ah, o Trump é um isolacionista”. Não necessariamente, né? A gente não está falando de uma antiglobalização de necessariamente fechamento completo das fronteiras. Você tem uma recalibragem dessa dinâmica, de um projeto novo de recentralização de poder. Então, sim, eu posso ter dinâmicas mais isolacionistas em alguma medida, construção de muros, expulsão de migrantes e refugiados, fechamento de trocas comerciais tipicamente liberais, mas ao mesmo tempo eu tenho aproximação para outros lados, né? Em que eu apoio ditaduras amigas, eu argumento que posso criar coletivos transnacionais de apoio a dinâmicas de moralidade. Então acho que esse paradoxo, no final das contas … Eu diria que é a grande força dela, que é criar essa espécie muito peculiar de uma internacional nacionalista. Daniel: Fernando também recorre a uma metáfora de verniz legitimador para explicar essa mistura paradoxal de discursos que juntam nacionalismo ou antiglobalismo para servir a interesses muito específicos: Fernando Brancoli: Esse paradoxo é a grande força dentro desse processo. [03:30] A genealogia dessas dinâmicas já passa por think tanks dos Estados Unidos e a gente tem livros importantes acadêmicos já descrevendo como é que eles se expandiram pelo globo ao longo pelo menos nas últimas duas décadas, né? Então são grupos de pesquisa, são empresas que de alguma maneira promovem esse tipo de ideário. Tatiane: Pra entender melhor como esse paradoxo funciona, pedimos pro Fernando explicar como esses discursos colam, como eles têm aderência a uma massa bastante volumosa, que inclusive elege conscientemente essas figuras. Ao mesmo tempo em que batem no peito e dizem: “EU SOU patriota, EU VOU defender meu país”, entregam de mãos abertas a exploração das riquezas naturais brasileiras — como a Amazônia,os minérios e, agora, as Terras Raras do país — a uma potência imperialista como os Estados Unidos. Além disso, defendem intervenções externas, como a retirada forçada de um presidente, e apoiam movimentos extremistas que ameaçam o próprio país. Fernando Brancoli: Acho que essa aparente contradição, né, de uma internacional nacionalista, a ideia de como é que eu crio alianças entre partidos e grupos que são notadamente, introspectivos diante desse tipo de processo, eh, na verdade, é a maior força desses grupos. É a ideia de mobilizar esse paradoxo. E não se trata necessariamente de, uma dinâmica que vai gerar problemas na frente, eu vou tentar explicar porquê dentro desse processo. Acho que a primeira configuração é que sejam partidos de extrema direita no contexto brasileiro, sejam grupos não partidários, como, por exemplo, grupos evangélicos mais conservadores no contexto brasileiro, sejam grupos mega ortodoxos sionistas em Israel, ou seja, agora, o Partido Republicano nos Estados Unidos. Todos eles olham para o transnacionalismo como uma forma de ganhar poder e ganhar prestígio, então a gente tá falando de recursos que circulam nesse processo. A gente tem por exemplo grupos em Israel, grupos não tradicionais do Brasil como partidos ligados a lideranças religiosas e coisas parecidas que de alguma maneira olham para esse processo e veem a transnacionalização como uma ferramenta de ganhar poder e prestígio, seja simbólico ou material. Exemplo clássico que eu acho bastante interessante, parte importante dos grupos de extrema direita em Israel, dos mais ortodoxos, são financiados por capitalistas norte-americanos. Né? Isso não é uma teoria de conspiração, eles argumentam que essa grana seria interessante. Tem um trabalho interessante da Camille Rocha, né? Menos Marx e mais Mises, um livro fascinante em que ela descreve como é que os norte-americanos financiaram grupos liberais e anarco-capitalistas, sabe-se lá o que que é isso, no contexto brasileiro. Então, lembrar que esse transnacionalismo tem dimensões práticas muito claras, né? Daniel: Aqui, de novo fica claro que o transnacionalismo pode ter dimensões práticas, e que ele serve para alguns interesses. Ou seja, mesmo sendo nacionalista, dá pra ser transnacionalista quando você, ou o país, pode ter dividendos importantes. Brancoli usou o exemplo de Eduardo Bolsonaro para mostrar como contatos estratégicos com a ultra-direita ajudaram a movimentação para as taxações sobre produtos brasileiros e a suspensão de vistos para autoridades envolvidas na condenação do pai. Mas o professor dá outros exemplos, segundo ele mais simbólicos, como contatos pessoais, encontros ou declarações nos quais se aprende essa lógica transnacional. Fernando Brancoli: Você tem encontro do Vox, por exemplo, que é o partido de extrema direita na Espanha, que eles têm uma sessão à tarde do último dia, que é para ensinar técnicas do que eles chamam engajamento digital. Em que você senta com lideranças políticas do globo inteiro numa mesa e te ensinam como é que você faz para, por exemplo, ter acesso mais interessante de pessoas, formar cortes e vídeos bacanas. Eu lembro que nos últimos 3 anos quem esteve lá foi o Nicolas, deputado é, federal de Minas, que é um cara, né, muito especializado em gerar cortes e coisas parecidas. Eu acho que ele já tinha uma capacidade de fazer isso, mas provavelmente ele aprendeu também nesse contexto. Repare como é que o transnacionalismo dentro dessa lógica gera esse tipo de prática. E por fim, o transnacionalismo, ele facilita algo que é muito típico de grupos autoritários que é a possibilidade de criar um mundo binário, né? De você criar um nós contra eles de maneira muito muito clara. Acho que, né, a gente que estuda relações internacionais, quem tem acesso, né, à imprensa, sabe que é muito difícil você criar uma narrativa muito clara de bonzinhos e malvados dentro de um contexto, né? Você vê nuances, você vê pessoas muitas vezes em busca da paz dos dois lados e coisas parecidas, né? Tatiane: E nessa disputa entre nós e eles, surgem dois pólos entre o bem e o mal. E quem é o bem? Quem é o mal? A ultra direita entende que está do lado do bem, de que quem defende a “família” e os valores tradicionais. Mas quem não defende a família, ou as famílias? A sua família? Os seus valores tradicionais, na sua tradição? E para quem está nesse campo da ultra direita, o mal é o socialismo, o comunismo, a esquerda. De novo aqui o Fernando: Fernando Brancoli: Existe aqueles que do outro lado, que é o mal, que é o PT, o MST, o Foro de São Paulo e a Venezuela, que querem acabar com esses valores, querem destruir todos esses dessas menções. Aí repare como é que esses vetores se aproximam, né? Uma dinâmica de moralidade, uma dinâmica econômica, então vira um caldo complexo aqui dentro desse tipo de processo. Nós somos soberanos ainda, no caso brasileiro, estaremos tentando retomar essa soberania agora que foi roubada pelo PT e temos um governo aliado norte-americano que está tentando nos ajudar nesse processo. Mas eu acho que esse paradoxo ele acaba sendo de alguma maneira articulado e promovido de maneira interessante. Ainda tem um paradoxo aqui, que é para você ser essencialmente nacionalista e mobilizar dinâmicas transnacionais. Mas acho que mesmo a tentativa de encontrar um meio-termo já facilita e já gera repercussões interessantes. E aí você tem em todo protesto no Brasil, cartazes em inglês, bandeiras dos Estados Unidos, bandeiras de Israel, você tem a a deputados fugindo para a Itália, onde seria supostamente, né, um lugar mais conservador. Ao que tudo indica a Zambelli não vai conseguir ficar por lá há muito tempo. Mas aí você tem o Eduardo Bolsonaro, né, indo para os Estados Unidos, você tem essas mobilizações, isso vai gerando repercussões e impactos e pelo menos são simbólicos gera mídia, a população fica engajada. Então, de alguma maneira tem algo interessante que a gente tá vendo e os manuais de ciência política e de relações internacionais estão todos passando mal por causa disso, que a esquerda tá se transformando por um lado numa defensora do multilateralismo. Daniel: Tem também a China se apresentando como defensora da OMC e contra tarifas praticadas pelos Estados Unidos. Isso também é uma mudança do contexto da esquerda, como disse nosso entrevistado. A gente tem um deslocamento também, eu diria, do que vai ser o discurso progressista de esquerda ao longo dos próximos anos. A esquerda se apropriou mais de discursos ligados à proteção da indústria nacional, né, contra ALCA e o FMI, contra as empresas estrangeiras, e agora de alguma maneira a gente está vendo uma rearticulação desse tipo de processo. É, a gente está inaugurando uma forma nova de olhar para relações internacionais, em parte porque também está tendo uma rearticulação de como esses grupos de poder estão se configurando. Ninguém tem muita certeza para onde que a gente vai, mas acho que uma das certezas que a gente vai ter que os manuais de relações internacionais e ciência política vão ter que ser reescritos ao longo dos próximos anos, porque as coisas estão mudando de maneira bastante explícita, né? Muito. Tatiane: Sonia Corrêa diz que há duas saídas pra grande confusão que apresentamos aqui entre nacionalismo e globalismo. A primeira é o progressivismo internacionalista que remete para o internacionalismo histórico da esquerda, e a segunda é o que pode ser chamado de constitucionalismo de esquerda. Ela explica melhor do que se trata. Sonia Correa: O que importa é chamar a atenção para essa mélange de posições que requer clarificação, porque, de fato, a crítica do globalismo, ela chove num terreno fértil, que é a crítica do neoliberalismo e da ordem capitalista, não é? Ela ecoa nesse lugar. Ela move afetos, afetos legítimos de crítica. A racionalidade neoliberal e a ordem do capitalismo tardio. A diferença está como diz o Slobodan, em qual a saída? A diferença de visão ideológica é como você sai disso. Se você for para o campo do Dugin, que é a teoria da quarta transformação, é uma ordem. Uma proposição de um retorno a uma ordem de fato quase medieval, quer dizer centrada na terra, no território, numa cultura comum, numa ordem hierárquica. Se você olha para o campo da direita. Num certo sentido, Trump é a manutenção da ordem neoliberal e da racionalidade neoliberal extrema, demolição do Estado. Todo o poder às Big Techs. Aqui são os meus amigos Better Friend Ever, sob um invólucro, uma casca de nacionalismo extremado. Make American big again. Tatiane: Voltando um pouco atrás, no verbete para o Dicionário de Termos Ambíguos, e no tempo, Douglas lembrou da influência de Ernesto Araújo e de Olavo de