Podcasts about outono

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Latest podcast episodes about outono

Expresso - Expresso da Manhã
Por causa das eleições do Outono, Trump precisa da paz, mas Netanyhau precisa da guerra

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later Jun 9, 2026 14:41


Israel tinha voltado à guerra com o Irão, mas a Casa Branca impôs o regresso ao cessar-fogo. No Outono, haverá legislativas em Israel e as Midterm nos Estados Unidos. Trump e Netanyhau assumem publicamente as divergências sobre o caminho a dar a este conflito que fez ontem 100 dias. Neste episódio, conversamos com o comentador da SIC Rui Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Governo do Estado de São Paulo
Defesa Civil - Quarta-Feira, dia 03/06, o dia será bem típico do outono, com predomínio de sol entre algumas nuvens na maior parte do Estado de São Paulo

Governo do Estado de São Paulo

Play Episode Listen Later Jun 2, 2026 1:08


Radiosul.net
Programa - O Campo em Notícia 30 05 2026

Radiosul.net

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 58:57


- Leilão de Pepro negocia quase 120 mil toneladas de arroz em casca - Federarroz defende tratamento diferenciado da União para produtores gaúchos - Trigo pode ganhar até 423 kg/ha com manejo fisiológico em ano de El Niño - Contratos agrários demandam checagem jurídica e ambiental antes da assinatura - Centro de inovação em olivicultura busca fortalecer produção de azeite no Rio Grande do Sul - Ampliação de modalidades impulsiona mercado do cavalo Crioulo - Bubalinocultores levarão dinâmica de campo para a Megaleite 2026 - Homologação da raça Berganês amplia opções para produção de carne ovina no país - Fenagen 2026 é lançada em Pelotas com foco em genética e produção animal - Exposição Especial de Outono em Uruguaiana premia genética Hereford e Braford - Fórum de Vitivinicultura encerra com debate sobre precisão e avaliação positiva na Campanha - Organizadores da Abertura da Colheita do Arroz iniciam preparo das áreas para 2027 E mais: previsão do tempo, cotações e agenda: Entrevista: Ana Paula Souza, especialista em frangos da Alianima

TATUDAFRUTA PODCAST
Frutas de Outono - 097 - TATUDAFRUTA Podcast

TATUDAFRUTA PODCAST

Play Episode Listen Later May 18, 2026 22:58


O Tatu está de volta e o nosso pomar voltou a frutificar! O TATUDAFRUTA Podcast retorna no padrãozão de sempre: áudio sem frescura e direto ao ponto.No episódio de hoje, o papo é sobre as Frutas de Outono. Vamos conversar sobre a importância estratégica da diversificação para garantir produção o ano todo e manter o bolso do produtor girando.Além de citar várias opções de frutíferas que dominam essa estação, eu explico aquele "causo" técnico sobre o figo: como o manejo correto de desponte e poda inicial consegue manipular o ciclo da planta, empurrando a colheita do verão direto para o outono.

Dias Úteis
sem título, de Dulce María Loynaz, lido por José Carlos Tinoco (repost)

Dias Úteis

Play Episode Listen Later May 11, 2026 2:44


Episódio 081 de Dias Úteis, um podcast que oferece poesia pela manhã, de segunda a sexta-feira. Durante os dias que precedem e também ao longo dos que incluem o programa da Maratona de Leitura da Sertã 2021, convidamos alguns dos participantes a partilhar um poema para o nosso podcast. Convidados, autores, mas também os membros da equipa que faz com que este evento aconteça, têm aqui um outro palco para lerem. Hoje, José Carlos Tinoco lê Dulce María Loynaz, do livro Jardim de Outono, edição Flâneur. Ainda vai a tempo de participar neste enorme evento, em que temos o prazer de ser parceiros: https://www.maratonadeleitura.pt/. Tema musical original de Marco Figueiredo, com voz de José Carlos Tinoco. Saiba mais sobre os nossos projectos em www.assdeideias.pt.

Governo do Estado de São Paulo
Boletim: Governo de SP reforça vacinação contra a gripe com chegada do outono e convoca público prioritário

Governo do Estado de São Paulo

Play Episode Listen Later Apr 21, 2026 3:15


Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) reforça o chamado para que a população se vacine contra a gripe. A imunização é a principal forma de prevenir casos graves da doença, reduzir internações e evitar óbitos, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

Notícias Agrícolas - Podcasts
Características de outono trazem frio para sul, sudeste e parte do MS neste fim de semana

Notícias Agrícolas - Podcasts

Play Episode Listen Later Apr 10, 2026 35:29


Chuva concentrada na área central do país deixa fronteira entre MG, BA e ES em alerta

Colunistas Eldorado Estadão
Bem-Estar: Começa o outono, começam as viroses

Colunistas Eldorado Estadão

Play Episode Listen Later Mar 30, 2026 3:12


Doutor Carlos Alberto Pastore dá dicas sobre bem-estar e saúde às 2ªs, 4ªs e 6ªs, às 6h50, no Jornal Eldorado.See omnystudio.com/listener for privacy information.

bem estar outono jornal eldorado
Rádio Senado Entrevista
Especialista alerta para aumento de doenças respiratórias com a chegada do outono

Rádio Senado Entrevista

Play Episode Listen Later Mar 27, 2026 10:28


Com a chegada do outono em 20 de março, aumentam os casos de doenças respiratórias em muitas regiões. Sobre o assunto, convidamos o médico William Schwartz, coordenador de pneumologia no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, para explicar os motivos do aumento de casos e as doenças mais comuns. Schwartz também menciona as campanhas de vacinação contra a gripe e sua importância para combater doenças respiratórias.

IHARACAST
23/03/26 - Outono começa com chuvas e otimismo para a safrinha de milho | IHARA CLIMA

IHARACAST

Play Episode Listen Later Mar 23, 2026 5:33


Com a chegada do outono, as perspectivas climáticas são positivas para parte do campo brasileiro. O Mato Grosso apresenta alto potencial produtivo para o milho segunda safra e o algodão devido à continuidade das chuvas em abril. No Sul, um novo sistema climático traz alívio para o Rio Grande do Sul, além de beneficiar Argentina e Uruguai. Por outro lado, a irregularidade das chuvas exige atenção no norte de Minas Gerais e oeste da Bahia, enquanto a zona de convergência no extremo norte do país pode impactar a logística e os embarques. O boletim agrometeorológico, em parceria entre Rural Clima e IHARA, apresenta as projeções para apoiar o planejamento de plantio e colheita.0:19 – Balanço da última semana: chuvas no Centro-Norte e paralisações0:43 – Registros de alívio térmico e hídrico no PR, MS e RS1:23 – Previsão de chuvas irregulares em SP, PR e SC1:36 – Nova frente fria na Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul2:42 – Início do Outono: mudança de estação e manutenção da umidade3:09 – Corredor de umidade e a Zona de Convergência no Oeste e Sudeste3:44 – Potencial produtivo do MT: chuvas prolongadas para milho e algodão4:15 – Possibilidade de chuvas em maio e áreas com risco de irregularidade (MG, BA, TO)4:50 – Alerta logístico no Extremo Norte do país✅ Conheça nossas soluções:https://ihara.com.br/produtos/#IHARA #Agricultura #Agronegócio #BoletimDoClima #PrevisãoDoTempo #BoletimMeteorológico #Agro #Chuva #Soja #MilhoBem-vindo(a) ao canal da IHARA!Desde 1965, a IHARA trabalha ao lado do agricultor. Com mais de 80 produtos no portfólio para atender mais de 100 culturas diferentes, temos como propósito solucionar o dia a dia do agricultor no campo e contribuir com o progresso da agricultura brasileira. Aqui no canal, você vai encontrar muitos conteúdos de qualidade, produzidos em parceria com grandes especialistas do mercado, para ajudar você em seus desafios.Tags: IHARA, Agricultura, Agronegócio, Boletim do clima, Previsão do tempo, Boletim meteorológico, Agro, Chuva, Safra 2025/26

Com a Saúde Em Dia
Com a Saúde em Dia - Cuidados com a saúde no outono

Com a Saúde Em Dia

Play Episode Listen Later Mar 23, 2026 1:09


O outono já começou! Essa estação tem como características típicas temperaturas e clima mais secos, exigindo maior atenção com a saúde, especialmente com asvias respiratórias e a imunidade.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jornal da Manhã
Jornal da Manhã - 21/03/2026 | Outono começa com sol no Sul e Sudeste

Jornal da Manhã

Play Episode Listen Later Mar 21, 2026 242:15


Confira os destaques do Jornal da Manhã deste sábado (21): O outono chegou ao Brasil na última sexta-feira (20) e o calor predomina nas regiões Sul e Sudeste neste fim de semana. No entanto, a passagem de uma frente fria no Rio Grande do Sul deve trazer chuvas volumosas para a região. Em São Paulo, não há previsão de chuva, mas o Rio de Janeiro e Minas Gerais podem apresentar pancadas ao longo da semana. O tenente-coronel da PM, Geraldo Neto, voltou a defender que a policial Gisele Alves, sua esposa, cometeu suícidio, durante a audiência de custódia na última sexta-feira (20). Vale lembrar que o tenente está preso preventivamente por ser o principal suspeito de ter matado a esposa. A guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã provocam impactos em todo o mundo. De acordo com a economista Denise Campos de Toledo, o conflito eleva riscos econômicos, pressões sobre juros no mercado brasileiro. O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT) confirmou saída do Ministério para concorrer ao Senado pela Bahia e Wellington Dias (PT), Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do BrasiL, também deve deixar o governo Lula (PT), para coordenar a campanha do presidente, com foco na reeleição. O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas), lançou a pré-candidatura ao Senado por Alagoas. Em seu discurso, Lira destacou o período em que esteve à frente da Câmara. O principal concorrente dele será Renan Calheiros, que já é senador e vai disputar a reeleição. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou que está avaliando oito processos para o registro de medicamentos que contém a semaglutida, o princípio ativo do Ozempic, a famosa caneta emagrecedora. A expectativa é que o órgão autorize a quebra de patente e a comercialização seja ampliada. O conflito no Oriente Médio segue em escalada e os impactos globais deixam os países e o mercado financeiro mundial em alerta. Para entender melhor a situação, a Jovem Pan News entrevista o professor de Relações Internacionais, Lier Ferreira. O Comitê de Política Monetária, o Copom, decidiu cortar a taxa Selic, em 0,25 pontos percentuais. Esse é o primeiro corte na taxa básica de juros do Brasil desde maio de 2024. Para entender melhor os impactos dessa decisão e o combate à inflação, a Jovem Pan News entrevista o ex-diretor executivo do FMI, Paulo Nogueira Batista Jr. O cenário político nacional tem enfrentado diversos desafios neste início de ano. Com as eleições marcadas para outubro e a escala de conflito entre Estados Unidos e Irã, o Brasil pode sentir o impacto da incerteza global. Para falar sobre a situação, a Jovem Pan News conversa com o Dr. em Ciência Política, Marcelo Pimentel. O ator e diretor Juca de Oliveira faleceu nesta madrugada (21), aos 91 anos. A notícia foi confirmada por sua família em nota enviada à imprensa. O veterano estava internado desde a última sexta-feira (20) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em decorrência de um quadro de pneumonia associado a complicações cardiológicas. Essas e outras notícias você acompanha no Jornal da Manhã. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

JORNAL DA RECORD
20/03/2026 | Edição Exclusiva: Outono começa com previsão de calor e chuva acima da média

JORNAL DA RECORD

Play Episode Listen Later Mar 20, 2026 4:28


Confira nesta edição do JR 24 Horas: O outono começou nesta sexta-feira (20), às 11h45, pelo horário de Brasília. A partir de agora, os dias ficam mais curtos e as noites mais longas até a chegada do inverno, em junho. A previsão é de um outono mais quente do que o normal na maior parte do país, com chuvas ainda frequentes, principalmente em abril. No Sul, por causa da influência do El Niño, deve chover acima da média. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, a chuva começa a diminuir na segunda metade de maio, quando as frentes frias passam a avançar com mais força. E ainda: Vorcaro assina acordo com PGR e pode avançar para delação premiada.

Kellen Severo Podcast
898. #3em1Agro - 20/03/26

Kellen Severo Podcast

Play Episode Listen Later Mar 20, 2026 2:02


#3em1Agro - confira os destaques desta sexta-feira (20/03/26):➡️ Caminhoneiros tomam decisão sobre greve. Saiba qual!➡️ Outono começa hoje. Onde chuva ficará abaixo da média? Confira!➡️ Plano Safra 26/27: as primeiras demandas do agro para crédito e juros

Resumão Diário
Vorcaro é transferido para a PF e abre caminho para delação; Receita libera programa do IR 2026; Cai a patente do Ozempic; Outono terá temperaturas acima da média; Começa o Lollapalooza com 1º dia eclético

Resumão Diário

Play Episode Listen Later Mar 20, 2026 5:13


Vorcaro firma termo de confidencialidade; Mendonça barra domiciliar e transfere banqueiro para a PF. Fraude no INSS: Aposentados e pensionistas podem contestar descontos indevidos até esta sexta. IR 2026: Receita libera programa; contribuinte terá fim de semana para fazer declaração. Patente do Ozempic cai, mas Brasil ainda não tem alternativa nacional; novas canetas podem chegar até junho. Outono 2026: estação deve ter temperaturas acima da média e chuvas irregulares. Lollapalooza 2026 tem 1º dia eclético com Sabrina Carpenter, Doechii e Deftones.

