Leitura de Ouvido é o podcast que transforma linhas em ondas sonoras, criado por Daiana Pasquim e Lucas Piaceski. Contos e poesias, nacionais e internacionais, em domínio público. Gravação do texto interpretado em áudio drama e com sonorização cinematográfica. Crítica literária descontraída sobre o texto, escola literária e autor, ao final do episódio. Todas as sextas-feiras, um novo episódio. Boa leitura! Contato leituradeouvido@gmail.com

Pauliceia Desvairada de Mário de Andrade (1893-1945) foi nosso Ep. 57, publicado em 9 de abril de 2021, apenas com os poemas Paisagem Nº 1, 2, 3 e 4. E “Prefácio Interessantíssimo”, de Pauliceia, foi o Ep. 100. Hoje, episódio 308, após debatermos o Modernismo e o Prefácio no Clube Leitura de Ouvido. Dedicamo-nos hoje aos poemas: "Inspiração", "O trovador", "Os cortejos", "A escalada", "Rua de São Bento", "O rebanho", "Tietê", "Ode ao burguês", "Tristura", "Domingo", "O domador", "Anhangabaú", "A caçada", "Noturno", "Tu", "Colloque sentimental" e" Religião". Para completar o livro, resta-nos apenas realizar a produção de "As enfibraturas do Ipiranga”. Mário indica, no Prefácio: ”Quem não souber urrar não leia Ode ao Burguês. Quem não souber rezar, não leia Religião. Desprezar: A Escalada. Sofrer: Colloque Sentimental.” Já ficam algumas dicas para a nossa interpretação, em que pese: "Repugna-me dar a chave de meu livro.” Em Pauliceia, Mário se apresenta como “louco”, usa várias vezes o termo arlequim e o adjetivo arlequinal. Há muitas aliterações juntas e bem combinadas, que culminam na Polifonia Poética, que é a marca insondável do livro. Muitas vozes, discursos e perspectivas, são os tons de seus versos: "nada de asas, nada de poesia, nada de alegrias…”; e o reconhecimento do que a cidade se tornava “futilidade, civilização” no misto ítalo-franco-luso-brasileiro-saxônica, gentílico composto bem miscigenado, que já era o reflexo daquele Brasil moderno. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O bebê de tarlatana rosa” é conto de João do Rio (1881-1921) e está no livro Dentro da Noite (1910). Provavelmente, será o episódio com uma aventura de carnaval mais imprevista e horrorosa que você já viu. Vamos começar abrindo o título: bebê não se trata de um recém-nascido, mas uma variável para chamar as mulheres bonitas. Tarlatana é um tecido usado em encadernação, gravura, restauro, moda têxtil, decoração da casa, colagem e estuque. E a roupa da moça da história, era rosa, cor que transmite amor, carinho, romance, doçura, feminilidade e inocência. O narrador está numa sala com reunião de amigos, onde Heitor de Alencar conta a sua história de máscaras e imprevistos, que acontece na madrugada da terça-feira de Carnaval para a quarta-feira de Cinzas, quando estava envolvido nos “transportes da carne e do desejo”. O conto perpassa os quatro dias paranóicos da festa popular, sem poupar cenas de depravação e entusiasmos e leva a refletir sobre como os “valores" sociais podem mudar no Carnaval. Foi numa visita ao Baile Público do Recreio, no Rio, que avista o bebê pela primeira vez. A obra é um clássico do conto fantástico e decadente brasileiro, narra uma história macabra de carnaval. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O último discurso” é um conto comovente de Júlia Lopes de Almeida (1862-1934), publicado no livro Ânsia Eterna (1903), que nos faz refletir sobre a vida e o fim dela. A história narra o sopro de existência para o honorável Dr. Paula Guedes, que com 83 anos está desenganado sobre a cama de madeira de peroba, magérrimo e tilintando de frio em pleno fevereiro no Brasil. Tudo muda quando ele recebe uma carta do Instituto para que seja o orador no evento de homenagem ao tricentenário de Anchieta. Ali ocorre o seu sopro de ressurreição. Diante da resistência da família até mesmo em lhe fornecer papel e lápis, ele dribla a sensação de que o túmulo se aproxima e recorre ao imagético da passagem do tempo, ancora-se em sua teimosia acadêmica para compor o mapa mental de um discurso de mais de 20 páginas. Quando ele veste seu terno de casaca, luvas, gravata branca e comendas para treinar diante da família, uma grande comoção toma conta de todos. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“Porque não se matava” (1923[1918]) é conto de Lima Barreto (1881-1922) que escancara os vícios sociais. Ambientado na degradação da República Velha, no Bar Adolfo na rua da Assembleia, dois amigos que se conhecem desde a infância, que compartilharam as lições da escola, o crescimento e a formação, se encontram no ambiente propício da boemia, onde estão escritores, pintores, jornalistas, poetas, literatos, médicos e advogados, conversando e bebendo sempre. Temos de um lado, um homem que não tem mais motivos para viver; do outro, um bom ouvido e é também o nosso narrador. O fato é que o bar é bem descrito, detalhadamente, e comparado ao Silogeu. À época, o Prédio do Silogeu era ocupado pela Academia Brasileira de Letras como sede. Ali também funcionavam a Academia de Medicina, o Instituto dos Advogados do Brasil e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. “É um ninho e também, uma academia”. O fato é que o amigo confabulava sobre se matar, sim ou não, e não gostava de trabalhar: “Afastava-se da caça ao emprego”; e também “nunca conheceu o amor”. Era um homem sem paixões nem desejos, “já descri de tudo, da arte, da religião e das ciências”. E o boêmio marcava com solenidade o número de copos bebidos. Só não se matava por falta de dinheiro, posto que não quer ficar falado depois que deixar o augusto mistério do mundo. O conto "Por que não se matava" de Lima Barreto é sagaz e vai trabalhar a ironia da situação, com argumentos que dão muita vontade de viver. Escute para conhecer! A história saiu apenas postumamente, em 1923, integrando a coletânea Bagatelas. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“A calúnia” (1883) é conto de Anton Pavlovitch Tchekhov (1860-1904) que apresenta um quiproquó na festa de casamento promovida pelo professor de caligrafia Sergey Kapitonech Akhineiev, que casava a sua filha Natália com o professor de história e geografia Ivan Petrovich Lochdinei. Toda a confusão se dá em torno de um esturjão, o peixe hoje quase extinto, que produz o caviar. Curto, direto, divertido e irônico, apesar de aparentemente o conto se fazer apenas ao redor de uma fofoca, o fato do professor ter beijado a cozinheira - há muito a observar na história. Ele produz uma piada simples, com realismo crítico, fruto da observação precisa da vida cotidiana e da escrita concisa. É o que acontece em “A calúnia", e em tantos outros contos tchekhovianos aparentemente simples, mas profundos. O mais impressionante da história é a forma como Tchekhov envolve o leitor, a ser o portador de um segredo. "Quem terá sido? — perguntamos nós, também, ao leitor...", com o desfecho que pede uma gargalhada, pois o protagonista se envolve numa grande ironia, sendo vítima de sua própria arrogância. A historieta se pauta no rigor social. Culturalmente, o conto de Tchekhov é um bom exemplar para ilustrarmos sobre o esturjão, pois se trata de um peixe ancestral que já se teve em abundância e hoje está em iminente extinção, produzindo uma iguaria aclamada pelo luxo e nobreza, que é o caviar, o ouro negro. Nas Notas de hoje você também saberá: "Como ele renovou as formas do conto moderno?" Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O pastor amoroso” é o conjunto de oito poemas de Alberto Caeiro (1889-1915), heterônimo alter ego de Fernando Pessoa (1888-1935), que vêm em seguida de "O Guardador de Rebanhos”. É como se fosse um desdobramento daquele narrador ainda menino que vivia no cimo do outeiro, posto com uma mudança de caráter, no efeito de demonstrar a transformação que o amor é capaz de causar. Pois se em O Guardador ele era devotado à natureza e canta as suas belezas, quando descobre o amor, sua forma de ver o mundo se altera: para desfrutar da natureza, espera pela pessoa amada. Nos poemas do episódio de hoje contemplamos a poética do amor. Ele começa afirmando exatamente esta oposição: “tu mudaste a natureza”; depois anseia por ela para “colher flores pelos campos”; reconhece “amei e não fui amado”; e que “amor é companhia, que é um pastor amoroso, que amar é pensar”; então se dá conta de que agora, “tenho interesse no que cheira: hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver”. Caeiro foi um dos mais importantes heterônimos de Fernando Antonio Nogueira Pessoa, o poeta “plural”, o mais universal poeta português. Cumpre notar que na data da criação (março de 1914), Pessoa remonta a 16 de abril de 1889, em Lisboa, para determinar o nascimento de Alberto Caeiro da Silva. O pastor amoroso é o segundo, dos três conjuntos de poesias attibuídas à Caeiro. Há ainda, Poemas Inconjuntos, para uma próxima produção. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O Grand Prix” é crônica de costumes de Eça de Queirós (1845-1900) que está no livro Ecos de Paris, que se fez posteriormente, com as histórias publicadas por ele originalmente como artigos em jornais. Uma das coletâneas compiladas e publicadas no Brasil foi em 1905, após a morte do autor. O livro tem várias edições e reimpressões. Inclusive, a crônica "O Grand Prix" de Eça de Queirós foi publicada pela primeira vez no próprio Brasil! Saiu na edição de 18 de junho de 1893, do jornal Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro. Isto explica porque ele reserva o desfecho da história ao território brasiliense. A crônica começa no hipódromo de Longchamps, que desde 2018 esteve passando por reformas, mas é ainda um dos principais pontos de corridas de cavalos de Paris. Ao longo da crônica são muitas as alfinetadas: a burguesia com seus caprichos, as orgias e festas com gastos extraordinários, as solenidades e a política, as burocracias da coisa pública, as fofocas, como sobre as meias de Napoleão, a publicação póstuma de versos de Victor Hugo, e até o Canicule, que é o calor extremo em França, nos meses de verão, quando as temperaturas ultrapassam os 35°C durante o dia e se mantêm elevadas (acima de 20°C) durante a noite por vários dias consecutivos. Homônimo ao episódio de hoje, há em Portugal, desde 1988, o "Grand Prix Eça de Queirós”, que refere-se a um prêmio literário. Como crônica de costumes, é bom lembrar que Eça já havia feito isso em Os Maias (1888), obra-prima do autor e um marco do Realismo/Naturalismo na literatura portuguesa, retratando a sociedade lisboeta do século XIX. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O País das Quimeras” (Conto Fantástico), de Machado de Assis (1839-1908) foi publicado originalmente em 1º de novembro de 1862, na revista O Futuro: Periódico Literário, no Rio de Janeiro. Cento e sessenta e quatro anos depois, torna-se nosso primeiro episódio de 2026, abrindo a 7ª temporada do Leitura de Ouvido. Mais tarde, o conto foi reescrito e republicado com o título "Uma excursão milagrosa" no Jornal das Famílias, em abril e maio de 1866. Machado de Assis não incluiu o conto original em nenhuma coleção de livros publicada durante sua vida. Mas a versão que utilizamos aqui, contudo, encerra o livro Relíquias da Casa Velha. Por meio do conto, conhecemos de corpo e alma o poeta Tito, um homem comum em feições, que no alto de seus 20 anos é um partido às moças de 15 ou 16. Mas Tito tinha fraquezas de caráter que o levaram a “mercar com os dons de Deus”, pois para se sustentar, vendia seus versos a um freguês que queria fama literária. Um dia, Tito cai com a doença do amor, resolve viajar ou morrer. Mas recebe uma visita extraordinária de uma bela mulher: uma sílfide com asas com poeira de ouro. Com ela, Tito faz uma viagem inimaginável, até aterrissar no País das Quimeras, onde vai receber inúmeras revelações. O país cerimonioso tem rei e rainha, beija-mão, mesuras e cortesias, mas também continência militar e execução à forca, o que demonstra que mesmo no país da Fantasia, com as Quimeras e Utopias, existem convenções que não podem ser rompidas. Diante das revelações e de ver tudo vaporoso, o poeta passa a ter "olhos de lince", para ler a alma das pessoas. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