Carvalho sobre o governo Bolsonaro, no sentido da adoção de uma posição antiglobalista. Vale lembrar que mesmo antes de ser eleito, Bolsonaro afirmava que a ONU não servia para nada e que iria tirar o Brasil do Conselho de Direitos Humanos. Em sua primeira aparição na Assembleia Geral da ONU em 2019, o ex-presidente fez a seguinte afirmação: Sonora Jair Bolsonaro: “Não estamos aqui para apagar nacionalidades e soberanias em nome de um interesse global abstrato. Esta não é a Organização do Interesse Global! É a Organização das Nações Unidas. Assim deve permanecer!” Daniel: Douglas também escreveu no verbete que Ernesto Araújo afirmava que o caminho para reverter os efeitos negativos do globalismo seria adotar uma política pautada por deus, pátria e família. Com certeza vocês ouviram isso muitas vezes, né? Só pra lembrar, esse é o slogan da Ação Integralista, movimento fascista brasileiro da década de 1930, copiado do movimento fascista italiano. Tatiane: Ainda segundo o verbete a espiritualidade cristã caracterizaria o ocidente e diferenciaria as nações ocidentais do materialismo asiático e do islamismo. Por outro lado, a família é definida como a célula basilar da nação, o apego à família seria um traço fundamental do povo brasileiro o qual, nas palavras de Araújo, se vê hoje frontalmente atacado por “ideologia de gênero”, “gayzismo” e “abortismo”. Daniel: O “globalismo”, na visão de Ernesto Araújo, seria um projeto de governo totalitário mundial, capitaneado pela China e com o apoio da Rússia. E nessa versão do antiglobalismo, existiria um complô entre as elites financeiras ocidentais e o Partido Comunista da China para a implantação de uma sociedade de controle. O ex-ministro ainda afirmava que a China controlava metade do parlamento brasileiro e toda a nossa agricultura, e queria controlar nossa Internet. Tatiane: Bem, essa tentativa de controle da internet a gente já tá vendo que existe mesmo, mas não por acaso, esse controle não está na China, né? E além desta, qual outra afirmação, entre as muitas feitas aqui, parecem verdadeiras? E quais delas são pura fantasmagoria criada no meio das muitas confusões que esse termo cria? De quais fantasias ele depende para se manter? Bem, responder a tudo isso demandaria uma boa aula de muitas horas… Mas, podemos explicar aqui essa confusão entre os muitos alvos de ataque das vozes “antiglobalistas” Daniel: Mas nem todos os anti globalistas têm o mesmo inimigo. Há diferenças em relação aos alvos dos “antiglobalistas”. Nos Estados Unidos, por exemplo, Trump se utiliza do discurso “antiglobalista” para atacar as “elites liberais”, associadas ao partido democrata estadunidense. Já aqui no Brasil, Bolsonaro denunciava a “conspiração comunista” da qual participaria o PT, assimilando a visão “antiglobalista” ao discurso anticomunista. Douglas Sanque conta um pouco dessas forças globalistas. Tatiane: Douglas é professor na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a UERJ e é o autor do verbete sobre Globalismo do dicionário que estamos tratando aqui. Ele escreveu o verbete durante a pandemia do Covid-19, em pleno governo Bolsonaro, quando nele discursavam, pra não dizer doutrinavam, antiglobalistas assumidos como Olavo de Carvalho, professor e ideólogo de Bolsonaro, e Ernesto Araújo, que foi ministro de relações exteriores até 2021. Douglas Sanque: Bom, em relação a essa noção de quem seriam as chamadas forças globalistas, primeiro, a ideia aqui é pensar que as forças globalistas teriam o objetivo de estabelecer um controle mundial, um governo global, totalitarista. E isso é, em alguma medida, uma perversão da ideia de aumento de influência que potências econômicas sempre tentaram exercer de maneira mais ou menos ética. Mas não se tenta um governo global totalitário, assim inspirado naquela ideia de 1984 do George Orwell. O principal projeto globalista seria capitaneado pela China. Os chineses teriam essa ideia, teriam esse objetivo de longo prazo de controle mundial. Então, seriam as elites liberais do Ocidente que estariam nesse projeto junto ao Partido Comunista Chinês. Essa é a perspectiva, digamos, principal, que é adotada, por exemplo, pelo Steve Bannon e que guia o assim chamado antiglobalismo, ou o nacionalismo americano, que estaria combatendo essas próprias elites, representando o povo, o blue color, os trabalhadores e a classe média americana que, de fato, viu muita s perdas com o processo de desindustrialização dos Estados Unidos ao longo do século XX, e grande parte dessas plantas industriais foi para a China. Tatiane: Claro que isso causou mudanças significativas na economia americana, que tem levado o país, de forma mais incisiva neste novo governo de Donald Trump, a criar estratégias de proteção econômica. Durante o governo Bolsonaro, quando o Olavo de Carvalho, exercia influência sobre ministros e filho do então presidente, tratou da versão caseira de teoria da conspiração, como nos conta Douglas. Douglas Sanque: O Olavo dizia que havia três projetos globalistas em curso. Em diferentes escalas e com diferentes objetivos. O primeiro seria esse tocado pela China, que tentaria ali uma ideia de governo global, mais ou menos nesses moldes que eu já mencionei. O segundo seria o projeto do Irã. O Irã também teria esse objetivo de governo global, a partir do espraiamento do islamismo, né? Na verdade, a ideia seria um governo global, totalitário islâmico e a principal força por trás desse projeto seria o Irã, que tem ali uma. População muçulmana xiita. Enfim, você tem uma pluralidade importante naturalmente no Irã, mas. Daniel: O terceiro projeto seria tocado pelas elites financeiras ocidentais. Nessa perspectiva, representada por autores como o russo Aleksandr Dugin [DUGAN], a tentativa de estabelecer uma governança global teria origem no Ocidente, especialmente nos Estados Unidos, vistos como a principal expressão da modernidade ocidental. Nessa visão, esse projeto deveria ser combatido por forças tradicionalistas que defendem a preservação de identidades culturais próprias e de modos de vida considerados mais enraizados nas tradições locais e rurais. Douglas Sanque: Então você tem pensadores, como o Olavo de Carvalho, o Steve Bannon e o Dugin, e os líderes daqui que conseguiram ascender, com esse pensamento, ao poder nos seus países. O Putin na Rússia, o Trump nos Estados Unidos e o Jair aqui no Brasil. A questão é que, como esse pensamento tem muito pouca, digamos, base material, ele vai se moldando pra acomodar os interesses políticos dos líderes. Então a gente pode pensar, por exemplo, no Brasil como o Bolsonaro, se se elege em oposição a um projeto que seria de esquerda e que, na opinião deles, é comunista. A ideia de liberalismo econômico é uma ideia que faz sentido e que pode ser defendida. Os russos têm um papel curioso, porque em diversas situações eles são vistos ali como como uma espécie de braço ou de sócio minoritário dos chineses. Mas ao mesmo tempo, estive vendo, um entende que os russos deveriam estar nessa luta por conta de uma certa essência da identidade russa. É como, como sendo da Igreja Ortodoxa nós teríamos a mesma alma cristã. E tudo se opondo então ao materialismo que caracterizaria o projeto chinês De extirpar a religião da da vida em comunidade. Então a gente percebe que há uma certa coerência no pensamento do globalismo, no sentido de criar uma ordem global que separa muito claramente quem são os mocinhos e quem são os bandidos. Que coloca em uma nação específica. E normalmente é a China, a fonte de todo mal. E aí, contra isso, vale tudo. E nós estamos numa batalha aqui para salvar a nossa nação, para salvar as nossas tradições, para manter o nosso povo e por aí vai. Tatiane: Pois é, as mudanças estão bastante evidentes e não sei se são para melhor. Desde que fizemos as entrevistas para este episódio, algumas coisas mudaram. O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, um dos principais líderes da extrema-direita global, perdeu as eleições após 16 anos no poder. Estados Unidos e Israel estão promovendo uma grande guerra na Ásia Ocidental, atacando o Irã e o Líbano, sem contar o genocídio que Israel já vinha praticando na Palestina. Aqui na América Latina, os resultados das eleições presidenciais de 2026 em países como Colômbia, Peru e Chile não foram nem um pouco animadores. E neste ano também teremos eleições no Brasil, já com dois extremistas como candidatos: Ronaldo Caiado, pelo PSD, e Flávio Bolsonaro, herdeiro do legado do pai que foi condenado a 27 anos de prisão, e agora também envolvido em um processo de lavagem de dinheiro ligado ao Banco Master. A extrema direita vem ganhando espaço em muitos países, sempre colocando em risco a democracia e os direitos civis. Daniel: Este foi o sétimo episódio da série Termos Ambíguos, realizada em parceria com o Oxigênio, a partir do material do Termos Ambíguos do debate político atual: Pequeno Dicionário que você não sabia que existia, coordenado pela Sonia Corrêa. Esse é um projeto do Observatório de Sexualidade e Política (SPW) e do Programa Interdisciplinar de Pós-graduação em Linguística Aplicada da UFRJ e contou com vários autores na produção dos verbetes. Tatiane: A apresentação do episódio foi feita pelo Daniel Faria, estudante do curso de Midialogia, na Unicamp, que foi também o editor do áudio desse podcast, e por mim, Tatiane Amaral, doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas e da equipe de Comunicação e Pesquisa do SPW, e editora do áudio desse podcast. As entrevistas foram feitas por mim e pela Stella Brucha Simões. O roteiro foi feito pela Simone Pallone, coordenadora do podcast Oxigênio e por mim. Daniel: A revisão do roteiro foi feita pela Nana Soares, da equipe de Comunicação e Pesquisa do SPW, por mim, pela Tatiane, e pela Sonia Corrêa. Tatiane: A principal referência para o episódio foi o verbete produzido por Douglas Sanque para o Termos ambíguos do debate político atual: pequeno dicionário que você não sabia que existia. Usamos também definições da Wikipedia para alguns conceitos. Daniel: O áudio de Ernesto Araújo foi extraído de uma entrevista dada por ele ao Canal Poder Paralelo. A fala de Bolsonaro na Assembleia da ONU é uma reprodução do canal do jornal El País no YouTube. Daniel: Você pode acessar os outros episódios da série Termos Ambíguos pelo site do podcast Oxigênio: www.oxigenio.comciencia.br ou pelas plataformas de áudio de sua preferência. Aproveite para indicar nossa série. Até mais!
