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19 DE JULHO DE 2026 - DOMINGO Ref.: Êxodo 15.25, Êxodo 16.4, Êxodo 17.6
Por Pr. Rogério Luiz. | https://bbcst.net/R9689N
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O programa “Transmission Impossible” volta pelo terceiro ano consecutivo ao Festival de Avignon. Depois de Mathilde Monnier, desta vez é a coreógrafa brasileira Lia Rodrigues a dirigir o projecto de encontros entre artistas programados e meia centena de jovens de diferentes países, em cumplicidade com os artistas brasileiros Calixto Neto, Silvia Soter da Silveira, Cristina Moura e Daniella Lima. O projecto é um laboratório de experimentação e transmissão que consiste em fazer descobrir, durante 12 dias, o Festival de Avignon. “A ideia é a gente estar num momento juntos” e “a grande coisa está no nosso encontro”, resume Lia Rodrigues. Lia Rodrigues é uma figura de vulto da dança brasileira contemporânea, que, em 2026, completa 70 anos, 50 dos quais dedicados à sua arte. Nesta 80.ª edição do Festival de Avignon, a artista sucede à coreógrafa Mathilde Monnier na direcção artística do projecto "Transmission Impossible". Trata-se de uma imersão no festival de meia centena de estudantes de artes cénicas ou recém-diplomados, através de um percurso de encontros com artistas programados, espectáculos, debates e masterclasses. Lia Rodrigues descreve-nos este projecto como “um presente para os 70 anos” porque vê como “muito belo” conseguir reunir jovens do mundo inteiro com línguas diferentes. A criadora conta, ainda, que esta “Transmissão Impossível” acontece no “lugar precioso do possível”, ou seja, “o possível de a gente estar juntos, tanta gente de tanto lugar, falando tantas línguas num mesmo lugar, partilhando, falando, celebrando.” Ao longo de vários dias, o grupo trabalha, vê, debate, estuda em conjunto. Afinal, “a ideia é a gente estar num momento juntos” e “a grande coisa está no nosso encontro”, sublinha. A transmissão está-lhe no ADN, enquanto artista e cidadã. Lia Rodrigues transforma o que faz, em palco e fora dele, num espaço de intervenção social e política, numa ferramenta de reflexão crítica e transformação social. Lembramos, por exemplo, que a coreógrafa fundou a Companhia de Danças Lia Rodrigues, com a qual desenvolve, desde os anos 1990, um trabalho marcado pela aproximação entre arte e comunidade, pela crítica às desigualdades sociais e pela experimentação corporal. Desde 2004, Lia Rodrigues também desenvolve actividades artísticas e educacionais na Favela da Maré, no Rio, em parceria com a ONG Redes da Maré. Dessa colaboração nasceu o Centro de Artes da Maré, aberto ao público em 2009 e a Escola Livre de Danças da Maré, inaugurada em 2011. Doze dos estudantes dessa escola estão, por estes dias, no projecto “Transmission Impossible”, em Avignon, num total de cerca de meia centena de participantes. Fomos falar com a artista na Villa Créative, em Avignon, na primeira semana de trabalho. "Transmission Impossible": 54 artistas e a possibilidade de "mil trampolins" RFI: Como é que nos poderia descrever este projecto “Transmission Impossible”? Lia Rodrigues, Artista: “Esse projecto chega num momento muito especial para mim, como um presente para os meus 70 anos. Esse projecto primeiro foi criado por uma artista, a Mathilde Monnier, junto com o Festival de Avignon e a Fondation Hermès. Isso é muito importante, essa junção de duas instituições com um artista e criar um projeto pedagógico, como você falou, de vulto, porque reunir 54 jovens do mundo inteiro com línguas diferentes é muito belo, sabe? A gente está aqui durante duas semanas trabalhando intensamente.” Como é que imaginou essa transmissão com estes 54 jovens de tantos países? “Sabe que eu estou achando que o nome da Transmissão já diz em si: “Transmissão Impossível”. É impossível.” Porquê? “Porque a gente vê muita coisa. A gente trabalha o dia inteiro, mas tem um lugar precioso do possível: o possível de a gente estar juntos, tanta gente de tanto lugar, falando tantas línguas num mesmo lugar, partilhando, falando, celebrando, às vezes se irritando - porque o calor aqui está terrível - e vendo tantos artistas diferentes com visões do mundo diferentes.” Estar em contacto com estes jovens de todo o mundo é uma forma de aproximação num mundo cada vez mais polarizado? A dança acaba por ter esse papel transmissor? “Eu não acho que a dança tenha esse papel porque a dança não tem papel nenhum a não ser ser dança mesmo. Os alunos, os jovens que se formaram, são de diferentes áreas: de teatro, dança, iluminação, cenografia. E essa diversidade é muito linda porque eu aprendo com eles, eles aprendem com a gente. Então, não é só a dança, é o corpo na sua totalidade que se encontra e que partilha esse momento precioso juntos." O que é que uma artista com 50 anos de carreira ainda aprende com estes jovens? “Se a gente não aprende, a gente morre e eu não quero morrer agora porque eu ainda quero ver meus netos crescerem, eu quero ainda poder fazer coisas, criações. As pessoas mais velhas têm sonhos, elas ainda têm muito a dizer, a gente ainda tem desejo e eu acho isso muito legal de falar porque a gente fala de diversidade, mas a gente fala muito pouco sobre idade.” Essa é uma questão que a marca? “Mas sem dúvida! É impossível não marcar. Eu sempre falo: quando você tiver 70 anos me telefona para ver se você me encontra nesse lugar.” A juventude também contribui para a transmissão? “Tudo, a juventude, a idade, o encontro das gerações é muito lindo, sabe? É ver o passado, o futuro e o presente se misturarem. Quando você tem essa idade, você consegue ter mais acesso ao passado, presente e imaginar um outro futuro.” Gostaria que falássemos também do trabalho na Escola Livre de Dança da Maré, porque também há artistas que estão aqui em Avignon. Como é que o trabalho que faz lá ecoa em Avignon? O que representa para os bailarinos da Escola da Maré estarem cá? "Antes de eu ter esse encontro, que foi uma marca na minha vida como cidadã e como artista, eu já tinha a minha carreira como artista, mas eu tive um encontro muito forte, mediado pela Silvia Soter, que é a minha dramaturga, que foi o encontro com a Rede da Maré, que é uma organização que tem diversos projectos em várias áreas dentro da Favela da Maré. A Favela da Maré tem 140.000 habitantes e eles fazem projectos de educação, cultura, diversidade, questões da mulher, questões do racismo, questões do meio ambiente, questões de moradores de rua e usuários de crack, é muito amplo. Nós, Redes e eu, somos parceiros em dois projectos desde 2004. Nós criámos juntos o Centro de Artes da Maré, que é um lugar para todas as artes dentro da favela e, em 2011, a Escola de Dança da Maré. Desde o seu início, ela é patrocinada, sustentada e só pode existir porque a Fundação Hermès de França nos apoia há mais de 15 anos. Essa escola tem 300 alunos de 8 a 80 anos e um grupo de jovens que são 20, que são jovens artistas que querem talvez seguir a carreira. Dozes deles estão aqui. Nem todos são da Maré porque a gente também cria diversidade dentro da nossa escola. Eu acredito que essa experiência, como para qualquer um de nós e para mim também, é inesquecível.” Pode ser um trampolim para eles? “Os trampolins são muito pequenos. Eu adoro pensar na ideia de mil trampolins porque eles vão pulando de um lugar para o outro e vão conhecendo gente, conhecendo o trabalho, conhecendo gente da idade deles. Isso é lindo essa ideia de trampolim. Depois eles têm que cair na piscina, solitários, para poderem digerir toda essa experiência.” Como tem decorrido o projecto? Encontram os artistas, fazem ateliers de dança, por exemplo? “Primeiro, eu queria deixar claro que eu não faço divisão entre dança, teatro, artes visuais. Nós temos jovens que se formaram em escolas de cenografia, iluminação, teatro, dança, não são só de dança. Isso é muito legal também, o encontro dessas linguagens porque eu acho que elas não se separam finalmente. A gente tem um horário bem intenso, a partir das dez horas, e depois vê vários espectáculos, até à noite. A gente trabalha, tem entrevistas com os artistas que vêm aqui, é demais! Eles vêm-nos visitar, a gente conversa, vai ver espectáculos. Cada mentor, cada um desses mentores que me acompanham, têm formas diferentes de trabalhar, de partilhar, de transmitir. É uma loucura.” O público vai poder depois assistir ou debater com os jovens e consigo sobre este projecto? “A Fundação Hermès e o Festival de Avignon me abraçaram para eu poder realizar a ideia de que a gente não vai mostrar nada, mas a gente vai partilhar alguma coisa muito simples, muito preciosa. Essa é a ideia de a gente estar num momento juntos. É só isso. Não tem grandes coisas. A grande coisa está no nosso encontro.” A Lia Rodrigues está rodeada por artistas cúmplices neste projecto. São artistas com quem já trabalha há algum tempo. Quer-nos falar porque é que escolheu estes cúmplices para a acompanharem neste projecto de transmissão afinal possível? “Olha, é claro que eu não escolhi sozinha porque a gente trabalha com a Fundação Hermès, com o Festival de Avignon. Nós chegamos a um acordo, mas eu achei lindo eu poder escolher brasileiros só porque