CBN Vitória - Entrevistas
Chegada do outono: dias quentes e temperaturas acima da média no ES

CBN Vitória - Entrevistas

Play Episode Listen Later Mar 20, 2026 7:04


O outono começa, nesta sexta-feira (20), às 11h45, e se estende até às 5h24 do dia 21 de junho. Segundo a explicação do meteorologista Gustavo Verardo, da Climatempo, a nova estação será quente e até com temperaturas acima da média no Espírito Santo, durante a maior parte do outono, seguindo uma tendência da nacional. “Nós vamos ter um outono de transição de fenômenos oceânicos. Ou seja, a gente começa a ver o aquecimento do Oceano Pacífico, na região do Equador, para o desenvolvimento de um fenômeno El Niño, no final do outono. Por conta disso, temos uma maior disponibilidade de umidade na atmosfera.

A Música do Dia
No dia 20 de março o dia e a noite têm a mesma duração. É o equinócio. Entramos no outono!

A Música do Dia

Play Episode Listen Later Mar 20, 2026


Resumão Diário
Entenda a alta do preço do petróleo que ultrapassou US$115; Como vai ser o outono no Brasil e mais

Resumão Diário

Play Episode Listen Later Mar 19, 2026 4:07


Preço do petróleo ultrapassa US$115 após ataques a reservas de energia no Oriente Médio. Gilmar Mendes anula quebra de sigilo do fundo Arleen aprovada pela CPI do Crime Organizado. Duas crianças morrem em incêndio no Recife. Donald Trump dá sapatos com número errado para aliados, eles usam mesmo assim e viram meme. Outono começa amanhã: veja como vai ser a estação em todas as regiões do Brasil.

Governo do Estado de São Paulo
Defesa Civil - Nesta Sexta-feira, dia 20/03/2026, inicia-se às 11h45 a estação de outono/2026 no estado de São Paulo

Governo do Estado de São Paulo

Play Episode Listen Later Mar 19, 2026 1:15


Defesa Civil - Boletim Previsão do Tempo para 20/03

Cultura
Retrospectiva em Paris revisita cinco décadas de imagens de Nan Goldin entre arte, política e memória

Cultura

Play Episode Listen Later Mar 19, 2026 8:53


This Will Not End Well, em cartaz no Grand Palais e na Capela Saint-Louis da Salpêtrière, oferece uma visão inédita em Paris da obra de Nan Goldin, norte-americana que acaba de completar 70 anos como estrela inconteste da fotografia mundial. Goldin descreve seu trabalho no material da mostra e dá o tom da curadoria que recupera cinco décadas de um trabalho intenso, cru e cheio de empatia : “Sempre quis ser cineasta. Meus slideshows são filmes compostos de fotos”.   Márcia Bechara, da RFI em Paris A mostra, aberta a partir de quarta-feira (18) para o público na capital francesa, ocupa o Salão de Honra do Grand Palais e a Capela Saint-Louis da Salpêtrière, onde está sendo apresentada a instalação Sisters, Saints and Sibyls, concebida em 2004 para o Festival de Outono de Paris. Apesar de não ter podido estar presente na coletiva de imprensa em 17 de março por problemas de saúde, a presença da artista é sentida em cada detalhe da mostra. A seu pedido, Goldin foi substituída, durante a coletiva em Paris, por uma longa e pungente mensagem gravada por ela e um vídeo de apoio aos palestinos e à Faixa de Gaza, projetado nas paredes do Grand Palais. O curador sueco Fredrik Liew, responsável pela retrospectiva e diretor de exposições e coleções do Moderna Museet, em Estocolmo, acredita se tratar de “um grande erro quando se pensa nessa mensagem política como algo separado do resto da exposição". "Pelo que entendo da prática de Nan, o que me engaja é a dedicação dela às outras pessoas, à empatia e a como vivemos juntos. O que está acontecendo no mundo — populismo, terror, guerra — são consequências da falta de empatia. Nan propõe, com seu trabalho, mostrar o ser humano, estar junto e se esforçar para construir um mundo melhor”, observou à RFI. Gaza, AIDS e a convergência de lutas Ao longo das últimas décadas, a fotógrafa Nan Goldin tem criado imagens marcantes que exploram a poética do pessoal. Mais do que qualquer outro artista de sua estatura, Goldin tem usado seu sucesso para denunciar a ganância dos poderosos, desde a resposta lenta do governo norte-americano à crise da AIDS, que matou tantos de seus amigos na década de 1980, até o lucro da indústria farmacêutica e a epidemia de overdoses que ela desencadeou. Neta de judeus asquenazes da Polônia, ela passou os últimos anos, em suas próprias palavras, "consumida" pela destruição de Gaza e de seu povo. No início de 2026, ela e seu editor, David Sherman, começaram a costurar vídeos da Palestina – cenas de normalidade e de atrocidade, ambas – para produzir Gaza, um mosaico de dor e beleza, com imagens de antes e depois da guerra, vídeo apresentado também durante a coletiva de imprensa de lançamento de sua retrospectiva em Paris: Nan Goldin é reconhecida como uma artista maior que transita entre os séculos 20 e 21 revolucionando a fotografia contemporânea e a cultura visual. Com um título que encampa a ironia e a agudeza de seu olhar sobre o mundo, a retrospectiva This Will Not End Well (Isso Não Vai Acabar Bem, em tradução livre), no Grand Palais, é a primeira exposição na França a oferecer uma visão completa do trabalho da artista como cineasta, por meio de slideshows e vídeos.  Viagem sensorial Cada pavilhão da exposição parisiense parece pensado para contar uma história própria, transformando o percurso em um passeio sensorial pela obra de Nan Goldin. Sobre a montagem no Grand Palais, Hala Wardé, arquiteta e cenógrafa que colabora com a artista há anos, observou que “esse grande espaço parisiense acabou de ser reformado e recuperou uma luz que tinha perdido. Era importante voltar a este espaço e brincar com essa luz, mesmo que tenhamos decidido filtrá-la para manter um jogo de sombras e claridade. Aqui, no Salão de Honra — um lugar muito alto e imponente — optamos por torná-la menos densa. São cinco salas, em vez de seis como nos outros museus. A singularidade desta apresentação parisiense está na instalação de Sisters, Saints and Sibyls: ela é diferente, mas fiel à original.” Para Wardé, a luz é mais que um detalhe, “ela é o elemento que mais muda de cidade para cidade". "A luz de Paris não é a mesma de Estocolmo nem a de Milão. Decidimos torná-la menos intensa, ajustando a experiência ao espaço e à narrativa da exposição”, especificou. Sobre a disposição da obra na Capela Saint-Louis da Salpêtrière, a arquiteta detalhou que preferiu "respeitar a instalação exatamente como foi concebida para este lugar". "Inclusive, me inspirei nela para criar uma sala específica, com planta octogonal. Mantivemos toda a estrutura. Há um mezanino suspenso que provoca vertigem. A obra evoca o suicídio de sua irmã Barbara, em relação à história de Santa Bárbara. É muito intensa, e a forma como foi montada está perfeitamente adaptada a esta apresentação.” Uma narrativa viva e política Mais do que uma retrospectiva de fotografias, a mostra propõe redescobrir a obra como experiência audiovisual. O curador sueco Fredrik Liew explica: “Talvez as pessoas esperem fotografias em molduras, mas não há obras impressas. Meu convite à artista foi mostrar toda a sua prática, suas milhares de imagens, no formato de slideshows que ela produziu ao longo da carreira. Selecionamos seis para esta exposição. Essa é a curadoria dela de suas imagens, narrativas da sua obra de vida. Ela organiza todas as imagens que produz em diferentes histórias, contadas por meio desses slides e seus trabalhos em vídeo.” Ele também comentou à RFI a maneira como a artista revisita constantemente suas obras. “Ela nunca parou de trabalhar, sempre refaz. Não existe apenas uma maneira de mostrar suas obras, mas muitas, e isso se desenvolve. The Ballad of Sexual Dependency, por exemplo, quando começou a ser exibida no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, sempre era diferente, e continua diferente a cada apresentação. Ela sempre acrescentava imagens e apresentava tudo de maneira diferente, inspirada pelos contextos dos lugares. Ela sempre vê o trabalho a partir do presente: ‘Este é meu trabalho e é assim que o vejo hoje'. Estamos apresentando Nan como cineasta e contadora de histórias. Não estamos retirando nada de sua fotografia, mas acrescentando essa dimensão”, diz. A particularidade da montagem parisiense está na reinstalação de Sisters, Saints and Sibyls, originalmente criada para a Salpêtrière. Liew observa: “O que é realmente único em Paris é poder revisitar a Salpêtrière para a instalação de Sisters, Saints and Sibyls. A obra foi criada para o Festival de Outono em 2004 e estreou nesse local. Somos muito gratos por poder reinstalá-la agora, 20 anos depois, e mostrar a um público maior, além de apresentar todo o contexto de seu trabalho na forma desta exposição no Grand Palais.” Som, emoção e diaporamas O som é parte central da narrativa de Goldin. Barbara Kroher, curadora associada em Paris, explica que "a construção narrativa de Nan é muito sutil, quase epidérmica, incluindo a trilha sonora, que tem papel central.As escolhas musicais são ecléticas: Chopin, Schubert, Velvet Underground, Maria Callas, Edmundo Rivero. O som não pode ser separado da imagem; ele guia a narrativa. Em The Ballad of Sexual Dependency, há um subtexto sonoro. Em Sisters, Saints and Sibyls, na Capela da Salpêtrière, ouvimos coros medievais e a voz de Nan, ampliando a dor que permeia a obra. Em Memory Lost, há gravações de secretárias eletrônicas dos anos 1980, acrescentando significado às imagens. O diaporama é uma forma híbrida, entre fotografia e cinema.” A exposição inclui trabalhos que exploram traumas familiares, suicídio, dependência química e relações de gênero. Wardé ressalta: “Cada sala, cada luz, cada detalhe foi pensado para que o visitante se sinta atravessando uma experiência íntima e sensorial. A obra fala de dor, mas também de empatia, de estar junto com o outro.” Contexto histórico e social Goldin é conhecida por abordar questões sociais como gênero, saúde mental e crises de dependência. Em Memory Lost, ela explora os aspectos mais sombrios da dependência química. Em 2017, fundou o grupo P.A.I.N. (Prescription Addiction Intervention Now), atuando contra a família Sackler, considerada responsável pela epidemia de overdoses de opioides, pressionando instituições a removerem o nome dos doadores de seus espaços. O trabalho da artista também documenta a vida boêmia e alternativa de Nova York entre os anos 1970 e 1990, retratando amizades, festas e relacionamentos. Em material oficial, a exposição apresenta obras icônicas como The Ballad of Sexual Dependency (1981-2022), The Other Side (1992-2021), Sisters, Saints and Sibyls (2004-2022), Memory Lost (2019-2021), Sirens (2019-2020) e Stendhal Syndrome (2024). Paris como memória e cena artística A capital francesa mantém um vínculo duradouro com a artista. Kroher contextualiza: “Nan viajou pela Europa desde jovem, morou em Paris, fotografou amigos e apresentou trabalhos aqui. Alguns amigos aparecem em suas obras, como Valérie em Standard Syndrome e Kim Harlow, ícone transgênero dos cabarés parisienses nos anos 1980. Ela tem um vínculo duradouro com a cidade e a exposição reflete isso.” A curadora francesa observa ainda o impacto do olhar de Goldin: “São histórias sobre emoções e relações humanas em toda a sua diversidade e complexidade. A empatia é constante em seu trabalho. A exposição nos mostra que a arte pode criar um senso de comunidade.” Um vilarejo de slideshows Os pavilhões formam um conjunto que funciona como um “vilarejo”, em que cada espaço é adaptado à obra que apresenta. “Cada sala, luz e arquitetura dialogam com os slideshows, reforçando a intimidade e a narrativa política da obra, conduzindo o visitante por trajetórias de memória, emoção e cinema”, explica Wardé. This Will Not End Well fica em cartaz até 21 de junho de 2026 no o Salão de Honra do Grand Palais e na Capela Saint-Louis da Salpêtrière, em Paris.

Live Talks Por Paula Quintão
Primavera e Outono, Outono e Primavera Ep.909 Sessão de Enroscos

Live Talks Por Paula Quintão

Play Episode Listen Later Mar 17, 2026 6:47


Sessão de Enroscos, por Paula Quintão Paula Quintão é escritora e Dra. em Sustentabilidade, mentora e autora de 8 livros publicados pela sua editora Suban a Los Techos. Mãe da Clara. www.paulaquintao.com.br

Carta de Cerveja | Com José Raimundo Padilha

O verão chegou ao fim e o outono começa, uma mudança que também impacta o seu copo. Confira qual é a cerveja ideal para tomar nesta estação.

