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O episódio desta semana do podcast Diplomatas teve como tema principal a guerra no Médio Oriente, entre Estados Unidos e Israel contra o Irão, que faz esta quinta-feira três meses. Carlos Gaspar e Patrícia Daehnhardt analisaram o estado das negociações entre Washington e Teerão e os trunfos que a Administração Trump e o regime iraniano ainda têm para usar, tendo em vista um acordo de paz duradouro. Convidada desta semana do Diplomatas, a investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais e do Instituto de Defesa Nacional, especialista em política da Alemanha, analisou depois a proposta de Friedrich Merz para oferecer à Ucrânia um estatuto intermédio de “membro associado” da União Europeia. Os investigadores debateram também a resposta negativa de Volodymyr Zelensky, que considerou a proposta “injusta” e que defende a “adesão plena” do país invadido pela Rússia ao bloco comunitário. No final do programa, Carlos Gaspar e Patrícia Daehnhardt comentaram a primeira encíclica do Papa Leão XIV, dedicada a temas como a inteligência artificial, a teoria da “guerra justa” e o papel da Igreja Católica na escravatura. Se tiver alguma pergunta para Teresa de Sousa e Carlos Gaspar ou sugestão de tema para debate no Diplomatas, envie um email para antonio.lima@publico.pt ou podcasts@publico.pt. Texto de António Saraiva LimaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
O conflito no Médio Oriente já vai no seu 13° dia sem sinais de abrandar, apesar de Donald Trump ter dito no começo da semana que a "guerra estava prestes a terminar". Em quase duas semanas de ofensiva israelo-americana, fontes oficiais dão conta de mais de 630 mortos no Líbano, enquanto o Irão contabiliza mais de 1.230 mortos. Paralelamente, os países do Golfo registaram dezenas de mortos, Israel, 14 mortos, entre os quais dois militares, e do lado americano, sete soldados foram mortos. Para além do balanço humano, estes 13 dias de guerra tiveram igualmente consequências materiais não só no Irão como também nos países da região, onde Teerão visa as bases militares americanas, aeroportos e infra-estruturas petrolíferas, com o efeito imediato de obrigar os países do Golfo a diminuir de 10 milhões de barris a sua produção diária. O Estreito de Ormuz, por onde passava até agora 20% do comércio mundial de petróleo, está bloqueado pelo Irão. Apesar de Trump prometer retaliações "nunca vistas" se Teerão persistir nesta direcção, as autoridades iranianas garantem que "nenhuma exportação vai transpor" este ponto de passagem, que o mundo "vai ter que se preparar para um barril a 200 Dólares" e que "vai ser impossível fazer baixar o preço do petróleo artificialmente". Uma resposta implícita à iniciativa tomada pela Agência Internacional da Energia, uma entidade que junta 32 países, nomeadamente os Estados Unidos, que acaba de anunciar a sua decisão de colocar no mercado 400 milhões de barris provenientes das suas reservas estratégicas, no intuito de tentar evitar uma explosão dos preços, numa altura em que o barril já ronda os 100 Dólares. Um momento particular aqui analisado por Ivo Sobral, Coordenador de Mestrado em Relações Internacionais na Universidade de Abu Dhabi. RFI: Ficou surpreendido com este conflito? Ivo Sobral: O Irão, estrategicamente é o país mais importante do Médio Oriente. Sempre foi assim desde o tempo de Alexandre Magno. Historicamente, na Antiguidade, é a passagem entre o Oriente e o Ocidente e o país é zona fulcral, assim como o Iraque. O Iraque antes era uma província do Império Persa. E olhando por esta óptica, o grande Império oriental que é a China tinha fez um acordo estratégico com a República Islâmica do Irão, no valor de 400 biliões de Dólares, um acordo de várias dezenas de anos para cooperação. Ou seja, a China tentou unir o Irão no seu projecto futuro de superpotência mundial, obviamente, accionando uma série de alarmes, particularmente no Pentágono, em Washington. Relativamente à posição estratégica dos Estados Unidos na zona, era uma situação inconfortável também. Existem três factores: o factor número um, a população iraniana, mais que sobejamente, várias vezes tentou libertar-se. Mas a crueldade do Governo da República Islâmica do Irão é quase inimaginável para nós, ocidentais. As informações que eu tenho, tenho ligações bastante grandes, faz cerca de 25 anos que visito o Irão, trabalhei no Irão e operei no Irão e é uma situação que de facto conheço bem. De facto, a população queria modificar o 'status quo' do país. Outra questão é a questão económica pura e dura. O Irão está sem controlo da sua moeda e completamente paralisado, com as pessoas a perderem todas as suas poupanças que arduamente conseguiram pôr de parte para tentar comprar uma casa e sobreviver nesta ditadura. O desemprego é enorme, particularmente nos jovens. Uma fórmula já vista que mais cedo ou mais tarde iria explodir em alguma coisa. RFI: Estávamos a falar da situação económica do Irão. Dá a sensação, no fundo, que o Irão está a jogar tudo por tudo e que, apesar das dificuldades, tinha a sua estratégia bem montada. Ivo Sobral: Sim, era a sobrevivência a todos os custos do regime. Ou seja, vender e basicamente dar como garantia todos os recursos naturais do país, pondo em xeque todas as gerações futuras de cidadãos iranianos. Dando basicamente a exploração do gás e petróleo do Irão, assim como muitos outros contratos multibilionários que iriam ser dados à China, neste caso, em troca de um apoio chinês ao Irão. Portanto, era este o grande negócio. Depois há uma linha vermelha que foi cruzada amplamente, que é a posição do Irão em relação à Rússia. Eu relembro que desde a criação da República Islâmica, a Rússia, em particular a União Soviética, foi um país que era visto com hostilidade pelo Irão. Não nos esqueçamos que o Khomeini, o fundador da República Islâmica do Irão, disse várias vezes que a Rússia era o "outro diabo que tinha que ser abatido". Portanto, o primeiro era os Estados Unidos e a União Soviética era o segundo. Existiu sempre alguma cooperação, particularmente nos anos 90 e a partir do ano 2000 com a Rússia, mas foram sempre contactos superficiais, em que o Irão esteve sempre um pouco à distância da Rússia, apesar de a Rússia tentar sempre atirar o Irão para a sua esfera de cooperação, sem nunca conseguir. Finalmente, foi preciso a guerra da Ucrânia para o Irão cruzar essa meta e apoiar a invasão russa da Ucrânia, com os célebres drones Shahed que agora estão a sobrevoar basicamente todo o Médio Oriente. Foram exportados para a Rússia e as vítimas dos drones iranianos foram e continuam a ser os civis da Ucrânia. Portanto, há aqui uma ligação, um eixo Rússia, Irão e China, que atiraram o Irão para o xadrez estratégico mundial como um alvo. Como dizia Churchill, um "softbelly" (elo fraco) do novo Império russo-chinês. Falando aqui também de questões puramente económicas e interesses estratégicos, o Irão tem uma economia gigantesca, com uma população altamente educada, com níveis de ensino, de engenheiros, médicos, muito superiores até ao Ocidente. Falamos de um país que normalmente fica em segundo ou terceiro lugar em termos de evolução da matemática nas escolas. A nível mundial, normalmente o primeiro é o Japão, depois é a Coreia do Sul e a seguir é o Irão. Portanto, é deste tipo de pessoas que estamos a falar. O Irão tem uma população acima de 90 milhões de pessoas, com todos os investimentos financeiros internacionais completamente congelados há quase 48 anos e um mercado central para o Médio Oriente, central para a Ásia Central e para o próprio subcontinente indiano. Portanto, é uma potencial economia que irá precisar de centenas de milhões de investimento para o futuro e é um país absolutamente crucial para qualquer cooperação internacional, americana e europeia. É uma conjugação de factores que consolidaram provavelmente esta guerra. RFI: Neste momento, fala-se para os Estados Unidos de gastos em 13 dias de mais de 11 biliões de Dólares neste conflito. Mas há também outras consequências, nomeadamente a subida do preço do petróleo e os receios causados pelo facto do Irão estar a bloquear o estreito de Ormuz. Pode durar muito tempo? Ivo Sobral: Eu não creio que irá durar muito tempo, porque é incomportável. Agora, no curto prazo, é óbvio. É uma outra crise petrolífera e muito parecida aos anos 70. Mas existem países que serão mais expostos à crise. A Europa normalmente é mais exposta, assim como países na Ásia, como o Japão, a China. Dos dois lados do Golfo, a China, particularmente, depende do petróleo iraniano. Todo o outro golfo, o Kuwait, os Emirados, a Arábia Saudita, Bahrein, dão o petróleo para, por exemplo, a Coreia do Sul e o Japão, assim como para o Ocidente. A Europa e a Ásia serão os que irão mais sofrer em termos económicos, a curto prazo, deste mesmo bloqueio. Agora o bloqueio, é um bloqueio efectivo do Ormuz? Não. Neste momento é mais uma ameaça, um outro tipo de ameaça terrorista. O Irão não tem meios para efectivar este bloqueio. O que o Irão neste momento usa é uma estratégia de terror. Portanto, existe uma estratégia baseada em mísseis e drones que foi montada há mais de 30 anos. O Irão investiu maciçamente na criação de meios para projectar estrategicamente as suas posições. Um bloqueio, não creio que seja possível. Os Estados Unidos, assim como Israel e outros países não irão deixar que isso aconteça. E depois, estrategicamente, particularmente, os Emirados Árabes Unidos possuem vários 'pipelines' que trazem o petróleo não através do estreito de Ormuz, mas directamente para o Oceano Indico. Uma zona muito perto de Omã, onde exportam o petróleo, sem passar pela posição do controlo de Ormuz. Portanto, é uma maneira de estar ao lado desta zona de Ormuz. Existirão, obviamente perturbações, porque há perturbações vindas também ainda do petróleo russo que está a ser alvo de um boicote internacional e o mercado internacional já estava com algumas fontes de pressão. Esta nova pressão obviamente desequilibra no curto prazo. Agora, no longo prazo, não creio que isso irá acontecer. Esta estratégia foi feita já há algum tempo. Existem reservas energéticas, existem outras fontes energéticas. E se esta guerra tivesse ser feita pelo menos dez anos atrás, seria pior. Neste momento, existem outras fontes alternativas. Obviamente, não ajuda termos a crise russo-ucraniana e uma guerra a ocorrer ao mesmo tempo. Esse facto é o problema. RFI: Em resposta ao facto de os países do Golfo serem obrigados, neste momento a produzir menos e também haver esse problema no Estreito de Ormuz, a Agência Internacional da Energia disponibiliza 400 milhões de barris de petróleo para manter o preço mais ou menos estável. Julga que esta medida pode ser eficaz? Ivo Sobral: No curto prazo, irá ajudar, seguramente para melhorar a situação. Eu recordo que o valor do petróleo estava relativamente há pouco tempo atrás, a menos de 50 Dólares o barril e aqui já se fala talvez em 100 Dólares até ao final desta semana. 