são pessoas que eu conheço há muito tempo, com as quais eu trabalho de formas diferentes e que eu me sinto a vontade, sabe? Eu tenho que ter pessoas em quem eu confio, que eu posso ficar assim, tranquila, porque eles vão ser generosos com os alunos. Eles têm as suas próprias ideias. Eu acho isso lindo. Então, eu me rodeei de pessoas com as quais eu me sinto confortável.” Nesta geografia dos apoios, incluindo financeiros, às artes performativas, ainda há muitas desigualdades entre o Norte e o Sul… “Claro! É tão óbvio. É só ler o jornal. É só ler os livros!” O que é seria preciso fazer para isso mudar? Avignon é um passo? “Precisa mudar o mundo, as relações internacionais, de força. É isso que precisa. O facto de nós estarmos em Avignon é maravilhoso, é lindo, mas quando você me pergunta isso, eu digo que tudo é conectado. É mudar uma área, mudar outra. E a educação e a guerra? Tudo faz parte do mundo em que a arte está incluída. Então, sem mudar o mundo, as relações de poder, a maneira muito colonial de ver o mundo que ainda existe ou as relações de poder e de força, isso não vai mudar.” A dança tem um papel nessa decolonizaçao? As artes performativas de uma forma geral podem conseguir mexer alguma coisa nas placas tectónicas políticas deste mundo? “Sim e não. Sim e não porque quem vê essas peças? Quantas pessoas podem ver essas peças? Em que lugar do mundo estas peças são vistas? Quem tem acesso a isso? Isso é uma questão que a gente precisa pensar bastante. Por exemplo, essa história de ecologia: ‘Ai, não vou pegar avião, não pode mais pegar avião', isso é uma das coisas mais coloniais que eu já vi na minha vida porque é um luxo poder não pegar avião e não estar no avião. Tem uma pessoa que eu admiro, e que foi muito importante no Brasil, que é o Chico Mendes, lá da Amazónia, que falou que fazer ecologia e pensar ecologia sem justiça social é só fazer jardinagem. E é isso que eu penso.” E pensar a dança sem justiça social? “Não é a dança, é a vida. Eu esqueço que eu faço dança. Para mim, eu sou uma cidadã, é isso que é mais importante na minha vida. Que mundo a gente quer para o futuro, sabe? Tanto faz se for com a dança, como jornalista, com qualquer profissão.” Este ano, o Brasil está no Festival de Avignon representado pela Lia Rodrigues, Carolina Bianchi, Christiane Jatahy, Wagner Moura. Este é um epicentro das artes cénicas do mundo. É importante para si estar em Avignon? “É tão importante quanto estar no Brasil. Cada lugar tem uma importância diferente. É maravilhoso que esses artistas que trazem as ideias deles tão lindamente aqui em Avignon, mas é muito bom que eles pudessem também ir para o Brasil, o que não acontece por questões de investimento, Então, se todos pudessem mostrar os seus trabalhos também no Brasil, seria maravilhoso. Eu acho que é o epicentro de alguma coisa, mas a gente tem vários epicentros no mundo da arte, da produção, só que existe a diferença de recursos para isso.” É um epicentro eurocêntrico? “Com certeza, mas é muito bom que ele exista. A gente tem que lutar para que ele exista e que para outros epicentros possam também existir. Eu acho maravilhoso ver esses artistas aqui, brasileiros, me emociona muito, me comove e me faz feliz. Queria que todo mundo pudesse vê-los.” Vamos ter uma peça sua em breve em Avignon? “Não tenho a menor ideia. Zero ideia e também é assim a vida. Eu estou aqui, eu já estou tão feliz de estar aqui, vendo e me relacionando com esse mundo aqui de Avignon. Isso é o maior presente para mim.”
O Festival de Avignon arrancou a 4 de Julho, e junta, durante três semanas, milhares de pessoas, para esta 80ª edição. Este é o epicentro da história contemporânea do teatro, dirigido pelo encenador, dramaturgo e actor português Tiago Rodrigues. Este ano, há 47 espectáculos, dois de encenadoras lusófonas e a língua convidada é o coreano. Há uma maioria inédita de criadoras mulheres e a linha de força é um enorme ponto de interrogação estampado um pouco por todo o lado nas ruelas da cidade francesa. O teatro anda à solta, sem rédeas, pela cidade de Avignon. Bem-vindos ao “país do teatro, à república independente das artes performativas”, nas palavras e na companhia de Tiago Rodrigues, um dos fazedores desta “fábrica de memórias inesquecíveis para o público”. Uma dessas “memórias” é a primeira maratona teatral em português, de dez horas, com a apresentação, a 12 e 13 de Julho, da Trilogia Cadela Força de Carolina Bianchi. Outra é o espectáculo de cinco horas do francês Julien Gosselin, “Maldoror”, que Tiago Rodrigues acredita que “vai marcar as próximas décadas do teatro francês, europeu e mundial”. E outra, ainda, é a peça “Um julgamento - Depois do inimigo do povo” que descreve como “uma interpretação magistral de uma história do repertório agora reescrita, repensada por Christiane Jatahy e Wagner Moura e com um elenco magistral à volta de Wagner Moura que tem uma prestação absolutamente sublime”. Nesta 80ª edição, “os questionamentos” são a bandeira de um festival que sempre foi sintoma e espelho dos tempos que correm. Este é também “um espaço de liberdade onde os artistas e o público se podem exprimir com toda a liberdade”, reitera o artista, destacando que “em França, como noutros países da Europa e do mundo, a liberdade de expressão e de criação estão a ser ameaçadas”. Mais ainda, em França – diz – “já não se trata apenas de uma ameaça, mas de ataques repetidos em vários territórios”. E, assim, a menos de um ano das próximas eleições presidenciais em França, onde a extrema-direita cresce, Tiago Rodrigues, enquanto director desta instituição e não apenas como cidadão e autor de “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, toma já posição e pede às pessoas para não deixarem a extrema-direita chegar ao Palácio do Eliseu. Tiago Rodrigues, português, emigrante, inscreve-se numa longa linhagem histórica de emigração portuguesa para França, mas esta é também uma história familiar e é a história que inspira o seu próximo espectáculo, revelou à RFI em primeira mão. O pai, Rogério Rodrigues, exilou-se em França durante o Estado Novo, o filho é agora o director do maior festival francês de artes cénicas e serve com a sua arte o que chama de “dívida de gratidão” que tem com a sociedade francesa por ter acolhido o pai quando este precisava. RFI: Queria começar com uma expressão que o Tiago Rodrigues gosta muito de usar, que é “o país do teatro”. O festival está na 80ª edição. Até que ponto Avignon continua a ser a capital mundial do teatro? Tiago Rodrigues, Director do Festival de Avignon: “Eu acho que cada vez mais, com o passar do tempo, aquilo que era uma utopia imaginada por Jean Vilar, o encenador que em 1947 funda este festival logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, numa sociedade muito dividida e pensa que talvez um festival durante as férias das pessoas - e é preciso relembrar que as férias pagas eram uma novidade na época - durante as férias pagas das pessoas, podia ser um festival que permitisse ao público viver experiências que eles não teriam oportunidade, nem tempo para viver durante o ano, portanto, grandes aventuras teatrais em lugares monumentais que obrigariam a viajar. E é assim que nasce esta ideia, esta utopia de um país do teatro. Um lugar onde viajamos como quem viaja para fazer turismo, como quem viaja para se repousar. E aqui viajamos, sim, pelo turismo, pelo repouso, mas sobretudo pela descoberta dos espectáculos, pela descoberta de uma grande quantidade de estéticas e de visões de um mundo muito diferentes entre si. O tempo fez com que, ao fim de 80 edições, possamos dizer que este é o país do teatro, a república independente das artes performativas. O público vem precisamente com essa sede de ver espectáculos que talvez não tivesse tempo de ver durante o ano. Por exemplo, 'Maldoror', o espectáculo de Julian Gosselin, um grande encenador que dirige o teatro do Odéon, um dos teatros nacionais franceses, e que faz um espectáculo de cinco horas, poderíamos dizer que cinco horas é ambicioso, mas é um espectáculo magistral. O que nós vemos é que ao fim das cinco horas, por volta das duas e meia, três da manhã, todo o público está lá, aplaudiu de pé e viveu essa aventura colectiva que é singular, que só se vive em Avignon, estar num palácio sob as estrelas e ver uma obra de arte que, no meu entender, este ‘Maldoror' vai marcar as próximas décadas do teatro francês, europeu e mundial.” É português, é o primeiro director estrangeiro a dirigir o festival. Esta é a sua quarta edição como director. Conhece os talentos e as dificuldades das artes performativas portuguesas, brasileiras, de dança contemporânea moçambicana e cabo-verdiana, por exemplo, mas este ano só há duas peças lusófonas no cartaz… “Eu permito-me corrigir o “só”, “só há”. O Festival de Avignon é um festival de nomes de expressão mundial e, portanto, é um festival que tem que estar atento a tudo o que se passa no mundo. Saber que, por exemplo, este ano há duas artistas brasileiras e saber que estas duas artistas brasileiras lusófonas, Christiane Jatahy e Carolina Bianchi, que são duas das grandes artistas desta edição, são duas artistas que vêm de um só país lusófono, numa possibilidade