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Mensagens do Meeting Point
07 A Caminho com Jesus 

Mensagens do Meeting Point

Play Episode Listen Later Feb 25, 2026 2:14


Devocional Quaresma Depois disso, Jesus, acompanhado pelos discípulos , foi para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: «Sentem-se aqui, enquanto eu vou ali mais adiante orar.» Levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu. Nisto, começou a sentir-se angustiado e cheio de aflição, e exclamou: «Sinto uma tristeza de morte! Fiquem aqui e estejam atentos.»  Mateus 26:36-38 A cena na passagem de hoje muda do Cenáculo para o Jardim do Getsêmani. O clima fica mais pesado e sombrio. Jesus chama três dos Seus discípulos mais próximos e convida-os a orar com Ele. Embora eu já tenha refletido sobre a tribulação de Jesus no jardim, nunca me detive no facto de que Ele convidou os Seus amigos para chorar com Ele e orar com Ele. Não é como se o Deus deste universo precisasse deles. Não é como se Ele não soubesse que eles iriam dormir em vez de orar. No entanto, ao partilhar a Sua tristeza com eles, Jesus estava a demonstrar claramente que é normal partilhar os fardos do coração com os outros. Só porque tens Deus na tua vida não significa que tenhas de ser sereno, estoico e invulnerável. É normal dizer: «Olha, importas-te de vir comigo para isto?» e dar a outra pessoa a oportunidade de orar contigo e por ti. Jesus demonstrou uma bela abertura ao convidar os Seus discípulos mais próximos para acompanhá-lo. Não dependemos inteiramente dos nossos entes queridos. Nem agimos como se a fé os apagasse do quadro. A caminho de casa
 Com que estou a lidar sozinho hoje? Deus mostra-me pessoas específicas com quem posso partilhar as minhas dores e os meus sonhos? Estou disposto a ser convidado a partilhar o fardo de outra pessoa, mesmo que isso signifique sacrificar o meu tempo e os meus interesses? Oração
 Pai Celestial, ajuda-me a compreender que pedir ajuda ou pedir oração não diminui a minha fé. Ajuda-me a ser humilde o suficiente para convidar pessoas em quem confio a acompanhar-me na minha caminhada de fé. Amém. Neste tempo, abrando o passo. Escolho caminhar com Jesus, mesmo quando o caminho aperta. Escuto o que Ele diz. Observo o que Ele faz. Entrego-Lhe as minhas resistências e os meus medos. Pergunto: onde preciso de parar hoje para caminhar contigo? O que preciso de largar para Te seguir mais de perto?

Podcast TenisBrasil

Num momento em que o tênis brasileiro está vivendo muito mais de resultados de seus duplistas, o canhoto Igor Marcondes tenta recuperar o tempo perdido, mostra progressos e se dá o direito de sonhar com o qualificatório de seu primeiro Slam.Número 310 do ranking no momento, ele é o segundo brasileiro que mais somou pontos em 2026, com 76, pouco atrás dos 97 de Gustavo Heide. "Estou no caminho certo", afirma ele em bate papo com o jornalista Felipe Priante no Rio Open.Aos 28 anos, Marcondes relembra sua trajetória desde a volta da suspensão, momento que começou do zero, tendo de jogar pré-quali de torneios de US$ 15 mil. "Nunca pensei em abandonar", afirma ele, apesar dos três anos parados.

Mensagens do Meeting Point
06 A Caminho com Jesus 

Mensagens do Meeting Point

Play Episode Listen Later Feb 24, 2026 2:16


Devocional Quaresma Em seguida Jesus disse aos discípulos: «Esta noite vão todos abandonar-me, pois diz a Escritura: Ferirei de morte o pastor e as ovelhas ficarão dispersas. Mas depois de eu ressuscitar, irei à vossa frente para a Galileia.» Pedro então garantiu: «Mesmo que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei!»  Mateus 26:31-33 O bom e velho Pedro. Ele era um amigo tão leal. Estava tão animado e cheio de entusiasmo pelo reino de Deus. Ele nunca imaginaria que acabaria por virar as costas ao seu melhor amigo e professor, Jesus. Pedro estava em negação quanto à sua iminente traição. No versículo 33 de Mateus 26, lemos as palavras de Pedro: «Mesmo que os outros se afastem por tua causa, eu nunca o farei». Ele está tão seguro de si mesmo e do seu senso de lealdade. E é aí que reside o problema. Pedro estava, talvez, a confiar na sua própria capacidade de permanecer firme no meio da pressão. Isto lembra-me a advertência em 1 Coríntios, onde as Escrituras prevêem essa falácia da autoconfiança: «Se pensas que estás firme, tem cuidado para não caires». E se, em vez de responder à profecia de Jesus sobre a sua negação com um «Eu? De maneira nenhuma!», Pedro tivesse dito humildemente: «Eu? A sério? Podes mostrar-me como posso permanecer forte, porque sozinho sou muito, muito fraco». A vulnerabilidade diante de Deus é um lugar seguro. É o primeiro passo para crescer na fé. A caminho de casa
 Às vezes sou exagerado na minha fé, presumindo que nunca vou cair? Estou disposto a ser vulnerável diante de Deus e pedir-Lhe força sobrenatural na minha caminhada de fé, porque sozinho não consigo superar isso? Oração
 Pai, não quero viver sem depender de Ti. Em Ti vivo, movo-me e existo. Não consigo permanecer firme a menos que esteja apoiado na Rocha que é mais alta do que eu. Obrigado por seres a minha Rocha. Amém. Neste tempo, abrando o passo. Escolho caminhar com Jesus, mesmo quando o caminho aperta. Escuto o que Ele diz. Observo o que Ele faz. Entrego-Lhe as minhas resistências e os meus medos. Pergunto: onde preciso de parar hoje para caminhar contigo? O que preciso de largar para Te seguir mais de perto?

Sociedade Primitiva
Estou indo para a CADEIA - Número 341

Sociedade Primitiva

Play Episode Listen Later Feb 23, 2026 239:44


O que será do futuro de Carlos?Música encerramento: [1984] Sara Minase (水瀨紗羅) - Yumedemo Iikara

Arauto Repórter UNISC
A Coragem de Não se Abandonar

Arauto Repórter UNISC

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 2:38


Estou me dando permissão para sentir. Chorar quando for preciso. Olhar para minhas sombras sem julgamento e abraçá-las com a mesma ternura que ofereço às minhas luzes.Estou me dando permissão para descer aos meus porões internos, aqueles lugares esquecidos, cheios do que evitei ver. Descubro que ali não moram monstros, mas verdades esperando cuidado.Estou me dando permissão para dizer não sem culpa, para estabelecer limites, para falhar, para aparecer vulnerável, para admitir que não dou conta de tudo. E perceber que isso não me diminui, me humaniza.Dou-me a permissão de merecer o que sonho e de seguir por este caminho onde, hoje, minhas pernas caminham mais firmes do que nunca.E se eu errar, aprendo.E se eu não souber, respiro.E se a vida me molhar em tempestades, fecho os olhos e espero.E se não houver respostas, confio.Dar-se permissão não é fácil.Mas talvez seja o gesto mais delicado e corajoso que fazemos quando finalmente escolhemos não nos abandonar.

Assunto Nosso
A Coragem de Não se Abandonar

Assunto Nosso

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 2:38


Estou me dando permissão para sentir. Chorar quando for preciso. Olhar para minhas sombras sem julgamento e abraçá-las com a mesma ternura que ofereço às minhas luzes.Estou me dando permissão para descer aos meus porões internos, aqueles lugares esquecidos, cheios do que evitei ver. Descubro que ali não moram monstros, mas verdades esperando cuidado.Estou me dando permissão para dizer não sem culpa, para estabelecer limites, para falhar, para aparecer vulnerável, para admitir que não dou conta de tudo. E perceber que isso não me diminui, me humaniza.Dou-me a permissão de merecer o que sonho e de seguir por este caminho onde, hoje, minhas pernas caminham mais firmes do que nunca.E se eu errar, aprendo.E se eu não souber, respiro.E se a vida me molhar em tempestades, fecho os olhos e espero.E se não houver respostas, confio.Dar-se permissão não é fácil.Mas talvez seja o gesto mais delicado e corajoso que fazemos quando finalmente escolhemos não nos abandonar.

John Piper Responde
Exercício, dieta e vaidade- estou glorificando a Deus ou a mim mesmo?

John Piper Responde

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 9:54


Traduzido com permissão e em parceria com Desiring God.Produzido por DBVoz StudiosNarrador: Duda BagueraRealização: Ministério Fiel e Voltemos Ao EvangelhoEditor responsável: Vinicius Lima.

Mensagens do Meeting Point
03 A Caminho com Jesus 

Mensagens do Meeting Point

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 2:18


Devocional Quaresma No primeiro dia da festa dos Pães sem Fermento, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-lhe: «Onde queres que te preparemos a ceia da Páscoa?» Jesus explicou-lhes que fossem à cidade, a casa de um certo homem, e dissessem: «O Mestre manda-te este recado: A minha hora está a chegar! É em tua casa que vou celebrar a Páscoa com os meus discípulos.» Eles fizeram o que Jesus mandou e prepararam a ceia da Páscoa. Mateus 26:17-19 Os discípulos de Jesus prepararam a refeição da Páscoa. Ao lermos estes versículos, vamos observar três coisas simples que eles fizeram durante a preparação: 
 1. Eles foram até Jesus 2. Eles pediram a Jesus 
 e 3. Eles obedeceram a Jesus. Nesta época da Quaresma, nós também estamos a preparar-nos para o dia em que recordamos Jesus como o nosso Cordeiro Pascal sem pecado. Mas será que estamos a tentar preparar-nos segundo os nossos termos ou os Dele? A nossa preparação durante a Quaresma é meramente dedicada a aparências externas — ou estamos à espera de Jesus, ouvindo-O e seguindo-O em obediência? Nesta época de preparação, vamos primeiro aproximar-nos Dele, despojando-nos das nossas próprias agendas. Vamos esperar por Ele com humildade. Vamos ouvir a Sua voz. E, o mais importante, não sejamos apenas ouvintes, mas também praticantes da Palavra. Os discípulos «fizeram como Jesus lhes havia ordenado e prepararam a Páscoa». Como é que tu e eu nos estamos a preparar? A caminho de casa
 O que estou a "abrir mão" durante a Quaresma? É algo sobre o qual Deus me convenceu? A minha preparação é mais externa do que interna? Estou à espera de Deus e estou preparado para me aproximar Dele nos Seus termos? Oração
 Deus Pai, às vezes é tão fácil cair na rotina e no ritual quando se trata da Quaresma. Sem pensar, renunciamos a uma coisa ou outra, aliviando a nossa culpa para rapidamente vestir um manto de auto-justiça. Oro por uma visão renovada nesta Quaresma. Ajuda-me a chegar a Ti com verdadeira humildade e a dar-Te permissão para que me possas podar como quiseres. Amém.  Neste tempo, abrando o passo. Escolho caminhar com Jesus, mesmo quando o caminho aperta. Escuto o que Ele diz. Observo o que Ele faz. Entrego-Lhe as minhas resistências e os meus medos. Pergunto: onde preciso de parar hoje para caminhar contigo? O que preciso de largar para Te seguir mais de perto?

Mensagens do Meeting Point
02 A Caminho com Jesus 

Mensagens do Meeting Point

Play Episode Listen Later Feb 19, 2026 2:03


Devocional Quaresma Então um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi perguntar aos chefes dos sacerdotes: «Quanto é que me dão se vos entregar Jesus?». E deram-lhe trinta moedas de prata. A partir de então, Judas começou a procurar a melhor ocasião para O entregar. Mateus 26:14-16 Em total contraponto a Maria, no devocional de ontem, está Judas. Um deles é conhecido pela sua adoração extravagante; o outro, pela sua traição desleal. Maria não calculou o custo da adoração e gastou o seu dinheiro em perfume caro. Judas, por outro lado, concentrou-se em contar as suas trinta moedas de prata. Um foi generoso com Jesus; o outro foi ganancioso. No entanto, não acredito que Judas tenha sido motivado apenas pelo seu amor ao dinheiro. Em vez disso, ele foi impulsionado pelo seu medo. Todas as circunstâncias apontavam para o facto de que a morte de Jesus era iminente. Até o próprio Jesus o afirmou! Judas temia pelo seu futuro e temia pela sua vida. O novo reino que ele esperava que Jesus inaugurasse estava a desintegrar-se. Ele concentrou-se no poder dos governantes, em vez de se concentrar no poder Daquele que delineou a autoridade para esses governantes. Ele permitiu que o tangível superasse o eterno. A caminho de casa
 Onde está o meu foco hoje? O que motiva as minhas ações? É o medo ou a fé em Deus? Estou disposto a arriscar tudo por Jesus ou estou a seguir as regras das autoridades terrenas? Oração
 Pai Celestial, sei que posso ser facilmente influenciado pelo medo. Muitas vezes acredito na falsa ideia de que as pessoas controlam as minhas circunstâncias, em vez de um Deus soberano e amoroso. Oro para que eu Te dê o lugar que é devido no trono da minha vida. Oro para que a fé — e não o medo — guie as minhas decisões. Amém. Neste tempo, abrando o passo. Escolho caminhar com Jesus, mesmo quando o caminho aperta. Escuto o que Ele diz. Observo o que Ele faz. Entrego-Lhe as minhas resistências e os meus medos. Pergunto: onde preciso de parar hoje para caminhar contigo? O que preciso de largar para Te seguir mais de perto?

Convidado
Daniel Chapo: “O terrorismo e o clima não se resolvem apenas com bilateralismo”

Convidado

Play Episode Listen Later Feb 18, 2026 15:10


No rescaldo da 39.ª Cimeira da União Africana, o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, fez um balanço “bastante positivo” da liderança angolana da organização, alerta os desafios das mudanças climáticas ao nível do continente e lembra que áfrica tem de se fazer representar no Conselho de Segurança da ONU. RFI Português: Que balanço faz desta 39.ª Cimeira da União Africana? Presidente de Moçambique, Daniel Chapo: Faço uma análise bastante positiva, porque a 39.ª Cimeira da União Africana concentrou-se muito sobre questões relacionadas com infra-estruturas e, sobretudo, a questão da água a nível do continente. Concretamente, sobre a Presidência angolana [da União Africana], faço um balanço bastante positivo, porque o Presidente João Lourenço fez um esforço extraordinário para ver se conseguimos alcançar a paz, por exemplo, no Leste da República Democrática do Congo, para além de várias frentes que abriu para questões de paz e segurança, que é uma das grandes preocupações dos países ao nível do continente africano. Outro aspecto bastante importante está relacionado com os desafios das mudanças climáticas. Todos nós, ao nível do continente, estamos mais solidários. É uma matéria na qual África tem que continuar a se fazer sentir a nível mundial. O outro aspecto bastante importante é assento para o continente africano no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Inclusive, aconteceu uma reunião à margem da cimeira da União Africana, precisamente para preparar uma posição africana em relação ao próximo secretário-geral das Nações Unidas - o mandato de António Guterres termina em Dezembro de 2026. Seria importante que a África estivesse alinhada não só para a corrida ao secretário-geral das Nações Unidas, mas também na representação no Conselho de Segurança? É um ponto extremamente importante para o continente africano. O Presidente João Lourenço fez esse trabalho durante o seu mandato. Nós, como África, conseguimos fazer sentir a nossa voz ao nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Setembro do ano passado, quando estivemos em Nova Iorque. Como países africanos temos que nos organizar para que África também se faça sentir. Achamos que chegou o momento das Nações Unidas fazerem uma reforma, que passa além do secretário-geral das Nações Unidas, pela questão relacionada com o assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A questão dos golpes de Estado é uma temática que há muitos anos assola África e que foi novamente relembrada nesta cimeira, também é uma questão que o preocupa? Preocupa-me bastante e quero elogiar mais uma vez o Presidente João Lourenço, no seu discurso do fim do mandato, deixou de uma forma muito clara e condenou, deixou palavras muito duras e necessárias, de que não podemos normalizar os golpes de Estado ao nível do continente africano. E ultimamente, o que tem acontecido é que as pessoas golpeiam, acontecem golpes e depois nós normalizamos. Portanto, somos países de direito democrático. Temos realizado eleições de cinco em cinco anos e achamos que é extremamente importante, como africanos, continuarmos a respeitar os princípios que regem as nossas constituições dos países, mas também os princípios da União Africana. Os povos africanos têm direito de escolher os seus líderes e continuarem a trabalhar e não haver golpes de Estado. Estou bastante impressionado com a forma como o Presidente João Lourenço condenou e achamos que, como líderes africanos, este caminho que temos que seguir. A água e saneamento são prioridades desta nova presidência rotativa da União Africana. Este é um dossier crítico para África. Especificamente em Moçambique, qual é a situação? É um dossier extremamente crítico não só para Moçambique, mas para todo continente africano. Por uma razão muito simples, o maior desafio que nós temos são as infra-estruturas para a retenção da água, para o tratamento de água para termos água potável e questões relacionadas com o saneamento, que é extremamente importante para evitarmos as doenças. Em Moçambique, concretamente, estamos neste momento a sofrer de cheias e inundações. Tivemos também o ciclone Gezani que afectou, portanto, o país. Foram cerca de 800.000 pessoas deslocadas para os centros de acomodação temporária. Se nós tivéssemos recursos financeiros para a construção de barragens, a construção de vias que possam realmente conter o curso das águas, seria uma grande solução. Mas também quero falar uma coisa muito importante: as mudanças climáticas são uma realidade ao nível do mundo. É uma coisa que eu tenho dito em todos os encontros internacionais ligados às mudanças climáticas e à justiça climática, a justiça ambiental. A questão climática é mundial. Mas Moçambique é um dos países que mais sofre as consequências das alterações climáticas. O seu país ainda não recuperou das inundações e já estava a ser fustigado por um ciclone. Em que ponto é que está a justiça climática que tanto se fala nestas cimeiras? Infelizmente, da palavra à acção ainda falta muito caminho. Eu tenho dito isso em todos os encontros internacionais e como campeão africano para a gestão de desastres a partir da União Africana, também o voltei a fazer sentir essa voz. Se realmente o mundo reconhecesse que a África, em particular Moçambique, não polui quase nada, mas, dada a localização geográfica, sofre ciclicamente de cheias e inundações, ventos ciclónicos, tinha que haver aqui compensação - isso é que seria uma verdadeira justiça climática - para que Moçambique pudesse construir essas infra-estruturas para a gestão das águas, barragens, etc. Temos projectos, temos planos, mas os recursos financeiros que temos neste momento não são suficientes. Se o mundo fosse solidário e percebesse esta questão da justiça climática, poderíamos realmente ter financiamento daqueles que poluem mais para aqueles que poluem menos, como o caso de Moçambique, mas que infelizmente sofrem mais as consequências. Mesmo assim, Moçambique tem evoluído, tem melhorado a nível de sistemas de alerta e a população também já se encontra mais consciente das recomendações, dos alertas das autoridades, porque efectivamente, a nível de mortos, o número tem vindo a diminuir. Sim, sem margem de dúvidas, os números falam. Em 2000, aconteceram as cheias na província de Gaza, que tiveram uma magnitude menor do que estas cheias de 2026, mas tivemos cerca de 700 mortos e mais de 2.000 pessoas desaparecidas. Estas cheias de 2026, tiveram uma magnitude maior do que as 2000 e tivemos um número menor de desaparecidos. E em termos também de mortos, tivemos um número muito menor. Estou a falar de cheias que aconteceram no mesmo espaço, em épocas diferentes. Vamos melhorando cada vez mais e agora tivemos o [ciclone] Gezani. Se não tivesse havido o aviso prévio, se não tivesse havido alerta e as populações não tivessem assumido aquilo as medidas de prevenção para que não houvesse consequências graves, tenho certeza absoluta que o Gezani teria causado danos maiores. Causou danos menores porque a população moçambicana já está em alerta para estas situações e obedece. Ainda temos desafios porque ainda temos populações que, infelizmente, não obedecem. Mas quando comparamos o que acontecia antes e o que acontece hoje em termos de consequência, a situação moçambicana está a melhorar bastante. Eventualmente em Adis Abeba, procurou apoios para a reconstrução do país após inundações e após ciclone, nomeadamente na Cimeira Itália-África? Sim, conseguimos fazer vários contactos a partir da União Africana e a União Africana garantiu-nos que continua a mobilizar recursos, para que haja um apoio na fase de reconstrução. Na cimeira Itália-África, voltamos a agradecer o apoio que temos recebido da União Europeia e dos seus países membros. Nesta fase, as populações estão deslocadas, vão regressando paulatinamente às casas, mas ainda temos os centros de acomodação. Mas temos certeza absoluta que depois vamos precisar reconstruir o país. E os parceiros também responderam positivamente. Neste momento, tanto os parceiros de cooperação internacionais como os nacionais estão a se preparar para podermos trabalhar juntos por forma a reconstruímos o país, depois desta fase em que nos encontramos. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse-se muito preocupado com a situação em Cabo Delgado. Especificamente, que estratégias o seu governo está a adoptar para proteger os civis, para garantir a segurança? E quais são as grandes dificuldades que o governo moçambicano tem para acabar com o terrorismo, com a insurgência naquela região do país? Neste momento, o que posso garantir é que a situação da segurança é relativamente melhor do que estava antes. Digo isto porquê? Porque quando aconteceram os primeiros ataques em 2017, estes homens terroristas chegaram a ocupar várias vilas nos distritos da zona norte da Província de Cabo Delgado. A título de exemplo, a vila de Macomia, a vila de Mocímboa da Praia estavam totalmente ocupadas. Quando digo que está relativamente melhor é porque, neste momento em que estamos a falar, não há nenhuma vila da província de Cabo Delgado que esteja ocupada. As instituições públicas continuam a trabalhar, as populações estão nas vilas, mas têm havido ataques esporádicos dos terroristas, principalmente nas aldeias vizinhas das vilas, ao no nível do distrito de Mocímboa da Praia, distrito de Macomia, é esta que é a grande preocupação. Quando fazem esses ataques esporádicos, tem havido deslocação das populações. Então, quando há um disparo ou um ataque, as populações acabam se deslocando. E, felizmente, mais uma vez temos tido uma grande ajuda das agências das Nações Unidas e outros parceiros continuam e conseguem dar o apoio às populações quando se deslocam. Mas, o país precisa de mais ajuda? Neste momento, temos ajuda da União Europeia, que está a trabalhar connosco. Mas também continuamos a trabalhar com as forças do Ruanda, ao nível do terreno, e as nossas Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Agora, no que toca realmente à assistência às populações, nós achamos que as ajudas são sempre necessárias. As agências das Nações Unidas e os parceiros de cooperação estão no terreno, continuam a trabalhar e nós também continuamos a trabalhar, de várias formas, para que possamos encontrar a solução para este assunto do terrorismo em Cabo Delgado. Mas é um assunto complexo. O terrorismo não é um fenómeno só de Moçambique, é um fenómeno global e internacional. À semelhança do que falava no início sobre a justiça climática, se o mundo se apercebesse que o terrorismo é um fenómeno global que tem que ser estancado, nós tínhamos que nos unir como mundo e trabalhar para terminar com esses fenómenos terroristas, à semelhança das mudanças climáticas que afectam todo o mundo, embora com focos de incidência em certos pontos do mundo.   A importância do multilateralismo que tanto se fala nos dias de hoje, com este mundo cada vez mais fragmentado e numa evolução, transformação alucinante. Exactamente. Eu acho que o multilateralismo é extremamente importante, mas, hoje em dia, há quem se concentre só nas questões bilaterais, não está preocupado com o multilateralismo e isto pode perigar o futuro deste planeta Terra. As mudanças climáticas e o terrorismo são fenómenos globais, aos quais não se responde só com situações bilaterais. E podia dar vários outros exemplos que mostram que o multilateralismo é extremamente importante ao nível do planeta Terra, para a resolução de vários desafios que o mundo tem. Vê com preocupação as ameaças que têm sido dirigidas à classe jornalística em Moçambique? Isto preocupa-me bastante. Quando aconteceu o atentado a um jornalista na província de Manica, fiz questão de reagir, logo, a condenar, porque Moçambique é um país de direito democrático, que respeita os direitos humanos. Moçambique é um país de liberdades, tem liberdade de imprensa como lei, tem liberdade de imprensa como um princípio a ser respeitado para podermos construir este Moçambique e outro aspecto bastante importante é que Moçambique é um país que defende a liberdade de expressão. Para mim é extremamente importante trabalhar com a imprensa, porque a imprensa não só comunica, não só informa, mas forma a sociedade moçambicana. Daí que as ameaças jornalistas são actos a condenar veementemente, para podermos construir um país de liberdade, que é o futuro que todos nós precisamos para, juntos como moçambicanos, desenvolvermos o país.

