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Vida em França
Avignon: Bem-vindos ao “país do teatro” na companhia de Tiago Rodrigues

Vida em França

Play Episode Listen Later Jul 8, 2026 17:49


O Festival de Avignon arrancou a 4 de Julho, e junta, durante três semanas, milhares de pessoas, para esta 80ª edição. Este é o epicentro da história contemporânea do teatro, dirigido pelo encenador, dramaturgo e actor português Tiago Rodrigues. Este ano, há 47 espectáculos, dois de encenadoras lusófonas e a língua convidada é o coreano. Há uma maioria inédita de criadoras mulheres e a linha de força é um enorme ponto de interrogação estampado um pouco por todo o lado nas ruelas da cidade francesa. O teatro anda à solta, sem rédeas, pela cidade de Avignon. Bem-vindos ao “país do teatro, à república independente das artes performativas”, nas palavras e na companhia de Tiago Rodrigues, um dos fazedores desta “fábrica de memórias inesquecíveis para o público”. Uma dessas “memórias” é a primeira maratona teatral em português, de dez horas, com a apresentação, a 12 e 13 de Julho, da Trilogia Cadela Força de Carolina Bianchi. Outra é o espectáculo de cinco horas do francês Julien Gosselin, “Maldoror”, que Tiago Rodrigues acredita que “vai marcar as próximas décadas do teatro francês, europeu e mundial”. E outra, ainda, é a peça “Um julgamento - Depois do inimigo do povo” que descreve como “uma interpretação magistral de uma história do repertório agora reescrita, repensada por Christiane Jatahy e Wagner Moura e com um elenco magistral à volta de Wagner Moura que tem uma prestação absolutamente sublime”. Nesta 80ª edição, “os questionamentos” são a bandeira de um festival que sempre foi sintoma e espelho dos tempos que correm. Este é também “um espaço de liberdade onde os artistas e o público se podem exprimir com toda a liberdade”, reitera o artista, destacando que “em França, como noutros países da Europa e do mundo, a liberdade de expressão e de criação estão a ser ameaçadas”. Mais ainda, em França – diz – “já não se trata apenas de uma ameaça, mas de ataques repetidos em vários territórios”. E, assim, a menos de um ano das próximas eleições presidenciais em França, onde a extrema-direita cresce, Tiago Rodrigues, enquanto director desta instituição e não apenas como cidadão e autor de “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, toma já posição e pede às pessoas para não deixarem a extrema-direita chegar ao Palácio do Eliseu. Tiago Rodrigues, português, emigrante, inscreve-se numa longa linhagem histórica de emigração portuguesa para França, mas esta é também uma história familiar e é a história que inspira o seu próximo espectáculo, revelou à RFI em primeira mão. O pai, Rogério Rodrigues, exilou-se em França durante o Estado Novo, o filho é agora o director do maior festival francês de artes cénicas e serve com a sua arte o que chama de “dívida de gratidão” que tem com a sociedade francesa por ter acolhido o pai quando este precisava. RFI: Queria começar com uma expressão que o Tiago Rodrigues gosta muito de usar, que é “o país do teatro”. O festival está na 80ª edição. Até que ponto Avignon continua a ser a capital mundial do teatro? Tiago Rodrigues, Director do Festival de Avignon: “Eu acho que cada vez mais, com o passar do tempo, aquilo que era uma utopia imaginada por Jean Vilar, o encenador que em 1947 funda este festival logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, numa sociedade muito dividida e pensa que talvez um festival durante as férias das pessoas - e é preciso relembrar que as férias pagas eram uma novidade na época - durante as férias pagas das pessoas, podia ser um festival que permitisse ao público viver experiências que eles não teriam oportunidade, nem tempo para viver durante o ano, portanto, grandes aventuras teatrais em lugares monumentais que obrigariam a viajar. E é assim que nasce esta ideia, esta utopia de um país do teatro. Um lugar onde viajamos como quem viaja para fazer turismo, como quem viaja para se repousar. E aqui viajamos, sim, pelo turismo, pelo repouso, mas sobretudo pela descoberta dos espectáculos, pela descoberta de uma grande quantidade de estéticas e de visões de um mundo muito diferentes entre si. O tempo fez com que, ao fim de 80 edições, possamos dizer que este é o país do teatro, a república independente das artes performativas. O público vem precisamente com essa sede de ver espectáculos que talvez não tivesse tempo de ver durante o ano. Por exemplo, 'Maldoror', o espectáculo de Julian Gosselin, um grande encenador que dirige o teatro do Odéon, um dos teatros nacionais franceses, e que faz um espectáculo de cinco horas, poderíamos dizer que cinco horas é ambicioso, mas é um espectáculo magistral. O que nós vemos é que ao fim das cinco horas, por volta das duas e meia, três da manhã, todo o público está lá, aplaudiu de pé e viveu essa aventura colectiva que é singular, que só se vive em Avignon, estar num palácio sob as estrelas e ver uma obra de arte que, no meu entender, este ‘Maldoror' vai marcar as próximas décadas do teatro francês, europeu e mundial.” É português, é o primeiro director estrangeiro a dirigir o festival. Esta é a sua quarta edição como director. Conhece os talentos e as dificuldades das artes performativas portuguesas, brasileiras, de dança contemporânea moçambicana e cabo-verdiana, por exemplo, mas este ano só há duas peças lusófonas no cartaz… “Eu permito-me corrigir o “só”, “só há”. O Festival de Avignon é um festival de nomes de expressão mundial e, portanto, é um festival que tem que estar atento a tudo o que se passa no mundo. Saber que, por exemplo, este ano há duas artistas brasileiras e saber que estas duas artistas brasileiras lusófonas, Christiane Jatahy e Carolina Bianchi, que são duas das grandes artistas desta edição, são duas artistas que vêm de um só país lusófono, numa possibilidade de mais ou menos - é discutível a quantidade de países que existe no mundo, mas digamos que são duas centenas, porque depois há questões de legitimidade de algumas fronteiras, etc - mas digamos que em 200 países haver dois espectáculos, ambos vindos do Brasil ou de criadores brasileiros, criadoras neste caso, é, de qualquer das formas, um foco muito importante, uma atenção muito importante. Há muitos países que não estão representados no festival. Este ano, há uma representação de 14 países e, portanto, digamos que a maioria dos países do mundo não estão presentes no ano. A criação lusófona tem duas presenças e, portanto, acho que estamos numa quantidade, numa proporção muito benéfica para a criação lusófona.” Mas o que eu queria mesmo saber - e já percebeu onde quero chegar - é quando é que Avignon vai convidar a língua portuguesa? “Bom, o que eu posso dizer é que recentemente fui reconduzido para um segundo mandato, portanto, serei director do Festival até 2030. E estou muito feliz, muito vaidoso mesmo dessa possibilidade, mas também é um grande privilégio e uma grande responsabilidade também. E sem dúvidas que a língua portuguesa, eu digo desde o início, tem todo o mérito, toda a riqueza, toda a diversidade contemporânea e, sobretudo, toda a grande qualidade das criadoras e dos criadores, sejam portugueses, brasileiros, moçambicanos, angolanos, cabo-verdianos para estar presente no festival. Eu recordo que a lusofonia tem estado muito presente nos últimos anos no festival. No ano passado, a abertura do festival fez-se com uma artista cabo-verdiana, Marlene Monteiro Freitas, foi a primeira vez que Cabo Verde esteve na Cour d'Honneur du Palais des Papes e abriu este festival, ainda por cima no ano em que se celebrava os 50 anos da independência desse país-irmão do meu país-natal, Portugal. E, portanto, temos feito um trabalho de abertura, de aproximação do público de Avignon à criação lusófona ou em língua portuguesa. Sem dúvida que até 2030 a língua portuguesa será certamente uma das línguas convidadas no festival.” A Carolina Bianchi vem ao Festival de Avignon pela segunda vez para apresentar não só o terceiro capítulo da sua Trilogia Cadela Força aqui iniciada, como a trilogia completa, o que perfaz dez horas seguidas de maratona teatral. Isto também é histórico. Já houve maratonas teatrais em Avignon, mas em língua portuguesa, se calhar não… “Em língua portuguesa nunca houve uma aventura destas e estamos muito felizes de poder acompanhar a Carolina e toda a sua equipa da Companhia Cara de Cavalo nisto, que é uma aventura inédita. É o tipo de aventuras que só se pode viver em Avignon, dez horas de teatro. Antes que Carolina Bianchi fosse conhecida do público francês ou europeu, apresentámo-la pela primeira vez em 2023 e logo na altura sabíamos que estávamos comprometidos com continuar a acompanhar a sua trilogia. Entretanto, Carolina Bianchi ganhou o Leão de Prata da Bienal de Veneza, tornou-se numa artista absolutamente reconhecida a nível não apenas europeu, mas mundial. Queríamos estar no lugar do término desta trilogia, a acompanhar a aventura até ao fim e, sobretudo, permitir ao público de descobrir pela primeira vez a trilogia completa inédita. É uma grande aventura para a companhia, que exige enormemente. Também exige do público e das equipas técnicas e de acolhimento. Estamos muito felizes aqui em Avignon de poder propor ao público estas aventuras, porque, como nós costumamos dizer, nós queremos ser uma fábrica de memórias inesquecíveis. E é isso que queremos propor: uma memória inesquecível ao público.” A encenadora brasileira Christiane Jatahy também traz uma peça com um forte teor político. Qual é este alerta também em língua portuguesa que esta peça traz para os dias de hoje? “Christiane Jatahy, acompanhada de Wagner Moura, grande actor que foi este ano nomeado para os Óscares, que ganhou o Globo de Ouro, que ganhou o prémio de interpretação masculina em Cannes no ano passado e, portanto, de alguma forma, é um dos grandes protagonistas deste festival, juntaram-se