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Ainda Bem que Faz Essa Pergunta
Caso das gémeas: afinal houve mesmo cunha e favores?

Ainda Bem que Faz Essa Pergunta

Play Episode Listen Later Sep 29, 2026 5:34


Enquanto a encriptação de apps reduz as escutas telefónicas e desafia a justiça, a acusação do caso das gémeas traz a confirmação de uma cunha e de favorecimento no SNS. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Carlos Vila Nova: “Governo será emanação da sustentabilidade parlamentar que me for garantida”

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 29, 2026 15:01


São Tomé e Príncipe foi a votos no passado domingo, nomeadamente para eleger 55 deputados. Nesta segunda-feira, a Comissão Eleitoral anunciou resultados preliminares colocando o MLSTP, na oposição, em posição dianteira, mas com uma vantagem de apenas algumas centenas de votos em relação à ADI no poder, havendo agora indicação de que estariam numa situação de quase empate. A abstenção, o apelo ao boicote do escrutínio, os critérios para a indigitação de um governo e o futuro relacionamento institucional com quem irá governar, foram alguns dos assuntos que a RFI abordou em entrevista exclusiva nesta terça-feira com o Presidente São-Tomense, Carlos Vila Nova. RFI: Qual é a avaliação que faz da forma como decorreram as eleições? Carlos Vila Nova: É um exercício que se vai tornando cada vez mais frequente em São Tomé e Príncipe. Há cerca de 35 anos, optámos por viver em democracia e temos feito de cada acto eleitoral uma forma de consolidar a democracia em São Tomé. Nos últimos actos eleitorais, felizmente, vamos melhorando. Prevaleceu a serenidade neste concretamente, no dia 27 de Setembro. Penso que optou-se por muito mais mensagens do que outro tipo de comunicação. Por vezes a comunicação costuma ser mais folclórica, mais músicas, enfim. Há várias formas e em todas elas, o apelo à serenidade e à estabilidade. Portanto, foram panos de fundo que me deixaram bastante agradado. E quando vejo por parte dos observadores também que para São Tomé e Príncipe, não foram poucos, que quase os requisitos todos foram cumpridos e que, portanto, a transparência também faz parte, a Comissão Eleitoral Nacional já se pronunciou, embora não seja sua competência definir os mandatos. Já se pronunciou, o que mostra também celeridade. Também há algum profissionalismo e os meus apelos também têm sido sempre neste sentido e estou positivamente agradado com o acto eleitoral. RFI: Apesar dos apelos para uma grande participação dos eleitores. Estas eleições foram marcadas por uma abstenção de mais de 62%. Como é que interpreta este dado? Carlos Vila Nova: Bom, aí já não há regozijo. Pelo contrário, os apelos foram muitos, mas também, se recuarmos a actos eleitorais anteriores, a abstenção, sempre foi muito elevada. É verdade, desta vez ultrapassou. Mas quando nós olharmos para aquilo que é todo o processo eleitoral, nós olhamos para os progressos que temos feito em matéria de consolidação dos dados eleitorais. Repare que nas eleições presidenciais de 19 de Julho foi quando nós conseguimos fazer uma reconciliação entre os registos eleitorais, os dados existentes de forma electrónica com a Comissão Eleitoral Nacional. Nas presidenciais detectou-se um bocado mais de problemas técnicos e essa parte foi melhorada. Mas eu creio que a emigração também afectou. Não tenho a certeza, mas é algo que nesta legislatura vamos ter que trabalhar muito, entrar na lei eleitoral, fazer melhorias. Eu próprio pedi aos nossos parceiros da União Europeia que recebi para nos acompanharem neste processo, porque, ao que tudo indica, nem toda a movimentação emigratória para fora de São Tomé e Príncipe tomou-se em conta e os registos continuam nos cadernos eleitorais em São Tomé. Isto já é de si um motivo. E depois, politicamente, também houve apelos. Isto é antidemocrático. Deixe-me dizer-lhe que não vejo como é que alguém em perfeito estado normal, possa fazer apelo à abstenção. Portanto, não só é antidemocrático, mas é incorrer em erro enganar pessoas, eleitores. Nem todos nós temos o mesmo discernimento, mas temos de lidar com a questão. E nós vamos lidar positivamente com a questão. Eu tenho esperança que nesta legislatura conseguiremos, porque as forças políticas activas entenderam que não é um apelo que se faça. Tanto é que todos eles apelaram à votação em massa. Não aconteceu. Vamos lidar com a questão. Vamos olhar para ele e tentar corrigir para que os próximos actos sejam melhores. RFI: Precisamente, falou do apelo ao boicote a estas eleições. Pensa que Patrice Trovoada pode tirar algum benefício político desta situação? Carlos Vila Nova: Bom, eu nem consideraria boicote, porque quando num acto eleitoral um partido político quer boicotar, não é desta forma. Portanto, eu olho para os partidos políticos, para os seus dirigentes, para os seus representantes e não vejo a pessoa que falou. Portanto, não, não me diz nada. RFI: Ontem, a Comissão Eleitoral Nacional deu os primeiros resultados. São resultados provisórios destas eleições. E desde então, os partidos políticos têm andado a especular sobre o número de mandatos que têm, respectivamente. Inicialmente falou-se do MLSTP estar à frente e de ter mais mandatos do que a ADI. Depois, evoluiu para um empate e agora é um quase empate. Como é que avalia a forma como actuaram estes partidos políticos desde ontem? Carlos Vila Nova: Com alguma precipitação. Mas pronto, não vou entrar em muitos pormenores quanto a isso. Mas reconheço que com alguma precipitação da parte e de outra. Na mensagem que eu fiz à Nação, apelei à serenidade. A serenidade também diz aguardar calmamente pelo anúncio dos resultados. Eles ainda não são oficiais. A Comissão Eleitoral fez o seu papel, anunciou e nota-se que realmente há uma aproximação entre dois dos principais partidos. Há uma diferença. Respeitei. Agora cabe ao Tribunal Constitucional de facto, quem tem a competência de validar não só os mandatos, o vencedor das eleições e a partir deste momento, trabalharemos na Constituição, na formação e na organização de todas as instituições que foram democraticamente eleitas para que elas entrem em funcionamento. Falo da Assembleia Nacional, a sua composição, e dos governos. Sobretudo o Governo central, que é uma emanação directa do resultado das eleições. Portanto, eu penso que nos próximos dias, há um prazo legal a cumprir, o Tribunal Constitucional vai se pronunciar e a partir daí nós saberemos exactamente quem é o vencedor. Quais são os mandatos distritais, nacionais, para então constituirmos os órgãos democraticamente eleitos. RFI: Não receia que, dado o nervosismo que há entre certos partidos políticos, possa haver também alguma suspeita em relação ao Tribunal Constitucional que, ao longo deste processo, foi acusado de alguma parcialidade política? Carlos Vila Nova: Tem sido comum. Mas repare que eu dou-lhe um exemplo: qualquer cidadão individual ou, digamos, qualquer entidade individual ou colectiva, mas que encontra resposta nos culpados, que os terceiros são sempre os culpados dos seus problemas. Não é verdade. A lei não existe só quando ela nos é favorável. Ela existe para com serenidade, aceitarmos as decisões dos tribunais. E quando não concordamos, temos que encontrar espaço para recorrer e interpretar. Mas tudo quanto vier a acontecer, para responder directamente à sua pergunta, nada disso não poderá ser resolvido se continuarmos com o espírito aberto. O engajamento para o diálogo. Resolve-se tudo isso. Portanto, as suspeições, elas podem existir, mas é preciso respeitar as instituições e agirmos com base nas decisões que são de lei. RFI: Neste processo todo, tendo em conta que há um quase empate, pelo menos por enquanto, tem havido contactos políticos entre as várias forças para construir eventuais coligações para formar governo. Como é que vê precisamente esta perspectiva? Quais vão ser os seus critérios para aceitar uma ou outra coligação para governar? Carlos Vila Nova: Vejo como bom tom essa aproximação entre os partidos. Portanto, demonstra algum espírito de concertação e de diálogo que é bom. Não quer dizer que todos os contactos sejam traduzidos em resultados concretos. Pela minha parte, acompanho desde já com muita atenção. Se puder influenciar alguma coisa, todos os partidos sabem que estou à disposição para o fazer, mas a entrada em acção do Presidente da República é exactamente quando tiver o anúncio oficial dos dados, convidar o partido vencedor, ter uma conversa e pedir -eu sempre disse- a sustentabilidade do Parlamento. Ela tem que ser garantida. Antes de nomear o próximo governo, não é de todo factível que o próximo governo, no primeiro embate, seja um governo praticamente com os pés na rua. Não faz sentido. Nós não estaríamos a promover aquilo que todos apelamos, que é a estabilidade, um princípio de coesão nacional, um princípio de diálogo onde as pessoas conversem, tragam os problemas e pensem todos o país. Eu não vi nenhuma força política desde as eleições de 19 de Julho para as presidenciais e agora em Setembro, que não usasse um slogan que reflectisse ou colocasse São Tomé e Príncipe em primeiro lugar. Todos. E então temos que na prática demonstrar isso. Portanto, o próximo governo será uma emanação da sustentabilidade parlamentar que me for garantida. RFI: O que espera do futuro governo com o qual vai trabalhar, senhor Presidente? Carlos Vila Nova: Lealdade institucional. A primeira das condições. Espírito aberto para o diálogo permanente. Disponibilidade para trabalhar e coragem para reformar. Vamos ter que, de facto, introduzir muitas reformas para melhorar o funcionamento do país e a capacidade, ao nível da Assembleia, de se discutir honestamente, com sinceridade, as grandes questões do país. E não escondo, inclusive, a possibilidade de a revisão constitucional neste quadro, nesta legislatura. Através do diálogo. RFI: Uma das reformas que enunciou como sendo prioritárias quando tomou posse para o seu novo mandato foi precisamente a Justiça. Como é que encara essa reforma? Carlos Vila Nova: A justiça, de facto, tem sido meu denominador comum durante cinco anos. Foi onde eu mais intervim. Foi onde eu mais trabalhei, foi onde eu mais contribuí. Continuarei. Cheguei a fazer conselhos de Estado temáticos sobre a Justiça. Reuniões de alto nível. Várias delas. Mas repare. Ela é tão transversal, ela é tão importante para o Estado de Direito democrático e para a atracção de investimentos no nosso país que todos nós temos que nos dedicar. E foi também com bastante satisfação que eu vi nos programas e nas mensagens de muitos partidos políticos também o apelo à contribuição para melhorar a Justiça. Portanto, conto com o próximo governo para que juntos possamos melhorar ainda mais. Não é uma situação que pontualmente há um assunto concreto que se resolva. Ela é abrangente. Nós vamos ter que abordar de forma que ela seja mais célere, ela seja mais justa e que ela possa, sobretudo, ser mais orientada para a solução dos problemas, para o bem do país e do seu povo e dos investimentos. RFI: Tem havido muitos problemas aqui em São Tomé e Príncipe, nomeadamente no que tange ao fornecimento da electricidade, à saúde, ao acesso a água potável. O que é que pensa que se pode fazer juntamente com o futuro novo governo? Carlos Vila Nova: Sabe se ao longo desses anos tivéssemos pensado o país mais, digamos, nas pessoas, muitos destes problemas estariam resolvidos, porque São Tomé e Príncipe, como Estado, não é diferente de qualquer outro Estado. A nossa dimensão territorial não retira a capacidade de sermos um Estado com todas as suas instituições, todos os seus dados estatísticos, Mas a verdade é que há descontinuidade governativa. Houve diferentes interrupções, um factor que nos prejudicou bastante nos últimos anos. Em democracia, já temos conseguido uma estabilidade governativa melhor. Os últimos governos têm cumprido o seu mandato. Espero que este também o faça e que haja uma continuidade das acções do Estado. Eu recordo-me já com alguns dirigentes da oposição, com dirigentes ainda do actual governo, ter pedido uma lista de todos os projectos em curso, sobretudo no domínio das infra-estruturas, no domínio da saúde e da educação, para que, de facto, nós olhemos um bocado mais para dentro e não termos aquele apetite de criar coisas novas quando temos coisas em curso e que podem resolver o problema das pessoas. Isto é um primeiro passo. O segundo é preciso adaptar os recursos disponíveis às necessidades mais prioritárias das pessoas, das populações e do país. E é possível. A energia em concreto é algo que ao longo destes anos todos não conseguimos resolver. Mas é por aí. Não pode haver uma divergência de fundo entre as diferentes forças. O facto de eu estar na oposição, eu não posso estar contra um programa que o governo que está no poder queira fazer e que vá resolver o problema. Tenho que encontrar a forma de dar a minha contribuição. Eu também costumo dizer que o poder crítico dos cidadãos não deve ser usado para bloquear. Ele deve ser usado para construir. E é isso que eu espero. Sem a transição energética, este país não dará passos nenhuns. Sem olharmos devidamente para a saúde, repare, o nosso sistema Nacional de Saúde não é propriamente o que está em causa. É olharmos para o sector, porque o sistema que eu até considero bom em termos sustentabilidade económico-financeira e social para garantir. Este sistema a educação, nós temos índices muito bons, internacionalmente reconhecidos, mas será que a qualidade do ensino é aquela que desejamos? Portanto, são coisas que, dentro do poder, fora do poder, as forças políticas, que são o alicerce da democracia, têm que encontrar pontos de convergência para nós podermos avançar neste processo. RFI: Todo o país tem recebido o apoio do FMI e do Banco Mundial, que também fazem, preconizações. Até que ponto é que o futuro governo não vai estar bastante condicionado pelas preconizações das instituições internacionais? Carlos Vila Nova: Temos parceiros multilaterais que nos têm acompanhado ao longo desses anos, assim como os bilaterais. Há um conjunto, um quadro próprio que temos que respeitar para que possamos continuar a ter esses parceiros ao nosso lado. Não creio que qualquer que seja o governo que venha, que ponha directamente em causa, pode rever, pode encontrar outros mecanismos e, como digo, pode e deve sempre conversar. Se fechámos as portas do diálogo, então aí não avançaremos para lado nenhum. E este diálogo tem que ser com os parceiros e internamente também. Eu velarei para que internamente se abra um novo capítulo na história deste país, que é um diálogo mais permanente, mais sincero, mais directo. E depois, a partir daí, encontrarmos pontos de convergência para termos uma estratégia que possa pôr o país na rota do desenvolvimento. RFI: Por fim, senhor Presidente, qual é o seu apelo neste momento político que o país está a viver? Carlos Vila Nova: Serenidade, Confiança. O futuro é nosso. Depende de nós. Vamos construí-lo.

Convidado
Eleições são-tomenses: "Se decido não ir votar, então também perdi o direito de reclamar"

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 25, 2026 13:47


Termina esta sexta-feira a campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe. Durante duas semanas, as sete formações políticas concorrentes passaram o país a pente fino na caça aos votos. Quatro movimentos com assento parlamentar, a ADI no poder, o MLSTP, a coligação MCI-PS/PUN, e o movimento Basta estão a concorrer juntamente com três outras formações sem assento, o PCD, o MDFM e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra. As equipas de observadores internacionais, nomeadamente da União Europeia, da CPLP e da Francofonia também já se encontram em campo, enquanto a Comissão eleitoral nacional está a ultimar os preparativos do escrutínio. Antes de o país ir a votos, Jeudiger Nascimento, presidente da Comissão Eleitoral Nacional fez o ponto da situação. RFI: Qual é o seu primeiro balanço da campanha eleitoral? Jeudiger Nascimento: O balanço que eu faço é um balanço positivo. Se nós formos excluir o episódio que aconteceu no primeiro dia, nós podemos dizer que tem sido positivo. Os partidos têm apresentado a sua proposta à população. A população tem estado a ouvir calmamente. Nós não registamos nenhum tipo de situação constrangedora. Então, eu acredito que o balanço tem sido positivo e espero que continue assim até ao final. Que os partidos continuem a apresentar as suas propostas, que o povo escute de forma que no dia 27 possa exercer o direito de voto e fazer a melhor escolha possível. RFI: Como é que avalia a actuação dos partidos políticos? Houve algum tipo de agressividade verbal? Isto tem sido tenso, a seu ver? Jeudiger Nascimento: O mais impressionante, eu até fiquei surpreso nessas eleições porque realmente tenho estado a acompanhar vários partidos na internet para poder também entender até que ponto eles têm estado a agredir uns aos outros. Vi algumas acusações que este não fez aquilo, mas realmente eu vi que os partidos estão muito mais preocupados em tentar expor aquilo que eles pretendem fazer. Então não registei nenhuma agressão verbal, nem ninguém chamou alguém de ladrão, eu percebi que eles estão muito preocupados em apresentar as suas propostas. E eu acho que é assim que deve se fazer em democracia, para que a população possa avaliar melhor e escolher quem ela acredita que tem melhores condições para dirigir o país. RFI: Houve formações que se sentiram lesadas durante este período de campanha eleitoral, tanto pelo Tribunal Constitucional como também pela própria Comissão Eleitoral, que chegaram a acusar de parcialidade. O que tem a dizer quanto a isso? Jeudiger Nascimento: A Comissão Eleitoral fez o seu trabalho, sobretudo na emissão dos certificados. Avisou as candidaturas de que sempre que nós constatamos algo que o nosso sistema detectava como anormal, porque antes de as pessoas entregarem os documentos no Tribunal Constitucional, elas devem pedir sempre à Comissão Eleitoral uma certidão. E desde o início, a Comissão Eleitoral alertou para todos os partidos políticos ‘olha tal candidato ou tal pessoa que está a pedir tal certidão para o seu partido já está inscrito no outro partido'. E sempre essas pessoas que fizeram trocas de partidos, sempre andaram a fazer trocas. Então, realmente eu não entendo o porquê desta acusação. Mas a Comissão Eleitoral tem estado a preparar o processo, tem deixado os partidos fazerem a sua parte, que é expor à população, as suas ideias. Mas nós vimos o que aconteceu com a decisão do Tribunal Constitucional. A Comissão Eleitoral não tem poder nem tem decisão também sobre as decisões do Tribunal Constitucional. Logo, a nossa parte, nós temos cumprido e temos estado a fazer o nosso trabalho da melhor forma possível. RFI: Relativamente ao financiamento das vossas acções na Comissão Eleitoral, há umas semanas atrás evocava-se o facto de não se saber exactamente se haveria condições para realizar as eleições. Isto já é uma situação habitual. Como é que estamos neste momento? Jeudiger Nascimento: A nível da Comissão Eleitoral, tudo o que nós tínhamos que fazer para preparar as eleições, nós temos tudo preparado. É verdade que existem algumas outras situações que não dependem necessariamente da Comissão Eleitoral, como, por exemplo, a situação de segurança pública, a situação dos apuramentos que são feitos pelos tribunais e também até os membros da mesa que a Comissão Eleitoral deve pagar. Estamos à espera que o governo coloque a verba para nós podermos sanar essas situações. Mas nós podemos dizer, por exemplo, que a nível da diáspora nós conseguimos garantir que todos os boletins já estão todos na diáspora. A situação da diáspora está toda garantida. Mas nós acreditamos a nível da Comissão Eleitoral, está tudo pronto para que no dia 27 haja as eleições. Relativamente à organização, ela já é habitual. Nós temos desta vez duas eleições, mas já tivemos também alguns anos atrás. Nós teremos duas urnas. Uma urna destinada às eleições legislativas. E outra destinada às eleições autárquicas em São Tomé. Na Região Autónoma, uma urna para eleições legislativas e outra para eleições regionais. E na diáspora, nós só tivemos uma urna para eleições legislativas. As pessoas deverão dirigir-se às assembleias de voto para entregar os documentos e fazer de forma sigilosa a sua escolha. E depois disso irá se fazer. No final do dia, a contagem irá enviar os resultados para a Comissão Eleitoral que deverá publicar os resultados parciais e depois deixar para os tribunais fazerem também a parte da divulgação geral e parcial. RFI: E em termos de fiscalização e de observação? Jeudiger Nascimento: Aqui em São Tomé quem indica os membros de mesas e os delegados são os partidos políticos. A Comissão Eleitoral não indica ninguém. Então, todas as mesas, os partidos indicaram delegados, indicaram os membros e eles têm esses representantes na mesa, para além de observadores internacionais, que nós temos bastante. Aqui temos observadores da CPLP, da União Europeia e também da Francofonia, que estão aqui em São Tomé. E depois nós temos alguns cidadãos que geralmente estão ligados a partidos políticos que andam, observam e todo o povo pode observar com certeza. Então é algo aberto e de todos nós. E então eu acredito que o processo está todo garantido. RFI: Nestes dias tem havido uma série de acções de formação por todo o país para quem vai estar nas mesas de voto, qual é o balanço que faz destas acções de formação e de sensibilização? Jeudiger Nascimento: Essas acções, elas vêm no sentido de reforçar durante as eleições presidenciais. Nós constatamos que houve alguns erros que não deveriam ter cometido relativamente aos procedimentos de fecho de urnas. Houve pessoas que acabaram por meter todas as actas dentro de urnas e nós tivemos que esperar os magistrados abrirem para nós termos as actas. Então nós estamos nesse reforço e com uma vertente muito prática para que as pessoas que vão para as mesas possam compreender efectivamente como deve se abrir uma urna. Qual é o procedimento durante o processo e como deve fazer o fecho. O que é da Comissão Eleitoral que deve vir para comissão eleitoral. O que é para ser deixado nas urnas para os magistrados, para serem deixados. Além disso, nós estamos a reforçar também os deveres e os direitos dos delegados, deveres e direitos dos mandatários, para que nós evitemos conflitos desnecessários durante o processo. Dos jornalistas, de igual modo, dos próprios observadores que poderão aceder à sala para fazer a sua observação. Então nós temos estado a reforçar essas competências junto dos membros do mês, até porque muitos vão pela primeira vez para que eles possam saber e para que não haja atrito no dia 27. RFI: Quando se fala de eleições, é inevitável falar de ‘banho'. Algumas inovações para evitar este tipo de situações? Jeudiger Nascimento: Realmente não. Nós não temos nenhuma inovação. O que nós temos estado a fazer, investimos muito na sensibilização, explicando às pessoas que o banho, sei lá, 200 dobras, 500 dobras, pode demorar, às vezes horas, se não acabar no mesmo dia. Já o mandato e o futuro do país, quando tem um governante, nós temos quatro anos. É o preço de quatro anos. Jamais vai ser ao preço de 500 dobras. Então é bom que as pessoas vejam bem que receber 500 dobras, esse dinheiro veio de algum lado e depois vai ter que ser restituído, porque ninguém dá de graça para ninguém. Então, que as pessoas tenham consciência de que estão a decidir o futuro do país e o futuro do país não é com 200 dobras, não é com 500 dobras. E tem a geração mais nova que vem. Nós temos necessidades de hospitais e outras coisas mais e nós temos que pensar em tudo isso e votar de forma consciente. Então, esse é o apelo que nós temos estado a fazer à população: votar de forma consciente para que nós tenhamos realmente um governo que se preocupe com a população e que a população depois também possa reclamar. ‘Já que eu voto, eu exerci o meu direito de voto. Então eu tenho direito também de reclamar quando as coisas não vão bem'. E nesse caso nós estamos a falar para aquelas pessoas que querem, por exemplo, decidir não ir votar. Então é bom que as pessoas saibam. Se eu decido não ir votar, então eu também perdi o meu direito de reclamar. Então eu só posso reclamar se eu fiz uma escolha. E eu avaliei que a escolha que eu fiz não está bem. Mesmo que eu não tenha feito escolha para quem vai governar. Mas eu fiz uma escolha e eu tenho que solicitar pedido de conta depois, assim como todos nos vão nos pedir a conta depois também. RFI: Algum dispositivo de segurança específico para o dia 27? Jeudiger Nascimento: Nós temos a Polícia Nacional, que cá está, como sempre, faz o seu trabalho de segurança pública. Temos as Forças Armadas que vão também ajudar a Polícia Nacional, os militares, neste caso as Forças Armadas, não vão como força armada. Vão no sentido de incorporar como agente de segurança pública para reforçar a segurança e dar apoio à população, de forma que todo mundo que saia de casa para exercer o direito de voto também possa voltar para casa em segurança, assim como os próprios agentes que irão. Eles são agentes, mas também são eleitores e vão exercer o direito de voto. Têm o direito também de voltar para casa em segurança. RFI: Tem números? Sabe Quantos agentes das forças da Ordem vão estar mobilizados nesse dia? Jeudiger Nascimento: Nas eleições presidenciais, nós tínhamos mais de 500 agentes, somando os da Polícia Nacional e das Forças Armadas. Então eu acredito que nessas eleições, até mesmo porque aumentou-se o número de mesas, então pode ser um pouquinho mais, mas sempre no sentido de apoiar, não de fazer com que a população tenha receio. É só no sentido de apoiar para que tudo corra como aconteceu nas eleições presidenciais, com muita tranquilidade, paz e harmonia. RFI: Tem estado a liderar a equipa da Comissão Eleitoral Nacional desde o começo do ano. Qual é o primeiro balanço que faz de todos estes meses de trabalho? Jeudiger Nascimento: É desafiante porque nós temos uma equipa formada por pessoas que vêm dos diversos partidos políticos. Conhecemos de antemão como é que os partidos, enquanto partidos políticos, pensam, mas aqui dentro nós temos estado sempre a pautar pelo diálogo. Nem sempre concordamos, mas existe uma plenária para poder dirimir esses casos e temos estado a conversar sempre, a encontrar a melhor forma de fazermos as coisas de forma que o povo seja realmente a pessoa beneficiada. Sempre que os partidos não concordem, nós chamamos os partidos, explicamos ao seu representante e o representante expõe a visão da Comissão eleitoral, porque nós formamos aqui como uma equipa e até agora nós temos estado realmente a funcionar bem, até mesmo porque nós temos tido também uma boa receptividade por parte dos partidos políticos. Têm sempre apoiado, têm escutado e nós ouvimos e eles nos ouvem. Então nós temos feito um bom trabalho. O trabalho da equipa tem sido bastante positivo. RFI: Por fim, qual é o apelo que faz nesta fase final da campanha eleitoral? Jeudiger Nascimento: O apelo que faço é que as pessoas continuem a ouvir as propostas dos partidos e que no sábado e domingo respeitem o período de reflexão. No domingo, as urnas abrem às 07h00. Mas a lei diz que é das 07h00 às 17h00. Que ninguém deixe para votar depois das 17h30, porque milagres não acontecem. Depois desse momento, e se alguém tiver que esperar 200 ou 300 dobras a partir das 17h30, tem que perceber que depois o futuro do país também não irá esperar. Então eu exorto toda a gente que saia de casa. Quem acha que a coisa não vai bem, que precisa exercer o seu direito, então que vá lá na urna, que é o único momento em que o povo tem para ser juiz e vai lá e avalia e decida quem acha que está bem, então vai ali também e faça o mesmo. Se eu achar que está bem, não saio de casa. Então eu estou a prejudicar quem fez bem. Se eu achar que está mal, também não vou sair de casa, então eu vou estar a prejudicar quem pode fazer melhor. Então a altura é das pessoas avaliarem a situação, ouvirem as propostas e depois decidir qual é a melhor proposta e exercer o seu direito de voto.

