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EngajaCast - O seu Podcast de Marketing Digital
Modelagem de Conteúdo: O Atalho Que Poucos Criadores Usam de Verdade

EngajaCast - O seu Podcast de Marketing Digital

Play Episode Listen Later Jun 9, 2026 22:33


Já crescemos canais em saúde, beleza, marketing, games e vários outros nichos. E depois de tudo isso, ficou claro o que realmente funciona — independente do tema. Nesse episódio eu compartilho 5 insights práticos sobre criação de conteúdo: criar o que as pessoas querem assistir, modelagem de conteúdo, buscar referências fora do Brasil, repetir o que já deu certo e volume com constância. Se você produz conteúdo para um negócio, esse episódio é um atalho real.

MASTERMIND CRIMINAL
Cultura, Arte e Música: Um Escritório que Coleciona História | Demóstenes Torres

MASTERMIND CRIMINAL

Play Episode Listen Later Jun 8, 2026 44:25


Demóstenes Torres tem uma das trajetórias mais peculiares da história jurídica e política brasileira. Ex-senador, ex-promotor e Procurador-Geral de Justiça de Goiás. Um nome que o país inteiro já debateu.Mas não foi sobre isso que conversamos.Fomos muito bem recebidos em seu escritório para falar sobre "o lado B do disco". Arte, música e a influência de tudo isso na formação de um jurista, na construção do raciocínio, na sensibilidade que o Direito exige e raramente reconhece.Tem muito advogado técnico. Poucos com esse tipo de repertório.

Semana em África
Epidemia do Ébola na RDC continua no centro das preocupações

Semana em África

Play Episode Listen Later May 29, 2026 8:11


Neste programa Semana em África, voltamos à situação na RDC, a braços com a epidemia do ébola, e olhamos para as medidas que Angola começou a adoptar. Também olhamos para Cabo Delgado, onde a retoma do projecto da francesa Total gera críticas. Ainda em Moçambique, destacamos o estudo do CIP sobre o fecho de 500 empresas nos últimos dois anos. Quanto a Cabo Verde, o destaque vai para a Cimeira das Nações Crioulas. Começamos com a República Democrática do Congo, onde chegou, esta sexta-feira, o director da Organização Mundial de Saúde para tentar encontrar mais respostas para conter a epidemia de ébola. Recordo que, até ao final da semana, tinham sido registadas 246 mortes em mais de mil casos suspeitos, de acordo com um relatório do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, a agência de saúde da União Africana. Também esta sexta-feira,foi confirmada uma recuperação, a primeira desde o início da epidemia. Entretanto, em Angola, as autoridades sanitárias intensificam as medidas de vigilância e prevenção contra o Ébola, sobretudo nas regiões fronteiriças com a República Democrática do Congo, devido ao índice de mortes provocado pela epidemia. A 23 de Maio, a agência de saúde Africa CDC alertou que Angola está entre os dez países africanos que correm o risco de ser afetados pelo vírus Ébola, além da RDC, epicentro da epidemia, e do Uganda. Um trabalho  de Francisco Paulo. Poucos meses depois de ter retomado o projecto moçambicano de gas natural liquefeito em Cabo Delgado, esta sexta-feira, a TotalEnergies reuniu-se em Paris para a sua assembleia-geral para apresentar lucros recorde. Daniel Ribeiro, da ong moçambicana Justiça Ambiental, denuncia que a situação em Cabo Delgado “continua perigosa e a insurgência activa”. Em Moçambique, um grupo de membros da Renamo submeteu à Procuradoria-Geral da República um documento com 18 mil assinaturas para impugnar a liderança de Ossufo Momade. O coordenador nacional da comissão de gestão do partido, Edgar Silva, pediu a Ossufo Momade que apresente contas. Em Moçambique, desde 2024, mais de 500 empresas fecharam e deixaram mais de 15 mil trabalhadores desempregados devido à escassez de divisas no país. A conclusão é do Centro de Integridade Pública que divulgou em Maputo um estudo sobre esta problemática, como explica a investigadora do CIP, Teresa Boene. Em Cabo Verde, arranca esta quinta-feira a Cimeira das Nações Crioulas, que decorre até ao dia 30 de Maio. Num contexto internacional marcado por guerras, intolerância e profundas desigualdades, o Presidente José Maria Neves defende que esta iniciativa pretende criar uma nova dinâmica de diálogo, assente na cooperação e na valorização das identidades crioulas. Em Cabo Verde, as mulheres representam menos de dois por cento da população prisional, mas a Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania alerta que esta realidade não pode esconder os desafios enfrentados pelas reclusas. A instituição defende medidas mais equitativas e condições mais dignas para o cumprimento das penas, sobretudo no contacto com os filhos menores. Odair Santos. Em São Tomé e Príncipe, a vice-presidente da ADI - Acção Democrática Independente -, Celmira Sacramento, anunciou na quarta-feira, em conferência de imprensa, que o partido apresentou uma queixa-crime no Ministério Público contra, nomeadamente, o primeiro-ministro Américo Ramos.

Notícias Agrícolas - Podcasts
Soja & Milho: Brasil tem semana de preços, mais uma vez, lateralizados e poucos negócios

Notícias Agrícolas - Podcasts

Play Episode Listen Later May 29, 2026 22:21


Mercado nacional seguiu com valores que pouco estimulam venda de ambos. Chicago recuou nesta 6ª feira (29), mas dólar subiu e relação manteve os preços equilibrados e espaço é limitado para uma reversão expressiva.

Café com Crime
195 | CASO JOANA GABRIELA: desaparecida na Serra da Miaba

Café com Crime

Play Episode Listen Later May 27, 2026 101:20


Em setembro de 2020, a universitária Joana Gabriela Coutinho, de 21 anos, partiu para uma trilha na Serra da Miaba, interior de Sergipe, acompanhada de um rapaz que conheceu nas redes sociais. Poucos dias depois, Joana desapareceu sem deixar rastros. Enquanto a família enfrentava informações contraditórias e buscas desesperadas pela serra, Joana vivia um verdadeiro pesadelo dentro da mata. E hoje ela vem contar sua própria história no Café Com Crime.-Conheça a lojinha de produtos do Café Com Crime: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://umapenca.com/cafecomcrime/ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠-Apoie o Café Com Crime e ganhe acesso a conteúdos exclusivos: https://apoia.se/cafecomcrime ou https://orelo.cc/cafecomcrime.-Ative as notificações do Spotify para não perder o próximo episódio no dia 10 de junho de 2026.-Acompanhe novidades e fotos no Instagram @CafeComCrime, Twitter @CafeCCrime, BlueSky @cafecomcrime.bsky.social e Facebook!-Entre em contato cafecomcrime@tagcreator.space-Créditos:Produção, apresentação e roteiro por Stefanie ZorubEdição e desenho de som por Luigi CalistratoPesquisa for Ana Paula AlmeidaRoteiro por Mariana Bento

Arauto Repórter UNISC
O jogo é decidido em poucos toques

Arauto Repórter UNISC

Play Episode Listen Later May 26, 2026 5:25


Você já parou para pensar que, em uma partida de futebol de 90 minutos, muitos jogadores tocam na bola por apenas dois ou três minutos no total… e, mesmo assim, a carreira deles acaba sendo definida justamente pelo que fazem nesses poucos instantes?Esse pensamento desperta uma reflexão na gente. Porque faz perceber uma coisa: as decisões que definem o destino da nossa vida também são poucas. Muito poucas.No fundo, não é sobre estar com a bola o tempo todo. É sobre estar preparado quando ela chegar até você.Durante os 90 minutos, o jogador continua se movendo. Continua criando espaço. Continua se posicionando para receber o passe. E os grandes jogadores entendem algo poderoso: o passe pode até ser imprevisível… mas a preparação para recebê-lo é totalmente intencional.E tem algo ainda mais profundo nisso tudo: nem todo toque na bola é para fazer gol. Alguns servem para aliviar a pressão. Outros, para manter o ritmo do time. E há toques que existem apenas para criar uma oportunidade para outra pessoa.Isso é maturidade.Porque as pessoas sem entendimento querem transformar cada toque em um lance de destaque. Mas quem compreende o jogo sabe que existe um tempo para aparecer… e um tempo para construir.Agora vem a parte mais forte dessa analogia: o jogador nunca sabe quando a bola vai chegar. Mesmo assim, ele se comporta como se ela pudesse chegar a qualquer momento.Durante toda a partida, ele continua disponível. Continua atento. Continua preparado.E talvez essa seja uma das formas mais inteligentes de viver.Acordar todos os dias disposto a seguir evoluindo, aprendendo, refinando suas habilidades… porque uma conversa, uma oportunidade, uma apresentação ou uma decisão corajosa podem mudar completamente o rumo do jogo.E talvez por isso tanta gente nunca tenha entendido o Messi caminhando em campo durante boa parte da partida. Enquanto muitos viam alguém “apagado”, ele estava observando. Estudando. Se preparando para o momento certo.Porque pessoas comuns são viciadas em movimento. Já pessoas excepcionais são viciadas em timing.Na hora certa.Elas não desperdiçam energia o tempo inteiro. Mas permanecem ali… afiando as flechas.E agora você entende por que existem jogadores chamados de decisivos. Como Romário. Porque, às vezes, um único toque muda toda a história de uma partida.E na vida… também é assim.Uma única decisão pode mudar tudo.

Assunto Nosso
O jogo é decidido em poucos toques

Assunto Nosso

Play Episode Listen Later May 26, 2026 5:25


Você já parou para pensar que, em uma partida de futebol de 90 minutos, muitos jogadores tocam na bola por apenas dois ou três minutos no total… e, mesmo assim, a carreira deles acaba sendo definida justamente pelo que fazem nesses poucos instantes?Esse pensamento desperta uma reflexão na gente. Porque faz perceber uma coisa: as decisões que definem o destino da nossa vida também são poucas. Muito poucas.No fundo, não é sobre estar com a bola o tempo todo. É sobre estar preparado quando ela chegar até você.Durante os 90 minutos, o jogador continua se movendo. Continua criando espaço. Continua se posicionando para receber o passe. E os grandes jogadores entendem algo poderoso: o passe pode até ser imprevisível… mas a preparação para recebê-lo é totalmente intencional.E tem algo ainda mais profundo nisso tudo: nem todo toque na bola é para fazer gol. Alguns servem para aliviar a pressão. Outros, para manter o ritmo do time. E há toques que existem apenas para criar uma oportunidade para outra pessoa.Isso é maturidade.Porque as pessoas sem entendimento querem transformar cada toque em um lance de destaque. Mas quem compreende o jogo sabe que existe um tempo para aparecer… e um tempo para construir.Agora vem a parte mais forte dessa analogia: o jogador nunca sabe quando a bola vai chegar. Mesmo assim, ele se comporta como se ela pudesse chegar a qualquer momento.Durante toda a partida, ele continua disponível. Continua atento. Continua preparado.E talvez essa seja uma das formas mais inteligentes de viver.Acordar todos os dias disposto a seguir evoluindo, aprendendo, refinando suas habilidades… porque uma conversa, uma oportunidade, uma apresentação ou uma decisão corajosa podem mudar completamente o rumo do jogo.E talvez por isso tanta gente nunca tenha entendido o Messi caminhando em campo durante boa parte da partida. Enquanto muitos viam alguém “apagado”, ele estava observando. Estudando. Se preparando para o momento certo.Porque pessoas comuns são viciadas em movimento. Já pessoas excepcionais são viciadas em timing.Na hora certa.Elas não desperdiçam energia o tempo inteiro. Mas permanecem ali… afiando as flechas.E agora você entende por que existem jogadores chamados de decisivos. Como Romário. Porque, às vezes, um único toque muda toda a história de uma partida.E na vida… também é assim.Uma única decisão pode mudar tudo.

Agentes Do Tarot
Carlo Acutis - O Santo Millennial

Agentes Do Tarot

Play Episode Listen Later May 23, 2026 96:02


Hoje o foco de nossa investigação se volta para a Itália, e a trágica perda de Carlo Acutis, um adolescente de 15 anos com um perfil notável. Vindo de uma família abastada, Carlo era conhecido pelo desapego à riqueza de sua família, realizando atos secretos de caridade ao doar mesadas e suprimentos para os moradores de rua. Devoto fervoroso da Igreja Católica desde criança, ele não perdia uma missa, e considerava a fé na espiritualidade sua máxima capacidade. Em outubro de 2006, Carlo apresenta repentinamente uma febre alta; sendo internado rapidamente. Seu diagnóstico: Leucemia Promielocítica Aguda, uma doença sem chances de cura. O mais intrigante, contudo, foi sua premonição no hospital, quando ele afirmou à mãe: Daqui eu não sairei vivo. Sua morte ocorreu quatro dias depois, 12 de outubro de 2006, e seu velório estava repleto de desconhecidos que foram auxiliados por ele em vida.Poucos anos após sua morte, dois milagres atribuidos a Carlo foram comprovados pela investigação do Vaticano, e seu processo de canonização chegou ao ápice em 7 de Setembro de 2025, sendo ele então proclamado a partir deste momento como São Carlo Acutis. E como era realmente a personalidade deste garoto? Existe alguma explicação para seus milagres? Quais causas podem ser intercedidas por sua santidade?

CBN Vitória - Entrevistas
Aeroporto de Vitória avança para ter voo direto para Argentina

CBN Vitória - Entrevistas

Play Episode Listen Later May 19, 2026 17:21


Poucos meses depois de ser liberado para fazer imigração de tripulação de jatos executivos internacionais, o Aeroporto de Vitória realizou no dia 6 o primeiro processo completo de migração de tripulantes e passageiros. O avião saiu de Vitória com destino a Buenos Aires, na Argentina, sem necessidade de fazer escala em outros estados para o processo migratório, como era necessário antes.Segundo a Zurich Airport Brasil, que administra o terminal capixaba, a operação envolveu dois tripulantes e cinco passageiros, com destino a Buenos Aires e teve todos os procedimentos migratórios concluídos no próprio aeroporto. Além dos funcionários da concessionária, a Polícia Federal e a Receita Federal acompanharam o processo, que foi finalizado em cerca de 20 minutos.A realização do procedimento marca a entrada em funcionamento do serviço que habilita o Aeroporto de Vitória a realizar a migração de tripulações de jatos executivos internacionais. Segundo o secretário de Estado do Turismo, Luciano Machado, governo federal e do Espírito Santo negociam com operadores turísticos para criar uma rota direta.Ainda, de acordo com informações da Setur, a internacionalização do turismo capixaba ganhou mais um importante capítulo na última terça-feira (12), com o início do Road Show de capacitações promovido pela operadora Princípios, na Argentina. A primeira etapa aconteceu na cidade de Neuquén e reuniu 42 agentes de viagens."Durante a capacitação, o Espírito Santo teve papel de destaque nas apresentações, despertando o interesse dos profissionais argentinos pelas potencialidades do destino capixaba. Além de apresentar os atrativos turísticos do Estado, a programação incluiu informações detalhadas sobre a rede hoteleira, infraestrutura turística e os serviços de receptivo oferecidos aos visitantes.

