Podcasts about falou

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Conversas de Bancada
[ T8 ] Ep.295 - Entrevista ao Capitão Leandro Silva

Conversas de Bancada

Play Episode Listen Later Jun 8, 2026 87:18


Neste episódio especial a Bancada recebe, finalmente, o Capitão da equipa que ficou para a História da Académica pela conquista da promoção à 2.ª Liga - Leandro Silva.O homem que se tornou um ídolo e um ícone para o clube, fala abertamente sobre o seu amor à Académica, o trauma que foi a descida em 2015/16 e como manteve sempre a Briosa na mente e no coração mesmo estando longe.Falou-se ainda em detalhe acerca desta temporada histórica e de como se viveu, por dentro do balneário o momento de maior tensão da época.Episódio n.º 295, gravado no dia 27 de Maio de 2026.

Pausa Técnica
Spurs vencem Oeste e antevisão das finais

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 59:45


Neste episódio, o Cyrille Aloísio, o Cristiano Pinto e o Gonçalo Ferreira reuniram-se para mais uma conversa sobre os playoffs da NBA, com destaque para a vitória dos Spurs perante os campeões Thunder e para a antevisão da final entre a equipa de San Antonio e os Knicks.Falou-se ainda da final da Liga Betclic Masculina entre SL Benfica e FC Porto e das principais notícias que marcaram a semana da NBA.

Bate Pé
José Condessa - “Nunca vais ter noção do que fizeram por ti” - Bate Pé

Bate Pé

Play Episode Listen Later May 31, 2026 96:48


Desta vez um verdadeiro batanete a fazer parte de mais um episódio. Para além dessa grande virtude, é também um dos maiores talentos nacionais (e internacionais), José Condessa! Falou-se sobre a intensidade de viver a representação desde novo, de dizer que não a projectos, de gerir ego e ter sempre aqueles amigos que dizem “tens que te acalmar”. Os bastidores dos grandes projetos, dos beijos técnicos e cenas nu. Ainda um quizz sobre qual o melhor namorado: Zé ou Rui.REDES SOCIAISMafalda Castro: https://www.instagram.com/mafaldacastroRui Simões: https://www.instagram.com/ruisimoes10Bate Pé instagram: https://www.instagram.com/batepeclipsBate Pé Tiktok: https://www.tiktok.com/@bate.peSPOTIFY: https://open.spotify.com/show/7bnvbtG4aHEKp90XbN0xm3?si=rsZeIGW1Q4ShAQaRRegnbA#josécondessa#mafaldacastro #ruisimões

Radar Agro
20 anos de Embrapa Agroenergia e a ciência brasileira que o mundo quer | Domingão do Carlão

Radar Agro

Play Episode Listen Later May 31, 2026 29:40


Domingão do Carlão conversa com Alexandre Alonso Alves, Chefe Geral da Embrapa Agroenergia, direto da sede em Brasília, numa conversa que começa no interior de Minas Gerais e revela o que move um pesquisador de vocação. Alexandre cresceu vendo na pesquisa um caminho natural, trajetória que o levou à Embrapa Agroenergia, que celebra duas décadas dedicadas à bioenergia e à sustentabilidade. Ele citou Alysson Paolinelli, engenheiro agrônomo mineiro, ex-Ministro da Agricultura e um dos criadores da instituição, como referência. Falou ainda sobre a influência paterna na escolha da carreira e sobre um fenômeno que o Brasil ainda subestima: a inteligência do pesquisador brasileiro é cada vez mais reconhecida e disputada lá fora.

Papo de UX
O que o Papa Leão XIV falou sobre a Inteligência Artificial: Colonialismo Digital | Drops de IA #21

Papo de UX

Play Episode Listen Later May 28, 2026 26:18


"Não nos cabe dominar todas as marés do mundo, mas fazer o bem no tempo que nos foi dado." J.R.R. TolkienEu e o Thiago Vespa (coincidentemente ambos de branco) mergulhamos em um debate profundo que une fé, literatura e o absurdo do mercado de tecnologia.Começamos discutindo a nova encíclica do Papa Leão 14, "Magnífica Humanitas", a primeira carta oficial do seu pontificado dedicada a orientar sobre IA, moral e sociedade. O Papa traz um alerta crítico: a IA não é neutra e pode ampliar desigualdades através do que ele chama de "colonialismo digital", onde algoritmos controlados por elites tecnológicas ditam regras e influenciam democracias.Mas o papo esquenta quando falamos sobre a nova moda no Vale do Silício: medir a produtividade dos funcionários pela quantidade de tokens consumidos. Discutimos como essa métrica é absurda e serve apenas para inflar a "bolha da IA", transformando o colaborador em um cliente forçado da própria empresa.O que você vai encontrar neste episódio:- O Papa é pop (e assiste o Papo de UX?): os detalhes da carta papal que defende uma civilização mais humana e justa frente à automação de guerra e à substituição da natureza humana;- IA vs. faca: a reflexão sobre se a ferramenta é realmente neutra ou se os algoritmos de terceiros já vêm com "vieses de fábrica";- O paradoxo da produtividade: por que gerar mais código ou gastar mais tokens não significa gerar mais valor, e como ser produtivo gastando menos;- Fim do significado humano: a análise de que o ser humano não pode ser reduzido a um conjunto de dados.A IA deve servir para nos liberar para atividades mais criativas, não para nos prender em métricas vazias de processamento.Deixe seu like, ative as notificações e comente: você concorda com o Papa sobre a IA não ser neutra ou acha que o problema são apenas as pessoas?Notícias comentadas- Carta do Papa Leão XIV https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/encyclicals/documents/20260515-magnifica-humanitas.html- Meta transforma uso de IA em disputa interna por produtividade entre funcionários https://exame.com/inteligencia-artificial/meta-transforma-uso-de-ia-em-disputa-interna-por-produtividade-entre-funcionarios/Participe do Clube do Papo https://papodeux.com.br/clube/Mentoria com Luan Mateus https://mentoria.luanmateus.com/News do Papo ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://papodeux.substack.comInstagram Papo de UX ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠http://instagram.com/papodeux/LinkedIn Luan Mateus https://www.linkedin.com/in/luanmateus/LinkedIn Thiago Vespa https://www.linkedin.com/in/thiagovespa/Instagram Thiago Vespa https://instagram.com/thiagovespa

Pausa Técnica
Knicks com passaporte para a final

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later May 26, 2026 53:14


Neste episódio, o Gonçalo Ferreira, o Nuno Canossa e o Cristiano Pinto reuniram-se para comentar as finais de conferência da NBA, com destaque para a passagem carimbada dos Knicks para a final, enquanto do outro lado está tudo empatado entre Thunder e Spurs.Falou-se também das meias finais da Liga Betclic Masculina, das equipas All-NBA e All-Defense.

Pausa Técnica
Início das finais de conferência

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later May 21, 2026 68:53


Neste episódio, o Nuno Canossa, o Gonçalo Ferreira e o Cyrille Aloísio reuniram-se para comentar os primeiros jogos das finais de conferência e antever o 2° jogo da série entre Cavaliers e Knicks. Falou-se também da semana da Liga Betclic Masculina, com as meias finais dos playoffs a iniciar.

BEN-YUR Podcast
Lourenço Mutarelli, desapego material, o peso do tempo | Coffee & Cigacasts #009

BEN-YUR Podcast

Play Episode Listen Later May 8, 2026 84:42


Se por acaso você não sabe quem é o Lourenço, ele é um cara que passou a vida inteira criando mundos. Ele desenhou alguns dos quadrinhos mais estranhos e importantes do Brasil ali nos anos 90. Depois ele simplesmente parou de desenhar e começou a escrever romances muito singulares, como O Cheiro do Ralo, que acabou virando aquele filme que muita gente viu. Ele também atua de vez em quando. Mas, mais do que qualquer coisa do currículo dele, o Lourenço é alguém com quem eu gosto de sentar para tomar café e falar sobre coisas que a maioria das pessoas tenta evitar.A gente falou sobre encarar a finitude e sobre a possibilidade de não ter nada do outro lado. Isso me marcou bastante. Eu acabei de fazer quarenta anos e a gente conversou sobre o tempo e sobre como a vida adulta vai machucando e mudando a gente. Ele me contou que voltou a desenhar usando umas canetas antigas. Falou sobre a culpa que carrega e sobre a vontade sincera de dar as próprias coisas embora. É uma conversa sobre aceitar que as coisas acabam e talvez encontrar algum alívio nisso. A gente também falou sobre tarô e percepção do mundo.Se você tiver um tempo livre hoje, acho que vale a pena escutar. Ou não, você que sabe. O importante é que a gente sentou e conversou por uma hora e pouco. Obrigado por ler isso e por continuar passando por aqui.

Convidado
Raquel Freire: “Esta luta pela liberdade, tanto em Portugal como em África, estava por contar-se.”

