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Em França, a morte de Lyhanna, uma menina de 11 anos, está a gerar uma mobilização contra a lentidão da justiça em tratar os crimes sexuais contra crianças. O suspeito da sua morte acumulava outras denúncias de violações e abusos de menores, mas nunca foi interrogado pelas autoridades. A activista Luísa Semedo denuncia um “escândalo de Estado” que “mete a nu muitas deficiências do Estado” francês, sublinha que “a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França” e que apenas 3% dos agressores são condenados. A investigadora associa-se à mobilização que pede a adopção de uma Lei Integral de combate aos crimes sexuais e acredita que “uma parte da sociedade está a acordar”. Esta segunda-feira, houve manifestações em várias cidades francesas para expressar a revolta colectiva pela morte de Lyhanna e para protestar contra as falhas da Justiça e do Estado francês no que toca à protecção das crianças contra crimes sexuais. Esta quinta-feira, a indignação e a revolta chegaram ao jornal português Público com uma crónica da activista Luísa Semedo, que começa assim: “Em França, a cada três minutos, o tempo de leitura desta crónica, uma criança é vítima de agressão sexual e apenas 3% das denúncias de violação de menores resultam em condenação.” [Os números “abissais” da violência sexual sobre crianças são da Comissão [francesa] Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).] Conversámos com Luísa Semedo, investigadora em Filosofia Política e Ética; que olha para a morte de Lyhanna como “a ponta do iceberg” daquilo que denuncia como “um escândalo de Estado”. “É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este o suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido”, explica, por telefone, à RFI. Luísa Semedo sublinha que além de ser um “escândalo de Estado”, a morte de mais uma criança alegadamente vítima de um predador sexual revela também “um escândalo da sociedade”, pelo que é urgente “uma mudança de mentalidades”. “Estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa, muitas vezes, dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou com um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa-se, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto”, diz Luísa Semedo. As associações feministas e de protecção da infância reivindicam a adopção de uma Lei Integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres, a qual já tinha sido apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada. Na concentração desta segunda-feira, em frente ao ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, uma conhecida realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em peça de teatro e que também deu um filme - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denunciou uma detenção arbitrária. Nas redes sociais, muitos partilharam as imagens da violenta detenção de Andréa Bescond e ela também publicou fotografias das nódoas negras que daí resultaram. Luísa Semedo também ficou perplexa com o que aconteceu e pergunta-se como é que Andréa Bescond, uma vítima, “foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos nunca foi sequer ouvido”. Por outro lado, Luísa Semedo subscreve o apelo de Andréa Bescond de concentrações pacíficas todas as segundas-feiras, às 19h, diante de todos os tribunais de França até à adopção da Lei Integral de combate às violências sexuais. “Esta Lei Integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos (...) É uma lei cujo objectivo é fazer com que, cada vez que haja um destes casos, não seja considerado só como um ‘fait divers' ou como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema”, acrescenta a investigadora. Esta semana, nos protestos e até na Assembleia francesa, ouviram-se pedidos a exigir a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à justiça - ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Lecornu propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série contra os actuais 20 anos de prisão [para os que chegam a ser julgados] e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas são suficientes? Não, responde Luísa Semedo, sublinhando que a questão principal “não está no número de anos da pena do agressor”, mas no facto de apenas “3% dos casos de agressão sexual serem punidos”. No domingo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, assinalou que existem “graves falhas” na gestão do caso do suspeito da morte de Lyhanna, e anunciou que 70 mil queixas envolvendo crimes sexuais contra menores terão de ser examinados até 14 de Julho. Mais uma vez, Luísa Semedo aponta o seu olhar crítico para este anúncio e diz: “Parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países europeus. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado de 'performance', com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Apesar de lamentar que tanto a Justiça, quanto o Estado, quanto a Sociedade tenham falhado até agora, Luísa Semedo acredita que “uma parte da sociedade a acordar”. Por isso deixa também o apelo: “Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.” Luísa Semedo: A morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” e "talvez o início de uma revolução” RFI: Por que é que decidiu mobilizar-se e escrever num jornal português sobre a morte de Lyhanna? Luísa Semedo, Activista e Investigadora em Filosofia Política e Ética: “Porque em França está a ser uma situação que está a causar imensa emoção e penso que é uma questão que é universal, não é uma questão que é só importante em França, a questão da violência contra as crianças. Parece-me importante também que em Portugal se fale sobre isto porque o que se sente é que há, de facto, uma zona um pouco escondida, a questão do MeToo, da violência em geral e da violência sexual e nomeadamente contra as crianças. É como se fosse uma zona em que o problema é tão grande que parece preferir-se não se ver um problema tão grande. Neste momento, está a rebentar em França com o caso da Liana, ou seja, é a gota de água que fez com que as pessoas saíssem todas para a rua.” Na segunda-feira houve manifestações em várias cidades francesas para exigir medidas e está a haver uma mobilização. O que espera desta mobilização? É possível que algo mude? É preciso um tsunami? Ou, como escreve na crónica no Público, "está-se talvez a viver o início de uma revolução?” “Sim. O que eu espero é que haja uma mudança de mentalidades porque são questões tão estruturais, tão profundas na sociedade, que não é só com pequenas medidas de urgência que se vai lá. Ou seja, é uma questão que necessita que várias soluções sejam postas em prática e uma das mais importantes é talvez uma mudança de mentalidades. Ou seja, olhar para uma criança como uma pessoa é a base, perceber que é uma pessoa que tem um corpo e que tem de ter consentimento em relação ao que lhe fazem. A criança também tem de ter essa consciência e, por isso, as associações pedem muito que haja, por exemplo, uma educação sexual e afectiva nas escolas, que é uma coisa que não existe ou existe de forma muito rudimentar. Ou seja, é toda uma panóplia de soluções que devem ser feitas.” As associações que se têm mobilizado e participado nestes protestos reivindicam a adopção de uma proposta de lei integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres. A Luísa Semedo também fala nesta lei integral na sua crónica. O que é esta lei integral que chegou a ser apresentada no final de 2025 por cerca de 100 deputados, mas que nunca foi analisada? “Esta lei integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos, ou seja, a questão do que é que é a dominação sobre o corpo de outro, o que é o consentimento. São questões que