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O diálogo tornou-se uma "arte esquecida"? Mais do que apenas conversar, estamos perdendo a capacidade fundamental de trocar ideias com profundidade.Neste vídeo, a professora e voluntária da Nova Acrópole, Ana Beatriz Pignataro, traz uma reflexão urgente sobre como a comunicação verbal tem sido abalada nos tempos atuais. Ela esclarece dois dos sete passos essenciais para resgatar o diálogo como uma verdadeira Arte, transformando conversas superficiais em encontros humanos significativos.00:00 - Introdução: O Diálogo como Fruto da Vida Interior Explicação de que o diálogo verdadeiro nasce do desenvolvimento interior e do domínio da própria personalidade, não apenas de técnicas externas.01:52 - O Diálogo como uma das Artes mais Complexas A importância do "ensaio" e da prática constante para atingir a harmonia nas relações.03:09 - Diferença entre Confronto e Diálogo Análise etimológica e prática: o confronto como imposição de fronteiras e o diálogo como a capacidade de ir além das palavras.08:02 - O Amor à Verdade vs. O Amor à Própria Opinião Como o desejo de ampliar a visão de mundo deve prevalecer sobre a necessidade de estar certo.09:32 - Aprender com a Vida através do Outro A percepção de que cada ser humano possui um ponto de vista único que é essencial para o nosso próprio crescimento.11:07 - A Insegurança como Causa dos Confrontos A analogia da árvore: por que a falta de convicções profundas nos leva a tentar impor argumentos pela força.15:12 - O Termômetro do Diálogo: A Vida Cresce ou Diminui? Como identificar um bom diálogo pela sensação de motivação e aprofundamento do laço após a conversa.18:21 - O Pressuposto do Diálogo: Querer Aprender A pergunta fundamental: "Eu quero realmente dialogar ou apenas convencer?".20:25 - Primeiro Passo: Objetividade A importância de não supor motivos alheios e ter clareza sobre o objetivo da própria comunicação.26:25 - Segundo Passo: Respeito e Humildade Filosófica Reconhecer que o outro sempre tem uma razão para pensar como pensa e evitar o rótulo como desculpa para não dialogar.32:56 - Conclusão: Todos são teus Instrutores A meta de tratar a todos com respeito, independentemente de concordar com suas opiniões, e o convite à prática.
Confúcio foi um dos grandes sábios da humanidade que indicaram uma trilha segura para a evolução e a felicidade. A professora e voluntária de Nova Acrópole, Ana Cristina Machado, faz uma breve síntese de sua doutrina, mostrando como aplicar seus ensinamentos à vida cotidiana.
Daniel Muñoz y el equipo de La Mañana repasan las noticias centradas en la trama Zapatero, la moción del PP a Sánchez y el juicio a Begoña Gómez.
Saudações tecnológicas, ouvinte do RÁDIOFOBIA! Se você navega pela internet há mais de 10 anos muito provavelmente já deve ter ouvido falar desse "nice guy", pioneiro da blogosfera, um dos primeiros usuários brasileiros do iPhone e criador, lá em 2006, do Digital Drops, um dos primeiros sites brasileiros a falar sobre tecnologia, inovação e gadgets. Depois de várias participações aqui no RÁDIOFOBIA falando de nerdices, Star Wars, home office e até karaokê, chegou a hora de finalmente conhecer a história de vida e celebrar a trajetória do amigo Nick Ellis! Com Leo Lopes, Thiago Fujiwara, Júlio Macoggi e Victor Estácio! Não deixe de interagir com a gente nas redes sociais, dar seu feedback sobre o papo e sugerir temas e convidados para as próximas edições do nosso podcast, além de deixar seu comentário no post, ok? Você também pode agora mandar sua cartinha para a Caixa Postal 279 - CEP 13930-970 - Serra Negra - SP, e seu e-mail para podcast@radiofobia.com.br! Arte do episódio: Sandro Hojo Links citados no episódio:- The Facts Links citados nas Cartinhas do Totô:- RÁDIOFOBIA Classics #74 – Tina Turner- matricule-se já no Curso de Podcast- garanta o livro Curso de Podcast - Guia Básico em PDF e na Amazon para o seu Kindle- Podcast Store - a loja de produtos exclusivos da podosfera brasileira- Instituto Amargen Links que indicamos sempre:- ouça o Ineditados Podcast- ouça o NovelaCast- ouça o História de Lava-louça- matricule seu filho na escola CESIN- Acesse o novo site e ouça a RÁDIO 24h NO AR do Rádiofobia Classics!- assine o canal do Curso de Podcast no YouTube- siga @ocursodepodcast no Instagram- participe do grupo de produtores, apresentadores e ouvintes dos podcasts da Rádiofobia Podcast Network no Telegram Ouça o Rádiofobia Podcast nos principais agregadores:- Spotify- Apple Podcasts- Amazon Music- Deezer- PocketCasts Publicidade:Entre em contato e saiba como anunciar sua marca, produto ou serviço em nossos podcasts.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Conceitos como UBUNTU - que sintetiza a realidade da união entre todos os seres - estão presentes na cosmovisão da etnia BANTU, uma das culturas existentes no Congo, região central da África. A professora e voluntária de Nova Acrópole, Melissa Andrade, nos fala de três ideias centrais de sua profunda sabedoria.
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Practica cómo hablar de lugares que quieres visitar, viajes anteriores y experiencias de viaje en portugués brasileño. Esta lección para principiantes utiliza frases útiles y cotidianas con audio de hablantes nativos. Curso completo: https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-portugues-brasileno-principianteFrases de esta lección:• Me gusta viajar.• Quiero visitar Alemania.• Me gusta visitar Italia.• ¿Has estado en Inglaterra?• Nunca he estado allí.• Estuve en Francia.• ¿Alguna vez has estado en París?• Fui allí de vacaciones el año pasado.Sigue aprendiendo con LinguaBoostEste episodio es una muestra seleccionada del curso completo de portugués brasileño para principiantes, con 70 lecciones. Sigue el pódcast para no perderte las próximas muestras. Algunas lecciones rotativas solo están disponibles durante un tiempo limitado.Obtén el curso completo con sesiones de repaso estructuradas, MP3 descargables, textos en PDF y acceso de por vida:https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-portugues-brasileno-principiante
Practica cómo hablar de lugares que quieres visitar, viajes anteriores y experiencias de viaje en francés. Esta lección para principiantes utiliza frases útiles y cotidianas con audio de hablantes nativos. Curso completo: https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-frances-principianteFrases de esta lección:• Me gusta viajar.• Quiero visitar Alemania.• Me gusta visitar Italia.• ¿Has estado en Inglaterra?• Nunca he estado allí.• Estuve en Francia.• ¿Alguna vez has estado en París?• Fui allí de vacaciones el año pasado.Sigue aprendiendo con LinguaBoostEste episodio es una muestra seleccionada del curso completo de francés para principiantes, con 70 lecciones. Sigue el pódcast para no perderte las próximas muestras. Algunas lecciones rotativas solo están disponibles durante un tiempo limitado.Obtén el curso completo con sesiones de repaso estructuradas, MP3 descargables, textos en PDF y acceso de por vida:https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-frances-principiante
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Practica cómo hablar de lugares que quieres visitar, viajes anteriores y experiencias de viaje en inglés. Esta lección para principiantes utiliza frases útiles y cotidianas con audio de hablantes nativos. Curso completo: https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-ingles-principianteFrases de esta lección:• Me gusta viajar.• Quiero visitar Alemania.• Me gusta visitar Italia.• ¿Has estado en Inglaterra?• Nunca he estado allí.• Estuve en Francia.• ¿Alguna vez has estado en París?• Fui allí de vacaciones el año pasado.Sigue aprendiendo con LinguaBoostEste episodio es una muestra seleccionada del curso completo de inglés para principiantes, con 70 lecciones. Sigue el pódcast para no perderte las próximas muestras. Algunas lecciones rotativas solo están disponibles durante un tiempo limitado.Obtén el curso completo con sesiones de repaso estructuradas, MP3 descargables, textos en PDF y acceso de por vida:https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-ingles-principiante
Practica cómo hablar de lugares que quieres visitar, viajes anteriores y experiencias de viaje en chino mandarín. Esta lección para principiantes utiliza frases útiles y cotidianas con audio de hablantes nativos. Curso completo: https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-chino-mandarin-principianteFrases de esta lección:• Me gusta viajar.• Quiero visitar Alemania.• Me gusta visitar Italia.• ¿Has estado en Inglaterra?• Nunca he estado allí.• Estuve en Francia.• ¿Alguna vez has estado en París?• Fui allí de vacaciones el año pasado.Sigue aprendiendo con LinguaBoostEste episodio es una muestra seleccionada del curso completo de chino mandarín para principiantes, con 70 lecciones. Sigue el pódcast para no perderte las próximas muestras. Algunas lecciones rotativas solo están disponibles durante un tiempo limitado.Obtén el curso completo con sesiones de repaso estructuradas, MP3 descargables, textos en PDF y acceso de por vida:https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-chino-mandarin-principiante
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¡Solo en agosto!: Suscripción anual al club de autocuidado más completo, para que puedas practicar yoga, pilates, meditación y mucho más sin salir de casa: https://feelyoga.club/checkout?edd_action=add_to_cart&download_id=2169 ….. Cuidar-T, un programa semanal pensado para ayudarte a sentirte bien. En este espacio compartimos ideas, herramientas y reflexiones para aprender a cuidarnos mejor y vivir con más coherencia y bienestar. En este episodio seguimos profundizando en el análisis funcional de la conducta y reflexionamos sobre cómo nuestra historia de aprendizaje influye en nuestra forma de actuar. A veces sabemos qué queremos cambiar, pero no contamos con alternativas para responder de otra manera. Hablamos del repertorio conductual y de la importancia de ampliarlo para disponer de más opciones ante las situaciones que afrontamos. A través de distintos ejemplos veremos por qué no basta con saber qué no debemos hacer: también necesitamos aprender y practicar nuevas formas de actuar. Te invito a compartir este episodio y a dejarme tus comentarios con todo el feedback que quieras darme. CONTENIDO: 00:00 = Saludo inicial. 00:23 = Presentación del episodio: el contexto veraniego y sus oportunidades. 01:36 = Recordatorio del análisis funcional de la conducta. 03:10 = Cuando el malestar y ciertas conductas se repiten. 04:58 = Comprender la conducta para ganar autonomía. 05:49 = Cómo nuestra narrativa puede perpetuar ciertas conductas. 07:49 = La metáfora del zapato. 08:46 = El tema de hoy, el repertorio conductual. 10:28 = La importancia de aprender lo que sí podemos hacer. 11:13 = Un ejemplo personal, la relación con el padre. 17:38 = Aplicación a padres y educadores. 20:42 = Aplicación a uno mismo, ampliar nuestro repertorio conductual. 23:01 = Conclusión. 23:17 = Despedida del episodio. 23:37 = Fin. ENLACES: Más información sobre Cuidar-T en: https://cuidar-t.es/ Perfil de Cuidar-T en Instagram: https://www.instagram.com/cuidar_t/ Mi estudio de yoga: https://feelyoga.es/ Mi nuevo proyecto, Feelyoga.club: https://feelyoga.club/ Curso de "Gestión emocional del tiempo": https://feelyoga.club/curso/gestion_emocional_tiempo/ ¡Apúntate a mi newsletter! https://cuidar-t.es/contacto/ Los derechos de todas las músicas utilizadas son de libre uso o han sido debidamente adquiridos.
Daniel Muñoz y el equipo de La Mañana repasan las noticias centradas en los frentes judiciales del Gobierno y el nuevo curso político.