JORNAL DA RECORD
02/03/2026 | Edição Exclusiva: Março encerra verão e marca início do outono com chuvas irregulares e risco de temporais no Brasil

JORNAL DA RECORD

Play Episode Listen Later Mar 2, 2026 4:15


Confira nesta edição do JR 24 Horas: O mês de março marca o fim do verão no Hemisfério Sul. O outono se inicia no próximo dia 20, às 11h45, no horário de Brasília. Historicamente, março ainda é um período bastante abafado no Brasil e as pancadas de chuva devem continuar, mas não tão volumosas e regulares como nos meses anteriores. E ainda: Conta de luz segue com bandeira tarifária verde em março.

Otaku no Kissaten
Otaku no Kissaten #131 - O Veredito: Melhores do Outono de 2025

Otaku no Kissaten

Play Episode Listen Later Feb 23, 2026 84:59


Foi daqui que pediram um veredito dos melhores animes da temporada de outono?Essa temporada teve continuações incríveis e novidades surpreendentes, e por isso fizemos esse episódio especial para contar pra vocês sobre os nossos favoritos para que você não perca o que rolou de mais interessante nessa temporada.Venha conferir a nossa lista e conte pra gente quais foram os seus favoritos também. Agora sente-se confortavelmente que já estamos trazendo o seu pedido.☕ Quer apoiar o Otakissa e ajudar o podcast a crescer? Torne-se um apoiador: patreon.com/OtakunoKissaten

UNITEDcast
UNITEDcast #761 - SÓ OS PORRADEIROS DO OUTONO DE 2025

UNITEDcast

Play Episode Listen Later Feb 7, 2026 86:49


Olá pessoas do UNITEDcast, no episódio dessa semana nossos casters comentaram 3 animes de 3 porradeiros da temporada de outono de 2025. Vem conferir!   Participantes: Ds, Ana, Vitor, Wagner.   Edição: Ana Paula   Recrutamento da United: Aqui! – Mande seu Email: Email: podcast@animeunited.com.br Grupo Whatsapp: Aqui! – CANAL TELEGRAM: https://t.me/animeunitedbr – Apoie o UNITEDcast: Apoie pelo PIX: contato@animeunited.com.br Ou pelo Apoia-se: https://apoia.se/unitedcast Compre na AMAZON pelo Nosso Link: https://amzn.to/2WjH5kM – Assine o UNITEDcast: Spotify: Segue a gente por lá! iTunes: Adiciona a gente lá! Google Podcasts: Assine Agora! – Links do Episódio: Twitch do DS: https://twitch.tv/dsunited Canal da Ana: https://www.youtube.com/c/CulturaAnime Grupo do Kurt https://www.facebook.com/groups/actionsecomics2 – Nos Siga: Twitter do DS: https://twitter.com/odaltonsilveira Instagram do DS: https://www.instagram.com/odaltonsilveira/ Fabebook da United: https://www.facebook.com/animeunitedoficial Twitter da United: https://twitter.com/animeunitedBR Instagram da United: https://www.instagram.com/animeunitedbr/

ERNANI FORNARI
Jornada Xamânica: Direções Oeste e Norte. Outono e Inverno. Os elementos Terra e Ar.

ERNANI FORNARI

Play Episode Listen Later Dec 22, 2025 71:13


Ultima Live do ano no JOGANDO CONVERSA DENTRO no Instagram em 18.12.25

Harmonize sua Vida
37 - SB Canto 10 -  A Estação Chuvosa e o Outono em Vrindavan II / Swami Puri

Harmonize sua Vida

Play Episode Listen Later Dec 7, 2025 6:42


Leitura do Srimad Bhagavatam Canto 10 por SWAMI PURISWAMI PURI (Srila Bhaktivedanta Puri Goswami Maharaj) é monge renunciante há 26 anos, mestre espiritual do Vaisnavismo e discípulo de Srila Bhakti Pramode Puri Goswami Maharaj. Construiu um monastério no sul de Minas Gerais onde se pratica bhakti yoga, a yoga da devoção. Sua dedicação, amizade e simplicidade o tornou muito querido, recebendo a todos que tem ido tomar refúgio nesse belo espaço chamado Vrinda Bhumi.CONHEÇA MAIS sobre SWAMI PURI (B.V Puri Goswami Mahārāja)Instagram: / bvpuri Facebook: / swamipuri64 Site Oficial: http://www.swamipuri.com.brCANAL DO YOUTUBE - https://www.youtube.com/channel/UC2FhOypSOtH-y8D5PonB2aQGrupo Bhakti Dharma no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/LHY4w0pIkCt...ACOMPANHE-NOS NAS REDES SOCIAIS - SEMEANDO DEVOÇÃO: https://harmonizesuavida.my.canva.site/semeandodevocao

Harmonize sua Vida
36- SB Canto 10 -  A Estação Chuvosa e o Outono em Vrindavan I / Swami Puri

Harmonize sua Vida

Play Episode Listen Later Dec 6, 2025 3:25


Leitura do Srimad Bhagavatam Canto 10 por SWAMI PURISWAMI PURI (Srila Bhaktivedanta Puri Goswami Maharaj) é monge renunciante há 26 anos, mestre espiritual do Vaisnavismo e discípulo de Srila Bhakti Pramode Puri Goswami Maharaj. Construiu um monastério no sul de Minas Gerais onde se pratica bhakti yoga, a yoga da devoção. Sua dedicação, amizade e simplicidade o tornou muito querido, recebendo a todos que tem ido tomar refúgio nesse belo espaço chamado Vrinda Bhumi.CONHEÇA MAIS sobre SWAMI PURI (B.V Puri Goswami Mahārāja)Instagram: / bvpuri Facebook: / swamipuri64 Site Oficial: http://www.swamipuri.com.brCANAL DO YOUTUBE - https://www.youtube.com/channel/UC2FhOypSOtH-y8D5PonB2aQGrupo Bhakti Dharma no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/LHY4w0pIkCt...ACOMPANHE-NOS NAS REDES SOCIAIS - SEMEANDO DEVOÇÃO: https://harmonizesuavida.my.canva.site/semeandodevocao

Artes
Carolina Bianchi obriga o teatro a repensar o poder masculino na história da arte e das violências sexuais