P&A Solicitadores
Podcast P&A – Lei do 1% | Ep. #27 – Diogo Maia | RE/MAX

P&A Solicitadores

Play Episode Listen Later Sep 25, 2026 62:51


No episódio #27 do Podcast P&A – Lei do 1%, estivemos à conversa com Diogo Maia, da RE/MAX.O Diogo falou-nos do seu percurso, da Gestão de Marketing ao imobiliário, e da influência que o futebol teve na sua forma de olhar para as equipas e para o negócio.Conversámos sobre os desafios de construir equipas, a diferença entre gerir pessoas e ser empresário, e as responsabilidades que surgem quando um negócio cresce.Houve ainda tempo para olhar para o mercado imobiliário: as oportunidades que oferece, os desafios que coloca e o que exige de quem trabalha no setor.

Vida em França
“Leão XIV vai recordar que o essencial é cuidarmos da dignidade humana”

Vida em França

Play Episode Listen Later Sep 24, 2026 13:06


O Papa Leão XIV inicia esta sexta-feira, 25 de Setembro, uma visita de quatro dias a França, entre Paris, Lourdes e Metz, num périplo que cruza alguns dos principais temas do pontificado: defesa da dignidade humana, inteligência artificial, migrações, os abusos sexuais na Igreja e a paz na Europa. A viagem inclui, em Lourdes, um encontro privado com vítimas de abusos sexuais cometidos pelo clero. Para o padre Rui Pedro, da paróquia portuguesa do Sacré-Cœur, em Gentilly, nos arredores de Paris, a visita será também uma oportunidade para o Papa lançar um apelo à esperança e à unidade, numa sociedade que considera estar a “desumanizar-se”. O sacerdote espera ainda que Leão XIV aborde, perante as autoridades francesas, a defesa da vida e da dignidade humana, e que, em Metz, faça um apelo à unidade europeia, ao acolhimento dos migrantes e à paz. RFI: O que é que se pode esperar desta deslocação do Papa Leão XIV a França? Padre Rui Pedro, da paróquia portuguesa do Sacré‑Cœur, em Gentilly: Eu penso que um dos apelos fortes que irá ser feito e que, também, nós católicos esperamos é um apelo à esperança, à esperança desta sociedade que se vai, um pouquinho, desumanizando. O próprio Papa, há pouco tempo, emitiu uma encíclica sobre a inteligência artificial. Um apelo à unidade, não é por acaso, que ele vai a Metz, terra de um dos fundadores da União Europeia, Robert Schuman. Um apelo à unidade de uma Europa que também tem as suas raízes cristãs, dos princípios cristãos da igualdade e da liberdade. E depois um apelo à Igreja que peregrina aqui em França e que, de facto, continue a sua renovação, uma renovação missionária e, também, a acolher estes últimos apelos que têm vindo da parte das comunidades - que a Igreja francesa está muito consciente disso - que é este aumento da procura dos jovens pela Igreja e o aumento da procura de catecúmenos, pessoas adultas que, de ano para ano, aumentam no seu pedido de baptismo à Igreja. O Papa desloca-se a Paris, está prevista também uma ida à cidade de Lourdes e termina em Matz. Quem define este percurso? Porque isto também tem uma simbologia, não se escolhe ao acaso. Alguns são convites formais que foram feitos, como por exemplo a UNESCO. Houve um convite formal para que visitasse esta organização das Nações Unidas. Depois, também, houve um convite explícito do Presidente [francês, Emmanuel] Macron e dos próprios bispos franceses. Penso que foi um pouco a conciliação disto tudo. As dioceses que ele visita são: Paris, a diocese de Saint-Denis onde está o Stade de France, a diocese de Lourdes e Metz, portanto, são quatro dioceses a nível da nossa organização religiosa. E são pontos, de facto, sensíveis e lugares de alguma simbologia. Por exemplo, Paris é uma grande cidade onde há uma grande diocese. Há também Notre-Dame, este símbolo mundial que foi renovado. Penso que é interessante que o Papa o visite. Vai a Notre-Dame encontrar os religiosos e religiosas, portanto é um encontro um pouquinho particular com os sacerdotes, aqueles que se consagraram a Deus, homens e mulheres, seminaristas… Portanto, é um momento esperado, porque em França está a haver um aumento de vocações sacerdotais e religiosas. A juventude está a voltar-se também para a Igreja. Depois, em Saint-Denis, é o grande encontro com a juventude. O Papa João Paulo II esteve cá na Jornada Mundial da Juventude em 1997. Este encontro com os jovens que está cheio, o estádio está completo. Portanto, esta grande adesão das pessoas a estes eventos públicos que em poucos dias, em poucas horas, se esgotaram as inscrições, é também símbolo de uma certa ansiedade e de um desejo de encontrar esta figura, escutar a sua mensagem, as suas palavras. Esta é também um bocadinho a expectativa do que vai dizer, o tema é “Para que o mundo tenha a vida” e, há pouco tempo, o Parlamento francês aprovou uma lei sobre o fim de vida e o suicídio assistido. Portanto, o Papa claramente que irá também ter palavras nesse sentido da defesa da vida, visto que é o tema da viagem. E quando irá falar às autoridades, penso que não se irá encolher, portanto irá dizer o que tem a dizer, porque a sua mensagem é de recordar as pessoas, de facto, aquilo que é o pensamento doutrinal da Igreja, o pensamento social da Igreja. Ele vai recordar alguns valores, mesmo que o país, com as suas decisões políticas, tenha optado por, para nós, não-valores da sociedade. Ele, certamente, irá recordar alguns valores que para nós são importantes e mexer com a consciência das pessoas. O Papa Leão XIV é um homem inteligente, bem preparado, inspira-se muito em Santo Agostinho, portanto um homem que procura a verdade e penso que também aqui irá ferir alguns ouvidos. Mas é a maneira de ser do Santo Padre que é dizer o que tem a dizer, fiel à verdade é fiel à sua mensagem. Ainda em Paris, está prevista uma missa gigante na Praça da Concórdia, uma missa cujo perímetro teve de ser alargado dado o número de inscrições para assistir a esta celebração. A que é que se deve esta afluência gigantesca? Penso que neste momento, o Santo Padre é uma das poucas figuras mundiais que ainda recorda alguns valores, que dá esperança à humanidade e que também enfrenta os vários poderes políticos, como o fez há pouco tempo com o seu co-nacional, com o seu conterrâneo [Donald] Trump [Presidente dos Estados Unidos da América]. Portanto, na verdade, ele tem uma mensagem a transmitir ao mundo. Uma mensagem de humanização da sociedade e uma mensagem de fraternidade, de diálogo inter-religioso, diálogo intercultural, onde esta procura das pessoas, esta curiosidade - porque na missa não estarão só católicos praticantes - de toda esta gente que se inscreveu, mesmo que esteja longe da Igreja, vai numa expectativa de ouvir uma mensagem com a qual se pode identificar com os valores. Esta grande adesão das pessoas à Missa do Papa, sem dúvida, podemos interpretar como uma procura das pessoas a quem tem uma voz ainda de autoridade, uma voz livre, uma voz que nos recorda aquilo que é essencial para a vida e vem certamente entusiasmar as paróquias, os movimentos e a Igreja, no sentido de os pequenos sinais que há da renovação da Igreja - uma Igreja mais missionária, que está mais aberto ao mundo. Uma Igreja que também está polarizada em França, há os tradicionalistas e os mais avançados, portanto uma Igreja que no seu interior tem esta polarização. Ele vem, de facto, acolher todos, dar uma palavra de entusiasmo e sobretudo, dizer que é em Jesus Cristo que nós nos identificamos e é nele que temos que encontrar a força do nosso viver e também as respostas que a nossa consciência e o mundo colocam hoje, de facto, não só às religiões. As religiões, hoje, não são um perigo, são um factor importante para a coesão social e para a paz. Mas também elas, hoje, são assediadas por fanáticos e por grupos que usam o nome de Deus em vão. Não se esqueça que é a praça que assinala a concórdia entre a Igreja e o Estado. É de facto um lugar icónico para reafirmar um pouquinho esta unidade, que é preciso ter este diálogo, esta cooperação. Porque quer o Estado, quer as Igrejas, quer a religião, estão todos ao serviço do homem. Este Santo Padre tem falado muito da dignidade humana e que no centro tem que estar o homem. Depois de Paris, o Papa Leão XIV vai para Lourdes, uma cidade mariana, onde está previsto um encontro privado com vítimas de abuso sexual por parte do clero. Penso que em todos os países há esta ferida, esta chaga. Todos os países, todas as igrejas estão a procurar, de facto, seguindo as instruções do Papa Francisco, enfrentar este problema com a tolerância zero e com a verdade, a protecção das vítimas. A França foi também muito golpeada com esta questão. É importante que haja esse encontro, que está já na agenda. O Papa é um homem que tem que escutar, que conhecer a realidade. Creio que encontrar rostos concretos, histórias concretas, irá ajudá-lo também na sua missão, como também o irá fazer também aqui em Paris. Ele vai à Maison Bakhita, onde vai encontrar as associações e as pessoas vulneráveis, os pobres e os imigrantes. O Papa escutar a realidade, escutar a base é muito importante. Dá um sinal de uma Igreja que sabe escutar. As vítimas têm que ser ouvidas, têm que ser também indemnizadas e reparadas pelas ofensas feitas pelo clero ou por cristãos com responsabilidades educativas. Porque não há só padres, também leigos, e há outras pessoas que abusaram de menores e pessoas vulneráveis. Acho que é muito importante este aspecto e segue um bocado as pegadas do Papa Francisco, onde ele ia também sempre escutava este grupo de pessoas particulares desta realidade que, de facto, mancha o serviço da Igreja. Esta deslocação a Lourdes acaba por ser mais tradicional para o Papa, tendo em conta que é um santuário mariano e que seria quase evidente passar por lá. É um lugar de peregrinação popular. Lourdes está muito ligado ao tema da doença, aos doentes, vulneráveis, portanto, pessoas que experimentam na sua pele o sofrimento de Cristo. É um lugar de atenção aos mais simples, um lugar também à devoção mariana que marca este país, França, e, portanto, ir a um lugar popular como Lourdes, é mais uma atenção aos mais simples, aos mais pobres. É uma religião que não pode viver sem cultura. Portanto, não há fé sem cultura e a cultura popular é muito importante para, de facto, manifestarmos os sentimentos religiosos e a experiência religiosa de um povo. Este povo francês tem neste lugar um dos sítios mais internacionais da sua visibilidade como povo cristão que é Lourdes. A visita do Papa Leão XIV a França, termina em Metz, símbolo de terras completamente arrasadas pelas guerras. O que é que se pode esperar do Sumo Pontífice, que vai preferir um discurso precisamente no Centro Roberto Schumann, que é um dos pais fundadores da União Europeia? Robert Schuman é uma grande figura e um dos pais fundadores da União Europeia e, por isso, penso que o apelo que o Papa irá fazer será este apelo à unidade da Europa. Esta Europa que hoje está muito polarizada sobre alguns temas. Eu, sendo missionário dos imigrantes, espero que também haja uma palavra sobre a imigração no discurso do Papa, porque de facto, hoje a Europa está a tomar um rumo que ofende, ofende a dignidade humana dos imigrantes e estamos a fazer ressurgir e a ressuscitar das cinzas antigos fantasmas que, em vez de unir as pessoas, estão a afastar as pessoas por questões políticas e ideológicas, quer a nível do racismo, da aporofobia ou da xenofobia. Portanto, espero dele um apelo, de facto, à unidade, um apelo ao acolhimento dos imigrantes e dos estrangeiros e, certamente um apelo à paz, visto que cada vez mais esta Europa vai aumentando os seus orçamentos para a despesa militar e para a despesa com a defesa. O Papa vai nos recordar, de facto, que o essencial é cuidarmos da dignidade do ser humano e colocar no centro a dignidade humana de cada ser que habita este continente ou que o procura para uma vida melhor. A inteligência artificial e o Papa Leão foi pioneiro nisso, como homem da Igreja foi dos primeiros que está a exigir uma reflexão ética e alguns cuidados que a ter para que, com a inteligência artificial, que é o progresso humano e que tem todo o cabimento, não venha desumanizar mais a sociedade e não venha a criar mais problemas que, ao fim e ao cabo, seria o homem perder a própria alma, perder a própria inteligência para se entregar às máquinas, aos raciocínios, aos cálculos e aos algoritmos. É pároco dos portugueses em Gentilly, de que forma é que a comunidade lusófona e a comunidade portuguesa se está a mobilizar para esta visita do Santo Padre a França? A mobilização é muito grande. Temos cristãos portugueses inscritos para o voluntariado. Temos cristãos portugueses inscritos para serviço de distribuição da Sagrada Comunhão. Temos cristãos inscritos para as vésperas do Papa com os religiosos. Temos cristãos inscritos, jovens que vão participar no Estádio de França. Temos cristãos inscritos para participarmos na Grande Missa, na Praça da Concórdia. No passado fim-de-semana, como todas as paróquias, fizemos uma recolha de dons para também nós, sendo cristãos desta Igreja francesa, sendo membros activos desta Diocese de Paris, para colaborarmos nas despesas inerentes à deslocação a Paris do nosso chefe, do nosso líder religioso, do nosso Santo Padre, o nosso Pastor, que com muito agrado vamos estar lá para acalmá-lo. Aqueles que não tiveram inscrições, estamo-nos a mobilizar para que vão para aquele percurso de Notre-Dame des Champs até Saint-Michel para, na rua, manifestarem ao Papa a sua alegria pela sua visita, a sua adesão, a estima que temos por ele. Porque para nós é uma grande graça receber o sucessor de Pedro aqui na nossa Diocese.  

