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Incial
Minipod 322: A arte de escrever diálogos na literatura

Incial

Play Episode Listen Later Jul 9, 2026 66:54


Bom dia, galera. Mais um minipod no ar! No programa de hoje, confira dicas e técnicas para escrever bons diálogos na literatura. E, ainda: embarque na eterna treta entre a literatura popular x erudita; descubra como os exercícios físicos podem “destravar” o seu cérebro; veja a importância de escrever um primeiro livro fechado; e saiba quem seríamos nós no Império Romano.

Vida em França
Avignon: Bem-vindos ao “país do teatro” na companhia de Tiago Rodrigues

Vida em França

Play Episode Listen Later Jul 8, 2026 17:49


O Festival de Avignon arrancou a 4 de Julho, e junta, durante três semanas, milhares de pessoas, para esta 80ª edição. Este é o epicentro da história contemporânea do teatro, dirigido pelo encenador, dramaturgo e actor português Tiago Rodrigues. Este ano, há 47 espectáculos, dois de encenadoras lusófonas e a língua convidada é o coreano. Há uma maioria inédita de criadoras mulheres e a linha de força é um enorme ponto de interrogação estampado um pouco por todo o lado nas ruelas da cidade francesa. O teatro anda à solta, sem rédeas, pela cidade de Avignon. Bem-vindos ao “país do teatro, à república independente das artes performativas”, nas palavras e na companhia de Tiago Rodrigues, um dos fazedores desta “fábrica de memórias inesquecíveis para o público”. Uma dessas “memórias” é a primeira maratona teatral em português, de dez horas, com a apresentação, a 12 e 13 de Julho, da Trilogia Cadela Força de Carolina Bianchi. Outra é o espectáculo de cinco horas do francês Julien Gosselin, “Maldoror”, que Tiago Rodrigues acredita que “vai marcar as próximas décadas do teatro francês, europeu e mundial”. E outra, ainda, é a peça “Um julgamento - Depois do inimigo do povo” que descreve como “uma interpretação magistral de uma história do repertório agora reescrita, repensada por Christiane Jatahy e Wagner Moura e com um elenco magistral à volta de Wagner Moura que tem uma prestação absolutamente sublime”. Nesta 80ª edição, “os questionamentos” são a bandeira de um festival que sempre foi sintoma e espelho dos tempos que correm. Este é também “um espaço de liberdade onde os artistas e o público se podem exprimir com toda a liberdade”, reitera o artista, destacando que “em França, como noutros países da Europa e do mundo, a liberdade de expressão e de criação estão a ser ameaçadas”. Mais ainda, em França – diz – “já não se trata apenas de uma ameaça, mas de ataques repetidos em vários territórios”. E, assim, a menos de um ano das próximas eleições presidenciais em França, onde a extrema-direita cresce, Tiago Rodrigues, enquanto director desta instituição e não apenas como cidadão e autor de “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, toma já posição e pede às pessoas para não deixarem a extrema-direita chegar ao Palácio do Eliseu. Tiago Rodrigues, português, emigrante, inscreve-se numa longa linhagem histórica de emigração portuguesa para França, mas esta é também uma história familiar e é a história que inspira o seu próximo espectáculo, revelou à RFI em primeira mão. O pai, Rogério Rodrigues, exilou-se em França durante o Estado Novo, o filho é agora o director do maior festival francês de artes cénicas e serve com a sua arte o que chama de “dívida de gratidão” que tem com a sociedade francesa por ter acolhido o pai quando este precisava. RFI: Queria começar com uma expressão que o Tiago Rodrigues gosta muito de usar, que é “o país do teatro”. O festival está na 80ª edição. Até que ponto Avignon continua a ser a capital mundial do teatro? Tiago Rodrigues, Director do Festival de Avignon: “Eu acho que cada vez mais, com o passar do tempo, aquilo que era uma utopia imaginada por Jean Vilar, o encenador que em 1947 funda este festival logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, numa sociedade muito dividida e pensa que talvez um festival durante as férias das pessoas - e é preciso relembrar que as férias pagas eram uma novidade na época - durante as férias pagas das pessoas, podia ser um festival que permitisse ao público viver experiências que eles não teriam oportunidade, nem tempo para viver durante o ano, portanto, grandes aventuras teatrais em lugares monumentais que obrigariam a viajar. E é assim que nasce esta ideia, esta utopia de um país do teatro. Um lugar onde viajamos como quem viaja para fazer turismo, como quem viaja para se repousar. E aqui viajamos, sim, pelo turismo, pelo repouso, mas sobretudo pela descoberta dos espectáculos, pela descoberta de uma grande quantidade de estéticas e de visões de um mundo muito diferentes entre si. O tempo fez com que, ao fim de 80 edições, possamos dizer que este é o país do teatro, a república independente das artes performativas. O público vem precisamente com essa sede de ver espectáculos que talvez não tivesse tempo de ver durante o ano. Por exemplo, 'Maldoror', o espectáculo de Julian Gosselin, um grande encenador que dirige o teatro do Odéon, um dos teatros nacionais franceses, e que faz um espectáculo de cinco horas, poderíamos dizer que cinco horas é ambicioso, mas é um espectáculo magistral. O que nós vemos é que ao fim das cinco horas, por volta das duas e meia, três da manhã, todo o público está lá, aplaudiu de pé e viveu essa aventura colectiva que é singular, que só se vive em Avignon, estar num palácio sob as estrelas e ver uma obra de arte que, no meu entender, este ‘Maldoror' vai marcar as próximas décadas do teatro francês, europeu e mundial.” É português, é o primeiro director estrangeiro a dirigir o festival. Esta é a sua quarta edição como director. Conhece os talentos e as dificuldades das artes performativas portuguesas, brasileiras, de dança contemporânea moçambicana e cabo-verdiana, por exemplo, mas este ano só há duas peças lusófonas no cartaz… “Eu permito-me corrigir o “só”, “só há”. O Festival de Avignon é um festival de nomes de expressão mundial e, portanto, é um festival que tem que estar atento a tudo o que se passa no mundo. Saber que, por exemplo, este ano há duas artistas brasileiras e saber que estas duas artistas brasileiras lusófonas, Christiane Jatahy e Carolina Bianchi, que são duas das grandes artistas desta edição, são duas artistas que vêm de um só país lusófono, numa possibilidade de mais ou menos - é discutível a quantidade de países que existe no mundo, mas digamos que são duas centenas, porque depois há questões de legitimidade de algumas fronteiras, etc - mas digamos que em 200 países haver dois espectáculos, ambos vindos do Brasil ou de criadores brasileiros, criadoras neste caso, é, de qualquer das formas, um foco muito importante, uma atenção muito importante. Há muitos países que não estão representados no festival. Este ano, há uma representação de 14 países e, portanto, digamos que a maioria dos países do mundo não estão presentes no ano. A criação lusófona tem duas presenças e, portanto, acho que estamos numa quantidade, numa proporção muito benéfica para a criação lusófona.” Mas o que eu queria mesmo saber - e já percebeu onde quero chegar - é quando é que Avignon vai convidar a língua portuguesa? “Bom, o que eu posso dizer é que recentemente fui reconduzido para um segundo mandato, portanto, serei director do Festival até 2030. E estou muito feliz, muito vaidoso mesmo dessa possibilidade, mas também é um grande privilégio e uma grande responsabilidade também. E sem dúvidas que a língua portuguesa, eu digo desde o início, tem todo o mérito, toda a riqueza, toda a diversidade contemporânea e, sobretudo, toda a grande qualidade das criadoras e dos criadores, sejam portugueses, brasileiros, moçambicanos, angolanos, cabo-verdianos para estar presente no festival. Eu recordo que a lusofonia tem estado muito presente nos últimos anos no festival. No ano passado, a abertura do festival fez-se com uma artista cabo-verdiana, Marlene Monteiro Freitas, foi a primeira vez que Cabo Verde esteve na Cour d'Honneur du Palais des Papes e abriu este festival, ainda por cima no ano em que se celebrava os 50 anos da independência desse país-irmão do meu país-natal, Portugal. E, portanto, temos feito um trabalho de abertura, de aproximação do público de Avignon à criação lusófona ou em língua portuguesa. Sem dúvida que até 2030 a língua portuguesa será certamente uma das línguas convidadas no festival.” A Carolina Bianchi vem ao Festival de Avignon pela segunda vez para apresentar não só o terceiro capítulo da sua Trilogia Cadela Força aqui iniciada, como a trilogia completa, o que perfaz dez horas seguidas de maratona teatral. Isto também é histórico. Já houve maratonas teatrais em Avignon, mas em língua portuguesa, se calhar não… “Em língua portuguesa nunca houve uma aventura destas e estamos muito felizes de poder acompanhar a Carolina e toda a sua equipa da Companhia Cara de Cavalo nisto, que é uma aventura inédita. É o tipo de aventuras que só se pode viver em Avignon, dez horas de teatro. Antes que Carolina Bianchi fosse conhecida do público francês ou europeu, apresentámo-la pela primeira vez em 2023 e logo na altura sabíamos que estávamos comprometidos com continuar a acompanhar a sua trilogia. Entretanto, Carolina Bianchi ganhou o Leão de Prata da Bienal de Veneza, tornou-se numa artista absolutamente reconhecida a nível não apenas europeu, mas mundial. Queríamos estar no lugar do término desta trilogia, a acompanhar a aventura até ao fim e, sobretudo, permitir ao público de descobrir pela primeira vez a trilogia completa inédita. É uma grande aventura para a companhia, que exige enormemente. Também exige do público e das equipas técnicas e de acolhimento. Estamos muito felizes aqui em Avignon de poder propor ao público estas aventuras, porque, como nós costumamos dizer, nós queremos ser uma fábrica de memórias inesquecíveis. E é isso que queremos propor: uma memória inesquecível ao público.” A encenadora brasileira Christiane Jatahy também traz uma peça com um forte teor político. Qual é este alerta também em língua portuguesa que esta peça traz para os dias de hoje? “Christiane Jatahy, acompanhada de Wagner Moura, grande actor que foi este ano nomeado para os Óscares, que ganhou o Globo de Ouro, que ganhou o prémio de interpretação masculina em Cannes no ano passado e, portanto, de alguma forma, é um dos grandes protagonistas deste festival, juntaram-se para - ele actor, ela encenadora, mas ambos como autores do texto deste espectáculo - nos apresentarem um espectáculo que não é uma adaptação de ‘Um Inimigo do Povo' de Henrik Ibsen, mas que se inspira dessa história do dramaturgo norueguês para inventar um processo em tribunal onde se pergunta se alguém que denunciou a contaminação das águas de uma cidade é um herói que tentou ajudar as pessoas, salvar a saúde das pessoas, ou se é um inimigo do povo, alguém que destruiu a economia dessa cidade que dependia das termas, de um spa e dos turistas que vinham. Há um julgamento dessa pessoa e é um julgamento muito também sobre o risco dos julgamentos populares em opinião pública na época das redes sociais, na época em que toda a gente pode exprimir uma opinião, caluniar, difamar e destruir uma reputação publicamente muito facilmente. É uma questão de debate sobre a legitimidade de um gesto político de denúncia, sobre o diálogo entre saúde pública e a economia, essa tensão, também sobre a ecologia muito presente no espectáculo e é, sobretudo, uma interpretação magistral de uma história do repertório agora reescrita e repensada por Christiane Jatahy e Wagner Moura, com um elenco magistral à volta de Wagner Moura, que tem uma prestação absolutamente sublime. Uma peça que nos chega agora de Lisboa, esteve mesmo agora em Portugal em digressão e que é o resultado de uma encomenda que o Festival de Avignon fez com o Holland Festival de Amsterdão e com o Festival de Edimburgo, que são os três festivais europeus fundados no mesmo verão de 1947. Juntos queremos colaborar, continuar a colaborar também para o ano, quando fizermos 80 anos os três festivais e, para este início de colaboração, lançámos o desafio a Christiane Jatahy e a Wagner Moura de criar esta peça e estamos muito felizes. É uma das peças pilar da programação do festival este ano. E muito feliz também que seja a segunda peça falada em português.” Desde a sua primeira edição como director artístico do festival, apresentou “Na Medida do Impossível” e “By Heart” em 2023, “Hécuba, não Hécuba”, em 2024, “A Distância”, em 2025. Antes de ser director, já tinha apresentado “António e Cleópatra”, “Sopro” e “O Cerejal”. Este ano não apresenta peça sua. Posso perguntar porquê? “Porque acho que é importante que o meu trabalho artístico esteja sempre ao serviço do festival e nunca o contrário. E isso exige equilíbrio. Exige, no meu entender - e é a escolha responsável que eu tento fazer - que o meu trabalho não esteja necessariamente sistematicamente presente enquanto artista na programação do festival para deixar espaço a outros, para permitir precisamente que o festival não trabalhe a meu favor, mas o contrário, que quando eu apresento um trabalho, uma peça, um espectáculo no Festival de Avignon, seja para contribuir à programação e também contribuir, de certa maneira, à economia do festival. As digressões dos meus espectáculos produzem receitas que favorecem o festival e que nos permitem convidar outros artistas do festival. E, portanto, eu acredito que o director do Festival de Avignon ou a directora, se forem artistas, devem fazer o seu trabalho no festival, mas devem fazer com a medida que permite que seja o seu trabalho a estar ao serviço do festival e nunca o contrário, como disse. O Tiago Rodrigues é imigrante em França. Não vai poder votar nas presidenciais francesas do próximo ano porque é preciso nacionalidade francesa para isso. Como é que o autor de “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas” olha para estas eleições, nomeadamente depois de Marine Le Pen ter confirmado que se vai candidatar? “Não é apenas o autor de ‘Catarina e a Beleza de Matar Fascistas' ou o cidadão Tiago Rodrigues, mas é também o director do Festival de Avignon que toma posição e a posição é muito clara. O Festival de Avignon já pôde fazê-lo no passado, nas legislativas de 2024, que aconteceram ao mesmo tempo que o festival. O Festival de Avignon fez apelo a uma barragem à extrema-direita e, portanto, à União Nacional de Marine Le Pen, e fez um apelo ao voto no campo democrático. Eu não considero, o Festival de Avignon institucionalmente não considera, que a extrema-direita pertence ao campo democrático. A nossa posição é muito clara. Fazemos um apelo à participação nas eleições e é uma barragem clara, sem ambiguidades, à extrema-direita. Será também o caso para as presidenciais, como foi, aliás, para as municipais de Avignon, onde a extrema-direita perdeu uma derrota forte depois também de o festival ter tomado posição e ter anunciado que não trabalharia com a extrema-direita se esta tomasse o poder na cidade de Avignon. Felizmente não foi o caso e não será o caso, eu creio, também nas presidenciais. Sinto muita confiança na lucidez democrática das francesas e dos franceses.” Avignon é, historicamente, a cidade-teatro aberta à contestação, o festival sempre foi politicamente atravessado pelo seu tempo, como acaba de dizer, assim como em Maio de 68, os debates pós-coloniais, as crises migratórias. Este ano, qual é a causa a atravessar esta edição? “Cada Festival de Avignon é, por um lado, um sintoma de implicação com a actualidade, com os grandes fenómenos da actualidade e, portanto, a cada festival vemos novas questões, novas causas, novos debates a surgirem. E é também por isso que este ano quisemos celebrar esta 80ª edição, pondo as questões e os questionamentos no centro do discurso. Este é um festival que desde 1947, por 80 ocasiões, colocou questões ao mundo, as questões dos artistas, acompanhando os artistas a criar espectáculos que traduzem os seus questionamentos e permitindo ao público de se apropriar destas questões para ter os seus debates. O Festival é muito conhecido pelos seus debates, apaixonantes e apaixonados, por vezes bem intensos, e nós gostamos que seja assim. Gostamos que seja assim, aqui no Café das Ideias, onde estamos e onde acontecem todas as manhãs grandes debates, mas também nas ruas, nas praças, espontaneamente. Discutindo espectáculos, nós discutimos o mundo e questionamos o mundo. Este ano, como todos os anos, julgo que a questões que atravessam a actualidade, seja questões ligadas, por exemplo, às eleições presidenciais, questões ligadas à crise climática, às vagas de calor e à aceleração de medidas que os governos têm que tomar para combater a crise climática, defender a biodiversidade, mas também a vida e o bem-estar das pessoas e questões que são intemporais. Este ano temos, por exemplo, dois Hamlet, portanto, a questão de ‘ser ou não ser', que já existe há 400 anos, aqui está de novo. É esta mistura de questão política e questão íntima, de questão pública e questão individual, que anima a cada ano o festival que quer continuar a ser um festival de liberdade de expressão, de implicação com o mundo, mas com uma grande pluralidade de pontos de vista. Não é um festival de pensamento único que está aqui para convencer as pessoas seja do que for. É um espaço de liberdade onde os artistas e o público se podem exprimir com toda a liberdade, e deve dizer-se isto várias vezes, numa França onde, infelizmente vemos, como noutros países da Europa e do mundo, a liberdade de expressão e de criação a ser ameaçada. A França não é imune a isso. Já não se trata apenas de uma ameaça, mas de ataques repetidos em vários territórios de França. Aqui em Avignon, a primeira coisa que podemos fazer para responder a essa ameaça é praticar toda a liberdade de criação, toda a liberdade de expressão.” É essa a sua assinatura mais pessoal nesta edição? Reafirmar a liberdade de criação junto dos artistas, dar-lhes um espaço seguro aqui no festival? “Eu não acredito em assinaturas pessoais. Isto é o trabalho de mais de 700 pessoas que organizam este festival. O pensamento do festival não emana apenas de mim, é de dezenas de pessoas, de centenas de discussões, ele emana dos artistas e emana do público. E eu convido sempre quem me coloca essa questão de ‘Qual é a marca que tu, enquanto director, queres imprimir? Qual é o teu cunho pessoal?' O meu cunho pessoal é: Perguntem às pessoas na rua o que sentem em relação a este festival, como estão a vivê-lo. É permitir colocar-me ao serviço desta história, desta aventura colectiva que atravessa gerações. São os filhos que transmitiram aos netos, que transmitem aos vindouros este amor do teatro e este amor de poder juntar-se sem ser à volta de uma mesma ideia, juntar-se à volta do debate, à volta do facto de podermos estar juntos, felizes, a desfrutar das artes do teatro em desacordo. Este desacordo é o princípio do diálogo e o diálogo é o fundamento da democracia.” Falou da questão da filiação, da transmissão intergeracional. Está em França há quatro anos. Emigrou como o seu pai e como tantos milhares de portugueses o fizeram no século XX, durante a ditadura portuguesa. O seu pai foi acolhido pela França e o Tiago é convidado pela França para dirigir o maior festival de teatro francês, quando justamente há esta ameaça de a extrema-direita chegar ao poder. Isto é uma história que poderia dar uma peça de teatro. Qual é o poder simbólico desta história no contexto político actual? “Devo dizer que, enquanto director do Festival de Avignon, português, saber que estou ao serviço desta aventura, dos valores democráticos, republicanos, progressistas deste festival que é um festival também ecologista, feminista, anti-racista porque defende esses valores da democracia, da liberdade, da igualdade, da fraternidade, saber-me ao serviço destes valores, através deste festival, é para mim, de alguma forma, tentar também pagar a dívida de gratidão que tenho em relação à sociedade francesa que acolheu o meu pai quando o meu pai precisava de ser acolhido.” Obrigada por continuar a transmitir esta história e obrigada por também transmitir a história da emigração. “Vou dizê-lo para a RFI, é a primeira vez que falo disto publicamente: acho que será o tema do meu próximo espectáculo.”