de mais ou menos - é discutível a quantidade de países que existe no mundo, mas digamos que são duas centenas, porque depois há questões de legitimidade de algumas fronteiras, etc - mas digamos que em 200 países haver dois espectáculos, ambos vindos do Brasil ou de criadores brasileiros, criadoras neste caso, é, de qualquer das formas, um foco muito importante, uma atenção muito importante. Há muitos países que não estão representados no festival. Este ano, há uma representação de 14 países e, portanto, digamos que a maioria dos países do mundo não estão presentes no ano. A criação lusófona tem duas presenças e, portanto, acho que estamos numa quantidade, numa proporção muito benéfica para a criação lusófona.” Mas o que eu queria mesmo saber - e já percebeu onde quero chegar - é quando é que Avignon vai convidar a língua portuguesa? “Bom, o que eu posso dizer é que recentemente fui reconduzido para um segundo mandato, portanto, serei director do Festival até 2030. E estou muito feliz, muito vaidoso mesmo dessa possibilidade, mas também é um grande privilégio e uma grande responsabilidade também. E sem dúvidas que a língua portuguesa, eu digo desde o início, tem todo o mérito, toda a riqueza, toda a diversidade contemporânea e, sobretudo, toda a grande qualidade das criadoras e dos criadores, sejam portugueses, brasileiros, moçambicanos, angolanos, cabo-verdianos para estar presente no festival. Eu recordo que a lusofonia tem estado muito presente nos últimos anos no festival. No ano passado, a abertura do festival fez-se com uma artista cabo-verdiana, Marlene Monteiro Freitas, foi a primeira vez que Cabo Verde esteve na Cour d'Honneur du Palais des Papes e abriu este festival, ainda por cima no ano em que se celebrava os 50 anos da independência desse país-irmão do meu país-natal, Portugal. E, portanto, temos feito um trabalho de abertura, de aproximação do público de Avignon à criação lusófona ou em língua portuguesa. Sem dúvida que até 2030 a língua portuguesa será certamente uma das línguas convidadas no festival.” A Carolina Bianchi vem ao Festival de Avignon pela segunda vez para apresentar não só o terceiro capítulo da sua Trilogia Cadela Força aqui iniciada, como a trilogia completa, o que perfaz dez horas seguidas de maratona teatral. Isto também é histórico. Já houve maratonas teatrais em Avignon, mas em língua portuguesa, se calhar não… “Em língua portuguesa nunca houve uma aventura destas e estamos muito felizes de poder acompanhar a Carolina e toda a sua equipa da Companhia Cara de Cavalo nisto, que é uma aventura inédita. É o tipo de aventuras que só se pode viver em Avignon, dez horas de teatro. Antes que Carolina Bianchi fosse conhecida do público francês ou europeu, apresentámo-la pela primeira vez em 2023 e logo na altura sabíamos que estávamos comprometidos com continuar a acompanhar a sua trilogia. Entretanto, Carolina Bianchi ganhou o Leão de Prata da Bienal de Veneza, tornou-se numa artista absolutamente reconhecida a nível não apenas europeu, mas mundial. Queríamos estar no lugar do término desta trilogia, a acompanhar a aventura até ao fim e, sobretudo, permitir ao público de descobrir pela primeira vez a trilogia completa inédita. É uma grande aventura para a companhia, que exige enormemente. Também exige do público e das equipas técnicas e de acolhimento. Estamos muito felizes aqui em Avignon de poder propor ao público estas aventuras, porque, como nós costumamos dizer, nós queremos ser uma fábrica de memórias inesquecíveis. E é isso que queremos propor: uma memória inesquecível ao público.” A encenadora brasileira Christiane Jatahy também traz uma peça com um forte teor político. Qual é este alerta também em língua portuguesa que esta peça traz para os dias de hoje? “Christiane Jatahy, acompanhada de Wagner Moura, grande actor que foi este ano nomeado para os Óscares, que ganhou o Globo de Ouro, que ganhou o prémio de interpretação masculina em Cannes no ano passado e, portanto, de alguma forma, é um dos grandes protagonistas deste festival, juntaram-se para - ele actor, ela encenadora, mas ambos como autores do texto deste espectáculo - nos apresentarem um espectáculo que não é uma adaptação de ‘Um Inimigo do Povo' de Henrik Ibsen, mas que se inspira dessa história do dramaturgo norueguês para inventar um processo em tribunal onde se pergunta se alguém que denunciou a contaminação das águas de uma cidade é um herói que tentou ajudar as pessoas, salvar a saúde das pessoas, ou se é um inimigo do povo, alguém que destruiu a economia dessa cidade que dependia das termas, de um spa e dos turistas que vinham. Há um julgamento dessa pessoa e é um julgamento muito também sobre o risco dos julgamentos populares em opinião pública na época das redes sociais, na época em que toda a gente pode exprimir uma opinião, caluniar, difamar e destruir uma reputação publicamente muito facilmente. É uma questão de debate sobre a legitimidade de um gesto político de denúncia, sobre o diálogo entre saúde pública e a economia, essa tensão, também sobre a ecologia muito presente no espectáculo e é, sobretudo, uma interpretação magistral de uma história do repertório agora reescrita e repensada por Christiane Jatahy e Wagner Moura, com um elenco magistral à volta de Wagner Moura, que tem uma prestação absolutamente sublime. Uma peça que nos chega agora de Lisboa, esteve mesmo agora em Portugal em digressão e que é o resultado de uma encomenda que o Festival de Avignon fez com o Holland Festival de Amsterdão e com o Festival de Edimburgo, que são os três festivais europeus fundados no mesmo verão de 1947. Juntos queremos colaborar, continuar a colaborar também para o ano, quando fizermos 80 anos os três festivais e, para este início de colaboração, lançámos o desafio a Christiane Jatahy e a Wagner Moura de criar esta peça e estamos muito felizes. É uma das peças pilar da programação do festival este ano. E muito feliz também que seja a segunda peça falada em português.” Desde a sua primeira edição como director artístico do festival, apresentou “Na Medida do Impossível” e “By Heart” em 2023, “Hécuba, não Hécuba”, em 2024, “A Distância”, em 2025. Antes de ser director, já tinha apresentado “António e Cleópatra”, “Sopro” e “O Cerejal”. Este ano não apresenta peça sua. Posso perguntar porquê? “Porque acho que é importante que o meu trabalho artístico esteja sempre ao serviço do festival e nunca o contrário. E isso exige equilíbrio. Exige, no meu entender - e é a escolha responsável que eu tento fazer - que o meu trabalho não esteja necessariamente sistematicamente presente enquanto artista na programação do festival para deixar espaço a outros, para permitir precisamente que o festival não trabalhe a meu favor, mas o contrário, que quando eu apresento um trabalho, uma peça, um espectáculo no Festival de Avignon, seja para contribuir à programação e também contribuir, de certa maneira, à economia do festival. As digressões dos meus espectáculos produzem receitas que favorecem o festival e que nos permitem convidar outros artistas do festival. E, portanto, eu acredito que o director do Festival de Avignon ou a directora, se forem artistas, devem fazer o seu trabalho no festival, mas devem fazer com a medida que permite que seja o seu trabalho a estar ao serviço do festival e nunca o contrário, como disse. O Tiago Rodrigues é imigrante em França. Não vai poder votar nas presidenciais francesas do próximo ano porque é preciso nacionalidade francesa para isso. Como é que o autor de “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas” olha para estas eleições, nomeadamente depois de Marine Le Pen ter confirmado que se vai candidatar? “Não é apenas o autor de ‘Catarina e a Beleza de Matar Fascistas' ou o cidadão Tiago Rodrigues, mas é também o director do Festival de Avignon que toma posição e a posição é muito clara. O Festival de Avignon já pôde fazê-lo no passado, nas legislativas de 2024, que aconteceram ao mesmo tempo que o festival. O Festival de Avignon fez apelo a uma barragem à extrema-direita e, portanto, à União Nacional de Marine Le Pen, e fez um apelo ao voto no campo democrático. Eu não considero, o Festival de Avignon institucionalmente não considera, que a extrema-direita pertence ao campo democrático. A nossa posição é muito clara. Fazemos um apelo à participação nas eleições e é uma barragem clara, sem ambiguidades, à extrema-direita. Será também o caso para as presidenciais, como foi, aliás, para as municipais de Avignon, onde a extrema-direita perdeu uma derrota forte depois também de o festival ter tomado posição e ter anunciado que não trabalharia com a extrema-direita se esta tomasse o poder na cidade de Avignon. Felizmente não foi o caso e não será o caso, eu creio, também nas presidenciais. Sinto muita confiança na lucidez democrática das francesas e dos franceses.” Avignon é, historicamente, a cidade-teatro aberta à contestação, o festival sempre foi politicamente atravessado pelo seu tempo, como acaba de dizer, assim como em Maio de 68, os debates pós-coloniais, as crises migratórias. Este ano, qual é a causa a atravessar esta edição? “Cada Festival de Avignon é, por um lado, um sintoma de implicação