Evangelho Puro e Simples
Salmo 39 - Não pecarei em palavras

Evangelho Puro e Simples

Play Episode Listen Later Feb 18, 2026 14:56


¹ Eu disse: Vigiarei a minha conduta e não pecarei em palavras; porei mordaça em minha boca enquanto os ímpios estiverem na minha presença.² Enquanto me calei resignado, e me contive inutilmente, minha angústia aumentou.³ Meu coração ardia-me no peito e, enquanto eu meditava, o fogo aumentava; então comecei a dizer:⁴ Mostra-me, Senhor, o fim da minha vida e o número dos meus dias, para que eu saiba quão frágil sou.⁵ Deste aos meus dias o comprimento de um palmo; a duração da minha vida é nada diante de ti. De fato, o homem não passa de um sopro. Pausa⁶ Sim, cada um vai e volta como a sombra. Em vão se agita, amontoando riqueza sem saber quem ficará com ela.⁷ Mas agora, Senhor, que hei de esperar? Minha esperança está em ti.⁸ Livra-me de todas as minhas transgressões; não faças de mim um motivo de zombaria dos tolos.⁹ Estou calado! Não posso abrir a boca, pois tu mesmo fizeste isso.¹⁰ Afasta de mim o teu açoite; fui vencido pelo golpe da tua mão.¹¹ Tu repreendes e disciplinas o homem por causa do seu pecado; como traça destróis o que ele mais valoriza; de fato, o homem não passa de um sopro. Pausa¹² Ouve a minha oração, Senhor; escuta o meu grito de socorro; não sejas indiferente ao meu lamento. Pois sou para ti um estrangeiro, como foram todos os meus antepassados.¹³ Desvia de mim os teus olhos, para que eu volte a ter alegria, antes que eu me vá e deixe de existir. Salmos 39:1-13Youtube: youtube.com/c/PrRomuloPereiraInstagram: @PrRomuloPereiraFacebook: facebook.com/PrRomuloPereiraSpotify: Evangelho Puro e Simpleshttps://podcasters.spotify.com/pod/show/PrRomuloPereira

Mensagens do Meeting Point
01 A Caminho com Jesus

Mensagens do Meeting Point

Play Episode Listen Later Feb 18, 2026 2:52


Devocional Quaresma Jesus estava em Betânia, hospedado em casa de Simão, a quem chamavam "Leproso". Enquanto estava à mesa, aproximou-se dele uma mulher que levava um frasco de alabastro com perfume muito caro e deitou-lho sobre a cabeça. Os discípulos, ao verem isso, ficaram indignados e diziam: «Para que foi este desperdício? Este perfume podia vender-se por uma grande quantia e dava-se o dinheiro aos pobres!» Jesus, sabendo o que se passava, disse aos discípulos: «Por que é que estão a envergonhar esta mulher? Na realidade, ela praticou uma bela ação para comigo. Pobres hão de ter sempre convosco, mas a mim não me poderão ter sempre. O que esta mulher fez, ao deitar-me o perfume, foi preparar-me para a sepultura. E fiquem sabendo que em qualquer parte do mundo onde esta boa nova for pregada, será contado o que acaba de fazer, e assim ela será recordada!" Mateus 26:6-13
 Começamos a devocional da Quaresma com alguém que realmente percebeu. Maria, irmã de Marta e Lázaro, realmente percebeu. Na verdade, ela percebeu mais do que os discípulos indignados que tentaram impedi-la de "desperdiçar" o perfume em Jesus. Ela, talvez, percebeu que Jesus não estaria com eles por muito mais tempo. A sua resposta à morte iminente de Jesus é bela. Ela adorou-O. Não uma adoração casual, do tipo “o que vem a seguir na agenda”. Mas uma adoração extravagante, em que ela não calculou o custo. Foi uma adoração devota, uma adoração extraordinária, talvez até uma adoração irracional. Ela não olhou para o relógio, nem para a sua carteira, nem para as pessoas à sua volta que a julgavam. Em vez disso, ela olhou para Jesus. Ela permitiu que Ele preenchesse a sua visão e eclipsasse tudo o mais ao seu redor. Ela adorou como se ninguém estivesse a ver. A caminho de casa
 Qual é a minha resposta à morte de Jesus na cruz? Estou a oferecer-Lhe um sacrifício de adoração e louvor? Ou o meu sacrifício nesta época da Quaresma é mais voltado para o meu próprio benefício? Oração
 Pai Celestial, ajuda-me a adorar de uma forma que envolva verdadeiramente todo o meu ser. Ajuda-me a amar-Te não apenas com as minhas palavras, mas com toda a minha alma, a minha mente, a minha força e o meu coração. Não me deixes contentar-me com uma adoração morna, mas deixa-me arder com a chama da fé inflamada por uma profunda reverência por Ti. Amém.  Neste tempo, abrando o passo. Escolho caminhar com Jesus, mesmo quando o caminho aperta. Escuto o que Ele diz. Observo o que Ele faz. Entrego-Lhe as minhas resistências e os meus medos. Pergunto: onde preciso de parar hoje para caminhar contigo? O que preciso de largar para Te seguir mais de perto?

Live Talks Por Paula Quintão
Estou Atendendo a Vontade da Alma? Ep.905 Sessão de Enroscos

Live Talks Por Paula Quintão

Play Episode Listen Later Feb 16, 2026 9:00


Sessão de Enroscos, por Paula Quintão Paula Quintão é escritora e Dra. em Sustentabilidade, mentora e autora de 8 livros publicados pela sua editora Suban a Los Techos. Mãe da Clara. www.paulaquintao.com.br

WGospel.com
Estou orando pelos presos, Pai!

WGospel.com

Play Episode Listen Later Feb 15, 2026 1:56


Oro Por Você 03067 – 15 de fevereiro de 2026 Deus e Pai, hoje queremos Te pedir, de uma forma especial, por todos aqueles que por causa de seus erros se encontram presos. Embora tenham errado, tenham assaltado, roubado, matado ou cometido outros crimes, eles são Teus filhos e pagam por esses erros nas prisões. Te pedimos por todos esses encarcerados, cada um em particular. Perdoa as faltas confessadas, alivia os sofrimentos físicos, o peso da consciência e os ajude a sentir o perdão, o Teu amor, a Tua paz. Envia o Espírito Santo para estar com eles e que deixem a vida de pecado, de maldade e aceitem a Tua salvação e assim alcancem toda a liberdade que têm os que Te aceitam. Pedimos em nome de Jesus, amém. Saiba como receber as orações diárias do Oro Por Você: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99797 2727 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Conheça nosso novo portal de oração: www.oroporvoce.com.br -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: https://t.me/tempoderefletir . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9r7v8G8l5NcIiafZ2V . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas
Lídia Jorge (parte 1): “Acabámos de atravessar a lama. Estou cheia de esperança. Ao mesmo tempo, há avanços em marcha-atrás para as trevas medievais”

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas

Play Episode Listen Later Feb 13, 2026 80:30


É uma das vozes mais relevantes e notáveis da literatura portuguesa contemporânea. Foi a primeira mulher escritora distinguida com o Prémio Pessoa 2025 e é o primeiro nome da língua portuguesa a receber o prestigiado Médicis Étranger. Autora de 13 romances, prepara-se para lançar em abril um novo livro, “O Céu Cairá Sobre Nós - 30 Crónicas e um Discurso”, com textos publicados no El País e o célebre discurso do 10 de Junho, com uma importante lição de História, decência e humanidade. Ouçam-na nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça See omnystudio.com/listener for privacy information.

Evangelho Puro e Simples
Salmo 38 - Apressa-te a ajudar-me, Senhor!

Evangelho Puro e Simples

Play Episode Listen Later Feb 13, 2026 11:41


¹ Senhor, não me repreendas no teu furor nem me disciplines na tua ira.² Pois as tuas flechas me atravessaram, e a tua mão me atingiu.³ Por causa de tua ira todo o meu corpo está doente; não há saúde nos meus ossos por causa do meu pecado.⁴ As minhas culpas me afogam; são como um fardo pesado e insuportável.⁵ Minhas feridas cheiram mal e supuram por causa da minha insensatez.⁶ Estou encurvado e muitíssimo abatido; o dia todo saio vagueando e pranteando.⁷ Estou ardendo em febre; todo o meu corpo está doente.⁸ Sinto-me muito fraco e totalmente esmagado; meu coração geme de angústia.⁹ Senhor, diante de ti estão todos os meus anseios; o meu suspiro não te é oculto.¹⁰ Meu coração palpita, as forças me faltam; até a luz dos meus olhos se foi.¹¹ Meus amigos e companheiros me evitam por causa da doença que me aflige; ficam longe de mim os meus vizinhos.¹² Os que desejam matar-me preparam armadilhas, os que me querem prejudicar anunciam a minha ruína; passam o dia planejando traição.¹³ Como um surdo, não ouço, como um mudo, não abro a boca.¹⁴ Fiz-me como quem não ouve, e em cuja boca não há resposta.¹⁵ Senhor, em ti espero; Tu me responderás, ó Senhor meu Deus!¹⁶ Pois eu disse: "Não permitas que eles se divirtam à minha custa, nem triunfem sobre mim quando eu tropeçar".¹⁷ Estou a ponto de cair, e a minha dor está sempre comigo.¹⁸ Confesso a minha culpa; em angústia estou por causa do meu pecado.¹⁹ Meus inimigos, porém, são muitos e poderosos; é grande o número dos que me odeiam sem motivo.²⁰ Os que me retribuem o bem com o mal caluniam-me porque é o bem que procuro.²¹ Senhor, não me abandones! Não fiques longe de mim, ó meu Deus!²² Apressa-te a ajudar-me, Senhor, meu Salvador! Salmos 38:1-22Youtube: youtube.com/c/PrRomuloPereiraInstagram: @PrRomuloPereiraFacebook: facebook.com/PrRomuloPereiraSpotify: Evangelho Puro e Simpleshttps://podcasters.spotify.com/pod/show/PrRomuloPereira

Morgana Secco
Vamos voltar para o Brasil? Qual minha opinião sobre Guerreiras do K-pop? Medo de dar telas?

Morgana Secco

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 47:34


Nesse vídeo eu respondo essas e outras perguntas que vocês me fizeram sobre beleza natural, entrada da Ju na escola, sobre o marido não trabalhar fora, se pensamos em algum momento voltar para o Brasil, como lido com o luto, maternidade e outras mais que estarão listadas aqui em baixo.☀️ Meu curso O Essencial da Maternidade: https://morganasecco.com.br/essencialPERGUNTAS00:36 Alice gosta de falar em inglês ou português?02:52 O que você faz para manter um conteúdo inteligente, interessante e não cair na mesmice?06:22 Estou grávida e estamos na França, algum livro pra indicar?06:41 Já pensou em morar no Brasil algum momento ai?13:15 Como a sua família reagiu ao saber que você iria morar fora do Brasil? 14:28 Como é a questão fiscal de vocês? Ganham em reais e gastam em libras? Empresa está onde?17:49 Você já deu chupeta as crianças em alguma situação extremamente pontual?18:12 Essas férias escolares que vão ter agora em fevereiro é de que? Porque sei que ai não tem Carnaval18:49 As escolas ensinam letra cursiva?19:23 Como você fez pra viajar sem a Julia para Los Angeles ainda amamentando?21:17 Você não deu chupeta, né? Como sobreviveu a fase de sucção intensa?21:57 Morgana, vocês conseguiram fazer amizades com os locais?24:17 Lembro que comprou um desumidificador/ purificador. Ajudou a melhorar sua rinite?25:27 Você está assistindo Bridgerton?26:14 Medo de liberar a tela30:07 Pode falar sobre beleza natural e eceitação?32:40 Como você lida com o luto? Fez terapia quando perdeu sua mãe?36:33 Como está a Ju na escola?38:01 Marido não sente falta do mundo corporativo… outros projetos do que ficar em casa?42:39 Porque vocês chamam tia de “dinda”? 43:10 Qual sua opinião sobre Guerreiras do K-pop? É adequado para crianças de 5 anos?LINK DOS VÍDEOS MENCIONADOS:https://youtu.be/pMh1SGxpArshttps://youtu.be/MQiPLrmrVbohttps://youtu.be/5gvBhr3xlbIhttps://youtu.be/YHSfpl_47fAhttps://youtu.be/9_UPWdiWgFYLINK DO DESUMIDIFICADOR DE AR:https://amzn.eu/d/00zK4FrENewsletter GRATUITA: https://morganasecco.com.br/newsletterPara pesquisar atrações e atividades para ir em família baixe o app GRATUITO: https://apps.apple.com/no/app/minimap-app/id6446462630Inscreva-se no canal: https://www.youtube.com/channel/UCxwENW5gfb72OnMnRycgflA?sub_confirmation=1Instagram: https://www.instagram.com/morganasecco/Seguir no Facebook: https://www.facebook.com/Morgana-Secco-853527361485473/Canal do Schiller (Finanças): https://www.youtube.com/@UCAVYHoy45kgq9WuUji9ff5g

Por Aí | Estadão
Por Aí Cafe Le Jazz

Por Aí | Estadão

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 2:16


A Livraria da Vila abriu uma loja bem bacana, na Avenida Paulista. Tem uma seção boa de livros de gastronomia, mas não estou falando dela por isso, não. Estou falando porque abriu ali a primeira unidade do Le Jazz Café.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ciência
Moçambique desenvolve ferramenta para medir impacto do desenvolvimento sobre protecção dos elefantes

Ciência

Play Episode Listen Later Feb 9, 2026 19:15


A Biofund, Fundação para a Conservação da Biodiversidade de Moçambique, anunciou na semana passada a realização, no passado dia 29 de Janeiro, de um 'workshop' de validação da métrica para a preservação do Elefante Africano em Moçambique, uma espécie considerada "em perigo". Esta iniciativa liderada pelo programa COMBO+ que resulta de uma parceria entre a Wildlife Conservation Society (WCS), a Biofund e o Ministério moçambicano da Agricultura, Ambiente e Pescas, visa dotar as autoridades moçambicanas de uma ferramenta -a métrica- quantificando os prejuízos causados pela actividade humana no meio ambiente e compensar essa perda. Esta que é quinta métrica a ser desenvolvida no âmbito desse programa, a seguir às métricas implementadas para recifes de coral, florestas, mangais e ervas marinhas está a ser desenvolvida numa altura em que o país envida esforços para conciliar o desenvolvimento económico com a preservação da biodiversidade, neste caso, do elefante africano, uma "espécie prioritária para a conservação" considerada "em perigo" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Segundo dados oficiais, o país tem cerca de dez mil elefantes que, para além dos caçadores furtivos, têm que enfrentar outros entraves à sua sobrevivência, como a extensão da actividade agrícola ou o impacto dos megaprojectos no país. Em entrevista concedida à RFI, Vanda Machava, gestora do Programa de Contrabalanços e Biodiversidade no seio da Biofund, explica-nos no que consiste a métrica aplicada à protecção da natureza, começando por evocar o contexto em que surge esta ferramenta. RFI: No que consiste a métrica e em que contexto ela surge? Vanda Machava: Moçambique é um país bastante rico no que concerne aos recursos naturais, à biodiversidade. Temos áreas de conservação, temos reservas. Cerca de 26% do território nacional faz parte da rede Nacional das Áreas de Conservação. Em Moçambique, é dentro deste património natural, que o elefante africano é uma das espécies prioritárias para conservação, tanto a nível nacional, até mesmo a nível internacional. Mas temos verificado nas últimas décadas que esta espécie emblemática tem sofrido uma grande pressão no que diz respeito a ameaças e temos verificado mais e mais que uma das ameaças mais frequentes tem sido a caça furtiva ou então a perda da vegetação devido à prática da agricultura por parte das comunidades locais e até mesmo alguns megaprojectos que mais e mais estão a ser evidentes aqui em Moçambique, como por exemplo a mineração, a construção de grandes infra-estruturas, assentamentos humanos. São projectos que nós chamamos de projectos de desenvolvimento, contribuem para o desenvolvimento económico do país, mas vão acabar por comprometer a biodiversidade. RFI: Só para nós sabermos qual é o habitat natural do elefante em Moçambique? Em que zonas é que ele fica? Vanda Machava: As zonas onde o elefante africano ocorre são zonas protegidas, então fazem parte da rede nacional das Áreas de Conservação. Contudo, o elefante africano não fica fixo, não fica parado, movimenta-se, migra através dos corredores de migração. Então, por isso mesmo é que acaba criando um bocadinho de conflito com as comunidades locais, porque às vezes as comunidades podem decidir fazer agricultura nos corredores de migração, nos locais que os elefantes acabam percorrendo. Então aqui já existe este conflito. Por exemplo, nas áreas de conservação, bem perto, ao redor das áreas de conservação, as comunidades fazem agricultura e às vezes os elefantes passam por estes locais. E aí há choques. Então tem que sempre tentar-se identificar medidas para evitar que haja esses choques. Então, uma das formas que nós identificamos ao nível nacional foi o desenvolvimento de métricas. No que consistem estas métricas? Métrica é uma forma que foi identificada para poder se minimizar ou reduzir o impacto ou a pressão sobre a biodiversidade. Neste caso, podem ser plantas. As métricas podem ser aplicadas também à ecossistemas como mangais, recifes de corais, ervas marinhas e até mesmo também na fauna -neste caso- o elefante africano. O que acontece? Temos verificado mais e mais que vários projectos estão a ser implementados em Moçambique. E estes megaprojectos de mineração, por exemplo, ou então exploração de petróleo e gás e por aí fora, podem vir a afectar áreas ou ecossistemas onde ocorre o elefante africano. De forma a tentar minimizar este impacto sobre esta espécie, foram desenvolvidas métricas que vão ajudar a fazer o cálculo ou a compensação. 'O projeto X afectou negativamente na população de elefante', como é que nós podemos compensar esta perda? Então, a métrica vai permitir quantificar quantos animais, por exemplo, foram perdidos na área onde está a ser desenvolvido o projecto. E depois, vai poder quantificar quantos animais devem ser povoados numa outra área. Neste caso, chamamos de área de contrabalanço ou projecto de contrabalanço de diversidade, para estes animais poderem-se multiplicar. Então, esta métrica faz parte de um pacote a nível nacional que nós chamamos de contrabalanço de biodiversidade, que são medidas de compensação que foram identificadas para compensar as perdas ou os danos que os projectos de desenvolvimento causam na biodiversidade. Ao fim do dia, o que todos nós queremos é que haja desenvolvimento do nosso país, desenvolvimento económico, mas também tem que estar em harmonia ou em sincronia com a conservação da biodiversidade. Então, de forma resumida, a métrica vai ajudar a quantificar o que se perdeu. E depois do que se perdeu, quanto pode ser ganho na área, neste caso, de contrabalanço de biodiversidade. RFI: Desde quando é que este sistema está a ser implementado? Vanda Machava: Vamos talvez fazer um bocadinho de contextualização do programa. COMBO+ é um programa maior que começou a ser desenvolvido em 2016/2017 ao nível de diferentes países. Então, desde 2016/2017 e até agora está a ser implementado. COMBO+ significa conservação, mitigação de impactos e contrabalanço de diversidade. O objectivo deste programa internacional é exactamente garantir que haja esta harmonia, o balanço entre o desenvolvimento económico e a conservação da biodiversidade. Está a ser implementado em diferentes países, ao nível de África, em Moçambique, Madagáscar, Uganda e Guiné. Ao nível da Ásia está a ser implementado no Laos e no Myanmar. Envolve muitos treinamentos, envolve muitas trocas de experiências entre os países. Levamos Moçambique para Madagáscar, para podermos aprender e trocar experiências, trocar impressões. Isto envolve um conceito maior que nós chamamos de hierarquia de mitigação. São um conjunto de passos que devem ser implementados pelos megaprojectos de forma a reduzir ao máximo o impacto no meio ambiente. Então, voltando a falar de Moçambique em particular, as métricas começaram a ser desenvolvidas já desde 2020/2021, em Moçambique. Nós já desenvolvemos métricas para quantificar perdas e ganhos nos recifes de corais, no mangal, na floresta, nas ervas marinhas e agora estamos a desenvolver a quinta métrica que é a do elefante africano. Então, essas métricas vão ser implementadas pelos proponentes de projectos que vão causar impactos negativos ou sobre recifes de corais, ou então sobre ervas marinhas, ou então sobre o mangal, ou então sobre a população de elefante africano. RFI: Concretamente, depois de desenvolverem essa métrica, como é que isto vai ser implementado? Há de facto espaço em Moçambique para depois utilizar essas métricas? Vanda Machava: O que está por detrás do desenvolvimento deste conjunto de métricas ou ferramentas, está directamente relacionado com o impacto negativo sobre a biodiversidade, o impacto negativo que vai ser provocado pelos grandes projectos ou pelas grandes empresas que vão criar impactos residuais significativos no ambiente. Então, esta é uma medida que foi identificada para compensar essas perdas. Isto vai permitir que as empresas ou os grandes projectos vão continuar a ser implementados em Moçambique. Contudo, tem que se ter em conta que eles devem fazer alguma coisa pela natureza, alguma coisa pela conservação da biodiversidade. Aí é que entra a métrica para responder a isto. E isto não está a ser feito do nada, consta na legislação moçambicana. É um requisito legal. Tanto que foi publicado em 2022 um diploma ministerial de contrabalanço de biodiversidade, que obriga a empresas ou actividades que são classificadas pelo Ministério da Agricultura e Pescas como sendo da categoria A ou A+, que causam impactos negativos residuais, a implementar projectos de contrabalanços. RFI: Concretamente, empresas como a Total em Cabo Delgado ou empresas de exploração florestal, por exemplo, poderão também utilizar esse sistema de métrica? Vanda Machava: Sim, exactamente. Estas grandes empresas que chamamos de megaprojectos como a Total (hidrocarbonetos) ou a Kenmare (mineração), várias empresas chinesas, os sectores que nós estamos a prever é a mineração, construção de grandes infra-estruturas. Podemos talvez adicionar um ponto: Moçambique encontra-se a desenvolver o primeiro plano de gestão de contrabalanço de Biodiversidade e vai ser implementado pela empresa mineradora Kenmare que opera a nível de Nampula. Eles estão a contar com o apoio da Biofund e também da WCS (Wildlife Conservation society) nestes primeiros passos, porque é um plano de gestão de contrabalanço de diversidade que é pioneiro. RFI: Será que é suficiente simplesmente repor o que se perdeu? Estou a pensar, por exemplo, num caso concreto, em que se destroem florestas, depois as empresas fazem aquilo que se chama o "greenwashing". Vão plantar novamente árvores, não forçosamente aquelas que se perderam, e isto pode demorar anos até realmente ficar como estava dantes. Vanda Machava: Sim, leva muito tempo até a natureza, os ecossistemas voltarem a ter vida. E assim, de acordo com o nosso quadro legal é imperioso, é obrigatório que esta fase da compensação seja a última medida, o último passo. De acordo com o nosso quadro legal, os proponentes devem primeiro tentar evitar ao máximo a degradação na biodiversidade. Esse é o primeiro passo. Caso eles não consigam evitar, devem fazer de tudo para minimizar ou reduzir o impacto. Isso pode ser feito, por exemplo, através da alteração das metodologias, das suas actividades, dos seus projectos de Desenvolvimento é o terceiro passo é tentar fazer a restauração. Essa restauração dos 'habitats' acontece dentro da área do projecto, por exemplo, áreas em que eles já não se encontram a usar, podem começar a fazer a reabilitação para a natureza começar a responder. Mas caso se identifique, mesmo após a aplicação de cada um desses passos, a natureza não está a reagir, continuamos a ter impactos negativos, aí eles têm que fazer o contrabalanço e a última fase. E é uma fase que exige dinheiro. Será um projecto extremamente dispendioso. Porquê? Porque este projecto de contrabalanço, primeiro tem que ser realizado fora da área de impacto, fora da área do projecto, neste caso, dentro de uma área de conservação ou então dentro de uma área-chave para a biodiversidade, de forma a garantir que haja preservação. Estes projectos são projectos de longa duração. Não são projectos de dois nem três anos. Podem levar 20, 30, 50 anos, 60 anos. O ciclo de vida ou o tempo de vida destes projectos de contrabalanço vai depender do tempo em que os impactos negativos continuarem a surtir efeitos na área do projecto que foi impactada. RFI: Há interesse das empresas que estão a explorar diversas áreas em Moçambique, na exploração florestal, na exploração de minérios, na exploração de gás em Cabo Delgado, há esse interesse, de facto, de ter uma responsabilidade social e de efectivamente compensar as comunidades se tem um impacto negativo na biodiversidade? Vanda Machava: Neste caso, independentemente de existir interesse ou não existir, não tem nenhuma importância. O mais importante é o que consta na legislação. É obrigatório. Todas as empresas que forem a causar impactos residuais negativos no meio ambiente, é obrigatório eles compensarem. É de lei. E depois, como é de lei, está no diploma ministerial. Cada vez que uma determinada empresa for a causar impactos, cada vez que tiver que fazer a renovação da licença ambiental que decorre de cinco em cinco anos, se por acaso verificar-se que eles estão a causar danos ou perdas na biodiversidade, eles vão receber uma notificação do ministério para eles poderem fazer um plano de gestão do contrabalanço ou projectos de contrabalanço de biodiversidade. E eles devem provar que estão realmente a conseguir ter resultados, porque os resultados vão ter que ser medidos. E como se mede este resultado? Através da métrica. Por isso mesmo é que se fez um trabalho muito, mas muito robusto entre a Wildlife Conservation Society, a Biofund e o Governo de Moçambique, para podermos ter a legislação ou quadro legal publicado divulgado, os diferentes 'takeholders' que vão estar envolvidos na implementação dos projectos de contrabalanço estão devidamente treinados. Só para ter uma ideia, treinamos acima de mil e tal pessoas. Foram capacitadas acima de 250 instituições a nível nacional. Levamos técnicos do governo para outros países para eles poderem aprender com os outros como é que eles estão a implementar este conceito de hierarquia e de mitigação. Então houve muito trabalho. Nesta altura, nós estamos ansiosos para que os projectos de contrabalanço sejam desenvolvidos. Então, independentemente da empresa querer ou não, se estiverem a causar impactos, vão ter que compensar.

