Há 30 anos, Paulo Lima faz entrevistas com as personalidades mais interessantes do país

Criado num apartamento pequeno em Moema, sem nenhum contato com o verde, o botânico e paisagista Ricardo Cardim reflete sobre a urgência de resgatarmos um entendimento mais profundo sobre nossa interdependência com a natureza, sobre a vocação improvável que o arrastou da odontologia para a criação de florestas de bolso

Uma das maiores velejadoras da história do país é agora a primeira mulher no comando de um dos superbarcos da chamada "Fórmula 1 da vela"

O vereador destrincha o avanço da verticalização de São Paulo após a revisão do Plano Diretor de 2023: “O que vemos hoje é uma prefeitura leniente com um mercado predatório.”

Em uma conversa com o Trip FM, Raí analisa a Seleção de Ancelotti e o estrago das bets no País, revela os bastidores do clube parisiense que ajudou a fazer renascer, conta detalhes da série sobre a vida do irmão Sócrates dirigida por Walter Salles e revisita seu amor mal resolvido com a Seleção que o sagrou tetracampeão

Para o Trip FM, o fotógrafo Bob Wolfenson repassa cinco décadas de fotografia, relembra o tranco da perda precoce do pai, a parceria involuntária com a lama no projeto Sub/Emerso e analisa o banimento dos ensaios sobre a nudez diante dos novos tempos

Parceiros na direção da produção da Netflix que lidera o ranking de audiência da plataforma, Paulo e Pedro Morelli, pai e filho, revelam os bastidores da recriação da saga do maior esquadrão do nosso futebol e provam que a atuação no “vestiário” entre pai e filho pode ser vencedora, mas exige afinação e bom jogo de cintura

Uma conversa boa com o influenciador que divide sua jornada de emagrecimento com mais de dois milhões de seguidores

A atriz e diretora Debora Lamm fala sobre humor como ferramenta política, feminismo, envelhecimento e a série Juntas e Separadas do Globoplay

Lan Lanh relembra a força de Cássia Eller, fala sobre maternidade, representatividade e dos 40 anos de uma carreira marcada por ritmo e personalidade

Na despedida da Rádio Eldorado do dial, Paulo Lima conversa com Emanuel Bomfim sobre o legado da emissora, seus bastidores e por que ela sempre foi “a rádio que não parece rádio”

Depois de 68 anos no ar, a Rádio Eldorado se despede do dial. O Trip FM reúne vozes da casa para celebrar a história, a curadoria e o legado da rádio dos melhores ouvintes.

Da infância marcada pelo desenho ao projeto de Itamambuca, Sidonio Porto construiu uma carreira guiada pela leitura do território e por uma visão de arquitetura que vai além dos prédios e pensa a cidade como um todo

Ator volta ao teatro em SP, reflete sobre maturidade, morte e escolhas, e fala do equilíbrio entre vida pública e privada em conversa no Trip FM

De MasterChef a criador de conteúdo, cozinheiro constrói carreira sólida ao unir gastronomia, cultura e negócios, refletindo sobre os desafios, riscos e transformações do mercado digital

Aos 80 anos, a atriz reflete sobre a vida com Drauzio Varella, a herança de grandes mestres e a luta pela cultura

Atriz fala da infância, da busca por independência, da morte do pai e dos medos com o futuro do planeta. Aos 52, revisita o passado na Xuxa e reflete sobre maternidade e valores

Sam Cyrous fala dor e vazio existencial — e como a logoterapia ajuda a encontrar significado na vida em um mundo em sofrimento

A diretora das séries "Sob Pressão" e "Juntas e Separadas" lança documentários sobre Preta Gil e Dona Onete e celebra o boom cinema nacional

A diretora das séries "Sob Pressão" e "Juntas e Separadas" lança documentários sobre Preta Gil e Dona Onete e celebra o boom do cinema nacional

Bicampeão paralímpico, Mizael Conrado fala sobre a vida sem visão, o futebol de cegos e o paradoxo brasileiro entre leis avançadas e inclusão ainda limitada

Uno Vulpo fala sobre drogas e prazer sem moralismo. Da Cracolândia ao tédio da rotina, ele defende redução de danos, responsabilidade e escolhas mais conscientes.

