POPULARITY
Categories
Neste vídeo, reflito sobre o que a chamada “palmada educativa” realmente ensina. Em vez de ajudar a criança a entender por que determinado comportamento é errado, ela pode fazer com que sinta medo, tente esconder o que fez e se preocupe apenas em não ser descoberta. Medo não é respeito.Também falo sobre o perigo de associar amor e violência. Quando uma criança ouve que está apanhando porque é amada, pode aprender que bater e amar são coisas que podem caminhar juntas. Essa mensagem pode influenciar a forma como ela se relaciona e aquilo que acredita merecer receber.Eu sei que colocar limites, ensinar e disciplinar uma criança é difícil. Tenho quatro filhos e conheço esses desafios. Mas a violência nunca deveria ser uma opção. Sempre é possível buscar caminhos baseados no vínculo, no diálogo e na compreensão do que a criança está vivendo.Qual é o problema mais difícil que você enfrenta na educação dos seus filhos e acha que só a palmada resolve? Deixe nos comentários.=========================Para conhecer mais do meu trabalho:https://paizinhovirgula.com/Para conhecer meus livros e jogos:https://linktr.ee/paizinholivrosejogosPara apoiar meu trabalho:https://apoia.se/paizinhovirgula==CRÉDITOS==Direção: Hugo BenchimolEdição e Pós-Produção: Tatiana TrindadeRevisão: Luiza Hipólito
A celebrar 20 anos do atelier Orgânica, o arquitecto Paulo Serôdio acha que “a profissão do arquitecto está em extinção”, como diz Siza Vieira - graças a quem por pouco não ficou para a História… See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Brasil vive uma epidemia de burnout, e os afastamentos relacionados à síndrome do esgotamento profissional vêm aumentando nos últimos anos, segundo dados da Previdência Social. Esse cenário é resultado da exposição cada vez maior ao estresse crônico no ambiente de trabalho. Taíssa Stivanin, da RFI Brasil em Paris Quais fatores podem levar à exaustão? O pesquisador brasileiro Ricardo Bertoni Pompeu, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp (SP), interessou-se por um deles em particular: a falta de reconhecimento profissional e seu impacto na saúde mental dos trabalhadores. O estudo inédito, que ganhou destaque no Jornal da Unicamp (Universidade de Campinas), resultou na tese de doutorado “Reconhecimento no ambiente de trabalho: indo além da Justiça Organizacional”. A pesquisa traz vários depoimentos de assalariados de diferentes setores sobre a exposição contínua a riscos ocupacionais que levaram ao adoecimento. Assédio, presenteísmo, metas inalcançáveis, estagnação, falta de recursos, perspectivas ou invisibilização: a lista é longa na mesma proporção dos estragos que provoca na saúde dos trabalhadores. Segundo o pesquisador, sua inspiração veio principalmente da convivência com seus alunos da Fatec (Faculdade de Tecnologia de Americana), no interior de São Paulo. A maioria deles, de famílias de baixa renda, estuda e trabalha. “Eles estudam e trabalham exaustivamente, mas são sempre cobrados por aquilo que não fazem. Não basta o que já estão fazendo, pois sempre deveriam fazer mais, além do que recebem e do que lhes é pago. O reconhecimento é como se fosse um eterno devir, mas que nunca chega. Ouvem muito esse discurso de ‘sair da zona de conforto'. Mas o que significa isso? Pelos relatos, ninguém se sente confortável!” O estudo se baseia na Teoria do Reconhecimento, do filósofo alemão contemporâneo Axel Honneth, e na Psicodinâmica do Trabalho, do psiquiatra francês Christophe Dejours, que tem vários livros sobre o tema lançados na França. “Honneth fala sobre luta por reconhecimento. Dejours conhece os efeitos negativos que isso causa e explica como o corpo se molda a esse sofrimento para conseguir lidar com ele.” Segundo Ricardo, o psiquiatra francês introduz o conceito de trabalho real, que é o esforço invisível para executar uma tarefa. “Para eu fazer um relatório, por exemplo, não basta sentar na frente do computador, pegar os dados, preencher e concluir. Há um esforço cognitivo. Como vou fazer esse relatório? Quais dados vou colocar? Com que profundidade? Há também um esforço físico. Estou sentado aqui, a cadeira me incomoda, a luz me incomoda, o próprio computador, os óculos. Tenho de lidar com tudo isso”, exemplifica. Mas não é só, explica o pesquisador. “Há também um esforço afetivo, porque não posso fazer o meu trabalho exatamente do jeito que quero. Quando elaboro esse relatório, se começo a incluir elementos que podem complicar a vida de outros colegas, não por causa dos dados em si, mas da própria estrutura do trabalho, surge um problema”, diz. Há ainda o esforço emocional, gerado pela raiva, pela desilusão e pela frustração encontradas diante de dificuldades na execução do trabalho. “Existe também um esforço psíquico, aquele sentimento de dúvida: ‘Está bom o suficiente?', ‘O que os outros vão pensar?', ‘Ainda vão me considerar competente depois de ler este relatório?'. Veja a quantidade de esforço envolvida. Isso é o chamado trabalho real: as pessoas são mensuradas nas organizações pelo trabalho prescrito, pelo resultado, mas não por esse esforço. E esse trabalho invisível adoece as pessoas.” 'Aberrações' organizacionais Os 18 entrevistados ouvidos pelo pesquisador brasileiro tinham entre 20 e 40 anos e trabalharam em diferentes setores. Os relatos, verificados, ilustram o funcionamento tóxico de algumas empresas, sem que os próprios gestores muitas vezes se deem conta das situações abusivas. É o caso de um dos participantes da pesquisa, um vendedor que, na tentativa de ser promovido, aceitou reduzir sua própria renda. Ele abriu mão de comissões e acabou se endividando para se enquadrar no salário do cargo de subgerente que, sem as comissões, era menor. Mas a empresa acabou contratando outra pessoa para a vaga, e o jovem ainda foi incumbido de treiná-la. O episódio o afetou a tal ponto que ele passou a apresentar gagueira, ansiedade e outros sintomas. Essas e outras histórias levaram Ricardo a identificar duas novas patologias organizacionais: a contingencialidade e a disjuntividade. “A contingencialidade transforma o trabalhador em uma espécie de ‘just in time' humano. Assim como a matéria-prima chega exatamente quando a empresa precisa dela, o trabalhador é convocado apenas para atender às demandas imediatas da organização, sem que sua vida pessoal, seus estudos, seus projetos, suas expectativas ou suas necessidades sejam considerados”, diz. “O que importa é estar disponível naquele momento, da forma exigida. Depois de utilizado, o trabalhador pode ser descartado com a mesma facilidade. Por isso, a figura do ‘colaborador' é reveladora: ele colabora enquanto é útil e, quando deixa de ser necessário, é deixado de lado. A empresa invade seu tempo, interfere em sua vida familiar e em seus planos pessoais, mas trata você como um recurso temporário, mesmo quando possui vínculo permanente de trabalho.” Apagamento da história profissional A disjuntividade está ligada ao rompimento da temporalidade e ao apagamento da história do trabalhador, e apenas o desempenho imediato é importante. “Com isso, torna-se impossível construir uma trajetória reconhecida dentro da empresa. O trabalhador descreve o que faz diariamente, mas não consegue narrar sua própria história, porque sua experiência acumulada deixa de ter relevância”, explica. “A contingencialidade e a disjuntividade são patologias estruturais do mundo do trabalho contemporâneo: não decorrem da ‘maldade de gestores' ou de empresas específicas, mas de uma lógica de organização que tende a produzir sofrimento e adoecimento em diferentes setores, da educação à indústria, dos serviços às startups.” Novas normas contra riscos ocupacionais Desde 26 de maio de 2026, as empresas brasileiras estão submetidas à obrigação de identificar, avaliar e gerenciar fatores de risco psicossociais no âmbito do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A medida exige que as organizações considerem aspectos relacionados à organização do trabalho, como metas abusivas, jornadas excessivas, sobrecarga de tarefas, cobranças desproporcionais e situações de assédio moral ou sexual. O objetivo é reduzir o adoecimento mental, promover ambientes de trabalho mais saudáveis e incorporar esses riscos aos processos de gestão e prevenção já previstos pela NR-1. A norma foi criada em 1978 e estabelece disposições gerais sobre o ambiente de trabalho e a gestão dos riscos ocupacionais. Para o pesquisador brasileiro, que é cético em relação aos benefícios da regulamentação, é importante que exista um canal de denúncia para os trabalhadores. Ele também compartilha a opinião do psiquiatra francês Christophe Dejours, que comentou a regra em uma de suas visitas ao Brasil. “A tendência é que muitas empresas produzam documentação para se defender de eventuais fiscalizações, e não necessariamente para melhorar o ambiente de trabalho. Elas mostram que cumprem o que a legislação exige, mas isso pode acabar servindo mais como proteção institucional do que como instrumento de prevenção do sofrimento psíquico.” De acordo com os gestores, os problemas de adoecimento e afastamento tendem a ser tratados como questões individuais, e não como resultado da organização do trabalho. “Pelo que conheço da realidade brasileira e pelos relatos que recebo de alunos, é provável que muitos cursos e iniciativas de adequação tenham um caráter mais formal do que efetivo. Talvez haja exceções, mas, justamente por serem exceções, elas ganharão destaque. Tenho dúvidas de que esse tipo de mudança se torne rotina nas empresas, infelizmente.”
São Tomé e Príncipe foi a votos no passado domingo, nomeadamente para eleger 55 deputados. Nesta segunda-feira, a Comissão Eleitoral anunciou resultados preliminares colocando o MLSTP, na oposição, em posição dianteira, mas com uma vantagem de apenas algumas centenas de votos em relação à ADI no poder, havendo agora indicação de que estariam numa situação de quase empate. A abstenção, o apelo ao boicote do escrutínio, os critérios para a indigitação de um governo e o futuro relacionamento institucional com quem irá governar, foram alguns dos assuntos que a RFI abordou em entrevista exclusiva nesta terça-feira com o Presidente São-Tomense, Carlos Vila Nova. RFI: Qual é a avaliação que faz da forma como decorreram as eleições? Carlos Vila Nova: É um exercício que se vai tornando cada vez mais frequente em São Tomé e Príncipe. Há cerca de 35 anos, optámos por viver em democracia e temos feito de cada acto eleitoral uma forma de consolidar a democracia em São Tomé. Nos últimos actos eleitorais, felizmente, vamos melhorando. Prevaleceu a serenidade neste concretamente, no dia 27 de Setembro. Penso que optou-se por muito mais mensagens do que outro tipo de comunicação. Por vezes a comunicação costuma ser mais folclórica, mais músicas, enfim. Há várias formas e em todas elas, o apelo à serenidade e à estabilidade. Portanto, foram panos de fundo que me deixaram bastante agradado. E quando vejo por parte dos observadores também que para São Tomé e Príncipe, não foram poucos, que quase os requisitos todos foram cumpridos e que, portanto, a transparência também faz parte, a Comissão Eleitoral Nacional já se pronunciou, embora não seja sua competência definir os mandatos. Já se pronunciou, o que mostra também celeridade. Também há algum profissionalismo e os meus apelos também têm sido sempre neste sentido e estou positivamente agradado com o acto eleitoral. RFI: Apesar dos apelos para uma grande participação dos eleitores. Estas eleições foram marcadas por uma abstenção de mais de 62%. Como é que interpreta este dado? Carlos Vila Nova: Bom, aí já não há regozijo. Pelo contrário, os apelos foram muitos, mas também, se recuarmos a actos eleitorais anteriores, a abstenção, sempre foi muito elevada. É verdade, desta vez ultrapassou. Mas quando nós olharmos para aquilo que é todo o processo eleitoral, nós olhamos para os progressos que temos feito em matéria de consolidação dos dados eleitorais. Repare que nas eleições presidenciais de 19 de Julho foi quando nós conseguimos fazer uma reconciliação entre os registos eleitorais, os dados existentes de forma electrónica com a Comissão Eleitoral Nacional. Nas presidenciais detectou-se um bocado mais de problemas técnicos e essa parte foi melhorada. Mas eu creio que a emigração também afectou. Não tenho a certeza, mas é algo que nesta legislatura vamos ter que trabalhar muito, entrar na lei eleitoral, fazer melhorias. Eu próprio pedi aos nossos parceiros da União Europeia que recebi para nos acompanharem neste processo, porque, ao que tudo indica, nem toda a movimentação emigratória para fora de São Tomé e Príncipe tomou-se em conta e os registos continuam nos cadernos eleitorais em São Tomé. Isto já é de si um motivo. E depois, politicamente, também houve apelos. Isto é antidemocrático. Deixe-me dizer-lhe que não vejo como é que alguém em perfeito estado normal, possa fazer apelo à abstenção. Portanto, não só é antidemocrático, mas é incorrer em erro enganar pessoas, eleitores. Nem todos nós temos o mesmo discernimento, mas temos de lidar com a questão. E nós vamos lidar positivamente com a questão. Eu tenho esperança que nesta legislatura conseguiremos, porque as forças políticas activas entenderam que não é um apelo que se faça. Tanto é que todos eles apelaram à votação em massa. Não aconteceu. Vamos lidar com a questão. Vamos olhar para ele e tentar corrigir para que os próximos actos sejam melhores. RFI: Precisamente, falou do apelo ao boicote a estas eleições. Pensa que Patrice Trovoada pode tirar algum benefício político desta situação? Carlos Vila Nova: Bom, eu nem consideraria boicote, porque quando num acto eleitoral um partido político quer boicotar, não é desta forma. Portanto, eu olho para os partidos políticos, para os seus dirigentes, para os seus representantes e não vejo a pessoa que falou. Portanto, não, não me diz nada. RFI: Ontem, a Comissão Eleitoral Nacional deu os primeiros resultados. São resultados provisórios destas eleições. E desde então, os partidos políticos têm andado a especular sobre o número de mandatos que têm, respectivamente. Inicialmente falou-se do MLSTP estar à frente e de ter mais mandatos do que a ADI. Depois, evoluiu para um empate e agora é um quase empate. Como é que avalia a forma como actuaram estes partidos políticos desde ontem? Carlos Vila Nova: Com alguma precipitação. Mas pronto, não vou entrar em muitos pormenores quanto a isso. Mas reconheço que com alguma precipitação da parte e de outra. Na mensagem que eu fiz à Nação, apelei à serenidade. A serenidade também diz aguardar calmamente pelo anúncio dos resultados. Eles ainda não são oficiais. A Comissão Eleitoral fez o seu papel, anunciou e nota-se que realmente há uma aproximação entre dois dos principais partidos. Há uma diferença. Respeitei. Agora cabe ao Tribunal Constitucional de facto, quem tem a competência de validar não só os mandatos, o vencedor das eleições e a partir deste momento, trabalharemos na Constituição, na formação e na organização de todas as instituições que foram democraticamente eleitas para que elas entrem em funcionamento. Falo da Assembleia Nacional, a sua composição, e dos governos. Sobretudo o Governo central, que é uma emanação directa do resultado das eleições. Portanto, eu penso que nos próximos dias, há um prazo legal a cumprir, o Tribunal Constitucional vai se pronunciar e a partir daí nós saberemos exactamente quem é o vencedor. Quais são os mandatos distritais, nacionais, para então constituirmos os órgãos democraticamente eleitos. RFI: Não receia que, dado o nervosismo que há entre certos partidos políticos, possa haver também alguma suspeita em relação ao Tribunal Constitucional que, ao longo deste processo, foi acusado de alguma parcialidade política? Carlos Vila Nova: Tem sido comum. Mas repare que eu dou-lhe um exemplo: qualquer cidadão individual ou, digamos, qualquer entidade individual ou colectiva, mas que encontra resposta nos culpados, que os terceiros são sempre os culpados dos seus problemas. Não é verdade. A lei não existe só quando ela nos é favorável. Ela existe para com serenidade, aceitarmos as decisões dos tribunais. E quando não concordamos, temos que encontrar espaço para recorrer e interpretar. Mas tudo quanto vier a acontecer, para responder directamente à sua pergunta, nada disso não poderá ser resolvido se continuarmos com o espírito aberto. O engajamento para o diálogo. Resolve-se tudo isso. Portanto, as suspeições, elas podem existir, mas é preciso respeitar as instituições e agirmos com base nas decisões que são de lei. RFI: Neste processo todo, tendo em conta que há um quase empate, pelo menos por enquanto, tem havido contactos políticos entre as várias forças para construir eventuais coligações para formar governo. Como é que vê precisamente esta perspectiva? Quais vão ser os seus critérios para aceitar uma ou outra coligação para governar? Carlos Vila Nova: Vejo como bom tom essa aproximação entre os partidos. Portanto, demonstra algum espírito de concertação e de diálogo que é bom. Não quer dizer que todos os contactos sejam traduzidos em resultados concretos. Pela minha parte, acompanho desde já com muita atenção. Se puder influenciar alguma coisa, todos os partidos sabem que estou à disposição para o fazer, mas a entrada em acção do Presidente da República é exactamente quando tiver o anúncio oficial dos dados, convidar o partido vencedor, ter uma conversa e pedir -eu sempre disse- a sustentabilidade do Parlamento. Ela tem que ser garantida. Antes de nomear o próximo governo, não é de todo factível que o próximo governo, no primeiro embate, seja um governo praticamente com os pés na rua. Não faz sentido. Nós não estaríamos a promover aquilo que todos apelamos, que é a estabilidade, um princípio de coesão nacional, um princípio de diálogo onde as pessoas conversem, tragam os problemas e pensem todos o país. Eu não vi nenhuma força política desde as eleições de 19 de Julho para as presidenciais e agora em Setembro, que não usasse um slogan que reflectisse ou colocasse São Tomé e Príncipe em primeiro lugar. Todos. E então temos que na prática demonstrar isso. Portanto, o próximo governo será uma emanação da sustentabilidade parlamentar que me for garantida. RFI: O que espera do futuro governo com o qual vai trabalhar, senhor Presidente? Carlos Vila Nova: Lealdade institucional. A primeira das condições. Espírito aberto para o diálogo permanente. Disponibilidade para trabalhar e coragem para reformar. Vamos ter que, de facto, introduzir muitas reformas para melhorar o funcionamento do país e a capacidade, ao nível da Assembleia, de se discutir honestamente, com sinceridade, as grandes questões do país. E não escondo, inclusive, a possibilidade de a revisão constitucional neste quadro, nesta legislatura. Através do diálogo. RFI: Uma das reformas que enunciou como sendo prioritárias quando tomou posse para o seu novo mandato foi precisamente a Justiça. Como é que encara essa reforma? Carlos Vila Nova: A justiça, de facto, tem sido meu denominador comum durante cinco anos. Foi onde eu mais intervim. Foi onde eu mais trabalhei, foi onde eu mais contribuí. Continuarei. Cheguei a fazer conselhos de Estado temáticos sobre a Justiça. Reuniões de alto nível. Várias delas. Mas repare. Ela é tão transversal, ela é tão importante para o Estado de Direito democrático e para a atracção de investimentos no nosso país que todos nós temos que nos dedicar. E foi também com bastante satisfação que eu vi nos programas e nas mensagens de muitos partidos políticos também o apelo à contribuição para melhorar a Justiça. Portanto, conto com o próximo governo para que juntos possamos melhorar ainda mais. Não é uma situação que pontualmente há um assunto concreto que se resolva. Ela é abrangente. Nós vamos ter que abordar de forma que ela seja mais célere, ela seja mais justa e que ela possa, sobretudo, ser mais orientada para a solução dos problemas, para o bem do país e do seu povo e dos investimentos. RFI: Tem havido muitos problemas aqui em São Tomé e Príncipe, nomeadamente no que tange ao fornecimento da electricidade, à saúde, ao acesso a água potável. O que é que pensa que se pode fazer juntamente com o futuro novo governo? Carlos Vila Nova: Sabe se ao longo desses anos tivéssemos pensado o país mais, digamos, nas pessoas, muitos destes problemas estariam resolvidos, porque São Tomé e Príncipe, como Estado, não é diferente de qualquer outro Estado. A nossa dimensão territorial não retira a capacidade de sermos um Estado com todas as suas instituições, todos os seus dados estatísticos, Mas a verdade é que há descontinuidade governativa. Houve diferentes interrupções, um factor que nos prejudicou bastante nos últimos anos. Em democracia, já temos conseguido uma estabilidade governativa melhor. Os últimos governos têm cumprido o seu mandato. Espero que este também o faça e que haja uma continuidade das acções do Estado. Eu recordo-me já com alguns dirigentes da oposição, com dirigentes ainda do actual governo, ter pedido uma lista de todos os projectos em curso, sobretudo no domínio das infra-estruturas, no domínio da saúde e da educação, para que, de facto, nós olhemos um bocado mais para dentro e não termos aquele apetite de criar coisas novas quando temos coisas em curso e que podem resolver o problema das pessoas. Isto é um primeiro passo. O segundo é preciso adaptar os recursos disponíveis às necessidades mais prioritárias das pessoas, das populações e do país. E é possível. A energia em concreto é algo que ao longo destes anos todos não conseguimos resolver. Mas é por aí. Não pode haver uma divergência de fundo entre as diferentes forças. O facto de eu estar na oposição, eu não posso estar contra um programa que o governo que está no poder queira fazer e que vá resolver o problema. Tenho que encontrar a forma de dar a minha contribuição. Eu também costumo dizer que o poder crítico dos cidadãos não deve ser usado para bloquear. Ele deve ser usado para construir. E é isso que eu espero. Sem a transição energética, este país não dará passos nenhuns. Sem olharmos devidamente para a saúde, repare, o nosso sistema Nacional de Saúde não é propriamente o que está em causa. É olharmos para o sector, porque o sistema que eu até considero bom em termos sustentabilidade económico-financeira e social para garantir. Este sistema a educação, nós temos índices muito bons, internacionalmente reconhecidos, mas será que a qualidade do ensino é aquela que desejamos? Portanto, são coisas que, dentro do poder, fora do poder, as forças políticas, que são o alicerce da democracia, têm que encontrar pontos de convergência para nós podermos avançar neste processo. RFI: Todo o país tem recebido o apoio do FMI e do Banco Mundial, que também fazem, preconizações. Até que ponto é que o futuro governo não vai estar bastante condicionado pelas preconizações das instituições internacionais? Carlos Vila Nova: Temos parceiros multilaterais que nos têm acompanhado ao longo desses anos, assim como os bilaterais. Há um conjunto, um quadro próprio que temos que respeitar para que possamos continuar a ter esses parceiros ao nosso lado. Não creio que qualquer que seja o governo que venha, que ponha directamente em causa, pode rever, pode encontrar outros mecanismos e, como digo, pode e deve sempre conversar. Se fechámos as portas do diálogo, então aí não avançaremos para lado nenhum. E este diálogo tem que ser com os parceiros e internamente também. Eu velarei para que internamente se abra um novo capítulo na história deste país, que é um diálogo mais permanente, mais sincero, mais directo. E depois, a partir daí, encontrarmos pontos de convergência para termos uma estratégia que possa pôr o país na rota do desenvolvimento. RFI: Por fim, senhor Presidente, qual é o seu apelo neste momento político que o país está a viver? Carlos Vila Nova: Serenidade, Confiança. O futuro é nosso. Depende de nós. Vamos construí-lo.