Miguel Baumgartner, especialista em relações internacionais, defende que Netanyahu e Trump sofreram uma derrota política, porque não atingiram nenhum dos objetivos estratégicos traçados contra o IrãoSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Pedro Tadeu diz que os Trovantes foram essenciais. Para o membro da Comissão de Espetáculos do Avante a voz de Represas fez a diferença e o grupo deixou uma memória de enorme gratidão na FestaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Abertura dos trabalhos na Amorosidade
Sabemos que os nossos pais e avós existiram antes de nós. Tiveram uma vida que não nos incluía. Não sabiam o nosso nome, não nos imaginavam sequer. Sabemos, mas não é linear.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Manipuladores têm grande dificuldade de construir relacionamentos sinceros. No final, até o relacionamento com Deus pode ser prejudicado por conta dessa atitude.Veja o que diz o Salmo 78 nos versos 27 a 29: "Também fez chover sobre eles carne como poeira e aves numerosas como a areia do mar. Fez com que caíssem no meio do arraial deles, ao redor de suas tendas. Então comeram e se fartaram a valer; pois lhes fez o que desejavam."O povo de Deus ficou cativo no Egito. Eles pediram socorro, e Deus os socorreu! Tiveram que caminhar no deserto e acabou o pão, Deus enviou o maná. Sentiram desejo de comer carne e Deus enviou aves em número impossível de contar. Estavam felizes, mas a razão era simples: Deus fazia a vontade deles. Mas quando as coisas saíam diferente do que esperavam, eles reclamaram, questionaram, blasfemaram. Ou seja, o relacionamento com Deus só servia quando atendia ao que eles queriam.Esse é um exemplo típico de manipulação.O lado manipulador não quer ceder, e por isso não há relacionamento que dê certo.Nem sempre Deus fará o que você quer e isso é maravilhoso, sabia? Ame ainda mais o Senhor quando Ele te diz não, afinal, Ele sabe o que é melhor pra você. Cuidado pra não querer manipular tudo, inclusive Deus.
Isto não é um lançamento de um livro mas vai haver comentário político e, quiçá, algumas farpas. Tiveram início buscas da Polícia Judiciária à sede do Partido Socialista no Rato, bem como em várias juntas de freguesia socialistas. Há suspeitas de esquemas fraudulentos de contratação, quer de empresas de socialistas, quer de militantes. Inclusivamente, o atual assessor de imprensa do líder do PS, José Luís Carneiro, foi um dos detidos. Tudo isto logo numa altura em que as sondagens aparentavam ser animadoras para o partido.Ouça o comentário de Clara Ferreira Alves, Luís Pedro Nunes, Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes na versão podcast do programa Eixo do Mal, emitido na SIC Notícias a 28 de maio.Para ver a versão vídeo deste episódio, clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Pedro Henriques dá nota 8 a João Pinheiro no dérbi de Lisboa. O ex-árbitro explica a mudança nas regras que tornou legal a entrada de Schjelderup na área durante o penalty falhado por Luis Suárez.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A disputa pelas 54 vagas no Senado em 2026 receberá atenção especial de bolsonaristas e lulistas. O campo conservador tem o objetivo declarado de formar maioria no Senado para pautar pedidos de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), ideia que é combatida pelos governistas. Um levantamento do repórter do UOL Tiago Mali em parceria com Marina Giannini mostra, no entanto, que muitos dos que exercem o cargo de senador não receberam, a rigor, nenhum voto direto. A reportagem revela que, nos últimos oito anos, 51 suplentes tomaram posse no Senado. Isso significa que a maioria das 81 cadeiras da Casa passou por alguma substituição no período, seja por anos ou poucos meses. A última Lei Orçamentária estabelece que cada senador tem a prerrogativa de destinar anualmente R$ 74 milhões em emendas parlamentares. Os substitutos do ciclo iniciado em 2019 destinaram R$ 1,7 bilhão em emendas. É sobre esse tema que Toledo conversa com Mali no novo episódio do podcast UOL Prime.
O meu demónio quer saber onde está o divã. Quer deitar-se nele e dar início ao disparate que tivemos de interromper da última vez. De qualquer modo ficamos sempre a meio. É impossível chegar a algum lado com estes rodeios delirantes em que nos pomos a escavar tudo o que há. Já se esqueceu de como se pôs a escarafunchar aquele pedaço de mobília, a imitação de couro, e agora estamos aqui os dois e temos de nos encarar. Há zonas do tecto que já denotam o abuso das infiltrações. É difícil um tipo abstrair-se sem sentir que os pensamentos o vão empurrando para aquela sensação de fractura, de que algo no interior parece ameaçado, está a ruir. Antes de conseguirmos interpretar fosse o que fosse, eram ruídos, só depois, e por facilidade, começaram a distinguir-se, a parecer-se com vozes. A trama começa sempre como algo inconsequente, um detalhe para o qual nos chama a atenção, adora estender um fio, agarra-se seja ao que for, e amarra o mundo entre coincidências. É cansativo ligar tudo, inventar sempre um propósito. Como se o acaso se esquecesse de nos pôr a mão, aliviar o peso, lembrar-nos que o mais importante é muitas vezes não dar tanta importância a certas coisas. É assim que tudo começa a parecer errado, a exagerar os motivos, os padrões, tudo se torna tão insistente. Parece que somos presas da nossa atenção espavorida. Tudo se articula por meio de vertigens, e de súbito há demasiadas rimas, não conseguimos deixar de sentir que o que antes parecia mudo, indiferente, agora se encheu de uma eloquência bastante dramática, e é preciso fazer alguma coisa, a realidade parece tomada de um frémito, encadeia tudo e atira-nos com uma série de imperativos. Há uma urgência devastadora que se lança sobre nós como uma febre, e parece que o destino geral do mundo pode depender do nosso êxito ou fracasso. Quem diria que ter tanta certeza pudesse ser ainda mais nauseante do que sentir-se completamente perdido. Pior que ficar sem chão pode ser a sensação de que o céu faz sentir todo seu peso nos nossos ombros. Talvez tenhamos chegado a isto numa inversão súbita desse sentimento prolongado de inadequação. De tanto nos sentirmos incapazes, revoltantemente impotentes, talvez se tenha operado em nós esse inesperado desenvolvimento que passa por livrar-se da dúvida, ser-se incapaz da relativização, de uma perspectiva parcial, limitada, como se só pudéssemos lidar em termos absolutos. Seria como imaginar-se um deus, um deles, esses que só podem estar loucos, uma vez que o excesso de realidade consegue ser a pior forma de demência. Como se esta tivesse encontrado um meio de infiltrar-se na nossa interioridade. Queixamo-nos tanto da sensação de vazio, mas raras vezes imaginámos como o contrário poderia tornar-se tão mais avassalador. Quando se inventaram os deuses talvez tenha sido para isto, para libertar espaço, para aliviar algum do peso. O mundo, o que lhe acontece, é lá com eles. Assim também podíamos virar-nos para os nossos demónios, negociar umas tréguas com as nossas fraquezas. Mas na humanidade começou essa conversa das grandes proezas, das disciplinas férreas, do génio, da superação dos limites. Que grande porra. Essas pérfidas religiões da eficácia, do progresso. Muito em breve parecia que o grande projecto seria exponenciar os elementos por um efeito de aceleração constante. Tiveram uma intuição danada os revolucionários franceses quando se puseram a disparar contra os relógios nos espaços públicos. Afinal, o que é um relógio? “Uma forma de parcelar a existência em fragmentos definidos e actividades regulamentadas. Um adorno com funções policiais”, responde Vivian Abenshushan, num dos ensaios do seu Escritos para Desocupados (ed. Cutelo), aquele texto em que parece intuir que a grande doença do nosso tempo vem do elemento central de dominação a que estamos submetidos: “Notas sobre os doentes da velocidade”, eis o título. Porque o tempo lido enquanto urgência, faz com que o tice o tac sejam sentidos como esporas dos dois lados, alguém, algo a apertar connosco, a inquietar-nos, e nós, começamos a sentir-nos em falta, a viver atrasados, arrastando-nos para preencher a projecção, como se uma sombra nos precedesse, assombrados já não pelo que temos atrás de nós, mas por previsões, expectativas, como se fôssemos precedidos sempre por uma promessa a que fomos coagidos. “De um processo da natureza, o relógio converte o tempo numa mercadoria que se pode medir, comprar e vender, como tecidos ou sabonetes” (George Woodcock). Hoje, e contrariamente ao que pensa, só os preguiçosos ainda revelam algum carácter, pois esses seres obstinadamente lentos são aqueles que se mostram capazes de se desenvencilhar dessas