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As terras-raras estão no centro da transição energética, da inovação tecnológica e da soberania digital, mas seguem desconhecidas para a maior parte das pessoas. São 17 elementos químicos essenciais para tudo o que move o mundo contemporâneo: celulares, carros elétricos, turbina eólicas, servidores que armazenam dados bancários e até tecnologias de biometria usadas na prevenção de fraudes. Embora não sejam tão “raras”, sua extração e, principalmente, o refino são complexos e concentrados em poucos países, o que cria riscos estratégicos para economias inteiras.No novo episódio do Febraban Podcast, mergulhamos no universo das terras-raras para entender por que esses minerais se tornaram tão críticos, e por que o Brasil, dono de quase um quarto das reservas mundiais, ainda não consegue transformar esse potencial em desenvolvimento tecnológico e industrial.Neste episódio, você vai descobrir:O que são terras-raras e por que são insumos críticos na atualidadeComo esses 17 elementos entram em energia limpa, semicondutores e defesaPor que o refino das terras-raras é um grande gargaloComo a China domina a cadeia de terras-rarasOs riscos geopolíticos da concentração do mercado de terras-rarasImpacto no mercado financeiro/bancos: chips, fibras óticas, satélites e infraestrutura digitalO potencial brasileiro de terras-raras, com projetos em Goiás, Minas Gerais e AmazôniaPor que o país precisa de política industrial, pesquisa e transferência de tecnologia direcionada para terras-rarasO poder de barganha do Brasil na disputa global por minerais críticosCom Paulo Feldmann (FEA-USP) e Francisco Valdir Silveira (Serviço Geológico do Brasil), sob condução de Mona Dorf (Febraban).Acompanhe o Febraban Podcast para novos episódios toda quinta-feira.FICHA TÉCNICA:Apresentadora e Editoria-chefe: Mona DorfSupervisão Geral e Co-apresentação: Carlos Cidra e Májory MarcelinoSupervisão e Produção: Bianca Braga, Julia Alcassa e Leandro LemellaRoteiro, edição e produção: Rachel Cardoso, Patrícia Travassos e Clovis TravassosEdição de vídeo: Leonardo Reali e Kris ArrudaVideomaker backstage: Kris ArrudaGravação: Supernova Cinematográfica
AMAZÔNIA, GEOPOLÍTICA E MUITO MAIS: o cara já foi ministro de tudo (Defesa, Esporte, Ciência e Tecnologia, Coordenação Política) e agora decidiu que quer a cadeira principal: Aldo Rebelo é pré-candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC) e é o convidado do programa desta quarta (11). Ele vem pra falar grosso sobre a defesa da Amazônia contra as ONGs gringas, debater o cenário político e ver se o curso online “como fazer sabatina fácil e rápido” deu resultado pra nossa bancada!
Projeto iguala benefícios tributários para todas as áreas de livre comércio da Amazônia e Senado pode aprovar em março novo Plano Nacional de Educação.
Defesa Civil - Boletim Previsão do Tempo para 08/03
¿Quieres saber cómo venden (de verdad) los que cierran sin perseguir a nadie?En este episodio tengo como invitado a Sergi San José para hablar de ventas con autoridad: de las que se cierran sin presión y sin desgastarte.Hablaremos de lo que hacen los "vendedores unicornio" y qué puedes aprender tú de la gente que siempre consigue grandes resultados.Y de «Calla y vende», su último libro (puedes encontrarlo en Amazón) y que te recomiendo desde ya.En el directo vamos a ver:→ Por qué vender persiguiendo, insistiendo y hablando de más destruye tu autoridad… y tus resultados.→ Cómo cambiar tu relación mental con el precio para vender sin presión (y sin rebajas).→ Qué hábitos mentales hacen que pases de sufrir vendiendo a disfrutar el proceso.Por cierto, ya he abierto mi agenda para dar charlas y conferencias para eventos y equipos de ventas. Aquí tienes toda la informaciónY aquí puedes conocer los servicios de mi patrocinador de esta temporada:El mejor hosting en español
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) participou, na manhã desta quarta-feira, 25, da solenidade de posse da nova Mesa Diretora do Parlamento Amazônico, realizada no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), em Rio Branco.O deputado estadual acreano Afonso Fernandes assumiu a presidência do colegiado para o biênio 2026/2027.
O cenário nas rodovias da Amazônia é crítico. Dezenas de caminhões permanecem enterrados na lama enquanto motoristas enfrentam dias de paralisia em estradas precárias. Paralelamente, o Brasil abriga a maior bacia hidrográfica do mundo, uma rota natural que poderia baratear o frete e escoar a produção com eficiência. Neste vídeo, analisamos a revogação do decreto federal que previa a concessão de hidrovias à iniciativa privada. Após pressões de grupos indígenas e ONGs estrangeiras — que incluíram bloqueios e invasão de terminais portuários — o Governo Federal recuou da proposta de modernização logística. Investigamos quem são os atores políticos por trás dessa decisão, o papel de ministros como Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, e como a insegurança jurídica afasta investimentos que poderiam reduzir o preço dos alimentos no supermercado. _______________
Editorial: Lula valida o quebra-quebra ao revogar decreto sobre hidrovias na Amazônia
Estamos vivendo um momento paradoxal no cinema. Ao mesmo tempo em que filmes brasileiros chamam a atenção do público e da crítica internacional, está difícil para se produzir cinema no país.“Temos um momento muito bom de visibilidade, mas não de produção ou de incentivo à produção", afirma Marina Person, cineasta e apresentadora a Gama. Ela é a entrevistada do Podcast da Semana, da edição sobre o atual momento do cinema brasileiro."O governo Lula não conseguiu ainda colocar de volta os tijolos na casinha do Ministério da Cultura, da Secretaria do Audiovisual, do fundo setorial. Os editais não estão acontecendo, o dinheiro não está saindo”, diz.“A gente tem muita coisa boa para mostrar, somos um país enorme, o único país da América Latina que fala outra língua. Tem uma música que é incrível, o carnaval, a Amazônia. Então o reconhecimento para mim é algo que você fala ‘bom, que bom que agora tão vendo'. Mas a gente já sabia”, ela diz no podcast.Person é roteirista, diretora, atriz e uma estudiosa do cinema. Ela acaba de voltar do Festival de Berlim, onde foi exibido o filme “Isabel”, protagonizado por ela. Também está viajando pelo Brasil para apresentar a cópia restaurada em 4K do filme “São Paulo Sociedade Anônima” (1965), escrito e dirigido por seu pai, Luis Sergio Person, há 60 anos. A cópia foi restaurada pela Film Foundation, instituto de preservação da memória do cinema de Martin Scorsese.Ao Podcast da Semana, a cineasta reflete sobre o atual momento do cinema nacional no exterior, sobre a corrida pelo Oscar e sobre as chances do Brasil no prêmio, além da importância de contar e preservar as nossas histórias brasileiras.Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
Há mais de 20 anos Celso de Freitas Andrade propõe aos parisienses pratos típicos da cozinha brasileira. Chef autodidata, ele é o dono do Gabriela, atualmente o restaurante brasileiro mais antigo da capital francesa, inaugurado em 2002. Agora, ele decidiu compartilhar essa aventura gastronômica no livro “Brasileiro”, publicado em francês no final de 2025 pela editora Solar. “Brasileiro” tem um formato e visual como os livros de receita de antigamente. A obra é colorida e ricamente ilustrada com fotos que dão água na boca. O livro traz 150 receitas tradicionais, de todas as regiões do Brasil, de entradas e coquetéis, a pratos principais e sobremesas. Mas “Brasileiro” também é um livro de memórias e histórias. Celso conta a sua trajetória e contextualiza os ingredientes e receitas e preparos essenciais da culinária brasileira. A história de Celso com a cozinha começou muito antes de Paris. Ele chegou à cidade em 1998, aos 21 anos, e logo foi contratado como comissário de bordo da Air France, o que lhe permitiu viajar pelo mundo. Demitido após os atentados de 11 de setembro, decidiu não procurar outro emprego. Aos 23 anos, teve o impulso de abrir seu próprio restaurante, inspirado pela infância passada entre panelas, receitas da mãe e da avó. "Eu sempre fui o neto mais guloso. Eu estava sempre na cozinha. Então, na hora que fui despedido, me deu um insight. Eu tinha 23 anos e falei 'não vou trabalhar para ninguém, eu vou abrir um restaurante. Foi uma emoção que veio, uma memória gustativa", lembra Celso já viajou por 19 estados brasileiros e aprendeu vendo, ouvindo e experimentando as receitas locais. “Meus professores foram as pessoas”, resume. Ideia do livro nasceu na pandemia A ideia do livro nasceu durante a pandemia. Com o restaurante funcionando em ritmo reduzido, Celso decidiu registrar seu legado. o que o levou a deixar o comando da cozinha do Gabriela e formar dois sucessores. Foram quatro anos de trabalho, iniciados em 2021, com intensa pesquisa em livros antigos no Sebo do Messias, em São Paulo, e testes rigorosos de cada receita, repetidos até dez vezes. “Não é um copiar‑colar de receita nenhuma”, afirma. Fiel ao espírito tradicional da obra, Celso optou por fotografias e ilustrações feitas à mão, evitando o uso de inteligência artificial. As 60 imagens são da artista santista Eve Ferreira de Santos, responsável também pela capa coloridade em verde e amarelo. A intenção era transmitir a riqueza cultural da gastronomia brasileira. Bolinho de carne apimentado de Jorge Amado Além das receitas, há pequenas histórias que acompanham cada preparo. Entre elas, está a anedota sobre o bolinho de carne apimentado apreciado por Jorge Amado, que adorava o salgandinho até descobrir que era feito de carne de gato. O livro inclui ainda encartes temáticos sobre ingredientes emblemáticos como mandioca, milho, feijoada, pastel e sobre cozinhas regionais, como a baiana. Um do encartes é dedicado ao vegetarianismo e veganismo no Brasil, que vem ganhado cada dia mais adeptos. Celso considera a gastronomia vegana e vegetariana "fascinante porque, como cozinheiro, ele dá asas para a criação". Segundo ele, o Brasil, dono da maior biodiversidade alimentar do mundo, oferece possibilidades infinitas para criações vegetarianas sem perder o respeito às tradições. No restaurante Gabriela, que celebra 24 anos, o sucesso vem, segundo o chef, da busca por um “Brasil verdadeiro”, apresentado de forma autêntica. Celso conta que estuda uma parceria com a Embratur e a Embrapa para transformar o restaurante em uma espécie de “embaixada da Amazônia”. A ideia é valorizar preparos tradicionais da região, sem gourmetizar ingredientes. Entre as novidades, ele destaca o Quinhapira, prato do Alto Rio Negro que vem conquistando os clientes. Ingredientes brasileiro em Paris Encontrar ingredientes brasileiros em Paris já foi um grande desafio, mas Celso lembra que 2005, o Ano do Brasil na França, marcou uma virada, com a chegada de produtos como guaraná, farinha de mandioca e pimenta malagueta. Além disso, mercados africanos de Paris oferecem até jambu, vinagreira e jiló. "Com essa história terrível da escravidão entre o Brasil e a África, teve muita troca na gastronomia, cultura, artesanato. Uma troca riquíssima. Então, muitos ingredientes que a gente acha que são brasileiros, a vinagreira por exemplo, vem da África", contextualiza. Mesmo assim, ele ensina no livro como produzir alguns ingredientes em casa, como polvilho, farinha de mandioca e flocão de milho. Mas alerta, é necessário ter equipamentos adequados, como moedores de cereais. Com a cultura brasileira em alta na França, impulsionada pela recente temporada cultural França–Brasil, Celso percebe um interesse crescente pela gastronomia brasileira na França e por suas técnicas de origem indígena. E quando precisa escolher sua receita favorita, ele volta à infância e cita, com saudade, o simples beijinho de coco tradicional, feito sem leite condensado. “A cozinha tem isso: ela te leva para lugares onde você não tem controle”, diz. Ao lançar "Brasileiro", Celso oferece aos leitores uma viagem afetiva e saborosa pelo Brasil, guiada por histórias, ingredientes e memórias que moldaram sua carreira. E deixa um convite: “Boa leitura e bom apetite.”