Artes
Em Avignon, Carolina Bianchi acende "Uma Luz Cordial” atrelada à violência e ao prazer

Artes

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 20:20


A encenadora, actriz e escritora brasileira Carolina Bianchi regressou ao Festival de Avignon para estrear “Uma Luz Cordial”, o último capítulo da "Trilogia Cadela Força" aqui iniciada em 2023. Esta é “uma luz atrelada à expressão da violência”, mas também à "expressão do prazer", conta-nos a artista que neste espectáculo confronta o público com “o enigma” que atravessa a peça e que envolve teatro, literatura e sexualidade. Carolina Bianchi e a sua companhia Cara de Cavalo vão também fazer dois dias de maratona teatral de 10 horas com as três peças seguidas da trilogia, um gesto movido pelo desejo de “aventura total”. Carolina Bianchi encerrou a trilogia iniciada em Avignon com “Uma Luz Cordial”, um espectáculo que leva para o palco a violência do acto de escrever e o mistério da sua própria sexualidade. Esta é “uma luz atrelada à expressão da violência”, mas também “à expressão do prazer”, conta-nos a artista que foi buscar o título da peça a um poema que lhe é fundamental: “My Life Had Stood a Loaded Gun”, de Emily Dickinson, em que a imagem de uma arma carregada lhe evoca o potencial explosivo de uma poeta a escrever. Além do novo espectáculo, Carolina Bianchi e a sua companhia Cara de Cavalo retomam toda a trilogia nesta 80ª edição do Festival de Avignon e o público poderá ver, no mesmo dia, “A Noiva e o Boa Noite Cinderela” [que a revelou aos palcos europeus e com o qual conquistou o Leão de Prata da Bienal de Veneza em 2025], “The Brotherhood” e “Uma Luz Cordial”. A maratona teatral de 12 e 13 de Julho, na Opéra Grand Avignon, dura diariamente cerca de dez horas, um gesto movido pelo desejo de “aventura total”, em referência à "obra de arte como aventura total” do artista Alberto Greco, de quem também fala em palco. “A Noiva e o Boa Noite Cinderela”, o primeiro capítulo, arrasta o público para o inferno das violações e dos feminicídios. “The Brotherhood”, o segundo capítulo, mergulha-nos nas alianças masculinas que têm dominado a história da arte e do teatro e verbaliza o fascínio por esses mestres da arte e da violência. Agora, “Uma Luz Cordial”, o terceiro capítulo, tenta fintar a brutalidade da criação artística e faz a literatura irromper em todo o espaço cénico. Diluem-se novamente fronteiras entre teatro e poesia, entre ficção e real, entre autor e alter ego. Carolina Bianchi vai desaparecendo de cena para reaparecer “nas vozes” de autoras como Hilda Hilst e Emily Dickinson. Não se pense que este último capítulo vem curar alguma dor porque, ela avisa em palco, “a dor não passa” e “não há salvação”. Há, no entanto, uma luz ao fundo do túnel, a tal “luz cordial”, ainda que corresponda ao disparo de uma arma no poema “My Life Had Stood a Loaded Gun”. O teatro radical de Carolina Bianchi, que deixa enigmas e não dá respostas, que leva para o palco a complexidade e a perplexidade do mundo, que leva à tona tanto a parte maldita quanto a parte poética da criação, está no Festival de Avignon até 12 de Julho. RFI: Como é que nos pode apresentar este terceiro capítulo que fecha a trilogia “Cadela Força”? Carolina Bianchi, Autora e encenadora da trilogia teatral “Cadela Força”: “Uma Luz Cordial é um trabalho que vai na direcção da escrita, sobre o acto de escrever. Então, ele é, na verdade, eu me colocando ali também, nesta travessia deste espectáculo, como a escrita em si, o meu corpo está muito mais fora de cena do que nos outros trabalhos da trilogia. Acho que também tem essa questão: a de uma escritora que está desaparecendo, que está se tornando pura escrita. Por tocar nesse assunto da escrita, acho que forma um triângulo muito importante com outras duas coisas, que é a imaginação e a sexualidade. Aí, para mim, surge uma equação do enigma desta terceira parte, que é o que atravessa este último capítulo, estas três palavras que não se conseguem mais dissociar, a escrita também como uma possível expressão da sexualidade e é não só falar sobre a sexualidade, mas a escrita como expressão de uma sexualidade. Acho que, sobretudo, é também muito importante dizer: a literatura como forma de prazer.” Há uma poesia de Emily Dickinson essencial na peça, que fala em "uma luz cordial" em que "a arma tem o poder de matar, mas não de morrer". Por que chamou ”Uma Luz Cordial” ao terceiro capítulo? “Esse é o meu poema preferido da vida. Emily Dickinson traz uma possibilidade de ler esse poema - porque é o que eu digo também no trabalho: é difícil chegar a uma conclusão sobre como analisar um poema de Emily Dickinson. E essa é a coisa mais bonita sobre essa autora, que trabalha com enigmas, com espaços de puro mistério na sua escrita, na sua poesia. Acho que essa imagem de uma arma carregada que, para mim, pode ser a imagem da poeta a escrever, é uma das imagens mais bonitas que a poesia já trouxe para o meu imaginário. Aí vem essa frase ‘Uma luz cordial' que está no poema e ela essa sentença para descrever o momento do disparo da arma. Então, o tempo todo ela está trazendo nesse poema esses dois lados de uma arma que também é uma arma que é uma expressão de violência e, ao mesmo tempo, quando o disparo é descrito como uma luz cordial isso também traz outra imagem sobre essa arma, que é uma imagem de vida, uma imagem de sorriso, uma imagem de prazer, uma imagem de iluminação que é muito forte.” Em “A Noiva e o Boa Noite Cinderela” a principal inspiração era a artista italiana Pippa Bacca, violada e assassinada em trabalho. Em “The Brotherhood”, inspirava-se também na dramaturga Sarah Kane que dizia que “não há amor sem violência” e que explorava os temas do amor e da violência. Agora, as suas musas são Hilda Hilst e Emily Dickinson. Porquê falar através da voz destas artistas mulheres e porquê levar de forma tão franca a literatura para o teatro? “Tem uma coisa que eu acho que é importante dizer. A Pippa Bacca, para mim, ela não foi tanto uma inspiração como a minha relação com a Sarah Kane, talvez com outras dessas autoras. Acho que a Pipa Baca tinha uma coisa ali de um mistério do qual eu precisava, era quase a atracção de um detective que eu acho que é um pouco diferente. Nestes dois outros trabalhos, quando Sarah Kane aparece, quando vem a Emily, a Hilda e outras vozes também, para mim tem um aspecto de um encontro que é um encontro onde você se sente pertencente a um lugar ou onde você tenta pertencer a um lugar onde encontra essas outras autoras, onde você se sente menos sozinha, onde você tem um lugar onde se reconhece numa história. Acho que isso acontece muito com a Sarah Kane na ‘Brotherhood', alguém que fez espectáculos extremamente violentos, que sofreu também muitas consequências, boas e ruins, dessa dramaturgia sem concessões que ela fazia. Agora, nesta terceira, o ponto onde a coisa ainda fica mais profunda é a questão de elas serem alter egos. Quando eu falo dessa escritora que morreu e que agora aguarda nesse outro espaço essa hora de voltar, para mim, esse virar escrita também significa dissolver-se em alter egos. A minha voz já não é essa voz central, a voz está espalhada, está tudo espalhado, estilhaçado. Tudo ali é duplo. Também vem essa ideia da fantasmagoria em si, que eu também falo nos outros capítulos. Para mim, essa fantasmagoria chega no seu ápice na trilogia, que é a ideia de que nem sequer essa voz é a voz que agora é a mais ouvida. Essa voz precisa de se dissolver em alter egos e o da Emily Dickinson - que ocupa um lugar muito importante na minha vida, na minha história, com a literatura, com a escrita - aparecem também nesse chamado para seguir escrevendo.” Também interroga o próprio sacrifício da escrita e a violência que é escrever? “Sim, interroga, mas também é um lugar de prazer. Para mim, é muito importante afirmar essa palavra neste último capítulo, que eu acho que também é uma palavra que pouca gente esperava que fosse aparecer aqui. Há uma questão de associação entre a literatura e o prazer e, por isso, também a gente está associando com a questão da sexualidade, porque eu estou trazendo uma sexualidade que também se está colocando como uma grande desorganização, como um grande enigma o tempo todo. Aqui, isso está mais endereçado do que nunca. Então, é um corpo que está ali fervendo, que é o corpo da escritora, que é o corpo da escrita, que é um corpo que também está revelando uma expressão sexual muito forte.” Por isso é que traz esse corpo colectivo da sexualidade para o palco, com os actores da sua companhia Cara de Cavalo? “Sim, sim, porque eu acho que tem ali mesmo uma pergunta sobre como se manifesta essa sexualidade no espectáculo, sem ser a sexualidade de estar atrelada ao real ou o sexo real no palco ou a representação. Não me interessa essa pergunta. Nesta peça, para mim, interessa-me falar como manifestar essa sexualidade que está atrelada ao acto de escrever. É uma sexualidade que vem da palavra e uma sexualidade que está atrelada à leitura. Ela é uma sexualidade que é o tabu da leitura, que limites são esses também que a literatura explode o tempo todo e que para o teatro é mais complicado. Então, acho que tem uma tensão aí entre teatro e literatura, entre o acto de ler e de você também não poder escapar dessa literatura. Acho que tem muitas coisas aí onde esse fio vai dando um nó mesmo.” Nessa “dramaturgia sem concessões”, em que leva também a sexualidade para o palco, recorre a uma obra que a escritora Hilda Hilst escreveu para fintar o pedido do editor que queria uma obra que vendesse muito. A Carolina coloca em cena uma marioneta a representar uma criança manipulada por dois adultos e durante 20 minutos ela fala da sua prostituição infantil. É uma das cenas mais fortes desta peça. Porquê esta cena? “Porque o meu desejo era colocar um livro dentro da peça. Ali a gente tem um livro que é ‘O Caderno Rosa de Lori Lamby' e acho que tem uma questão que ainda traz neste livro particular que é uma resposta a uma determinada maneira que o mercado editorial trabalha, que eu acho muito forte, porque ele é um livro sobre escrita. É uma menina que escreve o tempo todo e é o que a marioneta faz também em cena, ela escreve o tempo todo. Então, uma menina que escreve o tempo todo, inspirada pelo pai, que é um escritor que tem problemas também para vender os seus próprios livros. Inspirada pelo que ela ouve das conversas ao redor, das coisas que lê, ela começa a escrever esse relato. Acho que tem uma coisa que eu acho muito bonita que é, primeiro, uma questão do tabu, um tabu enorme que é a imaginação sexual de uma criança, porque não é só uma questão de abuso, acho que tem ali uma questão ou outra que é o que uma criança imagina quando escreve e isso é uma coisa que toca todo o mundo. Todos nós já fomos crianças. Todos nós sabemos que é uma imaginação que ainda não está tão moldada pelos limites, pelos tabus. Ela narra uma questão extrema nesse contacto dessa imaginação, tem um caminho extremo que a Hilda percorre, porque ela sabe que isso vai provocar algo ali, nesse tabu, com o jeito que a gente percebe essas situações. Ao mesmo tempo, tem uma coisa da escrita dela que é extremamente poética, que tem humor, que é uma coisa que você vê nos outros livros dela que eu acho muito importante. Acho que tem uma coisa desse choque também que isso provoca, que eu acho que é curioso também, que vem na cena seguinte mais explicitamente, que é uma cena que é “O Caderno do Cu do Sapo Liu Liu”, onde a gente tem o inverso, que é o grande escritor que escreve coisas terríveis, violentíssimas e é considerado um génio. Ele é considerado um Rimbaud. A gente está aqui na França, a terra de Georges Bataille, de Marquês de Sade, e é interessante como Hilda Hilst é tão chocante.” É por ser mulher? “Eu acho que o facto de ser mulher também faz ser mais chocante. O facto de ela ser mulher, o facto de ela ter escrito esse livro quando ela tinha 60 anos, mas eu acho que não vem a ser uma questão para mim pessoalmente. Eu não sei se isso é uma questão para quem lê isso e fica completamente perturbado, mas para mim, as questões dela ali, em relação à literatura, aos não limites que a literatura pode operar, são muito interessantes para mim.” Apesar da violência relatada por si e pelas mulheres de que fala, apesar de toda a vulnerabilidade, a trilogia chama-se Cadela Força. Agora que temos a trilogia completa em palco, por que é que a chamou assim? “Essas duas palavras não têm um significado específico quando colocadas em par. Elas não estão nem se dando adjectivo no português brasileiro, elas são palavras que não se estão completando, elas são realmente duas palavras jogadas ali. Acho que tem uma coisa sobre essa sonoridade que elas produzem, sobre as milhares de imagens que essas duas palavras podem produzir em contacto com os materiais da peça. E elas também têm um enigma delas, um segredo.” Na peça diz que “não há salvação”, que “não passa a dor”. Lemos que “o teatro é uma armadilha, que a literatura é uma armadilha e que talvez ainda esteja na mala do carro”, em referência à violação que sofreu e que conta no primeiro capítulo da trilogia. Quem viu os capítulos um e dois poderia esperar uma espécie de salvação no capítulo três ou, pelo menos, que o teatro fosse uma forma de reconstrução para si e, através de si, para outras mulheres. Não foi? “Não. E acho que quem esperava isso de mim assim estava muito equivocado. Para mim, é impossível pensar no teatro como salvação. Eu acho que já estou anunciando isso desde o princípio. Esse lugar de que o artista é alguém que precisa conceder esperança à sociedade, respostas à sociedade, conclusões de perguntas que são impossíveis, é um delírio e uma alucinação porque os artistas não têm essa responsabilidade. O que me interessa é justamente esse mistério do teatro. O teatro começa como um ritual dionisíaco, os rituais dionisíacos eram cheios de violência, cheios dessa violência poética que opera no fundamento da história do teatro. Então, eu acho que o teatro é um lugar onde ele precisa operar na chave do mistério, da instabilidade, não como salvação de nada.” Nas entrevistas que fizemos, em 2023 e em 2025, sobre os capítulos anteriores da trilogia, dizia-nos que “A Noiva e o Boa Noite Cinderela” falava da “antecâmara do inferno já com um pé no inferno”, que “Brotherhood” era “acordar no purgatório” e tentar perceber o que significa “situar-se no teatro depois de voltar do inferno”. E neste terceiro capítulo? “Esse capítulo, a gente chega na citação do 'Paraíso' de Dante Alighieri, esse momento onde tem uma imagem do paraíso que é muito linda, em que ele começa a ver esses espíritos, essas imagens de luz. Quase como chega um ponto ali onde, depois de ele se entender incapaz de seguir escrevendo, ele já se perdeu ali do Virgílio que encontrou uma outra musa que é a Beatriz que agora tem a palavra. Acho que tem alguma coisa nessa transformação onde a luz aparece, para mim, atrelada a uma expressão de violência que está no poema da Emily Dickinson, que também abre esse lugar de onde também há esse prazer da literatura que aparece. Esse lugar onde a literatura vai dominando tudo, onde essa ficção vai dominando tudo. É essa conexão que eu faço com o paraíso, com esse lugar onde a violência não pára, onde a violência não se resolve, mas ela chega a outras formas.” Não há salvação, mas há uma luz cordial? “Mas lembre-se que à luz cordial é o disparo da arma.” Fecha a trilogia no sítio onde a começou, no Festival de Avignon. Mostra o terceiro capítulo, mas também os dois anteriores. Já alguma vez representou dez horas seguidas e por que é que decidiu fazer algo quase sobre-humano? “Nunca representei por dez horas seguidas. Sobretudo, acho que nada me teria preparado, mesmo se tivesse feito. Não, nada me teria preparado para fazer isso, porque acho que essas dez horas são dez horas muito específicas, muito desse universo onde há aí uma consequência de se fazer algo depois do primeiro capítulo e eu acho que é isso que a gente vai estudar juntos. O que é que isso muda na nossa leitura de espectáculos que as pessoas já viram? Como eles vão ler esses espectáculos agora com esse efeito presente e contínuo? O que acontece? O que acontece com o teatro? O que acontece com a performance? O que acontece com a literatura quando se leva isso, essa experiência, que é uma experiência extrema? Tem uma frase num dos textos de ‘Uma Luz Cordial', onde eu estou-me referindo a um outro artista que é o Alberto Greco, um artista argentino, e ele diz que acredita na obra de arte como aventura total. Para mim, isso resume muito bem este gesto. Então, para si, é uma obra de arte total? “Não, aventura total. Não sei se é uma obra de arte total o que nós fazemos, mas eu acredito que o desejo de fazer essa obra tem a ver com esse desejo pela aventura total.” A trilogia ajuda a pensar o impensável. Verbaliza a violência, apropria-se da linguagem da violência para desconstruir o sistema em que ela se baseia. Ao fazê-lo, também não alimenta o sistema em que “Somos todos brotherhood”? Não há maneira de quebrar o ciclo? “Acho que não. Eu não saberia dizer. Acho que não. Acho que esse ciclo talvez vai ser um ciclo que vai demorar muito para ser quebrado. Onde estamos agora no mundo, o que a gente está vendo acontecendo ao redor do mundo, esse conservadorismo extremo, esse fascismo extremo que está em toda parte, que está no mundo das artes também, eu não vejo ainda uma saída desse ciclo. Sinto muito., mas espero que exista um dia. Não sei se eu vou estar aqui para assistir isso, mas…” Foram vários anos a escrever, a interpretar, a representar, a sofrer também com esta trilogia que agora fecha. Olhando para trás, o que é que representou para si e o que gostaria que ela deixasse junto de quem a viu? “Eu acho que é uma coisa enorme. Mesmo assim, eu nunca vou conseguir, talvez nem nesta encarnação, ter distanciamento suficiente para ver tudo o que isso representou na minha vida, na vida das pessoas que trabalham comigo ou ainda de quem acompanhou o trabalho. Agora eu estou muito próxima, ainda estou muito aqui para entender qualquer coisa sobre isso. Eu sei que as mudanças que isso faz na minha vida são imensas. A minha vida foi completamente transformada e transtornada por esse trabalho, mas eu sinto isso assim, eu sinto que eu estou aqui, eu estou dentro dele ainda. Talvez no ano que vem eu consiga já ter um pouco mais de distanciamento para entender, porque agora eu só consigo dizer que isso mexeu em tudo. E eu estou ainda no meio desse furacão.” O furacão que também afectou o público e, se calhar, a história do teatro contemporâneo? “Tomara que sim. Eu nunca consigo afirmar muito esse tipo de coisas. Não sei. Tomara que sim. Tomara que tenha afectado muita gente. Eu acho fez algo, com certeza, com este contexto, mas eu preciso de distanciamento mesmo para entender o que foi feito, o que mexeu.”

SBS Portuguese - SBS em Português
A criação do mundo menos visto na Bienal de Veneza

SBS Portuguese - SBS em Português

Play Episode Listen Later Jul 4, 2026 4:49


A Bienal de Veneza 2026 abre-se ao áudio, às imagens poderosas, às palavras, aos pensamentos, à poesia – num programa estético e político que nos traz em novidade vozes e rostos de regiões habitualmente ausentes do nosso quotidiano. É uma das grandes atrações europeias a quem visitar o Velho Continente até novembro.

Ryto allegro
Venecijos architektūros bienalėje Lietuva klaus, ar paveldas yra „šventa karvė“?