Artes

Play Episode Listen Later Dec 1, 2025 21:06


A peça “The Brotherhood”, da encenadora brasileira Carolina Bianchi, foi apresentada em Paris, no final de Novembro, no âmbito do Festival de Outono. Este é o segundo capítulo de uma trilogia teatral em torno dos feminicídios e violências sexuais e mostra como uma inquebrantável força masculina tem dominado a história da arte e do teatro, engendrando simultaneamente violência e amor quase incondicional pelos “grandes génios”. “The Brotherhood” é o segundo capítulo de uma obra sísmica, uma trilogia teatral em torno da violência contra as mulheres em que Carolina Bianchi e a sua companhia Cara de Cavalo mostram como o misterioso poder das alianças masculinas tem dominado a história da arte, do teatro e das próprias mulheres. Em 2023, no Festival de Avignon, a encenadora, actriz e escritora brasileira quebrou fronteiras e despertou o teatro europeu para a sua obra com o primeiro capítulo da trilogia “Cadela Força”, intitulado “A Noiva e o Boa Noite Cinderela”. Nessa peça, arrastava o público para o inferno dos feminicídios e violações, a partir da sua própria história, e ingeria a droga da violação, ficando inconsciente durante grande parte do espectáculo. Agora, em “The Brotherhood”, Carolina Bianchi volta a trazer consigo as 500 páginas da sua tese e expõe incontáveis histórias de violência contra as mulheres, glorificadas por Shakespeare, Tchekhov e também tantos dramaturgos e encenadores contemporâneos. Ao mesmo tempo que questiona toda a complexidade que gera a deificação dos “génios” masculinos na história da arte e no teatro, Carolina Bianchi demonstra, com brilhantes laivos de ironia, que os deuses têm pés de barro e que as musas têm uma espada numa mão, mas também uma mão atrás das costas porque - como ela - têm um amor incondicional pelos “mestres”. Este segundo capítulo volta a abrir com uma citação de “A Divina Comédia” de Dante, situando-nos no purgatório e antecipando o inferno. Talvez por isso, uma das primeiras questões colocadas pela actriz-escritora-encenadora é “o que fazemos com esse corpo que sobrevive a um estupro?”, a essa “morte em vida que é um estupro”? O teatro de Carolina Bianchi ajuda a pensar o impensável ao nomear a violência e ao apontar todos os paradoxos intrínsecos ao teatro e à arte: afinal, não é o próprio teatro quem perpetua a “brotherhood”, esse tal sistema que se autoalimenta de impunidade e violência, mas que também se mantém porque “somos todos brotherhood”? Em “A Noiva e o Boa Noite Cinderela”, a principal inspiração de Carolina Bianchi era a artista italiana Pippa Bacca, violada e assassinada. Em “The Brotherhood”, é a poetisa Sarah Kane quem mais a inspira pelo seu amor à poesia e à própria violência. Quase como uma fatalidade, Carolina recorda que Sarah Kane dizia que “não há amor sem violência”. Uma violência que atravessa toda a peça, como um tornado, porque “a violência é uma questão infinita para mim” - explica a encenadora à RFI. Resta saber quanto tempo as placas tectónicas da “brotherhood” no teatro vão conseguir resistir ao tornado Carolina Bianchi.   “The Brotherhood” foi apresentado no Festival de Outono de Paris, de 19 a 28 de Novembro, na Grande Halle de La Villette, onde conversámos com a artista.                                        “O que significa situar-se no teatro depois de voltar do inferno?” RFI: O que é “The Brotherhood” e porque é que lhe consagrou a segunda parte da trilogia “Cadela Força”? Carolina Bianchi, Autora de “The Brotherhood”: “‘Brotherhood' vem de uma expressão da Rita Segato, que é uma antropóloga argentina, que quando eu estava estudando para o primeiro capítulo ‘A Noiva e o Boa Noite Cinderela', eu cheguei a essa nomenclatura. Ela diz ‘brotherhood' para essa essa fraternidade entre homens, em que o estupro é parte de uma linguagem, de uma língua falada entre esses pares. Então, ela coloca o estupro como algo que é uma questão da linguagem com que essa fraternidade conversa, é uma consequência dessa conversa e isso para mim foi muito interessante de pensar porque tem esses aspectos dessa protecção. Fazer parte dessa fraternidade tem coisas maravilhosas e tem coisas terríveis e também acho que o espectáculo revela isso. Essa fraternidade é extremamente nociva, extremamente daninha para os membros dessa fraternidade também, para aqueles que são excluídos da fraternidade, e para aqueles que também fazem parte ela pode ser muito cruel. Acho que a peça busca trazer essa complexidade, é uma situação complexa de como olhar para esse amor que nós temos por essas grandes figuras da arte que se manifestam nesses homens que foram importantes, que são influenciadores, por exemplo, do teatro e em toda parte. O que é que atribui essa fascinação, esse poder e a complexidade que isso tem, as coisas terríveis que isso traz. Acho que é um grande embate com todas as coisas e eu não estou excluída desse embate, dessa contradição. O amor que eu sinto por esses grandes génios também é colocado ali numa posição bastante complexa e vulnerável.” O que faz desse amor que tem pelos “grandes génios”? Como é que, enquanto artista mulher, o mostra e, ao mesmo tempo, o denuncia? Diz que a peça “não é uma denúncia”, mas o que é que se faz com todo esse amor? “Eu acho que essa é uma das grandes perguntas da peça. O que é que a gente faz com todo esse amor? Eu não sei porque continuo habitando esse ponto de sombra, de contradição que é um ponto que me interessa habitar dentro da arte, dentro do teatro. Para mim, é mais sobre essa grande pergunta. Eu não tenho essa resposta. Eu não sei o que a gente faz com esse amor, mas eu acho que poder nomear que esse amor existe e que ele é complexo e que é difícil e que tem consequências e coisas que são dolorosas a partir desse amor foi uma coisa importante para mim. Como eu digo em cena, não é uma peça de denúncia, não é esse o lugar da peça, mas levantar essas questões e olhar do que é feita também essa história da arte. A trilogia toda traz muito essa pergunta: como a arte tem representado ou tem sido um espelho de coisas que, de facto, acontecem na sociedade e mesmo a arte, com toda a sua história de vanguarda e com toda a sua liberdade de certos paradigmas, ela consegue também ainda se manter num lugar de prosseguir com certos tipos de violência.” Em 2023, quando falámos do primeiro capítulo, “A Noiva e o Boa Noite Cinderela”, disse que era “uma antecâmara do inferno, já com um pé no inferno”. Agora abre novamente com uma citação da Divina Comédia. Continuamos no inferno ou estamos antes no purgatório? “Sim. Nesta peça já estamos num purgatório, é acordar no purgatório. Tem uma frase da peça que é: “O que significa situar-se no teatro depois de voltar do inferno?”. Acho que essa frase resume um pouco essa busca de um posicionamento. Eu descreveria a peça como uma grande crise de identidade. Ela parte de uma crise de identidade, como uma jornada nesse purgatório, seguindo um mestre – como Dante segue Virgílio nesse purgatório. O mestre aqui seria um grande encenador de teatro, um grande artista, esses reconhecidos génios como a gente se refere. Acho que seria isso, seria uma jornada dessa tentativa de se situar num contexto do teatro. O teatro não é só um assunto da peça, o teatro é uma forma, é a linguagem como esta peça opera a sua discussão, a sua conversa.” Ao mesmo tempo que o teatro consegue pôr em palavras o que a Carolina descreve como a “fenda” que é a violação, o teatro também perpetua esse sistema de “brotherhood”, o qual alimenta a impunidade e a violência. Por que é que o teatro contribui para a continuação desse sistema e como é que se pode travá-lo? “Aí tem uma pergunta que eu não tenho resposta mesmo e que acho que nem existe: travar uma coisa dessas. Eu acho que sou pessimista demais para conseguir dizer que isso vai acabar. O facto de estar tão imersa nos estudos dessa trilogia vai mostrando que isso, para mim, está longe de terminar. Acho que a gente tem vivido transformações bastante importantes, contundentes, em termos de mudanças mesmo, mas acho que talvez a maior mudança que a gente tem aprendido, falando numa questão de corpos que não estão dentro dessa masculinidade que tem o poder, eu acho que é a questão da autodefesa que a escritora Elsa Dorlin aponta muito bem. Então, acho que uma das estratégias de autodefesa também é conseguir falar sobre certas coisas, é conseguir articular, talvez através da escrita, talvez através desta arte que é o teatro, nomear mesmo certas coisas, trazer esse problema para um lugar de debate. Para mim, a questão das respostas é impossível, é impossível, é impossível. Eu acho que o teatro tem essa história como parte de uma questão da própria sociedade. O teatro começa com esse actor que se destaca do coro, a gente tem a tragédia, a gente tem essa perpetuação dessa jornada heroica, os grandes encenadores, os grandes dramaturgos que eram parceiros dos grandes génios. A gente tem uma história que é feita muito por esses grandes mestres.” Mas, se calhar, as placas tectónicas do teatro podem começar a mudar, nomeadamente com o que a Carolina faz… Um dos intérpretes diz “Somos todos Brotherhood”. A peça e, por exemplo, a parte da entrevista que faz ao encenador “génio” não é a demonstração de que, afinal, não somos todos “brotherhood”? “Aí é que está. Eu acho que não. Eu acho que tem uma coisa que é menos purista nesse sentido do bem e do mal, do lado certo, do lado errado. Eu acho que é justamente isso. Tudo aqui neste trabalho está habitando esse lugar de complexidade, esse lugar de que as coisas são difíceis, é esse pathos que está manchado nesta peça. Então, a questão sobre o reconhecimento, sobre a empatia e também sobre a total distância de certas coisas, ela fica oscilando. Eu acho que a peça traz essa negociação para o público. A gente habita todos esses lugares de contradições. Eu acho que quando aparece esse texto, no final da peça, “tudo é brotherhood”, também se está dizendo muito de onde a sociedade tem as suas bases fincadas e como apenas o facto de ser mulher não me exclui de estar, às vezes, compactuando com esse sistema.” É por isso que se apropria dessa linguagem da “brotherhood”, por exemplo, na forma como conclui a entrevista do encenador “génio”? “Para mim, fazer uma peça sobre a ‘brotherhood', sobretudo usando o teatro como a linguagem principal, tinha a ver também com abrir um espaço para que essa ‘brotherhood' pudesse falar dentro da peça, pudesse se infiltrar dentro da peça e governar a peça. Por isso, essa coisa de uma outra voz que narra a história. Então, para mim, a peça precisava trazer essa ‘brotherhood' como guia, de facto, e não eu tentando lutar contra isso, porque senão acho que isso também revelaria pouco dessa complexidade, desse movimento que a ‘brotherhood' traz. É uma força e uma linguagem e eu precisava falar essa língua, ou melhor, tentar falar essa língua dentro da peça. Acho que isso também revela muito da complexidade minha que aparece ali, não como uma heroína que está lutando contra alguma coisa, mas alguém que está percebendo algumas coisas, mas também se está percebendo a si própria no meio dessa confusão.” Leva para palco essa complexidade, essa confusão. Admite ter sido vítima dessa violência, mas continua atraída por ela e dá a ideia que a violência engendra a violência. Porquê insistir nessa violência que alguém chama de “tornado” dentro da peça? “Porque não tenho outra opção neste momento. Acho que tem uma coisa de uma obsessão com o mal, que combina talvez uma questão para mim de temer muito esse mal, de já ter, em algumas vezes na minha vida, sentido essa força, essa presença, esse mal. Acho que esse mal é algo que temo e, por isso, também me obceca muito. É a linguagem com a qual agora eu consigo articular parte da minha expressão, parte da minha escrita, parte da minha presença. Acho que essa questão da violência é uma questão infinita para mim. Tem uma frase do ‘Boa Noite Cinderela' que é:‘Depois que você encontra a violência, que você sofre uma violência, enfim, você fica obcecada por isso”. Tem uma frase também na própria ‘Brotherhood', quando os meninos estão lendo uns trechos das 500 páginas que me acompanham ali em cena sobre a pesquisa da trilogia, e eles dizem: ‘Bom, então ela escreve: eu não superei o meu encontro com a violência. Eu sou a sua filha'. É impossível. Você fica obcecada.” A Carolina diz, em palco, que já não pode com a palavra violação, com a palavra estupro, que já não pode falar isso… Não pode, mas não consegue parar. É mais uma contradição? “Completamente. Mas isso é muito o jeito que eu opero, é nessa contradição e, ao mesmo tempo, dizendo que se a palavra agora não está carregando essa violência dessa forma, se eu não posso dizer a palavra estupro porque eu estou cansada de me ouvir dizer isso, vem a poesia com a sua forma. E aí a forma do poema é violenta e é isso que eu também estou debatendo ali. Então, é mudar uma forma de escrita e ir para um outro lugar onde essa violência apareça de outras maneiras.” Mas que apareça na mesma? “Não sei porque, para mim, por exemplo, a violência poética é uma outra forma de violência. Se a gente for pensar em termos de linguagem, a forma de um poema tem uma outra maneira de as coisas aparecerem, de a gente descrever as coisas, delas existirem, delas saírem, que é diferente de quando você está trazendo, por exemplo, um material documental para o seu trabalho. São maneiras diferentes de expressar certas coisas. Eu acho que é isso que eu estou debatendo ali no final da peça.” Aí diz que “o melhor caminho para a poesia é o teatro”, citando T.S. Eliot. Porém, também diz que o amor que você precisa não é o teatro que lho pode dar, nem a vida. Gostaria que me falasse sobre o terceiro capítulo da trilogia. Há esperança no terceiro capítulo? “O terceiro capítulo vai falar sobre poesia e escrita que, para mim, são coisas que estão muito perto do meu coração e isso já está apontado no final de ‘Brotherhood'. Sobre a esperança, eu não sei. Eu não sei porque o terceiro capítulo tão pouco vem para concluir qualquer coisa. Vem para ter a sua existência ali. Não sei se, na trilogia, se pode esperar um “grand final”, entende? Acho que a questão da esperança para mim, não sei nem se ela é uma questão aqui. Eu acho que é mais entender o que o teatro pode fazer? O que é que essas linguagens artísticas podem fazer? E, às vezes, elas não fazem muito e outras vezes elas fazem pequenas coisas que também já parecem grandes coisas.” Em si, o que fez? Há uma mudança? “Completamente, Completamente. Acho que a cada espectáculo dessa trilogia é uma mudança enorme porque você fica ali mergulhada em todas essas questões durante muito tempo e vendo a transformação dessas questões dentro da própria peça à medida que a vai repetindo. Porque demanda um tempo para você olhar para aquilo que você fez e ver o que essa coisa faz nas outras pessoas porque você, como directora, pode pensar ‘Ok, eu quero que a peça tenha essas estratégias de comunicação com o público, mas você não sabe, você não tem como saber o que aquilo vai fazer nas pessoas, que sinapses ou que desejos ou que repulsa ou que sensações aquilo vai trazer nas pessoas. Isso, para mim, é um momento interessante do teatro, bonito, essa espécie de ritual em que estamos todos ali, convivendo durante esse tempo, em muitos tempos diferentes - o teatro tem isso, o tempo da plateia, o tempo do palco, são tempos completamente diferentes - e vendo o que acontece.” Uma das questões principais da peça, que anuncia no início, é “o que é que fazemos com esse corpo que sobrevive a um estupro? Essa morte em vida que é um estupro?”. Até que ponto o teatro é, para si, a resposta? “Eu acho que o teatro é uma maneira de se formular a pergunta. Quando a gente vê na peça a pergunta colocada, transmitida por uma pessoa que sou eu, para eu chegar até essa pergunta é muito tempo e é muita elaboração a partir do pensamento do teatro. Então, acho que o teatro me ajuda a conseguir elaborar esses enunciados, essas perguntas, esses enigmas. Eu vejo o teatro como o lugar do enigma, onde o enigma pode existir, onde há coisas que não têm respostas, onde essa complexidade pode existir e pode existir na forma de enigma, de uma forma que não apresenta a solução. Então, acho que o teatro me ajuda a formular as perguntas e isso, para mim, é uma coisa que é muito bonita do teatro, é um lugar de uma honestidade muito profunda, como fazer para se chegar nas perguntas. O teatro é, para mim, o lugar dessa formulação, esse laboratório de formulação dessas perguntas, essas grandes perguntas.” Outra grande pergunta que se ouve na peça é: “Se a brotherhood no teatro desaparece, o teatro que amamos morre com ela? Estamos preparados para ficar sem esse teatro?” A Carolina não está a abrir uma porta para que esse teatro venha a existir? “Não sei se estou abrindo essa porta, mas ao formular essas perguntas, elas também ficam ali, nesse espaço, e agora elas habitam todas essas pessoas que estiveram aqui nestes dias assistindo a este espectáculo. Isso o teatro faz, esse compactuar, essas perguntas, tornar essas perguntas um processo colectivo. Agora essas perguntas deixam de ser perguntas que me assombram e passam a ser perguntas que talvez assombrem algumas pessoas que estiveram aqui. Isso é muito interessante. Mais do que acreditar que você está operando uma grande transformação, eu gosto de pensar num outro ponto, acho que só o facto de abrir essa pergunta, de fazê-la existir agora, colectivamente, isso é um trabalho, esse é o trabalho. Para onde ela vai a partir daqui, nem sei determinar, é um ponto bem nevrálgico do teatro, deixar as coisas ficarem com as pessoas. Eu busco muito esse lugar de não infantilizar o público, de deixar o público ficar com essas perguntas, de deixar o público ficar confuso, perdido. Acho que a gente às vezes ganha muito com isso, ganha muito com a confusão, quando ela é colocada. A gente pode permanecer com o trabalho mais tempo na gente quando ele consegue apontar esses enigmas, quando ele consegue manifestar as coisas de um jeito que a gente precisa pensar, que a gente precisa se debruçar. Nem tudo precisa de estar num tempo de uma velocidade lancinante, onde todas as questões são colocadas e imediatamente resolvidas, até porque essas resoluções, não sei se elas vão ser, de facto, resoluções.”