O Espaço Frans Krajcberg, em Paris, apresenta até 11 de abril a exposição "Encontros e Dissonâncias", que reúne obras do artista brasileiro Ricardo Ribenboim. A mostra destaca a relação construída ao longo de quase três décadas entre ele e Krajcberg — uma convivência marcada pela amizade, parcerias no meio cultural e pelo engajamento ambiental. Daniella Franco, da RFI A exposição integra o terceiro ciclo do projeto “Frans Krajcberg visto por”, que celebra os amigos que caminharam ao lado do artista nascido na Polônia, naturalizado brasileiro e falecido no Rio de Janeiro, em 2017. Entre eles está Ricardo Ribenboim, que conheceu Krajcberg em 1992, durante a Eco-92, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Desde então, os dois passaram a entrelaçar suas trajetórias e lutas — mesmo que a afinidade artística entre ambos nem sempre tenha sido linear. Em entrevista à RFI, Ricardo Ribenboim explicou de onde partiu a ideia que guia a exposição. "Encontros porque em muita identidade em todos os momentos onde eu produzo e meus diálogos, conversas e relações próximas que eu tive com Krajcberg ao longo do tempo. Dissonâncias são as diferenças que cada um tem no olhar sobre a questão do meio ambiente", diz. Enquanto Krajcberg tinha uma relação intrínseca com a floresta e priorizava em seu trabalho o uso do material bruto, Ribenboim foca na transformação da matéria para transformá-la em memória. "Para Krajcberg, as árvores eram praticamente a família dele. E, para mim, o uso do que eu chamo de 'rastros dos restos' em grande parte do meu trabalho são essas apropriações de coisas que eu trago da natureza e do espaço urbano. Isso vai se compondo ao longo do tempo", reitera. 19 obras de Ribenboim Ricardo Ribenboim trouxe para Paris um conjunto de 19 obras, mas a abertura da exposição foi impactada por um contratempo: algumas peças ficaram retidas na alfândega em Paris. Liberadas nesta primeira semana da mostra, o público finalmente pode conferir este panorama que evoca diferentes momentos da carreira do artista e seu engajamento ambiental. Algumas telas, feitas com lonas, denunciam as ocupações indevidas, o garimpo ilegal, a poluição dos rios e as queimadas na Amazônia. Uma das obras também homenageia o Museu Nacional do Rio, destruído por um trágico incêndio em 2018. Ricardo Ribenboim estruturou a exposição em três núcleos: o primeiro trata de questões relacionadas à Amazônia, o segundo destaca o resgate de materiais da natureza e do meio urbano e o último é a exibição de um vídeo sobre sua intervenção na Eco 92, "Bólides Marinhos", que utilizou mil infláveis na praia de Ipanema. Outros dois vídeos exibidos no Espaço Krajcberg abordam a instalação "Continente-Conteúdo", exposta primeiramente no Museu de Arte Moderna da Bahia, em 2004, e mais de 20 anos depois no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro. Segundo Ricardo, a escultura feita com cobre e cabalaça exposta na mostra é o trabalho que mais o conecta com Frans Krajcberg. "Ele era muito família para a gente, mas ele não podia ter esse sentimento da família, para ele isso era uma coisa mais complicada. Mas ele sempre foi muito contundente com relação ao ser humano", relembra. Associação dos Amigos Embora mantivesse uma visão profundamente crítica do ser humano — frequentemente percebido por ele como um agente de devastação da natureza — Krajcberg atribuía grande importância às relações que cultivava. Essas conexões, construídas ao longo de décadas de convivência e militância, tornaram‑se decisivas para a preservação de sua memória e para a continuidade de sua obra. Essa, aliás, é a ideia da Associação dos Amigos de Frans Krajcberg, concebida pelo próprio artista e dirigida pela arqueóloga e conservadora-geral do Patrimônio da Cidade de Paris Sylvie Depondt. "Ele gostava muito de seus amigos, por isso reuniu nessa associação as pessoas mais próximas dele: foi uma vontade dele dar voz a seus amigos", diz. A exemplo de Ribenboim, são as conexões que Krajcberg fez durante sua carreira que contribuem para enriquecer os arquivos sobre sua vida e suas obras. O objetivo, segundo Depondt, é "manter sua presença na História da arte do século 21 e transmitir seu engajamento e sua revolta junto às gerações, sejam elas atuais ou futuras".
Parte da maior festa LGBTQIA+ do país, o Latinx todo ano celebra uma nação latino-americana na parada. Este ano, o Brasil será o tema. Conversamos com uma das organizadoras do grupo, a desginer brasileira Yasmin Blanco.
Decisão é fruto da mobilização desses povos e se soma a outras ações do governo em atendimento aos anseios desses povos, com articulação do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, como ressaltam parlamentares da sigla e a coordenação do Setorial Indígena do PT. Sonoras:
O presidente dos EUA, Donald Trump, atraiu atenção global ao afirmar que o país deve expandir suas fronteiras, incluindo a Groenlândia. Segundo o consultor legislativo do Senado, Arthur Eduardo Leone, esta afirmação pode ser um sinal de mudanças na visão dos EUA sobre segurança nacional. No estudo "Quando a segurança deixa de ser gratuita", Leone discute como a falta de ameaças externas enfrentadas pelos EUA por muitos anos moldou a sociedade americana. Em entrevista ao jornalista Adriano Faria, ele fala sobre a pesquisa e o impacto potencial dessa mudança sobre o Brasil e a Amazônia.
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) recebeu, nesta quinta-feira, 19, representantes da Caixa Econômica Federal, que entregaram ao procurador-geral de Justiça, Oswaldo D'Albuquerque Lima Neto, o convite para participação no 1º Encontro Jurídico da Mulher – Fórum Amazônia. O evento será realizado no dia 6 de março, no auditório do Sebrae, em Rio Branco.
Hoje, ‘No Pé do Ouvido, com Yasmim Restum, você escuta essas e outras notícias: Ministro determinou que verbas só podem ser pagas se estiverem previstas em lei federal, barrando benefícios concedidos por assembleias legislativas e pelos conselhos de juízes e procuradores. Senadores tentam driblar Alcolumbre e investigar caso Master mesmo sem CPI específica. Pressionado por movimentos indígenas, governo revoga decreto para concessão de hidrovias na Amazônia. Comemorando 50 anos de carreira e com nova baterista, Rush volta ao Brasil.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Defesa Civil - Boletim Previsão do Tempo para 25/02
Érica Araújo fala sobre o rio Tapajós na Amazônia que corre risco com a exploração para transporte e privatização, ameaçando a natureza, comunidades e até o clima que garante chuvas em vários estados do Brasil.
A soja se espalha pelos rios da Amazônia. O que a crise no Rio Tapajós diz sobre a política, a economia e as eleições no Brasil?O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções @peri.prodNa apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno TorturraNa Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo @sabrininamacedo Na Pesquisa e Roteiro, Luiza MiguezNa Captação de Som, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_Ilustração, Anna Brandão @annabrandinhaNa sonoplastia, Felipe CroccoNa Edição de Cortes, Julia Leite @jupettiNas Redes Sociais Bruna MessinaNa gestão de comunidade, Marcela BrandesIdentidade visual, Pedro InoueConsultoria de Comunicação, Luna CostaFaça parte do Clube de Cultura do Calma Urgente 2026, conversas semanais sobre livros, filmes, séries e discos com Alê, Bruno, Greg e convidados especiais.Acesse agora em calmaurgente.com !
O novo episódio de Entrevista com Autores aborda o artigo "Processo saúde-doença entre mulheres agricultoras na Amazônia Central: vulnerabilidades no trabalho e no ambiente": https://doi.org/10.1590/0102-311XEN098324.A entrevistada desse programa foi a coautora Letícia Souza Reis, Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC-UFBA). A condução da conversa ficou a cargo de Cláudia Torres Codeço, Editora Associada de Cadernos de Saúde Pública.Acompanhe CSP: linktr.ee/cadernosdesaudepublica.
Paris homenageia o legado do fotógrafo Sebastião Salgado com uma grande exposição na Prefeitura de Paris, aberta ao público a partir deste sábado (21). Com curadoria e cenografia de sua companheira de vida, Lélia Wanick Salgado, a mostra reúne cerca de 200 obras, a maioria vinda do acervo da Maison Européenne de la Photographie (MEP), de Paris. Patrícia Moribe, em Paris O casal se instalou em Paris em 1969, fugindo da ditadura militar brasileira. Economista de formação, a fotografia surgiu no percurso de Sebastião Salgado por acaso através de Lélia, que comprou uma câmera em Paris para seus estudos de arquitetura. "Ele inclusive nunca tinha feito fotografia. Fui eu que comprei a máquina aqui, porque eu estudava arquitetura e precisava fazer fotos. E então foi aí que ele pegou uma câmera pela primeira vez e gostou tanto que roubou minha câmera! Aí, quando eu queria sair para fazer foto, ele dizia: 'Não, eu saio com você, eu faço com você'", conta, rindo. A trajetória profissional de Salgado se consolidou na sua passagem por agências de renome mundial, como Sygma, Gamma e Magnum Photos. O fotojornalista viajava o mundo em coberturas e flagrou, inclusive, a tentativa de assassinato do então presidente americano Ronald Reagan, em 1981. Trajetória Lélia lembra que os primeiros anos exigiram muito esforço e auxílio mútuo, numa época em que ela percorria as redações de Paris em uma mobilete para entregar os filmes do marido. “A vida de um fotógrafo é muito difícil antes de ele se afirmar como profissional”, explica. Em 1994, o casal fundou sua própria agência, a Amazonas Images, que se tornou o quartel-general do trabalho do artista. A exposição também destaca o compromisso ético e ambiental que marca a obra de Salgado. Lélia ressalta que o objetivo do marido era sempre desenvolver temas com um propósito claro, como no caso dos fluxos migratórios: "Ninguém sai de sua casa porque quer. Todo mundo sai porque tem um objetivo, tem uma dificuldade... Então, essa é a mensagem." Da mesma forma, projetos como Gênesis e Amazônia foram criados como alertas para a preservação, relata a curadora. Instituto Terra O legado pela defesa do meio ambiente do casal se materializa de forma prática no Instituto Terra, um projeto de reflorestamento na Mata Atlântica, atualmente administrado pelo filho mais velho, Juliano. A iniciativa começou com uma área desmatada herdada por Salgado, que foi totalmente resgatada e segue se expandindo. Lélia comemora o crescimento impressionante do projeto, de 3.500 árvores plantadas inicialmente para 30 milhões em breve. A exposição em Paris encerra esse percurso de forma íntima, apresentando as obras do filho caçula, Rodrigo, que tem síndrome de Down, e um vídeo com as últimas imagens capturadas por Sebastião no Instituto Terra, em dezembro de 2023. A visita à homenagem de Paris a Sebastião Salgado é gratuita, mas a reserva é obrigatória pelo site oficial. A exposição fica em cartaz até 30 de maio de 2026.