Programa especial reúne múltiplas vozes para discutir identidade, cultura e os paradoxos do Brasil na maior festa do país. Um mergulho além da folia.

Artista relembra a praia como escola de vida, a contracultura dos anos 70 e uma carreira marcada por humor, coletividade e pé no chão

Crítico, arquiteto bateu um papo sobre arte, empreendedorismo, sociedade e seu incômodo com falta de preocupação cultural no mercado

Uma conversa sobre os efeitos psíquicos da pressão nas empresas, os desafios da fama, a crise do masculino e a urgência de reconstruir vínculos

O especial do Trip FM revisita mais de uma década de conversas com o ator vencedor do Globo de Ouro para entender como seu pensamento foi se transformando junto com o Brasil

Uma das figuras mais admiradas e admiráveis do país, a atriz e apresentadora bate um papo sincero sobre família, religião, casamento e conta pra qual de seus tantos amigos ligaria de uma ilha deserta

O artista fala sobre a infância no ABC, a fase pós-Exaltasamba, o impacto do álcool, as mudanças que o fizeram perder 50kg, seu reencontro com Angola e o desejo de deixar um legado

Veterano da comunicação relembra suas origens no rádio e o início da Globo, que ele ajudou a transformar na maior televisão brasileira

Ana Paula Passarelli analisa o esgotamento das redes sociais, o impacto dos algoritmos na vida cotidiana e defende o descanso e a desconexão como condição para seguir criando

Da zona norte de São Paulo aos estúdios mais importantes da música brasileira, o jornalista e produtor musical fala do trabalho por trás de discos e palcos de Gal Costa, Nando Reis, Tom Zé e Erasmo Carlos

Da construção de seu último personagem às lições do SUS, a atriz reflete sobre misoginia, processo criativo e as mudanças profundas que viveu na carreira e na vida

Da infância no Carandiru ao Instituto Ação Pela Paz, Solange Senese conta como deixou uma carreira no Banespa para transformar o presídio em espaço de educação, trabalho e virada de vida

O líder indígena Ailton Krenak, o climatologista Carlos Nobre e o ambientalista João Paulo Capobianco discutem os futuros possíveis diante do avanço das mudanças climáticas

Sérgio Rodrigues, jornalista e escritor aclamado, fala sobre erros, solidão, a seleção de Ancelotti, seu novo livro “Escrever é humano” e o delicado ofício de escrever em tempos de robôs capazes de nos envergonhar

O influenciador de 22 anos desmistifica a vida dentro da maior favela do Brasil e revela toda a inteligência, potência e criatividade que as manchetes de jornais não mostram

José Maurício Bustani, primeiro diretor da OPAQ, desafiou o governo Bush ao negociar o desarmamento do Iraque – e pagou o preço por acreditar no diálogo e colocar a paz acima do poder

Ex-executivo que já devolveu mais de 42 mil árvores a São Paulo transforma lixão em floresta na zona leste e mostra que plantar é ato de fé, amor e persistência

Entre o sítio da infância e os grandes papéis da TV, ator fala sobre arte, família, paternidade e o mergulho profundo que foi viver o Maluco Beleza

O cantor e compositor do RPM fala sobre o pai militar, a infância em Florianópolis, a carreira de jornalista, a visão madura sobre as drogas, a maturidade e os gibis do Homem-Aranha

Deitado, rabiscando e errando de propósito, o pernambucano de 19 anos transformou humor em poesia visual e virou referência da nova arte brasileira

Da sensação de ser um patinho feio ao medo de envelhecer sem segurança, a atriz conta a trajetória de quem abriu caminho num território onde as mulheres só tinham espaço como coadjuvantes

Há 24 anos na seleção brasileira masculina de futebol, o médico Rodrigo Lasmar relembra Copas do Mundo históricas, a recuperação de Ronaldo e fala sobre saúde mental, fama, política e dinheiro

Protagonista de Dias Perfeitos, o ator fala sobre a perda da mãe, os altos e baixos da profissão, fama e relacionamento