Expresso - Expresso da Manhã
Dava um filme: a história do cunhado do ministro, que em poucos anos acumulou fortuna e problemas com a justiça

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later May 16, 2026 27:46


Ricardo Filomeno Duarte Leitão Machado, casado com a irmã do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, fez, em poucos anos, fortuna em Angola de onde trouxe também um grande conflito com o governo do país. É um dos 16 arguidos da Operação Torre de Controlo, que ganhou novo fôlego esta semana com novas buscas por suspeitas de corrupção em concursos públicos para o aluguer de helicópteros de combate a incêndios. Recorde aqui o episódio do Expresso da Manhã, de Paulo Baldaia, de dezembro de 2025, dedicado ao “novo dono de um bocado disto tudo”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Em directo da redacção
Colectivo "Rua das Pretas" mostrou "encontro entre três continentes" em Paris

Em directo da redacção

Play Episode Listen Later May 14, 2026 19:26


O colectivo Rua das Pretas apresentou o álbum “Povo Brasileiro”, esta terça-feira, no Studio L'Hermitage, em Paris. “Se eu falo português, minha terra é aqui” canta-se na música “Cartão do Cidadão” e ouviu-se em Paris, no concerto de apresentação deste disco-manifesto. O trabalho é um encontro entre sonoridades e músicos de três continentes, uma viagem entre o Brasil, Cabo Verde e Portugal, que nos mergulha na ancestralidade que nos une, que traz à tona a História da escravatura e do colonialismo e que alerta contra a xenofobia nos tempos que correm. A RFI falou com Pierre Aderne, Ana Margarida Prado e Jenifer Soledad nesta escala musical do grupo em Paris. “Povo Brasileiro” foi concebido pelo músico Pierre Aderne a partir do livro “O Povo Brasileiro”, do antropólogo Darcy Ribeiro. O disco junta músicos do colectivo Rua das Pretas que Pierre Aderne criou há mais de dez anos em Lisboa, sendo o 13° disco de Pierre Aderne e o terceiro do colectivo. Aproveitámos o concerto no L'Hermitage para falar com o cantor, compositor e produtor que nasceu em França, é filho de um casal luso-brasileiro, e vive há vários anos em Portugal. A fadista portuguesa Ana Margarida Prado e a cantora cabo-verdiana Jenifer Soledad também participaram na conversa que culminou com os três a cantarem “Se eu falo português, minha terra é aqui”, um verso da música “Cartão de Cidadão” e a linha de força do disco. “Todo o mundo é emigrante”, lembra Pierre Aderne que descreve o álbum como uma “lavagem espiritual de caravelas” que mergulha na “ancestralidade que nos une” e que traz “a História à tona”. Aqui, nas canções “Mãe Preta” e “Benguela”, por exemplo, recorda-se o tráfico de pessoas escravizadas e a resistência do povo quilombola. Este é também um álbum de festa colectiva e de união, simbolizadas pelo tema “Um Menino chamado Brasil”, em que ouvimos “Se sou de Angola eu sou Brasil, sou Cabo Verde eu sou Brasil, sou Moçambique eu sou Brasil, sou Portugal eu sou Brasil, sou da Guiné eu sou Brasil, sou São Tomé eu sou Brasil”. No fundo, o disco é “um encontro entre três continentes”, resume Ana Margarida Prado, a voz que se destaca no fado “Nossa terra é o mar” e em que se ouve “Portugal tu és feito de Brasil... Portugal tu és feito de Abril”. “Se eu falo português, minha terra é aqui” RFI: Como descrevem o disco “Povo Brasileiro”? Pierre Aderne, Músico: “No ‘Povo Brasileiro' a gente tenta contar, de forma litero-musical, a história da nossa criação enquanto povo, da chegada dos portugueses no Brasil, dos africanos cem anos mais tarde, dessa multiculturalidade que nos formou, dessa língua portuguesa que navegou por caravelas e foi-se misturando também com iorubá, com as linguagens bantu, kikongo, kimbundo, tupi-guarani. O álbum conta um pouco disso com essas canções, quer dizer, mostrando um pouco essa narrativa do que Darcy Ribeiro nos ensinou a partir do livro dele ‘O Povo Brasileiro'”. Quem foi Darcy Ribeiro e como é que ele se lê nas entrelinhas ou directamente no disco? “O Darcy Ribeiro foi um dos maiores educadores e antropólogos brasileiros contemporâneos, fundador da Universidade de Brasília, do sistema de ensino público mais estrutural que era um CIEPs [Centros Integrados de Educação Pública]. Darcy Ribeiro escreveu na casa de Maricá, no Rio de Janeiro, onde a gente gravou o álbum o livro ‘O Povo Brasileiro', que é mais ou menos aquilo que eu falei no início e que conta um pouquinho essa história. Eu comecei a compor as músicas há cinco anos, num momento difícil que o mundo vive da intolerância, do discurso de ódio, principalmente em Portugal, um país tão bonito e tão pequenino e que acabou também sendo vítima desse tipo de comportamento por parte dos políticos e depois pela população. Eu comecei a compor algumas canções e a primeira delas foi ‘Cartão de Cidadão', uma canção-manifesto, uma canção de intervenção, minha e do Moacyr Luz. Quando recebemos o convite da Prefeitura de Maricá para gravar o álbum, eu descobri que, na verdade, mesmo sem saber, a gente já estava fazendo uma banda sonora para o livro ‘O Povo Brasileiro' do Darcy. E dessa vez, regressando ao Brasil, nessa caravela com músicos de três continentes, o que seria isso, essa lavagem espiritual das caravelas? Olha como a gente é bonita misturada.” Quem são esses músicos a bordo da caravela? Temos aqui duas... “Bom, temos aqui a fantástica, fundamental, incontornável fadista portuguesa Ana Margarida Prado, uma fadista intelectual. O campo intelectual de Portugal, se tiver que escolher, vai escolher a Aldina Duarte e a Ana Margarida Prado. A gente colabora há muito tempo. Ela participou na génese da ‘Rua das Pretas' há mais de dez anos. Sempre flirtava, chegava no final dos concertos e eu convidei-a para se juntar a esta caravela. Aqui está também a incrível cantora cabo-verdiana Jenifer Soledad, uma das vozes mais bonitas da música de Cabo Verde contemporânea e que eu tinha muita vontade de estar com com a Jenifer e de a trazer para este bando, junto com Nilson Dourado, que está hoje com a gente, Felipe Bastos, Rúben da Luz e Letícia Malvares. A Jenifer Soledad está fazendo hoje o que a Zulu, que é uma outra jovem cantora de Cabo Verde, também muito talentosa, fez no álbum.” Jenifer, o que é que o álbum tem de Cabo Verde? Jenifer Soledad, Cantora: “Quando se fala do povo brasileiro, automaticamente eu me reconheço ali porque os ritmos e a história também é um pouco da nossa história, nós fomos carregados nos navios. Acho que a mistura bonita deste trabalho vem de se reconhecer dentro deste álbum porque eu sinto o chorinho, eu sinto o samba que também em Cabo Verde existe, mas chamado de outra forma, como a coladeira que tem misturas com o samba, e tem alguns solos de instrumentos que me leva a Cabo Verde. E é muita saudade, como sempre, o povo cabo-verdiano é muita saudade. Culturalmente, sinto-me dentro deste álbum, faço - falando pelo meu povo fazemos - parte das mensagens que estão ali dentro.” Ana Margarida, em relação ao fado em que canta “Portugal tu és feito de Brasil ... Portugal, tu és feito de Abril”. Este fado é um cravo na lapela que soa a Brasil... Ana Margarida Prado, Fadista: “A primeira coisa que eu sinto que levo é a língua, a língua portuguesa que nós levámos para o Brasil. Eu como fadista e alem de fadista, sempre gostei muito destes encontros e é uma felicidade poder trazer o fado também para este encontro entre estes três continentes. A mensagem que eu acho importante está num tema que nós cantamos que é uma versão de um tema muito conhecido aqui em França, ‘Barco Negro', mas cantamos a versão original, a ‘Mãe Preta'. Para mim, foi muito importante dar voz a este lamento, a este grito, a esta lavagem das caravelas, como o Pierre fala, falar em temas como a escravatura e é bom ser uma portuguesa a dar voz a estes temas.” Pierre Aderne: “É um fado composto originalmente por dois brasileiros, Caco Velho e Piratini, e ganhou na ditadura [Estado Novo] uma nova letra porque foi censurada. A nova letra é belíssima também, de David Mourão-Ferreira, 'Barco Negro'. Quando alguém canta o 'Barco Negro' numa casa de fado de Alfama, Mouraria, passando pela Madragoa, também tem esse lamento. Quer dizer, como é que eu vou falar de uma coisa tão delicada e horrorosa e dolorida, não é? E ele achou as metáforas dele na letra do Barco Negro, que é extremamente bonita também. A versão original foi primeiro gravada por Maria da Conceição. Depois, Amália tornou esse fado realmente muito conhecido. Poucos brasileiros sabem que esse fado é um fado composto por brasileiros, assim como Amália também gravou ‘Lua Luar', que é um lamento sertanejo, assim como ela voltou do Rio de Janeiro e trouxe “Xu Xu”. Então, aquilo que a gente estava falando e respondendo à tua primeira pergunta, eu acho que esse álbum, de alguma forma, volta a colocar a bandeira atrás da língua. Quando a gente escuta uma música na rádio, a gente escuta primeiro a língua e depois a gente vai atrás da bandeira. Só que na música de língua portuguesa, acho que passamos demasiado tempo colocando a bandeira à frente da língua. Quer dizer, onde é que está esse limite? Onde é que somos limítrofes nessa relação de integração e interação? O que é meu? O que é teu? O que é cabo-verdiano, português e brasileiro? Na verdade, nós temos as patentes de tudo que a gente construiu.” Não há o risco de se despertarem velhos fantasmas do lusotropicalismo? De que forma é que este disco e as canções que vocês escolheram e criaram fazem uma certa reconciliação histórica perante aquilo que o opressor português fez durante séculos? “Eu não sei. Por exemplo, A gente teve a capa do Globo, teve também muitas críticas boas aqui na França em uma semana, com o próprio Le Monde, e curiosamente, em Portugal, em que a gente sempre teve uma visibilidade muito grande pelos programas na RTP, pelos coliseus, a gente teve apenas uma matéria em Portugal, apenas um jornalista resolveu falar desse tema, que foi o Nuno Pacheco, do Público.” O Público escreveu, em 2024, que o Pierre Aderne mudou a cena cultural de Lisboa com o projecto Rua das Pretas... “Agradeço. Mas, enfim, eu acho que realmente em Portugal, talvez este álbum não concilie neste momento, talvez seja uma pedra no sapato de muita gente, não é?” Mas o objectivo é conciliar? “Não. O objectivo é trazer a história à tona. Cada um vai procurar a sua forma de se conciliar com isso. Acho que a primeira forma, se eu fosse parte de algum partido de oposição em Portugal, era criar um museu do colonialismo, da escravatura. Ferreira Gullar dizia que a arte existe porque a vida por si só não basta. Então, todos os assuntos que são polémicos - eu já passei por isso tantas vezes nos últimos cinco anos em Portugal - eles não se resolvem nunca na prosa, mas eles se resolvem na poesia. Eu acho que é uma forma de a gente entregar para as pessoas um conteúdo que pode ser inconveniente para algumas pessoas, mas que certamente com essa multiculturalidade e essas melodias talvez faça com que as pessoas amaciem um pouco. Até porque quem deu escala para a língua portuguesa foi África, foi o Brasil. Eu compus a primeira música que deu nome ao primeiro álbum de António Zambujo lançado no Brasil e eu mostrei para um director de gravadora no Brasil da Sony Music e ele era português e falou para mim: ‘Ah, já sei, aquele fadista que não canta fado, não é?' Porquê? Porque era novo, porque se estava aproximando do Brasil, da sonoridade. E hoje a gente vê como é que esses artistas portugueses ganham escala. A Carminho canta Tom Jobim, o Zambujo canta Chico Buarque. Ou seja, é se apropriar do que é nosso, é a nossa ancestralidade que nos une.” Em “Um menino chamado Brasil” ouvimos: “Se sou de Angola, eu sou Brasil. Sou Cabo Verde, eu sou Brasil. Sou Moçambique, eu sou Brasil. Sou Portugal, eu sou Brasil. Sou da Guiné, eu sou Brasil. Sou São Tomé, eu sou Brasil” - É um manifesto de união, daí a minha pergunta de há pouco sobre se é uma tentativa de reconciliação e até de perdoar tudo aquilo que os portugueses fizeram... “Não. Eu acho que não tem perdão até porque não foi o povo português pobre como a minha família de Ourém que colonizou os seus ancestrais. Quem colonizou foram as oligarquias, as grandes famílias que estão também no Rio de Janeiro, na Bahia e em São Paulo. Quando uma babá preta empurra um carrinho de bebé de um branco, que trabalha sete dias por sete, quer dizer, eu acho que é transversal esse comportamento dessas oligarquias até hoje. Mas vale lembrar também que o grito de independência do Brasil foi dado por um português em 1822, ou seja, foi uma briga de família e Dom Pedro: 'independência ou morte'. Eu acho que não é isso. Você falou desse fado que é um fado na lapela, esse tema meu e do Moacyr Luz, ‘Nossa terra é o mar'. A primeira frase não é minha, é de um compositor do Império Serrano maravilhoso e ele mandou-me uma frase: ‘Em Portugal não fui jamais, embora de lá tenha vindo.' E eu emendei: ‘Graças aos meus ancestrais que mostraram a língua quando eu estava parindo'. É importante para nós, africanos, brasileiros e quem fez o teste de genoma como eu - que sou Magrebe também, 10 por cento africano do Norte - é importante que a gente saiba o que aconteceu. Cabo Verde não era sequer habitado e o crioulo nasceu pela imposição da língua portuguesa. É o seguinte: não busca reconciliar. Não é fácil essa história, mas é interessante a gente assimilar. Como os alemães fizeram com o Holocausto e eles morrem de vergonha do Holocausto. Você vai no Japão - eu tenho nove álbuns lançados no Japão - e eu vou lá e tem o Museu de Hiroshima e Nagasaki. Eles fazem também o mea culpa de algumas coisas. Ou seja, é importante a gente saber quando a gente errou.” Este álbum acaba por ser o “Cartão do Cidadão” dessa multiculturalidade tricontinental, entre aspas? “Vou ser sintético: ‘Vou falar mais uma vez: se eu falo português, minha terra é aqui.” Ana Margarida Prado: “Eu acho que também se celebra o encontro de tudo aquilo que se criou. Vamos passar uma mensagem do bom que nós juntos criámos.” Pierre Aderne: “O Atlântico é o Atlântico. Ele uniu e esmagou, mas é tão interessante sermos atlânticos. A gente vê o que acontece também nos Estados Unidos: os povos originários são realmente os grandes povos. Todo o mundo é emigrante.”