com a actualidade, com os grandes fenómenos da actualidade e, portanto, a cada festival vemos novas questões, novas causas, novos debates a surgirem. E é também por isso que este ano quisemos celebrar esta 80ª edição, pondo as questões e os questionamentos no centro do discurso. Este é um festival que desde 1947, por 80 ocasiões, colocou questões ao mundo, as questões dos artistas, acompanhando os artistas a criar espectáculos que traduzem os seus questionamentos e permitindo ao público de se apropriar destas questões para ter os seus debates. O Festival é muito conhecido pelos seus debates, apaixonantes e apaixonados, por vezes bem intensos, e nós gostamos que seja assim. Gostamos que seja assim, aqui no Café das Ideias, onde estamos e onde acontecem todas as manhãs grandes debates, mas também nas ruas, nas praças, espontaneamente. Discutindo espectáculos, nós discutimos o mundo e questionamos o mundo. Este ano, como todos os anos, julgo que a questões que atravessam a actualidade, seja questões ligadas, por exemplo, às eleições presidenciais, questões ligadas à crise climática, às vagas de calor e à aceleração de medidas que os governos têm que tomar para combater a crise climática, defender a biodiversidade, mas também a vida e o bem-estar das pessoas e questões que são intemporais. Este ano temos, por exemplo, dois Hamlet, portanto, a questão de ‘ser ou não ser', que já existe há 400 anos, aqui está de novo. É esta mistura de questão política e questão íntima, de questão pública e questão individual, que anima a cada ano o festival que quer continuar a ser um festival de liberdade de expressão, de implicação com o mundo, mas com uma grande pluralidade de pontos de vista. Não é um festival de pensamento único que está aqui para convencer as pessoas seja do que for. É um espaço de liberdade onde os artistas e o público se podem exprimir com toda a liberdade, e deve dizer-se isto várias vezes, numa França onde, infelizmente vemos, como noutros países da Europa e do mundo, a liberdade de expressão e de criação a ser ameaçada. A França não é imune a isso. Já não se trata apenas de uma ameaça, mas de ataques repetidos em vários territórios de França. Aqui em Avignon, a primeira coisa que podemos fazer para responder a essa ameaça é praticar toda a liberdade de criação, toda a liberdade de expressão.” É essa a sua assinatura mais pessoal nesta edição? Reafirmar a liberdade de criação junto dos artistas, dar-lhes um espaço seguro aqui no festival? “Eu não acredito em assinaturas pessoais. Isto é o trabalho de mais de 700 pessoas que organizam este festival. O pensamento do festival não emana apenas de mim, é de dezenas de pessoas, de centenas de discussões, ele emana dos artistas e emana do público. E eu convido sempre quem me coloca essa questão de ‘Qual é a marca que tu, enquanto director, queres imprimir? Qual é o teu cunho pessoal?' O meu cunho pessoal é: Perguntem às pessoas na rua o que sentem em relação a este festival, como estão a vivê-lo. É permitir colocar-me ao serviço desta história, desta aventura colectiva que atravessa gerações. São os filhos que transmitiram aos netos, que transmitem aos vindouros este amor do teatro e este amor de poder juntar-se sem ser à volta de uma mesma ideia, juntar-se à volta do debate, à volta do facto de podermos estar juntos, felizes, a desfrutar das artes do teatro em desacordo. Este desacordo é o princípio do diálogo e o diálogo é o fundamento da democracia.” Falou da questão da filiação, da transmissão intergeracional. Está em França há quatro anos. Emigrou como o seu pai e como tantos milhares de portugueses o fizeram no século XX, durante a ditadura portuguesa. O seu pai foi acolhido pela França e o Tiago é convidado pela França para dirigir o maior festival de teatro francês, quando justamente há esta ameaça de a extrema-direita chegar ao poder. Isto é uma história que poderia dar uma peça de teatro. Qual é o poder simbólico desta história no contexto político actual? “Devo dizer que, enquanto director do Festival de Avignon, português, saber que estou ao serviço desta aventura, dos valores democráticos, republicanos, progressistas deste festival que é um festival também ecologista, feminista, anti-racista porque defende esses valores da democracia, da liberdade, da igualdade, da fraternidade, saber-me ao serviço destes valores, através deste festival, é para mim, de alguma forma, tentar também pagar a dívida de gratidão que tenho em relação à sociedade francesa que acolheu o meu pai quando o meu pai precisava de ser acolhido.” Obrigada por continuar a transmitir esta história e obrigada por também transmitir a história da emigração. “Vou dizê-lo para a RFI, é a primeira vez que falo disto publicamente: acho que será o tema do meu próximo espectáculo.”
07 DE JULHO DE 2026 - TERÇA Ref.: Isaías 54.1-6
Para comemorar o mês do orgulho LGBTQIA+, o RdMCast retornou para a catacumba assombrada da Estante Virtual para conversar um pouco mais sobre o horror queer na literatura e no cinema. Entre monstros clássicos, adaptações literárias marcantes e muitos filmes icônicos, hoje nossa bancada visitou os acervos da Estante Virtual, o lugar onde tudo sobre livros acontece, para discutir a história do horror queer, suas representações em diferentes tipos de mídia e mudanças ao longo do tempo. De vampiros do século XIX, passando por The Rocky Horror Show até chegar em Chucky e o Babadook, embarque conosco por essa jornada cheia de recomendações, risadas e histórias marcantes. Escolha um livro, se aconchegue na poltrona e se prepare para revisitar algumas de suas obras e personagens favoritos, afinal “a história do horror queer é a história do próprio horror”.O RdMCast é produzido e apresentado por: Gabi Larocca, Thiago Natário e Gabriel Braga.Apoie o RdM e receba recompensas exclusivas: https://apoia.se/rdmCONFIRA O CATÁLOGO DA ESTANTE VIRTUAL:Site: https://www.estantevirtual.com.br/Use o cupom RdMCastSiga no Instagram: @estantevirtual.brCITADOS NO PROGRAMA:1. MONSTROS LITERÁRIOSCarmilla de Sheridan Le FanuDrácula de Bram StokerO Retrato de Dorian Gray2. MONSTROS CINEMATOGRÁFICOS NO HORROR CLÁSSICODrácula (1931) e Nosferatu (1922)Frankenstein (1931) e A Noiva de Frankenstein (1935)A Filha de Drácula (1936)3. ADAPTAÇÕES LITERÁRIAS“A Assombração da Casa da Colina”PsicoseO Silêncio dos Inocentes e Dragão VermelhoFome de ViverHellraiser + Cabal: Raça das Trevas + Livros de Sangue4. ANOS 1970 E 1980The Rocky Horror Picture Show (1975)Vestida para Matar (1980)Acampamento Sinistro (1983)Os Garotos Perdidos (1987)Entrevista com o VampiroA Hora do Pesadelo 2 (1985)5. HORROR QUEER HOJE: RESSIGNIFICAÇÕESGarota InfernalAlta Tensão (2003)The Retreat / Lutar ou Morrer (2021)Faca no Coração (2018)Freaky (2020)Titane (2021)Morte, Morte, Morte (2022)As Boas Maneiras (2017)Verão Fantasma (2022)trilogia Rua do Medo (2021)Sugestões de livros:Sangue Raro – Lucas SantanaCinderela Está Morta – Kalynn BayronEu que nunca conheci os homens – Jacqueline HarpmanO corpo dela e outras farras – Carmen Maria MachadoA Queda da Casa Morta – T. KingfisherO chalé no fim do mundo – Paul TremblayFãs do Impossível – Kate ScelsaA Criatura do Jardim – Noah MedlockLISTAS ESPECIAIS DA ESTANTE VIRTUAL:Campanha Orgulho: https://www.estantevirtual.com.br/lst/orgulho-na-literaturaCampanha de Horror: https://www.estantevirtual.com.br/lst/livros-de-terror-e-sobrenaturalLiteratura Trans: https://www.estantevirtual.com.br/lst/literatura-transLivros que viraram filmes: https://www.estantevirtual.com.br/lst/livros-que-viraram-filmes Livros que viraram séries: https://www.estantevirtual.com.br/lst/livros-que-viraram-seriesoUTRAS CITAÇÕES:Filmes:Queer for Fear: The History of Queer Horror (2022)O Babadook (2014)Matadores de Vampiras Lésbicas (2009)Atração Mortal (1970)Luxúria de Vampiros (1971)As Filhas de Drácula (1971)A Noiva! (2026)Desafio do Além (1963)A Mulher Oculta (1938)Festim Diabólico (1948)O Silêncio dos Inocentes (1991)Raça das Trevas (1990)Fome de Viver (1983)Entrevista com o Vampiro (1994)Scream, Queen! A Hora Do Meu Pesadelo (2019)Chucky (2021 – 2024)O Filho de Chucky (2004)Outros livros:Morto Até o AnoitecerO Silêncio dos Inocentes: Entre Cordeiros e MonstrosChucky: o Legado do Brinquedo AssassinoSiga o RdMYoutube: https://www.youtube.com/c/Rep%C3%BAblicadoMedoInstagram: @republicadomedoTwitter: @RdmcastEntre em contato através do: contato@republicadomedo.com.brLoja do RdMConheça nossos produtos: https://lojaflutuante.com.br/?produto=RdmPODCAST EDITADO PORFelipe LourençoESTÚDIO GRIM – Design para conteúdo digitalPortfólio: https://estudiogrim.com.br/Instagram: @estudiogrimContato: contato@estudiogrim.com.br
Abertura dos trabalhos na Amorosidade
A Cleide cresceu na roça, foi mãe solteira aos 17 anos, enfrentou o preconceito e chegou a ser expulsa de casa com a filha pequena nos braços. Após recomeçar ao lado do Pedro e formar uma família com 3 filhos, ela perdeu o marido na véspera de Natal e mais uma vez estava sozinha com as crianças. Anos depois, ela enfrentou um diagnóstico de um câncer no rosto, mas venceu mais uma batalha com fé e determinação! Hoje aos 67 anos, ela vive em paz, cercada pela família e por um novo amor com o João.
