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Volta ao mundo em 180 segundos
23/06: Primeiro-ministro britânico renuncia ao cargo | Europa enfrenta calor extremo e França registra mortes | ONU acusa Exército de Myanmar por mais de 700 mortes de civis durante período eleitoral

Volta ao mundo em 180 segundos

Play Episode Listen Later Jun 23, 2026 5:32


Em pronunciamento em Londres, primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou já ter apresentado sua renúncia ao rei Charles III e reconheceu que não é mais a pessoa mais indicada para liderar o Partido Trabalhista. E ainda:- Europa enfrenta uma nova onda de calor intensa, a segundaem menos de um mês, com temperaturas muito acima da média histórica e alertas em diversos países- Mais de 700 civis foram mortos em Myanmar durante o período eleitoral realizado entre agosto de 2025 e janeiro de 2026- Com dois gols na vitória da Argentina sobre a Áustria, Lionel Messi chega a 18 gols em Copas do Mundo e se tornou o maior artilheiro da história do torneio Apoia.se do Mundo em 180 Segundos | apoio mensal – clique aquiApoia.se do Mundo em 180 Segundos | apoio de 1 episódio – clique aqui Notícias em tempo real nas redes sociais Instagram @mundo_180_segundos e Linkedin Mundo em 180 SegundosFale conosco através do mundo180segundos@gmail.com

Noticiário Nacional
10h Primeiro-Ministro do Reino Unido demitiu-se

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Jun 22, 2026 13:33


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JORNAL DA RECORD
22/06/2026 | Edição Exclusiva: Primeiro-ministro britânico Keir Starmer anuncia saída do cargo

JORNAL DA RECORD

Play Episode Listen Later Jun 22, 2026 4:50


Confira nesta edição do JR 24 Horas: O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou sua decisão de deixar o cargo em declaração na residência oficial em Londres. Ele mencionou ter ouvido o partido trabalhista e reconhecido que não é mais a pessoa certa para liderar o país. Starmer continuará no cargo até a escolha de um novo líder. As indicações serão abertas em 9 de julho. O ex-prefeito de Manchester, Andy Burnham, é favorito para assumir. Se houver disputa interna, a escolha pode ocorrer em setembro. E ainda: Rio de Janeiro inicia campanha de vacinação com Pneumo 20 em crianças de até 5 anos.

Resumão Diário
JN: Neymar está liberado para jogar; primeiro-ministro do Reino Unido anuncia que irá renunciar; julgamento de PMs acusados de matar delator do PCC é anulado

Resumão Diário

Play Episode Listen Later Jun 22, 2026 4:35


Lionel Messi, o maior artilheiro da história das copas marcou os cinco gols da Argentina no Mundial. Na Seleção Brasileira, o receio de perder jogadores para o mata-mata pode influenciar Ancelotti na escalação contra a Escócia. Neymar está liberado para jogar na quarta-feira (24). O primeiro-ministro Keir Starmer anuncia que irá renunciar ao cargo no Reino Unido. Em São Paulo, o julgamento dos PMs acusados de executar Vinícius Gritzbach foi anulado. Rebeca Andrade voltou a competir e conquistou medalha de ouro no salto no Pan-Americano de Ginástica.

Expresso - O mundo a seus pés
Entre bivalves e kebabs, o Reino Unido 10 anos após o Brexit e um primeiro-ministro a prazo

Expresso - O mundo a seus pés

Play Episode Listen Later Jun 19, 2026 52:07


Aperta-se o cerco a Keir Starmer a escassos dias de se completar uma década da votação que ditou a saída dos britânicos da UE. Pedro Cordeiro e Ana França discutem o que mudou e o que mudará em terras de Sua Majestade. Andy Burnham, até agora presidente da Câmara da Grande Manchester, regressa ao Parlamento e tem caminho aberto para desafiar Starmer na liderança trabalhista – e em Downing Street. Como se chegou até aqui? E para onde vai tudo isto? É o que explicam Pedro Cordeiro, editor da secção Internacional do Expresso, e a jornalista Ana França. Há 10 anos cobriram juntos o referendo do Brexit, agora estão de volta ao Reino Unido para anteciparem os próximos capítulos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Podcast Conversa
Recebi resposta oficial da Casa Real Espanhola. Duas em uma semana

Podcast Conversa

Play Episode Listen Later Jun 18, 2026 4:48


Segue o Podcast Conversa no Instagram.Não te esqueças de subscrever e deixar like no vídeo, ajuda muito o canal.Também disponível no Spotify e Apple Podcasts.Acompanhe a leitura de cartas oficiais enviadas por líderes mundiais e chefes de estado. Veja quais autoridades responderam aos envios recentes.Nesta live, realizo a leitura de cartas recebidas de diversos governantes e figuras de autoridade ao redor do globo. O foco é compartilhar o conteúdo dessas correspondências políticas, que incluem respostas oficiais de primeiros-ministros, presidentes e membros da realeza. Se você tem interesse em ver quais líderes internacionais enviaram suas respostas, este vídeo detalha cada documento que chegou às minhas mãos.Abordo desde as respostas do Primeiro-Ministro português e do Primeiro-Ministro irlandês até as comunicações vindas de Taiwan e do Mónaco. Analisamos a natureza dessas cartas de líderes e o que cada uma representa no contexto atual. A leitura de cartas é um exercício de transparência sobre quem decidiu responder e como essas mensagens oficiais são redigidas.Inscreva-se para acompanhar novas atualizações sobre esta correspondência política semanalmente e comente abaixo qual país ou líder você espera ver na próxima rodada de leitura de cartas.

Visão Global
Arménia, Espanha e Leão XIV

Visão Global

Play Episode Listen Later Jun 14, 2026 49:59


Espanha, depois de uma semana de trégua política para receber o Papa e as legislativas na Arménia, que deram maioria absoluta ao partido do atual Primeiro-Ministro pró-europeu. Edição de José Guerreiro.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Activista denuncia que morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” em França