Por mais de dois milênios, a Basílica de Vitrúvio existiu apenas como uma descrição detalhada em "De Architectura", o tratado mais influente da história da construção civil. Considerada por muitos um "edifício fantasma", a obra do maior teórico da arquitetura romana foi finalmente localizada sob o solo da cidade de Fano, na Itália. Neste vídeo, a Brasil Paralelo explora os detalhes desta descoberta arqueológica extraordinária, comparada por especialistas à abertura da tumba de Tutancâmon. Com a participação do arquiteto Bruno Perenha, analisamos como as ruínas encontradas na Piazza Andrea Costa coincidem milimetricamente com os relatos de Marcus Vitruvius Pollio, datados de 19 a.C. Entenda por que Vitrúvio é considerado o homem que ensinou o mundo a construir através dos pilares Firmitas (Solidez), Utilitas (Utilidade) e Venustas (Beleza), e como seu pensamento influenciou gênios como Leonardo da Vinci na criação do Homem Vitruviano. Além disso, discutimos como o passado tem retornado à superfície em locais como a Amazônia e o México, desafiando nossa percepção sobre a complexidade das civilizações antigas.
Implantado no primeiro governo Lula, em 2003, o programa voltou a ser prioridade em 2023, garantindo o acesso à água durante a estiagem, estimulando a agricultura familiar e movimentando a economia do Semiárido e da Região Amazônica. À Rádio PT, o senador Humberto Costa falou sobre o impacto da iniciativa.Sonora:
Regina Casé do Antigo Testamento, monstros de férias abaixo da Linha do Equador, chanchadas metalinguísticas, criaturas safadas, Dança das Vampiras, Fantasma da Ópera em terra papagali, Danielle Winits fugindo de lobisomem, atores com passado no jogo do bicho e atores espanhóis pagando dívida de jogo no Brasil.Confira nosso episódio especial sobre a trilogia dos Monstros de Ivan Cardoso com O Segredo da Múmia (1982) + As Sete Vampiras (1986) + Um Lobisomem na Amazônia (2005).Apresentado por:João Neto e Alvaro de Souza.Confira o nosso site: esqueletosnoarmario.com/@esqueletosgays no Twitter e InstagramAcesse o apoia.se/esqueletosgaysE o orelo.cc/esqueletosgays
Para veterinário, não é realista esperar que o mundo pare de comer carne e única saída para proteger a floresta é transformar o modo como o boi é criado hoje.
O podcast Supremo na Semana destaca a decisão do STF que reconhece a legitimidade de campanhas de mobilização social promovidas por entidades da sociedade civil com base em pautas de direitos fundamentais e com o objetivo de desestimular apoio a eventos. De acordo com a decisão, essas campanhas estão protegidas pela liberdade de expressão e a responsabilização civil só será possível se houver comprovação de má-fé.Também foi debatida a redistribuição da investigação que apura suspeitas de irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Por sorteio, ficou definido que o ministro André Mendonça será o novo relator. O programa também aborda a audiência de contextualização que tratou das medidas para combater o desmatamento na Amazônia.O episódio #179 é apresentado por Mariana Brasil, analista de redes sociais do STF, e conta com comentários de Hanna Gomes, assessora jurídica da Rádio e TV Justiça.Para participar do Supremo na Semana, basta enviar seus comentários, dúvidas ou sugestões sobre o programa para o e-mail podcast@stf.jus.br
Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, trata dos temas mais relevantes sobre Meio Ambiente e mudanças climáticas. A coluna vai ao ar às 6ªs, 7h45, no Jornal Eldorado.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Hoje, ‘No Pé do Ouvido, com Yasmim Restum, você escuta essas e outras notícias: Exposto por um relatório da PF, ministro tentou se manter à frente do inquérito, mas foi convencido a deixar relatoria após reunião longa e tensa com demais integrantes do Supremo. TSE rejeita, por unanimidade, ações que questionavam homenagem de escola de samba do Rio a Lula. Alertas de desmatamento caem na Amazônia e no Cerrado, diz Inpe. MPF dá cinco dias para X bloquear nudez criada com o Grok. E confira as dicas off-Carnaval da agenda cultural para Rio e São Paulo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Curupira foi incorporado ao folclore brasileiro e foi transformado em personagem de histórias infantis, filmes e séries. Recentemente, se tornou mascote da COP-30, a conferência internacional da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que em 2025 foi realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém do Pará. Mas para os povos da floresta ele é muito mais que um mito. Você vai descobrir curiosidades sobre esse personagem nesse episódio que foi idealizado e produzido por Juliana Vicentini, revisado por Mayra Trinca e editado por Yama Chiodi. ____________________ Roteiro Juliana: Se você entrar na floresta e ouvir um assobio, fique atento, você não está sozinho. É o Curupira, o guardião da natureza. Ele defende a mata e os animais daqueles que invadem, desmatam, caçam ou exploram o meio ambiente sem necessidade. O Curupira nasceu na cultura dos povos indígenas e continua vivo por meio da oralidade e da memória que se perpetua de geração em geração. Para os indígenas, ele é uma entidade, um espírito protetor da floresta e dos seres vivos. Mas durante o processo de colonização, o Curupira foi distorcido e sofreu tentativas de apagamento. Ele resistiu a isso e saiu do seu habitat natural para ganhar o Brasil e o mundo. O Curupira foi incorporado ao folclore brasileiro e foi transformado em personagem de histórias infantis, filmes e séries. Recentemente, se tornou mascote da COP-30, a conferência internacional da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que em 2025 foi realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém do Pará. Juliana: Nesse episódio, nós faremos uma viagem para entendermos o Curupira. Nossa trilha começa pela perspectiva de quem cresceu ouvindo sobre ele não como uma lenda, mas como uma presença viva e protetora da natureza. Ao longo do nosso caminho, pesquisadores e jornalistas nos conduzem nessa jornada, nos revelando camadas que passam pela linguística, história e colonialidade, apresentando a trajetória do Curupira desde uma figura ancestral até a sua chegada como símbolo da COP30. Essa viagem nos ajuda a compreender o Curupira como um símbolo potente de resistência cultural, de decolonialidade e de sustentabilidade. Juliana: Eu sou a Juliana Vicentini, esse é o podcast Oxigênio e o episódio de hoje é o “Curupira: da floresta à COP30”. [vinheta] Juliana: Algumas histórias não são ensinadas em aulas, não são vistas em livros, vídeos e fotografias. Elas são compartilhadas na convivência entre as pessoas, no chão da floresta, em meio ao som das águas e pássaros, e até mesmo ao redor de uma fogueira. Tem histórias que não são apenas lúdicas, mas que fazem parte da vida, da memória e do território e que pulsam no coração das pessoas com um significado especial. Juliana: No Brasil, há 391 etnias indígenas, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2022. E cada povo indígena tem suas próprias entidades que protegem a natureza. O Curupira é um desses seres e ainda assim, suas características nem sempre são contadas da mesma maneira por todos os povos. Juliana: Hoje nós vamos ouvir alguém que cresceu entre a aldeia e a escola e que carrega histórias que quase não se contam no povo Suruí atualmente — histórias guardadas, íntimas, que vêm do vínculo com o pai e com o território. Maribgasotor Suruí: Não é um ser mitológico, não é um ser assim, de livro de história, né? Mas é verdadeiro. Nós acreditamos no Curupira. Juliana: Maribgasotor Suruí é estudante de Direito na Universidade Federal de Rondônia. Ele pertence a etnia Suruí, da terra indígena Sete de Setembro, localizada nos estados de Rondônia e Mato Grosso. Maribgasotor Suruí: Eu cresci no meio disso, alguém falando disso, já faz parte do meu convívio, da minha cultura, do meu sangue, inclusive eu tenho curiosidades, tem isso também, um dia a ver, né? Mas como meu pai mesmo fala que não é qualquer pessoa que vê, e é um privilégio um dia, né? Hoje em dia, no Suruí, ninguém conta muito, ninguém pergunta muito, ninguém tem essa história que nós estamos falando. Eu e meu pai somos muito íntimos, né e desde pequenos, somos uma pessoa muito curioso. Eu saí muito cedo de casa, eu estudei com a escola internato, escola agrícola, eu estudei em São Paulo, né? Eu tenho esse conhecimento, essa mistura de duas culturas diferentes. Eu sempre tive curiosidade com meu pai contar isso para mim, não é todos que querem saber, né? Porque hoje em dia, como eu falo, a evangelização chegou né, junto com os contatos e isso tirou a sensibilidade, a tradição, é como a gente descreve no direito indígena, como se fosse etnocídio. Juliana: A própria palavra Curupira carrega em si muito da história desse ser com os povos indígenas. Quem explica para a gente é o Thomas Finbow da Universidade de São Paulo, onde é professor de linguística histórica, área que investiga como as línguas evoluem. Thomas: Curupira é uma palavra que vem do tupi, especificamente a fase que a gente conhece como tupi antigo, que seria aproximadamente do período entre 1500 e o final do século 17. E tupi é uma língua que era falada no litoral do que é o atual Brasil e é falada por várias nações indígenas. Esse é uma língua tupi guarani, que é um ramo de uma grande família linguística, família tupi, que tem 10 ramos e essas línguas estão localizadas desde Rondônia, dentro do Brasil, e atravessando a Amazônia, historicamente também no litoral e também existem na Guiana Francesa, no Peru, na Colômbia, na Venezuela, na Argentina, também na Bolívia, então é uma família muito muito dispersa geograficamente. Atualmente não tem mais falantes nativos dessa língua tupi, mas existem vários projetos entre os grupos descendentes das nações falantes de tupi, então os potiguara, na Paraíba, no Rio Grande do Norte, os tupinambás na Bahia, os tupiniquins no Espírito Santo que estão trabalhando para revitalizar essa língua. Juliana: Quando a gente tenta entender a origem de uma palavra indígena, nem sempre encontra uma resposta única e Curupira é um exemplo de ambiguidades. O Thomas explicou que a palavra pode ter alguns significados, mas que nem sempre eles batem com as histórias que conhecemos. Thomas: Curupira parece ter um item coru e pira como se comenta, então, mas o problema exatamente é de interpretar o que que seriam essa parte de coru. Coru significa uma pele com bolhas, como uma pele de sapo, com uma pele irregular, então isso é uma possibilidade para esta raiz e pira é uma raiz. Pira significa pele. Que é curioso porque isso não é uma característica que se comenta do Curupira. Tradicionalmente hoje, se fala de pele vermelho, de ter os pés virados para trás, de ter o corpo pequeno etc. Então é curioso, talvez isso pode levantar hipótese de que isso não seja exatamente o significado desses raízes e tem alguma coisa que se perdeu em termos da construção da palavra, na transição entre o tupi e o português. Juliana: Temos outras explicações possíveis pra essa palavra então? Thomas: Eu também vi tentativas de explicar essa palavra Curupira usando a palavra kurumin, ou seja, menino, em tupi é kunumin. Esse raiz piir poderia ser uma interpretação da palavra para corpo. Isso também é algo que se vê na língua geral amazônica, no Yengatu, que pira hoje não tem o significado de pele. E aí seria uma tentativa de dizer que é um homemzinho, uma estatura pequena, baixa do Curupira. Então, poderia ser corpo de menino, em tupi, o possuidor vem primeiro como em inglês e a coisa possuída vem depois. A gente sabe que é um conceito antigo, parece que é algo pré-colonial, pré-europeu, porque os primeiros registros já no século XVI mencionam esse nome, Curupira. Então, não parece ser alguma coisa que tenha saído da cabeça dos europeus. E as pessoas que registravam os termos eram pessoas que conheciam o tupi antigo muito bem. É pouco provável que eles tenham errado muito no registro do nome também. Mas eles não explicam o que significa. Juliana: Assim como é difícil estabelecer um consenso sobre o significado da palavra Curupira, também não há unanimidade quanto à sua descrição. O Curupira é representado de diversas maneiras e suas características físicas ilustram