Ryto allegro

Play Episode Listen Later Jul 1, 2026 88:53


Kalbos rytas: kas padarė daugiausiai įtakos totorių kalbai ir kokių žodžių iš jos perėmė lietuviai – Gabrielės Kloniūnaitės pokalbis su totorių raštijos tyrinėtoja doc. dr. Galina Miškiniene.Prancūzijos mieste Ansi įvyko vienas didžiausių animacijos festivalių pasaulyje. Kokios tendencijos pastebimos animacijos ateityje?Lietuvos paviljoną 2027-aisiais Venecijos architektūros bienalėje kuruos architektas Andrius Ropolas. Kokie darbai laukia ir ko tikėtis iš Lietuvos paviljono?Valdovų rūmuose baigtas eksponuoti Caravaggio paveikslas „Šv. Marijos Magdalietės ekstazė“. Kokios susidomėjimo sulaukė šis kūrinys ir kuo ypatingos vieno paveikslo parodos?Stabtelėjus ketvirtajame Kauno „Akropolio“ stovėjimo aikštelės aukšte, galima pažvelgti tiesiai į XIX amžių. Prieš daugiau nei šimtą metų šioje miesto vietoje pradėjo kurtis pramoninis Karmelitų kvartalas. Kodėl ši šurmuliuojanti vieta sudomino debiutuojančią gidę Rūtą Baužytę-Jarosz, pasakoja Kotryna Lingienė.Italijoje įvyko pirmoji Italijos lietuvių bendruomenės ir teatro „Budrugana Lietuva“ organizuota patriotinė teatro stovykla ,,Išlaisvink LT”.Ved. Marius Eidukonis

Para que veas
Para que veas - Inauguración de la X Bienal de Arte Contemporáneo - 30/06/26

Para que veas

Play Episode Listen Later Jun 30, 2026 4:29


Del 1 de julio al 11 de octubre, Fundación ONCE abre las puertas en Madrid de la X Bienal de Arte Contemporáneo. Una edición que celebra dos décadas de trayectoria y que propone una reflexión central: cómo el arte transforma nuestra percepción de la realidad.Escuchar audio

Um dia no Mundo
A Bienal de Veneza e a arte do mundo

Um dia no Mundo

Play Episode Listen Later Jun 29, 2026 5:09


A arte das geografias mais longe da vista mostra-se na Bienal, em Veneza. Uma crónica de Francisco Sena Santos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

mundo arte uma bienal veneza francisco sena santos
El ojo crítico
El ojo crítico - El Museo Ibero de Jaén se prepara para albergar su renovada exposición permanente - 20/06/26

El ojo crítico

Play Episode Listen Later Jun 20, 2026 55:12


Hablamos con Concha Choclán, historiadora y directora de la institución, sobre la cultura ibera y la labor del museo. En la segunda mitad del programa, Paula Carrelo nos presenta el Bienal de Néxodos, el encuentro anual de creación contemporánea y arte al aire libre en entornos rurales. Después, nuestra compañera Sonia Castelani nos guía en el montaje del Museo Thyssen sobre la restauración de 'Venus y Cupido' de Rubens. Terminamos con nuestra colaboradora María Zaragoza, en la Tela de Aracne, para hablar de la escultora Nikki de Saint-Phalle.Escuchar audio

Diseño y Diáspora
727. Lo que ven les niñes: arte para volver a mirar (Colombia). Una charla con Alejandra Forero y John Vela

Diseño y Diáspora

Play Episode Listen Later Jun 14, 2026 46:19


Alejandra Forero y John Vela son una artista plástica y un diseñador industrial colombianos que tienen un laboratorio de arte y diseño: Zorro y Conejo. Sus proyectos mezclan instalación, juego, exploración y acción poética. Y tienen diferentes formas: objetos, carteles, fanzines y más. En esta entrevista nos cuentan de varios proyectos con niñez. Crean espacios para mirar lo que nos pasa desapercibido. Piensan en el riesgo y la autonomía de les niños y niñas que conectan con adultos a partir de mensajes en las paredes. Sus trabajos: Sala de lecturas para la fundación Habitat Sur, diseñada con la comunidad de niños y niñas de Leticia- Amazonas, proyecto en el marco del festival ¨Salva tu Selva¨ Instalación de juego y lecturas en el espacio urbano de la Fundación Gilberto Alzate Avendaño Participación en la Bienal de artes para la primera infancia del Instituto Distrital de las Artes en BogotáEsta entrevista es parte de las listas: NIñez y diseño, Arte y diseño social, Diseño industrial, Colombia y diseño, Territorio y diseño, Colectivos y Cooperativas de diseño. Alejandra y John nos recomiendan: María José FerradaJorge LujánJavier NaranjoArturo EscobarClara EslavaFernando Martín Juez

La Diez Capital Radio
Informativo (11-06-2026)

La Diez Capital Radio

Play Episode Listen Later Jun 11, 2026 26:10


Miguel Ángel González Suárez te presenta el Informativo de Primera Hora en 'El Remate', el programa matinal de La Diez Capital Radio que arranca tu día con: Las noticias más relevantes de Canarias, España y el mundo, analizadas con rigor y claridad. Hoy hace 2 años: El alcalde de Gáldar lanza un dardo a la cúpula de Nueva Canarias y propone que dimita. …y Hoy hace un año: La Generalitat cierra con Aena la ampliación del aeropuerto de El Prat por 3.200 millones …y hoy hace 365 días: La Palma sufre un apagón que deja sin electricidad a toda la isla por el fallo de un generador. Hoy se cumplen 1.574 días de guerra entre Rusia y Ucrania. 4 años y 106 días y …40 días de Guerra en Oriente Próximo y 62 días de Alto el fuego y 2 días nuevos de guerra. Hoy es jueves 11 de junio de 2026. Día Mundial del Cáncer de Próstata. El 11 de junio se celebra el Día Mundial del Cáncer de Próstata, una patología que afecta a más de 1,2 millones de personas en el mundo. Esta efeméride se creó con la finalidad de sensibilizar y concienciar a la población masculina, acerca de la importancia de conocer precozmente el cáncer de próstata y la aplicación del tratamiento respectivo. El cáncer de próstata o prostático es el cáncer que se origina por un crecimiento descontrolado de las células de la próstata. La próstata es una glándula con forma de nuez ubicada debajo de la vejiga y delante del recto en los hombres. Es la encargada de producir el líquido seminal que nutre y transporta el esperma. Esta patología no está asociada a un estilo de vida y hábitos poco saludables, como tabaquismo, obesidad, alimentación desbalanceada o alcoholismo. El principal factor de riesgo lo constituye la edad y los antecedentes familiares. 1895: en Francia se celebra la primera carrera de automóviles de la historia: París-Burdeos-París. 1933.- Los españoles Mariano Barberán y Joaquín Collar, con el avión Cuatro Vientos, llegan a Camagüey (Cuba) desde Sevilla, recorrido en el que invirtieron 39 horas y 55 minutos, plusmarca mundial de vuelo sin escala sobre el mar. 1946.- La RDA elige a su primer presidente, Guillermo Pieck. 1950.- El francés Henri Matisse recibe el Gran Premio de Pintura en la 25 Bienal de Venecia. 1982.- Más de 800.000 personas se manifiestan en Nueva York en favor de la paz. 1989.- El tenista estadounidense Michael Chang, de 17 años, gana el torneo de Roland Garros y se convierte en el vencedor más joven. 2009.- La OMS eleva la alerta por la gripe A al nivel de pandemia. 2014.- El Congreso español aprueba la ley de abdicación del rey. 2015.- El rey Felipe VI retira a su hermana Cristina el título de duquesa de Palma de Mallorca. 2018.- El presidente del Gobierno español, Pedro Sánchez, ofrece acoger a los 629 inmigrantes del barco Aquarius, rechazado por Italia y Malta. Santoral para hoy, 11 de junio: santos Bernabé, Fortunato, Alicia, Máximo, Paris y Paula. Irán ataca a Jordania, Kuwait y Baréin, mientras Trump advierte: "Pagarán las consecuencias" Roberto Sánchez da el sorpasso en Perú y supera a Fujimori con el 95% del escrutinio. León XIV visita la cárcel de Brians y lanza un mensaje: "El pasado no condena el futuro" León XIV encomienda a La Moreneta la "misión de la Iglesia" en un mundo que pide "justicia y paz" Feijóo pide a Sánchez dimitir "por incompetente" si no sabía nada de la corrupción y este le reprocha su "hipocresía" Canarias exige al Estado que el transporte deje de encarecer la cesta de la compra. El Parlamento aprueba por unanimidad una iniciativa del PP para actualizar los costes tipo de las mercancías y evitar que la insularidad repercuta en familias, pymes y operadores logísticos. Trabajo impone servicios mínimos de hasta el 90% ante la huelga en Televisión Canaria. Aunque el promedio es del 50%, el comité de empresa lo considera abusivo por lo que traslada la huelga a los días 1, 8 y 15 de julio. Anuncian recurso contencioso-administrativo. Un 11 de junio de 1991 Bryan Adams estrena este gran tema (Everything I Do) I Do It For You.

Incial
Minipod 318: Quais são as obras mais importantes para a civilização humana?

Incial

Play Episode Listen Later Jun 11, 2026 65:21


Bom dia, confrades. Mais uma quinta-feira — mais um minipod no ar! No programa de hoje, conheça as obras que consideramos as mais importantes — e fundacionais — para a civilização humana. E ainda: saiba como punir adequadamente um vilão; aprenda e contar uma história — e desenvolver um cenário — por meio de contos e crônicas; confira alguns filmes que se passam em apenas um ambiente; e saiba como foi a edição deste ano do Retiro Literário. ✍️✏️

