Podcasts about o festival

  • 290PODCASTS
  • 628EPISODES
  • 33mAVG DURATION
  • 5WEEKLY NEW EPISODES
  • Aug 25, 2026LATEST

POPULARITY

20192020202120222023202420252026


Best podcasts about o festival

Show all podcasts related to o festival

Latest podcast episodes about o festival

Artes
Realizadora angolana Pocas Pascoal distinguida no Festival de Cinema de Locarno

Artes

Play Episode Listen Later Aug 25, 2026 20:21


A realizadora angolana Pocas Pascoal, foi distinguida a 9 de Agosto com o 'The Open Doors - OIF Francophonie Award', no âmbito do Festival de Cinema de Locarno na Suíça que decorreu de 5 a 15 de Agosto. Durante o festival, a cineasta, autora nomeadamente de fitas como 'Memórias de Infância' em 2000, ou ainda 'Alda e Maria' em 2011, projectou a sua curta-metragem 'Time to Change', um filme sob forma de denúncia do colonialismo e apresentou o projecto pelo qual foi premiada, em torno da figura da cineasta francesa Sarah Maldoror, conhecida designadamente por ter acompanhado em imagem a luta de libertação de Angola. Em entrevista à RFI, a realizadora, a viver em Portugal há cerca de nove anos, partilhou a sua alegria por ter sido distinguida, falou da sua experiência como cineasta em Portugal e também evocou o que pretende contar na fita sobre Sarah Maldoror. RFI: Como se sente com o prémio que recebeu em Locarno? Pocas Pascoal: Sinto-me muito bem! Acho que é um grande impulso também para a minha carreira, que já começou há muitos anos, mas continua a crescer. É um prémio que vai valorizar também o projecto que eu estou a escrever sobre a Sarah Maldoror, que vai de certeza permitir-me concluir o projecto que estou a escrever e espero eu que vai ajudar também a ter financiamentos. Portanto, eu acho que é assim uma coisa muito, muito importante, o que me aconteceu. Tive muita gente a contactar-me interessada no projecto depois deste prémio. Isto é um grande impulso. O Festival de Locarno em si, é um grande programa de encontro e que nos permite fazer contactos e relações que ficaram até para o resto da vida, de certeza. Portanto, já isso é muito, muito importante como festival, como plataforma mesmo de formação. Nunca aprendi tanta coisa sobre cinema em tão pouco tempo e nunca fiz tantos encontros em tão pouco tempo também. Portanto, o facto de estar no Festival de Locarno em 'Open Doors' já é um grande presente e um grande prémio, porque permite-nos projectar o meu projecto internacionalmente. Estive lá com o filme e, sim, há já algumas coisas que estão a avançar bem e penso que vamos assinar um contrato de co-produção. RFI: A curta-metragem que lhe deu essa chave para a próxima etapa é 'Time to Change'. O que é 'Time to Change'? Pocas Pascoal: É uma crítica à colonização, à colonização em geral, mas sobretudo à colonização portuguesa, que foi aquela que Angola viveu. Tento denunciar através deste filme aquilo que se passou. E faço uma ponte entre o passado e o presente, hoje, criticando a relação que os portugueses tiveram, que foi uma relação de repressão e de exploração. Em Portugal há uma mentalidade ainda que, infelizmente, continua. Continuam a pensar que a colonização portuguesa foi uma boa colonização, que foi uma colonização 'soft', que misturaram-se muito e que não foi assim tão grave. Mas foi grave, Foi muito grave. Este filme denuncia aquilo que foi a colonização e também denuncia o desequilíbrio dos ecossistemas que começaram naquele momento. Portanto, quando os portugueses chegaram, havia um equilíbrio, uma maneira de viver que os angolanos, o ser humano teve que modificar, teve que se adaptar àquilo que esses colonos quiseram que eles se tornassem. Mesmo a nível de habitação, a nível da arquitectura, tivemos que sair da nossa casa feita de madeira e de palha, que era uma coisa local. Houve várias coisas que se podem aprofundar em relação a isso e mudaram-nos completamente, a nossa maneira de ser, a nossa cultura, a nossa linguagem mesmo. A língua que tivemos que falar foi a portuguesa. E também a natureza, os animais. Para mim, esta alteração climática começou já nesse momento. Portanto, eu faço esta ligação do passado ao presente para denunciar as consequências desta colonização ainda hoje. RFI: Como é que é estruturado este filme? Portanto, é um filme que vai buscar imagens documentais. Por exemplo, uma imagem muito forte, muito simbólica, de caçadores. Pocas Pascoal: Eu utilizei imagens de arquivo no filme e não só. Também tem imagens dos dias de hoje. Essas imagens do caçador são imagens horríveis e acho que apercebemo-nos que naquela altura caçava-se muito de forma recreativa. Caçava-se para o homem se sentir mais forte, o mais forte do universo, mais forte do que os animais, mais forte do que o elefante, que é um animal gigante. Numa das fotografias, tem uns três caçadores com uns cinco ou seis Elefantes. é uma coisa horrível. E são animais que hoje em dia estão a desaparecer por causa disso. Por foram tão caçados às vezes só para poderem pôr um troféu na parede. E às vezes para poder se sentirem fortes. E para poderem utilizar o marfim. É uma coisa absurda, porque é uma mentalidade que infelizmente destruiu. E isto, acho que temos que tomar consciência. E lembrarmo-nos, continuarmos a lembrar o que foi e o que é que está a acontecer hoje. Portanto, é uma maneira para mim também de reavivar a memória. RFI: Falou da forma como Portugal encara o período colonial. Como é que ele é encarado em Angola? Pocas Pascoal: Ai, eu já não estou em Angola há 40 anos! E vou muito raramente a Angola. Seria difícil falar sobre este tema. Sei que em relação aos angolanos que estão na diáspora, é uma luta constante contra o racismo. Eu vivi vários anos em França e nunca vivi tanto racismo como vivo aqui em Portugal, infelizmente. Há coisas maravilhosas, mas há um racismo muito básico. Na verdade, é uma coisa que foi impregnada na mente das pessoas, que as pessoas negras são pessoas inferiores, que são pessoas que não têm instrução, que são pessoas que não têm meios financeiros, que são pobres também. Isto aconteceu-me. O racismo que eu tive aconteceu-me com várias pessoas de vários meios sociais. Por isso é uma coisa que está impregnada na mente das pessoas portuguesas e que não sai. E que eu acho que é um trabalho que se deve fazer. É um trabalho que talvez não tenha sido feito. Eu penso que não foi feito um trabalho que deve começar a nível das escolas, com as crianças, para tentar mudar esta mentalidade e é um trabalho político também. Eu acho que a Europa e Portugal, sobretudo, que é o país onde eu vivo, tem uma grande dívida com esses países que colonizaram. Mas esta dívida devia ser paga através de um trabalho de memória, de um trabalho de formação e de informação. É um trabalho que deve ser começado pelas crianças nas escolas, porque só a partir daí é que as mentalidades das pessoas brancas vão começar a mudar e a reconhecer que nós somos iguais. RFI: Como é que é fazer cinema em Portugal? Aquilo que acaba de me descrever também entra em linha de conta para a sua vivência em termos de trabalho? Pocas Pascoal: Claro, uma grande influência, infelizmente, é terrível. Eu vou contar-lhe uma coisa que eu por acaso falo muito raramente e não estou a falar do lado financeiro, porque o lado financeiro é realmente um problema com as mulheres, porque nós temos estado a lutar contra isso também. Eu faço parte de um grupo de mulheres no cinema que se chama 'Mutim' (Associação de Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento em Portugal). A 'Mutim' lutou muito para que haja nos júris do ICA (Instituto de Cinema e do Audiovisual) mulheres, que as mulheres sejam representadas também nos júris. Portanto, isto já muda muito, os financiamentos. E depois? Agora é chegar a mulheres negras, porque também é um problema de imaginar um filme onde só haja pessoas negras. Mesmo se eu não faço filmes só com pessoas negras, mas um filme onde haja uma maioria de pessoas negras, os júris podem ver aquilo muito mal. É um filme que não vai ter público. Um filme que vai ser mal distribuído, se calhar, porque se há uma mentalidade que ainda pensa que as pessoas negras não têm formação, não são instruídas, etc, no cinema também é uma coisa muito às vezes inconsciente. No cinema também, portanto, há uma luta contra isso. Há uma vitória pequenina, é verdade. Já se vê alguns filmes distribuídos nos cinemas com pessoas negras, mas são filmes americanos. É verdade. Negro e americano. Ok, já é melhor aceite. Mas o que eu queria contar há bocado é que aconteceu-me. Há uns anos atrás, fiz um telefilme. Fui convidada porque era uma mulher. E aceitei porque era uma oportunidade para mim de trabalhar na indústria portuguesa. Eu tinha acabado de chegar a Portugal e eu tinha feito um casting com pessoas negras, porque o filme passava-se nos subúrbios de Lisboa e aquilo foi uma luta. Foi horrível. Não consegui ter um casting só com pessoas negras. Foi uma luta terrível. Mas há um público e é um erro enorme, porque há um público, porque quando passa um filme na televisão com pessoas negras, as pessoas vêem os filmes. Há estatísticas, as pessoas vêm e é muito visto. Portanto, há um erro enorme em relação a isso. Isso também faz parte do trabalho para modificar isso. Faz parte deste trabalho, que é muito político e que as pessoas têm que fazer. Como eu disse há bocado, tem que começar nas escolas com as crianças, porque senão as coisas não vão mudar. RFI: Estava a mencionar o facto de ter também a expectativa de que o facto de ganhar esta visibilidade com este prémio também possa dar um impulso ao seu próximo projecto, que tem a ver com a figura da Sarah Maldoror, que faz a ponte entre a francofonia, porque ela era das Antilhas, com o mundo lusófono, uma vez que ela focou o seu olhar sobre a África lusófona, sobre Angola, sobre a Guiné-Bissau. O que é que a levou a interessar se por esta realizadora? Pocas Pascoal: É uma figura muito importante em Angola. Ela até é considerada angolana em Angola. Ela fez os dois primeiros filmes em Angola. A primeira vez que eu vi pessoas negras no cinema, era muito jovem, foi através de filmes da Sarah, o filme 'Sambizanga'. Portanto, eu era muito, muito jovem. Eu devia ter nove ou dez anos e foi a primeira vez que eu também começo a descobrir a história do meu país em relação à colonização. Eu tive a sorte de ter conhecido a Sarah. Eu estive com Sarah duas vezes. A primeira vez que eu ouvi a Sarah foi numa residência em França, na Normandia, onde a Sarah tinha a melhor amiga dela. Era proprietária da residência. Portanto, eu estava lá. Sarah veio visitar a amiga e eu conheci a Sarah. Eu era muito tímida naquela altura, portanto eu quase nem falei com ela. E a segunda vez que estive com Sarah, foi durante uma viagem para Angola. Nós fomos convidadas, várias pessoas foram convidadas, para um festival em Luanda. Acho que foi o segundo ano desse festival e a Sarah foi homenageada nesse festival. E como viajamos juntas, devem ter comprado os nossos bilhetes ao mesmo tempo. Estávamos sentadas uma ao lado da outra e foi muito engraçado. Fizemos sete horas juntas, uma ao lado da outra. Tivemos a oportunidade de conversar. A Sarah contou-me a história deste filme, que deveria ter sido o primeiro filme dela, a primeira longa-metragem ('Armas para Banta', Guiné-Bissau, 1970). E eu me interessei muito naquela altura. Interessei-me muito pela vida dela, porque tinha visto vários filmes feitos por ela. E, sobretudo, interessei-me muito por essa história, que é uma coisa de injustiça. A Sarah, que lutou a vida toda pela justiça social e pela igualdade de direitos. Este filme foi uma grande injustiça para ela. Eu nem sei se já tinha perguntado isso, mas o meu filme é sobre a Sarah nesse momento, quando ela vai à Guiné-Bissau, vai documentar a luta armada dos guineenses contra a colonização portuguesa. E ela, em vez de falar de um herói no filme, ela faz uma heroína. E quando ela volta para a Argélia, o filme não é aceite. Ela é expulsa da Argélia. Bom, estou a resumir, mas ela é expulsa da Argélia. E o filme lhe é retirado e desaparece até hoje. Portanto, eu interessei-me muito por este este momento da vida da Sarah, que também é o início da carreira dela. E também, para mim, é a oportunidade de falar dessas mulheres, porque ela vai filmar aquelas mulheres que foram realmente resistentes e estiveram na guerrilha durante muitos anos a lutar contra a colonização portuguesa. Portanto, para mim também, é a oportunidade de falar dessas mulheres. É claro que o foco é na Sarah e a Sarah interessa-me muito. Eu estudei muito, vi os filmes dela todos e interessam-me porque é uma pessoa que foi íntegra. Ela lutou a vida toda, fez mais de 40 filmes e através do cinema, ela lutou pela igualdade de direitos. Ela foi uma grande resistente. Ela foi uma grande activista e é uma para mim, um exemplo e uma referência de uma pessoa negra que conseguiu e sempre foi honesta com ela mesmo e com aquilo que ela fez. Íntegra. Portanto, para mim, é uma grande referência e um grande exemplo. E eu gosto do cinema dela. E também, eu penso muito no cinema dela, vejo filmes dela, quando faço os meus filmes. É uma grande referência. RFI: Essa história de Sarah Maldoror na Guiné-Bissau a tentar retratar as mulheres que participaram na luta de libertação e que foi um filme rejeitado. Isto, no fundo, também vai tocar na sua fibra feminista. Pocas Pascoal: Não vou generalizar porque a África é muito diferente, mas as mulheres em Angola são mulheres que foram muito valorizadas e que o são até hoje, que têm um grande poder na família e não só, também no trabalho. É claro que estamos a falar também de um sistema patriarcal. É evidente. Eu vivi depois da colonização, esta valorização das mulheres. As mulheres que lutaram contra a colonização portuguesa são mulheres que, muitas vezes, é verdade, pensando bem, são mulheres que ficaram na sombra. São mulheres que não foram muito faladas. Houve uma que se tornou heroína, mas falava-se muito pouco das mulheres. Portanto, a Sarah, ela tem este lado também feminista, mesmo se ela não se dizia feminista. Ela tem esse lado feminista porque ela, os personagens dela, no início da carreira dela, eram mulheres. Ela quis pôr em evidência as mulheres africanas, as mulheres negras, porque essas mulheres nunca eram os personagens principais nos filmes. Eu faço filmes sobre mulheres. É uma coincidência, mas porque são pessoas com quem eu me identifico mais facilmente, mais rapidamente, e são temas que me tocam imenso. RFI: Em que fase está? Pensa que este projecto em torno da Sarah Maldoror vai vingar quando? Pocas Pascoal: Francamente, eu penso que o filme agora e com este prémio também, que está a valorizar o projecto e que estava lá o Instituto de Cinema no Locarno, também eles viram, assistiram a isso, eu espero que não somente o ICA, mas outros fundos se interessem pelo projecto e já se estão a interessar. Espero rodar o filme em 2027 e espero que o filme em início de 2028 esteja acabado. Realmente, acredito que agora vai avançar rapidamente. Eu levei muito tempo a fazer pesquisa, vi e falei muito com as filhas da Sarah. Estive a tentar procurar qual era o melhor momento da vida da Sarah para eu poder pôr no cinema, porque não quis fazer um 'biopic' sobre a vida da Sarah, mas quis fazer sobre uma parte da vida dela que é enorme. O momento em que ela vai fazer este filme é o início da carreira dela também. Por isso passei muitos anos em pesquisa a tentar encontrar como é que eu ia falar sobre esta pessoa, que também não é muito fácil. Se seria documentário, ficção, falar desta pessoa que é uma pessoa que eu admiro muito e não me quero enganar. Portanto, acho que tenho um bom filme, foi aquilo que eu escolhi. Espero que nos próximos dois anos o filme esteja acabado. RFI: Tem outros projectos na forja ou é uma pessoa de um só projecto de cada vez? Pocas Pascoal: Não. Eu sou hiperactiva, portanto tenho vários projectos. Estou a acabar agora um filme, mas é uma curta também. Quando falo de hiperactividade não faço várias longas ao mesmo tempo, infelizmente. É uma questão financeira, mas enquanto estou à espera de financiamento para uma longa, estou a fazer curtas-metragens e tento fazer também instalações. Não faço muitas, mas tento participar em exposições e fazer instalações. E neste momento estou a fazer uma curta-metragem que, espero eu, estará nos festivais. Acho que no fim do ano já vou começar a mostrar o filme e também há uma curta-metragem feita com arquivos. Não vou revelar ainda a história porque ainda estou a montar e as coisas podem evoluir. Gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Fica a Dica
Fica a Dica - Festival Mineiro da Cerveja acontece dia 22/08