Convidado
Eleições são-tomenses: o debate em torno da reforma da justiça

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 24, 2026 16:48


Em São Tomé e Príncipe, estão praticamente a terminar as duas semanas de campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro. Um processo eleitoral durante o qual, à semelhança de outros anos, se discute dos moldes de uma eventual reforma da justiça. Na óptica de muitos, este sector padece de todos os males: poucos meios, morosidade, opacidade e inclusivamente falta de independência, no caso do Tribunal Constitucional que recentemente foi acusado de ter afastado determinadas candidaturas às legislativas por motivos políticos. Também continua presente o caso do 25 de Novembro de 2022, a morte de quatro pessoas no quartel militar de São Tomé em circunstâncias ainda por ser esclarecidas pela justiça. Herman Costa, bastonário da ordem dos advogados de São Tomé e Príncipe, diz não alimentar muitas expectativas quanto às eleições que se avizinham e considera que a justiça do seu país não está bem. RFI: Como está a justiça em São Tomé e Príncipe? Herman Costa: Temos que dizer a verdade. E a verdade é esta: que a situação da nossa justiça não é boa. Porque nós estamos nas vésperas das eleições legislativas e muitos têm falado do nosso Estado de Direito democrático, desde a implementação da democracia no nosso país, nós temos sido vistos como um exemplo de democracia ao nível da nossa sub-região em África. É uma realidade porque, efectivamente, há alternância do poder, sempre que termina uma legislatura, as eleições são convocadas e os cidadãos são sempre chamados para exercer o seu direito. Mas passados mais de 50 anos da nossa independência, a grande questão que nós colocamos é o conteúdo da democracia. Porque a democracia não pode se resumir no simples acto de realização das eleições. E qual é o conteúdo para além da alternância do poder? E para além do convite legal constitucional da chamada dos cidadãos para poderem exercer o seu direito de voto, há que haver um conteúdo subjacente, aquilo que deve nortear verdadeiramente uma democracia, que é o trabalho em prol dos cidadãos. E isso não se tem verificado ao nível do nosso país. Estamos diante de uma democracia vazia, coxa, na medida em que apenas se verifica o mero acto de realização das eleições. E claro, isto reflecte-se em todos os sectores, nomeadamente no sector da justiça. As instituições democráticas não funcionam como manda a Constituição da República. Um exemplo prático é o clima tenso que vivemos no país entre os partidos políticos, no que toca, por exemplo, à questão da instrução dos processos de candidatura, em que nós vemos aqui uma forte contestação dos partidos políticos relativamente à actuação do Tribunal Constitucional. RFI: E precisamente, relativamente à actuação do Tribunal Constitucional, tem sido frequentemente acusado de ser, no fundo, uma espécie de arma de arremesso para os partidos ou dirigentes políticos em várias ocasiões. O último destes casos foi precisamente a questão das candidaturas às legislativas que, segundo certas correntes de opinião, terão sido condicionadas à sua proximidade com o actual Presidente. Herman Costa: Nós não vamos entrar nestas querelas políticas, como é óbvio. Como dizemos sempre, os assuntos políticos resolvem-se de forma política e os assuntos jurídicos de forma jurídica. Mas não podemos deixar de frisar que a actuação do Tribunal Constitucional ao longo dos anos, desde que foi criado, tem gerado uma grande instabilidade no funcionamento das instituições democráticas, porque não é aceitável que o Tribunal Constitucional, e como referiu e bem, tenha sido usado como uma arma de arremesso em função de interesses instalados, interesses claros, isto é de todo inaceitável. E se em tempos, nós defendemos que era necessário a criação de um Tribunal Constitucional de raiz, separado do Supremo Tribunal de Justiça, como funcionava, hoje já começamos a questionar se efectivamente se justifica ou não termos este Tribunal Constitucional a funcionar nos termos em que funciona, sobretudo no que toca ao modo de eleição dos juízes, que tem gerado uma grande insegurança jurídica no nosso ordenamento jurídico, no funcionamento da nossa Justiça. Porque a imagem negativa que se tem da Justiça ao nível de São Tomé e Príncipe, é verdade que os tribunais judiciais típicos, enfim, na primeira instância, e o Supremo Tribunal de Justiça, funcionam da forma como funcionam. Carecem de recursos para efectivamente cumprir com as suas funções e competências. Mas a maioria das críticas que se ouve, a mancha, a mácula que temos carregado nos últimos tempos ao nível do sector da justiça, deve-se sobretudo à actuação do Tribunal Constitucional ao longo dos anos, desde que foi criado. RFI: Tem-se o sentimento que há uma espécie de concorrência entre o Supremo e o Tribunal Constitucional e que não se chega a perceber muito bem quais são as prerrogativas de ambos os órgãos. Herman Costa: É uma falsa questão, na medida em que a lei é muito clara em relação àquilo que são as competências de cada um dos tribunais. O Supremo Tribunal sabe quais são as suas competências legais e constitucionais, tal como o Tribunal Constitucional também conhece as suas competências legais e constitucionais. Infelizmente, os interesses políticos instalados levam a que os intervenientes, sobretudo, e estamos aqui a falar do Tribunal Constitucional, levam a que, infelizmente, extravasem aquilo que são as suas competências. Agem à margem da lei e da Constituição da República, o que é de todo lamentável. Razão pela qual nós voltámos a questionar se a esta altura e nós vamos levantar esse debate sobre aquilo que tem sido, sobre aquilo que é efectivamente a utilidade do Tribunal Constitucional para o nosso Estado de Direito democrático. RFI: Outro caso que também chocou bastante a opinião pública são-tomense é o caso 25 de Novembro e o seu tratamento a nível judicial. Tribunal Militar, Tribunal Civil. Não se percebe muito bem como é que fica. O que é que se pode dizer exactamente sobre este caso, que acaba por ser muito confuso? Herman Costa: Em primeiro lugar, é preciso que se diga que aquilo que aconteceu no quartel das Forças Armadas no dia 25 de Novembro é absolutamente reprovável. Merece toda e qualquer censura da parte de todos nós. A questão que se prende com o tratamento que foi dado ao processo, já é uma outra questão. O que nós assistimos, foi um empurrar da situação, uma falta de assunção de responsabilidade do próprio Estado no tratamento devido ao caso, porque nós não estamos diante de uma situação de dúvidas ou falta de provas. Houve uma competente investigação, houve uma competente acusação feita pelo Ministério Público de São Tomé e Príncipe, coadjuvado pela Polícia Judiciária Portuguesa. Um trabalho devidamente aturado. O que aconteceu é que, ao nível judicial, faltou coragem ao Poder Judiciário de decidir o caso nos termos da lei. O que se assistiu em relação à transmissão do processo de uma jurisdição para outra e vice-versa, portanto, da Jurisdição Civil para jurisdição militar, da jurisdição militar para jurisdição civil, nada mais é do que a falta de responsabilidade, de coragem de decidir uma causa. Embora sendo ela delicada, o processo tinha que ser decidido nos termos da lei, ao invés da conduta e do comportamento que se assistiu ao nível do Poder Judiciário de empurrar com a barriga, ao invés de responsabilizarem os infractores mediante o justo processo. E nós já o dissemos e voltamos a dizer que uma coisa é a responsabilização criminal dos infractores e outra coisa é a responsabilização do próprio Estado no que toca ao pagamento da indemnização aos familiares das vítimas. Por que carga de água até hoje o Estado não se posicionou no sentido de indemnizar os familiares das vítimas? Isto é uma questão objectiva. Houve mortes, houve familiares que ficaram sem os seus parentes. Isto não carece propriamente da realização do julgamento do processo criminal para indemnizar os familiares da vítima, porque os militares que actuaram da forma como actuaram, actuaram nas vestes de agentes do Estado. E aqui o Estado tem uma responsabilidade. Pode perfeitamente indemnizar os familiares da vítima enquanto se aguarda pela realização do processo-crime que ainda aguardamos. E essa audiência de julgamento tem que ser realizada, porque a culpa não pode morrer solitária. RFI: Durante a campanha eleitoral falou-se muito da reforma da Justiça, que é um chavão habitual há já várias eleições. Uma das reformas que é proposta é, por exemplo, para esses casos um pouco mais delicados, mandar vir juízes de fora, numa espécie de sistema de cooperação durante dois ou três anos, para evitar precisamente a contaminação, por exemplo, do político no terreno da Justiça. O que acha desta ideia? Herman Costa: É preciso que se diga que, em tempos, a própria Ordem já assumiu um posicionamento em relação a este assunto em concreto no âmbito da reforma da Justiça. A vinda de magistrados estrangeiros para cooperar no nosso sistema judiciário. Mas hoje, qual é a apreciação que temos? Não podemos dizer que não dispomos de magistrados com capacidade para dizer direito em São Tomé e Príncipe. Nós temos magistrados com capacidade para dizer direito em São Tomé e Príncipe. Qual é a grande questão a esta altura? Um. Criar condições para que efectivamente os tribunais funcionem de forma plena. O que é que queremos dizer? Não é aceitável que o Estado realize um conjunto de despesas fúteis em aquisição de materiais, bens, serviços, veículos e tal, quando há instituições, sobretudo, estamos a falar do poder judicial, que carecem de meios para dizer direito, porque a Justiça é o pilar de um Estado de Direito democrático. Então é preciso que efectivamente haja investimento na Justiça. Dois. No âmbito da reforma, a esta altura, talvez seja necessário, e nós haveremos de desenvolver este tópico, apostar numa inspecção judicial forte. E nessa perspectiva, sim, a Ordem defende uma cooperação com os nossos parceiros para que nós possamos ter uma inspecção judicial forte. Temos magistrados que podem dizer direito, mas se estiverem sob um processo de inspecção judicial credível, acreditamos piamente que poderão fazer o seu trabalho de forma mais profícua. Mas é preciso também que haja uma responsabilização efectiva dos outros membros dos órgãos de soberania, dos fazedores da política que tentam interferir no funcionamento, a ingerência no Poder Judiciário. RFI: Nós falamos muito dos lugares cimeiros da Justiça. Abordando aquela justiça quotidiana, a justiça que é feita no dia-a-dia dos cidadãos. Que meios é que temos? Quanto tempo demora para se fazer justiça para o cidadão comum? Herman Costa: Como se costuma dizer da justiça, ela é morosa, não só em São Tomé e Príncipe, na medida em que tem que se desencadear um conjunto de diligências até que se descubra a verdade material dos factos. Mas em São Tomé e Príncipe, apesar de alguns esforços feitos, por exemplo, ao nível do Ministério Público, que de forma notória, melhorou significativamente a sua ‘performance' no que toca, por exemplo, à redução da dependência do volume processual que tinham na sua esfera pendente, melhoraram imenso neste capítulo ao nível dos tribunais. A situação ainda continua preocupante. A Justiça é feita por três pilares o Ministério Público, os tribunais e os advogados. E há que haver uma articulação. Se o Ministério Público investiga e acusa, se o Tribunal não dá o devido procedimento para que tudo seja feito em tempo oportuno, é um trabalho inglório, não é? E temos esta sensação, pelo menos ao nível da justiça criminal. O Ministério Público até tem melhorado. Ainda há muito por melhorar, mas o grande entrave está nos tribunais, que, ou por falta de recursos, por falta de magistrados, por causa de ‘N' situações que condicionam o normal funcionamento dos tribunais. Isso tudo tem gerado muita morosidade. Mas porque falou na justiça do quotidiano, do dia-a-dia dos cidadãos, a apreciação que os cidadãos têm. Há um aspecto que é muito importante, que nós não podemos deixar de tocar. Tem a ver com o acesso à Justiça. A nossa Constituição da República define no seu artigo vigésimo, que a ninguém deve ser negado o acesso à justiça sob pretexto de ausência ou falta ou insuficiência económica. É dever do próprio Estado assegurar que os cidadãos tenham acesso à Justiça. E o que nós temos verificado é que, infelizmente, muitos cidadãos não têm este acesso à Justiça. O Estado, para além de denegar este acesso dos cidadãos à Justiça pouco tem feito, porque anualmente há uma contribuição que o Estado dá para a defesa destes cidadãos. Por incrível que pareça, o Estado ficou sem contribuir para os cidadãos vulneráveis para ter uma defesa competente durante quatro anos. Mas, apesar desta ausência de contribuição do Estado, nós, a Ordem dos Advogados asseguramos sempre, ‘pro bono', a defesa dos mais necessitados e, portanto, é preciso haver mais do que reforço. É preciso haver uma assunção efectiva de responsabilidade da parte do Estado para garantir o acesso dos cidadãos à justiça. RFI: Tem alguma expectativa relativamente a estas eleições? Herman Costa: A única coisa que nós podemos esperar é que o processo electivo possa decorrer de forma mais pacífica possível. Que não haja incidentes. Começámos mal porque logo no primeiro dia tivemos aí uma situação pouco abonatória para o clima pacífico que se deseja. Mas em relação à expectativa como tal, ela é praticamente inexistente, no sentido em que, ao ouvirmos os pronunciamentos dos representantes dos partidos políticos, não vemos um projecto concreto para a governação na próxima legislatura, ainda estamos em campanha. Quem sabe eles possam, ainda vão a tempo de poder nos apresentar um projecto que nos convença, porque a campanha serve exactamente para isso.

Convidado
Eleições são-tomenses: a crise energética e a transição para outro modelo

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 23, 2026 8:35


Em São Tomé e Príncipe, decorre a segunda e derradeira semana de campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro. Entre as diversas temáticas evocadas pelos candidatos, figura a questão da energia, num momento crucial para o país ainda no rescaldo de dez meses de contínuos apagões. A saída repentina de um parceiro privado, estruturas antigas e a falta de manutenção, foram os motivos enunciados na época. Posik Espírito Santo, actual dirigente da empresa fornecedora EMAE, faz um balanço dessa crise. “O país sofreu dois processos ainda neste período de quatro anos. Houve um processo que se iniciou com uma empresa privada chamada Tesla (empresa turca). A saída da Tesla de uma forma repentina e as máquinas da EMAE, como estavam na altura todas a precisar de manutenção, não houve esse cuidado da parte da EMAE no sentido de recuperar as máquinas porque estavam confortáveis com a empresa Tesla. Com a saída de Tesla, naturalmente, houve esse desafio”, explica o dirigente para quem, ainda assim, “se conseguiu em pouco tempo recuperar o problema que foi uma avalanche durante quase um ano.” “No entanto, não podemos considerar que isto está totalmente resolvido, porque a nossa rede eléctrica é uma rede completamente também obsoleta. De vez em quando, acredito que poderão surgir alguns apagões, mas não propriamente devido à disponibilidade da potência, mas sim devido à fragilidade da rede eléctrica”, admite Posik Espírito Santo. Para o líder do sindicato dos trabalhadores da EMAE, Adélcio Costa, esta situação deu-se antes de mais devido a opções políticas erradas. “Isso tem a ver coma ingerência política e a má gestão daquilo que se pensa para poder melhorar o sector energético. Os governos que vão e vêm para governar o país, não vem com um plano já elaborado para melhorar o sector energético. Esses dez meses aproximadamente de crise energética, mostram muito o quão é perigosa a forma de fazer política para o sector. Vê-se mais improviso, improviso na compra de gerador, improviso nas parcerias, público privado, improviso em manutenções, improviso em tudo, quando essas coisas deviam ser “, denuncia o sindicalista. “A população sofreu. Houve mortes e incêndios. Houve a economia que praticamente perdeu o sustento, a economia é estabilizada pelo sector energético e pelo combustível. E quando não há energia, praticamente, a vida económica de São Tomé pára. Então houve hotéis, restaurantes, negócios que foram a pique. Estamos a recuperar. E essa recuperação vai demorar bastante tempo”, diz Adélcio Costa. Nestes últimos anos, no intuito de concretizar a sua transição para energias mais limpas, a EMAE tem apostado na energia fotovoltaica, com o apoio do Banco Mundial e parcerias com entidades privadas. Um processo acolhido com optimismo por Posik Espírito Santo. “Este processo da energia fotovoltaica, é um processo que está bem evoluído e nós já estamos na fase de terraplanagem e ao mesmo tempo no processo de gerir a parte administrativa de forma a receber esses painéis. Mas, por outro lado, é bom também que nós salientemos aqui o seguinte: nós olhamos para a fotovoltaica, ok, mas também há a necessidade de o Estado criar uma central de base de geradores de baixa rotação, de forma a suportar todo esse processo de transição. Porque a energia renovável é algo bom, é verdade, mas só a fotovoltaica não irá naturalmente resolver na totalidade as nossas dificuldades”, ressalva o dirigente. O sindicalista Adélcio costa também vê com bons olhos a procura de alternativas energéticas mais limpas. Contudo, ele mostra-se mais cauteloso relativamente às parcerias público-privadas preconizadas não só pelo banco mundial como por algumas formações candidatas às legislativas. “Esta fonte de energia é a melhor forma que nós podemos ter em São Tomé. Desta maneira, devemos apostar em grande medida nela porque realmente vai reduzir o consumo de combustível. Nós gastamos milhões de dólares em combustível para produzir energia quando devemos aproveitar renováveis para reduzir os custos com combustível e financiar mais o Orçamento geral do Estado”, diz o activista que, todavia quer mostrar-se prudente quanto às parcerias e privatizações no sector da energia. “Quem vem do sector privado deve também ter a consciência de onde está a chegar para fazer as coisas correctas, não cair nas emoções nem nos sonhos dos políticos são-tomenses. Muitos deles vendem sonhos e a conjuntura social, política, jurídica em São Tomé é muito frágil e isso muda de tempo a tempo”, considera. Adélcio Costa mostra-se também francamente céptico quanto à intenção anunciada recentemente de a EMAE operar uma restruturação implicando a privatização da sua central hidroeléctrica. “Faço parte do sindicato. Infelizmente, não há grandes reuniões do Banco Mundial com o sindicato. É mais com a direcção da empresa. Estamos muito apreensivos. É mesmo possível fazer uma greve se o Banco Mundial pegar a nossa Central Hidroeléctrica de Contador e privatizar (...) Já demos um alerta ao Banco Mundial e também ao governo que de maneira nenhuma vamos aceitar isto”, argumenta o sindicalista ao expressar o receio dos custos para os consumidores num país cuja “população vive com menos de um dólar por dia”. Durante este período eleitoral, também não deixaram de ser reiteradas as acusações de que a Empresa de Agua e Electricidade funciona como um foco de corrupção, o que o actual dirigente da empresa desmente. “Posso confessar que antes de entrar na EMAE, também tinha a mesma percepção, mas hoje, claramente conhecendo a EMAE, diria 99% eu considero essa uma lenda. Porque de facto isso não é verdade. E nós temos um sistema de software que faz gestão de recursos humanos e nas actividades também”, declara o director da empresa. Este não é contudo o figurino descrito pelo líder do sindicato dos trabalhadores da EMAE. “Nós não podemos dizer outra coisa. O são-tomense não gosta de ouvir a verdade, mas temos que falar a verdade. Em vários momentos das campanhas eleitorais, há muitas movimentações em compras de geradores, em compra disto. Não é deste governo, não é daquilo, é de todos que já passaram. Já vimos várias vezes. Um exemplo disso, é o contrato que veio da Turquia, ninguém sabe de onde veio. A fonte da Tesla, quando se vai pesquisar, não se vê nada. É um conjunto de coisas. Também houve outras empresas no passado”, refere o activista. “Nós apelamos a que a consciência humana aqui funcione. Quem governa esse país tem que ter em mente ‘nós estamos a trabalhar para o povo'”, insiste Adélcio Costa em jeito de conclusão.

Vamos Falar de FUm
VFF1 DEBRIEF: Não houve tourada

Vamos Falar de FUm

Play Episode Listen Later Sep 22, 2026 57:46


Neste episódio João Salviano, Guilherme Nunes e Sergio de Matos, analisam o Grande Prémio de Espanha em Madrid. Todos os momentos decisivos as estratégias e principais acontecimentos da corrida.   Onde falamos apaixonadamente de F1! Podcast: https://linktr.ee/VFF1 Patreon: https://www.patreon.com/vff1 Bola: https://www.abola.pt/search?q=Vamos%20Falar%20de%20FUm Twitter: https://twitter.com/VamosFalardeFum Instagram: https://www.instagram.com/vamosfalardefum Canal de WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaDuq7KId7nTEUhbWq3R Grupo de WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/J3HKVX5qXYBILlQCtdjTDo #F1

Presente Diário
Seja generoso!

Presente Diário

Play Episode Listen Later Sep 19, 2026 4:02


Devocional do dia 19/09/2026 com o tema: Seja generoso! O rei Joás resolveu fazer uma reforma no templo do Senhor. Nos reinados anteriores, houve muita idolatria e paganismo, e o local acabou ficando abandonado. A estratégia foi colocar à entrada um cofre no qual todos poderiam depositar suas ofertas. Os líderes e o povo responderam de forma positiva, e o resultado foi que a caixa se enchia rapidamente e logo era esvaziada, até que toda a reforma foi terminada. Houve tanta generosidade que sobrou prata para outras realizações além do projeto original. O fato é que, na vida, ninguém é tão pobre que não possa doar algo; e ninguém é tão rico e autossuficiente que nunca necessite de algo. Quando essa lei entra em operação, há mais que o suficiente para sustentar a obra de Deus e socorrer os mais necessitados. LEITURA BÍBLICA: 2 Crônicas 24.8-14 Jesus olhou e viu os ricos colocando suas contribuições nas caixas de ofertas. Viu também uma viúva pobre colocar duas pequeninas moedas de cobre. E disse: "Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou mais do que todos os outros" (Lc 21.1-3).See omnystudio.com/listener for privacy information.

Terraço Econômico
COMÉRCIO BUSCA FLUXO, NÃO PAPO FIADO - CURADORIA #046

Terraço Econômico

Play Episode Listen Later Sep 17, 2026 18:17


Houve quem comprasse a tese de que após o famigerado Liberation Day, os EUA teriam remodelado o comércio global. Os dados contam uma história completamente diferente.FONTES QUE EMBASAM O EPISÓDIO:Forbes Brasil: Sobretaxado, Brasil volta à mesa com EUA após recorde de exportações e novos fregueses - https://forbes.com.br/forbes-money/2026/08/diversificacao-exportacoes-brasil-tarifaco-eua/ WSJ: The country that has the biggest trade surplus with the U.S. is now… Vietnam - https://www.wsj.com/world/the-country-that-has-the-biggest-trade-surplus-with-the-u-s-is-now-vietnam-0169b5cd Reuters: China shock 2.0 reshuffles winners and losers - https://www.reuters.com/commentary/reuters-open-interest/china-shock-20-reshuffles-winners-losers-manishi-raychaudhuri-2026-08-09/ Spotify: LIBERATION DAY no TerraçoCast #466 - https://open.spotify.com/episode/23Elh19xCZzcMvUXoOTats?si=burJiNwxRVWyaa-qGyaFGQ BBC: Canada welcomes EU proposal to become ‘associate member' - https://www.bbc.com/news/articles/cwly7vkke4jxo The Telegraph: Scottish, Welsh and Northern Irish leaders meet to plan break-up of United Kingdom - https://www.telegraph.co.uk/politics/2026/09/13/irish-scots-and-welsh-leaders-meet-to-plot-break-up-uk/ 

A Música do Dia
Há 25 anos, 11 de Setembro. Dizer o quê? Que 22 anos depois houve um 7 de Outubro ?

A Música do Dia

Play Episode Listen Later Sep 11, 2026


sozinho em casa
Nascemos boas ou más pessoas?

sozinho em casa

Play Episode Listen Later Sep 10, 2026 62:16


Eis o penúltimo domingo de saúde e de doença, desta vez com a ajuda de uma dupla de convidados nos antípodas do espectro político. Houve insultos, houve tensão, houve acusações de aburguesamento, houve “esquerda caviar”, houve “sou o mais à direita da minha família”, enfim, houve tudo o que precisamos para eles nunca mais aceitarem um convite os dois juntos. Conteúdos exclusivos (e lavar de roupa suja): https://www.patreon.com/c/nasaudenadoenca

JORNAL DA RECORD
09/09/2026 | Edição Exclusiva: Furacão Lowell deixa uma pessoa morta no Havaí

JORNAL DA RECORD

Play Episode Listen Later Sep 9, 2026 5:14


Confira nesta edição do JR 24 horas: Ao menos uma pessoa morreu e milhares ficaram sem energia elétrica com a passagem do furacão Lowell pelo Havaí, nos Estados Unidos. A vítima era um homem em situação de rua, atingido pela queda de uma árvore enquanto estava numa barraca. Houve alagamentos e danos em estradas, além de estruturas portuárias destruídas e barcos que foram afundados. E ainda: Fortes chuvas causam alagamentos em trens e metrôs no Japão.

Contra-Corrente
Houve um terramoto eleitoral na Alemanha, o erro é ignorá-lo

Contra-Corrente

Play Episode Listen Later Sep 7, 2026 9:39


A vitória da direita radical da AfD na Saxónia-Anhalt teve tal dimensão que envia ondas de choque por toda a Alemanha e Europa. E há um erro que não pode ser cometido: tentar ignorar o seu significadoSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Conversas de Bancada
[ T9 ] Ep.302 - Acabou-se a bazófia!

Conversas de Bancada

Play Episode Listen Later Sep 7, 2026 77:07


A Bancada está novamente completa, e nesta semana analisamos o desaire da Briosa em casa do Penafiel. As lesões, os erros individuais e coletivos, a prestação do Míster António Barbosa e o apoio dos adeptos, tudo debaixo de lupa.Houve ainda oportunidade para falar em detalhe das contratações que chegaram a Coimbra - e também das que estão por chegar - e antever o embate de sexta-feira frente à equipa B do SL Benfica.

