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Em França, a morte de Lyhanna, uma menina de 11 anos, está a gerar uma mobilização contra a lentidão da justiça em tratar os crimes sexuais contra crianças. O suspeito da sua morte acumulava outras denúncias de violações e abusos de menores, mas nunca foi interrogado pelas autoridades. A activista Luísa Semedo denuncia um “escândalo de Estado” que “mete a nu muitas deficiências do Estado” francês, sublinha que “a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França” e que apenas 3% dos agressores são condenados. A investigadora associa-se à mobilização que pede a adopção de uma Lei Integral de combate aos crimes sexuais e acredita que “uma parte da sociedade está a acordar”. Esta segunda-feira, houve manifestações em várias cidades francesas para expressar a revolta colectiva pela morte de Lyhanna e para protestar contra as falhas da Justiça e do Estado francês no que toca à protecção das crianças contra crimes sexuais. Esta quinta-feira, a indignação e a revolta chegaram ao jornal português Público com uma crónica da activista Luísa Semedo, que começa assim: “Em França, a cada três minutos, o tempo de leitura desta crónica, uma criança é vítima de agressão sexual e apenas 3% das denúncias de violação de menores resultam em condenação.” [Os números “abissais” da violência sexual sobre crianças são da Comissão [francesa] Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).] Conversámos com Luísa Semedo, investigadora em Filosofia Política e Ética; que olha para a morte de Lyhanna como “a ponta do iceberg” daquilo que denuncia como “um escândalo de Estado”. “É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este o suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido”, explica, por telefone, à RFI. Luísa Semedo sublinha que além de ser um “escândalo de Estado”, a morte de mais uma criança alegadamente vítima de um predador sexual revela também “um escândalo da sociedade”, pelo que é urgente “uma mudança de mentalidades”. “Estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa, muitas vezes, dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou com um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa-se, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto”, diz Luísa Semedo. As associações feministas e de protecção da infância reivindicam a adopção de uma Lei Integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres, a qual já tinha sido apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada. Na concentração desta segunda-feira, em frente ao ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, uma conhecida realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em peça de teatro e que também deu um filme - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denunciou uma detenção arbitrária. Nas redes sociais, muitos partilharam as imagens da violenta detenção de Andréa Bescond e ela também publicou fotografias das nódoas negras que daí resultaram. Luísa Semedo também ficou perplexa com o que aconteceu e pergunta-se como é que Andréa Bescond, uma vítima, “foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos nunca foi sequer ouvido”. Por outro lado, Luísa Semedo subscreve o apelo de Andréa Bescond de concentrações pacíficas todas as segundas-feiras, às 19h, diante de todos os tribunais de França até à adopção da Lei Integral de combate às violências sexuais. “Esta Lei Integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos (...) É uma lei cujo objectivo é fazer com que, cada vez que haja um destes casos, não seja considerado só como um ‘fait divers' ou como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema”, acrescenta a investigadora. Esta semana, nos protestos e até na Assembleia francesa, ouviram-se pedidos a exigir a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à justiça - ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Lecornu propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série contra os actuais 20 anos de prisão [para os que chegam a ser julgados] e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas são suficientes? Não, responde Luísa Semedo, sublinhando que a questão principal “não está no número de anos da pena do agressor”, mas no facto de apenas “3% dos casos de agressão sexual serem punidos”. No domingo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, assinalou que existem “graves falhas” na gestão do caso do suspeito da morte de Lyhanna, e anunciou que 70 mil queixas envolvendo crimes sexuais contra menores terão de ser examinados até 14 de Julho. Mais uma vez, Luísa Semedo aponta o seu olhar crítico para este anúncio e diz: “Parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países europeus. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado de 'performance', com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Apesar de lamentar que tanto a Justiça, quanto o Estado, quanto a Sociedade tenham falhado até agora, Luísa Semedo acredita que “uma parte da sociedade a acordar”. Por isso deixa também o apelo: “Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.” Luísa Semedo: A morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” e "talvez o início de uma revolução” RFI: Por que é que decidiu mobilizar-se e escrever num jornal português sobre a morte de Lyhanna? Luísa Semedo, Activista e Investigadora em Filosofia Política e Ética: “Porque em França está a ser uma situação que está a causar imensa emoção e penso que é uma questão que é universal, não é uma questão que é só importante em França, a questão da violência contra as crianças. Parece-me importante também que em Portugal se fale sobre isto porque o que se sente é que há, de facto, uma zona um pouco escondida, a questão do MeToo, da violência em geral e da violência sexual e nomeadamente contra as crianças. É como se fosse uma zona em que o problema é tão grande que parece preferir-se não se ver um problema tão grande. Neste momento, está a rebentar em França com o caso da Liana, ou seja, é a gota de água que fez com que as pessoas saíssem todas para a rua.” Na segunda-feira houve manifestações em várias cidades francesas para exigir medidas e está a haver uma mobilização. O que espera desta mobilização? É possível que algo mude? É preciso um tsunami? Ou, como escreve na crónica no Público, "está-se talvez a viver o início de uma revolução?” “Sim. O que eu espero é que haja uma mudança de mentalidades porque são questões tão estruturais, tão profundas na sociedade, que não é só com pequenas medidas de urgência que se vai lá. Ou seja, é uma questão que necessita que várias soluções sejam postas em prática e uma das mais importantes é talvez uma mudança de mentalidades. Ou seja, olhar para uma criança