"No Yogurt for the Dead", de Tiago Rodrigues & NTGent, esteve no Grand Palais, em Paris, de 18 a 20 de Junho. A peça foi escrita pelo dramaturgo e encenador português a partir dos últimos dias do pai, o jornalista Rogério Rodrigues, e do bloco de notas que ele deixou com a frase “Os mortos já não comem iogurte”. Esta é uma peça íntima e universal sobre um filho que se despede do pai com uma obra de arte. Este é também “um ensaio - colectivo - perante o adeus”, nas palavras da actriz Beatriz Brás, com quem fomos falar, na última noite no Grand Palais. Depois de ter dado volta ao mundo e estreado há mais de um ano na Bélgica, a peça “No Yogurt for the Dead”, do também director do Festival de Avignon, esteve, durante três noites, no majestoso Grand Palais, em Paris. Ao centro, uma pequena montanha branca, duas camas de hospital, quatro actores, duas barbas, um caderno, alguns cigarros, umas centenas de espectadores e telhados de vidro monumentais a cobrirem toda a cena. Ali se passou do riso ao pranto, do canto ao silêncio. Um ritual colectivo de despedida ou, como nos diria, depois, Beatriz Brás, uma espécie de “ensaio da despedida” de nós próprios e dos nossos entes queridos. Depois da homenagem à avó Cândida em “By Heart”, depois de um poema de amor à companheira em “Le Choeur des Amants”, depois da evocação poética à filha em “ La Distance”, em “No Yogurt for the Dead” o público de Tiago Rodrigues regressa a um lugar que já lhe é familiar. O título da peça, “No Yogurt for the Dead”, vem de um caderno de Rogério Rodrigues (“Barba Longa” no espectáculo) que o filho (“Barba Curta”) lhe levou, a seu pedido, para escrever uma reportagem sobre o que se passava no hospital. “A sua última reportagem”. No final, o caderno praticamente só tinha essa frase. Uns tempos depois, nascia o espectáculo, algures entre entre ficção e diário íntimo, entre peça de teatro e reportagem cantada pelas vozes de Beatriz Brás, Manuela Azevedo e Lisah Adeaga, acompanhadas pela guitarra discretamente omnipresente de Hélder Gonçalves. Aproveitámos a passagem por Paris desta peça para conversarmos com uma das actrizes, Beatriz Brás que, com Manuela Azevedo, vai trocando de barbas e vestindo a pele de um pai e a de um filho. RFI: Como é que nos poderia descrever esta peça? Beatriz Brás, Actriz em “No Yogurt for the Dead”: “É uma peça sobre a mortalidade e sobre como é que nós resolvemos e fazemos as pazes com a partida de alguém, com a nossa própria partida também. Muitas vezes, quando vemos partir alguém, o adeus não foi preparado. Eu acho que esta peça é sobre a preparação para esse adeus, o facto de esse adeus nunca ser perfeito e um bocado fazer as pazes com o facto de sermos humanos. Erramos, mas, no fundo, há a possibilidade de, através da arte, nos despedirmos, através da poesia, através da arte, neste caso deste espectáculo que o Tiago, apesar de ele dizer muitas vezes que isto não é um espectáculo sobre o pai e sobre ele, ou seja, só sobre ele e sobre a história dele com o pai, acaba por ser uma maneira, a meu ver, de ele fazer as pazes com a turbulência que foi a relação deles e que a doença do pai permitiu dar um fim diferente e que este espectáculo também vem dar um fim diferente.” É uma história íntima, mas também universal? “Exactamente. Eu acho que todos nós nos revemos neste ensaio perante o adeus. Isso é a primeira coisa. E também aquilo que eu estava a dizer há bocado: o adeus nunca foi preparado e então parece que ensaiamos na nossa cabeça como é que poderá ser este fim? E na questão da turbulência também acho que há relações familiares complicadas, que nos desafiam - a maioria delas, diria até. Então, eu acho que é uma coisa que o Tiago, ao falar do pai dele, possibilita-nos a nós de também nos vermos naquela história.” A Beatriz interpreta os papéis do pai e do filho. Como é que vestiu toda essa carga simbólica? “Bom, essa carga simbólica nunca lá esteve. Da parte do Tiago, ele sempre nos aligeirou esse peso, do género: ‘Isto não tem de ser uma coisa sobre mim, não sintam demasiado pudor com a história por ser uma coisa pessoal'. Portanto, ele tentou sempre retirar qualquer tipo de peso. Mas é claro que há essa herança, essa questão de ser uma história pessoal e o facto de trocar os papéis é um pouco um exercício de se pôr no lugar de um e no lugar do outro a meu ver. Foi um exercício que surgiu muito naturalmente.” Já estava escrito ou foram vocês que criaram? “Não. O Tiago escreve sempre durante o processo. É uma qualidade dos processos de criação do Tiago, o que é óptimo para nós porque nos dá imensa liberdade para propor coisas e para o espectáculo se ir inventando ao longo do tempo. Portanto, como ele não sabia bem quem é que ia desempenhar o Barba Longa, o Barba Curta, o Tiago ou o Rogério, íamos experimentando, entre eu e a Manuela [Azevedo], até que: ‘E se fôssemos trocando estes papéis?' E ficou assim esta troca de papéis também um bocadinho à boleia desta questão do ensaio, não é? Ora tu fazes de mim, ora eu faço de ti. Vamos lá experimentar o que é isto de fazer uns dos outros e de se pôr nos sapatos uns dos outros'. E foi assim que ficou.” A própria peça é um ensaio. Não sabemos se estamos numa reportagem cantada, se estamos numa peça de teatro... “Pois, isto é uma reportagem sobre o final da vida do Rogério. É uma reportagem que tem tanto de ficção como de documental. Como a própria Lisa, a narradora da história, diz no início: ‘é uma reportagem que está sempre a deambular entre o teatro e o jornalismo'... E o diário íntimo? “E o diário íntimo. Não sabemos aquilo que é verdadeiro ou não. Mas claro que muitas das coisas são inspiradas na vida real do Tiago e da relação com o pai dele, da vida do pai dele, a Teresa Torga, todo aquele artigo que é lido e tudo o mais, as canções, o poema escrito pelo pai do Tiago. Portanto, há muita coisa que é real, que é verdadeira, mas há muita outra que também é ficcional e que eu acho que também é um bocadinho a qualidade dos espectáculos do Tiago, ele gosta sempre de misturar, gosta sempre de desafiar os limites daquilo que é a ficção.” Temos teatro, temos jornalismo, temos música. Qual é o papel da música nesta peça? A música que só se cala mesmo no fim porque há sempre as notas da guitarra eléctrica e as vossas vozes... “Sim. Isto não era para ter tanta música, este espectáculo. Não, de todo. Até que chegámos a um momento em que a Manuela canta a Teresa Torga e experimenta ir para cima da montanha e o Tiago diz: ‘Bom, a partir de agora isto tem de ser um musical'. E começa a escrever a pensar em musicar as letras. O Hélder foi para as férias de Natal muito preocupado porque tinha de criar as músicas para Janeiro, que foi a estreia [2025]. A música não era para ter um impacto tão grande, mas acabou por se revelar muito importante. E também acho que serve um bocado este imaginário das alucinações, do caminho até à morte, de um caminho solitário, meio deambulatório, onde há fantasmas e figuras da morte que nos visitam, figuras do passado, figuras do presente. E tudo se mistura. A lucidez começa a ficar um bocadinho mais... Bom, a própria ficção começa a entrar na realidade, se quisermos. E, portanto, acho que a música serve não só para dar um tom meio melancólico ao espectáculo -e doce ao mesmo tempo, uma melancolia doce, eu diria - mas também para dar corpo a este lado mais fantasmagórico e de alucinação e do desconhecido que é a morte, na verdade, e que nos toca a todos.” A Beatriz canta também “Com que voz”. Como é que surgiu este fado na peça? “Bem, eu já não me recordo sinceramente como é que isto surgiu. O Tiago sabe que eu gosto muito de cantar fado...” Já cantou em “Na Medida do Impossível”... “Exactamente. Bom, falamos que a Teresa Torga era fadista, que gostava de cantar fado e acho que todo esse imaginário já lá estava. Este é um fado que o Tiago gosta muito e acabou por surgir a ideia de aparecer este fado também como imaginário do próprio Rogério, não é? O Jacques Brel, o fado, são tudo repertórios que ele gostava e que acho que servem o espectáculo e que servem estas figuras, estes tais fantasmas que o vão visitando no hospital.” Inclusivamente aparece um adufe que é da música tradicional de Trás-os-Montes... “Exactamente porque o Rogério era de Trás-os-Montes e a Manuela, a uma dada altura, propôs trazer este instrumento que é tradicional de lá, então, fez todo o sentido. Também acho que é uma peça muito portuguesa, com muitas referências portuguesas, e na música também está presente.” A peça é portuguesa, mas o título é “No Yogurt for the Dead”. De onde vem este título? E porquê em inglês? “Porque o próprio Rogério escreveu ‘No Yogurt for the Dead' no seu caderno. Esse tal caderno onde só existem rabiscos. Curiosamente, o Rogério tinha escrito em inglês e foi assim que ficou.” Qual é a história do iogurte? “Como o próprio espectáculo conta, o Rogério não gostava de iogurtes. O próprio título da reportagem que ele escolheu foi ‘No Yogurt for the Dead'. Esta questão do iogurte é uma nova paixão