POPULARITY
Au programme de l'émission du 13 mai : avec Sabine Zovighian, réalisatrice sonore, et Michael Liot, musicien (rediffusion) Pour commencer l'émission, éclairage sur les raisons de la grève des bibliothèques de la Ville de Paris la semaine dernière.▪️▪️▪️▪️Lire l'article d'Actualitté À FLEUR D'OREILLES - chronique de Laura Cattabianchi - c'est à 10 min✅Pour ce sixième épisode du projet mené cette année par Laura autour des sons de papier à l'Institut D'Education Sensorielle jeunes déficients visuels à Paris, les jeunes ont interviewé leur éducatrice Bénédicte. Elle a évoqué le son qu'elle aime et celui qu'elle n'aime pas ; puis, avec une feuille de papier qu'elle a choisi de chiffonner, elle a imaginé le début d'une histoire à partir du son produit..▪️▪️▪️▪️Site de l'IDESSPECTACLE - chronique de Véronique Soulé - c'est à 18 min✅Jean-Chat voit dans le noir est d'abord une histoire écrite et racontée par Sabine Zovighian sur un podcast en écoute depuis 2024 sur le site de Arte Radio. C'est aussi un album, illustré par Nathaniel H'limi (L'école des loisirs, 2024), et depuis la rentrée dernière, c'est également un spectacle. Un soir, un petit garçon part dans la ville à la recherche de son chat bien-aimé qui a disparu. Pour le retrouver il lui faudra apprendre à voir dans le noir et monter sur les toits de la ville.On retrouve dans le spectacle, une fiction sonore et dessinée, ce qui fait l'originalité du podcast : Sabine Zovighian raconte et bruite, en dialogue constant avec Grégoire Terrier derrière ses synthés et sa guitare, qui mêle compositions électro-acoustiques, sons doux et feutrés, bruitages, voix d'Hector, et une musique un rien mélancolique qui sied bien à la nuit, à la poésie et l'humour de l'histoire. Mais dimension supplémentaire, l'illustrateur Nathaniel H'limi, réalise en direct les dessins, projetés sur grand écran, dans une palette de bleus, de gris et de noirs.Dans ce spectacle doux et poétique, Sabine Zovighian sait drôlement bien capter l'attention et l'écoute des enfants, dès 3 ou 4 ans, par des sollicitations discrètes et des ruptures de rythme, tout comme le font l'image en train de s'esquisser sous leurs yeux, les bruitages, la musique, la chanson de Michael Liot qui revient en ritournelle. Tout l'imaginaire des enfants est en éveil !La dernière de la saison en région parisienne : mercredi prochain, 11 h, au théâtre de Vitry-sur-Seine. Dates de la prochaine saison à guetter sur le site de L'Armada productions.▪️▪️▪️▪️Site de L'Amarda Productions▪️▪️▪️▪️Site du théâtre Jean Vilar de Vitry-sur-SeinePODCAST - interview de Sabine Zovighian et Michael Liot (rediffusion) - c'est à 27 min✅ Sabine Zovighian est autrice et réalisatrice sonore de nombreuses fictions radiophoniques, en particulier jeunesse, pour Arte Radio d'abord, et depuis peu pour Radio France. L'année dernière, en avril, elle a adapté et réalisé, avec le musicien et compositeur Michael Liot, Les Malheurs de Sophie, qu'on a pu écouter sur les ondes de France Culture et disponible en podcast sur le site de Radio France. Une formidable comédie musicale, en 5 épisodes, qui dépoussière sacrément le roman de la comtesse.
O Festival Off Avignon é “uma festa popular que dura há 60 anos” conta Laurent Domingos, co-presidente deste evento paralelo ao Festival de Avignon. Todos os anos milhares de pessoas rumam a Avignon e dividem o tempo entre o “In” e o “Off”. O “In” é o festival de teatro criado por Jean Vilar há 79 anos e actualmente dirigido pelo português Tiago Rodrigues, com uma programação selecionada e financiada. O Off é o mais espontâneo, com mais de 1.400 companhias espalhadas por 141 teatros e para as quais a oportunidade de encontrar programadores pesa mais do que o risco financeiro. Neste programa, Laurent Domingos fala-nos sobre a história, as esperanças, as oportunidades e as dificuldades do Off Avignon que descreve como “uma excepção no mundo”. Todos os verões, os dois festivais, o IN e o Off, como são conhecidos pelo público, transformam Avignon no epicentro do teatro e das artes performativas. Este ano, a romaria cultural decorre de 4 a 25 de Julho. Neste programa falamos apenas do Off (sobre o In, pode ouvir a entrevista a Tiago Rodrigues que difundimos a 9 de Abril). No total, o Festival Off Avignon vai ter 1.432 companhias, 7.000 artistas, 600 técnicos, 1.514 espectáculos e 27.000representações em 141 teatros e 248 salas. A grande maioria das companhias é francesa, mas também há estruturas vindas de cerca de 30 países. Avignon é a vitrina do teatro para o mundo e uma oportunidade para seduzir programadores, mas é também um grande risco financeiro, reconhece Laurent Domingos. Os desafios são muitos e este ano há menos verbas públicas, adverte o também encenador e actor com raízes portuguesas, que também lembra que “criar é cada vez mais um acto de resistência”. Esta edição marca um aniversário redondo de “uma festa que dura há 60 anos” e que “é um sopro de ar fresco num mundo muito duro e que não dá grande espaço à poesia”, acrescenta Laurent Domingos, resumindo esta “festa popular” em torno do teatro como “uma excepção no mundo”. RFI: Qual a diferença entre o Festival de Avignon e o Festival Off Avignon? Laurent Domingos: co-presidente do Festival Off Avignon: “O Festival Off de Avignon é um festival criado pelos próprios artistas e pelos teatros. Não é um festival organizado por um organismo público e que tem um director que escolhe as peças. Tiago Rodrigues, o director do Festival de Avignon, o chamado IN, escolhe as peças, promove a criação de algumas e produz todos os espectáculos. No Festival Off Avignon, temos 140 teatros, 250 salas e 1.500 companhias, estas pessoas organizam-se para criar um festival e nós supervisionamos, acompanhamos todos estes artistas e todos estes teatros para que, no final, haja uma organização de festival. Ou seja, nós organizamos, mas cada um produz os espectáculos que quer produzir. A diferença é que o nosso festival também é muito maior em termos do número de espectáculos e do número de artistas envolvidos e enche toda a cidade de Avignon.” Todas estas salas ocupadas pelo Festival Off Avignon no verão existem ao longo do ano? “Durante o ano, a maioria das salas tem condições para ser aberta porque tem os assentos, o palco, mas elas abrem para o que chamamos de residências, ou seja, ensaios de artistas porque não há público suficiente durante o inverno para encher 140 teatros. Em contrapartida, existem alguns espaços, digamos uma dezena, que abrem durante o ano mas não de forma permanente. A ambição da AF&C [Avignon Off & Compagnies] e da cidade de Avignon é incentivar estes espaços a abrirem durante todo o ano, talvez até para acolher um festival ou eventos durante o inverno, e aumentar o número de ensaios e residências ao longo do ano.” Como é que as companhias, muitas vezes pequenas, conseguem financiar-se para estar no festival? “Na verdade, é muito caro para uma companhia vir ao Festival Off de Avignon. É um risco muito grande para a companhia. Há muitas companhias que não sobrevivem se não correr bem em Avignon. Portanto, é um risco muito grande porque envolve uma enorme quantidade de dinheiro. Por exemplo, no meu caso, para um espectáculo com cinco pessoas em palco e dois técnicos, estamos a falar de um investimento muito próximo dos 60.000 euros. Ou seja, 60.000 euros por um mês e esperamos que a venda de bilhetes ajude... Portanto, é muito complicado.” As receitas de bilheteira não cobrem? “Exactamente. Quando as companhias vêm a Avignon é para venderem o seu espectáculo a programadores que depois o levem em digressão durante o ano. É isso que se procura. As companhias não vão apenas para actuar no festival, vão apresentar o seu espectáculo a profissionais que o vão comprar. Mas se não conseguirem essa digressão, é um fracasso. Este ano é ainda mais complicado porque o Ministério da Cultura francês fez cortes? Bem, desde logo há uma verdadeira crise na distribuição em França porque há um número enorme de espectáculos que querem fazer digressões, mas muito poucos conseguem. Além disso, o financiamento público está a diminuir cada vez mais. Este ano, havia um financiamento público que ajudava as companhias e os artistas que era o FONPEPS [fundo nfrancês para o emprego na área do espectáculo] e que foi reduzido, o que vai pôr em risco muitas das companhias.” Como é que as pequenas companhias conseguem financiar o alojamento em Avignon? “É complicado. Tentam encontrar financiamento, fazem empréstimos. É realmente muito complicado. O alojamento é um pesadelo em Avignon porque os preços são muito inflacionados a cada ano. Não existe regulamentação, é apenas oferta e procura. Existem hotéis que são a 100 euros por noite e passam a 300 euros durante o festival. Em suma, o alojamento durante o festival tornou-se uma loucura.” O que seria preciso fazer? “Em França, penso que é possível, a nível do governo civil, congelar as rendas, mas é complicado. É uma questão política porque isso trava os rendimentos das pessoas que são eleitores. O problema é que todos querem estar dentro das muralhas de Avignon, um centro pequeno, mas existem muitas cidades à volta. É preciso trabalhar nos transportes públicos, nos autocarros, comboios, mobilidade gratuita. A SNCF [companhia francesa dos caminhos-de-ferro] nem nos ajuda muito nesse sentido, mas é preciso tentar trabalhar com a Região para facilitar o acesso de quem não vive perto.” No editorial deste ano, vocês escrevem que “o festival é um acto”, nomeadamente de “resistência, criação e liberdade”. Porquê? “Criar está a tornar-se um acto de resistência - em França, talvez menos do que noutros lugares porque aqui ainda temos poderes políticos que nos ajudam a nível local ou nacional. Mas criar está a tornar-se um acto de resistência porque é cada vez mais difícil para os artistas expressarem-se. Há cada vez menos financiamento. Há cada vez mais autarcas que, em algumas cidades, recusam determinados espectáculos porque não estão alinhados com eles e, de certa forma, censuram espectáculos. Há muita censura e muitas dificuldades para criar espectáculos. Criar significa enfrentar todas estas dificuldades e resistir. A cultura sempre resistiu ao longo da história, mas com diferentes graus de dificuldade e agora estamos numa fase muito complicada num mundo onde as pessoas se fecham, onde há muitas culturas que se opõem, muitas guerras, muitos problemas de poder de compra, pessoas que não se conseguem alimentar, pagar as contas. Neste contexto, montar espectáculos é complicado.” Esta edição marca os 60 anos do Festival Off Avignon. O que representa e há temas em destaque? “Sessenta anos representa uma imensa vontade de viver e de sobreviver dos artistas e uma riqueza da criação francesa. É impressionante que há 60 anos haja milhares de artistas a criar espectáculos populares para todos. É uma excepção no mundo, aliás não existe outro festival como este no mundo. Fala-se sempre no Festival Fringe de Edimburgo que é um grande festival, são 3.500 espectáculos, mas se contarmos o número de actuações, não sei se não somos um dos maiores. É uma fonte de esperança porque vemos que as gerações mais jovens, as companhias mais jovens, estão a assumir o legado e vão continuar esta tradição. O Off tem um lado muito popular. Os artistas distribuem panfletos, desfilam pelas ruas. É uma festa que dura há 60 anos, é um sopro de ar fresco num mundo muito duro e que não dá grande espaço à poesia. Vivemos num mundo muito prosaico e que não é poético.” O Laurent Domingos tem origens portuguesas...Que ligação tem com essas raízes? “Sim, mas infelizmente não falo muito bem português. O meu pai é português, fui criado pelo meu avô português... Não digo que o português tenha sido a minha língua materna, mas os meus avós não falavam francês... Volto lá regularmente. Sou do sul de Portugal, sou do Algarve, de Vilarinhos que fica em São Brás de Alportel. Lembro-me ter visto, nas ruelas de Lisboa, muitos concertos de fado nos pequenos restaurantes. Desde pequeno, vivi de perto esta coisa popular dos espectáculos. O meu avô tinha um jardim grande e toda a gente ia lá comer, lembro-me do grão-de-bico com toucinho, lembro-me das sardinhas grelhadas. E havia esta coisa muito popular, com as pessoas reunidas, em que alguém se punha a cantar, com uma guitarra. Esta coisa da festa popular foi algo que me ficou e - não digo que tenha sido por isso - mas há algo que está ligado a esta coisa popular do Festival Off. Há muito poucas companhias portuguesas no Off. Deveria haver mais, lembro que o festival ajuda as companhias estrangeiras e as portuguesas podem tentar... Fiquei extremamente contente de ver o Tiago Rodrigues a tornar-se director do Festival de Avignon, o IN. Por vezes fazemos alusões a Portugal e é bastante curioso ver que na mesma cidade há um co-presidente de um festival e um director de um festival que são ambos portugueses.”
