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Foi apresentado em finais de Maio em Paris, o terceiro e último volume do livro "Memórias em tempo de amnésia" de Álvaro Vasconcelos, especialista de relações internacionais e voz bem conhecida das nossas antenas. Nesta obra em três partes, o autor relata as épocas que atravessou, o salazarismo, o colonialismo português em África, nomeadamente em Moçambique onde viveu, os anos de militância política na África do Sul, em França e em seguida em Portugal, onde regressou na altura do 25 de Abril. No terceiro volume das suas memórias intitulado "O futuro para além do apocalipse", Álvaro Vasconcelos recorda a conquista da independência das ex-colónias, assim como os primórdios da democratização de Portugal e a sua adesão à União Europeia. O antigo director do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia e fundador em Portugal do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais também evoca a viragem autoritária a que se assiste actualmente em várias partes do mundo, a que ele chama de «brutalismo» e que tem a ver com a corrente 'tecno-totalitarista', encabeçada nomeadamente por alguns magnatas da Silicon Valley. Álvaro Vasconcelos fala também da urgência ambiental, da urgência de não nos esquecermos que somos humanos, numa época em que tendemos a colocar tudo nas mãos da Inteligência Artificial. No fundo, ele fala da urgência de pensarmos. Neste livro denso que é uma chamada de atenção, ele começa cada capítulo com uma espécie de guião de filme e fala com um gosto não dissimulado de todas as fitas que o fizeram reflectir de outra forma sobre o mundo, porque este texto, ainda mais do que os anteriores, é uma declaração de amor à sétima arte. E evidentemente não podíamos deixar de falar -antes de mais- da importância que o cinema tem para Álvaro Vasconcelos. "O cinema é algo que me formou porque eu vivia na África colonial, na Beira, em Moçambique. E como era lá no fundo do Império, a ditadura era certamente muito mais suave para os brancos, para os negros era mais brutal do que em Portugal era para os portugueses. E os brancos da cidade da Beira, onde eu vivia, tinham acesso ao Cineclube da Beira, às grandes obras do cinema mundial, por exemplo, nós vimos o ‘Couraçado Potemkin', que em Portugal era absolutamente proibido. (…) E como o cinema, começamos a vê-lo mesmo muito, desde muitos miúdos, não só nos cineclubes, os cinemas eram a maravilha da época, era aquilo que nos educava, nos abria novos horizontes, que nos fazia rir com Charlot, com os irmãos Marx, que nos ensinava os problemas graves do mundo, como ‘Hiroshima mon amour', o neo-realismo italiano, ‘Os ladrões de bicicletas', etc. Evidentemente que o cinema teve para a minha geração e em particular para aquela que viveu no Império, mas não só, também também em Portugal, um impacto enorme, portanto, foi formativo. E ao escrever o último livro da minha trilogia, senti a necessidade de fazer um livro que fosse mais de reflexão que apenas descritivo da minha vida e de reflexão. Não sou filósofo, portanto, não podia ser uma reflexão filosófica. Mas era uma reflexão à volta das ideias que são veiculadas pelo cinema, que foram veiculadas pela grande literatura que eu li desde miúdo, que sempre me apaixonou e continuo a ler e que me ensinou imenso sobre o mundo. Eu descobri muitas coisas no cinema e na literatura que não era capaz de descobrir com o mesmo grau de profundidade dos ensaios", explica o autor. Nas suas memórias, Álvaro Vasconcelos fala da época colonial e também de uma descolonização das mentes que ainda não foi totalmente feita. "Em África, descobri a violência colonial e que a palmatória é um símbolo absoluto dessa violência. Palmatória com que iam castigar os empregados negros por coisas, não importa o quê. Mas mesmo que fossem coisas graves, era a mesma palmatória que era usada contra os escravos, como eu vi no Museu Afro-Brasileiro, em São Paulo. Infelizmente não temos em Portugal, nenhum museu sobre a escravatura. Temos um pequeno museu em Lagos, mas não temos um grande museu, como têm os brasileiros. E essa palmatória era usada também pelo professor primário para nos manter. Identifico a violência brutal de que era vítima pelo professor primário, que tinha um poder absoluto sobre mim, com a violência, de que eram vítimas os negros, que não tinham direitos nenhuns, nem direito à vida. E para que isso pudesse ter acontecido, foi preciso criar uma narrativa de que eles não eram gente civilizada. E essa narrativa perdurou no pós 25 de Abril, porque nunca se fez um trabalho verdadeiro de descolonização das mentalidades. E hoje, quando os imigrantes são tratados como são tratados com desumanidade, é porque não são considerados humanos iguais a nós. E como não são considerados humanos iguais a nós, podem ser vítimas da arbitrariedade. Não têm os direitos iguais. Isso é uma questão fundamental", considera o estudioso. "Quando se deu o 25 de Abril, podia-se ter feito uma coisa extraordinária e teria ficado para a história. Era considerar que toda a gente que reside em Portugal tem os mesmos direitos. Há um país no mundo em que isso, pelo menos já acontece, que é na Nova Zelândia. E, portanto, se os imigrantes tivessem o direito do voto, seriam tratados de forma completamente diferente ", diz ao referir que, em vez disso, "são vítimas da desigualdade mais absurda da escravatura às vezes da violência da morte no Mediterrâneo. Em vez de irem socorrer, acham que é uma forma dissuasiva que eles morram no Mediterrâneo. Isso, evidentemente, é feito posto em prática por políticos democráticos, mas evidentemente que estão a abrir o caminho à extrema-direita que fará disso uma doutrina de poder." No capítulo que reserva a estes aspectos, o autor escreve que “o silêncio sobre a verdadeira natureza do colonialismo é um dos grandes fracassos da democracia portuguesa” e que “a Europa assumir que o colonialismo foi um crime contra a humanidade tornaria o seu discurso sobre a democracia muito mais legítimo.” "O 25 de Abril foi uma revolução extraordinária. Libertou os portugueses da ditadura e criou um sistema de liberdades públicas, de Estado de Direito. Isso deve ser sublinhado e eu sublinho no livro, porque é único no século XX, uma revolução que não foi só uma libertação, mas trouxe a liberdade. Podemos pensar, por exemplo, que a Revolução de Outubro libertou os russos do Czarismo, que era um regime terrível. Mas não construiu um regime de liberdade. Isso aconteceu em Portugal. Simplesmente, Portugal era ao mesmo tempo uma ditadura e um império. E quando se construiu a democracia, fez-se um trabalho mais ou menos profundo sobre o que era a ditadura, o que é que era o fascismo. Existem vários museus, o Museu do Aljube, um museu em Peniche, existe um trabalho de memória. Existem nos livros de História. Conta-se o 25 de Abril, todo esse passado ditatorial. As pessoas sabem que houve a tortura, que havia a PIDE, que as pessoas não tinham direito à palavra. Tudo isso faz parte da memória colectiva dos portugueses", constata Álvaro Vasconcelos. "O que não se fez nenhum trabalho. O que é que era o colonialismo? Não se explicou o que é que era a tortura em África, o que era o trabalho forçado. Qual era a origem que isso tinha na escravatura? Manteve-se um mito do lusotropicalismo, ou seja, que Portugal tinha contribuído para criar um mundo diferente, um mundo não racista, um mundo multiétnico. Até se dizia isso : ‘Deus criou os homens e os portugueses criaram as mulatas' escondendo que as mulatas nasciam muitas vezes de actos de violação absoluta, porque as mulheres negras não tinham direitos e, portanto, o senhor tinha um direito de pernada sobre a mulher negra. Isso acontecia frequentemente. Eu, aliás, entrevistei para um dos meus livros uma senhora africana que conta exactamente a história de uma mulher que, depois do 25 de Abril, andava à procura do homem branco, que tinha sido o pai dos seus filhos e que o homem branco tinha desaparecido. Tinha regressado a Portugal e que nunca mais soube dele. E as crianças queriam conhecer o pai. Mas isto é um caso de uma pessoa que se movimentou. A maior parte das vezes ficaram e são vítimas de toda a discriminação. Isso é o aspecto em que o 25 de Abril não fez esse trabalho", diz o politólogo. "Quando em Portugal surge um movimento de sociedade civil poderoso, hoje formado por intelectuais afro-descendentes que defendem o direito à igualdade, que tem voz no espaço público, quando nos lembramos, por exemplo, da Joacine Katar Moreira que foi deputada na Assembleia da República, a campanha racista contra ela. No Parlamento, a extrema-direita dizia ‘Volta para o teu país'. Estou a falar numa deputada, membro do Parlamento. Mas depois as intelectuais todas que são superactivas na sociedade portuguesa, que é aquilo que há hoje de mais vibrante na sociedade portuguesa, mais criativo. Publicam, fazem filmes como a Pocas Pascoal e outros. Ainda recentemente a Kitty Furtado organizou na Gulbenkian um ciclo sobre o cinema africano produzido em Portugal, com numerosos filmes, numerosos realizadores. Portanto, na Bienal de Veneza, há dois anos, a representação de Portugal foram artistas negros. Portanto, temos um movimento extraordinário. Esse movimento choca com esta mentalidade dominante. E então são acusados de serem ‘wokistas'. ‘Wokistas, quer dizer que são pessoas com consciência", sublinha o universitário. Relativamente às lições que se podem tirar do pós 25 de Abril, Álvaro Vasconcelos faz um balanço agridoce : apesar de considerar que “os seus objectivos essenciais foram atingidos: liberdade, fim do colonialismo e um estado inspirado nos modelos sociais europeus”, ele constara que “o que triunfou não foram os mecanismos que permitiriam compatibilizar a democracia liberal com o desejo de participação dos cidadãos (...) com o tempo, os partidos tornaram-se organizações fechadas (...) foram-se impondo como actores únicos do sistema politico”. "Portugal fez uma revolução que permitiu a existência de partidos políticos que não existiam antes. Mas a revolução, no momento em que ela aconteceu, despertou uma vontade de participação enorme na sociedade portuguesa. Todos os portugueses queriam participar na vida política pública. Eu próprio participei na criação de um jornal que era a voz do trabalhador e aquilo vendia-se como pãezinhos quentes. Quer dizer, toda a gente cria jornais. Toda a gente queria ler. Toda a gente fazia um pequeno comício. Enchiam-se de pessoas. Criaram-se cooperativas, associações de bairro, associações, moradores, associações agrícolas, movimentos cooperativos por todo o lado. Ao mesmo tempo, os partidos políticos foram-se consolidando como forças dominantes da sociedade portuguesa. E esses movimentos participativos foram vistos pelos partidos que acabaram por triunfar como movimentos que eram contrários à consolidação da democracia representativa liberal, como havia no resto da Europa. E foram desaparecendo. E o sistema político português ficou concentrado nos partidos políticos. Esses anos todos passaram e as pessoas hoje, como têm acesso às redes sociais, já têm outra forma de expressão, sem passar pelos partidos políticos. Exprimem-se nas redes sociais. Muitas vezes, o que dizem alguns? Nós não gostamos nada. Mas outras coisas dizem coisas correctas. Estes movimentos que eu referi, ecológicos, anti-racistas, de solidariedade social, também usam as redes sociais. Mas há muita gente que usa as redes sociais e que diz coisas horríveis. Mas não interessa, diz. Acha que tem direito à palavra. E acha que os partidos não dão direito à palavra. Então vão atrás de um demagogo que diz ‘Eu dou vos a palavra. Eles não vos dão a palavra'. Os partidos políticos são organizações fechadas. Em Portugal nunca se fez a regionalização, porque os partidos acharam que aquilo era fugir ao controlo central dos partidos de Lisboa. Era abrir o controlo da sociedade a nível regional. E tudo isso foi enfraquecendo a democracia portuguesa", comenta. “Foi nas redes sociais, espaço sem regras, que descobri que estávamos perante um brutalismo neofascista. O significado das palavras e a verdade deixaram de ser facilmente reconhecíveis. O algoritmo privilegia a violência verbal, exponencia o número de visões e partilhas. Acreditei – e escrevi –, depois das revoluções árabes de 2011, que as redes sociais tinham potencial de empoderamento dos cidadãos e poderiam ser um factor de emancipação democrática, mas hoje sou obrigado a constatar que não tive em conta a capacidade de manipulação, seja pelos algoritmos ou ainda mais pela IA, dos Estados e grupos que controlam as empresas da indústria do mundo virtual", escreve Álvaro Vasconcelos no capítulo que dedica ao regresso do que chama de 'brutalismo'. "A nível europeu, nós não podemos separar de um fenómeno mundial, que é aquilo que atravessa bastante o meu livro, que é a ideia do colapso do pensamento. E esse colapso do pensamento. O que significa que quando os homens deixam de pensar, diz Hannah Arendt, são capazes dos piores crimes. E esses homens são capazes dos piores crimes. E o homem banal, o homem comum que pode seguir um líder que vai destruir as suas liberdades e a liberdade dos outros. E isso pode se chamar ‘tecno-totalitarismo'. Porquê tecno-totalitarismo? Porque grande parte da economia mundial hoje está a ser dominada pelas grandes empresas tecnológicas. Estamos numa nova revolução tecnológica. E as grandes empresas tecnológicas que dominam a inteligência artificial, que dominam as redes sociais, como o Musk, é o exemplo mais claro, defendem aquilo que eu chamei de ‘tecno-totalitarismo'», explica o autor das "Memórias em tempo de amnésia". "Há uma politóloga francesa, Asma Mhalla que diz que ‘este século não vos proíbe de pensar. Ele ocupa-vos até que já não se saiba como fazer. Isto vem, como eu digo aqui no livro, do desenvolvimento da Inteligência artificial. O desenvolvimento da inteligência artificial cria um mundo onde os humanos deixam de pensar. A banalidade do mal passa a ser a norma. Isso acontece em muitos actos quotidianos. Quando recorremos à inteligência artificial para tomarmos decisões. Quando manipulados por algoritmos, ficamos de tal forma hipnotizados que somos levados a acreditar nos líderes populistas como Trump, como Bardella em França como em Portugal, o André Ventura, como Bolsonaro no Brasil", diz Álvaro Vasconcelos. "Há um aspecto deste ‘tecno-totalitarismo' que também nos deve inquietar, que é menos presente em França, mas está presente em muitos países, que é a relação dele com uma determinada corrente religiosa. Ele é religioso na sua essência, porque ao mesmo tempo, fala de Apocalipse, destruição do mundo pelo aquecimento global, pela guerra nuclear e está a propor uma solução tecnológica para estes problemas. Ora, isto é típico da crença religiosa. A ideia do Apocalipse, se pensarmos no apoio dos evangélicos americanos a Trump e em cenas em que Trump se reúne com os evangélicos e os evangélicos rezam na Casa Branca a volta do Trump ou quando o Bolsonaro tomou posse rodeado pelos evangélicos, a primeira coisa que fizeram, foi um ato religioso. (…) Vemos que o ‘tecno-totalitarismo' muitas vezes é também uma ‘tecno-teocracia'. E, portanto, esse problema, que é um problema mundial, que é da criação do mundo em que os homens deixam de pensar, a inteligência artificial substitui o pensamento humano. É um mundo em que o brutalismo, que é o tema do meu livro, se torna possível. É possível que o Trump decida destruir o Irão, que o Netanyahu faça o genocídio de Gaza e agora esteja a fazer no Líbano o que fez em Gaza, no sul do Líbano. É exactamente a mesma coisa. Vai destruir o sul do Líbano completamente", diz o especialista em relações internacionais. No capítulo em que aborda o que chama de dever de hospitalidade, Álvaro Vasconcelos considera que é neste aspecto que a Europa pode fazer a diferença "para superar o brutalismo contemporâneo, porque, por um lado, é uma das regiões do mundo onde as democracias ainda resistem ao assalto da extrema‑direita neofascista, e por outro porque a hospitalidade é a essência da sua sobrevivência". "Estamos a falar da União Europeia, a que se podem juntar alguns Estados, como a Noruega, como hoje o Brasil do Lula. Têm a mesma ambição de escapar ao brutalismo de Putin, Trump, Netanyahu, ao ‘tecno-totalitarismo' que domina a China. Verdadeiramente o único sítio do mundo em que ainda há um grupo de Estados que pode e quer resistir é na União Europeia, mas que tem estes aliados muito importantes que tem que procurar no Canadá, já procura no Brasil. Por isso, o acordo com o Mercosul é tão importante, apesar de a Argentina do Milei estar completamente na mesma linha de brutalismo. Mas o Brasil é um país importantíssimo. Na Ásia, o Japão, a Coreia do Sul. (…) Portanto, a Europa é a nossa esperança. Mas para que essa esperança não passe de uma utopia não realizada, para ser uma utopia realizada, é preciso que a Europa integre toda a sua vitalidade num projecto comum, (…) é preciso uma mudança radical de política. Ou seja, é preciso uma política que seja alternativa à política da extrema-direita. Claramente. E o que é que se deve fazer? Os imigrantes que são grande parte da população europeia ou originários na imigração devem ser cidadãos plenos, activos, integrados nas nossas sociedades, dando-lhes o voto. Aqueles que ainda não têm, damos-lhe a palavra, ouvindo-os e tornando as nossas democracias muito mais participativas", preconiza o autor. No seu livro, Álvaro Vasconcelos estabelece um elo directo entre o ‘tecno-totalitarismo', a negação dos direitos de boa parte da humanidade e a destruição do meio ambiente. "Um dos temas que eu acho que é muito importante é a questão do ambiente. Eu, aliás, começo o meu livro com uma citação do Camus que diz ‘A minha geração quis mudar o mundo. Não o mudou, mas pelo menos lutou para preservar o que de melhor tinha sido conquistado'. (…) O aquecimento global está a ser um problema gravíssimo que pode pôr em causa a vida na terra. E aí é lembrarmo-nos de Edgar Morin, um grande pensador. Eu cito Edgar Morin dez ou 15 vezes no meu livro. Ele diz que nós não estamos só perante um mundo que destrói a vida humana. Estamos num mundo em que a globalização foi extremamente destrutiva do ponto de vista económico e social. Criou também a consciência de um destino comum da humanidade a consciência de que estamos todos no mesmo barco. Ou seja, no barco da vida. Nós sabemos que a vida não é eterna. Mas enquanto estamos no barco da vida, não vamos cair no niilismo. Nem vamos cair na melancolia de esquerda. Isto é uma conclusão que alguém tirou do meu livro que eu sou contra a melancolia de esquerda. A melancolia de esquerda é nós pensarmos em tudo aquilo por que a gente lutou está a desaparecer e já não podemos fazer nada. Vai tudo acabar. Vai acabar a democracia, a liberdade. Vai voltar o racismo como política de Estado. Vai desaparecer a ordem internacional. Vai desaparecer o multilateralismo", diz o universitário. "Estamos perante uma guerra cultural. É um tema central, porque a guerra cultural é algo que acompanha a civilização europeia desde o Iluminismo e desde a Revolução Francesa. Houve sempre uma corrente que se opôs às conquistas de liberdade, igualdade, fraternidade da Revolução Francesa. Considerou sempre que a compaixão pelo outro não fazia nenhum sentido, que o homem era um animal fundamentalmente egoísta e violento E que tinha que ser treinado desde criancinha para a competição. E por isso, a cooperação não é uma questão fundamental da aprendizagem. As pessoas não aprendem a cooperar, aprendem a competir. Já vimos no sistema escolar como é terrível a competição. A infância nas grandes escolas. O que é que é difícil chegar lá acima. Portanto, formam-se elites que foram treinadas para a competição e não foram treinadas para a cooperação. E se nós não cooperarmos neste barco da vida, se não percebermos que o clima não tem fronteiras, que o aquecimento é global, que os calores do Norte de África chegam à Europa, que as transformações da Amazónia transformam as correntes do Atlântico e nos atingem também como europeus. Então não perceberemos que estamos todos no mesmo mundo. Mundo, terra, pátria, como diz o Edgar Morin. E que neste mundo, terra pátria, nós somos todos cidadãos, mesmo quando não somos considerados cidadãos", conclui Álvaro Vasconcelos.