Convidado

Play Episode Listen Later Jun 11, 2026 13:31


Em França, a morte de Lyhanna, uma menina de 11 anos, está a gerar uma mobilização contra a lentidão da justiça em tratar os crimes sexuais contra crianças. O suspeito da sua morte acumulava outras denúncias de violações e abusos de menores, mas nunca foi interrogado pelas autoridades. A activista Luísa Semedo denuncia um “escândalo de Estado” que “mete a nu muitas deficiências do Estado” francês, sublinha que “a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França” e que apenas 3% dos agressores são condenados. A investigadora associa-se à mobilização que pede a adopção de uma Lei Integral de combate aos crimes sexuais e acredita que “uma parte da sociedade está a acordar”. Esta segunda-feira, houve manifestações em várias cidades francesas para expressar a revolta colectiva pela morte de Lyhanna e para protestar contra as falhas da Justiça e do Estado francês no que toca à protecção das crianças contra crimes sexuais. Esta quinta-feira, a indignação e a revolta chegaram ao jornal português Público com uma crónica da activista Luísa Semedo, que começa assim: “Em França, a cada três minutos, o tempo de leitura desta crónica, uma criança é vítima de agressão sexual e apenas 3% das denúncias de violação de menores resultam em condenação.” [Os números “abissais” da violência sexual sobre crianças são da Comissão [francesa] Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).] Conversámos com Luísa Semedo, investigadora em Filosofia Política e Ética; que olha para a morte de Lyhanna como “a ponta do iceberg” daquilo que denuncia como “um escândalo de Estado”. “É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este o suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido”, explica, por telefone, à RFI. Luísa Semedo sublinha que além de ser um “escândalo de Estado”, a morte de mais uma criança alegadamente vítima de um predador sexual revela também “um escândalo da sociedade”, pelo que é urgente “uma mudança de mentalidades”. “Estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa, muitas vezes, dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou com um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa-se, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto”, diz Luísa Semedo. As associações feministas e de protecção da infância reivindicam a adopção de uma Lei Integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres, a qual já tinha sido apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada. Na concentração desta segunda-feira, em frente ao ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, uma conhecida realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em peça de teatro e que também deu um filme - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denunciou uma detenção arbitrária. Nas redes sociais, muitos partilharam as imagens da violenta detenção de Andréa Bescond e ela também publicou fotografias das nódoas negras que daí resultaram. Luísa Semedo também ficou perplexa com o que aconteceu e pergunta-se como é que Andréa Bescond, uma vítima, “foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos nunca foi sequer ouvido”. Por outro lado, Luísa Semedo subscreve o apelo de Andréa Bescond de concentrações pacíficas todas as segundas-feiras, às 19h, diante de todos os tribunais de França até à adopção da Lei Integral de combate às violências sexuais. “Esta Lei Integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos (...) É uma lei cujo objectivo é fazer com que, cada vez que haja um destes casos, não seja considerado só como um ‘fait divers' ou como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema”, acrescenta a investigadora. Esta semana, nos protestos e até na Assembleia francesa, ouviram-se pedidos a exigir a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à justiça - ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Lecornu propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série contra os actuais 20 anos de prisão [para os que chegam a ser julgados] e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas são suficientes? Não, responde Luísa Semedo, sublinhando que a questão principal “não está no número de anos da pena do agressor”, mas no facto de apenas “3% dos casos de agressão sexual serem punidos”. No domingo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, assinalou que existem “graves falhas” na gestão do caso do suspeito da morte de Lyhanna, e anunciou que 70 mil queixas envolvendo crimes sexuais contra menores terão de ser examinados até 14 de Julho. Mais uma vez, Luísa Semedo aponta o seu olhar crítico para este anúncio e diz: “Parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países europeus. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado de 'performance', com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Apesar de lamentar que tanto a Justiça, quanto o Estado, quanto a Sociedade tenham falhado até agora, Luísa Semedo acredita que “uma parte da sociedade a acordar”. Por isso deixa também o apelo: “Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”   Luísa Semedo: A morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” e "talvez o início de uma revolução”   RFI: Por que é que decidiu mobilizar-se e escrever num jornal português sobre a morte de Lyhanna? Luísa Semedo, Activista e Investigadora em Filosofia Política e Ética: “Porque em França está a ser uma situação que está a causar imensa emoção e penso que é uma questão que é universal, não é uma questão que é só importante em França, a questão da violência contra as crianças. Parece-me importante também que em Portugal se fale sobre isto porque o que se sente é que há, de facto, uma zona um pouco escondida, a questão do MeToo, da violência em geral e da violência sexual e nomeadamente contra as crianças. É como se fosse uma zona em que o problema é tão grande que parece preferir-se não se ver um problema tão grande. Neste momento, está a rebentar em França com o caso da Liana, ou seja, é a gota de água que fez com que as pessoas saíssem todas para a rua.” Na segunda-feira houve manifestações em várias cidades francesas para exigir medidas e está a haver uma mobilização. O que espera desta mobilização? É possível que algo mude? É preciso um tsunami? Ou, como escreve na crónica no Público, "está-se talvez a viver o início de uma revolução?” “Sim. O que eu espero é que haja uma mudança de mentalidades porque são questões tão estruturais, tão profundas na sociedade, que não é só com pequenas medidas de urgência que se vai lá. Ou seja, é uma questão que necessita que várias soluções sejam postas em prática e uma das mais importantes é talvez uma mudança de mentalidades. Ou seja, olhar para uma criança como uma pessoa é a base, perceber que é uma pessoa que tem um corpo e que tem de ter consentimento em relação ao que lhe fazem. A criança também tem de ter essa consciência e, por isso, as associações pedem muito que haja, por exemplo, uma educação sexual e afectiva nas escolas, que é uma coisa que não existe ou existe de forma muito rudimentar. Ou seja, é toda uma panóplia de soluções que devem ser feitas.” As associações que se têm mobilizado e participado nestes protestos reivindicam a adopção de uma proposta de lei integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres. A Luísa Semedo também fala nesta lei integral na sua crónica. O que é esta lei integral que chegou a ser apresentada no final de 2025 por cerca de 100 deputados, mas que nunca foi analisada? “Esta lei integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos, ou seja, a questão do que é que é a dominação sobre o corpo de outro, o que é o consentimento. São questões que implicam toda a gente e, portanto, também começa na educação. Isso é muito importante. É uma lei cujo objectivo é fazer com que cada vez que haja um destes casos que não seja considerado só como um ‘fait divers', só como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema. E esse sistema tem de ser combatido com esta lei integral que são 78 medidas e que são medidas para enfrentar este caso de frente, ou seja, com várias leis diferentes.” Nos protestos em frente ao Ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em filme e em peça de teatro - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denuncia uma detenção arbitrária. Como é que vê o que aconteceu e vai seguir o apelo dela de manifestar todas as segundas-feiras em frente aos tribunais de França até à Lei Integral de protecção das vítimas de abusos sexuais ser adoptada? “Sim, sem dúvida. Eu sempre que posso tento acompanhar este tipo de acções que me parecem absolutamente importantes e acho que é muito reconfortante até para as vítimas. Eu própria também sou uma sobrevivente, portanto, é sempre muito forte ver estas pessoas mobilizadas. Acho que nos toca a todas as pessoas que foram de alguma forma vítimas de violência e, portanto, sim, sem dúvida. O que aconteceu com a Andréa Bescond foi, de alguma forma, uma intimidação de uma das cabeças da manifestação, que foi acompanhada também, algumas horas antes, pela proibição da manifestação à frente do Ministério da Justiça. O Estado ou o governo dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, há ali um discurso que é bastante ambíguo em relação à questão da violência e da violência sexual contra as crianças e contra as mulheres, que já dura há bastantes anos, não é só de agora.” No seu texto escreve “A lei tem um prazo. O trauma não”. O que pode fazer o Estado francês para ajudar as vítimas que vivem com o trauma e para evitar futuras agressões? “Sim, na Lei Integral também é pedido para que haja apoio para as vítimas para as questões do trauma. Muitas das vítimas vivem o que nós chamamos de stress pós-traumático e stress pós-traumático complexo também. É, por exemplo, o acesso a profissionais de saúde da psiquiatria, psicologia e medicamentos. Há todo um acompanhamento que é necessário quando se sofre de stress pós-traumático, por exemplo. É algo que é muito complicado ainda de ter em França. Isso é um dos pedidos também da Lei Integral. Parece-me absolutamente essencial também ver algo que acho que faz parte da Lei Integral, que é a forma como se ouvem as crianças. Ou seja, elas serem ouvidas de forma autónoma dos adultos que, por vezes, são as pessoas que as agridem e portanto, elas terem um local seguro para serem ouvidas, para serem escutadas, para serem levadas a sério.” Ou seja, é todo um dispositivo que muda completamente a forma como nós vemos até agora as vítimas. Por enquanto, os agressores parecem ser mais protegidos do que as vítimas e o objectivo é que esta estrutura mude completamente, ou seja, que o centro da preocupação sejam, de facto, as vítimas e não os agressores.” Depois do que aconteceu, o ministro da Justiça Gérald Darmanin anunciou, no domingo, que 70.000 processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de Julho. O jornal Libération diz que o poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça. Que leitura faz? E é possível estes 70.000 processos serem analisados num mês? “Pois, somente não me parece possível, como me parece que o que for feito vai ser mal feito porque parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado um bocado de 'performance' com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Ouviram-se pedidos a exigir a demissão do Primeiro-Ministro francês, não só nas manifestações, mas também na Assembleia. Sébastien Lecornu rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à Justiça, ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Ele propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série, contra os actuais 20 anos de prisão (para os que chegam a ser julgados) e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas chegam? “Estas medidas não chegam porque há medidas que já existem. O problema é que as medidas não estão a ser cumpridas. Se só há 3% dos casos de agressão que são punidos, não tem nada a ver com a pena ser maior ou mais pequena. O que é importante é que estas pessoas sejam punidas e é importante ouvir as vítimas. Muitas das vítimas dizem: ‘O que nós queremos, o que nos vai fazer ficar em sentir insegurança e sentir reconfortados é que não haja impunidade'. Não se está à espera que haja pena de morte ou castração, ou o que quer que seja de medida cada vez mais espectacular para dar uma impressão de que se está a fazer alguma coisa. Não é isso. O facto é que só 3% de casos de agressão sexual é que são punidos, portanto, a questão está aí e não está nos anos da pena do agressor.” É por isso que fala num “escândalo de Estado” em relação ao caso Lyhanna? “Sim, sim. É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado sim. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido, o que é bastante impressionante. Imagine-se que alguém com este perfil nunca foi ouvido e alguém com o perfil de Andréa Bescond, que é uma sobrevivente, foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos contra ele nunca foi sequer ouvido. Portanto, já se está aqui a ver o contraste entre como é que as pessoas vítimas e activistas são tratadas e os agressores são tratados.” Ou seja, como escreve no artigo, “não houve aqui só uma negligência pontual, nem um simples disfuncionamento, como afirmou o Presidente Macron”, é algo mais vasto? “Sim, sem dúvida é algo mais vasto. Nós estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só mesmo a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa muitas vezes dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e é, de facto, um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto.” A Justiça e o Estado falharam? “Sim. Falharam a Justiça, o Estado, mas a sociedade em geral também está a falhar. Felizmente, o que se está a ver nas ruas é uma parte da sociedade a acordar e a mostrar que não vai deixar passar. Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”