Afonso Laginha, ator de 23 anos e filho de Pedro Laginha, fala sobre os desafios que marcaram a construção da sua identidade, no Alta Definição em podcast, com Daniel Oliveira. A gaguez, presente desde a infância, tornou-se um elemento determinante na sua relação com a linguagem e acabou por contribuir para o desenvolvimento de uma maior confiança. O teatro, iniciado na escola secundária, foi fundamental nesse processo de autodescoberta e afirmação pessoal. Na emissão de 26 de setembro, Afonso Laginha recorda também o tumor diagnosticado aos nove anos, que ocupava parte significativa do pulmão direito e o levou a ser operado aos onze. Fala dos anos de tratamento, das marcas físicas e emocionais deixadas pela doença e de uma posterior passagem pela depressão. Apesar das dificuldades, o ator encontrou na curiosidade pelo futuro uma força para continuar. Afonso reflete ainda sobre a necessidade de ultrapassar a procura constante por aprovação e de aprender a enfrentar os próprios desafios, revelando uma personalidade marcada pela vulnerabilidade, pela resiliência e por uma vontade permanente de se conhecer melhor. Ouça aqui a conversa em podcast.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Começar a trabalhar com vendas pode trazer insegurança, medo de abordar clientes, receio de ouvir “não” e até a sensação de não levar jeito para vender. Neste episódio, Diego Maia, especialista em vendas, mostra como superar o medo de vender, desenvolver confiança e dar os primeiros passos para se tornar um vendedor melhor.Um conteúdo para quem está começando em vendas e quer aprender a vender com mais segurança, atitude e naturalidade.Se você é da área, encaminhe para os novatos!Quem é Diego Maia?Diego Maia é palestrante de vendas e uma das principais referências em vendas do Brasil. Autor de oito livros sobre vendas, entre eles 7 Princípios da Venda, é fundador da CDPV Companhia de Palestras, agência de palestrantes especializada em eventos corporativos, e do Grupo CDPV. Desde 2003, é presença constante em convenções de vendas com foco no desenvolvimento de equipes, treinamento de vendas e alta performance comercial — somando mais de 1.800 palestras realizadas e 500 mil profissionais treinados no Brasil e no exterior. Apresenta o Podcast de Vendas do Diego Maia, publicado diariamente desde 2009, sempre às 7h, com mais de 2.000 episódios. É editor do portal Vendedor Profissional e, desde 2011, lidera o movimento #SouDeVendasComOrgulho, pela valorização e profissionalização de quem vive de vendas no Brasil. Seu lema resume sua filosofia: “Onde tem venda, tem vida”.Siga Diego Maia no Instagram clicando aqui.
De verdade, falar é mais fácil do que fazer. Quando vemos alguém fazendo algo, aprendemos pelo exemplo.Veja o que a Bíblia diz no Salmo 96 no verso 10: "Digam entre as nações: “Reina o Senhor.” Ele firmou o mundo para que não se abale e julga os povos com justiça."O Senhor Reina, essa é uma informação inquestionável. Independente de minha atitude, Deus reina e continuará reinando. Mas a grande questão aqui é: eu apenas digo que o Senhor reina ou isso pode ser visto em minha vida? Tenho vivido como um exemplo de submissão a Deus? Vivo como alguém satisfeito e convicto de que tudo o que o Senhor tem feito é bom pra mim e pra minha família?É bem mais fácil falar sobre submissão do que viver como alguém submisso. Mas submissão é o tipo de tema que precisa ser ensinado pelo exemplo.Sua família precisa ver sua submissão a Deus no modo como fala, como responde aos temas difíceis, como lida com os problemas. Não adianta falar que é submissão a Deus e agir como se não fosse. Pense nisso!
Numa conversa gravada em 2023 para o podcast Posto Emissor, da BLITZ, Jorge Palma revisitou décadas de carreira, a propósito do lançamento do seu álbum, “VIDA” — na altura o primeiro disco de originais em 12 anos. Do conservatório à estrada europeia, das orquestrações feitas antes do 25 de Abril às colaborações com as gerações mais jovens, o músico refletiu sobre a criação, o tempo e a família. No dia da sua morte, recuperamos esta entrevista de arquivo, conduzida por Lia Pereira, com um dos autores mais queridos dos portugueses, um cronista em canção que, nas suas próprias palavras, canta aquilo que sente e pensa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Tema: Eu tenho um compromissoPor: Pr. Urbano Matos
Tema: Eu tenho um compromissoPor: Pr. Joel Abreu
Tema: Eu tenho um compromissoPor: Pr. Igor Jurkevicz
Tema: Eu tenho um compromissoPor: Pr. Pedro Coelho
Nascemos no reino deste mundo, submetemo-nos ao Reino de Deus e, se vencermos, entraremos no Reino dos Céus.Jesus ensina: "Mas, buscai primeiro o Reino de Deus, e a Sua Justiça, e todas estas coisas (do reino do mundo) vos serão acrescentadas." Mateus 6:33"O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis." Êxodo 14:14"Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo Meu Nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor." Apocalipse 2:2-4
Alberto Gonçalves comenta a defesa do direito de Jerry Seinfeld a expressar opiniões que os seus "defensores" consideram "aberrantes".See omnystudio.com/listener for privacy information.
Episódio muito musical mas também de queixume. Tenho é de me queixar baixinho, senão o meu televisor da LG vai ouvir...Links homeopáticos - https://linktr.ee/joaonunogoncaloAdere DAZN - https://www.awin1.com/cread.php?awinmid=126285&awinaffid=3023967&ued=https%3A%2F%2Fwww.dazn.com%2Fpt-PT%2Fhome Sem preciosas perguntas
A Didaquê de Cristo apresenta mandamentos concretos que devem ser obedecidos. O querigma, por sua vez, é a proclamação de quem Cristo é e apela à fé. Quando Jesus declara “Eu sou”, Ele não está apenas ensinando algo para fazermos, mas revelando quem Ele é para que creiamos nele.Quando Deus chamou Moisés, revelou-Se como “Eu Sou”. Não como um deus entre muitos, mas como o único Deus. Mais tarde, Jesus utiliza a mesma expressão: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou”. Assim, Ele revela Sua identidade divina. Nas declarações registradas especialmente no Evangelho de João, Jesus mostra diferentes aspectos de quem Ele é e, ao mesmo tempo, responde às necessidades mais profundas do homem.¹O homem tem fome, e Jesus declara: “Eu sou o pão da vida”. O alimento natural sustenta o corpo por algum tempo, mas Cristo é o alimento que sustenta nossa vida interior. Ele não apenas nos dá pão; entrega-Se a nós. Nossa satisfação não está nos prazeres, emoções, vaidades ou ambições deste mundo, mas em nos alimentarmos continuamente de Cristo.²O homem vive em trevas, e Jesus diz: “Eu sou a luz do mundo”. O pecado escurece o entendimento, confunde valores e cauteriza a consciência. Quando Cristo ilumina nossa vida, revela aquilo que estava escondido, mostra a verdade, direciona nossos passos e nos conduz com segurança.O homem está perdido e precisa entrar no Reino. Jesus declara: “Eu sou a porta”. Não são religião, tradição ou boas obras que nos salvam. Cristo é a única entrada para a salvação. Ele também é o Bom Pastor, que conhece Suas ovelhas, chama cada uma pelo nome, busca a perdida, cura a ferida, fortalece a enferma e entrega Sua própria vida pelo rebanho.³O homem está morto espiritualmente, e Jesus declara: “Eu sou a ressurreição e a vida”. Ele não apenas concede ressurreição; Ele próprio é a ressurreição. Em Cristo recebemos vida eterna, esperança e vitória sobre a morte. Aquele que estava morto em seus delitos e pecados pode receber a vida que procede de Deus.⁴O homem está desnorteado, e Jesus declara: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Existem muitas propostas, filosofias e religiões, mas somente Cristo conduz ao Pai. Ele não apresenta apenas uma verdade entre outras: Ele é a verdade. E não oferece apenas uma existência melhor: Ele é a própria vida que vem de Deus.⁵Jesus também declara: “Eu sou a videira verdadeira”. Nós somos os ramos e só podemos frutificar permanecendo ligados a Ele. Nossa frutificação não nasce do esforço independente, mas da comunhão, da Palavra, da oração, da obediência e da dependência de Cristo. Separados dele, secamos; permanecendo nele, produzimos fruto.⁶Por fim, Jesus é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. Ele estava no princípio, sustenta todas as coisas e conduzirá tudo à sua consumação. Nossa fome, trevas, perdição, morte, falta de direção e esterilidade encontram resposta nele. Jesus é o grande Eu Sou.Perguntas para reflexão:Tenho apenas conhecimento sobre Jesus ou realmente creio em quem Ele declara ser?Em que tenho buscado satisfação além de Cristo?Tenho permitido que a luz de Jesus revele e direcione minha vida?Tenho descansado em Cristo como minha única porta de salvação e meu Bom Pastor?Minha esperança diante da morte está firmada em Jesus, a ressurreição e a vida?Tenho reconhecido Cristo como o único caminho e a verdade que governa minha vida?Minha vida demonstra que estou permanecendo na videira e produzindo fruto?¹ Êx 3:13-14; Jo 8:58.² Jo 6:35.³ Jo 8:12; 10:9-16; Ez 34:15-16.⁴ Jo 11:25-26; Ef 2:1-5; Ap 1:17-18.⁵ Jo 14:6.⁶ Jo 15:1-5; Ap 1:8.