Entre 4 e 25 de julho, o sul da França volta a se transformar em um dos principais epicentros das artes cênicas do mundo com a 80ª edição do Festival de Avignon, sob a direção do português Tiago Rodrigues. À frente do evento desde 2023, ele propõe um método: "fazer perguntas", "sustentar dúvidas" e "recusar respostas fáceis" num tempo de "discursos violentos". É também o retorno de Wagner Moura aos palcos, um reencontro com o teatro que acontece no maior festival do gênero no mundo. A imagem escolhida para o cartaz oficial desta edição do Festival de Avignon sintetiza a intenção de Tiago Rodrigues: um enorme ponto de interrogação. Tiago Rodrigues explica que “o questionamento foi uma forma bastante livre de nós darmos um tema a este festival, de relembrarmos o público que este festival faz muito trabalho sobre a sua história, sobre o seu arquivo, ao chegar à 80ª edição, queria estar muito concentrado também no presente e no futuro, e perguntar, agora, o que é que vamos fazer nos próximos 80 anos de festival? Essa é uma das perguntas que nos interessa”. A proposta, segundo ele, não é retrospectiva, mas prospectiva, um deslocamento do olhar para o que ainda pode ser construído. Esse gesto se desdobra na própria definição do papel do festival. Para Rodrigues, trata-se de “fazer perguntas juntos, mas fazer perguntas através da arte”, lembrando que “é isso que o festival faz há 80 edições e queríamos relembrar-nos nós, os artistas, mas também o público, que é isso que nós fazemos aqui num mundo onde estamos cheios de más respostas, poucas respostas, mas más na maioria dos casos, respostas violentas, respostas simplistas, respostas pouco informadas”. Leia tambémDezenas de igrejas se convertem em teatros na 'Cidade dos Papas' durante o Festival de Avignon Nesse contexto, o festival se coloca como espaço de fricção e elaboração coletiva, onde “queremos colocar as boas perguntas, perguntas às vezes complexas, perguntas também com prazer, perguntas com dúvida, perguntas que permitam o debate em vez de respostas que criam a violência”, já que, segundo ele, “as artes podem ter esta função e certamente um festival onde vêm pessoas do mundo inteiro e se reúnem numa cidade que dobra a sua população no momento do festival para acolher o mundo inteiro que a visita. Esse é o momento em que podemos fazer perguntas juntos”. Leia tambémWagner Moura estreia em maior encontro de artes cênicas do mundo ao lado de destaques da cena brasileira A dimensão política dessa proposta se articula também a uma reflexão sobre o acesso à cultura. Rodrigues afirma que “o acesso democrático às artes não é um exercício populista, uma flor que se põe na lapela nos dias de festa. É um trabalho quotidiano que deve permitir o acesso fácil à criação exigente, criação de grande qualidade, feita em liberdade e à qual todas e todos devem ter acesso”. E conclui: “se fosse fácil, não era um serviço público, é um serviço público, a cultura, porque não é fácil de fazer. É preciso tempo, é preciso investimento e é preciso sonhar”. É nesse cenário que a presença brasileira ganha centralidade nesta edição histórica. Entre os destaques está a diretora e dramaturga Christiane Jatahy, que retorna ao festival com um novo trabalho - Um Julgamento - Depois de O Inimigo do Povo - ao lado do ator Wagner Moura, com texto de Jatahy, Moura e Lucas Paraizo, marcando também o retorno do ator ao teatro, após 16 anos dedicados ao cinema e à televisão, período em que se tornou uma das figuras brasileiras de maior projeção internacional. Ao comentar o retorno de Jatahy ao festival, Rodrigues sublinhou a relação de longa data entre a artista e Avignon, bem como a força do novo projeto que ela apresenta ao lado de Wagner Moura. Segundo ele, “Christiane Jatahy é já uma artista muito amada pelo público do festival, muito conhecida em França, uma encenadora que também é muito conhecida do público lusófono, seja no Brasil, seja em Portugal, e que tem marcado as cenas europeias nos últimos anos com as suas adaptações do repertório”. Rodrigues destaca ainda o caráter inédito da parceria artística apresentada nesta edição: “desta vez, pela primeira vez, trabalha com Wagner Moura, que decide voltar ao teatro 16 anos depois. Ele tem vivido a sua aventura cinematográfica e televisiva e neste momento é talvez o ator brasileiro mais conhecido no mundo”. Para o diretor, o reencontro de Moura com o palco tem um peso simbólico particular, sobretudo pela forma como se articula com o trabalho da encenadora brasileira. Sobre o projeto, Rodrigues reforça a dimensão de retorno ao essencial do ofício do ator: “é muito comovente ver Wagner Moura a regressar ao teatro com essa vontade de quem regressa à essência do trabalho de ator”. De volta ao festival Jatahy descreve esse retorno a Avignon como profundamente significativo, especialmente por ocorrer sob a direção de Rodrigues. Ela afirma que “é muito importante, muito legal pra mim e muito significativo estar voltando para Avignon agora sob a direção do Tiago Rodrigues, que é um artista que eu tenho muita relação, um amigo e alguém que eu respeito muito, e eu fico muito feliz de estar dentro da programação criada por ele e pela Magda [Bizarro, mulher do diretor e co-fundadora, a seu lado, da Cia Mundo Perfeito]”. Para a diretora, o contexto atual amplia ainda mais o alcance simbólico de sua participação, já que “essa volta está conectada também à união de três festivais, o Festival de Avignon, o Festival de Edimburgo e o Holland Festival, que escolheram este ano uma artista, um trabalho para apoiar e para juntar forças para que esse trabalho possa ter sido realizado”. Leia tambémTeatro: Christiane Jatahy revisita fantasmagorias de 'Hamlet' em Paris com seu maquinário de revolução e desejo No centro da criação está o reencontro artístico com Wagner Moura, que, segundo ela, carrega uma longa expectativa compartilhada: “vem também com uma outra parceria muito significativa com ele, que é um ator com quem eu tenho uma relação de muito tempo e é muito tempo que a gente deseja fazer um trabalho juntos”. O projeto nasce dessa convergência, como ela define, “é um trabalho muito sobre o nosso encontro e sobre as coisas que a gente tem vontade de falar”. A peça, que se estrutura em torno da ideia de julgamento e da "crise contemporânea da verdade", parte de uma inquietação contemporânea sobre verdade e política. Jatahy explica que “a gente entra na questão do julgamento, a gente leu muitas coisas, a gente pensou muitas coisas, e para mim sempre é muito importante que o trabalho esteja numa reflexão, numa conexão, lançando perguntas sobre o que a gente está vivendo hoje”. Ela acrescenta que “claro que é sempre um aspecto íntimo e pessoal, mas também é político, porque não tem como separar uma coisa da outra”, situando o trabalho num campo em que a criação artística se confunde com a leitura crítica do presente. Essa dimensão se radicaliza na própria estrutura dramatúrgica da peça, que se relaciona diretamente com a obra “O Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen. Jatahy descreve o projeto como “um desdobramento de O Inimigo do Povo, uma possibilidade de continuidade dessa peça”, como se o personagem Thomas Stockmann “fosse à cena, fosse ao teatro, pedir a possibilidade de ter a sua defesa e de ter a sua reparação, e essa decisão vai caber ao público”. Nesse movimento, a obra transforma o espectador em instância de julgamento, deslocando o eixo tradicional da representação teatral. Leia tambémFestival de Avignon: 'A Noiva e o Boa Noite Cinderela', ou como explodir no próprio corpo as fronteiras do teatro A outra grande presença brasileira no festival é a artista e encenadora Carolina Bianchi, que retorna a Avignon após sua revelação em 2023. Agora, ela apresenta o terceiro capítulo de sua trilogia “Cadela Força”, intitulado “Uma Luz Cordial”, além de propor uma maratona que reúne os três trabalhos em sequência. Diretora brasileira lançada pelo festival volta a Avignon Ao lado desse reencontro, o diretor Tiago Rodrigues também destacou o percurso de Carolina Bianchi, que regressa a Avignon após o impacto de sua participação em 2023. Rodrigues relembra a presença e o desdobramento internacional da artista: “o que aconteceu a seguir é do conhecimento geral, Carolina Bianchi depois desse espetáculo ganha o Leão de Prata da Bienal de Veneza, torna-se uma artista que faz todas as cenas europeias e mundiais, é revelada por esse festival”. Sobre o novo projeto apresentado no festival, o diretor destaca a ambição dramatúrgica da artista brasileira: “ela sonhava fazer uma trilogia com três espetáculos consagrados à questão da violência, sobretudo da violência contra as mulheres”. Bianchi define esse retorno como o fechamento de um ciclo longo de investigação: “é muito, muito emocionante estar voltando para Avignon, sobretudo encerrando a trilogia, chegando em julho para estrear o último capítulo desse grande ciclo, que tomou muitos anos de trabalho, de estudos e de investigação”. Ela descreve a estrutura do projeto como algo em constante expansão, no qual “são três peças independentes, mas que são atravessadas por perguntas que vão se acumulando, que vão se borrando, que vão se confundindo, voltando, gerando novas questões”, configurando um campo de criação em que as fronteiras entre obras se tornam porosas. O novo capítulo, explica ela, desloca o foco para o próprio ato de escrever. “Uma Luz Cordial é uma peça sobretudo sobre a escrita, sobre esse lugar de onde a gente escreve”, afirma, acrescentando que se trata de um trabalho que poderia inclusive anteceder os demais, pois “é uma peça que fala sobre essa escritura, esse escrever que vem com toda essa carga, com o peso de todos esses assuntos, tentando dar forma a todos esses enigmas”. Nesse ponto, emerge o núcleo mais radical de sua proposta: a escrita como zona de violência e desorganização. Bianchi afirma que “essa violência da última peça é uma violência da escritura, da literatura, um encontro dessa violência da literatura que não tem os mesmos limites da violência do teatro”. Nesse processo, entram em cena as vozes de outras autoras como forma de desestabilização do próprio eu criador: “aparecem essas escrituras de outras autoras, como Hilda Hilst e Emily Dickinson, como alter egos dentro da minha escritura”, num movimento em que "o sujeito que escreve se fragmenta e se multiplica para seguir criando". Leia tambémTeatro: Destaque brasileiro no Festival de Avignon, Carolina Bianchi traz estupro e feminicídio em cena marcada por 'combate' A trilogia culmina ainda numa experiência de apresentação integral de 10 horas seguidas na Ópera de Avignon, pensada como uma espécie de teste final do próprio projeto. A artista explica que “a ideia é apresentar os três capítulos em sequência, como uma grande maratona”, algo que transforma a obra em uma experiência contínua, na qual “é como se a gente estreasse uma quarta coisa, porque a trilogia não é só assistir aos trabalhos separadamente, mas ver como eles se contaminam entre si”. Leia tambémAvignon: maior festival cênico do mundo abre suas portas com homenagem ao Brasil em mostra paralela O Festival de Avignon 2026 se estrutura como um espaço de cruzamento entre artistas, linguagens e geografias, reunindo 47 espetáculos no programa oficial, o chamado IN, com 300 apresentações ao todo e 30 criações inéditas, o que representa 64% da programação. A edição inclui ainda 80 debates e encontros com 49 artistas de dez países, e pela primeira vez na história do festival a maioria dos artistas do IN é feminina, enquanto 67% dos participantes estreiam no evento. Mais de 136 mil ingressos estão disponíveis. Entre julgamento e escrita, entre democracia e linguagem, entre teatro e performance, Avignon 2026 se desenha como um território de fricção contínua, onde, como sugere sua direção artística, "o essencial não é responder, mas sustentar perguntas". Leia também'Impossível fazer um teatro que não seja humanista': Olivier Py se despede do Festival de Avignon História de encontros e criações Fundado em 1947 por Jean Vilar, o Festival de Avignon, tornou-se, ao longo das décadas, um espaço emblemático para o teatro e as artes cênicas. Desde sua primeira edição, ele é um ponto de encontro artístico que recebe artistas do mundo inteiro e apresenta uma programação ousada e inovadora. Sob a direção de Tiago Rodrigues, o festival reforçou sua abertura internacional, valorizando artistas de diversas culturas e estimulando o intercâmbio cultural. Essa orientação se materializa na valorização de línguas convidadas, como o inglês em 2023, o espanhol em 2024 e o árabe em 2025, além do Brasil como país convidado de honra no ano passado. Ingressos A bilheteria do Festival de Avignon 2026 começa em etapas para acomodar o grande volume de procura e garantir uma experiência de compra mais fluida: a inscrição para reservar um intervalo de compra online abriu em 24 de março, e a venda por faixas de horário acontece de 13 a 18 de abril, com cada comprador recebendo um link e duas horas para efetuar a compra dentro de sua janela específica — esse sistema ajuda a evitar a saturação do site oficial. A partir de 18 de abril, a bilheteria online do Festival de Avignon será aberta sem horário específico e dentro do limite de lugares disponíveis, a partir das 10h no endereço fnacspectacles.com e, em seguida, a partir das 13h no festival-avignon.com. Novos ingressos serão disponibilizados toda quarta-feira, às 10h. Os preços dos ingressos variam conforme o espetáculo, mas tradicionalmente a programação oficial do festival cobra valores entre cerca de €10 e €45 (entre R$ 60 e R$ 270) por apresentação, com categorias distintas de acordo com o tamanho do espetáculo e a localização das poltronas; há também ofertas de tarifas reduzidas, geralmente entre €7 e €25 (entre R$ 41 e R$ 150), para públicos jovens, estudantes, pessoas com menos de 26 anos ou em situação de desemprego, mediante apresentação dos comprovantes exigidos pela organização.