Em directo da redacção
Activista denuncia que morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” em França

Em directo da redacção

Play Episode Listen Later Jun 11, 2026 13:31


Em França, a morte de Lyhanna, uma menina de 11 anos, está a gerar uma mobilização contra a lentidão da justiça em tratar os crimes sexuais contra crianças. O suspeito da sua morte acumulava outras denúncias de violações e abusos de menores, mas nunca foi interrogado pelas autoridades. A activista Luísa Semedo denuncia um “escândalo de Estado” que “mete a nu muitas deficiências do Estado” francês, sublinha que “a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França” e que apenas 3% dos agressores são condenados. A investigadora associa-se à mobilização que pede a adopção de uma Lei Integral de combate aos crimes sexuais e acredita que “uma parte da sociedade está a acordar”. Esta segunda-feira, houve manifestações em várias cidades francesas para expressar a revolta colectiva pela morte de Lyhanna e para protestar contra as falhas da Justiça e do Estado francês no que toca à protecção das crianças contra crimes sexuais. Esta quinta-feira, a indignação e a revolta chegaram ao jornal português Público com uma crónica da activista Luísa Semedo, que começa assim: “Em França, a cada três minutos, o tempo de leitura desta crónica, uma criança é vítima de agressão sexual e apenas 3% das denúncias de violação de menores resultam em condenação.” [Os números “abissais” da violência sexual sobre crianças são da Comissão [francesa] Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).] Conversámos com Luísa Semedo, investigadora em Filosofia Política e Ética; que olha para a morte de Lyhanna como “a ponta do iceberg” daquilo que denuncia como “um escândalo de Estado”. “É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este o suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido”, explica, por telefone, à RFI. Luísa Semedo sublinha que além de ser um “escândalo de Estado”, a morte de mais uma criança alegadamente vítima de um predador sexual revela também “um escândalo da sociedade”, pelo que é urgente “uma mudança de mentalidades”. “Estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa, muitas vezes, dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou com um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa-se, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto”, diz Luísa Semedo. As associações feministas e de protecção da infância reivindicam a adopção de uma Lei Integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres, a qual já tinha sido apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada. Na concentração desta segunda-feira, em frente ao ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, uma conhecida realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em peça de teatro e que também deu um filme - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denunciou uma detenção arbitrária. Nas redes sociais, muitos partilharam as imagens da violenta detenção de Andréa Bescond e ela também publicou fotografias das nódoas negras que daí resultaram. Luísa Semedo também ficou perplexa com o que aconteceu e pergunta-se como é que Andréa Bescond, uma vítima, “foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos nunca foi sequer ouvido”. Por outro lado, Luísa Semedo subscreve o apelo de Andréa Bescond de concentrações pacíficas todas as segundas-feiras, às 19h, diante de todos os tribunais de França até à adopção da Lei Integral de combate às violências sexuais. “Esta Lei Integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos (...) É uma lei cujo objectivo é fazer com que, cada vez que haja um destes casos, não seja considerado só como um ‘fait divers' ou como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema”, acrescenta a investigadora. Esta semana, nos protestos e até na Assembleia francesa, ouviram-se pedidos a exigir a demissão do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à justiça - ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Lecornu propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série contra os actuais 20 anos de prisão [para os que chegam a ser julgados] e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas são suficientes? Não, responde Luísa Semedo, sublinhando que a questão principal “não está no número de anos da pena do agressor”, mas no facto de apenas “3% dos casos de agressão sexual serem punidos”. No domingo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, assinalou que existem “graves falhas” na gestão do caso do suspeito da morte de Lyhanna, e anunciou que 70 mil queixas envolvendo crimes sexuais contra menores terão de ser examinados até 14 de Julho. Mais uma vez, Luísa Semedo aponta o seu olhar crítico para este anúncio e diz: “Parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países europeus. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado de 'performance', com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Apesar de lamentar que tanto a Justiça, quanto o Estado, quanto a Sociedade tenham falhado até agora, Luísa Semedo acredita que “uma parte da sociedade a acordar”. Por isso deixa também o apelo: “Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”   Luísa Semedo: A morte de Lyhanna é “um escândalo de Estado” e "talvez o início de uma revolução”   RFI: Por que é que decidiu mobilizar-se e escrever num jornal português sobre a morte de Lyhanna? Luísa Semedo, Activista e Investigadora em Filosofia Política e Ética: “Porque em França está a ser uma situação que está a causar imensa emoção e penso que é uma questão que é universal, não é uma questão que é só importante em França, a questão da violência contra as crianças. Parece-me importante também que em Portugal se fale sobre isto porque o que se sente é que há, de facto, uma zona um pouco escondida, a questão do MeToo, da violência em geral e da violência sexual e nomeadamente contra as crianças. É como se fosse uma zona em que o problema é tão grande que parece preferir-se não se ver um problema tão grande. Neste momento, está a rebentar em França com o caso da Liana, ou seja, é a gota de água que fez com que as pessoas saíssem todas para a rua.” Na segunda-feira houve manifestações em várias cidades francesas para exigir medidas e está a haver uma mobilização. O que espera desta mobilização? É possível que algo mude? É preciso um tsunami? Ou, como escreve na crónica no Público, "está-se talvez a viver o início de uma revolução?” “Sim. O que eu espero é que haja uma mudança de mentalidades porque são questões tão estruturais, tão profundas na sociedade, que não é só com pequenas medidas de urgência que se vai lá. Ou seja, é uma questão que necessita que várias soluções sejam postas em prática e uma das mais importantes é talvez uma mudança de mentalidades. Ou seja, olhar para uma criança como uma pessoa é a base, perceber que é uma pessoa que tem um corpo e que tem de ter consentimento em relação ao que lhe fazem. A criança também tem de ter essa consciência e, por isso, as associações pedem muito que haja, por exemplo, uma educação sexual e afectiva nas escolas, que é uma coisa que não existe ou existe de forma muito rudimentar. Ou seja, é toda uma panóplia de soluções que devem ser feitas.” As associações que se têm mobilizado e participado nestes protestos reivindicam a adopção de uma proposta de lei integral de combate à violência sexual contra crianças e mulheres. A Luísa Semedo também fala nesta lei integral na sua crónica. O que é esta lei integral que chegou a ser apresentada no final de 2025 por cerca de 100 deputados, mas que nunca foi analisada? “Esta lei integral implica vários tipos de vias para tratar esta questão da violência sexual contra as crianças e vai desde questões como a imprescritibilidade, ou seja, que não haja limite de tempo para apresentar queixa. Também aborda questões como a educação nas escolas: são as crianças que têm de ser educadas, mas também os futuros adultos, ou seja, a questão do que é que é a dominação sobre o corpo de outro, o que é o consentimento. São questões que implicam toda a gente e, portanto, também começa na educação. Isso é muito importante. É uma lei cujo objectivo é fazer com que cada vez que haja um destes casos que não seja considerado só como um ‘fait divers', só como um caso pontual ou ‘um disfuncionamento', como disse o [Emmanuel] Macron, mas que faz parte de um sistema. E esse sistema tem de ser combatido com esta lei integral que são 78 medidas e que são medidas para enfrentar este caso de frente, ou seja, com várias leis diferentes.” Nos protestos em frente ao Ministério da Justiça, em Paris, a polícia deteve Andréa Bescond, realizadora e autora de um livro (‘Les chatouilles ou la danse de la colère') - que transformou em filme e em peça de teatro - sobre os abusos sexuais que ela própria sofreu quando era menor. Ela