Há 30 anos, Paulo Lima faz entrevistas com as personalidades mais interessantes do país

De MasterChef a criador de conteúdo, cozinheiro constrói carreira sólida ao unir gastronomia, cultura e negócios, refletindo sobre os desafios, riscos e transformações do mercado digital

Aos 80 anos, a atriz reflete sobre a vida com Drauzio Varella, a herança de grandes mestres e a luta pela cultura

Atriz fala da infância, da busca por independência, da morte do pai e dos medos com o futuro do planeta. Aos 52, revisita o passado na Xuxa e reflete sobre maternidade e valores

Sam Cyrous fala dor e vazio existencial — e como a logoterapia ajuda a encontrar significado na vida em um mundo em sofrimento

A diretora das séries "Sob Pressão" e "Juntas e Separadas" lança documentários sobre Preta Gil e Dona Onete e celebra o boom cinema nacional

A diretora das séries "Sob Pressão" e "Juntas e Separadas" lança documentários sobre Preta Gil e Dona Onete e celebra o boom do cinema nacional

Bicampeão paralímpico, Mizael Conrado fala sobre a vida sem visão, o futebol de cegos e o paradoxo brasileiro entre leis avançadas e inclusão ainda limitada

Uno Vulpo fala sobre drogas e prazer sem moralismo. Da Cracolândia ao tédio da rotina, ele defende redução de danos, responsabilidade e escolhas mais conscientes.

Programa especial reúne múltiplas vozes para discutir identidade, cultura e os paradoxos do Brasil na maior festa do país. Um mergulho além da folia.

Artista relembra a praia como escola de vida, a contracultura dos anos 70 e uma carreira marcada por humor, coletividade e pé no chão

Crítico, arquiteto bateu um papo sobre arte, empreendedorismo, sociedade e seu incômodo com falta de preocupação cultural no mercado

Uma conversa sobre os efeitos psíquicos da pressão nas empresas, os desafios da fama, a crise do masculino e a urgência de reconstruir vínculos

O especial do Trip FM revisita mais de uma década de conversas com o ator vencedor do Globo de Ouro para entender como seu pensamento foi se transformando junto com o Brasil

Uma das figuras mais admiradas e admiráveis do país, a atriz e apresentadora bate um papo sincero sobre família, religião, casamento e conta pra qual de seus tantos amigos ligaria de uma ilha deserta

O artista fala sobre a infância no ABC, a fase pós-Exaltasamba, o impacto do álcool, as mudanças que o fizeram perder 50kg, seu reencontro com Angola e o desejo de deixar um legado

Veterano da comunicação relembra suas origens no rádio e o início da Globo, que ele ajudou a transformar na maior televisão brasileira

Ana Paula Passarelli analisa o esgotamento das redes sociais, o impacto dos algoritmos na vida cotidiana e defende o descanso e a desconexão como condição para seguir criando

Da zona norte de São Paulo aos estúdios mais importantes da música brasileira, o jornalista e produtor musical fala do trabalho por trás de discos e palcos de Gal Costa, Nando Reis, Tom Zé e Erasmo Carlos

Da construção de seu último personagem às lições do SUS, a atriz reflete sobre misoginia, processo criativo e as mudanças profundas que viveu na carreira e na vida

Da infância no Carandiru ao Instituto Ação Pela Paz, Solange Senese conta como deixou uma carreira no Banespa para transformar o presídio em espaço de educação, trabalho e virada de vida

O líder indígena Ailton Krenak, o climatologista Carlos Nobre e o ambientalista João Paulo Capobianco discutem os futuros possíveis diante do avanço das mudanças climáticas

Sérgio Rodrigues, jornalista e escritor aclamado, fala sobre erros, solidão, a seleção de Ancelotti, seu novo livro “Escrever é humano” e o delicado ofício de escrever em tempos de robôs capazes de nos envergonhar

O influenciador de 22 anos desmistifica a vida dentro da maior favela do Brasil e revela toda a inteligência, potência e criatividade que as manchetes de jornais não mostram

José Maurício Bustani, primeiro diretor da OPAQ, desafiou o governo Bush ao negociar o desarmamento do Iraque – e pagou o preço por acreditar no diálogo e colocar a paz acima do poder

Ex-executivo que já devolveu mais de 42 mil árvores a São Paulo transforma lixão em floresta na zona leste e mostra que plantar é ato de fé, amor e persistência

Entre o sítio da infância e os grandes papéis da TV, ator fala sobre arte, família, paternidade e o mergulho profundo que foi viver o Maluco Beleza

O cantor e compositor do RPM fala sobre o pai militar, a infância em Florianópolis, a carreira de jornalista, a visão madura sobre as drogas, a maturidade e os gibis do Homem-Aranha

Deitado, rabiscando e errando de propósito, o pernambucano de 19 anos transformou humor em poesia visual e virou referência da nova arte brasileira

Da sensação de ser um patinho feio ao medo de envelhecer sem segurança, a atriz conta a trajetória de quem abriu caminho num território onde as mulheres só tinham espaço como coadjuvantes

Há 24 anos na seleção brasileira masculina de futebol, o médico Rodrigo Lasmar relembra Copas do Mundo históricas, a recuperação de Ronaldo e fala sobre saúde mental, fama, política e dinheiro

Protagonista de Dias Perfeitos, o ator fala sobre a perda da mãe, os altos e baixos da profissão, fama e relacionamento

Ícaro Silva fala da violência policial que o acompanha desde a infância e do peso de representar toda uma negritude na televisão Ícaro Silva já foi Rafa em Malhação, Wilson Simonal no teatro, Josef em Verdades Secretas e até a voz do Simba no filme Mufasa: O Rei Leão. Hoje, ele é um dos protagonistas da série Máscaras de oxigênio (não) cairão automaticamente, da HBO Max, que resgata a luta contra o HIV no Brasil dos anos 1980. No Trip FM, o ator, músico e escritor revisita uma trajetória que começou em Diadema, município do ABC Paulista, numa favela onde a enchente levou a casa da família e a violência da polícia quase levou a vida da mãe. "Me considero um sobrevivente. A arte foi o caminho que me salvou. Meus pais entenderam rápido que eu era uma criança artista, talvez até uma criança queer, e me direcionaram para esse caminho", afirmou. “Sempre entendi o racismo como uma limitação cognitiva. Quando sofria violência racista, sabia que o problema não estava comigo, mas no outro.” No papo com Paulo Lima, ele também fala sobre sexualidade, música e representatividade negra nas telas. "Ainda estamos atrasados nesse tema. Essa luta começou há 70 anos, com o Teatro Experimental do Negro. Por muito tempo me acostumei a ser o único preto em cena. Isso é uma das perversidades do racismo brasileiro: transformar uma pessoa em token para representar toda uma negritude. Nunca vi na TV uma história como a minha. Um protagonista negro e gay numa novela, por exemplo, nunca existiu." O programa fica disponível no play aqui em cima e no Spotify! [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/08/68a8b9a0e4870/icaro-silva-ator-cantor-globo-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Tiago Lemos ; LEGEND=Ícaro Silva; ALT_TEXT=Ícaro Silva] Trip. Você nasceu em São Bernardo, mas cresceu em Diadema, no ABC Paulista. Como esse território marcou sua visão de mundo? Ícaro Silva. Tenho muito orgulho de ser do ABC Paulista. Quando você está na margem, você consegue enxergar muito bem o centro. Essa é a visão que a periferia me deu. Diadema nos anos 90 era uma cidade extremamente violenta, principalmente pela polícia. Eu perdi muitos amigos para a violência policial e para o tráfico. Me considero um sobrevivente. A arte foi o caminho que me salvou. Meus pais entenderam rápido que eu era uma criança artista, talvez até uma criança queer, e me direcionaram para esse caminho. O que significa para você ser queer? Na infância me chamavam de Vera Verão. Hoje eu tenho muito orgulho disso. Jorge Lafond foi um pioneiro que abriu portas e sofreu muitas violências por isso. Eu sempre fui um homem feminino e masculino ao mesmo tempo. É por isso que gosto do termo queer: ele fala de estranheza, de sair do padrão, não apenas de sexualidade. Ser queer é abraçar a própria estranheza e reconhecer que cada pessoa é única.

Luiz Fernando Guimarães fala de carreira, do grupo Asdrúbal, de “Os Normais”, do alcoolismo e da família Provocar risos sempre foi fácil para Luiz Fernando Guimarães. Mas no Trip FM, o humor divide espaço com histórias de liberdade, transformação e afeto. Aos 75 anos, o ator nutre um carinho especial por seu sítio em Itaguaí (RJ) onde passa os fins de semana com o marido, Adriano Medeiros, e os filhos, Olívia e Dante. “Jamais imaginei que eu, como ator ansioso, fosse prestar atenção numa plantinha que crescia. Hoje tenho uma casa do jeito que quero, com mato, bichos passando, cavalo metendo a cabeça na sala.” No papo com Paulo Lima, ele fala sobre a vida longe dos palcos, a superação do alcoolismo, a amizade de décadas com Fernanda Torres e a nostalgia de produções marcantes. “‘Os Normais' é celebrado porque simboliza homens e mulheres de qualquer época — e nada dava certo, o que é libertador para o público. ‘TV Pirata' não era sobre politicamente correto, era sobre televisão e comportamento. E continua engraçada até hoje.” O programa fica disponível no Spotify e no site da Trip! [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/08/689f6a4644ee8/luiz-fernando-guimaraes-ator-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Ian Costa / Divulgação; LEGEND=O ator e humorista brasileiro Luiz Fernando Guimarães ; ALT_TEXT=O ator e humorista brasileiro Luiz Fernando Guimarães ] O que mudou na sua vida depois de adotar o Dante e a Olívia? Luiz Fernando Guimarães. Não foi de supetão. Fomos à Amazônia, conhecemos, choramos, passeamos. Voltamos pra casa certos: são eles. Mudaram nossas vidas. Sempre fui cuidador, mas com pouca prática. Agora exerço essa função todos os dias. Acordo pensando neles. No nosso caso, somos pais e mães ao mesmo tempo. Você já disse que nunca “saiu do armário” porque nunca entrou. Como enxerga essa questão? Nunca fiquei na moita. Nunca tive problema com isso. Quando uma repórter me perguntou, falei naturalmente: “Sou homossexual, sou casado com tal pessoa”. E pronto. Não tinha como esconder, nem por que esconder. Um jornal publicou “Luiz Fernando sai do armário”, mas eu nunca entrei. O que explica o sucesso duradouro de “Os Normais”? O Rui simbolizava os homens, a Vani simbolizava as mulheres. E nada dava certo na vida deles. Isso é libertador para o público, que ri de si mesmo. Tinha uma química muito boa entre eu e a Fernanda, e o programa pegava porque era sobre casal, mas podia ser sobre qualquer casal, de qualquer época.