A 80ª edição do Festival de Avignon decorre de 4 a 25 de Julho e tem, no cartaz, um enorme ponto de interrogação para destacar a importância de questionar o mundo através da arte. O tema acabou por surgir "de uma forma bastante livre", conta Tiago Rodrigues, o director do festival, que apresentou, esta quinta-feira, a programação no Théâtre du Rond-Point, em Paris. Foi aí que conversámos com o encenador e dramaturgo português sobre os nomes que preenchem uma edição em que, mais do que nunca, “é imperativo sonhar num mundo onde parecemos cercados por uma tremenda e terrível má notícia a cada dia”. Tiago Rodrigues é o artista português que dirige um dos mais prestigiados festivais de teatro do mundo e que este ano cumpre a 80ª edição. Desta vez, a linha de força de Avignon está estampada no cartaz do evento: de um fundo amarelo solar sobressai um enorme ponto de interrogação. A força das dúvidas e dos questionamentos talvez seja a chave para entrar no espírito de Avignon, a cidade-teatro que abre portas para o mundo durante os dias do festival. Tiago Rodrigues assume que “o questionamento” acabou por se impor como um tema natural desta edição porque todos os espectáculos e eventos programados deixam no ar perguntas que são antídotos contra as “respostas simplistas” que “criam a violência” dos tempos que correm. O encenador e dramaturgo sublinha que juntar pessoas no mesmo espaço para fazerem perguntas através da arte “é uma coisa absolutamente essencial e cheia de futuro”. Talvez por isso, o teatro é hoje ainda mais urgente e “claro que não está em vias de extinção”, avisa. Aos comandos do festival desde 2023 e reconduzido para um segundo mandato até 2030, Tiago Rodrigues alerta que “é imperativo sonhar num mundo onde parecemos cercados por uma tremenda e terrível má notícia a cada dia”, exemplificando com o medo que o assola quando vê artistas como o libanês Ali Chahrour a viver sob bombardeamentos em Beirute. Mas vamos à programação do festival, que divulgámos esta quarta-feira depois da apresentação no espaço La FabricA, em Avignon. Um dia depois, Tiago Rodrigues foi ao Théâtre du Rond-Point, em Paris, para a conferência de imprensa do lançamento desta edição e a RFI teve a oportunidade de falar com ele. Começámos por abordar os nomes lusófonos e o director do festival apontou, desde logo, a artista brasileira Carolina Bianchi como “a grande revelação nos últimos anos no teatro mundial”, lembrando que ela foi a grande aposta de Avignon em 2023 (o primeiro ano programado por Tiago Rodrigues). A encenadora, actriz e escritora vai estrear em Avignon o terceiro capítulo da trilogia "Cadela Força", três anos depois de ali ter apresentado o primeiro capítulo, “A Noiva e o Boa Noite Cinderela”, que ganhou o Leão de Prata da Bienal de Veneza. Por outro lado, haverá dois dias de maratona teatral de 10 horas em que as três peças poderão ser vistas de seguida: “A Noiva e o Boa Noite Cinderela”, “The Brotherhood” e “Uma Luz Cordial”. Sobre os também brasileiros Christiane Jatahy e Wagner Moura, que vão apresentar “Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”, Tiago Rodrigues lembra que “Christiane Jatahy é uma artista muito amada pelo público do festival” e que, pela primeira vez, trabalha com Wagner Moura, “neste momento, o actor brasileiro mais conhecido no mundo” e que regressa ao teatro 16 anos depois “com essa vontade de quem regressa à essência do trabalho de actor”. Nesta edição, acabam por ser poucos os artistas lusófonos, mas fica a promessa que, depois de portugueses, cabo-verdianos e brasileiros terem estado em edições anteriores, “os artistas moçambicanos, angolanos e guineenses” também merecem ter o seu palco em Avignon. Continuando o seu projecto de convidar línguas para o festival, depois do inglês, espanhol e árabe, Tiago Rodrigues justifica a escolha, este ano, da língua coreana como “uma vontade de viajar até longe”. Daí que um quarto da programação seja constituída por artistas da Coreia do Sul e uma das convidadas de honra, que inspira dois espectáculos, é a Nobel da Literatura Han Kang. De resto, mais de metade dos projectos são dominados por artistas mulheres com “propostas absolutamente extraordinárias”. Na entrevista, o director do Festival de Avignon mostrou-se, ainda, muito “preocupado com o que está a acontecer em Portugal, nomeadamente em Lisboa”, algo que descreveu como “uma espécie de cerco à liberdade de criação” e “um grande abandono da verdadeira democratização” do acesso às artes e à criação. RFI: Na apresentação da programação, o Tiago Rodrigues falou na vontade de que o festival seja uma “festa de questionamentos” e o cartaz apresenta um grande ponto de interrogação. Quais são as linhas de força que cosem as entrelinhas desta edição e até que ponto o questionamento é uma delas? Tiago Rodrigues: “O questionamento foi uma forma bastante livre de darmos um tema a este festival, de relembrarmos ao público que este festival - que faz muito trabalho sobre a sua história, sobre o seu arquivo - ao chegar à 80ª edição, queria estar muito concentrado também no presente e no futuro, perguntar o que é que vamos fazer nos próximos 80 anos de festival. Hoje, quando defendemos a importância das artes, do teatro, da dança na vida das pessoas, muitas vezes dão-nos a entender que estamos a defender qualquer coisa que está em vias de extinção ou qualquer coisa que é antiga e que estamos a tentar ainda fazer sobreviver não se sabe bem porquê, quando o que nós defendemos é uma coisa absolutamente essencial e cheia de futuro que é a possibilidade de nos reunirmos em sociedade, pessoas juntas fisicamente no mesmo espaço para fazer perguntas juntos, mas fazer perguntas através da arte. E é isso que o festival faz há 80 edições e queríamos relembrar-nos a nós, os artistas, mas também ao público, que é isso que nós fazemos aqui. Num mundo onde estamos cheios de más respostas - poucas respostas mas más na maioria dos casos - respostas violentas, respostas simplistas, respostas pouco informadas, nós queremos colocar as boas perguntas. Perguntas às vezes complexas, perguntas também com prazer, perguntas com dúvida, perguntas que permitam o debate em vez de respostas que criam a violência. Eu acho que as artes podem ter esta função e certamente um festival onde vêm pessoas do mundo inteiro e se reúnem numa cidade que duplica a sua população no momento do festival para acolher o mundo inteiro que a visita, esse é o momento em que podemos fazer perguntas juntos.” Há três artistas brasileiros em destaque nesta edição: Carolina Bianchi, Christiane Jatahy e Wagner Moura. Comecemos por Carolina Bianchi, que foi revelada no primeiro ano de Tiago Rodrigues à frente do Festival de Avignon, em 2023. O que nos traz Carolina Bianchi? “Carolina Bianchi foi uma aposta do festival em 2023, na primeira edição que eu programei, porque acreditava que seria um grande acontecimento para o teatro europeu e mundial descobrir o trabalho de Carolina Bianchi que era um trabalho que estava muito discretamente escondido na cidade de São Paulo, que não rodava muito, que não era muito conhecido mesmo no Brasil. Tivemos a oportunidade de a desafiar a começar um projecto, uma trilogia. Ela sonhava fazer uma trilogia com três espectáculos consagrados à questão da violência e, sobretudo, a violência sobre as mulheres. O primeiro episódio é consagrado a essa violência na história da arte e na performance. O segundo no teatro e o terceiro na literatura mas como também a escrita pode ser uma forma de libertação, de emancipação. Ao ouvir essa ideia, dissemos imediatamente: ‘Vem fazer o primeiro espectáculo no Festival de Avignon'. O que aconteceu a seguir é do conhecimento geral. Carolina Bianchi, depois desse espectáculo, ganha o Leão de Prata da Bienal de Veneza, torna-se uma artista que faz todas as cenas europeias e mundiais, é revelada por esse festival. Criou o segundo capítulo entretanto, “Brotherhood”, e nós tínhamos combinado há muito que ela encerraria esta trilogia de novo em Avignon. A grande sorte que temos é que encerra com um espectáculo que será absolutamente fenomenal, “Uma Luz Cordial”, mas também conseguimos preparar, pela primeira vez, a hipótese de ver a trilogia seguida. São dez horas de teatro, uma grande aventura que tem ocupado esta artista durante quase cinco ou seis anos da sua vida e vamos poder ver não só a estreia mundial do último capítulo da trilogia, mas também, pela primeira vez, toda a trilogia seguida no Festival de Avignon, com cerca de 20 intérpretes brasileiros liderados por esta grande artista. É uma grande revelação dos últimos anos no teatro mundial.” E em relação a Christiane Jatahy, que já esteve em Avignon, e Wagner Moura, o que é que eles trazem ao festival? “Christiane Jatahy é já uma artista muito amada pelo público do festival, muito conhecida em França, uma encenadora que também é muito conhecida do público lusófono, seja no Brasil, seja em Portugal, que tem marcado as cenas europeias nos últimos anos, com as suas adaptações de repertório e desta vez, pela primeira vez, trabalha com Wagner Moura, que decide voltar ao teatro 16 anos depois. Ele tem vivido a sua aventura cinematográfica, televisiva, neste momento é, sobretudo, talvez o actor brasileiro mais conhecido no mundo com a nomeação ao Oscar, com o Globo de Ouro que ganhou e com a Palma de Ouro em Cannes que ganhou pelo filme “O Agente Secreto”. E é muito comovente ver Wagner Moura regressar ao teatro com essa vontade de quem regressa à essência do trabalho de actor. Aqui, Christiane Jatahy e Wagner Moura escreveram juntos, inspiraram-se no “Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen, autor norueguês, e pegando na história do “Inimigo do Povo”, onde o protagonista acabou de anunciar que as águas de uma vila termal estão contaminadas e, portanto, ao salvar a saúde das pessoas, condenou economicamente essa cidade, ele é acusado de ser inimigo do povo. O que vemos nesta peça é que imediatamente a seguir a esta história há um julgamento e nesse julgamento há vários testemunhos, nomeadamente o do Dr. Stockmann, interpretado por Wagner Moura e escrito por Wagner Moura com Christiane Jatahy, que defende que não é inimigo do povo, pelo contrário, enquanto outros defendem que ele é inimigo do povo. Será o público a decidir o resultado deste julgamento e o espectáculo tem dois finais em função da decisão do público.” Em termos de lusofonia, não há muitos mais nomes lusófonos. Porquê? “Porque o Festival de Avignon é uma página em branco onde nós tentamos responder às mesmas questões com respostas diferentes todos os anos. Evidentemente, a língua portuguesa, nem que seja pela minha presença na direcção do festival, tem estado mais presente do que no passado na história do Festival de Avignon, com artistas portugueses, cabo-verdianos e brasileiros também. Este ano, a presença da língua portuguesa está defendida por duas grandes artistas brasileiras e no futuro voltará a estar defendida por, não sei, artistas angolanos, moçambicanos, guineenses, porque não? Portanto, a língua portuguesa tem essa riqueza de poder ter artistas, nomeadamente no teatro e na dança, que merecem ser descobertos e mostrados no Festival de Avignon. Certamente que a cena lusófona - e não só lusófona, também a cena especificamente portuguesa - continuará a ter presença no Festival de Avignon. Este ano não tem, porque nem todos os países podem estar todos os anos no festival. Há países, por exemplo, como a Coreia do Sul, que, através do convite à língua coreana como língua convidada, este ano regressa ao Festival de Avignon depois de 25 anos de ausência. Há 25 anos que não havia um artista coreano no festival. O mundo é grande, o festival também é muito grande, mas não é tão grande como o mundo. E, portanto, embora gostássemos de fazer um festival que tivesse artistas de todos os países do mundo todos os verões, esse sonho terá que ficar para mais tarde. Por agora, queremos ter todos os artistas do mundo, mas um festival de cada vez.” Até porque o Tiago Rodrigues foi reconduzido até 2030 na direcção do festival, não é? “Tenho a grande sorte de ter sido reconduzido para um segundo mandato que começará após este festival. Este é o meu último festival do primeiro mandato, mas estou já a preparar os próximos quatro festivais até 2030. Sem dúvida que até 2030 não faltarão artistas de língua portuguesa.” O que é que o incitou a convidar a língua coreana? “A vontade de viajar até longe esteve na origem deste convite à língua coreana. É a quarta língua que convidamos para o Festival de Avignon. Começámos com o inglês, depois com o espanhol, duas línguas globais, mas de origem europeia. A terceira língua foi o árabe, uma língua de origem não europeia, mas muito presente na Europa e muito presente em França, onde é a segunda língua mais falada. Portanto, estas três línguas, por serem globais e também, por uma certa proximidade, por serem línguas que nos dizem coisas quando somos público do Festival de Avignon, que é um público maioritariamente francês, e o internacional que é maioritariamente europeu, merecia ser provocado pela distância. Então, começámos a procurar as línguas asiáticas que poderia ser interessante propor e percebemos que a língua coreana, sendo uma língua que só é falada numa península, é também uma espécie de 'soft power' através do K-pop, da música popular, através do 'K-drama', as séries televisivas coreanas que são muito populares no mundo inteiro...” Da Prémio Nobel da Literatura... “Da Prémio Nobel da Literatura. Mas por trás dessa presença global, há um grande desconhecimento, por exemplo, do teatro e da dança da Coreia, portanto, fomos pesquisar. Fomos muitas vezes à Coreia do Sul, a várias cidades, descobrimos muitos artistas e compusemos aquilo que corresponde a um quarto da programação do festival, com artistas coreanos. Há muito teatro, muito teatro documentário, muita dança, muitas formas tradicionais como o pansori ou outras formas populares de circo, de música, de teatro, de dança, mas actualizadas com uma leitura contemporânea. E também a literatura porque Han Kang [Prémio Nobel da Literatura] estará no Festival de Avignon, será uma das figuras centrais do festival. Haverá uma grande leitura de partes do seu romance, dirigida por Julie Deliquet, pela actriz Isabelle Huppert e pela actriz coreana Hyeyoung Lee, que juntas lerão, em francês e em coreano, partes do romance de Han Kang em presença da própria Han Kang. Haverá espectáculos que adaptam outros romances de Han Kang. E haverá também encontros e entrevistas públicas com a Prémio Nobel e ela será uma das grandes presenças da língua convidada.” Há uma artista lusodescendente, percussionista da cena electro-pop francesa Lucie Antunes, que faz um espectáculo com Mathilde Monnier, uma presença conhecida em Avignon. São duas mulheres fortes, "guerreiras", como o nome de um dos álbuns de Lucie Antunes. Também está programada Rébecca Chaillon, que faz igualmente espectáculos muito fortes. Nesta edição, há mais mulheres a dirigirem projectos do que homens. Qual é a mensagem subjacente? “É a mensagem natural de que não é difícil fazer uma programação que eu considero de grande, grande, grande qualidade, tendo uma grande maioria de mulheres à frente dos projectos. Não queremos passar outra mensagem que aquela de dizer que deveria ser perfeitamente normal haver muitas programações em muitos festivais do mundo onde há uma maioria de mulheres, porque há enormemente artistas mulheres que fazem projectos absolutamente extraordinários. A mensagem termina aí e depois as conclusões são tiradas pelas pessoas. Foi sem esforço que chegámos a uma programação maioritariamente feminina e por pura paixão pelo trabalho proposto por estas artistas. Quando fomos fazer as contas no final, porque gostamos sempre de poder perceber até que ponto é que estamos a respeitar a nossa vontade de paridade, percebemos que estávamos muito para lá da paridade. E ainda bem que sim, porque artistas como por exemplo Lucie Antunes e Mathilde Monnier, que vão colaborar nesse espectáculo “Silence”, são grandes artistas. Uma vem pela primeira vez ao Festival de Avignon, a Lucie, e a Mathilde Monnier é a artista - depois do fundador do festival Jean Vilar - que mais vezes se apresentou no Festival de Avignon. Mas temos também toda uma geração de grandes encenadoras francesas, como Rébecca Chaillon, Jeanne Candel, Marion Siéfert, Tiphaine Raffier, que vêm marcar presença no festival e mostrar como uma boa parte da pujança, da qualidade e da diversidade do teatro francês passa pelas encenadoras.” No seu primeiro ano na direcção do Festival de Avignon, em 2023, disse-nos que quando se vem a Avignon pela primeira vez, sai-se transformado. Que utopias ainda faltam cumprir em Avignon? No mundo tão complicado em que vivemos hoje, ainda é possível sonhar? “Não só é possível, como é imperativo sonhar num mundo onde parecemos cercados por uma tremenda e terrível má notícia a cada dia. Eu hoje, nesta apresentação, pude mencionar o choque com que vi as mensagens expressas por Ali Chahrour, um artista libanês que esteve no ano passado no festival e que está neste momento em Beirute sob bombardeamentos, e pude exprimir a minha perplexidade, o meu medo, o meu choque e, ao mesmo tempo, perante isto, é absolutamente imperativo sonhar, concretizar os sonhos e propor sonhar a outros. É por isso que nós falamos desta ideia de questões no festival. Questões podiam ser aqui um sinónimo de sonho. No Festival de Avignon eu diria que há ainda muitas coisas que eu gostaria de conseguir fazer até 2030. A batalha essencial, que é aquela que dá sentido ao facto de acompanharmos a criação artística, de defendermos a liberdade artística, de procurarmos meios para os artistas poderem trabalhar, é de conseguir completar, aperfeiçoar, prolongar a aventura do acesso democrático às artes. A democratização do acesso à criação continua a ser a enorme aventura não só em Avignon, mas no mundo inteiro e - porque estou a falar em português - preocupa-me muito o que está a acontecer em Portugal, em muitas cidades, nomeadamente em Lisboa, onde é completamente inesperado o que é uma espécie de cerco à liberdade de criação, ingerências políticas, mas também um grande abandono da verdadeira democratização. O acesso democrático às artes não é um exercício populista, uma flor que se põe na lapela nos dias de festa. É um trabalho quotidiano que deve permitir o acesso fácil à criação exigente, criação de grande qualidade feita em liberdade e à qual todas e todos devem ter acesso. Se fosse fácil, não era um serviço público. A cultura é um serviço público porque não é fácil de fazer. É preciso tempo, é preciso investimento e é preciso sonhar.”
