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Assunto Nosso
O que a sua vida está ensinando?

Assunto Nosso

Play Episode Listen Later Jul 21, 2026 4:15


Posso fazer algumas perguntas?Não precisa responder para mim. Responda para você.Quando foi a última vez que você exigiu dos outros algo que você mesmo não estava conseguindo entregar?Você cobra pontualidade… mas chega no horário?Cobra respeito… mas respeita?Pede comprometimento… mas demonstra comprometimento?Pede que as pessoas “vistam a camisa”… mas elas têm vontade de vestir a camisa de alguém que não dá o exemplo?É curioso como nós gostamos de ensinar.Hoje existem livros, cursos, palestras e milhares de pessoas dizendo como liderar, como educar, como empreender, como construir uma família melhor.Mas a vida continua ensinando uma verdade muito simples: palavras convencem por alguns minutos. O exemplo convence por uma vida inteira.Pense na pessoa que mais marcou a sua história.Provavelmente você não lembra de tudo o que ela disse.Mas lembra exatamente de como ela vivia.Os filhos observam.Os funcionários observam.Os colegas observam.As pessoas não seguem discursos. Elas seguem coerência.Talvez a pergunta mais importante desta manhã não seja: “O que eu estou dizendo?”Talvez seja: “O que a minha vida está dizendo quando eu fico em silêncio?”Porque falar… qualquer um fala.Agora, viver aquilo que se acredita… essa continua sendo uma das maiores demonstrações de liderança.Que hoje a gente fale um pouco menos… e inspire um pouco mais pelo exemplo.Um excelente dia para você.

Arauto Repórter UNISC
O que a sua vida está ensinando?

Arauto Repórter UNISC

Play Episode Listen Later Jul 21, 2026 4:15


Posso fazer algumas perguntas?Não precisa responder para mim. Responda para você.Quando foi a última vez que você exigiu dos outros algo que você mesmo não estava conseguindo entregar?Você cobra pontualidade… mas chega no horário?Cobra respeito… mas respeita?Pede comprometimento… mas demonstra comprometimento?Pede que as pessoas “vistam a camisa”… mas elas têm vontade de vestir a camisa de alguém que não dá o exemplo?É curioso como nós gostamos de ensinar.Hoje existem livros, cursos, palestras e milhares de pessoas dizendo como liderar, como educar, como empreender, como construir uma família melhor.Mas a vida continua ensinando uma verdade muito simples: palavras convencem por alguns minutos. O exemplo convence por uma vida inteira.Pense na pessoa que mais marcou a sua história.Provavelmente você não lembra de tudo o que ela disse.Mas lembra exatamente de como ela vivia.Os filhos observam.Os funcionários observam.Os colegas observam.As pessoas não seguem discursos. Elas seguem coerência.Talvez a pergunta mais importante desta manhã não seja: “O que eu estou dizendo?”Talvez seja: “O que a minha vida está dizendo quando eu fico em silêncio?”Porque falar… qualquer um fala.Agora, viver aquilo que se acredita… essa continua sendo uma das maiores demonstrações de liderança.Que hoje a gente fale um pouco menos… e inspire um pouco mais pelo exemplo.Um excelente dia para você.

