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O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open'. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de valores, sua língua, e projeta a hegemonia do inglês. Isso influencia boa parte do conhecimento que a gente vai produzir daqui pra frente, porque cientistas e educadores usam essas plataformas e acabam perpetuando essas mesmas ideologias e valores.E o quarto e último paralelo é que impérios sempre se agarram a uma narrativa existencial ou moral sobre por que precisam existir. Essas empresas fazem a mesma coisa. Dizem que são o “império do bem”, numa missão civilizatória de trazer progresso e modernidade pra toda a humanidade, competindo contra um “império do mal” que ameaça mandar a humanidade pro inferno.Quando você conversa com algumas pessoas dentro dessas empresas, ou que as lideram, elas dizem: se você nos deixar construir uma inteligência artificial geral, que elas de alguma forma moldam como um deus, a gente vai acabar numa espécie de utopia, um paraíso onde a mudança climática é resolvida, o câncer é curado, a pobreza é aliviada.Mas, se os caras maus conseguirem isso antes, a gente pode acabar com todos os humanos mortos — um risco de extinção pra todos nós.Cris: E eles vêm dizendo isso há quase dez anos, e ainda usam como ferramenta. A gente está num país que foi influenciado por três impérios ao longo da história: Portugal, Inglaterra e agora os Estados Unidos. Então a gente olha pra essas empresas de um jeito meio cínico: sim, sim, já conhecemos essa história.Mas, ao mesmo tempo, ano passado, o Pew Research Center fez uma pesquisa sobre como o mundo enxerga a IA, e o sul global é bem mais otimista do que o norte. Uma das razões é a ideia de democratizar — não só informação, mas: ah, finalmente eu posso montar uma startup, sair desse lugar de exploração e criar o unicórnio de um bilhão de dólares. Os números são grandes na China. Países em desenvolvimento veem muito mais benefício do que risco na IA.China, 83%. Tailândia, 77%. Holanda, 36%. Canadá, 40%. Será que a gente está deixando passar alguma coisa? A gente está certo? Isso está democratizando mesmo? Até que ponto?Karen Hao: Provavelmente tem duas razões. Uma é que muitos dos danos que a indústria de IA causa à maioria global são bem escondidos. Ela se esforça muito pra esconder como polui o ambiente dessas comunidades, como explora e devasta a mão de obra, deixando traumas psicológicos — como documento no livro.E, recentemente, li um artigo de opinião no New York Times que trazia um bom ponto: muitas economias desenvolvidas estão especialmente atentas ao potencial da IA de desmontar oportunidades de emprego de tempo integral. A gente começa a ver isso cada vez mais. Já na maioria global, muito mais gente vive em economias informais, e aí a ideia de que a IA vai tomar um emprego de tempo integral não pesa tanto.Então os danos mais visíveis — a erosão do emprego formal de tempo integral — pesam mais no norte global, ou pelo menos é lá que as pessoas se sentem mais ansiosas. E os danos invisíveis, que atingem o sul global, ninguém percebe tanto, justamente porque são invisíveis. É meio por isso que tanta gente sente essa divisão que aparece na pesquisa do Pew.Cris: Eu tenho acompanhado as notícias sobre IA no Brasil, e toda semana tem um novo data center sendo construído em alguma cidade. Isso é vendido como uma coisa boa: que ótimo investimento, gera emprego. E me fez pensar de novo — a gente passou por três impérios, mas algumas famílias no Brasil, e aposto que em outros lugares também, estão no poder há 500 anos ao longo da história do país.Então, ao mesmo tempo, a gente pensa: é, estamos sendo explorados, é a mesma coisa. Eu já não tenho emprego, então deixa eu usar essa tecnologia pra melhorar minha vida. Mas as pessoas que realmente tomam as decisões, de novo, nos últimos 500 anos, se perguntaram: como a gente ajuda esse pessoal a explorar nosso país de um jeito que nos mantenha no poder e nos dê muito dinheiro?Mas também foi verdade que, sei lá, a Volkswagen abre uma fábrica no Brasil e aquilo gera emprego, contrata gente pro chão de fábrica e pros escritórios. Como é que isso é diferente com a IA?Karen Hao: De certa forma, não é diferente. Existe um fenômeno parecido: a indústria de IA terceiriza muitos dos trabalhos que ela não quer dentro dos centros de poder, e joga isso pra comunidades empobrecidas, do mesmo jeito que outras multinacionais fizeram por décadas.Mas também é diferente, porque a escala dos impactos trabalhistas e ambientais da IA é completamente outra, muito maior que a da indústria automobilística ou da moda. E a velocidade é outra, porque são tecnologias digitais que atravessam fronteiras muito rápido.E é diferente porque a maioria das pessoas não percebe que a IA, mesmo sendo tecnologia digital, tem uma cadeia de suprimentos muito física e intensiva em mão de obra manual.Quando você compra roupa, café, um carro, é mais óbvio que existem materiais que precisam ser extraídos e depois manuseados por pessoas pra criar aquele produto. Já com a IA, a maioria aceita a narrativa que o Vale do Silício projeta: a de que isso vem da “nuvem”, desses espaços etéreos que parecem nem existir no planeta. E a verdade é exatamente o oposto.Ela depende de uma quantidade extraordinária de extração mineral. Depende da construção de infraestruturas enormes — data centers, instalações de supercomputação espalhadas pelo mundo. E depende de muita, muita mão de obra manual: trabalhadores de dados que limpam, preparam e moderam o conteúdo dos sistemas de IA que chegam até você quando usa o ChatGPT.É isso que a torna tão diferente. E há também uma ideologia completamente diferente sustentando a expansão da IA. Quando você conversa com executivos da moda, eles não vão dizer: se você não comprar nossa roupa, vai pro inferno.Já a indústria de IA diz: se você não nos deixar capturar cada vez mais terra, mais recursos e mais mão de obra pra produzir essas tecnologias, vamos ter uma destruição civilizacional. Isso é, ao mesmo tempo, retórica política usada como arma pra moldar o debate público e a cabeça de quem formula políticas, e também está enraizado num sistema de crenças — algumas pessoas dentro dessas empresas realmente acreditam que, se uma AGI fosse construída, e construída nas mãos erradas, isso levaria mesmo a esse tipo de destruição.E é isso que move a sede cada vez maior da indústria por mais capital, mais recursos e mais terra.Cris: Eu quero falar sobre AGI, mas antes: ano passado, a OpenAI estava sendo processada no Reino Unido por violação de direitos autorais, basicamente todos os livros do mundo digitalizados e usados pra treinar modelos. E um dos executivos disse ao júri: bem, se a gente não puder fazer isso, fecha as portas. Me chocou que muita gente reagiu com um “ah, tá, o que a gente pode fazer? Eles vão fechar as portas”.Em parte porque a gente já está acostumado com essa narrativa. Outro dia, numa conferência, um ex-CEO dizia: a gente teve que usar embalagem de plástico porque é mais barata que papel, senão prejudicaria nosso resultado. E a plateia reagia: ah, então é só fechar as portas — a sociedade não pode arcar com isso.Mas isso também, como você disse, se conecta à ideia de uma grande missão, uma missão de salvar o mundo, que a gente precisa cumprir antes que seja tarde, senão estamos condenados. OpenAI está literalmente no nome — só que em português não é tão direto: é “inteligência artificial aberta”.Foi criada a partir de um sonho, um projeto que era pra ser uma coisa pro bem comum. Em 2019, num tempo bem distante, antes da pandemia, você cobriu a OpenAI, foi até o escritório deles, ficou lá dentro. O que você viu? E, mais importante, como essa missão mudou? O Elon Musk os processou outro dia justamente por mudarem a missão. Isso alguma vez foi verdade? Em algum momento eles pensaram mesmo “ah, a gente vai salvar o mundo”?Como essa narrativa de ser aberta funciona com a OpenAI?Karen Hao: Quando comecei a cobrir a OpenAI, levei a sério o que eles diziam — que tinham sido recrutados com a missão de beneficiar toda a humanidade. E aí, quando me infiltrei na empresa, fui ficando bem mais cética, porque via como eles operavam de um jeito completamente diferente, portas adentro, do que diziam em público.Diziam que iam publicar todas as pesquisas e abrir o código de tudo, e na prática eram uma das organizações mais secretas que já cobri. Eram muitas discrepâncias, e, na época, presumi que tinha havido algum tipo de corrupção que os levou a abandonar a missão original. Depois de cobrir a empresa por mais alguns anos e de trabalhar neste livro, mudei de ideia até sobre a missão original.Não acho mais que ela era um esforço sincero e generoso de beneficiar a humanidade. A missão foi criada pra dar à empresa — na época, uma organização sem fins lucrativos — uma margem de manobra extraordinária pra depois levantar muito capital, acumular muito talento e perseguir a força motriz de verdade por trás de tudo aquilo: se tornar a força dominante no desenvolvimento de IA.E penso assim agora porque, quando você olha pras narrativas de cada nova empresa de IA no começo — a Anthropic, a xAI, a Safe Superintelligence do Ilya Sutskever, a Thinking Machines Lab da Mira Murati —, todas usam a mesma narrativa da OpenAI: nós somos os mocinhos, eles são os bandidos.É por isso que precisamos criar uma nova empresa que avance a IA do nosso jeito, não do deles. E você começa a perceber, por esse padrão, que eles repetem a mesma coisa em parte porque acreditam nela até certo ponto, mas também porque ela funciona muito bem com a imprensa, com o público, com quem formula políticas.No livro, eu reproduzo os e-mails internos que Elon Musk, Sam Altman e Greg Brockman trocavam nos primeiros dias da OpenAI. Eles tinham plena consciência de que estavam criando uma missão que soasse bem para o público. E o propósito de verdade, que também deixaram registrado nesses e-mails, era vencer o Google. Viam o Google como a força dominante em IA e queriam ser eles essa força.Não gostavam de ver o Google na frente, então inventaram justificativas: o Google é uma empresa com fins lucrativos, então nós vamos ser sem fins lucrativos. Mas, no fundo, acho que era puro ego: tem que ser a gente, não eles, a gente quer ser quem lidera isso.E aí passaram um tempão moldando essa missão pública, que acabou sendo super útil pra recrutar o primeiro grupo de pesquisadores e turbinar o avanço deles.Cris: Então agora é um bom momento pra falar de AGI, a inteligência artificial geral. Muita gente pergunta: o que é AGI? O que “geral” quer dizer? E a impressão que peguei lendo seu livro é que, por design, isso nunca fica claro de verdade, porque é um alvo móvel. Essas empresas um dia vão dizer “chegamos, alcançamos a AGI”? Ou o plano é sempre “não, não, ainda não chegamos, me dá mais dinheiro, me dá mais poder”?Qual é o papel da AGI na narrativa dessas empresas?Karen Hao: Já que a gente está falando de ficção científica, eu costumo usar a analogia de que o mundo da IA é meio como Duna. Em Duna, o personagem principal, Paul Atreides, entende, ao chegar no planeta Arrakis, que o povo de lá foi semeado com um mito: o de que um dia viria um Messias pra libertá-los. Ele sabe que é um mito, mas decide entrar nele e agir como se fosse o Messias pra controlar melhor aquele povo.E, vivendo, respirando e encarnando esse mito dia após dia, ele começa a perder a noção de que é um mito. Passa a se perguntar se o mito era mesmo verdadeiro ou se foi ele quem o tornou verdadeiro. É essa confusão entre mito e realidade — ele vive num espaço intermediário, sem ter mais certeza do que é verdade e do que é ficção.E trago isso pra responder sobre a AGI porque a AGI é, ao mesmo tempo, um mito e algo que os líderes e os trabalhadores dessas empresas vivem, respiram e encarnam dia após dia, a ponto de perderem a noção do que é mito e do que é realidade. É a ideia de um sistema de IA teórico que um dia igualaria as capacidades humanas. Só que a gente nem tem consenso científico sobre o que é inteligência humana.Por isso, de certa forma, por design, é um termo bem maleável, que deixa essas empresas fazerem o que quiserem. Elas definem e redefinem a AGI conforme a necessidade, movem a trave pra onde quiserem. E, ao mesmo tempo, isso é sustentado por uma crença genuína de certas pessoas lá dentro, por causa dessa confusão entre mito e realidade. Pelas minhas contas, a OpenAI já usou pelo menos quatro definições diferentes de AGI.A primeira está no site deles: “sistemas altamente autônomos que superam humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”. É uma definição de automação do trabalho — eles dizem, de forma explícita, que estão atrás dos empregos mais bem pagos. A segunda apareceu no contrato com a Microsoft, por um tempo a maior investidora deles: ali, a AGI virou um sistema que geraria 100 bilhões de dólares em receita.Ou seja, uma definição feita pra incentivar a Microsoft a investir. Já o Sam Altman disse ao Congresso que AGI é um sistema que cura o câncer e resolve a mudança climática — uma definição de benefício social, muito útil quando você quer que os reguladores não te regulem.E, por fim, quando falam com o consumidor, dizem que vai ser o melhor assistente digital que você já teve — porque, claro, estão tentando vender o produto.E aí você percebe duas coisas. Primeiro, que é um conjunto de definições completamente incoerente. Segundo, que eles trocam de definição conforme o público que querem convencer. Mas também tem gente nessas empresas que acredita de verdade que está construindo uma tecnologia capaz de dar conta das quatro coisas.Então é uma realidade bem confusa e complicada: o que a AGI de fato é, e pra que ela serve, para essas empresas, para a agenda delas e também para as crenças delas.Cris: Como ex-funcionário da Meta — entrei em 2013 —, a missão era unir o mundo e torná-lo mais aberto e conectado. É uma missão incrível. E tem uma coisa que eu sempre digo, porque muito amigo meu vem falar comigo, “ah, esse cara da OpenAI, ou a própria Meta, são maus”. Eu conheci muita gente na empresa. Nunca conheci uma pessoa mal-intencionada.Todo mundo, independente da missão, era gente boa tentando entregar o melhor produto possível, pra dar poder a quem tem um pequeno negócio, por exemplo. Tenho amigos pessoais que construíram a empresa deles em cima da publicidade do Facebook e do Instagram. E esse é justamente o problema, porque ainda assim é uma corporação muito má, pelo que ela causa ao mundo pra bater as metas de negócio.Ou seja, você não precisa de um vilão tipo Lex Luthor pra causar um estrago desse tamanho no mundo. E adorei a referência a Duna. Duna é engraçado: é o livro que eu mais reli na vida que não foi escrito pelo Tolkien. Li o primeiro Duna umas três vezes, e toda vez é como se fosse um livro diferente. Na primeira, eu era adolescente, e era só o Paul Atreides, o cara durão.Na segunda, eu morava no Canadá e li com olhos de estrangeiro, pensando em colonização. E na terceira vez foi quando os filmes do Denis Villeneuve saíram, e aí era: ah, o Bene Gesserit criou esse mito, isso é meio pós-moderno. Narrativamente, fico me perguntando o que vai significar pra mim se eu ler uma quarta vez.Karen Hao: Eu ia te perguntar isso. Quando você disse que cresceu numa época cheia de ficção científica falando das maravilhas da tecnologia, fiquei curiosa: que histórias você estava lendo? Porque muita coisa que saiu nos anos 70 e 80 dizia exatamente o oposto. E muita gente já apontou que os executivos de tecnologia de hoje, que vivem citando essas histórias, interpretam elas justamente ao contrário da intenção original.Cris: Concordo plenamente. Mas, respondendo: foi basicamente Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E é por isso mesmo — os executivos de tecnologia, e o Elon Musk mais que todos, leem esses livros como receita, não como aviso. O livro de que eu mais me lembro, nem lembro o título, era um do Asimov em que ele descreve o elevador espacial que aparece na série da Apple TV, Fundação.E o enredo é: eu sou esse engenheiro brilhante, quero construir essa coisa no Sri Lanka, mas o governo trava tudo com regulação — eu sou um gênio e a regulação é a vilã. Hoje eu leio e penso: ah, sei. Mas, quando garoto, era só “olha, um