Ícaro Silva fala da violência policial que o acompanha desde a infância e do peso de representar toda uma negritude na televisão Ícaro Silva já foi Rafa em Malhação, Wilson Simonal no teatro, Josef em Verdades Secretas e até a voz do Simba no filme Mufasa: O Rei Leão. Hoje, ele é um dos protagonistas da série Máscaras de oxigênio (não) cairão automaticamente, da HBO Max, que resgata a luta contra o HIV no Brasil dos anos 1980. No Trip FM, o ator, músico e escritor revisita uma trajetória que começou em Diadema, município do ABC Paulista, numa favela onde a enchente levou a casa da família e a violência da polícia quase levou a vida da mãe. "Me considero um sobrevivente. A arte foi o caminho que me salvou. Meus pais entenderam rápido que eu era uma criança artista, talvez até uma criança queer, e me direcionaram para esse caminho", afirmou. “Sempre entendi o racismo como uma limitação cognitiva. Quando sofria violência racista, sabia que o problema não estava comigo, mas no outro.” No papo com Paulo Lima, ele também fala sobre sexualidade, música e representatividade negra nas telas. "Ainda estamos atrasados nesse tema. Essa luta começou há 70 anos, com o Teatro Experimental do Negro. Por muito tempo me acostumei a ser o único preto em cena. Isso é uma das perversidades do racismo brasileiro: transformar uma pessoa em token para representar toda uma negritude. Nunca vi na TV uma história como a minha. Um protagonista negro e gay numa novela, por exemplo, nunca existiu." O programa fica disponível no play aqui em cima e no Spotify! [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/08/68a8b9a0e4870/icaro-silva-ator-cantor-globo-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Tiago Lemos ; LEGEND=Ícaro Silva; ALT_TEXT=Ícaro Silva] Trip. Você nasceu em São Bernardo, mas cresceu em Diadema, no ABC Paulista. Como esse território marcou sua visão de mundo? Ícaro Silva. Tenho muito orgulho de ser do ABC Paulista. Quando você está na margem, você consegue enxergar muito bem o centro. Essa é a visão que a periferia me deu. Diadema nos anos 90 era uma cidade extremamente violenta, principalmente pela polícia. Eu perdi muitos amigos para a violência policial e para o tráfico. Me considero um sobrevivente. A arte foi o caminho que me salvou. Meus pais entenderam rápido que eu era uma criança artista, talvez até uma criança queer, e me direcionaram para esse caminho. O que significa para você ser queer? Na infância me chamavam de Vera Verão. Hoje eu tenho muito orgulho disso. Jorge Lafond foi um pioneiro que abriu portas e sofreu muitas violências por isso. Eu sempre fui um homem feminino e masculino ao mesmo tempo. É por isso que gosto do termo queer: ele fala de estranheza, de sair do padrão, não apenas de sexualidade. Ser queer é abraçar a própria estranheza e reconhecer que cada pessoa é única.

Luiz Fernando Guimarães fala de carreira, do grupo Asdrúbal, de “Os Normais”, do alcoolismo e da família Provocar risos sempre foi fácil para Luiz Fernando Guimarães. Mas no Trip FM, o humor divide espaço com histórias de liberdade, transformação e afeto. Aos 75 anos, o ator nutre um carinho especial por seu sítio em Itaguaí (RJ) onde passa os fins de semana com o marido, Adriano Medeiros, e os filhos, Olívia e Dante. “Jamais imaginei que eu, como ator ansioso, fosse prestar atenção numa plantinha que crescia. Hoje tenho uma casa do jeito que quero, com mato, bichos passando, cavalo metendo a cabeça na sala.” No papo com Paulo Lima, ele fala sobre a vida longe dos palcos, a superação do alcoolismo, a amizade de décadas com Fernanda Torres e a nostalgia de produções marcantes. “‘Os Normais' é celebrado porque simboliza homens e mulheres de qualquer época — e nada dava certo, o que é libertador para o público. ‘TV Pirata' não era sobre politicamente correto, era sobre televisão e comportamento. E continua engraçada até hoje.” O programa fica disponível no Spotify e no site da Trip! [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/08/689f6a4644ee8/luiz-fernando-guimaraes-ator-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Ian Costa / Divulgação; LEGEND=O ator e humorista brasileiro Luiz Fernando Guimarães ; ALT_TEXT=O ator e humorista brasileiro Luiz Fernando Guimarães ] O que mudou na sua vida depois de adotar o Dante e a Olívia? Luiz Fernando Guimarães. Não foi de supetão. Fomos à Amazônia, conhecemos, choramos, passeamos. Voltamos pra casa certos: são eles. Mudaram nossas vidas. Sempre fui cuidador, mas com pouca prática. Agora exerço essa função todos os dias. Acordo pensando neles. No nosso caso, somos pais e mães ao mesmo tempo. Você já disse que nunca “saiu do armário” porque nunca entrou. Como enxerga essa questão? Nunca fiquei na moita. Nunca tive problema com isso. Quando uma repórter me perguntou, falei naturalmente: “Sou homossexual, sou casado com tal pessoa”. E pronto. Não tinha como esconder, nem por que esconder. Um jornal publicou “Luiz Fernando sai do armário”, mas eu nunca entrei. O que explica o sucesso duradouro de “Os Normais”? O Rui simbolizava os homens, a Vani simbolizava as mulheres. E nada dava certo na vida deles. Isso é libertador para o público, que ri de si mesmo. Tinha uma química muito boa entre eu e a Fernanda, e o programa pegava porque era sobre casal, mas podia ser sobre qualquer casal, de qualquer época.