Boa Noite Internet
O Império da IA — com Karen Hao

Boa Noite Internet

Play Episode Listen Later Jul 19, 2026 63:50


O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open'. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de valores, sua língua, e projeta a hegemonia do inglês. Isso influencia boa parte do conhecimento que a gente vai produzir daqui pra frente, porque cientistas e educadores usam essas plataformas e acabam perpetuando essas mesmas ideologias e valores.E o quarto e último paralelo é que impérios sempre se agarram a uma narrativa existencial ou moral sobre por que precisam existir. Essas empresas fazem a mesma coisa. Dizem que são o “império do bem”, numa missão civilizatória de trazer progresso e modernidade pra toda a humanidade, competindo contra um “império do mal” que ameaça mandar a humanidade pro inferno.Quando você conversa com algumas pessoas dentro dessas empresas, ou que as lideram, elas dizem: se você nos deixar construir uma inteligência artificial geral, que elas de alguma forma moldam como um deus, a gente vai acabar numa espécie de utopia, um paraíso onde a mudança climática é resolvida, o câncer é curado, a pobreza é aliviada.Mas, se os caras maus conseguirem isso antes, a gente pode acabar com todos os humanos mortos — um risco de extinção pra todos nós.Cris: E eles vêm dizendo isso há quase dez anos, e ainda usam como ferramenta. A gente está num país que foi influenciado por três impérios ao longo da história: Portugal, Inglaterra e agora os Estados Unidos. Então a gente olha pra essas empresas de um jeito meio cínico: sim, sim, já conhecemos essa história.Mas, ao mesmo tempo, ano passado, o Pew Research Center fez uma pesquisa sobre como o mundo enxerga a IA, e o sul global é bem mais otimista do que o norte. Uma das razões é a ideia de democratizar — não só informação, mas: ah, finalmente eu posso montar uma startup, sair desse lugar de exploração e criar o unicórnio de um bilhão de dólares. Os números são grandes na China. Países em desenvolvimento veem muito mais benefício do que risco na IA.China, 83%. Tailândia, 77%. Holanda, 36%. Canadá, 40%. Será que a gente está deixando passar alguma coisa? A gente está certo? Isso está democratizando mesmo? Até que ponto?Karen Hao: Provavelmente tem duas razões. Uma é que muitos dos danos que a indústria de IA causa à maioria global são bem escondidos. Ela se esforça muito pra esconder como polui o ambiente dessas comunidades, como explora e devasta a mão de obra, deixando traumas psicológicos — como documento no livro.E, recentemente, li um artigo de opinião no New York Times que trazia um bom ponto: muitas economias desenvolvidas estão especialmente atentas ao potencial da IA de desmontar oportunidades de emprego de tempo integral. A gente começa a ver isso cada vez mais. Já na maioria global, muito mais gente vive em economias informais, e aí a ideia de que a IA vai tomar um emprego de tempo integral não pesa tanto.Então os danos mais visíveis — a erosão do emprego formal de tempo integral — pesam mais no norte global, ou pelo menos é lá que as pessoas se sentem mais ansiosas. E os danos invisíveis, que atingem o sul global, ninguém percebe tanto, justamente porque são invisíveis. É meio por isso que tanta gente sente essa divisão que aparece na pesquisa do Pew.Cris: Eu tenho acompanhado as notícias sobre IA no Brasil, e toda semana tem um novo data center sendo construído em alguma cidade. Isso é vendido como uma coisa boa: que ótimo investimento, gera emprego. E me fez pensar de novo — a gente passou por três impérios, mas algumas famílias no Brasil, e aposto que em outros lugares também, estão no poder há 500 anos ao longo da história do país.Então, ao mesmo tempo, a gente pensa: é, estamos sendo explorados, é a mesma coisa. Eu já não tenho emprego, então deixa eu usar essa tecnologia pra melhorar minha vida. Mas as pessoas que realmente tomam as decisões, de novo, nos últimos 500 anos, se perguntaram: como a gente ajuda esse pessoal a explorar nosso país de um jeito que nos mantenha no poder e nos dê muito dinheiro?Mas também foi verdade que, sei lá, a Volkswagen abre uma fábrica no Brasil e aquilo gera emprego, contrata gente pro chão de fábrica e pros escritórios. Como é que isso é diferente com a IA?Karen Hao: De certa forma, não é diferente. Existe um fenômeno parecido: a indústria de IA terceiriza muitos dos trabalhos que ela não quer dentro dos centros de poder, e joga isso pra comunidades empobrecidas, do mesmo jeito que outras multinacionais fizeram por décadas.Mas também é diferente, porque a escala dos impactos trabalhistas e ambientais da IA é completamente outra, muito maior que a da indústria automobilística ou da moda. E a velocidade é outra, porque são tecnologias digitais que atravessam fronteiras muito rápido.E é diferente porque a maioria das pessoas não percebe que a IA, mesmo sendo tecnologia digital, tem uma cadeia de suprimentos muito física e intensiva em mão de obra manual.Quando você compra roupa, café, um carro, é mais óbvio que existem materiais que precisam ser extraídos e depois manuseados por pessoas pra criar aquele produto. Já com a IA, a maioria aceita a narrativa que o Vale do Silício projeta: a de que isso vem da “nuvem”, desses espaços etéreos que parecem nem existir no planeta. E a verdade é exatamente o oposto.Ela depende de uma quantidade extraordinária de extração mineral. Depende da construção de infraestruturas enormes — data centers, instalações de supercomputação espalhadas pelo mundo. E depende de muita, muita mão de obra manual: trabalhadores de dados que limpam, preparam e moderam o conteúdo dos sistemas de IA que chegam até você quando usa o ChatGPT.É isso que a torna tão diferente. E há também uma ideologia completamente diferente sustentando a expansão da IA. Quando você conversa com executivos da moda, eles não vão dizer: se você não comprar nossa roupa, vai pro inferno.Já a indústria de IA diz: se você não nos deixar capturar cada vez mais terra, mais recursos e mais mão de obra pra produzir essas tecnologias, vamos ter uma destruição civilizacional. Isso é, ao mesmo tempo, retórica política usada como arma pra moldar o debate público e a cabeça de quem formula políticas, e também está enraizado num sistema de crenças — algumas pessoas dentro dessas empresas realmente acreditam que, se uma AGI fosse construída, e construída nas mãos erradas, isso levaria mesmo a esse tipo de destruição.E é isso que move a sede cada vez maior da indústria por mais capital, mais recursos e mais terra.Cris: Eu quero falar sobre AGI, mas antes: ano passado, a OpenAI estava sendo processada no Reino Unido por violação de direitos autorais, basicamente todos os livros do mundo digitalizados e usados pra treinar modelos. E um dos executivos disse ao júri: bem, se a gente não puder fazer isso, fecha as portas. Me chocou que muita gente reagiu com um “ah, tá, o que a gente pode fazer? Eles vão fechar as portas”.Em parte porque a gente já está acostumado com essa narrativa. Outro dia, numa conferência, um ex-CEO dizia: a gente teve que usar embalagem de plástico porque é mais barata que papel, senão prejudicaria nosso resultado. E a plateia reagia: ah, então é só fechar as portas — a sociedade não pode arcar com isso.Mas isso também, como você disse, se conecta à ideia de uma grande missão, uma missão de salvar o mundo, que a gente precisa cumprir antes que seja tarde, senão estamos condenados. OpenAI está literalmente no nome — só que em português não é tão direto: é “inteligência artificial aberta”.Foi criada a partir de um sonho, um projeto que era pra ser uma coisa pro bem comum. Em 2019, num tempo bem distante, antes da pandemia, você cobriu a OpenAI, foi até o escritório deles, ficou lá dentro. O que você viu? E, mais importante, como essa missão mudou? O Elon Musk os processou outro dia justamente por mudarem a missão. Isso alguma vez foi verdade? Em algum momento eles pensaram mesmo “ah, a gente vai salvar o mundo”?Como essa narrativa de ser aberta funciona com a OpenAI?Karen Hao: Quando comecei a cobrir a OpenAI, levei a sério o que eles diziam — que tinham sido recrutados com a missão de beneficiar toda a humanidade. E aí, quando me infiltrei na empresa, fui ficando bem mais cética, porque via como eles operavam de um jeito completamente diferente, portas adentro, do que diziam em público.Diziam que iam publicar todas as pesquisas e abrir o código de tudo, e na prática eram uma das organizações mais secretas que já cobri. Eram muitas discrepâncias, e, na época, presumi que tinha havido algum tipo de corrupção que os levou a abandonar a missão original. Depois de cobrir a empresa por mais alguns anos e de trabalhar neste livro, mudei de ideia até sobre a missão original.Não acho mais que ela era um esforço sincero e generoso de beneficiar a humanidade. A missão foi criada pra dar à empresa — na época, uma organização sem fins lucrativos — uma margem de manobra extraordinária pra depois levantar muito capital, acumular muito talento e perseguir a força motriz de verdade por trás de tudo aquilo: se tornar a força dominante no desenvolvimento de IA.E penso assim agora porque, quando você olha pras narrativas de cada nova empresa de IA no começo — a Anthropic, a xAI, a Safe Superintelligence do Ilya Sutskever, a Thinking Machines Lab da Mira Murati —, todas usam a mesma narrativa da OpenAI: nós somos os mocinhos, eles são os bandidos.É por isso que precisamos criar uma nova empresa que avance a IA do nosso jeito, não do deles. E você começa a perceber, por esse padrão, que eles repetem a mesma coisa em parte porque acreditam nela até certo ponto, mas também porque ela funciona muito bem com a imprensa, com o público, com quem formula políticas.No livro, eu reproduzo os e-mails internos que Elon Musk, Sam Altman e Greg Brockman trocavam nos primeiros dias da OpenAI. Eles tinham plena consciência de que estavam criando uma missão que soasse bem para o público. E o propósito de verdade, que também deixaram registrado nesses e-mails, era vencer o Google. Viam o Google como a força dominante em IA e queriam ser eles essa força.Não gostavam de ver o Google na frente, então inventaram justificativas: o Google é uma empresa com fins lucrativos, então nós vamos ser sem fins lucrativos. Mas, no fundo, acho que era puro ego: tem que ser a gente, não eles, a gente quer ser quem lidera isso.E aí passaram um tempão moldando essa missão pública, que acabou sendo super útil pra recrutar o primeiro grupo de pesquisadores e turbinar o avanço deles.Cris: Então agora é um bom momento pra falar de AGI, a inteligência artificial geral. Muita gente pergunta: o que é AGI? O que “geral” quer dizer? E a impressão que peguei lendo seu livro é que, por design, isso nunca fica claro de verdade, porque é um alvo móvel. Essas empresas um dia vão dizer “chegamos, alcançamos a AGI”? Ou o plano é sempre “não, não, ainda não chegamos, me dá mais dinheiro, me dá mais poder”?Qual é o papel da AGI na narrativa dessas empresas?Karen Hao: Já que a gente está falando de ficção científica, eu costumo usar a analogia de que o mundo da IA é meio como Duna. Em Duna, o personagem principal, Paul Atreides, entende, ao chegar no planeta Arrakis, que o povo de lá foi semeado com um mito: o de que um dia viria um Messias pra libertá-los. Ele sabe que é um mito, mas decide entrar nele e agir como se fosse o Messias pra controlar melhor aquele povo.E, vivendo, respirando e encarnando esse mito dia após dia, ele começa a perder a noção de que é um mito. Passa a se perguntar se o mito era mesmo verdadeiro ou se foi ele quem o tornou verdadeiro. É essa confusão entre mito e realidade — ele vive num espaço intermediário, sem ter mais certeza do que é verdade e do que é ficção.E trago isso pra responder sobre a AGI porque a AGI é, ao mesmo tempo, um mito e algo que os líderes e os trabalhadores dessas empresas vivem, respiram e encarnam dia após dia, a ponto de perderem a noção do que é mito e do que é realidade. É a ideia de um sistema de IA teórico que um dia igualaria as capacidades humanas. Só que a gente nem tem consenso científico sobre o que é inteligência humana.Por isso, de certa forma, por design, é um termo bem maleável, que deixa essas empresas fazerem o que quiserem. Elas definem e redefinem a AGI conforme a necessidade, movem a trave pra onde quiserem. E, ao mesmo tempo, isso é sustentado por uma crença genuína de certas pessoas lá dentro, por causa dessa confusão entre mito e realidade. Pelas minhas contas, a OpenAI já usou pelo menos quatro definições diferentes de AGI.A primeira está no site deles: “sistemas altamente autônomos que superam humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”. É uma definição de automação do trabalho — eles dizem, de forma explícita, que estão atrás dos empregos mais bem pagos. A segunda apareceu no contrato com a Microsoft, por um tempo a maior investidora deles: ali, a AGI virou um sistema que geraria 100 bilhões de dólares em receita.Ou seja, uma definição feita pra incentivar a Microsoft a investir. Já o Sam Altman disse ao Congresso que AGI é um sistema que cura o câncer e resolve a mudança climática — uma definição de benefício social, muito útil quando você quer que os reguladores não te regulem.E, por fim, quando falam com o consumidor, dizem que vai ser o melhor assistente digital que você já teve — porque, claro, estão tentando vender o produto.E aí você percebe duas coisas. Primeiro, que é um conjunto de definições completamente incoerente. Segundo, que eles trocam de definição conforme o público que querem convencer. Mas também tem gente nessas empresas que acredita de verdade que está construindo uma tecnologia capaz de dar conta das quatro coisas.Então é uma realidade bem confusa e complicada: o que a AGI de fato é, e pra que ela serve, para essas empresas, para a agenda delas e também para as crenças delas.Cris: Como ex-funcionário da Meta — entrei em 2013 —, a missão era unir o mundo e torná-lo mais aberto e conectado. É uma missão incrível. E tem uma coisa que eu sempre digo, porque muito amigo meu vem falar comigo, “ah, esse cara da OpenAI, ou a própria Meta, são maus”. Eu conheci muita gente na empresa. Nunca conheci uma pessoa mal-intencionada.Todo mundo, independente da missão, era gente boa tentando entregar o melhor produto possível, pra dar poder a quem tem um pequeno negócio, por exemplo. Tenho amigos pessoais que construíram a empresa deles em cima da publicidade do Facebook e do Instagram. E esse é justamente o problema, porque ainda assim é uma corporação muito má, pelo que ela causa ao mundo pra bater as metas de negócio.Ou seja, você não precisa de um vilão tipo Lex Luthor pra causar um estrago desse tamanho no mundo. E adorei a referência a Duna. Duna é engraçado: é o livro que eu mais reli na vida que não foi escrito pelo Tolkien. Li o primeiro Duna umas três vezes, e toda vez é como se fosse um livro diferente. Na primeira, eu era adolescente, e era só o Paul Atreides, o cara durão.Na segunda, eu morava no Canadá e li com olhos de estrangeiro, pensando em colonização. E na terceira vez foi quando os filmes do Denis Villeneuve saíram, e aí era: ah, o Bene Gesserit criou esse mito, isso é meio pós-moderno. Narrativamente, fico me perguntando o que vai significar pra mim se eu ler uma quarta vez.Karen Hao: Eu ia te perguntar isso. Quando você disse que cresceu numa época cheia de ficção científica falando das maravilhas da tecnologia, fiquei curiosa: que histórias você estava lendo? Porque muita coisa que saiu nos anos 70 e 80 dizia exatamente o oposto. E muita gente já apontou que os executivos de tecnologia de hoje, que vivem citando essas histórias, interpretam elas justamente ao contrário da intenção original.Cris: Concordo plenamente. Mas, respondendo: foi basicamente Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E é por isso mesmo — os executivos de tecnologia, e o Elon Musk mais que todos, leem esses livros como receita, não como aviso. O livro de que eu mais me lembro, nem lembro o título, era um do Asimov em que ele descreve o elevador espacial que aparece na série da Apple TV, Fundação.E o enredo é: eu sou esse engenheiro brilhante, quero construir essa coisa no Sri Lanka, mas o governo trava tudo com regulação — eu sou um gênio e a regulação é a vilã. Hoje eu leio e penso: ah, sei. Mas, quando garoto, era só “olha, um elevador espacial, que genial, a gente nem precisa de foguete”. E aí você começa a entender. E aí eu parei de ler esses caras.E passei a ler gente com uma visão completamente diferente: o Ted Chiang, que entrevistei ano passado, a N.K. Jemisin, o Cory Doctorow, de quem sou muito fã. E talvez eles sejam mais explícitos, pra gente burra como eu entender: “não, bobo, a analogia é essa”. Mas Duna era incrível — vermes gigantes de areia, o tal garoto durão, e aquela coisa do “eu não aceito o meu destino”.Tenho esse grande destino, mas não quero ele. Do resto da série eu já não gosto tanto. Mas o mais importante de tudo: Duna gerou o melhor GIF de filme de todos os tempos, o “Lisan al Gaib” do Javier Bardem — que eu devia ter colocado durante a sua explicação, aquele “uau, ele está cumprindo a profecia, agindo como o profeta”.Mas, de novo, falando de vilões: você mencionou que essas empresas se colocam como o bem contra o mal, feito impérios antigos. Só que elas também jogam a carta da China, né? “Se a gente não fizer, a Rússia faz primeiro.” Só que a Rússia começou uma guerra e está ocupada demais. “Mas a China chega lá, e é por isso que a gente tem que ser fechado.” É por isso que Mythos e Fable e agora o GPT-5.6 foram proibidos pelo governo. Isso tem fundamento?Quero saber se é possível a China competir — quero mesmo essa resposta — mas também porque, desde toda essa conversa do Fable-Mythos, países como Índia e Brasil vêm dizendo que precisam de um modelo soberano. Dá pra fazer, ou a OpenAI, a Anthropic e o Google estão tão à frente que já não dá?Karen Hao: Sobre a China: você está certíssimo, o Vale do Silício usou por anos a carta do “e a China?” pra escapar de qualquer responsabilização de verdade. Fizeram muito isso na era das redes sociais.A Meta fez muito isso, com o Mark Zuckerberg dizendo ao governo dos EUA: vocês não podem nos regular, senão a gente perde. Mas, se a gente ganhar, vai ter um efeito liberalizante no mundo e nas democracias em todo lugar. E, infelizmente, o que a gente viu foi que jogar essa carta repetidamente produziu exatamente o efeito contrário do que o Vale do Silício prometeu.Uma das empresas de rede social dominantes dessa era é a ByteDance. Ou seja, mesmo sem regulação das redes sociais nos EUA, existe uma empresa chinesa de rede social bem dominante. E as redes sociais estadunidenses acabaram tendo um efeito antiliberal no mundo — é bastante consensual que enfraqueceram democracias em todo lugar. E aí, na era da IA, elas seguiram jogando a mesma carta.Mas o que eu sempre aponto é que a gente definitivamente não devia acreditar nelas. Já existe evidência significativa de que tudo o que elas dizem está, de novo, se provando o oposto. Elas disseram: não regulem a gente como empresas de IA, regulem a China, via controles de exportação — um mecanismo do governo dos EUA com alcance extraterritorial.Só que as empresas chinesas agora estão produzindo modelos de IA de código aberto extremamente eficientes, que viraram super populares no próprio Vale do Silício. Existe um monte de startup de lá que prefere usar modelo chinês a OpenAI, Anthropic ou Google.Então, nesse sentido, é um conjunto de evidências bem decisivo, acho, pra mostrar que a gente devia simplesmente responsabilizar essas empresas, não importa o que digam sobre “ah, vamos perder pra China”. No fim das contas, é só retórica política. Não é um argumento real que elas consigam sustentar pra escapar da responsabilização.Responsabilizá-las vai fortalecer a democracia pelo mundo, vai trazer mais direitos humanos, trabalhistas e de privacidade de dados pras pessoas — é sempre o contrário do que elas dizem que aconteceria. E, sobre a sua pergunta em torno da IA soberana: acho a ideia realmente importante, mas acho também que muitos países estão meio confusos sobre o que querem dizer com isso.Muitos governos, hoje, pensam a IA soberana pela pergunta: a gente consegue construir o nosso próprio ChatGPT? O nosso próprio grande modelo de linguagem, o nosso sistema de IA generativa? Estão olhando só pro modelo que o Vale do Silício já definiu e tentando descobrir como recriar aquilo.E o que eu digo pra quem formula políticas é: defina pra que a IA serve no seu país, no seu contexto. Quais são, no fim das contas, os objetivos do seu país? Os objetivos do seu povo? E também os nossos objetivos coletivos, entre países?Porque a gente tem, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Já definimos coletivamente que há coisas que precisamos resolver juntos: superar a crise climática, reduzir a pobreza, melhorar a educação.E, enquanto o Vale do Silício adora dizer que está fazendo tudo isso, na prática não está. Mas a gente poderia — poderia desenvolver, de forma colaborativa, sistemas de IA que realmente avançassem em cada um desses objetivos coletivos que já acordamos.E cada país também devia fazer o exercício: quais objetivos você quer alcançar, e que tipos de sistema de IA você poderia desenhar pra chegar lá — sistemas que talvez não se pareçam em nada com um grande modelo de linguagem. Se os países fizessem isso, acho que descobririam que a maioria dos sistemas de que precisam exigiria muito menos recursos.Ou seja, contextos como o Brasil, a Índia e outros, quando não precisam competir construindo essas infraestruturas de computação gigantescas e gastando centenas de bilhões de dólares, na verdade já têm, localmente, todos os recursos necessários pra desenvolver um sistema de IA soberano.Cris: Quando ouvi falar do seu livro pela primeira vez, uma amiga me disse que você não poupa ninguém — fala mal do Sam Altman, mas também do Dario Amodei. E as pessoas costumam escolher um lado. Eu sou time Claude, odeio o ChatGPT, essas coisas. Então cheguei no livro pensando: ah, é mais um livro dizendo que a IA é terrível, que a gente não devia usar IA.Mas, conforme fui lendo, e ouvindo outras entrevistas suas, me pareceu que o seu problema é justamente o que você acabou de descrever: a forma como essa tecnologia é feita. E, em especial, a palavra escala — a ideia de que a solução é a escala. O que você quer dizer com isso?Karen Hao: Eu costumo usar a analogia de que “IA” é como a palavra “transporte”: na verdade se refere a uma coleção de tecnologias que vão da bicicleta ao foguete. São tipos bem, bem diferentes de tecnologia, que exigem insumos diferentes pra se desenvolver e depois têm impactos diferentes na sociedade.E você está certo: sou especificamente crítica ao que chamo de “foguetes da IA”, os sistemas que os impérios da IA estão desenvolvendo, aqueles que exigem uma quantidade enorme de exploração de mão de obra e extração ambiental.E sou bem otimista com o que chamo de “bicicletas da IA”: sistemas especializados, eficientes, com bom custo-benefício, governáveis pelas pessoas, cujo desenvolvimento pode ser participativo. Países como o Brasil, o Chile, a Índia, qualquer contexto, têm recursos pra desenvolver e se autodefinir, em vez de simplesmente herdar um sistema criado pelos dois únicos centros do mundo capazes de gastar uma quantidade extraordinária de capital: o Vale do Silício e o ecossistema tecnológico chinês.E o motivo pelo qual eu acho tão corrosivo o que os impérios da IA estão desenvolvendo é exatamente o que você disse: a forma como eles fazem isso, por um mecanismo de força bruta pra avançar as capacidades da IA em escala. Eles vão simplesmente empurrando cada vez mais dados de treinamento nesses modelos, e isso exige corroer a privacidade das pessoas, tomar a propriedade intelectual delas e, ainda por cima, baixa a qualidade dos dados que entram nos modelos — o que leva aos danos de exploração de mão de obra, porque aí você tem que dar conta da moderação de conteúdo.E aí você tem pessoas psicologicamente traumatizadas por serem expostas a todo aquele conteúdo horrível que se tenta “lavar” através desses modelos.E aí vem o problema dessas infraestruturas de computação enormes, com impactos ambientais que aumentam a conta de luz das comunidades que as hospedam e agravam a crise de custo de vida. Elas precisam ser alimentadas por fontes fósseis, que jogam mais carbono na atmosfera e mais poluição no ar dessas comunidades.Então todos os problemas que eu identifico, no que têm de corrosivo, derivam inteiramente da abordagem deles pro desenvolvimento de IA. Por que não descartar a abordagem, em vez de descartar a tecnologia? Redefinir e redesenhar de que tipos de sistema de IA a gente precisa de verdade, com uma cadeia de suprimentos fundamentalmente diferente. E isso não é exclusivo da IA.A gente já viu muitas outras indústrias que começaram com uma cadeia de suprimentos bem ruim. A moda, por exemplo: muita degradação ambiental, muita exploração de mão de obra.Com muita organização, protesto, ação de consumidores, regulação governamental e cooperação entre governos, a gente conseguiu criar mercados novos pra moda sustentável e ética, cadeias de suprimentos novas e inovações pra fazer roupa mais saudável pras pessoas e pro planeta.E é basicamente isso que eu defendo: transformar a indústria de IA do mesmo jeito que transformamos a moda, e as cadeias de suprimento de alimentos. Assim a gente fica com os benefícios da tecnologia, ajuda ela a avançar os objetivos que importam pra gente, sem jogar uma fração enorme da população mundial numa condição atrasada e numa qualidade de vida pior.Cris: O Brasil está agora, no Congresso, discutindo a escala de seis dias por semana. A regra atual é: você trabalha seis dias e descansa um. E muitas empresas, o comércio principalmente, dizem “vamos fechar as portas”, e os trabalhadores respondem “isso é problema seu, não meu”. É mais ou menos a mesma narrativa dessas empresas de IA: se eu não usar a sua água, a Idade das Trevas está chegando.Falando em Idade das Trevas, e falando em bicicleta: a sua analogia me lembrou uma coisa. Eu gosto de jogo de zumbi, de mundo aberto, e em nenhum deles tem bicicleta. Num desses jogos, instalei um plugin que deixava andar de bicicleta — você acha uma e sai pedalando. E aí entendi por que não tem bicicleta: desbalanceia tudo. Parte da graça do jogo é você precisar achar um carro, e daí pneu, gasolina, comida pra carregar. De bicicleta, você vai a qualquer lugar.E eu pensei: ah, é. Meio que estraguei o jogo pra mim, porque agora tenho uma bicicleta, é incrível. Enfim, em termos práticos: no fim do ano passado, uns meses atrás, a revista Wired publicou um artigo pedindo pra jornalistas de tecnologia contarem como usam IA no trabalho. E cada um usava de um jeito. Você usa IA no seu trabalho? Como?Karen Hao: Eu não uso nenhum sistema de IA generativa no trabalho — nem ChatGPT, nem Gemini, nem Claude. Por três motivos. O primeiro é uma postura ética, depois de tanto investigar essas empresas. O segundo é privacidade de dados: eu investigo essas empresas.Não quero que elas conheçam todo o meu raciocínio enquanto eu apuro o livro, literalmente investigando elas. E o terceiro é que, no meu caso específico, a força do meu trabalho está na capacidade de construir relações fortes com as fontes, pela empatia, e de contar histórias envolventes, pela narrativa. E os grandes modelos de linguagem simplesmente não são a ferramenta certa pra nenhuma das duas coisas.Não vão melhorar a minha empatia nem a minha escrita. Então eu não perco nada com essa postura ética: simplesmente corto essas ferramentas e sigo fazendo o meu trabalho muito bem. Pra outros jornalistas pode ser diferente, e pra quem está em outras áreas o cálculo pode ser outro.Mas eu incentivo as pessoas a pensarem primeiro: quais são as suas forças no trabalho? Quais são os seus objetivos? E aí ir de trás pra frente pra descobrir se a IA é a ferramenta certa, qual tipo de IA é a ferramenta certa, e qual fornecedor você quer de fato usar, apoiar, votar com os pés. Agora, eu uso, sim, IA preditiva.Aquelas ferramentas de IA especializadas, as “bicicletas da IA”, digamos. No livro, tinha um detalhe que eu queria muito ilustrar: como a OpenAI deu um salto quando passou de organização sem fins lucrativos a um empreendimento bancado pela Microsoft. Percebi que as cadeiras do escritório ficaram bem mais caras. Então fotografei as cadeiras de um escritório e as do outro.E joguei tudo na busca reversa de imagens do Google, que é um sistema de IA especializado — não é baseado em grandes modelos de linguagem, não é IA generativa. Assim descobri quanto essas cadeiras costumam custar. No primeiro escritório, cerca de 2 mil dólares por cadeira. No segundo, eram cadeiras de um designer brasileiro famoso, uns 10 mil dólares cada.Coloquei esse detalhe no livro pra ilustrar o tipo de riqueza e de concentração de recursos de que a gente está falando. Esses são alguns dos jeitos como eu uso IA, ainda que de forma bem limitada, sempre pontual, quando acho que vai ajudar. E, claro, uso ferramentas de transcrição por IA — outra IA especializada — em todas as minhas entrevistas.Cris: Essa foi uma das partes em que a minha cabeça explodiu, eu nunca tinha percebido: a OpenAI criou o Whisper. Deixa eu dizer de outro jeito, do meu ponto de vista. A OpenAI liberou abertamente essa ferramenta incrível de transcrição, o Whisper, em que eu jogo o áudio e ela me devolve as palavras que as pessoas disseram. E eu pensei: ah, que generoso da parte deles.Mas o motivo real de terem criado a ferramenta foi pegar todos os vídeos do YouTube, transcrever e alimentar a máquina. E aí é: ah, claro. Enfim, falando de ferramentas e de otimismo — a gente está chegando ao fim da conversa. Eu tenho uma regra desde o episódio dois deste programa, há oito anos: de novo, como eu disse do seu livro, não pode ser só uma lista de reclamações e coisa ruim. E a gente tem se saído bem até aqui.Você falou de caminhos e de bicicletas, mas eu quero ser mais específico. Se isso aqui fosse uma reunião de negócios: qual é o plano de ação, quais são os próximos passos? Só que uma das coisas que eu repito bastante, na vida e neste programa, é que problema sistêmico não se resolve com ação individual. Se eu tomar banhos mais curtos, isso nunca vai salvar o planeta do aquecimento global.E muitos amigos meus simplesmente: não quero falar de IA, não quero usar IA. Voltando aos videogames: leram que tal jogo usa IA e pronto, não vão jogar. E a minha primeira pergunta pra você é: como a gente ocupa esses espaços da IA generativa — ChatGPT, Gemini e por aí vai? Porque o que a gente viu com as redes sociais foi: ah, o Facebook é do mal, vou sair do Facebook. Ah, vou sair do Twitter.E, na esperança de quê, sei lá, talvez alguém diga: ah, sinto falta do Cris, cadê ele? Ah, está no Bluesky. Mas isso deixa o espaço aberto pra os radicais entrarem e postarem o que quiserem, sem ninguém contrapor ou tornar aquilo um lugar melhor. Então como a gente ocupa o espaço da IA — seja qual for a definição de “espaço da IA” que você preferir — com todos esses problemas que a gente vem discutindo?Karen Hao: Acho que tem duas categorias de ação pra gente pensar. Uma é desmantelar o império. A outra é investir e construir novos tipos de sistema de IA, que se tornem alternativas às tecnologias do império. Quando eu digo desmantelar o império, não estou dizendo que quero que a OpenAI, o Google, a Anthropic, seja quem for, simplesmente deixem de existir.É que eu não quero que elas sejam imperiais. Não quero que fiquem extraindo uma quantidade extraordinária de valor sem redistribuir nada em troca. Se elas voltassem a ser negócios que praticam uma troca justa de valor com o mundo, eu ficaria perfeitamente feliz com qualquer tecnologia que estivessem desenvolvendo.E a forma de desmantelar o império, acho, se resume a muita organização de base, que vai pressionar os governos a regular e responsabilizar essa indústria. No último ano, a gente viu uma quantidade incrível dessa organização de base florescendo pelo mundo.Recentemente, lancei com um grupo de jornalistas, pesquisadores de IA e acadêmicos críticos um projeto chamado AI Resist List, que busca documentar parte dessa organização de base pelo mundo. A gente encontrou cerca de 30 exemplos, de todas as regiões, de ações individuais, institucionais e movidas pela comunidade.Tinha ação artística, ação política. E isso mostra bem o seu ponto: não dá pra contar só com a ação individual, mas o indivíduo pode, sim, ter impacto. Até uma ação pequena pode gerar um grande efeito cascata. Claro que se juntar com os vizinhos pra protestar contra o data center é ainda mais eficaz. Se juntar dentro da sua escola ou universidade pra protestar contra a parceria dela com uma empresa de IA também é mais eficaz.Se juntar com os colegas de trabalho de um setor pra barrar a adoção de uma IA que corrói os direitos trabalhistas é mais um jeito eficaz. A gente tem um monte desses exemplos. Um dos meus favoritos é o de uma comunidade sobre a qual escrevi no livro, Quilicura, no Chile, na periferia de Santiago. É uma comunidade da classe trabalhadora, bem pobre, que vem sendo alvo incessante da expansão de data centers.E por isso protestaram de forma bem aguerrida contra essa expansão, porque não acharam bom negócio hospedar essas instalações sem tirar nenhum benefício, enquanto elas consomem uma parte significativa dos recursos naturais da região.E, logo depois que escrevi sobre eles, foram além na resistência e criaram uma plataforma chamada Quili.ai. É um site em que você entra e que parece um chatbot, parece o ChatGPT: tem uma interface de chat pra você digitar. Só que, quando você faz uma pergunta, em vez de um modelo de IA responder, a mensagem é encaminhada pra alguém que mora em Quilicura, no Chile. Aí, se você pede “quero a imagem de um cachorro”, aquilo vai pro artista local deles, o Benji. Ele pega um pedaço de papel, desenha um cachorro, tira uma foto e te manda de volta.Eles fizeram isso essencialmente como um projeto de arte performática, pra fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de usar IA generativa pra bobagem. A mensagem era: ei, quando você fica brincando com essas ferramentas em pedido besta, isso afeta comunidades como a nossa, drena os recursos de que a gente precisa pra viver bem.E também queriam levar as pessoas a pensar: por que não perguntar pra alguém da sua própria comunidade aquela receita que você procurava, ou pedir aquela imagem? Porque aí você reconstrói as conexões que estão tão em falta na sociedade — a falta delas é o que nos deixa mais vulneráveis a esse tipo de colonização do império.Eles deixaram o projeto aberto por 24 horas, e qualquer pessoa no mundo podia mandar um pedido. Receberam uma quantidade extraordinária deles. Viralizou de vez. E essa cidadezinha conseguiu uma virada enorme de narrativa sobre a suposta inevitabilidade e necessidade dessa tecnologia, sobre tudo o que o Vale do Silício diz — que, se você não usar, vai ficar pra trás de quem usa.E esse é só um exemplo, entre muitos, de como pessoas comuns, não importa a sua posição na sociedade, podem ter impacto real no debate, na consciência pública e até na regulação. A gente está vendo isso agora com os protestos contra data centers. Nos EUA, em 2025, cerca de 150 bilhões de dólares em projetos de data center foram travados.Isso virou uma das questões políticas mais quentes nos EUA para as próximas eleições de meio de mandato. Tem gente eleita sendo literalmente tirada do cargo por ter aprovado data centers, contrariando a vontade do povo. E isso já está tendo efeito real sobre as empresas e sobre a trajetória do desenvolvimento de IA.A OpenAI teve que encerrar recentemente a sua ferramenta de geração de vídeo, o Sora. Quando lançaram, apresentaram como o segundo produto mais importante desde o ChatGPT. O que aconteceu entre o lançamento e o fim? Uma reportagem do Wall Street Journal apontou três motivos, todos moldados por ação de base. Um: um gargalo enorme de capacidade de computação.Muitos dos data centers travados ou parados eram da OpenAI. Dois: um cenário financeiro bem mais incerto. A OpenAI está se preparando pro IPO, o que significa ficar mais exposta a Wall Street — e Wall Street está cada vez mais nervoso com a capacidade dessas empresas de cumprir o que prometem.E aí a OpenAI teve que reforçar alguns projetos paralelos pra fazer o balanço parecer um pouco melhor aos olhos de Wall Street. E, terceiro: os consumidores simplesmente não estavam usando o produto — o que também é ação coletiva de consumidores. Então, por todo esse tipo de resistência, de várias formas, de baixo pra cima, as pessoas estão de fato tendo impacto real na indústria e responsabilizando ela.Essa é a primeira categoria de ação. A segunda é: ok, que tecnologias de IA a gente usaria como alternativa? E aí a gente precisa investir mais nelas. Muitas vezes, quando converso sobre o livro, a pessoa diz: ok, me convenci de que não quero usar ChatGPT, não quero usar Claude — mas então uso o quê no lugar?E o problema é que eu não tenho muitas respostas pra essa lista de alternativas. Tem umas poucas aqui e ali, uma plataforma, uma empresa.Cris: Dá pra rodar o modelo no seu próprio computador, como o Cory Doctorow faz, mas aí é limitado e…Karen Hao: Exatamente, exige mais habilidade técnica. Mas, pra quem consegue instalar modelos de código aberto no próprio computador, eu incentivo 100%. Só que a gente também precisa de mais gente desenvolvendo interfaces bem fáceis pra esses modelos de código aberto, pra que qualquer pessoa consiga usar.A gente também precisa de mais gente desenvolvendo “bicicletas da IA”, de investidores e governos investindo mais nesse tipo de solução, e de talento — pesquisadores de IA, desenvolvedores e outras pessoas dispostas a sacrificar um pouco e abrir mão dos pacotes de remuneração enormes.Cris: Eu estava começando a achar que agora as empresas precisam ter menos lucro — e isso nunca vai acontecer.Karen Hao: Não, não é a empresa ter menos lucro. É o trabalhador topar abrir mão do pacote de milhões de dólares pra levar o talento dele pra outro lugar. Mais fácil, bem mais fácil. Eu converso com muito pesquisador de IA cansado da abordagem da indústria, porque ela é completamente sem criatividade intelectual.Eu conversei com pesquisadores que não passaram seis anos num doutorado em IA só pra ficar empurrando mais dados na máquina — pra eles, é o trabalho mais chato do mundo. E depois automatizar a programação, que era justamente o que eles gostavam de fazer. Converso com tanta gente que já não acha graça nenhuma nisso. Estão meio presos por “algemas de ouro”.E estão tentando descobrir, dentro de si, que carreira alternativa poderiam ter. Eu costumo incentivar esses pesquisadores a gastar o talento deles construindo um tipo diferente de empresa, que trabalhe com “bicicletas da IA”. E a gente já começa a ver cada vez mais desse talento indo por aí.E a gente precisa que todas as facetas da sociedade invistam num ecossistema muito mais robusto e rico de tecnologias de IA, capaz de substituir as que hoje dominam. Eu ainda tenho as cicatrizes das minhas próprias “algemas de ouro”, mas concordo plenamente.Cris: E as redes sociais são o exemplo — veja o que aconteceu com elas. Tem aquela frase famosa: as mentes mais brilhantes da minha geração passam o tempo fazendo as pessoas clicarem em anúncios. E ainda dizem: ah, isso pode ser o futuro. Pois é.Você contou a história do Quili.ai e isso me lembrou um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil, o Cid Não Salvo. Uns 10, 15 anos atrás, ele tuitou o seguinte: “Gente, eu disse pro meu pai que, sempre que ele precisar pesquisar alguma coisa na internet, é pra ir no Twitter.com e digitar a pergunta na caixa”. E olha que ele tinha milhões de seguidores.E, por uns bons dias, quase um mês, você entrava no Twitter do pai dele e via perguntas tipo “onde eu compro pizza?”. Era engraçadíssimo. No fim, ele contou pro pai — ou talvez não. Mas eu adoro essa ideia. Antes de a gente terminar: você já deve ter respondido isso mil vezes, mas vai continuar cobrindo IA? O que está na sua cabeça, o que vem por aí? Turnê mundial? O que vem pela frente?Karen Hao: Com certeza estou pensando em como continuar responsabilizando essas empresas. Estou envolvida em várias colaborações, com gente incrível, em diferentes projetos ligados a isso. O AI Resist List foi um deles. Também co-criei um programa chamado AI Spotlight Series, com o Pulitzer Center, uma organização jornalística sem fins lucrativos que financia jornalismo investigativo pelo mundo.É um programa que treina jornalistas do mundo inteiro a cobrir IA por uma lente de responsabilização. Até agora, já treinamos mais de 3 mil. E eu sigo pensando em como construir mais capacidade dentro do jornalismo, da sociedade civil, de outros contextos, pra mobilizar ainda mais essa organização de base — pra conter de verdade os impérios da IA e ajudar a desmantelá-los.Cris: Adorei o seu exemplo da moda. É possível, já foi feito. Ou até a indústria automotiva. Ou o grande exemplo que a gente não mencionou, e que o pessoal da OpenAI vive citando: o Projeto Manhattan, a energia nuclear.O mundo não acabou. Quando eu era criança lendo Asimov, achava que ia tudo acabar num fogo nuclear. Enfim — alguma última palavra, alguma mensagem, algum palpite pros jogos do Brasil na Copa, alguma coisa que você queira dizer antes da gente encerrar?Karen Hao: No fim das contas, o que eu espero que fique desta conversa e do livro é o seguinte: neste momento, o Vale do Silício está concebendo a IA como um projeto político. E a característica central desse projeto é tirar a autonomia de todo mundo — a autonomia de moldar de verdade o próprio futuro e o nosso futuro coletivo. Mas, no instante em que você reconhece que já tem uma autonomia significativa pra resistir, o império começa a desmoronar.Então espero que as pessoas encontrem a própria voz, a afirmem, conquistem o seu lugar à mesa e se conectem com os vizinhos, com a comunidade, com os colegas de trabalho, pra criar mais movimentos juntos.Cris: Que ótimo. Karen Hao, o seu livro é O Império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total. Obrigado por vir ao Brasil conversar com a gente. Foi um prazer.Karen Hao: Muito obrigada.Uma das primeiras perguntas que anotei quando comecei a pensar nessa conversa foi justamente a do final, a da ocupação de espaços. Porque, como eu disse, quando as redes sociais chegaram para ficar, muita gente falou “ah, não vou usar, é do mal” — e aí as pessoas ruins, vamos chamar assim, acabam ocupando esse espaço e falando o que bem entendem. A gente precisa aprender essa lição agora, no mundo da IA.Fora que vejo muita gente falando de IA sem nunca ter usado — ou que usou, sei lá, dois anos atrás, acha que continua tudo igual e já diz que não quer chegar perto.E por quê? Porque essa abordagem de ocupar espaços é o que eu e a Ana Freitas buscamos fazer no IA em Curso, nossa comunidade de letramento contínuo em IA. Foi, aliás, uma conversa que tive com a Karen antes da entrevista: ao mesmo tempo que a gente fala do impacto da IA no mundo, também precisa focar no que é prático, no que dá para fazer hoje com IA, sem vender sonho nem desastre. A analogia que usei foi a de que é que nem quando a gente fazia curso de Word e Excel — é o que eu faço agora que vai facilitar minha vida, me fazer ganhar tempo, botar a IA para me ajudar. Quem viu minha conversa com a Ana aqui no Boa Noite Internet, no fim de 2025, sabe do que estou falando. Se não viu, volta lá e confere.Desde que a gente lançou este episódio, o IA em Curso já passou de 400 pessoas. Tem muita gente colocando projetos pessoais incríveis na rua, tirando do papel aquela ideia que rondava a cabeça há um tempão. E a comunidade tem mentoria ao vivo, aula gravada, newsletter, banco de agentes, grupo de Telegram… que mais? O que não falta é jeito de passar para você o conhecimento sobre IA de que você precisa hoje, agora. Quero te dar a bússola para navegar nesse universo.Se esse é o tipo de abordagem que você quer ter com a IA, passa lá no iaemcurso.com.br e usa o cupom BNI2026 para ganhar 20% de desconto no plano anual. Mas corre, porque daqui a duas semanas vou apagar esse cupom — não é todo dia que a gente dá um desconto desses.É isso. Boa Noite Internet, temporada 2026 começando — como todo ano, com mudança, ideia, projeto. Ou, como diz minha citação preferida de todos os tempos: “vivemos uma fase de transição, como sempre”. Espero ver você por aqui e lá no IA em Curso.Obrigado pelo seu tempo e pela sua atenção. Até o próximo episódio. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