o seu papel como o guardião da floresta e dos animais. A Januária Cristina Alves, que é jornalista, escritora, pesquisadora da cultura popular e apaixonada pelo folclore brasileiro nos dá detalhes sobre isso. Januária: Ele é um menino, dizem que ele raramente anda sozinho, né, ele anda sempre ao lado de uma companheira, tem hora que ele aparece com um só olho no meio da testa, né, com um nariz bem pontudo. Em outras descrições, ele não tem nem nariz, ele não tem nenhum buraco, nenhum orifício no corpo. Ele tem dentes verdes, em algumas regiões, em outras, os dentes são azuis. Ele muitas vezes aparece careca, outras vezes bastante cabeludo. Em algumas ocasiões descrevem com orelhas enormes, sem articulações nas pernas. Mas de qualquer maneira, ele é sempre visto como uma entidade muito forte, que anda virado, com os pés virados para trás, exatamente para confundir as pessoas que tentam persegui-lo, que vão seguir a pista errada. Juliana: Afinal de contas, por que a gente se depara com tantas descrições físicas diferentes do Curupira, Januária? Januária: Na verdade, não é exclusivo do Curupira, não, a Caipora também é assim. Por serem parte da tradição oral, suas histórias correm de boca em boca, quem conta um conto, aumenta um ponto, é assim que diz o ditado popular. Então, de fato, essa narrativa oral vai permitindo com que as pessoas muitas vezes esqueçam um ponto ou acrescentem alguma outra característica e com isso a gente vai reunindo diferentes versões, muitas vezes o nome do personagem muda também, mas as suas características principais, a sua essência, ela é mantida. Então, no caso do Curupira, é verdade, ele aparece em diferentes versões, dependendo da região, da época, né? Mas, no geral, a gente sabe que ele é aquele menino que tem basicamente os pés virados para trás. Juliana: Independentemente das características físicas do Curupira, o que é unânime nas cosmologias indígenas é que ele ensina que a convivência entre os seres humanos e a natureza deve ser respeitosa e quando isso não acontece, o Curupira desaprova, não é mesmo Maribgasotor? Maribgasotor Suruí: Normalmente os caçadores, mata o bicho por hobby, deixa o animal padecendo no mato, ele não gosta. Até com nós que é índio que faz essas coisas, que nasceu dentro do mato, ele já não gosta, imagina com as pessoas que faz destruição com o habitat dele. Ele não tem limite, ele está em todo lugar e inclusive não pode falar muito o nome dele, né? Porque ele é um ser que devemos respeitar. Juliana: Luís da Câmara Cascudo, em seu livro intitulado Geografia dos Mitos Brasileiros, detalha que a personalidade do Curupira varia segundo as circunstâncias e o comportamento dos frequentadores da floresta. Basicamente, o Curupira não gosta de quem desrespeita o meio ambiente e acaba punindo essas pessoas, por isso, nem sempre ele visto com bons olhos. A Januária conta mais sobre isso Januária: Ele é o protetor da floresta, né, e muitas vezes, de fato, ele não é politicamente correto. Ele tem lá as leis dele. Por exemplo, um caçador que mate uma fêmea grávida, ele não vai perdoar. Ele vai matar. Muitas vezes, até por isso, ele foi tido como demônio da floresta, principalmente com a chegada dos jesuítas, que tentaram catequisar os índios e tal. A figura do Curupira foi bastante associada ao mal, ao demônio. Ele costuma fazer acordos, né, em troca de bebida, comida, presente. E ele gosta de confundir, né, as pessoas. Então ele passa informações erradas. Ele indica o caminho confuso, faz as pessoas buscarem coisas que ele oferece lá e não tem nada, né. Enfim, mas de qualquer jeito, ele não aceita que ninguém mate por gosto, sem necessidade. Ele se torna mesmo um inimigo implacável. Então, essa é a personalidade do Curupira. Ele é implacável na defesa da natureza. Juliana: O Curupira utiliza algumas estratégias para proteger a floresta e os animais. Ele é um ser muito ágil, o que faz com que ele ande de um lugar para o outro na mata muito rapidamente. Também é conhecido pelos assobios, gritos e outros barulhos que usa para desorientar invasores e pelos rastros deixados por seus pés virados, que é considerado um artifício poderoso para confundir sua direção. Mas afinal de contas, Januária, o que mais o Curupira é capaz de fazer? Ele tem poderes? Januária: Ele mesmo consegue se disfarçar em caça, por exemplo, num bicho, para fugir dos caçadores. Mas o caçador nunca consegue pegá-lo, né. Ele é bom de se disfarçar, ele é bom de disfarçar os caminhos. O pé virado para trás facilita, mas ele de qualquer maneira faz com que o caçador se perca na floresta, no meio dos labirintos. Então, muitas vezes o caçador fica perdido sem nunca conseguir sair de lá, porque o Curupira faz esses caminhos muito confusos. Então, na verdade, não é um super-poder, mas é, sobretudo, uma convicção de que para proteger a floresta, os animais, ele é capaz de tudo. Dizem que ele tem um assobio muito alto e muito estridente. E ele anda em muitas regiões montado num porco do mato. E aí atrás dele sempre vem uma manada também dos porcos do mato. E muitas vezes também vem cachorro selvagem. Ele gosta dos cachorros. Ele é um ente muito ligado à questão da caça. E muitas vezes dizem também que ele consegue saber se vai ter tempestades, se vai ter essas intempéries grandes na natureza, porque ele bate no tronco da árvore dependendo do barulho que faz ele consegue saber se vai chover ou não, por exemplo. E ele também faz vários barulhos. E os caçadores que tentam segui-lo por meio dos barulhos acabam se confundindo. Porque são barulhos que os caçadores não têm condição de identificar. Enfim, mas ele não é um super-herói. Juliana: Dá pra perceber que o Curupira é ardiloso e tem uma série de truques pra proteger a floresta e quem vive nela, mas afinal de contas, qual é a origem do Curupira e qual foi o primeiro registro que descreveu esse ser, Januária? Januária: A figura do Curupira tá mais ligada mesmo aos indígenas, inclusive o primeiro registro é uma descrição que o padre José de Anchieta faz na carta, onde ele descreve as coisas naturais da Capitania de São Vicente, ele já fala do Curupira. Então ele é fortemente ligado à mitologia indígena. Então, a gente não tem muita dúvida e ele é encontrado, suas histórias, suas tradições no Brasil inteiro. Juliana: A Carta de São Vicente foi escrita em 1560 pelo jesuíta José de Anchieta. Esse tipo de registro era uma mistura de relatório e observação do território brasileiro pelo olhar europeu e cristão. O objetivo dessa carta em específico era descrever a natureza, os habitantes e a cultura indígena. Quem conta para gente como o Curupira foi interpretado e materializado nesses escritos é a Gracinéia dos Santos Araújo. Ela é tradutora, escritora, professora universitária e docente de Espanhol na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Pará. Ela atua sob uma perspectiva decolonial piracêmica-emancipatória que reivindica o protagonismo dos mitos e lendas de maneira geral. Gracinéia: A gente precisa retroceder no espaço, no tempo, e lembrar que com a chegada da empresa colonizadora, ao que se chamou Novo Mundo, entre aspas, né, a história dos nossos mitos, mitos autóctones, foi marcada pela demonização. Seres encantados como Curupira e muitos outros foram relegados à condição de demônio, isso foi o que registrou, por exemplo, o Jesuíta Espanhol, Jesuíta de Anchieta. Evidentemente não foi apenas a Anchieta quem o demonizou, porque outros letrados, cronistas da época, ou não, também o fizeram, bem como nos lembra o folclorista Luís da Câmara Cascudo. Juliana: A maneira de os jesuítas explicarem o que viam onde hoje é o Brasil, é marcada pela oposição entre o divino e o demoníaco. Na ausência de um meio-termo e na tentativa de afastar os indígenas de suas crenças, toda figura que não fosse divina, na percepção dos europeus, era demoníaca e, consequentemente, maligna. O Curupira foi o primeiro, mas não o único, a passar por esse processo. Gracinéia: Cascudo destaca, que Curupira foi o primeiro duende selvagem que a mão branca do colonizador europeu fixou em papel e deu a conhecer além das nossas fronteiras e o fez precisamente por meio de uma espécie de certidão de batismo que escreveu na referida carta de São Vicente. Para o colonizador europeu, nesse caso, o José de Anchieta, o Curupira foi visto como um ser temível, um ser meramente do mal, totalmente a contracorrente da perspectiva nativa em relação a este ser encantado. Juliana: O Thomas detalha como o José de Anchieta usou as características de defensor da mata do Curupira pra transformar ele nesse ser que engana as pessoas de um jeito puramente maldoso no lugar do personagem complexo que ele é. Thomas Finbow: Na segunda metade do século 16, ele menciona a existência de tipos, vou lhe descrever como demônios na visão cristã dele, para que maltratavam indígenas em certas situações, quando ele podia levar eles a se perder nas matas, até acidentes, a sofrer lesões corporais que açoitavam as pessoas, aí as pessoas deixavam oferendas em determinados lugares na floresta para esses demônios. Juliana: Mais pra frente na história, nos registros dos naturalistas e viajantes do século XIX, o Curupira não era descrito como o protetor das florestas. Nos contos escritos a partir do olhar estrangeiro nesse período, ele retoma a figura ambígua: ora ajuda as pessoas, ora as persegue. O Thomas fala mais sobre isso. Thomas: Por exemplo, Barbosa Rodrigues, um botânico importante, ele tem toda uma série de contos sobre o Curupira, de aventuras nas florestas, que às vezes ajuda, às vezes atrapalha as pessoas, muitas vezes é o caçador que precisa escapar do Curupira. Ele simplesmente é o Curupira que conversa com os seres humanos, mas pode ajudar dando flechas mágicas, por exemplo, que sempre acertam a caça, ou pode querer comer as pessoas também. Então, assim, ele oscila, ele não tem uma característica apenas boa ou ruim. São entidades, seres, habitantes das matas que são um aspecto dos perigos da mata, que as pessoas que circulam precisam lidar e precisam se prevenir contra esses seres. Então, assim, teve essas versões que mostram certos atributos dos Curupiras e essa visão que temos hoje é muito adaptada pelos contos transmitidos pelo século XIX. A nossa imagem do Curupira atualmente é uma coisa composta, que é feita de várias tradições que existiam desde tempos muito antigos em diversos lugares do Brasil, mas todos relacionados mais ou menos com essas figuras da cosmovisão dos povos tupi-guarani principalmente. Juliana: O significado do Curupira depende de quem conta a sua história, por isso, um dia ele já foi demônio, mas continua sendo o protetor da floresta. Essas interpretações diferentes nos revelam mais sobre as pessoas do que o próprio Curupira. Quem nos ajuda a entender isso é a Gracinéia. Gracinéia: Com o contato linguístico e cultural, resultante do processo de colonização, estendeu-se a ideia do Curupira como um demônio, porque a ideologia predominante dogmática foi a ideologia eurocêntrica dogmática que viu o mito apenas como um demônio, mas para os povos nativos da floresta, o Curupira não é e nunca foi um demônio, mas o pai ou mãe da mata, um ser encantado, que se tem muito respeito, se obedece, porque sabe que como pai da mata, ele a protege, e evidentemente vai defendê-la dos possíveis invasores e dos perigos que põem em jogo a vida dos seus habitantes. Daí que aplique inclusive castigos exemplares, mas mesmo assim, quem padece desses castigos exemplares, não considera como demônio, e reconhece muitas vezes que foi pela sua atitude inapropriada para com a mãe natureza. Juliana: Parte da transformação do Curupira em demônio também passa pelo projeto de exploração de recursos naturais que se baseava a colonização portuguesa por aqui. Destruir a imagem do protetor da floresta facilitava isso. Gracinéia: Não podemos esquecer que o principal objetivo da empresa colonizadora foi explorar nossas matérias primas e por outro lado, impor ao colonizado, o seu modo de vida e tudo o que isso implicou, a língua, a religião, a guerra etc. os seus mitos, né? Mas, tamanha é a valia de Curupira, que ele ou ela, porque é um ser multifacetário, o Curupira ou a Curupira, sobrevive até os nossos dias e continua igualmente mencionado, dosando o seu valor real. Para o nativo