caricaturas esfaimadas que a civilização lança em cima de cada um de nós, cobrindo-nos de promessas de triunfo. Os preguiçosos, no entanto, preferem pequenas doses de eternidade, e desenvolvem as suas estratégias para se furtar aos apelos dessa máquina central, desse regime de sincronização em que deixa de ser necessário delimitar zonas carcerárias, bastando uma eficácia do cronómetro, uma exigência absoluta de pontualidade, para que cada um se sinta consumido pela angústia da velocidade, por essa constante recriminação que nos leva a abdicarmos do tempo próprio, daquele tempo de que precisamos para coincidirmos com nós mesmos, para estarmos afinados, sensíveis, disponíveis, atentos, o tempo que nos permite atingir um estado de soberania, e não esse tempo de arrasto, em que somos atirados de umas coisas para as outras, sempre contrariados, a ponto de sentirmos que a nossa vida se descreve como um frete interminável, um imenso castigo. Muitos sentimos que somos habitantes de um tempo demasiado lento para aquilo em que este mundo se tornou. Em vez de qualquer medida de gozo, prazer, desse juízo sobre a felicidade que estava na base das obras dos grandes moralistas de outras épocas, fizeram de nós gestores do nosso próprio cansaço. Somos os capatazes desse escravo, desse cavalo de Turim, que chicoteamos garantindo a sua miséria e a nossa. O corpo é uma imensa chaga, e acaba por desenvolver as drogas necessárias ao derrube deste ânimo doentio, o de seres conduzidos a uma tal miséria que se fustigam a si mesmos. Assim, este corpo que precisa de repouso, acaba por desenvolver aflições de tal ordem que nos levam a um esgotamento. “Através do esgotamento, o tempo biológico tenta impor um compasso distinto ao homem do tempo frenético”, escreve Abenshushan. Infelizmente, quando somos levados a essa ruptura, muitas vezes é tarde demais… “O burnout é um alarme que toca fora de tempo, quando o corredor perdeu o fundo e se tornou num estranho para si mesmo. O que vem depois mais parece um travão inútil, um travão depois da catástrofe. Ansiolíticos para ‘ralentar' um corpo inerte.” Durante demasiado tempo impôs-se a libertação sexual como uma espécie de utopia, mas foram esquecendo que um dos grandes prazeres é a forma como os corpos desfalecem para se abandonar a um sono desordenado, um sono que não é efeito do cansaço, mas da libertação de si. Num tempo em que estamos devastados por um quotidiano em que o tempo não nos pertence, em que a angústia que sentimos vem de não conseguirmos ver um fim à vista para esse horizonte de tarefas por cumprir, percebemos que estamos atravessados de uma renúncia radical à vida, um esquecimento do ser. Assim, Abenshushan fala do burnout como o “prelúdio da morte do espírito, o elevado preço pago pelos soldados do dever, fustigados por um relógio tirânico”. É preciso pensar uma desordem de grandes proporções. Que os números se exprimam contra este esvaimento, esta forma de se ser arrastado, num corpo enfermiço, sem vigor. Devemos assumir um culto pela cama, “o encantamento da posição horizontal, a sabedoria da quietude”. Uma capacidade de se recusar por razão nenhuma, sem dar justificações a seja que entidade for. Ninguém precisa de ser convencido de que há algo de seriamente errado na forma como levamos as nossas vidas, como o tempo parece encolher de forma pavorosa, e a humanidade inteira se queixa de que o dia não lhe chega, que o ritmo que nos é imposto por essa realidade dominada pelo ímpeto da máquina digital nos atira para fora de qualquer relação com um tempo acolhedor. “Agora, tal como há cem anos, a dinâmica da aceleração continua a exilar o homem de si mesmo, e até da própria velocidade. (…) A velocidade celebrada pelos futuristas parece-nos hoje menos sedutora, talvez porque deixou de ser um meio ao nosso serviço para nos converter nos seus lacaios. (…) Um fascismo da instantaneidade. Foi a isso que chegámos: a guarda-livros exaustos por uma velocidade autoritária e omnipresente.” Continuamos a fazer recortes a partir do ensaio de Abenshushan, que assinala como “um mundo que vive apenas para trabalhar e trabalha até morrer é um mundo de dispépticos que se prepara para se transformar num mundo de semidementes”. “Com toda essa disciplina a toque de caixa, apenas se conseguiu que a vida não mereça ser vivida. No Japão, ao número de mortes causadas pelo excesso de trabalho soma-se o número de suicídios originados pelo desemprego. Durante a sua patrulha anual pelos bosques de Aokigara, no fim de 2012, a polícia japonesa encontrou setenta e três cadáveres, na sua maioria jovens que tiraram a vida por não conseguirem emprego, ou por terem sido despedidos. (…) Penso nesse bosque de cadáveres, no sopé do majestoso monte Fuji, e recordo aquela frase de Morand: ‘A velocidade é um caminho juncado de mortos, uma sede perpétua que nada sacia, um suplício omitido por Dante.' Talvez Aokigahara seja como uma fotografia ominosa, o símbolo de um porvir em que os males associados à nossa obsessão pela velocidade se tornarão habituais, se não crónicos.” Neste episódio, vamos aproveitar-nos do trabalho de reconhecimento feito por Margarida David Cardoso a partir das vidas que, pelas mais variadas razões, se viram dominadas por crises psicóticas, um conjunto de sintomas muitas vezes associados a quadros de doença mental, mas que podem ocorrer por uma diversidade de causas, sendo este ainda um fenómeno cercado de incompreensão. A partir daqui e do livro Aquilo que vi no escuro (ed. Fundação Francisco Manuel dos Santos) derivamos, buscando respostas ao recompor sinais daqueles pássaros para quem o céu destes tempos se tornou demasiado pesado, demasiado sujo, e que, por mais corda que lhes fosse dado, vão caindo, sinalizando uma desorientação que talvez seja a lucidez que resta quando a maior doença é estar bem-adaptado a uma realidade miserável.
O presidente da FENPROF desmente o ministro da educação. Afirma que é mentira que haja professores a mais em várias escolas do país. José Costa diz que a solução passa pela valorização da carreira.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O número de internações de alta complexidade aumentou em 37,9% no estado de São Paulo na comparação entre 2022 e 2025. O avanço foi possibilitado pela Tabela SUS Paulista. Programa repassou R$ 9 bilhões nos últimos dois anos para custear procedimentos
Devocional Quaresma Os chefes dos sacerdotes pegaram nas moedas e disseram: «Como isto é preço de sangue, é contra a nossa lei deitá-lo na caixa das ofertas.» Tiveram pois uma reunião e resolveram comprar o Campo do Oleiro, a fim de servir de cemitério para estrangeiros. É por isso que esse campo se chama «Campo de Sangue», até ao dia de hoje. Assim se cumpriram aquelas palavras do profeta Jeremias: E pegaram nas trinta moedas de prata, o preço daquele que foi avaliado pelo povo de Israel, e deram-nas pelo Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou. Mateus 27:6-10 Sempre li a passagem sobre os sumos sacerdotes a comprarem o Campo do Oleiro de forma superficial. Recentemente, porém, o absurdo da situação chamou-me a atenção. É quase ridículo o quão equivocado e distorcido era o pensamento dos sumos sacerdotes. Eles não queriam colocar o dinheiro do sangue no tesouro, pois isso era «contra a lei». Em vez disso, usaram-no para um investimento imobiliário. Os sumos sacerdotes são exemplos clássicos do que significa seguir a letra da lei, mas continuar a vida com uma dureza implacável no coração. Eles estavam preocupados em parecer justos, mas não se importavam realmente em ser justos. Preferiam a distração ao arrependimento. Às vezes, só queremos marcar todas as caixas que nos fazem parecer de uma determinada maneira. Não permitimos que Deus trate a raiz do problema ou nos transforme de dentro para fora. O inimigo adora manter-nos nesta bolha de ilusão para que não nos ajoelhamos diante de Deus. A caminho de casa Em que áreas estou simplesmente a seguir os padrões do mundo e a viver numa auto-justiça equivocada? Estou mais preocupado com a forma como as minhas ações são vistas por fora ou com a forma como posso mudar por dentro? Oração Pai Celestial, ajuda-me a reservar tempo para estar na Tua presença e permitir que a Tua luz brilhe na minha vida. Revela-me as áreas em que posso mudar pelo poder do Teu Espírito Santo. Ajuda-me a nunca esconder o meu pecado sob camadas de distração, ocupação ou atos insensatos de hipocrisia. Amém. Neste tempo, abrando o passo. Escolho caminhar com Jesus, mesmo quando o caminho aperta. Escuto o que Ele diz. Observo o que Ele faz. Entrego-Lhe as minhas resistências e os meus medos. Pergunto: onde preciso de parar hoje para caminhar contigo? O que preciso de largar para Te seguir mais de perto?