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En el último episodio dedicado a Buber profundizamos en su filosofía dialógica a partir de una idea decisiva: la persona no se constituye en aislamiento, sino en relación. Veremos cómo la individualidad se limita a distinguirnos de los demás, mientras que la verdadera persona aparece cuando entra en contacto con un Tú y descubre que, en cierto sentido, “es el Tú el que me hace Yo”. A partir de ahí, Buber amplía esta lógica del encuentro hasta la dimensión religiosa. Todo Tú concreto remite, de algún modo, al Tú eterno, es decir, a Dios. Por eso afirma que Dios no puede ser reducido a objeto de conocimiento o posesión: se puede hablar con Dios, pero no convertirlo en una cosa sobre la que simplemente hablamos. Esta propuesta abre una reflexión profunda sobre el diálogo, la alteridad, la revelación y también sobre los límites del lenguaje teológico. ÍNDICE 0. Intro. 1. Formación intelectual y raíces judías. 2. La filosofía de Yo y Tú. 3. El ingreso de Buber en el movimiento sionista. 4. Buber frente al sionismo estatal. 5. El diálogo con el pueblo palestino: fuerza y límite. >>>> https://go.ivoox.com/rf/177529425 6. ¿Preparó Buber el “sionismo político sangriento”? 7. La contradicción entre el Yo-Tú y el nacionalismo 8. El ser humano habita el mundo mediante dos palabras fundamentales. 9. El mundo del Ello: conocimiento, experiencia y utilización. 10. La relación Yo-Tú: presencia, participación y encuentro. >>> https://go.ivoox.com/rf/178279754 11. La individualidad y la persona. 12. “Es el Tú el que me hace Yo”. 13. La realidad humana es diálogo. 14. Todo Tú particular remite al Tú eterno. 15. Se puede hablar con Dios, pero no convertirlo en objeto. 16. Una pregunta importante: ¿puede realmente evitarse hablar de Dios? Música de la época: Música hebrea contemporánea. Imagen: Martin Buber (Viena, 8 de febrero de 1878 - Jerusalén, 13 de junio de 1965) fue un filósofo y escritor judío austríaco-israelí. Pulsen un Me Gusta y colaboren a partir de 2,99 €/mes si se lo pueden permitir para asegurar la permanencia del programa ¡Muchas gracias a todos!
En este episodio extra de Spicy4tuna presentamos los resultados del primer semestre de 2026. Hablamos de cuánto hemos facturado y ganado realmente, qué líneas de negocio funcionan mejor, por qué perdimos 176.000 euros en junio y qué decisiones tomaremos con la revista, los eventos, los shorts, ExecutiveLabs y los próximos proyectos. Accede a nuestro NUEVO CANAL DE WHATSAPP: https://whatsapp.com/channel/0029Vb9Fct3CcW4iK4dkVu2g ¿Quieres abrir tu propio BERTO's MILANESA?: https://spicy4tuna.com/bertos-milanesa/ Accede a la formación de Executive Lab y empieza a utilizar la IA en tu negocio: https://inscripcion.executivelab.ai/ Inspecciona tu futura vivienda y evita que se convierta en una pesadilla: https://hausum.com/?utm_source=spicy4tuna&utm_medium=youtube&utm_campaign=premier Invierte en inmuebles de forma pasiva y sin dolores de cabeza con Inversiva: https://inversiva.com/invierte-en-inmuebles/?utm_source=referral&utm_medium=web&utm_campaign=spicy4tuna : Invierte de forma segura y recibe un 3% sobre tu efectivo con Trade Republic: https://trade.re/spicy4tuna Invertir conlleva riesgos, los rendimientos no están garantizados. Aplican T&Cs. Empieza tu PRUEBA GRATIS hoy con SHOPIFY: https://shopify.com Prueba gratis la Cuenta de empresa de Qonto y simplifica las finanzas de tu negocio: https://bit.ly/4lPuNxU Accede al Curso de Inversión en Bolsa y Mercados Financieros de CEF UDIMA: https://bit.ly/cef_CursoInversiónBolsa_MercadosFinancieros_spicy4tuna_julio CEF: https://bit.ly/cef_spicy4tuna_julio2026 UDIMA: https://bit.ly/udima_spicy4tuna_julio2026 Contacta con el equipo de Executive Lab para acceder a nuestra formación de Inteligencia Artificial para Empresarios y Ejecutivos: https://executivelab.ai/ ════════════════ ️ Accede a la Web de Spicy4tuna y Suscríbete a nuestra Newsletter: https://www.spicy4tuna.com Contacto para Sponsors ➡ https://tally.so/r/nrPNE5 Email de Contacto ➡ podcast@spicy4tuna.com ════════════════ Todos los episodios completos: https://www.youtube.com/playlist?list=PL9XxulgDZKuzf6zuPWcuF6anvQOrukMom ════════════════ REDES SOCIALES DE SPICY4TUNA ➜ INSTAGRAM: https://www.instagram.com/spicy4tunapodcast/ ➜ TIKTOK: https://www.tiktok.com/@spicy4tuna ➜ FACEBOOK: https://www.facebook.com/spicy4tuna ════════════════ ️ ESCUCHA SPICY4TUNA EN FORMATO PODCAST Spotify: https://open.spotify.com/show/2QPC17Z9LhTntCA4c3Ijk9?si=39b610a14bb24f1f iTunes: https://podcasts.apple.com/es/podcast/spicy4tuna/id1714279648 iVoox: https://www.ivoox.com/escuchar-audios-spicy4tuna_al_33258956_1.html ════════════════ ¿QUIÉNES SOMOS? · Euge Oller: https://www.instagram.com/euge.oller/ · Willyrex: https://www.instagram.com/willyrex/ · Marc Urgell: https://www.instagram.com/marcurgelldiaz/ · Alvaro845: https://www.instagram.com/alvaro845/ ════════════════ 00:00 A continuación... 03:17 ¿Spicy4tuna supera el millón de facturación? 05:29 ¿Cuánto gana realmente el negocio? 11:02 De dónde sale el dinero de Spicy4tuna 18:03 Por qué perdimos 176.000 € en junio 21:24 El pódcast, los patrocinadores y Executive Lab 27:21 La inversión que multiplicó su valor por cuatro 32:18 Por qué no habrá una tercera revista 37:44 Cuánto costó realmente Spicy House 40:38 Menos shorts, más vídeos largos y más ingresos 51:43 ¿Qué está pasando con la newsletter? 56:27 Las conclusiones del primer semestre 59:53 Cuánto dividendo se lleva cada socio 01:05:01 El futuro de los shorts, eventos y Spicy House 01:11:12 WhatsApp y nuevas líneas de negocio 01:20:51 El miedo a que Spicy4tuna crezca demasiado 01:26:56 Lo que enseñan las cuentas de una empresa real
Otra forma de seguirme: https://nofinancieros.substack.com/p/curso-completo-de-bolsa-3126 Vamos con vigésimoprimera semana según el calendario "dinerario" del año 26. ¿Es posible aprender a entender la bolsa en unos pocos minutos? En este episodio recuperamos y actualizamos el primer curso de bolsa que grabé para este proyecto, yendo mucho más allá de los mensajes mainstream. Olvídate de las calculadoras de descuento de flujos de caja y de las estrategias de manual: la clave real que mueve los mercados financieros es la ley de la oferta y la demanda, manifestada a través de los flujos de dinero y de información. Analizamos por qué el mercado sube cuando entra liquidez y cómo la velocidad actual de la información permite que los grandes capitales se muevan antes que nadie. Si quieres dejar de lado los placebos financieros y entender realmente en qué jauría de leones te estás metiendo, este es tu curso básico. Suscríbete a este canal: https://www.youtube.com/@UCHMI3rPMangIcjMfu1wBPCA
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Esta semana repasamos con Rafael Serrano, Fernando Rodríguez-Borlado y Luis Luque los principales temas del curso 2025/2026
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En el episodio 149 analizamos el hackeo masivo a wallets frías de Bitcoin, la crisis de Ceuta y qué ocurre cuando el Estado falla en los momentos más importantes. También hablamos del gran negocio de la tercera edad, la financiación millonaria de la empresa de David Beckham, las inversiones de Google, Microsoft, Meta y Amazon en inteligencia artificial, el fin de los juegos físicos y la sorprendente compra de una aplicación de astrología por Midjourney. Finalmente, extraemos varias lecciones sobre liderazgo de Los chicos del coro. Invierte de forma segura y recibe un 3% sobre tu efectivo con Trade Republic: https://trade.re/spicy4tuna Invertir conlleva riesgos, los rendimientos no están garantizados. Aplican T&Cs. Accede a la formación de Executive Lab y empieza a utilizar la IA en tu negocio: https://inscripcion.executivelab.ai/ Empieza tu PRUBA GRATIS hoy con SHOPIFY: https://shopify.com Prueba gratis la Cuenta de empresa de Qonto y simplifica las finanzas de tu negocio: https://bit.ly/4lPuNxU Accede al Curso de Inversión en Bolsa y Mercados Financieros de CEF UDIMA: https://bit.ly/cef_CursoInversiónBolsa_MercadosFinancieros_spicy4tuna_julio CEF: https://bit.ly/cef_spicy4tuna_julio2026 UDIMA: https://bit.ly/udima_spicy4tuna_julio2026 Inspecciona tu futura vivienda y evita que se convierta en una pesadilla: https://hausum.com/?utm_source=spicy4tuna&utm_medium=youtube&utm_campaign=premier Contacta con el equipo de Executive Lab para acceder a nuestra formación de Inteligencia Artificial para Empresarios y Ejecutivos: https://executivelab.ai/ Crea tu Página Web con Hostinger: https://www.hostinger.com/spicy4tuna Cupón de 10% de Descuento para planes de +12 meses: SPICY4TUNA Invierte en inmuebles de forma pasiva y sin dolores de cabeza con Inversiva: https://inversiva.com/invierte-en-inmuebles/?utm_source=referral&utm_medium=web&utm_campaign=spicy4tuna ════════════════ ️ Accede a la Web de Spicy4tuna y Suscríbete a nuestra Newsletter: https://www.spicy4tuna.com Contacto para Sponsors ➡ https://tally.so/r/nrPNE5 Email de Contacto ➡ podcast@spicy4tuna.com ════════════════ Todos los episodios completos: https://www.youtube.com/playlist?list=PL9XxulgDZKuzf6zuPWcuF6anvQOrukMom ════════════════ REDES SOCIALES DE SPICY4TUNA ➜ INSTAGRAM: https://www.instagram.com/spicy4tunapodcast/ ➜ TIKTOK: https://www.tiktok.com/@spicy4tuna ➜ FACEBOOK: https://www.facebook.com/spicy4tuna ════════════════ ️ ESCUCHA SPICY4TUNA EN FORMATO PODCAST Spotify: https://open.spotify.com/show/2QPC17Z9LhTntCA4c3Ijk9?si=39b610a14bb24f1f iTunes: https://podcasts.apple.com/es/podcast/spicy4tuna/id1714279648 iVoox: https://www.ivoox.com/escuchar-audios-spicy4tuna_al_33258956_1.html ════════════════ ¿QUIÉNES SOMOS? · Euge Oller: https://www.instagram.com/euge.oller/ · Willyrex: https://www.instagram.com/willyrex/ · Marc Urgell: https://www.instagram.com/marcurgelldiaz/ · Alvaro845: https://www.instagram.com/alvaro845/ ════════════════ 00:00 A continuación... 01:21 ¿Cuánto vale realmente el esfuerzo de Ibai? 06:20 Hackeo masivo a wallets frías de Bitcoin 14:25 Crisis de Ceuta: ¿España es un Estado fallido? 29:15 El nuevo negocio de David Beckham 42:55 Las grandes tecnológicas se lo juegan todo a la IA 47:28 Google: beneficios récord y caja negativa 54:13 Microsoft y el crecimiento imparable de Azure 56:34 Meta invierte todo su dinero en inteligencia artificial 01:04:39 Amazon, AWS y el futuro de la IA 01:09:25 El gran negocio de la tercera edad 01:24:54 Midjourney compra una aplicación de astrología 01:36:16 Sony pone fin a los juegos físicos 01:50:08 Cómo gestionar y liderar equipos 01:54:04 Las lecciones empresariales de Los chicos del coro
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¿Por qué las mujeres tienen el mando a los 25 y los hombres a los 45? ¿Por qué la misma mujer que te descartó a los 22 te ""descubre"" a los 35? ¿Y por qué tener ""de todo"" no garantiza generar deseo? La respuesta está en el concepto más incomprendido del mercado de pareja — el que los foros bautizaron como ""valor de mercado sexual"" (SMV) y que yo prefiero llamar tu cotización. En este episodio — la octava coordenada del podcast — te explico el modelo completo: las dos divisas en las que cotiza cada sexo, las dos curvas de edad (casi inversas) y lo que la ciencia lleva tres décadas documentando sobre todo ello. En este episodio aprenderás: — Qué es exactamente tu valor de mercado o ""cotización"" (y por qué NO es el checklist del ""hombre de alto valor"" que vende el sector). — Las dos divisas: atracción y compromiso — y cuál domina la cotización de cada sexo. — Las dos curvas de edad: por qué la femenina alcanza su máximo pronto y la masculina sube durante décadas… solo si el hombre construye. — La ciencia detrás: Kenrick & Keefe, los datos masivos de OkCupid y la Teoría de las Estrategias Sexuales de David Buss. — Lo que este modelo explica: las 4 etapas del ""chico bueno"", los tiempos de la hipergamia, la ansiedad de tus 20 y la oportunidad de tus 40. — Y lo que está en tu mano (sin humo): la única cotización que un hombre controla. Este episodio es la octava coordenada del podcast. Las 8 en orden: Spotify: https://open.spotify.com/playlist/16QE6isq98nugJfbSJHX6a?si=170d82ab63c947ad · iVoox: https://go.ivoox.com/bk/11479387 Curso gratuito adaptado a tu situación (soltero, en pareja o tras una ruptura) en hombrealfa.top/curso-gratis ¿En qué punto de tu curva crees que estás ahora mismo? Te leo en los comentarios.