O badalar dos sinos do mundo hoje podem nos lembrar o quão maravilhoso pode ser o Natal, quando nos preparamos, de dentro para fora, para esta comemoração. O conto de hoje é para aqueles que - talvez há anos - não se importam com a data de Natal. E vai derrubar as expectativas de quem: “achou que tudo, seria como sempre”. Os advérbios vão ser remexidos e garanto que o seu coração também, pois o foco aqui é humanização, com problemas de um mundo real.Luís Fernando Garcia (30/04/1978) é assistente social, Graduado em Serviço Social pela Faculdade Paulista de Serviço Social - FAPSS e mora em Vargem Grande Paulista. Tem Especialização Humanização em Saúde: Narrativas do Adoecimento do Sofrimento e As possibilidades de Cuidado, pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).Nosso apoiador Luis Fernando Garcia tirou da gaveta o seu texto de mais de uma década "Um conto de Natal" e comissionou esta produção lindíssima de hoje! É uma reflexão sem igual! Desejamos a você os melhores abraços de seus familiares e amigos e que o seu Natal possa se diferenciar, do da história que apresentamos. Ela é a realidade para muitas famílias.✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“Pó de Sim, Pó de Não” (2025), é um Original Leiturinha escrito pela paulista Andrea Avelar e ilustrado pelo cearense Felipe Calv. É um dos livros criados especialmente pela Editora Leiturinha, que estimula autonomia, imaginação, empatia e raciocínio, além de fortalecer o vínculo familiar e o prazer da leitura. Hoje conhecemos a Família Ventura, pessoas que conversam sobre sonhos, sentimentos e emoções. “Pó de Sim, Pó de Não” trabalha emoções de maneira lúdica, usando os pós para ajudar as crianças a nomearem sentimentos, elaborarem frustrações e, assim, encontrarem o equilíbrio emocional. São muitas prateleiras e rótulos, assim como a vida, que é totalmente diversificada! Note que nesta história, o menino Benício está totalmente envolvido com as tradições de sua família, isso conversa demais com essa época do ano em que estamos, que é a das festas. A festa da história, é o aniversário do menino, que ao completar 7 anos, recebe a última das chaves para ter acesso à Sala Empoeirada da casa dos Ventura. A história traz em essência dois valores primordiais: 1- os momentos e rituais compartilhados em família; 2- e a celebração dos livros, quando o menino vai escrevendo suas páginas novas, a partir dos sentimentos que descobre e os pós que mistura. Ou seja, o poder da leitura e do amor são celebrados como laços inquebrantáveis! Por isto, este episódio é tão especial para nós! Chegamos ao episódio 300! Concluindo a sexta temporada! Nós temos muito o que celebrar! Sabia que a partir da nossa parceria com o maior clube de assinaturas de livros infantis do Brasil, o frete da sua assinatura pode sair de graça!? São R$ 120 de desconto nas assinaturas anuais, planos UNI ou DUNI. Acesse o Link https://leiturinha.com.br/?utm_source=influenciadores%20&utm_medium=social%20&utm_campaign=LEITURADEOUVIDO_dezembro&pin=LEITURADEOUVIDOe tenha frete grátis garantido com nosso cupom: LEITURADEOUVIDO#momentoleiturinha #leiturinha✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O presente dos Magos” é do famoso contista americano William Sydney Porter, sob o pseudônimo O.Henry, que estreia no podcast. Trata-se de uma jornada emocional, que se passa na véspera de Natal. O conto foi publicado pela primeira vez em dezembro de 1905, no jornal The New York Sunday World, e no ano seguinte, foi republicado na antologia do autor, The Four Million, sob o título The gift of Magi. Em “O presente dos magos” vamos conhecer o jovem casal que, com pouco dinheiro, busca o presente ideal para agradar ao outro no Natal. As dificuldades financeiras são acentuadas na apresentação da personagem Della, e do apartamento em que alugam, onde tudo era cinzento: o gato, o muro, o dia. O narrador, que quebra a 4ª camada para estabelecer cumplicidade com o leitor, apresenta-nos também Jim, de 22 anos. Ao sensibilizar pelo ato de presentear, o conto discute desde o valor das moedas, até a generosidade interligada ao amor. Com final até irônico, a obra é aclamada, mas O. Henry ainda é pouco conhecido no Brasil, embora tenha se tornado popular para adaptações, sendo até mesmo lido em rádios, especialmente na época do Natal. O. Henry teve mais de 600 contos publicados. Assim como o casal Della e Jim são ricos em afetos, mas lutam para sobreviver, o autor ficou conhecido por histórias romantizadas e finais surpreendentes. Boa leitura!O oferecimento é da Editora Litteralux, pela qual a Daiana Pasquim está lançando seu novo livro: Serenas. E você também pode enviar o seu original para litteraluxeditora@gmail.comO primeiro lote de envios do Serenas já foi pelos Correios esta semana e em breve, chegará aos leitores que já o adquiriram. Aproveite a pré-venda e garanta o seu. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O presépio” é um conto de Natal de Dom João da Câmara (1852 -1908), nascido e morto em Lisboa, Portugal. Grande dramaturgo, foi o primeiro português a ser indicado ao Prêmio Nobel de Literatura em 1901. No sensibilizante conto recheado de elementos culturais portugueses, vamos conhecer o Manuelzito, de 12 anos, que sai da Portugal rural do século XIX rumo à Lisboa, para "se tornar homem". Há quase um ano como funcionário explorado de uma mercearia, o menino dorme no desvão da escada e sonha com as saudosas noites na aldeia, onde ficaram seus progenitores e amigos. Entre a saudade e o fazer-se homem, Manuelzito tem uma ideia revigorante: moldar lama e construir um presépio em segredo. A história se demora amorosamente no empenho para esculpir cada figurinha, de novembro até a véspera do Natal, quando tudo se acende, em um momento espiritual único que o garoto cria. É uma narrativa com emoção crescente que aquece o coração neste momento entre sonho e realidade, que fechamos no ano. Com o texto podemos mensurar o peso da riqueza material versus espiritual.Particularmente, encarei como um conto revisional da existência, pois passam-se várias estações e momentos do ano, até se desenhar detalhadamente o presépio, sendo o Natal o clímax. Na antítese, temos o coração duro do patrão. E uma mensagem crucial e excruciante, pois o menino pobre sente um dó muito grande do patrão que não vira nada, nem o olhar tão meigo do Menino Jesus, moldado por ele. Boa leitura!O oferecimento é da Editora Litteralux, pela qual a Daiana Pasquim está lançando seu novo livro: Serenas. E você também pode enviar o seu original para litteraluxeditora@gmail.comO primeiro lote de envios do Serenas já foi pelos Correios esta semana e em breve, chegará aos leitores que já o adquiriram. Aproveite a pré-venda e garanta o seu. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O Africano e o poeta” é composição da escritora novecentista brasileira Narcisa Amália (1852-1924), na terceira parte de Nebulosas (1872), seu livro de poesias com 44 poemas de exaltação à natureza, à Pátria, à lembranças da infância e homenagens. Narcisa é a “bela e jovem poetisa”, como definiu Machado de Assis, para quem ela tinha “pena delicada e fina”. Nesta poesia, utiliza definido vocabulário de sua época para elevar o poeta a um enredo épico, como sendo o único capaz de sentir, na extremidade, o sofrimento africano. A comoção do poeta encadeada nos versos pode ser vista como uma representação de humanização. Como se só os que têm alma sensível, como o poeta, fossem capazes de se condoer com a difícil situação do africano. E para potencializar ainda mais as palavras dela, João Gomes de Araújo (1846-1943) as musicou e transformo em modinha, em 1870.Um dos pontos destacados desde a epígrafe, com verso de Lamartine é se os escravos têm deuses ou se têm filhos. Como se isso fosse a eles possível, diante de tantos carmas, desde arrancados, em criança, da Líbia. O país fica ao Norte da África e foi de lá, também, que veio Luísa Mahin, de quem falamos recentemente, quando apresentamos a mãe do poeta Luiz Gama. Assustador é que, em notícias recentes, a Líbia ganhou atenção internacional devido a relatos e denúncias graves de mercados de escravos modernos. Por toda essa relevância, o texto ganhou os holofotes das universidades.O oferecimento é da Editora Litteralux, pela qual a Daiana Pasquim está lançando seu novo livro: Serenas. E você também pode enviar o seu original para litteraluxeditora@gmail.comO primeiro lote de envios do Serenas já foi pelos Correios esta semana e em breve, chegará aos leitores que já o adquiriram. Aproveite a pré-venda e garanta o seu. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“A cruz da estrada” e “Tragédia no lar” são dois poemas de Castro Alves, datados de 1865 e reunidos no livro Os Escravos (1883), publicado postumamente. Com diferentes focos, um no fim da vida e outro no princípio dela - as crianças - , o cantor dos escravos esmiuça as dores do povo escravizado. Note que se trata de “A cruz da estrada” e não a cruz na estrada, como estamos acostumados a visualizar, pelos caminhos: “da estrada” prevê um corpo, ali sepultado, um hábito antigo, quando os corpos eram espalhados pelos caminhos, longe do interior das igrejas e desassistidos dos cemitérios. Na poesia, não se trata só do símbolo do ‘Descanso', é o leito da liberdade, que foi a noiva desposada pelo escravizado. A tradição de erguer memoriais à beira do caminho tem origem antiga na Península Ibérica e foi trazida para o Brasil, especialmente para o Nordeste, até se espalhar por todo o território. Já “Tragédia no lar” é uma narrativa que culmina no implorar de uma mulher: “é impossível que me roube da vida o único bem”; “Deixai meu filho: arrancai-me antes a alma e o coração”. Mas o senhor de escravos invade o casebre onde uma escrava embalava e cantava para seu filho, para tomá-lo de seus braços e o vender. Os versos sensibilizam porque são muito reais e o enredo, desenrolado em outras histórias, por outros autores antiescravagista, como Maria Firmina dos Reis, no conto “A escrava” e Ana Maria Gonçalves, no romance histórico Um defeito de cor. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“Minha mãe” e “Que mundo é este? são dois poemas, dos 40 que Luiz Gama (1830-1882) compôs em seu único livro Primeiras Trovas Burlescas de Getulino (1859), além das inúmeras peças retóricas e legislativas que empreendeu, tornando-se o terror dos fazendeiros, em sua militância para alforriar escravizados, enquanto denunciava a escravização ilegal, como rábula. Em “Minha mãe”, descortinamos esta mulher que veio escravizada em África, onde era pelo filho tida como rainha, para o Brasil, onde se tornou escrava. Das lembranças que Gama tem dela, conta que tinha um irmão e das saudades que cultivava, desde próximo de seus dez anos de vida, quando não mais a viu. Este poema tem cunho autobiográfico, pois descreve a guerreira da Revolta dos Malês, Luísa Mahin, tanto fisicamente, quanto em temperamento: seus beijos, seus dentes alvíssimos, seus olhos, seus braços roliços de ébano, o quanto era meiga, terna, com coração de santa. Já o poema “Que mundo é este?” conversa com “quem sou eu?” Em “Que mundo é este?” temos ênfase à corrupção e à pobreza, com um tom mais rebelde. E não é para menos. Ele sofreu a escravidão, antes de integrar a República das Letras, já que a proclamação e os movimentos para tal, eram iminentes. Nesta poesia, trata de paradoxos políticos, éticos e morais da sociedade imperial. Nas notas de hoje, costuramos estas produções com alguns fatos que nos foram revelados no romance histórico Um defeito de cor, da primeira mulher negra imortalizada pela ABL, Ana Maria Gonçalves. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O tabuleiro da existência” (Labrador, 2025) é o romance de Marcelo Neri, de Santos - São Paulo, com mais de 300 páginas e, no episódio de hoje, temos partes dos primeiros capítulos. Vamos conhecer Dante Valente, um executivo de 47 anos, que vive uma existência aparentemente bem-sucedida, mas interiormente vazia. Durante um voo noturno, ele observa três luzes misteriosas no céu escuro momentos antes de o avião enfrentar uma forte turbulência. Dante se encontra em um ambiente surreal: uma sala circular dominada por um enigmático tabuleiro tridimensional que flutua no centro. Uma voz misteriosa anuncia que para sobreviver ao "acidente", ele precisa completar o jogo, atravessando cada uma de suas casas e superando os desafios propostos. O que começa como uma aparente luta pela sobrevivência logo se revela uma jornada extraordinária através das camadas mais profundas da consciência humana. Guiado por três mentores enigmáticos – o Terapeuta, o Filósofo e o Espiritualista – Dante é conduzido por territórios metafísicos que desafiam sua compreensão da realidade. Em cada casa do tabuleiro, ele enfrenta aspectos não resolvidos de seu passado, questiona estruturas de pensamento que limitaram sua percepção por décadas, e explora dimensões de existência que transcendem o material. Aos poucos, Dante percebe um padrão misterioso que permeia toda sua jornada – o número três aparece repetidamente, como uma chave para um enigma cósmico que não consegue decifrar completamente.Com um pé nas profundezas oceânicas do comércio marítimo internacional e outro nas águas inquietas da filosofia existencial, Marcelo Neri navega com maestria entre os mundos da liderança corporativa e da busca pelo sentido mais profundo da existência humana. Neste mesacast com Daiana Pasquim, vamos conhecer o autor em entrevista e compreender como "O Tabuleiro da Existência" entrelaça psicologia profunda, filosofia existencial e espiritualidade universal em uma narrativa envolvente que transforma o leitor enquanto transforma seu protagonista. O lançamento ocorreu na Pinacoteca Benedito Calixto, em 9 de outubro. O livro está à venda nas principais lojas, como a Amazon e também na Livraria Martins. Boa leitura!Se você é escritor(a) e gostaria de comissionar um episódio produzido por nós, escreva para leituradeouvido@gmail.com