Vida em França
Calixto Neto transforma o palco num “quilombo” com a peça “Bruits Marrons”

Vida em França

Play Episode Listen Later Nov 28, 2025 20:33


O coreógrafo brasileiro Calixto Neto apresentou o mais recente trabalho, “Bruits Marrons”, no Festival de Outono de Paris, entre 7 de Outubro e 21 de Novembro. O espectáculo resgata o legado musical e humano do compositor afro-americano Julius Eastman e inspira-se nos quilombos, as comunidades livres criadas nas matas por escravos fugitivos. Nesta peça, o palco é “o quilombo de Calixto Neto”, um espaço de liberdade e de afirmação, onde uma comunidade de artistas negros e queer “lambem feridas” da história e “se fortalecem” para enfrentar o mundo, contou o coreógrafo à RFI. RFI: Qual é a história de “Bruits Marrons”? “'Bruits Marrons' é uma peça que é um encontro de vários artistas da dança e da música em torno de um diálogo e de uma música do Julius Eastman, que é um compositor afro-americano que morreu em 1990 e que criou um corpo de trabalho belíssimo, incrível. Ele vem da música clássica minimalista.‘Bruits Marrons' acaba sendo um diálogo com esse músico, especialmente com uma música do Julius, que é Evil Niger, numa ideia de criar uma comunidade tanto para Julius, quanto para a música de Julius. A gente na nossa pesquisa entendeu ou interpretou uma certa solidão desse compositor na época dele porque ele era um homem negro, gay, evoluindo numa sociedade muito branca, muito heteronormativa, um músico solitário no meio em que ele evoluía. A gente quis criar essa comunidade de pessoas racializadas, imigrantes, queers e, para além disso, expandir o lugar de onde essa música vem, uma música clássica, minimalista - que é como ela é classificada hoje em dia, mesmo que existam algumas controvérsias entre os músicos e musicistas - mas trazer para essa música também uma família de outros sons, de outros ruídos, de outros barulhos que podem compor a escuta para que quando essa música chegue nos nossos ouvidos a gente já tinha dado uma família para ela.” Falou em ruídos. O título é “Bruits Marrons”. O que é que quer dizer este título? Qual será depois, em português, o equivalente? “No caso de ‘Bruits Marrons', a língua francesa tem essa subtileza de permitir um duplo sentido para a palavra ‘marron'. Em português seria ‘Ruído Marron' ou, no duplo sentido da palavra em francês, poderia ser também ‘ruído quilombola'. O que acontece é que 'marron', em francês, além da cor, também designa as pessoas que estavam em situação de escravidão e que fugiam do sistema de escravidão nas plantações e se embrenhavam nas matas e criavam essas comunidades autónomas e livres, onde tinham suas vidas e trabalhavam.” É o equivalente dos quilombos no Brasil? "Exactamente, é o equivalente dos quilombos. É uma peça que é inspirada dos quilombos e, especialmente, da reflexão que a gente tem hoje em dia em torno do uso dessa palavra no Brasil. No Brasil, a gente usa essa palavra de forma mais actualizada para as comunidades de pessoas racializadas, de pessoas negras, em vários contextos. A gente não tem mais o sistema de escravidão no Brasil, mesmo que ainda exista, em alguns contextos, o que a gente chama de escravidão moderna, mas a palavra quilombo é usada em vários contextos de ajuntamento de pessoas negras, que seja formal ou informalmente, por vários motivos: para estudar, para festejar, para se cuidar, para celebrar a cultura. Então, por exemplo, lá em São Paulo tem um lugar mítico para a comunidade negra que se chama Aparelha Luzia, que é um centro cultural, um lugar de festas, um lugar de encontro de associações que foi criado pela ex-deputada Érica Malunguinho, que é uma mulher negra, trans, que saiu de Pernambuco e que em algum momento se muda para São Paulo e fez lá a sua vida. Esse é um lugar que chamam de quilombo urbano. Eu, na minha juventude, há alguns anos, quando morei com dois outros amigos negros e gay em Recife, a gente chamava à nossa casa de quilombo. Então, tem esse sentido de um espaço de emancipação que a gente cria autonomamente e que a gente actualiza hoje em dia, mesmo que o uso dessa palavra, a comunidade em si, a função dela seja actualizada. Dito isso, existem também, hoje, as comunidades remanescentes quilombolas, que são essas terras onde as pessoas que fugiram da escravidão criaram as suas comunidades e que reclamam até hoje a posse dessas terras, como as comunidades indígenas brasileiras. Então, existe essa reflexão em torno dessa palavra, de criar uma comunidade que seja em torno do som, em torno do ruído, como o ruído é um incómodo para a harmonia dos ouvidos e isso era um pouco o que Julius representava: era um homem negro num meio muito branco, um homem gay num meio muito heteronormativo e ele era um homem gay muito frontal com a sua identidade sexual e, numa das várias entrevistas que ele deu, ele disse que só desejava na vida ‘poder ser 100% gay, 100% negro, 100% músico', 'gay to the fullest, black to the fullest, musician to the fullest'". Aquilo que se passa em palco, a comunidade que reúne em palco, corpos queer, corpos negros, corresponde a esta ideia de se poder ser “100% gay, 100% negro e 100% músico”?  Esta peça tem um cunho de reparação e daí este grupo que juntou em palco? “Na verdade, esta peça tem uma temporalidade extensa. Encontrei [a música de] Julius, em 2019, no estúdio, alguém estava usando a música de Julius e houve esse encontro auditivo em que eu ouvi e meio que me apaixonei pela música dele. Em 2022, eu tive a oportunidade de começar um trabalho em torno dessa música, do trabalho dele, e na época eu queria trabalhar em torno do ‘Evil Nigger' e do ‘Crazy Nigger', mas nessa época eu tive a intuição de trabalhar só com pessoas negras porque eu queria entender qual é essa solidão de estar num meio em que a gente é sempre o único, em que a gente sempre está acompanhado de, no máximo, mais duas pessoas na sala. Foi uma aposta meio intuitiva e criou dentro do grupo uma sensação de segurança e de apaziguamento mesmo das histórias e das referências, de onde vem, o que é muito precioso e muito raro num ambiente de trabalho. Para a criação da peça, eu continuei com essa aposta, especialmente no que concerne à escolha da pessoa que toca a música porque, em 2025, mesmo com essa quantidade imensa que a gente tem de conservatórios, é uma missão hercúlea encontrar um pianista negro que tem uma formação sólida ou suficiente para tocar Julius Eastman. Hoje em dia, é praticamente impossível encontrar na Europa. Eu não sei se em Londres talvez a gente tenha mais, mas na França e na Bélgica, que foi onde concentrei mais as minhas pesquisas em 2022, foi uma tarefa muito difícil. Agora, para 2024, 2025, eu tive a ajuda de uma amiga pesquisadora, musicista, que tem uma pesquisa em torno da música de Julius e conhece alguns músicos e musicistas que se interessam pelo universo do Julius. Ela indicou-me algumas pessoas, mas, no geral, mesmo contando com pessoas da música, falei com pessoas de conservatórios, o teatro onde eu sou associado também me ajudou nessa busca, mas encontrar um pianista negro hoje em dia em França é uma tarefa possível, mas bem difícil." O piano é uma personagem, entre aspas, central na peça. É quase como a fogueira ou o batuque à volta do qual se reúnem as comunidades? “Pois é, a gente quis que o piano virasse um personagem dentro da estrutura da peça, às vezes, um objecto que pela imobilidade dele, acaba-se impondo no espaço. A gente pode atribuir várias imagens, mas, às vezes, eu penso que ele é um caixão que a gente está carregando com todo o cuidado e cantando essa música que é entre um lamento e uma canção de ninar. Às vezes, é um personagem que compõe uma estrutura sonora junto com a gente, num momento de explosão e de raiva. Às vezes é o centro da caldeira, como fala Isabela [Fernandes Santana] no começo da peça. Às vezes, é a lava ou o fogo em torno do qual a gente está girando e evocando o universo.” Até que ponto o piano ajudou a conceber os diferentes quadros de dança que variam entre a união muito forte e o êxtase e a libertação total dos corpos? Como é que criou a narrativa coreográfica da peça? “Teve um duplo trabalho. Primeiro, existiam duas imposições. Uma é a imposição da música em si porque eu decidi que a música entraria na sua integralidade, eu gostaria de propor ao público a escuta dessa música na sua inteireza - o que não foi o caso em 2022, quando era mais um jazz em torno dos universos que a música atravessa. Tem uma outra imposição, que é o objecto piano, que é um objecto imenso. Ele é imponente, ele é grande e ele ocupa o espaço. O piano não é como uma caixa de madeira que a gente muda de um lado para o outro e que está tudo bem assim. Ele tem uma carga histórica, ele tem uma carga simbólica e espacial que a gente não tem como se desenvencilhar dele. Em paralelo a essas duas imposições, existia o meu desejo de trabalhar com essa comunidade matérias que fossem em torno da alegria, em torno da criação de outros sons, uma travessia de uma floresta - que é uma cena inspirada da minha visita ao Quilombo dos Palmares, no Brasil - uma explosão raivosa e essa ideia de deslocamento desse objecto que, para mim, retoma uma tradição que a gente tinha no Brasil, no final do período da escravidão e no pós-escravidão, dos homens que carregavam o piano. As pessoas que, no processo de mudança carregam o piano, eram pessoas especializadas nisso, que tinham uma cadência específica para andar nas ruas não pavimentadas da cidade e há uma classe trabalhadora específica, com um universo musical também específico, ligado à cadência do passo. Essa é uma história que eu ouvi há muitos anos, quando eu estudava teatro, e que ficou na minha cabeça, até porque há uma expressão que a gente tem no Brasil, que são os carregadores de piano, que são as pessoas que vão carregar o peso mais pesado de um processo. Por exemplo, eu ouvi essa expressão num podcast de análise da situação económica do Brasil, em que o analista dizia que as pessoas que vão carregar o piano, as pessoas que vão carregar o peso mais pesado de uma mudança e de uma decisão para uma mudança económica, são as pessoas mais fragilizadas, as pessoas mais expostas. Então, tinha esse desejo de trazer o piano para estas histórias que a gente está contando, que ele pudesse ser um obstáculo que a gente atravessa, que ele pudesse ser talvez até um dos performers que dança com a gente e que produz esses ruídos, para além da música.” O que está neste momento a preparar?  “A gente acabou de estrear a peça, houve apresentações no Teatro de Cergy-Pontoise, que é o teatro onde estou em residência até 2026. Depois, apresentámos em Bruxelas, na Bienal de Charleroi Dance e agora no MC93. A gente está preparando a tournée da peça, com algumas apresentações, e alguns projectos ligados à minha residência do Points Communs. Tem um outro projeto com o CCN de Grenoble ligado à tradição do carnaval e à ideia da noção de gambiarra.” O que é a gambiarra? “Gambiarra são essas reparações, esses consertos improvisados para problemas reais. A imagem clássica da gambiarra no Brasil é consertar uma havaiana quebrada com um prego. É uma tradição muito comum na nossa sociedade, ao ponto de ter virado uma estética em si, é quase um jeito de pensar as coisas, um jeito de pensar a solução de problemas. A gente não vai reparar ali na base da coisa, mas a gente vai deixar com um pedaço de fita, com um prego, a coisa em estado de uso e a gente vai usar desse jeito. É um objecto de pesquisa para mim, há muitos anos, desde o meio do meu mestrado. A Shereya também fez um mestrado no mesmo lugar que eu, lá em Montpellier e é também um objecto de pesquisa para ela.” A Shereya que é outra coreógrafa e bailarina... “Ela é uma bailarina de ‘Bruits Marrons' e coreógrafa também. A gente tem uma parceria em vários outros trabalhos, ela entra em um outro trabalho meu, a ‘Feijoada'. Quando eu fui chamado pelo CCN de Grenoble para fazer esse projecto com comunidades que vivem em torno do CCN, eu tive a ideia de fazer um carnaval - porque vai acontecer no período do carnaval - então, vai ser o nosso carnaval improvisado no CCN de Grenoble. Há um outro projecto para 2027 que vai ser um solo e uma plataforma de encontros com outros trabalhos em torno da ideia da Travessia Atlântica e é inspirado no nome do meu bairro, o bairro onde eu cresci, que se chama Jardim Atlântico. É também um diálogo com a minha história, com a história da minha mãe que era bailarina, e essas histórias de migração entre um lado do Atlântico e um outro lado.” Esta é a segunda vez que conversamos, a primeira foi também no âmbito do Festival do Outono, quando apresentou ‘Il FAUX' , em 2023. A ideia que tenho é que a sua pesquisa anda sempre em torno do racismo, da História, da escravatura, dos corpos negros permanentemente ameaçados. Por que é que faz questão de levar estes temas para cima do palco e até que ponto é que o seu palco é o quilombo para os “carregadores do piano” serem reparados? “Na verdade, isso é uma prática que não planeei que ia acontecer assim. No começo do meu percurso, quando criei a minha primeira peça fora do mestrado, 'oh!rage', eu estava saindo de um mestrado em que eu passei dois anos numa instituição de ensino francesa e em que não tive a oportunidade de cruzar com nenhum professor, nenhum artista ou mesmo pessoas que estavam ali em torno do festival Montpellier Danse, não encontrei artistas negros, talvez um ou dois. Isso marcou-me muito porque eu tenho uma formação em teatro no Brasil, tenho um longo percurso na companhia da Lia Rodrigues, em que comecei a me dar conta que o leque de referências nesses espaços, tanto o espaço académico quanto o espaço profissional de Lia Rodrigues era quase exclusivamente branco e o mestrado Exerce [Montpellier] serviu para confirmar isso. Então, em 2018, quando eu criei o ‘oh!rage', fiz a aposta de dialogar apenas com criadores, com pensadores, com artistas visuais, da dança, de teatro negros, da comunidade negra - muito inspirado também do programa Diálogos Ausentes do Itaú Cultural de 2016. Fazendo essa aposta em 2018, eu me deparei - porque eu tinha um letramento racial tardio porque isso não foi uma questão na minha formação, na minha família - deparei-me com um universo de criação que me alimenta imensamente. Eu, junto com outras pessoas, com outros artistas, também experimento, experiencio, no meio das artes e na vida real, situações de subalternidade que me são impostas. Então, eu entendo a arte como um espaço de discussão do que atravessa a sociedade nos dias de hoje. Eu não acho que isso é uma ferida que esteja apaziguada e curada. Pelo contrário, ela demanda ainda reflexão, ela demanda um olhar específico, ela é muito presente, é uma chaga aberta. Eu tento fazer da arte um espaço de diálogo, de abrir uma discussão em torno disso mesmo e sempre dialogando com outros artistas que trazem as suas referências nesse sentido para criar esse espaço de emancipação, de liberdade mesmo. Esse é o meu quilombo, o palco é meu quilombo, a minha comunidade ‘marron', um espaço de autonomia e de liberdade. E nesse espaço de autonomia e liberdade a gente vai louvar os nossos, celebrar as nossas criações e lamber as nossas feridas juntos. Em alguns momentos, a gente vai abrir esse espaço e receber pessoas, como em outras peças como ‘Feijoada', que é uma peça em torno da generosidade e do gesto. Em outras peças, a gente vai estar entre a gente, celebrando as nossas existências entre a gente e lambendo as nossas feridas antes de se fortalecer para o resto do mundo.”