Jornalista, atriz e escritora, Maria Ribeiro transita entre artes e ideias com rara intensidade – mas confessa que às vezes queria ser outra "Está faltando um pouco de conversa entre mulheres e homens. O feminismo é bom para os homens também, porque libera todo mundo de papéis engessados", afirma a atriz e escritora Maria Ribeiro.No Trip FM, ela reflete sobre marcos de sua vida e fala do lançamento do livro "Não sei se é bom, mas é teu", uma coletânea de mais de 70 textos, parte de uma produção literária que começou nas páginas da Trip e da Tpm. “Esse livro cobre dos meus 42 aos 49 anos: um período crítico e maravilhoso. Tem pandemia, morte, separação, novos amores, crescimento dos meus filhos. É como se fosse uma autobiografia disfarçada, porque está tudo ali, mas filtrado pela literatura.”No papo com Paulo Lima, ela também fala sobre envelhecimento, menopausa e redes sociais. “Sempre gostei muito do Instagram porque ele me dava um canal direto, sem precisar da aprovação de ninguém. Eu podia falar o que queria, no meu tom, do meu jeito. Mas hoje estou de saco cheio. Talvez eu tenha menos público por isso, mas é o que eu posso dar. Minha bateria social está menor, e o que eu tenho para oferecer de mais verdadeiro talvez esteja no que escrevo, não no que posto o tempo todo."O programa fica disponível no Spotify e no site da Trip!Maria Ribeiro acaba de lançar uma coletânea de mais de 70 textos publicada pela Editora Record.Catarina Ribeiro @catarinaribeir.oeditarremoverNo livro, você fala de um período muito marcante, que coincidiu com a chegada da menopausa. Como foi atravessar esse momento?Maria Ribeiro. A menopausa foi um marco muito forte. Minha mãe caiu e quebrou o fêmur e, na mesma época, meu estrogênio despencou. Foi um ano de quedas — físicas, hormonais e simbólicas. É duro porque para a mulher o envelhecimento ainda é mais cruel. Os homens continuam vistos como interessantes, enquanto a gente precisa encarar a pergunta: quem eu sou se não for mais a “atraente” da história? No começo é difícil, mas depois do buraco vem também uma libertação.Você costuma dizer que pensa na morte todos os dias. Como isso afeta o seu jeito de viver? Penso na morte todo dia, e isso me dá uma consciência muito clara de que o meu tempo é o que tenho de mais precioso. Quando percebo que algo está me roubando tempo, seja raiva, ressentimento ou situações que me esgotam, eu corto. Hoje escolho muito melhor onde e com quem quero estar. Gosto de lembrar de uma frase do Gonçalo Tavares: “Aquele que vai morrer hoje toma um café com um pastel de nata”. Então, se eu for morrer hoje, que seja aproveitando a conversa, a música, o encontro.A Anitta escreveu o prefácio do seu livro. Como nasceu essa amizade? Demos um match inacreditável logo de cara. Temos uma história de amor. A gente se diz a verdade — e isso é raríssimo. Ela já me ligou para dizer que eu mandei mal num texto, que eu não deveria falar de algo que não conhecia. E eu também digo para ela o que acho que precisa ser dito. Isso, para mim, é amor. Ela me apresenta um Brasil que eu não conhecia e que quero conhecer mais.

Alexandre Caldini deixou o mundo corporativo para mergulhar na filosofia espírita. Ele não quer pregar nada, mas sim provocar reflexão Quanto mais você se sente ‘certo', mais risco corre de se achar especial demais”, diz Alexandre Caldini. “A vaidade disfarçada de sabedoria é traiçoeira. Melhor seguir tentando, sabendo que erramos muito, mas podemos errar um pouco menos amanhã.”Depois de uma carreira no topo do mercado editorial, ocupando a presidência de empresas como a Editora Abril e o jornal Valor Econômico, ele decidiu trocar os relatórios pelo mergulho na vida interior – e passou a se dedicar integralmente ao estudo e à divulgação da filosofia espírita. “Queria falar de sentido, de presença, de escolhas. Consegui parar e me dedicar ao que realmente me move”, diz. Com uma abordagem racional e nada dogmática, o escritor e palestrante propõe o espiritismo como ferramenta de autoconhecimento, ética e transformação pessoal. “Evitar conversas sobre aborto, eutanásia e suicídio empurra as pessoas para o medo. Falar sobre isso com honestidade é uma forma de cuidado coletivo.” No Trip FM, Caldini bate um papo com Paulo Lima sobre o cansaço do mundo do lucro, os limites do ego, a ilusão da meritocracia e o valor de pensar com liberdade. Você ouvir o programa completo no play aqui em cima ou no Spotify. Você vinha de uma carreira no topo do mercado editorial. O que te fez mudar completamente de rumo? Alexandre Caldini. Já presidindo a Editora Abril, depois o Valor Econômico, eu estava cansadão. A vida corporativa é exigente, intensa. Chega uma hora que você pensa: cara, eu quero fazer outra coisa. Acumulei uma graninha, consegui me organizar financeiramente, e fui fazer o que gosto. Tem gente que adora surfar. Eu adoro estudar espiritismo, escrever, dar palestra. É isso que me faz vibrar. Quando vejo, passaram cinco horas e eu nem percebi. É o que me dá tesão de viver. Seu novo livro fala de temas polêmicos como aborto, eutanásia e suicídio. Por que decidiu entrar nessas questões? Porque são temas que estão aí, na vida das pessoas. E eu acho que a gente precisa falar sobre eles. Mesmo sabendo que a maior parte do movimento espírita é conservadora, eu quis colocar essas discussões no livro. Não é pra dar lição de moral, nem pra dizer o que é certo ou errado. É pra provocar reflexão, com honestidade intelectual. O que não dá é pra fingir que esses assuntos não existem ou achar que são simples. São complexos, delicados – por isso mesmo, precisam ser tratados com respeito e abertura. Você também fala muito sobre ego e vaidade. Como lida com isso pessoalmente? O risco de se achar iluminado é gigante. Ainda mais quando as pessoas começam a te ouvir, a te elogiar. Tem que vigiar o ego o tempo todo. Eu sou só um cara tentando entender as coisas, refletindo. Como dizia o Cortella: “vós sois mortal”. A gente está aqui de passagem. Quando começo a achar que sei demais, tento lembrar que estou só devolvendo ideias que eu mesmo recebi. Ninguém é dono da verdade. No máximo, a gente compartilha dúvidas bem pensadas.