Jornalista, atriz e escritora, Maria Ribeiro transita entre artes e ideias com rara intensidade – mas confessa que às vezes queria ser outra "Está faltando um pouco de conversa entre mulheres e homens. O feminismo é bom para os homens também, porque libera todo mundo de papéis engessados", afirma a atriz e escritora Maria Ribeiro.No Trip FM, ela reflete sobre marcos de sua vida e fala do lançamento do livro "Não sei se é bom, mas é teu", uma coletânea de mais de 70 textos, parte de uma produção literária que começou nas páginas da Trip e da Tpm. “Esse livro cobre dos meus 42 aos 49 anos: um período crítico e maravilhoso. Tem pandemia, morte, separação, novos amores, crescimento dos meus filhos. É como se fosse uma autobiografia disfarçada, porque está tudo ali, mas filtrado pela literatura.”No papo com Paulo Lima, ela também fala sobre envelhecimento, menopausa e redes sociais. “Sempre gostei muito do Instagram porque ele me dava um canal direto, sem precisar da aprovação de ninguém. Eu podia falar o que queria, no meu tom, do meu jeito. Mas hoje estou de saco cheio. Talvez eu tenha menos público por isso, mas é o que eu posso dar. Minha bateria social está menor, e o que eu tenho para oferecer de mais verdadeiro talvez esteja no que escrevo, não no que posto o tempo todo."O programa fica disponível no Spotify e no site da Trip!Maria Ribeiro acaba de lançar uma coletânea de mais de 70 textos publicada pela Editora Record.Catarina Ribeiro @catarinaribeir.oeditarremoverNo livro, você fala de um período muito marcante, que coincidiu com a chegada da menopausa. Como foi atravessar esse momento?Maria Ribeiro. A menopausa foi um marco muito forte. Minha mãe caiu e quebrou o fêmur e, na mesma época, meu estrogênio despencou. Foi um ano de quedas — físicas, hormonais e simbólicas. É duro porque para a mulher o envelhecimento ainda é mais cruel. Os homens continuam vistos como interessantes, enquanto a gente precisa encarar a pergunta: quem eu sou se não for mais a “atraente” da história? No começo é difícil, mas depois do buraco vem também uma libertação.Você costuma dizer que pensa na morte todos os dias. Como isso afeta o seu jeito de viver? Penso na morte todo dia, e isso me dá uma consciência muito clara de que o meu tempo é o que tenho de mais precioso. Quando percebo que algo está me roubando tempo, seja raiva, ressentimento ou situações que me esgotam, eu corto. Hoje escolho muito melhor onde e com quem quero estar. Gosto de lembrar de uma frase do Gonçalo Tavares: “Aquele que vai morrer hoje toma um café com um pastel de nata”. Então, se eu for morrer hoje, que seja aproveitando a conversa, a música, o encontro.A Anitta escreveu o prefácio do seu livro. Como nasceu essa amizade? Demos um match inacreditável logo de cara. Temos uma história de amor. A gente se diz a verdade — e isso é raríssimo. Ela já me ligou para dizer que eu mandei mal num texto, que eu não deveria falar de algo que não conhecia. E eu também digo para ela o que acho que precisa ser dito. Isso, para mim, é amor. Ela me apresenta um Brasil que eu não conhecia e que quero conhecer mais.