Convidado

Play Episode Listen Later May 1, 2026 19:03


“Mulheres de Abril” é o filme da realizadora Raquel Freire que celebra as mulheres que, em África e Portugal, lutaram pela liberdade, contra o colonialismo e contra a ditadura. O documentário teve ante-estreia no Festival IndieLisboa e brevemente vai estar nas salas de cinema portuguesas. Portugal viveu 48 anos de ditadura salazarista. Foi a ditadura mais longa da Europa. O regime terminou em 1974 com a revolução de 25 de Abril. O documentário “Mulheres de Abril”, da realizadora Raquel Freire, celebra as mulheres que participaram activamente na luta antifascista e anticolonialista e que, até agora, estavam esquecidas na história. Ana Maria Cabral, Julieta Rocha, Helena Neves, Isabel do Carmo, Maria Emília Brederode Santos, Luísa Sarsfield Cabral, Margarida Tengarrinha, Teresa Loff Fernandes, Ruth Rodrigues e Zezinha Chantre são as protagonistas de um filme onde representam uma imensa força que são as todas mulheres que, entre Portugal e os territórios africanos ocupados, lutaram para construir a revolução de Abril e nas guerras de libertação travadas pelos movimentos independentistas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. “Mulheres de Abril” é o momento de as mulheres ocuparem o seu lugar na história, de dar voz às “capitãs de Abril”. Em entrevista à RFI, a realizadora portuguesa Raquel Freire começa por revelar como o contexto familiar a inspirou a criar “Mulheres de Abril”. Raquel Freire, realizadora do filme Mulheres de Abril:   Tenho o grande privilégio de ter uma família de lutadoras e lutadores antifascistas. Ou seja, eu tenho na minha família pessoas que morreram para eu poder estar aqui hoje em liberdade a fazer filmes. E cresci a ouvir estas histórias da minha avó, das minhas tias-avós, da minha mãe, do meu pai, todas as histórias da luta, inclusive até da Virgínia Moura, que foi uma grande lutadora anti-fascista do Porto, e achou eu por ser tão próximo, sempre soube que ia ter que fazer este filme, mas fui sempre adiante. Até que de repente me apercebi, pela minha mãe, que ela já estava a ficar numa idade em que era o momento certo para contar estas histórias. E, ao mesmo tempo, também porque tenho um filho, apercebi-me que havia um grande desconhecimento da juventude do que tinha sido o nosso passado. O nosso passado de luta. Ou seja, nós não tivemos só quase 50 anos da ditadura mais longa da Europa e 500 anos de colonialismo. Nós tivemos décadas de luta contra o colonialismo e tivemos cinco décadas de luta contra a ditadura. E este factor de ter existido sempre resistência e sempre uma luta de diferentes colectivos, desde os católicos progressistas, aos comunistas, aos socialistas, às pessoas mais conservadoras. Mas esta luta pela democracia estava por contar-se. E quando era contada, era sempre sobre o modo de - ah, houve um herói que fez isto - .  E não, o 25 de Abril não foi feito num dia. O Salgueiro Maia não acordou de manhã a dizer, hoje vou chamar os meus amigos e fazer o 25 de Abril. Não. Começou na Guiné. Começou com uma luta contra a guerra colonial, contra a injustiça do que era a guerra colonial, contra uma juventude em Portugal que era mandada para morrer durante décadas nas nossas antigas colónias e a opressão de povos que tinham todo direito na sua autodeterminação e na sua independência. Portanto, esta luta pela liberdade, tanto em Portugal como em África, estava por contar-se. E sempre que era contada era só por homens e sobre homens. Portanto, havia uma história por contar-se. E esta história é o que vamos ver neste filme.   Uma história que, neste caso, é contada só por mulheres.   Sim, porque a história até agora foi contada por homens e sobre homens. E estamos em 2026. Chegou o momento de darmos voz e de escutarmos com atenção as mulheres que sempre tiveram na história e que foram sendo apagadas dela. E que foram fundamentais a  sua participação na luta pela liberdade. Sem estragarmos o prazer de ver o filme, o que é que levou a Raquel Freire a colocar cada uma destas mulheres neste filme? Olha, poderiam ser muitas mais. Muitas mais mesmo. Difícil foi escolher só estas 10, porque as listas iniciais eram de dezenas de mulheres. Porque, felizmente, temos muitas heroínas anónimas que deram a sua vida a lutar pela liberdade. Tanto aqui como nos países africanos que lutavam nas lutas de libertação. E nestas, o que eu tentei foi, cruzando os critérios de interseccionalidade, ter o máximo de representatividade possível. Ou seja, eu queria que o cinema tivesse também o seu lado democrático de 25 de Abril. Que houvesse o máximo de pluralidade e de representatividade. Porque temos mulheres portuguesas, temos mulheres cabo-verdianas, temos mulheres guineenses, temos mulheres de diferentes classes sociais, temos mulheres do povo e temos mulheres que tiveram acesso a estudos e que pertenciam a uma elite que já lutava na oposição democrática contra o regime. Temos mulheres católicas progressistas, temos mulheres que, de todo, estavam completamente longe da religião. Temos mulheres de várias sensibilidades políticas, temos mulheres comunistas, mulheres mais da extrema esquerda, mulheres socialistas, mulheres de uma área mais conservadora. Eu queria que a pluralidade e a riqueza que houve nesta luta, nesta união de forças contra o fascismo e o colonialismo estivesse no filme.   Quais foram os desafios para rodar este filme, para colocar estas mulheres à frente da câmara e transformar nesta história tão rica?   O grande desafio foi como é que eu ia filmar de uma forma que fosse também respeituosa em relação aos princípios do 25 de Abril.  Ou seja, quando comecei a fazer cinema, o meio de cinema era um meio muito hierarquizado, muito machista, muito homofóbico, com praxes violentos e eu nunca quis trabalhar assim. Então, uma das minhas lutas no cinema foi sempre como fazer cinema sem ser assim. E neste filme foi isso que fizemos, ou seja, nós tínhamos uma equipa de mulheres, tínhamos uma equipa que acompanhava o ritmo destas mulheres e que, no fundo, é uma coisa muito mais humana. Em vez de estarmos 14 horas num platô, trabalharmos menos horas, mas estarmos concentradas e focadas e rodeamos estas mulheres o máximo possível de escuta, de carinho, de empatia e de amor. Eu não faço filmes sobre, eu faço filmes com. Portanto, o filme é feito com estas mulheres e com esta equipa muito generosa, talentosa e dedicada. Tenho que destacar todos os membros da equipa que foram maravilhosas, a Madame Filmes, que fez a produção também. E havia uma coisa que para mim era muito importante, é que este filme fosse uma roda de conversa, um círculo de olhares. Ou seja, o meu olhar existe, o cinema é um olhar sobre o mundo e, se tivermos sorte e for um bom filme, passamos a ver o mundo, é como um par de óculos, pomos um par de óculos depois de ver um bom filme e começamos a ver coisas nítidas que antes não víamos, começamos a ver coisas que estavam no escuro e que de repente vêm à luz. Portanto, eu queria que o cinema, sendo para mim esta arte coletiva, fosse um momento para estas mulheres também de alegria e de reconhecimento. E esse foi o maior desafio, foi que, apesar de elas irem, por exemplo, à prisão de Caxias, onde foram presas e torturadas, que não fosse uma experiência onde elas seriam de novo traumatizadas, mas fosse uma experiência em que elas se sentissem acolhidas e queridas e dignificadas.   Há filmagens feitas em Portugal, em Cabo Verde, como é que foi filmar em Cabo Verde?   Eu nunca tinha estado em Cabo Verde. Filmar em Cabo Verde foi um grande desafio porque eu sabia que uma portuguesa em Cabo Verde, eu não queria repetir a história do colonialismo, portanto, é preciso ter muita consciência quando vamos filmar fora de Portugal, sobretudo num país que teve uma opressão tão violenta como teve Cabo Verde durante tantos séculos feitos por portugueses. Portanto, filmar em Cabo Verde foi um desafio ainda maior de fazer com que estas mulheres se sentissem escutadas e de, ao mesmo tempo, as respeitar em tudo o que fosse possível. Por exemplo, eu tenho cenas em Cabo Verde em que é a minha produtora cabo-verdiana, e que foi a minha assistente de realização lá, a Samira Vera Cruz, que conduz as perguntas em crioulo, porque eram perguntas demasiado delicadas e quem vir o filme vai perceber o que é que eu estou a falar, estou a falar de um momento muito difícil do filme. Eram perguntas demasiado delicadas para eu fazer na língua de quem tinha sido o opressor. Portanto, eu tive esse cuidado, eu tentei que fosse uma mulher cabo-verdiana a estabelecer essa conversa, esse diálogo. Esse, para mim, foi o maior desafio. E, depois, ao mesmo tempo, fiquei completamente fascinada, como penso que toda a gente fica quando vai a Cabo Verde, com a cultura cabo-verdiana. Portanto, o outro desafio não foi fazer o filme inteiro, não pôr no filme todo as imagens maravilhosas de Cabo Verde e retratar um país real, e não um país sonhado ou imaginado.   Houve outros momentos, certamente, muito delicados, quando se está a fazer um documentário onde participam mulheres que sofreram a violência de uma ditadura, do colonialismo. Como é que a Raquel lidou com essas situações? Falou agora de pedir à produtora de Cabo Verde para apresentar as questões em crioulo, houve outros momentos assim?   Houve! Houve porque eu pedi às mulheres para irmos às prisões onde elas tinham estado presas e torturadas. Porque eu fazia uma pergunta, a meio das filmagens, que era, “pessoalmente para ti, o que foi pior no fascismo ?”, e, claro, que a resposta a esta questão era sempre muito, muito sofrida e muito delicada. Há mulheres que, com muita reticência, me dizem que foi a separação dos filhos o pior de tudo, não foi a prisão, não foi a tortura, não foi o isolamento, “pior de tudo foi eu estar separada dos meus filhos”. Há mulheres para quem o pior foi, por exemplo, terem de fazer abortos clandestinos. Ou seja, a miséria, a pobreza a que a ditadura tinha votado, o povo deste país, que as obrigava a ter uma condição em que não podiam sequer ter acesso a cuidados básicos de saúde. E, claro, a opressão que existia, uma dupla opressão, o fascismo e o facto de serem mulheres sobre elas. Há um momento especial no filme em que há uma mulher operária, uma grande lutadora, que, como ela diz, “sou revolucionária porque sempre fui revolucionária, eu não sabia o que era o fascismo, mas sabia que era mau”, e que é operária desde os 8 anos, que nunca pôde sequer ir à escola, e ela, quando nos conta o que é que para ela foi o pior no fascismo, foram os abortos clandestinos e ser maltratada. E eu penso que todas elas, quando falam destes momentos, por muito que nós estejamos lá para as apoiar, voltam a esse momento. O que aconteceu imediatamente a seguir a isso foi, quando eu disse “corta!”, nos levantámos todas e fizemos um círculo e abraçamos, e ficámos abraçadas a elas. E tentámos sempre que no final das filmagens, não só que os horários se adaptassem a elas, como no final das filmagens termos sempre momentos de convívio. Nós tivemos sempre almoços, nós tivemos sempre jantares, tivemos festas, tivemos momentos em que tentamos dar todo o nosso amor e todo o nosso carinho para elas se sentirem amadas e reconhecidas.   Há pouco em off, a Raquel Freire disse-me que este filme iria ser apresentado junto das escolas. Qual o papel que este e outros filmes como este podem ter nos dias de hoje, na atualidade que vivemos?   Eu acho que são fundamentais! O cinema, o audiovisual, sobre as várias formas que existem hoje em dia, são absolutamente fundamentais para nós sabermos quem somos e de onde viemos, para conhecermos a nossa história. Neste momento, os jovens têm muito pouco acesso ao que foi a nossa história e à verdade, ou seja, à história contada pelas pessoas que a fizeram, que a construíram. Temos grandes vagas populistas de reescrita da história. Para compreendermos o que somos hoje e fenómenos como os que temos hoje, como temos hoje o racismo, por exemplo, como temos o retrocesso ou a tentativa de retrocesso nos direitos das mulheres, tentativas de governos totalitários em várias partes do mundo, a guerra, para percebermos o presente hoje, é muito importante sabermos que isto já aconteceu no passado e que no passado, mesmo nos momentos mais difíceis, houve mulheres e homens que se juntaram e juntos conseguiram fazer do impossível o possível. Ou seja, conseguiram lutar pela liberdade e venceram, porque nós tivemos o 25 de abril, estamos aqui hoje, e os países colonizados tiveram a sua independência.  

Sabedoria Judaica em 5 minutos - Divrei Torah Podcast Jewish Torah Wisdom in 5 Minutes

Que diferença tem entre falar e dizer segundo nossos sábios? Como não deixar subir o orgulho de si mesmo, tem alguma receita? Esta semana este Divrei TORÁ ultrapassou os 29.000 reproduções e como digo Baruch Hashem! Se alguém gostou de um já valeu para deixarmos este mundo

Bate Pé
Tiago Almeida - “Hoje decidi que ia perder todas as batalhas…” - Bate Pé

Bate Pé

Play Episode Listen Later Apr 26, 2026 70:05


Depois da amiga Joana, mais um amigo no Bate Pé. Desta vez Tiago Almeida. Antigo advogado e agora humorista com o primeiro solo a sair no final do ano. Falou-se sobre padel, escolhas inesperadas, o seu primeiro solo, filhos e ainda houve tempo para uma surpresa tipo Casa Feliz. Espero que gostem!Bilhetes para “Maior fã”:https://www.ticketline.pt/evento/maior-fa-tiago-almeida-103658?gad_source=1&gad_campaignid=23791591579&gclid=CjwKCAjwzLHPBhBTEiwABaLsSj9alEViwp79-sWbnfU6tLNAbEkk8uURoQ9OYkKdJhogLW0pAGHEXRoCTVgQAvD_BwEREDES SOCIAISMafalda Castro: https://www.instagram.com/mafaldacastroRui Simões: https://www.instagram.com/ruisimoes10Bate Pé instagram: https://www.instagram.com/batepeclipsBate Pé Tiktok: https://www.tiktok.com/@bate.peSPOTIFY: https://open.spotify.com/show/7bnvbtG4aHEKp90XbN0xm3?si=rsZeIGW1Q4ShAQaRRegnbA#tiagoalmeida#mafaldacastro #ruisimões

Verbo Sede
Deus já falou. Por que nada mudou ainda? - Josimar Lima

Verbo Sede

Play Episode Listen Later Apr 21, 2026 54:04


Deus já falou. Por que nada mudou ainda? - Josimar Lima by Verbo da Vida Sede

Pausa Técnica
Steph Curry inevitável e a primeira ronda dos playoffs

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later Apr 17, 2026 94:07


Neste episódio o Cyrille Aloísio, o Gonçalo Ferreira e o Marcos Santos lançaram os dados para a primeira ronda dos playoffs da NBA.Falou-se dos jogos do play-in com destaque para (mais uma) masterclass de Steph Curry e dos Warriors frente aos Clippers, e cada um deu os seus palpites para cada confronto da primeira ronda dos playoffs.

Ciência
Moçambique: Barreira de pneus ajuda a travar erosão e assoreamento na Macaneta

Ciência

Play Episode Listen Later Apr 16, 2026 9:24


Uma barreira de 13.000 pneus de uma extensão, até agora, de 600 metros, ao longo da margem do rio Incomáti, tem ajudado a travar a erosão e assoreamento na Macaneta, no sul de Moçambique. A barreira de pneus começou a ser construída em 2021, tem resistido, incluindo às recentes cheias, e já foi replicada noutra região do país, contou à RFI Clausêncio Ngovene, director de programas na Cooperativa Repensar. Desde 2021 e até agora, a barreira implementada pela Cooperativa Repensar tem cerca de 13.000 pneus e uma extensão de 600 metros ao longo da margem do rio Incomáti, na Macaneta, no sul de Moçambique. Os pneus de aviões, carros e tractores são carregados de entulho para resistir à força da água, mas há pneus gigantes que precisam da força de seis a sete homens. Uma tarefa hercúlea, sem ajuda mecânica, mas que tem protegido esta zona costeira e resistido inclusivamente às recentes cheias. Os pneus ganham assim uma segunda vida e ajudam a proteger o mangal e as comunidades, travando a erosão e o assoreamento. O material provém de doações do Porto de Maputo, do Aeroporto de Maputo, mas também é recuperado nas lixeiras, nas ruas e também é dado por particulares. RFI: Como nasceu esta barreira de pneus na Macaneta? Clausêncio Ngovene, Director de programas na Cooperativa Repensar e coordenador do programa Lixo Marinho: “De forma geral, estamos na Macaneta desde 2021 a implementar um programa designado de Lixo Marinho. O programa visa combater a poluição, principalmente plástica, no meio aquático, no estuário da Macaneta e em todo o ambiente costeiro. No meio destas actividades, nós percebemos que a Macaneta sofre bastante da erosão costeira e assoreamento. No estuário do Incomáti, que é um rio que nasce na vizinha África do Sul e que desagua na Macaneta, nós temos verificado o assoreamento e erosão costeira e fluvial. No meio disto, nós tentámos várias técnicas para conter os impactos da erosão e assoreamento e fizemos várias tentativas até chegarmos a conclusão de aplicarmos os pneus.” Para quem não conhece, explique-nos o que é a erosão e o assoreamento. “Erosão é o processo de desgaste dos sedimentos, quer na zona costeira, quer também na zona fluvial, causando impactos directos no ambiente. Assoreamento também é o processo de desgaste de sedimentos, a areia. Esses sedimentos são arrastados para o interior do rio e aumentam, portanto, o caudal do mesmo rio. Assoreamento é o arrastamento dos sedimentos da areia para o interior do rio e aumenta, portanto, a sua extensão.” Como é que isso tem impacto na vida das populações costeiras? “Isto tem um impacto directo na vida das populações. Primeiro, a questão da destruição da vegetação costeira e que é uma vegetação que protege contra os ventos fortes. Temos também a questão da degradação do ecossistema do mangal, que é um ecossistema muito preponderante para a reprodução dos peixes, dos caranguejos e outros seres costeiros. Isto afecta directamente a vida da comunidade.” Vamos então aos pneus. Porquê os pneus? “Nós usamos os pneus como uma solução viável. Primeiro, nós estamos a falar de uma zona costeira onde temos sal, a água é salina. Outras técnicas que já tentámos não se mostraram eficientes. E já houve uma tentativa de aplicação de gabiões, mas também sem sucesso, por causa da salinidade da água. E porquê pneus? Porque é um material literalmente descartado, sem valor em Moçambique, que termina nas lixeiras, termina na rua, em qualquer ambiente e nós recuperamos para reutilizar, nós recuperamos para travar os impactos da erosão e assoreamento. Também o pneu é um material consistente que dura mais tempo, que não tem problema com a salinidade, resiste mais no ambiente salino.” Na prática, como é que os pneus formam então uma barreira para proteger a comunidade? E que tipo de pneus é que são? “Nós usamos vários tipos de pneus. São pneus que, na maioria, recebemos de doação do Porto de Maputo e recebemos também do Aeroporto Internacional de Maputo. São pneus também que recebemos de vários doadores singulares e pessoas que desejam trocar os pneus dos seus carros, em vez de jogar na lixeira. Nós usamos pneus também que recuperamos nas lixeiras, que estão em risco de serem queimados. Então, nós vamos lá recuperar e usamos todo o tipo de pneus. A estrutura de montagem é bem simples. Nós montamos uma estrutura à base, com pneus gigantes e depois da montagem dos pneus, nós colocamos o entulho, que são pedras, para garantir a consistência do pneu e vamos subindo em forma de escadaria. Nas últimas fiadas, nós já colocamos a vegetação, ou seja, a areia orgânica, e vamos reabastecer a vegetação. Nós usamos este conceito para também contrabalançar os possíveis impactos que os pneus possam causar naquele ambiente. Então, é uma forma de compensar, uma forma de contrabalançar. Nós estamos a restaurar as dunas, estamos a restaurar o ecossistema costeiro fluvial degradado, mas à base de pneus.” Como é o processo de montagem? Falou-me em pneus gigantes, que devem ser os pneus dos aviões. Estes são pneus muito pesados. Têm máquinas para os ajudar? “Na verdade, é um verdadeiro martírio. Este trabalho demanda muita força humana. Infelizmente, nós não temos nenhum equipamento, nenhuma máquina industrial ou uma máquina a motor. Nós usamos a força humana. Só para ter uma ideia, um pneu gigante, o mais pesado, requer no mínimo sete homens. Seis ou sete homens com força para o conseguir manusear. Então, é um trabalho muito hábil que nós temos feito. Para ter uma ideia, já conseguimos montar mais de 13.000 pneus no total.” Esses mais de 13.000 pneus estão espalhados por onde? A barreira vai de onde a onde? “Toda a barreira está no estuário do Incomáti, onde desagua o rio, Incomáti. É uma extensão de mais ou menos de 600 metros, com uma altura média de cinco metros.” Nas últimas cheias, em Janeiro, a barreira como é que resistiu? “Mostrou que é possível aplicar os pneus em qualquer ambiente para controlar, para conter a erosão. Mostrou que é possível haver uma replicabilidade deste conceito. Mostrou resistência, resiliência.” A barreira manteve-se intacta? Resistiu? “Sim, resistiu e tem resistido também às marés altas. Nós estamos num estuário, portanto depende do comportamento da maré. A maré alta vai afectar o rio e o estuário. Na maré baixa, também haverá o vazamento das águas. Então tem mostrado esta resistência fora das cheias, mas também a dinâmica de comportamento da maré.” Como é que se lembraram dos pneus? “Nós iniciámos este projeto de restauro no ano de 2021, um ano em que nós iniciamos o nosso projecto principal, designado Lixo Marinho, que visa combater a poluição, principalmente plástica. Daí nós identificámos esses problemas. Fizemos um diagnóstico ambiental detalhado, identificámos os problemas que é erosão costeira e fluvial e também o assoreamento. Fomos vendo também o histórico da região, percebemos que várias técnicas foram usadas, mas não surtiram efeito. E olhando a nossa realidade, temos assistido que vários pneus terminam nas lixeiras, terminam em ambientes inadequados, e fizemos um pequeno estudo sobre a consistência de pneus, recuperámo-los e fizemos esta barreira que mostra ser muito eficiente.” Falou-me na replicabilidade do projecto. Já há ideias para levarem este projecto para outros locais? “Coincidentemente, nós já fomos solicitados para prestar uma assessoria em Inhambane numa outra zona costeira e lá conseguimos montar e conseguimos travar. Já temos o primeiro caso de replicabilidade, que é numa das praias de Inhambane.” Há quanto tempo é que foi e está a resistir? “Está a resistir. Nós intervimos no final do ano passado, no mês de Novembro, e até agora resistiu.”