Devocionais Pão Diário
DEVOCIONAL PÃO DIÁRIO | RENOVE AS SUAS FORÇAS

Devocionais Pão Diário

Play Episode Listen Later Jul 18, 2026 2:53


LEITURA BÍBLICA DO DIA: ISAÍAS 40:27-31 PLANO DE LEITURA ANUAL: SALMOS 20–22; ATOS 21:1-17  Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira:  Um par de águias construiu um ninho gigante em uma árvore a alguns quilômetros de minha casa. Em pouco tempo, as enormes aves tiveram seus filhotes. Elas cuidaram juntas dos filhotes até que uma foi tragicamente atropelada e morta por um carro. Durante vários dias, a águia sobrevivente voou para cima e para baixo sobre um rio próximo, como se estivesse procurando o seu par. Finalmente, a águia retornou ao ninho e assumiu total responsabilidade de criar a prole. Em qualquer situação, a parentalidade individual pode ser desafiadora. A alegria que uma criança traz, combinada com a possível pressão financeira e emocional, pode gerar ampla gama de experiências. Mas há esperança para quem desempenha este papel importante e aos que tentam gerir uma situação difícil. Deus está conosco quando nos sentimos exaustos e desanimados. Por Ele ser onipotente, todo-poderoso e não mudar, Sua força nunca se extinguirá. Podemos confiar no que a Bíblia diz: “os que confiam no Senhor renovam suas forças” (ISAÍAS 40:31). Enfrentar os nossos próprios limites não determinará o que nos acontecerá porque podemos depender de Deus para nos revigorar de modo sobrenatural. Esperar nele nos permite caminhar sem desfalecer, e voar “alto, como águias” (v.31).  Por: JENNIFER BENSON SCHULDT 

#DNACAST
O Trabalho Devolve - 17 de Julho

#DNACAST

Play Episode Listen Later Jul 17, 2026 6:03


Chame a Laila e descubra como eu posso te ajudar: https://bit.ly/laila-otrabalhodevolveSe você tivesse 15 minutos por dia, o que mudaria na sua vida?

Os Pingos nos Is
Governo Lula adia reação a Trump / Investigação de Lulinha é travada

Os Pingos nos Is

Play Episode Listen Later Jul 17, 2026 119:24


Confira os destaques de Os Pingos nos Is desta sexta-feira (17):Em uma análise contundente, André Marsiglia revelou os bastidores do embate silencioso entre o STF e o governo de Donald Trump. Ao comentar a nota do ministro Edson Fachin sobre as supostas "ordens secretas" da corte, Marsiglia trouxe um testemunho real: como primeiro advogado a atuar no inquérito das fake news, ele denunciou que até hoje não teve acesso a boa parte dos documentos. A escalada da tensão entre Washington e Brasília ganhou novos capítulos com a reação do presidente do STF, Edson Fachin, ao governo americano. O escritório do representante comercial dos Estados Unidos (USTR) apontou que o Brasil emitiu "ordens secretas" para que plataformas digitais americanas retirassem conteúdos do ar, fator político apontado como estopim por trás do recente tarifaço econômico imposto contra o país. O governo Lula recuou da ideia de retaliar imediatamente os Estados Unidos após a imposição do "tarifaço" comercial. Embora o presidente Lula tenha falado em "guerra de narrativas" com Donald Trump, o Ministério da Fazenda confirmou que a aplicação da lei de reciprocidade foi adiada para evitar uma inflação generalizada e demissões em setores que dependem de insumos americanos, como o de máquinas e calçados. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, descartou publicamente qualquer medida de retaliação imediata contra os Estados Unidos após a imposição do tarifaço de 25%. Em uma clara mudança de tom do governo, a equipe econômica afirmou que a palavra "retaliação" está fora do escopo e que qualquer princípio de reciprocidade será avaliado com cautela para proteger a economia interna, evidenciando o recuo de Brasília na disputa contra Donald Trump. Durante transmissão ao vivo ao lado de Daniela Marques, o senador Flávio Bolsonaro apresentou o plano "Brasil por Elas", focado em propostas voltadas para o eleitorado feminino. O pacote inclui promessas de internet e aparelhos celulares sem custo, inteligência artificial e vouchers para creches. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, fez um forte alerta sobre o cenário político nacional. Segundo ela, a oposição está unida com o propósito claro de vencer a esquerda no próximo pleito, afirmando que, caso o atual projeto político continue, o país sofrerá um "atraso gigantesco". A Polícia Federal indiciou 48 pessoas no primeiro inquérito sobre os desvios no INSS, motivando a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a pressionar pelo arquivamento do caso contra ele. No entanto, a PF informou ao ministro do STF, André Mendonça, que o filho do presidente está no "final da fila" das apurações e que o cruzamento de dados sobre sua suposta sociedade oculta com o empresário Antônio Camino Antunes só deve acontecer no ano que vem — coincidentemente, após o término das eleições. O ministro Dias Toffoli é considerado hoje por seus colegas como um magistrado isolado na engrenagem do STF, reflexo do impacto das investigações envolvendo o banco Master. Diante desse distanciamento, o governo Lula enxerga uma brecha para tentar uma reaproximação estratégica, de olho no papel que o ministro desempenha no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a manutenção da prisão domiciliar humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar de apontar que houve descumprimento de restrições após a divulgação de uma carta política enviada ao senador Flávio Bolsonaro, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou ao ministro Alexandre de Moraes que o episódio não justifica o retorno ao regime fechado. Você confere essas e outras notícias em Os Pingos nos Is.

Assunto Nosso
Enquanto ainda há tempo

Assunto Nosso

Play Episode Listen Later Jul 15, 2026 4:11


Um dos maiores enganos da vida é acreditar que as pessoas sabem o quanto elas são importantes para nós.Elas não sabem.Porque amor não demonstrado é amor que o outro não consegue enxergar.Há pais esperando um abraço.Há filhos esperando uma ligação.Há amigos esperando uma mensagem.Há irmãos esperando uma reconciliação.E, enquanto isso, seguimos dizendo para nós mesmos: “Qualquer dia eu faço.”Só que a vida nunca trabalhou com “qualquer dia”. Ela sempre trabalhou com oportunidades. E oportunidades têm o hábito de passar sem avisar.Depois, sobra o silêncio.E o silêncio tem um peso que nenhuma coroa de flores consegue carregar. Nenhuma homenagem substitui um abraço que não foi dado. Nenhum discurso compensa um “eu te amo” que ficou preso na garganta.Por isso, não espere sentir falta para demonstrar valor.Quem precisa ouvir o seu carinho não é quem já partiu.É quem, neste exato momento, ainda atende o telefone… ainda abre a porta… ainda sorri quando vê você chegar.Ame enquanto existe resposta.Porque existem palavras que curam uma vida inteira… mas também existem palavras que chegam tarde demais.

Tudo de Propósito
Praticando o Propósito | #54 | Tomara que eu esteja errado.

Tudo de Propósito

Play Episode Listen Later Jul 15, 2026 14:45


Você já tentou se forçar a ficar alegre e percebeu que não funcionou?Neste episódio, Sofia Melo e Cris Alves conversam sobre por que tentar mudar o humor só pela forma, assistindo a um filme, vendo memes ou ouvindo uma piada, quase nunca resolve de verdade. Elas exploram como existe um caminho prático para reverter o humor que começa bem antes, passando por reconhecer o que você está sentindo, se acolher e contar com o relacionamento para enxergar o que sozinho você ainda não consegue ver.Descubra por que pular etapas é exatamente o que mais machuca nesse processo e entenda como a alegria não é uma conquista, mas algo que já é seu e que você só precisa lembrar que está lá.Dê o play e permita-se fazer esse caminho com mais carinho, sem cobranças e sem pressa. ✨-Quer acompanhar mais de perto? Siga a gente no Instagram @‌vozdoser ❤️-Conheça a nossa entrega: acesse http://www.vozdoser.com.br para descobrir nossos cursos, imersões, treinamentos e atendimentos

Arauto Repórter UNISC
Enquanto ainda há tempo

Arauto Repórter UNISC

Play Episode Listen Later Jul 15, 2026 4:11


Um dos maiores enganos da vida é acreditar que as pessoas sabem o quanto elas são importantes para nós.Elas não sabem.Porque amor não demonstrado é amor que o outro não consegue enxergar.Há pais esperando um abraço.Há filhos esperando uma ligação.Há amigos esperando uma mensagem.Há irmãos esperando uma reconciliação.E, enquanto isso, seguimos dizendo para nós mesmos: “Qualquer dia eu faço.”Só que a vida nunca trabalhou com “qualquer dia”. Ela sempre trabalhou com oportunidades. E oportunidades têm o hábito de passar sem avisar.Depois, sobra o silêncio.E o silêncio tem um peso que nenhuma coroa de flores consegue carregar. Nenhuma homenagem substitui um abraço que não foi dado. Nenhum discurso compensa um “eu te amo” que ficou preso na garganta.Por isso, não espere sentir falta para demonstrar valor.Quem precisa ouvir o seu carinho não é quem já partiu.É quem, neste exato momento, ainda atende o telefone… ainda abre a porta… ainda sorri quando vê você chegar.Ame enquanto existe resposta.Porque existem palavras que curam uma vida inteira… mas também existem palavras que chegam tarde demais.

Podcasts FolhaPE
Cefaléias: conheça os tipos de dores de cabeça e as novidades no diagnótico e tratamento

Podcasts FolhaPE

Play Episode Listen Later Jul 14, 2026 21:44


Dor de cabeça é um dos sintomas mais comuns hoje em dia e é difícil encontrar alguém que nunca tenha sentido. Saber diferenciar os tipos de dor de cabeça é o primeiro passo para o tratamento correto. As dores de cabeça podem surgir por diversos motivos e existem mais de 150 tipos diferentes, classificados pela International Headache Society (IHS). Elas são geralmente divididas em primárias (a dor de cabeça é a condição principal) e secundárias (são sintomas de outra doença). Sobre o assunto, o âncora Jota Batista conversa com o médico neurologista do Hospital Jayme da Fonte, Mário Mélo, no Canal Saúde desta terça-feira (14)

Guilherme Gimenez
Devocional da manhã do dia 14/07/2026 - Cuide do que cresce dentro de você

Guilherme Gimenez

Play Episode Listen Later Jul 14, 2026 4:58


“A pessoa boa tira o bem do bom tesouro do coração, e a pessoa má tira o mal do seu mau tesouro; pois a boca fala do que está cheio o coração.” — Lucas 6.45 (VLC)Nossas palavras não surgem do nada. Elas revelam conteúdos que foram sendo acumulados no interior. Jesus ensina que o coração funciona como um depósito. Aquilo que guardamos nele, mais cedo ou mais tarde, aparece em nossas conversas e atitudes.É possível controlar a aparência por algum tempo, mas situações de pressão costumam revelar o que realmente está dentro de nós. Ressentimentos não tratados, comparações, medos e orgulho podem se manifestar em palavras duras. Da mesma forma, gratidão, graça e verdade também encontram expressão.Cuidar do coração significa prestar atenção ao que permitimos crescer. Algumas sementes precisam ser arrancadas antes que criem raízes. Outras precisam ser regadas por meio da Palavra, da oração, do perdão e da convivência com pessoas maduras.Para colocar em práticaEscute suas próprias palavras hoje. Elas podem servir como um diagnóstico. Em vez de apenas tentar falar melhor, peça a Deus que trate a fonte. Quando o coração é transformado, a fala também começa a mudar.OraçãoSenhor, examina meu coração. Remove o que produz palavras e atitudes prejudiciais e enche meu interior com tua graça, tua verdade e teu amor. Amém.

Convidado
São Tomé e Príncipe: Candidato Carlos Vila Nova descarta revisão da constituição

Convidado

Play Episode Listen Later Jul 13, 2026 7:34


São Tomé e Príncipe vai a votos neste domingo para escolher o seu Presidente. A RFI ouve esta semana os 4 candidatos ao escrutínio. A começar nesta segunda-feira com o presidente cessante Carlos Vila Nova. Ouvido por Maximino Carlos, o nosso correspondente, ele descarta advogar no seu programa a mudança do regime constitucional do arquipélago. A campanha de facto, em São Tomé e Príncipe tem sido marcada por uma disputa centrada mais na confiança, estabilidade institucional e a resposta aos problemas económicos do que em confrontos políticos directos. O apelo constante à paz por parte das autoridades eleitorais e dos candidatos demonstra a preocupação em preservar a tradição democrática do país e garantir eleições livres, tranquilas e credíveis. Temos hoje como convidado o candidato Carlos Vila Nova, que concorre a sua própria sucessão. Sobre o Processo de 25 de Novembro de 2022, que causou a morte de quatro civis no Quartel general das Forças Armadas o candidato Carlos Vila Nova disse que é um assunto de Estado, por isso cabe ao Estado resolver este problema.   O Processo de 25 Novembro é um assunto sério que tem que ser tratado com o cuidado que ele merece. Não estou a justificar seja o que for. Era mais qualquer coisa do que a subversão. Mas deixemos isso para que a justiça resolva.   No tocante à revisão constitucional, Carlos Vila Nova disse que não é sua intenção fazer uma alteração e até afirmou que convive com o actual sistema.   Ao abordar a revisão constitucional, fui suficientemente claro: Não é meu objectivo nem a intenção fazer uma revisão constitucional para a alteração do regime. Eu convivo bem com o sistema actual. Aliás, é nesse sistema que eu me candidatei e volto a me candidatar. Quanto a isto os são-tomenses devem estar tranquilos porque não é por aí. Não pretendo ir por aí. O que eu pretendo é que de facto, aqueles sinais pouco claros na Constituição que permitem a introdução e a interferência de um órgão no outro, porque eu também não gosto quando o outro órgão entra nas competências do Presidente da República. Porque dificulta, isto sim... Se há coisas, há matérias em que nós poderíamos estar de acordo... Não é preciso uma maioria de um bloco. É preciso é que entre exactamente, e no Parlamento se encontra a razão com as propostas, porque só passa aquilo com que todos estiverem de acordo. Isto é que eu partilho. Até porque, volto a dizer se é de lei. Portanto, a pergunta era sobre  o regime e depois o futuro do governo de salvação? Nós não sabemos. Vai depender do que sair das eleições de Setembro. Temos que aguardar para ver. Ninguém. Não sabemos o que vai acontecer.   A emigração é um dos assuntos que tem vindo a ser debatido em São Tomé e Príncipe, sobretudo da população jovem. Carlos Vila Nova disse que este não é um fenómeno novo, mas, entretanto, enquanto uma figura de Estado também está preocupado com este assunto.   O candidato Carlos Vila Nova, ainda Presidente da República, deu-se conta desse fenómeno Também um bocado antes de todos os outros actores políticos desse país. Se não me falha a memória, foi em finais de 2023. Tanto é que houve uma reportagem feita por um gabinete que não foi suficientemente ilustrativo, mas já foi bastante bom. E eu falava naquela altura que já estávamos a caminho de quase um quarto [da população a viver fora]. Eu fui desmentido com baixeza pelo então primeiro ministro e com ataques coordenados políticos. Sem perceber porquê ! Porque naquela altura até sentia que era um projecto para São Tomé e Príncipe em 2022/2003. O Presidente ainda estava convencido que o projecto do partido que sustentava o governo era um projecto para São Tomé e Príncipe. Mas, infelizmente dei-me conta que era um projecto pessoal. Bom, isso são outros contos. Também podemos chegar lá. E quando eu levanto essa questão, sou fortemente atacado. Mas com a mesma serenidade, porque precisamos de um presidente suficientemente sereno em São Tomé e Príncipe para manter o equilíbrio e a estabilidade. E o que é que eu pedi na altura ? Não eram os números com que me preocupava. Era uma estratégia política para lidar com a questão, porque estavam na altura a sair eminentemente jovens abaixo dos 35 anos. Hoje já não. Hoje há outras faixas etárias a acompanhar esse movimento. E não nos esqueçamos que uma boa parte dessa ligação, por razões de saúde, sobretudo pela hemodiálise, que é a desconexão total da pessoa com as suas famílias, e com o seu berço. Elas não podem voltar por enquanto. Mas essa estratégia não foi feita e hoje nós temos numa listagem, chamemos um "top dez". São Tomé e Príncipe é o nono país, é o nono desse "top10" de imigrantes em Portugal. Portanto não é o maior, é o nono. Praticamente só o Paquistão está abaixo de nós. Mas qual é a preocupação de 2021 a 2025? É a que mais cresceu: 263% ! Então nós precisamos de uma estratégia para lidar com a questão, porque nem todos estão a ser bem sucedidos lá. E por vergonha e por outras razões, mesmo colocando condições de regresso, não vêm. E temos que encontrar saída para isso. Há os que estão a serbem sucedidos. Também temos que ter uma estratégia para os que estão a ser bem sucedidos contribuírem positivamente para a melhoria do crescimento económico e da melhoria das condições de vida em São Tomé. Porque são santomenses !  Qual é o país que não recebe contributos, não abraça a sua diáspora para construir o país ? Não vou citar nomes porque eu não gosto muito da comparação, de um ou outro país, porque são diferentes: Europeus,  Africanos, todos fazem. Então nós temos que fazer isso. Portanto, isto é matéria para a próxima legislatura nos ocuparmos bem, porque é uma questão que já preocupa a muita gente a sair. São cerca de 46.000 que estão em Portugal e para uma população de 230.000 ou 240.0000, 46 1000 é muita gente !   Relativamente a uma coabitação com o governo Carlos Vila Nova disse que quem escolhe o governo é o povo e que estaria disposto a conviver com o governo que saísse das próximas eleições. Porque quem escolhe o futuro governo é o povo, através das escolhas que faz de partidos políticos e da sustentabilidade parlamentar. E eu terei que trabalhar com o primeiro ministro que sair do fruto dessas eleições em condições muito simples, no respeito dos limites da Constituição, desde que haja o respeito mútuo, a lealdade e condições de diálogo permanente. Porque mesmo não havendo convergência, temos de continuar a conversar e a encontrar caminhos para o bem de São Tomé e Príncipe. Este é o mecanismo que eu me preparei para lidar com os partidos e as próximas eleições legislativas. Carlos Vila Nova é um dos quatro candidatos às eleições presidenciais de 19 de Julho, em São Tomé e Príncipe.

Mensagens do Meeting Point
25 a raíz da alegria

Mensagens do Meeting Point

Play Episode Listen Later Jul 10, 2026 2:05


Devocional Filipenses Muito me alegrei no Senhor por me terem manifestado novamente sentimentos de carinho. Não quero dizer que eu pense que me tivessem esquecido, mas não tinham tido ocasião de se manifestarem. Não digo isto por precisar de alguma coisa, pois aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na pobreza e também na abundância. Aprendi a viver em toda e qualquer situação: a ter fartura e a ter fome, a ter em abundância e a não ter o suficiente. Posso enfrentar todas as dificuldades naquele que me fortalece. Filipenses 4.10-13 Há quem pense que o cume da felicidade é a auto suficiência. Ilude-se esse que julga não necessitar de nada nem de ninguém. Abençoada pessoa que se dá conta do privilégio que é ser alvo de actos de solidariedade. É indicador de maturidade admitir que sabe mesmo bem receber mimos (in)esperados. Lá no fundo todo o ser humano aprecia ser apaparicado em doses moderadas. Não existe coração sadio que se blinde a “sentimentos de carinho.” Mais do que coisas o que gente de carne e osso almeja são abraços. E quando eles chegam valem ouro. Com isto não se escamoteia a preciosidade das pequenas e simples ajudas materiais. Elas, porque reconfortantes, representam um tónico extra. Ainda que se deseje que o cristão esclarecido aprenda “a contentar-se com o que tem”, tanto mais que sabe perfeitamente que pode “todas as coisas n'Aquele que o fortalece.” - Jónatas Figueiredo

Dia a dia com a Palavra
Você é do tipo que fica chateado?