elevador espacial, que genial, a gente nem precisa de foguete”. E aí você começa a entender. E aí eu parei de ler esses caras.E passei a ler gente com uma visão completamente diferente: o Ted Chiang, que entrevistei ano passado, a N.K. Jemisin, o Cory Doctorow, de quem sou muito fã. E talvez eles sejam mais explícitos, pra gente burra como eu entender: “não, bobo, a analogia é essa”. Mas Duna era incrível — vermes gigantes de areia, o tal garoto durão, e aquela coisa do “eu não aceito o meu destino”.Tenho esse grande destino, mas não quero ele. Do resto da série eu já não gosto tanto. Mas o mais importante de tudo: Duna gerou o melhor GIF de filme de todos os tempos, o “Lisan al Gaib” do Javier Bardem — que eu devia ter colocado durante a sua explicação, aquele “uau, ele está cumprindo a profecia, agindo como o profeta”.Mas, de novo, falando de vilões: você mencionou que essas empresas se colocam como o bem contra o mal, feito impérios antigos. Só que elas também jogam a carta da China, né? “Se a gente não fizer, a Rússia faz primeiro.” Só que a Rússia começou uma guerra e está ocupada demais. “Mas a China chega lá, e é por isso que a gente tem que ser fechado.” É por isso que Mythos e Fable e agora o GPT-5.6 foram proibidos pelo governo. Isso tem fundamento?Quero saber se é possível a China competir — quero mesmo essa resposta — mas também porque, desde toda essa conversa do Fable-Mythos, países como Índia e Brasil vêm dizendo que precisam de um modelo soberano. Dá pra fazer, ou a OpenAI, a Anthropic e o Google estão tão à frente que já não dá?Karen Hao: Sobre a China: você está certíssimo, o Vale do Silício usou por anos a carta do “e a China?” pra escapar de qualquer responsabilização de verdade. Fizeram muito isso na era das redes sociais.A Meta fez muito isso, com o Mark Zuckerberg dizendo ao governo dos EUA: vocês não podem nos regular, senão a gente perde. Mas, se a gente ganhar, vai ter um efeito liberalizante no mundo e nas democracias em todo lugar. E, infelizmente, o que a gente viu foi que jogar essa carta repetidamente produziu exatamente o efeito contrário do que o Vale do Silício prometeu.Uma das empresas de rede social dominantes dessa era é a ByteDance. Ou seja, mesmo sem regulação das redes sociais nos EUA, existe uma empresa chinesa de rede social bem dominante. E as redes sociais estadunidenses acabaram tendo um efeito antiliberal no mundo — é bastante consensual que enfraqueceram democracias em todo lugar. E aí, na era da IA, elas seguiram jogando a mesma carta.Mas o que eu sempre aponto é que a gente definitivamente não devia acreditar nelas. Já existe evidência significativa de que tudo o que elas dizem está, de novo, se provando o oposto. Elas disseram: não regulem a gente como empresas de IA, regulem a China, via controles de exportação — um mecanismo do governo dos EUA com alcance extraterritorial.Só que as empresas chinesas agora estão produzindo modelos de IA de código aberto extremamente eficientes, que viraram super populares no próprio Vale do Silício. Existe um monte de startup de lá que prefere usar modelo chinês a OpenAI, Anthropic ou Google.Então, nesse sentido, é um conjunto de evidências bem decisivo, acho, pra mostrar que a gente devia simplesmente responsabilizar essas empresas, não importa o que digam sobre “ah, vamos perder pra China”. No fim das contas, é só retórica política. Não é um argumento real que elas consigam sustentar pra escapar da responsabilização.Responsabilizá-las vai fortalecer a democracia pelo mundo, vai trazer mais direitos humanos, trabalhistas e de privacidade de dados pras pessoas — é sempre o contrário do que elas dizem que aconteceria. E, sobre a sua pergunta em torno da IA soberana: acho a ideia realmente importante, mas acho também que muitos países estão meio confusos sobre o que querem dizer com isso.Muitos governos, hoje, pensam a IA soberana pela pergunta: a gente consegue construir o nosso próprio ChatGPT? O nosso próprio grande modelo de linguagem, o nosso sistema de IA generativa? Estão olhando só pro modelo que o Vale do Silício já definiu e tentando descobrir como recriar aquilo.E o que eu digo pra quem formula políticas é: defina pra que a IA serve no seu país, no seu contexto. Quais são, no fim das contas, os objetivos do seu país? Os objetivos do seu povo? E também os nossos objetivos coletivos, entre países?Porque a gente tem, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Já definimos coletivamente que há coisas que precisamos resolver juntos: superar a crise climática, reduzir a pobreza, melhorar a educação.E, enquanto o Vale do Silício adora dizer que está fazendo tudo isso, na prática não está. Mas a gente poderia — poderia desenvolver, de forma colaborativa, sistemas de IA que realmente avançassem em cada um desses objetivos coletivos que já acordamos.E cada país também devia fazer o exercício: quais objetivos você quer alcançar, e que tipos de sistema de IA você poderia desenhar pra chegar lá — sistemas que talvez não se pareçam em nada com um grande modelo de linguagem. Se os países fizessem isso, acho que descobririam que a maioria dos sistemas de que precisam exigiria muito menos recursos.Ou seja, contextos como o Brasil, a Índia e outros, quando não precisam competir construindo essas infraestruturas de computação gigantescas e gastando centenas de bilhões de dólares, na verdade já têm, localmente, todos os recursos necessários pra desenvolver um sistema de IA soberano.Cris: Quando ouvi falar do seu livro pela primeira vez, uma amiga me disse que você não poupa ninguém — fala mal do Sam Altman, mas também do Dario Amodei. E as pessoas costumam escolher um lado. Eu sou time Claude, odeio o ChatGPT, essas coisas. Então cheguei no livro pensando: ah, é mais um livro dizendo que a IA é terrível, que a gente não devia usar IA.Mas, conforme fui lendo, e ouvindo outras entrevistas suas, me pareceu que o seu problema é justamente o que você acabou de descrever: a forma como essa tecnologia é feita. E, em especial, a palavra escala — a ideia de que a solução é a escala. O que você quer dizer com isso?Karen Hao: Eu costumo usar a analogia de que “IA” é como a palavra “transporte”: na verdade se refere a uma coleção de tecnologias que vão da bicicleta ao foguete. São tipos bem, bem diferentes de tecnologia, que exigem insumos diferentes pra se desenvolver e depois têm impactos diferentes na sociedade.E você está certo: sou especificamente crítica ao que chamo de “foguetes da IA”, os sistemas que os impérios da IA estão desenvolvendo, aqueles que exigem uma quantidade enorme de exploração de mão de obra e extração ambiental.E sou bem otimista com o que chamo de “bicicletas da IA”: sistemas especializados, eficientes, com bom custo-benefício, governáveis pelas pessoas, cujo desenvolvimento pode ser participativo. Países como o Brasil, o Chile, a Índia, qualquer contexto, têm recursos pra desenvolver e se autodefinir, em vez de simplesmente herdar um sistema criado pelos dois únicos centros do mundo capazes de gastar uma quantidade extraordinária de capital: o Vale do Silício e o ecossistema tecnológico chinês.E o motivo pelo qual eu acho tão corrosivo o que os impérios da IA estão desenvolvendo é exatamente o que você disse: a forma como eles fazem isso, por um mecanismo de força bruta pra avançar as capacidades da IA em escala. Eles vão simplesmente empurrando cada vez mais dados de treinamento nesses modelos, e isso exige corroer a privacidade das pessoas, tomar a propriedade intelectual delas e, ainda por cima, baixa a qualidade dos dados que entram nos modelos — o que leva aos danos de exploração de mão de obra, porque aí você tem que dar conta da moderação de conteúdo.E aí você tem pessoas psicologicamente traumatizadas por serem expostas a todo aquele conteúdo horrível que se tenta “lavar” através desses modelos.E aí vem o problema dessas infraestruturas de computação enormes, com impactos ambientais que aumentam a conta de luz das comunidades que as hospedam e agravam a crise de custo de vida. Elas precisam ser alimentadas por fontes fósseis, que jogam mais carbono na atmosfera e mais poluição no ar dessas comunidades.Então todos os problemas que eu identifico, no que têm de corrosivo, derivam inteiramente da abordagem deles pro desenvolvimento de IA. Por que não descartar a abordagem, em vez de descartar a tecnologia? Redefinir e redesenhar de que tipos de sistema de IA a gente precisa de verdade, com uma cadeia de suprimentos fundamentalmente diferente. E isso não é exclusivo da IA.A gente já viu muitas outras indústrias que começaram com uma cadeia de suprimentos bem ruim. A moda, por exemplo: muita degradação ambiental, muita exploração de mão de obra.Com muita organização, protesto, ação de consumidores, regulação governamental e cooperação entre governos, a gente conseguiu criar mercados novos pra moda sustentável e ética, cadeias de suprimentos novas e inovações pra fazer roupa mais saudável pras pessoas e pro planeta.E é basicamente isso que eu defendo: transformar a indústria de IA do mesmo jeito que transformamos a moda, e as cadeias de suprimento de alimentos. Assim a gente fica com os benefícios da tecnologia, ajuda ela a avançar os objetivos que importam pra gente, sem jogar uma fração enorme da população mundial numa condição atrasada e numa qualidade de vida pior.Cris: O Brasil está agora, no Congresso, discutindo a escala de seis dias por semana. A regra atual é: você trabalha seis dias e descansa um. E muitas empresas, o comércio principalmente, dizem “vamos fechar as portas”, e os trabalhadores respondem “isso é problema seu, não meu”. É mais ou menos a mesma narrativa dessas empresas de IA: se eu não usar a sua água, a Idade das Trevas está chegando.Falando em Idade das Trevas, e falando em bicicleta: a sua analogia me lembrou uma coisa. Eu gosto de jogo de zumbi, de mundo aberto, e em nenhum deles tem bicicleta. Num desses jogos, instalei um plugin que deixava andar de bicicleta — você acha uma e sai pedalando. E aí entendi por que não tem bicicleta: desbalanceia tudo. Parte da graça do jogo é você precisar achar um carro, e daí pneu, gasolina, comida pra carregar. De bicicleta, você vai a qualquer lugar.E eu pensei: ah, é. Meio que estraguei o jogo pra mim, porque agora tenho uma bicicleta, é incrível. Enfim, em termos práticos: no fim do ano passado, uns meses atrás, a revista Wired publicou um artigo pedindo pra jornalistas de tecnologia contarem como usam IA no trabalho. E cada um usava de um jeito. Você usa IA no seu trabalho? Como?Karen Hao: Eu não uso nenhum sistema de IA generativa no trabalho — nem ChatGPT, nem Gemini, nem Claude. Por três motivos. O primeiro é uma postura ética, depois de tanto investigar essas empresas. O segundo é privacidade de dados: eu investigo essas empresas.Não quero que elas conheçam todo o meu raciocínio enquanto eu apuro o livro, literalmente investigando elas. E o terceiro é que, no meu caso específico, a força do meu trabalho está na capacidade de construir relações fortes com as fontes, pela empatia, e de contar histórias envolventes, pela narrativa. E os grandes modelos de linguagem simplesmente não são a ferramenta certa pra nenhuma das duas coisas.Não vão melhorar a minha empatia nem a minha escrita. Então eu não perco nada com essa postura ética: simplesmente corto essas ferramentas e sigo fazendo o meu trabalho muito bem. Pra outros jornalistas pode ser diferente, e pra quem está em outras áreas o cálculo pode ser outro.Mas eu incentivo as pessoas a pensarem primeiro: quais são as suas forças no trabalho? Quais são os seus objetivos? E aí ir de trás pra frente pra descobrir se a IA é a ferramenta certa, qual tipo de IA é a ferramenta certa, e qual fornecedor você quer de fato usar, apoiar, votar com os pés. Agora, eu uso, sim, IA preditiva.Aquelas ferramentas de IA especializadas, as “bicicletas da IA”, digamos. No livro, tinha um detalhe que eu queria muito ilustrar: como a OpenAI deu um salto quando passou de organização sem fins lucrativos a um empreendimento bancado pela Microsoft. Percebi que as cadeiras do escritório ficaram bem mais caras. Então fotografei as cadeiras de um escritório e as do outro.E joguei tudo na busca reversa de imagens do Google, que é um sistema de IA especializado — não é baseado em grandes modelos de linguagem, não é IA generativa. Assim descobri quanto essas cadeiras costumam custar. No primeiro escritório, cerca de 2 mil dólares por cadeira. No segundo, eram cadeiras de um designer brasileiro famoso, uns 10 mil dólares cada.Coloquei esse detalhe no livro pra ilustrar o tipo de riqueza e de concentração de recursos de que a gente está falando. Esses são alguns dos jeitos como eu uso IA, ainda que de forma bem limitada, sempre pontual, quando acho que vai ajudar. E, claro, uso ferramentas de transcrição por IA — outra IA especializada — em todas as minhas entrevistas.Cris: Essa foi uma das partes em que a minha cabeça explodiu, eu nunca tinha percebido: a OpenAI criou o Whisper. Deixa eu dizer de outro jeito, do meu ponto de vista. A OpenAI liberou abertamente essa ferramenta incrível de transcrição, o Whisper, em que eu jogo o áudio e ela me devolve as palavras que as pessoas disseram. E eu pensei: ah, que generoso da parte deles.Mas o motivo real de terem criado a ferramenta foi pegar todos os vídeos do YouTube, transcrever e alimentar a máquina. E aí é: ah, claro. Enfim, falando de ferramentas e de otimismo — a gente está chegando ao fim da conversa. Eu tenho uma regra desde o episódio dois deste programa, há oito anos: de novo, como eu disse do seu livro, não pode ser só uma lista de reclamações e coisa ruim. E a gente tem se saído bem até aqui.Você falou de caminhos e de bicicletas, mas eu quero ser mais específico. Se isso aqui fosse uma reunião de negócios: qual é o plano de ação, quais são os próximos passos? Só que uma das coisas que eu repito bastante, na vida e neste programa, é que problema sistêmico não se resolve com ação individual. Se eu tomar banhos mais curtos, isso nunca vai salvar o planeta do aquecimento global.E muitos amigos meus simplesmente: não quero falar de IA, não quero usar IA. Voltando aos videogames: leram que tal jogo usa IA e pronto, não vão jogar. E a minha primeira pergunta pra você é: como a gente ocupa esses espaços da IA generativa — ChatGPT, Gemini e por aí vai? Porque o que a gente viu com as redes sociais foi: ah, o Facebook é do mal, vou sair do Facebook. Ah, vou sair do Twitter.E, na esperança de quê, sei lá, talvez alguém diga: ah, sinto falta do Cris, cadê ele? Ah, está no Bluesky. Mas isso deixa o espaço aberto pra os radicais entrarem e postarem o que quiserem, sem ninguém contrapor ou tornar aquilo um lugar melhor. Então como a gente ocupa o espaço da IA — seja qual for a definição de “espaço da IA” que você preferir — com todos esses problemas que a gente vem discutindo?Karen Hao: Acho que tem duas categorias de ação pra gente pensar. Uma é desmantelar o império. A outra é investir e construir novos tipos de sistema de IA, que se tornem alternativas às tecnologias do império. Quando eu digo desmantelar o império, não estou dizendo que quero que a OpenAI, o Google, a Anthropic, seja quem for, simplesmente deixem de existir.