A igreja local tende a refletir a vida de seus líderes. Por isso, uma cultura de amor não começa em métodos, estruturas ou programas, mas na vida daqueles que conduzem a igreja. O amor precisa ser vivido primeiro pelos líderes e suas famílias para então influenciar toda a comunidade.Ao tratar do conflito entre Evódia e Síntique, Paulo mostra que a cultura do amor é realista. Ele não ignora o problema nem faz de conta que está tudo bem. As duas haviam trabalhado ao seu lado na causa do evangelho, mas precisavam resolver suas diferenças. Paulo também chama outro líder a ajudá-las nesse processo.¹ Amar não significa varrer conflitos para debaixo do tapete. Problemas não tratados afetam os relacionamentos e podem comprometer a saúde da igreja.A Bíblia não esconde conflitos entre irmãos e líderes. Paulo e Barnabé tiveram uma séria divergência a respeito de João Marcos e seguiram caminhos ministeriais diferentes.² Mais tarde, porém, Paulo fala positivamente de Barnabé³ e reconhece João Marcos como alguém útil para o ministério.⁴ A cultura do amor reconhece os problemas, mas trabalha pela restauração.Ela também é cheia de compaixão. Ao corrigir Evódia e Síntique, Paulo não despreza a história delas nem apaga o que Deus já havia realizado através de suas vidas. Ele lembra que trabalharam ao seu lado no evangelho e afirma que seus nomes estão no livro da vida.¹ A verdadeira correção não condena nem destrói a pessoa; reafirma quem ela é em Cristo e procura ajudá-la a crescer.Corrigir em amor não significa enfraquecer a verdade. O servo do Senhor não deve viver em contendas, mas ser brando para com todos, apto para ensinar, paciente e capaz de disciplinar com mansidão os que se opõem.⁵ Também é exigido dos líderes que sejam inimigos de contendas.⁶ É possível tratar situações graves com firmeza e, ao mesmo tempo, com amor e mansidão.A cultura do amor precisa ser promovida e mantida proativamente pelos líderes. Há situações que não devem ser apenas observadas à distância. Liderar também envolve ter coragem para intervir, confrontar, corrigir e trabalhar pela restauração.Perdoar no coração é indispensável, mas isso não significa deixar situações destrutivas sem tratamento. O amor verdadeiro também corrige. O líder precisa confrontar quando necessário, mas sempre com mansidão.⁵Além disso, a correção deve ser feita com fé. Paulo orienta Timóteo a corrigir na expectativa de que Deus conceda arrependimento e conduza a pessoa novamente à verdade.⁵ Não confrontamos alguém acreditando que nunca mudará, mas confiando na graça de Deus e na ação do Espírito Santo.Uma igreja saudável precisa cultivar continuamente essa atmosfera. A cultura do amor não ignora conflitos, não condena pessoas e não abandona relacionamentos. Ela une verdade, coragem, compaixão, mansidão e fé, buscando restauração e crescimento em Cristo.Perguntas para reflexãoTenho contribuído para estabelecer uma cultura de amor na minha casa, na igreja e nos relacionamentos que Deus confiou a mim?Quando surgem conflitos, procuro resolvê-los em amor ou espero que desapareçam sozinhos?Quando preciso corrigir alguém, consigo unir verdade, firmeza, amor e mansidão?Tenho confrontado situações difíceis com fé na graça de Deus para produzir arrependimento, transformação e restauração?Referências¹ Fp 4.2-3; ² At 15.36-40; ³ 1Co 9.6; ⁴ 2Tm 4.11; ⁵ 2Tm 2.23-26; ⁶ 1Tm 3.3
A Casa de Portugal André de Gouveia, em Paris, inaugurou, esta terça-feira, 8 de Setembro, uma exposição de arte contemporânea intitulada “Enfin, Chez-Soi?” [“Finalmente em casa?”] e que aborda os temas da identidade, do sentimento de pertença e das experiências diaspóricas. A mostra tem curadoria de Aïcha Lopes e Liliana Tavares Ribeiro e junta obras de Ana Isabel Freitas, Carlota Matos, Carlota Sandoval Lizarralde e de alunos do Atelier des Noctambules coordenado pela artista plástica Nathalie Afonso. Num mundo com um ADN de migrações e em que a identidade se vai construindo na itinerância, a exposição “Enfin, Chez-Soi?”, [em português “Finalmente em casa?”], aborda “uma construção íntima, social e política” que ultrapassa a mera dimensão espácio-temporal. Logo à entrada da mostra instalada na Casa de Portugal, na Cidade Universitária de Paris, podemos ler que “estar em casa já não se resume apenas a um sentimento interior, mas a um reconhecimento exterior – o do lugar, do olhar dos outros, dos quadros normativos que autorizam ou recusam a pertença”. As curadoras da exposição, Aïcha Lopes e Liliana Tavares Ribeiro, quiseram questionar o que é o “chez-soi”, uma expressão que admitem ser de difícil tradução, mas que aproximam do sentimento de pertença e do “sentir-se em casa” quando se vive entre duas ou mais culturas, países e línguas. Ambas criaram, no ano passado, a sua dupla de curadoria a que chamaram Alquimia e avançaram com esta mostra no âmbito de um projecto académico para concluir o Mestrado Internacional de Arte Contemporânea. “A Liliana e eu decidimos fazer esta exposição simplesmente porque nos sentíamos entre duas culturas. No meu caso, não é apenas entre duas, mas entre várias culturas, entre várias línguas. É este o tema desta exposição: há o tal 'entre culturas' e o ponto de interrogação no título permite questionar isso e também interrogar o país de onde vimos, a origem dos nossos pais, metendo tudo na mesma sala e tentando encontrar um sentido para isto tudo”, explica Aïcha Lopes. “A exposição fala do facto de se sentir entre duas culturas, duas línguas, se calhar dois lugares, e de saber ou não saber onde se encontra a sua própria casa. Eu não gosto muito de traduzir o título da exposição, ‘Enfin, Chez-Soi?'. O ‘chez-soi' é uma expressão francesa muito importante para nós que moramos em França. O meu pai, quando chegou a França, ficou muito impressionado com a importância dessa expressão, do ‘chez-soi', que é quase intraduzível para português. O título é uma questão porque não queremos dar uma resposta certa e queremos questionar a individualidade de cada um sem dar uma resposta. Queremos falar destes assuntos, do sentimento de pertença e das migrações”, acrescenta Liliana Tavares Ribeiro. E foi simbolicamente na Maison du Portugal André de Gouveia, dentro da vasta Cité Universitaire de Paris que acolhe milhares de estudantes das mais diversas nacionalidades, que as curadoras decidiram instalar este “Enfin, Chez-Soi?”. Até 20 de Setembro, esta Casa convida o visitante a “sentir-se em casa”, “chez-soi”, com uma exposição composta por instalações, pinturas e videoarte. À entrada, um conjunto de obras da colombiana Carlota Sandoval Lizarralde, uma pintura monumental, uns pequenos cantis de “água benta” a representarem a Virgem Maria e uma ventoinha de onde esvoaçam terços religiosos. É que além da visão, a mostra reivindica um lado sensorial que implica também a audição, o cheiro e até o paladar, já que, noutras ocasiões, Carlota Sandoval Lizarralde convidou o público a beber “água benta”. Ainda no hall da Maison du Portugal, um filme sem som - porque o seu som foi deslocado para outra sala - sobre a dança e as nossas origens, intitulado “Dans le Rythme, Mes Racines”, da portuguesa Ana Isabel Freitas. A exposição continua na Sala Pessoa, onde, nas paredes, há pinturas desta artista, paisagens de memória, ecos de saudade e impressões de movimentos, continuadas por panos delicados a apontarem para o chão, para a terra, para as raízes. A artista contou-nos a história destas obras. “As obras que tenho atrás de mim fazem parte de uma série que se chama ‘Pour ma terre natale', ‘Para a minha terra-natal” e que foram feitas aqui na Casa de Portugal há mais de dez anos. Quando cheguei a Paris, pela primeira vez, tinha um atelier aqui, uma residência, e entrevistei onze pessoas que, como eu, estavam num momento de transição, que estavam a tentar encontrar uma nova fase. Cada um escreveu-me uma mensagem sobre a sua casa, para o seu ‘chez-soi', que eu depois representei segundo a língua materna da pessoa e a mensagem em onze obras com paisagens da minha terra-natal, do meu 'chez-moi'. Tenho também uma outra obra de 2012 que fez parte do meu projecto final das Belas-Artes do Porto, portanto, é um momento de transição para uma vida adulta, um início de vida adulta e do meu posicionamento em relação à pintura para uma passagem para obras mais conceptuais e de performance. E, por último, uma obra de 2020, um filme de oito minutos que foi uma encomenda da cidade de Plaisir, quando já estava mais instalada em França, sobre a forma como a dança e o ritmo estão ligados às raízes e a um sentido de pertença num lugar e no próprio corpo”, descreve. Uma cabine fechada por cortinados é outro convite para viver uma experiência de alteridade a partir de um vídeo da artista portuguesa Carlota Matos, no qual uma adolescente imita minuciosamente os gestos e as palavras da sua mãe, uma mulher migrante que conta a sua história. Carlota Matos explicou-nos o conceito. “Faço parte aqui da exposição com uma peça que se chama 'Pour une vie meilleure', ‘Por uma vida melhor'. É uma instalação de vídeo, temos aqui a cabine, e isto faz parte de um projecto maior em que eu trabalhei com mais de 80 jovens, dei alguns ateliers em liceus e cada jovem entrevistou um membro da sua família, seja um pai, uma mãe, um avô, uma avó. E depois disso trabalhei com uma jovem em específica, a Helena, que tem 16 anos e é franco-brasileira. Ela entrevistou a mãe e depois explorámos um bocadinho a técnica do verbatim. O que é o verbatim? A Helena estava a ouvir a entrevista original e a repetir exactamente as palavras da mãe, os seus silêncios, as suas respirações. E, portanto, era a história da mãe através da voz dela. Isto faz-nos pensar um bocadinho na forma como nós próprios carregamos estas histórias e como estas histórias também se transmitem de uma geração para a outra”, conta. Há, também, uma experiência imersiva em que o visitante coloca uns óculos de Realidade Virtual para entrar noutro “chez-soi”, uma obra desenvolvida pelo Atelier des Noctambules, um colectivo guiado pela artista plástica Nathalie Afonso. O grupo também apresenta um biombo de azulejos em que cada aluno definiu o que é o seu “chez-soi”, o “sentir-se em casa”, como nos explica Nathalie Afonso. “São telas pequeninas, do tamanho de um azulejo pintado em azul e branco, e cada um deles é uma maneira de dar a ver qual é a coisa que dá a sensação de se estar em casa. Então, tem pessoas que vêm da Bretanha, tem pessoas que vêm da Síria, tem alunos que vêm de Marrocos, de Portugal também. Cada um deles pintou um objecto que têm sempre em casa. Tem uma senhora da Síria que fez a pulseira que a irmã deixou, na guerra… Ela faleceu e a irmã está sempre com a pulseira. Para ela, é uma parte dela que está lá na Síria. Tem outra pessoa que meteu a igreja onde nasceu e que nunca mais viu porque teve que deixar a Itália. É uma pessoa de idade, que tem 90 anos e teve que fugir ao fascismo”, explica a artista. À porta da exposição, uma árvore discreta em que as duas curadoras penduraram terços e rosários de diferentes religiões, oriundos das suas próprias casas, num gesto que reivindicam como de união num mundo cada vez mais polarizado. Oiça a reportagem na exposição neste programa.
Abertura dos trabalhos na Amorosidade
Ide e tende bom ânimoJesus deixou aos Seus discípulos uma direção clara: “Ide”. Fomos enviados para o mundo e, ao obedecermos, temos a promessa da Sua presença conosco. A seara é grande e os trabalhadores são poucos, mas ela tem dono. Quando percebemos que a obra é maior do que nós, nossa reação não deve ser desespero, mas oração: rogamos ao Senhor da seara que envie trabalhadores.¹Ao voltarmos para casa, para a faculdade, o trabalho e nossa rotina, encontraremos pressões, aflições e situações capazes de produzir desânimo. Porém, Jesus nos deu um mandamento: “Tende bom ânimo”. Isso não é pensamento positivo nem uma tentativa de produzir boas sensações. O nosso ânimo está em uma Pessoa: Jesus Cristo.²Esse mandamento revela algo da identidade que Deus nos deu. A graça não é permissão para pecar ou permanecer abatidos, mas poder de Deus para obedecer. Podemos estar sinceramente desanimados e, ainda assim, dar passos de fé concordando com aquilo que Cristo declarou.Jesus pronunciou essas palavras em um momento de enorme pressão. Estava caminhando para a cruz e sabia que Seus discípulos o abandonariam, mas permanecia entregue ao Pai. Ele não nos ordena algo que nunca viveu. Cristo venceu e, nele, podemos permanecer firmes.Uma das fontes desse bom ânimo é lembrar de onde somos. Jesus sabia que viera do Pai e voltaria para o Pai. Também nós precisamos viver como peregrinos, conscientes de que viemos de Deus e nosso destino está nele. Quando nossa referência está apenas nesta vida, nossa resistência às aflições se torna pequena. Quando a referência é a eternidade, recebemos graça para perseverar.³Também precisamos romper a dependência dos momentos extraordinários. Jesus venceu no ordinário: andando, trabalhando, comendo, descansando, servindo, sendo amado e sendo rejeitado. Nossa vida não precisa mudar de circunstâncias para recuperarmos o ânimo. Precisamos enxergar Cristo presente naquilo que chamamos de rotina.Outra mentira que acompanha o desânimo é a sensação de solidão. Jesus sabia que seria deixado pelos discípulos, mas declarou: “Não estou só, porque o Pai está comigo”. Também recebemos a promessa de que Deus nunca nos deixará nem nos abandonará. A solidão pode ser uma sensação real, mas não corresponde à realidade de quem está em Cristo.⁴Por fim, a ênfase da palavra de Jesus não está nas aflições, nem sequer no bom ânimo, mas nesta declaração: “Eu venci o mundo”. Nosso coração se fortalece quando deixamos de depender de resultados, desempenho e expectativas terrenas e passamos a descansar naquilo que Cristo já realizou.Somos enviados, portanto, não como pessoas capazes em si mesmas, mas como discípulos que sabem que Jesus venceu. Vamos para os de dentro e para os de fora, assumindo o ministério da reconciliação, amando os perdidos e respondendo novamente ao chamado do Senhor: “Eis-me aqui”.⁵Perguntas para reflexão:Tenho obedecido ao chamado de Jesus para ir?Como costumo reagir quando percebo que a seara é maior do que minhas forças?Meu ânimo depende das circunstâncias ou da vitória de Cristo?Tenho lembrado de onde sou e mantido minha referência na eternidade?Tenho condicionado minha alegria a momentos extraordinários?Em quais situações tenho confundido sensação de solidão com a realidade da presença de Deus?Que expectativas terrenas preciso entregar para descansar na verdade de que Jesus venceu?Para quem Deus está me enviando nesta semana?¹ Mt 28:18-20; Lc 10:1-2.² Jo 16:28-33.³ Jo 15:4-5; Fp 3:20; 2Co 4:17-18.⁴ Jo 16:32; Hb 13:5-6.⁵ 2Co 5:18-20; Mt 9:36-38.
30ª Semana dos Adolescentes Esperamos sua visita: Avenida Rio Doce, 217 - Ilha dos Araújos - Governador Valadares/MG - Telefone: (33) 3275-3289 Nossa Programação: Quarta-feira: 20h Culto da Vitória Sábado: 19h Culto dos Adolecentes 19h Culto Mova Jovens Domingo: 09h Escola Bíblica Dominical 19h Culto de Adoração Reuniões de Oração Segunda-feira: 19h Terça-feira: 15h Quinta-feira: 07h Domingo: 18h Visite nosso site: http://www.moriagv.com.br Visite nossas Redes Sociais: http://www.instagram.com/moriagv http://www.facebook.com/moriagv http://www.youtube.com/moriagv http://www.youtube.com/moriagv http://www.instagram.com/moriagv https://open.spotify.com/show/4ftB5DHYWOaQgjfKyWtoUl?si=14c7313c9d83429b http://www.soundcloud.com/moriagv
Nós somos igrejaAmar a igreja é consequência natural de passar tempo com Jesus. Quanto mais contemplamos Cristo, mais aprendemos a amar aquilo que Ele ama. A igreja é preciosa para Jesus e, por isso, precisamos pedir ao Espírito Santo revelação para compreendermos quem ela é e quem somos como parte dela.Só é possível conhecer verdadeiramente a igreja por revelação divina. Na conversão de Paulo, Jesus perguntou: “Por que me persegues?”, embora Paulo estivesse perseguindo os discípulos. Cristo se identifica com Seu corpo. Por isso, não podemos dizer que amamos Jesus enquanto desprezamos, evitamos ou rejeitamos os irmãos. Servir a igreja é servir o próprio Senhor.¹A igreja é o povo comprado pelo sangue de Jesus para ser família de Deus: aqueles que creram em Sua morte e ressurreição e confessaram Seu senhorio. Não apenas frequentamos a igreja; nós somos igreja. Fomos chamados para fora do mundo e para dentro de Deus, juntos.O objetivo da igreja não é produzir lucro financeiro ou emocional, mas glorificar a Deus. Nossa vida encontra seu propósito quando expressamos Jesus e proclamamos Seu Evangelho. A igreja funciona como família porque Deus é Pai. Por isso, precisamos romper distâncias entre gerações, acolher os mais novos, caminhar com os mais velhos e construir relacionamentos que não sejam limitados apenas a pessoas parecidas conosco.²A Escritura também apresenta a igreja como casa espiritual, sacerdócio, família, noiva e corpo. Somos pedras vivas e também sacrifícios vivos. Culto não é apenas receber Palavra, cantar ou participar de uma reunião; é oferecer nossa própria vida a Deus.³A igreja se expressa de maneira ampla, na cidade e também nas casas. Deus ama o ambiente da casa e da mesa, onde pessoas podem ser conhecidas, acolhidas e cuidadas. É também na igreja que descobrimos nosso chamado específico. Não nos autoproclamamos ministros; servimos, experimentamos, aprendemos, somos corrigidos e, em comunhão com os irmãos, o Espírito Santo vai revelando nossa parte no corpo. Caráter é inegociável, mas desempenho pode ser aperfeiçoado. Não precisamos esperar pelo futuro: somos igreja hoje.A mesa do Senhor nos lembra que não fomos feitos para viver individualmente. A ceia aponta para uma vida de acolhimento, espera, dependência, perdão e pertencimento. Precisamos aprender a andar no passo do irmão mais fraco, abrir espaço para outros, pedir conselho e reconhecer que dependemos uns dos outros.⁴Jesus amou até o fim, mesmo sabendo que seria traído. Também receberemos feridas dos irmãos, mas temos em Cristo um depósito abundante de graça e perdão. Onde o pecado abundou, a graça superabundou. A igreja é o lugar onde podemos caminhar na luz, ser restaurados, exercer o ministério da reconciliação e, juntos, anunciar Jesus ao mundo.⁵Perguntas para reflexão:Tenho amado a igreja como Jesus a ama?Existe algum irmão que tenho dificuldade de reconhecer como parte preciosa do corpo de Cristo?Tenho vivido como igreja ou apenas frequentado reuniões?Tenho construído relacionamentos com pessoas de outras idades e gerações?Estou servindo suficientemente para que meu chamado seja reconhecido e desenvolvido no corpo?Tenho acolhido, esperado e caminhado no ritmo dos irmãos?Minhas decisões demonstram que realmente dependo do corpo de Cristo?Tenho oferecido aos irmãos o mesmo perdão que recebi de Jesus?¹ At 9:3-5; Mt 16:15-17.² At 20:28; Ef 2:19; 1Co 10:31.³ 1Pe 2:5; Rm 12:1; 1Co 12:12-27.⁴ 1Co 11:17-33; Rm 12:4-5.⁵ Jo 13:1; Rm 5:20; 1Jo 1:7.