3x9? 27
[9_as vozes] Porto de partida para um mundo ao contrário

3x9? 27

Play Episode Listen Later Feb 9, 2026 105:04


Um mundo ao contrário. Onde os últimos são os primeiros,onde os que mais precisam, são os que mais recebem, onde a confiança é dada como garantia e não como prémio. Parece daquelas coisas bonitas e utópicas que se dizem às crianças mas nas quais ninguém realmente acredita, porque o mundo, afinal, é dos mais fortes, dos desenrascados, dos alguéns que conhecem alguém, dos privilegiados.Mas não é uma utopia o que vocês vão ouvir hoje nesta conversa. Está mesmo a acontecer. Está a acontecer em algumas das vossas cidades, ainda que não seja visível, porque este tipo de boa notícia não costuma abrir telejornais.Estou a falar do projecto Housing First, que na cidade do Porto se chama “Porto de partida” e quem nos vem falar deste projecto é Carmo Fernandes, diretora dos Albergues do Porto, uma associação que existe desde o século XIX, vejam só, para apoiar pessoas em situação de sem abrigo e vulnerabilidade. A Carmo vai contar-vos tudo sobre este projecto, como surgiu,porque é que é necessário, e o mais incrível de tudo – vai contar-vos que resulta. Que parece uma loucura mas que efetivamente resulta.

Impacto Positivo
O Bitcoin Cash como Alternativa para Produtores Rurais Ecológicos

Impacto Positivo

Play Episode Listen Later Feb 9, 2026 112:20


Uma conversa com o Jeremy do Bitcoin Cash podcast sobre as possíveis utilidades dessa moeda digital que dispensa intermediários, garante privacidade e a soberania sobre dinheiro que usamos. Jeremy explicou a origem do Bitcoin e os eventos que levaram até a divisão entre Bitcoin e Bitcoin Cash. Estou estudando o uso de moedas alternativas como forma de assegurar a privacidade, o valor da moeda e a capacidade de dissidência (usando uma moeda descentralizada e sem intermediários que nem governos, nem bancos podem bloquear). As moedas alternativas são essenciais no campo para apoiar uma cultura que valoriza a diversidade. Mas se essas moedas estiverem sempre atreladas ao banco central ou puderem ser censuradas ou subjugadas, elas perdem sua função de embasar uma cultura de pessoas autônomas. Essa é mais uma área que as pessoas à esquerda tem deixado passar batido das pautas. Porque a maioria das pessoas defendendo e buscando formas de transação econômica sem intermediários (de pessoa para pessoa) são da direita, a esquerda deixa de estudar, praticar e criar alternativas que mantenham o direito de privacidade e a capacidade de dissidência. Um exemplo? Logo depois que o Bitcoin foi criado, perguntaram ao Yanis Varoufakis, uma das maiores lideranças da esquerda atualmente, o que ele achava. Ele disse que era uma grande solução para um problema que ainda não existia. Um ano depois o Bitcoin salvava o Julian Assange e a Weakleaks da censura e falência quando todos os países juntos se recusaram a deixá-los usar o sistema bancário. Estou testando o uso do Bitcoin Cash não como panaceia ou alternativa completa para sistema econômico fiduciário atual, mas como uma forma de garantir o direito de privacidade nas minhas transações, a minha capacidade de desobediência civil e de construir alternativas comerciais com uma moeda descentralizada. Para apoiar meus testes com o Bitcoin Cash com doações, você pode usar esse endereço: bitcoincash:qzj3zy7htr42tp69js89yg2x577u9cvtey3x7a3rwp Para comprar o curso Gestão e Planejamento Rural Impacto Positivo com 50% de desconto (de R$3100 por R$1550) usando Bitcoin Cash, use esse endereço: bitcoincash:qzj3zy7htr42tp69js89yg2x577u9cvtey3x7a3rwp?amount=0.55838752

Esportes
Brasil no halfpipe olímpico: duas trajetórias que se cruzam em Milão-Cortina 2026

Esportes

Play Episode Listen Later Feb 8, 2026 6:13


Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 ampliam a presença do Brasil nos esportes de neve. No snowboard halfpipe, Augustinho Teixeira e Pat Burgener representam o país em uma das provas mais técnicas do programa olímpico, historicamente dominada por potências europeias e norte-americanas. Luciana Quaresma, especial de Milão para a RFI Ambos nasceram fora do Brasil mas são filhos de mães brasileiras. Construíram carreiras no exterior mas neste ciclo olímpico decidiram defender o país que os conecta às suas origens, traduzindo em esporte uma escolha de identidade e pertencimento. Vaga olímpica e qualificação Para Augustinho Teixeira, que nasceu em Ushuaia, na Argentina, Milão-Cortina marca a estreia em uma Olimpíada de Inverno. O snowboarder garantiu sua vaga ao somar pontos consistentes no ranking de qualificação, em especial com desempenho na etapa da Copa do Mundo em Laax, na Suíça, onde terminou na 24ª posição, resultado que o manteve dentro das vagas classificatórias para os Jogos.   O jovem atleta, de 20 anos, que começou na neve ainda na infância ao lado da família vê essa qualificação como a consagração de anos de dedicação. “Estou vivendo algo inimaginável. A classificação para a Olimpíada é a prova de que o esforço, a disciplina e o foco em cada detalhe me trouxeram até aqui”, diz Augustinho, refletindo sobre sua trajetória. Além de garantir sua participação nos Jogos, Augustinho vem somando experiência em competições internacionais e foi o campeão em uma etapa da Copa Europeia de Snowboard halfpipe em Kitzsteinhorn, na Áustria — um marco importante em sua evolução esportiva.   Medalha histórica e Brasil no pódio Se Augustinho entra em Milão-Cortina fazendo sua estreia olímpica, Pat Burgener chega com um capítulo esportivo já escrito em grandes palcos internacionais. Nascido na Suíça e filho de mãe brasileira, Pat, de 31 anos disputou duas edições anteriores dos Jogos Olímpicos de Inverno — em PyeongChang 2018 (5º lugar) e Pequim 2022 (11º lugar), representando o país europeu antes de optar por competir pelo Brasil no ciclo 2025/2026.   A temporada antes da Olimpíada já trouxe um momento histórico: Pat Burgener conquistou a primeira medalha da história do Brasil na Copa do Mundo de snowboard halfpipe, ao levar o bronze na etapa de Calgary, no Canadá, em janeiro deste ano.  O resultado marcou não apenas o melhor desempenho brasileiro na modalidade, mas também consolidou Burgener como uma das principais esperanças para Milão-Cortina. “Foi uma sensação incrível. Saber que meu nome entrou na história do esporte brasileiro, colocando o país no pódio pela primeira vez na Copa do Mundo de halfpipe, é algo que vai comigo para os Jogos”, comenta Pat. Essa conquista veio após um início de temporada promissor, que incluiu um quarto lugar em Secret Garden, na China, outro resultado destacado antes de Calgary.   Identidade, cultura e escolha consciente Para Augustinho, competir por uma bandeira que carrega simbolismo familiar é mais do que representar um país em uma competição: é traduzir uma história de vida. “O Brasil sempre foi parte da minha história, mesmo morando fora. Representar o país da minha mãe e levar essa bandeira ao halfpipe é algo que me enche de orgulho e responsabilidade”, ele afirma. Esse sentimento de conexão se reflete não apenas no patriotismo esportivo, mas na forma como ele vê seu papel dentro e fora da pista, como referência e inspiração para novos praticantes brasileiros de snowboard. Pat, por sua vez, reforça a ideia de que a escolha de representar o Brasil é também uma forma de expandir horizontes e criar novas possibilidades para a modalidade. “Defender o Brasil no snowboard é mais do que uma mudança de nacionalidade. É trazer visibilidade para um país que não é tradicional nos esportes de inverno e mostrar que aqui também pode haver espaço e oportunidades”, diz ele, ressaltando o apoio que tem recebido tanto da família quanto da federação brasileira. Snowboard brasileiro em foco Em Milão-Cortina 2026, Augustinho Teixeira e Pat Burgener não apenas competem nas pistas de neve, mas representam duas trajetórias que se cruzam sob a mesma bandeira e com propósitos que vão além dos resultados individuais. Unidos pelo mesmo objetivo de colocar o Brasil cada vez mais presente no cenário internacional do snowboard, eles mostram que a presença verde e amarela também pode ganhar espaço nas montanhas cobertas de neve, inspirando uma nova geração de atletas e fãs no país.  

Reportagem
Brasileiros que empreendem no exterior: pesquisa revela perfil, obstáculos e estratégias para vencer

Reportagem

Play Episode Listen Later Feb 6, 2026 7:10


Quase 5 milhões de brasileiros vivem no exterior (4.996.951), segundo a estimativa mais recente do Ministério das Relações Exteriores, de 2023. Quase metade (45%) está nos Estados Unidos, cerca de 34% na Europa e 13% na América do Sul, mas menos de menos de 1% escolheu a África. Pesquisador da diáspora brasileira, o PhD da Unigranrio Roberto Falcão desvenda o que aprendeu sobre o empreendedorismo brasileiro no exterior.  Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris A maioria desses brasileiros saiu em busca de melhores condições de vida, para fugir da violência e da decepção política. Normalmente, as pessoas que emigram têm disponibilidade para viajar, boa adaptação a línguas, maior autonomia e não temem tarefas altamente desafiadoras. Alguns dos ramos mais escolhidos pelos brasileiros para empreender em outros países são culinária, estética e construção. Há oportunidades de mercado no chamado nicho étnico e também na venda para o consumidor local. A capoeira, por exemplo, está presente em 180 países. Churrascarias de rodízio, venda de produtos como açaí e pão de queijo e serviços como alisamento ou depilação à brasileira são outros exemplos recorrentes. Um dos atrativos é a saudade de casa. Do ponto de vista do financiamento, a maioria dos pequenos e médios negócios fundados por brasileiros no exterior depende de capital próprio ou de linhas de crédito disponíveis, quando o empreendedor já está integrado ao país escolhido. Esse é um retrato de quem são os brasileiros e onde eles formaram suas bases para empreender ao redor do mundo, segundo pesquisa da Unigranrio e da UFF (Universidade Federal Fluminense), apoiada pela FAPERJ (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).  Ao longo de uma década, o professor e sua equipe entrevistaram mais de 400 empreendedores de diversos perfis. Falcão esteve em Paris na terça-feira (3), onde deu uma palestra a convite da Câmara de Comércio do Brasil na França (CCBF)  sobre o que leva esses brasileiros a vencer em outro país. “O primeiro passo para não fracassar é entender a legislação, as regras locais, a regulamentação, conhecer o público, os hábitos do consumidor local e, sobretudo, falar bem a língua para o atendimento. Se você tem uma loja, um negócio, e não falar bem o idioma local, será um entrave para empreender”, aponta Falcão. Em seu projeto de pesquisa, ele analisa o empreendedor, seu nível de educação e de informação, se ele fala línguas, o ambiente institucional e a regulamentação do país. No caso da empresa, a equipe busca entender possíveis diferenciais para conseguir se posicionar bem no mercado. Além disso, é preciso ter uma boa gestão, investir em marketing e divulgação do produto ou serviço, como em qualquer negócio. “O brasileiro é caracterizado como um povo que se comunica muito bem, tanto que ele tem muita habilidade, em geral, na parte de redes sociais e de marketing digital”, aponta. “Ele também é caracterizado como uma pessoa muito versátil, que se adapta a diversos tipos de trabalho, em diversas condições, e é multitarefa. Além disso, a cordialidade: o brasileiro sorri”, completa. Mas há um lado que dá menos orgulho. “Talvez nós tenhamos características negativas também. Emergiu na nossa pesquisa algo relacionado à sabotagem entre negócios, um jogando areia no negócio do outro ou criando denúncias falsas.” O sucesso no novo ambiente pode ser medido pelo grau de produtividade, mas também pela saúde e pela felicidade. Esse é o tripé da sustentabilidade de carreira, explica Falcão, antes mesmo do dinheiro. Conhecer a legislação e vencer a burocracia O mineiro Rodrigo Pinho Aragão sonha em abrir uma empresa de consultoria e contou à RFI sobre a dificuldade com a burocracia. “Eu vim para a França com visto de trabalho, pelo fato de ter diploma francês. Mas o visto não permite a criação de uma empresa ou abertura de uma conta empresarial”, lamenta. “Para poder criar a empresa, tenho que fazer a transição de visto e justificar a viabilidade econômica do projeto que desejo criar”, continua. Na França, há diferentes tipos de vistos de empreendedorismo: o mais focado em profissões liberais, comerciais e artesanais, e outro para empresas de maior porte, que visam contratar pessoas e ter escala. “Mas, nesse caso, tem que justificar um investimento de € 30 mil com disponibilidade imediata para investir na empresa. É um pouco a situação do ovo ou da galinha: você precisa justificar investimento em uma empresa que não existe e, para a empresa existir, você precisa do visto”, afirma. “Ao mesmo tempo, você precisa fazer com que a empresa exista: imaginar como ela vai ser, pensar nos clientes, no seu plano de negócios. Criar uma empresa já é uma trajetória desafiadora e, além disso, você precisa encontrar os caminhos, institucionalmente falando, para fazer essa transição de visto”, conclui. A validade ou não de diplomas, habilidades e experiências prévias também é fonte de preocupação. Outro desafio comum, além de documentos e moradia, são encontrar um limite entre ambiente profissional e familiar – os contornos são fluidos para o pequeno e médio empreendedor que têm sonho de crescer. Na França, mulheres são maioria entre imigrantes brasileiros Na Europa, Portugal encabeça a lista de países com mais imigrantes brasileiros: 500 mil, um número que Falcão acredita estar subnotificado. Na França, há entre 120 e 130 mil brasileiros residentes. Uma curiosidade apontada na pesquisa é que, entre os que vivem no território francês, 75% são mulheres e maioria está na faixa dos 30 anos. Cerca de 45% têm graduação e aproximadamente um terço é pós-graduada. Apaixonada por moda e vivendo na Europa há 22 anos, Patrícia Cordeiro já lançou sua marca, Madame Dumont, e sonha  ainda mais alto. “Agora eu quero fazer um curso de chapéu, que é um nicho muito bom e é algo que foi sonhado no meu coração”, disse, à RFI. Ela afirma não estar encontrando muitas dificuldades no caminho. “Muito sinceramente, as portas têm se aberto e tudo tem fluído naturalmente, sem grande procura, sem forçar. Estou no lugar certo, no momento certo e com as pessoas certas”, comemora. “Estou investindo primeiramente no conhecer, no aprender e amadurecer; e depois vem essa segunda fase do dinheiro para expandir o negócio”, completa cheia de esperança.