Artes
Colectivo "Rua das Pretas" mostrou "encontro entre três continentes" em Paris

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O colectivo Rua das Pretas apresentou o álbum “Povo Brasileiro”, esta terça-feira, no Studio L'Hermitage, em Paris. “Se eu falo português, minha terra é aqui” canta-se na música “Cartão do Cidadão” e ouviu-se em Paris, no concerto de apresentação deste disco-manifesto. O trabalho é um encontro entre sonoridades e músicos de três continentes, uma viagem entre o Brasil, Cabo Verde e Portugal, que nos mergulha na ancestralidade que nos une, que traz à tona a História da escravatura e do colonialismo e que alerta contra a xenofobia nos tempos que correm. A RFI falou com Pierre Aderne, Ana Margarida Prado e Jenifer Soledad nesta escala musical do grupo em Paris. “Povo Brasileiro” foi concebido pelo músico Pierre Aderne a partir do livro “O Povo Brasileiro”, do antropólogo Darcy Ribeiro. O disco junta músicos do colectivo Rua das Pretas que Pierre Aderne criou há mais de dez anos em Lisboa, sendo o 13° disco de Pierre Aderne e o terceiro do colectivo. Aproveitámos o concerto no L'Hermitage para falar com o cantor, compositor e produtor que nasceu em França, é filho de um casal luso-brasileiro, e vive há vários anos em Portugal. A fadista portuguesa Ana Margarida Prado e a cantora cabo-verdiana Jenifer Soledad também participaram na conversa que culminou com os três a cantarem “Se eu falo português, minha terra é aqui”, um verso da música “Cartão de Cidadão” e a linha de força do disco. “Todo o mundo é emigrante”, lembra Pierre Aderne que descreve o álbum como uma “lavagem espiritual de caravelas” que mergulha na “ancestralidade que nos une” e que traz “a História à tona”. Aqui, nas canções “Mãe Preta” e “Benguela”, por exemplo, recorda-se o tráfico de pessoas escravizadas e a resistência do povo quilombola. Este é também um álbum de festa colectiva e de união, simbolizadas pelo tema “Um Menino chamado Brasil”, em que ouvimos “Se sou de Angola eu sou Brasil, sou Cabo Verde eu sou Brasil, sou Moçambique eu sou Brasil, sou Portugal eu sou Brasil, sou da Guiné eu sou Brasil, sou São Tomé eu sou Brasil”. No fundo, o disco é “um encontro entre três continentes”, resume Ana Margarida Prado, a voz que se destaca no fado “Nossa terra é o mar” e em que se ouve “Portugal tu és feito de Brasil... Portugal tu és feito de Abril”. “Se eu falo português, minha terra é aqui” RFI: Como descrevem o disco “Povo Brasileiro”? Pierre Aderne, Músico: “No ‘Povo Brasileiro' a gente tenta contar, de forma litero-musical, a história da nossa criação enquanto povo, da chegada dos portugueses no Brasil, dos africanos cem anos mais tarde, dessa multiculturalidade que nos formou, dessa língua portuguesa que navegou por caravelas e foi-se misturando também com iorubá, com as linguagens bantu, kikongo, kimbundo, tupi-guarani. O álbum conta um pouco disso com essas canções, quer dizer, mostrando um pouco essa narrativa do que Darcy Ribeiro nos ensinou a partir do livro dele ‘O Povo Brasileiro'”. Quem foi Darcy Ribeiro e como é que ele se lê nas entrelinhas ou directamente no disco? “O Darcy Ribeiro foi um dos maiores educadores e antropólogos brasileiros contemporâneos, fundador da Universidade de Brasília, do sistema de ensino público mais estrutural que era um CIEPs [Centros Integrados de Educação Pública]. Darcy Ribeiro escreveu na casa de Maricá, no Rio de Janeiro, onde a gente gravou o álbum o livro ‘O Povo Brasileiro', que é mais ou menos aquilo que eu falei no início e que conta um pouquinho essa história. Eu comecei a compor as músicas há cinco anos, num momento difícil que o mundo vive da intolerância, do discurso de ódio, principalmente em Portugal, um país tão bonito e tão pequenino e que acabou também sendo vítima desse tipo de comportamento por parte dos políticos e depois pela população. Eu comecei a compor algumas canções e a primeira delas foi ‘Cartão de Cidadão', uma canção-manifesto, uma canção de intervenção, minha e do Moacyr Luz. Quando recebemos o convite da Prefeitura de Maricá para gravar o álbum, eu descobri que, na verdade, mesmo sem saber, a gente já estava fazendo uma banda sonora para o livro ‘O Povo Brasileiro' do Darcy. E dessa vez, regressando ao Brasil, nessa caravela com músicos de três continentes, o que seria isso, essa lavagem espiritual das caravelas? Olha como a gente é bonita misturada.” Quem são esses músicos a bordo da caravela? Temos aqui duas... “Bom, temos aqui a fantástica, fundamental, incontornável fadista portuguesa Ana Margarida Prado, uma fadista intelectual. O campo intelectual de Portugal, se tiver que escolher, vai escolher a Aldina Duarte e a Ana Margarida Prado. A gente colabora há muito tempo. Ela participou na génese da ‘Rua das Pretas' há mais de dez anos. Sempre flirtava, chegava no final dos concertos e eu convidei-a para se juntar a esta caravela. Aqui está também a incrível cantora cabo-verdiana Jenifer Soledad, uma das vozes mais bonitas da música de Cabo Verde contemporânea e que eu tinha muita vontade de estar com com a Jenifer e de a trazer para este bando, junto com Nilson Dourado, que está hoje com a gente, Felipe Bastos, Rúben da Luz e Letícia Malvares. A Jenifer Soledad está fazendo hoje o que a Zulu, que é uma outra jovem cantora de Cabo Verde, também muito talentosa, fez no álbum.” Jenifer, o que é que o álbum tem de Cabo Verde? Jenifer Soledad, Cantora: “Quando se fala do povo brasileiro, automaticamente eu me reconheço ali porque os ritmos e a história também é um pouco da nossa história, nós fomos carregados nos navios. Acho que a mistura bonita deste trabalho vem de se reconhecer dentro deste álbum porque eu sinto o chorinho, eu sinto o samba que também em Cabo Verde existe, mas chamado de outra forma, como a coladeira que tem misturas com o samba, e tem alguns solos de instrumentos que me leva a Cabo Verde. E é muita saudade, como sempre, o povo cabo-verdiano é muita saudade. Culturalmente, sinto-me dentro deste álbum, faço - falando pelo meu povo fazemos - parte das mensagens que estão ali dentro.” Ana Margarida, em relação ao fado em que canta “Portugal tu és feito de Brasil ... Portugal, tu és feito de Abril”. Este fado é um cravo na lapela que soa a Brasil... Ana Margarida Prado, Fadista: “A primeira coisa que eu sinto que levo é a língua, a língua portuguesa que nós levámos para o Brasil. Eu como fadista e alem de fadista, sempre gostei muito destes encontros e é uma felicidade poder trazer o fado também para este encontro entre estes três continentes. A mensagem que eu acho importante está num tema que nós cantamos que é uma versão de um tema muito conhecido aqui em França, ‘Barco Negro', mas cantamos a versão original, a ‘Mãe Preta'. Para mim, foi muito importante dar voz a este lamento, a este grito, a esta lavagem das caravelas, como o Pierre fala, falar em temas como a escravatura e é bom ser uma portuguesa a dar voz a estes temas.” Pierre Aderne: “É um fado composto originalmente por dois brasileiros, Caco Velho e Piratini, e ganhou na ditadura [Estado Novo] uma nova letra porque foi censurada. A nova letra é belíssima também, de David Mourão-Ferreira, 'Barco Negro'. Quando alguém canta o 'Barco Negro' numa casa de fado de Alfama, Mouraria, passando pela Madragoa, também tem esse lamento. Quer dizer, como é que eu vou falar de uma coisa tão delicada e horrorosa e dolorida, não é? E ele achou as metáforas dele na letra do Barco Negro, que é extremamente bonita também. A versão original foi primeiro gravada por Maria da Conceição. Depois, Amália tornou esse fado realmente muito conhecido. Poucos brasileiros sabem que esse fado é um fado composto por brasileiros, assim como Amália também gravou ‘Lua Luar', que é um lamento sertanejo, assim como ela voltou do Rio de Janeiro e trouxe “Xu Xu”. Então, aquilo que a gente estava falando e respondendo à tua primeira pergunta, eu acho que esse álbum, de alguma forma, volta a colocar a bandeira atrás da língua. Quando a gente escuta uma música na rádio, a gente escuta primeiro a língua e depois a gente vai atrás da bandeira. Só que na música de língua portuguesa, acho que passamos demasiado tempo colocando a bandeira à frente da língua. Quer dizer, onde é que está esse limite? Onde é que somos limítrofes nessa relação de integração e interação? O que é meu? O que é teu? O que é cabo-verdiano, português e brasileiro? Na verdade, nós temos as patentes de tudo que a gente construiu.” Não há o risco de se despertarem velhos fantasmas do lusotropicalismo? De que forma é que este disco e as canções que vocês escolheram e criaram fazem uma certa reconciliação histórica perante aquilo que o opressor português fez durante séculos? “Eu não sei. Por exemplo, A gente teve a capa do Globo, teve também muitas críticas boas aqui na França em uma semana, com o próprio Le Monde, e curiosamente, em Portugal, em que a gente sempre teve uma visibilidade muito grande pelos programas na RTP, pelos coliseus, a gente teve apenas uma matéria em Portugal, apenas um jornalista resolveu falar desse tema, que foi o Nuno Pacheco, do Público.” O Público escreveu, em 2024, que o Pierre Aderne mudou a cena cultural de Lisboa com o projecto Rua das Pretas... “Agradeço. Mas, enfim, eu acho que realmente em Portugal, talvez este álbum não concilie neste momento, talvez seja uma pedra no sapato de muita gente, não é?” Mas o objectivo é conciliar? “Não. O objectivo é trazer a história à tona. Cada um vai procurar a sua forma de se conciliar com isso. Acho que a primeira forma, se eu fosse parte de algum partido de oposição em Portugal, era criar um museu do colonialismo, da escravatura. Ferreira Gullar dizia que a arte existe porque a vida por si só não basta. Então, todos os assuntos que são polémicos - eu já passei por isso tantas vezes nos últimos cinco anos em Portugal - eles não se resolvem nunca na prosa, mas eles se resolvem na poesia. Eu acho que é uma forma de a gente entregar para as pessoas um conteúdo que pode ser inconveniente para algumas pessoas, mas que certamente com essa multiculturalidade e essas melodias talvez faça com que as pessoas amaciem um pouco. Até porque quem deu escala para a língua portuguesa foi África, foi o Brasil. Eu compus a primeira música que deu nome ao primeiro álbum de António Zambujo lançado no Brasil e eu mostrei para um director de gravadora no Brasil da Sony Music e ele era português e falou para mim: ‘Ah, já sei, aquele fadista que não canta fado, não é?' Porquê? Porque era novo, porque se estava aproximando do Brasil, da sonoridade. E hoje a gente vê como é que esses artistas portugueses ganham escala. A Carminho canta Tom Jobim, o Zambujo canta Chico Buarque. Ou seja, é se apropriar do que é nosso, é a nossa ancestralidade que nos une.” Em “Um menino chamado Brasil” ouvimos: “Se sou de Angola, eu sou Brasil. Sou Cabo Verde, eu sou Brasil. Sou Moçambique, eu sou Brasil. Sou Portugal, eu sou Brasil. Sou da Guiné, eu sou Brasil. Sou São Tomé, eu sou Brasil” - É um manifesto de união, daí a minha pergunta de há pouco sobre se é uma tentativa de reconciliação e até de perdoar tudo aquilo que os portugueses fizeram... “Não. Eu acho que não tem perdão até porque não foi o povo português pobre como a minha família de Ourém que colonizou os seus ancestrais. Quem colonizou foram as oligarquias, as grandes famílias que estão também no Rio de Janeiro, na Bahia e em São Paulo. Quando uma babá preta empurra um carrinho de bebé de um branco, que trabalha sete dias por sete, quer dizer, eu acho que é transversal esse comportamento dessas oligarquias até hoje. Mas vale lembrar também que o grito de independência do Brasil foi dado por um português em 1822, ou seja, foi uma briga de família e Dom Pedro: 'independência ou morte'. Eu acho que não é isso. Você falou desse fado que é um fado na lapela, esse tema meu e do Moacyr Luz, ‘Nossa terra é o mar'. A primeira frase não é minha, é de um compositor do Império Serrano maravilhoso e ele mandou-me uma frase: ‘Em Portugal não fui jamais, embora de lá tenha vindo.' E eu emendei: ‘Graças aos meus ancestrais que mostraram a língua quando eu estava parindo'. É importante para nós, africanos, brasileiros e quem fez o teste de genoma como eu - que sou Magrebe também, 10 por cento africano do Norte - é importante que a gente saiba o que aconteceu. Cabo Verde não era sequer habitado e o crioulo nasceu pela imposição da língua portuguesa. É o seguinte: não busca reconciliar. Não é fácil essa história, mas é interessante a gente assimilar. Como os alemães fizeram com o Holocausto e eles morrem de vergonha do Holocausto. Você vai no Japão - eu tenho nove álbuns lançados no Japão - e eu vou lá e tem o Museu de Hiroshima e Nagasaki. Eles fazem também o mea culpa de algumas coisas. Ou seja, é importante a gente saber quando a gente errou.” Este álbum acaba por ser o “Cartão do Cidadão” dessa multiculturalidade tricontinental, entre aspas? “Vou ser sintético: ‘Vou falar mais uma vez: se eu falo português, minha terra é aqui.” Ana Margarida Prado: “Eu acho que também se celebra o encontro de tudo aquilo que se criou. Vamos passar uma mensagem do bom que nós juntos criámos.” Pierre Aderne: “O Atlântico é o Atlântico. Ele uniu e esmagou, mas é tão interessante sermos atlânticos. A gente vê o que acontece também nos Estados Unidos: os povos originários são realmente os grandes povos. Todo o mundo é emigrante.”

Rabino Avraham Stiefelmann
1391 A revelação que poucos sabem: David e Golias eram PRIMOS - Livro de Rut 2

Rabino Avraham Stiefelmann

Play Episode Listen Later May 13, 2026 20:27


Patrocine uma aula e ajude a levar a Torá mais longe: shiurpix@gmail.comA aula resume o início da história de Rut (bisavó do Rei David), focando no retorno de Naomí a Israel após a morte de seu marido e filhos. O texto destaca o contraste entre o compromisso absoluto de Rute com o judaísmo e a escolha de Orpá de retornar a Moav, abordando lições sobre a importância do compromisso espiritual.