Curso de Habla sin Miedo: https://forms.gle/WNwFW1Y8W3y7JvqX6¿Te cuesta trabajo llevarte bien con tus compañeros de trabajo?No eres tú la que está mal , es que nadie te enseñó cómo relacionarte sin perder tu paz en el intento =(En este episodio te comparto un código de 4 reglas, son antiguas, pero que casi nadie aplica donde más se necesita: en la OFICINA. Para dejar de cargar dramas que NO son tuyos, y puedas comunicarte sin herir ni ser herida, y dar lo mejor de ti sin desgastarte emocionalmente.Si sientes que últimamente peleas más de lo normal, con tu pareja, tu jefe, tu equipo... y no sabes cómo decir lo que sientes sin que se detone una discusión, este episodio es para ti mi querido Alquimista! =)
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Llegamos al último episodio antes de nuestro descanso de verano. Y para cerrar el curso no queríamos hacer un simple repaso de cifras, proyectos o momentos destacados, sino detenernos en algo mucho más útil: todo lo que hemos aprendido escuchando a las familias.Durante estos meses se han repetido muchas dudas sobre TDAH, autismo, lenguaje, conducta, aprendizaje, pantallas o tratamientos. También hemos visto preocupaciones nuevas, mitos que siguen muy presentes y pequeños avances que, a veces, las familias no valoran lo suficiente.Hoy me siento a charlar con Manuel para hacer balance desde esa perspectiva: qué ha marcado este curso, qué nos ha sorprendido y qué deberían tener en cuenta las familias durante el verano. Además, aprovecharemos para responder de forma rápida a algunas afirmaciones que escuchamos constantemente.Con este episodio nos despedimos hasta septiembre, pero antes queremos dejaros información práctica, tranquilidad y algunas ideas para disfrutar del verano sin perder de vista lo importante.¡Dale al PLAY y nos vemos dentro!Si tienes un hijo con algún problema neurológico o sospechas que puede ser la causa de sus dificultades y quieres que te guiemos por el camino correcto, ve ahora mismo a descargar las guías gratuitas para padres que tengo en la web www.elneuropeditara.es. En menos de 15 minutos podrás tener una idea bastante clara de qué le pasa a tu hijo y los pasos a seguir para ayudarle.Si ya tienes claro que valore a tu hijo o quieres una segunda opinión, Ponte en contacto ahora mismo con nosotros para que analicemos tu caso y nos pongamos manos a la obra. Llama al 682 651 047 o escríbenos al mail recepcionista@elneuropediatra.es
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Practica cómo preguntar a quién espera alguien y hablar de retrasos y de cuánto tiempo lleva esperando en portugués brasileño. Esta lección para principiantes utiliza frases útiles y cotidianas con audio de hablantes nativos. Curso completo: https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-portugues-brasileno-principianteFrases de esta lección:• ¿A quién estás esperando?• ¿Estás esperando a alguien?• Estoy esperando a un amigo.• Lo siento, llego tarde. ¿Durante cuánto tiempo has estado esperando?• He estado esperando aquí durante quince minutos.• ¿Ya te vas?• Esperaré cinco minutos más y luego me iré.• ¿Hay alguien esperándote?• Tengo que irme. Mis hijos están esperando.Sigue aprendiendo con LinguaBoostEste episodio es una muestra seleccionada del curso completo de portugués brasileño para principiantes, con 70 lecciones. Sigue el pódcast para no perderte las próximas muestras. Algunas lecciones rotativas solo están disponibles durante un tiempo limitado.Obtén el curso completo con sesiones de repaso estructuradas, MP3 descargables, textos en PDF y acceso de por vida:https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-portugues-brasileno-principiante
Practica cómo preguntar a quién espera alguien y hablar de retrasos y de cuánto tiempo lleva esperando en francés. Esta lección para principiantes utiliza frases útiles y cotidianas con audio de hablantes nativos. Curso completo: https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-frances-principianteFrases de esta lección:• ¿A quién estás esperando?• ¿Estás esperando a alguien?• Estoy esperando a un amigo.• Lo siento, llego tarde. ¿Durante cuánto tiempo has estado esperando?• He estado esperando aquí durante quince minutos.• ¿Ya te vas?• Esperaré cinco minutos más y luego me iré.• ¿Hay alguien esperándote?• Tengo que irme. Mis hijos están esperando.Sigue aprendiendo con LinguaBoostEste episodio es una muestra seleccionada del curso completo de francés para principiantes, con 70 lecciones. Sigue el pódcast para no perderte las próximas muestras. Algunas lecciones rotativas solo están disponibles durante un tiempo limitado.Obtén el curso completo con sesiones de repaso estructuradas, MP3 descargables, textos en PDF y acceso de por vida:https://linguaboost.com/es/aprende-a-hablar-frances-principiante
¿Cómo puedo conseguir un manager? Es de las preguntas que más nos hacen. Lo importante es entender, en primer lugar, si es viable en este momento de tu carrera conseguir un manager profesional, o qué alternativas tienes.En este programa revisamos qué tipos de managers existen, qué características debe tener un buen manager, cómo saber si ya te conviene tener uno y, en ese caso, cómo conseguirlo.00:00 Intro01:05 Qué es (y qué NO es) un manager02:41 Los 3 tipos de managers05:11 Cuándo necesitas tener un manager07:51 Qué características debe tener un buen manager10:41 El santo grial: el manager camaleón12:38 Cómo conseguir al manager que necesitas hoy14:33 Si ya tienes manager….16:56 CierreTRABAJA CON NOSOTROS
Saudações hospitalares, ouvinte do RÁDIOFOBIA!
Saudações hospitalares, ouvinte do RÁDIOFOBIA!
Hoy continuamos viendo cómo ampliar vocabulario. En la lección 382 hablamos de los prefijos y también de ir descubriendo palabras de la misma familia. ¿Os acordáis?Curso de español en formato pódcast. Spanisch Kurs im Podcast-FormatPDF-Datei: Lektionen 376-400:https://myablefy.com/s/spanisch/spanisch-b2-lektionen-376-400-6c5353bePDF-Datei B2: Lektionen 301-400: https://myablefy.com/s/spanisch/spanisch-b2-lektionen-301-400-5a15bf49Auf meiner Webseite www.spanischmitmaria.de/spanisch-akademie findest du alle meine Lernmaterialien: Podcasts, Hörbücher usw.Kontakt mit mir: charlaconmaria@gmail.comDu kannst mir auf INSTAGRAM folgen: @spanischmitmariaIch würde mich sehr freuen wenn du:-Den podcast bewertest (*****) und kommentierst, zum Beispiel bei Apple Podcast: Me gusta mucho el podcast, no puedo estar un día sin él :)).-In den Social Media teilst: Instagram, Facebook usw.-Ihn weiterempfiehlst: Abuela, tienes que escuchar el podcast de María, es increíble.¡Muchas gracias! Vamos a seguir aprendiendo español juntos.
Agradece a este podcast tantas horas de entretenimiento y disfruta de episodios exclusivos como éste. ¡Apóyale en iVoox! "¿Existen los malos espíritus?" La Hora de Nuestr@s Fans - Programa nº106 - 4/08/2026 A lo largo de la historia, innumerables testimonios y fenómenos han alimentado una de las preguntas más inquietantes de la humanidad: ¿existen entidades espirituales malignas? En este episodio, Don Santiago Vázquez explora diversos Casos y manifestaciones de la fenomenología paranormal que, según su análisis e investigación, confirman la existencia de estas presencias. Además, comparte una selección de impactantes psicofonías que constituyen impactantes y sorprendentes evidencias de una realidad que desafía las explicaciones convencionales. Un episodio fascinante que invita a reflexionar sobre los límites entre lo conocido y lo desconocido, y sobre la existencia de seres malignos también en "el más allá". ¡No te lo puedes perder! *Información Adicional: - Si te ha gustado este Programa pulsa el icono ME GUSTA, ya que de esta forma apoyas al Programa y, por tanto, a nuestro Canal en iVoox. - Si aún no te has suscrito a nuestro Canal puedes hacerlo gratuitamente pulsando el botón correspondiente. - Si aún no eres FAN, puedes hacerte Fan de este Canal clicando el botón azul 'APOYAR' en la portada de nuestro Canal y así poder disfrutar ya de todos nuestros Programas Exclusivos para nuestros Fans. En ellos encontrarás un alto contenido de Misterio y Humanidades, con información exclusiva, vivencias, casos impactantes, confidencias, opiniones y reflexiones de D. Santiago Vázquez que te apasionarán y no encontrarás en otro lugar, por 2,99 € al mes sin compromiso de continuidad al mes siguiente. Disfruta ya de todos estos Programas exclusivos haciéndote Mecenas o Fan del Canal. - ✌Bizum: 649 17 41 52 También puedes apoyar a este Canal para que siga produciendo Contenidos de alto interés mediante tu contribución a través de Bizum. ¡Muchas Gracias! * Nuestras REDES SOCIALES: Puedes seguir también la actividad profesional de D. Santiago Vázquez en: - Nuestro Canal de YouTube: Más Allá de la Realidad TV - D. Santiago Vázquez - Twitter: @svazquezgomariz (Santiago Vázquez) - Instagram: @santiagovazquezoficial (santiagovazquezoficial) - Facebook: Santiago Vázquez *E-mail del Programa: masalladelarealidad1994@gmail.com *CURSOS impartidos por D. Santiago Vázquez que PUEDES SEGUIR O REALIZAR: - D. Santiago Vázquez pone a tu disposición el "CURSO DE DEMONOLOGÍA Y ENIGMAS DEL MAL" explicado en profundidad en 10 vídeos muy pedagógicos de gran interés por tan sólo 100 €. Puedes ver el Tráiler del Curso en nuestro Canal de YouTube en: https://youtu.be/vKrxcfmSWRA - Si te interesa la Parapsicología, D. Santiago Vázquez pone a tu disposición su CURSO DE PARAPSICOLOGÍA explicado en profundidad en 8 vídeos muy completos, pedagógicos y de gran interés, por tan sólo 100 €. Puedes ver el Tráiler del Curso en nuestro Canal de YouTube en: https://youtu.be/t8mSx1N1f9A?list=TLPQMTgwNDIwMjJJApLFVK46bA Solicita Información de uno u otro Curso (o de ambos) sin compromiso alguno escribiéndonos un e-mail a: masalladelarealidad1994@gmail.com Te enviaremos toda la Información sobre el Curso solicitado (o de ambos) y tú decides libremente si lo quieres efectuar. Un afectuoso saludo para tod@s y muchas gracias por estar ahí, al otro lado. Escucha el episodio completo en la app de iVoox, o descubre todo el catálogo de iVoox Originals