passou a noite na esquadra e denuncia uma detenção arbitrária. Como é que vê o que aconteceu e vai seguir o apelo dela de manifestar todas as segundas-feiras em frente aos tribunais de França até à Lei Integral de protecção das vítimas de abusos sexuais ser adoptada? “Sim, sem dúvida. Eu sempre que posso tento acompanhar este tipo de acções que me parecem absolutamente importantes e acho que é muito reconfortante até para as vítimas. Eu própria também sou uma sobrevivente, portanto, é sempre muito forte ver estas pessoas mobilizadas. Acho que nos toca a todas as pessoas que foram de alguma forma vítimas de violência e, portanto, sim, sem dúvida. O que aconteceu com a Andréa Bescond foi, de alguma forma, uma intimidação de uma das cabeças da manifestação, que foi acompanhada também, algumas horas antes, pela proibição da manifestação à frente do Ministério da Justiça. O Estado ou o governo dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, há ali um discurso que é bastante ambíguo em relação à questão da violência e da violência sexual contra as crianças e contra as mulheres, que já dura há bastantes anos, não é só de agora.” No seu texto escreve “A lei tem um prazo. O trauma não”. O que pode fazer o Estado francês para ajudar as vítimas que vivem com o trauma e para evitar futuras agressões? “Sim, na Lei Integral também é pedido para que haja apoio para as vítimas para as questões do trauma. Muitas das vítimas vivem o que nós chamamos de stress pós-traumático e stress pós-traumático complexo também. É, por exemplo, o acesso a profissionais de saúde da psiquiatria, psicologia e medicamentos. Há todo um acompanhamento que é necessário quando se sofre de stress pós-traumático, por exemplo. É algo que é muito complicado ainda de ter em França. Isso é um dos pedidos também da Lei Integral. Parece-me absolutamente essencial também ver algo que acho que faz parte da Lei Integral, que é a forma como se ouvem as crianças. Ou seja, elas serem ouvidas de forma autónoma dos adultos que, por vezes, são as pessoas que as agridem e portanto, elas terem um local seguro para serem ouvidas, para serem escutadas, para serem levadas a sério.” Ou seja, é todo um dispositivo que muda completamente a forma como nós vemos até agora as vítimas. Por enquanto, os agressores parecem ser mais protegidos do que as vítimas e o objectivo é que esta estrutura mude completamente, ou seja, que o centro da preocupação sejam, de facto, as vítimas e não os agressores.” Depois do que aconteceu, o ministro da Justiça Gérald Darmanin anunciou, no domingo, que 70.000 processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de Julho. O jornal Libération diz que o poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça. Que leitura faz? E é possível estes 70.000 processos serem analisados num mês? “Pois, somente não me parece possível, como me parece que o que for feito vai ser mal feito porque parece até humanamente impossível, tendo em conta que um dos problemas em França é justamente, em relação à União Europeia, a França ter menos meios, por exemplo, em procuradores do que no resto dos países. Ou seja, há um problema também de meios que não vêm directamente da culpa de magistrados ou dos serviços da Justiça. Vem do Estado em geral e dos meios que são dados a estas questões e das prioridades também que estão em cima da mesa. Por exemplo, a formação de polícias é algo que é importante e também não é feito. O que este caso está a revelar é, de facto, todas as insuficiências do Estado em relação a esta questão, que é uma questão que é multifactorial e que não é só uma questão de magistrados ou só uma questão de ir ver cada caso. Claro que é importante ver cada caso e acho muito bem que se faça, mas não com este lado um bocado de 'performance' com uma data, como se fosse uma espécie de concurso. Até acho indecente e de mau gosto porque há um lado de 'performance' que não tem nada a ver com a seriedade do tema.” Ouviram-se pedidos a exigir a demissão do Primeiro-Ministro francês, não só nas manifestações, mas também na Assembleia. Sébastien Lecornu rejeita deixar o cargo e aponta o dedo à Justiça, ainda que o governo francês seja acusado de ter feito cortes no sector. Ele propôs a possibilidade de uma pena de prisão perpétua para os violadores em série, contra os actuais 20 anos de prisão (para os que chegam a ser julgados) e disse querer que os inquéritos relativos a crimes contra menores sejam feitos em menos de três meses. Estas medidas chegam? “Estas medidas não chegam porque há medidas que já existem. O problema é que as medidas não estão a ser cumpridas. Se só há 3% dos casos de agressão que são punidos, não tem nada a ver com a pena ser maior ou mais pequena. O que é importante é que estas pessoas sejam punidas e é importante ouvir as vítimas. Muitas das vítimas dizem: ‘O que nós queremos, o que nos vai fazer ficar em sentir insegurança e sentir reconfortados é que não haja impunidade'. Não se está à espera que haja pena de morte ou castração, ou o que quer que seja de medida cada vez mais espectacular para dar uma impressão de que se está a fazer alguma coisa. Não é isso. O facto é que só 3% de casos de agressão sexual é que são punidos, portanto, a questão está aí e não está nos anos da pena do agressor.” É por isso que fala num “escândalo de Estado” em relação ao caso Lyhanna? “Sim, sim. É um escândalo de Estado porque mete a nu muitas deficiências do Estado, justamente a vários níveis, quer seja no nível judicial, na polícia, a nível das leis, a nível dos apoios sociais, dos apoios médicos, da educação, ou seja, como é que toda a estrutura está a falhar às pessoas que são vítimas. Portanto, é de facto um escândalo de Estado sim. A questão que aqui se coloca não é só o que aconteceu com Lyhanna, é o facto de ter havido, durante mais de dez anos, queixas contra este suspeito que nunca foram levadas a sério e ele nunca foi ouvido, o que é bastante impressionante. Imagine-se que alguém com este perfil nunca foi ouvido e alguém com o perfil de Andréa Bescond, que é uma sobrevivente, foi detida e passou toda a noite na prisão, enquanto um agressor com queixas há dez anos contra ele nunca foi sequer ouvido. Portanto, já se está aqui a ver o contraste entre como é que as pessoas vítimas e activistas são tratadas e os agressores são tratados.” Ou seja, como escreve no artigo, “não houve aqui só uma negligência pontual, nem um simples disfuncionamento, como afirmou o Presidente Macron”, é algo mais vasto? “Sim, sem dúvida é algo mais vasto. Nós estamos a falar de 3% de pessoas condenadas. Estamos a falar também que a cada três minutos há uma criança que é agredida sexualmente em França. Estes números são absolutamente abissais, por isso é que cada caso que aparece é só mesmo a ponta do iceberg. As pessoas que se estão a mobilizar sabem disso e querem que haja visibilidade sobre esta situação porque é uma situação que é absolutamente grave, que se passa muitas vezes dentro de casa ou muitas vezes com pessoas que são muito próximas. Não se trata de casos que se passam na rua, num canto escuro com um estranho ou um estrangeiro - como nos quer fazer acreditar a extrema-direita. Não. Passa, sim, dentro de casa. Passa-se na escola. É uma catástrofe e é, de facto, um escândalo. É um escândalo de Estado. É um escândalo da sociedade. Felizmente, há uma parte da sociedade que acordou para isto.” A Justiça e o Estado falharam? “Sim. Falharam a Justiça, o Estado, mas a sociedade em geral também está a falhar. Felizmente, o que se está a ver nas ruas é uma parte da sociedade a acordar e a mostrar que não vai deixar passar. Eu acho que o apelo de se juntar todas as segundas-feiras vai ao encontro disso, ou seja, é dizer NÃO, há uma parte da sociedade que não vai deixar passar. Isto foi a gota de água. O Estado falhou. A sociedade também ainda não está completamente consciencializada para o problema, mas há uma parte que está e que vai continuar a lutar.”

PontoCom
PontoCom: João Cotrim de Figueiredo – “Não tenho dúvidas nenhumas que seria mais feliz a ser Primeiro-Ministro” 

PontoCom

Play Episode Listen Later Jun 5, 2026


Depois de ter alcançado o terceiro lugar nas eleições presidenciais de 2026, João Cotrim de Figueiredo continua a marcar presença no debate político nacional. Conhecido pelo seu estilo direto e descontraído, defende ideias ligadas à redução de impostos, menos burocracia e maior liberdade económica. O eurodeputado e antigo líder da IL lançou, entretanto, o Movimento “2031 – Portugal em Frente” e conquistou o espaço de comentário “Visto Assim”, logo após a corrida às presidenciais. Vem conhecer o percurso que João Cotrim de Figueiredo tem traçado para um dia poder ser Primeiro-Ministro. Entrevista conduzida por Catarina Fernandes e Matilde Quaresma, no âmbito da unidade curricular de Atelier de Rádio II da Licenciatura em Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa.