Fica a Dica

Play Episode Listen Later Aug 19, 2026 1:25


No #ficaadica de hoje, Isabela Lapa dá uma dica para os amantes da cerveja. O Festival reúne mais de 10 cervejarias com 30 opções de cervejas, incluindo especiais, praça de alimentação, estações gastronômicas, além de permitir a presença de pets. Saiba mais!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cultura FM Brasília
Cinema do DF em destaque no 59º Festival de Brasília

Cultura FM Brasília

Play Episode Listen Later Aug 19, 2026 6:39


O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro anunciou os detalhes da 59ª edição que acontece de 11 a 19 de setembro. A Rádio Cultura FM participou da coletiva realizada no Cine Brasília e a jornalista Nita Queiroz tem as informações.

ArteDebater
Arte & agenda | Especial sobre o Festival de cinema de Gramado

ArteDebater

Play Episode Listen Later Aug 11, 2026 39:16


Como funciona a escolha dos filmes para o Festival de Cinema de Gramado?

Fica a Dica
Fica a Dica - Vai começar o Festival Mundial do Circo

Fica a Dica

Play Episode Listen Later Jul 30, 2026 1:27


Belo Horizonte recebe mais uma edição do Festival Mundial do Circo. Saiba os detalhes no episódio de hoje, com Isabela Lapa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

SBS Portuguese - SBS em Português
What is the Garma Festival and why is it important? - O que é o Festival Garma e por que ele é importante?

SBS Portuguese - SBS em Português

Play Episode Listen Later Jul 29, 2026 9:36


The Garma Festival is Australia's largest Indigenous cultural gathering where thousands of people travel to a remote town in Nhulunbuy on northeast Arnhem Land in the Northern Territory. Here's what happens at Garma and who can attend. - O Festival Garma é o maior encontro cultural indígena da Austrália. Milhares de pessoas viajam todos os anos até a cidade remota de Nhulunbuy, no nordeste de Arnhem Land, no Território do Norte. Veja o que acontece no Garma e quem pode participar.O Festival Garma é o maior encontro cultural indígena da Austrália. Milhares de pessoas viajam todos os anos até a cidade remota de Nhulunbuy, no nordeste de Arnhem Land, no Território do Norte. Veja o que acontece no Garma e quem pode participar.

TsugiMag
La Tournée · Paléo Festival avec St Graal, Camille Doe, Sylvie Kreusch & Braises de Velours

TsugiMag

Play Episode Listen Later Jul 24, 2026 84:46


Tsugi Radio en direct du canton de Vaud pour une nouvelle émission ici sur la plaine de l'Asse à Nyon. Arthur Guillaumot & Antoine Dabrowski reçoivent St Graal, St Graal, Camille Doe, Sylvie Kreusch & Braises de Velours.

Notícias MP
Feijó - MPAC instaura procedimento para apurar contratações artísticas para o Festival do Açaí

Notícias MP

Play Episode Listen Later Jul 24, 2026 1:28


O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da Promotoria de Justiça Cível de Feijó, instaurou uma notícia de fato para apurar a regularidade, a legalidade e a moralidade administrativa das contratações artísticas realizadas pela Prefeitura de Feijó para o Festival do Açaí, que deve ser realizado entre os dias 21 e 23 de agosto de 2026.

Notícias MP
Feijó - MPAC recomenda medidas de segurança e proteção à infância e juventude durante o Festival do Açaí

Notícias MP

Play Episode Listen Later Jul 24, 2026 1:19


O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da Promotoria de Justiça Cível de Feijó, expediu recomendação à Prefeitura, à Polícia Militar, à Secretaria Municipal de Assistência Social e ao Conselho Tutelar para que adotem medidas de organização, fiscalização e proteção durante a realização do Festival do Açaí, que será realizado entre os dias 21 e 23 de agosto de 2026.

TsugiMag
La Tournée · Paléo Festival avec Max Baby, Dylan Dylan, Zaatar, Sam Quealy et Kendal

TsugiMag

Play Episode Listen Later Jul 23, 2026 101:26


La tournée de Tsugi Radio se poursuit et passe par la Suisse. Nous nous trouvons à quelques kilomètres du Lac Léman, entourés de montagnes, sur la Plaine de l'Asse, investie comme chaque année par le Paléo Festival. Un festival qui affiche complet quelques heures après sa mise en vente et ce depuis bien des années. Normal quand on réunit comme ce soir The Cure, Kompromat ou Feu! Chatterton. Mais Paléo Festival c'est aussi un village du monde qui est cette année dévolu à l'Europe du Nord, on y trouve un fjörd, des rollmops, une source d'eau chaude, mais surtout des artistes comme l'Islandais Asgeir qui jouera ce soir deux fois. Arthur Guillaumot et Antoine Dabrowski en direct de Nyon avec quelques-uns des artistes de cette édition 2026 : Max Baby, Dylan Dylan, Zaatar, Sam Quealy et Kendal.

La Matinale - La 1ere
L'invité de La Matinale - Daniel Rossellat, directeur du Paléo Festival

La Matinale - La 1ere

Play Episode Listen Later Jul 21, 2026 15:47


Cultura
Teatro: Tiago Rodrigues projeta os próximos 80 anos de Avignon e convida o Brasil ao debate

Cultura

Play Episode Listen Later Jul 17, 2026 6:03


Primeiro estrangeiro a dirigir o Festival de Avignon, Tiago Rodrigues conduz a edição dos 80 anos em meio a um contexto dominado pela urgência de garantir acesso democrático à cultura. Com uma programação majoritariamente feminina, que inclui Christiane Jatahy, Lia Rodrigues e Carolina Bianchi, ele destaca a força da cena brasileira e propõe novas alianças. O diretor português afirma que o futuro de Avignon depende das perguntas que ainda precisamos formular e convida o Brasil ao debate. Márcia Bechara, enviada especial a Avignon A programação deste ano, pela primeira vez majoritariamente feminina, inclui três artistas brasileiras em posições centrais: Christiane Jatahy, Lia Rodrigues e Carolina Bianchi, lançada por Avignon em 2023. Para Tiago, essa presença não é apenas simbólica, mas um componente estrutural da presença brasileira no festival. “Eu considero que o Brasil tem grandes artistas, e isso é o essencial. Mais do que definir o que é o teatro brasileiro ou o que é a dança brasileira, eu acho que há enormes artistas brasileiros”. Ele destaca Carolina Bianchi como “uma artista imensa de teatro, de performance, uma grande autora de teatro, uma grande escritora, uma poeta da cena”. A diversidade brasileira, segundo ele, é decisiva para o futuro das artes cênicas. “Carolina Bianchi é um exemplo dessas singularidades que podemos encontrar no teatro brasileiro, porque a cultura brasileira é de uma enorme diversidade. Também podemos encontrar no teatro brasileiro a anti-Carolina Bianchi.” Para Tiago, essa amplitude estética e intelectual precisa ainda ser “cuidada, acolhida, promovida”, sobretudo porque “grupos invisibilizados e oprimidos não tiveram ainda a oportunidade de chegar às ferramentas da criação”. Leia tambémChristiane Jatahy leva Ibsen ao tribunal de Avignon em debate sobre verdade ao lado de Wagner Moura A edição de 2026 marca também a primeira colaboração teatral entre Christiane Jatahy, Wagner Moura e Lucas Paraizo. O projeto parte de uma ideia que, segundo Tiago, “nos seduziu muito – justamente por não ser uma adaptação, mas uma continuação”. Ele explica: “O que acontece depois do fim de Um Inimigo do Povo, de Ibsen?” A estreia mundial em Salvador, seguida por apresentações no Rio de Janeiro (e posteriormente em Lisboa e Amsterdã), reforça a intenção de fortalecer a circulação da obra de Jatahy no Brasil. “Os parceiros europeus de Christiane Jatahy desejaram também contribuir para que seu trabalho estivesse mais presente no Brasil, e que [o espetáculo] fosse criado no Brasil”, afirma o diretor, que também destaca o interesse de festivais como Edimburgo e Holland Festival, coprodutores da peça, na ideia de "coesão social por meio das artes". Uma diretiva que, para ele, não se constrói por consenso, mas pela contraposição de ideias. “Como podemos reunir pessoas em torno das artes e ajudar na coesão social? Mas colocando perguntas, sem exigir pensamento único, sem exigir que todos concordem – e, assim, iniciar um debate?” O ponto de interrogação e os próximos 80 anos O ponto de interrogação que domina toda a comunicação gráfica do festival sintetiza essa postura. Tiago o escolheu como símbolo das perguntas que ele considera essenciais para os próximos 80 anos de Avignon. “Uma multidão de questões”, diz. Ele começa pelas mais urgentes: “Será que o Festival de Avignon vai poder existir ainda por 80 anos com este calor, com este clima, com a crise climática? O que vamos fazer para continuar vivendo festivais como Avignon, em meio ao calor provocado pelas mudanças climáticas? O que nos leva a nos fascinar, mesmo nós, artistas, pela questão do mal, pelos déspotas, pelos violentos? Que fascinação é essa pelo mal?”. A reflexão se estende ao tema do suicídio assistido: “Como pode a sociedade se organizar para acompanhar aqueles que decidem pôr fim à própria vida porque acham que a vida deve terminar – porque estão doentes, porque estão em sofrimento? Como podemos, socialmente, humanamente, mas também juridicamente, acompanhar essa decisão?”, questiona Rodrigues. As questões propostas por Christiane Jatahy e Wagner Moura também interpelam o festival. “Nesta sociedade da opinião pública rápida, que condena publicamente, qual é o lugar da justiça naquilo que são as nossas vidas? E como podemos participar dessa justiça e nos dar o tempo de reflexão que a justiça merece?”, sublinha o diretor. Leia tambémLia Rodrigues conduz jovens artistas em formação e amplia escuta pela diversidade em Avignon Primeiro estrangeiro a dirigir o Festival de Avignon, Tiago Rodrigues afirma que a história do evento impõe uma responsabilidade que não pode ser negociada. Ele lembra que o festival nasceu em 1947, no pós-guerra, criado por Jean Vilar e por antigos resistentes à ocupação nazista, e que essa origem define o presente. "O código genético deste festival, fundado em 1947 depois da Segunda Guerra Mundial por Jean Vilar, com ajuda de antigos resistentes contra a ocupação nazista. Seria uma traição à responsabilidade histórica deste festival e aos seus valores colaborar com a extrema direita. Esse é o meu entendimento, e é a minha responsabilidade tomar essa decisão enquanto diretor de um festival que é progressista, republicano, democrático e, portanto, nos dias de hoje, ecologista, feminista, antirracista, antifascista.” O Festival de Avignon segue em cartaz no sul da França até 25 de julho.

Notícias MP
Feijó - MPAC instaura procedimento para acompanhar ações de segurança durante o Festival do Açaí

Notícias MP

Play Episode Listen Later Jul 16, 2026 1:15


O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) instaurou um procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar as ações de segurança pública e organização do Festival do Açaí, que será realizado entre os dias 21 a 23 de agosto, em Feijó.