Em directo da redacção
Calixto Neto transforma o palco num “quilombo” com a peça “Bruits Marrons”

Em directo da redacção

Play Episode Listen Later Nov 28, 2025 20:33


O coreógrafo brasileiro Calixto Neto apresentou o mais recente trabalho, “Bruits Marrons”, no Festival de Outono de Paris, entre 7 de Outubro e 21 de Novembro. O espectáculo resgata o legado musical e humano do compositor afro-americano Julius Eastman e inspira-se nos quilombos, as comunidades livres criadas nas matas por escravos fugitivos. Nesta peça, o palco é “o quilombo de Calixto Neto”, um espaço de liberdade e de afirmação, onde uma comunidade de artistas negros e queer “lambem feridas” da história e “se fortalecem” para enfrentar o mundo, contou o coreógrafo à RFI. RFI: Qual é a história de “Bruits Marrons”? “'Bruits Marrons' é uma peça que é um encontro de vários artistas da dança e da música em torno de um diálogo e de uma música do Julius Eastman, que é um compositor afro-americano que morreu em 1990 e que criou um corpo de trabalho belíssimo, incrível. Ele vem da música clássica minimalista.‘Bruits Marrons' acaba sendo um diálogo com esse músico, especialmente com uma música do Julius, que é Evil Niger, numa ideia de criar uma comunidade tanto para Julius, quanto para a música de Julius. A gente na nossa pesquisa entendeu ou interpretou uma certa solidão desse compositor na época dele porque ele era um homem negro, gay, evoluindo numa sociedade muito branca, muito heteronormativa, um músico solitário no meio em que ele evoluía. A gente quis criar essa comunidade de pessoas racializadas, imigrantes, queers e, para além disso, expandir o lugar de onde essa música vem, uma música clássica, minimalista - que é como ela é classificada hoje em dia, mesmo que existam algumas controvérsias entre os músicos e musicistas - mas trazer para essa música também uma família de outros sons, de outros ruídos, de outros barulhos que podem compor a escuta para que quando essa música chegue nos nossos ouvidos a gente já tinha dado uma família para ela.” Falou em ruídos. O título é “Bruits Marrons”. O que é que quer dizer este título? Qual será depois, em português, o equivalente? “No caso de ‘Bruits Marrons', a língua francesa tem essa subtileza de permitir um duplo sentido para a palavra ‘marron'. Em português seria ‘Ruído Marron' ou, no duplo sentido da palavra em francês, poderia ser também ‘ruído quilombola'. O que acontece é que 'marron', em francês, além da cor, também designa as pessoas que estavam em situação de escravidão e que fugiam do sistema de escravidão nas plantações e se embrenhavam nas matas e criavam essas comunidades autónomas e livres, onde tinham suas vidas e trabalhavam.” É o equivalente dos quilombos no Brasil? "Exactamente, é o equivalente dos quilombos. É uma peça que é inspirada dos quilombos e, especialmente, da reflexão que a gente tem hoje em dia em torno do uso dessa palavra no Brasil. No Brasil, a gente usa essa palavra de forma mais actualizada para as comunidades de pessoas racializadas, de pessoas negras, em vários contextos. A gente não tem mais o sistema de escravidão no Brasil, mesmo que ainda exista, em alguns contextos, o que a gente chama de escravidão moderna, mas a palavra quilombo é usada em vários contextos de ajuntamento de pessoas negras, que seja formal ou informalmente, por vários motivos: para estudar, para festejar, para se cuidar, para celebrar a cultura. Então, por exemplo, lá em São Paulo tem um lugar mítico para a comunidade negra que se chama Aparelha Luzia, que é um centro cultural, um lugar de festas, um lugar de encontro de associações que foi criado pela ex-deputada Érica Malunguinho, que é uma mulher negra, trans, que saiu de Pernambuco e que em algum momento se muda para São Paulo e fez lá a sua vida. Esse é um lugar que chamam de quilombo urbano. Eu, na minha juventude, há alguns anos, quando morei com dois outros amigos negros e gay em Recife, a gente chamava à nossa casa de quilombo. Então, tem esse sentido de um espaço de emancipação que a gente cria autonomamente e que a gente actualiza hoje em dia, mesmo que o uso dessa palavra, a comunidade em si, a função dela seja actualizada. Dito isso, existem também, hoje, as comunidades remanescentes quilombolas, que são essas terras onde as pessoas que fugiram da escravidão criaram as suas comunidades e que reclamam até hoje a posse dessas terras, como as comunidades indígenas brasileiras. Então, existe essa reflexão em torno dessa palavra, de criar uma comunidade que seja em torno do som, em torno do ruído, como o ruído é um incómodo para a harmonia dos ouvidos e isso era um pouco o que Julius representava: era um homem negro num meio muito branco, um homem gay num meio muito heteronormativo e ele era um homem gay muito frontal com a sua identidade sexual e, numa das várias entrevistas que ele deu, ele disse que só desejava na vida ‘poder ser 100% gay, 100% negro, 100% músico', 'gay to the fullest, black to the fullest, musician to the fullest'". Aquilo que se passa em palco, a comunidade que reúne em palco, corpos queer, corpos negros, corresponde a esta ideia de se poder ser “100% gay, 100% negro e 100% músico”?  Esta peça tem um cunho de reparação e daí este grupo que juntou em palco? “Na verdade, esta peça tem uma temporalidade extensa. Encontrei [a música de] Julius, em 2019, no estúdio, alguém estava usando a música de Julius e houve esse encontro auditivo em que eu ouvi e meio que me apaixonei pela música dele. Em 2022, eu tive a oportunidade de começar um trabalho em torno dessa música, do trabalho dele, e na época eu queria trabalhar em torno do ‘Evil Nigger' e do ‘Crazy Nigger', mas nessa época eu tive a intuição de trabalhar só com pessoas negras porque eu queria entender qual é essa solidão de estar num meio em que a gente é sempre o único, em que a gente sempre está acompanhado de, no máximo, mais duas pessoas na sala. Foi uma aposta meio intuitiva e criou dentro do grupo uma sensação de segurança e de apaziguamento mesmo das histórias e das referências, de onde vem, o que é muito precioso e muito raro num ambiente de trabalho. Para a criação da peça, eu continuei com essa aposta, especialmente no que concerne à escolha da pessoa que toca a música porque, em 2025, mesmo com essa quantidade imensa que a gente tem de conservatórios, é uma missão hercúlea encontrar um pianista negro que tem uma formação sólida ou suficiente para tocar Julius Eastman. Hoje em dia, é praticamente impossível encontrar na Europa. Eu não sei se em Londres talvez a gente tenha mais, mas na França e na Bélgica, que foi onde concentrei mais as minhas pesquisas em 2022, foi uma tarefa muito difícil. Agora, para 2024, 2025, eu tive a ajuda de uma amiga pesquisadora, musicista, que tem uma pesquisa em torno da música de Julius e conhece alguns músicos e musicistas que se interessam pelo universo do Julius. Ela indicou-me algumas pessoas, mas, no geral, mesmo contando com pessoas da música, falei com pessoas de conservatórios, o teatro onde eu sou associado também me ajudou nessa busca, mas encontrar um pianista negro hoje em dia em França é uma tarefa possível, mas bem difícil." O piano é uma personagem, entre aspas, central na peça. É quase como a fogueira ou o batuque à volta do qual se reúnem as comunidades? “Pois é, a gente quis que o piano virasse um personagem dentro da estrutura da peça, às vezes, um objecto que pela imobilidade dele, acaba-se impondo no espaço. A gente pode atribuir várias imagens, mas, às vezes, eu penso que ele é um caixão que a gente está carregando com todo o cuidado e cantando essa música que é entre um lamento e uma canção de ninar. Às vezes, é um personagem que compõe uma estrutura sonora junto com a gente, num momento de explosão e de raiva. Às vezes é o centro da caldeira, como fala Isabela [Fernandes Santana] no começo da peça. Às vezes, é a lava ou o fogo em torno do qual a gente está girando e evocando o universo.” Até que ponto o piano ajudou a conceber os diferentes quadros de dança que variam entre a união muito forte e o êxtase e a libertação total dos corpos? Como é que criou a narrativa coreográfica da peça? “Teve um duplo trabalho. Primeiro, existiam duas imposições. Uma é a imposição da música em si porque eu decidi que a música entraria na sua integralidade, eu gostaria de propor ao público a escuta dessa música na sua inteireza - o que não foi o caso em 2022, quando era mais um jazz em torno dos universos que a música atravessa. Tem uma outra imposição, que é o objecto piano, que é um objecto imenso. Ele é imponente, ele é grande e ele ocupa o espaço. O piano não é como uma caixa de madeira que a gente muda de um lado para o outro e que está tudo bem assim. Ele tem uma carga histórica, ele tem uma carga simbólica e espacial que a gente não tem como se desenvencilhar dele. Em paralelo a essas duas imposições, existia o meu desejo de trabalhar com essa comunidade matérias que fossem em torno da alegria, em torno da criação de outros sons, uma travessia de uma floresta - que é uma cena inspirada da minha visita ao Quilombo dos Palmares, no Brasil - uma explosão raivosa e essa ideia de deslocamento desse objecto que, para mim, retoma uma tradição que a gente tinha no Brasil, no final do período da escravidão e no pós-escravidão, dos homens que carregavam o piano. As pessoas que, no processo de mudança carregam o piano, eram pessoas especializadas nisso, que tinham uma cadência específica para andar nas ruas não pavimentadas da cidade e há uma classe trabalhadora específica, com um universo musical também específico, ligado à cadência do passo. Essa é uma história que eu ouvi há muitos anos, quando eu estudava teatro, e que ficou na minha cabeça, até porque há uma expressão que a gente tem no Brasil, que são os carregadores de piano, que são as pessoas que vão carregar o peso mais pesado de um processo. Por exemplo, eu ouvi essa expressão num podcast de análise da situação económica do Brasil, em que o analista dizia que as pessoas que vão carregar o piano, as pessoas que vão carregar o peso mais pesado de uma mudança e de uma decisão para uma mudança económica, são as pessoas mais fragilizadas, as pessoas mais expostas. Então, tinha esse desejo de trazer o piano para estas histórias que a gente está contando, que ele pudesse ser um obstáculo que a gente atravessa, que ele pudesse ser talvez até um dos performers que dança com a gente e que produz esses ruídos, para além da música.” O que está neste momento a preparar?  “A gente acabou de estrear a peça, houve apresentações no Teatro de Cergy-Pontoise, que é o teatro onde estou em residência até 2026. Depois, apresentámos em Bruxelas, na Bienal de Charleroi Dance e agora no MC93. A gente está preparando a tournée da peça, com algumas apresentações, e alguns projectos ligados à minha residência do Points Communs. Tem um outro projeto com o CCN de Grenoble ligado à tradição do carnaval e à ideia da noção de gambiarra.” O que é a gambiarra? “Gambiarra são essas reparações, esses consertos improvisados para problemas reais. A imagem clássica da gambiarra no Brasil é consertar uma havaiana quebrada com um prego. É uma tradição muito comum na nossa sociedade, ao ponto de ter virado uma estética em si, é quase um jeito de pensar as coisas, um jeito de pensar a solução de problemas. A gente não vai reparar ali na base da coisa, mas a gente vai deixar com um pedaço de fita, com um prego, a coisa em estado de uso e a gente vai usar desse jeito. É um objecto de pesquisa para mim, há muitos anos, desde o meio do meu mestrado. A Shereya também fez um mestrado no mesmo lugar que eu, lá em Montpellier e é também um objecto de pesquisa para ela.” A Shereya que é outra coreógrafa e bailarina... “Ela é uma bailarina de ‘Bruits Marrons' e coreógrafa também. A gente tem uma parceria em vários outros trabalhos, ela entra em um outro trabalho meu, a ‘Feijoada'. Quando eu fui chamado pelo CCN de Grenoble para fazer esse projecto com comunidades que vivem em torno do CCN, eu tive a ideia de fazer um carnaval - porque vai acontecer no período do carnaval - então, vai ser o nosso carnaval improvisado no CCN de Grenoble. Há um outro projecto para 2027 que vai ser um solo e uma plataforma de encontros com outros trabalhos em torno da ideia da Travessia Atlântica e é inspirado no nome do meu bairro, o bairro onde eu cresci, que se chama Jardim Atlântico. É também um diálogo com a minha história, com a história da minha mãe que era bailarina, e essas histórias de migração entre um lado do Atlântico e um outro lado.” Esta é a segunda vez que conversamos, a primeira foi também no âmbito do Festival do Outono, quando apresentou ‘Il FAUX' , em 2023. A ideia que tenho é que a sua pesquisa anda sempre em torno do racismo, da História, da escravatura, dos corpos negros permanentemente ameaçados. Por que é que faz questão de levar estes temas para cima do palco e até que ponto é que o seu palco é o quilombo para os “carregadores do piano” serem reparados? “Na verdade, isso é uma prática que não planeei que ia acontecer assim. No começo do meu percurso, quando criei a minha primeira peça fora do mestrado, 'oh!rage', eu estava saindo de um mestrado em que eu passei dois anos numa instituição de ensino francesa e em que não tive a oportunidade de cruzar com nenhum professor, nenhum artista ou mesmo pessoas que estavam ali em torno do festival Montpellier Danse, não encontrei artistas negros, talvez um ou dois. Isso marcou-me muito porque eu tenho uma formação em teatro no Brasil, tenho um longo percurso na companhia da Lia Rodrigues, em que comecei a me dar conta que o leque de referências nesses espaços, tanto o espaço académico quanto o espaço profissional de Lia Rodrigues era quase exclusivamente branco e o mestrado Exerce [Montpellier] serviu para confirmar isso. Então, em 2018, quando eu criei o ‘oh!rage', fiz a aposta de dialogar apenas com criadores, com pensadores, com artistas visuais, da dança, de teatro negros, da comunidade negra - muito inspirado também do programa Diálogos Ausentes do Itaú Cultural de 2016. Fazendo essa aposta em 2018, eu me deparei - porque eu tinha um letramento racial tardio porque isso não foi uma questão na minha formação, na minha família - deparei-me com um universo de criação que me alimenta imensamente. Eu, junto com outras pessoas, com outros artistas, também experimento, experiencio, no meio das artes e na vida real, situações de subalternidade que me são impostas. Então, eu entendo a arte como um espaço de discussão do que atravessa a sociedade nos dias de hoje. Eu não acho que isso é uma ferida que esteja apaziguada e curada. Pelo contrário, ela demanda ainda reflexão, ela demanda um olhar específico, ela é muito presente, é uma chaga aberta. Eu tento fazer da arte um espaço de diálogo, de abrir uma discussão em torno disso mesmo e sempre dialogando com outros artistas que trazem as suas referências nesse sentido para criar esse espaço de emancipação, de liberdade mesmo. Esse é o meu quilombo, o palco é meu quilombo, a minha comunidade ‘marron', um espaço de autonomia e de liberdade. E nesse espaço de autonomia e liberdade a gente vai louvar os nossos, celebrar as nossas criações e lamber as nossas feridas juntos. Em alguns momentos, a gente vai abrir esse espaço e receber pessoas, como em outras peças como ‘Feijoada', que é uma peça em torno da generosidade e do gesto. Em outras peças, a gente vai estar entre a gente, celebrando as nossas existências entre a gente e lambendo as nossas feridas antes de se fortalecer para o resto do mundo.”

