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Portugal, 1926. Un coup d'État militaire renverse la République. Personne n'imagine alors que l'austère professeur d'université appelé pour mettre de l'ordre dans les comptes se retrouvera bientôt à la tête du Portugal pour les quatre prochaines décenniesRejoignez l'historien Franck Ferrand pour une plongée fascinante dans l'ascension d'Antonio de Oliveira Salazar, l'homme qui a dirigé le Portugal d'une main de fer pendant près de quatre décennies.
Portugal, 1926. Un coup d'État militaire renverse la République. Personne n'imagine alors que l'austère professeur d'université appelé pour mettre de l'ordre dans les comptes se retrouvera bientôt à la tête du Portugal pour les quatre prochaines décenniesRejoignez l'historien Franck Ferrand pour une plongée fascinante dans l'ascension d'Antonio de Oliveira Salazar, l'homme qui a dirigé le Portugal d'une main de fer pendant près de quatre décennies.
Na segunda volta das presidenciais, António José Seguro e André Ventura enfrentam-se num país polarizado. Fora de Portugal, a primeira volta ficou marcada por cerca de 95% de abstenção, consequência do voto presencial. O candidato do partido de extrema-direita, Chega, foi o mais votado entre os poucos que participaram, mas com apenas 29 mil votos. O historiador Victor Pereira relativiza o resultado e alerta para a normalização de ideias extremistas no debate público. A segunda volta das eleições presidenciais portuguesas coloca frente a frente António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista, e André Ventura, líder do Chega, partido de extrema-direita, num contexto de polarização. Fora de Portugal, a primeira volta ficou marcada por uma participação baixa, cerca de 95% de abstenção, devido ao voto ser presencial. Entre os poucos que votaram, André Ventura ficou em primeiro, um resultado muito comentado, mas pouco representativo do conjunto da diáspora. Para compreender melhor o que esta segunda volta revela sobre o país e sobre a vida fora dele, entrevistámos o historiador Victor Pereira, especialista na emigração portuguesa e na história social contemporânea. Para o investigador, a campanha ficou marcada por acontecimentos recentes e pela forma como os candidatos encenaram o seu papel. “A segunda volta está muito marcada pela tempestade”, afirma, referindo-se ao impacto sentido “sobretudo na região Leiria”. Segundo Victor Pereira, foi sobretudo nesse contexto que se evidenciaram “dois tipos de temperamento, dois tipos de presidentes diferentes”. De um lado, descreve André Ventura como alguém que “foi muito rapidamente a Leiria e colocou-se um pouco num palco a entregar água”, apresentando-se como “um presidente muito interventivo e que faz ele próprio”. Do outro, aponta António José Seguro como alguém “numa postura mais tradicional”, “a pedir e a incentivar o governo, as sociedades a trabalhar”, o que, na leitura do historiador, expôs “duas formas de pensar o papel do Presidente da República em Portugal”. A segunda volta, diz, acabou por girar em torno dessa diferença. “Um mais interventivo e outro mais de árbitro e de controlar a actividade do governo”, resume. E acrescenta que, no caso de André Ventura, se notou “querer mais uma vez modificar as estruturas do estado português e a forma como se faz política”, apontando para uma ambição de ruptura com o que se consolidou “mais ou menos desde os anos 80 em Portugal”. No que toca à diáspora, Visto Pereira rejeita a ideia de uma viragem esmagadora da emigração para a extrema-direita. Dizer que o Chega conquistou os eleitores emigrantes, é usar “uma palavra muito forte”, sublinha. E insiste na escala real do resultado: “Acho que é sempre bom relembrar que o André Ventura obteve 29.000 votos.” Para o historiador, o número é reduzido não só tendo em conta os inscritos, mas também perante o universo total de portugueses no estrangeiro: “É muito pouco comparado com 1.700.000 inscritos e é muito pouco comparado com o universo do português tá lá fora.” Victor Pereira explica que o efeito político do resultado não está na dimensão, mas na leitura pública que se impôs. “O que o Ventura conseguiu, é mais ou menos um assalto, conseguiu de facto chegar em primeiro lugar”, afirma. E recorda que o próprio líder do Chega repetiu, sem ser contrariado, a ideia de ter vencido no estrangeiro: “Ele tinha sido eleito, tinha chegado em frente na diáspora, o que é verdade.” No entanto, sublinha: “Chegar à frente com 29.000 votos é 1,65% dos inscritos. É muito pouco.” O historiador nota ainda que este resultado foi interpretado, em Portugal, de forma distorcida. “Muitas pessoas dizerem que a emigração tinha voltado maioritariamente para André Ventura”, refere, considerando que isso é “em parte verdade, mas em grande parte falso”. A razão é simples: “O partido dos imigrantes é abstenção e de longe.” Questionado sobre se esta segunda volta pode representar um ponto de viragem democrático, Victor Pereira diz que “ainda é muito cedo para o dizer”, mas reconhece que há sinais relevantes. Um deles é a normalização de ideias extremistas no debate público. “No debate presidencial o André Ventura falou-se obviamente da emigração”, recorda, e “falou mais ou menos da grande substituição”, descrevendo-a como “essa ideia que existe em França, que há um complô para substituir a população europeia”. Para o historiador, o que mais impressiona é que “ele disse isso” e que “ninguém não corrigiu”, quando se trata de um conceito que “há 15 anos apenas a neonazis diziam de forma escondida”. Victor Pereira considera que este é um dos principais efeitos do Chega: “Ele conseguiu impor ideias” que antes estavam confinadas em sectores marginais e que, agora, “passam no debate sem chocar ninguém”. E sublinha a rapidez com que isso aconteceu em Portugal: “Foi preciso várias décadas em França, por exemplo, meia dúzia de anos, e aqui André Ventura conseguiu impor ideias, em sete anos". Quanto às razões da ascensão do partido, Victor Pereira sugere que a pergunta pode ser invertida. “Podemos mudar a pergunta e perguntar por que é que isso aconteceu tão tarde em Portugal”, afirma, lembrando que durante décadas o país foi “quase o último país a conhecer uma extrema direita forte”. Mas, diz, “Portugal de facto agora já não é uma excepção”, e está “sintonizado com França, com Espanha, com Itália, com Hungria”. Ao mesmo tempo, aponta para factores internos: “A taxa de abstenção é mais ou menos 40%”, e “sempre houve uma parte significativa da população portuguesa que não vota”, porque “não encontrava candidatos” ou porque “achavam que o voto deles não fazia diferença”. Finalmente, ao falar do 25 de Abril e do medo que hoje atravessa o debate político português, Victor Pereira aponta um contraste importante. “Poucas pessoas idosas votam nesta extrema direita”, afirma. Ao contrário do que sucede noutros países, em Portugal “as pessoas mais idosas não votam no Chega”, porque muitas “sabem muito bem que Portugal não está pior e está bem melhor”. Para o historiador, o que está em causa é também uma falha de transmissão histórica: “Parece que dentro das famílias não houve uma transmissão do que é e do que foi Portugal”, nem sequer do medo diário que se sentia durante o Estado Novo, “ter medo de falar num café”, ou da pobreza e desigualdade de décadas passadas. Sem essa memória, conclui, torna-se mais fácil aceitar “um discurso irreal sobre um país que nunca existiu”.
Como está Portugal em matéria de direitos humanos? O jurista Marco Ribeiro Henriques e Hugo van der Ding analisam como se forjaram e materializaram na Constituição portuguesa os direitos fundamentais – da saúde à habitação, da educação à liberdade de expressão.Da Constituição de 1822, que consagra pela primeira vez direitos civis e políticos – deixando, no entanto, a justiça social de fora –, à Constituição de 1911, que separa o Estado da Igreja e alarga liberdades – sem as conseguir garantir a todos –, a dupla reflete sobre o impacto dos textos constitucionais em diferentes épocas.Que direitos resistem quando reina a instabilidade política, como na I República? E o que acontece quando a ordem, a moral e a tradição servem de pretexto para prender, censurar e oprimir, como no Estado Novo? Lembrando que as revoluções também implicam ruturas constitucionais, o especialista destaca o 25 de Abril como um ponto de viragem: «mais do que o fim de uma ditadura é o início de um país construído sobre direitos». A Constituição de 1976 coloca a dignidade humana no centro do Estado democrático. Hoje, Portugal tem uma das Constituições mais ambiciosas do mundo na proteção do trabalho, da habitação, da saúde e da educação. Mas como se interpreta este texto? E que modelo de sociedade estamos, afinal, a construir?Em tempo de instabilidade e crescente polarização, este é um episódio [IN]Pertinente a não perder.REFERÊNCIAS E LINKS ÚTEISDocumentário «48», de Susana de Sousa DiasTED Talk de Bryan Stevenson, «We need to talk about an injustice» «CGP Grey» Canal de YoutubeRelatórios do Provedor de Justiça BOBBIO, Norberto, «A Era dos Direitos»WOLFGANG SARLET, Ingo «A Eficácia dos Direitos Fundamentais»HUNT, Lynn «A Invenção dos Direitos Humanos» (título original: Inventing Human Rights: A History), Companhia das Letras DONNELLY, Jack «Direitos Humanos»BIOSMarco Ribeiro HenriquesJurista, especialista externo da Comissão Europeia, com foco na avaliação de programas, análise de impacto e revisão de políticas públicas nos domínios da justiça, inovação social e direitos fundamentais. Professor universitário em Direito da Inclusão Social e Direitos Humanos.Hugo van der Ding Locutor, criativo e desenhador acidental. Criador de personagens digitais de sucesso como a «Criada Malcriada» e «Cavaca a Presidenta», autor de um dos podcasts mais ouvidos em Portugal, «Vamos Todos Morrer», também escreve para teatro e, atualmente, apresenta o programa «Duas Pessoas a Fazer Televisão», na RTP, com Martim Sousa Tavares.
O livro “Percursos Clandestinos Antifascistas” conta a história de uma família que lutou contra o fascismo em Portugal, durante a ditadura do Estado Novo. As memórias foram escritas por Gonçalo Ramos Rodrigues, hoje com 93 anos, mas que tinha apenas nove quando entrou na clandestinidade com os pais e os irmãos. “Este livro fala de um período em que eu vivi na clandestinidade”, começa por contar Gonçalo Ramos Rodrigues, na sua casa, na zona de Paris, pouco tempo depois de publicar “Percursos Clandestinos Antifascistas”. A conversa sobre este livro e a sua publicação estavam prometidas há quase dois anos, quando Gonçalo recebeu a RFI para nos contar a sua história, no âmbito dos 50 anos da Revolução dos Cravos. “Percursos Clandestinos Antifascistas” conta a história de uma família que se dedicou totalmente à luta contra o fascismo em Portugal, durante a ditadura do Estado Novo. As memórias foram sendo escritas por Gonçalo, hoje com 93 anos, mas que tinha apenas nove quando entrou na clandestinidade com os pais e os irmãos. A luta começou por ser feita em casas e tipografias clandestinas, pilares da luta do partido comunista, primeiro em família e depois separados e sem notícias uns dos outros para não comprometerem ninguém. O irmão viria a ter a sua própria tipografia clandestina, uma irmã viria a ser a locutora principal da Rádio Portugal Livre, a outra a voz da Radio Moscovo. Os pais acabariam denunciados e passariam anos nas prisões de Caxias e de Peniche, enquanto Gonçalo daria o salto para Paris. “Estes episódios foram escritos para que os meus netos, quando tivessem já idade de reflectir nestas coisas, pudessem saber que o avô também participou na luta pela liberdade em Portugal porque nunca foi minha intenção e não me passou pela cabeça ser publicado”, conta. O livro foi mesmo publicado com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, o concelho do Sul de Portugal de onde ele e a sua família são oriundos. O trabalho é também uma homenagem aos pais e à sua abnegação na luta pela liberdade. Gonçalo Ramos Rodrigues começa por contar que foi em 1951 que os pais entraram na clandestinidade com os seus quatro filhos, depois de terem vendido a casa construída com as poupanças feitas em França e de terem oferecido esse dinheiro ao Partido Comunista. Com os pais, passou 12 anos na clandestinidade, a viver em casas e tipografias clandestinas: editaram jornais do partido, como o “Avante”, o “Militante”, “A Terra”, o “Corticeiro”, e outros materiais; abrigaram camaradas e acolheram reuniões do partido proibido pela ditadura. Mais tarde, em 1963, quando já não estava com os pais, estes foram presos pela polícia política. Manuel, o pai, passou sete anos no Forte de Peniche. A mãe, Lucrécia, esteve seis anos e meio em Caxias. Foi só em 1966, já em Paris, que Gonçalo passou a conhecer o paradeiro dos pais, graças a um camarada do partido que conheceu nos bastidores da festa do jornal comunista Humanité. “Olha, os teus pais estão presos desde 1963. O teu pai está em Peniche e a tua mãe está em Caxias”, revelou-lhe o camarada. “Imagine-se o quanto este episódio me entristeceu e, ao mesmo tempo, me encorajou para lutar pelos ideais que os levaram à prisão”, recorda à RFI. O motivo de detenção de Manuel e Lucrécia era serem “membros e funcionários do PCP” e por exercerem as chamadas “actividades delituosas contra a segurança do Estado”. Ou seja, por imprimirem materiais com palavras de ordem para as lutas que os comunistas organizavam contra o regime de Salazar. Ao longo das páginas do seu livro, Gonçalo remonta aos tempos em que lutou com os pais, desde as casas que eram “pontos de apoio” para os camaradas comunistas na clandestinidade, às tipografias clandestinas. Descreve que “mentir era uma arte” num dia-a-dia em que se vivia com falsas identidades e se mudava constantemente de casa, em que de dia se trabalhava na quinta e à noite na tipografia. “Já tinha 14 anos e a minha irmã mais nova tinha nove. Os dois, mesmo crianças, éramos os principais, digamos, compositores. Chamava-se compor os textos com as letras de chumbo que depois eram inseridas no prelo para impressão (…) Era eu quem sabia melhor o português de todos os da casa porque o meu pai quase não sabia ler, a minha mãe só aprendeu a escrever na prisão de Caxias, quando esteve seis anos presa, e a minha irmã ainda menos sabia. Quem corrigia os textos, as gralhas, tudo o que havia, era o Gonçalo”, lembra, ainda, à RFI. A repressão e a detenção de camaradas obrigava a intensos “cuidados conspirativos” e Gonçalo foi depois viver sozinho em diferentes cidades. Aos 24 anos foi “a salto” para França, onde militou na Comissão de Solidariedade aos Presos Políticos e participou nas brigadas de distribuição de propaganda e de recolha de fundos para ajudar os que estavam nas cadeias da ditadura portuguesa. Em Paris, foi várias vezes interrogado por funcionários da então DST, Direcção de Segurança Territorial – equivalente aos serviços de informações – que conheciam o seu percurso de opositor político ao regime português. Por terras de França, a luta fez-se ao lado da esposa, Maria do Céu, com quem deveria ter casado em Maio de 68, mas as greves e manifestações históricas desse mês adiaram a boda que aconteceu em Junho, mas ainda com gases lacrimogéneo a apimentar a história. “Mesmo depois de chegar aqui, em Janeiro de 1966 até ao 25 de Abril de 1974, estivemos sempre na brecha, sempre na luta em tudo o que aqui se fazia contra o regime em Portugal. A minha companheira sempre me acompanhou durante todo este período, trabalhou muito mais do que devia porque eu estava sempre ocupado com reuniões infindáveis e quase diárias. Ela trabalhava também e tínhamos uma filha e ela carregava com o trabalho todo da casa e ainda quando podia, ela assistia a tudo o que era manifestações de rua e debates que se faziam aqui em França até ao 25 de Abril, até ao dia em que a gente acordou ainda sem saber se estávamos livres, mas já com uma grande esperança de estarmos livres.” Cinquenta e dois anos depois do 25 de Abril de 1974 e do fim da ditadura do Estado Novo, o livro “Percursos Clandestinos Antifascistas” recorda os tempos sombrios da perseguição política, da miséria, da prisão e da tortura de quem lutava contra o fascismo e ansiava pela liberdade. O livro é também um alerta perante a subida histórica da extrema-direita meio século depois em Portugal.
Cinquenta anos depois do 11 de Novembro de 1975, Angola entra na segunda metade do seu primeiro século de independência com mais perguntas do que certezas. As celebrações ficaram para trás. Permanece uma interrogação sobre a liberdade, a justiça e o dia-a-dia de um país onde a promessa da independência continua distante da vida de muitos angolanos. A data redonda trouxe celebrações, discursos e retrospectivas, mas ficou uma inquietação nova, mais crítica, que atravessa gerações. É nesse silêncio que se mede hoje a distância entre a promessa da independência e a vida concreta dos angolanos. Uma distância que, para a jornalista Diana Andringa, continua marcada por memórias de afecto, de choque e de pertença: “A mais forte é certamente o sítio onde eu nasci… o Dundo, que eu costumo dizer que é a minha pátria.” Diana Andringa nunca esqueceu que a liberdade angolana começou também no seu próprio confronto com o Estado Novo. “Ter sido julgada no Tribunal Plenário por apoiar a independência de Angola… poder dizer à frente daqueles juízes que sim, eu apoio a independência, a luta armada”, recorda. Por isso, mesmo longe de Luanda, o 11 de Novembro foi vivido como ruptura íntima: “Foi sobretudo o arrear da bandeira portuguesa e subir a bandeira angolana. Uma pessoa, em princípio, não se esquece.” Essa primeira sensação de emancipação ainda a acompanha. “De repente, a liberdade. O ser livre… mesmo quando as coisas não correm muito bem.” Mas depressa a ideia se torna mais áspera: “Ser livre hoje em Angola é… não ser uma colónia de um determinado país”, diz, antes de reconhecer outras dependências, mais difusas e contemporâneas: “Ficas colonizado pelas grandes companhias, pelos grandes interesses económicos, tal como noutros países.” Ainda assim, insiste numa conquista irredutível: “És angolano. Isto quer dizer alguma coisa.” Mas é também aqui que surge a sua frase mais amarga, repetida como síntese de desilusão histórica: “Não foi isto que nós combinámos.” O que estava prometido, afirma, era “uma Angola igual para todos, com justiça social, sem corrupção”. Hoje, a sua inquietação desloca-se para formas mais subtis de controlo. “A censura que mete mais medo é aquela que vem de dentro de nós”, afirma. E identifica na precariedade o maior inimigo do jornalismo: “Um jornalista precário não é livre… no dia seguinte está na rua. Isso limita a liberdade dele e a de toda a sociedade.” No balanço destes 50 anos, permanece uma ferida difícil de aceitar: “Custa-me… por aceitar”, confessa, perante um país onde convivem “elites muito ricas e gente a passar fome”. Ainda assim, mantém o desejo íntimo de pertença: “Gostava que me dessem os papéis… era para morrer angolana também, que é o que eu sou.” E reivindica uma identidade dupla que muitos continuam a estranhar: “As pessoas têm duas pátrias.” No plano político, o historiador Eugénio Costa Almeida lembra que Angola chega ao meio século com “instituições frágeis, desigualdade persistente” e uma juventude “muito mais consciente e crítica”, que já não aceita explicações históricas para problemas presentes. A ausência de um “contrato social” e o desgaste das promessas repetidas tornam-se evidentes num país onde a informalidade domina e a confiança é escassa. Sem ignorar o peso da história, recorda que Angola viveu “problemas políticos muito graves” e uma longa guerra civil, factores que marcaram profundamente o Estado e a sociedade. Ainda assim, considera que isso não explica tudo. Nota, por exemplo, que o país “felizmente nunca passou por um golpe de Estado”, ao contrário de outros contextos africanos, o que torna mais evidente a frustração perante o ritmo lento das transformações. O passado colonial surge frequentemente no debate político, mas de forma selectiva. “Quando convém, sim, o passado é usado para justificar o presente”, afirma, sublinhando que essa prática não é exclusiva de Angola, apontando que muitas vezes a população “come e cala”, seja por cansaço, seja por uma memória curta convenientemente explorada. Da análise política de Justino Pinto de Andrade surge o diagnóstico mais severo: Angola vive “um sistema multipartidário”, mas não uma democracia plena. A ausência de alternância, a confusão estrutural entre Estado e partido e as “restrições e constrangimentos” à oposição revelam, na sua leitura, um regime onde a pluralidade existe, mas não é garantida. “Alguém tem que lutar”, afirma, para que a liberdade deixe de ser apenas um princípio constitucional e passe a ser experiência do dia-a-dia. Para o político e analista angolano Justino Pinto de Andrade, o ponto de partida do debate político em Angola está viciado. “É exagerado falar-se em democracia angolana”, afirma. Na sua leitura, a democracia pressupõe condições que continuam ausentes. “Há um conjunto de condimentos que faltam muito”, observa, referindo a inexistência plena de “liberdade de escolha, de opinião, de expressão” e de circulação das forças políticas. O quadro actual é, assim, o de um processo incompleto, que “não me parece que esteja concluído em Angola”. A inexistência de alternância no poder é, para Justino Pinto de Andrade, o sinal mais evidente dessa falha estrutural. “As democracias caracterizam-se por haver alternância. Aqui nunca houve”, recorda, sublinhando que o país vive “há 50 anos com a mesma força política”, determinada a manter-se no poder “por todos os meios”. Cinquenta anos depois, Angola parece viver entre duas forças: a da memória fundadora e a da urgência presente. A da liberdade proclamada e a da liberdade por conquistar. A da identidade afirmada e a do país que talvez ainda esteja por inventar. No fim, permanece uma pergunta que, como disse Diana Andringa,“por que é que eles quiseram ser independentes?” A resposta, talvez, continua por cumprir: “Acho que o sonho de todos nós é sermos independentes.”
Esta investigação apresenta uma meta-análise histórica centrada na evolução da biblioteca escolar e do sistema de ensino em Portugal durante o Estado Novo, entre 1934 e 1974. O estudo utiliza o Boletim Escola Portuguesa como fonte primária para examinar a intersecção entre as políticas educativas do regime, a doutrina nacionalista e a promoção da literacia. Inicialmente, o sistema privilegiava uma instrução mínima focada em valores morais e rurais para evitar a corrupção do caráter das massas através do conhecimento. Contudo, a partir da década de 1950, a pressão pelo progresso tecnológico e a cooperação com organismos internacionais como a OCDE forçaram uma modernização pedagógica e o alargamento da escolaridade obrigatória. As bibliotecas rurais e as campanhas de educação de adultos surgiram como ferramentas estratégicas para combater o analfabetismo, embora enfrentassem dificuldades na criação de hábitos de leitura reais. O percurso termina com a Reforma Veiga Simão, que procurou democratizar o ensino e atualizar as metodologias escolares pouco antes da transição democrática.
Portugal: 1945 - 1995 nas Artes, nas Letras e nas Ideias foi um ciclo de conferências sobre estas cinco décadas na Cultura Portuguesa - e as primeiras da vida do CNC. Esta é a primeira conferência dedicada à Música, uma intervenção de João Paes sobre a "Música oficial do Estado Novo", realizada em 1 de outubro de 1995.
Verdades e Mentiras sobre a "Intentona Comunista" - Marly Vianna - Programa 20 MinutosEm novembro de 1935, um levante armado abalou as estruturas do Brasil e entrou para a história com um nome carregado de intenções: a "Intentona Comunista". Mas o que realmente aconteceu? Quais foram seus verdadeiros objetivos, protagonistas e consequências? Para desvendar os mitos e as verdades por trás deste episódio crucial, o Programa 20 Minutos recebe a renomada historiadora Marly Vianna, uma das maiores especialistas no tema. Nesta entrevista densa e necessária, Marly desfaz equívocos comuns, analisa o contexto político internacional da época, explica o papel da ANL (Aliança Nacional Libertadora) e detalha como o evento foi utilizado pelo Estado Novo para justificar a repressão. Uma aula imperdível para compreender os fios que tecem a nossa história e os perigos da manipulação dos fatos.#HistóriaDoBrasil #IntentonaComunista #MarlyVianna #ANL #EstadoNovo
Fala-se muito de liberdade por estes dias. A todos os propósitos, celebra-se essa estafada ideia de que se gozam hoje conquistas feitas a grande custo pelas gerações que nos antecederam, mas talvez fosse importante colocar a mesma pergunta certa vez feita por Foucault: “Qual é o campo actual das experiências possíveis?” Se a liberdade se tornou meramente hipotética, uma espécie de abstracção, algo que partimos do princípio que gozamos, podemos ser levados a prescindir de testar essa convicção. Talvez nunca tantos se tenham saciado dessas promessas, sendo isso o suficiente para não irem mais longe nem testarem a sua disposição moral divergindo desse grande quadro de inércia que nos serve de referência. Que potência exercemos diariamente, nem que seja numa condição virtual, questionando o enredo a que estamos submetidos? Talvez a liberdade se tenha tornado uma noção demasiado abstracta, sendo esse o principal elemento de dissuasão, quando tudo se processa num nível hipotético. De facto, somos todos muitíssimo livres. Mas talvez fôssemos menos se realmente passássemos dos princípios aos actos. No entender de Kant a liberdade “é a autorização para não se obedecer a nenhuma outra lei exterior que não sejam aquelas às quais pude dar o meu assentimento”. Se partirmos daqui podemos reconhecer que a tal liberdade potencial contrasta com a falta de ânimo para oferecer resistência às orientações que nos vão seduzindo, convertendo, coagindo. Talvez Gramsci fosse mais livre na prisão do que a maioria de nós o somos no nosso dia-a-dia. Leia-se o que Italo Calvino escreveu a propósito da edição das "Cartas da Prisão" do fundador do Partido Comunista de Itália: "[As Cartas] têm as características do livro de memórias e do grande romance: a sua amplitude e o cruzamento de mundos e de temáticas. O prisioneiro revolucionário analisa minuciosamente todas as pequenas manifestações da vida que consegue captar a partir do sepulcro da sua cela: os pardais amestrados, as flores da chicória, as fotografias das suas crianças. Ele analisa qualquer fenómeno cultural, do idealismo crociano aos romances policiais, formulando interpretações novas e úteis, utilizando também todo o seu património de memórias regionais, as lendas, os costumes, os dialectos da sua Sardenha, que revive com um gosto só aparentemente anedótico.” A liberdade está longe de ser um estado natural, e daqui decorre que esta tenda a esboroar-se assim que não haja um constante esforço de a levar a efeito. A lógica do poder passa sempre por produzir a timidez daqueles que lhe estão submetidos, e é evidente que, à medida que a revolução começa a desvanecer-se, a cair na rotina, deixa de vigorar como um acontecimento, atestando uma virtualidade que não pode ser esquecida. Hoje, todos os esforços no sentido de celebrar “as conquistas de Abril” fazem por substituir os cravos por rosas brancas, limitar o alcance da revolução e moderar o seu ímpeto, retirando-lhe toda a actualidade e força anunciadora de um desejo que está ainda por cumprir-se. O signo que tem vindo a afirmar-se cada vez mais e que pretende fazer-nos renunciar às experiências que foram possíveis durante o período de dezoito meses do processo revolucionário é o do 25 de Novembro, que, como assinala Ricardo Noronha, “assumiu a forma de um evento fantasmagórico porque os seus actores – os vencedores como os vencidos – projectaram sobre os acontecimentos tantas camadas discursivas que a sua interpretação se tornou impossível sem um laborioso trabalho filológico e arqueológico”. E acrescenta que este é também um evento fantasmagórico “porque a sua evocação quebra a ténue membrana que separa o passado do presente, transportando em si um juízo sobre tudo o que antecedeu e se sucedeu àquelas horas tão saturadas de ocorrências, condensando em si a história de todas as revoluções e contrarrevoluções”. Para Noronha a evocação desta data “assombra ainda os cérebros dos vivos, servindo a um tempo enquanto fábula moral e mito fundador, efeméride comemorativa e epígrafe fúnebre”. Na verdade, e contrariamente ao que diz a direita, não foi a possibilidade de uma ditadura de sinal contrário ao do Estado Novo que foi afastada, mas a própria construção de um repertório de acção política, num raro momento na nossa história em que ganhou expressão o poder popular através de inúmeras acções de democracia directa. Durante aquele período que, de um golpe de Estado militar, fez uma verdadeira revolução, o que se viu ganhar corpo foi “uma vaga tumultuosa de contestação, insubordinação, auto-organização e radicalização, que não só empurrou o Movimento das Forças Armadas para lá dos seus propósitos iniciais como abalou profundamente os alicerces do capitalismo português”, escreve Noronha em “A Ordem Reina sobre Lisboa”. “Durante dezoito meses, as ordens foram desobedecidas, as proibições desafiadas e as leis permaneceram no papel, enquanto inúmeras herdades eram ocupadas e várias empresas eram nacionalizadas ou entravam em autogestão. Tudo isto não pode ser menos do que inaceitável visto a partir deste presente caracterizado por uma crescente resignação e apatia, desde logo porque permite vislumbrar a possibilidade de um outro mundo e de uma outra vida. Comemorar o 25 de Novembro é também uma maneira de esconjurar a possibilidade de se voltar a repetir semelhante cenário, fazendo o luto pelo trauma que tantos conservadores ainda associam ao PREC.”
Que religiões existiam em Portugal no início do séc. XX? Paulo Mendes Pinto e Hugo van der Ding exploram a evolução e contrastes da liberdade religiosa entre a I República e o Estado Novo.A I República operou uma profunda revolução política e religiosa em Portugal. Pela primeira vez, a liberdade religiosa é consagrada na Constituição e a sociedade – sobretudo a urbana – valoriza a diferença e aceita outras confissões.Neste episódio, o historiador e o comunicador debatem os efeitos desta diversidade: enquanto vários cultos e templos passam a ter expressão na esfera pública, a religião é instrumentalizada, como 'arma de arremesso' contra o passado monárquico.A dupla destaca a separação entre Igreja e Estado, promovida por Afonso Costa, e observa o contraste entre o país urbano – aberto ao que ‘é novo' -, e o Portugal rural, ancorado na tradição.Guiado pela História, o especialista analisa a influência do Estado Novo na emergência de um forte constrangimento social perante a diversidade religiosa, com o lema «Deus, Pátria e Família» a moldar a ideologia nacional.A terminar, Paulo Mendes Pinto e Hugo van der Ding debruçam-se sobre uma significativa herança religiosa do século XX: a devoção a Nossa Senhora de Fátima. Será que estamos perante um culto paralelo da Igreja Católica? Os milagres são atribuídos a Fátima ou a Deus? Poderemos falar aqui em traços de politeísmo?Não perca as respostas neste [IN]Pertinente.REFERÊNCIAS E LINKS ÚTEISMENDES PINTO, Paulo «Heranças e vivências judaicas em Portugal» MENDES PINTO, Paulo «Para uma Ciência das Religiões em Portugal»VILAÇA, Helena «Pilgrims And Pilgrimages Fatima, Santiago De Compostela And Taizé»CAVACO, Timóteo «1834: A institucionalização do protestantismo em Portugal»CAVACO, Timóteo «O contributo protestante para a construção do pluralismo e liberdade religiosa no Portugal contemporâneo (séculos XIX e XX)» BIOSPaulo Mendes Pinto Historiador e especialista em História das Religiões, com foco na mitologia antiga e no diálogo entre tradições religiosas. Docente da Universidade Lusófona desde 1998, coordena a área de Ciência das Religiões e é atualmente diretor-geral Académico do Ensino Lusófona – Brasil. Hugo van der Ding Locutor, criativo e desenhador acidental. Criador de personagens digitais de sucesso como a «Criada Malcriada» e «Cavaca a Presidenta», autor de um dos podcasts mais ouvidos em Portugal, «Vamos Todos Morrer», também escreve para teatro e, atualmente, apresenta o programa «Duas Pessoas a Fazer Televisão», na RTP, com Martim Sousa Tavares.
As fontes fornecem uma visão abrangente do Estado Novo (1933–1974), o regime autoritário e corporativo português liderado por António de Oliveira Salazar que se estabeleceu após a Ditadura Militar de 1926. O sistema, caracterizado por ser profundamente conservador e nacionalista, centralizava o poder e promovia a ordem social através de propaganda, censura e uma severa política de repressão, simbolizada pela polícia política PIDE e pelo campo de prisioneiros do Tarrafal. Na esfera económica, o mecanismo de Condicionamento Industrial implementou um protecionismo eficaz ao dificultar a criação de novas empresas, nomeadamente estrangeiras, permitindo, contudo, a modernização das unidades industriais já instaladas. Embora fosse visto nos anos 30 como uma "Terceira Via" face ao fascismo e à democracia, o regime manteve uma ideologia imperialista rígida, defendendo o Império Colonial Português como parte inalienável da nação. Esta intransigência em relação às lutas de libertação nas colónias conduziu às Guerras Coloniais, um fator decisivo que enfraqueceu o governo de Marcelo Caetano e culminou no derrube do regime pela Revolução de 25 de Abril de 1974.
Fernando Pessoa não era maçon mas opôs-se fortemente à sua proibição pelo Estado Novo (num artigo no Diário de Lisboa que escapou à Censura), conta Sérgio Luís de Carvalho em “Lisboa Maçónica”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Angola celebra 50 anos de independência e a sua história pode ouvir-se no Semba, através do ritmo que denunciou o colonialismo, uniu o país e continua a pulsar nas novas gerações. Para o antropólogo André Castro Soares, o Semba é “um testemunho histórico e político”, uma expressão da dor, da festa e da esperança de um povo que, mesmo entre guerras e desafios, nunca deixou de dançar pela liberdade. Angola assinala na próxima semana 50 anos de independência, a 11 de Novembro, meio século de caminhos cruzados entre a esperança, a reconstrução e os desafios de um país que continua a reinventar-se. Desde 1975, a música tem sido uma das mais fiéis testemunhas da história angolana: um espaço onde se escutam as memórias da luta, as vozes da resistência e as novas sonoridades que dão forma à identidade contemporânea. O antropólogo português André Castro Soares, autor da tese “Semba enquanto património material, políticas e imagens e sonoridades da cultura em Angola”, tem dedicado a sua investigação a compreender esse percurso. Para ele, “o Semba não é apenas uma expressão artística, mas um testemunho histórico e político capaz de revelar as múltiplas camadas da vida angolana desde 1975 até hoje”. Ao olhar para os 50 anos de independência, André Castro Soares defende que a história de Angola pode ser lida através das suas canções. “É o Semba que vai, de alguma forma, denunciar a presença colonial e o jugo colonial, sobretudo a partir dos anos 60 e 61. 61 é um ano horríbilis do governo do Estado Novo de Salazar”, recorda. Foi nesse momento que começou a guerra colonial, e “esse movimento vai ser acompanhado pelos músicos, pelos que começam, de forma encapotada, a lançar as suas mensagens, aquilo que chamo na minha tese de recados, para que a população se juntasse à luta pela independência fora do jugo colonial português”. Entre esses músicos, destaca-se Liceu Vieira Dias, figura central na génese do nacionalismo musical. “O grande autor, o grande pensador e poeta dessas sonoridades foi, sem dúvida, Liceu Vieira Dias, que com a música Feiticeira, isso está bem descrito num filme de Jorge António, vai, de forma encapotada, anunciar a forma como o poder colonial podia ser combatido”, explica o antropólogo. “Essa música Muxima, coração, vai marcar sonoramente esse período”, acrescenta, sublinhando que outras canções, como Umbi Umbi, exprimem esse mesmo sentimento de resistência e de dor. “O Muxima é o mais emblemático”, afirma Castro Soares. “É um lamento. O Semba tem várias formas, há o Semba de carnaval, festivo, mas também há o Semba de lamento. E essas músicas de lamento são universais, acompanham as formas de vivência dos povos negros subjugados à escravatura e à violência. Quando falo de lamento, falo, por exemplo, da Soul music nos Estados Unidos, do Semba em Angola e do Samba no Brasil.” Essa dimensão espiritual e emocional faz do Semba, segundo o investigador, “um género que surge do sofrimento das pessoas negras e que é, por isso, fundamental para marcar a paisagem sonora da independência”. Com o fim do domínio colonial, o Semba tornou-se património simbólico e material da nova nação. “A angolanidade não é um conceito consensual”, reconhece Castro Soares, “mas através da música podemos pensar num aglutinador do que seria o mais próximo deste conceito, um espaço de consensualidade cultural, onde as pessoas daquele território se revissem de alguma forma”. Num país de enorme diversidade étnica e linguística, o Semba, explica, “é talvez o género musical que melhor se aproxima desse trabalho de consenso, dessa procura de unidade nacional”. “Luanda tem um poder magnético muito grande”, acrescenta o antropólogo. “Concentra grande parte de todas as populações do vastíssimo território das 18 províncias. Penso que o Semba poderá ser uma boa banda sonora da angolanidade, ou o mais próximo daquilo que é a angolanidade, apesar de algumas pessoas não gostarem de o pôr aí. Mas o Semba retrata, relata e ilustra de forma sonora a vivência dos angolanos.” Essa vivência é inseparável das chamadas festas de quintal, que, segundo o investigador, “são uma célula cultural onde se ouve todo o tipo de música, mas onde o Semba tem um papel fundamental de união e de construção de diálogo”. Essa dimensão comunitária da música estende-se, para Castro Soares, à vida familiar e quotidiana. “A sentada familiar é uma marca de angolanidade até mais importante que a própria música”, defende. “É o lugar onde se transmite conhecimento, aquilo que chamo transmissão de conhecimento aural — não apenas oral, porque envolve a escuta e o corpo todo. É uma incorporação de saberes ancestrais que vai muito para além da construção da nova nação.” Mas o percurso musical de Angola também foi marcado por silêncios e medos. “O espaço musical foi muito afectado por um acontecimento: a purga dentro do MPLA em 1977”, lembra André Castro Soares. “Esse episódio, que teve contornos de massacre, implicou uma imposição de medo geral em relação à contestação ao poder instituído, e esse medo vai acompanhar até aos dias de hoje.” Mesmo assim, a música nunca deixou de ser um território de resistência. “Os músicos conseguiram ler muito bem os limites impostos pela política. Hoje continuam a falar através de recados, como o Paulo Flores, que usa a canção para denunciar as injustiças do poder político.” Com o passar das décadas, novos estilos emergiram e redefiniram o espaço sonoro angolano. “Depois do Semba, vieram o Kuduro e a Kizomba, que tiveram grandes impactos na diáspora africana e angolana no exterior”, observa o antropólogo. “A Kizomba, que eu costumo chamar um abraço que os angolanos dão a todas as pessoas, até às pessoas racistas, é uma música que consegue juntar pessoas muito diferentes, dentro e fora do país. É um excelente antídoto contra o racismo. Essa é, para mim, a principal lição que os angolanos deram à contemporaneidade: é possível juntarmo-nos e abraçarmo-nos independentemente das nossas diferenças.” Sobre as novas gerações, André Castro Soares vê nelas um diálogo vivo com o passado. “Há todo um diálogo feito pelas novas gerações, ainda que algumas sem memória directa desse passado, mas transmitido pelos pais e pelos antepassados e também por via da educação.” O antropólogo insiste que “Angola não é um Estado falhado, é um Estado com dificuldades e idiossincrasias, que ainda não teve grande alternância política, nem uma democratização plena, mas o caminho está a ser construído e deve ser marcado pelos próprios angolanos. É uma população muito jovem e capaz de fazer releituras e visões para o seu futuro.” Quando se escuta a Angola de hoje, os sons são múltiplos, mas há sinais de regresso às origens. “Tem havido uma procura da essência do que é angolano”, afirma. “As pessoas perderam a utopia dos anos 80, tornaram-se mais realistas, e há uma vontade de voltar aos instrumentos acústicos e tradicionais, como a Dikanza, um instrumento de fricção feito a partir da natureza.” Essa recuperação, diz, “é uma forma de resgatar património, um passado que foi negado pela guerra civil e por um sistema educativo débil, mas que as pessoas estão a reconstruir de forma informal, fora da tutela do Estado.” Entre os artistas actuais, André Castro Soares destaca “Yúri da Cunha, que tem uma proposta musical muito interessante no sentido de procurar as raízes e a festa de quintal”, bem como “Paulo Flores, que continua a apresentar trabalhos com grande profundidade”, e ainda “Eduardo Paim, vindo da Kizomba, que tem feito remisturas com outros estilos como o Zouk”. Também as novas fusões mostram vitalidade: “Dentro do Afrobeat, há várias misturas entre o Kuduro e o Amapiano da África do Sul, o continente influencia-se mutuamente e vai marcando os gostos de uma juventude que tem outras preocupações do que a juventude que fez a independência.” Cinquenta anos depois da proclamação da independência, a música continua a ser, como conclui André Castro Soares, “um marcador cultural fundamental” e “o espaço onde os angolanos se escutam, se reencontram e se reinventam”. Entre o lamento e a festa, o Semba permanece a batida da liberdade, o som de um povo que aprendeu, mesmo em tempos de silêncio, a falar através da música.
Portugal é um Estado laico, onde vigora a liberdade religiosa - mas até que ponto somos um país de ‘brandos costumes'? Neste episódio, o historiador Paulo Mendes Pinto e Hugo van der Ding percorrem o fio da História e analisam os credos e influências religiosas que moldaram a nossa identidade.Que relação existe entre a situação geográfica de Portugal e a diversidade religiosa que habitou o nosso território, ao longo dos séculos? Numa viagem que recua até ao século VIII a.c., a dupla percorre os 'cilindros compressores' da religião que moldaram Portugal: do domínio romano ao cristianismo, da presença muçulmana à sombra da Inquisição. Sem esquecer a antiguidade da presença judaica, anterior ao cristianismo, e o papel transformador do islamismo, que deixou marcas na língua, na ciência e na cultura portuguesas.Ao longo da conversa, debate-se também a evolução da religião católica em Portugal: da tolerância da 1ª Dinastia ao anticlericalismo do século XIX, da liberdade religiosa da I República ao retrocesso civilizacional do Estado Novo.Com o humor e a curiosidade que os caracterizam, Paulo Mendes Pinto e Hugo Van der Ding percorrem séculos de fé, imposição e convivência, para perceber até que ponto a diversidade religiosa desenhou — e continua a influenciar — a identidade portuguesa.Um episódio [IN]Pertinente, singular e plural, a não perder.LINKS E REFERÊNCIAS ÚTEISCatálogo da exposição: «Heranças e vivências judaicas em Portugal»«Os mitos de origem e a etnicidade» (Visão, 2021)«A filiação latina: de Diana a Ulisses» (Visão, 2021)«Património Cultural Imaterial da Humanidade»BIOSPaulo Mendes Pinto Historiador e especialista em História das Religiões, com foco na mitologia antiga e no diálogo entre tradições religiosas. Docente da Universidade Lusófona desde 1998, coordena a área de Ciência das Religiões e é atualmente Diretor-Geral Académico do Ensino Lusófona – Brasil. Foi Embaixador do Parlamento Mundial das Religiões e fundador da European Academy for Religions. Comentador na CNN Portugal, colabora com o Público e a Visão e é autor de dezenas de livros e artigos científicos. Hugo van der Ding Locutor, criativo e desenhador acidental. Uma espécie de cartunista de sucesso instantâneo a quem bastou uma caneta Bic, uma boa ideia e uma folha em branco. Criador de personagens digitais de sucesso como a «Criada Malcriada» e «Cavaca a Presidenta», autor de um dos podcasts mais ouvidos em Portugal, «Vamos Todos Morrer», também escreve para teatro e, atualmente, apresenta o programa «Duas Pessoas a Fazer Televisão», na RTP, com Martim Sousa Tavares.
Esta é a história de um homem que cortou a língua para não falar num interrogatório. Chamava-se Jaime Rebelo e tudo aconteceu antes da PIDE e de Salazar, mesmo no início do Estado Novo.
Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo. Será este o nome que aparecerá no boletim de voto, a 18 de janeiro de 2026. Retornado, mas sem contas a ajustar com o fim do Império, sobrinho de um comunista e de um homem do Estado Novo, filho de um opositor moderado ao salazarismo e amigo de Almeida Santos que fugiu do PREC para o Brasil. Tudo na biografia de Gouveia e Melo parece fadado a agradar a gregos e a troianos. E, no entanto, esteve longe de ser uma figura consensual entre os camaradas de armas. Para uns será vaidoso e ambicioso; para outros confiante e corajoso. O seu sonho era ser Chefe de do Estado Maior da Armada, mas os portugueses ficaram a conhecê-lo antes de lá chegar, quando António Costa, para se livrar do cerco da oposição ao processo de vacinação, escolheu um militar que supostamente não tinha ambições políticas e seria deixado em paz. Uns dirão que foi a sua competência, outros que foi a farda, mas a sua autoridade foi aceite. E o PS criou o monstro (salvo seja) que não desejava. Já na chefia militar, deu muitas entrevistas e manteve a visibilidade, preparando o caminho para uma candidatura que já todos previam. As sondagens dão-no como favorito, baralhando as contas habituais dos partidos. Mas quando começou a ter de falar de política, a ser realmente um político, começou também a cair. Não há consenso que sempre dure quando se tem de clarificar posições. Os adversários apontam-lhe a inexperiência como principal problema. Uma folha em branco e só depois de tomar posse perceberemos que contrato assinámos. Os apoiantes a independência e a neutralidade partidária, que lhe darão equidistância em tempos difíceis. E a autoridade. Ajudada por uma farda que já não veste e também é vista como um problema.See omnystudio.com/listener for privacy information.
No episódio do Irritações, Pedro Boucherie Mendes recebe Gonçalo Farlens, jovem historiador e autor de Portugal Antigamente, que conta, entre gargalhadas, como a sua conta de Instagram dedicada à memória nacional foi hackeada por um “hacker com modos”. Farlens fala da paixão pelos arquivos da Cinemateca e da importância de não simplificar em excesso o conhecimento, criticando a geração dos “intelectuais de café” formados a partir de vídeos curtos e resumos rápidos. José de Pina, fiel ao estilo, lança-se contra a epidemia dos tote bags, questionando porque é que tantos homens andam agora com “sacos de pano sociológicos”. Luís Pedro Nunes irrita-se com as modas absurdas do luxo, como malas Birkin envelhecidas de propósito, e Luana do Bem comenta com humor o fenómeno das redes sociais e dos “conteúdos vazios”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Em 2012, publiquei pela primeira vez no nosso podcast a Antologia da Sátira Brasileira. E na onda da repercussão da série “Chico Anysio: Um Homem à Procura de um Personagem”, acompanhe este áudio histórico, uma aula sobre o humor no rádio e a evolução da sátira em nosso país, com a narração de ninguém menos do que Chico Anysio. Gravado no Estúdio Eldorado pelo saudoso João Batista de Andrade e com apresentação sempre magistral de Chico Anysio, o trabalho foi patrocinado pela BASF do Brasil e distribuído para clientes como brinde de final de ano em fitas cassete.Lançado em 1985, o kit incluía também um livreto com o resumo da "ópera". O material fez parte da comemoração dos 50 anos da invenção da fita cassete.CAPÍTULOS:00:00 Abertura00:29 Historiadora Carmen Lucia de Azevedo fala sobre importância de pesquisas que preservem a memória00:59 O propósito da Reminiscências Pesquisa e Produção Cultural02:35 Chico Anysio apresenta a Antologia da Sátira Brasileira, com citações de programas de humor do rádio e da TV03:14 Disco gravado na Casa Edson no começo do século 19 traz críticas ao Congresso04:41 Sátira a uma sessão do congresso nacional no programa Viva o Gordo, com Jô Soares06:03 O compositor Bahiano canta sátira à Marechal Hermes e à República Velha06:32 Música faz sátira à Ruy Barbosa07:13 "Seu Mé" Arthur Bernardes é ironizado em marchinha de carnaval08:04 Cornélio Pires faz piada sobre políticos da República Velha 09:25 Contexto da última eleição da República Velha, entre Getúlio Vargas e Júlio Prestes09:46 Jararaca e Ratinho falam da Batalha de Itararé como a que não houve11:23 Lamartine Babo em novembro de 30 descreve a deposição e exílio de Washington Luis11:58 João Bananeri lamenta a Revolução de 30 com ironia13:25 Início do humor no rádio com Jararaca se impressionando com o progresso do próprio rádio14:33 Chico Anysio conversa com Pantaleão sobre Manezinho Araújo, um mestre da embolada15:03 Censura ao humor no Estado Novo15:26 Ary Barroso e Carmen Miranda cantam as glórias da seleção brasileira na Copa de 3816:12 Zé Fidelis usa uma prova de turfe para fazer sátira política17:29 Fim da censura em 45 abre espaço para Armando Louzada fazer um balanço irônico do Estado Novo de Getúlio Vargas18:18 Trecho do PRK 30 19:00 Jararaca e Ratinho satirizam a 2ª Guerra19:47 Isaurinha Garcia canta marcha de carnaval que critica Hitler20:12 Alvarenga e Ranchinho cantam "Abaixa o Chope"20:45 Alvarenga e Ranchinho fazem sátira para ironizar os "galinhas verdes"21:33 PRK 30 de Lauro Borges e Castro Barbosa faz enorme sucesso pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro22:47 Alvarenga e Ranchinho cantam paródia para espinafrar Getúlio Vargas23:22 Alvarenga e Ranchinho cantam sátira a Júlio Prestes24:00 Alvarenga e Ranchinho fazem comparações entre diferentes perfis de mulheres e a política24:43 Silvino Neto lança o Partido da Mula Manca no programa Hotel do Pimpinela25:35 Abertura e trechos do Programa Balança mas não Cai, lançado em outubro de 50 para ocupar o lugar do PRK 3026:43 Diálogo entre Paulo Gracindo e Brandão Filho no quadro Primo Rico e Primo Pobre27:56 Ninguém Rasga, mais um programa de humor de Max Nunes29:35 Chanchadas de Oscarito e outros nomes do humor lotam os cinemas30:15 Oscarito e Wilson Gray satirizam Getúlio no filme "Nem Sansão nem Dalila"31:58 Primeiro dia de exército de Ronald Golias é contado em A Praça é Nossa, a Carlos Alberto de Nóbrega33:37 Juca Chaves canta música sobre a mudança para Brasília34:26 Juca Chaves canta sátira a Jango36:19 História das Malocas e o Samba do Crioulo Doido de Sérgio Porto37:04 Zé Vasconcelos e Ziraldo e O Pasquim39:00 Ary Toledo conta piada sobre Ibrahim Sued40:27 Língua de Trapo e a dificuldade de fazer humor nos anos 7041:39 Abertura política e a volta do humor na TV, com Jô Soares 43:01 Sátiras políticas na MPB dos anos 8044:25 Roberval Taylor, Salomé 48:12 Paródia "Muda Brasil"
Estreia hoje Lavagante. Julia é protagonista de uma história de amor e enganos, num cenário marcado pela ação da PIDE durante o Estado Novo, a censura, e a revolta estudantil do início dos anos 1960.
Apresenta-se uma visão abrangente da vida e obra de Sophia de Mello Breyner Andresen, uma figura central na literatura portuguesa do século XX. Abordam a sua biografia, desde a infância aristocrática e a formação poética clássica, até ao seu papel como escritora e cidadã comprometida. Os excertos detalham a evolução da sua produção literária, incluindo a poesia e a literatura infantil, bem como o despertar da sua consciência política e a militância contra o Estado Novo. É igualmente realçado o seu legado, marcado pela consagração nacional e internacional, e a influência duradoura dos seus temas centrais, como o mar, a casa e a busca pela inteireza.
A Casa de Portugal na Cidade Universitária de Paris, vai acolher, de 13 de Setembro a 31 de Outubro, uma exposição sobre a actividade musical dos exilados portugueses em França durante a ditadura do Estado Novo (1933-1974), em particular da geração que se opôs às guerras coloniais dos anos 60 e 70 em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Neste programa, conversamos com Agnès Pellerin, uma das coordenadoras da exposição. A exposição “Chansons de l'Exil Portugais à l'Aube de la Révolution des Œillets” vai ser inaugurada a 13 de Setembro e fica patente até 31 de Outubro na Maison du Portugal-André de Gouveia, na Cité Universitaire Internationale de Paris. A mostra junta 13 painéis com cerca de cinquenta ilustrações, nomeadamente capas de discos, panfletos, fotografias, e é acompanhada por um guia que permite ouvir online alguns excertos sonoros com traduções em francês. Através da música, é apresentado o percurso de várias figuras da música de intervenção portuguesa que se exilaram em Paris, como José Mário Branco, Luís Cília, Tino Flores, Sérgio Godinho, Francisco Fanhais, que nas suas canções denunciam a ditadura, a pobreza em Portugal e a guerra colonial. “Esta exposição em francês é uma exposição documental que retoma elementos de uma exposição que já foi feita no âmbito do Observatório da Canção de Protesto, em Grândola, em 2020. É uma adaptação, tradução e inclui também novos elementos para atingir um público que não seja especialista e conhecedor da música portuguesa, nem lusófono. Também envolve excertos de canções online com traduções em francês. A ideia deste trabalho sobre música e exílio é interrogar os percursos dos músicos, a dimensão biográfica, mas também interrogar as narrativas individuais à luz das ligações deles com as culturas do país de acolhimento, incluindo as de outras comunidades exiladas. Os portugueses em França encontraram cá nos anos 1960, 1970, espanhóis que estavam a fugir do franquismo, depois gregos, chilenos, brasileiros”, conta à RFI Agnès Pellerin, investigadora em estudos culturais e uma das coordenadoras da exposição. Em França, o contexto é radicalmente diferente. Para começar, há liberdade de gravação, de criação e de difusão de canções de protesto que seriam imediatamente censuradas em Portugal e que denunciam abertamente as guerras coloniais, como, por exemplo, “A Bola” de Luís Cília, “Deserção” de Tino Flores, “Ronda do Soldadinho” de José Mário Branco. Criticam, ainda, a repressão, as prisões e a polícia política da ditadura, como “Vampiros” de José Afonso, “Queixa das almas jovens censuradas” e “Perfilados de Medo” de José Mário Branco e “Porque de Francisco Fanhais. Outras canções falam sobre a emigração, os seus sonhos e as suas desilusões, como “Por Terras de França” de José Mário Branco, “Cantar de emigração” de Adriano Correia de Oliveira ou “Que força é essa, amigo” de Sérgio Godinho e recentemente adaptada por Capicua. O vento revolucionário de Maio de 68 também agita os exilados portugueses, muitos dos quais ocupam, por exemplo, a Casa de Portugal e se inspiram para criar canções como “Les Mille et Une Nuits” de Sérgio Godinho. Depois, é a própria “chanson française”, na forma e no conteúdo, que contaminam os músicos portugueses, como Luís Cília, apadrinhado por Georges Brassens e que viria a gravar, mais tarde, um tema de Brassens adaptado por ele, “A Má Reputação”. Incontornável é a história mais conhecida da gravação, em 1971, da música que é o emblema da "Revolução dos Cravos", “Grândola Vila Morena”. Uma das fotografias centrais da exposição evoca justamente essa altura, com Francisco Fanhais, José Afonso e José Mário Branco de braço dado, no Château d'Hérouville, nos arredores de Paris. Ainda que haja um foco na criação musical dos anos 60 e 70, a exposição também aborda o percurso de Fernando Lopes-Graça. É que, em Maio de 1937, fugindo à repressão política do Estado Novo, Fernando Lopes-Graça instalou-se em Paris, onde se manteve até à eclosão da 2ª Guerra Mundial. “Fernando Lopes-Graça é uma figura muito importante na música portuguesa mais erudita e também da militância ao lado do Partido Comunista Português clandestino. Ele foi também uma fonte de inspiração muito importante para os cantores dos anos 60 e 70. Também era muito importante dar a ouvir músicas diferentes e estarmos atentos a vários estilos musicais. Por exemplo, a exposição também trata de fado que era algo polémico dentro da geração de 60 e, sobretudo, 70, mas também fala do folclore”, acrescenta Agnès Pellerin. A exposição propõe uma abordagem inclusiva em termos musicais, mas também quer devolver a esta história a presença de mulheres, nomeadamente as autoras de letras, poetisas como Natália Correia e Sophia de Mello Breyner, mas também há uma alusão à cantora francesa de origem portuguesa Catherine Ribeiro. Na exposição vai haver, também, projecções de filmes, conferências e encontros. Na inauguração, a 13 de Setembro, é apresentado “O Salto”, de Christian de Chalonge, de 1967, o primeiro filme de ficção realizado sobre a imigração portuguesa em França e em que a música foi composta por Luís Cília. A 20 de Setembro, dois cantores da geração de Abril, Francisco Fanhais e Manuel Freire, vão cantar e conversar com os musicólogos Hugo Castro e Ricardo Andrade. Recorde-se que Francisco Fanhais esteve, em 1971, com José Afonso, José Mário Branco e Carlos Correia no Château d'Hérouville, nos arredores de Paris, a gravar “Grândola Vila Morena”. A 5 de Outubro, a Associação Memória Viva promove um debate em torno da música nos filmes que abordam a imigração portuguesa em França nos anos 60 e 70. A 9 de Outubro, o musicólogo Manuel Deniz Silva vai conversar com a historiadora Cristina Clímaco sobre o exílio, em Paris, do músico Fernando Lopes-Graça nos anos 1930. Também se pretende receber visitas de estudo. A exposição acontece no âmbito do projecto EXIMUS – Música e Exílio, do INET-md, uma unidade de investigação em música e dança na Universidade Nova de Lisboa, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Esta é uma parceria com a Maison du Portugal – André de Gouveia e a Associação Memória Viva.
A Casa de Portugal na Cidade Universitária de Paris, vai acolher, de 13 de Setembro a 31 de Outubro, uma exposição sobre a actividade musical dos exilados portugueses em França durante a ditadura do Estado Novo (1933-1974), em particular da geração que se opôs às guerras coloniais dos anos 60 e 70 em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Neste programa, conversamos com Agnès Pellerin, uma das coordenadoras da exposição. A exposição “Chansons de l'Exil Portugais à l'Aube de la Révolution des Œillets” vai ser inaugurada a 13 de Setembro e fica patente até 31 de Outubro na Maison du Portugal-André de Gouveia, na Cité Universitaire Internationale de Paris. A mostra junta 13 painéis com cerca de cinquenta ilustrações, nomeadamente capas de discos, panfletos, fotografias, e é acompanhada por um guia que permite ouvir online alguns excertos sonoros com traduções em francês. Através da música, é apresentado o percurso de várias figuras da música de intervenção portuguesa que se exilaram em Paris, como José Mário Branco, Luís Cília, Tino Flores, Sérgio Godinho, Francisco Fanhais, que nas suas canções denunciam a ditadura, a pobreza em Portugal e a guerra colonial. “Esta exposição em francês é uma exposição documental que retoma elementos de uma exposição que já foi feita no âmbito do Observatório da Canção de Protesto, em Grândola, em 2020. É uma adaptação, tradução e inclui também novos elementos para atingir um público que não seja especialista e conhecedor da música portuguesa, nem lusófono. Também envolve excertos de canções online com traduções em francês. A ideia deste trabalho sobre música e exílio é interrogar os percursos dos músicos, a dimensão biográfica, mas também interrogar as narrativas individuais à luz das ligações deles com as culturas do país de acolhimento, incluindo as de outras comunidades exiladas. Os portugueses em França encontraram cá nos anos 1960, 1970, espanhóis que estavam a fugir do franquismo, depois gregos, chilenos, brasileiros”, conta à RFI Agnès Pellerin, investigadora em estudos culturais e uma das coordenadoras da exposição. Em França, o contexto é radicalmente diferente. Para começar, há liberdade de gravação, de criação e de difusão de canções de protesto que seriam imediatamente censuradas em Portugal e que denunciam abertamente as guerras coloniais, como, por exemplo, “A Bola” de Luís Cília, “Deserção” de Tino Flores, “Ronda do Soldadinho” de José Mário Branco. Criticam, ainda, a repressão, as prisões e a polícia política da ditadura, como “Vampiros” de José Afonso, “Queixa das almas jovens censuradas” e “Perfilados de Medo” de José Mário Branco e “Porque de Francisco Fanhais. Outras canções falam sobre a emigração, os seus sonhos e as suas desilusões, como “Por Terras de França” de José Mário Branco, “Cantar de emigração” de Adriano Correia de Oliveira ou “Que força é essa, amigo” de Sérgio Godinho e recentemente adaptada por Capicua. O vento revolucionário de Maio de 68 também agita os exilados portugueses, muitos dos quais ocupam, por exemplo, a Casa de Portugal e se inspiram para criar canções como “Les Mille et Une Nuits” de Sérgio Godinho. Depois, é a própria “chanson française”, na forma e no conteúdo, que contaminam os músicos portugueses, como Luís Cília, apadrinhado por Georges Brassens e que viria a gravar, mais tarde, um tema de Brassens adaptado por ele, “A Má Reputação”. Incontornável é a história mais conhecida da gravação, em 1971, da música que é o emblema da "Revolução dos Cravos", “Grândola Vila Morena”. Uma das fotografias centrais da exposição evoca justamente essa altura, com Francisco Fanhais, José Afonso e José Mário Branco de braço dado, no Château d'Hérouville, nos arredores de Paris. Ainda que haja um foco na criação musical dos anos 60 e 70, a exposição também aborda o percurso de Fernando Lopes-Graça. É que, em Maio de 1937, fugindo à repressão política do Estado Novo, Fernando Lopes-Graça instalou-se em Paris, onde se manteve até à eclosão da 2ª Guerra Mundial. “Fernando Lopes-Graça é uma figura muito importante na música portuguesa mais erudita e também da militância ao lado do Partido Comunista Português clandestino. Ele foi também uma fonte de inspiração muito importante para os cantores dos anos 60 e 70. Também era muito importante dar a ouvir músicas diferentes e estarmos atentos a vários estilos musicais. Por exemplo, a exposição também trata de fado que era algo polémico dentro da geração de 60 e, sobretudo, 70, mas também fala do folclore”, acrescenta Agnès Pellerin. A exposição propõe uma abordagem inclusiva em termos musicais, mas também quer devolver a esta história a presença de mulheres, nomeadamente as autoras de letras, poetisas como Natália Correia e Sophia de Mello Breyner, mas também há uma alusão à cantora francesa de origem portuguesa Catherine Ribeiro. Na exposição vai haver, também, projecções de filmes, conferências e encontros. Na inauguração, a 13 de Setembro, é apresentado “O Salto”, de Christian de Chalonge, de 1967, o primeiro filme de ficção realizado sobre a imigração portuguesa em França e em que a música foi composta por Luís Cília. A 20 de Setembro, dois cantores da geração de Abril, Francisco Fanhais e Manuel Freire, vão cantar e conversar com os musicólogos Hugo Castro e Ricardo Andrade. Recorde-se que Francisco Fanhais esteve, em 1971, com José Afonso, José Mário Branco e Carlos Correia no Château d'Hérouville, nos arredores de Paris, a gravar “Grândola Vila Morena”. A 5 de Outubro, a Associação Memória Viva promove um debate em torno da música nos filmes que abordam a imigração portuguesa em França nos anos 60 e 70. A 9 de Outubro, o musicólogo Manuel Deniz Silva vai conversar com a historiadora Cristina Clímaco sobre o exílio, em Paris, do músico Fernando Lopes-Graça nos anos 1930. Também se pretende receber visitas de estudo. A exposição acontece no âmbito do projecto EXIMUS – Música e Exílio, do INET-md, uma unidade de investigação em música e dança na Universidade Nova de Lisboa, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Esta é uma parceria com a Maison du Portugal – André de Gouveia e a Associação Memória Viva.
Oi, Gente, nosso podcast de hoje é dedicado a uma figura incontornável para a história do Brasil. Para o bem e para o mal.Falo de Getúlio Vargas, o “pai dos pobres”, que além de criar nossa legislação trabalhista foi um pouco de tudo: deu dois golpes, foi eleito de maneira indireta e depois direta, censurou, prendeu e se suicidou deixando o profético testamento em que disse “saio da vida para entrar na História. Apresentação: Lilia Schwarcz Direção: Newman Costa Edição: Amanda Hatzyrah Roteiro: Luiz Fujita Jr e Lilia Schwarcz Redes: Tainah Medeiros Realização: Baioque Conteúdo
A jornalista Fernanda Cachão descobriu que o “pobrezinho e honrado” Salazar dormia em lençóis de seda. “O Estado Novo em 101 Objetos” é afinal um alerta para o perigoso esquecimento da História. See omnystudio.com/listener for privacy information.
O podcast apresenta uma biografia abrangente de Vitorino Nemésio, destacando a sua vida e obra como pilares da literatura portuguesa do século XX. Aborda a influência das suas origens açorianas e o conceito de "açorianidade", que ele próprio cunhou para descrever a identidade açoriana moldada pela história e geografia. Detalha a sua formação académica em Coimbra e Lisboa, a inserção no Segundo Modernismo e na Geração da Presença, e a diversidade da sua produção literária, que inclui poesia, ficção, crónicas e ensaios, com destaque para o romance Mau Tempo no Canal. Além disso, o texto explora o seu papel como académico, pedagogo e comunicador televisivo, e a complexa relação com o Estado Novo, culminando no reconhecimento póstumo e no legado duradouro da sua obra e pensamento.
Uma visão abrangente sobre a vida e obra de Sophia de Mello Breyner Andresen, uma figura central da literatura portuguesa do século XX. O texto explora a sua trajetória poética, desde as influências da infância aristocrática e a educação clássica, até à publicação das suas primeiras obras e o desenvolvimento de uma voz lírica singular. Adicionalmente, destacam-se o seu engajamento cívico e a resistência ao regime do Estado Novo, sublinhando a forma como a sua poesia se tornou um manifesto pela liberdade. Por fim, as fontes abordam os temas recorrentes na sua escrita, como o mar, a casa e a Grécia Antiga, e detalham o seu legado duradouro na cultura portuguesa e mundial.
Exposição retrata a emigração da Ilha Terceira no Estado Novo, está patente todo o mês de agosto. Condenado em tribunal, o autarca em Paris Hermano Sanches Ruivo promete declarações em breve. Edição Isabel Gaspar Dias
Antonio Salazar spends his post-war years helping the CIA learn how to torture people and starting a disastrous war with a large portion of Africa. Then he dies! Hooray! Sources:Antonio Salazar de Oliveira of Portugal and his Estado Novo Antonio Salazar: A Quiet Autocrat Who Held Power in Portugal for 40 Years - The New York Times Did Salazar have a love life? Part 2 – Portugal Resident https://www.lemonde.fr/en/history/article/2024/04/25/50-years-ago-the-carnation-revolution-ended-portugal-s-dictatorship-in-one-night_6669464_157.html 50 years ago, the Carnation Revolution ended Portugal's dictatorship in one night Portugal: End of the Salazar Era | TIME Portugal’s secret police – Portugal Resident The PIDE and Portuguese Society under the Salazar Dictatorship 1945-1974: Fear, SelfPolicing, Accommodation. | ICS Portugal’s Dictatorship: Salazar’s Estado Novo - Portugal.com Sci-Hub | Framing Sexual Violence in Portuguese Colonialism: On Some Practices of Contemporary Cultural Representation and Remembrance. Violence Against Women, 25(13), 1558–1577 | 10.1177/1077801219869547 The war that tears Estado Novo down | NewsMuseum friedheim_pub - salazar - leaders of europe 1995.ashx Sci-Hub | | 10.2307/180995 Colonialism and Genocide in Portuguese Africa Three graphics that explain Portuguese colonialism · Global Voices 118979704.pdf Portugal, declassified – POLITICO Acousmatic and Acoustic Violence and Torture in the Estado Novo: The Notorious Revelations of the PIDE/DGS Trial in 1957 SalazarandBritish.pdf Acousmatic and Acoustic Violence and Torture in the Estado Novo: The Notorious Revelations of the PIDE/DGS Trial in 1957 Sci-Hub | Framing Sexual Violence in Portuguese Colonialism: On Some Practices of Contemporary Cultural Representation and Remembrance. Violence Against Women, 25(13), 1558–1577 | 10.1177/1077801219869547 Sci-Hub | | 10.2307/180995 Françafrique: A brief history of a scandalous word Sci-Hub | | 10.2307/180995See omnystudio.com/listener for privacy information.
Nuno Duarte passou de desconhecido do público leitor a vencedor do Prémio LeYa. Em 2024, foi o escolhido pelo júri com o seu primeiro livro, “Pés de Barro”, em que ficciona a construção da Ponte sobre o Tejo - hoje Ponte 25 de Abril -, a partir de um pátio em Alcântara, onde vive Victor, que vem trabalhar na ponte, e Dália, a muda que cheira a chocolate.A que chegou a ser Ponte Salazar era, para o escritor, o “símbolo máximo do Estado Novo”. E, nesta entrevista a Magda Cruz, deixa um ponto assente: não podia escrever um livro passado durante o Estado Novo que não batesse no regime. Nuno Duarte nasceu anos antes da Revolução dos Cravos, detesta a ditadura e sublinha que é um tempo a que não quer voltar, apesar de sentir algum saudosismo, nos dias de hoje, vindo de algumas pessoas.Neste episódio do “Ponto Final, Parágrafo”, Nuno Duarte reflete sobre a importância do Prémio LeYa, sobre se tornar escritor e sobre como não sente pressão do mercado editorial para escrever um novo romance. Aliás, já escrevia o segundo livro quando nem sabia da atribuição do prémio, e ideias para três ou quatro livros não lhe faltam, garante.Considera apoiar o podcast no Patreon: patreon.com/pontofinalparagrafoContacto do podcast: pontofinalparagrafo.fm@gmail.comSegue o Ponto Final, Parágrafo nas redes sociais: Instagram, Twitter e FacebookProdução, apresentação e edição: Magda CruzGenérico: Nuno ViegasLogótipo: Gonçalo Pinto com fotografia de João Pedro Morais
Em 1933, a construção do Estádio Nacional e do Complexo do Jamor foi anunciada para ocupar os jovens que passavam os domingos nos cafés "discutindo os mistérios e problemas de baixa política". Saiba como as "merendas suaves" idealizadas pelo Estado Novo se transformaram nos piqueniques com porco no espeto de hoje em dia.
Hoje é o Dia da Liberdade. O que fazemos com ela? O que fizemos com ela de 1974 até agora? Que perigos a rodeiam num tempo em que a extrema-direita cresce em toda a Europa, impulsionada pela vitória de Donald Trump. Se são os que no exercício do poder mais violentam a liberdade de quem pensa diferente, como Bolsonaro ou Trump, a usar o território democrático para se apresentarem como defensores de todas as liberdades, pode acontecer que a Liberdade esteja a precisar de quem a defenda de si própria? Temos de saber antes demais o que falhou. O que define liberdade? Que expectativas criamos à volta do que ela nos podia dar e não foi cumprido. Para que os extremismos, a que José Gil chama neofascismos, cresçam é preciso que as relações de uns com os outros não floresçam num mundo harmonioso, como prometia a modernidade, diz-nos o filósofo e ensaísta com quem fizemos uma viagem à procura de perceber a liberdade, conversa que vamos poder ouvir na integra no dia 1 de Maio. Por agora, neste 25 de abril, propomos que escute um pequeno trecho dessa viagem. Um espaço onde José Gil fala da decência que é posta em causa pela grosseria e brutalidade, porque a vocação dos neofascistas é rebentar com aquilo que a liberdade prometia.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Foi a primeira revista de culinária portuguesa e uma referência durante o Estado Novo. Mas acabou logo a seguir ao 25 de Abril. Conheça a história da Banquete, a revista que nasceu para vender fogões a gás.
Norte de Portugal, 1 de marzo de 1942. Antonio Roquete, uno de los principales torturadores de la dictadura de António de Oliveira Salazar, dirige una redada contra opositores al régimen. Entre ellos se cuenta un viejo conocido suyo. Porque Roquete, antes que esbirro del Estado Novo, ha sido jugador. Y quien queda detenido, expuesto a abusos y encerrado en un campo de concentración en Cabo Verde no es otro que Cândido, su antiguo entrenador. Nacido cerca de la frontera con Badajoz, Cândido de Oliveira lo ha sido todo en el el fútbol portugués: capitán en el debut histórico de la selección, cronista, técnico campeón de liga e incluso seleccionador. Pero además es un ciudadano comprometido con la democracia en plena Segunda Guerra Mundial. Sus contactos con el fútbol inglés le sirven para entrar como agente del espionaje británico a las órdenes de Ian Fleming. Esas noches de cócteles, póker y enigmas en el Casino de Estoril le servirán a Fleming para construir un personaje de ficción llamado Bond, James Bond. Miguel Lourenço Pereira, periodista y escritor portugués, nos guía por las rendijas biográficas de Cândido de Oliveira, una de las figuras más apasionantes del fútbol europeo en uno de los momentos más tenebrosos de la historia. Accede a contenido exclusivo sobre este capítulo en nuestra newsletter: www.brazaletenegro.com Youtube: https://www.youtube.com/@brazaletenegro Twitter: https://twitter.com/brazaletenegro Instagram: https://instagram.com/brazaletenegropodcast Brazalete Negro, el true crime del fútbol. Y, recuerda, Bill Shankly no tenía razón.
Após o 25 de Abril, o novo regime democrático preferiu exilar as principais figuras do Estado Novo, e a transição de poder acabou por se fazer sem julgamentos de ministros. A que se deveu essa opção?See omnystudio.com/listener for privacy information.
One of the first things that Luca turned up was this rarity, which features the father of Jamiroquai's Jay Kay….but which one of those masked men is he?The Businesses* 8mm Records itself is all over Instagram, but you can see their Discogs page HERE. * Fiasco Porto is a Tokyo Jazz Kissaten in the Heroismo quarter of Porto. HERE is an article from a Portuguese lifestyle magazine, which has some great photos.* HERE is the Discogs page for 8mm records, the label.* 8mm in Barcelona can be located through their instagram 8mm_bcn. * From Jan 1st the new website should be up. Link HEREThe MusicWe talked a lot of Music with Luca and it would be impractical to list everything, but there are some highlights to point out…* HERE is a long dissertation about New Music during the Estado Novo, which we touched upon during our conversation.* * Miles plays Cascais…* …then Charlie Haden plays Cascais with Ornette Coleman and runs in to a little problem with the PIDE…* We also mentioned Sonoscopia, which has done a lot for “Outsider” Music. Link HERE* A record from the Quarteto Smoog turned up in a crate……and this one is planned as a reissue.Other Record Shops in PortoAside from Luca's operation, the invincible city has much to offer the record collector. Here are some of Gav's favourites…* Porto Calling. A great city centre shop tucked into a 60's era arcade. Good selection of second hand and new vinyl, which changes regularly. Great website with a full mail order catalogue available HERE. * Discos do Bau. Not far from the Miquel Bombarda gallery quarter. Good selection of Rock, Pop, Jazz and even some Classical; all second hand. Full website available HERE.* Louie Louie, also city centre location. I have yet to go into this shop without coming out with something. Website HERE.* Away from Porto, we also mentioned this combination of Air bnb and Record shop in London, HERE.Subscribe to Gas GiantsRSS https://api.substack.com/feed/podcast/311033.rss This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit gasgiants.substack.com
Em Portugal, toda a gente come bacalhau na Consoada. A não ser uma pequena região no Norte do país que insiste em comer polvo. Mesmo quando tinha de o trazer em contrabando para fugir às proibições do Estado Novo. Saiba como surgiu e como se manteve a tradição do polvo no Minho, durante o Natal.
Nuno Palma é Professor Catedrático no Departamento de Economia da Universidade de Manchester, no Reino Unido, e Diretor do Arthur Lewis Lab for Comparative Development, da mesma universidade. Investigador do Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, e do Centre for Economic Policy Research, Londres. Galardoado com vários prémios internacionais, incluindo o Prémio Stiglitz, atribuído pela International Economic Association. Licenciado pela Universidade de Lisboa e doutorado pela London School of Economics. -> Apoie este podcast e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45grauspodcast.com -> Deixe o seu email aqui para ser informado(a) do lançamento do Curso de Pensamento Crítico. _______________ Índice: (0:00) Introdução (4:13) Início | Livro do convidado: «As Causas do Atraso Português» | Evolução do PIB per capita de Portugal nos últimos séculos (8:36) A importância das instituições no desenvolvimento. | Prémio Nobel Economia 2024: Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Robinson (13:42) Período entre 1640 e as Invasões Francesas de 1808-14 | Artigo sobre capacidade orçamental do Estado (26:01) O puzzle do fiasco da Monarquia Liberal (40:06) Primeira República | A. H. de Oliveira Marques (48:18) Estado Novo (1:03:50) Como é que uma ditadura pôde gerar desenvolvimento? (1:19:46) Transição para a democracia | O efeito do PREC (1:26:48) A Democracia | Worldwide Governance Indicators | O problema da Justiça | Evolução do nr de alunos no ensino secundário (1:46:37) Como é que o aumento da escolarização não tem gerado crescimento? | Literacia financeira 1:53:46 Desigualdade | Maldição dos Fundos Europeus? ______________ Esta conversa foi editada por: DBF Estúdio
O Fronteiras no Tempo: Giro Histórico em seu 33º episódio conta e analisa a história dos impactos, resistências e transformações políticas no Estado de Santa Catarina na Revolução de 1930, que deu início a chamada Era Vargas. Quem conta essa história para nós é o historiador Willian Spengler, o camisa 10 da nossa equipe! Nova campanha de financiamento coletivo: https://apoia.se/fronteirasnotempo Artes do episódio: Augusto Carvalho Mencionado no Episódio Vídeo: Combate na Serra da Garganta - 1930 Trilogia de 5 episódios sobre a Era Vargas Fronteiras no Tempo #41 A Era Vargas parte 1: A Revolução de 1930 Fronteiras no Tempo #48 A Era Vargas parte 2: 1930-1937 Fronteiras no Tempo #50 A Era Vargas parte 3: O Estado Novo (1937-1945) Fronteiras no Tempo #56 A Era Vargas parte 4: o fim do Estado Novo e a redemocratização Fronteiras no Tempo #57 A Era Vargas parte 5: o segundo governo (1950-1954) Fronteiras no Tempo: Historicidade #29 Ação Integralista Brasileira Financiamento Coletivo Existem duas formas de nos apoiar Pix recorrente – chave: fronteirasnotempo@gmail.com Apoia-se – https://apoia.se/fronteirasnotempo INSCREVA-SE PARA PARTICIPAR DO HISTORICIDADE O Historicidade é o programa de entrevistas do Fronteiras no Tempo: um podcast de história. O objetivo principal é realizar divulgação científica na área de ciências humanas, sociais e de estudos interdisciplinares com qualidade. Será um prazer poder compartilhar o seu trabalho com nosso público. Preencha o formulário se tem interesse em participar. Link para inscrição: https://forms.gle/4KMQXTmVLFiTp4iC8 Selo saberes históricos Agora o Fronteiras no Tempo tem o selo saberes históricos. O que é este selo? “O Selo Saberes Históricos é um sinal de reconhecimento atribuído a:● Práticas de divulgação de saberes ou produções de conteúdo histórico ou historiográfico● Realizadas em redes sociais ou mídias digitais, voltadas para públicos mais amplos e diversificados● Comprometidas com valores científicos e éticos.”Saiba mais: https://www.forumsabereshistoricos.com/ Redes Sociais Twitter, Facebook, Youtube, Instagram Contato fronteirasnotempo@gmail.com Como citar esse episódio Fronteiras no Tempo: Giro Histórico #32 A Revolução de 1930 em Santa Catarina. Locução Cesar Agenor Fernandes da Silva e Willian Spengler. [S.l.] Portal Deviante, 13/11/2024. Podcast. Disponível em: https://www.deviante.com.br/?p=63826&preview=true Expediente Produção Geral, Host e Edição: C. A. Arte do Episódio: Augusto Carvalho Trilha sonora utilizada Birds – Corbyn Kites Wolf Moon – Unicorn Heads Madrinhas e Padrinhos Apoios a partir de 12 de junho de 2024 Alexsandro de Souza Junior, Aline Silva Lima, André Santos, André Trapani, Andréa Gomes da Silva, Andressa Marcelino Cardoso, Augusto Carvalho, Carolina Pereira Lyon, Charles Calisto Souza, Elisnei Menezes de Oliveira, Erick Marlon Fernandes da Silva, Flávio Henrique Dias Saldanha, Gislaine Colman, Iara Grisi, João Ariedi, João Luiz Farah Rayol Fontoura, Juliana Zweifel, Klaus Henrique de Oliveira, Manuel Macias, Marlon Fernandes da Silva, Pedro Júnior Coelho da Silva Nunes, Rafael Henrique Silva, Raul Sousa Silva Junior, Renata de Souza Silva, Ricardo Orosco, Rodrigo Mello Campos, Rubens Lima e Willian SpenglerSee omnystudio.com/listener for privacy information.
O Fronteiras no Tempo: Giro Histórico em seu 33º episódio conta e analisa a história dos impactos, resistências e transformações políticas no Estado de Santa Catarina na Revolução de 1930, que deu início a chamada Era Vargas. Quem conta essa história para nós é o historiador Willian Spengler, o camisa 10 da nossa equipe! Nova campanha de financiamento coletivo: https://apoia.se/fronteirasnotempo Artes do episódio: Augusto Carvalho Mencionado no Episódio Vídeo: Combate na Serra da Garganta - 1930 Trilogia de 5 episódios sobre a Era Vargas Fronteiras no Tempo #41 A Era Vargas parte 1: A Revolução de 1930 Fronteiras no Tempo #48 A Era Vargas parte 2: 1930-1937 Fronteiras no Tempo #50 A Era Vargas parte 3: O Estado Novo (1937-1945) Fronteiras no Tempo #56 A Era Vargas parte 4: o fim do Estado Novo e a redemocratização Fronteiras no Tempo #57 A Era Vargas parte 5: o segundo governo (1950-1954) Fronteiras no Tempo: Historicidade #29 Ação Integralista Brasileira Financiamento Coletivo Existem duas formas de nos apoiar Pix recorrente – chave: fronteirasnotempo@gmail.com Apoia-se – https://apoia.se/fronteirasnotempo INSCREVA-SE PARA PARTICIPAR DO HISTORICIDADE O Historicidade é o programa de entrevistas do Fronteiras no Tempo: um podcast de história. O objetivo principal é realizar divulgação científica na área de ciências humanas, sociais e de estudos interdisciplinares com qualidade. Será um prazer poder compartilhar o seu trabalho com nosso público. Preencha o formulário se tem interesse em participar. Link para inscrição: https://forms.gle/4KMQXTmVLFiTp4iC8 Selo saberes históricos Agora o Fronteiras no Tempo tem o selo saberes históricos. O que é este selo? “O Selo Saberes Históricos é um sinal de reconhecimento atribuído a:● Práticas de divulgação de saberes ou produções de conteúdo histórico ou historiográfico● Realizadas em redes sociais ou mídias digitais, voltadas para públicos mais amplos e diversificados● Comprometidas com valores científicos e éticos.”Saiba mais: https://www.forumsabereshistoricos.com/ Redes Sociais Twitter, Facebook, Youtube, Instagram Contato fronteirasnotempo@gmail.com Como citar esse episódio Fronteiras no Tempo: Giro Histórico #32 A Revolução de 1930 em Santa Catarina. Locução Cesar Agenor Fernandes da Silva e Willian Spengler. [S.l.] Portal Deviante, 13/11/2024. Podcast. Disponível em: https://www.deviante.com.br/?p=63826&preview=true Expediente Produção Geral, Host e Edição: C. A. Arte do Episódio: Augusto Carvalho Trilha sonora utilizada Birds – Corbyn Kites Wolf Moon – Unicorn Heads Madrinhas e Padrinhos Apoios a partir de 12 de junho de 2024 Alexsandro de Souza Junior, Aline Silva Lima, André Santos, André Trapani, Andréa Gomes da Silva, Andressa Marcelino Cardoso, Augusto Carvalho, Carolina Pereira Lyon, Charles Calisto Souza, Elisnei Menezes de Oliveira, Erick Marlon Fernandes da Silva, Flávio Henrique Dias Saldanha, Gislaine Colman, Iara Grisi, João Ariedi, João Luiz Farah Rayol Fontoura, Juliana Zweifel, Klaus Henrique de Oliveira, Manuel Macias, Marlon Fernandes da Silva, Pedro Júnior Coelho da Silva Nunes, Rafael Henrique Silva, Raul Sousa Silva Junior, Renata de Souza Silva, Ricardo Orosco, Rodrigo Mello Campos, Rubens Lima e Willian SpenglerSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Convidados: Paulo Almeida Alexandre Sarmento Francisco Peixoto ENTRA AGORA NA NOSSA COMUNIDADE NO WHATSAPP: https://chat.whatsapp.com/KLtGO6FntdKKk4i5Tdc1fe TORNA-TE MEMBRO E TEM ACESSO A LIVES EXCLUSIVAS: https://www.youtube.com/channel/UCPvHjnk3mt4jrGSvQkUSBWA/join LOJA DO ZUGA: https://loja.zugatv.com/ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ Se desejas contribuir para o canal podes fazê-lo utilizando uma das opções abaixo: Muito obrigado pela tua ajuda! PIX: 11716796709 MBWAY: +351 915 681 634 Paypal: https://www.paypal.com/donate?hosted_button_id=H6PFSR9EE9T5L Bitcoin Address: 15LCdXiRWBZGVFtFLU2Riig7poZKDQ35L3 Ethereum Address: 0x69f7f2732CB0111c249765ea5631fC81dFF23dB4 _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ ANFITRIÕES: Rodrigo: https://www.instagram.com/rodrigofront Marco: https://www.instagram.com/marcoacpinheiro Luís: https://www.instagram.com/iamalfaia/ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ CONTATO: zugapodcast@gmail.com _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ O Zuga Podcast é uma produção original Estúdio Zuga Produções Audiovisuais. Estamos em Vila Nova de Famalicão - Braga - Portugal. Para maiores informações: E-mail: estudiozuga@gmail.com Telemóvel/Whatsapp: +351 914374850
VISITÁ NUESTRA WEB: https://www.historiaenpodcast.com.ar/ Abril de 1974, Portugal, primavera; renacer de la naturaleza, de los claveles y también de la vida política. La dictadura del Estado Novo llegaba a su fin después de más de cuatro décadas en el poder, con su líder omnipresente: Antonio de Oliveira Salazar. Esta revolución, con claveles en la boca de los fusiles, representó un hecho clave en la historia política del siglo XX. Que lo disfrutes... Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Muito antes de se tornar Vera Lagoa, Maria Armanda Falcão participou em várias ações de oposição contra a ditadura do Estado Novo. Apoiou a campanha do general Humberto Delgado à Presidência da República, que iria abalar o regime em 1958. A casa de Maria Armanda era um centro de atividades subversivas, que passavam também por esconder dissidentes perseguidos pela ditadura. É casada com José Manuel Tengarrinha, jornalista e opositor ao regime. E uma enorme tragédia vai abalar a família. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Muito antes de se tornar Vera Lagoa, Maria Armanda Falcão participou em várias ações de oposição contra a ditadura do Estado Novo. Apoiou a campanha do general Humberto Delgado à Presidência da República, que iria abalar o regime em 1958. A casa de Maria Armanda era um centro de atividades subversivas, que passavam também por esconder dissidentes perseguidos pela ditadura. É casada com José Manuel Tengarrinha, jornalista e opositor ao regime. E uma enorme tragédia vai abalar a família. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Olá, ouvintes! Neste episódio, vamos falar sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Como o Brasil saiu da neutralidade inicial para uma declaração de guerra ao Eixo? Como se deu o alistamento dos combatentes durante o período ditatorial do Estado Novo? O governo autoritário foi ou não foi bem sucedido nas suas pretensões? E como foi a participação das forças brasileiras nos combates contra os nazistas na Itália? Encontraram muitas dificuldades guerreando em terras estrangeiras? Conseguiram cumprir os seus objetivos? Se você ficou interessado em saber as respostas para essas perguntas, bote o seu fone e dê o play neste novo episódio do Estação Brasil. Se você gostar do conteúdo do episódio, considere tornar-se um apoiador e/ou contribuir de alguma forma para manter o Estação no ar. Pix: estacaobrasilfm@gmail.com Ou torne-se membro em: apoia.se/estacaobrasilfm
Get the worksheets & complete show notes for this episode at https://cariocaconnection.comIn this episode of Carioca Connection, Alexia discusses an important historical event with her father Marco Antonio - the Carnation Revolution that ended Portugal's dictatorship in 1974.Through their engaging conversation, you'll learn fascinating details about this peaceful transition to democracy. Pay close attention as they use authentic Brazilian Portuguese to describe the military's role, the oppressive Estado Novo regime, and the struggles faced by women at that time.This is an excellent opportunity to hear natural speech filled with slang, idioms and cultural insights. Whether you're studying Portuguese or simply love history, this educational yet entertaining episode is not to be missed!E agora em português...Nesse Carioca Connection, Alexia conversa com o pai Marco Antônio sobre um evento histórico importante - a Revolução dos Cravos que encerrou a ditadura em Portugal em 1974.Através do papo divertido dos dois, você vai aprender detalhes fascinantes sobre essa transição pacífica para a democracia. Fique ligado ao português autêntico enquanto eles descrevem o papel dos militares, o regime opressivo do Estado Novo e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres naquela época.Uma ótima oportunidade de ouvir a fala natural, repleta de gírias, expressões e insights culturais. Seja você estudante de português ou apenas amante da História, este episódio educativo não pode ser perdido! Ready to massively improve your Brazilian Portuguese in 2024?
For almost fifty years, Portugal was ruled by a right-wing dictatorship. There was a military coup against Portuguese democracy in 1926. Antonio Salazar became the leader of the so-called Estado Novo in the same year Franklin Roosevelt entered the White House. His successor Marcelo Caetano was still in power when Richard Nixon was re-elected four decades later.Then, in April 1974, a group of junior army officers made a plan to overthrow the dictatorship. The Carnation Revolution brought down the Estado Novo and kick started a period of intense political upheaval. Its legacy can still be felt in Europe half a century later.Raquel Varela, professor of history at the New University in Lisbon and author of several books, including A People's History of the Portuguese Revolution, joins Long Reads for a discussion about the upheaval and its legacy.Read Raquel's 2019 interview with Jacobin: https://jacobin.com/2019/04/portugal-carnation-revolution-national-liberation-aprilLong Reads is a Jacobin podcast looking in-depth at political topics and thinkers, both contemporary and historical, with the magazine's longform writers. Hosted by features editor Daniel Finn. Produced by Conor Gillies, music by Knxwledge. Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.