Jose Candeias - HÀ Conversa
Fafião - Festival Aldeia de Lobos 2026

Jose Candeias - HÀ Conversa

Play Episode Listen Later Jul 10, 2026 11:10


See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vida em França
Avignon: Bem-vindos ao “país do teatro” na companhia de Tiago Rodrigues

Vida em França

Play Episode Listen Later Jul 8, 2026 17:49


O Festival de Avignon arrancou a 4 de Julho, e junta, durante três semanas, milhares de pessoas, para esta 80ª edição. Este é o epicentro da história contemporânea do teatro, dirigido pelo encenador, dramaturgo e actor português Tiago Rodrigues. Este ano, há 47 espectáculos, dois de encenadoras lusófonas e a língua convidada é o coreano. Há uma maioria inédita de criadoras mulheres e a linha de força é um enorme ponto de interrogação estampado um pouco por todo o lado nas ruelas da cidade francesa. O teatro anda à solta, sem rédeas, pela cidade de Avignon. Bem-vindos ao “país do teatro, à república independente das artes performativas”, nas palavras e na companhia de Tiago Rodrigues, um dos fazedores desta “fábrica de memórias inesquecíveis para o público”. Uma dessas “memórias” é a primeira maratona teatral em português, de dez horas, com a apresentação, a 12 e 13 de Julho, da Trilogia Cadela Força de Carolina Bianchi. Outra é o espectáculo de cinco horas do francês Julien Gosselin, “Maldoror”, que Tiago Rodrigues acredita que “vai marcar as próximas décadas do teatro francês, europeu e mundial”. E outra, ainda, é a peça “Um julgamento - Depois do inimigo do povo” que descreve como “uma interpretação magistral de uma história do repertório agora reescrita, repensada por Christiane Jatahy e Wagner Moura e com um elenco magistral à volta de Wagner Moura que tem uma prestação absolutamente sublime”. Nesta 80ª edição, “os questionamentos” são a bandeira de um festival que sempre foi sintoma e espelho dos tempos que correm. Este é também “um espaço de liberdade onde os artistas e o público se podem exprimir com toda a liberdade”, reitera o artista, destacando que “em França, como noutros países da Europa e do mundo, a liberdade de expressão e de criação estão a ser ameaçadas”. Mais ainda, em França – diz – “já não se trata apenas de uma ameaça, mas de ataques repetidos em vários territórios”. E, assim, a menos de um ano das próximas eleições presidenciais em França, onde a extrema-direita cresce, Tiago Rodrigues, enquanto director desta instituição e não apenas como cidadão e autor de “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, toma já posição e pede às pessoas para não deixarem a extrema-direita chegar ao Palácio do Eliseu. Tiago Rodrigues, português, emigrante, inscreve-se numa longa linhagem histórica de emigração portuguesa para França, mas esta é também uma história familiar e é a história que inspira o seu próximo espectáculo, revelou à RFI em primeira mão. O pai, Rogério Rodrigues, exilou-se em França durante o Estado Novo, o filho é agora o director do maior festival francês de artes cénicas e serve com a sua arte o que chama de “dívida de gratidão” que tem com a sociedade francesa por ter acolhido o pai quando este precisava. RFI: Queria começar com uma expressão que o Tiago Rodrigues gosta muito de usar, que é “o país do teatro”. O festival está na 80ª edição. Até que ponto Avignon continua a ser a capital mundial do teatro? Tiago Rodrigues, Director do Festival de Avignon: “Eu acho que cada vez mais, com o passar do tempo, aquilo que era uma utopia imaginada por Jean Vilar, o encenador que em 1947 funda este festival logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, numa sociedade muito dividida e pensa que talvez um festival durante as férias das pessoas - e é preciso relembrar que as férias pagas eram uma novidade na época - durante as férias pagas das pessoas, podia ser um festival que permitisse ao público viver experiências que eles não teriam oportunidade, nem tempo para viver durante o ano, portanto, grandes aventuras teatrais em lugares monumentais que obrigariam a viajar. E é assim que nasce esta ideia, esta utopia de um país do teatro. Um lugar onde viajamos como quem viaja para fazer turismo, como quem viaja para se repousar. E aqui viajamos, sim, pelo turismo, pelo repouso, mas sobretudo pela descoberta dos espectáculos, pela descoberta de uma grande quantidade de estéticas e de visões de um mundo muito diferentes entre si. O tempo fez com que, ao fim de 80 edições, possamos dizer que este é o país do teatro, a república independente das artes performativas. O público vem precisamente com essa sede de ver espectáculos que talvez não tivesse tempo de ver durante o ano. Por exemplo, 'Maldoror', o espectáculo de Julian Gosselin, um grande encenador que dirige o teatro do Odéon, um dos teatros nacionais franceses, e que faz um espectáculo de cinco horas, poderíamos dizer que cinco horas é ambicioso, mas é um espectáculo magistral. O que nós vemos é que ao fim das cinco horas, por volta das duas e meia, três da manhã, todo o público está lá, aplaudiu de pé e viveu essa aventura colectiva que é singular, que só se vive em Avignon, estar num palácio sob as estrelas e ver uma obra de arte que, no meu entender, este ‘Maldoror' vai marcar as próximas décadas do teatro francês, europeu e mundial.” É português, é o primeiro director estrangeiro a dirigir o festival. Esta é a sua quarta edição como director. Conhece os talentos e as dificuldades das artes performativas portuguesas, brasileiras, de dança contemporânea moçambicana e cabo-verdiana, por exemplo, mas este ano só há duas peças lusófonas no cartaz… “Eu permito-me corrigir o “só”, “só há”. O Festival de Avignon é um festival de nomes de expressão mundial e, portanto, é um festival que tem que estar atento a tudo o que se passa no mundo. Saber que, por exemplo, este ano há duas artistas brasileiras e saber que estas duas artistas brasileiras lusófonas, Christiane Jatahy e Carolina Bianchi, que são duas das grandes artistas desta edição, são duas artistas que vêm de um só país lusófono, numa possibilidade de mais ou menos - é discutível a quantidade de países que existe no mundo, mas digamos que são duas centenas, porque depois há questões de legitimidade de algumas fronteiras, etc - mas digamos que em 200 países haver dois espectáculos, ambos vindos do Brasil ou de criadores brasileiros, criadoras neste caso, é, de qualquer das formas, um foco muito importante, uma atenção muito importante. Há muitos países que não estão representados no festival. Este ano, há uma representação de 14 países e, portanto, digamos que a maioria dos países do mundo não estão presentes no ano. A criação lusófona tem duas presenças e, portanto, acho que estamos numa quantidade, numa proporção muito benéfica para a criação lusófona.” Mas o que eu queria mesmo saber - e já percebeu onde quero chegar - é quando é que Avignon vai convidar a língua portuguesa? “Bom, o que eu posso dizer é que recentemente fui reconduzido para um segundo mandato, portanto, serei director do Festival até 2030. E estou muito feliz, muito vaidoso mesmo dessa possibilidade, mas também é um grande privilégio e uma grande responsabilidade também. E sem dúvidas que a língua portuguesa, eu digo desde o início, tem todo o mérito, toda a riqueza, toda a diversidade contemporânea e, sobretudo, toda a grande qualidade das criadoras e dos criadores, sejam portugueses, brasileiros, moçambicanos, angolanos, cabo-verdianos para estar presente no festival. Eu recordo que a lusofonia tem estado muito presente nos últimos anos no festival. No ano passado, a abertura do festival fez-se com uma artista cabo-verdiana, Marlene Monteiro Freitas, foi a primeira vez que Cabo Verde esteve na Cour d'Honneur du Palais des Papes e abriu este festival, ainda por cima no ano em que se celebrava os 50 anos da independência desse país-irmão do meu país-natal, Portugal. E, portanto, temos feito um trabalho de abertura, de aproximação do público de Avignon à criação lusófona ou em língua portuguesa. Sem dúvida que até 2030 a língua portuguesa será certamente uma das línguas convidadas no festival.” A Carolina Bianchi vem ao Festival de Avignon pela segunda vez para apresentar não só o terceiro capítulo da sua Trilogia Cadela Força aqui iniciada, como a trilogia completa, o que perfaz dez horas seguidas de maratona teatral. Isto também é histórico. Já houve maratonas teatrais em Avignon, mas em língua portuguesa, se calhar não… “Em língua portuguesa nunca houve uma aventura destas e estamos muito felizes de poder acompanhar a Carolina e toda a sua equipa da Companhia Cara de Cavalo nisto, que é uma aventura inédita. É o tipo de aventuras que só se pode viver em Avignon, dez horas de teatro. Antes que Carolina Bianchi fosse conhecida do público francês ou europeu, apresentámo-la pela primeira vez em 2023 e logo na altura sabíamos que estávamos comprometidos com continuar a acompanhar a sua trilogia. Entretanto, Carolina Bianchi ganhou o Leão de Prata da Bienal de Veneza, tornou-se numa artista absolutamente reconhecida a nível não apenas europeu, mas mundial. Queríamos estar no lugar do término desta trilogia, a acompanhar a aventura até ao fim e, sobretudo, permitir ao público de descobrir pela primeira vez a trilogia completa inédita. É uma grande aventura para a companhia, que exige enormemente. Também exige do público e das equipas técnicas e de acolhimento. Estamos muito felizes aqui em Avignon de poder propor ao público estas aventuras, porque, como nós costumamos dizer, nós queremos ser uma fábrica de memórias inesquecíveis. E é isso que queremos propor: uma memória inesquecível ao público.” A encenadora brasileira Christiane Jatahy também traz uma peça com um forte teor político. Qual é este alerta também em língua portuguesa que esta peça traz para os dias de hoje? “Christiane Jatahy, acompanhada de Wagner Moura, grande actor que foi este ano nomeado para os Óscares, que ganhou o Globo de Ouro, que ganhou o prémio de interpretação masculina em Cannes no ano passado e, portanto, de alguma forma, é um dos grandes protagonistas deste festival, juntaram-se para - ele actor, ela encenadora, mas ambos como autores do texto deste espectáculo - nos apresentarem um espectáculo que não é uma adaptação de ‘Um Inimigo do Povo' de Henrik Ibsen, mas que se inspira dessa história do dramaturgo norueguês para inventar um processo em tribunal onde se pergunta se alguém que denunciou a contaminação das águas de uma cidade é um herói que tentou ajudar as pessoas, salvar a saúde das pessoas, ou se é um inimigo do povo, alguém que destruiu a economia dessa cidade que dependia das termas, de um spa e dos turistas que vinham. Há um julgamento dessa pessoa e é um julgamento muito também sobre o risco dos julgamentos populares em opinião pública na época das redes sociais, na época em que toda a gente pode exprimir uma opinião, caluniar, difamar e destruir uma reputação publicamente muito facilmente. É uma questão de debate sobre a legitimidade de um gesto político de denúncia, sobre o diálogo entre saúde pública e a economia, essa tensão, também sobre a ecologia muito presente no espectáculo e é, sobretudo, uma interpretação magistral de uma história do repertório agora reescrita e repensada por Christiane Jatahy e Wagner Moura, com um elenco magistral à volta de Wagner Moura, que tem uma prestação absolutamente sublime. Uma peça que nos chega agora de Lisboa, esteve mesmo agora em Portugal em digressão e que é o resultado de uma encomenda que o Festival de Avignon fez com o Holland Festival de Amsterdão e com o Festival de Edimburgo, que são os três festivais europeus fundados no mesmo verão de 1947. Juntos queremos colaborar, continuar a colaborar também para o ano, quando fizermos 80 anos os três festivais e, para este início de colaboração, lançámos o desafio a Christiane Jatahy e a Wagner Moura de criar esta peça e estamos muito felizes. É uma das peças pilar da programação do festival este ano. E muito feliz também que seja a segunda peça falada em português.” Desde a sua primeira edição como director artístico do festival, apresentou “Na Medida do Impossível” e “By Heart” em 2023, “Hécuba, não Hécuba”, em 2024, “A Distância”, em 2025. Antes de ser director, já tinha apresentado “António e Cleópatra”, “Sopro” e “O Cerejal”. Este ano não apresenta peça sua. Posso perguntar porquê? “Porque acho que é importante que o meu trabalho artístico esteja sempre ao serviço do festival e nunca o contrário. E isso exige equilíbrio. Exige, no meu entender - e é a escolha responsável que eu tento fazer - que o meu trabalho não esteja necessariamente sistematicamente presente enquanto artista na programação do festival para deixar espaço a outros, para permitir precisamente que o festival não trabalhe a meu favor, mas o contrário, que quando eu apresento um trabalho, uma peça, um espectáculo no Festival de Avignon, seja para contribuir à programação e também contribuir, de certa maneira, à economia do festival. As digressões dos meus espectáculos produzem receitas que favorecem o festival e que nos permitem convidar outros artistas do festival. E, portanto, eu acredito que o director do Festival de Avignon ou a directora, se forem artistas, devem fazer o seu trabalho no festival, mas devem fazer com a medida que permite que seja o seu trabalho a estar ao serviço do festival e nunca o contrário, como disse. O Tiago Rodrigues é imigrante em França. Não vai poder votar nas presidenciais francesas do próximo ano porque é preciso nacionalidade francesa para isso. Como é que o autor de “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas” olha para estas eleições, nomeadamente depois de Marine Le Pen ter confirmado que se vai candidatar? “Não é apenas o autor de ‘Catarina e a Beleza de Matar Fascistas' ou o cidadão Tiago Rodrigues, mas é também o director do Festival de Avignon que toma posição e a posição é muito clara. O Festival de Avignon já pôde fazê-lo no passado, nas legislativas de 2024, que aconteceram ao mesmo tempo que o festival. O Festival de Avignon fez apelo a uma barragem à extrema-direita e, portanto, à União Nacional de Marine Le Pen, e fez um apelo ao voto no campo democrático. Eu não considero, o Festival de Avignon institucionalmente não considera, que a extrema-direita pertence ao campo democrático. A nossa posição é muito clara. Fazemos um apelo à participação nas eleições e é uma barragem clara, sem ambiguidades, à extrema-direita. Será também o caso para as presidenciais, como foi, aliás, para as municipais de Avignon, onde a extrema-direita perdeu uma derrota forte depois também de o festival ter tomado posição e ter anunciado que não trabalharia com a extrema-direita se esta tomasse o poder na cidade de Avignon. Felizmente não foi o caso e não será o caso, eu creio, também nas presidenciais. Sinto muita confiança na lucidez democrática das francesas e dos franceses.” Avignon é, historicamente, a cidade-teatro aberta à contestação, o festival sempre foi politicamente atravessado pelo seu tempo, como acaba de dizer, assim como em Maio de 68, os debates pós-coloniais, as crises migratórias. Este ano, qual é a causa a atravessar esta edição? “Cada Festival de Avignon é, por um lado, um sintoma de implicação com a actualidade, com os grandes fenómenos da actualidade e, portanto, a cada festival vemos novas questões, novas causas, novos debates a surgirem. E é também por isso que este ano quisemos celebrar esta 80ª edição, pondo as questões e os questionamentos no centro do discurso. Este é um festival que desde 1947, por 80 ocasiões, colocou questões ao mundo, as questões dos artistas, acompanhando os artistas a criar espectáculos que traduzem os seus questionamentos e permitindo ao público de se apropriar destas questões para ter os seus debates. O Festival é muito conhecido pelos seus debates, apaixonantes e apaixonados, por vezes bem intensos, e nós gostamos que seja assim. Gostamos que seja assim, aqui no Café das Ideias, onde estamos e onde acontecem todas as manhãs grandes debates, mas também nas ruas, nas praças, espontaneamente. Discutindo espectáculos, nós discutimos o mundo e questionamos o mundo. Este ano, como todos os anos, julgo que a questões que atravessam a actualidade, seja questões ligadas, por exemplo, às eleições presidenciais, questões ligadas à crise climática, às vagas de calor e à aceleração de medidas que os governos têm que tomar para combater a crise climática, defender a biodiversidade, mas também a vida e o bem-estar das pessoas e questões que são intemporais. Este ano temos, por exemplo, dois Hamlet, portanto, a questão de ‘ser ou não ser', que já existe há 400 anos, aqui está de novo. É esta mistura de questão política e questão íntima, de questão pública e questão individual, que anima a cada ano o festival que quer continuar a ser um festival de liberdade de expressão, de implicação com o mundo, mas com uma grande pluralidade de pontos de vista. Não é um festival de pensamento único que está aqui para convencer as pessoas seja do que for. É um espaço de liberdade onde os artistas e o público se podem exprimir com toda a liberdade, e deve dizer-se isto várias vezes, numa França onde, infelizmente vemos, como noutros países da Europa e do mundo, a liberdade de expressão e de criação a ser ameaçada. A França não é imune a isso. Já não se trata apenas de uma ameaça, mas de ataques repetidos em vários territórios de França. Aqui em Avignon, a primeira coisa que podemos fazer para responder a essa ameaça é praticar toda a liberdade de criação, toda a liberdade de expressão.” É essa a sua assinatura mais pessoal nesta edição? Reafirmar a liberdade de criação junto dos artistas, dar-lhes um espaço seguro aqui no festival? “Eu não acredito em assinaturas pessoais. Isto é o trabalho de mais de 700 pessoas que organizam este festival. O pensamento do festival não emana apenas de mim, é de dezenas de pessoas, de centenas de discussões, ele emana dos artistas e emana do público. E eu convido sempre quem me coloca essa questão de ‘Qual é a marca que tu, enquanto director, queres imprimir? Qual é o teu cunho pessoal?' O meu cunho pessoal é: Perguntem às pessoas na rua o que sentem em relação a este festival, como estão a vivê-lo. É permitir colocar-me ao serviço desta história, desta aventura colectiva que atravessa gerações. São os filhos que transmitiram aos netos, que transmitem aos vindouros este amor do teatro e este amor de poder juntar-se sem ser à volta de uma mesma ideia, juntar-se à volta do debate, à volta do facto de podermos estar juntos, felizes, a desfrutar das artes do teatro em desacordo. Este desacordo é o princípio do diálogo e o diálogo é o fundamento da democracia.” Falou da questão da filiação, da transmissão intergeracional. Está em França há quatro anos. Emigrou como o seu pai e como tantos milhares de portugueses o fizeram no século XX, durante a ditadura portuguesa. O seu pai foi acolhido pela França e o Tiago é convidado pela França para dirigir o maior festival de teatro francês, quando justamente há esta ameaça de a extrema-direita chegar ao poder. Isto é uma história que poderia dar uma peça de teatro. Qual é o poder simbólico desta história no contexto político actual? “Devo dizer que, enquanto director do Festival de Avignon, português, saber que estou ao serviço desta aventura, dos valores democráticos, republicanos, progressistas deste festival que é um festival também ecologista, feminista, anti-racista porque defende esses valores da democracia, da liberdade, da igualdade, da fraternidade, saber-me ao serviço destes valores, através deste festival, é para mim, de alguma forma, tentar também pagar a dívida de gratidão que tenho em relação à sociedade francesa que acolheu o meu pai quando o meu pai precisava de ser acolhido.” Obrigada por continuar a transmitir esta história e obrigada por também transmitir a história da emigração. “Vou dizê-lo para a RFI, é a primeira vez que falo disto publicamente: acho que será o tema do meu próximo espectáculo.”