como uma pessoa é a base, perceber que é uma pessoa que tem um corpo e que tem de ter consentimento em relação ao que lhe fazem. A criança também tem de ter essa consciência e, por isso, as associações pedem muito que haja, por exemplo, uma educação sexual e afectiva nas escolas, que é uma coisa que não existe ou existe de forma muito rudimentar. Ou seja, é toda uma panóplia de soluções que devem ser feitas.” As associações que se têm mobilizado e participado nestes protestos reivindicam a adopção de uma proposta de lei integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres. A Luísa Semedo também fala nesta lei integral na sua crónica. O que é esta lei integral que chegou a ser apresentada no final de 2025 por cerca de 100 deputados, mas que nunca foi analisada? “Esta lei integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos, ou seja, a questão do que é que é a dominação sobre o corpo de outro, o que é o consentimento. São questões que implicam toda a gente e, portanto, também começa na educação. Isso é muito importante. É uma lei cujo objectivo é fazer com que cada vez que haja um destes casos que não seja considerado só como um ‘fait divers', só como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema. E esse sistema tem de ser combatido com esta lei integral que são 78 medidas e que são medidas para enfrentar este caso de frente, ou seja, com várias leis diferentes.” Nos protestos em frente ao Ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em filme e em peça de teatro - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denuncia uma detenção arbitrária. Como é que vê o que aconteceu e vai seguir o apelo dela de manifestar todas as segundas-feiras em frente aos tribunais de França até à Lei Integral de protecção das vítimas de abusos sexuais ser adoptada? “Sim, sem dúvida. Eu sempre que posso tento acompanhar este tipo de acções que me parecem absolutamente importantes e acho que é muito reconfortante até para as vítimas. Eu própria também sou uma sobrevivente, portanto, é sempre muito forte ver estas pessoas mobilizadas. Acho que nos toca a todas as pessoas que foram de alguma forma vítimas de violência e, portanto, sim, sem dúvida. O que aconteceu com a Andréa Bescond foi, de alguma forma, uma intimidação de uma das cabeças da manifestação, que foi acompanhada também, algumas horas antes, pela proibição da manifestação à frente do Ministério da Justiça. O Estado ou o governo dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, há ali um discurso que é bastante ambíguo em relação à questão da violência e da violência sexual contra as crianças e contra as mulheres, que já dura há bastantes anos, não é só de agora.” No seu texto escreve “A lei tem um prazo. O trauma não”. O que pode fazer o Estado francês para ajudar as vítimas que vivem com o trauma e para evitar futuras agressões? “Sim, na Lei Integral também é pedido para que haja apoio para as vítimas para as questões do trauma. Muitas das vítimas vivem o que nós chamamos de stress pós-traumático e stress pós-traumático complexo também. É, por exemplo, o acesso a profissionais de saúde da psiquiatria, psicologia e medicamentos. Há todo um acompanhamento que é necessário quando se sofre de stress pós-traumático, por exemplo. É algo que é muito complicado ainda de ter em França. Isso é um dos pedidos também da Lei Integral. Parece-me absolutamente essencial também ver algo que acho que faz parte da Lei Integral, que é a forma como se ouvem as crianças. Ou seja, elas serem ouvidas de forma autónoma dos adultos que, por vezes, são as pessoas que as agridem e portanto, elas terem um local seguro para serem ouvidas, para serem escutadas, para serem levadas a sério.” Ou seja, é todo um dispositivo que muda completamente a forma como nós vemos até agora as vítimas. Por enquanto, os agressores parecem ser mais protegidos do que as vítimas e o objectivo é que esta estrutura mude completamente, ou seja, que o centro da preocupação sejam, de facto, as vítimas e não os agressores.” Depois do que aconteceu, o ministro da Justiça Gérald Darmanin anunciou, no domingo, que 70.000 processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de Julho. O jornal Libération diz que o poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça. Que leitura faz? E é possível estes 70.000 processos serem analisados num mês? “Pois, somente não me parece possível, como me parece que o que for feito vai ser mal feito porque parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado um bocado de 'performance' com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Ouviram-se pedidos a exigir a demissão do Primeiro-Ministro francês, não só nas manifestações, mas também na Assembleia. Sébastien Lecornu rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à Justiça, ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Ele propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série, contra os actuais 20 anos de prisão (para os que chegam a ser julgados) e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas chegam? “Estas medidas não chegam porque há medidas que já existem. O problema é que as medidas não estão a ser cumpridas. Se só há 3% dos casos de agressão que são punidos, não tem nada a ver com a pena ser maior ou mais pequena. O que é importante é que estas pessoas sejam punidas e é importante ouvir as vítimas. Muitas das vítimas dizem: ‘O que nós queremos, o que nos vai fazer ficar em sentir insegurança e sentir reconfortados é que não haja impunidade'. Não se está à espera que haja pena de morte ou castração, ou o que quer que seja de medida cada vez mais espectacular para dar uma impressão de que se está a fazer alguma coisa. Não é isso. O facto é que só 3% de casos de agressão sexual é que são punidos, portanto, a questão está aí e não está nos anos da pena do agressor.” É por isso que fala num “escândalo de Estado” em relação ao caso Lyhanna? “Sim, sim. É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado sim. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido, o que é bastante impressionante. Imagine-se que alguém com este perfil nunca foi ouvido e alguém com o perfil de Andréa Bescond, que é uma sobrevivente, foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos contra ele nunca foi sequer ouvido. Portanto, já se está aqui a ver o contraste entre como é que as pessoas vítimas e activistas são tratadas e os agressores são tratados.” Ou seja, como escreve no artigo, “não houve aqui só uma negligência pontual, nem um simples disfuncionamento, como afirmou o Presidente Macron”, é algo mais vasto? “Sim, sem dúvida é algo mais vasto. Nós estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só mesmo a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa muitas vezes dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e é, de facto, um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto.” A Justiça e o Estado falharam? “Sim. Falharam a Justiça, o Estado, mas a sociedade em geral também está a falhar. Felizmente, o que se está a ver nas ruas é uma parte da sociedade a acordar e a mostrar que não vai deixar passar. Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”