implicam toda a gente e, portanto, também começa na educação. Isso é muito importante. É uma lei cujo objectivo é fazer com que cada vez que haja um destes casos que não seja considerado só como um ‘fait divers', só como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema. E esse sistema tem de ser combatido com esta lei integral que são 78 medidas e que são medidas para enfrentar este caso de frente, ou seja, com várias leis diferentes.” Nos protestos em frente ao Ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em filme e em peça de teatro - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denuncia uma detenção arbitrária. Como é que vê o que aconteceu e vai seguir o apelo dela de manifestar todas as segundas-feiras em frente aos tribunais de França até à Lei Integral de protecção das vítimas de abusos sexuais ser adoptada? “Sim, sem dúvida. Eu sempre que posso tento acompanhar este tipo de acções que me parecem absolutamente importantes e acho que é muito reconfortante até para as vítimas. Eu própria também sou uma sobrevivente, portanto, é sempre muito forte ver estas pessoas mobilizadas. Acho que nos toca a todas as pessoas que foram de alguma forma vítimas de violência e, portanto, sim, sem dúvida. O que aconteceu com a Andréa Bescond foi, de alguma forma, uma intimidação de uma das cabeças da manifestação, que foi acompanhada também, algumas horas antes, pela proibição da manifestação à frente do Ministério da Justiça. O Estado ou o governo dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, há ali um discurso que é bastante ambíguo em relação à questão da violência e da violência sexual contra as crianças e contra as mulheres, que já dura há bastantes anos, não é só de agora.” No seu texto escreve “A lei tem um prazo. O trauma não”. O que pode fazer o Estado francês para ajudar as vítimas que vivem com o trauma e para evitar futuras agressões? “Sim, na Lei Integral também é pedido para que haja apoio para as vítimas para as questões do trauma. Muitas das vítimas vivem o que nós chamamos de stress pós-traumático e stress pós-traumático complexo também. É, por exemplo, o acesso a profissionais de saúde da psiquiatria, psicologia e medicamentos. Há todo um acompanhamento que é necessário quando se sofre de stress pós-traumático, por exemplo. É algo que é muito complicado ainda de ter em França. Isso é um dos pedidos também da Lei Integral. Parece-me absolutamente essencial também ver algo que acho que faz parte da Lei Integral, que é a forma como se ouvem as crianças. Ou seja, elas serem ouvidas de forma autónoma dos adultos que, por vezes, são as pessoas que as agridem e portanto, elas terem um local seguro para serem ouvidas, para serem escutadas, para serem levadas a sério.” Ou seja, é todo um dispositivo que muda completamente a forma como nós vemos até agora as vítimas. Por enquanto, os agressores parecem ser mais protegidos do que as vítimas e o objectivo é que esta estrutura mude completamente, ou seja, que o centro da preocupação sejam, de facto, as vítimas e não os agressores.” Depois do que aconteceu, o ministro da Justiça Gérald Darmanin anunciou, no domingo, que 70.000 processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de Julho. O jornal Libération diz que o poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça. Que leitura faz? E é possível estes 70.000 processos serem analisados num mês? “Pois, somente não me parece possível, como me parece que o que for feito vai ser mal feito porque parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado um bocado de 'performance' com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Ouviram-se pedidos a exigir a demissão do Primeiro-Ministro francês, não só nas manifestações, mas também na Assembleia. Sébastien Lecornu rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à Justiça, ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Ele propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série, contra os actuais 20 anos de prisão (para os que chegam a ser julgados) e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas chegam? “Estas medidas não chegam porque há medidas que já existem. O problema é que as medidas não estão a ser cumpridas. Se só há 3% dos casos de agressão que são punidos, não tem nada a ver com a pena ser maior ou mais pequena. O que é importante é que estas pessoas sejam punidas e é importante ouvir as vítimas. Muitas das vítimas dizem: ‘O que nós queremos, o que nos vai fazer ficar em sentir insegurança e sentir reconfortados é que não haja impunidade'. Não se está à espera que haja pena de morte ou castração, ou o que quer que seja de medida cada vez mais espectacular para dar uma impressão de que se está a fazer alguma coisa. Não é isso. O facto é que só 3% de casos de agressão sexual é que são punidos, portanto, a questão está aí e não está nos anos da pena do agressor.” É por isso que fala num “escândalo de Estado” em relação ao caso Lyhanna? “Sim, sim. É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado sim. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido, o que é bastante impressionante. Imagine-se que alguém com este perfil nunca foi ouvido e alguém com o perfil de Andréa Bescond, que é uma sobrevivente, foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos contra ele nunca foi sequer ouvido. Portanto, já se está aqui a ver o contraste entre como é que as pessoas vítimas e activistas são tratadas e os agressores são tratados.” Ou seja, como escreve no artigo, “não houve aqui só uma negligência pontual, nem um simples disfuncionamento, como afirmou o Presidente Macron”, é algo mais vasto? “Sim, sem dúvida é algo mais vasto. Nós estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só mesmo a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa muitas vezes dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e é, de facto, um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto.” A Justiça e o Estado falharam? “Sim. Falharam a Justiça, o Estado, mas a sociedade em geral também está a falhar. Felizmente, o que se está a ver nas ruas é uma parte da sociedade a acordar e a mostrar que não vai deixar passar. Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”
Em França, a morte de Lyhanna, uma menina de 11 anos, está a gerar uma mobilização contra a lentidão da justiça em tratar os crimes sexuais contra crianças. O suspeito da sua morte acumulava outras denúncias de violações e abusos de menores, mas nunca foi interrogado pelas autoridades. A activista Luísa Semedo denuncia um “escândalo de Estado” que “mete a nu muitas deficiências do Estado” francês, sublinha que “a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França” e que apenas 3% dos agressores são condenados. A investigadora associa-se à mobilização que pede a adopção de uma Lei Integral de combate aos crimes sexuais e acredita que “uma parte da sociedade está a acordar”. Esta segunda-feira, houve manifestações em várias cidades francesas para expressar a revolta colectiva pela morte de Lyhanna e para protestar contra as falhas da Justiça e do Estado francês no que toca à protecção das crianças contra crimes sexuais. Esta quinta-feira, a indignação e a revolta chegaram ao jornal português Público com uma crónica da activista Luísa Semedo, que começa assim: “Em França, a cada três minutos, o tempo de leitura desta crónica, uma criança é vítima de agressão sexual e apenas 3% das denúncias de violação de menores resultam em condenação.” [Os números “abissais” da violência sexual sobre crianças são da Comissão [francesa] Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).] Conversámos com Luísa Semedo, investigadora em Filosofia Política e Ética; que olha