Podcasts about Aquilo

  • 1,004PODCASTS
  • 2,127EPISODES
  • 29mAVG DURATION
  • 5WEEKLY NEW EPISODES
  • Jul 20, 2026LATEST

POPULARITY

20192020202120222023202420252026

Categories



Best podcasts about Aquilo

Show all podcasts related to aquilo

Latest podcast episodes about Aquilo

Convidado
São Tomé e Príncipe entra numa nova fase política com reeleição de Carlos Vila Nova

Convidado

Play Episode Listen Later Jul 20, 2026 9:41


A reeleição de Carlos Vila Nova à primeira volta, com 55,94%, representa mais do que a continuidade na Presidência de São Tomé e Príncipe. Para o analista Olívio Diogo, o resultado traduz uma derrota política de Patrício Trovoada, fragiliza a liderança do ADI e abre caminho para uma reconfiguração do panorama partidário, num contexto marcado pela elevada abstenção e pelo desafio de restaurar a confiança nas instituições. RFI: Que leitura faz desta vitória de Carlos Vila Nova e do significado político deste resultado? Olívio Diogo: É preciso dizer que a primeira coisa de que se fala, quando se comenta esta eleição presidencial, é dar um grande parabéns ao povo são-tomense. O povo são-tomense mostrou, mais uma vez, de forma inequívoca, que é uma população que, apesar das dificuldades que enfrenta, é muito pacífica na forma como encara os resultados eleitorais. Foi, como disse e como manifestou a comunidade internacional, uma eleição que decorreu de forma transparente, livre e completamente pacífica. Este é o primeiro aspecto que devemos retirar destes resultados eleitorais. Este resultado revela claramente que o Presidente Carlos Vila Nova não foi avaliado eleitoralmente pelo seu mandato. O que aconteceu foi, sim, uma manifestação clara contra o antigo primeiro-ministro Patrício Trovoada, que indicou Nito d'Abreu como o seu candidato. A população disse claramente não a esse candidato. Disse claramente não à atitude e à posição de Patrício Trovoada em relação ao partido e ao país, nomeadamente ao seu constante afastamento do país e ao discurso que tem vindo a fazer. A população aproveitou esta eleição para manifestar o seu descontentamento relativamente a essa situação. Esta é uma derrota para o antigo primeiro-ministro Patrício Trovoada? Exactamente. Esta é uma derrota clara e inequívoca para Patrício Trovoada. A população que foi às urnas foi dizer-lhe claramente que esta é uma derrota política para ele. Nito d'Abreu é um candidato que não é do ADI, mas sim um candidato pessoal de Patrício Trovoada. Foi ele quem o indicou, sem consultar o partido, sem ouvir os órgãos competentes e sem permitir que o partido pudesse avaliar essa candidatura. Foi uma aposta exclusivamente sua e essa aposta saiu derrotada. Consequentemente, esta foi também uma derrota clara para Patrício Trovoada nestas eleições. O apoio de Patrício Trovoada a Nito d'Abreu pesou na derrota do candidato da ADI, o partido sai politicamente fragilizado? O partido sai muito fragilizado destas eleições. E a actual direcção do partido sai completamente fragilizada. É preciso dizer que este resultado vem reforçar a posição de Américo Ramos, que tem vindo a desenvolver todas as acções necessárias para assumir a direcção do partido. Ele sai bastante reforçado. Com este resultado eleitoral, Américo Ramos passa a ter todas as condições para assumir a liderança do partido, porque não acredito que o ADI continue a aceitar uma governação feita a partir do exterior, como Patrício Trovoada tem feito até agora. Ele encontra-se fora do país e continua a dirigir o partido. Isto não pode continuar. O partido não tem sustentabilidade nestas condições. É assim que estas eleições ficam marcadas: Carlos Vila Nova conquista um novo mandato e, simultaneamente, o ADI, sob a liderança de Patrício Trovoada, sai mais fragilizado. Penso que chegou o momento de as pessoas dizerem claramente que o ADI precisa de uma nova direcção, de uma nova liderança, de uma nova perspectiva e de uma nova metodologia de trabalho para o futuro. Será que, até Setembro, às próximas eleições, o ADI tem tempo para repensar e até mesmo reestruturar o partido? Não, essa reestruturação já tem vindo a ser desencadeada. É preciso perceber uma coisa: o Patrício Trovoada continua a ser presidente do partido, mas não está no país. Ele não foi obrigado a sair nem pediu asilo político; saiu por sua livre vontade. Ainda assim, pretende continuar a conduzir o partido para as eleições a partir do exterior. Neste momento, o presidente do partido praticamente abandonou a sua presença no país, continuando, no entanto, a dirigir o ADI a partir de fora. Esta forma de governação do partido, que considero uma situação de ingovernabilidade, leva naturalmente a um reajuste da estrutura partidária e da própria liderança. É preciso dizer também que muitos militantes do ADI que apoiavam Patrício Trovoada sentiram-se lesados pelo facto de ele ter escolhido Nito d'Abreu, uma personalidade sem trajectória política relevante e sem experiência significativa na administração pública, para candidato à Presidência da República. Esse factor também contribuiu para que este resultado eleitoral se verificasse.  É preciso também falar da questão da abstenção. Temos de ser muito claros relativamente a esse aspecto. Há dois ou três fatores que podem explicar a elevada abstenção nestas eleições; O primeiro tem naturalmente a ver com a imigração. Muitas pessoas que emigraram continuam inscritas nos cadernos eleitorais. Como sabe, esta foi a primeira eleição em que não houve um processo tradicional de inscrição eleitoral. A actualização foi feita automaticamente com base nos dados do registo civil. Assim, todos os cidadãos que já tinham completado 18 anos passaram automaticamente a integrar os cadernos eleitorais e a poder exercer o seu direito de voto. Este aspeto é importante porque muitas das pessoas emigradas ainda não actualizaram os seus dados, permanecendo inscritas, embora já não residam no país. Outro factor importante é o facto de muitas pessoas, neste momento, não se identificarem com os políticos do país. Cada vez mais se verifica um afastamento entre os cidadãos e a classe política. Isso ficou também evidente nestas eleições. As pessoas deixaram de acreditar na forma como os políticos actuam e encontraram na abstenção uma forma de manifestar esse descontentamento. Foi isso que também aconteceu. Esta reduzida afluência às urnas pode retirar força política à vitória de Carlos Vila Nova? Não creio que isso não lhe retire força política. Não lhe retira força política por uma razão muito simples: a partir do momento em que é eleito Presidente da República, passa a exercer todas as funções que a Constituição lhe atribui. Foi eleito Presidente da República e, independentemente da taxa de abstenção, exercerá plenamente essas funções. Portanto, a abstenção não lhe retira legitimidade nem força política. Contudo, deve levá-lo a reflectir sobre aquilo que foi a sua actuação durante os últimos cinco anos. A sua governação pode, efectivamente, ter contribuído para que uma parte significativa do eleitorado optasse pela abstenção. Que desafios mais urgentes esperam agora Carlos Vila Nova neste segundo mandato, tanto no plano interno como nas relações internacionais? O primeiro desafio que Carlos Vila Nova tem, no meu entender, é perceber rapidamente que a sua eleição aconteceu ontem. Todas as alianças políticas que fez com os outros partidos para efeitos da sua candidatura terminaram com o acto eleitoral. A partir do momento em que tomar posse, vai ser o Presidente de todos os são-tomenses. Todos os cidadãos devem ser tratados da mesma forma, independentemente da sua opção política. Esse é o primeiro grande desafio. O segundo desafio prende-se com as relações bilaterais do país. As nossas relações internacionais têm estado bastante fragilizadas ao longo dos últimos tempos, sobretudo com países como Angola, Portugal e outros parceiros estratégicos. É importante que Carlos Vila Nova encontre mecanismos para reforçar essas relações, porque, como sabemos, São Tomé e Príncipe é um país insular, sem ligações terrestres a qualquer outro Estado. Por isso, é fundamental fortalecer as relações bilaterais com os nossos parceiros internacionais, para que delas resultem benefícios concretos para o desenvolvimento do país e para a melhoria das condições de vida da população. Outro grande desafio para Carlos Vila Nova vai ser transmitir uma imagem de tranquilidade e de unidade nacional. Durante esta campanha eleitoral assistiu-se à divulgação de mensagens marcadas pelo ódio, pela raiva e até por intenções de vingança. Tudo isso deve agora ser ultrapassado. Somos todos são-tomenses e aquilo que todos desejamos é que o nosso país continue a melhorar, para que todos possam viver felizes nesta terra, que é um verdadeiro paraíso. Falava da campanha, marcada por crispação política, por boicotes e também por desinformação. Que sinais considera importantes observar nos próximos dias para avaliar a estabilidade política e institucional de São Tomé e Príncipe? É verdade que houve boicotes e, como referi, esses boicotes podem estar relacionados com os níveis de abstenção. Trata-se de manifestações de descontentamento por parte da população, que não devem ser ignoradas. O Presidente da República terá de encontrar um espaço de diálogo apropriado para transmitir uma mensagem clara aos cidadãos, restaurando a confiança nas instituições políticas, nos partidos e na própria Presidência da República. Esse será também um passo importante para reforçar a estabilidade política e institucional do país. Esta eleição pode representar o fim de um ciclo político e dar início a uma nova configuração do poder em São Tomé e Príncipe? Sim, naturalmente. Aquilo que aconteceu nestas eleições aponta para uma nova configuração do mosaico político e eleitoral em São Tomé e Príncipe. Neste momento, temos o MCI, partido liderado por Delfim Neves, que, na minha perspectiva, saiu politicamente reforçado. O candidato apoiado por este partido obteve um desempenho superior ao que muitos esperavam. É importante recordar que a candidatura de Carlos Vila Nova contou com o apoio de várias forças políticas e que, no próprio ADI, muitos dirigentes e militantes não apoiaram de forma clara a candidatura de Nito d'Abreu. Poucos foram os que manifestaram um apoio efectivo ao candidato, o que também é reflexo do trabalho político desenvolvido pelo MCI e pelos restantes partidos que apoiaram Carlos Vila Nova. Por outro lado, partidos como o MLSTP/PSD, o MDFM e outras forças políticas terão agora de fazer uma avaliação profunda da sua situação política. O MLSTP/PSD, como sabemos, atravessa também um momento de fragilidade, muito por causa da indefinição demonstrada ao longo deste processo eleitoral. Espera-se que consiga redefinir a sua posição e preparar-se para os próximos desafios políticos. Quanto ao ADI, a grande questão passa por saber que caminho vai seguir. Não sei se conseguirá renovar a sua liderança com Américo Ramos ou se continuará sob a direcção de Patrício Trovoada, que sofreu uma derrota política muito significativa nestas eleições. Se Patrício Trovoada continuar a liderar o partido, considero que será muito difícil evitar uma nova derrota nas próximas eleições legislativas.

Uma palavra no seu caminho
XVI Domingo do Tempo Comum - Homilia

Uma palavra no seu caminho

Play Episode Listen Later Jul 19, 2026 7:51


Na semana passada, refletimos sobre o valor e o significado que a palavra «Deus» tem na nossa vida. Hoje, essa mesma palavra convida-nos a pensar no Reino de Deus e a compreender que a conversão a Jesus consiste, precisamente, em acolher em nós a dinâmica do seu reinado.Converter-se não é apenas mudar alguns comportamentos exteriores. É aprender a viver segundo a lógica de Deus, deixando que a sua graça transforme os nossos critérios, os nossos afetos e as nossas escolhas. Mas, para que isso aconteça, é necessário desejar a conversão, querê-la verdadeiramente e deixar que esse desejo se inscreva no coração.Podem impressionar-nos os grandes monumentos, as manifestações religiosas, os templos, os rituais ou as obras grandiosas realizadas ao longo da história por homens e mulheres de fé. Tudo isso pode despertar em nós o desejo de Deus. Contudo, se ficarmos apenas pela aparência, permaneceremos muito longe do essencial.A fé bíblica ensina-nos que Deus está presente no mundo e se dá a conhecer através da sua Palavra. Sem olhos e coração educados pela escuta, pela meditação e pela graça, podemos não reconhecer os sinais de Deus e até interpretar de modo errado as próprias manifestações religiosas.O povo de Israel conheceu, no Egito, uma religião imponente: templos grandiosos, rituais organizados e sinais visíveis de poder. Ainda hoje permanecem monumentos dessa civilização, como as pirâmides. Mas uma religião que se limita ao esplendor exterior corre o risco de permanecer epidérmica: impressiona os sentidos, mas não converte o coração.Para entrar verdadeiramente em nós, Deus dá-nos a sua Palavra. A semente lançada no coração é a Palavra que desperta o desejo de uma vida nova, segundo a beleza, a verdade e a bondade que Deus nos revela. O Senhor, porém, não pode mostrar-nos essa beleza se não nos demorarmos a escutá-lo.Escutar a Palavra exige que convoquemos tudo aquilo que somos: a inteligência, a memória, a experiência e a vontade. O conhecimento começa muitas vezes por uma pergunta: o que significa isto? Porque acontece assim? Onde está Deus nesta situação? Depois procuramos compreender, reunimos informação, escutamos, refletimos e formamos uma convicção.Mas o conhecimento autêntico não pode ficar reduzido a uma mera opinião. Aquilo que reconhecemos como verdadeiro deve gerar uma decisão, uma prática e uma mudança de vida. No campo da fé, essa aprendizagem chama-se conversão. Não basta saber; é preciso escolher e agir em conformidade.Por isso, o cristão não deve ter medo das perguntas. A fé não elimina a inquietação; orienta-a. Podemos interrogar Deus diante da morte, da doença, da injustiça ou da catástrofe. Podemos até reclamar com Ele, como fazemos com os amigos. A Sagrada Escritura está cheia dessas perguntas. O importante é não fechar o coração, mas continuar a escutar, a discernir e a procurar o que o Senhor nos ensina.Quando acolhemos a dinâmica do Reino, tornamo-nos mais comprometidos, mais compassivos e mais pacientes. Compreendemos que a realidade não é simplesmente branca ou preta. O trigo e o joio crescem juntos no mundo e também dentro de nós. Nem tudo o que é imperfeito deve ser arrancado imediatamente, porque, na ânsia de eliminar o joio, podemos destruir também o trigo.Esta consciência torna-nos misericordiosos connosco próprios e com os outros. Aprendemos a respeitar os tempos de crescimento, a confiar na ação de Deus e a colaborar com a sua graça. O Reino de Deus já está entre nós, não porque tudo seja perfeito, mas porque a verdade, a beleza e a bondade já começam a acontecer.Alimentados pela Palavra e fortalecidos pela graça, recebemos a coragem para nos comprometermos, com esperança, na construção de um mundo mais humano, mais justo e mais fraterno.

Guilherme Gimenez
Devocional da manhã do dia 14/07/2026 - Cuide do que cresce dentro de você

Guilherme Gimenez

Play Episode Listen Later Jul 14, 2026 4:58


“A pessoa boa tira o bem do bom tesouro do coração, e a pessoa má tira o mal do seu mau tesouro; pois a boca fala do que está cheio o coração.” — Lucas 6.45 (VLC)Nossas palavras não surgem do nada. Elas revelam conteúdos que foram sendo acumulados no interior. Jesus ensina que o coração funciona como um depósito. Aquilo que guardamos nele, mais cedo ou mais tarde, aparece em nossas conversas e atitudes.É possível controlar a aparência por algum tempo, mas situações de pressão costumam revelar o que realmente está dentro de nós. Ressentimentos não tratados, comparações, medos e orgulho podem se manifestar em palavras duras. Da mesma forma, gratidão, graça e verdade também encontram expressão.Cuidar do coração significa prestar atenção ao que permitimos crescer. Algumas sementes precisam ser arrancadas antes que criem raízes. Outras precisam ser regadas por meio da Palavra, da oração, do perdão e da convivência com pessoas maduras.Para colocar em práticaEscute suas próprias palavras hoje. Elas podem servir como um diagnóstico. Em vez de apenas tentar falar melhor, peça a Deus que trate a fonte. Quando o coração é transformado, a fala também começa a mudar.OraçãoSenhor, examina meu coração. Remove o que produz palavras e atitudes prejudiciais e enche meu interior com tua graça, tua verdade e teu amor. Amém.