Niché au cœur des Vosges, le Théâtre du peuple de Bussang a été fondé en 1895 par l'écrivain et poète français Maurice Pottecher. Ce théâtre, unique, fête cette année ses 130 ans. Le Théâtre du peuple est né à Bussang dans les Vosges en 1895. Il a été fondé par Maurice Pottecher (1867-1960). Son idée était révolutionnaire pour l'époque : créer un théâtre populaire, humaniste et universel, accessible à tous, loin des élites parisiennes. Sa devise, inscrite au fronton du théâtre, en résume l'esprit :« Par l'art, pour l'humanité. » Il fait construire un bâtiment en bois en pleine nature, en plein air et à flanc de montagne, avec un mur de scène qui s'ouvre sur la forêt, permettant de mêler jeu théâtral et paysage naturel. Faire du théâtre avec le peuple Le théâtre accueille dès l'origine des acteurs amateurs et professionnels. Au début du XXe siècle, il devient un lieu phare du théâtre populaire en France, inspirant plus tard d'autres initiatives (Firmin Gémier, Jean Vilar, etc.). Après la mort de Pottecher, l'activité ralentit, mais le lieu reste un symbole de la démocratisation culturelle. Dans les années 1970-1980, le théâtre connaît un renouveau grâce à de nouvelles équipes artistiques. Le Théâtre du peuple fonctionne toujours, chaque été, à Bussang. Il mêle créations contemporaines, classiques revisités et spectacles ouverts sur la nature. Invité.e.s : Julie Delille, metteuse en scène. Directrice du Théâtre du peuple depuis deux ans et Paul Francesconi, l'un des deux auteurs du feuilleton théâtral qui sera joué pour les 130 ans : « Héritier des brumes : la folle histoire du Théâtre du peuple » dont le texte est édité aux éditions Esse que.
Niché au cœur des Vosges, le Théâtre du peuple de Bussang a été fondé en 1895 par l'écrivain et poète français Maurice Pottecher. Ce théâtre, unique, fête cette année ses 130 ans. Le Théâtre du peuple est né à Bussang dans les Vosges en 1895. Il a été fondé par Maurice Pottecher (1867-1960). Son idée était révolutionnaire pour l'époque : créer un théâtre populaire, humaniste et universel, accessible à tous, loin des élites parisiennes. Sa devise, inscrite au fronton du théâtre, en résume l'esprit :« Par l'art, pour l'humanité. » Il fait construire un bâtiment en bois en pleine nature, en plein air et à flanc de montagne, avec un mur de scène qui s'ouvre sur la forêt, permettant de mêler jeu théâtral et paysage naturel. Faire du théâtre avec le peuple Le théâtre accueille dès l'origine des acteurs amateurs et professionnels. Au début du XXe siècle, il devient un lieu phare du théâtre populaire en France, inspirant plus tard d'autres initiatives (Firmin Gémier, Jean Vilar, etc.). Après la mort de Pottecher, l'activité ralentit, mais le lieu reste un symbole de la démocratisation culturelle. Dans les années 1970-1980, le théâtre connaît un renouveau grâce à de nouvelles équipes artistiques. Le Théâtre du peuple fonctionne toujours, chaque été, à Bussang. Il mêle créations contemporaines, classiques revisités et spectacles ouverts sur la nature. Invité.e.s : Julie Delille, metteuse en scène. Directrice du Théâtre du peuple depuis deux ans et Paul Francesconi, l'un des deux auteurs du feuilleton théâtral qui sera joué pour les 130 ans : « Héritier des brumes : la folle histoire du Théâtre du peuple » dont le texte est édité aux éditions Esse que.
Từ 3.000 khán giả trong những năm đầu thành lập, Festival d'Avignon 2025 thu hút hơn 500.000 khán giả chỉ trong ba tuần tháng 07. Tổng cộng 43 buổi diễn, hai triển lãm và hơn 200 sự kiện lớn nhỏ trong chương trình chính thức “IN” và 1.785 vở diễn trong chương trình biểu diễn phi chính thức “OFF” được tổ chức song song. Cả thành phố Avignon trở thành sân khấu ngoài trời, những con phố nhộn nhịp từ sáng đến khuya trong tiếng nhạc, tiếng rao quảng cáo buổi diễn và không khí hội hè. Tại sao Liên hoan Avignon lại thành công như vậy? Hiện tại, chưa có thống kê chính thức về mùa liên hoan 2025 nhưng các nhà tổ chức khẳng định thành công hơn năm 2024. Số lượng khách đến Avignon năm 2025 đạt mức kỷ lục từ năm 2016. Những con số này cũng khẳng định danh tiếng của liên hoan trên quy mô thế giới, mô hình tổ chức. Mô hình Festival d'Avignon đã được “xuất khẩu” sang nhiều nước, như Đức, Scotland, Mêhicô và kể cả Việt Nam với Festival Huế đầu những năm 2000. Biến Liên hoan Avignon thành hiện tượng văn hóa quần chúng Trả lời RFI Tiếng Việt tại Avignon, giáo sư sử học Antoine de Baecque, trường Sư phạm Ulm, phụ trách triển lãm Les Clés du Festival (Những chìa khóa của Liên hoan), do Hội Jean Vilar đồng tổ chức với Thư viện Quốc gia Pháp - BNF, nhấn mạnh yếu tố đầu tiên giải thích cho thành công này là biến Festival d'Avignon thành “hiện tượng nghệ thuật quần chúng”, thành một “thói quen văn hóa” : “Liên hoan Avignon đã trở thành một sự kiện văn hóa lớn ở Pháp vào mùa hè và vẫn luôn thu hút các tệp khán giả rất đa dạng. Có khoảng 40 vở diễn trong chương trình chính thức “IN” và gần 1.800 vở diễn trong chương trình phi chính thức “OFF” vào mỗi kỳ Festival được tổ chức tháng 07 hàng năm. Liên hoan đã thu hút đông đảo công chúng. Đây là điều mà Jean Vilar mong muốn và được tất cả các giám đốc Liên hoan sau này duy trì”. Thành công rực rỡ của năm 2025 còn được giải thích qua việc tổ chức cùng lúc hai Festival chính thức “IN” và không chính thức “OFF”. “Đông công chúng sẽ bảo đảm lợi ích về văn hóa và kinh tế”, theo giám đốc Liên hoan Avignon, nhà soạn kịch người Bồ Đào Nha Tiago Rodrigues. Trước tiên là cho các nhà làm du lịch, nhà hàng, khách sạn, lưu trú. Tiếp theo là tạo nguồn thu chủ lực cho thành phố và ban tổ chức để chuẩn bị cho kỳ liên hoan sau, cũng như đầu tư vào cơ sở hạ tầng. Giám đốc Tiago Rodrigues khẳng định Festival d'Avignon đã khiến mỗi euro tài trợ công được lời gấp 6 lần, “khi một du khách đến liên hoan chi 10 euro, thì hai euro dành cho festival, 8 euro còn lại là cho địa phương”. Tuy nhiên, để sự kiện văn hóa trở thành nguồn thu chủ lực là cả một quá trình dài biến Liên hoan thành hoạt động văn hóa quần chúng, phổ quát, để kịch, sân khấu chạm tới khán giả. Nhà phê bình điện ảnh, sử gia Antoine de Baecque giải thích : “Mong muốn của Jean Vilar, người từng chỉ đạo Nhà hát Bình dân Quốc gia, là phổ biến đến công chúng, cho nên ông chủ trương tiếp cận những người thường không đến nhà hát, những người phần nào sợ sân khấu hoặc nói rằng “Ôi, chuyện đó không dành cho tôi, nó quá phức tạp”. Đi tìm khán giả, có nghĩa là phải có chính sách trong các công đoàn vào thời điểm đó. Hiện tại, việc này được truyền tải rất nhiều thông qua trường học, học sinh, sinh viên hoặc người đã nghỉ hưu để thu hút họ, không phải chỉ tới một lần mà khi đã tới rồi, đôi khi họ sẽ quay lại, để theo thời gian, họ trở thành người hâm mộ sân khấu. Nhưng đúng, một trong những đặc điểm của Liên hoan Avignon ngay từ những ngày đầu tới nay, đó là mang đến sân khấu đương đại nhất, có thể nói là sân khấu tiên phong, tới đông đảo khán giả. Đây chính là điều làm nên thành công của Liên hoan Avignon”. Để sân khấu “dễ hiểu” với công chúng Không chỉ dừng ở sân khấu với những sáng tác của mình, Jean Vilar, người được coi là cha đẻ của Festival d'Avignon, đã nảy ra ý tưởng mời những tác giả khác và đưa nhảy, múa vào Liên hoan ngay những năm 1966-1967, cộng tác với nghệ sĩ múa nổi tiếng Maurice Béjart. Festival d'Avigonon hiện trở thành điểm tham chiếu cho vũ đạo. Và trang phục biểu diễn được Jean Vilar chú trọng ngay những ngày đầu để làm cầu nối, truyền tải điều tưởng chừng là trừu tượng tới khán giả, theo giải thích của sử gia Antoine de Baecque : “Rất nhiều lần Jean Vilar dàn dựng sân khấu với những thứ rất đơn giản, với những mảng màu rực rỡ, ấn tượng, ví dụ trang phục có vai trò rất quan trọng. Và chủ ý của mỗi lần như vậy là đem đến cho đông đảo khán giả những tác phẩm kinh điển tuyệt vời, có rất kịch của Shakespeare, của Molière. Có thể thấy là có những cuộc hội ngộ giữa khán giả với những tác phẩm cổ điển. Không có chuyện dễ dãi chiều theo ý khán giả hoặc đề xuất những điều dễ dàng, đó là những tác phẩm khó, nhưng chính bởi vì khó nên công chúng cũng quan tâm để nâng cao văn hóa. Liên hoan Avignon không giống trên truyền hình, người ta xem những chương trình đòi hỏi khắt khe, thậm chí đôi khi là hơi khiêu khích, gây phản ứng, nhưng công chúng cũng thích điều đó, đến Avignon cũng vì điều đó”. Công chúng không chỉ đơn thuần là khán giả, thụ động mà được coi là một nghệ sĩ khác, tham gia vào đời sống Liên hoan Avignon. Vẫn nhà sáng lập Jean Vilar nảy ra ý tưởng giao lưu với công chúng, qua chương trình Les Rencontres du Verger (tạm dịch : Gặp nhau trong vườn) trong vườn của cung điện giáo hoàng. Từ đó, Liên hoan luôn là một địa điểm đặc biệt cho các cuộc gặp gỡ, đối thoại chính thức và không chính thức giữa khán giả, người dân địa phương và nghệ sĩ. Cả thành phố biến thành sân khấu lớn ngoài trời Một điểm đặc biệt khác, có một không hai, là cả thành phố Avignon trở thành một nhà hát khổng lồ. Bất kỳ ngóc ngách nào cũng có thể trở thành sân khấu. Áp phích quảng cáo của chương trình “OFF” được giăng trên cây, dán kín trên trường, dọc các hàng rào, phấp phới trên các ban công, cửa sổ... Bước qua cổng thành, du khách bị bất ngờ vì những “bức tranh tường” rực rỡ, đặc sắc. Rồi những tiếng rao, biểu diễn múa, tiếng trống, tiếng nhạc... tất cả để nhằm thu hút sự chú ý của người qua đường, những khán giả tương lai. Hơn 1.200 đoàn kịch, gần 1.800 buổi diễn trong chương trình "OFF" ở hơn 250 địa điểm. Những con số này cho thấy sự cạnh tranh gay gắt giữa các đoàn kịch và quy mô tổ chức của liên hoan. Sử gia Antoine de Baecque giải thích : “Chương trình của một liên hoan Avignon thường được chuẩn bị từ một năm trước. Còn địa điểm thường được dựng trước hai, ba tháng, bắt đầu từ tháng 4 để sẵn sàng vào cuối tháng 6 khi các đoàn nghệ sĩ biểu diễn đến tập dượt. Điều đặc biệt ở Avignon là không có nơi nào, trước đó được coi là dành cho sân khấu. Nhà thờ, công trình, tu viện, phòng tập thể dục, trường trung học, thậm chí là các mỏ trước đây cũng có thể được biến thành sân khấu. Tất cả phải được hoàn thiện hiệu quả, bởi vì những chương trình được tổ chức ở Avignon thường là những chương trình có công nghệ cao với những đạo diễn tài ba hiện nay”. Thành công vượt khỏi biên giới Liên hoan Avignon còn là nơi phản ánh những chủ đề chính trị, xã hội. Năm 2025 cũng không phải là ngoại lệ. Nhiều cuộc tập hợp, tuần hành ủng hộ người dân Palestine cũng được tổ chức. Ngoài ra, nội dung và hình thức kịch cũng cho thấy chủ trương hướng ra thế giới của Liên hoan. Rất nhiều vở diễn, tác phẩm nước ngoài được mời đến trình diễn, giới thiệu tại Avignon. Mỗi năm là một ngôn ngữ được chọn làm khách mời danh dự. Sau năm 2025 đề cao tiếng nói và văn hóa Ả Rập, Hàn Quốc sẽ là khách mời của Liên hoan 2026. Mô hình Liên hoan Avignon đã được “xuất khẩu” sang nhiều nước, theo giải thích của giáo sư Antoine de Baecque : “Liên hoan Avignon có thể được coi là một mô hình. Có rất nhiều bản sao