Em França, a morte de Lyhanna, uma menina de 11 anos, está a gerar uma mobilização contra a lentidão da justiça em tratar os crimes sexuais contra crianças. O suspeito da sua morte acumulava outras denúncias de violações e abusos de menores, mas nunca foi interrogado pelas autoridades. A activista Luísa Semedo denuncia um “escândalo de Estado” que “mete a nu muitas deficiências do Estado” francês, sublinha que “a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França” e que apenas 3% dos agressores são condenados. A investigadora associa-se à mobilização que pede a adopção de uma Lei Integral de combate aos crimes sexuais e acredita que “uma parte da sociedade está a acordar”. Esta segunda-feira, houve manifestações em várias cidades francesas para expressar a revolta colectiva pela morte de Lyhanna e para protestar contra as falhas da Justiça e do Estado francês no que toca à protecção das crianças contra crimes sexuais. Esta quinta-feira, a indignação e a revolta chegaram ao jornal português Público com uma crónica da activista Luísa Semedo, que começa assim: “Em França, a cada três minutos, o tempo de leitura desta crónica, uma criança é vítima de agressão sexual e apenas 3% das denúncias de violação de menores resultam em condenação.” [Os números “abissais” da violência sexual sobre crianças são da Comissão [francesa] Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).] Conversámos com Luísa Semedo, investigadora em Filosofia Política e Ética; que olha para a morte de Lyhanna como “a ponta do iceberg” daquilo que denuncia como “um escândalo de Estado”. “É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este o suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido”, explica, por telefone, à RFI. Luísa Semedo sublinha que além de ser um “escândalo de Estado”, a morte de mais uma criança alegadamente vítima de um predador sexual revela também “um escândalo da sociedade”, pelo que é urgente “uma mudança de mentalidades”. “Estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa, muitas vezes, dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou com um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa-se, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto”, diz Luísa Semedo. As associações feministas e de protecção da infância reivindicam a adopção de uma Lei Integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres, a qual já tinha sido apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada. Na concentração desta segunda-feira, em frente ao ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, uma conhecida realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em peça de teatro e que também deu um filme - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denunciou uma detenção arbitrária. Nas redes sociais, muitos partilharam as imagens da violenta detenção de Andréa Bescond e ela também publicou fotografias das nódoas negras que daí resultaram. Luísa Semedo também ficou perplexa com o que aconteceu e pergunta-se como é que Andréa Bescond, uma vítima, “foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos nunca foi sequer ouvido”. Por outro lado, Luísa Semedo subscreve o apelo de Andréa Bescond de concentrações pacíficas todas as segundas-feiras, às 19h, diante de todos os tribunais de França até à adopção da Lei Integral de combate às violências sexuais. “Esta Lei Integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos (...) É uma lei cujo objectivo é fazer com que, cada vez que haja um destes casos, não seja considerado só como um ‘fait divers' ou como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema”, acrescenta a investigadora. Esta semana, nos protestos e até na Assembleia francesa, ouviram-se pedidos a exigir a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à justiça - ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Lecornu propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série contra os actuais 20 anos de prisão [para os que chegam a ser julgados] e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas são suficientes? Não, responde Luísa Semedo, sublinhando que a questão principal “não está no número de anos da pena do agressor”, mas no facto de apenas “3% dos casos de agressão sexual serem punidos”. No domingo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, assinalou que existem “graves falhas” na gestão do caso do suspeito da morte de Lyhanna, e anunciou que 70 mil queixas envolvendo crimes sexuais contra menores terão de ser examinados até 14 de Julho. Mais uma vez, Luísa Semedo aponta o seu olhar crítico para este anúncio e diz: “Parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países europeus. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado de 'performance', com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Apesar de lamentar que tanto a Justiça, quanto o Estado, quanto a Sociedade tenham falhado até agora, Luísa Semedo acredita que “uma parte da sociedade a acordar”. Por isso deixa também o apelo: “Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.” Luísa Semedo: A morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” e "talvez o início de uma revolução” RFI: Por que é que decidiu mobilizar-se e escrever num jornal português sobre a morte de Lyhanna? Luísa Semedo, Activista e Investigadora em Filosofia Política e Ética: “Porque em França está a ser uma situação que está a causar imensa emoção e penso que é uma questão que é universal, não é uma questão que é só importante em França, a questão da violência contra as crianças. Parece-me importante também que em Portugal se fale sobre isto porque o que se sente é que há, de facto, uma zona um pouco escondida, a questão do MeToo, da violência em geral e da violência sexual e nomeadamente contra as crianças. É como se fosse uma zona em que o problema é tão grande que parece preferir-se não se ver um problema tão grande. Neste momento, está a rebentar em França com o caso da Liana, ou seja, é a gota de água que fez com que as pessoas saíssem todas para a rua.” Na segunda-feira houve manifestações em várias cidades francesas para exigir medidas e está a haver uma mobilização. O que espera desta mobilização? É possível que algo mude? É preciso um tsunami? Ou, como escreve na crónica no Público, "está-se talvez a viver o