É que eu não quero que elas sejam imperiais. Não quero que fiquem extraindo uma quantidade extraordinária de valor sem redistribuir nada em troca. Se elas voltassem a ser negócios que praticam uma troca justa de valor com o mundo, eu ficaria perfeitamente feliz com qualquer tecnologia que estivessem desenvolvendo.E a forma de desmantelar o império, acho, se resume a muita organização de base, que vai pressionar os governos a regular e responsabilizar essa indústria. No último ano, a gente viu uma quantidade incrível dessa organização de base florescendo pelo mundo.Recentemente, lancei com um grupo de jornalistas, pesquisadores de IA e acadêmicos críticos um projeto chamado AI Resist List, que busca documentar parte dessa organização de base pelo mundo. A gente encontrou cerca de 30 exemplos, de todas as regiões, de ações individuais, institucionais e movidas pela comunidade.Tinha ação artística, ação política. E isso mostra bem o seu ponto: não dá pra contar só com a ação individual, mas o indivíduo pode, sim, ter impacto. Até uma ação pequena pode gerar um grande efeito cascata. Claro que se juntar com os vizinhos pra protestar contra o data center é ainda mais eficaz. Se juntar dentro da sua escola ou universidade pra protestar contra a parceria dela com uma empresa de IA também é mais eficaz.Se juntar com os colegas de trabalho de um setor pra barrar a adoção de uma IA que corrói os direitos trabalhistas é mais um jeito eficaz. A gente tem um monte desses exemplos. Um dos meus favoritos é o de uma comunidade sobre a qual escrevi no livro, Quilicura, no Chile, na periferia de Santiago. É uma comunidade da classe trabalhadora, bem pobre, que vem sendo alvo incessante da expansão de data centers.E por isso protestaram de forma bem aguerrida contra essa expansão, porque não acharam bom negócio hospedar essas instalações sem tirar nenhum benefício, enquanto elas consomem uma parte significativa dos recursos naturais da região.E, logo depois que escrevi sobre eles, foram além na resistência e criaram uma plataforma chamada Quili.ai. É um site em que você entra e que parece um chatbot, parece o ChatGPT: tem uma interface de chat pra você digitar. Só que, quando você faz uma pergunta, em vez de um modelo de IA responder, a mensagem é encaminhada pra alguém que mora em Quilicura, no Chile. Aí, se você pede “quero a imagem de um cachorro”, aquilo vai pro artista local deles, o Benji. Ele pega um pedaço de papel, desenha um cachorro, tira uma foto e te manda de volta.Eles fizeram isso essencialmente como um projeto de arte performática, pra fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de usar IA generativa pra bobagem. A mensagem era: ei, quando você fica brincando com essas ferramentas em pedido besta, isso afeta comunidades como a nossa, drena os recursos de que a gente precisa pra viver bem.E também queriam levar as pessoas a pensar: por que não perguntar pra alguém da sua própria comunidade aquela receita que você procurava, ou pedir aquela imagem? Porque aí você reconstrói as conexões que estão tão em falta na sociedade — a falta delas é o que nos deixa mais vulneráveis a esse tipo de colonização do império.Eles deixaram o projeto aberto por 24 horas, e qualquer pessoa no mundo podia mandar um pedido. Receberam uma quantidade extraordinária deles. Viralizou de vez. E essa cidadezinha conseguiu uma virada enorme de narrativa sobre a suposta inevitabilidade e necessidade dessa tecnologia, sobre tudo o que o Vale do Silício diz — que, se você não usar, vai ficar pra trás de quem usa.E esse é só um exemplo, entre muitos, de como pessoas comuns, não importa a sua posição na sociedade, podem ter impacto real no debate, na consciência pública e até na regulação. A gente está vendo isso agora com os protestos contra data centers. Nos EUA, em 2025, cerca de 150 bilhões de dólares em projetos de data center foram travados.Isso virou uma das questões políticas mais quentes nos EUA para as próximas eleições de meio de mandato. Tem gente eleita sendo literalmente tirada do cargo por ter aprovado data centers, contrariando a vontade do povo. E isso já está tendo efeito real sobre as empresas e sobre a trajetória do desenvolvimento de IA.A OpenAI teve que encerrar recentemente a sua ferramenta de geração de vídeo, o Sora. Quando lançaram, apresentaram como o segundo produto mais importante desde o ChatGPT. O que aconteceu entre o lançamento e o fim? Uma reportagem do Wall Street Journal apontou três motivos, todos moldados por ação de base. Um: um gargalo enorme de capacidade de computação.Muitos dos data centers travados ou parados eram da OpenAI. Dois: um cenário financeiro bem mais incerto. A OpenAI está se preparando pro IPO, o que significa ficar mais exposta a Wall Street — e Wall Street está cada vez mais nervoso com a capacidade dessas empresas de cumprir o que prometem.E aí a OpenAI teve que reforçar alguns projetos paralelos pra fazer o balanço parecer um pouco melhor aos olhos de Wall Street. E, terceiro: os consumidores simplesmente não estavam usando o produto — o que também é ação coletiva de consumidores. Então, por todo esse tipo de resistência, de várias formas, de baixo pra cima, as pessoas estão de fato tendo impacto real na indústria e responsabilizando ela.Essa é a primeira categoria de ação. A segunda é: ok, que tecnologias de IA a gente usaria como alternativa? E aí a gente precisa investir mais nelas. Muitas vezes, quando converso sobre o livro, a pessoa diz: ok, me convenci de que não quero usar ChatGPT, não quero usar Claude — mas então uso o quê no lugar?E o problema é que eu não tenho muitas respostas pra essa lista de alternativas. Tem umas poucas aqui e ali, uma plataforma, uma empresa.Cris: Dá pra rodar o modelo no seu próprio computador, como o Cory Doctorow faz, mas aí é limitado e…Karen Hao: Exatamente, exige mais habilidade técnica. Mas, pra quem consegue instalar modelos de código aberto no próprio computador, eu incentivo 100%. Só que a gente também precisa de mais gente desenvolvendo interfaces bem fáceis pra esses modelos de código aberto, pra que qualquer pessoa consiga usar.A gente também precisa de mais gente desenvolvendo “bicicletas da IA”, de investidores e governos investindo mais nesse tipo de solução, e de talento — pesquisadores de IA, desenvolvedores e outras pessoas dispostas a sacrificar um pouco e abrir mão dos pacotes de remuneração enormes.Cris: Eu estava começando a achar que agora as empresas precisam ter menos lucro — e isso nunca vai acontecer.Karen Hao: Não, não é a empresa ter menos lucro. É o trabalhador topar abrir mão do pacote de milhões de dólares pra levar o talento dele pra outro lugar. Mais fácil, bem mais fácil. Eu converso com muito pesquisador de IA cansado da abordagem da indústria, porque ela é completamente sem criatividade intelectual.Eu conversei com pesquisadores que não passaram seis anos num doutorado em IA só pra ficar empurrando mais dados na máquina — pra eles, é o trabalho mais chato do mundo. E depois automatizar a programação, que era justamente o que eles gostavam de fazer. Converso com tanta gente que já não acha graça nenhuma nisso. Estão meio presos por “algemas de ouro”.E estão tentando descobrir, dentro de si, que carreira alternativa poderiam ter. Eu costumo incentivar esses pesquisadores a gastar o talento deles construindo um tipo diferente de empresa, que trabalhe com “bicicletas da IA”. E a gente já começa a ver cada vez mais desse talento indo por aí.E a gente precisa que todas as facetas da sociedade invistam num ecossistema muito mais robusto e rico de tecnologias de IA, capaz de substituir as que hoje dominam. Eu ainda tenho as cicatrizes das minhas próprias “algemas de ouro”, mas concordo plenamente.Cris: E as redes sociais são o exemplo — veja o que aconteceu com elas. Tem aquela frase famosa: as mentes mais brilhantes da minha geração passam o tempo fazendo as pessoas clicarem em anúncios. E ainda dizem: ah, isso pode ser o futuro. Pois é.Você contou a história do Quili.ai e isso me lembrou um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil, o Cid Não Salvo. Uns 10, 15 anos atrás, ele tuitou o seguinte: “Gente, eu disse pro meu pai que, sempre que ele precisar pesquisar alguma coisa na internet, é pra ir no Twitter.com e digitar a pergunta na caixa”. E olha que ele tinha milhões de seguidores.E, por uns bons dias, quase um mês, você entrava no Twitter do pai dele e via perguntas tipo “onde eu compro pizza?”. Era engraçadíssimo. No fim, ele contou pro pai — ou talvez não. Mas eu adoro essa ideia. Antes de a gente terminar: você já deve ter respondido isso mil vezes, mas vai continuar cobrindo IA? O que está na sua cabeça, o que vem por aí? Turnê mundial? O que vem pela frente?Karen Hao: Com certeza estou pensando em como continuar responsabilizando essas empresas. Estou envolvida em várias colaborações, com gente incrível, em diferentes projetos ligados a isso. O AI Resist List foi um deles. Também co-criei um programa chamado AI Spotlight Series, com o Pulitzer Center, uma organização jornalística sem fins lucrativos que financia jornalismo investigativo pelo mundo.É um programa que treina jornalistas do mundo inteiro a cobrir IA por uma lente de responsabilização. Até agora, já treinamos mais de 3 mil. E eu sigo pensando em como construir mais capacidade dentro do jornalismo, da sociedade civil, de outros contextos, pra mobilizar ainda mais essa organização de base — pra conter de verdade os impérios da IA e ajudar a desmantelá-los.Cris: Adorei o seu exemplo da moda. É possível, já foi feito. Ou até a indústria automotiva. Ou o grande exemplo que a gente não mencionou, e que o pessoal da OpenAI vive citando: o Projeto Manhattan, a energia nuclear.O mundo não acabou. Quando eu era criança lendo Asimov, achava que ia tudo acabar num fogo nuclear. Enfim — alguma última palavra, alguma mensagem, algum palpite pros jogos do Brasil na Copa, alguma coisa que você queira dizer antes da gente encerrar?Karen Hao: No fim das contas, o que eu espero que fique desta conversa e do livro é o seguinte: neste momento, o Vale do Silício está concebendo a IA como um projeto político. E a característica central desse projeto é tirar a autonomia de todo mundo — a autonomia de moldar de verdade o próprio futuro e o nosso futuro coletivo. Mas, no instante em que você reconhece que já tem uma autonomia significativa pra resistir, o império começa a desmoronar.Então espero que as pessoas encontrem a própria voz, a afirmem, conquistem o seu lugar à mesa e se conectem com os vizinhos, com a comunidade, com os colegas de trabalho, pra criar mais movimentos juntos.Cris: Que ótimo. Karen Hao, o seu livro é O Império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total. Obrigado por vir ao Brasil conversar com a gente. Foi um prazer.Karen Hao: Muito obrigada.Uma das primeiras perguntas que anotei quando comecei a pensar nessa conversa foi justamente a do final, a da ocupação de espaços. Porque, como eu disse, quando as redes sociais chegaram para ficar, muita gente falou “ah, não vou usar, é do mal” — e aí as pessoas ruins, vamos chamar assim, acabam ocupando esse espaço e falando o que bem entendem. A gente precisa aprender essa lição agora, no mundo da IA.Fora que vejo muita gente falando de IA sem nunca ter usado — ou que usou, sei lá, dois anos atrás, acha que continua tudo igual e já diz que não quer chegar perto.E por quê? Porque essa abordagem de ocupar espaços é o que eu e a Ana Freitas buscamos fazer no IA em Curso, nossa comunidade de letramento contínuo em IA. Foi, aliás, uma conversa que tive com a Karen antes da entrevista: ao mesmo tempo que a gente fala do impacto da IA no mundo, também precisa focar no que é prático, no que dá para fazer hoje com IA, sem vender sonho nem desastre. A analogia que usei foi a de que é que nem quando a gente fazia curso de Word e Excel — é o que eu faço agora que vai facilitar minha vida, me fazer ganhar tempo, botar a IA para me ajudar. Quem viu minha conversa com a Ana aqui no Boa Noite Internet, no fim de 2025, sabe do que estou falando. Se não viu, volta lá e confere.Desde que a gente lançou este episódio, o IA em Curso já passou de 400 pessoas. Tem muita gente colocando projetos pessoais incríveis na rua, tirando do papel aquela ideia que rondava a cabeça há um tempão. E a comunidade tem mentoria ao vivo, aula gravada, newsletter, banco de agentes, grupo de Telegram… que mais? O que não falta é jeito de passar para você o conhecimento sobre IA de que você precisa hoje, agora. Quero te dar a bússola para navegar nesse universo.Se esse é o tipo de abordagem que você quer ter com a IA, passa lá no iaemcurso.com.br e usa o cupom BNI2026 para ganhar 20% de desconto no plano anual. Mas corre, porque daqui a duas semanas vou apagar esse cupom — não é todo dia que a gente dá um desconto desses.É isso. Boa Noite Internet, temporada 2026 começando — como todo ano, com mudança, ideia, projeto. Ou, como diz minha citação preferida de todos os tempos: “vivemos uma fase de transição, como sempre”. Espero ver você por aqui e lá no IA em Curso.Obrigado pelo seu tempo e pela sua atenção. Até o próximo episódio. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe
A vida da igreja necessita de alguma estrutura para que haja ordem, organização e planejamento. Contudo, as estruturas são relativas e podem mudar conforme as circunstâncias. A essência, porém, não pode ser perdida. Por isso, precisamos nos perguntar constantemente: por que fazemos o que fazemos? Podemos estar envolvidos em muitas atividades, reuniões e responsabilidades e, ainda assim, nos afastarmos daquilo que realmente deve mover a nossa vida.Quando Jesus viu as multidões, compadeceu-se delas porque estavam aflitas e exaustas, como ovelhas que não tinham pastor.¹ Esse olhar de Jesus revela a essência do cuidado com as pessoas. Ele não agia apenas para cumprir uma tarefa, mas porque era profundamente movido por amor. Da mesma maneira, o chamado para ser e fazer discípulos não deve ser cumprido por obrigação, pressão ou ativismo, mas como resposta ao amor de Deus derramado em nosso coração.²Ao longo da caminhada, podemos nos cansar, desanimar ou nos frustrar quando as pessoas não correspondem como esperávamos. A própria Palavra nos orienta a não nos cansarmos de fazer o bem.³ Entretanto, os resultados não podem determinar se continuaremos amando e servindo. Fazemos o que fazemos porque fomos conquistados por Cristo e porque o Seu amor nos constrange a não vivermos mais para nós mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por nós.⁴Discipular alguém não significa controlar sua vida, tomar decisões em seu lugar ou tentar realizar o trabalho que pertence ao Espírito Santo. Nosso papel é cooperar com Deus na formação de Cristo naquela pessoa, apontando-a para Jesus e ensinando-a a guardar Sua palavra.⁵ Isso exige tempo, disposição para ouvir, oração e cuidado. Muitas vezes não teremos respostas imediatas, mas podemos conduzir a pessoa para perto do Senhor e confiar na ação do Espírito Santo.Todos nós recebemos algo de Deus que pode ser repartido. Fomos chamados das trevas para a Sua maravilhosa luz com o propósito de proclamar as virtudes daquele que nos chamou.⁶ Talvez consideremos pequeno aquilo que sabemos ou vivemos, mas, nas mãos do Senhor, até uma palavra simples pode sustentar e transformar uma vida. Deus não procura somente pessoas muito qualificadas; Ele procura pessoas disponíveis. Cada discípulo pode cuidar de alguém, começando pelos de dentro da própria casa, e também alcançando aqueles que o Senhor coloca ao seu redor.Esse chamado não é um convite ao ativismo nem uma lei que produz condenação. É um chamado para nos aproximarmos do Senhor e permitirmos que o Seu amor governe nossas motivações. Amar o Senhor se manifesta principalmente em guardar os Seus mandamentos, não como uma imposição exterior, mas como resposta de amor e relacionamento com Ele.⁷Primeiro somos chamados a ser discípulos e, então, a fazer discípulos. Jesus ordenou que Seus discípulos fossem e fizessem discípulos de todas as nações, ensinando-os a guardar tudo o que Ele havia ordenado.⁵ Porque fomos amados, podemos amar; porque fomos alcançados, podemos cooperar para que outros também sejam alcançados. O amor entre os discípulos é uma expressão pela qual o mundo reconhece que pertencemos a Jesus.⁸ Essa é a essência que deve nos mover todos os dias, até que o Senhor venha.Perguntas para reflexão:Tenho compreendido por que faço aquilo que faço como filho de Deus ou apenas sigo uma estrutura e cumpro atividades?Ao cuidar de pessoas, tenho sido movido pelo amor de Cristo ou pela obrigação, pela cobrança e pela expectativa de resultados?Tenho procurado cooperar com a ação do Espírito Santo na vida das pessoas ou tenho tentado controlar suas decisões e produzir mudanças por minha própria força e influência?Quais pessoas Deus colocou ao meu redor para que eu as ame, ouça, sirva, ensine e ajude a se aproximarem de Cristo?¹ Mt 9.36² Rm 5.5³ Gl 6.9⁴ 2Co 5.14-15⁵ Mt 28.18-20⁶ 1Pe 2.9⁷ Jo 14.15,21⁸ Jo 13.35
Ricardo Arioli comenta algumas das principais notícias da semana, ligadas ao Agro. A safra de Milho no Brasil será maior, mas margens dos produtores continuam apertadas. Primeiro navio de cargas movido a Etanol saiu de Santos rumo à China. Etanol 32% pode ajudar o Agro e a economia do Brasil. Só agora começam os testes para misturas maiores de Biodiesel.