que o Rogério teve no hospital e que só começou a gostar quando estava no hospital e, portanto, é quase como uma metáfora para a sua nova personalidade no hospital, porque foi também no hospital e foi através da doença que se possibilitou uma reaproximação com o filho, com os entes queridos dele. É quase como ele próprio diz – ‘Pareço um miúdo, só quero dar amor e beijinhos. Já não me reconheço e gosto de iogurtes. Eu que nem gostava de iogurtes.' Portanto, é como se surgisse uma nova personalidade no Rogério, que, para quem vê, para quem observa, também deve ser estranho, não é? Quando o Tiago, o ‘Barba Curta', diz: ‘Não pareces tu, pai', há uma certa estranheza. O que é que é isto agora? Mas acho que também é essa nova personagem que ele tem no hospital e que gosta de iogurtes, que permite escrever um novo capítulo para a sua despedida.” Até que ponto é que esta peça sugere que contar histórias é uma tentativa de vencer a morte? Até porque ele morre várias vezes durante a peça... “Eu não sei se é uma tentativa de vencer a morte, não sei se é resistir à morte. Sim, talvez. Não diria resistir, no sentido em que não a podemos combater, é uma inevitabilidade, mas transforma sim, isso sim há resistência, porque transforma a maneira como nos relacionamos com ela, a maneira como a memória é criada deste pai, por exemplo. Ele está a transformar a memória que tem do pai ao escrever de outra maneira a sua partida, ao inventar novas maneiras da sua partida. E então penso que é uma maneira de apaziguar a dor, talvez, ou de, pelo menos, partilhar a dor com o público e de dizermos: ‘Ok, estamos todos aqui. Às vezes, a coisa não corre bem. Às vezes, é imperfeito, mas todos nos identificamos que há sempre uma caneta preta por trazer.' É a tal caneta preta que o Tiago traz no fim, isto é, no sentido em que há sempre uma coisa que poderia ser dita e nós todos nos relacionamos com isso, mas ao pô-lo em palco, talvez nos sintamos mais acompanhados nessa melancolia, nessa partida.” Em vez de uma entrega total à saudade e à tragédia tão portuguesas, há ali muito humor. O que é que o humor também traz a esta despedida? “Eu acho que o humor é essencial neste espectáculo porque senão seria uma coisa muito triste e muito insuportável. É uma das características dos espectáculos do Tiago é este balançar entre a tragédia e o humor. Ele fá-lo muito bem porque é sempre para aguentarmos a próxima facada, digamos assim, a próxima dor, é preciso respirar, rir um bocadinho. Toda a tragédia tem uma certa possibilidade de riso. Eu acho que o humor traz uma certa esperança à dor. Eu acho que é essa a nota final que fica. É claro que há dor, claro que há sofrimento, mas podemo-nos também rir disso e, em conjunto, z sorrir perante a partida de alguém, perante o vazio.” Vamos agora à nossa despedida. Trabalha com o Tiago Rodrigues há algum tempo, fez também com ele ‘Na Medida do Impossível'. Como é trabalhar com o director do Festival de Avignon e correr mundo fora com as peças que criou com ele, ele que tem tanto amor pelas palavras, pela liberdade artística e também, penso eu, vo-las dá? “É um prazer enorme trabalhar com o Tiago. Cada vez que trabalho com ele, como eu disse, a escrita é feita durante o processo de criação, portanto, isto dá muita liberdade aos actores. Ele convoca-nos para a própria criação, portanto, eu que tenho um passado em que criei a minha própria companhia e tudo isso, revejo-me muito nisso, identifico-me muito com esse método de trabalho em que todos estamos a contribuir para a criação. O Tiago tem sempre, apesar do estatuto de director do Festival de Avignon - que claro, está sempre muito ocupado e com as suas mil tarefas e mil emails por responder - a verdade é que ele preserva sempre uma leveza que eu invejo. É uma leveza de fazer do teatro a coisa mais fácil do mundo. Estamos a uma semana de estrear, ainda falta texto e ele diz: ‘Temos imenso tempo, uma semana é imenso tempo, podemos mudar o espectáculo todo!'. Claro que ele diz isto em tom de brincadeira, mas a verdade é que ele preserva sempre este sentido de humor, esta leveza perante o que estamos a fazer e, sobretudo, eu sinto que ele confia muito nos actores e na equipa com quem trabalha. Aliás, ele próprio diz, muitas vezes, que, mais do que ser um bom actor, ele chama pessoas com quem ele gosta de estar. Eu acho que isso se sente nos espectáculos dele e no processo. São também leves, como esta música, que é este tom melancólico, sorridente. Eu acho que também foi assim. E doce. Acho que também são assim os espectáculos e os processos de criação do Tiago.”
Você já sentiu que suas forças e contatos esgotaram e a única saída era a fé? Neste episódio do canal Dedé Melo, recebe Pedro Franco, fundador da InChurch, para um testemunho forte de fé que vai transformar sua visão sobre negócios e ministério.DEVOCIONAL PROFÉTICO PARA EMPREENDEDORES:https://empreendendonoreino.com/devocionalprofetico/Inscreva-se no canal - @Canaldedemelo Pedro revela os bastidores de como "Deus abriu uma porta impossível" quando todas as portas do mercado pareciam fechadas. Descubra como aprender a depender de Deus pode levar seu projeto a níveis que o networking humano jamais alcançaria.Neste vídeo você vai ver:A história real com Deus por trás da maior startup cristã da América Latina.O segredo de quando Deus surpreende e faz o impossível acontecer.Por que não é pela força, mas pela graça e direção do Espírito Santo.Como manter Deus no controle de tudo em meio aos desafios do empreendedorismo.Se você precisa de um milagre na vida real ou de uma direção para o seu chamado, este vídeo é para você. Não é sobre capacidade, é sobre disponibilidade.
O Knicks conseguiu o que parecia impossível. A maior virada em um playoff da história. Se você assistiu só até o intervalo do jogo e foi dormir, certamente levou um susto ao acordar. Impossível imaginar como o Knicks havia vencido o jogo quatro e agora está a apenas uma vitória do título da NBA. Mas se vamos falar de título, precisamos começar com quem tem 5 títulos consecutivos e é o maior campeão do basquete nacional. Franca não deu chance para o Pinheiros e mostrou saber dominar bem o ímpeto e o ritmo do time da capital. Além disso, não ajudou nada a mão do Pinheiros não estar nos melhores dias nestes jogos. Mesmo assim, não parece que o Franca daria chance. Todos os finais de jogo da série era possível ver a força imensa que o Pinheiros fazia para se manter no jogo, e como o mental parecia cobrar demais nas tomadas de decisão. No fim, mais uma vez Franca, que tem agora o que chamam de Dinastia, ou de Era, na NBB. Parabéns ao time francano. Já na NBA, as conversas todas giram em torno do final do jogo e da bola incrível que o Anonuby conseguiu recuperar faltando 1.2 segundos de partida, para virar mais uma vez o jogo e garantir a vitória do Knicks. Mas no meu ver é impossível falar de uma virada de 29 pontos se você não falar como o Spurs perdeu este jogo. Porque um time que abre tanto o placar assim só perde errando muito, e jogando muito mal. E o Spurs conseguiu fazer isso. Não é segredo para ninguém que acompanhou a pós temporada do time do Texas que o time varia muito durante o jogo. Tem momentos de profundo controle seguidos de apagões terríveis. As vezes o time se recupera a tempo e vence o jogo, outras não volta mais. Contra o time de Nova York neste quarto jogo, pareceu que a distancia era tanta que mesmo com apagões multiplos não seria possível perder. Mas o que da para sentir no fim é que o Spurs, este Spurs, não ta pronto ainda. E isso fica claro nas escolhas do técnico, no posicionamento dos principais jogadores e, especialmente, na cabeça deles nestes momentos decisivos. No jogo quatro, ter o Wemby marcando perto do meio da quadra faltando 8 segundos e deixando o garrafão livre para o lance o OG demonstrou isso. E a escolha de jogada do técnico para a jogada de 1.2 segundos, saindo da lateral no meio campo e tendo um jogador de 2,27 em quadra, também. No final, Nova York explodiu em alegria, o que sempre é maravilhoso de ver em esportes. E com razão devem comemorar. Estão a uma vitória do título. O engraçado é que o Knicks ganhou também a Copa NBA desta temporada e, justamente, em cima do Spurs! Na época um time que era zombado por não estar nem perto do potencial que todos imaginavam. Agora, a uma vitória do título da NBA. E depois de perder a partida que ganhava por 29 pontos, com que mental chegará o Spurs para o próximo jogo. Enquanto nova yorkinos chegarão com a confiança lá em cima, os texanos estarão destruídos e vão precisar de muita conversa e muito preparo para tentar reverter o que só o Cavs de Lebron fez, estar perdendo uma final por 3 a 1 e virar. Falamos claro, da semana da W, com a Kamilla e Damiris chegando a marcas incríveis, e com o buzzer beater da Caitlin Clark. E também da semana da LBF, com vitórias absurdas e um jogão de times que estão de olho no título. Teve muito assunto, então não perca tempo e comece bem o seu final de semana clicando no play!