Vida em França
"Estamos todos no mesmo Mundo, Terra, Pátria"- Álvaro Vasconcelos

Vida em França

Play Episode Listen Later Jun 10, 2026 40:47


Foi apresentado em finais de Maio em Paris, o terceiro e último volume do livro "Memórias em tempo de amnésia" de Álvaro Vasconcelos, especialista de relações internacionais e voz bem conhecida das nossas antenas. Nesta obra em três partes, o autor relata as épocas que atravessou, o salazarismo, o colonialismo português em África, nomeadamente em Moçambique onde viveu, os anos de militância política na África do Sul, em França e em seguida em Portugal, onde regressou na altura do 25 de Abril. No terceiro volume das suas memórias intitulado "O futuro para além do apocalipse", Álvaro Vasconcelos recorda a conquista da independência das ex-colónias, assim como os primórdios da democratização de Portugal e a sua adesão à União Europeia. O antigo director do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia e fundador em Portugal do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais também evoca a viragem autoritária a que se assiste actualmente em várias partes do mundo, a que ele chama de «brutalismo» e que tem a ver com a corrente 'tecno-totalitarista', encabeçada nomeadamente por alguns magnatas da Silicon Valley. Álvaro Vasconcelos fala também da urgência ambiental, da urgência de não nos esquecermos que somos humanos, numa época em que tendemos a colocar tudo nas mãos da Inteligência Artificial. No fundo, ele fala da urgência de pensarmos. Neste livro denso que é uma chamada de atenção, ele começa cada capítulo com uma espécie de guião de filme e fala com um gosto não dissimulado de todas as fitas que o fizeram reflectir de outra forma sobre o mundo, porque este texto, ainda mais do que os anteriores, é uma declaração de amor à sétima arte. E evidentemente não podíamos deixar de falar -antes de mais- da importância que o cinema tem para Álvaro Vasconcelos. "O cinema é algo que me formou porque eu vivia na África colonial, na Beira, em Moçambique. E como era lá no fundo do Império, a ditadura era certamente muito mais suave para os brancos, para os negros era mais brutal do que em Portugal era para os portugueses. E os brancos da cidade da Beira, onde eu vivia, tinham acesso ao Cineclube da Beira, às grandes obras do cinema mundial, por exemplo, nós vimos o ‘Couraçado Potemkin', que em Portugal era absolutamente proibido. (…) E como o cinema, começamos a vê-lo mesmo muito, desde muitos miúdos, não só nos cineclubes, os cinemas eram a maravilha da época, era aquilo que nos educava, nos abria novos horizontes, que nos fazia rir com Charlot, com os irmãos Marx, que nos ensinava os problemas graves do mundo, como ‘Hiroshima mon amour', o neo-realismo italiano, ‘Os ladrões de bicicletas', etc. Evidentemente que o cinema teve para a minha geração e em particular para aquela que viveu no Império, mas não só, também também em Portugal, um impacto enorme, portanto, foi formativo. E ao escrever o último livro da minha trilogia, senti a necessidade de fazer um livro que fosse mais de reflexão que apenas descritivo da minha vida e de reflexão. Não sou filósofo, portanto, não podia ser uma reflexão filosófica. Mas era uma reflexão à volta das ideias que são veiculadas pelo cinema, que foram veiculadas pela grande literatura que eu li desde miúdo, que sempre me apaixonou e continuo a ler e que me ensinou imenso sobre o mundo. Eu descobri muitas coisas no cinema e na literatura que não era capaz de descobrir com o mesmo grau de profundidade dos ensaios", explica o autor. Nas suas memórias, Álvaro Vasconcelos fala da época colonial e também de uma descolonização das mentes que ainda não foi totalmente feita. "Em África, descobri a violência colonial e que a palmatória é um símbolo absoluto dessa violência. Palmatória com que iam castigar os empregados negros por coisas, não importa o quê. Mas mesmo que fossem coisas graves, era a mesma palmatória que era usada contra os escravos, como eu vi no Museu Afro-Brasileiro, em São Paulo. Infelizmente não temos em Portugal, nenhum museu sobre a escravatura. Temos um pequeno museu em Lagos, mas não temos um grande museu, como têm os brasileiros. E essa palmatória era usada também pelo professor primário para nos manter. Identifico a violência brutal de que era vítima pelo professor primário, que tinha um poder absoluto sobre mim, com a violência, de que eram vítimas os negros, que não tinham direitos nenhuns, nem direito à vida. E para que isso pudesse ter acontecido, foi preciso criar uma narrativa de que eles não eram gente civilizada. E essa narrativa perdurou no pós 25 de Abril, porque nunca se fez um trabalho verdadeiro de descolonização das mentalidades. E hoje, quando os imigrantes são tratados como são tratados com desumanidade, é porque não são considerados humanos iguais a nós. E como não são considerados humanos iguais a nós, podem ser vítimas da arbitrariedade. Não têm os direitos iguais. Isso é uma questão fundamental", considera o estudioso. "Quando se deu o 25 de Abril, podia-se ter feito uma coisa extraordinária e teria ficado para a história. Era considerar que toda a gente que reside em Portugal tem os mesmos direitos. Há um país no mundo em que isso, pelo menos já acontece, que é na Nova Zelândia. E, portanto, se os imigrantes tivessem o direito do voto, seriam tratados de forma completamente diferente ", diz ao referir que, em vez disso, "são vítimas da desigualdade mais absurda da escravatura às vezes da violência da morte no Mediterrâneo. Em vez de irem socorrer, acham que é uma forma dissuasiva que eles morram no Mediterrâneo. Isso, evidentemente, é feito posto em prática por políticos democráticos, mas evidentemente que estão a abrir o caminho à extrema-direita que fará disso uma doutrina de poder." No capítulo que reserva a estes aspectos, o autor escreve que “o silêncio sobre a verdadeira natureza do colonialismo é um dos grandes fracassos da democracia portuguesa” e que “a Europa assumir que o colonialismo foi um crime contra a humanidade tornaria o seu discurso sobre a democracia muito mais legítimo.” "O 25 de Abril foi uma revolução extraordinária. Libertou os portugueses da ditadura e criou um sistema de liberdades públicas, de Estado de Direito. Isso deve ser sublinhado e eu sublinho no livro, porque é único no século XX, uma revolução que não foi só uma libertação, mas trouxe a liberdade. Podemos pensar, por exemplo, que a Revolução de Outubro libertou os russos do Czarismo, que era um regime terrível. Mas não construiu um regime de liberdade. Isso aconteceu em Portugal. Simplesmente, Portugal era ao mesmo tempo uma ditadura e um império. E quando se construiu a democracia, fez-se um trabalho mais ou menos profundo sobre o que era a ditadura, o que é que era o fascismo. Existem vários museus, o Museu do Aljube, um museu em Peniche, existe um trabalho de memória. Existem nos livros de História. Conta-se o 25 de Abril, todo esse passado ditatorial. As pessoas sabem que houve a tortura, que havia a PIDE, que as pessoas não tinham direito à palavra. Tudo isso faz parte da memória colectiva dos portugueses", constata Álvaro Vasconcelos. "O que não se fez nenhum trabalho. O que é que era o colonialismo? Não se explicou o que é que era a tortura em África, o que era o trabalho forçado. Qual era a origem que isso tinha na escravatura? Manteve-se um mito do lusotropicalismo, ou seja, que Portugal tinha contribuído para criar um mundo diferente, um mundo não racista, um mundo multiétnico. Até se dizia isso : ‘Deus criou os homens e os portugueses criaram as mulatas' escondendo que as mulatas nasciam muitas vezes de actos de violação absoluta, porque as mulheres negras não tinham direitos e, portanto, o senhor tinha um direito de pernada sobre a mulher negra. Isso acontecia frequentemente. Eu, aliás, entrevistei para um dos meus livros uma senhora africana que conta exactamente a história de uma mulher que, depois do 25 de Abril, andava à procura do homem branco, que tinha sido o pai dos seus filhos e que o homem branco tinha desaparecido. Tinha regressado a Portugal e que nunca mais soube dele. E as crianças queriam conhecer o pai. Mas isto é um caso de uma pessoa que se movimentou. A maior parte das vezes ficaram e são vítimas de toda a discriminação. Isso é o aspecto em que o 25 de Abril não fez esse trabalho", diz o politólogo. "Quando em Portugal surge um movimento de sociedade civil poderoso, hoje formado por intelectuais afro-descendentes que defendem o direito à igualdade, que tem voz no espaço público, quando nos lembramos, por exemplo, da Joacine Katar Moreira que foi deputada na Assembleia da República, a campanha racista contra ela. No Parlamento, a extrema-direita dizia ‘Volta para o teu país'. Estou a falar numa deputada, membro do Parlamento. Mas depois as intelectuais todas que são superactivas na sociedade portuguesa, que é aquilo que há hoje de mais vibrante na sociedade portuguesa, mais criativo. Publicam, fazem filmes como a Pocas Pascoal e outros. Ainda recentemente a Kitty Furtado organizou na Gulbenkian um ciclo sobre o cinema africano produzido em Portugal, com numerosos filmes, numerosos realizadores. Portanto, na Bienal de Veneza, há dois anos, a representação de Portugal foram artistas negros. Portanto, temos um movimento extraordinário. Esse movimento choca com esta mentalidade dominante. E então são acusados de serem ‘wokistas'. ‘Wokistas, quer dizer que são pessoas com consciência", sublinha o universitário. Relativamente às lições que se podem tirar do pós 25 de Abril, Álvaro Vasconcelos faz um balanço agridoce : apesar de considerar que “os seus objectivos essenciais foram atingidos: liberdade, fim do colonialismo e um estado inspirado nos modelos sociais europeus”, ele constara que “o que triunfou não foram os mecanismos que permitiriam compatibilizar a democracia liberal com o desejo de participação dos cidadãos (...) com o tempo, os partidos tornaram-se organizações fechadas (...) foram-se impondo como actores únicos do sistema politico”. "Portugal fez uma revolução que permitiu a existência de partidos políticos que não existiam antes. Mas a revolução, no momento em que ela aconteceu, despertou uma vontade de participação