Dia a dia com a Palavra

Play Episode Listen Later Jul 9, 2026 1:18


Você pode ficar chateado por algo que aconteceu, como por algo que não aconteceu e é sobre essa expectativa que gostaria de falar.Desde pequeno você teve que aprender a lidar com a tal da "expectativa". Sempre esperou algo de seus pais como: um abraço, um carinho, uma resposta, um presente. E se não recebeu, há grande possibilidade de ter ficado triste e chateado.Suas expectativas influenciam tudo: planos para o futuro, casamento, filhos, relacionamentos, profissão, estudos, vida com Deus, etc. Não há como criar um bloqueio de expectativas só para uma área da vida. Elas acabam impactando tudo e por isso é preciso tanto cuidado.Veja o que diz o Salmo 83 no verso 1: "Ó Deus, não te cales! Não te emudeças, nem fiques inativo, ó Deus!"Olho para o salmista nesse verso e percebo sua expectativa. Para ele, Deus não podia ficar calado, Deus tinha que agir, tinha que fazer alguma coisa. Mas a minha pergunta é: e se Deus não fizer? Como fica a sua cabeça?As expectativas equivocadas gerarão frustração e desânimo. Portanto, aprender a cultivar boas expectativas é uma atitude excelente, de maturidade. Cuidado com as expectativas equivocadas. Elas podem acabar te afastando de Deus.

Crie Sua Realidade
Você Está Cercado de Idiotas

Crie Sua Realidade

Play Episode Listen Later Jul 8, 2026 16:30


Vivemos cercados por pessoas que parecem estar acordadas, mas passam o dia inteiro no piloto automático.Elas repetem opiniões que nunca questionaram, tomam decisões por impulso, seguem a multidão e depois se perguntam por que a vida continua igual. E, quando fazem algo absurdo, nós ainda nos surpreendemos.Talvez o erro seja justamente esse.Neste episódio, eu exploro a ideia de que a maioria das pessoas simplesmente não está pensando. Não no sentido de falta de inteligência, mas de falta de reflexão consciente. Falo sobre como isso afeta relacionamentos, negócios, política, dinheiro e as pequenas decisões do dia a dia. E, mais importante, por que aceitar essa realidade pode tornar você menos frustrado e muito mais estratégico.Se você quer parar de esperar comportamentos racionais de quem vive no automático, este episódio é para você.

opiordobrasileiro
Decepções! Como lidar com elas?!

opiordobrasileiro

Play Episode Listen Later Jul 8, 2026 92:35


Nosso podcast está de volta para falarmos de algo que brasileiro entende bem: DECEPÇÃO.Por que a decepção existe?Qual é a pior?Quais são os exemplos históricos?Tem Copa? Sim! Mas tem muito mais!Vem com a gente!

Convidado
“Silence” faz bater um coração histórico do Festival de Avignon

Convidado

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 11:34


O espectáculo “Silence”, da compositora e percussionista Lucie Antunes e da coreógrafa Mathilde Monnier, transformou um espaço icónico do Festival de Avignon, a histórica Pedreira de Boulbon, numa pista de dança com a forma de um disco de vinil, onde tudo é pulsação, ritmo, escuta e movimento. Entre concerto, transe coreográfico e ritual colectivo, a peça é uma experiência sensorial e percussiva, protagonizada por três músicos e sete bailarinos que são as notas dessa energia hipnótica em plena natureza. Entre os intérpretes, está a portuguesa Carolina Passos Sousa com quem falámos sobre o espectáculo. RFI: Como é que nos descreve o espectáculo “Silence” e o que se vive em palco? Carolina Passos Sousa, Bailarina e actriz: “Este espectáculo, para nós, é mesmo uma viagem. É uma tentativa de transmitir este transe e estes estados alterados de consciência que nós tentámos durante o processo procurar, sejam eles através de movimentos, de estados, de olhares. É dançar com música ao vivo. É realmente uma coisa completamente diferente e aqui, neste espaço, parece uma espécie de ritual. Portanto, é, sim, uma viagem que começa e é este movimento que nós fazemos, sempre muito circular, que também nos dá esta sensação de 'loop' e de transe. É uma experiência super boa e é mesmo fixe fazer. O processo foi muito especial." Porquê? “Porque eu nunca tinha trabalhado com músicos assim e esta co-criação entre a Mathilde [Monnier] e a Lucie [Antunes] foi uma coisa que nós tivemos que dosear e perceber como é que poderíamos trabalhar, porque trabalhar dança é uma coisa e trabalhar a música é outro ritmo. Trabalhar os dois ao mesmo tempo, sem ser um concerto, sem ser um espectáculo de dança, é outra coisa. Então, tivemos que tentar perceber como é que nós podíamos encaixar e dialogar entre estes dois universos que muito têm a ver, mas que nem sempre estão directamente ligados no palco.” Aqui os bailarinos também são músicos, também cantam, também tocam. “Tentamos. Isto foi também um trabalho muito com a Lucie, que é incrível, super aberta à improvisação. Ela até prefere, muitas vezes, trabalhar com músicos não tão experientes e, portanto, havia toda uma abertura dos músicos. É inacreditável. Ela tinha uma base já feita e convidava-nos através desta poesia, porque há um livro de poesia feito pela Laura Vazquez, que foi a Lucie que pediu para ela fazer uns poemas sobre o silêncio. Através disto, numa forma super livre, no estúdio dela, ela convidava pessoas e amigos para lerem textos, os que quiséssemos, através das músicas que ela já tinha mais ou menos composto e assim surgiu todo o álbum. Foi assim que ela trabalhou.” Também há um álbum de Lucie Antunes, chamado “Silence”, que acaba de ser lançado. Tal como no espectáculo, a Carolina está no álbum? “Estou. Estou. Estamos todos, entre vozes, há um texto que eu digo também. Foi mesmo um trabalho muito, muito mágico no estúdio com ela, em que tudo vale, nada é um erro.” Aqui na Pedreira de Boulbon, com esta acústica, também é mágico… “Claro e é mesmo um privilégio poder estar aqui. Este espaço é mesmo incrível, até para o som. E o facto de também de ser assim uma espécie de disco de vinil e ter público trifrontal muda completamente a perspectiva que nós temos e é mesmo incrível! O espaço e Avignon e todo o festival, toda esta febre, esta vila que se transforma em coração do teatro.” A Carolina lê dois textos. Que textos são? “São esses tais textos do livro da Laura Vasquez, que foi uma encomenda que fizeram para o projecto, para o disco.” Num deles diz que “não há demasiado silêncio”. “Sim.” Chamar “silêncio” a este espectáculo parece um paradoxo. É um silêncio que é um estrondo, não é? “Sim. Na peça nunca há ou raramente há silêncio. Mas nós também não sabemos o que é. Pode ser a morte depois do transe, o silêncio pode ser muita coisa, mas nós nunca, em momento algum, estamos completamente em silêncio. Ou estamos a respirar, ou o nosso corpo está a funcionar, o coração está a bater. Nunca há silêncio verdadeiramente. Portanto, a ideia de silêncio também não sabemos ao certo o que é, mas claramente aqui é uma abertura a pensar nisso e no ritmo que também que levamos hoje em dia. No segundo texto que eu digo também se fala muito disso, nós não temos tempo para sequer ouvir os pássaros. Estamos sempre conectados.” Durante o processo criativo, foi a música que compôs a coreografia ou foi a coreografia que ajudou a criar a música? “As duas coisas. A Mathilde veio com uma ideia muito concreta de várias qualidades do movimento nestes estados alterados de consciência. O que é que poderá ser? Pode ser uma coisa repetitiva, pode ser uma coisa a ondular, uma coisa de ‘loop', da repetição. E através destas palavras, nós começámos a trabalhar e depois a Lucie criava as músicas, enviava à Mathilde e nós ouvíamos. E foi sempre assim. Um trabalho de partilha através da música e a dança, portanto, os dois estavam sempre juntos. Elas estavam sempre em comunicação e quando íamos para os ensaios tínhamos o material da Mathilde e o material da Lucie.” Como foi trabalhar novamente com a Mathilde Monnier, com quem já trabalhou, nomeadamente, em “Black Lights”, uma peça que também esteve no Festival de Avignon? “É muito especial. Eu comecei a dançar com a Mathilde. Eu sou actriz, fiz um estágio com a Mathilde e a meio do estágio ela pediu-me para dançar e para fazer as improvisações e acabei por trabalhar com ela já lá vão cinco anos. É sempre muito especial porque em todos os projectos há sempre abertura também para haver um lado teatral. No ‘Black Lights' havia muito isso. Aqui também penso que há. E este tipo de trabalho também me interessa muito. Um trabalho que não é só dança, não é só teatro. Eu sempre gostei muito de dançar e quis sempre explorar esta parte do movimento e trabalhar com ela. É fantástico a liberdade total. Tudo é possível. Ela ouve, é um processo de muita escuta. E ela tem sempre assim, umas ideias super diferentes a cada projecto. É uma coisa que não tem nada a ver com o projecto anterior. O anterior era a violência que as mulheres sofrem, seja ela assédio, seja ela coisas mínimas que estão intrínsecas na sociedade. E do nada estamos a fazer esta peça ‘Silence', que no início, quando ela me convidou, eu achei super interessante. Ela disse-me que ia fazer um ponto entre a primeira peça que fez, que é ‘Extasis', há 40 anos, que falava sobre drogas. O mote foi esse, sobre estados alterados de consciência, e queria fazer outra vez uma reflexão sobre esses estados alterados de consciência. No início, a peça chamava-se ‘Mushrooms' e era sempre assim, esta ponte com a primeira peça que ela fez, que acho que foi apresentada aqui em Avignon. Depois é sempre assim, uma criação vai sempre evoluindo e vai sempre mudando e agora chama-se ‘Silence'. Mas achei muito interessante trazer esta esta primeira peça dela 40 anos depois.” A Carolina já esteve em Avignon, conhece bem o director do Festival de Avignon, Tiago Rodrigues, com quem trabalhou em “Catarina e a beleza de matar fascistas”. Sente-se em casa, em Avignon? “Sim, sim. Sinto-me em casa aqui, é verdade. Acho que é um sítio em que todas as pessoas podem sentir-se em casa, apesar do calor! É mesmo o sítio onde toda a gente é convidada, toda a gente é bem-vinda e não há qualquer julgamento. E os espectáculos, a programação é incrível e há conversas, há todo um movimento de colectivo que me faz sentir super em casa aqui.” [O espectáculo "Silence" pode ser visto até dia 8 de Julho no Festival de Avignon.]

Love the Problem
Ep. 293 - Planejamento Estratégico Além do Óbvio: como fazer diferente sem esquecer do básico

Love the Problem

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 73:18


O seu planejamento estratégico é realmente único ou é apenas um "copiar e colar" de metas genéricas?No episódio 293 do Love the Problem, Rafaela Fonseca recebe Ana Araújo (CEO na Pareto) e Fernanda Magalhães (Consultora e Trainer na Nower e K21) para debater sobre como levar o planejamento estratégico além do óbvio — e por que tantas empresas ainda falham no básico antes mesmo de tentar dar passos mais complexos.Elas abordam:A armadilha da pasteurização: objetivos genéricos (como "aumentar faturamento", "melhorar NPS" ou "investir em inovação") quando usados como simples padrões deixam de ser úteis e formam uma estratégia sem conexão com a realidade específica da empresa.O feijão com arroz precisa de tempero: O óbvio e o básico precisam ser ditos e muito bem-feitos. A liderança precisa estar presente e atenta aos detalhes para que uma boa estratégia seja criada e colocada em prática.A pressa de ir para o "Como": Há um impulso enorme em descer diretamente para a solução, antes mesmo de garantir que todo o grupo compreenda claramente o ponto de partida e o destino final da organização. Antes de falar da solução é importante que todos estejam alinhados sobre o problema.Projetos informais: Para testar novas soluções de forma ágil é preciso abrir espaços seguros para o time experimentar e testar hipóteses. Projetos informais que estejam alinhados com a estratégia e a liderança direta podem ser esses espaços ricos de colaboração, criatividade e inovação.Executivos conectados com o dia a dia: Empresas são feitas de pessoas, e projetos são entregues por pessoas. A liderança precisa enxergar de perto o que está acontecendo na realidade da operação para criar uma estratégia acionável.Você quer elevar o nível do planejamento estratégico na sua empresa? Então dê o play e vem com a gente!

Artes
Em Avignon, Carolina Bianchi acende "Uma Luz Cordial” atrelada à violência e ao prazer

Artes

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 20:20


A encenadora, actriz e escritora brasileira Carolina Bianchi regressou ao Festival de Avignon para estrear “Uma Luz Cordial”, o último capítulo da "Trilogia Cadela Força" aqui iniciada em 2023. Esta é “uma luz atrelada à expressão da violência”, mas também à "expressão do prazer", conta-nos a artista que neste espectáculo confronta o público com “o enigma” que atravessa a peça e que envolve teatro, literatura e sexualidade. Carolina Bianchi e a sua companhia Cara de Cavalo vão também fazer dois dias de maratona teatral de 10 horas com as três peças seguidas da trilogia, um gesto movido pelo desejo de “aventura total”. Carolina Bianchi encerrou a trilogia iniciada em Avignon com “Uma Luz Cordial”, um espectáculo que leva para o palco a violência do acto de escrever e o mistério da sua própria sexualidade. Esta é “uma luz atrelada à expressão da violência”, mas também “à expressão do prazer”, conta-nos a artista que foi buscar o título da peça a um poema que lhe é fundamental: “My Life Had Stood a Loaded Gun”, de Emily Dickinson, em que a imagem de uma arma carregada lhe evoca o potencial explosivo de uma poeta a escrever. Além do novo espectáculo, Carolina Bianchi e a sua companhia Cara de Cavalo retomam toda a trilogia nesta 80ª edição do Festival de Avignon e o público poderá ver, no mesmo dia, “A Noiva e o Boa Noite Cinderela” [que a revelou aos palcos europeus e com o qual conquistou o Leão de Prata da Bienal de Veneza em 2025], “The Brotherhood” e “Uma Luz Cordial”. A maratona teatral de 12 e 13 de Julho, na Opéra Grand Avignon, dura diariamente cerca de dez horas, um gesto movido pelo desejo de “aventura total”, em referência à "obra de arte como aventura total” do artista Alberto Greco, de quem também fala em palco. “A Noiva e o Boa Noite Cinderela”, o primeiro capítulo, arrasta o público para o inferno das violações e dos feminicídios. “The Brotherhood”, o segundo capítulo, mergulha-nos nas alianças masculinas que têm dominado a história da arte e do teatro e verbaliza o fascínio por esses mestres da arte e da violência. Agora, “Uma Luz Cordial”, o terceiro capítulo, tenta fintar a brutalidade da criação artística e faz a literatura irromper em todo o espaço cénico. Diluem-se novamente fronteiras entre teatro e poesia, entre ficção e real, entre autor e alter ego. Carolina Bianchi vai desaparecendo de cena para reaparecer “nas vozes” de autoras como Hilda Hilst e Emily Dickinson. Não se pense que este último capítulo vem curar alguma dor porque, ela avisa em palco, “a dor não passa” e “não há salvação”. Há, no entanto, uma luz ao fundo do túnel, a tal “luz cordial”, ainda que corresponda ao disparo de uma arma no poema “My Life Had Stood a Loaded Gun”. O teatro radical de Carolina Bianchi, que deixa enigmas e não dá respostas, que leva para o palco a complexidade e a perplexidade do mundo, que leva à tona tanto a parte maldita quanto a parte poética da criação, está no Festival de Avignon até 12 de Julho. RFI: Como é que nos pode apresentar este terceiro capítulo que fecha a trilogia “Cadela Força”? Carolina Bianchi, Autora e encenadora da trilogia teatral “Cadela Força”: “Uma Luz Cordial é um trabalho que vai na direcção da escrita, sobre o acto de escrever. Então, ele é, na verdade, eu me colocando ali também, nesta travessia deste espectáculo, como a escrita em si, o meu corpo está muito mais fora de cena do que nos outros trabalhos da trilogia. Acho que também tem essa questão: a de uma escritora que está desaparecendo, que está se tornando pura escrita. Por tocar nesse assunto da escrita, acho que forma um triângulo muito importante com outras duas coisas, que é a imaginação e a sexualidade. Aí, para mim, surge uma equação do enigma desta terceira parte, que é o que atravessa este último capítulo, estas três palavras que não se conseguem mais dissociar, a escrita também como uma possível expressão da sexualidade e é não só falar sobre a sexualidade, mas a escrita como expressão de uma sexualidade. Acho que, sobretudo, é também muito importante dizer: a literatura como forma de prazer.” Há uma poesia de Emily Dickinson essencial na peça, que fala em "uma luz cordial" em que "a arma tem o poder de matar, mas não de morrer". Por que chamou ”Uma Luz Cordial” ao terceiro capítulo? “Esse é o meu poema preferido da vida. Emily Dickinson traz uma possibilidade de ler esse poema - porque é o que eu digo também no trabalho: é difícil chegar a uma conclusão sobre como analisar um poema de Emily Dickinson. E essa é a coisa mais bonita sobre essa autora, que trabalha com enigmas, com espaços de puro mistério na sua escrita, na sua poesia. Acho que essa imagem de uma arma carregada que, para mim, pode ser a imagem da poeta a escrever, é uma das imagens mais bonitas que a poesia já trouxe para o meu imaginário. Aí vem essa frase ‘Uma luz cordial' que está no poema e ela essa sentença para descrever o momento do disparo da arma. Então, o tempo todo ela está trazendo nesse poema esses dois lados de uma arma que também é uma arma que é uma expressão de violência e, ao mesmo tempo, quando o disparo é descrito como uma luz cordial isso também traz outra imagem sobre essa arma, que é uma imagem de vida, uma imagem de sorriso, uma imagem de prazer, uma imagem de iluminação que é muito forte.” Em “A Noiva e o Boa Noite Cinderela” a principal inspiração era a artista italiana Pippa Bacca, violada e assassinada em trabalho. Em “The Brotherhood”, inspirava-se também na dramaturga Sarah Kane que dizia que “não há amor sem violência” e que explorava os temas do amor e da violência. Agora, as suas musas são Hilda Hilst e Emily Dickinson. Porquê falar através da voz destas artistas mulheres e porquê levar de forma tão franca a literatura para o teatro? “Tem uma coisa que eu acho que é importante dizer. A Pippa Bacca, para mim, ela não foi tanto uma inspiração como a minha relação com a Sarah Kane, talvez com outras dessas autoras. Acho que a Pipa Baca tinha uma coisa ali de um mistério do qual eu precisava, era quase a atracção de um detective que eu acho que é um pouco diferente. Nestes dois outros trabalhos, quando Sarah Kane aparece, quando vem a Emily, a Hilda e outras vozes também, para mim tem um aspecto de um encontro que é um encontro onde você se sente pertencente a um lugar ou onde você tenta pertencer a um lugar onde encontra essas outras autoras, onde você se sente menos sozinha, onde você tem um lugar onde se reconhece numa história. Acho que isso acontece muito com a Sarah Kane na ‘Brotherhood', alguém que fez espectáculos extremamente violentos, que sofreu também muitas consequências, boas e ruins, dessa dramaturgia sem concessões que ela fazia. Agora, nesta terceira, o ponto onde a coisa ainda fica mais profunda é a questão de elas serem alter egos. Quando eu falo dessa escritora que morreu e que agora aguarda nesse outro espaço essa hora de voltar, para mim, esse virar escrita também significa dissolver-se em alter egos. A minha voz já não é essa voz central, a voz está espalhada, está tudo espalhado, estilhaçado. Tudo ali é duplo. Também vem essa ideia da fantasmagoria em si, que eu também falo nos outros capítulos. Para mim, essa fantasmagoria chega no seu ápice na trilogia, que é a ideia de que nem sequer essa voz é a voz que agora é a mais ouvida. Essa voz precisa de se dissolver em alter egos e o da Emily Dickinson - que ocupa um lugar muito importante na minha vida, na minha história, com a literatura, com a escrita - aparecem também nesse chamado para seguir escrevendo.” Também interroga o próprio sacrifício da escrita e a violência que é escrever? “Sim, interroga, mas também é um lugar de prazer. Para mim, é muito importante afirmar essa palavra neste último capítulo, que eu acho que também é uma palavra que pouca gente esperava que fosse aparecer aqui. Há uma questão de associação entre a literatura e o prazer e, por isso, também a gente está associando com a questão da sexualidade, porque eu estou trazendo uma sexualidade que também se está colocando como uma grande desorganização, como um grande enigma o tempo todo. Aqui, isso está mais endereçado do que nunca. Então, é um corpo que está ali fervendo, que é o corpo da escritora, que é o corpo da escrita, que é um corpo que também está revelando uma expressão sexual muito forte.” Por isso é que traz esse corpo colectivo da sexualidade para o palco, com os actores da sua companhia Cara de Cavalo? “Sim, sim, porque eu acho que tem ali mesmo uma pergunta sobre como se manifesta essa sexualidade no espectáculo, sem ser a sexualidade de estar atrelada ao real ou o sexo real no palco ou a representação. Não me interessa essa pergunta. Nesta peça, para mim, interessa-me falar como manifestar essa sexualidade que está atrelada ao acto de escrever. É uma sexualidade que vem da palavra e uma sexualidade que está atrelada à leitura. Ela é uma sexualidade que é o tabu da leitura, que limites são esses também que a literatura explode o tempo todo e que para o teatro é mais complicado. Então, acho que tem uma tensão aí entre teatro e literatura, entre o acto de ler e de você também não poder escapar dessa literatura. Acho que tem muitas coisas aí onde esse fio vai dando um nó mesmo.” Nessa “dramaturgia sem concessões”, em que leva também a sexualidade para o palco, recorre a uma obra que a escritora Hilda Hilst escreveu para fintar o pedido do editor que queria uma obra que vendesse muito. A Carolina coloca em cena uma marioneta a representar uma criança manipulada por dois adultos e durante 20 minutos ela fala da sua prostituição infantil. É uma das cenas mais fortes desta peça. Porquê esta cena? “Porque o meu desejo era colocar um livro dentro da peça. Ali a gente tem um livro que é ‘O Caderno Rosa de Lori Lamby' e acho que tem uma questão que ainda traz neste livro particular que é uma resposta a uma determinada maneira que o mercado editorial trabalha, que eu acho muito forte, porque ele é um livro sobre escrita. É uma menina que escreve o tempo todo e é o que a marioneta faz também em cena, ela escreve o tempo todo. Então, uma menina que escreve o tempo todo, inspirada pelo pai, que é um escritor que tem problemas também para vender os seus próprios livros. Inspirada pelo que ela ouve das conversas ao redor, das coisas que lê, ela começa a escrever esse relato. Acho que tem uma coisa que eu acho muito bonita que é, primeiro, uma questão do tabu, um tabu enorme que é a imaginação sexual de uma criança, porque não é só uma questão de abuso, acho que tem ali uma questão ou outra que é o que uma criança imagina quando escreve e isso é uma coisa que toca todo o mundo. Todos nós já fomos crianças. Todos nós sabemos que é uma imaginação que ainda não está tão moldada pelos limites, pelos tabus. Ela narra uma questão extrema nesse contacto dessa imaginação, tem um caminho extremo que a Hilda percorre, porque ela sabe que isso vai provocar algo ali, nesse tabu, com o jeito que a gente percebe essas situações. Ao mesmo tempo, tem uma coisa da escrita dela que é extremamente poética, que tem humor, que é uma coisa que você vê nos outros livros dela que eu acho muito importante. Acho que tem uma coisa desse choque também que isso provoca, que eu acho que é curioso também, que vem na cena seguinte mais explicitamente, que é uma cena que é “O Caderno do Cu do Sapo Liu Liu”, onde a gente tem o inverso, que é o grande escritor que escreve coisas terríveis, violentíssimas e é considerado um génio. Ele é considerado um Rimbaud. A gente está aqui na França, a terra de Georges Bataille, de Marquês de Sade, e é interessante como Hilda Hilst é tão chocante.” É por ser mulher? “Eu acho que o facto de ser mulher também faz ser mais chocante. O facto de ela ser mulher, o facto de ela ter escrito esse livro quando ela tinha 60 anos, mas eu acho que não vem a ser uma questão para mim pessoalmente. Eu não sei se isso é uma questão para quem lê isso e fica completamente perturbado, mas para mim, as questões dela ali, em relação à literatura, aos não limites que a literatura pode operar, são muito interessantes para mim.” Apesar da violência relatada por si e pelas mulheres de que fala, apesar de toda a vulnerabilidade, a trilogia chama-se Cadela Força. Agora que temos a trilogia completa em palco, por que é que a chamou assim? “Essas duas palavras não têm um significado específico quando colocadas em par. Elas não estão nem se dando adjectivo no português brasileiro, elas são palavras que não se estão completando, elas são realmente duas palavras jogadas ali. Acho que tem uma coisa sobre essa sonoridade que elas produzem, sobre as milhares de imagens que essas duas palavras podem produzir em contacto com os materiais da peça. E elas também têm um enigma delas, um segredo.” Na peça diz que “não há salvação”, que “não passa a dor”. Lemos que “o teatro é uma armadilha, que a literatura é uma armadilha e que talvez ainda esteja na mala do carro”, em referência à violação que sofreu e que conta no primeiro capítulo da trilogia. Quem viu os capítulos um e dois poderia esperar uma espécie de salvação no capítulo três ou, pelo menos, que o teatro fosse uma forma de reconstrução para si e, através de si, para outras mulheres. Não foi? “Não. E acho que quem esperava isso de mim assim estava muito equivocado. Para mim, é impossível pensar no teatro como salvação. Eu acho que já estou anunciando isso desde o princípio. Esse lugar de que o artista é alguém que precisa conceder esperança à sociedade, respostas à sociedade, conclusões de perguntas que são impossíveis, é um delírio e uma alucinação porque os artistas não têm essa responsabilidade. O que me interessa é justamente esse mistério do teatro. O teatro começa como um ritual dionisíaco, os rituais dionisíacos eram cheios de violência, cheios dessa violência poética que opera no fundamento da história do teatro. Então, eu acho que o teatro é um lugar onde ele precisa operar na chave do mistério, da instabilidade, não como salvação de nada.” Nas entrevistas que fizemos, em 2023 e em 2025, sobre os capítulos anteriores da trilogia, dizia-nos que “A Noiva e o Boa Noite Cinderela” falava da “antecâmara do inferno já com um pé no inferno”, que “Brotherhood” era “acordar no purgatório” e tentar perceber o que significa “situar-se no teatro depois de voltar do inferno”. E neste terceiro capítulo? “Esse capítulo, a gente chega na citação do 'Paraíso' de Dante Alighieri, esse momento onde tem uma imagem do paraíso que é muito linda, em que ele começa a ver esses espíritos, essas imagens de luz. Quase como chega um ponto ali onde, depois de ele se entender incapaz de seguir escrevendo, ele já se perdeu ali do Virgílio que encontrou uma outra musa que é a Beatriz que agora tem a palavra. Acho que tem alguma coisa nessa transformação onde a luz aparece, para mim, atrelada a uma expressão de violência que está no poema da Emily Dickinson, que também abre esse lugar de onde também há esse prazer da literatura que aparece. Esse lugar onde a literatura vai dominando tudo, onde essa ficção vai dominando tudo. É essa conexão que eu faço com o paraíso, com esse lugar onde a violência não pára, onde a violência não se resolve, mas ela chega a outras formas.” Não há salvação, mas há uma luz cordial? “Mas lembre-se que à luz cordial é o disparo da arma.” Fecha a trilogia no sítio onde a começou, no Festival de Avignon. Mostra o terceiro capítulo, mas também os dois anteriores. Já alguma vez representou dez horas seguidas e por que é que decidiu fazer algo quase sobre-humano? “Nunca representei por dez horas seguidas. Sobretudo, acho que nada me teria preparado, mesmo se tivesse feito. Não, nada me teria preparado para fazer isso, porque acho que essas dez horas são dez horas muito específicas, muito desse universo onde há aí uma consequência de se fazer algo depois do primeiro capítulo e eu acho que é isso que a gente vai estudar juntos. O que é que isso muda na nossa leitura de espectáculos que as pessoas já viram? Como eles vão ler esses espectáculos agora com esse efeito presente e contínuo? O que acontece? O que acontece com o teatro? O que acontece com a performance? O que acontece com a literatura quando se leva isso, essa experiência, que é uma experiência extrema? Tem uma frase num dos textos de ‘Uma Luz Cordial', onde eu estou-me referindo a um outro artista que é o Alberto Greco, um artista argentino, e ele diz que acredita na obra de arte como aventura total. Para mim, isso resume muito bem este gesto. Então, para si, é uma obra de arte total? “Não, aventura total. Não sei se é uma obra de arte total o que nós fazemos, mas eu acredito que o desejo de fazer essa obra tem a ver com esse desejo pela aventura total.” A trilogia ajuda a pensar o impensável. Verbaliza a violência, apropria-se da linguagem da violência para desconstruir o sistema em que ela se baseia. Ao fazê-lo, também não alimenta o sistema em que “Somos todos brotherhood”? Não há maneira de quebrar o ciclo? “Acho que não. Eu não saberia dizer. Acho que não. Acho que esse ciclo talvez vai ser um ciclo que vai demorar muito para ser quebrado. Onde estamos agora no mundo, o que a gente está vendo acontecendo ao redor do mundo, esse conservadorismo extremo, esse fascismo extremo que está em toda parte, que está no mundo das artes também, eu não vejo ainda uma saída desse ciclo. Sinto muito., mas espero que exista um dia. Não sei se eu vou estar aqui para assistir isso, mas…” Foram vários anos a escrever, a interpretar, a representar, a sofrer também com esta trilogia que agora fecha. Olhando para trás, o que é que representou para si e o que gostaria que ela deixasse junto de quem a viu? “Eu acho que é uma coisa enorme. Mesmo assim, eu nunca vou conseguir, talvez nem nesta encarnação, ter distanciamento suficiente para ver tudo o que isso representou na minha vida, na vida das pessoas que trabalham comigo ou ainda de quem acompanhou o trabalho. Agora eu estou muito próxima, ainda estou muito aqui para entender qualquer coisa sobre isso. Eu sei que as mudanças que isso faz na minha vida são imensas. A minha vida foi completamente transformada e transtornada por esse trabalho, mas eu sinto isso assim, eu sinto que eu estou aqui, eu estou dentro dele ainda. Talvez no ano que vem eu consiga já ter um pouco mais de distanciamento para entender, porque agora eu só consigo dizer que isso mexeu em tudo. E eu estou ainda no meio desse furacão.” O furacão que também afectou o público e, se calhar, a história do teatro contemporâneo? “Tomara que sim. Eu nunca consigo afirmar muito esse tipo de coisas. Não sei. Tomara que sim. Tomara que tenha afectado muita gente. Eu acho fez algo, com certeza, com este contexto, mas eu preciso de distanciamento mesmo para entender o que foi feito, o que mexeu.”