100 Dólares ainda é muito abaixo dos preços que nós normalmente pagamos quando tínhamos crises. Eu recordo que quando foi o Iraque, o petróleo chegou a um pico de 150 Dólares cada barril. Ainda é financeiramente barato. Existem também, obviamente, as enormes reservas americanas e depois há aqui um gigante petrolífero que poderia ajudar a equilibrar toda esta situação que é a Venezuela. A Venezuela, neste momento, está ainda sob embargo. Ainda há a possibilidade de explorar outros acordos com o governo vigente, onde o petróleo seria libertado para o mercado. Teria algum impacto limitado, talvez 10%, porque o petróleo venezuelano é ligeiramente diferente do petróleo produzido no Médio Oriente. Existem condicionantes técnicas para a sua refinação, enquanto as refinarias europeias e asiáticas estão mais centralizadas no petróleo do Médio Oriente. Portanto, há aqui uma facilidade para isso. Agora, penso que todas estas reservas a ser libertadas neste momento são reservas que foram de criadas depois da guerra do Iraque e que visam fazer uma espécie de protecção e isolamento relativamente a choques energéticos futuros. E veremos se serão eficientes ou não. 400 milhões de barris não é uma quantidade bastante importante, mas obviamente poderá durar talvez duas semanas. A partir daí, a situação terá que voltar à normalidade. Se não voltar à normalidade, aí o petróleo vai ultrapassar muito mais os 100 Dólares, talvez chegar aos 150. Depende. Tudo o que acontecer nestas próximas duas semanas, como a guerra e como a questão do governo iraniano estará solucionada, que tipo de governo será instaurado, o que é que vai sair de Teerão para o futuro, o que vai acontecer, isto tudo está dependente da guerra. RFI: Tem-se a sensação que os países do Golfo estão relativamente desprotegidos no âmbito deste conflito. Para já, os Estados Unidos não conseguem garantir a segurança dos navios que andam pelo Golfo e designadamente junto do estreito de Ormuz. E durante todas estas ofensivas por parte do Irão contra as diversas monarquias do Golfo, elas tiveram que responder pelos seus próprios meios. Ivo Sobral: Isto era relativamente expectável. Já tinham existido outros ataques no passado por parte das milícias Hutis, pelo menos dois incidentes bastante graves, em que drones Hutis de longo alcance aparentemente foram bombardear a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. E desde que isto aconteceu, estes dois países prepararam-se abundantemente para um conflito futuro em que estes drones iriam vir directamente do Irão. E foi isso que aconteceu. Portanto, em termos estratégicos, em particular os Emirados Árabes Unidos, tem uma série de sistemas antimíssil e anti-drones de várias nacionalidades e sistemas antimísseis Americanos, antiga e nova geração, tem sistemas antimísseis da Coreia do Sul que são bastante eficientes. E temos ainda vários sistemas antiaéreos de origem alemã que são utilizados para garantir uma protecção de médio e curto alcance em zonas específicas e que são também bastante eficientes. São sistemas que protegem fábricas e zonas estratégicas na Ucrânia contra os mesmos drones utilizados pela Rússia. E estes sistemas, por exemplo, existem também nos Emirados. A Arábia Saudita também tem vários sistemas antiaéreos. E a questão é que, obviamente, o Irão, uma vez mais, prova que não é um parceiro recomendável. Eu recordo que estes ataques visaram todos os países do Golfo, inclusive o Qatar, que era visto como um aliado do Irão, assim como Omã. Omã, até há pouco tempo, fazia exercícios militares com a própria República Islâmica do Irão. A Academia Militar de Omã tinha oficiais iranianos que vinham estudar e trabalhar com os seus congéneres e nem sequer Omã e Mascate escaparam aos drones iranianos. Portanto, estes ataques ocorreram em todos os países do Golfo, Omã, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Arábia Saudita, Kuwait, Iraque. Todos os países foram visados unilateralmente por estes ataques iranianos e indiscriminadamente. O Irão, ao início, falou de ataques em zonas onde estão bases americanas. Mas afinal visou aeroportos, shoppings, hotéis. Agora falam em bancos. O que normalmente acontece quer em zonas completamente civis, indiscriminadamente, como tecnicamente, estes mísseis de cruzeiro e drones não têm qualquer precisão e caiem indiscriminadamente em qualquer sítio, inclusive dentro do próprio território iraniano. Por 100 mísseis e drones iranianos, dez caem no próprio território iraniano, o que é impressionante. Portanto, muitos dos países do Golfo já tinham alguma protecção. Eu relembro os números, por exemplo, Israel teve um ataque com por volta de mil drones e mísseis, em particular mísseis balísticos, que são muito mais difíceis de serem detectados. Os Emirados já foram visados por 1800 ataques. Só os Emirados foram ainda mais visados do que Israel. Também houve ataques de várias centenas de drones na Arábia Saudita e no Koweit. Houve também uma tentativa de ataque no Azerbaijão. Portanto, o Irão, nos dez minutos após o seu ministro dos Negócios Estrangeiros dizer que o "Irão é um país que visa a paz e que visa a cooperação com o Golfo para acabar com esta agressão iraniana", dez minutos após este discurso, atacou com drones os Emirados, a Arábia Saudita, o Kuwait e Omã. Portanto, aqui demonstra que o governo islâmico do Irão é uma ameaça regional e internacional. Não só é um absolutamente brutal ao nível medieval, com a sua própria população, como é também um país extremamente perigoso para qualquer dos seus vizinhos mais próximos. Um dos princípios da sua própria Constituição é a destruição de outros Estados, assim como a imposição da sua própria religião em todos os países à volta e chegar, inclusive à própria Europa. Isso está escrito em vários documentos basilares da República Islâmica do Irão desde 47 anos atrás. Portanto, é interessante que os países da Europa continuarão a fazer negócios com o Irão, pensando que os iranianos eram realistas. Mas não são. O governo iraniano é um governo ideologicamente conectado, com uma forma de radicalização islâmica xiita. Muito recentemente, foram descobertos vários detalhes, inclusive em França, e este é um livro bastante conhecido feito pelo chefe dos serviços secretos franceses, que fala especificamente na cooperação entre o governo francês e a República Islâmica do Irão, em termos de perseguição, monitorização de todos os iranianos dentro da França, assim como a Inteligência francesa deixou os membros da República Islâmica do Irão executar, raptar e torturar cidadãos iranianos dentro da França. Isto aconteceu na França e aconteceu noutros países. Há outro país que foi um grande amigo do Irão, no passado, que é a Áustria com a qual houve contratos de cooperação técnica. Os motores actualmente utilizados pelo Irão, que mataram milhares de pessoas na Ucrânia e continuam a matar neste momento em todo o Médio Oriente, foram desenvolvidos na Áustria, foram copiados pela República Islâmica do Irão num projecto de cooperação e são utilizados para fazer puro mal. As suas maiores vítimas são a sua própria população. Um dia, quando o governo cair e nós iremos todos, todos os jornalistas europeus, americanos irão filmar as prisões, serão numa escala gigantesca. Eu lembro-me muito bem que vimos na Síria as salas onde os guardas prisionais eliminavam os restos humanos das pessoas que matavam. Quando nós queremos observar isto, não podemos perceber a escala do puro mal que estará dentro deste país. Continuo a receber contactos, apesar de neste momento a internet não estar bloqueada há várias semanas, mas existe ainda a possibilidade de mandar mensagens a partir dos próprios cartões da Telecom do Irão para fora do país. É uma coisa que eles não conseguiram bloquear. Eu tenho algumas informações secundárias sobre o que está a acontecer no Irão e as pessoas, neste momento, olham para este ataque como um mal necessário. Estão bastante contentes para o futuro, porque se neste momento não existir uma mudança de governo e se Israel e os Estados Unidos perderem esta guerra. A República Islâmica do Irão, irá massacrar ulteriormente à sua própria população. Isto é uma realidade. Falamos das prisões que foram descobertas na Síria. Falamos de dezenas de valas comuns. Na Síria, a população era quase 18 milhões de pessoas. Num país como o Irão, com 90 milhões, com um regime de 47 anos, eu não tenho imaginação suficiente para pensar na mortandade que foi feita no passado e poderá ser feita ainda mais no futuro, se não existir uma mudança de governo.
O Império que Nunca ExistiuEduardo Lourenço chegou com um tema que podia parecer paradoxal: "um império que nunca existiu". E no entanto, todos sabemos do que fala. Portugal construiu, ao longo de séculos, uma identidade assente numa missão histórica — ser o portador de uma fé, de uma língua, de uma presença no mundo. Um país pequeno, sul-europeu, quase na beira do mapa, que foi, durante dois séculos, o centro de uma aventura global no Oriente.Só que esse império — glorioso nos livros, presente nos poemas de Camões, cantado e recantado — terminou. E não terminou de forma suave. Terminou a 25 de Abril de 1974, abruptamente, com o regresso de meio país de uma guerra que ninguém queria assumir ter perdido.A pergunta que Eduardo Lourenço coloca, com a serenidade de quem passou a vida inteira a pensar nisso, é perturbante na sua simplicidade: fizemos o luto?
Neste episódio do Mais Lento do Que a Luz, recebemos dois convidados que representam bem a engenharia portuguesa. Elói Figueiredo é engenheiro civil, professor universitário e especialista em saúde de estruturas, com trabalho académico e de divulgação dedicado à forma como avaliamos, mantemos e prolongamos a vida das infra-estruturas. Autor de livros e artigos dirigidos ao grande público, tem procurado aproximar a engenharia da sociedade, explicando o impacto das decisões técnicas no quotidiano. E Carlos Matias Ramos, também engenheiro civil e professor, foi presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e Bastonário da Ordem dos Engenheiros, desempenhando um papel central no planeamento do território, nas políticas de infra-estruturas e na construção de grandes obras públicas em Portugal. A sua experiência cruza o ensino, a investigação e a intervenção pública em temas de engenharia. Partindo do livro que escreveram em conjunto — "A Ciência Descobre, a Engenharia Cria: Uma visão da Engenharia em doze axiomas e meio", recentemente saído na colecção Ciência Aberta da Gradiva — a nossa conversa explorou a ideia provocadora dos autores: enquanto a ciência procura compreender o mundo que existe, a engenharia dedica-se a imaginar e a construir aquilo que ainda não existe. Ao longo do episódio, falámos sobre a distinção entre ciência e engenharia, sobre o modo como as grandes obras moldam o nosso quotidiano e sobre os riscos, responsabilidades e falhas que fazem parte da história da engenharia — do vaivém Challenger à Ponte de Entre-os-Rios. Discutimos os axiomas que estruturam o livro, a simplificação como princípio do pensamento do engenheiro, e a presença, muitas vezes invisível, da engenharia na nossa vida diária.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Carta aos Filipenses
A Rádio França Internacional recebeu nesta quinta-feira nos seus estúdios Messias Uarreno, secretário-geral do ANAMOLA, Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo, partido de oposição moçambicano fundado este ano e liderado por Venâncio Mondlane, responsável político que reclama a vitória nas presidenciais do ano passado e que liderou os protestos pós-eleitorais que marcaram os últimos meses de 2024 e o começo deste ano. De passagem por Paris onde efectuou uma série de contactos em nome do ANAMOLA, Messias Uarreno evocou com a RFI os desafios enfrentados por esta nova formação que se reivindica como um partido "jovem", a sua ideologia e seus projectos, o processo de diálogo inclusivo encaminhado pelo Presidente da República e algumas das problemáticas que afligem o país, nomeadamente o terrorismo no norte. RFI: O que é que veio cá fazer a Paris? Messias Uarreno: O ANAMOLA vem a Paris numa missão muito específica que é a busca da abertura e alargamento das suas parcerias, em particular diplomáticas, porque trata-se de um partido que tem uma visão bastante clara para o futuro de Moçambique e achamos que não podemos fazer um Moçambique sem os nossos grandes parceiros. E a França, como país, é a uma referência bastante importante. RFI: Esteve em contacto com que entidades ou pessoas aqui em França? Messias Uarreno: Algumas entidades tiveram contactos connosco e obviamente ainda há um certo receio de partilhar assim publicamente, mas a nível institucional nós estivemos já na Embaixada (de Moçambique em Paris), podemos ter uma conversa com o embaixador e a sua equipa, mas também algumas instituições ligadas aos Direitos Humanos ou outras ligadas à questão da democracia, que têm interesses específicos que, na sua maioria, são instituições que na verdade já trabalham connosco quando ainda nem partido éramos. E para nós interessa continuar a estreitar as nossas relações. RFI: O ANAMOLA é um partido jovem, um partido que apareceu recentemente durante este ano de 2025 e também o partido que se assume como um partido de jovens, formado essencialmente por jovens. Quais são os desafios que enfrenta um partido que está em plena formação? Messias Uarreno: Uma das questões que eu enquadro como um problema primário é a questão mesmo da formação de quadros. Nós temos jovens bastante motivados e, como sabe, o ANAMOLA é um partido de massas. É um partido em que não é só numa questão da acessibilidade na zona urbana, mas também na zona rural. Nós temos um grande apoio das nossas bases e, a cada dia, nós vamos conseguindo implantar mais o partido. No contexto em que o ANAMOLA surge, durante as manifestações pós-eleitorais, aquela crise vivenciada, o receio que nós temos é que esse ambiente possa se tornar cíclico. Então é necessário formar os nossos quadros do partido a compreenderem que o ANAMOLA é um partido democrático, é um partido que vem implantar mais paz, mais concordância entre os actores políticos no país e para membros que, por sua natureza, não têm um contacto, um conhecimento claro sobre essas matérias, é preciso nos focarmos numa formação, num acompanhamento, em capacitação contínua. Mas isto está relacionado também com recursos. Um partido tão jovem, tão novo, precisaria de muitos recursos para conseguir formar, do topo à base, os seus quadros a assumirem essa política com uma postura democrática no verdadeiro sentido da palavra, e não ser confundido com o que nós temos chamado aqui, entre aspas, de vândalos. Porque nós somos realmente aquilo que é a esperança do povo moçambicano. E isto tem que se revelar de dentro para fora. Então eu classificaria a questão da formação um grande desafio para nós. Agora, temos também outro desafio, não menos importante, que é a questão daquilo que é o espaço político, que é muita das vezes manipulado sob o ponto de vista de captura das instituições em Moçambique. E eu acredito nessa nossa luta, a luta que o Presidente Venâncio Mondlane muita das vezes tem levado nestes últimos tempos, a despartidarização das instituições do Estado, porque enquanto as instituições forem partidarizadas, a acção política torna-se fragilizada, não só para o ANAMOLA, mas para qualquer outro partido dentro de um determinado território. E em Moçambique, infelizmente, até hoje nós sentimos que há partidarização. Ela atingiu dimensões inaceitáveis e o Presidente Venâncio tem lutado para este desafio. RFI: Também falou dos desafios de um partido que acaba de aparecer. Um deles, lá está, mencionou-o, é a questão dos recursos. Como é que são financiados? Messias Uarreno: Até agora, a base de apoio do partido ANAMOLA é identificada em dois prismas. O primeiro é aquilo que nós chamamos de contribuição, outros chamariam de quotização. Mas os nossos membros, ao se filiar ao partido, eles contribuem com valores simbólicos e estes valores têm suportado até agora aquilo que são parte das nossas actividades, mas é preciso compreender que também nós temos simpatizantes. Temos pessoas que acreditam na causa e que vão fazendo algumas doações. E essas doações têm apoiado aquilo que é o grande número das nossas despesas. E, como sabe, tem muitas instituições que financiam partidos políticos. RFI: Quais são os vossos objectivos em termos concretos e imediatos? Messias Uarreno: São vários. Eu vou citar aqui assim alguns rapidamente. A primeira prioridade, para nós, está ligada neste exacto momento, após a criação do partido, à questão da nossa Constituição da República. Como sabe, o ANAMOLA submeteu um grande dossier de propostas de reformas de leis de Estado que visam eliminar a grande porta de entrada dos problemas que Moçambique vive. Porque já é costume as nossas eleições serem caracterizadas com aspectos que indicam claramente fraudes e nós podemos eliminar essas fragilidades a partir da lei. O ANAMOLA tem trabalhado neste aspecto. Agora, é preciso compreender que, como partido, nós temos um foco de organização a nível territorial para que possamos nos preparar para as eleições 2028 que são as autárquicas, e em 2029, que são as gerais e legislativas. Estas eleições são muito importantes para nós, como um partido recentemente criado, porque precisamos ocupar este espaço político e assumir o nosso projecto de governação. RFI: Outro dos objectivos tem a ver com o diálogo inclusivo que foi encaminhado este ano. O que é que pretendem fazer relativamente a este diálogo inclusivo? Messias Uarreno: Quando falamos de diálogo inclusivo em Moçambique, pessoalmente, como secretário-geral, eu tenho trazido aqui dois aspectos claros. Primeiro é que o ANAMOLA foi excluído do diálogo. E isto nós repudiamos desde o princípio. Fizemos o nosso TPC (Trabalho de Casa), que foi uma acção popular onde fomos recolher a real intenção das famílias moçambicanas para o nosso país, compilamos e fizemos a entrega recentemente à liderança da COTE (Comissão para o Diálogo Nacional Inclusivo). Eu acho que ainda temos tempo para que tanto os grandes parceiros que financiam a COTE e também os próprios membros da COTE, a nível nacional, possam reflectir sobre esta questão, sobre esta voz que não pára de ecoar sobre a inclusão da ANAMOLA. Porque nós somos o grande motivo para que fosse criado este diálogo. RFI: Relativamente ao estado do país, o Presidente Daniel Chapo fez uma comunicação sobre o estado da Nação. Ele disse que não foi possível fazer tanto quanto gostaria de ter feito, designadamente, por causa dos incidentes pós-eleitorais que marcaram não só o final do ano passado, como também o começo deste ano. O que é que tem a dizer quanto a isso? Messias Uarreno: Dificilmente confronto aquilo que são os posicionamentos do Presidente da República por uma questão mesmo de desgaste, desgaste como político, desgaste como académico, desgaste como jovem moçambicano. Porque ao avaliar só aquilo que é a actuação do Presidente da República Daniel neste período, vai constatar gastos excessivos em viagens com membros que seriam, na minha óptica e na nossa óptica, como partido, dispensáveis, e converter estes recursos em acções concretas para o país. Estes recursos poderiam ser utilizados neste período ainda para coisas como a melhoria da qualidade das nossas escolas, a colocação de medicamentos nos hospitais e materiais. Fiz recentemente uma visita a um hospital para ver as mães parturientes e vi uma situação deplorável, em que as parteiras até têm problemas de luvas. Coisas básicas. Portanto, custa-me acreditar que saiu da boca do Presidente da República uma abordagem semelhante de que teve dificuldades por causa desse aspecto. Mas eu acho que é tempo de o Presidente mudar de narrativa e procurar trabalhar mais e falar menos. RFI: Relativamente às problemáticas que existem em Moçambique, uma delas é a questão do terrorismo em Cabo Delgado. Como é que vê o tratamento dessa problemática? Já há mais de oito anos que estamos nesta situação em Cabo Delgado. Messias Uarreno: A primeira coisa que eu queria dizer sobre o terrorismo é que, como partido, nós lamentamos as grandes perdas humanas que nós temos e, mais do que isso, lamentamos também aquilo que é a interferência do terrorismo nos grandes investimentos que muitas instituições, ao exemplo da Total Energies, têm feito e eu acho que deveria também continuar a fazer é não recuar. Relativamente à questão do terrorismo em Moçambique, é uma questão que, a nível doméstico, nós poderíamos ter tratado, porque eu acredito que a nossa interferência interna, ela fala mais alto do que a interferência externa. Esta é a primeira opção que eu tenho sobre este aspecto, mas, no entanto, é de lamentar que o Governo do dia, nos discursos que podemos encontrar, diga que a situação está calma, que a situação está boa, que já não há terrorismo. São as últimas manchetes que nós vimos. Mas, em contrapartida, nós continuamos a receber, obviamente, evidências de que o terrorismo continua a assolar não só a Cabo Delgado, mas a tendência é para alastrar para a província de Nampula. E isto deixa realmente a desejar. Quando reparo para os grandes parceiros na área, por exemplo, de extracção em Cabo Delgado e eu acho que, como partido ANAMOLA, na nossa perspectiva, uma das grandes vontades seria manter uma abertura clara para os que já estão a trabalhar, mas também com a abordagem um pouco mais para o desenvolvimento local e devolver a estabilidade àquela região. RFI: Estas últimas semanas evocou-se a hipótese da Total retomar efectivamente as suas actividades em Cabo Delgado. Como é que vê esta perspectiva? Julga que não será prematuro, até porque a Total reclama uma série de novas condições para retomar as suas actividades. Messias Uarreno: Penso que, como investidor, é justo que reclame que hajam melhores condições para a sua actuação. Pessoalmente, eu acredito que numa visão política, um país precisa que os seus investimentos avancem e não que sejam interrompidos. E o retorno da Total poderia constituir a continuidade de um projecto importante para o país. As actividades não podem parar e nós temos que gerar alguma coisa para resolver problemas concretos que o país tem. Simplesmente impedir isso, seria adiar aquilo que são respostas que nós queremos com esses investimentos. RFI: Voltando agora à vida interna do partido, um dos desafios que têm enfrentado ultimamente é a saída já de alguns dos seus membros, em particular em Cabo Delgado. Como é que explica esta situação? O que eles alegam é que há falta de consideração pelos quadros dentro do partido. Messias Uarreno: Pessoalmente, recebi também no meu gabinete várias cartas. Não são assim tantas como a media também tem tentado propalar, mas eu acredito que para um partido em construção, para um partido bastante novo, são fenómenos a considerar como normais do ponto de vista de vida de um partido político. Qualquer partido político já teve dissidência, já teve renúncias e o ANAMOLA não pode ser uma excepção. É preciso também perceber que um partido que está a começar com uma força como a nossa é vítima, obviamente, de ataques de outras organizações políticas que têm interesse em ver reduzir do nosso esforço a nada. E, obviamente, maior parte dos membros que conseguiram fazer-se identificar como membros do ANAMOLA podem utilizar este caminho para desacreditar aquilo que é a coesão interna do nosso partido. Este é um dado. Outro dado muito importante é que, como humanos, algumas pessoas vêem o partido como uma forma ou um caminho para atingir objectivos pessoais. E eu vou lhe recordar uma coisa: o presidente Venâncio Mondlane é um indivíduo, um cidadão moçambicano que largou a maior parte dos seus benefícios como actor político moçambicano para abraçar uma causa que tem como foco responder aqui às necessidades do povo moçambicano, o que quer dizer que a disciplina interna, ela está caracterizada por indivíduos que vão trabalhar em prol do crescimento de um partido que vai responder às necessidades das famílias moçambicanas. Então, todo aquele que não está preparado para esta abordagem e pensa que o partido é um local onde vai resolver os seus problemas, como por exemplo, um cargo de chefia imediato, porque estamos agora em eleições internas a nível do distrito, obviamente encontra como uma forma de manifestação a saída do partido. E eu posso-lhe confirmar de que a maior parte dessas narrativas em Cabo Delgado e um pouco espalhadas pelo país estão relacionadas com esse aspecto. Não temos uma dissidência por um motivo diferente deste. O que justifica que nós continuámos ainda mais coesos e vamos ficar realmente com qualidade e não com quantidade. RFI: Relativamente ainda à vossa vida interna, o vosso líder, Venâncio Mondlane, tem sido acusado, a nível judicial, de incitar a desordem no país. Pode haver algum tipo de condenação. O partido ANAMOLA está preparado para a eventualidade de ficar sem o seu líder? Messias Uarreno: O presidente Venâncio Mondlane não fez nada mais nada menos do que sua obrigação em todo o processo. E, aliás, estas acusações que pesam sobre o presidente Venâncio Mondlane são acusações que, a nível da Justiça, vai ser comprovado num futuro breve, que são infundadas porque aquelas famílias que estavam na rua no período das manifestações, elas estavam, por consciência própria e plena de que Moçambique precisa de mudança. Foi um recado claro, dado num momento específico, num contexto bem localizado, que eram depois das fraudes eleitorais, de que 'Olha, nós estamos cansados e basta'. A soberania reside no povo moçambicano. E se esse recado for mal recebido pela justiça moçambicana que é de continuar a levar este caminho de tentar sacrificar o líder Venâncio Mondlane, isto vai dar a uma situação de grande risco para o actual governo, por uma razão muito simples: porque o povo só está à espera de que eles façam isso. Agora, se estamos preparados ou não, eu acho que, como partido, ficaria com receio de responder. Eu acho que gostaria de colocar esta questão ao povo moçambicano: se está preparado para prender o presidente Venâncio Mondlane. Eu não sei se há alguma barreira física que pode parar o povo quando isso acontecer. Agora, a nível de liderança interna, o presidente Venâncio Mondlane tem trabalhado para capacitar os membros, tem trabalhado para recrutar pessoas qualificadas, competentes, que podem sim, dar continuidade ao projecto político, mas não porque teme uma prisão, mas porque nós, os humanos, somos finitos. Amanhã podemos não estar aqui. E o líder Venâncio é um homem com uma visão a longo termo sobre Moçambique e ele sabe muito bem preparar e está a fazer esse trabalho muito bem. RFI: No começo da nossa conversa, nós evocamos os contactos que têm feito, designadamente aqui em França. Ainda antes da fundação oficial do ANAMOLA, o vosso presidente, Venâncio Mondlane, esteve em Portugal e esteve em contacto com o partido Chega (na extrema-direita). Qual é a relação que existe entre o ANAMOLA e o Chega? Messias Uarreno: O presidente Venâncio Mondlane esteve em Portugal, Sim. E teve contacto com Chega, teve contacto com a Iniciativa Liberal, tivemos com o PSD e a abordagem foi a mesma. Não existe um contacto exclusivo com o Chega. Existiu contacto com partidos políticos na diáspora e maioritariamente da oposição. E o partido Chega, assim com o partido Iniciativa Liberal e os outros, foram parceiros e continuarão sendo parceiros para aquilo que constituir um aprendizado para um líder político visionário que pretende fazer uma grande revolução num país que, por sinal, é um país que foi colonizado por Portugal. Então temos alguma coisa, sim, a aprender. E até então o Chega tem conseguido olhar para aquilo que são os objectivos do ANAMOLA e dar o devido apoio, tanto a nível do Parlamento português, assim como Parlamento Europeu. E as nossas relações baseiam-se neste apoio mútuo para garantir a democracia em Portugal e a democracia em Moçambique por via de canais legais. RFI: Como é que se traduz esse apoio, concretamente do Chega relativamente ao ANAMOLA? Messias Uarreno: O grande suporte é no domínio da justiça, nos processos em que nós estamos. Como sabe, o Presidente Venâncio Mondlane reivindicou a sua vitória e até hoje o Conselho Constitucional não se pronunciou claramente, apenas fez o anúncio dos resultados. Nós estamos à espera de uma resposta clara sobre os 300 quilos de documentos que nós deixamos no Conselho Constitucional, que foram praticamente marginalizados. E o Chega, assim como outros partidos, tem sido uma voz que continua a gritar em prol da devolução da Justiça Eleitoral em Moçambique. RFI: Como é que se assumem no xadrez político moçambicano? Diriam que estão mais à esquerda, no centro, à direita? Estava a dizer que esteve em contacto com uma série de partidos que se situam mais no centro-direita ou até na extrema-direita, no caso do Chega em Portugal. Messias Uarreno: Nós temos discutido internamente esta questão da ideologia do nosso partido e, brevemente, nós teremos posicionamentos muito claros sobre a nossa ideologia. O que eu posso-lhe dizer é que há um esforço interno em mobilizarmos posicionamentos políticos que venham responder às reais necessidades das famílias moçambicanas. E, como sabe, se reparar um pouco por todos os partidos políticos em África, de uma forma muito rápida, vai compreender que nós não nos movemos muito com a questão de esquerda ou direita. Movemo-nos por outros valores, mas precisamos de evoluir. Precisamos dar um passo à frente. E eu acho que temos encontrado similaridades em alguns pontos de agenda que vão nortear aquilo que é a nossa posição final, que obviamente, como pode perceber, nós não temos aqui uma apresentação oficial de se nós pertencemos à esquerda, à direita, centro-esquerda, centro-direita actualmente. Mas estamos a trabalhar para fazer esse alinhamento e, quando for oportuno, obviamente o mundo saberá qual é, afinal, a grande linha ideológica que nos dirige. RFI: Estamos prestes a terminar este ano 2025. Quais são os seus votos Messias Uarreno para 2026? Messias Uarreno: Tem aqui três esferas dos meus votos. A esfera global é que eu espero que o mundo esteja mais equilibrado. Temos várias guerras, vários desafios, conflitos políticos um pouco por toda a parte. Eu espero que os líderes mundiais possam procurar em 2026 reduzir esta intensidade de conflitos e procurar mais diálogo, um diálogo mais sereno e realístico sobre os grandes projectos das grandes nações, que muita das vezes está por detrás dos grandes conflitos também. Segundo, há uma dimensão dos meus votos que se dirige aos grandes parceiros internacionais um pouco espalhados pelo mundo. Como um partido, nós estamos abertos a continuar a trabalhar com grandes parceiros que já actuam em Moçambique. E a única coisa que vamos fazer é procurar melhorar o ambiente desta parceria. E esta abertura é uma abertura legítima e uma abertura real. É por isso que temos viajado. Eu, pessoalmente vou continuar a viajar para, com estas grandes organizações, procurar estreitar esses laços e manter a sua actuação no nosso país, mas com um paradigma diferente. E por fim, é uma questão doméstica. A todas as famílias moçambicanas, nós desejamos muita força. Devem continuar a acreditar que um processo de libertação leva tempo. Vamos continuar a defender a verdade até ao fim e, acima de tudo, procurar ser um partido que, quando chegar ao poder, vai responder realmente às necessidades das famílias moçambicanas. Que 2026 seja realmente próspero e seja tão próspero como as grandes nações têm experimentado aquilo que é a sua evolução.
Já vamos no segundo volume e quem sabe pode ir até ao terceiro. João Miguel Tavares quis descobrir como é que José Sócrates nos enganou. Mas será que o país se deixou enganar?See omnystudio.com/listener for privacy information.
Saiu o primeiro volume, vem aí um segundo, talvez um terceiro. João Miguel Tavares quis saber como é que José Sócrates nos enganou e como é que o país se deixou enganar. Nós também queremos saber.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Já vamos no segundo volume e quem sabe pode ir até ao terceiro. João Miguel Tavares quis descobrir como é que José Sócrates nos enganou. Mas será que o país se deixou enganar?See omnystudio.com/listener for privacy information.
Fala, pessoal! Hoje eu recebi aqui o Philipe Câmara e o Davi Lago para uma conversa que me marcou bastante. Nós falamos sobre temas que mexem com a vida da igreja e do ministério: desde o perigo de enxergar Jesus apenas como alguém que melhora a nossa vida, até a diferença entre um culto verdadeiro e a lógica do consumo. Também refletimos sobre os desafios de liderar uma geração tão acelerada, as tensões das grandes estruturas dentro da igreja e como permanecer íntegro no ministério sem se corromper.Foi um papo profundo, cheio de perguntas necessárias e que podem ajudar você a repensar sua caminhada.
Conversas com as Entidades sobre temas diversos
A parábola dos trabalhadores na vinha, em Mateus 20, poderia se chamar “a parábola do empregador generoso” — porque desafia nosso senso de justiça e nos convida a enxergar com os olhos do Reino. Os trabalhadores foram chamados em diferentes horários ao longo do dia. Naturalmente, os que trabalharam desde cedo acharam injusto receber o mesmo que os que chegaram no final da tarde. Mas essa parábola não é sobre leis trabalhistas — é sobre o Reino dos Céus. O Senhor é justo, compassivo e cheio de misericórdia. Ele chama quem quer, quando quer e age segundo os Seus próprios padrões. E ainda bem por isso! A salvação não é mérito nosso. Ele não nos deve nada. Assim como aqueles trabalhadores, nós também recebemos muito mais do que merecemos. Porque, no fim das contas, a produtividade não era o foco daquele dono da vinha. Ele queria exercer sua graça e generosidade — assim como o Senhor faz conosco: chama pecadores improváveis para o Seu Reino e oferece, gratuitamente, graça e salvação. __ #FAMILIADOSQUECREEM #SERIEPARABOLASDEJESUS Visite nosso site: http://familiadosquecreem.com Compre nossos livros e produtos: http://familiadosquecreem.com/loja Contribua financeiramente: http://familiadosquecreem.com.br/contribuir Ouça nossas músicas: https://open.spotify.com/artist/6aPdiaGuHcyDVGzvZV4LHy Siga-nos no Instagram: http://instagram.com/familiadosquecreem Curta-nos no Facebook: http://facebook.com/familiadosquecreem Siga-nos no Twitter: http://twitter.com/familiadqc
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A gente cresceu ouvindo falar de Jesus Cristo, um nome que se tornou tão importante para boa parte da humanidade que a história passou a ser dividida entre "antes" e "depois" dele. Nesta semana de Páscoa, momento em que o cristianismo relembra a morte e ressureição de sua figura central, senti vontade de investigar o que se sabe de histórico a respeito dele.Existiu mesmo um homem chamado Jesus, que fez tantas coisas quanto a gente ouve dizer? Como e o que os historiadores sabem a respeito dele?============================APRENDA EM 5 MINUTOS é o podcast sobre coisas que você nem sabia que queria saber. Os episódios são roteirizados e apresentados por Alvaro Leme. Jornalista, mestre e doutorando em Ciências da Comunicação na ECA-USP e criador de conteúdo há vinte anos, ele traz episódios sobre curiosidades dos mais variados tipos. São episódios curtos, quase sempre com 5 minutos — mas alguns passam disso, porque tem tema que precisa mesmo de mais um tempinho.Edição dos episódios em vídeo: André Glasnerhttp://instagram.com/andreglasnerDireção de arte: Dorien Barrettohttps://www.instagram.com/dorienbarretto66/Fotografia: Daniela Tovianskyhttps://www.instagram.com/dtoviansky/Narração da vinheta: Mônica Marlihttps://www.instagram.com/monicamarli/Siga o APRENDA no Instagram: http://instagram.com/aprendapodcasthttp://instagram.com/alvarolemeComercial e parcerias: contato@alvaroleme.com.br============================Quer saber mais? Confira as fontes que consultei enquanto criava o episódio- The Bible Says Jesus Was Real. What Other Proof Exists?Por Christopher Klein, History Channel- Jesus Cristo existiu mesmo? Como era a aparência dele?Por Matheus Adami, UOL- O que prova que Jesus existiu?Portal Terra
PROPOSTA DO ZENIT EXISTIU? | SALÁRIO DO GERSON | FLA X FLU by colunadofla.com
Neste podcast, Luciana, Letícia e Mariane se reúnem para ler e refletir sobre os evangelhos do domingo de uma maneira mais informal e descontraída. Escolha com as meninas seu momento "Espinho na Carne" e seu momento "Glória", e aproveite para ouvir uma dica em cada episódio, nossa "Boa Nova". Mande seus comentários/críticas/elogios/sugestões/partilha para o e-mail "leigapartilha@gmail.com". Siga-nos no instagram "@leigapartilha" e curta nossa página no facebook "Leiga Partilha".
RPG: Realidades Paralelas do Guaxinim, ou ainda RPGuaxa é um podcast gravado na forma de RPG; a cada episódio nosso Mestre Guaxinim apresenta um mundo novo aos jogadores e, juntos,...
RPG: Realidades Paralelas do Guaxinim, ou ainda RPGuaxa é um podcast gravado na forma de RPG; a cada episódio nosso Mestre Guaxinim apresenta um mundo novo aos jogadores e, juntos, criam uma nova história. Todo programa é uma aventura única, uma história com inicio, meio e fim. Tema do Episódio: Roadtrip, Amizade Ajude esse projeto Apoia-se: https://apoia.se/rpguaxa Se quiser fazer uma pequena contribuição aleatória, nosso PIX é rpguaxa@gmail.com Contatos: E-MAIL: rpguaxa@gmail.com BlueSky do RPGuaxa: https://bsky.app/profile/rpguaxa.bsky.social Instagram do Guaxa: https://instagram.com/rpguaxa BlueSky do Guaxa: https://bsky.app/profile/marceloguaxinim.bsky.social Instagram do Guaxa: https://instagram.com/marceloguaxinim Assine o Feed! http://deviante.com.br/podcasts/rpguaxa/feed/ Se não esta achando no seu agregador cole esse link lá que ele acha! Assine o Feed! Expediente: Produção e Edição Final: Marcelo Guaxinim. Edição: Rafael Zorzal Jogadores do Episódio: Agata, Shelly, Mel. Música: "Evening" Kevin MacLeod (incompetech.com)Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 Licensehttp://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ QUEM APOIA ESSE PROJETO: Adriano Trotta, AGATA SOFIA, Aldo Caccavo, Aledson C. Carvalho, Alexandre Dotto, Alexandre Duarte, Alexandre Lopes Acioli Olegario, Alice Azevedo Gomes, Allan Felipe Rocha Penoni , Allan Outsuki, Allen da Costa Araujo, Amanda Cristina da Silva Martins, ANA BEATRIZ RIBEIRO, Ana Paula Ruhe, Anderson Key Saito, Andre Bomfim , Andrey Andrade de Lima, Anthony Mikail Cuco, ANTONIO CARLOS , Ariane Thiele , Arthur Accioly Pereira , Augusto Cesar de Sant'Ana Rodrigues , Beatriz Valério, Boanerge Phoenix-Draco Jerônimo, Breno Resende , BRUNA PLANK , Bruno Ishimoto , Bruno Saito , Bryan Macêdo de Brito , Caio Guilherme Dutra , Caio Lourencio , CALISTA JUBILEE (A HISTORIADORA) , CaroIina Martins , Carolina Lopes Perez, Cassiano Simões , Christian Alef Almeida Silva , Clecius Alexandre Duran , Cristiano Souza , Daniel Gracias dos Santos Vieira , Danielle Golebiowski Ren , Davi Mascote Domingues , David Koltun , David Picoli Dorigon , Débora Mazetto , Diego Martins , Diego Ribeiro , Dimas Sewaybricker , Domenica Mendes , DOUGLAS FERREIRA NAZARETH , Eder Felipe Moreira da Silva , Edinam Luis , Edson José de Oliveira Neto , Eduardo Dias Defreyn , Eduardo Railton A S Silva , Ejoyce Nogueira Braga , Elcio Cezario Sanches Junior , Elisnei Menezes de Oliveira , Esron Dtamar da Silva , Eugênio Luiz , Evandro Alves Torquato Filho , Evandro Rafael Saracino , Everton Torres , Ewylla Sayonara de Almeida Santos , Fabíola Belo do Nascimento , Felipe Augusto de Oliveira , Felipe Corá , Felipe Nelli , Felipe Santana da Silva , Felipe Viana Alves, FILIPE MOTA , Filipe Peduzzi , Fran Aquino , Francisca Edyr Xavier , GABRIEL BALARDINO BOGADO FARIA , Gabriella Almenteiro Ventura , Gilles de Azevedo , Giovanna Ryss , Guilherme Luiz Klug , Gustavo Assi , GUSTAVO GUIDOLIM LOPES , Gustavo Martinez , Gustavo Pires , Heitor Alencar Moraes , Heloisa Saraiva Frank , Henrico Reis Barbosa, Henrique Dairiki da Silva , Hugo de Araújo Araújo , Hygor Lisboa , Ibrahim Mattus Neto , Ike Bunny , Iuriy Makohim Kozelinski , Izabela Vitoria Gonzaga de Moura, Jean Gustavo da Silva Macedo , Jessica Loyana Teles , Jéssica Mendes , João Fernando Mari , JOÃO PEDRO , JOÃO VITOR BISPO GALVÃO , JONATAN LACERDA ROSANTE , Jonathas Barreto Pessoa Silva , Jorge Marcos dos Santos Silva , José Garcia Ribas Filho , José Luiz Muniz Florentino , JOSE SERGIO SILVA , JUNIOR CARVALHO , JuuLenah, Karol Moura , Kempes Jacinto , Lauriene Renata de Moura , Leandro Menezes de Sousa , Leiz Nunes , LEONARDO SOUZA , Leonidas Lopes Filho , LUCAS COQUENÃO, Luckas Taleikis Prilip , Luis Edvaldo Correa , Luis Felipe Brito Herdy , Luiz Carlos , Luiz Guilherme Rizzatto Zucchi , Maíra Carneiro Silva , MARCEL MONTEIRO DE OLIVEIRA, marcela porcaro rausch , Marcelo Albuquerque , Marcelo Duarte Machado , Marcelo Santana do Amaral , Marcos Nascimento , Marcos Werley Neves Ferreira , Mariana Bocorny, Mariana Rodrigues , Mariane Domingos Silvestre , Marina Melo Pires , Matheus Ferreira , Mattheus Belo , Mauro Vasconcellos , Maxwell Rocha Santos , MAYSA SIGOLI , Michelle Mantovani, Moisés Almeida , Moises Ferreira Dias , MW-PLAYS , Natalia Blinke , Naus do Arquivo , Nicolas Francelino , Nicolas Vieira Lima , Nina Peta, Patrick Buchmann , PAULA E D PIVA , PEDRO CASTRO MARTINS , Pedro Henrique Barboza Alves , PEDRO LEANDRO LOPES DA SILVA , Pedro Lucas Mendes Peron , Pipoca , Press Start Cast , Priscila Franco de Oliveira , Rafael 47 , Rafael Alves Corradi , Rafael Antonio Batistela Macedo , Rafael Antonio Da Rosa , Rafael da Rocha , Rafael de Souza Garcia , Rafael Pereira , Rafael Silva Andrade , RAFAELA MALECHESK , RAFAELA RANGEL , Raphael do Nascimento Prado , RAQUEL ARAUJO DA SILVA , Rebel Bia , Renato Bordenousky Filho , Renato Campos , Rhanyere da Mata , Ricardo Maggessi , Ricardo Nespoli , RICARDO RODRIGUES , Richard Valdi Regis Rocha , Roberto Rodrigues , Roberto Vieira Rezende , Rodrigo Basso , Rodrigo Figueiredo , Rodrigo Miranda , Rodrigo Prestes , Rodrigo Soares Azevedo , Rodrigo Tiago Mendonça , Sandro D Annunciação , SARA PEREIRA DA SILVA BARBOZA , Stefanye mantovan , Stenio Vinicios de Medeiros , Tahlla Slade , Taissa Muniz Almeida , Tania de Arruda Fernandes , Tarinê Cortina Poeta Castilho da Silva , Tati Kafka Ricarto , Thais Jucá Avelar , Thalita Cecilier , Thamires Castro , THIAGO BRUNO DE SOUSA SILVA , Thiago de Souza , Thiago Kesley de Barros Silva , Victor Hugo Marques Stoppa, Victor Manoel Mondaini de Souza Sena Sampaio , VICTOR PESSOA , VINÍCIUS BATISTA, VINICIUS DEGRECCI MENDES DA SILVA, Vinícius S. 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A cantora e compositora moçambicana Assa Matusse canta "as dores" do seu povo e acredita que um artista não pode ficar alheio “aos irmãos que estão a morrer em Moçambique por reivindicarem os seus direitos”. A “menina do bairro”, que vive hoje em Paris, levou a língua changana a vários palcos internacionais e promete continuar a cantar Moçambique no mundo como uma forma de “resistência”. Assa Matusse não se deixa intimidar e avisa que “o medo não é antónimo de falta de coragem”. Assa Matusse é cantora e compositora. É conhecida como a «Menina do bairro» em Moçambique, o país onde nasceu e onde absorveu ritmos tradicionais que ainda constituem o ADN da sua música, combinados com sonoridades modernas como a pop e o jazz. Assa Matusse canta em changana, a sua língua materna, em português, inglês e francês. Vive actualmente em Paris e está connosco na RFI para nos falar sobre a sua música, o que a inspira e o que a preocupa.RFI: Sendo uma voz de Moçambique ouvida em vários palcos internacionais, eu queria mesmo começar por lhe perguntar como olha actualmente para a situação em Moçambique perante a contestação eleitoral, perante as detenções e mortes de manifestantes, o duplo homicídio de dois apoiantes da oposição, a convocação de uma semana de manifestações e de greve geral. Como é que olha para toda esta situação? Assa Matusse, Cantora: Têm sido dias difíceis. Não tenho conseguido realmente viver como se nada estivesse a acontecer. Se calhar é o sentimento de impotência por eu estar deste lado, em Paris, enquanto existem os meus irmãos que estão a morrer em Moçambique simplesmente porque querem reivindicar os seus direitos. Isso tem tirado muito o meu sono. Não posso estar aqui a fingir o contrário, não é? Devia estar concentrada em preparar a minha tournée e tudo, mas têm sido dias muito difíceis e até pensei em sair um bocadinho das redes sociais para tentar ver se consigo economizar as minhas energias e emoções, mas não é possível.É muito triste o que tem estado a acontecer com os moçambicanos e eu sinto-me extremamente tocada por isto porque eu sou moçambicana. Eu conheço muito bem as dificuldades que a gente tem naquele país e as dificuldades nunca são iguais. Existe uma parte que usufrui muito bem. Tudo o que a gente tem é que nós, moçambicanos, os verdadeiramente moçambicanos, de alguma forma, o povo não consegue, nem sequer os de Maputo.Eu sou moçambicana, conheço outros países. Estou aqui em Paris, já estive na Noruega por conta dos estudos e tantos outros países a fazer alguns shows e tudo mais, mas nunca sequer cheguei no norte do país, porque o país é extremamente caro para os moçambicanos e normalmente são os que hoje em dia não aceitam que a gente reivindique, que usufruem e que conhecem o país e todas as maravilhas. A gente conhece pelas fotos, tantas outras coisas. Eu estou aqui a fazer a menção para que se possa perceber a que ponto eu, sendo artista, se calhar devia ter um bocadinho mais de possibilidade, se calhar, de chegar um bocadinho mais longe dentro do meu país e eu mesma não conheço Moçambique.Se calhar chega mais longe graças ao canto, à sua voz e às mensagens que passa nas suas músicas. Fala na pobreza do seu país, fala na inferiorização sistémica da mulher. São músicas com um teor interventivo. Até que ponto a actual situação de Moçambique também poderá vir a inspirar a sua música?A minha música sempre teve inspiração no povo moçambicano. As mulheres que eu falo são as mulheres de Moçambique porque são as mulheres que eu cresci a ver. Depois, coincide sempre com todo o desafio da mulher no mundo. Mas eu tenho dito que a mulher moçambicana, em qualquer lugar onde ela possa estar, vai-se dar muito bem porque as dificuldades, sendo mulher em Moçambique, também nas artes, é imensa e estrondosa. Então, em qualquer lugar, o problema vai ser menor.É esta situação e tantas outras coisas que têm acontecido no meu país que têm sido a minha grande inspiração e, sobretudo, quando eu falo dos ritmos. Sempre fui apaixonada por tudo o que se faz em Moçambique, em termos rítmicos, sobretudo na parte do Sul, porque eu sou do Sul, da capital do país, Maputo, da zona periférica chamada Mavalane, onde eu cresci. É de lá que saem estas minhas melodias. Tanto é que eu tenho uma música no último álbum chamado “Mutchangana”, cujo título é “Som do Beco” porque são os sons do meu beco e todos esses sons que fazem parte deste álbum são sons que eu fui apanhando neste beco, quando eu estava em casa, um simples gritar de uma criança me remetia para uma melodia e eu consegui realmente trazer os sons do meu beco. O meu beco neste momento também é o meu Moçambique.Em “No Som Beco” você canta “A malta não janta, não almoça, só come”. Depois, na música “A que preço” questiona: “Como fui germinar nesta pobreza?” Porque é que fala sobre a pobreza em Moçambique, um país que é classificado pela ONU como um dos mais pobres de África? Eu insisto porque esta é a realidade de 90% da população moçambicana. Os 10% são aqueles que têm privilégios, são privilegiados e podem usufruir de tudo. Mas 90%, se calhar ainda mais do povo moçambicano, está na pobreza. E eu, um desses dias, estive a pensar muito sobre a música “A que preço” e nem sequer pensei nos meus pais quando eu escrevi isso, porque quando eu digo: “passa muita coisa na minha cabeça, porque é que não nasci na realeza, como é que fui germinar nesta pobreza?” Eu estou a falar simplesmente de um lugar onde as oportunidades não faltassem e as oportunidades para mim sempre foram escassas. A gente sempre teve que correr muito atrás e é assim a vida da maioria dos moçambicanos.Mais ainda para as mulheres… A Assa Matusse fala muito das mulheres e das meninas moçambicanas, tanto em “Mutchangana” quanto no disco anterior, o “+Eu”. No “+Eu” você canta: “Eu sempre fui mais eu, poderosa, optimista, muito eu”, mas também canta: “A culpada sou eu por ter nascido mulher”. Que força é essa que quer dar às meninas e às mulheres moçambicanas? A força que temos, muitas vezes temos medo de exteriorizá-la. Eu só estou a tentar trazer para fora o que já existe, na verdade, porque eu mesma me surpreendo a cada dia. O simples facto de ter saído do meu país, o que não é fácil... Eu saí do país não porque não amo Moçambique, é o contrário: de tanto amar o meu país, eu achei melhor ir embora para tentar ver se conseguia dar voz à música de Moçambique porque é uma música que não se conhece no mundo. Quando eu falo das mulheres nas músicas é porque eu mesma tive que atravessar tantos obstáculos e não havia outra solução, para mim, a não ser ser forte. Então, eu falo tanto da força do “ser mais eu” porque eu preciso falar, verbalizar para que realmente eu consiga seguir e dizer “eu sou realmente mais eu”. Hoje em dia já não tenho muita opção a não ser isto mesmo porque já verbalizei que o sou.Tenho falado, também, muitas vezes das mulheres, sobretudo dos bairros, por conta da questão das oportunidades, mas também por todas as dificuldades e desafios que a mulher tem, sendo mulher em Moçambique e tudo o que é preciso se submeter para conseguir continuar a sua carreira, seja ela na música e mesmo no trabalho. Existem tantos desafios, até as meninas do bairro nem podem se calhar ir para lá [Maputo]. Eu conheci a cidade com 15 anos, isso não é normal. Eu vivo a 15 minutos de Maputo. Porquê? Porque eu nunca tive nenhuma oportunidade para lá chegar, não é? As minhas escolas sempre foram ali no bairro, mas quando eu digo não conhecia a cidade, significa que eu não conhecia muitas coisas que a cidade nos pode proporcionar antes dos 15 anos.Eu tenho falado muito dessa questão porque é preciso também começar a aperceber que este barulho todo que está a existir, as nossas reclamações não estão a surgir de hoje. Já há anos que as coisas são assim e que os moçambicanos, sobretudo as mulheres, têm medo de voltar para casa. Eu comecei a carreira com 15 anos. É por isso que comecei a conhecer a cidade com 15 anos porque realmente tinha que me fazer à cidade para poder ter as oportunidades. Mas tinha medo de voltar para casa porque não existia electricidade e depois tínhamos que fazer a amizade com os meninos mais perigosos, digamos, para que nos deixassem tranquilas e que quando nos vissem a chegar servissem como protecção e não achassem que éramos inimigos. É por isso que as mulheres, sobretudo as meninas do bairro, sempre vão carregar a minha voz para militar, como se diz por aí na gíria.Tem levado a sua voz a vários palcos internacionais. Em “Mutchangana”, o álbum que lançou em 2023, a Assa canta em português, francês, inglês, mas também canta em changana. O que é que representa íntima e politicamente levar o changana por esse mundo fora e para as plataformas de escuta online? Isto significa uma verdadeira identidade e orgulho daquilo que eu sou. Quando era mais nova, como eu já disse, falava changana, a maioria das famílias fala changana. Estou a tentar fazer uma música chamada “português do meu pai” porque ele tem uma forma de falar muito dele que era muito engraçada e eu percebo o quanto o meu pai se esforçou para conseguir dizer um “bom dia, como está?” em português porque nós falávamos a língua da minha família, o changana, não é?Então, eu cresci a falar changana. Eu aprendi a falar português na escola. Para mim o português é como o francês e como o inglês que tive que aprender fora de casa e usar também como uma ferramenta de trabalho e meio de comunicação. Mas isso não significa que eu não tenha nenhum orgulho e que não ache que o português é uma língua minha. Também acho que a minha língua é a língua oficial de Moçambique e tenho tanto orgulho de fazer parte da lusofonia.Mas é preciso aqui sublinhar que eu sou moçambicana e por ser moçambicana, tenho a realidade de um grupo de moçambicanos que não tiveram contacto com esta língua muito cedo. Então vou cantando em changana e deixa-me dizer que é a língua onde eu me sinto mais expressiva, mesmo ao cantar e a comunicar também é extremamente forte para mim. Esta língua, para mim, é significado de resistência porque essas línguas todas - há quem chame de dialecto, mas eu não chamo de dialecto - são línguas que em algum momento fomos proibidos de falar nas escolas. Existiu um tempo onde não se podia falar changana dentro de casa porque era preciso falar o português, o que era importante, mas também não podem marginalizar a nossa língua. Eu quis realmente realçar o orgulho que tenho desta língua que não é um dialecto, é realmente uma língua.Essa língua e a etnia mutchangana dão origem ao álbum Mutchangana. Em 2016, lançou o “+Eu”. E agora? O que está a acontecer na sua carreira? Anda em tournée? Está já a preparar novas canções para um novo disco ou ainda é cedo? Não, não é cedo. Nunca senti nenhuma pressão para trazer novos trabalhos, mas os trabalhos, novas melodias, acontecem quando acontecem coisas na nossa vida. E é preciso frisar que faz três anos que eu estou em Paris e neste tempo aconteceu muita coisa e o álbum foi começado em Moçambique. Ele foi feito em Moçambique, veio a ser terminado aqui na França, em Paris, mas foi começado lá.Nestes três anos, há muita coisa que aconteceu e é preciso que eu exteriorize tudo isto. E é a partir e através da música que eu posso fazer isso. Não existe outra forma para mim de verbalizar tudo aquilo que me acontece, os desafios e, sobretudo, também a resistência. Como se sabe, os moçambicanos não estão muito no mundo porque já sofremos tanto na nossa casa que temos medo, na verdade, de sair e nos tornarmos mendigos, de alguma forma, no estrangeiro. Eu peguei esta força que os moçambicanos têm, mas têm medo, só que o medo não é antónimo de falta de coragem. Muitas vezes é simplesmente o medo de acabar dando um passo que podemos dizer, mais para a frente, que “se calhar teria ficado melhor na minha casa, que sofrendo, não sofrendo, estou com a família”. Então eu peguei e arrisquei e vim para cá. De lá para cá aconteceu tanta coisa que é preciso que eu verbalize. Então há muita música a vir por aí. Também estou a preparar a minha tournée e, aos poucos, também vou tentando conhecer novos palcos no mundo porque eu sou moçambicana, mas não pertenço só aos moçambicanos, sou artista, pertenço ao mundo.Em Moçambique chamam-lhe “A Menina do Bairro” e é o nome de uma música do primeiro disco. Canta “Sou dos becos, lá no bairro… brincava na areia, com os meninos do meu bairro”. Para quem não a conhece, porque é que lhe chamam ainda “a menina do bairro” e quem é esta “menina do bairro” que nasceu em Maputo em 1994, cresceu a ouvir o canto e a guitarra do pai e vive em Paris actualmente? É uma resistente, já percebi…Eu não sei exactamente em que momento comecei a ser chamada “menina do bairro”. A verdade é que eu tenho uma música chamada “A menina do bairro” e faz parte do primeiro álbum. Eu acho que esta música, tanto quanto o “+Eu” tiveram muita força. É que as pessoas começaram a apelidar-me assim. Eu recebi com muito orgulho este nome, este carinho, porque para mim vejo isso como um carinho. Quando eu tinha uns dez anos, se me chamassem “menina do bairro” eu ia ficar, se calhar, de alguma forma constrangida porque naquela altura, de certa forma, não tínhamos tanto orgulho dos nossos bairros, achávamos sempre que éramos inferiores porque éramos do bairro.Então, com o tempo as coisas foram mudando e eu tenho tanto orgulho. E é assim que as pessoas começaram a chamar-me “a menina do bairro” porque vim com esta música intitulada “A menina do bairro”, mas também porque, de alguma forma, saí muito cedo de Moçambique, vou viajando nos países lá fora e que não conhece nem sequer o norte do país porque não teve possibilidades para lá chegar.Mas fala dos ataques em Cabo Delgado numa das músicas…Claro, porque Moçambique é Moçambique, não é? Não está dividido. Claro que tem o Norte, o Sul, o Centro, mas é Moçambique. E eu sou moçambicana. A dor das pessoas de Cabo Delgado é a minha dor. Foi triste. Na verdade, eu já senti a dor estando aqui e o sentimento de impotência também me atravessou, muito como nesta altura, diante de tudo o que está a acontecer.Naquela altura era mesmo a questão de perceber que os próprios polícias não tinham, se calhar, nenhum apoio do governo para que eles tivessem mais protecção. Era o mata mata realmente. Tanto é que, em algum momento, teve pessoas com medo de ir a Cabo Delgado. Palma ficou deserta. Famílias, meninas foram sequestradas, foram decapitadas e nós recebermos esse tipo de notícia, vendo os pais na televisão a chorar, a gritar, as suas filhas levadas por pessoas desconhecidas que entraram dentro da sua residência e fizeram isto. Eu não tinha como não falar disso. Eu tenho dito que eu estou aqui para servir a comunidade porque não acredito que sendo artista me posso isolar simplesmente entre a música e a guitarra e todos os ritmos que eu amo, sem poder falar daquilo que atravessa e que o povo tem estado a sofrer tanto em Moçambique, quanto no mundo, mas sobretudo em Moçambique. Porque eu sou moçambicana e me impacta muito mais.Ou seja, aquilo que a move, que a motiva a escrever e a cantar são as dores do seu próprio povo?Sim. São as dores, as dores do meu povo. A dor do outro sempre tem um impacto muito grande na minha vida e os que me conhecem muito bem, a minha própria família, sempre têm dito: “às vezes, a gente acha que esqueces que também és um ser humano.” A minha família diz isto muito porque eu tenho muito esta questão de sentir a dor do outro. Eu não preciso de fazer parte do mesmo partido, não preciso de fazer parte da mesma religião para sentir a dor do outro. Para mim, alguém passar por mim doente, eu consigo sentir uma dor que não consigo explicar. Eu acho que o sofrimento no mundo é uma das coisas mais tristes e, para mim, poder alegrá-los com a minha voz, ou simplesmente, fazer as pessoas sentirem uma certa emoção através da minha voz e das melodias - até podem ser tristes porque estamos a falar de uma coisa triste - mas vai dar um sentimento de “aconteceu, mas estamos a viver, precisamos seguir em frente”. Eu acho que é uma das minhas missões também no mundo. Os artistas também deveriam, realmente, neste momento, serem mais conscientes e perceberem que não é sobre fazer parte de um certo grupo, é sobre ser artista. E sendo artista, nós somos a voz do povo.
TORRE de BABEL quando aconteceu e qual foi a ideia de guerrear contar D'us logo após o Diluvio? #chassidut #mistica #judaismo #kabala #cabala #tora #torah #kabalah #Parasha #Torá #noe #noach #diluvio #mabul #bereshit #shiur #shiurim #babel #torredebavel #bavel Curtiu a aula? Faça um pix RABINOELIPIX@GMAIL.COM e nos ajude a darmos sequência neste projeto!
É a quinta derrota consecutiva dos Saints e deixando o time com um recorde de 2-5. O novato Spencer Rattler teve que começar como quarterback novamente com Derek Carr ainda afastado por uma lesão no oblíquo. Ainda teve a volta de Sean Payton ao Superdome e Drew Brees sendo colocado no Hall da Fama do Saints. Ivan Martins, Bernardo Guaraldo e Fábio Aidan se reúnem para falar sobre mais uma derrota do New Orleans. Nossas redes sociais: Bluesky | Threads | Twitter | Facebook | Instagram
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A idade do gelo diz-te alguma coisa? É um filme? Sim, mas sabias que aconteceu mesmo?