Devocional do dia 09/06/2026 com o tema: Mais numerosos O povo de Israel, em diversos momentos, teve de enfrentar ataques de nações vizinhas. Numa dessas situações, o rei da Síria combinou com seus conselheiros onde seu exército montaria um acampamento para atacar os soldados israelitas. Entretanto, Deus, algumas vezes, revelou ao profeta Eliseu onde a tropa inimiga estaria acampada e, assim, ele alertava o rei de Israel, evitando que seus homens fossem emboscados. LEITURA BÍBLICA: 2 Reis 6.8-23 [Disse Eliseu ao seu servo:] Não tenha medo. Aqueles que estão conosco são mais numerosos do que eles (2Rs 6.16).See omnystudio.com/listener for privacy information.
Homilia Padre Victor Hugo, IVE:Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 9,9-13Naquele tempo:Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos,e disse-lhe: "Segue-me!"Ele se levantou e seguiu a Jesus.Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadorese sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos.Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos:"Por que vosso mestre comecom os cobradores de impostos e pecadores?"Jesus ouviu a pergunta e respondeu:"Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes.Aprendei, pois, o que significa:'Quero misericórdia e não sacrifício'.De fato, eu não vim para chamar os justos,mas os pecadores".Palavra da Salvação.
Honrando aqueles que pastoreia o rebanho
O Sermão do Monte não apresenta apenas palavras inspiradoras, mas um estilo de vida que deve ser vivido diariamente por todo cristão.As bem-aventuranças estabelecem os princípios do Reino de Deus e mostram que a verdadeira felicidade está em viver segundo a vontade do Senhor. Aqueles que buscam essa transformação encontram plenitude, porque são satisfeitos pela presença e pela justiça de Deus.Deus deseja nos conduzir a um novo nível de intimidade, maturidade e propósito n'Ele.
Os planos de Deus são para aqueles que permanecem - Pr. Fabiano Milanese by Igreja Missionária Evangélica Maranata da Tijuca Para conhecer mais sobre a Maranata:Instagram: https://www.instagram.com/imemaranata/Facebook: https://www.facebook.com/imemaranataSite: https://www.igrejamaranata.com.br/Canal do youtube: https://www.youtube.com/channel/UCa1jcJx-DIDqu_gknjlWOrQDeus te abençoe
Abertura dos trabalhos na Amorosidade
A fortaleza cristã nasce no meio das contradições. Ao longo da história, aqueles que buscaram viver a verdade foram incompreendidos, acusados e até perseguidos. Ainda assim, permanece um chamado silencioso e firme: amar, fazer o bem, construir, ajudar e dar o melhor, independentemente das reações do mundo. No fim, tudo se decide no diálogo íntimo entre a alma e Deus, onde nenhuma crítica externa tem a última palavra .A coragem dos primeiros cristãos revela que a verdadeira força não está na ausência de medo, mas na decisão de seguir adiante apesar dele. Aqueles que antes eram frágeis se tornam inabaláveis quando se apoiam em Deus. Em todas as épocas, viver a fé significou nadar contra a corrente, enfrentando julgamentos, incompreensões e pressões culturais. A resposta autêntica não está na fuga nem na revolta, mas na perseverança serena de quem sabe por que vive .Cada dificuldade enfrentada com paciência molda o coração e amplia a alma. O sofrimento, quando unido ao amor, deixa de ser um peso vazio e passa a ser um caminho de transformação. Quem aprende a suportar com sentido descobre uma liberdade interior que atrai e ilumina os outros. Não se trata de amar a dor, mas de amar a Deus a ponto de aceitar tudo o que conduz a Ele, permitindo que cada prova aprofunde esse vínculo .Entre as expressões da fortaleza, a paciência ocupa um lugar central. Mais do que reagir com força, muitas vezes é preciso resistir com mansidão. Em um mundo marcado pela polarização e pela agressividade, a verdadeira vitória não está em vencer discussões, mas em manter a paz, unir pessoas e não devolver violência com violência. A paciência é uma força silenciosa que sustenta, adapta e permite atravessar tempestades sem perder a essência .Essa flexibilidade exterior só é possível quando existe uma firmeza interior. Como uma árvore bem enraizada ou uma estrutura resistente, o cristão é chamado a ser ao mesmo tempo adaptável nas relações e inabalável nos princípios. A vida de oração, o contato com a Palavra e a união com Deus formam esse núcleo forte que sustenta tudo. Assim, mesmo em meio às pressões do mundo, a alma permanece firme, capaz de amar até o fim, sustentada também pelo exemplo de Cristo e pela presença fiel de Nossa Senhora ._________Referências:Mateus 5,11Atos dos ApóstolosProvérbios 14,29Colossenses 2,6-72 Coríntios 11João 10Escritos espirituais de São Josemaria EscriváTextos patrísticos de São MáximoTradição espiritual cristã sobre fortaleza e paciência
Abertura dos trabalhos na Amorosidade
O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã congelou de imediato a reaproximação diplomática que Lula e Trump vinham construindo lentamente desde o fim de 2025. Com Washington inteiramente absorvida pela guerra no Oriente Médio, temas comerciais centrais para o Brasil, como tarifas e acesso ao mercado americano, foram empurrados para um limbo sem prazo de saída. O resultado é um vácuo que custa caro aos dois países, justamente no momento em que mais dependem um do outro. Aqueles que vêm acompanhando a trajetória das relações Brasil-Estados Unidos nos últimos dois anos assistiram a uma verdadeira montanha-russa. Saímos de um período de hostilidade explícita, marcado por tarifas de até 50% e sanções direcionadas a ministros do STF, para uma reaproximação cautelosa que, em janeiro de 2026, parecia finalmente ter encontrado um trilho relativamente estável. Lula e Trump voltaram a se falar por telefone, discutiam Venezuela sem trocas públicas de ataques, e a Casa Branca já havia retirado as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. A visita de Lula a Washington estava agendada para a segunda quinzena de março. Havia até a previsão de um fórum sobre carne bovina brasileira no mercado americano. Tudo indicava que, enfim, os adultos haviam retomado o controle da sala. No dia 28 de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã e o sistema internacional virou a página de forma abrupta. O Brasil condenou os bombardeios. O Irã respondeu com ataques a bases americanas no Golfo. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo marítimo global, foi efetivamente fechado. O Brent ultrapassou os US$ 100. No Brasil, o preço do diesel disparou 45% em apenas 11 dias. Lula reagiu cortando impostos federais sobre combustíveis e criando uma taxa sobre exportações de petróleo bruto para conter o repasse ao consumidor. E a viagem a Washington? Adiada por tempo indeterminado. O (agora ex) ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, resumiu o espírito do momento com precisão quase lacônica: Lula havia solicitado sua presença na viagem, cujo foco seria a negociação de tarifas agrícolas, mas “em razão da guerra, a viagem foi adiada”. Sem ruptura, sem drama diplomático. Apenas a constatação silenciosa de que negociar detalhes comerciais no meio de uma conflagração global, ainda mais com o interlocutor diretamente envolvido na escalada, beira o descolamento da realidade. Da distensão ao congelamento diplomático Esse congelamento não é trivial. A relação Lula-Trump vinha numa trajetória surpreendentemente construtiva. Após meses de tensão provocados pelo caso Bolsonaro, incluindo tarifas punitivas, sanções contra um ministro do STF e pressões retóricas sobre “eleições livres”, Trump mudou o tom a partir de setembro de 2025. No encontro com Lula na Assembleia Geral da ONU, falou em “excelente química”. Em outubro, na reunião bilateral durante a cúpula da ASEAN em Kuala Lumpur, Lula classificou o encontro como “ótimo”, enquanto o chanceler Mauro Vieira afirmou que equipes técnicas começariam a trabalhar “imediatamente”. Em novembro, Washington removeu sobretarifas de 40% sobre diversos produtos agrícolas brasileiros. Em dezembro, suspendeu as sanções contra Moraes. Em janeiro, uma conversa de 50 minutos entre os presidentes abordou inclusive o “Board of Peace” de Trump para Gaza, com Lula sugerindo, sem atrito, a inclusão de espaço político para a Palestina. Era o tipo de divergência funcional típica de parceiros, não de adversários. Não por deterioração bilateral, mas porque Washington passou a operar em modo quase exclusivo de guerra no Oriente Médio. O resultado foi um vácuo. E esse vácuo tem custo. O nó tarifário que ninguém consegue desatar Para compreendê-lo, é preciso olhar o que ficou paralisado. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou inconstitucionais, por 6 a 3, as tarifas impostas por Trump sob o IEEPA. Foi uma vitória relevante: as tarifas punitivas de 40% contra o Brasil, motivadas pela crise Bolsonaro, caíram. Mas a reação da Casa Branca foi imediata. Utilizando a Seção 122 do Trade Act de 1974, a administração implementou uma tarifa global de 15% sobre todos os países, incluindo o Brasil. Paralelamente, permanecem as tarifas setoriais baseadas nas Seções 232 (segurança nacional, aço e alumínio) e 301 (práticas comerciais desleais). Além disso, seguem abertas investigações do USTR contra o Brasil, incluindo temas como propriedade intelectual, etanol e desmatamento. O resultado é um emaranhado tarifário que ninguém, neste momento, tem capacidade política de desatar. Exportadores brasileiros já sentiram o impacto. As vendas de café para os Estados Unidos caíram 50% entre agosto e novembro de 2025, durante o pico tarifário. Mesmo com a posterior redução, o dano foi estrutural: o Brasil redirecionou fluxos para China e Ásia, enquanto importadores americanos passaram a pagar mais por alternativas de menor qualidade. A Suzano continua pagando tarifas sobre celulose exportada aos EUA. Frigoríficos brasileiros, que exportaram US$ 885 milhões em carne bovina em 2024, enfrentam simultaneamente barreiras tarifárias americanas e disrupções logísticas causadas pelo fechamento do Ormuz. Exportadores de suco de laranja (US$ 637 milhões) e o setor siderúrgico (US$ 4,9 bilhões em aço semiacabado) enfrentam dinâmica semelhante. Mas há um ponto pouco explorado: essas tarifas também penalizam os Estados Unidos. O custo econômico do vácuo político Refinarias como Valero e Marathon dependem crescentemente do petróleo bruto brasileiro para misturar com o shale oil mais leve. Tarifar esse insumo eleva custos internos. Siderúrgicas americanas utilizam ferro-gusa brasileiro de alto carbono; tarifas aumentam o custo da produção doméstica de aço. O setor de etanol dos EUA perdeu espaço no Brasil após retaliação silenciosa de Brasília, que elevou tarifas sobre o produto americano. E, em meio ao choque energético provocado pela guerra com o Irã, o encarecimento de café, suco de laranja e insumos industriais brasileiros adiciona pressão inflacionária à economia americana. A visita de Lula a Washington, agora adiada, colocaria exatamente essas questões na mesa. O fórum sobre carne bovina funcionaria como vitrine de ganhos mútuos. Havia espaço político para ampliar isenções tarifárias agrícolas. A Suprema Corte havia retirado da equação o instrumento mais agressivo da guerra comercial de Trump. E a relação pessoal entre os dois presidentes estava no melhor momento em meses. Faltava, literalmente, executar. A janela perdida e os riscos eleitorais de 2026 Agora, com o capital político de Washington consumido pela guerra, essa janela se fechou – e não há garantia de reabertura no curto prazo. As tarifas sob a Seção 122 expiram em julho de 2026, mas o cenário pós-expiração é incerto. Sem renovação pelo Congresso, Trump pode recorrer a instrumentos ainda mais agressivos e juridicamente robustos. Se o conflito com o Irã se prolongar, com o petróleo estabilizado acima de US$ 100, a pressão inflacionária reduzirá ainda mais o apetite por concessões comerciais. Há ainda o fator eleitoral brasileiro. As eleições de outubro de 2026 se aproximam, com pesquisas indicando empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. Uma visita bem-sucedida a Washington, com resultados concretos em comércio, teria alto valor político doméstico, algo que Trump compreende perfeitamente. Episódios recentes, como a tentativa de envio de Darren Beattie ao Brasil e seu subsequente veto, mostram que, apesar da cordialidade presidencial, as tensões ideológicas permanecem latentes. A guerra apenas adiciona mais uma camada de complexidade a uma relação já estruturalmente sensível. O que está em jogo é concreto: cerca de US$ 127 bilhões em intercâmbio bilateral de bens e serviços (dados de 2024). Os Estados Unidos mantêm superávit nessa relação, o que sugere que, do ponto de vista estritamente econômico, têm mais a perder com uma deterioração prolongada. Ao mesmo tempo, o Brasil depende fortemente de fertilizantes importados, com cerca de 50% transitando pelo Estreito de Ormuz. Uma disrupção prolongada afeta diretamente a safra brasileira e, por extensão, os preços globais de alimentos, retroalimentando a inflação americana. O paradoxo é claro. Brasil e Estados Unidos precisam um do outro mais do que em qualquer momento recente. E é justamente agora que o diálogo entrou em suspensão. Diplomacia é, em essência, a arte de manter múltiplos pratos girando simultaneamente. Quando um conflito militar domina completamente a mesa, os demais caem. Empresas brasileiras dependentes do mercado americano e setores produtivos americanos dependentes de insumos brasileiros já estão absorvendo os custos de uma guerra da qual não são parte. Esse é o tipo de dano colateral que não aparece nos briefings do Pentágono, mas que se materializa no preço do café em Nova York e no custo do fertilizante em Mato Grosso. Quando (e se) essa guerra terminar, Lula e Trump terão que retomar o diálogo com urgência ampliada e tempo comprimido. O relógio tarifário avança. O relógio eleitoral brasileiro avança ainda mais rápido. E o mundo pós-conflito será um ambiente de cadeias produtivas redesenhadas, rotas comerciais alteradas e alianças mais rígidas.