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Um dos segredos mais antigos para contar histórias, escrever ou criar conteúdo online não é segredo nenhum. Eu tenho que escrever para mim mesmo, não para você. Tem gente que chama isso de ser o próprio público ou escrever o que gostaria de encontrar por aí.Às vezes eu falo aqui no Boa Noite Internet que você não é o seu crachá, que o trabalho não é o trabalho, que é preciso prestar atenção nas coisas. Parece que estou dando um conselho para você, mas estou falando em voz alta uma coisa que eu já aprendi ou deveria ter aprendido.Uma dessas coisas eu sei há muito tempo. Já vi que funciona, já vi que faz bem, mas vivo esquecendo. Por isso preciso repetir para mim mesmo: saia da sua cabeça.Saia da sua cabeça.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.A voz interna não é realmente uma voz, articulada em palavras. Ela se parece mais com ver chiado numa televisão antiga ou bichinhos nas nuvens. A gente tenta dar forma ao caos e aquilo começa a se parecer com palavras e ideias, mas muitas vezes são apenas ruminações, histórias tentando fazer algum sentido dentro da cabeça.Sair da cabeça é colocar em palavras de verdade o que estou sentindo. Olhar de perto, virar, cheirar, examinar, virar do avesso.Um jeito de sair da cabeça é sentar com alguém e conversar, uma coisa que a humanidade provavelmente faz há milhões de anos.Uma vez, antes da pandemia — tempos mais simples —, fui almoçar com um amigo que não via há algum tempo. Ele fez a famosa pergunta: “Como estão as coisas? Como está o trabalho?”Comecei a reclamar do meu chefe, do chefe dele, da equipe de vendas e do RH. Enquanto falava, comecei a entender o que estava acontecendo e o que eu sentia.Depois de uns 45 minutos, agradeci ao meu amigo. Agora que eu tinha colocado tudo para fora, as coisas nem pareciam tão horríveis. O trabalho continuava com todos os seus problemas, mas era só um dia como outro qualquer.Ele não tinha falado praticamente nada. Só tinha me escutado.Quando não dá para conversar com alguém, ou o assunto ainda não está organizado o bastante para uma conversa, dá para escrever. E não estou falando em transformar a vida num podcast. É só escrever.Às vezes acordo de madrugada com alguma coisa fazendo barulho na minha cabeça. Esta semana mesmo aconteceu. Sentei, peguei o computador, coloquei no colo e escrevi. Tirei aqueles pensamentos da cabeça, olhei para eles e consegui voltar a dormir.Resolvi o problema? Não. Mas, às quatro da manhã, a única coisa que eu podia fazer era colocar os pensamentos para fora, examiná-los e voltar a dormir para resolver o problema de verdade no dia seguinte.Às quatro da manhã, eu precisava sair da minha cabeça, não montar um plano de ação nem pensar em estratégia.Se eu fosse blogueirinho de verdade, aproveitaria para vender um supercaderno personalizado, com capa de couro, divisórias e etiquetas. Mas não precisa de nada disso. Sair da cabeça é de graça. Dá para fazer isso numa folha de papel, no computador ou no bloco de notas do telefone.Lembra do antigo meme do Twitter, “Pronto, falei”? É mais ou menos isso. Colocar para fora e olhar para o que foi dito.Ficar conversando dentro da própria cabeça não conta. Eu já tive todas as conversas possíveis dentro da minha, mapeei todas as reações e pensei em todas as respostas. Isso não é sair da cabeça. É ansiedade.É como virar o Doutor Estranho com a Pedra do Infinito do desgraçamento mental, examinando 14 bilhões de maneiras de uma conversa terminar.De certa forma, é o que faço aqui. Tenho um problema, penso nele, começo a escrever e, durante o processo, entendo um pouco melhor o que sinto, o problema e o mundo.Às vezes tenho a impressão de que a gente perdeu esse hábito. A gente precisa ter certezas num mundo feito de opiniões. Conversa virou uma coisa que precisa ser vencida. “Olha aqui o que eu acabei de falar. Não há mais nada a dizer.” Pode lacrar a conversa porque ela acabou.Então escreva só para você. Ninguém precisa ler e não é preciso publicar. Eu não sei, sinto, acho, penso e escrevo. O sentimento e o pensamento saem da minha cabeça e voltam para o mundo.É isso que faço aqui. Não para você. Desculpe se enganei todo mundo esse tempo todo.Eu faço só por mim.Por hoje é sóObrigado por ler até aqui. Esta semana, nosso Clube de Cultura começa a ler Realismo capitalista, de Mark Fisher. Vai ser bem legal te ver por lá. E se quer usar IA de verdade no trabalho, com visão crítica e sem ser fanboy de bilionário, dá uma olhada no IA em Curso, a comunidade de letramento em IA que eu criei com a Ana Freitas. Por fim, passa no Discord do Boa Noite Internet, que é onde a gente se encontra para conversar sobre criatividade, cultura, mas na real sobre qualquer coisa que a gente estiver a fim.Cuidem de si, cuidem dos seus. Até a próxima,crisdias This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe
En esta parte del podcast abordamos una de las ideas centrales de Martin Buber: el ser humano habita el mundo mediante dos relaciones fundamentales, **Yo-Ello** y **Yo-Tú**. En la primera, la realidad aparece como algo que puede ser conocido, clasificado, utilizado o dominado; es una relación necesaria para la ciencia y la vida práctica, pero se vuelve problemática cuando también reducimos a las personas a simples objetos o funciones. Frente a ello, la relación **Yo-Tú** representa el encuentro auténtico. El otro ya no aparece como algo que poseemos o definimos, sino como una presencia singular e irreductible. Para Buber, nuestra propia identidad depende de esta apertura: no existe un Yo completamente aislado, sino un Yo que se transforma según trate al mundo como objeto o reconozca al otro como verdadero Tú. ÍNDICE 0. Intro. 1. Formación intelectual y raíces judías. 2. La filosofía de Yo y Tú. 3. El ingreso de Buber en el movimiento sionista. 4. Buber frente al sionismo estatal. 5. El diálogo con el pueblo palestino: fuerza y límite. >>>> https://go.ivoox.com/rf/177529425 6. ¿Preparó Buber el “sionismo político sangriento”? 7. La contradicción entre el Yo-Tú y el nacionalismo 8. El ser humano habita el mundo mediante dos palabras fundamentales. 9. El mundo del Ello: conocimiento, experiencia y utilización. 10. La relación Yo-Tú: presencia, participación y encuentro. Música de la época: Música hebrea contemporánea. Imagen: Martin Buber (Viena, 8 de febrero de 1878 - Jerusalén, 13 de junio de 1965) fue un filósofo y escritor judío austríaco-israelí. Pulsen un Me Gusta y colaboren a partir de 2,99 €/mes si se lo pueden permitir para asegurar la permanencia del programa ¡Muchas gracias a todos!
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¿Comprar un iPhone o pagarlo para siempre? En este episodio #148 analizamos el nuevo modelo de Apple para alquilar sus dispositivos y convertir el teléfono en una suscripción permanente. Además, Willy cuenta cómo vivió La Velada desde dentro y comparte datos contrastados con Ibai sobre audiencia, marcas, conversiones y participantes. También debatimos el boom de las camisetas falsas de la Selección: 120 € por la original frente a 30 € por una copia casi idéntica. Cerramos analizando el negocio de los test genéticos, la industria de los ferris, el éxito de recuperar videojuegos antiguos y cómo tomar mejores decisiones pensando como un jugador de póker. Empieza tu PRUBA GRATIS hoy con SHOPIFY: https://shopify.com Prueba gratis la Cuenta de empresa de Qonto y simplifica las finanzas de tu negocio: https://bit.ly/4lPuNxU Accede al Curso de Inversión en Bolsa y Mercados Financieros de CEF UDIMA: https://bit.ly/cef_CursoInversiónBolsa_MercadosFinancieros_spicy4tuna_julio CEF: https://bit.ly/cef_spicy4tuna_julio2026 UDIMA: https://bit.ly/udima_spicy4tuna_julio2026 Inspecciona tu futura vivienda y evita que se convierta en una pesadilla: https://hausum.com/?utm_source=spicy4tuna&utm_medium=youtube&utm_campaign=premier : Invierte de forma segura y recibe un 3% sobre tu efectivo con Trade Republic: https://trade.re/spicy4tuna Invertir conlleva riesgos, los rendimientos no están garantizados. Aplican T&Cs. Contacta con el equipo de Executive Lab para acceder a nuestra formación de Inteligencia Artificial para Empresarios y Ejecutivos: https://executivelab.ai/ Crea tu Página Web con Hostinger: https://www.hostinger.com/spicy4tuna Cupón de 10% de Descuento para planes de +12 meses: SPICY4TUNA Invierte en inmuebles de forma pasiva y sin dolores de cabeza con Inversiva: https://inversiva.com/invierte-en-inmuebles/?utm_source=referral&utm_medium=web&utm_campaign=spicy4tuna
Pilar Velasco, Paco Marhuenda y David Jiménez Torres analizan la actualidad del día en el tiempo de tertulia en Más de uno.
Tras la última reunión del Consejo de Ministros antes del paréntesis de verano, el presidente del Gobierno, Pedro Sánchez, ha realizado este martes el tradicional balance del curso político. El presidente ha aprovechado para reclamar un pacto de Estado frente a la emergencia climática en un clima marcado por los incendios en España y después de un curso político complicado por los casos de corrupción que rodean al PSOE. Lo cuenta Guillermo Lerma.