Laura Fonseca, presidente da união de freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades, diz que o processo de evacuação foi "muito calmo". Ainda não sabe quando as pessoas poderão voltar a casaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Portugal vai este domingo, 8 de Fevereiro, a votos na segunda volta das eleições presidenciais, um cenário inédito em quase quatro décadas. Pela primeira vez desde 1986, a escolha do Presidente da República não se decide à primeira volta, mas também pela primeira vez a votação não acontece, em simultâneo, em todo o território. Em sete municípios, entre os quais Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã, e ainda em duas freguesias do concelho de Santarém e duas do concelho de Sintra, o voto foi adiado para o próximo dia 15, devido à situação de calamidade provocada pelas tempestades que atingiram o país. As autarquias justificam a decisão com a falta de condições de segurança e de acessibilidade, num contexto em que persistem estradas cortadas, zonas inundadas e constrangimentos no transporte e na circulação. Apesar do cenário, em muitos pontos do país, os eleitores atravessam ruas ainda marcadas pelos estragos para chegar às urnas. Em Santarém, na Escola Primária de São Domingos, o dia é vivido num equilíbrio tenso entre o dever cívico e a fragilidade deixada pela última semana. “Precisamos de um Presidente e de um bom Presidente e, seja em que circunstância for, é muito importante votar”, diz uma eleitora, sublinhando que, embora na sua zona “não tenha acontecido nada de extraordinário”, viveu os últimos dias com preocupação. Conta que tem familiares obrigados a abandonar a casa na Ribeira de Santarém, onde a água invadiu o rés-do-chão. “Tiveram de tirar tudo da parte de baixo”, descreve, referindo que há um bebé e uma criança na família. Para ela, a crise pode criar terreno fértil para o desespero: “As pessoas estão muito desesperadas, não pensam nas eleições. Alguns coitados não têm grandes hipóteses psicologicamente, nem fisicamente.” Outros eleitores falam da votação como uma resposta directa ao momento político. “Só dois candidatos: temos de ter atenção à nossa liberdade e à nossa democracia”, afirma um outro eleitor, à saída da mesa de voto. Uma mulher, natural de Santarém e residente fora do Ribatejo, diz estar “emocionada” com o que viu nos últimos dias e recusa a ideia de abdicar do voto: “Votar é talvez o único poder que nos dão. Não lutar pela democracia num dia como o de hoje seria uma vergonha.” A eleição opõe António José Seguro e André Ventura, num regime semi-presidencial em que o Presidente não governa, mas pode desempenhar um papel determinante em momentos de crise: dissolução do Parlamento, convocação de eleições, nomeação do primeiro-ministro e influência política e simbólica na vida pública. A própria existência de uma segunda volta e a presença de um candidato de extrema-direita no confronto final confirmam uma transformação do sistema partidário e do debate público, num país habituado a presidenciais resolvidas no primeiro domingo. Em Santarém, porém, a política mistura-se com a urgência do pós-tempestade. As marcas estão no chão, na paisagem e no ritmo interrompido do quotidiano. No Miradouro de São Bento, a cidade olha para um cenário onde a cheia ainda domina: campos totalmente alagados, árvores submersas, telhados e paredes a meio, água de cor cinzenta e esverdeada. “Já assisti a muitas cheias, mas esta é a maior desde que me lembro, desde 1979”, conta Marcolino Pedreiro, recordando também a cheia de 1969 e outra, em 1981. Para ele, esta pode situar-se “entre as duas”. Questionado sobre se as condições meteorológicas podem influenciar o resultado eleitoral, responde com frieza: “O impacto será residual e insignificante.” A leitura não é consensual. O historiador Vítor Pereira descreve um sentimento recorrente em crises deste tipo: a percepção de abandono, mesmo em zonas relativamente próximas de Lisboa. “Quando há catástrofes, muitas vezes há um sentimento de falta de protecção e de falta de atuação do Estado”, explica, apontando para a frustração de quem paga impostos e sente que a resposta pública é lenta ou insuficiente. Para o investigador, falhas de comunicação política, e uma resposta percebida como desadequada, podem alimentar discursos de crítica ao Estado e, em contexto eleitoral, ter consequências. O historiador sublinha ainda o contraste entre a expectativa criada nos últimos anos por um Presidente marcado pela proximidade e pela presença pública, e o que poderá vir a seguir. “Portugal vai sentir-se órfão do Presidente das empatia”, afirma, antecipando que o próximo chefe de Estado terá de construir o seu próprio estilo, sem repetir o modelo dos últimos dez anos. A historiadora Raquel Varela vai mais longe e enquadra o episódio numa sequência de acontecimentos recentes: incêndios, cheias, falhas na resposta de emergência para sustentar uma crítica estrutural. “Nós não temos protecção civil”, diz, apontando para a fragilidade dos serviços e para a dependência das redes informais. “As pessoas têm-se a si, aos vizinhos e aos amigos.” Raquel Varela considera que esta auto-organização popular pode gerar um novo momento de politização, à semelhança do que aconteceu após as cheias de 1967, mas alerta para a ausência de preparação e de estruturas comunitárias. A dimensão internacional também atravessa o dia eleitoral. O activista guineense, Yussef, acompanha a votação a partir de uma perspectiva da diáspora, defende que o resultado em Portugal tem impacto nas relações com a Guiné-Bissau e no espaço político da CPLP. Critica o que considera ter sido um “branqueamento” de práticas anti-democráticas nos últimos anos e pede ao futuro Presidente “coerência com a Constituição”, pressão democrática e uma diplomacia alinhada com os princípios que Portugal afirma defender. Em Santarém, este domingo, cruza-se assim o calendário eleitoral com a recuperação depois de três tempestades. Entre ruas ainda condicionadas e uma normalidade incompleta, o país escolhe o próximo Presidente num contexto excepcional, com adiamentos locais, marcas visíveis no terreno e uma sensação de fragilidade que, para muitos, pesa tanto quanto o voto.