Abertura dos trabalhos na Amorosidade
Conversas com as Entidades sobre temas diversos
Conversas com as Entidades sobre temas diversos
A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira uma resolução que declara a escravatura como o "Crime mais grave contra a Humanidade" e defende o princípio de reparações históricas. Sobre os 193 Estados-membros da ONU, uma maioria de 123 votou a favor desta iniciativa lançada pelo Gana em nome da União Africana. 52 Estados, entre os quais países europeus como a França, o Reino Unido, Espanha e Portugal, antigos colonizadores, optaram pela abstenção, enquanto três outros países, os Estados Unidos, Israel e a Argentina votaram contra a resolução que, apesar de não ser vinculativa, abre a via para reparações, pedidos de desculpas, compensações para os descendentes das vítimas, restituição de obras de arte e objectos com significado documental, espiritual ou simbólico que foram pilhados. Reconhecida como "Crime contra a Humanidade" em 1998 pelo Tribunal Penal Internacional e em seguida pela ONU em 2001, a escravatura e o tráfico de seres humanos escravizados envolveu, segundo estimativas da UNESCO, 15 a 20 milhões de africanos que foram deportados para a América e as Caraíbas entre os séculos XV e XIX. Apesar de os países que colonizaram e praticaram o tráfico de seres humanos escravizados reconhecerem paulatinamente este passado, a França tendo votado em 2001 uma lei qualificando a escravatura como "Crime contra a Humanidade", enquanto o antigo Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa pediu desculpa pela colonização em 2023, sobra muito caminho por percorrer. Para Benigna Zimba, historiadora moçambicana especialista da História da escravatura, o passo dado ontem é de grande importância. RFI: O que representa a resolução votada ontem na Assembleia Geral da ONU? Benigna Zimba: Esta aprovação de uma resolução com este conteúdo é um passo extremamente grande e eu diria, de uma dimensão quase que incalculável, porque nós estamos a falar de escravização. Este conceito, que é também relativamente novo, durante décadas, sempre viemos falando de escravos e são as próprias Nações Unidas que nos levaram a este passo de uma certa "Humanização" de todo este processo. A partir de agora, todo aquele crime, tudo aquilo que está ligado ao processo que nós, durante muitos anos, chamamos de escravização, de tráfico de escravos, de tráfico de pessoas, passa a ter o estatuto de crime agravado a nível mundial. Está certo que aqui em África e é em África onde nós temos a maior incidência para aquilo que a partir de agora é considerado como crime agravado. Mas este crime só se agrava com a intervenção dos outros intervenientes, para onde os escravos foram e eram levados. E aqui permitam-me que volte de novo, um pouco atrás. O primeiro passo que as Nações Unidas deram, não o primeiro, um dos passos importantes que as Nações Unidas deram neste processo que permite hoje que coloquemos este crime como um dos mais agravados para toda a Humanidade, foi precisamente esta conceptualização sobre a maneira de olhar para o assunto. Permitiu que nós passássemos a falar realmente de pessoas humanas, aquelas que em algumas enciclopédias, em alguns escritos, ainda não tinham estatuto de pessoa, passassem a ter o estatuto de pessoa e, tendo estatuto de pessoa, já lhes permite que elas possam entrar dentro de um quadro jurídico-legal que possa ser assumido e tratado como pessoa. De 2024 para 2025, a União Africana decretou todo um ano de "justiça e reparação" para este tipo de crimes. E agora este crime tem um quadro legal porque é um crime contra uma pessoa e não uma mercadoria, que é assim que era considerado. Isto é de uma importância incalculável. RFI: A escravatura foi já considerada Crime contra a Humanidade pela justiça internacional em 1998 e também foi reconhecida como Crime contra a Humanidade pela ONU em 2001. O que é que o facto de considerar que é o "Crime mais grave contra a Humanidade" acrescenta? Benigna Zimba: Acrescenta precisamente esta expressão "mais grave". E estas convenções de 1998 e 2001 não tinham este aspecto em que o escravo não era mera mercadoria especial, mas era pessoa humana. Então, quando nós já 2022 para cima, não foi exactamente num único momento, mas foi um momento gradual, relativamente rápido que nós passamos a ter este conceito. Tanto assim que a própria UNESCO também mudou o nome: já não é a "rota do escravo", mas a "rota de pessoas escravizadas". E trata-se também de assuntos sobre racialização, racismo agravado e etc. Um pouco neste contexto. Então, quando se diz que é o mais grave ou extremamente agravado, isto dá-nos a oportunidade de olhar e contextualizar historicamente de uma outra maneira. Quer dizer que se você escravizou, se você se tornou alguém escravizado, isto significa que a eventual forma de criminalizar este crime tem um quadro jurídico, mas também agravado. Tem penalizações com maior gravidade, é todo um contexto legal, jurídico e histórico. Coloca-se que aqueles que estiveram envolvidos, tanto pessoas individuais, instituições -pessoas individuais, não são muitas- nós estamos a falar aqui de sistemas económicos, de países para países. Estamos a falar de um quadro de colonização, nós estamos a falar de um sistema complexo, que é político, que é económico e social, com bases ideológicas fortes, que sustentaram todo este sistema da escravização e da venda de pessoas escravizadas a vários níveis, interno, intercontinental, internacional, etc. Então, quando nós chegamos a um ponto em que as Nações Unidas, que são a instituição e o organismo máximo que tem a palavra e o poder para dizer isto, nós atingimos um ponto analítico de máxima e extrema importância, permite-nos a nós também estudiosos, estudar este fenómeno de uma outra maneira, abordá-lo de uma outra maneira, e as eventuais "comissões de verdade e Justiça" que vão existindo cada vez mais ao nível dos países e a nível regional, principalmente em África, já tivemos uma nas Maurícias que praticamente cumpriu a sua missão, já tivemos uma parecida, no entanto ligada à escravização, mas de uma certa maneira ligada a estes fenómenos que na África do Sul, são os países expoentes máximos. Neste sentido, permite que outros países também possam começar politicamente a abordar este aspecto. Aqui não se trata de estar a apontar dedos acusadores. Pelo menos não é essa a perspectiva que eu, como estudiosa, defendo. Eu defendo a perspectiva analítica, segundo a qual permite uma interacção diferente entre aqueles que foram os actores do processo de escravização e os que foram escravizados. E permite colocar os termos justiça e reparação num outro quadro interactivo mais positivo. RFI: Relativamente à questão das reparações, fala-se, por exemplo, de um pedido de desculpas formais, compensações para os descendentes das vítimas, políticas de luta contra o racismo, restituição de bens culturais e espirituais. Como é que encara precisamente este processo de restituição e de reconhecimento do que foi a escravatura? Benigna Zimba: Indo ao fundo da questão que é a escravatura, agora considerada como crime mais agravado com este quadro todo ele complexo, há uma outra maneira de conversar entre as partes envolvidas. Primeiro, não olhar, não apontar. Era isto que eu estava a dizer. Não apontar o dedo acusador. Esta não é melhor forma de interagir, mesmo que seja considerado o crime mais agravado, mas uma forma interactiva, onde é possível e onde realmente se justifica, que não é a maior parte dos casos, reparações financeiras devidamente identificadas, justificadas e que não criem lugar e espaço para outros problemas que normalmente o dinheiro costuma provocar. As instituições, sob o ponto de vista de arquivos, documentos, objectos de arte, que é uma parte substancial de um legado cultural que acabou indo para fora, principalmente do continente africano, nestas condições, de todo o processo de escravização e tráfico de seres humanos escravizados que se encontra a abordagem, primeiro "sentar de igual para igual". Quando digo "entre aspas", quero dizer que deve se olhar como ser humano. Não somos nós, não sou eu, Benigna Zimba, que fui escravizada. Eu estou a falar em memória dos antepassados que sofreram isto. Mas quando alguém olha para mim ainda neste patamar, é isto que dificulta a interacção. E a agravação do crime chama uma maior responsabilidade daqueles que têm toda esta herança da colonização e do processo de escravatura. Chama a uma maior responsabilidade, porque, afinal de contas, não foi só levar alguém. Isto é o crime mais grave que pode existir em toda a Humanidade no âmbito dos sistemas políticos e, assim sendo, permite também que a África, os antigos colonizados, também tenham formas mais interactivas e mais positivas de olhar para esta questão. Pode parecer pouco, mas a restituição dos documentos, isto é extremamente importante. Se o documento pertence a um determinado país, então que volte para lá. Se este monumento, este objecto de arte, deve ir para lá. Se há um acordo entre as partes que isto deve ser restituído, vai ser restituído, Não vai restituir a pessoa que morreu durante o tráfico transatlântico. Mas vai restituir uma parte de todo um processo que criou toda esta mentalidade colonial. É um processo gradual de descolonização mental por parte dos antigos colonizados e também dos antigos colonizadores, para que sentem numa mesa onde os dois têm as mesmas cadeiras, o mesmo patamar, isto é, que poderá fazer com que se possa olhar para uma forma de restituição, construção económico-cultural com base numa reconstrução cultural, por assim dizer, da própria Humanidade. RFI: Como é que encara o facto de esta resolução não ser vinculativa? Esta é uma resolução que, concretamente, corre o risco de ficar por aí e não ser seguida de efeitos, uma vez que não é obrigatória. Benigna Zimba: Este tem sido um dos grandes assuntos. Eu não diria problema. Tem a ver com a natureza das próprias Nações Unidas. Hoje em dia, muito do que está escrito nas Nações Unidas, as nações não cumprem. Para este caso depende muito, principalmente dos próprios países, que são, "as vítimas". A União Africana decretou praticamente um ano e, para mim, um ano não é praticamente nada. Se olharmos para trás, o que é que foi feito neste ano da "reparação e justiça" neste sentido? Em termos palpáveis, eventualmente criaram-se bases para passos seguintes, mas não é tempo suficiente para que todas as nações africanas tenham aquilo que em inglês se diz "awareness", que tenham consciência e seja o momento oportuno. Debatem-se com tantos constrangimentos para o desenvolvimento económico e cultural, para que possam olhar para este assunto com a devida atenção. Então, aqui é mesmo uma questão de contexto e de oportunidade e nós podermos dizer já existe este instrumento tal e qual quando surgiram as abolições da escravatura. Para o caso do Império colonial português, houve várias abolições. Havia decretos de abolição que muitos dos traficantes de escravos nunca chegaram a conhecer e eles achavam que estavam dentro da legalidade, porque eles tinham papéis. Eles faziam este comércio. Então, quando surgem estes documentos, o papel da disseminação, o papel da normatização, o papel da conscientização, é o faz com que os Estados estejam politicamente interessados e cria mecanismos para que isto seja uma norma. Para que isto seja adquirido, para que isto seja uma prática, depende muito de nós. Também não interessa estar somente no papel, interessa é a maneira como nós encontramos criativamente, positivamente, uma maneira de implementar, porque o instrumento está lá e se ele não é vinculativo legalmente, nós temos aqui uma base para o torná-lo vinculativo legalmente. Há alguém acima das Nações Unidas neste sentido que pode falar para as nações? Não tem. RFI: Evocou precisamente Portugal. Portugal fez parte dos países europeus que se abstiveram durante a votação de ontem. Qual é a sua reacção? Benigna Zimba: Aqui é um pouco difícil dizer quais seriam os motivos. Portugal é um país soberano e Portugal é aquele que, nos tempos que já lá vão, teve um dos maiores, senão o maior império colonial em termos de tempo, foi o maior império colonial de todos os tempos, extensão também, se olharmos para os continentes que abrangeu ao mesmo tempo num determinado período histórico. O país terá tido as suas razões, que não cabe a mim, na qualidade de moçambicana, eventualmente fazer algum juízo e eu seria um pouco cautelosa em comentar esta questão. Em alguns momentos históricos, os países podem não sentir-se em condições de se pronunciar sobre determinados eventos. Portugal foi um dos que mais escravos fez. As abolições de Portugal levaram vários tempos. Eventualmente, Portugal ainda não tenha encontrado as palavras e o momento para subscrever algo de tamanha envergadura, onde ele próprio, como antigo país colonizador, esteve envolvido. Então também não estou aqui a defender Portugal. Mas gostaria de ser o mais neutra e cautelosa possível e respeitar a posição de Portugal que certamente como país idóneo que é e com excelentes relações que tem com os antigos países colonizados, terá os seus motivos para ter tomado esta posição. RFI: Também houve três países que se pronunciaram contra esta resolução. Os Estados Unidos fazem parte dos países que votaram contra, apesar de nos próprios Estados Unidos, a questão da escravatura ser de facto, também uma questão essencial. Há textos de lei também que estão na gaveta à espera de serem aprovados para também haver esse reconhecimento. Como é que encara esse voto contra dos Estados Unidos? Benigna Zimba: Talvez para os Estados Unidos seja relativamente mais fácil a nossa compreensão. Nós estamos aqui, do lado de fora do teatro jurídico, ali dentro. Nós olhamos para os Estados Unidos do hoje, para o papel que têm dentro e fora do seu território. Seria relativamente um pouco mais fácil entender o voto contra dos Estados Unidos à luz daquilo que tem sido a sua política. E não estamos a falar nada contra, não estamos a criticar, simplesmente estamos a olhar para o papel dos Estados Unidos hoje. Para ir hoje ou daqui a alguns dias, para os Estados Unidos, vai ser necessário pagar um visto de 15.000 Dólares, em moeda moçambicana é um milhão de Meticais. Isto é uma restrição imediata e são 50 países envolvidos. Países lusófonos estão nesta lista. Estaremos vedados a ir para lá eventualmente. Os que estão lá vão ter que encontrar um meio relativamente rápido de voltar para as suas terras, por causa da falta de mobilidade que irá existir. Então, temos elementos palpáveis da actual política interna e externa dos Estados Unidos que nos abre uma janela para entendermos por que eventualmente não concordar com esta qualificação. E eles, concordando, estariam no lugar de concordar com um grande processo dos Estados Unidos que aconteceu por causa do tráfico das escravaturas. A Carolina do Sul de hoje não existiria sem o tráfico de escravos e o tráfego também triangular. Aqueles que não pararam na América do Sul. Estamos a falar do Brasil, que é um autêntico continente e seguiram depois para as Américas, para os Estados Unidos. Uma boa parte da população que é conhecida como afro-americana, não existiria se não fosse esta escravatura, este tráfico dinâmico para lá. Então a posição dele, a ter sido eventualmente mais clara e mais transparente, dizem que não concordam. Os Estados Unidos são soberanos e tiveram a coragem de dizer que não. Nestes acórdãos internacionais, à medida que o tempo vai passando, nós temos hoje "muitas guerras no prato" que nos fazem entender muito melhor como surgiu uma Primeira Guerra Mundial, como surgiu uma Segunda Guerra Mundial. É-nos mais fácil este entendimento e o entendimento também de cada país neste teatro. Então, neste momento, para mim, é fácil entender a posição dos Estados Unidos. Acho que eles foram corajosos, foram transparentes, falaram que não, que não concordam, porque eles fazem parte disto. Não têm como. Isto teria algumas implicações, eventualmente, sob o ponto de vista do respeito das normas do Direito Internacional, que aparentemente neste momento não estão a respeitar. Eles defendem-se da maneira como eles se defendem. RFI: Outro país que também votou contra esta resolução é Israel. E aí coloca-se nomeadamente a questão da concorrência das memórias, que é falada já há muito tempo. Benigna Zimba: No teatro político, Israel e Estados Unidos, neste momento, pelo menos da porta para fora, são aliados. Pode ser uma aliança temporária, mas são aliados. Podem ter os seus pontos de desacordo, mas são aliados. E grandes aliados para determinados propósitos. Então é muito fácil perceber, na minha opinião, porque é que os Estados Unidos, votando contra, também Israel vota contra. Pode ter havido até um pré-consenso, que é o que muitas vezes acontece quando se trata de votação para este tipo de acordos. E estes são países, tanto Israel como Estados Unidos, nós não estamos aqui a falar da memória popular, não estamos aqui a falar de heranças, de tradições, etc, estamos a falar de sistemas políticos que estão ali no poder neste momento. É isto que conta ali no teatro das Nações Unidas. Não é um voto popular, não é uma voz que se está a levantar. Eventualmente também Portugal terá sido cauteloso ao colocar-se como neutro ou abster-se. Nós temos que olhar aquilo que é o hoje, os interesses políticos e de expansão e de territorialização e de afirmação do poderio político e monopólio a nível internacional. Onde é que estão os principais focos e como é que eles olham para algo do passado que, se eles aprovassem, não estaria a colocá-los numa situação extremamente complicada se eles aceitassem que isto é o "crime mais grave"? Eventualmente iriam ter que aceitar amanhã que a invasão a um determinado país também é o crime mais grave. É claro que eles não vão votar a favor. RFI: Mas para falarmos, por exemplo, de um argumento que foi ouvido durante a sessão de ontem, que foi expressado nomeadamente pelo Reino Unido, era a questão de recusar estabelecer uma hierarquia entre os Crimes contra a Humanidade. Julga que aí está-se de facto a estabelecer uma hierarquia e que isto está a prejudicar outras memórias que, por exemplo, têm a ver com o genocídio dos judeus na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, ou outros acontecimentos trágicos da história da Humanidade? Benigna Zimba: Eu não percebi porque é que o Reino Unido colocou esta questão de hierarquização. Não concordo com este termo por uma razão muito simples: as Nações Unidas estão a partir do princípio de que isto é realmente generalizado. Não há continente neste planeta Terra que, directa ou indirectamente, não tenha sido afectado pelo tráfico de pessoas escravizadas. Nesse sentido, nós estaríamos a globalizar positivamente este fenómeno. Ela aconteceu em todo lugar. Também temos genocídios, infelizmente, em muitos países do mundo. Mas este é um ponto comum e, de certo modo, de partida. E foi este ponto que fez também que muitos se desenvolvessem à custa do subdesenvolvimento do outro. E hoje somos chamados de países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento. E essas conotações duram décadas. Nunca se sai daí. Então, ao globalizar este crime, eu penso que aqui não se deve estabelecer hierarquia. Porquê hierarquizar? Eu confesso que eu não entendi. Eles também fizeram parte. Os primeiros abolicionistas foram os britânicos. Então todos estes países estão dentro deste contexto e são as maiores potências hoje. Então, respondendo de novo à questão, eu não concordo com esta questão da hierarquização. Foi colocado com base numa determinada constatação. Foi bem fundamentado. Era difícil fundamentar melhor, porque também quem faz a fundamentação tem heranças que estão dentro deste processo. Isto é um pouco complicado. Eu de facto não concordo que este termo seja objecto de discussão. Isto desvia os focos daquilo que as Nações Unidas querem atingir e as Nações Unidas também sabem que vão ter dificuldades, que isto simplesmente leva anos. Pode levar décadas, mas em algum momento nós temos que ter a capacidade de cada vez mais que o tempo passa, de utilizar estes instrumentos para que nós possamos fazer jus a tal verdade e justiça que se quer atingir.
Abertura dos trabalhos na Amorosidade
Nesta mensagem da série “Uma Vida com Propósito”, refletimos sobre os diferentes níveis de maturidade na caminhada cristã.Nem todos que estão na igreja estão vivendo o propósito de Deus.Alguns vivem dominados pela natureza humana.Outros permanecem imaturos espiritualmente.Outros se deixam contaminar facilmente pelas circunstâncias.Mas existe um grupo diferente.Aqueles que vivem firmes no propósito.Nesta mensagem você vai entender os quatro tipos de cristãos:• O carnal – dominado pelos desejos humanos• O menino – que não cresce espiritualmente• O fraco – facilmente contaminado pelas circunstâncias• O forte – que vive por um propósito e permanece fiel a DeusA Bíblia nos mostra exemplos claros desses estágios espirituais, comparando-os a personagens como Saul, Sansão, Judas, Josué e Calebe. A pergunta que essa mensagem nos faz é simples, mas profunda:Quem você é nessa jornada?
"Considerem atentamente Jesus: Cristologia contra apostasia na Epístola aos Hebreus" é uma série de pregações expositivas em vários trechos da carta aos Hebreus, originalmente ensinada na Igreja Presbiteriana Bereia entre Setembro de 2024 a novembro de 2025.