para - ele actor, ela encenadora, mas ambos como autores do texto deste espectáculo - nos apresentarem um espectáculo que não é uma adaptação de ‘Um Inimigo do Povo' de Henrik Ibsen, mas que se inspira dessa história do dramaturgo norueguês para inventar um processo em tribunal onde se pergunta se alguém que denunciou a contaminação das águas de uma cidade é um herói que tentou ajudar as pessoas, salvar a saúde das pessoas, ou se é um inimigo do povo, alguém que destruiu a economia dessa cidade que dependia das termas, de um spa e dos turistas que vinham. Há um julgamento dessa pessoa e é um julgamento muito também sobre o risco dos julgamentos populares em opinião pública na época das redes sociais, na época em que toda a gente pode exprimir uma opinião, caluniar, difamar e destruir uma reputação publicamente muito facilmente. É uma questão de debate sobre a legitimidade de um gesto político de denúncia, sobre o diálogo entre saúde pública e a economia, essa tensão, também sobre a ecologia muito presente no espectáculo e é, sobretudo, uma interpretação magistral de uma história do repertório agora reescrita e repensada por Christiane Jatahy e Wagner Moura, com um elenco magistral à volta de Wagner Moura, que tem uma prestação absolutamente sublime. Uma peça que nos chega agora de Lisboa, esteve mesmo agora em Portugal em digressão e que é o resultado de uma encomenda que o Festival de Avignon fez com o Holland Festival de Amsterdão e com o Festival de Edimburgo, que são os três festivais europeus fundados no mesmo verão de 1947. Juntos queremos colaborar, continuar a colaborar também para o ano, quando fizermos 80 anos os três festivais e, para este início de colaboração, lançámos o desafio a Christiane Jatahy e a Wagner Moura de criar esta peça e estamos muito felizes. É uma das peças pilar da programação do festival este ano. E muito feliz também que seja a segunda peça falada em português.” Desde a sua primeira edição como director artístico do festival, apresentou “Na Medida do Impossível” e “By Heart” em 2023, “Hécuba, não Hécuba”, em 2024, “A Distância”, em 2025. Antes de ser director, já tinha apresentado “António e Cleópatra”, “Sopro” e “O Cerejal”. Este ano não apresenta peça sua. Posso perguntar porquê? “Porque acho que é importante que o meu trabalho artístico esteja sempre ao serviço do festival e nunca o contrário. E isso exige equilíbrio. Exige, no meu entender - e é a escolha responsável que eu tento fazer - que o meu trabalho não esteja necessariamente sistematicamente presente enquanto artista na programação do festival para deixar espaço a outros, para permitir precisamente que o festival não trabalhe a meu favor, mas o contrário, que quando eu apresento um trabalho, uma peça, um espectáculo no Festival de Avignon, seja para contribuir à programação e também contribuir, de certa maneira, à economia do festival. As digressões dos meus espectáculos produzem receitas que favorecem o festival e que nos permitem convidar outros artistas do festival. E, portanto, eu acredito que o director do Festival de Avignon ou a directora, se forem artistas, devem fazer o seu trabalho no festival, mas devem fazer com a medida que permite que seja o seu trabalho a estar ao serviço do festival e nunca o contrário, como disse. O Tiago Rodrigues é imigrante em França. Não vai poder votar nas presidenciais francesas do próximo ano porque é preciso nacionalidade francesa para isso. Como é que o autor de “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas” olha para estas eleições, nomeadamente depois de Marine Le Pen ter confirmado que se vai candidatar? “Não é apenas o autor de ‘Catarina e a Beleza de Matar Fascistas' ou o cidadão Tiago Rodrigues, mas é também o director do Festival de Avignon que toma posição e a posição é muito clara. O Festival de Avignon já pôde fazê-lo no passado, nas legislativas de 2024, que aconteceram ao mesmo tempo que o festival. O Festival de Avignon fez apelo a uma barragem à extrema-direita e, portanto, à União Nacional de Marine Le Pen, e fez um apelo ao voto no campo democrático. Eu não considero, o Festival de Avignon institucionalmente não considera, que a extrema-direita pertence ao campo democrático. A nossa posição é muito clara. Fazemos um apelo à participação nas eleições e é uma barragem clara, sem ambiguidades, à extrema-direita. Será também o caso para as presidenciais, como foi, aliás, para as municipais de Avignon, onde a extrema-direita perdeu uma derrota forte depois também de o festival ter tomado posição e ter anunciado que não trabalharia com a extrema-direita se esta tomasse o poder na cidade de Avignon. Felizmente não foi o caso e não será o caso, eu creio, também nas presidenciais. Sinto muita confiança na lucidez democrática das francesas e dos franceses.” Avignon é, historicamente, a cidade-teatro aberta à contestação, o festival sempre foi politicamente atravessado pelo seu tempo, como acaba de dizer, assim como em Maio de 68, os debates pós-coloniais, as crises migratórias. Este ano, qual é a causa a atravessar esta edição? “Cada Festival de Avignon é, por um lado, um sintoma de implicação com a actualidade, com os grandes fenómenos da actualidade e, portanto, a cada festival vemos novas questões, novas causas, novos debates a surgirem. E é também por isso que este ano quisemos celebrar esta 80ª edição, pondo as questões e os questionamentos no centro do discurso. Este é um festival que desde 1947, por 80 ocasiões, colocou questões ao mundo, as questões dos artistas, acompanhando os artistas a criar espectáculos que traduzem os seus questionamentos e permitindo ao público de se apropriar destas questões para ter os seus debates. O Festival é muito conhecido pelos seus debates, apaixonantes e apaixonados, por vezes bem intensos, e nós gostamos que seja assim. Gostamos que seja assim, aqui no Café das Ideias, onde estamos e onde acontecem todas as manhãs grandes debates, mas também nas ruas, nas praças, espontaneamente. Discutindo espectáculos, nós discutimos o mundo e questionamos o mundo. Este ano, como todos os anos, julgo que a questões que atravessam a actualidade, seja questões ligadas, por exemplo, às eleições presidenciais, questões ligadas à crise climática, às vagas de calor e à aceleração de medidas que os governos têm que tomar para combater a crise climática, defender a biodiversidade, mas também a vida e o bem-estar das pessoas e questões que são intemporais. Este ano temos, por exemplo, dois Hamlet, portanto, a questão de ‘ser ou não ser', que já existe há 400 anos, aqui está de novo. É esta mistura de questão política e questão íntima, de questão pública e questão individual, que anima a cada ano o festival que quer continuar a ser um festival de liberdade de expressão, de implicação com o mundo, mas com uma grande pluralidade de pontos de vista. Não é um festival de pensamento único que está aqui para convencer as pessoas seja do que for. É um espaço de liberdade onde os artistas e o público se podem exprimir com toda a liberdade, e deve dizer-se isto várias vezes, numa França onde, infelizmente vemos, como noutros países da Europa e do mundo, a liberdade de expressão e de criação a ser ameaçada. A França não é imune a isso. Já não se trata apenas de uma ameaça, mas de ataques repetidos em vários territórios de França. Aqui em Avignon, a primeira coisa que podemos fazer para responder a essa ameaça é praticar toda a liberdade de criação, toda a liberdade de expressão.” É essa a sua assinatura mais pessoal nesta edição? Reafirmar a liberdade de criação junto dos artistas, dar-lhes um espaço seguro aqui no festival? “Eu não acredito em assinaturas pessoais. Isto é o trabalho de mais de 700 pessoas que organizam este festival. O pensamento do festival não emana apenas de mim, é de dezenas de pessoas, de centenas de discussões, ele emana dos artistas e emana do público. E eu convido sempre quem me coloca essa questão de ‘Qual é a marca que tu, enquanto director, queres imprimir? Qual é o teu cunho pessoal?' O meu cunho pessoal é: Perguntem às pessoas na rua o que sentem em relação a este festival, como estão a vivê-lo. É permitir colocar-me ao serviço desta história, desta aventura colectiva que atravessa gerações. São os filhos que transmitiram aos netos, que transmitem aos vindouros este amor do teatro e este amor de poder juntar-se sem ser à volta de uma mesma ideia, juntar-se à volta do debate, à volta do facto de podermos estar juntos, felizes, a desfrutar das artes do teatro em desacordo. Este desacordo é o princípio do diálogo e o diálogo é o fundamento da democracia.” Falou da questão da filiação, da transmissão intergeracional. Está em França há quatro anos. Emigrou como o seu pai e como tantos milhares de portugueses o fizeram no século XX, durante a ditadura portuguesa. O seu pai foi acolhido pela França e o Tiago é convidado pela França para dirigir o maior festival de teatro francês, quando justamente há esta ameaça de a extrema-direita chegar ao poder. Isto é uma história que poderia dar uma peça de teatro. Qual é o poder simbólico desta história no contexto político actual? “Devo dizer que, enquanto director do Festival de Avignon, português, saber que estou ao serviço desta aventura, dos valores democráticos, republicanos, progressistas deste festival que é um festival também ecologista, feminista, anti-racista porque defende esses valores da democracia, da liberdade, da igualdade, da fraternidade, saber-me ao serviço destes valores, através deste festival, é para mim, de alguma forma, tentar também pagar a dívida de gratidão que tenho em relação à sociedade francesa que acolheu o meu pai quando o meu pai precisava de ser acolhido.” Obrigada por continuar a transmitir esta história e obrigada por também transmitir a história da emigração. “Vou dizê-lo para a RFI, é a primeira vez que falo disto publicamente: acho que será o tema do meu próximo espectáculo.”