enorme na sociedade portuguesa. Todos os portugueses queriam participar na vida política pública. Eu próprio participei na criação de um jornal que era a voz do trabalhador e aquilo vendia-se como pãezinhos quentes. Quer dizer, toda a gente cria jornais. Toda a gente queria ler. Toda a gente fazia um pequeno comício. Enchiam-se de pessoas. Criaram-se cooperativas, associações de bairro, associações, moradores, associações agrícolas, movimentos cooperativos por todo o lado. Ao mesmo tempo, os partidos políticos foram-se consolidando como forças dominantes da sociedade portuguesa. E esses movimentos participativos foram vistos pelos partidos que acabaram por triunfar como movimentos que eram contrários à consolidação da democracia representativa liberal, como havia no resto da Europa. E foram desaparecendo. E o sistema político português ficou concentrado nos partidos políticos. Esses anos todos passaram e as pessoas hoje, como têm acesso às redes sociais, já têm outra forma de expressão, sem passar pelos partidos políticos. Exprimem-se nas redes sociais. Muitas vezes, o que dizem alguns? Nós não gostamos nada. Mas outras coisas dizem coisas correctas. Estes movimentos que eu referi, ecológicos, anti-racistas, de solidariedade social, também usam as redes sociais. Mas há muita gente que usa as redes sociais e que diz coisas horríveis. Mas não interessa, diz. Acha que tem direito à palavra. E acha que os partidos não dão direito à palavra. Então vão atrás de um demagogo que diz ‘Eu dou vos a palavra. Eles não vos dão a palavra'. Os partidos políticos são organizações fechadas. Em Portugal nunca se fez a regionalização, porque os partidos acharam que aquilo era fugir ao controlo central dos partidos de Lisboa. Era abrir o controlo da sociedade a nível regional. E tudo isso foi enfraquecendo a democracia portuguesa", comenta. “Foi nas redes sociais, espaço sem regras, que descobri que estávamos perante um brutalismo neofascista. O significado das palavras e a verdade deixaram de ser facilmente reconhecíveis. O algoritmo privilegia a violência verbal, exponencia o número de visões e partilhas. Acreditei – e escrevi –, depois das revoluções árabes de 2011, que as redes sociais tinham potencial de empoderamento dos cidadãos e poderiam ser um factor de emancipação democrática, mas hoje sou obrigado a constatar que não tive em conta a capacidade de manipulação, seja pelos algoritmos ou ainda mais pela IA, dos Estados e grupos que controlam as empresas da indústria do mundo virtual", escreve Álvaro Vasconcelos no capítulo que dedica ao regresso do que chama de 'brutalismo'. "A nível europeu, nós não podemos separar de um fenómeno mundial, que é aquilo que atravessa bastante o meu livro, que é a ideia do colapso do pensamento. E esse colapso do pensamento. O que significa que quando os homens deixam de pensar, diz Hannah Arendt, são capazes dos piores crimes. E esses homens são capazes dos piores crimes. E o homem banal, o homem comum que pode seguir um líder que vai destruir as suas liberdades e a liberdade dos outros. E isso pode se chamar ‘tecno-totalitarismo'. Porquê tecno-totalitarismo? Porque grande parte da economia mundial hoje está a ser dominada pelas grandes empresas tecnológicas. Estamos numa nova revolução tecnológica. E as grandes empresas tecnológicas que dominam a inteligência artificial, que dominam as redes sociais, como o Musk, é o exemplo mais claro, defendem aquilo que eu chamei de ‘tecno-totalitarismo'», explica o autor das "Memórias em tempo de amnésia". "Há uma politóloga francesa, Asma Mhalla que diz que ‘este século não vos proíbe de pensar. Ele ocupa-vos até que já não se saiba como fazer. Isto vem, como eu digo aqui no livro, do desenvolvimento da Inteligência artificial. O desenvolvimento da inteligência artificial cria um mundo onde os humanos deixam de pensar. A banalidade do mal passa a ser a norma. Isso acontece em muitos actos quotidianos. Quando recorremos à inteligência artificial para tomarmos decisões. Quando manipulados por algoritmos, ficamos de tal forma hipnotizados que somos levados a acreditar nos líderes populistas como Trump, como Bardella em França como em Portugal, o André Ventura, como Bolsonaro no Brasil", diz Álvaro Vasconcelos. "Há um aspecto deste ‘tecno-totalitarismo' que também nos deve inquietar, que é menos presente em França, mas está presente em muitos países, que é a relação dele com uma determinada corrente religiosa. Ele é religioso na sua essência, porque ao mesmo tempo, fala de Apocalipse, destruição do mundo pelo aquecimento global, pela guerra nuclear e está a propor uma solução tecnológica para estes problemas. Ora, isto é típico da crença religiosa. A ideia do Apocalipse, se pensarmos no apoio dos evangélicos americanos a Trump e em cenas em que Trump se reúne com os evangélicos e os evangélicos rezam na Casa Branca a volta do Trump ou quando o Bolsonaro tomou posse rodeado pelos evangélicos, a primeira coisa que fizeram, foi um ato religioso. (…) Vemos que o ‘tecno-totalitarismo' muitas vezes é também uma ‘tecno-teocracia'. E, portanto, esse problema, que é um problema mundial, que é da criação do mundo em que os homens deixam de pensar, a inteligência artificial substitui o pensamento humano. É um mundo em que o brutalismo, que é o tema do meu livro, se torna possível. É possível que o Trump decida destruir o Irão, que o Netanyahu faça o genocídio de Gaza e agora esteja a fazer no Líbano o que fez em Gaza, no sul do Líbano. É exactamente a mesma coisa. Vai destruir o sul do Líbano completamente", diz o especialista em relações internacionais. No capítulo em que aborda o que chama de dever de hospitalidade, Álvaro Vasconcelos considera que é neste aspecto que a Europa pode fazer a diferença "para superar o brutalismo contemporâneo, porque, por um lado, é uma das regiões do mundo onde as democracias ainda resistem ao assalto da extrema‑direita neofascista, e por outro porque a hospitalidade é a essência da sua sobrevivência". "Estamos a falar da União Europeia, a que se podem juntar alguns Estados, como a Noruega, como hoje o Brasil do Lula. Têm a mesma ambição de escapar ao brutalismo de Putin, Trump, Netanyahu, ao ‘tecno-totalitarismo' que domina a China. Verdadeiramente o único sítio do mundo em que ainda há um grupo de Estados que pode e quer resistir é na União Europeia, mas que tem estes aliados muito importantes que tem que procurar no Canadá, já procura no Brasil. Por isso, o acordo com o Mercosul é tão importante, apesar de a Argentina do Milei estar completamente na mesma linha de brutalismo. Mas o Brasil é um país importantíssimo. Na Ásia, o Japão, a Coreia do Sul. (…) Portanto, a Europa é a nossa esperança. Mas para que essa esperança não passe de uma utopia não realizada, para ser uma utopia realizada, é preciso que a Europa integre toda a sua vitalidade num projecto comum, (…) é preciso uma mudança radical de política. Ou seja, é preciso uma política que seja alternativa à política da extrema-direita. Claramente. E o que é que se deve fazer? Os imigrantes que são grande parte da população europeia ou originários na imigração devem ser cidadãos plenos, activos, integrados nas nossas sociedades, dando-lhes o voto. Aqueles que ainda não têm, damos-lhe a palavra, ouvindo-os e tornando as nossas democracias muito mais participativas", preconiza o autor. No seu livro, Álvaro Vasconcelos estabelece um elo directo entre o ‘tecno-totalitarismo', a negação dos direitos de boa parte da humanidade e a destruição do meio ambiente. "Um dos temas que eu acho que é muito importante é a questão do ambiente. Eu, aliás, começo o meu livro com uma citação do Camus que diz ‘A minha geração quis mudar o mundo. Não o mudou, mas pelo menos lutou para preservar o que de melhor tinha sido conquistado'. (…) O aquecimento global está a ser um problema gravíssimo que pode pôr em causa a vida na terra. E aí é lembrarmo-nos de Edgar Morin, um grande pensador. Eu cito Edgar Morin dez ou 15 vezes no meu livro. Ele diz que nós não estamos só perante um mundo que destrói a vida humana. Estamos num mundo em que a globalização foi extremamente destrutiva do ponto de vista económico e social. Criou também a consciência de um destino comum da humanidade a consciência de que estamos todos no mesmo barco. Ou seja, no barco da vida. Nós sabemos que a vida não é eterna. Mas enquanto estamos no barco da vida, não vamos cair no niilismo. Nem vamos cair na melancolia de esquerda. Isto é uma conclusão que alguém tirou do meu livro que eu sou contra a melancolia de esquerda. A melancolia de esquerda é nós pensarmos em tudo aquilo por que a gente lutou está a desaparecer e já não podemos fazer nada. Vai tudo acabar. Vai acabar a democracia, a liberdade. Vai voltar o racismo como política de Estado. Vai desaparecer a ordem internacional. Vai desaparecer o multilateralismo", diz o universitário. "Estamos perante uma guerra cultural. É um tema central, porque a guerra cultural é algo que acompanha a civilização europeia desde o Iluminismo e desde a Revolução Francesa. Houve sempre uma corrente que se opôs às conquistas de liberdade, igualdade, fraternidade da Revolução Francesa. Considerou sempre que a compaixão pelo outro não fazia nenhum sentido, que o homem era um animal fundamentalmente egoísta e violento E que tinha que ser treinado desde criancinha para a competição. E por isso, a cooperação não é uma questão fundamental da aprendizagem. As pessoas não aprendem a cooperar, aprendem a competir. Já vimos no sistema escolar como é terrível a competição. A infância nas grandes escolas. O que é que é difícil chegar lá acima. Portanto, formam-se elites que foram treinadas para a competição e não foram treinadas para a cooperação. E se nós não cooperarmos neste barco da vida, se não percebermos que o clima não tem fronteiras, que o aquecimento é global, que os calores do Norte de África chegam à Europa, que as transformações da Amazónia transformam as correntes do Atlântico e nos atingem também como europeus. Então não perceberemos que estamos todos no mesmo mundo. Mundo, terra, pátria, como diz o Edgar Morin. E que neste mundo, terra pátria, nós somos todos cidadãos, mesmo quando não somos considerados cidadãos", conclui Álvaro Vasconcelos.