"Considerem atentamente Jesus: Cristologia contra apostasia na Epístola aos Hebreus" é uma série de pregações expositivas em vários trechos da carta aos Hebreus, originalmente ensinada na Igreja Presbiteriana Bereia entre Setembro de 2024 a novembro de 2025.
A sétima praga trouxe um fenômeno impossível: granizo e fogo caindo juntos do céu, destruindo plantações, animais e tudo que estava ao ar livre. Foi um golpe direto ao orgulho do Egito, mostrando que até as forças opostas da natureza obedecem à vontade de D'us. Aqueles que temeram a palavra de Moshé se protegeram e foram poupados — mas o Faraó continuou endurecendo seu coração. Uma lição poderosa sobre reconhecer a verdade antes que seja tarde.Curtiu a aula? Faça um pix RABINOELIPIX@GMAIL.COM e nos ajude a darmos sequência neste projeto! #chassidut #mistica #judaismo #kabala #cabala #tora #torah #kabalah #Parasha #Torá #moises #moshe #egito #shiur #shiurim #piramides #shemot #Midrashim #cajadoMoisés #sarçaardente #pessach #passover #Torá #Moshé #Êxodo #HistóriaJudaica #EscravidãoNoEgito #Redenção #Parashá #SabedoriaDaTorá #Judaísmo #AulasDeTorá #egito #faraó #moisés #mitzraim #cabala #piolho #peste #sarna #granizo #barad
“Aqueles que saíram chorando, levando a semente para semear, voltarão cantando, cheios de alegria, trazendo nos braços os feixes da colheita.”Salmos 126:6 NTLHHá vitória sem luta?Persistir em semear, mesmo em meio à dor e ao choro, é um ato de fé e sacrifício. Este Salmo nos ensina que essa atitude, mesmo diante das dificuldades, nos conduz à colheita e à alegria. Aquele que planta em meio às lágrimas colherá com cânticos de regozijo, porque a fidelidade de Deus nunca falha.Em algumas situações, semear não é apenas uma questão de princípio, mas de necessidade e sobrevivência. Nessas circunstâncias, o medo do fracasso pode gerar lágrimas e angústia, mas o Senhor nos chama a confiar n'Ele.A Palavra nos lembra: “Deus, que dá a semente para semear e o pão para comer, também dará a vocês todas as sementes que precisam” (2 Coríntios 9:10). Deus é o nosso provedor. Ele dá a semente para plantar, a água para irrigar e o crescimento que resulta na colheita. O nosso papel é semear, cuidar e confiar plenamente em Sua provisão e poder.Pensamento do dia:Você confia que Deus proverá tudo o que é necessário para a colheita?Oração:Senhor, mesmo em meio às lágrimas e aos desafios, ajuda-nos a continuar semeando com fé. Confiamos na Tua provisão e no Teu cuidado. Que possamos colher os frutos da Tua bondade no tempo certo e com alegria no coração. Em nome de Jesus, amém!Por Ubiratan Paggio#Fé #ConfiançaEmDeus #DeusProvedor@ubiratanpaggio @ubiratan.paggio
“Tudo é fácil quando temos vontade própria e estímulo alheio, mas é difícil sermos aquilo que somos. Os outros não deixam.” E ainda que lhes fosse indiferente, que não se acumulasse neles esse rancor de ver alguém tomar um enorme balanço, entregar-se a uma euforia tal que não precisa de outra coisa senão de preencher um instante, até contra o resto da sua vida, como se tivesse um poder de se libertar e esquecer de si mesmo, sendo essa a maior das fantasias, mesmo assim os outros estariam aí para te desmentir. Afinal, aquela chispa ou ferocidade que alguns revelam e os torna capazes de se desembaraçar dos efeitos previstos, de se borrifar no contexto, é aí que se acha o maior dos privilégios. E aquela compulsão mitómana é talvez o último sinal de arrojo, uma vez que a história inventada é sempre mais aliciante do que a maçadora tirania dos factos. Contudo, o grande entrave são os outros, e parece evidente como toda a etiqueta social se desdobra nessas fórmulas mais ou menos sub-reptícias de interromper alguém. Há, no entanto, alguns que sabem torcer pela oposição, viver como felizes desgraçados, muitas vezes até por conta de outrem, gozando os sinais de insubordinação. Depois daquele arranque, vamos citar-vos novamente Santos Fernando para deixar aqui outra pedra angular: “Tive que chegar à evidência de que o nosso semelhante é justamente aquele que em nada se nos assemelha.” Mas há mais… “Gostamos, nos outros, o que os outros não gostam neles.” O amor próprio deve assim ser colhido não em si mesmo mas à volta. Este não é um tempo para os homens andarem muito confiantes de si mesmos, pois isso identifica-os com os piores. Os melhores são os que se fogem, os que escapam. Aqueles que se fazem tão esquecidos de si que muitas vezes páram junto às montras para confirmar os traços do próprio rosto. “É para sabermos quem somos, que transportamos no bolso o bilhete de identidade.” A razão de toda esta solidão em que nos sentimos a dissolver, reféns de um quotidiano que trabalha em nós como ácido, é este excesso de confiança nas aparências, a forma como o espectáculo passou a governar até a metafísica. No fundo, um tipo só podia reconhecer-se nas divisões, na forma como num determinado momento parecia fazer uma escolha contra o de antes, contra si mesmo, romper, partir-se. “O Eu tem um conteúdo que o distingue de si, pois ele é a negatividade pura ou o movimento de se dividir, é a consciência”, escreveu Hegel. “Este conteúdo, na sua diferença, também é o Eu, pois ele é o movimento de se suprimir a si mesmo ou a negatividade pura que é o Eu.” Se temos tanta dificuldade para nos arrastar para fora de casa, fazêmo-lo porque, apesar de tudo, ainda é agradável encontrarmos na rua os nossos desconhecidos, especializarmo-nos na dor dos outros, como diz às tantas uma das personagens do último livro do nosso convidado. Saímos num gesto meio desaforado como quem se diz adeus a si mesmo, batendo com a porta, ofendendo-se os dois mutuamente, o que ficou e o que saiu. Fazemos estes cortes, ignorando-nos para nos conhecermos melhor. Santos Fernando ainda nos coloca diante de uma outra constatação: “– Perdão – exclamou o que tinha experiência da vida, experiência da falibilidade humana e experiência da bisbilhotice: – Só não espreita pelo buraco da fechadura, aquele que tem receio de estar a ser substituído do lado de lá.” Na verdade, esta frase deveria inverter-se, pois o receio mais constante nos nossos dias, um receio pânico, vem não da mera suspeita, mas da consciência de que estamos a ser substituídos do lado de lá, e não apenas por alguém novo ou melhor, mas por alguém muito parecido, um semelhante, um ser apenas um pouco mais indiferente, e, por isso, melhor adaptado às circunstâncias. Aquele que se ri da expressão que fazemos, aquele que nos provoca, esse duplo sinistro que divide connosco o mesmo lance de dados. “Acredito sinceramente ter interceptado muitos pensamentos que os céus destinavam a outro homem”, admitia Laurence Sterne. É uma forma de reconhecer essa capacidade de ocupar o lugar de outro… “Há gente que tem pára-raios para que os raios lhes caiam em casa”, retruca Santos Fernando, sempre à coca de uma oportunidade. Ele poderia concordar com o nosso convidado deste episódio quando ele reconhece que, entre certos seres sem tempo para os grandes arranjos litúrgicos, “Deus manifesta-se sob a forma de um insecto aramaico em risco de extinção”. “Um insecto fugidio, escondido em toda a parte”, adianta. E ainda acrescenta: “A palavra aramaico soa tão bem, não precisamos de mais nada para acreditar.” De resto, a fé já não é essa espécie de utopia transparente, mas algo mais rastejante, que sobrevive à base de impulsos, coincidências meio patéticas, um arranjo fenomenal de ninharias. Às tantas, num daqueles armazéns onde alguns tipos assistem à rotina frenética das mercadorias, esses milhares de produtos destinados a um trânsito internacional que, como nos diz José Gardeazabal, parece imitar o ritmo fértil das grandes migrações, fica claro como vamos sendo reduzidos a essa humildade dos espectadores da catástrofe, e às tantas percebe-se que o homem é precisamente aquilo que toda esta inquietação das mercadorias acaba por destruir, tornando-se um ser inteiramente esmagado, atirado para a margem, desfigurado por essa nova forma de miséria que se foi impondo com o monstruoso desenvolvimento da técnica. Como assinalou Erich Auerbach, “nos seus começos gregos, a poesia europeia possuía o conhecimento de que o homem seria uno – algo de indivisível, constituído pela força e pela forma do corpo, pela razão e pela vontade do espírito, de que o seu destino particular se teria desenvolvido a partir de uma tal unidade, quando à sua volta se reuniam, como que por atracção magnética, as acções e paixões que lhe estavam reservadas, fixando-se nele e formando assim elas mesmas uma parte da sua unidade”. Aquele filólogo e crítico literário vinca que foi “este entendimento que conferiu à epopeia homérica a intuição e a compreensão profunda da estrutura dos acontecimentos possíveis”. “Inventando e sobrepondo acções e paixões do mesmo tipo, Homero deu forma a Aquiles ou a Ulisses, a Helena ou a Penélope; de uma acção que revelava a essência, ou ainda de uma essência que se anunciava numa primeira acção, surgiu ao poeta inventor, de forma necessária e natural, a série e a suma das acções, tornadas idênticas, de todos eles, e ao mesmo tempo a orientação geral do percurso das suas vidas, o seu entrelaçamento no tecido dos acontecimentos, que constitui tanto a sua essência quanto o seu destino.” Mas hoje já não há unidade nos homens porque o destino é precisamente aquilo que faz deles esses seres inertes, dominados por um vazio que escarnece de todos os seus gestos. E também por isso o romance está em crise, pois não sabemos como traduzir alguma inspiração literária que sirva de fôlego a verdadeiras personagens, construindo a sua fictiva autonomia, e que habitem soberanamente essa zona dos mitos criada pelos grandes escritores. Vamos andar por aqui, indagar ainda sobre a forma como o novo paradigma tecnológico infectou a carne. E se, finalmente, e ao cabo de tantos naufrágios, o velho lobo desse mar que há décadas ia pingando pelas torneiras mal fechadas de tantas casas portuguesas lá se despediu de vez, também por aí vamos passar, aproveitando para uivar entre as fronteiras já praticamente apagadas da nossa cultura, e sempre com Gardeazabal a expor-nos a vasta colecção de pulgas colhidas noutras paragens e que a ele o ferram mais fundo e lhe transmitem a sua febre.
No ‘Eclesiastes Babilônico', encontra-se um texto célebre conhecido como ‘Diálogo sobre a miséria humana', que parece ser um dos textos religiosos mais pessimistas já criados.O autor do texto reclama com uma deusa sobre os sacrifícios que tem feito e as respostas que parecem não chegar. Sua angústia é tão profunda que ele chega a invejar os animais.Ele questiona por que “o altivo leão se alimenta da melhor carne e nunca apresenta oferendas aos deuses”. Reclama que os deuses lhe deram “penúria em vez de riquezas” e que os “maus prevalecem sobre os justos”.No entanto, é visível que os antigos deuses do Oriente Médio foram cultuados por milênios, sendo a região uma das mais ricas e bem preservadas em registros arqueológicos e objetos de culto.Aqueles familiarizados com a leitura da Bíblia encontrarão muitas passagens semelhantes. Promessas que parecem não ser cumpridas, o triunfo dos maus sobre os bons, o desespero diante da aparente inutilidade das orações, lamentos por desgraças e injustiças.O que é impressionante na fé dos homens e mulheres do Oriente Médio, entre babilônios, assírios, egípcios e hebreus, incluindo judeus, islâmicos, zoroastristas e cristãos, é que a fé deles parece prescindir de provas materiais (pelom menos imediatas). Há neles uma exigência sobre-humana de fidelidade e resiliência diante das piores desgraças e da aparente indiferença dos deuses.O homem moderno pode, com certa razão, notar uma dose de fanatismo, mas eu vejo algo um pouco mais misterioso e até sobrenatural nessas pessoas.Os textos sapienciais mesopotâmicos e hebreus consideram o sofrimento inevitável, até prometido, mas reforçam a necessidade de manter a esperança até a última gota de existência, mesmo sem motivo aparente.Talvez seja por isso que o niilismo nunca encontrou terreno fértil nessas regiões, tornando-se abundante na Europa apenas quando esta se afastou da tutela do olhar cristão.Para o homem do deserto, a derrota e até mesmo a morte são secundárias no amplo plano da eternidade. O sucesso nesta vida é opcional. O maior dos heróis do Oriente Médio, Gilgamesh, foi um herói fracassado. Por que você não seria?