“Uma noite no cemitério” (1847) é conto comovente, do expoente português Camillo Castello-Branco (1825-1890), publicado em Delitos da Mocidade : Primeiros atentados literários, publicados em 1889. Celebramos o bicentenário de seu nascimento com sua estreia no podcast, produzindo este conto de cinco capítulos, que perpassa os sentimentos e o ritual do luto estendido. Tudo se passa à noite e a narrativa cessa ao amanhecer, ao que tudo indica, em dia de Finados. Na história, temos o amigo narrador lastimando a perda do outro: “haverá descanso debaixo dessa pedra que nos divide?” O eu-lírico do próprio Camilo, chora a perda do amigo José Antonio T.C de Melo e Nisa, Sargento da Infantaria 13, das Tropas do Porto, tendo como Comandante o Barão de Castro-Daire, como se compreende na “Nota”, disponibilizada pelo autor após o conto e que optamos por trazer também, ao final deste episódio. José Antonio morre em combate e o autor rememora suas passagens de amizade em Vila Real. Remete à Caim como “a primeira folha da grande novela do mundo”. Menciona as famílias que ficam órfãos da guerra: “vi um montão de cadáveres que se estertoravam, e espadanavam sangue na face da mãe, da irmã e da viúva”. Nas Notas de Rodapé, saiba todas as curiosidades por trás da publicação deste livro. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O gato preto” (1843) é conto inquietante de Edgar Allan Poe (1809-1849), no qual o narrador inominado, às vésperas da pena de morte, conta desde a sua mais tenra infância, seu amor pelos animais, seu casamento ainda jovem, até o momento em que o alcoolismo altera totalmente a sua personalidade, que vai culminar em atitudes horrorosas e cruéis. O casal que vivia bem e se amava, vai à bancarrota, quando ele mergulha em excessos de todo tipo de bebida alcóolica. O gato do casal, chamado Plutão - deus do submundo na mitologia romana - foi um dos principais pivôs de sua maldade. Para a crença popular, todos os gatos pretos são feiticeiras disfarçadas. Mas não é por isto que o narrador transforma seu amor pelo bichano, por diabólica intemperança, que o leva a maltratá-lo. É a bebida em excesso que o torna descuidoso dos sentimentos alheios e passa a usar de violência e maus-tratos. A sua perversidade chega a extremo quando dá vazão ao seu impulso mais primitivo, vitimando ainda mais àqueles que um dia amou. Esta é uma das histórias de terror mais populares de Edgar Allan Poe. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“A dama no espelho: reflexo e reflexão” (1929), de Virginia Woolf explora a dualidade entre o que é aparente e o que é a realidade, explorando a natureza da percepção. O narrador-observador é o espelho italiano que havia no vestíbulo, pendurado para fora. É curioso, pois o espelho fala de si em terceira pessoa e, enquanto a narrativa tem toda a delicadeza característica de Virginia, também vai formando uma tensão psicológica. O espelho é imaginativo e reclama que não conhece muito bem a sua dona, por outro lado, constrói intensas histórias sobre ela. Por meio da mesma frase na abertura e no fechamento do conto, temos uma sensação cíclica, assim como o nosso reflexo no espelho, que vai e volta. A frase é: “ninguém deveria deixar espelhos pendurados em casa”. “A dama no espelho: reflexo e reflexão”, de Virginia Woolf é um texto dominado pela imaginação, assim como o universo da infância. Este mês nós recebemos aqui em casa, do nosso parceiro Leiturinha, o maior clube de assinaturas de livros infantis do Brasil, a clássica história “A terra dos meninos pelados”, de Graciliano Ramos. E claro que a nossa parceria diferenciada para você ingressar no maior clube de livros infantis do Brasil continua. Para obter frete grátis por um ano, use oCUPOM: LEITURADEOUVIDOAcessando esse link: https://leiturinha.com.br/?utm_source=influenciadores%20&utm_medium=social%20&utm_campaign=LEITURADEOUVIDO_PODCAST&PIN=LEITURADEOUVIDOUse nosso cupom e ganhe um ano de frete grátis na sua assinatura :)Boa leitura!#momentoleiturinha #leiturinha ✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O pântano da lua” (1926) é conto de H.P. Lovecraft (1890-1937) que narra uma história obscura de quando a audácia atrai uma maldição. O rico Dennis Barry está obcecado por drenar e explorar o terreno onde se encontra o antigo castelo que fora de seu pai, na Irlanda, que já se encontrava cinzento e permeado pelo vasto pântano avermelhado. Sua ambição era desfrutar da riqueza entre a paisagem ancestral. O narrador é um amigo íntimo de Barry que vai até o castelo após receber uma carta. A viagem é difícil e a estadia, perturbadora. Ainda que estivesse já na primeira noite ouvindo sons estranhos de flautas silvestres de bambu, acordando alarmado e sob o clarão gelado da lua, explicita seu ceticismo quanto ao mau agouro, evidenciando a descrença do próprio amigo Barry, que seguia imparável. Era lua minguante e todo o pântano é tomado por uma luz escarlate incandescente. Os acontecimentos insólitos do conto se desenrolam ao longo de sete dias e sete noites, sendo que nesta última, concretiza-se a maldição irreversível. Toda a aldeia é amaldiçoada, neste universo externo opressor. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O senhor Diabo” (1867) é um conto do escritor português Eça de Queirós (1845-1900) publicado pela primeira vez no Jornal da Época e, neste episódio, interpretado do livro Prosas Bárbaras (1909), em domínio público. No conto, o narrador anuncia que vai contar a história de um amor infeliz do Diabo. Antes disso, Eça elabora um dossiê de personagens da história e da literatura que mencionaram a presença e a característica do Diabo, desde as trágicas até às cômicas. O próprio narrador afirma, em um parágrafo isolado, dedicado a esta declaração: “O Diabo amou muito”. O enredo se desenrola numa pequena cidade da Alemanha, onde nasce a flor do absinto. Um ambiente com o clima tranquilo e sereno, marcado pelo rosnar das aves, o cantar dos peregrinos nas estradas, pelos santos que liam nos seus nichos. Numa casa de madeira mora a pura e loura Maria, que fiava constantemente na varanda ensolarada, cheia de vasos e de verdes, decorada com um Cristo de marfim. Maria era apaixonada por Jusel, melodioso, santo e também louro e que se encostava a um pilar em frente à casa de Maria. Mas ela era filha de um velho gordo, vaidoso, sonolento e mau, que bebia cerveja de Heidelberg, vinhos da Itália e cidras da Dinamarca. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