Convidado
Tiago Rodrigues transformou a despedida em obra de arte no Grand Palais

Convidado

Play Episode Listen Later Jun 23, 2026 13:25


"No Yogurt for the Dead", de Tiago Rodrigues & NTGent, esteve no Grand Palais, em Paris, de 18 a 20 de Junho. A peça foi escrita pelo dramaturgo e encenador português a partir dos últimos dias do pai, o jornalista Rogério Rodrigues, e do bloco de notas que ele deixou com a frase “Os mortos já não comem iogurte”. Esta é uma peça íntima e universal sobre um filho que se despede do pai com uma obra de arte. Este é também “um ensaio - colectivo - perante o adeus”, nas palavras da actriz Beatriz Brás, com quem fomos falar, na última noite no Grand Palais. Depois de ter dado volta ao mundo e estreado há mais de um ano na Bélgica, a peça “No Yogurt for the Dead”, do também director do Festival de Avignon, esteve, durante três noites, no majestoso Grand Palais, em Paris. Ao centro, uma pequena montanha branca, duas camas de hospital, quatro actores, duas barbas, um caderno, alguns cigarros, umas centenas de espectadores e telhados de vidro monumentais a cobrirem toda a cena. Ali se passou do riso ao pranto, do canto ao silêncio. Um ritual colectivo de despedida ou, como nos diria, depois, Beatriz Brás, uma espécie de “ensaio da despedida” de nós próprios e dos nossos entes queridos. Depois da homenagem à avó Cândida em “By Heart”, depois de um poema de amor à companheira em “Le Choeur des Amants”, depois da evocação poética à filha em “ La Distance”, em “No Yogurt for the Dead” o público de Tiago Rodrigues regressa a um lugar que já lhe é familiar. O título da peça, “No Yogurt for the Dead”, vem de um caderno de Rogério Rodrigues (“Barba Longa” no espectáculo) que o filho (“Barba Curta”) lhe levou, a seu pedido, para escrever uma reportagem sobre o que se passava no hospital. “A sua última reportagem”. No final, o caderno praticamente só tinha essa frase. Uns tempos depois, nascia o espectáculo, algures entre entre ficção e diário íntimo, entre peça de teatro e reportagem cantada pelas vozes de Beatriz Brás, Manuela Azevedo e Lisah Adeaga, acompanhadas pela guitarra discretamente omnipresente de Hélder Gonçalves. Aproveitámos a passagem por Paris desta peça para conversarmos com uma das actrizes, Beatriz Brás que, com Manuela Azevedo, vai trocando de barbas e vestindo a pele de um pai e a de um filho.   RFI: Como é que nos poderia descrever esta peça? Beatriz Brás, Actriz em “No Yogurt for the Dead”: “É uma peça sobre a mortalidade e sobre como é que nós resolvemos e fazemos as pazes com a partida de alguém, com a nossa própria partida também. Muitas vezes, quando vemos partir alguém, o adeus não foi preparado. Eu acho que esta peça é sobre a preparação para esse adeus, o facto de esse adeus nunca ser perfeito e um bocado fazer as pazes com o facto de sermos humanos. Erramos, mas, no fundo, há a possibilidade de, através da arte, nos despedirmos, através da poesia, através da arte, neste caso deste espectáculo que o Tiago, apesar de ele dizer muitas vezes que isto não é um espectáculo sobre o pai e sobre ele, ou seja, só sobre ele e sobre a história dele com o pai, acaba por ser uma maneira, a meu ver, de ele fazer as pazes com a turbulência que foi a relação deles e que a doença do pai permitiu dar um fim diferente e que este espectáculo também vem dar um fim diferente.” É uma história íntima, mas também universal? “Exactamente. Eu acho que todos nós nos revemos neste ensaio perante o adeus. Isso é a primeira coisa. E também aquilo que eu estava a dizer há bocado: o adeus nunca foi preparado e então parece que ensaiamos na nossa cabeça como é que poderá ser este fim? E na questão da turbulência também acho que há relações familiares complicadas, que nos desafiam - a maioria delas, diria até. Então, eu acho que é uma coisa que o Tiago, ao falar do pai dele, possibilita-nos a nós de também nos vermos naquela história.” A Beatriz interpreta os papéis do pai e do filho. Como é que vestiu toda essa carga simbólica? “Bom, essa carga simbólica nunca lá esteve. Da parte do Tiago, ele sempre nos aligeirou esse peso, do género: ‘Isto não tem de ser uma coisa sobre mim, não sintam demasiado pudor com a história por ser uma coisa pessoal'. Portanto, ele tentou sempre retirar qualquer tipo de peso. Mas é claro que há essa herança, essa questão de ser uma história pessoal e o facto de trocar os papéis é um pouco um exercício de se pôr no lugar de um e no lugar do outro a meu ver. Foi um exercício que surgiu muito naturalmente.” Já estava escrito ou foram vocês que criaram? “Não. O Tiago escreve sempre durante o processo. É uma qualidade dos processos de criação do Tiago, o que é óptimo para nós porque nos dá imensa liberdade para propor coisas e para o espectáculo se ir inventando ao longo do tempo. Portanto, como ele não sabia bem quem é que ia desempenhar o Barba Longa, o Barba Curta, o Tiago ou o Rogério, íamos experimentando, entre eu e a Manuela [Azevedo], até que: ‘E se fôssemos trocando estes papéis?' E ficou assim esta troca de papéis também um bocadinho à boleia desta questão do ensaio, não é? Ora tu fazes de mim, ora eu faço de ti. Vamos lá experimentar o que é isto de fazer uns dos outros e de se pôr nos sapatos uns dos outros'. E foi assim que ficou.” A própria peça é um ensaio. Não sabemos se estamos numa reportagem cantada, se estamos numa peça de teatro... “Pois, isto é uma reportagem sobre o final da vida do Rogério. É uma reportagem que tem tanto de ficção como de documental. Como a própria Lisa, a narradora da história, diz no início: ‘é uma reportagem que está sempre a deambular entre o teatro e o jornalismo'... E o diário íntimo? “E o diário íntimo. Não sabemos aquilo que é verdadeiro ou não. Mas claro que muitas das coisas são inspiradas na vida real do Tiago e da relação com o pai dele, da vida do pai dele, a Teresa Torga, todo aquele artigo que é lido e tudo o mais, as canções, o poema escrito pelo pai do Tiago. Portanto, há muita coisa que é real, que é verdadeira, mas há muita outra que também é ficcional e que eu acho que também é um bocadinho a qualidade dos espectáculos do Tiago, ele gosta sempre de misturar, gosta sempre de desafiar os limites daquilo que é a ficção.” Temos teatro, temos jornalismo, temos música. Qual é o papel da música nesta peça? A música que só se cala mesmo no fim porque há sempre as notas da guitarra eléctrica e as vossas vozes... “Sim. Isto não era para ter tanta música, este espectáculo. Não, de todo. Até que chegámos a um momento em que a Manuela canta a Teresa Torga e experimenta ir para cima da montanha e o Tiago diz: ‘Bom, a partir de agora isto tem de ser um musical'. E começa a escrever a pensar em musicar as letras. O Hélder foi para as férias de Natal muito preocupado porque tinha de criar as músicas para Janeiro, que foi a estreia [2025]. A música não era para ter um impacto tão grande, mas acabou por se revelar muito importante. E também acho que serve um bocado este imaginário das alucinações, do caminho até à morte, de um caminho solitário, meio deambulatório, onde há fantasmas e figuras da morte que nos visitam, figuras do passado, figuras do presente. E tudo se mistura. A lucidez começa a ficar um bocadinho mais... Bom, a própria ficção começa a entrar na realidade, se quisermos. E, portanto, acho que a música serve não só para dar um tom meio melancólico ao espectáculo -e doce ao mesmo tempo, uma melancolia doce, eu diria - mas também para dar corpo a este lado mais fantasmagórico e de alucinação e do desconhecido que é a morte, na verdade, e que nos toca a todos.” A Beatriz canta também “Com que voz”. Como é que surgiu este fado na peça? “Bem, eu já não me recordo sinceramente como é que isto surgiu. O Tiago sabe que eu gosto muito de cantar fado...” Já cantou em “Na Medida do Impossível”... “Exactamente. Bom, falamos que a Teresa Torga era fadista, que gostava de cantar fado e acho que todo esse imaginário já lá estava. Este é um fado que o Tiago gosta muito e acabou por surgir a ideia de aparecer este fado também como imaginário do próprio Rogério, não é? O Jacques Brel, o fado, são tudo repertórios que ele gostava e que acho que servem o espectáculo e que servem estas figuras, estes tais fantasmas que o vão visitando no hospital.” Inclusivamente aparece um adufe que é da música tradicional de Trás-os-Montes... “Exactamente porque o Rogério era de Trás-os-Montes e a Manuela, a uma dada altura, propôs trazer este instrumento que é tradicional de lá, então, fez todo o sentido. Também acho que é uma peça muito portuguesa, com muitas referências portuguesas, e na música também está presente.” A peça é portuguesa, mas o título é “No Yogurt for the Dead”. De onde vem este título? E porquê em inglês? “Porque o próprio Rogério escreveu ‘No Yogurt for the Dead' no seu caderno. Esse tal caderno onde só existem rabiscos. Curiosamente, o Rogério tinha escrito em inglês e foi assim que ficou.” Qual é a história do iogurte? “Como o próprio espectáculo conta, o Rogério não gostava de iogurtes. O próprio título da reportagem que ele escolheu foi ‘No Yogurt for the Dead'. Esta questão do iogurte é uma nova paixão que o Rogério teve no hospital e que só começou a gostar quando estava no hospital e, portanto, é quase como uma metáfora para a sua nova personalidade no hospital, porque foi também no hospital e foi através da doença que se possibilitou uma reaproximação com o filho, com os entes queridos dele. É quase como ele próprio diz – ‘Pareço um miúdo, só quero dar amor e beijinhos. Já não me reconheço e gosto de iogurtes. Eu que nem gostava de iogurtes.' Portanto, é como se surgisse uma nova personalidade no Rogério, que, para quem vê, para quem observa, também deve ser estranho, não é? Quando o Tiago, o ‘Barba Curta', diz: ‘Não pareces tu, pai', há uma certa estranheza. O que é que é isto agora? Mas acho que também é essa nova personagem que ele tem no hospital e que gosta de iogurtes, que permite escrever um novo capítulo para a sua despedida.” Até que ponto é que esta peça sugere que contar histórias é uma tentativa de vencer a morte? Até porque ele morre várias vezes durante a peça... “Eu não sei se é uma tentativa de vencer a morte, não sei se é resistir à morte. Sim, talvez. Não diria resistir, no sentido em que não a podemos combater, é uma inevitabilidade, mas transforma sim, isso sim há resistência, porque transforma a maneira como nos relacionamos com ela, a maneira como a memória é criada deste pai, por exemplo. Ele está a transformar a memória que tem do pai ao escrever de outra maneira a sua partida, ao inventar novas maneiras da sua partida. E então penso que é uma maneira de apaziguar a dor, talvez, ou de, pelo menos, partilhar a dor com o público e de dizermos: ‘Ok, estamos todos aqui. Às vezes, a coisa não corre bem. Às vezes, é imperfeito, mas todos nos identificamos que há sempre uma caneta preta por trazer.' É a tal caneta preta que o Tiago traz no fim, isto é, no sentido em que há sempre uma coisa que poderia ser dita e nós todos nos relacionamos com isso, mas ao pô-lo em palco, talvez nos sintamos mais acompanhados nessa melancolia, nessa partida.” Em vez de uma entrega total à saudade e à tragédia tão portuguesas, há ali muito humor. O que é que o humor também traz a esta despedida? “Eu acho que o humor é essencial neste espectáculo porque senão seria uma coisa muito triste e muito insuportável. É uma das características dos espectáculos do Tiago é este balançar entre a tragédia e o humor. Ele fá-lo muito bem porque é sempre para aguentarmos a próxima facada, digamos assim, a próxima dor, é preciso respirar, rir um bocadinho. Toda a tragédia tem uma certa possibilidade de riso. Eu acho que o humor traz uma certa esperança à dor. Eu acho que é essa a nota final que fica. É claro que há dor, claro que há sofrimento, mas podemo-nos também rir disso e, em conjunto, z sorrir perante a partida de alguém, perante o vazio.” Vamos agora à nossa despedida. Trabalha com o Tiago Rodrigues há algum tempo, fez também com ele ‘Na Medida do Impossível'. Como é trabalhar com o director do Festival de Avignon e correr mundo fora com as peças que criou com ele, ele que tem tanto amor pelas palavras, pela liberdade artística e também, penso eu, vo-las dá? “É um prazer enorme trabalhar com o Tiago. Cada vez que trabalho com ele, como eu disse, a escrita é feita durante o processo de criação, portanto, isto dá muita liberdade aos actores. Ele convoca-nos para a própria criação, portanto, eu que tenho um passado em que criei a minha própria companhia e tudo isso, revejo-me muito nisso, identifico-me muito com esse método de trabalho em que todos estamos a contribuir para a criação. O Tiago tem sempre, apesar do estatuto de director do Festival de Avignon - que claro, está sempre muito ocupado e com as suas mil tarefas e mil emails por responder - a verdade é que ele preserva sempre uma leveza que eu invejo. É uma leveza de fazer do teatro a coisa mais fácil do mundo. Estamos a uma semana de estrear, ainda falta texto e ele diz: ‘Temos imenso tempo, uma semana é imenso tempo, podemos mudar o espectáculo todo!'. Claro que ele diz isto em tom de brincadeira, mas a verdade é que ele preserva sempre este sentido de humor, esta leveza perante o que estamos a fazer e, sobretudo, eu sinto que ele confia muito nos actores e na equipa com quem trabalha. Aliás, ele próprio diz, muitas vezes, que, mais do que ser um bom actor, ele chama pessoas com quem ele gosta de estar. Eu acho que isso se sente nos espectáculos dele e no processo. São também leves, como esta música, que é este tom melancólico, sorridente. Eu acho que também foi assim. E doce. Acho que também são assim os espectáculos e os processos de criação do Tiago.”