Espaço para Respirar - Meditações Cristãs
CARTA #9 — A brisa também falou. Você teria ouvido?

Espaço para Respirar - Meditações Cristãs

Play Episode Listen Later Apr 13, 2026 11:42


Você já ficou quieta esperando Deus falar — e percebeu que Ele já estava lá antes de você terminar de se sentar?Neste episódio, Paula compartilha um momento íntimo de oração — uma brisa, um pelo macio, e a palavra hebraica da'at que muda tudo. Paula reflete sobre o que dizem 1 Samuel 15:22 e Oséias 6:6 — e por que Deus não quer sua lista de pedidos. Ele quer você.

Pausa Técnica
A primeira ronda da Liga Betclic Feminina e as contas da Liga Betclic Masculina

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later Apr 12, 2026 66:04


Neste episódio, o Cyrille Aloísio e o Gonçalo Ferreira reuniram-se para mais um episódio sobre o basquetebol nacional.Falou-se das contas da Liga Betclic Masculina quando faltam duas jornadas para o fim da fase regular, bem como da Liga Betclic Feminina e da primeira ronda dos playoffs finalizada, com destaque para a análise das séries e antevisão das meias finais.

Pausa Técnica
Prémios individuais, futuro dos Lakers e dos Bulls

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later Apr 10, 2026 98:05


Neste episódio, o Gonçalo Ferreira, o Marcos Santos e o Nuno Canossa reuniram-se para mais um episódio sobre NBA. Falou-se das nossas escolhas para os prémios individuais, do futuro dos Lakers após a lesão de Luka Doncic e Austin Reaves, e do futuro dos Bulls depois da limpeza no front office.

Artes
História inédita de português na Guerra Civil de Espanha publicada em França

Artes

Play Episode Listen Later Apr 7, 2026 21:22


Alberto de Oliveira Martins foi um anónimo que se deixou levar pelos ventos da história e que, no final da sua vida, decidiu contar o que viveu com a ajuda de uma velha máquina de escrever que o filho lhe ofereceu. Alberto nasceu em Portugal durante a Primeira Guerra Mundial, viveu a chegada da ditadura, combateu o franquismo na guerra civil de Espanha, foi preso num campo de internamento em França na Segunda Guerra Mundial e esteve detido nas prisões salazaristas em Portugal. Tudo isso escreveu nas suas memórias no final dos anos 80. Quarenta anos depois, o seu filho, Joaquim, partilhou o texto com o historiador Victor Pereira que foi à procura dos rastos desta história invulgar. O resultado é um livro intitulado “Les Carnets d'Alberto. De Porto à la guerre d'Espagne” [“Os Cadernos de Alberto. Do Porto à Guerra de Espanha”] que vai ser publicado em Maio em França, pela editora Chandeigne & Lima, e sobre o qual estivemos à conversa com Victor Pereira. RFI: Do que fala o livro “Les Carnets d'Alberto. De Porto à la guerre d'Espagne” ? Victor Pereira, Autor e historiador: “Há mais de um ano, Joaquim de Oliveira Martins veio ter comigo dizendo que o pai tinha combatido durante a Guerra de Espanha e que tinha combatido na coluna Durruti, uma coluna dirigida pelo próprio Durruti, que foi um dos mais célebres anarquistas espanhóis. Disse-me que o pai dele tinha combatido lá e que no fim da vida, isto é, no fim dos anos 80, ele tinha escrito não propriamente um livro, mas umas Memórias que, depois, ele me emprestou para eu ler. É um relato fantástico de uma vida que começa em 1915 no Porto e cujas Memórias acabam em 1943,1944, quando regressa a Portugal. O que eu fiz foi convencer - e não foi muito difícil -a Anne Lima da editora Chandeigne & Lima para publicar este texto, que é inédito e há muito poucas obras sobre a participação de portugueses na Guerra de Espanha.   O que eu fiz foi ir aos arquivos em Portugal, em Espanha e em França para tentar encontrar rastos da vida dele, pensando que ele tinha vivido várias aventuras pouco comuns. Encontrei documentos, nomeadamente no Arquivo da Guerra Civil de Espanha, em Salamanca, e fui encontrando várias coisas sobre ele. Muitas vezes, eram coisas que não parecem importantes, como recibos de consulados portugueses em Espanha, e fui conseguindo conferir o que ele dizia porque ele escreveu 40, 50 anos depois e a memória distorce um pouco os eventos. Então, o livro é feito das memórias dele e de uma introdução minha que é bastante longa que é uma introdução biográfica com o que eu consegui encontrar nos arquivos nos vários países para compreender o percurso pouco comum dele.” Há dois textos no mesmo livro: o texto de Alberto de Oliveira Martins, que ele escreveu como testemunho autobiográfico, e a investigação do historiador Vítor Pereira sobre este anónimo... “É isso mesmo. São dois textos. Começa com o meu, mais ou menos 200 páginas, baseado no texto dele, nos arquivos, nas memórias de pessoas que combateram na Guerra de Espanha. Ele combateu numa frente em Aragão, com milicianos que vinham de Barcelona. Li muitas coisas sobre esse combate à volta de Saragoça, onde ele esteve mais. Depois, ele tem o que aconteceu com milhares de espanhóis quando os republicanos foram perdendo a guerra e houve a Retirada, isto é, a entrada de 475.000 pessoas que atravessaram a fronteira entre a Catalunha espanhola e a francesa. Ele faz parte desse milhares de pessoas e é internado num campo de internamento em França. Depois regressa a Portugal e é preso no Aljube. Então, eu vou também contando a história dele, a história de outras pessoas, nomeadamente portugueses, que combateram na Guerra de Espanha e também das pessoas que foram presas durante os anos 1940, 41 em Portugal - no Aljube e em Caxias. Depois, há o texto dele, que começa na infância até quando ele tem mais ou menos 30 anos.” A história de Alberto de Oliveira Martins também ilustra um ângulo morto da História? A história dos portugueses que lutaram na guerra civil de Espanha não é uma história muito conhecida, pois não? “Não é muito conhecida. Foram menos de dez portugueses que escreveram sobre a guerra que eles fizeram e, muitas vezes, são Memórias muito politizadas, o que é bastante normal. Há Memórias de um comunista, há Memórias de um anarquista, alguns textos biográficos de pessoas republicanas. São pessoas mais cultas que contam isto do ponto de vista da mobilização política.” Pode dizer-nos nomes? “Por exemplo, o anarquista Manuel Firmo, o comunista Francisco Ferreira, o Jaime Cortesão, o Jaime de Morais. Foram textos que foram publicados desde os anos 70 até há pouco tempo, como o texto de Jaime de Morais que foi publicado pela Cristina Clímaco e Heloísa Paulo. Mas, no caso de Alberto, ele já está em Espanha e é bastante por acaso que ele vai começar a guerra. Então, ele não tem uma visão muito politizada e, por exemplo, quando se compara com outros textos de memórias de espanhóis, franceses ou de outras pessoas que combateram na guerra, eles têm uma visão muito ideológica. Alberto conta muito a vida quotidiana dos combatentes, o esforço para comer não muito mal, as brincadeiras entre soldados, como eles ouviam a rádio. É o relato da guerra por um homem, isto é, ele não faz um grande discurso sobre a guerra, ele conta o seu quotidiano de combatente. Então, são muito poucos os relatos [de portugueses] sobre esta guerra, ainda menos por pessoas não politizadas e que não estão a tentar legitimar o que eles fizeram ou não fizeram. É um relato do quotidiano.” Na introdução, o Victor Pereira escreve que “ele não parte para Espanha em nome de um ideal antifascista”, mas “é apanhado pela guerra quando já está em Espanha”. Por outro lado, quando está na guerra, ele não faz dos soldados heróis e até fala da confraternização com soldados do campo adversário. Isto vai ao encontro do que acaba de dizer, não é? “Sim, sim. Muitas vezes há muito essa imagem da Guerra de Espanha que foi uma guerra que mobilizou as opiniões públicas ocidentais em França, Portugal. Na minha introdução, falo sobre como é que a Guerra de Espanha também foi uma guerra quase interna a Portugal. Podemos realçar quando, em Julho de 1937, há uma tentativa de atentado a Salazar que falha e o objectivo das pessoas que tentaram matar Salazar era para tentar enfraquecer o campo nacionalista espanhol porque Salazar foi um grande apoio desde o início aos insurrectos espanhóis e a Franco. O Alberto de Oliveira Martins não tem essa visão politizada. Por exemplo, há uma parte onde ele escreve que quando começou a guerra civil, havia uma aldeia que estava do lado nacionalista e a aldeia ao lado estava do lado republicano e os combatentes dos dois lados conheciam-se pessoalmente. Por vezes, odiavam-se há vários anos, até há várias décadas, mas o que ele conta é que, por vezes, há jovens soldados que estavam muito perto uns dos outros e o que eles fizeram foram pactos dizendo: ‘Olha, não vamos matar ninguém. Vamos atirar para o ar. Assim, os nossos oficiais pensam que nós estamos a combater'. Às vezes, até falavam uns com os outros e faziam estes pactos de paz muito localizados. Isso não aparece tanto nos outros textos porque o que aparece é uma luta de vida e de morte entre o fascismo e antifascismo. Então, ele foca coisas que muitas vezes não são focadas nas memórias da Guerra de Espanha.” Mas de que lado lutou Alberto de Oliveira Martins? “No início, quando ele está em Espanha, ele não tem sorte, como aconteceu a milhares de pessoas. Ele encontra-se num comboio que vai até Saragoça. Saragoça foi tomada pelos militares rebeldes que depois vamos chamar os franquistas. Eles querem imobilizá-lo no campo dos franquistas e ele foge. Algumas semanas depois, ele encontra-se com o próprio Durruti, um dos chefes dos anarquistas que impediu os militares de tomarem o poder em Barcelona. Em 19 e 20 de Julho de 1936 há luta nas ruas de Barcelona, o Durruti e outros camaradas da CNT (do Movimento Anarquista) conseguem domar a tentativa de golpe de Estado e, a partir de 24 de Julho vão milhares de catalães e anarquistas até Saragoça para tentar libertar Saragoça, que tinha sido ocupado pelos militares. Ora, ele estava numa aldeia onde chega o Durruti e o Durruti dá-lhe uma arma e ele vai seguir e vai combater durante quase três anos. A coluna Durruti vai ser uma das mais conhecidas da guerra de Espanha e ele vai combater durante três anos em Aragão, depois na Catalunha. Como é um jovem de 1m80, bastante esperto, bastante ágil, que toda a gente considera que espanhol, ele vai participar em acções de sabotagem no curso de guerrilhas. Então, ele vai combatendo, ainda que ele não tenha ido para combater. Foi a guerra que foi ter com ele. Estando na guerra, ele combate até ao fim, até Janeiro de 1939.” Temos noção de quantos portugueses participaram nesta Guerra Civil Espanhola? “Isso é muito difícil. Há, desde os anos 80, alguns estudos, nomeadamente do César Oliveira, também de Cristina Clímaco sobre o exílio português em França e em Espanha. Há vários números, por vezes 500, vai subindo até 2.000, alguns estudos até falam em mais, e estou a falar do lado dos republicanos, aqueles que ajudaram a República espanhola a lutar contra as tropas franquistas.  Muitas vezes fala-se em alguns milhares, 2.000, talvez mais. Um dos grandes problemas - como no caso do Alberto que nunca é referido como português e o nome dele aparece em castelhano nos arquivos - nas listas de nomes ninguém pode saber se são portugueses. Talvez muitos mais portugueses tenham combatido durante a Guerra de Espanha, mas eram considerados espanhóis e havia antes da guerra mais de 20.000 até 30.000 portugueses que estavam a trabalhar na Galiza, na Extremadura, na Andaluzia, sobretudo. Então, houve provavelmente muitos portugueses que combateram e nós não sabemos. Depois temos os portugueses que estão em Espanha, os voluntários que foram combater do lado do Franco. São os chamados ‘Viriatos' e na literatura histórica aparece que foram 8.000, 10.000, alguns até dizem 20.000. Há alguns anos, um militar português, Varela Gomes, disse que provavelmente não eram assim tantos, provavelmente eram 2.500. Por isso, o problema da quantificação é um problema ainda em aberto. Imagino que vão ser precisos muitos anos para saber melhor.” Falou na busca de de arquivos, na recolha de rastos, de memórias. Eu suponho que tenha sido um processo rico em surpresas. Como é que foi esse percurso que o levou a viajar entre a França, a Espanha e Portugal? “Então, foi como um detective, como um polícia. Eu tinha o texto dele, eu sabia que ele foi preso duas vezes nos anos 30, em Espanha, que foi expulso uma vez para Portugal em 1934. Eu sabia que ele tinha sido preso pela PVDE, isto é, a polícia política portuguesa antes da PIDE, e a partir daí fui procurando arquivos de documentação. O mais óbvio era o processo dele no arquivo da PIDE, na Torre do Tombo, em Lisboa, o que era um processo complicado no sentido que ele é preso quando regressa a Portugal em 1940 e, obviamente, ele não vai dizer a verdade à polícia política porque se dissesse a verdade seria enviado para o Tarrafal, o campo de internamento que foi criado em 1936 e para onde foram enviados opositores republicanos, opositores comunistas, anarquistas. A partir de 1930 e 1940, todos os portugueses que foram presos e que tinham combatido na Guerra de Espanha foram enviados para o Tarrafal em condições muito difíceis e alguns morreram em Cabo Verde. Então, obviamente que ele mente e, para mim, era uma fonte complicada, porque eu sei à partida que ele vai mentir. O que ele diz nas Memórias permite compreender isto. Depois, ele conta que em 1932 e 1936 ele vive em Espanha, faz uns biscates, vai mudando muitas vezes de sítio e isso foi uma missão que foi muito demorada. Vi toda a documentação sobre os consulados portugueses em Barcelona, em Sevilha, em Córdoba, em sítios onde eu sabia que ele tinha passado. Para mim, foi uma grande alegria quando, um dia, vendo um conjunto de recibos que eram as ajudas que os consulados portugueses davam a portugueses indigentes ou com poucos meios, reconheci a assinatura dele no recibo! Depois fui vendo vários recibos e, muitas vezes, eram recibos de cinco pesetas, 12 pesetas, o que era bastante pouco dinheiro, mas consegui saber onde ele estava e em que dia. Em Espanha, estive também no arquivo mais importante para qualquer historiador da Guerra Civil que é o Arquivo de Salamanca, que agora se chama o Centro de Documentação da Memória Histórica de Salamanca. O que se passou é que quando as tropas de Franco chegavam a uma cidade ou a uma aldeia, eles iam logo buscar os arquivos dos sindicatos, dos partidos políticos, das câmaras e quando as câmaras eram de esquerda, republicanas, ficavam com toda a documentação e depois enviavam para Salamanca. Em Salamanca, havia pessoas, muitas vezes militares e outros, que liam toda a documentação e faziam fichas: ‘um tal foi chefe do sindicato da CNT, outro foi socialista e foi presidente da Câmara tal, combateu em tal milícia'.  Fizeram fichas que depois permitiam às forças de repressão do Franco encontrarem as pessoas quando estavam em Espanha, julgá-las, prendê-las e, às vezes, executִá-las. Nós não podemos esquecer que o Franco organizou uma repressão duríssima durante a guerra e, ainda depois da guerra, houve dezenas de milhares de espanhóis que foram mortos. Foi ali que encontrei, por exemplo, as notas da Coluna Durruti sobre os milicianos que eram pagos e encontrei várias vezes o nome dele [Alberto de Oliveira Martins]. Depois fui a Córdoba, onde ele tinha sido preso, fui a Valência e encontrei documentos, em alguns sítios não encontrei nada, mas pelo menos tentei. Ele também esteve em França num campo de internamento e, em França, encontrei algumas coisas sobre o internamento dele. Muitas vezes, quando se faz uma biografia, faz-se uma biografia de uma pessoa conhecida que deixa muitos documentos ou deixa muitos rastos. Neste caso, foi ter alguma imaginação para encontrar um rasto dele em documentos que podem parecer pouco importantes, mas que se tornaram muito importantes e pertinentes para compreender a trajectória dele.” Na introdução, fala sobre o texto como “raro e precioso”, “único” até. O que é que este relato de Alberto de Oliveira Martins tem de tão especial para o fascinar ao ponto de lhe dedicar vários meses de investigação? “Em primeiro, é que temos muito poucos relatos de portugueses que combateram na Guerra de Espanha, apesar da importância que foi a Guerra de Espanha e da importância que teve em Portugal. Só isto é importante. Depois, o Alberto de Oliveira Martins emigrou para Espanha e quase não conhecemos nada sobre a emigração dos portugueses em Espanha, quando os portugueses, eram 30.000 em 1930. Havia muita emigração temporária, sazonal, de pessoas do Alentejo, do Algarve, que iam para Espanha. É uma coisa que conhecemos muito mal. Ele também participou numa campanha das vindimas em França em 1934 e eu nunca tinha lido nada sobre portugueses em França nas vindimas. O que é muito importante é que, muitas vezes, quando conhecemos essa história dos emigrantes ou dos combatentes, muitas vezes temos a visão do Estado quando há pessoas que são presas, julgadas, temos relatos do polícia, do juiz, do cônsul. Para mim era muito rico porque era uma pessoa que falava da vida dele na primeira pessoa. Eu podia saber o que ele pensava, porque é que ele tinha feito isto, tinha feito aquilo. É o que nós chamamos, em História, a história dos subalternos, dos pobres, dos operários, das mulheres pobres, dos migrantes. Temos muito poucos relatos na primeira pessoa porque as pessoas não escrevem e muitas pessoas não sabiam escrever. Este é um caso raro de um português nascido em 1915, que emigra, que combate, que está em França no início da Segunda Guerra Mundial e que é um dos raros a escrever e nós conseguimos ter um rasto desse documento.” É resgatar a voz histórica de um anónimo? “Sim, ele é um anónimo e, muitas vezes, a História é feita com reis, rainhas, Salazar, Marcello Caetano, Mário Soares, Álvaro Cunhal. O que me interessou muito foi escrever a vida de um anónimo. Nas minhas próprias investigações sobre a emigração portuguesa em França, eu já tinha visto o nome dele numa lista que eu tinha encontrado no arquivo da PIDE sobre os portugueses presos que se encontravam em campos de concentração em França em 1940. Eu vi dezenas de nomes e quando comecei a leitura apercebi-me que esse nome me dizia qualquer coisa. Para mim é muito importante porque é um anónimo que fala na primeira pessoa. Não são outras pessoas que falam por ele, que escrevem sobre a vida dele. Por isso, foi muito importante para mim, para a editora e para o filho que me deu o texto que nós pudéssemos publicar o texto dele.”