não houve um antes e depois do mito Curupira. Os estudos mais atuais têm nos revelados que para os habitantes da Amazônia, nativos ou forâneos, Curupira é pai ou mãe da mata e isso não resta dúvida. Juliana: Quando o Curupira é compreendido a partir de versões diferentes, a gente começa a refletir que não se trata apenas de leituras distintas, mas que há disputas sobre memória, cultura e poder. Podemos pensar que esse processo de demonização do Curupira foi uma tentativa de apagamento cultural. A visão eurocêntrica estava se sobrepondo ao simbolismo indígena, como disse a Gracinéia. Gracinéia: Eu acredito, sem dúvidas, né, que com a chegada do colonizador europeu, não apenas mitos como Curupira sofreram uma tentativa de apagamento, mas muitos povos e culturas milenárias, culturas originárias em uma dimensão ampla, foram apagadas, muitas delas exterminadas. Cabe destacar que muitos povos foram, inclusive, dizimados, e com eles desapareceram línguas, desapareceram culturas, e tudo o que isso implica, né, como seus mitos e as suas lendas. Foram sim seus mitos, porque os mitos também morrem, precisa a gente destacar isso. Então, é importante destacar, por outro lado, que muitos povos ainda resistem também, mas vivem sufocados e condenados a desaparecer, agonizando, junto com os seus mitos, com os mitos que ainda restam, e essa é uma das consequências funestas do processo de colonização, que ainda perdura até os nossos dias. Juliana: A tentativa de apagamento do Curupira, e consequentemente, da cultura dos povos indígenas, é uma herança colonial, mas que não ficou no passado. No presente, há outros elementos que contribuem para silenciar o Curupira? Gracinéia: Há outros fatores igualmente impactantes, como podem ser os avanços tecnológicos, a televisão, a internet, entre outros, que exercem uma evidente influência, uma vez que sem pedir licença acabam impondo novas formas de vida, novos mitos também. O Ailton Krenak no seu livro “Futuro Ancestral”, destaca e denuncia que querem silenciar, inclusive, nossos seres encantados, de que forma isso ocorre? Acredito eu, que uma vez que nós destruímos as matas, estamos silenciando os nossos encantados, porque estamos destruindo o seu habitat, então, uma vez que não há floresta, evidentemente os mitos desaparecem. Então, isso vem ocorrendo desde a chegada do colonizador europeu. Criaturas fantásticas como Curupira, que é parte da floresta como é o sol, as águas, a terra etc., se funde, se confunde com a realidade, assumindo um papel de guardião da floresta, tudo que ela habita, sendo uma espécie de protetor da própria vida no planeta. Juliana: A fala da Gracinéia mostra como o processo de apagamento da cultura indígena segue em curso. Ainda assim, o Curupira ainda tem forças e permanece como guardião da floresta. Gracinéia: Apesar de tudo, muitos seres encantados da floresta conseguem sobreviver, como é o caso do Curupira, e outros mitos né, que sobrevivem, embora a duras penas, sem que a civilização entre aspas e progresso, tenham conseguido acabar com eles. Isso é o fato de um progresso científico e tecnológico não conseguirem tranquilizarem os nossos medos, ou seja, os frutos desse progresso ainda estão longe de acalmar os medos ancestrais de homens e mulheres. Curupira é um ser que faz parte da idiossincrasia dos povos originários e se manteve vivo pelo papel que representa como pai ou mãe da mata, né, do mato. Juliana: Manter o Curupira vivo no século XXI é uma forma de honrar e valorizar a cultura indígena e a importância desses povos na preservação da natureza e no enfrentamento à crise climática. Então, faz sentido que essas histórias se mantenham por outro elemento muito importante da cultura originária: a oralidade e as histórias contadas de geração em geração. Quem compartilha conosco a sua perspectiva sobre isso é o Maribgasotor: Maribgasotor Suruí: A melhor estratégia para manter essa história, é falar para as crianças que é verdade, não é conto de história, que esse ser existe. Outro dia eu estava pensando sobre isso, que poderia ser mais pesquisado, mais na área acadêmica, na base da cultura, dar mais valor, reconhecer mais, não visto como um mito, uma história, mas como uma coisa verdadeira. Juliana: O Curupira tem circulado para além das florestas e ganhou o Brasil. Ele está presente em livros, poemas, filmes e séries. Isso se deve em parte a ele ser um dos integrantes do nosso folclore. Quem nos conta quando foi isso é a Januária. Januária: É muito difícil a gente demarcar quando foi que isso aconteceu. Os indígenas foram preservando as suas tradições também oralmente. Então, a gente entende que é uma coisa natural, né? Que essas histórias que os indígenas foram contando, os seus cultos, as suas tradições, foram também se imbricando com a nossa cultura, a ponto de integrarem nosso folclore, serem quase que uma coisa só. Mas, de qualquer maneira, é muito importante deixar claro que mesmo sendo uma figura folclórica, não existe desrespeito, né, à figura do Curupira. Muito pelo contrário, né? Ele é muito respeitado exatamente por ser um protetor da natureza. Juliana: Januária, a essência indígena do Curupira se manteve no folclore brasileiro? Januária: Basicamente ele se manteve tal como os indígenas o descreviam, né, tanto fisicamente como de personalidade, o que prova exatamente isso, que houve uma mistura. As histórias se amalgamaram do culto religioso para as tradições populares. Como é muito comum de acontecer com diversos personagens do folclore brasileiro. Juliana: O Curupira que já é conhecido no Brasil – seja como um ente da cultura indígena, integrante do folclore brasileiro ou personagem infantil – ganhou projeção internacional. Ele foi escolhido para ser o mascote da COP30. Segundo o comunicado oficial, disponível no site cop30.br Simone: o “Curupira reforça a relação da identidade brasileira com a natureza”. Juliana: Maribgasotor Suruí fala sobre as suas impressões a respeito de quem escolheu o uso do Curupira como símbolo da conferência sobre clima. Maribgasotor Suruí: Espero que essa pessoa tenha mesmo compreensão, tenha o mesmo respeito que eu tenho por ele, não por brincadeira, não por marketing, não por nada. Espero que essa pessoa esteja pedindo a permissão dele, dos seres espirituais. Um evento desse daí, desse nível, né, é um apelo, um grito, e espero que as pessoas compreendam isso, que para falar de Curupira, não é qualquer um, e como se fosse falar de uma religião, que você fala de uma ideia e uma filosofia de vida, não é só apenas um Curupira, uma filosofia de vida que a pessoa vai levar. Por isso, é uma honra falar isso para você, o que é tão significado que esse ser tem para nós, e eu estou muito orgulhoso por falar do meu irmão. Juliana: O Curupira como mascote da COP30 é uma maneira de fortalecer a cultura indígena e de reforçar a necessidade de respeito à natureza. Quem detalha isso pra gente é a Gracinéia. Gracinéia: Depois de muitos anos, de muitos séculos de invisibilização do modo de vida dos povos originários, considerados primitivos, muitos séculos de apagamento das suas tradições, das suas crenças, de chamá-los de gente sem Deus e sem alma, selvagens indígenas de tutela do colonizador europeu, dar protagonismo para um ser mítico ancestral e próprio das culturas nativas, como é o caso do Curupira em um evento com uma COP30 é sem dúvida, uma forma muito acertada de reconhecimento também, e de certa reparação histórica, uma reparação histórica e cultural, para com os nossos antepassados indígenas e as suas crenças, as suas tradições. Os povos indígenas, é bem sabido, mantém uma relação estrutural com a natureza. Juliana: A realização da COP30 acontece para que a sociedade como um todo e em todo o mundo discutam ações para o enfrentamento do aquecimento global. Isso significa que vivemos um cenário de crise climática e que entes como o Curupira se tornam ainda mais relevantes nesse contexto, não é mesmo, Gracinéia? Gracinéia: Insisto que dar protagonismo a seres encantados como Curupira é mais do que importante, é muito necessário. É um compromisso moral e ético que todos deveríamos assumir se queremos continuar sobrevivendo no planeta. Aqui eu falo desde o lugar que eu ocupo como docentes do contexto amazônico e do contexto amazônico, especialmente pelo papel que representa o mito como o protetor da floresta. Juliana: Isso não significa se ver preso a um modo de vida do passado ou pensar na mata como uma espécie de paraíso perdido… Gracinéia: Mas de olhar e agir para um futuro de maneira circular, ter de encontro nosso passado para entender o nosso presente, e conviver com a natureza de maneira mais respeitosa sem degradação. É precisamente isso que nos ensina o mito Curupira, com o uso responsável dos recursos naturais que significa claramente extrair da natureza apenas o que precisamos para sobreviver, sem avareza, sem devorá-la. Nesse sentido, colocar de releio figuras tão relevantes como Curupira, é sem dúvidas o anúncio de um recomeço, de respeito de ressignificar a nossa relação com a natureza e tudo o que ela nos aporta. Juliana: O combate à crise climática deve ir além da ciência e da tecnologia. É preciso integrar as culturas originárias e tradicionais que são detentoras de saberes profundos sobre a natureza. O Curupira, como o guardião da floresta, é um ser capaz de conectar esses conhecimentos diversos rumo a sustentabilidade planetária, Gracinéia? Gracinéia: Curupira, sem dúvida, pode ajudar a conectar a cultura, ciência e espiritualidade na luta climática, né. Porque temos em conta que o Curupira não é um simples adorno da floresta. O Curupira é uma lei reguladora da própria vida no planeta, em uma dimensão ampla, porque permite, de certo modo, que siga havendo vida na Terra. O Curupira é essa lei que nos exige que redimensionemos a nossa forma de viver e nos relacionar com a natureza. Juliana: O modo de vida trazido pelos europeus durante a colonização nos afastou dessa conexão com a terra e com a natureza. Mas os muitos povos indígenas que resistem no Brasil ainda protegem essa herança e podem nos ensinar a ter uma outra relação com o ambiente que nos cerca. Gracinéia: No mundo amazônico, ao longo de séculos e séculos, a relação do ser humano com a Terra era de estreita sintonia, de evidência e dependência, uma dependência harmoniosa. Nessa relação, surge a ciência ancestral como geradora de cultura, geradora de vida abundante, fecunda. No entanto, hoje em dia não é assim. Estamos atordoados. O grande problema da ruptura da relação com a Terra é evidente. Não existe uma espiritualidade com a Terra, com o rio, com a floresta. Porque essa relação com a natureza está se tornando cada vez mais distante. Está havendo uma total ruptura do contato com a Terra, porque a Terra é vista como algo sujo, nos lembra Krenak. Algo que as crianças não podem pisar descalça porque a Terra suja o pé. Essa é uma espécie de mantra que tem se repetido especialmente no contexto das cidades, no contexto dos mais urbanizados ou mais urbanos. Daí que reivindicamos a espiritualidade indígena no contato com a Terra, com a água, com a natureza, em uma dimensão ampla de respeito e de cuidado, mas também de desfrute, de deleite. Isso demonstra que a espiritualidade mantém uma relação estreita com a ciência e vice-versa, porque a ciência é parte da cotidianidade da vida. Juliana: O Curupira com seus pés virado para trás nos ensina que é preciso olharmos para o passado e para a relação de nossos ancestrais com a natureza, para que possamos seguir para o futuro na construção de um mundo mais justo, ético e sustentável. Juliana: Nossa viagem pelo universo do Curupira chega ao fim. Registramos nossos agradecimentos à Maribgasotor Suruí, Thomas Finbow, Januária Cristina Alves e Gracinéia dos Santos Araújo pelas contribuições valiosas e gentis. Pesquisas, entrevistas e roteiro foram feitas por mim, Juliana Vicentini, e narração do podcast é minha e da Simone Pallone, a revisão do roteiro foi realizada por Mayra Trinca e a edição foi de Yama Chiodi. A trilha sonora é do Pixabay. A imagem é do acervo do Freepik. O Oxigênio é um podcast vinculado ao Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (LABJOR) da UNICAMP. Segue a gente nas redes sociais, curte, comenta e compartilha. Até a próxima! Tchau.