RW notícias - fique sempre bem informado
Multinacionais pedem aos EUA que não apliquem tarifas a Brasil

RW notícias - fique sempre bem informado

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 2:23


Seis empresas multinacionais se manifestaram contrárias à aplicação de uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros pelo governo Donald Trump. Elas alegam que a medida trará riscos econômicos para suas atividades.

Devocionais Pão Diário
DEVOCIONAL PÃO DIÁRIO | NOSSA ARMADURA EM CRISTO

Devocionais Pão Diário

Play Episode Listen Later Jul 6, 2026 3:13


Leitura Bíblica Do Dia: 2 CORÍNTIOS 10:3-6 Plano De Leitura Anual: JÓ 32–33; ATOS 14 Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira:  Certo jovem compartilhou sua história de abuso e vício. Embora já fosse cristão, ele era atormentado por um problema maior do que si mesmo por ter sido exposto à pornografia e abuso sexual quando criança. Desesperado, buscou por ajuda. Por crermos em Cristo, travamos uma guerra contra as forças invisíveis do mal (2 CORÍNTIOS 10:3-6). Mas recebemos armas para travar as nossas batalhas espirituais. Elas não são as armas do mundo, entretanto. Pelo contrário, recebemos “armas poderosas de Deus […] para derrubar as fortalezas” (v.4). O que isso significa? “Fortalezas” são lugares bem construídos e seguros. Nossas armas dadas por Deus incluem “armas da justiça, com a mão direita para atacar e com a mão esquerda para defender” (6:7). A carta aos Efésios amplia a lista de coisas que ajudam a nos proteger: a Bíblia, a fé, a salvação, a oração e o apoio de outros cristãos (6:13-18). Quando somos confrontados com forças maiores e mais fortes do que nós, apropriarmo-nos dessas armas pode fazer a diferença entre resistir ou tropeçar. Deus também usa conselheiros e outros profissionais para ajudar aqueles que lutam com forças grandes demais para enfrentarmos sozinhos. A boa notícia é que em Jesus, e por meio dele, não precisamos nos render frente às dificuldades. Temos a arma dura de Deus!  Por: ARTHUR JACKSON 

Guilherme Gimenez
Devocional da manhã do dia 06/07/2026 - Crie raízes profundas

Guilherme Gimenez

Play Episode Listen Later Jul 6, 2026 4:45


“Bendito é aquele que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor. Ele será como árvore plantada junto às águas, que estende suas raízes para o ribeiro. Não temerá quando vier o calor, suas folhas permanecerão verdes e, no ano de seca, não deixará de produzir fruto.” — Jeremias 17.7-8 (VLC)A árvore descrita por Jeremias não vive sem calor nem seca. Sua diferença está nas raízes. Enquanto a superfície sofre mudanças, existe uma fonte profunda que continua alimentando sua vida. Essa é uma imagem poderosa da pessoa que aprende a confiar em Deus.Muitas vezes desejamos uma fé que remova imediatamente todas as dificuldades. A Bíblia, porém, apresenta uma fé que nos sustenta dentro delas. O calor pode vir, a estação pode mudar e os recursos visíveis podem diminuir, mas quem está enraizado no Senhor não depende somente do que aparece na superfície.Raízes espirituais são desenvolvidas por meio de práticas constantes: oração, meditação na Palavra, comunhão, arrependimento e obediência. Elas crescem no silêncio, longe dos aplausos. Ninguém vê uma raiz se aprofundando, mas todos percebem seus efeitos quando chega a tempestade.Para colocar em práticaNão espere o tempo difícil para começar a buscar profundidade. Separe hoje um período real para estar com Deus. Leia a Bíblia sem pressa, ore com sinceridade e permita que sua esperança seja reposicionada. Uma vida profunda pode atravessar estações secas sem perder a capacidade de frutificar.OraçãoSenhor, aprofunda minhas raízes em ti. Que minha confiança não dependa das circunstâncias e que eu continue produzindo bons frutos em todas as estações. Amém.

Vida em França
Peça de teatro "Au Ciel" transforma adeus às avós em viagem cósmica e poética

Vida em França

Play Episode Listen Later Jul 5, 2026 9:57


A peça de teatro “Au Ciel” [“No céu”] é uma ilustração de como a poesia e a imaginação podem ser a melhor forma para explicar o que não se consegue explicar, nomeadamente para falar sobre a perda de um ente querido às crianças. Neste espectáculo, que está a ser apresentado no festival Off Avignon, o público embarca numa viagem espacial com uma criança, Ariane, que vai procurar a avó Philomène que – dizem os adultos – foi “para o céu”. Esta é “uma história de amor às avós”, conta a sua autora Cindy Rodrigues, que é também uma das três intérpretes em palco. A protagonista é representada por uma marioneta inspirada no filme “Ma Vie de Courgette” e o espectáculo usa “o espaço como cenário, como lugar de viagem, mas também como metáfora da ausência”. A história passa-se passa no verão de 1969. Em palco, há uma janela horizontal gigante que, ora se abre para as esculturas voadoras que acompanham as aventuras cósmicas de Ariane, ora se transforma numa televisão analógica a preto e branco. Dessa televisão tanto saem imagens da chegada do homem à lua, como noticiários burlescos sobre a viagem de uma menina de sete anos pelo espaço. Há, ainda, um sósia francês do Elvis Presley profundamente deprimido, um arlequim filósofo num dos planetas, uma professora de ciência que é todo um planeta e extraterrestres em forma de peúgas super coloridas que não têm emoções. A “descolagem” começa com “a partida da avó para o céu” porque Ariane não percebe para onde ela foi. A história foi imaginada e escrita por Cindy Rodrigues, uma das três intérpretes em palco, da Compagnie du Radis Couronée, que fala da peça como “uma história de amor às avós”. Foi com ela que falámos no Fabrik Théâtre, onde o espectáculo está a ser apresentado no âmbito do Festival Off Avignon. RFI: Do que é que fala para si este espectáculo? Cindy Rodrigues, Actriz e autora de “Au Ciel”: “É a história de uma menina de sete anos a quem dizem que a avó foi para o céu. Esta expressão é muitas vezes usada pelos adultos para falar com as crianças sobre a morte porque é um tema sensível, porque por vezes não encontram as palavras e têm medo de causar tristeza. Então, a Ariane, que não percebe bem o que quer dizer ‘ir para o céu', vai iniciar uma grande viagem pelo espaço à procura da avó e de respostas para estas perguntas. Este espectáculo interroga a forma como as crianças compreendem o conceito de morte, mas fala também da dificuldade de os adultos em acompanharem as crianças quando elas próprias se confrontam com a experiência do luto.” A Cindy é a autora do texto. Como surgiu a ideia de o escrever? “Este texto nasceu de uma conversa com o encenador. Ele tinha o desejo de criar um espectáculo situado no espaço. Durante o processo de escrita, o conceito do luto surgiu com relativa naturalidade, pois o céu está frequentemente associado à ideia da separação. Queríamos explorar o espaço como cenário, como lugar de viagem, mas também como metáfora da ausência.” Porque é que decidiu situar a acção em 1969, no contexto da chegada do homem à Lua? “Porque gosto da ideia de que as pequenas histórias se encontram com a grande história, criando um elo entre a ficção e os factos históricos. A alunagem da Apollo 11 foi um evento muito marcante que as novas gerações conheceram na escola, mas para certos adultos que assistiram ao espectáculo é também um salto no passado.” Qual é a ligação que a Cindy Rodrigues tem com a personagem Ariane? “Penso que a ligação que tenho à personagem da Ariane é o amor que tenho pelas minhas duas avós, queria homenagear as relações particulares que cada criança pode ter com os seus avós, essas figuras ao mesmo tempo próximas e um pouco à distância, que são fontes de ternura, de memórias. Quando nos tornamos adultos, procuramos manter vivo esse vínculo espacial.” Até que ponto é que o teatro, a arte, a poesia, as marionetas ajudam a explicar melhor a perda de um ente querido aos mais pequenos? “O teatro, a poesia, as marionetas podem contribuir para explicar melhor a perda de um ente querido às crianças pequenas. Elas não dão uma resposta à morte, oferecem um espaço seguro para a expressar, para a viver simbolicamente. O espectáculo de teatro cria uma situação colectiva em que a criança pode assistir a uma história que se assemelha à sua experiência sem ser directamente confrontada com a sua realidade.” Este é um teatro de marionetas. Há muitos objectos em palco, é muito visual, e também há muita música. Como é que foi o processo de criação da marioneta Ariane e o que é que os bonecos permitem expressar que actores em carne e osso não expressam da mesma forma? “Trabalhamos em colaboração com Nadine Delannoy, que foi responsável pela construção da marioneta. Entre as nossas referências encontrava-se a personagem do filme de animação “Ma Vie de Courgette”, com os seus grandes olhos e uma cabeça maior do que o corpo. Trata-se de uma marioneta de tipo bunraku, uma forma tradicional japonesa de teatro de marionetas, manipulada por duas ou três pessoas. A utilização de uma marioneta para representar a nossa protagonista, que é uma criança, permite transpor a realidade para um plano mais poético, criando uma maior empatia em relação à personagem e uma identificação mais universal por parte do público.” O luto, a imaginação, a infância são os temas da peça. O espectáculo quer falar simultaneamente a várias gerações? “Sim, sim, totalmente. Gosto da ideia de que um espetáculo possa ser intergeracional. Claro que os níveis de compreensão não são os mesmos para as crianças e para os adultos, mas acredito que as crianças são muitas vezes muito mais maduras do que se pensa. E quanto aos adultos, nunca estão realmente longe da sua própria infância.” O que é que representa estar no Festival de Avignon? Não é complicado financeiramente? “Sim, sim, naturalmente. Participar no festival representa um grande risco financeiro para as companhias. Cada ano há mais espectáculos e nunca se pode ter a certeza de recuperar os custos, mas quando funciona, isso abre uma oportunidade de oferecer uma bela temporada ao espectáculo e assim acreditamos e queremos que funcione.”

Assunto Nosso
Só mais cinco minutos

Assunto Nosso

Play Episode Listen Later Jul 3, 2026 6:05


Nossa geração viveu uma época muito especial.E talvez a gente só tenha percebido isso depois que ela passou.Na escola tinha o dia do flúor, tinha campanha contra os piolhos, tinha a merenda… E a merenda era um acontecimento. Leite com Nescau, sopa fumegando, macarrão, cachorro-quente. Tinha manhã em que a felicidade começava muito antes da aula.Na Semana da Pátria, cantávamos o Hino Nacional. Em fila. Os pequenos na frente, os maiores atrás. Não era apenas uma organização. Era um jeito de ensinar que cada um tinha seu lugar e que caminhar junto fazia parte da vida.A gente ia para a escola a pé. Uma rua inteira de crianças seguindo na mesma direção. Mochilas maiores que as costas, tênis marcados pelo tempo, joelhos rasgados de tanto brincar. Ninguém reclamava da caminhada. Porque o caminho também era diversão.Quando alguém fazia aniversário, a volta para casa era inesquecível. Ovo, farinha, terra… O aniversariante chegava parecendo um bife à milanesa. E o mais curioso é que ninguém saía bravo. Todo mundo ria. Porque amizade também era isso: bagunça, gargalhada e lembrança.O fim do ano tinha um ritual que nenhuma rede social conseguiu substituir. A camiseta do uniforme virava um livro de memórias. Cada assinatura era uma promessa de amizade eterna. Algumas ficaram pelo caminho. Outras continuam vivas até hoje.E havia uma frase que definia a nossa infância inteira:“Espera aí, mãe… Só mais cinco minutos.”Não era para ficar no celular. Não era para terminar uma fase de um jogo.Era mais cinco minutos na rua.Mais cinco minutos de esconde-esconde.Mais cinco minutos de pega-pega.Mais cinco minutos soltando pipa, jogando taco, brincando de bafo, andando de bicicleta sem destino e voltando para casa quando as luzes dos postes acendiam.A nossa rua era a nossa rede social.A campainha era bater palma no portão.O grupo era a turma da esquina.E o status era ouvir alguém gritar lá de dentro:“Fulano… entra pra casa!”Hoje as crianças conhecem o mundo inteiro pela tela. Nós conhecíamos o mundo pela calçada.Elas aprendem a deslizar os dedos sobre o vidro.Nós aprendíamos a ralar os joelhos no asfalto.Elas decoram senhas.Nós decorávamos caminhos.E talvez seja por isso que a saudade aperte tanto.Não porque a nossa infância tenha sido perfeita. Ela não foi.Mas porque ela nos ensinou uma riqueza que não cabia no bolso. Cabia no coração.A felicidade morava nas coisas pequenas.Numa ficha para o orelhão.Num pacote novo de figurinhas.Numa bola um pouco murcha.Numa lata vazia que virava brinquedo.Num sorvete dividido entre amigos.E naquele pedido que, sem saber, era um desejo para a vida inteira:“Deixa eu ficar só mais cinco minutos.”Hoje, olhando para trás, a gente entende que aqueles cinco minutos passaram depressa.Viraram anos.Viraram saudade.Viraram histórias que contamos com um sorriso no rosto e um aperto bom no peito.Porque quem teve o privilégio de viver aquela infância descobriu cedo que as melhores lembranças não cabem numa tela.Elas moram para sempre na memória.E há uma riqueza que o tempo nunca consegue levar: a infância de quem aprendeu que a felicidade não precisava de internet. Precisava apenas de amigos, de liberdade… e de mais cinco minutos na rua.