Chamados para ser sal, fermento e luzDeus não prometeu que Seus filhos viveriam sem problemas, mas nunca os deixa sem direção. E a direção que Ele nos dá está ligada à nossa identidade: fomos chamados para ser sal, fermento e luz. Isso não é simplesmente um conjunto de tarefas a realizar; é expressão de quem somos em Cristo.¹Deus prometeu que a terra se encherá do conhecimento da Sua glória. Essa promessa está diretamente ligada à proclamação do Evangelho, porque Deus estabeleceu uma forma de revelar Sua glória: Jesus Cristo. A boa notícia precisa ser anunciada: Jesus é Deus, se fez carne, morreu, ressuscitou, é o Senhor e voltará. Deus colocou poder nessa mensagem, e fomos chamados para anunciá-la.²Entretanto, antes de qualquer outro chamado, precisamos ter resolvido no coração o chamado principal: somos filhos de Deus. Não pregamos, servimos, perdoamos ou buscamos santidade para nos tornarmos filhos. Nós já fomos recebidos como filhos pela graça e, a partir dessa identidade, expressamos a vida do Pai. Quando isso não está claro, podemos viver como funcionários tentando conquistar aquilo que somente a graça pode nos dar.³Jesus afirma: “Vós sois o sal da terra”. Ele não manda Seus discípulos conquistarem essa identidade; Ele declara quem eles são. O mesmo acontece com o fermento: sua presença pode não chamar atenção, mas seus efeitos são impossíveis de esconder. Não fomos chamados para buscar reconhecimento ou admiração, mas para que, quando as pessoas se aproximem de nós, percebam a presença e a vida de Cristo.⁴Por isso, missões não são apenas uma atividade ou departamento da igreja. A missão de Deus habita em nós porque Cristo habita em nós. Todo discípulo é enviado. Nossa identidade não está na busca por poder, posição ou reconhecimento, mas na autoridade recebida no nome de Jesus.Quando as pessoas olhavam para Cristo, viam a revelação do Pai. Também fomos chamados para revelar quem o Pai é. Isso não acontece somente nos nossos acertos ou nos momentos em que parecemos fortes. Muitas vezes, Deus é revelado justamente quando reconhecemos nosso pecado, nos arrependemos e permitimos que Sua luz alcance nossas fraquezas. Não precisamos ser pessoas de aparência impecável; precisamos ser homens e mulheres verdadeiros, transformados por Jesus.⁵Também fomos chamados para ser o toque do Pai na terra. Nossas mãos podem acolher, servir e alcançar pessoas. Nossa vida pode mostrar que transformação é possível. Podemos dizer: “Olhe para aquilo que Cristo está fazendo em mim; Ele também pode transformar você”.Ser cheio do Espírito Santo precisa se transformar em prática. O Espírito não nos enche apenas para uma experiência interior, mas para transbordarmos em palavras, serviço, oração, amor e proclamação. O Senhor quer limpar dos nossos pés tudo aquilo que impede que vivamos nossa identidade e renovar nossa entrega à missão que Ele nos confiou.⁶Perguntas para reflexão:Que “poeira” deste mundo preciso permitir que Deus limpe para viver minha identidade de sal e luz?O medo, a vergonha, minha agenda, distrações ou preocupação com minha imagem têm impedido que eu anuncie Jesus?Tenho vivido como filho de Deus ou como alguém tentando conquistar Sua aprovação?As pessoas que se aproximam de mim conseguem perceber algo de Cristo?Tenho tratado missões como uma atividade ou como parte da minha própria identidade?Para quem vou contar a mensagem do Evangelho nesta semana?O que Deus está me chamando a transformar imediatamente em prática?¹ Mt 5:13-16; Mt 13:33.² Hc 2:14; Rm 1:16; 1Co 15:3-4.³ Jo 1:12; Rm 8:15-17; Gl 4:4-7.⁴ Mt 5:13-16; Mt 13:33.⁵ Hb 1:1-3; Jo 14:9; 1Jo 1:7-9.⁶ Jo 7:37-39; At 1:8.
Pernambuco sempre soube misturar tradição, invenção e futuro. E a minha convidada da semana parte de uma geração que continua fazendo essa mistura do seu próprio jeito. Uana é cantora e compositora, mistura o pop urbano com o brega, o funk e a música eletrônica. Ela vem construindo uma identidade muito particular na nova música brasileira. Hoje, a gente vai conhecer melhor a artista, as referências e os sonhos que existem por trás desse som.
Quem é você?Nossa identidade não é definida por profissão, função, aparência, temperamento, passado, traumas ou sentimentos. Em Cristo, sabemos quem somos: pecadores salvos pela graça, filhos de Deus. Identidade não se cria nem se conquista; é recebida. Por isso, nossa oração é que Deus ilumine os olhos do nosso coração para enxergarmos aquilo que Ele já nos deu em Cristo.¹Vivemos em constante luta entre excessos e carências porque não fomos feitos para encontrar nossa definição neste mundo. O perigo está em permitir que nossas experiências, imaginação, traumas e a cultura formem conceitos que passam a dirigir nosso comportamento. Um conceito equivocado produz frustração. Para corrigir nossos conceitos, precisamos de uma referência verdadeira: aquilo que Deus pensa.²Arrependimento é concordar com Deus. Não significa necessariamente gostar de imediato do que Ele diz, mas reconhecer que os Seus pensamentos são mais altos que os nossos e mudar de direção. Precisamos perguntar: o que penso sobre beleza, riqueza, segurança, saúde, sucesso e descanso é realmente o que Deus pensa? Quando nossos conceitos entram em conflito com os de Deus, somos chamados a abandonar os nossos e concordar com Ele.³O mundo procura nos conformar aos seus padrões, inclusive por aquilo que vemos e consumimos. Aos poucos, podemos absorver conceitos sem perceber e construir nossa vida sobre eles. Deus, porém, se importa com nosso estilo de vida. Nem tudo que precisa mudar é necessariamente pecado; há escolhas, ritmos e hábitos que precisam ser ajustados para que vivamos de acordo com a identidade que recebemos dele.⁴Também precisamos restaurar nosso relacionamento com os mandamentos. Eles não foram dados para conquistarmos uma identidade, mas para expressarmos quem já somos como povo de Deus. O mandamento revela características do próprio Deus e, ao obedecê-lo pela graça, nossa vida se aproxima da expressão da identidade que Ele nos deu. A graça não nos libera para pecar; ela nos capacita a obedecer.⁵Por isso, não basta ouvir. Precisamos praticar. A Palavra recebida deve se tornar vida, obediência e serviço. Não estamos reunidos apenas para assistir, mas para ministrar uns aos outros, acolher pessoas no coração e cooperar com aquilo que o Espírito Santo está fazendo na igreja. Deus quer formar uma geração firme em sua identidade, que sabe quem é, concorda com Ele e coloca Sua Palavra em prática.Perguntas para reflexão:Quem sou eu, quando retiro minhas funções, conquistas, emoções e experiências?Quais conceitos em mim foram formados pelo mundo, pela imaginação ou por traumas?O que penso sobre beleza, riqueza, segurança, saúde, sucesso e descanso é o que Deus pensa?Em que área preciso parar de defender meu pensamento e concordar com Deus?Meu estilo de vida expressa a identidade que recebi em Cristo?Vejo os mandamentos como um peso ou como expressão de quem Deus é e de quem sou nele?O que Deus já me falou que preciso colocar em prática?Tenho acolhido e ministrado aos meus irmãos como alguém que realmente pertence ao corpo?¹ Ef 1:18; Rm 8:15-17.² Is 55:6-9; Rm 12:2.³ Is 55:7-9; 1Co 1:18-21.⁴ Rm 12:1-2; Pv 13:12.⁵ Êx 20:1-17; 1Pe 1:15-16; Jo 13:34-35; Tt 2:11-12.
Um coração inconsolável por este mundoDeus colocou em nós fome e sede por consolo. O problema não é termos essa fome, mas buscarmos satisfazê-la no lugar errado. Pequenos desvios parecem insignificantes no começo, mas, mantidos ao longo do caminho, podem nos levar para muito longe. Por isso, o Senhor quer endireitar nossas veredas e corrigir nossa alimentação: não precisamos deixar de ter fome, precisamos aprender a comer daquilo que realmente nos satisfaz.¹Muitas vezes lutamos contra os prazeres da carne sem aprender a desfrutar do prazer em Deus. Tentamos nos consolar com distrações, pessoas, reconhecimento, dinheiro, descanso, pensamentos, telas ou outras coisas deste mundo. Mas Deus é a comida que satisfaz plenamente. Quando nossa alma estiver angustiada, precisamos aprender a recorrer a Ele como nossa primeira reação.Uma das fontes de consolo é lembrar aquilo que Deus já fez. O salmista recorda a restauração realizada pelo Senhor e, mesmo chorando no presente, encontra esperança para continuar semeando. Precisamos cuidar daquilo que ocupa nossa mente e nossos olhos, porque um coração alimentado pelas coisas erradas perde a capacidade de lembrar do seu Criador.²Também encontramos consolo na bondade e na misericórdia de Deus. Para experimentar misericórdia, apresentamos a Ele nossa miséria e encontramos o Seu coração. Quando escondemos nossa condição, endurecemos o coração e permanecemos famintos. Mas quando nos aproximamos com sinceridade, descobrimos novamente que Deus é bom.³Outra parte do banquete é aprender a esperar. Simeão esperava a consolação de Israel, que é Cristo. Deus não desperdiça a espera: enquanto esperamos nele, Ele prepara nosso coração para receber e reter Seu consolo. Contentamento não significa ausência de luta, mas um coração capaz de permanecer satisfeito em Deus enquanto espera.⁴Deus também nos consola por meio do corpo. A consolação que recebemos não é somente para nós; somos consolados para consolar outros. A dor de um irmão pertence ao corpo, assim como sua cura e seu consolo. Precisamos uns dos outros para experimentar a riqueza que Deus repartiu entre os Seus filhos.⁵A Palavra também é fonte de consolo. Mesmo quando nossa compreensão parece limitada, podemos permanecer apegados às Escrituras, esperando nelas e permitindo que nos lavem. À medida que buscamos o Senhor como nossa satisfação, Ele muda os sabores da nossa boca: aquilo que antes parecia desejável perde seu poder, e cresce em nós o prazer pela vontade de Deus.Por isso, somos chamados a recusar o consolo oferecido pelo mundo. Nossa alma pode dizer: “esperarei no Senhor”. Não precisamos de força para buscá-lo; precisamos de rendição. Na fraqueza, na angústia e na dor, podemos entregar tudo a Ele e receber a força que vem dele.⁶Perguntas para reflexão:Onde vou instintivamente quando minha alma dói?O que tenho usado para tentar consolar meu coração?Por que Deus nem sempre é minha primeira reação?Tenho visto Cristo verdadeiramente como meu descanso?Tenho confundido busca por Deus com necessidade de ter força?Existe algo que transformei em ídolo por buscá-lo repetidamente como fonte de consolo?Tenho aprendido a esperar no Senhor e a me alimentar da Sua Palavra?Tenho repartido com meus irmãos a consolação que recebo de Deus?¹ 2Rs 7:3-8; Jo 4:31-34.² Sl 126:1-6.³ Sl 119:76-77; Lm 3:22-23.⁴ Lc 2:25-32.⁵ 2Co 1:3-4; 1Co 12:25-26.⁶ Sl 77:1-3; 119:81-82; Mt 11:28-30.
Ricardo Marques antevê que vaga de aumentos nos combustíveis veio para ficar. O especialista em mercados financeiros explica que resulta da escassez de produtos refinados na Rússia e noutros mercados.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Você passa horas refinando seu conhecimento, produz conteúdos de alto valor técnico e vê os números de engajamento subirem. Mas, na hora de apresentar sua proposta comercial, depara-se com o mesmo obstáculo frustrante: “Gostei muito do seu trabalho, mas o orçamento passou do que planejávamos.”A verdade nua e crua é que curtidas não pagam contas.Viver sob esse cenário é o equivalente a ser um chef premiado com estrela Michelin cozinhando para um salão vazio: o seu talento é indiscutível, mas o posicionamento de mercado está desalinhado. É doloroso ver profissionais com metade da sua competência técnica fechando contratos cinco ou dez vezes mais caros simplesmente porque dominam a arte da percepção de valor.O segredo deles não reside em “trabalhar mais” ou aumentar a frequência de postagens. A grande virada de chave está em parar de tratar a própria imagem como um canal de entretenimento e passar a gerenciar a sua marca pessoal como um ativo financeiro estratégico.Neste artigo, você vai descobrir os 3 pilares estratégicos para transformar sua marca pessoal em um ímã de clientes premium, tornando a concorrência irrelevante e o seu preço uma consequência natural da sua autoridade.O Growth Diaries é uma publicação financiada por leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, faça sua inscrição gratuita ou se torne um assinante.O Jogo Invisível dos Contratos de Alto ValorVender serviços de alto padrão (premium) não é sobre o volume de entregáveis, mas sim sobre o que você representa na mente do cliente antes mesmo da primeira reunião.Transações de alto valor não se baseiam em lógica de comparação. Elas são sustentadas por três pilares invisíveis: confiança, mitigação de riscos e segurança.O cliente de alto padrão não compra um serviço; ele compra a garantia do resultado. Ele precisa olhar para o seu ecossistema de marca e concluir:“O risco não está em contratar este profissional... o risco real, financeiro e estratégico, está em NÃO contratá-lo.”Para construir essa percepção, você precisa acionar três pilares fundamentais.Pilar 1: O Gatilho da Autoridade (Substitua “Dicas” por “Diagnósticos”)Se você estivesse enfrentando um problema de saúde complexo, buscaria um conselho rápido com um influenciador fitness ou agendaria uma consulta com o principal cirurgião do país?O especialista de elite não perde tempo com dicas superficiais. Ele faz perguntas cirúrgicas, analisa o cenário, identifica a raiz do problema e prescreve um diagnóstico preciso.A maioria dos profissionais erra ao se comportar como “criadores de conteúdo” quando deveria se posicionar como autoridades de nicho. Refine seu vocabulário estratégico:“Tenho algumas dicas rápidas para você...” “Apresento a análise estratégica para o cenário...” “Eu acho que esse caminho é melhor...” “Os dados e a nossa experiência indicam...” “Isso aqui pode funcionar no seu negócio.” “A metodologia de mitigação de riscos para o seu caso é...”Como aplicar na prática:* Domine uma dor específica: Quem tenta resolver tudo para todos é visto como um clínico geral — e sempre ganha menos que o especialista. Qual é o problema mais caro e complexo que você resolve? Foque sua comunicação nele.* Crie análises estruturadas: Substitua posts de “3 ferramentas úteis” por estudos de caso: “Análise de Gargalo: Por que empresas do setor X falham ao escalar suas operações comerciais”.* Adote uma postura corporativa: Clientes premium não buscam atalhos. Eles compram sistemas validados, metodologias replicáveis e segurança.Pilar 2: O Gatilho da Conexão de Elite (Prova Social Estruturada e Inimigo Comum)A autoridade abre as portas, mas a confiança fecha o contrato. O caminho mais rápido para criar essa conexão une dois elementos: prova social qualificada e o combate a um inimigo comum.Prova Social Qualificada (Estudos de Caso)Depoimentos genéricos como “Profissional muito atencioso” não têm eficácia. O cliente premium busca validação de resultado. Substitua-os por Estudos de Caso estruturados:[O Estado Anterior] ───► [A Jornada Estratégica] ───► [O ROI Mensurável] (A dor e os prejuízos) (A segurança do método) (O resultado real) * O Estado Anterior: “Qual era o prejuízo ou gargalo que a empresa enfrentava antes da nossa parceria?”* A Jornada: “De que forma nossa metodologia trouxe segurança para o seu time durante a execução?”* O Retorno (ROI): “Qual foi o ganho financeiro, de tempo ou operacional mensurável após a nossa intervenção?”O Alinhamento Contra o Inimigo ComumMarcas magnéticas se unem ao seu público não apenas pelo que defendem, mas pelo que combatem ativamente. O “inimigo comum” não é um concorrente, mas uma prática defasada ou uma mentalidade prejudicial tolerada pelo mercado.Seu inimigo pode ser:* A cultura do imediatismo destrói resultados de longo prazo.* A burocracia inútil de agências tradicionais.* A mercantilização que nivela profissionais competentes pelo menor preço.Ao declarar o que você não tolera, você filtra os clientes errados e atrai uma audiência qualificada que compartilha seus padrões.Pilar 3: O Gatilho da Ancoragem de Preço (A Engenharia do Valor)Se você justifica seu preço depois que o cliente pergunta, seu posicionamento falhou. A percepção de valor deve ser construída antes da proposta.1. Venda o Resultado, Nunca as Suas HorasVender “horas de consultoria” transforma você em commodity. O cliente premium não compra seu tempo; ele compra o resultado que seu tempo proporciona.* Abordagem Amadora: “Meu pacote inclui 4 reuniões de 1 hora por mês...”* Abordagem Premium: “Nosso projeto estrutura seu departamento comercial para gerar leads previsíveis. Para isso, executaremos um plano estratégico em 4 etapas.”2. Utilize a Ancoragem ComparativaA mente humana julga valores por comparação. Ofereça opções estruturadas para direcionar a decisão:* Opção Essencial: Resolve a dor imediata.* Opção Principal (Recomendada): A solução completa com o melhor custo-benefício.* Opção Premium (A Âncora): Uma solução sob medida com preço propositalmente elevado.A Opção Premium existe para redefinir o teto de preço, fazendo a Opção Principal parecer uma decisão extremamente inteligente e segura.3. Exponha o Custo da InaçãoMuitas vezes, a venda é perdida para a inércia. Mostre claramente o quanto custa para a empresa não resolver o problema.Se um gargalo gera um desperdício de R$ 30.000/mês, um projeto de R$ 10.000 para solucioná-lo deixa de ser “gasto” e se torna um investimento com retorno rápido.Conclusão: Deixe de Ser um Custo e Torne-se um AtivoConstruir uma marca pessoal como ativo exige clareza e método:* A Autoridade garante que você seja respeitado como especialista.* A Conexão de Elite estabelece você como o parceiro de negócios ideal.* A Ancoragem de Preço assegura que o mercado compreenda o real retorno da sua entrega.Pare de competir com quem sobrevive de descontos. Mude seu patamar de posicionamento. To hear more, visit victormignone.substack.com
Jovens que não negociam os seus princípiosNossa identidade foi definida por Deus em Cristo. Ele nos recebe como filhos, mas devemos nos apresentar diante dele como servos. Por isso, não precisamos fingir aquilo que estamos vivendo: podemos abrir o coração ao Senhor e permitir que Sua Palavra lave a poeira dos nossos pés.¹Daniel, Ananias, Misael e Azarias foram levados para a Babilônia em um processo que buscava não apenas dominar suas circunstâncias, mas também alterar sua cultura, seus princípios e sua identidade. Nabucodonosor mudou seus nomes e, depois, exigiu que todos se prostrassem diante da estátua. A pressão continua sendo semelhante: o mundo deseja nossas habilidades, mas também quer que esqueçamos quem somos e negociemos aquilo que Deus tornou inegociável.²A convicção nasce da identidade. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não precisaram provar exaustivamente que estavam certos; simplesmente permaneceram firmes. Mesmo diante da fornalha, recusaram-se a se dobrar. Quem decide viver piedosamente em Cristo enfrentará oposição, mas não estará sozinho.³Esses jovens não chegaram à Babilônia firmes por acaso. Foram formados em um tempo de restauração no reinado de Josias. Quatro coisas precisam também ser restauradas em nós para vivermos na Babilônia sem pertencermos a ela.Primeiro, o ministério profético: reconhecer e amar a Palavra que Deus confiou aos que vieram antes de nós, sem viver correndo atrás do novo apenas por ser novo. Segundo, a Palavra de Deus: não apenas ouvi-la ou repeti-la, mas permitir que entre em nós, transforme sentimentos, pensamentos e escolhas e nos torne cartas vivas.⁴Terceiro, a presença de Deus: nunca tratá-la como algo comum. Estar diante do Rei dos reis é um privilégio que deve manter nosso coração maravilhado e nossa identidade viva. Quarto, a Páscoa, que aponta para a restauração do pertencimento e da consciência de corpo. Não somos apenas vários indivíduos reunidos; em Cristo pertencemos uns aos outros.⁵Quanto mais conhecemos nossa identidade em Cristo, menos precisamos fingir. Podemos reconhecer diante de Deus nossas lutas, pecados, feridas, medos e até aquilo que ainda não amamos como deveríamos. Jesus é Pastor e Bispo da nossa alma e pode tocar também nossos sentimentos. O Senhor quer formar em nós um povo sincero, convicto, pertencente ao corpo e incapaz de negociar os Seus princípios.Perguntas para reflexão:O que é inegociável para mim?Quem ou o que tem tentado mudar o meu “nome”, fazendo-me esquecer quem sou em Cristo?Como meus joelhos têm reagido quando a cultura ao meu redor exige que eu me dobre?Amo a Palavra que Deus confiou aos que vieram antes de mim ou vivo buscando sempre algo novo?Eu amo a Bíblia e permito que ela transforme minha vida?Tenho tratado a presença de Deus como algo comum?O que tenho gastado força tentando fingir?Eu realmente pertenço aos meus irmãos e ao corpo de Cristo?¹ Jo 13:10; 15:5.² Dn 1:3-8; 3:1-12.³ Dn 3:13-27; 2Tm 3:12.⁴ 2Rs 22:8-13; 23:1-3; Jo 1:14; 2Co 3:2-3.⁵ 2Rs 23:21-23; 1Co 12:12-27.