Dono de um Grammy Latino e parceiro de Caetano, Milton e Ney, o cantor fala de liberdade, afeto e o risco de se colocar inteiro no palco Aos 28 anos, Zé Ibarra é um dos artistas contemporâneos mais inquietos e inventivos da música brasileira. Cantor, compositor, pianista e arranjador, ele ganhou o Grammy Latino com a banda Bala Desejo e construiu parcerias marcantes com nomes como Ney Matogrosso, Gal Costa e Milton Nascimento, com quem dividiu o palco em sua turnê de despedida. No Trip FM, Ibarra conta da infância no Rio cercada por liberdade e descobertas, da paixão precoce pela música, revela bastidores de Afim, seu novo disco solo, e fala sobre a coragem de se colocar inteiro no palco. “Eu quero suportar o medo dos olhares na minha pele. Isso me faz sentir grande. Quando estou inteiro e as pessoas estão comigo, é genial”, diz. “A vida anda quando a gente tem coragem. Quando a gente se esconde, ela trava.” Em um papo com Paulo Lima, o artista reflete ainda sobre o corpo como linguagem, o mercado musical que marginaliza o risco e a erosão afetiva provocada pelas redes sociais. “A internet prometeu conexão e entregou o oposto. A gente está perdendo a capacidade de sentir.” Você pode ouvir esse papo no play aqui em cima ou no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/07/6883e134b2558/ze-ibarra-musico-carioca-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Mariana Blum / Divulgação; LEGEND=Ze Ibarra; ALT_TEXT=Ze Ibarra] Você fala muito sobre estar inteiro no palco. O que isso significa pra você? Zé Ibarra. Quando eu consigo ser exatamente o que eu sou, inteiro, e as pessoas estão ali comigo, é genial. Eu quero suportar o medo dos olhares na minha pele. Isso me faz sentir grande. Não visto uma persona pra me proteger. Eu quero estar ali como sou, mesmo que seja desconfortável, mesmo que doa. Porque é só assim que a coisa acontece de verdade. Você já falou abertamente sobre depressão. Como foi atravessar esse período? Eu tive depressão durante anos. Primeiro sem saber o que era. Só aos 19 eu tive um insight: “Eu tô com depressão”. Foi quando comecei a me tratar. E mesmo depois de melhorar, os ecos ficam – o medo de voltar, o medo de acordar daquele jeito. Hoje eu sei: melhor fazer qualquer coisa do que não fazer. A vida anda quando a gente tem coragem. Quando a gente se esconde, ela trava. Como você enxerga o impacto das redes sociais na vida e na arte? A internet prometeu conexão e entregou o oposto. Todo mundo quer parecer melhor do que é, e isso está erodindo os sentimentos. Amor, angústia, saudade – tudo isso foi construído ao longo da história da humanidade. Mas agora parece que a gente está perdendo o vocabulário emocional. Eu tenho horror disso tudo, mas nesse momento eu me rendi: é o jogo. Então vou jogar, mas com consciência do que ele faz. Você acha que a gente vive uma crise de criação? A gente vive uma crise de imaginação. Porque não tem mais tempo de contemplar, de ficar em silêncio, de fechar os olhos acordado. Sem isso, não se cria. Não se sonha. O mundo virou uma pornografia de mercado, de lucro. Os objetos, a roupa, tudo foi pensado pra ser barato, rápido, efêmero. E isso mexe com o tempo das coisas, até com o tempo da arte. Você acredita em dom? Eu penso muito sobre esse negócio de dom. Mas a verdade é que eu nasci pra música. Desde muito pequeno, eu sentia um prazer com som que é impossível de descrever. Mas cantar não foi dom. Comecei com 12 anos e nunca mais parei. Foi obsessão. Faço aula há 8 anos sem falhar uma terça. Estudo mesmo. E é isso que me move hoje. Como foi lidar com o sucesso tão cedo? Ganhar prêmio com 15 anos me deixou meio maluco. Veio uma vaidade precoce, depois uma crise forte. Fiquei anos em depressão. Hoje sei: o que quer que eu faça, é melhor do que não fazer. Não precisa ser genial. Tem que ser honesto. A vida anda quando a gente tem coragem. Quando a gente se esconde, ela trava. O que as redes sociais estão fazendo com a gente? O jogo das redes é perverso. Os likes, os algoritmos, tudo isso molda quem a gente é – ou quem a gente acha que tem que ser. E isso está destruindo a nossa capacidade de sentir. Amor, angústia, saudade: esses sentimentos são construídos ao longo da história. E agora estão sendo diluídos. A internet prometeu conexão. Mas entregou o oposto. Você vê espaço pra arte fora da lógica do mercado? A música feita pra vender sempre existiu. Nos anos 70, quem bancava Chico e Caetano eram os artistas comerciais. A diferença é que antes havia espaço para a aposta, para o erro. Hoje não há mais. A indústria quer lucro imediato. Mas ainda tem muita gente fazendo coisa linda. Só que sem grana, sem estrutura, essas pessoas não aparecem.

Atriz fala sem filtro sobre sexo, envelhecimento, conservadorismo, identidade de gênero, relacionamentos e fama tardia Aos 60 anos, Nany People é uma força da natureza: são cinco décadas de palco, quatro desde que trocou o interior de Minas pela capital paulista e três na televisão brasileira, onde foi uma das primeiras mulheres trans a ocupar espaço com dignidade, inteligência e humor — mesmo quando o país ainda não sabia bem como lidar com isso. “O fato de eu existir como sou já é um ato político. Ir na padaria comprar pão, entrar num hotel cinco estrelas pela porta da frente, lançar um livro, contar minha história, estar viva: tudo isso é um posicionamento. Não preciso subir em palanque. O meu partido sou eu", afirma. No Trip FM, a atriz e humorista fala da infância em que cantar veio antes de falar, da mãe que a acolheu quando o mundo queria reprimir, da coragem de se afirmar, da vida afetiva, do envelhecer com prazer e dos altos e baixos de uma trajetória feita de escolha, entrega e muita persistência. “Eu abri mão de vida pessoal. Sepultei minha mãe numa sexta e no sábado estava no palco, porque eu precisava de teatro pra acontecer, pra estar viva", conta. No papo com Paulo Lima, Nany também divide sua visão sobre os limites do humor: “A comédia sempre me salvou. Brecht dizia: qualquer discurso, pra ser pertinente, tem que ser bem-humorado. Mesmo brincando, falei aquilo que eu pensava. O humor me deu condição de rir comigo mesma, não rir de mim. Agora, fazer humor da desgraça alheia é humor de vampiro. O novo sempre vem.” E completa: “A vida é uma transa: tem que ser gostosa, divertida, fluente e é preciso estar lubrificada pro orgasmo ser bom.” O programa fica disponível no Spotify e no play aqui em cima. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/07/687a84bf654f4/nany-people-humorista-drag-mulher-trans-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Moisés Pazianotto; LEGEND=Nany People; ALT_TEXT=Nany People] O humor te salvou? De que forma? Nany People. A comédia sempre me salvou. Sempre. Todas as vezes em que a vida ficou dura demais comigo, foi o humor que me deu respiro. Eu transformei tragédia em catarse, em riso. Eu lembro do que o Bertolt Brecht dizia: qualquer discurso, pra ser pertinente, tem que ser bem-humorado. E eu acredito muito nisso. Mesmo quando estou brincando, estou falando sério. O humor me reposicionou, me deu a chance de existir no palco, na TV, nas entrevistas. Mas não é aquele humor que ri de mim. É o que ri comigo. Tem uma diferença enorme. E tem mais: fazer humor da desgraça alheia é humor de vampiro. Eu nunca fui disso. Eu faço humor com consciência, porque ele foi minha maior ferramenta de sobrevivência. Qual o impacto real de conquistar o nome social? Foi libertador. Um reconhecimento do Estado brasileiro. Um pedaço de papel que parece burocracia, mas muda tudo. Antes, era aquele constrangimento… O sorrisinho amarelo do recepcionista, o nome de batismo que te obriga a levantar na sala do médico, o crachá errado na portaria do hotel. Quando você vê seu nome, a sua foto, o gênero certo, você entende: a minha existência foi validada. Não é mais favor, é direito. O nome social acaba com esse vazio entre o que você é e o que o mundo vê. Eu brinco que agora está escrito ali: Dona Nany People. Está certo. Está inteiro. É isso. Acabou. Você já abriu mão da vida pessoal pela carreira. Se arrepende? Eu abri mão da vida pessoal, sim, mas não me arrependo. Eu sepultei minha mãe numa sexta-feira e no sábado já estava no palco. Não porque eu sou fria, mas porque é ali que eu me sinto viva. É ali que eu existo. O teatro é meu amante, meu marido, meu pior funcionário. E é meu maior amor. Eu sempre priorizei minha vida profissional. Quando alguma paixão tentava me tirar desse caminho, eu lembrava do que minha mãe me disse lá atrás: “Homem tira o nosso brilho em função de um poder próprio. Cuidado pra não abrir mão dos seus sonhos.” Eu ouvi. E escolhi. Até hoje. Porque estar no palco é estar inteira. É estar em mim.

Conheça o jurista que tem coragem e conhecimento para enfrentar e apontar as mazelas do nosso judiciário Professor de Direito Constitucional da USP, pesquisador e colunista, Conrado Hübner Mendes trocou a prática jurídica pela vida acadêmica em tempo integral, se fascinou pela pesquisa e encontrou na universidade o espaço para exercer uma crítica independente ao poder: “Esse prazer da independência da universidade é você poder criticar e tentar quebrar essa tradição de deferência interessada. Eu não vou criticar porque espero algo daquela pessoa.” Conrado denuncia a magistocracia, termo que usa para definir parte da elite do Judiciário que, segundo ele, “são autoritários, recorrem a métodos corruptos e ilegais para a acumulação de privilégios”. “Não me refiro a todos os juízes, mas a uma fração muito relevante, que domina as cúpulas do Judiciário", explica. Ele aponta para a fragilidade de confiar em uma única instituição para garantir e resguardar nossa liberdade. "É muito ingênuo achar que a gente tem no Supremo Tribunal Federal um grande lastro para proteger a democracia — não temos", diz. "O fato da democracia não ter sido destruída em 2022 e 2023 não prova as virtudes do STF, e sim que houve mobilização de muitos setores da sociedade. Mesmo que, por ora, tudo pareça ter 'dado certo', isso é sempre provisório. Temos um futuro um pouco sombrio politicamente para enfrentar". No papo com Paulo Lima, ela fala sobre os vícios e virtudes do STF, pondera sobre Alexandre de Moraes e é taxativo sobre o 8 de janeiro: “É claro que foi um crime gravíssimo, com provas, com autoria e que precisava ser julgado com rigor.” O programa fica disponível no Spotify e no play aqui em cima. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/07/68683bc864f92/conrado-mendes-jurista-stf-congresso-direito-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Conrado Hübner Mendes; ALT_TEXT=Conrado Hübner Mendes] Por que você diz que existem inimigos internos e externos no STF? Conrado Hübner Mendes. O bolsonarismo é um grande inimigo externo do STF. Ministros promíscuos são inimigos internos da instituição do STF. Eles não querem explodir o STF, eles querem instrumentalizar o STF para os seus próprios benefícios. Qual é exatamente a linha da sua crítica? A linha da minha crítica é: esses caras são autoritários, recorrem a métodos corruptos e ilegais para a acumulação de privilégios. Eles desrespeitam direitos, apesar de usarem um discurso de defesa do direito. É importante dizer isso com clareza, é não ter deferência; é presumir que eles, sendo autoridade, têm autoridade legítima para fazer o que fazem, mas que podem errar grosseiramente. E quando erram, precisam ser criticados. Eu acho que essa é uma das principais funções do pesquisador, do professor de Direito que está numa universidade que protege a sua liberdade e independência: criticar e tentar quebrar essa tradição de deferência interessada, porque é disso que depende a saúde da democracia. O que você pensa sobre essa ideia de que o Supremo salvou a democracia? Existe uma postura bastante disseminada hoje: ‘graças ao Supremo a democracia foi salva'. Essa versão é muito condescendente com falhas do Supremo. É muito ingênuo, do ponto de vista histórico e político, achar que a gente tem no STF um grande lastro para proteger a democracia — não temos. O fato da democracia não ter morrido em 2022 e 2023 não é sinal das virtudes do STF, é sinal de que muita gente se mobilizou e, naquele momento, não aconteceu. A gente precisa de uma crítica, de fazer uma análise sincera, crítica e construtiva dos erros que o STF comete e do quão frágil ele se torna ao cometer esses erros. Porque ainda que pareça ter dado certo, dar certo é sempre uma resposta provisória; a gente tem um futuro um pouco sombrio politicamente para enfrentar. Por que você trocou a prática jurídica pela vida acadêmica? Eu deixei de fazer a prática jurídica e mergulhei na atividade acadêmica em tempo integral, me fascinei com isso e estou nisso até hoje. Esse prazer da independência da universidade é: você pode criticar e tentar quebrar essa tradição que se explica não só pelo medo, mas por uma deferência interessada, muita deferência, muito temor reverencial. Eu acho que esse é um dos principais privilégios e luxos da vida acadêmica: estar numa universidade que protege a tua liberdade, a sua independência.