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Illustrating a Cookbook's Visual Language with Maxine McCrann

Kitchen Tape

Play Episode Listen Later Mar 18, 2026 35:29


This week on Kitchen Tape, Rose and Crystal sit down with Maxine McCrann to talk about her work on By Heart — including the now-iconic cover — and what it's like to build visual language for a cookbook versus other forms of commercial work. We dig into the slower, more intimate rhythm of cookbook making, how trust and authorship shape creative decisions, and what changes when an image is meant to live with a reader over time rather than circulate quickly.Mentioned in this episode:• The Newlywed Table• One-Bowl Meals• Boards, Platters, Plates• Cook Color• The Hostess Handbook• Sunday Suppers at Lucques by Suzanne Goin• Tartine by Liz Prueitt and Chad Robertson• Yotam Ottolenghi (all books)• Baking and the Meaning of Life by Helen Goh• Sift by Nicola Lamb• A Thousand Feasts by Nigel Slater• Acme Bread Company• I Love You by Pamela Anderson and Maria Zizka• Panadería Rosetta• Chez Panisse cookbooks• Cooking by Hand by Paul Bertolli• Deborah Madison (all books)

Kitchen Tape
Deep Dive Part 2: The Invisible Architecture of a Cookbook

Kitchen Tape

Play Episode Listen Later Mar 11, 2026 85:24


In Part 2 of our cookbook deep dive, we zoom out from the writing and into the ecosystem that actually gets a book into the world. Photography. Editing. Design. Illustration. Marketing. Pub Day and Book tours. Translation. Ghostwriting.We talk about when you move from the lonely writing to working with the essential teams! How to work with each team, keep your voice focused and stay organized. We call out titles Will This Make You Happy by Tanya Bush, Small Victories by Julia Turshen, Good Things by Samin Nosrat, By Heart by Hailee Catalano, and memoir-driven hybrids like Prune, Our Lady of Perpetual Hunger, and Everything Is Under Control. We explore the editorial voices of Maria Zizka, the visual storytelling of artists like Asami Watanabei, prop styling worlds like Three Bird Props, and the broader industry network — from agencies to publications like Edible LA.If Part 1 was about writing the book, Part 2 is about everything that makes it real — and what it actually takes for a cookbook to last. This is the full machine behind the magic.Mentioned in this episode:Will This Make You Happy: Stories and Recipes from a Year of Baking by Tanya BushSmall Victories by Julia TurshenRebecca StumpfJennifer Chong Proplink (no longer open)Three Bird PropsNidia Cueva, Holl & ArtistsEat This Book by Stacy MichelsonAsami Watanabei (@artsami.w)Good Things: Recipes and Rituals to Share with People You Love by Samin NosratAnna and David Posey, ElskeMaria ZiskaBy Heart: Recipes to Hold Near and Dear by Hailee CatalanoEdible LAPrune by Gabrielle Hamilton Our Lady of Perpetual Hunger by Lisa DonovanEverything Is Under Control: A Memoir With Recipes by Phyllis Grant

Engage and Equip
#418 Pursuing Unity and Gracious Striving [AMA]

Engage and Equip

Play Episode Listen Later Nov 27, 2025 89:54


As we wrap up this portion of the By Heart series and transition into Advent, Pastors Nic and Adam sat down to do another Ask Me Anything about Nic's recent sermon in the series. The questions touch on topics such as division and unity, gracious striving, and forgiveness. Engage & Equip is a resource designed to help form substantive disciples for the local church.Find more episodes at highpointchurch.org/podcastMusic: HOME—We're Finally Landing, Nosebleed, If I'm Wrong (https://midwestcollective.bandcamp.com/album/before-the-night)

The TASTE Podcast
620: Hailee Catalano Shares Her Hearts For Chicago, Red Sauce Classics, The Jersey Shore, and Rachael Ray

The TASTE Podcast

Play Episode Listen Later Jul 9, 2025 90:05


Hailee Catalano is a trained chef, a former restaurant cook, a recipe developer, and one of our favorite voices in all of food. She is the author of a great new cookbook, By Heart. In this episode, we talk about her early years in Chicago, growing up in an Italian American household, and her later years working the line as a cook before launching her social media account on a lark. If you follow Hailee, you know her unique take on home cooking is absolutely mesmerizing, and we discuss how she thinks about developing recipes for Instagram Reels and TikTok. We also chat a bit about our live event in Brooklyn on July 23. Matt will be speaking with Hailee and her partner, Chuck Cruz, onstage. It's going to be a really special evening, and tickets are on sale now. Also on the show we have a great conversation with David Nayfeld. He's the chef and co-owner of Che Fico in San Francisco, among other restaurants, and the author of a great new book, Dad, What's for Dinner? We talk about restaurant life and how cooking for his daughter inspired him to write this unique book.See Privacy Policy at https://art19.com/privacy and California Privacy Notice at https://art19.com/privacy#do-not-sell-my-info.

The TASTE Podcast
552: 150 Flavors of Cheesecake with Tavel Bristol-Joseph

The TASTE Podcast

Play Episode Listen Later Mar 5, 2025 69:19


Tavel Bristol-Joseph is pastry chef and partner at Emmer & Rye, Hestia, Canje, and many other acclaimed restaurants in Austin, Texas, and beyond. He's also just opened a really cool dessert bar, Nicosi, in San Antonio. In this episode, we talk about Tavel's early cooking life in New York and how he grew a cheesecake mini empire out of his Brooklyn apartment—well, there were many apartments involved. It's a great story. We also discuss his move down to Texas and how his unique skills with pastry and restaurant hospitality have made him one of our country's most important chefs. I really enjoyed getting to hear Tavel's story.Also on the show, Aliza and Matt preview some really exciting cookbooks being released this spring. And stay tuned, as we will be back with many more exciting titles hitting bookstores in the next couple of months. Books mentioned on the episode: In the Kusina: My Seasonal Filipino Cooking by Woldy Reyes, Pakistan by Maryam Jillani, Fat + Flour by Nicole Rucker, Salsa Daddy by Rick Martínez, By Heart by Hailee Catalano, Sesame by Rachel Simons, Setting a Place for Us by Hawa Hassan, Every Day with Babs by Barbara Costello, Lugma: Abundant Dishes And Stories From My Middle East by Noor Murad, The Choi of Cooking by Roy Choi. Do you enjoy This Is TASTE? Drop us a review on Apple, or star us on Spotify. We'd love to hear from you. READ MORE:TASTE Live at Rizzoli with Barbara CostelloOne of America's Top Pastry Chefs Just Opened a New Dessert Bar [Robb Report]Food & Wine Best New Chefs 2020: Tavel Bristol-Joseph [Food & Wine]See Privacy Policy at https://art19.com/privacy and California Privacy Notice at https://art19.com/privacy#do-not-sell-my-info.

The Avid Reader Show
Episode 752: Joe Fassler - The Sky Was Ours

The Avid Reader Show

Play Episode Listen Later May 23, 2024 54:12


From prizewinning writer Joe Fassler comes a brilliant modern reimagining of the myth of Daedalus and Icarus as a story of obsession, longing, and the radical pursuit of utopiaIt's 2005, and 24-year-old Jane is miserable. Overworked, buried in debt, she senses the life she wanted slipping away—while the world around her veers badly off course, hurtling toward economic and ecological collapse. She wants to find something better. But she has no idea where to start. In a sudden and unprecedented burst of rebellion, Jane decides to abandon everything she knows, leaving behind her relationships and responsibilities to go on the road. That's how she meets Barry, a brilliant and charismatic recluse living on an isolated homestead near New York's Canadian border. For years, in secret, Barry's chased an unlikely obsession: to build a pair of wings humans can fly in, with designs inspired by an obscure precursor to the Wright Brothers. It's no mere hobby. He's convinced his dream of flight will spark a revolution, delivering us from the degradation of modern capitalism and the climate chaos that awaits us. Jane is captivated by Barry's radical vision, even as his experiments become more dangerous. But she's equally drawn to the enigmatic Ike, Barry's gentle, thoughtful son, who's known no other reality—and who only wants to keep his father alive, tethered to ground and to reason. So begins an inventive, dazzlingly beautiful story about the human desire for transcendence—our longing to escape the mundane and glide into a euphoric future. Inspired by the myth of Daedalus and Icarus, The Sky Was Ours is a powerful and imaginative debut that explores the question: If you had access to technology that allowed you to escape the confines of your life, would you use it? And if Barry's wings really could change the world, would that be freedom?Joe Fassler is a writer and editor based in Denver, Colorado. He is an MFA graduate of the  Iowa Writers' Workshop, and his fiction has appeared in The Boston Review and Electric Literature. In 2013, Fassler started The Atlantic's “By Heart” series, in which he interviewed authors—including Stephen King, Elizabeth Gilbert, Amy Tan, Khaled Hosseini, Carmen Maria Machado, Viet Thanh Nguyen, and more—about the literature that shaped their lives and work. That led to editing Light the Dark, a book-length collection that included favorites from “By Heart” alongside new contributions. Fassler's nonfiction has appeared in The New York Times, Bloomberg Businessweek, The Guardian, Longreads, and The Best American Food Writing. Fassler currently teaches writing at Vermont's Sterling College. The Sky Was Ours is his first novel.Buy the book from Wellington Square Bookshop - ​https://www.wellingtonsquarebooks.com/book/9780143135685

With Whit
Navigating Parenthood: Understanding 'No's with 'Why's', Insights from By Heart Co-Founder Mia Funt

With Whit

Play Episode Listen Later Mar 5, 2024 46:30


I so enjoyed getting to sit down with Mia Funt, founder of the fist clean baby formula By Heart, the only new formula to hit the market in 15 years! Mia Funt is a mother of three and years ago she couldn't stop thinking - where was the clean, nutrient-rich baby formula that moms could feel good feeding their babies? She takes us on her founders journey - raising 300 million dollars, the hurdles of FDA approval and clinical trials, and building a supply chain from scratch. By Heart is not only just an amazing product, but a whole community that wants parents to feel confident and supported. This conversation was so informative and absolutely made me feel less alone about the guilt I carried when it came to breastfeeding and formula. This episode is brought to you by Truly Hard Seltzer, COVERGIRL, Maidenform, and AG1. Truly believes life can be more refreshing when we can be real, let loose, embrace imperfection, and allow ourselves to be free from convention. To find Truly Hard Seltzer near you, go to trulyhardseltzer.com/locations. Please Drink Responsibly. Glowing, Radiant skin is only a pump away. You won't find this formula from any other drugstore brand. Only from Easy, Breezy, Beautiful COVERGIRL.Get a taste of M. A hot new collection of craveable intimates from Maidenform. Visit maidenform.com and use code WITHWHIT20 at checkout for 20% off your first purchase.If you want to take ownership of your health, it starts with AG1. Try AG1 and get a FREE one-year supply of Vitamin D3K2 AND 5 free AG1 Travel Packs with your first purchase exclusively at drinkAG1.com/withwhitSee Privacy Policy at https://art19.com/privacy and California Privacy Notice at https://art19.com/privacy#do-not-sell-my-info.