Liên hoan Avignon, ví dụ ở Edinburgh, Scotland hoặc ở Mêhicô. Đây là một khuôn khổ được tạo ra để có thể sao chép ở hầu hết mọi nơi trên thế giới. Điều thú vị là Việt Nam thỉnh thoảng cũng xuất hiện ở Avignon. Có nhiều thời điểm nghệ thuật truyền thống Việt Nam được giới thiệu ở Avignon, như trong những năm 1980. Hoặc gần đây có vở kịch Sài Gòn của Caroline Guiela Nguyen. Câu chuyện diễn ra tại một nhà hàng Việt Nam, giữa Việt Nam và Pháp và Paris, cho thấy một chút về những diễn biến trong thời kỳ thuộc địa và cho đến ngày nay, giữa Việt Nam và Pháp. Đó là một vở kịch rất quan trọng trong lịch sử Liên hoan”. Trước đó, Việt Nam cũng xuất hiện trong OFF những năm 2009 với vở tuồng Ti An Antigone Việt Nam do nhà hát Monte-Charge của thành phố Pau (miền nam Pháp) dàn dựng với Nhà hát Tuồng Việt Nam, hoặc năm 2011 với vở hài Nhẫn và Dương do hai nghệ sĩ thuộc Liên đoàn Xiếc Hà Nội và hai nhạc công thuộc Viện Âm nhạc Quốc gia Việt Nam. Mô hình Festival d'Avignon cũng được “du nhập” vào Việt Nam. Sau thành công của Liên hoan gặp gỡ Huế 1992 giữa thành phố Huế và CoDev (Hội đồng vùng Paris mở rộng), tỉnh Thừa Thiên-Huế cũng muốn tổ chức một liên hoan có quy mô, chất lượng cao để quảng bá văn hóa, truyền thống ra quốc tế và giao lưu với các đoàn khách mời thế giới. Festival Pháp-Việt đầu tiên được tổ chức năm 2000, thu hút 30 đoàn nghệ sĩ Việt Nam và Pháp, hơn 410.000 khách tham quan. Đến năm 2010, sự kiện được đổi tên thành Festival Huế. Đến năm 2025, Festival Huế được xây dựng theo định hướng bốn mùa, tổ chức sự kiện, lễ hội liên tục trong cả năm, để tránh “bội thực” vào mùa hè, phù hợp với đặc trưng của một thành phố Festival mà cố đô theo đuổi.
Từ 3.000 khán giả trong những năm đầu thành lập, Festival d'Avignon 2025 thu hút hơn 500.000 khán giả chỉ trong ba tuần tháng 07. Tổng cộng 43 buổi diễn, hai triển lãm và hơn 200 sự kiện lớn nhỏ trong chương trình chính thức “IN” và 1.785 vở diễn trong chương trình biểu diễn phi chính thức “OFF” được tổ chức song song. Cả thành phố Avignon trở thành sân khấu ngoài trời, những con phố nhộn nhịp từ sáng đến khuya trong tiếng nhạc, tiếng rao quảng cáo buổi diễn và không khí hội hè. Tại sao Liên hoan Avignon lại thành công như vậy? Hiện tại, chưa có thống kê chính thức về mùa liên hoan 2025 nhưng các nhà tổ chức khẳng định thành công hơn năm 2024. Số lượng khách đến Avignon năm 2025 đạt mức kỷ lục từ năm 2016. Những con số này cũng khẳng định danh tiếng của liên hoan trên quy mô thế giới, mô hình tổ chức. Mô hình Festival d'Avignon đã được “xuất khẩu” sang nhiều nước, như Đức, Scotland, Mêhicô và kể cả Việt Nam với Festival Huế đầu những năm 2000. Biến Liên hoan Avignon thành hiện tượng văn hóa quần chúng Trả lời RFI Tiếng Việt tại Avignon, giáo sư sử học Antoine de Baecque, trường Sư phạm Ulm, phụ trách triển lãm Les Clés du Festival (Những chìa khóa của Liên hoan), do Hội Jean Vilar đồng tổ chức với Thư viện Quốc gia Pháp - BNF, nhấn mạnh yếu tố đầu tiên giải thích cho thành công này là biến Festival d'Avignon thành “hiện tượng nghệ thuật quần chúng”, thành một “thói quen văn hóa” : “Liên hoan Avignon đã trở thành một sự kiện văn hóa lớn ở Pháp vào mùa hè và vẫn luôn thu hút các tệp khán giả rất đa dạng. Có khoảng 40 vở diễn trong chương trình chính thức “IN” và gần 1.800 vở diễn trong chương trình phi chính thức “OFF” vào mỗi kỳ Festival được tổ chức tháng 07 hàng năm. Liên hoan đã thu hút đông đảo công chúng. Đây là điều mà Jean Vilar mong muốn và được tất cả các giám đốc Liên hoan sau này duy trì”. Thành công rực rỡ của năm 2025 còn được giải thích qua việc tổ chức cùng lúc hai Festival chính thức “IN” và không chính thức “OFF”. “Đông công chúng sẽ bảo đảm lợi ích về văn hóa và kinh tế”, theo giám đốc Liên hoan Avignon, nhà soạn kịch người Bồ Đào Nha Tiago Rodrigues. Trước tiên là cho các nhà làm du lịch, nhà hàng, khách sạn, lưu trú. Tiếp theo là tạo nguồn thu chủ lực cho thành phố và ban tổ chức để chuẩn bị cho kỳ liên hoan sau, cũng như đầu tư vào cơ sở hạ tầng. Giám đốc Tiago Rodrigues khẳng định Festival d'Avignon đã khiến mỗi euro tài trợ công được lời gấp 6 lần, “khi một du khách đến liên hoan chi 10 euro, thì hai euro dành cho festival, 8 euro còn lại là cho địa phương”. Tuy nhiên, để sự kiện văn hóa trở thành nguồn thu chủ lực là cả một quá trình dài biến Liên hoan thành hoạt động văn hóa quần chúng, phổ quát, để kịch, sân khấu chạm tới khán giả. Nhà phê bình điện ảnh, sử gia Antoine de Baecque giải thích : “Mong muốn của Jean Vilar, người từng chỉ đạo Nhà hát Bình dân Quốc gia, là phổ biến đến công chúng, cho nên ông chủ trương tiếp cận những người thường không đến nhà hát, những người phần nào sợ sân khấu hoặc nói rằng “Ôi, chuyện đó không dành cho tôi, nó quá phức tạp”. Đi tìm khán giả, có nghĩa là phải có chính sách trong các công đoàn vào thời điểm đó. Hiện tại, việc này được truyền tải rất nhiều thông qua trường học, học sinh, sinh viên hoặc người đã nghỉ hưu để thu hút họ, không phải chỉ tới một lần mà khi đã tới rồi, đôi khi họ sẽ quay lại, để theo thời gian, họ trở thành người hâm mộ sân khấu. Nhưng đúng, một trong những đặc điểm của Liên hoan Avignon ngay từ những ngày đầu tới nay, đó là mang đến sân khấu đương đại nhất, có thể nói là sân khấu tiên phong, tới đông đảo khán giả. Đây chính là điều làm nên thành công của Liên hoan Avignon”. Để sân khấu “dễ hiểu” với công chúng Không chỉ dừng ở sân khấu với những sáng tác của mình, Jean Vilar, người được coi là cha đẻ của Festival d'Avignon, đã nảy ra ý tưởng mời những tác giả khác và đưa nhảy, múa vào Liên hoan ngay những năm 1966-1967, cộng tác với nghệ sĩ múa nổi tiếng Maurice Béjart. Festival d'Avigonon hiện trở thành điểm tham chiếu cho vũ đạo. Và trang phục biểu diễn được Jean Vilar chú trọng ngay những ngày đầu để làm cầu nối, truyền tải điều tưởng chừng là trừu tượng tới khán giả, theo giải thích của sử gia Antoine de Baecque : “Rất nhiều lần Jean Vilar dàn dựng sân khấu với những thứ rất đơn giản, với những mảng màu rực rỡ, ấn tượng, ví dụ trang phục có vai trò rất quan trọng. Và chủ ý của mỗi lần như vậy là đem đến cho đông đảo khán giả những tác phẩm kinh điển tuyệt vời, có rất kịch của Shakespeare, của Molière. Có thể thấy là có những cuộc hội ngộ giữa khán giả với những tác phẩm cổ điển. Không có chuyện dễ dãi chiều theo ý khán giả hoặc đề xuất những điều dễ dàng, đó là những tác phẩm khó, nhưng chính bởi vì khó nên công chúng cũng quan tâm để nâng cao văn hóa. Liên hoan Avignon không giống trên truyền hình, người ta xem những chương trình đòi hỏi khắt khe, thậm chí đôi khi là hơi khiêu khích, gây phản ứng, nhưng công chúng cũng thích điều đó, đến Avignon cũng vì điều đó”. Công chúng không chỉ đơn thuần là khán giả, thụ động mà được coi là một nghệ sĩ khác, tham gia vào đời sống Liên hoan Avignon. Vẫn nhà sáng lập Jean Vilar nảy ra ý tưởng giao lưu với công chúng, qua chương trình Les Rencontres du Verger (tạm dịch : Gặp nhau trong vườn) trong vườn của cung điện giáo hoàng. Từ đó, Liên hoan luôn là một địa điểm đặc biệt cho các cuộc gặp gỡ, đối thoại chính thức và không chính thức giữa khán giả, người dân địa phương và nghệ sĩ. Cả thành phố biến thành sân khấu lớn ngoài trời Một điểm đặc biệt khác, có một không hai, là cả thành phố Avignon trở thành một nhà hát khổng lồ. Bất kỳ ngóc ngách nào cũng có thể trở thành sân khấu. Áp phích quảng cáo của chương trình “OFF” được giăng trên cây, dán kín trên trường, dọc các hàng rào, phấp phới trên các ban công, cửa sổ... Bước qua cổng thành, du khách bị bất ngờ vì những “bức tranh tường” rực rỡ, đặc sắc. Rồi những tiếng rao, biểu diễn múa, tiếng trống, tiếng nhạc... tất cả để nhằm thu hút sự chú ý của người qua đường, những khán giả tương lai. Hơn 1.200 đoàn kịch, gần 1.800 buổi diễn trong chương trình "OFF" ở hơn 250 địa điểm. Những con số này cho thấy sự cạnh tranh gay gắt giữa các đoàn kịch và quy mô tổ chức của liên hoan. Sử gia Antoine de Baecque giải thích : “Chương trình của một liên hoan Avignon thường được chuẩn bị từ một năm trước. Còn địa điểm thường được dựng trước hai, ba tháng, bắt đầu từ tháng 4 để sẵn sàng vào cuối tháng 6 khi các đoàn nghệ sĩ biểu diễn đến tập dượt. Điều đặc biệt ở Avignon là không có nơi nào, trước đó được coi là dành cho sân khấu. Nhà thờ, công trình, tu viện, phòng tập thể dục, trường trung học, thậm chí là các mỏ trước đây cũng có thể được biến thành sân khấu. Tất cả phải được hoàn thiện hiệu quả, bởi vì những chương trình được tổ chức ở Avignon thường là những chương trình có công nghệ cao với những đạo diễn tài ba hiện nay”. Thành công vượt khỏi biên giới Liên hoan Avignon còn là nơi phản ánh những chủ đề chính trị, xã hội. Năm 2025 cũng không phải là ngoại lệ. Nhiều cuộc tập hợp, tuần hành ủng hộ người dân Palestine cũng được tổ chức. Ngoài ra, nội dung và hình thức kịch cũng cho thấy chủ trương hướng ra thế giới của Liên hoan. Rất nhiều vở diễn, tác phẩm nước ngoài được mời đến trình diễn, giới thiệu tại Avignon. Mỗi năm là một ngôn ngữ được chọn làm khách mời danh dự. Sau năm 2025 đề cao tiếng nói và văn hóa Ả Rập, Hàn Quốc sẽ là khách mời của Liên hoan 2026. Mô hình Liên hoan Avignon đã được “xuất khẩu” sang nhiều nước, theo giải thích của giáo sư Antoine de Baecque : “Liên hoan Avignon có thể được coi là một mô hình. Có rất nhiều bản sao Liên hoan Avignon, ví dụ ở Edinburgh, Scotland hoặc ở Mêhicô. Đây là một khuôn khổ được tạo ra để có thể sao chép ở hầu hết mọi nơi trên thế giới. Điều thú vị là Việt Nam thỉnh thoảng cũng xuất hiện ở Avignon. Có nhiều thời điểm nghệ thuật truyền thống Việt Nam được giới thiệu ở Avignon, như trong những năm 1980. Hoặc gần đây có vở kịch Sài Gòn của Caroline Guiela Nguyen. Câu chuyện diễn ra tại một nhà hàng Việt Nam, giữa Việt Nam và Pháp và Paris, cho thấy một chút về những diễn biến trong thời kỳ thuộc địa và cho đến ngày nay, giữa Việt Nam và Pháp. Đó là một vở kịch rất quan trọng trong lịch sử Liên hoan”. Trước đó, Việt Nam cũng xuất hiện trong OFF những năm 2009 với vở tuồng Ti An Antigone Việt Nam do nhà hát Monte-Charge của thành phố Pau (miền nam Pháp) dàn dựng với Nhà hát Tuồng Việt Nam, hoặc năm 2011 với vở hài Nhẫn và Dương do hai nghệ sĩ thuộc Liên đoàn Xiếc Hà Nội và hai nhạc công thuộc Viện Âm nhạc Quốc gia Việt Nam. Mô hình Festival d'Avignon cũng được “du nhập” vào Việt Nam. Sau thành công của Liên hoan gặp gỡ Huế 1992 giữa thành phố Huế và CoDev (Hội đồng vùng Paris mở rộng), tỉnh Thừa Thiên-Huế cũng muốn tổ chức một liên hoan có quy mô, chất lượng cao để quảng bá văn hóa, truyền thống ra quốc tế và giao lưu với các đoàn khách mời thế giới. Festival Pháp-Việt đầu tiên được tổ chức năm 2000, thu hút 30 đoàn nghệ sĩ Việt Nam và Pháp, hơn 410.000 khách tham quan. Đến năm 2010, sự kiện được đổi tên thành Festival Huế. Đến năm 2025, Festival Huế được xây dựng theo định hướng bốn mùa, tổ chức sự kiện, lễ hội liên tục trong cả năm, để tránh “bội thực” vào mùa hè, phù hợp với đặc trưng của một thành phố Festival mà cố đô theo đuổi.