Revelação da MPB, o artista fala sobre racismo, redes sociais, resistências e desistências “Na primeira vez que fiz mercado com dinheiro que ganhei tocando violão, eu chorei. Porque ouvi a vida inteira que música não dava dinheiro”, disse o cantor e compositor Jota.Pê. No Trip FM, ele compartilha detalhes de sua trajetória artística, das noites tocando para ninguém em bares ao Grammy Latino. Nascido em Osasco (SP), o artista participou do The Voice Brasil em 2017 e, apesar de não ter vencido o programa, conquistou em 2024 três estatuetas do Grammy Latino — entre elas, a de Melhor Canção em Língua Portuguesa por Ouro Marrom. A música nasceu da raiva, mas virou força: “Comecei escrevendo a letra com raiva, mas lembrei que a negritude não é só dor. Também somos celebração, cultura, saber. No fim, a música diz: que a gente suba o tom se for preciso, mas que nossas filhas vejam mais amor do que nós.” No papo com Paulo Lima, Jota.Pê fala com franqueza sobre os desafios de viver de arte no Brasil. “Existe um tipo de sorte que acontece quando o talento encontra uma oportunidade. E essas oportunidades estão sempre na mão das mesmas pessoas. Até a gente virar esse jogo, vai demorar muito”, reflete. O artista também compartilhou episódios marcantes de sua vida, como o racismo e a violência policial que sofreu na adolescência: “Eu tinha uns 13 anos e estava indo comprar pão quando fui parado pela polícia com uma arma apontada para a minha cabeça. Foram 15 minutos tentando convencer que eu só estava indo à padaria. Aquilo moldou muita coisa em mim.” O programa fica disponível no Spotify e no play aqui em cima. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/06/685efd21607f1/jotape-musica-artista-cantor-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Dani Ferreira / Divulgação ; LEGEND=Jota.Pê (@jota.peoficial), cantor e compositor; ALT_TEXT=Jota.Pê (@jota.peoficial), cantor e compositor] Você tentou não ser músico. O que fez você desistir de desistir? Jota.Pê. Cara, eu realmente tentei muito não ser músico. Fiz faculdade de design, publicidade, trabalhei em gráfica, produtora de vídeo, na IBM… Mas não era bom em nada disso como sou tocando violão. Chegou um ponto em que pensei: a música vai ter que me dar dinheiro mesmo, porque eu não sou feliz fazendo outra coisa. Tinha que dar certo, não tinha outra opção. Na música “Ouro Marrom”, você transformou a raiva em outra coisa. Como foi esse processo? Foi exatamente isso. Eu comecei escrevendo com raiva — porque ser preto no Brasil traz indignação. Mas me lembrei que a gente não é só dor, somos também celebração, cultura, saber. Fiz questão de manter as duas coisas, mas no final deixar a mensagem: a gente enfrenta e vai ser feliz sim; que a gente suba o tom se for preciso, mas que nossas filhas vejam mais amor que nós. Você acha que só talento basta? Tem uma frase que parece de coach, mas eu acredito muito: existe um tipo de sorte que acontece quando o talento encontra uma oportunidade. Conheço artistas geniais que desistiram porque, se fossem tocar naquele barzinho de graça, no dia seguinte não comiam. Eu tive o privilégio de ter pai e mãe, uma casa pra voltar, alguém que dissesse “vem gravar, paga como puder”. Sem oportunidade, a gente não chega lá.

Especialista em direito canábico, o advogado Emílio Figueiredo fala sobre os avanços da última década, criminalização e o futuro verde Reconhecido como uma das maiores autoridades do país em casos que envolvem a liberação do cultivo da cannabis para fins medicinais, o advogado Emílio Figueiredo é o convidado do Trip FM. Com um olhar profundo, apaixonado e pessoal sobre o chamado “direito canábico”, Emílio une militância e experiência jurídica em uma causa que, para ele, começou em casa. “Cresci sentindo o cheiro da cannabis, reconhecendo no olhar do meu pai quando ele estava mais leve, paciente, amoroso, pronto pra brincar. É esse o efeito da cannabis: ela traz leveza, bem-estar. O uso recreativo não é algo vazio, ele ajuda o corpo a reencontrar seu equilíbrio”, diz. O despertar para o ativismo veio no início da faculdade de Direito, quando o pai enfrentou um câncer de estômago em 2000 e foi orientado por um oncologista a recorrer à cannabis para suportar os efeitos da quimioterapia. Usuário e cultivador doméstico da cannabis, Emílio denuncia a violência contra as periferias e a população preta no Brasil no contexto da guerra às drogas e defende a regulamentação como ferramenta de justiça social: “A maior parte do dinheiro da produção e consumo ainda circula no mercado ilegal. O Estado se recusa a regulamentar, quando poderia usar isso como caminho para a paz social." Além dos aspectos jurídicos, Emílio destaca o crescimento do ecossistema canábico no Brasil, que inclui empresas, pesquisadores, advogados, médicos e diversos profissionais especializados no ramo. De olho na crise climática, o advogado também chama atenção para o potencial sustentável da planta: “Todo mundo fala da ‘verdinha', mas a indústria da cannabis precisa ser verde de verdade, não só no marketing. Ela tem um grande potencial ecológico", afirma. "Muito antes dos usos medicinal ou recreativo, já servia como matéria-prima para cordas, roupas, papel e alimentos. Hoje já se fala até em bateria feita de maconha. A gente tem a chance de criar uma nova matriz produtiva, útil pra humanidade e que não jogue o planeta no lixo.” Você pode ouvir esse papo completo no play aqui em cima e no Spotify ou ler um trechinho abaixo. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/06/684c76ca37477/emilio-figueiredo-maconha-cannabis-plantio-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Doutor Cannabis: Emílio Figueiredo; ALT_TEXT=Doutor Cannabis: Emílio Figueiredo] Como surgiu sua relação com a cannabis? Emílio Figueiredo. A cannabis sempre foi algo familiar pra mim porque meu pai usava. Cresci sentindo o cheiro, reconhecendo no olhar dele quando estava mais leve, paciente, amoroso — pronto pra brincar. É esse o efeito da cannabis: ela traz leveza, bem-estar. O uso recreativo da cannabis não é algo vazio, ele ajuda o corpo a reencontrar seu equilíbrio. Você sente que houve mudanças no debate sobre a maconha no Brasil? Juridicamente, o cenário mudou muito. Há 15 anos, não era possível falar publicamente sobre cannabis sem o risco de ser acusado de apologia ao crime. A gente não podia criticar a proibição nem defender a legalização como um caminho possível. Hoje, milhares de pessoas são autorizadas a cultivar cannabis para uso medicinal sem serem consideradas criminosas. A luta é para que isso passe a ser um direito de todos. Como você vê a relação entre a criminalização da cannabis e a violência no Brasil? A violência de Estado contra as periferias, contra a população preta e pobre, sempre foi a marca da questão da cannabis no Brasil. E o mais grave é que seguimos sem perspectiva de mudança. Não há reparação histórica, não há justiça de transição, não há um pacto de paz para a sociedade. Você acredita que o mercado canábico está se consolidando no Brasil? Sem dúvida. O negócio da cannabis no Brasil tomou uma proporção enorme. Tem empresa surgindo, muita pesquisa científica rolando, médicos prescrevendo — e outros profissionais, como dentistas, veterinários, biomédicos, fisioterapeutas, lutando para prescrever. Centenas de advogados atuam com processos relacionados à cannabis, tem contadores, produtores de evento, despachantes e até agências de emprego especializados no mercado canábico. É um ecossistema inteiro se formando. E no contexto ambiental? A cannabis pode ter um papel relevante? Todo mundo fala da ‘verdinha', mas, diante da crise climática, a indústria da cannabis precisa ser verde de verdade, não só no marketing. Ela tem um grande potencial ecológico. Muito antes dos usos medicinal ou recreativo, já servia como matéria-prima para cordas, roupas, papel e alimentos. Hoje já se fala até em bateria feita de maconha. A gente tem a chance de criar uma nova matriz produtiva, útil pra humanidade e que não jogue o planeta no lixo.