Inteligência para a sua vida
#1522: ACHE O CERTO, SIGA FAZENDO — E VAI DAR CERTO

Inteligência para a sua vida

Play Episode Listen Later May 12, 2026 13:27


É fácil fazer o certo quando tudo vai bem.Difícil é continuar depois da frustração, da queda ou da demora. A Bíblia diz: “Não nos cansemos de fazer o bem.” Porque continuar firme exige mais do que emoção. Exige decisão. Muita gente começa. Poucos permanecem. Não pare no meio do processo.Assista ao vídeo e descubra o segredo para perseverar até o fim.Se este vídeo lhe ajudou, compartilhe para ajudar mais pessoas.

MAP Curitiba
Seara Grande, Poucos Ceifeiros - Pr Adeildo Nascimento | MAP Curitiba

MAP Curitiba

Play Episode Listen Later May 11, 2026 47:21


No culto de celebração do MAP Curitiba, o Pr. Adeildo Nascimento ministrou uma mensagem profunda e confrontadora baseada em Mateus 9:35-38, trazendo uma reflexão sobre o chamado cristão para deixar de ser apenas “seara” e se tornar “ceifeiro” no Reino de Deus.Ao olhar para a multidão, Jesus teve íntima compaixão pelas pessoas aflitas, cansadas e desorientadas, como ovelhas sem pastor. A partir disso, surge o chamado para que mais trabalhadores sejam enviados à seara.Essa mensagem confronta a igreja atual sobre:A diferença entre consumir o evangelho e viver o evangelho;O discipulado na prática;A responsabilidade de ensinar, pregar e testemunhar;O perigo de permanecer espiritualmente imaturo;A necessidade de uma fé ativa, servidora e comprometida com o Reino.Pr. Adeildo também destaca que o verdadeiro trabalho cristão acontece fora das quatro paredes da igreja: na rotina, no trabalho, na família, nos relacionamentos e no testemunho diário. Uma palavra forte sobre maturidade espiritual, serviço, discipulado e legado cristão.

Entendendo a Notícia
#1113 - CONVERSA DE LULA E TRUMP FOI SOSSEGADA E LIMITADA A POUCOS TEMAS

Entendendo a Notícia

Play Episode Listen Later May 8, 2026 29:28


Tema de abertura de Claudio Zaidan para o programa Bandeirantes Acontece

Expresso - Expresso da Manhã
“O hantavírus tem mortalidade elevada, mas com poucos casos no global. Não há razões para alarme”

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later May 7, 2026 15:59


A bordo do cruzeiro MV Hondius, um surto de hantavírus alterou todas as expectativas de passageiros e tripulantes para uma viagem no Atlântico Sul. A viagem chegou ao fim, mas a vida daquelas pessoas é como se estivesse suspensa. Ninguém os quer receber. Há razões para alarme? Para pôr os pontos nos “is” de uma conversa que se quer explicada pela ciência, neste episódio, falamos com Miguel Castanho, investigador da Fundação GIMM - Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular e professor na FMUL.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Notícias Agrícolas - Podcasts
Sudeste terá poucos volumes de chuva e leve queda de temperatura nos próximos dias

Notícias Agrícolas - Podcasts

Play Episode Listen Later May 6, 2026 9:56


Estael Sias destaca predomínio de tempo seco e mudanças pontuais com chegada de frente fria

Cultura
Van Gogh, ‘influencer'? Mostra no vilarejo francês onde pintor se suicidou ecoa poder de sua obra

Cultura

Play Episode Listen Later May 1, 2026 8:34


Antes de se tornar um dos artistas mais influentes da história, Vincent van Gogh foi o produto de um entrelaçamento improvável de fé rigorosa, mercado de arte, boemia parisiense e um pequeno vilarejo transformado em laboratório pictórico. Uma exposição no Castelo de Auvers‑sur‑Oise, nos arredores de Paris, propõe revisitar esse percurso, mostrando como religião, autodidatismo, excessos e territórios específicos moldaram um pintor que, mesmo após mais de um século, continua impossível de ser ignorado.  Márcia Bechara, enviada especial da RFI a Auvers-sur-Oise Antes de se tornar um “influenciador” — termo que hoje circula livremente para designar quem molda gostos, estilos e comportamentos — Vincent van Gogh foi, ele próprio, profundamente influenciado. A exposição Van Gogh, influencer, Heranças em Movimento, em Auvers‑sur‑Oise, nos arredores de Paris, parte justamente dessa inversão de perspectiva: a mostra recua no tempo para investigar o caldo cultural, religioso e artístico que moldou o pintor antes de ele se tornar o ícone incontornável da arte moderna. Misturando facsímiles raros de obras do gênio holandês (as obras do período francês estão em sua maior parte reunidas no Museu d'Orsay, na capital francesa) e obras de artistas vivos, a mostra contempla, em efeito de espelho, os ecos da força do pintor nas gerações futuras. “Entre as primeiras influências de Vincent van Gogh, há algo que costuma ser subestimado, mas que é fundamental: a religião”, afirma Wouter van der Veen, pesquisador holandês especializado em história da arte, um dos maiores especialistas internacionais em Vincent van Gogh e diretor científico do Instituto Van Gogh, sediado em Auvers‑sur‑Oise, além de curador da exposição. “Ele nasce filho de um pastor protestante, dentro de uma tradição marcada por uma profunda desconfiança em relação às imagens”. Na Holanda do século 19, o protestantismo calvinista ainda carregava os efeitos de um longo processo de iconoclastia. A produção e o culto às imagens eram vistos, nessas comunidades, como distrações perigosas da fé considerada verdadeira. “A lógica era eliminar as representações visuais, porque elas desviariam o fiel do essencial”, observa Van der Veen. “Isso era vivido de forma bastante concreta nas comunidades de onde Van Gogh veio”. Leia tambémExposição em Paris retraça últimos meses de Van Gogh em 'vilarejo dos impressionistas' Ao mesmo tempo, a família de Vincent reunia um paradoxo social e simbólico. “Os tios de Van Gogh eram marchands de arte. Três deles atuavam no mercado, todos em um nível social elevado”, destaca o curador. Em uma mesma linhagem conviviam, portanto, o rigor moral calvinista e a circulação constante de obras de arte. “As obras passavam de casa em casa, eles se visitavam, trocavam quadros e gravuras. Vincent cresce nesse ambiente”, diz. Desde cedo, Van Gogh demonstra uma relação intensa com a imagem. “Ele recebe uma educação muito sólida, bastante rígida, mas também extremamente completa: aprende quatro línguas, literatura, cultura geral, e, naturalmente, arte”, relata o diretor científico do Instituto Van Gogh. Essa formação cria um terreno fértil. “Ele manifesta muito cedo uma inclinação artística muito clara”, afirma. O aprendizado silencioso do mercado de arte Aos 16 anos, um dos tios aceita acolher Vincent como aprendiz em sua empresa. “Ele entra no mercado de arte muito jovem”, conta Van der Veen, retomando esse período pouco lembrado da biografia do pintor. Não se trata ainda de uma vocação como artista, mas de um trabalho. “Ele não será particularmente bom como marchand, mas passa sete anos nesse meio.” Durante esse período, algo decisivo acontece. “Milhares de gravuras passam pelas mãos dele. Centenas de pinturas”, enumera o curador. Van Gogh observa, compara, memoriza. “Ele tem uma memória visual extraordinária. Tudo isso constrói o que eu chamo de seu ‘catálogo interno'.” O olhar do artista começa a se formar antes mesmo de ele considerar a possibilidade de criar. “Entre os 16 e os 23 anos, ele trabalha nesse comércio de arte sem jamais pensar em se tornar artista”, prossegue o pesquisador holandês. O contato cotidiano com imagens cria um repertório denso, silencioso, acumulado. “Quando ele olha uma imagem mais tarde, ela nunca é neutra: está sempre atravessada por tudo o que ele já viu”. Depois de anos nesse universo, surge a frustração. “Ele passa a achar o mercado de arte um pouco vazio, sem sentido”, observa Van der Veen. Vincent busca outra trajetória. “Ele decide seguir os passos do pai e se tornar pastor”. Essa tentativa ocupa quatro anos de sua vida. “Ele tenta estudar teologia, mas não consegue. Procura trabalhos como evangelizador ou pregador, e não encontra”, relata o curador. Ao final desse percurso errático, a constatação se impõe: “É então que ele se diz: não, eu sou artista”. “Ele combina três coisas fundamentais: a cultura visual acumulada ao longo dos anos, o amor pela literatura e pelas línguas, e uma vontade profunda de dar sentido à existência”, analisa Van der Veen. Dessa combinação emerge o artista que conhecemos. “Mas é importante lembrar: ele começa a pintar seriamente aos 27 anos, o que é muito tarde”. Um autodidata contra todas as regras “A formação artística de Van Gogh é, em grande parte, autodidata”, afirma o curador da mostra. “Ele não entra no ateliê de um mestre, não segue uma escola.” Frequenta cursos esporádicos, aqui e ali, mas nada se sustenta. “O problema é o caráter: ele é absolutamente impossível”. O resultado é um aprendizado solitário, feito por tentativa e erro. “A imensa maioria da formação dele aconteceu sozinho”, diz Van der Veen. Até 1885 ou 1886, Van Gogh desenvolve um estilo muito pessoal, ainda ancorado no ambiente em que vive. Leia tambémNunca exibido em público, quadro de Van Gogh é leiloado por R$ 93 milhões em Paris Até então, ele praticamente não havia saído dos Países Baixos. “É uma região com um clima específico: céu baixo, luz difusa, tons mais fechados”, descreve o pesquisador. As cores de sua chamada fase holandesa refletem isso. “São tonalidades mais cinzentas, mais terrosas, e é isso que ele explora”. A virada ocorre quando Theo, seu irmão mais novo, já estabelecido em Paris como marchand de arte, convida-o a se mudar. “Theo seguiu o caminho que Vincent abandonou: o do mercado de arte”, lembra Van der Veen. Paris, naquele final do século 19, era o epicentro da vida artística europeia — e, em muitos sentidos, mundial. Vincent aceita o convite e passa dois anos vivendo com o irmão. Na capital francesa, ele é confrontado com um universo totalmente novo. “Ele descobre as gravuras japonesas, que o marcam profundamente”, observa o curador. O japonismo era uma moda entre artistas e intelectuais parisienses, mas, no caso de Van Gogh, a paixão assume outra escala. “Ele coleciona centenas e centenas dessas estampas”. Além disso, conhece pessoalmente figuras centrais da vanguarda. “Paul Signac, Émile Bernard, Paul Gauguin, Georges Seurat”, enumera Van der Veen. E vê de perto obras de Monet, Degas, Pissarro. “Há, de um lado, a força gráfica e cromática da arte japonesa; de outro, a abordagem científica da cor, como a de Signac.” Tudo isso se mistura. “Esse conjunto de influências vai construir o estilo Van Gogh.” Montmartre: a pintura mergulha no excesso Há, porém, outra influência decisiva, muitas vezes esquecida: a festa. “E todos os excessos que vêm com ela”, ressalta Van der Veen. Montmartre, naquele período, era um território híbrido. “Metade urbano, metade rural”, descreve o curador. Havia jardins, hortas e pequenos campos ainda ativos. “Van Gogh busca motivos tanto desse lado agreste quanto do outro”. Esse outro lado era o da vida noturna. “Os cabarés, os cafés: a Nouvelle Athènes, o Chat Noir, o Rat Mort”, lista Van der Veen. Espaços históricos onde a boemia parisiense se reunia. “A vida não parava, a festa não parava.” Esses lugares reuniam intelectuais, escritores, pintores, atores e poetas. “Era um mundo lendário”, diz o pesquisador holandês. Paris, à época, era amplamente reconhecida como a capital cultural do planeta. “E Montmartre funcionava como o lado alternativo desse grande palco: o espaço da ousadia, do risco, de ir longe demais.” Van Gogh estava no centro disso tudo. “Sua maneira de repensar a pintura, de romper fronteiras, deve muito a essa imersão no caldeirão cultural francês”, conclui o curador. Leia tambémProvável revólver usado em suicídio de Van Gogh é leiloado por € 162,5 mil Auvers‑sur‑Oise, o "país dos quadros" Ao se aproximar do fim da entrevista, o foco se desloca para Auvers‑sur‑Oise, pequena cidade a cerca de 30 quilômetros de Paris. Para o leitor brasileiro, o nome pode soar discreto. Mas, na história da arte, trata‑se de um território decisivo. “Muito antes de chegar a Auvers‑sur‑Oise, Vincent já conhecia a importância do lugar”, explica Van der Veen. “Quando trabalhava no comércio de arte, ele via constantemente obras criadas ali.” Isso se deve à presença, desde 1860, de Charles‑François Daubigny. “Ele era uma espécie de papa da pintura ao ar livre”, observa o curador. Ao se instalar em Auvers, Daubigny cria uma verdadeira colônia artística. “Isso acontece 30 anos antes da chegada de Van Gogh”. O efeito é duradouro. “Corot vem, depois Pissarro, Cézanne”, lembra Van der Veen. Grandes nomes se instalam naquele vilarejo para desenvolver suas pesquisas pictóricas. “São artistas hoje presentes nos maiores museus do mundo.” Auvers torna‑se um laboratório. “É ali que surgem manifestações iniciais de uma abordagem diferente da pintura”, afirma o diretor científico do Instituto Van Gogh. Cézanne, em particular, deixa marcas profundas que repercutiriam mais tarde na arte abstrata. Van Gogh chega consciente dessa herança. “E, ao final de sua vida, ele tem a certeza de que vai morrer”, relata o curador. Convencido de sofrer de sífilis e atormentado por crises mentais recorrentes, toma uma decisão. “Ele não quer morrer em um hospital ou em uma casa de saúde. Ele quer morrer à sua maneira. E quer fazê‑lo no país dos quadros”, diz Van der Veen. Esse país, para ele, era Auvers‑sur‑Oise. Nos últimos 70 dias de vida, pinta mais de 70 telas. “Qualquer um pode pintar um quadro por dia”, ironiza o curador, “mas não com essa qualidade”. Quando percebe a aproximação de uma nova crise, toma a decisão final e “ele decide assumir o controle da própria vida”. Depois da morte, a influência inevitável A exposição se encerra olhando para o que vem depois. “O que Vincent van Gogh fez foi realmente disruptivo”, afirma o pesquisador. Autodidata, ele criou suas próprias soluções formais. “Inventou coisas que ninguém tinha visto antes”. “Mas muito rapidamente, sobretudo após sua morte, os artistas percebem que ele abriu uma via totalmente nova”, explica o curador. Poucos tentaram pintar como ele, mas o impacto mais profundo foi outro. “Muitos passaram a querer viver como ele.” O exemplo de entrega absoluta à arte se torna, então, um modelo ético. Ao mesmo tempo, sua obra começa a circular intensamente. “É um momento de expansão da indústria da imagem”, observa Van der Veen. Livros ilustrados, fotografia. “As obras de Van Gogh são fotografadas e distribuídas, em preto e branco”. Mesmo assim, o impacto é imenso. Artistas absorvem, transformam, reutilizam. “Eles não podem ignorá‑lo”, afirma o curador. "Esse é o eixo central da exposição. Mesmo quem tenta fugir de Van Gogh não consegue. Depois de Van Gogh, pintar girassóis nunca mais será um gesto neutro”, conclui Van der Veen.  A mostra Van Gogh, influencer, Heranças em Movimento, fica em cartaz até 3 de janeiro de 2027, no Castelo de Auvers, em Auvers‑sur‑Oise.

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RÁDIOFOBIA 427 - Ignore o Barulho, com Mau Faccio

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Play Episode Listen Later Apr 27, 2026 153:18


Saudações horripilantes, ouvinte do RÁDIOFOBIA! Poucos temas dividem tanto opiniões quanto o terror! Filmes, séries, quadrinhos, músicas, games com temática de horror são repugnantes para uns e fascinantes para outros. Neste episódio Leo Lopes, Jéssica Dalcin, Thais Boccia, Júlio Macoggi e Vitor Estácio vão mostrar se tem coragem ou não batendo um papo sobre creepypastas e horror visceral com o amigo Mau Faccio, diretamente do seu novo canal de terror Ignore o Barulho! Não deixe de interagir com a gente nas redes sociais, dar seu feedback sobre o papo e sugerir temas e convidados para as próximas edições do nosso podcast, além de deixar seu comentário no post, ok? Você também pode agora mandar sua cartinha para a Caixa Postal 279 - CEP 13930-970 - Serra Negra - SP, e seu e-mail para podcast@radiofobia.com.br! Arte do episódio: Sandro Hojo Links citados nas Cartinhas do Totô:- Curso de Podcast #020 - CESINCAST e o poder no podcast na EDUCAÇÃO!- O RÁDIO AM acabou, mas segue vivo no PODCAST! | Mixórdias com Leo Lopes- matricule-se já no Curso de Podcast- garanta o livro Curso de Podcast - Guia Básico em PDF e na Amazon para o seu Kindle- Podcast Store - a loja de produtos exclusivos da podosfera brasileira- Instituto Amargen- clique para assinar e ouvir o podcast Acepipes e Birinaites Links que indicamos sempre:- ouça o Ineditados Podcast- Acesse o novo site e ouça a RÁDIO 24h NO AR do Rádiofobia Classics!- assine o canal do Curso de Podcast no YouTube- siga @ocursodepodcast no Instagram- participe do grupo de produtores, apresentadores e ouvintes dos podcasts da Rádiofobia Podcast Network no Telegram Ouça o Rádiofobia Podcast nos principais agregadores:- Spotify- Apple Podcasts- Amazon Music- Deezer- PocketCasts Publicidade:Entre em contato e saiba como anunciar sua marca, produto ou serviço em nossos podcasts.See omnystudio.com/listener for privacy information.

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Saudações horripilantes, ouvinte do RÁDIOFOBIA! Poucos temas dividem tanto opiniões quanto o terror! Filmes, séries, quadrinhos, músicas, games com temática de horror são repugnantes para uns e fascinantes para outros. Neste episódio Leo Lopes, Jéssica Dalcin, Thais Boccia, Júlio Macoggi e Vitor Estácio vão mostrar se tem coragem ou não batendo um papo sobre creepypastas e horror visceral com o amigo Mau Faccio, diretamente do seu novo canal de terror Ignore o Barulho! Não deixe de interagir com a gente nas redes sociais, dar seu feedback sobre o papo e sugerir temas e convidados para as próximas edições do nosso podcast, além de deixar seu comentário no post, ok? Você também pode agora mandar sua cartinha para a Caixa Postal 279 - CEP 13930-970 - Serra Negra - SP, e seu e-mail para podcast@radiofobia.com.br! Arte do episódio: Sandro Hojo Links citados nas Cartinhas do Totô:- Curso de Podcast #020 - CESINCAST e o poder no podcast na EDUCAÇÃO!- O RÁDIO AM acabou, mas segue vivo no PODCAST! | Mixórdias com Leo Lopes- matricule-se já no Curso de Podcast- garanta o livro Curso de Podcast - Guia Básico em PDF e na Amazon para o seu Kindle- Podcast Store - a loja de produtos exclusivos da podosfera brasileira- Instituto Amargen- clique para assinar e ouvir o podcast Acepipes e Birinaites Links que indicamos sempre:- ouça o Ineditados Podcast- Acesse o novo site e ouça a RÁDIO 24h NO AR do Rádiofobia Classics!- assine o canal do Curso de Podcast no YouTube- siga @ocursodepodcast no Instagram- participe do grupo de produtores, apresentadores e ouvintes dos podcasts da Rádiofobia Podcast Network no Telegram Ouça o Rádiofobia Podcast nos principais agregadores:- Spotify- Apple Podcasts- Amazon Music- Deezer- PocketCasts Publicidade:Entre em contato e saiba como anunciar sua marca, produto ou serviço em nossos podcasts.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dias Úteis
"O Ministro", de Adelaide Ivánova, leitura por Ana Deus (repost)

Dias Úteis

Play Episode Listen Later Apr 25, 2026 2:54


Episódio 036 de Dias Úteis, um podcast que oferece poesia pela manhã, de segunda a sexta-feira. Poucos poemas seriam mais actuais que este, que a Ana Deus escolheu para partilhar connosco. Infelizmente, este poema de Adelaide Ivanova tende a ser pertinente, por muito tempo que passe. Está no livro "Martelo", editado no Rio de Janeiro pela Garupa, em 2017. Para além de todo o histórico musical e artístico da Ana, propomos este vídeo para seguirem um pouco mais dos seus trabalhos: https://m.youtube.com/watch?v=MjqwzIXuYM8&feature=youtu.be Tema musical original de Marco Figueiredo, com voz de José Carlos Tinoco. Saiba mais sobre os nossos projectos em www.assdeideias.pt.

Conversa de Câmara - Música clássica como você nunca ouviu!
Concerto para Piano nº 21, K. 467 de Mozart: é incrível ou magistral??

Conversa de Câmara - Música clássica como você nunca ouviu!

Play Episode Listen Later Apr 18, 2026 87:04


Existe uma contradição fascinante na história da música. Um homem cercado por preocupações banais, vaidades cotidianas e irritações comuns… foi capaz de escrever algumas das obras mais elevadas já criadas pelo espírito humano.Esse homem era Wolfgang Amadeus Mozart.E hoje vamos falar de uma de suas criações mais luminosas: o Concerto para Piano nº 21 em Dó Maior, K. 467 — uma obra que parece tocar algo além das palavras. Poucos artistas foram tão cercados por exageros quanto Mozart. Desde criança, era apresentado por seu pai, Leopold Mozart, como um prodígio quase sobrenatural.E realmente era fácil acreditar nisso.Como explicar que alguém tão jovem fosse capaz de escrever música de tamanha perfeição?Mas talvez o mais curioso seja outro ponto: quando analisamos sua vida pessoal, encontramos um homem comum. Vaidoso com os cabelos, preocupado com aplausos, irritado com atrasos do correio, incomodado com pequenos problemas domésticos.Nada disso combina com a dimensão espiritual de sua música.Apresentado por Aarão Barreto e Aroldo Glomb Apoie o Conversa de Câmara. Seja nosso padrinho: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://apoia.se/conversadecamara⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ RELAÇÃO DE PADRINS Aarão Barreto, Adriano Caldas, Gustavo Klein, Fernanda Itri, Eduardo Barreto, Fernando Ricardo de Miranda, Leonardo Mezzzomo,Thiago Takeshi Venancio Ywata, Gustavo Holtzhausen, João Paulo Belfort , Arthur Muhlenberg, Rafael Hassan e Danilo Coelho

No Tabuleiro
Papo Sobre Música 2

No Tabuleiro

Play Episode Listen Later Apr 11, 2026 15:53


Vamos falar sobre música? Poucos sabem disso mas eu sou baterista e já tive uma banda na minha adolescência.Vem comigo neste episódio 2 conversar sobre isso.#musica #banda #rockandroll #adolescencia #bateria #baterista

Dev Sem Fronteiras
CEO e Professor Universitário em Dublin, Irlanda - Carreira Sem Fronteiras #238

Dev Sem Fronteiras

Play Episode Listen Later Apr 9, 2026 50:24


O goiano de nascença, mas matogrossense de coração Anderson teve o primeiro contato com o computador pelos idos de 1989, e foi o suficiente para lhe colocar na rota de se graduar em Ciência da Computação.Mais tarde, já com uma pós-graduação em gestão, e um doutorado em sistemas distribuídos, a dinâmica do mercado o incentivou cada vez mais a tentar mudar-se para São Paulo. Ao invés disso, Anderson mudou-se para Dublin, com a intenção de estudar inglês.Poucos dias depois, a intenção mudou: aprender inglês na convivência com nativos, fora da escola e, até mesmo, fora da cidade. Aos poucos dominou o idioma aponto de garantir-se em um emprego. Anderson, porém voltou ao Brasil, casou-se e, depois de ser pai, voltou com a família para a Irlanda, onde ele equilibra o trabalho de CEO com a tarefa de ser professor universitário.Neste episódio, ele detalha melhor essas idas e vindas, que também incluiu passagens por Florianópolis e Porto Alegre, antes da mudança definitiva (até o momento) para a terra onde os motoristas de ônibus são bastante gentis.Neste episódio, o Álvaro detalha melhor essa jornada, detalha o seu dia a dia, e também topa um convite inesperado.Fabrício Carraro, o seu viajante poliglotaAnderson Carvalho, CEO e Professor Universitário em Dublin, IrlandaLinks:LinkedIn do AndersonO mercado não espera você estar pronto. Garanta seu lugar na Skills & Go Experience, o lugar em que você aprende, ao vivo e na prática, as habilidades que vão definir a próxima era do desenvolvimento.TechGuide.sh, um mapeamento das principais tecnologias demandadas pelo mercado para diferentes carreiras, com nossas sugestões e opiniões.#7DaysOfCode: Coloque em prática os seus conhecimentos de programação em desafios diários e gratuitos. Acesse https://7daysofcode.io/Ouvintes do podcast Dev Sem Fronteiras têm 10% de desconto em todos os planos da Alura Língua. Basta ir a https://www.aluralingua.com.br/promocao/devsemfronteiras/e começar a aprender inglês e espanhol hoje mesmo! Produção e conteúdo:Alura Língua Cursos online de Idiomas – https://www.aluralingua.com.br/Alura Cursos online de Tecnologia – https://www.alura.com.br/Edição e sonorização: Rede Gigahertz de Podcasts

No Tabuleiro
Papo Sobre Música 1

No Tabuleiro

Play Episode Listen Later Apr 9, 2026 16:38


Vamos falar sobre música? Poucos sabem disso mas eu sou baterista e já tive uma banda na minha adolescência.Vem comigo neste episódio conversar sobre isso.#musica #banda #rockandroll #adolescencia #bateria #baterista

Altamont
Rádio Clube Altamont #50 - Summer of Hate | Beck | Uivo

Altamont

Play Episode Listen Later Mar 4, 2026 62:20


Poucos acreditariam que iríamos chegar ao quinquagésimo episódio de Rádio Clube Altamont, mas eis que aqui estamos! Para começar o mês de Março, temos para apresentar o disco "Blood & Honey", dos portugueses Summer of Hate, uma centrifugadora pop de seu nome "Odelay", de Beck, e um documentário que nos mostra um dos grandes da rádio, António Sérgio, de seu nome "Uivo". Rádio Clube Altamont, uma parceria Altamont.pt e Futura - Rádio de Autor.