A campanha para a segunda volta das presidenciais portuguesas termina esta sexta-feira, com um país dividido; entre a promessa de ordem e a defesa da democracia. A historiadora e investigadora, Raquel Varela, alerta para a ameaça representada por André Ventura, líder do partido de extrema-direita, critica a cumplicidade mediática e questiona o apoio da direita a António José Seguro, candidato apoiado pelo PS. Para a historiadora, o voto pode travar o pior, mas não cura a “pneumonia” do sistema. A campanha para a segunda volta das eleições presidenciais termina esta sexta-feira, 6 de Fevereiro, e chega ao fim com um traço comum: falou-se menos de propostas e mais de um retrato do país. Nesta segunda volta, António José Seguro procurou apresentar-se como candidato da estabilidade institucional, enquanto André Ventura tentou ocupar o lugar do choque político. Pelo meio, o debate tornou-se mais emocional do que racional, mais centrado no medo e na raiva do que numa ideia clara do futuro. É a partir desse retrato que Raquel Varela, historiadora e investigadora, faz a sua leitura. “Eu acho que nós temos que fazer perguntas porque, normalmente, são muito melhores do que as respostas”, afirma, antes de justificar porquê. “Não devemos tentar respostas fáceis, não é? (…) às vezes é preciso fazer perguntas muito difíceis a nós próprios.” A pergunta que coloca, diz, é desconfortável e obriga a rever certezas: “Porque é que a maioria dos quadros de direita do país ou do centro direita, grande parte deles apoiam António José Seguro?” Raquel Varela sublinha que esta questão entra em choque com hipóteses que vinham a ser formuladas. “Isto é um contrassenso face àquilo que pessoas, como eu tinham dito há meses e há anos”, diz, referindo-se à ideia de que as classes dirigentes portuguesas estariam a apoiar “alguma solução de tipo fascista ou bonapartista”, isto é, “alguma forma de restrição dos direitos, liberdades e garantias”. E acrescenta, sem fugir à revisão: “Como é que eu posso responder a esta pergunta difícil (…) que me mobiliza também aquilo que eu pensava? Estava errada.” Para a historiadora, a própria análise política exige aceitar a possibilidade do erro: “Nós erramos em ciências sociais são apostas, são hipóteses.” A dúvida sobre a estratégia das classes dirigentes não altera, porém, a certeza sobre André Ventura. “Não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que André Ventura representa uma ameaça à democracia”, afirma. E reforça a caracterização: “Mais do que uma ameaça à democracia, é um partido de caráter fascista.” Raquel Varela aponta ainda o que considera ser o início de um processo mais amplo: “É uma ameaça aos direitos do trabalho e a violência contra os imigrantes é só o início da violência contra os trabalhadores em geral”, referindo o caso norte-americano: “Como se viu com o ICE e a milícia de Donald Trump nos Estados Unidos.” Raquel Varela enquadra esse crescimento com uma crítica directa ao papel da comunicação social. “André Ventura tem sido levado ao colo por grande parte dos jornais que são detidos por empresas em Portugal”, afirma. E inclui também órgãos “dependentes do Estado”, como a televisão pública. A historiadora considera que isso é um tema interno da própria profissão: “Isso também é um debate a ter dentro do jornalismo em Portugal”, e acrescenta que o jornalismo vive “uma fase mais crítica (…) com menos capacidade de dar espaço ao dissenso.” Mas a questão decisiva, insiste, está no movimento defensivo das elites em direcção a António José Seguro. Raquel Varela descreve esse movimento como revelador. “Nós vimos agora (…) históricos da direita, do ultraliberalismo (…) e agora apoiam António José Seguro”, afirma. E dá exemplos: “Cavaco Silva apoia António José Seguro, Paulo Portas apoia António José Seguro.” A pergunta regressa: “Nós temos que perguntar porquê.” A resposta que formula, por agora, é que as classes dirigentes portuguesas “estão com enormes dificuldades em governar”. Esse medo, diz, é o medo de perder o controlo político do país. “Estas eleições revelam um grande medo das classes dirigentes perderem a mão”, afirma. E clarifica o sentido dessa expressão. “Não é perderem a mão no sentido de que vai haver um fascista a governar o país, é perderem a mão no sentido em que as classes trabalhadoras e médias perdem a paciência.” Para sustentar a leitura, Raquel Varela recorda um facto recente: um governo de direita “acabou de enfrentar uma greve geral com 3 milhões de trabalhadores”. A historiadora defende que o papel do Presidente da República não pode ser visto como decorativo num contexto destes. “Se nós temos na presidência da República alguém que não faz o contrapeso a isto, que não tem alguma capacidade de diálogo com o mundo do trabalho, nós podemos ter uma situação de tipo Donald Trump”, afirma. A comparação surge acompanhada de uma observação que, para si, revela o efeito paradoxal da radicalização do poder. “O Donald Trump fez mais pela greve geral nos Estados Unidos do que qualquer esquerda nos últimos 50 anos, porque hoje em dia fala-se em greve geral nos Estados Unidos.” A investigadora descreve o clima político como uma mobilização de afectos defensivos. “Estes afectos tristes que estão a ser mobilizados e que implicam muito medo”, diz, recuperando uma expressão do ensaísta Perry Anderson. E coloca a crise no centro do regime: “A crise de representação é das classes trabalhadoras médias e das classes dirigentes. Há uma rotura entre representantes e representados.” Para Raquel Varela, é essa rotura que explica por que razão uma campanha presidencial se transformou num confronto entre medos. Para tornar essa crise concreta, Raquel Varela recorda uma reportagem que fez esta semana em Leiria, Marinha Grande e Vieira de Leiria, depois de ventos ciclónicos terem destruído casas e infra-estruturas. A historiadora diz que a população queria ser ouvida. “Demos por nós com as pessoas a virem atrás de nós a dizer: ‘Eu quero falar'.” E as frases repetiam-se com força política. “Somos contribuintes, não somos cidadãos. Existem dois países, um país lá e nós aqui.” O “nós aqui”, sublinha, é “100 km de Lisboa” e não um lugar distante do mapa. Raquel Varela descreve o que considera ter sido “o colapso completo do Estado”. “Uma semana depois não havia sequer um sistema de construção público capaz de ter ido tapar os telhados das pessoas”, afirma. O detalhe que destaca é, para si, simbólico: “Estão a ser tapados com lonas, lonas da Iniciativa Liberal e do Chega, que é metafórico do que é que estes partidos da privatização têm a dizer às pessoas.” A falha, insiste, não foi falta de solidariedade, mas falta de capacidade material. “O que as pessoas precisam é de gruas, de guindastes, de camiões, de pedreiros, de eletricistas, de alta atenção, de respostas rápidas.” No mesmo terreno, diz, viu-se a fragilidade do populismo. “As pessoas desprezaram as políticas de André Ventura a distribuir garrafas de água”, observa. E percebeu que “isto não vai lá com comunicação.” A realidade expôs ainda um contraste decisivo em relação ao discurso anti-imigração. “Se não fossem os pedreiros brasileiros do Nepal e do Bangladesh nem lonas tinham conseguido pôr.” Uma senhora, conta, deixou uma frase que considera reveladora: “Quem está a votar no André Ventura devia ter vergonha.” E colocou uma pergunta que, para Raquel Varela, funciona como lição histórica: “Como é que vocês acham que a Alemanha e a Suíça foram reconstruídas depois da guerra? Não foi com imigrantes?” Raquel Varela aponta também responsabilidades aos partidos de esquerda. “Penso que há uma enorme responsabilidade nos partidos de esquerda que tiveram muito medo de ser radicais”, afirma. E explica o que entende por esse medo: “Tiveram muito medo de questionar o sistema, de questionar este balcão de negócios privados que é o estado.” Na sua leitura, a esquerda seguiu políticas que considera destrutivas. “Foram atrás das políticas da União Europeia de elevação da dívida pública, de destruição do emprego público e assistencialistas.” O resultado, diz, foi uma esquerda reduzida a uma diferença mínima. “A diferença hoje em dia entre a esquerda e a direita que teve no governo é se há mais ou menos assistencialismo. Isso não faz uma política de esquerda.” A faltarem dois dias para a segunda volta das eleições, Raquel Varela recusa a ideia de que a escolha resolva o problema. “Eu acho que sobreviveu uma vez mais”, afirma, referindo-se à democracia. E deixa claro o sentido de um voto em António José Seguro contra André Ventura. “Quem quer que vá votar a António José Seguro contra André Ventura tem que saber que está a votar para impedir André Ventura de chegar, não está a votar para criar um sistema político e social que nos impeça os André Venturas desta vida.” A metáfora final fecha a sua leitura: “É o idêntico a tomar uns antipiréticos numa pneumonia”, um gesto que pode ser necessário no imediato, mas que exige um passo seguinte: “ir rapidamente resolver o problema da pneumonia.”
Conversas com as Entidades sobre temas diversos
Expectativas são de produtividades melhores do que as registradas na safra passada
Ligação, ainda que indireta, causa novo constrangimento ao ministro do Supremo Tribunal Federal e a Daniel Vorcaro.Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília. Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil. Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado. Transmissão ao vivo de segunda a sexta-feira às 12h. Apoie o jornalismo Vigilante: 10% de desconto para audiência do Meio-Dia em Brasília https://bit.ly/meiodiaoa Siga O Antagonista no X: https://x.com/o_antagonista Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais. https://whatsapp.com/channel/0029Va2SurQHLHQbI5yJN344 Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br
Mortos em protestos no Irã passam de 500, diz ONG; número já é semelhante ao dos atos de 2022. E Trump afirma que Cuba não vai ter mais petróleo ou dinheiro da Venezuela e que deveria fazer acordo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste episódio fazemos uma retrospectiva dos assuntos mais importantes tratados em 2025 no Segurança Legal. Você irá descobrirá os principais temas que dominaram o ano em inteligência artificial, segurança da informação e direito digital. O episódio traz uma análise sobre o aparecimento do Deepseek, explorando como a inteligência artificial transformou o cenário de segurança cibernética. Você irá descobrir os riscos de atrofia cognitiva causados pelo uso excessivo de IA, a importância da proteção de dados pessoais com a LGPD, e como os backdoors em modelos de linguagem ameaçaram a supply chain. O podcast também aborda questões de vigilância digital, as novas regras do Banco Central após fraudes bancárias, a inconstitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil, a aprovação do ECA Digital, vulnerabilidades no gov.br e a questão crítica do analfabetismo funcional digital. Esta retrospectiva cobre ainda aspectos geopolíticos da IA, regulação de inteligência artificial, conformidade com políticas de proteção de dados, e o papel das bigtechs em 2025. Esta descrição foi realizada a partir do áudio do podcast com o uso de IA, com revisão humana. Visite nossa campanha de financiamento coletivo e nos apoie! Conheça o Blog da BrownPipe Consultoria e se inscreva no nosso mailing Imagem do Episódio – Por trás do tempo – Guilherme Goulart
Você acredita que tem uma cópia sua maligna andando por aí? Que você pode estar em dois lugares ao mesmo tempo? Eu já ouvi muitas histórias dessas e hoje vou ler só relatos dos meus seguidores que tiveram esse tipo de experiência chamada de doppelgänger.