#DNACAST
O Trabalho Devolve - 06 de Abril

#DNACAST

Play Episode Listen Later Apr 6, 2026 2:37


Chame a Laila e descubra como eu posso te ajudar: https://bit.ly/laila-otrabalhodevolveSe você tivesse 15 minutos por dia, o que mudaria na sua vida?

Pausa Técnica
Os possíveis confrontos do play-in e os principais matchups dos playoffs

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later Apr 2, 2026 59:45


Neste episódio, o Gonçalo Ferreira e o Cristiano Pinto reuniram-se para comentar os acontecimentos da semana da NBA.Falou-se dos possíveis confrontos do play-in em ambas as conferências, bem como dos prováveis matchups e de equipas que podem surpreender nos playoffs.

Pergunta Simples
E se a tua dor não for tua? Sílvia Baptista

Pergunta Simples

Play Episode Listen Later Mar 25, 2026 58:02


Sílvia Baptista e o que fica por dizer Há uma pergunta que Sílvia Baptista faz, ocasionalmente, a si mesma. Não aos pacientes, a si. Quando alguém a irrita desproporcionalmente, quando a reação parece vir de um lugar mais fundo do que o incidente justifica, ela para. E pergunta: o que há nesta pessoa que há em mim? É um exercício pequeno, quase doméstico. Mas revela, melhor do que qualquer teoria, aquilo que a psicanálise é, no fundo: uma arte de se ver a si próprio no outro. De reconhecer, no que nos perturba lá fora, qualquer coisa que ficou por resolver cá dentro. Sílvia começou pelo jornalismo. Passou pela comunicação, pela escrita, pelas perguntas feitas a outros. E depois, a dada altura, fez a pergunta mais difícil a si mesma. Tornou-se paciente. E ficou. Não como quem não tem para onde ir, mas como quem descobriu, no divã, o território mais honesto que conhecia. Hoje, do outro lado da consulta, trabalha com aquilo que as pessoas não conseguem ainda dizer. "Na psicanálise não interessa o que as pessoas estão a dizer", explicou-me. "Interessa é o que não estão a dizer." É uma inversão radical. Numa cultura que premeia a articulação, a fluência, a capacidade de se apresentar bem — a psicanálise aposta precisamente no contrário. Acredita que o sentido habita o silêncio, o lapso, o sonho, o momento em que alguém quer dizer mãe e diz não. Acredita que a verdade escorrega pelas fissuras da narrativa apresentada. E a narrativa muitas vezes nem sequer é nossa. "Somos, até muito tarde, aquilo que dizem que somos." Os pais, os cuidadores, a família, contam-nos uma história sobre nós, e nós acreditamos. Não por ingenuidade, mas por necessidade. As crianças dependem absolutamente de quem as tem. Não têm como não acreditar. E assim chegamos à vida adulta carregando versões de nós mesmos escritas por outros, em circunstâncias que já não existem, para propósitos que já não servem. A terapia, neste sentido, não é uma cura. Sílvia foi clara nisto, e foi uma das coisas que mais me ficou. "Eu não acredito nas curas. A mente não é a preto e branco." O que a análise faz, o que pode fazer, no melhor dos casos, é tornar as coisas conscientes. Fazer ligações entre a dor de hoje e a sua origem. E devolver ao paciente uma narrativa que seja, pela primeira vez, genuinamente sua. "Isso", disse ela, "dá um alívio brutal." Há qualquer coisa muito contemporânea no que Sílvia descreve. Vivemos tempos em que todos publicamos versões editadas de nós mesmos, em que a palavra "autenticidade" se tornou um valor de marketing, em que a vulnerabilidade é exortada em conferências e monetizada em podcasts. Sílvia é crítica desta inflação. A vulnerabilidade, argumenta, não se pede. Não se convoca. Decorre da confiança, que por sua vez decorre da relação, que por sua vez precisa de tempo. "Exortar as pessoas à vulnerabilidade pode ser um ato muito narcísico de quem exorta." Dito assim, com aquela precisão clínica, soa a diagnóstico. Depois há o desejo. A conversa chegou lá a dada altura, e ficou. O desejo, em psicanálise, não é apenas o que queremos dos outros, é a força vital, o motor que nos empurra. E tem uma condição: nasce da falta. Só existe onde há ausência, onde há espera, onde há tensão entre o que é e o que poderia ser. Sílvia olhou para a geração mais nova com uma mistura de compreensão e inquietação. Têm casas para onde ir, telemóveis que comunicam em tempo real, acesso a tudo e a todos em qualquer momento. Nunca ficaram à espera de um telefonema que podia não chegar. Nunca entraram numa portada de prédio porque não havia outro sítio. E perderam, nessa abundância, qualquer coisa que ela não soube bem nomear mas que reconheceu sem hesitar: o prazer de não ter, e querer. "O prazer hoje é um fogacho", disse. "Serve para nos excitar naquele momento. Depois apagam." A metáfora é perfeita para o que vivemos. Não há falta, por isso não há desejo. Não há desejo, por isso não há prazer verdadeiro. Não há prazer verdadeiro, por isso precisamos de outro fogacho. A dopamina como substituto do amor. E o silêncio. Sílvia falou do silêncio como de um bem escasso. No consultório, sustenta-o. Espera. O paciente para, e ela espera. Sabe que o silêncio não é ausência, é elaboração. É o momento em que alguma coisa se organiza por baixo das palavras. Mas cá fora, o silêncio tornou-se insuportável. "Há pessoas que o único sítio onde encontram silêncio é na terapia." Quando disse isto, a sala ficou mais quieta por um segundo. Como se a frase precisasse de espaço para pousar. No final, quando a conversa tocava nos cinquenta minutos, perguntei-lhe como arrumava a cabeça após um dia inteiro a ouvir dores. Falou dos passeios com as cadelas, dos amigos, do namorado. E depois disse, sem hesitar, algo que não esperava de uma psicanalista: "Só há uma coisa que cura tudo. É o amor. O amor ao outro. O amor ao humano." Não o amor como conceito terapêutico. Não como técnica. O amor como facto. Como a única coisa que, no fim de tudo, funciona. Há qualquer coisa desconcertante em ouvir isso de alguém que passou a vida a ouvir o que não se diz. Porque sugere que, debaixo de todos os lapsos, de todos os padrões repetidos, de todas as histórias herdadas — o que as pessoas estão mesmo a dizer, o tempo todo, é que querem ser amadas. E que ainda não sabem pedir. Ler transcrição completa Sílvia Baptista00:00Na psicanálise não interessa o que é que as pessoas estão a dizer. Interessa é o que é que elas não estão a dizer. Ou seja, nesse caso, não interessa tanto o que é que a pessoa acha que tem. Interessa é o que é que a pessoa não tem e gostava de ter, mas também ainda não sabe o que é. A verdade é que há um desconforto, há um sintoma. Se o sintoma está lá, alguma coisa está lá. Não é só uma questão de birra. Jorge Correia00:36Imaginem que vão à consulta de psicologia, sentam-se e a terapeuta está à vossa frente e começam a falar. Contam a vossa semana, o stress do trabalho, as discussões com o parceiro, a sensação de que alguma coisa não está bem, mas não sabem bem o quê. E a terapeuta ouve. O que é que acham que ela está a ouvir? Não é o que estão a dizer, é aquilo que não estão a dizer. Foi isso mesmo que Silvia Batista me explicou quando nos sentamos para conversar. Silvia é psicanalista há mais de 20 anos, mas começou pelo jornalismo e isso, como vamos ver, não é um detalhe sem importância. A psicanálise tem uma ideia central que vai contra tudo aquilo que nos ensinaram. Desde pequenos aprendemos a articular, a explicar o que sentimos, a encontrar as palavras certas e depois chegamos a um consultório e descobrimos que as palavras certas podem ser precisamente o problema. Porque o que nos dói a sério, o sofrimento que nos traz até ali, não consegue sempre chegar à superfície em linguagem limpa. Aparece nos lapsos, nos sonhos, nos padrões que repetimos sem perceber porquê, no sagrado subconsciente, na história que nos contaram sobre nós e que muitas vezes não é a nossa. Essa foi a ideia que mais me ficou durante esta conversa, que nós temos uma narrativa sobre nós mesmos, uma versão do que somos, de onde viemos, do que nos aconteceu, mas o problema é que grande parte dessa narrativa foi escrita pelos outros. Pelos pais, pela família, pelas pessoas de quem dependíamos quando ainda não tínhamos escolha. E nós acreditamos. Claro que acreditamos. Eram as pessoas mais importantes do mundo. E o trabalho da terapia não é apagar essa história, é ajudar-nos a reescrevê-la com a nossa própria voz. Falamos também de algo que me parece cada vez mais urgente. O desejo. Não no sentido romântico, mas no sentido mais amplo. O que nos empurra, o que nos faz querer. A ideia é esta. O desejo precisa de falta para existir. Precisamos de não ter para querer ter. E aqui está o paradoxo da nossa época. Vivemos num mundo em que quase nada nos falta. Acesso imediato a tudo, entretenimento infinito, respostas instantâneas. Estamos, muitos de nós, profundamente apáticos. Não é coincidência. No fim desta conversa, perguntei-lhe algo muito simples. Como é que ela faz todos os dias, depois de ouvir dores e carregar histórias que não são suas, para conseguir sobreviver? E ela surpreendeu-me mais uma vez. Respondeu que só há uma coisa que cura tudo. É o amor. Não o amor como ideia, não como tema de conversa. O amor como prática concreta. Os amigos, a família, as pessoas que estão lá. Fiquei a pensar nisto depois de ela sair embora. Aqui está alguém que passou décadas a ouvir o sofrimento humano na sua forma mais bruta e a conclusão a que chegou, a única coisa que na sua experiência realmente funciona é o amor. Silvia Batista. Cá estamos. Psicanalista. Uma psicanalista da palavra e da voz, porque tu não és só uma psicanalista, tu dedicas muito do teu tempo a falar e a pensar sobre a questão da comunicação. Sílvia Baptista03:43Como é que é o teu dia-a-dia? O meu dia-a-dia é muito no consultório, a ouvir e a falar, mas muito mais a ouvir do que a falar. Curiosamente, a minha primeira formação é em comunicação. Eu venho da comunicação e venho do jornalismo. Então é daí que veio o teu segredo? Não, é… Bom, eu achei, houve uma altura que eu achava que queria ser jornalista, quando entrei para a faculdade e fiz o curso todo. Ainda fui uns anos jornalista e depois percebi que não era para mim. E depois passei por várias outras áreas até me tornar paciente de psicanálise. Jorge Correia04:26Foste fazer psicanálise? Sílvia Baptista04:27E depois fui estudar psicanálise e psicoterapia e cá estou. Jorge Correia04:31Todos os psicanalistas passam pelo divã primeiro? Sílvia Baptista04:33Sim, sim. Sempre? Absolutamente fundamental. Jorge Correia04:36E quanto tempo dura esse processo de formação? Sílvia Baptista04:38O de formação, eu diria até que não acaba. Obviamente há um processo base, que são quatro anos teóricos, mais uma porrada de horas de clínica e de supervisão e de intervisão. E depois vai depender muito da pessoa. Eu acho que não acaba,