Convidado
José Maria Neves: "Há muitas forças a trabalhar para que haja regras no Mundo"

Convidado

Play Episode Listen Later Feb 1, 2026 17:34


O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, está em França e após um encontro com o Presidente Emmanuel Macron disse estar "optimista e confiante" em relação ao futuro já que vê a mobilização de forças positivas para criar um Mundo melhor, numa altura marcada pela instabilidade internacional. Quanto à situação na Guiné-Bissau, o Presidente cabo-verdiano defende a sua actuação afirmando que o seu país tem trabalhado  José Maria Neves, Presidente de Cabo Verde, está a cumprir uma visita de Estado a França, passando por Paris, Lyon e Marselha. O Presidente tem passado tempo com a diáspora cabo-verdiana, mas também com altas figuras do Estado na capital francesa, incluindo um almoço de trabalho com o Presidente Emmanuel Macron na sexta-feira. Após este encontro no Palácio do Eliseu, em entrevista à RFI, o chefe de Estado cabo-verdiano disse estar optimista quanto ao multilateralismo. RFI: Sai de Paris mais confiante no futuro da humanidade, tendo em conta a actual situação ao nível internacional? José Maria Neves: É preciso ser optimista e confiante. Há muitas forças contrárias e uma ruptura na ordem internacional, mas há muitas forças também que estão quotidianamente a trabalhar para que haja um mundo com regras. Para que o multilateralismo funcione, que a Carta das Nações Unidas seja respeitada e que o direito internacional também seja considerado em tudo o que nós fazemos no plano internacional. Estou optimista no sentido de que é possível mobilizar essas forças positivas para que tenhamos no futuro uma humanidade melhor. Nada se herda. Tudo é conquistado com trabalho árduo de todos os dias. E é esse trabalho que tem de se fazer. E saio de Paris muito mais optimista. No seu encontro com Emmanuel Macron foi exactamente sobre isso que falaram? Sobre essa construção de pontes num mundo muito dividido. Uma parte importante da nossa conversa foi sobre como trabalhar para termos o mundo onde o diálogo, a cooperação, a paz se imponham, onde haja parcerias solidárias para o desenvolvimento, onde o multilateralismo passe a ser o Valor que oriente o trabalho dos governos e dos diferentes Estados. Há uma vontade nesse sentido. Aliás, a intervenção do presidente Macron em Davos e a intervenção do primeiro ministro do Canadá mostram muito isto. A necessidade das pequenas e das médias potências, dos outros Estados trabalharem em comum para uma ordem internacional que beneficie a todos, para um mundo onde haja respeito pelas regras e onde haja mais humanidade. Esteve na UNESCO com o projecto que para Cabo Verde é muito importante a questão do Campo de Concentração do Tarrafal. Mas também temos de lembrar que a UNESCO é uma das organizações internacionais que faz um trabalho muito importante no âmbito da educação e da cultura, que foi abalada por este novo mandato de Donald Trump e que viu novamente retirado os Estados Unidos. Como é que foi essa troca com o novo director da UNESCO? Cabo Verde tem sempre em conta a sua história, a sua memória, o seu património natural e cultural. E o que nós podemos valorizar a memória e a história de todos os países. O trabalho conjunto que nós estamos a fazer com a UNESCO, enquanto patrono para a preservação do património natural e cultural da África, é precisamente no sentido de preservarmos toda a riqueza natural e cultural do continente africano e a partir desse cuidado construir uma África mais sustentável, com mais progresso e mais bem-estar para todos os africanos, independentemente das limitações e dos problemas existentes. A maioria dos membros da UNESCO tem neste momento a disponibilidade de trabalhar para preservar a UNESCO e permitir que ela cumpra a sua missão. E teremos o Tarrafal elevado a património da Humanidade até ao fim da década? Sim, temos um grande entusiasmo relativamente a este projecto. Na verdade, o campo de concentração do Tarrafal não é só de Cabo Verde, é também de Portugal e das outras ex-colónias. Já é um património da Humanidade que deve ser agora reconhecido pela UNESCO. E também os escritos de Amílcar Cabral que estão em curso no quadro de toda essa dinâmica, para conhecermos a nossa história e preservarmos a memória da luta de libertação. E da história política contemporânea de Cabo Verde. Já esteve aqui com os jovens da diáspora, estará com a comunidade nas várias cidades que vai visitar. Esteve também nos Estados Unidos, imagino também com a comunidade dos Estados Unidos. Esta questão dos vistos e esta questão da forma como os Estados Unidos estão a tratar Cabo Verde está a preocupar os cabo verdianos em Cabo Verde, mas tambem os cabo verdianos fora de Cabo Verde? Sim, muito. Cabo Verde é um Estado transnacional. Nós somos desterritorializados. Os cabo-verdianos estão em todo o Mundo. Há mais cabo verdianos fora do que dentro. Portanto, nós, tudo o que tem a ver com restrições à mobilidade, tudo o que tem a ver com a discriminação de imigrantes afecta enormemente Cabo Verde. Então temos é de trabalhar para defender os interesses dos cabo-verdianos. De um lado, ouvir os cabo-verdianos, ouvir os desafios ou ver os problemas, ter uma mensagem pedagógica e, do outro lado, também dialogar com as autoridades e procurar defender os interesses dos cabo-verdianos. Nós não queremos uma imigração ilegal, uma imigração clandestina. Nós queremos que a imigração se faça com base em regras de forma regulada. Que os cabo-verdianos que quiserem sair saiam, mas de forma legal. E nós temos que cooperar nesse sentido e defender os interesses dos cabo-verdianos. É nessa linha que nós estamos a trabalhar com preocupação em relação às medidas mais restritivas. Mas vamos falando com a diáspora, vamos falando com as autoridades dos países de acolhimento, mesmo lá onde haja medidas mais restritivas. Mostrar-lhes que Cabo Verde tem tido uma diáspora desde há muitos séculos e que tem contribuído grandemente para o crescimento dos países de acolhimento. É um povo pacífico, trabalhador e que respeita as regras dos países de acolhimento. E é nessa linha que vamos continuar a trabalhar. E o tom como se fala atualmente das comunidades lusófonas em Portugal preocupa-o? Estamos a falar já da segunda volta das eleições presidenciais, que acontece já para a semana. Esta eleição está a preocupá-lo? Não, não necessariamente. Acho que os portugueses farão a sua escolha no dia 8 de Fevereiro e, qualquer que ela seja, a escolha deve ser respeitada. E nós iremos é continuar a trabalhar, como já disse, para defender os interesses dos cabo-verdianos. Mas em Portugal, a nossa diáspora globalmente é bem integrada e espero continuar a contar com toda a disponibilidade das autoridades portuguesas e da sociedade portuguesa no sentido de maior integração da diáspora cabo-verdiana. Quando falamos de instabilidade não podemos deixar de falar da África e da instabilidade dentro dos países lusófonos, nomeadamente na Guiné-Bissau. Esteve para integrar uma missão da CEDEAO. A Guiné-Bissau preferiu não fazê-lo exactamente pela proximidade com a Guiné-Bissau. Arrepende-se ter feito isso ou acha que naquela altura era o que era necessário fazer para o problema da Guiné-Bissau se resolver o mais rápido possível? Nessas questões temos que ser muito pragmáticos e realistas e ver qual é a melhor maneira de ajudar. E achei que a melhor maneira de ajudar era trabalhar mais nos bastidores e de forma mais discreta. E é o que temos feito. Temos tido contactos, temos participado nas acções da CEDEAO, temos falado com os chefes de Estado, temos falado com as duas partes na Guiné-Bissau e temos ajudado muito dentro das nossas possibilidades. Temos aconselhado, temos sugerido, isso é o mais importante. Aqui é preciso muita paciência. Os fenómenos não são fáceis, são complexos, os contextos são muito difíceis, mas, gradualmente, as peças do puzzle estão a ser colocadas no sentido da realização do roteiro que foi fixado em Abuja, na última cimeira dos Chefes de Estado e Governo da CEDEAO. E, portanto, os presos políticos já foram libertos, já há um passo em relação a Domingos Simões Pereira, que passou a estar em prisão domiciliária. Mas já é um passo positivo. E vamos ver se o governo inclusivo será formado e depois, gradualmente, ir tomando outras medidas no sentido da concretização dos objectivos da CEDEAO. E do meu ponto de vista, é isto que é o mais importante. Se considerarmos toda a história da Guiné-Bissau, dos golpes, dos conflitos, dos problemas anteriores, percebemos que a complexidade da situação exige um trabalho diplomático muito inteligente e muito sereno para podermos atingir os resultados esperados. A ideia é então de realizar eleições em dezembro, mas antes disso, pensa que seria importante um esclarecimento cabal do que se passou no dia 26 de novembro de 2025, em Bissau? O importante neste momento é considerar a realidade existente. Houve o golpe, independentemente da sua natureza. Os resultados eleitorais não foram divulgados e houve prisões e já há a instalação de um regime militar. Agora temos de trabalhar no sentido da criação de um governo inclusivo com o envolvimento de todas as sensibilidades políticas e sociais na linha das decisões da CEDEAO e depois criar as condições para a realização de eleições livres, justas e transparentes. Tendo em conta toda a história da Guiné-Bissau, não podemos estar permanentemente em busca de uma reconciliação com o passado, mas temos de estar preocupados na realização de uma reconciliação no presente, para que o futuro seja um futuro de maior estabilidade e de maior tranquilidade e que permita a restauração do Estado e permita também a realização dos objectivos preconizados. Quando faz estas viagens, a ideia é a escuta. Ouvir cabo-verdianos na diáspora, quais são as principais queixas? O que é que acha que ainda poderia ser feito e que não foi? Por tudo o que eu já ouvi, se eu fosse um membro da diáspora, o que eu diria é que precisamos efectivamente resolver o problema dos transportes marítimos e aéreos inter-ilhas. Resolver o problema da mobilidade e da inserção de todas as ilhas na dinâmica nacional de desenvolvimento. Prioridade das prioridades. E teremos de mobilizar as tecnologias informacionais para conseguir, de forma muito mais rápida, resolver um conjunto de pequenas questões que são obstáculos ao investimento. São obstáculos à resolução imediata de um conjunto de pequenos problemas no relacionamento entre o cidadão ou entre uma empresa ou entre a sociedade civil e a administração. Eu acho que nós, nos 50 anos da nossa independência, Cabo Verde cresceu, deu um salto enorme. Agora, 50 anos depois, temos de sofisticar-nos um pouco, melhorar a qualidade da prestação dos serviços e sermos muito mais eficientes, muito mais eficazes nos resultados e para podermos andar mais depressa. As eleições presidenciais estão marcadas para Novembro. Senhor Presidente é recandidato a Presidente de Cabo Verde? Bom, ainda vamos ter às legislativas em Maio. É preciso aguardar a evolução das coisas. Espero que as legislativas corram bem e só depois das legislativas, da posse do novo Governo, é que irei decidir sobre esta matéria.

Devocionais Pão Diário
DEVOCIONAL PÃO DIÁRIO | DÁDIVA DA GRAÇA DIVINA

Devocionais Pão Diário

Play Episode Listen Later Jan 28, 2026 2:32


Leitura Bíblica Do Dia: EFÉSIOS 4:4-8 Plano De Leitura Anual: ÊXODO 19–20; MATEUS 18:21-35  Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira: Corrigindo trabalhos de uma aula de redação que leciono na faculdade, impressionei-me com um trabalho em específico: tão bem escrito! Logo percebi que estava bem escrito demais. De fato, pesquisei e descobri que o artigo fora plagiado da internet. Enviei um e-mail à aluna avisando-a de que ela tinha sido descoberta. Ela tiraria zero nesta tarefa, mas poderia reescrevê-la para obter uma nota parcial. Sua resposta: “Estou envergonhada e sinto muito. Aprecio a sua generosidade, pois sei que não a mereço”. Disse-lhe que todos nós recebemos a graça de Deus todos os dias, como eu poderia negar a ela essa dádiva? Há várias maneiras pelas quais a graça de Deus melhora a nossa vida e nos redime de nossos erros. Pedro diz que ela traz salvação: “Cremos que todos […] somos salvos da mesma forma, pela graça do Senhor Jesus” (ATOS 15:11). Paulo diz que a graça nos ajuda a não perdemos para o pecado: “O pecado não é mais seu senhor, pois vocês já não vivem sob a lei, mas sob a graça de Deus” (ROMANOS 6:14). Pedro também diz que a graça nos habilita a servir: “Deus concedeu um dom a cada um, e vocês devem usá-lo para servir uns aos outros, fazendo bom uso da […] graça divina” (1 PEDRO 4:10). Graça. Concedida tão livremente por Deus (EFÉSIOS 4:7). Que possamos usar este dom para amar e encorajar outros.  Por: DAVE BRANON 

Coluna Palmeiras
Coluna Palmeiras #225 - Eu estou de volta...

Coluna Palmeiras

Play Episode Listen Later Jan 27, 2026 39:39


... e falando sobre projeções, analisando o que está de tão ruim no time, praticamente abrindo a temporada com vocês.

Devocionais Diarias
27 DE JANEIRO DE 2026| DEVOCIONAL DIÁRIO| REV PAULO ADRIANO.

Devocionais Diarias

Play Episode Listen Later Jan 27, 2026 3:18


Graça e Paz sejam com todos! Estou plenamente certo de que Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. Filipenses 1:6Primeira Igreja Presbiteriana da Arniqueira www.1ipar.com Entre em contato conosco 1iparniqueiras@gmail.com Faça nos uma visita SHA Conjunto 3 Chácara 47A Arniqueira Brasília DF maps.app.goo.gl/iQSRtWrk9Hy6eaUT6YouTube https://youtube.com/@primeiraigrejapresbiterian1958Contribua Ore e ajude esta obra! Pix 40222748 000153 (CNPJ)Banco do Brasil Conta Corrente 51214-1Agência 2901-7Que Deus abençoe você!Porque de tal manera amó Dios al mundo, que ha dado á su Hijo unigénito, para que todo aquel que en él cree, no se pierda, mas tenga vida eterna. Juan 3:16For God so loved the world, that he gave his only begotten Son, that whoever believes in him should not perish, but have everlasting life. John 3:16¹⁶ Ибо так возлюбил Бог мир , что отдал Сына Своего Единородного , дабы всякий верующий в Него , не погиб , но имел жизнь вечную . João 3:16Car Dieu a tellement aimé le monde, qu'il a donné son Fils unique; afin que tout homme qui croit en lui ne périsse point, mais qu'il ait la vie éternelle. João 3:16¹⁶ Want so lief het God die wêreld gehad, dat Hy sy eniggebore Seun gegee het, sodat elkeen wat in Hom glo, nie verlore mag gaan nie, maar die ewige lewe kan hê. João 3:16¹⁶ 하나님이 세상을 이처럼 사랑하사 독생자를 주셨으니 이는 저를 믿는 자마다 멸망치 않고 영생을 얻게 하려 하심이니라 João 3:16¹⁷ Tanrı, Oğlunu dünyayı yargılamak için göndermedi, dünya Onun aracılığıyla kurtulsun diye gönderdi. João 3:17

Igreja do Amor
#863 - Por que estou sofrendo? - Pr. Bruno Abreu

Igreja do Amor

Play Episode Listen Later Jan 26, 2026 43:41


#863 - Por que estou sofrendo? - Pr. Bruno Abreu by Igreja do Amor

Reportagem Observador
“Estou-me nas tintas para os notáveis”: diz Ventura para Cavaco e Portas

Reportagem Observador

Play Episode Listen Later Jan 26, 2026 1:23


André Ventura promete ser o candidato do povo contra as elites. Acusa António José Seguro de “fugir” da rua e recusa fragilidade com apoios de notáveis da direita ao candidato apoiado pelo PS.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Esportes
Bruna Moura supera trauma e garante vaga olímpica no esqui cross-country para Milão-Cortina 2026

Esportes

Play Episode Listen Later Jan 25, 2026 5:05


A brasileira Bruna Moura está oficialmente classificada para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 na categoria esqui cross-country, uma conquista que vai muito além do resultado esportivo. Quatro anos depois de sofrer um grave acidente na Itália, às vésperas da Olimpíada de Pequim 2022, a atleta retorna ao mesmo cenário olímpico como símbolo de superação física, psicológica e emocional, representando o Brasil em uma das modalidades mais exigentes do esporte mundial. Luciana Quaresma, de Milão para a RFI “Eu não sei se sou capaz de descrever como eu vivo esse momento. Para mim, é algo surreal. Estou vivendo novamente o sonho de ouvir meu nome ser anunciado para a equipe olímpica”, afirma Bruna, ainda cautelosa com a comemoração. “Eu quero comemorar de verdade quando cruzar a linha de chegada nos Jogos”, afirma. Em janeiro de 2022, durante um período de treinos na Itália, Bruna sofreu um acidente de carro grave, poucos dias após sair da quarentena por Covid-19. O impacto foi profundo. As lembranças do episódio são fragmentadas. “Tenho no máximo 30 minutos de memória de todo o processo”, revela, mas as consequências permanecem. “O acidente faz parte da minha vida. Eu penso nele todos os dias. A dor no pé é diária, não tem como esquecer”, relata. “Eu precisei aprender a viver com isso, integrar essa dor à minha rotina e seguir em frente”, conta Bruna Moura. A recuperação física permitiu o retorno às competições pouco mais de um ano depois, no Mundial da Eslovênia, mas a reabilitação psicológica exigiu um trabalho ainda mais delicado. Bruna enfrentou sintomas de estresse pós-traumático e passou por sessões intensivas de terapia, incluindo EMDR (tipo de terapia para processar traumas), para lidar com memórias auditivas recorrentes das sirenes da ambulância e da polícia. “A terapia funcionou. Hoje eu lido muito melhor com isso, mas o trauma ainda vem comigo. Tudo o que faço tem um pedaço dessa experiência.” Adaptação como chave para a classificação Se o acidente impôs limites, também exigiu reinvenção. Com restrições no pé, Bruna precisou adaptar radicalmente sua preparação física, apostando no double pole, técnica que privilegia a força da parte superior do corpo. “O motivo não foi positivo, mas o resultado foi. Esse ganho de potência foi decisivo para os pontos que conquistei no ranking e para a classificação olímpica”, explica. A vaga para Milano-Cortina veio justamente pelo ranking internacional, em uma disputa direta e emocionalmente complexa com Jaqueline Mourão, a atleta mais experiente e respeitada do esqui cross-country brasileiro — e uma figura central na própria trajetória de Bruna. “Foi estranho e difícil. Ela é minha amiga, minha referência, a maior atleta da história do esporte no Brasil. Eu queria muito que ela estivesse nesses Jogos também”. Da mountain bike ao esqui A relação de Bruna com o esqui cross-country começou graças à própria Jaqueline Mourão, ainda em 2010, quando Bruna era atleta de mountain bike. Selecionada para um projeto de desenvolvimento em Minas Gerais, ela se destacou nacionalmente, mas viu sua carreira interrompida por um problema cardíaco congênito, que exigia uma cirurgia complexa. Sem recursos financeiros, foi novamente Jaqueline quem viabilizou o acesso ao tratamento, por meio de instituições médicas em São Paulo. Durante esse período de afastamento das competições, Bruna teve o primeiro contato com o roller ski, em atividades promovidas pela Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN). “Mesmo quando eu não podia competir, eles me incluíram. Aquilo me ajudou muito num momento de depressão”, lembra. Em 2014, Bruna passou a integrar oficialmente a equipe brasileira de esqui cross-country e biatlo — um caminho longo, construído com paciência, resiliência e adaptação. O sonho olímpico como missão pessoal Para Bruna Moura, estar nos Jogos de Milano-Cortina tem um significado especial, construído ao longo de anos de luta e resiliência. “Eu sei que será difícil conquistar um resultado expressivo, porque estarei competindo contra as melhores atletas do mundo. O meu objetivo sempre foi alcançar o sonho de me tornar uma atleta olímpica e competir no meu melhor nível, porque isso vai muito além do resultado final”, diz Bruna Moura. A promessa feita a si mesma ainda no hospital, após o acidente, agora está prestes a se cumprir. “Desde que recuperei a consciência, eu dizia: eu vou para os Jogos de 2026. E trabalhei em tudo — treino, nutrição, descanso, hidratação — para chegar aqui.” Milão-Cortina 2026: redenção e liberdade Ao imaginar o momento da estreia olímpica, Bruna fala em redenção. “Quando eu cruzar a linha de chegada, ver meu nome na tela, a bandeira do Brasil ao lado… eu não sei como meu coração vai reagir. Vai ser liberdade. Liberdade de viver algo que por tantos anos foi só um sonho.” Em um esporte dominado por países tradicionais e com pouca estrutura no Brasil, a presença de Bruna Moura em Milão-Cortina 2026 carrega um simbolismo poderoso: o de que persistência, adaptação e coragem podem transformar até os caminhos mais improváveis em realidade olímpica. *Errata: o acidente de Bruna Moura foi em janeiro de 2022, e não em setembro de 2021 como escrito anteriormente.

Vida Veda Projeto 0800
Estou desistindo do Ayurveda? Ayurveda é uma pseudosciência que deveria ser proibida?

Vida Veda Projeto 0800

Play Episode Listen Later Jan 23, 2026 57:15 Transcription Available


Estou desistindo do Ayurveda? Ayurveda é uma pseudosciência que deveria ser proibida?

Ponto de Partida
Quem está certo no Irã?

Ponto de Partida

Play Episode Listen Later Jan 12, 2026 11:42


Imagine a seguinte situação: você está tão cansado, tão exausto de um governo que sai às ruas todo dia para protestar. Agora, dobra isso. Imagine que sair às ruas para protestar seja um risco de vida. Literalmente a polícia, ou o Exército, pode matar você. Ou talvez pior. Você pode ser preso e levado para uma cadeia onde será barbaramente torturado sem que ninguém, nenhum amigo, nenhum familiar, tenha qualquer ideia de onde você está, se vivo ou morto. Estou falando de tortura do pior tipo. Da mais dolorosa. E, ainda assim, você segue escolhendo sair às ruas. Este é o Irã.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas
António de Castro Caeiro (parte 2): “Sou um animal de sala de aula. Adoro tanto dar aulas que já estou com medo de ter de me reformar aos 70”

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas

Play Episode Listen Later Jan 10, 2026 67:22


Nesta segunda parte do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, o filósofo António de Castro Caeiro recorda os tempos de punk rock na mítica banda, dos anos 80, os “Mata Ratos”, e fala do enorme prazer de ser professor e como se realiza por inteiro numa sala de aula, ao ponto de não desejar reformar-se aos 70. E como tem combinado ao longo da sua vida as artes marciais e a filosofia. Há alguma relação possível entre andar à porrada, andar à pêra e ser bom filósofo? António de Castro Caeiro responde. E ainda lê um texto seu e outro de Miguel Esteves Cardoso, revela quais as músicas que o acompanham e deixa várias sugestões culturais. Boas escutas! Leituras: Primeiro excerto lido de António de Castro Caeiro, O que é a filosofia? (Lisboa: Tinta‑da‑China, 2023), pp. 190-191 Segundo excerto lido de Miguel Esteves Cardoso, “Haver,” in A Causa das Coisas (Lisboa: Assírio & Alvim, 1986). Uma peça: recomenda as do CCB: https://www.ccb.pt/eventos/category/teatro/ Um livro: Dostoiévski, Fiódor. “O duplo”. Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra. Lisboa: Editorial Presença, 2021. Uma série: Slow Horses. Starring Gary Oldman. Created by Will Smith. Apple TV+ Uma exposição: “Complexo Brasil”, exposição patente na Fundação Calouste Gulbenkian, até 17 de fevereiro de 2026. Um podcast: “The Rest Is Politics”, de Alastair Campbell e Rory Stewart. Podcast produzido por Goalhanger Podcasts. Escolhas musicais: Frank Sinatra. “The World We Knew (Over and Over).” Em The World We Knew. Tindersticks. “Another Night In.” Faixa 1, em Curtains. Marvin Gaye. “Dream of a Lifetime.” Em ‘Dream of a Lifetime’.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Morgana Secco
Londres está perigosa? Como lido com a exposição das crianças nas redes sociais?