Guilherme Gimenez
Devocional da manhã do dia 13/07/2026 - Pense no que fortalece sua vida

Guilherme Gimenez

Play Episode Listen Later Jul 13, 2026 4:16


“Tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, virtuoso e digno de louvor seja o que ocupe o pensamento de vocês.” — Filipenses 4.8 (VLC)A mente é um terreno onde pensamentos são repetidos, alimentados e transformados em convicções. Aquilo que ocupa nossa atenção por muito tempo influencia emoções, palavras e decisões. Por isso, Paulo orienta os cristãos a escolherem cuidadosamente o conteúdo de seus pensamentos.Pensar no que é verdadeiro não significa negar problemas. Significa não permitir que o medo, a mentira e a suspeita sejam as únicas vozes dentro de nós. A verdade de Deus oferece uma perspectiva mais ampla do que a ansiedade consegue enxergar.Em um mundo de excesso de informações, precisamos estabelecer filtros. Nem tudo o que chama nossa atenção merece permanecer em nossa mente. Conteúdos que alimentam indignação constante, comparação ou desesperança podem enfraquecer nossa vida interior.Para colocar em práticaObserve o que você tem consumido e repetido mentalmente. Substitua uma fonte de ansiedade por algo que fortaleça sua fé: uma passagem bíblica, uma conversa saudável, um tempo de silêncio ou uma atividade que desperte gratidão. Cuidar dos pensamentos é parte da construção de uma vida sólida.OraçãoDeus, purifica meus pensamentos e ajuda-me a concentrar a mente no que é verdadeiro e bom. Que minhas escolhas interiores produzam uma vida que te honre. Amém.

Donas da P@#$% Toda
#329 - A resposta que não demos e a ruminação, com Maria Fernanda Calliani

Donas da P@#$% Toda

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 39:51


Algo dá errado no seu dia, você tem uma pequena discussão. Aquilo te chateia e de repente você se vê pensando em como poderia ter falado diferente, nas coisas que a outra pessoa falou, na tensão toda em si. E isso fica se repetindo, de novo e de novo, por horas, dias, a ponto de parecer que a sua cabeça entrou em parafuso.Não é à toa que essa repetição exagerada de pensamentos em torno de um mesmo tema tem o nome de ruminação. Assim como animais ruminantes engolem o alimento, depois o trazem de volta à boca para mastigá-lo novamente de forma lenta e exaustiva, a mente "ruminante" pega uma ideia, erro ou medo do passado e a mastiga psicologicamente repetidas vezes, sem chegar a uma conclusão ou alívio.E foi ruminando muito nossos pensamentos que a gente decidiu fazer essa conversa com a Dra. Maria Fernanda Calliani, que é Psiquiatra especialista em Transtornos do Impulso & Ansiedade, sobre ruminação. ------------------PITAYA: O CLUBE DE CALCINHAS QUE AMAMOS AMAR⁠⁠⁠assinepitaya.com.br⁠⁠Cupom: DONAS15------------------UM AIRBNB EM GRAMADO PRA CHAMAR DE NOSSO ⁠⁠⁠https://www.airbnb.com.br/rooms/33580406?unique_share_id=891d6240-97dc-4f1f-ad72-5138ea8cf351&viralityEntryPoint=1&s=76Chama a Dâmaris no chat e conta que é nossa apoiadora, tá? Tem condição especial! :)------------------PRODUTOS DO DONAS DA P* TODA!⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠www.enxamecolaborativo.com.br/brands/Donas-da-P-Toda⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠APOIE O PODCAST!⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠www.apoia.se/donasdaptoda⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠-----O ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Donas da P* Toda⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ é um podcast independente. Produção, roteiro e apresentação: Larissa Guerra (@larissavguerra) e Marina Melz (@marinamelz). Edição e tratamento de áudio: Bruno Stolf (@brunostolf) Todas as informações em ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠www.donasdaptoda.com.br⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ e ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@donasdaptoda⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠.

Notícia no Seu Tempo
Trump confirma ter interferido para Fifa rever punição aos EUA

Notícia no Seu Tempo

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 8:56


No podcast ‘Notícia No Seu Tempo’, confira em áudio as principais notícias da edição impressa do jornal ‘O Estado de S.Paulo’ desta terça-feira (07/07/2026): O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou ter interferido diretamente na decisão da Fifa que permitiu a escalação ontem contra a Bélgica do goleador dos EUA, Folarin Balogun. O atacante deveria ter cumprido suspensão automática após ter sido expulso por entrada violenta no jogo anterior, contra a Bósnia. A Fifa não anulou a punição, “apenas” a adiou por um ano – um reconhecimento indireto de que a expulsão foi correta, mas a sanção contra a dona da casa, governada por um aliado político e econômico, não lhe era conveniente. Balogun foi expulso na quarta-feira pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, contra o qual a Casa Branca produziu um dossiê. Ao confirmar ter feito o pedido em telefonema ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, Trump se referiu a Claus como um árbitro de “passado duvidoso” e admitiu nem saber o que significava um cartão vermelho. “Aquilo não foi uma falta”, sentenciou. Política: Governo paga recorde de R$ 34 bi em emendas antes das eleições Economia: Empresas veem ‘clima técnico’ em audiência sobre tarifaço dos EUA Internacional: Trump se reúne com líderes europeus em cúpula da Otan na Turquia Esportes: Novo ciclo da seleção deve marcar o fim da ‘Geração Neymar’See omnystudio.com/listener for privacy information.

Enterrados no Jardim
O artista contemporâneo, esse activista financeiro. Uma conversa com António Pinto Ribeiro

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later Jul 4, 2026 185:34


No início dos seus manuscritos, de 1844, Marx escreve qualquer coisa como «o meu próximo é o dinheiro», e o poeta francês Christophe Hanna admite que esta declaração pode ser entendida como uma indiciação de que o dinheiro determina as nossas vidas num tal grau que não nos livramos de qualificar os outros e a relação que com eles estabelecemos a partir da fortuna que lhes atribuímos. No fundo o dinheiro actua como um «capcioso parasita» (António Vieira) capaz de conduzir o hospedeiro a seu bel-prazer. Este parasita que se apropriou inteiramente dos destinos das sociedades pós-históricas, alcançou esse efeito prodigioso, diz-nos Vieira, ao infiltrar-se em todas as esferas do espaço humano, desenvolvendo um parasitismo de alta virulência: «fazendo-se desejar sem limite, inverte os papéis e põe a sociedade ao seu serviço até fazer perigar a sobrevivência do hospedeiro.» A narcose que este gera é tão profunda, que tudo se submete às suas leis, e ele deforma a própria realidade física através do homem, que se torna o agente dessa força viral. Como um astro negro, este irradia subtilmente a sua promessa que acaba por dominar o curso do mundo. Borges notou que «nada há de menos material do que o dinheiro, pois qualquer moeda (uma moeda de vinte cêntimos, digamos) é, em rigor, um repertório de futuros possíveis». Mas esse tempo futuro não nos pertence, na verdade os homens não são ricos, tanto como se tornam seres possuídos pelo dinheiro. O dinheiro é uma função que transtorna inteiramente a razão moral de um ser ao ver-se capturado pela sua influência, por essa excepção que nos desintegra sucessivamente até levar a um desinvestimento de todos os afectos e ligações, e desse desejo de autonomia, de liberdade, a qual não existe a não ser enquanto luta com o seu contrário. A adesão significa uma perda de si, uma diluição, enquanto o homem se cinge aos fins do próprio dinheiro, que visa a multiplicação, e que determina que toda a coisa, todo o bem, todos os seres, no esforço de se realizarem no mercado, passem a definir-se apenas segundo essa necessidade de competir com todas as outras mercadorias. Como nos diz Huysmans, «o dinheiro atrai-se a si próprio, procura aglomerar-se nos mesmos locais, vai de preferência parar aos celerados e aos medíocres; e depois, quando uma inescrutável excepção o leva a acumular-se num rico de alma não criminosa nem abjecta, permanece estéril, incapaz de se converter num bem inteligente, e entre mãos caridosas nem mesmo é apto a alcançar um fim elevado. Dir-se-ia que vinga assim o seu destino falso, se paralisa voluntariamente quando não pertence ao último dos trapaceiros nem ao mais repelente dos malandros.» A forma como o dinheiro se impõe passa desde logo por submeter a si o tempo e todas as funções cronológicas, de modo a neutralizar o Kairós, essa capacidade de ler no inesperado, de se aproveitar do acaso na forma como este procura corroer os enredos coercivos que visam tornar-nos meros espectadores passivos das nossas próprias vidas, existências paralisadas. O triunfo do capital significa essa redundância absoluta, num encadeamento que conduz ao fenómeno do presentismo, esse tempo que se define pela eterna hipnose do presente. Isto faz de nós seres dominados por uma compulsão para refazer o mundo segundo a lógica carcerária que exponencia as dinâmicas preditivas. A nossa época define-se, assim, como um nó temporal, uma sobreposição de tempos assombrados, em que o passado se dissolve nesses ecos ou reflexos comprometidos com o efémero e a contingência, dificultando a capacidade de recuperar as referências e, mergulhando na tradição, reactivar as sobrevivências de outras eras. Nem o futuro aquilo que nos ocupa, mas uma sua projecção que acaba por gerar a impotência, vivendo-se por antecipação apenas na correspondência com um desejo mórbido que se devasta a si mesmo, sendo que as promessas se concatenam e se tornam imediatamente perecíveis. O dinheiro não é, por isso, tão-só um equivalente absoluto, mas ele actua no espírito dos homens produzindo uma metamorfose que os tranca fora dessas cogitações inebriadas pelo tempo longo da história, sendo que em todos os domínios da vida, as obsessões presentistas levam ao colapso temporal, um tempo liso que não permite que nada se sedimente. Daí a tendência desde há algumas décadas para o deperecimento das formas artísticas, uma vez que esta lógica carcerária, mais do que nos confinar no espaço, vulnera-nos ao estarmos mergulhados num ritmo em constante aceleração que impede aquela maturação lenta que sempre esteve na base das principais realizações do espírito, e especificamente na arte que se fez até à modernidade. Hoje, devemos reconhecer como a arte contemporânea mais do que definir um conjunto de práticas que já não correspondem a critérios ou formas estáveis, numa relação tensa com a tradição, mas ao cooptar e misturar processos e linguagens com uma crescente indiferença pelas suas funções originárias, coloca-se como uma estação situada no ponto extremo da aceleração. Como nos diz o filósofo francês Yves Michaud, esta «indiferenciação dos géneros artísticos e coexistência de critérios estéticos provindos de tradições artísticas diferentes – uma paisagem chinesa, um rosto de manga japonês, um graffiti urbano, uma abstracção geométrica cientista, uma pintura abstracta expressionista ou monocromática, etc. – neutralizaram todos os critérios em favor daquilo que pode chamar-se ‘pluralismo indiferentista'». No fundo, o paradigma da arte contemporânea que infectou e contagiou tantas outras esferas da realização artística determinou que fosse o próprio conceito de arte que se dissolveu. Hoje, tudo é arte, porque a própria arte foi dominada pelo dinheiro, e está hoje inteiramente capturado pelos enredos da valorização e especulação das mercadorias, conferindo glamour, aura, brilho, confundindo-se nos seus fins com a própria ideia de luxo, de definição das tendências, sendo que ao artista não restou outra escolha senão tornar-se produtor, fabricando em série a partir de um modelo genérico, oferecendo ao mercado objectos produzidos que dizem sempre o mesmo, tornando-se idênticos, porque não servem para outra coisa senão para corresponder a uma marca, não se distinguindo nos fins do da publicidade. Voltando a Huysmans, este vinca como o dinheiro «torna lúbrico o indigente mais casto, actua de uma só pancada no corpo e na alma, e a quem o possui sugere um egoísmo baixo, um orgulho ignóbil, aconselha a gastá-lo apenas consigo próprio, do mais humilde faz um lacaio insolente, do mais generoso um larápio. Num segundo altera todos os hábitos, transtorna todas as ideias, num abrir e fechar de olhos transforma as paixões mais teimosas.» Aquilo que subsiste são apenas as paixões tristes de que falava Espinoza, desde logo a do dinheiro. Por isso mesmo, esta conjunção de todos os destinos, não deixa já margem a esses processos artísticos que se definiam pela resistência, pela «negação contínua daquilo que ameaça suprimir a própria liberdade» (Hegel). Bolaño, que nunca foi outra coisa senão um espírito que se alimentava das formas que, contrariando o monoteísmo do mercado, procuravam resgatar aquele politeísmo da imaginação, lamentava-se da perda da função social da literatura… «Que podem fazer Sergio Pitol, Fernando Vallejo e Ricardo Piglia perante a avalanche de glamour? Pouca coisa. Literatura. Mas a literatura não vale nada se não vier acompanhada de algo mais refulgente do que o mero acto de sobreviver. A literatura, sobretudo na América Latina, e suspeito que também em Espanha, é sucesso, sucesso social, claro, isto é, grandes tiragens, traduções para mais de trinta línguas. Os escritores actuais já não são, como bem fez notar Pere Gimferrer, senhoritos dispostos a fulminar a respeitabilidade social, nem muito menos um bando de inadaptados, mas gente saída da classe média e do proletariado, disposta a escalar o Evereste da respeitabilidade, desejosa de respeitabilidade. São louros e morenos, filhos do povo de Madrid; são gente da pequena burguesia que espera terminar os seus dias na alta burguesia. Não rejeitam a respeitabilidade. Procuram-na desesperadamente. Para a alcançar têm de transpirar muito. Assinar livros, sorrir, viajar para lugares desconhecidos, sorrir, fazer de palhaço nos programas cor-de-rosa, sorrir muito, sobretudo não morder a mão que lhes dá de comer, assistir a feiras do livro e responder com boa disposição às perguntas mais cretinas, sorrir nas piores situações, fazer cara de inteligentes, controlar o crescimento demográfico, agradecer sempre.» Que outra coisa vemos por estes dias tomar conta de todos os programas e «eventos» culturais senão isto? O que se andou a tramar por estes dias ali no Porto? Espécie de assalto sem se mexer muito, procurando excitar um tão bacoco fervor regionalista, propor os valores locais, poetas alinhados como artigos numa feira de produtos de uma cidade que há muito, tal e qual como Lisboa, não está em condições de lutar contra nada, nem contra a erosão de qualquer ordem de valores face à sua conversão em manta de retalhos, de atracções turísticas e activos financeiros, e assim, vimos Arnaldo Saraiva, num artiguelho encomendado, render-se à impostura de um reles promotor de valores regionais, fornecendo uma "selecção" de entre alguns perfis seguros, aspirantes e os habituais basbaques que ajudam a engrossar o lote, e, logo ele que tanto gosta dos brasileiros, parecia esquecer essa sóbria lição de «política literária» que nos deu Drummond de Andrade: «O poeta municipal/ discute com o poeta estadual/ qual deles é capaz de bater o poeta federal.// Enquanto isso o poeta federal/ tira ouro do nariz.» É só mais um entre uma série de promotores que, logo que foi posto algum dinheiro à disposição para a campanha, com o fim de reclamar que a cidade ainda mexe, provando que esta direita não quer fazer como a do último autarca social-democrata, que limpou o cu à cultura, e veja-se como se engendrou logo o patético golpe, como se encheram de presságios estes coronalecos, que luzes, e que maneiras agora, com a entoação favorecida por aquele lance de escadas da pronúncia, mas, desta feita, em vez do vernáculo, da bojarda que nos fazia sentir o gosto às tripas, temos uns assanhados prontos para fazerem da cultura o partido geral, nesse modo prático de ir com quem tiver o maço delas, esbanjando a esmola, multiplicando o pão abstracto, e olhó blazer que ali vem, Couceiro-argonauta-da-volta-à-terra-na-treta, lá vem, e garantem-nos que é tempo do rapaz, este que sofre daquela ternura publicitária pelos livros, vai morrer de letriose, uma cirrose de tanto ir ao fundo do tinteiro, das mil maneiras como se enrola com as sílabas numa tal felação, industrioso chouriceiro, cheio dessa bibliogarrulice, messias que irá salvar os canhenhos da glutonice da bicharia da prata, e aí vem o parque temático para os que tanto gostam de comer a erva das passadeiras em vez de a pisar, e se qualquer palco serve a quem vai partir prò infinito, que imortal salsada, vamos pôr a invicta a ler até desmaiar de inanição, vai fundar-se uma disneylândia das bovarinhas, com lendas que as levem para a cama e as aturem, enquanto põem ovos e os cornos ao pobre Charles, umas com as outras a desfiar delírios pelos festivais em vez de engolirem duma vez a merda do arsénico. Ora, neste episódio, e para pôr alguma ordem nisto, tivemos a companhia de António Pinto Ribeiro, alguém que tem pensado e exercido um papel enquanto programador cultural, buscando construir enredos de ordem excepcional que permitam ainda resistir à moral do lucro, a estas engrenagens submetidas de mil maneiras aos mecanismos do poder, nomeadamente neste quadro que serve para promover os artistas dóceis e inócuos, atrapalhando os potencialmente ameaçadores.