Psicologia de um vencido, de Augusto dos Anjos (1884-1914), do famoso verso 'filho do carbono e do amoníaco' e “Versos Íntimos” de 'a mão que afaga é a mesma que apedreja', são dois dos poemas que trazemos neste episódio, de seu livro Eu (1912), que foi reeditado em 1919 como Eu e Outras Poesias. Ao todo, neste episódio produzimos: “Psicologia de um vencido”, “o Morcego”, “A ideia”, “Idealização da humanidade futura”, “Soneto”, “Versos a um cão”, “O deus-verme”, “Debaixo do tamarindo” (pág. 8); depois no livro vem “As cismas do destino”, que já foi um episódio especial; daí saltamos para a página 42, com “Versos Íntimos” e “Vencedor”. Lembrando que o livro começa com "Monólogo de uma sombra” que igualmente foi episódio especial do LdO. Nota-se no livro a predileção pelo soneto, ao modelo petrarquiano, com 14 versos, distribuídos em quatro estrofes de quartetos e tercetos, decassílabos, rimados. "Psicologia de um Vencido” se apresenta como um poema tão completo, porque ele transita entre escolas literárias: parnasianismo, simbolismo, modernismo. Vou explica isto, no tocante à forma e ao conteúdo e você vai compreender porque dificilmente ele fica de fora de um livro didático ou de uma prova de vestibular ou de Enem. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O duende em casa do merceeiro” (1853) é conto de Hans Christian Andersen (1805-1875) que apresente os extremos, o pobre e o abonado, com um duende e um livro no meio. Vamos explicar. A começar, é preciso saber que a metáfora do comerciante está para a ideia de posses; e o duende é o seu funcionário. A metáfora do estudante, está para o pouco dinheiro e o fato de estar sempre em busca da sabedoria. A mulher do merceeiro era sábia, tinha o o dom da palavra. Por isto, à noite o duende pegava a sua língua solta e colocava nos objetos, para conversar. Eis que um dia o estudante vai à mercearia para comprar velas e queijo. As velas embrulhadas no livro acenderam a sua atenção, pois o papel era a página rasgada de um livro de poesias. Quando o jovem compra o livro, ao invés do queijo, prova que escolheu apenas a luz, só elas, posto que já tinha as velas. Curioso, o duende começa a espiar a meia água do estudante e, diante da face do menino, com o livro aberto, havia uma luz magnífica, do qual irradiava uma árvore, que cobria a sua cabeça. Esta é a metáfora da árvore da sabedoria. O duende, que morava com o merceeiro interessado nas papas com manteiga que ganhava no Natal, cogitou ficar com o estudante. Ele ficou muito entusiasmado. Um dia, há um incêndio e todos vão salvar o que há de mais valioso. A mensagem final do conto leva a pensar: “alimente o corpo, mas nutra o tanto mais que puder, o espírito”. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“Sob as estrelas” é um conto trágico de Júlia Lopes de Almeida (1862-1934), publicado no livro Ânsia Eterna (1903) e vem com um alerta, de conter cenas fortes e condenáveis. Na descrição das penedias da encosta de Minas Gerais, vamos conhecer Padre Júlio que voltava de sua formação no seminário, mas ainda com o coração pulsando por sua amada de juventude, a cabocla Ianinha, que ele abandonou para tornar-se padre, por determinação da família. A narradora revela o amor às escondidas, do qual eram cúmplices as estrelas. É uma história que replica no leitor o peso do passado que o assombrava; pois hoje padre Júlio queria ser puro e santo, mas a figura da moça ainda lhe atravessava a mente, com todos os pecados carnais que ele amaldiçoava, diante da obrigação da carreira que lhe fora imposta. Como forma de tentar apaziguar a sua alma, o jovem padre vai auscultar as sepulturas do cemitério, para tentar descobrir se Ianinha ainda vivia. É quando se depara com a sepultura de uma criança, coberta de flores selvagens e ele se dá conta da “alma pagã criada por seu beijo”. Desejou ardentemente que a morta tivesse sido Ianinha! Mal sabe ele que toques nervosos do sino vão exigir do sacerdote uma postura, para a qual, talvez, ele não tenha coragem, ainda que se agarrasse a seu crucifixo e que murmurasse preces. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O tiro” (1831) é uma história russa de Alexander Pushkin (1799-1837), descoberto como um dos cinco que compõe Os contos de Belkin, ao lado de "O chefe da estação", "A sinhazinha”, ”O fabricante de caixões” e a “A tempestade de Neve”, estes últimos dois, também já produzidos aqui no podcast. Em “O tiro”, no cotidiano do regimento, as conversas entre os oficiais giram em torno de duelos e deve-se compreender a grandeza de importância desta prática, no século XIX. Não aceitar o desafio para um duelo era sinal de covardia. E havia todo um rigor e ritual para executá-lo. Naturalmente, o passatempo principal era o tiro de pistolas. A história começa na Vila de Z, narrado por um jovem oficial, que conta o enigma da vida de um oficial mais velho, já na reserva, Silvio, que aos 35 anos, já era tido por eles como “velho". Até o dia em que na agência dos Correios, chegam as cartas que deixavam o escritório muito animado. Silvio recebe uma carta que acolhe com impaciência e resolve se despedir dos jovens oficiais, pois deve fazer uma partida imediata. É no jantar de despedida que o jovem narrador conhece a história misteriosa de Silvio, relacionada a um tiro, que ele guarda para resolver cinco anos mais tarde, no capítulo 2, quando já morava na Vila de H. Nesta segunda parte da história entra um homem muito rico, o Conde B. Ao ouvir esta história, você vai compreender o significado de “Você me deve um tiro!” Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“Teoria do Medalhão” (1881), conto de Machado de Assis (1839-1908), é um manual de conselhos de como “não ser”. Foi escrito no século XIX para ironizar um modelo de colocação social, onde se aparenta a inteligência e a influência, sem a ter substancialmente. É curioso o quando podemos hoje, dois séculos depois, refletir sobre esse conto que versa sobre a carência de ideias e de essência, que pode ser acobertada pela aparelhagem social que deixa uma pessoa notória, mesmo sem saber verdadeiramente sobre quase nada. Publicada na Gazeta de Notícias em 1881, a história se faz do diálogo entre um pai - frustrado por nunca ter alcançado ser um medalhão e seu filho Janjão, que acaba de chegar à maioridade de 21 anos, em 5 de agosto de 1854. Além dos pais, a influência de terceiros é fundamental a um medalhão. Uma questão é fundamental. Para ser medalhão, deve-se ter experiência, normalmente, alcança-se após os 45 anos. No diálogo, feito a portas fechadas, o pai desenrola toda a matéria necessária para o filho se tornar um medalhão: “antes das leis reformemos os costumes”, frase que, segundo ele, resolve rapidamente todo problema. Com o conto, compreendemos o porquê de as formas de ascensão social estarem arraigadas a estruturas arcaicas e patriarcais do exercício do poder. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