Resposta Pronta
CGTP: "Esperamos mais humildade do primeiro-ministro"

Resposta Pronta

Play Episode Listen Later Jun 3, 2026 5:45


Tiago Oliveira acusa Luís Montenegro de "arrogância" por manter pacote laboral. O secretário-geral da CGTP faz primeiro balanço dos impactos da greve e perspetiva grande adesão dos trabalhadores.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Resposta Pronta
"Primeiro-ministro desvaloriza opinião dos trabalhadores"

Resposta Pronta

Play Episode Listen Later Jun 3, 2026 1:44


Sebastião Santana, da Frente Comum, destaca "forte adesão" à greve, com valores a rondar os 100% em vários serviços. Líder sindical deixa também críticas à resposta de Luís Montenegro à paralisação.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Expresso - Expresso da Meia-Noite
Hugo Soares: ”As pessoas estão preocupadas com tudo menos com as posições de Passos Coelho. Não querem saber disso para nada”

Expresso - Expresso da Meia-Noite

Play Episode Listen Later May 30, 2026 46:51


Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, e Teresa Leal Coelho, ex-vice-presidente do PSD, defendem que não há guerra interna. Nuno Gonçalo Poças, colunista do Observador, fala em falta de liderança e de um eleitorado órfão. Mariana Vieira da Silva - ex-ministra do PS, diz que Passos Coelho tinha apenas um objetivo: marcar a agenda. O que quer afinal do ex-Primeiro-Ministro? E como se pode interpretar as suas críticas crescentes a Luís Montenegro?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Renascença - As Três da Manhã
Resumo de 25 de Maio de 2026

Renascença - As Três da Manhã

Play Episode Listen Later May 25, 2026 47:06


A Ana vê o seu Sporting no meio dos torreenses, os filhos da Inês ficam impressionados com os cães da polícia no estádio, os ouvintes recomendam boas sensações e entrevistamos uma presidente da República que lava as cuecas a um Primeiro-Ministro.

Geração V
A Reforma Laboral chega para o CDS e Climáximo?

Geração V

Play Episode Listen Later May 22, 2026 36:37


Esta semana comentámos a Reforma Laboral, o Congresso do CDS, o roubo da Climáximo e as acusações ao antigo Primeiro-Ministro espanhol Zapatero.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Noticiário Nacional
04h Primeiro-ministro defende suspensão do acordo com Israel

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later May 21, 2026 6:52


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Jornal das comunidades
Primeiro-ministro inaugura Consulado em Andorra

Jornal das comunidades

Play Episode Listen Later May 20, 2026 13:07


O Consulado reabriu há dois anos, mas só agora são inauguradas as novas instalações. Serviço muito importante para portugueses em Andorra. Propostas do projecto Os 230, grupo criado à semelhança do parlamento português.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Noticiário Nacional
06h Cabo Verde. Primeiro-ministro cessante demite-se da liderança do MPD

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later May 18, 2026 8:03


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Jornal das comunidades
Primeiro-ministro inaugura Consulado em Andorra

Jornal das comunidades

Play Episode Listen Later May 15, 2026 13:07


O Consulado de Portugal reabriu há dois anos, mas só agora são inauguradas as novas instalações. Serviço muito importante para portugueses em Andorra. Propostas do projecto Os 230, grupo criado à semelhança do parlamento português.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Noticiário Nacional
10h Primeiro-Ministro britânico recusa demitir-se

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later May 12, 2026 12:40


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A História do Dia
Os dias do fim do primeiro-ministro britânico

A História do Dia

Play Episode Listen Later May 12, 2026 18:26


Starmer sofreu uma derrota histórica nas eleições locais e enfrenta críticas dentro do próprio partido. O princípio do fim? Análise com Henrique Burnay.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Legislativas em Cabo Verde: PTS defende economia azul e descentralização