Marta Maria
O que você faz quando Deus pede justamente aquilo que parece estar faltando?

Marta Maria

Play Episode Listen Later Jul 2, 2026 1:03


A viúva de Sarepta não recebeu um milagre antes de obedecer.Ela obedeceu... e então viu o milagre acontecer.Muitas vezes esperamos que Deus remova a escassez para só depois confiar. Mas, nessa história, a confiança veio primeiro, e a provisão veio em seguida.Talvez hoje o Senhor esteja convidando você a dar um passo de fé antes de enxergar a resposta.▶️ Assista ao episódio completo no YouTube e descubra como confiar no Senhor mesmo quando os recursos parecem insuficientes.

Leonardo Kurcis
SOMOS TODOS DIGNOS DO AMOR DE DEUS

Leonardo Kurcis

Play Episode Listen Later Jun 30, 2026 17:43


Aquilo que os filhos de Deus fazem, passível de erros, corresponde as experiências para que possam ter acesso aosrecursos que constituem a sua essência. A essência será sempre a mesma, guarda identidade com o Criador. Por essa condição que somos todos dignos do amor de Deus.

Amorosidade Estrela da Manhã
QUAIS AS DORES QUE HOJE JOGAM AO FOGO (DA PIRA) PARA PERMITIR QUE SEUS ESPÍRITOS SE FORTALEÇAM? QUAL DE VOCÊS TÊM A CORAGEM DE OLHAR PARA SI MESMO E ENTREGAR AQUILO QUE ACHA QUE SÃO?

Amorosidade Estrela da Manhã

Play Episode Listen Later Jun 28, 2026 3:56


45 do Primeiro Tempo
Ricardo Zovaro - "Aquilo que parece um desvio muitas vezes é o caminho"

45 do Primeiro Tempo

Play Episode Listen Later Jun 26, 2026 80:56


Ricardo Zovaro não tem dúvida em afirmar que a competência mais mportante que uma pessoa pode desenvolver não é a capacidade de liderar uma empresa, construir uma carreira ou alcançar metas. É a capacidade de governar a própria vida. Talvez por isso ele venha dedicando os últimos anos a ajudar pessoas que conquistaram resultados no mundo externo, mas que, em algum momento da jornada, perceberam que as antigas respostas já não sustentavam as novas perguntas. Pessoas que descobriram que a próxima etapa da vida exige menos esforço e mais consciência. Durante mais de três décadas, ele construiu uma sólida trajetória no mundo corporativo, atuando em posições de liderança e acompanhando empresas e equipes em diferentes países. Por muito tempo, sua vida esteve orientada pelos indicadores tradicionais de sucesso, crescimento e realização profissional. Mas uma experiência marcante de saúde, vivida durante uma viagem a Fernando de Noronha, tornou-se um ponto de inflexão em sua história. O que parecia apenas um episódio difícil acabou abrindo espaço para perguntas mais profundas sobre propósito, sentido e direção. A partir dali, iniciou uma longa jornada de busca e transformação que o levou a percorrer diferentes caminhos, países, tradições e experiências ligadas ao desenvolvimento humano, à espiritualidade e à expansão da consciência. Dessa travessia nasceu aquilo que hoje ele chama de GPS Interior: uma metodologia que procura integrar inteligência espiritual, governança pessoal e desenvolvimento humano para ajudar pessoas a reencontrarem sua própria direção. Metodologia que está virando livro e que chega ao mundo agora, em julho. Neste papo com o podcast "45 do Primeiro Tempo", Ricardo Zovaro relembrou sua trajetória profissional, trouxe seu olhar sobre este momento que estamos vivendo e foi categórico: "Aquilo que parece um desvio muitas vezes é o caminho." Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Jorge Borges
O diagnóstico que faltava: como o Banco Mundial está a medir aquilo que a escola não vê

Jorge Borges

Play Episode Listen Later Jun 25, 2026 6:34


Imaginemos uma aluna do quarto ano, sentada numa sala de aula, com uma página de texto à frente que não consegue decifrar. Sonha ser médica. À sua volta, vários atores do sistema educativo trabalham, cada um à sua maneira, para a ajudar: o professor, com sessenta e cinco alunos na turma e pouca formação em didática da leitura, tenta cumprir o programa antes dos exames; a inspetora regista a falta de água na escola, mas não tem forma de assinalar que as crianças não sabem ler; os serviços centrais distribuem tablets para uma escola sem eletricidade fiável; uma organização não-governamental ensina fonética, mas isoladamente, sem ligação ao sistema de formação de professores. Todos trabalham com boas intenções. Nenhum vê o quadro completo.

Amorosidade Estrela da Manhã
O KARMA MUDA QUANDO SE DEIXA DE SE ILUDIR POR AQUILO. AQUILO PERDE O VALOR PORQUE O TEU VALOR MUDOU

Amorosidade Estrela da Manhã

Play Episode Listen Later Jun 25, 2026 3:59


CEI DE CABO FRIO
Pressões da VIDA

CEI DE CABO FRIO

Play Episode Listen Later Jun 22, 2026 35:32


Nesta mensagem, o Pr. Rafael Lemos, com o texto em I Samuel, capítulo 17, versículos 24 ao 30, nos traz uma reflexão sobre a vida de Davi, e as pressões que ele viveu.A vida é marcada por pressões. Há momentos em que nos sentimos cercados por desafios, críticas, medos e circunstâncias que parecem maiores do que nós. Em I Samuel 17, encontramos Davi diante de um cenário de extrema pressão. Enquanto todos os homens de Israel tremiam diante de Golias, Davi demonstrou uma postura diferente, ensinando-nos importantes lições sobre como enfrentar as pressões da vida.1. A pressão do medoGolias representava uma ameaça real. Sua aparência, sua força e suas palavras intimidavam todo o exército de Israel. O medo era tão grande que os soldados fugiam quando o viam.Assim também acontece conosco. Muitas vezes enfrentamos situações que parecem gigantes: problemas familiares, enfermidades, crises financeiras ou desafios espirituais. O medo tenta nos paralisar.Mas Davi nos ensina que não devemos olhar apenas para o tamanho do problema, mas para a grandeza de Deus. Quando a fé é maior que o medo, encontramos coragem para continuar.As pressões da vida não são maiores do que o Deus que está conosco.2. A pressão das opiniões dos outrosQuando Davi começou a questionar sobre Golias, ouviu diversas opiniões ao seu redor. Mais adiante, até seu próprio irmão o criticou e tentou desmotivá-lo.Uma das maiores pressões da vida é lidar com aquilo que os outros pensam ou dizem sobre nós. Muitas pessoas desistem dos seus sonhos, do seu chamado e dos seus projetos porque dão mais atenção às críticas do que à voz de Deus.Davi não permitiu que as opiniões negativas definissem seu futuro.Quem conhece o propósito de Deus para sua vida não pode viver refém da opinião das pessoas.3. A pressão da conformidadeTodos estavam aceitando aquela situação como algo normal. Golias aparecia diariamente e ninguém reagia.Davi, porém, recusou-se a aceitar como normal aquilo que afrontava o povo de Deus.Vivemos em uma época em que existe pressão para nos conformarmos com situações erradas, desistirmos dos nossos valores e aceitarmos derrotas como inevitáveis. Porém, Deus procura pessoas que, como Davi, tenham coragem de pensar diferente e agir pela fé.A pressão da maioria não deve ser maior do que a convicção que Deus colocou em nosso coração.4. A pressão que revela o propósitoCuriosamente, foi justamente naquele ambiente de pressão que Davi começou a ser revelado como o homem que Deus havia escolhido.As pressões não chegam apenas para nos destruir; muitas vezes elas chegam para revelar quem somos em Deus. O gigante que assustava todos foi o mesmo gigante que abriu as portas para que Davi fosse conhecido em toda a nação.Aquilo que hoje está pressionando você pode ser o instrumento que Deus usará para manifestar Sua glória e fortalecer sua fé.Conclusão: As pressões da vida são inevitáveis, mas não precisam nos derrotar. Davi enfrentou a pressão do medo, das críticas e da conformidade, mas escolheu confiar em Deus.Quando todos viam um gigante impossível de vencer, Davi viu uma oportunidade para Deus agir.Talvez você esteja enfrentando pressões intensas neste momento. Lembre-se: Deus continua capacitando homens e mulheres para permanecerem firmes quando todos os outros recuam.Não permita que a pressão da vida seja maior do que a presença de Deus em sua caminhada. Quem confia no Senhor descobre que os gigantes podem ser grandes, mas Deus sempre será maior.Frase para reflexão: "A pressão pode revelar nossas fraquezas, mas também pode revelar a grandeza de Deus agindo através de nós."Se esta mensagem edificou a sua vida, curta e compartilhe com mais pessoas,Deus te abençoe!

Noticiário Nacional
01h Santana Lopes: "fiz aquilo que achei que devia fazer"

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Jun 21, 2026 8:40


See omnystudio.com/listener for privacy information.

Enterrados no Jardim
Os Ortopedistas do Poder. Uma conversa com Duarte Rolo

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later Jun 19, 2026 231:21


Como se esbanja por aí a eternidade, como se sacodem as suas pulgas, condenando os melhores vícios, a desordem sábia, e abrimos mão dos verdadeiros triunfos, da íntima noção dessas alegrias humildes, desse calor das existências comuns, do tempo em que os homens nasciam à beira das paixões e o único imperativo era não se afastarem demasiado. Mas, agora, precisam dar a volta, atravessar a perda de si mesmos, para reencontrarem algum sentido nas coisas que dizem e sentem, descobrindo com grande custo a «bela língua obscura dos condenados à morte», pois nesses renasce o fascínio pelos dias, pela sucessão de instantes que se ganha, se expande, e deles se ouve esse «soluço ilegível na frase humana», desbravando a perda, «a agonia nessa fronha desbotada,/ a vida finalmente vencida, a afonia,/ o tempo finalmente corroído, abolido…» Fomos apressados de tal modo e tão consistentemente que nalgum desvão nos livrámos de nós próprios. «Despacha-te. Eis a alegria e a miséria dos homens», escreve Benjamin Fondane. Porque todos sabemos que «os massacres começam pelo trigo», e que «o pão não brota da árvore do sono», fomos levados a fazer tanto, a sacrificar as melhores horas, tamanha energia apenas para não nos virem com a conversa. Basta pensar no muito que os homens suportam para não recair sobre eles a ênfase moralizadora dos demais. Mas enquanto a Terra segue e se afunda toda ela no não-ser, no vazio, o maior luxo é virar costas, não perder tempo entre esses que se mostram estranhos à sua própria vida, arrastar alheadamente o balão de soro do ócio de um lado para o outro, desfraldado, procurando escutar de tempos a tempos, na linha, nas zonas desumanas da produção, alguma réstia do espírito, alguém que solte «o grito agudo dos índios selvagens». Essa é a única música em que ainda pode confiar-se. Enquanto se multiplicam por toda a parte os deuses da vergonha, a linguagem está submetida a essas figuras de estilo com que se adornam os seres vencidos, dançando mecanicamente ao sabor de uma «música suja e intermitente, / como uma velha dor de dentes fiel e palpitante». E se tantos se queixam, se é a própria pele que soluça no vazio, se tantos lançam um olhar suplicante ao redor, só encontram a mesma expressão, o mesmo desalento: «não consigo sair desta armadilha infinita». «A fonte da vida afasta-se, está tão longe», adianta Fondane, parece que assistimos a uma «invasão-fantasma», e continuamos à procura de um peso, de algum sabor que nos leve noutro sentido… «Vidas gastas à procura de outras vidas gastas/ procuramos os nossos prazeres com órgãos desgastados»… «No cinema os homens estão lado a lado/ com o mesmo coração e as mesmas entranhas,/ desprendidos, estranhos à sua própria vida/ enterraram-na dentro de si como uma afronta que se oculta/ a sua própria vida no entanto que não ousam beijar na boca,/ que arrastam consigo, como um velho guarda-chuva,/ — esses velhos guarda-chuvas que se esquecem nos bancos de um eléctrico —». Por toda a parte a relação desses elementos impiedosos, enquanto um mundo de desejos equívocos nos encurrala aqui e ali, e os profetas dizem o que já sabemos, erguem mundos paralelos de forma a traduzir com um apelo fantástico o mesmo mal, como os homens são levados a trair-se intimamente, e, de tão propalados esses sóis da fome, deixam-se instruir, adaptam-se ao consumo da carne humana. «A formulação tortuosa do juridiquês», diz-nos Frank Herbert, «desenvolveu-se a partir da necessidade de ocultarmos de nós próprios a violência que tencionamos exercer uns sobre os outros. Entre privar um homem de uma hora da sua vida e privá-lo da própria vida existe apenas uma diferença de grau. Exerceste violência sobre ele, consumiste a sua energia. Elaborados eufemismos podem disfarçar a tua intenção de matar, mas, por detrás de qualquer exercício de poder sobre outrem, subsiste sempre a mesma pressuposição última: 'Eu alimento-me da tua energia.'» Por estes dias, vemos desenrolar-se esse argumento insidioso a favor de um aviltante darwinismo, lógicas de selecção social que instalam entre esse elemento de predação constante, criando-se a legitimidade moral para que cada um viva a sua vida como denúncia da fraqueza daqueles que não suportam a naturalidade de todo este enredo pavoroso. Os desempregados e os que se recusam a trabalhar são vistos como a pior corja, há um ódio crescente ao ocioso que, ao contrário dos demais, não dá o litro nem aspira a nenhum título, «antes procura saciar-se com apropria vida, sem os sucedâneos da técnica nem a multiplicidade de mercadorias», como escreve Vivian Abenshushan. «Prefere a despreocupação daquele que nada tem a perder à ansiedade permanente do investidor. A sua forma de vida é excêntrica, uma escolha soberana, marginal, distinta dos valores hegemónicos. Por isso, a sociedade não tolera o ocioso. Um bárbaro. Um inútil. Um desertor hedonista. Um imoral. Entregue ao gozo quotidiano e simples da existência, em que o encontro com os outros e a cooperação voltam a ser possíveis, o ocioso não pode despertar senão intranquilidade e suspeita. E há razões para isso: em toda a desocupação voluntária, prevalece o desprezo pela vida oficial, repleta de formalidades que destroem a saúde mental dos cidadãos. Os que insistem em ver no ocioso o cúmulo da indiferença, um ser apenas vivo, um chulo, e se sentem incómodos na sua companhia, fazem-no porque por detrás dele espreita um perigo: o deslocamento da normalidade, considerada intolerável pelo ocioso, para a esfera do jogo ou do carnaval. Este descarado vira tudo de pernas para o ar. É um provocados (mais insolente do que indolente), pois cometeu o pecado da singularidade, sempre à margem da vida gregária do trabalho, onde as pulsões particulares mal palpitam sob a repetição mecânica.» Alguém sempre nos dirá que por conta desses vícios, todos os outros se vêem obrigados a arcar com o peso, redobrar os seus esforços, trabalhar na sua vez. Mas em que tanto trabalham senão para degradar as próprias condições de vida? Enquanto isso, vemos como o Estado instiga essas formas de cupidez, impõe horas de trabalho obrigatório, institui os subsídios ao salário e o chamado ‘trabalho cívico', sempre num esforço de reduzir e desvalorizar cada vez mais os custos com a mão-de-obra, fomentando e legitimando em grande escala o proliferante sector que apenas vive dos baixos salários e do trabalho de miséria. «O único sentido de toda esta impertinência consiste em levar o maior número possível de pessoas a não apresentar qualquer pretensão ao Estado e em exibir perante os excluídos instrumentos de tortura suficientemente monstruosos para que qualquer trabalho de miséria lhes pareça comparativamente mais aceitável», lê-se no Manifesto Contra o Trabalho, do Grupo Krisis. Podemos dar-lhes todos os argumentos, listar os indicadores em sentido contrário, explicar os efeitos desastrosos de toda a esta actividade imparável, tanta dela contribuindo apenas para o regime geral de sobreprodução, desperdício, dominação, opressão… Preferem sempre lançar-se nos braços dos nossos verdugos. No fundo, estão tão longe das paixões que noutros tempos explicavam a própria multiplicação, que só o trabalho explica as suas existências. Refastelam-se no cadáver de todos os deuses antigos, gostam de sentir a carne ferida pelos galos mecânicos, ouvem como o anúncio do muezzin o som cada vez mais exausto da vida, prestam culto a esses desastres encadeados. Que pode interessar-lhes o que tenham a dizer os filósofos? «E eu disse à minha própria esperança: Que queres de mim?/ Porque me atormentas incessantemente?» A estupidez mais do que uma convicção, tornou-se uma religião. É a ladainha daqueles que de forma inconsciente foram incorporando a máquina, e que têm a fábrica ou o escritório como o último templo, e têm uma fúria absurda contra tudo esses lirismos heréticos dos que pensam. Vão fazer do homem uma coisa tão descartável como todo esse lixo que tantos os orgulha. Horizontes a perder de vista de lixo. Mas como suprema provocação, em qualquer clareira, lá estará um tipo encostado seja ao que for, a ler uns versos, algo que destoe de toda essa canção rançosa que absorve a existência. E, assim, à margem deste tempo de raiva e loucura, algum filósofo-poeta como Cioran será lido por algum provocador-ocioso, que se compensará de toda essa estupidez, deixando-se estar, rindo de quem trabalha por trabalhar, deleitando-se num esforço estéril, imaginando que é possível realizar-se através de um labor assíduo. Lendo, rindo-se… «O trabalho permanente e ininterrupto embrutece, trivializa e despersonaliza. O trabalho desloca o centro de interesse do homem do domínio subjectivo para o domínio objectivo das coisas. Em consequência, o homem deixa de se interessar pelo seu próprio destino e fixa-se nos factos e nos objectos. Aquilo que deveria ser uma actividade de transfiguração permanente torna-se um meio de exteriorização, de abandono de si mesmo. No mundo moderno, o trabalho significa uma actividade puramente exterior; o homem já não se faz a si próprio através dele, faz coisas. O facto de cada um de nós ter de possuir uma carreira, de entrar numa determinada forma de vida que provavelmente não lhe convém, ilustra a tendência do trabalho para entorpecer o espírito. O homem vê o trabalho como algo benéfico para o seu ser, mas o seu fervor revela a sua inclinação para o mal. No trabalho, o homem esquece-se de si; mas esse esquecimento não é simples nem ingénuo, é antes aparentado com a estupidez. Pelo trabalho, o homem passou de sujeito a objecto; por outras palavras, tornou-se um animal diminuído que traiu as suas origens. Em vez de viver para si próprio — não de modo egoísta, mas para crescer espiritualmente — o homem tornou-se o miserável e impotente escravo da realidade exterior. Para onde foram o êxtase, a visão, a exaltação? Onde está a loucura suprema ou o prazer autêntico do mal? O prazer negativo que se encontra no trabalho participa da pobreza e da banalidade da vida quotidiana, da sua mesquinhez. Porque não abandonar este trabalho inútil e recomeçar sem repetir o mesmo erro dispendioso? Não bastará a consciência subjectiva da eternidade? Foi precisamente o sentimento da eternidade que a actividade frenética e a agitação do trabalho destruíram em nós. O trabalho é a negação da eternidade. Quanto mais bens adquirimos no reino temporal, quanto mais intenso é o nosso labor exterior, menos acessível e mais distante se torna a eternidade. Daí a perspectiva limitada das pessoas activas e enérgicas, a banalidade dos seus pensamentos e das suas acções. Não oponho o trabalho nem à contemplação passiva nem a um vago devaneio, mas a uma transfiguração irrealizável; apesar disso, prefiro uma preguiça inteligente e observadora a uma actividade intolerável e tirânica. Para despertar o mundo moderno, seria preciso elogiar a preguiça. O preguiçoso possui uma percepção infinitamente mais aguda da realidade metafísica do que o homem activo.»