Lost Ladies of Lit
Elizabeth Smart — By Grand Central Station I Sat Down and Wept with Rosemary Sullivan and Maya Gallus

Lost Ladies of Lit

Play Episode Listen Later Jul 25, 2023 42:25 Transcription Available


When Elizabeth Smart's 1945 poetic prose novel “By Grand Central Station I Sat Down and Wept” was reissued in 1966, Angela Carter called it "Madame Bovary blasted by lightning," and Morrissey has since credited Smart's writing as having influenced his lyrics for The Smiths. This week's guests are biographer Rosemary Sullivan and documentary filmmaker Maya Gallus, both authorities on Smart's fascinating life and work.Discussed: People:Elizabeth Smart (Canadian author)Angela Carter (novelist and literary critic)Morrissey (musician, songwriter, and member of The Smiths)Rosemary Sullivan (biographer, author of "By Heart" - biography of Elizabeth Smart)Maya Gallus (filmmaker, director of "Elizabeth Smart: On the Side of the Angels" documentary)George Barker Books:"By Grand Central Station I Sat Down and Wept" by Elizabeth Smart"Madame Bovary" by Gustave Flaubert"The Dead Seagull" - A book written by George Barker, which portrays his version of their love affair."The Assumption of Rogues and Rascals" - Also written by Elizabeth Smart, a companion piece to "By Grand Central Station I Sat Down and Wept," where she reflects on her choices and life experiences.“O Caledonia” - A book by Elsbeth Barker, the final wife of George Barker, which will be discussed in a future episodeOther Entities:The Smiths (British rock band)Virago Press (feminist publishing house)Red Queen Productions (Maya Gallus' film production company)Charing Cross Road (famous street in London with many bookshops)The Book of Psalms (biblical text)Queen Magazine - The publication where Elizabeth Smart became the editor in 1965, bringing changes and giving a place to women writers.Other References:Song of Songs Mann Act - A law in the United States that prohibited the transportation of women across state lines for "immoral purposes," whicFor episodes and show notes, visit: LostLadiesofLit.com Follow us on instagram @lostladiesoflit. Follow Kim on twitter @kaskew. Sign up for our newsletter: LostLadiesofLit.com Email us: Contact — Lost Ladies of Lit Podcast

Artes
Tiago Rodrigues: Festival de Avignon é o “combate pela liberdade artística”