Ao contribuírem para a perda da biodiversidade do planeta, empresas mundo afora estão cavando a própria cova – e não fazem nada, ou muito pouco, para reverter os riscos que pesam sobre elas mesmas. Um relatório publicado nesta segunda-feira (9) apresenta as conclusões de três anos de pesquisas sobre uma relação que é, ao mesmo tempo, de dependência e de destruição. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O estudo da respeitada Plataforma Intergovernamental de Ciência e Política para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), conhecido como “o IPCC da biodiversidade”, alerta que todos os negócios dependem da natureza. Entretanto, as atividades econômicas resultaram na redução de 40% dos estoques do capital natural a partir de 1992, aponta o texto. “O crescimento da economia global ocorreu à custa de uma imensa perda de biodiversidade, que agora representa um risco sistêmico crítico e generalizado para a economia, a estabilidade financeira e o bem-estar humano”, afirma o documento, elaborado por especialistas de 75 países, incluindo consultas a comunidades indígenas e tradicionais. O texto adverte empresas, corporações e o setor financeiro que o modo sobre o qual estruturam as suas atividades – majoritariamente predatórias – impulsiona o declínio da natureza e “nem sempre é compatível com um futuro sustentável”. “O fundamental é que os especialistas detalharam a exposição das empresas à perda de biodiversidade, como elas podem medir o seu impacto e as suas dependências, e assim entender os riscos. É a primeira vez que atingimos esse nível de detalhamento, com esta quantidade de especialistas e com a presença de 150 governos”, resumiu Matt Jones, um dos três copresidentes do trabalho, apresentado na conclusão da 12ª sessão plenária do IPBES, em Manchester (Inglaterra). “Com uma clareza inédita, o relatório ajuda as empresas a entenderem o que elas precisam fazer agora.” Dependência direta ou indireta – mas todas dependem Essa dependência pode ser óbvia, como na agricultura ou na mineração, ou nem tão clara à primeira vista, como nas tecnologias digitais. “Pode ser de uma maneira muito direta, como no caso do agronegócio, que depende diretamente dos solos, de polinização, de água etc., mas também cadeias indiretas. Uma empresa que está desenvolvendo inteligência artificial depende de recursos que estão na nuvem e necessariamente precisa de uma série de componentes primários que vêm da natureza, depende de água para resfriar os seus servidores” explicou à RFI Rafael Loyola, coordenador de um dos capítulos do relatório e diretor da Fundação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável. “Quando as empresas começarem a entender que o risco de perda de biodiversidade e de degradação da natureza é um risco material, a mentalidade começa a mudar e as empresas vão começar a internalizar esses custos.” Conforme o estudo, em 2023, os fluxos globais de financiamento público e privado com impactos negativos diretos sobre a natureza chegaram a US$ 7,3 trilhões. Desse valor, um terço foram gastos públicos em subsídios que são prejudiciais ao meio ambiente. No caso do Brasil, Loyola ressalta que os incentivos à agricultura de baixo carbono representam uma minoria do pacote total de recursos disponibilizados para o setor. “A gente está falando em cortar subsídios que geram impacto ou pelo menos reorientá-los, para que não sejam, em sua maioria, atividades impactantes. Estamos falando eventualmente de taxas e benefícios fiscais para as atividades positivas”, exemplificou. “O governo tem um papel estruturante, que é importante para o mercado.” Desconhecimento afeta a proteção A mensuração dos danos é insuficiente, contribuindo para que os danos à natureza sejam minimizados tanto em termos políticas públicas, quanto na alocação de investimentos por bancos e o setor financeiro. Menos de 1% das empresas reporta seus impactos sobre a biodiversidade, nota o estudo. “Elas vão ter que avaliar isso na cadeia de valor que têm e comparar opções entre os seus fornecedores, por exemplo. E obviamente, em um nível mais alto das empresas, olhar para a sua estratégia e ver se ela gera valor porque está alinhada à natureza, e não porque está degradando a natureza. Assim eles poderão redirecionar os seus investimentos”, complementa o especialista brasileiro. Em 2023, apenas US$ 220 bilhões foram direcionados para atividades que contribuem para a conservação e restauração da biodiversidade – ou seja, 3% do valor mobilizado em atividades prejudiciais à natureza. Muitas dos negócios que apostam na conservação de espécies não têm conseguido gerar receitas suficientes para prosperarem, indica o texto. Recomendações O estudo traz uma lista de 100 recomendações para agentes públicos, privados e da sociedade civil promoverem uma “mudança transformadora”, ressaltando que um dos problemas é a falta de informação sobre as oportunidades que o caminho da preservação representa. Medidas como aumentar a eficiência, reduzir o desperdício e as emissões de CO2 beneficiam a biodiversidade. Um maior engajamento junto às comunidades locais, detentoras de conhecimentos tradicionais sobre a natureza, também está entre as recomendações. “Com uma relação respeitosa e apropriada com povos indígenas e comunidades locais, as empresas podem tomar decisões melhores. Existem muitos conhecimentos e dados existentes e as empresas não utilizam como poderiam”, apontou Matt Jones. Para Rafael Loyola, o Brasil é um modelo de como é possível adaptar planos de negócios para torná-los sustentáveis e positivos para a natureza, com as cadeias do açaí e da castanha, na Amazônia. Falta, entretanto, dar escala a essas iniciativas. “No centro do problema, existe a necessidade de mudança de mentalidade, de se entender que a natureza é um ativo para as empresas e a sociedade, e não um problema. Só que hoje temos um conjunto de condições que fazem com que seja mais lucrativo e mais fácil desenvolver um negócio que tem impacto sobre a natureza do que um que a restaure, a recupere”, disse Loyola. “Tem um papel central do Banco Central e dos bancos de desenvolvimento de, na hora de alocar o investimento, fazer uma diligência muito bem feita e fazer um monitoramento do que está sendo reportado, para que seja possível verificar que o que está sendo dito de fato acontece.”
Hoje é sábado! Temos um resumo especial dos pontos mais importantes da semana em que foi discutido o tema “Quem sustenta o Brasil: mulheres, energia e luta trabalhista na Amazônia”.Contamos com as participações de:Darlene Testa, Assessora SindicalVitória Gomes, Secretária Estadual do PT AmazonasIêda Leal, Sindicalista e Pedagoga
No 'TV Elas Por Elas Formação' desta quinta-feira (5) acompanhe a aula sobre "Os Desafios da Juventude de Esquerda na Amazônia" com Vitória Gomes, secretária estadual de juventude do Amazonas.
De origem indígena, a educadora e ativista assumiu o compromisso de avançar com uma política mais ampla e acolhedora de valorização dos povos tradicionais e originários e o avanço do diálogo com outras comissões para pensar projetos de lei com foco nessas populações e territórios. Sonora:
Encontro em São Gabriel da Cachoeira reuniu agências da ONU, lideranças indígenas e autoridades para reforçar ações integradas na Amazônia Legal; ações discutidas reforçam a integração entre proteção ambiental, direitos indígenas e desenvolvimento sustentável na região amazônica.
Publicado originalmente em 7 de fevereiro de 2024.Assim que terminou a residência médica, o cirurgião Oscar Espellet Soares teve uma apendicite tardiamente diagnosticada que evoluiu para uma infecção generalizada. A experiência poderia ter matado o Oscar. Mas, em vez disso, mudou a vida dele para sempre. Em vez de se tornar mais um cirurgião atuando em Porto Alegre, ele arrumou a mochila e partiu para o norte do Brasil. Tornou-se um cirurgião nômade, criando pontes entre mundos diversos e mudando vidas nessa jornada.Episódios relacionados89: Viagem ao centro do mundo29: E se a gente fosse índio?Mergulhe mais fundoExpedição da saúde faz mutirão de cirurgias em aldeia da AmazôniaFicha técnicaApoio de produção e edição: Matheus Marcolino.Mixagem de som: Vitor Coroa.Trilha sonora tema: Paulo Gama.Design das capas dos aplicativos e do site: Cláudia Furnari.Direção, roteiro e edição: Tomás Chiaverini.
É responsabilidade do Estado inspecionar as condições laborais de todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e garantir os seus direitos, como determina a Constituição Federal de 88. E quem deve fazer isso é um conjunto de funcionários públicos, os chamados auditores fiscais do trabalho. Neste primeiro, episódio você vai conhecer a história de um deles, André Roston. Ele compartilha sobre suas reflexões docomeço da sua carreira e conta a respeito de uma fiscalização de uma fazenda na Amazônia, localizada no município de de São Félix do Xingu, no estado do Pará, no começo dos anos 2000.Créditos: O podcast Histórias de Combate ao Trabalho Escravo é uma realização da Repórter Brasil, com distribuição do portal UOL.Idealização: Natália SuzukiRoteiro: Lucia NascimentoEdição: Natália Suzuki e Vitor CamargoMontagem, sonorização, trilha sonora e mixagem: Victor OliveiraGravação: Estúdio da Repórter BrasilApoio: Laudes Foundation, Fundação Avina, Fundo Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo do Mato Grosso
Lucas Tambelli, fundador da Comunidade do Samba em Queensland, celebra a participação especial do cantor indígena australiano Budjerah em uma das rodas de samba do grupo. Brasileiros falam sobre a suspensão de vistos dos Estados Unidos. Uma grande operação internacional contra o garimpo ilegal na Amazônia. O depoimento emocionante de um sobrevivente, o português Santiago Tavares, sobre descarrilamento de trem que deixou 42 mortos na Espanha.