⏱️ Capítulos do vídeo00:00 A Regra dos 90 Dias01:26 A Mentalidade dos 90 Dias03:10 O Dia 43 — O Ponto de Inflexão04:37 Fase 1 (Dias 1 a 30) — Organize suas Finanças07:40 Fase 2 (Dias 31 a 60) — Reserva de Emergência + Estudo08:25 Reserva de Emergência: quanto você precisa ter09:27 Onde guardar sua reserva de emergência10:52 Fase 3 (Dias 61 a 90) — A Escada do Investidor11:52 Renda Fixa — O primeiro degrau13:34 FIIs — O segundo degrau14:34 Ações — O terceiro degrau15:08 Exterior — O quarto degrau15:40 Conclusão16:49 RC Wealth e RC Club
A equação do milagre: pare de olhar para o impossível e comece a crer! - Zuleica Messias by Verbo da Vida Sede
Dia 07, live 1066 | Culto Dominical I.P. Maranata, uma exposição em Romanos 4.18-25Entrega da Boa Notícia de Jesus Cristo ao mundo de hoje. | #evangelho #jesuscristo #novotestamento A FÉ QUE VENCE O IMPOSSÍVEL | Rm 4.18-251. Esperar contra a esperança; 18-202. Certeza da promessa; 21,223. Justificação pela fé; 23-25
» Sábado» Holy» Tema: Até Que Seja Impossível Negar» Pregador: Sem. Daniel Oliveira» Data: 30/05/2026#IBAlameda #Alameda #juventude----------------------------------------------------------------------Nossos Cultos Online:► Libertação: SEXTA, às 20h► Juventude: SÁBADO, às 19h► Celebração: DOMINGO, às 10h e 18h30Acompanhe nossas Redes Sociais:► Facebook: / igrejabatistaalameda ► Instagram: / igrejabatistaalameda ► Youtube: / igrejabatistaalameda ► Site: https://igrejabatistaalameda.com.br/
Tanya 13 Sivan Cap 4Parte 2-É impossível entender a condensação divina,assim como seu poder criativo
Jurandir Filho, Rogério Montanare, Thiago Siqueira e Fernanda Schmölz batem um papo nostálgico sobre o ano de 2006 nos cinemas!! Esse podcast é mais uma edição da série We Have to Go Back, onde voltamos no tempo e revisitamos os grandes filmes de um ano específico. Além disso, é um programa nostálgico, pois relembramos os acontecimentos desse ano, as músicas, as evoluções tecnológicas, as curiosidades, os costumes e muito mais!!Falamos sobre "À Procura da Felicidade", "Piratas do Caribe - O Baú da Morte", "Os Infiltrados", "O Diabo Veste Prada", "Rocky Balboa", "Carros", "007 - Cassino Royale", "O Labirinto do Fauno", "300", "Missão Impossível 3" e muito mais.==- OFERECIMENTO | Tem lançamento que a gente gosta de verdade, e esse é um deles. A xícara vermelha de Pilão já está disponível. A combinação ideal para maratonar filmes e séries com café forte de verdade. Garanta a sua agora: https://bit.ly/49tSgjj
Finalmente terminei de assistir aos filmes das maluquices do Ethan Hunt e resolvi comentar brevemente sobre eles, sem grandes spoilers, e fazer um ranking da franquia, que eu gosto bastante, por incrível que pareça.Me sigam no Instagram @filme.da.semanaBluesky @lalarilandContato: podcastfilmedasemana@gmail.com
Programa - ENCONTRO COM O PASTOR - Santa Rita de Cássia, intercessora das famílias e das causas impossíveis - 23/05/2026
Aumento de preço do Switch 2, anúncio de (outro) remake de Star Fox, The Division 2, Good Luck Have Fun Don't Die, expectativas de filmes, Ray Gunn, Flesh of the Gods, Send Help, Contos da Cripta, Supernatural, The Boys, Rocky Horror Picture Show na Broadway, Missão Impossível O Acerto Final, Speed Run de Cientologia, Série de tv Velozes e Furiosos, Toretto's Drag Drag Race, Final Fantasy XIV, Far Cry Primal, The Division, Ubisoft, Mixtape, Capcom.Todos os links do godmode agora estão organizados aqui - https://linktr.ee/godmode.podcastSe for mandar email reclamando - contato@godmodepodcast.com
“O impossível só continua impossível até Jesus dizer: VENHA.”“Quando a Palavra de Jesus me chama, eu não preciso entender o vento, só preciso confiar nAquele que me sustenta sobre as águas."
Enquanto o pacote laboral avança para negociação parlamentar após o impasse na concertação social, o Governo tenta encontrar margem de acordo com o Chega, num xadrez político onde férias e banco de horas surgem como possíveis moedas de troca. José Eduardo Martins considera que “não há outro remédio senão negociar” com um partido que “quer sempre o impossível”, Pedro Delgado Alves defende que o Chega age por puro oportunismo, “navegando a crista da onda” sem convicções profundas. No caso das torturas na esquadra do Rato, o ministro da Administração Interna é elogiado pela sua gestão, mas o debate potestativo marcado pelo Chega gera críticas: para José Eduardo Martins, o partido tentou “branquear os polícias criminosos” num movimento preocupante para a democracia. No Reino Unido, as eleições autárquicas agravam a crise do governo de Keir Starmer, com o Reform UK, de Nigel Farage, a vencer no País de Gales após 27 anos de domínio trabalhista. Pedro Delgado Alves alerta que o fim de linha para o primeiro-ministro britânico não significa necessariamente o fim do governo nem eleições antecipadas. Ouça a análise dos comentadores no Antes Pelo Contrário em podcast, emitido na SIC Notícias a 14 de maio. * A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa Para ver a versão vídeo deste episódio, clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.
A história de uma família que tentou voltar a casa, no Líbano, debaixo dos ataques mortíferos de Israel. Uma crónica de Francisco Sena Santos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Assaltaram-me o carro, pedir um americano é impossível, pão pão queijo queijo - Fora da Lei #291 by Tiago Almeida
Não há nada Impossível para O Senhor!
O impossível é a especialidade de Deus!
Nem todo sentimento leva à construção.Existem relações que emocionam — mas não sustentam.A Torá revela que o amor, para ser verdadeiro, precisa de direção, base e continuidade.Sem isso, pode se tornar conflito, ruptura e perda de identidade.Entender os limites é o que permite construir algo que realmente permaneça.CURTIU A AULA?FAÇA UM PIX RABINOELIPIX@GMAIL.COM E NOS AJUDE A DARMOS SEQUÊNCIA #AmoresImpossíveis #Amores #Torah #Judaísmo #VidaJudaica #TempoSagrado #TorahLife #Casamentos #Casamentomisto #SabedoriaJudaica #Chassidut #EspiritualidadeJudaica #NovoMes #EnergiaNova #luanova #chodesh #levana #mitzva #mitsva #613
29 DE ABRIL DE 2026 - QUARTA Ref.: Números 27.1-8
Eu a considero muito interessante. Primeiro pela ideia do impossível. O impossível pra nós refere-se àquilo que não tem solução. É a doença sem cura, o problema sem solução.Dizer que Deus pode mesmo diante desse quadro, é reconhecer que a intervenção divina anula a lógica, quebra as leis naturais que conhecemos e transforma a realidade, por mais inacreditável que isso possa parecer.Veja o que diz o Salmo 68 no verso 6: "Deus faz com que o solitário more em família; liberta os cativos e lhes dá prosperidade; só os rebeldes habitam em terra estéril."O salmista dá dois exemplos: a constituição de uma família para aquele que está sozinho, e a transformação de escravos em senhores de suas próprias vidas. Dois aspectos completamente diferentes, mas que atingem o "impossível" na cabeça do salmista.O salmista fala a partir de sua própria experiência. Certamente ele já observou outros casos "impossíveis" serem resolvidos. E a partir disso ele acredita que o impossível não seja algo difícil ou improvável.E você? Já viu o impossível se tornar possível? Para Deus, não há impossíveis.
Abertura dos trabalhos na Amorosidade
IGOR GUEDES e RODRIGO CÁCERES são humoristas e imitadores, e LORD VINHETEIRO é pianista clássico. Eles vão bater um papo sobre alguma coisa que ainda não sabemos, mas seguramente vai ser engraçado. Já o Vilela presenciou a primeira risada humana.