Morgana Secco

Play Episode Listen Later Jan 7, 2026 36:44


Respondi perguntas da caixinha como: Londres está perigosa? Como lido com a exposição das crianças nas redes sociais? e mais outras listadas aqui embaixo.Episódio exibido no canal do YouTube em 14/11/2025.☀️ Meu curso O Essencial da Maternidade está em BLACK FRIDAY: https://morganasecco.com.br/essencial

Receios Obscuros
O Observador da Floresta - Terror da vida real

Receios Obscuros

Play Episode Listen Later Jan 6, 2026 44:49


Fala galera, tudo bem com vocês? Espero que tenham tido excelentes comemorações de final de ano. Estou escrevendo aqui na descrição desse episódio, para quem lê, para conversar com vocês sobre o novo formato.Estou pretendendo fazer episódios maiores, cerca de 45 minutos, todos do tema terror da vida real. É algo que tenho gostado muito de produzir.Quero, também, reviver o apoia.se e colocar conteúdo extra, cerca de mais 30 minutos, para quem tiver interesse de assinar. Vou colocar um valor mais acessível a todos.Para eu saber se vocês curtem a ideia, respondam a enquete por gentileza!Bom episódio a todos.

Devocionais Pão Diário
DEVOCIONAL PÃO DIÁRIO | ALMAS CONTURBADAS, ORAÇÕES SINCERAS

Devocionais Pão Diário

Play Episode Listen Later Dec 30, 2025 3:17


Leitura Bíblica Do Dia: JOÃO 12:27-32 Plano De Leitura Anual: ZACARIAS 13–14; APOCALIPSE 21  Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira:  Três dias antes da explosão de uma bomba que abalou a sua casa, em 1957, Martin Luther King Jr. passou por um momento que o marcou para sempre. Depois de receber um telefonema ameaçador, King se viu pensando numa estratégia para sair do movimento pelos direitos civis. Então, brotaram orações em sua alma: “Estou defendendo o que acredito ser certo. Mas agora tenho medo, não tenho nada e não posso enfrentar isso sozinho”. Depois de orar, sentiu uma silenciosa certeza. King observou: “Quase imediatamente meus medos começaram a sumir. Minha incerteza desapareceu e eu estava disposto a enfrentar tudo”. Em João 12, Jesus reconheceu: “minha alma está angustiada” (v.27). Ele foi transparentemente honesto sobre Sua disposição interna, ainda assim Ele exaltou a Deus em Sua oração. “Pai, glorifica teu nome!” (v.28). A oração de Jesus foi de rendição à vontade de Deus. Como é humano de nossa parte sentirmos medo e desconforto quando nos deparamos com a opção de honrar ou não honrar a Deus, quando a sabedoria exige que tomemos decisões difíceis sobre os nossos relacionamentos, hábitos ou outros padrões (bons ou maus). Não importa o que confrontemos, ao orarmos ousadamente a Deus, o Senhor nos dará forças para superarmos nosso medo e desconforto e fazermos o que o glorifica — para o nosso bem e para o bem dos outros.   Por: ARTHUR JACKSON 

Meditação Diária com o Pe. João Carlos

Estou muito feliz de estar com vocês neste especial de Natal. Natal é Jesus. Jesus que vem a nós. Natal é a acolhida de Jesus. As músicas que você vai ouvir nesse especial foram gravadas recentemente no Recife, no show 'Quando Dezembro Chegar'. Deixo aqui uma palavra de gratidão ao arranjador desse trabalho musical, o maestro Tutuca Borba, tecladista e arranjador de Roberto Carlos. Gratidão também aos músicos que estiveram comigo no palco, o maestro Davi Augusto, os músicos Paulo Henrique, Cinho Souza, Dinho Mosca, Jonatas, Ricardo Rogério e as vocalistas e cantoras Débora Brito, Viviane Arruda e Aninha. A direção do show foi de Mário Carlos, auxiliado pela equipe técnica Benevaldo Valença e Diogo Barreto. Em breve, após a exibição na Rede Vida de televisão e na Canção Nova, o show 'Quando Dezembro Chegar', esse show que você vai acompanhar agora, o meu mais novo DVD, vai estar no YouTube, no canal Padre João Carlos. Agradeço desde já a sua audiência e a emissora que está nos transmitindo, desejando a todos um abençoado Natal de Jesus.

WGospel.com
Um Pai amoroso

WGospel.com

Play Episode Listen Later Dec 24, 2025 4:41


TEMPO DE REFLETIR 01623 – 24 de dezembro de 2025 João 14:10 (A Bíblia Viva) – Você não crê que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu digo não são propriamente Minhas, mas do Pai que vive em Mim. E Ele faz a Sua obra por Meu intermédio. Um menino cego estava na esquina de uma rua movimentada, esperando seu pai. Um transeunte, vendo o garoto, ofereceu-se para ajudá-lo a atravessar a rua. – Não; muito obrigado – disse o menino. – Estou esperando meu pai. – Você tem certeza de que seu pai virá buscá-lo? – Sim, meu pai cuida de mim. Ele me conduz o tempo todo, e quando ele segura minha mão, sinto-me perfeitamente seguro. – Por que você se sente seguro? – interrogou o homem. Com um sorriso sereno de perfeita confiança, o menino respondeu: – Ah, porque meu pai conhece o caminho. Ele enxerga o caminho; eu é que sou cego. Temos a Jesus como nosso Pai. O pecado nos cegou, mas nosso Pai enxerga. Tomando-nos pela mão e conduzindo-nos, Jesus promete: “Não temas, porque Eu sou contigo; não te assombres, porque Eu sou o teu Deus; Eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a Minha destra fiel” (Is 41:10). Que notícia poderia ser melhor do que ter um Pai assim? João fala de Jesus como “o Pai”; de nós como “os filhos de Deus”, e de Jesus Se manifestando “para tirar os pecados”, uma evidência do “grande amor” que Jesus concede aos Seus filhos (1Jo 3:1-5). Embora esse texto revele o pecado como “transgressão da lei”, note que ele também mostra o pecado como a violação de um relacionamento pessoal sagrado – a relação Pai-filho, baseada no amor mútuo. Não pecamos contra o granito do Sinai ou mesmo contra um grande ideal moral, mas contra o coração de amor do nosso Pai. Coloquemos, portanto, os nossos pecados sobre Jesus. Peçamos-Lhe que nos perdoe. Então deleitemo-nos na Sua amorável presença. Ele deseja esse tipo de relacionamento amoroso conosco. Jesus tem por nós “inexcedível ternura, sobrepujando tanto a que nosso pai e nossa mãe sentiam por nós mesmos em nosso desamparo como o divino ultrapassa o humano” (O Desejado de Todas as Nações, p. 327). Reflita sobre isso no dia de hoje e ore comigo agora: Pai, obrigado porque enxergas o caminho, porque conheces o futuro e sabes o que é melhor para cada um de nós. Por isso, sem medo algum, nos entregamos em Tuas mãos. Toma conta de nossa vida; de tudo que temos e de tudo o que somos. Em nome de Jesus, amém! Saiba como receber as mensagens diárias do Tempo de Refletir: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99893-2056 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: TELEGRAM AMILTON MENEZES . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: WHATSAPP CHANNEL Amilton Menezes . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes

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Názory a argumenty: David Klimeš: Jak je to s šestou nejlepší ekonomiku světa

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Play Episode Listen Later Dec 17, 2025 3:47


Daří se ekonomicky České republice? Viděno optikou série minulých krizí nepochybně ano. Podle prognózy České národní banky příští rok poroste země o 2,4 procenta HDP, inflace bude zkrocená na 2,2 procentech. Pokud bychom se na věc ale podívali posledním předkrizovým rokem 2019, tak to tedy není žádná sláva.

MEMOH
Quando busco me responsabilizar, estou respondendo a mim mesmo ou somente às expectativas sociais?

MEMOH

Play Episode Listen Later Dec 11, 2025 85:24


Neste episódio abordamos um tema urgente e necessário para os dias de hoje: "Quando busco me responsabilizar, estou respondendo a mim mesmo ou somente às expectativas sociais?"Abel, Lincoln e Lucas, juntos com o convidado Klerysson Jardim, mergulham na discussão sobre a tensão entre a cobrança legítima por um posicionamento dos homens diante da violência contra a mulher, entre outros tópicos, e o risco de transformar a mudança em pura performance. Discutimos como identificar a motivação por trás das nossas ações e como isso aparece na nossa fala, nas redes, nos nossos posicionamentos (ou ausência deles) no nosso dia a dia.Faça parte da Comunidade MEMOH! Edição de Som: Reginaldo Cursino.

Clube dos 52
Querido Líder. “Muitas vezes vou para casa sem ter a certeza se estou certa”

Clube dos 52

Play Episode Listen Later Dec 11, 2025 49:48


Ana Leandro é diretora de Logística e Supply Chain na Auchan Portugal. É uma voz muito respeitada no setor e partilha a experiência profissional e pessoal. Evita ir ao supermercado e explica porquê.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oxigênio
#208 – A infraestrutura da IA: o que são datacenters e os riscos que eles representam