Artes

Play Episode Listen Later Jul 4, 2023 15:00


A 77ª edição do Festival de Avignon arranca esta quarta-feira e decorre até 25 de Julho com uma programação que tem como “fio invisível” a capacidade dos artistas transformarem a vulnerabilidade humana em invenção de outras formas de se viver. A descrição é feita pelo seu director, o português Tiago Rodrigues, para quem Avignon representa o “combate pela liberdade artística”. Tiago Rodrigues é o director artístico do mais icónico festival de teatro da Europa, o Festival de Avignon, cuja 77ª edição arranca esta quarta-feira e decorre até 25 de Julho. O encenador, actor, dramaturgo português é o primeiro artista não francês aos comandos do festival e a sua primeira programação tem a língua inglesa como convidada. No cartaz, há 44 espectáculos franceses e internacionais, 55% são assinados ou co-assinados por mulheres, nomeadamente o que abre o evento na mítica Cour d'Honneur do Palácio dos Papas da encenadora francesa Julie Deliquet, a segunda mulher encenadora a fazê-lo depois de Ariane Mnouchkine. Tiago Rodrigues defende e repete que “é urgente a liberdade artística”, que se deve “oferecer aquilo que está no código genético do Festival de Avignon que é uma grande pluralidade de estéticas” e que cabe a Avignon criar “pontes de diálogo artístico e cultural”.RFI: Desde 1947, a encenadora francesa Julie Deliquet é apenas a segunda mulher a abrir o festival na Cour d'Honneur do Palácio dos Papas. Porque decidiu fazê-lo? Tiago Rodrigues, Director do Festival de Avignon: A primeira escolha foi abrir o festival com o trabalho da Julie Deliquet que é um trabalho absolutamente formidável por duas características fundamentais. Uma é a singularidade do seu trabalho com as actrizes e com os actores. É uma grande directora de actores e de actrizes que trabalha sempre experimentando, mudando a cada noite a ordem das cenas, reinventando, o que dá uma frescura vital à interpretação das actrizes e dos actores absolutamente notável. Depois, a sua capacidade de se alimentar do cinema para fazer teatro. Trata o cinema como se fosse a sua biblioteca de reportório teatral e transforma cinema em teatro, mas num teatro que é esse teatro singular das pessoas, das actrizes e dos actores, da palavra, muito próximo de um teatro de uma grande acessibilidade popular e muito íntimo com o público mesmo num espaço tão grande como a Cour d'Honneur. Foi depois dessa escolha e do projecto “Welfare”, a partir do filme documentário de Frederick Wiseman, que nos demos conta, felizes, que era a segunda encenadora – segunda mulher francesa encenadora - a abrir o festival na Cour d'Honneur desde 1947, sucedendo a Ariane Mnouchkine, apesar de ter havido coreógrafas francesas e outras, Mathilde Monnier, Pina Bausch, Anne Teresa De Keersmaeker, que apresentaram o seu trabalho na Cour d'Honneur, mas no caso do teatro apenas duas mulheres desde 1947, o que nos dá uma medida do trabalho que ainda está por fazer. Mas não a convidámos por ser uma mulher. Ficámos foi muito felizes que a nossa escolha artística coincidisse com uma visão que é também política, com princípios e valores que defendemos.Nesta edição, fala-se, em palco, de feminicídios e violências contra as mulheres com Carolina Bianchi e Mathilde Monnier; de racismo com os Elevator Repair Service e Rebeca Chaillon; de escravatura com Emilie Monnet; de violência sobre os Sem Terra na Amazónia com Milo Rau; de guerra e mundos impossíveis consigo… Qual é a ambição e a linha de força?Eu julgo que nós seguimos os artistas. Esse é um dos combates do Festival de Avignon. É o combate pela criação, pela liberdade artística e seguir as ideias e os desejos e as urgências dos artistas. Portanto, não havia um tema, à partida, que procurássemos. Hoje, olhando para esta programação, há uma espécie de estrutura que emerge, um fio invisível que atravessa toda a programação, que é a capacidade que têm os artistas e as artistas de observar a vulnerabilidade humana, seja a vulnerabilidade colectiva, social, económica ou a vulnerabilidade individual, íntima, emocional, biológica, e transformar essa vulnerabilidade em criação. Olhar para a fragilidade, para a dificuldade, para a complexidade e ver aí um território fértil para a invenção e, muitas vezes, a invenção de uma fantasia, de um imaginário de outras formas de vivermos. Encara o teatro como uma grande utopia popular, um lugar de assembleia, de união e reunião, que deve fazer pensar e agir. No seu cartaz tem espectáculos que são murros na mesa e um apelo à resistência. Que marca quer deixar o Tiago Rodrigues nesta sua primeira edição? O Festival de Avignon de Tiago Rodrigues é a afirmação de que é urgente um teatro de intervenção e contar histórias da desobediência? Eu acho que é urgente a liberdade artística e eu acho que há artistas que têm um compromisso político, social que exprimem através da sua criação artística. Mas também há enormes artistas, muitos deles presentes também nesta programação, que não têm um discurso explícito sobre o seu compromisso artístico, embora o possam ter, mas não fazem aquilo que nós chamaríamos um teatro político. Eu penso no coreógrafo japonês Michikazu Matsune que trabalha com Martine Pisani - grande coreógrafa francesa que está pela primeira vez no Festival de Avignon - sobre a escrita coreográfica das suas primeiras peças, agora que o seu corpo já não pode dançá-las. Por exemplo, este trabalho sobre a passagem do tempo é um trabalho que também tem uma dimensão política, mas é sobretudo poético. Penso, por exemplo, no espectáculo “Paysages Partagés”, um espectáculo com sete espetáculos dentro, um grande passeio de sete horas na natureza, onde estão aliás, porque falamos em português, artistas portugueses. Vítor Roriz e Sofia Dias assinam uma das peças deste projeto de sete peças que não é necessariamente explicitamente político, mas obviamente que ao colocarmos a paisagem e o mundo natural no centro de um espectáculo há um compromisso com a sociedade, com o mundo, ecológico, poético que quer ser proposto ao público. É essa grande diversidade de olhares para o mundo, alguns mais explicitamente políticos, outros mais poéticos e outros ambos poéticos e políticos que nós queremos propor ao público. Nem só de teatro é feito o Festival de Avignon. Há dança e concertos de homenagem a Lou Reed, David Bowie e Neil Young... Há uma vontade de “desierarquizar” as artes de palco?Há uma vontade de oferecer aquilo que está no código genético do Festival de Avignon que é uma grande pluralidade de estéticas e acho que hoje, pensando numa programação para um público que também desejamos muito diverso, temos que ter a riqueza de diversidade em palco. Não podemos esperar ter uma grande diversidade de público - e quando falo de diversidade, falo de diversidade cultural, diversidade social, diversidade de origens étnicas, por exemplo - não podemos ter essa diversidade na plateia completamente se não a tivermos também no palco. A riqueza da diversidade em palco é muito importante e aí entram as estéticas - algumas mais acessíveis, outras mais complexas - entram os temas dos trabalhos, entram os intérpretes, os corpos, a representatividade dos corpos. É muito importante também que quem está na plateia se veja, de alguma forma, em palco e se possa identificar e se possa relacionar, não se sinta a observar o outro o tempo todo, que se possa também observar a si mesma ou a si mesmo. E esse jogo de diversidades na plateia e no palco é um jogo que implica um pensamento sobre a inclusão, sobre a acessibilidade que é muito importante para nós e que toca também a programação artística. E o lado político mais uma vez... A anulação do espectáculo “Os Emigrantes” de Krystian Lupa levou-o a apresentar o seu “Dans la mesure de l'impossible”, que também descreve situações limite na escala da experiência humana. Porquê esta peça?Esta peça porque, em primeiro lugar, era preciso ocupar, à última da hora, um espaço deixado vazio pela anulação de um espectáculo que não conseguimos tornar possível depois de ter sido anulado na sua estreia e porque não existia. E por um motivo, para já, de ser um espectáculo que está a circular presentemente. “Na medida do impossível” em português, “Dans la mesure de l'impossible” foi mesmo agora apresentado na Roménia no Festival de Sibiu. Vai estar no Festival de Edimburgo em Agosto e, entre digressão, havia esta possibilidade de o apresentar em Avignon. Achei que, enquanto director, convidar artistas ou companhias à última da hora para uma substituição é, de alguma forma, expor esse artista, essa companhia, a encontrar o público embora não fosse a primeira escolha. É uma substituição à última da hora. É, como nós diríamos em Portugal, para desenrascar. E se é para desenrascar, prefiro expor-me a mim a ocupar este lugar e correr o risco de ser olhado como uma escolha de última hora.E também porque sempre disse que, uma vez que é para resolver um problema do festival, impedindo que o festival tenha um grande prejuízo financeiro ao não ter nenhum espectáculo nessas datas, eu sempre disse desde o início que o meu trabalho artístico estaria ao serviço do festival de Avignon e nunca ao contrário e, portanto, já desde a primeira edição, graças a um imprevisto infelizmente, tenho a oportunidade de o provar. “Não basta representar o mundo, é preciso mudá-lo”, diz um dos encenadores que convidou, Milo Rau. Dá ideia que o teatro radical de Milo Rau também inspira de certa forma o teatro de Tiago Rodrigues. “Dans la mesure de l'impossible” conta situações brutais e cenas, digamos, impossíveis de ver mas que aconteceram. Um dos trabalhadores humanitários conta: “Há coisas que vemos no nosso trabalho, coisas tão obscenas, tão horríveis, que não deveriam ser mostradas em palco”… Como é que se representa o que não é representável e que impacto espera que isso tenha no espectador?Julgo que a capacidade de evocação, de poesia, que existe no teatro permite mostrar, mas também permite fazer imaginar. Muitas vezes, nos ensaios desta peça “Na medida do Impossível – Dans la mesure de l'impossible” estávamos face, precisamente, ao impossível. Havia histórias que achávamos que não podíamos contar, mas o poder da evocação, o poder de fazer imaginar o público às vezes é mais forte do que a descrição ou mostrar uma cena. Aí entra, por exemplo, mais um português, Gabriel Ferrandini, enorme baterista, músico português, que muitas vezes está lá para nos dar em música aquilo que nós não temos palavras para descrever: muitas vezes o horror, a violência.O festival termina consigo em palco, frente a frente com o público, com o “By Heart”, em que lhe vai ensinar, de cor, um soneto de Shakespeare. A dada altura ouve-se “A resistência são homens e mulheres que aprendem de cor livros proibidos”... Num mundo em que a memória se vai perdendo, que peso tem esta peça na sua primeira edição?É uma peça que é talvez a minha peça mais pessoal. Eu costumo dizer que se alguém me quiser conhecer, melhor do que passar 15 dias comigo, é ver o “By Heart” durante uma hora e meia e fica a conhecer-me. É o meu cartão-de- visita, uma espécie de passaporte artístico, mas também pessoal. E é uma peça que conta a minha história também com a França. Eu criei-a há dez anos, em Lisboa, no Teatro Maria Matos, mas depois apresentei em Paris, no Théâtre de la Bastille. Desde essa altura, comecei a estar muito mais presente em França e, de alguma forma, terá contribuído, terá sido um dos trampolins que fez com que eu emigrasse o ano passado e agora viva em França e trabalhe na direcção do Festival de Avignon. Para mim, era uma possibilidade de um encontro poético, mas palpável, muito real, com o público deste festival para me dar a conhecer não apenas como director, mas também enquanto ser humano e enquanto artista.Este ano, é a língua inglesa a convidada. Mas há apontamentos lusófonos muito fortes, como « A Noiva e o Boa Noite Cinderela” da brasileira Carolina Bianchi, o “Antígona na Amazónia” de Milo Rau, o “Black Lights” de Mathilde Monnier com Isabel Abreu e Carolina Passos Sousa. Também tem duas peças suas. Ou seja, a língua inglesa - dominante, de modo geral, - domina mesmo esta edição ou é só uma forma de contrariar a separação do Brexit e de alargar fronteiras num festival francês?Acho que as duas coisas. Por um lado sim, a escolha da língua inglesa é uma resposta contra o Brexit, dizer que nas artes, na cultura, não aceitamos essa separação e que essas muralhas políticas serão contrariadas com pontes - mesmo que em Avignon não sejamos geniais a construir pontes porque há séculos que temos uma incompleta - mas pontes de diálogo artístico, cultural, que vamos continuar a construir com a língua inglesa, não apenas com o Reino Unido, mas com os países de língua inglesa e acho que há uma grande presença da língua inglesa, muito maior do que nas últimas décadas no Festival de Avignon. São sete espectáculos falados em língua inglesa no festival, mas também muitos artistas franceses que se inspiram de Shakespeare, de Virginia Woolf, de Wiseman, para criar os seus espectáculos e, depois, também a presença de grandes protagonistas da língua inglesa: a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie vai estar connosco para entrevistas públicas, leituras dos seus romances, para participar numa criação radiofónica da France Culture. Há todo um universo de presença da língua inglesa que me parece bem palpável, bem real e muito importante para o público do festival, para afirmarmos este festival cada vez mais como um festival poliglota, um festival do mundo, que convida o mundo, mas que também constrói o mundo. Para construir esse mundo, como é que Avignon pode ser uma utopia de teatro popular quando tudo fica tão caro, quando os bilhetes são tão caros e quando o próprio alojamento em Avignon é caro? Os bilhetes não são caros em Avignon. Os bilhetes têm tarifas altamente democráticas. Por dez euros, um jovem com menos de 26 anos ou uma pessoa dos grupos mais vulneráveis em termos económicos pode aceder a um espectáculo. Isso significa que em Avignon, por exemplo, comparando com esse grande espectáculo que eu também gosto muito que é o futebol, esse grande espectáculo popular, em Avignon nós podemos ver oito a dez espetáculos em vez de um bilhete para ficarmos mal sentados num estádio de futebol. Isso é uma prova da dimensão democrática em termos de tarifário do Festival de Avignon.Uma das coisas que reconhecemos é que efectivamente é difícil o alojamento em Avignon e mesmo a viagem, embora 40% do nosso público seja local. É uma ilusão dizer-se que em Avignon é uma invasão parisiense porque há mais público local do que vindo de Paris em Avignon. Mas, mesmo sabendo que mais de metade do nosso público se desloca para vir a Avignon, isso levou-nos, por exemplo, a antecipar a bilheteira em mais de dois meses. Em vez de abrirmos a bilheteira em Junho, agora abrimos em Abril, o que permitiu a muitos milhares de pessoas alojarem-se mais barato, mais cedo, comprarem bilhetes de comboio ou de avião mais cedo e, portanto, mais baratos também.Há estratégias, embora não possamos controlar o mercado, nós estamos mais do lado do serviço público porque somos uma associação sem fins lucrativos, mas tentamos compensar com estratégias isso que é uma economia com um nível de especulação bastante assustador. Mas também estamos em conversa com a cidade de Avignon, com o poder local, com o Estado e também com os privados para encontrar modos de regulação que permitam que o Festival de Avignon continue a ser acessível ao maior número de pessoas e que, sobretudo, a questão económica não seja um travão. Foi a razão pela qual criámos o projecto, pela primeira vez, que permite que 5.000 jovens venham este Julho a Avignon com viagens, alojamento, organizados em grupo, para ver 19 espectáculos dos 44 da programação, encontrar artistas, participar em ateliers, participar em actividades de moderação cultural. Esses 5.000 jovens vão ser uma espécie de exército pacífico de descoberta deste festival porque virão pela primeira vez e se este projecto não existisse, aí sim, efectivamente, os travões económicos não permitiriam que esses jovens estivessem no festival, descobrissem este festival e descobrissem também aquilo que é vivê-lo pela primeira vez e poder ser transformado como eu fui quando o vivi pela primeira vez.

Quinete Podcast
Episode 65: Quinete Podcast 65 - Artificial Paradises

Quinete Podcast

Play Episode Listen Later Dec 25, 2022 149:46


01 - Marsh & Leo Wood - Blue [00:00:00]02 - Cioz - Pace E Amore [00:04:30]03 - Sahar Z, Audio Junkies - Come2gether [00:08:55]04 - Sebastien Leger - Extassy [00:14:15]05 - Tim Green - Tears [00:21:20]06 - Jamiie  - Echoes [00:28:00]07 - Monolink - Reflections (Sam Shure Remix) [00:33:30]08 - Lane 8, Solomon Grey - Together (Grigoré Remix) [00:37:55]09 - Che Jose - Andromeda [00:40:45]10 - Ivory - Try [00:45:10]11 - Lexer - Nobu [00:50:00]12 - Djeff - Cloud 7 [00:53:30]13 - Max Freegrant - Morning Will Come [00:58:45]14 - Khåen - By Heart [01:03:35]15 - PARIS - Mangata [01:08:35]16 - Yotto, Booka Shade - Encounters [01:14:25]17 - WhoMadeWho & Rampa - Everyday (Jennifer Cardini Remix) [01:19:15]18 - Adriatique & Marino Canal - All I Ever Wanted [01:25:20]19 - Khåen - Smitten [01:30:10]20 - Andhim - Starz [01:33:35]21 - Marsh, Simon Doty - Touch The Sky [01:37:30]22 - Franky Wah feat. Lusaint - Find Out Who We Are [01:42:10]23 - Blanka Barbara - Reunion [01:48:10]24 - Ezequiel Arias, Spencer Brown - Mad Rush [01:50:45]25 - Luttrell - More Than Human [01:55:25]26 - Something Good feat. Yotto - Rhythm (Of The Night) [02:00:05]27 - Jamiie  - Unfold Me (Annett Gapstream Remix) [02:05:05]28 - Vintage Culture - Fractions [02:09:00]29 - Mind Against - Dreamcast [02:13:10]30 - Adriatique, Marino Canal - Accordia [02:18:15]31 - Franky Wah - I Know You [02:23:30]

Why We Love It. . .discussing the hit songs we all listen to!