Consciência Cristã
Nossa base é a Palavra de Deus - PodCast da Consciência Cristã com Franklin Ferreira - Ep. 85

Consciência Cristã

Play Episode Listen Later Jun 18, 2026 42:26


Aquilo que não provém da Escritura deve ser rejeitado. A Palavra de Deus é a nossa regra de fé e prática, e tudo o que se levanta fora dela, por mais atraente que pareça, não tem autoridade sobre a vida do cristão.A Bíblia nos ensina que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça” (2Tm 3:16). Isso significa que é nela que encontramos o fundamento seguro para viver como filhos e filhas de Deus.#conscienciacrista #CC2026 #vidacrista #aigrejadecristo #somenteaescritura #palavradedeus

Guilherme Gimenez
Devocional da Manhã do dia 16/06/2026 | GUARDE O CORAÇÃO

Guilherme Gimenez

Play Episode Listen Later Jun 16, 2026 5:48


Provérbios4:23 (NVT):“Acima de todas as coisas, guarde seu coração, pois ele dirige o rumo de suavida.”Muitaspessoas cuidam da aparência, da rotina, das responsabilidades e das metas, masse esquecem de cuidar do coração. E a Bíblia deixa claro que aquilo queacontece dentro de nós influencia diretamente a direção da nossa vida.O coraçãovai sendo afetado silenciosamente pelas experiências, pelas palavras, pelasfrustrações e pelos ambientes em que vivemos. Mágoa, medo, ansiedade e desânimopodem crescer sem fazer muito barulho no início. Mas, aos poucos, começam acontrolar pensamentos, emoções e decisões.Por issoDeus nos chama a vigiar o interior.Nem todoproblema começa do lado de fora. Muitos começam dentro do coração e depois serefletem na maneira como enxergamos a vida, as pessoas e até a nós mesmos.Guardar ocoração não significa se tornar frio ou distante emocionalmente. Significaproteger sua mente e suas emoções daquilo que pode afastar você da paz e dapresença de Deus.Muitasvezes o desgaste emocional vem justamente do excesso de coisas negativas quepermitimos permanecer dentro de nós. Comparações, ressentimentos, pensamentosdestrutivos e preocupações constantes vão enfraquecendo lentamente a alma.Talvez hojevocê precise parar um pouco e observar o que tem ocupado espaço dentro do seucoração.Aquilo quedomina seu interior começa, cedo ou tarde, a dirigir seus passos.Mas Deuscontinua trazendo restauração. Ele continua curando emoções feridas ereorganizando áreas internas que ficaram desordenadas ao longo da caminhada.Hoje, cuidedo seu coração. Nem tudo merece permanecer ocupando espaço dentro de você.

Guilherme Gimenez
Devocional da Manhã do dia 11/06/2026 | DEUS ESTÁ AGINDO

Guilherme Gimenez

Play Episode Listen Later Jun 11, 2026 4:27


Romanos8:28 (NVT):“Sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amame são chamados segundo seu propósito.”Nem tudoque acontece na vida é bom. Existem dores reais, perdas reais e momentosdifíceis que machucam profundamente. A Bíblia nunca tenta romantizar osofrimento humano. Pelo contrário, ela reconhece que viver também envolveatravessar fases difíceis.Mas esseversículo apresenta uma verdade extremamente poderosa: Deus consegue agir atéem cenários quebrados. Ele possui a capacidade de usar aquilo que parecia semsentido para produzir crescimento, amadurecimento e propósito.O problemaé que, no meio do processo, quase nunca conseguimos enxergar isso claramente.Quando estamos vivendo a dor, tudo parece confuso. O coração faz perguntas, amente tenta encontrar lógica e as emoções oscilam entre esperança e desânimo.Muitasvezes queremos entender imediatamente aquilo que Deus ainda está construindosilenciosamente. Mas nem sempre veremos o quadro completo enquanto atravessamosdeterminadas fases da vida.Isso exigeconfiança. Não uma confiança baseada nas circunstâncias, mas baseada no caráterde Deus. Ele continua sendo bom mesmo quando a vida parece difícil. Continuasendo fiel mesmo quando ainda não entendemos tudo.Talvez hojevocê esteja olhando para sua história e pensando que algumas coisas saíramcompletamente do controle. Mas Deus continua trabalhando nos bastidores. Hácaminhos sendo organizados, processos sendo amadurecidos e situações sendoalinhadas de maneiras que você ainda não consegue perceber.Aquilo quehoje parece desordem pode estar sendo usado por Deus para fortalecer áreas dasua vida que ainda precisavam crescer.A fé nãoelimina todas as perguntas, mas sustenta o coração enquanto as respostas nãochegam.Hoje, mesmosem compreender completamente o cenário, continue confiando: Deus ainda estáagindo.

Arauto Repórter UNISC
A Limitação Não Definiu Seu Destino

Arauto Repórter UNISC

Play Episode Listen Later Jun 9, 2026 6:08


Um menino de apenas três anos acompanhava o pai na oficina, observando a fabricação de arreios e selas.Ele admirava tanto o trabalho do pai que sonhava ser igual a ele quando crescesse.Certo dia, tentando imitá-lo, pegou uma ferramenta pontuda e começou a trabalhar um pedaço de couro. A ferramenta escapou de sua mão e atingiu seu olho esquerdo.Pouco tempo depois, uma infecção afetou também o outro olho.O menino ficou completamente cego.Com o passar dos anos, as lembranças das imagens foram desaparecendo. Ele já não conseguia recordar as cores.Mesmo assim, continuou ajudando o pai e frequentando a escola.Todos admiravam sua inteligência e sua memória.Mas havia algo que o incomodava profundamente.Enquanto os colegas liam livros e escreviam cartas, ele não podia fazer o mesmo.Até que ouviu falar de uma escola para cegos, em Paris.Aos dez anos, chegou ao instituto onde estudavam crianças com deficiência visual.Lá existiam livros com letras em relevo.Era possível ler com os dedos.Mas havia um problema.Os livros eram enormes, caros e difíceis de produzir.Uma história pequena ocupava muitas páginas.Em pouco tempo, ele já havia lido tudo o que a biblioteca tinha para oferecer.E queria mais.Muito mais.Apaixonado por música, também queria ler partituras e aprender cada vez mais.Foi então que conheceu um sistema criado para que soldados pudessem ler mensagens no escuro, apenas tocando pontos em relevo.O menino enxergou uma oportunidade.Se funcionava para soldados, poderia funcionar para cegos.E começou a trabalhar.Noite após noite.Dia após dia.Com paciência, dedicação e perseverança.Muitos duvidaram.Muitos resistiram.Mas ele não desistiu.Até que, aos vinte anos, criou um sistema simples e revolucionário: combinações de seis pontos capazes de formar letras, palavras, números e até notas musicais.Seu nome era Louis Braille.E o método que leva seu sobrenome transformou a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.Curiosamente, a ferramenta que o cegou na infância foi parecida com a que ele utilizou para criar o sistema que iluminaria a vida de tantos outros.Que lição extraordinária.Aquilo que parecia ser o fim da sua história tornou-se o começo de uma missão.Louis Braille não permitiu que sua limitação definisse seu destino.Pelo contrário.Transformou sua maior dificuldade em uma das maiores contribuições que alguém poderia oferecer à humanidade.E talvez seja essa a reflexão que vale para todos nós.Nem sempre escolhemos as circunstâncias que a vida nos apresenta.Mas sempre podemos escolher o que faremos com elas.Porque os obstáculos não precisam ser o ponto final da nossa caminhada.Muitas vezes, são exatamente eles que nos mostram o caminho para deixar nossa marca no mundo.

Assunto Nosso
A Limitação Não Definiu Seu Destino

Assunto Nosso

Play Episode Listen Later Jun 9, 2026 6:08


Um menino de apenas três anos acompanhava o pai na oficina, observando a fabricação de arreios e selas.Ele admirava tanto o trabalho do pai que sonhava ser igual a ele quando crescesse.Certo dia, tentando imitá-lo, pegou uma ferramenta pontuda e começou a trabalhar um pedaço de couro. A ferramenta escapou de sua mão e atingiu seu olho esquerdo.Pouco tempo depois, uma infecção afetou também o outro olho.O menino ficou completamente cego.Com o passar dos anos, as lembranças das imagens foram desaparecendo. Ele já não conseguia recordar as cores.Mesmo assim, continuou ajudando o pai e frequentando a escola.Todos admiravam sua inteligência e sua memória.Mas havia algo que o incomodava profundamente.Enquanto os colegas liam livros e escreviam cartas, ele não podia fazer o mesmo.Até que ouviu falar de uma escola para cegos, em Paris.Aos dez anos, chegou ao instituto onde estudavam crianças com deficiência visual.Lá existiam livros com letras em relevo.Era possível ler com os dedos.Mas havia um problema.Os livros eram enormes, caros e difíceis de produzir.Uma história pequena ocupava muitas páginas.Em pouco tempo, ele já havia lido tudo o que a biblioteca tinha para oferecer.E queria mais.Muito mais.Apaixonado por música, também queria ler partituras e aprender cada vez mais.Foi então que conheceu um sistema criado para que soldados pudessem ler mensagens no escuro, apenas tocando pontos em relevo.O menino enxergou uma oportunidade.Se funcionava para soldados, poderia funcionar para cegos.E começou a trabalhar.Noite após noite.Dia após dia.Com paciência, dedicação e perseverança.Muitos duvidaram.Muitos resistiram.Mas ele não desistiu.Até que, aos vinte anos, criou um sistema simples e revolucionário: combinações de seis pontos capazes de formar letras, palavras, números e até notas musicais.Seu nome era Louis Braille.E o método que leva seu sobrenome transformou a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.Curiosamente, a ferramenta que o cegou na infância foi parecida com a que ele utilizou para criar o sistema que iluminaria a vida de tantos outros.Que lição extraordinária.Aquilo que parecia ser o fim da sua história tornou-se o começo de uma missão.Louis Braille não permitiu que sua limitação definisse seu destino.Pelo contrário.Transformou sua maior dificuldade em uma das maiores contribuições que alguém poderia oferecer à humanidade.E talvez seja essa a reflexão que vale para todos nós.Nem sempre escolhemos as circunstâncias que a vida nos apresenta.Mas sempre podemos escolher o que faremos com elas.Porque os obstáculos não precisam ser o ponto final da nossa caminhada.Muitas vezes, são exatamente eles que nos mostram o caminho para deixar nossa marca no mundo.

Amorosidade Estrela da Manhã
O CORDEIRO DISSE QUE MARIA VOLTARIA AO MUNDO DOS MORTOS ∙ O CORDEIRO É O CAMINHO PARA A VIDA ∙ O CAMINHO AO PAI PASSA PELO DESAPEGO DE TODAS AS EXPECTATIVAS, DE TUDO AQUILO QUE ACHAM QUE CARREGAM ...

Amorosidade Estrela da Manhã

Play Episode Listen Later Jun 9, 2026 7:54


Carlos Damasceno
#224 - Amor X Frieza

Carlos Damasceno

Play Episode Listen Later Jun 8, 2026 49:59


Existe um poder liberado quando a fé encontra voz. Porque profetizar não é negar a realidade. É concordar com aquilo que Deus está dizendo antes mesmo de enxergar.Nesta mensagem do Domingo Inegociável, encerrando a série Não se cale, o Bp. Carlos Damasceno ministra uma palavra poderosa sobre fé, alinhamento e ativação espiritual: profetizar é ativar aquilo que ainda não existe diante dos seus olhos.Aquilo que ainda não apareceu no natural pode começar a se mover quando sua boca se alinha com o céu.

Convidado
O que representa uma retoma de ataques entre Israel e o Irão?