Labareda (2025), de Gabriela Romeu, é um original Leiturinha, ilustrado por Bruna Lubambo, que vibra ao som dos tambores e ao brilho dos cabelos dos caboclos de lança. A história é sobre o Maracatu Rural, originário da Zona da Mata, em Pernambuco, festa típica do carnaval brasileiro , principalmente em Olinda e Recife. A melhor forma de fechar agosto, mês do Folclore, é trazer um livro brasileiro, recém-lançado, que brinca e dança para abrilhantar temas como identidade e pertencimento. Esta produção vem com nossa parceria com o maior clube de assinaturas de livros infantis do Brasil. Gabriela Romeu é paulista, jornalista e documentarista, tendo rodado o território brasileiro, do Complexo da Maré no Rio, à floresta Amazônica, das margens do Oiapoque até os pampas. Quando viajou para a Zona da Mata pernambucana, teve a inspiração para escrever. Assim surge a protagonista: uma menina fascinada por esta festa de carnaval. O texto dela não conta tudo de cara, mas explora com sutileza três gerações: a menina, sua mãe e sua avó, entrelaçado com esta festa cultural. "Labareda" é um original vibrante. Ao passar as páginas, revela-se o conto com linguagem narrativa , poética e sensorial. Quem é assinante, recebe surpresas todos os meses.A boa notícia é que Leiturinha forneceu um cupom exclusivo nosso, para os planos UNI e DUNI, por tempo limitado, que dá Frete Grátis por um ano!CUPOM: LEITURADEOUVIDOBasta acessar: http://leiturinha.com.br/?utm_source=influenciadores&utm_medium=social&utm_campaign=LEITURADEOUVIDO_PODCAST&PIN=LEITURADEOUVIDOAssine e aproveite todos os benefícios do maior Clube de Assinaturas de Livros Infantis do Brasil, que é uma solução completa para as famílias que desejam inserir a leitura desde a primeira infância. Boa leitura!#momentoleiturinha #leiturinha✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O delírio” é o Capítulo VII de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis (1839-1908), romance publicado em folhetins na Revista Brasileira, de 15 de março a 15 de dezembro de 1880. Já no ano seguinte, assume a forma de livro, com o espanto dos leitores diante do romance escrito por um defunto, dedicado “ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver” e que termina com a celebração “metafísica”, do quase nada que fora a vida do autor, um Cubas! elegemos hoje um dos 160 capítulos que podem ajudar a compreender a prosa que se tornou um divisor de águas na vida de Machado e também na Literatura Brasileira, posto que esta narrativa marca a passagem do Romantismo para o Realismo. O casamento não é mais o centro das atenções! Brás Cubas atribui ao sacramento bulhufas de atenção. E demora-se em seu próprio nariz, no entorno de seu leito de morte. O capítulo do delírio pode até ser tomado como um conto, mas há nele fragmentos que podemos considerar fios de ouro para analisar as Memórias. Note que o Realismo aqui tem toques de Naturalismo, do homem decompondo-se como autor defunto e parodiando esta situação. Contudo, é interessante a maestria machadiana que neste capítulo “O delírio", atravessa o portal do Realismo Fantástico. Neste famoso capítulo “O delírio”, Brás Cubas viaja à origem dos séculos e segue quase o fim dos tempos. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“Olhos verdes” é poesia amorosa que Gonçalves Dias (1823-1864) fez para o grande amor de sua vida, Ana Amélia Ferreira do Vale, uma mulher por quem ele se apaixonou no Maranhão em 1846 e que sim, tinha olhos verdes! O poema é feito em estrofes de oito versos, com combinações entre redondilhas maiores e redondilhas menores. Nessa estrutura, Gonçalves Dias trabalha diversas figuras de linguagem, destacando-se principalmente três: metáforas, comparações e antíteses. O eu-lírico vê os olhos dela como esmeraldas, compara-os à cor do prado e à cor do mar, bem como ao espelho. Ao mesmo tempo, une sentimentos antagônicos: vida e loucura; amor e morte; o que põe às claras o amor não correspondido, já que o casamento entre eles foi impedido pela mãe de Ana Amélia, que desaprovava a relação devido à origem mestiça do poeta. Por isso, em suas poesias líricas e em cartas trocadas com amigos, esta paixão frustrada é um dos temas recorrentes. Em “Olhos verdes”, Dias insiste no estribilho: “Que ai de mim / Nem sei qual fiquei sendo / depois que os vi!”, o que confere ritmo e musicalidade ao conjunto de versos e também rememora a poesia lírica trovadoresca, por reiterar o sentimento. Neste episódio fizemos ainda “a concha e a virgem” e “sonho de virgem”, poemas que enfatizam sua fissura por donzelas. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“Romance do pavão misterioso” (1923) é possivelmente uma das histórias de cordel mais conhecidas, publicado pelo paraibano João Melquíades Ferreira da Silva (1869-1933). É uma obra singular da literatura brasileira e nordestina, pois o poema tem 141 estrofes com seis versos cada, em 34 páginas do folheto. Escrito nos anos 20, já teve mais de 50 reedições. E por trás dela há uma polêmica de autoria. Alguns a atribuem a João Melquíades Ferreira da Silva, outros, a José Camelo de Melo Resende. Os versos são praticamente idênticos, em ambos os folhetos. "Romance do Pavão Misterioso" narra a trajetória de dois irmãos turcos e ricos: João Batista e Evangelista. Um deles resolve viajar e o irmão pede-lhe um presente. Quando o mano Batista leva um retrato da moça ao Evangelista, ele enlouquece de amores e parte logo para a Grécia, com o intuito de ter com ela. Mas para isso é preciso tempo e um bom plano, por isso procura um engenheiro, dr. Edmundo. É da cabeça do artista que surge a engenhoca, um aeroplano em forma de pavão. Com ele, Evangelista acessa o alto do sobrado e adentra ao quarto da condessa. O fortuito é um mistério e todos os soldados são postos para descobrir como a invasão, que parece sobrenatural, acontece. O pavão misterioso lembra a história hindu muito antiga do Pañcatantra, fábula da literatura sânscrita baseada no conto “O tecelão e o construtor de carruagens”. Outra inspiração pode ser a ave celestial Garuda, a espécie de "homem pássaro”, ou o pássaro que transporta o deus Vishnu. Garuda é um emblema nacional na Indonésia e na Tailândia. E inspira filmes e jogos, como Street Fighter, onde Garuda é um dos personagens guerreiros. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