UFOP CAST
Cobertura: Lançamento do FIU 2026

UFOP CAST

Play Episode Listen Later Jul 1, 2026 19:50


No último dia 30 de junho, foi realizado o evento de lançamento do FIU 2026, o Festival de Inverno Universitário da UFOP. Realizado na Sala de Vidro, no Campus Morro do Cruzeiro, em Ouro Preto, o evento foi aberto a todo o público e contou com a participação de autoridades da UFOP e também do município de Ouro Preto. Também ocorreu a apresentação da Orkestra Djalo, que realizou uma performance cultural intitulada “Encantaria Solar”, alinhada ao tema deste ano do festival, “O Sol na Cabeça”, em uma homenagem ao músico mineiro Lô Borges. O Festival de Inverno Universitário terá atividades gratuitas e abertas ao público até o mês de setembro, e será realizado nas cidades de Ouro Preto, Mariana e João Monlevade, três das quatro cidades em que a UFOP está inserida. Confira detalhes do evento de lançamento neste plantão especial.Ficha TécnicaProdução: Adriana Moreira, Manuela Resende e Patrícia ConscienteEdição de áudio e sonoplastia: Patrícia Consciente

Um dia no Mundo
O Festival Babell no Porto

Um dia no Mundo

Play Episode Listen Later Jun 30, 2026 4:10


O Festival Babell no Porto mostrou que as conversas em volta de livros também atraem multidões. Uma crónica de Francisco Sena Santos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

uma porto o festival no porto francisco sena santos
Resumão Diário
O cenário eleitoral a 100 dias das eleições de outubro; Itamaraty confirma morte de brasileiros em terremotos na Venezuela; Japão será adversário do Brasil no mata-mata da Copa; Começa o Festival de Parintins

Resumão Diário

Play Episode Listen Later Jun 26, 2026 6:16


Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, sombra do caso Master e desafio da inteligência artificial no TSE: o cenário eleitoral a 100 dias do 1º turno. Itamaraty confirma morte de dois brasileiros após terremotos na Venezuela; nº total de vítimas passa de 230. Quando será o jogo do Brasil contra o Japão na Copa? Veja data, horário e onde assistir a primeira partida do mata-mata. Festival de Parintins 2026 começa nesta sexta com três noites de disputa entre Caprichoso e Garantido; veja o que esperar.

Rádio UFRJ - Informação & Conhecimento
Festival de Parintins: canal de cultura e arte do povo nortista

Rádio UFRJ - Informação & Conhecimento

Play Episode Listen Later Jun 26, 2026 3:09


O Festival de Parintins é considerado o maior espetáculo a céu aberto do mundo e atrai milhares de turistas todos os anos. Ele é celebrado durante a última semana de junho na Ilha de Parintins, no Amazonas, e recebeu o título de Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN. Com foco em temas como preservação e tradição, a Cunhã-Poranga do Boi Garantido, Isabelle Nogueira, conta sobre a importância do festival para a cultura.Reportagem: Larissa CalvetEdição: Thiago Kropf

DJs, résident.e.s et festivals [Tsugi Radio]
Mosimann · Focus Paléo Festival

DJs, résident.e.s et festivals [Tsugi Radio]

Play Episode Listen Later Jun 24, 2026 58:54


Le 24 juillet, le Franco-Suisse jouera pour la première fois au Paléo Festival. Il était de passage à la Folie L1 de la Villette pour un DJ set généreux et ultra dansant. Hébergé par Acast. Visitez acast.com/privacy pour plus d'informations.

Manhãzitos da 3
Festival de Histórias Verdadeiras

Manhãzitos da 3

Play Episode Listen Later Jun 19, 2026 8:49


O Festival de Histórias Verdadeiras da Mensagem de Lisboa traz aos palcos do CCB histórias da cidade, contadas em tempo real pelos seus protagonistas. Catarina Carvalho e João Paulo contam-nos mais.See omnystudio.com/listener for privacy information.

BRF - Podcast
Brasserie: Theater für die Allerkleinsten: Die BabyBühne beim SCENAR!O Festival - Regisseurin Andrea Bleikamp bei Andreas Ryll

BRF - Podcast

Play Episode Listen Later Jun 11, 2026


Een Uur Cultuur
#450 - Amanda van Hesteren (documentairemaker en beeldend kunstenaar) (S04)

Een Uur Cultuur

Play Episode Listen Later May 24, 2026 52:45


Shownotes 24 mei In deze aflevering ontvangt Teddy Tops documentairemaker en beeldend kunstenaar Amanda van Hesteren (https://www.instagram.com/amandavanhesteren/). Haar doucmentaire Dagen met Blue (https://www.npodoc.nl/artikelen/dagen-met-blue) kwam deze maand uit. Ook is haar werk momenteel te zien in het Stedelijk Museum Amsterdam (https://www.stedelijk.nl/nl/tentoonstellingen/manosphere). Ze deelt haar cultuurtips met Teddy en de luisteraar.  De tips van Amanda:  Boek: Smibologie Volume 1 (https://uitgeverijpluim.nl/smibologie-each-one-teach-one) Podcast: Awards Chatter (https://open.spotify.com/show/3FVrMC7m9dWVXfEZyucaF9) Theater: Open Table: Het midden van welk Oosten? (https://www.uitagendarotterdam.nl/agenda/open-table-het-midden-van-welk-oosten-theater-rotterdam/) Tentoonstelling: Beyond the Manosphere – Masculinity Today, (https://www.stedelijk.nl/en/exhibitions/manosphere-en) Where we Land (https://www.oscam.nl/portfolio-item/where-we-land/) Museum: Dia Beacon (https://www.diaart.org/)  Openbare Kunst: Anton de Kom (https://www.4en5mei.nl/oorlogsmonumenten/zoeken/939/amsterdam-monument-voor-anton-de-kom) Muziek: Fourth World (https://open.spotify.com/playlist/1hpOGo5wEzdD1khRrgBPN9?si=gGJUhKr0RJiFSguSZUjbtw&pi=o584Ei2YRiO8s) Recent album + liedje: Levitating (https://open.spotify.com/track/39LLxExYz6ewLAcYrzQQyP?si=a914636727134177) Aankomend concert: O Festival (https://o-festival.nl/) Festival: Couleur Cafe (https://www.couleurcafe.be/nl/) Nu in de bioscoop: the Drama  (https://www.imdb.com/title/tt33071426/) Film op streraming: Oema foe Sranan (https://oemafoesranan.org/) Serie: Couples Therapy (https://www.imdb.com/title/tt10665386/) Docu: Hoeksteen van de samenleving (https://pers.bnnvara.nl/hoeksteen-van-de-samenleving-over-de-hardnekkige-ongelijkheid-binnen-het-nederlandse-gezin/), LoveTrue (https://www.imdb.com/title/tt2638900/) Heb je cultuurtips die we niet mogen missen? Mail de redactie: eenuurcultuur@vpro.nl

Vrije geluiden op 4
O Festival

Vrije geluiden op 4

Play Episode Listen Later May 23, 2026 60:17


We luisteren naar drie artiesten die komende week te horen zijn op O festival in Rotterdam: het festival voor opera, muziek en theater. We horen een verzoekje van een jonge luisteraar en componist en we vieren een geboortedag. Thematisch gezien geen touw aan vast te knopen, maar wel een uurtje fijne muziek! Gedraaid in de uitzending: Duke Ellington - Night Creatures Traditional - Kaval Sviri Liron Snitselaar - The Perfect World Edmund Rubbra - Altvioolconcert deel I Nawras Altaky - Tigris Amir Hossein Vahidi - Oh Shara Nova - Imagine a favorite place Simeon ten Holt - Incantatie IV