Join Eric & Lloyd as they delve into Supertramp's "The Logical Song".   Next week will be "The Magic Man" By Heart. Please email us at rockpiano@me.com or call us at (310) 919-9127 (US) for any collaborations or business development opportunities.

The Glossy Podcast
Global CEO Tricia Smith on creating a 'sense of discovery' at Anthropologie

The Glossy Podcast

Play Episode Listen Later Oct 26, 2022 32:28


Coming off the heels of its 30th anniversary,  Anthropologie has no plans to slow down. Anthropologie celebrated its 30th anniversary in late September and, in step, produced an interactive installation at the New York Academy of Art called “By Hand, By Heart.” The installation, which ran from Oct. 1-2, showcased the brand's rich history and decades' worth of eye-catching storefront art. The company also published its first coffee table book with Rizzoli, titled "Art of Anthropologie," which celebrates Anthropologie's roots and creative accomplishments. At the helm of the heritage brand is Tricia Smith, who took on the role of global CEO in April 2021. From a very young age, Smith knew she was passionate about retail and serving customers. Though Anthropologie's reputation for keeping the customer front and center was one of the biggest draws for Smith, it was an unforgettable experience while visiting Anthropologie's Soho, NY location over 20 years ago that piqued her interest in the brand. "I remember the way the store made me feel. I distinctly remember that it was the first time that I, as a young woman, felt inspired by a retail experience," Smith shared on the latest episode of the Glossy Podcast. "It was the thoughtfulness of the curation of products, from apparel to candles and home accessories, all celebrated with these amazing and incredible visual installations. It inspired this sense of discovery in me that Anthropologie was the first to create." Since assuming the role as global CEO, Smith's biggest goal has been to invoke that same feeling of inspiration and creativity in customers. "When the opportunity was presented to me to join as the CEO, yes, it was exciting. But it was a bit of a pinch-me moment," Smith added.

Les histoires de 28 Minutes
Tiago Rodrigues / Printemps iranien ?

Les histoires de 28 Minutes

Play Episode Listen Later Sep 21, 2022 46:30


L'émission 28 Minutes du 21/09/2022 Au programme de l'émission du 21 septembre 2022 ⬇ De Lisbonne à Avignon, la boulimie de théâtre de Tiago Rodrigues C'est au lycée que le dramaturge et metteur en scène Tiago Rodrigues s'initie au théâtre. Mais c'est sa rencontre avec le collectif flamand Tg Stan, en 1997, qui détermine son désir de poursuivre cette orientation artistique. Originaire du Portugal, il se fait connaître en France avec “By Heart”, une pièce inspirée de sa grand-mère, présentée au théâtre de la Bastille. En 2021, il devient alors le premier étranger à être nommé à la tête du festival d'Avignon. Après avoir mené une série d'entretiens avec des personnes engagées dans l'action humanitaire, l'auteur développe son tout nouveau projet “Dans la mesure de l'impossible” à l'affiche du théâtre de l'Odéon. Tiago Rodrigues est notre invité.     La jeunesse iranienne peut-elle faire plier le régime des mollahs ? L'Iran se trouve à nouveau au cœur des débats. Après avoir été arrêtée le 13 septembre à Téhéran pour “port de vêtements inappropriés” par la police des mœurs, Mahsa Amini, âgée de 22 ans, est tombée dans le coma avant de décéder trois jours plus tard. Sa mort, encore inexpliquée, a suscité la colère dans le pays. Des manifestations ont éclaté au cœur de la capitale ainsi que dans la province du Kurdistan, d'où était originaire la jeune femme. Selon une porte-parole du Haut Commissariat Ravina Shamdasani, six personnes auraient été tuées suite à la réaction violente des forces de sécurité. Dans ce contexte, Emmanuel Macron s'est entretenu avec le président iranien, Ebrahim Raïssi, à l'occasion de l'assemblée générale des Nations unies à New York pour négocier un accord sur le nucléaire. Alors que le pays subit déjà une pression économique, ce nouveau drame social ne menace-t-il pas encore son équilibre ? Le régime des mollahs est-il en sursis ? Nos invités en débattent.     Enfin, retrouvez également les chroniques de Xavier Mauduit et d'Alix Van Pée. 28 Minutes est le magazine d'actualité d'ARTE, présenté par Elisabeth Quin du lundi au vendredi à 20h05. Renaud Dély est aux commandes de l'émission le samedi. Ce podcast est coproduit par KM et ARTE Radio. Enregistrement : 21 septembre 2022 - Présentation : Élisabeth Quin - Production : KM, ARTE Radio

The Consumer VC: Venture Capital I B2C Startups I Commerce | Early-Stage Investing
Jordan Gaspar (AF Ventures) - How she transitioned from law to investor, when brands are going omnichannel, and her approach to portfolio construction

The Consumer VC: Venture Capital I B2C Startups I Commerce | Early-Stage Investing

Play Episode Listen Later May 17, 2022 Transcription Available


Our guest today is Jordan Gaspar, the Managing Partner at AF Ventures. AF Ventures is dedicated to growing the next generation of brands, having invested in Circul, By Heart and Harmless Harvest. We discuss how she founded AF Ventures and leveraged her network as a lawyer, and how she thinks about growth for digitally native brands in this current age. Some of the questions I ask her: Can you please share a little about AF Ventures background? What was your initial attraction to consumer brands? How has AF Ventures evolved over the past few years? What are the most recent trends within consumer that you are most passionate about? How has COVID impacted recent trends? Does a product “need to work in retail” for you to invest? Why did you decide to raise a SPAC? We've also seen incredible growth from brands despite global supply chain issues. As an investor and advisor, how do you navigate or comprehend where we are currently at? What's one thing you would change about venture capital? What VC advice do you have for entrepreneurs/founders?

Composers On Air
#2 The Many Sides of Albertas Navickas

Composers On Air

Play Episode Listen Later Sep 27, 2021 59:27


In this episode we look into the creative life of San Francisco-based Lithuanian composer Albertas Navickas. Living a life of a scientist and composer, he is immersed in creative collaborations expressing many musical outpourings involving traditional instruments, voices and opera projects. The idiom, sound and aesthetics of his music remind of the forms of French culture (from Impressionism to authors heavily influenced by French music, such as Kaija Saariaho). His music of serene melancholy is supple, pastel, nuanced, formed of transparent textures and subtle dynamics, with specific acoustic colouring; it is a music of a single state (be it a chamber miniature or an opera), which spreads like an aroma and is slightly intoxicating. Tracklist: Podcast intro: Bronius Kutavičius Anno cum tettigonia from Lithuanian Music in Context II. Landscapes of Minimalism (Music Information Centre Lithuania, 2011), Silesian String Quartet: Marek Moś (violin), Arkadiusz Kubica (violin), Łukasz Syrnicki (viola), Piotr Janosik (cello). Compositions by Albertas Navickas: Sunrise of the West from the album Zoom In 13: New Art Music from Lithuania (Music Information Centre Lithuania, 2019), Eglė Sirvydytė (voice), Lithuanian State Symphony Orchestra, conductor – Paul Goodwin; Midsummer Music (2006), Ąžuolas Paulauskas (clarinet), Kamilė Maruškevičiūtė (violin), Ugnė Giedraitytė (piano); Blanche t'a vu (2006), Eglė Sirvydytė (voice), Ona Jonaitytė, Simona Vaitkevičiūtė, Justinas Mačys, Ūla Čaplikaitė (flutes); Memory Lines (2017), Lithuanian Chamber Orchestra, conductor - Robertas Šervenikas, Gaida Festival, Lithuanian National Philharmonic Hall, 2017; Alpha (2014), Nora Petročenko (mezzo-soprano), Nerijus Masevičius (bass), Pranas Kentra (electric guitar), Agnė Rimgailaitė (accordeon), Ignas Juzokas (electronics); Accidental (2011), PHACE Ensemble, Konzerthaus Wien, 2013; Tyla Balta ir Raudona (2005), Ugnė Giedraitytė (piano); Music of a Long Autumn (2006), Viktorija Stanelytė, Lauryna Bendžiūnaitė (sopranos), Ugnė Giedraitytė, Albertas Navickas (pianos); By Heart from the album Octets (Warner Classics, 2018), I Solisti della Scala, conductor - Andrea Vitello.

Speak Up St. Louis
Episode 35: Fatimah Muhammad (Hyde Park)

Speak Up St. Louis

Play Episode Listen Later Jun 13, 2021 69:46


Fatimah Muhammad has been a resident of Hyde Park for over 20 years. She and her family purchased a 120 year old LRA property, completed a total rehab, and have called it home for 23+ years.Her mission is to help revitalize the Hyde Park neighborhood– By Hand to commit to do the work, by By Heart with compassion, and By Eye to see clearly and remain focused. She is a servant of her community and the community at large.Fatimah joins the podcast to tell her story as a Social Entrepreneur, and Community Activist. Listeners will learn about the Hyde Park Neighborhood in North St. Louis, how development is bringing change to the community, and how Fatimah's "Apiary at the Park" project fits in.We appreciate Fatimah for her conviction, vision, and powerful belief in the community she lives in. Our hope is that you enjoy this episode, and follow it up with a VISIT to Hyde Park to see with your own eyes the beauty and potential in this neighborhood.

Fishing Business Podcast
Sticking with Your Dreams with Rodney Clawson

Fishing Business Podcast

Play Episode Listen Later Mar 18, 2021 52:01


Hoo boy!  This one's going to be a real treat for y'all. My guest today might surprise you.  Rodney Clawson is a Nashville Songwriter and if you aren’t familiar with his name, I bet you are familiar with his songs.  He's written some of the great songs we all know every word to BY HEART.And heart comes into this conversation alot.Rodney wrote songs like Drunk on You by Luke Bryan and Take a Little Ride by Jason Aldean.  He wrote “Where I Come From” recorded by Montgomery Gentry and “Get Your Shine On” by Florida Georgia Line.  In 2012, Rodney had THREE #1 SONGS on country radio, with Blake Shelton’s “Drink On It”, Luke Bryan’s “Drunk On You” and Jason Aldean’s “Take A Little Ride”. THREE NUMBER ONE SONGS!  He co-wrote the groundbreaking Kenny Chesney & Tim McGraw duet, “Feel Like A Rockstar”, which won the 2012 CMA Vocal Event of the Year. He's had a song named Country Song of the Year and has been named Nashville Songwriters Association International’s  Songwriter of the Year and BMI Songwriter of the Year. Rodney has had TWENTY SIX number ones in his career so far. That's just super, over the top, hugely succcessful in an industry in which it is extremely hard to succeed. Now here’s where it gets good for us.  Rodney's a really good fisherman and he’s tournament fished a good bit. So  he gets us over here in the fishing world.  He gets what it takes to be successful in a field where it seems like you could shoot to the top if you only got the right opportunity. But it’s like Thomas Edison said…” Opportunity is missed by most people because it is dressed in overalls and looks like work.”Rodney understands how to work hard and how to never give up on himself.  I want you to work hard and never give up on yourself.  So listen to this one with an open heart.  I bet you'll be inspired.