Vida em França
A oito meses das eleições presidenciais em França, candidatos aceleram para o Eliseu

Vida em França

Play Episode Listen Later Sep 3, 2026 12:43


Mais de 20 candidatos já exprimiram a sua intenção de lançar a sua campanha para as eleições presidenciais que decorrem em França entre Abril e Maio de 2027, mas, por enquanto, Marine Le Pen, na extrema-direita, é a candidata que recolhe mais intenções de voto nas sondagens. Uma radiografia a oito meses das eleições que pode não corresponder ao cenário mais perto do escrutínio, já que mesmo Marine Le Pen aguarda ainda decisões judiciais que podem comprometer a sua participação nestas eleições. Em França, há mais de 20 candidatos que já exprimiram a sua vontade de chegar ao Eliseu. Para formalizar a candidatura para as eleições que se realizam em duas voltas em Abril e Maio do próximo ano, é preciso obter as assinaturas de 500 eleitos nacionais e locais, tarefa nem sempre simples para quem quer ser Presidente. No entanto, entre as duas dezenas de candidatos, há um nome que se destaca em todas as sondagens nas duas voltas das eleições: Marine Le Pen. Candidata desde 2012 a todas as eleições presidenciais, a filha de Jean-Marie Le Pen e líder da extrema-direita pode ter em 2027 a possibilidade real de tornar-se Presidente da República francesa. Frente a ela, no outro lado dos extremos, está Jean-Luc Melenchon, o único que rivaliza com a popularidade de Marine Le Pen. Segundo Eric Monteiro, politólogo e docente na Universidade de La Rochelle, a única possibilidade de travar os extremos, seria reduzir o número de candidatos e encontra um candidato único ao centro, esquerda e direita, um verdadeiro desafio num cenário político francês muito disperso e polarizado. "Vamos assistir a uma eleição inédita. Ela apresenta-se num contexto muito diferente do sistema tradicional de alternância entre dois grandes partidos. O espaço político francês encontra-se hoje completamente fragmentado em vários blocos, e um desses blocos é o partido do União Nacional, antigo Frente Nacional, de Marine Le Pen. Isto, sabendo que houve durante muitos meses uma expectativa de saber se ela podia ser candidata ou não à eleição, devido às decisões judiciais, porque ela estava acusada penalmente e foi condenada por ter desviado dinheiro do Parlamento Europeu. Esse é outro paradoxo, que é termos uma candidata que foi duas vezes condenada em primeira instância, em segunda instância, mas que vai ser candidata e que já oficializou a sua candidatura à eleição presidencial. é complexo. O partido não deixa de ser o partido fundado pelo pai, que numa democracia é um pouco estranho. Mas isso não impede que os franceses continuam a dar-lhe uma base de entre 25 a 35% de votos. Ela tem hipóteses de ser eleita, sem dúvida", explicou o académico. No início do Verão, Marine Le Pen viu a sua pena de ineligibilidade encurtada, permitindo-lhe participar nas eleições, mas tem ainda a cumprir um ano de prisão domiciliária com pulseira electrónica. A decisão sobre a manutenção dessa parte da pena perntence agora ao principal tribunal de recurso em França, a Cour de Cassation, que deverá pronunciar-se antes do início da campanha eleitoral oficial já que será impossível realizar as deslocações necessárias de uma campanha com uma pulseira electrónica. Ao mesmo tempo, os candidatos de centro como os antigos primeiros-ministros Édouard Philippe ou Gabriel Attal ou ainda o candidato de esquerda Raphaël Glucksmann não ultrapassam a barreira dos 15% na primeira volta. Face a Marine Le Pen, Jean-Luc Melénchon, da extrema-esquerda, é o candidato mais destacado  e consegue chegar aos 20%, deixando como possibilidade aos franceses a escolha entre os extremos, algo que ameaça a Frente Republicana que até hoje tem impedido a extrema-direita de governar em França. "Há vários riscos nesta eleição. Primeiro, esta fragmentação do primeiro turno, que pode levar um candidato dos extremos, quer seja da extrema-esquerda ou da extrema direita a potencialmente vir a ser presidente da República, e o desaparecimento progressivo da frente republicana. Se formos a ver, a extrema esquerda e extrema direita rondam os 25% para a extrema esquerda e 30 % para extrema direita. Portanto, os dois juntos são incompatíveis. Os dois juntos formam uma maioria, mas são incompatíveis para governar. Quer dizer que há, de certeza, no resto do espetro eleitoral, uma maioria progressista, quer do centro esquerda, quer do centro direita que poderia vir a governar. O problema é que ela está extremamente fragmentada para constituir uma frente republicana, como houve desde 2002, quando Jean-Marie Le Pen passou para a segunda volta e foi candidato contra Jacques Chirac. Foi a primeira vez que isso existiu nas eleições presidenciais. Houve uma frente republicana incontestável. Portanto, a Frente Republicana realmente funcionou e tem funcionado, mas, desta vez, o eleitor francês está cada vez mais cansado destas únicas opções: ou um candidato ao qual não adere completamente, ou há um candidato extremo. Portanto, há um risco real e a única maneira de manter uma espécie de representação das forças de progresso é de ter só um candidato", detalhou Éric Monteiro. Se as aparições públicas e entrevistas dos diferentes candidatos se multiplicam nesta rentrée, também os diferentes cenários são analisados de forma quotidiana com múltiplas sondagens que prevêem todos os cenários possíveis nas duas voltas das eleições. Para Éric Monteiro as sondagens são credíveis no dia em que são realizadas, mas não podem prever o que se vai passar daqui a oito meses. "As sondagens valem o que valem em função da temporalidade. Oito meses antes, elas reflectem a situação actual. As eleições são sempre num domingo. As últimas sondagens aparecem na sexta feira, portanto, nas 24 horas que precedem o escrutínio. Não há sondagens públicas, mas elas continuam a ser feitas. Elas são publicadas posteriormente e a margem de erro é entre 0,5% e 1%. Em regra geral, portanto, elas são credíveis. A questão é que é muito cedo e há muitas contradições ainda no discurso político. Enquanto não houver posições claramente definidas sobre questões essenciais que tocam os franceses, ou seja, concretamente, as reformas, o poder de compra, a transição energética, será muito difícil haver haver uma clarificação através das sondagens", concluiu.

Convidado
"Kiev, na prática, é peão do grande xadrez entre as grandes potências" Major-General Carlos Branco

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 3, 2026 22:28


O Major-General do exército português Carlos Branco que tem partilhado periodicamente na RFI as suas análises sobre os conflitos vigentes no Médio Oriente e entre Kiev e Moscovo, lançou no passado mês de Julho um livro especificamente dedicado às raízes da guerra na Ucrânia. Intitulado "Ucrânia, variações de uma guerra inacabada", este livro compila uma série de artigos que o Major-General publicou nestes últimos anos sobre a história recente da Ucrânia. Autor de cinco livros publicados sobre a Guerra Fria, o Afeganistão, ou ainda sobre o conflito na ex-Jugoslávia, o Major-General Carlos Branco analisa ao pormenor e desfaz o discurso oficial em torno do conflito na Ucrânia, baseando-se em fontes documentais e na sua experiência em diversas organizações internacionais, nomeadamente a Aliança Atlântica, no seio da qual ocupou o cargo de Director da Divisão de Cooperação e Segurança Regional, do Estado-Maior Militar Internacional da NATO, em Bruxelas. Em entrevista à RFI, o Major-General Carlos Branco começa por apresentar no que consiste a sua obra sobre a Ucrânia. RFI: Do que fala concretamente o seu livro? Major-General Carlos Branco: Este livro é a compilação de mais de 70 artigos que eu fui publicando sobre o tema da guerra na Ucrânia, com uma série de artigos anteriores ao início da guerra propriamente dita em 2022, artigos publicados a seguir a 2014. Porque, na prática, a guerra não começa em 2022, começa em 2014 e é fundamentalmente uma reflexão no seu conjunto, claro, de uma uma interpretação realista das relações internacionais aplicadas ao caso concreto da guerra na Ucrânia. Basicamente, é uma análise centrada no papel das grandes potências na cena internacional. Neste caso concreto, o papel dos Estados Unidos e da Rússia e, no fundo, apresentar este conflito fundamentalmente com duas vertentes: a vertente internacional que envolve a afirmação hegemónica dos Estados Unidos. É apenas um capítulo, a guerra na Ucrânia, como outros, o Irão, como agora mais recentemente estas iniciativas para a Gronelândia, o controlo da Venezuela, o controlo do Canal do Panamá, etc. Portanto, uma dinâmica de conflito entre grandes potências e, nesse caso, uma tentativa dos Estados Unidos chegarem às fronteiras da Rússia, algo que uma grande potência não autoriza, não autoriza a Rússia, como também não autorizam os Estados Unidos, como também não autoriza a China. E depois há a outra dinâmica, que é um conflito que é fundamentalmente interno na Ucrânia, entre os diferentes grupos ucranianos. Porque a Ucrânia não é um país uno, é um país multinacional, é um país com vários grupos étnicos. E o que nós estamos a assistir é a tentativa de um grupo prevalecer relativamente aos outros, impondo-lhes uma série de coisas que para eles são inaceitáveis. Podíamos começar pelo exemplo da língua. O grupo que nesta altura se encontra no poder na Ucrânia, tenta que a língua ucraniana seja a única língua falada na Ucrânia. Quando nós sabemos perfeitamente que por toda a Europa democrática existem vários países multilingues e isso não é de modo nenhum uma excepção. São vários os países em que isso acontece. Não se compreende porque é que isto também não acontece na Ucrânia, um país que tem vários grupos étnicos e linguísticos. Portanto, a estes dois confrontos, este segundo confronto acabou por ser um confronto Ucrânia-Rússia. Uma vez que a esmagadora maioria da população do leste da Ucrânia é a população russa. Quando a população russa começou a ser atacada no rescaldo de um golpe de Estado de 2014 que derrubou um governo, um Presidente da República democraticamente eleito e instrumentalizado, sem qualquer margem para dúvidas e com a imensa evidência, por parte dos Estados Unidos, essas populações naturalmente reagiram. E houve, portanto, depois, uma solidariedade russa entre Moscovo e os seus 'irmãos' russos, que se encontravam inseridos na Ucrânia. Portanto, o livro elabora muito à volta dessas duas dinâmicas. Como é que elas se interceptam, como é que elas se influem mutuamente e como é que, em última análise, uma acaba por servir de instrumento à materialização da outra. Concretamente, refiro-me ao projecto hegemónico norte-americano que procura impor à Rússia uma derrota estratégica. Uma derrota estratégica essa que terá seguramente várias matizes, mas que fundamentalmente passa por colocar um governo que lhe seja favorável no Kremlin. E, portanto, a partir daí, desenvolver todas as suas acções, nomeadamente no domínio económico, do controlo energético, etc, etc. Se isso acontecesse, seria um controlo mundial por parte dos Estados Unidos e isso não vai acontecer. O que é de salientar, é mais um erro de cálculo estratégico dos Estados Unidos que nos tem vindo a habituar. Tiveram erros de cálculo no Vietname, no Afeganistão, no Iraque, na Líbia. É mais um erro de cálculo estratégico no Irão, porque as coisas saíram quase que diametralmente opostas àquilo que eles queriam fazer. E é sempre a mesma tentativa de substituir um governo por outro que lhe seja favorável. E a partir daí, conseguem manobrar. Foi o que fizeram em Kiev. E portanto, Kiev, na prática, é peão deste grande xadrez entre as grandes potências. RFI: Precisamente, desfaz uma série de mitos em torno das raízes da guerra, aquilo que foi apresentado como uma revolução em 2014, também desfaz os mitos sobre o que acontece dentro da própria Ucrânia, também sobre o estado da oposição dentro da Rússia e também dos próprios interesses, não só dos Estados Unidos, como também da Europa. No meio deste conflito, como é que está a Europa no meio disto tudo? Major-General Carlos Branco: A Europa está num beco sem saída porque com estes dirigentes que estão no poder nesta altura, é difícil ver uma saída para este conflito. Inicialmente, a Europa acabou por aliar-se aos Estados Unidos e apoiar os Estados Unidos neste esforço contra a Rússia. Temos presente, por exemplo, a questão das sanções, etc. Mas a Europa, no meio disto tudo, foi extremamente prejudicada. Por exemplo, a questão energética. O modelo de desenvolvimento industrial europeu baseava-se muito na energia barata que era fornecida pela Rússia e isso acabou. E nós sabemos quem é que fez isso. Os Estados Unidos não permitiram que existisse essa relação entre a Europa, mas fundamentalmente, entre a Alemanha e a Rússia. Isso não é nada de agora, é uma coisa antiga. E a Europa, nesta altura, acaba por, em termos energéticos, consumir muito mais caro. O gás natural, vai comprá-lo aos Estados Unidos e não só, mas é muito mais caro e está a ter grandes dificuldades do ponto de vista do desenvolvimento económico e industrial, fundamentalmente porque não tem as matérias-primas que são indispensáveis para o novo paradigma económico, que passa fundamentalmente pela computação, a computação quântica, grande consumo de dados e a Europa não tem terras raras, para não falar na questão energética. Portanto, tem uma grande dependência. Mas o que é curioso é que a Europa está a falar para dentro, porque quando fala de autonomia, tem que perceber que não é autónoma e portanto, tem que considerar este elemento no processo de decisão e provavelmente terá que se adaptar do ponto de vista das políticas. Mas eu acho que o problema da Europa não é só a questão das matérias-primas. Repare, se nós tivermos em consideração as grandes tecnológicas mundiais, as 'sete magníficas' são todas americanas e nenhuma delas é europeia. E além disso, temos também a juntar-se a este grupo de grandes tecnológicas, também as chinesas. E quando falamos, por exemplo, de 'chips', a Europa é absolutamente deficitária nessa matéria. E se quisermos fazer uma análise mais profunda e verificarmos, por exemplo, as patentes nos mais variados domínios registadas pelos europeus e registadas pelos americanos e pela China, então pela China, muito mais, nós cada vez percebemos que existe uma 'décalage' aí. Repare, há cerca de talvez 20 anos, o PIB agregado da Europa era muito semelhante ao dos Estados Unidos. Hoje é cerca de dois terços. Portanto, quando falamos em dados concretos, nós podemos ter uma dimensão despida de preconceitos ideológicos e perceber que a Europa está numa regressão. Portanto, devia ter tomado uma série de medidas que pudessem inverter esse caminho. Mas as pessoas que estão nesta altura à frente da União Europeia e também dos países da Europa, não são pessoas qualificadas e, portanto, o caminho é escuro. Por exemplo, o comportamento da Europa relativamente a esta guerra na Rússia é uma coisa absolutamente difícil de explicar. RFI: Precisamente, no seu livro fala da deterioração das relações da Europa não só com a China, mas também com a Rússia. E, portanto, tendo em conta que a Europa, ou pelo menos os seus dirigentes, conhecem qual é a agenda dos Estados Unidos relativamente a este conflito, como é que se explica que hoje em dia, os líderes europeus, nomeadamente do Reino Unido, da Alemanha e da França, estejam actualmente com um discurso que tende a dar crédito à possibilidade de um conflito aberto com a Rússia? Major-General Carlos Branco: A explicação é difícil. Há várias possíveis. Uma delas é o facto de terem prometido às suas populações mundos e fundos e agora têm um nada para lhes dar. Não têm nada para lhes dar porque andaram a enganar as suas populações. Andaram a dizer que a Rússia não tinha mísseis, não tinha tecnologia, era apenas uma estação de serviços com armas nucleares. Portanto, deram uma imagem absolutamente errada da situação. Inclusivamente alinharam também num erro de cálculo estratégico, descurando a história. E nós sabemos o que tem sido o comportamento dos europeus relativamente às diferentes Rússias desde o século XVII que tem havido sempre tentativas de invasão da Rússia. A última foi no século XX, esta levada a cabo pelo presidente Biden. Era mais uma aventura, mas essa aí a iniciativa vinha do outro lado do Atlântico. A situação dos europeus relativamente à Rússia é diferente de país para país. Há um ódio visceral entre os russos e os ingleses. Relativamente à Alemanha, a situação tem outros matizes. Mas para responder à sua questão, esta gente andou a dizer que o caminho era a vitória, que íamos ser todos muito felizes e iriam fazer-se grandes negócios na Rússia, aliás, preferencialmente provocando a implosão da Federação e fazer negócios com as diferentes federações e ganhar muito dinheiro. Onde é que estamos? Agora estamos passados cinco anos numa Rússia que está na mó de cima do ponto de vista militar, como do ponto de vista económico, independentemente dos ataques que sofreu na sua profundidade, fundamentalmente nos últimos dois meses, o que é um facto, é que a Rússia não vai claudicar. E cada vez apresenta uma capacidade bélica maior. Como se está a verificar agora, há quase uma semana que Kiev está em permanente ataque e parece que estes dirigentes não perceberam ainda que se atingiu o 'impasse doloroso' e que se calhar, era altura de negociar. Era a altura de falar, era altura de pôr a diplomacia em cima da mesa. Mas isso não vai acontecer porque não estou a ver a Kaja Kallas (chefe da diplomacia da UE) com os requisitos mínimos para se encontrar na função em que se encontra. Tivemos, aliás, uma coisa absolutamente chocante. Houve uma reunião dos ministros das Finanças do G20 (esta semana) nos Estados Unidos. Repare bem nisto: o ministro das Finanças russo foi convidado pelo ministro das Finanças americano porque os Estados Unidos eram a nação anfitriã do evento e os países europeus recusaram-se a tirar uma fotografia dos participantes na reunião. Portanto, com esta gente, não vai haver nunca diplomacia. A situação vai-se agravar ou vai continuar. A isto acrescentam-se as iniciativas de Trump relativamente ao Médio Oriente, o petróleo, independentemente daquelas tiradas de Trump para que o petróleo afinal suba menos um bocadinho. O que é um facto é que continua a subir a inflação na Europa, salvo erro, já vai na casa dos 3% e eu não vejo como é que isto vai ser revertido, porque os europeus parecem estar empenhados em ir para o confronto militar. E hoje tivemos este caso absolutamente estúpido o argumento do tal drone que os alemães não conseguiram descobrir quem e que lhes rebentou com o Nord Stream (gasoduto Alemanha-Rússia), mas descobriram agora, passado um mês, que teria sido a Rússia, mas não apresentaram provas. Eu não estou a dizer que não foram os russos que fizeram aquilo, embora eu não perceba para quê. Eu não entendo. Mas não vamos excluir a possibilidade de terem sido os russos. Apresentem provas. Isso é a primeira questão. Mas isto só está a ser trazido ao de cima, porque Merz (o chanceler alemão) leva nesta altura cerca de 20 pontos de atraso relativamente à AFD (partido de extrema-direita) e vai ter eleições dentro de menos de uma semana. Isto é que é o problema e portanto estão a utilizar uma situação destas para procurar tirar benefícios em termos de política interna. Não há outra palavra. Mas isto cria dinâmicas. Por exemplo, ouvimos o secretário-geral da NATO a fazer uma série de afirmações absolutamente ignóbeis que, no fundo estava a alinhar com esta farsa toda e no fundo a criar situações que depois são extremamente difíceis de serem revertidas. RFI: No seu livro diz que no começo do conflito tinha havido uma possibilidade de eventualmente se chegar a um acordo de paz que foi impossibilitada, nomeadamente por líderes europeus, que convenceram Zelensky de que poderiam ter um acordo melhor e, portanto, relativamente a esta situação, quais são as possibilidades que existem neste momento de eventualmente negociar, sentar à mesa, discutir, chegar a um acordo? Major-General Carlos Branco: Eu vejo isso de forma muito remota. Isso só será possível, isso que eu vou dizer é incómodo, mas penso que nesta altura não há outra volta que é a vitória militar de uma das partes. Só haverá negociações quando se atingir aquilo que se chama de 'impasse doloroso', quando as partes perceberem que têm mais a ganhar à mesa das negociações do que no campo de batalha. Quando psicologicamente interiorizarem essa situação -e é o que nós dizemos- atingiu-se a maturidade e, portanto, há portas abertas para se avançar nesse caminho. Agora estamos longe de isso acontecer, porque a Ucrânia está a ser partida todos os dias. Há um sofrimento brutal para o povo ucraniano, mas os seus dirigentes estão a alimentar uma situação que está perdida. E eu sublinho isto. Mas vai ser até ao último ucraniano. Exactamente. Estes líderes não têm maturidade para perceber isto que eu estou a dizer e portanto vão continuar até ao fim. Para isto contribui também o papel dos europeus, porque se os europeus não dessem fogo a esta fornalha, se não criassem nos ucranianos o sonho de que isto pode ser revertido, de que podem derrotar a Rússia, quer dizer, eu não consigo perceber como é que isso acontece. O próprio chefe de gabinete do presidente Zelensky, Kyrylo Budanov, mas não só, foi também o seu lugar-tenente, que vieram dizer que a Ucrânia precisa de 30.000 soldados por mês. Não sou eu que digo. Portanto, um país que se encontra numa situação destas, que tem largos milhões de cidadãos fora das suas fronteiras, que está a recrutar da forma que é conhecida, que as pessoas são apanhadas no meio da rua e levadas à força, um país que está numa situação destas, a meu ver, está numa situação de grande vulnerabilidade. Mas os seus dirigentes continuam a achar que não. 'Não, isto ainda a gente ainda pode ganhar'. Portanto, é exactamente por causa disso e pela irresponsabilidade do estímulo que é dado pelos presidentes europeus. Aliás, vimos agora quando foi das comemorações do 35.º aniversário da independência da Ucrânia e que foram lá uma série de dirigentes a Kiev. E eles estavam com uma cara muito sorridente a tirar uma fotografia com o presidente. E eu interrogo-me: estão sorridentes porquê? Quer dizer, isto é de uma falta de senso e de uma falta de capacidade de análise da situação. Esta gente não sabe o que é que está a acontecer. Vivem numa bolha exactamente por causa disso. O futuro não pode ser brilhante. Para já, veremos se não há nenhuma movimentação incauta por parte de determinados países da Europa e que venham depois chamar a NATO. Até porque a tentativa de envolver a NATO com este argumento do ataque directo e na tentativa de provocar o artigo quinto (defesa colectiva no caso de um membro ser atacado), já houve várias. Portanto, nós estamos recordados quando houve o míssil ucraniano que caiu na Polónia e que matou, salvo erro, dois agricultores (em Novembro de 2022). O ministro dos Negócios Estrangeiros polaco e a Ucrânia começaram logo a dizer 'isso foi à Rússia, foi à Rússia' e, portanto, já abriu portas para Zelenksy, porque sabe que não consegue sozinho ganhar a guerra. Precisa dos europeus. E o Biden veio mandá-los calar. Objectivamente, foi isso que aconteceu. Portanto, não alinhou nesse projecto porque o que queria, não era criar uma guerra na Europa. O que queria era remover o Putin do poder e colocar lá um seu apaniguado. Mas é que as pessoas às vezes não conseguem distinguir uma coisa da outra. Aliás, isso é outra coisa importantíssima. Biden nunca esteve muito empenhado na vitória militar da Ucrânia. Isso é outra questão que está profusamente documentada. O que ele queria era provocar uma alteração do poder em Moscovo. São coisas diferentes. poderão ter caminhos paralelos, poderão interceptar-se nalgumas fases, mas são coisas diferentes porque, em última análise, o objectivo estratégico é distinto. Portanto, não ter clarividência sobre esta matéria é dramático. RFI: Outro aspecto também importante do seu livro tem a ver com a forma como também são apresentados os acontecimentos pela comunicação social aqui na Europa. É bastante crítico relativamente ao papel da comunicação social. Major-General Carlos Branco: Sim, é verdade. A comunicação social está, com algumas excepções, mas muito reduzidas, plenamente alinhada com uma das partes, está entrincheirada e, portanto, não é um espaço de debate sobre o que está a acontecer, mas é fundamentalmente um espaço onde se divulga de uma forma exclusiva e frequentemente propagandística, os pontos de vista de uma das facções. E o espaço de debate está extremamente reduzido. E muitas das vezes quem tem uma opinião que não coincide com a do meio, acaba por ser marginalizado. Associado a isso, a União Europeia tem-se tornado cada vez mais um organismo autoritário, porque há indivíduos que tiveram maior protagonismo no espaço público e o que lhes aconteceu foi inclusivamente congelarem-lhes as contas bancárias. Portanto, isto que está a acontecer é uma deriva autoritária na qual a comunicação social está a alinhar. Relativamente a estas matérias, não vi estas notícias na televisão e muito menos manifestação de desconforto e de discussão destes assuntos, porque estes assuntos são cruciais. Os americanos saberão muito bem o que aconteceu no rescaldo do 11 de Setembro e as tentativas de calar opiniões, críticas e outras opiniões, vamos pôr isto nesses termos, e a Europa vai por esse caminho.