início de uma revolução?” “Sim. O que eu espero é que haja uma mudança de mentalidades porque são questões tão estruturais, tão profundas na sociedade, que não é só com pequenas medidas de urgência que se vai lá. Ou seja, é uma questão que necessita que várias soluções sejam postas em prática e uma das mais importantes é talvez uma mudança de mentalidades. Ou seja, olhar para uma criança como uma pessoa é a base, perceber que é uma pessoa que tem um corpo e que tem de ter consentimento em relação ao que lhe fazem. A criança também tem de ter essa consciência e, por isso, as associações pedem muito que haja, por exemplo, uma educação sexual e afectiva nas escolas, que é uma coisa que não existe ou existe de forma muito rudimentar. Ou seja, é toda uma panóplia de soluções que devem ser feitas.” As associações que se têm mobilizado e participado nestes protestos reivindicam a adopção de uma proposta de lei integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres. A Luísa Semedo também fala nesta lei integral na sua crónica. O que é esta lei integral que chegou a ser apresentada no final de 2025 por cerca de 100 deputados, mas que nunca foi analisada? “Esta lei integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos, ou seja, a questão do que é que é a dominação sobre o corpo de outro, o que é o consentimento. São questões que implicam toda a gente e, portanto, também começa na educação. Isso é muito importante. É uma lei cujo objectivo é fazer com que cada vez que haja um destes casos que não seja considerado só como um ‘fait divers', só como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema. E esse sistema tem de ser combatido com esta lei integral que são 78 medidas e que são medidas para enfrentar este caso de frente, ou seja, com várias leis diferentes.” Nos protestos em frente ao Ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em filme e em peça de teatro - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denuncia uma detenção arbitrária. Como é que vê o que aconteceu e vai seguir o apelo dela de manifestar todas as segundas-feiras em frente aos tribunais de França até à Lei Integral de protecção das vítimas de abusos sexuais ser adoptada? “Sim, sem dúvida. Eu sempre que posso tento acompanhar este tipo de acções que me parecem absolutamente importantes e acho que é muito reconfortante até para as vítimas. Eu própria também sou uma sobrevivente, portanto, é sempre muito forte ver estas pessoas mobilizadas. Acho que nos toca a todas as pessoas que foram de alguma forma vítimas de violência e, portanto, sim, sem dúvida. O que aconteceu com a Andréa Bescond foi, de alguma forma, uma intimidação de uma das cabeças da manifestação, que foi acompanhada também, algumas horas antes, pela proibição da manifestação à frente do Ministério da Justiça. O Estado ou o governo dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, há ali um discurso que é bastante ambíguo em relação à questão da violência e da violência sexual contra as crianças e contra as mulheres, que já dura há bastantes anos, não é só de agora.” No seu texto escreve “A lei tem um prazo. O trauma não”. O que pode fazer o Estado francês para ajudar as vítimas que vivem com o trauma e para evitar futuras agressões? “Sim, na Lei Integral também é pedido para que haja apoio para as vítimas para as questões do trauma. Muitas das vítimas vivem o que nós chamamos de stress pós-traumático e stress pós-traumático complexo também. É, por exemplo, o acesso a profissionais de saúde da psiquiatria, psicologia e medicamentos. Há todo um acompanhamento que é necessário quando se sofre de stress pós-traumático, por exemplo. É algo que é muito complicado ainda de ter em França. Isso é um dos pedidos também da Lei Integral. Parece-me absolutamente essencial também ver algo que acho que faz parte da Lei Integral, que é a forma como se ouvem as crianças. Ou seja, elas serem ouvidas de forma autónoma dos adultos que, por vezes, são as pessoas que as agridem e portanto, elas terem um local seguro para serem ouvidas, para serem escutadas, para serem levadas a sério.” Ou seja, é todo um dispositivo que muda completamente a forma como nós vemos até agora as vítimas. Por enquanto, os agressores parecem ser mais protegidos do que as vítimas e o objectivo é que esta estrutura mude completamente, ou seja, que o centro da preocupação sejam, de facto, as vítimas e não os agressores.” Depois do que aconteceu, o ministro da Justiça Gérald Darmanin anunciou, no domingo, que 70.000 processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de Julho. O jornal Libération diz que o poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça. Que leitura faz? E é possível estes 70.000 processos serem analisados num mês? “Pois, somente não me parece possível, como me parece que o que for feito vai ser mal feito porque parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado um bocado de 'performance' com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Ouviram-se pedidos a exigir a demissão do Primeiro-Ministro francês, não só nas manifestações, mas também na Assembleia. Sébastien Lecornu rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à Justiça, ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Ele propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série, contra os actuais 20 anos de prisão (para os que chegam a ser julgados) e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas chegam? “Estas medidas não chegam porque há medidas que já existem. O problema é que as medidas não estão a ser cumpridas. Se só há 3% dos casos de agressão que são punidos, não tem nada a ver com a pena ser maior ou mais pequena. O que é importante é que estas pessoas sejam punidas e é importante ouvir as vítimas. Muitas das vítimas dizem: ‘O que nós queremos, o que nos vai fazer ficar em sentir insegurança e sentir reconfortados é que não haja impunidade'. Não se está à espera que haja pena de morte ou castração, ou o que quer que seja de medida cada vez mais espectacular para dar uma impressão de que se está a fazer alguma coisa. Não é isso. O facto é que só 3% de casos de agressão sexual é que são punidos, portanto, a questão está aí e não está nos anos da pena do agressor.” É por isso que fala num “escândalo de Estado” em relação ao caso Lyhanna? “Sim, sim. É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado sim. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido, o que é bastante impressionante. Imagine-se que alguém com este perfil nunca foi ouvido e alguém com o perfil de Andréa Bescond, que é uma sobrevivente, foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos contra ele nunca foi sequer ouvido. Portanto, já se está aqui a ver o contraste entre como é que as pessoas vítimas e activistas são tratadas e os agressores são tratados.” Ou seja, como escreve no artigo, “não houve aqui só uma negligência pontual, nem um simples disfuncionamento, como afirmou o Presidente Macron”, é algo mais vasto? “Sim, sem dúvida é algo mais vasto. Nós estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só mesmo a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa muitas vezes dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e é, de facto, um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto.” A Justiça e o Estado falharam? “Sim. Falharam a Justiça, o Estado, mas a sociedade em geral também está a falhar. Felizmente, o que se está a ver nas ruas é uma parte da sociedade a acordar e a mostrar que não vai deixar passar. Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”