En el episodio #147 analizamos por qué continúa subiendo el precio de la vivienda en España y qué revelan realmente los datos sobre propietarios, fondos e inmigración. También debatimos sobre el futuro de las gafas inteligentes de Meta, cómo centrarte en los clientes adecuados, si deberías poder borrarte de internet después de hacerte viral y qué puede enseñarnos Star Wars sobre negocios y poder. Prueba gratis la Cuenta de empresa de Qonto y simplifica las finanzas de tu negocio: https://bit.ly/4lPuNxU Accede al Curso de Inversión en Bolsa y Mercados Financieros de CEF UDIMA: https://bit.ly/cef_CursoInversiónBolsa_MercadosFinancieros_spicy4tuna_julio CEF: https://bit.ly/cef_spicy4tuna_julio2026 UDIMA: https://bit.ly/udima_spicy4tuna_julio2026 Inspecciona tu futura vivienda y evita que se convierta en una pesadilla: https://hausum.com/?utm_source=spicy4tuna&utm_medium=youtube&utm_campaign=premier : Invierte de forma segura y recibe un 3% sobre tu efectivo con Trade Republic: https://trade.re/spicy4tuna Invertir conlleva riesgos, los rendimientos no están garantizados. Aplican T&Cs. Contacta con el equipo de Executive Lab para acceder a nuestra formación de Inteligencia Artificial para Empresarios y Ejecutivos: https://executivelab.ai/ Crea tu Página Web con Hostinger: https://www.hostinger.com/spicy4tuna Cupón de 10% de Descuento para planes de +12 meses: SPICY4TUNA Invierte en inmuebles de forma pasiva y sin dolores de cabeza con Inversiva: https://inversiva.com/invierte-en-inmuebles/?utm_source=referral&utm_medium=web&utm_campaign=spicy4tuna ════════════════ ️ Accede a la Web de Spicy4tuna y Suscríbete a nuestra Newsletter: https://www.spicy4tuna.com Contacto para Sponsors ➡ https://tally.so/r/nrPNE5 Email de Contacto ➡ podcast@spicy4tuna.com ════════════════ Todos los episodios completos: https://www.youtube.com/playlist?list=PL9XxulgDZKuzf6zuPWcuF6anvQOrukMom ════════════════ REDES SOCIALES DE SPICY4TUNA ➜ INSTAGRAM: https://www.instagram.com/spicy4tunapodcast/ ➜ TIKTOK: https://www.tiktok.com/@spicy4tuna ➜ FACEBOOK: https://www.facebook.com/spicy4tuna ════════════════ ️ ESCUCHA SPICY4TUNA EN FORMATO PODCAST Spotify: https://open.spotify.com/show/2QPC17Z9LhTntCA4c3Ijk9?si=39b610a14bb24f1f iTunes: https://podcasts.apple.com/es/podcast/spicy4tuna/id1714279648 iVoox: https://www.ivoox.com/escuchar-audios-spicy4tuna_al_33258956_1.html ════════════════ ¿QUIÉNES SOMOS? · Euge Oller: https://www.instagram.com/euge.oller/ · Willyrex: https://www.instagram.com/willyrex/ · Marc Urgell: https://www.instagram.com/marcurgelldiaz/ · Alvaro845: https://www.instagram.com/alvaro845/ ════════════════ 00:00 Introducción 01:57 El futuro de las gafas inteligentes de Meta 17:04 ¿Deberían emitirse el Madrid Economic Forum en streaming? 36:40 El dilema empresarial de abrir Clonify 58:09 ¿Por qué está tan cara la vivienda en España? 1:14:40 Lecciones empresariales de Star Wars 1:25:25 El error de intentar vender a todo el mundo 1:36:30 ¿Deberías poder borrarte de internet? 1:49:06 Cierre del episodio
Saudações radiofônicas, ouvinte do RÁDIOFOBIA! Mesmo com todas as novas mídias digitais, o rádio segue firme e forte, com milhões de pessoas diariamente sendo informadas e ouvindo suas músicas e locutores preferidos! Nosso convidado de hoje é um desses locutores! Com mais de 20 anos de carreira e tendo passado por grandes emissoras do dial, hoje ele comanda a mesa da Rádio Disney diariamente das 10 às 14h, sempre com o astral lá em cima! Neste episódio Leo Lopes, Thais Boccia, Jéssica Dalcin, Thiago Fujiwara, Júlio Macoggi e Victor Estácio batem um papo Rodrigo Campos, que teve sua voz na abertura do RÁDIOFOBIA 001 e agora volta quase 18 anos depois pra um papo mais do que especial da nossa série com profissionais do rádio! Não deixe de interagir com a gente nas redes sociais, dar seu feedback sobre o papo e sugerir temas e convidados para as próximas edições do nosso podcast, além de deixar seu comentário no post, ok? Você também pode agora mandar sua cartinha para a Caixa Postal 279 - CEP 13930-970 - Serra Negra - SP, e seu e-mail para podcast@radiofobia.com.br! Arte do episódio: Sandro Hojo Links citados no episódio:- RADIOFOBIA 348 – com Nilson Nil- RADIOFOBIA 210 – com Fabi Ribeiro- Reels Nostalgia com Rodrigo Campos - Dia Mundial do Rock- Curso da Amanda Louzada: Explicando o Mapinha Links citados nas Cartinhas do Totô:- 13 importantes lições que aprendi em meio século de vida! | Mixórdias com Leo Lopes- matricule-se já no Curso de Podcast- garanta o livro Curso de Podcast - Guia Básico em PDF e na Amazon para o seu Kindle- Podcast Store - a loja de produtos exclusivos da podosfera brasileira- Instituto Amargen Links que indicamos sempre:- ouça o Ineditados Podcast- ouça o NovelaCast- matricule seu filho na escola CESIN- Acesse o novo site e ouça a RÁDIO 24h NO AR do Rádiofobia Classics!- assine o canal do Curso de Podcast no YouTube- siga @ocursodepodcast no Instagram- participe do grupo de produtores, apresentadores e ouvintes dos podcasts da Rádiofobia Podcast Network no Telegram Ouça o Rádiofobia Podcast nos principais agregadores:- Spotify- Apple Podcasts- Amazon Music- Deezer- PocketCasts Publicidade:Entre em contato e saiba como anunciar sua marca, produto ou serviço em nossos podcasts.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open'. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de valores, sua língua, e projeta a hegemonia do inglês. Isso influencia boa parte do conhecimento que a gente vai produzir daqui pra frente, porque cientistas e educadores usam essas plataformas e acabam perpetuando essas mesmas ideologias e valores.E o quarto e último paralelo é que impérios sempre se agarram a uma narrativa existencial ou moral sobre por que precisam existir. Essas empresas fazem a mesma coisa. Dizem que são o “império do bem”, numa missão civilizatória de trazer progresso e modernidade pra toda a humanidade, competindo contra um “império do mal” que ameaça mandar a humanidade pro inferno.Quando você conversa com algumas pessoas dentro dessas empresas, ou que as lideram, elas dizem: se você nos deixar construir uma inteligência artificial geral, que elas de alguma forma moldam como um deus, a gente vai acabar numa espécie de utopia, um paraíso onde a mudança climática é resolvida, o câncer é curado, a pobreza é aliviada.Mas, se os caras maus conseguirem isso antes, a gente pode acabar com todos os humanos mortos — um risco de extinção pra todos nós.Cris: E eles vêm dizendo isso há quase dez anos, e ainda usam como ferramenta. A gente está num país que foi influenciado por três impérios ao longo da história: Portugal, Inglaterra e agora os Estados Unidos. Então a gente olha pra essas empresas de um jeito meio cínico: sim, sim, já conhecemos essa história.Mas, ao mesmo tempo, ano passado, o Pew Research Center fez uma pesquisa sobre como o mundo enxerga a IA, e o sul global é bem mais otimista do que o norte. Uma das razões é a ideia de democratizar — não só informação, mas: ah, finalmente eu posso montar uma startup, sair desse lugar de exploração e criar o unicórnio de um bilhão de dólares. Os números são grandes na China. Países em desenvolvimento veem muito mais benefício do que risco na IA.China, 83%. Tailândia, 77%. Holanda, 36%. Canadá, 40%. Será que a gente está deixando passar alguma coisa? A gente está certo? Isso está democratizando mesmo? Até que ponto?Karen Hao: Provavelmente tem duas razões. Uma é que muitos dos danos que a indústria de IA causa à maioria global são bem escondidos. Ela se esforça muito pra esconder como polui o ambiente dessas comunidades, como explora e devasta a mão de obra, deixando traumas psicológicos — como documento no livro.E, recentemente, li um artigo de opinião no New York Times que trazia um bom ponto: muitas economias desenvolvidas estão especialmente atentas ao potencial da IA de desmontar oportunidades de emprego de tempo integral. A gente começa a ver isso cada vez mais. Já na maioria global, muito mais gente vive em economias informais, e aí a ideia de que a IA vai tomar um emprego de tempo integral não pesa tanto.Então os danos mais visíveis — a erosão do emprego formal de tempo integral — pesam mais no norte global, ou pelo menos é lá que as pessoas se sentem mais ansiosas. E os danos invisíveis, que atingem o sul global, ninguém percebe tanto, justamente porque são invisíveis. É meio por isso que tanta gente sente essa divisão que aparece na pesquisa do Pew.Cris: Eu tenho acompanhado as notícias sobre IA no Brasil, e toda semana tem um novo data center sendo construído em alguma cidade. Isso é vendido como uma coisa boa: que ótimo investimento, gera emprego. E me fez pensar de novo — a gente passou por três impérios, mas algumas famílias no Brasil, e aposto que em outros lugares também, estão no poder há 500 anos ao longo da história do país.Então, ao mesmo tempo, a gente pensa: é, estamos sendo explorados, é a mesma coisa. Eu já não tenho emprego, então deixa eu usar essa tecnologia pra melhorar minha vida. Mas as pessoas que realmente tomam as decisões, de novo, nos últimos 500 anos, se perguntaram: como a gente ajuda esse pessoal a explorar nosso país de um jeito que nos mantenha no poder e nos dê muito dinheiro?Mas também foi verdade que, sei lá, a Volkswagen abre uma fábrica no Brasil e aquilo gera emprego, contrata gente pro chão de fábrica e pros escritórios. Como é que isso é diferente com a IA?Karen Hao: De certa forma, não é diferente. Existe um fenômeno parecido: a indústria de IA terceiriza muitos dos trabalhos que ela não quer dentro dos centros de poder, e joga isso pra comunidades empobrecidas, do mesmo jeito que outras multinacionais fizeram por décadas.Mas também é diferente, porque a escala dos impactos trabalhistas e ambientais da IA é completamente outra, muito maior que a da indústria automobilística ou da moda. E a velocidade é outra, porque são tecnologias digitais que atravessam fronteiras muito rápido.E é diferente porque a maioria das pessoas não percebe que a IA, mesmo sendo tecnologia digital, tem uma cadeia de suprimentos muito física e intensiva em mão de obra manual.Quando você compra roupa, café, um carro, é mais óbvio que existem materiais que precisam ser extraídos e depois manuseados por pessoas pra criar aquele produto. Já com a IA, a maioria aceita a narrativa que o Vale do Silício projeta: a de que isso vem da “nuvem”, desses espaços etéreos que parecem nem existir no planeta. E a verdade é exatamente o oposto.Ela depende de uma quantidade extraordinária de extração mineral. Depende da construção de infraestruturas enormes — data centers, instalações de supercomputação espalhadas pelo mundo. E depende de muita, muita mão de obra manual: trabalhadores de dados que limpam, preparam e moderam o conteúdo dos sistemas de IA que chegam até você quando usa o ChatGPT.