para a morte de Lyhanna como “a ponta do iceberg” daquilo que denuncia como “um escândalo de Estado”. “É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este o suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido”, explica, por telefone, à RFI. Luísa Semedo sublinha que além de ser um “escândalo de Estado”, a morte de mais uma criança alegadamente vítima de um predador sexual revela também “um escândalo da sociedade”, pelo que é urgente “uma mudança de mentalidades”. “Estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa, muitas vezes, dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou com um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa-se, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto”, diz Luísa Semedo. As associações feministas e de protecção da infância reivindicam a adopção de uma Lei Integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres, a qual já tinha sido apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada. Na concentração desta segunda-feira, em frente ao ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, uma conhecida realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em peça de teatro e que também deu um filme - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denunciou uma detenção arbitrária. Nas redes sociais, muitos partilharam as imagens da violenta detenção de Andréa Bescond e ela também publicou fotografias das nódoas negras que daí resultaram. Luísa Semedo também ficou perplexa com o que aconteceu e pergunta-se como é que Andréa Bescond, uma vítima, “foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos nunca foi sequer ouvido”. Por outro lado, Luísa Semedo subscreve o apelo de Andréa Bescond de concentrações pacíficas todas as segundas-feiras, às 19h, diante de todos os tribunais de França até à adopção da Lei Integral de combate às violências sexuais. “Esta Lei Integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos (...) É uma lei cujo objectivo é fazer com que, cada vez que haja um destes casos, não seja considerado só como um ‘fait divers' ou como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema”, acrescenta a investigadora. Esta semana, nos protestos e até na Assembleia francesa, ouviram-se pedidos a exigir a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à justiça - ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Lecornu propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série contra os actuais 20 anos de prisão [para os que chegam a ser julgados] e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas são suficientes? Não, responde Luísa Semedo, sublinhando que a questão principal “não está no número de anos da pena do agressor”, mas no facto de apenas “3% dos casos de agressão sexual serem punidos”. No domingo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, assinalou que existem “graves falhas” na gestão do caso do suspeito da morte de Lyhanna, e anunciou que 70 mil queixas envolvendo crimes sexuais contra menores terão de ser examinados até 14 de Julho. Mais uma vez, Luísa Semedo aponta o seu olhar crítico para este anúncio e diz: “Parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países europeus. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado de 'performance', com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Apesar de lamentar que tanto a Justiça, quanto o Estado, quanto a Sociedade tenham falhado até agora, Luísa Semedo acredita que “uma parte da sociedade a acordar”. Por isso deixa também o apelo: “Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.” Luísa Semedo: A morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” e "talvez o início de uma revolução” RFI: Por que é que decidiu mobilizar-se e escrever num jornal português sobre a morte de Lyhanna? Luísa Semedo, Activista e Investigadora em Filosofia Política e Ética: “Porque em França está a ser uma situação que está a causar imensa emoção e penso que é uma questão que é universal, não é uma questão que é só importante em França, a questão da violência contra as crianças. Parece-me importante também que em Portugal se fale sobre isto porque o que se sente é que há, de facto, uma zona um pouco escondida, a questão do MeToo, da violência em geral e da violência sexual e nomeadamente contra as crianças. É como se fosse uma zona em que o problema é tão grande que parece preferir-se não se ver um problema tão grande. Neste momento, está a rebentar em França com o caso da Liana, ou seja, é a gota de água que fez com que as pessoas saíssem todas para a rua.” Na segunda-feira houve manifestações em várias cidades francesas para exigir medidas e está a haver uma mobilização. O que espera desta mobilização? É possível que algo mude? É preciso um tsunami? Ou, como escreve na crónica no Público, "está-se talvez a viver o início de uma revolução?” “Sim. O que eu espero é que haja uma mudança de mentalidades porque são questões tão estruturais, tão profundas na sociedade, que não é só com pequenas medidas de urgência que se vai lá. Ou seja, é uma questão que necessita que várias soluções sejam postas em prática e uma das mais importantes é talvez uma mudança de mentalidades. Ou seja, olhar para uma criança como uma pessoa é a base, perceber que é uma pessoa que tem um corpo e que tem de ter consentimento em relação ao que lhe fazem. A criança também tem de ter essa consciência e, por isso, as associações pedem muito que haja, por exemplo, uma educação sexual e afectiva nas escolas, que é uma coisa que não existe ou existe de forma muito rudimentar. Ou seja, é toda uma panóplia de soluções que devem ser feitas.” As associações que se têm mobilizado e participado nestes protestos reivindicam a adopção de uma proposta de lei integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres. A Luísa Semedo também fala nesta lei integral na sua crónica. O que é esta lei integral que chegou a ser apresentada no final de 2025 por cerca de 100 deputados, mas que nunca foi analisada? “Esta lei integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos, ou seja, a questão do que é que é a dominação sobre o corpo de outro, o que é o consentimento. São questões que implicam toda a gente e, portanto, também começa na educação. Isso é muito importante. É uma lei cujo objectivo é fazer com que cada vez que haja um destes casos que não seja considerado só como um ‘fait divers', só como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema. E esse sistema tem de ser combatido com esta lei integral que são 78 medidas e que são medidas para enfrentar este caso de frente, ou seja, com várias leis diferentes.” Nos protestos em frente ao Ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em filme e em peça de teatro - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denuncia uma detenção arbitrária. Como é que vê o que aconteceu e vai seguir o apelo dela de manifestar todas as segundas-feiras em frente aos tribunais de França até à Lei Integral de protecção das vítimas de abusos sexuais ser adoptada? “Sim, sem dúvida. Eu sempre que posso tento acompanhar este tipo de acções que me parecem absolutamente importantes e acho que é muito reconfortante até para as vítimas. Eu própria também sou uma sobrevivente, portanto, é sempre muito forte ver estas pessoas mobilizadas. Acho que nos toca a todas as pessoas que foram de alguma forma vítimas de violência e, portanto, sim, sem dúvida. O que aconteceu com a Andréa Bescond foi, de alguma forma, uma intimidação de uma das cabeças da manifestação, que foi acompanhada também, algumas horas antes, pela proibição da manifestação à frente do Ministério da Justiça. O Estado ou o governo dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, há