A giugno di quest'anno è uscita una delle puntate che più avete amato da quando esiste questo podcast. Vi abbiamo parlato di Maternità Femministe di Andrea O'Reilly, e lo abbiamo fatto insieme a Veronica Frigeni, traduttrice e curatrice dell'edizione italiana, che ringraziamo ancora una volta per la sua generosità e competenza.A soli due mesi e mezzo dall'uscita di quella puntata, l'autrice, attivista e podcaster canadese Clementine Morrigan ha deciso di smettere di proteggere la persona che più di tutte ha fallito nel compito di proteggerla dagli abusi sessuali subiti all'interno della sua famiglia.La puntata di novembre nasce dal desiderio di assumerci delle responsabilità, di metterci in discussione e di affrontare riflessioni che, per molti versi, possono risultare scomode ma necessarie.Un grazie profondo a Clementine Morrigan per la sua disponibilità e per aver portato con sé un tema tanto difficile quanto imprescindibile. La traduzione della sua intervista è a cura di Martina Crispo, mentre la voce di Clementine nel podcast è quella di Rossella Lanzetta.Per sostenere il progetto seguici su instagram! Basterà digitare il nostro nome tutto attaccato.Puoi anche ofrrirci un caffè sul nostro profilo KO-FI oppure con una donazione diretta tramite Paypal alla nostra mail: tileggiamounafemminista@gmail.com
Conversas com as Entidades sobre temas diversos
En este mensaje tratamos el caso de un hombre que «descargó su conciencia» de manera anónima en nuestro sitio www.conciencia.net y nos autorizó a que lo citáramos, como sigue: «Cuando tenía seis años, mi hermano y yo sufrimos abuso sexual [por parte de un tío]. Otros muchachos nos incitaron a abusar sexualmente de nuestra hermana, pero no lo hicimos. »Luego, cuando tenía diez años y mi hermano entre ocho y nueve, caímos en una práctica de incesto, pero al tener uso de razón nos dimos cuenta de lo grave que fue lo que hicimos. ¿Creen que Dios pueda perdonarnos? Este pecado ha traído mucho dolor y vergüenza.» Este es el consejo que le dio mi esposa: «Estimado amigo: »Cuando su tío abusó de usted, lo expuso a algo que no debió haber aprendido a tan temprana edad. No obstante, después que usted fue víctima de esa terrible conducta, fue casi inevitable que la imitara o simulara repetirla usted mismo.... »Sin embargo, cuando a niños inocentes se les expone a la actividad sexual, ya sea como víctimas de abuso o viéndola en la vida real o en las películas, con frecuencia esos niños comienzan a simular lo que han visto. No se debe a que tales niños sean malvados; se debe a que esa es la naturaleza del desarrollo infantil.... »Dios, quien nos creó, también planeó que tuviéramos una década, más o menos, para poder practicar la vida antes de llegar a ser eternamente responsables de los errores que cometiéramos. Durante ese lapso de tiempo, el cerebro se desarrolla por etapas, según el acreditado psicólogo del desarrollo humano Jean Piaget. Antes de los siete años aproximadamente, los niños no tienen la capacidad de distinguir por completo entre lo verdadero y lo imaginario. A partir de los siete años hasta más o menos los once, los niños son capaces de comprender las cosas que pueden tocar y ver, pero sólo gradualmente comenzarán a desarrollar la capacidad de comprender lo abstracto, tal como las consecuencias del bien y del mal. »¿Acaso el Dios que lo creó a usted, el mismo que creó el proceso del desarrollo del cerebro, no comprendería cuando usted simuló lo que había aprendido? Claro que sí comprendió, y por eso no lo considera a usted responsable de lo que su cerebro no podía asimilar. »El apóstol Juan escribió que si confesamos nuestros pecados, Dios nos perdonará esos pecados.1 Desde luego, la confesión requiere sentir verdadero remordimiento por lo que hemos hecho. Usted ha manifestado que siente mucha vergüenza por lo que hizo, aunque ahora sepa que Dios no lo consideró responsable durante esa etapa del desarrollo de su cerebro. De modo que la respuesta a su pregunta es que sí, yo sé que Dios lo ha perdonado por cualquier cosa de la que pudo considerársele responsable.» Con eso termina lo que recomienda Linda, mi esposa. El consejo completo se puede leer si se ingresa en el sitio www.conciencia.net y se pulsa la pestaña que dice: «Casos», y luego se busca el Caso 856. Carlos ReyUn Mensaje a la Concienciawww.conciencia.net 1 1Jn 1:9
Sobre una pancarta podemita en la Facultad de Politicas de la Complutense.Este podcast está asociado a la red de Sospechosos Habituales donde podréis encontrar otros muchos podcast de diferentes temáticas.
Sobre una pancarta podemita en la Facultad de Politicas de la Complutense.Este podcast está asociado a la red de Sospechosos Habituales donde podréis encontrar otros muchos podcast de diferentes temáticas.
Ya lo dijimos antes y lo volvemos a decir: no hay fondo que Reddit no pueda perforar.En este tercer episodio de nuestra saga de historias sacadas del rincón más cochambroso del internet, nos volvemos a dar un clavado en las entrañas del morbo digital. Y sí... esta vez salimos más sucios que nunca.Incesto, traiciones, tíos manchados, sobrinas turbias, relaciones que no deberían existir ni en Juego de Tronos, y decisiones de vida que te hacen preguntarte si realmente evolucionamos como especie o solo cambiamos la cueva por el WiFi.Nos reímos, nos asqueamos, nos traumamos y, como siempre, le sacamos jugo a las situaciones más bizarras con el humor retorcido que ya nos caracteriza.El Trío Monstruoso regresa recargado, y más inmoral que nunca.No recomendado para sensibles, pero sí para degenerados funcionales como tú.Con Chubby Contreras, Dany Darko y Eddy Luna haciendo lo que mejor saben:burlarse de la miseria humana con estilo.#ElTríoMonstruoso #HistoriasDeReddit #PodcastMexicano #HumorNegro #PodcastDeComedia #RedditTurbio #CotorreoDelPesado #DegeneraditosDeConfianza
Incesto nella casa di Davide tra Amnon e Tamar. Absalom uccide Amnon.
¡Bienvenidos al episodio 54 de Familias Horribles!Brisa De Angulo es neuropsicologa, abogada y sobreviviente, activista y defensora de victimas de abuso sexual. Creó la fundación “A Breeze of Hope” a los 17 años, el primer centro en Bolivia dedicado a ayudar a niño y adolescentes sobrevivientes de abuso sexual. Y mucho más. En este episodio, hablamos sobre la cultura del incesto y cómo el silencio protege el abuso. Brisa cuenta su testimonio y conocimientos tras trabajar con niños abusados sexualmente por más de 20 años.
Intis, platicamos de las personas que toman un rol de figura materna o paterna, de guía en la vida pero en algún momento nos han vulnerado/abusaron. Búscame en redes sociales: YouTube Íntimamente con Robertha Facebook @IntimamenteconRobertha Instagram @intimamenteconrobertha TikTok @intimamenteconrobertha Teléfono del Consultorio: 664 681 19 93 Terapia de pareja en online y presencial en Tijuana. Whatsapp: 664 123 69 69 #Psicologia #Relaciones #RelacionesDePareja #IntimamenteConRobertha #DiarioConRobertha #abuso #vinculos
Entre víctimas y victimarios --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/mabel-morales/message
En este episodio podremos conocer la realidad de muchas familias latinas. Pero sobre todo seremos testigos de un amor real hacia la familia y una crianza consciente cuando aún no existía término para esto, y aprender que los estereotipos y el qué dirán es algo que nunca debe ser tomado en cuenta. La historia de dos primos que en “una noche de copas, una noche loca” trajeron al mundo a la hermosa Fabiana y que con mucho respeto y amor, ha sido criada para tomar decisiones importantes en la vida con respeto por una mamá y un papá que ahora son gays. Este episodio habla de tolerancia, amor y respeto a la diversidad. Mira nuestro episodio completo en Patreon www.patreon.com/bajoestetecho Síguenos: http://instagram.com/lapasqualotto Producción Ejecutiva: Alejandro Tremola http://instagram.com/aletremola Producción: Kem Medina http://instagram.com/kem_medina Agencia Digital: Weplash http://weplash.com Síguelos en sus redes: http://instagram.com/wplash http://twitter.com/weplash https://www.tiktok.com/@weplash?lang=en Grabado en los estudios de Gradvity http://instagram.com/gradvity Yes you Can: https://www.instagram.com/yesyoucan/ Golden Trust Insurance: https://www.instagram.com/goldentrustinsurance/ Especialista: Libden Sánchez https://instagram.com/sresfelices Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Hoy hablamos de un gran #Actor de #Hollywood con una vida aparentemente tranquila y serena, pero que en realidad no lo es tanto. #MorganFreeman ha sido señalado por varias mujeres y ha sido acusado hasta de tejer un romance con su propia nieta, lo cual ha eclipsado su carrera.
Agradece a este podcast tantas horas de entretenimiento y disfruta de episodios exclusivos como éste. ¡Apóyale en iVoox! El incesto, la unión carnal entre parientes, ha estado muy presente en toda la historia del ser humano. O, por supuesto, en la propia historia divina, como en el caso de la mitología griega donde estaba muy presente en muchas de las relaciones, por ejemplo, de Zeus. Analizar este asunto, ya fuera de forma aceptada o como tabú, es el objetivo de esta Contraportada para mecenas que realizamos, junto a la profesora Yolanda Barreno, tras el programa que dedicamos a la leyenda de San Gregorio, donde el incesto está muy presente. Tras la mitología griega visitaremos el incesto en la Biblia, y como en el caso de San Gregorio, en la Edad Media, para tratar de encontrar alguna clave que nos ayude a comprender este fenómeno en apariencia universal. Gracias por apoyar este podcast de divulgación cultural. Si tú también quieres escuchar este episodio y muchos más que nunca retiramos puedes hacerlo aquí en iVoox en el botón azul Apoyar en nuestro perfil: https://www.ivoox.com/podcast-abrazo-del-oso-podcast_sq_f13737_1.html www.elabrazodeloso.es www.latostadora.com/elabrazodeloso Canal de Telegram para estar informado: https://t.me/+T6RxUKg_xhk0NzE0 Grupo abierto de Telegram para conversar: https://t.me/+tBHrUSWNbZswNThk Twitch: https://www.twitch.tv/elabrazodeloso Escucha el episodio completo en la app de iVoox, o descubre todo el catálogo de iVoox Originals
La escritora francesa Neige Sinno estuvo en Carrusel de las Artes para hablar de su libro ‘Triste tigre', un texto que ha sacudido el mundo editorial francés desde su publicación. El libro, ganador del premio Fémina 2023, analiza de forma precisa y sin concesiones el tema difícil y tortuoso del incesto, que la autora aborda desde su propia experiencia.
👉Durante su último viaje a Latinoamérica en julio pasado, Yvonne tuvo la oportunidad de visitar el Hogar de acogida de Nuestra Señora de Panamá. ❤️En esta visita, pudo compartir con niñas víctimas de incesto, esta visita fue mágica tanto para Yvonne como para ellas, en este episodio te comparte todos los detalles y te acompaña a reflexionar sobre las realidades que nos rodean y cómo podemos hoy comenzar a Cambiar y Mejorar el mundo en una sola generación. Yvonne también te comparte ¡una sorpresa! 😍 Se aproxima un RETO GRATUITO y todos los detalles los encontrarás en este episodio. ¿Te unes a esta epidemia de Madres, Padres, Adultos que deseamos amar y respetar a los niños de nuestra vida como legítimamente merecen y necesitan? Te esperamos en el RETO GRATUITO!!