SEMENTEIRA CRISTÃ 30/08/2026– NICODEMOSPrezados internautas, o tema que abordaremos hoje é: NICODEMOSRegistra Humberto de Campos, no livro Boa nova, como ocorreu o encontro e o elucidativo diálogo entre Jesus e Nicodemos, registrado pelo apóstolo João. Todavia, sem embargo das dissensões naturais que precedem o estabelecimento definitivo das ideias novas, alguns Espíritos acompanhavam o Messias, tomados de vivo interesse pelos seus elevados princípios. Entre estes, figurava Nicodemos, fariseu notável pelo coração bem formado e pelos dotes da inteligência. Assim, uma noite, ao cabo de grandes preocupações e longos raciocínios, procurou a Jesus, em particular, seduzido pela magnanimidade de suas ações e pela grandeza de sua doutrina salvadora. O Messias estava acompanhado apenas de dois dos seus discípulos e recebeu a visita com a sua bondade costumeira. Após a saudação habitual e revelando as suas ânsias de conhecimento, depois de fundas meditações, Nicodemos dirigiu-se-lhe respeitoso:“Mestre, bem sabemos que vindes de Deus, pois somente com a luz da assistência divina poderíeis realizar o que tendes efetuado, mostrando o sinal do céu em vossas mãos. Tenho empregado a minha existência em interpretar a lei, mas desejava receber a vossa palavra sobre os recursos de que deverei lançar mão para conhecer o reino de Deus”!
A Bia dá uma aula, e o Marcus está meio cansado.
TUTAMÉIA apresenta encontro do general Arnaldo Tamayo Méndez, 84, primeiro cosmonauta cubano e primeiro negro no espaço, com crianças que participaram de oficinas de férias no Instituto Fidel Castro, em Havana. Autor do livro paradidático "Con Mis Pequeños Cosmonautas", ele também
Tomai, do que tendes, uma oferta para o Senhor; cada um, de coração disposto, voluntariamente a trará por oferta ao Senhor: ouro, prata, bronze Êxodo 35:5 O significado de ofertar Ofertar algo significa colocá-lo à disposição. Isso quer dizer que não existem impedimentos para determinado uso. Quando o Senhor nos [...]
Marcos Fenício sofreu um acidente de moto, aos 17 anos, que mudou sua vida. “Tive que amputar minha perna, e isso me fez buscar um sentido para a vida. Eu não vim ao mundo de férias. Tenho que ser uma ferramenta de mudança", disse Fenício, em entrevista a Mariana Amaro, apresentadora do podcast Do Zero ao Topo. Marcos parou de comer carne e, e para complementar a alimentação, conheceu a granola. “Naquele tempo, era uma alimentação do pessoal macrobiótico. Não eram tão saborosas como hoje”, afirma. “Minha mãe olhou aquilo ali e falou, ‘peraí'. Ela abaianou o negócio”.A mãe de Marcos, dona Sônia, virou marca: Tia Sônia. E sua receita caseira ganhou o mundo. Hoje, a empresa produz cerca de 300 toneladas de granola por mês. Seus 80 produtos estão em supermercados do Brasil inteiro, numa loja-conceito da marca em São Paulo e nos Estados Unidos.Com dinheiro próprio - “um empréstimo de R$ 40 que está rendendo até hoje”, diz Fenício -, gestão familiar, e uma ajuda involuntária da novela Malhação, Tia Sônia tem 30 anos de existência. É líder do mercado na região Nordeste e a segunda maior do Brasil._________________________INFOMORNING | A newsletter com tudo o que você precisa para começar o diaReceba informações, análises e recomendações que valem dinheiro diretamente no seu e-mail: https://www.infomoney.com.br/newsletters/
Quase um mês após ter sido revelada a crise na plataforma de investimentos capixaba Apex Partners, o governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição, defendeu investigação rigorosa da situação e disse que não há dinheiro público aportado na empresa. A companhia tem endividamento de quase R$ 1 bilhão; o caso foi levado à Justiça. A afirmação de Ricardo foi feita durante a primeira da série de sabatinas de A Gazeta e CBN Vitória com os candidatos ao governo do Estado, na manhã desta segunda-feira (31), na sede da Rede Gazeta. O candidato foi questionado pela equipe de colunistas e jornalistas de A Gazeta e CBN sobre a sua relação e a dos seus familiares com a crise da Apex Partners. Pedro Chieppe, filho de Ricardo, tem participação na empresa. "Meu filho tem 3% dessa empresa e eu pessoalmente defendo que a investigação possa alcançar os responsáveis pela Câmara de Valores Mobiliários (CVM), Ministério Público (MPES), Justiça Federal e Justiça Estadual. Acredito na inocência e na boa-fé do meu filho", afirmou. Durante a sabatina, Ricardo Ferraço também foi questionado sobre a diferença entre o seu perfil de governo e do seu antecessor, Renato Casagrande (PSB), que deixou o comando do Executivo capixaba para concorrer ao Senado. O candidato destacou que um dos focos será ampliar as escolas em tempo integral, para alcançar 100% das unidades e prometeu que 100% das escolas até o final do ano estarão climatizadas. Também disse que um dos focos é manter o Estado organizado. "A continuidade é manter a forma de governar, com diálogo, humildade e foco no resultado. Vamos focar em trabalhar resultados na Grande Vitória e 78 municípios, mantendo o Estado organizado com capacidade de planejamento e entrega", afirmou. Foi perguntado também sobre qual seria a sua posição na disputa nacional, hoje polarizada entre o PT e o PL, com Lula e Flávio Bolsonaro candidatos ao Palácio do Planalto, respectivamente. Sobre o assunto, Ricardo esquivou-se, afirmando que é e vai continuar sendo 100% Espírito Santo. "Os principais adversários querem submeter o Espírito Santo à polarização ideológica. Achamos que submeter a isso é colocar em segundo plano o interesse dos capixabas. Tenho afirmado que vamos governar o Espírito Santo fora do extremismo", frisou.
A pentacampeã mundial de bodyboard Neymara Carvalho, de 50 anos, está de volta a Portugal para disputar a temporada europeia do Circuito Mundial ao lado da filha, Luna Hardman, de 20. Mãe e filha dividem a elite da modalidade e podem ficar frente a frente nas ondas do Sintra Pro, uma das etapas mais tradicionais do calendário internacional. Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Portugal Uma situação quase única no esporte de alto rendimento: três décadas separam as duas atletas, que agora disputam as mesmas ondas, os mesmos pontos no campeonato, e, eventualmente, uma contra a outra. A competição na Praia Grande, em Sintra, de 1 a 6 de setembro, tem ainda um significado particular para as brasileiras. Neymara construiu parte importante de sua trajetória nas ondas portuguesas e considera a etapa quase como competir no “quintal de casa”. Luna também guarda uma ligação especial com o local: foi em Sintra, em 2022, aos 16 anos, que conquistou seu primeiro título mundial Pro Junior. Agora, mãe e filha chegam à mesma competição como possíveis adversárias. “Competir contra a minha filha é um misto de emoções gigante. O amor de mãe é muito único, muito genuíno. Eu criei a Luna praticamente sozinha durante esses 20 anos, claro, com o apoio da minha família, então somos muito próximas. Dentro de uma bateria, ter que enxergá-la como uma adversária é muito difícil. É um dos momentos mais difíceis da minha carreira”, afirma Neymara. Pentacampeã mundial e dez vezes campeã brasileira, a capixaba conta que precisou trabalhar até com acompanhamento psicológico a separação entre os papéis de mãe e atleta. “Eu tive que entender que ela está com 20 anos, criando a carreira dela, traçando a carreira dela, e eu não posso amolecer. O coração de mãe amolece, porque a mãe quer que o filho sobressaia, quer que o filho esteja feliz. Mas eu ainda preciso me priorizar, porque sou atleta e ganho para isso.” A convivência durante as viagens tornou essa divisão parte da rotina. As duas dividem quartos, tarefas e boa parte da preparação, mas aprenderam a estabelecer limites principalmente nos dias de competição. “A gente conversa sobre essas limitações: onde entra a mãe e onde entra a atleta. A gente brinca muito com isso. Eu falo: ‘Aqui eu não sou mãe, aqui eu sou atleta'. Ou então: ‘Vem cá, chora comigo, agora eu sou mãe'.” Para Luna, a separação parece mais simples. A brasileira cresceu acompanhando a carreira da mãe e não esconde que derrotá-la faz parte do caminho para atingir seus próprios objetivos. “Como atleta, sempre vou querer ganhar da melhor. E, para mim, ela é a melhor de todos os tempos. Então eu tenho que ganhar dela se eu quero ser a melhor um dia. Eu consigo distinguir isso um pouco melhor que ela e a vejo como uma atleta na bateria, não como a minha mãe”, explica. A possibilidade de as duas dividirem uma bateria é resultado de trajetórias que começaram em momentos muito diferentes. Quando Luna nasceu, Neymara já era bicampeã mundial e uma das principais referências do bodyboard feminino. A atleta chegou a competir grávida da filha e voltou às competições poucos meses depois do nascimento. “Em vários momentos eu tinha a ideia de que segurá-la no pódio, como fiz diversas vezes, seria o meu melhor exemplo de mãe. Eu estava ali vitoriosa, mostrando que, independentemente da maternidade, continuei. Eu competi grávida, voltei a competir quando ela tinha dois meses de vida.” Duas décadas depois, a relação também se inverteu “Hoje eu aprendo com ela. Não só ensino e continuo dando dicas, mas vejo que ajudei a formar uma mulher forte, uma competidora muito forte, uma adversária para mim. A atleta que ela se tornou é também uma das mais difíceis do Circuito Mundial hoje”, diz Neymara. Para Luna, durante muito tempo a dimensão esportiva da mãe não era tão evidente. Ter uma pentacampeã mundial dentro de casa fazia parte da rotina. “Para mim, ela sempre foi minha mãe que era campeã. Era normal ter uma campeã dentro de casa, que se alimentava bem, que treinava. Quando comecei realmente a viajar e vi o quanto as pessoas admiravam ela, comecei a achar estranho. Não era tão normal quanto eu achava ter uma mãe pentacampeã mundial.” Foi acompanhando Neymara pelo circuito que Luna passou a enxergar a mãe também como referência esportiva. “Comecei a admirá-la não só como mãe, mas realmente como atleta. Comecei a perceber a importância que ela tinha e a estrela que ela tinha dentro desse esporte. Acho que isso me fez me apaixonar ainda mais pelo bodyboard e querer essa vida.” O sobrenome e a trajetória da mãe também trouxeram pressão desde cedo. Luna conta que ainda criança já era questionada sobre a possibilidade de seguir os passos de Neymara. “Mesmo quando eu não estava no esporte, os repórteres vinham perguntar se eu ia ser igual a ela. Mas desde pequena ela me preparou para isso. Eu sempre tive psicóloga e fui preparada para esses momentos em que as pessoas colocariam pressão. É inevitável. É o mesmo esporte, é a mesma caminhada que estamos seguindo.” Hoje, Luna já constrói o próprio currículo e não esconde a ambição de superar a mãe. “Desde sempre a gente brinca que eu tenho que bater os títulos dela. E, para bater, vão ser alguns anos pela frente. Vamos ver se vou continuar até os 50 ou se vai ser um pouco mais rápido.” Longevidade aos 50 anos Se Luna olha para os próximos anos, Neymara ainda não fala em despedida. Aos 50, a brasileira afirma que não imaginava permanecer no circuito por tanto tempo. Depois de seis anos afastada da disputa integral do Mundial, voltou à competição internacional impulsionada também por um novo patrocínio e chegou ao vice-campeonato mundial no primeiro ano de retorno. “Eu nunca imaginei isso. Brincava com a Carla Costa, que foi minha parceira durante anos no circuito: ‘Quando a gente fizer 40, já vai estar aposentada'. E estou aqui com 50. Um dos melhores patrocínios da minha trajetória veio agora, nos últimos quatro anos.” Para Neymara, a continuidade da carreira também ajuda a questionar a associação entre idade e queda de rendimento no esporte profissional. Ela cita atletas como Cristiano Ronaldo e Kelly Slater como exemplos de longevidade. “O limite está na mente das pessoas. Estou aqui para mostrar que o meu limite de aposentadoria ainda não chegou. Estou amando viver isso, amando competir em alto nível.” A atleta mantém uma rotina de preparação física voltada especialmente para prevenção de lesões e proteção das articulações e reconhece que a recuperação aos 50 anos é diferente da de uma adversária de 20. “Eu não falto ao treinamento. Meu corpo hoje tem uma recuperação diferente de uma menina de 20 anos. Então preciso estar consciente de que não posso deixar de fazer. Não quero competir com as meninas por estética ou porque quero parecer jovem. Quero porque realmente me sinto apta a fazer o que faço, o que amo.” Sintra, um lugar especial para as duas É em Sintra que essas duas trajetórias voltam a se encontrar. Neymara participou de praticamente todas as edições da tradicional competição portuguesa ao longo de sua carreira e chegou a disputar a prova grávida de Luna. A brasileira diz que a familiaridade com a Praia Grande e com o público português transforma a etapa em uma das mais especiais da temporada. “Eu me sinto à vontade. Tenho muitos amigos, tanto portugueses quanto brasileiros, que vão à praia para me ver, para reencontrar. Tenho uma torcida única, minha, e que está sendo transferida muito para a Luna também.” A transferência de torcida já virou motivo de brincadeira entre mãe e filha. “Eu pergunto: ‘Agora você está torcendo para quem?'. Muitos estão falando: ‘Só para a Luna'. E eu digo: ‘Tudo bem, mas vou surpreender vocês'. É natural. Eu quero que ela ganhe, mas estou aqui lutando pelo meu espaço ainda.” Para Luna, Sintra também representa um marco na carreira. Foi na Praia Grande que conquistou, em 2022, seu primeiro título mundial Pro Junior. A brasileira voltou a competir em Portugal neste ano e venceu uma prova europeia em Carcavelos antes de retornar para a etapa do Mundial. E é justamente em Sintra que Luna espera escrever mais um capítulo da disputa familiar. “Ela é a rainha de Sintra. Então, se eu quero ser um dia a rainha, tenho que ganhar da rainha. Aqui não tem lugar melhor para uma disputa entre mãe e filha, porque esse lugar foi especial para ela, é especial para mim.” Neymara, porém, deixa claro que a torcida pela filha não significa abrir mão dos próprios objetivos. Aos 50 anos e com cinco títulos mundiais no currículo, ela ainda busca o sexto. “Eu quero muito para a minha vida mais um título mundial. Gostaria de conquistar isso e estou em busca disso. Acredito nessa possibilidade e treinei para isso.” Em Sintra, portanto, a relação entre as duas terá limites bem definidos. Fora da água, mãe e filha continuam dividindo viagens, quarto, treinamentos e experiências pelo circuito. Quando a bateria começar, serão duas atletas disputando a mesma onda, uma tentando chegar ao sexto título mundial e a outra tentando construir uma trajetória capaz, um dia, de superar a da mãe. E antes de chegar a Sintra, Luna Hardman já deixou a sua marca em Portugal. A brasileira de 20 anos venceu, nesta sexta-feira, a etapa de Aveiro do Circuito Mundial de Bodyboard, na Praia da Costa Nova. Na final, superou a também brasileira Maíra Viana por 7,65 a 6,25 e conquistou seu primeiro título nesta temporada completa na elite, depois de ter terminado em terceiro lugar na etapa das Maldivas. A vitória teve ainda um significado especial: 18 anos antes, em 2008, sua mãe, a pentacampeã mundial Neymara Carvalho, havia vencido exatamente a mesma competição.