Reportagem
Lisboa se torna o maior colégio eleitoral brasileiro no exterior da história

Reportagem

Play Episode Listen Later Sep 1, 2026 6:00


O consulado do Brasil em Lisboa registrou um número recorde de eleitores inscritos para votar para presidente este ano: quase 79 mil pessoas. É o maior colégio eleitoral brasileiro no exterior.  Luciana Alvarez, correspondente da RFI em Portugal Em segundo lugar vem Boston, nos Estados Unidos e, em terceiro, aparece outra cidade portuguesa, o Porto. Houve um grande crescimento dos votantes: nas últimas eleições, em 2022, estavam registrados em Lisboa 45 mil eleitores brasileiros, o que significa um aumento de 86%. Para o cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, uma somatória de fatores levaram a uma subida tão expressiva. Um deles é o aumento no total de brasileiros vivendo em Portugal, mas há também aspectos como a necessidade de ter documentos brasileiros válidos para regularizar a residência na agência portuguesa das migrações, a AIMA, assim como a vontade de participar da vida política brasileira. “Ter o comprovante eleitoral é um pré-requisito para a retirada de documentos como o passaporte. Muitos brasileiros que moram aqui, tendo a necessidade de ter o passaporte para regularizar sua situação imigratória, precisam do certificado de eleitor", explica. "Mas, evidentemente, há um interesse de vinculação com a política brasileira, com a renovação dos mandatos”, explica ele. Operação logística A presença de tantos eleitores exige uma operação logística de peso. A equipe do consulado brasileiro tem trabalhado para aumentar a infraestrutura e evitar alguns dos problemas como registrados na eleição passada. Em coordenação com autoridades locais, conseguiram um reforço nos transportes públicos e no policiamento. Desta vez, serão 103 urnas, distribuídas em três prédios da Universidade de Lisboa – na eleição anterior, eram 58 urnas e apenas um prédio disponível, o que levou à formação de longas filas, em corredores apertados. No primeiro turno de 2022, o fim da votação teve que ser adiado em duas horas, para que todos que estavam à espera pudessem exercer o direito ao voto. Para o dia 4 de outubro deste ano, o cônsul promete mais “fluidez”. Além de aumentar os locais de voto, o consulado desenvolveu um chatbot que vai funcionar por Whatsapp para indicar exatamente para que prédio e sala cada eleitor deve se dirigir. “A nossa ideia é que o processo de se deslocar até a universidade, entrar no prédio, entrar numa fila e finalizar o processo de votação seja algo confortável e seguro. A gente quer que o eleitor venha, compareça e participe da forma mais tranquila e alegre possível, porque é uma festa”, afirma Candeas. A “festa da democracia” tem grandes proporções. “Estamos falando de 79 mil leitores, que significa um Maracanã cheio, para dar a dimensão. Além disso, mais de 400 mesários, mais um outro número de voluntários e também contratamos duas empresas de segurança para organização das filas”, diz Candeas. Vínculo com o país, apesar da distância O voto é obrigatório para os brasileiros com mais de 18 anos e até os 70 anos, mesmo para aqueles que moram no exterior. Mas, mais do que uma obrigação, para muitos é uma oportunidade de se manter vinculado ao país e dar exemplo de cidadania. Leandro Takeda se mudou para Portugal há 9 anos e tem dois filhos que nasceram em Lisboa. Ele fez questão de votar para presidente nas eleições passadas e, agora, está ainda mais satisfeito porque foi chamado para ser mesário. “Recebi a confirmação de realmente estar convocado. Vou com prazer e muito orgulhoso de ajudar meu país. Mesmo morando fora, o Brasil vai ser sempre nosso país, um país que a gente ama muito”, conta o eleitor. O cônsul-geral defende que a grandiosidade da votação em Portugal transforma o Brasil em um exemplo internacional de democracia e pode ajudar a promover uma visibilidade positiva da comunidade brasileira no exterior. “Mostra a pujança da nossa democracia. É uma vitrine para o próprio processo, para a qualidade tecnológica das urnas eletrônicas, e para o engajamento do povo", salienta. "Há um engajamento efetivo da comunidade brasileira aqui. Dá visibilidade para a comunidade brasileira, que é uma comunidade não só integrada a Portugal, mas que continua integrada ao Brasil, participando do momento político do seu país.”

Conversas de Bancada
[ T9 ] Ep.301 - O fim do conto de fadas

Conversas de Bancada

Play Episode Listen Later Aug 31, 2026 42:05


Terminou com uma derrota por 0-2 o conto de fadas da Briosa, numa tarde azarada em que - apesar de tudo - ainda houve alguns pontos positivos a reter.Neste episódio, analisamos ao detalhe todas as incidências do jogo, as lesões, os erros e as notas positivas a retirar do desaire frente ao Lusitânia de Lourosa.Houve ainda tempo para fazer a antevisão à próxima jornada, que levará a Onda Negra até Penafiel!

Convidado
Guiné-Bissau: Frente Popular fala em “abstenção histórica” no referendo

Convidado

Play Episode Listen Later Aug 31, 2026 11:34


O referendo constitucional realizado este domingo, 30 de Agosto, na Guiné-Bissau abriu uma disputa sobre a participação eleitoral. A CNE estima uma afluência superior a 55%, enquanto a Frente Popular e organizações da sociedade civil sustentam que mais de 90% dos eleitores boicotaram a consulta. O coordenador da Frente Popular, Armando Lona, fala numa “abstenção histórica”, rejeita a legitimidade do processo e denuncia pressões sobre a comunicação social. O referendo constitucional realizado este domingo na Guiné-Bissau deixou duas leituras diferentes sobre a participação dos eleitores. Enquanto a Comissão Nacional de Eleições (CNE) estima uma afluência superior a 55%, a Frente Popular e o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil afirmam que mais de 90% dos eleitores terão boicotado a consulta. Os resultados oficiais são ainda aguardados e devem ser conhecidos esta terça-feira. O coordenador da Frente Popular e analista político, Armando Lona, afirma que a organização acompanhou a votação através de estruturas próprias e de cidadãos voluntários espalhados pelo território. “Apesar de termos apelado ao povo guineense a boicotar de forma patriótica e massiva, fizemos questão de criar mecanismos próprios, através das nossas estruturas e de cidadãos voluntários em todo o território nacional”, explica. Segundo Armando Lona, ainda antes do fecho das urnas, a plataforma tinha já “uma antevisão daquilo que seria o resultado do boicote”. Para a Frente Popular, a alegada elevada abstenção representa uma rejeição do processo político em curso. Armando Lona fala num “boicote contundente” e considera que a resposta dos eleitores traduz uma oposição ao que classifica como um “projecto de confiscação da democracia e da vontade popular”. A estimativa apresentada pela CNE é, porém, muito diferente. Questionado sobre a possibilidade de os dados oficiais confirmarem uma participação próxima ou superior a 55%, Armando Lona rejeita reconhecer o processo. “A nossa posição é clara: nós não reconhecemos esse acto”, afirma, acrescentando que a Frente Popular também não reconhece os órgãos da actual transição. O dirigente contesta a independência da Comissão Nacional de Eleições e considera anormal a rapidez com que foi divulgada uma primeira estimativa da participação. “É o mesmo senhor que, menos de uma hora depois do fecho da consulta popular, aparece para anunciar dados de participação. Nos actos anteriores, a CNE levava quatro ou cinco dias para anunciar resultados provisórios”, argumenta. Armando Lona sustenta que existem “razões para pôr em causa a credibilidade” dos números apresentados pela instituição. A Frente Popular também considera inconstitucional o referendo: A nova Constituição submetida à consulta tinha já sido aprovada pelo Conselho Nacional de Transição e posteriormente promulgada pelas autoridades de transição, um processo cuja legitimidade Armando Lona rejeita. “Independentemente de ter sido já aprovada e promulgada, todos esses órgãos são, para nós, ilegais e inconstitucionais”, afirma. O coordenador da Frente Popular liga a actual crise política às eleições presidenciais de 23 de Novembro, defendendo que Fernando Dias deve ser reconhecido como Presidente eleito. “Mantemos a nossa exigência central: o reconhecimento de Fernando Dias como Presidente eleito”, declara. No entanto, a Frente Popular diz não excluir uma solução negociada. “Sempre estivemos dispostos ao diálogo”, garante, mas acrescenta que teria de ser “um diálogo sincero” e um “processo transparente”. Para Armando Lona, o referendo procuraria também conferir legitimidade política à actual transição perante a comunidade internacional. “O objectivo deles era utilizar a imagem do povo guineense para fazer propaganda a nível da comunidade internacional”, acusa. Na interpretação da Frente Popular, o boicote terá impedido esse propósito e demonstrado que “o povo é o detentor da soberania plena”. A entrevista abordou ainda a situação da comunicação social. Questionado sobre informações relativas à detenção de um responsável editorial da Rádio Capital, Armando Lona afirmou ter recebido confirmação, através de contactos próximos, de que o jornalista se encontrou até esta segunda-feira, 31 e Agosto, numa esquadra em Bissau. “Houve diligências para tentar obter a sua libertação”, declarou. Para o dirigente, o episódio traduz um ambiente de intimidação: “Não há liberdade de expressão, não há liberdade de imprensa”, acusou. Armando Lona comentou, ainda, as informações sobre a demissão da directora-geral da Televisão da Guiné-Bissau, Mónica Buaró da Costa, depois de a estação pública ter difundido uma reportagem com opiniões de cidadãos sobre a participação no referendo. O analista afirma não poder confirmar que a reportagem tenha estado na origem da decisão, mas considera que, se essa relação vier a ser estabelecida, “não seria surpresa nenhuma”, reiterando as suas críticas ao estado da liberdade de imprensa no país.

Convidado
Caso "Man Genas": "objectivo não era difamar, mas sim denunciar o que acontecia em Angola relativamente a tráfico de drogas e contrabando de combustíveis"

Convidado

Play Episode Listen Later Aug 26, 2026 10:02


Em Angola, Gerson Emanuel Quintas, também conhecido por "Man Genas", foi condenado a dois anos de prisão, com pena suspensa e proibido de usar as redes sociais pelo crime de ultraje ao Estado, mais especificamente por ter acusado as autoridades nacionais de ligação ao tráfico de droga. O advogado da defesa Alberto Quechinacho fala-nos do caso e, mais geralmente, da evolução da legislação angolana, com as leis da ciberseguraça e das fake news, esta última já aprovada.   O angolano Gerson Emanuel Quintas foi condenado a 21 de Agosto, a dois anos de prisão, com pena suspensa. Como pena acessória, é proíbido de usar as redes sociais, sob pena de ir para a cadeia.  "Man Genas" é acusado de ultraje ao Estado, por ter acusado as autoridades nacionais de ligação ao tráfico de droga e de ofensa ao Presidente da República, nomeadamente por ter dito de João Lourenço que é "um corrupto". Alberto Quechinacho: Estamos a ponderar recorrer. O mais certo é que venhamos a recorrer, mas ainda é uma ponderação. Algumas razões muito técnicas, que precisam de ser acauteladas, nos levam a levar a essa ponderação. RFI: E se avançarem com o recurso, qual será a argumentação da defesa? Alberto Quechinacho: Na verdade, o que ficou provado ao longo do julgamento foi uma expressão que o senhor Gerson Emanuel Quintas utilizou, em que chama o Presidente da Republica de "corrupto". Foi esta a expressão que levou o tribunal a formar a convicção de que havia ultraje.  Nós, a defesa, dizemos que, embora tivesse utilizado tal expressão, há duas questões fundamentais. A primeira é que, um jornal africano de grande tiragem teria associado a figura do Dr. João Manuel Gonçalves Lourenço ao processo que ficou conhecido como Dívidas Ocultas, talvez o maior processo de corrupção que já se passou em Moçambique. E desta notícia, é retirada a conclusão de que não houve dissociação entre a figura do Presidente e a de cidadão, que na data era ministro da Defesa. A outra questão é que a posição da defesa é que o Tribunal deveria ter atendido às condições a que o senhor Gerson Emanuel Quintas esteve submetido em Moçambique e que ele próprio declarou em tribunal. O Código de Processo Penal angolano refere que quando são averiguadas as provas, em primeiro lugar se deve ter em conta as declarações do próprio arguido. Gerson Emanuel Quintas referiu que o seu objectivo não era falar sobre as figuras, era denunciar o que acontecia em Angola relativamente ao tráfico de drogas e ao contrabando de combustíveis. E era também denunciar as condições que lhe estavam a ser impostas. Ele estava com dois filhos menores e a sua esposa encarcerado num pequeno quarto com condições extremamente degradantes e que punham em risco a sua integridade e a dos seus filhos. Estamos a falar de crianças com menos de seis anos de idade. Hoje já conseguem brincar como crianças normais, irem para a escola e fazerem outras coisas. Portanto, ele foi condenado por ultraje à figura do Presidente da República e foi absolvido do crime de incitação pública ao crime. RFI: O que diz concretamente a proibição de utilizar as redes sociais? O que acontece se ele as usar com outro nome, como é que as autoridades pretendem controlar essa utilização? Alberto Quechinacho: Não têm como controlar isso, obviamente. Houve, inicialmente, na leitura da decisão, um pequeno equívoco que dava a impressão de que esta pena acessória fosse extensiva à senhora Clemência Suzeth Vumbi. Mas não. Ela foi absolvida, incluindo desta pena acessória. Hoje a utilização das redes sociais passou a ser um direito fundamental das pessoas, não só em Angola. Agora também não está muito claro. Uma coisa é eu abrir uma conta, utilizar a minha conta e fazer divulgações e outra coisa é uma página falar sobre mim, utilizar a minha fala, utilizar a minha imagem, divulgar isso. Portanto, espero que o tribunal tenha em atenção esse detalhe.  RFI: Duas leis recentes abordam a questão da cibersegurança e das informações falsas. Considera que a condenação de Gerson Emanuel Quintas pode ser vista como uma exemplificação desta legislação e que este tipo de condenações pode vir a tornar-se mais frequente? Alberto Quechinacho: Não. Não há vínculo entre o processo de Gerson Emanuel Quintas e a produção dessa lei. Aliás, não há nada de novo que essa lei tenha trazido. A minha visão e a de muitos colegas meus é de que a lei das fake news não vem para regular, mas para intimidar. Esta lei assiste muito a questões eleitorais e também a questões de segurança de Estado. Portanto, é uma lei que foi produzida na vertente de intimidação.  As redes sociais hoje vão-se tornando o meio convencional de comunicação, comparativamente aos meios tradicionais como a televisão e a rádio, porque estes não prestam um serviço público no estrito cumprimento das regras da comunicação social. Então, as redes sociais hoje se tornaram uma ameaça para quem tem o poder político, porque tudo quanto poderia ocultar por via da imprensa tradicional, as redes sociais expõem. Daí que houve a necessidade de se criar normas que pudessem intimidar as pessoas.  O que é "fake news" para nós aqui? É fake news aquilo que as autoridades dizem que não é verdade. Simplesmente isso. Ou seja, se eu tiver conhecimento de uma informação e divulgá-la, basta que um órgão público diga que não é verdade para que se torne fake news, mesmo que seja verdade. Imagine que o porta voz da polícia, da saúde, quem quer que seja, venha a público dizer "isso não é verdade". Quem divulgou aquilo passa a estar na condição de ter divulgado informações falsas. Aqui em Angola, quando um governador da província de Luanda não foi ainda nomeado, as redes sociais já sabem quem vai ser. Portanto, se aparecer alguém a dizer "isso não é verdade", você cai logo no crime de fake news. E esse é o grande risco de vermos muitas pessoas a serem condenadas por crime de fake news, mesmo sob informações verdadeiras, mas desde que as autoridades digam o contrário. Esta legislação não incide tanto sobre o jurídico, mas sim sobre o político.   Gerson Emanuel Quintas tem ainda outro processo em curso, em que é acusado dos crimes de injúria, difamação e calúnia, contra o antigo director provincial de Luanda do Serviço de Investigação Criminal, Fernando Receado. O processo foi adiado depois de já terem sido realizadas duas audiências. 

Saúde Digital
SD373 - 7 motivos para o médico ir além do jaleco

Saúde Digital

Play Episode Listen Later Aug 25, 2026 37:26


Houve uma época em que ser tecnicamente excelente bastava. O médico bem formado, que acertava o diagnóstico e entregava a conduta correta, tinha o sucesso praticamente garantido. Hoje a excelência técnica coloca o médico no jogo, mas não faz ele vencer o jogo. Neste episódio, Dr. Lorenzo Tomé apresenta o livro Além do Jaleco e desenvolve os sete motivos que dão nome ao trabalho. O jaleco é tomado como símbolo da excelência técnico-científica: necessária, inegociável, e insuficiente sozinha. Os sete motivos: excelência técnica virou pré-requisito; o consultório tradicional bateu no teto; marketing é controle, não visibilidade; vender é parte do cuidado; dinheiro sem mapa custa caro; a tecnologia acabou com a vantagem de só saber mais; sem margem nada disso se sustenta. O episódio também trata da diferença entre persuasão e manipulação, do erro de explicar demais e converter de menos, do medo que muitos bons médicos têm de olhar para os próprios números, e fecha nas quatro margens que sustentam a carreira: emocional, física, estratégica e financeira. Este episódio não substitui a leitura do livro. É um convite para ela. O background do Dr. Lorenzo Tomé Lorenzo Tomé é médico radiologista formado pela UFMG, fundador e CEO da SD Escola de Negócios Médicos, escola especializada em estruturação de modelos de negócio para médicos com ética, método e previsibilidade. Com mais de 500 médicos capacitados, desenvolveu uma metodologia própria baseada em receita recorrente por acompanhamento longitudinal, que combina gestão, marketing, vendas, finanças e tecnologia aplicados à prática clínica. É autor do livro Além do Jaleco e atua como mentor direto de médicos em diferentes especialidades, ajudando-os a construir negócios sustentáveis, escaláveis e alinhados com o propósito de cuidar. Adquira o livro Além do Jaleco direto no site da Editora Manole ou no site da Amazon Entre na Comunidade SD no WhatsApp e tenha conteúdo gratuito todos os dias sobre negócios médicos. Assista esse episódio também em vídeo no Youtube no nosso canal Saúde Digital Podcast! Acesse os episódios anteriores! SD372 - Sua secretária não é custo: estruture a porta de entrada do faturamento SD371 - Os cinco pilares que a faculdade não te ensinou a estruturar SD370 - Como posicionamento e marca pessoal fazem o paciente certo escolher você Música: Declan DP - Friendship Music © Copyright Declan DP 2018 - Present. https://license.declandp.info | License ID: DDP1590665

Artes
Realizadora angolana Pocas Pascoal distinguida no Festival de Cinema de Locarno