Pausa Técnica
O novo acordo CBA na WNBA

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later Mar 25, 2026 72:38


Neste episódio, o Cyrille Aloísio abordou diversos temas que marcaram a última semana de basquetebol feminino.Falou-se do novo acordo de CBA relativo à WNBA, da final 4 da Taça de Portugal feminina, que decorre no próximo fim-de-semana e a última jornada da fase regular da Liga Betclic Feminina.Houve ainda tempo para um breve comentário acerca das primeiras rondas do March Madness, com destaque para o nosso Ruben Prey.

Pausa Técnica
Sequência de vitórias de Lakers, Hawks e os primeiros passos para a expansão

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later Mar 21, 2026 76:39


Neste episódio, o Gonçalo Ferreira, o Marcos Santos e o Cristiano Pinto reuniram-se para falar dos temas que marcaram a semana da NBA.Falou-se de mais um capítulo da novela Giannis, das lesões de Cade e Anthony Edwards e do impacto nas respetivas equipas, da sequência de vitórias dos Lakers e dos Hawks, bem como dos primeiros passos a serem dados para a expansão da NBA, de 30 para 32 equipas.

Pausa Técnica
O March Madness 2026 e a época de Ruben Prey

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later Mar 18, 2026 87:53


Neste episódio, o Cyrille Aloísio recebeu o Pedro Fonseca para antever o torneio universitário do March Madness.Falou-se dos principais candidatos a vencer a competição, dos jogadores mais bem classificados para entrarem na NBA através do draft e ainda da época do português Ruben Prey na universidade de St. John's.

Vamos Falar de FUm
Vamos Falar de Wrestling: #UmKikoEmCadaCartaz

Vamos Falar de FUm

Play Episode Listen Later Mar 18, 2026 151:37


O Bruno Tomás, Francisco Duarte, Bernardo Figueiredo, Gil Caçoilo e o Gonçalo Ferreira reuniram-se para mais um episódio de wrestling. Falou-se do NXT Vengeance Day, programação semanal, antevisão do Rey de Reyes e do AEW Revolution. Link para o fantasy booking da WrestleMania 42 VFW: https://forms.gle/MpF6CazuJVzmY7218 Onde falamos apaixonadamente de Wrestling! Podem participar no Grupo do WhatsApp do Vamos Falar de Wrestling aqui: https://chat.whatsapp.com/BqunYaY9WCPBmAV8PdtVAE Podcast: https://linktr.ee/VFF1 Patreon: https://www.patreon.com/vff1 Twitter: https://twitter.com/VamosFalardeFum Instagram: https://www.instagram.com/vamosfalardefum Substack Vamos Escrever de FUm: https://vff1.substack.com/ Canal de WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaDuq7KId7nTEUhbWq3R Grupo de WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/JrIbkrCcvvr4WLbYyhdKoO Subscreve o canal e apoia o Vamos Falar de FUm: https://www.youtube.com/channel/UCWgzFlfQqhYlRxfATnL2cjg/join

Pausa Técnica
83 pontos de Bam Adebayo e as desilusões da época

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later Mar 12, 2026 89:17


O Cyrille Aloísio, Gonçalo Ferreira, Nuno Canossa e o Marcos Santos reuniram-se para mais um episódio sobre a semana da NBA.Falou-se do enorme jogo de Bam Adebayo, dos primeiros jogos de Tatum e das desilusões da época.

Verbo Sede
A fé tem uma ação: Se Deus já falou com você, por que ficar parado? - Charles Vieira

Verbo Sede

Play Episode Listen Later Mar 11, 2026 51:48


A fé tem uma ação: Se Deus já falou com você, por que ficar parado? - Charles Vieira by Verbo da Vida Sede

Idiossincrasia Africana
EP.183 - Papo Reto II (Part. @miguelslb1904)

Idiossincrasia Africana

Play Episode Listen Later Mar 10, 2026 177:40


Neste episódio 183 do podcast Idiossincrasia Africana, marcamos o regresso de Miguel, cuja franqueza e lucidez já haviam deixado marca no episódio 48, intitulado Papo Reto. Na altura, conhecemos a sua forma de pensar, despojada de filtros, direta e sem receio de confrontar as realidades incómodas.Desta vez, a conversa foi mais profunda e incidiu sobre o fenómeno que poderíamos designar de panafricanismo digital, uma expressão moderna do ideal panafricanista que, em vez de se afirmar como um projeto de emancipação e solidariedade entre povos negros, tem vindo a transformar-se num palco de vaidade virtual. Um espaço onde muitos procuram não a construção coletiva, mas a validação pessoal, seja pela aprovação nas redes sociais, seja pela conquista de atenção e desejo.O problema, porém, é mais vasto. Este pseudo panafricanismo converte o debate em trincheiras, nas quais qualquer voz dissidente, ainda que partilhe a mesma cor de pele, é rapidamente rotulada de Uncle Tom ou de Coon. Esta tendência, cada vez mais visível, enfraquece a coesão comunitária e mina o princípio essencial da diversidade intelectual, fundamento tanto da democracia quanto do verdadeiro espírito panafricanista. A inclusão não pode, por definição, sustentar-se na exclusão de ideias.Falou-se também das relações entre homens e mulheres e do crescente declínio do respeito mútuo que parece marcar a sociedade contemporânea. Uma inversão de valores que ultrapassa o simples conflito de géneros, revelando uma crise mais ampla de empatia, compreensão e responsabilidade emocional. Um tema fascinante e polémico, que Miguel, com a sua habitual clareza, ajudou a explorar ao longo do episódio.O episódio 183 é, em suma, um convite à reflexão. Uma reflexão sobre o que realmente significa lutar pela emancipação negra no século XXI, sobre o papel das redes sociais na construção ou desconstrução do pensamento coletivo e sobre as dinâmicas sociais que, tantas vezes, nos afastam mais do que nos unem. Um diálogo honesto, provocador e necessário.Contamos com o teu feedback nos comentários.

Espaço para Respirar - Meditações Cristãs
Carta #5 - Deus falou com você esta semana. Você ouviu?

Espaço para Respirar - Meditações Cristãs

Play Episode Listen Later Mar 9, 2026 10:34


Deus sussurra. E sussurrar exige proximidade. Paula reflete sobre Elias e a voz mansa — e sobre a diferença entre orar e verdadeiramente escutar. Receba a carta semanal gratuitamente em: paulatalmelli-aboaparte.tiiny.site

Convidado
António Lobo Antunes: O escritor que “desmontou tudo” e “inventou um estilo próprio”

Convidado

Play Episode Listen Later Mar 5, 2026 12:45


António Lobo Antunes foi um escritor “radical”, revolucionário, que “desmontou tudo” e “inventou um estilo próprio, uma língua sem equivalente". As palavras são de Dominique Nédellec, tradutor em França daquele que foi um dos maiores nomes da literatura portuguesa contemporânea e que morreu, esta quinta-feira, aos 83 anos. Ana Lima, editora e parceira da Livraria Portuguesa & Brasileira, em Paris, explica que António Lobo Antunes é “um dos autores portugueses mais conhecidos em França” e “uma presença em praticamente todas as livrarias francesas”. A morte de António Lobo Antunes, esta quinta-feira, marca o desaparecimento de uma das figuras maiores da literatura portuguesa contemporânea. António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1 de Setembro de 1942, licenciou-se em Medicina em 1969 e especializou-se em Psiquiatria, mas optou pela escrita a tempo inteiro em 1985. Foi aos 37 anos que publicou o seu primeiro romance, “Memória de Elefante”, em 1979, ano em que também lançou “Os Cus de Judas” e iniciou a sua revolução na literatura portuguesa pós-25 de Abril. A guerra colonial atravessou toda a sua obra, a partir da sua passagem por Angola entre 1971 e 1973 ao serviço do Exército colonial como médico. A sua forma de escrever e de explorar a condição humana no que tem de mais “terrível, cómico, ridículo e comovente” percorreu, como “um rio, uma tempestade”, os seus mais de três dezenas de romances, no entender de Dominique Nédellec, tradutor de António Lobo Antunes em França nos últimos quase 15 anos. O tradutor acrescenta que ele foi um escritor “radical”, revolucionário, que “desmontou tudo” e “inventou um estilo próprio, uma língua sem equivalente". “Ele frequentemente dizia que ninguém escrevia como ele, nem sequer ele próprio. Ele desmontou tudo, foi um golpe terrível no estilo normal, habitual, tradicional. Ele inventou um estilo próprio, conseguiu elaborar uma língua sem equivalente", resumiu. Lobo Antunes foi , sem dúvida, “um dos autores portugueses mais conhecidos em França”, sublinha Ana Lima, parceira da Livraria Portuguesa & Brasileira, em Paris, falando em “uma presença em praticamente todas as livrarias francesas, as grandes e as independentes”, ao lado de nomes como Fernando Pessoa e José Saramago. A editora fala de um escritor de “um grande modernismo”, com “um tipo de escrita que é um fluxo de consciência permanente” e “sem compromisso”.   Dominique Nédellec: "Não é todos os dias que se tem a sensação de se traduzir um génio” RFI: O que representa António Lobo Antunes para a literatura portuguesa e mundial contemporânea? Dominique Nédellec, Tradutor de António Lobo Antunes: “O trunfo maior de Lobo Antunes foi este jeito de fazer uma revolução estilística. Ele frequentemente dizia que ninguém escrevia como ele, nem sequer ele próprio. Eu acho que ele desmontou tudo, foi um golpe terrível no estilo normal, habitual, tradicional,  e ele inventou um estilo próprio, uma língua super tensa, uma língua que parece ao mesmo tempo um rio, uma tempestade, que mistura as histórias, que mistura os planos temporários, em que os mortos têm a mesma importância que os vivos, em que os mortos estão sempre a chegar, a falar, a participar na vida dos vivos. Ele conseguiu elaborar uma língua sem equivalente, carregada de sentimentos e da experiência humana no que tem de terrível, de cómico, de ridículo, de comovente. Para mim, o Lobo Antunes é isto tudo.” Como foi traduzir toda esta “experiência humana” no que tem de mais complexo? “É uma experiência única também porque exige um mergulho total na obra dele para ouvir principalmente. São livros que devem ser lidos com o ouvido. É muito sensorial, chama a atenção de todos os sentidos. Então, tentar traduzir a riqueza do estilo dele exige muito tempo, paciência, perseverança também. O paradoxo é que traduzir exige uma lentidão imensa para agenciar todo aquele esquema muito complexo, mas o objectivo final é que a última leitura seja tão fácil e tão fluida e rápida como no original. No dia a dia, eu avanço passo a passo, muito lentamente e só fico contente quando, no final, na altura da última leitura, eu recupero aquela naturalidade, aquela fluidez da mistura que ele consegue e da pungência do estilo dele. É uma tarefa complicada, mas ao mesmo tempo muito gratificante porque não é todos os dias que se tem a sensação de se traduzir um génio.” Dos livros que traduziu de António Lobo Antunes ou da sua obra em geral, qual é aquele que mais o tocou pessoalmente? “Há um que realmente faz a súmula de tudo o que ele sabe fazer e dos temas de predileção do autor. Se calhar seria ‘Até que as Pedras se Tornem Mais Leves que a Água” porque está lá tudo ao mesmo tempo. Está lá ‘Os Cus de Judas' com o tema da guerra em Angola, o que foi obviamente fundamental para ele, mas é um livro que vai muito mais longe do que ‘Os Cus de Judas'. Tem uma mestria, um domínio total da técnica que ele elaborou ao longo dos anos. Então, para mim é uma soma, realmente é uma obra-prima total e para quem nunca leu o Lobo Antunes está lá tudo com uma virtuosidade ímpar.” António Lobo Antunes fala da guerra colonial e dos seus fantasmas de uma forma muito particular e, também, se calhar, revolucionária. Quer falar-nos sobre sobre esse tema e outros que atravessem a obra dele? “Bom, obviamente é central na vida dele e na obra dele. E, aliás, é possível reparar que são temas que voltaram sempre na cabeça dele e tem imagens ou episódios que se encontram logo em ‘Os Cus de Judas', mas que também se encontram contados nas cartas que enviou para a mulher durante a guerra e que voltam nos últimos livros. Ou seja, na vida toda houve episódios que nunca conseguiu eliminar, que ficaram lá para sempre gravados na cabeça dele, na vida dele, no corpo dele. Ele conseguiu fazer desta matéria-prima traumatizante o motivo de uma obra e através destes temas conseguiu dar uma dimensão diferente daquela tragédia. Este tema alimentou a obra dele, mas também queria salientar que é preciso não limitar a obra do Lobo Antunes à guerra e a Angola. Depois, cada vez mais, ficou longe dos primeiros volumes muito autobiográficos e cada vez mais aprofundou uma pesquisa estilística. Também queria que as pessoas entendessem que há humor, há muito humor na obra dele, humor negro, mas também humor burlesco, há coisas muito divertidas, sem cinismo, humor também leve. Há de tudo, obviamente e também é uma das marcas dele passar de uma coisa leve e engraçada e infantil, pueril até, a uma coisa gravíssima ou negra ou deprimente. É aquela fornalha toda sem equivalente.” Por que é que António Lobo Antunes não teve o Prémio Nobel da Literatura? “Eu acho que, se calhar, porque é demasiado fora das categorias normais, não é liso o suficiente se calhar. É demasiado abrupto, demasiado inclassificável, demasiado exigente com ele próprio. Ele nunca fez nada para facilitar o acesso dos leitores à obra dele. É demasiado radical, se calhar. Se calhar é esta a explicação. Nos últimos anos, foi sempre complicado perceber o raciocínio dos júris do Prémio Nobel, mas não temos de chorar por isso. Até seria uma marca de nobreza porque claro que ele merecia o prémio, mas será que o prémio merecia o Lobo Antunes? Não tenho a certeza porque ele estava acima disto tudo.” Falou na “sensação de traduzir um génio”. E a pessoa? Como é que era António Lobo Antunes? “Também foi uma surpresa para mim porque fui sempre avisado que ele era uma personagem complicada, abrupta, mas comigo foi sempre de uma grande ternura, uma grande generosidade. Acho que ele gostava do meu trabalho e ele repetiu isso várias vezes, em privado, mas também em público e foi sempre um incentivo e uma honra enormes. Eu lembro-me desta ternura, era capaz de dar uma piscadela, um abraço forte e são as imagens que vou lembrar.” Quais foram os livros de Lobo Antunes que traduziu em França? “Eu traduzo-o desde 2011, ou seja, quase 15 anos, e acabo de entregar a décima tradução de Lobo Antunes, que é o ‘Dicionário da linguagem das Flores'. Os nove anteriores fui eu que traduzi. Comecei com ‘O Meu Nome é Legião' e desde então fui eu a traduzi-lo.”   Ana Lima: António Lobo Antunes é “uma presença em praticamente todas as livrarias francesas” RFI: O que representa António Lobo Antunes nas livrarias em França? Ana Lima, Parceira da Librairie Portugaise & Brésilienne: “António Lobo Antunes é, pelo menos em França, um dos autores mais conhecidos do século XX e início do século XXI e talvez o que conseguiu que a literatura portuguesa, com Fernando Pessoa e Saramago, tivesse uma presença em praticamente todas as livrarias francesas, as grandes e as independentes. É um dos autores mais conhecidos portugueses, mesmo se não foi necessariamente lido pelos que o conhecem, e os autores contemporâneos portugueses, também traduzidos em França actualmente, muitos também se reivindicam dele. Portanto, há um contínuo e há uma presença dele bastante importante.” Qual é o ADN que compõe a literatura de António Lobo Antunes que faz dele um dos grandes autores do século XX e XXI? “Antes de mais, foram umas temáticas muito importantes sobre a guerra colonial, sobre o Portugal pós-25 de Abril, sobre uma descrição da sociedade sempre sem compromisso, sempre com uma visão entre ironia e uma visão muito clara que era, às vezes, um bocado feroz e também um tipo de escrita que é um fluxo de consciência permanente, um texto sempre a fluir, que era uma maneira de escrever um bocado nova na literatura portuguesa, que teve um impacto muito grande, um grande modernismo.” Que livros de António Lobo Antunes recomenda? “Desde logo ‘Os Cus de Judas' que foi mesmo um marco na literatura portuguesa, o ‘Fado Alexandrino', ‘O Regresso das Caravelas', ‘A Morte de Carlos Gardel'. Quer dizer, há assim estes que eu pessoalmente gostei muito e que foram importantes para mim. Agora, ele produziu muito, muito. Aconselho a ler tudo, mas se se tiver que ler alguns é ‘Os Cus de Judas', ‘Fado Alexandrino', ‘O Regresso das Caravelas' e talvez ‘A Morte de Carlos Gardel'. Mas isso é a minha escolha.” Por que é que ele nunca chegou a ter o Prémio Nobel da Literatura? “Isso é uma história bastante complicada. O Saramago teve o Prémio Nobel, sabe-se que era um bocado uma competição no prémio entre os dois. O Saramago teve o prémio e foi o primeiro Prémio Nobel de Literatura em língua portuguesa e antes que se desse outro sabíamos que íamos esperar um bocadinho, portanto era uma questão de tempo, o que é uma injustiça porque de língua portuguesa há autores enormes, também brasileiros que não tiveram e que deveriam ter tido.”