"Conheço as tuas OBRAS, e o teu TRABALHO, e a tua PACIÊNCIA, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. E SOFRESTE, e TENS PACIÊNCIA; e trabalhaste pelo Meu Nome, E NÃO TE CANSASTE. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres."Apocalipse 2:2-5
Chega um momento da vida que algumas coisas se transformam QUERENDOUNÆWN
LEITURA BÍBLICA DO DIA: SALMO 119:159-168 PLANO DE LEITURA ANUAL: SALMOS 81–83; ROMANOS 11:19-36 Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira: A bela noiva, segurando o braço de seu orgulhoso pai, estava posicionada para caminhar até o altar. Mas não antes da entrada do seu sobrinho de 13 meses. Em vez de carregar o anel, ele era o portador da Bíblia. Dessa forma, os noivos, cristãos comprometidos em Jesus, queriam testemunhar seu amor pelas Escrituras. Sem muita distração, a criança caminhou até a frente da igreja. Marcas dos dentinhos do menino foram encontrados na capa de couro da Bíblia. Que figura de linguagem adequada aos cristãos ou aos que desejam conhecer a Cristo: saborear e nutrir-se das Escrituras! O Salmo 119 celebra detalhadamente o valor das Escrituras. Depois de declarar a bem-aventurança dos que vivem de acordo com a lei de Deus (v.1), o autor a exaltou poeticamente, declarando o seu amor por ela. “Vê, Senhor, como eu amo tuas ordens” (v.159); “Odeio e detesto a falsidade, mas amo a tua lei” (v.163); “Tenho obedecido a teus preceitos, pois os amo muito” (v.167). Que declarações fazemos sobre nosso amor a Deus e à Sua Palavra na maneira como vivemos? Um modo de testar nosso amor por Ele é perguntar: Com o que me envolvo e participo? Tenho “mordiscado” as doces palavras das Escrituras? E em seguida, aceitar este convite: “Provem e vejam que o Senhor é bom” (34:8). Por: ARTHUR JACKSON
Um dos segredos mais antigos para contar histórias, escrever ou criar conteúdo online não é segredo nenhum. Eu tenho que escrever para mim mesmo, não para você. Tem gente que chama isso de ser o próprio público ou escrever o que gostaria de encontrar por aí.Às vezes eu falo aqui no Boa Noite Internet que você não é o seu crachá, que o trabalho não é o trabalho, que é preciso prestar atenção nas coisas. Parece que estou dando um conselho para você, mas estou falando em voz alta uma coisa que eu já aprendi ou deveria ter aprendido.Uma dessas coisas eu sei há muito tempo. Já vi que funciona, já vi que faz bem, mas vivo esquecendo. Por isso preciso repetir para mim mesmo: saia da sua cabeça.Saia da sua cabeça.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.A voz interna não é realmente uma voz, articulada em palavras. Ela se parece mais com ver chiado numa televisão antiga ou bichinhos nas nuvens. A gente tenta dar forma ao caos e aquilo começa a se parecer com palavras e ideias, mas muitas vezes são apenas ruminações, histórias tentando fazer algum sentido dentro da cabeça.Sair da cabeça é colocar em palavras de verdade o que estou sentindo. Olhar de perto, virar, cheirar, examinar, virar do avesso.Um jeito de sair da cabeça é sentar com alguém e conversar, uma coisa que a humanidade provavelmente faz há milhões de anos.Uma vez, antes da pandemia — tempos mais simples —, fui almoçar com um amigo que não via há algum tempo. Ele fez a famosa pergunta: “Como estão as coisas? Como está o trabalho?”Comecei a reclamar do meu chefe, do chefe dele, da equipe de vendas e do RH. Enquanto falava, comecei a entender o que estava acontecendo e o que eu sentia.Depois de uns 45 minutos, agradeci ao meu amigo. Agora que eu tinha colocado tudo para fora, as coisas nem pareciam tão horríveis. O trabalho continuava com todos os seus problemas, mas era só um dia como outro qualquer.Ele não tinha falado praticamente nada. Só tinha me escutado.Quando não dá para conversar com alguém, ou o assunto ainda não está organizado o bastante para uma conversa, dá para escrever. E não estou falando em transformar a vida num podcast. É só escrever.Às vezes acordo de madrugada com alguma coisa fazendo barulho na minha cabeça. Esta semana mesmo aconteceu. Sentei, peguei o computador, coloquei no colo e escrevi. Tirei aqueles pensamentos da cabeça, olhei para eles e consegui voltar a dormir.Resolvi o problema? Não. Mas, às quatro da manhã, a única coisa que eu podia fazer era colocar os pensamentos para fora, examiná-los e voltar a dormir para resolver o problema de verdade no dia seguinte.Às quatro da manhã, eu precisava sair da minha cabeça, não montar um plano de ação nem pensar em estratégia.Se eu fosse blogueirinho de verdade, aproveitaria para vender um supercaderno personalizado, com capa de couro, divisórias e etiquetas. Mas não precisa de nada disso. Sair da cabeça é de graça. Dá para fazer isso numa folha de papel, no computador ou no bloco de notas do telefone.Lembra do antigo meme do Twitter, “Pronto, falei”? É mais ou menos isso. Colocar para fora e olhar para o que foi dito.Ficar conversando dentro da própria cabeça não conta. Eu já tive todas as conversas possíveis dentro da minha, mapeei todas as reações e pensei em todas as respostas. Isso não é sair da cabeça. É ansiedade.É como virar o Doutor Estranho com a Pedra do Infinito do desgraçamento mental, examinando 14 bilhões de maneiras de uma conversa terminar.De certa forma, é o que faço aqui. Tenho um problema, penso nele, começo a escrever e, durante o processo, entendo um pouco melhor o que sinto, o problema e o mundo.Às vezes tenho a impressão de que a gente perdeu esse hábito. A gente precisa ter certezas num mundo feito de opiniões. Conversa virou uma coisa que precisa ser vencida. “Olha aqui o que eu acabei de falar. Não há mais nada a dizer.” Pode lacrar a conversa porque ela acabou.Então escreva só para você. Ninguém precisa ler e não é preciso publicar. Eu não sei, sinto, acho, penso e escrevo. O sentimento e o pensamento saem da minha cabeça e voltam para o mundo.É isso que faço aqui. Não para você. Desculpe se enganei todo mundo esse tempo todo.Eu faço só por mim.Por hoje é sóObrigado por ler até aqui. Esta semana, nosso Clube de Cultura começa a ler Realismo capitalista, de Mark Fisher. Vai ser bem legal te ver por lá. E se quer usar IA de verdade no trabalho, com visão crítica e sem ser fanboy de bilionário, dá uma olhada no IA em Curso, a comunidade de letramento em IA que eu criei com a Ana Freitas. Por fim, passa no Discord do Boa Noite Internet, que é onde a gente se encontra para conversar sobre criatividade, cultura, mas na real sobre qualquer coisa que a gente estiver a fim.Cuidem de si, cuidem dos seus. Até a próxima,crisdias This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe
Oro Por Você 03235 – 02 de agosto de 2026 Amado Deus, rogamos-Te, em humildade, que nos dês a graça do Teu perdão, porque tantas vezes esquecemos de ensinar e repassar os mandamentos que nos ordenaste, pois colocamos outras coisas, inclusive bens materiais, como prioridade em nossas vidas. Perdoa-nos por delegar nossa responsabilidade de ensinar somente aos cuidados da igreja, sobrecarregando-a. Perdoa-nos quando, por medo e insegurança, nos deixamos enfraquecer diante das tentações e filosofias que não condizem com a Tua vontade. Por favor, faça isso, em nome de Jesus, amém! Saiba como receber as orações diárias do Oro Por Você: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99797 2727 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Conheça nosso novo portal de oração: www.oroporvoce.com.br -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: TELEGRAM AMILTON MENEZES . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9r7v8G8l5NcIiafZ2V . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes
Madalena Sá Fernandes cresceu num ambiente de violência doméstica com um padrasto agressor, tema que atravessa o seu primeiro livro, “Leme”, editado em 2023, num registo de autoficção. Esse romance tornou-se um fenómeno de popularidade: já vai na 8ª edição, foi traduzido no Brasil e chegará também à Dinamarca e à Argentina. Em 2024, a escritora publicou “Deriva”, uma compilação de crónicas, que lhe permitiu revelar um lado mais humorístico sobre o quotidiano. De momento, Madalena está a terminar um mestrado, prepara um livro para crianças, motivada por ser mãe de duas meninas de 6 e 7 anos e este ano publicou um novo romance, “Sótão”, com um lado ensaísta e autobiográfico, sobre a experiência da violência na pele enquanto mulher adulta. “Tenho procurado transformar o que dói em linguagem, e encontrar aí sobrevivência e, idealmente, beleza.” Este episódio foi um dos mais ouvidos da última temporada do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, de Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open'. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de valores, sua língua, e projeta a hegemonia do inglês. Isso influencia boa parte do conhecimento que a gente vai produzir daqui pra frente, porque cientistas e educadores usam essas plataformas e acabam perpetuando essas mesmas ideologias e valores.E o quarto e último paralelo é que impérios sempre se agarram a uma narrativa existencial ou moral sobre por que precisam existir. Essas empresas fazem a mesma coisa. Dizem que são o “império do bem”, numa missão civilizatória de trazer progresso e modernidade pra toda a humanidade, competindo contra um “império do mal” que ameaça mandar a humanidade pro inferno.Quando você conversa com algumas pessoas dentro dessas empresas, ou que as lideram, elas dizem: se você nos deixar construir uma inteligência artificial geral, que elas de alguma forma moldam como um deus, a gente vai acabar numa espécie de utopia, um paraíso onde a mudança climática é resolvida, o câncer é curado, a pobreza é aliviada.Mas, se os caras maus conseguirem isso antes, a gente pode acabar com todos os humanos mortos — um risco de extinção pra todos nós.Cris: E eles vêm dizendo isso há quase dez anos, e ainda usam como ferramenta. A gente está num país que foi influenciado por três impérios ao longo da história: Portugal, Inglaterra e agora os Estados Unidos. Então a gente olha pra essas empresas de um jeito meio cínico: sim, sim, já conhecemos essa história.Mas, ao mesmo tempo, ano passado, o Pew Research Center fez uma pesquisa sobre como o mundo enxerga a IA, e o sul global é bem mais otimista do que o norte. Uma das razões é a ideia de democratizar — não só informação, mas: ah, finalmente eu posso montar uma startup, sair desse lugar de exploração e criar o unicórnio de um bilhão de dólares. Os números são grandes na China. Países em desenvolvimento veem muito mais benefício do que risco na IA.China, 83%. Tailândia, 77%. Holanda, 36%. Canadá, 40%. Será que a gente está deixando passar alguma coisa? A gente está certo? Isso está democratizando mesmo? Até que ponto?Karen Hao: Provavelmente tem duas razões. Uma é que muitos dos danos que a indústria de IA causa à maioria global são bem escondidos. Ela se esforça muito pra esconder como polui o ambiente dessas comunidades, como explora e devasta a mão de obra, deixando traumas psicológicos — como documento no livro.E, recentemente, li um artigo de opinião no New York Times que trazia um bom ponto: muitas economias desenvolvidas estão especialmente atentas ao potencial da IA de desmontar oportunidades de emprego de tempo integral. A gente começa a ver isso cada vez mais. Já na maioria global, muito mais gente vive em economias informais, e aí a ideia de que a IA vai tomar um emprego de tempo integral não pesa tanto.Então os danos mais visíveis — a erosão do emprego formal de tempo integral — pesam mais no norte global, ou pelo menos é lá que as pessoas se sentem mais ansiosas. E os danos invisíveis, que atingem o sul global, ninguém percebe tanto, justamente porque são invisíveis. É meio por isso que tanta gente sente essa divisão que aparece na pesquisa do Pew.Cris: Eu tenho acompanhado as notícias sobre IA no Brasil, e toda semana tem um novo data center sendo construído em alguma cidade. Isso é vendido como uma coisa boa: que ótimo investimento, gera emprego. E me fez pensar de novo — a gente passou por três impérios, mas algumas famílias no Brasil, e aposto que em outros lugares também, estão no poder há 500 anos ao longo da história do país.Então, ao mesmo tempo, a gente pensa: é, estamos sendo explorados, é a mesma coisa. Eu já não tenho emprego, então deixa eu usar essa tecnologia pra melhorar minha vida. Mas as pessoas que realmente tomam as decisões, de novo, nos últimos 500 anos, se perguntaram: como a gente ajuda esse pessoal a explorar nosso país de um jeito que nos mantenha no poder e nos dê muito dinheiro?Mas também foi verdade que, sei lá, a Volkswagen abre uma fábrica no Brasil e aquilo gera emprego, contrata gente pro chão de fábrica e pros escritórios. Como é que isso é diferente com a IA?Karen Hao: De certa forma, não é diferente. Existe um fenômeno parecido: a indústria de IA terceiriza muitos dos trabalhos que ela não quer dentro dos centros de poder, e joga isso pra comunidades empobrecidas, do mesmo jeito que outras multinacionais fizeram por décadas.Mas também é diferente, porque a escala dos impactos trabalhistas e ambientais da IA é completamente outra, muito maior que a da indústria automobilística ou da moda. E a velocidade é outra, porque são tecnologias digitais que atravessam fronteiras muito rápido.E é diferente porque a maioria das pessoas não percebe que a IA, mesmo sendo tecnologia digital, tem uma cadeia de suprimentos muito física e intensiva em mão de obra manual.Quando você compra roupa, café, um carro, é mais óbvio que existem materiais que precisam ser extraídos e depois manuseados por pessoas pra criar aquele produto. Já com a IA, a maioria aceita a narrativa que o Vale do Silício projeta: a de que isso vem da “nuvem”, desses espaços etéreos que parecem nem existir no planeta. E a verdade é exatamente o oposto.Ela depende de uma quantidade extraordinária de extração mineral. Depende da construção de infraestruturas enormes — data centers, instalações de supercomputação espalhadas pelo mundo. E depende de muita, muita mão de obra manual: trabalhadores de dados que limpam, preparam e moderam o conteúdo dos sistemas de IA que chegam até você quando usa o ChatGPT.É isso que a torna tão diferente. E há também uma ideologia completamente diferente sustentando a expansão da IA. Quando você conversa com executivos da moda, eles não vão dizer: se você não comprar nossa roupa, vai pro inferno.Já a indústria de IA diz: se você não nos deixar capturar cada vez mais terra, mais recursos e mais mão de obra pra produzir essas tecnologias, vamos ter uma destruição civilizacional. Isso é, ao mesmo tempo, retórica política usada como arma pra moldar o debate público e a cabeça de quem formula políticas, e também está enraizado num sistema de crenças — algumas pessoas dentro dessas empresas realmente acreditam que, se uma AGI fosse construída, e construída nas mãos erradas, isso levaria mesmo a esse tipo de destruição.E é isso que move a sede cada vez maior da indústria por mais capital, mais recursos e mais terra.Cris: Eu quero falar sobre AGI, mas antes: ano passado, a OpenAI estava sendo processada no Reino Unido por violação de direitos autorais, basicamente todos os livros do mundo digitalizados e usados pra treinar modelos. E um dos executivos disse ao júri: bem, se a gente não puder fazer isso, fecha as portas. Me chocou que muita gente reagiu com um “ah, tá, o que a gente pode fazer? Eles vão fechar as portas”.Em parte porque a gente já está acostumado com essa narrativa. Outro dia, numa conferência, um ex-CEO dizia: a gente teve que usar embalagem de plástico porque é mais barata que papel, senão prejudicaria nosso resultado. E a plateia reagia: ah, então é só fechar as portas — a sociedade não pode arcar com isso.Mas isso também, como você disse, se conecta à ideia de uma grande missão, uma missão de salvar o mundo, que a gente precisa cumprir antes que seja tarde, senão estamos condenados. OpenAI está literalmente no nome — só que em português não é tão direto: é “inteligência artificial aberta”.Foi criada a partir de um sonho, um projeto que era pra ser uma coisa pro bem comum. Em 2019, num tempo bem distante, antes da pandemia, você cobriu a OpenAI, foi até o escritório deles, ficou lá dentro. O que você viu? E, mais importante, como essa missão mudou? O Elon Musk os processou outro dia justamente por mudarem a missão. Isso alguma vez foi verdade? Em algum momento eles pensaram mesmo “ah, a gente vai salvar o mundo”?Como essa narrativa de ser aberta funciona com a OpenAI?Karen Hao: Quando comecei a cobrir a OpenAI, levei a sério o que eles diziam — que tinham sido recrutados com a missão de beneficiar toda a humanidade. E aí, quando me infiltrei na empresa, fui ficando bem mais cética, porque via como eles operavam de um jeito completamente diferente, portas adentro, do que diziam em público.Diziam que iam publicar todas as pesquisas e abrir o código de tudo, e na prática eram uma das organizações mais secretas que já cobri. Eram muitas discrepâncias, e, na época, presumi que tinha havido algum tipo de corrupção que os levou a abandonar a missão original. Depois de cobrir a empresa por mais alguns anos e de trabalhar neste livro, mudei de ideia até sobre a missão original.Não acho mais que ela era um esforço sincero e generoso de beneficiar a humanidade. A missão foi criada pra dar à empresa — na época, uma organização sem fins lucrativos — uma margem de manobra extraordinária pra depois levantar muito capital, acumular muito talento e perseguir a força motriz de verdade por trás de tudo aquilo: se tornar a força dominante no desenvolvimento de IA.E penso assim agora porque, quando você olha pras narrativas de cada nova empresa de IA no começo — a Anthropic, a xAI, a Safe Superintelligence do Ilya Sutskever, a Thinking Machines Lab da Mira Murati —, todas usam a mesma narrativa da OpenAI: nós somos os mocinhos, eles são os bandidos.