É isso que a torna tão diferente. E há também uma ideologia completamente diferente sustentando a expansão da IA. Quando você conversa com executivos da moda, eles não vão dizer: se você não comprar nossa roupa, vai pro inferno.Já a indústria de IA diz: se você não nos deixar capturar cada vez mais terra, mais recursos e mais mão de obra pra produzir essas tecnologias, vamos ter uma destruição civilizacional. Isso é, ao mesmo tempo, retórica política usada como arma pra moldar o debate público e a cabeça de quem formula políticas, e também está enraizado num sistema de crenças — algumas pessoas dentro dessas empresas realmente acreditam que, se uma AGI fosse construída, e construída nas mãos erradas, isso levaria mesmo a esse tipo de destruição.E é isso que move a sede cada vez maior da indústria por mais capital, mais recursos e mais terra.Cris: Eu quero falar sobre AGI, mas antes: ano passado, a OpenAI estava sendo processada no Reino Unido por violação de direitos autorais, basicamente todos os livros do mundo digitalizados e usados pra treinar modelos. E um dos executivos disse ao júri: bem, se a gente não puder fazer isso, fecha as portas. Me chocou que muita gente reagiu com um “ah, tá, o que a gente pode fazer? Eles vão fechar as portas”.Em parte porque a gente já está acostumado com essa narrativa. Outro dia, numa conferência, um ex-CEO dizia: a gente teve que usar embalagem de plástico porque é mais barata que papel, senão prejudicaria nosso resultado. E a plateia reagia: ah, então é só fechar as portas — a sociedade não pode arcar com isso.Mas isso também, como você disse, se conecta à ideia de uma grande missão, uma missão de salvar o mundo, que a gente precisa cumprir antes que seja tarde, senão estamos condenados. OpenAI está literalmente no nome — só que em português não é tão direto: é “inteligência artificial aberta”.Foi criada a partir de um sonho, um projeto que era pra ser uma coisa pro bem comum. Em 2019, num tempo bem distante, antes da pandemia, você cobriu a OpenAI, foi até o escritório deles, ficou lá dentro. O que você viu? E, mais importante, como essa missão mudou? O Elon Musk os processou outro dia justamente por mudarem a missão. Isso alguma vez foi verdade? Em algum momento eles pensaram mesmo “ah, a gente vai salvar o mundo”?Como essa narrativa de ser aberta funciona com a OpenAI?Karen Hao: Quando comecei a cobrir a OpenAI, levei a sério o que eles diziam — que tinham sido recrutados com a missão de beneficiar toda a humanidade. E aí, quando me infiltrei na empresa, fui ficando bem mais cética, porque via como eles operavam de um jeito completamente diferente, portas adentro, do que diziam em público.Diziam que iam publicar todas as pesquisas e abrir o código de tudo, e na prática eram uma das organizações mais secretas que já cobri. Eram muitas discrepâncias, e, na época, presumi que tinha havido algum tipo de corrupção que os levou a abandonar a missão original. Depois de cobrir a empresa por mais alguns anos e de trabalhar neste livro, mudei de ideia até sobre a missão original.Não acho mais que ela era um esforço sincero e generoso de beneficiar a humanidade. A missão foi criada pra dar à empresa — na época, uma organização sem fins lucrativos — uma margem de manobra extraordinária pra depois levantar muito capital, acumular muito talento e perseguir a força motriz de verdade por trás de tudo aquilo: se tornar a força dominante no desenvolvimento de IA.E penso assim agora porque, quando você olha pras narrativas de cada nova empresa de IA no começo — a Anthropic, a xAI, a Safe Superintelligence do Ilya Sutskever, a Thinking Machines Lab da Mira Murati —, todas usam a mesma narrativa da OpenAI: nós somos os mocinhos, eles são os bandidos.É por isso que precisamos criar uma nova empresa que avance a IA do nosso jeito, não do deles. E você começa a perceber, por esse padrão, que eles repetem a mesma coisa em parte porque acreditam nela até certo ponto, mas também porque ela funciona muito bem com a imprensa, com o público, com quem formula políticas.No livro, eu reproduzo os e-mails internos que Elon Musk, Sam Altman e Greg Brockman trocavam nos primeiros dias da OpenAI. Eles tinham plena consciência de que estavam criando uma missão que soasse bem para o público. E o propósito de verdade, que também deixaram registrado nesses e-mails, era vencer o Google. Viam o Google como a força dominante em IA e queriam ser eles essa força.Não gostavam de ver o Google na frente, então inventaram justificativas: o Google é uma empresa com fins lucrativos, então nós vamos ser sem fins lucrativos. Mas, no fundo, acho que era puro ego: tem que ser a gente, não eles, a gente quer ser quem lidera isso.E aí passaram um tempão moldando essa missão pública, que acabou sendo super útil pra recrutar o primeiro grupo de pesquisadores e turbinar o avanço deles.Cris: Então agora é um bom momento pra falar de AGI, a inteligência artificial geral. Muita gente pergunta: o que é AGI? O que “geral” quer dizer? E a impressão que peguei lendo seu livro é que, por design, isso nunca fica claro de verdade, porque é um alvo móvel. Essas empresas um dia vão dizer “chegamos, alcançamos a AGI”? Ou o plano é sempre “não, não, ainda não chegamos, me dá mais dinheiro, me dá mais poder”?Qual é o papel da AGI na narrativa dessas empresas?Karen Hao: Já que a gente está falando de ficção científica, eu costumo usar a analogia de que o mundo da IA é meio como Duna. Em Duna, o personagem principal, Paul Atreides, entende, ao chegar no planeta Arrakis, que o povo de lá foi semeado com um mito: o de que um dia viria um Messias pra libertá-los. Ele sabe que é um mito, mas decide entrar nele e agir como se fosse o Messias pra controlar melhor aquele povo.E, vivendo, respirando e encarnando esse mito dia após dia, ele começa a perder a noção de que é um mito. Passa a se perguntar se o mito era mesmo verdadeiro ou se foi ele quem o tornou verdadeiro. É essa confusão entre mito e realidade — ele vive num espaço intermediário, sem ter mais certeza do que é verdade e do que é ficção.E trago isso pra responder sobre a AGI porque a AGI é, ao mesmo tempo, um mito e algo que os líderes e os trabalhadores dessas empresas vivem, respiram e encarnam dia após dia, a ponto de perderem a noção do que é mito e do que é realidade. É a ideia de um sistema de IA teórico que um dia igualaria as capacidades humanas. Só que a gente nem tem consenso científico sobre o que é inteligência humana.Por isso, de certa forma, por design, é um termo bem maleável, que deixa essas empresas fazerem o que quiserem. Elas definem e redefinem a AGI conforme a necessidade, movem a trave pra onde quiserem. E, ao mesmo tempo, isso é sustentado por uma crença genuína de certas pessoas lá dentro, por causa dessa confusão entre mito e realidade. Pelas minhas contas, a OpenAI já usou pelo menos quatro definições diferentes de AGI.A primeira está no site deles: “sistemas altamente autônomos que superam humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”. É uma definição de automação do trabalho — eles dizem, de forma explícita, que estão atrás dos empregos mais bem pagos. A segunda apareceu no contrato com a Microsoft, por um tempo a maior investidora deles: ali, a AGI virou um sistema que geraria 100 bilhões de dólares em receita.Ou seja, uma definição feita pra incentivar a Microsoft a investir. Já o Sam Altman disse ao Congresso que AGI é um sistema que cura o câncer e resolve a mudança climática — uma definição de benefício social, muito útil quando você quer que os reguladores não te regulem.E, por fim, quando falam com o consumidor, dizem que vai ser o melhor assistente digital que você já teve — porque, claro, estão tentando vender o produto.E aí você percebe duas coisas. Primeiro, que é um conjunto de definições completamente incoerente. Segundo, que eles trocam de definição conforme o público que querem convencer. Mas também tem gente nessas empresas que acredita de verdade que está construindo uma tecnologia capaz de dar conta das quatro coisas.Então é uma realidade bem confusa e complicada: o que a AGI de fato é, e pra que ela serve, para essas empresas, para a agenda delas e também para as crenças delas.Cris: Como ex-funcionário da Meta — entrei em 2013 —, a missão era unir o mundo e torná-lo mais aberto e conectado. É uma missão incrível. E tem uma coisa que eu sempre digo, porque muito amigo meu vem falar comigo, “ah, esse cara da OpenAI, ou a própria Meta, são maus”. Eu conheci muita gente na empresa. Nunca conheci uma pessoa mal-intencionada.Todo mundo, independente da missão, era gente boa tentando entregar o melhor produto possível, pra dar poder a quem tem um pequeno negócio, por exemplo. Tenho amigos pessoais que construíram a empresa deles em cima da publicidade do Facebook e do Instagram. E esse é justamente o problema, porque ainda assim é uma corporação muito má, pelo que ela causa ao mundo pra bater as metas de negócio.Ou seja, você não precisa de um vilão tipo Lex Luthor pra causar um estrago desse tamanho no mundo. E adorei a referência a Duna. Duna é engraçado: é o livro que eu mais reli na vida que não foi escrito pelo Tolkien. Li o primeiro Duna umas três vezes, e toda vez é como se fosse um livro diferente. Na primeira, eu era adolescente, e era só o Paul Atreides, o cara durão.Na segunda, eu morava no Canadá e li com olhos de estrangeiro, pensando em colonização. E na terceira vez foi quando os filmes do Denis Villeneuve saíram, e aí era: ah, o Bene Gesserit criou esse mito, isso é meio pós-moderno. Narrativamente, fico me perguntando o que vai significar pra mim se eu ler uma quarta vez.Karen Hao: Eu ia te perguntar isso. Quando você disse que cresceu numa época cheia de ficção científica falando das maravilhas da tecnologia, fiquei curiosa: que histórias você estava lendo? Porque muita coisa que saiu nos anos 70 e 80 dizia exatamente o oposto. E muita gente já apontou que os executivos de tecnologia de hoje, que vivem citando essas histórias, interpretam elas justamente ao contrário da intenção original.Cris: Concordo plenamente. Mas, respondendo: foi basicamente Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E é por isso mesmo — os executivos de tecnologia, e o Elon Musk mais que todos, leem esses livros como receita, não como aviso. O livro de que eu mais me lembro, nem lembro o título, era um do Asimov em que ele descreve o elevador espacial que aparece na série da Apple TV, Fundação.E o enredo é: eu sou esse engenheiro brilhante, quero construir essa coisa no Sri Lanka, mas o governo trava tudo com regulação — eu sou um gênio e a regulação é a vilã. Hoje eu leio e penso: ah, sei. Mas, quando garoto, era só “olha, um elevador espacial, que genial, a gente nem precisa de foguete”. E aí você começa a entender. E aí eu parei de ler esses caras.E passei a ler gente com uma visão completamente diferente: o Ted Chiang, que entrevistei ano passado, a N.K. Jemisin, o Cory Doctorow, de quem sou muito fã. E talvez eles sejam mais explícitos, pra gente burra como eu entender: “não, bobo, a analogia é essa”. Mas Duna era incrível — vermes gigantes de areia, o tal garoto durão, e aquela coisa do “eu não aceito o meu destino”.Tenho esse grande destino, mas não quero ele. Do resto da série eu já não gosto tanto. Mas o mais importante de tudo: Duna gerou o melhor GIF de filme de todos os tempos, o “Lisan al Gaib” do Javier Bardem — que eu devia ter colocado durante a sua explicação, aquele “uau, ele está cumprindo a profecia, agindo como o profeta”.Mas, de novo, falando de vilões: você mencionou que essas empresas se colocam como o bem contra o mal, feito impérios antigos. Só que elas também jogam a carta da China, né? “Se a gente não fizer, a Rússia faz primeiro.” Só que a Rússia começou uma guerra e está ocupada demais. “Mas a China chega lá, e é por isso que a gente tem que ser fechado.” É por isso que Mythos e Fable e agora o GPT-5.6 foram proibidos pelo governo. Isso tem fundamento?Quero saber se é possível a China competir — quero mesmo essa resposta — mas também porque, desde toda essa conversa do Fable-Mythos, países como Índia e Brasil vêm dizendo que precisam de um modelo soberano. Dá pra fazer, ou a OpenAI, a Anthropic e o Google estão tão à frente que já não dá?Karen Hao: Sobre a China: você está certíssimo, o Vale do Silício usou por anos a carta do “e a China?” pra escapar de qualquer responsabilização de verdade. Fizeram muito isso na era das redes sociais.A Meta fez muito isso, com o Mark Zuckerberg dizendo ao governo dos EUA: vocês não podem nos regular, senão a gente perde. Mas, se a gente ganhar, vai ter um efeito liberalizante no mundo e nas democracias em todo lugar. E, infelizmente, o que a gente viu foi que jogar essa carta repetidamente produziu exatamente o efeito contrário do que o Vale do Silício prometeu.Uma das empresas de rede social dominantes dessa era é a ByteDance. Ou seja, mesmo sem regulação das redes sociais nos EUA, existe uma empresa chinesa de rede social bem dominante. E as redes sociais estadunidenses acabaram tendo um efeito antiliberal no mundo — é bastante consensual que enfraqueceram democracias em todo lugar. E aí, na era da IA, elas seguiram jogando a mesma carta.Mas o que eu sempre aponto é que a gente definitivamente não devia acreditar nelas. Já existe evidência significativa de que tudo o que elas dizem está, de novo, se provando o oposto. Elas disseram: não regulem a gente como empresas de IA, regulem a China, via controles de exportação — um mecanismo do governo dos EUA com alcance extraterritorial.Só que as empresas chinesas agora estão produzindo modelos de IA de código aberto extremamente eficientes, que viraram super populares no próprio Vale do Silício. Existe um monte de startup de lá que prefere usar modelo chinês a OpenAI, Anthropic ou Google.Então, nesse sentido, é um conjunto de evidências bem decisivo, acho, pra mostrar que a gente devia simplesmente responsabilizar essas empresas, não importa o que digam sobre “ah, vamos perder pra China”. No fim das contas, é só retórica política. Não é um argumento real que elas consigam sustentar pra escapar da