O podcast explora a ideia central de que escrever é, fundamentalmente, um processo de reescrita, defendendo que o rascunho inicial serve apenas como uma ferramenta de descoberta e não como um produto final. Através de perspetivas de autores como Anne Lamott e Stephen King, as fontes explicam que a revisão não é uma mera correção de erros, mas sim um exercício profundo de pensamento crítico e organização de ideias. No contexto educativo, os artigos sugerem que ensinar os alunos a separar a criação da edição ajuda a superar bloqueios criativos e a reduzir a resistência emocional ao feedback. É destacada a importância de focar o texto nas necessidades do leitor, transformando a escrita numa forma de comunicação mais clara e eficaz. Por fim, as fontes abordam como a inteligência artificial e estratégias curriculares podem ser utilizadas para reforçar a revisão como a etapa onde a verdadeira aprendizagem e a clareza intelectual acontecem.
Convidados: Embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e Presidente da 9G Consultoria; Bruna Santos, diretora do Programa Brasil do Inter-American Dialogue, em Washington (EUA). O governo dos Estados Unidos oficializou que irá impor a sobretaxa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros a partir do dia 22 de julho. A decisão é resultado de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio americano sobre supostas "práticas desleais" da economia brasileira – o relatório final cita desmatamento, proteção de propriedade intelectual, tratamento às big techs e até o PIX. Em uma manifestação pública, o secretário de Estado Marco Rubio criticou o presidente Lula e disse que faltou "boa-fé" ao governo brasileiro. O Palácio do Planalto classificou a medida como um marco "lastimável" na relação entre os países e ameaça acionar a Lei de Reciprocidade. Neste episódio, Natuza Nery entrevista dois especialistas em geopolítica e relações internacionais. Primeiro, a conversa é com o embaixador Roberto Azevêdo: ele conta os bastidores das negociações entre agentes brasileiros e americanos e analisa as regras de um comércio internacional baseado na força. Depois, Natuza fala com Bruna Santos, que comenta a deterioração das relações diplomáticas entre Brasil e EUA.
Chegamos no CineYur 40 e decidimos transformar dois diretores chamados Quentin num campeonato de filmografia.Quentin Tarantino vs Quentin Dupieux.O episódio inteiro funciona assim.Criamos 3 rounds.No primeiro, os filmes se enfrentam por ordem cronológica. Primeiro filme contra primeiro filme, segundo contra segundo e por aí vai. Então vira coisas como Reservoir Dogs vs Steak, Pulp Fiction vs Rubber, Jackie Brown vs Wrong.No segundo round, os filmes são comparados pela função dentro da carreira de cada diretor. O filme que consolidou a identidade do autor. O mais agressivo visualmente. O mais obcecado por identidade. O mais autoconsciente. O mais claustrofóbico.E em algum momento a gente percebeu que estava discutindo The Hateful Eight vs Yannick como se isso fosse completamente normal.No terceiro round a conversa vira quase uma discussão sobre o que realmente importa no cinema.Melhor filme absoluto. Melhor roteiro. Originalidade. Personagens. Técnica. Impacto. Reassistibilidade.Cada categoria vale ponto. Vitória vale um. Empate vale meio.Só que depois de um tempo o placar começa a importar menos que a diferença entre os dois diretores.O Tarantino parece alguém tentando transformar cinema em mito moderno.O Dupieux parece alguém tentando descobrir até onde ainda dá pra brincar com um filme.E talvez o episódio tenha acabado ficando exatamente sobre isso.
A actualidade luso-africana ficou marcada, esta semana, pelo fim da campanha eleitoral em São Tomé e Príncipe, com declarações dos quatro candidatos à magistratura suprema. A prisão preventiva de Domingos Simões Pereira na Guiné-Bissau gerou reacções a nível internacional e a defesa do líder do PAIGC conta agora com um advogado senegalês radicado em Dacar. Em Cabo-Verde, o primeiro-ministro foi acusado de vários crimes pelo Ministério Público, juntamente com três vereadores da Cidade da Praia, incluindo corrupção passiva, falsificação de documentos públicos e burla qualificada. Em São Tomé e Príncipe, mais de 142 mil eleitores são chamados às urnas, este domingo 19 de Julho. A RFI deu voz aos quatro candidatos à magistratura suprema. O Presidente cessante, Carlos Vila Nova, descarta advogar no seu programa a mudança do regime constitucional do arquipélago. O deputado e candidato Nito Abreu pronunciou-se sobre o sistema semi-presidencialista em vigor no arquipélago, que não considera ser um problema. O advogado Miques João alega não estar animado por um espírito de vingança, apesar de ter sido detido e de ter estado ligado à defesa do único civil condenado na sequência do caso 25 de Novembro de 2022 e o ataque ao Quartel general. Por fim o jurista, Eugénio Tiny, sem apoios partidários, descarta qualquer nececessidade de se aumentar os poderes do Chefe de Estado. A fechar a campanha eleitoral, o analista político são-tomense Abílio Neto considera que estas eleições presidenciais vão influenciar as legislativas marcadas para o próximo mês de Setembro. "Vão influenciar muito porque todo o quadro político-partidário está fraccionado, está debilitado. Os partidos tradicionais estão todos eles a viver à base de conflictualidade intensa entre facções. Para mim, essa é que é a perspectiva interessante: tentar perceber se, na sociedade civil são-tomense, se a cidadania são-tomense está capaz de propor alternativas, muito mais do que olhar para o quadro tradicional dos partidos políticos, onde não se vê que venha nada de novo nem nada de especialmente interessante", analisou Abílio Neto. Relativamente à Guiné-Bissau, a equipa de defesa de Domingos Simões Pereira, em prisão preventiva desde 11 de Julho, fica agora reforçafa com o advogado senegalês Boukounta Diallo, residente em Dacar. Boukounta Dialo denuncia uma justiça selectiva em termos de golpes de estado e questiona: que legitimidade tem uma acusação de tentativa de golpe quando efectuada por militares golpistas? Em Paris, por ocasião de uma conferência organizada pela comunidade guineense, o presidente do PAIGC na diáspora, Francisco de Sousa Graça, apelou à acção da comunidade internacional, e apresentou os objectivos do "Livro Branco", documento que apresenta recomendações de sanções contra as autoridades golpistas de Bissau. De notar que a cimeira da Cedeao decorre este domingo em Freetown, na Sierra Leoa, um evento em que a situação da Guiné-Bissau deverá ser debatida. Quanto à revisão constitucional anunciada pelos militares e prevista para 30 de Agosto, um colectivo de 5 partidos políticos enviou na quarta-feira uma carta ao Presidente da transição, General Horta Inta-a, formulando uma série de exigências. Idrissa Djaló, é líder do PUN, Partido da Unidade nacional, que integra este colectivo, ele apela ao levantamento da proibição de reuniões afectando a liberdade de expressão. Em Cabo-Verde, o Ministério Público acusou o Primeiro-ministro Francisco Carvalho e três vereadores da Cidade da Praia de mais 107 de crimes, incluindo corrupção passiva, falsificação de documentos públicos, burla qualificada, abuso de poder e atentado contra o estado de Direito Democratico. Por sua vez, Francisco Carvalho caracterizou esta acusação do Ministério Público como uma tentativa de golpe de estado disfarçada de oposição.
Primeiro estrangeiro a dirigir o Festival de Avignon, Tiago Rodrigues conduz a edição dos 80 anos em meio a um contexto dominado pela urgência de garantir acesso democrático à cultura. Com uma programação majoritariamente feminina, que inclui Christiane Jatahy, Lia Rodrigues e Carolina Bianchi, ele destaca a força da cena brasileira e propõe novas alianças. O diretor português afirma que o futuro de Avignon depende das perguntas que ainda precisamos formular e convida o Brasil ao debate. Márcia Bechara, enviada especial a Avignon A programação deste ano, pela primeira vez majoritariamente feminina, inclui três artistas brasileiras em posições centrais: Christiane Jatahy, Lia Rodrigues e Carolina Bianchi, lançada por Avignon em 2023. Para Tiago, essa presença não é apenas simbólica, mas um componente estrutural da presença brasileira no festival. “Eu considero que o Brasil tem grandes artistas, e isso é o essencial. Mais do que definir o que é o teatro brasileiro ou o que é a dança brasileira, eu acho que há enormes artistas brasileiros”. Ele destaca Carolina Bianchi como “uma artista imensa de teatro, de performance, uma grande autora de teatro, uma grande escritora, uma poeta da cena”. A diversidade brasileira, segundo ele, é decisiva para o futuro das artes cênicas. “Carolina Bianchi é um exemplo dessas singularidades que podemos encontrar no teatro brasileiro, porque a cultura brasileira é de uma enorme diversidade. Também podemos encontrar no teatro brasileiro a anti-Carolina Bianchi.” Para Tiago, essa amplitude estética e intelectual precisa ainda ser “cuidada, acolhida, promovida”, sobretudo porque “grupos invisibilizados e oprimidos não tiveram ainda a oportunidade de chegar às ferramentas da criação”. Leia tambémChristiane Jatahy leva Ibsen ao tribunal de Avignon em debate sobre verdade ao lado de Wagner Moura A edição de 2026 marca também a primeira colaboração teatral entre Christiane Jatahy, Wagner Moura e Lucas Paraizo. O projeto parte de uma ideia que, segundo Tiago, “nos seduziu muito – justamente por não ser uma adaptação, mas uma continuação”. Ele explica: “O que acontece depois do fim de Um Inimigo do Povo, de Ibsen?” A estreia mundial em Salvador, seguida por apresentações no Rio de Janeiro (e posteriormente em Lisboa e Amsterdã), reforça a intenção de fortalecer a circulação da obra de Jatahy no Brasil. “Os parceiros europeus de Christiane Jatahy desejaram também contribuir para que seu trabalho estivesse mais presente no Brasil, e que [o espetáculo] fosse criado no Brasil”, afirma o diretor, que também destaca o interesse de festivais como Edimburgo e Holland Festival, coprodutores da peça, na ideia de "coesão social por meio das artes". Uma diretiva que, para ele, não se constrói por consenso, mas pela contraposição de ideias. “Como podemos reunir pessoas em torno das artes e ajudar na coesão social? Mas colocando perguntas, sem exigir pensamento único, sem exigir que todos concordem – e, assim, iniciar um debate?” O ponto de interrogação e os próximos 80 anos O ponto de interrogação que domina toda a comunicação gráfica do festival sintetiza essa postura. Tiago o escolheu como símbolo das perguntas que ele considera essenciais para os próximos 80 anos de Avignon. “Uma multidão de questões”, diz. Ele começa pelas mais urgentes: “Será que o Festival de Avignon vai poder existir ainda por 80 anos com este calor, com este clima, com a crise climática? O que vamos fazer para continuar vivendo festivais como Avignon, em meio ao calor provocado pelas mudanças climáticas? O que nos leva a nos fascinar, mesmo nós, artistas, pela questão do mal, pelos déspotas, pelos violentos? Que fascinação é essa pelo mal?”. A reflexão se estende ao tema do suicídio assistido: “Como pode a sociedade se organizar para acompanhar aqueles que decidem pôr fim à própria vida porque acham que a vida deve terminar – porque estão doentes, porque estão em sofrimento? Como podemos, socialmente, humanamente, mas também juridicamente, acompanhar essa decisão?”, questiona Rodrigues. As questões propostas por Christiane Jatahy e Wagner Moura também interpelam o festival. “Nesta sociedade da opinião pública rápida, que condena publicamente, qual é o lugar da justiça naquilo que são as nossas vidas? E como podemos participar dessa justiça e nos dar o tempo de reflexão que a justiça merece?”, sublinha o diretor. Leia tambémLia Rodrigues conduz jovens artistas em formação e amplia escuta pela diversidade em Avignon Primeiro estrangeiro a dirigir o Festival de Avignon, Tiago Rodrigues afirma que a história do evento impõe uma responsabilidade que não pode ser negociada. Ele lembra que o festival nasceu em 1947, no pós-guerra, criado por Jean Vilar e por antigos resistentes à ocupação nazista, e que essa origem define o presente. "O código genético deste festival, fundado em 1947 depois da Segunda Guerra Mundial por Jean Vilar, com ajuda de antigos resistentes contra a ocupação nazista. Seria uma traição à responsabilidade histórica deste festival e aos seus valores colaborar com a extrema direita. Esse é o meu entendimento, e é a minha responsabilidade tomar essa decisão enquanto diretor de um festival que é progressista, republicano, democrático e, portanto, nos dias de hoje, ecologista, feminista, antirracista, antifascista.” O Festival de Avignon segue em cartaz no sul da França até 25 de julho.
Estamos de Férias! Primeiro mini-episódio só pra você não esquecer da gente. Dia 13 de Agosto estamos de volta com um novo Galinha Viajante!APOIE O GALINHA VIAJANTEAcesse galinhaviajante.com.br/apoieESCOLHA QUE JOGO VAI VIRAR EPISÓDIOAcesse galinhaviajante.com.br/voteLINKS DA GALINHAApoie | Vote | Youtube | Bluesky | InstagramContato: cast@galinhaviajante.com.brAcesse nosso SITE: galinhaviajante.com.brTODAS AS ARTES DE CAPAMarcela Versiani: Deviantart | Bluesky | InstagramTRILHA SONORALet's Hit The Beach (Persona 4 Golden)O Galinha vai ao ar toda semana graças aos Escudeiros da Galinha Viajante! Apoie você também o nosso projeto no Catarse e junte-se à Escudaria!Apresentado e produzido por Leon Cleveland e Samuel R. Auras.Contato: cast@galinhaviajante.com.brSupport the show
Sérgio Abrantes já fez mais de 200 lançamentos digitais e viveu um lançamento tão desastroso que não conseguiu recuperar. Nesse episódio do Hotmart Cast, ele conta esse erro, o método que criou depois disso para reduzir risco em qualquer lançamento — e como esse método foi usado no relançamento do Whindersson Nunes, que já tinha tentado lançar antes sem sucesso.Você vai entender por que grandes lançamentos falham mesmo com planejamento, como usar cenários financeiros para prever resultados antes de lançar, por que testar pequeno antes de escalar evita prejuízo (a estratégia usada com o Whindersson), e qual o erro de comunicação que mais derruba parcerias entre agências e experts. Visite o canal da Hotmart no Youtube: https://www.youtube.com/@hotmart
A Revolução Francesa (1789) foi impulsionada como resposta do povo contra a política de ajuda aos EUA na guerra de independência (1777), em detrimento da pobreza que as classes populares passavam.O que os dois processos tem em comum? Primeiro que foram os Primeiros Estados com novos sistemas Republicanos, em críticas que apareceram através de Filósofos Iluministas, que criticavam os Reinos/Impérios Absolutistas, uqe apenas governavam para si mesmos, e suas nobrezas e Clero (Igreja), e não para o povo. A Revolução Francesa não perdoou monarquistas, a ponto de executá-los em Praça Pública, decapitados por Guilhotina, como traidores da revolução e do Povo.