Pesquisa de doutorado desenvolvida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP recupera aspectos da memória da política urbana e habitacional no contexto das prefeituras democráticas e populares
Entre os anos de 1986 e 2000, muitas prefeituras do País colocaram a população no seio das tomadas de decisão. "Foram experiências inovadoras e criativas de democracia direta nas cidades brasileiras", disse o pesquisador Pedro Rossi. Ele é autor do estudo de doutorado intitulado O Ciclo virtuoso das prefeituras democráticas e populares no Brasil, defendido na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Na entrevista deste episodio de Os Novos Cientistas, Pedro Rossi destacou que o período foi marcado por um ciclo virtuoso de experiências inovadoras, criativas de democracia direta nas cidades brasileiras. De acordo com o pesquisador, naquele período delimitado no estudo (1986 a 2000) houve um período de inversão de prioridades. "Tivemos um novo modo de governar, que até então estava sendo oprimido e reprimido em função da da ditadura militar", contou Pedro Rossi. "E isso ocorreu em dezenas de cidades, de norte a sul e de lestae a oeste no País. Sob a orientação da professora Erminia Terezinha Menon Maricato,o pesquisador ananlisou diversas administrações, mas se aprofundou em cinco casos: São Paulo, Belo Horizonte, é, São Paulo, Belo Horizonte Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belém. Munido de diversos materiais relativos à época das prefeituras, como panfletos, relatórios de gestão, documentos, leis e ações de movimentos populares, o pesquisador gerou um grande arcabouço de material que foi sua fonte primária. "Foram muitas as experiências, e as práticas com resultados muito positivos, desde programas de urbanização de favelas, a provisão habitacional com mutirões cogeridos com a prefeitura, muita assessoria técnica de engenheiros, arquitetos, e assessoria jurídica para a população que precisava ter acesso, não só a moradia, mas a cidade como um todo", ressaltou. Pedro Rossi informou que há um site com metodologias e resultados do estudo podem ser acessados neste endereço. Disponível também na plataforma Spotify
Nesta edição traremos um exemplar dos podcasts que temos nos "Apoiadores do Milênio" nosso grupo especial de apoiadores do apoia-se. Confere ai!Com Markus Anisio Trolleis, Rodrigo Cardozo e Alex GuerraTorne-se um Apoiador do Milênio e receba os benefícios dessa nossa nova comunidade do Kamui no link abaixo:https://apoia.se/kamui
Comprar celular usado é uma boa solução para quem quer ter um aparelho top de linha, mas não quer gastar tanto em um aparelho novo. Contudo, nos últimos anos, os celulares de segunda mão tiveram um salto nos preços. Nesta edição do "CBN e a Tecnologia", com o comentarista Gilberto Sudré, vamos entender por que isso aconteceu. Ouça a conversa completa!
Confira o Fechamento de Mercado desta sexta-feira (12)
Foi do jeito que a gente gosta! Primeiro passamos pelos Estados Unidos, depois vencemos a final contra a Argentina. Se tinha uma roteiro melhor, eu desconheço. Mas claro, não foi o melhor jogo que poderíamos ver. Petrovic entrou com o plano de limitar as ações do Corbalan, Vildoza e Brussin, e nisso fomos muito bem. Tiveram 21% de aproveitamento. Mas no resto a seleção pecou em intensidade. Foi um jogo controlado, mas com placar digno de 2 quartos, ou de campeonato de escola. Sendo que estávamos vindo de um jogo grande na semi contra os Estados Unidos. Um jogo que o Brasil não apenas controlou no quarto quarto, como também anulou o ataque americano e ainda conseguiu encher os olhos com jogadas plásticas e bolas de três. Quem viu aquele jogo e a final ficou sem entender muito. Mas não importa, porque a seleção tinha um plano para a final, focou nisso e pode gritar "É Campeão!!!". Para variar, Yago e Caboclo foram muito bem durante o campeonato todo, mas também vale chamar a atenção para o Lucas Dias e muito para o Georginho. Se várias vezes se questionou a atuação do Georginho em jogos da seleção, neste campeonato ele mostrou que está diferente. E a gente precisa dele assim mesmo. Enquanto isso por aqui no Brasil, o Paulista Masculino e Feminino continua rolando. Com jogos no masculino até dia 18 de setembro pelo turno, o campeonato tem Franca agora com folga na frente, seguido por Mogi, Corinthians e Bauru. E com um detalhe, o São Leopoldo ganhou a primeira. Agora todo mundo ganhou uma! No feminino o campeonato ficou quase uma semana parado e voltou na quinta com o Ourinhos ganhando do Corinthians e o Araraquara do Sorocaba. O feminino acaba o turno só em outubro, então ainda tem bastante tempo para os times se acertarem antes dos playoffs. Se a Americup acabou, a Eurobasket está de vento em popa. Acabada a fase de grupos do campeonato, já temos os 16 classificados e os cruzamentos para as oitavas que começam no sábado. E a surpresa ficou com a poderosa Espanha que foi desclassificada, perdendo para Geórgia, Itália e Grécia. Quem poderia imaginar. Nas oitavas teremos jogos médios ainda, sendo talvez Lituânia e Letônia o grande jogo da fase, com Itália e Eslovênia tendo também seu charme. Mas esta tudo pronto para as quartas serem jogos incríveis. Falamos também da semana da WNBA que, com poucos jogos faltando para o fim da temporada regular, ainda tem 4 times brigando por 3 vagas e com um deles tendo recebido uma péssima noticia: Caitlin Clark está fora do resto da temporada. Com o Fever disputando uma destas 3 vagas, pode ser que essa seja a pá de cal na temporada que tinha começado bem. E o Westbrook? Parece que o recordista de triplos-duplos pode estar de saída da NBA com o interesse do Xinjiang Flying Tigers da China. Sem conseguir fechar nenhum contrato na liga americana, este parece o endereço mais certo para ele. As portas estão abertas aparentemente. Falamos também de algumas renovações e do assunto mais quente da semana: Teria Kawhi driblado o cap com o Clippers para poder receber mais sem afetar as multas que o time teria de pagar? A decisão deste assunto vai impactar muito a liga e deve ser severa, conhecendo o que já aconteceu em outras situações. Mas a verdade é que mesmo sem garantias do que vai acontecer, a história toda é absurda. Para ir para o Clippers, o empresário do Kawhi teria pedido recebimentos por fora, além do salário absurdo. Para isso uma empresa contratou ele como garoto propaganda, mas ele nunca fez uma promoção da empresa e, mesmo com a empresa abrindo falência e não pagando mais ninguém, Kawhi continuou recebendo os 7 milhões por ano do contrato. Essa história vai ser boa de acompanhar. Teve isso e muito mais, então não perde mais tempo, aperta o play, relaxa e vem com a gente!
Aliado de Jair Bolsonaro e cotado para disputar a presidência da República em 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticou o governo Lula ao comentar a taxa anunciada por Trump. “Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado. Tiveram tempo para prestigiar ditaduras, defender a censura e agredir o maior investidor direto no Brasil. Outros países buscaram a negociação. Não adianta se esconder atrás do Bolsonaro. A responsabilidade é de quem governa. Narrativas não resolverão o problema”, afirmou o governador. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, em entrevista ao Canal do Barão, que Tarcísio “errou muito” ao culpar o governo Lula pela tarifa anunciada por Trump.Haddad acrescentou:“Ou uma pessoa é candidata a presidente, ou é candidata a vassalo. Não há espaço no Brasil para vassalagem, desde 1822 isso acabou.Então, o que você está fingindo aqui? Ajoelhar diante de uma atitude unilateral, sem nenhum fundamento econômico? Sem nenhum fundamento político?” Após a declaração de Haddad, Tarcísio publicou a seguinte mensagem no X:“As pessoas não querem saber de narrativa, querem ver o trabalho acontecendo para melhorar a vida delas, para resolver os problemas que estão postos. Quem está no governo tem que governar. É isso que a população espera.”Em coletiva, Tarcísio afirmou que “o tarifaço é deletério, principalmente para aqueles estados que têm produção industrial de maior valor agregado”. O governador acrescentou que é preciso “deixar de lado as questões ideológicas, deixar de lado as questões políticas, deixar de lado o revanchismo, as narrativas e trabalhar".Felipe Moura Brasil e Ricardo Kertzman comentam:Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores. Apresentado por Felipe Moura Brasil, o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade. Ao vivo de segunda a sexta-feira às 18h. Apoie o jornalismo Vigilante: 10% de desconto para audiência do Papo Antagonista https://bit.ly/papoantagonista Siga O Antagonista no X: https://x.com/o_antagonista Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais. https://whatsapp.com/channel/0029Va2SurQHLHQbI5yJN344 Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br
Começa no próximo dia 24 de julho o ressarcimento de beneficiários que tiveram descontos ilegais no INSS. Para ter acesso ao dinheiro, aposentado ou pensionista deve aceitar o acordo proposto pelo órgão. Isso pode ser feito pelo aplicativo oficial, pelo telefone 135 ou presencialmente nas agências dos Correios. Veja também: Corpo de Juliana Marins será velado nesta sexta (4) em Niterói (RJ).