responsabilização.Responsabilizá-las vai fortalecer a democracia pelo mundo, vai trazer mais direitos humanos, trabalhistas e de privacidade de dados pras pessoas — é sempre o contrário do que elas dizem que aconteceria. E, sobre a sua pergunta em torno da IA soberana: acho a ideia realmente importante, mas acho também que muitos países estão meio confusos sobre o que querem dizer com isso.Muitos governos, hoje, pensam a IA soberana pela pergunta: a gente consegue construir o nosso próprio ChatGPT? O nosso próprio grande modelo de linguagem, o nosso sistema de IA generativa? Estão olhando só pro modelo que o Vale do Silício já definiu e tentando descobrir como recriar aquilo.E o que eu digo pra quem formula políticas é: defina pra que a IA serve no seu país, no seu contexto. Quais são, no fim das contas, os objetivos do seu país? Os objetivos do seu povo? E também os nossos objetivos coletivos, entre países?Porque a gente tem, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Já definimos coletivamente que há coisas que precisamos resolver juntos: superar a crise climática, reduzir a pobreza, melhorar a educação.E, enquanto o Vale do Silício adora dizer que está fazendo tudo isso, na prática não está. Mas a gente poderia — poderia desenvolver, de forma colaborativa, sistemas de IA que realmente avançassem em cada um desses objetivos coletivos que já acordamos.E cada país também devia fazer o exercício: quais objetivos você quer alcançar, e que tipos de sistema de IA você poderia desenhar pra chegar lá — sistemas que talvez não se pareçam em nada com um grande modelo de linguagem. Se os países fizessem isso, acho que descobririam que a maioria dos sistemas de que precisam exigiria muito menos recursos.Ou seja, contextos como o Brasil, a Índia e outros, quando não precisam competir construindo essas infraestruturas de computação gigantescas e gastando centenas de bilhões de dólares, na verdade já têm, localmente, todos os recursos necessários pra desenvolver um sistema de IA soberano.Cris: Quando ouvi falar do seu livro pela primeira vez, uma amiga me disse que você não poupa ninguém — fala mal do Sam Altman, mas também do Dario Amodei. E as pessoas costumam escolher um lado. Eu sou time Claude, odeio o ChatGPT, essas coisas. Então cheguei no livro pensando: ah, é mais um livro dizendo que a IA é terrível, que a gente não devia usar IA.Mas, conforme fui lendo, e ouvindo outras entrevistas suas, me pareceu que o seu problema é justamente o que você acabou de descrever: a forma como essa tecnologia é feita. E, em especial, a palavra escala — a ideia de que a solução é a escala. O que você quer dizer com isso?Karen Hao: Eu costumo usar a analogia de que “IA” é como a palavra “transporte”: na verdade se refere a uma coleção de tecnologias que vão da bicicleta ao foguete. São tipos bem, bem diferentes de tecnologia, que exigem insumos diferentes pra se desenvolver e depois têm impactos diferentes na sociedade.E você está certo: sou especificamente crítica ao que chamo de “foguetes da IA”, os sistemas que os impérios da IA estão desenvolvendo, aqueles que exigem uma quantidade enorme de exploração de mão de obra e extração ambiental.E sou bem otimista com o que chamo de “bicicletas da IA”: sistemas especializados, eficientes, com bom custo-benefício, governáveis pelas pessoas, cujo desenvolvimento pode ser participativo. Países como o Brasil, o Chile, a Índia, qualquer contexto, têm recursos pra desenvolver e se autodefinir, em vez de simplesmente herdar um sistema criado pelos dois únicos centros do mundo capazes de gastar uma quantidade extraordinária de capital: o Vale do Silício e o ecossistema tecnológico chinês.E o motivo pelo qual eu acho tão corrosivo o que os impérios da IA estão desenvolvendo é exatamente o que você disse: a forma como eles fazem isso, por um mecanismo de força bruta pra avançar as capacidades da IA em escala. Eles vão simplesmente empurrando cada vez mais dados de treinamento nesses modelos, e isso exige corroer a privacidade das pessoas, tomar a propriedade intelectual delas e, ainda por cima, baixa a qualidade dos dados que entram nos modelos — o que leva aos danos de exploração de mão de obra, porque aí você tem que dar conta da moderação de conteúdo.E aí você tem pessoas psicologicamente traumatizadas por serem expostas a todo aquele conteúdo horrível que se tenta “lavar” através desses modelos.E aí vem o problema dessas infraestruturas de computação enormes, com impactos ambientais que aumentam a conta de luz das comunidades que as hospedam e agravam a crise de custo de vida. Elas precisam ser alimentadas por fontes fósseis, que jogam mais carbono na atmosfera e mais poluição no ar dessas comunidades.Então todos os problemas que eu identifico, no que têm de corrosivo, derivam inteiramente da abordagem deles pro desenvolvimento de IA. Por que não descartar a abordagem, em vez de descartar a tecnologia? Redefinir e redesenhar de que tipos de sistema de IA a gente precisa de verdade, com uma cadeia de suprimentos fundamentalmente diferente. E isso não é exclusivo da IA.A gente já viu muitas outras indústrias que começaram com uma cadeia de suprimentos bem ruim. A moda, por exemplo: muita degradação ambiental, muita exploração de mão de obra.Com muita organização, protesto, ação de consumidores, regulação governamental e cooperação entre governos, a gente conseguiu criar mercados novos pra moda sustentável e ética, cadeias de suprimentos novas e inovações pra fazer roupa mais saudável pras pessoas e pro planeta.E é basicamente isso que eu defendo: transformar a indústria de IA do mesmo jeito que transformamos a moda, e as cadeias de suprimento de alimentos. Assim a gente fica com os benefícios da tecnologia, ajuda ela a avançar os objetivos que importam pra gente, sem jogar uma fração enorme da população mundial numa condição atrasada e numa qualidade de vida pior.Cris: O Brasil está agora, no Congresso, discutindo a escala de seis dias por semana. A regra atual é: você trabalha seis dias e descansa um. E muitas empresas, o comércio principalmente, dizem “vamos fechar as portas”, e os trabalhadores respondem “isso é problema seu, não meu”. É mais ou menos a mesma narrativa dessas empresas de IA: se eu não usar a sua água, a Idade das Trevas está chegando.Falando em Idade das Trevas, e falando em bicicleta: a sua analogia me lembrou uma coisa. Eu gosto de jogo de zumbi, de mundo aberto, e em nenhum deles tem bicicleta. Num desses jogos, instalei um plugin que deixava andar de bicicleta — você acha uma e sai pedalando. E aí entendi por que não tem bicicleta: desbalanceia tudo. Parte da graça do jogo é você precisar achar um carro, e daí pneu, gasolina, comida pra carregar. De bicicleta, você vai a qualquer lugar.E eu pensei: ah, é. Meio que estraguei o jogo pra mim, porque agora tenho uma bicicleta, é incrível. Enfim, em termos práticos: no fim do ano passado, uns meses atrás, a revista Wired publicou um artigo pedindo pra jornalistas de tecnologia contarem como usam IA no trabalho. E cada um usava de um jeito. Você usa IA no seu trabalho? Como?Karen Hao: Eu não uso nenhum sistema de IA generativa no trabalho — nem ChatGPT, nem Gemini, nem Claude. Por três motivos. O primeiro é uma postura ética, depois de tanto investigar essas empresas. O segundo é privacidade de dados: eu investigo essas empresas.Não quero que elas conheçam todo o meu raciocínio enquanto eu apuro o livro, literalmente investigando elas. E o terceiro é que, no meu caso específico, a força do meu trabalho está na capacidade de construir relações fortes com as fontes, pela empatia, e de contar histórias envolventes, pela narrativa. E os grandes modelos de linguagem simplesmente não são a ferramenta certa pra nenhuma das duas coisas.Não vão melhorar a minha empatia nem a minha escrita. Então eu não perco nada com essa postura ética: simplesmente corto essas ferramentas e sigo fazendo o meu trabalho muito bem. Pra outros jornalistas pode ser diferente, e pra quem está em outras áreas o cálculo pode ser outro.Mas eu incentivo as pessoas a pensarem primeiro: quais são as suas forças no trabalho? Quais são os seus objetivos? E aí ir de trás pra frente pra descobrir se a IA é a ferramenta certa, qual tipo de IA é a ferramenta certa, e qual fornecedor você quer de fato usar, apoiar, votar com os pés. Agora, eu uso, sim, IA preditiva.Aquelas ferramentas de IA especializadas, as “bicicletas da IA”, digamos. No livro, tinha um detalhe que eu queria muito ilustrar: como a OpenAI deu um salto quando passou de organização sem fins lucrativos a um empreendimento bancado pela Microsoft. Percebi que as cadeiras do escritório ficaram bem mais caras. Então fotografei as cadeiras de um escritório e as do outro.E joguei tudo na busca reversa de imagens do Google, que é um sistema de IA especializado — não é baseado em grandes modelos de linguagem, não é IA generativa. Assim descobri quanto essas cadeiras costumam custar. No primeiro escritório, cerca de 2 mil dólares por cadeira. No segundo, eram cadeiras de um designer brasileiro famoso, uns 10 mil dólares cada.Coloquei esse detalhe no livro pra ilustrar o tipo de riqueza e de concentração de recursos de que a gente está falando. Esses são alguns dos jeitos como eu uso IA, ainda que de forma bem limitada, sempre pontual, quando acho que vai ajudar. E, claro, uso ferramentas de transcrição por IA — outra IA especializada — em todas as minhas entrevistas.Cris: Essa foi uma das partes em que a minha cabeça explodiu, eu nunca tinha percebido: a OpenAI criou o Whisper. Deixa eu dizer de outro jeito, do meu ponto de vista. A OpenAI liberou abertamente essa ferramenta incrível de transcrição, o Whisper, em que eu jogo o áudio e ela me devolve as palavras que as pessoas disseram. E eu pensei: ah, que generoso da parte deles.Mas o motivo real de terem criado a ferramenta foi pegar todos os vídeos do YouTube, transcrever e alimentar a máquina. E aí é: ah, claro. Enfim, falando de ferramentas e de otimismo — a gente está chegando ao fim da conversa. Eu tenho uma regra desde o episódio dois deste programa, há oito anos: de novo, como eu disse do seu livro, não pode ser só uma lista de reclamações e coisa ruim. E a gente tem se saído bem até aqui.Você falou de caminhos e de bicicletas, mas eu quero ser mais específico. Se isso aqui fosse uma reunião de negócios: qual é o plano de ação, quais são os próximos passos? Só que uma das coisas que eu repito bastante, na vida e neste programa, é que problema sistêmico não se resolve com ação individual. Se eu tomar banhos mais curtos, isso nunca vai salvar o planeta do aquecimento global.E muitos amigos meus simplesmente: não quero falar de IA, não quero usar IA. Voltando aos videogames: leram que tal jogo usa IA e pronto, não vão jogar. E a minha primeira pergunta pra você é: como a gente ocupa esses espaços da IA generativa — ChatGPT, Gemini e por aí vai? Porque o que a gente viu com as redes sociais foi: ah, o Facebook é do mal, vou sair do Facebook. Ah, vou sair do Twitter.E, na esperança de quê, sei lá, talvez alguém diga: ah, sinto falta do Cris, cadê ele? Ah, está no Bluesky. Mas isso deixa o espaço aberto pra os radicais entrarem e postarem o que quiserem, sem ninguém contrapor ou tornar aquilo um lugar melhor. Então como a gente ocupa o espaço da IA — seja qual for a definição de “espaço da IA” que você preferir — com todos esses problemas que a gente vem discutindo?Karen Hao: Acho que tem duas categorias de ação pra gente pensar. Uma é desmantelar o império. A outra é investir e construir novos tipos de sistema de IA, que se tornem alternativas às tecnologias do império. Quando eu digo desmantelar o império, não estou dizendo que quero que a OpenAI, o Google, a Anthropic, seja quem for, simplesmente deixem de existir.