TEMPO DE REFLETIR 01693 – 4 de março de 2026 João 14:27 – Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou; não a dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. Como diferem os dons de Deus e os dons deste mundo? Jesus afirma que Ele dá a paz, mas que o dom tem uma quantidade diferente das coisas que o mundo dá. Jesus ensinava continuamente os valores eternos. O mundo representa transição e mudança. Seus dons duram pela eternidade. Aqueles que aceitam as Suas dádivas não permitirão que o mundo os desvie ou desanime. Como muitos outros, ele apareceu na extremidade da multidão que rodeava Jesus. Ele ouviu. O ensino de Jesus o inquietou. Sentiu em Jesus algo que o mudaria por todo o tempo. Finalmente chegou o momento de fazer a pergunta: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Queria uma garantia de que herdaria as promessas feitas a Israel. Jesus apresentou-lhe as respostas costumeiras da época. Pela obediência o israelita fiel encontraria vida. Mas o príncipe não ficou satisfeito. Deveria haver mais do que isto. Não haveria alguma ação adicional que penderia a balança em seu favor? O príncipe permitiu que o mundo roubasse suas perspectivas de alegria. O Espírito o havia inquietado, levando-o a conhecer sua necessidade. Que momento de decidir-se! Ele perturbou-se, o mundo o perturbou, mas ele recusou a paz do concerto eterno. Dez anos a partir daquele dia, será que ele lembraria do seu momento de oportunidade? Ainda o mundo o perturbava? Ainda sentia ele aquela carência? Talvez ele não tenha feito mais qualquer pergunta. Tinha herdado a riqueza, devia lutar também pela vida eterna? Sim, os dons deste mundo podem insensibilizar os aguilhões do Espírito. Uma consciência calma não é necessariamente uma boa consciência. Os dons de Jesus não têm permanência. nEle o perturbado torna-se jubiloso. O jovem rico retirou-se com tristeza no coração. Mediu o preço da alegria e a rejeitou. Para ele, triste história, nunca haveria alegria após tristeza, mas haveria para sempre tristeza após tristeza. Reflita sobre isso no dia de hoje e ore comigo agora: Pai, todo o dia precisamos estar cientes das decisões que são tomadas. Que todas as decisões relativas ao mundo presente e futuro sejam de acordo com a Tua vontade. Por favor, em nome de Jesus, amém! Saiba como receber as mensagens diárias do Tempo de Refletir: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99893-2056 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: TELEGRAM AMILTON MENEZES . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: WHATSAPP CHANNEL Amilton Menezes . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes
Israel e o seu aliado americano desencadearam no sábado uma guerra contra o Irão. Desde então o território israelita é alvo, também, de ataques tanto por parte do Irão como da milícia xiita libanesa do Hezbollah. Uma instabilidade que leva à fuga de populações a partir do Estado hebreu. É o caso do clérigo cabo-verdiano Ricardo Monteiro que equaciona deixar Israel e Jerusalém quanto antes. O padre Ricardo Monteiro, da diocese cabo-verdiana do Mindelo chegou a Jerusalém há quatro meses para prosseguir os seus estudos. Com o desencadear da guerra israelo-americana contra o Irão e consequentes retaliações de Teerão, mas também da milícia xiita libanesa Hezbollah este clérigo católico admite que desde o fim de semana passado tudo mudou no terreno e, por ora, tenta deixar quanto antes esta região do mundo. Até aqui tudo mudou, realmente. Estávamos numa rotina. Não obstante o ambiente que já sabemos que é próprio desta zona de tensão. Mas sabíamos que qualquer hora e momento poderia começar uma guerra entre esses países. Porém, tudo mudou porque com as sirenes das 08h15 do sábado, tivemos que suspender todos as actividades ordinárias. No meu caso as aulas, e nos manter em casa vigilantes por causa do início da guerra. Porque de imediato se lançou as informações necessárias e se decretou o tempo de emergência e portanto se disse que a guerra tinha começado. Portanto, temos que tomar as devidas precauções. Pessoalmente, fiquei apreensivo e não sabia bem o que fazer, se tinha que me ausentar do país, se tinha que ficar. E assim as pessoas não sabiam o que fazer no momento. Entretanto, agora, com o andar do tempo, vemos que a guerra continua. Os ataques continuam quase a toda a hora. E realmente o aconselhável é que quem puder também sair dessa região que saia. E é, portanto, suspender as coisas porque não se sabe até quando. Gostaria de fazer. Gostaria de sair, pelo menos por uma fase. Daí, de Jerusalém, para ficar em porto seguro ? Sim, sim. Normalmente estou a tratar de tudo para que eu possa realmente ausentar e normalmente já está tudo tratado com a embaixada. Espero somente do dia e da hora para podermos sair do país. Porque o espaço aéreo continua encerrado. Portanto, se tiver de sair de Israel terá de ir, imagino, por via terrestre até o Egipto, até um território vizinho, não é? Exactamente. As duas possibilidades são Egipto ou Jordânia, que estão abertas ainda As fronteiras terrestres que se pode ser não se podem entrar, mas se pode sair para poder apanhar o voo, a partir desses países. Mas o mais provável neste momento é o Egipto. Vamos ver se tudo se orienta por este lado. Ouve-se falar muito de alertas devido a mísseis que podem vir a ser interceptados. As pessoas é suposto irem para abrigos. Como é que é o dia a dia então do refúgio? No caso destes muitos ataques e de estarem a tocar as sirenes? Exacto. Normalmente, quando há a aproximação de um míssil justamente aqui em Jerusalém, as sirenes tocam. Tu recebes de imediato uma mensagem de alerta no teu telemóvel para quem tem o número de Israel. E de imediato tens que estar atento. Normalmente na aplicação também de alerta, podes ver mais ou menos onde irá cair os restos do míssil interceptado. Portanto, algumas regiões, algumas casas mais oficiais se presume que têm bunkers já previstos. Ou também para a população também está dividida em zonas. Os bunkers estão já preparados. Eu até agora não tive nenhuma necessidade de recorrer a esta alternativa porque em nenhum momento restos de mísseis ou mesmo mísseis caíram perto ou na zona onde estou por causa da prevenção. Eu estou numa zona muito segura e, portanto, não tenho tido essa necessidade. Mas isto é tudo disponível, está tudo muito organizado. As autoridades municipais e temos todas as informações em caso de perigo; o que fazer? Os israelitas ou as pessoas que moram em Israel assistiram ao desencadear desta guerra? O que é que eles lhe dizem. Acha que as pessoas estão a apoiar de facto, as autoridades que decretaram a guerra contra o vizinho Irão ? Sendo que, por o terem feito a milícia xiita do Hezbollah a partir do Líbano, está atacar também Israel. Portanto, ao fim e ao cabo, Israel está a ser avisado por dois actores simultâneos. Sim, normalmente aqui em Israel temos essas duas partes, pessoas que apoiam e que são a favor destes ataques e pessoas também que não aceitam ou que são contra esses ataques. Vamos encontrar isso mesmo entre os hebreus mais ortodoxos. Existe sempre essa divisão. Aqueles que apoiam esta guerra, que apoiam, que acham justa esta intervenção, outros que nem por isso. Que acham que isso é um exagero, que estamos a criar conflito com outros países. Mas nesta região sempre é uma característica. Ao longo dos séculos, sempre. Esta zona foi uma zona de conflito e Israel já está habituado. E as pessoas aqui estão, vêm isso de forma natural. Como eles enfrentam essa crise, enquanto nós, que somos estrangeiros. Estamos um pouco espantados e procurando meios e estar sempre alerta. Eles não levam uma vida normal. Você tem que ir na rua. Você tem que fazer alguma coisa. Fazem porque já estão habituados. E estas fronteiras já desde o ano passado sabíamos desde aquele conflito de fronteira com o Líbano. Eu tive a oportunidade, no mês de dezembro, de visitar estas zonas perto do Líbano e da Síria. São zonas mesmo perigosas porque mesmo antes de esta guerra já existiam conflitos. O conflito nestas zonas é permanente e, portanto, são zonas que às vezes nós não damos conta. Mas está lá o conflito. E agora sim, com o contexto assim favorável, aproveitam sempre para intensificar e poder também atingir um ao outro. Porque esses dois países fazem fronteiras, não são amigos, não têm relações. Acha que a mesma perceção para muitos israelitas, que o inimigo, mesmo existencial, é o Irão e que, portanto, seria necessário de facto visar o Irão por o Irão pretender mesmo acabar com o Estado de Israel ? Na minha humilde opinião, é aquilo que eu fui ouvindo essa inimizade existir. Este perigo é algo que sempre é patente. Existe porque não são amigos, porém acreditamos. Muitos aqui já são mais esclarecidos. Sabem que por detrás desta razão, existem muitas outras razões a nível político, social, económico mesmo. E também agora nesta situação, porque sabemos que neste momento, daqui a pouco vamos entrar no tempo das eleições aqui em Israel. Tudo isso serve um pouco para apresentar um novo panorama e, portanto, acredito que há muita coisa por detrás. Só vindo aqui e conhecendo as realidades é que se pode compreender parcialmente essa história, porque é muita coisa complicada e sabemos que o Irão. Sim, é um perigo para Israel. E sabemos também que Israel não ama o Irão porque sempre Irão se posicionou contra o estado hebraico. Porém, as formas e os contornos que isso vai tomando é que reflecte mais a intenção do indivíduo que guia o país do que a intenção do povo que representa este país. Porque muitos sectores receiam de facto uma invasão terrestre do Líbano por parte de Israel, já que as autoridades do Líbano não conseguem de facto impedir que o Hezbollah continue a disparar mísseis contra Haifa, nomeadamente. Acho que aí em Israel as pessoas acham que enviar tropas para o Líbano poderá vir a acontecer ? Eu acredito que com o andar do tempo isso poderá acontecer, porque tem uma razão que eles alegam. Os hebreus alegam que é uma razão de base, que acho que é muito frágil, mas eles assumem essa posição porque biblicamente, a Terra prometida aos hebreus realmente vai para além da fronteira que Israel tem. Vai para além, vai até ao Líbano. Portanto, acreditam que esse território é deles, que foi usurpado e, portanto, vão usar sempre esse critério para o realizar. Mas é um critério frágil, porque, mesmo biblicamente estudando, vêmos que esse território nunca foi uniforme. Sempre houve conflitos aqui. Às vezes ia até um certo sítio, outras vezes não, dependendo dos líderes e, portanto, não é de todo sustentável. Porém, é o que eles querem mesmo alargar cada vez mais esse território. Entramos na lógica de "a galinha, o ovo. Quem é que chegou primeiro" ? Foram os palestinianos, foram os judeus ? Exactamente. É toda uma dinâmica bastante perigosa. Esteve aí quando havia ainda a questão do conflito, também na Faixa de Gaza. Nessa altura já era complicado aí a situação ? Sim, eu cheguei, já isto tinha acontecido, já tinha Faixa de Gaza. Eu cheguei em outubro do ano passado. Ainda estava quente porque nunca cessou os problemas na Faixa de Gaza até agora. Encontrámos militares naquela fronteira. Nós não podíamos acessar aquela terra aqui, por exemplo, o Patriarca de Jerusalém já lá foi, com todas as tratativas diplomáticas necessárias e sempre que ele traz notícias, um pouco devastadoras, porque realmente aquela zona quase que já não existe, está totalmente destruída. Continua a lançar aquilo que podemos dizer ofensivas aquele território. E eu quando cheguei, ainda encontrei isso. E ainda existe. Ainda é patente essa história, infelizmente. E o que tem? Porque enquanto existir o Hamas, enquanto existir esse poder, eles estarão sempre lá a defender aquelas fronteiras. E contra o Estado de Israel. Dizia que vai tentar de facto sair. Como é que equaciona o seu futuro? O senhor estava de facto a estudar. Precisaria de concluir os seus estudos, portanto imagino que precise prazo de voltar para aí, não é? Exactamente. Normalmente as aulas estão suspensas. A minha missão aqui é o estudo e também o contacto com as zonas bíblicas. Portanto, estando tudo suspendido por um tempo indeterminado e dado o risco que existe... Nós vivemos aqui normalmente, mas acredito que a iminência do perigo sempre está. Não sabemos onde é que esta guerra vai parar, Então eu pretendo ausentar me e reavaliar se no futuro próximo devo regressar para continuar; se num futuro mais longínquo, regressar quando estiver mais controladas e ver ? Porque aqui nessa zona, quem vem para aqui também tem que estar preparado para tudo isto. A instabilidade é permanente e eu acredito que terei que reavaliar e ver o que é mais importante neste momento, até para a minha caminhada como presbítero. Saber onde é que Deus quer que eu esteja para realizar a sua vontade. Está ligado a alguma diocese cabo verdiana ? Sou diocesano da Diocese de Mindelo, em Cabo Verde. É quarta feira, vai tentar sair nas próximas horas ? Talvez hoje já não dá, mas amanhã de certeza. Entre a tarde e depois de amanhã vamos ver. Eu farei de tudo. E também o pessoal diplomático aqui das embaixadas são muito susceptíveis de nos ajudar e de certeza terão já uma solução. Há embaixada cabo-verdiana aí ? Há consulado cabo-verdiano. Temos o consulado, mas sempre eu tento também através da Embaixada de Portugal, também.
01.03.2026 - Mensagem do Culto Matutino ao vivo da Igreja Presbiteriana de Anápolis com Rev. Lucas Quintino. Texto Bíblico: Deuteronômio 2.1-9 Tema: Como se relacionar com aqueles que não pertencem ao Senhor.
Trabalhos de Umbanda
Aulas sobre temas diversos pela ótica espiritual
Não é fácil encontrar um bom queijo quente — daqueles grelhados com perfeição, com a proporção exata entre queijo e pão. Aqueles de capa de revista. Olha, eu achei um delicioso, o melhor que comi nos últimos tempos. É o queijo quente do Adara.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A entrada em vigor de um novo sistema de controle de emissões de gases de efeito estufa dos produtos importados pelos países europeus, com um imposto compensatório, coloca lenha no debate sobre a ambição climática virar instrumento de protecionismo disfarçado. O Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em inglês), adotado há dois anos pela União Europeia, passou a operar neste 1º de janeiro de 2026, após uma fase de implementação. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O instrumento passa a taxar as importações de bens industriais altamente emissores de CO2, como aço, alumínio, cimento e fertilizantes, entre outros, quando já não são precificados no país exportador. Este é o caso da maioria das nações em desenvolvimento, incluindo o Brasil, que ainda não dispõem de seus próprios mecanismos para medir e taxar o carbono – instrumentos complexos e onerosos. A perspectiva de entrada em vigor do CBAM foi um dos principais focos de bloqueio da Conferência do Clima de Belém (COP30), depois de causar tensões ao longo do ano entre os europeus e potências emergentes, como China e Índia, grandes produtoras de matérias-primas. Os países do Brics “rechaçaram medidas protecionistas unilaterais, sob pretexto de preocupações ambientais”. “Não dá para definir como um mecanismo só bom para o clima, ou só protecionista. Acho que ele é as duas coisas”, avalia o advogado Lucas Biasetton, especialista em regulações climáticas internacionais. “Mas sempre que a União Europeia impõe alguma nova normativa, ocorre o que chamamos de “efeito Bruxelas”: acaba tendo efeitos indiretos em outros países que se espelham nas normas europeias. Aqueles que exportam para a União Europeia terão que se adaptar e entender que o custo do carbono vai passar a ser considerado.” Passo seguinte do mercado europeu de CO2 A UE argumenta que o CBAM, integrante do plano Fit for 55 de descarbonização do bloco, representa o próximo passo de seu mercado de emissões (EU ETS), pelo qual as indústrias já pagam pelo carbono gerado em suas atividades . O sistema existe há 20 anos, mas previa isenções a alguns dos setores industriais mais emissores. Essas gratuidades agora serão progressivamente canceladas. O novo mecanismo vai aplicar progressivamente aos produtos importados o mesmo preço do CO2 emitido que os europeus já pagam ou passarão a pagar no mercado interno. Também visa evitar o “vazamento de carbono”, ou seja, que as empresas passem a produzir em países onde as regras de emissões são mais brandas. Pierre Leturcq, diretor do programa Desafios Globais do Instituto de Políticas Ambientais Europeias (IEEP), em Bruxelas, salienta que o CBAM vai atingir principalmente as fabricantes do próprio bloco. “Teremos a diminuição das isenções para as indústrias mais poluentes da União Europeia, só que algumas delas são grandes emissoras de CO2 e estão, ao mesmo tempo, muito expostas ao comércio internacional. O aumento do preço do carbono das importações é uma consequência disso”, explica. “Os estudos feitos pela Comissão Europeia mostram que o maior impacto será na própria União Europeia, tanto no preço do carbono, quanto na redução de emissões. No exterior, estes impactos serão marginais.” O mecanismo, inédito no mundo, expõe os limites das instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), para lidar com questões relacionadas às finanças climáticas. Em novembro, a presidência brasileira da COP30 instituiu um Fórum Integrado de Clima e Comércio para tentar impulsionar discussões formais entre os países, na tentativa de equilibrar as transações entre, de um lado, nações desenvolvidas que aplicam políticas climáticas cada vez mais restritivas e, de outro, economias que ainda estão se desenvolvendo. Mas a adesão a este novo instrumento, que se soma a outros já existentes, é incerta. “O CBAM não é uma medida ideal, mas é a medida possível, na ausência de acordos setoriais e plurilaterais de redução de emissões para o aço ou o alumínio. Sequer temos um preço mundial do CO2 e provavelmente nunca teremos, porque, para muitos países do mundo, não faz sentido taxar o carbono”, observa Leturcq. Recursos ficarão na UE As críticas ao mecanismo ocorrem num contexto em que o financiamento para as medidas de redução de emissões de gases de efeito estufa e de adaptação às mudanças do clima nos países pobres continua insuficiente. Ao mesmo tempo, as receitas do novo imposto europeu, estimadas em € 1,4 bilhão por ano, serão incluídas no orçamento do próprio bloco, e não direcionadas a promover a economia de baixo carbono nos países menos desenvolvidos. “Para que o mecanismo seja compatível com o direito internacional e em particular com o princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas entre os países ricos e pobres, ele não pode ser um instrumento para financiar o orçamento europeu. Nós defendemos que os recursos sejam automaticamente direcionados a fundos internacionais de descarbonização”, alega o pesquisador do IEEP. A adaptação ao sistema não é fácil nem para os europeus: o cálculo das emissões é sofisticado e exige dados complexos, para os quais podem ser necessárias infraestruturas específicas. A capacidade de absorver este impacto é desigual entre os países mais e menos avançados, assim como entre as pequenas, médias e grandes empresas. A Comissão Europeia alega que o objetivo do mecanismo é estimular as cadeias altamente emissoras a acelerarem a descarbonização do processo produtivo, inclusive no exterior. Mas a adoção do imposto preocupa os países com forte dependência das exportações para a União Europeia – como Moçambique, que tem o bloco como destino de 85% do seu alumínio. Pierre Leturcq chama a atenção para o risco de a medida se tornar uma variável de ajuste comercial entre a UE e seus parceiros internacionais – um desvio que abalaria a credibilidade do bloco na agenda climática. “É preocupante que a Comissão Europeia deixe a porta aberta para um desligamento entre a adoção progressiva do CBAM e o ritmo da redução das isenções dentro do bloco. Isso é muito importante para que o mecanismo seja, de fato, uma medida climática”, frisa. “Ele não pode ser transformado em mera tarifa aduaneira para proteger as indústrias europeias. Isso seria catastrófico.” Empresas já se adaptam à precificação do CO2 Um relatório publicado em dezembro pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a Climate Finance Asia verificou que grandes empresas de países emergentes expostas ao CBAM já se mobilizam para se adaptar, promovendo transformações tecnológicas que reduzam o seu impacto ambiental. O caso da Petrobras, que implementou um preço interno de carbono para orientar decisões de investimentos, é mencionado. Com o novo mecanismo, a Europa também quer impulsionar a formalização dos dispositivos nacionais de precificação e comércio de carbono. No Brasil, uma das críticas é que o CBAM utiliza metodologias de cálculo próprias já consolidadas no bloco, mas que não necessariamente correspondem à realidade de outros continentes, com configurações climáticas distintas. O potencial de armazenamento de CO2 no solo em países tropicais, por exemplo, é subestimado. Além disso, na impossibilidade de os exportadores oferecerem números confiáveis e equivalentes, a UE adota valores conservadores de emissões – ou seja, produtores estrangeiros podem ser considerados mais poluentes do que de fato são, mas não conseguem comprovar. Brasil quer acelerar mercado regulado de carbono No caso brasileiro, os exportadores terão dificuldades para atestar que utilizam matriz elétrica limpa e poderão ser penalizados. “Esse é o grande problema brasileiro: a energia limpa que a gente produz simplesmente não importa para o volume de emissões que é calculado no Cbam”, destaca Lucas Biasetton. “É natural que, no futuro, quando o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões estiver mais consolidado e as empresas começarem a pagar por certificados de emissões, o Brasil pense em formas de fazer com elas não sejam prejudicadas neste cálculo. Mas isso ainda vai levar tempo.” Em um momento de profunda crise do multilateralismo, o risco de protecionismo climático e a criação de “clubes de carbono”, em que blocos de países com regras e tarifas climáticas próprias comercializam entre si, são preocupações reais, avalia o advogado brasileiro. “A União Europeia desenhou esse instrumento de uma forma muito unilateral. Alguns países estão começando a criar um imposto de exportação do carbono, para que essa receita fique no seu próprio país. A Índia está em discussões avançadas nesse sentido”, afirma. “Acho que o Cbam é uma consequência natural da decisão da UE de ter um sistema de comércio de emissões, mas o momento em que ele vem é realmente muito ruim e a forma como ele foi construído é muito questionável”, constata Biasetton.
Neste episódio fazemos uma retrospectiva dos assuntos mais importantes tratados em 2025 no Segurança Legal. Você irá descobrirá os principais temas que dominaram o ano em inteligência artificial, segurança da informação e direito digital. O episódio traz uma análise sobre o aparecimento do Deepseek, explorando como a inteligência artificial transformou o cenário de segurança cibernética. Você irá descobrir os riscos de atrofia cognitiva causados pelo uso excessivo de IA, a importância da proteção de dados pessoais com a LGPD, e como os backdoors em modelos de linguagem ameaçaram a supply chain. O podcast também aborda questões de vigilância digital, as novas regras do Banco Central após fraudes bancárias, a inconstitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil, a aprovação do ECA Digital, vulnerabilidades no gov.br e a questão crítica do analfabetismo funcional digital. Esta retrospectiva cobre ainda aspectos geopolíticos da IA, regulação de inteligência artificial, conformidade com políticas de proteção de dados, e o papel das bigtechs em 2025. Esta descrição foi realizada a partir do áudio do podcast com o uso de IA, com revisão humana. Visite nossa campanha de financiamento coletivo e nos apoie! Conheça o Blog da BrownPipe Consultoria e se inscreva no nosso mailing Imagem do Episódio – Por trás do tempo – Guilherme Goulart
Muito mais do que os atuais campeões brasileiros, Fabio Braga Jr e Maitê Coelho representam uma nova geração de bons ciclistas que despontam no país. Enquanto Braga ainda sonha com a Europa, Maitê Coelho já tem boas histórias para contar da experiência internacional e, principalmente, da orientação que tem recebido da brasileira Claudia Carceroni, primeira brasileira a disputar o Tour de France Feminino, na versão da prova nos anos 80. Um podcast sobre planejamento, base e, sobretudo, sonhos. Aqueles que todos temos para 2026 em diante.