"A Terra dos meninos pelados" (1939) é uma novela de Graciliano Ramos (1892-1953) em 23 capítulos. No mundo criado pela cabeça do menino “RaiMUNDO”, não há cabelos: os olhos são de duas cores, um olho preto e outro azul. Além de diversos meninos e meninas iguais a ele, na história há fábula, com diversos seres falantes, como: automóvel, laranjeira, tronco, rã, pardal, aranha vermelha, cigarra e guariba. Neste universo caminha-se sempre para a frente, não é preciso voltar. Eles não envelhecem, são sempre meninos. É um texto que trabalha a fantasia e a diversidade. Ensina sobre fazer amigos e a viver em sociedade. O livro de Graciliano recebeu o Prêmio de Literatura Infantil do Ministério da Educação, em 1937. É este episódio que elegemos para inaugurar nossa parceria com Leiturinha, o maior Clube de Assinatura de Livros Infantis do Brasil. Leiturinha forneceu um cupom exclusivo nosso, para os planos UNI e DUNI, por tempo limitado, que dá Frete Grátis por um ano!CUPOM: LEITURADEOUVIDOBasta acessar esse Link:http://leiturinha.com.br/?utm_source=influenciadores&utm_medium=social&utm_campaign=LEITURADEOUVIDO_PODCAST&PIN=LEITURADEOUVIDOAssine e aproveite todos os benefícios do maior Clube de Assinaturas de Livros Infantis do Brasil, que é uma solução completa para as famílias que desejam inserir a leitura desde a primeira infância. Ter o clube traz muita praticidade no dia a dia com a criança, além de reforçar os vínculos afetivos familiares, porque a hora da leitura juntos vai gerar o desenvolvimento da criança de uma forma muito divertida. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“Via láctea” é uma prosa poética de Fernando Pessoa, na escritos da Parte II - Grandes Trechos, de O Livro do Desassossego, composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. A Parte I - Diário de Bernardo Soares, é atribuída a este semi-heterônimo. O episódio de hoje é o último título e trecho da parte II do livro. Na edição portuguesa que temos da Assírio & Alvim, os editores afirmam não ser certo de que todo o trecho corresponda ao subtítulo “Via Láctea”, que talvez esta reflexão talvez se acabe em: “(…) daquilo a que chamavam ‘Natureza". Ou seja, a continuidade, “Em mim o que há de primordial é o hábito e o jeito de sonhar”, li-a se uma anotação Segunda Parte. Neste trecho, o ator português fala a todo o tempo de sonho e de sensações, fazendo amplo uso de aliterações como: “sequestradas sensações sentidas”, “nácar de inúteis”, "álias e alamedas”, entre outros. Como ele chama o texto de “Via Láctea”, somos tentados a questionar: a cabeça de um homem é um universo ou o universo sabe na cabeça de um homem? Pois com essas linhas poéticas ele filosofa por um mundo inteiro, acreditando que “sonhar é possuir”e ainda, "só o que importante é o que o sonhador vê”. E ainda afirma: “eu sonho-me em mim mesmo e de mim escolho o que é sonhável”. Como sugere o narrador, que se façam muitas “fotografias com a máquina do devaneio”, posto que através de conhecer-se inteiramente, conhece-se a humanidade toda. É com toda essa pulsação de vida que celebramos o Dia do Escritor, neste 25 de julho. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“A Biblioteca”(1922) é um conto de Lima Barreto (1881-1922) que remete a pensar na história de um homem arrependido, que é o farmacêutico Fausto Carregal, filho do conselheiro Fernandes Carregal, tenente-coronel de Engenheiros e lente da Escola Central. O pai deixa a ele de herança uma rica biblioteca (sua e de seu pai), recheada de livros, em especial de Química, que eram sua grande paixão. Diante desses livros-relíquia do pai e do avô, ele se questiona: “Por que não estudara?” Assim, deposita essa esperança em seus filhos. Nenhum dá para a coisa. O autor brasileiro constrói uma espécie de mito do Fausto, não só por dar esse nome ao seu personagem, mas também porque o homem fica a viver o eterno ciclo de começo e recomeço de esperança, com cada filho que tem. “A biblioteca” como conto foi publicado póstumo, em 1922. Ele foi incluído em coletânea de contos após sua morte. Há outro texto homônimo a esse, de 1915, que é uma crônica, publicada por Lima no Correio da Noite, 13-1-1915 - no qual narra sua experiência como leitor, indo à Biblioteca Nacional. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“A noiva do som” é um conto de João do Rio (1881-1921) que está no livro Dentro da Noite (1910). Nele vamos conhecer a história da menina tísica e romântica Carlota Paes, que parecia uma ninfa virada em anjo da saudade, na janela de sua velha casa, muita branca e muito loura, naquele bairro pobre. Em contraponto, o conto inicia na alta sociedade, com barões e madames conversando na hora do chá, quando o inconsolável Barão demonstra sua tristeza por ter visto enterrar “a última mocinha romântica”. É uma história que toma partido das emoções que a música feita no piano e o ecoar das notas musicais podem tomar o corpo e a alma. Até a noite em que, na casa ao lado, começa a apreciação de “um turbilhão contínuo de notas” que passa a ser o motivo de existência de Carlota Paes, pois o som exprimia o inexprimível. A partir deste momento, a narrativa faz uma descrição de amor carnal, de alma, um eclipse total de paixão. Os concertos de piano se iniciam em junho e vão culminar em noites de agosto, já que cada nota lhe exprimia um sentimento, em dois meses de um amor incorpóreo, até exprimir a modulação do passamento da moça concomitante com os acordes. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“In extremis” é conto que envolve e comove, de Júlia Lopes de Almeida (1862-1934), publicado no livro Ânsia Eterna (1903). O termo latino, que significa em caso extremo, no último momento ou por um triz, vai narrar o triângulo amoroso de dr. Seabra, o marido experiente de sobrancelhas grisalhas, com sua fresca e jovem esposa Laura e o jovem moribundo Bruno Tavares. O moço, nunca se declarara, mas a amizade que ambos mantinham - e era espiada com ciúmes mordidos pelo marido, abordava várias nuances do ideal do amor: poesia, flores, luar e estrelas, música, e outros, com ardor e esperança. O conto inicia com o casal se arrumando para ir à corrida de cavalos, quando dr. Seabra, admirando sua esposa, resolve propor a ela que passem antes à casa de Bruno Tavares, posto que, sabedor da amizade de ambos, acha melhor avisar que Bruno está muito mal, à beira da morte. A história se faz de silêncio e de olhares, sensibilizando o leitor até o ponto culminante de ação dos personagens. Fica claro a eles e a quem está lendo, que Laura pode agir para salvar (a alma) do seu amor, com o leite da sua carne, o sangue da sua vida. Mas é muito bonita a opção narrativa, posto que constrói-se um gesto sem a volúpia e a paixão sensual, mas com piedade e ternura, como se Laura acabasse por amá-lo "como mãe”. Tudo isso, apenas após a autorização do marido, igualmente através do olhar, que ela suplicou sem palavras, quando viu Bruno desfalecendo. Nesta construção, nas entrelinhas, Júlia trabalha a pauta da emancipação das mulheres. A escritora foi uma das primeiras feministas brasileiras. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“O gato brasileiro (1898) é conto de Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930) no qual temos uma curiosa ponte Brasil-Inglaterra, no século XIX. É narrado por Marshall King, sobrinho do rico Lord Southerton, de quem ele esperava herdar dinheiro suficiente para sustentar seu futuro. Mas o tio era mesquinho e ele tenta acesso ao seu sustento indo visitar no solar de Greylands, o primo desconhecido Everard King, que vai se revelar um lobo em pele de cordeiro, apesar de Marshall ouvir de todos muitos elogios para seus parentes. Acontece que o narrador é também mercenário e interesseiro. O primo tinha retornado recentemente do Brasil e morava numa propriedade extensa, na qual espalhou diversos animais exóticos trazidos do país tropical para a Inglaterra. Havia pássaros, cervo, javali, tatu e, o que ele chamava de jóia da coleção, o gato brasileiro, que media três metros e meio e ele comprou na região de selva na nascente do Rio Negro. O primo se demora para apresentá-lo o exemplar e seus hábitos, pois tem imenso encanto pelo gato brasileiro. Neste conto de Conan Doyle - que não há Sherlock Holmes em ação! -, evoca igualmente a necessidade dedutiva do leitor, para descobrir os passos de vilania que vão se desenrolando na história. O que move os dois homens é o dinheiro e poder. Um texto que permite contemplar um desenlace duvidoso da natureza humana. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

“Vida Moinho” (2019) é o livro de poesias que dá continuidade à carreira literária do escritor paulista e engenheiro metalúrgico Eduardo Barchiesi (1944). Aqui está uma seleção de dez, dos pouco mais de 40 poemas publicados de maneira independente, neste episódio bônus do Leitura de Ouvido, comissionado pelo autor, na estreia deste nova possibilidade de vitrine aos autores contemporâneos, no podcast que transforma linhas em ondas sonoras. Hoje você vai conhecer: “A dor das coisas que não passam”, “Amor crespuscular”, “De pernas pro ar”, “Dear Mr. Charles Darwin”, “Epifania”, “Letras fatais”, “O céu da cidade”, “Pavio curto”, “O universo e a mosca na sopa” e o homônimo “Vida Moinho”. Seu poemário trabalha a vida e a subjetividade humana a partir do encontro do trágico e do cômico. Com uma ironia fina e jogos de palavras, a obra explora o eu a partir dos encontros e desencontros do eu com o Outro. O livro aborda o drama desse Eu persona poética em suas relações tragicômicas com um Tu (representado pelo próximo) e com alguns Eles (que são os outros) num contexto bem comezinho. A partir desse jogo, os poemas apontam as possíveis consequências dessas interrelações na vida das pessoas, tratando assim daquilo que constrói, define e afeta a subjetividade humana. O livro pode ser adquirido direto pelo autor, que reside em Vinhedo, São Paulo. Siga-o nas redes sociais (@eduardo_barchiesi). Boa leitura!Se você é escritor(a) e gostaria de comissionar um episódio produzido por nós, escreva para leituradeouvido@gmail.com Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

O Clube Leitura de Ouvido vai ser um ambiente muito especial para os superfãs do podcast que transforma linhas em ondas sonoras. Uma vez por mês, vamos nos encontrar numa sala virtual, quando Daiana Pasquim vai realizar as Notas de Rodapé ao vivo, de episódios já publicados no podcast. Ela vai contar curiosidades da produção, falar do autor, fazer análise do texto; e os membros do Clube Leitura de Ouvido vão interagir com suas leituras! Vamos enviar o texto-tema com antecedência, para que você possa escutar, ler anotando, pra interagir bastante em cada encontro. Pra nós também vai ser uma forma fluída de sempre ter interações para seguir melhorando nosso trabalho.Para se tornar membro, entre em nosso financiamento coletivo a partir de R$ 20 mensais, em https://apoia.se/leituradeouvidoOu Apoie pela chave PIX: leituradeouvido@gmail.comO que pedimos é sempre o mínimo, para seguirmos com os microfones ligados.Mês de junho entrou para a tradição como o de maior karma na história do LdO. Ano passado, foi quando anunciamos que corríamos sério risco de não conseguir manter o podcast!Em 2025, tivemos essa redução drástica! Soluções criativas e ainda mais recompensas é o que estamos tentando fazer, para conseguir continuar com a publicação gratuita dos episódios, todas as sextas-feiras. Se não houver apoio, o podcast vai ter que parar...Por isso, o Clube Leitura de Ouvido é uma nova recompensa. Esperamos que, com o encontro virtual mensal e ao vivo, mais pessoas se interessem em apoiar. E quem parou, possa retornar.Nossa equipe guerreira de duas pessoas, segue se desdobrando para produzir, sem falta, todas as semanas. Direção, curadoria e narração: Daiana Pasquim - https://www.instagram.com/daianapasquim/Direção, edição, trilha de abertura, arte de capa: Lucas Piaceski - https://www.instagram.com/lucaspiaceski/Uma produção da nossa Rocka Studioshttps://youtu.be/tN9FGFoP59Q