Alexandre Caldini deixou o mundo corporativo para mergulhar na filosofia espírita. Ele não quer pregar nada, mas sim provocar reflexão Quanto mais você se sente ‘certo', mais risco corre de se achar especial demais”, diz Alexandre Caldini. “A vaidade disfarçada de sabedoria é traiçoeira. Melhor seguir tentando, sabendo que erramos muito, mas podemos errar um pouco menos amanhã.”Depois de uma carreira no topo do mercado editorial, ocupando a presidência de empresas como a Editora Abril e o jornal Valor Econômico, ele decidiu trocar os relatórios pelo mergulho na vida interior – e passou a se dedicar integralmente ao estudo e à divulgação da filosofia espírita. “Queria falar de sentido, de presença, de escolhas. Consegui parar e me dedicar ao que realmente me move”, diz. Com uma abordagem racional e nada dogmática, o escritor e palestrante propõe o espiritismo como ferramenta de autoconhecimento, ética e transformação pessoal. “Evitar conversas sobre aborto, eutanásia e suicídio empurra as pessoas para o medo. Falar sobre isso com honestidade é uma forma de cuidado coletivo.” No Trip FM, Caldini bate um papo com Paulo Lima sobre o cansaço do mundo do lucro, os limites do ego, a ilusão da meritocracia e o valor de pensar com liberdade. Você ouvir o programa completo no play aqui em cima ou no Spotify. Você vinha de uma carreira no topo do mercado editorial. O que te fez mudar completamente de rumo? Alexandre Caldini. Já presidindo a Editora Abril, depois o Valor Econômico, eu estava cansadão. A vida corporativa é exigente, intensa. Chega uma hora que você pensa: cara, eu quero fazer outra coisa. Acumulei uma graninha, consegui me organizar financeiramente, e fui fazer o que gosto. Tem gente que adora surfar. Eu adoro estudar espiritismo, escrever, dar palestra. É isso que me faz vibrar. Quando vejo, passaram cinco horas e eu nem percebi. É o que me dá tesão de viver. Seu novo livro fala de temas polêmicos como aborto, eutanásia e suicídio. Por que decidiu entrar nessas questões? Porque são temas que estão aí, na vida das pessoas. E eu acho que a gente precisa falar sobre eles. Mesmo sabendo que a maior parte do movimento espírita é conservadora, eu quis colocar essas discussões no livro. Não é pra dar lição de moral, nem pra dizer o que é certo ou errado. É pra provocar reflexão, com honestidade intelectual. O que não dá é pra fingir que esses assuntos não existem ou achar que são simples. São complexos, delicados – por isso mesmo, precisam ser tratados com respeito e abertura. Você também fala muito sobre ego e vaidade. Como lida com isso pessoalmente? O risco de se achar iluminado é gigante. Ainda mais quando as pessoas começam a te ouvir, a te elogiar. Tem que vigiar o ego o tempo todo. Eu sou só um cara tentando entender as coisas, refletindo. Como dizia o Cortella: “vós sois mortal”. A gente está aqui de passagem. Quando começo a achar que sei demais, tento lembrar que estou só devolvendo ideias que eu mesmo recebi. Ninguém é dono da verdade. No máximo, a gente compartilha dúvidas bem pensadas.