O governo do presidente americano, Donald Trump, confirmou a volta do tarifaço. A notícia é péssima para setores relevantes da economia brasileira. E péssimo para o principal candidato de oposição nas eleições brasileiras deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Primeiro porque seus aliados nos Estados Unidos defenderam a medida como punição ao Brasil pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. E segundo porque Flávio até tentou consertar o erro pedindo que a medida não fosse aplicada. Mas foi ignorado pela Casa Branca. Participam desta edição Caio Junqueira, analista de Política, Thaís Herédia, analista de Economia, Daniel Rittner, diretor editorial de Brasília, Lourival Sant'Anna, analista de Internacional, Roberto Azêvedo, ex-diretor-geral da OMC, e Maurício Moura, professor da Universidade George Washington.
Nove países concentraram 52,4% de todos os menores "dose zero", que não possuem nenhuma imunização contra doenças; Relatório da OMS e do Unicef mostram que ano passado 116 milhões de crianças receberam pelo menos a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche em todo o mundo.
Roteirista especializada em longas-metragens e séries de ficção, Thais Tavares atua no mercado audiovisual desde 2016. Com especial interesse por estrutura de roteiro e construção de personagens, debruça-se sobre a psicanálise e, atualmente, cursa a pós-graduação “Psicanálise e Análise do Contemporâneo”, da PUC. Dentre seus trabalhos, destacam-se as séries “Ângela Diniz – Assassinada e Condenada”, … Continue lendo "Primeiro Tratamento – Thais Tavares – # 380"
“Relembre continuamente os termos deste Livro da Lei. Medite nele dia e noite, para ter certeza de cumprir tudo que nele está escrito. Então você prosperará e terá sucesso em tudo que fizer.” Josué 1:8 NVT Você espera receber a benção para fazer, ou faz para ser abençoado?Todos nós, a todo momento estamos sujeito a tomar decisões, sejam elas fáceis ou difíceis, escolhas que podem mudar completamente a trajetória da nossa vida. Por essa razão, as dúvidas sobre o que fazer, podem nos fazer adiar ou até mesmo desistir de escolher. É comum atribuirmos a Deus a necessidade dele nos abençoar primeiro, para depois termos a atitude. Poderá uma árvore dar fruto primeiro, antes de ser plantada?Neste versículo existe a chave para o nosso sucesso e prosperidade que são:Primeiro medite na Bíblia continuamente para que suas escolhas sejam respaldadas na palavra de Deus.Depois haja, faça, plante e escolha, a inércia não te moverá do lugar aonde está.E finalmente você receberá de Deus a benção por tudo aquilo que você fez e por sua atitude de fé.Medite na palavra de Deus, faça e receberá a benção e prosperidade de Deus!Pensamento do dia:O que você tem feito para receber a benção de Deus?Oração: Senhor, abençoe o fruto do nosso trabalho, nos ajude em nossas escolhas para que elas sejam baseadas em sua palavra.Em nome de Jesus, Amém !Que você tenha um dia abençoado!Por Ubiratan Paggio#devocionaisdiarios#deusfalacomigo #renovaminhasforcas #pazeequilibrio #ubiratanpaggio@ubiratanpaggio@ubiratan.paggioQuer receber o devocional diretamente em seu celular?Faça parte deste grupo fechado (as pessoas apenas recebem mensagens).Para receber áudio e texto: https://chat.whatsapp.com/E4EIRmpA1OE3xhjfHGwdekPara receber apenas texto: https://chat.whatsapp.com/Lb9ip9ZifJ3A0suipaEFoVSiga-nos no telegram:https://t.me/omilagre
LEITURA BÍBLICA DO DIA: ESDRAS 3:1-6 PLANO DE LEITURA ANUAL: SALMOS 7–9; ATOS 18 Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira: Iniciar uma ONG de apoio para adultos estava fora dos meus planos e, quando me senti chamado a fazê-lo, tive muitas perguntas. Quem a financiaria? Quem ajudaria a montá-la? A maior ajuda não veio de um livro de gerenciamento de negócios, mas de um livro bíblico. O livro de Esdras é leitura essencial a quem Deus chama para fazer algo. Relata sobre como os judeus reconstruíram Jerusalém após o exílio, apresenta como Deus proveu por meio de doações públicas e recursos governamentais (ESDRAS 1:4-11;6:8-10), e como os voluntários e empreiteiros fizeram o trabalho (1:5;3:7). Mostra a importância do tempo de preparação, com a reconstrução só começando no segundo ano do retorno deles (3:8) e como a oposição pode surgir (cap.4). Mas, para mim, em particular, algo na história se destacou. Um ano inteiro antes de começar qualquer construção, os judeus erigiram o altar (3:1-6). O povo adorou “antes mesmo de lançarem os alicerces do templo do Senhor” (v.6). A adoração veio antes. Deus o chama para começar algo novo? O princípio de Esdras é contundente, quer iniciemos uma ONG, estudo bíblico, projeto criativo ou nova função no trabalho. Até mesmo um projeto concedido por Deus pode desviar a nossa atenção dele. Portanto, concentremo-nos primeiramente em Deus. Antes de trabalhar, adoremos! Por: SHERIDAN VOYSEY
Por agora os voos vão ser semanais, à segunda-feira, e vão Ligar Lisboa a Valência. Primeiro voo levou oito toneladas de medicamentos. Faltam operários da construção civil no Canadá.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Nesta mensagem, o Pr. Geraldo Motta, com o texto em Lucas, capítulo 24, versículos 13 ao 31, nos traz uma reflexão sobre Jesus e seus díscipulos, que não o reconheceram de imediato, mas sim no partir do pão.A narrativa dos discípulos no caminho de Emaús é uma das mais belas descrições de como Jesus transforma a tristeza em esperança. Dois discípulos caminhavam decepcionados, abatidos e confusos. Eles acreditavam que tudo havia terminado na cruz. Embora Jesus estivesse caminhando ao lado deles, eles não conseguiam reconhecê-Lo.Isso nos ensina que, muitas vezes, as circunstâncias da vida podem ofuscar nossa visão espiritual. A dor, a frustração e o medo podem nos impedir de perceber que Cristo continua presente, mesmo quando parece estar em silêncio.Durante a caminhada, Jesus não lhes revela imediatamente Sua identidade. Primeiro, Ele explica as Escrituras, mostrando que tudo o que havia acontecido fazia parte do plano de Deus. O coração daqueles discípulos começou a ser aquecido pela Palavra, mas seus olhos ainda permaneciam fechados.Somente quando chegaram à casa e convidaram Jesus para permanecer com eles, aconteceu o momento decisivo:"E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o, e, tendo-o partido, lhes deu; então se lhes abriram os olhos, e o reconheceram..." (Lucas 24:30-31).O partir do pão simboliza comunhão, intimidade e relacionamento com Cristo. Não foi apenas um gesto comum; aquele ato trouxe à memória quem Jesus era e tudo o que Ele havia feito. O mesmo Cristo crucificado era agora o Cristo ressuscitado diante deles.Essa passagem nos ensina algumas verdades importantes:1. Jesus caminha conosco mesmo quando não O percebemos.Nossa percepção pode falhar, mas Sua presença nunca nos abandona.2. A Palavra prepara o coração.Antes que os olhos se abram, o coração precisa ser aquecido pela Palavra de Deus.3. A comunhão revela Cristo.É no relacionamento diário com Jesus, representado pelo partir do pão, que nossa visão espiritual é renovada.4. Quem reconhece Jesus não permanece parado.Assim que O reconheceram, aqueles discípulos voltaram imediatamente para Jerusalém. A tristeza deu lugar à esperança, e o desânimo foi substituído pela missão de anunciar que Cristo havia ressuscitado.Vivemos dias em que muitas pessoas conhecem informações sobre Jesus, mas ainda não tiveram seus olhos espirituais abertos. Frequentam cultos, ouvem mensagens, mas continuam caminhando como os discípulos de Emaús: tristes, desanimados e sem perceber que o Senhor está ao lado delas.Quando nos assentamos à mesa com Cristo — em comunhão, oração e meditação na Sua Palavra — nossos olhos começam a enxergar aquilo que antes estava oculto. Passamos a compreender que Deus continua no controle, que Suas promessas permanecem vivas e que nenhuma situação é capaz de impedir Seus planos.Conclusão: Os discípulos chegaram a Emaús pensando que a história havia acabado. Porém, ao partir do pão descobriram que o verdadeiro Autor da história estava sentado à mesa com eles.Ainda hoje, Jesus deseja caminhar conosco, aquecer nosso coração pela Sua Palavra e abrir nossos olhos para reconhecer Sua presença em cada etapa da vida.Quando Cristo parte o pão, a incredulidade dá lugar à fé, a tristeza se transforma em alegria e os olhos finalmente se abrem para contemplar o Senhor ressuscitado."No partir do pão, os olhos se abrem; e quando os olhos se abrem para Cristo, a vida nunca mais é a mesma."Se esta mensagem edificou a sua vida, curta e compartilhe com mais pessoas.Deus te abençoe!
Primeiro as coisas sem importância. Montenegro, o amuleto, segundo Hugo Soares, atravessou o Atlântico seis vezes; se a ideia era trazer a taça, a travessia foi em vão: o Mundial de futebol acabou para a selecção e a selecção acabou para Martinez. Mas Ronaldo continua até querer, já disse o novo seleccionador. Um pouco mais importante é o facto de em Almada, com o Tejo ali ao lado, não haver água nas torneiras. Maior importância ainda deve atribuir-se a à tentativa de adivinhar qual a próxima justificação do ministro da educação para a confusão na correcção dos exames do secundário. Nesta semana escangalhada, até a frágil paz no estreito de Ormuz foi por água abaixo. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Até onde estamos dispostos a ir para defender a verdade e como é que o fascismo utiliza os princípios democráticos para a destruir são questões que sobressaem das entrelinhas de “Um julgamento - Depois do inimigo do povo”, uma criação da encenadora Christiane Jatahy e do actor Wagner Moura que é apresentada, a partir deste sábado e até dia 22 de Julho, no Festival de Avignon. Os dois artistas imaginaram uma continuação para a peça “Um Inimigo do Povo” (1882), de Henrik Ibsen, à luz dos dias de hoje, das "fake news", da erosão democrática, do capitalismo desenfreado e dos julgamentos sumários nas redes sociais. “A verdade acabou” é a primeira frase que se ouve da boca de Wagner Moura, o homem do cinema que reitera que quer “estar aqui”, no teatro, depois de 16 anos longe dos palcos. O espectáculo “Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo” é apresentado no Festival d'Avignon de 11 a 22 de Julho e questiona até onde estamos dispostos a ir para defender a verdade e a justiça. A criação da encenadora e dramaturga Christiane Jatahy e do actor Wagner Moura inspira-se na obra de Henrik Ibsen, de 1882, mas não é uma adaptação. O texto, de Christiane Jatahy, Wagner Moura e Lucas Paraizo, é a continuação da história de Thomas Stockman, “uma segunda chance” que lhe é dada para falar e tentar provar que não é o “Inimigo do Povo”. Quem decide é um “tribunal popular” composto por 11 espectadores sorteados que sobem a palco. E há dois finais para a peça. Recuemos à história do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen que é o mote para esta história: o médico Thomas Stockman denuncia a poluição de uma estância balnear para proteger a população, mas o seu irmão, Peter Stockman, silencia a denúncia porque diz que a população depende dessa fonte de rendimento para sobreviver. “A economia não pode estar na frente da vida das pessoas” versus “a vida das pessoas depende da economia”, ouvimos de ambas as partes. Esta é também a história de uma família destruída por dissensões políticas e morais. O Thomas Stockman de 2026 é interpretado magistralmente por Wagner Moura que quer mostrar que não é “um inimigo público”. E tudo começa com a frase: “A verdade acabou. Isso é o que mais me assusta. Acabou. Não existem mais factos. Só versões. E quando a verdade perde o valor, então toda essa sala, e tudo o que ela representa, se torna uma encenação”. Em palco, tudo se dilui: teatro, cinema, documentário, encenação, improvisação, verdade, manipulação. No julgamento, questiona-se, por exemplo, o que é a verdade na era das fake news e das “diferentes versões” e a própria dramaturgia vai diluindo as fronteiras entre realidade e ficção, entre actor e personagem, entre actuação e performance, com momentos em que não sabemos se os actores improvisam ou se tudo não passa de encenação. A peça é uma coprodução entre o Festival d'Avignon, o Centro Cultural de Belém (Portugal), o Holland Festival (Países Baixos), o Edinburgh International Festival (Reino Unido) e o centro de artes DeSingel (Bélgica). E foi em Avignon que conversámos com Christiane Jatahy a propósito deste trabalho que é a terceira peça que ela aqui apresenta, depois de “O agora que demora”, em 2019, e “A Hora do Lobo”, em 2021. “Todas as pessoas que tentaram transformar realidades, seja de forma revolucionária, seja porque elas se posicionaram de maneira frontal contra um sistema, elas pagaram um preço por isso. A gente admira essas pessoas porque a gente acha que essas pessoas cumpriram a sua função ética. Então, por que é que quando é sobre nós, a gente tem dúvidas? Se todos nós tivermos esse mesmo princípio, todas as possibilidades de cancelamento, todas as possibilidades de perdas diminuem porque colectivamente a gente transforma o mundo. A ideia é o seguinte: vamos deixar de ser indivíduos separados que defendem ideias, enquanto outros se escondem atrás das suas ideias. Se todos nós formos à frente defender as nossas ideias, talvez a gente possa transformar o mundo”, resume a encenadora na entrevista à RFI. RFI: Como é que surgiu a ideia de partir deste texto com Wagner Moura? Christiane Jatahy, Encenadora: “Eu e o Wagner há muito tempo que a gente desejava trabalhar juntos. Ele assistiu a um espectáculo que eu fiz em Los Angeles e ele falou, a partir dali, que ele realmente queria voltar ao teatro através do nosso encontro. A gente então começou a ler muitas coisas, a ver muitos filmes. Ele tem muita paixão por esse texto do Ibsen, mas eu disse-lhe que eu não gostaria de montar o texto como o texto é porque eu achava que a gente precisava revisitar esse texto de uma maneira mais extrema, de realmente recriá-lo. E aí eu propus a ideia do tribunal. A encenação é minha, Wagner actua e a gente trabalhou juntos no texto. Eu propus essa ideia, ele aceitou na hora e, a partir desse momento, eu comecei a pensar na estrutura dramatúrgica, a gente dialogou muito sobre isso e assinámos o texto juntos com Lucas Paraizo também que é um roteirista. Essas questões que você apresentou na introdução da sua pergunta eram sempre questões que permeavam dois pontos que permeavam muito o nosso querer para fazer esse espectáculo. Primeiro é isso: ‘A verdade acabou'. Como é que a gente sobrevive num mundo em que tudo são versões? Como é que a gente consegue, de facto, manter um diálogo quando a minha verdade não é a sua? E não é que a gente esteja debatendo uma ideia, a gente, na verdade, está completamente em contradição, como se se estivesse vivendo em dois mundos diferentes. Isso é uma questão que eu acho que é muito urgente ser discutida porque isso significa que acabou o diálogo e a gente não pode sobreviver democraticamente se não tem mais diálogo. E aí eu vou directamente à sua segunda questão. É nessa maneira e através dessa fissura que o fascismo se aproveita porque o que o fascismo faz é criar uma verdade única, o que o fascismo faz é criar um inimigo único, o que o fascismo faz é inventar uma história do passado que não representa a realidade e fazer as pessoas se movimentarem através da raiva e não de uma ideia de colectividade e cooperação, utilizando todas as ferramentas da democracia e, na verdade, atingindo e atirando em tudo que é provocador do pensamento - a cultura, a os estudos, a universidade... Então, todas essas coisas estão subliminarmente dentro da peça, mas elas são os motores que nos moveram a criar esse espectáculo.” O teatro é transformado em tribunal popular e quebra os limites da quarta parede com o papel do público. Estamos habituados, no seu trabalho, a que o público participe, mas aqui ainda vai mais longe: o público absolve ou condena. Por que é que decidiu dar este papel ao público? “Porque quando eu pensei que não teria sentido montar a peça como ela é - para mim porque para outras pessoas pode ter - eu não queria trazer uma resposta sobre se ele é ou não é um inimigo do povo e se ele é ou não é um herói. Interessava-me, na verdade, levar essa questão para o público e ter essa resposta. Foi daí que veio a ideia do tribunal e a ideia de que o público, a cada noite, através da percepção do que ele está vendo, de diferentes pontos de vista e, portanto, a abertura ao diálogo com o público e de algumas questões que eles possam colocar, que a gente chegasse num veredicto que sempre nos surpreende e é muito interessante em cada lugar.” Há dois finais? “Há dois finais. Um final que é um monólogo caso ele seja considerado inimigo do povo e um final que é um outro monólogo, caso ele não seja considerado, como aconteceu na noite de ontem [ensaio geral de 10 de Julho].” Há uma tela para depoimentos audiovisuais, há gravações de telemóvel, há câmaras presenciais, há palco e bastidores ao mesmo tempo e há bastidores que entram no palco. Mais uma vez, a Christiane elimina as fronteiras entre teatro e cinema, nomeadamente com um actor de cinema que volta ao teatro. Também apaga os limites entre documentário e ficção, entre encenação e improvisação. Qual é o significado de todas estas camadas, estas transposições? “Essas são camadas que eu realmente exploro. Eu sempre digo que tem fronteiras que me interessa trabalhar, não para fixá-las, mas para expandi-las e são exactamente essas que você descreveu. Primeiro, respondendo a essa questão, o Wagner traz o cinema. Então, quando ele diz que ele joga com a questão do cinema e do teatro, do final perfeito para um filme, a gente está, de facto, através da presença dele, ressignificando a questão do cinema no teatro. Eu acho que isso é importante