durée : 01:17:27 - Les Nuits de France Culture - par : Albane Penaranda - En 1952 dans "Le micro sous les planches", Michel Polac proposait d'assister aux répétitions de "L'Avare" par la troupe du TNP à Chaillot sous la direction de Jean Vilar. Deux émissions diffusées les 9 et 16 novembre 1952 sur France IV Haute-Fidélité. - réalisation : Virginie Mourthé - invités : Jean Vilar Comédien, auteur et metteur en scène français
Thénardier tente de soutirer de l'argent à Marius, désormais marié à Cosette, contre la confession d'un secret compromettant. L'ancien aubergiste accuse Jean Valjean d'être un ancien forçat, coupable de vol et de meurtre, des faits que Marius connait déjà. Mais au fil de la conversation, le jeune homme découvre que Valjean est en réalité Monsieur Madeleine, ancien responsable de la manufacture de Montreuil-sur-Mer. Il apprend également que Valjean n'a pas tué Javert et qu'il est l'homme qui lui a sauvé la vie pendant l'insurrection de juin 1832, en le portant à travers les égouts de Paris. Bouleversés par ces révélations, Marius et Cosette se précipitent chez Jean Valjean.Fiction radiophonique d'après des morceaux choisis des Misérables de Victor Hugo (Cinquième partie : Suprême ombre, suprême aurore) - Réalisation : Henri Soubeyran - Adaptation : Roger Pillaudin - Première diffusion : 23/03/1962 sur France III National - Avec : Henri Rollan, Jean Vilar, Georges Wilson, Henri Nassiet, Roger Karl, Bruno Balp, Raymone, Geneviève Morel, Georges Chamarat, Jacques Dasque et Edith Loria - Un podcast INA. ***Distribué par Audiomeans. Visitez audiomeans.fr/politique-de-confidentialite pour plus d'informations.
Thénardier tente de soutirer de l'argent à Marius, désormais marié à Cosette, contre la confession d'un secret compromettant. L'ancien aubergiste accuse Jean Valjean d'être un ancien forçat, coupable de vol et de meurtre, des faits que Marius connait déjà. Mais au fil de la conversation, le jeune homme découvre que Valjean est en réalité Monsieur Madeleine, ancien responsable de la manufacture de Montreuil-sur-Mer. Il apprend également que Valjean n'a pas tué Javert et qu'il est l'homme qui lui a sauvé la vie pendant l'insurrection de juin 1832, en le portant à travers les égouts de Paris. Bouleversés par ces révélations, Marius et Cosette se précipitent chez Jean Valjean.Fiction radiophonique d'après des morceaux choisis des Misérables de Victor Hugo (Cinquième partie : Suprême ombre, suprême aurore) - Réalisation : Henri Soubeyran - Adaptation : Roger Pillaudin - Première diffusion : 23/03/1962 sur France III National - Avec : Henri Rollan, Jean Vilar, Georges Wilson, Henri Nassiet, Roger Karl, Bruno Balp, Raymone, Geneviève Morel, Georges Chamarat, Jacques Dasque et Edith Loria - Un podcast INA. ***
Thénardier tente de soutirer de l'argent à Marius, désormais marié à Cosette, contre la confession d'un secret compromettant. L'ancien aubergiste accuse Jean Valjean d'être un ancien forçat, coupable de vol et de meurtre, des faits que Marius connait déjà. Mais au fil de la conversation, le jeune homme découvre que Valjean est en réalité Monsieur Madeleine, ancien responsable de la manufacture de Montreuil-sur-Mer. Il apprend également que Valjean n'a pas tué Javert et qu'il est l'homme qui lui a sauvé la vie pendant l'insurrection de juin 1832, en le portant à travers les égouts de Paris. Bouleversés par ces révélations, Marius et Cosette se précipitent chez Jean Valjean.Fiction radiophonique d'après des morceaux choisis des Misérables de Victor Hugo (Cinquième partie : Suprême ombre, suprême aurore) - Réalisation : Henri Soubeyran - Adaptation : Roger Pillaudin - Première diffusion : 23/03/1962 sur France III National - Avec : Henri Rollan, Jean Vilar, Georges Wilson, Henri Nassiet, Roger Karl, Bruno Balp, Raymone, Geneviève Morel, Georges Chamarat, Jacques Dasque et Edith Loria - Un podcast INA. ***
durée : 00:04:23 - Le Reportage de la rédaction - De sa fondation en 1947 jusqu'à nos jours, le Festival d'Avignon est désormais raconté en textes, en sons et en images à la Maison Jean Vilar. Avec une scénographie très théâtrale, l'exposition "Les clés du Festival" ouvre ses portes au public, un des principaux acteurs de l'histoire du Festival. - invités : Antoine de Baecque Professeur d'histoire du cinéma à l'École normale supérieure
durée : 00:04:23 - Le Reportage de la rédaction - De sa fondation en 1947 jusqu'à nos jours, le Festival d'Avignon est désormais raconté en textes, en sons et en images à la Maison Jean Vilar. Avec une scénographie très théâtrale, l'exposition "Les clés du Festival" ouvre ses portes au public, un des principaux acteurs de l'histoire du Festival. - invités : Antoine de Baecque Professeur d'histoire du cinéma à l'École normale supérieure
16 février 1833. Marius et Cosette viennent de se marier : ils sont désormais heureux et riches. Mais une ombre vient assombrir cette joie : Jean Valjean, rongé par sa conscience, décide de révéler à Marius son passé de forçat. Il lui avoue qu'il n'est pas le père de Cosette et qu'il a vécu sous un faux nom. Par souci d'honnêteté, Jean Valjean choisit de s'effacer de la vie du couple, refusant de ternir leur avenir avec son passé. Cosette, ignorante de cette révélation, ne comprend pas le changement de comportement de ce père qu'elle chérit tant. Fiction radiophonique d'après des morceaux choisis des Misérables de Victor Hugo (Cinquième partie : La Dernière gorgée du calice) - Réalisation : Henri Soubeyran - Adaptation : Roger Pillaudin - Première diffusion : 22/03/1962 sur France III National - Avec : Henri Rollan, Jean Vilar, Georges Wilson, Henri Nassiet, Bruno Balp, Raymone, Geneviève Morel, Georges Chamarat, Jacques Dasque, Claude Arlay, Marcel Lestan, Laurence Badie, Edith Loria et Roger Karl - Un podcast INA.***
16 février 1833. Marius et Cosette viennent de se marier : ils sont désormais heureux et riches. Mais une ombre vient assombrir cette joie : Jean Valjean, rongé par sa conscience, décide de révéler à Marius son passé de forçat. Il lui avoue qu'il n'est pas le père de Cosette et qu'il a vécu sous un faux nom. Par souci d'honnêteté, Jean Valjean choisit de s'effacer de la vie du couple, refusant de ternir leur avenir avec son passé. Cosette, ignorante de cette révélation, ne comprend pas le changement de comportement de ce père qu'elle chérit tant. Fiction radiophonique d'après des morceaux choisis des Misérables de Victor Hugo (Cinquième partie : La Dernière gorgée du calice) - Réalisation : Henri Soubeyran - Adaptation : Roger Pillaudin - Première diffusion : 22/03/1962 sur France III National - Avec : Henri Rollan, Jean Vilar, Georges Wilson, Henri Nassiet, Bruno Balp, Raymone, Geneviève Morel, Georges Chamarat, Jacques Dasque, Claude Arlay, Marcel Lestan, Laurence Badie, Edith Loria et Roger Karl - Un podcast INA.***
16 février 1833. Marius et Cosette viennent de se marier : ils sont désormais heureux et riches. Mais une ombre vient assombrir cette joie : Jean Valjean, rongé par sa conscience, décide de révéler à Marius son passé de forçat. Il lui avoue qu'il n'est pas le père de Cosette et qu'il a vécu sous un faux nom. Par souci d'honnêteté, Jean Valjean choisit de s'effacer de la vie du couple, refusant de ternir leur avenir avec son passé. Cosette, ignorante de cette révélation, ne comprend pas le changement de comportement de ce père qu'elle chérit tant. Fiction radiophonique d'après des morceaux choisis des Misérables de Victor Hugo (Cinquième partie : La Dernière gorgée du calice) - Réalisation : Henri Soubeyran - Adaptation : Roger Pillaudin - Première diffusion : 22/03/1962 sur France III National - Avec : Henri Rollan, Jean Vilar, Georges Wilson, Henri Nassiet, Bruno Balp, Raymone, Geneviève Morel, Georges Chamarat, Jacques Dasque, Claude Arlay, Marcel Lestan, Laurence Badie, Edith Loria et Roger Karl - Un podcast INA.***Distribué par Audiomeans. Visitez audiomeans.fr/politique-de-confidentialite pour plus d'informations.