O jogador fala da paixão pelo campo, medo da aposentadoria, danos no corpo, saúde mental, racismo e futebol como ferramenta de transformação Jogador titular do Flamengo, Danilo Luiz também sente o peso de vestir a camisa da Seleção Brasileira de Futebol ao ser convocado para os jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Aos 33 anos – 16 deles vividos como jogador profissional –, o atleta entende o futebol não apenas como o lugar de seus feitos, mas como uma ferramenta de transformação: sua, da sua família, e de quem ele puder alcançar. Mas o craque não limita sua atuação às quatro linhas. "Nós somos múltiplos, temos várias habilidades, olhares diferentes dependendo do momento de vida. Posso ser um atleta bem-sucedido, ganhar dinheiro, ter uma vida bacana e, ainda assim, ser a pessoa que eu quiser, falar do que eu quiser", afirma. Danilo Luiz abre o coração no Trip FM sobre o que ainda o impulsiona na carreira e a proximidade de sua aposentadoria. "O fim não está muito longe e fico me fazendo essas perguntas: o que vai acontecer com esse espaço? Como vou substituir isso?", refletiu. "Hoje, me custa muito mais a preparação física, os treinos, as viagens, os sacrifícios. Mas o jogo vale tudo." No papo com Paulo Lima, o craque fala sobre racismo, saúde mental e responsabilidade e também conta de seus projetos fora de campo, como a Voz Futura, plataforma de comunicação voltada para a educação e o entretenimento. O programa fica disponível no Spotify e no site da Trip. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/06/6842f9011b91b/danilo-luiz-zagueiro-selecao-brasileira-futebol-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Lucas Figueiredo; LEGEND=Danilo Luiz; ALT_TEXT=Danilo Luiz] Trip. O que ainda te move depois de tantos anos de carreira? Danilo Luiz. Eu já levo muitos anos de profissão e muitas coisas hoje em dia me custam mais: a preparação, os treinos, as viagens, os sacrifícios. Mas o jogo… Eu sou viciado pelo jogo. A sensação, a incerteza, ser levado ao limite, a concentração necessária, o jogo mental, as nuances… É difícil descrever, mas é isso que me move. É uma rotina que nem sempre é prazerosa, né? A gente tem que ser honesto quando fala para o público e para as próximas gerações que se inspiram em nós: é duro. Em alguns momentos não é nada bacana, não é com prazer, é de cara feia, por obrigação. Mas o resultado final, o jogo… Sabe aquela coisa ali do palco? Aquilo, sim, vale a pena. Você já pensa no fim da sua carreira? Eu acredito que o fim da minha carreira não está muito longe e fico me perguntando: o que vai acontecer com esse espaço? Vou tentando já fazer várias outras atividades, me imaginar em outros cenários… Faço tantas outras coisas justamente por isso. E como você lida com essa transição? A gente tem a mania de se definir por uma linha só, por um nicho. Eu acredito que isso é limitar o potencial de cada ser humano. Nós somos múltiplos, temos várias habilidades, olhares diferentes que dependem do momento de vida, da idade, da experiência. Eu posso ser um atleta bem-sucedido, ganhar dinheiro, ter uma vida bacana e, ainda assim, ser a pessoa que eu quiser, falar do que eu quiser. Você acha que existe uma imagem distorcida do atleta? A gente muitas vezes se faz ver da maneira equivocada, só nos momentos de sucesso, de êxtase, de felicidade. E ao se mostrar só assim, você traz uma certa carga de super-herói, de superstar… Mas vai chegar o momento difícil, em que você vai estar em baixa, e aí as pessoas se perguntam: como assim ele está precisando de suporte? Então acho que aqui se trata muito mais de humanizar a forma como a gente se faz ver. O cuidado com a saúde mental tem a ver com isso? Se você não tiver humanamente bem, é impossível que você performe. Você pode até performar por um tempo, mas é impossível se manter no topo tanto tempo. Humanamente bem não quer dizer estar sempre feliz ou satisfeito, mas sim ser capaz de lidar com as questões que vão surgindo, com os desafios.

O artista fala sobre o ABC, fase pós-Exaltasamba, impacto do álcool, perda de 50kg, reencontro com Angola e o envelhecer “Aos 55 anos, encaro a finitude como algo inevitável. A certeza é que a gente vai permanecer de alguma forma, seja através dos filhos, da obra, dos frutos que deixamos. Quando pensamos assim, a morte deixa de ser um tabu", diz Péricles. Dono de uma das vozes mais marcantes do samba e do pagode brasileiros, ele bateu um papo sincero com Paulo Lima no Trip FM. Na conversa, que vai muito além da música, Péricles fala sobre saúde, paternidade, racismo, espiritualidade, reinvenção e legado – sempre com a generosidade de quem não tem medo de se mostrar por inteiro. O artista também relembra sua infância no ABC paulista e divide momentos delicados como o impacto do álcool em sua vida. “A bebida por muito tempo foi uma fuga. Mas não dá pra você se esconder nisso durante muito tempo porque a vida segue e você tem que continuar, senão fica para trás”, afirma. O músico também compartilha a experiência emocionante de uma viagem a Angola – um reencontro com suas raízes: “Era como se as pessoas fossem meus primos, meus irmãos. Minha família veio de Angola, é algo que mexe muito com a gente. Mas aqui é o meu lugar, foi onde eu nasci. E é aqui que eu tenho que fazer a minha revolução." [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/05/682f838d07b3b/pericles-cantor-samba-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Rodolfo Magalhãe / Divulgação; LEGEND=Péricles; ALT_TEXT=Péricles] Você já falou sobre a importância de parar para se cuidar. Quando isso virou uma urgência para você? Péricles. Eu precisava parar para poder me cuidar. A gente entrou numa... como é que eu posso dizer... a gente estava no olho do furacão, emendando um trabalho no outro, e eu não conseguia parar. Quando a Maria Helena nasceu, eu entendi que precisava ter saúde para cuidar dela. Como foi passar por isso durante a pandemia? Eu peguei Covid, como várias outras pessoas. Na primeira vez, fiquei 20 dias isolado, sem falar com ninguém. Assim que melhorei, minha esposa ficou mais 15 dias isolada. E tudo isso aconteceu bem na época do nascimento da nossa filha. Foi aí que você decidiu mudar de vida? Sim. Foi nesse momento que a gente reciclou as ideias. Comecei a me cuidar mais, com acompanhamento médico. E aprendi que não existe fórmula mágica: alimentação, exercício e cuidado médico. Esse é o tripé. Não conheço outra forma de vencer. Você cresceu no ABC paulista. Como foi esse ambiente na sua formação? Fui criado num bairro perto de várias saídas do ABC para São Paulo. Tinha de tudo: espanhóis, italianos, nordestinos, negros. E a gente era criado igual. Só anos depois fui entender o que era o preconceito. Na infância, isso não existia pra gente. Você já falou abertamente sobre o álcool. Como foi esse processo? Bebi muito. Durante um tempo, a bebida foi uma fuga. Mas a verdade é que isso não funciona. Quando você começa a perder rendimento, percebe que essa fuga não resolve. Você acorda todo dia e a vida continua. Se você não continua também, fica pra trás.

Vilma Eid vive e estuda a arte popular há 40 anos. A galerista fala de talento, preconceito e o deslumbramento recente da "elite" Com uma das maiores defensoras da arte popular brasileira, Vilma Eid nunca pensou em desistir – nem mesmo quando passou quatro anos tocando uma galeria sem vender uma única obra. “Nunca me ocorreu dizer: não vou mais trabalhar com isso", disse a diretora artística e fundadora da Galeria Estação, em São Paulo. No Trip FM, ela conta como resistiu ao preconceito do mercado ao valorizar obras de estilos artísticos sub-representados no país. “A SP-Arte, principal feira de arte da América Latina, levou quatro anos para me aceitar. Diziam: ‘Os outros galeristas não querem uma galeria de arte popular'. Nunca levei para o lado pessoal. Mas, pra mim, o que mais doía era ver meu trabalho e, principalmente, os meus artistas, sendo colocados de lado.” No papo com Paulo Lima, ela também relembra momentos inusitados – como a vez em que andou com uma tela de Marc Chagall, um dos pintores mais importantes do Surrealismo, no porta-malas do carro, sem seguro ou embalagem. Hoje, parte da coleção pessoal de Vilma está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, na exposição "Em cada canto", que reúne mais de cem obras e propõe um diálogo entre a arte popular, a moderna e a contemporânea, desafiando as classificações tradicionais – exatamente como Vilma sempre defendeu. "Às vezes eu mesma me pergunto como é que eu soube que esse era o caminho, não foi uma escolha racional. Era uma necessidade minha”, disse. O programa fica disponível no Spotify e no site da Trip! [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/05/68273e255712c/vilma-eid-galerista-arte-popular-brasileira-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=; LEGEND=; ALT_TEXT=] Você já pensou em desistir da arte em algum momento? Vilma Eid. Nunca me ocorreu dizer: “Não, eu não vou mais trabalhar com isso, vou procurar outra coisa”. Não me ocorreu. Eu sofri muito preconceito, assim como esses artistas sempre sofreram. Mas não era uma escolha racional. Era uma necessidade minha. Às vezes eu me pergunto como é que eu soube que esse era o caminho... Mas é porque era o que eu precisava fazer. Houve um período difícil no começo da galeria? A gente passou quatro anos sem vender nada. As pessoas vinham aqui porque tinham ouvido falar que a galeria era bonita, um espaço novo e tal. Entravam e perguntavam: “Isso aqui é do município? É do estado?” A SP-Arte levou quatro anos para me aceitar. As desculpas eram várias: “Os outros galeristas não querem uma galeria de arte popular”. Nunca levei isso pro lado pessoal. Mas, pra mim, o mais dolorido era pelo meu trabalho, pelos meus artistas. Como você enxerga o mercado de arte hoje? As pessoas estão usando muito o termo... Não é mais arte, é commodities. Outro dia, um jovem virou pra mim e disse: “Esse mercado que você está descrevendo, Vilma, não existe mais”. Pois é. Eu não fui preparada para o mercado de hoje. Eu vejo com muita ressalva essa euforia, que nem sempre é verdadeira. Parece que a gente tem que dizer que a exposição foi um sucesso, que vendeu não sei quantas obras, que faturou não sei quanto... Senão o cliente não acredita. E o reconhecimento internacional? Como você vê esse movimento recente? O Sul Global virou 'moda' e, de certa forma, a gente ganha com isso. Há um entendimento crescente nos EUA e na Europa de que é preciso olhar além do próprio umbigo. Mas ainda é um fenômeno mais geopolítico do que artístico. Mesmo Tarsila do Amaral, com toda a sua relevância, só teve sua primeira grande exposição na Europa recentemente.