Lamentação pela vida que não têm mais e sensação de pressão constante estão entre razões apontadas por mulheres que disseram à BBC estarem arrependidas de se tornarem mães.
Um F-15E Strike Eagle abatido nas montanhas do Irã. Dois tripulantes ejetados em território inimigo. Um coronel americano escondido numa fenda de rocha a 2.100 metros de altitude, enquanto a Guarda Revolucionária oferece 60 mil dólares pela sua cabeça e vasculha cada vale das montanhas Zagros.O que aconteceu nas 48 horas seguintes é uma das operações de busca e resgate mais complexas já conduzidas pelos Estados Unidos — e envolveu CIA, SEAL Team Six, uma pista agrícola abandonada transformada em base avançada, aviões destruídos de propósito, ataques aéreos israelenses coordenados e uma campanha de desinformação para enganar o comando iraniano em tempo real.Neste vídeo, reconstruímos passo a passo como o piloto foi localizado, como os operadores entraram no Irã, por que dois MC-130J e quatro MH-6 Little Bird tiveram que ser destruídos dentro do território inimigo, e o que essa operação revela sobre o verdadeiro estado da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.Porque por trás do "WE GOT HIM!" postado por Trump, existe uma história que expõe tanto a sofisticação das forças especiais americanas quanto as rachaduras na narrativa de domínio aéreo absoluto que a Casa Branca vinha vendendo desde o início do conflito.
O episódio desta semana do podcast Diplomatas voltou a centrar-se nos últimos desenvolvimentos da guerra no Médio Oriente, entre Estados Unidos e Israel, por um lado, e o Irão, pelo outro. Teresa de Sousa e Carlos Gaspar debruçaram-se sobre os planos não-oficiais da Casa Branca e do regime iraniano para pôr cobro ao conflito, lembraram as conclusões do Conselho Europeu da semana passada sobre o mesmo e reflectiram sobre os objectivos estratégicos de Israel, nomeadamente no Líbano. A jornalista do PÚBLICO e o investigador do IPRI-NOVA olharam ainda para os efeitos da intervenção militar norte-americana no Irão na corrida republicana à sucessão de Donald Trump, em 2028, que deverá ser travada entre J.D. Vance e Marco Rubio. O final do podcast foi dedicado à análise dos resultados do referendo à Justiça em Itália e da segunda volta das eleições autárquicas em França, na antecâmara das respectivas legislativas e presidenciais de 2027. Se tiver alguma pergunta para Teresa de Sousa e Carlos Gaspar ou sugestão de tema para debate no Diplomatas, envie um email para antonio.lima@publico.pt ou podcasts@publico.pt. Texto de António Saraiva LimaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Gonzaguinha cantou - quando ele canta, ele também conta assim:"E é tão bonito quando a gente entendeQue a gente é tanta gente onde quer que a gente vá."Nesse episodio do Boia, Bruno Bocayuva, João Valente e Júlio Adler trocam ideias com Marcello Serpa, um dos diretores de arte mais premiados do Brasil.Não é por acaso que a expressão troca de ideia foi escolhida, afinal todo mundo aqui vive um pouco disso.Os temas derivaram entre cenas épicas do Robert Duvall, surfe solitário, hino do America, Charlize Theron, lápis mordido e o preço de morar no Havaí.A trilha foi de Yeasayer com 2080, Shawn Lee's Ping pong orchestra com uma versão Ride of the Valkyries do Wagner, Paulinho da Costa com Berimbau Variations e Gaudi com Bach @ Liszt (Bucket List)
Não faltam palavras para definir Tadej Pogacar. O maior ciclista da atualidade segue empurrando os limites do esporte e o posto de GOAT é cada vez mais próximo. Quem poderia imaginar que a comparação com Eddy Merckx é agora muito pertinente? Sua vitória na Milão-São Remo entra para os anais dos grandes momentos do esporte. Em todos os aspectos: drama, rivalidade, superação, técnica e watts...muitos watts. No RADIO essa é a pauta principal, mas a resenha segue firme com a prova feminina, dominada pela SD Worx, desta vez, com Lotte Kopecky. Tem o Pan de Ciclismo, as outras provas europeias, o ciclismo brasileiro e muito mais. Comece a semana com o melhor do ciclismo no Gregario Radio.
Impossível ficar parado !
The Montreal hip-hop trio Muzion were pioneers of the Quebec rap scene in the late 1990s and early 2000s. The group was known for bringing their Haitian roots to the world stage, mixing French, English and Haitian Creole into their music. For Black History Month, Canada Post recently unveiled special edition postage stamps to honour Muzion and other Canadian hip-hop artists that have helped shape the genre. Two of the members of Muzion — Jenny Salgado and Stanley Salgado (better known as Imposs) — join guest host Garvia Bailey to tell us why this moment means so much to them, and to talk about Muzion's enduring influence.
CULTO DE CELEBRAÇÃO I Marchando para Dentro do Impossível I 08.02.26 - Sérgio Santos by Renovada Internacional
Saudações, ouvintes apaixonados por locução. Está NO AR o 102º podcast VOZ OFF! Neste episódio, Antônio Viviani e Nicola Lauletta conversam com mais uma grande voz do rádio. Nascido em São Paulo, no Tatuapé, bairro da Zona Leste, próximo ao centro da Capital, o nosso entrevistado começou sua carreira como DJ, nos bailes da periferia até que conheceu Leon Santos, locutor da Rádio Tupi na época, que o indicou para trabalhar numa rádio em Santos, a Rádio Anchieta, que tinha estúdios na Praia Grande e Itanhaém, todas na Baixada Santista.. Depois, foi indicado para trabalhar no Projeto Verão, uma iniciativa da Jovem Pan AM, que transmitia diretamente do litoral paulista, em 3 frentes de trabalho, e ele ficava na Praia Grande. Por ser uma pessoa sempre disposta a encarar novos desafios, depois dessa experiência na Jovem Pan, ele mudou muito de emissora, passou a fazer programação, dirigir as rádios, e mudou muito de cidade também. Nosso convidado neste episódio é um multi talentoso locutor, produtor, programador, empresário e diretor, não só de rádio, mas também de outras empresas de comunicação. Impossível traçar uma linha do tempo de sua atuação nos meios de comunicação. Só ouvindo nosso papo mesmo, onde até brincamos que ele teve uma carreira que poderia ser batizada de pingue-pongue. Quem vai contar essa sua história de sucesso é Mauro Brandão. A conversa aconteceu em fevereiro de 2026 e você vai ficar sabendo que nesta edição, voltamos a homenagear no final, mais um grande nome da locução e da dublagem, e que não havíamos citado no episódio #100 do Voz Off, o talentoso Hamilton Ricardo. Com a gente, e pra vocês: MAURO BRANDÃO! Para seguir nas redes sociais:- Curta a página do podcast Voz Off no Facebook- Siga o @podcastvozoff no Twitter- Curta a página do Antonio Viviani no Facebook- Siga o @antonioviviani no Twitter- Siga o @antonio.viviani no Instagram- Siga o @nicolalauletta no Twitter- Curta a página do Echo's Studio no Facebook- Curta a página do Workshop de Locução Voz A Obra no Facebook- Ouça também o podcast TEXTO SENTIDO com Antônio Viviani Assine o FEED do Voz Off:Para ouvir o Voz Off no seu agregador de podcasts preferido, clique aqui e assine o nosso FEED! Assine e avalie nosso podcast no iTunes:Se você usa o iTunes no seu computador, tablet ou smartphone, assine e avalie nosso podcast clicando aqui! Voz Off no Spotify:Caso prefira ouvir o Voz Off no Spotify, é só clicar aqui e assinar o nosso podcast no serviço de streaming! E-mails:Mande seu feedback pra gente através do e-mail podcastvozoff@gmail.com! Publicidade:Entre em contato e saiba como anunciar sua marca, produto ou serviço em nossos podcasts.See omnystudio.com/listener for privacy information.
COMO VIVER O IMPOSSÍVEL DE DEUS? | APÓSTOLO ESTEVAM HERNANDES by Igreja Renascer Em Cristo
Com Joana Azevedo
Sexta feira é para quem decidiu crescerE hoje você precisa lembrar de uma coisaNinguém vence alguém que não desisteComprometimento é atitudeE acreditar em você mesmo muda a forma como você enfrenta qualquer desafio
"O smart contract é como uma máquina de Coca-Cola: você coloca a moeda e sai a Coca. Se acontecer X, ele vai dar Y. Sem interação humana" - Fabiano Miranda No décimo episódio do Hipsters.Talks, PAULO SILVEIRA , CVO do Grupo Alun, conversa com FABIANO MIRANDA , CTO da Soul Up, sobre o uso real de blockchain nas empresas, smart contracts e como essa tecnologia está transformando programas de fidelidade. Uma conversa reveladora sobre blockchain além do hype, com aplicações práticas e um olhar para o impacto socioambiental. Prepare-se para um episódio cheio de conhecimento e inspiração! Espero que aproveitem :) Sinta-se à vontade para compartilhar suas perguntas e comentários. Vamos adorar conversar com vocês!
#624 - Quando o impossível se torna inevitável - Do Deserto à Promessa | JB Carvalho by JB Carvalho