As geleiras guardam a memória da evolução do clima no planeta – mas estão ameaçadas pelo aquecimento global. Na Antártida, pesquisadores de 13 países – inclusive do Brasil – começaram a abastecer o primeiro acervo glacial do mundo, para garantir a preservação desse patrimônio natural para as futuras gerações. Lúcia Müzell, da RFI em Paris As amostras que inauguraram o Santuário da Memória do Gelo (Ice Memory Sanctuary), instalado na base científica franco-italiana Concordia, foram retiradas dos Alpes. O primeiro cilindro, de 128 metros, saiu do Mont Blanc, na França, e o segundo, de 99 metros, foi extraído do Grand Combin, na Suíça. A prioridade é resguardar vestígios das geleiras que provavelmente não resistirão até o fim deste século, destruídas pelo aumento da temperatura média da Terra. "Os cilindros de gelo retirados de geleiras ameaçadas de desaparecer serão conservadas na Concordia pelas próximas décadas e séculos à frente, para estarem disponíveis para as futuras gerações de cientistas, quando essas geleiras, infelizmente, terão derretido”, indica o biologista Jérôme Fort, vice-presidente da Fundação Ice Memory e diretor de pesquisas do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS), da França. "Elas serão um rastro da história do nosso planeta: são arquivos extraordinários não só da história do clima, como da vida na Terra.” 'Balão' gigante formou a caverna de gelo O transporte da Europa até o polo sul foi quase uma operação de guerra: os cilindros precisaram ser mantidos a -20 °C durante todo o trajeto, que durou 50 dias. A chegada ocorreu no último dia 14. O santuário das geleiras, a 3,2 mil metros de altitude, é um projeto ambicioso, iniciado em 2015. O local foi construído todo em gelo, praticamente sem necessidade de outras infraestruturas, à exceção de uma espécie de balão gigante que serviu de fôrma para a caverna, agora transformada em “biblioteca do gelo”. A estrutura tem 35 metros de comprimento e fica a 9 metros abaixo da superfície. A temperatura constante de -54 °C no local permitirá preservar os cilindros por pelo menos 24 anos. Depois, a pressão do gelo tende a começar a deformar a caverna, e será preciso construir uma nova. Geleiras da América do Sul estão entre as mais ameaçadas Entre os pesquisadores que participam do projeto, tem um brasileiro: Jefferson Simões, diretor do Centro Polar e Climático do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Membro da Academia Brasileira de Ciências e com 29 viagens à Antártida no currículo, Simões é o primeiro glaciólogo do país. "O que nós estamos vendo, ao longo das últimas quatro décadas, é o derretimento principalmente das geleiras não polares. São as que estão nos trópicos, nas regiões temperadas, a exemplo dos Andes, dos Alpes, das Montanhas Rochosas e do Himalaia”, afirma. As da Venezuela já não existem mais, e outras desaparecerão em poucos anos, como as das montanhas Rwenzori, na África Central. "As geleiras, como um todo, guardam um registro muito importante. Elas são formadas pela acumulação, ao longo de milhares de anos, de cristais de neve, que, ao precipitarem-se e se acumularem, com o passar do tempo, carregam todas as características da atmosfera no momento em que se formaram”, sublinha Simões. Importância para a compreensão do aquecimento global O glaciólogo destaca a contribuição das geleiras para a paleoclimatologia, o estudo do passado do clima e de suas variações. Esses registros foram fundamentais para a descoberta e comprovação do aquecimento global. A análise das bolhas de ar retidas no gelo, ao longo de 800 mil anos, levou os cientistas a identificarem o acúmulo anormal de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) na atmosfera – os principais gases de efeito estufa. "Foi ali que nós demos as evidências de que esses gases atingiram, nos séculos 20 e 21, uma concentração nunca antes vista”, ressalta. Simões é o representante brasileiro no Comitê Científico de Pesquisa Antártica do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU), onde é um dos coordenadores de projetos de “perfuração de gelo não polar”. Ele participou das operações de captura de uma amostra na geleira Illimani, na Bolívia, que está sendo transportada para o Ice Memory Sanctuary. No futuro, a meta é coletar cilindros de outras partes dos Andes, como da calota de gelo Quelccaya, no Peru. "Nos trópicos, no Peru e na Bolívia, elas estão derretendo mais rapidamente e guardam registros, por exemplo, da história da química da atmosfera da Amazônia. Essa é uma das áreas pelas quais nós temos muito interesse, para reconstruir a história não só das queimadas e das mudanças do ciclo hidrológico, como também a história das culturas pré-colombianas”, salienta o pesquisador. Acervo com 20 amostras Além da amostra de Illimani, devem chegar nos próximos meses ao Ice Memory cilindros já recolhidos em Svalbard, no mar da Groenlândia, no Cáucaso e nas montanhas de Pamir, no Tajiquistão. No total, 20 amostras farão parte do acervo. Segundo projeções dos cientistas, metade das geleiras do mundo terá desaparecido até 2100. "Desde 1975, as geleiras perderam mais de 9 trilhões de toneladas de gelo, o equivalente a um bloco do tamanho da Alemanha, com 25 metros de espessura", observou Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial, na inauguração do projeto. O Ice Memory custou € 10 milhões nesses primeiros 10 anos, a maior parte financiados por fundos públicos de instituições científicas, e cerca de um terço por organizações filantrópicas. * Colaborou Géraud Bosman-Delzons, da RFI
O esvaziamento da Moratória da Soja no Brasil, instrumento multissetorial de controle do plantio sobre áreas desmatadas, aumenta o desafio do país para garantir a sustentabilidade da produção brasileira. Depois de anos de pressão de ruralistas e do governo de Mato Grosso para derrubar o acordo privado, as principais exportadoras de grãos anunciaram a sua retirada do dispositivo, firmado em 2006. Lúcia Müzell, da RFI em Paris Desde então, a moratória era complementar a outras medidas de controle do desmatamento da Amazônia, sob pressão pelo avanço das lavouras da leguminosa. O dispositivo voluntário uniu governos, empresas e sociedade civil no compromisso de não comercializar soja plantada em áreas de floresta derrubada depois de 2008 – ano de referência do Código Florestal, aprovado mais tarde, em 2012. Os dados de queda da devastação comprovam a eficiência da medida, salienta Lisandro Inakake, gerente de Políticas Públicas do Imaflora, entidade que promove a agricultura sustentável. “A partir de 2009 até 2022, o desmatamento associado à soja teve uma queda de 69%, em média. O esvaziamento pode enviar sinais ao setor produtivo, à fronteira agrícola brasileira que está em expansão, de que não temos mais este instrumento e, então, podemos fazer um processo de novas ocupações”, teme. Há 20 anos, as ferramentas tecnológicas de monitoramento do desmatamento eram menos eficientes, levando o setor privado a adotar mecanismos próprios para atender ao mercado internacional e, especificamente, o europeu, cada vez mais exigente do ponto de vista ambiental. Nos últimos anos, entretanto, esses padrões passaram a ser incorporados às novas legislações dos países e aos tratados internacionais de comércio, pondera o advogado Leonardo Munoz, especialista da FGV em Direito Ambiental. “Não é que a Moratória da Soja morreu. Ela foi incorporada em normas. Estamos vivendo uma fase de transição de como vamos comprovar que aqueles produtos não vêm de terras desmatadas”, afirma. “Em vez de termos um acordo comercial, eu terei Código Florestal, o Cadastro Ambiental Rural (CAR), a rastreabilidade. O problema é que a moratória terceirizava a fiscalização para o setor privado. Com a lei, essa fiscalização recai também sobre o Estado – e é aí que a coisa complica, porque nisso o Brasil sempre pecou.” Abiove e principais traders saíram do acordo O acordo incluía entidades poderosas como a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), que reúne gigantes mundiais do setor como Cargill, Bunge e Amaggi. Mas a entrada em vigor de uma lei estadual – depois de uma batalha judicial no Supremo Tribunal Federal – agora bloqueia o acesso a benefícios fiscais aos aderentes, causando a debandada dos signatários. O governo de Mato Grosso, maior produtor do país, e entidades ruralistas alegam que a moratória era mais rigorosa que o Código Florestal, ao impedir o plantio de soja inclusive nos limites estabelecidos pela legislação brasileira. O texto federal permite o desmatamento de até 20% da área de uma propriedade. Entidades ambientalistas, como o Greenpeace, criticaram a decisão, afirmando que “a Abiove e suas associadas optaram por abrir mão de um compromisso que ajudou a reduzir o desmatamento na Amazônia em troca de preservar seus benefícios fiscais”. Em nota, a WWF-Brasil afirmou que o esvaziamento do acordo “configura um retrocesso grave e injustificável para o setor privado e para o Brasil”. “A decisão dessas empresas enfraquece um dos instrumentos mais eficazes de combate ao desmatamento no país e expõe o próprio agronegócio a riscos crescentes”, completou o texto. “O Estado perde um aliado nessa agenda política ambiental. Sozinha, a moratória não resolve, e o Estado brasileiro continua sob muita pressão, buscando atingir as suas metas de reduzir entre 59 e 60% as emissões de gases de efeito estufa até 2035 e de desmatamento zero até 2030”, salienta Lisandro Inakake, do Imaflora. “Se você tem um sinal de que se perdeu um instrumento de ordenamento e controle dessa expansão [da agricultura em direção à floresta], isso compromete as nossas metas. Eu acredito que os resultados podem ser atingidos, mas a gente precisa de uma agenda de implementação da política ambiental brasileira.” Exigências europeias vão aumentar A retirada da Abiove ocorreu dias antes da aprovação do acordo comercial entre os países do Mercosul e da União Europeia, apesar da forte pressão de agricultores e ecologistas europeus para que o tratado fosse recusado pelo bloco. No fim deste ano, também deve entrar em vigor a EUDR, a nova lei antidesmatamento da União Europeia, que exigirá dos produtos importados pelo bloco os mesmos critérios ambientais da produção na Europa. “Eu não vejo mais razão, do ponto de vista regulatório e racional, de se cobrar pela moratória se a agenda já está de olho na EUDR. Está todo mundo preocupado com rastreabilidade e com o marco temporal de 2020 que ele estabelece”, observa Leonardo Munoz. “Isso é um movimento positivo que a União Europeia está puxando: quando ela estatiza os padrões voluntários ambientais, em normas, ela unifica vários padrões de preservação. Para o comércio internacional, é muito melhor e muito mais previsível.” O advogado salienta que aumentará o peso da responsabilidade do governo brasileiro no controle da cadeia produtiva, incluindo mais eficiência na gestão e validação dos Cadastros Ambientais Rurais e regularização de passivos ambientais. Para que a credibilidade do país como exportador não seja abalada, as taxas de desmatamento deverão permanecer baixas, mesmo com o fim da moratória. “Não vai ser meramente verificar se vem de um polígono desmatado ou não: eu vou ter que fazer toda a rastreabilidade do grão. Teremos que ver a logística, ter tecnologias”, destaca. “O Prodes e o Deter não são suficientes. Eles serão mais um instrumento, junto com o CAR, para oferecer a rastreabilidade do grão. Para atender à EUDR, a lição de casa do Estado acabou aumentando.”
Clima de celebração hoje. Os olhos do mundo estão no Pará — COP acontecendo, Círio ainda quente no coração — e a nossa convidada é um dos nomes que transformaram essa energia em linguagem. Multiartista amazônica que botou o tecnobrega no centro do pop, ela abriu caminho para uma geração inteira: 27 anos de estrada, a primeira paraense no Palco Mundo do Rock in Rio, Latin Grammy e, com sua obra reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Pará.Mas título nenhum explica sozinho o que acontece quando ela chega: a rua vira palco, a aparelhagem vira cinema de som e luz, o sagrado dança com o profano. Do Jurunas pro mundo, a Gaby sempre fez da pista uma tese — e agora dobra a aposta com Rock Doido, um álbum-filme pensado como set contínuo, plano-sequência, cidade em movimento. É festa, é manifesto, é técnica, é afeto.Hoje a conversa é pra honrar essa trajetória e olhar pra frente pra uma Amazônia que não é cenário, é sujeito, pra nos lambuzar de uma fartura cultural que exige seu espaço na identidade brasileira. Gaby Amarantos, bem-vinda ao Mamilos! Anuncie no Mamilos ou contrate a consultoria Milos: mamilos@mamilos.me Saiba mais em Mamilos.meEste programa é um oferecimento TotalPass e Insider.