Portugalex
Jorge Jesus analisa lei da nacionalidade

Portugalex

Play Episode Listen Later Oct 30, 2025 2:53


Proteção Civil aconselha tons castanhos neste Outono.

UNITEDcast
UNITEDcast #746 - MELHORES (TALVEZ) MUSICAS DO OUTONO DE 2025

UNITEDcast

Play Episode Listen Later Oct 25, 2025 147:41


Olá pessoas do UNITEDcast, no episódio dessa semana nossos casters trouxeram a playlist das melhores músicas da temporada de outono de 2025! Vem ouvir essa lista!   Participantes: Ds, Ana, Kurt, Éric, Wagner.   Edição: Ana Paula   Recrutamento da United: Aqui! – Mande seu Email: Email: podcast@animeunited.com.br Grupo Whatsapp: Aqui! – CANAL TELEGRAM: https://t.me/animeunitedbr – Apoie o UNITEDcast: Apoie pelo PIX: contato@animeunited.com.br Ou pelo Apoia-se: https://apoia.se/unitedcast Compre na AMAZON pelo Nosso Link: https://amzn.to/2WjH5kM – Assine o UNITEDcast: Spotify: Segue a gente por lá! iTunes: Adiciona a gente lá! Google Podcasts: Assine Agora! – Links do Episódio: Twitch do DS: https://twitch.tv/dsunited Canal da Ana: https://www.youtube.com/c/CulturaAnime Grupo do Kurt https://www.facebook.com/groups/actionsecomics2 – Nos Siga: Twitter do DS: https://twitter.com/odaltonsilveira Instagram do DS: https://www.instagram.com/odaltonsilveira/ Fabebook da United: https://www.facebook.com/animeunitedoficial Twitter da United: https://twitter.com/animeunitedBR Instagram da United: https://www.instagram.com/animeunitedbr/

Expresso - Expresso da Manhã
A hora vai mudar e isso implica com o nosso ritmo circadiano. Aprenda a adaptar-se para dormir melhor

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later Oct 21, 2025 14:49


A hora vai voltar a mudar no domingo. Estas alterações, que acontecem duas vezes por ano, implicam com o nosso corpo e alteram o ritmo circadiano. Para saber do que se trata e conhecer a melhor forma de nos adaptarmos a esta alteração, conversamos com a psicóloga clinica Liliana Amorim.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rádio Comercial - Já se faz Tarde
Chegou o outono. A celebração possível.

Rádio Comercial - Já se faz Tarde

Play Episode Listen Later Sep 22, 2025 12:32


Com Joana Azevedo e Diogo Beja

M80 - Macaquinhos no Sotão
Coisas Que Não Curto No Outono Inverno

M80 - Macaquinhos no Sotão

Play Episode Listen Later Sep 22, 2025 6:35


Segunda-feira, 22 de setembro de 2025.

UNITEDcast
UNITEDcast #739 - ANIMES da TEMPORADA de OUTONO 2025

UNITEDcast

Play Episode Listen Later Sep 6, 2025 180:30


Olá pessoas do UNITEDcast, no episódio dessa semana nossos casters trouxeram o guia da nova temporada de outono de 2025! Vem conferir as novidades! Participantes: Ds, Ana, Kurt, Vitor, Wagner, Josué.   Edição: Ana Paula   Recrutamento da United: Aqui! – Mande seu Email: Email: podcast@animeunited.com.br Grupo Whatsapp: Aqui! – CANAL TELEGRAM: https://t.me/animeunitedbr – Apoie o UNITEDcast: Apoie pelo PIX: contato@animeunited.com.br Ou pelo Apoia-se: https://apoia.se/unitedcast Compre na AMAZON pelo Nosso Link: https://amzn.to/2WjH5kM – Assine o UNITEDcast: Spotify: Segue a gente por lá! iTunes: Adiciona a gente lá! Google Podcasts: Assine Agora! – Links do Episódio: Twitch do DS: https://twitch.tv/dsunited Canal da Ana: https://www.youtube.com/c/CulturaAnime Grupo do Kurt https://www.facebook.com/groups/actionsecomics2 – Nos Siga: Twitter do DS: https://twitter.com/odaltonsilveira Instagram do DS: https://www.instagram.com/odaltonsilveira/ Fabebook da United: https://www.facebook.com/animeunitedoficial Twitter da United: https://twitter.com/animeunitedBR Instagram da United: https://www.instagram.com/animeunitedbr/

Podcast Cinem(ação)
#613: Malu

Podcast Cinem(ação)

Play Episode Listen Later Aug 22, 2025 113:06


O cinema brasileiro não para de surpreender, e desta vez vamos explorar um dos grandes destaques da produção nacional: Malu, filme inspirado na vida da atriz Malu Rocha e dirigido por seu filho, Pedro Freire.Uma obra intensa e emocionante, Malu atravessa três gerações de mulheres: avó, mãe e filha - em relações marcadas por afeto, conflito e memórias da ditadura militar. O episódio discute como a repressão atravessa não só a protagonista, mas também a própria estrutura familiar, revelando as marcas históricas que ainda ecoam no presente.Rafael Arinelli, Fabiana Lima, Cecília Barroso e Alan Alves analisam a força dramática do longa e destacam as atuações poderosas de Yara de Novaes, Juliana Carneiro da Cunha e Carol Duarte, com ênfase na visceralidade que remete à grande Gena Rowlands. Também comentam a sensibilidade de Pedro Freire atrás das câmeras, os símbolos escondidos na “casa bagunçada” e até a influência de Bergman em “Sonata de Outono”.E tem mais: o episódio também olha para a recepção internacional do filme, que conquistou prêmios em festivais pelo mundo e já desponta como candidato a representar o Brasil no Oscar 2026.Então já sabe: se prepare para um papo cheio de emoção, spoilers e reflexões sobre família, memória e os ciclos de amor e dor que nos conectam. Dá o play e venha se aprofundar com a gente em Malu, um filme que não vai ser esquecido tão cedo.• 05m32: Pauta Principal• 1h23m53: Plano Detalhe• 1h43m18: EncerramentoOuça nosso Podcast também no:• Spotify: https://cinemacao.short.gy/spotify• Apple Podcast: https://cinemacao.short.gy/apple• Android: https://cinemacao.short.gy/android• Deezer: https://cinemacao.short.gy/deezer• Amazon Music: https://cinemacao.short.gy/amazonAgradecimentos aos padrinhos: • Bruna Mercer• Charles Calisto Souza• Daniel Barbosa da Silva Feijó• Diego Alves Lima• Eloi Xavier• Flavia Sanches• Gabriela Pastori Marino• Guilherme S. Arinelli• Thiago Custodio Coquelet• William SaitoFale Conosco:• Email: contato@cinemacao.com• X: https://cinemacao.short.gy/x-cinemacao• BlueSky: https://cinemacao.short.gy/bsky-cinemacao• Facebook: https://cinemacao.short.gy/face-cinemacao• Instagram: https://cinemacao.short.gy/insta-cinemacao• Tiktok: https://cinemacao.short.gy/tiktok-cinemacao• Youtube: https://cinemacao.short.gy/yt-cinemacaoApoie o Cinem(ação)!Apoie o Cinem(ação) e faça parte de um seleto clube de ouvintes privilegiados, desfrutando de inúmeros benefícios! Com uma assinatura a partir de R$30,00, você terá acesso a conteúdo exclusivo e muito mais! Não perca mais tempo, torne-se um apoiador especial do nosso canal! Junte-se a nós para uma experiência cinematográfica única!Plano Detalhe:• (Cecília): Filme: Dan Da Dan• (Cecília): Álbum: As Noites Estão Cada Dia Mais Claras• (Fabi): Artigo: A experiência Cassavetes• (Fabi): Filme: Amantes• (Fabi): Podcast: Marília: O outro lado da sofrência• (Alan): Novela: Guerreiros do Sol• (Alan): Novela: Capitu• (Alan): Livro: Cinema brasileiro: propostas para uma história• (Rafa): Série Documental: A Mulher da Casa AbandonadaEdição: ISSOaí

Perdidos na Estante
PnE 334 - O Macaco

Perdidos na Estante

Play Episode Listen Later May 14, 2025 61:28


O Macaco é um filme do gênero dark comedy, também conhecido como terrir, que adapta o conto de Stephen King que está na coletânea Tripulação de Esqueletos. Na história, acompanhamos dois irmãos que, quando crianças, encontram um macaco de brinquedo que era do pai. O problema é que o macaco é o verdadeiro demônio, já que começa a matar várias pessoas ao redor deles. Apesar deles se livrarem do brinquedo, quando eles se tornam homens adultos acabam descobrindo que algumas coisas sempre voltam. Neste episódio, Domenica e Amanda analisam o filme que é totalmente diferente de tudo aquilo que elas esperavam e também analisam o conto original. Bom episódio!Se você gosta dos nossos episódios, assine o feed e recomende nosso trabalho para seus amigos. A gente agradece.

#PodClássica
Turmas de Outono - Abertura de matrículas 2025

#PodClássica

Play Episode Listen Later Apr 28, 2025 65:16


Conheça nosso programa Dulcis Via, nossos cursos de Humanidades e de Ciências

Cuando los elefantes sueñan con la música
Cuando los elefantes sueñan con la música - ¡Feliz cumpleaños, Rosa! - 14/04/25

Cuando los elefantes sueñan con la música

Play Episode Listen Later Apr 14, 2025 58:54


Ayer, 13 de abril, cumplió años Rosa Passos, que nos encantó desde la primera vez que pudimos escucharla en el programa. La felicitamos con sus grabaciones de 'Zanga zangada', 'Candeias', 'Dunas', 'Juras', 'Festa', 'Outono', 'Paris: de Santos Dumont aos travestis', 'Águas de março', 'Eu não existo sem você', 'Até quem sabe', 'Duas contas', 'Bahia com H' -con Ron Carter-, 'Eu sambo mesmo', 'S¨wonderful', 'Que reste-t-il de nos amours?' -con Henri Salvador- y 'É luxo só'.Escuchar audio

Kellen Severo Podcast
597. Outono começa: confira as tendências climáticas da nova estação

Kellen Severo Podcast

Play Episode Listen Later Mar 22, 2025 7:26


O outono, estação marcada pela transição entre o verão mais úmido e o inverno mais seco, começou no hemisfério sul. Mas, a Rural Clima revela que o período não deverá ser igual ao registrado no ano passado. Para os próximos 15 dias, a expectativa é que as chuvas  irregulares, especialmente para o milho segunda safra. Confira os mapas climáticos até junho!