durée : 00:58:46 - Toute une vie - par : Laetitia Le Guay - Plus qu'une vie, Jean Vilar a mené une véritable aventure artistique. Créateur du Festival d'Avignon, comédien, metteur en scène et grand inventeur, portrait de celui qui fut l'homme d'un idéal. - réalisation : Marie-Laure Ciboulet - invités : René de Obaldia Auteur dramatique, poète et romancier.; Lucien Attoun Ancien producteur à France Culture et ancien directeur de Théâtre Ouvert; Olivier Py Metteur en scène, Directeur du Théâtre du Châtelet; Michel Bouquet Comédien; Christiane Minazzoli Comédienne
Pierre-Michel MengerCollège de FranceAnnée 2023-2024Sociologie du travail créateurColloque - Boulez : l'invention au pouvoir ? Les années 1975-1995 - Le réformisme institutionnel de Pierre BoulezSession 5 : Le musicien sur tous les frontsIntervenant :Laurent BayleCommissaire général de l'année Pierre Boulez 2025Colloque organisé pour le centenaire de la naissance de Pierre Boulez par le Pr Pierre-Michel Menger, chaire Sociologie du travail créateur, et Nicolas Donin, professeur de musicologie à l'université de Genève.Avec le soutien de la Fondation du Collège de France et de son grand mécène LVMH.RésuméBien avant que 1977 ne marque l'inauguration de l'Ircam et le début de son enseignement au Collège de France, Pierre Boulez avait posé les bases de son action publique. Il l'avait même fait en suscitant des polémiques retentissantes qui laissèrent peu de doute sur le caractère entier de son engagement. Ainsi du célèbre plaidoyer au titre assassin, Il faut brûler les maisons d'opéra, paru dans Der Spiegel en 1967.À plus d'un titre, les « années Collège » représentent néanmoins un changement d'échelle : fort de son leadership, il abandonne ses modes d'action militants et « artisanaux » des débuts dans le but de mener à bien son dessein de modernisation de l'ensemble du paysage musical ; il n'hésite pas à se retirer partiellement de ses responsabilités planétaires pour mieux assumer, après deux décennies de désamour, son retour sur la scène institutionnelle française (corrélé à la genèse de l'Ircam, l'Ensemble Intercontemporain, l'Opéra-Bastille, jusqu'à la Cité de la musique) ; ou encore, il formalise, dès le lancement du Centre Pompidou, le besoin d'établir de fortes synergies entre des pôles généralistes multiformes et des satellites spécialisés, afin que la recherche se confronte au monde extérieur.Ma communication tentera de cerner les lignes de force qui traversaient sa démarche institutionnelle, en prenant notamment appui sur mes souvenirs personnels, tel que j'ai déjà pu les évoquer dans un petit livre, Pierre Boulez aujourd'hui, paru aux éditions Odile Jacob en janvier 2025. J'ai en effet eu la chance d'accompagner sa trajectoire dès 1986, en assumant d'abord la direction artistique de l'Ircam, puis, en lui succédant à la tête de cet Institut en 1992, avant de prendre la direction de la Cité de la musique en 2001 et de poursuivre son combat pour la construction d'un grand auditorium qui ne verra le jour qu'en 2015. De ma position d'observateur et d'acteur privilégié, j'ai pu mesurer une adversité qui, prompte à dénoncer l'hégémonie supposée de Pierre Boulez, entretenait la thèse d'un renversement de conduite et de valeurs résultant de sa réussite internationale de chef d'orchestre : il serait rapidement passé d'un engagement collectif, souvent associé au clan des « modernes engagés à gauche », à une posture individualiste marquée par le compromis et l'instrumentalisation.L'ambivalence de sa relation avec l'Opéra de Paris représente à cet égard un cas intéressant à observer. Ce projet l'occupa sûrement autant que la mise en place plus tardive de la Cité de la musique. Déjà, au milieu des années 1960, il s'était engagé, avec Maurice Béjart, auprès de Jean Vilar pour transformer l'Opéra Garnier. Le renoncement d'André Malraux avait alors accéléré son « exil » et son activisme international. Plus tard, au cœur des « années Collège », de 1982 à 1989, il tentera à nouveau, malgré son scepticisme grandissant, de réformer l'art lyrique en s'impliquant fortement dans la construction de l'Opéra-Bastille. Ses préconisations dépassaient la problématique de la « correspondance entre les arts », reflétant son attirance pour l'émergence d'une organisation transverse, déjà éprouvée à l'Ircam, à même de s'ouvrir à la création tout en donnant sens à l'exposition d'un répertoire élargi. Les pouvoirs successifs se tinrent à bonne distance, mais cet échec, loin de sonner le glas des visions bouléziennes, motivera au contraire le work in progress de la Villette.Les nombreuses tribunes relatives à la politique culturelle parues au fil du temps dans la presse généraliste sous la signature de Pierre Boulez, incluant celle du Spiegel, parlent d'elles-mêmes : une fois franchie l'équivoque volontaire de l'accroche, il s'est toujours placé dans une perspective visant à améliorer les structures existantes par des aménagements progressifs des usages plutôt que par l'exaltation d'un quelconque schisme. Le temps de la conquête motive des formes de guérilla et des élans polémiques énergisants, faute de quoi rien n'avance [Pourquoi je dis non à Malraux (1966), La Cité unijambiste (1999), etc.]. L'exercice du pouvoir, lui, fixe des règles autrement contraignantes : dès l'aventure du Domaine musical lancée en 1953, pour Pierre Boulez, gouverner, c'est s'engager dans la voie de réformes au long cours, au risque assumé de concessions voire de renoncements passagers.Une forme d'unité se dégage de sa pratique de responsable empreinte de hasard et de détermination. Allusion faite à la formule jaurésienne de « réformisme révolutionnaire », il est possible d'affirmer que Pierre Boulez, fin dialecticien de « l'ordre et du chaos », a pensé avant tout l'institution en termes d'évolution et non de rupture radicale.
1815, dans la petite ville de Digne. Suite à sa rencontre avec un ancien révolutionnaire vivant en ermite, l'évêque Myriel se plonge dans une réflexion sur le sort des plus pauvres. Son sentiment de compassion envers les déshérités devient encore plus fort. Un soir, un ancien forçat, Jean Valjean, frappe à la porte de l'homme d'église pour lui demander l'hospitalité, alors qu'il vient de purger une peine de 19 ans pour le vol d'un morceau de pain. Au grand étonnement de l'ancien prisonnier, l'évêque l'accueille avec humanité. Ce premier épisode, nous fait entendre le monologue de l'évêque Myriel qui l'amène à effectuer le geste de miséricorde qui changera le destin de Jean Valjean.Fiction radiophonique d'après des morceaux choisis des Misérables de Victor Hugo (Première partie : Un Juste, La Chute) - Réalisation : Henri Soubeyran - Adaptation : Roger Pillaudin - Première diffusion : 12/03/1962 sur France III National - Avec : Henri Rollan, Jean Vilar, Georges Wilson, Henri Nassiet, Roger Karl, Bruno Balp, Raymone et Geneviève Morel - Un podcast INA.
1815, dans la petite ville de Digne. Suite à sa rencontre avec un ancien révolutionnaire vivant en ermite, l'évêque Myriel se plonge dans une réflexion sur le sort des plus pauvres. Son sentiment de compassion envers les déshérités devient encore plus fort. Un soir, un ancien forçat, Jean Valjean, frappe à la porte de l'homme d'église pour lui demander l'hospitalité, alors qu'il vient de purger une peine de 19 ans pour le vol d'un morceau de pain. Au grand étonnement de l'ancien prisonnier, l'évêque l'accueille avec humanité. Ce premier épisode, nous fait entendre le monologue de l'évêque Myriel qui l'amène à effectuer le geste de miséricorde qui changera le destin de Jean Valjean.Fiction radiophonique d'après des morceaux choisis des Misérables de Victor Hugo (Première partie : Un Juste, La Chute) - Réalisation : Henri Soubeyran - Adaptation : Roger Pillaudin - Première diffusion : 12/03/1962 sur France III National - Avec : Henri Rollan, Jean Vilar, Georges Wilson, Henri Nassiet, Roger Karl, Bruno Balp, Raymone et Geneviève Morel - Un podcast INA.
1815 dans la petite ville de Digne. Suite à sa rencontre avec un ancien révolutionnaire vivant en ermite, l'évêque Myriel éprouve encore plus de compassion envers les pauvres et les souffrants. Un soir, un ancien forçat, Jean Valjean, frappe à la porte de l'homme d'église pour lui demander l'hospitalité. Il a purgé une peine de 19 ans pour le vol d'un morceau de pain. Au grand étonnement de l'ancien prisonnier, l'évêque l'accueille avec humanité. Ce premier épisode permet une immersion dans la célèbre verve poétique et idéologique de Victor Hugo.***Fiction radiophonique d'après des morceaux choisis des Misérables de Victor Hugo (Première partie : Un Juste, La Chute) - Réalisation : Henri Soubeyran - Adaptation : Roger Pillaudin - Première diffusion : 12/03/1962 sur France III National - Avec : Henri Rollan, Jean Vilar, Georges Wilson, Henri Nassiet, Roger Karl, Bruno Balp, Raymone et Geneviève Morel - Un podcast INA.***Distribué par Audiomeans. Visitez audiomeans.fr/politique-de-confidentialite pour plus d'informations.
durée : 00:30:16 - Les Nuits de France Culture - par : Philippe Garbit - En 1955, Jeanne Moreau est une jeune comédienne de 27 ans. Dans l'émission "Les Clefs du succès", elle raconte son entrée à la Comédie-Française, ses débuts au TNP au côté de Jean Vilar et Gérard Philipe et sa rencontre avec Jean Marais. - réalisation : Virginie Mourthé - invités : Jeanne Moreau Actrice, chanteuse et réalisatrice; Jean Marais Comédien; Jean Meyer
“Les Misérables”, l'adaptation du chef-d'œuvre de Victor Hugo en version restaurée.Cette adaptation de l'œuvre phare de Victor Hugo, propose une sélection des moments les plus marquants du roman, admirablement mis en valeur par une troupe de comédiens hors pairs. Jean Rochefort, Jean Vilar, Jean-Roger Caussimon et bien d'autres grandes voix, incarnent les personnages mythiques de Jean Valjean, Fantine, Gavroche, Cosette et Marius à travers lesquels Hugo illustre les mœurs, la misère et l'injustice sociale de la première moitié du XIXe siècle.Fidèle au texte original, cette adaptation permet une véritable immersion sonore au cœur du chef-d'œuvre de Victor Hugo avec ses péripéties, ses passions, mais aussi ses réflexions philosophiques. Elle parvient à mettre en lumière la tonalité poétique de cette fresque sociale et historique.Un podcast de 10 épisodes de la collection Grands Classiques. Un nouvel épisode à retrouver chaque vendredi à 18h, jusqu'au 11 juillet.
“Les Misérables”, l'adaptation du chef-d'œuvre de Victor Hugo en version restaurée.Cette adaptation de l'œuvre phare de Victor Hugo, propose une sélection des moments les plus marquants du roman, admirablement mis en valeur par une troupe de comédiens hors pairs. Jean Rochefort, Jean Vilar, Jean-Roger Caussimon et bien d'autres grandes voix, incarnent les personnages mythiques de Jean Valjean, Fantine, Gavroche, Cosette et Marius à travers lesquels Hugo illustre les mœurs, la misère et l'injustice sociale de la première moitié du XIXe siècle.Fidèle au texte original, cette adaptation permet une véritable immersion sonore au cœur du chef-d'œuvre de Victor Hugo avec ses péripéties, ses passions, mais aussi ses réflexions philosophiques. Elle parvient à mettre en lumière la tonalité poétique de cette fresque sociale et historique.Un podcast de 10 épisodes de la collection Grands Classiques. Un nouvel épisode à retrouver chaque vendredi à 18h, jusqu'au 11 juillet.
“Les Misérables”, l'adaptation du chef-d'œuvre de Victor Hugo en version restaurée.Cette adaptation de l'œuvre phare de Victor Hugo, propose une sélection des moments les plus marquants du roman, admirablement mis en valeur par une troupe de comédiens hors pairs. Jean Rochefort, Jean Vilar, Jean-Roger Caussimon et bien d'autres grandes voix, incarnent les personnages mythiques de Jean Valjean, Fantine, Gavroche, Cosette et Marius à travers lesquels Hugo illustre les mœurs, la misère et l'injustice sociale de la première moitié du XIXe siècle.Fidèle au texte original, cette adaptation permet une véritable immersion sonore au cœur du chef-d'œuvre de Victor Hugo avec ses péripéties, ses passions, mais aussi ses réflexions philosophiques. Elle parvient à mettre en lumière la tonalité poétique de cette fresque sociale et historique.Un podcast de 10 épisodes de la collection Grands Classiques. Un nouvel épisode à retrouver chaque vendredi à 18h, jusqu'au 11 juillet.Distribué par Audiomeans. Visitez audiomeans.fr/politique-de-confidentialite pour plus d'informations.
durée : 00:35:25 - Les Nuits de France Culture - par : Mathilde Wagman - Par Roger Pillaudin - Lectures "Exercices de style" de Raymond Queneau, par Raymond Queneau, Eugène Ionesco, François Le Lionnais, Armand Salacrou et Jacques Prévert - Réalisation Henri Soubeyran - réalisation : Virginie Mourthé
Le festival d'Avignon vient de dévoiler sa programmation. Il se tiendra du 5 au 26 juillet dans l'ancienne cité des Papes. L'arabe est la langue invitée cette année après l'anglais et l'espagnol pour les éditions précédentes. Immersion dans la 79e édition du festival de théâtre, bercé par le chant des cigales. Un festival dans lequel les spectacles, sous le ciel étoilé ou en salles, s'ouvrent avec les traditionnelles trompettes, depuis sa fondation par Jean Vilar. La 79e édition du Festival d'Avignon se déroulera du 5 au 26 juillet 2025. À lire aussiTiago Rodrigues: «Le Festival d'Avignon est plus urgent que jamais»
Le festival d'Avignon vient de dévoiler sa programmation. Il se tiendra du 5 au 26 juillet dans l'ancienne cité des Papes. L'arabe est la langue invitée cette année après l'anglais et l'espagnol pour les éditions précédentes. Immersion dans la 79e édition du festival de théâtre, bercé par le chant des cigales. Un festival dans lequel les spectacles, sous le ciel étoilé ou en salles, s'ouvrent avec les traditionnelles trompettes, depuis sa fondation par Jean Vilar. La 79e édition du Festival d'Avignon se déroulera du 5 au 26 juillet 2025. À lire aussiTiago Rodrigues: «Le Festival d'Avignon est plus urgent que jamais»
durée : 00:20:06 - Le Feuilleton - Quelques mois avant sa mort, Jean Vilar propose à Lucien et Micheline Attoun de bivouaquer dans le Festival, d'y installer une sorte de campement ouvert, susceptible d'accueillir les vents nouveaux de la littérature dramatique.
durée : 00:20:03 - Le Feuilleton - Quoiqu'on puisse penser des diverses séquences qui ont suivi la mort de Jean Vilar, on doit dire fermement cette chose : le rêve de Vilar, à défaut de prendre corps tout entier, n'a jamais été lâché.