É que eu não quero que elas sejam imperiais. Não quero que fiquem extraindo uma quantidade extraordinária de valor sem redistribuir nada em troca. Se elas voltassem a ser negócios que praticam uma troca justa de valor com o mundo, eu ficaria perfeitamente feliz com qualquer tecnologia que estivessem desenvolvendo.E a forma de desmantelar o império, acho, se resume a muita organização de base, que vai pressionar os governos a regular e responsabilizar essa indústria. No último ano, a gente viu uma quantidade incrível dessa organização de base florescendo pelo mundo.Recentemente, lancei com um grupo de jornalistas, pesquisadores de IA e acadêmicos críticos um projeto chamado AI Resist List, que busca documentar parte dessa organização de base pelo mundo. A gente encontrou cerca de 30 exemplos, de todas as regiões, de ações individuais, institucionais e movidas pela comunidade.Tinha ação artística, ação política. E isso mostra bem o seu ponto: não dá pra contar só com a ação individual, mas o indivíduo pode, sim, ter impacto. Até uma ação pequena pode gerar um grande efeito cascata. Claro que se juntar com os vizinhos pra protestar contra o data center é ainda mais eficaz. Se juntar dentro da sua escola ou universidade pra protestar contra a parceria dela com uma empresa de IA também é mais eficaz.Se juntar com os colegas de trabalho de um setor pra barrar a adoção de uma IA que corrói os direitos trabalhistas é mais um jeito eficaz. A gente tem um monte desses exemplos. Um dos meus favoritos é o de uma comunidade sobre a qual escrevi no livro, Quilicura, no Chile, na periferia de Santiago. É uma comunidade da classe trabalhadora, bem pobre, que vem sendo alvo incessante da expansão de data centers.E por isso protestaram de forma bem aguerrida contra essa expansão, porque não acharam bom negócio hospedar essas instalações sem tirar nenhum benefício, enquanto elas consomem uma parte significativa dos recursos naturais da região.E, logo depois que escrevi sobre eles, foram além na resistência e criaram uma plataforma chamada Quili.ai. É um site em que você entra e que parece um chatbot, parece o ChatGPT: tem uma interface de chat pra você digitar. Só que, quando você faz uma pergunta, em vez de um modelo de IA responder, a mensagem é encaminhada pra alguém que mora em Quilicura, no Chile. Aí, se você pede “quero a imagem de um cachorro”, aquilo vai pro artista local deles, o Benji. Ele pega um pedaço de papel, desenha um cachorro, tira uma foto e te manda de volta.Eles fizeram isso essencialmente como um projeto de arte performática, pra fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de usar IA generativa pra bobagem. A mensagem era: ei, quando você fica brincando com essas ferramentas em pedido besta, isso afeta comunidades como a nossa, drena os recursos de que a gente precisa pra viver bem.E também queriam levar as pessoas a pensar: por que não perguntar pra alguém da sua própria comunidade aquela receita que você procurava, ou pedir aquela imagem? Porque aí você reconstrói as conexões que estão tão em falta na sociedade — a falta delas é o que nos deixa mais vulneráveis a esse tipo de colonização do império.Eles deixaram o projeto aberto por 24 horas, e qualquer pessoa no mundo podia mandar um pedido. Receberam uma quantidade extraordinária deles. Viralizou de vez. E essa cidadezinha conseguiu uma virada enorme de narrativa sobre a suposta inevitabilidade e necessidade dessa tecnologia, sobre tudo o que o Vale do Silício diz — que, se você não usar, vai ficar pra trás de quem usa.E esse é só um exemplo, entre muitos, de como pessoas comuns, não importa a sua posição na sociedade, podem ter impacto real no debate, na consciência pública e até na regulação. A gente está vendo isso agora com os protestos contra data centers. Nos EUA, em 2025, cerca de 150 bilhões de dólares em projetos de data center foram travados.Isso virou uma das questões políticas mais quentes nos EUA para as próximas eleições de meio de mandato. Tem gente eleita sendo literalmente tirada do cargo por ter aprovado data centers, contrariando a vontade do povo. E isso já está tendo efeito real sobre as empresas e sobre a trajetória do desenvolvimento de IA.A OpenAI teve que encerrar recentemente a sua ferramenta de geração de vídeo, o Sora. Quando lançaram, apresentaram como o segundo produto mais importante desde o ChatGPT. O que aconteceu entre o lançamento e o fim? Uma reportagem do Wall Street Journal apontou três motivos, todos moldados por ação de base. Um: um gargalo enorme de capacidade de computação.Muitos dos data centers travados ou parados eram da OpenAI. Dois: um cenário financeiro bem mais incerto. A OpenAI está se preparando pro IPO, o que significa ficar mais exposta a Wall Street — e Wall Street está cada vez mais nervoso com a capacidade dessas empresas de cumprir o que prometem.E aí a OpenAI teve que reforçar alguns projetos paralelos pra fazer o balanço parecer um pouco melhor aos olhos de Wall Street. E, terceiro: os consumidores simplesmente não estavam usando o produto — o que também é ação coletiva de consumidores. Então, por todo esse tipo de resistência, de várias formas, de baixo pra cima, as pessoas estão de fato tendo impacto real na indústria e responsabilizando ela.Essa é a primeira categoria de ação. A segunda é: ok, que tecnologias de IA a gente usaria como alternativa? E aí a gente precisa investir mais nelas. Muitas vezes, quando converso sobre o livro, a pessoa diz: ok, me convenci de que não quero usar ChatGPT, não quero usar Claude — mas então uso o quê no lugar?E o problema é que eu não tenho muitas respostas pra essa lista de alternativas. Tem umas poucas aqui e ali, uma plataforma, uma empresa.Cris: Dá pra rodar o modelo no seu próprio computador, como o Cory Doctorow faz, mas aí é limitado e…Karen Hao: Exatamente, exige mais habilidade técnica. Mas, pra quem consegue instalar modelos de código aberto no próprio computador, eu incentivo 100%. Só que a gente também precisa de mais gente desenvolvendo interfaces bem fáceis pra esses modelos de código aberto, pra que qualquer pessoa consiga usar.A gente também precisa de mais gente desenvolvendo “bicicletas da IA”, de investidores e governos investindo mais nesse tipo de solução, e de talento — pesquisadores de IA, desenvolvedores e outras pessoas dispostas a sacrificar um pouco e abrir mão dos pacotes de remuneração enormes.Cris: Eu estava começando a achar que agora as empresas precisam ter menos lucro — e isso nunca vai acontecer.Karen Hao: Não, não é a empresa ter menos lucro. É o trabalhador topar abrir mão do pacote de milhões de dólares pra levar o talento dele pra outro lugar. Mais fácil, bem mais fácil. Eu converso com muito pesquisador de IA cansado da abordagem da indústria, porque ela é completamente sem criatividade intelectual.Eu conversei com pesquisadores que não passaram seis anos num doutorado em IA só pra ficar empurrando mais dados na máquina — pra eles, é o trabalho mais chato do mundo. E depois automatizar a programação, que era justamente o que eles gostavam de fazer. Converso com tanta gente que já não acha graça nenhuma nisso. Estão meio presos por “algemas de ouro”.E estão tentando descobrir, dentro de si, que carreira alternativa poderiam ter. Eu costumo incentivar esses pesquisadores a gastar o talento deles construindo um tipo diferente de empresa, que trabalhe com “bicicletas da IA”. E a gente já começa a ver cada vez mais desse talento indo por aí.E a gente precisa que todas as facetas da sociedade invistam num ecossistema muito mais robusto e rico de tecnologias de IA, capaz de substituir as que hoje dominam. Eu ainda tenho as cicatrizes das minhas próprias “algemas de ouro”, mas concordo plenamente.Cris: E as redes sociais são o exemplo — veja o que aconteceu com elas. Tem aquela frase famosa: as mentes mais brilhantes da minha geração passam o tempo fazendo as pessoas clicarem em anúncios. E ainda dizem: ah, isso pode ser o futuro. Pois é.Você contou a história do Quili.ai e isso me lembrou um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil, o Cid Não Salvo. Uns 10, 15 anos atrás, ele tuitou o seguinte: “Gente, eu disse pro meu pai que, sempre que ele precisar pesquisar alguma coisa na internet, é pra ir no Twitter.com e digitar a pergunta na caixa”. E olha que ele tinha milhões de seguidores.E, por uns bons dias, quase um mês, você entrava no Twitter do pai dele e via perguntas tipo “onde eu compro pizza?”. Era engraçadíssimo. No fim, ele contou pro pai — ou talvez não. Mas eu adoro essa ideia. Antes de a gente terminar: você já deve ter respondido isso mil vezes, mas vai continuar cobrindo IA? O que está na sua cabeça, o que vem por aí? Turnê mundial? O que vem pela frente?Karen Hao: Com certeza estou pensando em como continuar responsabilizando essas empresas. Estou envolvida em várias colaborações, com gente incrível, em diferentes projetos ligados a isso. O AI Resist List foi um deles. Também co-criei um programa chamado AI Spotlight Series, com o Pulitzer Center, uma organização jornalística sem fins lucrativos que financia jornalismo investigativo pelo mundo.É um programa que treina jornalistas do mundo inteiro a cobrir IA por uma lente de responsabilização. Até agora, já treinamos mais de 3 mil. E eu sigo pensando em como construir mais capacidade dentro do jornalismo, da sociedade civil, de outros contextos, pra mobilizar ainda mais essa organização de base — pra conter de verdade os impérios da IA e ajudar a desmantelá-los.Cris: Adorei o seu exemplo da moda. É possível, já foi feito. Ou até a indústria automotiva. Ou o grande exemplo que a gente não mencionou, e que o pessoal da OpenAI vive citando: o Projeto Manhattan, a energia nuclear.O mundo não acabou. Quando eu era criança lendo Asimov, achava que ia tudo acabar num fogo nuclear. Enfim — alguma última palavra, alguma mensagem, algum palpite pros jogos do Brasil na Copa, alguma coisa que você queira dizer antes da gente encerrar?Karen Hao: No fim das contas, o que eu espero que fique desta conversa e do livro é o seguinte: neste momento, o Vale do Silício está concebendo a IA como um projeto político. E a característica central desse projeto é tirar a autonomia de todo mundo — a autonomia de moldar de verdade o próprio futuro e o nosso futuro coletivo. Mas, no instante em que você reconhece que já tem uma autonomia significativa pra resistir, o império começa a desmoronar.Então espero que as pessoas encontrem a própria voz, a afirmem, conquistem o seu lugar à mesa e se conectem com os vizinhos, com a comunidade, com os colegas de trabalho, pra criar mais movimentos juntos.Cris: Que ótimo. Karen Hao, o seu livro é O Império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total. Obrigado por vir ao Brasil conversar com a gente. Foi um prazer.Karen Hao: Muito obrigada.Uma das primeiras perguntas que anotei quando comecei a pensar nessa conversa foi justamente a do final, a da ocupação de espaços. Porque, como eu disse, quando as redes sociais chegaram para ficar, muita gente falou “ah, não vou usar, é do mal” — e aí as pessoas ruins, vamos chamar assim, acabam ocupando esse espaço e falando o que bem entendem. A gente precisa aprender essa lição agora, no mundo da IA.Fora que vejo muita gente falando de IA sem nunca ter usado — ou que usou, sei lá, dois anos atrás, acha que continua tudo igual e já diz que não quer chegar perto.E por quê? Porque essa abordagem de ocupar espaços é o que eu e a Ana Freitas buscamos fazer no IA em Curso, nossa comunidade de letramento contínuo em IA. Foi, aliás, uma conversa que tive com a Karen antes da entrevista: ao mesmo tempo que a gente fala do impacto da IA no mundo, também precisa focar no que é prático, no que dá para fazer hoje com IA, sem vender sonho nem desastre. A analogia que usei foi a de que é que nem quando a gente fazia curso de Word e Excel — é o que eu faço agora que vai facilitar minha vida, me fazer ganhar tempo, botar a IA para me ajudar. Quem viu minha conversa com a Ana aqui no Boa Noite Internet, no fim de 2025, sabe do que estou falando. Se não viu, volta lá e confere.Desde que a gente lançou este episódio, o IA em Curso já passou de 400 pessoas. Tem muita gente colocando projetos pessoais incríveis na rua, tirando do papel aquela ideia que rondava a cabeça há um tempão. E a comunidade tem mentoria ao vivo, aula gravada, newsletter, banco de agentes, grupo de Telegram… que mais? O que não falta é jeito de passar para você o conhecimento sobre IA de que você precisa hoje, agora. Quero te dar a bússola para navegar nesse universo.Se esse é o tipo de abordagem que você quer ter com a IA, passa lá no iaemcurso.com.br e usa o cupom BNI2026 para ganhar 20% de desconto no plano anual. Mas corre, porque daqui a duas semanas vou apagar esse cupom — não é todo dia que a gente dá um desconto desses.É isso. Boa Noite Internet, temporada 2026 começando — como todo ano, com mudança, ideia, projeto. Ou, como diz minha citação preferida de todos os tempos: “vivemos uma fase de transição, como sempre”. Espero ver você por aqui e lá no IA em Curso.Obrigado pelo seu tempo e pela sua atenção. Até o próximo episódio. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe