Podcasts about gostamos

  • 410PODCASTS
  • 638EPISODES
  • 59mAVG DURATION
  • 1MONTHLY NEW EPISODE
  • Jul 8, 2026LATEST

POPULARITY

20192020202120222023202420252026


Best podcasts about gostamos

Show all podcasts related to gostamos

Latest podcast episodes about gostamos

Vida em França
Avignon: Bem-vindos ao “país do teatro” na companhia de Tiago Rodrigues

Vida em França

Play Episode Listen Later Jul 8, 2026 17:49


O Festival de Avignon arrancou a 4 de Julho, e junta, durante três semanas, milhares de pessoas, para esta 80ª edição. Este é o epicentro da história contemporânea do teatro, dirigido pelo encenador, dramaturgo e actor português Tiago Rodrigues. Este ano, há 47 espectáculos, dois de encenadoras lusófonas e a língua convidada é o coreano. Há uma maioria inédita de criadoras mulheres e a linha de força é um enorme ponto de interrogação estampado um pouco por todo o lado nas ruelas da cidade francesa. O teatro anda à solta, sem rédeas, pela cidade de Avignon. Bem-vindos ao “país do teatro, à república independente das artes performativas”, nas palavras e na companhia de Tiago Rodrigues, um dos fazedores desta “fábrica de memórias inesquecíveis para o público”. Uma dessas “memórias” é a primeira maratona teatral em português, de dez horas, com a apresentação, a 12 e 13 de Julho, da Trilogia Cadela Força de Carolina Bianchi. Outra é o espectáculo de cinco horas do francês Julien Gosselin, “Maldoror”, que Tiago Rodrigues acredita que “vai marcar as próximas décadas do teatro francês, europeu e mundial”. E outra, ainda, é a peça “Um julgamento - Depois do inimigo do povo” que descreve como “uma interpretação magistral de uma história do repertório agora reescrita, repensada por Christiane Jatahy e Wagner Moura e com um elenco magistral à volta de Wagner Moura que tem uma prestação absolutamente sublime”. Nesta 80ª edição, “os questionamentos” são a bandeira de um festival que sempre foi sintoma e espelho dos tempos que correm. Este é também “um espaço de liberdade onde os artistas e o público se podem exprimir com toda a liberdade”, reitera o artista, destacando que “em França, como noutros países da Europa e do mundo, a liberdade de expressão e de criação estão a ser ameaçadas”. Mais ainda, em França – diz – “já não se trata apenas de uma ameaça, mas de ataques repetidos em vários territórios”. E, assim, a menos de um ano das próximas eleições presidenciais em França, onde a extrema-direita cresce, Tiago Rodrigues, enquanto director desta instituição e não apenas como cidadão e autor de “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, toma já posição e pede às pessoas para não deixarem a extrema-direita chegar ao Palácio do Eliseu. Tiago Rodrigues, português, emigrante, inscreve-se numa longa linhagem histórica de emigração portuguesa para França, mas esta é também uma história familiar e é a história que inspira o seu próximo espectáculo, revelou à RFI em primeira mão. O pai, Rogério Rodrigues, exilou-se em França durante o Estado Novo, o filho é agora o director do maior festival francês de artes cénicas e serve com a sua arte o que chama de “dívida de gratidão” que tem com a sociedade francesa por ter acolhido o pai quando este precisava. RFI: Queria começar com uma expressão que o Tiago Rodrigues gosta muito de usar, que é “o país do teatro”. O festival está na 80ª edição. Até que ponto Avignon continua a ser a capital mundial do teatro? Tiago Rodrigues, Director do Festival de Avignon: “Eu acho que cada vez mais, com o passar do tempo, aquilo que era uma utopia imaginada por Jean Vilar, o encenador que em 1947 funda este festival logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, numa sociedade muito dividida e pensa que talvez um festival durante as férias das pessoas - e é preciso relembrar que as férias pagas eram uma novidade na época - durante as férias pagas das pessoas, podia ser um festival que permitisse ao público viver experiências que eles não teriam oportunidade, nem tempo para viver durante o ano, portanto, grandes aventuras teatrais em lugares monumentais que obrigariam a viajar. E é assim que nasce esta ideia, esta utopia de um país do teatro. Um lugar onde viajamos como quem viaja para fazer turismo, como quem viaja para se repousar. E aqui viajamos, sim, pelo turismo, pelo repouso, mas sobretudo pela descoberta dos espectáculos, pela descoberta de uma grande quantidade de estéticas e de visões de um mundo muito diferentes entre si. O tempo fez com que, ao fim de 80 edições, possamos dizer que este é o país do teatro, a república independente das artes performativas. O público vem precisamente com essa sede de ver espectáculos que talvez não tivesse tempo de ver durante o ano. Por exemplo, 'Maldoror', o espectáculo de Julian Gosselin, um grande encenador que dirige o teatro do Odéon, um dos teatros nacionais franceses, e que faz um espectáculo de cinco horas, poderíamos dizer que cinco horas é ambicioso, mas é um espectáculo magistral. O que nós vemos é que ao fim das cinco horas, por volta das duas e meia, três da manhã, todo o público está lá, aplaudiu de pé e viveu essa aventura colectiva que é singular, que só se vive em Avignon, estar num palácio sob as estrelas e ver uma obra de arte que, no meu entender, este ‘Maldoror' vai marcar as próximas décadas do teatro francês, europeu e mundial.” É português, é o primeiro director estrangeiro a dirigir o festival. Esta é a sua quarta edição como director. Conhece os talentos e as dificuldades das artes performativas portuguesas, brasileiras, de dança contemporânea moçambicana e cabo-verdiana, por exemplo, mas este ano só há duas peças lusófonas no cartaz… “Eu permito-me corrigir o “só”, “só há”. O Festival de Avignon é um festival de nomes de expressão mundial e, portanto, é um festival que tem que estar atento a tudo o que se passa no mundo. Saber que, por exemplo, este ano há duas artistas brasileiras e saber que estas duas artistas brasileiras lusófonas, Christiane Jatahy e Carolina Bianchi, que são duas das grandes artistas desta edição, são duas artistas que vêm de um só país lusófono, numa possibilidade de mais ou menos - é discutível a quantidade de países que existe no mundo, mas digamos que são duas centenas, porque depois há questões de legitimidade de algumas fronteiras, etc - mas digamos que em 200 países haver dois espectáculos, ambos vindos do Brasil ou de criadores brasileiros, criadoras neste caso, é, de qualquer das formas, um foco muito importante, uma atenção muito importante. Há muitos países que não estão representados no festival. Este ano, há uma representação de 14 países e, portanto, digamos que a maioria dos países do mundo não estão presentes no ano. A criação lusófona tem duas presenças e, portanto, acho que estamos numa quantidade, numa proporção muito benéfica para a criação lusófona.” Mas o que eu queria mesmo saber - e já percebeu onde quero chegar - é quando é que Avignon vai convidar a língua portuguesa? “Bom, o que eu posso dizer é que recentemente fui reconduzido para um segundo mandato, portanto, serei director do Festival até 2030. E estou muito feliz, muito vaidoso mesmo dessa possibilidade, mas também é um grande privilégio e uma grande responsabilidade também. E sem dúvidas que a língua portuguesa, eu digo desde o início, tem todo o mérito, toda a riqueza, toda a diversidade contemporânea e, sobretudo, toda a grande qualidade das criadoras e dos criadores, sejam portugueses, brasileiros, moçambicanos, angolanos, cabo-verdianos para estar presente no festival. Eu recordo que a lusofonia tem estado muito presente nos últimos anos no festival. No ano passado, a abertura do festival fez-se com uma artista cabo-verdiana, Marlene Monteiro Freitas, foi a primeira vez que Cabo Verde esteve na Cour d'Honneur du Palais des Papes e abriu este festival, ainda por cima no ano em que se celebrava os 50 anos da independência desse país-irmão do meu país-natal, Portugal. E, portanto, temos feito um trabalho de abertura, de aproximação do público de Avignon à criação lusófona ou em língua portuguesa. Sem dúvida que até 2030 a língua portuguesa será certamente uma das línguas convidadas no festival.” A Carolina Bianchi vem ao Festival de Avignon pela segunda vez para apresentar não só o terceiro capítulo da sua Trilogia Cadela Força aqui iniciada, como a trilogia completa, o que perfaz dez horas seguidas de maratona teatral. Isto também é histórico. Já houve maratonas teatrais em Avignon, mas em língua portuguesa, se calhar não… “Em língua portuguesa nunca houve uma aventura destas e estamos muito felizes de poder acompanhar a Carolina e toda a sua equipa da Companhia Cara de Cavalo nisto, que é uma aventura inédita. É o tipo de aventuras que só se pode viver em Avignon, dez horas de teatro. Antes que Carolina Bianchi fosse conhecida do público francês ou europeu, apresentámo-la pela primeira vez em 2023 e logo na altura sabíamos que estávamos comprometidos com continuar a acompanhar a sua trilogia. Entretanto, Carolina Bianchi ganhou o Leão de Prata da Bienal de Veneza, tornou-se numa artista absolutamente reconhecida a nível não apenas europeu, mas mundial. Queríamos estar no lugar do término desta trilogia, a acompanhar a aventura até ao fim e, sobretudo, permitir ao público de descobrir pela primeira vez a trilogia completa inédita. É uma grande aventura para a companhia, que exige enormemente. Também exige do público e das equipas técnicas e de acolhimento. Estamos muito felizes aqui em Avignon de poder propor ao público estas aventuras, porque, como nós costumamos dizer, nós queremos ser uma fábrica de memórias inesquecíveis. E é isso que queremos propor: uma memória inesquecível ao público.” A encenadora brasileira Christiane Jatahy também traz uma peça com um forte teor político. Qual é este alerta também em língua portuguesa que esta peça traz para os dias de hoje? “Christiane Jatahy, acompanhada de Wagner Moura, grande actor que foi este ano nomeado para os Óscares, que ganhou o Globo de Ouro, que ganhou o prémio de interpretação masculina em Cannes no ano passado e, portanto, de alguma forma, é um dos grandes protagonistas deste festival, juntaram-se para - ele actor, ela encenadora, mas ambos como autores do texto deste espectáculo - nos apresentarem um espectáculo que não é uma adaptação de ‘Um Inimigo do Povo' de Henrik Ibsen, mas que se inspira dessa história do dramaturgo norueguês para inventar um processo em tribunal onde se pergunta se alguém que denunciou a contaminação das águas de uma cidade é um herói que tentou ajudar as pessoas, salvar a saúde das pessoas, ou se é um inimigo do povo, alguém que destruiu a economia dessa cidade que dependia das termas, de um spa e dos turistas que vinham. Há um julgamento dessa pessoa e é um julgamento muito também sobre o risco dos julgamentos populares em opinião pública na época das redes sociais, na época em que toda a gente pode exprimir uma opinião, caluniar, difamar e destruir uma reputação publicamente muito facilmente. É uma questão de debate sobre a legitimidade de um gesto político de denúncia, sobre o diálogo entre saúde pública e a economia, essa tensão, também sobre a ecologia muito presente no espectáculo e é, sobretudo, uma interpretação magistral de uma história do repertório agora reescrita e repensada por Christiane Jatahy e Wagner Moura, com um elenco magistral à volta de Wagner Moura, que tem uma prestação absolutamente sublime. Uma peça que nos chega agora de Lisboa, esteve mesmo agora em Portugal em digressão e que é o resultado de uma encomenda que o Festival de Avignon fez com o Holland Festival de Amsterdão e com o Festival de Edimburgo, que são os três festivais europeus fundados no mesmo verão de 1947. Juntos queremos colaborar, continuar a colaborar também para o ano, quando fizermos 80 anos os três festivais e, para este início de colaboração, lançámos o desafio a Christiane Jatahy e a Wagner Moura de criar esta peça e estamos muito felizes. É uma das peças pilar da programação do festival este ano. E muito feliz também que seja a segunda peça falada em português.” Desde a sua primeira edição como director artístico do festival, apresentou “Na Medida do Impossível” e “By Heart” em 2023, “Hécuba, não Hécuba”, em 2024, “A Distância”, em 2025. Antes de ser director, já tinha apresentado “António e Cleópatra”, “Sopro” e “O Cerejal”. Este ano não apresenta peça sua. Posso perguntar porquê? “Porque acho que é importante que o meu trabalho artístico esteja sempre ao serviço do festival e nunca o contrário. E isso exige equilíbrio. Exige, no meu entender - e é a escolha responsável que eu tento fazer - que o meu trabalho não esteja necessariamente sistematicamente presente enquanto artista na programação do festival para deixar espaço a outros, para permitir precisamente que o festival não trabalhe a meu favor, mas o contrário, que quando eu apresento um trabalho, uma peça, um espectáculo no Festival de Avignon, seja para contribuir à programação e também contribuir, de certa maneira, à economia do festival. As digressões dos meus espectáculos produzem receitas que favorecem o festival e que nos permitem convidar outros artistas do festival. E, portanto, eu acredito que o director do Festival de Avignon ou a directora, se forem artistas, devem fazer o seu trabalho no festival, mas devem fazer com a medida que permite que seja o seu trabalho a estar ao serviço do festival e nunca o contrário, como disse. O Tiago Rodrigues é imigrante em França. Não vai poder votar nas presidenciais francesas do próximo ano porque é preciso nacionalidade francesa para isso. Como é que o autor de “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas” olha para estas eleições, nomeadamente depois de Marine Le Pen ter confirmado que se vai candidatar? “Não é apenas o autor de ‘Catarina e a Beleza de Matar Fascistas' ou o cidadão Tiago Rodrigues, mas é também o director do Festival de Avignon que toma posição e a posição é muito clara. O Festival de Avignon já pôde fazê-lo no passado, nas legislativas de 2024, que aconteceram ao mesmo tempo que o festival. O Festival de Avignon fez apelo a uma barragem à extrema-direita e, portanto, à União Nacional de Marine Le Pen, e fez um apelo ao voto no campo democrático. Eu não considero, o Festival de Avignon institucionalmente não considera, que a extrema-direita pertence ao campo democrático. A nossa posição é muito clara. Fazemos um apelo à participação nas eleições e é uma barragem clara, sem ambiguidades, à extrema-direita. Será também o caso para as presidenciais, como foi, aliás, para as municipais de Avignon, onde a extrema-direita perdeu uma derrota forte depois também de o festival ter tomado posição e ter anunciado que não trabalharia com a extrema-direita se esta tomasse o poder na cidade de Avignon. Felizmente não foi o caso e não será o caso, eu creio, também nas presidenciais. Sinto muita confiança na lucidez democrática das francesas e dos franceses.” Avignon é, historicamente, a cidade-teatro aberta à contestação, o festival sempre foi politicamente atravessado pelo seu tempo, como acaba de dizer, assim como em Maio de 68, os debates pós-coloniais, as crises migratórias. Este ano, qual é a causa a atravessar esta edição? “Cada Festival de Avignon é, por um lado, um sintoma de implicação com a actualidade, com os grandes fenómenos da actualidade e, portanto, a cada festival vemos novas questões, novas causas, novos debates a surgirem. E é também por isso que este ano quisemos celebrar esta 80ª edição, pondo as questões e os questionamentos no centro do discurso. Este é um festival que desde 1947, por 80 ocasiões, colocou questões ao mundo, as questões dos artistas, acompanhando os artistas a criar espectáculos que traduzem os seus questionamentos e permitindo ao público de se apropriar destas questões para ter os seus debates. O Festival é muito conhecido pelos seus debates, apaixonantes e apaixonados, por vezes bem intensos, e nós gostamos que seja assim. Gostamos que seja assim, aqui no Café das Ideias, onde estamos e onde acontecem todas as manhãs grandes debates, mas também nas ruas, nas praças, espontaneamente. Discutindo espectáculos, nós discutimos o mundo e questionamos o mundo. Este ano, como todos os anos, julgo que a questões que atravessam a actualidade, seja questões ligadas, por exemplo, às eleições presidenciais, questões ligadas à crise climática, às vagas de calor e à aceleração de medidas que os governos têm que tomar para combater a crise climática, defender a biodiversidade, mas também a vida e o bem-estar das pessoas e questões que são intemporais. Este ano temos, por exemplo, dois Hamlet, portanto, a questão de ‘ser ou não ser', que já existe há 400 anos, aqui está de novo. É esta mistura de questão política e questão íntima, de questão pública e questão individual, que anima a cada ano o festival que quer continuar a ser um festival de liberdade de expressão, de implicação com o mundo, mas com uma grande pluralidade de pontos de vista. Não é um festival de pensamento único que está aqui para convencer as pessoas seja do que for. É um espaço de liberdade onde os artistas e o público se podem exprimir com toda a liberdade, e deve dizer-se isto várias vezes, numa França onde, infelizmente vemos, como noutros países da Europa e do mundo, a liberdade de expressão e de criação a ser ameaçada. A França não é imune a isso. Já não se trata apenas de uma ameaça, mas de ataques repetidos em vários territórios de França. Aqui em Avignon, a primeira coisa que podemos fazer para responder a essa ameaça é praticar toda a liberdade de criação, toda a liberdade de expressão.” É essa a sua assinatura mais pessoal nesta edição? Reafirmar a liberdade de criação junto dos artistas, dar-lhes um espaço seguro aqui no festival? “Eu não acredito em assinaturas pessoais. Isto é o trabalho de mais de 700 pessoas que organizam este festival. O pensamento do festival não emana apenas de mim, é de dezenas de pessoas, de centenas de discussões, ele emana dos artistas e emana do público. E eu convido sempre quem me coloca essa questão de ‘Qual é a marca que tu, enquanto director, queres imprimir? Qual é o teu cunho pessoal?' O meu cunho pessoal é: Perguntem às pessoas na rua o que sentem em relação a este festival, como estão a vivê-lo. É permitir colocar-me ao serviço desta história, desta aventura colectiva que atravessa gerações. São os filhos que transmitiram aos netos, que transmitem aos vindouros este amor do teatro e este amor de poder juntar-se sem ser à volta de uma mesma ideia, juntar-se à volta do debate, à volta do facto de podermos estar juntos, felizes, a desfrutar das artes do teatro em desacordo. Este desacordo é o princípio do diálogo e o diálogo é o fundamento da democracia.” Falou da questão da filiação, da transmissão intergeracional. Está em França há quatro anos. Emigrou como o seu pai e como tantos milhares de portugueses o fizeram no século XX, durante a ditadura portuguesa. O seu pai foi acolhido pela França e o Tiago é convidado pela França para dirigir o maior festival de teatro francês, quando justamente há esta ameaça de a extrema-direita chegar ao poder. Isto é uma história que poderia dar uma peça de teatro. Qual é o poder simbólico desta história no contexto político actual? “Devo dizer que, enquanto director do Festival de Avignon, português, saber que estou ao serviço desta aventura, dos valores democráticos, republicanos, progressistas deste festival que é um festival também ecologista, feminista, anti-racista porque defende esses valores da democracia, da liberdade, da igualdade, da fraternidade, saber-me ao serviço destes valores, através deste festival, é para mim, de alguma forma, tentar também pagar a dívida de gratidão que tenho em relação à sociedade francesa que acolheu o meu pai quando o meu pai precisava de ser acolhido.” Obrigada por continuar a transmitir esta história e obrigada por também transmitir a história da emigração. “Vou dizê-lo para a RFI, é a primeira vez que falo disto publicamente: acho que será o tema do meu próximo espectáculo.”

Meu tempo com Deus
O tempo da espera tambem é tempo de Deus

Meu tempo com Deus

Play Episode Listen Later Jun 29, 2026 8:05


"Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão." — Isaías 40:31 Tempo da Espera Também é Tempo de DeusTexto base: "Lembrem-se de como o Senhor, o seu Deus, os conduziu por todo o caminho no deserto durante estes quarenta anos, para humilhá-los, prová-los, a fim de conhecer o que estava no coração de vocês, se obedeceriam ou não aos seus mandamentos." — Deuteronômio 8:2Esperar é uma das experiências mais difíceis da vida. Gostamos de respostas rápidas, portas abertas e soluções imediatas. Entretanto, Deus frequentemente trabalha em um ritmo diferente do nosso. Enquanto nós contamos os dias, Ele molda o coração.A espera, na perspectiva bíblica, nunca é um tempo perdido. É um período de preparação. Deus não está apenas preparando aquilo que pedimos; muitas vezes, está preparando quem nós seremos quando recebermos a resposta.Um dos maiores exemplos disso é a caminhada de Israel pelo deserto. A viagem do Egito até a terra prometida poderia ter sido muito mais curta. Contudo, por causa da incredulidade e da desobediência do povo, aquela geração permaneceu quarenta anos no deserto. À primeira vista, parece apenas um tempo de atraso. Mas Deus transformou aquele período em uma escola espiritual.Em Deuteronômio 8, Moisés explica o propósito daquele tempo: Deus os conduziu pelo deserto para humilhá-los, prová-los e revelar o que havia em seus corações. O deserto foi o lugar onde o povo aprendeu que o sustento vinha do Senhor por meio do maná, que a água podia brotar da rocha, que as roupas não se gastavam e que Deus permanecia presente através da nuvem durante o dia e da coluna de fogo à noite.

3x9? 27
[9_as vozes] desenhos, desígnios e outras visões

3x9? 27

Play Episode Listen Later Jun 8, 2026 70:34


Uma das coisas de que mais gostamos quando gravamos estas conversas de podcast é de receber olhares de presente. Coisas que nunca tínhamos visto e agora passamos a ver. É de ganhar amigos, também. Ou de ouvir contar boas histórias. Gostamos de pensar juntos, em directo, de partilhar essas imagens que os nossos olhos passaram a ver depois de ouvir outra pessoa a falar.Tivemos a sorte de conseguir todas estas coisas numa bela conversa com o Mário Linhares. O Mário desenha, desenha muito e muito bem. Desenhar é a sua vocação e é muito feliz por poder fazê-lo todos os dias. O Mário também é apaixonado pela Palavra, pelas escrituras. E foi muito belo ficarmos a perceber que são as imagens bíblicas e as histórias que por lá se passam que inspiram o jeito do Mário desenhar. Foi nesse âmbito que o Mário fez a sua tese de doutoramento na faculdade de Belas artes, com o título: O Espiritual no desenho, dos textos bíblicos ao desenho quotidiano.Foi esse trabalho o nosso ponto de partida, mas, como sempre acontece nas boas conversas, o ponto de chegada é sempre inesperado. Dou já uma pista: vamos chegar ao bairro do Zambujal e vocês vão mesmo querer conhecê-lo. Confiem em mim….

Expresso - O mundo a seus pés
“Mesmo que discorde de todos os Governos até Afonso Henriques, sou português”. Então, por que é que só gostamos da UE às vezes?

Expresso - O mundo a seus pés

Play Episode Listen Later May 18, 2026 44:49


O que é ser europeu? Quem escolhe quem é europeu? O que é que os europeus acham que é ser europeu? Há uma definição? A reposta é não, porque a identidade europeia é tão vasta quanto a personalidade, as crenças, as aspirações, de cada pessoa que chama a si própria “europeia”. Na base desta conversa estão os estudos do projeto EUDENTIFY, desenvolvido na Universidade de Amesterdão, que criou uma nova forma de medir a identidade europeia combinando dados de 28 países ao longo de 50 anos. Para Henrique Burnay, consultor europeu e o nosso convidado deste episódio, “o ponto mais interessante da investigação é o facto de a identidade europeia não implicar necessariamente uma opinião positiva sobre a UE”, porque, continua “isso contraria uma convicção que a própria União Europeia tende a ter sobre si mesma: a ideia de que sentir pertença europeia equivale a tecer loas à União. Eu diria precisamente o contrário: seremos mais europeus se questionarmos, discordarmos e pusermos em causa”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dias Úteis
"Nos dias tristes não se fala de aves" (versão bilingue), de Filipa Leal, leitura por Arly Alvarez (repost)

Dias Úteis

Play Episode Listen Later Apr 14, 2026 2:45


Episódio 131, de Dias Úteis, um podcast que lhe oferece poesia pela manhã, de segunda a sexta-feira. Por vezes não apenas poesia, por vezes não apenas nos dias úteis...  Durante as próximas semanas, em modo veraneante, trazemos textos que podem levar para longe, sem sair do lugar. Gostamos muito de ouvir os nossos poetas em outras Línguas. Gostamos especialmente de ouvir quem não nasceu a falar português a ler na nossa Língua, depois de anos de estudo esforçado. Hoje, temos o privilégio de ter dois exemplos, de latitudes e continentes diferentes, mas tanto em comum, com duas versões de um poema da Filipa Leal. Por agora, da Venezuela, Arly Alvarez. Tema musical original de Marco Figueiredo, com voz de José Carlos Tinoco. Design de Catarina Ribeiro. Saiba mais sobre os nossos projectos em www.assdeideias.pt.

Boia
Boia 350 - Longas esperas nem sempre resultam

Boia

Play Episode Listen Later Apr 8, 2026 101:27


Começa o jogo do estica e puxa na WSL.Gostamos quando nos favorece e odiamos quando vai para o outro lado.Parecido com a vida, não?Talvez seja por isso esse fascinio com competição.Nesse episodio do Boia, Bruno Bocayuva está de volta na companhia do Julio Adler e João Valente, prontos para ponderar as nuances desse inicio de world tour.Paramos para homenagear o amigo que se foi, Alceu Toledo Junior e celebramos tudo com musicas, uma das paixões do Juninho.Canções da Minnie Riperton, Les Fleurs, Moacyr Luz com Leva meu coração e Frank Zappa encerra com Watermelon In Easter Hay.

Naruhodo
Naruhodo #462 - Por que gostamos do que gostamos?

Naruhodo

Play Episode Listen Later Mar 23, 2026 58:47


Quando criança, o Altay já quis ser astronauta. Depois, passou. Vieram outras profissões e outros interesses, coisas novas foram sendo experimentadas e os gostos foram mudando... Como a ciência explica por que gostamos de algumas coisas e não gostamos de outras? Confira o papo entre o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza. >> OUÇA (58min 47s) * Naruhodo! é o podcast pra quem tem fome de aprender. Ciência, senso comum, curiosidades, desafios e muito mais. Com o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza. Edição: Reginaldo Cursino. http://naruhodo.b9.com.br * APOIO: INSIDER Agora não tem mais pra onde fugir: o ano começou. Março é o primeiro grande momento de decisão do ano. É quando você percebe que vai precisar de roupa que funcione de verdade. Para trabalhar. Para treinar. Para viajar. Para viver. Março é também o Mês do Consumidor: a primeira grande oportunidade de compra do ano. É hora de tomar uma decisão inteligente para não precisar escolher de novo daqui a dois meses. Clientes recorrentes têm 15% de desconto. Primeira compra tem 20% de desconto. E todo mundo pode somar esses descontos com os descontos do Mês do Consumidor e chegar a até 50% de desconto total. Então, minha dica é: use o endereço a seguir pra ter o cupom NARUHODO aplicado ao seu carrinho de compras. >>> creators.insiderstore.com.br/NARUHODO Ou clique no link que está na descrição deste episódio. INSIDER: inteligência em cada escolha. #InsiderStore * REFERÊNCIAS DIstInctIon A social Critique of the Judgement of Taste Pierre Bourdieu  https://monoskop.org/images/e/e0/Pierre_Bourdieu_Distinction_A_Social_Critique_of_the_Judgement_of_Taste_1984.pdf Cultural tourism: A review of recent research and trends https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1447677018300755 Power: A Radical View https://books.google.com.br/books?hl=en&lr=&id=gJOoEQAAQBAJ&oi=fnd&pg=PP1&ots=tVyVpAQEsO&sig=hqfZ-5_L7_qXoqF2hdC1jRtJBWI&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false Critical digital literacies, agentic practices, and AI-mediated informal digital learning of English https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0346251X25002076 Artificial intelligence in fine arts: A systematic review of empirical research https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S294988212300004X Where Is Capitalism? Unmasking Its Hidden Role in Psychology https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/10888683241287570 Social class origin and entrepreneurship: An integrative review and research agenda https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S088390262500031X Social Connections and Loneliness in OECD Countries https://www.oecd.org/en/publications/social-connections-and-loneliness-in-oecd-countries_6df2d6a0-en.html Bourdieu revisited: new forms of digital capital – emergence, reproduction, inequality of distribution  https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/1369118X.2024.2358170 The ecological approach to culture https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1090513825000352 Naruhodo #308 - Alimentos reimosos fazem mal à saúde? https://www.youtube.com/watch?v=-6sRH-GZweU Naruhodo #379 - Como nós nos tornamos nós? https://www.youtube.com/watch?v=fI9rqAJfcUU Naruhodo #285 - Por que outras pessoas não entendem coisas que são óbvias para nós? https://www.youtube.com/watch?v=sG51qICc-ew Naruhodo #343 - O que é e como funciona uma relação estética? https://www.youtube.com/watch?v=rrF27pTFGg8 Naruhodo #442 - Qual o efeito da arte sobre nós? https://www.youtube.com/watch?v=9pgyTDtRbeo Naruhodo #446 - O que é transfuga de classe? https://www.youtube.com/watch?v=HQQyT1sawZo Naruhodo #170 - Para conseguir algo basta acreditar ou querer muito? https://www.youtube.com/watch?v=3ln4vHUiFGE Naruhodo #431 - Empreender se aprende ou é algo que nasce com a pessoa? https://www.youtube.com/watch?v=Fsso3SDp650 Naruhodo #414 - A educação científica salvará o mundo? https://www.youtube.com/watch?v=OLaBswwX9yM Naruhodo #382 - Quem ama o feio bonito lhe parece? https://www.youtube.com/watch?v=xI_DO_epNMg Naruhodo #443 - Quais os impactos dos robôs em nossas vidas? - Parte 1 de 2 https://www.youtube.com/watch?v=tCUsvZ9hQ60 Naruhodo #444 - Quais os impactos dos robôs em nossas vidas? - Parte 2 de 2 https://www.youtube.com/watch?v=yLVhdONlrug Naruhodo #341 - Cooperação entre seres vivos é algo inato? https://www.youtube.com/watch?v=N4mL78Sm-_8 * APOIE O NARUHODO! O Altay e eu temos duas mensagens pra você. A primeira é: muito, muito obrigado pela sua audiência. Sem ela, o Naruhodo sequer teria sentido de existir. Você nos ajuda demais não só quando ouve, mas também quando espalha episódios para familiares, amigos - e, por que não?, inimigos. A segunda mensagem é: existe uma outra forma de apoiar o Naruhodo, a ciência e o pensamento científico - apoiando financeiramente o nosso projeto de podcast semanal independente, que só descansa no recesso do fim de ano. Manter o Naruhodo tem custos e despesas: servidores, domínio, pesquisa, produção, edição, atendimento, tempo... Enfim, muitas coisas para cobrir - e, algumas delas, em dólar. A gente sabe que nem todo mundo pode apoiar financeiramente. E tá tudo bem. Tente mandar um episódio para alguém que você conhece e acha que vai gostar. A gente sabe que alguns podem, mas não mensalmente. E tá tudo bem também. Você pode apoiar quando puder e cancelar quando quiser.  O apoio mínimo é de 15 reais e pode ser feito pela plataforma ORELO ou pela plataforma APOIA-SE. Para quem está fora do Brasil, temos até a plataforma PATREON. É isso, gente. Estamos enfrentando um momento importante e você pode ajudar a combater o negacionismo e manter a chama da ciência acesa. Então, fica aqui o nosso convite: apóie o Naruhodo como puder. bit.ly/naruhodo-no-orelo

Rumo a Laftel
Rumo Especial Especial - Live Action One Piece - #1

Rumo a Laftel

Play Episode Listen Later Mar 22, 2026 87:51


Siiiiim tripulantes, vamos falar da segunda temporada inteira do live action de One Piece em vários episódios especiais para destrinchar essa série, eai? Gostamos ou não? Quais os easter eggs? Estamos juuuntos...@rumoalaftel

Dias Úteis
"Nos dias tristes não se fala de aves" (versão bilingue), de Filipa Leal, leitura por Soni Bohosian (repost)

Dias Úteis

Play Episode Listen Later Mar 20, 2026 2:21


Episódio 131, de Dias Úteis, um podcast que lhe oferece poesia pela manhã, de segunda a sexta-feira. Por vezes não apenas poesia, por vezes não apenas nos dias úteis...  Durante as próximas semanas, em modo veraneante, trazemos textos que podem levar para longe, sem sair do lugar. Gostamos muito de ouvir os nossos poetas em outras Línguas. Gostamos especialmente de ouvir quem não nasceu a falar português a ler na nossa Língua, depois de anos de estudo esforçado. Hoje, temos o privilégio de ter dois exemplos, de latitudes e continentes diferentes, mas tanto em comum, com duas versões de um poema da Filipa Leal. Agora, Soni Bohosian. Tema musical original de Marco Figueiredo, com voz de José Carlos Tinoco. Design de Catarina Ribeiro.

Enterrados no Jardim
Os ossos de Che Guevara a flutuar no espaço. Uma conversa com João Vasco Lopes

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later Mar 13, 2026 262:10


Sempre que se diz alguma profanidade com suficiente desarranjo para ferir a sensibilidade do leitor começa a contagem decrescente em que toda a gente se sente no direito de exigir a súbita torção redentora ou, pelo menos, um efeito de retratação, de forma a que se possa reforçar alguma noção moral entre a dejecção da época. Podemos descer o mais fundo que se possa imaginar à “latrina do coração” (Flaubert), mas de algum modo, em lugar do inferno, todos esperam escapar aos piores efeitos de degradação. No fim, todos querem saber-se a salvo da verdadeira infâmia, aquela em que alguém se acha quando apenas serve como exemplo aos demais para irem afinando as suas repressões, o seu falso moralismo puritano. A infâmia perdeu o carácter. Como assinala Claudio Magris, “muitos livros ostensivamente profanadores não chegam a ser na realidade desagradáveis – a irritar, a ofender, rejeitar, perturbar – porque a sua provocação é a máscara, demasiado transparente, de sentimentos nobremente humanos e os arroubos exibidos são apenas simpáticas e inofensivas licenciosidades imaturas”. Ficamos sempre felizes por saber que o traste, quando chega a hora da verdade, é capaz de um gesto de redenção. E o pior é todos estarmos muito seguros sobre o que isso possa significar. O que sejam os actos verdadeiramente bondosos. Como nos diz Eduardo Lizalde nuns versos: “A maior das purezas é a abjecção./ Não restam dúvidas./ Mas consolai-vos, oh puros:/ também os abjectos e os vis/ não o são totalmente./ Por vezes cheiram rosas/ e acariciam cordeiros com sinceridade/ ou beijam crianças/ e dão a sua vida pela Revolução.” Continuamos a encher a boca com palavras desvalidas, sem levar em conta quais são os órgãos que seria preciso desenvolver para mergulhar nessa zona esgotante capaz de exaurir as frivolidades com que nos chega esse leitor hipócrita, convencido da clareza dos seus juízos morais, esse burguezote apalhaçado que se furta por todos os meios ao emaranhado de paixões, brutalidades, aridez, vileza e negro sofrimento sem saída que a vida chega a ser. A maldade ou é uma instrução contra os nossos instintos e intuitos originais ou não é nada. Fazer parte do bando diabólicos, dos tais apóstolos da transgressão, significa lutar pela inversão dos grandes signos. A revolução começa por corroer os estratos da dimensão simbólica, pela derrogação de todas as certezas e conformismos. Os orgãos lutam para desembaraçar-se dos astros, daquela música que tão depressa faz de nós seres caducos. Daí que tantas vezes o pâncreas acabe calcinado, talvez por incapacidade de produzir a dose suficiente de bílis para se regular, pôr a ênfase necessária, lidar neste insistente deserto. As glândulas afinam por esse gotejar do que nos olha a partir das zonas mais escuras de nós próprios. Saímos do silêncio, cercados por ele, procurando destruí-lo sem o perder inteiramente. Também temos de criar um órgão para o trazer dentro. Estes vazios que guiam o sentimento. Vamos lendo outra coisa de costas para anúncios luminosos que propagam pela noite dentro esse resíduo ulceroso, e nem os insectos se lhe chegam, preferem ser engolidos pela resina, ou como certas flores e plantas encontrar o fogo, descobrirem pela chama aquela irisação do que depressa se cobre de negro. Temos algumas pedras, atiradas e recuperadas. Gostamos de como a terra as mastigou. Frases capazes de interceder enquanto ecos, esse detalhe dos nossos melhores erros. Ao longo do dia também nos pesa de diferentes modos. O vento quer lembrar-se de algo, ergue-se para uma demonstração, mas logo lhe falta a confiança e prefere adiar. Muitas vezes o mundo deixa de estar onde contávamos com ele. Há tantos nomes que de súbito deixam de responder. Pomos a mesma mesa, essa feroz mesa, mas as imagens parecem empurradas, as raízes apodrecidas, tudo contrariado. O crime é demasiado incerto. Não se sabe realmente como ferir fundo as leis principais. Por isso acabamos por nos virar para aqueles que têm o talento devastador do fracasso, dominados toda a vida por essas injúrias, e é assim que ouvimos contada de diferentes maneiras a fábula do fígado, a intensidade daqueles que foram levados a despedir-se dos dias. Os homens deixam de o ser rasgando o que de si mesmos conheciam. Por um ódio prometedor aceitam tomar para si mesmos expressões que noutras idades os teriam assustado. É preciso uma certa dimensão do inútil, o gosto por aprofundar as energias que não correspondem aos ciclos, aos bens ou às finalidades terrenas. A maldade é dar o ouvido àqueles deuses estragados, os que aprofundaram os seus defeitos, cultivaram-nos para extrair deles secreções que provocam tonturas e contorções a quem não se habituou a respirar esse ar capaz de gelar os pulmões e até a alma. O mal faz-se voltando atrás. É uma ferida na memória que não se deixa em paz. Voltando, voltando ao que ficou soterrado, escavando esses corpos, barcos, é uma forma de corroer o tempo. Com vagarosos gestos ocupamos os lugares, detemo-nos, contando, apostando, sempre através dessa desolada observação dos factos e dos feitos. Temos de estar dispostos a escutar até ao fim as nossas derrotas, a perfeição tortuosa do seu argumento, o elemento sinuoso de uma linguagem de sentido perdido. Com tudo isto, fica claro como o passado pode ser aberto, revisto, como é possível impor aos vermes um princípio de indústria. O tempo não precisa de ir todo no mesmo sentido. Podemos gravar certas intuições esperando outra atenção e inteligência de nós mesmos, ir marcando, dialogando com nós próprios em diferentes momentos, como se nos conduzíssemos, deixando espaço para aquela firmeza desesperada que, por agora, ainda nos falta. A memória deixa caminhos para mais tarde. Ainda voltaremos a esses cuidados, já sem a razão a ditar uma linha que seja, consumidos então pelo fogo, aquela vida que se propaga entre outros corpos, rasando o segredo, alimentando-se de estranhos reflexos. No fundo, a moral foi aquilo que nos fez conhecer a morte mais de perto, nos disse "não" vezes demais. Mas teríamos sido outros se tivéssemos escutado os elementos da sedução. Ficam-nos os cortes na pele, dessas silvas que roçamos até estarmos perdidos, a ânsia de crescer num odor oculto, deixar o sangue dar a volta mais larga, enegrecer sobre essas zonas onde o amor escolhe o outro lado da vida e nos transforma. Produzem-se imagens, restos futuros, fósseis que iluminam o que está por vir. Outros astros fazem as nossas sombras cambalear, e sonhos há muito esquecidos abrem enfim a boca, aproximam-se para nos dar sinais de um mundo que julgávamos conhecer. Quando deixas de falar sozinho, aí, sim, estás realmente perdido. Não tens quem te instigue o pior, e, naturalmente, também o melhor deixa de poder ser visto como uma escolha. Derivamos para o espaço, por falta de gravidade, ficamos dominados por essa insignificância comovedora. Como lembra Magris, as palavras “bondade” e “bom” não nos soam deslocadas na boca de Dostoiévski precisamente porque ele mergulhou sem qualquer reserva no lodo que corre nas nossas veias, como um messias que ressurge mas antes morre e desce verdadeiramente ao inferno. “A literatura explicitamente transgressora é também muitas vezes impulsionada, bem lá no fundo, por sentimentos tão bons que não podem ser confrontados com a crueldade tão frequente e triunfante da existência”, vinca o ensaísta triestino. Já antes Eduardo Lizalde havia notado como “Tudo o que é edificante é reaccionário/ (vejam-se os efeitos).” O mal permanece solteiro, é na verdade a única dimensão verdadeiramente heróica e solitária no meio de uma criação cabisbaixa, ferida por essa tentação de se submeter a algo de superior. Os intérpretes da verdadeira vontade devem ser os primeiros alvos a abater. Mesmo se surja com eles o primeiro sinal dessa presunção capaz de inventar um sentido e a razão de deuses que acabam por ser os verdadeiros triunfos da demonicidade humana. Mas somos vítimas demasiado voluntariosas dessa tendência para pôr a fé num borra-botas qualquer. Se, por outro lado, nos contássemos outras histórias, se tivéssemos órgãos, alguma apetência e educação para nos sabermos servir entre os melhores exemplos da danação… “Talvez um olhar impiedoso seja hoje mais necessário do que nunca, num momento em que se desmoronaram as ilusões das grandes filosofias da história, persuadidas de que as contradições da realidade trariam consigo a sua própria superação e conduziriam inevitavelmente a um progresso ulterior; o devir do mundo parece agora entregue a uma ebulição caótica e imprevisível, indiferente aos grandes projectos e perspectivas. Nesta capacidade de perscrutar verdades até intoleráveis reside uma bondade maior do que qualquer afabilidade conciliadora e temperada: a disponibilidade para descer, com uma piedade intrépida e desolada, até ao fundo da nossa obscuridade.” Neste episódio, vamos afastar-nos na direcção desse vazio que rejeita a medida e as disposições de ordem humana. João Vasco Lopes, uma dessas inteligências que tanto estimam o acaso, a adaptação, aquela evolução nervosa que exigem hoje os grandes sistemas, veio falar-nos das fronteiras que se viu a assediar timidamente, e estamos a falar do Espaço, dessas garatujas que desenhamos nos muros imensos de tudo aquilo que melhor exprime a nossa ridícula dimensão, o como não passamos de uma civilização que ainda nem saiu do berço. Vamos procurar tomar balanço para assaltar algumas zonas de recreio entretanto desactivadas do campo literário, agora que todos os exercícios com letrinhas nos fornecem toda essa consolação oferecida sem interrupções, de tal modo que a vida literária ocupou o lugar das ordens religiosas e dos conventos de freiras.

Enterrados no Jardim
Não gosto que salvem o mundo à minha custa. Uma conversa com José Gardeazabal

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later Mar 7, 2026 181:30


“Tudo é fácil quando temos vontade própria e estímulo alheio, mas é difícil sermos aquilo que somos. Os outros não deixam.” E ainda que lhes fosse indiferente, que não se acumulasse neles esse rancor de ver alguém tomar um enorme balanço, entregar-se a uma euforia tal que não precisa de outra coisa senão de preencher um instante, até contra o resto da sua vida, como se tivesse um poder de se libertar e esquecer de si mesmo, sendo essa a maior das fantasias, mesmo assim os outros estariam aí para te desmentir. Afinal, aquela chispa ou ferocidade que alguns revelam e os torna capazes de se desembaraçar dos efeitos previstos, de se borrifar no contexto, é aí que se acha o maior dos privilégios. E aquela compulsão mitómana é talvez o último sinal de arrojo, uma vez que a história inventada é sempre mais aliciante do que a maçadora tirania dos factos. Contudo, o grande entrave são os outros, e parece evidente como toda a etiqueta social se desdobra nessas fórmulas mais ou menos sub-reptícias de interromper alguém. Há, no entanto, alguns que sabem torcer pela oposição, viver como felizes desgraçados, muitas vezes até por conta de outrem, gozando os sinais de insubordinação. Depois daquele arranque, vamos citar-vos novamente Santos Fernando para deixar aqui outra pedra angular: “Tive que chegar à evidência de que o nosso semelhante é justamente aquele que em nada se nos assemelha.” Mas há mais… “Gostamos, nos outros, o que os outros não gostam neles.” O amor próprio deve assim ser colhido não em si mesmo mas à volta. Este não é um tempo para os homens andarem muito confiantes de si mesmos, pois isso identifica-os com os piores. Os melhores são os que se fogem, os que escapam. Aqueles que se fazem tão esquecidos de si que muitas vezes páram junto às montras para confirmar os traços do próprio rosto. “É para sabermos quem somos, que transportamos no bolso o bilhete de identidade.” A razão de toda esta solidão em que nos sentimos a dissolver, reféns de um quotidiano que trabalha em nós como ácido, é este excesso de confiança nas aparências, a forma como o espectáculo passou a governar até a metafísica. No fundo, um tipo só podia reconhecer-se nas divisões, na forma como num determinado momento parecia fazer uma escolha contra o de antes, contra si mesmo, romper, partir-se. “O Eu tem um conteúdo que o distingue de si, pois ele é a negatividade pura ou o movimento de se dividir, é a consciência”, escreveu Hegel. “Este conteúdo, na sua diferença, também é o Eu, pois ele é o movimento de se suprimir a si mesmo ou a negatividade pura que é o Eu.” Se temos tanta dificuldade para nos arrastar para fora de casa, fazêmo-lo porque, apesar de tudo, ainda é agradável encontrarmos na rua os nossos desconhecidos, especializarmo-nos na dor dos outros, como diz às tantas uma das personagens do último livro do nosso convidado. Saímos num gesto meio desaforado como quem se diz adeus a si mesmo, batendo com a porta, ofendendo-se os dois mutuamente, o que ficou e o que saiu. Fazemos estes cortes, ignorando-nos para nos conhecermos melhor. Santos Fernando ainda nos coloca diante de uma outra constatação: “– Perdão – exclamou o que tinha experiência da vida, experiência da falibilidade humana e experiência da bisbilhotice: – Só não espreita pelo buraco da fechadura, aquele que tem receio de estar a ser substituído do lado de lá.” Na verdade, esta frase deveria inverter-se, pois o receio mais constante nos nossos dias, um receio pânico, vem não da mera suspeita, mas da consciência de que estamos a ser substituídos do lado de lá, e não apenas por alguém novo ou melhor, mas por alguém muito parecido, um semelhante, um ser apenas um pouco mais indiferente, e, por isso, melhor adaptado às circunstâncias. Aquele que se ri da expressão que fazemos, aquele que nos provoca, esse duplo sinistro que divide connosco o mesmo lance de dados. “Acredito sinceramente ter interceptado muitos pensamentos que os céus destinavam a outro homem”, admitia Laurence Sterne. É uma forma de reconhecer essa capacidade de ocupar o lugar de outro… “Há gente que tem pára-raios para que os raios lhes caiam em casa”, retruca Santos Fernando, sempre à coca de uma oportunidade. Ele poderia concordar com o nosso convidado deste episódio quando ele reconhece que, entre certos seres sem tempo para os grandes arranjos litúrgicos, “Deus manifesta-se sob a forma de um insecto aramaico em risco de extinção”. “Um insecto fugidio, escondido em toda a parte”, adianta. E ainda acrescenta: “A palavra aramaico soa tão bem, não precisamos de mais nada para acreditar.” De resto, a fé já não é essa espécie de utopia transparente, mas algo mais rastejante, que sobrevive à base de impulsos, coincidências meio patéticas, um arranjo fenomenal de ninharias. Às tantas, num daqueles armazéns onde alguns tipos assistem à rotina frenética das mercadorias, esses milhares de produtos destinados a um trânsito internacional que, como nos diz José Gardeazabal, parece imitar o ritmo fértil das grandes migrações, fica claro como vamos sendo reduzidos a essa humildade dos espectadores da catástrofe, e às tantas percebe-se que o homem é precisamente aquilo que toda esta inquietação das mercadorias acaba por destruir, tornando-se um ser inteiramente esmagado, atirado para a margem, desfigurado por essa nova forma de miséria que se foi impondo com o monstruoso desenvolvimento da técnica. Como assinalou Erich Auerbach, “nos seus começos gregos, a poesia europeia possuía o conhecimento de que o homem seria uno – algo de indivisível, constituído pela força e pela forma do corpo, pela razão e pela vontade do espírito, de que o seu destino particular se teria desenvolvido a partir de uma tal unidade, quando à sua volta se reuniam, como que por atracção magnética, as acções e paixões que lhe estavam reservadas, fixando-se nele e formando assim elas mesmas uma parte da sua unidade”. Aquele filólogo e crítico literário vinca que foi “este entendimento que conferiu à epopeia homérica a intuição e a compreensão profunda da estrutura dos acontecimentos possíveis”. “Inventando e sobrepondo acções e paixões do mesmo tipo, Homero deu forma a Aquiles ou a Ulisses, a Helena ou a Penélope; de uma acção que revelava a essência, ou ainda de uma essência que se anunciava numa primeira acção, surgiu ao poeta inventor, de forma necessária e natural, a série e a suma das acções, tornadas idênticas, de todos eles, e ao mesmo tempo a orientação geral do percurso das suas vidas, o seu entrelaçamento no tecido dos acontecimentos, que constitui tanto a sua essência quanto o seu destino.” Mas hoje já não há unidade nos homens porque o destino é precisamente aquilo que faz deles esses seres inertes, dominados por um vazio que escarnece de todos os seus gestos. E também por isso o romance está em crise, pois não sabemos como traduzir alguma inspiração literária que sirva de fôlego a verdadeiras personagens, construindo a sua fictiva autonomia, e que habitem soberanamente essa zona dos mitos criada pelos grandes escritores. Vamos andar por aqui, indagar ainda sobre a forma como o novo paradigma tecnológico infectou a carne. E se, finalmente, e ao cabo de tantos naufrágios, o velho lobo desse mar que há décadas ia pingando pelas torneiras mal fechadas de tantas casas portuguesas lá se despediu de vez, também por aí vamos passar, aproveitando para uivar entre as fronteiras já praticamente apagadas da nossa cultura, e sempre com Gardeazabal a expor-nos a vasta colecção de pulgas colhidas noutras paragens e que a ele o ferram mais fundo e lhe transmitem a sua febre.

Amorosidade Estrela da Manhã
DEUS SABE, QUER E FAZ! ENTÃO, TALVEZ, SERIA BOM QUE NÃO SOUBÉSSEMOS DE NADA, NÃO QUISÉSSEMOS NADA E NÃO FIZÉSSEMOS NADA. A MENOS QUE GOSTAMOS DE NOS ENGANAR. PIOR TALVEZ SEJA QUERERMOS, E SABERMOS...

Amorosidade Estrela da Manhã

Play Episode Listen Later Feb 23, 2026 4:37


Flow Games
PLATINAS E CONQUISTAS, por que gostamos de PLATINAR? - #flowgames #184

Flow Games

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 188:58


Um dos maiores símbolos das últimas gerações, o sistema de troféus e conquistas nos consoles e PC é um jeito sinalizar que fechamos 100% a experiência de um jogo. Mas será que é o fim da jornada?O Flow Games de hoje tá trazendo essa resenha incrível. Vem com a gente conquistar esses troféus!

Fever Pitch
Liga? Não Gostamos do Tom Dela

Fever Pitch

Play Episode Listen Later Feb 3, 2026 47:44


Sete jogos sem ganhar em 20 jornadas. Pontos perdidos com 4(!) equipas do 13º lugar para baixo! Falta poder de fogo ao Benfica? De onde vieram os golos ao Real Madrid e Nápoles?Mistérios.

Amorosidade Estrela da Manhã
TALVEZ FOSSE MAIS FÁCIL NÃO PRECISARMOS GOSTAR, E SIM SÓ NÃO NOS INCOMODARMOS COM O QUE PERCEBEMOS. POR QUE É QUE O QUE NÃO GOSTAMOS, QUE TALVEZ SIRVA PARA OS OUTROS, TEMOS QUE CONVERTE EM SOFRIMENTO?

Amorosidade Estrela da Manhã

Play Episode Listen Later Jan 29, 2026 8:09


Artes
Novo disco de Lina é uma declaração de amor ao piano e ao fado

Artes

Play Episode Listen Later Dec 2, 2025 26:05


A cantora portuguesa Lina tem um novo disco intitulado “O Fado”, criado em cumplicidade e parceria com o pianista Marco Mezquida. Este é um álbum só com voz e piano, um instrumento que tão bem se acorda com a poesia e com o fado. Este é também um trabalho que homenageia o piano que, no percurso de Lina, sempre foi "um instrumento muito presente, quase como uma mãe". Em entrevista à RFI, Lina descreve o disco como “uma dança de borboletas” por ser “tão livre, tão espontâneo, tão orgânico” e simplesmente “genuíno”. Fado e poesia são notas maiores no trabalho que Lina vem desenvolvendo nos últimos anos, com “Lina_Raül Refree” (2020), "Fado Camões" (2024), “Terra Mãe” (2025) e “O Fado”. Em todos, Lina abraça uma forma livre de sentir o Fado, despojada de espartilhos, aberta e atenta ao mundo de hoje. Lina e Marco Mezquida passaram por Paris para a promoção do disco “O Fado” e estiveram na RFI a falar connosco e a interpretar dois temas ao vivo. RFI: O disco “O Fado” que fez com Marco Mezquida é um disco de fado só com voz e piano, sem guitarra portuguesa. Porquê? Lina: “Não é só um disco de fado. Tem outras músicas. Tem uma música brasileira, vai também para a América do Sul com a língua espanhola. No fundo, o que nós quisemos foi encontrar pontos semelhantes em algumas músicas do nosso conhecimento que tivessem relacionadas com o fado. Mas sim, eu considero que seja um disco de fado, apesar de não ter os instrumentos tradicionais do fado, mas a própria Amália também cantou ao som do piano do Alain Oulman nos anos 60. Chama-se ‘O Fado' pelo facto de eu ter feito a música para esta letra da Florbela Espanca que se intitula ‘O Fado', não é necessariamente um carimbo ou dizer que isto é o fado, não é isso. Chama-se ‘O Fado' precisamente porque nó lançámos um EP antes de Setembro, com quatro músicas, e na altura o single foi ‘O Fado'. Então, achámos que para manter a coerência, para não fazer aqui grandes confusões, mantivemos o nome, o mesmo nome da música, ‘O Fado'.” Até que ponto o piano é um instrumento que melhor se acorda com a poesia? “Eu acho que o piano é um instrumento que é muito bom de sentir em qualquer área musical, em qualquer estilo musical. Eu comecei a cantar desde muito pequenina, com dez anos, ao piano, portanto, o piano sempre foi aquele instrumento que esteve sempre ao meu lado nas aulas de canto. É sempre o piano que nos acompanha nas aulas de coro e de formação musical. O piano está sempre lá, portanto, sempre foi um instrumento muito presente, quase como uma mãe.” Sempre a acompanhar... “Exactamente.” Como se deu esse encontro com o Marco Mezquida? “Nós conhecíamo-nos através das redes sociais. Conhecíamos o trabalho um do outro, mas nunca tínhamos estado juntos e houve um dia que eu estava a cantar no Clube de Fado e está uma mesa na primeira fila com três pessoas. Era um casal e uma criança muito pequenina e chamou-me imenso a atenção porque estavam muito admirados e super embevecidos com o fado e com aquilo que se estava a passar com os músicos, com a guitarra portuguesa, o Ângelo Freire ( era ele que estava a tocar também). Sentia-se essa admiração. Depois, mais tarde, vi que alguém tinha colocado na sua página e que tinha que tinha identificado o Clube de Fado. E por acaso vi e me apercebi que era o Marco Mezquida. O Marco em seguida escreve nos comentários: ‘Noutra vida gostava de ser fadista'. Depois, mandei uma mensagem, estivemos juntos no dia porque ele tinha ido a um festival em Lisboa, eu fui também assistir a este concerto e falámos. Dissemos que gostaríamos de trabalhar em conjunto e esta oportunidade surgiu em Janeiro deste ano.” Foi “o fado”? “O fado, foi o destino.” [Risos] Como imaginaram este trabalho? “Na verdade, eu comecei a tentar perceber que músicas é que eram justas para a forma de tocar do Marco, que fados é que poderiam se encaixar na forma dele tocar. É que ele é muito virtuoso e é muito sensível. Aliás, vão poder ver depois a forma como ele toca, como ele abraça o piano, os dedos dele são a extensão do instrumento, é como se ele fizesse parte. E eu ia-lhe mostrando... Eu também lhe pedi para mandar uma lista de músicas que ele gostava que eu cantasse. E foi assim que nós chegámos a um acordo de 12 músicas, 12 fados, 12 canções que estão neste neste álbum. Fizemos a gravação do EP em Janeiro, numa tarde. Todas as músicas foram gravadas sem edição, ao vivo, sem cortes e depois metade do álbum gravámos em Setembro, também em duas tardes.” Ou seja, foi um processo relâmpago e o próprio lançamento também foi muito rápido, não é? “Sim, foi porque na altura em que lançámos o EP eram só quatro músicas. A Galileu, que é a editora, propôs-se gentilmente a lançar, a editar logo o EP e depois correu tão bem que decidimos fazer um álbum inteiro.” “Vamos então aos temas. Por exemplo, em termos de repertório tradicional, se não estou em erro, têm uma nova leitura do “Fado da Defesa” ou de “Gota de Água”. Que significam para si estes fados? Foi a Lina que escolheu? “Fui eu que escolhi o ‘Fado da Defesa'. É muito especial para mim porque é um fado tradicional. Aliás, é o único fado tradicional que existe neste álbum. Eu quando digo fado tradicional, para as pessoas que não percebem, há vários fados tradicionais onde se pode encaixar uma nova poesia. Ou seja, eu posso fazer um poema para aquela melodia daquele fado tradicional, por exemplo, o ‘Estranha Forma de Vida' que é um fado que quase toda a gente conhece é o nome do poema, mas o fado tradicional é o fado bailado. Portanto, eu agora fui encontrar uma letra para o fado bailado e vou cantar aquele poema, como foi o caso do ‘Labirinto' do ‘Fado Camões'. É exactamente a mesma melodia, o fado tradicional do fado bailado, mas com outra poesia. É esta a particularidade dos fados tradicionais que normalmente não têm refrão e os que tem refrão chamam-se fado-canção. Aí a distinção entre o fado tradicional e o fado-canção. ‘Gaivota' é um fado-canção, é um hit, mas, na verdade não é um fado tradicional. A melodia é de um fado-canção.” Porquê, então, a escolha destes dois fados, o “Fado da Defesa” e o “Gota de Água”? “O ‘Fado da Defesa' é criação da Maria Teresa de Noronha. Na altura, quando foi gravado em disco, a última estrofe não cabia porque eram as rotações, não sei especificamente explicar essa parte, mas o fado era tão comprido que tiveram de cortar a última estrofe. Então, o meu padrinho do fado, o meu padrinho de coração José Pracana, guitarrista que eu tive a oportunidade de conhecer e de estar com ele em concertos e ter sido convidada por ele para estar na casa dele nos Açores, ofereceu-me esta última estrofe e eu decidi colocá-la aqui neste álbum. A ‘Gota de Água', do Flávio Gil, que eu já tinha gravado na minha outra vida, como Carolina porque, como sabem, eu comecei com dois álbuns editados pela Sony, mas com outro nome, Carolina. Na verdade, o meu nome é Lina, mas há pessoas que ainda me continuam a chamar Carolina porque acham que é diminutivo. Lina é mesmo o meu nome de nascença.” A Lina também assina composições de Florbela Espanca, Miguel Torga... Há pontes e histórias entre esses diferentes poemas? “Na verdade, eu vou guardando, eu vou lendo alguns poemas e há um que eu gosto e guardo. ‘O Fado' fui encontrá-lo por acaso, nas minhas notas do telefone, naqueles dias em que uma pessoa olha para apagar umas quantas notas. E fui vendo, vendo e encontrei, deparei-me com este poema, já nem me lembrava dele. Não sei, não há coincidências, não é? Quando vi este poema, pensei porque não musicá-lo? Decidi então fazer a melodia. O mesmo aconteceu para o Miguel Torga. Eu acho que quando encontro poemas de que gosto e os fados tradicionais não se encaixam no poema, eu decido fazer a melodia. O Marco Mezquida faz os arranjos, também ajudou na parte melódica do ‘Confidencial' de Miguel Torga, sobretudo na parte instrumental e na parte do solo, o que obviamente elevou a música que estava numa fase embrionária, mas sim, partem de mim essas criações.” Também temos textos em castelhano. O que é que fez que  “El Rosario de Mi Madre” e “No Volveré” tivessem o seu espaço e a sua alma dentro deste disco? “No fundo, como eu estava a gravar um álbum com um músico que não é português - ele é menorquino, mas vive em Barcelona - estar ao lado de alguém que está a tocar e que não é português e que provavelmente há expressões e frases que não entende ou não percebe exactamente aquilo que eu digo enquanto canto, achei muito bonito poder também cantar algo na língua dele para haver essa partilha, essa comunicação também. Foram essas as minhas duas escolhas. A ‘No Volveré' foi o Marco Mezquida que me enviou umas quantas, mas eu só consegui escolher essa porque eu tinha que encontrar algo que se assemelhasse ao fado, algo na sua composição ou na sua estrutura, no seu tema, como ‘El Rosario de Mi Madre', ‘Devolve-me o terço da minha mãe, leva tudo, mas devolve-me o terço...' É muito do fado, não é?” Quando ouvimos o disco, passamos por “Algemas”, “Ausência em Valsa”, “Não é fácil o Amor”, “Fado da Defesa”, “No volveré” ...  A melancolia é uma força que varre o disco. O fado tem mesmo de ser triste? “É um estado de espírito que nós todos gostamos muito de ter. Gostamos de estar tristes, de nos sentir tristes e chorar. Somos muito saudosistas e nós gostamos desse estado de espírito. Acho que nós somos um bocadinho assim.” É entao mesmo uma linha de  força do disco? “A melancolia é universal. Eu acho que não é só portuguesa. Eu acho que melancolia é universal. Todas as pessoas entendem este estado de espírito, há povos que são mais do que outros, mas não quer dizer que todos saibam sentir a melancolia.” Melancolia, fado... Se tivesse de definir em poucas palavras o disco, o que diria? “É interessante porque eu canto fado há mais mais de 25 anos e com o Marco Mezquida não tenho de pensar se é fado, se não é fado, se estou a fazer bem ou se estou a fazer mal. É tão livre e tão espontâneo e tão orgânico que vamos atrás um do outro. É quase uma dança de borboletas. Não sei explicar. É tão genuíno. É tão fácil. É fácil trabalhar com o Marco. Portanto, para mim é um disco fácil.” Lançou este álbum no mesmo ano em que lançou também "Terra Mãe", uma parceria com o músico irlandês Jules Maxwell. No ano passado, lançava "Fado Camões” e, em  2020, Lina_Raül Refree… Todos eles têm em comum uma outra maneira de encarar o fado, com paisagens sonoras mais contemporâneas, mais livres. Como é que a Lina descreve o trabalho que tem feito nestes últimos anos? “Eu gosto de explorar e gosto, sobretudo, de fazer parcerias, de conhecer novos músicos, novas formas de fazer música, novas visões musicais, mas também encontrar aqui pontos comuns ao fado e influências sobre ele. Encontrei, obviamente, no ‘Terra Mãe', que não é um disco de fado, mas que vai buscar um pouco à forma de cantar irlandesa das senhoras que se chama Sean-nós e é muito identico ao fado essa instrumentação. No fundo, são canções só com voz e é muito idêntico. O Jules Maxwell foi também ao Clube de Fado que é uma casa de fados onde eu canto há 19 anos.” E que nunca deixou... “Que nunca deixei. O Jules Maxwell identificou essas senhoras que cantavam antigamente, esse estilo musical da Irlanda e que é muito semelhante, também cheio de melancolia e com coloraturas na voz, mas sem instrumentação, sem guitarra portuguesa.” Tem feito essa volta ao mundo com estes projectos novos, em que realmente consegue desprender-se de convenções mais associadas ao fado, mas continua - e isso é muito bonito - fiel ao Clube de Fado. “É verdade.” Porquê? “Para já é um lugar onde eu me sinto confortável, em casa, exactamente como a minha segunda casa. Depois, o ambiente que nós temos entre colegas fadistas e músicos... A toda a hora encontramos vários colegas que estão nas outras casas de fado e que passam e dizem boa noite e estão lá um bocadinho connosco. Assistem-nos, assistem ao fado, trocam ideias e mostram músicas uns aos outros. Acho isto bastante natural. Uma tertúlia quase. E depois também acho interessante, por exemplo, ainda ontem e anteontem estive lá e estavam dois casais, um que tinha estado no concerto em Roterdão e que tinha ido ver o concerto do ‘Fado Camões' em Roterdão e outros de Dortmund que também tinham estado no concerto. É curioso, é muito interessante. Ou então perguntam onde é que eu vou estar? E eu também pergunto de onde é que é... Há, assim, esta comunicação...” É uma casa de encontros também? Onde encontra as parcerias musicais? “Sim. Não há melhor sítio que o Clube de Fado que é onde eu estou a cantar. Obviamente que para mim é muito bom poder manter-me ali no Clube de Fado há tantos anos.” Eu ia-lhe perguntar se tem um novo projecto na manga, mas tendo em conta que este ano já lançou dois, se calhar a pergunta é demasiado ousada... “Por acaso tenho! Até tenho dois! Mas não posso falar, não posso dizer nada ainda. Aproveitem estes dois. O que nós queremos também fazer é saborear estes dois projectos, explorar também porque é completamente diferente quando se grava em estúdio e depois quando se passa para o palco e para o público.” Até porque há toda uma cenografia nos seus concertos, bastante minimalista e muito pensada, não é? “Sim, mas neste caso com o Marco Mezquida é eu e ele e nada mais. Houve um jornalista do ‘El País' que lhe chamou ‘Fado Câmara'. E é. Simples, o mais mais acústico possível e sem grandes adornos. Cru, basicamente. Piano e voz.”

Podniners

Os 49ers estão de volta a Santa Clara para mais uma noite sob os holofotes, em um duelo que vale a manutenção do 100% em primetimes na temporada 2025. Depois de semanas consistentes e atuações de destaque, o time de Kyle Shanahan recebe os Panthers em um confronto que testa ajustes, profundidade do elenco e a capacidade do ataque de seguir dominante quando as luzes ficam mais fortes. Carolina chega preparada para tentar quebrar a sequência perfeita, enquanto San Francisco busca reafirmar autoridade em jogos noturnos, controlar o ritmo da partida e mostrar evolução após algumas oscilações recentes na defesa. É um jogo que promete impacto direto no momento da temporada e no embalo da equipe para as próximas rodadas. ➡️ Assista e comente: a invencibilidade no primetime continua?

Rádio Comercial - Já se faz Tarde
Aqui não fingimos que gostamos de trabalhar

Rádio Comercial - Já se faz Tarde

Play Episode Listen Later Nov 6, 2025 18:54


Com Joana Azevedo e Diogo Beja

Convidado Extra
Jaime de la Rica: “Gostamos do café curto e muito intenso, como os italianos”

Convidado Extra

Play Episode Listen Later Nov 3, 2025 41:00


Natural de Bilbau, Jaime de la Rica, diretor-geral da Nespresso no nosso país e radicado há 2 anos entre nós, reconhece que “O Guggenheim mudou o clima, a cor da cidade e o humor das pessoas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

POP.DOC
163 - As cantoras britânicas que mais gostamos

POP.DOC

Play Episode Listen Later Oct 8, 2025 47:59


Raye e Olivia Dean tem se destacado nas paradas de sucesso, mas elas não são as únicas britânicas a conquistarem nossos corações. Jessie J, Adele, Amy Winehouse e muito mais mostram que o talento inglês é diferenciado!-Quer ajudar a custear o nosso podcast?Conheça o nosso ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Apoie.se⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠!Siga o Pop.Doc nas redes sociais: @docpopcast no ⁠⁠⁠Instagram e @pop.doc no Tik Tok⁠⁠⁠.Siga também a gente: Alexandre Santana (⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@iexandre⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠), Paulo Corrêa (⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@paulorcorrea⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠) e Xande Levy (⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@xande.levy⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠)!

radinho de pilha
alienígenas na Amazônia??? por que gostamos de futebol? falemos de liberdade de expressão

radinho de pilha

Play Episode Listen Later Oct 6, 2025 38:53


(via ChatGPT)  Animal Spectators of Conflict https://chatgpt.com/share/68e3939c-e944-8006-acad-172889eb7eef Ratanabá, capital do Brasil https://revistaquestaodeciencia.com.br/apocalipse-now/2022/06/18/ratanaba-capital-do-brasil 20 bird species can understand each other's anti-cuckoo call https://www.newscientist.com/article/2498809-20-bird-species-can-understand-each-others-anti-cuckoo-call/ Free Speech – An Ancient History https://pca.st/4d192lfz Parrhesia https://en.wikipedia.org/wiki/Parrhesia canal do radinho no whatsapp! https://whatsapp.com/channel/0029VaDRCiu9xVJl8belu51Z canal do radinho no telegram:   http://t.me/radinhodepilha meu perfil no Threads: https://www.threads.net/@renedepaulajr meu perfil no BlueSky https://bsky.app/profile/renedepaula.bsky.social meu ... Read more The post alienígenas na Amazônia??? por que gostamos de futebol? falemos de liberdade de expressão appeared first on radinho de pilha.

Enterrados no Jardim
Os peixes solúveis e o despotismo rococó. Uma conversa com António Tonga

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later Oct 4, 2025 223:45


Poucos se perguntam o que resta do homem, que é feito dele passados estes últimos dois séculos de abastardamento do espírito, esse ser cada vez mais inapto, que se enreda nas suas justificações, que se adapta seja como for, se safa, dê por onde der, com essa capacidade de levar a vida inteira num longo estertor. Mas a alguém deveria intrigar esta estagnação dos órgãos, à medida que o horizonte se nos escapa, como vamos aperfeiçoando a nossa corrupção, as habilidades mesquinhas, a farsa, a sórdida trama, sempre neste embrutecimento das faculdades, cobrindo tudo com um sorriso petrificado. O instinto de sobrevivência deu lugar a um turvo ofício de entranhas, a estes seres imensamente cautelosos, viciados no seu próprio terror, vítimas de uma subjectividade exagerada, que levam os dias negociando termos de forma a esquivarem-se a qualquer encontro com o perigo. Deveríamos fazer um esforço por compreender o que vem a ser este ser sujeito a uma ocupação que o tornou tão profundamente servil, perfeitamente adaptado a uma ética inteiramente fundada sobre o valor mercantil, a honra do trabalho, os desejos comedidos, a brutalidade instintiva, e a morte, esta que nos segue tão de perto, e manca de pequenez em pequenez. “Tornar-se tão insensível e portanto tão manejável quanto um tijolo é aquilo a que benevolamente convida a organização social”, diz-nos Raoul Vaneigem. Ele denuncia a imensa máquina de condicionar, e explica a ausência de um ânimo e de um enredo tumultuoso que favoreça a transformação com a falta de sinais inspiradores ao nosso redor. “Face à minha prisão actual, o futuro não tem interesse para mim.” No fundo, o capitalismo cria um conflito dentro de cada um de nós, uma divisão entre si e si mesmo. Temos sempre alguma justificação na ponta da língua, uma mentalidade de servos, habituados a serem sacudidos ao virar de cada esquina. Constantemente sujeitos aos interrogatórios, estamos sempre disponíveis para abrir o livrinho com a nossa contabilidade mais íntima. Repare-se na expressão, nos modos mais comuns, nesse constante ensaio com que cada um se desfia a si mesmo, como se estivesse a meio de algum desses exames de rotina, ou fazendo por se apresentar nos tantos concursos, providenciando sobre qualquer tópico uma opinião habilidosa, assumindo a pose de forma a oferecer o melhor ângulo a qualquer montra, como se a sua imagem estivesse a ser captada pelas câmaras, esse rosto de transcendental e eterna inutilidade que põe um tipo quando faz de produto. Vaneigem diz que o sentimento de humilhação difuso que nos persegue nada mais é que o sentimento de ser objecto. Em seu entender, não somos escravos dos nossos desejos tanto como o somos da crença na felicidade dos outros, “uma fonte inesgotável de inveja e ciúme que faz experimentar por intermédio do negativo o sentimento de existir”. “Invejo, portanto existo. Apreender-se com base nos outros é apreender-se outro. E o outro é o objecto, sempre. De tal modo que a vida se mede pelo grau de humilhação vivida. Quanto mais escolhermos a nossa humilhação, mais ‘vivemos', mais vivemos com a vida arrumadinha das coisas. Essa é a manha da reificação.” Isto explica todos esses esforços empreendidos para mascarar o nosso desespero. O que é mais doloroso é pressentir esta culpa face a si mesmo, todas as nossas tentativas para dissimular o esfarelamento dos valores, a ruína das existências, a inautenticidade dos nossos gestos. Por isso, no entender do autor de “Arte de Viver para a Nova Geração”, “as crises que sacodem o mundo não se diferenciam fundamentalmente dos conflitos em que os meus gestos e os meus pensamentos se defrontam com as forças hostis que os travam e os desviam”. O capitalismo significa um colapso da própria consciência humana. Se pudéssemos ganhar alguma distância em relação a nós próprios, se nos escolhêssemos como inimigos, nada nos daria maior prazer do que cuspir nisso a que, por mera afectação, dizemos ser a nossa alma. Gostamos de manter o quarto na penumbra de forma a que as formas do lixo que nos acusa não se possam distinguir, e então admiramos os ecos de outro tempo, o tempo que já foi. Bate-nos uma saudade estúpida de um mundo capaz de produzir em nós algum temor, uma “saudade dos tempos da juventude antiga, dos sátiros lascivos, dos faunos brutais” (Rimbaud)… Voltamo-nos para esses reflexos e para a pouca água que resta à superfície de alguns textos, e repetimos a estranha ordem de palavras que parecem ir além daquilo que somos capazes de sentir… "se viesse um homem ao mundo, hoje, com/ a barba de luz dos patriarcas, só poderia,/ se falasse deste/ tempo, só poderia/ balbuciar balbuciar/ sempre, sempre,/ só só" (Celan). O isolamento é o pior castigo e, no entanto, só através dele podemos fazer esta espécie de luto em relativa paz. “Para sobreviver à uniformidade que nos cerca, a única opção é reconstituir sem parar o nosso próprio mundo interior, como uma criança reconstruiria por todo o lado a mesma cabana. Como Robinson, reproduzindo o seu universo de merceeiro na ilha deserta, com a diferença de que a nossa ilha deserta é a própria civilização e de que somos milhões a desembarcar incessantemente” (Comité Invisível). Dito isto, o pior seria se nos contentássemos com a ridicularia daquilo a que chamamos solidão. Para nos pronunciarmos orgulhosamente sós ainda teríamos de ser uns quantos, para somarmos um Robinson convinha que naufragassem de uma vez largas centenas, e pelo menos uns sete, nove ou até uma dúzia se safassem, constituindo uma pequena camarata na tal ilha, isto para compensar a forma como as nossas almas parecem ser já meros fragmentos, estilhaços de uma qualquer unidade. Não demoramos muito a desconfiar como mesmo esses períodos de abatimento são um pequeno teatro que representamos para benefício da catástrofe da nossa personalidade, que há muito deixou de nos parecer minimamente bela, cativante, abrangente. Neste episódio, juntou-se a nós um tipo que, para coçar-se, não precisa de inventar pragas delirantes nem patéticas, e que veio trazer-nos um embalo mais largo na sua relação com o tempo, com a história, com a herança daqueles que estão dispostos a prosseguir cada dia, travando uma batalha atrás de outra, denunciando os tantos desdobramentos e ecos do colonialismo, e de todos os modos de exercer poder de forma violenta, estabelecendo hierarquias degradantes, e isto sem entrar nesses jogos de palavras cruzadas em que Vaneigem viu a esquerda triturar-se. Activista anti-racista, membro fundador do colectivo Consciência Negra, e um entre as centenas de milhões de herdeiros da luta visceral dos povos africanos pela sobrevivência e por uma África livre do esmagamento capitalista, António Tonga juntou-se a nós para discutirmos o que possa ser uma acção consequente e formas de organização e luta que não se deixem reduzir ao habitual esquema burocrático.

Mansão Wayne
Desenhistas ruins que gostamos • MW #232

Mansão Wayne

Play Episode Listen Later Sep 25, 2025 130:39


Boa noite, Gotham!Sabe aquele desenhista que você gosta muito, mas que é muito criticado por ser terrível? É dele que vamos falar hoje!E, para isso, estamos com a bancada completa:Carlos Vázquez, André Pansera, Roberto Segundo, Thiago Brancatelli e Leonardo Vicente, o Buddy, perdem a vergonha e falam bem de desenhistas ruins!Dê o play! 

Vamos Falar Sobre Música?
VFSM #370 - Por que gostamos tanto de listas?

Vamos Falar Sobre Música?

Play Episode Listen Later Sep 18, 2025 90:28


Nesta edição, Cleber Facchi (@cleberfacchi), Renan Guerra (@_renanguerra) e Nik Silva (@niksilva) trazem um contexto histórico e conversam sobre porque listas são tão importantes no meio musical.Garanta já o seu ingresso: https://eventim.com.br/indigo/Apoie a gente: https://apoia.se/podcastvfsmNão Paro De Ouvir➜ Shame https://tinyurl.com/5n7jr7h4➜ Parcels https://tinyurl.com/4r5suynu➜ Jessy Lanza https://tinyurl.com/ys5mp4bc➜ Ximena Sariñana https://tinyurl.com/vn63kfpd➜ EQ https://tinyurl.com/3nkfrcs7➜ Lento, Distante https://tinyurl.com/48h832ds➜ Whitney https://tinyurl.com/nhch2ser➜ Stereolab https://tinyurl.com/35x92wa3➜ Venna https://tinyurl.com/3f7cdr3f➜ SG Lewis https://tinyurl.com/3yhs33kh➜ Phylipe Nunes Araújo https://tinyurl.com/bdc494nn➜ Ottopapi https://tinyurl.com/y5e2srwv➜ Teago Oliveira https://tinyurl.com/yspkb93v➜ Ana Frango Elétrico https://tinyurl.com/5fskuta2➜ Sessa https://tinyurl.com/cmb88j6h➜ Ninjajirachi https://tinyurl.com/dknsw9ke➜ Jens Lekman https://tinyurl.com/3zre65mk➜ Algernon Cadwallader https://tinyurl.com/zk93fjxe➜ James K https://tinyurl.com/57truh7p➜ Bike https://tinyurl.com/3j64n2r4➜ Cleuzinhu https://tinyurl.com/2r4ebydc Você Precisa Ouvir Isso➜ Lionel Richie➜ O Podcast Que Ninguém Vai Ouvir https://tinyurl.com/32cfx92p➜ Ghibli Fest➜ Frieren e a Jornada para o Além (Crunchroll / Netflix) Playlist Seleção VFSM: https://bit.ly/3ETG7oEContato: sobremusicavamosfalar@gmail.com

Nordicast
Nordicast 303 - Jogos que Não Gostamos

Nordicast

Play Episode Listen Later Sep 5, 2025 130:54


Fala Povo! Neste Nordicast vamos resenhar sobre os jogos que NÃO gostamos! Além disso vamos comentar as notícias da semana, os jogos que viram mesa! Programa com a participação de Carol (Lost Token/Covil) e Manique (Inteligências Lúdicas)! Notícias: Anúncios da asmodee feitos na Live Nórdica https://www.instagram.com/p/DN9bOvnjlUq/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MWxsZm5reWN3d290MQ== No dia 06/09, das 09h às 17h, acontece o 1º #JogaRioPreto https://www.instagram.com/reel/DN6yp2kEUId/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MXd4YXlxc2EwNG1zZw== Lançamentos da Semana https://www.playeasy.com.br/transgalactica.html https://www.playeasy.com.br/king-of-tokyo-duel.html https://www.playeasy.com.br/dracula-vs-van-helsing.html Blog do Covil - Estreia da coluna Por Tras do Board https://covildosjogos.com.br/2025/08/26/por-tras-do-board-brass/ Blog do Covil - Série Gipf (Abstratos) https://covildosjogos.com.br/2025/09/02/bem-vinda-ao-bga-serie-gipf/ A semana do Covil em um post! https://ludopedia.com.br/topico/92146/semana-no-covil-27-08-25-02-09-25 Apoie o Covil pelo Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC2X22MnKPeLn2fxl-eVnrTA/join Apoie o Covil pelo Apoia.se: https://apoia.se/covildosjogos Jogos de tabuleiro é na Playeasy: https://playeasy.com.br/ Acessórios Realísticos é na Gorilla 3D: https://www.gorilla3d.com.br/ Para mais vídeos, resenhas em texto e para ouvir nosso podcast, acesse: https://covildosjogos.com.br

Conversas de Fim de Tarde
Linda Martini: “Não somos educadores de ninguém. Estamos cá para fazer aquilo de que gostamos”

Conversas de Fim de Tarde

Play Episode Listen Later Aug 10, 2025 44:40


Não pregam nem apontam o dedo. Tocam e continuam a fazê-lo com a honestidade de quem não quer agradar a todos. Com mais de 20 anos de carreira, quem são os Linda Martini perto ou longe de um palco?See omnystudio.com/listener for privacy information.

… em 40 minutos
Linda Martini: “Não somos educadores de ninguém. Estamos cá para fazer aquilo de que gostamos”

… em 40 minutos

Play Episode Listen Later Aug 10, 2025 44:40


Não pregam nem apontam o dedo. Tocam e continuam a fazê-lo com a honestidade de quem não quer agradar a todos. Com mais de 20 anos de carreira, quem são os Linda Martini perto ou longe de um palco?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Através da Bíblia
A incerteza da vida humana

Através da Bíblia

Play Episode Listen Later Aug 1, 2025 20:32


Episódio com o tema "A incerteza da vida humana". Apresentação: Itamir Neves. Texto Bíblico: Tiago 4.13-17 Nesse texto encontramos um tema muito importante, pois refere-se a incerteza da vida humana, uma realidade que todos nós experimentamos. Gostamos da vida, gostamos de viver, mas não sabemos se estaremos vivos amanhã.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mensagens do Meeting Point
104 com paixão

Mensagens do Meeting Point

Play Episode Listen Later Jul 15, 2025 2:15


devocional Lucas leitura bíblica Um servo quando regressa do serviço nos campos ou de tratar do gado não se senta logo à mesa. Prepara primeiro a refeição do senhor e serve-lhe o jantar antes de ele próprio comer. E nem por isso lhe agradecem, porque está a fazer o que se espera dele. Igualmente, quando me obedecem, digam: ‘Somos uns servos inúteis, porque cumprimos simplesmente o nosso dever!' Lucas 17.7-10 devocional Às vezes até parece que temos uma costela de rico. Bem lá no fundo do nosso íntimo, quando não logo à superfície, achamos que somos merecedores de certas benesses. Gostamos de nos refastelar, sobretudo após termos dado o litro e nos termos esfalfado a trabalhar. Terminada a tarefa de que se foi incumbido já se está à espera de palmadinhas nas costas, de uma gratificação mais ou menos choruda ou de uma “simples” homenagem. Tudo por se cumprir apenas o que é devido!? Não se subentenda aqui nenhuma alergia à gratidão. Jesus alerta, sim, para o perigo de sermos fintados pelo nosso próprio ego que, teimosamente, clama a toda a hora por visibilidade e reconhecimento. Limitemo-nos a obedecer a Deus, sem esperar outra moeda de troca que não seja a satisfação de Lhe agradar. Ele não nos deve nada. Já nós não podemos dizer o mesmo. Mova-nos a gratidão eterna pela graça que nos estende. Assim, desde as pequenas coisas às grandes causas, lembremo-nos constantemente que “somos simples servos e não fazemos mais do que a nossa obrigação.” - jónatas figueiredo Oramos para que este tempo com Deus te encoraje e inspire.  Dá a ti próprio espaço para processar as tuas notas e a tua oração e sai apenas quando te sentires preparado.

Cara dos Sports - NFL, NBA e muito mais!
NBA: MELHORES E PIORES CONTRATAÇÕES DO MERCADO DE FREE AGENTS

Cara dos Sports - NFL, NBA e muito mais!

Play Episode Listen Later Jul 7, 2025 74:24


Recebi Willian Wallace (@brasilcoast2) para elegermos as contratações que mais e menos gostamos no mercado da NBA. Escute! Apoie o Podcast Cara dos Sports e tenha acesso a conteúdos exclusivos! Link: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://caradossports.com.br/(00:00:00) Estado atual do mercado(00:04:25) Gostamos 1(00:10:09) Gostamos 2(00:16:38) Não gostamos 1(00:22:43) Não gostamos 2(00:28:37) Gostamos 3(00:33:52) Gostamos 4(00:37:44) Não gostamos 3(00:40:42) Não gostamos 4(00:45:00) Gostamos 5 (00:49:04) Não gostamos 5(00:55:18) Não gostamos 6(01:00:10) Gostamos 6(01:07:31) Não gostamos 7(01:08:48) Gostamos 7

Bate Pé
Ser sexy, Mom guilt, Não ser sardinheira, Comentar quando não gostamos de algo, Ser bebé é chato, Badamecos, Abraçar modas que nos ficam mal

Bate Pé

Play Episode Listen Later Jun 8, 2025 43:24


Este podcast tem o apoio de Activobank. E agora queremos saber quem são os privilégiados desse lado que há 10 anos andavam de torcicolo por causa do cabelo? É que deste lado temos inveja. Inveja também de quem não sente mom guilt, de quem consegue ficar calado quando não gosta de algo e de quem nunca perguntou a alguém se estava grávida e falhou. Que atire a primeira pedra, que leve a bicicleta. Mais um episódio macaco em que o Rui quis vir de fato de treino.

Vamos Falar Sobre Música?
VFSM #355 - Gostamos muito, falamos pouco!

Vamos Falar Sobre Música?

Play Episode Listen Later Jun 5, 2025 96:41


Nesta edição, Cleber Facchi (@cleberfacchi), Isadora Almeida (@almeidadora), Renan Guerra (@_renanguerra) e Nik Silva (@niksilva) dão uma pausa nas novidades para falar sobre artistas que eles gostam muito, mas comentam pouco no programa.Apoie a gente: https://apoia.se/podcastvfsmNão Paro De Ouvir➜ Jadsa https://tinyurl.com/yrw5jd7n➜ Whitney https://tinyurl.com/ym4ae8un➜ Hotline TNT https://tinyurl.com/ys2w9asf➜ Drugdealer https://tinyurl.com/3mu5zprs➜ Luedji Luna https://tinyurl.com/3b9ushft➜ Candy Mel https://tinyurl.com/mrbykdnv➜ Raquel https://tinyurl.com/2ranp4c6➜ Haim https://tinyurl.com/2zfp6s25➜ Alex G https://tinyurl.com/5ez7heeh➜ Lupe de Lupe https://tinyurl.com/467j2b35➜ Mateus Fazeno Rock https://tinyurl.com/42kedarr➜ Dingo https://tinyurl.com/mru4rr94➜ Fernando Motta https://tinyurl.com/37vn85s6➜ Tui https://tinyurl.com/ycynjx8m➜ Miley Cyrus https://tinyurl.com/4ra43zyh➜ Yeule https://tinyurl.com/54fjmx6w➜ Caroline https://tinyurl.com/muvedr93Você Precisa Ouvir Isso➜ Popload Festival 2025➜ Female Trouble➜ Lazarus (MAX)➜ Sturday Night (MAX)Playlist Seleção VFSM: https://bit.ly/3ETG7oEContato: sobremusicavamosfalar@gmail.com

Final Level Cast
#272 - Jogos medíocres que gostamos

Final Level Cast

Play Episode Listen Later Apr 30, 2025 77:38


Apoie o UP no Orelo: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠clique aqui!⁠⁠⁠Nem sempre um jogo precisa ser incrível para considerarmos bom. Ou não precisamos considerar algo bom para... gostarmos? Ah, sei lá. Vocês entendera, né? O que importa é que neste episódio recebemos Arthur Eloi para um papo sobre jogos razoáveis, mas que a gente adora! O nosso muito obrigado a: Marcus Vinicius Freitas, André Felipe, Henrique Fernandes Veri Marques, Vitor Ludwig, Alice Brites, Tatiana Macedo, Lucas Calixto, Marquinhos Maia, Rodrigo, Thiagoo Castilho, Caio Barcelos, Luan Germano, Guilherme Magalhães, Paulo Felisbino, Marcelo Bonato, Filipovisky De La Fuente, Agmar, Samuel Ribeiro de Oliveira, Pedro C., Matheus, Felipe Veloso, Arthur Luiz, Marcus Buzette, Giancarlo, Rafael Ramalli da Silva, Lucas Brum, Rafael Silva, Bruno Giordano Paiva Lima, Regis Fernando Gonçalves de Freitas, Anne Verrino, Rafael Yabiku, Guilherme Shuto, Fabricio Reis, Gustavo Furlanetto, andre juck, Venigma, Demétrius, Arthur Valladão, Daniel Baumgratz, Bruno Hatto, João Henrique, Bruno Anken, Akemi Nakamura, Helio Cannone, Andre Benia, Davi, Jonathan, Vitor Araujo e Breno Bezerra Bluhm, Rafael Ranulfo!Siga o UP:Orelo | Twitter | Twitch | Instagram | DiscordContato comercial: contato@somosup.com

PodCast de Garagem
Ep. 108 – Coisas Estranhas Que Gostamos de Assistir

PodCast de Garagem

Play Episode Listen Later Apr 27, 2025 85:16


Você assistiria vídeos de uma pessoa que fica viajando por estradas, fazendo comida e comendo dentro de uma van? Ou de pessoas que ficam simplesmente comendo coisas, não mostram a cara e nem falam nada...

voc assistir gostamos coisas estranhas
Rádio Comercial - Momentos da Manhã
Se não estás bem, volta para casa da tua mãe!

Rádio Comercial - Momentos da Manhã

Play Episode Listen Later Apr 3, 2025 4:03


Gostamos de animais com nomes de comida. E detestamos certas frases em discussões.

dAdA RAdiO
O Mundo é um Som | Summer of Soul

dAdA RAdiO

Play Episode Listen Later Feb 21, 2025 235:08


Gravação ao vivo do programa, O Mundo é um som pela dAdA RAdiO. Gostamos da brincadeira e vamos mais uma vez dedicar esse encontro sonoro ao filme documentário dirigido pelo artista e músico Questlove (The Roots) “Summer of Soul” ou a revolução que não pode ser filmada em referência ao… Source

Divã da Diva
#132 - BEM CRÍTICOS DE CINEMA, SIM!

Divã da Diva

Play Episode Listen Later Sep 6, 2024 49:35


Olá, divos e divas! Hoje vamos nos transformar em CRÍTICOS DE CINEMA, hein? E críticos de filme farofa, tá? Nada de filme conceitual! Gostamos mesmo é de obras como Beetlejuice, Coringa e amamos ver as críticas que a Isabela Boscov faz. DIVA, né? Amamos assistir aos filmes e ver se ela concorda com o que a gente achou kkkkkkk. Qual estilo de filme favorito de vocês? Tem um crítico preferido também? Assiste uma crítica antes ou depois de ver o filme? Vamos ler o que vocês mandaram!

Porque Sim Não é Resposta
Gostamos dos dois pais da mesma maneira?

Porque Sim Não é Resposta

Play Episode Listen Later Aug 29, 2024 7:26


Eduardo Sá explica que, no final do dia, as relações se resumem a uma partilha de interesses que pode, ou não, coincidir. O psicólogo sublinha: "Os pais podem afastar, sem querer, os filhos". See omnystudio.com/listener for privacy information.

Psicoativo | Podcast de Psicologia
Por que já gostamos ou não de pessoas antes de conhecê-las?

Psicoativo | Podcast de Psicologia

Play Episode Listen Later Apr 26, 2024 10:46


Você já não “foi com a cara” de alguém sem motivo? O santo/anjo não bateu? Por outro lado, você já gostou de alguém logo à primeira vista, antes de conhecer a pessoa? Nesse episódio eu […] O conteúdo Por que já gostamos ou não de pessoas antes de conhecê-las? aparece primeiro em Universo da Psicologia.

Rádio Comercial - Ouvir Falar de Amor
A história do Toy e da Daniela: "O verbo amar devia conjugar-se como 'eu perdoo, tu perdoas"

Rádio Comercial - Ouvir Falar de Amor

Play Episode Listen Later Jan 31, 2024 45:22


António Ferrão, mais conhecido por Toy, era casado quando conheceu a Daniela, que também tinha saído de um casamento anterior. Apaixonaram-se e, depois de um período mais conturbado, perceberam que a felicidade passava por ficarem juntos. A relação dura há 16 anos. E a base de tudo é o perdão, dizem. Mas não só: "O que me fez ficar [na relação] muitas vezes foi o facto de a Daniela ser uma mulher boa. Ela tem 42 anos, ele tem 60. E garantem que já ultrapassaram os traumas que ambos carregavam quando começaram esta relação. "Já limpámos o lixo". Agora é só diversão: "Gostamos muito de ir aos 'carrosséis'". Quer saber em que parque de diversões? Nada como ouvir o novo episódio do podcast Ouvir Falar de Amor... mas, atenção, não ouça com crianças por perto!

A História do Dia
Porque gostamos tanto do The Crown?

A História do Dia

Play Episode Listen Later Dec 15, 2023 21:58


O final da série está a provocar críticas severas e alguma desilusão. A última temporada deita tudo a perder? Tiago Pereira, editor de Cultura do Observador, é o nosso convidado.See omnystudio.com/listener for privacy information.

PodTrocar Swing e não monogamia. Podcast sobre o meio liberal, festas e relacionamentos.
Ep. 80 - Porque gostamos tanto de Swing e Sexo à Três? 2ª Temporada

PodTrocar Swing e não monogamia. Podcast sobre o meio liberal, festas e relacionamentos.

Play Episode Listen Later Dec 5, 2023 74:33


Podtrocar é um podcast sobre swing e não-monogamia. Será que não conseguimos pensar em outra coisa além de Troca de Casal, Sexo à Três e festas em casa de swing? Claro que conseguimos! Mas hoje vamos te explicar qual o motivo de gostarmos tanto desse universo! Acesse nosso conteúdo com mais emoção

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas
Filipe Sambado (parte 1): “Não grito no café ´Sou uma pessoa não binária! Tratem-me pelos pronomes certos!' Gostamos é que nos tratem bem e que possamos ver a bola juntos”

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas

Play Episode Listen Later Oct 20, 2023 63:01


Se há artistas que são constante reinvenção, metamorfose e faísca musical, Filipe Sambado faz parte dessa constelação, com um lugar bem firmado na pop nacional. No seu novo quarto álbum de originais "Três Anos de Escorpião em Touro", Filipe Sambado volta a surpreender e revela-se num registo mais intimista e melancólico depois da experiência da pandemia e de várias mudanças: a reafirmação de género enquanto pessoa não binária, os desafios de ser “pai ou papita” da filha Celeste, junto com a ansiedade e depressão. E aqui se revela, sem interesse em pedestais. “Não me sinto corajosa. Tenho muito medo no geral. Mas percebo que para fazer certas coisas tenho de o enfrentar.” Qual o poder de uma canção? “Ouvirmos o que estávamos a precisar de compreender e não conseguimos explicar. E pode ter o valor de uma dança.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cinemou! - Podcast de cinema
195 - Tier List Marvel - Parte 1: Saga do Infinito

Cinemou! - Podcast de cinema

Play Episode Listen Later Sep 15, 2023 85:22


É CINEMA OU VAI DE BLIP? Gostamos desse conteudinho jovem e agora vamos fazer não só uma, mas duas partes de Tier List dela, a mamãe Marvel. Para começar, vamos analisar toda a Saga do Infinito e declarar quais os filmes são cinema, quais valem nosso ingresso, aqueles que só em casa e os que merece ir de BLIP e nunca mais voltar. Será que o saldo foi positivo? Vem ouvir! ----- SEJA UM FÃ-SÓCIO E SE JUNTE AO NOSSO FANCLUBE! Apoie o Cinemou no Catarse! RICARDO RENTE Youtube Twitter Instagram Letterboxd ALEXANDRE ALMEIDA Textos do Alexandre Twitter Instagram Letterboxd SIGA O CINEMOU! Youtube Instagram Twitter CINEMOU.COM

Empiricus Puro Malte
PODCA$T #17 - BULL MARKET BRASILEIRO: FATO OU FAKE? ALGUMAS DAS MICROCAPS QUE GOSTAMOS

Empiricus Puro Malte

Play Episode Listen Later Jul 6, 2023 76:42


Busque multiplicação de 5x de patrimônio em 36 meses: https://emprc.us/nJpykN -------------- Este é o décimo sétimo episódio do Empiricus Podca$t, que tem como objetivo falar de tudo que está acontecendo no mundo dos investimentos de forma descomplicada.Na edição de hoje, os analistas da Empiricus Research vão falar sobre os assuntos mais quentes do momento no mercado financeiro.

Rádiofobia Podcast Network
MIMFALEI #2 - TEMPORADA 2 - ROCK IN RIO... SAIBA PORQUE NÃO GOSTAMOS

Rádiofobia Podcast Network

Play Episode Listen Later Sep 9, 2022 32:05


No segundo ep da volta tentamos polemizar... tentamos ser cancelados... Cancelem a gente também Hoje com Rudy Landucci , Marco Dorna e Mauro Antonio o taxista de Ipanema

Braincast
Fome de Entretenimento: por que gostamos tanto de assistir conteúdos de culinária

Braincast

Play Episode Listen Later Jul 8, 2022 95:03


Desde os tempos de “Cozinha Maravilhosa da Ofélia”, a culinária tem sido uma grande construtora de audiências na TV. Mas já há um bom tempo que “entretenimento gastronômico” vai além dos programas matinais de receita. Constantemente, o interesse de quem gosta de assistir culinária se renova, modifica e sofistica. Desde realities como “Masterchef” e “Bake Off”, passando por interesses mais específicos como programas de culinária saudável, formatos “cozinhando com celebridades” ou até “pesadelos na cozinha” e chegando aos nossos celulares, dominando as redes sociais e gerando trends que bombam no Tiktok. E a gente parece não se cansar das novidades desse universo. Por quê? No Braincast 462, Carlos Merigo, Beatriz Fiorotto, Luiz Yassuda e Marko Mello discutem o sabor que a gastronomia tem, que a gente nunca se cansa de consumir. Por que passar horas na frente das telas vendo receitas que nunca vamos reproduzir? Qual a satisfação de ver (e avaliar) pratos servidos em estúdio, a quilômetros de distância, que nunca vamos (e nem sempre pretendemos) comer? Diretamente dos bastidores desse universo, Caíto Mainier, do histórico “Larica Total”, nos conta a receita por trás de um programa gastronômico de sucesso. Descubra também como foi o processo de criação do o especial “Larica Total - 10 anos depois”, lançado este ano. _____ SAIBA MAIS 3 boas indicações para fechar o programa com chave de ouro. E para abrir novas reflexões da nossa conversa! Podcasts | Sons & Drinks e Bom de Beer | B9 Documentário | Larica Total - 10 Anos Depois | Canal Brasil Livro | O que Einstein Disse a Seu Cozinheiro de Robert L. Wolke | Editora Zahar _____ ZENVIA O mundo das compras se transforma a cada minuto. São novas ferramentas, plataformas, tendências...e as empresas precisam encontrar, atrair e se relacionar com as pessoas. Antes, e depois, de elas se tornarem clientes. Só que adaptar, integrar e, acima de tudo, engajar e responder pessoas que chegam de todas as partes pode se tornar uma baita dor de cabeça. Mas ó, não precisa sofrer. A Zenvia é uma plataforma que empodera empresas a criar experiências únicas de comunicação para seus clientes. São diversas soluções, pensadas e indicadas especialmente para as necessidades do seu negócio. Você cria campanhas personalizadas e contextualizadas, gerencia contatos, organiza vendas, automatiza processos, possui acesso a dados para insights estratégicos... E claro, tem caminho livre pra que seu cliente tenha uma experiência única com a sua marca. E a Zenvia desenvolve tecnologias pra ajudar você a explorar cada pedacinho dessa jornada. Conheça o Mundo Zenvia. Visite o site zenvia.com e saiba mais sobre as soluções disponíveis para seu negócio. _____ ASSINE O BRAINCAST E FAÇA PARTE DO NOSSO GRUPO FECHADO Assinando o Braincast você pode interagir com a gente em grupos fechados no Facebook e Telegram, além de receber conteúdo exclusivo. Faça download do PicPay para iOS ou Android, clique em “Pagar”e procure pelo Braincast, ou então acesse a URL: picpay.me/braincast _____ FAÇA CONTEÚDOS COM O B9 Como ouvinte do Braincast, você já deve ter percebido: aqui no B9, a gente adora uma conversa. E mais do que uma paixão, elas viraram o nosso negócio. O B9 já produziu milhares de episódios que contam histórias, expandem horizontes e criam conexões autênticas com a audiência. Através de conteúdos originais em podcast e projetos multiplataformas, o B9 também coloca marcas e empresas nessas rodas de conversa. Buscando diferentes pontos de vista e com ideias que nos tiram do raso. E pra conhecer tudo o que o B9 pode fazer pela sua marca acesse o site b9.company ou mande um email pra negocios@b9.com.br. Conte com o B9 para transformar sua marca em conteúdo e em conversas que saem do raso. _____ SIGA O BRAINCAST Seu podcast de sinapses sonoras no infinito das ideias está em todas as plataformas e redes. Inclusive, na mais próxima de você. Encontre o @braincastpod: No Instagram; no Twitter; no TikTok e na Twitch. Entre em contato através do braincast@b9.com.br. Perdeu o Qual É A Boa? Encontre todas as dicas da bancada nos destaques do nosso Instagram. _____ O Braincast é uma produção B9 Apresentação: Carlos Merigo Coordenação Geral: Ju Wallauer, Cris Bartis e Carlos Merigo Direção criativa: Alexandre Potascheff Apoio à pauta e produção: Hiago Vinicius Edição: Gabriel Pimentel Identidade Sonora: Nave, com Direção Artística de Oga Mendonça Identidade Visual: Johnny Brito Coordenação Digital: Agê Barros, Débora Stevaux e Gabriel Castilho Atendimento e Comercialização: Rachel Casmala, Camila Mazza, Greyce Lidiane e Telma Zennaro

NerdCast
NerdCast 739 - STORYTELLING: Por que gostamos de histórias

NerdCast

Play Episode Listen Later Aug 21, 2020 77:14


      Neste podcast: Todo mundo consome histórias é o que nos difere dos outros animais. E vamos entender o por quê disso neste programa. ARTE DA VITRINE: Randall Random Versão Wallpaper da Vitrine SHARITY https://sharity.com.br/ Moradores de rua SEM FOME: https://sharity.com.br/moradores-de-rua-sem-fome HIVE: https://sharity.com.br/hive-community Liberdade Oliver Beat: https://sharity.com.br/liberdade-oliver-beat CUPOM: NERD50 WISE UP ONLINE! A plataforma pra você estudar inglês quando e onde quiser. Link: https://wiseuponline.com.br/jovemnerd WISE UP Aprenda inglês mais rápido. Acesse: http://www.wiseup.com/ SPEAK ENGLISH NerdCast extra toda terceira sexta do mês! NerdCast Speak English 29 - Comendo em inglês MANDA SALVE Peça o seu Salve: http://www.mandasalve.com.br MTV Miaw #MTVPODCASTNERDCAST Vote no Jovem Nerd para Podcast nosso de cada dia: https://bit.ly/3j3deJs E-MAILS Mande suas críticas, elogios, sugestões e caneladas para nerdcast@jovemnerd.com.br EDIÇÃO COMPLETA POR RADIOFOBIA PODCAST E MULTIMÍDIA http://radiofobia.com.br LEITURA DE EMAILS: LIVE - Nerdcast 738 https://youtu.be/WoTRxM7-w2c

NerdCast
NerdCast 739 - STORYTELLING: Por que gostamos de histórias

NerdCast

Play Episode Listen Later Aug 21, 2020 77:14


      Neste podcast: Todo mundo consome histórias é o que nos difere dos outros animais. E vamos entender o por quê disso neste programa. ARTE DA VITRINE: Randall Random Versão Wallpaper da Vitrine SHARITY https://sharity.com.br/ Moradores de rua SEM FOME: https://sharity.com.br/moradores-de-rua-sem-fome HIVE: https://sharity.com.br/hive-community Liberdade Oliver Beat: https://sharity.com.br/liberdade-oliver-beat CUPOM: NERD50 WISE UP ONLINE! A plataforma pra você estudar inglês quando e onde quiser. Link: https://wiseuponline.com.br/jovemnerd WISE UP Aprenda inglês mais rápido. Acesse: http://www.wiseup.com/ SPEAK ENGLISH NerdCast extra toda terceira sexta do mês! NerdCast Speak English 29 - Comendo em inglês MANDA SALVE Peça o seu Salve: http://www.mandasalve.com.br MTV Miaw #MTVPODCASTNERDCAST Vote no Jovem Nerd para Podcast nosso de cada dia: https://bit.ly/3j3deJs E-MAILS Mande suas críticas, elogios, sugestões e caneladas para nerdcast@jovemnerd.com.br EDIÇÃO COMPLETA POR RADIOFOBIA PODCAST E MULTIMÍDIA http://radiofobia.com.br LEITURA DE EMAILS: LIVE - Nerdcast 738 https://youtu.be/WoTRxM7-w2c