Convidado

Play Episode Listen Later Jun 8, 2026 13:40


Israel e Irão retomaram, por algumas horas, os ataques directos pela primeira vez desde o frágil cessar-fogo assinado há dois meses. Entretanto, ao início da tarde desta segunda-feira, ambas as partes informaram que suspenderam as operações, depois de Donald Trump ter exortado as partes a fazerem-no. É que a retoma dos ataques pode comprometer as negociações entre Estados Unidos e o Irão e mostram “posições cada vez mais divergentes” entre os Estados Unidos e Israel, explica a investigadora Maria Ferreira. A nossa convidada de hoje não antevê o fim do conflito no Médio Oriente a curto prazo porque, para já, Israel e Irão não têm vantagens em negociar e apenas Donald Trump está a jogar “a sua própria sobrevivência política interna” e “não tem muita margem de manobra para continuar a suportar Israel”. Esta segunda-feira, Israel confirmou ter atacado um complexo petroquímico e alvos militares no Irão, enquanto Teerão disse ter retaliado, atacando uma instalação petroquímica israelita e duas bases aéreas em Israel. As forças israelitas também anunciaram o lançamento pelos hutis de um míssil a partir do Iémen contra Israel, que foi interceptado. O fogo cruzado recomeçou na noite de domingo com um ataque iraniano contra território israelita, em retaliação ao bombardeamento de Israel ao Líbano horas antes. Estes ataques diminuem ainda mais a perspectiva de um possível acordo para pôr fim à guerra que começou a 28 de Fevereiro com ataques aéreos israelitas e americanos ao Irão.  Entretanto, ao início da tarde desta segunda-feira, o exército iraniano disse ter terminado a vaga de ataques e ameaçou retomar se Israel continuar a bombardear o Líbano. Por seu lado, a Reuters avança que Israel também decidiu parar esta série de ataques contra o Irão. Um pouco antes, o Presidente norte-americano, Donald Trump, exortou o Irão e Israel a cessarem as ofensivas. Para falarmos sobre este tema, convidámos Maria Ferreira, investigadora portuguesa do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. RFI: O que representa esta retoma dos ataques directos entre Israel e o Irão? Maria Ferreira, Investigadora: “Penso que representa o facto de os Estados Unidos e Israel, que desenvolveram em conjunto esta ofensiva, terem objectivos de política externa para o conflito completamente diferentes. Desde o primeiro dia de ofensiva que Israel disse explicitamente que a sua questão com o Irão era uma questão existencial, portanto, Israel compreende o Irão como uma ameaça existencial, enquanto para os Estados Unidos a questão seria relativa ao enriquecimento de urânio, à eventual posse de armas nucleares, que é algo que pode ser gerido através de uma negociação diplomática, tal como aconteceu durante a administração de Barack Obama. Para Israel, a questão não é o enriquecimento de urânio, não é a eventual posse de armas nucleares por parte do Irão. Israel representa o Irão como uma ameaça existencial e, portanto, uma ameaça existencial só é dirimida através da eliminação do regime iraniano. Mas essa eliminação do regime iraniano só pode acontecer através de uma incursão terrestre que é muito difícil de ser executada. Temos dois aliados com objectivos distintos numa guerra e o Irão está a tentar, através de uma resiliência militar e civil notável, aproveitar as diferenças de objectivos que existem entre os Estados Unidos e Israel.” Donald Trump disse “Quem decide sou eu, não ele” em referência a Benjamin Netanyahu e já não esconde o desacordo, tendo-se mostrado muito insatisfeito com a ofensiva israelita no Líbano. Que leitura faz desta declaração de Trump em relação a Netanyahu? É só mais uma declaração ou tem peso? “Tem muito peso, sobretudo quando nós lemos estas declarações à luz da divulgação de um relatório recentemente da própria ‘intelligence' norte-americana que denuncia actividades de espionagem da 'intelligence' israelita sobre os próprios Estados Unidos. Portanto, a ‘intelligence' israelita estaria a tentar penetrar nos mecanismos de decisão norte-americanos, tentando averiguar quais serão os próximos passos da administração Trump para a questão no Irão. Estas actividades de ‘intelligence' subversivas não fazem parte de nenhum acordo de troca de informações, estamos a falar de actividades subversivas de captura de informação secreta que estariam, segundo este relatório, a preocupar seriamente o Pentágono. Isto denuncia uma cisão eventual, não só em relação aos objectivos que os dois Estados têm para o conflito, mas denuncia a existência de uma fractura entre as ‘intelligences' e os aparelhos militares dos dois Estados.” Esta fractura também é uma fractura política? Como é que esta cisão se pode materializar no terreno? “É profundamente política. Ainda ontem Donald Trump deu a entender que a linguagem da guerra no Médio Oriente é distinta da linguagem da guerra no Ocidente, quando argumentou que aquilo que nós, no Ocidente, entendemos por cessar-fogo é diferente do que Israel e Irão entendem por cessar-fogo. É claro que este argumento é uma tentativa de mascarar, no fundo, a incapacidade norte-americana de controlar o seu principal aliado no Médio Oriente, que é Israel, e mesmo de revitalizar aquela que era uma das grandes conquistas de anos e que são os acordos de Abraão. Note-se que Donald Trump admitiu que não tinha conhecimento sequer dos ataques a Beirute. Esta cisão vai ter consequências políticas porque, enquanto os Estados Unidos estão a tentar gerir o conflito através de vias diplomáticas - porque não têm mais opções militares para apresentar em relação à questão do Irão, já que puseram de lado a possibilidade de uma incursão militar terrestre - Israel persiste na sua tentativa de conquistar território. Quem conhece a geografia do Médio Oriente sabe a importância que o Líbano tem para a percepção da ameaça em Israel e, portanto, para o regime de Netanyahu o controlo dos 'proxies' do Irão é muito importante. Para o Irão, o controlo dos seus 'proxies', que são braços armados fora do seu próprio território, também é muito importante. Aquilo que nós temos aqui são três ‘players', dois dos quais estão em posições cada vez mais divergentes, o que está claramente a complicar a solução para o conflito. Solução essa que Donald Trump está a desejar que aconteça para a sua própria sobrevivência política interna. Nós sabemos aquilo que aconteceu na semana passada no Congresso, quando os próprios senadores republicanos já mostram grandes dissensões em relação à presença militar dos Estados Unidos no Irão.” Até que ponto é que a retoma dos ataques directos entre Israel e o Irão vai afectar as negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irão? Elas estão definitivamente comprometidas? “Eu penso que sim, porque enquanto os Estados Unidos não conseguirem retomar o seu controlo sobre as actividades de Israel - e isso não parece fácil, dado que neste momento existe até uma própria desconfiança sobre eventuais actividades subversivas de Israel em território norte- americano - enquanto isso não acontecer, nós não teremos condições para haver uma negociação séria porque não há vontade de Israel de encetar uma negociação com o Irão. E o Irão também ainda não está num ponto de tal fragilidade que precise necessariamente de entrar em negociações, quer com os Estados Unidos, quer com Israel porque o Irão percebeu que controla algo fundamental, que é a percepção da ameaça sobre o estreito de Ormuz e sobre a percepção da ameaça sobre o eventual desenvolvimento de uma crise económica com base no controlo do estreito de Ormuz. Isso dá-lhe uma vantagem estratégica e faz com que esta vontade negocial destas duas partes, Israel e Irão, seja praticamente inexistente. Nenhum deles tem, neste momento, interesse em negociar. Quem tem mais interesse em negociar? Quem está a entrar naquilo a que se chama um ‘break-even point' são os Estados Unidos. Mas os Estados Unidos não têm controlo sobre os objectivos estratégicos de Israel, nem em relação ao Irão, nem em relação aos 'proxies' do Irão. E neste sentido, neste jogo, nem Israel nem o Irão têm neste momento qualquer tipo de incentivo externo para bloquearem o conflito ou para pararem as hostilidades, enveredarem por um verdadeiro cessar-fogo e começarem a negociar. E se não há vontade de negociar, se não há propensão para a negociação, é difícil que haja um acordo negocial sério ou duradouro.” Como é que vê o envolvimento dos hutis do Iémen nesta nova escalada? “Como disse há pouco, os os 'proxies' do Irão são fundamentais no seu esforço de guerra no contexto do Médio Oriente. E, portanto, quer o Hamas, quer o Hezbollah, quer os hutis, são formas de o Irão perpetuar a guerra na sua geografia próxima e de enfrentar os seus inimigos através de braços armados. Também perante a relativa aliança dos Estados Unidos com os restantes países do mundo árabe, é uma forma de demonstrar que o Irão, no seu esforço de guerra, não está isolado perante a força da superpotência que são os Estados Unidos e da grande potência regional que é Israel. É preciso olharmos para a geografia do Médio Oriente, para a sua geografia política, quer para a sua geografia religiosa, quer para a sua geografia energética, e perceber que, se os Estados Unidos foram ao longo de décadas construindo uma rede de alianças muito com base em incentivos económicos com o Qatar, a Arábia Saudita, o Irão também ao longo dos últimos 50 anos, foi construindo um regime de alianças com forças subversivas, com actores erráticos que agora utiliza no seu esforço de guerra. Portanto, é compreensível que estas forças, ainda que esporadicamente, venham ao encontro das necessidades de guerra definidas pelo próprio regime iraniano.” Nesse sentido, como é que vê os próximos tempos? O que será necessário para restaurar um cessar-fogo credível? “Eu penso que países como a Jordânia, a Arábia Saudita têm neste quadro um papel fundamental porque são países cuja economia depende absolutamente daquilo a que se chama a paz comercial ou a paz pelo comércio, dos fluxos de energia regulares, os fluxos de pessoas, nomeadamente fluxos turísticos, do comércio. A estes países do Médio Oriente este conflito não é de todo interessante e têm aqui uma palavra fundamental. Eu penso que isso foi bem lido por Donald Trump quando, no seu primeiro mandato, desenvolveu a lógica que está por trás dos acordos de Abraão. Estes países têm um papel fundamental na estabilização do Médio Oriente e mais do que o Paquistão, que se assumiu já como um potencial mediador, é a estes países que os Estados Unidos devem recorrer no sentido de criar uma base política estratégica pacífica no Médio Oriente.” Isso demoraria algum tempo, mas tendo em conta que temos as eleições intercalares em Novembro nos Estados Unidos, a curto prazo vamos ter o fim do conflito? “Penso que não. A não ser que algo mudasse em Israel que levasse a uma mudança fundamental de orientação estratégica, mas isso não está a acontecer. Aliás, o regime de direita radical de Netanyahu está a agir como os regimes populistas de direita extremista normalmente agem, ou seja, com um grande potencial para a expansão geográfica, com uma grande propensão para a escalada de conflitos, uma total desvinculação de instituições internacionais e uma muito fraca necessidade de contribuírem para bens públicos globais. Estes quatro traços de política externa são em parte partilhados pelos Estados Unidos. Simplesmente nos Estados Unidos, neste momento, Donald Trump não tem muita margem de manobra para continuar a suportar Israel, nomeadamente no que toca à propensão para a escalada do conflito com o Irão. E é isso que, a meu ver, está a complicar e a complexificar qualquer tipo de processo negocial em relação à guerra entre os Estados Unidos e Israel e o Irão.”

Enterrados no Jardim
Um acepipe nas barricadas. Outra conversa com David Teles Pereira

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later Jun 6, 2026 276:38


Se as perdêssemos de vista por umas horas, não saberíamos reencontrar as nossas vidas pelo cheiro, nem pelo gemido que fazem, nem daríamos com esses corpos tão abatidos que só de um certo ângulo, a poucos palmos do espelho, nos parece que sim, serão os nossos, porque repetem vagamente os mesmos gestos ou expressões. Mas mesmo nisso parece instalar-se um certo desfasamento, algum atraso, e são poucos aqueles que nalgum dos seus rastros se mostram firmemente fiéis à sua juventude. Reserva-se esse elogio hoje a tão poucos: “Pouco antes de morrer, o que ele escrevia, o modo como continuava a viver, conservavam a virulência, a agressividade e a independência dos seus 25 anos.” Em certa medida a poesia era uma resistência da juventude pela vida fora, o doloroso alarme mantido na relação com o mundo, a impossibilidade de se saciar com aquele pão com que os demais empurram seja o que for. Chega uma altura em que o abandono parece a nossa melhor arma. Quem ama não faz contas, mas hoje tudo se guia por esses sinais: soma: multiplicação… “O mundo moderno”, escrevia Péguy, “não é universalmente prostituível por luxúria. É totalmente incapaz disso. Ele é universalmente prostituível porque é universalmente intercambiável”. Queremos dizer-nos alguma coisa, mas até as nossas palavras parece que tilintam mais do que soam, estão cheias da frieza do cálculo, não passam de fracções. Ora, o dinheiro não exprime outra coisa senão a desolação do infinitamente reconvertível. Assim, cada palavra vale tanto ou tão pouco como outra qualquer. “Quando o dinheiro vale alguma coisa, a palavra não vale nada. Quando a palavra vale, o dinheiro não vale nada” (comité invisível). Por estes dias, olhando à volta, até isso a que chamam luta já pouco se distingue do conformismo, da resignação. “Quando a História for escrita como deve ser, os homens ficarão admirados do comedimento e da grande paciência das massas e não da sua ferocidade”, assevera o autor de Os Jacobinos Negros. Chega-se a uma altura em que se percebe que o tempo está decididamente contra nós, mas em vez de isso reverter a favor dessa doença mortal, dessa razão desesperada, todos ainda aguardam que a sua situação se resolva. E vamos sair mais algumas vezes e reivindicar esses salários de fome, gratos pela nossa miséria, dando por nós tão longe de qualquer ambição existencial, a qual teria de passar por “repelir para o mais longe possível as relações hostis urdidas na esfera do dinheiro, da contabilidade, da medida, da avaliação”. Os do comité invisível adiantam que, por esta altura, a economia já não é somente aquilo de que devemos sair para deixarmos de ser esfomeados, mas é aquilo de que é necessário sair para viver, para simplesmente estar presente no mundo. O mais grave, assim, é que a cada dia que passa se colhem cada vez mais provas da impossibilidade de dois ou mais se encontrarem num lugar e num tempo, pois mesmo os nossos ímpetos aventurosos estão distribuídos por frequências de onda que só por um acaso milagroso se combinam e enredam. “Após uma ausência de que ninguém teve a culpa/ ficamos acanhados um ao pé do outro/ e as nossas palavras parecem mais recentes do que nós,/ como se tivéssemos de voltar ao momento em que nos conhecemos/ e recuperar-nos até ao presente”, lê-se nuns versos de Linda Pastan, num poema em que ela reconhece como o maior perigo que enfrentam os amantes é “toda essa ressaca/ da vida quotidiana, oculta mas perigosa,/ que tão depressa nos puxa a ambos para o fundo”. De resto, quem ainda se sujeita aos destratos de andar sem rumo, aprender com dificuldade os idiomas do acaso pela hipótese de provar o néctar da beira da estrada, dos fins de mundo, dessas zonas limite? “A economia, é este o seu princípio, faz-nos correr como ratos, para que não estejamos nunca lá, a descobrir o segredo da sua usurpação: a presença./ Sair da economia é fazer emergir o plano da realidade que ela esconde. A troca mercantil e tudo o que ela comporta de dura negociação, de desconfiança, de engano”… Aquele brilhante judeu que se matou por receio de ser entregue à Gestapo, quando tentava escapar pelos Pirenéus, notou que articular o passado historicamente não significa conhecê-lo “como ele de facto foi”, mas apoderar-se de uma recordação, tal como ela relampeja no instante de perigo. O pior do nosso tempo é que os perigos se multiplicam, e se tantos fazem questão de os registar, diagnosticar, se passamos boa parte do nosso tempo comovidos com a nossa infindável capacidade de sofrermos com as dores mais distantes, depois ninguém faz nada em relação àquilo que está mais próximo. Falta aquela capacidade própria dos poetas que, no entender de Cortázar, se reconheciam menos pelo que os trancava em si mesmos e mais naquilo que lhes era próximo, que os fazia sentir implicados no que tinham ao seu redor. “Falo da responsabilidade do poeta, esse irresponsável por direito próprio, esse anarquista enamorado de uma ordem solar e nunca da nova ordem ou do slogan que faz marchar ao mesmo passo cinco ou setecentos milhões de homens numa paródia de ordem. Falo de algo que desagradará profundamente aos comissários, aos jovens turcos ou aos guardas vermelhos; falo de uma condição que ninguém descreveu melhor do que John Keats numa carta a que, há muitos anos, chamei a carta do camaleão e que mereceria ser tão célebre como a ‘Lettre du voyant'. O seu prelúdio deixa-se perceber numa frase escrita um ano antes e quase de passagem. Keats diz ao seu amigo Bayley que nunca esperou outra felicidade além da do puro presente e acrescenta, como quem não quer a coisa: ‘Se um pardal pousa junto da minha janela, tomo parte na sua existência e debico no chão…'” Por estas bandas, ninguém merece um reflexo na carne dos outros, um eco seu que floresça a tempo de lhe dar algum sinal, e tudo o que de mais verdadeiro e sensível acontece, perde-se como se não tivesse acontecido. Vamos fazendo a crónica de “uma pequena nação de pequenos assassinos caseiros” (Luiz Pacheco), por incapacidade de nos sujeitarmos às exigências da admiração, que implicam desde logo deixar de lado o cálculo. É a típica condenação a que nos sujeita um tempo medíocre. Envelheces tão cedo, por essa impossibilidade de escolher, por nos sairmos sempre pior num registo impetuoso, quando toda a eloquência é sentida como uma ofensa. Alheios ao seu próprio sonho, decalca o Pacheco no António Sérgio, para falar de nós, seres caídos nesta espiral vagabunda, num país aos bocados, que se reconhece por este cheiro a despegado, que se mantém colado apenas para favorecer algum esquema. E o Pacheco foi vendo, com o acumular dos anos, este desamparo de “tantos de nós ludibriando os próprios sonhos da sua juventude, anquilosando ambições mais do que legítimas, minguando-se, limitando-se (…) sem horizontes já para inventar algo melhor. Pendurados na fezada de um futuro, que já não vai ser para eles, isto é, que já os apanha disformes: gordos, apatetados, com cirroses… envelhecidos prematuramente por dentro, e muito sono nas almas, leia-se consciências.” E talvez porque não há luta em comum que nos arranque desse casulo, dessa clausura, desse castigo de se ver a definhar para fazer carreira como “eu”, e nos devolva uns aos outros. “Há qualquer coisa de prostituível em todo o lado em que domina o nosso ‘valor social', em todo o lado onde se troca uma parte de nós pela mínima retribuição, seja ela, financeira, simbólica, política, afectiva ou sexual” (comité invisível). E, neste ponto, vale a pena retomar a correspondência de Keats, que, numa carta a Richard Woodhouse, trocou o pardal pelo camaleão: “Quanto ao carácter poético em si... não tem um eu; é tudo e é nada: não tem carácter; deleita-se tanto com a luz como com a sombra; vive naquilo de que gosta, seja horrível ou belo, excelso ou humilde, rico ou pobre, mesquinho ou elevado. Sente tanto prazer em conceber um Iago como uma Imogena. Aquilo que choca o filósofo virtuoso deleita o poeta-camaleão... Um poeta é a coisa menos poética que existe; como não tem identidade, tende continuamente a encarnar-se noutros corpos... O poeta não possui nenhum atributo invariável; é, certamente, a menos poética de todas as criaturas de Deus.” Neste episódio, o David voltou para nos dar uma hipótese de tirarmos a barriga de misérias e saltarmos da greve geral para umas luxuriantes patuscadas, conseguidas na base de todo um arsenal de poções e fórmulas científicas aplicadas à exploração gastronómica, sem abdicar, no entanto, daquela elementar dose de porrada e humilhações sem as quais nunca se faz nada, além dos gerais iscos que convencem os lorpas de que têm muita sorte em ter um chulo a ocupar-se deles. Vamos também dar um passeio pela feira do livro de Lisboa pela mão do Pacheco e ouvir as últimas quanto a editores a quem, por maior que seja a crise, nunca há-de faltar um tremendo jeito para o negócio.