Oxigênio

Play Episode Listen Later Dec 11, 2025 34:08


A inteligência artificial, em seus múltiplos sentidos, tem dominado a agenda pública e até mesmo o direcionamento do capital das grandes empresas de tecnologia. Mas você já parou para pensar na infraestrutura gigantesca que dê conta de sustentar o crescimento acelerado das IAs? O futuro e o presente da inteligência artificial passa pela existência dos datacenters. E agora é mais urgente que nunca a gente discutir esse assunto. Estamos vendo um movimento se concretizar, que parece mais uma forma de colonialismo digital: com a crescente resistência à construção de datacenters nos países no norte global, empresas e governos parecem estar convencidos a trazer essas infraestruturas imensas com todos os seus impactos negativos ao sul global. Nesse episódio Yama Chiodi e Damny Laya conversam com pesquisadores, ativistas e atingidos para tentar aprofundar o debate sobre a infraestrutura material das IAs. A gente conversa sobre o que são datacenters e como eles impactam e irão impactar nossas vidas. No segundo episódio, recuperamos movimentos de resistência a sua instalação no Brasil e como nosso país se insere no debate, seguindo a perspectiva de ativistas e de pesquisadores da área que estão buscando uma regulação mais justa para esses grandes empreendimentos.  ______________________________________________________________________________________________ ROTEIRO [ vinheta da série ] [ Começa bio-unit ] YAMA: A inteligência artificial, em seus múltiplos sentidos, tem dominado a agenda pública e até mesmo o direcionamento do capital das grandes empresas de tecnologia. Mas você já parou para pensar na infraestrutura gigantesca que dê conta de sustentar o crescimento acelerado das IA? DAMNY: O futuro e o presente da inteligência artificial passa pela existência dos data centers. E agora é mais urgente que nunca a gente discutir esse assunto. Estamos vendo um movimento se concretizar, que parece mais uma forma de colonialismo digital: com a crescente resistência à construção de datacenters nos países no norte global, empresas e governos parecem estar convencidos a trazer os datacenters com todos os seus impactos negativos ao sul global. YAMA: Nós conversamos com pesquisadores, ativistas e atingidos e em dois episódios nós vamos tentar aprofundar o debate sobre a infraestrutura material das IAs. No primeiro, a gente conversa sobre o que são datacenters e como eles impactam e irão impactar nossas vidas. DAMNY: No segundo, recuperamos movimentos de resistência a sua instalação no Brasil e como nosso país se insere no debate, seguindo a perspectiva de ativistas e de pesquisadores da área que estão buscando uma regulação mais justa para esses grandes empreendimentos. [ tom baixo ] YAMA: Eu sou o Yama Chiodi, jornalista de ciência e pesquisador do campo das mudanças climáticas. Se você já é ouvinte do oxigênio pode ter me ouvido aqui na série cidade de ferro ou no episódio sobre antropoceno. Ao longo dos últimos meses investiguei os impactos ambientais das inteligências artificiais para um projeto comum entre o LABMEM, o laboratório de mudança tecnológica, energia e meio ambiente, e o oxigênio. Em setembro passado, o Damny se juntou a mim pra gente construir esses episódios juntos. E não por acaso. O Damny publicou em outubro passado um relatório sobre os impactos socioambientais dos data centers no Brasil, intitulado “Não somos quintal de data center”. O link para o relatório completo se encontra disponível na descrição do episódio. Bem-vindo ao Oxigênio, Dam. DAMNY: Oi Yama. Obrigado pelo convite pra construir junto esses episódios. YAMA: É um prazer, meu amigo. DAMNY: Eu também atuo como jornalista de ciência e sou pesquisador de governança da internet já há algum tempo. Estou agora trabalhando como jornalista e pesquisador aqui no LABJOR, mas quando escrevi o relatório eu tava trabalhando como pesquisador-consultor na ONG IDEC, Instituto de Defesa de Consumidores. YAMA: A gente começa depois da vinheta. [ Termina Bio Unit] [ Vinheta Oxigênio ] [ Começa Documentary] YAMA: Você já deve ter ouvido na cobertura midiática sobre datacenters a formulação que te diz quantos litros de água cada pergunta ao chatGPT gasta. Mas a gente aqui não gosta muito dessa abordagem. Entre outros motivos, porque ela reduz o problema dos impactos socioambientais das IA a uma questão de consumo individual. E isso é um erro tanto político como factual. Calcular quanta água gasta cada pergunta feita ao ChatGPT tira a responsabilidade das empresas e a transfere aos usuários, escondendo a verdadeira escala do problema. Mesmo que o consumo individual cresça de modo acelerado e explosivo, ele sempre vai ser uma pequena fração do problema. Data centers operam em escala industrial, computando quantidades incríveis de dados para treinar modelos e outros serviços corporativos. Um único empreendimento pode consumir em um dia mais energia do que as cidades que os abrigam consomem ao longo de um mês. DAMNY: Nos habituamos a imaginar a inteligência artificial como uma “nuvem” etérea, mas, na verdade, ela só existe a partir de data centers monstruosos que consomem quantidades absurdas de recursos naturais. Os impactos sociais e ambientais são severos. Data centers são máquinas de consumo de energia, água e terra, e criam poluição do ar e sonora, num modelo que reforça velhos padrões de racismo ambiental. O desenvolvimento dessas infraestruturas frequentemente acontece à margem das comunidades afetadas, refazendo a cartilha global da injustiça ambiental. Ao seguir suas redes, perceberemos seus impactos em rios, no solo, no ar, em territórios indígenas e no crescente aumento da demanda por minerais críticos e, por consequência, de práticas minerárias profundamente destrutivas. YAMA: De acordo com a pesquisadora Tamara Kneese, diretora do programa de Clima, Tecnologia e Justiça do instituto de pesquisa Data & Society, com quem conversamos, essa infraestrutura está criando uma nova forma de colonialismo tecnológico. Os danos ambientais são frequentemente direcionados para as comunidades mais vulneráveis, de zonas rurais às periferias dos grandes centros urbanos, que se tornam zonas de sacrifício para o progresso dessa indústria. DAMNY: Além disso, a crescente insatisfação das comunidades do Norte Global com os data centers tem provocado o efeito colonial de uma terceirização dessas estruturas para o Sul Global. E o Brasil não apenas não é exceção como parece ser um destino preferencial por sua alta oferta de energia limpa. [pausa] E com o aval do governo federal, que acaba de publicar uma medida provisória chamada REDATA, cujo objetivo é atrair data centers ao Brasil com isenção fiscal e pouquíssimas responsabilidades. [ Termina Documentary] [tom baixo ] VOICE OVER: BLOCO 1 – O QUE SÃO DATA CENTERS? YAMA: Pra entender o que são data centers, a gente precisa antes de tudo de entender que a inteligência artificial não é meramente uma nuvem etérea que só existe virtualmente. Foi assim que a gente começou nossa conversa com a pesquisadora estadunidense Tamara Kneese. Ela é diretora do programa de Clima, Tecnologia e Justiça do instituto de pesquisa Data & Society. TAMARA: PT – BR [ Eu acho que o problema da nossa relação com a computação é que a maioria parte do tempo a gente não pensa muito sobre a materialidade dos sistemas informacionais e na cadeia de suprimentos que permitem que eles existam. Tudo que a gente faz online não depende só dos nossos aparelhos, ou dos serviços de nuvem que a gente contrata, mas de uma cadeia muito maior. De onde ver o hardware que a gente usa? Que práticas de trabalho são empregadas nessa cadeia? E então, voltando à cadeia de suprimentos, pensar sobre os materiais brutos e os minerais críticos e outras formas de extração, abusos de direitos humanos e trabalhistas que estão diretamente relacionados à produção dos materiais que precisamos pra computação em geral. ] So I think, you know, the problem with our relationship to computing is that, most of the time, we don’t really think that much about the materiality of the computing system and the larger supply chain. You know, thinking about the fact that, of course, everything we do relies not just on our own device, or the particular cloud services that we subscribe to, but also on a much larger supply chain. So, where does the hardware come from, that we are using, and what kind of labor practices are going into that? And then be, you know, further back in the supply chain, thinking about raw materials and critical minerals and other forms of extraction, and human rights abuses and labor abuses that also go into the production of the raw materials that we need for computing in general. DAMNY: A Tamara já escreveu bastante sobre como a metáfora da nuvem nos engana, porque ela dificulta que a gente enxergue a cadeia completa que envolve o processamento de tantos dados. E isso se tornou uma questão muito maior com a criação dos chatbots e das IAs generativas. YAMA: Se a pandemia já representou uma virada no aumento da necessidade de processamento de dados, quando passamos a ir à escola e ao trabalho pelo computador, o boom das IA generativas criou um aumento sem precedentes da necessidade de expandir essas cadeias. DAMNY: E na ponta da infraestrutura de todas as nuvens estão os data centers. Mais do que gerar enormes impactos sócio-ambientais, eles são as melhores formas de enxergar que o ritmo atual da expansão das IAs não poderá continuar por muito tempo, por limitações físicas. Não há terra nem recursos naturais que deem conta disso. YAMA: A gente conversou com a Cynthia Picolo, que é Diretora Executiva do LAPIN, o Laboratório de Políticas Públicas e Internet. O LAPIN tem atuado muito contra a violação de direitos na implementação de data centers no Brasil e a gente ainda vai conversar mais sobre isso. DAMNY: Uma das coisas que a Cynthia nos ajudou a entender é como não podemos dissociar as IAs dos data centers. CYNTHIA: Existe uma materialidade por trás. Existe uma infraestrutura física, que são os data centers. Então os data centers são essas grandes estruturas que são capazes de armazenar, processar e transferir esses dados, que são os dados que são os processamentos que vão fazer com que a inteligência artificial possa acontecer, possa se desenvolver, então não existe sem o outro. Então falar de IA é falar de Datacenter. Então não tem como desassociar. YAMA: Mas como é um datacenter? A Tamara descreve o que podemos ver em fotos e vídeos na internet. TAMARA: [ Sim, de modo geral, podemos dizer que os data centers são galpões gigantes de chips, servidores, sistemas em redes e quando você olha pra eles, são todos muitos parecidos, prédios quadrados sem nada muito interessante. Talvez você nem saiba que é um data center se não observar as luzes e perceber que é uma estrutura enorme sem pessoas, sem trabalhadores. ] Yeah, so, you know, essentially, they’re like giant warehouses of chips, of servers, of networked systems, and, you know, they look like basically nondescript square buildings, very similar. And you wouldn’t really know that it’s a data center unless you look at the lighting, and you kind of realize that something… like, it’s not inhabited by people or workers, really. DAMNY: No próximo bloco a gente tenta resumir os principais problemas socioambientais que os data centers já causam e irão causar com muita mais intensidade no futuro. [tom baixo ] VOICE OVER: BLOCO 2 – A ENORME LISTA DE PROBLEMAS YAMA: O consumo de energia é provavelmente o problema mais conhecido dos data centers e das IAs. Segundo dados da Agência Internacional de Energia, a IEA, organização internacional da qual o Brasil faz parte, a estimativa para o ano de 2024 é que os data centers consumiram cerca de 415 TWh. A cargo de comparação, segundo a Empresa de Pesquisa Energética, instituto de pesquisa público associado ao Ministério das Minas e Energia, o Brasil consumiu no ano de 2024 cerca de 600 TWh. DAMNY: Segundo o mesmo relatório da Agência Internacional de Energia, a estimativa é que o consumo de energia elétrica por datacenters em 2030 vai ser de pelo menos 945 TWh, o que representaria 3% de todo consumo global projetado. Quando a gente olha pras estimativas de outras fontes, contudo, podemos dizer que essas são projeções até conservadoras. Especialmente considerando o impacto da popularização das chamadas LLM, ou grandes modelos de linguagem – aqueles YAMA: Ou seja, mesmo com projeções conservadoras, os data centers do mundo consumiriam em 2030, daqui a menos de cinco anos, cerca de 50% a mais de energia que o Brasil inteiro consome hoje. Segundo a IEA, em 2030 o consumo global de energia elétrica por data centers deve ser equivalente ao consumo da Índia, o país mais populoso do mundo. E há situações locais ainda mais precárias. DAMNY: É o caso da Irlanda. Segundo reportagem do New York Times publicada em outubro passado, espera-se que o consumo de energia elétrica por data centers por lá represente pelo menos 30% do consumo total do país nos próximos anos. Mas porquê os datacenters consomem tanta energia? TAMARA: [ Então, particularmente com o tipo de IA que as empresas estão investindo agora, há uma necessidade de chips e GPUs muito mais poderosos, de modo que os data centers também são sobre prover energia o suficiente pra todo esse poder computacional que demandam o treinamento e uso de grandes modelos de linguagem. Os data centers são estruturas incrivelmente demandantes de energia e água. A água em geral serve para resfriar os servidores, então tem um número considerável de sistemas de cooling que usam água. Além disso tudo, você também precisa de fontes alternativas de energia, porque algumas vezes, uma infraestrutura tão demandante de energia precisa recorrer a geradores para garantir que o data center continue funcionando caso haja algum problema na rede elétrica. ] So, you know, particularly with the kinds of AI that companies are investing in right now, there’s a need for more powerful chips, GPUs, and so Data centers are also about providing enough energy and computational power for these powerful language models to be trained and then used. And so the data center also, you know, in part because it does require so much energy, and it’s just this incredibly energy-intensive thing, you also need water. And the water comes from having to cool the servers, and so… So there are a number of different cooling systems that use water. And then on top of that, you also need backup energy sources, so sometimes, because there’s such a draw on the power grid, you have to have backup generators to make sure that the data center can keep going if something happens with the grid. YAMA: E aqui a gente começa a entender o tamanho do problema. Os data centers são muitas vezes construídos em lugares que já sofrem com infraestruturas precárias de eletricidade e com a falta de água potável. Então eles criam problemas de escassez onde não havia e aprofundam essa escassez em locais onde isso já era uma grande questão – como a região metropolitana de Fortaleza sobre a qual falaremos no próximo episódio, que está em vias de receber um enorme data center do Tiktok. DAMNY: É o que também relatam os moradores de Querétaro, no México, que vivem na região dos data centers da Microsoft. A operação dos data centers da Microsoft gerou uma crise sem precedentes, com quedas frequentes de energia e o interrompimento do abastecimento de água que muitas vezes duram semanas. Os data-centers impactaram de tal forma as comunidades que escolas cancelaram aulas e, indiretamente, foram responsáveis por uma crise de gastroenterite entre crianças. YAMA: E isso nos leva pro segundo ponto. O consumo de água, minerais críticos e outros recursos naturais. TAMARA: [O problema da energia tem recebido mais atenção, porque é uma fonte de ansiedade também. Pensar sobre o aumento da demanda de energia em tempos em que supostamente estaríamos transicionando para deixar de usar energias fósseis, o que obviamente pode ter efeitos devastadores. Mas eu acredito que num nível mais local, o consumo de água é mais relevante. Nós temos grandes empresas indo às áreas rurais do México, por exemplo, e usando toda a água disponível e basicamente deixando as pessoas sem água. E isso é incrivelmente problemático. Então isso acontece em áreas que já tem problemas de abastecimento de água, onde as pessoas já não tem muito poder de negociação com as empresas. Não têm poder político pra isso. São lugares tratados como zonas de sacrifício, algo que já vimos muitas vezes no mundo, especialmente em territórios indígenas. Então as consequências são na verdade muito maiores do que só problemas relacionados à energia. ] I think the energy problem has probably gotten the most attention, just because it is a source of anxiety, too, so thinking about, you know, energy demand at a time when we’re supposed to be transitioning away from fossil fuels. And clearly, the effects that that can have will be devastating. But I think on a local level, things like the water consumption can matter more. So, you know, if we have tech companies moving into rural areas in Mexico and, you know, using up all of their water and basically preventing people in the town from having access to water. That is incredibly problematic. So I think, you know, in water-stressed areas and areas where the people living in a place don’t have as much negotiating power with the company. Don’t have as much political power, and especially if places are basically already treated as sacrifice zones, which we’ve seen repeatedly many places in the world, with Indigenous land in particular, you know, I think the consequences may go far beyond just thinking about, you know, the immediate kind of energy-related problems. YAMA: Existem pelo menos quatro fins que tornam os data centers máquinas de consumir água. O mais direto e local é a água utilizada na refrigeração de todo equipamento que ganha temperatura nas atividades de computação, o processo conhecido como cooling. Essa prática frequentemente utiliza água potável. Apesar de já ser extremamente relevante do ponto de vista de consumo, essa é apenas uma das formas de consumo abundante de água. DAMNY: Indiretamente, os data centers também consomem a água relacionada ao seu alto consumo de energia, em especial na geração de energia elétrica em usinas hidrelétricas e termelétricas. Também atrelada ao consumo energético, está o uso nas estações de tratamento de água, que visam tratar a água com resíduos gerada pelo data center para tentar reduzir a quantidade de água limpa utilizada. YAMA: Por fim, a cadeia de suprimentos de chips e servidores que compõem os data centers requer água ultrapura e gera resíduos químicos. Ainda que se saiba que esse fator gera gastos de água e emissões de carbono relevantes, os dados são super obscuros, entre outros motivos, porque a maioria dos dados que temos sobre o consumo de água em data centers são fornecidos pelas próprias empresas. CYNTHIA: A água e os minérios são componentes também basilares para as estruturas de datacenter, que são basilares para o funcionamento da inteligência artificial. (…). E tem toda uma questão, como eu disse muitas vezes, captura um volume gigante de água doce. E essa água que é retornada para o ecossistema, muitas vezes não é compensada da água que foi capturada. Só que as empresas também têm uma promessa em alguns relatórios, você vai ver que elas têm uma promessa até de chegar em algum ponto para devolver cento e vinte por cento da água. Então a empresa está se comprometendo a devolver mais água do que ela capturou. Só que a realidade é o quê? É outra. Então, a Google, por exemplo, nos últimos cinco anos, reportou um aumento de cento e setenta e sete por cento do uso de água. A Microsoft mais trinta e oito e a Amazon sequer reporta o volume de consumo de água. Então uma lacuna tremenda para uma empresa desse porte, considerando todo o setor de Data centers. Mas tem toda essa questão da água, que é muito preocupante, não só por capturar e o tratamento dela e como ela volta para o meio ambiente, mas porque há essa disputa também com territórios que têm uma subsistência muito específica de recursos naturais, então existe uma disputa aí por esse recurso natural entre comunidade e empreendimento. DAMNY: Nessa fala da Cynthia a gente observa duas coisas importantes: a primeira é que não existe data center sem água para resfriamento, de modo que o impacto local da instalação de um empreendimento desses é uma certeza irrefutável. E é um dano contínuo. Enquanto ele estiver em operação ele precisará da água. É como se uma cidade de grande porte chegasse de repente, demandando uma quantidade de água e energia que o local simplesmente não tem para oferecer. E na hora de escolher entre as pessoas e empreendimentos multimilionários, adivinha quem fica sem água e com a energia mais cara? YAMA: A segunda coisa importante que a Cynthia fala é quando ela nos chama a atenção sobre a demanda por recursos naturais. Nós sabemos que recursos naturais são escassos. Mais do que isso, recursos naturais advindos da mineração têm a sua própria forma de impactos sociais e ambientais, o que vemos frequentemente na Amazônia brasileira. O que acontecerá com os data centers quando os recursos naturais locais já não forem suficientes para seu melhor funcionamento? Diante de uma computação que passa por constante renovação pela velocidade da obsolescência, o que acontece com o grande volume de lixo eletrônico gerado por data centers? Perguntas que não têm resposta. DAMNY: A crise geopolítica em torno dos minerais conhecidos como terra-rara mostra a complexidade política e ambiental do futuro das IA do ponto de vista material e das suas cadeias de suprimento. No estudo feito pelo LAPIN, a Cynthia nos disse que considera que esse ponto do aumento da demanda por minerais críticos que as IA causam é um dos pontos mais opacos nas comunicações das grandes empresas de tecnologia sobre o impacto de seus data centers. CYNTHIA: E outro ponto de muita, muita lacuna, que eu acho que do nosso mapeamento, desses termos mais de recursos naturais. A cadeia de extração mineral foi o que mais foi opaco, porque, basicamente, as empresas não reportam nada sobre essa extração mineral e é muito crítico, porque a gente sabe que muitos minérios vêm também de zonas de conflito. Então as grandes empresas, pelo menos as três que a gente mapeou, elas têm ali um trechinho sobre uma prestação de contas da cadeia mineral. Tudo que elas fazem é falar que elas seguem um framework específico da OCDE sobre responsabilização. YAMA: Quando as empresas falam de usar energias limpas e de reciclar a água utilizada, eles estão se desvencilhando das responsabilidades sobre seus datacenters. Energia limpa não quer dizer ausência de impacto ambiental. Pras grandes empresas, as fontes de energia limpa servem para gerar excedente e não para substituir de fato energias fósseis. Você pode ter um data center usando majoritariamente energia solar no futuro, mas isso não muda o fato de que ele precisa funcionar 24/7 e as baterias e os geradores a diesel estarão sempre lá. Além disso, usinas de reciclagem de água, fazendas de energia solar e usinas eólicas também têm impactos socioambientais importantes. O uso de recursos verdes complexifica o problema de identificar os impactos locais e responsabilidades dos data centers, mas não resolve de nenhuma forma os problemas de infraestrutura e de fornecimento de água e energia causados pelos empreendimentos. DAMNY: É por isso que a gente alerta pra não comprar tão facilmente a história de que cada pergunta pro chatGPT gasta x litros de água. Se você não perguntar nada pro chatGPT hoje, ou se fizer 1000 perguntas, não vai mudar em absolutamente nada o alto consumo de água e os impactos locais destrutivos dos data centers que estão sendo instalados a todo vapor em toda a América Latina. A quantidade de dados e de computação que uma big tech usa para treinar seus modelos, por exemplo, jamais poderá ser equiparada ao consumo individual de chatbots. É como comparar as campanhas que te pedem pra fechar a torneira ao escovar os dentes, enquanto o agro gasta em minutos água que você não vai gastar na sua vida inteira. Em resumo, empresas como Google, Microsoft, Meta e Amazon só se responsabilizam pelos impactos diretamente causados por seus data centers e, mesmo assim, é uma responsabilização muito entre aspas, à base de greenwashing. Você já ouviu falar de greenwashing? CYNTHIA: Essa expressão em inglês nada mais é do que a tradução literal, que é o discurso verde. (…)É justamente o que a gente está conversando. É justamente quando uma empresa finge se preocupar com o meio ambiente para parecer sustentável, mas, na prática, as ações delas não trazem esses benefícios reais e, pelo contrário, às vezes trazem até danos para o meio ambiente. Então, na verdade, é uma forma até de manipular, ou até mesmo enganar as pessoas, os usuários daqueles sistemas ou serviços com discursos e campanhas com esses selos verdes, mas sem comprovar na prática. YAMA: Nesse contexto, se torna primordial que a gente tenha mais consciência de toda a infraestrutura material que está por trás da inteligência artificial. Como nos resumiu bem a Tamara: TAMARA: [ Eu acredito que ter noção da infraestrutura completa que envolve a cadeia da IA realmente ajuda a entender a situação. Mesmo que você esteja usando, supostamente, energia renovável para construir e operar um data center, você ainda vai precisar de muitos outros materiais, chips, minerais e outras coisas com suas próprias cadeias de suprimento. Ou seja, independente da forma de energia utilizada, você ainda vai causar dano às comunidades e destruição ambiental. ] But that… I think that is why having a sense of the entire AI supply chain is really helpful, just in terms of thinking about, you know, even if you’re, in theory, using renewable energy to build a data center, you still are relying on a lot of other materials, including chips, including minerals, and other things that. (…) We’re still, you know, possibly going to be harming communities and causing environmental disruption. [ tom baixo ] YAMA: Antes de a gente seguir pro último bloco, eu queria só dizer que a entrevista completa com a Dra. Tamara Kneese foi bem mais longa e publicada na íntegra no blog do GEICT. O link para a entrevista tá na descrição do episódio, mas se você preferir pode ir direto no bloco do GEICT. [ tom baixo ] VOICE OVER: BLOCO 3 – PROBLEMAS GLOBAIS, PROBLEMAS LOCAIS YAMA: Mesmo conhecendo as cadeias, as estratégias de greenwashing trazem um grande problema à tona, que é uma espécie de terceirização das responsabilidades. As empresas trazem medidas compensatórias que não diminuem em nada o impacto local dos seus data centers. Então tem uma classe de impactos que são globais, como as emissões de carbono e o aumento da demanda por minerais críticos, por exemplo. E globais no sentido de que eles são parte relevante dos impactos dos data centers, mas não estão impactando exatamente nos locais onde foram construídos. CYNTHIA: Google, por exemplo, nesse recorte que a gente fez da pesquisa dos últimos cinco anos, ela simplesmente reportou um aumento de emissão de carbono em setenta e três por cento. Não é pouca coisa. A Microsoft aumentou no escopo dois, que são as emissões indiretas, muito por conta de data centers, porque tem uma diferenciação por escopo, quando a gente fala de emissão de gases, a Microsoft, nesse período de cinco anos, ela quadruplicou o tanto que ela tem emitido. A Amazon aumentou mais de trinta por cento. Então a prática está mostrando que essas promessas estão muito longe de serem atingidas. Só que aí entra um contexto mais de narrativa. Por que elas têm falado e prometido a neutralidade de carbono? Porque há um mecanismo de compensação. (…) Então elas falam que estão correndo, correndo para atingir essa meta de neutralidade de carbono, mas muito por conta dos instrumentos de compensação, compensação ou de crédito de carbono ou, enfim, para uso de energias renováveis. Então se compra esse certificado, se fazem esses contratos, mas, na verdade, não está tendo uma redução de emissão. Está tendo uma compensação. (…) Essa compensação é um mecanismo financeiro, no final do dia. Porque, quando você, enquanto empresa, trabalha na compensação dos seus impactos ambientais e instrumentos contratuais, você está ignorando o impacto local. Então, se eu estou emitindo impactando aqui o Brasil, e estou comprando crédito de carbono em projetos em outra área, o impacto local do meu empreendimento está sendo ignorado. YAMA: E os impactos materiais locais continuam extremamente relevantes. Além do impacto nas infraestruturas locais de energia e de água sobre as quais a gente já falou, há muitas reclamações sobre a poluição do ar gerada pelos geradores, as luzes que nunca desligam e até mesmo a poluição sonora. A Tamara nos contou de um caso curioso de um surto de distúrbios de sono e de enxaqueca que tomou regiões de data centers nos Estados Unidos. TAMARA: [ Uma outra coisa que vale ser lembrada: as pessoas que vivem perto dos data centers tem nos contado que eles são super barulhentos, eles também relatam a poluição visual causada pelas luzes e a poluição sonora. Foi interessante ouvir de comunidades próximas a data centers de mineração de criptomoedas, por exemplo, que os moradores começaram a ter enxaquecas e distúrbios de sono por viverem próximos das instalações. E além de tudo isso, ainda tem a questão da poluição do ar, que é visível a olho nu. Há muitas partículas no ar onde há geradores movidos a diesel para garantir que a energia esteja sempre disponível. ] And the other thing is, you know, for people who live near them, they’re very loud, and so if you talk to people who live near data centers, they will talk about the light pollution, the noise pollution. And it’s been interesting, too, to hear from communities that are near crypto mining facilities, because they will complain of things like migraine headaches and sleep deprivation from living near the facilities. And, you know, the other thing is that the air pollution is quite noticeable. So there’s a lot of particulate matter, particularly in the case of using diesel-fueled backup generators as an energy stopgap. DAMNY: E do ponto de vista dos impactos locais, há um fator importantíssimo que não pode ser esquecido: território. Data centers podem ser gigantes, mas ocupam muito mais espaço que meramente seus prédios, porque sua cadeia de suprimentos demanda isso. Como a água e a energia chegarão até os prédios? Mesmo que sejam usados fontes renováveis de energia, onde serão instaladas as fazendas de energia solar ou as usinas de energia eólica e de tratamento de água? Onde a água contaminada e/ou tratada será descartada? Quem vai fiscalizar? YAMA: E essa demanda sem fim por território esbarra justamente nas questões de racismo ambiental. Porque os territórios que são sacrificados para que os empreendimentos possam funcionar, muito frequentemente, são onde vivem povos originários e populações marginalizadas. Aqui percebemos que a resistência local contra a instalação de data centers é, antes de qualquer coisa, uma questão de justiça ambiental. É o caso de South Memphis nos Estados Unidos, por exemplo. TAMARA: [ Pensando particularmente sobre os tipos de danos causados pelos data centers, não é somente a questão da conta de energia ficar mais cara, ou quantificar a quantidade de energia e água gasta por data centers específicos. A verdadeira questão, na minha opinião, é a relação que existe entre esses danos socioambientais, danos algorítmicos e o racismo ambiental e outras formas de impacto às comunidades que lidam com isso a nível local. Especialmente nos Estados Unidos, com todo esse histórico de supremacia branca e a falta de direitos civis, não é coincidência que locais onde estão comunidades negras, por exemplo, sejam escolhidos como zonas de sacrifício. As comunidades negras foram historicamente preferenciais para todo tipo de empreendimento que demanda sacrificar território, como estradas interestaduais, galpões da Amazon… quer dizer, os data centers são apenas a continuação dessa política histórica de racismo ambiental. E tudo isso se soma aos péssimos acordos feitos a nível local, onde um prefeito e outras lideranças governamentais pensam que estão recebendo algo de grande valor econômico. Em South Memphis, por exemplo, o data center é da xAI. Então você para pra refletir como essa plataforma incrivelmente racista ainda tem a audácia de poluir terras de comunidades negras ainda mais ] I think, the way of framing particular kinds of harm, so, you know, it’s not just about, you know, people’s energy bills going up, or, thinking about how we quantify the energy use or the water use of particular data centers, but really thinking about the relationship between a lot of those social harms and algorithmic harms and the environmental racism and other forms of embodied harms that communities are dealing with on that hyper-local level. And, you know, in this country, with its history of white supremacy and just general lack of civil rights, you know, a lot of the places where Black communities have traditionally been, tend to be, you know, the ones sacrificed for various types of development, like, you know, putting up interstates, putting up warehouses for Amazon and data centers are just a continuation of the what was already happening. And then you have a lot of crooked deals on the local level, where, you know, maybe a mayor and other local officials think that they’re getting something economically of value. In South Memphis, the data center is connected to x AI. And so thinking about this platform that is so racist and so incredibly harmful to Black communities, you know, anyway, and then has the audacity to actually pollute their land even more. DAMNY: Entrando na questão do racismo ambiental a gente se encaminha para o nosso segundo episódio, onde vamos tentar entender como o Brasil se insere na questão dos data centers e como diferentes setores da população estão se organizando para resistir. Antes de encerrar esse episódio, contudo, a gente traz brevemente pra conversa dois personagens que vão ser centrais no próximo episódio. YAMA: Eles nos ajudam a compreender como precisamos considerar a questão dos territórios ao avaliar os impactos. Uma dessas pessoas é a Andrea Camurça, do Instituto Terramar, que está lutando junto ao povo Anacé pelo direito de serem consultados sobre a construção de um data center do TIKTOK em seus territórios. Eu trago agora um trechinho dela falando sobre como mesmo medidas supostamente renováveis se tornam violações territoriais num contexto de racismo ambiental. ANDREA: A gente recebeu notícias agora, recentemente, inclusive ontem, que está previsto um mega empreendimento solar que vai ocupar isso mais para a região do Jaguaribe, que vai ocupar, em média, de equivalente a seiscentos campos de futebol. Então, o que isso representa é a perda de terra. É a perda de água. É a perda do território. É uma diversidade de danos aos povos e comunidades tradicionais que não são reconhecidos, são invisibilizados. Então é vendido como território sem gente, sendo que essas energias chegam dessa forma. Então, assim a gente precisa discutir sobre energias renováveis. A gente precisa discutir sobre soberania energética. A gente precisa discutir sobre soberania digital, sim, mas construída a partir da necessidade do local da soberania dessas populações. DAMNY: A outra pessoa que eu mencionei é uma liderança Indígena, o cacique Roberto Anacé. Fazendo uma ótima conexão que nos ajuda a perceber como os impactos globais e locais dos data centers estão conectados, ele observa como parecemos entrar num novo momento do colonialismo, onde a soberania digital e ambiental do Brasil volta a estar em risco, indo de encontro à violação de terras indígenas. CACIQUE ROBERTO: Há um risco para a questão da biodiversidade, da própria natureza da retirada da água, do aumento de energia, mas também não somente para o território da Serra, mas para todos que fazem uso dos dados. Ou quem expõe esses dados. Ninguém sabe da mão de quem vai ficar, quem vai controlar quem vai ordenar? E para que querem essa colonização? Eu chamo assim que é a forma que a gente tem essa colonização de dados. Acredito eu que a invasão do Brasil em mil e quinhentos foi de uma forma. Agora nós temos a invasão de nossas vidas, não somente para os indígenas, mas de todos, muitas vezes que fala muito bem, mas não sabe o que vai acontecer depois que esses dados estão guardados. Depois que esses dados vão ser utilizados, para que vão ser utilizados, então esses agravos. Ele é para além do território indígena na série. [ tom baixo ] [ Começa Bio Unit ] YAMA: A pesquisa, entrevistas e apresentação desse episódio foi feita pelo Damny Laya e por mim, Yama Chiodi. Eu também fiz o roteiro e a produção. Quem narrou a tradução das falas da Tamara foi Mayra Trinca. O Oxigênio é um podcast produzido pelos alunos do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp e colaboradores externos. Tem parceria com a Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp e apoio do Serviço de Auxílio ao Estudante, da Unicamp. Além disso, contamos com o apoio da FAPESP, que financia bolsas como a que nos apoia neste projeto de divulgação científica. DAMNY: A lista completa de créditos para os sons e músicas utilizados você encontra na descrição do episódio. Você encontra todos os episódios no site oxigenio.comciencia.br e na sua plataforma preferida. No Instagram e no Facebook você nos encontra como Oxigênio Podcast. Segue lá pra não perder nenhum episódio! Aproveite para deixar um comentário. [ Termina Bio Unit ] [ Vinheta Oxigênio ] Créditos: Aerial foi composta por Bio Unit; Documentary por Coma-Media. Ambas sob licença Creative Commons. Os sons de rolha e os loops de baixo são da biblioteca de loops do Garage Band. Roteiro, produção: Yama Chiodi Pesquisa: Yama Chiodi, Damny Laya Narração: Yama Chiodi, Danny Laya, Mayra Trinca Entrevistados: Tamara Kneese, Cynthia Picolo, Andrea Camurça e Cacique Roberto Anacé __________ Descendo a toca do coelho da IA: Data Centers e os Impactos Materiais da “Nuvem” – Uma entrevista com Tamara Kneese: https://www.blogs.unicamp.br/geict/2025/11/06/descendo-a-toca-do-coelho-da-ia-data-centers-e-os-impactos-materiais-da-nuvem-uma-entrevista-com-tamara-kneese/ Não somos quintal de data centers: Um estudo sobre os impactos socioambientais e climáticos dos data centers na América Latina: https://idec.org.br/publicacao/nao-somos-quintal-de-data-centers Outras referências e fontes consultadas: Relatórios técnicos e dados oficiais: IEA (2025), Energy and AI, IEA, Paris https://www.iea.org/reports/energy-and-ai, Licence: CC BY 4.0 “Inteligência Artificial e Data Centers: A Expansão Corporativa em Tensão com a Justiça Socioambiental”. Lapin. https://lapin.org.br/2025/08/11/confira-o-relatorio-inteligencia-artificial-e-data-centers-a-expansao-corporativa-em-tensao-com-a-justica-socioambiental/ Estudo de mercado sobre Power & Cooling de Data Centers. DCD – DATA CENTER DYNAMICS.https://media.datacenterdynamics.com/media/documents/Report_Power__Cooling_2025_PT.pdf Pílulas – Impactos ambientais da Inteligência Artificial. IPREC. https://ip.rec.br/publicacoes/pilulas-impactos-ambientais-da-inteligencia-artificial/ Policy Brief: IA, data centers e os impactos ambientais. IPREC https://ip.rec.br/wp-content/uploads/2025/05/Policy-Paper-IA-e-Data-Centers.pdf MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.318, DE 17 DE SETEMBRO DE 2025 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/medida-provisoria-n-1.318-de-17-de-setembro-de-2025-656851861 Infográfico sobre minerais críticos usados em Data Centers do Serviço de Geologia do Governo dos EUA https://www.usgs.gov/media/images/key-minerals-data-centers-infographic Notícias e reportagens: From Mexico to Ireland, Fury Mounts Over a Global A.I. Frenzy. Paul Mozur, Adam Satariano e Emiliano Rodríguez Mega. The New York Times, 20/10/2025. https://www.nytimes.com/2025/10/20/technology/ai-data-center-backlash-mexico-ireland.html Movimentos pedem ao MP fim de licença de data center no CE. Maristela Crispim, EcoNordeste. 25/08/2025. https://agenciaeconordeste.com.br/sustentabilidade/movimentos-pedem-ao-mp-fim-de-licenca-de-data-center-no-ce/#:~:text=’N%C3%A3o%20somos%20contra%20o%20progresso’&text=Para%20o%20cacique%20Roberto%20Anac%C3%A9,ao%20meio%20ambiente%E2%80%9D%2C%20finaliza. ChatGPT Is Everywhere — Why Aren’t We Talking About Its Environmental Costs? Lex McMenamin. Teen Vogue. https://www.teenvogue.com/story/chatgpt-is-everywhere-environmental-costs-oped Data centers no Nordeste, minérios na África, lucros no Vale do Silício. Le Monde Diplomatique, 11 jun. 2025. Accioly Filho. https://diplomatique.org.br/data-centers-no-nordeste-minerios-na-africa-lucros-no-vale-do-silicio/. The environmental footprint of data centers in the United States. Md Abu Bakar Siddik et al 2021 Environ. Res. Lett. 16064017: https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/abfba1 Tecnología en el desierto – El debate por los data centers y la crisis hídrica en Uruguay. MUTA, 30 nov. Soledad Acunã https://mutamag.com/cyberpunk/tecnologia-en-el-desierto/. Acesso em: 17 set. 2025. Las zonas oscuras de la evaluación ambiental que autorizó “a ciegas” el megaproyecto de Google en Cerrillos. CIPER Chile, 25 maio 2020. https://www.ciperchile.cl/2020/05/25/las-zonas-oscuras-de-la-evaluacion-ambiental-que-autorizo-aciegas-el-megaproyecto-de-google-en-cerrillos/. Acesso em: 17 set. 2025. Thirsty data centres spring up in water-poor Mexican town. Context, 6 set. 2024. https://www.context.news/ai/thirsty-data-centres-spring-up-in-water-poor-mexican-town BNDES lança linha de R$ 2 bilhões para data centers no Brasil. https://agenciadenoticias.bndes.gov.br/industria/BNDES-lanca-linha-de-R$-2-bilhoes-para-data-centersno-Brasil/. Los centros de datos y sus costos ocultos en México, Chile, EE UU, Países Bajos y Sudáfrica. WIRED, 29 maio 2025. 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Making AI Less “Thirsty”: Uncovering and Addressing the Secret Water Footprint of AI Models. arXiv, 2304.03271, 26 mar. 2025. Disponível em: https://doi.org/10.48550/arXiv.2304.03271 LIU, Y.; WEI, X.; XIAO, J.; LIU, Z.;XU, Y.; TIAN, Y. Energy consumption and emission mitigation prediction based on data center traffic and PUE for global data centers. Global Energy Interconnection, v. 3, n.3, p. 272-282, 3 jun. 2020. https://doi.org/10.1016/j.gloei.2020.07.008 SIDDIK, M. A. B.; SHEHABI, A.; MARSTON, L. The environmental footprint of data centers in the United States. Environmental Research Letters, v. 16, n. 6, 21 maio 2021. https://doi.org/10.1088/1748-9326/abfba1 Las Mentiras de Microsoft en Chile: Una Empresa No tan Verde. Por Rodrigo Vallejos de Resistencia Socioambiental de Quilicura. Revista De Frente, 18 mar. 2022. https://www.revistadefrente.cl/las-mentiras-de-microsoft-en-chile-una-empresa-no-tan-verde-porrodrigo-vallejos-de-resistencia-socioambiental-de-quilicura/. Acesso em: 17 set. 2025.