Arauto Repórter UNISC
Só mais cinco minutos

Arauto Repórter UNISC

Play Episode Listen Later Jul 3, 2026 6:05


Nossa geração viveu uma época muito especial.E talvez a gente só tenha percebido isso depois que ela passou.Na escola tinha o dia do flúor, tinha campanha contra os piolhos, tinha a merenda… E a merenda era um acontecimento. Leite com Nescau, sopa fumegando, macarrão, cachorro-quente. Tinha manhã em que a felicidade começava muito antes da aula.Na Semana da Pátria, cantávamos o Hino Nacional. Em fila. Os pequenos na frente, os maiores atrás. Não era apenas uma organização. Era um jeito de ensinar que cada um tinha seu lugar e que caminhar junto fazia parte da vida.A gente ia para a escola a pé. Uma rua inteira de crianças seguindo na mesma direção. Mochilas maiores que as costas, tênis marcados pelo tempo, joelhos rasgados de tanto brincar. Ninguém reclamava da caminhada. Porque o caminho também era diversão.Quando alguém fazia aniversário, a volta para casa era inesquecível. Ovo, farinha, terra… O aniversariante chegava parecendo um bife à milanesa. E o mais curioso é que ninguém saía bravo. Todo mundo ria. Porque amizade também era isso: bagunça, gargalhada e lembrança.O fim do ano tinha um ritual que nenhuma rede social conseguiu substituir. A camiseta do uniforme virava um livro de memórias. Cada assinatura era uma promessa de amizade eterna. Algumas ficaram pelo caminho. Outras continuam vivas até hoje.E havia uma frase que definia a nossa infância inteira:“Espera aí, mãe… Só mais cinco minutos.”Não era para ficar no celular. Não era para terminar uma fase de um jogo.Era mais cinco minutos na rua.Mais cinco minutos de esconde-esconde.Mais cinco minutos de pega-pega.Mais cinco minutos soltando pipa, jogando taco, brincando de bafo, andando de bicicleta sem destino e voltando para casa quando as luzes dos postes acendiam.A nossa rua era a nossa rede social.A campainha era bater palma no portão.O grupo era a turma da esquina.E o status era ouvir alguém gritar lá de dentro:“Fulano… entra pra casa!”Hoje as crianças conhecem o mundo inteiro pela tela. Nós conhecíamos o mundo pela calçada.Elas aprendem a deslizar os dedos sobre o vidro.Nós aprendíamos a ralar os joelhos no asfalto.Elas decoram senhas.Nós decorávamos caminhos.E talvez seja por isso que a saudade aperte tanto.Não porque a nossa infância tenha sido perfeita. Ela não foi.Mas porque ela nos ensinou uma riqueza que não cabia no bolso. Cabia no coração.A felicidade morava nas coisas pequenas.Numa ficha para o orelhão.Num pacote novo de figurinhas.Numa bola um pouco murcha.Numa lata vazia que virava brinquedo.Num sorvete dividido entre amigos.E naquele pedido que, sem saber, era um desejo para a vida inteira:“Deixa eu ficar só mais cinco minutos.”Hoje, olhando para trás, a gente entende que aqueles cinco minutos passaram depressa.Viraram anos.Viraram saudade.Viraram histórias que contamos com um sorriso no rosto e um aperto bom no peito.Porque quem teve o privilégio de viver aquela infância descobriu cedo que as melhores lembranças não cabem numa tela.Elas moram para sempre na memória.E há uma riqueza que o tempo nunca consegue levar: a infância de quem aprendeu que a felicidade não precisava de internet. Precisava apenas de amigos, de liberdade… e de mais cinco minutos na rua.

Estadão Notícias
Carlos Andreazza: ‘Michelle puxa fila e aposta na derrota de Flávio Bolsonaro' | Estadão Analisa

Estadão Notícias

Play Episode Listen Later Jul 1, 2026 70:40


No “Estadão Analisa” desta quarta-feira, 01, Carlos Andreazza fala sobre a crise no clã Bolsonaro entre o filho 01 do ex-presidente e a ex-primeira-dama. Duas ex-ministras do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, as senadoras Tereza Cristina (PP-MS) e Damares Alves (Republicanos-DF), além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, vão esvaziar o encontro de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com mulheres nesta quarta-feira, 1, em Brasília. Elas não devem comparecer ao evento, e nos bastidores manifestaram incômodo com o silêncio do presidenciável do PL em relação aos ataques machistas feitos por seu conselheiro político, Paulo Figueiredo. O blogueiro disse na terça-feira, 29, que “mulheres votam mal para caralho”. O ex-presidente Jair Bolsonaro definiu sua esposa como “Incontrolável”, a aliados, em mais de uma ocasião. Muito antes do vídeo em que a ex-primeira-dama acusou o senador Flávio Bolsonaro, seu enteado, de humilhá-la ao telefone, o ex-presidente já havia afirmado a dirigentes do PL que ela jamais poderia ser candidata à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ainda anunciou que vai deixar a presidência do PL Mulher, setorial do partido voltado para o público feminino. Ela diz que vai se dedicar aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, e vem na esteira da crise provocada entre ela e o enteado Flávio Bolsonaro. A senadora Damares Alves tenta apaziguar os ânimos no núcleo de poder bolsonarista. Foi a primeira a saber, por exemplo, que a ex-primeira-dama deixaria o comando do PL Mulher, mas, ao lado da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, conseguiu convencê-la a não se desfiliar do partido. Mesmo assim, ela ainda ameaça não concorrer ao Senado. Acompanhe Estadão Analisa com o colunista Carlos Andreazza, de segunda a sexta-feira, o programa traz uma curadoria dos temas mais relevantes do noticiário, deixando de lado o que é espuma, para se aprofundar no que é relevante Assine por R$1,90/mês e tenha acesso ilimitado ao conteúdo do Estadão. Acesse: https://ofertas.estadao.com.br/_digital/See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ciência
A evolução das bactérias e o desafio da resistência aos antibióticos

Ciência

Play Episode Listen Later Jun 29, 2026 9:10


O director de investigação no Instituto Pasteur, em Paris, o cientista português Eduardo Rocha, dedica-se ao estudo da evolução bacteriana, da diversidade genética e dos mecanismos que permitem às bactérias trocar informação genética entre si. Um trabalho fundamental para compreender um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea: a resistência aos antibióticos. Entrevista realizada por Taíssa Stivanin. A investigação começa quase sempre pela leitura do genoma. Ou melhor, pela leitura de milhares de genomas. "As nossas análises, em geral, começam com a sequenciação de um genoma, ou de muitos genomas. As pessoas fazem amostragem de bactérias ou de elementos móveis que estão no ambiente, nos hospitais ou dentro dos indivíduos - nós temos muitas bactérias no nosso intestino. Depois sequencia-se o genoma, isto é, identifica-se a sequência de nucleótidos no ADN que vai estabelecer, por exemplo, os genes que estão presentes no genoma e quando vão ser expressos. É preciso perceber que o genoma de uma bactéria típica é um texto grande. Pode ter quatro milhões de letras, um milhão ou dez milhões, depende das bactérias. E é um texto escrito com um alfabeto de quatro letras, os quatro nucleótidos. O nosso objectivo é compreender o que está escrito nesse texto: identificar que genes estão presentes, que elementos regulam a sua presença e a sua expressão. E sobretudo compará-los para perceber como é que as bactérias evoluíram no passado e como poderão evoluir no futuro." O foco da equipa está precisamente nessa capacidade das bactérias para evoluírem. Uma evolução que, ao contrário do que acontece nos organismos mais complexos, pode ser observada em tempo real. "Tentamos perceber como é que as bactérias se adaptam. Elas conseguem adaptar-se muito rapidamente. Temos a ideia dos processos evolutivos como algo muito lento, mas nas bactérias, em parte porque se conseguem dividir muito rapidamente, estes processos podem ser extremamente rápidos, tão rápidos que os podemos observar no laboratório. Podemos fazer experiências em que vemos a evolução da bactéria. Em poucos dias, ela pode tornar-se resistente a antibióticos, perder virulência ou aumentar a virulência. E como agora podemos sequenciar genomas muito facilmente, conseguimos traçar exactamente quais foram as modificações nos genomas que levaram ao resultado final." Durante muito tempo, os cientistas pensaram que a evolução bacteriana resultava sobretudo de pequenas mutações. Mas a realidade revelou-se bastante mais complexa. "Se continuarmos na analogia do texto, é um bocado tentar perceber como é que as palavras mudaram. O que percebemos nos últimos vinte anos é que muitas das mudanças nos genomas não são pequenas mutações, não são palavras que mudaram. Na realidade, são frases, parágrafos ou até secções inteiras que mudaram completamente. Isso acontece porque as bactérias têm a capacidade de trocar genes com outras bactérias, adquirir genes de outras bactérias. E isso permite-lhes evoluir rapidamente. É isso que explica que há setenta anos praticamente todas as bactérias com as quais convivíamos fossem susceptíveis aos antibióticos e que hoje existam bactérias resistentes a quase todos os antibióticos conhecidos. Foram adquirindo estes genes e isso permitiu-lhes evoluir muitíssimo mais rápido." No Instituto Pasteur, a equipa de Eduardo Rocha procura reproduzir e observar estes fenómenos em condições controladas. Mas nem toda a investigação acontece em laboratório. Uma parte importante do trabalho passa pela análise de amostras recolhidas em hospitais ou em estudos clínicos. Um dos projectos recentes acompanhou pessoas saudáveis sujeitas a tratamento antibiótico. “Publicámos um estudo feito num hospital em França com vinte e duas pessoas saudáveis que tomavam dois tipos de antibióticos. Seguimos essas pessoas ao longo de vários meses para perceber o que acontecia à flora intestinal depois do tratamento. Porque ao tomarmos antibióticos, perturbamos as bactérias que estão na nossa flora intestinal e demora um certo tempo até o equilíbrio se voltar a estabelecer.” O estudo tinha uma aplicação clínica directa, mas permitiu também aprofundar uma questão central para o trabalho da equipa: o papel dos chamados elementos genéticos móveis. "Um dos aspectos que nos interessava era compreender como é que os elementos móveis das bactérias reagiam à presença de antibióticos. As bactérias tendem a transferir genes entre si e isso permite-lhes adaptar-se a novos desafios ou aproveitar novas oportunidades. Mas para que o ADN passe de um genoma para outro existem, na maior parte dos casos, elementos genéticos móveis que fazem essa transferência. É aí que se concentra actualmente a nossa equipa. Porque são esses elementos que vão determinar a capacidade das bactérias para se adaptarem. Mas também têm um lado egoísta. Cada vez que se replicam ou se transferem, impõem um custo à bactéria. Em alguns casos, esse custo pode mesmo levar à morte da bactéria. Existe portanto um equilíbrio delicado entre os benefícios que trazem e os custos que impõem." Esses elementos móveis funcionam como verdadeiros veículos de transporte genético. Alguns actuam através de vírus que infectam bactérias. Outros constroem pontes entre células vizinhas. Esses elementos móveis funcionam como verdadeiros veículos de transporte genético. Alguns actuam através de vírus que infectam bactérias, outros constroem pontes entre células vizinhas. E nos últimos anos, os investigadores descobriram ainda um novo nível de complexidade. "Percebemos que existe todo um zoológico de elementos móveis que utilizam outros elementos móveis para se transferirem. Temos agora duas camadas de complexidade: elementos móveis que utilizam a bactéria e elementos móveis que utilizam os elementos móveis que utilizam a bactéria. Estabelece-se uma relação a três entre a bactéria, o elemento móvel autónomo e um segundo tipo de elemento móvel que vai jogar com os outros dois elementos para se transferir. Mas o que nós constatámos é que muitos dos genes de resistência aos antibióticos estão neste segundo tipo de elementos móveis. Uma vez chegados à bactéria, são muito pouco custosos. Isso permite que a bactéria mantenha durante muito tempo os genes de resistência. É uma das razões pelas quais a resistência aos antibióticos não desaparece simplesmente quando deixamos de tomar os medicamentos. A resistência ficou estabilizada na bactéria."

Brasil Paralelo | Podcast
COMO A ORDEM DA CASA MUDA SUA VIDA | Conversa Paralela com Andrea e Esther Biselli

Brasil Paralelo | Podcast

Play Episode Listen Later Jun 26, 2026 113:12


Neste episódio do Conversa Paralela, Lara Brenner e Arthur Morisson recebem Andreia Biselli e Ester Biselli (sogra e nora) para um bate-papo profundo sobre a gestão do lar, a formação dos filhos e o fortalecimento do casamento. Muito além de dicas de organização e limpeza, a conversa aborda como a ordem material reflete e sustenta a ordem interior. Descubra a diferença entre ser "dona de casa" e "dona da casa", como gerir o seu lar com maestria, delegar tarefas com eficiência e manter a harmonia conjugal em meio ao caos do dia a dia. Elas também compartilham estratégias sobre como lidar com a influência das telas e do mundo externo na educação das crianças e explicam na prática o verdadeiro significado da frase "reinar é servir".

Emílias Podcast
Mulheres na Maratona de Programação, com Karina Roggia e Thaís Say de Carvalho

Emílias Podcast

Play Episode Listen Later Jun 26, 2026 94:38


Neste episódio do Emílias Podcast, o professor Adolfo Neto e a estudante Carolina Bruno recebem a professora da UDESC Karina Roggia e a graduanda da UTFPR Thaís Say de Carvalho. O foco principal gira em torno das recentes conquistas de ambas em programação competitiva. Karina como treinadora da equipe medalhista de ouro na Final Brasileira da Maratona de Programação (classificada para o mundial da ICPC em Dubai), e Thaís como a grande vencedora da Maratona Feminina de Programação da América Latina. Durante a conversa, as convidadas detalham a intensa rotina de preparação para os torneios, os desafios de logística e o impacto dessas competições no desenvolvimento acadêmico e profissional dos estudantes.Além do panorama competitivo, a conversa contém um debate intergeracional sobre a trajetória de mulheres na computação, comparando o ingresso de Karina na área em 1998 com a experiência recente de Thaís a partir de 2021. Elas compartilham suas visões sobre os obstáculos de gênero que ainda persistem no ambiente tecnológico, oferecem conselhos para aproximar jovens meninas da carreira de exatas e encerram com indicações culturais de interesse da comunidade, como a graphic novel Logicomix e a animação Caçadores de Bugs.Karina Roggia:Página:   https://www.udesc.br/professor/karina.roggia Lattes: http://lattes.cnpq.br/7786281602726587Thaís Say https://www.linkedin.com/in/thaissay/Notícias sobre Karina:Santa Catarina conquista sua primeira medalha de ouro na Maratona Brasileira de Programaçãohttps://brute.joinville.udesc.br/udesc-ganha-sua-primeira-medalha-de-ouro-na-maratona-brasileira-de-programacao/ Links sobre Thaís:Primeiro Lugar na MFPhttps://www.instagram.com/p/DL20ln3Rma-/Bronze na MFPhttps://www.instagram.com/p/C8xTxfIRaIS/GralhaBotshttps://www.instagram.com/p/DL20ln3Rma-/98: Maratonistas da Computação: Desafios e Conquistas no Mundo das Mulheres na Engenhariahttps://youtu.be/9RrCFpQnCycAluna da UTFPR vence a Maratona Feminina de Programação da América Latinahttps://www.utfpr.edu.br/noticias/geral/tamo-junto/aluna-da-utfpr-vence-a-maratona-feminina-de-programacao-da-america-latina Outros links: Medalha de ouro da UFPR https://maratona.sbc.org.br/hist/2008/index.htmlMFP https://mfp.ic.unicamp.br/Indicações:Karina:Logicomix, Papadimitriouhttps://www.martinsfontespaulista.com.br/logicomix-619293/p ThasDesenho “Caçadores de Bugs”https://www.imdb.com/title/tt7697062/ 

Devocionais Pão Diário
DEVOCIONAL PÃO DIÁRIO | HOMEM HUMILDE

Devocionais Pão Diário

Play Episode Listen Later Jun 25, 2026 4:18


Leitura Bíblica Do Dia: EFÉSIOS 1:15-23 Plano De Leitura Anual: JÓ 3–4; ATOS 7:44-60  Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira:  Eles não achavam que Jorge, um agricultor, seria grande coisa. No entanto, apesar da sua visão fraca e outras limitações físicas, ele dedicava-se a orar pelas pessoas de sua aldeia, nas muitas noites em que a sua dor o mantinha acordado. Em sua caminhada de oração, ia de casa em casa, nomeando pessoas individualmente, até mesmo as que não conhecia. Elas gostavam de seu modo gentil e buscavam sua sabedoria e conselhos. Se Jorge não pudesse ajudá-los na prática, eles ainda se sentiam abençoados ao partirem, pois tinham sido alvos do seu amor. Quando Jorge faleceu, seu funeral foi o maior de todos na comunidade, apesar de ele não ter família na região. Suas orações produziram frutos além do que ele poderia imaginar. Esse homem humilde seguiu o exemplo de Paulo, que amava aqueles a quem servia e orava por eles enquanto estava confinado. Provavelmente, ele estava preso em Roma quando escreveu aos que estavam em Éfeso, rogando que Deus lhes concedesse “sabedoria espiritual e entendimento” e que o coração deles fosse “iluminado” (EFÉSIOS 1:17-18). Sua expectativa era de que conhecessem Jesus e vivessem com amor e união pelo poder do Espírito. Jorge e o apóstolo Paulo dedicaram-se a Deus, levando a Deus em oração aqueles que amavam e a quem serviam. Que possa mos considerar o exemplos deles na maneira como amamos e servimos aos outros hoje.   Por: AMY BOUCHER PYE

CNN Poder
Cálculo eleitoral de Lula ignora futuro da economia

CNN Poder

Play Episode Listen Later Jun 24, 2026 51:50


As paixões cegam, principalmente as da política. Elas impedem de se enxergar o que está acontecendo bem diante da nossa cara. É a bomba que o atual governo deixou armada para si mesmo – se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguir se reeleger. Além do âncora da CNN William Waack, participam desta edição Thaís Herédia, analista de Economia, Jussara Soares, analista de Política, Felipe Recondo, jornalista e pesquisador do STF, Tatiana Pinheiro, pesquisador da FGV e consultora econômica, Lourival Sant'Anna, analista de Internacional, e Eduardo Mignon, professor de Ciências Militares da Eceme.

Tudo de Propósito
Trabalho com Propósito | #39 | Chega de jogo sujo.

Tudo de Propósito

Play Episode Listen Later Jun 24, 2026 25:39


Você já sentiu que o seu trabalho é um campo de batalha diário, onde você precisa se sacrificar ao máximo para garantir o seu lugar no pódio?Neste episódio, Silvia Maciel e Sabrina Nask convidam você a refletir sobre as armadilhas da competição no ambiente profissional. Elas exploram como a busca incessante por performance e a mania de se cobrar ao extremo nos fazem agir na defensiva, sacrificando o sono, a saúde e os relacionamentos em troca de uma falsa sensação de segurança.Descubra como desarmar essa postura que transforma colegas em oponentes e entenda por que o verdadeiro sucesso não precisa vir acompanhado de exaustão. Aprenda a abrir espaço para a colaboração e a leveza no seu dia a dia.Dê o play e transforme a sua relação com o trabalho, lembrando que a verdadeira realização acontece na qualidade das nossas relações, e não no isolamento da disputa. ✨-Quer acompanhar mais de perto? Siga a gente no Instagram @‌vozdoser ❤️-Conheça a nossa entrega: acesse http://www.vozdoser.com.br para descobrir nossos cursos, imersões, treinamentos e atendimentos

Descobri depois de adulta
#281: Como identificar os sinais de que alguém que quer te passar a rasteira

Descobri depois de adulta

Play Episode Listen Later Jun 23, 2026 15:07


Entre em contato: https://linktr.ee/andreachociayExiste uma coisa curiosa sobre as pessoas que não querem o seu bem...Elas raramente demonstram isso de forma explícita.Na verdade, muitas delas sorriem para você. Te elogiam. Te abraçam. Te parabenizam quando você conquista alguma coisa.Mas se você observar com atenção, vai perceber pequenos sinais.Comentários que parecem inocentes.Piadas que surgem nos momentos errados.Uma estranha falta de entusiasmo quando algo dá certo na sua vida e o mais perigoso é que, quase sempre, essas pessoas não estão longe.Elas estão entre os amigos, colegas, familiares... e às vezes entre aquelas pessoas que você mais confia.Neste vídeo, eu quero mostrar alguns sinais sutis que costumam aparecer quando alguém não quer o seu bem — mesmo fingindo que quer.

#DNACAST
O Trabalho Devolve - 20 de Junho

#DNACAST

Play Episode Listen Later Jun 20, 2026 2:44


Chame a Laila e descubra como eu posso te ajudar: https://bit.ly/laila-otrabalhodevolveSe você tivesse 15 minutos por dia, o que mudaria na sua vida?

Guilherme Gimenez
Devocional da Manhã do dia 19/06/2026 | DISCIPLINA NOS DIAS DIFÍCEIS

Guilherme Gimenez

Play Episode Listen Later Jun 19, 2026 5:20


1 Coríntios 9:25 (NVT):“Todos os que competem nos jogos se submetem a treinamento rigoroso.”Nem todos os dias teremos motivação. Existem manhãs em que o coração acorda cansado, a mente parece pesada e a vontade de parar cresce silenciosamente dentro de nós.E isso também acontece na vida espiritual.Muitas pessoas acreditam que uma caminhada forte com Deus depende apenas de emoção, entusiasmo ou momentos inspiradores. Mas a maturidade espiritual nasce principalmente da constância.Paulo usa a imagem de um atleta para ensinar exatamente isso. Quem deseja chegar até o final precisa desenvolver disciplina. Precisa continuar treinando mesmo nos dias em que a motivação desaparece.A disciplina sustenta aquilo que a emoção não consegue manter.Na vida espiritual, existem períodos em que orar parece mais difícil. Ler a Bíblia exige mais esforço. Permanecer firme se torna cansativo emocionalmente. E é justamente nesses momentos que a disciplina se torna essencial.Porque pessoas maduras espiritualmente não caminham apenas quando sentem vontade. Elas continuam caminhando porque entenderam a importância da perseverança.Talvez hoje você esteja emocionalmente desgastado. Talvez algumas áreas da sua vida estejam exigindo muito mais energia do que você imaginava. Mas não abandone hábitos espirituais importantes justamente durante as fases difíceis.Os dias difíceis são exatamente os dias em que você mais precisa permanecer perto de Deus.A disciplina espiritual não é prisão. É proteção. Ela mantém você conectado à presença de Deus enquanto as emoções oscilam.Muitas vitórias espirituais não acontecem em grandes momentos públicos. Elas acontecem silenciosamente, quando alguém decide continuar firme mesmo cansado.Hoje, continue caminhando. Continue orando. Continue permanecendo. Pequenas constâncias produzem grandes transformações ao longo do tempo.