JORNAL DA RECORD
20/03/2025 | 1ª Edição: Outono começa com expectativa de temperaturas mais altas que o normal

JORNAL DA RECORD

Play Episode Listen Later Mar 20, 2025 3:29


O outono começa nesta quinta-feira (20) com expectativa de temperaturas mais altas do que o normal. 2024 já foi o ano mais quente desde a metade do século 19. Veja também: Senado aprova pena maior para violência psicológica contra mulher usando inteligência artificial.

Fronteiras no Tempo
Fronteiras no Tempo: Giro Histórico #37 A Revolta do Quebra-Quilos

Fronteiras no Tempo

Play Episode Listen Later Feb 12, 2025 12:45


O Fronteiras no Tempo: Giro Histórico em seu 37º episódio traz, na voz de Anderson Couto, a história de uma revolta popular do século XIX que possui muitos paralelos com o nosso tempo, mas que é pouco conhecida: a Revolta do Quebra-Quilos. O governo imperial promulgou uma lei que alterava as unidades de pesos e medidas no país, mudando os padrões do modelo inglês para o modelo francês (que usamos até hoje). Este processo foi marcado pela disseminação de desinformação que levou a insurreições populares em diferentes cidades brasileiras contra as medidas imperiais. Mas a história não termina aí, escravizados aproveitaram os eventos para ampliar sua luta pelo fim do trabalho cativo. Ouça o episódio e conheça essa História! Campanha de financiamento coletivo: https://apoia.se/fronteirasnotempo Arte da Capa: Augusto Carvalho Mencionado no Episódio Fronteiras no Tempo #87 Renascimento MAIOR, Armando Souto. Quebra-Quilos: Lutas Sociais no Outono do Império. Financiamento Coletivo Existem duas formas de nos apoiar Pix recorrente – chave: fronteirasnotempo@gmail.com Apoia-se – https://apoia.se/fronteirasnotempo INSCREVA-SE PARA PARTICIPAR DO HISTORICIDADE O Historicidade é o programa de entrevistas do Fronteiras no Tempo: um podcast de história. O objetivo principal é realizar divulgação científica na área de ciências humanas, sociais e de estudos interdisciplinares com qualidade. Será um prazer poder compartilhar o seu trabalho com nosso público. Preencha o formulário se tem interesse em participar. Link para inscrição: https://forms.gle/4KMQXTmVLFiTp4iC8 Selo saberes históricos Agora o Fronteiras no Tempo tem o selo saberes históricos. O que é este selo? “O Selo Saberes Históricos é um sinal de reconhecimento atribuído a:● Práticas de divulgação de saberes ou produções de conteúdo histórico ou historiográfico● Realizadas em redes sociais ou mídias digitais, voltadas para públicos mais amplos e diversificados● Comprometidas com valores científicos e éticos.”Saiba mais: https://www.forumsabereshistoricos.com/ Redes Sociais Twitter, Facebook, Youtube, Instagram Contato fronteirasnotempo@gmail.com Como citar esse episódio Fronteiras no Tempo: Giro Histórico #37 A Revolta do Quebra-Quilos. Locução Cesar Agenor Fernandes da Silva e Anderson Couto. [S.l.] Portal Deviante, 12/02/2025. Podcast. Disponível em: https://www.deviante.com.br/?p=64451&preview=true Expediente Produção Geral, Host e Edição: C. A. Arte do Episódio: Augusto Carvalho Trilha sonora do episódio Birds – Corbyn Kites The Moon Drops - Nathan Moore Wolf Moon - Unicorn Heads Madrinhas e Padrinhos Apoios a partir de 12 de junho de 2024 Alexsandro de Souza Junior, Aline Silva Lima, André Santos, André Trapani, Andréa Gomes da Silva, Andressa Marcelino Cardoso, Augusto Carvalho, Carolina Pereira Lyon, Charles Calisto Souza, Elisnei Menezes de Oliveira, Erick Marlon Fernandes da Silva, Flávio Henrique Dias Saldanha, Gislaine Colman, Iara Grisi, João Ariedi, João Luiz Farah Rayol Fontoura, Juliana Zweifel, Klaus Henrique de Oliveira, Manuel Macias, Marlon Fernandes da Silva, Pedro Júnior Coelho da Silva Nunes, Rafael Henrique Silva, Raul Sousa Silva Junior, Renata de Souza Silva, Ricardo Orosco, Rodrigo Mello Campos, Rubens Lima e Willian SpenglerSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Podcast – Fronteiras no Tempo
Fronteiras no Tempo: Giro Histórico #37 A Revolta do Quebra-Quilos

Podcast – Fronteiras no Tempo

Play Episode Listen Later Feb 12, 2025 12:45


O Fronteiras no Tempo: Giro Histórico em seu 37º episódio traz, na voz de Anderson Couto, a história de uma revolta popular do século XIX que possui muitos paralelos com o nosso tempo, mas que é pouco conhecida: a Revolta do Quebra-Quilos. O governo imperial promulgou uma lei que alterava as unidades de pesos e medidas no país, mudando os padrões do modelo inglês para o modelo francês (que usamos até hoje). Este processo foi marcado pela disseminação de desinformação que levou a insurreições populares em diferentes cidades brasileiras contra as medidas imperiais. Mas a história não termina aí, escravizados aproveitaram os eventos para ampliar sua luta pelo fim do trabalho cativo. Ouça o episódio e conheça essa História! Campanha de financiamento coletivo: https://apoia.se/fronteirasnotempo Arte da Capa: Augusto Carvalho Mencionado no Episódio Fronteiras no Tempo #87 Renascimento MAIOR, Armando Souto. Quebra-Quilos: Lutas Sociais no Outono do Império. Financiamento Coletivo Existem duas formas de nos apoiar Pix recorrente – chave: fronteirasnotempo@gmail.com Apoia-se – https://apoia.se/fronteirasnotempo INSCREVA-SE PARA PARTICIPAR DO HISTORICIDADE O Historicidade é o programa de entrevistas do Fronteiras no Tempo: um podcast de história. O objetivo principal é realizar divulgação científica na área de ciências humanas, sociais e de estudos interdisciplinares com qualidade. Será um prazer poder compartilhar o seu trabalho com nosso público. Preencha o formulário se tem interesse em participar. Link para inscrição: https://forms.gle/4KMQXTmVLFiTp4iC8 Selo saberes históricos Agora o Fronteiras no Tempo tem o selo saberes históricos. O que é este selo? “O Selo Saberes Históricos é um sinal de reconhecimento atribuído a:● Práticas de divulgação de saberes ou produções de conteúdo histórico ou historiográfico● Realizadas em redes sociais ou mídias digitais, voltadas para públicos mais amplos e diversificados● Comprometidas com valores científicos e éticos.”Saiba mais: https://www.forumsabereshistoricos.com/ Redes Sociais Twitter, Facebook, Youtube, Instagram Contato fronteirasnotempo@gmail.com Como citar esse episódio Fronteiras no Tempo: Giro Histórico #37 A Revolta do Quebra-Quilos. Locução Cesar Agenor Fernandes da Silva e Anderson Couto. [S.l.] Portal Deviante, 12/02/2025. Podcast. Disponível em: https://www.deviante.com.br/?p=64451&preview=true Expediente Produção Geral, Host e Edição: C. A. Arte do Episódio: Augusto Carvalho Trilha sonora do episódio Birds – Corbyn Kites The Moon Drops - Nathan Moore Wolf Moon - Unicorn Heads Madrinhas e Padrinhos Apoios a partir de 12 de junho de 2024 Alexsandro de Souza Junior, Aline Silva Lima, André Santos, André Trapani, Andréa Gomes da Silva, Andressa Marcelino Cardoso, Augusto Carvalho, Carolina Pereira Lyon, Charles Calisto Souza, Elisnei Menezes de Oliveira, Erick Marlon Fernandes da Silva, Flávio Henrique Dias Saldanha, Gislaine Colman, Iara Grisi, João Ariedi, João Luiz Farah Rayol Fontoura, Juliana Zweifel, Klaus Henrique de Oliveira, Manuel Macias, Marlon Fernandes da Silva, Pedro Júnior Coelho da Silva Nunes, Rafael Henrique Silva, Raul Sousa Silva Junior, Renata de Souza Silva, Ricardo Orosco, Rodrigo Mello Campos, Rubens Lima e Willian SpenglerSee omnystudio.com/listener for privacy information.

UNITEDcast
UNITEDcast #694 - MUSICAS DA TEMPORADA DE OUTONO 2024

UNITEDcast

Play Episode Listen Later Oct 26, 2024 88:45


Olá pessoas do UNITEDcast, no episódio dessa semana nossos casters trouxeram uma lista das melhores musicas da temporada de outono de 2024. Vem curtir essa playlist!   Participantes:  Ds, Ana, Vitor, Eric, Wagner.   Edição: Ana Paula   Nos ajude a melhorar nosso cast respondendo ao questionário: https://forms.gle/egzXnbBee7zB8mYH8   Recrutamento da United: Aqui! – CANAL TELEGRAM: https://t.me/animeunitedbr – Mande seu Email: Email: podcast@animeunited.com.br – Apoie o UNITEDcast: Manda um PIX!!: podcast@animeunited.com.br Seja um FODEROSO do nosso Apoia-se: https://apoia.se/unitedcast Assista ao vivo no nosso Canal do Youtube! Compre na AMAZON pelo Nosso Link: https://amzn.to/2WjH5kM – Assine o UNITEDcast: Spotify: Segue a gente por lá! iTunes: Adiciona a gente lá! Google Podcasts: Assine Agora! – Links do Episódio: Twitch do DS: https://twitch.tv/dsunited Canal da Ana: https://www.youtube.com/c/CulturaAnime Grupo do Kurt https://www.facebook.com/groups/actionsecomics2 – Nos Siga: Twitter do DS: https://twitter.com/odaltonsilveira Instagram do DS: https://www.instagram.com/odaltonsilveira/ Fabebook da United: https://www.facebook.com/animeunitedoficial Twitter da United: https://twitter.com/animeunitedBR Instagram da United: https://www.instagram.com/animeunitedbr/

Cuando los elefantes sueñan con la música
Cuando los elefantes sueñan con la música - Canciones para el otoño - 08/10/24

Cuando los elefantes sueñan con la música

Play Episode Listen Later Oct 8, 2024 58:10


Rosa Passos ('Outono'), Djavan ('Outono'), Eva Cassidy ('Autumn leaves'), Cécile Verny ('Les feuilles mortes'), Thomas Dutronc ('Les feuilles mortes'), Bill Evans ('When autumn comes'), Stacey Kent ('It´s autumn'), Helen Merrill ('Autumn in New York'), Ella Fitzgerald & Louis Armstrong ('Autumn in New York'), Sarah Vaughan ('September song') y Quincy Jones ('Setembro'). Escuchar audio

UNITEDcast
UNITEDcast #688 - TEMPORADA de OUTONO de 2024

UNITEDcast

Play Episode Listen Later Sep 13, 2024 83:32


Olá pessoas do UNITEDcast, no episódio dessa semana nossos casters comentaram a lista dos próximos animes que vão estrear nesta temporada de outono. Vem conferir as novidades!   Guia completo: Aqui   Participantes:  Ds, Ana, Kurt, Vitor, Eric, Josué.   Edição: Ana Paula   Nos ajude a melhorar nosso cast respondendo ao questionário: https://forms.gle/egzXnbBee7zB8mYH8   Recrutamento da United: Aqui! – CANAL TELEGRAM: https://t.me/animeunitedbr – Mande seu Email: Email: podcast@animeunited.com.br – Apoie o UNITEDcast: Manda um PIX!!: podcast@animeunited.com.br Seja um FODEROSO do nosso Apoia-se: https://apoia.se/unitedcast Assista ao vivo no nosso Canal do Youtube! Compre na AMAZON pelo Nosso Link: https://amzn.to/2WjH5kM – Assine o UNITEDcast: Spotify: Segue a gente por lá! iTunes: Adiciona a gente lá! Google Podcasts: Assine Agora! – Links do Episódio: Twitch do DS: https://twitch.tv/dsunited Canal da Ana: https://www.youtube.com/c/CulturaAnime Grupo do Kurt https://www.facebook.com/groups/actionsecomics2 – Nos Siga: Twitter do DS: https://twitter.com/odaltonsilveira Instagram do DS: https://www.instagram.com/odaltonsilveira/ Fabebook da United: https://www.facebook.com/animeunitedoficial Twitter da United: https://twitter.com/animeunitedBR Instagram da United: https://www.instagram.com/animeunitedbr/

Ar livre
Ep 276 - Viver nos entretantos, perfil de leitor, estou feliz, algoritmo extremo e até terça

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Play Episode Listen Later Sep 1, 2024 27:59


PRÓXIMO EPISÓDIO Terça-feira dia 10 de Setembro ;) Merch disponível: https://arlivrepodcast.com/ BAM- ar livre regular -BAM https://www.patreon.com/salvadormartinha ( Livre pelo mundo com simone) Actuo dia 11 de Outubro em LOUSADA no festival comédias de Outono.