Podcasteando con amigos
E170 (Especial 100 años de Radio en Málaga): Historia, Onda Corta, Memorias, Voces, FM, AM, Podcast

Podcasteando con amigos

Play Episode Listen Later Jun 6, 2026 74:33


Dirigido y moderado por José Luis Arranz. En este episodio 'Especial 100 años de Radio en Málaga' nos acompañan Inmaculada Jabato, Pepelu Ramos, Adolfo Santos y Ángel Caparrós. Opinión, debate y entretenimiento. Buena compañía y buena conversación. Episodio callejero desde... Librería Luces · Alameda Principal, 37 · 29001-Málaga En directo el... 6 de junio de 2026'Podcasteando con amigos' en... WhatsApp: https://www.podcasteando.es/agoraInstagram: https://www.instagram.com/podcasteandoconamigosConócenos mejor... INMACULADA JABATO SARABIA es Licenciada en Historia Contemporánea y en Arte Dramático, y cuenta con un Doctorado en Periodismo por la Universidad de Málaga. Tiene más de treinta años de experiencia en medios de comunicación —prensa, radio y televisión—, principalmente en Radio Nacional y Canal Sur. Ha desarrollado además una amplia labor docente, impartiendo conferencias y talleres sobre género y colaborando con el Instituto Andaluz de la Mujer. Dirigió y presentó los programas “Somos Más” y “Mar de Coplas”. Ha recibido premios como el Andalucía de Periodismo, Meridianas y Farola, entre otros reconocimientos por su trabajo en igualdad.JOSÉ LUIS RAMOS JÉREZ es Licenciado en Periodismo (Comunicación Audiovisual) por la Universidad de Málaga. Inició su trayectoria en 1981 en Radiocadena Española, donde presentó programas dedicados al flamenco, la copla y la música pop. Desde 1988 forma parte de la plantilla de Canal Sur Radio y Televisión. Ha participado en congresos de flamenco celebrados en ciudades como Estepona, Málaga, Baeza, Badalona y Santa Coloma de Gramanet. Ha presentado numerosos espectáculos y eventos culturales para instituciones públicas y privadas, además de colaborar en la Bienal de Málaga. También ha producido trabajos discográficos y ha ejercido como secretario en cursos universitarios. JOSÉ LUIS ARRANZ SALAS (Málaga, 1968) es Informático y Comunicador. Cuenta con más de 30 años de experiencia profesional en los diferentes sectores de las Tecnologías de la Información, la comunicación y la docencia. Docente vocacional ha impartido cursos en distintos centros y universidades. Es emprendedor en Celinet Soluciones Informáticas. Entrevistador en Entrevistas a Personas Interesantes (Mejor Blog de Actualidad en los Premios 20 Blogs de 20 Minutos). Instagramer y YouTuber en En directo con amigos. Podcaster en Podcasteando con amigos. Articulista en Mentes Inquietas y otros medios físicos y digitales. ÁNGEL CAPARRÓS VEREDA (Málaga, 1968) es Informático, administrador de sistemas, especializado en diseño y programación de equipamientos electrónicos de automoción, control de acceso, flotas, laboratorios y observatorios astronómicos. Astrófilo desde que vió unos puntos brillantes en el cielo, y constructor de telescopios desde que aprendió a usar la sierra y el martillo. Ha diseñado equipos de software y hardware abierto orientados al control de telescopios y la astrofotografía que, para su sorpresa, aún siguen siendo construidos y usados por aficionados en todo el mundo. Afortunado padre de dos niñas, ignora felizmente todo lo relacionado con el fútbol profesional.ADOLFO SANTOS FLORIDO (Málaga, 1968) es Informático, padre y talibán del asfalto. Cuenta con más de 25 años de experiencia en TIC y especialmente en el Tráfico y la Seguridad Vial con mayúsculas, tema donde piensa que aún no se ha hecho ni innovado lo suficiente. Enamorado de su familia, del Software Libre, de la movilidad sostenible y de los desplazamientos en bicicleta, sueña que algún día será posible atravesar Europa dando pedales con las máximas garantías.Disclaimer: Las opiniones vertidas en este podcast las realiza cada contertulio a título personal. La responsabilidad, a todos los efectos, de todo lo dicho es exclusiva de esa persona.

Radio 5
Un artesano piquense participará en la Bienal de las Esculturas en Chaco

Radio 5

Play Episode Listen Later Jun 3, 2026 3:21


Gonzalo Rodríguez, organizador del Encuentro Nacional de Artesanos de General Pico, fue seleccionado para integrar el prestigioso Salón de Maestros Artesanos en el marco de la Bienal de las Esculturas en Resistencia, que se llevará a cabo del 17 al 26 de julio.

bienal
Ep 7. Nem todo viandante

bienal

Play Episode Listen Later May 29, 2026 14:34


Ep 7. Nem todo viandante by Bienal de São Paulo

nem bienal viandante
Rádio Novelo Apresenta
Na arquibancada

Rádio Novelo Apresenta

Play Episode Listen Later May 28, 2026 65:09


Histórias de quem torce e de quem corneta. No primeiro ato: a água da sarjeta mostra o caminho. Por Maíra Vallejo. No segundo ato: revolucionários do Brasil, uni-vos: para secar a seleção brasileira. Por Vitor Hugo Brandalise. Membros do Clube da Novelo podem ouvir os episódios do Rádio Novelo Apresenta antecipadamente, além de ter acesso a uma newsletter especial e a eventos com a nossa equipe. Quem assinar o plano anual ganha de brinde uma bolsa da Novelo. Assine em ⁠⁠⁠https://clube.radionovelo.com.br/ Inscreva-se no canal da Rádio Novelo no YouTube: https://www.youtube.com/@R%C3%A1dioNovelo Siga a Rádio Novelo no Instagram: https://www.instagram.com/radionovelo/ A segunda temporada do podcast “Em Obras” chegou! O que uma obra de arte da 36ª Bienal de São Paulo tem a ver com a vida da gente? Descubra em conversas com nomes como Itamar Vieira Junior, Maria Homem, Milly Lacombe e Michel Melamed, com narração de Xênia França. Novos episódios estreiam toda sexta-feira. O projeto é uma coprodução do UOL com a Fundação Bienal de São Paulo, e foi realizado com apoio do Programa de Ação Cultural — ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo. Insider: tecnologia aplicada à rotina – peças que desamassam no corpo, facilitam a evaporação do suor e seguem confortáveis por horas. Utilize o cupom RADIONOVELO e tenha 15% OFF na 1ª compra e 10% OFF nas próximas – e ainda soma com os descontos do site. https://creators.insiderstore.com.br/RADIONOVELO #insiderstore Palavras-chave: corrida de tampinhas; futebol; Copa do Mundo; Seleção brasileira; previsão; Copa 1970; luta armada; esquerda brasileira; ditadura militar Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Brasil-Mundo
Dupla de coreógrafos brasileiros é indicada ao maior prêmio da dança mundial

Brasil-Mundo

Play Episode Listen Later May 23, 2026 6:48


Dois corpos negros completamente nus, vestidos apenas com meias e tênis brancos. Rodeada pela plateia que se senta ao chão, a dupla de performers brasileiros marca o ritmo da coreografia com o bater dos pés. Com a obra Repertório número 3, os artistas cariocas Davi Pontes e Wallace Ferreira foram indicados ao maior prêmio da dança mundial, o Rose International Dance Prize, do Sadler's Wells, a principal casa de dança internacional do Reino Unido. Yula Rocha, correspondente da RFI em Londres Uma performance política pós-colonial que explora questões centrais de gênero e raça no Brasil e no mundo, a obra indicada foi resultado de uma pesquisa de quase dez anos que teve lançamento na Bienal de São Paulo, em um momento político dominado pela retórica da extrema direita no Brasil. Wallace Ferreira explica que o Repertório número 3 é a segunda parte de uma trilogia que começa em 2018 e surge em um contexto histórico importante para o Brasil. E foi justamente essa performance que levou os dois artistas cariocas para o mundo. “Esse trabalho fala muito sobre o Brasil, mas também são questões que atravessam [fronteiras]. Pra gente não tem como falar sobre racialidade e violência, sem falar sobre o contexto político atual. Sinto que é um trabalho que responde a uma questão no Brasil, mas o mundo se reconhece” , diz Davi Pontes. Davi e Wallace se referem à violência, discriminação e ameaça à sua própria existência como pessoas negras periféricas. A coreografia tem marcação ritmada, com poses e gestos sedutores diante do olhar julgador do público. Em resposta, a dupla apresenta o que chama de "uma dança de autodefesa". “A cada situação de violência, a cada operação policial essa palavra [autodefesa] volta, ela precisa ser dita. A importância desse  trabalho é olhar para o contexto do mundo atual e perceber que as coisas não estão fáceis. E ainda assim conseguir trazer uma alternativa possível de continuar vivendo nesse mundo”, diz Davi. Para Wallace a autodefesa tem diversas maneiras de se acontecer: “ela está no embate, está no escape, no se camuflar, no constranger, na ironia, no deboche, no humor. Nos interessa pensar numa ideia de se autodefender que seja mais opaca, que não seja explícita.” E a autodefesa não é luta física. "É estar presente, ali, na sua frente. Dois dançarinos  negros, marginalizados que existem, resistem. É sobre a presença de corpos nus, rodeados pela platéia sentada em volta deles no chão. A obra dos brasileiros foi indicada ao prêmio aqui em Londres justamente por seu valor e qualidade como peça coreográfica e teatral, mas também por sua relevância e urgência. Por questionar a nossa percepção e o posicionamento que escolhemos ter", diz Wallace. Davi explica que ter a platéia tão próxima e no mesmo nível que os dançarinos é entender que todos os que estão presentes fazem parte do jogo e são responsáveis pelo o que está sendo apresentado. “Esse trabalho se coloca na situação de responder, de ouvir, de observar e estar atento.” A dupla nunca sequer cogitou estar vestida em cena “A pesença de um corpo negro nu no espaço de fato causa tanto incômodo que eu não preciso mover e criar embate, só a minha presença já torna insustentável de olhar. Dependendo do país, a gente entra na sala e as pessoas querem correr porque elas não conseguem lidar com aquilo", aponta. Wallace afirma que não se sente vulnerável: “Entendemos que o lugar da vulnerabilidade é também um lugar de potência”. Wallace foi criado em Vigário Geral e Davi em São Gonçalo, bem longe das famosas Ipanema ou Copacabana. Da periferia do Rio, fizeram carreira internacional desconstruindo padrões e expectativas da dança contemporânea. A  temática política continua a guiar o próximo trabalho deles - uma colaboração com outros coreógrafos estrangeiros. “É bom não esquecer onde tudo começou ainda numa sala vazia, pra quando chegar em uma sala lotada não pensar que tudo aconteceu do nada. A vitória vem se construindo todos os dias. Que eu ainda possa acordar e falar: -  hoje vou viver do meu trabalho, vou viver fazendo aquilo que eu acreditei, aquilo que eu sonhei”, conclui Wallace. O vencedor do prêmio será anunciado em fevereiro do ano que vem, quando os indicados brasileiros Davi e Wallace se apresentam nos palcos de Londres.

bienal
Ep 6. Travessias sonoras

bienal

Play Episode Listen Later May 22, 2026 15:31


O sexto episódio do podcast `'Em obras', coprodução do UOL com a Fundação Bienal de São Paulo, fala sobre o poder da música e suas tecnologias de difusão, como o rádio e a radiola. A narrativa acompanha a presença do reggae jamaicano no Maranhão, onde o gênero se consolidou como parte da vida cultural e social, especialmente na capital São Luís. O episódio aborda as diferentes hipóteses para a chegada do estilo por aqui: uma delas é a de que ondas curtas vindas de rádios do Caribe viajavam até o Brasil e eram sintonizadas nos aparelhos de São Luís. A artista Gê Viana, que levou a radiola maranhense à 36ª Bienal de São Paulo por meio da obra 'A colheita de Dan', mostra como o gênero foi incorporado localmente até se tornar parte de uma identidade musical própria. O podcast também passa pela trajetória do músico Hyldon, evidenciando o papel do rádio na formação brasileira dos anos 1960, quando o aparelho representava um espaço de descoberta e imaginação.