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#207 – Especial: A cobertura jornalística na COP30

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Play Episode Listen Later Dec 9, 2025 38:16


No episódio de hoje, você escuta uma conversa um pouco diferente: um bate-papo com as pesquisadoras Germana Barata e Sabine Righetti, ambas do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor). Elas estiveram na COP30 e conversaram com Mayra Trinca sobre a experiência de cobrir um evento ambiental tão relevante e sobre quais foram os pontos fortes da presença da imprensa independente.  __________________________________________________________________________________ TRANSCRIÇÃO [música] Mayra: Olá, eu sou a Mayra, você já deve me conhecer aqui do Oxigênio. Hoje a gente vai fazer uma coisa um pouquinho diferente do que vocês estão acostumados. E eu trouxe aqui duas pesquisadoras do LabJor pra contar um pouquinho da experiência delas na COP30, que rolou agora em novembro. Então vai ser um episódio um pouco mais bate-papo, mas eu prometo que vai ficar legal. Vou pedir pra elas se apresentarem e a gente já começa a conversar. Então eu estou com a Germana Barata e a Sabine Righetti, que são pesquisadoras aqui do Labjor. Germana, se apresenta pra gente, por favor. Germana: Olá, pessoal, eu sou a Germana. Obrigada, Maíra, pelo convite pra estar aqui com vocês no Oxigênio. Eu sou pesquisadora do LabJor, do aula também por aqui, e tenho coordenado aí uma rede de comunicação sobre o oceano, que é a Ressou Oceano, que é o motivo da minha ida pra COP30.Então a gente vai ter a oportunidade de contar um pouquinho do que foi essa aventura na COP30. Mayra: Agora, Sabine, se apresenta pra gente, por favor. Sabine: Oi, pessoal, um prazer estar aqui. Sou pesquisadora aqui no LabJor, ouvinte do Oxigênio, e trabalho entendendo como que o conhecimento científico é produzido e circula na sociedade, sobretudo pela imprensa. Então esse foi um assunto central na COP lá em Belém. [vinheta]  Mayra: Eu trouxe a Sabine e a Germana, porque, bom, são pesquisadoras do Labjor que foram pra COP, mas pra gente conhecer um pouquinho o porquê que elas foram até lá a partir das linhas de interesse e de pesquisa. Então, meninas, contem pra gente por que vocês resolveram ir até a COP e o que isso está relacionado com as linhas de trabalho de vocês. Germana: Bom, acho que uma COP no Brasil, no coração da Amazônia, é imperdível por si.  Sabine: Não tinha como não ir.  Germana: Não, não tinha. E como eu atuo nessa área da comunicação sobre o oceano pra sociedade, esse é um tema que a comunidade que luta pela saúde do oceano tem trabalhado com muito afinco para que o oceano tenha mais visibilidade nos debates sobre mudanças climáticas. Então esse foi o motivo que eu percebi que era impossível não participar dessa grande reunião. Enfim, também numa terra onde eu tenho família, Belém do Pará é a terra do meu pai, e uma terra muito especial, uma cidade muito especial, eu acho que por tantos motivos era imperdível realmente essa experiência na COP. Sabine: Voltamos todas apaixonadas por Belém. O pessoal extremamente acolhedor, a cidade incrível, foi maravilhoso. Eu trabalho tentando compreender como a ciência, conhecimento científico, as evidências circulam na sociedade, na sociedade organizada. Então entre jornalistas, entre tomadores de decisão, entre grupos específicos. E no meu entendimento a COP é um espaço, é um grande laboratório sobre isso, porque a ciência já mostrou o que está acontecendo, a ciência já apontou, aliás faz tempo que os cientistas alertam, e que o consenso científico é muito claro sobre as mudanças climáticas. Então o que falta agora é essa informação chegar nos grupos organizados, nos tomadores de decisão, nas políticas públicas, e quem pode realmente bater o martelo e alterar o curso das mudanças climáticas. Claro que a gente precisa de mais ciência, mas a gente já sabe o que está acontecendo. Então me interessou muito circular e entender como que a ciência estava ou não. Porque muitos ambientes, as negociações, os debates, eles traziam mais desinformação ou falsa controvérsia do que a ciência em si. Germana: E é a primeira vez que a COP abrigou um pavilhão de cientistas. Então acho que esse é um marco, tanto para cientistas quanto outros pavilhões, outras presenças que foram inéditas ou muito fortes na COP, como dos povos indígenas ou comunidades tradicionais, mas também de cientistas, que antes, claro, os cientistas sempre foram para as COPs, mas iam como individualmente, vamos dizer assim. Sabine: Para a gente entender, quem não tem familiaridade com COP, os pavilhões, e isso eu aprendi lá, porque eu nunca tinha participado de uma COP, os pavilhões são como se fossem grandes estandes que têm uma programação própria e acontecem debates e manifestações, eventos diversos, culturais, enfim. Então a zona azul, que a gente chama, que é a área central da COP, onde tem as discussões, as tomadas de decisão, tem um conjunto de pavilhões. Pavilhões de países, pavilhões de temas. Oceanos também foi a primeira vez, né? Germana: Não foi a primeira vez, foi o terceiro ano, a terceira COP, mas estava enorme, sim, para marcar a presença. Mayra: O Oceano foi a primeira vez que estava na Blue Zone ou antes ele já estava na zona azul também? Germana: Ele já estava na Blue Zone, já estava na zona azul, é a terceira vez que o Oceano está presente como pavilhão, mas é a primeira vez que o Oceano realmente ocupou, transbordou, digamos assim, os debates, e os debates, incluindo o Oceano, acabaram ocupando, inclusive, dois dias oficiais de COP, que foram os dias 17 e 18, na programação oficial das reuniões, dos debates. Então é a primeira vez que eu acho que ganha um pouco mais de protagonismo, digamos assim. Mayra: E vocês participaram de quais pavilhões? Porque a gente tem o pavilhão dos Oceanos, tinha um pavilhão das universidades, que inclusive foi organizado por pesquisadores da Unicamp, não necessariamente aqui do Labjor, mas da Unicamp como um todo, e eu queria saber por quais pavilhões vocês passaram. Germana, com certeza, passou pelo do Oceano, mas além do Oceano, quais outros? Vocês passaram por esse das universidades? Como é que foi? Sabine: Eu apresentei um trabalho nesse contexto dos pavilhões, como espaço de discussão e de apresentações, eu apresentei um resultado de um trabalho que foi um levantamento de dados sobre ponto de não retorno da Amazônia com ajuda de inteligência artificial. Eu tenho trabalhado com isso, com leitura sistemática de artigos científicos com ajuda de inteligência artificial e tenho refletido como a gente consegue transformar isso numa informação palatável, por exemplo, para um tomador de decisão que não vai ler um artigo, muito menos um conjunto de artigos, e a gente está falando de milhares. Eu apresentei no pavilhão que a gente chamava de pavilhão das universidades que tinha um nome em inglês que era basicamente a Educação Superior para a Justiça Climática. Ele foi organizado institucionalmente pela Unicamp e pela Universidade de Monterrey, no México, e contou com falas e debates de vários cientistas do mundo todo, mas esse não era o pavilhão da ciência. Tinha o pavilhão da ciência e tinha os pavilhões dos países, os pavilhões temáticos, caso de oceanos, que a gente comentou. Então, assim, eu circulei em todos, basicamente. Me chamou muita atenção o dos oceanos, que de fato estava com uma presença importante, e o pavilhão da China, que era o maior dos pavilhões, a maior delegação, os melhores brindes. Era impressionante a presença da China e as ausências. Os Estados Unidos, por exemplo, não estava, não tinha o pavilhão dos Estados Unidos. Então, as presenças e as ausências também chamam a atenção.  Mayra: Tinha o pavilhão do Brasil?  Sabine: Tinha. Germana: Tinha um pavilhão maravilhoso.  Sabine: Maravilhoso e com ótimo café. Germana: É, exatamente.  Sabine: Fui lá várias vezes tomar um café.  Germana: Inclusive vendendo a ideia do Brasil como um país com produtos de qualidade,né, que é uma oportunidade de você divulgar o seu país para vários participantes de outros países do mundo. E acho que é importante a gente falar que isso, que a Sabine está falando dos pavilhões, era zona azul, ou seja, para pessoas credenciadas. Então, a programação oficial da COP, onde as grandes decisões são tomadas, são ali.  Mas tinha a zona verde, que também tem pavilhões, também tinha pavilhão de alguns países, mas, sobretudo, Brasil, do Estado do Pará, de universidades etc., que estava belíssimo, aberta ao público, e também com uma programação muito rica para pessoas que não necessariamente estão engajadas com a questão das mudanças… Sabine: Muito terceiro setor.  Germana: Exatamente.  Sabine: Movimentos sociais. Germana: E fora a cidade inteira que estava, acho que não tem um belenense que vai dizer o que aconteceu aqui essas semanas, porque realmente os ônibus, os táxis, o Teatro da Paz, que é o Teatro Central de Belém, todos os lugares ligados a eventos, mercados, as docas… Sabine: Museus com programação. Germana: Todo mundo muito focado com programação, até a grande sorveteria maravilhosa Cairu, que está pensando inclusive de expandir aqui para São Paulo, espero que em breve, tinha um sabor lá, a COP30. Muito legal, porque realmente a coisa chegou no nível para todos.  Mayra: O que era o sabor COP30? Fiquei curiosa.  Sabine: O de chocolate era pistache.  Germana: Acho que era cupuaçu, pistache, mais alguma coisa. Sabine: Por causa do verde. É que tinha bombom COP30 e tinha o sorvete COP30, que tinha pistache, mas acho que tinha cupuaçu também. Era muito bom. Germana: Sim, tinha cupuaçu. Muito bom! Mayra: Fiquei tentada com esse sorvete agora. Só na próxima COP do Brasil.  [música] Mayra: E para além de trabalho, experiências pessoais, o que mais chamou a atenção de vocês? O que foi mais legal de participar da COP? Germana: Eu já conheci a Belém, já fui algumas vezes para lá, mas fazia muitos anos que eu não ia. E é incrível ver o quanto a cidade foi transformada em relação à COP. Então, a COP deixa um legado para os paraenses. E assim, como a Sabine tinha dito no começo, é uma população que recebeu todos de braços abertos, e eu acho que eu estava quase ali como uma pessoa que nunca tinha ido para Belém. Então, lógico que a culinária local chama muito a atenção, o jeito dos paraenses, a música, que é maravilhosa, não só o carimbó, as mangueiras dando frutos na cidade, que é algo que acho que chama a atenção de todo mundo, aquelas mangas caindo pela rua. Tem o lado ruim, mas a gente estava vendo ali o lado maravilhoso de inclusive segurar a temperatura, porque é uma cidade muito quente. Mas acho que teve todo esse encanto da cultura muito presente numa reunião que, há muitos anos atrás, era muito diplomática, política e elitizada. Para mim, acho que esse é um comentário geral, que é uma COP que foi muito aberta a muitas vozes, e a cultura paraense entrou ali naturalmente por muitos lugares. Então, isso foi muito impressionante. Sabine: Concordo totalmente com a Germana, é uma cidade incrível. Posso exemplificar isso com uma coisa que aconteceu comigo, que acho que resume bem. Eu estava parada na calçada esperando um carro de transporte, pensando na vida, e aí uma senhora estava dirigindo para o carro e falou: “Você é da COP? Você está precisando de alguma coisa?” No meio da rua do centro de Belém. Olhei para ela e falei, Moça, não estou acostumada a ter esse tipo de tratamento, porque é impressionante. O acolhimento foi uma coisa chocante, muito positiva. E isso era um comentário geral. Mas acho que tem um aspecto que, para além do que estávamos falando aqui, da zona azul, da zona verde, da área oficial da COP, como a Germana disse, tinha programação na cidade inteira. No caso da COP de Belém, acho que aconteceu algo que nenhuma outra COP conseguiu proporcionar. Por exemplo, participei de um evento completamente lateral do terceiro setor para discutir fomento para projetos de jornalismo ligados à divulgação científica. Esse evento foi no barco, no rio Guamá que fala, né? Guamá. E foi um passeio de barco no pôr do sol, com comida local, com banda local, com músicos locais, com discussão local, e no rio. É uma coisa muito impressionante como realmente você sente a cidade. E aquilo tem uma outra… Não é uma sala fechada.Estamos no meio de um rio com toda a cultura que Belém oferece. Eu nunca vou esquecer desse momento, dessa discussão. Foi muito marcante. Totalmente fora da programação da COP. Uma coisa de aproveitar todo mundo que está na COP para juntar atores sociais, que a gente fala, por uma causa comum, que é a causa ambiental. Mayra: Eu vou abrir um parênteses e até fugir um pouco do script que a gente tinha pensado aqui, mas porque ouvindo vocês falarem, eu fiquei pensando numa coisa. Eu estava essa semana conversando com uma outra professora aqui do Labjor, que é a professora Suzana. Ouvintes, aguardem, vem aí esse episódio. E a gente estava falando justamente sobre como é importante trazer mais emoção para falar de mudanças climáticas. Enfim, cobertura ambiental, etc. Mas principalmente com relação a mudanças climáticas.  E eu fiquei pensando nisso quando vocês estavam falando. Vocês acham que trazer esse evento para Belém, para a Amazônia, que foi uma coisa que no começo foi muito criticada por questões de infraestrutura, pode ter tido um efeito maior nessa linha de trazer mais encanto, de trazer mais afeto para a negociação. Germana: Ah, sem dúvida.  Mayra: E ter um impacto que em outros lugares a gente não teria. Germana: A gente tem que lembrar que até os brasileiros desconhecem a Amazônia. E eu acho que teve toda essa questão da dificuldade, porque esses grandes eventos a gente sempre quer mostrar para o mundo que a gente é organizado, desenvolvido, enfim. E eu acho que foi perfeita a escolha. Porque o Brasil é um país desigual, riquíssimo, incrível, e que as coisas podem acontecer. Então a COP, nesse sentido, eu acho que foi também um sucesso, mesmo a questão das reformas e tudo o que aconteceu, no tempo que tinha que acontecer, mas também deu um tom diferente para os debates da COP30. Não só porque em alguns momentos da primeira semana a Zona Azul estava super quente, e eu acho que é importante quem é do norte global entender do que a gente está falando, de ter um calor que não é o calor deles, é um outro calor, que uma mudança de um grau e meio, dois graus, ela vai impactar, e ela já está impactando o mundo, mas também a presença dos povos indígenas eu acho que foi muito marcante. Eu vi colegas emocionados de falar, eu nunca vi tantas etnias juntas e populações muito organizadas, articuladas e preparadas para um debate de qualidade, qualificado. Então eu acho que Belém deu um outro tom, eu não consigo nem imaginar a COP30 em São Paulo. E ali teve um sentido tanto de esperança, no sentido de você ver quanto a gente está envolvida, trabalhando em prol de frear essas mudanças climáticas, o aquecimento, de tentar brecar realmente um grau e meio o aquecimento global. Mas eu acho que deu um outro tom. Sabine: Pegou de fato no coração, isso eu não tenho a menor dúvida. E é interessante você trazer isso, porque eu tenho dito muito que a gente só consegue colar mensagem científica, evidência, se a gente pegar no coração. Se a gente ficar mostrando gráfico, dado, numa sala chata e feia e fechada, ninguém vai se emocionar. Mas quando a gente sente a informação, isso a COP30 foi realmente única, histórica, para conseguir trazer esse tipo de informação emocional mesmo. [música] Mayra: E com relação a encontros, para gente ir nossa segunda parte, vocês encontraram muita gente conhecida daqui do Labjor, ou de outros lugares. O que vocês perceberam que as pessoas estavam buscando na COP e pensando agora em cobertura de imprensa? Porque, inclusive, vocês foram, são pesquisadoras, mas foram também junto com veículos de imprensa. Germana: Eu fui numa parceria com o jornal (o) eco, que a gente já tem essa parceria há mais de dois anos. A Ressou Oceano tem uma coluna no (o) eco. Portanto, a gente tem um espaço reservado para tratar do tema oceano. Então, isso para a gente é muito importante, porque a gente não tem um canal próprio, mas a gente estabeleça parcerias com outras revistas também. E o nosso objetivo realmente era fazer mais ou menos uma cobertura, estou falando mais ou menos, porque a programação era extremamente rica, intensa, e você acaba escolhendo temas onde você vai se debruçar e tratar. Mas, comparando com a impressão, eu tive na COP da biodiversidade, em 2006, em Curitiba, eu ainda era uma estudante de mestrado, e uma coisa que me chamou muito a atenção na época, considerando o tema biodiversidade, era a ausência de jornalistas do norte do Brasil. E, para mim, isso eu escrevi na época para o Observatório de Imprensa, falando dessa ausência, que, de novo, quem ia escrever sobre a Amazônia ia ser o Sudeste, e que, para mim, isso era preocupante, e baixa presença de jornalistas brasileiros também, na época.  Então, comparativamente, essa COP, para mim, foi muito impressionante ver o tamanho da sala de imprensa, de ver, colegas, os vários estúdios, porque passávamos pelos vários estúdios de TV, de várias redes locais, estaduais e nacionais. Então, isso foi muito legal de ver como um tema que normalmente é coberto por poucos jornalistas especializados, de repente, dando o exemplo do André Trigueiro, da Rede Globo, que é um especialista, ele consegue debater com grandes cientistas sobre esse tema, e, de repente, tinha uma equipe gigantesca, levaram a abertura dos grandes jornais para dentro da COP. Isso muda, mostra a relevância que o evento adquiriu. Também pela mídia, e mídia internacional, com certeza.  Então, posso falar depois de uma avaliação que fizemos dessa cobertura, mas, a princípio, achei muito positivo ver uma quantidade muito grande de colegas, jornalistas, e que chegou a quase 3 mil, foram 2.900 jornalistas presentes, credenciados. Sabine: E uma presença, os veículos grandes, que a Germana mencionou, internacionais, uma presença também muito forte de veículos independentes. O Brasil tem um ecossistema de jornalismo independente muito forte, que é impressionante, e, inclusive, com espaços consideráveis. Novamente, para entender graficamente, a sala de imprensa é gigantesca em um evento desse, e tem alguns espaços, algumas salas reservadas para alguns veículos. Então, veículos que estão com uma equipe muito grande têm uma sala reservada, além dos estúdios, de onde a Globo entrava ao vivo, a Andréia Sadi entrava ao vivo lá, fazendo o estúdio i direto da COP, enfim. Mas, dentro da sala de imprensa, tem salas reservadas, e algumas dessas salas, para mencionar, a Amazônia Vox estava com uma sala, que é um veículo da região norte de jornalismo independente, o Sumaúma estava com uma sala, o Sumaúma com 40 jornalistas, nessa cobertura, que também… O Sumaúma é bastante espalhado, mas a Eliane Brum, que é jornalista cofundadora do Sumaúma, fica sediada em Altamira, no Pará. Então, é um veículo nortista, mas com cobertura no país todo e, claro, com olhar muito para a região amazônica. Então, isso foi, na minha perspectiva, de quem olha para como o jornalismo é produzido, foi muito legal ver a força do jornalismo independente nessa COP, que certamente foi muito diferente. Estava lá o jornalismo grande, comercial, tradicional, mas o independente com muita força, inclusive alguns egressos nossos no jornalismo tradicional, mas também no jornalismo independente. Estamos falando desde o jornalista que estava lá pela Superinteressante, que foi nossa aluna na especialização, até o pessoal do Ciência Suja, que é um podcast de jornalismo independente, nosso primo aqui do Oxigênio, que também estava lá com um olhar muito específico na cobertura, olhando as controvérsias, as falsas soluções. Não era uma cobertura factual. Cada jornalista olha para aquilo tudo com uma lente muito diferente. O jornalismo independente, o pequeno, o local, o grande, o internacional, cada um está olhando para uma coisa diferente que está acontecendo lá, naquele espaço em que acontece muita coisa. [som de chamada]  Tássia: Olá, eu sou a Tássia, bióloga e jornalista científica. Estou aqui na COP30, em Belém do Pará, para representar e dar voz à pauta que eu trabalho há mais de 10 anos, que é o Oceano.  Meghie: Oi, gente, tudo bem? Meu nome é Meghie Rodrigues, eu sou jornalista freelancer, fui aluna do Labjor. Estamos aqui na COP30, cobrindo adaptação. Estou colaborando com a Info Amazônia, com Ciência Suja. Pedro: Oi, pessoal, tudo bem? Eu sou Pedro Belo, sou do podcast Ciência Suja, sou egresso do LabJor, da turma de especialização. E a gente veio para cobrir um recorte específico nosso, porque a gente não vai ficar tanto em cima do factual ali, do hard news, das negociações. A gente veio buscar coisas que, enfim, picaretagens, coisas que estão aí, falsas soluções para a crise climática. Paula: Eu sou Paula Drummond, eu sou bióloga e eu fiz jornalismo científico. Trabalho nessa interface, que é a que eu sempre procurei, de ciência tomada de decisão, escrevendo policy briefs. [música]  Mayra: Acho que esse é um ponto forte para tratarmos aqui, que vai ser o nosso encerramento, falar um pouco da importância desses veículos independentes na COP, tanto do ponto de vista de expandir a cobertura como um todo, da presença mesmo de um grande número de jornalistas, quanto das coberturas especializadas. Então, eu queria saber qual é a avaliação que vocês fizeram disso, se vocês acham que funcionou, porque a gente teve muita crítica com relação à hospedagem, isso e aquilo. Então, ainda tivemos um sucesso de cobertura de imprensa na COP? Isso é uma pergunta. E por que é importante o papel desses veículos independentes de cobertura? Germana: Eu, falando por nós, da Ressoa Oceano, o Oceano é ainda pouco coberto pela mídia, mas a gente já vê um interesse crescente em relação às questões específicas de oceano, e quem nunca ouviu falar de branqueamento de corais, de aquecimento das águas, elevação do nível do oceano? Enfim, eu acho que essas questões estão entrando, mas são questões que não devem interessar apenas o jornalista especializado, que cobre meio ambiente, que cobre essas questões de mudanças climáticas, mas que são relevantes para qualquer seção do jornal. Então, generalistas, por exemplo, que cobrem cidades, essa questão das mudanças climáticas, de impactos etc., precisam se interessar em relação a isso.  Então, o que eu vejo, a gente ainda não fez uma análise total de como os grandes veículos cobriram em relação ao jornalismo independente, que é algo que a gente está terminando de fazer ainda, mas em relação ao oceano. Mas o que a gente vê é que as questões mais políticas, e a grande mídia está mais interessada em que acordo foi fechado, os documentos finais da COP, se deu certo ou não, o incêndio que aconteceu, se está caro ou não está caro, hospedagem etc., e que são pautas que acabam sendo reproduzidas, o interesse é quase o mesmo por vários veículos. O jornalismo independente traz esse olhar, que a Sabine estava falando, inclusive dos nossos alunos, que são olhares específicos e muito relevantes que nos ajudam a entender outras camadas, inclusive de debates, discussões e acordos que estavam ocorrendo na COP30. Então, a gente vê, do ponto de vista quase oficial da impressão geral que as pessoas têm da COP, que foi um desastre no final, porque o petróleo não apareceu nos documentos finais, na declaração de Belém, por exemplo, que acho que várias pessoas leram sobre isso. Mas, quando a gente olha a complexidade de um debate do nível da COP30, e os veículos independentes conseguem mostrar essas camadas, é mostrar que há muitos acordos e iniciativas que não necessitam de acordos consensuais das Nações Unidas, mas foram acordos quase voluntários, paralelos a esse debate oficial, e que foram muito importantes e muito relevantes, e que trouxeram definições que marcaram e que a gente vê com muito otimismo para o avanço mesmo das decisões em relação, por exemplo, ao mapa do caminho, que a gente viu que não estava no documento final, mas que já tem um acordo entre Colômbia e Holanda de hospedar, de ter uma conferência em abril na Colômbia para decidir isso com os países que queiram e estejam prontos para tomar uma decisão. Então, esse é um exemplo de algo que foi paralelo à COP, mas que trouxe muitos avanços e nos mostra outras camadas que o jornalismo independente é capaz de mostrar. Sabine: A cobertura jornalística de um evento como a COP é muito, muito difícil. Para o trabalho do jornalista, é difícil porque são longas horas por dia, de domingo a domingo, são duas semanas seguidas, é muito desgastante, mas, sobretudo, porque é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e é difícil entender para onde você vai. Novamente, ilustrando, na sala de imprensa tem, e todo grande evento com esse caráter costuma ter isso, umas televisões com anúncios. Vai ter tal coletiva de imprensa do presidente da COP, tal horário. Então, nessa perspectiva, dá para se organizar. Eu vou aqui, eu vou ali. Às vezes, é hora de almoço, e, na hora de almoço, o jornalista já vai, sem almoçar, escrever o texto, e, quando vê, já é a noite. Mas você vai se organizando. Só que tem coisas que não estão lá na televisão. Então, por exemplo, passou o governador da Califórnia por lá. Não foi anunciado que ele estava. Ele estava andando no corredor. Para um jornalista de um grande veículo, se ele não viu que o governador da Califórnia estava lá, mas o seu concorrente viu, isso, falo no lugar de quem já trabalhou num veículo jornalístico grande comercial, isso pode levar a uma demissão. Você não pode não ver uma coisa importante. Você não pode perder uma declaração de um chefe de Estado. Você não pode não ver que, de repente, a Marina parou no meio do corredor em um quebra-queixo e falou, a Marina Silva, que estava muito lá circulando, e falou alguma coisa. Então, a cobertura vai muito além do que está lá na programação da sala de imprensa e do que está nos debates, nos pavilhões que a gente mencionava. Então, o jornalista, como a Germana disse, jornalista dos veículos, está correndo atrás disso. E, muitas vezes, por essa característica, acaba se perdendo, entre grandes aspas, nesses acontecimentos. Por exemplo, o que ficou muito marcante para mim na COP foi a declaração do primeiro-ministro da Alemanha, que foi uma declaração desastrosa, mas que tomou pelo menos um dia inteiro da cobertura, porque acompanhei na sala de imprensa os colegas jornalistas tentando repercutir aquela fala. Então, tentando falar com o governo do Brasil, com o presidente da COP, com outros alemães, com a delegação da Alemanha, com o cientista da Alemanha, porque eles precisavam fomentar aquilo e repercutir aquilo. E foi um dia inteiro, pelo menos, um dia inteiro, diria que uns dois dias ou mais, porque até a gente voltar, ainda se falava disso, vai pedir desculpa ou não. Para quem não lembra, foi o primeiro-ministro que falou que ainda bem que a gente saiu daquele lugar, que era Belém, que ele estava com um grupo de jornalistas da Alemanha, que ninguém queria ficar lá. Enfim, um depoimento desastroso que tomou muito tempo de cobertura. Então, os jornalistas independentes não estavam nem aí para a declaração do primeiro-ministro da Alemanha. Eles queriam saber outras coisas.  Então, por isso, reforço a necessidade e a importância da diversidade na cobertura. Mas é importante a gente entender como funciona esse jornalismo comercial, que é uma pressão e é um trabalho brutal e, muitas vezes, de jornalistas que não são especializados em ambiente, que estão lá, a Germana mencionou, na cobertura de cidades e são deslocados para um evento tipo a COP30. Então, é difícil até entender para onde se começa. É um trabalhão. [música]  Mayra: E aí, para encerrar, porque o nosso tempo está acabando, alguma coisa que a gente ainda não falou, que vocês acham que é importante, que vocês pensaram enquanto a gente estava conversando de destacar sobre a participação e a cobertura da COP? Germana: Tem algo que, para mim, marcou na questão da reflexão mesmo de uma conferência como essa para o jornalismo científico ou para os divulgadores científicos. Embora a gente tenha encontrado com vários egressos do Labjor, que me deixou super orgulhosa e cada um fazendo numa missão diferente ali, eu acho que a divulgação científica ainda não acha que um evento como esse merece a cobertura da divulgação científica.  Explico, porque esse é um evento que tem muitos atores sociais. São debates políticos, as ONGs estão lá, os ambientalistas estão lá, o movimento social, jovem, indígena, de comunidades tradicionais, os grandes empresários, a indústria, enfim, prefeitos, governadores, ministros de vários países estão lá. Eu acho que a divulgação científica ainda está muito focada no cientista, na cientista, nas instituições de pesquisa e ensino, e ainda não enxerga essas outras vozes como tão relevantes para o debate científico como a gente vê esses personagens. Então, eu gostaria de ter visto outras pessoas lá, outros influenciadores, outros divulgadores, ainda mais porque foi no Brasil, na nossa casa, com um tema tão importante no meio da Amazônia, que as mudanças climáticas estão muito centradas na floresta ainda. Então, isso, eu tenho um estranhamento ainda e talvez um pedido de chamar atenção para os meus colegas divulgadores de ciência de que está na hora de olharmos para incluir outras vozes, outras formas de conhecimento. E as mudanças climáticas e outras questões tão complexas exigem uma complexidade no debate, que vai muito além do meio científico. Sabine: Não tinha pensado nisso, mas concordo totalmente com a Germana. Eu realmente não… senti a ausência. Eu estava falando sobre as ausências. Senti a ausência dos divulgadores de ciência produzindo informação sobre algo que não necessariamente é o resultado de um paper, mas sobre algo que estava sendo discutido lá. Mas eu voltei da COP com uma reflexão que é quase num sentido diferente do que a Germana trouxe, que a Germana falou agora dos divulgadores de ciência, que é um nicho bem específico. E eu voltei muito pensando que não dá para nós, no jornalismo, encaixar uma COP ou um assunto de mudanças climáticas em uma caixinha só, em uma caixinha ambiental. E isso não estou falando, tenho que dar os devidos créditos. Eu participei de um debate ouvindo Eliane Brum em que, novamente a cito aqui no podcast, em que ela disse assim que a Sumaúma não tem editorias jornalísticas, como o jornalismo tradicional, porque isso foi uma invenção do jornalismo tradicional que é cartesiano. Então tem a editoria de ambiente, a editoria de política, a editoria de economia. E que ela, ao criar a Sumaúma, se despiu dessas editorias e ela fala de questões ambientais, ponto, de uma maneira investigativa, que passam por ciência, passam por ambiente, passam por política, passam por cidade, passam por tudo. E aí eu fiquei pensando muito nisso, no quanto a gente, jornalismo, não está preparado para esse tipo de cobertura, porque a gente segue no jornalismo tradicional colocando os temas em caixinhas e isso não dá conta de um tema como esse. Então a minha reflexão foi muito no sentido de a gente precisar sair dessas caixinhas para a gente conseguir reportar o que está acontecendo no jornalismo. E precisa juntar forças, ou seja, sair do excesso de especialização, do excesso de entrevista política, eu só entrevisto cientista. Mas eu só entrevisto cientista, não falo com política e vice-versa, que o jornalismo fica nessas caixinhas. E acho que a gente precisa mudar completamente o jeito que a gente produz informação. [música]  Mayra: Isso, muito bom, gostei muito, queria agradecer a presença de vocês no Oxigênio nesse episódio, agradecer a disponibilidade para conversar sobre a COP, eu tenho achado muito legal conversar com vocês sobre isso, tem sido muito interessante mesmo, espero que vocês tenham gostado também desse episódio especial com as pesquisadoras aqui sobre a COP e é isso, até a próxima! Sabine: Uma honra! Germana: Obrigada, Mayra, e obrigada a quem estiver nos ouvindo, um prazer! Mayra: Obrigada, gente, até mais!  [música]  Mayra: Esse episódio foi gravado e editado por mim, Mayra Trinca, como parte dos trabalhos da Bolsa Mídia Ciência com o apoio da FAPESP. O Oxigênio também conta com o apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp. A trilha sonora é do Freesound e da Blue Dot Sessions. [vinheta de encerramento] 