Artes

Play Episode Listen Later Aug 25, 2026 20:21


A realizadora angolana Pocas Pascoal, foi distinguida a 9 de Agosto com o 'The Open Doors - OIF Francophonie Award', no âmbito do Festival de Cinema de Locarno na Suíça que decorreu de 5 a 15 de Agosto. Durante o festival, a cineasta, autora nomeadamente de fitas como 'Memórias de Infância' em 2000, ou ainda 'Alda e Maria' em 2011, projectou a sua curta-metragem 'Time to Change', um filme sob forma de denúncia do colonialismo e apresentou o projecto pelo qual foi premiada, em torno da figura da cineasta francesa Sarah Maldoror, conhecida designadamente por ter acompanhado em imagem a luta de libertação de Angola. Em entrevista à RFI, a realizadora, a viver em Portugal há cerca de nove anos, partilhou a sua alegria por ter sido distinguida, falou da sua experiência como cineasta em Portugal e também evocou o que pretende contar na fita sobre Sarah Maldoror. RFI: Como se sente com o prémio que recebeu em Locarno? Pocas Pascoal: Sinto-me muito bem! Acho que é um grande impulso também para a minha carreira, que já começou há muitos anos, mas continua a crescer. É um prémio que vai valorizar também o projecto que eu estou a escrever sobre a Sarah Maldoror, que vai de certeza permitir-me concluir o projecto que estou a escrever e espero eu que vai ajudar também a ter financiamentos. Portanto, eu acho que é assim uma coisa muito, muito importante, o que me aconteceu. Tive muita gente a contactar-me interessada no projecto depois deste prémio. Isto é um grande impulso. O Festival de Locarno em si, é um grande programa de encontro e que nos permite fazer contactos e relações que ficaram até para o resto da vida, de certeza. Portanto, já isso é muito, muito importante como festival, como plataforma mesmo de formação. Nunca aprendi tanta coisa sobre cinema em tão pouco tempo e nunca fiz tantos encontros em tão pouco tempo também. Portanto, o facto de estar no Festival de Locarno em 'Open Doors' já é um grande presente e um grande prémio, porque permite-nos projectar o meu projecto internacionalmente. Estive lá com o filme e, sim, há já algumas coisas que estão a avançar bem e penso que vamos assinar um contrato de co-produção. RFI: A curta-metragem que lhe deu essa chave para a próxima etapa é 'Time to Change'. O que é 'Time to Change'? Pocas Pascoal: É uma crítica à colonização, à colonização em geral, mas sobretudo à colonização portuguesa, que foi aquela que Angola viveu. Tento denunciar através deste filme aquilo que se passou. E faço uma ponte entre o passado e o presente, hoje, criticando a relação que os portugueses tiveram, que foi uma relação de repressão e de exploração. Em Portugal há uma mentalidade ainda que, infelizmente, continua. Continuam a pensar que a colonização portuguesa foi uma boa colonização, que foi uma colonização 'soft', que misturaram-se muito e que não foi assim tão grave. Mas foi grave, Foi muito grave. Este filme denuncia aquilo que foi a colonização e também denuncia o desequilíbrio dos ecossistemas que começaram naquele momento. Portanto, quando os portugueses chegaram, havia um equilíbrio, uma maneira de viver que os angolanos, o ser humano teve que modificar, teve que se adaptar àquilo que esses colonos quiseram que eles se tornassem. Mesmo a nível de habitação, a nível da arquitectura, tivemos que sair da nossa casa feita de madeira e de palha, que era uma coisa local. Houve várias coisas que se podem aprofundar em relação a isso e mudaram-nos completamente, a nossa maneira de ser, a nossa cultura, a nossa linguagem mesmo. A língua que tivemos que falar foi a portuguesa. E também a natureza, os animais. Para mim, esta alteração climática começou já nesse momento. Portanto, eu faço esta ligação do passado ao presente para denunciar as consequências desta colonização ainda hoje. RFI: Como é que é estruturado este filme? Portanto, é um filme que vai buscar imagens documentais. Por exemplo, uma imagem muito forte, muito simbólica, de caçadores. Pocas Pascoal: Eu utilizei imagens de arquivo no filme e não só. Também tem imagens dos dias de hoje. Essas imagens do caçador são imagens horríveis e acho que apercebemo-nos que naquela altura caçava-se muito de forma recreativa. Caçava-se para o homem se sentir mais forte, o mais forte do universo, mais forte do que os animais, mais forte do que o elefante, que é um animal gigante. Numa das fotografias, tem uns três caçadores com uns cinco ou seis Elefantes. é uma coisa horrível. E são animais que hoje em dia estão a desaparecer por causa disso. Por foram tão caçados às vezes só para poderem pôr um troféu na parede. E às vezes para poder se sentirem fortes. E para poderem utilizar o marfim. É uma coisa absurda, porque é uma mentalidade que infelizmente destruiu. E isto, acho que temos que tomar consciência. E lembrarmo-nos, continuarmos a lembrar o que foi e o que é que está a acontecer hoje. Portanto, é uma maneira para mim também de reavivar a memória. RFI: Falou da forma como Portugal encara o período colonial. Como é que ele é encarado em Angola? Pocas Pascoal: Ai, eu já não estou em Angola há 40 anos! E vou muito raramente a Angola. Seria difícil falar sobre este tema. Sei que em relação aos angolanos que estão na diáspora, é uma luta constante contra o racismo. Eu vivi vários anos em França e nunca vivi tanto racismo como vivo aqui em Portugal, infelizmente. Há coisas maravilhosas, mas há um racismo muito básico. Na verdade, é uma coisa que foi impregnada na mente das pessoas, que as pessoas negras são pessoas inferiores, que são pessoas que não têm instrução, que são pessoas que não têm meios financeiros, que são pobres também. Isto aconteceu-me. O racismo que eu tive aconteceu-me com várias pessoas de vários meios sociais. Por isso é uma coisa que está impregnada na mente das pessoas portuguesas e que não sai. E que eu acho que é um trabalho que se deve fazer. É um trabalho que talvez não tenha sido feito. Eu penso que não foi feito um trabalho que deve começar a nível das escolas, com as crianças, para tentar mudar esta mentalidade e é um trabalho político também. Eu acho que a Europa e Portugal, sobretudo, que é o país onde eu vivo, tem uma grande dívida com esses países que colonizaram. Mas esta dívida devia ser paga através de um trabalho de memória, de um trabalho de formação e de informação. É um trabalho que deve ser começado pelas crianças nas escolas, porque só a partir daí é que as mentalidades das pessoas brancas vão começar a mudar e a reconhecer que nós somos iguais. RFI: Como é que é fazer cinema em Portugal? Aquilo que acaba de me descrever também entra em linha de conta para a sua vivência em termos de trabalho? Pocas Pascoal: Claro, uma grande influência, infelizmente, é terrível. Eu vou contar-lhe uma coisa que eu por acaso falo muito raramente e não estou a falar do lado financeiro, porque o lado financeiro é realmente um problema com as mulheres, porque nós temos estado a lutar contra isso também. Eu faço parte de um grupo de mulheres no cinema que se chama 'Mutim' (Associação de Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento em Portugal). A 'Mutim' lutou muito para que haja nos júris do ICA (Instituto de Cinema e do Audiovisual) mulheres, que as mulheres sejam representadas também nos júris. Portanto, isto já muda muito, os financiamentos. E depois? Agora é chegar a mulheres negras, porque também é um problema de imaginar um filme onde só haja pessoas negras. Mesmo se eu não faço filmes só com pessoas negras, mas um filme onde haja uma maioria de pessoas negras, os júris podem ver aquilo muito mal. É um filme que não vai ter público. Um filme que vai ser mal distribuído, se calhar, porque se há uma mentalidade que ainda pensa que as pessoas negras não têm formação, não são instruídas, etc, no cinema também é uma coisa muito às vezes inconsciente. No cinema também, portanto, há uma luta contra isso. Há uma vitória pequenina, é verdade. Já se vê alguns filmes distribuídos nos cinemas com pessoas negras, mas são filmes americanos. É verdade. Negro e americano. Ok, já é melhor aceite. Mas o que eu queria contar há bocado é que aconteceu-me. Há uns anos atrás, fiz um telefilme. Fui convidada porque era uma mulher. E aceitei porque era uma oportunidade para mim de trabalhar na indústria portuguesa. Eu tinha acabado de chegar a Portugal e eu tinha feito um casting com pessoas negras, porque o filme passava-se nos subúrbios de Lisboa e aquilo foi uma luta. Foi horrível. Não consegui ter um casting só com pessoas negras. Foi uma luta terrível. Mas há um público e é um erro enorme, porque há um público, porque quando passa um filme na televisão com pessoas negras, as pessoas vêem os filmes. Há estatísticas, as pessoas vêm e é muito visto. Portanto, há um erro enorme em relação a isso. Isso também faz parte do trabalho para modificar isso. Faz parte deste trabalho, que é muito político e que as pessoas têm que fazer. Como eu disse há bocado, tem que começar nas escolas com as crianças, porque senão as coisas não vão mudar. RFI: Estava a mencionar o facto de ter também a expectativa de que o facto de ganhar esta visibilidade com este prémio também possa dar um impulso ao seu próximo projecto, que tem a ver com a figura da Sarah Maldoror, que faz a ponte entre a francofonia, porque ela era das Antilhas, com o mundo lusófono, uma vez que ela focou o seu olhar sobre a África lusófona, sobre Angola, sobre a Guiné-Bissau. O que é que a levou a interessar se por esta realizadora? Pocas Pascoal: É uma figura muito importante em Angola. Ela até é considerada angolana em Angola. Ela fez os dois primeiros filmes em Angola. A primeira vez que eu vi pessoas negras no cinema, era muito jovem, foi através de filmes da Sarah, o filme 'Sambizanga'. Portanto, eu era muito, muito jovem. Eu devia ter nove ou dez anos e foi a primeira vez que eu também começo a descobrir a história do meu país em relação à colonização. Eu tive a sorte de ter conhecido a Sarah. Eu estive com Sarah duas vezes. A primeira vez que eu ouvi a Sarah foi numa residência em França, na Normandia, onde a Sarah tinha a melhor amiga dela. Era proprietária da residência. Portanto, eu estava lá. Sarah veio visitar a amiga e eu conheci a Sarah. Eu era muito tímida naquela altura, portanto eu quase nem falei com ela. E a segunda vez que estive com Sarah, foi durante uma viagem para Angola. Nós fomos convidadas, várias pessoas foram convidadas, para um festival em Luanda. Acho que foi o segundo ano desse festival e a Sarah foi homenageada nesse festival. E como viajamos juntas, devem ter comprado os nossos bilhetes ao mesmo tempo. Estávamos sentadas uma ao lado da outra e foi muito engraçado. Fizemos sete horas juntas, uma ao lado da outra. Tivemos a oportunidade de conversar. A Sarah contou-me a história deste filme, que deveria ter sido o primeiro filme dela, a primeira longa-metragem ('Armas para Banta', Guiné-Bissau, 1970). E eu me interessei muito naquela altura. Interessei-me muito pela vida dela, porque tinha visto vários filmes feitos por ela. E, sobretudo, interessei-me muito por essa história, que é uma coisa de injustiça. A Sarah, que lutou a vida toda pela justiça social e pela igualdade de direitos. Este filme foi uma grande injustiça para ela. Eu nem sei se já tinha perguntado isso, mas o meu filme é sobre a Sarah nesse momento, quando ela vai à Guiné-Bissau, vai documentar a luta armada dos guineenses contra a colonização portuguesa. E ela, em vez de falar de um herói no filme, ela faz uma heroína. E quando ela volta para a Argélia, o filme não é aceite. Ela é expulsa da Argélia. Bom, estou a resumir, mas ela é expulsa da Argélia. E o filme lhe é retirado e desaparece até hoje. Portanto, eu interessei-me muito por este este momento da vida da Sarah, que também é o início da carreira dela. E também, para mim, é a oportunidade de falar dessas mulheres, porque ela vai filmar aquelas mulheres que foram realmente resistentes e estiveram na guerrilha durante muitos anos a lutar contra a colonização portuguesa. Portanto, para mim também, é a oportunidade de falar dessas mulheres. É claro que o foco é na Sarah e a Sarah interessa-me muito. Eu estudei muito, vi os filmes dela todos e interessam-me porque é uma pessoa que foi íntegra. Ela lutou a vida toda, fez mais de 40 filmes e através do cinema, ela lutou pela igualdade de direitos. Ela foi uma grande resistente. Ela foi uma grande activista e é uma para mim, um exemplo e uma referência de uma pessoa negra que conseguiu e sempre foi honesta com ela mesmo e com aquilo que ela fez. Íntegra. Portanto, para mim, é uma grande referência e um grande exemplo. E eu gosto do cinema dela. E também, eu penso muito no cinema dela, vejo filmes dela, quando faço os meus filmes. É uma grande referência. RFI: Essa história de Sarah Maldoror na Guiné-Bissau a tentar retratar as mulheres que participaram na luta de libertação e que foi um filme rejeitado. Isto, no fundo, também vai tocar na sua fibra feminista. Pocas Pascoal: Não vou generalizar porque a África é muito diferente, mas as mulheres em Angola são mulheres que foram muito valorizadas e que o são até hoje, que têm um grande poder na família e não só, também no trabalho. É claro que estamos a falar também de um sistema patriarcal. É evidente. Eu vivi depois da colonização, esta valorização das mulheres. As mulheres que lutaram contra a colonização portuguesa são mulheres que, muitas vezes, é verdade, pensando bem, são mulheres que ficaram na sombra. São mulheres que não foram muito faladas. Houve uma que se tornou heroína, mas falava-se muito pouco das mulheres. Portanto, a Sarah, ela tem este lado também feminista, mesmo se ela não se dizia feminista. Ela tem esse lado feminista porque ela, os personagens dela, no início da carreira dela, eram mulheres. Ela quis pôr em evidência as mulheres africanas, as mulheres negras, porque essas mulheres nunca eram os personagens principais nos filmes. Eu faço filmes sobre mulheres. É uma coincidência, mas porque são pessoas com quem eu me identifico mais facilmente, mais rapidamente, e são temas que me tocam imenso. RFI: Em que fase está? Pensa que este projecto em torno da Sarah Maldoror vai vingar quando? Pocas Pascoal: Francamente, eu penso que o filme agora e com este prémio também, que está a valorizar o projecto e que estava lá o Instituto de Cinema no Locarno, também eles viram, assistiram a isso, eu espero que não somente o ICA, mas outros fundos se interessem pelo projecto e já se estão a interessar. Espero rodar o filme em 2027 e espero que o filme em início de 2028 esteja acabado. Realmente, acredito que agora vai avançar rapidamente. Eu levei muito tempo a fazer pesquisa, vi e falei muito com as filhas da Sarah. Estive a tentar procurar qual era o melhor momento da vida da Sarah para eu poder pôr no cinema, porque não quis fazer um 'biopic' sobre a vida da Sarah, mas quis fazer sobre uma parte da vida dela que é enorme. O momento em que ela vai fazer este filme é o início da carreira dela também. Por isso passei muitos anos em pesquisa a tentar encontrar como é que eu ia falar sobre esta pessoa, que também não é muito fácil. Se seria documentário, ficção, falar desta pessoa que é uma pessoa que eu admiro muito e não me quero enganar. Portanto, acho que tenho um bom filme, foi aquilo que eu escolhi. Espero que nos próximos dois anos o filme esteja acabado. RFI: Tem outros projectos na forja ou é uma pessoa de um só projecto de cada vez? Pocas Pascoal: Não. Eu sou hiperactiva, portanto tenho vários projectos. Estou a acabar agora um filme, mas é uma curta também. Quando falo de hiperactividade não faço várias longas ao mesmo tempo, infelizmente. É uma questão financeira, mas enquanto estou à espera de financiamento para uma longa, estou a fazer curtas-metragens e tento fazer também instalações. Não faço muitas, mas tento participar em exposições e fazer instalações. E neste momento estou a fazer uma curta-metragem que, espero eu, estará nos festivais. Acho que no fim do ano já vou começar a mostrar o filme e também há uma curta-metragem feita com arquivos. Não vou revelar ainda a história porque ainda estou a montar e as coisas podem evoluir. Gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Sem Falta
SLB x AFG."Penalty e expulsão" perdoados ao Aarhus

Sem Falta

Play Episode Listen Later Aug 20, 2026 14:12


Nota 5, positiva mínima, para Marc Guida, árbitro italiano que apitou a vitória do Benfica sobre o Aarhus. "Houve um erro grave na área", mas também houve boa intervenção do VAR no penalty do Benfica.See omnystudio.com/listener for privacy information.

CBN Vitória - Entrevistas
Seca passa de fraca para moderada no ES; Super El Niño pode agravar cenário!

CBN Vitória - Entrevistas

Play Episode Listen Later Aug 20, 2026 7:09


A seca que atinge o Espírito Santo se agravou e passou de fraca para moderada em todo o território capixaba, segundo o 5º Boletim de Monitoramento do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) El Niño, divulgado pelo governo do Estado. Os dados são referentes ao mês de julho. Houve um agravamento da situação climática no Espírito Santo. Em junho, 100% do território capixaba estava classificado como seca fraca; em julho, todo o estado entrou na classificação de seca moderada.Segundo a coordenadora Estadual Adjunta de Proteção e Defesa Civil, tenente-coronel Lorena Rezende, o cenário é típico para essa época do ano, mas o alerta é que com o chamado Super El Niño, pode ocorrer o agravamento. 

Canal Ser Flamengo
Flamengo de 2013: os números DESMONTAM a narrativa de gastança com contratações

Canal Ser Flamengo

Play Episode Listen Later Aug 19, 2026 20:21


A reestruturação financeira do Flamengo iniciada em 2013 voltou ao debate após comparações com decisões recentes de outros clubes. Mas o que realmente aconteceu naquele período?Os números mostram que o Flamengo não fez apenas um corte de gastos no futebol. Houve redução da folha, renegociação de dívidas, reorganização administrativa, revisão de contratos e aumento progressivo das receitas.Em 2013, o Rubro-Negro tinha a nona maior folha salarial da Série A e montou um elenco baseado principalmente em empréstimos, jogadores sem custo de transferência e atletas que já estavam no clube.O processo foi gradual. Grandes investimentos só apareceram anos depois, quando o Flamengo já apresentava uma situação financeira muito mais equilibrada.Neste vídeo, recuperamos essa cronologia e mostramos por que a história da reestruturação rubro-negra é muito diferente da narrativa simplificada de “calote” ou “economia às custas do futebol”.QUER FALAR E INTERAGIR CONOSCO?:    CONTATO I contato@serflamengo.com.br SITE I ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠serflamengo.com.br⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠TWITTER I ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@BlogSerFlamengo⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠INSTAGRAM I ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@BlogSerFlamengo⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠#Flamengo #NotíciasDoFlamengo #FlamengoAoVivo

O Mundo Agora
Extrema direita europeia usa crise em Ceuta para atacar Sánchez e espalhar medo de 'invasão migratória'

O Mundo Agora

Play Episode Listen Later Aug 17, 2026 5:08


Ao regularizar imigrantes que já viviam no país, a Espanha contrariou a guinada conservadora do continente. A extrema direita aproveitou a crise de Ceuta para transformar essa diferença numa suposta ameaça para toda a Europa.  Thomás Zicman de Barros, analista político Pedro Sánchez é o primeiro-ministro espanhol – ou, mais precisamente, presidente do Conselho de Ministros – e hoje um dos poucos líderes de esquerda da União Europeia. Nessa posição, acabou comprando briga com muitos governos de direita do continente. No início deste ano, a Espanha lançou uma ampla regularização de imigrantes que já viviam no país, em muitos casos trabalhando e contribuindo para a economia, mas sem os papéis em dia. A decisão causou alvoroço numa Europa governada majoritariamente pela direita e onde ideias antes associadas à extrema direita estão cada vez mais normalizadas. Esse contraste ficou particularmente evidente numa pretensa crise migratória ocorrida há duas semanas em Ceuta, no norte da África. Ceuta é um pequeno território espanhol na costa marroquina, reivindicado pelo Marrocos. Volta e meia, a região vive tensões relacionadas à migração, com pessoas tentando atravessar a fronteira para chegar ao território espanhol. No fim de julho, porém, o episódio tomou uma dimensão extraordinária: mais de 70 mil pessoas entraram em Ceuta em pouco tempo, muitas delas influenciadas por rumores divulgados nas redes sociais de que a fronteira estaria aberta. Dezenas morreram durante a travessia. Para uma cidade de cerca de 80 mil habitantes, evidentemente houve uma crise local e humanitária. Mas a extrema direita espanhola e europeia rapidamente apresentou outra história: a Europa estaria sendo “invadida”. O Vox atacou Sánchez e associou as chegadas à sua política migratória. Fora da Espanha, o medo propagado era de que essas pessoas chegassem à Espanha continental e, graças à livre circulação do espaço Schengen, seguissem para outros países europeus. Passado eurocético Aqui vale uma pequena digressão. Até dez ou quinze anos atrás, boa parte da extrema direita era profundamente eurocética. Marine Le Pen defendia a saída francesa do euro e vários partidos flertavam com a possibilidade de retirar seus países da União Europeia. Depois do Brexit, essa estratégia perdeu força. Em vez de sair da União, a extrema direita passou a tentar conquistá-la por dentro, defendendo uma Europa entendida como uma comunidade civilizacional, frequentemente associada à identidade ocidental, branca e cristã, e à necessidade de protegê-la da imigração. Nesse processo, esses partidos aprenderam também a conviver com a livre circulação dentro da Europa, que continua muito popular. Não é fácil fazer campanha contra a possibilidade de um francês passar férias na Espanha ou de um italiano estudar e trabalhar em outro país sem enfrentar controles fronteiriços. Ceuta ofereceu uma oportunidade para colocar novamente essa liberdade em questão. O governo de Giorgia Meloni restabeleceu controles sobre viajantes provenientes da Espanha, alegando o risco de movimentos secundários de migrantes. Outros governos também pressionaram Madri a endurecer sua política migratória. Controles específicos O problema é que a premissa dessa reação era falsa. Ceuta é território espanhol, mas não oferece passagem automática para o continente europeu. A circulação entre Ceuta e a Espanha continental está sujeita a controles específicos. E, nos dias seguintes à entrada em massa, quase todos os migrantes retornaram ao Marrocos. O governo espanhol informou que ninguém daquela onda havia chegado à Península. Não é sequer a primeira vez que algo semelhante acontece. Em 2021, durante uma crise diplomática entre Espanha e Marrocos, milhares de pessoas entraram repentinamente em Ceuta depois de um relaxamento dos controles marroquinos. A enorme maioria também acabou retornando. Houve, portanto, uma emergência real em Ceuta, mas não a onda migratória continental anunciada pela extrema direita. A crise foi instrumentalizada para atacar Sánchez e uma política espanhola que contraria o consenso cada vez mais restritivo sobre imigração no restante da Europa.  O episódio mostra também como mudou a extrema direita europeia. Ela já não precisa defender a saída da União Europeia para colocar em questão algumas de suas principais conquistas. Diante de uma crise localizada na fronteira africana da Espanha, reapareceram controles dentro da própria Europa, apesar de a suposta onda migratória não ter saído de Ceuta. A Espanha de Sánchez tem tentado resistir a esse consenso cada vez mais conservador que domina o debate político europeu. Mas Ceuta mostrou que essa disputa será difícil. Hoje, Madri aparece cada vez mais isolada diante de um continente que sofre, sim, uma invasão – não de imigrantes, mas de ideias de extrema direita.