Pausa Técnica
Dupla jornada da seleção e as últimas sobre a Liga Betclic Feminina e Masculina

Pausa Técnica

Play Episode Listen Later Mar 3, 2026 55:48


Neste episódio, o Gonçalo Ferreira e o Cyrille Aloísio reuniram-se para comentar as últimas notícias do basquetebol português.Falou-se da vitória do Sporting CP na Taça de Portugal, da Liga Betclic Feminina que está a entrar no fim da fase regular, bem como da dupla jornada da seleção nacional que deixa a qualificação para o Mundial em aberto.

Benfica FM | Podcast
A visita ao Bernabéu e a saga Vinícius Vs Prestianni | Voo Picado #015

Benfica FM | Podcast

Play Episode Listen Later Feb 28, 2026 40:52


Falou-se sobre a visita ao Santiago Bernabéu, com um resultado menos bom em campo mas um baile das antigas na bancada. Sidny, mais do Vinícius e Prestianni e outras coisas.

Santa Zuera
296 - Coisas que todo católico já pensou, mas nunca falou em voz alta! | Santa Zuera

Santa Zuera

Play Episode Listen Later Feb 26, 2026 113:52


296 - Coisas que todo católico já pensou, mas nunca falou em voz alta! | Santa Zuera by Santa Zuera

MKTEsportivoCast
NYVELADOS E O MODELO DE NEGÓCIO DA KINGS LEAGUE - NYVI ESTEPHAN

MKTEsportivoCast

Play Episode Listen Later Feb 25, 2026 61:01


O Invite, programa oficial do MKTEsportivo, recebeu Nyvi Estephan, presidente do Nyvelados, para uma conversa direta e estratégica sobre os bastidores da Kings League Brasil e os desafios de consolidar o projeto dentro e fora de campo.Nyvi detalhou como surgiu o convite para integrar a liga, as expectativas em relação ao sucesso inicial com arenas lotadas e alta audiência, e como a conexão entre sua base gamer e o público do futebol se confirmou na prática. Falou também sobre construção de autoridade no vestiário, gestão de grupo e o processo de profissionalização do clube.No mercado de transferências, explicou a estratégia por trás das contratações e revelou bastidores da chegada de Ferrão, além de comentar os movimentos envolvendo nomes como Dieguinho, Ailton e Neguim Jr., e a aproximação com a comunidade do futsal, incluindo a participação de Falcão e o papel do Capita na amplificação da marca.A entrevista também abordou a parceria com o Resenha FC, a divisão entre gestão de marca e operação esportiva, o amadurecimento institucional do projeto e como Nyvi lidou com as desconfianças iniciais em um ambiente ainda marcado por preconceitos.

Vamos Falar de FUm
Vamos Falar de Wrestling: Gosto do Chad Gable cabeludo

Vamos Falar de FUm

Play Episode Listen Later Feb 23, 2026 134:20


O Bruno Tomás, Bernardo Figueiredo, Gonçalo Ferreira, Gil Caçoilo e o Francisco Duarte reuniram-se para mais um episódio sobre wrestling.  Falou-se da programação semanal e do segmento Kikosplaining para rever o Royal Rumble 2011 e o Greatest Royal Rumble 2018. Link para o fantasy booking da WrestleMania 42 VFW: https://forms.gle/MpF6CazuJVzmY7218 Onde falamos apaixonadamente de Wrestling! Podem participar no Grupo do WhatsApp do Vamos Falar de Wrestling aqui: https://chat.whatsapp.com/BqunYaY9WCPBmAV8PdtVAE Podcast: https://linktr.ee/VFF1 Patreon: https://www.patreon.com/vff1 Twitter: https://twitter.com/VamosFalardeFum Instagram: https://www.instagram.com/vamosfalardefum Substack Vamos Escrever de FUm: https://vff1.substack.com/ Canal de WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaDuq7KId7nTEUhbWq3R Grupo de WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/JrIbkrCcvvr4WLbYyhdKoO Subscreve o canal e apoia o Vamos Falar de FUm: https://www.youtube.com/channel/UCWgzFlfQqhYlRxfATnL2cjg/join

Espiadinha
CHAIANY, MAXIANE OU MILENA, QUEM VAI SAIR? + COWBOY FALOU DO PAI DOENTE DE ANA PAULA | BBB 26

Espiadinha

Play Episode Listen Later Feb 23, 2026 50:29


Olá, Você está ouvindo o Espiadinha, o podcast que tem 70 câmeras e o Brasil tá vendo! Eu sou o Athilas, e hoje vamos comentar as novidades e tudo que está acontecendo no BBB 26, que além de Pipocas e Camarotes, agora temos Veteranos, os Ex-BBBs estão de volta, se você não quer perder nada dessa nova temporada do BBB, se inscreva no Espiadinha Podcast!Siga o Espiadinha nas redes sociais!Facebook:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ https://www.facebook.com/EspiadinhaPodcast/Instagram: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://instagram.com/espiadinhapodcast#BBB26 #BigBrotherBrasil26 Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

Ciência
"As aves são Indicadores do bom estado de conservação dos ecossistemas"