SD337 - O que está faltando ao Docente de Medicina? Neste episódio, Dr. Lorenzo Tomé recebe o Prof. Cássio Ibiapina, médico, educador e idealizador do emPRO, para discutirem uma das lacunas mais profundas e silenciosas da formação médica: a falta de preparo pedagógico dos docentes. Apesar de dominarem o conhecimento clínico, a maioria dos professores nunca foi treinada para ensinar, e isso impacta diretamente a qualidade da formação, a experiência do aluno e os resultados em saúde. O emPRO é um curso que prepara professores e preceptores capazes de inspirar, formar profissionais mais críticos e melhorar a prática médica para as próximas gerações. Dica de livro: Margem por Richard Swenson O podcast Saúde Digital tem o propósito de lhe ajudar a abrir a mente. Agora imagine o quanto 2 dias de imersão com a gente podem impactar o seu negócio médico. A próxima Imersão SD já tem data: 21 e 22 de março/2026. Garanta sua vaga com 10% de desconto na Imersão da SD Escola de Negócios Médicos. FAÇA CONTATO O Background do Cássio Um sonhador, filho do Prof. Ibiapina, formado em medicina pela UF de Juiz de Fora/MG com especialização em Pediatria e Pneumologia Pediátrica, fazendo Mestrado e Doutorado na área de Pneumologia e Pós-Doutorado na Hollanda. Sua vocação de professor o levou a estudar ensino médico para capacitar professores e, nesse processo de aperfeiçoar e contribuir, ele criou, juntamente com o Prof. Ari, um curso de educação médica profissional: o emPRO. Assista este episódio também em vídeo no YouTube no nosso canal Saúde Digital Podcast! Acesse os Episódios Anteriores! SD336 - Como Transformar sua Clínica com Gestão de Alto Nível SD335 - A Matemática por trás da decisão de largar o convênio SD334 - Porque Médicos que Criam Ecossistema Vivem Melhor que Aqueles que Só Fazem Consulta e Retorno Music: Friendship| Declan DP "Music © Copyright Declan DP 2018 - Present. https://license.declandp.info | License ID: DDP1590665"
SD336 - Como Transformar sua Clínica com Gestão de Alto Nível. Neste episódio, o papo do Dr. Lorenzo Tomé é com Rodrigo Freitas, Sócio-Administrador do Instituto de Neurologia Dr. Lélio, contando sobre sua trajetória profissional, como ele assumiu a gestão da clínica do pai, usou de planejamento estratégico, fez um diagnóstico do negócio, decidiu pela manutenção do legado e da carteira de clientes de longos anos e simplificou a jornada do paciente. Com uma gestão voltada para a eficiência, ele definiu indicadores por área e metas com acompanhamento de cada indicador para medir a saúde do negócio, ter previsibilidade de receita e alcançar melhores resultados, apoiando-se em automações, plano de acompanhamento, escuta ativa do paciente e valorização do corpo clínico. O podcast Saúde Digital tem o propósito de lhe ajudar a abrir a mente. Agora imagine o quanto 2 dias de imersão com a gente podem impactar o seu negócio médico. A próxima Imersão SD já tem data: 21 e 22 de março/2026. Garanta sua vaga com 10% de desconto na Imersão da SD Escola de Negócios Médicos. FAÇA CONTATO O Background do Rodrigo Rodrigo é formado em Engenharia de Produção e foi consultor de gestão da Falconi, atuando dentro de vários segmentos. Em 2005, ele fez um ano sabático, estudou sobre Bolsa de Valores, o que o levou a atuar em algumas corretoras. Em 2015, após se casar com uma médica, Rodrigo passou a assessorar clínicas médicas até que, em 2024, assumiu a clínica médica do pai, falecido, para gerir o negócio que tinha 30 anos de existência. Assista este episódio também em vídeo no YouTube no nosso canal Saúde Digital Podcast! Acesse os Episódios Anteriores! SD335 - A Matemática por trás da decisão de largar o convênio SD334 - Porque Médicos que Criam Ecossistema Vivem Melhor que Aqueles que Só Fazem Consulta e Retorno SD333 - Marketing Médico Inteligente: Como Usar Gatilhos Sem Perder Sua Reputação Music: Magical| Declan DP "Music © Copyright Declan DP 2018 - Present. https://license.declandp.info | License ID: DDP1590665"
SD335 - A Matemática por trás da decisão de largar o convênio. Neste episódio, o Dr. Lorenzo Tomé bate um papo com a endocrinologista, Dra. Vanessa Oliveira, e ela conta sobre os desafios da carreira médica com base em atendimento por convênio; os impactos no seu trabalho e na jornada do paciente; como planejou a transição para um novo modelo com foco no particular; a força de um posicionamento digital; a necessária mudança de mentalidade e de paradigma; as conquistas como melhora da qualidade da sua prática médica e de vida e um melhor desfecho para o paciente. Dra. Vanessa usa o SD Monitora para apoiá-la no processo de acompanhamento contínuo do paciente. O podcast Saúde Digital tem o propósito de lhe ajudar a abrir a mente. Agora imagine o quanto 2 dias de imersão com a gente podem impactar o seu negócio médico. A próxima Imersão SD já tem data: 28 e 29 março/2026. Garanta sua vaga com 10% de desconto na Imersão da SD Escola de Negócios Médicos. FAÇA CONTATO O Background da Vanessa Vanessa é médica formada em Endocrinologia com , que entendeu depois de um tempo na assistência com agenda lotada que, mesmo tendo feito mestrado e doutorado, já havia atingido o teto de possibilidades em atendimentos por convênio. Ela decidiu mudar, participou da Imersão SD, definiu ficar somente com atendimento particular e, buscando um diferencial, implantou um plano de acompanhamento para ficar mais próxima dos pacientes e entregar um cuidado melhor, com foco em Obesidade e Diabetes. Assista este episódio também em vídeo no YouTube no nosso canal Saúde Digital Podcast! Acesse os Episódios Anteriores! SD334 - Porque Médicos que Criam Ecossistema Vivem Melhor que Aqueles que Só Fazem Consulta e Retorno SD333 - Marketing Médico Inteligente: Como Usar Gatilhos Sem Perder Sua Reputação SD332 - Navegar o paciente para reduzir custos: uma tese que funciona Music: Joy | Declan DP "Music © Copyright Declan DP 2018 - Present. https://license.declandp.info | License ID: DDP1590665"
Você já parou pra pensar quem traduz os livros que você lê e como esse trabalho molda a forma como entende o mundo? Neste episódio, Lívia Mendes e Lidia Torres irão nos conduzir em uma viagem no tempo para entendermos como os textos gregos e latinos chegam até nós. Vamos descobrir por que traduzir é sempre também interpretar, criar e disputar sentidos. Conversamos com Andrea Kouklanakis, professora permanente na Hunter College, Nova York, EUA, e Guilherme Gontijo Flores, professor da Universidade Federal do Paraná. Eles compartilharam suas trajetórias no estudo de línguas antigas, seus desafios e descobertas com o mundo da tradução e as questões políticas, históricas e estéticas que a prática e as teorias da tradução abarcam. Esse episódio faz parte do trabalho de divulgação científica que a Lívia Mendes desenvolve no Centro de Estudos Clássicos e Centro de Teoria da Filologia, vinculados ao Instituto de Estudos da Linguagem e ao Instituto de Estudos Avançados da Unicamp, financiado pelo projeto Mídia Ciência da FAPESP, a quem agradecemos pelo financiamento. O roteiro foi escrito por Lívia Mendes e a revisão é de Lidia Torres e Mayra Trinca. A edição é de Daniel Rangel. Se você gosta de literatura, história, tradução ou quer entender novas formas de aproximar o passado do presente, esse episódio é pra você. __________________________________________________________________ ROTEIRO [música, bg] Lívia: Quem traduziu o livro que você está lendo? Lívia: E se você tivesse que aprender todas as línguas dos clássicos que deseja ler? Aqueles livros escritos em russo, alemão ou qualquer outra língua diferente da sua? Lívia: E aqueles livros das literaturas que foram escritas em línguas que chamamos antigas, como o latim e o grego? Lidia: A verdade é que, na maioria das vezes, a gente não pensa muito sobre essas questões. Mas, no Brasil, boa parte dos livros que lemos, tanto literários quanto teóricos, não chegaria até a gente se não fossem os tradutores. Lidia: Essas obras, que fazem parte de todo um legado social, filosófico e cultural da nossa sociedade, só chegaram até nós por causa do trabalho cuidadoso de pesquisadores e tradutores dessas línguas, que estão tão distantes, mas ao mesmo tempo, tão próximas de nós. [música de transição] Lívia: Eu sou a Lívia Mendes. Lidia: E eu sou a Lidia Torres. Lívia: Você já conhece a gente aqui do Oxigênio e no episódio de hoje vamos explorar como traduzimos, interpretamos e recebemos textos da Antiguidade greco-romana. Lidia: E, também vamos pensar por que essas obras ainda hoje mobilizam debates políticos, culturais e estéticos. Lívia: Vem com a gente explorar o mundo da antiguidade greco-romana que segue tão presente na atualidade, especialmente por meio da tradução dos seus textos. [vinheta O2] Andrea [1:05-2:12]: Então, meu nome é Andrea Kouklanakis e, eu sou brasileira, nasci no Brasil e morei lá até 21 anos quando eu emigrei para cá. Lívia: O “cá” da Andrea é nos Estados Unidos, país que ela se mudou ainda em 1980, então faz um tempo que ela mora fora do Brasil. Mas mesmo antes de se mudar, ela já tinha uma experiência com o inglês. Andrea Kouklanakis: Quando eu vim pra cá, eu não tinha terminado faculdade ainda, eu tinha feito um ano e meio, quase dois anos na PUC de São Paulo. Ah, e mas chegou uma hora que não deu mais para arcar com a responsabilidade financeira de matrícula da PUC, de mensalidades, então eu passei um tempo trabalhando só, dei aulas de inglês numa dessas escolas assim de business, inglês pra business people e que foi até legal, porque eu era novinha, acho que eu tinha 18, 19 anos e é interessante que todo mundo era mais velho que eu, né? Os homens de negócios, as mulheres de negócio lá, mas foi uma experiência legal e que também, apesar de eu não poder estar na faculdade daquela época, é uma experiência que condiz muito com o meu trabalho com línguas desde pequena. Lívia: Essa que você ouviu é a nossa primeira entrevistada no episódio de hoje, a professora Andrea Kouklanakis. Como ela falou ali na apresentação, ela se mudou ainda jovem pros Estados Unidos. Lidia: E, como faz muito tempo que ela se comunica somente em inglês, em alguns momentos ela acaba esquecendo as palavras em português e substitui por uma palavra do inglês. Então, a conversa com a Andrea já é um início pra nossa experimentação linguística neste episódio. Andrea Kouklanakis: Eu sou professora associada da Hunter College, que faz parte da cidade universitária de Nova York, City University of New York. E eles têm vários campus e a minha home college é aqui na Hunter College, em Manhattan. Eh, eu sou agora professora permanente aqui. Lívia: A professora Andrea, que conversou com a gente por vídeo chamada lá de Nova Iorque, contou que já era interessada por línguas desde pequena. A mãe dela trabalhava na casa de uma professora de línguas, com quem ela fez as primeiras aulas. E ela aprendeu também algumas palavras da língua materna do seu pai, que é grego e mais tarde, estudou francês e russo na escola. Lidia: Mas, além de todas essas línguas, hoje ela trabalha com Latim e Grego.Como será que essas línguas antigas entraram na vida da Andrea? Andrea Kouklanakis: Então, quando eu comecei aqui na Hunter College, eu comecei a fazer latim porque, bom, quando você tem uma língua natal sua, você é isenta do requerimento de línguas, que todo mundo tem que ter um requerimento de língua estrangeira na faculdade aqui. Então, quando eu comecei aqui, eu fiquei sabendo, que eu não precisava da língua, porque eu tinha o português. Mas, eu falei: “É, mas eu peguei pensando a língua é o que eu quero, né?” Então, foi super assim por acaso, que eu tava olhando no catálogo de cursos oferecidos. Aí eu pensei: “Ah, Latim, OK. Why not?. Por que não, né? Uma língua antiga, OK. Lívia: A professora Andrea, relembrando essa escolha por cursar as disciplinas de Latim, quando chegou na Hunter College, percebeu que ela gostou bastante das aulas por um motivo afetivo e familiar com a maneira com que ela tinha aprendido a língua portuguesa aqui no Brasil, que era diferente da forma como seus colegas estadunidenses tinham aprendido o inglês, sem muita conexão com a gramática. Lidia: Ela gostava de estudar sintaxe, orações subordinadas e todas essas regras gramaticais, que são muito importantes pra quem quer estudar uma língua antiga e mais pra frente a gente vai entender bem o porquê. [som de ícone] Lívia: sintaxe, é a parte da gramática que estuda como as palavras se organizam dentro das frases pra formar sentidos. Ela explica quem é o sujeito, o que é o verbo, quais termos completam ou modificam outros, e assim por diante. [som de ícone]: Lívia: Oração subordinada é uma frase que depende de outra para ter sentido completo. Ela não “anda sozinha”: precisa da oração principal pra formar o significado total. [música de transição] Lidia: E, agora, você deve estar se perguntando, será que todo mundo que resolve estudar língua antiga faz escolhas parecidas com a da professora Andrea? Lidia: É isso que a gente perguntou pro nosso próximo entrevistado. Guilherme Gontijo: Eu sou atualmente professor de latim na UFPR, no Paraná, moro em Curitiba. Mas, eu fiz a minha graduação em letras português na UFES, na Federal do Espírito Santo. E lá quando eu tive que fazer as disciplinas obrigatórias de latim, eu tinha que escolher uma língua complementar, eu lembro que eu peguei italiano porque eu estudava francês fora da universidade e eu tinha que estudar o latim obrigatório. Estudei latim com Raimundo Carvalho. Lívia: Bom, parece que o Guilherme teve uma trajetória parecida com a da Andrea e gostar de estudar línguas é uma das premissas pra se tornar um estudioso de latim e de grego. Lidia: O professor Raimundo de Carvalho, que o Guilherme citou, foi professor de Latim da Federal do Espírito Santo. Desde a década de 80 ele escreve poesias e é um importante estudioso da língua latina. Ele quem traduziu a obra Bucólicas, do Vírgílio, um importante poeta romano, o autor da Eneida, que talvez você já deva ter ouvido falar. O professor Raimundo se aposentou recentemente, mas segue trabalhando na tradução de Metamorfoses, de outro poeta romano, o Ovídio. Lívia: O Guilherme contou o privilégio que foi ter tido a oportunidade de ser orientado de perto pelo professor Raimundo. Guilherme Gontijo: Eu lembro que eu era um aluno bastante correto, assim, eu achava muito interessante aprender latim, mas eu estudei latim pensando que ele teria algum uso linguístico pras pessoas que estudam literatura brasileira. E quando ele levou Catulo pra traduzir, eu lembro de ficar enlouquecido, assim, foi incrível e foi a primeira vez na minha vida que eu percebi que eu poderia traduzir um texto de poema como um poema. E isso foi insistivo pra mim, eu não tinha lido teoria nenhuma sobre tradução. Lívia: Um episódio sobre literatura antiga traz esses nomes diferentes, e a gente vai comentando e explicando. O Catulo, que o Guilherme citou, foi um poeta romano do século I a.C.. Ele é conhecido por escrever odes, que são poemas líricos que expressam admiração, elogio ou reflexão sobre alguém, algo ou uma ideia. A obra do Catulo é marcada pelos poemas que ele dedicou a Lésbia, figura central de muitos dos seus versos. Guilherme Gontijo: Eu fiz as duas disciplinas obrigatórias de latim, que é toda a minha formação oficial de latim, acaba aí. E passei a frequentar a casa do Raimundo Carvalho semanalmente, às vezes duas vezes por semana, passava a tarde inteira tendo aula de latim com ele, lendo poetas romanos ou prosa romana e estudava em casa e ele tirava minhas dúvidas. Então, graças à generosidade do Raimundo, eu me tornei latinista e eu não tinha ideia que eu, ainda por cima, teria ali um mestre, porque ele é poeta, é tradutor de poesia. Lidia: Essa conexão com a língua latina fez o Guilherme nunca mais abandonar a tradução. Ele disse que era uma forma natural de conseguir conciliar o seu interesse intelectual acadêmico e o lado criativo, já que desde o início da graduação ele já era um aspirante a poeta. Lívia: É importante a gente lembrar que o Guilherme tem uma vasta carreira como autor, poeta e tradutor e já vamos aproveitar pra deixar algumas dicas dos livros autorais e dos autores que ele traduziu. Lívia: Guilherme é autor dos poemas de carvão :: capim (2018), Todos os nomes que talvez tivéssemos (2020), Arcano 13 em parceria com Marcelo Ariel. Ele também escreveu o romance História de Joia (2019) e os livros de ensaios Algo infiel: corpo performance tradução (2017) em parceria com Rodrigo Gonçalves e A mulher ventriloquada: o limite da linguagem em Arquíloco (2018). Se aventurou pelo infanto-juvenil com os livros A Mancha (2020) e o Coestelário (2021), ambos em parceria com Daniel Kondo. E traduziu autores como Safo, Propércio, Catulo, Horácio, Rabelais e Whitman. Lidia: Os poetas Rabelais e Whitman são autores modernos, viveram nos séculos XVI e XIX, já os outros poetas são da antiguidade romana, aquele período aproximadamente entre o século IV a.C. e o século V d.C. Lívia: Então, o Guilherme traduz tanto textos de línguas modernas quanto de línguas antigas. E, a gente perguntou pra ele se existe alguma diferença no trabalho do tradutor quando vai traduzir um texto de uma língua moderna, que está mais próxima de nós no tempo, e quando vai traduzir do latim ou do grego, que são línguas mais distantes temporalmente. Lívia: O Guilherme falou que quando ele vai traduzir de uma língua moderna pra outra língua moderna existem duas possibilidades: traduzir diacronicamente, que é quando o tradutor escreve o texto na língua produzida como se fosse da época mesmo que ele foi escrito. E a outra possibilidade é traduzir deslocando