Interioriza - com Iza Camargo
Você toma decisões racionais ou só racionaliza aquilo que já acredita?

Interioriza - com Iza Camargo

Play Episode Listen Later Jun 3, 2026 45:49


No novo episódio do Interioriza, Izabella Camargo conversa com Luiz Gaziri, especialista em comportamento humano, sobre vieses cognitivos, decisões irracionais, cultura organizacional, inteligência artificial e os atalhos mentais que controlam nossa vida sem que a gente perceba.➡️ O cérebro foi feito para nos manter vivos — não para pensar.➡️ Mudar de opinião exige muita energia emocional.➡️ E só mudamos quando percebemos vantagens 225% maiores.Você vai entender:• por que insistimos em crenças erradas• como os vieses distorcem nossa percepção da realidade• por que a IA pode reforçar nossos próprios erros• e como empresas adoecem pessoas ao insistirem em culturas ultrapassadas“O ser humano não é racional. Ele é racionalizador.” — Luiz GaziriUma conversa necessária sobre saúde mental, liderança, comportamento humano, flexibilidade cognitiva e ciência aplicada à vida real.

Zion Recife
O QUE FAÇO COM AQUILO QUE RECEBI? // Pr. Matheus Veiga

Zion Recife

Play Episode Listen Later Jun 2, 2026 49:46


Zion significa o lugar da Glória de Deus. Há mais de 40 anos vivemos experimentando a graça de Deus, Sua bondade e Sua abundante presença em nossa igreja. Desde a fundação, nós temos como chamado não restringir essa transformação somente ao Brasil, mas alcançar nações e diferentes culturas.

Juanribe
O Pé de Feijão Desprezado

Juanribe

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 12:41


Convidado
Moçambique: "Falar de esperança para as crianças pode tornar-se num mito"

Convidado

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 12:11


Esta segunda-feira, 01 de Junho, assinala-se o Dia da Criança, um dia que deveria ser de celebração, mas, em muitos locais do mundo, milhões de crianças continuam privadas de diretos básicos. Por exemplo, em vários países africanos, o acesso à educação ou aos cuidados básicos continua a ser um desafio diário agravado pela pobreza, conflitos armados ou falta de infraestruturas. Dados recentes divulgados pela UNICEF dão conta de que na África Oriental e Austral, mais de 47 milhões de crianças e adolescentes não vão à escola. Moçambique, por exemplo, é um país que enfrenta várias dificuldades do ponto de vista social e económico, mas Victor Maulana, director da associação "Amigos da Criança Boa Esperança", considera que a situação da criança em 2026 apresenta uma tendência de melhoria. RFI: Como descreve a situação das crianças moçambicanas em 2026? Victor Maulana: Tende a melhorar, mas esta melhoria carece de um acompanhamento de quem de direito. Estamos a falar dos nossos dirigentes para que as coisas se mantenham como estão a decorrer. RFI: De que tipo de melhorias é que o Victor fala concretamente? Victor Maulana: Por exemplo, nós tinhamos problemas no acesso à educação no que diz respeito às crianças, mas o governo tende a expandir a rede escolar. Neste caso, estamos a falar do direito à educação. Estamos a falar, por exemplo, também da expansão da rede sanitária, da questão da saúde e infraestruturas. Há muitas organizações da sociedade civil que também têm operado nas comunidades, nos distritos, e isso faz com que os direitos da criança também sejam mais divulgados e as comunidades estejam mais informadas a respeito dos direitos da criança. RFI: No que diz respeito à educação, tem noção do número de pessoas que são excluídas do ensino porque são obrigadas a trabalho infantil ou, por exemplo, a casamentos forçados? Victor Maulana: Falamos de crianças, mas também de adolescentes e jovens. Eles têm praticado trabalho infantil, isso devido à falta de protecção. RFI: Há uma estimativa em relação a isso? Victor Maulana: Não posso dizer exatamente quantas crianças estão a ser sujeitas a trabalho infantil, ou seja, que estão a ser obrigadas a prostituição infantil. Fizemos esse estudo há cinco anos  e fizemos propostas ao governo, que não deram certo. Isso serviria para minimizar a situação relacionada com as práticas de trabalho infantil das crianças. RFI: A sua associação está em contacto directo com as crianças no terreno. O que é que mais falta a estas crianças que acompanham diariamente? Victor Maulana: Eu estou a voltar agora do campo. Estive nos distritos mais recônditos do país. Estou a falar do distrito de Mecula ou até do distrito de Nipepe, Maúa ou Metarica, onde a vulnerabilidade das crianças é o prato do dia-a-dia. Vulnerabilidade em tudo: na questão da educação e saúde, mas também na questão do registo de nascimentos. Eu desta vez que estive lá, tive que ajudar uma família a registar os seus filhos na Conservatória do Distrito de Maúa. RFI: Recorda-se de alguma criança cuja história o tenha marcado? Há alguma história de superação que represente a esperança que vê nas crianças moçambicanas? Victor Maulana: Moçambique é um país muito vasto. Eu falo directamente da província do Niassa. É a província mais extensa e menos vivida. Falar de esperança das crianças pode até tornar-se num mito, ao nível da nossa província. Como eu dizia, o país é vasto e pode ser que sim, que doutro lado do país, haja sonhos, haja esperança. Ainda assim, o ano de 2026, está a ser marcado por muitos desafios, muitos mesmo. Os sonhos tornam-se em incertezas. RFI: Quais são os principais desafios que aponta hoje em dia em Moçambique em relação às crianças? Victor Maulana: A criança, de modo geral, gosta de viver num ambiente harmonioso, num ambiente de paz, solidariedade, carinho e amor. Como é que estas crianças se vão sentir, sabendo que, do outro lado do país, há outras crianças  que estão a ficar sem pais, outras crianças que não têm comida... No mesmo país, do outro lado, está a viver-se tranquilamente. As crianças estão a brincar no baloiço. Há discriminação aqui. Uma parte do nosso país vive sem paz. Uma parte do nosso país vive com terror. Numa parte do nosso país, a educação é de qualidade. As condições são melhores. Então, são vários os desafios que o nosso país enfrenta. RFI: Falou sobre a falta de paz, sobre o terrorismo. Nós temos vindo a assistir a uma situação extremamente grave em Cabo Delgado, no extremo norte de Moçambique, com a sucessivos ataques terroristas. Que informações é que há no país sobre as crianças soldado, as crianças que são recrutadas no meio deste conflito armado? Victor Maulana: Houve um momento em que estavam a ser recrutadas crianças, mas depois disso passou. Um grupo de crianças já tinha sido recrutado, mas depois já tinham sido resgatado. No presente ano, não tivemos a informação de que foram recrutadas crianças, pelos terroristas, para o serviço militar. RFI: Na sua óptica, que tipo de medidas é que deveriam ser tomadas em Moçambique para melhorar, de forma geral, a vida das crianças? Victor Maulana: Na minha opinião, na qualidade de um ativista social, considero que Moçambique é um país que tem muitas leis bonitas e o grave problema que o nosso país enfrenta é na implementação dessas mesmas leis. Dificilmente as leis são colocadas em prática. Então, a primeira medida seria o cumprimento das leis existentes em Moçambique. Moçambique não usa leis. Moçambique usa as pessoas que tiram ideias na hora e não leis. A Constituição da República de Moçambique não funciona. A democracia no nosso país não funciona. A justiça no nosso país não funciona. Queremos medidas concretas, que cumpram com as leis que foram aprovadas pela Assembleia da República. Quando a vida da população moçambicana melhorar, estaremos a criar um ambiente saudável, harmonioso, de justiça e paz, onde as crianças podem viver tranquilamente. RFI: O intuito da nossa conversa, Victor, é precisamente pelo facto de hoje se assinalar o Dia da Criança. Aquilo que lhe pergunto, em último lugar, é se este é um dia de celebração ou se é essencialmente também um dia que deve ser um dia de reflexão? Victor Maulana: Hoje é dia de festa, não é o dia de reflexão. Essa reflexão deve ser feita todos os dias, no sentido de colocarmos as nossas crianças num ambiente harmonioso, saudável e de justiça. Não podemos refletir só no dia 1 de junho. O dia 1 de junho é celebração. Estamos a celebrar em memória daquelas crianças que foram maltratadas e mortas por vários fatores, pela incompetência de algumas pessoas. Nós, como pais e encarregados de educação, como tios, como familiares, só podemos hoje celebrar a reflexão e do dia-a-dia e pensar no que é que podemos fazer para que as crianças vivam seguras, em paz e com amor todos os dias.

Nilton Schutz
Astrologia Semanal | Mercúrio em Câncer: O Perigo de Decidir no Auge da Emoção

Nilton Schutz

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 73:05


Carlos Damasceno
#223 - Profetizar É Ativar O Que Ainda Não Existe

Carlos Damasceno

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 46:44


“Deus… chama à existência coisas que não existem como se existissem.” (Romanos 4:17)Existe um poder liberado quando a fé encontra voz. Porque profetizar não é negar a realidade. É concordar com aquilo que Deus está dizendo antes mesmo de enxergar.Nesta mensagem do Domingo Inegociável, encerrando a série Não se cale, o Bp. Carlos Damasceno ministra uma palavra poderosa sobre fé, alinhamento e ativação espiritual: profetizar é ativar aquilo que ainda não existe diante dos seus olhos.Aquilo que ainda não apareceu no natural pode começar a se mover quando sua boca se alinha com o céu.Essa mensagem vai te mostrar que:• a sua voz pode ativar promessas • fé também precisa ser declarada • Deus trabalha além do que seus olhos conseguem ver • palavras alinhadas liberam movimento espiritualTalvez hoje exista uma área da sua vida em que tudo ainda pareça parado.Mas quando a sua boca concorda com Deus o invisível começa a se mover. Porque existem portas, respostas e novos começos que ainda não chegaram até você, mas já podem ser ativados pela fé.Assista até o final e permita que Deus alinhe sua voz com aquilo que Ele está construindo.

Sermões do Instituto Bom Pastor
“Deixai santificar-me no que eu gosto, com aquilo de que eu gosto…” A infidelidade à graça / 24.05.2026

Sermões do Instituto Bom Pastor

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 14:49


Sermão para o Domingo de Pentecostes / Padre Daniel Pinheiro, IBP. /Capela Nossa Senhora das Dores, DF.

Granum Sinapis
A Igreja vive da Eucaristia

Granum Sinapis

Play Episode Listen Later May 31, 2026 33:21


A Missa dominical não é apenas um compromisso religioso: é o centro que reorganiza a vida, dá sentido ao tempo e coloca Deus no lugar mais alto do coração. Quando a fé deixa de ser o eixo da existência, tudo começa a se dispersar: os vínculos enfraquecem, as decisões perdem direção e até aquilo que parecia seguro pode desmoronar. Mas quando Cristo está no centro, especialmente na Eucaristia, a vida encontra novamente sua ordem, sua casa e seu verdadeiro rumo.Todo ser humano precisa de um centro. Assim como uma família precisa de um lar, um exército precisa de comando e uma alma precisa de direção, também a vida cristã precisa de um eixo sagrado. A Eucaristia é esse centro: o lugar onde o Céu toca a Terra, onde o caos se transforma em cosmos e onde a presença real de Cristo dá unidade ao que estava disperso. Por isso os mártires de Abitinas puderam dizer com tanta força: “Nós cristãos não podemos viver sem a ceia do Senhor”.A Missa também renova o tempo. Ela não é uma simples recordação da Última Ceia ou da Cruz, mas a atualização sacramental do Mistério Pascal. A Igreja nasce da Eucaristia, vive dela e caminha a partir dela. Cada domingo é uma recriação interior, uma volta ao princípio, um reencontro com Cristo elevado sobre a Terra, atraindo tudo a Si. A Missa dá ritmo à vida cristã, alimenta a alma e transforma o domingo no verdadeiro Dia do Senhor.Quando Deus ocupa o primeiro lugar, nasce uma verdadeira hierarquia interior: um princípio sagrado que ordena todos os outros amores. Aquilo diante do qual dobramos os joelhos define o mundo em que vivemos. Se adoramos ídolos, a vida se quebra; se adoramos Cristo presente na Eucaristia, tudo pode ser reconstruído. Por isso a Missa dominical não é um peso, mas uma declaração concreta de amor: Deus acima de tudo, Deus antes de tudo, Deus como centro, raiz e cume da vida.