ali um discurso que é bastante ambíguo em relação à questão da violência e da violência sexual contra as crianças e contra as mulheres, que já dura há bastantes anos, não é só de agora.” No seu texto escreve “A lei tem um prazo. O trauma não”. O que pode fazer o Estado francês para ajudar as vítimas que vivem com o trauma e para evitar futuras agressões? “Sim, na Lei Integral também é pedido para que haja apoio para as vítimas para as questões do trauma. Muitas das vítimas vivem o que nós chamamos de stress pós-traumático e stress pós-traumático complexo também. É, por exemplo, o acesso a profissionais de saúde da psiquiatria, psicologia e medicamentos. Há todo um acompanhamento que é necessário quando se sofre de stress pós-traumático, por exemplo. É algo que é muito complicado ainda de ter em França. Isso é um dos pedidos também da Lei Integral. Parece-me absolutamente essencial também ver algo que acho que faz parte da Lei Integral, que é a forma como se ouvem as crianças. Ou seja, elas serem ouvidas de forma autónoma dos adultos que, por vezes, são as pessoas que as agridem e portanto, elas terem um local seguro para serem ouvidas, para serem escutadas, para serem levadas a sério.” Ou seja, é todo um dispositivo que muda completamente a forma como nós vemos até agora as vítimas. Por enquanto, os agressores parecem ser mais protegidos do que as vítimas e o objectivo é que esta estrutura mude completamente, ou seja, que o centro da preocupação sejam, de facto, as vítimas e não os agressores.” Depois do que aconteceu, o ministro da Justiça Gérald Darmanin anunciou, no domingo, que 70.000 processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de Julho. O jornal Libération diz que o poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça. Que leitura faz? E é possível estes 70.000 processos serem analisados num mês? “Pois, somente não me parece possível, como me parece que o que for feito vai ser mal feito porque parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado um bocado de 'performance' com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Ouviram-se pedidos a exigir a demissão do Primeiro-Ministro francês, não só nas manifestações, mas também na Assembleia. Sébastien Lecornu rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à Justiça, ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Ele propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série, contra os actuais 20 anos de prisão (para os que chegam a ser julgados) e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas chegam? “Estas medidas não chegam porque há medidas que já existem. O problema é que as medidas não estão a ser cumpridas. Se só há 3% dos casos de agressão que são punidos, não tem nada a ver com a pena ser maior ou mais pequena. O que é importante é que estas pessoas sejam punidas e é importante ouvir as vítimas. Muitas das vítimas dizem: ‘O que nós queremos, o que nos vai fazer ficar em sentir insegurança e sentir reconfortados é que não haja impunidade'. Não se está à espera que haja pena de morte ou castração, ou o que quer que seja de medida cada vez mais espectacular para dar uma impressão de que se está a fazer alguma coisa. Não é isso. O facto é que só 3% de casos de agressão sexual é que são punidos, portanto, a questão está aí e não está nos anos da pena do agressor.” É por isso que fala num “escândalo de Estado” em relação ao caso Lyhanna? “Sim, sim. É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado sim. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido, o que é bastante impressionante. Imagine-se que alguém com este perfil nunca foi ouvido e alguém com o perfil de Andréa Bescond, que é uma sobrevivente, foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos contra ele nunca foi sequer ouvido. Portanto, já se está aqui a ver o contraste entre como é que as pessoas vítimas e activistas são tratadas e os agressores são tratados.” Ou seja, como escreve no artigo, “não houve aqui só uma negligência pontual, nem um simples disfuncionamento, como afirmou o Presidente Macron”, é algo mais vasto? “Sim, sem dúvida é algo mais vasto. Nós estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só mesmo a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa muitas vezes dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e é, de facto, um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto.” A Justiça e o Estado falharam? “Sim. Falharam a Justiça, o Estado, mas a sociedade em geral também está a falhar. Felizmente, o que se está a ver nas ruas é uma parte da sociedade a acordar e a mostrar que não vai deixar passar. Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”
¿Por qué fallan las contrataciones? Ivonne Vargas revela errores de empresas…y también de candidatos. Hosted by Simplecast, an AdsWizz company. See https://pcm.adswizz.com for information about our collection and use of personal data for advertising.
Esta semana, en nuestro programa “En Primera Plana” desarrollamos un tema crucial: las elecciones presidenciales en Colombia, que se celebrarán el domingo 31 de mayo. Analizaremos quiénes son los candidatos que lideran las encuestas, cuál es el balance de la gestión de Gustavo Petro, el posible regreso de la derecha a la presidencia y, sobre todo, el peso de la violencia en estos comicios. Tras cuatro años de gobierno del izquierdista Gustavo Petro, los colombianos vuelven a las urnas para elegir nuevo presidente. Y el nombre de ese nuevo mandatario se juega entre una larga lista de catorce candidatos inscritos. Suenan especialmente los nombres de tres de ellos: Iván Cepeda, representante del oficialismo por el partido Pacto Histórico; Paloma Valencia, candidata del uribismo; y Abelardo de la Espriella, nueva cara de la derecha, distanciado de la derecha tradicional y más cercano al modelo del presidente Nayib Bukele en El Salvador. Desmenuzamos los aspectos más importantes de estos comicios.con cuatro invitados especiales: Eldi Paola Robayo, investigadora en la Escuela de Altos Estudios de Ciencias Sociales de Francia, especializada en seguridad y defensa en Colombia y organismos internacionales. Clara de la Hoz del Real, socióloga, especializada en migraciones y ayuda humanitaria. Investigadora de post doctorado en la Universidad Paris-Saclay, Universidad de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines. Fabián Plazas Díaz, doctorando en historia. Experto en relaciones internacionales, conflictos armados y procesos de paz en Colombia. David Durán Hernández, abogado franco-colombiano, especializado en Derecho y Ética de los Negocios. Realización: Yann Bourdelas, Robin Cussenod. Sonido: Vanessa Loiseau Presenta: Andreína Flores Coordinación editorial: Florencia Valdés
Esta semana, en nuestro programa “En Primera Plana” desarrollamos un tema crucial: las elecciones presidenciales en Colombia, que se celebrarán el domingo 31 de mayo. Analizaremos quiénes son los candidatos que lideran las encuestas, cuál es el balance de la gestión de Gustavo Petro, el posible regreso de la derecha a la presidencia y, sobre todo, el peso de la violencia en estos comicios. Tras cuatro años de gobierno del izquierdista Gustavo Petro, los colombianos vuelven a las urnas para elegir nuevo presidente. Y el nombre de ese nuevo mandatario se juega entre una larga lista de catorce candidatos inscritos. Suenan especialmente los nombres de tres de ellos: Iván Cepeda, representante del oficialismo por el partido Pacto Histórico; Paloma Valencia, candidata del uribismo; y Abelardo de la Espriella, nueva cara de la derecha, distanciado de la derecha tradicional y más cercano al modelo del presidente Nayib Bukele en El Salvador. Desmenuzamos los aspectos más importantes de estos comicios.con cuatro invitados especiales: Eldi Paola Robayo, investigadora en la Escuela de Altos Estudios de Ciencias Sociales de Francia, especializada en seguridad y defensa en Colombia y organismos internacionales. Clara de la Hoz del Real, socióloga, especializada en migraciones y ayuda humanitaria. Investigadora de post doctorado en la Universidad Paris-Saclay, Universidad de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines. Fabián Plazas Díaz, doctorando en historia. Experto en relaciones internacionales, conflictos armados y procesos de paz en Colombia. David Durán Hernández, abogado franco-colombiano, especializado en Derecho y Ética de los Negocios. Realización: Yann Bourdelas, Robin Cussenod. Sonido: Vanessa Loiseau Presenta: Andreína Flores Coordinación editorial: Florencia Valdés