o autor temporalmente, e fazendo a linguagem do texto conversar com a linguagem contemporânea. Lidia: Pode parecer um pouco confuso de início, mas ouve só o exemplo do Guilherme da experiência de tradução que ele teve com o Rimbaud, que é um autor francês. Guilherme Gontijo: Por exemplo, fui traduzir Rimbaud, o Rimbaud do século XIX. Quando eu vou traduzir, eu posso tentar traduzir pensando diacronicamente e aí eu vou tentar traduzir o Rimbaud pra ele parecer um poeta do século XIX em português. E aí eu vou dar essa sensação de espaço temporal pro leitor contemporâneo agora. É, o Guilherme de Almeida fez um experimento genial assim, traduzindo o poeta francês François Villon para uma espécie de pastiche de galego-português, botando a linha temporal de modo que é isso, Villon é difícil para um francês ler hoje, que a língua francesa já sofreu tanta alteração que muitas vezes eles leem numa espécie de edição bilíngue, francês antigo, francês moderno. A gente também tem um pouco essa dificuldade com o galego-português, que é a língua literária da Península ali pra gente, né? Ah, então essa é uma abordagem. Outra abordagem, eu acho que a gente faz com muito menos frequência, é tentar deslocar a relação da temporalidade, ou seja, traduzir Rimbaud, não para produzir um equivalente do Rimbaud, século XIX no Brasil, mas pra talvez criar o efeito que ele poderia criar nos seus contemporâneos imediatos. Lívia: Ou seja, a ideia aqui seria escrever um texto da maneira como se escreve hoje em dia, meio que transpondo a história no tempo. Lidia: Pra quem não conhece, fica aqui mais uma dica de leitura: o poeta francês Arthur Rimbaud, que o Guilherme citou, viveu entre 1854 e 1891 e escreveu quase toda sua obra ainda adolescente. Ele renovou a poesia moderna com imagens ousadas, experimentação formal e uma vida marcada pela rebeldia. Abandonou a literatura muito jovem e passou o resto da vida viajando e trabalhando na África. Lívia: Mas, e pra traduzir da língua antiga, será que esse dois caminhos também são possíveis? Guilherme Gontijo: Quando eu vou traduzir do latim, por exemplo, eu não tenho esse equivalente. Não existe o português equivalente de Propércio. O português equivalente de Propércio como língua literária é o próprio latim. Lívia: Ou seja, o que o Guilherme quis dizer é que não existe uma possibilidade de traduzir um texto latino como ele soava na antiguidade, porque o latim é a língua que originou as línguas modernas latinas, e a língua portuguesa é uma delas, junto com o espanhol, o francês e o italiano. Lidia: Mas, o que pode acontecer é uma classicização dos textos antigos e o Guilherme enfatizou que acontece muito nas traduções que a gente tem disponível do latim pro português. A classicização, nesses casos, é traduzir os textos da antiguidade com o português do século XVIII ou XIX, transformando esses textos em clássicos também pra nós. Guilherme Gontijo:Curiosamente, a gente, quando estuda os clássicos, a gente sempre fala: “Não, mas isso é moderno demais. Será que ele falaria assim?” Acho curioso, quando, na verdade, a gente vendo que os clássicos tão falando sobre literatura, eles parecem não ter esses pudores. Aliás, eles são bem menos arqueológicos ou museológicos do que nós. Eles derrubavam um templo e botavam outro templo em cima sem pensar duas vezes enquanto nós temos muito mais pudores. Então, a minha abordagem atual de traduzir os clássicos é muito tentar usar as possibilidades do português brasileiro, isso é muito marcado pra mim, uma das variedades do português brasileiro, que é a minha, né? De modo ativo. Lívia: Só pra dar um exemplo do que faz a língua soar clássica, seria o uso do pronome “tu” ao invés de “você”, ou, os pronomes oblíquos como “eu te disse” ou “eu te amo”, porque ninguém fala “eu lhe amo” no dia a dia. Lidia: E esse é justamente o ponto quando a gente fala de tradução do texto antigo. Eles não vão ter um equivalente, e a gente não tem como traduzir por algo da mesma época. Guilherme Gontijo: Então, a gente precisa fazer um exercício especulativo, experimental, pra imaginar os possíveis efeitos daqueles textos no seu mundo de partida, né? A gente nunca vai saber o sabor exato de um texto grego ou romano, porque por mais que a gente tenha dicionário e gramática, a gente não tem o afeto, aquele afeto minucioso da língua que a gente tem na nossa. Lívia: Essas questões de escolhas de tradução, que podem aproximar ou afastar a língua da qual vai se traduzir pra língua que será traduzida se aproximam das questões sociais e políticas que são intrínsecas à linguagem. [música de transição] Lidia: Assim como qualquer outro texto, os escritos em latim ou grego nunca serão neutros. Mesmo fazendo parte de um mundo tão distante da gente, eles reproduzem projetos políticos e identitários tanto da antiguidade quanto dos atuais. Andrea Kouklanakis: Eu acho que esse aspecto político e histórico dos estudos clássicos é interessante porque é uma coisa quando você tá fazendo faculdade, quando eu fiz pelo menos, a gente não tinha muita ideia, né? Você tava completamente sempre perdida no nível microscópico da gramática, né? De tentar a tradução, essas coisas, você tá só, completamente submersa nos seus livros, no seu trabalho de aula em aula, tentando sobreviver ao Cícero. Lívia: Como a Andrea explicou, os estudos que chamamos de filológicos, soam como uma ciência objetiva. Eles tentam achar a gênese de um texto correto, como uma origem e acabam transformando os estudos clássicos em um modelo de programa de império ou de colonização. Andrea Kouklanakis: Então, por exemplo, agora quando eu dou aula sobre o legado dos estudos clássicos na América Latina Agora eu sei disso, então com os meus alunos a gente lê vários textos primários, né, e secundários, que envolvem discurso de construção de nação, de construção de império, de construção do outro, que são tecidos com os discursos clássicos, né, que é essa constante volta a Atenas, a Roma, é, o prestígio dos estudos clássicos, né? Então, a minha pesquisa se desenvolveu nesse sentido de como que esses latino afro brasileiros, esses escritores de várias áreas, como que eles lidaram na evolução intelectual deles, na história intelectual deles, como que eles lidaram com um ramo de conhecimento que é o centro do prestígio. Eles mesmo incorporando a falta de prestígio completa. O próprio corpo deles significa ausência total de prestígio e como que eles então interagem com uma área que é o centro do prestígio, sabe? Lidia: Então, como você percebeu, a Andrea investiga como os escritores afro-latino-americanos negociaram essa tradição clássica, símbolo máximo de prestígio, com suas histórias incorporadas a um lugar sem prestígio, marcadas em seus corpos pelo tom de pele. Lívia: Esse exercício que a professora Andrea tem feito com seus alunos na Hunter College tem sido uma prática cada vez mais presente nos Estudos Clássicos da América Latina e aqui no Brasil. É um exercício de colocar um olhar crítico pro mundo antigo e não apenas como uma forma de simplesmente celebrar uma antiguidade hierarquicamente superior a nós e a nossa história. Lidia: Nesse ponto, é importante a gente pontuar que a professora Andrea fala de um lugar muito particular, porque ela é uma mulher negra, brasileira, atuando em uma universidade nos Estados Unidos e em uma área de estudos historicamente tradicional. Lívia: Ela relatou pra gente um pouco da sua experiência como uma das primeiras mulheres negras a se doutorar em Estudos Clássicos em Harvard. Andrea Kouklanakis: Eu também não queria deixar de dizer que, politicamente, o meu entendimento como classista foi mais ou menos imposto de fora pra mim, sobre mim como uma mulher de cor nos estudos clássicos, porque eu estava exatamente na década de final de 90, meio final de 90, quando eu comecei a fazer os estudos clássicos na Harvard e foi coincidentemente ali quando também saiu, acho que o segundo ou terceiro volume do Black Athena, do Bernal. E, infelizmente, então, coincidiu com eu estar lá, né? Fazendo o meu doutorado nessa época. E na época existiam esses chat rooms, você podia entrar no computador e é uma coisa estranha, as pessoas interagiam ali, né? O nível de antipatia e posso até dizer ódio mesmo que muitas pessoas expressavam pela ideia de que poderia existir uma conexão entre a Grécia e a África, sabe? A mera ideia. Era uma coisa tão forte sabe, eu não tinha a experiência ou a preparação psicológica de receber esse tipo de resposta que era com tantos ânimos, sabe? Lidia: Com esse relato, a professora Andrea revelou pra gente como o preconceito com a população negra é tão explícita nos Estados Unidos e como ela, mesmo tendo passado a infância e a adolescência no Brasil, sentiu mais os impactos disso por lá. Lívia: Mas, fora o preconceito racial, historicamente construído pelas nossas raízes de colonização e escravização da população negra, como estudiosa de Estudos Clássicos, foi nessa época que a Andrea percebeu que existia esse tipo de discussão e que ainda não estava sendo apresentada pra ela na faculdade. Andrea Kouklanakis: Depois que eu me formei, eu entrei em contato com a mulher que era diretora de admissão de alunos e ela confirmou pra mim que é eu acho que eu sou a primeira pessoa de cor a ter um doutorado da Harvard nos Estudos Clássicos. E eu acho que mesmo que eu não seja a primeira pessoa de cor fazendo doutorado lá, provavelmente eu sou a primeira mulher de cor. Lidia: Vamos destacar agora, alguns pontos significativos do relato da professora Andrea. [som de ícone] Lívia: O livro que ela citou é o Black Athena, do estudioso de história política Martin Bernal. A teoria criada pelo autor afirmava que a civilização clássica grega na realidade se originou de culturas da região do Crescente Fértil, Egito, Fenícia e Mesopotâmia, ao invés de ter surgido de forma completamente independente, como tradicionalmente é colocado pelos historiadores germânicos. [som de ícone] Lívia: Ao propor uma hipótese alternativa sobre as origens da Grécia antiga e da civilização clássica, o livro fomentou discussões relevantes nos estudos da área, gerando controvérsias científicas, ideológicas e raciais. [som de ícone] Lidia: Em contrapartida às concepções racistas vinda de pesquisadores, historiadores e classicistas conservadores, a professora Andrea citou também um aluno negro de Harvard, o historiador e classicista Frank Snowden Jr.. [som de ícone] Lívia: Entre seus diversos estudos sobre a relação de brancos e negros na antiguidade, está o livro Before Color Prejudice: The Ancient View of Black, em português, Antes do Preconceito Racial: A Visão Antiga dos Negros. Um aprofundamento de suas investigações sobre as relações entre africanos e as civilizações clássicas de Roma e da Grécia e demonstra que os antigos não discriminavam os negros por causa de sua cor. [som de ícone] Lidia: O livro lança luz pra um debate importantíssimo, que é a diferença de atitudes dos brancos em relação aos negros nas sociedades antigas e modernas, além de observar que muitas das representações artísticas desses povos se assemelham aos afro-americanos da atualidade. Andrea Kouklanakis: Mas, então é isso, então essa coisa política é uma coisa que foi imposta, mas a imposição foi até legal porque aí me levou a conhecer e descobrir e pesquisar essa área inteira, que agora é uma coisa que eu me dedico muito, que é olhar qual que é a implicação dos estudos clássicos na política, na raça, na história e continuando dando as minhas aulas e traduzindo, fazendo tradução, eu adoro tradução, então, esse aspecto do estudo clássico, eu sempre gostei. [música de transição] Lívia: O Guilherme também falou pra gente sobre essa questão política e histórica dos Estudos Clássicos, de que ficar olhando pro passado como objeto desvinculado, nos impede de poder articular essas discussões com a política do presente. Guilherme Gontijo: E acho que o resultado quando a gente faz isso é muitas vezes colocar os clássicos como defensores do status quo, que é o que o um certo império brasileiro fez no período de Dom Pedro, é o que Mussolini fez também. Quer dizer, vira propaganda de estado. Lidia: Mas, ao contrário, quando a gente usa os clássicos pra pensar as angústias do presente, a gente percebe que é uma área de estudos que pode ser super relevante e super viva pra qualquer conversa do presente. Lívia: E, na tradução e na recepção desses textos antigos, como será que essas questões aparecem? O Guilherme deu um exemplo pra gente, de uma tradução que ele fez do poeta romano Horácio. [som de ícone] Lidia: Horácio foi um poeta romano do século I a.C., famoso por escrever poesias nos formatos de Odes, Sátiras e Epístolas, e defendia a ideia do “justo meio” — evitar excessos e buscar a medida certa na vida. Guilherme Gontijo: Tô lembrando aqui de uma ode de Horácio, acho que esse exemplo vai ser bom. Em que ele termina o poema oferecendo um vai matar um cabrito pra uma fonte, vai oferendar um cabrito para uma fonte. E quando eu tava traduzindo, vários comentadores lembravam de como essa imagem chocou violentamente o século XIX na recepção. Os comentadores sempre assim: “Como assim, Horácio, um homem tão refinado vai fazer um ato tão brutal, tão irracional?” Quer dizer, isso diz muito mais sobre a recepção do XIX e do começo do XX, do que sobre Horácio. Porque, assim, é óbvio que Horácio sacrificaria um cabrito para uma fonte. E nisso, ele não está escapando em nada do resto da sua cultura. Agora, é curioso como, por exemplo, o nosso modelo estatal coloca a área de clássicas no centro, por exemplo, dos cursos de Letras, mas acha que práticas do Candomblé, que são análogas, por exemplo, você pode oferecer animais para divindades ou mesmo para águas, seriam práticas não não não racionais ou não razoáveis ou sujas ou qualquer coisa do tipo, como quiserem. Né? Então, eu acho que a gente pode e esse é o nosso lugar, talvez seja nossa missão mesmo. Lívia: Como o Guilherme explicou, nós no Brasil e na América Latina temos influência do Atlântico Negro, das línguas bantas, do candomblé, da umbanda e temos um aporte, tanto teórico quanto afetivo, pra pensar os clássicos, a partir dessas tradições tão próximas, que a própria tradição europeia tem que fazer um esforço gigantesco pra chegar perto, enquanto pra gente é natural. Lidia: E não podemos nos esquecer também da nossa convivência com várias etnias indígenas, que possuem comparações muito fortes entre essas culturas. Guilherme Gontijo: Eu diria, eu entendo muito melhor o sentido de um hino arcaico, grego, ouvindo uma cantiga de terreiro no Brasil, do que só comparando com literatura. Eu acho que é relevante para a área de clássicas, não é uma mera curiosidade, sabe? Então, eu tenho cada vez mais lido gregos e romanos à luz da antropologia moderna, contemporaneíssima, sabe? Eu acho que muitos frutos aparecem de modo mais exemplar ou mais óbvio quando a gente faz essa comparação, porque a gente aí tira de fato os clássicos do lugar de clássicos que lhes é dado. [música de transição] Lívia: Pra além dessas discussões teóricas e políticas, a tradução é também um ato estético e existem algumas formas de repensar a presença da poesia antiga no mundo contemporâneo a partir de uma estética aplicada na linguagem e nos modos de traduzir. Lidia: No caso do Guilherme, ele vem trabalhando há um tempo com a tradução como performance. Guilherme Gontijo: E aí eu pensei: “Não, eu poderia traduzir Horácio para cantar”. Eu vou aprender a cantar esses metros antigos e vou cantar a tradução na mesmíssima melodia. Quer dizer, ao invés de eu pensar em metro no sentido do papel, eu vou pensar em metro no sentido de uma vocalidade. E foi isso que eu fiz. Foi o meu o meu doutorado, isso acabou rendendo a tradução de Safo. Lívia: Além das traduções publicadas em livros e artigos, o Guilherme também coloca essas performances na rua com o grupo Pecora Loca, que desde 2015 se propõe a fazer performances de poemas antigos, medievais e, às vezes, modernos, como um modo de ação poética. Lidia: Inclusive a trilha sonora que você ouviu ali no início deste trecho é uma das performances realizada pelo grupo, nesse caso do poema da Ode 34 de Horácio, com tradução do próprio Guilherme e música de Guilherme Bernardes, que o grupo gentilmente nos passou. Guilherme Gontijo: Isso pra mim foi um aprendizado teórico também muito grande, porque você percebe que um poema vocal, ele demanda pra valorizar a sua ou valorar a sua qualidade, também a performance. Quer dizer, o poema não é só um texto no papel, mas ele depende de quem canta, como canta, qual instrumento canta. Lívia: O Guilherme explicou que no início eles usavam instrumentos antigos como tímpano, címbalo, lira e até uma espécie de aulos. Mas, como, na verdade, não temos informações precisas sobre como era a musicalidade antiga, eles resolveram afirmar o anacronismo e a forma síncrona de poesia e performance, e, atualmente, incorporaram instrumentos modernos ao grupo como a guitarra elétrica, o baixo elétrico, o teclado e a bateria. Guilherme Gontijo: Então, a gente tem feito isso e eu acho que tem um gesto político, porque é muito curioso que a gente vai tocar num bar e às vezes tem alguém desavisado e gosta de Anacreonte. Olha, caramba, adorei Anacreonte. É, é, e ela percebe que Anacreonte, ela ouviu a letra e a letra é basicamente: “Traga um vinho para mim que eu quero encher a cara”. Então ela percebe que poesia antiga não é algo elevado, para poucos eleitos capazes de depreender a profundidade do saber grego. Ó, Anacreonte é poema de farra. Lidia: A partir da performance as pessoas se sentem autorizadas a tomar posse dessa herança cultural e a se