Estadão Notícias
'Direito Xandônico e os penduricalhos no STF: depois de cassarem o sigilo de fonte, voltam os caçadores de marajás | Estadão Analisa com Carlos Andreazza

Estadão Notícias

Play Episode Listen Later Aug 13, 2026 55:33


No “Estadão Analisa” desta quinta-feira, 13, Carlos Andreazza fala sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que determinaram nesta quarta-feira, 12, que sete tribunais de Justiça suspendam imediatamente o pagamento de penduricalhos irregulares. Os magistrados exigem ainda que os presidentes de cada Corte enviem, em 72 horas, os nomes dos juízes beneficiados e devolvam valores acima do limite de 70% do subsídio. A medida alcança os tribunais de Maranhão, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná, Rondônia, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. Nas decisões, que são idênticas, os ministros afirmam que os valores são “exorbitantes”. Houve ainda reporte de possíveis irregularidades nos pagamentos de honorários de sucumbência para membros da Advocacia-Geral da União (AGU). Neste caso, os ministros foram mais brandos. O ministro Alexandre de Moraes ainda afirmou que 1,1 mil magistrados estaduais receberam indevidamente mais de R$ 100 mil em abril, o que ele classificou de “pagamentos exorbitantes não autorizados pelo STF”. O ministro ordenou que sete Tribunais de Justiça suspendam imediatamente o pagamento de penduricalhos irregulares. Acompanhe Estadão Analisa com o colunista Carlos Andreazza, de segunda a sexta-feira, o programa traz uma curadoria dos temas mais relevantes do noticiário, deixando de lado o que é espuma, para se aprofundar no que é relevante Assine por R$1,90/mês e tenha acesso ilimitado ao conteúdo do Estadão. Acesse: https://ofertas.estadao.com.br/_digital/See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
"Se as pessoas que exercem o poder não têm cultura democrática, a Constituição não serve para nada"

Convidado

Play Episode Listen Later Aug 13, 2026 16:09


Na Guiné-Bissau, decorre a partir desta quinta-feira e até ao dia 28 de Agosto a campanha de sensibilização sobre a nova Constituição a ser submetida a referendo no próximo 30 de Agosto. Ontem, por ocasião da comemoração dos 35 anos da existência da Liga Guineense dos Direitos Humanos, o seu dirigente Bubacar Turé esboçou um retrato da situação actual do seu país, evocando nomeadamente a perspectiva desta consultação popular. Ao apelar à investigação dos homicídios de activistas por resolver e ao manifestar também a sua "profunda preocupação" com a situação dos civis e militares privados de liberdade há mais de um ano sem acusação formal, Bubacar Turé expôs, por outro lado, os seus questionamentos em torno da nova Constituição que o Conselho Nacional de Transição pretende implementar. Para além de mencionar que as actuais autoridades entram em contradição com leis que elas próprias adoptaram para regulamentar a organização do referendo. Bubacar Turé também considerou que a Constituição "não pode ser elaborada ou revista à pressa". Em entrevista concedida à RFI, o dirigente da Liga tornou a vincar esses argumentos e também questionou o próprio conteúdo da nova Constituição. RFI: Arranca nesta quinta-feira a campanha de sensibilização em previsão do Referendo sobre a nova Constituição. O que se pode dizer desde já sobre esta consulta? Bubacar Turé: Para nós, o referendo levanta questões legais. Nós estamos a falar de uma legislação que foi aprovada pelo Conselho Nacional de Transição no mês de Junho, a Lei N°12/2026 e que foi publicado no Boletim Oficial e está em vigor. Esta legislação, no seu artigo 9°, proíbe, de forma expressa, a realização de referendos entre a marcação da data das eleições para órgãos de soberania e eleições autárquicas. E, portanto, durante esse período, nos termos desta legislação, não se pode realizar referendo. Portanto, nós não somos contra o princípio de referendo. O referendo é algo importante porque permite ao povo directamente exprimir a sua vontade sobre um determinado assunto. Isso é algo salutar em qualquer processo democrático. O que nós questionamos é a legalidade deste processo. Repare que não estamos a falar de uma legislação aprovada pelo próprio Conselho Nacional de Transição. Não se trata de uma lei anterior ao golpe de Estado, mas sim uma lei aprovada para regulamentar a realização desta votação. Nós não tínhamos nenhuma legislação sobre o referendo. RFI: A nível da sociedade guineense, também se tem questionado muito a realização deste referendo, precisamente numa altura que coincide com o período das chuvas, que é um período em que não se organiza qualquer tipo de consultas populares. Bubacar Turé: Não há, em relação a esse aspecto, alguma proibição legal, pelo menos. Nós desconhecemos alguma norma que proíbe a realização de eleições ou referendo em período de chuva, é uma questão apenas operacional. Mas o processo levanta outros problemas. Tem a ver com a inclusividade, a participação, porque o processo de revisão constitucional, de facto, não foi um processo inclusivo. O texto foi adoptado pelo Conselho Nacional de Transição sem nenhum debate público. O que nós lamentamos, porque a Constituição é um contrato social. O povo, através de organizações representativas, actores nacionais, devem poder exprimir, contribuir para enriquecer o conteúdo de um documento que pretende ser um contrato social. Não foi o caso. RFI: Por exemplo, a Liga não foi questionada sobre o que acha dessa nova Constituição? Bubacar Turé: Não só a Liga, como outros actores. Existem outros actores relevantes. A Liga pode não ser consultada, mas nós temos outros actores, os partidos políticos, os líderes comunitários, as mulheres, os jovens e demais organizações da sociedade civil. E, além disso, na nossa perspectiva, foi preparada à pressa e contém alguns erros técnicos que, para nós, podem constituir problemas para o futuro. Por exemplo, o texto da revisão Constitucional removeu o capítulo referente à fiscalização da constitucionalidade. Isso para nós é extremamente preocupante. Eu não posso afirmar que esse acto de remoção deste artigo foi um acto deliberado. Não tenho elementos para isso. Pode até ser um erro técnico, mas é extremamente preocupante. A supremacia da Constituição reside no facto de ela própria criar mecanismos para impor essa supremacia. Isso só pode ocorrer em sede da fiscalização da constitucionalidade através de órgãos jurisdicionais. Ora, uma Constituição que não tem normas para a fiscalização do seu próprio cumprimento, é uma letra morta. Isso transmite uma imagem de insegurança aos cidadãos e isso constitui uma fragilidade enorme no tecido democrático e no Estado de Direito. E é também uma enorme vulnerabilidade no quadro de protecção de direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos. Portanto, esses aspectos todos podiam ser evitados, se houvesse um debate amplo, um debate nacional. Não está em causa a necessidade de revisão da Constituição. Nós não negamos que o Conselho Nacional possa ter essa ideia e, sobretudo, devolver a palavra ao povo através do referendo para o povo se pronunciar, desde que fosse algo inclusivo, participativo, aberto e democrático. Isso não é algo exclusivo da Guiné-Bissau. Na Guiné-Conacri, Mali, Burkina Faso, outros países depois dos golpes de Estado, organiza-se referendo. É perfeitamente normal. Não é isso que está em causa. Está em causa é o procedimento, a forma como está a ser feito. Coloca questões que nós entendemos que poderão prejudicar no futuro do país e os cidadãos. RFI: O que se sabe sobre este novo projecto de Constituição, é que instaura um regime semipresidencialista, ou seja, alarga as prerrogativas do Presidente, um regime algo semelhante aos países da África francófona e até semelhante à própria Constituição francesa, onde o presidente também tem poderes alargados. Os defensores desta nova Constituição dizem que isto será uma forma de precisamente se proteger contra os golpes. Bubacar Turé: Eu acho que a Constituição tem vários problemas e um dos problemas tem a ver com essa concentração de poderes na figura do Presidente da República. Um dos artigos problemáticos tem a ver com a nomeação do primeiro-ministro. A nova Constituição diz que é tendo em conta os resultados eleitorais e a existência ou não de uma maioria no Parlamento. Essa parte não existia. O que existia era que o primeiro-ministro era nomeado, tendo em conta os resultados eleitorais. Agora vem acrescentar também a existência ou não de uma maioria no Parlamento. Levanta várias interpretações. O Presidente da República, mesmo havendo um partido maioritário, pode escolher uma figura diferente desse partido maioritário que, na sua perspectiva, pode criar condições de estabilidade governativa. Estes conceitos indeterminados, essa discricionariedade que a Constituição prevê, pode criar, no futuro uma instabilidade governativa. Outros aspectos que têm a ver com a nomeação do Chefe de Estado-maior, que era sob proposta do Governo. Agora é o Presidente da República que escolhe. Agora o Presidente da República preside o Conselho de Ministros. Portanto, são de facto, aspectos que acabam por dar pendor presidencial ao regime semipresidencialista que a Constituição continua a adoptar. Portanto, são questões que deviam ser objecto, na nossa perspectiva, de um debate amplo de prós e contras. Nós não estamos contra. O nosso problema não é adoptar uma ou outra posição. Isso depende dos actores nacionais. Mas devia haver um debate em torno dessas questões, porque tem a ver com assuntos da nossa vida nacional. Portanto, nós pensamos que há um equilíbrio de poderes. Devia manter-se, até porque a nossa instabilidade política e governativa não se resume numa questão de constitucionalidade. É uma questão de falta de cultura democrática do homem guineense. E isso é que tem levantado problemas e outros aspectos. Nós podemos ter constituições semelhantes aos Estados Unidos, de França ou outros países. Se as pessoas que vão exercer o poder não têm uma cultura democrática que permita a observância da lei ao exercício do poder de forma democrática, portanto, a Constituição não serve para nada. Portanto, isso é que nós entendemos que é fundamental: que haja uma reflexão profunda sobre essas questões, porque tem a ver com o futuro do país, o futuro dos cidadãos e o futuro da nossa democracia. RFI: Para além do aspecto legal, a seu ver, porque é que se organiza esse referendo quando estamos já a poucos meses da realização de eleições gerais, das quais sairão autoridades que terão 'a priori' condições para organizar um referendo de forma mais ancorada na realidade política do país? Bubacar Turé: De facto, é difícil compreender isso. Podia-se esperar, depois das eleições, no mês de Dezembro, eleições gerais, legislativas e presidenciais. O parlamento que vai emergir nestas eleições terá o poder de fazer a revisão constitucional de forma serena, com mais legitimidade e de forma participada. Nós pensamos que isso podia ser uma forma mais fácil e consensual de resolver esta questão, mas não foi este o entendimento das autoridades de transição. Portanto, o país vai ter de facto esse referendo. RFI: Isto já está a ser discutido há uns quantos meses. Houve, de alguma forma, algum tipo de preparação, nem que seja, por exemplo, numa página internet ou algum tipo de comunicação antes da abertura desta sensibilização oficial? Bubacar Turé: Nós desconhecemos. Mas creio que as autoridades deverão estar a pensar nisso ou deverão estar a preparar a logística para isso. Mas por enquanto, nós não temos nenhuma informação da existência de websites ou redes sociais criadas para permitir a maior informação aos cidadãos para poderem ter mais informação sobre o conteúdo da Constituição. Acho que vai ser algo complexo. O tempo disponível até às eleições é muito escasso. Não acredito que haverá condições para maior informação, para a população poder perceber o que está em causa. É evidente que a Constituição, de facto, tem alguns elementos, alguns avanços no domínio até de Direitos Humanos. Nós reconhecemos isso. Mas, tal como disse, a forma como o processo está a ser conduzido coloca essas dificuldades e algumas contradições e algumas dificuldades do próprio texto. E, sobretudo, a questão da necessidade de observância da lei que foi especificamente aprovada para reger a realização deste referendo. Nós entendemos que deve ser respeitada, permitindo um referendo mais sereno e com maior participação dos cidadãos. RFI: Estamos num período particular do ano na Guiné-Bissau. Isto irá, de certa forma, condicionar também a afluência da população a essas sessões de sensibilização? Bubacar Turé: Creio que sim. Estamos a falar de um período agrícola, um período de chuva. O acesso a algumas localidades é extremamente complicado e também a população está a pensar mais no seu futuro económico, nas actividades agrícolas. Portanto, a afluência da participação da população na sensibilização é um dos desafios e também na própria votação. Também acredito que um dos maiores desafios será a questão da abstenção. Tudo vai depender da forma como a campanha de sensibilização vai decorrer. RFI: Este referendo organiza-se num contexto político e social particular. Como é que se poderia descrever a situação actual na Guiné-Bissau? Bubacar Turé: O país está numa acalmia aparente. Mas o país continua a enfrentar graves problemas sociais. A inflação continua a aumentar, nos serviços sociais básicos, tem havido alguma dificuldade no funcionamento do sistema de saúde e acesso a água potável. No que concerne a energia eléctrica, tem havido alguma extensão do fornecimento da energia eléctrica para o interior do país, através do Projecto OMVG. A barragem conjunta que vem, de facto, permitir às populações das zonas do interior do país, que não tinham acesso à energia eléctrica, a ter esse direito. Isso é algo extremamente importante. Mas sobretudo, a pobreza, o custo de vida hoje é muito elevado e não tem havido medidas de mitigação para isso, porque também as autoridades nacionais não têm condições. Não há nem tem havido apoio orçamental significativo devido à situação que o país está a viver. Portanto, tudo isso são elementos que, de facto, constituem preocupação para a população e para os cidadãos em geral. Nós entendemos que o país, para ultrapassar esta crise política -sobretudo esta crise de confiança, há uma enorme crise de confiança no país- para ultrapassar isso, é preciso ter coragem de dialogar. E as autoridades nacionais, os partidos políticos, as organizações da sociedade civil, devem poder sentar para dialogar e discutir e encontrar soluções para os grandes problemas. Não vale a pena enveredar pela confrontação, porque a confrontação e o uso da força não resolvem o problema. Os discursos segregacionistas e de apelo à violência e ao ódio étnico-religioso só vão conduzir ao país, ao abismo. Portanto, por isso nós apelamos e continuamos a apelar ao bom senso e, sobretudo, ao diálogo construtivo para a resolução dos problemas que afligem o país.

Morning Show
Resgates na Colômbia / Trump escondido de ataque / Garotinho inelegível

Morning Show

Play Episode Listen Later Aug 11, 2026 120:40


Confira no Morning Show desta terça-feira (11): O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) , ministro Edson Fachin, anunciou que pretende enviar ao Congresso, até o fim do ano, um projeto de lei para regulamentar a remuneração de juízes e desembargadores brasileiros. A proposta tem como objetivo aprimorar a transparência e a moralização dos gastos públicos Com um volume de trabalho muito acima do normal, cerca de 80% das decisões do Supremo Tribunal Federal brasileiro foram monocráticas em 2025. Esse número distorcido é um reflexo do excesso de processos por juiz, em torno de 2300 pautas por ano, enquanto magistrados europeus cuidam em média de apenas 250. Autoridades, socorristas e voluntários correm contra o tempo para salvar vítimas do terremoto que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10). Até o momento, 250 pessoas já foram retiradas sem vida debaixo dos escombros. O tempo médio para resgatar pessoas soterradas é de apenas 72 horas. Centenas de casas vieram ao chão em todo o país. Uma pesquisa apontou que 1 a cada 3 pessoas está cansada da polarização política, muito acentuada desde os protestos de 2013. De um lado direita e de outro a esquerda, Bolsonaro e Lua, brigas de família, com toda essa confusão você também está cansado da polarização? A Justiça determinou que o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (Republicanos), cumpra a sentença que prevê a suspensão de seus direitos políticos por oito anos. A condenação foi imposta em uma ação por improbidade administrativa por desvio de recursos públicos. A possibilidade de participação de Garotinho nas eleições de 2026 depende dos efeitos da decisão e da análise da Justiça Eleitoral sobre sua situação. A defesa de Garotinho sustenta sua continuidade no pleito. Moradores de Manaus (AM) registraram pequenos tremores decorrentes do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (11). Imagens mostram objetos domésticos se movimentando. O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas averiguou chamadas e evacuou alguns edifícios que sentiram o abalo. O presidente americano, Donald Trump, foi escondido em um caminhão de transporte de alimentos por sua equipe de segurança após sua visita à Turquia por conta de uma ameaça do Irã. A operação ocorreu no mês passado, depois que Trump apareceu diante das câmeras embarcando no antigo Air Force One em Ancara. Trump teria saído do avião presidencial e levado à outra aeronave no caminhão, por precaução, para despistar possíveis atentados. O FBI anunciou que impediu um atentado contra o campeão do mundo pela Argentina, Lionel Messi. Segundo as autoridades americanas, os policiais prenderam pessoas que ligaram para o Aeroporto de Dallas ameaçando entrar em um estádio portando explosivos improvisados e um fuzil para assassinar o jogador. Um levantamento do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo aponta que 72% dos 4.400 entrevistados, entre enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares, já sofreram algum tipo de violência durante o trabalho. A maior parte deste número é referente à rede pública de saúde. Uma mulher de 45 anos foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros ao cair em um poço de oito metros dentro de sua própria casa em Mar de Espanha (MG). O acidente ocorreu quando a mulher saiu de madrugada para ir ao banheiro, tropeçou e caiu no burco, onde permanceu por aproximadamente três horas. Um homem foi retirado de um voo após reclamar que uma mulher estava em seu assento. A mulher levantou mas deixou suas bagagens, o homem retirou as malas da mulher à força, gerando a discussão. Houve ainda uma tentativa de “carteirada” do cliente, que tentou se valer de sua assinatura vip para humilhar a moça. O avião precisou ser esvaziado para retirar o cliente de forma vip! Essas e outras notícias você confere no Morning Show.

TEATRA
Marcelino Sambé | #163

TEATRA

Play Episode Listen Later Aug 11, 2026 53:11


Marcelino Sambé passou por Portugal há umas semanas e aproveitámos essa visita para o receber no nosso TEATRA. Bailarino principal no Royal Ballet de Londres, e o primeiro de nacionalidade portuguesa a ocupar esse lugar, conversa com Mariana Maia de Oliveira sobre o percurso que o levou a crescer e a construir uma carreira em Londres, o que significa ocupar um lugar de destaque numa das mais prestigiadas companhias de bailado do mundo e a forma como a interpretação passou, nos últimos tempos, a ocupar um lugar cada vez mais importante na sua forma de dançar. Nesta conversa, recorda algumas das pessoas que marcaram o seu percurso, como Telmo Moreira, que lhe ensinou os primeiros passos no ballet, Benvindo Fonseca, uma das suas grandes inspirações. Fala também das suas raízes guineenses, da paixão pelo teatro, das aulas de interpretação que começou a fazer e da vontade de criar as suas próprias peças. Houve ainda tempo para desvendar o trabalho que está a desenvolver na sua primeira criação para a Companhia Nacional de Bailado, 'Desassossego', inspirada no Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa. Uma conversa para ouvir na íntegra, nas plataformas digitais. Sugestão Cultural:

WGospel.com
Milagres nos casamentos de hoje!

WGospel.com

Play Episode Listen Later Aug 1, 2026 6:25


TEMPO DE REFLETIR 01843 – 01 de agosto de 2026 I Pedro 3:7 – Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres […], como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida. O pastor José Maria Barbosa Silva, conta em uma de suas meditações, que um dia recebeu em seu escritório uma jovem senhora, com rosto choroso, numa segunda-feira cedo. “Pastor, briguei com meu marido ontem à noite. Mandei-o embora de casa e ele foi mesmo!” Na conversa, ela comentou que o marido não a ajudava em casa, mas reconheceu que o tinha xingado. No dia seguinte, conversei com ele, que lamentava a interferência da sogra e o fato de a esposa não ter colocado o sobrenome dele junto ao nome dela. Marquei um encontro com os dois na segunda-feira seguinte. Às seis horas da tarde, desci ao hall de entrada do escritório, onde só estavam os dois, sentados, olhando cada um para um lado, sem se conversar. Quando perguntei o que estava acontecendo, pareceu que eu havia passado um bisturi na ferida. Acusações mútuas surgiram em voz alta. Não havia clima de conciliação. A conversa ia e vinha, e ele dizia: “Ela não colocou o meu sobrenome no nome dela.” Enquanto falavam, eu orava silenciosamente pedindo que Deus me orientasse no que fazer e dizer, porque não via solução. Já eram quase nove horas da noite, quando finalmente perguntei para os dois: “O que vamos fazer com as meninas?” (Eles têm duas filhas, de dois e quatro anos.) Houve silêncio total. Longo. Intencionalmente deixei que esse silêncio se tornasse incômodo. “Bem, pastor”, disse a esposa, “eu resolvi. Vou colocar o sobrenome dele no meu nome.” Foi uma meia-volta da noite para o dia na entrevista, e conversamos sobre os ajustes de responsabilidade por parte de cada um. Ao sair da minha sala, havia apenas uma lâmpada acesa na escada. Ela disse: “Não estou enxergando.” Ele perguntou: “Posso lhe dar a mão?” Não acreditei no que estava vendo. Em silêncio, agradeci a Deus o milagre. Amigo ouvinte, o conselho de Pedro é para que o homem trate sua mulher com honra, tendo em vista suas necessidades e maneira de ver as coisas. O esposo tem que conhecer os medos, ambições e expectativas da esposa e o que a faz feliz. Deve ter cuidado ao falar com a esposa e com as crianças, para que o tom da voz, e a escolha das palavras, a atenção, tudo possa estar dentro de uma moldura de graça que contribua para a atmosfera de felicidade. Mais do que qualquer outro relacionamento, o casamento é feito de renúncias. Naquela noite, ao voltar para casa, agradeci a Deus pelo que é o amor, e pelo milagre que a graça pode realizar em cada casal. Esse milagre, amigo ouvinte, pode acontecer no seu casamento também! O que você precisa mudar? O que você precisa abrir mão? Reflita sobre isso e ore comigo agora: Pai, nesse momento, eu quero orar por esse casal que me ouve, por essa esposa, por esse marido, que não estão encontrando solução humana para o seu relacionamento. Tu podes fazer todas as coisas! Mas é preciso que cada um faça a sua parte. Aquele que precisa abrir mão, aquele que precisa ser mais humilde, confessar, admitir… Por favor, Pai, trabalhe na mente e no coração de cada um deles, agora. Torne esse lar, um lar feliz, pela Tua graça e pelo Teu poder. E em nome de Jesus, amém! Saiba como receber as mensagens diárias do Tempo de Refletir: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99893-2056 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: TELEGRAM AMILTON MENEZES . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: WHATSAPP CHANNEL Amilton Menezes . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes

Gabinete de Guerra
Trump x Netanyahu. "Houve um avanço significativo nestas reuniões"

Gabinete de Guerra

Play Episode Listen Later Jul 29, 2026 9:26


António José Telo defende que silêncio de Trump revela avanços nas negociações com Netanyahu. O antigo professor na Academia Militar acredita que os conflitos estão a ser tratados em conjunto.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Café & Corrida
POLÊMICA na Corrida de IMPERATRIZ: O que houve com os resultados?