É por isso que precisamos criar uma nova empresa que avance a IA do nosso jeito, não do deles. E você começa a perceber, por esse padrão, que eles repetem a mesma coisa em parte porque acreditam nela até certo ponto, mas também porque ela funciona muito bem com a imprensa, com o público, com quem formula políticas.No livro, eu reproduzo os e-mails internos que Elon Musk, Sam Altman e Greg Brockman trocavam nos primeiros dias da OpenAI. Eles tinham plena consciência de que estavam criando uma missão que soasse bem para o público. E o propósito de verdade, que também deixaram registrado nesses e-mails, era vencer o Google. Viam o Google como a força dominante em IA e queriam ser eles essa força.Não gostavam de ver o Google na frente, então inventaram justificativas: o Google é uma empresa com fins lucrativos, então nós vamos ser sem fins lucrativos. Mas, no fundo, acho que era puro ego: tem que ser a gente, não eles, a gente quer ser quem lidera isso.E aí passaram um tempão moldando essa missão pública, que acabou sendo super útil pra recrutar o primeiro grupo de pesquisadores e turbinar o avanço deles.Cris: Então agora é um bom momento pra falar de AGI, a inteligência artificial geral. Muita gente pergunta: o que é AGI? O que “geral” quer dizer? E a impressão que peguei lendo seu livro é que, por design, isso nunca fica claro de verdade, porque é um alvo móvel. Essas empresas um dia vão dizer “chegamos, alcançamos a AGI”? Ou o plano é sempre “não, não, ainda não chegamos, me dá mais dinheiro, me dá mais poder”?Qual é o papel da AGI na narrativa dessas empresas?Karen Hao: Já que a gente está falando de ficção científica, eu costumo usar a analogia de que o mundo da IA é meio como Duna. Em Duna, o personagem principal, Paul Atreides, entende, ao chegar no planeta Arrakis, que o povo de lá foi semeado com um mito: o de que um dia viria um Messias pra libertá-los. Ele sabe que é um mito, mas decide entrar nele e agir como se fosse o Messias pra controlar melhor aquele povo.E, vivendo, respirando e encarnando esse mito dia após dia, ele começa a perder a noção de que é um mito. Passa a se perguntar se o mito era mesmo verdadeiro ou se foi ele quem o tornou verdadeiro. É essa confusão entre mito e realidade — ele vive num espaço intermediário, sem ter mais certeza do que é verdade e do que é ficção.E trago isso pra responder sobre a AGI porque a AGI é, ao mesmo tempo, um mito e algo que os líderes e os trabalhadores dessas empresas vivem, respiram e encarnam dia após dia, a ponto de perderem a noção do que é mito e do que é realidade. É a ideia de um sistema de IA teórico que um dia igualaria as capacidades humanas. Só que a gente nem tem consenso científico sobre o que é inteligência humana.Por isso, de certa forma, por design, é um termo bem maleável, que deixa essas empresas fazerem o que quiserem. Elas definem e redefinem a AGI conforme a necessidade, movem a trave pra onde quiserem. E, ao mesmo tempo, isso é sustentado por uma crença genuína de certas pessoas lá dentro, por causa dessa confusão entre mito e realidade. Pelas minhas contas, a OpenAI já usou pelo menos quatro definições diferentes de AGI.A primeira está no site deles: “sistemas altamente autônomos que superam humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”. É uma definição de automação do trabalho — eles dizem, de forma explícita, que estão atrás dos empregos mais bem pagos. A segunda apareceu no contrato com a Microsoft, por um tempo a maior investidora deles: ali, a AGI virou um sistema que geraria 100 bilhões de dólares em receita.Ou seja, uma definição feita pra incentivar a Microsoft a investir. Já o Sam Altman disse ao Congresso que AGI é um sistema que cura o câncer e resolve a mudança climática — uma definição de benefício social, muito útil quando você quer que os reguladores não te regulem.E, por fim, quando falam com o consumidor, dizem que vai ser o melhor assistente digital que você já teve — porque, claro, estão tentando vender o produto.E aí você percebe duas coisas. Primeiro, que é um conjunto de definições completamente incoerente. Segundo, que eles trocam de definição conforme o público que querem convencer. Mas também tem gente nessas empresas que acredita de verdade que está construindo uma tecnologia capaz de dar conta das quatro coisas.Então é uma realidade bem confusa e complicada: o que a AGI de fato é, e pra que ela serve, para essas empresas, para a agenda delas e também para as crenças delas.Cris: Como ex-funcionário da Meta — entrei em 2013 —, a missão era unir o mundo e torná-lo mais aberto e conectado. É uma missão incrível. E tem uma coisa que eu sempre digo, porque muito amigo meu vem falar comigo, “ah, esse cara da OpenAI, ou a própria Meta, são maus”. Eu conheci muita gente na empresa. Nunca conheci uma pessoa mal-intencionada.Todo mundo, independente da missão, era gente boa tentando entregar o melhor produto possível, pra dar poder a quem tem um pequeno negócio, por exemplo. Tenho amigos pessoais que construíram a empresa deles em cima da publicidade do Facebook e do Instagram. E esse é justamente o problema, porque ainda assim é uma corporação muito má, pelo que ela causa ao mundo pra bater as metas de negócio.Ou seja, você não precisa de um vilão tipo Lex Luthor pra causar um estrago desse tamanho no mundo. E adorei a referência a Duna. Duna é engraçado: é o livro que eu mais reli na vida que não foi escrito pelo Tolkien. Li o primeiro Duna umas três vezes, e toda vez é como se fosse um livro diferente. Na primeira, eu era adolescente, e era só o Paul Atreides, o cara durão.Na segunda, eu morava no Canadá e li com olhos de estrangeiro, pensando em colonização. E na terceira vez foi quando os filmes do Denis Villeneuve saíram, e aí era: ah, o Bene Gesserit criou esse mito, isso é meio pós-moderno. Narrativamente, fico me perguntando o que vai significar pra mim se eu ler uma quarta vez.Karen Hao: Eu ia te perguntar isso. Quando você disse que cresceu numa época cheia de ficção científica falando das maravilhas da tecnologia, fiquei curiosa: que histórias você estava lendo? Porque muita coisa que saiu nos anos 70 e 80 dizia exatamente o oposto. E muita gente já apontou que os executivos de tecnologia de hoje, que vivem citando essas histórias, interpretam elas justamente ao contrário da intenção original.Cris: Concordo plenamente. Mas, respondendo: foi basicamente Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E é por isso mesmo — os executivos de tecnologia, e o Elon Musk mais que todos, leem esses livros como receita, não como aviso. O livro de que eu mais me lembro, nem lembro o título, era um do Asimov em que ele descreve o elevador espacial que aparece na série da Apple TV, Fundação.E o enredo é: eu sou esse engenheiro brilhante, quero construir essa coisa no Sri Lanka, mas o governo trava tudo com regulação — eu sou um gênio e a regulação é a vilã. Hoje eu leio e penso: ah, sei. Mas, quando garoto, era só “olha, um elevador espacial, que genial, a gente nem precisa de foguete”. E aí você começa a entender. E aí eu parei de ler esses caras.E passei a ler gente com uma visão completamente diferente: o Ted Chiang, que entrevistei ano passado, a N.K. Jemisin, o Cory Doctorow, de quem sou muito fã. E talvez eles sejam mais explícitos, pra gente burra como eu entender: “não, bobo, a analogia é essa”. Mas Duna era incrível — vermes gigantes de areia, o tal garoto durão, e aquela coisa do “eu não aceito o meu destino”.Tenho esse grande destino, mas não quero ele. Do resto da série eu já não gosto tanto. Mas o mais importante de tudo: Duna gerou o melhor GIF de filme de todos os tempos, o “Lisan al Gaib” do Javier Bardem — que eu devia ter colocado durante a sua explicação, aquele “uau, ele está cumprindo a profecia, agindo como o profeta”.Mas, de novo, falando de vilões: você mencionou que essas empresas se colocam como o bem contra o mal, feito impérios antigos. Só que elas também jogam a carta da China, né? “Se a gente não fizer, a Rússia faz primeiro.” Só que a Rússia começou uma guerra e está ocupada demais. “Mas a China chega lá, e é por isso que a gente tem que ser fechado.” É por isso que Mythos e Fable e agora o GPT-5.6 foram proibidos pelo governo. Isso tem fundamento?Quero saber se é possível a China competir — quero mesmo essa resposta — mas também porque, desde toda essa conversa do Fable-Mythos, países como Índia e Brasil vêm dizendo que precisam de um modelo soberano. Dá pra fazer, ou a OpenAI, a Anthropic e o Google estão tão à frente que já não dá?Karen Hao: Sobre a China: você está certíssimo, o Vale do Silício usou por anos a carta do “e a China?” pra escapar de qualquer responsabilização de verdade. Fizeram muito isso na era das redes sociais.A Meta fez muito isso, com o Mark Zuckerberg dizendo ao governo dos EUA: vocês não podem nos regular, senão a gente perde. Mas, se a gente ganhar, vai ter um efeito liberalizante no mundo e nas democracias em todo lugar. E, infelizmente, o que a gente viu foi que jogar essa carta repetidamente produziu exatamente o efeito contrário do que o Vale do Silício prometeu.Uma das empresas de rede social dominantes dessa era é a ByteDance. Ou seja, mesmo sem regulação das redes sociais nos EUA, existe uma empresa chinesa de rede social bem dominante. E as redes sociais estadunidenses acabaram tendo um efeito antiliberal no mundo — é bastante consensual que enfraqueceram democracias em todo lugar. E aí, na era da IA, elas seguiram jogando a mesma carta.Mas o que eu sempre aponto é que a gente definitivamente não devia acreditar nelas. Já existe evidência significativa de que tudo o que elas dizem está, de novo, se provando o oposto. Elas disseram: não regulem a gente como empresas de IA, regulem a China, via controles de exportação — um mecanismo do governo dos EUA com alcance extraterritorial.Só que as empresas chinesas agora estão produzindo modelos de IA de código aberto extremamente eficientes, que viraram super populares no próprio Vale do Silício. Existe um monte de startup de lá que prefere usar modelo chinês a OpenAI, Anthropic ou Google.Então, nesse sentido, é um conjunto de evidências bem decisivo, acho, pra mostrar que a gente devia simplesmente responsabilizar essas empresas, não importa o que digam sobre “ah, vamos perder pra China”. No fim das contas, é só retórica política. Não é um argumento real que elas consigam sustentar pra escapar da responsabilização.Responsabilizá-las vai fortalecer a democracia pelo mundo, vai trazer mais direitos humanos, trabalhistas e de privacidade de dados pras pessoas — é sempre o contrário do que elas dizem que aconteceria. E, sobre a sua pergunta em torno da IA soberana: acho a ideia realmente importante, mas acho também que muitos países estão meio confusos sobre o que querem dizer com isso.Muitos governos, hoje, pensam a IA soberana pela pergunta: a gente consegue construir o nosso próprio ChatGPT? O nosso próprio grande modelo de linguagem, o nosso sistema de IA generativa? Estão olhando só pro modelo que o Vale do Silício já definiu e tentando descobrir como recriar aquilo.E o que eu digo pra quem formula políticas é: defina pra que a IA serve no seu país, no seu contexto. Quais são, no fim das contas, os objetivos do seu país? Os objetivos do seu povo? E também os nossos objetivos coletivos, entre países?Porque a gente tem, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Já definimos coletivamente que há coisas que precisamos resolver juntos: superar a crise climática, reduzir a pobreza, melhorar a educação.E, enquanto o Vale do Silício adora dizer que está fazendo tudo isso, na prática não está. Mas a gente poderia — poderia desenvolver, de forma colaborativa, sistemas de IA que realmente avançassem em cada um desses objetivos coletivos que já acordamos.E cada país também devia fazer o exercício: quais objetivos você quer alcançar, e que tipos de sistema de IA você poderia desenhar pra chegar lá — sistemas que talvez não se pareçam em nada com um grande modelo de linguagem. Se os países fizessem isso, acho que descobririam que a maioria dos sistemas de que precisam exigiria muito menos recursos.Ou seja, contextos como o Brasil, a Índia e outros, quando não precisam competir construindo essas infraestruturas de computação gigantescas e gastando centenas de bilhões de dólares, na verdade já têm, localmente, todos os recursos necessários pra desenvolver um sistema de IA soberano.Cris: Quando ouvi falar do seu livro pela primeira vez, uma amiga me disse que você não poupa ninguém — fala mal do Sam Altman, mas também do Dario Amodei. E as pessoas costumam escolher um lado. Eu sou time Claude, odeio o ChatGPT, essas coisas. Então cheguei no livro pensando: ah, é mais um livro dizendo que a IA é terrível, que a gente não devia usar IA.Mas, conforme fui lendo, e ouvindo outras entrevistas suas, me pareceu que o seu problema é justamente o que você acabou de descrever: a forma como essa tecnologia é feita. E, em especial, a palavra escala — a ideia de que a solução é a escala. O que você quer dizer com isso?Karen Hao: Eu costumo usar a analogia de que “IA” é como a palavra “transporte”: na verdade se refere a uma coleção de tecnologias que vão da bicicleta ao foguete. São tipos bem, bem diferentes de tecnologia, que exigem insumos diferentes pra se desenvolver e depois têm impactos diferentes na sociedade.E você está certo: sou especificamente crítica ao que chamo de “foguetes da IA”, os sistemas que os impérios da IA estão desenvolvendo, aqueles que exigem uma quantidade enorme de exploração de mão de obra e extração ambiental.E sou bem otimista com o que chamo de “bicicletas da IA”: sistemas especializados, eficientes, com bom custo-benefício, governáveis pelas pessoas, cujo desenvolvimento pode ser participativo. Países como o Brasil, o Chile, a Índia, qualquer contexto, têm recursos pra desenvolver e se autodefinir, em vez de simplesmente herdar um sistema criado pelos dois únicos centros do mundo capazes de gastar uma quantidade extraordinária de capital: o Vale do Silício e o ecossistema tecnológico chinês.E o motivo pelo qual eu acho tão corrosivo o que os impérios da IA estão desenvolvendo é exatamente o que você disse: a forma como eles fazem isso, por um mecanismo de força bruta pra avançar as capacidades da IA em escala. Eles vão simplesmente empurrando cada vez mais dados de treinamento nesses modelos, e isso exige corroer a privacidade das pessoas, tomar a propriedade intelectual delas e, ainda por cima, baixa a qualidade dos dados que entram nos modelos — o que leva aos danos de exploração de mão de obra, porque aí você tem que dar conta da moderação de conteúdo.E aí você tem pessoas psicologicamente traumatizadas por serem expostas a todo aquele conteúdo horrível que se tenta “lavar” através desses modelos.E aí vem o problema dessas infraestruturas de computação enormes, com impactos ambientais que aumentam a conta de luz das comunidades que as hospedam e agravam a crise de custo de vida. Elas precisam ser alimentadas por fontes fósseis, que jogam mais carbono na atmosfera e mais poluição no ar dessas comunidades.Então todos os problemas que eu identifico, no que têm de corrosivo, derivam inteiramente da abordagem deles pro desenvolvimento de IA. Por que não descartar a abordagem, em vez de descartar a tecnologia? Redefinir e redesenhar de que tipos de sistema de IA a gente precisa de verdade, com uma cadeia de suprimentos fundamentalmente diferente. E isso não é exclusivo da IA.A gente já viu muitas outras indústrias que começaram com uma cadeia de suprimentos bem ruim. A moda, por exemplo: muita degradação ambiental, muita exploração de mão de obra.Com muita organização, protesto, ação de consumidores, regulação governamental e cooperação entre governos, a gente conseguiu criar mercados novos pra moda sustentável e ética, cadeias de suprimentos novas e inovações pra fazer roupa mais saudável pras pessoas e pro planeta.E é basicamente isso que eu defendo: transformar a indústria de IA do mesmo jeito que transformamos a moda, e as cadeias de suprimento de alimentos. Assim a gente fica com os benefícios da tecnologia, ajuda ela a avançar os objetivos que importam pra gente, sem jogar uma fração enorme da população mundial numa condição atrasada e numa qualidade de vida pior.Cris: O Brasil está agora, no Congresso, discutindo a escala de seis dias por semana. A regra atual é: você trabalha seis dias e descansa um. E muitas empresas, o comércio principalmente, dizem “vamos fechar as portas”, e os trabalhadores respondem “isso é problema seu, não meu”. É mais ou menos a mesma narrativa dessas empresas de IA: se eu não usar a sua água, a Idade das Trevas está chegando.Falando em Idade das Trevas, e falando em bicicleta: a sua analogia me lembrou uma coisa. Eu gosto de jogo de zumbi, de mundo aberto, e em nenhum deles tem bicicleta. Num desses jogos, instalei um plugin que deixava andar de bicicleta — você acha uma e sai pedalando. E aí entendi por que não tem bicicleta: desbalanceia tudo. Parte da graça do jogo é você precisar achar um carro, e daí pneu, gasolina, comida pra carregar. De bicicleta, você vai a qualquer lugar.E eu pensei: ah, é. Meio que estraguei o jogo pra mim, porque agora tenho uma bicicleta, é incrível. Enfim, em termos práticos: no fim do ano passado, uns meses atrás, a revista Wired publicou um artigo pedindo pra jornalistas de tecnologia contarem como usam IA no trabalho. E cada um usava de um jeito. Você usa IA no seu trabalho? Como?Karen Hao: Eu não uso nenhum sistema de IA generativa no trabalho — nem ChatGPT, nem Gemini, nem Claude. Por três motivos. O primeiro é uma postura ética, depois de tanto investigar essas empresas. O segundo é privacidade de dados: eu investigo essas empresas.Não quero que elas conheçam todo o meu raciocínio enquanto eu apuro o livro, literalmente investigando elas. E o terceiro é que, no meu caso específico, a força do meu trabalho está na capacidade de construir relações fortes com as fontes, pela empatia, e de contar histórias envolventes, pela narrativa. E os grandes modelos de linguagem simplesmente não são a ferramenta certa pra nenhuma das duas coisas.Não vão melhorar a minha empatia nem a minha escrita. Então eu não perco nada com essa postura ética: simplesmente corto essas ferramentas e sigo fazendo o meu trabalho muito bem. Pra outros jornalistas pode ser diferente, e pra quem está em outras áreas o cálculo pode ser outro.Mas eu incentivo as pessoas a pensarem primeiro: quais são as suas forças no trabalho? Quais são os seus objetivos? E aí ir de trás pra frente pra descobrir se a IA é a ferramenta certa, qual tipo de IA é a ferramenta certa, e qual fornecedor você quer de fato usar, apoiar, votar com os pés. Agora, eu uso, sim, IA preditiva.Aquelas ferramentas de IA especializadas, as “bicicletas da IA”, digamos. No livro, tinha um detalhe que eu queria muito ilustrar: como a OpenAI deu um salto quando passou de organização sem fins lucrativos a um empreendimento bancado pela Microsoft. Percebi que as cadeiras do escritório ficaram bem mais caras. Então fotografei as cadeiras de um escritório e as do outro.E joguei tudo na