Convidado

Play Episode Listen Later May 8, 2026 10:00


Cabo Verde realiza eleições legislativas no próximo dia 17 de Maio para eleger os 72 deputados do Parlamento. Esta décimas primeiras legislativas contam com cinco formações políticas, entre elas o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS), que concorre em seis dos 13 círculos eleitorais. Jónica Brito Tavares, líder do PTS, defende a diversificação da economia através da economia azul e a descentralização do desenvolvimento entre as ilhas. O partido propõe ainda o reforço da transparência, a melhoria dos serviços públicos, a valorização da diáspora e uma aposta na prevenção das alterações climáticas e no reforço da participação cívica. O partido afirma que não concorre para governar, mas para eleger deputados. Qual é o objectivo político concreto nestas eleições? Estas eleições são eleições para eleger deputados. A figura do Governo e do Primeiro-Ministro é consequência dos resultados dessas eleições. Por isso, o PTS tem uma mensagem que é concorrente a deputados para os assentos parlamentares de que Cabo Verde dispõe: os 72 lugares. Apresentam-se como um partido jovem. Que medidas propõe o PTS para responder ao desemprego jovem em Cabo Verde? Propomos a valorização da mão-de-obra jovem. Hoje temos jovens que, apesar de terem uma formação académica sólida, não se revêem no retorno do investimento que fizeram nas suas vidas, que lhes permita viver. Falamos da valorização, da diversificação de opções de emprego, de oportunidades concretas, transparentes e iguais para todos. Uma maior aposta na formação? A educação sempre foi um factor de mudança de vida na história de Cabo Verde e hoje não é diferente. Os jovens apostam cada vez mais na formação, mas também entendemos que esta formação deve ser direccionada para a realidade do país. Formações no âmbito da economia azul. Fala-se tanto da zona económica exclusiva, da economia azul, mas não se apresenta um plano concreto de como a população de Cabo Verde, principalmente sendo uma população jovem, beneficiará desta economia azul. Quais são os entraves para o desenvolvimento da economia azul? No país, temos jovens pescadores que ainda trabalham de forma bastante artesanal, enfrentando enormes dificuldades para garantir um rendimento digno. É uma actividade que continua a exigir muito sacrifício, com pouca valorização e limitado apoio técnico e financeiro. Por outro lado, existem também jovens empresários que procuram inovar e empreender em áreas ligadas aos desportos aquáticos e à economia do mar. No entanto, muitos acabam por desistir a meio do caminho devido à falta de atenção, acompanhamento e apoio efectivo por parte do Governo cabo-verdiano, sobretudo no que diz respeito à criação de garantias, acesso a financiamento e condições para ampliar o seu campo de actuação. O PTS propõe o fim desta burocracia? O Parlamento é um lugar onde se pode questionar e exigir transparência e exigir que as promessas eleitorais não fiquem pelo período de campanhas eleitorais. Que saiam do papel e cheguem a cada canto de Cabo Verde, de Santo Antão à Brava. Face à dependência do turismo e das remessas enviadas pelos imigrantes: como é que pode Cabo Verde diversificar a economia? A economia azul é uma das opções. O cabo-verdiano sente falta de aproveitar melhor o mar que tem. Temos acordos internacionais e há países que tiram proveito do nosso mar. Mas qual é a percentagem de cabo-verdianos que está, de facto, a beneficiar deste território que temos? Falamos também da diversificação económica e da aposta na produção nacional. A dependência externa tem constituído um bloqueio ao potencial de desenvolvimento de Cabo Verde. Defendemos uma forte aposta na agricultura. Hoje, temos pessoas formadas e com capacidade para impulsionar este sector. Fala-se muito do digital, e essa deve ser uma aposta estratégica de Cabo Verde. Quando pensamos no digital, pensamos em tecnologia, inovação e modernização. Acreditamos que a aposta na tecnologia, em benefício da agricultura, da pecuária, da transformação industrial e até do turismo verde sustentável - que hoje já apresenta alguma dinâmica em ilhas como Santo Antão e Santiago - ainda não tem recebido a devida atenção e equidade por parte dos sucessivos governos. Apesar dos avanços no sector dasaúde, persistem desigualdades entre ilhas. Que soluções defende o PTS para garantir um acesso equitativo? Os avanços neste sector são visíveis. No entanto, o facto de existir uma forte centralização no Hospital Nacional, na Praia, tem criado limitações, sobretudo devido à condição arquipelágica do país. As dificuldades inerentes às deslocações para aceder a estes serviços acabam por sobrecarregar a estrutura nacional de saúde. Temos conhecimento de que já foram apresentadas, por duas vezes, propostas para a construção de um novo hospital nacional. Contudo, isso, por si só, não basta. É necessário descentralizar os serviços de saúde e levá-los a outras ilhas, apostando em infra-estruturas equivalentes e com o mesmo nível de qualidade em ilhas com capacidade para acolhê-las. O objectivo deve ser criar uma rede mais equilibrada e acessível, especialmente em regiões estrategicamente mais próximas de outras ilhas. A regionalização tem sido um tema recorrente no debate político em Cabo Verde. Que modelo defende o PTS para descentralizar o poder em Cabo Verde? Falamos aqui de dar mais poder às ilhas, através da criação de instituições e agências que possam trabalhar, com base em estudos e dados concretos, para uma melhor redistribuição do rendimento. Defendemos também a criação de uma agência voltada para o equilíbrio territorial, que tenha como missão promover maior justiça territorial e criar oportunidades mais equitativas entre as ilhas. Sabemos que a dimensão e as particularidades de cada ilha deverão ser tidas em conta nesse processo. O PTS defende a descentralização política, económica e social, para que todas as ilhas se sintam parte integrante do desenvolvimento do país. Os transportes continuam a ser um grande desafio em Cabo Verde. Que propostas apresenta o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade para melhorar a mobilidade entre as ilhas? Defendemos uma maior transparência no sector. Ao longo dos anos, têm-se verificado várias situações relacionadas com processos de privatização que, na prática, não têm dado uma resposta eficaz. No final das contas, acaba por ser o financiamento público a cobrir as falhas deixadas pelos operadores privados, que não conseguem responder de forma adequada às necessidades do país. Para nós, é fundamental que o Estado assuma um papel central neste sector. Acreditamos que o sector privado é importante em qualquer economia, mas, no caso de Cabo Verde, o Governo deve reconhecer que a ligação interilhas é uma questão de sobrevivência para a população cabo-verdiana. Numa altura de maior pressão migratória a nível global, que política propõe o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade para apoiar a diáspora cabo-verdiana? A diáspora cabo-verdiana é a nossa 11.ª ilha. Temos mais cabo-verdianos fora do país do que dentro dele. Por isso, defendemos o mapeamento da diáspora e uma diplomacia orientada para a protecção e valorização das comunidades cabo-verdianas no exterior. Falamos também da capacidade diplomática de Cabo Verde para negociar melhores condições de integração dos nossos emigrantes, sobretudo num contexto internacional em que a migração enfrenta crescentes tentativas de limitação, contrariando esta ideia de cidadão global com a qual o cabo-verdiano sempre se identificou. Defendemos ainda que a diáspora tenha um papel mais activo e representativo nas estruturas e instituições nacionais. Propomos a criação de um conselho de concertação social que integre representantes da diáspora e defendemos que o projecto do Conselho Nacional das Comunidades deixe de estar apenas no papel e passe efectivamente à prática. O objectivo é garantir que a nossa emigração esteja integrada não só fora do país, mas também na vida institucional e no desenvolvimento de Cabo Verde. Cabo Verde é um país vulnerável às alterações climáticas. Que medidas concretas defende o partido para lidar com este flagelo? Cabo Verde é particularmente vulnerável às alterações climáticas devido à sua condição insular. Tivemos recentemente um episódio que demonstrou que o país não está imune a este flagelo. Propomos medidas de prevenção, sobretudo para reduzir o impacto das mudanças climáticas e evitar que estas continuem a representar tragédias para o povo cabo-verdiano. Devemos apostar em melhores condições de habitação e no aumento do rendimento das famílias, para que as pessoas possam preparar-se melhor para estas calamidades. Falo, por exemplo, de medidas concretas para combater a erosão dos solos e proteger o território nacional. Perante os actuais conflitos internacionais, nomeadamente a guerra no Médio Oriente, qual deve ser o posicionamento de Cabo Verde? Cabo Verde deve ontinuar a trabalhar com os parceiros, no sentido de reforçar a nossa diplomacia, mas, essencialmente, ter em conta que é preciso fazer um trabalho em casa, ouvindo os cidadãos para aproveitar sempre da melhor forma as questões externas. Cabo Verde não tem um posicionamento ou enquadramento directo, mas acreditamos que está claro: a história mundial mostra-nos que a paz é sempre o melhor caminho. Num contexto global de crescente pressão sobre a democracia, quais são os principais desafios que se colocam a Cabo Verde? E de que forma podem ser enfrentados? A transparência e a boa governação são desafios fundamentais. É também necessário aproximar os cidadãos da vida política, sobretudo num país em que os dados estatísticos mostram que quase 50% da população se abstém de votar. Isso revela que muitos eleitores já não acreditam que o seu voto tenha o devido peso ou impacto nas decisões do país. Por isso, é essencial reforçar a confiança nas instituições e promover uma maior participação cívica. A dimensão humana nunca deve ser esquecida. O PTS  defende uma política centrada nas pessoas, em que o objetivo coletivo também respeite e represente as individualidades inerentes à condição humana.

Volta ao mundo em 180 segundos
30/04: Equador acusa Colômbia de ajudar guerrilheiros a entrar no país | Hezbollah investe em drones de fibra ótica | Partidos romenos tentam derrubar primeiro-ministro

Volta ao mundo em 180 segundos

Play Episode Listen Later Apr 30, 2026 5:42


Presidente do Equador, Daniel Noboa, acusa o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, de incentivar a entrada de guerrilheiros pela fronteira entre os países, enquanto Petro acusa Noboa de agir para favorecer setores de direita nas eleições presidenciais da Colômbia do dia 31 de maio e ainda agirma que explosivos usados em um atentado no último sábado, que deixou 21 colombianos mortos, teriam vindo do Equador. Tem ainda:- Hezbollah investe em drones controlados por cabos defibra óptica com a espessura de um fio dental que são impossíveis de serem bloqueados de forma eletrônica- Putin liga para Donald Trump com proposta de trégua na Ucrânia e ideias para acabar com o conflito no Irã- Na Romênia, dois dos principais partidos políticos do país anunciaram uma moção de censura para tentar derrubar o governo do primeiro-ministro Ilie Bolojan- Suprema Corte dos Estados Unidos decide limitar a aplicação da “Lei dos Direitos de Voto”, que garantia a representação de minorias raciais nos distritos eleitorais- O Google fechou um acordo com o Pentágono para permitir que seu modelo de inteligência artificial, o Gemini, seja usado em operações militares sigilosas- Maio será movimentado para Hungria, Emirados Árabes eEstados Unidos Apoia.se do Mundo em 180 Segundos | apoio mensal – clique aquiApoia.se do Mundo em 180 Segundos | apoio de 1 episódio – clique aqui Notícias em tempo real nas redes sociais Instagram @mundo_180_segundos e Linkedin Mundo em 180 SegundosFale conosco através do contato@mundo180segundos.com.br

Rádio Senado Entrevista
Mudança política no Nepal após protestos da geração Z marca chegada de novo primeiro-ministro

Rádio Senado Entrevista

Play Episode Listen Later Apr 22, 2026 10:47


No final de 2025, protestos da geração Z no Nepal abalaram o país e causaram mudanças no sistema político resultando em novas eleições, em março de 2026. Balendra Sha, um rapper conhecido, ganhou as eleições e tornou-se o novo primeiro-ministro. Em entrevista ao jornalista Ivan Godoy, o embaixador do Nepal no Brasil, Nirmal Raj Kafle, fala sobre as muidanças políticas e a trajetória de Balendra Sha, que já havia sido eleito prefeito de Katmandu em 2022. Raj Kafle também comenta a atual situação econômica do Nepal e as boas relações com o Brasil, que já existem há 50 anos. Acompanhe.

Renascença - Hora da Verdade
Rui Gomes da Silva, ministro-sombra do Chega: "Montenegro será o último primeiro-ministro do PSD"

Renascença - Hora da Verdade

Play Episode Listen Later Mar 25, 2026 52:37


Podcast Conversa
O Primeiro-Ministro de Portugal e o da Irlanda Responderam ao Meu Postal de Páscoa

Podcast Conversa

Play Episode Listen Later Mar 25, 2026 10:04


Ninguém acreditou que ia funcionar. Eu próprio tinha dúvidas. Mas enviei 50 postais de Páscoa a 50 líderes mundiais — e dois já responderam. Luís Montenegro, Primeiro-Ministro de Portugal. Micheál Martin, Primeiro-Ministro da Irlanda. Duas cartas reais, na minha caixa de correio. Neste episódio abro-as ao vivo, leio-as contigo, e reflito sobre o que acontece quando tens a coragem de fazer algo que parece impossível. Spoiler: às vezes funciona.Segue o Podcast Conversa no Instagram.Não te esqueças de subscrever e deixar like no vídeo, ajuda muito o canal.Também disponível no Spotify e Apple Podcasts.

Noticiário Nacional
10h Primeiro-Ministro britânico pede calma na guerra

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Mar 23, 2026 13:20


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Noticiário Nacional
10h Primeiro-ministro admite défice em 2026

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Mar 19, 2026 14:12


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Noticiário Nacional
12h Primeiro-ministro não descarta o regresso do país aos défices este ano

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Mar 19, 2026 14:40


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Análise do Dia - Um Podcast do Sicredi
Análise do Dia - 19/3/2026 - Falas do primeiro ministro de Israel sobre a guerra aliviam mercado após forte estresse na parte da manhã.

Análise do Dia - Um Podcast do Sicredi

Play Episode Listen Later Mar 19, 2026 3:52


Ouça o que movimentou o mercado nesta quinta-feira.

SBS Portuguese - SBS em Português
Anthony Albanese em exclusivo na SBS em Português, a propósito do Festival de Petersham

SBS Portuguese - SBS em Português

Play Episode Listen Later Mar 18, 2026 7:32


No fim-de-semana que passou, decorreu em Petersham (Sydney), o Festival do Bairro Português. Este evento é a maior celebração da comunidade portuguesa na Austrália e resulta sempre num dia de grande emoção e partilha, com todas as gerações de emigrantes portugueses a viverem um caloroso regresso a casa, a partir deste lado do mundo. Este ano, Anthony Albanese também marcou presença na festa. Neste contexto, o Primeiro-Ministro da Austrália conversou em exclusivo com a SBS em Português e mostrou-se um verdadeiro conhecedor e entusiasta da cultura portuguesa.

Explicador
Pedro Passos Coelho "não federa nem sai de cima"?

Explicador

Play Episode Listen Later Mar 5, 2026 21:29


Rui Rocha (IL) avisa antigo Primeiro-Ministro de que não pode falar na sombra para sempre. E afirma que regresso de Passos Coelho ao palco político realça ativos tóxicos de Luís Montenegro dentro do PSD.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Contra-Corrente
Passos Coelho e o novo programa de resgate

Contra-Corrente

Play Episode Listen Later Mar 3, 2026 4:41


Quando foi Primeiro Ministro executou um programa de resgate económico. Os eleitores do PSD colocaram Seguro em Belém e Ventura como líder da oposição. Passos pode resgatar a direita?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Noticiário Nacional
16h Primeiro-Ministro afasta cenário de Regionalização

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 27, 2026 12:04


primeiro ministro regionaliza
Noticiário Nacional
15h Primeiro-Ministro vai detalhar o PTRR

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 7:37


Explicador
"Esperaríamos do primeiro-ministro medidas concretas"

Explicador

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 9:53


Paulo Vicente, presidente da Câmara da Marinha Grande, esperava "dados mais palpáveis" no anúncio do PT-RR. Diz que nesta altura "as finanças já entraram em velocidade cruzeiro na recuperação".See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sem Moderação
“Os regionalistas, quando chegam a primeiro-ministro, deixam de o ser. A regionalização é partilhar poder e ninguém gosta de o fazer”

Sem Moderação

Play Episode Listen Later Feb 18, 2026 21:39


O líder do Partido Socialista enviou cinco cartas a Luís Montenegro, com “propostas concretas” para as áreas da Saúde, Habitação, Defesa, Justiça e estragos causados pela tempestade. No entanto, como o primeiro-ministro não devolveu uma resposta José Luís Carneiro veio alertar que “a paciência tem limites”. Daniel Oliveira critica a “arrogância permanente” do primeiro-ministro, Francisco Mendes da Silva afirma que, com a reconstrução de parte do país, o Governo tem a oportunidade de mostrar que está a funcionar. Com os estragos causados pelas tempestades, regressou ainda o debate sobre a regionalização. Será que estaríamos melhor preparados para lidar com uma situação de calamidade? Ouça a análise no Antes Pelo Contrário em podcast, emitido na SIC Notícias a 17 de fevereiro. Para ver a versão vídeo deste episódio clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Sem Moderação
Os ventos com mais de 200 km/h levaram Maria Lúcia Amaral, que “soube sair”, e a “liderança do primeiro-ministro” ainda saiu reforçada

Sem Moderação

Play Episode Listen Later Feb 13, 2026 20:39


A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, demitiu-se devido à gestão da resposta do Estado às tempestades que ainda afetam o país. Luís Montenegro assume o lugar de forma interina. Esta demissão em tempo de crise agrava ou aligeira os problemas do país e do governo? Pedro Delgado Alves afirma que não se justifica crucificar a Maria Lúcia Amaral, já que “tem uma carreira de serviço público e soube sair”, José Eduardo Martins considera que não interessa se a ex-ministra comunicava mal, mas sim se “a Proteção Civil não foi ativada a tempo.” O Antes Pelo Contrário em podcast foi emitido na SIC Notícias a 12 de fevereiro. Para ver a versão vídeo deste episódio clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Expresso - Expresso da Manhã
A antiga amizade com Epstein não faz tremer Trump, mas Starmer pode cair por causa dele e nem sequer o conhecia

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later Feb 12, 2026 13:41


Nos milhões de registos já divulgados dos ficheiros de Epstein — o financeiro nova-iorquino condenado por pedofilia e tráfico sexual de menores e que, alegadamente, se suicidou na cadeia — há muitas referências a Donald Trump, mas o epicentro deste terramoto político mudou-se para o Reino Unido, onde o ex-príncipe André perdeu todos os títulos e pode vir a ser julgado e o ex-embaixador do país em Washington caiu em desgraça e pode arrastar com ele o primeiro-ministro Keir Starmer. Acontecerá de novo o que já aconteceu com trabalhistas e conservadores, com o chefe do governo a ser afastado pelo próprio partido? À procura de resposta, conversamos com o editor de Internacional do Expresso, Pedro Cordeiro.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer
A aventura de um primeiro-ministro seguro (piscadela de olho)

Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer

Play Episode Listen Later Jan 24, 2026 49:45


Montenegro quer manter-se neutro para a segunda volta das presidenciais. Embora, no primeiro discurso público que fez depois da primeira volta, tivesse usado o adjectivo “seguro” por seis vezes. Terá sido uma forma insólita de contrapor seis seguros aos três salazares de Ventura? À parte essa contabilidade e os temas de campanha que vão dominar as próximas duas semanas, há ainda muito para analisar: a hecatombe de Marques Mendes, o facto de Cotrim ter ficado mais longe da segunda volta do que as últimas sondagens previram, a saída de cena sem glória do Almirante ou o eclipse da esquerda à esquerda do PS. Enquanto isso, o mundo continua refém do Big Show Trump.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Noticiário Nacional
7h A mensagem de Natal do Primeiro-Ministro

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Dec 26, 2025 11:56


Noticiário Nacional
08h:0-Primeiro-ministro na Ucrânia reforça apoio português a Kiev

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Dec 20, 2025 9:06


Noticiário Nacional
13h Primeiro-ministro admite militares portugueses Ucrâna pós gue

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Dec 20, 2025 10:16


Grande Entrevista

No dia em que foi arquivada a averiguação preventiva ao Primeiro Ministro, após 9 meses de investigação, o diretor do DCIAP, Rui Cardoso, vem à Grande Entrevista com Vítor Gonçalves

Noticiário Nacional
18h Presidente e Primeiro Ministro lamentam morte em Albufeira

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Nov 15, 2025 10:23


18h Presidente e Primeiro Ministro lamentam morte em Albufeira

SBS Portuguese - SBS em Português
Morreu Francisco Pinto Balsemão, antigo primeiro-ministro de Portugal e fundador do Expresso e SIC

SBS Portuguese - SBS em Português

Play Episode Listen Later Oct 22, 2025 9:24


O político, jornalista e empresário tinha 88 anos e foi primeiro-ministro entre 1981 e 1983. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirma que se perdeu uma das principais personalidades do país nos últimos 60 anos; Luís Montenegro anunciou que o Governo pretende declarar um dia de luto nacional.