Dono de um Grammy Latino e parceiro de Caetano, Milton e Ney, o cantor fala de liberdade, afeto e o risco de se colocar inteiro no palco Aos 28 anos, Zé Ibarra é um dos artistas contemporâneos mais inquietos e inventivos da música brasileira. Cantor, compositor, pianista e arranjador, ele ganhou o Grammy Latino com a banda Bala Desejo e construiu parcerias marcantes com nomes como Ney Matogrosso, Gal Costa e Milton Nascimento, com quem dividiu o palco em sua turnê de despedida. No Trip FM, Ibarra conta da infância no Rio cercada por liberdade e descobertas, da paixão precoce pela música, revela bastidores de Afim, seu novo disco solo, e fala sobre a coragem de se colocar inteiro no palco. “Eu quero suportar o medo dos olhares na minha pele. Isso me faz sentir grande. Quando estou inteiro e as pessoas estão comigo, é genial”, diz. “A vida anda quando a gente tem coragem. Quando a gente se esconde, ela trava.” Em um papo com Paulo Lima, o artista reflete ainda sobre o corpo como linguagem, o mercado musical que marginaliza o risco e a erosão afetiva provocada pelas redes sociais. “A internet prometeu conexão e entregou o oposto. A gente está perdendo a capacidade de sentir.” Você pode ouvir esse papo no play aqui em cima ou no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/07/6883e134b2558/ze-ibarra-musico-carioca-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Mariana Blum / Divulgação; LEGEND=Ze Ibarra; ALT_TEXT=Ze Ibarra] Você fala muito sobre estar inteiro no palco. O que isso significa pra você? Zé Ibarra. Quando eu consigo ser exatamente o que eu sou, inteiro, e as pessoas estão ali comigo, é genial. Eu quero suportar o medo dos olhares na minha pele. Isso me faz sentir grande. Não visto uma persona pra me proteger. Eu quero estar ali como sou, mesmo que seja desconfortável, mesmo que doa. Porque é só assim que a coisa acontece de verdade. Você já falou abertamente sobre depressão. Como foi atravessar esse período? Eu tive depressão durante anos. Primeiro sem saber o que era. Só aos 19 eu tive um insight: “Eu tô com depressão”. Foi quando comecei a me tratar. E mesmo depois de melhorar, os ecos ficam – o medo de voltar, o medo de acordar daquele jeito. Hoje eu sei: melhor fazer qualquer coisa do que não fazer. A vida anda quando a gente tem coragem. Quando a gente se esconde, ela trava. Como você enxerga o impacto das redes sociais na vida e na arte? A internet prometeu conexão e entregou o oposto. Todo mundo quer parecer melhor do que é, e isso está erodindo os sentimentos. Amor, angústia, saudade – tudo isso foi construído ao longo da história da humanidade. Mas agora parece que a gente está perdendo o vocabulário emocional. Eu tenho horror disso tudo, mas nesse momento eu me rendi: é o jogo. Então vou jogar, mas com consciência do que ele faz. Você acha que a gente vive uma crise de criação? A gente vive uma crise de imaginação. Porque não tem mais tempo de contemplar, de ficar em silêncio, de fechar os olhos acordado. Sem isso, não se cria. Não se sonha. O mundo virou uma pornografia de mercado, de lucro. Os objetos, a roupa, tudo foi pensado pra ser barato, rápido, efêmero. E isso mexe com o tempo das coisas, até com o tempo da arte. Você acredita em dom? Eu penso muito sobre esse negócio de dom. Mas a verdade é que eu nasci pra música. Desde muito pequeno, eu sentia um prazer com som que é impossível de descrever. Mas cantar não foi dom. Comecei com 12 anos e nunca mais parei. Foi obsessão. Faço aula há 8 anos sem falhar uma terça. Estudo mesmo. E é isso que me move hoje. Como foi lidar com o sucesso tão cedo? Ganhar prêmio com 15 anos me deixou meio maluco. Veio uma vaidade precoce, depois uma crise forte. Fiquei anos em depressão. Hoje sei: o que quer que eu faça, é melhor do que não fazer. Não precisa ser genial. Tem que ser honesto. A vida anda quando a gente tem coragem. Quando a gente se esconde, ela trava. O que as redes sociais estão fazendo com a gente? O jogo das redes é perverso. Os likes, os algoritmos, tudo isso molda quem a gente é – ou quem a gente acha que tem que ser. E isso está destruindo a nossa capacidade de sentir. Amor, angústia, saudade: esses sentimentos são construídos ao longo da história. E agora estão sendo diluídos. A internet prometeu conexão. Mas entregou o oposto. Você vê espaço pra arte fora da lógica do mercado? A música feita pra vender sempre existiu. Nos anos 70, quem bancava Chico e Caetano eram os artistas comerciais. A diferença é que antes havia espaço para a aposta, para o erro. Hoje não há mais. A indústria quer lucro imediato. Mas ainda tem muita gente fazendo coisa linda. Só que sem grana, sem estrutura, essas pessoas não aparecem.