PODDELAS
TATA ESTANIECKI E DANI CHOMA - PODDELAS PODCAST #557

PODDELAS

Play Episode Listen Later Jun 16, 2026 30:13


Neste episódio especial do PodDelas, Tata e Dani Choma apresentam o podcast a bordo do Disney Wish, um dos navios da Disney Cruise Line, em um mundo onde os sonhos e os desejos se tornam realidade e essa experiência vai muito além de um cruzeiro.Nessa conversa, elas compartilham tudo o que viveram a bordo: encontros com personagens, espetáculos estilo Broadway, restaurantes temáticos, momentos de relaxamento, aventuras em alto-mar e experiências que transformaram essa viagem em lembranças inesquecíveis. Elas descobriram que cada viagem com a Disney Cruise Line combina a magia das histórias Disney com diversão em família, escapadas imaginativas e o serviço Disney incomparável. É uma experiência pensada para todas as idades, onde cada dia traz novas surpresas, emoções e recordações para contar. Porque no final das contas, viajar não é apenas conhecer lugares, é colecionar memórias que ficam para sempre.Aqui, a magia encontra o mar! Quer saber mais sobre a Disney Cruise Line? Acesse www.DisneyCruiseLine.com e comece a planejar suas férias mágicas.

Marta Maria
1 Samuel 17–18; 24–26; 2 Samuel 5–7 | Estudo Vem e Segue-Me, Velho Testamento, 2026

Marta Maria

Play Episode Listen Later Jun 14, 2026 63:55


Com Sérgio Carboni Conteúdo citado no episódio:"A fé necessária à vida e salvação se acha centralizada em Cristo. Não existe salvação apenas no princípio geral da fé por si só, nessa força que impele à ação, e que faz com que o fazendeiro plante a sua semente com a invisível esperança de que ela produzirá frutos. Mas há fé para a salvação, quando Cristo é o ponto focal em que a invisível esperança se acha centralizada. Conseqüentemente, o Profeta explicou que "três coisas são necessárias para que qualquer ser racional e inteligente possa exercer fé em Deus para a vida e salvação". Elas consistem em: 1. "A idéia de que Ele realmente existe"; 2. "Uma noção correta de Seu caráter, perfeições e atributos "; e 3. "O real conhecimento de que o curso de vida que se está seguindo está de acordo com a vontade de Deus." "(Bruce R. McConkie, Mormon Doctrine, p. 262.)Discurso do Élder Bednar "E para Eles, não há tropeço." https://www.churchofjesuschrist.org/study/general-conference/2006/10/and-nothing-shall-offend-them?lang=porEstudo do Velho Testamento com o apoio do manual Vem, e Segue-Me (um recurso preparado pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias).Nossos episódios trazem reflexões e insights sobre alguns dos tópicos designados para a semana, buscando tornar seu estudo mais claro, edificante e conectado às escrituras. Junte-se a nós nesta jornada de aprendizado e inspiração enquanto exploramos o significado das revelações para os nossos dias.Seja você um membro novo, experiente ou alguém curioso sobre a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, este é um espaço para aprender, compartilhar e crescer espiritualmente.Acompanhe-nos nesta jornada de aprendizado e fortalecimento da fé, enquanto buscamos viver mais plenamente os ensinamentos de Cristo!

Café Brasil Podcast
Café Com Leite Especial - A copa do Mundo

Café Brasil Podcast

Play Episode Listen Later Jun 2, 2026 17:36


Por que a Copa do Mundo faz tanta gente rir, chorar, torcer e sonhar? Neste episódio do Café Com Leite, Bárbara e Babica embarcam numa viagem pela história do maior campeonato de futebol do planeta. Elas descobrem quem foi Jules Rimet, por que o Brasil é tão importante para a Copa, como o futebol já ajudou a aproximar pessoas até em tempos de guerra e por que milhões de pessoas se emocionam quando a bola começa a rolar. Uma conversa divertida sobre esporte, amizade, união e pertencimento.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Porque Sim Não é Resposta
Dia da Criança: elas deixam uma lista de reclamações

Porque Sim Não é Resposta

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 14:12


De norte a sul do país, projeto Escola Amiga da Criança reúne listas de reclamações e sugestões. De ideias para a escola a desabafos sobre o receio do futuro, as crianças conseguem sempre surpreenderSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Pânico
Bruna Pinheiro e Jéssica de Paula | As amigas do Vini Jr.

Pânico

Play Episode Listen Later May 25, 2026 125:13


O tribunal da internet pegou fogo e as piracicabanas mais comentadas do Brasil vieram ao Pânico contar a real! Recebemos nesta segunda-feira (25) a empresária e sedutora do João Kléber, Bruna Pinheiro (a Miss Catar), e a modelo fotográfica e influencer, Jéssica de Paula, apontadas como pivôs da separação de Vini Jr e Virginia. Elas abriram o jogo sobre a noite em Madri e provaram que a internet criou uma fanfic que nunca existiu. Assista agora ou vai ter que passar no Teste de Fidelidade com o elenco do programa!

WGospel.com
Os construtores de pontes

WGospel.com

Play Episode Listen Later May 20, 2026 5:51


TEMPO DE REFLETIR 01770 – 20 de maio de 2026 Efésios 2:13 e 14 – Vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo. Pois Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade. As pontes são símbolos de aproximação, diálogo, convivência e reconciliação. Elas unem pessoas, povoados, cidades e países. Parece que somos mais especialistas em construir muros em lugar de pontes. Tanto que o maior muro feito pelo homem é visível da Lua: a Grande Muralha da China. Existe também preconceito e discriminação: construímos muros invisíveis entre vizinhos, denominações, grupos étnicos e países. Cristo passou a maior parte do tempo derrubando muros. Paulo diz que Jesus veio para derrubar o muro de separação: “O objetivo dEle era criar em Si mesmo, dos dois, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliar com Deus os dois em um corpo […]. Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam perto” (Ef 2:15-17). A figura que Paulo usa aqui é muito clara. Ele se valeu do templo com suas seções. A separação era: gentios, mulheres, israelitas, levitas, sacerdotes e sumo sacerdotes. Paulo disse: “Jesus é a ponte: o muro desapareceu. Jesus é nossa paz.” A graça de Deus não quer deixar ninguém de fora. Infelizmente, excluímos as pessoas por medo, orgulho ou ignorância. Nós as classificamos assim: quem está dentro e quem está fora. Os líderes religiosos da época de Jesus consideravam virtude não se relacionar com quem não vivia à altura dos seus padrões. Jesus, por outro lado, foi o maior construtor de pontes que o mundo já viu. Somos convidados a ser construtores de pontes. “Vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo” (1Pe 2:5). Quando Pedro diz que devemos assumir nossa missão, ele usa uma palavra que resume nossa identidade como povo de Deus, a palavra “sacerdócio”. Um comentarista bíblico salienta algo interessante sobre o significado da palavra “sacerdote”, em latim. A palavra latina para sacerdote é pontifex, ou seja, construtor de pontes. Pedro diz: “Vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas […] para serem sacerdócio santo.” Juntos vamos construir pontes! Esta é nossa identidade: somos construtores de pontes. Pontes de esperança, de justiça e de graça. Devemos construir pontes para outras pessoas se aproximarem de Deus. Pontes de aproximação para conhecerem o evangelho de Cristo. Ponte de aproximação para que entrem no reino do Céu. Reflita sobre isso no dia de hoje e ore comigo agora: Grande Deus e Pai: me ajude a ser a ponte entre aqueles que ainda não Te conhecem. Que através da minha vida, do meu exemplo, eu possa ajudar outros a se aproximarem de Ti. Por favor. Em nome de Jesus, amém! Saiba como receber as mensagens diárias do Tempo de Refletir: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99893-2056 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: TELEGRAM AMILTON MENEZES . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: WHATSAPP CHANNEL Amilton Menezes . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes

WGospel.com
Versatilidade ou conformismo?

WGospel.com

Play Episode Listen Later May 19, 2026 5:16


TEMPO DE REFLETIR 01769 – 19 de maio de 2026 Romanos 12:2 – E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente. A rainha Vitória, da Inglaterra, tinha várias filhas. E elas eram como as garotas de hoje: iam à escola, observavam as últimas modas e queriam se vestir como as outras moças. E um dia elas chegaram ao palácio falando alto à sua mãe, dizendo que queriam roupas assim e assim e o chapéu daquele outro jeito. Mas a mãe as atalhou dizendo: “Vocês são filhas da rainha. E as filhas da rainha não seguem a moda. Elas ditam a moda!” Esse é um bom exemplo para nós, como cristãos. Vivemos em sociedade, mas não pertencemos à sociedade. Estamos no mundo, mas não somos do mundo. Devemos estabelecer padrões de comportamento em vez de nos escravizarmos às imposições da sociedade. É verdade que somos minoria, mas lembremo-nos de que é necessária apenas uma pitada de sal para salgar o alimento todo. Quando Israel entrou em contato com as nações pagãs, gradativamente se adaptou aos seus costumes. Em vez de influenciá-las, foi influenciado por elas. O resultado foi desastroso, tanto para sua vida espiritual como para a prosperidade temporal. O mesmo ocorreu com as igrejas da Ásia. O mundanismo que as contaminou provocou-lhes a ruína. Sardes tinha nome de que vive, mas estava morta. Laodicéia era morna. Alguns cristãos imaginam que terão mais influência sobre o mundo se descerem ao seu nível. É um grande engano. Se queremos ensinar as crianças a escrever corretamente, não podemos dar-lhes livros cheios de incorreções ortográficas e gramaticais. O mundo nunca se tornou melhor através de ideais inferiores. Os deuses do paganismo não elevaram a humanidade. De igual modo, não é o cristão “meia-tigela” que influenciará positivamente aqueles que o cercam, mas o que possui ideais elevados e que, com a ajuda divina, vive à altura de sua profissão de fé. Paulo, como grande evangelizador que era, diz que procedeu “para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus”, e que se fez “fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos” (1Co 9:20, 22). Isso não significa que ele era uma espécie de camaleão, que muda de cor conforme o ambiente, mas que tinha versatilidade para adaptar tanto sua mensagem como seu comportamento às várias classes de pessoas, quando isso não envolvia condescendência com os princípios. Amigo ouvinte, versatilidade, sim. Conformismo, não. Reflita sobre isso no dia de hoje e ore comigo agora: Por favor, Pai, como Paulo, eu não quero me conformar com este século, mas ser transformado pela renovação da minha mente. Por favor, faça isso na minha vida e na vida de cada um de meus ouvintes. Em nome de Jesus, amém! Saiba como receber as mensagens diárias do Tempo de Refletir: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99893-2056 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: TELEGRAM AMILTON MENEZES . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: WHATSAPP CHANNEL Amilton Menezes . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes

Bom dia, Obvious
A menina que aprendeu a não incomodar, com Luisa Steiger

Bom dia, Obvious

Play Episode Listen Later May 17, 2026 53:14


Os sintomas também podem ser uma forma de pedir ajuda.Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe a psicóloga Luísa Steiger para uma conversa sobre emoções, infância e as relações que moldam a forma como sentimos e nos conectamos com o mundo.Elas falam sobre vulnerabilidade, família, papéis de gênero e a importância de aprender a nomear emoções em uma cultura que muitas vezes transforma afeto em silêncio.⁠Para receber em primeira mão a pré-venda do Clube do Livro clique aquiNos acompanhe também: Marcela Ceribelli no Instagram: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@marcelaceribelli⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram da Obvious: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@obvious.cc⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠TikTok da Obvious: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@obvious.cc⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Chapadinhas de Endorfina: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@chapadinhasdeendorfina⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Ouça também, outros podcasts da Obvious:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Podcast Chapadinhas de Endorfina.doc⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Podcast Academia do Prazer⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Livros da Marcela Ceribelli:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Sintomas — e o que mais aprendi quando o amor me decepcionou⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠: AQUI⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Aurora: O despertar da mulher exausta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠: AQUIInstagram de Luisa Steiger: AQUILEIA: A quarta reação: Como a necessidade de agradar nasce do trauma e nos desconecta de quem somos. CLIQUE AQUI e use o cupom OBVIOUS20 para comprar com 20% de desconto. Válido até 31/maio Livros citados:Livros de Rosa Monteiro: AQUI Livro Girlhood: No corpo de uma mulher, de Melissa Febos: AQUI   

Oxigênio
#219 – Sinais de vida (passada) em Marte?