Will Preach For Food Podcast
American Idols (1st Commandment)

Will Preach For Food Podcast

Play Episode Listen Later Jan 24, 2021 21:08 Transcription Available


A message for the third Sunday in Epiphany, January 24, 2021. This is the first in a series of sermons based on the Small Catechism and the Ten Commandments. More resources are available at our website, www.faithshelton.org. Go to the "By Heart" page in the Resource Center.Exodus 20:1-620 And God spoke all these words: 2 “I am the Lord your God, who brought you out of Egypt, out of the land of slavery. 3 “You shall have no other gods before me. 4 “You shall not make for yourself an image in the form of anything in heaven above or on the earth beneath or in the waters below. 5 You shall not bow down to them or worship them; for I, the Lord your God, am a jealous God, punishing the children for the sin of the parents to the third and fourth generation of those who hate me, 6 but showing love to a thousand generations of those who love me and keep my commandments.The First CommandmentYou shall have no other gods.What does this mean?We are to fear, love, and trust God above all things.Support the show (https://www.eservicepayments.com/cgi-bin/Vanco_ver3.vps?appver3=wWsk24ZWJSTZKsGd1RMKlg0BDvsSG3VIWQCPJNNxD8upkiY7JlDavDsozUE7KG0nFx2NSo8LdUKGuGuF396vbdhmG17mgcwhAboLaaxZHtkiYnTg5dP4O6rpX5QvPEWlBhHDN59kLZFffwKfYERpQsAbQZ415_TFyeUh-ikcI7Q%3D&ver=3)

The Chris & Sandy Show
The Chris & Sandy Show with Stephanie Quayle

The Chris & Sandy Show

Play Episode Listen Later Jan 7, 2021 51:59


We had a great conversation with Stephanie Quayle on The Chris & Sandy Show. We talked about so many things from family, music, sacrifices, the industry as w whole, she told many great stories to a whole lot more.Her song "By Heart" that comes out tomorrow (Jan 8th) is a powerful love song! As we listen, it really dives deep into what you want to know about your spouse. Sandy & I give it 5 stars!! Great job!!

stephanie quayle by heart
Team Peri Step Out of Line
Stephanie Quayle: "Let's Talk It Out"

Team Peri Step Out of Line

Play Episode Listen Later Jan 6, 2021 31:36


Stephanie Quayle, breakthrough country music artist, marathoner, Summer Field Farms cowgirl, and Say Yes to the Dress alumni, has a whole lot of moxie, a great big ol' heart, and is inspiring beyond words. Stephanie is a storyteller in her own right as her songs express unconditional love and unique circumstances that one faces throughout their life. Make sure to tune into Stephanie's new music, “By Heart,” which is being launched Friday. For anyone who has been bullied as a child, Stephanie tells us that it gets better. Stephanie picked herself up and began to build her dream “one step at a time.” Being comfortable with being uncomfortable is how one can succeed in life. Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

acast dress say yes stephanie quayle by heart
The Word Bin
The Word Bin Episode 93

The Word Bin

Play Episode Listen Later Oct 21, 2020 4:13


In this episode the words By Heart, Moist, and Consumer are binned   Please send in your own audio for the podcast to thewordbin@gmail.com Details at https://fairacrepress.co.uk/the-word-bin/ where you will also find award-winning books, podcasts and projects Please subscribe, review, share if you like what you hear

Cultura
Cultura - Ana Karenina inspira peça em três línguas assinada pelo português Tiago Rodrigues

Cultura

Play Episode Listen Later Sep 20, 2019 6:41


“The Way She Dies”. “Como ela morre”. É a peça que o dramaturgo português Tiago Rodrigues, 42 anos, apresenta no Festival de Outono, em Paris, durante quase um mês. Os ingressos se esgotaram rapidamente para todas as apresentações antes mesmo da estreia. No palco, dois casais, um de portugueses, e outro, de belgas. O fio condutor de idas e vindas no tempo é o livro “Ana Karenina”, de Leon Tostói. Não se trata de uma releitura do romance de mais de mil páginas. É uma desculpa, uma inspiração, para Rodrigues construir uma história própria, de amor, paixão, desejo, separação. É uma trama de línguas: a peça se passa em português, em neerlandês e em francês. Na década de 1970, em Lisboa, o casal é formado pelos atores Isabel Abreu e Pedro Gil. Ela está apaixonada por um outro homem, um belga, e tenta aprender francês para se comunicar com o amado. O método escolhido é um volume de “Ana Karenina”, em francês. Quase 50 anos depois, um outro casal, em Antuérpia, se separa. O homem tenta racionalizar a ruptura, tendo nas mãos a velha edição de “Ana Karenina”, em francês, herdado da mãe portuguesa. Os atores são Jolente De Keersmaeker, Frank Vercruyssen, do grupo belga tg STAN. Tiago Rodrigues explica o título da peça, “Como ela morre”. “Quando Gabriel García Márquez diz, no início de ‘Crônica de uma morte anunciada’, que Santiago Nasar vai morrer às 7h30 da manhã, passamos o livro todo à espera que ele não morra, e quando ele vai abrir a porta daquela cozinha nas últimas páginas, nós gritamos, ‘Não abra a porta! Não abra a porta!’”, relata Rodrigues. “Sabemos que ele vai morrer. Mas essa implicação do detalhe, como é que nós, pessoal ou coletivamente, num determinado tempo, num determinado país, lemos aquela história. O mais importante, como é também o caso em 'The Way She Dies', não é se Ana Karenina vai se salvar, mas a questão é como podemos usar Tolstói e perceber como ela morre para falarmos do nosso tempo. Acho que é por isso que voltamos aos textos clássicos, às grandes histórias, aos mitos”, reflete o autor, que já revisitou os gregos, Shakespeare e Flaubert, entre outros. Um dos grandes nomes do teatro atual, Tiago Rodrigues é diretor artístico do renomado Teatro Nacional Dona Maria II, de Lisboa. O palco é um mundo para ele, literalmente. Além da longeva colaboração com o tg STAN, ele cria e interpreta sem parar, em parcerias internacionais. Nesta edição do Festival de Outono, ele também é coautor do espetáculo “Please Please Please”, junto com a performática espanhola La Ribot e a coreógrafa francesa Mathilde Monnier. Apreensão com o Brasil Ele também acompanha o drama cultural do Brasil com apreensão. “Tenho relações muito fortes com vários artistas brasileiros com quem já trabalhei, já me apresentei várias vezes no Brasil”, diz o artista. “Vejo com muita preocupação a situação no Brasil sob a administração Bolsonaro. Ao mesmo tempo, é imparável a diversidade, a força e a coragem artística brasileira, não só do teatro”, acrescenta. Ele diz que é preocupante a forma como os editais estão sendo modificados diante da pressão política sobre as instituições culturais, além do sério risco de surgir uma censura oficial.   Em março de 2020, Tiago Rodrigues participa do MITsp, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, onde ele vai apresentar as criações “Sopro” e “By Heart”. “The Way She Dies” fica em cartaz no Théâtre de la Bastille, em Paris, até 6 de outubro.

Prison Radio Audio Feed
Excerpt from "By Heart" (4:43) Spoon Jackson

Prison Radio Audio Feed

Play Episode Listen Later Apr 8, 2019 4:44


Excerpt from "By Heart" (4:43) Spoon Jackson

Heart of the City
2018-08-26 Rob Wachter - Grace Road Church

Heart of the City

Play Episode Listen Later Aug 13, 2018 24:57


By Heart of the CitySee omnystudio.com/listener for privacy information.

church wachter by heart grace road
DIY MFA Radio
183: The Power of Words - Interview with Joe Fassler

DIY MFA Radio

Play Episode Listen Later Jan 24, 2018 50:53


Hey there word nerds! Today I am delighted to have author and editor Joe Fassler on the show! Joe earned his MFA from the University of Iowa Writing Program and is a senior editor at The New Food Economy. His writing has appeared in many journals including The Boston Review, Electric Literature, and Creative Nonfiction, but he’s probably most well-known for the author interviews he conducts as part of The Atlantic’s “By Heart” series. Joe’s latest work, Light the Dark: Writers on Creativity, Inspiration, and the Artistic Process, is a compilation of numerous authors’ answers to one simple but profound question: What inspires you? Light the Dark is available now. I’ve been reading it and all I can say is if you’re a writer, you must put this book on your To-Be-Read list for 2018! Listen in as we chat about this amazing book, and some of the best ways to keep inspired and motivated to write.   In this episode Joe and I discuss: Learning to the draw the line, how to find your catch-all creative time. Why you need to celebrate your zero moment. Balancing what publicists want and what writers want in an interview. Techniques to help find that quiet place of creativity in your mind. The importance of the written word and the transformative power of books. Plus, Joe’s #1 tip for writers. For more info and show notes: DIYMFA.com/183

The Secret Library Podcast
#70 Joe Fassler Lights the Dark

The Secret Library Podcast

Play Episode Listen Later Sep 28, 2017 47:08


I wish I had been smart enough to come up with Joe Fassler's book idea. As a fellow interview lover, Joe has been writing the column By Heart for the Atlantic long enough to amass a who's who of interview subjects. You know, people like Neil Gaiman, Stephen King, Elizabeth Strout, Michael Chabon, Emma Donoghue, Mary Gaitskill... the list goes on. His topic? What piece of writing inspired you enough that you read it over and over and practically memorized it because it had such an impact on your life. Writers + book talk? Total heaven. And his new book, Light the Dark, assembles his favorite interviews on this topic.  Not only do I recommend that you listen, I think that anyone wanting to write will adore this book. So many wise words on the process of writing and what makes a piece of writing meaningful. I can't wait for all of you to listen to this one, and to check out Light the Dark.  Show notes with Links See acast.com/privacy for privacy and opt-out information.

Selling Across America Podcast
Mindset: Goals Must Be A Choice

Selling Across America Podcast

Play Episode Listen Later Nov 25, 2016 2:38


Goal Achievement Has a Formula and We Know it By Heart! Setting goals is the easy part, achieving them can be elusive, frustrating, and downright discouraging. However, with our proven, sustainable process we can predict and even guarantee your success! STARTS January 11th!   REGISTER HERE

The 7th Avenue Project
By Heart: Poetry. Prison. Two Lives.

The 7th Avenue Project

Play Episode Listen Later Apr 25, 2010 67:19


Judith Tannenbaum was a teacher working in San Quentin. Spoon Jackson was an inmate serving a life sentence. We'll hear how they met, discovered a mutual love of poetry and forged a 25-year friendship. That friendship is the subject of their memoir, "By Heart."