Atriz fala sem filtro sobre sexo, envelhecimento, conservadorismo, identidade de gênero, relacionamentos e fama tardia Aos 60 anos, Nany People é uma força da natureza: são cinco décadas de palco, quatro desde que trocou o interior de Minas pela capital paulista e três na televisão brasileira, onde foi uma das primeiras mulheres trans a ocupar espaço com dignidade, inteligência e humor — mesmo quando o país ainda não sabia bem como lidar com isso. “O fato de eu existir como sou já é um ato político. Ir na padaria comprar pão, entrar num hotel cinco estrelas pela porta da frente, lançar um livro, contar minha história, estar viva: tudo isso é um posicionamento. Não preciso subir em palanque. O meu partido sou eu", afirma. No Trip FM, a atriz e humorista fala da infância em que cantar veio antes de falar, da mãe que a acolheu quando o mundo queria reprimir, da coragem de se afirmar, da vida afetiva, do envelhecer com prazer e dos altos e baixos de uma trajetória feita de escolha, entrega e muita persistência. “Eu abri mão de vida pessoal. Sepultei minha mãe numa sexta e no sábado estava no palco, porque eu precisava de teatro pra acontecer, pra estar viva", conta. No papo com Paulo Lima, Nany também divide sua visão sobre os limites do humor: “A comédia sempre me salvou. Brecht dizia: qualquer discurso, pra ser pertinente, tem que ser bem-humorado. Mesmo brincando, falei aquilo que eu pensava. O humor me deu condição de rir comigo mesma, não rir de mim. Agora, fazer humor da desgraça alheia é humor de vampiro. O novo sempre vem.” E completa: “A vida é uma transa: tem que ser gostosa, divertida, fluente e é preciso estar lubrificada pro orgasmo ser bom.” O programa fica disponível no Spotify e no play aqui em cima. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/07/687a84bf654f4/nany-people-humorista-drag-mulher-trans-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Moisés Pazianotto; LEGEND=Nany People; ALT_TEXT=Nany People] O humor te salvou? De que forma? Nany People. A comédia sempre me salvou. Sempre. Todas as vezes em que a vida ficou dura demais comigo, foi o humor que me deu respiro. Eu transformei tragédia em catarse, em riso. Eu lembro do que o Bertolt Brecht dizia: qualquer discurso, pra ser pertinente, tem que ser bem-humorado. E eu acredito muito nisso. Mesmo quando estou brincando, estou falando sério. O humor me reposicionou, me deu a chance de existir no palco, na TV, nas entrevistas. Mas não é aquele humor que ri de mim. É o que ri comigo. Tem uma diferença enorme. E tem mais: fazer humor da desgraça alheia é humor de vampiro. Eu nunca fui disso. Eu faço humor com consciência, porque ele foi minha maior ferramenta de sobrevivência. Qual o impacto real de conquistar o nome social? Foi libertador. Um reconhecimento do Estado brasileiro. Um pedaço de papel que parece burocracia, mas muda tudo. Antes, era aquele constrangimento… O sorrisinho amarelo do recepcionista, o nome de batismo que te obriga a levantar na sala do médico, o crachá errado na portaria do hotel. Quando você vê seu nome, a sua foto, o gênero certo, você entende: a minha existência foi validada. Não é mais favor, é direito. O nome social acaba com esse vazio entre o que você é e o que o mundo vê. Eu brinco que agora está escrito ali: Dona Nany People. Está certo. Está inteiro. É isso. Acabou. Você já abriu mão da vida pessoal pela carreira. Se arrepende? Eu abri mão da vida pessoal, sim, mas não me arrependo. Eu sepultei minha mãe numa sexta-feira e no sábado já estava no palco. Não porque eu sou fria, mas porque é ali que eu me sinto viva. É ali que eu existo. O teatro é meu amante, meu marido, meu pior funcionário. E é meu maior amor. Eu sempre priorizei minha vida profissional. Quando alguma paixão tentava me tirar desse caminho, eu lembrava do que minha mãe me disse lá atrás: “Homem tira o nosso brilho em função de um poder próprio. Cuidado pra não abrir mão dos seus sonhos.” Eu ouvi. E escolhi. Até hoje. Porque estar no palco é estar inteira. É estar em mim.