Ciência

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 21:26


A Guiné-Bissau efectuou em finais de Janeiro a contagem mundial 2026 das aves aquáticas migradoras, uma das maiores operações a nível internacional para a monitorização da biodiversidade. Esta contagem que decorreu em simultâneo em vários países inseridos nas rotas migratórias, foi realizada na Guiné-Bissau pelo IBAP, Instituto de Biodiversidade e das Áreas Protegidas, em parceria com outras entidades. Durante uma semana, oito equipas envolvendo um total de mais de 40 técnicos efectuaram essa contagem ao longo do litoral norte, centro e sul do país, bem como no arquipélago dos Bijagós que -lembramos- desde o passado mês de Julho alcançou o estatuto de Património Mundial Natural da UNESCO. António Pires, coordenador da Reserva da Biosfera dos Bijagós, esteve envolvido nesta contagem e explicitou a importância que tem designadamente para medir o estado de conservação em que se encontra determinado ecossistema. RFI: Antes de falarmos da contagem propriamente dita, onde decorreu e de que aves estamos a falar? António Pires: Estamos a falar de aves migradoras que procuram o arquipélago de Bolama-Bijagós durante o período do inverno europeu e em 2025 efectuamos a contagem mundial do arquipélago de Bolama-Bijagós e também na zona costeira da Guiné-Bissau. No arquipélago, temos três grandes zonas de contagem, devido à sua dimensão que cobre a parte de Bubaque-Soga, depois temos a parte de Formosa, mais para o norte do arquipélago, e depois a parte de Orango até mais a oeste do arquipélago. É efectuada assim a contagem do nosso espaço geográfico. Em termos da zona costeira, são efectuadas a partir do Parque Nacional Natural do Rio Cacheu até ao Parque Nacional de Cantanhez, que é a mais a sul da Guiné-Bissau. RFI: Estamos a falar que tipo de aves é que nós encontramos? António Pires: Principalmente das espécies de limícolas (aves que vivem nas praias e mangais). Fundamentalmente limícolas, que efectuam grandes migrações para o sul. Mas também encontramos as outras espécies de aves de médio e grande porte, como as garças, os mergulhões, etc, etc. Mas o alvo da contagem reside fundamentalmente nas limícolas, que empreendem grandes migrações a partir da zona de reprodução mais a norte da Europa, mais ou menos na zona da Sibéria, que ali nidificam e procuram o arquipélago Bijagós para a alimentação durante o período do inverno. RFI: Para nós termos um pouco a noção, quando elas migram de África rumo à Europa, para onde é que vão estas aves? António Pires: Existem vários pontos de paragem. Também irá depender da capacidade de cada grupo de aves para efectuar a migração de África para a Europa. Nesse caso há dois grandes sítios de grande concentração das aves nesse corredor de migração que é o arquipélago Bolama-Bijagós, ou também na Mauritânia, que é o Banco de Argan e há uma parte da população que também faz uma paragem na Europa. Parte dessa população fica na zona mais ocidental, em Lisboa, depois no Mar de Wadden (nos Países Baixos) e dali, depois, procuram o norte da Europa, que é a Sibéria para a reprodução. RFI: Desde quando é que efectuam essa contagem anual? António Pires: A Guiné-Bissau tem vindo a efectuar essa contagem há mais de dez anos, se não estou em erro. Isso foi fruto de um acordo trilateral no início entre a Dinamarca, a Alemanha e a Holanda, onde foi estabelecida uma equipa nacional para a monitorização dos sítios importantes das limícolas nos Bijagós. Depois disso, veio a desenvolver-se até à data presente. Desde 1997, mais ou menos, até esta data, temos vindo a contar regularmente as aves limícolas, também com o apoio de equipas portuguesas, de equipas holandesas, de equipas alemãs que contribuem junto com a equipa da Guiné-Bissau nas contagens ao longo desse período, mais ou menos de dez anos, se não estou em erro. RFI: Qual é a importância de estarmos todos os anos a efectuar essa contagem? António Pires: Bom, uma das importâncias da contagem mundial é para sabermos o efectivo da população que migra do norte ao sul ou do sul ao norte. Isso é a primeira questão. A outra segunda questão é o estado de conservação do espaço e também da disponibilidade do alimento que esses sítios oferecem. Porque as aves são Indicadores do bom estado de conservação dos ecossistemas. E outro aspecto também, ajuda de forma não directa, mediante estudos, a determinar a contaminação do sítio da contagem, por serem indicadores de metais pesados, mas isso numa esfera um bocadinho mais avançada, onde são efectuados estudos específicos nesse sentido. RFI: Durante uma semana, umas quantas equipas andaram tanto nos Bijagós como também na zona costeira da Guiné-Bissau para contar e ver as condições em que se encontram essas aves migradoras, O que é que andaram concretamente a fazer durante essa semana? Quais foram os critérios que aplicaram nas vossas buscas? António Pires: A equipa da Guiné-Bissau está constituída por oito grupos, no total de 46 pessoas. Nessas contagens procura-se saber o número de cada indivíduo. Procura-se também saber o estado do habitat onde eles se alimentam. Também são identificadas as ameaças associadas aos habitats e também as ameaças relacionadas com a presença das espécies no sítio. Mas também há factores que são recolhidos: factores do tempo, da maré, da incidência do sol, à pressão atmosférica. Há vários factores que são tomados em consideração durante o processo da contagem. O habitat até está em bom estado de conservação. A característica do sedimento, a vegetação que está à volta da área de contagem. Porque, por exemplo, nos Bijagós já temos um ecossistema de mangal que também é uma zona muito importante, onde a população humana dedica-se, fundamentalmente as mulheres, à recolha dos moluscos e durante a maré baixa utilizam este espaço para recolha desses moluscos. Então, existe mais ou menos uma relação entre a ave e as pessoas que utilizam o espaço durante a maré baixa. RFI: Nestes dez anos em que andaram a contar as aves migradoras, notaram alguma evolução? António Pires: Em termos do efectivo da população que procura o arquipélago, a zona costeira da Guiné-Bissau, não existe a diminuição do efectivo fruto de uma acção humana. Por exemplo, as flutuações da população dependem muito da disponibilidade do alimento ou da procura de novos sítios por essas espécies. Então, existe uma mobilidade à volta da zona costeira e do arquipélago Bolama-Bijagós. Mas pela disponibilidade do alimento, por exemplo, o arquipélago Bolama-Bijagós é muito influenciado pela dinâmica marinha e costeira. Então, isso faz com que os nutrientes estejam sempre à deriva de um lado a outro e depois é depositado num sítio específico ou num habitat específico durante a maré cheia e a maré baixa. Esses alimentos estão distribuídos dentro do espaço e as aves procuram nichos específicos para a alimentação. Mas não existe uma diminuição da espécie, de forma que a intervenção de uma outra actividade seja a excepção. Mas os habitats ou os sítios onde contamos, não existe uma diferença muito significativa. Também poderá ser em função da percepção da contagem dos factores também que interferem durante a contagem, por exemplo, a visibilidade, a distância que é contada. Isso interfere nos valores, mas não é significativo. RFI: Quais são os desafios, os problemas, os obstáculos que eventualmente estas aves encontram? Falou muito da questão de encontrar alimentos. Há outras problemáticas que enfrentam essas aves migradoras? António Pires: É mais associado ao habitat. Temos, por exemplo, o que é notório, a questão do lixo. Esse é um problema não só da Guiné-Bissau. Temos estado a constatar a presença do lixo que é trazido pelas correntes. Como sabe, a Guiné-Bissau está banhada por duas correntes, quer o mar do Golfo da Guiné e também a corrente fria que vem até à Guiné-Bissau. Então estas duas correntes, com a influência oceânica, trazem lixos para o interior do arquipélago. Mas não só, também dos lixos são produzidos nas grandes cidades e também a nível do arquipélago Bolama-Bijagós. Depois, com a chuva, parte desse lixo vai parar aos sítios de contagem e isso interfere um bocadinho nessa dinâmica da disponibilidade do habitat. O outro desafio é a necessidade da capacitação dos nossos técnicos para continuarmos nessa dinâmica internacional ligada ao Freeway, que é um corredor de migração das aves, fundamentalmente que ocorre desde a Sibéria, a parte da Europa, o banco de Argan e o arquipélago. RFI: Qual é o balanço que faz da contagem que efectuaram há alguns dias agora? António Pires: Eu considero que a contagem foi um sucesso. Os meios logísticos postos à disposição são consideráveis desde os recursos humanos, desde as embarcações, o combustível, o custo das deslocações, etc, etc. Isso fez com que a contagem fosse positiva. O outro aspecto é o nível de novas pessoas que foram incorporadas dentro dessa estrutura de contagem, porque é um trabalho que requer muito conhecimento, muita técnica e também muito trabalho de campo, anos de trabalho de campo que nos permitam identificar com certeza e dizer que é uma determinada espécie ou não. Na Guiné-Bissau, por tradição, temos estado nesse esforço, como referi anteriormente, há mais de dez anos. E bom, as dificuldades continuam a existir do ponto de vista da logística, porque estes meios também são implicados nas outras actividades. Depois é que são solicitados para a contagem mundial, por ser uma necessidade muito importante para o país. RFI: Quais são os desafios que encontram na conservação dessa biodiversidade? António Pires: Os desafios são vários. Temos o desafio desde o ponto de vista do aumento da população. Temos o desafio ligado ao desenvolvimento sustentável. Temos o desafio ligado à questão do turismo para o arquipélago ser agora um sítio de Património natural Mundial da UNESCO. O nível de importância aumentou consideravelmente. Isso faz com que o arquipélago Bijagós seja um sítio de procura. O número de turistas tem estado a aumentar, não de forma expressiva, mas sente-se a presença de cada vez mais pessoas à procura do arquipélago Bijagós. Em termos de conservação, temos o desafio ligado às mudanças climáticas. Em alguns sítios importantes, a erosão costeira tem estado a afectar alguns habitats muito importantes, sítios de reprodução das tartarugas, as zonas de alimentação de algumas espécies. Isso também é um problema. A pesca artesanal também é uma preocupação, por o arquipélago ser um sítio de excelência de actividade de pesca artesanal para os pescadores autóctones. Mas a Guiné-Bissau tem estabelecido protocolos de acordo com alguns países da África Ocidental, principalmente o Senegal. Procuram as nossas águas para as actividades de pesca, mas tudo com base na regulamentação que é estabelecida. Existe um sistema de fiscalização da actividade ilegal da pesca que é efectuada pelo Ministério das Pescas através de um departamento que tem a competência de fiscalizar actividades de pesca, não só no arquipélago, mas na zona costeira da Guiné-Bissau também. Outro desafio ligado à biodiversidade poderá estar associado à gestão do espaço e do recurso. Por ser uma reserva da biosfera, existe múltiplos actores. Há uma necessidade de estabelecer uma sinergia, uma cooperação, uma troca de informação em tempo útil para permitir que as medidas de gestão e de conservação sejam tomadas de forma atempada, evitando assim grandes problemas para o futuro. RFI: As populações locais entendem a necessidade de se cuidar da biodiversidade? António Pires: Sim, existem vários canais que temos estabelecido com os nossos parceiros, desde a comunidade local, do poder tradicional, das associações de base, das ONGs, da administração local, mesmo o Estado. Há um mecanismo de sensibilização ligado à importância do arquipélago Bijagós e mesmo ligado também à conservação da biodiversidade no arquipélago. Por exemplo, temos ONGs que têm a vocação específica ligada à questão da sensibilização, que começa desde a escola até a um nível mais alto, por exemplo, com os deputados, com os membros do governo. São efectuados esses trabalhos de sensibilização, de lobby, para despertar a atenção da importância do arquipélago e do cuidado que se deve ter em termos do desenvolvimento. Por exemplo, também as escolas de verificação ambiental. Há associações de amigos do ambiente, associações de professores, que também estão direccionados para questões ambientais. Agora, também há jornalistas de amigos do ambiente que estão a solicitar uma visita ao arquipélago, para irem conhecer. Então, essa dinâmica já está instalada. Mas é preciso um reforço dessa ferramenta de comunicação que nos irá permitir trabalhar não só a nossa instituição, que tem a responsabilidade da conservação, mas também as outras instituições também, que têm interesse dentro dessa região, para alinharmos o processo da conservação e a promoção do desenvolvimento sustentável nos diferentes eixos que são propostos.

Convidado
Tensões na vida política são-tomense são "apenas expedientes para se posicionar nas eleições"

Convidado

Play Episode Listen Later Feb 17, 2026 13:53


Nestas ultimas semanas, São Tomé e Príncipe tem vivido ao ritmo de sobressaltos políticos que começaram em Janeiro, quando o Tribunal Constitucional considerou anticonstitucional o decreto do Presidente Vila Nova que demitiu há um pouco mais de um ano o governo então encabeçado por Patrice Trovoada, do mesmo partido que ele. Seguiu-se o anúncio de uma moção de censura por iniciativa da ala do ADI fiel a Patrice Trovoada, moção essa que acabou por ser retirada, sem que diminuísse a tensão política, apesar de entretanto o Presidente da Republica ter marcado as presidenciais para 19 de Julho e as legislativas para 27 de Setembro. A seguir a estes primeiros episódios, no dia 2 de Fevereiro, uma maioria de 29 deputados da oposição e alguns eleitos do ADI da ala presidencial, reuniram-se em sessão plenária e adoptaram a destituição da então Presidente do parlamento, Celmira Sacramento, a revogação da lei interpretativa, a exoneração dos cinco juízes do Tribunal Constitucional, e elegeram o presidente da Comissão Eleitoral. Esta plenária e as decisões daí decorrentes foram consideradas "ilegais" pelo Tribunal Constitucional, ao qual a presidente do parlamento destituída também disse que iria recorrer. Entretanto, na semana passada, Abnildo de Oliveira, antigo membro do ADI foi eleito novo Presidente do Parlamento. Tudo isto em poucas semanas, quando faltam já escassos meses para os são-tomenses serem chamados às urnas e renovarem os órgãos e instituições que os representam. Sobre esta situação, os pontos de vista são altamente divergentes. Patrice Trovoada considera que "houve um golpe palaciano" e que "a democracia está em perigo" no seu país. O actual chefe do governo, Américo Ramos, considera por seu lado que "é uma questão resolvida" e que "o Parlamento, como representante do povo, permitiu evitar uma situação de crise política e levar o Governo até às eleições". Foi neste âmbito que a RFI conversou com o sociólogo são-tomense Olívio Diogo que analisou este momento particular da vida política do arquipélago. RFI: Como é que se pode analisar toda esta sucessão de sobressaltos? Olívio Diogo: Para analisarmos tudo isso que está a acontecer agora em São Tomé e Príncipe, é preciso nós fazermos uma pequena retrospectiva daquilo que aconteceu a partir do momento que este partido chegou ao poder com o Patrice Trovoada. E foi com a entrada de Patrice Trovoada que se constituiu o novo Tribunal Constitucional. E é preciso dizer que foi também através de Patrice Trovoada que os juízes do Supremo Tribunal de Justiça foram jubilados antecipadamente, nomeadamente o Juiz Frederico da Glória, o Juiz José Bandeira. Portanto são um conjunto de acções que foram acontecendo quando Patrice Trovoada chegou ao poder. Passando esta fase, o que acontece com o Presidente da República? Exonerou o primeiro-ministro há mais de um ano. E para surpresa de todos, um ano depois, o Tribunal Constitucional dá o ar da sua graça, dizendo que esta decisão é inconstitucional. Mas este Tribunal Constitucional, que é o Tribunal Constitucional que tomou posse através das acções do antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada, toma estas medidas num ano em que nós sabemos que haveria as eleições. É justamente neste ano em que o Presidente da República marca a data das eleições, que o Tribunal Constitucional vem dizer que é inconstitucional a demissão do primeiro-ministro. No ano de eleição, para ver que a tramóia é completa. A Assembleia Nacional, que é um órgão colegial, decidiu voltar a reunir-se para tomar deicisões porque a senhora presidente da Assembleia que estava em função decidiu tomar uma série de medidas que tornou a sua presença completamente vexatória diante dos outros deputados. 29 deputados pediram a exoneração da senhora presidente da Assembleia e fizeram eleição de novos órgãos para dirigir a Assembleia. Uma das decisões desta nova maioria na Assembleia foi destituir este Tribunal Constitucional. E mais, há um elemento a que não fez referência, que é a nomeação do novo presidente da Comissão Eleitoral Nacional. RFI: Para tentarmos perceber: o que é que está por detrás da exoneração de Celmira Sacramento do cargo de presidente do Parlamento de São Tomé e Príncipe? Olívio Diogo: Para qualquer cidadão atento, como é o meu caso, a atitude da Celmira passou a ser muito deficitária. A senhora quis que alguns deputados tomassem posse quando eles não tinham criado as condições para tomarem posse. Dentro destes elementos todos, há um outro elemento importante. É que o ADI, a franja de Patrice Trovoada, meteu uma moção de censura na Assembleia e decidiu ir discutir essa moção de censura. A Presidente tomou posições que fragilizaram a sua situação. Ela impediu que tomassem posse três deputados que foram eleitos. Celmira tentou inviabilizar isso e, mais adiante, tentou permitir que alguns deputados tomassem posse quando eles não tinham a legitimidade para tal. A situação tornou-se bastante complicada para que ela continuasse a exercer funções. E é preciso dizer qualquer coisa muito importante em relação a isso: é que Celmira Sacramento está consciente. Ela deixou o cargo, passou para o cargo de deputada porque ela percebeu que ela não foi de forma nenhuma destituída de forma ilegal, como tem-se tentado passar. RFI: Relativamente a outro aspecto, a nomeação da Comissão Eleitoral, isto quando falta poucos meses para pleitos eleitorais, as legislativas e, antes disso, as presidenciais. A nomeação dessa comissão eleitoral era também um ponto fulcral e aparentemente, também é algo problemático em todo este imbróglio. Olívio Diogo: A nomeação do presidente da Comissão Eleitoral é uma acção que já vem sendo desencadeada há algum tempo a esta parte. Portanto, já se estava a preparar este processo. Tanto é que a identificação do elemento da ala de Patrice Trovoada para esta função, a Isabel Domingos, já tinha sido identificada há muito tempo. Só que esta nova maioria, para além da Isabel Domingos, também indigitou um outro elemento e esse elemento foi votado. E é uma eleição, naturalmente, que é um acto da Assembleia. A Assembleia nomeou normalmente o novo presidente para a Assembleia, e para a comissão eleitoral. E é preciso dizer claramente, as pessoas, os deputados e ex-governantes deste país já perceberam uma coisa: é que estas acções são decorrentes de acções de outros indivíduos. Tudo o que está acontecendo hoje é o que já aconteceu no passado. Tem que se dizer claramente: esta é uma acção desencadeada por Patrice Trovoada única e exclusivamente. Patrice Trovoada tem promovido todo este debate, tem promovido toda esta situação que hoje nós vivemos. É preciso dizer que o ADI ganhou com maioria absoluta na Assembleia, o ADI elegeu o Presidente da República. Portanto, ali tinha tudo para governar e tudo isso com a liderança de Patrice Trovoada. E Patrice Trovoada conseguiu desentender-se com o Presidente da República, conseguiu desentender-se com o vice-presidente da Assembleia, Abnildo de Oliveira. É preciso perceber que Patrice Trovoada desencadeou um conjunto de acções, criando anticorpos para si próprio. RFI: Lá está, o calendário em que tudo isto acontece, estamos a poucos meses das eleições presidenciais e também das eleições legislativas. Qual é o interesse de haver toda esta confusão quando falta pouco tempo para os respectivos mandatos do Presidente e também do Governo terminarem? Olívio Diogo: Ora, lá está, isto é importante nós percebemos. É verdade que o mandato do Presidente da República está na fase final. Nós sabemos que o Presidente da República perde o seu mandato a partir de Junho, naturalmente. Mas o que é importante dizer é que é neste ano e que todos os partidos políticos têm que entrar em acção para esclarecer a sua posição. É uma questão de posicionamento, porque, repare, quando o presidente Vila Nova demitiu o primeiro-ministro Patrice Trovoada, o que aconteceu foi o seguinte: ele demitiu o primeiro-ministro e ele nomeou um elemento do ADI para continuar a governar. Neste momento, cada um dos partidos políticos, o ADI do Patrice Trovoada e ala do Américo Ramos, estão a tentar reunir condições para estar em melhores condições para ir às eleições. Mas é preciso dizer que a situação é sempre definida pelo povo, a não ser que eles tentem alterar isso. Os governantes são-tomenses sempre assumiram e aceitaram o resultado eleitoral. Eu acho que dessa vez não será ao contrário. O que está a acontecer é apenas expedientes para se posicionar em relação àquilo que será as eleições. RFI: Como é que a população são-tomense olha para tudo isto? Olívio Diogo: A população são-tomense não está envolvida neste problema. Está completamente fora disso. Ouvem, comentam naturalmente nos bares, nos cafés, nos mercados. Há sempre comentários em relação às acções políticas. Mas vou dar um exemplo. Nós temos uma população que está com uma crise energética há mais de quatro ou cinco meses em que nós continuamos. Não há convulsão, não há nada. A população não sai à rua para entrar em confusões desgovernadas. A população está, nesta fase do processo, a definir qual será a sua posição em caso de uma eleição. Estamos em Fevereiro. A eleição presidencial está marcada para Julho. Ainda não conhecemos o candidato a não ser o Carlos Vila Nova, que será candidato à sua própria sucessão. Portanto, é para perceber que nós temos um país completamente assimétrico. O povo resguarda a sua posição e só sairá para ir votar. RFI: Qual é a situação neste momento da população? Falou nomeadamente dos cortes de energia. Como é que estamos neste momento? Olívio Diogo: É uma situação crónica que nós vivemos. Nós tínhamos um fornecedor de energia que é a Tesla (empresa turca Tesla STP), que tinha sido contratada pelo anterior primeiro-ministro Patrice Trovoada. Este governo entendeu que o contrato com a Tesla não é o contrato mais adequado para o país. Decidiu não revogar o contrato, mas sim rever o contrato. Não houve entendimento com a Tesla. A Tesla saiu e apanhou este governo em contrapé. A situação da água também continua bastante complexa. A situação de vida das populações continua também com muitas dificuldades, apesar de algumas melhorias a que o país tem vindo a assistir. Mas a melhoria da vida da população ainda não se atingiu. Nós continuamos aqui convencidos de que haverá dias melhores para todos os são-tomenses. RFI: Para concluirmos, portanto, temos por um lado Patrice Trovoada a dizer que "a democracia em São Tomé e Príncipe está em perigo" devido àquilo que ele chama um "golpe palaciano" e "decisões contrárias à Constituição". E por outro lado, temos um primeiro-ministro, Américo Ramos, que diz que "não há crise em São Tomé e Príncipe" e que "tudo isto foi sanado com a designação do presidente do Parlamento". Em que ponto é que se situa de facto a situação política são-tomense? Olívio Diogo: Neste momento não tenho a posição nem do primeiro-ministro nem tenho a posição do Patrice Trovoada. O que é certo é que as instituições estão a funcionar. Quando se diz que a "democracia são-tomense está em risco", não se vê a democracia em risco. Nós temos uma democracia que está a funcionar com os seus níveis altos e baixos, mas a democracia está a funcionar. Repare, já temos a data das eleições. Vai acontecer eleições. Patrice Trovoada diz que a democracia não está a funcionar, porquê? Porque foi substituído o Presidente da Assembleia. Há quanto tempo estamos a espera para eleger um vice-presidente para a Assembleia? Porque Patrice Trovoada não queria designar este vice-presidente da Assembleia. Portanto, hoje o Patrice diz que a democracia está em causa. Tudo bem porque ele está fora do processo. Patrice Trovoada tem que perceber que este é um processo que vai-se alterando, vão entrando novos actores e novos actores vão saindo. E eu digo mais: não há dúvidas de se vai criar as condições para que ele venha às eleições. O país continua aqui. Nós estamos aqui. Não acredito que alguém o vá prender de forma ilegal. Se houver um processo na Justiça, isso é outra coisa. Será um processo normal. Mas neste preciso momento, ninguém está impedindo Patrice Trovoada de vir a São Tomé e aliás a divisão que existe neste momento é uma divisão interna do seu partido. Mais nada. Ele era o líder do partido. Ele deixou de continuar a controlar o partido. Isto está a desencadear toda essa atitude que nós estamos a ver. O Américo Ramos é do ADI, o Levy Nazaré sempre foi do ADI. Abnildo de Oliveira sempre foi, o Carlos Vila Nova, foi ministro de Patrice Trovoada. A democracia não está em causa. Nós vamos ter umas eleições e as instituições vão continuar a funcionar.