El tabú del incesto ha existido entre los humanos desde los comienzos de la humanidad y en Puerto Rico no es la excepción. Un estudio en 1959 reveló que nuestro país tenía 14 casos reportados por cada millón de personas. La verdad, estos números no eran ni realistas. Acompáñame hoy en Historia Con Calle para que conozcas acerca del incesto en Puerto Rico. Fuentes de información para este episodio: Rabell, Carmen; Ficciones Legales: Ensayos sobre ley, retórica y narración González-Knudson, Doris; Interpersonal Dynamics and Mothers' Involvement in Father-Daughter Incest in Puerto Rico; Tesis 1981 Ohio State University Otero, Bracero, Norma I.; Conocimientos sobre incesto que tienen los técnicos de trabajo social escolar de la región educativa de San Juan y su relación con unas variables personales; Tesis 1986 UPR Guzmán, Ugarte, Astrid; El delito de incesto y su impacto en la familia puertorriqueña; Tesis 1990 UPR Medina, Ortiz, Rosana; Consejería para hombres que fueron víctimas de incesto durante su infancia; Tesis 1991 UPR Guma, Bacot, Sergio; Historial de vida y personalidad de padres que cometen incesto: Un estudio de casos; Tesis 1995 UPR Mora, Delgado, Raul A.; El-La consejero/consejera ante el/la sobreviviente de incesto; Tesis 1996 Ureña, Pichardo, Lourdes B.; Incesto padre-hija; Tesis 1999 UPR Santos, Figueroa, Axel A.; José, un hombre sobreviviente al incesto y al maltrato en la niñez: Estudio de un caso y su psicoterapia; Tesis 2004 UPR Butler, Judith; Undoing Gender; Routledge, Taylor & Francis Group 2004 Mambrú, Tavárez, Vilmania Psy.D. Psicóloga Clínica; Manual de tratamiento para profesionales en casos de abuso sexual; 2005 Agosto, Martínez, Melissa / Esberg, Ruiz, John A.; ¿Y luego del incesto que? Al rescate de las voces de las madres sobre las experiencias intrafamiliares y con los servicios recibidos en Puerto Rico a mayo 2008; Tesis 2008 UPR Hung, Yuen, Sheila M.; Percepciones y experiencias de algunas madres cuyas hijas han sufrido incesto por parte de su padre o padrastro; Tesis 2011 UPR García, Antongiorgi, Rowina; La cuestión del incesto: Articulación entre ley, deseo y prohibición; Tesis 2013 UPR Badillo, Grújales, Ricardo; Cuando el placer se convierte en delito; Publicaciones Gaviota 2017 Boletín Social: Criminalidad en Puerto Rico Serie Histórica 1900 al 2009; Gobierno de Puerto Rico, Oficina del Gobernador, Junta de Planificación
Toda la info en: https://los40.com.mx/los40/2023/04/27/viral/1682559388_207458.html
Llegó la Semana Santa y mucha gente se entregará de cuerpo y alma a la oración, mientras otros se entregarán a la tragadera. Escucha cuales son los platillos más horribles y también los más deliciosos que se acostumbran dar en Semana Santa.Y si de pecados quieres hablar, escucha cómo se puso un pobre tipo que descubrió que su esposa le tenía ganas a su joven sobrino.
Barbara Baekeland tinha apenas 52 anos quando foi encontrada sem vida no seu apartamento de Luxo em Londres. O crime tomou as páginas de todos os jornais porque Barbara não era uma pessoa comum... ela era membro de uma família milionária e a pessoa que fez isso com ela também, no caso, seu próprio filho.
En este episodio del podcast Relatos de Placer te narramos una historia de sexo con la que que muchas mujeres fantaseamos. Tener relaciones sexuales con un amigo de mi hijo es algo tan excitante!Siéntate y disfruta de las foces sensuales y femeninas de este podcast erotico.No te pierdas este audio relato erotico y sigue el podcast Relatos de placer para no perderte ningún nuevo audio relato x
En este episosdio de "Relatos de Placer ",Hoy les contaré la vez que fui acosada por mi suegro. En este audio relato erótico disfrutaras de una historia sexual con la que muchas mujeres fantasean.Suscribete al podcast Relatos de placer para mas audio relatos eroticos .
El ministro Néstor Osuna habló en La FM sobre la reforma al Código Penal.
Un ciudadano demandó la prohibición del incesto en el Código Penal. Argumentaba que la sanción a las relaciones consentidas entre parientes del núcleo familiar íntimo era una afrenta al libre desarrollo de la personalidad.
Audio relato erótico. Sexo con mi papa.
En este capítulo hablamos de: Emperadores glotones, Incesto, Luis de Austria, Madres atroces, Isabel de Baviera, la emperatriz, Guerras liberales, Francisco II, Y más sobre Anécdotas del imperio Habsburgo.
Un nuevo audios relato erótico de incesto,de los que nos pediis habitualmente.Nueva narradora,joven y sensual que te llevará a la excitación mas profunda con esta historia sexual de una hija con su padre.