relacionar com ela. O que cria uma forma de divulgar e difundir os Estudos Clássicos a partir de uma relação íntima, que é a linguagem musical. Guilherme Gontijo: E a experiência mais forte que eu tive nisso, ela é do passado e foi com o Guilherme Bernardes. Lembro que dei uma aula e mostrei a melodia do Carpe Diem, do Horácio. Da Ode. E tava lá mostrando o poema, sendo bem técnico ali, como é que explica o metro, como é que põe uma melodia, etc, etc. E uns três dias depois ele me mandou uma gravação que ele fez no Garage Band, totalmente sintética. De uma versão só instrumental, quer dizer, o que ele mais curtiu foi a melodia. E a gente às vezes esquece disso, quer dizer, um aspecto da poesia arcaica ou da poesia oral antiga romana é que alguém poderia adorar a melodia e nem prestar tanta atenção na letra. E que continuariam dizendo: “É um grande poeta”. Eu senti uma glória quando eu pensei: “Caraca, um asclepiadeu maior tocou uma pessoa como melodia”. A pessoa nem se preocupou tanto que é o poema do Carpe Diem, mas a melodia do asclepiadeu maior. [som de ícone] Lívia: Só por curiosidade, “asclepiadeu maior” é um tipo de verso poético greco-latino composto por um espondeu, dois coriambos e um iambo. Você não precisa saber como funcionam esses versos na teoria. Essa forma poética foi criada pelo poeta lírico grego Asclepíades de Samos, que viveu no século III a.C., por isso o nome, o mais importante é que foi o verso utilizado por Horácio em muitas de suas odes. [música de transição] Lidia: Agora, já encaminhando para o final do nosso episódio, não podemos ir embora sem falar sobre o trabalho de recepção e tradução realizado pela professora Andrea, lá na Hunter College, nos EUA. Lívia: Além do seu projeto sobre a presença dos clássicos nas obras de escritores afro-latino-americanos, com foco especial no Brasil, de autores como Lima Barreto, Luís Gama, Juliano Moreira e Auta de Sousa. A professora também publicou o livro Reis Imperfeitos: Pretendentes na Odisseia, Poética da Culpa e Sátira Irlandesa, pela Harvard University Press, em 2023, e as suas pesquisas abarcam a poesia homérica, a poética comparada e as teorias da tradução. Lidia: A professora Andrea faz um exercício muito importante de tradução de autores negros brasileiros pro inglês, não somente das obras literárias, mas também de seus pensamentos teóricos, pra que esses pensamentos sejam conhecidos fora do Brasil e alcance um público maior. Lívia: E é muito interessante como a relação com os estudos da tradução pra professora Andrea também tocam em um lugar muito íntimo e pessoal, assim como foi pro Guilherme nas suas traduções em performances. Lidia: E ela contou pra gente um pouco dessa história. Andrea Kouklanakis: Antes de falar da língua, é eu vou falar que, quando eu vejo a biografia deles, especialmente quando eu passei bastante tempo com o Luiz Gama. O que eu achei incrível é o nível de familiaridade de entendimento que eu tive da vida corriqueira deles. Por exemplo, Cruz e Souza, né? A família dele morava no fundo lá da casa, né? Esse tipo de coisa assim. O Luiz Gama também quando ele fala do aluno lá que estava na casa quando ele foi escravizado por um tempo, quando ele era criança, o cara que escravizou ele tinha basicamente uma pensão pra estudantes, que estavam fazendo advocacia, essas coisas, então na casa tinham residentes e um deles ensinou ele a ler, a escrever. O que eu achei interessantíssimo é que eu estou há 100 anos separada desse povo, mas a dinâmica social foi completamente familiar pra mim, né? A minha mãe, como eu te falei, ela sempre foi empregada doméstica, ela já se aposentou há muito tempo, mas a vida dela toda inteira ela trabalhou como empregada doméstica. E pra mim foi muito interessante ver como que as coisas não tinham mudado muito entre a infância de alguém como Cruz e Souza e a minha infância, né? Obviamente ninguém me adotou, nada disso, mas eu passei muito tempo dentro da casa de família. que era gente que tinha muito interesse em ajudar a gente, em dar, como se diz, a scholarship, né? O lugar que a minha mãe trabalhou mais tempo assim, continuamente por 10 anos, foi, aliás, na casa do ex-reitor da USP, na década de 70 e 80, o Dr. Orlando Marques de Paiva. Lívia: Ao contar essa história tão íntima, a Andrea explicou como ela tenta passar essa coincidência de vivências, separada por cem anos ou mais no tempo, mas que, apesar de todo avanço na luta contra desigualdades raciais, ainda hoje refletem na sua memória e ainda são muito estáticas. Lidia: Essa memória reflete na linguagem, porque, como ela explicou, esses autores utilizam muitas palavras que a gente não usa mais, porque são palavras lá do século XVIII e XIX, mas o contexto chega pra ela de uma forma muito íntima e ainda viva, por ela ter vivenciado essas questões. Andrea Kouklanakis: Eu não sou poeta, mas eu tô dando uma de poeta, sabe? E quando eu percebo que tem algum estilo assim, a Auta de vez em quando tem um certo estilo assim, ambrósia, não sei do quê, sabe? Eu sei que ela está querendo dizer perfume, não sei o quê, eu não vou mudar, especialmente palavras, porque eu também estou vindo da minha perspectiva é de quem sabe grego e latim, eu também estou interessada em palavras que são em português, mas são gregas. Então, eu preservo, sabe? Lívia: Então, pra Andrea, no seu trabalho tradutório ela procura mesclar essas duas questões, a sua relação íntima com os textos e também a sua formação como classicista, que pensa a etimologia das palavras e convive com essa multiplicidade de línguas e culturas, caminhando entre o grego, o latim, o inglês e o português. [música de transição] [bg] Lidia: Ao ouvir nossos convidados de hoje, a Andrea Koclanakis e o Guilherme Gontijo Flores, percebemos que traduzir textos clássicos é muito mais do que passar palavras de uma língua pra outra. É atravessar disputas políticas, revisitar o passado com olhos do presente, reconstruir memórias coloniais e imaginar novos modos de convivência com as tradições antigas. Lívia: A tradução é pesquisa, criação, crítica e também pode ser transformação. Agradecemos aos entrevistados e a você que nos acompanhou até aqui! [música de transição] [créditos] Livia: O roteiro desse episódio foi escrito por mim, Lívia Mendes, que também fiz a locução junto com a Lidia Torres. Lidia: A revisão foi feita por mim, Lidia Torres e pela Mayra Trinca. Lidia: Esse episódio faz parte do trabalho de divulgação científica que a Lívia Mendes desenvolve no Centro de Estudos Clássicos e Centro de Teoria da Filologia, vinculados ao Instituto de Estudos da Linguagem e ao Instituto de Estudos Avançados da Unicamp, financiado pelo projeto Mídia Ciência da FAPESP, a quem agradecemos pelo financiamento. Lívia: Os trabalhos técnicos são de Daniel Rangel. A trilha sonora é de Kevin MacLeod e também gentilmente cedida pelo grupo Pecora Loca. A vinheta do Oxigênio foi produzida pelo Elias Mendez. Lidia: O Oxigênio conta com apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp. Você encontra a gente no site oxigenio.comciencia.br, no Instagram e no Facebook, basta procurar por Oxigênio Podcast. Lívia: Pra quem chegou até aqui, tomara que você tenha curtido passear pelo mundo da antiguidade greco-romana e entender um pouco de como os textos antigos chegam até nós pela recepção e tradução. Você pode deixar um comentário, na sua plataforma de áudio favorita, contando o que achou. A gente vai adorar te ver por lá! Até mais e nos encontramos no próximo episódio. [vinheta final]
SD334 - Porque Médicos que Criam Ecossistema Vivem Melhor que Aqueles que Só Fazem Consulta e Retorno. Quer deixar de ser apenas "mais um consultório" e começar a construir um negócio médico de verdade? Neste episódio, o Dr. Lorenzo Tomé e o cardiologista e fundador da Smart HealtHG, Dr. Henrique Grinberg, batem um papo sobre responsabilidade real pela entrega de valor; montar um modelo de acompanhamento que gera resultado clínico, retenção e previsibilidade financeira; a união entre MEV, mudança comportamental e posicionamento digital para criar seu negócio rentável e estruturado que funciona mesmo fora do consultório. A SmartHealtHG oferece um programa personalizado de cuidado com foco em resultados reais, através de mudança de comportamento e consolidação de hábitos saudáveis, combinando ciência de ponta e tecnologia para criar jornadas de autocuidado que realmente funcionam. O podcast Saúde Digital lhe ajuda a abrir a mente? Imagine o que 2 dias de imersão com a gente pode fazer para potencializar isso e fazer muito pelo seu negócio médico. Garanta sua vaga com 10% de desconto na Imersão da SD Escola de Negócios Médicos nos dias 29 e 30 novembro/2025. ACESSE O Background do Henrique Médico formado pela Universidade de Santo Amaro, Henrique fez Clínica Médica no HC, residência de Cardiologia no Incor e foi preceptor na residência do Hospital Sírio-Libanês. Desde o início, ele começou a atuar em consultório particular, sem convênio, em um modelo de longo prazo e com foco total na entrega de valor para o paciente. Em 2024, ele recebeu o certificado internacional em Medicina do Estilo de Vida pelo International Board of Lifestyle Medicine e abriu sua empresa. Assista este episódio também em vídeo no YouTube no nosso canal Saúde Digital Podcast! Acesse os Episódios Anteriores! SD333 - Marketing Médico Inteligente: Como Usar Gatilhos Sem Perder Sua Reputação SD332 - Navegar o paciente para reduzir custos: uma tese que funciona SD331 - O Livre Mercado das Ideias: como a Economia impulsiona o Empreendedorismo Médico Music: Clear Progress by Young Presidents "Music PremiumBeat.com | License #1873536"
Com Xamã, o Papo debate os muitos personagens que assumimos socialmente. Também fala sobre a criatividade do marketing brasileiro e sobre os signos do zodíaco.
Muitos acordaram hoje e falaram: “Sextou! Amanhã eu descanso!”Mas quando se tem um propósito, todo dia é dia. Todo dia é uma oportunidade de servir a algo maior do que o cansaço.Aqueles que entregam seus planos e projetos a Deus recebem d'Ele o ânimo de vida.É o próprio Deus quem faz você levantar da cama com disposição, direção e alegria.
Passagens Complementares:Filipenses 3,18-19
No podcast ‘Notícia No Seu Tempo’, confira em áudio as principais notícias da edição impressa do jornal ‘O Estado de S.Paulo’ desta quinta-feira (30/10/2025): O Complexo da Penha, na zona norte do Rio, amanheceu com mais de 60 cadáveres expostos na rua. Os corpos foram recolhidos numa mata por moradores e enfileirados horas após operação policial que deixou pelo menos 121 mortos – quatro deles policiais. A Defensoria fala em 132 mortes. De acordo com o secretário estadual da PM, Marcelo de Menezes, agentes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) se posicionaram na área mais alta da Serra da Misericórdia, que divide os complexos da Penha e do Alemão, formando um “muro” que empurrou os criminosos para o topo da montanha. “A opção pelo confronto se deu pelos marginais, pelos narcoterroristas. Aqueles que quiseram ser presos foram presos.”Alguns dos corpos estavam amarrados e com marcas de facadas. O Estadão viu um corpo decapitado. O governo do Rio diz que a estratégia foi necessária para avançar sobre um território dominado pelo Comando Vermelho (CV) e considerou a operação um “sucesso”. E mais: Economia: Mexida em royalties afeta Petrobras e ajuda refinaria no AM, terra do relator Política: Revisão criminal na 2ª Turma pode dar a Bolsonaro a chance de anular sentença Metrópole: Câmara aprova reajuste do IPTU com limite anual de 10% para todo imóvel Internacional: Ataques israelenses em Gaza matam 104, segundo autoridades palestinas Esportes: João Fonseca sucumbe diante de russo e se despede de ParisSee omnystudio.com/listener for privacy information.
No episódio desta semana, Didi Braguinha e André Rumjanek conversam sobre jogos de tabuleiro que funcionam como dinâmicas de grupo. Aqueles jogos em que a diversão se mistura com a chance de observar como as pessoas se comportam em equipe, tomam decisões ou lidam com pressão — quase como em uma entrevista de emprego.A conversa passa por exemplos de jogos que revelam estilos de comunicação, liderança e até jeitos inesperados de resolver problemas. Mais do que competir ou ganhar, esses jogos criam situações que ajudam a conhecer melhor quem está jogando, seja em um ambiente profissional ou numa mesa entre amigos.Para saber mais sobre este episódio e os jogos mencionados: Dinâmica de Grupo com Jogos de Tabuleiro: Do Trabalho à DiversãoSe você ainda não conhece ou faz parte, fale conosco no nosso e aproveite para manda a foto do melhor dado de todos os tempos: Fabuloso DiscordE para as redes sociais: Fabuloso Podcast no InstagramFabuloso Podcast no YouTubeFabuloso Podcast no TikTok | Fabuloso PodcastPara comprar camisa do Fabuloso (e outras):Deselegante
Aqueles que escolhem a presença - Pra. Ana Paula Wiemer by Igreja Missionária Evangélica Maranata de Caxias Para conhecer mais sobre a Maranata: Instagram: https://www.instagram.com/imemaranata/Facebook: https://www.facebook.com/imemaranataSite: https://www.igrejamaranata.com.br/Canal do youtube: https://www.youtube.com/channel/UCa1jcJx-DIDqu_gknjlWOrQDeus te abençoe
Luís Pinheiro de Almeida é a única testemunha do abraço final entre Eanes e Otelo a seguir ao 25 de Novembro. Eanes chegou ao Copcon de óculos escuros, com uma pequena pistola no coldre, não olhou para ninguém, puxou de um papel e começou a dizer nomes dos militares que deviam apresentar-se na parada. “Otelo, tem coragem”, disse-lhe Ramalho Eanes, antes de o deixar a sós por instantes no gabinete. “O que o Otelo fez ninguém sabe. Não sei se rasgou mandados em branco”, recorda o seu assessor de imprensa. Ainda a destruição do telex de Costa Gomes. E a memória do poder absoluto do Copcon.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Você já sentiu o peso do passado? Aqueles erros que parecem te prender, que te fazem pensar que você não pode ser perdoado? O Salmo 130:3 traz uma verdade libertadora: “Se observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá?” Mas Deus não quer que você viva na culpa, na vergonha ou no desespero. Ele fez uma promessa eterna: dos seus pecados, Ele não se lembrará mais. Neste episódio, o Pr. @Juanribe Pagliarin traz uma palavra de esperança e renovação para você que busca recomeçar.
"E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela Tua Palavra hão de crer em Mim;Para que todos sejam Um, como Tu, ó Pai, o És em Mim, e Eu em Ti; que também eles sejam Um em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste." João 17:20-21
Neste episódio, Renato Cardoso iniciou destacando que a vida amorosa dificilmente é um 'mar de rosas' para alguém. Mesmo casais felizes e bem-sucedidos enfrentaram, em algum momento, águas turbulentas — ou seja, passaram por dificuldades e aprenderam com os próprios erros até alcançarem a estabilidade que têm hoje. Aqueles que nuncaconseguiram se casar, por outro lado, não conseguiram resolver os problemas que os impediam de viver um relacionamento saudável. Para ilustrar esse ponto, o apresentador recebeu no estúdio o casal Eduardo e Geni. Eles compartilharam tudo o que viveram e os desafios que precisaram superar para estarem prontos para um amor verdadeiro. Atualmente, estão casados há dois anos e meio. O casal se conheceu por meio do aplicativo exclusivo para solteiros da Terapia do Amor:Quero Te Conhecer.Como tudo aconteceuGeni contou que ficou desiludida após o término de um namoro, especialmente por não ter conseguido se casar como então parceiro. Isso a levou a se fechar para a vida amorosa. Durante o programa, ela detalhou como agia na época e explicou que foi por meio das palestras da Terapia do Amor que começou a enxergar a si mesma de forma mais profunda.A história de Eduardo foi diferente. Ele chegou a se casar, mas o relacionamento terminou após uma traição, o que o levou a um quadro de depressão. Foi em busca de cura interior que ele começou a frequentar as palestras.Tanto Eduardo quanto Geni entraram no aplicativo com o mesmo objetivo. Após se conhecerem, conversaram durante um mês e meio antes de iniciarem o namoro. Depois de um ano e meio de relacionamento — entre namoro e noivado —, eles se casaram.Bem-vindos à Escola do Amor Responde, confrontando os mitos e a desinformação nos relacionamentos. Onde casais e solteiros aprendem o Amor Inteligente. Renato e CristianeCardoso, apresentadores da Escola do Amor, na Record TV, e autores de Casamento Blindado e Namoro Blindado, tiram dúvidas e respondem perguntas dos alunos. Participe pelo site EscoladoAmorResponde.com. Ouça todos os podcasts no iTunes: rna.to/EdARiTunes
Você com certeza já ouviu falar em nepo babies. Aqueles filhos de famosos que parecem ter nascido com a chave do backstage na mão, já com passaporte carimbado para o sucesso? São os herdeiros do showbiz, aqueles que, com um sobrenome poderoso, pularam a fila e chegaram na primeira fileira da cultura pop. Neste episódio do Braincast, a gente vai deixar o favoritismo de lado e colocar esses privilegiados para brigar. Sim, é a nossa Rinha de Nepo Babies! Um campeonato épico, estilo Copa do Mundo, onde vamos decidir quem é o nepo baby mais influente, mais carismático e, talvez, até o mais irritante. Carlos Merigo, Bia Fiorotto, Oga Mendonça, Marko Mello e Liv Brandão analisam alento, carisma, impacto cultural e, claro, os escândalos que temperam a vida desses herdeiros da fama. 06:47 - Pauta -- ✳️ TORNE-SE MEMBRO DO B9 E GANHE BENEFÍCIOS: Braincast secreto; grupo de assinantes no Telegram; e episódios sem anúncios! https://www.youtube.com/channel/UCGNdGepMFVqPNgaCkNBdiLw/join --