Oxigênio

Play Episode Listen Later May 14, 2026 38:08


O jipe Perseverance encontra possíveis bioassinaturas na superfície de uma rocha e dá mais um motivo para que a missão de retorno de amostras de Marte não seja cancelada. As análises sobre a habitabilidade marciana é uma vertente dos estudos na área, que buscam responder: quais são as condições encontradas no planeta hoje e como ele já deve ter sido no passado? O episódio faz parte de um conjunto de reportagens sobre A busca por vida extraterrestre e se essa estaria esquentando. A série é desenvolvida por Danilo Albergaria, bolsista do Programa Mídia Ciência, da FAPESP. Este episódio contou com a participação de Gabriel Gonçalves Silva (pós-doutorando na UNISINOS), Fernanda Jamel (doutoranda – USP e MIT), Roberta Vincenzi (pós-doutoranda no IO-USP) e Isabella Gaião (doutoranda – USP). [Introdução] Danilo: No primeiro episódio da série que trata da astrobiologia, aqui no podcast Oxigênio, a gente falou da alegação de detecção de uma possível bioassinatura num planeta fora do sistema solar. Uma bioassinatura é um sinal produzido por seres vivos – um possível vestígio de atividade biológica. Mas essa notícia de um potencial sinal de vida num exoplaneta não foi a única ocasião em que uma possível bioassinatura em um ambiente extraterrestre gerou manchetes no ano passado. Em setembro de 2025, a NASA anunciou um resultado que foi descrito pela agência aeroespacial americana como: “pode bem ser o sinal mais claro de vida que já encontramos em Marte”. A novidade foi um estudo publicado na revista Nature que apontou a existência de uma “potencial bioassinatura” numa rocha marciana – sim, uma pedra em Marte, coletada e analisada pelo jipe Perseverance, da NASA. A rocha marciana tem algumas características que aqui na Terra são encontradas em rochas que exibem rastros deixados por micróbios. Mas ainda não dá para saber se essas características encontradas na pedra marciana tiveram origem em atividade biológica ou se foram formadas por processos naturais sem o envolvimento de seres vivos. Os equipamentos do jipe, por melhores que sejam, não conseguem produzir resultados claros o suficiente para que os cientistas tirem essa dúvida. Para distinguir se os sinais encontrados são biogênicos (ou seja, foram originados por atividade biológica) ou se são abióticos (ou seja, sem o envolvimento de seres vivos), é preciso trazer as amostras para a Terra.  Eu sou Danilo Albergaria, jornalista e historiador pesquisando a comunicação da astrobiologia, essa área que estuda a origem, a evolução e a distribuição da vida no universo. Neste episódio, vou conversar com quatro cientistas associados ao Laboratório de Astrobiologia da Universidade de São Paulo para entender um pouco melhor de quê se trata essa possível bioassinatura e o que sabemos sobre se Marte pode ou não pode oferecer condições para a existência de vida, ou se já pode em algum momento do passado distante.  [Vinheta] Danilo: Vamos começar pelo que a gente sabe sobre esses resultados anunciados com grande entusiasmo pela NASA no ano passado. O jipe Perseverance está em Marte desde 2021 explorando a região de uma cratera chamada Jezero. A gente sabe que Marte teve água líquida em sua superfície há mais de 3,5 bilhões de anos, e essa cratera já foi um lago nesse passado remoto. Só para vocês terem uma ideia dessa região marciana, para atravessar essa cratera, de borda a borda, é preciso percorrer 45 quilômetros, pouco mais do que a distância entre Campinas e Jundiaí ou de Jundiaí a São Paulo. Em uma parte da borda da cratera existem marcas características de um delta de um rio que desaguava ali. Foi nas margens do leito desse rio, medindo 400 metros de margem a margem, que o jipe encontrou algumas rochas interessantes em julho de 2024. Em uma delas, o Perseverance identificou compostos orgânicos, moléculas compostas de carbono, e o mais importante: marcas que foram apelidadas de “pintas de leopardo”, que são manchas mais claras do que o restante da rocha, circundadas por linhas bem mais escuras. A rocha é formada principalmente de argila e lodo, materiais que costumam preservar rastros de vida microbiana, e fazem da rocha algo tipicamente encontrado no fundo de rios. Essas marcas, as “pintas de leopardo”, são compostas de fosfato de ferro e sulfeto de ferro. Aqui na Terra, esses compostos são associados a rastros químicos causados por reações produzidas por microrganismos em rochas. Essas foram as pistas analisadas para ver se as manchas poderiam ter sido geradas por micróbios há bilhões de anos. O Gabriel Gonçalves Silva é pós-doutorando na UNISINOS, químico associado ao Laboratório de Astrobiologia da USP, e estuda geobiologia. Eu pedi para ele me explicar por que esses sinais foram considerados possíveis vestígios de vida microbiana passada em Marte neste último estudo feito pelos pesquisadores da NASA. Gabriel: Eles analisaram uma amostra que se chama de mudstone, que seria algo como uma rocha formada de uma antiga lama. Marte é muito rico em ferro e foi observado principalmente nessa rocha pequenos pontinhos que eles observaram com mais detalhes e nele foi encontrado o ferro que a gente chama de ferro mais reduzido, que é o ferro 2+, que é interessante porque contrapõe ao ferro que a gente encontra mais em Marte, que é o ferro 3+, que é aquele que tem a cor de ferrugem. E não só essas manchinhas apresentavam principalmente um mineral, que é a vivianita, que é um fosfato de ferro II e a greigita, que é um sulfeto de ferro II. O ferro II na Terra, por exemplo, pode ser formado por processos na ausência de vida ou na presença de microrganismos. Eles conseguiram observar que não havia nessas rochas nenhum indício de grandes mudanças de pH nem de temperatura, mas junto da vivianita e da greigita tinha matéria orgânica. Na Terra, a gente sabe que a matéria orgânica pode acoplar reações onde a oxidação da matéria orgânica resulta na redução do ferro e aí, pela presença de sulfeto e do fosfato, a formação desses minerais. Porém, eles observaram que, por mais que a vivianita possa se formar em condições de temperatura, pressão e pH próximos do que nós consideramos normais, geralmente a formação de sulfeto de ferro dependeria de uma temperatura mais alta, então não só a oxidação da matéria orgânica, levando à redução do ferro, necessitaria de outros elementos para a formação desse mineral, desse sulfeto de ferro II. E graças a observações da composição ali da rocha, ausência de fosfato de alumínio, ausência de outros componentes, eles perceberam que não houve nem aquecimento, nem uma mudança drástica de pH durante esse processo de formação desses minerais. Isso faz com que a causa mais provável para a formação desses minerais, pelo menos se a gente pensasse na Terra, seria a ação da vida como nós conhecemos. Danilo: Vamos entender um pouco mais da química envolvida na produção das “pintas de leopardo”. Algumas bactérias formam minerais usando e transformando compostos químicos, como diferentes tipos de óxidos de ferro, formados por ligações entre ferro e oxigênio. O chamado ferro II (um íon de ferro) é muito importante para atividade biológica porque se liga facilmente ao oxigênio – por exemplo, ele é fundamental para o transporte do oxigênio no nosso sangue por meio da hemoglobina. A Fernanda Jamel, doutoranda no AstroLab da USP e que fez parte de suas pesquisas atuais no MIT (o Massachusetts Institute of Technology, nos EUA), explica a química da formação dos minerais encontrados na rocha marciana como possível explicação biológica, comparando com o que acontece na Terra. Fernanda: Aqui a gente tem formação de vivianita com bactérias que usam o ferro III, o óxido de ferro III, e transforma em ferro II. Por isso que a gente fala que é a redução de ferro. Então, quando as bactérias fazem isso, ela libera o ferro II no ambiente ao redor e aquilo ali vai formando camadas, vai se ligando com o que tem ali, e vai formando camadas que vão se mineralizando. A greigita também, da mesma forma, só que seria bactérias redutoras de sulfato, elas usam o sulfato como receptor de elétrons, o SO4, e elas produzem H2S, que é sulfeto de hidrogênio. E aí esse sulfeto reage com o ferro II disponível no sedimento. Depois vão formando essa combinação de sulfeto de ferro que vai se formando em greigita também dessa mesma forma, no sentido de que isso vai se expandindo: vem de um núcleo e vai se expandindo ao redor.” “É difícil dizer que existe um padrão exatamente igual a esse que a gente encontrou em Marte, mas esses nódulos que se formaram são condizentes com formações que a gente encontra aqui.” Danilo: Além dos compostos orgânicos, os instrumentos do Perseverance também identificaram, na região em que a rocha foi encontrada, alguns compostos químicos ricos em enxofre, ferro oxidado ou ferrugem, e fósforo. Se micróbios existiram ali, esses compostos podem ter fornecido fontes de energia para o metabolismo desses microrganismos, reforçando a hipótese de origem biológica para os vestígios. Porém, o fato de que esses vestígios podem ter sido formados por vida microbiana não quer dizer que dê para descartar outros processos que não envolvam seres vivos – também chamados de processos abióticos. Os próprios autores do artigo que avalia a possível origem biológica das “pintas de leopardo” propõem alguns processos abióticos como explicações alternativas. Até agora, as alternativas abióticas, sem o envolvimento da vida, não parecem muito promissoras para explicar as marcas nas rochas, mas ainda não dá para descartá-las. Talvez estejam faltando algumas peças do quebra-cabeças para uma explicação abiótica convincente. O Gabriel de novo vai nos ajudar a entender isso. Gabriel:  Eles tentaram investigar o máximo possível de reações na ausência de vida, e nenhuma que nós conhecemos hoje poderia sustentar esse tipo de reação. Isso não quer dizer que a vida é sempre necessária para que essas reações aconteçam. A gente pode estar ignorando alguma coisa. Pode não estar percebendo alguma coisa. Podem existir reações que a gente não estudou hoje e que poderia estar fomentando essa formação desses minerais na ausência de vida, ou até mesmo as grandes escalas – a gente está falando aí de bilhões de anos – poderiam permitir que houvesse a formação desses minerais na ausência de vida. Mas de tudo que a gente conhece hoje, essa condição de formação de fosfato de ferro II, formação de sulfeto de ferro II acoplado à presença de matéria orgânica, como nós conhecemos, seria mais bem explicado pela ação da vida. Então eles fizeram um estudo muito minucioso de várias hipóteses. E a que melhor responde hoje é a ação da vida, em contrapartida a reações abióticas, sem a presença de vida.  Danilo: É justamente pela possibilidade de que as “pintas de leopardo” tenham sido formadas por mecanismos abióticos, sem o envolvimento de seres vivos, que os sinais são classificados de “potenciais bioassinaturas”. Ou seja, podem ter sido, como podem não ter sido causados por seres vivos. Para que uma potencial bioassinatura seja considerada um sinal de vida inequívoco, é preciso estabelecer com segurança a sua origem biológica e descartar os mecanismos plausíveis que não envolvam processos biológicos em sua formação – ou seja, é preciso eliminar essas hipóteses abióticas alternativas. É uma barra bem alta, difícil de ser alcançada. Para complicar, os instrumentos a bordo do Perseverance são versões miniaturizadas, simplificadas, de ferramentas que se usa em laboratórios terrestres para buscar bioassinaturas de vida do passado remoto da Terra, como o espectroscópio Raman. Gabriel: Para quem tem um olho um pouco mais treinado nessas questões científicas, quando a gente observa, por exemplo, no próprio artigo, os espectros Raman que foram publicados, a gente leva um pouco de susto, porque a gente vê que são dados muito ruidosos, que isso tem a ver com a forma com que a amostra é tratada lá no espaço. O laser não é tão preciso. O aumento não é tão grande. Você tem a grande influência da iluminação natural. Isso faz com que o espectro fique extremamente ruidoso e dificulta a análise daquilo que se espera estar sendo estudado. Se esse material pudesse ser trazido para a Terra num ambiente muito mais controlado, a gente poderia trabalhar com lasers com focos muito menores, ou seja, na escala de micrômetros, com uma precisão muito grande do que está sendo selecionado para ser estudado. E aí a gente tem alternativas: trocar lasers, trocar aparatos para garantir que o ruído seja minimizado e outros efeitos que atrapalham possam ser minimizados. [música]  Danilo: Da forma como eu e o Gabriel falamos, pode parecer que o Perseverance é um aparelho meio limitado, mas a verdade é que o jipe é uma grande realização da engenharia. O Gabriel me explicou que os engenheiros e cientistas da NASA bolaram soluções muito criativas para poder, por exemplo, em um único espectro separar a fluorescência de raio-X, que permite saber a composição elementar do material analisado, da difração de raio-X, que dá uma informação da estrutura cristalográfica dos minerais – ou seja, permite ver a organização interna dos átomos nas amostras. Apesar da criatividade, esses mini-aparelhos que o jipe carrega nem de longe se comparam com os dos laboratórios aqui na Terra. Por exemplo, o espectroscópio Raman que o Gabriel mencionou e que tem lá no AstroLab, ocupa boa parte de uma sala ao lado do laboratório, enquanto que as dimensões do SHERLOC, o instrumento que inclui o Raman no Perseverance, tem 26cm de comprimento por 20cm de largura (isso porque o SHERLOC carrega ainda outros instrumentos, como a câmera WATSON… sim, os cientistas são bons em dar nomes para os aparelhos… Elementar). Se der para trazer essas amostras para o nosso planeta, daria para trabalhar com radiação síncrotron, por exemplo, que consegue focar e fazer esse tipo de análise em escalas nanométricas. E também fazer a observação de microscopia eletrônica, onde a gente vai ver a estrutura daquela amostra com aumentos entre mil e dez mil vezes. Por isso, o jipe vem colhendo amostras que poderão, no futuro, ser trazidas para cá e analisadas em laboratório. É a única maneira de eliminar algumas incertezas e filtrar as hipóteses da origem das possíveis bioassinaturas. A missão de retorno dessas amostras estava em desenvolvimento pela NASA, mas extrapolou as estimativas de custo iniciais, chegando a 11 bilhões de dólares, e agora está cancelada devido aos cortes profundos no orçamento da NASA propostos pelo governo de Donald Trump. Mas um detalhe mostra que o caro, em ciência, é quase sempre barato quando comparado com gastos militares. Os 11 bilhões previstos para o desenvolvimento de toda a missão de retorno de amostra são os mesmos 11 bilhões que os Estados Unidos gastaram só nos primeiros seis dias de ataques ao Irã entre fevereiro e março deste ano.  [música] Danilo: Com os cortes no orçamento, a situação atual da NASA é complicada, para dizer o mínimo, por isso ainda não dá para saber quando e se vamos um dia analisar as tais “pintas de leopardo” em laboratório e distinguir se elas são biogênicas ou se foram formadas por processos abióticos. Mas dá para saber muita coisa sobre as condições que Marte oferece – e não oferece – para a existência da vida, além das condições que o planeta enferrujado já deve ter oferecido a possíveis seres vivos num passado muito distante. A Isabella Gaião e a Roberta Vincenzi, pesquisadoras associadas ao Laboratório de Astrobiologia da USP, vão me ajudar a entender melhor se Marte é ou já foi habitável um dia. Elas estudam um mesmo microrganismo, a bactéria Staphylococcus nepalensis. O micróbio é adaptado a ambientes hipersalinos, repletos de sal, como as lagoas de Araruama, no estado do Rio de Janeiro, onde elas encontraram essa espécie de bactéria em meio a outros microrganismos que sobrevivem a concentrações de sal nocivas à maior parte dos seres vivos. A superfície de Marte está cheia de sais que são nocivos à vida, como sulfato de magnésio e o perclorato de magnésio. Esses sais são muito mais nocivos do que o cloreto de sódio que predomina nos oceanos terrestres. A Roberta explicou porque esses sais são tão prejudiciais à vida. Roberta: Os principais danos dos percloratos, na verdade, são dois. Eles são muito oxidantes, mas hoje, e essa era uma das principais preocupações na época da descoberta desses sais lá, mas hoje, do que a gente entende, aparentemente, se você pega a parte termodinâmica do negócio, não é tão relevante o fato de eles serem oxidantes, mas eles são extremamente caotrópicos. E esse vai ser um conceito bastante importante para a gente entender os problemas da vida nessas soluções, porque um agente caotrópico é aquele agente que tem o potencial de desestabilizar macromoléculas. Macromoléculas são basicamente tudo que a vida precisa para existir, como proteínas, lipídios, material genético. Então, se você tem agentes caotrópicos em uma solução, essas moléculas que precisam se manter em determinada forma vão ter dificuldade de permanecer assim. E a gente sabe que a forma dessas macromoléculas hoje estão intimamente ligadas à função que elas exercem. Então, quando a gente tem esses agentes caotrópicos, é basicamente uma função de desestabilizar a vida como a gente conhece ali. E esses sais são extremamente caotrópicos. Danilo: A Isabella também me ajudou a entender como a caotropicidade desses sais pode desestruturar o arranjo de grandes moléculas orgânicas, como as proteínas. Isabella: Basicamente um agente caotrópico é qualquer coisa química que desestruture macromoléculas. Aí o que seriam macromoléculas? Qualquer molécula importante para a vida. Então a vida é baseada em células. Células têm principalmente proteínas, que é o arranjado de várias moléculas orgânicas ali e que elas se rearranjam de uma forma 3D. Então, a forma 3D de uma proteína é muito importante para ela executar a função. E função de proteína é tudo. Tudo que envolve uma célula funcionar, você precisa de uma proteína ali trabalhando para ela funcionar. E para essa proteína funcionar, ela tem que estar na forminha dela 3D, ela não pode ser uma linha, ela tem que ter três dimensões. E agentes caotrópicos vão quebrar esse 3D. E se você quebra esse 3D e ela fica, por exemplo, linear, uma proteína, aí ela não tem mais função. Se ela não tem função, a célula não funciona. Se uma célula não funciona, a vida por si não funciona.  Danilo: Como a Roberta já tinha mencionado, os percloratos da superfície marciana desestruturam a química da vida não só por serem caotrópicos, mas também por serem oxidantes. Roberta: Porque quando a gente fala que um composto ele é muito oxidante ou muito oxidativo, significa que ele reage muito fácil com outras coisas ao redor. Então, aquela estrutura que a Isabela falou, que precisa ser mantida, dessas proteínas, para que elas funcionem, quando você tem algo que é muito reativo ao redor… Isso também, ela vai reagir com esse agente oxidativo, que no caso é esse sal, e quando ela reage assim, todas as outras ligações que ela tem para manter essa estrutura específica, para ela funcionar, podem se desorganizar também, e isso vai prejudicar a função, seja das proteínas, como também dos lipídios, por exemplo, que são aquelas gorduras que constroem a membrana biológica das células, que é muito importante para manter um ambiente interno, mas também os próprios materiais genéticos, o DNA e o RNA, que são essenciais pra manter e passar a informação da vida como a gente a conhece. Danilo: a bactéria que a Roberta e a Isabella estudam gosta de alta concentração de sal. É, por isso, considerada um extremófilo, uma espécie adaptada a condições extremas em que a maioria dos seres vivos terrestres não teria condição de sobreviver. Extremófilos que se dão bem com alta concentração de sal são chamados de halófilos. Os halófilos são importantes para entender a possibilidade da existência de vida hoje em Marte. Caso a vida tenha um dia existido no planeta vermelho, ela poderia, talvez, ter se adaptado para sobreviver em bolsões de água debaixo da superfície, algo que provavelmente existe segundo os modelos mais aceitos da estrutura de Marte. Isabella: Mas existem locais na Terra em que de alguma forma a água evaporou demais e concentrou muito sal, então a gente tem um aumento dessa concentração comparado com o mar. E existem principalmente microrganismos nesses ambientes que se adaptaram e desenvolveram para esse tipo de ambiente. Então eles têm uma resposta ao sal, NaCl, cloreto de sódio, diferente dos que vivem no mar, por exemplo. Então eles resistem a concentrações maiores. Roberta: E isso seria interessante porque, como a gente falou, qualquer tipo de água líquida presente em Marte seria o que a gente chamaria de uma salmoura. Então, teria uma concentração alta de sal dissolvida nesses ambientes. Portanto, qualquer tipo de vida presente ali deveria ser capaz de lidar com isso, ou seja, a gente poderia chamar de halófilo. Danilo: esses bolsões subterrâneos de água têm a vantagem de estarem protegidos da alta radiação ultravioleta que castiga a superfície marciana. O nó é que deve haver outras barreiras para a sobrevivência de microrganismos nesses bolsões. A Roberta começa explicando isso e a Isabella depois completa a explicação. Roberta: Porque é possível. Se a gente tem água líquida, as reações são possíveis. Mas a gente vai ter diversas outras características. …desses ambientes que continuam sendo problemáticos. Um deles é, por exemplo, a própria disponibilidade de água que você vai ter numa solução aquosa com muita concentração de sal. Quando você tem uma solução com muita concentração de sal, as moléculas de água estão ligadas ao íon. Então, ela não está disponível para reação. Apesar da água estar líquida, você tem muito mais dificuldade de a reação acontecer. E a gente precisa de reação para que a vida aconteça. Isabella: Ela acabou de introduzir um termo extremamente importante, que ela só não deu o nome, mas é extremamente importante para esse tipo de pesquisa, que é a atividade da água. É o quanto de água está disponível para a vida reagir, para as reações acontecerem e a vida conseguir acontecer. Hoje, é meio arbitrário, esse número vai de zero a um, é um número, enfim, mas a gente sabe que a vida consegue sobreviver até 0,6 de atividade da água. Abaixo disso, não. E aí, quanto maior a atividade da água, ou seja, mais próximo de um, mais água disponível tem. Quanto menor, mais água está retida. Ela está ali, mas ela está se fazendo ligação com outro grupo químico, no caso, o que ela falou, são os sais. Então, os sais estão ligando com aquela água, ela não está disponível para a reação. Então, quanto mais sal, mais você tem a diminuição da atividade da água e menor chance de ter água disponível ali para a vida poder fazer reações químicas. Danilo: Então, no índice de 0 a 1 de atividade da água, a vida consegue existir se este índice estiver acima de 0.6, aproximadamente. O índice estimado de atividade da água nos aquíferos subterrâneos em Marte é 0.57 – ou seja, a bola bate na trave, mas não entra. [música de transição] Danilo: A atividade da água no passado remoto de Marte era, provavelmente, muito acima do mínimo requerido para a existência de vida. Se a superfície de Marte parece hoje inabitável, há mais de 3,5 bilhões de anos o planeta pode ter oferecido condições mais amenas à vida, especialmente a microbiana. O Gabriel publicou recentemente, como primeiro autor e junto com outra pesquisadora do AstroLab – a Ana Paula Schiavo, uma especialista em microrganismos halófilos – um estudo na conceituada revista internacional Astrobiology. Eles exploraram como o lago que existia na cratera Jezero há mais de 3,5 bilhões de anos pode ter sido habitável, pois deve ter sido rico em um íon de ferro capaz de proteger microrganismos da radiação ultravioleta. Ele mesmo explicou esse trabalho interessantíssimo para este podcast. Gabriel: Cada vez mais a gente descobre que Marte é muito mais heterogêneo do que a gente pensa como uma coisa uniforme. Existiam lagos onde você tinha pH muito baixo, que a gente tem uma ideia disso, principalmente por esses depósitos, como sulfatos de magnésio ou sulfatos de ferro, como mineral jarosita, detectado por satélites que orbitam Marte. A presença de jarosita demonstra que essa água, em algum momento, era extremamente abundante de ferro III e extremamente ácida, condições onde a gente possui vida aqui na Terra. Então a gente queria demonstrar que Marte tinha semelhanças com a Terra mas tinha algumas características também que eram um pouco diferentes. E poxa, Marte também estava recebendo uma grande quantidade de radiação do Sol, e eu falo principalmente da radiação ultravioleta, que é aquela que a camada de ozônio protege hoje em dia. Mas ainda assim, a gente tem um pouco de ultravioleta que chega por isso que a gente precisa passar protetor solar. E a gente pensou no ferro como também um protetor solar. Já havia estudos que demonstravam que o próprio solo marciano, por ser muito rico em ferro (por isso, aquela cor de ferrugem) ele já é capaz de proteger fisicamente organismos que eventualmente poderiam estar presentes ali no planeta. A gente queria poder quantificar essa proteção, principalmente nesses lagos.  Danilo: Usando algumas leis químicas que já são bem conhecidas, os pesquisadores do AstroLab desenvolveram um modelo matemático para tentar estimar qual seria o efeito protetivo do ferro em solução nos lagos que existiam no passado remoto de Marte. Pela composição das rochas encontradas no que era o fundo, o assoalho desses lagos, já sabia que eles poderiam ser ricos em ferro. Os pesquisadores do AstroLab fizeram experimentos em laboratório testando o quanto microrganismos poderiam sobreviver com diferentes taxas de radiação ultravioleta e soluções com mais e menos íons de ferro. Eles compararam os resultados dos experimentos com o modelo matemático e viram que o modelo era capaz de prever com uma boa precisão qual seria o efeito protetivo do ferro contra o ultravioleta.  Gabriel: E aí, com isso, a gente pôde modelar como esses lagos poderiam proteger a vida, pelo menos a vida como nós a conhecemos. Aí, claro, a gente tem que assumir várias questões. Por exemplo, a gente não sabe quais eram as concentrações de ferro nesse ambiente. Se existia vida ou não, qual seria a resistência dessa vida naturalmente ao ultravioleta, mas usando exemplos da Terra, a gente conseguiu demonstrar que lagos com pouco ferro, em algumas profundidades relativamente rasas na casa de alguns centímetros, até alguns poucos metros, esse ferro já seria capaz de proteger a vida como nós conhecemos. Então esses lagos marcianos poderiam estar protegidos dessa ação do ultravioleta do Sol. Mesmo não tendo uma camada de proteção de camada de ozônio, ainda assim a vida como nós conhecemos poderia se desenvolver nesse tipo de ambiente que a gente sabe que existiu no passado marciano. Danilo: Se o ouvinte quiser saber um pouco mais sobre esse estudo, pode dar uma olhada na matéria que eu publiquei na Folha de S. Paulo no final do ano passado, com o título “Novo modelo simula condições de habitabilidade de antigos lagos de Marte”. Vamos deixar o link da matéria e do artigo do Gabriel na descrição do episódio. [música de transição] Danilo: A gente viu que a superfície de Marte é inóspita para a vida como a gente a conhece, mas resta alguma esperança de que os aquíferos subterrâneos marcianos sejam habitáveis. Agora, para encontrar água embaixo da superfície, em grande quantidade e com potencial para ser habitável, a gente vai ter que ir para bem mais longe, lá na vizinhança dos planetas gigantes gasosos. No próximo episódio o assunto vai ser as luas de Júpiter e Saturno que têm grandes oceanos debaixo de uma espessa camada de gelo. Essas luas geladas têm se tornado o assunto mais quente da astrobiologia quando se trata da procura por condições e ingredientes para a vida no sistema solar. O roteiro, pesquisa, produção e narração foram feitos por mim, Danilo Albergaria; a revisão do roteiro foi feita pela Simone Pallone. Os entrevistados foram o Gabriel Gonçalves Silva, a Fernanda Jamel, a Roberta Vincenzi e a Isabella Gaião. A edição do episódio foi da Carolaine Cabral. As músicas são do Blue Dot Sessions,  são Creative Commons. E esse podcast foi produzido com o apoio da Fapesp, por meio da bolsa Mídia Ciência, com o projeto Pontes interdisciplinares para a compreensão da vida no universo, o Núcleo de Apoio à Pesquisa e Inovação em Astrobiologia e o Laboratório de Astrobiologia da USP.

Bom dia, Obvious
Como voltar a confiar no próprio corpo, com Raquel Castanharo

Bom dia, Obvious

Play Episode Listen Later May 10, 2026 55:59


Existe uma diferença entre cuidar do corpo e fazer dele uma máquina de performance. Neste episódio de Bom Dia, Obvious, Marcela Ceribelli recebe a fisioterapeuta, corredora e escritora Raquel Castanharo para uma conversa sobre corrida, saúde e as belezas que nosso corpo é capaz de fazer. Elas falam sobre pressão estética, autoestima, câncer de mama e a necessidade de respeitar os próprios limites em uma cultura obcecada por resultados. ⁠⁠Para receber em primeira mão a pré-venda do Clube do Livro clique aquiNos acompanhe também: Marcela Ceribelli no Instagram: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@marcelaceribelli⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram da Obvious: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@obvious.cc⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠TikTok da Obvious: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@obvious.cc⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Chapadinhas de Endorfina: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@chapadinhasdeendorfina⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Ouça também, outros podcasts da Obvious:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Podcast Chapadinhas de Endorfina.doc⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Podcast Academia do Prazer⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Livros da Marcela Ceribelli:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Sintomas — e o que mais aprendi quando o amor me decepcionou⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠: AQUI⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Aurora: O despertar da mulher exausta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠: AQUIInstagram de Raquel Castanharo: AQUI Livro de Raquel Castanharo: AQUI Referências e citações:Taylor Swift : All Too Well: AQUI Taylor Swift: Shake It Off : AQUI Taylor Swift: Evermore: AQUI Documentário: The Eras Tour: AQUI  Dra Carolina Ambrogini no Instagram AQUI

Hora da Venenosa
O reencontro mais esperado!

Hora da Venenosa

Play Episode Listen Later May 8, 2026 24:07


Elas voltaram! As venenosas mais famosas do Brasil, Fabíola Reipert e Keila Jimenez, se reencontram no Podcast das Venenosas para despejar, toda semana, fofocas quentíssimas, bastidores bombásticos e comentários afiados — sempre com aquela pitada de veneno que só elas sabem dar.

Desculpa Alguma Coisa
Cecilia Malan fala da relação com a família, divórcio, carreira no jornalismo e novo livro

Desculpa Alguma Coisa

Play Episode Listen Later May 6, 2026 53:39


No episódio de hoje do Desculpa Alguma Coisa, Tati Bernardi recebe a jornalista e escritora Cecília Malan. Ela falou do seu livro “Eu e Elas”, da boa relação com a família e da entrevista emocionante com Gisèle Pelicot. Filha do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, a jornalista conta como foi ingressar na profissão e o apoio que recebeu da família após o fim do seu casamento com um francês. Ela também fala do seu livro inspirado na foto com a filha nos estúdios Globo, em Londres, que viralizou nas redes sociais e a necessidade de dar voz às mulheres que, assim como ela, são mãe e às vezes não têm com quem deixar os filhos para sair e trabalhar. #tatibernardi #DesculpaAlgumaCoisa #ProgramasCanalUOL #t2e98

451 MHz
#194 Querido diário - Adriana Lisboa e Júlia de Carvalho Hansen

451 MHz

Play Episode Listen Later May 1, 2026 60:01


O diário é um gênero literário? Este episódio traz uma conversa das poetas Adriana Lisboa e Júlia de Carvalho Hansen sobre como o registro de acontecimentos do cotidiano permeia a escrita de suas últimas coletâneas de poemas, Antes de Dar Nomes ao Mundo (Relicário), de Lisboa, e Ano Passado (Nós), de Hansen. Elas falam da mistura de elementos biográficos e ficção, das rupturas com o tempo cronológico e da influência dos pais, presentes nos livros. A conversa foi mediada pela crítica Luciana Araujo Marques e aconteceu durante A Feira do Livro 2025, meses antes da morte do professor de literatura João Adolfo Hansen, pai de Júlia, em fevereiro deste ano. Apoio: Lei Rouanet Assine a Quatro Cinco Um por R$ 10/mês: https://bit.ly/Assine451 Seja um Ouvinte Entusiasta e apoie o 451 MHz: https://bit.ly/Assine451

Star Trek Universe Podcast
Star Trek 3x02 - "Elaan of Troyius" Review

Star Trek Universe Podcast

Play Episode Listen Later Apr 27, 2026 51:41 Transcription Available


The Dohlman of Elas is problematic as hell, maman! But that don't stop us from enjoying KIrk as her tear-stained white knight! Well, maybe it stops us a little.