Ideas de Master Muñoz
La IA es MEJOR PADRE que el 90% de los hombres en México | Ep.361

Ideas de Master Muñoz

Play Episode Listen Later May 19, 2026 47:21


La Bienal de Venecia, Korea como la 6ta bolsa más importante del mundo, energía nuclear, IA reemplazando torres de control, Anthropic con las grandes consultoras y la pregunta que nadie quiere escuchar: ¿la IA le da mejores respuestas a tu hijo que tú?Un episodio sin filtros. Temas que mueven dinero, cultura y el futuro de tu empresa.━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━

bienal
#36bienal | audioguia | Korakrit Arunanondchai | Fortaleza

bienal

Play Episode Listen Later May 19, 2026 7:33


#36bienal | audioguia | Korakrit Arunanondchai | Fortaleza by Bienal de São Paulo

bienal
#36bienal | audioguia | Wolfgang Tillmans | Fortaleza

bienal

Play Episode Listen Later May 19, 2026 5:39


#36bienal | audioguia | Wolfgang Tillmans | Fortaleza by Bienal de São Paulo

fortaleza bienal wolfgang tillmans
bienal
#36bienal | audioguia | Antonio Társis | Fortaleza

bienal

Play Episode Listen Later May 19, 2026 3:42


#36bienal | audioguia | Antonio Társis | Fortaleza by Bienal de São Paulo

fortaleza bienal rsis antonio t
SBS Portuguese - SBS em Português
Programa ao vivo | Domingo 17 de maio

SBS Portuguese - SBS em Português

Play Episode Listen Later May 17, 2026 50:41


Davi Ramos faz história como o primeiro brasileiro e homem negro a se tornar bailarino principal do The Australian Ballet; o professor Benno Torgler explica a pressão psicológica dos pênaltis na Copa do Mundo; a Bienal de Veneza aposta no diálogo em meio às tensões globais; e o Brasil reduz pela metade as taxas de emissão de passaportes emitidos na Austrália.

Duendeando
Duendeando - Del Santo de Madrid y la Bienal de Sevilla - 16/05/26

Duendeando

Play Episode Listen Later May 16, 2026 59:01


En el comienzo un reconocimiento al Madrid flamenco aprovechando la festividad de su patrón que se celebra estos días y empezamos con artistas madrileños como la guitarra de Mario Herrero o el piano de Pedro Ojesto. Nos visita Luis Ibarra que es director de la Bienal de Flamenco sevillana para comentarnos y escuchar algunos de los artistas programados en esta edición 2026 que comenzará el próximo mes de septiembre.Escuchar audio

Latin American Spanish
News In Slow Spanish Latino #675- Spanish Intermediate Weekly Program

Latin American Spanish

Play Episode Listen Later May 15, 2026 7:54


Comenzaremos la primera parte del programa hablando del viaje de Delcy Rodríguez a La Haya por una disputa territorial entre Venezuela y Guyana; y de la posibilidad de adelantar las vacaciones escolares en México por el Mundial 2026. Hablaremos también del cumpleaños número 100 del naturalista británico David Attenborough y su legado para el mundo de la ciencia; y por último, de la Bienal de Venecia 2026, que bajo el título "Minor Keys" (Claves Menores), explora la sanación colectiva con obras sonoras e inmersivas.   Como siempre estará dedicada a la lengua y cultura de América Latina. El diálogo gramatical ilustrará ejemplos de Se Emotivo and Se Aspectual mientras hablamos de la mandioca o yuca, un alimento clave para los paraguayos. Cerraremos la emisión explorando el uso de la frase Cada loco con su tema. En este segmento hablaremos de las Cuevas de K'anba en el norte Guatemala. - Delcy Rodríguez viaja a La Haya por disputa territorial con Guyana - México evalúa cambiar el calendario escolar por la Copa del Mundo - El gran naturalista David Attenborough cumple cien años - Comienza la Bienal de Venecia en medio de polémicas - La mandioca, el pan de los paraguayos - Las cuevas más visitadas de Guatemala

Spanish Podcast
News in Slow Spanish - #896 - Intermediate Spanish Weekly Program

Spanish Podcast

Play Episode Listen Later May 14, 2026 12:59


Como siempre, dedicaremos la primera parte del programa a comentar la actualidad. El primer tema de discusión está relacionado con un artículo de la revista The Atlantic. El autor del artículo asegura que Estados Unidos podría haber sufrido una derrota en su confrontación con Irán, y que la pérdida estratégica estadounidense no tiene remedio. Después, hablaremos de una investigación penal francesa a Elon Musk y su red social X. Las acusaciones incluyen diseminar imágenes de abusos sexuales infantiles, deepfakes, desinformación, y complicidad con la negación de crímenes contra la humanidad a través de Grok, el sistema de IA de X. En la noticia de ciencia de la semana, hablaremos de un estudio que indica que los loros silvestres copian a otros loros cuando prueban nuevos tipos de comida. Y concluiremos la primera parte del programa de hoy discutiendo la 61ª Bienal de Venecia, que se inauguró el 9 de mayo en medio de protestas e intensas tensiones geopolíticas. El resto del episodio de hoy lo dedicaremos a la lengua y la cultura españolas. La primera conversación incluirá ejemplos del tema de gramática de la semana, Se emotivo and Se aspectual. En esta conversación hablaremos de una investigación y un juicio que cambió la legislación española de la protección animal. Una trabajadora de la empresa Vivotecnia grabó horas y horas de maltrato a animales en este laboratorio. Entregó esas pruebas a una ONG y esta denunció a la empresa. Hoy en día, aunque los laboratorios continúan usando animales para probar sus medicamentos, los protocolos son más exigentes. Y, en nuestra última conversación, aprenderemos a usar una nueva expresión española, Ir viento en popa. La usaremos para hablar de Amancio Ortega, el propietario de Inditex, la conocida empresa española textil que posee marcas como Zara o Massimo Dutti. Desde 2026, este empresario español se ha convertido en el magnate inmobiliario más grande del mundo. Su empresa inmobiliaria tiene edificios por un valor de 25.000 millones de euros. Explicaremos su estrategia en marketing y cómo repercute esta en sus dividendos en inmobiliaria. ¿Está perdiendo EE. UU. su confrontación con Irán? Las autoridades francesas continúan las investigaciones penales del sistema de IA Grok de Elon Musk Los loros silvestres copian a otros loros cuando prueban nuevos tipos de comida Las controversias políticas definen el festival de la Bienal de Venecia 2026 Juicio por maltrato animal El mayor magnate inmobiliario del mundo

SBS Portuguese - SBS em Português
Bienal de Veneza quer 'baixar o volume do som do mundo'

SBS Portuguese - SBS em Português

Play Episode Listen Later May 14, 2026 5:11


Desacelerar, escutar e criar espaço para reflexão num momento de guerras, polarização e excesso de ruído político e mediático. A curadoria da Bienal de Veneza 2026 propõe uma arte menos baseada no choque e mais na contemplação, no diálogo e na convivência.

Advanced Spanish
ASPS Advanced Spanish - 493 - International news from a Spanish perspective

Advanced Spanish

Play Episode Listen Later May 13, 2026 11:06


Arranca la Bienal de Venecia más polémica Buenos tiempos para la lectura en España Fujiyoshida contra el turista maleducado Los cefalópodos, desprotegidos en la investigación según Nature

30:MIN - Literatura - Ano 7
#13: Especial de 70 Anos de Grande Sertão Veredas, Bienal da Bahia e mais

30:MIN - Literatura - Ano 7

Play Episode Listen Later May 12, 2026 24:29


15 minutos a cada 15 dias.No episódio de hoje, Edmara Galvão faz uma comentário especial sobre os 70 anos de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, e fala sobre a oralidade, as adaptações, as traduções, faz uma breve biografia e conta das outras que estão chegando — também dá dicas para quem quiser conhecer o trabalho pela primeira vez. Ela também fala sobre a posse na Academia Brasileira de Letras de Milton Hatoum, comenta sobre os números da Bienal da Bahia deste ano e compartilha um pequeno interesse recente sobre "Diário de uma Apotecária".Por conta do tamanho do episódio, ficamos com recebidinhos e a Resenha Relâmpago para o próximo episódio!---Links citados30:MIN 407 - Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa30:MIN 485 - Sagarana - Guimarães RosaMilton Hatoum: "Esse é o impasse de milhões de brasileiros até hoje: a angustiante ausência de articulação do pensamento com a palavra"Conheça os melhores livros brasileiros de não ficção do século 21, segundo júri convidado pela Folha

Um dia no Mundo
A representação das tensões do mundo na Bienal de Veneza

Um dia no Mundo

Play Episode Listen Later May 11, 2026 4:14


Durante os próximos seis meses, a Bienal de Veneza entrega aos visitantes de todo o mundo promessas reconciliadoras em forma de arte.See omnystudio.com/listener for privacy information.

El ojo crítico
El ojo crítico - Hundidos, la historia del Imperio español desde las profundidades - 09/05/26

El ojo crítico

Play Episode Listen Later May 9, 2026 54:03


Hablamos con Carlos Léon Amores, arqueólogo submarino y autor de Hundidos, un libro sobre los naufragios de la armada española en América entre los siglos XV y XIX. Más tarde, Sonia Castelani nos explica la polémica de la Bienal de Venecia tras la dimisión del jurado por la participación de Rusia e Israel. Además, Iñigo Picaeba nos acerca a la muestra ENTES de Aurelia Muñoz en el Museo Reina Sofía. Terminamos con María Zaragoza, que nos presenta a la guionista June MathisEscuchar audio

bienal
Ep 4. Depois do fim

bienal

Play Episode Listen Later May 8, 2026 15:51


A morte pode mudar os caminhos de uma história, mas não necessariamente encerrá-la. Essa é uma das discussões do quarto episódio do podcast Em obras, coprodução do UOL com a Fundação Bienal de São Paulo, que aproxima um relato pessoal de perda à obra 'Someone's Child', do artista francês Pol Taburet. O episódio parte da história da jornalista Milly Lacombe, que relembra a morte repentina da ex-mulher e o impacto devastador do luto em sua vida. A experiência íntima abre caminho para um tema mais amplo: como a finitude reorganiza o sentido das relações e da própria existência. Na instalação apresentada na última edição da Bienal, Taburet sugere um espaço em que vida e morte não se opõem, mas coexistem. Em comum, as duas narrativas apontam para a noção de ciclo, em que o fim não elimina o que veio antes, mas se incorpora a ele.

Café & Corrida
Temos que falar sobre o HYERBOOST EDGE...

Café & Corrida

Play Episode Listen Later May 7, 2026 14:50


Corra o Circuito Centauro Desbrava – Use o cupom CORRRIDANOAR10 - https://cnoar.run/CentauroDesabrava2026Nossos cupons e links - https://cnoar.run/cuponsTemos que falar sobre o Hyperboost Edge, da Adidas e a Iguana anunciou que a Expo da Nike SP City Marathon vai ser na Bienal do Parque do Ibirapuera (ufa!)O Corrida no Ar News é produzido diariamente e postado por volta das 6 da manhã.

Cinco continentes
Cinco Continentes - Confusión y versiones contradictorias en torno a Ormuz

Cinco continentes

Play Episode Listen Later May 5, 2026 54:08


Irán está otra vez lanzando ataques con misiles y drones contra Emiratos Árabes Unidos.Teheran insiste en que controla el estrecho de Ormuz mientras desde Washington Pete Hegseth decía hace unas horas que de momento la tregua entre su país y los iraníes sigue en vigor, aunque la tensión crece por momentos. EEUU dice que está ayudando a aquellos buques que lo pidan a cruzar el estrecho de Ormuz. En una entrevista vamos a poner el foco en qué hace que Irán lance sus ataques especialmente contra Emiratos Árabes Unidos. Hablaremos de las relaciones comerciales entre la UE y EEUU, pero también del giro de Armenia, que parece estar apostando por alinearse con el bloque comunitario y dar la espalda a Rusia. Les contaremos por qué hay polémica en torno a la edición de este año de la Bienal de Venecia, estaremos en México, en Colombia por el accidente de una mina y también en China. Además, escucharemos un reportaje sobre migrantes y literatura.Escuchar audio

bienal
Ep 3. Entre mundos

bienal

Play Episode Listen Later May 2, 2026 17:19


Ep 3. Entre mundos by Bienal de São Paulo

bienal
Ep 2. O que a casa sustenta

bienal

Play Episode Listen Later Apr 24, 2026 19:03


Uma instalação em grande escala que atravessa verticalmente os três andares do Pavilhão Ciccillo Matarazzo. A obra de Ana Raylander Mártis dos Anjos foi pensada a partir de fragmentos da antiga casa de pau a pique de seu bisavô, que foi demolida, mas que pela memória continua habitada. O trabalho remonta à história de Bené e seus nove filhos, uma família afro-brasileira, e suas nove colunas cruzam um dos maiores símbolos da arquitetura moderna de São Paulo. Provocador em proposta e em tamanho, a obra nos faz questionar: quem tem direito à escala monumental? Quem no Brasil pode erguer pilares e atravessar andares? Neste episódio, que combina arte e psicanálise, a artista Ana Raylander Mártis dos Anjos, a cantora Xênia França e a psicanalista Maria Homem falam sobre a dimensão histórica e política de objetos transmitidos por gerações, memória e herança familiar. O podcast é uma coprodução do UOL com a Fundação Bienal de São Paulo. Esta temporada do podcast Em obras é um projeto realizado com recursos do Fomento Cult SP – ProAC, programa do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

Las Chicas del Volcán
Bienal de arquitectura

Las Chicas del Volcán

Play Episode Listen Later Apr 20, 2026 115:02


¡Queridísimas amigas, hoy inauguramos la primera Bienal de Arquitectura del Volcán! En esta charla en el tono de la Fundación Juan March, analizaremos al arquitecto Le Corbusier a través de su libro, hacia una arquitectura. Nos acompañan en esta bienal nuestras queridas Carmen y Jaume del podcast El Punto Gordo.

Lengua, conversaciones con Jorge Velázquez
T14. Episodio 17: Sebastián Bayo.