“Abadias e catedrais” é um ensaio de Virginia Woolf publicado originalmente na revista Good Housekeeping em maio de 1932, que hoje pode ser lido em Cenas Londrinas. É um tipo de texto contemplação da vida, no qual a escritora britânica traça um panorama sobre como as coisas funcionam, a partir dos status sociais que conquistam, em especial, após a morte. Ela centra-se em tentar responder: “Onde então ir-se em Londres para encontrar paz e a certeza de que os mortos dormem e descansam em paz?” Entre as necessidades humanas, a agitação da juventude ou a tristeza da velhice, é preciso ter discernimento. De um lado, um local onde "os mortos dormem em paz, sem provar nada, sem testemunhar nada, sem exigir nada exceto que desfrutemos a paz que seus velhos ossos nos fornecem”; de outro, “Pare, reflita, admire, fique atento a seus próprios rumos - essas antigas placas estão sempre nos aconselhando e exortando”. Todo o ensaio se constrói a partir da comparação entre três espaços sacros: a Catedral St. Paul, que é nobre, mas não misteriosa e onde os túmulos estão em colunas, abrigando estadistas com seus uniformes e medalhas; a Abadia de Westminster, onde jazem reis, rainhas, duques e príncipes, aos quais Virginia questiona as virtudes - além de terem sido bem-nascidos; e St. Clement Danes, onde narra a celebração de um casamento, paralelo aos burburinhos da vida moderna. Boa leitura! Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

“História do cachorro dos mortos” é um poema de literatura de cordel do paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918) que narra uma tragédia, causada por um homem mal caráter, que dizima uma família completa de cinco pessoas. Resta apenas um cachorro, chamado “Calar”, que sem articular palavras, vai realizar uma saga dantesca para desmascarar o assassino de seus donos. No instante da morte da moça Angelita, ela pele a Calar que vingue a sua família, evocando três testemunhas: o cachorro, a árvore gameleira e as flores. O crime de emboscada acontece em uma encruzilhada que será palco de outros momentos da narrativa. Acompanhamos a história do cachorro por três anos, posto que se inicia em 1806 e se conclui em 1809, na Bahia. E após vingar a morte dos donos, quando o cão fiel busca ficar junto aos seus, o narrador conta a história da adoção de Calar, um competente e fiel cão caçador. Diferenciado neste cordel é que Leandro Gomes de Barros reserva à última estrofe, um acróstico com as letras de seu nome, o que nos faz pensar que teria inspirado a história em um acontecimento real, ocorrido em solo bahiano. Fato é que este poema de cordel revela como a alma humana pode ser vil e como o cachorro por ser fiel. Há no texto personagens humanos bons, que conduzem as descobertas de pistas, que o cachorro esforça-se para dar. E a família dizimada também era de boa fé e trabalhadora. Com estes elementos, o texto tece uma capciosa crítica social.Boa leitura! Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

“Romance Mínimo” é um conto sardo da escritora Grazia Deledda (1871-1936), primeira italiana a ser agraciada com o Nobel de Literatura, em 1926. Não se engane com o título no diminutivo, pois o amor que o protagonista irá descrever pode matar se não for correspondido: “jovem, rico, belo e aristocrático como eu”, qualifica-se. O conto é rico em ambientação, compõe-se uma história romântica em descrições, com dois jovens apaixonados, uma paixão fulminante, que é rememorada vinte anos depois, retornando à época em que ele era um elegante estudante de Direito. Toda a história se faz com três personagens, perpassando as emoções da nobre família dos Maxu, a mais rica da aldeia, dos seus 16 aos 23 anos, com seu pai aristocrático cavaleiro montanhês que vivia caçando javalis nos imensos bosques de azinheiras; e a prima órfã Gabriella, ou Gella, que chega à casa deles com 14 anos. Enquanto vai se apresentando e contando suas vivências, o menino, que não revela seu nome, centra os ocorridos no sobrado fresco e alegre da família, que lembra uma casinha chinesa de porcelana. Boa leitura! Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

“Um poeta lírico” (1880) é conto de Eça de Queirós (1845-1900) para conhecermos a história de Korriscosso, um jovem grego poeta apaixonado que, por uma série de fatores, acaba tendo que trabalhar servindo no restaurante de um hotel, em Londres. É ali que o nosso narrador viajante vai conhecer o rapaz, que "era um carão longo e triste, muito moreno, de nariz judaico e uma barba curta e frisada, uma barba de Cristo em estampa romântica”. Aqui se tem uma das tiradas descritivas de Eça, mas o texto é repleto delas, pois é muito bem ambientado em cenários e personagens. Faz envolventes descrições da guarda-livros do hotel, do amigo Bracolletti, de Fanny, por quem Korriscosso está apaixonado. Mas a frase mais pungente do texto é: "o serviço impede-lhe o trabalho.” Ao narrar a desventura do poeta frustrado, leva o leitor a refletir sobre todos os serviços que impedem uma pessoa de fazer o que realmente gosta. O narrador viajante de Eça irmana-se muito com o próprio autor, pois Eça foi um escritor muito viajado e as suas obras são repletas de descrições de viagens. O conto tem a potência de inserir o leitor em um domingo ou em uma estadia, em Londres. Boa leitura! Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

“O sonho”, “Conselhos a seus filhos” e o soneto "Amada filha, é já chegado o dia”, são poesias da mineira Bárbara Heliodora (1759-1819), a primeira poetisa brasileira, além de ativista política e mineradora. Ela destacou-se no período setentista mineiro, foi a companheira do famoso poeta do Brasil Colônia e inconfidente, Alvarenga Peixoto (1744-1792), que foi preso e degredado para Angola, por conta da Inconfidência Mineira. O casal emprestava a sua casa para reuniões deste movimento político separatista, organizado pela elite socioeconômica da Capitania de Minas Gerais. Antes de ir para a África, quando ainda na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, Alvarenga Peixoto escreveu-lhe o poema: "Bárbara Bela do Norte estrela que o meu destino sabes guiar”, que produzimos no desfecho deste episódio, como forma de evidenciar a fundamentalidade de Bárbara em sua vida, um poema que, nas entrelinhas, pode revelar traços biográficos da autora. Haverá no Leitura de Ouvido este único episódio sobre Bárbara Heliodora. Pois não há dela mais escritos que tenham ficado na história, embora ela já fosse poeta, quando se uniu a Alvarenga Peixoto, que conheceu antes dos 20 anos. Seus cadernos de poesias foram destruídos pelos soldados, quando invadiram a residência do casal para prender Alvarenga Peixoto e buscar provas cabais contra a Inconfidência Mineira. Boa leitura!Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

“Angústia” (1886), de Anton Pavlovitch Tchekhov (1860-1904) é uma história que privilegia a interação social para a experiência humana infalível a todos: o luto. O conto, que começa no crepúsculo, vai nos envolvendo na atmosfera de escurecimento que acometeu o personagem, o cocheiro Yona Potapov, há quase uma semana, desde o falecimento de seu filho. Fisicamente, ele e sua égua estão “enterrados” em vida, pela neve incessante que cai sobre suas cabeças e ombros. A narrativa nos conta algumas horas na vida do cocheiro, pelas ruas de Petersburgo com sua égua, única real companheira. Inclusive, o narrador promove certa humanização no animal, quando afirma que a égua estava mergulhada em pensamento. Sua angústia da perda só é ligeiramente aplacada quando leva algum passageiro. Tudo o que Yona mais quer é uma pessoa que possa escutá-lo. Mas diante da multidão, não encontra ninguém solícito a isso. Ao contrário, a postura dos passageiros, mesmo quando ele revela que está de luto pelo filho, é extremamente dura e insolente, chegando a animosidade até mesmo no maltrato físico, quando o grupo de jovens que ele transporta ameaçam lhe dar um “pescoção”. Estranhamento, mesmo xingado, ele sai momentaneamente da solidão: “Que senhores animados!” Em pleno século XIX, a pauta mais presente no conto de Tchekhov é a de que ninguém está interessado no outro. O que ele narraria hoje? Boa leitura!Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

“O futuro presidente” (1889) é um dos 30 contos de Julia Lopes de almeida (1862-1934) em Ânsia Eterna (Garnier, 1903). A história perpassa duas horas de devaneio de uma mãe muito apaixonada por seu filho. A mulher é inominada, mas tem uma descrição que se encaixa em muitas: "uma mulher maltratada, magra, de olheiras fundas e dedos calejados, curvava-se para diante, pregando botões numa camisa para o Arsenal”. O fato de não dar nome à sua personagem amplifica o engajamento do leitor com a história, por poder imaginar o nome que quiser, de uma pessoa de perfil bem parecido que conhecera na vida. Faz bem dizer que a história enlaçada por Júlia está depositando esperanças na mudança de regime, posto que a República tem como pressuposto a democracia, uma igualdade maior entre os povos. A mulher está muito dedicada a uma costura, até altas horas da noite, maior meio de subsistência da família que tem um bebê na mais tenra idade, cujo pai tem restrições laborais, por conta do acidente que o invalidou parcialmente. Enquanto o bebê apenas dorme serenamente, destaca-se com bonitas descrições a vontade materna: "meu filho há de ser bom”, quando o devaneio da costureira é tido como douradas quimeras, sonhos que voavam pelo azul de sua fantasia. Boa leitura!Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