La Mesa - Jueves 14.05.2026 - Álvaro Perrone condicionó su voto sobre investigadora de ASSE a proyecto de prisión domicialiaria para mayores de 70 by En Perspectiva
Roxana Maurizio- Docente FCE UBA e Investigadora Conicet @LAURASVERDLICK
UNAS CUANTAS VERDADES con Mariano Obarrio 13-05-2026 Entrevistas a: Matías Ruiz (Secretario de Hacienda de la UBA) Sandra Pitta @spitta1969 (Dra. en Biotecnología vegetal, Investigadora del CONICET) Walter Caamaño (Analista Político, Docente Universitario)
Sandra Pitta @spitta1969 (Dra. en Biotecnología vegetal, Investigadora del CONICET) Unas Cuantas Verdades @marianoobarrio
Ángela Tello González es una destacada economista, socióloga, investigadora y poeta colombiana, nacida en Santander de Quilichao en 1959. Economista de la Universidad del Valle. Especialista en desarrollo comunitario. Magíster en Sociología, también por la Universidad del Valle. Investigadora y coordinadora de procesos sociales y culturales, con especial enfoque en la prevención y atención de adicciones. Ha tenido responsabilidad en la dirección y administración de entidades sociales, y en la coordinación de proyectos nacionales e internacionales . Diplomada en “Introducción al Modelo Epistemología de la Complejidad Ética y Comunitaria” (México, 2007). Autora de varios poemarios publicados en Cali:De Raíces y Alas (1997).En el Corazón de la Bestia o Transfiguraciones del Rostro de la Ciudad (2005).Cartas a Farim Nasem (2011). Su poesía explora temas como el amor, la guerra, el coraje, el miedo, la memoria, el olvido y la soledad en el paisaje urbano. Ha sido publicada en revistas como La Manzana de la Discordia y fuentes académicas diversas. Colaboró con la Secretaría de Cultura y Turismo de Cali en el libro colectivo La Vuelta a la Manzana – Una Memoria Literaria de Cali (2013). Ángela Tello González combina una formación sólida en economía y sociología con una apasionada labor en el desarrollo comunitario y la prevención de adicciones. Paralelamente, ha señalado con fuerza su voz poética, capturando los rincones íntimos y sociales de la vida urbana en Cali. Su trayectoria refleja un compromiso profundo con la transformación social y la expresión literaria.
Esta mañana en #Noticias7AM entrevistamos a Fátima Rodríguez, Investigadora de seguridad informática de ESET. Tema: Cuánto cuestan los datos filtrados en México. #Uniradioinforma
Conversamos con Nicole Tischler, investigadora del Centro Ciencia y Vida, académica de la Universidad San Sebastián y presidenta de la International Hantavirus Society, sobre el hantavirus, a propósito del fatal brote en un crucero en Argentina.
Charlamos con el rector de la Universidad Nacional Autónoma de México, Leonardo Lomelí Venegas, aprovechando su visita a España por la II Cumbre de Rectores México-España. Lomelí cree que es necesario una visión más compleja y profunda de América Latina, alejada de los enfoques centrados únicamente en la violencia o la inestabilidad política. Además, ha subrayado que la región vive un proceso de “recomposición económica” y redefinición de su papel en un contexto global marcado por la incertidumbre. Sobre las relaciones entre España y México asegura que en el plano académico e investigador no se han visto alteradas en los últimos años a pesar de las tensiones diplomáticas entre ambos países.Abordamos también la actualidad de Latinoamérica, desde la nueva líder del partido mexicano Morena al inicio del toque de queda nocturno en amplias zonas de Ecuador o las multitudinarias manifestaciones opositoras en Venezuela por el fin de la ley de amnistía. Escuchar audio
Vuelo de Regreso: Ianina Tuñón, investigadora del OBSERVATORIO DE LA DEUDA SOCIAL DE LA UCA Con Santiago Pont Lezica y Gisela Larsen FM MILENIUM
AAD PARTE 1: El Principado y la Fundación Centro Tecnológico y Forestal de la Madera (CETEMAS) desarrollan un proyecto piloto para crear herramientas digitales para facilitar la identificación de las propiedades rurales, algo demasiadas veces muy complicado, y su gestión. Javier Vigil, Director General de Gestión Forestal, Juan Majada Director de Cetemas, Elena Canga, Coordinadora área de Geomática de Cetemas, Covadonga Prendes, Investigadora de Geomática de Cetemas e Isabel Fernández, Coordinadora de Calidad y del Laboratorio de Ensayos de Cetemas. AAD PARTE 2: Gracias a la propuesta de la Asociación Cultural Camín de Mieres, nos fijamos hoy en el incremento de los incidentes entre montañeros, a veces de gran nivel, otras meros turistas, y perros mastines que cuidan el ganado, a menudo sin la presencia de su propietario. Mar Montero, asociación cultural Camín de Mieres, promotora de la iniciativa. Arturo Sainz, montañero y gestor de caza. Domingo Melero, divulgador y guía de naturaleza. Modesto Álvarez Alba, ganadero y propietario de mastines. Xabiel González, veterinario de la asociación de criadores del Pastor del Osu, montañero y ecologista AAD PARTE3: Xuntanza es el grupo de participacion juvenil de la Fundación Mar de Niebla. Creado en 2024 a partir de los proyectos educativos, ofrece una intervención voluntaria y flexible, con propuestas que crean y realizan los propios participantes. Olivia González Muñiz, Daniela Lacueva, Óscar Soto Blázquez, Moisés Elias Acevedo, Llara Gago, participantes de Xuntanza y Gonzalo Suárez, técnico de participación de Xuntanza.
Texto Imagen/Video Recientemente tras el anuncio del «Congreso de Masculinidad Fearless Congress” en Guadalajara, Jalisco, la Red Nacional de Masculinidades “Cómplices por la Igualdad” ha manifestado que se opone a la proliferación de discursos que promueven una masculinidad machista, porque proponen retrocesos en materia de derechos de las mujeres, igualdad, inclusión y justicia de género y además dañan el tejido social. También han expresado su preocupación en torno a las intervenciones sobre hombres y masculinidades que se hacen desde visiones que se oponen a los derechos de las mujeres, los feminismos, las políticas de igualdad y el cambio cultural. Hoy te invitamos a reflexionar en torno a este tema en El Expresso de las 10, con la compañía en vivo del Dr. Armando Díaz Camarena, él es Psicólogo de formación, Doctor en Ciencias Sociales con especialidad en sociología, Investigador sobre educador sexual y estado laico y Activista y Educador de la sexualidad, con más de 30 años de trayectoria y el Dr. Juan Carlos Ramírez, Académico jubilado de la Universidad de Guadalajara. Coordinador de la Red de Masculinidades Alternativas de Jalisco-REMA. En grabación escucha las voces de la Dra. María Alejandra Salguero Velázquez, Investigadora de FES Iztalacala en la UNAM, Presidenta de la Academia Mexicana de Estudios de Género de los Hombres, A.C. y al Dr. Rafael González Franco, Coordinador del Diplomado Internacional en Masculinidades e Integrante de la Red Nacional de Masculinidades Cómplices por la Igualdad.