Rafael Dragaud fala sobre arte com propósito, bastidores da TV, parcerias com Regina Casé, Paulo Gustavo e o desafio de dirigir turnê do Gil Rafael Dragaud é o diretor artístico da turnê Tempo Rei, a última da carreira de Gilberto Gil. No Trip FM, ele fala sobre o processo de criação do espetáculo e sobre o Brasil, esse país que “está eternamente acabando e renascendo" – ideia inspirada por uma conversa com o próprio Gil, que já foi sogro de Rafael durante seu casamento com Preta Gil. Com uma carreira que passa pela criação de programas de televisão, filmes e shows, Dragaud construiu uma trajetória que mistura cultura popular, reflexão política e transformação social. Roteirista de mais de dez longas, como Cinco Vezes Favela e Minha Mãe é uma Peça, ele dirigiu shows marcantes como Ivete no Maracanã, Ivete, Gil e Caetano e Batalha do Passinho. Fundador da Central Única das Favelas (Cufa) e vencedor de dois Grammys, o carioca de 53 anos também deixou sua marca na TV Globo com projetos como Falas Negras, Falas da Terra, Linha Direta e Amor & Sexo. Na conversa com Paulo Lima, o diretor artístico também reflete sobre a importância de um audiovisual com propósito – capaz de tocar, emocionar e mover estruturas. “As questões ligadas à desigualdade no Brasil passaram a me guiar. Como homem branco e hétero, entendi que, em projetos que abordassem esses temas, meu papel era apoiar e aprender com lutas que não são minhas, sem necessariamente ter a palavra final neles. Isso se tornou uma ética no meu processo criativo." O programa fica disponível no play aqui em cima e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/05/681e62a4b0445/rafael-dragaud-produtor-artisticos-globo-gilberto-gil-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Arquivo pessoal; LEGEND=Rafael Dragaud é o diretor artístico da turnê Tempo Rei, a última da carreira de Gilberto Gil.; ALT_TEXT=Rafael Dragaud é o diretor artístico da turnê Tempo Rei, a última da carreira de Gilberto Gil.] Você fala do Gilberto Gil com uma admiração muito especial. O que ele representa pra você? Rafael Dragaud. A verdade é que o Gil tem um quê de inexplicável, que é fascinante. É lógico que ele sintetiza o Brasil, é lógico que ele expande o Brasil. O Gil é um Brasil e o que o Brasil poderia ser — e o que o Brasil é. É um negócio muito louco. Ele é um orixá, mas também tem uma coisa católica... Junta todas as cosmogonias: é indígena, é africano, é brasileiro — e é muito ele. Ele é uma aula constante. Eu tô muito mergulhado nisso, inclusive, em estar o mais aberto possível pra essa aula. Pra mim, não é um trabalho fazer isso. Você deixou a Globo depois de 30 anos. O que te levou a fazer essa mudança? Eu tive uma fase muito profissional, industrial, foram 30 anos de TV Globo. E eu resolvi, ao sair da Globo, abraçar a artesania. Não tive assistente de direção nesse trabalho com o Gil, por exemplo. Eu escolhi cada foto, li cada livro, ouvi cada disco de novo. Mergulhei num processo totalmente artesanal. Claro que não abri mão do meu profissionalismo, porque ele tá em mim. Mas abracei um jeito mais artesanal de trabalhar. Fiquei um ano dedicado a isso. Essa mudança de processo também tem a ver com uma escuta mais atenta ao outro? Totalmente. Essas questões ligadas à desigualdade, à raça — que no Brasil são muito próximas — me direcionaram. E eu, como homem branco, hétero, estava apoiando e aprendendo sobre causas que não são as minhas. Em projetos assim, eu necessariamente não devo ser o protagonista, nem ter a palavra final. Isso combinou com a minha ética de processo. Porque, acima de tudo, por mais que eu seja vaidoso e egóico como muita gente, eu escuto mais do que a média. Eu escuto. Por fim, como você vê o Brasil hoje? O Brasil não tem futuro — e tem o maior futuro de todos. Ele está eternamente acabando e renascendo. A gente faz parte desse movimento o tempo todo. Se você olhar pra trás, esse padrão está lá. É que o Brasil está morrendo e renascendo desde que foi inventado. O Gil tem uma imagem linda: ele fala que o estado que ele busca é o do passarinho que pousa no tronco que desce o rio — ele está parado num movimento. É isso.

Rafael Dragaud fala sobre arte com propósito, bastidores da TV, parcerias com Regina Casé, Paulo Gustavo e o desafio de dirigir turnê do Gil Rafael Dragaud é o diretor artístico da turnê Tempo Rei, a última da carreira de Gilberto Gil. No Trip FM, ele fala sobre o processo de criação do espetáculo e sobre o Brasil, esse país que “está eternamente acabando e renascendo" – ideia inspirada por uma conversa com o próprio Gil, que já foi sogro de Rafael durante seu casamento com Preta Gil. Com uma carreira que passa pela criação de programas de televisão, filmes e shows, Dragaud construiu uma trajetória que mistura cultura popular, reflexão política e transformação social. Roteirista de mais de dez longas, como Cinco Vezes Favela e Minha Mãe é uma Peça, ele dirigiu shows marcantes como Ivete no Maracanã, Ivete, Gil e Caetano e Batalha do Passinho. Fundador da Central Única das Favelas (Cufa) e vencedor de dois Grammys, o carioca de 53 anos também deixou sua marca na TV Globo com projetos como Falas Negras, Falas da Terra, Linha Direta e Amor & Sexo. Na conversa com Paulo Lima, o diretor artístico também reflete sobre a importância de um audiovisual com propósito – capaz de tocar, emocionar e mover estruturas. “As questões ligadas à desigualdade no Brasil passaram a me guiar. Como homem branco e hétero, entendi que, em projetos que abordassem esses temas, meu papel era apoiar e aprender com lutas que não são minhas, sem necessariamente ter a palavra final neles. Isso se tornou uma ética no meu processo criativo." O programa fica disponível no play aqui em cima e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/05/681e62a4b0445/rafael-dragaud-produtor-artisticos-globo-gilberto-gil-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Arquivo pessoal; LEGEND=Rafael Dragaud é o diretor artístico da turnê Tempo Rei, a última da carreira de Gilberto Gil.; ALT_TEXT=Rafael Dragaud é o diretor artístico da turnê Tempo Rei, a última da carreira de Gilberto Gil.] Você fala do Gilberto Gil com uma admiração muito especial. O que ele representa pra você? Rafael Dragaud. A verdade é que o Gil tem um quê de inexplicável, que é fascinante. É lógico que ele sintetiza o Brasil, é lógico que ele expande o Brasil. O Gil é um Brasil e o que o Brasil poderia ser — e o que o Brasil é. É um negócio muito louco. Ele é um orixá, mas também tem uma coisa católica... Junta todas as cosmogonias: é indígena, é africano, é brasileiro — e é muito ele. Ele é uma aula constante. Eu tô muito mergulhado nisso, inclusive, em estar o mais aberto possível pra essa aula. Pra mim, não é um trabalho fazer isso. Você deixou a Globo depois de 30 anos. O que te levou a fazer essa mudança? Eu tive uma fase muito profissional, industrial, foram 30 anos de TV Globo. E eu resolvi, ao sair da Globo, abraçar a artesania. Não tive assistente de direção nesse trabalho com o Gil, por exemplo. Eu escolhi cada foto, li cada livro, ouvi cada disco de novo. Mergulhei num processo totalmente artesanal. Claro que não abri mão do meu profissionalismo, porque ele tá em mim. Mas abracei um jeito mais artesanal de trabalhar. Fiquei um ano dedicado a isso. Essa mudança de processo também tem a ver com uma escuta mais atenta ao outro? Totalmente. Essas questões ligadas à desigualdade, à raça — que no Brasil são muito próximas — me direcionaram. E eu, como homem branco, hétero, estava apoiando e aprendendo sobre causas que não são as minhas. Em projetos assim, eu necessariamente não devo ser o protagonista, nem ter a palavra final. Isso combinou com a minha ética de processo. Porque, acima de tudo, por mais que eu seja vaidoso e egóico como muita gente, eu escuto mais do que a média. Eu escuto. Por fim, como você vê o Brasil hoje? O Brasil não tem futuro — e tem o maior futuro de todos. Ele está eternamente acabando e renascendo. A gente faz parte desse movimento o tempo todo. Se você olhar pra trás, esse padrão está lá. É que o Brasil está morrendo e renascendo desde que foi inventado. O Gil tem uma imagem linda: ele fala que o estado que ele busca é o do passarinho que pousa no tronco que desce o rio — ele está parado num movimento. É isso.