“Última noite” é um comovente texto de crítica social de João do Rio (1881-1921), que está no livro Dentro da Noite (1910). O conto é um dos mais aclamados do escritor e nos apresenta o jovem português Armando que, aos 20 anos é sem trabalho, sem teto, sem alimentação correta, que cultiva um estômago sem exigências - pois já perdeu a noção do almoço; e que arranja-se para dormir de favor no camarim do teatro, durante os espetáculos ou no trem, durante o percurso de uma passagem de ida e volta, com o pouco dinheiro que arranja em jogos; e, para jogar, muitas vezes ele ainda empresta dinheiro. Como que o rapaz chegou a essa situação de fome, miséria e morador das ruas do Rio de Janeiro? Veio de Portugal para ficar com o tio padre, mas este estava amancebado com uma mestiça, o que forçou o garoto a sair de casa. Armando “descia a rampa da vida”, pálido, mas "ainda tinha o tipo sensual adolescente”. Entre enleias sociais e desvelos do destino, João do Rio vai nos apresentar um desfecho, como o próprio título indica, tratando ao mesmo tempo a tragicidade com a prosa poética, enquanto Armando caminha desolado sob o luar e a poesia misteriosa de sua luz. É uma história comovente. Boa leitura!Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

“O descendente" é um conto de H.P. Lovecraft (1890-1937) que se debruça sobre o mistério do livro de horror escrito em letras góticas, o Necronomicon, do árabe louco Abdul Alhazred, surgido em 730 a.D. Centra-se na vida de lorde Northam, que tem uma história muito remota e sinistra e, já na velhice, é um homem que vive com um gato em uma pousada e que grita, quando ouve os sinos da igreja. Vamos compreender como ele é “O Descendente”, tendo sido um estudante e pesquisador na juventude, erudito e esteta, que esgotou, uma por uma, as fontes da religião formal e do mistério oculto. Sobre o castelo que ele herda de sua família, no litoral de Yorkshire, contam-se muitas histórias estranhas. Um dos pontos mais surpreendentes de “O descendente” é a revelação ao leitor, que se trata do mesmo protagonista de “A cidade sem nome”, produção que você pode conferir no primeiro ano do podcast. Isso revela-nos o projeto da obra lovecraftiana e, portanto, produzimos o conto que vem em seguida no livro “A história do Necronomicon”, que encerra com a cronologia da obra, dando várias pistas soltas sobre a escritura, traduções e o paradeiro atual dos poucos exemplares que restaram, ao longo dos séculos. Boa leitura!Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

Há dúvidas quanto a autoria completa de Tomás Antonio Gonzaga quanto à Terceira Parte de Marília de Dirceu, dizem que os versos foram atribuídos a ele. A Terceira parte é formada por nove liras, uma canção, 14 sonetos e uma ode. Dirceu se despede de Marília em “A uma despedida”, quando condenado e na iminência da partida para o degredo Africano para a Ilha de Moçambique. Aqui, a lira canta em repetição, por 12 vezes: “Ah! não posso, não, não posso dizer-te, meu bem, adeus!” Na Lira I, o eu-lírico faz um diálogo com Cupido, uma vez que vai visitar seu castelo e por seus olhos se descortinam as maiores histórias de amor que já se teve notícia no mundo da mitologia, com direito a artimanhas para conquistar. Nesta parte final, nota-se que fora escrita um tanto fora de época, ou até mesmo antes das liras, sonetos mais precedentes, onde cita outros amores. Uma prova é a mudança da grafia de “oiro” para “ouro”, bem como seus derivados, como “tesoiro" para “tesouro”. A Terceira Parte termina com uma Ode que enlaça o Rio Jaquitinhonha, o rio que nasce em Minas Gerais e vai dar no Oceano Atlântico, depois de atravessar a Bahia. É personagem homenageado Luís Beltrão de Gouveia, fiscal dos diamantes em Minas, na época, a quem ele dedica a Ode. Nela, Gonzaga enaltece a riqueza do estado, superior às maiores riquezas. Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

Com o amor entre Tomás Antonio Gonzaga e Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão (Vila Rica, 8 de novembro de 1767 - Vila Rica, 9 de fevereiro de 1853), ela foi uma das mulheres envolvidas na Inconfidência Mineira. À época da prisão de Tomás Antônio Gonzaga, eles eram noivos. Ele, inconfidente, foi preso em 23 de maio de 1789, em Vila Rica, por suposto envolvimento na Conjuração Mineira. Neste momento, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, já havia sido morto e esquartejado há um mês, em 21 de abril de 1789. Também conhecida como Inconfidência Mineira, foi um movimento separatista que ocorreu em 1789 na capitania de Minas Gerais, com o objetivo de conquistar a independência de Minas Gerais da Coroa Portuguesa. A primeira lira começa esperançosa, apesar da prisão, ele promete que pintará um novo quadro. Mas passa por muitos momentos de dúvidas e desesperança. A palavra morte entra várias vezes, enquanto Gonzaga se agarra à figura do Cupido, como forma de se manter firme no amor por ela. Refere-se à passagem do tempo, as estações, as mudanças da natureza: “mudam-se a sorte dos homens; só a minha sorte não? Emenda falando de seu envelhecimento e perecimento da juventude, pois está longe de Marília. Ele narra os infortúnios e queda: “Tiraram-me o casal e o manso gado, nem tenho, a que me encoste, um só cajado”. Encaminhando-se para o desfecho da segunda parte, Dirceu canta a lira XXXIV, voltada ao casamento deles. “Pintam que entrando vou na grande Igreja: pintam que as mãos nos damos, e aqui vejo subir-te à branca face a cor mimosa, a viva cor do pejo”. A última lira desta parte é feita de uma extensa interlocução com a deusa cega, a Justiça - e marcada por muitas perguntas, tanto da parte da juíza, quanto do réu. E a conclusão, é que é tempo perdido. Boa leitura!Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

Marília de Dirceu (1792) são liras de Tomás Antonio Gonzaga (1884-1810), que começaram a ser publicadas em 1792, ano em que o amor entre o poeta luso-brasileiro e a moça mineira Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão já existia há uma década. No início da paixão, a moça era uma adolescente de apenas 15 anos, enquanto ele tinha 38 e já era magistrado, com obras publicadas. Era comum os poetas árcades escreverem com pseudônimos. Gonzaga escrevia com o pseudônimo Dirceu. Sua amada, portanto, passa a ser sua Marília, ambos colocados na condição de pastores, contemplando os campos e convivendo com os animais, cultivando amor. Fundamental para compreender as Liras é situar que essas belas letras produzidas no Estado do Brasil, colônia do Império Português, compreendem-se no período histórico conhecido como “Arcadismo” ou Neoclassicismo. E é justamente a condição de colônia e tudo a que a força lusitana impunha é que o amor entre ambos não se pode realizar, uma vez que no meio do caminho, há a Inconfidência Mineira, quando o poeta é preso, condenado e degredado na África para o resto de sua vida. Se o fato histórico separou seus corpos, a força dessas liras prova a força as quais estavam ligadas essas almas, a profunda força do Amor. Aqui no Leitura de Ouvido, você terá a oportunidade de contemplar e aprender o livro inteiro, em especial em nossas Notas de Rodapé. Em três semanas, concomitantemente, até 18 de abril. A Primeira é composta por 33 liras, de caráter bucólico e idealizador, em que o eu lírico fala de seu amor por Marília e elogia sua amada.Boa leitura!Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com

“Os cavalos de Abdera” (1906) é o conto do escritor argentino Leopoldo Lugones (1874-1938) que incorpora ao idioma espanhol o conto fantástico, ao feitio de Edgar Allan Poe. Para seu contemporâneo e admirador, Jorge Luís Borges (1899-1986), “Os cavalos de Abdera” resultam em umas das páginas mais bem logradas das literaturas de língua espanhola. Trata da história de Abdera, cidade trácia do Egeu, no Egito, que atualmente é Balastra. Esta cidade eleva o adestramento aos cavalos a nível supremo, com educação tão esmerada que, ao ter sua inteligência elevada, além de sentarem-se à mesa e exigir peixes e cânhamo (planta de Cannabis composta por suas sementes, fibras e caule), os cavalos começam a se rebelarem contra os homens, cercando suas muralhas. Com as exigências e violências insurgidas pelas animais, a cidade e a civilização inteira fica à beira da catástrofe, à mercê da massa, da multidão urbana inquieta e logo revoltosa. O desfecho que Lugones aplica para essa humanização da raça equina - que inclusive usa cobertores de lã, possui cemitério com pompas burguesas e obras de arte, tem nomes de pessoas e se comunica pela palavra - é a aparição de um ser místico e mitológico, por sobre a copa das árvores na floresta. É como se a civilização fosse resgatada "pela intervenção de um super-homem, um duce, cuja aparição causa alívio e pavor em igual medida”. (Samuel Titan Jr., 2006) Inicialmente na forma de um leão, o ser herói é compreendido como Hércules. Podemos nós interpretar como se, ao domar os cavalos, ele tivesse cumprindo um 13º trabalho? Boa leitura!Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim:https://bit.ly/desenrolecomleituraPara adquirir o Trincas e/ou o Verde Amadurecido, escreva para leituradeouvido@gmail.com