Se hoje pessoas LGBTQIA+ podem casar e construir legalmente uma família, saiba que isso tem nome e tem história: a de Toni e David.No final dos anos 80, Toni, um jovem assumidamente gay do interior do Paraná, decidiu mudar de ares. Foi pra Europa sem dominar outros idiomas, com coragem, fome de liberdade e o desejo de viver com dignidade. Ele não sabia, mas estava a poucos degraus de encontrar o amor da sua vida. Literalmente.Foi na estação de metrô mais profunda de Londres que ele cruzou o olhar com David, um inglês de terno, sobretudo e uma história escondida atrás de um casamento heterossexual. Bastou um sorriso, um "do you wanna be my husband forever?" e, a partir dali, eles nunca mais se desgrudaram.Mas viver esse amor não seria simples.David teve que romper com o passado, se entender, se assumir. E, mais tarde, se mudar pro Brasil, onde juntos começaram uma vida e uma luta. Primeiro pelo direito de David ficar no país. Depois, para transformar o amor deles em um vínculo legal.Os dois foram rejeitados e ridicularizados em cartórios. Tiveram o pedido de união estável negado. Mas também foram abraçados por uma rede de apoio que cresceu com eles: advogados, parlamentares, ativistas, jornalistas que queriam vê-los felizes.O caso deles explodiu na mídia e acabou sensibilizando a opinião pública. De perseguidos, viraram símbolo. A mobilização foi tanta que permitiu, anos depois, a entrada do casal com um pedido no Supremo Tribunal Federal. E foi assim, no dia 5 de maio de 2011, que eles ajudaram a fazer história: o reconhecimento da união homoafetiva como um direito constitucional.Não parou por aí.Eles também foram pioneiros na adoção por casais do mesmo sexo. Esperaram sete anos até conseguir, finalmente, o direito de serem pais juntos, com registro legal em nome dos dois.Hoje, Toni e David seguem juntos, há mais de 35 anos. E não só venceram pelo próprio amor, mas abriram as portas pra que milhares de pessoas pudessem sonhar, amar e existir com dignidade.No fundo, tudo começou com um espaguete e uma garrafa de vinho em uma sacola rasgada. Mas o que eles construíram foi muito maior: uma vida, uma família, e um legado.O Oxxo é o parceiro que está apresentando a história da Karine no podcast. O Oxxo também está sempre pertinho para salvar a gente no dia a dia. Saiba mais em http://instagram.com/oxxobrasil. #VemProOxxoEdição: Fábio de Azevedo (Nariz)Roteiro: Luigi Madormo
Hoje é o último dia para enviar declaração do Imposto de Renda 2025. Correios começam atendimento a beneficiários do INSS que tiveram descontos ilegais. 'Verifiquem, por favor, nosso trem de pouso?': áudios entre torre de controle e tripulação de avião revelam quando problema é identificado. Poze do Rodo declara ligação com o Comando Vermelho e passa a ficar preso com integrantes da facção em Bangu. Onda polar atinge pico nesta sexta; veja capitais mais frias do país.
Confira nesta edição do JR 24 Horas: O INSS começou, nesta segunda-feira (26), a devolução dos valores descontados irregularmente de aposentados e pensionistas. Neste primeiro momento, serão ressarcidas as vítimas que sofreram os descontos indevidos no mês de abril. Ao todo, R$ 292 milhões serão devolvidos. O calendário de pagamentos vai até o dia 6 de junho. Os beneficiários não precisam tomar nenhuma providência e os valores serão depositados automaticamente nas mesmas contas em que recebem seus benefícios. E ainda: Grupo que vendia medicamentos falsos para emagrecer é alvo da polícia em Santa Catarina.
Semana em que África e o mundo tiveram os olhos postos no Vaticano, que conta desde quinta-feira com um novo Sumo Pontífice. Leão XIV é o novo líder da Igreja Católica. Confira aqui o magazine Semana em África, espaço onde fazemos um apanhado das notícias africanas que marcaram as nossas antenas.
Confira o Fechamento de Mercado desta quinta-feira (03)
Chuvas regulares na região estão ajudando na maturação dos grãos de café
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira à noite os primeiros requerimentos de urgência para dois dos projetos do pacote de corte de gastos do governo Lula.Tiveram urgência aprovada o projeto de lei complementar que submete novas despesasao arcabouço fiscal e o projeto de lei ordinária do pente-fino no BPC(Benefício de Prestação Continuada) // A PEC para tratar dos supersalários ainda nãocomeçou a avançar.Meio-dia em Brasília traz as principais informações da manhã e os debates que vão agitar o dia na capital federal e do mundo. Assista na TV BM&C, nos canais 579 da Vivo, ou 547 da Claro, além do SKY+. Apoie o jornalismo Vigilante: 10% de desconto para audiência do Meio-Dia em Brasília. https://bit.ly/meiodiaoa Siga O Antagonista no X, nos ajude a chegar nos 2 milhões de seguidores! https://x.com/o_antagonista Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais. https://whatsapp.com/channel/0029Va2S... Ouça O Antagonista | Crusoé quando quiser nos principais aplicativos de podcast. Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br
Cuidado com a história que você conta a si mesmo. A partir da postura de Saul vs a postura de Davi, vamos refletir sobre a responsabilidade que nós assumimos ou não diante das dificuldades da vida. Minhas redes sociais: @eusouodeio Comunidade em que prego onde você encontra mensagens completas: @sineceramga -Crédito da música de Background: Simple Melody by Blue Dot Sessions
Meu Podcast "Receios Obscuros" Apoia.se com conteúdo exclusivo envio de relatos por texto: receiosdoalem@gmail.com No primeiro relato a Thayse ouve uma respiração fantasma que vinha do nada e não tinha nenhuma explicação. O segundo relato é do Lucas, que nos conta sobre o dia em que seu pai teve uma conversa póstuma com a mãe dele. Por fim, a Juliana contou 3 relatos envolvendo um dom da mediunidade que sua mãe tinha e passou pra ela. Tiveram várias situações envolvendo visões do futuro, paralisias do sono e um homem de preto.
Confira nesta edição do JR 24 Horas: Mortes violentas intencionais tiveram queda em 2023; feminicídios cresceram. Foi divulgado nesta quinta-feira (18) o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que mapeia os principais crimes cometidos no país. E ainda: Em alto mar, Polícia Federal e Marinha apreende dois milhões de maços de cigarro.
O episódio conectado é o 203: https://open.spotify.com/episode/6Gi2YpIzBh7HKqW9LnvpiI?si=dbb03d438899490e Gostaria de participar de nossos grupos de conversação? Encontre mais informações aqui: https://portuguesewitheli.com/cah/ Se quiser e puder ajudar o nosso podcast a continuar funcionando, deixe uma avaliação na plataforma onde você nos ouve. E caso possa, considere uma pequena doação. Todas as doações são revertidas em livros e materiais para melhorar o podcast. Para doar, vá para: https://buymeacoffee.com/elisousa E aqui está a transcrição do monólogo para seu proveito. Comer é muito fácil. Basta abrir a boca e empurrar para dentro o que você quiser comer. Mas para certas pessoas não é assim que a banda toca. Para Patrícia, por exemplo, comer fora de casa é algo que a estressa sobremaneira. Ela tem doença celíaca, ou seja, não pode comer nada que tenha glúten, como trigo, centeio e cevada. Antes, ela não dava muita bola para isso. Bastava reconhecer que algo tinha trigo, que Patrícia passava longe. Até que um dia ela comeu um inocente pão de queijo e quase que imediatamente começou a pôr as tripas para fora. Já foi correndo para o trono e passou um dia de rainha. Foi nessa ocasião que ela descobriu a tal da contaminação cruzada. O pão de queijo não leva farinha de trigo, mas a padaria tinha usado o mesmo forno para assar pão francês antes. Hoje Patrícia evita comer em lugares novos e acaba preferindo receber os amigos em casa a dar bobeira e comprar um produto com trigo sem saber. Luan frequenta esses encontros na casa da Patrícia. O problema dele com comida é a alergia a camarão. Ele conta que só de sentir o cheiro já fica com a garganta querendo fechar. E Luan morre de medo de um choque anafilático desde a vez que, ainda criança, pediu para a mãe um espetinho de camarão na praia e a festa acabou ali mesmo. Tiveram que ir às pressas para o hospital, e que bom que foi socorrido a tempo. Essa alergia é muito perigosa. Filipe come de tudo, mas para manter a amizade, ele também frequenta a casa da Patrícia. O segredo dele é forrar o estômago antes de ir para lá. Ele é naturalmente grandalhão e tem o metabolismo de um jovem atleta. Precisa ingerir muitas calorias, comer coisas que dão “sustância” como ele diz. E como a Patrícia tem tanta restrição alimentar, o Felipe prefere ir para a casa dela de barriga cheia. E no fim, também tem eu. Pessoalmente não tenho nenhuma restrição alimentar. Bom, tenho intolerância à lactose, mas mal como laticínios. Então para mim tanto faz como tanto fez. Mas estou tendo que fechar a boca por causa de meu sobrepeso. Estou sob observação com risco de pré-diabetes. Se eu não abrir o olho, acabo como minha tia. Então adoro visitar a Patrícia. Nem se eu quisesse poderia meter o pé na jaca... não na casa dela. --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/portuguesewitheli/message
Voltámos, meu peeps. Tiveram saudades minhas? Eu tive vossas. O som não ficou nada de especial, já não sei fazer isto. Deixem aí temas para o Expressialista em Nada da próxima semana. Obrigada por ouvirem e beijooooooooooos
Uma emissão em modo ping-pong entre Lisboa e Braga, com ainda vestigios de feze do Homem Que Mordeu o Cão. Foi uma manhã bem animada, sem perturbar o pequeno-almoço de Nuno Markl!
Como é dia de fazer o que quiser... não arrume os sapatos, Mercúrio RetroGAdo ou Mercúrio RetrGRAdo ... não sei nem escrever, estar à mesa de um restaurante e falar de comida, dar beijos na boca a quem recorda de que as férias estão a terminar, comer massa à bolonhesa no meio de uma disco night e Jéssica Beatriz no Altice.