Conheça o jurista que tem coragem e conhecimento para enfrentar e apontar as mazelas do nosso judiciário Professor de Direito Constitucional da USP, pesquisador e colunista, Conrado Hübner Mendes trocou a prática jurídica pela vida acadêmica em tempo integral, se fascinou pela pesquisa e encontrou na universidade o espaço para exercer uma crítica independente ao poder: “Esse prazer da independência da universidade é você poder criticar e tentar quebrar essa tradição de deferência interessada. Eu não vou criticar porque espero algo daquela pessoa.” Conrado denuncia a magistocracia, termo que usa para definir parte da elite do Judiciário que, segundo ele, “são autoritários, recorrem a métodos corruptos e ilegais para a acumulação de privilégios”. “Não me refiro a todos os juízes, mas a uma fração muito relevante, que domina as cúpulas do Judiciário", explica. Ele aponta para a fragilidade de confiar em uma única instituição para garantir e resguardar nossa liberdade. "É muito ingênuo achar que a gente tem no Supremo Tribunal Federal um grande lastro para proteger a democracia — não temos", diz. "O fato da democracia não ter sido destruída em 2022 e 2023 não prova as virtudes do STF, e sim que houve mobilização de muitos setores da sociedade. Mesmo que, por ora, tudo pareça ter 'dado certo', isso é sempre provisório. Temos um futuro um pouco sombrio politicamente para enfrentar". No papo com Paulo Lima, ela fala sobre os vícios e virtudes do STF, pondera sobre Alexandre de Moraes e é taxativo sobre o 8 de janeiro: “É claro que foi um crime gravíssimo, com provas, com autoria e que precisava ser julgado com rigor.” O programa fica disponível no Spotify e no play aqui em cima. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2025/07/68683bc864f92/conrado-mendes-jurista-stf-congresso-direito-trip-fm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Conrado Hübner Mendes; ALT_TEXT=Conrado Hübner Mendes] Por que você diz que existem inimigos internos e externos no STF? Conrado Hübner Mendes. O bolsonarismo é um grande inimigo externo do STF. Ministros promíscuos são inimigos internos da instituição do STF. Eles não querem explodir o STF, eles querem instrumentalizar o STF para os seus próprios benefícios. Qual é exatamente a linha da sua crítica? A linha da minha crítica é: esses caras são autoritários, recorrem a métodos corruptos e ilegais para a acumulação de privilégios. Eles desrespeitam direitos, apesar de usarem um discurso de defesa do direito. É importante dizer isso com clareza, é não ter deferência; é presumir que eles, sendo autoridade, têm autoridade legítima para fazer o que fazem, mas que podem errar grosseiramente. E quando erram, precisam ser criticados. Eu acho que essa é uma das principais funções do pesquisador, do professor de Direito que está numa universidade que protege a sua liberdade e independência: criticar e tentar quebrar essa tradição de deferência interessada, porque é disso que depende a saúde da democracia. O que você pensa sobre essa ideia de que o Supremo salvou a democracia? Existe uma postura bastante disseminada hoje: ‘graças ao Supremo a democracia foi salva'. Essa versão é muito condescendente com falhas do Supremo. É muito ingênuo, do ponto de vista histórico e político, achar que a gente tem no STF um grande lastro para proteger a democracia — não temos. O fato da democracia não ter morrido em 2022 e 2023 não é sinal das virtudes do STF, é sinal de que muita gente se mobilizou e, naquele momento, não aconteceu. A gente precisa de uma crítica, de fazer uma análise sincera, crítica e construtiva dos erros que o STF comete e do quão frágil ele se torna ao cometer esses erros. Porque ainda que pareça ter dado certo, dar certo é sempre uma resposta provisória; a gente tem um futuro um pouco sombrio politicamente para enfrentar. Por que você trocou a prática jurídica pela vida acadêmica? Eu deixei de fazer a prática jurídica e mergulhei na atividade acadêmica em tempo integral, me fascinei com isso e estou nisso até hoje. Esse prazer da independência da universidade é: você pode criticar e tentar quebrar essa tradição que se explica não só pelo medo, mas por uma deferência interessada, muita deferência, muito temor reverencial. Eu acho que esse é um dos principais privilégios e luxos da vida acadêmica: estar numa universidade que protege a tua liberdade, a sua independência.