Oxigênio
#214 – Paisagens sonoras revelam mudanças climáticas

Oxigênio

Play Episode Listen Later Feb 26, 2026 34:22


  Neste episódio, Mayra Trinca fala sobre duas pesquisas que, ao seu modo, usam o som para estudar maneiras de enfrentamento à crise climática. Na conversa, Susana Dias, pesquisadora do Labjor e Natália Aranha, doutoranda em Ecologia pela Unicamp contam como os sons dos sapos fizeram parte das mesas de trabalho desenvolvidas pelo grupo de pesquisa para divulgação sobre esses anfíbios. Participa também Lucas Forti, professor na Universidade Federal Rural do Semi-Árido do Rio Grande do Norte. Ele conta como tem sido a experiência do projeto Escutadô, que estuda a qualidade do ambiente da caatinga através da paisagem sonora. ____________________________________________________________ ROTEIRO [música] Lucas: É incrível a capacidade que o som tem de despertar a memória afetiva. Mayra: Você aí, que é ouvinte de podcast, provavelmente vai concordar com isso. O som consegue meio que transportar a gente de volta pros lugares que a gente associa a ele. Se você já foi pra praia, com certeza tem essa sensação quando ouve um bom take do barulho das ondas quebrando na areia. [som de ondas] Mayra: O som pra mim tem um característica curiosa, na maior parte do tempo, ele passa…  despercebido. Ou pelo menos a gente acha isso, né? Porque o silêncio de verdade pode ser bem desconfortável. Quem aí nunca colocou um barulhinho de fundo pra estudar ou trabalhar? Mayra: Mas quando a gente bota reparo, ele tem um força muito grande. De nos engajar, de nos emocionar. [música de violino] Mayra: Também tem a capacidade de incomodar bastante… [sons de construção] Mayra: Eu sou a Mayra Trinca e você provavelmente já me conhece aqui do Oxigênio. Mayra: No episódio de hoje, a gente vai falar sobre som. Mais especificamente, sobre projetos de pesquisa e comunicação que usam o som pra entender e pra falar sobre mudanças climáticas e seus impactos no meio ambiente. [música de fundo] Natália: E as paisagens sonoras não são apenas um conjunto de sons bonitos. Elas são a própria expressão da vida de um lugar. Então, quando a gente preserva uma paisagem sonora, estamos preservando a diversidade das espécies que vocalizam naquele lugar, os modos de vida e as relações que estão interagindo. E muitas vezes essas relações dependem desses sons, que só existem porque esses sons existem. Então, a bioacústica acaba mostrando como os sons, os sapos também os mostram, como que esses cantos carregam histórias, ritmos, horários, temperaturas, interações que não aparecem ali somente olhando o ambiente. [Vinheta] João Bovolon: Seria triste se músicos só tocassem para músicos. Pintores só expusessem para pintores. E a filosofia só se destinasse a filósofos. Por sorte, a capacidade de ser afetado por um som, uma imagem, uma ideia, não é exclusividade de especialistas. MAYRA: Essa frase é de Silvio Ferraz, autor do Livro das Sonoridades. O trecho abre o texto do artigo “A bioacústica dos sapos e os estudos multiespécies: experimentos comunicacionais em mesas de trabalho” da Natália. Natália: Olá, meu nome é Natália Aranha. Eu sou bióloga e mestra pelo Labjor, em Divulgação Científica e Cultural. Durante o meu mestrado, eu trabalhei com os anfíbios, realizando movimentos com mesas de trabalhos e com o público de diferentes faixas etárias. Atualmente, eu sou doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ecologia pelo Instituto de Biologia da Unicamp. MAYRA: A Natália fez o mestrado aqui no Labjor na mesma época que eu. Enquanto eu estudava podcasts, ela tava pesquisando sobre divulgação científica de um grupo de animais muitas vezes menosprezado. [coaxares] Susana: Os sapos, por exemplo, não participam da vida da maioria de nós. Eles estão desaparecidos dos ecossistemas.  Eles estão em poucos lugares que restaram para eles. Os brejos são ecossistemas muito frágeis. São os lugares onde eles vivem. Poucos de nós se dedicam a pensar, a se relacionar, a apreciar, a cuidar dessa relação com os sapos. Mayra: Essa que você ouviu agora foi a Susana, orientadora do trabalho da Natália. Susana: Meu nome é Susana Dias, eu sou pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, o Labjor, professora da pós-graduação em Divulgação Científica e Cultural, do Labjor/IEL/Unicamp. E trabalho com comunicação, artes, ciências, desenvolvendo várias metodologias de experimentação coletiva com as pessoas. Mayra: Mas, o interesse da Natália pelos sapos não começou no mestrado. Ela já era apaixonada pela herpetologia antes disso. [som de ícone] Mayra: Herpetologia é a área da biologia que estuda répteis e anfíbios. E eu posso dizer que entendo a Natália. Pra quem não sabe, eu também sou bióloga. E durante a faculdade cheguei a fazer um estágio na mesma área, porque também era um tema que me interessava muito. Mayra: Só que eu trabalhei mais com répteis, que são as cobras e os lagartos. E eu acabei desistindo da área em pouco tempo, apesar de ainda achar esses bichinhos muito legais. Já a Natália descobriu o amor pelos sapos num congresso de herpetologia que foi durante a graduação e, diferente de mim, ela segue trabalhando com eles até hoje. Natália: E eu me apaixonei. Eu digo que me apaixonei a partir da abertura do congresso, porque foi uma experiência muito legal que fizeram a partir dos sons, a partir de fotos e vídeos de vários pesquisadores realizando trabalhos de campo com esses animais. E, a partir desse momento, eu falei que era isso que eu queria fazer na minha vida. Mayra: Ah, e é importante dizer, que antes mesmo disso tudo, a Natália já tinha um interesse artístico por esses animais. Natália: E, como eu amo desenvolver pinturas realistas, esses animais são maravilhosos, quando você pensa nas cores, nos detalhes, nas texturas que eles trazem. Mayra: Porque foi dessa experiência que surgiu a ideia de trabalhar com divulgação científica, que acabou levando a Natália  até a Susana. Mas como ela também tinha interesse de pesquisa com esses animais, ela acabou participando dos dois grupos ao longo do mestrado: o de divulgação e o de herpetologia, com o pessoal da biologia. Susana: Foi muito legal justamente pela possibilidade da Natália habitar esse laboratório durante um tempo, acompanhar o trabalho desses herpetólogos e a gente poder conversar junto com o grupo de pesquisa, que é o Multitão, aqui do Labjor da Unicamp, que é o nosso grupo, sobre possibilidades de conexão com as artes, e também com a antropologia, com a filosofia. A gente começou a tecer esses emaranhados lentamente, devagarzinho. Mayra: Quando a Natália chegou no mestrado, ela tinha uma visão muito comum da divulgação científica, que é a ideia de que os divulgadores ou os cientistas vão ensinar coisas que as pessoas não sabem. Mayra: É uma visão muito parecida com a que a gente ainda tem de escola mesmo, de que tem um grupo de pessoas que sabem mais e que vão passar esse conhecimento pra quem sabe menos. Natália: E daí a Susana nos mostrou que não era somente fazer uma divulgação sobre esses animais, mas mostrar a importância das atividades que acabam gerando afeto. Tentar desenvolver, fazer com que as pessoas criem movimentos afetivos com esses seres. Mayra: Se você tá no grupo de pessoas que tem uma certa aversão a esses animais, pode achar isso bem esquisito. Mas criar essas relações com espécies diferentes da nossa não significa necessariamente achar todas lindas e fofinhas. É aprender a reconhecer a importância que todas elas têm nesse emaranhado de relações que forma a vida na Terra. Mayra: Pra isso, a Natália e a Susana se apoiaram em uma série de conceitos. Um deles, que tem sido bem importante nas pesquisas do grupo da Susana, é o de espécies companheiras, da filósofa Donna Haraway. Natália: Descreve esses seres com os quais vivemos, com os quais aprendemos e com os quais transformam como seres em que a gente não habita ou fala sobre, mas a gente habita e escreve com eles. Eles nos mostram que todos nós fazemos parte de uma rede de interações e que nenhum ser nesse mundo faz algo ou vive só. Então, os sapos, para mim, são essas espécies companheiras. Mas não porque eles falam na nossa língua, mas porque nós escutamos seus cantos e somos levados a repensar a nossa própria forma de estar no mundo. Mayra: Uma coisa interessante que elas me explicaram sobre esse conceito, é que ele é muito mais amplo do que parece. Então, por exemplo, bactérias e vírus, com quem a gente divide nosso corpo e nosso mundo sem nem perceber são espécies companheiras. Ou, as plantas e os animais, que a gente usa pra se alimentar, também são espécies companheiras Susana: E uma das características do modo de viver dos últimos anos, dos últimos 50 anos dos humanos, são modos de vida pouco ricos de relações, com poucas relações com os outros seres mais que humanos. E a gente precisa ampliar isso. Trazer os sapos é muito rico porque justamente abre uma perspectiva para seres que estão esquecidos, que pertencem a um conjunto de relações de muito poucas pessoas. Mayra: Parte do problema tem a ver com o fato de que as espécies estão sumindo mesmo. As mudanças climáticas, o desmatamento e a urbanização vão afastando as espécies nativas das cidades, por exemplo, que passam a ser povoadas por muitos indivíduos de algumas poucas espécies. Pensa como as cidades estão cheias de cães e gatos, mas também de pombas, pardais, baratas. Ou em áreas de agropecuária, dominadas pelo gado, a soja e o capim onde antes tinha uma floresta super diversa. Susana: Eu acho que um aspecto fundamental para a gente entender esse processo das mudanças climáticas é olhar para as homogeneizações. Então, como o planeta está ficando mais homogêneo em termos de sons, de imagens, de cores, de modos de vida, de texturas. Uma das coisas que a gente está perdendo é a multiplicidade. A gente está perdendo a diversidade. Mayra: Pensa bem, quando foi a última vez que você interagiu com um sapo? (Herpetólogos de plantão, vocês não valem). Provavelmente, suas memórias com esses animais envolvem pouco contato direto e você deve lembrar mais deles justamente pelo… som que eles fazem. [coaxares, música] Lucas: Eu comecei a pensar na acústica como uma ferramenta de entender a saúde do ambiente, e queria aplicar isso para recifes de coral, enfim, a costa brasileira é super rica. Mayra: Calma, a gente já volta pra eu te explicar como a Natália e a Susana relacionaram ciências e artes na divulgação sobre os sapos. Antes, eu quero te contar um pouco sobre outro projeto que tem tudo a ver com o tema. Deixa o Lucas se apresentar. Lucas: Pronto, eu me chamo Lucas, eu sou biólogo de formação, mas tive uma vertente acadêmica na minha profissão, em que eu me dediquei sempre a questões relacionadas à ecologia, então fiz um mestrado, doutorado na área de ecologia. Mayra: Sim, o Lucas, assim como eu, a Natália e mesmo a Susana, também fez biologia. Lucas: Os biólogos sempre se encontram em algum lugar. Mayra: A gente ainda vai dominar o mundo…[risadas] Mayra: Tá, mas voltando aqui. O Lucas esteve nos últimos anos trabalhando no Nordeste. Eu conversei com ele durante um estágio de professor visitante aqui na Unicamp. Lucas: Então estou passando um estágio de volta aqui às minhas raízes, que eu sou daqui do interior de São Paulo, então vim passar frio um pouquinho de volta aqui em  Campinas. Mayra: Essa entrevista rolou já tem um tempinho, em agosto de 2025. E realmente tava fazendo um friozinho naquela semana. Mayra: Eu fui conversar com o Lucas sobre um projeto que ele faz parte junto com o Observatório do Semiárido, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, no Rio Grande do Norte. Mayra: A ideia dessa pesquisa é criar um banco de dados sonoros e construir um algoritmo. Lucas: testar algoritmos, né, conseguir ter uma ferramenta na mão que possa ajudar a gente a detectar níveis de degradação no Semiárido com base em informação acústica. Mayra: Esse projeto é o Escutadô. Lucas: O projeto Escutadô, ele nasceu… assim, tem a história longa e a história curta. Mayra: Óbvio que eu escolhi a longa. E ela começa escuta só, com os anfíbios. Mayra: Coincidência? Lucas: Não, não tem coincidência nenhuma. Lucas: Mas eu comecei sim estudando o comportamento de anfíbios, e uma característica muito peculiar dos anfíbios é a vocalização, né? Então, os anfíbios me levaram para a acústica, e aí a acústica entrou na minha vida também para tornar as abordagens da minha carreira, de como eu vou entender os fenômenos através desse ponto de vista sonoro, né? Mayra: Isso é uma coisa muito comum na biologia. Tem muitos animais que são complicados de enxergar, porque são noturnos, muito pequenos ou vivem em lugares de difícil acesso. Então uma estratégia muito usada é registrar os sons desses animais. Vale pra anfíbios, pra pássaros, pra baleias e por aí vai. [sons de fundo de mar] Mayra: Inclusive, lembra, a ideia original do projeto do Lucas era usar a bioacústica, essa área da biologia que estuda os sons, pra investigar recifes de corais. Ele tava contando que elaborou essa primeira proposta de pesquisa pra um edital. Lucas: Aí a gente não venceu essa chamada, mas a gente reuniu uma galera com colaboração, escrevemos um projeto super lindo, e aí por alguma razão lá não foi contemplado o financiamento. Mayra: Isso também é algo muito comum na biologia. E em várias outras áreas de pesquisa. Mas, vida que segue, novas oportunidades apareceram. Lucas: O projeto Escutadô começou no mar, mas a gente conseguiu ter sucesso com a ideia mesmo, a hora que eu cheguei em Mossoró, como professor visitante na Universidade Federal Rural do Semiárido, abriu um edital da FINEP, voltado para a cadeias produtivas, bioeconomia, e a gente identificou que a gente poderia utilizar essa ideia, né, e aplicar essa ideia, mas aí eu já propus que a gente fosse atuar no ecossistema terrestre. Mayra: FINEP é a Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O Lucas quis alterar a proposta inicial, primeiro, porque fazia mais sentido dentro do contexto que ele tava trabalhando. E, depois, porque a região tem uma forte dependência do ecossistema da caatinga pro sustento da população e pra preservação do seu modo de vida, a tal bioeconomia que ele citou. Mayra: Além disso, Lucas: a caatinga é o bioma que certamente tá sentindo mais os extremos, né, das mudanças climáticas, então isso trouxe uma contextualização muito interessante para o projeto, especialmente porque casava com a questão da bioeconomia, né, então a gente tentou embarcar nessa linha e transformamos essa tecnologia para pensar como ela poderia detectar níveis de degradação para a região do Semiárido, né, e aí deu certo. Mayra: Funciona mais ou menos assim, a equipe de pesquisa instalou uma série de gravadores espalhados, mais de 60 pontos no estado do Rio Grande do Norte e alguns pontos na Paraíba e no Ceará. Lucas: Então, quando a gente instala o gravador no ambiente, ele grava três minutos, dorme sete, grava três minutos, dorme sete e fica assim rodando, a gente tem duas rodadas de amostragem, uma que é feita durante a estação seca e outra que é feita durante a estação chuvosa, então o gravador fica em cada ponto por 20 dias e nesses 20 dias ele fica continuamente gravando três minutos e dormindo sete. Mayra: Essas gravações viram uma grande biblioteca sonora. O próximo passo é reconhecer quais sons representam áreas mais conservadas… [captação de área preservada] Mayra: E quais gravações foram feitas em áreas mais degradadas, principalmente com mais alterações antrópicas no ambiente. [captação de área antropizada] Mayra: Pra gente, até que é fácil reconhecer a diferença entre os sons. Agora, como a gente transforma isso, por exemplo, num aplicativo, capaz de identificar o nível de degradação do ambiente usando só o som daquele lugar? Lucas: Pois é, agora você tocou no ponto que eu acho que é o maior desafio do projeto e também o que torna o projeto, assim, inovador. A gente já tem hoje mais ou menos 16 mil horas de gravação, então a gente não tem como não usar uma ferramenta de aprendizado de máquina para ajudar no processamento desses dados. Mayra: A essa altura, você já deve saber o básico de como funcionam as inteligências artificiais. Elas comparam bases de dados gigantescas pra achar padrões. Mas, isso funciona bem pra texto ou pra imagens. Lucas: E a gente introduziu um conceito de aprendizado de escuta de máquina, ou seja, a gente não vai trabalhar sobre o ponto de vista da imagem, vai trabalhar sobre o ponto de vista da escuta, opa, pera aí, mas como é que a gente faz isso? Mayra: O Lucas explicou que o que eles tiveram que fazer foi, de certa forma, realmente transformar esses sons em imagens. Pra isso, eles usam os espectrogramas, que são aquelas representações visuais do som, eu vou deixar um exemplo lá no site e no nosso Instagram, depois você pode procurar pra ver. Mayra: Essa etapa do projeto, o treinamento da IA, tá sendo feita em parceria com o BIOS, o Centro de Pesquisa em Inteligência Artificial aqui da Unicamp. A gente já falou um pouco desse projeto no episódio 201 – Um bate-papo sobre café. Se você ainda não ouviu, tem mais essa lição de casa pra quando acabar esse episódio, vale a pena, porque tá bem legal. [divulgação podcast SabIA!] [música] Mayra: Os sons captados pelo Escutadô, projeto que o Lucas faz parte, ou as gravações dos anfíbios que a gente tava falando com a Natália, nunca são sons isolados. Mayra: Esse conjunto de sons de um ambiente forma o que a gente chama de paisagem sonora. Lucas: Esses sons podem ter origens geofísicas, então o som do vento, o som da chuva, o som dos fluxos de corrente, riachos, cachoeiras, você tem os sons da própria biodiversidade, né, que é baseado nos sistemas de comunicação acústica da fauna, por exemplo, quando as aves produzem as vocalizações, os anfíbios, os insetos, os mamíferos, você tem todo ali um contexto de produção de sinais acústicos que representam assinaturas da presença da biodiversidade no ambiente. E você ainda tem a assinatura da presença das tecnofonias ou antropofonias, né, que são os sons que são produzidos pelos seres humanos, né, seja os sons das rodovias, das construções, das obras, das edificações, ou seja, que tem toda uma contextualização. Mayra: A ideia de usar o som, ou a paisagem sonora, pra entender a saúde de um ambiente, não é nada nova. Um dos livros mais importantes, praticamente fundador do movimento ambientalista nos Estados Unidos, é o Primavera Silenciosa, da Rachel Carson, e ele foi publicado em 1962. Lucas: Então ela já estava alertando para a sociedade acadêmica, especialmente, que o uso de pesticidas, né, as mudanças que o ser humano está promovendo na paisagem estão causando extinções sonoras, né, porque está alterando a composição das espécies na natureza, então a gente está embarcando um pouco nessa ideia que influenciou o que hoje a gente chama de soundscape ecology, que é a ecologia da paisagem sonora, ou ecologia da paisagem acústica. Natália: As pessoas automaticamente imaginam que o silêncio seja algo bom. Mas, esse silêncio é um sinal de alerta, porque ele mostra que as espécies estão desaparecendo e como os seus ciclos e modos de interação estão mudando. E que o habitat, o lugar, já não está dando mais condições impostas pelo clima. Eu acredito que os sons funcionam como uma espécie de termômetro da vida. Quando eles diminuem, é porque a diversidade está ali diminuindo. Mayra: A gente vai ver que a Natália usou noções de paisagem sonora pra criar atividades imersivas de divulgação, onde as pessoas puderam experimentar com diferentes sons e ver como era possível criar novas relações com os sapos a partir deles. Mayra: No caso do Lucas, a paisagem sonora funciona bem como a Natália descreveu, é um termômetro que mede a qualidade de um ambiente da Caatinga. Talvez você imagine esse bioma como um lugar silencioso, um tanto desértico, mas isso tem mais a ver com a imagem comumente divulgada de que é uma região de escassez. Lucas: Do ponto de vista das pessoas interpretarem ela como um ambiente pobre, enquanto ela é muito rica, em termos de biodiversidade, em termos de recursos naturais, em termos de recursos culturais, ou seja, a cultura das populações que vivem lá é extremamente rica. Mayra: Pra complicar ainda mais a situação, a Caatinga está na área mais seca do nosso país. Lucas: Ou seja, a questão da escassez hídrica é extremamente importante. E torna ela, do ponto de vista das mudanças climáticas, ainda mais importante. Mayra: A importância de se falar de grupos menosprezados também aparece na pesquisa da Natália com os sapos. Vamos concordar que eles não tão exatamente dentro do que a gente chama de fofofauna, dos animais queridinhos pela maioria das pessoas, mas não por isso projetos de conservação são menos importantes. Pelo contrário. Mayra: Pra dar uma ideia, na semana que eu escrevia esse roteiro, estava circulando nas redes sociais um estudo que mostrou que, em cinquenta anos, as mudanças climáticas podem ser responsáveis pelo desaparecimento completo dos anfíbios na Mata Atlântica. Mayra: Daí a importância de envolver cada vez mais pessoas em ações de preservação e enfrentamento às mudanças climáticas. Susana: Que a gente pudesse trazer uma paisagem sonora da qual os humanos fazem parte e fazem parte não apenas produzindo problemas, produzindo destruição, mas produzindo interações, interações ecológicas. [música] Mayra: Voltamos então à pesquisa da Natália. Mayra: Ela usou uma metodologia de trabalho que tem sido muito utilizada pela Susana e seu grupo de pesquisa, que são as mesas de trabalho. Susana: E elas foram surgindo como uma maneira de fazer com que a revista ClimaCom, que é uma revista que está tentando ensaiar modos de pensar, de criar, de existir diante das catástrofes, a revista pudesse ter uma existência que não fosse só online, que fosse também nas ruas, nas praças, nas salas de aula, nos outros espaços, que ela tivesse uma existência fora das telas. E que, com isso, a gente se desafiasse não apenas a levar para fora das telas e para as outras pessoas algo que foi produzido na universidade, mas que a gente pudesse aprender com as outras pessoas. Mayra: A ideia das mesas é reunir pessoas diversas, de dentro e de fora da universidade, pra criarem juntas a partir de um tema. Susana: Então, quando chegou a proposta dos anfíbios, a gente resolveu criar uma mesa de trabalho com os sapos. E essa mesa de trabalho envolvia diversas atividades que aconteciam simultaneamente. Essas atividades envolviam desde fotografia, pintura, desenho, colagem, grafismo indígena, até estudo dos sons. Mayra: A Susana estava explicando que durante essas mesas, elas conseguem fazer com que as pessoas interajam com os sapos de uma forma diferente, mais criativa. Criativa aqui tanto no sentido de imaginar, quanto de criar e experimentar mesmo. Susana: A gente propôs a criação de um caderno de estudo dos sons junto com as pessoas. A gente disponibilizou vários materiais diferentes para que as pessoas pudessem experimentar as sonoridades. Disponibilizamos um conjunto de cantos da fonoteca aqui da Unicamp, de cantos dos sapos, para as pessoas escutarem. E pedimos que elas experimentassem com aqueles objetos, aqueles materiais, recriar esses sons dos sapos. E que elas pudessem depois transpor para um caderno essa experiência de estudo desses sons, de como esses sons se expressavam. Mayra: Esse é um exemplo de como a gente pode aproximar as pessoas do trabalho dos cientistas sem que isso coloque a pesquisa feita nas universidades como algo superior ou mais importante do que outros conhecimentos. Escuta só a experiência da Natália: Natália: Através de diferentes materiais, de diferentes meios, é possível criar um movimento afetivo que vai além daquele movimento do emissor-receptor que traz uma ideia mais generalista, mais direta, de que você só fala e não escuta. Então, uma das coisas que mais marcou o meu trabalho nessa trajetória foi a escuta. Onde a gente não apenas falava com os anfíbios, mas também a gente escutava as histórias que as pessoas traziam, os ensinamentos de outros povos, de outras culturas. Então, essa relação entre arte e ciências possibilitou todo esse movimento que foi muito enriquecedor (6:14) Susana: As mesas de trabalho foram um lugar também onde as pessoas acessaram um pouco do trabalho dos herpetólogos. Entraram em relação com a maneira como os herpetólogos estudam os sapos. Interessa para eles se o som do sapo é mais amadeirado, é mais vítreo, é mais metálico. O tipo de som, se ele tem uma pulsação diferente da outra, um ritmo diferente do outro. Eles fazem várias análises desses sons, estudam esses sons em muitos detalhes. Mayra: Trazer essa possibilidade de experimentação é um dos principais objetivos das ações e das pesquisas realizadas pelo grupo da Susana aqui no Labjor. E o encontro com as práticas artísticas tem sido um meio de trabalhar essas experimentações. [música de fundo] Susana: Eu acho que a gente tem pensado muito ciências e artes no plural, com minúsculas, justamente para trazer uma potência de multiplicidade, de possibilidades não só de pesquisa e produção artística, mas de pensamento, modos diferentes de viver no mundo e de praticar a possibilidade de pensar, de criar, de se relacionar com os outros seres. Mayra: Mas, segundo a Susana, tem um desafio grande nesse tipo de trabalho… Susana: Porque é muito comum as pessoas, sobretudo os cientistas, acharem que as artes são uma embalagem bonita para as ciências. Então, o que as artes vão fazer vai ser criar uma maneira das pessoas se seduzirem por um conteúdo científico, de se tornar mais belo, mais bonito. A gente não pensa que esse encontro entre artes e ciências pode tornar as ciências mais perturbadoras, pode questionar o que é ciência, pode gerar coisas que não são nem arte nem ciência, que a gente ainda não conhece, que são inesperadas, que são produções novas. Mayra: Quando a Natália fala da possibilidade de criar relações afetivas com os sapos, ela não quer dizer apenas relações carinhosas, mas também de sensibilidade, de se deixar afetar, no sentido de se permitir viver aquela experiência.  De entrar em contato com essas espécies companheiras e, realmente, sair desses encontros diferente do que a gente entrou. Susana: Então, a gente está tentando pensar atividades de divulgação científica e cultural que são modos de criar alianças com esses seres. São modos de prestar atenção nesses seres, de levar a sério suas possibilidades de existir, suas maneiras de comunicar, suas maneiras de produzir conhecimento. É uma ideia de que esses seres também produzem modos de ser e pensar. Também produzem ontopistemologias que a gente precisa aprender a se tornar digno de entrar em relação. Mayra: Em tempos de crise climática, isso se torna especialmente importante. Quando a gente fala de comunicação de risco, sempre existe a preocupação de falar com as pessoas de uma forma que a informação não seja paralisante, mas que crie mobilizações. Mayra: Eu aposto que você, assim como eu, de vez em quando se sente bem impotente quando pensa na catástrofe ambiental em curso. A gente se sente pequeno diante do problema. Só que é necessário fazer alguma coisa diferente do que a gente tem feito ou veremos cada vez mais eventos naturais extremos que têm destruído tantas formas de vida. [encerra música] Susana: Acho que a gente tem pensado nesses encontros justamente como aquilo que pode tirar a gente da zona do conforto e pode gerar uma divulgação científica e cultural nesses encontros entre artes e ciências, que experimentem algo que não seja massificado, algo que escape às abordagens mais capitalizadas da comunicação e mais massificadas, e que possam gerar outras sensibilidades nas pessoas, possam engajá-las na criação de alguma coisa que a gente ainda não sabe o que é, que está por vir. Mayra: A única forma de fazer isso é efetivamente trazendo as pessoas para participar dos projetos, aliando conhecimentos locais e tradicionais com as pesquisas acadêmicas. Isso cria um senso de pertencimento que fortalece os resultados dessas pesquisas. Mayra: O projeto Escutadô, que o Lucas faz parte, também trabalha com essa perspectiva de engajamento. Lucas: A gente usa uma abordagem chamada ciência cidadã, onde a gente se conecta com o público, e os locais onde a gente vai fazer as amostragens são propriedades rurais de colaboradores ou de voluntários do projeto. Então, a gente tem toda essa troca de experiências, de informação com esse público que vive o dia a dia ali no semiárido, ali na Caatinga. Tudo isso enriquece muito a nossa visão sobre o projeto, inclusive as decisões que a gente pode ter em relação a como que essa tecnologia vai ser empregada ou como que ela deveria ser empregada. Mayra: Lembra que o projeto foi financiado a partir de um edital que considerava a bioeconomia? Então, pro Lucas, a pesquisa só se torna inovadora e significativa de verdade se tiver efeitos práticos pra população que ajudou a construir esse conhecimento. Lucas: Senão é só uma ideia bacana, né? Ela precisa se transformar em inovação. Então, a gente tem toda essa preocupação de criar essa ferramenta e de que essa ferramenta seja realmente interessante para mudar a forma com que a gente vai entender ou tomar as decisões de forma mais eficiente, né? E que isso se torne um recurso que seja possível, né? Para que as pessoas utilizem. Mayra: A ideia do projeto é que, a partir de um aplicativo com aquele algoritmo treinado, as pessoas consigam por exemplo avaliar as condições ambientais da região em que vivem. Ou que esses dados possam ser usados pra ajudar a identificar áreas prioritárias de conservação e com isso, contribua diretamente pra qualidade do cuidado com a Caatinga. [música] Mayra: As mudanças climáticas estão aí faz tempo, infelizmente. Mas seus efeitos têm se tornado mais perceptíveis a cada ano. É urgente pensarmos em outras formas de estarmos no mundo, diminuindo os impactos ambientais, antes que esse planeta se torne inabitável, porque, como a gente também tem falado aqui no Oxigênio, não é tão simples assim achar outro planeta pra morar. Susana: Então, acho que isso tem sido fundamental para a gente criar uma comunicação científica em tempos de mudanças climáticas, que não apenas fica na denúncia dos problemas, mas que apresenta possibilidades de invenção de outros modos de habitar essa terra ferida, essa terra em ruínas. [encerra música] Mayra: Eu sou a Mayra Trinca e produzi e editei esse episódio. A revisão é da Lívia Mendes. A trilha sonora tem inserções do Freesound e de captações do projeto Escutadô e do João Bovolon, que também leu o trecho do Livro das Sonoridades. Mayra: Esse episódio é parte de uma bolsa Mídia Ciência e também conta com o apoio da FAPESP. Mayra: O Oxigênio é coordenado pela Simone Pallone e tem apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp. Estamos nas suas plataformas de áudio preferidas e nas redes sociais como Oxigênio Podcast. Te espero no próximo episódio! [Vinheta encerramento]

Notícias Agrícolas - Podcasts
Mercado da soja pós-Carnaval no Brasil ainda tem poucos negócios; ritmo deve ser mais intenso a partir da próxima semana

Notícias Agrícolas - Podcasts

Play Episode Listen Later Feb 18, 2026 52:16


Chicago fecha a 4ª feira estável, enquanto prêmios cedem um pouco mais internamente.

WGospel.com
A tristeza do coração

WGospel.com

Play Episode Listen Later Feb 13, 2026 5:23


TEMPO DE REFLETIR 01674 – 13 de fevereiro de 2026 Neemias 2:2 – Por que está triste o teu rosto, se não estás doente? Tem de ser tristeza do coração. Não é agradável conviver com alguém que está a maior parte do tempo com a testa franzida e a expressão carregada, denotando tristeza, preocupação ou mau humor. As pessoas percebem, é claro, que algo não vai bem e ficam se perguntando: “Será que é comigo? Fiz alguma coisa errada?” Em alguns casos é melhor perguntar à pessoa, para tirar a dúvida. Foi o que fez o rei Artaxerxes, ao observar o rosto de Neemias. Ele lhe perguntou: “Por que está triste o teu rosto, se não estás doente? Tem de ser tristeza do coração”. Bom observador, esse rei. Num relance, ele percebeu que Neemias não estava bem e que seu problema não era físico, mas emocional. Neemias ficou com medo, pois como copeiro real ele não podia se dar ao luxo de se apresentar diante do rei com a expressão facial abatida ou mal-humorada. “Um servo que mostrasse mau humor perante o rei poderia ser considerado um conspirador, ou um mau empregado. Uma fisionomia triste nunca era tolerada na presença do rei” (Champlin). Por um momento Neemias pensou que perderia a cabeça, pois cabeças de servos não tinham muito valor na corte real, naquele tempo. Por isso, apressou-se a responder: “Viva o rei para sempre!” Ele queria que o rei soubesse que por trás de seu semblante triste não havia nenhum plano para envenená-lo. “Como não me estaria triste o rosto se a cidade, onde estão os sepulcros de meus pais, está assolada e tem as portas consumidas pelo fogo?” (Ne 2:3) Poucos monarcas se incomodariam com os problemas pessoais de seus servidores, e menos ainda em solucioná-los. Mas Artaxerxes era um homem sensível e bondoso, e perguntou a Neemias: “Que me pedes agora?” (v. 4). Neemias então fez uma breve oração, pois temia a reação do rei à solicitação que iria fazer, o que implicaria uma mudança na política do império persa para com os judeus de Jerusalém. Ele pediu permissão para ir a Jerusalém, a fim de restaurar as muralhas da cidade. O rei concordou. Foi a tristeza do rosto de Neemias que deu início a todo esse processo. Mas certamente foi a interferência divina na disposição do rei, como resposta à oração de Neemias, que resultou no sucesso da missão do servo do rei, pois tristeza e mau humor geralmente não resolvem dificuldades. Seja qual for o problema que você está enfrentando, peça ajuda a Deus para colocar-lhe no rosto um sorriso. O resultado é que a vida também irá sorrir para você. Reflita sobre isso no dia de hoje e ore comigo agora: Pai, em meio aos nossos problemas do dia a dia, ajuda-nos a enfrentá-los com segurança, otimismo e um sorriso no rosto. Toma conta de nossa vida! Em nome de Jesus, amém! Saiba como receber as mensagens diárias do Tempo de Refletir: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99893-2056 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: TELEGRAM AMILTON MENEZES . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: WHATSAPP CHANNEL Amilton Menezes . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes

Brasil Paralelo | Podcast
O FILME QUE PREVIU O CASO EPSTEIN? A ÚLTIMA OBRA DE KUBRICK

Brasil Paralelo | Podcast

Play Episode Listen Later Feb 5, 2026 11:07


Em 1999, Stanley Kubrick entregou sua obra final: "De Olhos Bem Fechados". Poucos dias depois, o lendário diretor faleceu. O que parecia ser apenas um drama psicológico sobre infidelidade, décadas depois, tornou-se o centro de uma das maiores discussões sobre o submundo do poder global. Neste vídeo, analisamos os paralelos perturbadores entre o universo retratado por Kubrick e os documentos revelados no caso Jeffrey Epstein. Investigamos as denúncias de rituais em mansões isoladas, a presença de máscaras idênticas às encontradas na ilha Little St. James e a polêmica em torno dos 23 minutos removidos da versão final do filme após a morte do diretor.