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas
Catarina Oliveira (parte 1): “Desde que estou numa cadeira de rodas dedico-me a falar do elefante na sala, que é a deficiência, com humor”

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas

Play Episode Listen Later Dec 5, 2025 61:44


Nas redes sociais é conhecida por ‘Espécie Rara Sobre Rodas’ e, com humor e olhar crítico, chega ao ‘mainstream’ a desconstruir preconceitos e a revelar os obstáculos que tantas pessoas enfrentam por se deslocarem numa cadeira de rodas. A sua vida mudou aos 26 anos quando sofreu uma infecção na medula e deixou de andar. Atualmente é consultora, oradora e criadora de conteúdos, além de nutricionista e mãe de Kai, um bebé de 5 meses. E todos os dias, à sua maneira, tenta que a sua voz abra portas, endireite rampas e faça com que a deficiência deixe de ser o elefante na sala. Ouçam-na nesta conversa em podcast com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Portuguese For Listening With Eli And Friends
Episode 266: Little "Ways" to Get Ahead

Portuguese For Listening With Eli And Friends

Play Episode Listen Later Dec 4, 2025 50:41


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Eavesdrop Radio
Episode 716: Eavesdrop Podcast #719

Eavesdrop Radio

Play Episode Listen Later Nov 22, 2025 180:51


Brian Jackson, Masters At Work - The Bottle (12" Version)Land of Echo - What We Want feat. Kathy Diamond (Delfonic Remix)Drama On the Corner - Orixa [WheelUP Remix]Jazzanova - Fedime's FlightAntibalas - La CeibaDa Lata - Messing AgainLeon Thomas - Lone Wolf (feat. 4Batz)Roy Ayers - Everybody DUBS The Sunshine (Shall I Bruk It edit)Tall Black Guy x Jaszy Shavers Feat. C-Red - For YouTheo Croker & Sullivan Fortner - Light RemainsVisioneers - Smilin' Billy SuiteAdrian Younge - Spiraling (feat. Bilal)The Olympians - CaliforniaEthel Lindsey - Hold OnYarni - Natural Light ft. Franz Von & Jeff Darko Lord Jah-Monte Ogbon - I'm Signed to Lex Now I'm Up Silent Knight & Pat Van Dyke - Joy to YouTame Impala - LoserYukimi - Stream of Consciousness (feat Lianne La Havas)Alfa Mist - Between LivesMura Masa - HandsupBreakfast Triple - Jocelyn Brown - Somebody Else's Guy (Breakfast Triple Remix)Candice Hoyes ft. Casey Benjamin and Keyon Harrold - RainOliver Night - The City feat. Jay PhelpsCharles Webster & Daev Martian & Sio - Film MeTheARTI$T - GhostThundercat - I Wish I Didn't Waste Your TimeEl Michels Affair - ShiningLance Ferguson  - LosalamitoslatinfunklovesongCoco Fulo de Arcoverde - Terreiro Sem Cerca Sotomayor - PorvenirToba - Make Your Mind Up (Marc Meistro Edit)Glenn Echo & Daniel Meinecke - I Need Somebody To Love TonightKAYTRANADA - HOMERoy Ayers - Green and Gold (Delfonic Rework)Alexander IV - This Won't Do feat. CézanneLadi6 - AlofaAnushka - Wanna DanceTall Black Guy Productions - Movement AirborneRETI - Party People (Going Home)Elvin T - describe musicFatspoon - Domingo Não Estou (feat. Helena Neto)Recloose featuring Joe Dukie - Dust (Aroop Roy Extended Remix)

Inteligência para a sua vida
#1432: ME ENTREGO DEMAIS E SOFRO - ONDE ESTOU ERRANDO?

Inteligência para a sua vida

Play Episode Listen Later Nov 18, 2025 11:34


Cansado de se ENTREGAR DEMAIS, fazer o seu melhor e nunca ser correspondido? Se você se frustra recorrentemente e não consegue mudar, este vídeo é para você!

Endörfina com Michel Bögli
#438 Alexandre Ribeiro e Luigi Caputo

Endörfina com Michel Bögli

Play Episode Listen Later Nov 13, 2025 128:58


Ele é filho do casal Cristina de Carvalho e José Caputo, portanto, nasceu em meio ao esporte, às competições e à natureza. Sua base esportiva foi formada no Acampamento de Aventura, criado pela mãe, que se tornou uma lenda do triathlon brasileiro e referência nas corridas de aventura e de montanha nos anos 1990 e 2000. Foi ali, em meio à natureza, entre serras, trilhas e rios, que ele cresceu cercado de movimento, aprendendo desde muito jovem o valor do esporte e da vida ao ar livre. Quando criança, praticou natação, judô, jiu-jítsu e surfe. Sonhava ser atleta profissional, talvez um skatista, talvez um mountain biker. Aos 12 anos, participou da sua primeira competição de mountain bike e foi vice-campeão sub-18. Aos 16, venceu sua primeira prova de triathlon, o XTerra em Ilhabela, e depois o XTerra Brasil. Aos poucos, a vontade de explorar seus limites foi ganhando força e, inspirado pelas histórias que sempre ouviu sobre a mãe, passou a se dedicar com mais seriedade aos treinos. Em 2023, repetiu a vitória no XTerra Ilhabela e venceu a Epic Race, competição de mountain bike. No ano seguinte, 2024, foi vice-campeão do XTerra em Quebec (Canadá) e do XTerra Brasil, campeão do Kailash Multisport Festival e do duathlon do Rocky Mountain Games, além de ter participado do El Cruce de Los Andes ao lado do pai. Estou falando do instrutor de mountain bike, socorrista de áreas remotas, monitor no Acampamento de Aventura, educador físico em formação e multiatleta que, neste ano, venceu a Kailash Trail Run em Campos do Jordão e o Rocky Mountain Games em Atibaia, o paulistano Luigi Carvalho Caputo. Ao lado dele, uma verdadeira lenda do triathlon mundial. Um atleta que, aos 10 anos, participou de sua primeira corrida de 10 quilômetros; três anos depois, já completava meias maratonas e, aos 15, correu duas maratonas. Aos 16, leu sobre a participação de três brasileiros no Ironman do Havaí e ficou fascinado com a prova. Começou a treinar e participou das duas primeiras provas de triathlon no Brasil, em 1983. No ano seguinte, passou alguns meses se preparando nos Estados Unidos e chegou a Kona, para disputar o Ironman de 1984 como o atleta mais jovem. Aquela experiência foi transformadora e, a partir dali, o triathlon se tornaria seu estilo de vida. O Havaí seria o cenário de suas maiores conquistas. Das mais de 50 provas de Ironman das quais participou, 12 foram no Mundial de Kona. Em 1993, registrou o então recorde brasileiro do Ironman do Havaí, com o tempo de 8h49min15s. Uma década depois, venceu pela primeira vez o Ultraman do Havaí — feito que repetiria outras cinco vezes. Conosco aqui, pela segunda vez, o triatleta pioneiro que é hexa campeão mundial de Ultraman, recordista do RAAM na categoria duplas em 2000, o primeiro brasileiro a vencer a ultramaratona El Cruce de Los Andes ao lado de Cristina de Carvalho, idealizador e criador do UB515, educador físico, diretor técnico do Núcleo Aventura, mentor de uma infinidade de atletas e símbolo maior da resiliência humana, o cara mais simpático e querido do triathlon brasileiro, o curitibano Alexandre de Carvalho Ribeiro. Inspire-se! Um oferecimento @oakleybr  e @2peaksbikes A 2 Peaks Bikes é a importadora e distribuidora oficial no Brasil da Factor Bikes, Santa Cruz Bikes e de diversas outras marcas e conta com três lojas: Rio de Janeiro, São Paulo e Los Angeles. Lá, ninguém vende o que não conhece: todo produto é testado por quem realmente pedala.  A 2 Peaks Bikes foi pensada e criada para resolver os desafios de quem leva o pedal a sério — seja no asfalto, na terra ou na trilha. Mas também acolhe o ciclista urbano, o iniciante e até a criança que está começando a brincar de pedalar. Para a 2 Peaks, todo ciclista é bem-vindo.  Conheça a 2 Peaks Bikes, distribuidora oficial da Factor, da Santa Cruz e da Yeti no Brasil. @2peaksbikesla SIGA e COMPARTILHE o Endörfina no Youtube ou através do seu app preferido de podcasts. Contribua também com este projeto através do Apoia.se.        

Rádio Comercial - Momentos da Manhã
Estou física e mentalmente empenado.

Rádio Comercial - Momentos da Manhã

Play Episode Listen Later Nov 11, 2025 4:04


Aniversários, brinquedos, mazelas, cadeiras e livros.

Portuguese For Listening With Eli And Friends
Episode 265: A "lovable" crook

Portuguese For Listening With Eli And Friends

Play Episode Listen Later Nov 2, 2025 51:35


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