Atriz fala sobre como conquistou a internet sem precisar expor a sua vida pessoal (o que lhe rendeu o apelido de Vera Viral), morte e amor Prestes a colocar a sua peça “Ficções” de volta em cartaz em São Paulo, a atriz Vera Holtz bateu um papo com Paulo Lima no Trip FM sobre amor, morte e como conquistou a internet sem precisar expor a sua vida pessoal (o que lhe rendeu o apelido de Vera Viral). “Eu não conseguia pensar na hipótese de ter uma rede social. Até que um dia fiz uma foto com um saquinho na cabeça e pensei ‘vamos trabalhar com isso nas redes sociais'. Quando começamos a desenvolver essa ideia de tirar foto de frente, lado e costas, aí expandiu e não parei mais”, conta ela. “Hoje eu até tenho a ideia, mas como voltei ao teatro não tive mais tanto tempo para produzir. Mas eu gosto do espaço das redes sociais. Só que precisam entender que a Vera Viral é temperamental, só aparece na hora que ela quer. É uma entidade livre.” Nascida em Tatuí, no interior de São Paulo, Vera era diferente da maioria das jovens da década de 1950 e revela que nunca sonhou em ter marido e filhos. Criada em uma família muito amorosa — e numerosa —, ela ouvia do pai: primeiro você se forma, depois se casa. “Ele dizia: ‘você precisa ter liberdade econômica e não depender do seu parceiro'. Era uma família diferente nesse sentido”. Essa conversa fica disponível no Spotify e aqui no site da Trip. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/05/6635149222984/vera-holtz-atriz-teatro-ficcoes-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Vera Holtz; ALT_TEXT=Vera Holtz] Trip. A gente tem muita informação sobre a sua carreira, mas nem tanto sobre a sua vida pessoal. Você amou muito ou ficou mais tranquila neste aspecto? Sou leonina, a paixão é a minha bandeira, meu território de expansão. E eu sempre vivi em estado de paixão. Nunca deixei de amar os homens que compartilharam tempo de vida comigo e não deixo de amá-los por ter me afastado deles. Eu não separo, eu só desalinho, cada um vai para o seu lado, mas ainda cuidamos uns dos outros. E como foi essa história de falar de cima de uma cadeira, aos 14 anos, que não queria filhos? Sofreu muito por essa decisão? Nunca dei muita bola para a pressão por ter filhos. Talvez eu estivesse bem embasada na minha escolha: eu me estruturei para isso. Existiu um momento na minha vida em que me questionei, mas logo percebi que era apenas uma história que estava tentando virar ideia, ou talvez fosse eu querendo criar mais uma personagem na minha vida. A ideia de ter filhos é individual. Quem não tem o desejo de ter filhos, não precisa ter. É ouvir o chamado do seu corpo, ter uma escuta do seu corpo, uma intuição. Eu sempre escutei o que o meu corpo me indicava. O que é a morte para você? A morte é sensacional, magnífica. O melhor dia para se viver. Eu não tenho a menor questão com a pós-produção da vida. A morte e a vida são o mesmo lado.
Pedro e Greg discutem a duração de evidências de civilizações passadas e futuras, e também falam de gravidade artificial. Discord! http://discord.gg/cienciatododia Contato: sinapse@cienciatododia.com.br Nosso Twitter: @sinapsepodcast
Cristo nasceu no ano zero? É quase certo que não. E nasceu em Belém? Há quem diga que não. Existiu uma manjedoura? Os Evangelhos têm versões diferentes. Falamos muito do Natal, mas sabemos muito poucoSee omnystudio.com/listener for privacy information.
O caso das gémeas luso brasileiras tratadas em Portugal está a suscitar inúmeras questões. Existiu ou não um envolvimento do Presidente da República, da Ministra e do Secretário de Estado da Saúde neste processo?
O presidente Lula voltou a criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em discurso no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira, 8. No mesmo discurso, o petista disse que vai completar os quatro anos de mandato sem falar "do outro governo", do qual fala praticamente todo dia. No evento da assinatura da ordem de serviço da duplicação da BR-423 (a obra vai custar R$ 554 milhões), Lula disse que encontrou país "semi-destruído" e que seu antecessor cometeu um crime com a economia brasileira, o que deveria ser denunciado pelo Ministério Público. "Quem sabe um dia essas coisas sejam julgadas", comentou. Na sequência, Lula afirmou que pretender deixar Bolsonaro no esquecimento. "Vocês vão perceber que eu vou terminar quatro anos sem falar uma vírgula do outro governo, porque, para mim, ele não existiu", emendou. Detalhe: no mesmo discurso Lula falou do governo Bolsonaro ao menos três vezes. O Antagonista está no top 3 do prêmio IBest na categoria Canal de Política. Contamos com o seu voto e sua ajuda na divulgação. https://app.premioibest.com/votacao/canal-de-politica Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo... e muito mais. Link do canal: https://whatsapp.com/channel/0029Va2SurQHLHQbI5yJN344 Assine o combo O Antagonista + Crusoé: https://assine.oantagonista.com/ Siga O Antagonista nas redes sociais e cadastre-se para receber nossa newsletter: https://bit.ly/newsletter-oa Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br
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Nesse episódio Rafinha (@rafaverdasca) e Daniel Gomes de Carvalho (@danielgomesdecr) e Renata Fernandes (@renata_s_fernandes) debatem a existência de uma ideia de Estado durante a época moderna. Contato da professora Renata: renata_fernandes@ufg.com.br Livro do Prof. Daniel sobre a Revolução Francesa: https://www.editoracontexto.com.br/produto/revolucao-francesa/5105603 Picpay do História Pirata: https://picpay.me/historiapirata chave pix: podcast.historiapirata@gmail.com Esse episódio foi editado por: Gabriel Campos (@_grcampos)
O relatório preliminar da comissão de inquérito à TAP iliba o Governo de tudo e no final sobram conclusões óbvias. Nada existiu e não se percebe afinal porque se demitiram Pedro Nuno Santos e Hugo Mendes.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Existiu uma pessoa na antiguidade que foi capaz de maravilhar o Senhor Jesus. E nesta belíssima mensagem de @Juanribe Pagliarin você vai ser impulsionado na fé e na caminhada cristã. Ouça e seja edificado! Redes Sociais de Juanribe Pagliarin: ➡️Instagram: https://www.instagram.com/juanribe/ ➡️Facebook: https://www.facebook.com/juanribe ➡️Twitter: https://twitter.com/juanribe ➡️Youtube: https://www.youtube.com/juanribe ➡️TikTok: https://www.tiktok.com/tag/juanribe ➡️Podcast: https://anchor.fm/juanribe-pagliarin .
O governo recusou-se a entregar ao Parlamento o parecer com a fundamentação para despedir os mais altos responsáveis pela TAP, mas entretanto lembrou-se de que o parecer que não queria entregar afinal não existe. A despesa estrutural do Estado não podia aumentar, mas afinal vai haver um aumento extraordinário de pensões, que há-de permanecer para o futuro. E a eliminação do IVA em certos produtos alimentares, que era uma péssima ideia, segundo o ministro das Finanças, entrou esta semana em vigor. Tudo isto na semana em que o PS completou meio século de existência, António Costa retirou a José Sócrates a medalha de pioneiro das maiorias absolutas à esquerda e um grupo de activistas, num protesto climático, baixou as calças durante a festa de anos socialista. O clima não está fácil.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Hoje falo sobre o lendário (ou seria mitológico?) Kraken! E percorro as variadas formas que podem provar a sua existência ou as criaturas que inspiraram suas histórias! Confira a promoção de nossa loja de Camisetas e Moletons de RPG! - https://loja.pensandorpg.com.br --- Arquivo do Podcast (e onde baixar) - https://pensandorpg.libsyn.com/ E me sigam no Twitter - https://twitter.com/pensandorpg Ou Instagram - https://www.instagram.com/pensandorpg/ E conheçam o canal @Pensando RPG - https://www.youtube.com/pensandorpg
Por Pr. Wander Gomes. https://bbcst.net/R8197N
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O deputado estadual Edegar Pretto (PT) é o convidado desta semana no Zona Eleitoral. Ele é o terceiro pré-candidato a governador do Rio Grande do Sul a ser entrevistado no podcast. O político falou sobre a relação com o pai, Adão Pretto, sobre sua atuação parlamentar e seu projeto para as finanças públicas do Estado. Pretto também comentou sobre o antipetismo no atual contexto brasileiro e a situação do país desde a saída do PT do poder.
Com a desistência de João Doria, a corrida eleitoral se afunila cada vez mais. Ciro Gomes terá força para disputar com Lula e Bolsonaro? Simone Tebet será realmente a cara da chamada Terceira Via ou vai ser abandonada no meio do caminho? Pelo Twitter @bos_connection mande suas sugestões, críticas e tudo mais! Boston Connection é um projeto de quatro amigos (Fernando, Luiz, Matheus e Rafael) para aproveitar as longas conversas e transformar em algo produtivo. Aqui discutiremos esportes, política e o que for notícia no 'triângulo' São Paulo, Uberlândia e Boston.
O épico viking de Robert Eggers, e Nicolas Cage interpretando Nicolas Cage: o novo episódio do podcast está urrando nas plataformas Filmes em Pauta: O Homem do Norte (Robert Eggers), e O Peso do Talento (Tom Gormican) E mais: Puxadinho da Varanda com destaque para os filmes Dr. Estranho e o Multiverso da Loucura, Paris 13° Distrito, O Soldado que Não Existiu, e o Cantinho do Ouvinte com os comentários sobre o episódio anterior. Bom Podcast!
Porto Alegre cresceu sobre o Guaíba e o Delta do Jacuí. Nem todos sabem, mas hoje caminhamos por regiões que eram tomadas pela água. O avanço de um aterro para a construção de um bairro planejado teve início em 1956 e, em 1978, atingiu 200 dos 300 hectares previstos. São áreas hoje ocupadas pelo Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, os prédios públicos da Avenida Borges de Medeiros, o Parque Marinha do Brasil e o Estádio Beira-Rio. Com o fracasso nas vendas dos terrenos, o bairro planejado não saiu do papel. O quarto episódio da temporada do podcast Aconteceu em Porto Alegre recebe a arquiteta, urbanista e professora da PUCRS Maria Dalila Bohrer, que conta em detalhes como foram os aterramentos da cidade.
Nesta mensagem, Rosângela Aragão nos falou sobre Jesus ter sido o maior snipper que já existiu. No militarismo, o snipper é o atirador de elite, responsável por dar os tiros exatos. Comparando a este atirador, ela falou sobre a exatidão de Jesus em suas decisões, atitudes e posicionamentos, demonstrando sempre assertividade. Ela nos inspirou a caminharmos da mesma forma que o Mestre, tendo cuidado com os nossos passos e vivendo uma vida disciplinada, para que tudo aquilo que fizermos produza o resultado certo. Ouça e seja edificado!