Lengua, conversaciones con Jorge Velázquez

Play Episode Listen Later Apr 19, 2026 57:48


Sebastián es arquitecto y artista visual. Creció en Vitoria-Gasteiz, donde tuvo su primer contacto con el mundo del arte en la Escuela de Artes y Oficios y en el Centro Cultural Montehermoso. En 2008 se traslada a Madrid para cursar estudios de Arquitectura en la Universidad CEU San Pablo, donde se gradúa con el Premio Extraordinario de su promoción. Durante la carrera es co-fundador del colectivo Micras, desde el cual desarrolla instalaciones y performances centradas en la dimensión sensible y corporal del espacio arquitectónico. Tras finalizar sus estudios, trabaja en Londres como arquitecto en el estudio Tonkin Liu Architects, y es allí donde comienza su trayectoria artística expositiva en 2016, con la muestra “Expressions” en la Crown House Gallery. A su regreso a España inicia una producción sostenida que equilibra su faceta profesional como arquitecto con su práctica artística, que complementa con estudios de Grado Superior en Técnicas Escultóricas en la Escuela de Arte La Palma. Entre sus proyectos artísticos más recientes destaca la propuesta UTOPÍA, prohibido el paso, ganadora del concurso Onsite Mugak/, en el marco de la quinta Bienal de Arquitectura de Euskadi, así como la exposición individual “Márgenes” (2025) en el Colegio Oficial de Arquitectos de Vitoria-Gasteiz, y su participación en la muestra colectiva “Stop Drawing” en el Museo MAXXI de Roma, en colaboración con la diseñadora y artista Raquel Buj. En 2024 fue finalista en los Premios AD Creators, y resultó ganador en la convocatoria “Pensar la Ciudad” (plataforma AUR) con su obra “Antropoceno”. Actualmente dirige el estudio de diseño Nooba y colabora como coordinador de proyectos el taller Métrica Mínima, al mismo tiempo que continúa desarrollando una obra coherente y expandida en los márgenes entre arte, diseño y arquitectura. 

bienal
Ep 1. Quando o Rio se Expande

bienal

Play Episode Listen Later Apr 17, 2026 21:15


No primeiro episódio da temporada, a narradora Xênia França percorre a 36ª Bienal de São Paulo conectando histórias ligadas à água. A narrativa parte do trabalho "Templo da água", do artista colombiano Leonel Vásquez, inspirado no Rio Tietê. Na paisagem paulista comprometida pela poluição, Vasquez reconheceu o Rio Bogotá, também afetado pelo descarte de resíduos. Outros rios são lembrados no episódio, que tem participação do escritor Itamar Vieira Jr. Em diálogo com Vásquez, o autor conta sobre a sua experiência com o rio Paraguaçu e a importância da água na história de sua família e em sua obra literária. Os dois falam de extração, de colonização, de um mundo que aprendeu a explorar a natureza até o limite. E apontam para o mesmo lugar: a necessidade de reaprender a se relacionar com a água e o território. O podcast é uma coprodução do UOL com a Fundação Bienal de São Paulo. Esta temporada do podcast Em Obras é um projeto realizado com recursos do Fomento Cult SP – ProAC, programa do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

#BiroscaNews
#BiroscaNews 391: Crivella Condenado Novamente por Censura a Quadrinho LGBT+

#BiroscaNews

Play Episode Listen Later Apr 16, 2026 8:21


Falo sobre a condenação, agora pelo TJRJ, do ex-prefeito do Rio e hoje Dep. Federal Bispo Crivella, por ter, em 2019, usado sua posição para censurar uma revista em quadrinhos na Bienal do Livro do Rio que trazia um casal de homens se beijando. Discuto liberdade política, liberdade de expressão, censura e discriminação (inclusive pela desigualdade de tratamento).

Secession Podcast
Artists: Ndidi Dike in conversation with Jeanette Pacher

Secession Podcast

Play Episode Listen Later Apr 15, 2026 45:09


Ndidi Dike's exhibition Rare Earth Rare Justice unfolds as a large-scale installation structured around absence, death, and mourning and was developed over a year by the artist in close collaboration with Secession's tech and curatorial team. Thanks to a “Dialogue Residency” supported by the Federal Ministry for European and International Affairs, the artist was able to spend two months in Vienna, working in detail on the elements of the installation and the accompanying publication. The extended stay also allowed the artist to reflect on the work and experience how visitors would interact with it once the exhibition had opened. Further chapters will be presented at Färgfabriken, Stockholm and Zachęta – National Gallery of Art, Warsaw. Towards the end of the residency, Ndidi Dike and Jeanette Pacher recorded this podcast as part of an ongoing conversation between the artist and the curator. Ndidi Dike Rare Earth Rare Justice 6.3. – 31.5.2026 At the centre of Rare Earth Rare Justice lies the ongoing exploitation of the African continent's natural resources, and specifically the extraction of cobalt in the Democratic Republic of the Congo. Dike traces how extractive industries fuel ecological devastation, climate change, displacement, and resource-driven conflicts, exposing how global demand for technology is met through systemic violence and dispossession. More Ndidi Dike is an internationally renowned British-Nigerian sculptor and multi-disciplinary artist born in London. Rare Earth Rare Justice is her first major solo exhibition at an Austrian institution. Dike works across mixed media, painting, sculpture, collage, photography, video, and installation. Her practice engages with the social, political, and economic conditions shaping the modern world, with a particular focus on the legacies of colonialism, postcolonialism, forced migration, and global capitalism. Solo exhibitions include Working Through an Impasse, Art Twenty-One, Lagos, NG (2021), In the Guise of Resource Control, Villa Vassilieff, Paris (2017), State of the Nation, National Museum Onikan, Lagos, NG (2016) and Waka-into-Bondage: The Last ¾ Mile, Centre for Contemporary Art CCA, Lagos, NG (2008). Her work has been presented at biennials like Sharjah Biennial 16 (2025), Nigerian Pavilion, 60th Venice Biennale (2024), Sonsbeek 20–24, Arnhem, NL (2021), Lagos Biennial, NG (2019), Dak'Art Biennale, Dakar and 11th Bienal do Mercosul, Porto Alegre, BR (both 2018). Dike's work can currently also be seen at Tate Modern, London in the acclaimed group exhibition Nigerian Modernism: Art and Independence (on view until 10 May 2026). www.instagram.com/ndidi.dike/ Jeanette Pacher is a curator at the Vienna Secession since 2007. She is a regular lecturer in the Department of Site-Specific Art at the University of Applied Arts Vienna, member of the BIG ART advisory board, and from 2023 to 2025, she was jury member of KÖR – Art in Public Space Vienna. Secession Podcast: Artists features artists exhibiting at the Secession. The Dorotheum is the exclusive sponsor of the Secession Podcast. Programmed by the board of the Secession. Jingle: Hui Ye with an excerpt from Combat of dreams for string quartet and audio feed (2016, Christine Lavant Quartett) by Alexander J. Eberhard Audio Editor: Paul Macheck Executive Producer: Jeanette Pacher

NTVRadyo
Pencere - Sanatı mutlulukla buluşturan bienal - Profesör Devrim Erbil

NTVRadyo

Play Episode Listen Later Apr 11, 2026 11:53


SBS Portuguese - SBS em Português
Na Bienal de Coimbra 2026, a arte a sarar as feridas do mundo

SBS Portuguese - SBS em Português

Play Episode Listen Later Apr 10, 2026 6:10


'Segurar, Dar, Receber' é o lema da sexta edição da cada vez mais internacionamente respeitada mostra artística portuguesa, que tem início este fim de semana na Cidade dos Estudantes.

Churros  y Palomitas
Nunca leas los comentarios sobre Las Películas de Max del Río Ep 10

Churros y Palomitas

Play Episode Listen Later Apr 10, 2026 61:24 Transcription Available


De vez en cuando surgen voces que prometen ser frescas y traer algo atractivo en el cine. Para varios, Max del Río es de esas voces, y tras el estreno de La Película había inquietud sobre sus siguientes proyectos, uno de los cuales se presentará en el Festival Internacional de Cine en Guadalajara. Su trabajo es una cosa, pero los comentarios que dejan sus fanses en redes es lo que nos da para esta entrega.Nota: Respetamos el trabajo de Max y esperamos que siga creciendo como director, y traiga una buena cinta ahora en Guadalajara. Sus fans retrógradas que luego luego saltan a atacar sin ser capaces de defender por qué les gustó su obra son los que se pueden ir mucho a la... Bienal de Venecia.Tú también puedes apoyar la creación de este y más programas y recibir crédito (para que aumentes currículum) y otros extras exclusivos en www.patreon.com/churrosypalomitas.Puedes suscribirte en YouTube para ayudarnos a producir más contenido de calidad, así como en apoyar este proyecto donando el dinero de Jeff Bezos y a ti no te cuesta nada! Instrucciones aquí.Puedes ver La Película, de manera gratuita, en YouTube en el canal de Max. Mi duda sobre hay méritos para que su segunda cinta se presente en el FICG, lo que trajo algunas mentadas, pero solo del club de fanses del joven.Mis comentarios sobre La Película. Recomiendo checar lo que hay en Letterboxd, así como los bots recurrentes que se fueron de cuenta en cuenta a mentarnos la madre a los que no nos fascinó la cinta.Esta entrega fue traída gracias a:Productora Ejecutiva: Blanca LópezCo-Productor: Dany SaadiaCo-Productor: Román RangelAgradecimiento especial a nuestros Patreons: Adriana Fernández, Agustín Galván, Cris Mendoza, Fernando de Anda, Franky González, Jaime Rosales, Juan Espíritu, Zert, Álvaro Vázquez, Arturo Manrique, Fabiola Sandoval, Lau Berdejo, Marce, Alejandro Alemán, Arturo Aguilar, Enrique Vázquez, Ernesto Diezmartínez, Mariana Padilla, Tania RG y Fernando Alonso.¡Gracias a nuestros suscriptores en Twitch ! Como el buen Jiff01Tú también puedes apoyar la creación de este y más programas y recibir crédito (para que aumentes currículum) y otros extras exclusivos en www.patreon.com/churrosypalomitas¿Quieren continuar la discusión? Tenemos nuestro canal de Discord de Charlas y Palomitas, con distintos temas, unos solo para productores del show y otros para toda la banda.

bienal
#36bienal | audioguia | Manauara Clandestina | Santos

bienal

Play Episode Listen Later Apr 7, 2026 6:06


#36bienal | audioguia | Manauara Clandestina | Santos by Bienal de São Paulo

bienal
#36bienal | audioguia | Akinbode Akinbiyi | Santos

bienal

Play Episode Listen Later Apr 2, 2026 5:17


#36bienal | audioguia | Akinbode Akinbiyi | Santos by Bienal de São Paulo

bienal
#36bienal | audioguia | Andrew Roberts | Santos

bienal

Play Episode Listen Later Apr 2, 2026 5:30


#36bienal | audioguia | Andrew Roberts | Santos by Bienal de São Paulo

bienal
#36bienal | audioguia | Vilanismo | Santos

bienal

Play Episode Listen Later Apr 2, 2026 3:23


#36bienal | audioguia | Vilanismo | Santos by Bienal de São Paulo

Spanish Podcast
News in Slow Spanish

Spanish Podcast

Play Episode Listen Later Mar 12, 2026 10:17


Como siempre, comenzaremos el programa discutiendo la actualidad. En Irán continúa la guerra. Hoy analizaremos un aspecto particular del conflicto: su impacto sobre los mercados globales de la energía, y quiénes podrían beneficiarse de ello. Continuaremos con el anuncio de una nueva doctrina nuclear en Francia, que abandona su tradicional política de la "estricta suficiencia". En lugar de ello, bajo la nueva doctrina, Francia aumentará su arsenal nuclear. En el segmento de ciencia, comentaremos un nuevo estudio que indica que se ha subestimado considerablemente el aumento del nivel del mar, a causa de errores en los métodos de modelización utilizados con anterioridad. Concluiremos la discusión de la actualidad con la decisión de permitir el retorno de Rusia a la Bienal de Venecia. Como se esperaba, la decisión ha provocado una gran indignación. El resto del episodio de hoy lo dedicaremos a la lengua y la cultura españolas. La primera conversación incluirá ejemplos del tema de gramática de la semana, Adverbs of Quantity or Degree. En esta conversación hablaremos sobre la cesta de la compra en España, cuyos precios suben cada día sin parar. La cesta de la compra es precisamente el indicador que usa el gobierno español para calcular el Índice de Precios de Consumo. Discutiremos también posibles soluciones para parar esta subida constante. Y, en nuestra última conversación, aprenderemos a usar una nueva expresión española, Cambiar de chaqueta o ser un chaquetero. La usaremos para hablar del teletrabajo en España, regulado por una normativa del año 2021. Las estadísticas muestran que aunque el teletrabajo es una opción para muchas empresas españolas, el porcentaje de teletrabajadores no es tan alto como en la mayoría de los países europeos alrededor de España. Los ataques de EE. UU. e Israel sobre Irán tienen fuertes repercusiones en los mercados energéticos mundiales Francia anuncia una nueva doctrina nuclear y un aumento del arsenal nuclear Un nuevo estudio indica que el nivel del mar ha subido mucho más de lo previamente estimado El retorno de Rusia a la Bienal de Venecia provoca indignación Adverbs of Quantity or Degree - La cesta de la compra, cada vez más cara Cambiar de chaqueta o ser un chaquetero - Teletrabajo en España

SBS Spanish - SBS en español
Programa | Spanish | Artistas indígenas guatemaltecos en la Bienal de Sídney por primera vez

SBS Spanish - SBS en español

Play Episode Listen Later Mar 12, 2026 55:38


Programa 12/03/26: Hoy analizamos el giro a la derecha en Chile con la presidencia de José Antonio Kast y sus retos. Además, charlamos con artistas indígenas guatemaltecos en la Bienal de Sídney. También traemos los deportes.