Conversas à quinta - Observador
A História do Dia. Tony Blair tem condições para liderar um governo em Gaza?

Conversas à quinta - Observador

Play Episode Listen Later Oct 2, 2025 14:48


Tony Blair, antigo Primeiro Ministro britânico, é uma figura central no plano de Donald Trump para alcançar a paz entre Israel e o Hamas. Como chegou aqui? A jornalista Madalena Moreira é a convidada.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Conversas à quinta - Observador
Contra-Corrente. Ventura quer ser primeiro-ministro ou Presidente?

Conversas à quinta - Observador

Play Episode Listen Later Sep 15, 2025 7:29


Pela primeira vez uma sondagem colocou o Chega à frente nas intenções de voto, mas no Chega ainda não se sabe o que fazer nas Presidenciais. Ou melhor: Ventura ainda hesita entre Belém ou São Bento.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Best of the Left - Leftist Perspectives on Progressive Politics, News, Culture, Economics and Democracy
#1730 The Axis of the Dark Personality Triad: Unfit Leaders and the Suffering They Cause

Best of the Left - Leftist Perspectives on Progressive Politics, News, Culture, Economics and Democracy

Play Episode Listen Later Aug 16, 2025 232:59


Air Date 8/16/2025 There's the old Douglas Adams quote stating that, "Anyone who is capable of getting themselves made President should on no account be allowed to do the job" which is a good general rule to live by. But then there are the real baddies, those would-be leaders who possess one or more of the dark triad of traits that spells real doom for the societies that elevate them to power: narcissism, psychopathy, and machiavellianism. Today we compare and contrast Donald Trump, Vladimir Putin, and Benjamin Netanyahu. Xi Jinping also fits nicely on this list as an honorable mention but happens to not be part of the focus today. Be part of the show! Leave us a message or text at 202-999-3991, message us on the infamous Signal at the handle bestoftheleft.01, or email Jay@BestOfTheLeft.com Full Show Notes Check out our new show, SOLVED! on YouTube! BestOfTheLeft.com/Support (Members Get Bonus Shows + No Ads!) Join our Discord community! Check out our new show, SOLVED! on YouTube! BestOfTheLeft.com/Support (Members Get Bonus Shows + No Ads!) Use our links to shop Bookshop.org and Libro.fm for a non-evil book and audiobook purchasing experience! Join our Discord community! KEY POINTS KP 1: The World War II Lessons Trump, Putin, & Netanyahu Actually Learned - Tad Stoermer - Air Date 8-8-25 KP 2: 'Not About Crime': Maddow CRACKS OPEN Trump's Real Motives in Deploying the National Guard to D.C. - The Rachel Maddow Show - Air Date 8-11-25 KP 3: Totally Unexpected - HasanAbi - Air Date 8-7-25 KP 4: 'No International Community Is Capable of Stopping Netanyahu' - James O'Brien on LBC - Air Date 7-22-25 KP 5: Kyiv-based Analyst: 'Ukraine Is Being Sidelined From Talks' - LBC - Air Date 8-10-25 KP 6: How Putin's Lies Are Driving the War in Ukraine The Foreign Affairs Interview - The Foreign Affairs Interview - Air Date 1-12-23 KP 7: Donald Trump Wants to Seize Your Reality - Mother Jones - Air Date 8-8-25 (00:49:39) NOTE FROM THE EDITOR On why humanity is better than we seem and how we can save ourselves ‘Self-termination is most likely': the history and future of societal collapse DEEPER DIVES (00:57:15) SECTION A: TRUMP THE LIAR A1: Trump Rejects Reality - The Muckrake Political Podcast - Air Date 8-5-25 A2: Trump Pushes Forward with Revenge Presidency - All In with Chris Hayes - Air Date 8-8-25 A3: Ed Elson Slams Trump Firing Labor Statistics Boss: 'This Is What Cartoon Dictators Do' - Katy Tur - Air Date 8-1-25 A4: Trump Vs. the Bureau of Labor Statistics - The Journal. - Air Date 8-4-25 A5: Trump Thinks You're Very Stupid - The Majority Report w/ Sam Seder - Air Date 8-9-25 (01:32:17) SECTION B: NETANYAHU THE MANIPULATOR B1: Gaza Takeover: Israel Launches New Stage of 'Indefinite, Genocidal Military Campaign' -Democracy Now! - Air Date 8-8-25 B2: Why Bibi Netanyahu Is on Trial - ABC News In-depth - Air Date 4-26-24 B3: DEBUNKED: 14 Israeli LIES About Gaza Famine - Owen Jones - Air Date 8-8-25 B4: Mehdi Hasan Explains Why the War in Gaza Wont End Soon - LBC -Air Date 8-5-25 B5: Trump's Intervention in Netanyahu's Corruption Trial 'Unprecedented': Gideon Levy - Al Jazeera English - Air Date 6-30-25 (02:09:13) SECTION C: PUTIN THE STRATEGIST C1: Does Putin Have Dark Triad Traits? | Vladimir Putin Case Analysis - Dr. Todd Grande - Air Date 2-23-22 C2: What Happens When You Confront Putin in Public - Penguin History - Air Date 8-7-25 C3: Why Putin Is so Hard to Overthrow - Search Party - Air Date 8-18-23 (02:27:11) SECTION D: MYTHS COLLAPSE D1: Shocking Study Proves Trumps Biggest Supporters Are Psychopaths - Thom Hartmann Program - Air Date 8-11-25 D2: America's Authoritarian Turn - Harvard Radcliffe Institute - Air Date 3-3-25 D3: Huge Economic Problems Coming for Republicans and the U.S. - Heather Cox Richardson - Air Date 8-7-25 D4: How Gaza Exposes The Myths Of The System - Andrewism - Air Date 8-5-25 (03:07:29) SECTION E: THE MEN BEHIND THE THRONE E1: Who's the Man Who Has Putin's Ear? - NewsNation - Air Date 4-8-22 E2: From Terrorist Backer to Kingmaker: Itamar Ben-Gvir Israeli Far Right Help Netanyahu Regain Power - Democracy Now! - Air Date 11-4-22 E3: Bezalel Smotrich: Far-right Israeli Minister Calls for Resettlement of Gaza After War - Al Jazeera English - Air Date 12-31-23 E4: Aleksandr Dugin: The Far-right Theorist Behind Putins Plan - 60 Minutes - Air Date 4-12-22 E5: Why Did Israel Restart the War? One Answer: Bezalel Smotrich. - Consider This From NPR - Air Date 3-28-25 E6: Project 2025 Co-Author Lays Out 'Radical Agenda' for Next Trump Term in Undercover Video - Democracy Now! - Air Date 8-16-24 SHOW IMAGE CREDITS Description: A composite image of a pleased-looking Trump holding up a triangle that says “The Dark Triad” in the center, and “Narcissism”, “Machiavellianism”, and “Psychopathy” along each side. Vladimir Putin, Xi Jinping, and Benjamin Netanyahu are pictured underneath. Credit: “The Dark Triad” by Manitee71, Wikimedia Commons, License: CC-By-SA 4.0 | “Putin-politics-kremlin-russia” by DimitroSevastopol, Pixabay, License: Pixabay | “Xi Jinping 2019” by Palácio do Planalto, Wikimedia Commons, License: CC-BY-SA 4.0 | “31/03/2019 Jantar na Residência do Primeiro-Ministro de Israel” by Palácio do Planalto, Flickr, License: CC-BY-2.0   Produced by Jay! Tomlinson Visit us at BestOfTheLeft.com Listen Anywhere! BestOfTheLeft.com/Listen Listen Anywhere! 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