Brasil quer ser potência turística, mas hoje recebe menos turistas internacionais que Peru e República Dominicana, mesmo tendo Amazônia, Pantanal, litoral gigante e cidades históricas. Ao mesmo tempo, o turismo já responde por quase 8% do PIB e dos empregos do país e é movido, em mais de 90%, pelo brasileiro viajando dentro do próprio Brasil. Como é que um setor tão grande segue sendo tratado só como “férias” e não como política econômica, urbana e ambiental? Neste episódio do Mamilos, Ju Wallauer e Cris Bartis recebem Mariana Aldrigue, pesquisadora de turismo há 25 anos, professora da USP e ex-responsável pela área de inteligência da Embratur, e Ana Carla Fonseca, economista e urbanista, fundadora da Garimpo de Soluções, referência em economia criativa, cultura, cidades e desenvolvimento. Juntas, elas ajudam a responder: o que o turismo representa hoje para o Brasil e o que ele poderia ser se fosse levado a sério como estratégia de país?Ao longo da conversa, a gente fala sobre:a economia do turismo no mundo e no Brasil: participação no PIB, empregos, peso do turismo interno x internacional;o lugar do Brasil no ranking de destinos globais – e por que “turismo é o universo da manipulação estatística”;casos de países que se reposicionaram, como Peru, República Dominicana e Ruanda, usando soft power, gastronomia, audiovisual e campanhas como o Visit Rwanda;turismo, urbanismo e desenvolvimento territorial: projetos no Vale das Histórias e no Vale do Ribeira, autoestima de quem mora no território e risco de overtourism em lugares como Aruba;a diferença entre destinos “plastificados”, tipo parque temático (Gramado, Bonito, Balneário), e experiências mais conectadas com a comunidade e a cultura local, como o nomadismo digital no Rio Grande do Norte (Pipa, São Miguel do Gostoso);a imagem do Brasil lá fora e a frase incômoda de Ricardo Freire: “o pior embaixador do Brasil é o brasileiro”;e, no fim, uma chuva de hacks de viagem: como escolher destino sem cair em roubada, entender alta e baixa temporada, usar bem o mapa de chuvas e não ser enganado por “promoção imperdível” de passagem aérea.Se você se interessa por turismo no Brasil, viagens, economia do turismo, cidades, desenvolvimento regional, turismo sustentável, overtourism, nomadismo digital e planejamento de viagem, este episódio é pra ouvir com atenção – antes de comprar a próxima passagem.INSIDER: Se você curte o Mamilos, dá pra apoiar o podcast até na hora de renovar o guarda-roupa A Insider tá com uma condição especial pra nossa comunidade — aquelas peças confortáveis, tecnológicas e que duram muito mais tempo no uso do dia a dia. Desconto exclusivo pra ouvintes do Mamilos:Cupom de desconto: MAMILOS
Este episódio do 451 MHz traz a reprise do episódio narrativo publicado originalmente em fevereiro de 2025 e que marcou os oitenta anos da morte de Mário de Andrade. Parte da coleção Narradores do Brasil, esse especial revisitou a viagem que o escritor modernista fez pelo norte do país, nos anos 20 do século passado, e a escrita do diário de bordo que acabou dando origem ao clássico O Turista Aprendiz — um livro que ficou quase um século fora de catálogo e ganhou nova edição em 2024, publicada pela Tinta-da-China Brasil, o selo editorial da Associação Quatro Cinco Um. O episódio conta por que a viagem e este livro se tornaram marcos da cultura brasileira e até hoje inspiram escritores, jornalistas, pesquisadores e meros turistas aprendizes a conhecer a Amazônia e a literatura de Mário de Andrade. Com apresentação de Paulo Werneck, o programa traz entrevistas com o biógrafo Jason Tércio, a crítica Eliane Robert Moraes, o professor Paulo Nunes, o escritor Milton Hatoum, além de áudios da crítica Beatriz Sarlo e da fotógrafa Maureen Bisilliat. As leituras são da escritora Amara Moira. Apoio: Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais. Assine a Quatro Cinco Um por R$ 10/mês: https://bit.ly/Assine451 Seja um Ouvinte Entusiasta e apoie o 451 MHz: https://bit.ly/Assine451
Brasil quer ser potência turística, mas hoje recebe menos turistas internacionais que Peru e República Dominicana, mesmo tendo Amazônia, Pantanal, litoral gigante e cidades históricas. Ao mesmo tempo, o turismo já responde por quase 8% do PIB e dos empregos do país e é movido, em mais de 90%, pelo brasileiro viajando dentro do próprio Brasil. Como é que um setor tão grande segue sendo tratado só como “férias” e não como política econômica, urbana e ambiental? Neste episódio do Mamilos, Ju Wallauer e Cris Bartis recebem Mariana Aldrigue, pesquisadora de turismo há 25 anos, professora da USP e ex-responsável pela área de inteligência da Embratur, e Ana Carla Fonseca, economista e urbanista, fundadora da Garimpo de Soluções, referência em economia criativa, cultura, cidades e desenvolvimento. Juntas, elas ajudam a responder: o que o turismo representa hoje para o Brasil e o que ele poderia ser se fosse levado a sério como estratégia de país? Ao longo da conversa, a gente fala sobre: a economia do turismo no mundo e no Brasil: participação no PIB, empregos, peso do turismo interno x internacional; o lugar do Brasil no ranking de destinos globais – e por que “turismo é o universo da manipulação estatística”; casos de países que se reposicionaram, como Peru, República Dominicana e Ruanda, usando soft power, gastronomia, audiovisual e campanhas como o Visit Rwanda; turismo, urbanismo e desenvolvimento territorial: projetos no Vale das Histórias e no Vale do Ribeira, autoestima de quem mora no território e risco de overtourism em lugares como Aruba; a diferença entre destinos “plastificados”, tipo parque temático (Gramado, Bonito, Balneário), e experiências mais conectadas com a comunidade e a cultura local, como o nomadismo digital no Rio Grande do Norte (Pipa, São Miguel do Gostoso); a imagem do Brasil lá fora e a frase incômoda de Ricardo Freire: “o pior embaixador do Brasil é o brasileiro”; e, no fim, uma chuva de hacks de viagem: como escolher destino sem cair em roubada, entender alta e baixa temporada, usar bem o mapa de chuvas e não ser enganado por “promoção imperdível” de passagem aérea. Se você se interessa por turismo no Brasil, viagens, economia do turismo, cidades, desenvolvimento regional, turismo sustentável, overtourism, nomadismo digital e planejamento de viagem, este episódio é pra ouvir com atenção – antes de comprar a próxima passagem. INSIDER: Se você curte o Mamilos, dá pra apoiar o podcast até na hora de renovar o guarda-roupa A Insider tá com uma condição especial pra nossa comunidade — aquelas peças confortáveis, tecnológicas e que duram muito mais tempo no uso do dia a dia. Desconto exclusivo pra ouvintes do Mamilos: Cupom de desconto: MAMILOS
Ernesto Reis é ex-oficial de Comandos e Forças Especiais, tendo conquistado o 1º lugar nos cursos mais brutais do Exército Brasileiro. Com 18 anos de carreira, operou na Amazônia, nas favelas do Rio e serviu na elite americana (82nd Airborne Division) antes de pedir demissão para empreender nos EUA.Neste papo, ele revela os bastidores inéditos do treinamento de elite (incluindo o dia em que fingiu um desmaio para sobreviver), compara a estrutura do PCC a grandes multinacionais e ensina como aplicar a mentalidade "Forças Especiais" para vencer batalhas na vida civil e nos negócios.Patrocinador: Ajudamos a suavizar as dores do crescimento e aumentar a margem líquida. Clique no link e veja como implementamos isso.Link: https://rebrand.ly/consultoria-excepcionais-269Temas:00:00:00 - Introdução00:02:48 - O que é "Pensar como Forças Especiais"?00:05:30 - Brasil vs EUA: A diferença real entre as tropas00:38:42 - A diferença entre COMANDOS e FORÇAS ESPECIAIS00:49:05 - O dia que fingi desmaio no curso (e a lição brutal)01:04:23 - Missão Real: Abandonei meu noivado para ir para a selva01:14:45 - "Casa de Matar": Treinando o controle emocional01:55:06 - Análise Militar: O Brasil precisa de uma guerra?01:59:34 - PCC: A multinacional do crime que superou grandes empresasErnesto: https://www.instagram.com/ernestoreisfh/Escute:Youtube: https://youtu.be/U6i07eG8kYYSiga:Marcelo Toledo: https://instagram.com/marcelotoledoInstagram: https://instagram.com/excepcionaispodcastTikTok: https://tiktok.com/@excepcionaispodcast
Mandioca todo mundo conhece, certo? Mas, você já comeu cacau? Não, não o chocolate, o cacau mesmo. E o Cupuaçu? Conversamos sobre a importância cultural, versatilidade e potencial tóxico desses alimentos tão caracterísico do norte do Brasil. Patronato do SciCast: 1. Patreon SciCast 2. Apoia.se/Scicast 3. Nos ajude via Pix também, chave: contato@scicast.com.br ou acesse o QRcode: Sua pequena contribuição ajuda o Portal Deviante a continuar divulgando Ciência! Contatos: contato@scicast.com.br https://twitter.com/scicastpodcast https://www.facebook.com/scicastpodcast https://www.instagram.com/PortalDeviante/ Fale conosco! E não esqueça de deixar o seu comentário na postagem desse episódio! Expediente: Produção Geral: Tarik Fernandes e André Trapani Equipe de Gravação: Tarik Fernandes, Marcelo de Matos, Gustavo Rebello, Lenin Machado, Daniela Andrade, Diego Squinello Citação ABNT: Scicast #672: Sabores e Tradições Amazônicas: Mandioca, Cacau e Cupuaçu. Locução: Tarik Fernandes, Gustavo Rebello, Lenin Machado, Daniela Andrade, Diego Squinello. [S.l.] Portal Deviante, 09/12/2025. Podcast. Disponível em: https://www.deviante.com.br/podcasts/scicast-672 Imagem de capa: https://brasilagosto.org/cupuacu/ Referências e Indicações EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). "Açaí: o fruto da Amazônia". Disponível em: https://www.embrapa.br/tema-acai SILVA, S. M. et al. "Características nutricionais e funcionais do açaí (Euterpe oleracea Mart.)". Revista Brasileira de Fruticultura, 2014. SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). "Cadeia produtiva do açaí no Brasil". Disponível em: https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/pa/artigos/a-cadeia-produtiva-do-acai JUNQUEIRA, N. T. V.; ROCHA, F. S. "Botânica e fruticultura do açaí". Revista Brasileira de Fruticultura, 2016. CAVALCANTE, P. B. "Frutas comestíveis da Amazônia". Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 2010. MUÑIZ-MIRET, N. et al. "Genetic diversity of Euterpe oleracea Mart. in the Amazon". Scientia Agricola, 1996. INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA). "Povos e comunidades tradicionais da Amazônia". Disponível em: https://www.socioambiental.org Canal Rural: “Pará exporta mais de 61 mil toneladas de açaí por ano, aponta estudo” Disponível em: https://www.canalrural.com.br/agricultura/para-exporta-mais-de-61-mil-toneladas-de-acai-por-ano-aponta-estudo Agência Pará: “Dia do Açaí: Pará segue na liderança nacional com mais de 90% da produção brasileira” Disponível em: https://agenciapara.com.br/noticia/59374/dia-do-acai-para-segue-na-lideranca-nacional-com-mais-de-90-da-producao-brasileira Estado de Minas: “Açaí brasileiro vira febre fora do país e ganha o mundo” Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2023/10/15/internas_economia%2C1576667/acai-brasileiro-vira-febre-fora-do-pais-e-ganha-o-mundo.shtml Acai Berry Market Set to Thrive at an Impressive 11.5% CAGR Disponível em: https://www.newstrail.com/acai-berry-market-set/ BARBOSA, A. P. et al. "Compostos bioativos do jambu: uma revisão". Revista Brasileira de Farmacognosia, 2016. SILVA, S. M. et al. "Propriedades medicinais e culinárias do jambu (Acmella oleracea)". Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 2015. Sugestões de vídeos: A lenda da mandioca (recomendado para crianças): https://www.youtube.com/watch?v=zSBsJTSX3AE Sugestões de links: Sobre diferenciar mandioca brava e mansa: https://www.cpt.com.br/dicas-cursos-cpt/e-possivel-diferenciar-mandioca-brava-da-de-mesa https://www.embrapa.br/embrapa-no-cirio/jambu https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/56524/1/n12-etnocultivo-do-jambu-p.pdfSee omnystudio.com/listener for privacy information.