Stock Pickers
#BÔNUS - O S&P 500 VIROU UM FUNDO DE IA? A CONCENTRAÇÃO QUE POUCOS ESTÃO ENXERGANDO

Stock Pickers

Play Episode Listen Later Jan 15, 2026 14:46


Você compra o S&P 500 achando que está investindo na economia americana. Mas será que ainda é isso mesmo?Neste episódio bônus do Stock Pickers, Lucas Collazo desmonta o S&P 500 e mostra como inteligência artificial, chips, data centers e algoritmos passaram a dominar o índice. Nvidia, Microsoft, Apple, Amazon, Meta e Alphabet concentram uma fatia cada vez maior do mercado e ditam o ritmo da Bolsa americana.Um episódio que explica o quanto a sua carteira já depende de IA - sem você nem perceber.

Podcast : Escola do Amor Responde
3248# Escola do Amor Responde (no ar 15.01.2026)

Podcast : Escola do Amor Responde

Play Episode Listen Later Jan 15, 2026 24:25


No programa de hoje, os professores Renato e Cristiane Cardoso responderam a dúvida de uma aluna.Casar sem testar antesAluna escreveu relatando que concorda que o sexo deva acontecer só depois do casamento. No entanto, antes ela questionou: e se depois do casamento, no momento do sexo, o homem não se garantir?Os professores esclareceram diversos pontos sobre este assunto e aconselharam a aluna.Casada, mas muito insegura com o maridoEm seguida, eles responderam uma pergunta da aluna Kenia, de 37 anos, casada e com 2 filhos pequenos.Ela contou que, há 2 anos e meio, o marido quis a separação. Retirou a aliança e começou a ter um comportamento inapropriado para um homem casado. Apesar disso, não ficou comprovado o adultério. Poucos meses depois, eles conversaram e ela o aceitou de volta. Porém, agora, ela vive em um relacionamento com muita insegurança. Não tem acesso ao celular dele, nem redes sociais ou conta bancária. Além disso, eles quase não se relacionam mais intimamente. Ela ainda relatou que o marido desde a adolescência faz tratamento para depressão e síndrome do pânico. A aluna está muito angustiada, sofrendo e perguntou o que deve fazer nessa situação.Bem-vindos à ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Escola do Amor Responde⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, confrontando os mitos e a desinformação nos relacionamentos. Onde casais e solteiros aprendem o Amor Inteligente. ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Renato e Cristiane Cardoso⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, apresentadores da ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Escolado Amor, na Record TV,⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ e autores de ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Casamento Blindado e Namoro Blindado⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, tiram dúvidas e respondem perguntas dos alunos. Participe pelo siteEscoladoAmorResponde.com. Ouça todos os podcasts no iTunes: rna.to/EdARiTunes

biblecast.net.br - A Fé vem pelo Ouvir
Inoperância espiritual - por que tantos crentes na igreja e poucos servos de Deus? [Disrupção #3]

biblecast.net.br - A Fé vem pelo Ouvir

Play Episode Listen Later Jan 11, 2026 60:04


Por Pr. Wander Gomes. Mensagem 3 da série "Disrupção". | Marcos 10:35-45 | https://bbcst.net/R9507M

Igreja do Recreio
Inoperância espiritual - por que tantos crentes na igreja e poucos servos de Deus? [Disrupção #3]

Igreja do Recreio

Play Episode Listen Later Jan 11, 2026 60:04


Por Pr. Wander Gomes. Mensagem 3 da série "Disrupção". | Marcos 10:35-45 | https://bbcst.net/R9507M

Noticiário Nacional
9h Vagas no INEM com poucos candidatos

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Dec 27, 2025 5:39


Bibotalk - Todos os podcasts
Mulheres, escravos e a Bíblia – BTCast 629

Bibotalk - Todos os podcasts

Play Episode Listen Later Dec 19, 2025 61:04


Muito bem (3x), começa mais um BTCast! Neste episódio, Bibo e Cynthia Muniz, encaram de frente passagens desafiadoras de Gálatas, 1 Timóteo e Coríntios, além dos textos paulinos sobre senhores e escravos, a partir do livro Igualitarismo Bíblico, publicado pela editora Thomas Nelson Brasil. Poucos temas geram tanta tensão dentro da igreja quanto os textos difíceis do […] O conteúdo de Mulheres, escravos e a Bíblia – BTCast 629 é uma produção do Bibotalk - Teologia é nosso esporte!.

BTCast | Bibotalk
Mulheres, escravos e a Bíblia – BTCast 629

BTCast | Bibotalk

Play Episode Listen Later Dec 19, 2025 61:04


Muito bem (3x), começa mais um BTCast! Neste episódio, Bibo e Cynthia Muniz, encaram de frente passagens desafiadoras de Gálatas, 1 Timóteo e Coríntios, além dos textos paulinos sobre senhores e escravos, a partir do livro Igualitarismo Bíblico, publicado pela editora Thomas Nelson Brasil. Poucos temas geram tanta tensão dentro da igreja quanto os textos difíceis do […] O conteúdo de Mulheres, escravos e a Bíblia – BTCast 629 é uma produção do Bibotalk - Teologia é nosso esporte!.

Café com Investidor
#125 - Cesar Paiva, fundador e CEO da Real Investor

Café com Investidor

Play Episode Listen Later Dec 18, 2025 46:56


Poucos gestores seguem tão de perto os passos de Warren Buffett como Cesar Paiva, da Real Investor. No Café com Investidor, ele explica o seu value investing à brasileira e sua estratégia de ser “seletivamente contrário”

Catalisadores
Ep 64 - Leon Trótski – Revolução Permanente, Vanguarda e a Igreja como Resistência Profética

Catalisadores

Play Episode Listen Later Dec 11, 2025 13:40


Poucos personagens simbolizam com tanta intensidade o espírito da ruptura como Leon Trótski. Teórico carismático, estrategista da revolução russa, arquiteto do Exército Vermelho e mártir ideológico, sua figura ultrapassa o marxismo tradicional para representar algo mais profundo: a substituição escatológica da esperança cristã por uma utopia sem transcendência. Trótski não propôs apenas uma revolução contra um regime, mas contra qualquer estabilidade. Sua tese de “revolução permanente” desafia o conceito de ordem duradoura, e isso torna seu pensamento extremamente relevante para se analisar, inclusive, os perigos que rondam a estrutura e a missão da Igreja. Este episódio examina Trótski como símbolo de uma escatologia invertida — que substitui o Reino de Deus por um paraíso socialista — e propõe que a Igreja Adventista do Sétimo Dia, com seu sistema representativo, sua vocação profética e sua fidelidade à Palavra, é chamada a resistir não com armas ideológicas, mas com firmeza bíblica, missão apostólica e esperança escatológica.

Conversas à quinta - Observador
Contra-Corrente. O que fez de Sá Carneiro um político diferente? — Debate

Conversas à quinta - Observador

Play Episode Listen Later Dec 4, 2025 95:09


Poucos políticos foram tão controversos e marcantes como Francisco Sá Carneiro. Se não tivesse morrido, teria conseguido as ruturas pelas quais se batia ou o atavismo de Portugal seria mais forte?See omnystudio.com/listener for privacy information.

RapaduraCast
RapaduraCast 889 - De Volta para o Futuro: 40 anos do filme perfeito!

RapaduraCast

Play Episode Listen Later Dec 1, 2025 110:40


Jurandir Filho, Thiago Siqueira, Rogério Montanare e Fernanda Schmölz batem um papo sobre "De Volta para o Futuro". O filme acabou de completar 40 anos em 2025,  quatro décadas desde que Marty McFly acelerou um DeLorean a 88 milhas por hora e entrou definitivamente para o imaginário coletivo. Poucos filmes conseguem atravessar gerações com tanta força, mantendo relevância, frescor e um senso de magia que parece impossível de replicar. Mas "Back to the Future" não apenas se mantém vivo: ele moldou a cultura pop de maneiras profundas. Como ele virou um ícone cultural? O DeLorean é o carro mais famoso da história do cinema?A influência do filme é sentida em obras modernas como "Stranger Things" e "Rick and Morty". Celebrar seus 40 anos é celebrar também uma ideia poderosa: a de que o passado pode ser revisitado, mas são as nossas escolhas no presente que moldam o futuro. Quarenta anos depois, Marty e Doc Brown ainda viajam com a gente. E continuarão viajando por muito tempo.- BLACK FRIDAY!!! ASSINE O SALA VIP ATÉ O DIA 7 DE DEZEMBRO!- Um podcast EXCLUSIVO do RapaduraCast toda semana! http://patreon.com/rapaduracast

RESUMIDO
RESUMIDO #339 — Ter poucos seguidores virou cool / Japonesa casou com ChatGPT / Anthropic ajudou hackers chineses

RESUMIDO

Play Episode Listen Later Nov 18, 2025 38:09


Aproveite o Black November da Insider Store com o cupom de desconto RESUMIDO: ⁠https://creators.insiderstore.com.br/RESUMIDOBF⁠Grupo oficial da Insider no WhatsApp com  Flash Promos: https://creators.insiderstore.com.br/RESUMIDOWPPBF--Faça sua assinatura! www.resumido.cc/assinatura--Na era das "redes antissociais", ter poucos seguidores virou cool, artistas falsos de IA tomam o lugar dos reais no Spotify, uma mulher japonesa se casa com ChatGPT, criminosos usam IA para golpes em delivery e hackers chineses usam chatbot da Anthropic para ataques cibernéticos.As coisas inverteram de lugar?No RESUMIDO #339: ter poucos seguidores virou cool, plataforma paga em cripto por desafios absurdos, artistas falsos criados por IA ocupam Spotify, japonesa casa com ChatGPT, criminosos usam IA para fraudar delivery, Anthropic revela que hackers chineses usaram seu agentes para dar golpe e muito mais!--Ouça e confira todos os links comentados no episódio: https://resumido.cc/podcasts/ter-poucos-seguidores-virou-cool-japonesa-casou-com-chatgpt-anthropic-ajudou-hackers-chineses

Bibotalk - Todos os podcasts
Sexo só no casamento? – BTPapo 097

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Play Episode Listen Later Oct 10, 2025 55:27


Poucos assuntos geram tanta tensão entre fé e cultura quanto o sexo. A Bíblia é clara sobre isso — ou será que não tanto assim? Neste episódio, Bibo e Cacau encaram sem rodeios o tema do sexo antes do casamento, explorando o que a Escritura realmente diz (e o que ela não diz) sobre o assunto. […] O conteúdo de Sexo só no casamento? – BTPapo 097 é uma produção do Bibotalk - Teologia é nosso esporte!.

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Sexo só no casamento? – BTPapo 097

BTCast | Bibotalk

Play Episode Listen Later Oct 10, 2025 55:27


Poucos assuntos geram tanta tensão entre fé e cultura quanto o sexo. A Bíblia é clara sobre isso — ou será que não tanto assim? Neste episódio, Bibo e Cacau encaram sem rodeios o tema do sexo antes do casamento, explorando o que a Escritura realmente diz (e o que ela não diz) sobre o assunto. […] O conteúdo de Sexo só no casamento? – BTPapo 097 é uma produção do Bibotalk - Teologia é nosso esporte!.

O Assunto
O fôlego de Lula nas pesquisas

O Assunto

Play Episode Listen Later Oct 9, 2025 29:54


Convidado: Felipe Nunes, cientista político, professor da FGV-SP e diretor da Quaest. A partir de janeiro, as pesquisas de opinião apontaram rota de queda na aprovação do presidente. Na linha do tempo das amostras coletadas pela Quaest, o percentual da população que desaprova a gestão de Lula chegou a superar o índice de aprovação em 17 pontos percentuais, em maio. Poucos meses depois, o cenário mudou completamente. Na pesquisa Quaest publicada nesta quarta-feira (8), pela primeira vez em dez meses a avaliação de Lula está em empate técnico. É a continuidade de um movimento que tomou tração com o discurso da soberania nacional, diante das ameaças e do tarifaço imposto por Donald Trump, e que se fortaleceu com as recentes vitórias do governo no Congresso, a exemplo da aprovação da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. Neste episódio, quem analisa os dados da pesquisa e as movimentações nas placas tectônicas de Brasília é o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da FGV-SP. Em conversa com Natuza Nery, ele explica a recuperação de Lula entre grupos específicos – quem ganha mais de 5 salários-mínimos, mulheres e eleitores do Nordeste – e aponta os maiores desafios que o petista deve enfrentar para se reeleger.

Bibotalk - Todos os podcasts
Profecia é pregação? – BTCast 619

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Play Episode Listen Later Oct 7, 2025 63:18


Muito bem, muito bem, muito bem, começa mais um BTCast! Neste episódio, Bibo, Luiz Henrique, Guilherme Nunes e Gutierres Siqueira mergulham nas Escrituras para entender o papel da profecia, sua continuidade (ou não), seus limites e sua relação com a pregação. Poucos temas dividem tanto os cristãos quanto o dom de profecia. Em muitas igrejas, […] O conteúdo de Profecia é pregação? – BTCast 619 é uma produção do Bibotalk - Teologia é nosso esporte!.

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Profecia é pregação? – BTCast 619

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Play Episode Listen Later Oct 7, 2025 63:18


Muito bem, muito bem, muito bem, começa mais um BTCast! Neste episódio, Bibo, Luiz Henrique, Guilherme Nunes e Gutierres Siqueira mergulham nas Escrituras para entender o papel da profecia, sua continuidade (ou não), seus limites e sua relação com a pregação. Poucos temas dividem tanto os cristãos quanto o dom de profecia. Em muitas igrejas, […] O conteúdo de Profecia é pregação? – BTCast 619 é uma produção do Bibotalk - Teologia é nosso esporte!.