Segurança Legal
#410 – Retrospectiva 2025

Segurança Legal

Play Episode Listen Later Jan 6, 2026 93:20


Neste episódio fazemos uma retrospectiva dos assuntos mais importantes tratados em 2025 no Segurança Legal. Você irá descobrirá os principais temas que dominaram o ano em inteligência artificial, segurança da informação e direito digital. O episódio traz uma análise sobre o aparecimento do Deepseek, explorando como a inteligência artificial transformou o cenário de segurança cibernética. Você irá descobrir os riscos de atrofia cognitiva causados pelo uso excessivo de IA, a importância da proteção de dados pessoais com a LGPD, e como os backdoors em modelos de linguagem ameaçaram a supply chain. O podcast também aborda questões de vigilância digital, as novas regras do Banco Central após fraudes bancárias, a inconstitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil, a aprovação do ECA Digital, vulnerabilidades no gov.br e a questão crítica do analfabetismo funcional digital. Esta retrospectiva cobre ainda aspectos geopolíticos da IA, regulação de inteligência artificial, conformidade com políticas de proteção de dados, e o papel das bigtechs em 2025.  Esta descrição foi realizada a partir do áudio do podcast com o uso de IA, com revisão humana.  Visite nossa campanha de financiamento coletivo e nos apoie!  Conheça o Blog da BrownPipe Consultoria e se inscreva no nosso mailing Imagem do Episódio – Por trás do tempo – Guilherme Goulart

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Noticiário Nacional
17h Trump falou com Putin antes do encontro com Zelensky

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Dec 28, 2025 7:26


Benfica FM | Podcast
Voo Picado #005 - O Ministro da Educação e o Kevin Durant entram num bar

Benfica FM | Podcast

Play Episode Listen Later Dec 18, 2025 33:35


Nuno Picado de volta ao Voo Picado, desta vez a solo e ainda cheio de caruncho nos pulmões (desculpem por isso). Falou-se sobre comunicação e do que faz um verdadeiro campeão.

Noticiário Nacional
23h Trump garante que falou com Maduro ao telefone

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Nov 30, 2025 8:26


Colunistas Eldorado Estadão
Eliane: "Quando falou sobre operação no Rio, Lula o fez menos pensando nas pesquisas e mais em suas crenças"

Colunistas Eldorado Estadão

Play Episode Listen Later Nov 12, 2025 16:44


A megaoperação policial no Rio de Janeiro reacendeu o debate sobre segurança pública no País e interrompeu a recuperação da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 12, a desaprovação ao governo passou de 49% para 50%, enquanto a aprovação recuou de 48% para 47%, na primeira oscilação negativa nas avaliações desde maio. "Além da operação em si, Felipe Nunes [sócio-fundador da Quaest] atribui o resultado, que é ruim ao presidente, principalmente, às suas falas - que traficantes também são vítimas dos usuários e que a operação foi uma matança. Como a população está exaurida com o excesso de violência, reage mal. Lula começou o ano muito mal, a desaprovação foi aumentando, aprovação caindo, e, em setembro, começou a se recuperar. A expectativa anterior à operação era de que, neste momento, o presidente tivesse uma aprovação maior e desaprovação menor - movimento que foi interrompido. Lula demorou para falar sobre a operação, mas, quando deciddiu, o fez menos pensando nas pesquisas e mais em suas crenças e posições históricas, então provavelmente foi um cálculo político", diz Cantanhêde.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Eliane Cantanhêde responde
"Quando falou sobre operação no Rio, Lula o fez menos pensando nas pesquisas e mais em suas crenças"

Eliane Cantanhêde responde

Play Episode Listen Later Nov 12, 2025 16:44


A megaoperação policial no Rio de Janeiro reacendeu o debate sobre segurança pública no País e interrompeu a recuperação da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 12, a desaprovação ao governo passou de 49% para 50%, enquanto a aprovação recuou de 48% para 47%, na primeira oscilação negativa nas avaliações desde maio. "Além da operação em si, Felipe Nunes [sócio-fundador da Quaest] atribui o resultado, que é ruim ao presidente, principalmente, às suas falas - que traficantes também são vítimas dos usuários e que a operação foi uma matança. Como a população está exaurida com o excesso de violência, reage mal. Lula começou o ano muito mal, a desaprovação foi aumentando, aprovação caindo, e, em setembro, começou a se recuperar. A expectativa anterior à operação era de que, neste momento, o presidente tivesse uma aprovação maior e desaprovação menor - movimento que foi interrompido. Lula demorou para falar sobre a operação, mas, quando deciddiu, o fez menos pensando nas pesquisas e mais em suas crenças e posições históricas, então provavelmente foi um cálculo político", diz Cantanhêde.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Quem Ama Não Esquece
A RAIVA falou mais ALTO, e eu perdi TUDO - História do Ivan | QUEM AMA NÃO ESQUECE 11/11/25

Quem Ama Não Esquece

Play Episode Listen Later Nov 11, 2025 17:56


O Ivan e Júlia tinham um casamento de 7 anos, mas tudo mudou quando ele foi demitido e começou a se sentir um fracassado. A cada "não" que ele ouvia ao procurar emprego, tudo ficava pior. A Júlia tentou apoiá-lo, mas ele ficava mais agressivo e ela, mais distante. Desconfiado, Ivan pegou o celular da esposa e encontrou uma mensagem que interpretou errado. Cego de raiva, ele perdeu a cabeça e acabou batendo nela. Foi quando Júlia revelou que não estava traindo, mas sim, poupando o marido de mais preocupações. Ivan pediu perdão, mas a Júlia decidiu ir embora e enviou os papéis do divórcio. Desde então, ele vive com o peso da culpa e da vergonha. Hoje, ele sabe que aquele segundo de raiva mudou a sua vida para sempre.

Alta Definição
Francisco Pinto Balsemão (1937-2025): “O que está para trás é importante, naturalmente, mas o que interessa é sempre olhar para frente. Vale a pena explorar, abrir, entrar. Criar é muito importante”

Alta Definição

Play Episode Listen Later Oct 22, 2025 40:19


Em entrevista ao Alta Definição em setembro de 2021, Francisco Pinto Balsemão revisitou os momentos decisivos da sua vida — desde a infância numa família abastada, marcada pela morte prematura da irmã e pela pressão de carregar a única esperança familiar, até ao reconhecimento público que viria a conquistar. Revelou a profunda ligação à sua companheira, Mercedes Balsemão, pilar inabalável na sua caminhada, e recorda o período como primeiro-ministro de Portugal (1981–1983), bem como o contacto com figuras internacionais que marcaram essa época. Falou ainda do seu sonho menos conhecido de escrever poesia, das preocupações com o mundo digital e da luta contra a desinformação — temas que considerou cruciais para o futuro da comunicação. Fundador do semanário Expresso e da cadeia privada SIC, Balsemão não fugiu a perguntas sobre os seus maiores arrependimentos. A sua morte, a 21 de outubro de 2025, aos 88 anos, marcou o fim de um percurso singular e profundo de quem ajudou a escrever parte da história recente de Portugal.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Diego Menin
SE DEUS FALOU, IRÁ SE CUMPRIR!

Diego Menin

Play Episode Listen Later Aug 7, 2025 52:54


Me siga nas redes sociais: Facebook: Diego Menin Instagram: @diegonmenin Youtube: Diego Menin Twitter: @diegonmenin Site: www.diegomenin.com

Expresso - Eixo do Mal
Mais subsídios e menos impostos. Será o milagre pré-autárquicas um mero acaso?

Expresso - Eixo do Mal

Play Episode Listen Later Jul 19, 2025 50:48


No debate do Estado da Nação no Parlamento, o Primeiro Ministro aproveitou para anunciar um bónus para os pensionista e uma descida do IRC. Também falou de saúde, na intervenção inicial. Falou cerca de 30 segundos sobre o assunto.Daniel Oliveira, queremos ouvir o teu comentário. Por favor, não sejas fanfarrão que ainda nos entra Aguiar Branco pelo estúdio adentro. Mas também não sejas frouxo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Canaltech Podcast
Seu celular está ouvindo? Como apps usam sua voz para mostrar anúncios

Canaltech Podcast

Play Episode Listen Later Jul 9, 2025 21:42


Você já teve a sensação de que seu celular estava "te espionando"? Falou sobre um produto e, pouco depois, apareceu um anúncio sobre ele? No episódio de hoje do Podcast Canaltech, Madu Melo, especialista da NordVPN, fala sobre como apps conseguem acessar microfones, com o seu consentimento e como esses dados podem ser usados para anúncios, direcionamento e até golpes online. A entrevista traz ainda dicas práticas de como se proteger e um teste simples para descobrir se o seu celular está ouvindo suas conversas. Você também vai conferir: iPhone americano? Trump pressiona Apple e ameaça tarifa de 25%, Starlink no carro? Permitido, sim, mas cuidado pra não levar multa, Xiaomi com duas telas? Novo celular deve ter visor até na traseira, novo Ford Territory chega ao Brasil, mas sem versão híbrida plug-in e SENAI-SP lança cursos grátis sobre LGPD, IA, cibersegurança e ética digital. Este Podcast foi roteirizado e apresentado por Fernanda Santos e contou com reportagens de Bruno Bertonzin, Danielle Cassita, Lucas Parente. A trilha sonora é de Guilherme Zomer, a edição de Jully Cruz e a arte da capa é de Erick Teixeira.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Bibotalk - Todos os podcasts
Jesus falou para não ser compreendido? – BTPapo 080

Bibotalk - Todos os podcasts

Play Episode Listen Later May 2, 2025 47:48


Muita gente acredita que as parábolas de Jesus eram enigmas indecifráveis, e que Ele falava justamente para não ser entendido. Afinal, por que tantas vezes seus ouvintes — tanto religiosos quanto o povo comum — pareciam não captar sua mensagem? Jesus queria mesmo ser entendido ou provocar reflexão? O problema está na mensagem ou em […] O conteúdo de Jesus falou para não ser compreendido? – BTPapo 080 é uma produção do Bibotalk - Teologia é nosso esporte!.