dizer, sem projecção, sem nada, só com discurso e a sua própria presença. E como a cada espectáculo me interessa que o cinema entre de uma forma muito dramatúrgica, completamente conectado ao que a gente está contando e não como uma exposição da projecção do que nós estamos contando, no sentido da amplificação da imagem, o cinema, nesse caso, entra como prova, entra como caminho para os testemunhos que não estão ali se poderem expressar. Como tantos tribunais online que a gente tem hoje em dia, inclusive o tribunal da próprias redes sociais que se dá através de recortes de imagens, de edições, de coisas, de manipulação das imagens. Então, e para finalizar a resposta, para mim o teatro entra na ficção, ele dá espaço para a ficção quando a gente mostra que a gente está no teatro, que o espaço é o teatro, que os bastidores estão presentes, mas que o que está acontecendo ali transforma em algo que é real. Então, nesse jogo entre ficção e realidade, para mim é muito importante que todos os dispositivos do teatro estejam muito evidentes.” E a própria improvisação também permite a entrada, se calhar, do real no próprio palco. “Completamente.” A peça questiona até onde estamos dispostos a ir para defender os nossos ideais e a verdade, mas também mostra, como disse, que o fascismo utiliza os princípios democráticos para nos manipular. A peça deixa inclusive instalar-se a dúvida sobre se vale a pena comprometermos tudo, a família, a comunidade, em nome da verdade. Como é que conseguem fazer isto e até que ponto não é perigoso mostrar que a verdade pode ser só performativa? “Primeiro eu acho que o imperativo moral tem que ser maior do que o medo do que pode acontecer em relação à economia. Eu acho que isso é uma coisa que está na peça e que a gente tem que falar como sociedade. A gente precisa defender o imperativo moral, a gente precisa proteger a sociedade, mas a gente não pode se deixar dobrar pelo mercado. E isso é uma discussão sobre o capitalismo que a gente não tem como não pensar quando está tudo realmente interligado e é evidente. Eu acho que – e eu acho bonito como o Wagner toma isso para ele - quando você defende uma ideia, você vai pagar um preço por ela. A gente sabe. Todas as pessoas que tentaram transformar realidades, seja de forma revolucionária, ou seja porque elas se posicionaram de maneira frontal contra um sistema, elas pagaram um preço por isso. A gente admira essas pessoas porque a gente acha que essas pessoas cumpriram, na verdade, a sua função ética. Então, por que é que quando é sobre nós, a gente tem dúvidas? Se todos nós tivermos esse mesmo princípio, todas as possibilidades de cancelamento, todas as possibilidades de perdas diminuem porque colectivamente a gente transforma o mundo. Então, eu acho que é o contrário. A ideia é o seguinte: vamos deixar de ser indivíduos separados que defendem ideias, enquanto outros se escondem atrás das suas ideias. Se todos nós formos à frente defender as nossas ideias, talvez a gente possa transformar o mundo.” O problema de transformar o mundo é que a maioria é quem ganha e Wagner Moura, Thomas Stockmann, diz na peça que “é preciso proteger a minoria da maioria” e que “a maioria nunca tem razão”. O que é que faz de Thomas Stockmann, esta peça e a forma como vocês a reinventaram algo absolutamente contemporâneo? “Bom, antes eu vou responder sobre a questão da maioria e da minoria porque eu acho que é interessante pensar que a gente nomeia a minoria como se a minoria fosse menos e a minoria, na verdade, sempre é mais. Existem muito mais pessoas que são consideradas minorias do que realmente a maioria. A maioria, na verdade, é quem tem o poder. Aí a gente vai falar – e falamos disso na peça - quantas democracias têm eleito pessoas que não representam as minorias que algumas vezes as estão elegendo? Isso faz parte da manipulação que a gente estava falando antes. Então, acho que essa colectividade de mudança tem a ver com tentar denunciar essa manipulação, conseguir fazer com que as pessoas percebam que estão sendo manipuladas e que não vão ganhar com isso. Mas isso é uma discussão que eu não tenho resposta, mas é para a gente pensar.” Além dessa parte da manipulação, que é absolutamente contemporânea na forma como os políticos ganham as eleições, que outras questões tornam esta personagem muito contemporânea? Por exemplo, em França, militantes ecologistas chegaram a ser chamados de ‘ecoterroristas”… “Eu acho que, na verdade, a gente coloca em pauta essa discussão sobre onde é que determinadas posições ultrapassam o limite democrático e questionam o valor democrático. Acho que a gente já viu democracias causando barbáries, mas, por enquanto, a única solução que a gente tem é a democracia. Ao mesmo tempo, é óbvio que quando a gente coloca na boca de Thomas Stockmann, o personagem ético da história, frases como essa - e eu acho que é importante dizer que em toda a peça são as únicas frases que pertencem ao Ibsen quando a gente ouve no gravador - eu acho que a gente está falando, na verdade, sobre uma coisa que também está na peça que é heróis perfeitos não existem.” Há outra frase que fica. No final, Wagner Moura diz: “Todas as vezes que penso nos meus filhos, lembro-me que o ser humano pode ser terrível, mas também pode ser extraordinário”. Quer-me falar por que é que colocou esta nota no final? “Primeiro, eu acho que é importante dizer que a gente fala muito de política em toda esta entrevista, mas essa peça fala de família. Essa peça fala sobre os afectos profundos familiares, como é que a questão política externa está dentro das famílias, como é que isso é inseparável, indissociável e a gente viveu muito isso no Brasil, de como é que as questões políticas podem realmente destruir e criar guerras familiares. O que acontece nesta peça é isso. Essa é uma das últimas frases que o Wagner Moura fala que eu acho realmente muito comovente e é sobre uma utopia e uma distopia na mesma frase. É um pouco tudo isso que a gente conversou aqui. De facto, a gente pode ser terrível, mas se a gente lembrar que a gente também pode ser extraordinário, talvez a gente possa voltar a essa ideia não só de mudar o mundo, mas de tentar deixar o mundo - como também é dito na peça - para os nossos filhos, para os nossos netos e, com sorte, para os nossos bisnetos.”
Convidadas: Carla Boin, advogada de família, professora da USP e presidente da Comissão de Justiça Restaurativa da OAB-SP, e Mariene Ramos, pesquisadora da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Cerca de 11 milhões de mulheres criam sozinhas seus filhos e filhas no Brasil. A lei determina que os genitores dessas crianças e adolescentes têm responsabilidades afetivas e financeiras, mas essa não é a realidade em muitos casos: 1,7 milhão de crianças sequer têm o nome do pai nas certidões de nascimento e há mais de 600 mil processos de pensão alimentícia em andamento no país. Nessa semana, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei que pode reduzir a inadimplência nos pagamentos a partir de um mecanismo de cobrança automática: o Pix Pensão Alimentícia, que agora aguarda a sanção do presidente Lula. Neste episódio, Natuza Nery entrevista duas mulheres que estudam esta pauta. Primeiro, ela conversa com a advogada Carla Boin sobre o que diz a legislação a respeito do direito à pensão alimentícia e sobre o que muda com a nova lei. Depois, a pesquisadora Mariene Ramos detalha sua pesquisa sobre o universo das mães solo no Brasil.
Nesta quinta-feira, o economista do organismo de consultoria Novaminds, Pascal de Lima, uma voz conhecida das nossas antenas, publicou um artigo de opinião no jornal português Expresso com um título em forma de interrogação: "Estaremos a caminhar directamente para uma nova crise financeira?". Nesta crónica, Pascal de Lima passa em revista as crises mais recentes a que assistimos, a crise de 2007 / 2008 desencadeada depois da falência do banco americano Lehman Brothers, a crise de 2010-2012 das dívidas públicas de países como a Grécia e Portugal e agora os sinais que surgiram durante a pandemia de Covid 19 e têm vindo a acumular-se cada vez mais com os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente. Nestes últimos dias, desvaneceram as esperanças que poderiam ter existido sobre uma diminuição da tensão no Irão, com o cessar-fogo a ser quebrado por Washington e Teerão. Um dos pontos que continuam a provocar estes choques é o estatuto do Estreito de Ormuz, via comercial estratégica, que o Irão pretende gerir. Isto evidentemente não deixa de ter consequências a nível económico, refere Pascal de Lima que começa por recordar o historial das crises pelas quais passamos nestes últimos vinte anos. RFI: Como poderíamos descrever as três crises que conhecemos desde 2007? Pascal de Lima: As três crises têm naturezas diferentes. A crise de 2007 / 2009 foi sobretudo uma crise do crédito privado e do sistema bancário. Nasceu do excesso de crédito imobiliário e também da titularização e da ilusão de que os riscos tinham sido totalmente dispersos quando, na realidade, tinham sido amplificados. Isto é a primeira característica da crise de 2007 / 2009. Desde a crise de 2010 / 2012 foi diferente. Foi uma crise da dívida soberana. Depois de se salvarem os bancos e apoiarem a economia, os Estados ficaram mais endividados e, na zona Euro, isso revelou uma fragilidade estrutural. É que tínhamos uma moeda comum, mas não uma verdadeira união orçamental. E aqui começaram as divergências entre países do Norte e países do Sul, por exemplo a crise da Grécia. E a última crise, que é uma crise um pouco diferente, que foi uma crise aberta a partir dos anos 2020. Não é uma crise financeira clássica, é uma espécie de vulnerabilidade macrofinanceira híbrida. Começou com a pandemia, continua com a inflação, a guerra na Ucrânia e a subida das taxas de juro, da energia, a dívida pública, a dívida privada também. E, de modo geral, a finança não bancária. Portanto, a grande diferença é esta: que em 2008 o risco estava sobretudo nos bancos e no crédito privado. Em 2010 deslocou-se para o Estado e hoje está mais espalhado, mais difuso e mais difícil de ler. RFI: Depois da crise provocada pela falência em 2007 da Lehman Brothers, houve uma série de países que prometeram e inclusivamente adoptaram dispositivos supostamente para proteger os seus respectivos sistemas económicos da especulação bolsista. Aprendeu-se alguma coisa? Pascal de Lima: Houve muita regulamentação bancária contra os excessos da especulação. A especulação bolsista continua. Mas a regulamentação financeira, particularmente sobre as transacções financeiras, aumentaram muito no mundo, claro, e mais particularmente com a impulsão dos Estados Unidos para a Europa, porque claramente houve excessos no domínio financeiro, excessos da especulação. Portanto, houve muitas regulamentações financeiras e também taxas em certos países, taxas sobre transacções financeiras um pouco excessivas, que pôde criar variações importantes nos mercados financeiros. RFI: Entretanto, há outro aspecto que tem vindo a ter cada vez mais importância, é concentração cada vez maior de grupos que engolem outras empresas que estejam no mesmo ramo. O que significa também que há uma maior fragilidade. Pascal de Lima: Sim, dizemos em inglês 'too big to fail' para dizer que normalmente um grande grupo com fusões e aquisições não pode falhar. Mas, evidentemente, com essas crises constatamos exactamente o contrário. Portanto, observamos que quanto maior é o grupo financeiro, quanto mais internacional é um grupo financeiro, claramente concentra também muitos riscos. E, portanto, se há uma parte do sistema financeiro que sente fraqueza, os grandes bancos claramente vão impactar directamente sobre os consumidores nas taxas de juros. RFI: O que dizer sobre as criptomoedas, que são um 'player' cada vez mais importante? Pascal de Lima: As criptomoedas são outro sinal também desta nova fragilidade financeira. Não são hoje o coração mesmo do sistema, como os bancos em 2008, mas mostram uma financeirização mais dispersa, mais tecnológica e, por vezes menos regulada. Portanto, temos a regular cada vez mais os bancos. Estamos a regular cada vez mais o mercado financeiro, mas aparecem outras tecnologias que vão contornar as regulamentações e, portanto, em caso de stress no mercado, as criptomoedas podem simplificar ainda mais a volatilidade e a perda de confiança. RFI: Outro aspecto que também tem estado a ter cada vez mais importância é tudo o que tem a ver com as novas tecnologias. Pascal de Lima: A contribuição destas empresas é enorme em termos de inovação, produtividade e novos modelos económicos, mas também cria novas dependências, dependências tecnológicas, dependências perante o 'cloud', dependência dos dados, dependências das plataformas que muitas vezes são plataformas americanas com dados europeus. A tecnologia é ao mesmo tempo uma solução, mas também cria novas fontes de vulnerabilidade. RFI: Relativamente à última crise a que se refere no seu artigo no Expresso, a crise vigente desde 2020, como é que tem evoluído nestes últimos seis anos? Pascal de Lima: Desde 2020, o que podemos observar são sinais, sinais fracos. Portanto, o primeiro sinal foi claramente a pandemia. Isso é o ponto inicial. Provocou uma contracção brutal da actividade económica, obrigou todos os Estados, os bancos centrais, a intervir de forma excepcional. Mas houve depois outros sinais que foi também o aumento da dívida pública, que sempre continua e portanto, houve a pandemia com as despesas públicas da amortização da crise económica e das empresas. E agora também o aumento da dívida pública e o crescimento muito significativo do balanço dos bancos centrais. Portanto, evitou-se, de certa forma, uma grande depressão, mas ficou uma economia mais endividada e mais dependente das condições monetárias. Esse é o segundo sinal. Houve dois outros sinais que acabam por chegar em 2026. O sinal apareceu em 2021, com as tensões nas cadeias de abastecimento e os estrangulamentos logísticos e mostrou a fragilidade realmente da globalização, da modernização. E acabamos com a guerra da Ucrânia, que tem impactos até hoje com o choque energético, a inflação e a amplificação do choque energético com a questão do Irão. Portanto, o sinal principal é que entramos num regime económico e financeiro muito mais instável, com muitos critérios, com a dívida aumentando, inflação, taxas de juro, energia aumentando e profundamente ligada com a geopolítica. RFI: Temos estado num conflito 'on / off' entre os Estados Unidos e o Irão. O que é que se pode antever para a economia mundial se este conflito continua? Pascal de Lima: Hoje, não estamos perante um risco político isolado. O problema é que quando há uma tensão no Médio Oriente, rapidamente se transforma num choque económico com um choque energético e depois um choque inflacionista, depois um choque da taxa de juro e finalmente um choque financeiro. É por isso que no artigo falo de uma possível crise financeira. O ponto central é o Estreito de Ormuz. Se houver uma ameaça séria à circulação do petróleo e também do gás nessa zona, os mercados antecipam imediatamente uma subida dos preços da energia. Isso reacende a inflação e obriga outra vez os bancos centrais a manter taxas de juro mais elevadas, enquanto as taxas estavam bastante baixas há pouco tempo. Portanto, isso é muita volatilidade financeira e torna-se mais difícil o refinanciamento dos Estados e das empresas. E, portanto, o Irão mostra bem que o risco financeiro contemporâneo é híbrido. Primeiro, geopolítico, energético, monetário. E esperamos que não seja como 2008. Mas o risco financeiro é também real. RFI: Relativamente ainda a outro conflito que mencionou há pouco o conflito da Ucrânia. O que é que se pode antever para os países europeus, uma vez que tem havido cada vez mais aquele discurso de se virar para uma 'economia de guerra'? Pascal de Lima: A economia de guerra, economia de soberania, de limitar as dependências críticas é exactamente isso o objectivo da Europa, é o objectivo do Ministério da Economia (francês). O conflito na Ucrânia teve também um impacto muito forte na Europa, provocou o choque energético com a subida do gás, do petróleo e dos custos de produção e depois alimentou a inflação. Portanto, obrigou os bancos centrais à subida das taxas de juro e fragilizou o crescimento europeu. Isso é o primeiro aspecto. Depois, antecipando o que se pode passar efectivamente é difícil, mas é possível identificar cenários de dependência energética europeia, de tensões geopolíticas com a Rússia, vulnerabilidade das cadeias de abastecimento e falta de autonomia estratégica da Europa. Não conseguimos antecipar quase nada. E agora pede-se para antecipar outras coisas enquanto não conseguimos fazer com que os políticos antecipem crises geopolíticas de que muitos economistas já falaram já há dez, 20, ou 30 anos. Portanto, isso é o problema número um. RFI: Qual é o seu sentimento precisamente sobre o facto dos dirigentes políticos e nomeadamente os dirigentes europeus, anteciparem ou não estas crises? Acha que efectivamente eles têm estado à altura destes desafios? Pascal de Lima: Nenhum dos políticos tomou em consideração os conselhos dos economistas. Eu acho que é incrível, porque tudo isto são reformas estruturais. É um erro dizer que não foi nada antecipado. Era possível antecipar e, portanto, o problema é que os políticos antecipam muitas vezes demasiado pouco. Vêm os sinais fracos, mas reagem tarde, porque a decisão política é geralmente de curto prazo, enquanto os riscos económicos e geopolíticos se acumulam a longo prazo. Por isso, têm comissões de peritos, economistas internacionais, que falam sempre essas questões. Mas não tomam em consideração a opinião dos peritos no domínio da geopolítica e da antecipação de factos de longo prazo.
O programa “Transmission Impossible” volta pelo terceiro ano consecutivo ao Festival de Avignon. Depois de Mathilde Monnier, desta vez é a coreógrafa brasileira Lia Rodrigues a dirigir o projecto de encontros entre artistas programados e meia centena de jovens de diferentes países, em cumplicidade com os artistas brasileiros Calixto Neto, Silvia Soter da Silveira, Cristina Moura e Daniella Lima. O projecto é um laboratório de experimentação e transmissão que consiste em fazer descobrir, durante 12 dias, o Festival de Avignon. “A ideia é a gente estar num momento juntos” e “a grande coisa está no nosso encontro”, resume Lia Rodrigues. Lia Rodrigues é uma figura de vulto da dança brasileira contemporânea, que, em 2026, completa 70 anos, 50 dos quais dedicados à sua arte. Nesta 80.ª edição do Festival de Avignon, a artista sucede à coreógrafa Mathilde Monnier na direcção artística do projecto "Transmission Impossible". Trata-se de uma imersão no festival de meia centena de estudantes de artes cénicas ou recém-diplomados, através de um percurso de encontros com artistas programados, espectáculos, debates e masterclasses. Lia Rodrigues descreve-nos este projecto como “um presente para os 70 anos” porque vê como “muito belo” conseguir reunir jovens do mundo inteiro com línguas diferentes. A criadora conta, ainda, que esta “Transmissão Impossível” acontece no “lugar precioso do possível”, ou seja, “o possível de a gente estar juntos, tanta gente de tanto lugar, falando tantas línguas num mesmo lugar, partilhando, falando, celebrando.” Ao longo de vários dias, o grupo trabalha, vê, debate, estuda em conjunto. Afinal, “a ideia é a gente estar num momento juntos” e “a grande coisa está no nosso encontro”, sublinha. A transmissão está-lhe no ADN, enquanto artista e cidadã. Lia Rodrigues transforma o que faz, em palco e fora dele, num espaço de intervenção social e política, numa ferramenta de reflexão crítica e transformação social. Lembramos, por exemplo, que a coreógrafa fundou a Companhia de Danças Lia Rodrigues, com a qual desenvolve, desde os anos 1990, um trabalho marcado pela aproximação entre arte e comunidade, pela crítica às desigualdades sociais e pela experimentação corporal. Desde 2004, Lia Rodrigues também desenvolve actividades artísticas e educacionais na Favela da Maré, no Rio, em parceria com a ONG Redes da Maré. Dessa colaboração nasceu o Centro de Artes da Maré, aberto ao público em 2009 e a Escola Livre de Danças da Maré, inaugurada em 2011. Doze dos estudantes dessa escola estão, por estes dias, no projecto “Transmission Impossible”, em Avignon, num total de cerca de meia centena de participantes. Fomos falar com a artista na Villa Créative, em Avignon, na primeira semana de trabalho. "Transmission Impossible": 54 artistas e a possibilidade de "mil trampolins" RFI: Como é que nos poderia descrever este projecto “Transmission Impossible”? Lia Rodrigues, Artista: “Esse projecto chega num momento muito especial para mim, como um presente para os meus 70 anos. Esse projecto primeiro foi criado por uma artista, a Mathilde Monnier, junto com o Festival de Avignon e a Fondation Hermès. Isso é muito importante, essa junção de duas instituições com um artista e criar um projeto pedagógico, como você falou, de vulto, porque reunir 54 jovens do mundo inteiro com línguas diferentes é muito belo, sabe? A gente está aqui durante duas semanas trabalhando intensamente.” Como é que imaginou essa transmissão com estes 54 jovens de tantos países? “Sabe que eu estou achando que o nome da Transmissão já diz em si: “Transmissão Impossível”. É impossível.” Porquê? “Porque a gente vê muita coisa. A gente trabalha o dia inteiro, mas tem um lugar precioso do possível: o possível de a gente estar juntos, tanta gente de tanto lugar, falando tantas línguas num mesmo lugar, partilhando, falando, celebrando, às vezes se irritando - porque o calor aqui está terrível - e vendo tantos artistas diferentes com visões do mundo diferentes.” Estar em contacto com estes jovens de todo o mundo é uma forma de aproximação num mundo cada vez mais polarizado? A dança acaba por ter esse papel transmissor? “Eu não acho que a dança tenha esse papel porque a dança não tem papel nenhum a não ser ser dança mesmo. Os alunos, os jovens que se formaram, são de diferentes áreas: de teatro, dança, iluminação, cenografia. E essa diversidade é muito linda porque eu aprendo com eles, eles aprendem com a gente. Então, não é só a dança, é o corpo na sua totalidade que se encontra e que partilha esse momento precioso juntos." O que é que uma artista com 50 anos de carreira ainda aprende com estes jovens? “Se a gente não aprende, a gente morre e eu não quero morrer agora porque eu ainda quero ver meus netos crescerem, eu quero ainda poder fazer coisas, criações. As pessoas mais velhas têm sonhos, elas ainda têm muito a dizer, a gente ainda tem desejo e eu acho isso muito legal de falar porque a gente fala de diversidade, mas a gente fala muito pouco sobre idade.” Essa é uma questão que a marca? “Mas sem dúvida! É impossível não marcar. Eu sempre falo: quando você tiver 70 anos me telefona para ver se você me encontra nesse lugar.” A juventude também contribui para a transmissão? “Tudo, a juventude, a idade, o encontro das gerações é muito lindo, sabe? É ver o passado, o futuro e o presente se misturarem. Quando você tem essa idade, você consegue ter mais acesso ao passado, presente e imaginar um outro futuro.” Gostaria que falássemos também do trabalho na Escola Livre de Dança da Maré, porque também há artistas que estão aqui em Avignon. Como é que o trabalho que faz lá ecoa em Avignon? O que representa para os bailarinos da Escola da Maré estarem cá? "Antes de eu ter esse encontro, que foi uma marca na minha vida como cidadã e como artista, eu já tinha a minha carreira como artista, mas eu tive um encontro muito forte, mediado pela Silvia Soter, que é a minha dramaturga, que foi o encontro com a Rede da Maré, que é uma organização que tem diversos projectos em várias áreas dentro da Favela da Maré. A Favela da Maré tem 140.000 habitantes e eles fazem projectos de educação, cultura, diversidade, questões da mulher, questões do racismo, questões do meio ambiente, questões de moradores de rua e usuários de crack, é muito amplo. Nós, Redes e eu, somos parceiros em dois projectos desde 2004. Nós criámos juntos o Centro de Artes da Maré, que é um lugar para todas as artes dentro da favela e, em 2011, a Escola de Dança da Maré. Desde o seu início, ela é patrocinada, sustentada e só pode existir porque a Fundação Hermès de França nos apoia há mais de 15 anos. Essa escola tem 300 alunos de 8 a 80 anos e um grupo de jovens que são 20, que são jovens artistas que querem talvez seguir a carreira. Dozes deles estão aqui. Nem todos são da Maré porque a gente também cria diversidade dentro da nossa escola. Eu acredito que essa experiência, como para qualquer um de nós e para mim também, é inesquecível.” Pode ser um trampolim para eles? “Os trampolins são muito pequenos. Eu adoro pensar na ideia de mil trampolins porque eles vão pulando de um lugar para o outro e vão conhecendo gente, conhecendo o trabalho, conhecendo gente da idade deles. Isso é lindo essa ideia de trampolim. Depois eles têm que cair na piscina, solitários, para poderem digerir toda essa experiência.” Como tem decorrido o projecto? Encontram os artistas, fazem ateliers de dança, por exemplo? “Primeiro, eu queria deixar claro que eu não faço divisão entre dança, teatro, artes visuais. Nós temos jovens que se formaram em escolas de cenografia, iluminação, teatro, dança, não são só de dança. Isso é muito legal também, o encontro dessas linguagens porque eu acho que elas não se separam finalmente. A gente tem um horário bem intenso, a partir das dez horas, e depois vê vários espectáculos, até à noite. A gente trabalha, tem entrevistas com os artistas que vêm aqui, é demais! Eles vêm-nos visitar, a gente conversa, vai ver espectáculos. Cada mentor, cada um desses mentores que me acompanham, têm formas diferentes de trabalhar, de partilhar, de transmitir. É uma loucura.” O público vai poder depois assistir ou debater com os jovens e consigo sobre este projecto? “A Fundação Hermès e o Festival de Avignon me abraçaram para eu poder realizar a ideia de que a gente não vai mostrar nada, mas a gente vai partilhar alguma coisa muito simples, muito preciosa. Essa é a ideia de a gente estar num momento juntos. É só isso. Não tem grandes coisas. A grande coisa está no nosso encontro.” A Lia Rodrigues está rodeada por artistas cúmplices neste projecto. São artistas com quem já trabalha há algum tempo. Quer-nos falar porque é que escolheu estes cúmplices para a acompanharem neste projecto de transmissão afinal possível? “Olha, é claro que eu não escolhi sozinha porque a gente trabalha com a Fundação Hermès, com o Festival de Avignon. Nós chegamos a um acordo, mas eu achei lindo eu poder escolher brasileiros só porque são pessoas que eu conheço há muito tempo, com as quais eu trabalho de formas diferentes e que eu me sinto a vontade, sabe? Eu tenho que ter pessoas em quem eu confio, que eu posso ficar assim, tranquila, porque eles vão ser generosos com os alunos. Eles têm as suas próprias ideias. Eu acho isso lindo. Então, eu me rodeei de pessoas com as quais eu me sinto confortável.” Nesta geografia dos apoios, incluindo financeiros, às artes performativas, ainda há muitas desigualdades entre o Norte e o Sul… “Claro! É tão óbvio. É só ler o jornal. É só ler os livros!” O que é seria preciso fazer para isso mudar? Avignon é um passo? “Precisa mudar o mundo, as relações internacionais, de força. É isso que precisa. O facto de nós estarmos em Avignon é maravilhoso, é lindo, mas quando você me pergunta isso, eu digo que tudo é conectado. É mudar uma área, mudar outra. E a educação e a guerra? Tudo faz parte do mundo em que a arte está incluída. Então, sem mudar o mundo, as relações de poder, a maneira muito colonial de ver o mundo que ainda existe ou as relações de poder e de força, isso não vai mudar.” A dança tem um papel nessa decolonizaçao? As artes performativas de uma forma geral podem conseguir mexer alguma coisa nas placas tectónicas políticas deste mundo? “Sim e não. Sim e não porque quem vê essas peças? Quantas pessoas podem ver essas peças? Em que lugar do mundo estas peças são vistas? Quem tem acesso a isso? Isso é uma questão que a gente precisa pensar bastante. Por exemplo, essa história de ecologia: ‘Ai, não vou pegar avião, não pode mais pegar avião', isso é uma das coisas mais coloniais que eu já vi na minha vida porque é um luxo poder não pegar avião e não estar no avião. Tem uma pessoa que eu admiro, e que foi muito importante no Brasil, que é o Chico Mendes, lá da Amazónia, que falou que fazer ecologia e pensar ecologia sem justiça social é só fazer jardinagem. E é isso que eu penso.” E pensar a dança sem justiça social? “Não é a dança, é a vida. Eu esqueço que eu faço dança. Para mim, eu sou uma cidadã, é isso que é mais importante na minha vida. Que mundo a gente quer para o futuro, sabe? Tanto faz se for com a dança, como jornalista, com qualquer profissão.” Este ano, o Brasil está no Festival de Avignon representado pela Lia Rodrigues, Carolina Bianchi, Christiane Jatahy, Wagner Moura. Este é um epicentro das artes cénicas do mundo. É importante para si estar em Avignon? “É tão importante quanto estar no Brasil. Cada lugar tem uma importância diferente. É maravilhoso que esses artistas que trazem as ideias deles tão lindamente aqui em Avignon, mas é muito bom que eles pudessem também ir para o Brasil, o que não acontece por questões de investimento, Então, se todos pudessem mostrar os seus trabalhos também no Brasil, seria maravilhoso. Eu acho que é o epicentro de alguma coisa, mas a gente tem vários epicentros no mundo da arte, da produção, só que existe a diferença de recursos para isso.” É um epicentro eurocêntrico? “Com certeza, mas é muito bom que ele exista. A gente tem que lutar para que ele exista e que para outros epicentros possam também existir. Eu acho maravilhoso ver esses artistas aqui, brasileiros, me emociona muito, me comove e me faz feliz. Queria que todo mundo pudesse vê-los.” Vamos ter uma peça sua em breve em Avignon? “Não tenho a menor ideia. Zero ideia e também é assim a vida. Eu estou aqui, eu já estou tão feliz de estar aqui, vendo e me relacionando com esse mundo aqui de Avignon. Isso é o maior presente para mim.”