busca reversa de imagens do Google, que é um sistema de IA especializado — não é baseado em grandes modelos de linguagem, não é IA generativa. Assim descobri quanto essas cadeiras costumam custar. No primeiro escritório, cerca de 2 mil dólares por cadeira. No segundo, eram cadeiras de um designer brasileiro famoso, uns 10 mil dólares cada.Coloquei esse detalhe no livro pra ilustrar o tipo de riqueza e de concentração de recursos de que a gente está falando. Esses são alguns dos jeitos como eu uso IA, ainda que de forma bem limitada, sempre pontual, quando acho que vai ajudar. E, claro, uso ferramentas de transcrição por IA — outra IA especializada — em todas as minhas entrevistas.Cris: Essa foi uma das partes em que a minha cabeça explodiu, eu nunca tinha percebido: a OpenAI criou o Whisper. Deixa eu dizer de outro jeito, do meu ponto de vista. A OpenAI liberou abertamente essa ferramenta incrível de transcrição, o Whisper, em que eu jogo o áudio e ela me devolve as palavras que as pessoas disseram. E eu pensei: ah, que generoso da parte deles.Mas o motivo real de terem criado a ferramenta foi pegar todos os vídeos do YouTube, transcrever e alimentar a máquina. E aí é: ah, claro. Enfim, falando de ferramentas e de otimismo — a gente está chegando ao fim da conversa. Eu tenho uma regra desde o episódio dois deste programa, há oito anos: de novo, como eu disse do seu livro, não pode ser só uma lista de reclamações e coisa ruim. E a gente tem se saído bem até aqui.Você falou de caminhos e de bicicletas, mas eu quero ser mais específico. Se isso aqui fosse uma reunião de negócios: qual é o plano de ação, quais são os próximos passos? Só que uma das coisas que eu repito bastante, na vida e neste programa, é que problema sistêmico não se resolve com ação individual. Se eu tomar banhos mais curtos, isso nunca vai salvar o planeta do aquecimento global.E muitos amigos meus simplesmente: não quero falar de IA, não quero usar IA. Voltando aos videogames: leram que tal jogo usa IA e pronto, não vão jogar. E a minha primeira pergunta pra você é: como a gente ocupa esses espaços da IA generativa — ChatGPT, Gemini e por aí vai? Porque o que a gente viu com as redes sociais foi: ah, o Facebook é do mal, vou sair do Facebook. Ah, vou sair do Twitter.E, na esperança de quê, sei lá, talvez alguém diga: ah, sinto falta do Cris, cadê ele? Ah, está no Bluesky. Mas isso deixa o espaço aberto pra os radicais entrarem e postarem o que quiserem, sem ninguém contrapor ou tornar aquilo um lugar melhor. Então como a gente ocupa o espaço da IA — seja qual for a definição de “espaço da IA” que você preferir — com todos esses problemas que a gente vem discutindo?Karen Hao: Acho que tem duas categorias de ação pra gente pensar. Uma é desmantelar o império. A outra é investir e construir novos tipos de sistema de IA, que se tornem alternativas às tecnologias do império. Quando eu digo desmantelar o império, não estou dizendo que quero que a OpenAI, o Google, a Anthropic, seja quem for, simplesmente deixem de existir.É que eu não quero que elas sejam imperiais. Não quero que fiquem extraindo uma quantidade extraordinária de valor sem redistribuir nada em troca. Se elas voltassem a ser negócios que praticam uma troca justa de valor com o mundo, eu ficaria perfeitamente feliz com qualquer tecnologia que estivessem desenvolvendo.E a forma de desmantelar o império, acho, se resume a muita organização de base, que vai pressionar os governos a regular e responsabilizar essa indústria. No último ano, a gente viu uma quantidade incrível dessa organização de base florescendo pelo mundo.Recentemente, lancei com um grupo de jornalistas, pesquisadores de IA e acadêmicos críticos um projeto chamado AI Resist List, que busca documentar parte dessa organização de base pelo mundo. A gente encontrou cerca de 30 exemplos, de todas as regiões, de ações individuais, institucionais e movidas pela comunidade.Tinha ação artística, ação política. E isso mostra bem o seu ponto: não dá pra contar só com a ação individual, mas o indivíduo pode, sim, ter impacto. Até uma ação pequena pode gerar um grande efeito cascata. Claro que se juntar com os vizinhos pra protestar contra o data center é ainda mais eficaz. Se juntar dentro da sua escola ou universidade pra protestar contra a parceria dela com uma empresa de IA também é mais eficaz.Se juntar com os colegas de trabalho de um setor pra barrar a adoção de uma IA que corrói os direitos trabalhistas é mais um jeito eficaz. A gente tem um monte desses exemplos. Um dos meus favoritos é o de uma comunidade sobre a qual escrevi no livro, Quilicura, no Chile, na periferia de Santiago. É uma comunidade da classe trabalhadora, bem pobre, que vem sendo alvo incessante da expansão de data centers.E por isso protestaram de forma bem aguerrida contra essa expansão, porque não acharam bom negócio hospedar essas instalações sem tirar nenhum benefício, enquanto elas consomem uma parte significativa dos recursos naturais da região.E, logo depois que escrevi sobre eles, foram além na resistência e criaram uma plataforma chamada Quili.ai. É um site em que você entra e que parece um chatbot, parece o ChatGPT: tem uma interface de chat pra você digitar. Só que, quando você faz uma pergunta, em vez de um modelo de IA responder, a mensagem é encaminhada pra alguém que mora em Quilicura, no Chile. Aí, se você pede “quero a imagem de um cachorro”, aquilo vai pro artista local deles, o Benji. Ele pega um pedaço de papel, desenha um cachorro, tira uma foto e te manda de volta.Eles fizeram isso essencialmente como um projeto de arte performática, pra fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de usar IA generativa pra bobagem. A mensagem era: ei, quando você fica brincando com essas ferramentas em pedido besta, isso afeta comunidades como a nossa, drena os recursos de que a gente precisa pra viver bem.E também queriam levar as pessoas a pensar: por que não perguntar pra alguém da sua própria comunidade aquela receita que você procurava, ou pedir aquela imagem? Porque aí você reconstrói as conexões que estão tão em falta na sociedade — a falta delas é o que nos deixa mais vulneráveis a esse tipo de colonização do império.Eles deixaram o projeto aberto por 24 horas, e qualquer pessoa no mundo podia mandar um pedido. Receberam uma quantidade extraordinária deles. Viralizou de vez. E essa cidadezinha conseguiu uma virada enorme de narrativa sobre a suposta inevitabilidade e necessidade dessa tecnologia, sobre tudo o que o Vale do Silício diz — que, se você não usar, vai ficar pra trás de quem usa.E esse é só um exemplo, entre muitos, de como pessoas comuns, não importa a sua posição na sociedade, podem ter impacto real no debate, na consciência pública e até na regulação. A gente está vendo isso agora com os protestos contra data centers. Nos EUA, em 2025, cerca de 150 bilhões de dólares em projetos de data center foram travados.Isso virou uma das questões políticas mais quentes nos EUA para as próximas eleições de meio de mandato. Tem gente eleita sendo literalmente tirada do cargo por ter aprovado data centers, contrariando a vontade do povo. E isso já está tendo efeito real sobre as empresas e sobre a trajetória do desenvolvimento de IA.A OpenAI teve que encerrar recentemente a sua ferramenta de geração de vídeo, o Sora. Quando lançaram, apresentaram como o segundo produto mais importante desde o ChatGPT. O que aconteceu entre o lançamento e o fim? Uma reportagem do Wall Street Journal apontou três motivos, todos moldados por ação de base. Um: um gargalo enorme de capacidade de computação.Muitos dos data centers travados ou parados eram da OpenAI. Dois: um cenário financeiro bem mais incerto. A OpenAI está se preparando pro IPO, o que significa ficar mais exposta a Wall Street — e Wall Street está cada vez mais nervoso com a capacidade dessas empresas de cumprir o que prometem.E aí a OpenAI teve que reforçar alguns projetos paralelos pra fazer o balanço parecer um pouco melhor aos olhos de Wall Street. E, terceiro: os consumidores simplesmente não estavam usando o produto — o que também é ação coletiva de consumidores. Então, por todo esse tipo de resistência, de várias formas, de baixo pra cima, as pessoas estão de fato tendo impacto real na indústria e responsabilizando ela.Essa é a primeira categoria de ação. A segunda é: ok, que tecnologias de IA a gente usaria como alternativa? E aí a gente precisa investir mais nelas. Muitas vezes, quando converso sobre o livro, a pessoa diz: ok, me convenci de que não quero usar ChatGPT, não quero usar Claude — mas então uso o quê no lugar?E o problema é que eu não tenho muitas respostas pra essa lista de alternativas. Tem umas poucas aqui e ali, uma plataforma, uma empresa.Cris: Dá pra rodar o modelo no seu próprio computador, como o Cory Doctorow faz, mas aí é limitado e…Karen Hao: Exatamente, exige mais habilidade técnica. Mas, pra quem consegue instalar modelos de código aberto no próprio computador, eu incentivo 100%. Só que a gente também precisa de mais gente desenvolvendo interfaces bem fáceis pra esses modelos de código aberto, pra que qualquer pessoa consiga usar.A gente também precisa de mais gente desenvolvendo “bicicletas da IA”, de investidores e governos investindo mais nesse tipo de solução, e de talento — pesquisadores de IA, desenvolvedores e outras pessoas dispostas a sacrificar um pouco e abrir mão dos pacotes de remuneração enormes.Cris: Eu estava começando a achar que agora as empresas precisam ter menos lucro — e isso nunca vai acontecer.Karen Hao: Não, não é a empresa ter menos lucro. É o trabalhador topar abrir mão do pacote de milhões de dólares pra levar o talento dele pra outro lugar. Mais fácil, bem mais fácil. Eu converso com muito pesquisador de IA cansado da abordagem da indústria, porque ela é completamente sem criatividade intelectual.Eu conversei com pesquisadores que não passaram seis anos num doutorado em IA só pra ficar empurrando mais dados na máquina — pra eles, é o trabalho mais chato do mundo. E depois automatizar a programação, que era justamente o que eles gostavam de fazer. Converso com tanta gente que já não acha graça nenhuma nisso. Estão meio presos por “algemas de ouro”.E estão tentando descobrir, dentro de si, que carreira alternativa poderiam ter. Eu costumo incentivar esses pesquisadores a gastar o talento deles construindo um tipo diferente de empresa, que trabalhe com “bicicletas da IA”. E a gente já começa a ver cada vez mais desse talento indo por aí.E a gente precisa que todas as facetas da sociedade invistam num ecossistema muito mais robusto e rico de tecnologias de IA, capaz de substituir as que hoje dominam. Eu ainda tenho as cicatrizes das minhas próprias “algemas de ouro”, mas concordo plenamente.Cris: E as redes sociais são o exemplo — veja o que aconteceu com elas. Tem aquela frase famosa: as mentes mais brilhantes da minha geração passam o tempo fazendo as pessoas clicarem em anúncios. E ainda dizem: ah, isso pode ser o futuro. Pois é.Você contou a história do Quili.ai e isso me lembrou um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil, o Cid Não Salvo. Uns 10, 15 anos atrás, ele tuitou o seguinte: “Gente, eu disse pro meu pai que, sempre que ele precisar pesquisar alguma coisa na internet, é pra ir no Twitter.com e digitar a pergunta na caixa”. E olha que ele tinha milhões de seguidores.E, por uns bons dias, quase um mês, você entrava no Twitter do pai dele e via perguntas tipo “onde eu compro pizza?”. Era engraçadíssimo. No fim, ele contou pro pai — ou talvez não. Mas eu adoro essa ideia. Antes de a gente terminar: você já deve ter respondido isso mil vezes, mas vai continuar cobrindo IA? O que está na sua cabeça, o que vem por aí? Turnê mundial? O que vem pela frente?Karen Hao: Com certeza estou pensando em como continuar responsabilizando essas empresas. Estou envolvida em várias colaborações, com gente incrível, em diferentes projetos ligados a isso. O AI Resist List foi um deles. Também co-criei um programa chamado AI Spotlight Series, com o Pulitzer Center, uma organização jornalística sem fins lucrativos que financia jornalismo investigativo pelo mundo.É um programa que treina jornalistas do mundo inteiro a cobrir IA por uma lente de responsabilização. Até agora, já treinamos mais de 3 mil. E eu sigo pensando em como construir mais capacidade dentro do jornalismo, da sociedade civil, de outros contextos, pra mobilizar ainda mais essa organização de base — pra conter de verdade os impérios da IA e ajudar a desmantelá-los.Cris: Adorei o seu exemplo da moda. É possível, já foi feito. Ou até a indústria automotiva. Ou o grande exemplo que a gente não mencionou, e que o pessoal da OpenAI vive citando: o Projeto Manhattan, a energia nuclear.O mundo não acabou. Quando eu era criança lendo Asimov, achava que ia tudo acabar num fogo nuclear. Enfim — alguma última palavra, alguma mensagem, algum palpite pros jogos do Brasil na Copa, alguma coisa que você queira dizer antes da gente encerrar?Karen Hao: No fim das contas, o que eu espero que fique desta conversa e do livro é o seguinte: neste momento, o Vale do Silício está concebendo a IA como um projeto político. E a característica central desse projeto é tirar a autonomia de todo mundo — a autonomia de moldar de verdade o próprio futuro e o nosso futuro coletivo. Mas, no instante em que você reconhece que já tem uma autonomia significativa pra resistir, o império começa a desmoronar.Então espero que as pessoas encontrem a própria voz, a afirmem, conquistem o seu lugar à mesa e se conectem com os vizinhos, com a comunidade, com os colegas de trabalho, pra criar mais movimentos juntos.Cris: Que ótimo. Karen Hao, o seu livro é O Império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total. Obrigado por vir ao Brasil conversar com a gente. Foi um prazer.Karen Hao: Muito obrigada.Uma das primeiras perguntas que anotei quando comecei a pensar nessa conversa foi justamente a do final, a da ocupação de espaços. Porque, como eu disse, quando as redes sociais chegaram para ficar, muita gente falou “ah, não vou usar, é do mal” — e aí as pessoas ruins, vamos chamar assim, acabam ocupando esse espaço e falando o que bem entendem. A gente precisa aprender essa lição agora, no mundo da IA.Fora que vejo muita gente falando de IA sem nunca ter usado — ou que usou, sei lá, dois anos atrás, acha que continua tudo igual e já diz que não quer chegar perto.E por quê? Porque essa abordagem de ocupar espaços é o que eu e a Ana Freitas buscamos fazer no IA em Curso, nossa comunidade de letramento contínuo em IA. Foi, aliás, uma conversa que tive com a Karen antes da entrevista: ao mesmo tempo que a gente fala do impacto da IA no mundo, também precisa focar no que é prático, no que dá para fazer hoje com IA, sem vender sonho nem desastre. A analogia que usei foi a de que é que nem quando a gente fazia curso de Word e Excel — é o que eu faço agora que vai facilitar minha vida, me fazer ganhar tempo, botar a IA para me ajudar. Quem viu minha conversa com a Ana aqui no Boa Noite Internet, no fim de 2025, sabe do que estou falando. Se não viu, volta lá e confere.Desde que a gente lançou este episódio, o IA em Curso já passou de 400 pessoas. Tem muita gente colocando projetos pessoais incríveis na rua, tirando do papel aquela ideia que rondava a cabeça há um tempão. E a comunidade tem mentoria ao vivo, aula gravada, newsletter, banco de agentes, grupo de Telegram… que mais? O que não falta é jeito de passar para você o conhecimento sobre IA de que você precisa hoje, agora. Quero te dar a bússola para navegar nesse universo.Se esse é o tipo de abordagem que você quer ter com a IA, passa lá no iaemcurso.com.br e usa o cupom BNI2026 para ganhar 20% de desconto no plano anual. Mas corre, porque daqui a duas semanas vou apagar esse cupom — não é todo dia que a gente dá um desconto desses.É isso. Boa Noite Internet, temporada 2026 começando — como todo ano, com mudança, ideia, projeto. Ou, como diz minha citação preferida de todos os tempos: “vivemos uma fase de transição, como sempre”. Espero ver você por aqui e lá no IA em Curso.Obrigado pelo seu tempo e pela sua atenção. Até o próximo episódio. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe
“E foi Jesus com eles; mas, quando já estava perto da casa, enviou-lhe o centurião uns amigos, dizendo-lhe: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado.E por isso nem ainda me julguei digno de ir ter Contigo; dize, porém, uma palavra, e o meu criado sarará.Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados sob o meu poder, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz.E, ouvindo isto Jesus, maravilhou-Se dele, e voltando-Se, disse à multidão que O seguia: Digo-vos que nem ainda em Israel tenho achado tanta fé.” Lucas 7:6-9“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é Galardoador dos que O buscam.” Hebreus 11:6
Há seis anos, Jorge Jesus sentou-se pela primeira vez para falar da sua vida — não do futebol, mas da vida. Hoje, o homem que nasceu na Amadora, que saltava pela janela do primeiro andar agarrado a um poste de luz para ir jogar à bola, que vendia cobre e metal antes do amanhecer para ter dinheiro no bolso, senta-se agora no lugar mais alto do futebol português: selecionador nacional. Com Cristiano Ronaldo como elefante na sala — e como eventual trunfo ou dilema — o mesmo miúdo a quem chamavam "o Russo" ou "Lourinho" vai agora tentar escrever o capítulo mais ambicioso de uma carreira construída entre Felgueiras e o Rio de Janeiro, entre o Belenenses e o Benfica, entre o Sporting e o Al-Nassr, onde treinou o melhor marcador de todos os tempos e o homem que elevou a dimensão portuguesa a outro patamar: “O próprio Ronaldo, no princípio da sua carreira, disse que ia ser um dos melhores jogadores do mundo. E é. E foi. Eu sei que sou um dos melhores. Não sou eu que digo — são os jogadores que trabalham comigo.”See omnystudio.com/listener for privacy information.
Pedro Ribeiro está há 37 anos em antena e, em novembro do ano passado, celebrou 20 anos na direção da Rádio Comercial. Atualmente é o novo vice-presidente do grupo Bauer Media. Como encara o futuro da rádio e os novos desafios da IA? “A rádio não deve cair no deslumbramento de que pode substituir as pessoas por inteligência artificial. Isso matará a rádio!” Republicamos este episódio, um dos mais ouvidos da última temporada de conversas do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas, de Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.