Convidado
Cinema angolano à procura de um lugar ao sol no Festival de Cannes

Convidado

Play Episode Listen Later May 16, 2026 15:39


O cineasta Mawete Paciência e o produtor e actor Kayaya Júnior integraram uma delegação privada angolana ao Festival de cinema de Cannes. Eles estiveram nos estúdios da RFI para comentar os resultados da sua visita ao certame do sul da França e para abordar a produção angolana da sétima arte. O actor e produtor Kayaya Júnior e o cineasta Mawete Paciência comentaram com a RFI os resultados dos respectivos encontros no Festival de cinema de Cannes. Mawete Paciência começa por admitir que se trata da sua primeira vez neste prestigioso certame de cinema. Mawete Paciência: É a minha primeira vez. Cannes é uma terra de estreias, não é?   Epa! É uma terra... É aquela coisa do tipo "Queria muito poder chegar cá nesta terra, queria muito poder conhecer esta cidade, queria muito poder estar cá nesta altura deste evento". Então são muitos anos à espera por uma oportunidade de trabalhar para podermos cá chegar. No entanto, está a ser muito bom para mim, está a ser maravilhoso. Enfim, todos os dias que saímos para as ruas temos estado a colher, a ver coisas diferentes, a perceber a dimensão deste evento, como ela movimenta a cidade em si. Então está a ser uma experiência magnífica mesmo !   Mas foi necessário prepará-lo. Isto foi longo, custoso, demorado também. Mas lá chegaram. Qual era o propósito mesmo de vir até cá? Kayaya Júnior:   Olha, o propósito da verdade é simples é a vontade de profissionais ligados ao sector do cinema, do audiovisual, em querer descobrir caminhos, em querer perceber como é que as coisas funcionam, como é que as dinâmicas funcionam para nós podermos, quem sabe, num futuro próximo, termos uma presença mais consolidada aqui no Festival de Cannes. O Festival de Cannes está a fazer 79 anos, 79 edições. São muitos anos de experiência. E nós sentimos que também temos um lugar aqui, temos um espaço. Então, de forma particular, privada, cada um de nós com os nossos recursos, o Mawete  é profissional de cinema e televisão. O Malef também. Eu faço produção, trabalho em rádio, televisão e sou actor. Então também mostrei interesse nesta ideia de vir descobrir o Festival de Cannes. Então começámos a trabalhar já há algum tempo atrás, em criar condições para podermos estar aqui. Não estamos aqui a título oficial. Vamos lá, se assim se pode dizer, de forma política. Mas estamos aqui, enquanto angolanos que querem descobrir como é que podemos, no próximo ano, nas próximas edições, marcar uma presença mais consolidada, tal como eu disse.   Há várias formas possíveis. Se calhar talvez um pavilhão próprio, no futuro ?   Quem sabe ! Estarmos numa varanda como esta, também a expor os nossos produtos, a produção nacional, a produção angolana, as nossas narrativas que há muitas e ainda bem que tem havido muitas produções. Nós, no primeiro dia, no dia de montagens e no primeiro dia do festival, já conseguimos fazer alguns contactos. Tivemos algumas reuniões com produtoras, com distribuidoras, por exemplo, falámos com a Loco Films, que é uma distribuidora francesa, falámos com a  K Movie Entertainment, que é uma distribuidora da Coreia do Sul, e o interesse manifestado por eles ao verem o que nós fazemos, porque nós trouxemos alguns trailers de produções do Mawete e do Malef, do Bumbo Negro do Ngouabi Silva, que também são angolanos e também produzem e eles mostraram interesse, pelo menos mostraram curiosidade. Foi possível também já ter uma abordagem com uma equipa, uma delegação do Canadá com a escola de cinema que está em Paris, a Escola Internacional de Cinema. Tivemos uma boa conversa também com a realizadora americana, produtora realizadora, que é a Carole Copeland, que já se mostrou interessada e disponível para fazer uma formação ou presencial ou online connosco com Angola. Então é assim se nós conseguirmos sair daqui com uma ideia de como podemos trazer a produção nacional à produção angolana nas próximas edições, já terá valido a pena.   Quais são os nomes que, apesar de tudo, ainda continuam a ecoar aqui do cinema angolano? Penso ainda em Zézé Gamboa, penso ainda em Dom Pedro. São esses nomes que vêm de forma corriqueira, que são citados pelos vossos interlocutores. O que é que já se conhece de Angola no cinema aqui?   É assim: eu não consegui ainda perceber se há algum conhecimento ou não nas abordagens que temos estado a fazer. Acho que não houve ainda nenhuma referência. Há um cinema angolano que tenha passado por aqui, o que quer dizer que houve uma paragem, houve uma pausa. E estes interregnos, claro, apagam muita coisa, não é? Eu penso que a última vez que Angola teve profissionais aqui foi em 2007, se não estou em erro. E de lá para cá não houve mais ninguém a participar. Nós viemos a título particular, mas viemos com o sentimento de que o que nós conseguirmos descobrir, vamos partilhar com Angola. Para que, para o ano, se calhar, em vez de estarem aqui três profissionais, estejam aqui seis, nove ou doze, sei lá. E que tragamos as nossas bandeiras, a nossa produção, para poder mostrar porque nós estamos a fazer exactamente isso. Estamos com os nossos tablets e temos estado a abordar os stands, os pavilhões e os profissionais a mostrar: "Olha, conhece isto? Tem curiosidade sobre Angola? Veja isto." E a reacção tem sido muito positiva.   E então, o cinema aqui, há cinema do mundo todo. No pouco tempo que ficaram cá, conseguiram ver outras propostas, por exemplo, cinema africano ? Conseguiram lidar com outras pessoas? O que é que conseguiram fazer? Mawete Paciência:   Temos estado a conhecer muita gente, Conhecemos um realizador e produtor sul-africano africano e conversámos rapidamente. Porque aqui percebemos uma coisa, aqui em Cannes, tudo é muito rápido, as coisas são muito dinâmicas, então temos estado a conhecer pessoas no sector, temos estado a conhecer africanos. Vamos agora fazer aí a visita no espaço. O espaço africano agora criado. Enfim, já estivemos lá. Vamos voltar agora aqui, para então chegarmos até ao cinema africano. Tivemos há pouco tempo com o realizador e produtor africano também antes de virmos cá à rádio. No entanto, temos aquilo que disse e muito bem nosso objectivo aqui é, na verdade, virmos conhecer um pouquinho, fazermos um networking, vermos como é que podemos nos próximos anos também fazermos parte desta corrida, estarmos aqui expostos, trazermos aqui os nossos conteúdos. Então é muita coisa nova para nós. Está sendo uma experiência boa porque estamos a absorver, não é, boas informações, estamos a colher aqui no Cannes, enfim, no festival nesse contexto ? Então acreditamos, nós que ainda temos tempo, ainda vamos a tempo de conversarmos mais, de conhecermos mais pessoas. E esse é o nosso grande objectivo aqui mesmo.   Pedir-vos -ia então que levantassem um pouco o véu sobre os projectos em que estão envolvidos e que estão a fazer. Se calhar começaria por si, Kayaya Júnior:. Pode apresentar-nos um pouco as obras em que já esteve implicado e aquelas em que pretende apostar ?   Eu, enquanto actor, tenho participado ultimamente, nos últimos quatro, cinco anos, mais activamente e voltando um bocadinho ao passado, eu fiz uma participação na primeira co-produção Portugal Angola Angola/Portugal, do realizador Jorge António. Também já trabalhei com a Maria João Ganga, com o Zezé Gamboa, em produções mais antigas. Ultimamente estou no filme que está agora a ser disponibilizado para o mundo, que é o "Perverso" do Mawete Paciência que já esteve no Festival da Suécia da Cinema África. Esteve também num festival na Hungria. Já foi apresentado em Portugal em Setembro do ano passado e estamos agora a trabalhar na possibilidade de ir a Moçambique. Também já esteve em São Tomé. Para além disso, também participei no filme de uma Films, que é uma curta sobre a problemática de um mercado que em Luanda o mercado muito famoso que é o mercado da Mabunda. Então o Malé Filmes produziu o filme que é "A Faca e o Peixe", que é um filme que já esteve o ano passado no Festival de Marselha, foi apresentado no Festival de Marselha e outros filmes que tem estado também a participar, como por exemplo o Pequenos Sonhos de um Guabi Silva cataléptico do Bumbo Negro, que são realizadores angolanos e mais recentemente estamos em fase de rodagem de uma série assinada também pelo Mawete, que é "O preço da verdade", que é uma série com algum problema social muito grande. A abordagem de problemas sociais.   Então tem um pé na televisão e no cinema, não é?   Está a ser produzida com o objectivo de ser apresentado para a televisão ou para as plataformas, mas poderá ser também apresentado em cinema. E enquanto produtor, eu estou, tal como eu, quase toda a gente que trabalha em cinema em Angola, numa área ou noutra, faz um bocado de tudo. Os actores acabam também sem produtores associados porque às vezes facilitam o trabalho logístico de uma produção através dos seus conhecimentos, através do seu apoio, do seu interesse. Então, eu acho que estar aqui no Festival de Cannes dá-nos uma visão muito mais alargada daquilo que nós temos que realmente fazer. O que é que temos que fazer para trazer, para tirar as nossas produções de Luanda? Porque o que nós precisamos em Angola é que os filmes saiam do Luanda e sejam vistos.   Precisam do mercado !   Precisamos do mercado, precisamos de ter oportunidade de mostrar. E é excatamente isso que nós viemos à procura fazer estes contactos para mostrar o nosso trabalho. Tivemos um breve encontro com um jornalista norte-americano que tem uma revista dedicada ao cinema e em cinco minutos de conversa ele ficou tão interessado que automaticamente fez logo questão de fazer ali uma nota. Lá está, se nós não tivemos a oportunidade de ir a estes mercados, estas feiras de conteúdos, estes eventos com a dimensão como um festival de Cannes, nós nunca poderemos dar nos a conhecer, porque viemos de forma muito intermitente, não é? Angola esteve aqui em 2007. De 2007 para cá nunca mais teve ninguém. Então este é o recado que nós vamos levar. Este é o desafio que nós queremos levar também para as nossas autoridades, principalmente para a cultura e para o turismo. Porque isto é turismo também. E agora nós temos um grande movimento à volta do desenvolvimento do turismo em Angola. Então vamos levar esta experiência e tentar partilhar com essas entidades para ver se para o ano nós estamos aqui com uma presença mais bonita, mais consolidada, mais dinâmica em Angola. Que se oiça música angolana aqui nos corredores do Festival de Cannes.   Então fizemos muita referência a um projecto seu em curso, Mawete Paciência. Pode-nos levantar um pouco o véu sobre do que é que se trata? Sobre o que é que versa o seu filme? Mawete Paciência:    Pois é, dentro de vários filmes que eu tenho, tem aí aproximadamente seis filmes. Tenho uma mini série, tenho algumas co-produções com países como Argentina, Brasil. Fiz agora em São Tomé um filme. Tenho também co-produção com México. No entanto, eu tenho filme que é "O Perverso", que já estaremos a ano passado e neste ano estamos agora a trabalhar a série, que é uma série televisiva que vai trazer conflitos nos lares. Como sempre, trazer problemas novos porque o nosso conceito de produção é mesmo identificar os nossos problemas, não é? Problemas que acontecem no nosso país e que acabam sendo transversais.   São os perversos, as pessoas tóxicas, é isso ?   Pode ser. Você vê, no entanto, na verdade, que é o seriado que nós vamos trazer, vai estar aí aproximadamente com 25 capítulos, não é? Trazendo todas essas histórias que acabei aqui falando, enfim, as nossas histórias, a nossa identidade, porque nós precisamos levar isso. Precisamos mostrar ao mundo quem nós somos. Angola é um país que eu sinto. Nós não nos mostramos muito ao mundo. Nós não temos uma presença muito fraca para o mundo. Então precisamos então activar esse lado. Precisamos, porque eu digo assim o mundo também não, não vai poder-nos localizar assim, do nada, se nós não nos mostrarmos efectivamente, criarmos algum barulho. Não é que desperte a atenção, nós não vamos ser localizados de nada. Então há esta vontade, É esta força toda que trabalhando nos nossos conteúdos. Enfim. E este é um seriado que acreditamos, nós que eu acredito, temos estado a fazer com muito gosto, de forma a podermos não produzir algo que se fixou por Angola, mas que vá para o mundo, que esteja disponível. Nas plataformas, nem que for para o YouTube. Quem sabe talvez conseguirmos outras plataformas de streaming e poderemos então colocar lá este conteúdo, inserir os conteúdos ? Acreditamos nisso. Nós acreditamos que o empresariado angolano precisa ser um pouco mais incentivado, porque tudo isso que nós temos estado a fazer tem sido por um esforço particular e não tem sido pelas nossas próprias lutas.   É mesmo, também, alguma forma de inconsciência ?!   Sim, de inconsciência. Timidamente vão aparecendo uma ou outra empresa a disponibilizar um pouquinho, mas nós, olhando para esse universo, olhando para esta realidade, começamos a perceber que o cinema não é um cinema mesmo muito para fazer. Cinema é uma industria e para fazer o cinema requer mesmo este pensamento do empresariado. Olhar aquilo como uma indústria e não olhar aquilo como uma mera diversão. Não é aonde ele pode colocar qualquer coisa, não. No entanto, esta visão, este conceito que nós estamos a beber aqui, estamos a ver aqui claramente. Nós vamos partilhar em Angola. Vamos replicar em Angola a informação e poder talvez começar a atiçar. E nós temos de atiçar um pouquinho mais o empresariado local, começar a perceber que é possível fazer alguma coisa que chegue até aqui. É possível, porque para um filme, chegar até aqui implica uma logística, implica uma mecânica, implica qualidade, implica um investimento e muita das vezes, os investimentos nós não conseguimos tirar do nosso Estado, do Estado. Nós não conseguimos ter esses investimentos e mesmo privado, quem nós vamos ter que contar para conseguirmos, talvez nas próximas edições, estarmos aqui com um produto que realmente nos dignifica e que possamos olhar e dizer "Viva Angola! Estamos presentes em Cannes, um festival de Cannes vai ser bom para nós". Vamos trabalhar para isso.   Muito obrigado a ambos. Resta me desejar vos um bom festival de Cannes. Obrigado por terem vindo até aqui. Kayaya Júnior:   Queria só deixar mais uma nota, porque é fundamental e nós também temos estado a trabalhar sobre isso. Eu já fiz algumas participações em anos anteriores em produções portuguesas e eu acredito que até parece estranho. Tão próximos que nós somos, mas não temos histórias contadas sobre nós. Então, eu creio que é fundamental começarmos a pensar neste intercâmbio. A primeira co-produção Portugal Angola foi feita em 92 do Jorge António e de lá para cá, não creio que tenha havido muito mais. Então é também o objetivo encontrar, por exemplo, caminhos que nos levem a essas coproduções, porque as nossas histórias, as nossas narrativas, acabam por se interligar numa intersecção qualquer do Oceano Atlântico, por exemplo. E é isso, pronto, vamos estar disponíveis, estamos disponíveis. Bem hajam e voltem sempre. Mawete Paciência: Obrigado, Obrigado mesmo pelo convite e é uma honra fazermos parte deste momento que é marcante para nós também.

Ainda Bem que Faz Essa Pergunta
A Eurovisão ainda é um concurso de canções?

Ainda Bem que Faz Essa Pergunta

Play Episode Listen Later May 14, 2026 6:30


O Festival está transformado num circo de política e numa arena de confronto. Este ano, vários países decidiram boicotar a competição devido à participação de Israel. E até o IVA pode ser populista?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Artes
Filme português em competição nas curtas metragens de Cannes