Des aventures du chevalier à la triste figure, roman emblématique de la littérature espagnole, le metteur en scène Gwenaël Morin en a tiré une adaptation loufoque au Festival d'Avignon où l'espagnol est la langue invitée cette année. « Quichotte », de Gwenaël Morin : adaptation loufoque du roman picaresque de Cervantès. À voir à la maison Jean Vilar jusqu'au 21 juillet 2024. Invitée : Jeanne Balibar, comédienne. Elle joue le personnage de Don Quichotte dans le spectacle «Quichotte» de Gwenaël Morin, d'après Miguel de Cervantès. Et le reportage de Paul Dubois sur le spectacle « Herculine Barbin » née femme et devenu homme au milieu du XIXè siècle. Un spectacle de Catherine Marnas avec Yuming Hey au Palace dans le off.
Des aventures du chevalier à la triste figure, roman emblématique de la littérature espagnole, le metteur en scène Gwenaël Morin en a tiré une adaptation loufoque au Festival d'Avignon où l'espagnol est la langue invitée cette année. « Quichotte », de Gwenaël Morin : adaptation loufoque du roman picaresque de Cervantès. À voir à la maison Jean Vilar jusqu'au 21 juillet 2024. Invitée : Jeanne Balibar, comédienne. Elle joue le personnage de Don Quichotte dans le spectacle «Quichotte» de Gwenaël Morin, d'après Miguel de Cervantès. Et le reportage de Paul Dubois sur le spectacle « Herculine Barbin » née femme et devenu homme au milieu du XIXè siècle. Un spectacle de Catherine Marnas avec Yuming Hey au Palace dans le off.
durée : 00:03:44 - Le Son d'Avignon - par : Marie Sorbier - Le festival d'Avignon fait la part belle aux créations contemporaines mais n'en oublie pas pour autant son histoire. Cette année, la Maison Jean Vilar expose les archives d'Alain Crombecque, ancien directeur du festival, souvenirs et émotions au programme. - invités : Antoine de Baecque Professeur d'histoire du cinéma à l'École normale supérieure
durée : 00:20:05 - Le Feuilleton - Il est un fait biographique qui éclaire singulièrement la figure artistique de Jean Vilar, mais qui s'est toujours trouvé tenu dans l'ombre : Vilar a commencé son chemin d'artiste en écrivant du théâtre.
durée : 00:20:06 - Le Feuilleton - Quelques mois avant sa mort, Jean Vilar propose à Lucien et Micheline Attoun de bivouaquer dans le Festival, d'y installer une sorte de campement ouvert, susceptible d'accueillir les vents nouveaux de la littérature dramatique.
durée : 00:19:55 - Le feuilleton d'Avignon de Bruno Tackels 17/20 - Voilà soixante ans que la cour d'honneur du palais des Papes sacrifie à cet étrange rite d'un théâtre populaire, qu'elle a élévé au rang d'une éthique que ni les vents, ni les époques n'ont pu faire fléchir. C'est qu'à travers les ans qui passent, derrière la diversité des esthétiques et des directions successives (Jean Vilar, puis Paul Puaux, Bernard Faivre d'Arcier, Alain Crombecque, Vincent Baudriller et Hortense Archambault, Olivier Py et maintenant Tiago Rodrigues), on peut faire ce constat assez magique : Avignon reste un mythe de théâtre absolument présent, actif et plein de ressources. Un mythe qui n'a jamais été calme, mais plutôt bien intranquille, plein de doutes et de crises, de querelles et de tensions. Un mythe que nous allons parcourir, à travers les voix de ceux qui l'ont nourri, à commencer par celle de Jean Vilar, pionnier d'une époque, inventeur d'une esthétique, et acteur flamboyant. À travers des lectures aux multiples voix, archives d'époque et commandes contemporaines, les soixante premières années du Festival d'Avignon vont se décliner, durant quatre semaines, en un feuilleton épique, porteur de l'essentiel du théâtre européen du dernier demi-siècle, l'amour du théâtre, et sa force de rayonnement. " Ce théâtre que je fais, il cherche à s'inscrire dans l'histoire sociale, tout simplement. Et si sur cet immense terrain où se déroulent les querelles du monde ma place est misérable, c'est à cette place et à cette place seule que je tiens. " C'est avec ces mots que Jean Vilar définissait sa " place " dans le théâtre contemporain. Une place que ne cesse d'interroger ses héritiers.
durée : 00:20:03 - Le Feuilleton - Quoiqu'on puisse penser des diverses séquences qui ont suivi la mort de Jean Vilar, on doit dire fermement cette chose : le rêve de Vilar, à défaut de prendre corps tout entier, n'a jamais été lâché.
durée : 00:20:05 - Le Feuilleton - Il est un fait biographique qui éclaire singulièrement la figure artistique de Jean Vilar, mais qui s'est toujours trouvé tenu dans l'ombre : Vilar a commencé son chemin d'artiste en écrivant du théâtre.
Chaque jour, Jean-Luc Lemoine vous offre une session de rattrapage de tout ce qu'il ne fallait pas manquer dans les médias.
Chaque jour, Jean-Luc Lemoine vous offre une session de rattrapage de tout ce qu'il ne fallait pas manquer dans les médias.
Chaque jour, Jean-Luc Lemoine vous offre une session de rattrapage de tout ce qu'il ne fallait pas manquer dans les médias.
- Au cinéma mercredi "Back to Black", le biopic consacré à Amy Whinehouse. Stéphane Boudsocq a rencontré Marisa Abela, qui incarne la star de la pop et du jazz décédée il y a 13 ans. - En tête-à-tête avec Bernard Lehut, Hervé Le Tellier. Le Prix Goncourt 2020, auteur de "L'Anomalie", revient 4 ans après avec "Le nom sur le mur". - M6 diffuse dimanche soir "Au cœur du collège, un an à Jean-Vilar", une immersion dans un établissement de Saône et Loire. Laurent Marsick a assisté à une partie de ce tournage hors norme. - L'édito télé d'Isabelle Morini Bosc : Médiamétrie intègre chaque jour tous les extraits d'émissions circulant sur les réseaux sociaux. Quel impact sur les mesures d'audience Ecoutez Laissez-vous tenter avec Le Service Culture du 21 avril 2024
Ecoutez Mon choix ce soir avec Isabelle Morini-Bosc du 19 avril 2024
durée : 00:59:08 - Maurice Jarre, du TNP à Hollywood (1/3) - par : Thierry Jousse - En attendant le concert qui lui sera dédié, à la Maison de la Radio, le vendredi 2 février, première plongée dans l'œuvre énorme de Maurice Jarre, avec un focus sur ses années françaises, autour du TNP de Jean Vilar et des premiers films de Georges Franju.
Aujourd'hui, je vous propose un format inédit - le plateau de Caro - pour mieux comprendre le fonctionnement et les rôles d'un théâtre. C'est au cœur du Théâtre de Suresnes - sur le grand plateau de la salle Jean Vilar - que nous avons posé les micros pour capturer les voix de : Carolyn Occelli, directrice du théâtre et programmatrice, Arnaud Prauly, directeur technique, Alexandre Minel, secrétaire général et chef d'orchestre de la communication Amalia Salle, chorégraphe et artiste associée et Maïa Koubi, une jeune spectatrice. 5 témoignages pour saisir ce qui se joue dans et par delà ces murs : soutenir collectivement les rêves, la liberté, et les partager avec le plus grand nombre. On les écoute avec joie.
Comme dans les autres sphères, le monde de la culture n'échappe pas aux inégalités et les femmes doivent aussi jouer des coudes pour atteindre les hauts postes de direction. Mais parfois, la magie de la vie apporte son lot de surprises et aussi de belles rencontres. Le terme de sororité est partout depuis quelques années, notamment depuis l'ère #metoo et on entend les clubs féminins et autres réseaux se multiplier pour que les femmes s'entraident. Enfin, les femmes sortent de ce rapport de rivales et c'est tant mieux. Aujourd'hui, cet épisode met en lumière la magie d'une belle rencontre, d'une histoire de mentoring, de mains tendues… mais avec un autre regard que la sororité. Carolyn Occeli est une Passionariart qui me donne envie de continuer encore et toujours ce podcast, parce qu'elle est une rencontre extraordinaire qui mérite d'être partagée. Son parcours est atypique. Elle a travaillé dans le cinéma puis dans la presse avant d'intégrer le Théâtre Suresnes Jean Vilar en tant que secrétaire générale. Son désir lui, a toujours été d'œuvrer à la rencontre entre des propositions artistiques et des publics. Elle a été nommée à la direction du théâtre pour succéder à Olivier Meyer qui en était le directeur depuis 1990. Dans cet épisode, elle raconte l'histoire qui l'a amenée à ce poste de directrice. Tous les détails, références et ressources des épisodes sont disponibles sur le site www.lespassionariarts.com
durée : 01:33:13 - Les Nuits de France Culture - par : Albane Penaranda - Avignon est synonyme de théâtre depuis 1947 grâce au comédien et metteur en scène Jean Vilar. A l'occasion des 50 ans du Festival, ses débuts sont racontés par des critiques, écrivains et hommes de théâtre y ayant participé. - invités : Lucien Attoun Ancien producteur à France Culture et ancien directeur de Théâtre Ouvert; Paul-Louis Mignon Critique dramatique, écrivain, professeur, journaliste, producteur de télévision et historien du théâtre contemporain; Maurice Clavel Écrivain, journaliste et philosophe français (1920-1979); Alfred Simon; Robert Abirached
durée : 02:14:55 - "Le Prince de Hombourg" de Heinrich von Kleist, mise en scène de Jean Vilar au Festival d'Avignon en 1951 - Nous sommes en Avignon dans la Cour d'Honneur du Palais des Papes le 23 juillet 1951, Jeanne Moreau, Gérard Philipe, Jean Vilar, et tous les autres comédiens du "Prince de Hombourg" s'apprêtent à monter sur scène. Il y a dans l'histoire du Festival d'Avignon des spectacles qui ont fait date, des mises en scène que l'on qualifie aujourd'hui de mythiques. La création en 1951 dans la Cour d'Honneur du Palais des Papes du Prince de Hombourg, mis en scène par Jean Vilar, fut l'un de ces moments qui ont marqué les mémoires. Un spectacle qui était déjà un événement avant même la première de ses représentations, puisqu'avec lui se concrétisait l'arrivée dans la troupe du TNP de l'immense vedette de cinéma qu'était à cette époque Gérard Philipe. D'autant que durant ce même Festival 51, l'acteur était aussi Don Rodrigue dans Le Cid que Vilar mettait également en scène. Un moment important pour Avignon, pour le théâtre, et pour Jean Vilar, comme le rappelait en 2007 Agnès Varda, photographe du Festival d'Avignon et du TNP au début des années 50. "Pour moi Jean Vilar, ce n'était pas seulement un type remarquable, mais le meilleur acteur de sa troupe - disait-elle. Sa diction, sa précision, et l'intelligence de son jeu en font un très grand acteur, meilleur même que Gérard Philipe, qui, lui, était le diamant du TNP. Quand il est arrivé à Avignon en 1951, puis au TNP, vedette de cinéma acceptant les règles démocratiques de la troupe, il a donné une dimension supplémentaire, un éclat et une reconnaissance médiatique du travail de Vilar". Les archives radiophoniques ont ceci de bon : elles peuvent nous transporter en des temps et dans des lieux où nous ne pouvions pas être. Fermons les yeux. nous sommes en Avignon dans la Cour d'Honneur du Palais des Papes le 23 juillet 1951. Jeanne Moreau, Gérard Philipe, Jean Vilar, et tous les autres comédiens du Prince de Hombourg s'apprêtent à monter sur scène. Les micros de la RTF enregistrent. "Le Prince de Hombourg" de Heinrich von Kleist, mise en scène de Jean Vilar au Festival d'Avignon en 1951 (1ère diffusion : 29/07/1951 Chaîne Nationale) Présentation Max Joly Traduction Jean Curtis Mise en scène Jean Vilar Musique de scène Maurice Jarre Interprètes : André Schlesser (serviteur de scène), Gérard Philipe (Prince Frédéric Arthur de Hombourg), Jean Negroni (comte de Hohenzollern), Jean Vilar (Frédéric Guillaume), Lucienne Le Marchand (princesse électrice), Jeanne Moreau (Nathalie), René Belloc (un heiduque), Pierre Asso (feld-maréchal Dörfling), Lucien Arnaud (Hennings), Pierre Lautrec (Guelder), Jean Bolo (Capitaine Von der Goltz), Jean-Paul Moulinot (colonel Kottwitz), Jean Martin (1er officier), Abel Jores (2e officier), Charles Denner (Siegfried von Mörner), Monique Chaumette (une dame de la Cour), René Dupuy (maréchal des logis), Jean Leuvrais (comte Reuss, comte Sparren), Maurice Coussonneau (Stranz) et Françoise Spira (2ème dame de la Cour) Archive Ina / Radio France
Sept ans après le vote en faveur du Brexit, Paris apparaît comme le grand gagnant de la recomposition bancaire européenne. Pour « La Story », le podcast d'actualité des « Echos », Pierrick Fay et ses invités reviennent sur une stratégie post-Brexit gagnante.La Story est un podcast des « Echos » présenté par Pierrick Fay. Cet épisode a été enregistré en juin 2023. Rédaction en chef : Clémence Lemaistre. Invités : Ingrid Feuerstein (correspondante des Echos à Londres), Anne Drif et Romain Gueugneau (journalistes au service Finance des Echos). Réalisation : Willy Ganne. Musique : Théo Boulenger. Identité graphique : Upian. Photo : Benjamin Girette/Bloomberg. Sons : «Antoine et Antoinette» de jacques Becker - 1947, Roset, Pierre CORNEILLE – Cinna Mise en scène Jean Vilar, «La vie est un long fleuve tranquille» Etienne Chatiliez 1988. Hébergé par Acast. Visitez acast.com/privacy pour plus d'informations.