Ha estado en el 'Gabinete de psicología' con Minaya Benavente para explicar al detalle su trabajo
Janeth Valdivieso, investigadora y coordinadora editorial del proyecto, advirtió en Mañanas Blu con Camila Zuluaga que materiales como el coltán, el estaño y el niobio están en el centro de una disputa geoestratégica controlada por grupos armados ilegales.See omnystudio.com/listener for privacy information.
1. 1. Gobernadoradice que Domenech asistirá a Comisión Total en el Senado2. 2. En lamira de la Comisión Total el manejo de contratos en el Programa de Medicaid delDepartamento de Salud3. 3. Senadodemanda a Hacienda para que entregue datos de Antonio Sagardía4. 4. Gobernadoradecidirá futuro de secretario de Corrección5. 5. Polémicadel Condominio Sol y Playa permite primera mirada del Supremo a la rebeldía enel contexto administrativo6. 6. Unión delFondo denuncia descanso de Semana Santa no puede pagarlo el trabajador con susvacaciones7. 7. Ayerfalleció uno de los verdaderamente grandes periodistas puertorriqueños. No deesos que se creen personalities sino realmente un obrero del arte y de oficiode informar sobre la cultura, Jorge Rodríguez Alonso. Periodista cultural,dramaturgo, entrañable amigo. Que descanse en paz,8. 8. Ayertambién falleció una de las principales investigadoras y profesoras de cienciassociales en todo Puerto Rico, Margarita Mergal, quien casualmente, fuecolumnista de El Vocero durante décadas., Investigadora de filosofía política,feminista y defensora de los derechos civiles, luchadora independentista,columnista, académica, universitaria9. 9. SaleZulma Fuster Troche del FEI. Esta salida abona al colapso de credibilidad queempaña la labor de la Oficina del Panel del Fiscal Especial Independiente10. 10. ElTribunal Supremo parece dispuesto a anular las leyes de recuento de votos porcorreo en 13 estados
GRACIAS por el ejemplo de estas feminas que han dado, y dan lo mejor para la humanidad. desde sus espacios. GRACIAS.. Embajadora de Paz. MARIA ARACELI GARCIA CARRAZCO, diretroa COLIBRI. mexico. @maraceligarciacarrazco GRACIAS Prof.Marisa Maragliano. Directroa Academia Argnetina de Tangoterapia. @tangoterapia_aatt GRACIAS por compartir este audio. ABRAZOTES de PAZ. DRA. MARISA PATIÑO Embajadora de Paz. /Parlamentaria Mundial de Educación/Investigadora,Internacional Certificada por ORCID / Mentora Neurocuantica APLIACADA con su metodo NeuroEmpoderARTE / entrenadora Coherencia Cardiaca Cerebral Corporal / Conferenvista Internacional Certificada REd Mundial /Autora libro. NeuroEmpoderHADA cuantica, para NEUROEMPDOERAR A LA HUMANIDAD, y PREVENIR VIOLENCIA FAMILIAR. desde la Neurocuantica APLICADA. .www.marisapatinoambassador.com
Entrevista de Leonardo Tagliabúe a Christian Castillo, diputado PBA e integrante de la comisión investigadora del caso $LIBRA.
Investigadora, empresária e professora universitária na Alemanha, Angela Relógio formou a TimeTeller, uma startup premiada especializada em aferir o ciclo circadiano ao nível molecular para usos médicos e não só.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A falta de mulheres no debate, o dilema da confiança, o despedimento de grávidas, o desafio família-carreira, a desigualdade salarial, a pobreza feminina, o teto e o precipício de vidro, o abuso sexual nas universidades.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Investigadora, entomóloga e autora, já esteve em várias partes do mundo, em condições adversas, a estudar e a perceber a natureza. Acaba de editar justamente "Lições da Natureza", um livro que procura mostrar-nos como os animais resolvem os seus problemas e como talvez, nalguns casos, pudessem servir de exemplo à espécie humana.
Le preocupa –y le ocupa– lo importante: el desarrollo y la libertad. Investigadora de profesión y agente de cambio por vocación, es una mezcla poco común de curiosidad, planeación, colaboración y sentido de suficiencia. La brújula con la que guía sus decisiones de carrera se llama INTUICIÓN. Mucho de ésta, más otro poco de inteligencia práctica, le han permitido alinear su quehacer profesional a sus muy particulares intereses. Se le nota que disfruta su existencia y que la mueve incidir positivamente en la de otros.Los distintos lugares del mundo que ha conocido o en los que ha vivido la han hecho sensible y le han enseñado a angular realidades. Me inspira su forma de ver la vida. Le quiero copiar varios de sus concretos. Por favor, no se pierdan el concepto del “Fuck You-Fund”, elegantemente llamado “Fondo Libre”, con todo y acróstico. Una joya. Acá su LinkedIn.
Buenos días. No terminan de ser, a lo menos, erráticas las explicaciones del gobierno sobre la polémica generada por el cable submarino Chile-China. Hablaron de defender la soberanía ante las sanciones tomadas por Estados Unidos contra funcionarios del gobierno; dijeron que estaban sorprendidos por el actuar de la administración Trump; reiteraron que el proyecto estaba en una etapa de evaluación… hasta que El Mercurio dio a conocer que el ministro de Transportes había firmado un decreto aprobando la concesión del cable chino, es decir, la decisión política estaba tomada. Aunque horas después fue anulado, ya la explicaciones del comienzo poco servían, claramente no era sólo una evaluación. Pero anoche en su cuenta de X, el Presidente Gabriel Boric volvió con esa versión… y entregando la responsabilidad al nuevo gobierno : “El proyecto de cable submarino presentado por una empresa de origen chino está en evaluación siguiendo la institucionalidad que nuestro país tiene ante iniciativas de estas características. Durante el proceso he instruido a todas las autoridades sectoriales recabar los antecedentes necesarios para tomar una decisión fundada, que por cierto excede en plazos a nuestro mandato y deberá ser continuada o desechada por las próximas autoridades”. Antes de esta declaración, el Presidente electo José Antonio Kast ya había pedido que La Moneda aclarara esta trama que podría tener nuevos giros.