Artes

Play Episode Listen Later May 13, 2026 11:16


O Festival de cinema de Cannes decorre até dia 23 no sul de França. Em competição nas curtas metragens da selecção oficial está o filme português "Algumas coisas que acontecem ao lado de um rio". Uma obra de Daniel Soares, realizador que já tinha sido distinguido em 2024 com uma menção especial para a outra curta com "Mau por um momento". Desta feita Daniel Soares põe em cena um corpo que flutua no rio, perante a impassividade das pessoas, distraídas com os seus afazeres. O cineasta começa por se declarar supreso com o facto de ter sido seleccionado uma segunda vez para a mais prestigiosa das mostras deste certame.   Para já, ficámos muito surpreendidos. Matematicamente falando, é muito complicado ter um filme seleccionado. Há dois anos acho que eram 4 700 filmes ou o quê que foram submetidos ! E os escolhidos este ano acho que são 3000 e tal e 10 escolhidos ! Então ou seja matematicamente é muito complicado e consegui-lo uma segunda vez é muito difícil. Então não estava com muita expectativa em relação a isso, voltar a ser seleccionado. Portanto, se calhar desta vez foi... A primeira vez é claro que é muito especial, mas da segunda vez já é "Espera aí ser selecionado uma vez, dá-te aquela sensação de "ok, consegui enganá-los, enganaram-se, sei lá !" E a segunda vez... pronto, se calhar há aqui qualquer coisa em que eu posso confiar mais na minha intuição quando escrevo especialmente.   Porém, se teve essa sensação de ter enganado alguém, acabou por sair de lá com uma distinção. Eles acabaram por lhe enviar uma mensagem, algo contrária de alguma fé, pelo menos no seu cinema. Então, mas agora que está seleccionado uma segunda vez, já teve a curiosidade de ver com quem é que vai estar a competir aqui nesta seleção das curtas metragens da competição oficial? Sim, desta vez. Pessoalmente, eu não conheço ninguém. Da última vez eu conhecia. Tinha um amigo que tinha sido seleccionado, desta vez pessoalmente, não conheço ninguém, mas já vi o filme do realizador do Vietname, uma longa metragem de que eu gostei muito na altura. Lembro-me de ver e vai estar com uma curta. "O sonho é um caracol", não é? Exacto. "Le rêve est un escargot", na tradução francesa do título original vietnamita. Ao fim e ao cabo Cannes, agora já conhece. Já podemos fazer um rescaldo. Como foi para si? Gostou de lá ter ido? Está entusiasmado por voltar? O que é que pretende fazer nesta edição?   Sim, estou entusiasmado. Gostei muito da primeira experiência. Se calhar agora, se puder, gostaria de ver mais filmes do que da última vez. Da última vez não consegui ver muitos filmes, mas isso talvez será assim uma coisa que eu tentarei fazer. É assim, há muitas reuniões também, não é que, que acontecem? Pois claro. Há todo um espectáculo que se calhar não é muito a minha cena, mas ao mesmo tempo é importante para dar visibilidade ao filme e aos próximos filmes e construir dessa forma, sei lá, um percurso que me permita continuar a fazer filmes, o que é sempre difícil. Por tudo isso. Pois é, isso é um lugar onde durante duas semanas o pessoal se encontra e celebra o cinema como em nenhum outro lugar, acaba por ser muito especial.   Vamos falar do seu filme "Algumas coisas que acontecem ao lado de um rio". Se calhar, antes de entrarmos na história, no argumento, falemos um pouco do elenco. Você foi buscar, por exemplo, valores consagrados do cinema português. Penso em Teresa Madruga, que já colaborou com pessoas como Manoel de Oliveira, Miguel Gomes, que são consagrados em Cannes. E depois há valores menos conhecidos. Por exemplo, os dois rapazes que dão corpo ao grupo de imigrantes e de estafetas que vão tomar banho no rio. Como é que foi pegar neste leque heterogéneo de pessoas para filmar esta obra?   Isto é um filme de elenco. E a ideia foi sempre essa. Foi misturar actores incríveis, como a Teresa, como o João Vicente e misturá-los com pessoas menos conhecidas. Para mim, estes dois estafetas não faria qualquer sentido que fossem actores profissionais, caras conhecidas, não é? Acho que isso muitas vezes te tira de um filme, de uma experiência ou te lembra que estás a ver um filme. Então a ideia foi essa, foi misturar e encontrar as pessoas que fossem as mais indicadas para aqueles papéis. E às vezes são, como no caso da Teresa, actrizes com uma grande história e outras vezes são pessoas que nunca estiveram à frente de uma câmara. E eu gosto desse...   É o caso do Dilip, é o caso do Amarjeet ? É o caso deles. Como é que os conheceu? Como é que chegou até eles?   Fizemos um casting de rua. Encontrámo-los em grupos de estafetas, onde eles se encontram muitas vezes em Lisboa há vários pontos onde eles se encontram, se juntam e aí foi sobretudo a Romina e o Tomás que lideraram esse processo. E foi assim que fomos encontrando essas várias pessoas. Alguns deles estavam interessados em fazer parte de um filme, outras nem tanto. Então, aí já houve assim uma primeira filtragem e depois foram chamados. Fizemos casting. Eu acho que com os dois escolhidos, O Dilip e o Armajeet fizemos três vezes casting para ter a certeza. E eu acho que eles saíram super bem. Tinha algum receio, sim, mas. Mas não correu tudo muito bem.   Já nos filmes anteriores você tinha filmes que podiam passar ou pelo menos ser interpretados como um retrato de alguma denúncia, de algum cinismo da nossa sociedade. Fosse, por exemplo, em relação à especulação imobiliária em torno da capital portuguesa. Aqui, nomeadamente, as pessoas estão demasiado preocupadas e não vêem sequer um cadáver que, de facto, está a flutuar no rio. É um pouco isso ? Você pretendia, de facto, pôr o dedo na ferida, não é? Em relação à forma como a nossa sociedade vive, como está estruturada ?   É assim, eu não acho que é cinismo. Eu acho que é, pelo contrário, se calhar. Ou seja, se calhar a ideia inicial tenha algo irónico, não é, isso sim. Agora o cinismo, acho que não. Porque se fosse cinismo, se calhar não faria um filme. Eu acho que é mais um olhar humano, só que pronto... Os personagens no filme estão assim, todos em piloto automático. Todos nas suas bolhas, sem com os seus problemas do dia a dia, sem conseguirem ver o corpo. Só que para mim era super importante de mostrar todas as classes sociais, mostrar todas as idades. Não acho que seja cinismo, porque eu acabei de encontrar um pouco de mim em todos esses personagens. Ou seja, não é de cima para baixo. Pelo contrário, eu estou aí também. Ou seja, eu também sofro desses problemas contemporâneos.   A dependência em relação aos ecrãs, às redes sociais, por exemplo.   Por exemplo. Sim, sobretudo isso. Mas não só. Muitas vezes, esta questão de não conseguir estar presente no momento e muitas vezes. Ou seja, de estar com as minhas filhas e estar preocupado com outras coisas e não conseguir estar ali, não é? Ou seja, fisicamente sim, mas com a cabeça sempre a pensar no futuro, já ou no passado. Também esta ideia da fragmentação de como consumimos filmes ou conteúdos, tudo cada vez mais rápido, o YouTube, Instagram, TikTok, tudo cada vez mais acelerado. E como muitas vezes os telefones já são donos de nós, do nosso foco, da nossa atenção. Esta era do "Short attention span" [Atenção de curta duração], esta coisa que é muito violenta, que aos poucos nos foi conquistando e que agora chegamos a um ponto que é para aí onde é que vamos a partir daqui, não é? Então não é um cinismo, porque existe uma esperança para mim neste filme.   A esperança são as crianças ?   E do amor pela vida. Não é que as crianças seja isso. É uma leitura do filme, que é esta coisa das crianças serem a solução ou, para um futuro melhor. Eles vão fazer melhor do que nós. Não sei o quê. Só que muitas vezes esquecemos que as gerações anteriores fizeram isso connosco, não é? Então, nós somos a geração do futuro, da esperança, da geração anterior. Então, acho que é muito fácil falar isso, achar que a próxima geração. Mas como ? Se nos vêem a viver desta forma, como é que eles vão de repente dar uma volta de 180 graus ? Eu acho que é mais na nossa geração ainda. Nós é que temos que encontrar uma forma de lidar com isso, de viver de uma forma diferente. Talvez seja quase uma ideia utópica, ou seja. Mas talvez não também, porque também não é assim tão utópico, não é? De tentar sair desse mundo digital e viver no mundo real.   E finalmente, que cinéfilo é o Daniel Soares? Mais que não seja em relação à sua trajectória que passa por Portugal, mas também, e em larga escala, pela Alemanha. Que tipo de filmes é que retém a sua atenção e que foram construindo o responsável de cinema que hoje é e que deve ter sido? Um cinéfilo de longa data, presumo ?   Por acaso, não por acaso, nunca cresci muito com cinema. Nunca tive ninguém que me mostrou filmes. Comecei a ver cinema, sei lá, uns sete ou oito anos atrás. Na verdade, até porque os filmes que eu via quando era criança não me revia neles. Sempre achei muito ter esta noção de estar a ver um filme e pronto. Mas sei lá, os primeiros filmes que eu comecei a ver que na verdade não têm muito a ver com os meus filmes que eu faço hoje em dia, mas foram os filmes do Kiarostami, que era o cinema que se calhar se aproxima um pouco mais...   Abbas Kiarostami do Irão.   Sim, mas por exemplo, o Michelangelo Franmartino. Eu lembro-me de ver o "Quatro volte" e achar que, sei lá. Primeiro ficaste super inspirado e ao mesmo tempo sentir que isto seria um tipo de filme que eu conseguisse fazer, mesmo sendo super complicado, obviamente. Eu lembro também Lisandro Alonso, primeiros filmes. Lembro me também do "Toni Erdmann", da Maren Ade. E aí já se aproxima, de certa forma, daquilo que eu faço, no sentido de já ser mais contemporâneo. Ter já esta comédia negra, se quiser falar assim, dessa forma. Ou seja, aí já se vai aproximando, se calhar, daquilo que eu tentaria fazer. Ou os filmes do [Michael] Haneke. Aí sim, também já. Se calhar já entra um bocado essa parte. Mais como estava a dizer, cínica, não é? Mas eu acho que apesar de tudo mesmo o Haneke, o que faz aquele tipo de filmes porque deve, imagino amar a vida, não é? Ou seja, para quê se não fazer um filme desses?   Chegou ao cinema tarde, mas tem dado nas vistas. E agora o facto de já ter sido distinguido em cana e de voltar a Cannes. A ideia para si agora seria de facto perseverar, Manter-se neste meio. Viver deste cinema que faz? Sim, esse é o objectivo. Estou agora a preparar uma longa que vamos filmar no próximo Verão. Não este ano. O ano que vem. E é isso. Sim, idealmente continuar a fazer filmes. Será em Portugal  a rodagem ? Sim, será em Portugal

En Primera Plana
Cannes 2026: ¿cine marcado por la política o festival de influencers?

En Primera Plana

Play Episode Listen Later May 4, 2026 37:23


El Festival de Cannes arranca una nueva edición marcado por tensiones geopolíticas, debates culturales y su ya habitual mezcla de cine de autor y espectáculo mediático. ¿Se colará Oriente Medio en la alfombra roja y cómo impactará en el tono del festival? Lo analizamos en En Primera Plana.

Voces de Ferrol - RadioVoz
Nace o festival PULSO en As Pontes cunha aposta polo jazz innovador, o talento galego e a creación contemporánea

Voces de Ferrol - RadioVoz

Play Episode Listen Later May 4, 2026 9:40


Os días 8 e 9 de maio celébrase a primeira edición do festival de jazz PULSO, unha nova proposta cultural que nace coa vontade de converterse nun referente en Galicia para a música de jazz e a creación contemporánea. O festival aposta de maneira clara polo talento galego e por formatos innovadores, afastados da programación máis convencional. A organización destaca o obxectivo de consolidar o evento e ofrecer unha experiencia musical diferente ao público. A dirección artística, a cargo de Aitana Cuétara, pon en valor o risco creativo e a diversidade de propostas. O programa inclúe actuacións como Copos de Avena, que mestura jazz e sonoridades latinoamericanas; o encontro entre Abe Rábade e Antía Muíño, con fusión de tradición e canción de autor; e a Orquestra Galega de Liberación, que pechará o festival con improvisación en directo.

Voces de Ferrol - RadioVoz
O festival Porta Máxica regresa a Ferrol o 8 e 9 de maio con maxia internacional, galas, rúa e propostas sociais

Voces de Ferrol - RadioVoz

Play Episode Listen Later Apr 27, 2026 14:12


O Festival Porta Máxica celebrará a súa V edición os días 8 e 9 de maio en Ferrol, regresando tras a súa última cita en 2022 e consolidándose como un referente do ilusionismo no norte de Galicia. O evento busca non só ofrecer espectáculos, senón tamén achegar a maxia como ferramenta cultural e social a toda a cidadanía, con actividades en teatros, rúas, centros cívicos e espazos asistenciais. A programación incluirá unha gala no Teatro Jofre, espectáculos de rúa e familiares, accións solidarias e obradoiros formativos. Como novidade destaca a “Gala Lorc & Julit”, homenaxe a magos locais, así como a incorporación de novos materiais pedagóxicos para fomentar a creatividade entre a xente máis nova. O festival contará con artistas internacionais e nacionais, ademais dunha ampla presenza de talento galego e ferrolán, baixo a dirección do ilusionista Martín Varela. Organizado polo Concello de Ferrol, o evento tamén contribúe á dinamización cultural e turística da cidade. A gala principal terá un prezo de 6 euros, mentres que o resto das actividades serán de balde.

Artes
Cabo Verde: Contagem decrescente para o Festival Kontornu na ilha de Santiago

Artes

Play Episode Listen Later Apr 20, 2026 9:17


A quarta edição do Festival Kontornu - Dança e Artes Performativas vai decorrer de 11 a 16 de maio, na ilha de Santiago, em Cabo Verde. O evento abre com um espectáculo da companhia Raiz di Polon e fecha com uma “battle” de danças urbanas. Pelo meio,  há um workshop dirigido pela coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas, uma das principais autoras da dança mundial contemporânea. O Festival Kontornu afirma-se como uma plataforma internacional dedicada à dança e às artes performativas e reúne artistas e profissionais da cultura de diferentes geografias.  Este ano, o evento vai ter um workshop dirigido pela coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas.  O Kontornu abre a 11 de Maio com Raiz di Polon, uma companhia histórica da dança contemporânea de Cabo Verde, e vai terminar com uma “battle” de danças urbanas, a 16 de Maio. Há, ainda, uma iniciativa integrada no festival que se chama KOPANO – Plataforma de Encontro e Cooperação Internacional, que junta programadores, curadores, artistas e representantes de festivais internacionais. O director do Festival Kontornu, Bruno Amarante (nome artístico Djam Neguin) falou-nos sobre a edição deste ano, novamente marcada pelo “milagre” porque se faz graças à “generosidade” dos artistas. Desta vez, o festival decorre nas vésperas das eleições legislativas e o seu director espera que o novo Governo olhe para a cultura com “políticas públicas sólidas e não só com micro-apoios”. Oiça aqui o programa.

Cultura
80° Festival de Avignon marca retorno de Wagner Moura ao teatro após 16 anos fora dos palcos