Chame a Laila e descubra como eu posso te ajudar: https://bit.ly/laila-otrabalhodevolveSe você tivesse 15 minutos por dia, o que mudaria na sua vida?
Maíra Motta é autora e roteirista, com ampla experiência em salas de roteiro, há mais de uma década no mercado audiovisual brasileiro. Entre 2018 e 2023 foi autora-roteirista contratada pela TV Globo, com destaque para os trabalhos: a série dramática Segunda Chamada (1ª e 2ª temporadas), duas vezes indicada ao prêmio ABRA de melhor roteiro … Continue lendo "Primeiro Tratamento – Maíra Motta – # 379"
Primeiro episódio da terceira temporada da Série Creators & Influencers entrevista Maqui Nóbrega & Karol Pinheiro
Convidados: Carlos Nobre, climatologista e cientista sênior da USP, ele integrou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007; e Lincoln Muniz Alves, coordenador-geral do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, pesquisador do INPE e autor-líder do IPCC. Os sinais já são assustadores: uma onda de calor sem precedentes na Europa e as temperaturas mais altas já registradas nos oceanos. O alerta é de que isso pode ser apenas o início dos impactos que o El Niño terá ao redor do planeta – a Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA estima que o fenômeno climático tem 68% de probabilidade de ser “muito forte” e climatologistas afirmam que este pode ser o mais poderoso dos últimos 140 anos. No Brasil, o fenômeno deve provocar mais chuvas na região Sul e estiagem nas regiões Norte e Nordeste, além de aumentar a temperatura em praticamente todo o território, principalmente entre novembro e janeiro. O Governo Federal anunciou um pacote de quase R$ 10 bilhões e um sistema nacional de alerta para lidar com as áreas mais vulneráveis. Eventos climáticos extremos são cíclicos, mas os cientistas alertam que eles estão ocorrendo com mais frequência e com mais potência. E o motivo disso são as mudanças climáticas provocadas pela ação humana. Neste episódio, Natuza Nery entrevista dois especialistas em clima. Primeiro, ela conversa com Carlos Nobre sobre o momento que o planeta vive no que diz respeito às mudanças climáticas. Nobre aponta quem são os responsáveis para enfrentar o desafio climático e o que pode ser feito. Depois, participa o pesquisador do INPE Lincoln Alves, que detalha de que modo o El Niño vai atingir o território brasileiro.
O Pedcast é uma roda de discussões quinzenal encabeçada pelo SneakersBR, primeiro veículo do mundo a falar de cultura sneaker em português, em atividade desde 2007.
No podcast ‘Notícia No Seu Tempo’, confira em áudio as principais notícias da edição impressa do jornal ‘O Estado de S.Paulo’ desta sexta-feira (03/07/2026): No primeiro cisma da Igreja em 38 anos, o Vaticano excomungou bispos, sacerdotes e leigos ligados formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). Como no cisma anterior, de 1988, o caso envolve o grupo fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. A Santa Sé definiu regras para quem quiser deixar a excomunhão e “voltar à unidade”. A lista inclui a aceitação formal do Concílio Vaticano II, a submissão ao papa e a rejeição a alguns fundamentos da ultratradicionalista FSSPX. Oficialmente, o Vaticano chamou a nomeação de quatro bispos pelo grupo, sem o aval de Leão XIV, de “ato de natureza cismática” – isto é, de dissidência. Política: Ação da PF contra o crime no Rio prende pastor e políticos e os acusa de ajudar o CV Internacional: Durante 11 horas, Rússia ataca Kiev com drones e mísseis e mata 27 pessoas Metrópole: Governo de SP inaugura trecho da Linha 6 que liga Perdizes à zona norte da capital Esportes: Calor extremo marca o treino da seleção para domingoSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Convidados: Pedro Pannunzio, repórter correspondente na Venezuela, e Paulo Velasco, professor de relações internacionais da UERJ. Uma semana depois dos terremotos que devastaram a região norte da Venezuela, o que sobrou é uma tragédia humanitária de grandes proporções: a contagem oficial tem cerca de 2 mil mortes e 10 mil feridos, e a ONU estima aproximadamente 50 mil pessoas desaparecidas. Foram dois tremores de terra de 7,2 e 7,5 na escala Richter que, num intervalo de 39 segundos, levaram ao chão dezenas de milhares de construções. A dimensão real do desastre ainda está longe de ser conhecida: a ONU calcula que mais de 6 milhões de pessoas podem ter sido afetadas e já anunciou o envio de 10 mil sacos mortuários para acomodar os corpos. Equipes de buscas fazem de tudo para tentar resgatar as vítimas ainda com vida, um trabalho que conta com a ajuda internacional de diversos países – entre eles o Brasil. Neste episódio, Natuza Nery conversa com dois entrevistados. Primeiro, ela fala com o jornalista Pedro Pannunzio, que mora em Caracas e está fazendo a cobertura da tragédia. Pedro conta o que tem visto nas ruas, relata o trabalho de buscas e resgates e se emociona com as histórias que ouviu. Natuza entrevista também o analista Paulo Velasco sobre as crises institucionais da Venezuela na política e na economia.
Primeiro relatório do grupo com 40 especialistas internacionais enfatiza preocupação com sistema de inteligência artificial que violam instruções de segurança para evitar desligamento; brasileira, que faz parte do Painel, comenta sobre desigualdade no desenvolvimento da tecnologia e risco de desinformação.
Ontem fez 60 anos que o mundo do automobilismo perdia Giuseppe "Nino" Farina, o primeiro campeão mundial da história da Fórmula 1 e uma figura fundamental na transição do esporte para a era profissional na década de 1950. Neste vídeo, analisamos a trajetória de um piloto que sobreviveu à era mais letal da categoria, superando acidentes brutais como o de 1954 na Argentina, apenas para encontrar um fim trágico e irônico em um acidente de trânsito comum nos Alpes franceses em 1966.
Primeiro é preciso resolver o problema e depois acertar contas com os Estados Unidos, diz Presidente do Governo Regional. Investigação detetou chumbo em esqueletos e ligação a surto de cancros.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Eduardo Tironi, Arnaldo Ribeiro, Juca Kfouri, José Trajano, Casagrande, Danilo Lavieri e PVC analisam a vitória da seleção brasileira sobre a Escócia com outra grande atuação de Vini Jr e a volta de Neymar a campo para se garantir em primeiro lugar do grupo
Letícia é roteirista da comédia romântica original Trago Seu Amor, produzida pela TV Zero, que está nos cinemas e estreou no Festival do Rio em 2025 e foi indicada ao Prêmio ABRA de Melhor Roteiro de Comédia em 2026. Foi roteirista de Cidade Invisível (Netflix) e assistente de sala em Rensga Hits! (Globoplay). Seu roteiro … Continue lendo "Primeiro Tratamento – Letícia Fudissaku – # 378"
Convidados: Danilo Alves, editor da GloboNews Internacional e enviado especial para a cobertura das eleições no Peru e na Colômbia; e Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil. Os resultados ainda não são oficiais, mas as apurações dos votos na Colômbia e no Peru indicam que os dois países elegeram presidentes de direita. A eleição peruana foi realizada em 7 de junho e está com 99,7% dos votos contabilizados: Keiko Fujimori tem cerca de 40 mil votos de vantagem sobre o candidato de esquerda, Roberto Sánchez. Keiko é filha de Alberto Fujimori, ditador peruano que governou o país entre 1990 e 2000 e que foi condenado por corrupção e crimes contra a humanidade. Na Colômbia, os eleitores foram às urnas neste domingo (21) e elegeram o empresário Abelardo de la Espriella, de acordo com a contagem preliminar: são menos de 250 mil votos sobre Iván Cepeda, senador e candidato que tem o apoio do atual presidente Gustavo Petro. Abelardo fez campanha baseado nos discursos "anti-establishment" e “linha-dura” contra o crime, inspirado no presidente de El Salvador Nayib Bukele. O resultado nas urnas reforça a tendência das últimas eleições sul-americanas, que elegeram candidatos do campo conservador. Neste episódio, Natuza Nery tem dois convidados. Primeiro, ela fala com Danilo Alves, correspondente da GloboNews que foi a Lima e está em Bogotá, sobre o resultado das eleições. Depois, Natuza entrevista o cientista político Maurício Santoro sobre o movimento de direita que se forma no continente e a influência de Donald Trump nesse processo histórico.
Convidados: Benazira Djoco, empresária e refugiada de Guiné-Bissau; Silvia Caironi, fundadora e presidente da ONG Aventura de Construir; e Paulo Illes, fundador do Fórum Social Mundial de Migrações, ex-coordenador de política migratória do Ministério da Justiça e Segurança Pública e presidente da ONG Sem Fronteiras. Num momento em que parte do mundo ergue barreiras contra o fluxo migratório, a Copa do Mundo está mostrando que nações se constroem com pluralidade. Algumas das seleções mais fortes do Mundial são formadas a partir da imigração: na França, 20 dos 26 jogadores são filhos de pessoas que não nasceram no país; na Holanda, metade; na Inglaterra e na Alemanha, um terço; no Canadá, são mais de 70%. O acolhimento a quem vem de fora mostra resultados nos campos, mas gera ainda mais impactos positivos na sociedade e até na economia: 5% da força de trabalho global, hoje, vem de trabalhadores que migram. No Brasil, a maioria dos imigrantes e refugiados encontra oportunidades no empreendedorismo: 70% seguem este caminho e, dentro deste universo, quase metade já tem empresas que geram mais empregos. Neste episódio, Natuza Nery entrevista dois profissionais que trabalham diretamente com migrantes e refugiados. Primeiro, Silvia Caironi explica por que eles encontram um caminho sólido no empreendedorismo. Depois, Paulo Illes analisa os fluxos globais de migração e diz o que o Brasil pode fazer para aproveitar o potencial dessas pessoas. Participa também a refugiada Benazira Djoco, empresária que veio de Guiné-Bissau para o Brasil aos 16 anos.
Primeiro contacto com a nova Siri AÍ com o apoio da iServices https://iservices.pt/ Toda a informação do Podcast em https://ahoradamaca.wordpress.com/ Escreva-nos para horadamaca@icloud.com
No Futebol no Mundo desta segunda (22), vamos falar sobre os duelos entre Argentina x Áustria, França x Iraque e a briga pela artilharia histórica das Copas com Messi e Mbappé em campo. Vem com a gente! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
Análise pós-jogo da partida entre Fortaleza x América-MG, jogo válido pela 13ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Vem com a turma! Desperdiçando muitos gols no primeiro tempo, o Fortaleza é castigado pela ineficiência ofensiva e perde para o lanterna América-MG. Jogo foi no meio da Copa e a torcida, também por não estar […]
Arnaldo Ribeiro, Eduardo Tironi, Mauro Cezar, Juca Kfouri, Luiza Oliveira e Danilo Lavieri debatem o hat trick de Messi, o show de Mbappé e o quanto França e Argentina assombram a seleção brasileira enquanto Neymar só agora fez a primeira corrida no gramado, e ainda as expectativas para as estreias de Inglaterra e Portugal na Copa do Mundo
Convidados: Fernando Maluf, médico oncologista e cofundador do Instituto Vencer o Câncer, e Diego Villa Clé, professor doutor de Hematologia da USP e coordenador de Biotecnologia e do Núcleo de Terapias Avançadas do Hemocentro de Ribeirão Preto. No início de junho, mais de 50 mil médicos e pesquisadores se reuniram no maior congresso de oncologia do mundo, realizado em Chicago (EUA). Juntos, eles aplaudiram de pé – até emocionados e com lágrimas nos olhos – o resultado de um estudo clínico. A cena, que é incomum em eventos científicos como esse, foi uma celebração do resultado da daraxonrasib, uma pílula que dobrou a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas, considerado o tipo de câncer mais letal pelos médicos. Na última semana, a boa notícia veio de Ribeirão Preto: pesquisadores da USP anunciaram que a terapia CAR-T Cell, que modifica as células do sistema imunológico, apresentou quase 90% de eficácia em pacientes com linfoma, um tipo de câncer no sangue. A tecnologia foi totalmente desenvolvida no Brasil, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que pretende incorporar o tratamento ao SUS. Neste episódio, Natuza Nery entrevista dois médicos. Primeiro, ela conversa com o oncologista Fernando Maluf, que explica o funcionamento da daraxonrasib e conta o que há de mais moderno no tratamento contra o câncer. Depois, quem participa é Diego Villa Clé, coordenador da pesquisa que desenvolveu a terapia CAR-T Cell na USP-Ribeirão Preto. Também neste episódio, Paulo Peregrino, um dos pacientes deste tratamento experimental, relata parte do processo de remissão de seu câncer.
Arnaldo Ribeiro, Eduardo Tironi, Juca Kfouri, José Trajano, PVC, Danilo Lavieri e Pedro Lopes debatem a abertura da Copa do Mundo, os destaques dos primeiros jogos, o clima nos Estados Unidos, o último dia para corte na seleção brasileira e a briga por vaga no time titular para a estreia
Convidados: Guga Chacra, comentarista da Globonews, da TV Globo, da CBN e do jornal O Globo, e André Rizek, editor-chefe e apresentador do Seleção Sportv e Fechamento Sportv. O Mundial de futebol que começa nesta quinta-feira (11) tem dois ineditismos: será disputada por 48 seleções (eram 32 até a última edição, em 2022) e terá três países-sede (EUA, Canadá e México). Durante pouco mais de um mês, milhões de pessoas irão aos estádios para participar da maior festa esportiva do mundo. O problema é que muita gente está enfrentando barreiras de duas ordens: financeiras – os ingressos são também os mais caros de todos os tempos – e políticas – sob a administração Donald Trump, os EUA estão dificultando a entrada de torcedores e até de atletas e delegações que disputarão a Copa do Mundo. Dentro de campo, o Mundial deve marcar o fim da Era Messi e Cristiano Ronaldo, e a Seleção Brasileira busca vencer as desconfianças para levar o hexa – o Brasil foi penta em 2002 e é o único a ter cinco títulos até hoje. Neste episódio, Natuza Nery conversa com dois jornalistas que falam diretamente dos Estados Unidos. Primeiro, Guga Chacra fala sobre o clima político nos EUA e explica a relação entre Gianni Infantino, presidente da Fifa, e Donald Trump. Depois, André Rizek faz a análise esportiva da Copa do Mundo: quem são os favoritos e o azarões, e quais são as chances do Brasil sob o comando de Carlo Ancelotti.
Convidado: João Francisco Meira, doutor em Ciência Política, sócio fundador do instituto Vox Populi e presidente do Conselho de Opinião Pública da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, e Joel Pinheiro, economista, mestre em filosofia pela USP e comentarista da GloboNews. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão de uma pesquisa eleitoral que apontava queda no desempenho de Flávio Bolsonaro após a revelação das mensagens e dos áudios nos quais o pré-candidato a presidente pede dinheiro para Daniel Vorcaro para financiar o filme ‘Dark Horse', sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A pedido de Flávio e do PL, Nunes Marques decidiu monocraticamente que o instituto Atlas Intel não pode mais divulgar o resultado daquela rodada de pesquisa realizada em maio, logo após a revelação da conversa. A decisão do ministro diz que a inclusão de perguntas sobre o escândalo do Banco Master configura “contaminação metodológica”. A Atlas Intel afirma que essas perguntas foram apresentadas depois do questionário eleitoral e que não tiveram interferência no resultado – outros institutos também mostraram tendência de queda no desempenho de Flávio. O plenário do TSE iniciou nesta terça votação para validar ou derrubar a liminar de Nunes Marques. Neste episódio, Natuza Nery entrevista dois convidados. Primeiro, ela fala com João Francisco Meira, presidente do Conselho de Opinião Pública da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, sobre o ineditismo da decisão em uma corte superior. Depois, participa Joel Pinheiro, que avalia a importância das pesquisas para que os eleitores estejam bem-informados.