Os efeitos psíquicos da pressão nas empresas, os desafios da fama, a crise do masculino e a urgência de reconstruir vínculos "Desde muito cedo, entendi que o sofrimento humano não vem de dentro. Nasce no encontro das pessoas com o seu tempo, país, condição social e com a sua religiosidade", diz o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral. No papo com Paulo Lima no Trip FM, o especialista mergulha em temas urgentes: burnout, masculinidade, pertencimento, infância e medicalização da vida. Com uma trajetória que inclui trabalho clínico, experiência em grandes empresas e participações em programas de TV, Alexandre é autor do best-seller "Cartas de um terapeuta para seus momentos de crise", que vendeu mais de 13 mil exemplares no Brasil. Agora, ele se prepara para lançar seu primeiro livro infantil, "De Onde Nascem as Perguntas?", uma obra poética que convida as crianças a enxergarem a dúvida como um caminho para o crescimento pessoal. Na entrevista, ele reflete sobre os desafios do nosso tempo e compartilha sinais de esperança, como o aumento de grupos masculinos de escuta, movimentos coletivos contra o individualismo e a redescoberta da natureza como forma de cura. O programa fica disponível no play aqui em cima e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/04/680bc50910a67/alexandre-coimbra-amaral-psicologo-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Alexandre Coimbra Amaral; ALT_TEXT=Alexandre Coimbra Amaral]

Em homenagem à turma de amigos mais carismática da TV, o Trip FM reúne trechos de conversas com os três atores numa edição especial O Trip FM desta semana abre espaço para um episódio especial da série Dois de Ouro — que, desta vez, vira Três. O programa reúne trechos de conversas com Wagner Moura, Lázaro Ramos e Vladimir Brichta, três atores que se formaram no teatro baiano e ganharam projeção nacional com a peça A Máquina, no início dos anos 2000. Além da trajetória profissional, os três compartilham uma amizade antiga. “Temos um grupo de WhatsApp ativado diariamente com uma quantidade muito grande de besteira, outra quantidade grande de afeto e outra de assuntos relevantes. Nós três temos apartamento no mesmo prédio em Salvador. Nossos filhos são amigos. São irmãos pro resto da vida”, conta Wagner. Mesmo morando parte do tempo fora do país, Wagner reforça o quanto permanece ligado à sua origem. “Eu sou muito conectado com a Bahia. Quando trabalho fora, sinto que o que me torna interessante é justamente isso: eu vim de Salvador, tenho família do sertão... Meu axé está aí”, diz. Lázaro relembra a influência da tia que o levou para estudar em Salvador. “Minha família toda vem da Ilha do Paty, no Recôncavo Baiano, que até hoje não tem água encanada. Quando minha tia saiu dessa ilha e foi morar em Salvador, a primeira coisa que ela fez foi pegar os sobrinhos e ir levando pra estudar. Essa mulher criou 18 crianças, e eu fui uma delas", conta. “O conceito de felicidade, de sucesso, era se todos estivessem também. Hoje em dia, meu conceito é exatamente esse”. Vladimir também fala sobre o processo de reconhecimento das próprias raízes: “À medida que fui morando no Rio, fui entendendo o quanto eu era baiano. Minhas referências culturais, minha escola, tudo veio de lá. Eu sou muito baiano mesmo, com muito orgulho.” O programa reúne reflexões sobre amizade, identidade, paternidade e arte, costuradas por histórias e visões desses três nomes centrais da cultura brasileira.

O peso da perda da mãe marcou o ator, que lapidou sua leveza no humor, ganhou projeção no Porta dos Fundos e agora se destaca em "Vale Tudo" No ar no remake de “Vale Tudo”, na TV Globo, Luis Lobianco já interpretava diversos papéis desde pequeno, imaginando-se caçador ou cirurgião plástico. Foi no teatro que ele encontrou um lugar de cura quando a perda da mãe marcou profundamente sua infância. "Fui precoce em muitos sentidos, mas também fiquei uma criança eterna, precisando de colo, de amor", diz o ator e humorista. "É uma reconstrução mesmo — de identidade, de autoestima, de se perceber no mundo com esse buraco." Em um papo com Paulo Lima no Trip FM desta sexta-feira (4), Luis relembra sua trajetória pessoal e artística, revelando bastidores do Porta dos Fundos, produtora que o projetou nacionalmente. “O Porta era um grupo de pessoas inadequadas para o mercado. Ninguém imaginava que ia virar o que virou”, conta. Entre risos, memórias e reflexões, ele também reforçou o compromisso de usar sua visibilidade na luta contra a discriminação: "Comecei a construir a minha sexualidade, a entender o que eu era, o que eu gostava, só quando eu saí da escola. É tão injusto largar tão atrás... Um desejo que eu tenho é que crianças e adolescentes possam se expressar livremente, porque isso é um grande adianto na vida, na autoestima, na construção da identidade." O programa fica disponível no Spotify e no site da Trip! [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/04/67eeff53f2456/luis-lobianco-ator-vale-tudo-globo-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Luis Lobianco; ALT_TEXT=Luis Lobianco] Trip. De que forma a perda da sua mãe impactou sua infância e autoestima? Com a morte da minha mãe, eu fui uma criança precoce em muitos sentidos. Sei lá, oito anos, eu ia sozinho pra escola, pagava conta no banco. Por outro lado, paralelo a isso, também ficou uma criança eterna, precisando de colo, precisando de amor, querendo que alguém pegue no colo. O mais duro é que você perde completamente a sua autoestima, porque você imagina: você está na escola, todo mundo tem mãe, você não tem. Eu tinha muita vergonha de falar que eu não tinha mãe quando era criança. Eu não falava, sabe? Eu evitava esse assunto. Porque é uma reconstrução mesmo, de identidade, de autoestima, de se perceber no mundo com esse buraco, né? Para onde vai esse luto que se cria na cabeça da criança? Que sinapse que faz ali que depois você não consegue desfazer nunca mais, entendeu? Como foi a sua vivência afetiva e o processo de descoberta da sexualidade na adolescência? Eu não tinha uma vivência que os meus outros amigos e amigas tinham de ter um namorado, uma namorada, ficar apaixonado, escrever no diário. Todo mundo quer um momento dessa descoberta, mas é muito cruel que a gente não podia expressar isso de forma alguma. Eu comecei a construir isso, a minha sexualidade, entender o que eu era, o que eu gostava, quando eu saio da escola. Mas olha só que droga largar tão atrás. É tão injusto. Um desejo que eu tenho é que crianças e adolescentes possam se expressar livremente quando for o momento de ter as primeiras sensações da sexualidade, da orientação, do gênero. Porque isso é um grande adianto na vida, entendeu? É um grande adianto na autoestima, na construção da identidade. Como foi o início da sua trajetória no Porta dos Fundos e o impacto do grupo na sua carreira? Em 2012, YouTube era tudo mato. Fui convidado para o Porta e pensei: 'Olha mais um grupo se reunindo para fazer uma coisa sem dinheiro'. Quase que eu não fui. O Porta era um grupo de pessoas inadequadas para o mercado, porque o mercado não absorvia e não investia nesses atores, autores, diretores, ideias e nesse humor. A gente se juntou para fazer algo que fazia sentido para a gente. O humor, até pela possibilidade do improviso, são palcos mais generosos. Ninguém imaginava que ia virar o que virou. O Porta estreou e, em poucos dias, todas as TVs estavam ligando com convites. Finalmente consegui entrar na bolha do audiovisual. Você acredita que a arte tem um papel de cura? A gente teve um belo demonstrativo aí, na pandemia, do que a arte pode fazer pelas pessoas. A arte no sentido de cura mesmo. E ouvi algumas vezes coisas do tipo: ‘eu pensei em me matar, mas eu assisti o programa, eu vi uma cena, eu vi isso e aí eu ri e aí eu vi que a vida vale a pena'. A gente sabe onde a gente encontra cura. A gente só tem que ceder menos ao medo e ao ódio. E aí a gente tem alguma chance.