Cultura

Play Episode Listen Later Apr 18, 2026 7:40


Entre 4 e 25 de julho, o sul da França volta a se transformar em um dos principais epicentros das artes cênicas do mundo com a 80ª edição do Festival de Avignon, sob a direção do português Tiago Rodrigues. À frente do evento desde 2023, ele propõe um método: "fazer perguntas", "sustentar dúvidas" e "recusar respostas fáceis" num tempo de "discursos violentos". É também o retorno de Wagner Moura aos palcos, um reencontro com o teatro que acontece no maior festival do gênero no mundo. A imagem escolhida para o cartaz oficial desta edição do Festival de Avignon sintetiza a intenção de Tiago Rodrigues: um enorme ponto de interrogação. Tiago Rodrigues explica que “o questionamento foi uma forma bastante livre de nós darmos um tema a este festival, de relembrarmos o público que este festival faz muito trabalho sobre a sua história, sobre o seu arquivo, ao chegar à 80ª edição, queria estar muito concentrado também no presente e no futuro, e perguntar, agora, o que é que vamos fazer nos próximos 80 anos de festival? Essa é uma das perguntas que nos interessa”. A proposta, segundo ele, não é retrospectiva, mas prospectiva, um deslocamento do olhar para o que ainda pode ser construído. Esse gesto se desdobra na própria definição do papel do festival. Para Rodrigues, trata-se de “fazer perguntas juntos, mas fazer perguntas através da arte”, lembrando que “é isso que o festival faz há 80 edições e queríamos relembrar-nos nós, os artistas, mas também o público, que é isso que nós fazemos aqui num mundo onde estamos cheios de más respostas, poucas respostas, mas más na maioria dos casos, respostas violentas, respostas simplistas, respostas pouco informadas”. Leia tambémDezenas de igrejas se convertem em teatros na 'Cidade dos Papas' durante o Festival de Avignon Nesse contexto, o festival se coloca como espaço de fricção e elaboração coletiva, onde “queremos colocar as boas perguntas, perguntas às vezes complexas, perguntas também com prazer, perguntas com dúvida, perguntas que permitam o debate em vez de respostas que criam a violência”, já que, segundo ele, “as artes podem ter esta função e certamente um festival onde vêm pessoas do mundo inteiro e se reúnem numa cidade que dobra a sua população no momento do festival para acolher o mundo inteiro que a visita. Esse é o momento em que podemos fazer perguntas juntos”. Leia tambémWagner Moura estreia em maior encontro de artes cênicas do mundo ao lado de destaques da cena brasileira A dimensão política dessa proposta se articula também a uma reflexão sobre o acesso à cultura. Rodrigues afirma que “o acesso democrático às artes não é um exercício populista, uma flor que se põe na lapela nos dias de festa. É um trabalho quotidiano que deve permitir o acesso fácil à criação exigente, criação de grande qualidade, feita em liberdade e à qual todas e todos devem ter acesso”. E conclui: “se fosse fácil, não era um serviço público, é um serviço público, a cultura, porque não é fácil de fazer. É preciso tempo, é preciso investimento e é preciso sonhar”. É nesse cenário que a presença brasileira ganha centralidade nesta edição histórica. Entre os destaques está a diretora e dramaturga Christiane Jatahy, que retorna ao festival com um novo trabalho - Um Julgamento - Depois de O Inimigo do Povo - ao lado do ator Wagner Moura, com texto de Jatahy, Moura e Lucas Paraizo, marcando também o retorno do ator ao teatro, após 16 anos dedicados ao cinema e à televisão, período em que se tornou uma das figuras brasileiras de maior projeção internacional. Ao comentar o retorno de Jatahy ao festival, Rodrigues sublinhou a relação de longa data entre a artista e Avignon, bem como a força do novo projeto que ela apresenta ao lado de Wagner Moura. Segundo ele, “Christiane Jatahy é já uma artista muito amada pelo público do festival, muito conhecida em França, uma encenadora que também é muito conhecida do público lusófono, seja no Brasil, seja em Portugal, e que tem marcado as cenas europeias nos últimos anos com as suas adaptações do repertório”. Rodrigues destaca ainda o caráter inédito da parceria artística apresentada nesta edição: “desta vez, pela primeira vez, trabalha com Wagner Moura, que decide voltar ao teatro 16 anos depois. Ele tem vivido a sua aventura cinematográfica e televisiva e neste momento é talvez o ator brasileiro mais conhecido no mundo”. Para o diretor, o reencontro de Moura com o palco tem um peso simbólico particular, sobretudo pela forma como se articula com o trabalho da encenadora brasileira. Sobre o projeto, Rodrigues reforça a dimensão de retorno ao essencial do ofício do ator: “é muito comovente ver Wagner Moura a regressar ao teatro com essa vontade de quem regressa à essência do trabalho de ator”. De volta ao festival Jatahy descreve esse retorno a Avignon como profundamente significativo, especialmente por ocorrer sob a direção de Rodrigues. Ela afirma que “é muito importante, muito legal pra mim e muito significativo estar voltando para Avignon agora sob a direção do Tiago Rodrigues, que é um artista que eu tenho muita relação, um amigo e alguém que eu respeito muito, e eu fico muito feliz de estar dentro da programação criada por ele e pela Magda [Bizarro, mulher do diretor e co-fundadora, a seu lado, da Cia Mundo Perfeito]”. Para a diretora, o contexto atual amplia ainda mais o alcance simbólico de sua participação, já que “essa volta está conectada também à união de três festivais, o Festival de Avignon, o Festival de Edimburgo e o Holland Festival, que escolheram este ano uma artista, um trabalho para apoiar e para juntar forças para que esse trabalho possa ter sido realizado”. Leia tambémTeatro: Christiane Jatahy revisita fantasmagorias de 'Hamlet' em Paris com seu maquinário de revolução e desejo No centro da criação está o reencontro artístico com Wagner Moura, que, segundo ela, carrega uma longa expectativa compartilhada: “vem também com uma outra parceria muito significativa com ele, que é um ator com quem eu tenho uma relação de muito tempo e é muito tempo que a gente deseja fazer um trabalho juntos”. O projeto nasce dessa convergência, como ela define, “é um trabalho muito sobre o nosso encontro e sobre as coisas que a gente tem vontade de falar”. A peça, que se estrutura em torno da ideia de julgamento e da "crise contemporânea da verdade", parte de uma inquietação contemporânea sobre verdade e política. Jatahy explica que “a gente entra na questão do julgamento, a gente leu muitas coisas, a gente pensou muitas coisas, e para mim sempre é muito importante que o trabalho esteja numa reflexão, numa conexão, lançando perguntas sobre o que a gente está vivendo hoje”. Ela acrescenta que “claro que é sempre um aspecto íntimo e pessoal, mas também é político, porque não tem como separar uma coisa da outra”, situando o trabalho num campo em que a criação artística se confunde com a leitura crítica do presente. Essa dimensão se radicaliza na própria estrutura dramatúrgica da peça, que se relaciona diretamente com a obra “O Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen. Jatahy descreve o projeto como “um desdobramento de O Inimigo do Povo, uma possibilidade de continuidade dessa peça”, como se o personagem Thomas Stockmann “fosse à cena, fosse ao teatro, pedir a possibilidade de ter a sua defesa e de ter a sua reparação, e essa decisão vai caber ao público”. Nesse movimento, a obra transforma o espectador em instância de julgamento, deslocando o eixo tradicional da representação teatral. Leia tambémFestival de Avignon: 'A Noiva e o Boa Noite Cinderela', ou como explodir no próprio corpo as fronteiras do teatro A outra grande presença brasileira no festival é a artista e encenadora Carolina Bianchi, que retorna a Avignon após sua revelação em 2023. Agora, ela apresenta o terceiro capítulo de sua trilogia “Cadela Força”, intitulado “Uma Luz Cordial”, além de propor uma maratona que reúne os três trabalhos em sequência. Diretora brasileira lançada pelo festival volta a Avignon Ao lado desse reencontro, o diretor Tiago Rodrigues também destacou o percurso de Carolina Bianchi, que regressa a Avignon após o impacto de sua participação em 2023. Rodrigues relembra a presença e o desdobramento internacional da artista: “o que aconteceu a seguir é do conhecimento geral, Carolina Bianchi depois desse espetáculo ganha o Leão de Prata da Bienal de Veneza, torna-se uma artista que faz todas as cenas europeias e mundiais, é revelada por esse festival”. Sobre o novo projeto apresentado no festival, o diretor destaca a ambição dramatúrgica da artista brasileira: “ela sonhava fazer uma trilogia com três espetáculos consagrados à questão da violência, sobretudo da violência contra as mulheres”. Bianchi define esse retorno como o fechamento de um ciclo longo de investigação: “é muito, muito emocionante estar voltando para Avignon, sobretudo encerrando a trilogia, chegando em julho para estrear o último capítulo desse grande ciclo, que tomou muitos anos de trabalho, de estudos e de investigação”. Ela descreve a estrutura do projeto como algo em constante expansão, no qual “são três peças independentes, mas que são atravessadas por perguntas que vão se acumulando, que vão se borrando, que vão se confundindo, voltando, gerando novas questões”, configurando um campo de criação em que as fronteiras entre obras se tornam porosas. O novo capítulo, explica ela, desloca o foco para o próprio ato de escrever. “Uma Luz Cordial é uma peça sobretudo sobre a escrita, sobre esse lugar de onde a gente escreve”, afirma, acrescentando que se trata de um trabalho que poderia inclusive anteceder os demais, pois “é uma peça que fala sobre essa escritura, esse escrever que vem com toda essa carga, com o peso de todos esses assuntos, tentando dar forma a todos esses enigmas”. Nesse ponto, emerge o núcleo mais radical de sua proposta: a escrita como zona de violência e desorganização. Bianchi afirma que “essa violência da última peça é uma violência da escritura, da literatura, um encontro dessa violência da literatura que não tem os mesmos limites da violência do teatro”. Nesse processo, entram em cena as vozes de outras autoras como forma de desestabilização do próprio eu criador: “aparecem essas escrituras de outras autoras, como Hilda Hilst e Emily Dickinson, como alter egos dentro da minha escritura”, num movimento em que "o sujeito que escreve se fragmenta e se multiplica para seguir criando". Leia tambémTeatro: Destaque brasileiro no Festival de Avignon, Carolina Bianchi traz estupro e feminicídio em cena marcada por 'combate' A trilogia culmina ainda numa experiência de apresentação integral de 10 horas seguidas na Ópera de Avignon, pensada como uma espécie de teste final do próprio projeto. A artista explica que “a ideia é apresentar os três capítulos em sequência, como uma grande maratona”, algo que transforma a obra em uma experiência contínua, na qual “é como se a gente estreasse uma quarta coisa, porque a trilogia não é só assistir aos trabalhos separadamente, mas ver como eles se contaminam entre si”. Leia tambémAvignon: maior festival cênico do mundo abre suas portas com homenagem ao Brasil em mostra paralela O Festival de Avignon 2026 se estrutura como um espaço de cruzamento entre artistas, linguagens e geografias, reunindo 47 espetáculos no programa oficial, o chamado IN, com 300 apresentações ao todo e 30 criações inéditas, o que representa 64% da programação. A edição inclui ainda 80 debates e encontros com 49 artistas de dez países, e pela primeira vez na história do festival a maioria dos artistas do IN é feminina, enquanto 67% dos participantes estreiam no evento. Mais de 136 mil ingressos estão disponíveis. Entre julgamento e escrita, entre democracia e linguagem, entre teatro e performance, Avignon 2026 se desenha como um território de fricção contínua, onde, como sugere sua direção artística, "o essencial não é responder, mas sustentar perguntas". Leia também'Impossível fazer um teatro que não seja humanista': Olivier Py se despede do Festival de Avignon História de encontros e criações Fundado em 1947 por Jean Vilar, o Festival de Avignon, tornou-se, ao longo das décadas, um espaço emblemático para o teatro e as artes cênicas. Desde sua primeira edição, ele é um ponto de encontro artístico que recebe artistas do mundo inteiro e apresenta uma programação ousada e inovadora. Sob a direção de Tiago Rodrigues, o festival reforçou sua abertura internacional, valorizando artistas de diversas culturas e estimulando o intercâmbio cultural. Essa orientação se materializa na valorização de línguas convidadas, como o inglês em 2023, o espanhol em 2024 e o árabe em 2025, além do Brasil como país convidado de honra no ano passado. Ingressos A bilheteria do Festival de Avignon 2026 começa em etapas para acomodar o grande volume de procura e garantir uma experiência de compra mais fluida: a inscrição para reservar um intervalo de compra online abriu em 24 de março, e a venda por faixas de horário acontece de 13 a 18 de abril, com cada comprador recebendo um link e duas horas para efetuar a compra dentro de sua janela específica — esse sistema ajuda a evitar a saturação do site oficial. A partir de 18 de abril, a bilheteria online do Festival de Avignon será aberta sem horário específico e dentro do limite de lugares disponíveis, a partir das 10h no endereço fnacspectacles.com e, em seguida, a partir das 13h no festival-avignon.com. Novos ingressos serão disponibilizados toda quarta-feira, às 10h. Os preços dos ingressos variam conforme o espetáculo, mas tradicionalmente a programação oficial do festival cobra valores entre cerca de €10 e €45 (entre R$ 60 e R$ 270) por apresentação, com categorias distintas de acordo com o tamanho do espetáculo e a localização das poltronas; há também ofertas de tarifas reduzidas, geralmente entre €7 e €25 (entre R$ 41 e R$ 150), para públicos jovens, estudantes, pessoas com menos de 26 anos ou em situação de desemprego, mediante apresentação dos comprovantes exigidos pela organização.

Câmara Rio Entrevista
Jonathan Raymundo fala sobre cultura negra e o Festival Wakanda | Câmara Rio Entrevista - 179

Câmara Rio Entrevista

Play Episode Listen Later Apr 9, 2026 16:58


O Câmara Rio Entrevista recebe Jonathan Raymundo, criador do Festival Wakanda, um dos movimentos mais importantes de valorização da cultura negra na Zona Oeste do Rio. Nascido em Realengo, ele construiu uma trajetória marcada pela educação, literatura e fortalecimento da identidade preta nas periferias.Premiado com o Prêmio Carolina Maria de Jesus, concedido pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jonathan compartilha sua história, os desafios e a importância de criar espaços seguros e afetivos para a população negra. O projeto Wakanda, que começou como um simples piquenique, cresceu e se transformou em um grande encontro cultural com feira de empreendedores, apresentações artísticas e celebração da identidade negra.Formado em História pela UERJ, ele também atua como escritor e organizador do livro “Pretagonismos”, reunindo reflexões de pensadores negros sobre a sociedade contemporânea.

Alexandre Garcia - Vozes - Gazeta do Povo
O festival de incoerências do Supremo no julgamento da CPMI do INSS

Alexandre Garcia - Vozes - Gazeta do Povo

Play Episode Listen Later Mar 27, 2026 4:45


Alexandre Garcia comenta julgamento da CPMI do INSS no STF, extradição de Carla Zambelli, e preocupação de Lula com pesquisas.

Fim de Tarde Eldorado
Estadão Blue Studio: o festival de inovação SXSW, no Texas

Fim de Tarde Eldorado

Play Episode Listen Later Mar 12, 2026 12:49


Tatiana Babadobulos fala sobre a South by Southwest (SXSW), que realiza anualmente em Austin, Texas (EUA), um dos maiores festivais de inovação, tecnologia, música, cinema e educação do mundo, onde também estará a SP House, posicionando o estado de São Paulo como um polo global de inovação, cultura e economia criativa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Fica a Dica
Fica a Dica - Entre os dias 13 a 15/03 acontece o Festival Japão em Minas

Fica a Dica

Play Episode Listen Later Mar 10, 2026 1:31


No episódio de hoje, Isabela Lapa fala sobre o festival Japão em Minas, que chega ao Expominas nos dias 13, 14 e 15 de março. See omnystudio.com/listener for privacy information.

i want what SHE has
415 Shana Falana and The Goddess

i want what SHE has

Play Episode Listen Later Feb 24, 2026 98:06


It's my last radio show, and I am overjoyed and grateful that I get to spend it the way it began, with my friend and show co-founder Shana Falana.  To formally reintroduce you, she is a songwriter, performer, and community architect originally from San Francisco, based in the Hudson Valley since 2008. For over 25 years, Shana has merged music and public service—bringing 12-step meetings into jails and institutions throughout Ulster County, helping coordinate the early years of O+ Festival, and co-founding the I Want What SHE Has radio show on Radio Kingston. She is the founder and creative force behind The Goddess Party, a performance collective uplifting women through music, ritual, and radical joy, with sold-out shows at Opus 40, Old Dutch Church, and Basilica Hudson. Her artistic and social practice centers on amplifying women in their perimenopausal and menopausal years, increasing the visibility of aging women on stage and reshaping cultural narratives about power, beauty, and relevance after fifty. She is the creator and showrunner of a scripted television series inspired by The Goddess Party, expanding its story from live performance into narrative television. Shana is someone who as a friend I've witnessed move through the life cycle of different projects and life experiences with apparent ease. I'm someone who struggles to let go and perhaps holds on a bit too long, but she talks about what endings are like for her and how she navigates them.  We get to hear about the beginning and evolution of The Goddess Party, the challenges, highlights, and what's to come. As much of her current work relates to thriving in an older woman's body, Shana shares her experience of navigating illness and perimenopause and offers many resources that have supported her along the way, always following her intuition. Here are the books Shana mentioned - Wise Power, Hagitude, Mother Hunger You can find her here ->> instagram / spotify / apple music / And stay tuned to The Goddess Party's Instagram account for more details about the upcoming March 27th benefit concert they are participating in at Levon Helm Studios. My previous show on The Goddess Party can be found here! Today's show was engineered by Ian Seda from Radiokingston.org. Our show music is from Shana Falana! Feel free to email me, say hello: she@iwantwhatshehas.org ** Please: SUBSCRIBE to the pod and leave a REVIEW wherever you are listening, it helps other users FIND IT http://iwantwhatshehas.org/podcast ITUNES | SPOTIFY ITUNES: https://itunes.apple.com/us/podcast/i-want-what-she-has/id1451648361?mt=2 SPOTIFY:https://open.spotify.com/show/77pmJwS2q9vTywz7Uhiyff?si=G2eYCjLjT3KltgdfA6XXCA Follow: INSTAGRAM * https://www.instagram.com/iwantwhatshehaspodcast/ FACEBOOK * https://www.facebook.com/iwantwhatshehaspodcast