La Mesa 24.02.2026 - Investigadora por estancia María Dolores se posterga por diferencias entre blancos y colorados by En Perspectiva
La Mesa 23.02.26 - La Asamblea General votará hoy la creación de una comisión investigadora por el Caso Cardama by En Perspectiva
En este episodio, Anahí y Mecca conversan con la Dra. Sofía Olmedo sobre su nuevo proyecto sobre diabetes tipo 2 en la comunidad Qom de Argentina y los beneficios de utilizar la investigación acción participativa. Dra. Sofía Olmedo es Licenciada en Nutrición por la Universidad Cuenca del Plata de Formosa y Doctora en Ciencias de la Salud (FCM-UNC). Actualmente es Investigadora asistente de CONICET y Profesora adjunta en la Universidad Nacional de Formosa. Trabaja en estudios sobre nutrición y alimentación desde la perspectiva de la salud colectiva. Aborda temas relacionados con salud intercultural, el medio ambiente, soberanía alimentaria, seguridad alimentaria e hídrica en contextos de diversidad cultural. Sus investigaciones se originan en el marco del Programa de Ecología Reproductiva del Chaco Oriental (PERCHA), dentro del cual se realizan estudios relacionados con la fertilidad, crecimiento infantil, y salud general de las comunidades originarias de la región del Gran Chaco. Su investigación doctoral titulada “Determinación social de la alimentación y estado nutricional de preescolares qom de Formosa” fue realizada en una comunidad qom periurbana (Namqom) de la ciudad de Formosa Capital. Actualmente, está trabajando en el proyecto de investigación acción participativa “Repensando la Diabetes: una estrategia intercultural liderada por iniciativa comunitaria de salud en una comunidad indígena de Argentina” junto con tres miembros de la comunidad qom de Formosa. ------------------------------ Contact Dr. Olmedo at sofiaireneolmedo@gmail.com o sofiaolmedo@conicet.gov.ar ------------------------------ Contact the Sausage of Science Podcast and the Human Biology Association: Facebook: facebook.com/groups/humanbiologyassociation/, Website: humbio.org, Twitter: @HumBioAssoc Anahi Ruderman, SoS Co-Producer, HBA Junior Fellow E-mail: aniruderman@gmail.com, Twitter: @ani_ruderman Mecca Howe, SoS Co-Producer, HBA Fellow LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/mecca-howe/, Email: howemecca@gmail.com
Há anos que discutimos o crescimento da extrema-direita como reflexo de um mal-estar económico e social, entregando-lhe quase sem resistência a representação política do descontentamento. Mas talvez a pergunta decisiva venha antes das urnas: quem decide hoje a forma como nos informamos e quem molda aquilo que queremos saber quando pensamos em política? Temas que não surgiam no topo das preocupações dos cidadãos — como a imigração, a segurança ou questões culturais laterais — tornaram-se centrais no debate público. Não por força de maiorias sociais, mas pela repetição e pela capacidade de dominar a atenção mediática. A extrema-direita pode não ganhar eleições, mas ganha tempo de antena, centralidade e a normalização do seu discurso e das suas prioridades. É sobre este duplo movimento — media tradicionais e mediação através de algoritmos totalmente opacos — que recebemos novamente Joana Gonçalves Sá, licenciada em Engenharia Física Tecnológica pelo Instituto Superior Técnico e doutorada em Biologia de Sistemas pelo ITQB-NOVA, com tese desenvolvida na Universidade de Harvard. Investigadora nas áreas dos sistemas digitais, algoritmos e inteligência artificial, é coautora de dois estudos recentes que analisam a relação entre visibilidade mediática, extrema-direita e motores de pesquisa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Narrativas Políticas.
Escuche esta y más noticias de LA PATRIA Radio de lunes a viernes por los 1540 AM de Radio Cóndor en Manizales y en www.lapatria.com, encuentre videos de las transmisiones en nuestro Facebook Live: www.facebook.com/lapatria.manizales/videos
Federico entrevista a Maibort Petit, politóloga e investigadora venezolana que hace más de veinte años se vio obligada a migrar a los Estados Unidos.
Analizamos la encuesta de IDESPO.
Entrevista Virginia Bertolotti - Lingüista, investigadora y docente de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación by En Perspectiva
Blanca Heredia, Politóloga. Investigadora en política educativa
Carlota García Encina, investigadora del Real Instituto Elcano: "Marco Rubio es el ideólogo de todo lo que está pasando"
Javier del Pino, Pere Estupinyà y Javier Sampedro conversan con la profesora de investigación en el Instituto Cajal (CSIC) y presidenta de la Red Olfativa Española sobre el olfato, nuestro sentido más desconocido y olvidado.
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Ágora acude al congreso anual de la Sociedad Española de Ingeniería Biomédica, que se celebra en Zaragoza, para conversar con la ponente más destacada: Blanca Rodríguez, Catedrática e Investigadora de la Universidad de Oxford, experta en medicina computacional. Rodríguez expone cómo su equipo utiliza gemelos digitales para testar fármacos. Además, interviene en el programa el Presidente de la citada Sociedad, Enrique Gómez.
¿Qué ocurre cuando el alma abandona el cuerpo en este mundo? Con Victoria Peñaranda, revelamos los misterios del Umbral del Alma. Exploraremos las tres regiones del umbral —la Franja de Ecos, la Sala del Agua y la Cámara de Reconocimiento—, lugares donde la conciencia se purifica y se prepara para un nuevo despertar. Y descubriremos la función secreta de la bóveda espiritual. ¡Acompáñanos en este viaje hacia los velos del más allá! Victoria Peñaranda Terapeuta espiritual especializada en Sanación por Arquetipos y liberación de implantes energéticos. Investigadora y guía en procesos de tránsito del alma, restitución Psicoespiritual y acompañamiento en el umbral. Más información en: https://www.mindaliatelevision.com PARTICIPA CON TUS COMENTARIOS EN ESTE VÍDEO. ------------ INFORMACIÓN SOBRE MINDALIA ---------- Mindalia.com es una ONG internacional, sin ánimo de lucro, que difunde universalmente contenidos sobre espiritualidad y bienestar para la mejora de la consciencia del mundo. Apóyanos con tu donación en: https://www.mindalia.com/donar/ - Suscríbete, comenta positivamente y comparte nuestros vídeos para difundir este conocimiento a miles de personas. Nuestro sitio web: https://www.mindalia.com SÍGUENOS TAMBIÉN EN NUESTRAS PLATAFORMAS https://www.mindalia.com/plataformas/ *Mindalia.com no se hace responsable de las opiniones vertidas en este vídeo, ni necesariamente participa de ellas. #Alma #Conciencia #Despertar
La bandera pirata de One Piece ondea en las protestas de Bangladesh, Nepal, Marruecos, Perú y la lista sigue. La Generación Z ha iniciado sus revoluciones y en solo cuatro meses derrocó tres gobiernos. Jóvenes sin líderes que se organizan por Discord, desconfían de las instituciones tradicionales y quieren tener voz. En este episodio de Bajo la Lupa, analizamos cómo una generación supuestamente apática se convirtió en un actor político clave en muchos países, utilizando símbolos culturales compartidos y plataformas de gaming como herramientas de transformación política global.Participan:Julieta Heduvan. Investigadora y consultora, especialista en relaciones internacionales y en Estudios Latinoamericanos. Coordinadora Nacional de la Asociación de Estudios de Asia y Africa (ALADAA). Colaboradora de Diálogo PolíticoElaine Ford. Directora de Democracia Digital y autora del libro “Tecnologías digitales y elecciones en el Perú”. Magister en Estudios Internacionales (Universidad de Chile).Enlaces de interés:¿Cómo Discord y las redes se convirtieron en la plaza pública de la Generación Z?De Katmandú a América Latina: juventudes conectadas, élites en crisis y política en llamasBajo la Lupa es un podcast de Diálogo político. Un proyecto de la Fundación Konrad Adenauer. Conducción y realización: Franco Delle Donne | Rombo Podcasts.Visita dialogopolitico.org.