Café & Corrida

Play Episode Listen Later Jul 18, 2026 14:58


Neste episódio do CNA News, analisamos a polêmica na Corrida 16 de Julho em Imperatriz, no Maranhão, onde centenas de atletas expressaram forte indignação devido a falhas graves na cronometragem e divergências nos resultados divulgados para o pódio. Além disso, trazemos as principais novidades do mercado, como a Puma assumindo o patrocínio oficial da Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, a tentativa de Josh Kerr em quebrar o histórico recorde mundial da milha em Londres e uma conquista inédita para as corridas de trilha brasileiras com a chancela Ouro da CBAt para a prova La Mission.- Erros e reclamações na Corrida de Imperatriz (01:51)- Puma é a nova patrocinadora da Meia Maratona do Rio (03:45)- Josh Kerr e a busca pelo recorde mundial da milha (05:33)- A criativa medalha de ovo estrelado da Corrida do Ovo (06:47)- La Mission conquista a inédita chancela Ouro da CBAt (07:50)- Giro pelos comentários dos inscritos no canal (10:35)Nossos cupons e links - https://cnoar.run/cupons

Café & Corrida
O que ACONTECEU na linha de chegada da MARATONA DE PORTO ALEGRE?

Café & Corrida

Play Episode Listen Later Jul 16, 2026 14:48


MARATONA DE JOÃO PESSOA (Use o cupom CORRIDANOAR para ter 10% de desconto)https://cnoar.run/MaraIntJampa2026MARATONA DE SALVADOR 2026 – https://cnoar.run/MaratonaSalvador2026Use o cupom CORRIDANOAR15 para ter 15% de desconto na sua inscriçãoNeste episódio do CNA News, trazemos a apuração sobre a polêmica suposta agressão sofrida por um cinegrafista da RBS durante a Maratona New Balance em Porto Alegre, além das declarações do organizador do evento. Trazemos também novidades sobre revelação de medalhas, provas com inscrições esgotadas, o lançamento da coleção oficial para a Maratona de Berlim e comentários sobre os tênis com placa de carbono.- Houve agressão ao cinegrafista da RBS na Maratona de Porto Alegre? (01:06)- Ações e agenda do Eliud Kipchoge com a New Balance em São Paulo (06:06)- Revelação das medalhas de João Pessoa e Salvador (07:10)- Inscrições esgotadas para a Maratona de Aracaju (08:08)- Coleção Adidas da Maratona de Berlim revelada (09:12)- Leitura de comentários e opiniões sobre tênis (10:36)Nossos cupons e links - https://cnoar.run/cuponsO Corrida no Ar News é produzido diariamente.

M80 - Macaquinhos no Sotão
Adicionar Compulsivamente No Facebook

M80 - Macaquinhos no Sotão

Play Episode Listen Later Jul 13, 2026 5:29


Houve uma altura em que não era preciso muito para alguém ser nosso amigo... de Facebook.

houve adicionar
Rádio Comercial - O Homem que Mordeu o Cão, Temporada 3
A igreja estava toda iluminada, mas ela estava divorciada e, está bem, mas houve rebaldaria ou não

Rádio Comercial - O Homem que Mordeu o Cão, Temporada 3

Play Episode Listen Later Jul 9, 2026 12:23


Houve ribaldaria ou não?

Contra-Corrente
O anúncio do fim da NATO foi manifestamente exagerado?

Contra-Corrente

Play Episode Listen Later Jul 9, 2026 5:51


Houve show Trump, declarações de apoio à Ucrânia, compromissos sobre aumento das despesas militares e aviso de que Aliança não aceita um Irão com armas nucleares. Entretanto cessar-fogo no Irão caiu.See omnystudio.com/listener for privacy information.

radinho de pilha
a greve de sexo contra a guerra, o amor de Adriano, houve gladiadoras???

radinho de pilha

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 37:25


https://soundcloud.com/rene-de-paula-jr/a-greve-de-sexo-contra-a This Gorgeous Rock Was Made by a Supercontinent https://youtu.be/oZDByvhf3Ik?si=Xk7t7jklMYM7aQvL Death on the Nile https://pca.st/dvpkynyf Star of Stage and Temple https://pca.st/xol0nhws The Roman Arena https://pca.st/d4hypzn0 a app do radinho!!!    http://radinhodepilha.com/radinho  canal do radinho no telegram:   http://t.me/radinhodepilha meu perfil no Threads: https://www.threads.net/@renedepaulajr meu perfil no BlueSky https://bsky.app/profile/renedepaula.bsky.social meu twitter http://twitter.com/renedepaula aqui está o link para a caneca no Colab55:  https://www.colab55.com/@rene/mugs/caneca-rarissima  para xs raríssimxs internacionais, aqui está nossa caneca no Zazzle: https://www.zazzle.com/radinhos_anniversary_mug-168129613992374138 minha lojinha no Colab55 (posters, camisetas, adesivos, sacolas):  http://bit.ly/renecolab meu livro novo na lojinha!  blue notes https://www.ko-fi.com/s/550d7d5e22 meu livro solo https://www.ko-fi.com/s/0f990d61c7  o adesivo do radinho!!!   http://bit.ly/rarissimos  minha lojinha no ko-fi: https://ko-fi.com/renedepaula/shop muito obrigado pelos cafés!!!  http://ko-fi.com/renedepaula

Rádio Comercial - O Homem que Mordeu o Cão, Temporada 3
Tá bem, mas houve rebaldaria ou não? Edição JUMBO!

Rádio Comercial - O Homem que Mordeu o Cão, Temporada 3

Play Episode Listen Later Jul 3, 2026 14:36


Tudo pode acontecer durante um jogo de xadrez... Como por exemplo, "comer a rainha na diagonal".

Podcast 45 Minutos
RAIO X COPA DO MUNDO: O CHIP QUE SALVOU PORTUGAL E OS LIMITES DA TECNOLOGIA NO VAR

Podcast 45 Minutos

Play Episode Listen Later Jul 3, 2026 87:48


É hora de Copa do Mundo! Qual o limite da tecnologia? Houve realmente toque na bola no gol anulado da Croácia? Novas discussões que os novos tempos nos proporcionam. Para além disso, que jogo tivemos o prazer de acompanhar… isso é Copa do Mundo amigos! Análise do jogo, atuações, chaveamento do mata mata e muito […]

Benfica FM | Podcast
A relação Benfica/Seleção em debate e a análise ao artigo do Record | Voo Picado #032

Benfica FM | Podcast

Play Episode Listen Later Jul 2, 2026 116:30


Esta semana fala-se sobre a acomplicada relação entre Benfica/selecção e um texto publicado no Record sobre a última AG do clube. Houve ainda tempo para respostas a comentários deixados no ep. anterior. Programa da autoria de Nuno Picado, convidado Gustavo Machado.

Rádio Comercial - O Homem que Mordeu o Cão, Temporada 3
Robôs fazem horas extraordinárias para obter a rebaldaria na cama

Rádio Comercial - O Homem que Mordeu o Cão, Temporada 3

Play Episode Listen Later Jul 1, 2026 10:17


Houve rebaldaria forte?

Botequim GP - Fórmula 1 entre amigos!
O QUE HOUVE COM O CARRO DA FERRARI? - COMENTANDO COMENTÁRIOS

Botequim GP - Fórmula 1 entre amigos!

Play Episode Listen Later Jun 19, 2026 13:23


00:00 – Introdução00:23 – Concorra a uma camiseta Minial Club01:26 – Desempenho da Ferrari04:16 – Russel é 2º piloto?06:15 – Trauma dos pilotos08:14 – Parceiros do canal09:52 – Rádios traduzidos

TEATRA
Cire Ndiaye | #159

TEATRA

Play Episode Listen Later Jun 16, 2026 57:53


Cire Ndiaye, atriz, performer, violinista clássica, sonoplasta, membro da banda rock As Docinhas e, ainda, técnica de serviços funerários, passou pelo TEATRA para conversar com a Mariana Maia de Oliveira. Num registo íntimo, Cire reflete sobre o seu percurso artístico e partilha detalhes da metodologia que desenvolveu para investigar e trabalhar temas ligados à violência e ao trauma. A partir de práticas de reconhecimento, autoconsciência e consentimento informado, explica como encontrou uma forma de tornar os processos criativos mais estáveis. Revisitamos o seu caminho no teatro, desde o primeiro contacto através da peça 'Carta', de Mónica Calle, até à participação mais recente em 'Auto das Anfitriãs', de Inês Vaz e Pedro Baptista. Um percurso quase inteiramente ligado ao Teatro Nacional D. Maria II, com experiências que lhe permitiram refletir sobre identidade, racismo, memória e disciplina, e onde o Teatro se tornou o lugar onde conseguiu juntar todas as dimensões da sua vida. Houve ainda tempo para relembrar a infância em Viana do Castelo, o encontro com o violino e a importância da música na sua formação, das aprendizagens que trouxe dos serviços funerários e da forma como continua a reinventar a sua prática artística e a sua relação com o mundo. Uma conversa para ouvir na íntegra, nas plataformas digitais. Sugestão Cultural:

Alta Definição
João Cancelo: “Lembro-me do último grito da minha mãe e de tentar levantar o carro para tirá-la de lá. Forma milésimos de segundo que mudaram a minha vida para sempre”

Alta Definição

Play Episode Listen Later Jun 13, 2026 56:15


Nesta entrevista ao Alta Definição, longe dos relvados, João Cancelo revela a Daniel Oliveira momentos profundamente marcantes da sua vida pessoal, num testemunho raro de um dos futebolistas portugueses mais reconhecidos internacionalmente. O lateral, atualmente com 32 anos, partilhou com abertura pouco habitual o trauma que moldou a sua vida e carreira: o acidente de viação que vitimou a sua mãe quando tinha apenas 17 anos. Com uma narrativa que oscilou entre a serenidade de quem já fez as pazes com o passado e a emoção de quem ainda carrega essa perda, Cancelo descreveu os instantes imediatamente após o acidente com uma clareza perturbadora. “Lembro-me do último grito da minha mãe. Lembro-me do meu irmão a chorar. Eu tentei levantar o carro para tirar a minha mãe debaixo do carro e não consegui”, confessou. Para além do relato do trágico acidente, a conversa percorreu outros episódios igualmente reveladores de uma vida pautada pela adversidade e resiliência, desde a infância humilde no Barreiro, com um pai emigrante na Suíça e uma mãe que acumulava três empregos por dia, até ao assalto violento que sofreu em Manchester. O futebolista falou ainda da morte súbita do seu colega Diogo Jota, com quem partilhava o balneário da seleção nacional, e da forma como essa perda reavivou a sua própria dor. Mas foi ao refletir sobre o legado familiar que Cancelo mostrou a sua convicção mais profunda: “Houve uma vida antes da minha mãe falecer e depois da minha mãe falecer. Completamente diferente, porque comecei a ver a vida de outra maneira. Tive que crescer muito rápido”. A emissão deste episódio aconteceu a 13 de junho na SIC e a sinopse foi gerada com apoio de Inteligência Artificial. Saiba mais sobre a aplicação desta tecnologia nas redações do Grupo Impresa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Conversas à quinta - Observador
Melhor é Difícil. Cristina Fonseca: “Abrimos a porta à nova geração”

Conversas à quinta - Observador

Play Episode Listen Later Jun 12, 2026 39:15


“Nascemos globais logo no primeiro dia” diz ela da Talkdesk”, seu primeiro êxito retumbante. Houve outros. Mas ninguém sabe onde a levará ainda a curiosidade e o gosto do risco.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Estadão Notícias
Carlos Andreazza: 'Lula nem precisa crescer contra um Flávio Bolsonaro pesadão' | Estadão Analisa

Estadão Notícias

Play Episode Listen Later Jun 11, 2026 61:16


No “Estadão Analisa” desta quinta-feira, 11, Carlos Andreazza fala sobre o cenário das eleições para presidente de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes acuado pelo baixo desempenho nas pesquisas e pela popularidade em queda, começou a anunciar medidas eleitoreiras que, embora causem um rombo nas contas públicas, cumpriram seu objetivo de direcionar a discussão nacional em temas a favor do governo. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10, captou os primeiros resultados da estratégia. Houve uma inversão na curva de percepção do eleitorado sobre as notícias serem mais positivas ou negativas ao governo Lula. O levantamento aponta que o petista oscilou dois pontos porcentuais para cima desde a rodada passada, divulgada em maio, indo de 42% para 44%, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 41% para 38%. Antes, o presidente e o senador estavam em empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos porcentuais. Agora, Lula lidera por seis pontos porcentuais de vantagem. Além disso, o presidente liderou as narrativas contra seu adversário Flávio Bolsonaro (PL) no caso do Master e do novo tarifaço dos Estados Unidos. Acompanhe Estadão Analisa com o colunista Carlos Andreazza, de segunda a sexta-feira, o programa traz uma curadoria dos temas mais relevantes do noticiário, deixando de lado o que é espuma, para se aprofundar no que é relevante Assine por R$1,90/mês e tenha acesso ilimitado ao conteúdo do Estadão. Acesse: https://ofertas.estadao.com.br/_digital/ See omnystudio.com/listener for privacy information.

O Antagonista
Votação da PEC sobre o 6x1 foi um show de horrores na Câmara

O Antagonista

Play Episode Listen Later May 28, 2026 27:32


Houve troca de acusações, pedaladas regimentais, atropelos e acusações entre petistas e bolsonaristas.Você já leu uma notícia hoje e sentiu que já viveu esse momento antes?   Essa sensação de déjà Vu não é coincidência. No Brasil, o que é manchete hoje costuma ser o eco de decisões e fatos que analisamos meses, ou até anos atrás.   Para celebrar os 8 anos da Crusoé, decidimos enfrentar esse ciclo. Pegamos o que nasceu no digital e, pela primeira vez, transformamos em um registro físico, tátil e permanente.   Chegou a edição especial Crusoé impressa.   É um item colecionável, atemporal e limitado. Uma revista feita para quem gosta de ler com calma, longe das notificações do celular. Um exemplar para guardar sobre o que realmente importa na história recente do brasil.   Esta edição é um presente exclusivo para novos assinantes do Combo de 2 anos O Antagonista e Crusoé.   Utilize o cupom 8ANOSCRUSOE e acesse o link:   https://bit.ly/crusoe-edicao-impressa  Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto   de Brasília.     Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.     Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.    Transmissão ao vivo de segunda a sexta-feira às 12h no nosso canal do Youtube.  https://www.youtube.com/@OAntagonista   Siga O Antagonista no X:  https://x.com/o_antagonista   Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais.  https://whatsapp.com/channel/0029Va2SurQHLHQbI5yJN344  Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br #PEC6x1 #CamaraDosDeputados #VotacaoPEC #JornadaDeTrabalho #DireitosTrabalhistas #PoliticaBrasileira #CongressoNacional #DebatePolitico #Internet #RedesSociais #PodcastBrasil #Atualidades #Discussao #Trabalho #ReformaTrabalhista #Opinião #Tendencias #Sociedade #Legislação #MercadoDeTrabalho

Podcasts do Portal Deviante
Teoricos do Guaxaverso 001 (Especial de aniversário)

Podcasts do Portal Deviante

Play Episode Listen Later May 13, 2026 46:25


Nosso especial no mês de aniversário!!!! Anote seus pontos, sem roubar, e venha torcer para Fabi, Caio ou Felipe Xavier e diga nos comentários quantos pontos você faria? TEXTOS: No início, sou só água. Água que espera. Então vêm as mãos. Uma pesa demais. Outra mede demais. A terceira hesita,  e essa hesitação muda tudo. Sou golpeado. Sovado. Esticado até quase romper. As primeiras tentativas são desiguais. Alguns fios nascem grossos, outros frágeis. Há pressa demais em uma palma. Orgulho demais em outra. O fogo observa. O ar fica pesado com sal, gordura, memória. Alguém quase perde o ritmo quando o aroma sobe rápido demais. Alguém quase se afoga na própria ansiedade. Mas então eles lembram do que aprenderam. Três movimentos. Não separados, simultâneos. Eu giro. Sou lançado contra calor que não recua. Uma força antiga tenta me dispersar, espalhar meus ingredientes, provar que ainda manda na chama. Quase me perco. Quase transbordo. Mas três tempos se alinham. Um impacto que atordoa. Um alongamento que desequilibra. Uma dobra que concentra. E eu encontro forma. O cenário é improvável. O cheiro de menta e produtos químicos tenta, sem sucesso, mascarar o odor de sangue que impregna o tecido azul escuro. O chão vibra com o rugido lá de fora e as paredes de metal rangem. Ao olhar para o lado, a visão de sua mulher segurando um cutelo com naturalidade é a única coisa que lhe dá confiança para tentar decifrar aquelas linhas técnicas em francês. Você precisa estabilizar a aeronave e ignorar, por um instante, o que aguarda por trás da porta: sete figuras que deveriam estar imóveis e ensacadas, mas que podem ser bem mais perigosos do que uma queda livre. O prédio tem três andares, mas nunca esteve completo. Uma ala inteira permanece vazia há mais de uma década. Prometeram móveis. Prometeram verba. Prometeram futuro. O cheiro ali é curioso: mofo recente, como se algo tivesse sido inaugurado ontem, e abandonado no mesmo dia. Lá dentro, poucas pessoas. Ou assim dizem os registros. Mas há sempre alguém na recepção. Lá dentro, poucas pessoas. Ou assim dizem os registros. Mas há sempre alguém na recepção. Alguém que sorri demais. A cidade é redonda. Não por acaso, por orgulho. Torres ovais, bandeiras amarelas, brasões com formas simples demais para serem inocentes. Dentro dos muros, tudo brilha. Fora deles, a lama é espessa. O ser mais protegido do reino vive numa torre alta. Oficialmente, é de companhia. Extraoficialmente, sustenta o tesouro. Na manhã da fuga, a janela estava estilhaçada de fora para dentro. No alto da colina próxima, marcas no solo indicavam algo pesado apoiado ali por horas. Não houve invasão. Houve lançamento. Dias depois, criadores começaram a notar ausências sincronizadas. Portões intactos. Cercas inteiras. E ainda assim, vazios. O soberano fala em sabotagem. Mas os relatórios usam outra palavra: organização. O tempo dos carros voadores ficou para trás e a Biblioteca não guarda apenas livros raros, mas a sobrevivência humana. Após passarem por um teste de sangue e álcool, eles são levados à cidade subterrânea, onde lâmpadas brilham como estrelas e o silêncio dos moradores esconde um medo profundo. O corredor estreito engole o som. Lá dentro, o silêncio ecoa estranho, em contraste com a animação esperada. Então a luz reaparece na outra extremidade. Mas não vem calor com ela. Vem pausa. Um a um, os passos diminuem. Não por ordem. Por contágio. Um último som ainda insiste em ser ouvido. Tum. Tum. Tum. O tambor falha no meio do gesto. Havia algo esperando do lado de fora. O ar muda antes do primeiro som metálico. Um estalo seco rasga o céu, não como trovão, que avisa. Como ruptura. A vibração chega antes da compreensão. Depois, o silêncio fica mais pesado do que antes. Ninguém corre. Ninguém canta. Até que alguém respira fundo demais. E o mundo decide se encolher, ou responder. O corredor estreito engole o som. Lá dentro, o silêncio ecoa estranho, em contraste com a animação esperada. Então a luz reaparece na outra extremidade. Mas não vem calor com ela. Vem pausa. Um a um, os passos diminuem. Não por ordem. Por contágio. Um último som ainda insiste em ser ouvido. Tum. Tum. Tum. O tambor falha no meio do gesto. Havia algo esperando do lado de fora. O ar muda antes do primeiro som metálico. Um estalo seco rasga o céu, não como trovão, que avisa. Como ruptura. A vibração chega antes da compreensão. Depois, o silêncio fica mais pesado do que antes. Ninguém corre. Ninguém canta. Até que alguém respira fundo demais. E o mundo decide se encolher, ou responder. O carro sobe por uma estrada estreita ladeada por muros de pedra antiga. Não é apenas uma propriedade, é um monumento. O cheiro não é só de terra: é de tradição. À esquerda, fileiras disciplinadas descem o terreno em declive. À direita, uma mansão que parece ter aprendido a envelhecer com elegância. Um anexo mais recente destoa, concreto mais claro, linhas mais retas. Mas eu não estou ali pela arquitetura. Estou ali porque algo apodreceu. Ajude esse projeto Apoiase: https://apoia.se/rpguaxa PIX: rpguaxa@gmail.com Contatos: Instagram: https://instagram.com/RPGuaxa Instagram do Guaxa: https://instagram.com/marceloguaxinim Assine o Feed! http://deviante.com.br/podcasts/rpguaxa/feed/ Se não esta achando no seu agregador cole esse link lá que ele acha! Assine o Feed! Edição: Marcelo Guaxinim. Idealizador e Host: André Trapani. Jogadores: Caio, Fabi e Felipe Xavier. “Happy Happy Game Show” Kevin MacLeod (incompetech.com) Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 License http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ “Ancient Winds” Kevin MacLeod (incompetech.com) Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 License http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/