Morning Show
Flávio Bolsonaro critica desfile em homenagem a Lula

Morning Show

Play Episode Listen Later Feb 16, 2026 119:20


Confira no Morning Show desta segunda-feira (16): A escola de samba Acadêmicos de Niterói, fez uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) na Sapucaí no último domingo (15). Com o enredo "Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", a escola gerou polêmica e críticas da oposição, que aponta suposta propaganda eleitoral antecipada. Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência, utilizou suas redes sociais para dizer que vai protocolar uma ação contra o desfile e que a escola fez ataques pessoais contra o pai dele. A Polícia Civil de São Paulo recuperou mais de 60 celulares na operação de Carnaval 2026 neste último domingo (16). Dessa vez os agentes foram ainda mais criativos e se fantasiaram de turma do Chaves para capturar os criminosos. O senador Carlos Viana (Podemos), presidente da CPMI do INSS, solicitará uma audiência com Mendonça logo após o Carnaval. O objetivo do Congresso é ter acesso à quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O Festival da Primavera, que marca o início do Ano Novo Chinês, começou oficialmente. Este ano é regido pelo Cavalo, o sétimo animal do zodíaco chinês, que tradicionalmente simboliza alta energia, inteligência, um espírito livre e independente, além de rapidez e superação. A repórter Bruna Milan detalha que as festividades duram cerca de 40 dias, gerando a maior migração humana do planeta: as autoridades esperam mais de 9,5 bilhões de viagens inter-regionais no período. O filme 'O Agente Secreto', longa que conta com o ator brasileiro Wagner Moura, não para de empilhar estatuetas. A produção acaba de vencer a categoria de Melhor Filme Internacional no Independent Spirit Awards, importante premiação independente nos Estados Unidos. O Carnaval de rua de São Paulo provou mais uma vez o seu poder de atração! Direto da Rua 13 de Maio, na Bela Vista, David de Tarso vestiu a camisa da folia (e os óculos escuros) para mostrar o clima do tradicional bloco 'Os Esfarrapados'. O ex-BBB Eliezer gerou polêmica nas redes sociais ao reclamar dos altos valores que sua família vem gastando com supermercado. Em um vídeo, o influenciador revela que as contas mensais para encher a despensa chegam a bater a marca de R$ 18 a R$ 20 mil. A banca discutiu sobre a situação. O clima de Carnaval toma conta do país, mas a festa também exige atenção redobrada com a segurança financeira, especialmente com a ação de golpistas no meio da multidão. Para ajudar a população a se proteger, o Morning Show conversa com o especialista em segurança da informação, Luiz Henrique Barbosa. Entre as estratégias de defesa, o apresentador Fernando destaca uma dica inusitada e valiosa: o uso de papel alumínio junto ao cartão de crédito para bloquear pagamentos por aproximação acidentais ou fraudulentos. Essas e outras notícias você confere no Morning Show.

Vedanta Cast
#296/2025 – O Festival Começando na Índia | Samba Shiva Yātrā

Vedanta Cast

Play Episode Listen Later Oct 23, 2025 10:12


i want what SHE has
396 "Spirituality and Politics" The PO+wer of Community

i want what SHE has

Play Episode Listen Later Oct 14, 2025 108:41


Today Marielena Ferrer and I are coming off a big weekend supporting the O+ Festival. We talk about the highlights from our perspectives including how the community shows up to help make all the magic happen.Then a little Tarot talk inspired by Nikki Fogerty's weekly report on the Queen of Disks and Five of Swords.Today's show was engineered by Ian Seda from Radiokingston.org.Our show music is from Shana Falana!Feel free to email me, say hello: she@iwantwhatshehas.org** Please: SUBSCRIBE to the pod and leave a REVIEW wherever you are listening, it helps other users FIND IThttp://iwantwhatshehas.org/podcastITUNES | SPOTIFYITUNES: https://itunes.apple.com/us/podcast/i-want-what-she-has/id1451648361?mt=2SPOTIFY:https://open.spotify.com/show/77pmJwS2q9vTywz7Uhiyff?si=G2eYCjLjT3KltgdfA6XXCAFollow:INSTAGRAM * https://www.instagram.com/iwantwhatshehaspodcast/FACEBOOK * https://www.facebook.com/iwantwhatshehaspodcast

The Roundtable
O+ Festival 2025 celebrates 15 years of exchanging art and medicine

The Roundtable

Play Episode Listen Later Sep 25, 2025 10:07


From October 10 through 12, Kingston, New York will once again host the O+ Festival - now celebrating its 15th anniversary. This unique gathering began in 2010 with a bold exchange: artists and musicians offered their talents in return for healthcare services.This year's festival features performances by Kool Keith, the Fiery Furnaces, and an appearance by author Jonathan Lethem. For three days, the city transforms into a vibrant creative commons, with murals, concerts, and installations filling public spaces, galleries, and clubs.

Helfimed
Ep. 349 - Elevador da Glória, Hambúrgueres e Charlie Kirk

Helfimed

Play Episode Listen Later Sep 15, 2025 23:23


Hoje falo sobre o Elevador da Glória e comédia, falo sobre hambúrgueres e falo sobre o assassinato do Charlie Kirk... só temas levas, portanto...——————————————————00:00 - Introdução01:36 - Elevador da Glória e comédia09:01 - O Festival dos Hambúrgueres...13:11 - Charlie Kirk e a beira do precipício22:25 - Conclusão——————————————————PODCAST HELFIMED:Podem ouvir e subscrever nos links:iTunes: https://goo.gl/A3KJErSpotify: https://goo.gl/Pe2W9oAnchor: https://anchor.fm/helfimedStitcher: http://bit.ly/2Ou3T1bE podem encontrar em outros players e agregadores de podcasts.

i want what SHE has
390 Eliza Swann "The Alchemical Imagination"

i want what SHE has

Play Episode Listen Later Sep 2, 2025 101:24


Eliza Swann, also known as Emerald, is a writer, artist, alchemist and scholar based in New York. Swann's formative years cultivated a deep interest in the intertwined studies of mysticism and fine art, which remain central to their work as both artist and educator. Swann received a BA in Painting from the San Francisco Art Institute (2004) and an MFA from Central St. Martins in London (2012). Additionally, Swann is an initiate in Gnostic and Hermetic orders, has studied Vedic cosmology with Dr. Vagsish Shastri, trained in mindfulness meditation at the Insight Meditation Society, and studied herbalism and gardening under the guidance of their witch aunt. These studies inform their expansive approach to esoteric and ecological practices.Swann teaches art and mysticism as a unified practice and, in 2014, founded Golden Dome, an artist-in-residence program rooted in queer intersectional mysticism. Since its inception, Golden Dome has expanded to offer nationwide exhibitions, residencies, publications, and educational programming. Swann is currently faculty at Pratt Institute, where they teach “The Alchemical Imagination”, a course they created to introduce alchemical concepts to contemporary creative practice. In 2025, Swann transitioned from directing Golden Dome to launch a new initiative: Emerald School, which explores alchemy as a living, transdisciplinary practice.As a visual artist, Swann has exhibited internationally, most recently at the University of California Santa Cruz and the Feminist Center for Creative Work in Los Angeles. They are the author of The Anatomy of the Aura, Green Mary, and The Alchemical Imagination, and have contributed to numerous publications. Their work has been supported by PEN America, the Foundation for Contemporary Art, the Author's League Fund, the Los Angeles Department of Cultural Affairs, the Pratt Faculty Development Fund, the Feminist Center for Creative Work, the Hemera Fellowship for Contemplative Practice, and the Wassaic Project.Today Eliza shares about their roots, literally, the gardens of their aunt and a return to them after living and traveling beyond. We talk about alchemy and how it folds many disciplines, prayer, devotion, poetry, intuition... into its being. Eliza recalls teachers both direct and indirect and what they're work surfaced. We discuss grief and how alchemy has supported them in navigating both the personal and the global. The Emerald School is the container for their work where they guide folks through the stages of alchemy including a freeing of self and specialty, to move into deeper collaboration with all. "The school becomes a crucible: a space where diverse elements converge, disciplinary boundaries blur, and new ways of knowing can take shape."We talk about their upcoming 9 week online course, "The Alchemical Imagination," Sept. 14-Nov. 16, and their upcoming offering as a part of the O+ Festival, "The Star Inside: Alchemy and the Power of Plants" and why mugwort became a part of the conversation.Today's show was engineered by Ian Seda from Radiokingston.org.Our show music is from Shana Falana!Feel free to email me, say hello: she@iwantwhatshehas.org** Please: SUBSCRIBE to the pod and leave a REVIEW wherever you are listening, it helps other users FIND IThttp://iwantwhatshehas.org/podcastITUNES | SPOTIFYITUNES: https://itunes.apple.com/us/podcast/i-want-what-she-has/id1451648361?mt=2SPOTIFY:https://open.spotify.com/show/77pmJwS2q9vTywz7Uhiyff?si=G2eYCjLjT3KltgdfA6XXCAFollow:INSTAGRAM * https://www.instagram.com/iwantwhatshehaspodcast/FACEBOOK * https://www.facebook.com/iwantwhatshehaspodcast

MotherChip - Overloadr
MotherChip #532 - O Festival Jogatório 2025

MotherChip - Overloadr

Play Episode Listen Later Jul 10, 2025 100:24


Foi vez da Jeje ficar doente, mas tempos a companhia do Max Fernandes que, dentre outras coisas, é redator no no Game Design Hub, para falarmos do Festival Jogatório 2025.Participantes:Max FernandesHeitor De PaolaAssuntos abordados:00:00 - Sobre o Festival Jogatório 202527:00 - Subversive Memories45:00 - Cidadão de SP Simulator 251:00 - Love Sick Cats1:01:00 - Pimbolas1:09:00 - Artius1:17:00 - Le Fol1:21:00 - Robo Gal1:30:00 - Folk LorestsVai comprar jogos na Nuuvem? Use o link de afiliado do Overloadr!Use nosso link de filiado ao fazer compras na Amazon Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

acast foi cidad o festival jeje nuuvem overloadr amazon hosted motherchip
Jornal da USP
De Papo Pro Ar #184: Museu da Imigração promove o festival “Viva! Japão”

Jornal da USP

Play Episode Listen Later Jun 18, 2025 30:54


Integrando o Ano do Intercâmbio e da Amizade Brasil-Japão, o evento contou com programação de música, dança, gastronomia, artesanato, performances, realidade virtual, exposições e oficinas

El Despelote podcast
Por qué no deberías llevar a tu perro a un concierto o festival - Con Rocky, Burbu y Giga #ElDespelote #LaNueva94

El Despelote podcast

Play Episode Listen Later Apr 2, 2025 10:48


O Antagonista
Janjapalooza, o festival de música na reunião do G20 | Narrativas #270 com Madeleine Lacsko

O Antagonista

Play Episode Listen Later Nov 14, 2024 28:17


O Narrativas é um programa que aborda os principais temas da atualidade sobre o aspecto do fato, das narrativas da direita e da esquerda e da opinião da colunista Madeleine Lacsko.        O programa vai ao ar de segunda a sexta às 17h.        Leia a coluna de Madeleine Lacsko no Antagonista.        A melhor oferta do ano, confira os descontos da Black na assinatura do combo anual.       https://bit.ly/assinatura-black      Siga O Antagonista no X, nos ajude a chegar nos 2 milhões de seguidores!         https://x.com/o_antagonista        Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp.     Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais.         https://whatsapp.com/channel/0029Va2S...         Ouça O Antagonista | Crusoé quando quiser nos principais aplicativos de podcast.        Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br 

i want what SHE has
344 O+ Gratitute and "The One" Archetype with Marielena Ferrer

i want what SHE has

Play Episode Listen Later Oct 15, 2024 106:21


On this month's installment of Spirituality and Politics with Marielena Ferrer, we share our favorite moments of the O+ Festival and gratitude for those who helped to make it happen.Then Marielena and I discuss "The One" archetype that I mentioned a few weeks ago. It's one of Kim Kran's Archetypes that delves into nonduality, one love and unus mundus.Don't forget the Full Moon this Thursday!Today's show was engineered by Ian Seda from Radiokingston.org.Our show music is from Shana Falana!Feel free to email me, say hello: she@iwantwhatshehas.org** Please: SUBSCRIBE to the pod and leave a REVIEW wherever you are listening, it helps other users FIND IThttp://iwantwhatshehas.org/podcastITUNES | SPOTIFYITUNES: https://itunes.apple.com/us/podcast/i-want-what-she-has/id1451648361?mt=2SPOTIFY:https://open.spotify.com/show/77pmJwS2q9vTywz7Uhiyff?si=G2eYCjLjT3KltgdfA6XXCAFollow:INSTAGRAM * https://www.instagram.com/iwantwhatshehaspodcast/FACEBOOK * https://www.facebook.com/iwantwhatshehaspodcast

Beercast Brasil
Entrevista com Develon da Rocha, Presidente da Ablutec, sobre o Festival Brasileiro da Cerveja em Balneário Camboriú

Beercast Brasil

Play Episode Listen Later Oct 10, 2024 55:33


https://beercast.com.br/wp-content/uploads/2024/10/BC_583_Podcast-Develon-FCB-Camboriu.mp3 2025 promete ser um ano especial para a Cerveja no Brasil. Neste programa entrevistei Develon da Rocha que me contou como a ABLUTEC vai realizar o Festival Brasileiro da Cerveja em Balneário Camboriú, de 12 a 15 de março de 2025, com centenas de cervejarias, mais de 1 mil rótulos e 120 estilos. Na Semana da Cerveja também acontecerão a Comenda da Cerveja Brasileira, o CBC Brasil - Concurso Brasileiro de Cervejas, o Conib - Congresso Internacional da Cerveja e a Feira Brasileira da Cerveja. Venha ouvir e entender como tudo isso funcionará! Procure por "Beercast Brasil" no seu app de música favorito. Ouvir no Spotify Ouvir no Apple Podcasts Ouvir na Amazon Music Ouvir no Deezer Seja Patrono do Beercast contribuindo a partir de R$10,00 por mês. Links: Ingressos FBC Balneário Camboriú 2025 Instagram FBC 2025 Entre em contato com o Beercast e acompanhe nossas mídias sociais: contato@beercast.com.br : Mande suas degustações, garrafadas, críticas, elogios e sugestões. Instagram Beercast Brasil Fanpage Beercast Brasil no Facebook Feed do Beercast (assine nosso feed)