Ni los no videntes se salvan. Sigueme en Instagram @loveafatboy
NUESTRO PATREON! patreon.com/amor_tiguando Sigue a Reny Instagram: https://www.instagram.com/reny_revelles/ Tiktok: https://www.tiktok.com/@renyrevelles Sigue a Cecy Instagram: https://www.instagram.com/cecie_/Tiktok: https://www.tiktok.com/@cecie_Youtube: https://www.youtube.com/user/saorikissTwitch: https://www.twitch.tv/cecie_ Sigue a Pato Instagram: https://www.instagram.com/pato_rmz13/Youtube: https://www.youtube.com/c/PatoRmzPTwitch: https://www.twitch.tv/patormz_13
Sin vergüenza, nuestro entusiasmo por House of the Dragon crece episodio tras episodio. En esta cuarta entrega repasamos todas las escenas sin encontrar algo que nos disgustara; incluso Laura que estaba en el equipo de "no le creo a la serie" tuvo gritos de sorpresa. Incesto, chistes de doble sentido muy tontos y gente entusiasmada es lo que van a encontrar en esta grabación. En los micrófonos salen: Sara Trejos, Santiago Rivas, Alejandro Gómez Dugand y Laura Rojas Aponte.
Con este Podcast nuestra gente linda de Moca y Alabama estarán bien contentos, Porque hablamos del nuevo Update que permite tener incesto de Sims, los nuevos Skins de WWE en diferentes juegos, El nuevo juego de Japón Feudal que llegara de manos de Ex desarrolladoras de cyberpunk, el aumento desmedido en la tecnología Meta Quest y lo nuevo que tiene PlayStation. Esto y mucho más en nuestro episodio esta semana. NO nos hacemos responsables de los comentarios expresados dentro de nuestra cueva. --------- Tribu VIP'S Limited Edition --------- Scarylookin Se un VIP patreon.com/elgamercave --------- LINKS IMPORTANTES --------- ElGamerCave.com https://discord.gg/WhxW9ZN9 Background Song by Kubbi https://kubbimusic.com #subedenivel #elgamercave #Gamer #gaming #ps5 #game #playstation #games #videogames #xbox #podastgamingespanol --- Support this podcast: https://podcasters.spotify.com/pod/show/elgamercave/support
Hoy cuento la historia de amor y sexo que tengo con mi papa. Soy tan feliz de ser su puti hija...Sigue este podcast erótiico y escucha relatos sexuales desde donde y cuando quieras.Puedes disfrutarlo estando sol@ o en compañia...
¡Incesto, papelones, protestas y muertes! ¡En este podcast lo tenemos todo! Los boricuas se hartaron que LUMA los tenga bien jodíos con tanto aumento y tanto apagón, así que salieron a la calle sin afeitarse y con el más vello posible en sus cuerpos para protestar ante el abuso de la compañía. Un congela'o Miguel Romero se lleva una sabrosa descarga en New York, Reina Rosselló da sus últimos ladridos, los influencers de Pe Erre andan caga'os con Hacienda y unas dos mil personas están pensando en quitarse de Only Fans porque le están velando las planillas. Ricky Martin puede lamberse 50 años por ligarse al sobrino, la campaña Free Pina no está dando resultados, cancelan el programa de Francis en Univisión, mientras Molusco sigue con su novelón flow Elif con SBS. Por si fuera poco, una de nuestras parejas favoritas nos regalan un hermoso momento romántico cuando él quería pelear borracho con un loco y ella le gritaba “¡mírame, mírame!” para controlarlo. Recuerda: si te ofendes, eso no es problema de nosotros. ¡Desde GW-Cinco, esto es #LaHoraMachorra! TAQUILLAS PA'L SHOW DE OSCAR: https://boletos.prticket.com/events/en/unstandupsinti USA EL CÓDIGO "20MACHORRO" PARA UN 20% DE DESCUENTO EN: https://www.manscaped.com/ LAS MEJORES ARTESANÍAS: https://prartisans.com/ LA MEJOR MARCA DE ROPA BORICUA: https://www.resistancecompany.com/ PATREON: https://www.patreon.com/lahoramachorra INSTAGRAM: https://www.instagram.com/lahoramachorra/ CANAL DE CLIPS: https://www.youtube.com/c/lahoramachorraclips EL MEJOR STUDIO DE PE ERRE: https://www.instagram.com/gw_cinco/ Hosts: Alexis 'Macetaminofén' Zárraga, José Valiente & Oscar Navarro === REDES === Maceta https://www.facebook.com/TioMacetaminofen https://twitter.com/Macetaminofen https://www.instagram.com/macetaminofen/ Valiente https://www.youtube.com/user/valiente101 https://twitter.com/JoseValiente https://www.instagram.com/josevalientepr/ Oscar https://www.instagram.com/oscarnavarropr https://twitter.com/oscarnavarropr https://www.facebook.com/oscarnavarropr
La noticia de la semana --- This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app --- Send in a voice message: https://anchor.fm/mabel-morales/message Support this podcast: https://anchor.fm/mabel-morales/support
Hoy traemos un audio porno interactivo donde tu seras el protagonista. Disfruta de tu prima sin que tu familia os descubra.✅Sigue este podcast porno y escucha audio relatos eróticos desde donde y cuando quieras.Nueva web: https://linkfly.to/RelatosDePlacer
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Muchas veces nos vemos tentados por algún familiar, una tía, un primo o hasta la suegra. Pero que te guste tu hermana, te cases con ella y la embaraces parece sacado de una historia bien Trhiller.Conoce la historia que te relataremos en este episodio y escucha el por qué decidieron conformar una familia incestuosa.
Varias personas se han enamorado profundamente de una persona, pero luego descubrieron que era un familiar. Qué debería hacer en este caso ¿Seguir o terminar?Y nuestra experta en temas de pareja nos cuenta lo que son los 'Matapasiones' y cómo evitarlos en una relación que podría convertirse en tóxica.
La desaparición de Brittney Nicole Wood, de 19 años, dejó evidencia una red sexual infantil que incluye tres generaciones de incesto, violación y pedofilia, así como una decena de sus familiares, en la cárcel.