Histórias para ouvir lavando louça
Humilhada por uma professora por ser faxineira, ela deu a volta por cima através da escrita

Histórias para ouvir lavando louça

Play Episode Listen Later May 28, 2026 10:12


A Aline cresceu no morro vendo a mãe se dividir em dois empregos para sustentar três filhos sozinha. Desde muito cedo ela aprendeu que sobreviver vinha antes dos sonhos.Ela parou de estudar aos 13 anos para trabalhar no farol. Enquanto vendia coisas nos semáforos, aprendia também a se proteger dos perigos que cercavam meninas pobres e negras desde cedo demais.Mais tarde, já com seu primeiro filho, ela consegue o primeiro emprego como faxineira depois de voltar a estudar pelo EJA, equilibrando os R$410 do salário entre aluguel, fraldas, leite e a vizinha que cuidava do filho pequeno. Mesmo enfrentando preconceito e assédio, ela seguia trabalhando com dignidade nas faxinas. Fazia questão de sorrir enquanto limpava banheiros, como quem tentava provar para si mesma que nenhum trabalho deveria diminuir alguém.Quando começou a trabalhar em uma creche, como auxiliar de limpeza, os traumas da infância voltaram. Via crianças negras e atípicas sendo excluídas das rodas, ignoradas pelas professoras, tratadas como invisíveis. Ela não conseguia fingir que não via.Até que, durante uma reunião de professores, ela sugeriu uma brincadeira para as crianças. A resposta de uma das professoras veio em forma de humilhação: “Cala a boca! Você não tem pedagogia”.Aquilo doeu fundo na Aline, mas foi também o dia em que ela decidiu que voltaria para aquela escola como professora.Sem dinheiro para faculdade, virou passista da Vai-Vai para pagar os estudos. Trabalhava como faxineira durante a semana, fazia shows à noite e vendia produtos em feiras nos finais de semana. Tudo isso enquanto criava o filho sozinha e tentava sobreviver a um relacionamento que repetia diariamente que ela era burra demais para conseguir se formar.Até que ela conseguiu. Entrou na Universidade Zumbi dos Palmares, se formou em pedagogia e voltou para a mesma creche que foi humilhada. Dessa vez, como professora.Ali, a Aline entendeu que podia transformar dor em acolhimento, e foi isso que fez dentro das salas de aula.Mais tarde, após o nascimento do filho com síndrome de Down, precisou deixar a escola novamente, mas não largou a pedagogia e transformou essa nova dor em literatura. Escreveu livros infantis com protagonismo negro e viu suas obras viajarem o mundo, serem reconhecidas em universidade fora do Brasil.A faxineira silenciada dentro de uma escola hoje ensina justamente aquilo que mais faltou para ela durante a vida toda: afeto e pertencimento.

Ciência
Menstruação ainda é tabu e fonte de exclusão para raparigas

Ciência

Play Episode Listen Later May 26, 2026 10:32


Esta semana assinala-se o Dia Internacional da Higiene Menstrual. A pobreza menstrual continua a afectar milhões de mulheres e raparigas em todo o mundo. Em Moçambique, a dimensão real do problema é difícil de medir. “Nós não temos dados. A questão da pobreza menstrual está relacionada com a própria visão da mulher, do corpo da mulher”, afirma Nair Teles, directora executiva do Centro de Estudos em Direitos Humanos, Saúde e Sociedade de Moçambique. Para a investigadora, o silêncio em torno do tema impede até a sua quantificação. “Aquilo que não se fala não existe”. A pobreza menstrual continua a afectar milhões de mulheres e raparigas em todo o mundo. Segundo dados das Nações Unidas, cerca de 1,8 mil milhões de pessoas menstruam todos os meses, mas mais de 500 milhões não têm acesso a produtos menstruais, água potável ou saneamento adequado para gerir a menstruação de forma digna e segura. Em África, a situação é agravada pela pobreza, pela falta de infra-estruturas e pelo estigma social em torno do corpo da mulher e da menstruação. Esta semana assinala-se o Dia Internacional da Higiene Menstrual. Em Moçambique, a dimensão real do problema é difícil de medir. “Nós não temos dados. A questão da pobreza menstrual está relacionada com a própria visão da mulher, do corpo da mulher”, afirma Nair Teles, directora executiva do Centro de Estudos em Direitos Humanos, Saúde e Sociedade de Moçambique. Para a investigadora, o silêncio em torno do tema impede até a sua quantificação. “Aquilo que não se fala não existe”, sublinha. Segundo Nair Teles, a pobreza menstrual não se resume à falta de pensos higiénicos. Está ligada à ausência de informação, à dificuldade de acesso aos serviços de saúde e à forma como o corpo feminino continua a ser encarado socialmente. “Uma jovem ou uma mulher em situação de pobreza extrema muitas vezes nem sabe porque está a menstruar. Ela só sabe que menstrua”, explica. A directora executiva do Centro de Estudos em Direitos Humanos, Saúde e Sociedade de Moçambique aponta ainda falhas na comunicação dentro das famílias, nas escolas e nas próprias instituições públicas: “Um pai não fala sobre isso com a filha. A mãe também passou pelo mesmo silêncio. Há uma naturalização desse silêncio.” A situação tende a ser ainda mais invisível nas zonas rurais: “A mulher rural não existe, embora seja ela que nutre, seja ela o esteio”. Em muitos casos, o custo dos produtos menstruais torna-se incomportável face às necessidades básicas de sobrevivência. A investigadora defende que distribuir produtos menstruais é importante, mas insuficiente sem educação e debate público: “É preciso quebrar o silêncio. Explicar o corpo da mulher, a menstruação, a tensão pré-menstrual, a menopausa. O corpo da mulher não pode continuar a ser tratado como tabu.” Nair Teles considera que a pobreza menstrual é apenas uma das manifestações de um problema mais profundo relacionado com a condição feminina no país: “Tudo isto tem relação directa com a visão da mulher. O que é isto que a gente chama de mulher? Ela é só para uso? Para procriar? Para cuidar da casa e dos filhos? O que nós somos?”, questiona.

Diário Mágicko
DM #110 – Umbanda Cruzada & Antihegemonia – com Pai Jean do Exu Capa Preta

Diário Mágicko

Play Episode Listen Later May 25, 2026 110:01


Aí sim! Umbanda não é tudo igual. Aliás, muito pelo contrário, cada casa é uma casa - que é moldada pelos valores e visões dos dirigentes, mas também pelas circunstâncias sociais da comunidade a qual ela serve. É claro que a religião tem fundamentos, e isso se observa em certas práticas e mistérios que se repetem de barracão em barracão, seguindo suas tradições. E o ponto é justamente esse: nenhuma tradição pode ser avaliada pelos olhares de quem não as vivencia e não as compreende. Há, entretanto, uma dificuldade bastante perniciosa - e que não é exclusiva do meio do axé - que é o exercício da alteridade: compreender que as dinâmicas alheias nada devem às nossas preconcepções & ignorância. Entender que a essência de um Mistério está justamente em sua singularidade, e portanto ser sábio para não se questionar o que não se entende. Ou, se ousar questionar, o fazer com respeito e contemplação. Em outras palavras : o pensamento automático é o fácil. Aquilo que se destaca, que está na boca de todo mundo é o lugar-comum, é o que todo mundo sabe, é a referência padrão. Essa é a média. E quem não sai da média é medíocre. Mas há outras formas de se pensar o mundo. Há outros modos de se agir, de se posicionar, de refletir sobre a vida e a espiritualidade. E esse é o tipo de filosofia anti hegemônica, ou seja, que desafia o senso comum para exercer outras possibilidades. E é sobre isso que trataremos no nosso episódio de hoje! Acesse em seu agregador de podcast preferido e venha conosco! --- Próximas Lives (Páginas Abertas): Páginas Abertas #53 – 05/06 às 20:00 [A Arte do Diário Mágicko] --- Envie seu relato!

Uma palavra no seu caminho
Domingo de Pentecostes - Homilia

Uma palavra no seu caminho

Play Episode Listen Later May 24, 2026 11:29


Ao celebrarmos a solenidade dePentecostes, com a qual encerramos o tempo pascal, tomamos consciência de umaconsequência decisiva da Páscoa: o Senhor ressuscitado concede-nos o EspíritoSanto e confia à Igreja a missão de evangelizar. “Assim como o Pai Me enviou,também Eu vos envio a vós.” A Igreja reconhece aqui a sua origem e a sua razãode ser: continuar, no mundo, a missão de Cristo.Mas esta missão não se realizaapenas com as nossas forças, capacidades ou qualidades. Assim como o Espíritoguiou Jesus Cristo, também agora guia a Igreja. Somos enviados, sim, masenviados com a força do Espírito Santo.Impõe-se, então, perguntar: que éo Espírito Santo? Poderíamos fazer uma longa reflexão teológica. Mas oEvangelho ajuda-nos de modo mais simples: Jesus “soprou” sobre os discípulos edisse-lhes: “Recebei o Espírito Santo.” Este gesto remete-nos para a criação,quando Deus soprou no ser humano o sopro da vida. Agora, Cristo ressuscitadosopra de novo. É como uma nova criação. Já não vivemos apenas animados pelavida biológica; somos chamados a viver animados pela vida que vem do Espírito.E como sabemos que esse sopro nosanima? O sopro, como o vento, não se vê diretamente. Vemos os seus efeitos.Olhamos para as árvores e percebemos que há vento porque as folhas se movem eos ramos se inclinam. Assim acontece com o Espírito Santo. Não o vemosdiretamente, mas reconhecemos a sua presença pelas consequências que provoca nanossa vida, na comunidade e na Igreja.Se sou dominado pelo medo ou,pelo contrário, encontro coragem para anunciar Jesus Cristo, que sopro meanima? Se vivo centrado em mim, nos meus interesses e apetites, ou se medescentro de mim para cuidar do outro, que sopro me conduz? Se a minha opçãopor Cristo é vivida por obrigação, ou se nasce de uma alegria profunda e de umaserenidade interior, então posso perguntar-me: é o Espírito que me anima, ou éoutra coisa?Quando o Senhor constitui aIgreja e a envia, concede-lhe o Espírito Santo. E isso tem consequênciasconcretas. A vida no Espírito manifesta-se em carismas e vocações. Os carismassão dons que Deus concede à sua Igreja para o bem dos outros. Não sãopropriedade privada, nem instrumentos de afirmação pessoal. Também osministérios, incluindo o ministério ordenado, existem para o serviço. Se aquiloque recebemos não promove a vida em Cristo nos outros, então não está a servivido segundo o Espírito.Podemos aplicar isto à nossavida. Aquilo que digo, aquilo que escrevo, aquilo que faço, serve apenas paraalimentar o meu orgulho, ou ajuda alguém a viver melhor a sua vocação cristã?Também uma homilia deve ser avaliada assim: não pela sua elaboração, mas pelasua capacidade de ajudar quem a escuta a viver melhor a sua opção por Cristo.Há ainda uma marca clara dapresença do Espírito: a paz. Depois da ressurreição, Jesus repete aosdiscípulos: “A paz esteja convosco.” Não se trata apenas da ausência de guerraou de conflito. A paz cristã é uma harmonia profunda, uma vida reconciliada quevem de Deus e nos permite harmonizar aquilo que sabemos, sentimos, desejamos efazemos; o modo como nos relacionamos e tratamos os outros.Por isso, nas nossas comunidadesdevemos perguntar: promovemos apenas a paz para fora, com declarações contra aguerra e contra os atentados à dignidade humana, ou vivemos essa paz dentro daIgreja, nas paróquias, nos grupos, nas relações concretas?Quando rezamos, quandoparticipamos na Eucaristia, quando celebramos os sacramentos, quando realizamosuma ação apostólica, saímos mais pacificados, mais harmonizados, maisreconciliados com Deus, connosco e com os outros? Se sim, então estamos adeixar que a nossa vida seja conduzida pelo sopro do Espírito Santo. Esse é ogrande dom de Pentecostes: sermos recriados por Deus para continuarmos, nomundo, a missão de Cristo.

45 do Primeiro Tempo
Gabi Picciotto - “Aquilo que pensamos silenciosamente molda a nossa realidade”

45 do Primeiro Tempo

Play Episode Listen Later May 15, 2026 66:29


Gabi Picciotto não tem dúvida em afirmar que existe um poder imenso em acreditar — acreditar de verdade, sem garantias, sem controle, sem precisar que o mundo confirme primeiro aquilo que o coração já sente. Talvez por isso ela tenha dedicado sua trajetória a compreender o encontro entre consciência, emoções, espiritualidade e realidade concreta. Porque, para ela, não existe expansão verdadeira quando usamos a espiritualidade apenas para fugir de nós mesmos. Fé, na sua visão, não é negação da realidade — é uma força interna capaz de reorganizar a maneira como pensamos, sentimos e caminhamos pela vida. Doutora em Psicologia, com foco no fenômeno do spiritual bypassing — o uso inconsciente da espiritualidade para evitar dores e processos internos — ela construiu uma caminhada que une profundidade emocional, sensibilidade e uma rara experiência no universo corporativo. Passou por empresas e consultorias como Unilever, Korn Ferry e Walking the Talk, até perceber que sua missão era justamente integrar mundos que durante muito tempo pareciam separados: alma e estratégia, intuição e ação, espírito e matéria. Hoje, ela conduz pessoas e organizações em processos profundos de alinhamento, expansão e desenvolvimento humano, ajudando pessoas a viverem com mais verdade, consciência, leveza e propósito. E talvez uma das mensagens mais bonitas do seu trabalho seja justamente essa: quando alguém acredita verdadeiramente em si, na vida e no próprio caminho, algo dentro começa silenciosamente a mover montanhas. Neste papo com o podcast "45 do Primeiro Tempo", a terapeuta, consultora organizacional e autora do livro A Voz da Alma contou sua história de vida, trouxe seu olhar para este momento que estamos atravessando como humanidade e foi categórica: “Aquilo que pensamos silenciosamente molda a nossa realidade". Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

45 do Primeiro Tempo
Gabi Picciotto - “Aquilo que pensamos silenciosamente molda a nossa realidade”

45 do Primeiro Tempo

Play Episode Listen Later May 15, 2026 67:16


Gabi Picciotto não tem dúvida em afirmar que existe um poder imenso em acreditar — acreditar de verdade, sem garantias, sem controle, sem precisar que o mundo confirme primeiro aquilo que o coração já sente. Talvez por isso ela tenha dedicado sua trajetória a compreender o encontro entre consciência, emoções, espiritualidade e realidade concreta. Porque, para ela, não existe expansão verdadeira quando usamos a espiritualidade apenas para fugir de nós mesmos. Fé, na sua visão, não é negação da realidade — é uma força interna capaz de reorganizar a maneira como pensamos, sentimos e caminhamos pela vida. Doutora em Psicologia, com foco no fenômeno do spiritual bypassing — o uso inconsciente da espiritualidade para evitar dores e processos internos — ela construiu uma caminhada que une profundidade emocional, sensibilidade e uma rara experiência no universo corporativo. Passou por empresas e consultorias como Unilever, Korn Ferry e Walking the Talk, até perceber que sua missão era justamente integrar mundos que durante muito tempo pareciam separados: alma e estratégia, intuição e ação, espírito e matéria. Hoje, ela conduz pessoas e organizações em processos profundos de alinhamento, expansão e desenvolvimento humano, ajudando pessoas a viverem com mais verdade, consciência, leveza e propósito. E talvez uma das mensagens mais bonitas do seu trabalho seja justamente essa: quando alguém acredita verdadeiramente em si, na vida e no próprio caminho, algo dentro começa silenciosamente a mover montanhas. Neste papo com o podcast "45 do Primeiro Tempo", a terapeuta, consultora organizacional e autora do livro A Voz da Alma contou sua história de vida, trouxe seu olhar para este momento que estamos atravessando como humanidade e foi categórica: “Aquilo que pensamos silenciosamente molda a nossa realidade". Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Thaís Galassi
769 - O corpo grita aquilo que a mulher forte tenta esconder

Thaís Galassi

Play Episode Listen Later May 13, 2026 27:08


Você sabia que o animal com o sistema hormonal mais parecido com o da mulher é o elefante fêmea? E que os hormônios não afetam só o corpo — eles mudam quem você acredita que é?Neste episódio falamos de verdade sobre o que acontece com o seu corpo e o seu humor ao longo do ciclo menstrual, da gravidez, do pós-parto e da menopausa. Sem julgamento. Com ciência.O que você vai aprender:→ As 4 fases do ciclo e como cada uma muda sua personalidade, memória e desejo→ Por que o estrogênio afeta a serotonina — e o que isso tem a ver com a pia suja→ O que é matrescence e por que ninguém fala sobre isso→ Como a névoa mental da menopausa tem base neurológica documentada→ Um exercício de 30 dias para mapear seu próprio ritmo emocionalReferências citadas: Journal of Affective Disorders (2023), JAMA Psychiatry (2023), Developmental Cognitive Neuroscience (2022), pesquisadora Lisa Mosconi (The XX Brain).Esse episódio é para você que cansou de se perguntar "o que há de errado comigo?" — e quer começar a perguntar "o que meu corpo está me dizendo?"Compartilhe com uma amiga que precisa ouvir isso.