Entrevista Luciana Griffero - Doctora en Ciencias Biológicas, Investigadora y docente del Departamento interdisciplinario de Sistemas Costeros y Marinos del CURE by En Perspectiva
En Ivoox puedes encontrar sólo algunos de los audios de Mindalia. Para escuchar las 4 grabaciones diarias que publicamos entra en https://www.mindaliatelevision.com. Si deseas ver el vídeo perteneciente a este audio, pincha aquí: https://www.youtube.com/watch?v=Lem_JgyodMY Renacer es dejar morir lo que ya no te sirve para dar paso a una versión auténtica y alineada con tu plan de alma. Cristina Navarro te invita a acompañar este proceso de transformación profunda con técnicas de Tapping que liberan bloqueos y abren camino a tu nueva vida. Cristina Navarro 30 años de estudio de la energía. Especialista en Acupuntura, Feng-shui y Radiestesia. Formadora desde hace años de Alquimia Energética. Investigadora del campo energético y armonizadores de desequilibrios energéticos en espacios y lugares. http://www.puravidaki.com Más información en: https://www.mindaliatelevision.com PARTICIPA CON TUS COMENTARIOS EN ESTE VÍDEO. ------------INFORMACIÓN SOBRE MINDALIA----------DPM Mindalia.com es una ONG internacional, sin ánimo de lucro, que difunde universalmente contenidos sobre espiritualidad y bienestar para la mejora de la consciencia del mundo. Apóyanos con tu donación en: https://www.mindalia.com/donar/ Suscríbete, comenta positivamente y comparte nuestros vídeos para difundir este conocimiento a miles de personas. Nuestro sitio web: https://www.mindalia.com SÍGUENOS TAMBIÉN EN NUESTRAS PLATAFORMAS Facebook: / mindalia.ayuda Instagram: / mindalia_com Twitch: / mindaliacom Odysee: https://odysee.com/@Mindalia.com *Mindalia.com no se hace responsable de las opiniones vertidas en este vídeo, ni necesariamente participa de ellas.
En Ivoox puedes encontrar sólo algunos de los audios de Mindalia. Para escuchar las 4 grabaciones diarias que publicamos entra en https://www.mindaliatelevision.com. Si deseas ver el vídeo perteneciente a este audio, pincha aquí: https://www.youtube.com/watch?v=aq4xTtaxlP0 ¿La muerte es realmente el final… o apenas una transición? En esta entrevista profunda, la doctora Lola Aparicio, psiquiatra y forense, nos habla sobre las experiencias cercanas a la muerte (ECM), el fenómeno de la perimuerte, la conciencia más allá del cerebro y el papel del alma en el tránsito final. Exploramos la conexión entre ciencia y espiritualidad, y cuestionamos si los hospitales y profesionales sanitarios están preparados para acompañar el momento más sagrado de la vida: el paso hacia el otro lado. Lola Aparicio Médico y escritora. Doctora en medicina con 38 años de experiencia. Investigadora y apasionada de la perimuerte. CONSIGUE EL LIBRO AQUÍ: https://amzn.to/3H2WYcW Más información en: https://www.mindaliatelevision.com PARTICIPA CON TUS COMENTARIOS EN ESTE VÍDEO. -----------INFORMACIÓN SOBRE MINDALIA--------- Mindalia.com es una ONG internacional, sin ánimo de lucro, que difunde universalmente contenidos sobre espiritualidad y bienestar para la mejora de la consciencia del mundo. Apóyanos con tu donación en: https://www.mindalia.com/donar/ Suscríbete, comenta positivamente y comparte nuestros vídeos para difundir este conocimiento a miles de personas. Nuestro sitio web: https://www.mindalia.com SÍGUENOS TAMBIÉN EN NUESTRAS PLATAFORMAS Facebook: / mindalia.ayuda Instagram: / mindalia_com Twitch: / mindaliacom Odysee: https://odysee.com/@Mindalia.com *Mindalia.com no se hace responsable de las opiniones vertidas en este vídeo, ni necesariamente participa de ellas.
Carlota García, investigadora de EEUU: "Estados Unidos sigue siendo la única superpotencia capaz de influir en Israel"
En Ivoox puedes encontrar sólo algunos de los audios de Mindalia. Para escuchar las 4 grabaciones diarias que publicamos entra en https://www.mindaliatelevision.com. Si deseas ver el vídeo perteneciente a este audio, pincha aquí: https://www.youtube.com/watch?v=IF9it9GA04M Tras sus múltiples investigaciones, Elena Berzal revela los efectos poco conocidos de sustancias como el flúor y el glifosato, que pueden calcificar la glándula pineal y afectar nuestra claridad mental, salud integral y conexión interior. ¿Qué puedes hacer hoy para desintoxicarte y proteger tu cuerpo, recuperar tu paz y vivir con mayor lucidez? ¡Descúbrelo! Elena Berzal Experta en Salud Ambiental y tóxicos. Investigadora, divulgadora y consultora; referente para quienes buscan vivir más y mejor potenciando salud, energía y paz interior. Forma parte de distintos equipos médicos. Más información en: https://www.mindalia.com/television/ PARTICIPA CON TUS COMENTARIOS EN ESTE VÍDEO. -----------INFORMACIÓN SOBRE MINDALIA--------- Mindalia.com es una ONG internacional, sin ánimo de lucro, que difunde universalmente contenidos sobre espiritualidad y bienestar para la mejora de la consciencia del mundo. Apóyanos con tu donación en: https://www.mindalia.com/donar/ Suscríbete, comenta positivamente y comparte nuestros vídeos para difundir este conocimiento a miles de personas. Nuestro sitio web: https://www.mindalia.com SÍGUENOS TAMBIÉN EN NUESTRAS PLATAFORMAS Facebook: / mindalia.ayuda Instagram: / mindalia_com Twitch: / mindaliacom Odysee: https://odysee.com/@Mindalia.com *Mindalia.com no se hace responsable de las opiniones vertidas en este vídeo, ni necesariamente participa de ellas.