Mais de 50 anos depois da queda do voo da Força Aérea Uruguaia na Cordilheira dos Andes, Antonio Vizintín conta com sobreviveu à tragédia “Apesar de tanto ter entrado em contato com a morte nos Andes, a morte de minha esposa foi um golpe duro, me abalou muito mais. Mas a vida segue, não podemos nos deixar prender por esses momentos. Se na montanha não nos permitimos chorar porque isso nos destruiria, aqui também não podíamos”. A frase de Antonio Vizintín, o Tintin, mostra a força que marcou sua trajetória como um dos sobreviventes do famoso acidente aéreo nos Andes. Em outubro de 1972, um erro causou a queda de um avião da Força Aérea Uruguaia no meio da Cordilheira dos Andes. Durante 72 dias, os 28 sobreviventes lutaram pela vida em condições extremas, tomando decisões impensáveis para sobreviver, como se alimentar da carne de seus companheiros falecidos. “Quebramos um tabu religioso, um tabu humano, mas era uma decisão de vida ou morte. Ou nos alimentávamos e sobrevivíamos, ou não nos alimentávamos e morríamos. Foi uma decisão tomada a 3600 metros de altura, com muito frio, muita fome e uma imensa vontade de continuar vivos", conta. Em 1992, vinte anos depois da tragédia, Paulo Lima se encontrou pela primeira vez com Tintin, na época com 38 anos, para uma entrevista que estampou as páginas da Trip. Agora, eles voltam a conversar no Trip FM. Além de relembrar os momentos mais marcantes daquela experiência, o uruguaio compartilha as lições de vida que carregou nos últimos 50 anos.“Não foi por acaso que saímos da montanha. Houve muito raciocínio, planejamento, cálculo, estratégia. Foi a inteligência humana, e não o acaso, que nos permitiu sobreviver", afirma. “As pessoas acham que essa é uma história de sucesso, mas, na verdade, é uma história de muitos fracassos. Tentamos muitas expedições, falhamos, mas ganhamos experiência e aplicamos na tentativa seguinte. Assim é a vida: fracassar, aprender e evoluir”. Você pode conferir esse papo no play aqui em cima ou no Spotify do Trip FM. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/03/67e6ea6f4eccb/antonio-vinzitin-tintin-acidente-aviao-andes-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Reprodução; LEGEND=Em outubro de 1972, por causa de uma falha humana, um avião da Força Aérea Uruguaia perdeu altitude e acabou se chocando contra a Cordilheira dos Andes; ALT_TEXT=Em outubro de 1972, por causa de uma falha humana, um avião da Força Aérea Uruguaia perdeu altitude e acabou se chocando contra a Cordilheira dos Andes] Trip. Depois de viver o que viveu, como você lidou emocionalmente com a perda da sua esposa, anos depois? Antonio Vizintín. A morte de minha esposa foi um golpe muito duro para mim e para meus filhos. Foi uma época muito difícil, em que eu chorava na ducha para que ninguém me visse. Apesar de estar em contato com a morte na montanha, essa perda me atingiu muito mais. A vida parecia ir bem ao lado da família e, de repente, tudo muda. Foi um golpe muito duro, mas a vida segue. Não podemos nos deixar prender por esses momentos, precisamos seguir em frente. O que foi mais difícil durante a experiência na montanha? O frio foi o maior desafio. Foram 72 dias enfrentando temperaturas extremamente baixas, chegando a -40 graus. A necessidade de comer e sobreviver superava qualquer outro pensamento. Nossa sobrevivência dependia da nossa capacidade de lidar com essas adversidades extremas. Como foi o momento em que decidiram se alimentar dos corpos dos companheiros? Foi uma decisão muito difícil, pois rompemos um grande tabu, tanto religioso quanto humano. Mas era uma questão de vida ou morte. Ou nos alimentávamos e sobrevivíamos, ou morríamos. A decisão foi tomada a 3.600 metros de altura, com muito frio e muita fome. Era uma decisão de sobrevivência. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/03/67e6ead1dfa8c/antonio-vinzitin-tintin-acidente-aviao-andes-trip-fm-mh2.jpg; CREDITS=Reprodução; LEGEND=Por 72 dias, os 28 sobreviventes foram obrigados a improvisar pela vida e recorrer à carne de seus companheiros mortos.; ALT_TEXT=Por 72 dias, os 28 sobreviventes foram obrigados a improvisar pela vida e recorrer à carne de seus companheiros mortos.] Em algum momento você voltou a acreditar que Deus estava com vocês na montanha? No início, eu não entendia onde estava aquele Deus todo-poderoso que todos falam. Era difícil compreender por que estávamos passando por tudo aquilo. Para mim, parecia que Deus nos havia abandonado. A minha fé foi abalada profundamente durante aquele tempo. Quais foram os principais fatores que permitiram a sobrevivência do grupo? Nossa sobrevivência foi resultado de muito raciocínio, cálculo e planejamento. Criamos uma logística, nos mantivemos disciplinados e sacrificialmente nos dedicamos uns aos outros. Cada um fez o que podia para ajudar. Foi a inteligência humana e a disciplina que nos permitiram sair vivos dessa situação. Você disse que essa é uma história de fracassos. Qual foi o maior aprendizado que tirou dos fracassos? O maior aprendizado que tiramos dos fracassos foi que precisamos aprender com os erros. Tentamos várias expedições e falhamos em todas, mas cada falha nos ensinou algo novo, algo que aplicamos nas tentativas seguintes. O fracasso é uma parte do processo de aprendizagem. Só assim é possível evoluir e chegar ao sucesso. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/03/67e6eaede900e/antonio-vinzitin-tintin-acidente-aviao-andes-trip-fm-mh3.jpg; CREDITS=Reprodução; LEGEND="Éramos 45 pessoas no total e logo na queda morreram 17 companheiros, restando 28. Durante nossa luta na neve, aos poucos foram morrendo outros. No final, sobraram só 16 de nós com vida."; ALT_TEXT="Éramos 45 pessoas no total e logo na queda morreram 17 companheiros, restando 28. Durante nossa luta na neve, aos poucos foram morrendo outros. No final, sobraram só 16 de nós com vida."] Como a experiência na montanha mudou sua visão sobre o que realmente importa na vida? Quando tudo parece perdido, você começa a dar valor às pequenas coisas: uma ducha quente, um prato de comida, um copo de água. E, principalmente, momentos com as pessoas que amamos. Nunca sabemos quando será o último abraço ou o último beijo. Essas pequenas coisas, que muitas vezes negligenciamos, são as que realmente importam.

Crítico, arquiteto bateu um papo sobre arte, empreendedorismo, sociedade e seu incômodo com falta de preocupação cultural no mercado "Nunca achei que o arquiteto devia ser só que arquiteto. Meu mundo sempre foi vasto, meus interesses são amplos e tenho muita sede de aprender", diz Isay Weinfeld. "Eu odeio me repetir. É um transtorno, porque exige mais esforço, tempo e investimento para renovar o repertório a cada obra". Arquiteto de formação, mas inquieto por natureza, Isay sempre transitou entre diferentes formas de expressão, dirigindo filmes, montando exposições e criando cenários teatrais. Essa sensibilidade artística se traduz em seu trabalho na arquitetura, onde cada espaço conta uma história. "Na realidade, é tudo a mesma coisa", afirma. "A única coisa que eu sei fazer é pegar dois ou três objetos diferentes e arranjá-los de uma certa forma". Crítico e perspicaz, o arquiteto bateu um papo com Paulo Lima sobre arte, empreendedorismo, sociedade e seu incômodo com a falta de preocupação estética e cultural que existe no mercado. "Boa parte das incorporadoras está preocupada em ganhar seu rico dinheirinho e nada mais. Acho um absurdo que não tenham vontade e desejo de deixar algo de qualidade para as próximas gerações", diz. O programa completo você confere aqui, no site da Trip, e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/03/67dd92ff1737f/1006x566x960x540x36x22/isay-weinfeld-arquiteto-trip-fm-mh.jpg?t=1742580825602; CREDITS=Bob Wolfenson; LEGEND=Isay Weinfeld; ALT_TEXT=Isay Weinfeld] Seu campo de atuação é bastante amplo. Como você descreveria sua relação com a arquitetura? Isay Weinfeld. Meu mundo sempre foi vasto, meus interesses são muito amplos e eu tenho muita sede de aprender. E eu nunca achei que o arquiteto devia ser só arquiteto. Eu odeio me repetir. Então, é um transtorno em termos de gestão, porque você gasta muito mais, perde muito mais tempo tentando renovar o seu repertório em cada uma das obras. Além da arquitetura, você se dedica a áreas como cinema, artes plásticas e literatura. Como essas diferentes expressões artísticas se conectam no seu trabalho? Eu sou apaixonado por objeto. Realmente, eu tenho paixão. Pra te falar a verdade, se você olhar, eu faço cinema, faço arquitetura, artes plásticas, literatura... Parece que eu sou muito talentoso, o que é uma mentira terrível. Na realidade, é tudo a mesma coisa. A única coisa que eu sei fazer é pegar dois ou três objetos diferentes e arranjá-los de uma certa forma. Qual é sua visão sobre a influência da elite econômica na arquitetura e no desenvolvimento urbano? As pessoas, essa elite, quando têm dinheiro e educação, é uma coisa. Quando só têm dinheiro, é outra coisa. Para simplificar, né? Então, aí os desejos são outros. Copiam coisas de lugares que não têm nada a ver com o nosso país. As incorporadoras também, e boa parte delas está muito preocupada em ganhar o seu rico dinheirinho e nada mais. Acho um absurdo que eles não tenham vontade e desejo de deixar alguma coisa de qualidade para outra geração, para os próprios filhos e netos. Acha que o mundo ainda tem jeito? Como tem reagido a esses absurdos de Donald Trump, por exemplo? Eu te falo sinceramente: chegar com ideias opostas, mirabolantes, isso não me assusta. Pode ter coisa boa, pode ter coisa ruim, mas eu fico muito mal impressionado com a falta de educação e de respeito dessas pessoas com o próximo em todos os sentidos. Então, isso me choca mais do que as ideias. Apesar de não concordar com nenhuma, as pessoas têm o direito de se expressar.

Crítico, arquiteto bateu um papo sobre arte, empreendedorismo, sociedade e seu incômodo com falta de preocupação cultural no mercado