Segurança Legal
#417 – Condomínios e biometria, novos crimes digitais e o mito do Mythos

Segurança Legal

Play Episode Listen Later May 12, 2026 72:30


Neste episódio, Guilherme Goulart e Vinícius Serafim analisam casos reais e tendências que colocam em xeque a segurança digital e física no Brasil. Você vai descobrir como criminosos burlaram um sistema de reconhecimento facial em condomínios de Porto Alegre usando engenharia social, expondo os riscos do teatro da segurança, do solucionismo tecnológico e da hipossuficiência técnica dos consumidores. Em seguida, você vai entender o que está por trás do lançamento do modelo Mitos da Anthropic — classificado como perigoso demais para uso público —, e por que os resultados práticos com o Firefox e o cURL geraram ceticismo no meio da cibersegurança, levantando questões sobre propaganda de IA, governança, regulação e concorrência no mercado de inteligência artificial. Neste episódio, você também acompanha a análise da lei 15.397, que atualizou crimes digitais no Brasil com penas mais severas para furto qualificado digital, cessão de conta laranja e fraude eletrônica — e por que, sem investimento em capacidade investigativa, isso pode ser apenas populismo penal. Além disso, são discutidas duas vulnerabilidades críticas no Linux (CVE Copyfile e Dirty Frag) com exploits já circulando antes da correção, e como a IA pode acabar com o anonimato na internet ao identificar autores por fingerprint de texto com apenas 125 palavras. Os temas de privacidade, proteção de dados, LGPD, segurança ofensiva, pentest e infraestrutura em nuvem permeiam toda a conversa. Assine o Segurança Legal na sua plataforma favorita, siga o perfil nas redes sociais e avalie o podcast para ajudar a ampliar o alcance deste projeto independente de conteúdo sobre segurança da informação. Você também pode apoiar diretamente pelo Apoia.se (apoia.se/segurancalegal) ou simplesmente indicar o podcast para colegas e amigos — cada compartilhamento faz diferença. Entre em contato pelo e-mail podcast@segurancalegal.com ou pelo Mastodon, Instagram, Bluesky, YouTube e TikTok. Esta descrição foi realizada a partir do áudio do podcast com o uso de IA, com revisão humana.  Visite nossa campanha de financiamento coletivo e nos apoie!  Conheça o Blog da BrownPipe Consultoria e se inscreva no nosso mailing Shownotes Polícia prende suspeitos de invadir e furtar apartamentos de alto padrão em Porto Alegre; grupo usava fraude em reconhecimento facial Polícia desarticula grupo de criminosos que furtava apartamentos de luxo via redes sociais Atualização do Código Penal para alguns crimes digitais Will AI end anonymity? I tested it I can never talk to an AI anonymously again Anthropic's most dangerous AI model just fell into the wrong hands Unauthorized group has gained access to Anthropic's exclusive cyber tool Mythos, report claims It’s a myth that you need Mythos to find bugs: Open source models can do it just as well Filme: Quebra de Sigilo (Sneakers) BC Protege Livro – Sob a sombra da suástica: a França ocupada Filme – Viagem ao mundo dos sonhos Artigo – Em louvor ao Teatro da Segurança Imagem do episódio: The Ancient Days, Willia, Blanke

Palavra Amiga do Bispo Macedo
Aquilo que temia me sobreveio... - Meditação Matinal 30/04/26

Palavra Amiga do Bispo Macedo

Play Episode Listen Later Apr 30, 2026 25:19


"Porque aquilo que TEMIA me sobreveio; e o que RECEAVA me aconteceu. Nunca estive tranquilo, nem sosseguei, nem repousei, mas veio sobre mim a perturbação." Jó 3:25-26"Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém Me ama, guardará a Minha Palavra, e Meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.Quem não Me ama não guarda as Minhas Palavras; ora, a Palavra que ouvistes não é Minha, mas do Pai que Me enviou." João 14:23-24

Sem Moderação
“Na esquerda, o BE e o PCP são marcas que estão mortas, o Livre não vai dar muito mais do que aquilo. É preciso uma novidade rápida”

Sem Moderação

Play Episode Listen Later Apr 29, 2026 23:41


Entre planos de reconstrução com verbas milionárias, debates sobre transparência política e portas giratórias, e uma esquerda à procura de identidade, Portugal enfrenta vários dilemas em simultâneo. O governo de Montenegro apresentou um ambicioso plano de 22 mil milhões de euros para reconstruir o país após as catástrofes recentes, mas será que tem capacidade para o cumprir? A polémica entre Pedro Delgado Alves e Aguiar-Branco reacendeu o debate sobre conflitos de interesse e a transparência dos políticos. E com Pedro Nuno Santos a pairar sobre o PS, conseguirá a esquerda reorganizar-se e encontrar uma nova força política capaz de desafiar a direita? Ouça a análise de Nuno Ramos de Almeida e Francisco Mendes da Silva no Antes Pelo Contrário em podcast, emitido na SIC Notícias a 28 de abril. Para ver a versão vídeo deste episódio clique aqui * A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa See omnystudio.com/listener for privacy information.

Relatos do Além
Relatos dos Ouvintes #228 - Aquilo Prendeu Meus Braços

Relatos do Além

Play Episode Listen Later Apr 20, 2026 30:01


No episódio desta semana do Relatos do Além com Cris Zoucas, ouvimos histórias reais sobrenaturais perturbadoras.Tamires relata uma processão das almas, risadas misteriosas e pedras sendo lançadas sem explicação, além da visão de um possível protetor espiritual. Já Gilvana conta um caso intenso de paralisia do sono, com sensação de ataque e presença desconhecida.E ainda temos um terceiro relato exclusivo para apoiadores.

Relatos do Além
Relatos dos Ouvintes #220 - Aquilo Subiu Na Minha Cama

Relatos do Além

Play Episode Listen Later Mar 18, 2026 21:08


Relato paranormal real apresentado por Cristiano Zoucas no podcast Relatos do Além. Neste episódio, dois casos perturbadores enviados por ouvintes envolvendo sonhos estranhos, visões assustadoras e experiências sobrenaturais que parecem atravessar o limite entre internet, sonho e realidade.No primeiro relato, uma ouvinte conta que viu na internet um vídeo de uma criatura grotesca, algo entre sereia e animal, um tipo de criptídeo impossível de esquecer. Depois disso, algo estranho começou a acontecer com ela e sua família: episódios de paralisia do sono e a sensação de que aquela mesma criatura aparecia no quarto durante a madrugada, subindo lentamente pela cama enquanto ela tentava acordar.No segundo caso, outra ouvinte relata sonhos recorrentes com uma figura estranha parecida com um lutador de sumô. Durante anos ela associou essa presença ao coelhinho de pelúcia que ficava em seu quarto. Mas tudo mudou quando, andando pela Avenida Paulista, ela entrou em um túnel e viu um grafite perturbador: a mesma figura dos seus sonhos, um homem enorme sentado na cama comendo carne. Um caso paranormal brasileiro que parece uma verdadeira história de fantasma real.Neste episódio do Relatos do Além, Cristiano Zoucas apresenta dois relatos assombrados que levantam uma pergunta inquietante: certas imagens podem abrir portas para algo que não conseguimos explicar? Talvez, depois de ouvir essas histórias, você também comece a questionar até onde vai o limite entre sonho, memória e uma possível experiência sobrenatural.

Semana em África
África à espera do impacto da guerra no Médio Oriente

Semana em África

Play Episode Listen Later Mar 6, 2026 9:25


Neste programa Semana em África, voltamos aos temas que marcaram os nossos noticiários. O destaque vai para os receios manifestados em torno das consequências da guerra no Médio Oriente sobre as economias africanas. A guerra no Médio Oriente está a preocupar também os países africanos. Em Cabo Verde, o Presidente José Maria Neves apelou ao bom senso e ao diálogo entre os países envolvidos, defendendo uma solução pacífica para a crise. “Na verdade, as guerras nunca resolvem os problemas. Destroem, criam problemas humanitários, criam também ressentimentos e geram mais violência. Nós sempre temos apelado ao respeito pela soberania dos países, ao respeito pelo direito internacional e para o diálogo e a solução negociada dos conflitos. E, na linha da nossa Constituição da República, são esses os princípios que nós defendemos. Independentemente dos países ou dos protagonistas, são esses os elementos que Cabo Verde defende na arena internacional. Resta-nos apelar ao bom senso, ao diálogo e à solução negociada deste conflito”, afirmou o chefe de Estado cabo-verdiano. Em termos económicos, o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, admitiu que a subida de mais de 10 pontos percentuais no preço do petróleo na última semana vai ter implicações directas na economia do arquipélago. “Ninguém está preparado para situações imprevisíveis. Temos de nos preparar em todo o mundo. Os Estados Unidos, a França, a Alemanha e também Cabo Verde têm de se preparar. Estamos perante um novo contexto e todos nós temos de nos adaptar a esta realidade, que terá implicações a nível económico. Com o aumento do preço do petróleo, que subiu mais de 10 pontos percentuais, apenas na última semana, haverá impactos directos na economia cabo-verdiana", declarou Olavo Correia. Já Angola pode estar entre as economias mais beneficiadas em África devido à guerra dos EUA e Israel contra o Irão, devido à subida dos preços do petróleo e melhores condições financeiras da dívida. A informação foi adiantada à Lusa pela analista da Bloomberg Economics Yvonne Mhango, que disse que Angola, Nigéria e Gana podem tirar benefícios da subida do preço do petróleo, enquanto a República Democrática do Congo, a África do Sul e o Quénia poderão estar entre os mais afectados. Mas de um modo geral, a analista adverte que "para a maioria das economias africanas, preços mais altos do petróleo significam moedas mais fracas e renovada pressão sobre a inflação, o que poderia colocar novamente em discussão uma subida nas taxas de juro". Ainda em Angola, o porta-voz da CEAST - a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé - Belmiro Chissengueti, alertou para os efeitos do “fim do multilateralismo”. “Nós estamos numa realidade e num panorama mundial em que os organismos multilaterais parecem que hoje estão bastantes fragilizados, há anos quando falávamos das Nações Unidas pelo menos eram ouvidas, mas hoje sentimos praticamente os efeitos do fim do multilateralismo, daí a opção de uma única potência mundial ditar as regras”, declarou nesta segunda-feira em Luanda o porta-voz da CEAST, Belmiro Chissengueti durante a conferência de imprensa de balanço da I Assembleia Plenária da CEAST. Na Guiné-Bissau, o primeiro-ministro do Governo de transição, Ilídio Vieira Té, afirmou, esta semana, que o país está preocupado com as consequências da guerra no Médio Oriente e que está a tomar medidas preventivas sobre o aumento do petróleo. Ainda em Cabo Verde, um alerta do FMI para os efeitos na Segurança Social do declínio populacional levou o governo a ponderar aumentar a idade de reforma.  O Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, falou dessa possibilidade e em um estudo em curso. "Este estudo está em curso, um estudo que tem de ter uma boa base de sustentabilidade porque aqui temos de garantir não só aquilo que pode ser qualquer mexida no sistema de reforma, pois temos de ter em conta também as contribuições, particularmente num país que está a mudar a sua pirâmide de idade", começou por dizer o governante. "Hoje temos mais velhos, temos maior esperança de vida, as pessoas vivem mais. A viverem mais, consomem mais da Segurança Social, através da assistência médica, medicamentos e tem uma pressão maior para a Segurança Social", explicou o chefe do governo de Cabo Verde. "Por outro lado, há uma tendência de redução do número de contribuintes. Aquilo que está a acontecer na Europa vai acontecer aqui, em Cabo Verde, num período de aproximadamente uns vinte anos. Muito trabalho já foi feito, tem de ser depois aprovado em sede do Conselho de Concertação Social", rematou. Em Moçambique, a presidente do Instituto Nacional de Gestão de Risco de Desastres, Luísa Meque, indicou estar atenta aos alegados casos de desvios de donativos para as vítimas das cheias e inundações. “Nós, como instituição, a nossa maior preocupação é que todos os bens que são levados para os centros de acomodação sejam entregues aos beneficiários, que são, de facto, as pessoas que têm de receber os bens. Agora, temos que trabalhar com todos aqueles que estão lá, que estão com comportamentos que não são abonatórios, para o sucesso do nosso trabalho”, vincou Luísa Meque. Ainda em Moçambique, arrancaram esta semana as aulas para este ano lectivo, depois de cheias e inundações terem afectado mais de 400 infra-estruturas escolares. Sete escolas continuam a ser utilizadas como centros de acolhimento para as vítimas das intempéries e 15 permanecem sitiadas. O Presidente Daniel Chapo defendeu o investimento na educação. “Investir na educação não é uma despesa, pelo contrário: é uma estratégia e uma opção política do Estado no investimento no futuro”, afirmou Daniel Chapo. Daniel Chapo sublinhou que a actual geração tem a missão de conquistar a independência económica: “Essa conquista começa aqui, na escola, na educação. Não haverá industrialização robusta sem um ensino secundário forte, não haverá economia digital sem ciência nas salas de aula e não haverá soberania plena sem construirmos, e continuarmos a construir, este futuro”, disse. Em São Tomé e Príncipe, decorreu esta semana o Forum de Soluções e Investimento dos Pequenos Estados Insulares Africanos em Desenvolvimento. Na abertura do evento, o chefe do governo são-tomense disse que “este fórum representa um passo estratégico, decisivo na conjugação de esforços para acelerar a transformação dos sistemas agrícolas e alimentares com vista a erradicação da pobreza, eliminação da fome, combate à má nutrição e a redução da desigualdade” nos pequenos países insulares do continente. Américo Ramos reconheceu que o tempo exige celeridade nas acções de luta contra a insegurança alimentar: "Constatamos com preocupação que precisamos acelerar o ritmo das nossas acções, para corresponder às expectativas dos nossos concidadãos, sobretudo os mais vulneráveis no que respeita ao direito de acesso à alimentação adequada.”

Palavra Amiga do Bispo Macedo
Poder da Obediência: Jesus aprendeu a obediência, por aquilo que sofreu - Meditação Matinal 27/01/26

Palavra Amiga do Bispo Macedo

Play Episode Listen Later Jan 27, 2026 26:41


"Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu.E, sendo Ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que Lhe obedecem…" Hebreus 5:8-9MUTIRÃO DA FÉ PELO BRASIL:"E se o Meu povo, que se chama pelo Meu Nome, se humilhar, e orar, e buscar a Minha Face e se converter dos seus maus caminhos, então Eu ouvirei dos Céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra." II Crônicas 7:14

FAMÍLIA DOS QUE CREEM
Contribuindo com Generosidade - Lucas Gregory (Série: O Evangelho na Vida)

FAMÍLIA DOS QUE CREEM

Play Episode Listen Later Jan 21, 2026 57:17


Contribuindo com Generosidade: O materialismo se relaciona com os compromissos do nosso coração e com a nossa fidelidade. O que direciona as nossas ações no dia a dia? Podemos confessar uma fé cristã com palavras, mas nossas atitudes muitas vezes revelam que não estamos firmados nas coisas da eternidade e na vida com Cristo. Assim como no Éden o homem trocou a perfeita comunhão com Deus para satisfazer um desejo palpável, nós fazemos essa mesma troca com facilidade. A doutrina modela a prática. Aquilo que confessamos com nossos lábios molda a nossa prática de vida e evidencia o que de fato cremos. Somos cegos pela nossa própria idolatria, e apenas a Palavra de Deus pode revelá-la. A lei do Senhor é um espelho por meio do qual vemos que somos completamente incapazes de caminhar sem Cristo. #FAMÍLIADOSQUECREEM #SÉRIEOEVANGELHONAVIDA Visite nosso site: http://familiadosquecreem.com Compre nossos livros e produtos: http://familiadosquecreem.com/loja Contribua financeiramente: http://familiadosquecreem.com.br/contribuir Ouça nossas músicas: https://open.spotify.com/artist/6aPdiaGuHcyDVGzvZV4LHy Siga-nos no Instagram: http://instagram.com/familiadosquecreem Curta-nos no Facebook: http://facebook.com/familiadosquecreem Siga-nos no Twitter: http://twitter.com/familiadqc

Vedanta Cast
#020/2026 – Aquilo Que Observa Tudo | O Ponto de Virada

Vedanta Cast

Play Episode Listen Later Jan 20, 2026 7:58